Universidade do Sul de Santa Catarina

Disciplina na modalidade a distância

Criminalística e Investigação Criminal

Palhoça UnisulVirtual 2006

Apresentação
Este livro didático corresponde à disciplina Criminalística e Investigação Criminal. O material foi elaborado visando a uma aprendizagem autônoma, abordando conteúdos especialmente selecionados e adotando uma linguagem que facilite seu estudo a distância. Por falar em distância, isso não significa que você estará sozinho. Não esqueça que sua caminhada nesta disciplina também será acompanhada constantemente pelo Sistema Tutorial da UnisulVirtual. Entre em contato sempre que sentir necessidade, seja por correio postal, fax, telefone, e-mail ou Espaço Unisul Virtual de Aprendizagem. Nossa equipe terá o maior prazer em atendê-lo, pois sua aprendizagem é nosso principal objetivo. Bom estudo e sucesso! Equipe UnisulVirtual.

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Maria Carolina Milani Caldas Opilhar Criminalística e Investigação Criminal Livro didático Design instrucional Carmen Maria Cipriani Pandini Palhoça UnisulVirtual 2006 .

Pandini. 122 p. Site:www. ISBN 85-60694-33-1 ISBN 978-85-60694-33-4 1. design instrucional Carmen Maria Cipriani Pandini. 2. Inclui bibliografia. – Palhoça : UnisulVirtual.Rodrigues issa M aria Eugênia Ferreira Cel eghin Dênia Fal de Bittencourt cão ( iar) Auxil Simone Andréa de Castil ho El Fl isa emming Luz Charl Cesconetto es Viní M aycot Seraf cius im Enzo de Ol iveira M oreira Diva M aríia Fl l emming Fl Lumi M atuzawa ávia El Fl isa emming Luz Karl Leonora Dahse Nunes a Pr odução I ndustr e ial I tamar Pedro Bevil aqua Leandro Kingeski Pacheco Suporte Janete El Fel za isbino Ligia M aria Souf Tumol en o Arthur EmmanuelF.Educação Super a Distância Vir ior Cam pusUnisul tual Vir Rua João Pereira dos Santos. virtualunisulbr .SC . Título. 303 Pal . Ficha catalográf elaborada pela Biblioteca Universitária da Unisul ica Cr éditos Unisul.Univer sidade do Sulde Santa Catarina Unisul tual.Sil veira Jucimara Roesl er ( coordenador) Lil Cristina Pettres ( iar) M árcia Loch ian Auxil Patrí M eneghel cia Francisco Asp Lauro JoséBalock l Sil Denise Guimarães vana LuizGuil herme Buchmann Tade-Ane de Amorim Figueiredo Pr etosCorpor oj ativos Vanessa de Andrade M anuel LuizOtávio Botel Lento ho Diane DalM ago Vanessa Francine Corrêa M arcel Caval o canti Vanderl Brasil ei Viviane Bastos M auri LuizHeerdt Viviani Poyer M auro Faccioni Fil ho Secr ia de Ensino a etar M ichele Denise DurieuxLopes l Distância Logí de Encontr stica os Destri Karine Augusta Zanoni Pr esenciais Nél Herzmann io ( secretária de ensino) Carol Batista ( ine Coordenadora) Dj Sammer Bortol Onei Tadeu Dutra eime otti Araceli Aral l di Patrí Al cia berton Carl Cristina Sbardela a l Graciel M arinês Lindenmayr e Patrí Pozza cia Grasiel M artins a JoséCarl Teixeira os Raul Jacó Brüning ino James M arcelSil Ribeiro va Letí Cristina Barbosa cia LamuniêSouza Kênia Al exandra Costa Hermann Liana Pampl Design Gr áfico ona iveira Cristiano Neri Gonçal Ribeiro M arcia Luzde Ol ves M aira M arina M artins Godinho Priscil Santos Al a ves ( coordenador) M arcel Pereira o Adriana Ferreira dos Santos M arcos Al M edeiros Junior cides Logí de M ater stica iais Al Sandro Xavier ex M aria I Aragon sabel Jef erson Cassiano Al meida da Evandro Guedes M achado Ol Laj avo ús Costa Priscila Geovana Pagani l Edição – Livr Didático o Pr ofessorConteudista M aria Carol M il Cal ina ani das Opil har Design I ucional nstr Carmen M aria Cipriani Pandini Pr eto Gr oj áfico e Capa Equipe Unisul Virtual Diagram ação Pedro Teixeira Revisão Or áfi ca togr B2B . I. Crime e criminosos.Copyright © UnisulVirtual 2006 N enhum a parte desta publicação pode ser reproduzida por qualquer m eio sem a prévia autorização desta instituição. 341. Maria Carolina Milani Caldas Criminalística e investigação criminal : livro didático / Maria Carolina Milani Opilhar . .88130-475 hoça Fone/ax:( 3279-1541 e f 48) 3279-1542 E-mail cursovirtual : @unisulbr .598 O69 Opilhar. 2006. II. 28 cm. . ReitorUnisul Gerson LuizJoner da Sil veira Vice-Reitore Pró-Reitor Acadêm ico Sebastião Sal Heerdt ésio Chefe de gabinete da Reitor ia Fabian M artins de Castro Pr ó-ReitorAdm inistrativo M arcus Viní Anátol da cius es Sil va Ferreira Cam pusSul Diretor:Val Al Schmitz ter ves Neto Diretora adj Al unta: exandra Orseni Cam pusNorte Diretor:Ail Nazareno Soares ton Diretora adj Cibel unta: e Schuel ter Cam pusUnisul tual Vir Diretor:João Vianney Diretora adj Jucimara unta: Roesl er Equipe Unisul tual Vir Adm inistr ação Renato AndréLuz Val Vení I mir cio nácio Fernando Roberto Dias Zimmermann Higor Ghisi Luciano Pedro Paul Al Teixeira o ves Raf Pessi ael Vil M artins Fil son ho ( coordenador) Eduardo Kraus Sil Henrique Sil vana va Secr ia Executiva etár Viviane Schal M artins ata Tecnol ogia Osmar de Ol iveira BrazJúnior ( coordenador) Ricardo Al exandre Bianchini Rodrigo de Barcel M artins os M onitor e Supor ia te Raf da Cunha Lara ael ( coordenador) Bibl iotecár ia Adriana Sil veira Soraya Arruda W al trick ine Equipe Didático-Pedagógica Carol M endonça Edison Rodrigo Val im Angel M arçalFl ita ores Coor denação dosCur sos l Carmen M aria Cipriani Pandini Franciele Arruda Adriano Sérgio da Cunha a inverni Barbieri Carol Hoeler da Sil Boeing Gabriel M al ina l va Ana Luisa M ül bert Gisl Frasson de Souza ane Cristina Kl de Ol ipp iveira Ana Paul Reusing Pacheco a Josiane Conceição Leal Daniel Erani M onteiro W il a l Cátia M el S. Carmen Maria Cipriani. Inquérito policial. : il.

. . 11 UNIDADE 1 – Criminalística . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 117 . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 109 Referências . . . . . . . . . . . . . . . . 33 UNIDADE 3 – Investigação policial . . . 111 Sobre a professora conteudista . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 69 UNIDADE 5 – Limites da Investigação Criminal . . . . . . .Sumário Palavras da professora . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 17 UNIDADE 2 – Metodologia de redação de laudos periciais . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 115 Respostas e comentários das atividades de auto-avaliação . . . . . . . . . . . . . 49 UNIDADE 4 – Técnicas de Investigação Criminal . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 91 Para concluir o estudo . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 09 Plano de estudo . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .

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na condição de prova técnica e irá conhecer alguns modelos de laudos periciais. concebidas como as provas técnicas produzidas pelos peritos. que é objeto da criminalística. conservação e exame dos vestígios. de suma relevância à investigação criminal. de suma importância para apuração da materialidade e autoria do crime. faço breves comentários sobre o conceito e o histórico da Polícia. assunto relevante para compreender a função investigação criminal na atualidade. Para tanto. mencionando as competências das Polícias dispostas pela Constituição . coleta. O livro aborda. Você terá a oportunidade de estudar também como se constituem os locais de crime. que segue padrão metodológico importante para a sua compreensão. a importância do isolamento e da preservação de provas na área onde o crime foi cometido e sobre os procedimentos empregados no exame de levantamento de local.Palavras da professora Prezado(a) aluno(a): O presente livro tem por objetivo estudar a Criminalística e a Investigação Criminal. Em seguida. ainda. você vai estudar mais detalhadamente sobre as perícias. possibilitando a confecção do laudo de exame de levantamento de local. possibilitando a realização da prova pericial. inicio apresentando o tema a partir do seu conceito para possibilitar uma compreensão contextualizada sobre o conjunto de conhecimentos acerca da pesquisa. Na parte que aborda a Investigação Criminal. a metodologia de redação de laudos periciais.

você terá a oportunidade de conhecer os limites da investigação policial. com o objetivo de apurar infrações criminais. Dentre estas normas. apresento e discuto o conceito da investigação criminal. concebendo-a como o trabalho realizado pelas Polícias Federal e Civil. algumas técnicas de investigação criminal. que necessita atuar sempre respeitando normas materiais e processuais inerentes a um Estado Democrático de Direito. Espero que o conteúdo tratado neste livro traga informações e subsídios úteis ao seu cotidiano de trabalho e que possa minimizar os problemas de Segurança Pública existentes no Brasil. no qual a investigação criminal é formalizada. neste contexto. Profa. de competência exclusiva das Polícias Federal e Civil. considerando ser imprescindível ao êxito da atividade investigativa policial à adoção de metodologia e técnicas adequadas. constatando tratar-se de procedimento sigiloso. todas atuando nas suas atribuições com a finalidade de prover segurança à sociedade. porquanto a busca pela prova na atividade investigativa não é absoluta. Por fim.Federal de 1988. Em seguida. inquisitivo e informativo. você terá a oportunidade de estudar sobre o inquérito policial. Neste estudo. Cito. Maria Carolina . amealhando provas técnicas e testemunhais para subsidiar o processo criminal. importante mencionar os direitos fundamentais elencados pela Constituição Federal de 1988. dentre outros órgãos.

Investigação Criminal. O EVA (Espaço Unisul Virtual de Aprendizagem). Conceito de investigação criminal. O processo de ensino e aprendizagem na UnisulVirtual leva em conta instrumentos que se articulam e se complementam. a construção de competências se dá sobre a articulação de metodologias e por meio das diversas formas de ação/mediação. Conceito de prova. Locais de crime. Metodologia de redação de laudos periciais. a distância e presenciais). Conceito e histórico da polícia. São elementos desse processo: O Livro didático. Perícias. Ele possui elementos que o ajudarão a conhecer o contexto da Disciplina e a organizar o seu tempo de estudos. Atividades de avaliação (complementares. . Ementa Criminalística. Inquérito policial. Evolução histórica da prova criminal. Modelos de laudos periciais. Conceito.Plano de estudo Plano de Estudo O plano de estudo visa a orientar você no desenvolvimento da Disciplina. portanto. Técnicas de investigação criminal.

a necessidade do isolamento para a preservação das provas e os procedimentos empregados no exame de levantamento de local. Conhecer o inquérito policial. Descrever as técnicas de investigação criminal e estar apto a aplicá-las. seu conceito e sua evolução histórica. Objetivos da disciplina Geral Obter conhecimento teórico acerca da criminalística e da investigação criminal. Conhecer a metodologia aplicada para a redação de laudos periciais. Específicos Conhecer os conceitos e objetivos da criminalística. Descrever as perícias e a sua importância como prova criminal.Carga horária 60 horas-aula. Saber acerca dos locais de crime. 12 . Conhecer a prova criminal. Compreender os conceitos e objetivos da investigação criminal.

O sucesso nos seus estudos depende da priorização do tempo para a leitura.Criminalística Unidade 2 . da realização de análises e sínteses do conteúdo. 13 . Não perca os prazos das atividades. Registre no espaço a seguir as datas.Metodologia de Redação de Laudos Periciais Unidade 3 . e da interação com os seus colegas e tutor. Use o quadro para agendar e programar as atividades relativas ao desenvolvimento da Disciplina.Limites da Investigação Criminal Agenda de atividades/ Cronograma Verifique com atenção o EVA.Investigação Criminal Unidade 4 .Unidades de estudo: 5 Unidade 1 . com base no cronograma da disciplina disponibilizado no EVA. organize-se para acessar periodicamente o espaço da Disciplina.Técnicas de Investigação Criminal Unidade 5 .

Atividades
Avaliação a Distância 1 Avaliação a Distância 2 Avaliação Presencial

Demais atividades (organize sua agenda)

Estudar as perícias. 1 Seções de estudo Seção 1 Criminalística: conceituação Seção 2 Perícias Seção 3 Locais do Crime Seção 4 Levantamento pericial: procedimentos empregados no exame do local .UNIDADE 1 Criminalística Objetivos de aprendizagem Compreender a Criminalística como um conjunto de conhecimentos científicos utilizados para a elaboração da prova pericial. en fatizando a importância do isolamento da área onde ocorreu o delito. os locais de crime e os procedimentos empregados no exame de levantamento de local.

considerando que. contrariada. É interessante notar que a investigação policial é formalizada através de peça preliminar e informativa denominada inquérito policial. esta também chamada de Polícia Judiciária. As competências das Polícias serão objeto de discussão. 18 . este é remetido ao Poder Judiciário. é mais difícil de ser refutada. nos estudos anteriores. SEÇÃO 1 . que o policiamento ostensivo. serão detalhadas posteriormente. o qual subsidia o processo criminal. crime e delito. Você teve a oportunidade de ver. Concebendo-se a perícia como prova primordial para a elucidação dos delitos. via de regra. por ser científica. Vamos ao estudo. Este trabalho é feito através da investigação policial. preventivo compete à Polícia Militar e a apuração das infrações penais compete às Polícias Federal e Civil. porém. Também. a autoria e estabelecer as condições em que o crime ocorreu. atua repressivamente. Após a conclusão do inquérito policial. é dever de Estado e é exercida por diversas Polícias. procurando demonstrar a existência do fato criminoso. dentre outros. a Carta Magna definiu as competências das Polícias. Em seu artigo 144. a autora apresenta como sinônimos os termos infração penal. após a prática do crime e o seu objetivo é a elucidação dos delitos.Criminalística: conceituação Não deve lhe ser novidade que a Constituição Federal de 1988 estabelece que a segurança pública.Universidade do Sul de Santa Catarina Para início de estudo As Polícias Investigativas mais avançadas priorizam a prova pericial. no nosso País. dispondo. Neste livro. então? Comecemos pelo conceito. que a Polícia Civil. o estudo da Criminalística afigura-se como de extrema relevância. as Polícias do Brasil que têm como competência a apuração de crimes vem seguindo este norte. que poderá valer-se das provas amealhadas na fase policial durante o processo criminal e na prolatação da sentença.

As Polícias Investigativas mais avançadas do mundo têm como prioridade o trabalho pericial. Via de regra.Criminalistica e Investigação Criminal Neste contexto. 2002:22). (ESPÍNDULA. desde a simples falta de capacidade da pessoa em relatar determinado fato. menos sujeito a falhas do que a prova testemunhal.. podendo ocorrer uma série de erros. Já a prova técnica é científica. É o chamado sistema da persuasão racional adotado pelo artigo 157 do Código de Processo Penal Brasileiro. Ocorre que analisando as sentenças criminais verificase a prevalência da prova pericial sobre as demais. portanto. onde exista a intenção de distorcer os fatos para não se chegar à verdade. até porque muitas delas necessitam serem feitas imediatamente ou logo após a prática do crime. temos um sistema processual penal que permite todos os meios de prova. mais difícil de ser contestada. ainda. enquanto que as chamadas provas subjetivas dependem do testemunho ou interpretação das pessoas. A Enciclopédia Saraiva de Direito conceitua Criminalística como sendo: Unidade 1 19 .) a prova pericial é produzida a partir de fundamentação científica. com o mesmo valor probatório. até o emprego de má-fé.. o que pode relativizar o valor probatório do que foi dito na fase policial. discorre: (. No Brasil não há hierarquia entre as provas e o Juiz pode decidir de acordo com a sua consciência. as pessoas ouvidas na Delegacia de Polícia são reinquiridas em Juízo. a perícia é realizada na fase policial. o trabalho pericial é de suma importância. É importante notar. Acerca deste tema Espíndula (2002). pelos motivos já expostos. que no sistema processual penal brasileiro. objetiva. Os laudos periciais são realizados através de conhecimento advindo da Criminalística. desde que o faça motivadamente. Desse modo. para demonstrar materialidade e autoria do crime. a princípio.

21. e difere da Criminologia que estuda o perfil do criminoso. Toxicologia Forense e Hematologia Forense.. da psiquiatria. da antropologia. Criminalística pode ser conceituada como: (. etc.28) José Del Picchia Filho (1982). Criminalística (. da conservação e do exame dos vestígios.5).. 20 . A Criminalística é também denominada Polícia Científica. 1982. da psicologia. (PORTO. ou seja. 1960. utilizando-se de subsídios da química. defender. São disciplinas que integram a Criminalística.) Conjunto de conhecimentos que. de molde a sermos conduzidos à descoberta do criminoso.) que cogita do reconhecimento e análise dos vestígios extrínsecos relacionados com o crime ou com a identificação de seus participantes. Balística Forense. p. preferiu abordá-la como disciplina (. p. (ENCICLOPÉDIA SARAIVA DE DIREITO. indica os meios para descobrir crimes. Segundo Garcia. (DEL PICCHIA FILHO. v.. reunindo as contribuições das várias ciências.) sistema que se dedica à aplicação de faculdades de observação e de conhecimento científico que nos levem a descobrir. Locais de Crime. da coleta. possibilitando à Justiça a aplicação da justa pena”. 2002. Documentoscopia. (GARCIA.319).. Gilberto.. da prova objetiva ou material no campo dos fatos processuais. Odontologia Legal. cujos encargos estão afetos aos órgãos específicos. Papiloscopia.. dentre outras. que são os laboratórios de Polícia Técnica. identificar os seus autores e encontrá-los. Polícia Técnica ou Policiologia. Segundo Gilberto Porto. que são consideradas ciências auxiliares do Direito penal. da datiloscopia. e os motivos que o levaram à prática do crime.Universidade do Sul de Santa Catarina (. pesar e interpretar os indícios de um delito..) trata da pesquisa. p.. Medicina Legal. da medicina legal.. 1997:486).

que apresenta o organograma abaixo: Unidade 1 21 . o trabalho pericial é realizado pelo Instituto Geral de Perícias.Criminalistica e Investigação Criminal Em Santa Catarina.

Para ampliar seus conhecimentos sobre o conteúdo tratado sugerimos: DEL PICCHIA FILHO. 9 ed. Ismar Estulano. Manual de Criminalística. Escola de Polícia de São Paulo.A seguir. 1960. Goiânia: AB Editora. José. GARCIA. Tratado de documentoscopia.Universidade do Sul de Santa Catarina Você que reside em outro Estado. Como funciona o Instituto Nacional de Perícias? Socialize a investigação no Espaço Virtual de Aprendizagem. PORTO. faça uma pesquisa sobre o assunto. p.28 . você vai estudar o objeto que trata das provas e os procedimentos de perícia. Use o espaço abaixo para registrar sua pesquisa. 22 . 319. 1982. Gilberto. Inquérito . 2002 p. Inquérito – Procedimento Policial.Procedimento Policial. Editora Universitária de Direito: São Paulo.

. sob pena de nulidade processual. Nos crimes que deixam vestígios. O corpo de delito. Prova Criminal é aquela utilizada para demonstrar ao Juiz a veracidade ou falsidade da imputação feita ao réu e das circunstâncias que possam influir no julgamento da responsabilidade e na individualização das penas. Há diferenciação entre corpo de delito e exame de corpo de delito. abrangendo. as declarações das vítimas e o interrogatório dos suspeitos ou indiciados. Unidade 1 23 . visando provar a materialidade do crime e apontar o autor. no sentido amplo. é o conjunto de vestígios deixados pelo criminoso. Um das perícias realizadas trata-se do exame de corpo de delito. por sua vez. Segundo Garcia (2002).. nos termos do artigo 158 do Código de Processo Penal Brasileiro. Segundo JESUS (2002). o exame de corpo de delito é um auto em que se descrevem as observações dos peritos e o corpo de delito é o próprio crime na sua tipicidade.) é o conjunto de técnicas usadas.Perícias A investigação policial tem como foco a obtenção de provas criminais que podem ser testemunhais e técnicas.Criminalistica e Investigação Criminal SEÇÃO 2 . Você sabe a diferença entre provas criminais e técnicas? As provas técnicas são as perícias. As prova testemunhais são constituídas pelos depoimentos das testemunhas. e são formadas pelas evidências materiais do crime. realizadas por peritos criminais. o exame de corpo de delito é obrigatório. perícia (.

as perícias devem ser realizadas por duas pessoas idôneas. GARCIA. Dessa forma. 9 ed. Não havendo vestígios. Inquérito – Procedimento Policial. inclusive o exame de corpo de delito.) local de crime é toda área onde tenha ocorrido um fato que assuma a configuração de delito e que. afogamento. 18 ed. estupro. nos outros casos. 24 . há exame de levantamento de local de homicídio. O exame de levantamento de local deve ser diferenciado de acordo com a natureza da ocorrência. onde houver e.. São Paulo: Saraiva. de preferência. suicídio. sejam realizados por dois peritos oficiais. disparo de arma de fogo e outros. acidente de trânsito. o exame de corpo de delito é imprescindível. Portanto. Para saber mais sobre o assunto que foi tratado sugerimos: DAMÁSIO.. portanto. SEÇÃO 3 . 319. havendo vestígios. dano. portadoras de diploma de curso superior. Ismar Estulano. p. furto qualificado. Goiânia: AB Editora.Locais do crime Segundo Kedhy. 1963:11). É importante ressaltar que o artigo 159 Código de Processo Penal Brasileiro determina que todos os exames periciais. (.157. Jesus. 2002. incêndio. 2002. escolhidas. p.Universidade do Sul de Santa Catarina Dispõe o artigo 167 do Código de Processo Penal Brasileiro: “Não sendo possível o exame de corpo de delito. Código de Processo Penal Anotado. a prova testemunhal poderá suprir-lhe a falta”. (KEDHY. entre as que tiverem habilitação técnica relacionada à natureza do exame. exija as providências da polícia. por haverem desaparecido os vestígios. a prova testemunhal é apta a suprir o auto de exame de corpo de delito.

2002: 324). que. 2002: 3). Por essa razão. quando das providências de isolamento e preservação. Esclarece Alberi Espíndula (2002) que: (. que devem sempre ter em mente a importância da proteção do local do crime. possibilitando. A alteração do local de crime é prevista como infração penal. (.. Pena – detenção de um mês a um ano e multa. o qual significa todo material bruto que o perito constata no local do crime ou faz parte do conjunto de um exame pericial qualquer. sem licença de autoridade competente. importante destacar que todo elemento encontrado naquele ambiente é denominado de vestígio. para a investigação criminal.. Unidade 1 25 . (GARCIA. e. o aspecto de local especialmente protegido por lei.) diante da sensibilidade que representa um local de crime. conseqüentemente. levadas a efeito pelo primeiro policial. conseqüentemente. somente após examiná-los adequadamente é que poderemos saber se este vestígio está ou não relacionado ao evento periciado. um levantamento pericial eficaz.. para a preservação dos vestígios.Criminalistica e Investigação Criminal Isolamento e preservação das provas e vestígios essenciais à investigação O isolamento do local de crime é a primeira providência a ser tomada e é responsabilidade dos policiais e peritos. nada poderá ser desconsiderado dentro da área da possível ocorrência do delito (ESPINDULA.) isolamento é a proteção a fim de que o local permaneça sem alteração.. pelo artigo 166 do Código Penal: Alterar.

a fim de induzir a erro o agente policial. o estado de lugar. através de suas marcas de percussão. é possível constatar se foi deflagrado por aquela arma. desenhos ou esquemas elucidativos. parte de uma munição deflagrada. um estojo. na pendência do respectivo procedimento policial preparatório. parte de uma munição deflagrada. com vítima. tendo como objetos de exame o projétil e a arma de fogo de um suspeito. um projétil. 26 . também tipificou como crime a alteração de local de acidente de trânsito: Inovar artificiosamente. em caso de acidente automobilístico. ainda que não iniciados. é possível verificar se ele foi expelido pelo cano daquela arma. o inquérito ou o processo aos quais se refere. Da mesma forma. no artigo 312. apreendido na cena do crime. sendo objeto de exame com arma de fogo. Não obstante. o procedimento preparatório. a autoridade providenciará imediatamente para que não se altere o estado das coisas até a chegada dos peritos. Através do Laudo de Comparação Balística. inquérito policial ou processo penal. O inciso II deste artigo menciona que a autoridade policial deve apreender os instrumentos e todos os objetos que tiverem relação com o fato. e que apenas após o exame de levantamento de local é possível a apreensão de qualquer material encontrado na cena do crime. Apenas a título de exemplo. ou multa. que poderão instruir seus laudos com fotografias. Parágrafo único: Aplicar-se o disposto neste artigo. quando da inovação. a prática demonstra que nada deve ser alterado até a chegada dos peritos no local.Universidade do Sul de Santa Catarina O Código Brasileiro de Trânsito. o perito ou juiz: Pena: detenção de seis meses a um ano. pode vir a elucidar a autoria de um homicídio. Dispõe o artigo 169 do Código de Processo Penal Brasileiro: Para efeito de exame de local onde houver sido praticada a infração. de coisa ou de pessoa. O artigo 6º do Código de Processo Penal enumera as providências que devem ser tomadas tão logo o delegado de polícia tenha conhecimento do fato delituoso.

transporte de evidências. utilizados em todos os exames de levantamento de locais. Após concluído. fotografia. 2002:326). d) anotação do horário de solicitação do exame. (GARCIA. que podem ser. observações prévias ou exame do local. exame das evidências em laboratório. b) preparação do material utilizado no exame.. avaliação e interpretação. São eles: Procedimentos anteriores ao exame a) anotação do endereço do fato. Exame preliminar da cena do crime: o que é necessário fazer? Unidade 1 27 . e redação de laudo. Espíndula (2002) elencou alguns procedimentos a serem realizados nos exames de locais de crimes contra a vida.) isolamento.Levantamento pericial: procedimentos empregados no exame do local O levantamento pericial é o trabalho pericial realizado nos locais de crime.. o levantamento pericial dá origem ao laudo de exame de levantamento de local. Segundo Garcia (2002). desenho ou croqui. uma perícia completa de levantamento de local necessita de várias fases a saber: (.Criminalistica e Investigação Criminal SEÇÃO 4 . coleta e embalagem de evidências. c) reconhecimento do tipo de solicitação (natureza do exame). via de regra.

com nível de detalhe exigido para cada caso. em espiral. independente da complexidade do local. condições atmosféricas. condições de visibilidade. etc. escolha do tipo de padrão a ser utilizado na busca de vestígios (em linha. em grade. em quadrantes. Anotações gerais da cena do crime: o que registrar? data e hora do início dos exames. tais como: marcas de solado.). visualização geral da cena do crime e verificação da adequação do isolamento. dentre outras. formulação dos objetivos do exame. Croqui da cena do crime: o que é e como fazer? O croqui é o desenho do local do crime. condições topográficas da área.Universidade do Sul de Santa Catarina entrevista com o primeiro policial a chegar no local do fato visando à tomada de informações relativas ao histórico. que deve prever especial atenção às evidências facilmente destrutíveis. Neste desenho recomenda-se incluir: 28 . completa análise das vias de acesso. condições de iluminação. busca de vestígios. descrição do local. localização exata do evento. devendo sempre ser apresentado. impressões em poeira.

medidas que forneçam a exata posição das evidências encontradas na cena do crime. Qual a importância das fotografias da cena do crime? As fotografias. Segundo Garcia. que irá permitir futuras consultas”. janelas. internas e externas. por tratar-se de uma ”reconstituição permanente da ocorrência. 2002:326). coordenadas geográficas em locais abertos (obtidas por mapas ou GPS).Criminalistica e Investigação Criminal dimensões de portas. Unidade 1 29 . são imprescindíveis para a elaboração do laudo de exame de levantamento de local. As evidências devem ser anotadas no croqui e fotografas antes da sua coleta. distâncias entre objetos. visando à sua admissão como provas em um processo. (GARCIA. distâncias de objetos até pontos específicos. também discorre sobre o processamento do local: coleta. Os dois peritos de local devem efetuar a coleta de todas as evidências. móveis. caso necessário. como vias de acesso (entrada e saída). Espíndula (2002). a fotografia é o mais perfeito dos processos de levantamento de local de crime. identificação e preservação das evidências. Quais os procedimentos de coleta? Todas as evidências devem ser coletadas de forma legal.

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O que fazer na identificação?

Todas as evidências devem ser cuidadosamente identificadas. As marcas identificadoras podem incluir iniciais, números, etc., os quais permitam ao perito que realiza a coleta reconhecer, em data posterior, cada evidência como aquela coletada na cena do crime.

Qual a importância da preservação?

Cada item das evidências deve ser colocado em um recipiente ou invólucro adequado à natureza de cada material, tais como sacos plásticos, envelopes de papel, caixas que necessitam ser corretamente identificados e vedados ou lacrados; Evidentemente, que técnicas especiais deverão ser aplicadas de acordo com o delito praticado. Algumas recomendações específicas deverão ser aplicadas nos locais de morte por precipitação, por ação do calor, por arma de fogo, por afogamento, por envenenamento, por aborto e outros. - Leia, a seguir, a síntese da unidade, realize as atividades de Autoavaliação e consulte o saiba mais para ampliar seus conhecimentos acerca do assunto estudado.

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Criminalistica e Investigação Criminal

Síntese
Nesta unidade você teve a oportunidade de ver que, de acordo com a Constituição Federal de 1988, que a atividade investigativa criminal é realizada, dentre outros, pela Polícia Federal e pelas Polícias Civis dos Estados, estas também chamadas de Polícias Juridiciárias. A atividade de investigação criminal consiste na apuração dos crimes, que é feita através da busca de provas, periciais ou testemunhais. As provas periciais são técnicas, realizadas por peritos criminais e são formadas pelas evidências materiais do crime. As prova testemunhais são constituídas pelos depoimentos das testemunhas, abrangendo, no sentido amplo, as declarações das vítimas e o interrogatório dos suspeitos ou indiciados. A pesquisa, coleta e produção das provas periciais compete à Criminalística. Via de regra, o trabalho pericial exige imediatidade. A título de exemplo, o exame residuográfico de verificação de pólvora exige a condução do suspeito imediatamente após a prática do delito. O exame de lesões corporais e de verificação de aborto exige lapso temporal curto entre o crime e o exame. Considerada a importância da prova pericial e científica é imprescindível o isolamento e a preservação do local do crime. Falhas no isolamento do local do crime podem impossibilitar a produção da prova pericial. Vestígios deixados no local do crime podem levar ao autor. Como exemplo, um simples estojo componente de munição ou projétil componente de munição, encontrado em local de homicídio mediante disparo de arma de fogo, pode, através de perícia, ser prova crucial para demonstrar autoria.

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Atividades de auto-avaliação
1) Analise as questões abaixo e assinale verdadeiro ou falso, conforme a proposição. Confira se atendeu as expectativas no final do livro didático. ( ) Nos crimes que ocorreram mediante disparo de arma de fogo, a apreensão de estojos no local não é importante, posto que não é possível realizar perícia comparativa entre o estojo e a arma de fogo. ( ) Nos crimes que ocorreram mediante disparo de arma de fogo, a apreensão de projéteis no local possibilita a realização do laudo de identificação de projéteis e, quando a arma é apreendida, o laudo de comparação balística. ( ) O rol de provas elencados no Código de Processo Penal Brasileiro é exemplificativo. ( ) O sistema de provas previsto no Código de Processo Penal Brasileiro é o da íntima convicção. ( ) A prova testemunhal pode suprir a prova pericial quando a infração penal não deixar vestígios.

Saiba mais
Para saber mais sobre o conteúdo tratado acesse: http://www.espindula.com.br e leia o artigo: Função pericial do Estado. http://www.abcperitosoficiais.org.br/arti.htm e leia o artigo: Isolamento e preservação de locais de crime com cadáver.

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Conhecer alguns modelos de laudo pericial.UNIDADE 2 Metodologia de redação de laudos periciais Objetivos de aprendizagem Conhecer a forma como são elaborados os laudos periciais. 2 Seções de estudo Seção 1 O Laudo pericial: caracterização Seção 2 Modelos de laudo pericial .

cada qual com as suas peculiaridades. de forma geral. Domingos e ESPINDULA. dentre eles podemos destacar: a) laudo de levantamento de local.Universidade do Sul de Santa Catarina Para início de estudo Todos aqueles que queiram se aprofundar no tema da segurança pública têm. b) laudo de identificação de projétil. que. Procedimentos e Metodologias. pode-se definir alguns requisitos inerentes a todos os laudos. considerações subjetivas. Alberi. podem ser adotados na confecção dos demais. Existem diversos tipos de laudos periciais. Toccheto elenca alguns itens a serem preenchidos na elaboração de laudo pericial relacionado a crimes contra o patrimônio. necessariamente. Não obstante. na sua forma e conteúdo. laudo de comparação balística. p. Cabe aos estudiosos do assunto segurança pública estarem aptos a interpretar e avaliar laudos periciais. SEÇÃO 1 . Veja quais são: TOCCHETTO. facilmente compreendido e assimilado. Não deve tecer juízos de valor. de forma geral.O Laudo pericial: caracterização O laudo pericial deve ser simples e preciso. d) laudo de exame cadavérico. laudo de constatação de danos. c) laudo de verificação de eficácia de arma de Fogo. 34 . mas fornecer objetivamente informações técnicas.50-54. Criminalística. de saber acerca da importância da prova pericial e conhecer a metodologia de redação dos laudos periciais.

Vamos lá? Preâmbulo ou Histórico Discriminar a data. tais como número de peças distinto do constante na requisição. Nos casos de exames em peças. este tópico destina-se à consignação de qualquer fato conflitante entre a requisição e o objeto de exame. bem como uma síntese do fato que originou a requisição da perícia e as providências tomadas referentes ao fato. ou que prejudicaram o andamento dos trabalhos periciais.Criminalistica e Investigação Criminal 1.Dos exames periciais. 7. a hora e o local em que for elaborado o laudo pericial. você terá a oportunidade de conhecer cada um deles. 5.Conclusão e/ou respostas aos quesitos. Preliminares Neste tópico. a data da requisição e/ou solicitação. bem como o objetivo geral dos exames periciais.Objetivo da perícia ou quesitos. um pequeno histórico da requisição. objetivos do exame incompatíveis com o tipo de peça a ser examinada.Fecho ou encerramento. 8. Informações fornecidas por autoridades.Preliminares. 3. neste tópico.Anexos. o nome do instituto e órgãos superiores aos quais está subordinado. o relator vai consignar as informações referentes à preservação e isolamento do local e quaisquer outras alterações que forem relevantes ao caso. 6.Preâmbulo ou histórico. Unidade 2 35 . Fazer. funcionários e proprietários devem ser relatados neste item.Considerações técnicas ou discussão. 4. tipo de laudo. nome do diretor e dos peritos signatários do laudo. A seguir. nome da autoridade que requisitou e/ou solicitou a perícia. peças que não estão discriminadas. 2.

Não é necessário que. mas seu conteúdo deve obrigatoriamente integrar o texto relativo aos exames periciais: a) do local: constitui a parte essencial. discussões. deixando para o tópico seguinte a respectiva análise e interpretação dos mesmos. Evitar informações. minuciosa. ao prédio. diagnósticos e conclusões. Aqui devem ser relacionados e devidamente descritos todos os vestígios constatados no exame pericial. ao cômodo. é de bom alvitre que os peritos descrevam com certa precisão quais são os objetivos periciais pertinentes àqueles exames. etc. A descrição deve ser metódica. clara. constem de forma explícita os subitens seguintes. convém distribuí-los em capítulos conforme sua natureza e interdependência. é preciso citá-la na ordem em que a mesma foi aplicada. fiel. como o acesso ao terreno. Deve-se ater somente à descrição dos vestígios. os quais deverão estar contidos na requisição da perícia ou nos quesitos formulados. 36 . quais os objetivos a serem buscados na perícia. Dos Exames Periciais Discriminar todas as técnicas e métodos empregados e os respectivos exames levados a efeito naquela perícia.Universidade do Sul de Santa Catarina Objetivo da Perícia ou quesitos Descrever. objetiva. Descrever conforme a ordem de maior importância. Quando for empregada mais de uma técnica na realização de um determinado exame. à gaveta. de exames macroscópicos para exames microscópicos. Não sendo especificado na requisição os objetivos da perícia. hipóteses. nos exames periciais. As técnicas ou métodos empregados devem sempre partir do geral para o particular. Quando os fatos forem variados. conforme consta na requisição. b) dos vestígios: partindo-se das indicações (referências) maiores para as menores (detalhes). síntese do observado.

afastando-se as hipóteses capazes de gerar confusão. Conclusão e/ou respostas aos quesitos A conclusão pericial inserida no laudo pericial devem ser. Obviamente que vestígio determinante. deve estar caracterizado pela sua condição autônoma associada ao seu significado no evento em estudo. exposto. têm-se apenas duas situações viáveis. de analisá-los. ou seja: somente quando nos restar uma possibilidade para aquele evento. Enfim. Em muitos casos. no conjunto dos vestígios constatados e examinados. Unidade 2 37 . depois de cotejadas. Buscar a coerência ou não dos elementos observados e anteriormente citados. sob a ótica técnico-científica é que pode-se concluir de forma categórica. dissipar dúvidas ou ajustar obscuridades.Criminalistica e Investigação Criminal Considerações Técnicas ou Discussão Do histórico e das descrições (local e vestígios) defluem as conclusões. em certos casos há necessidade de cotejar fatos. neste caso. A conclusão deve obedecer a critérios técnicos conforme já recomendados. de maneira a facilitar a compreensão e entendimento por parte dos usuários do laudo pericial. conduzirão e subsidiarão a conclusão. evidenciando-se aquelas que. uma conseqüência natural do que já fora argumentado. há um que. Confrontá-los com a normalidade. este vestígio determinante pode estar associado a outros elementos de convicção técnico-científica. Porém. Através da discussão asseguram-se conclusões lógicas. obrigatoriamente. Para chegar-se a essa única possibilidade. por si só. demonstrado e provado tecnicamente nos tópicos anteriores do laudo. determinante. relatar neste tópico as análises e interpretações das evidências constatadas e respectivos exames. A primeira situação é quando. Veja exemplo para entender melhor esse conceito.

nos locais correspondentes aos focos forem retiradas amostras de materiais que apresentem resultados positivos em exames laboratoriais. mesmo analisando-os em seu conjunto. os peritos não poderão fazer qualquer afirmativa conclusiva quanto ao fato. 38 . a situação na qual. Neste caso. existem várias situações em que os peritos poderão ter vários vestígios relacionados com o fato. não há elementos técnicos através dos quais possa ser fundamentada uma conclusão categórica. e que. mas se restar comprovado que tais focos eram isolados ou incomunicáveis. os peritos deverão apontar quais são e descrevê-los. a constatação de múltiplos focos iniciais não é um vestígio determinante por si só. Há. A segunda situação em que os peritos poderão ter apenas uma possibilidade será em um universo de vários vestígios. Neste caso. em pesquisa de vestígios de hidrocarbonetos voláteis. onde nenhum deles por si só seja determinante. em um local de incêndio. por vezes. no seu conjunto de informações técnicocientíficas levem a uma única possibilidade. onde nenhum deles por si seja determinante. se for encontrado um desses vestígios no local do crime. situações em que.Universidade do Sul de Santa Catarina Impressão digital individualmente é um vestígio determinante. ainda. não quer dizer que foi identificado o autor do crime e por conseqüência trata-se de um homicídio. mas. e em conjunto com as observações anteriores. através do seu exame ou de sua análise. salientando que os vestígios existentes são quantitativa e qualitativamente insuficientes para se chegar a uma conclusão categórica. Todavia. não será possível chegar a uma definição quanto ao diagnóstico. face à exigüidade de vestígios. o grau de clareza da ação dolosa será determinante para a caracterização e materialização do delito. mas apenas probabilísticos. não se observem vestígios materiais capazes de fundamentar uma conclusão. Existem. Por outro lado. apesar da existência de vestígios. Neste caso deve-se constar no laudo que.

etc. posteriormente. os peritos terão condições de eliminar algumas admissibilidades ou hipóteses. para auxiliar no contexto geral das investigações e. à justiça. Então. falta de preservação. delimitarem o trabalho dos investigadores de polícia. deve seguir o mesmo rigor técnico-científico já mencionado. Unidade 2 39 . ou de alguma técnica criminalística já consagrada ou de alguma lei da ciência de qualquer área do conhecimento científico. o perito deverá tomar todo o cuidado. de acordo com cada situação. tanto no exame quanto no texto dessas argumentações. ou de ambas. Em alguns casos concretos. com isso.Criminalistica e Investigação Criminal Mesmo que não seja possível uma conclusão categórica em uma determinada perícia. e. O técnico-científico se refere à técnica criminalística e o científico às demais leis da ciência. deve-se constar no laudo o tópico correspondente e. e. A eliminação de algumas das possibilidades na verdade é uma conclusão pela sua exclusão. da justiça. portanto. porém. não sendo possível concluir um laudo pericial. O perito poderá se valer. e.) . posteriormente. poderá ser levantada uma causa mais provável. nele informada a impossibilidade de conclusão face aos motivos que devem ser mencionados (exigüidade de vestígios. de forma clara e explicativa. para as suas conclusões.

Especialmente para evidenciar algum detalhe que o texto esteja se referindo naquele momento da argumentação. No entanto. todos os anexos que foram produzidos e que sejam necessários para acompanhar o laudo.Universidade do Sul de Santa Catarina Fecho ou Encerramento Analise um modelo de laudo e verifique os elementos que ele contém. As fotografias. foi feito em duas vias de igual teor. bem como se devolve todo o material. SEÇÃO 2 . acompanhadas pelos anexos (citar quais os anexos e o número dos mesmos). 415-416. Analise atentamente cada um deles: 40 . tais como. ao final. 2002:397-398. resultado de exames complementares.. ou logo abaixo. Classe e/ou cargo Anexos É necessário incluir.) páginas impressas em seu anverso... da parte do texto a que se refere tal assunto. pelos peritos da Seção de Crimes Contra o Patrimônio. Este modelos foram extraídos da obra “Inquérito e Procedimentos Policial” (GARCIA. etc. visando a melhor compreensão do mesmo. podem seguir esse mesmo critério. muitos recursos gráficos podem ser inseridos ao lado.Modelos de laudos Periciais Seguem abaixo alguns modelos de laudos periciais. 448-449). lacrados no envelope nº . composto por (. considerando os avanços da informática. Modelo de fecho ou encerramento de laudo pericial Este laudo. relatórios de outros peritos/profissionais. descrito no tópico documentos de exame. quando digitais ou digitalizadas. gráficos. fotografias. Local e data Nome dos peritos. estando ambas as vias autenticas com a rubrica dos seus subscritores.

3 – Dos Exames As peças motivantes e paradigmáticas foram examinadas a olho nu e por meios óticos adequados em busca e de hábitos gráficos característicos que. O documento encontra-se colado em uma folha de papel sem pauta apresentando no canto superior direito “24-Z”. JJ. do ano de .. contamos com padrões autênticos de JJ e JL. doc 05 e envelope... no Departamento de Criminalística. AA. (. Peças Paradigmáticas Como espécimes de confronto. foram confrontados entre si para uma possível origem comum ou não.7 cm e 6. uma vez determinados. 1... Peças Motivantes Trata-se de manuscritos apostos em um pedaço de papel sem pauta medindo aproximadamente 14.. é também autor das escritas gravadas no bilhete de fls.. conforme Ofício nº .O autor do Auto de Colheita de Material Gráfico Autêntico. tinta preta. 24..) Unidade 2 41 ... pelo Diretor LL foram designados PP e PQ para proceder ao exame pericial de documento. coletados pela Polícia Civil de São Paulo – DEGRAN – através do Dr. contidos em Auto de Colheita de Material Gráfico Autêntico. B) hábitos gráficos.. nesta Capital. Trata-se de envelope que apresenta manuscritos feitos com caneta dita esferográfica. Delegado Titular do 1ª DP. apresentando no canto superior direito o n. Fotomacrografias foram tomadas. e os assinalamentos necessários foram permitindo assim um controle da conclusão pericial.7 cm... C) que não haja divergências estruturais entre os dois grafismos..Criminalistica e Investigação Criminal a) LAUDO DE EXAME DE DOCUMENTOS Aos.. dias do mês de . doc06. fls. AB. é necessário que em ambos os seguintes valores sejam convergentes: A) habilidade gráfica. 4 – Quesitos e Respostas 1º . a fim de ser atendida requisição do Bel. 25? Resposta: sim Para que dois grafismos sejam aceitos como do mesmo punho. Encontra-se ele endereçado a SS e está colado a uma folha em branco. “25-z”.

.. PP 1º Perito PQ 2º Perito b) LAUDO DE EXAME DE ARMA DE FOGO Aos .. do ano de .. curta e de porte... 42 . g) Coronha guarnecida por talas de plástico pretas com inscrição “Cb.. 1 – Características das Peças Examinadas Aos peritos foram apresentados sete cartuchos intactos e um estojo calibre nominal 7. bem como com o logotipo da marca da arma.. no Departamento de Criminalística da Diretoria Geral da Polícia Civil.. nesta Capital. através do Ofício nº. bem como uma arma de fogo.. Goiânia.65 mm... . tendo as seguintes características: a) Marca Beretta.Universidade do Sul de Santa Catarina na carta de confronto em anexo. em desgaste.... foram designados os peritos PP e PQ para proceder ao exame pericial em arma de fogo.5 de diagonal máxima.65mm.. b) Fabricação italiana. dias do mês de .. de.. pelo Diretor LL. classificada como pistola semi-automática.. (....5cm de comprimento de cano X13. de marca CBC. e) Mecanismo de percussão central. f) Carregamento por pente... a fim de ser atendida requisição do Bel AA. i) Acabamento oxidado. c) N de série 683C09... os assinalamentos mais preponderantes estão em quantidade e qualidade suficientes para afirmarmos que as peças motivantes foram produzidas por JJ.) É o nosso relatório.. cão aparente e pino percursos isolado. Delegado do 1º Distrito Policial.. h) Dimensões: 8... 01 a 07.. BN”(lateral esquerda). de. Obs: O material examinado é devolvido com o presente laudo. d) Calibre nominal 7.

Portanto.... d) Há evidências de disparo recente? Resposta: Ver laudo químico. a resposta não só é afirmativa..65mm.. que. b) No estado em que se encontra. inclusive foi expelido pela arma de fogo aqui periciada. estado em condições de uso. c) A munição que a acompanha é do mesmo calibre da arma. de. É o relatório. PP 1º Perito PQ 2º Perito Unidade 2 43 . como também identifica a arma que o expeliu.. e qual o seu estado? Resposta: Sim. OBS: O material examinado é devolvido com o presente. 7. de . Seu calibre corresponde ao da arma.Criminalistica e Investigação Criminal j) OBS: Foi utilizado um cartucho em disparo experimental 2 – Funcionamento da arma O estado geral da arma é bom. ver item 2. está em perfeitas condições de uso? Resposta: Sim. e) O pedaço de chumbo pertence ao mesmo calibre da arma? Resposta: O pedaço de chumbo a que se refere o quesito é um projétil de arma de fogo calibre nominal 7. não apresentando suas peças quaisquer anomalias que impeçam seu funcionamento... Ver fotos 1 e 2. Goiânia.65mm. Está apta à realização de disparos 3 – Quesitos e Respostas a) Quais as características da arma periciada? Resposta_ ver item 1. ou seja..

. localizada na região parietal esquerda..Universidade do Sul de Santa Catarina c) LAUDO DE EXAME CADAVÉRICO Aos.. com saída na região bucinadora contra-lateral.8 com de diâmetro. dias do mês de . 1º . tortura ou outro meio insidioso ou cruel? Resposta: Prejudicado 5º ..Qual o instrumento ou meio que a produziu? Resposta: Pérfuro-contundente 4º . medindo 0.. no qual observamos: Descrições das lesões: 1 – ferida pérfuro-contusa. 3 – sem outras lesões. dia... com trajeto transfixando a língua e ramo mandibular esquerdo. Nada mais tendo sido constatado. no Necrotério do Instituto Médico-Legal..Qual a data do óbito? (especificar hora. Resposta: Óbito dia . logo abaixo do pavilhão auricular.. de ... logo acima do pavilhão auricular (orelha). Capital de Goiás. dias do mês de . nós. fogo. aos . procedemos ao exame CADAVÉRICO no cadáver que nos foi apresentado como sendo de SS (qualificação completa)./. de .. medindo 0.Foi produzida por meio de veneno. com área de chamuscamento.. explosivo. passamos a responder aos quesitos. 2 – ferida pérfuro-contusa.. localizada na região bucinadora (cochecha) direita.Qual a causa da morte? Resposta: Hemorragia intracraniana 3º . em Goiânia. PP 1º Médico-Legista PQ 2º Médico-Legsita 44 . atendendo à requisição da Delegacia do 1º DP. transfixante... com saída na região carotideana direita. com área de chamuscamento e câmara de mina. 2º ..Houve morte? Resposta: Sim. às 17 h.. mês e ano). houve morte.8 cm de diâmetro. asfixia..../... com grande destruição de massa encefálica. Dado e passado no Instituto Médico-Legal. médico-legistas que abaixo assinamos.

Resposta: Prejudicado.Resultou debilidade permanente ou perda ou inutilização de membro. 2 – choque hipovolêmico. Nada mais tendo sido constatado. asfixia.cicatriz de ferida pérfuro-cortante./.a pessoa que nos foi apresentada como sendo SS (qualificação completa). explosivo... localizada no hipocôndrio esquerdo. no hipocôndrio esquerdo. medindo 25 cm de extensão. fogo. antibióticos.Qual o instrumento ou meio que a produziu? Resposta: Pérfurocortante. próximo ao rebordo costal. Dr. medindo 3 cm de extensão.Criminalistica e Investigação Criminal d) LAUDO DE EXAME DE LESÕES CORPORAIS Aos. Lesões apresentadas: 1 – ferida penetrante no abdome. OS. 3º . enfermidade incurável ou deformidade permanente? Resposta: Não 8º . atendendo à requisição da Delegacia do 1º DP..Foi produzida por meio de veneno... passamos a responder os seguintes quesitos: 1º . 7º . soroterapia.. 2º . nós. Hospital BDF. tortura ou outro meio insidioso ou cruel?. examinei SS e constatei o seguinte: estado geral comprometido. Afastamento de suas ocupações por 40 dias. médico-legistas que abaixo assinamos. ressecção de estômago devido à laceração extensa.Resultou perigo de vida? Sim.Resultou aceleração de parto ou aborto? Resposta: Não Unidade 2 45 .. procedemos ao exame de corpo de delito . CRM – GO 007”. cujo teor é o seguinte: “Aos . sentido ou função? Resposta: Sim.Resultou incapacidade para as ocupações habituais. localizada no flanco esquerdo (dreno). na qual observamos: DESCRIÇÃO DAS LESÕES: 1 . 4º . debilidade permanente da função digestiva../. 4 – relatório de lesões. no Gabinete do Instituto Médico-Legal.. 2. Seqüelas que futuramente poderão se apresentar: distúrbio digestivo. por mais de trinta dias? Resposta – Sim 5º . 6º . medindo 2 cm de extensão.cicatriz de incisão cirúrgica. Instrumento: arma branca..Houve ofensa à integridade corporal ou à saúde do paciente? Resposta: Sim. dias do mês de .. mediana. devido à lesão penetrante no abdome com a laceração do estômago e devido ao estado geral comprometido produzido por choque hipovolêmico que necessitou de cirurgia e de reposição sangüínea. localizada na linha média do abdome. reposição sangüínea. 3 – cicatriz de incisão cirúrgica.. Tratamento: cirúrgico.Resultou incapacidade permanente para o trabalho.LESÕES CORPORAIS .

Preliminares.. Neste tópico o relator vai consignar as informações referentes à preservação e isolamento do local e quaisquer outras alterações que forem relevantes ao caso.Objetivo da perícia ou quesitos. 3. aos . conforme consta na requisição. dias do mês de . Descrever. 2. Capital de Goiás.. a seguir. PP 1º Médico-legista PQ 2º Médico-Legista . O laudo pericial deve ser formado por: 1... a data da requisição e/ou solicitação. tipo de laudo. nome do diretor e dos peritos signatários do laudo. Discriminar a data. bem como o objetivo geral dos exames periciais.Leia. ou que prejudicaram o andamento dos trabalhos periciais. a síntese da unidade. em Goiânia. sem haver juízos de valor. de .. 46 . Síntese O laudo pericial deve ter linguagem clara.. acessível e as informações devem ser objetivas. Preâmbulo ou histórico.Universidade do Sul de Santa Catarina Dado e passado no Instituto Médico-Legal. realize as atividades de Autoavaliação e consulte o saiba mais para ampliar seus conhecimentos acerca do assunto estudado.. a hora e o local em que for elaborado o laudo pericial.. quais os objetivos a serem buscados na perícia. nome da autoridade que requisitou e/ou solicitou a perícia. os quais deverão estar contidos na requisição da perícia ou nos quesitos formulados. o nome do instituto e órgãos superiores aos quais está subordinado.

Fecho ou encerramento. Qual a importância do laudo pericial na investigação criminal? Unidade 2 47 . 8.Conclusão e/ou respostas aos quesitos. Atividades de auto-avaliação Leia as questões a seguir e responda com base no conteúdo. em certos casos há necessidade de cotejar fatos.Anexos. de analisá-los. Do histórico e das descrições (local e vestígios) defluem as conclusões. 6.Criminalistica e Investigação Criminal 4. 1. 7. Discriminar todas as técnicas e métodos empregados e os respectivos exames levados a efeito naquela perícia.Dos exames periciais. 5.Considerações técnicas ou discussão. Porém. Verifique no final do livro as indicações e comentários. dissipar dúvidas ou ajustar obscuridades.

Acessado em 17 de julho de 2006. Duração: 128 min. Direção: David Fincher. Lançado em 1995. O laudo pericial é sempre conclusivo? Saiba mais Para aprofundar seus conhecimentos tratados nesta unidade você pode assistir: Filme: “Seven”.com.Universidade do Sul de Santa Catarina 2. (EUA).br/default4. então. 48 . Que tipo de prova é o laudo pericial? 3.htm. Gênero: Policial. ler: Artigo: “Laudo pericial e outros documentos técnicos”. Ou. Disponível em: http://espindula.

provas técnicas e testemunhais para subsidiar o processo criminal. Conhecer o inquérito policial percebendo-o como procedimento sigiloso. 3 Seções de estudo Seção 1 Conceito e histórico da polícia Seção 2 Conceito de investigação criminal Seção 3 Conceito de prova Seção 4 Evolução histórica da prova criminal Seção 5 Inquérito policial . Contextualizar a investigação criminal. de competência exclusiva das Polícias Federal e Civil. Identificar os procedimentos de apuração de infrações criminais. dentre outros órgãos. concebendo-a como o trabalho realizado pelas Polícias Federal e Civil. a partir dos pontos relevantes para compreender o sistema de provas brasileiro da atualidade. Identificar procedimentos de prova criminal e o seu histórico. no qual a investigação criminal é formalizada. inquisitivo e informativo.UNIDADE 3 Investigação Criminal Objetivos de aprendizagem Compreender o conceito e o histórico da Polícia.

Contribuição à Prática da Polícia Judiciária. também. a polícia mais visível a todos é a de segurança pública e por isso mesmo todos tendemos a confundi-la. Dessa forma. 2001: 47.48). Polícia pode ser definida como: (.10.. ou seja.. procede do grego “politeia”. de proteção individual e coletiva e a polícia judiciária.) a organização administrativa que tem por atribuição impor limitações à liberdade (individual ou de grupo) na exata medida necessária à salvaguarda e manutenção da ordem pública (.. No entanto. Ricardo Lemos.. se apresenta com duas funções: a polícia preventiva (administrativa). Marcineiro (2001).Conceito e histórico da polícia A palavra Polícia é vocábulo derivado do latim “politia”. Segundo o mesmo autor. SEÇÃO 1 . THOMÉ. e saber quais os tipos de provas já foram aceitáveis em tempos passados e como é o sistema de provas da atualidade.. 50 .)administração da cidade... (MARCINEIRO.. com o todo (.) a polícia se especializa e hoje.Universidade do Sul de Santa Catarina Para início de estudo Para que você compreenda como é exercida a atividade estatal de segurança pública brasileira na atualidade. p. 1997. inquérito policial e prova criminal. é imprescindível que verifique quais são as polícias existentes que integram este sistema e quais suas respectivas funções. Importante. conceitua Polícia como sendo: (. atividade policial repressiva (judicial) ao crime e de auxílio à justiça penal (investigação científica dos crimes).. saberá quais polícias serão responsáveis pela investigação criminal. verificar o que é investigação criminal.). segundo Thomé. (. enquanto parte.) instrumento de utilidade e que passa a ser responsável pela investigação das infrações penais cometidas e pela política de disciplina e restrição empregada a serviço do povo. que significa.. que por sua vez.

.. segundo se dispuser em lei. dever do Estado. O que cabe à Polícia Federal? À Polícia Federal cabe a apuração das infrações penais contra a ordem política e social ou em detrimento de bens. assim como outras infrações cuja prática tenha repercussão interestadual ou internacional e exija repressão uniforme.Criminalistica e Investigação Criminal Segundo Tourinho Filho (2001). Unidade 3 51 . II – polícia rodoviária federal. é exercida para a preservação da ordem pública e da incolumidade das pessoas e do patrimônio. atuando precipuamente na prevenção dos delitos. Apuram materialidade e autoria das infrações penais. § 1º. é interessante que você perceba que a atuação principal das Polícias Federal e Civis ocorre após a prática do crime. 2001:27). Você já teve a oportunidade de ler o que dispõe o artigo 144 da Constituição Federal de 1988 com relação à segurança pública. através dos seguintes órgãos: I – polícia federal. além de prevenir e reprimir o tráfico ilícito de entorpecentes e drogas afins. direito e responsabilidade de todos. por meio da função investigativa. Portanto. V – polícias militares e corpos de bombeiros militares. o contrabando e o descaminho. serviços e interesses da União ou de suas entidades autárquicas e empresas públicas. nos termos do artigo 144. IV – polícias civis. III – polícia ferroviária federal. (. De outro lado. às Polícias Rodoviária Federal. Ferroviária Federal e Militares cabe o policiamento ostensivo.) a Polícia é o órgão incumbido de manter e preservar a ordem pública e a incolumidade das pessoas e do patrimônio (TOURINHO FILHO. I e II da Constituição Federal de 1988. na repressão dos delitos. Diz o artigo: A segurança pública.

José Afonso da. A Polícia como organização surgiu em 1829. ressalvadas as atribuições da Polícia Federal e as infrações da alçada militar. 52 . a origem da Polícia Judiciária. ano de 1808. Na democracia a Polícia tinha como foco a segurança pública dos cidadãos. em 1889. a Polícia passou a atuar de acordo com o modelo político vigente. que apresentava uma organização policial incipiente.. considerada a primeira organização policial do mundo. com a promulgação da Lei no. inseridos nas Constituições Federais que se sucederam. segundo Thomé (1997). como organização. com a criação da Polícia Metropolitana de Londres. (2001). 2001:15).1999.) um regime político em que o poder repousa na vontade do povo”. Segundo (MARCINEIRO e PACHECO. a função policial e a função de julgar não estavam separadas. Com o rápido crescimento das atividades econômicas e sociais. na Inglaterra. em especial dos Juízes de Paz. A partir da promulgação da república. tem competência residual. A atividade investigativa ficava sob a responsabilidade dos magistrados. Segundo Silva.130. a história da Polícia tem início apenas no século XIX. a Polícia tinha como prioridade salvaguardar a segurança nacional estatal. com a vinda da Família Real Portuguesa ao Brasil. 261. e.. Segundo Marcineiro e Pacheco.No Brasil. nos períodos ditatoriais. o que fica evidenciado pelos dispositivos que versavam sobre segurança pública. de acordo com o artigo 144. de 03 de dezembro. In: SILVA. em decorrência das invasões napoleônicas no continente europeu.Universidade do Sul de Santa Catarina O que cabe à Polícia Civil? A Polícia Civil. também chamada de Polícia Judiciária. criando em cada província um Chefe de Polícia. com seus delegados e subdelegados escolhidos dentre os cidadãos. fez-se necessária a organização dos serviços policiais. a ação militar em defesa da posse. ocorreu em 1841. Curso de Direito Constitucional Positivo. Democracia é “(. da Carta Magna. tendo a função de apurar as infrações penais e respectivas autorias. p. Inicialmente. § 4º.

372. Você concorda? Muito bem.33. após vinte e um anos de regime de exceção.. fazer diligências para achar. In: CANOTILHO.) indagar. fazem entre segurança nacional e segurança pública: a primeira com sendo a defesa do Estado e a segunda como tendo o foco na segurança da sociedade... Segundo Bueno (1977). na obra Polícia Comunitária. utilizando metodologia e técnicas próprias. a Carta Magna prima pela garantia dos direitos individuais.) garantias são os meios processuais adequados à proteção dos direitos. p. Promulgada em um Estado Democrático de Direito. “(. (. investigar significa (. 1977:685)..). indícios e provas de materialidade e de autoria do crime. SEÇÃO 2 .. É um ato instintivo do homem que o faz movido pelo princípio inteligente e pelo instinto de curiosidade. vamos adiante e contextualizando. visa a obtenção de evidências. Unidade 3 53 .Criminalistica e Investigação Criminal Importante a diferenciação que Marcineiro e Pacheco. pesquisar. Direito Constitucional e Teoria da Constituição..Conceito de investigação criminal Você sabe o que significa investigar? Que sentido esta palavra assume no contexto da segurança pública? Segundo Canotilho (1999). (BUENO. A atual Constituição Federal de 1988 é fruto de uma redemocratização. Nesse contexto. p. Evoluindo para a Polícia do Século XXI. descobrir. 1999. José Joaquim Gomes. A investigação policial é atividade de natureza sigilosa exercida por policial ou equipe de policiais determinada por autoridade competente que. a Polícia passa a ter o dever de prestar serviços respeitando tais garantias e contribuindo para salvaguardá-las. iniciada em 1985.

As Nulidades no Processo Penal. distinguir entre fonte de Prova (os fatos percebidos pelo juiz). FERNANDES E GOMES FILHO diferem fonte de Prova. ou investigação criminal. reconhecer. p. meio de Prova (instrumentos pelos quais os mesmos se fixam em juízo) e objeto da Prova (o fato a ser Provado.Universidade do Sul de Santa Catarina A investigação policial. formar juízo sobre um fato. Segundo Greco Filho (1997:196). Estas circunstâncias são detalhes de fatos criminosos com a preocupação de melhor identificar as pessoas com eles relacionados e o próprio objeto do crime. assim.A seguir você vai estudar sobre a prova e seu conceito.Conceito de prova Como dito.(De PLACIDO e SILVA. FERNANDES. De Plácido e Silva (1978). é atividade policial direcionada à apuração das infrações penais e de sua autoria. Qual o objetivo da Investigação criminal? O objetivo da investigação criminal é amealhar provas criminais. Ada Pellegrini. para comprovar materialidade e autoria do delito. O vocábulo “prova” origina-se do latim probatio. procurando esclarecer a autoria e materialidade de delitos.106). que se deduz da fonte e se introduz no processo pelo meio de Prova)”. com o significado de demonstrar. especialmente delegados e seus agentes. Antônio Magalhães. . o objetivo da investigação criminal é a busca das provas criminais necessárias para a elucidação do crime. É o trabalho realizado por policiais. pois. SEÇÃO 3 . a prova é todo meio destinado a convencer o juiz a respeito da verdade de uma situação de fato. A prova consiste. 1978: 1253). 54 . bem como as circunstâncias em que ocorreram. Antônio Scarance. (GRINOVER. que por sua vez emana do verbo probare. meio de Prova e objeto da Prova: “Podese. visando reunir elementos probatórios para o indiciamento ou não e posterior encaminhamento à apreciação judicial. GOMES FILHO. GRINOVER.1982. na demonstração da existência ou da veracidade daquilo que se alega como fundamento do direito que se defende ou que se contesta.

De acordo com Cintra. podem ou não corresponder à verdade. Ada Pelegrinni. à vista da prova dos fatos pretéritos relevante.348. e de todos os demais elementos necessários para fundamentar uma decisão condenatória ou absolvitória.Evolução histórica da prova criminal O sistema probatório. concebidos como instrumentos de reconstituição de fatos pretéritos. constituem as questões de fato que devem ser resolvidas pelo juiz. bem como as afirmações feitas pelo réu. Cândido Rangel. DINAMARCO. SEÇÃO 4 . DINAMARCO. que normalmente se contrapõem àquelas. Os meios de prova. Antônio Carlos de Araújo. sempre acompanharam a história da civilização. a prova constitui o instrumento por meio do qual se forma a convicção do juiz a respeito da ocorrência ou inocorrência dos fatos controvertidos no processo. 2003: 348). Especificamente com relação à prova criminal. Em síntese. no Processo Penal Brasileiro. as dúvidas sobre a veracidade das afirmações de fato feitas pelo autor ou por ambas as partes no processo.Teoria Geral do Processo. estando fortemente condicionados por circunstâncias históricas e culturais. p. 2003.Criminalistica e Investigação Criminal Todas as afirmações de fato feitas pelo autor. a prova criminal é aquela utilizada para demonstrar ao Juiz a veracidade ou falsidade da imputação feita ao réu e as circunstâncias que possam influir no julgamento da responsabilidade e na individualização das penas. Portanto. As provas criminais formam a convicção a respeito da autoria e materialidade da infração penal. Ada Pelegrinni. das condições de antijuridicidade e culpabilidade. CINTRA. GRINOVER. pode-se afirmar que é aquela utilizada para demonstrar a ocorrência ou não de uma infração penal e as circunstâncias que possam influir no julgamento da responsabilidade e na individualização das penas. a propósito de dada pretensão em juízo. Antônio Carlos de Araújo. GRINOVER. Unidade 3 55 . fazendo-se importante uma breve análise das origens deste modelo. (CINTRA. adotou o modelo europeu-continental.

(SZNICK. Segundo Santos (1970). Durante muitos séculos na Idade Média. 1996:152). com os pés nus. e a prova pela água fervente consistia no acusado tirar um ou mais objetos do fundo de uma caldeira de água fervente. estes no pressuposto de que ninguém se atreveria a tomar Deus como testemunha de uma falsidade.” (SANTOS. tinham origem sagrada. Coulange (1996) menciona que o respeito dos antigos às leis advinha da crença de que estas eram ditadas pelos deuses. e os juramentos. Esta foi uma época em que os homens não conheceram a liberdade individual. ou caminhar. não tendo aplicação entre os romanos. Santos (1970). 56 . 1978:24). Segundo Santos. sendo o acusado absolvido se não restassem lesões e condenado no caso contrário. Leis e religião se misturavam.Universidade do Sul de Santa Catarina Na Antigüidade. 1970:25). a religião era a força propulsora das organizações rudimentares e. que. com o domínio absoluto dos bárbaros na Europa. Aqueles se fundavam na crença de que Deus não deixaria de sustentar o Direito do inocente. na esperança de que Deus não o deixaria sair com vida ou sem um sinal evidente. sobre ferros candentes. Foi neste período em que se instituíram as ordálias ou juízos de Deus. posteriormente. se não dissesse a verdade ou fosse culpado. das cidades. as ordálias também tiveram aplicação. as ordálias constituíram a prova suprema usada pelos germanos primitivos e os povos antigos da Ásia. segundo Sznick conheceram e fizeram uso da tortura contra seus escravos na Antigüidade. (1970:26) na prova pelo fogo se fazia o acusado carregar uma barra de ferro em brasa por certa distância. pois não se tinha a mais leve idéia sobre a individualidade humana e sobre os Direitos a ela inerentes. conceitua ordália como “sendo a submissão de alguém a uma prova. (COULANGE. estando acima de tudo e de todos.

numa época em que a escrita não existia. (NOVINSKY. a critério do acusador. 1997:157). e que atendia aos interesses de todas as facções do poder: coroa. Novinski (1982) nomina este método de “inquisitivo”. que se reflete na influência exercida pelas religiões sobre os homens e as organizações sociais da Antigüidade e da Idade Média. os tribunais da inquisição. menciona que a prova pela água fervente podia ser substituída. atuante nos séculos XVI. Cotrin (1997) menciona que a tortura era utilizada oficialmente nos interrogatórios.Criminalistica e Investigação Criminal Montesquieu (1996). (MONTESQUIEU. dada a pouca densidade da população e a própria natureza patriarcal dos agregados humanos. Unidade 3 57 . Assim. Santos (1970) analisa: Compreende-se facilmente a inclusão do juramento entre os velhos sistemas probatórios. na Europa. Com a desmoralização do juramento.). nobreza e clero. por certa quantia e pelo juramento de algumas testemunhas que declarassem que o acusado não havia cometido o crime. instituiu-se como instituto probatório o duelo. Mas para que a tortura era utilizada? Qual a finalidade? Discorrendo sobre este momento. XVII e XVIII. (SANTOS.. também chamado combate judiciário. 1982:47). Acerca dos juramentos. na presença dos juízes. período em eram tidos como hereges os que contrariavam os dogmas oficiais da Igreja Católica. pode-se dizer que a prova pelo juramento decorria da própria necessidade (. No final da época medieval e durante a Idade Moderna surgiram. colherem-se provas testemunhais. 1996: 553). 1970: 30-31).. com a finalidade de obter a confissão. bem como na circunstância de ser quase impossível. (COTRIN.

e somente a combinação destas autorizaria uma condenação criminal. Portanto. menciona que a tortura tratava-se de peça fundamental no processo. (ORTEGA. o paciente é submetido a uma série de provas. e a pesquisa cedia vez à confirmação de uma verdade já estabelecida. 1997:22). estando a nobreza sujeita à tortura apenas nos delitos considerados extremamente graves. a confissão do acusado representava o objetivo primordial do procedimento inquisitório. o princípio da igualdade era inexistente naquela época. pelo qual cada prova tinha seu valor previamente determinado. No que se refere à valoração das provas. Ortega (1998). (FOUCAULT. (2002) a tortura é um jogo judiciário estrito (. 58 . menciona: somente ela podia fornecer a certeza moral a respeito dos fatos investigados. de severidade graduada.. discorrendo sobre o sistema jurídico-penal e processual penal. Beccaria (1993).. Enfocando a tortura. A tortura clássica tornou-se mecanismo regulamentado e legalizado de Prova. 1998:463) Sobre este tema. nos séculos XVI e XVII.Universidade do Sul de Santa Catarina Considerando a dificuldade de se obter outros meios de prova. 2002:36). cuja essência é a defesa do indivíduo contra as atrocidades e arbitrariedades daqueles tempos. manifestou-se afirmando que a tortura é muitas vezes um meio seguro de condenar o inocente fraco e de absolver o criminoso robusto.).(GOMES FILHO. e que ele ganha agüentando ou perde confessando. 1993:36). e que influenciou a reforma de muitos Códigos Penais e Processuais Penais Europeus. Gomes Filho (1997). e era diferenciada de acordo com a classe social a que pertencia o indivíduo. autor da obra Dos Delitos e Das Penas. Segundo Foucault. utilizada para obter a confissão do réu. é neste período que surgiu o sistema das provas legais. na Europa. (BECCARIA. escrita no século XVIII.

se encamina a suplir la insuficiencia de las pruebas. sintetiza algumas das idéias defendidas por Beccaria. não se permite que se estabeleça nenhuma discussão ou questionamento.495. Jeremias. objetiva suprir a deficiência das provas. em graus: provas plenas. inexistia a concepção de direitos individuais. p. qué hace el juez? Ordena atormentar a una persona. desenvolvido a partir do século XIII pelos doutrinadores do Direito medieval europeu. p. Sabadell (2002). a igualdade entre nobres. na dúvida de ser inocente ou culpado”. empregada para arrancar as confissões. (VALIENTE. *tradução: rainha das Provas (cf. CALDAS. Gilberto. ** tradução: uma só testemunha equivale a nenhuma testemunha. (tradução da autora). idéias estas que continuam a influenciar os sistemas penais e processuais penais atuais. Acima da prova plena está o notorium. (cf. a nítida separação entre a religião e o Estado e seus Poderes.308. a tortura era empregada para suprir a deficiência dos meios probatórios da época: “A tortura. Unidade 3 59 .316. Tratado de Las Pruebas Judiciales. 2002:161. diferentemente das demais provas. indícios e presunções. O Latim no Direito. en la duda de si es inocente o culpable”. com meios de prova claros e racionais.162) Para Bentham. Gilberto. p. Sabadell (2002). conceitua notorium como sendo a prova à qual se deve dar a máxima credibilidade. desvinculando os conceitos de pecado e delito. Na Idade Média e grande período da Idade Moderna. BENTHAM. e a preferência dos métodos preventivos aos repressivos. segundo o método escolástico. a supressão total da tortura e da pena de morte. “La tortura. já que. O Latim no Direito. semiplenas. Sua base é a classificação sistemática das provas romanas. A confissão era a regina probatium* e o depoimento de uma só testemunha não possuía valor probatório (testis unus. na obra citada: a mudança do processo inquisitivo para o acusatório. Por meio deste instituto era concedida a dispensa de produção de provas em determinados casos. o que se coaduna com o sistema inquisitório. CALDAS. testis nullus**). burgueses e plebeus. 2002:275). (SABADELL. que faz o juiz? Ordena atormentar uma pessoa.Criminalistica e Investigação Criminal Valiente (2002). a proporcionalidade entre os delitos e as penas. empleada para arrancar las confesiones. havendo sempre a prevalência do interesse público em detrimento do indivíduo. público. Supondo que o delito não está provado. discorrendo sobre a tortura oficializada afirma: A tortura judicial está vinculada ao sistema de provas legais. En el supuesto de que el delito no está probado.

Foram citados alguns meios de prova utilizados no transcorrer da história. 2002:278). não se torturava um inocente. Segundo Grinover (1982). o princípio da inocência do acusado era desconhecido.. conferiram maior liberdade aos juízes na apreciação da prova e na indicação dos motivos da convicção. Em outras palavras.Universidade do Sul de Santa Catarina Em matéria de processo penal.) a existência de uma meia prova implicava a consideração do réu como meio culpado. (. incluindo a autorização para o uso da tortura. através da Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão. implicava.28-29. Direito à Prova no Processo Penal. Tratava-se do sistema da íntima convicção. mencionar os sistemas de valoração de prova. o sistema das provas legais passou por várias fases. até o surgimento posterior do sistema da livre apreciação de provas.. Conforme Sabadell (2002). de 1789. Tais ideais foram uma reação ao sistema inquisitório e à doutrina das provas legais. para confirmar a suspeita legalmente criada de que ele era realmente culpado. Um grau alcançado na demonstração da culpa (prova semiplena). a proibição legal da tortura. dentre elas. De acordo com Sabadell (2002). um determinado grau de punição. Antônio Magalhães. sendo que esta era constituída por cada um dos elementos que permitiam reconhecer um culpado. p. “selando a concepção 60 . (SABADELL. as provas não eram reunidas para apurar uma possível responsabilidade penal do réu. de 1789. 1997. a Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão. e sim um meio culpado. GOMES FILHO. sendo inicialmente rígido. cf. mas ao longo dos séculos a doutrina o submeteu a modificações para facilitar a sua aplicação. e. consagrou a escola do Direito Natural. advinda da Revolução Francesa. conseqüentemente. Vêm ao encontro de um sistema probatório que respeita o ser humano enquanto sujeito de direitos e garantias individuais. a presunção de inocência do acusado e o direito ao contraditório. É importante. também. além do já citado sistema das provas legais. Os ideais iluministas postulados pela Revolução Francesa romperam com o sistema inquisitivo.

61 . o modelo inspirador da maioria das legislações. art.. à defesa. pode exercer autoridade que aquela não emane expressamente”. 1992:93). Segundo a Declaração Universal dos Direitos do Homem . ao Princípio de legitimidade do poder que cabe à nação. 2º: “O objetivo de toda associação política é a conservação dos Direitos naturais e imprescritíveis do homem”. do poder de produzir provas contrárias às da acusação. Nenhuma corporação. Gomes Filho (1997:55) entende que uma verdadeira Justiça penal pressupõe o reconhecimento.267. o segundo..art. além de convencido. A doutrina passou a postular limitações à íntima convicção do juiz. Acesso em 14. Fernando.gila.) o núcleo doutrinário da Declaração está contido nos três artigos iniciais: o primeiro refere-se à condição natural dos indivíduos que precede a formação da sociedade civil.Curso de Processo Penal.net/legislação.03. influenciando os demais ordenamentos continentais e representando.12. art. e.net/internacional/ declaração_Direitos_homem_cidadao_1789. (BOBBIO. o juiz só estaria autorizado a condenar se. p.. segundo esta nova concepção. Passou-se a postular pelo sistema da persuasão racional.htm>. não criados. nenhum indivíduo. estivesse amparado por um mínimo de elementos probatórios. (. também chamado por Capez de Unidade 3 CAPEZ. 2002. mas reconhecidos por este”. Gomes Filho (1997:31) afirma que em 1808.) do estado de natureza. à finalidade da sociedade política. o Code d’instruction criminelle francês instituiu a combinação entre os padrões inquisitório e acusatório. Disponível em: <http://www. Acerca desta Declaração. até os dias atuais. 1º: “Todos os seres humanos nascem livres e iguais em dignidade e Direitos”. o terceiro. menciona Bobbio (1992).Criminalistica e Investigação Criminal da existência de direitos subjetivos preexistentes ao Estado. mas uma verdade obtida através de meios probatórios produzidos pelas partes. 3º:”O Princípio de toda soberania reside essencialmente na Nação.. a fim de obter-se não uma verdade extorquida inquisitoriamente. que vem depois (.

Não estará ele dispensado de motivar sua sentença. Todas as provas são relativas. considerando-se a visão sistêmica. 157: “O juiz formará sua convicção pela livre apreciação da prova”. (ano). no capítulo que discorre sobre Provas. prova plena de sua culpabilidade.1941-. Nunca é demais. através do seu artigo 157. fi xou-se como pressuposto do direito de defesa o conhecimento pelas partes dos caminhos percorridos pelo juiz ao julgar (persuasão racional). ex vi legis. a sua convicção. E precisamente nisto reside a suficiente Garantia do Direito das partes e do interesse social.Universidade do Sul de Santa Catarina sistema da livre (e não íntima) convicção. porém.Decreto-Lei n. Conforme Colucci (1988): Num terceiro estágio. Trecho extraído da Exposição de Motivos do Código Processual Penal Brasileiro. A motivação das sentenças e decisões de modo geral. cedendo-se ao julgador liberdade de valoração da prova. salvo quanto ao estado das pessoas. não há hierarquia entre as Provas e o juiz pode decidir de acordo com a sua consciência. 1988:237-250). honesta e lealmente. nem é prefi xada uma hierarquia de provas: na livre apreciação destas. fatalmente. de 03. mas não pode abstrair-se ou alhear-se ao seu conteúdo. através delas. desde que o faça motivadamente e. em vez de protetor das liberdades públicas. advertir que livre convencimento não quer dizer puro capricho de opinião ou mero arbítrio da apreciação das Provas. tornou-se verdadeira garantia individual. Através do sistema da persuasão racional. desde que acompanhada de demonstração lógica dos motivos da decisão. não é menos certo que não fica adstrito a nenhum critério apriorístico no apurar. O sistema probatório de persuasão racional foi adotado pelo Código Processual Penal Brasileiro . obedecendo à Constituição da República. O juiz está livre de preconceitos legais na aferição das Provas. Se é certo que o juiz fica adstrito às provas constantes dos autos. A própria confissão do acusado não constitui. ou nec essariamente maior prestígio que outra. a verdade material. (COLUCCI. em respeito ao contraditório. valor decisivo. nenhuma delas terá.3689. da verdade real ou do livre convencimento. evitando-se que a excessiva liberdade na avaliação das provas transformasse o processo penal em instrumento de opressão e terror. Código Processual Penal Brasileiro. Oportuna a transcrição deste trecho da Exposição de Motivos do Código Processual Penal Brasileiro. Não serão atendíveis as restrições à prova estabelecidas pela lei civil. o Código 62 .10. art. o juiz formará.

Não pode. que: (. Polícias Militares e outros órgãos podem exercer atividade investigativa. gerador do arbítrio. da Carta Magna. igualmente. na medida em que exige motivação. pelas normas constitucionais e infraconstitucionais. considerando a soberania dos vereditos e o sigilo das votações. a investigação criminal não é atividade exclusiva destas Polícias. concebe-se a prova no Processo Penal como verdadeiro direito garantido às Polícias. limitados. SEÇÃO 5 . e impede o absolutismo pleno do julgador. Unidade 3 63 . Tem-se.Criminalistica e Investigação Criminal de Processo Penal e demais legislações vigentes. XXXVIII. pois. o objetivo principal das Polícias Civil e Federal é a investigação criminal. Neste sistema. preceituados no artigo 5º. que procura demonstrar a existência do fato criminoso.. a autoria e estabelece as condições em que o crime ocorreu. à acusação e à defesa. assegurado pela leitura coordenada da Constituição da República. Mas. entende Capez (2002). O Ministério Público.Inquérito policial Como você viu anteriormente. Tal motivação não se faz necessária apenas nas decisões do júri. (CAPEZ 2002:267). um sistema processual penal que permite todos os meios de prova. Congresso Nacional. o magistrado buscar como fundamento elementos estranhos aos autos. admitindo-se as provas inominadas. devendo indicá-los especificamente. Acerca deste sistema. os meios de prova mencionados no Código de Processo Penal são apenas exemplificativos. De outro lado. rejeitando o formalismo exacerbado. e por textos legais internacionais.. Não basta ao magistrado embasar a sua decisão nos elementos probatórios carreados aos autos. entretanto.) atende às exigências da busca da verdade real.

e outros. Após a prática da infração penal. quebra do sigilo telefônico. mediante requerimento de qualquer pessoa. representações por mandados de busca e apreensão. 8069/90). Segundo Tourinho Filho (2001:25) inquérito policial (. Via de regra. previsto no Código de Processo Penal Brasileiro. de forma geral. previsto nas Leis Federais n. 10259/2001. previsto no Código da Criança e do Adolescente (Lei Federal n.. prisões. quebra do sigilo bancário. este estudo aborda apenas este. O auto de prisão em flagrante. Considerando que.. e o auto de apuração de atos infracionais. 64 . a notícia de um crime chega ao conhecimento da autoridade policial através do boletim de ocorrência. onde se diligenciará para buscar provas demonstrando materialidade e autoria do crime. fotográficos. 9099/95 e n. quebra de sigilo fiscal. também são procedimentos policiais que podem ensejar investigação. cujos atos e resultados deverão ser formalizados. realização de acareações. interrogatório de suspeito e/ou indiciado. As atividades são as mais diversas de acordo com o delito praticado. A partir deste momento. por meio da investigação policial.) é o conjunto de diligências realizadas pela Polícia visando a investigar o fato típico e a apurar a respectiva autoria. cabe ao delegado de polícia determinar a instauração do inquérito policial. os atos investigativos são praticados no inquérito policial. normalmente.Universidade do Sul de Santa Catarina O inquérito policial é de atribuição exclusiva das Polícias Federal e Civil. ou ainda. requisição de todas as perícias necessárias. avaliações reconhecimentos pessoais. o que é feito através da investigação. o termo circunstanciado. declarações de vítimas. através do inquérito policial. via de regra. cabe à Polícia Judiciária a apuração imediata do delito. mediante requisição ministerial ou judicial. depoimentos de testemunhas.

b) Apreensão dos instrumentos e todos os objetos relacionados com o fato. O inquérito policial apresenta a forma escrita. em que tempo. e definindo as técnicas a serem aplicadas. nos termos do artigo 17 do Código de Processo Penal Brasileiro. não existindo um rito pré-estabelecido para a atividade investigativa. se for o caso. é sigiloso. d) Oitiva do ofendido ou da vítima. Do Código de Processo penal Brasileiro delibera quanto aos procedimentos da Polícia Judiciária na apuração dos delitos. cabe à Polícia realizar planejamento específico. h) Identificação datiloscópica do indiciado. é de natureza inquisitiva.Criminalistica e Investigação Criminal Todos estes atos são formalizados no inquérito policial. de acordo com as peculiaridades da infração penal praticada. f) Reconhecimento de pessoas e coisas e acareações. j) Reprodução simulada dos fatos. Unidade 3 65 . Estas têm uma seqüência determinada pela autoridade policial que estiver presidindo o inquérito policial. g) Exame de corpo de delito. inclusive seus antecedentes criminais. é. de forma geral. em que o princípio do contraditório não é considerado. Quando o crime. se for possível. destacandose: a) Comparecimento e preservação do local. não pode ser arquivado pelo delegado de polícia. se for o caso. Não se pode contar com a improvisação e com a sorte no que concerne à investigação policial. c) Coleta de todas as provas do fato e de suas circunstâncias. faz-se necessária a aplicação de técnicas investigativas. O artigo 6º. e) Oitiva do indiciado. i) Investigação sobre a vida pregressa do indiciado. após a sua instauração. se for o caso. detalhando quais atividades investigativas serão realizadas. de iniciativa obrigatória e indisponível. em face da necessidade da realização desta ou daquela diligência. Para que a investigação policial tenha resultado e o inquérito policial seja concluído comprovando materialidade e autoria do crime.

busca-se amealhar provas criminais. também chamadas Polícias Judiciárias. O sistema de provas foi sendo alterado com o transcorrer dos tempos.Universidade do Sul de Santa Catarina . a síntese da unidade. a seguir. através da elucidação da materialidade e autoria dos delitos. Investigação criminal é a atividade voltada à apuração das infrações penais. verificamos que cabe à Polícia Federal e às Polícias Civis dos Estados. 66 .Leia. que eram previamente determinadas e hierarquizadas. concebidos como instrumentos de reconstituição de fatos pretéritos. a função investigativa criminal. sendo inicialmente rígido. nominando-a de “rainha das provas”. O sistema das provas legais passou por várias fases. estando fortemente condicionados por circunstâncias históricas e culturais. vigia o sistema de provas legais. Síntese As polícias existentes no Brasil e suas atribuições estão descritas na Constituição Federal de 1988. sempre acompanharam a história da civilização. Os meios de prova. Na Idade Média e grande período da Idade Moderna. Através da Carta Magna. realize as atividades de Autoavaliação e consulte o saiba mais para ampliar seus conhecimentos acerca do assunto estudado. sendo a confissão considerada aquela de maior valor. concebida como aquelas utilizadas para demonstrar ao Juiz a veracidade ou falsidade da imputação feita ao réu e as circunstâncias que possam influir no julgamento da responsabilidade e na individualização das penas. até o surgimento posterior do sistema da livre apreciação de provas. ou investigativa policial. Para tanto. mas ao longo dos séculos a doutrina o submeteu a modificações para facilitar a sua aplicação.

surgiu o sistema da livre apreciação de provas. Além das Policias mencionadas. Este sistema foi o adotado pelo Código de Processo Penal Brasileiro vigente. verdade real ou persuasão racional. ficando isento de motivar as suas sentenças absolutórias ou condenatórias. outros órgãos exercem função investigativa. no qual a obrigatoriedade da motivação das decisões judiciais e das sentenças tornou-se verdadeira garantia individual. criou-se o sistema da livre convicção. decisão absolutória ou condenatória. Congresso Nacional. Atividades de auto-avaliação Assinale verdadeiro ou falso: ( ) O rol de provas elencados no Código de Processo Penal Brasileiro é exemplificativo. Ministério Público.Criminalistica e Investigação Criminal Após a Declaração Universal dos Direitos do Homem e do Cidadão. de 1789. dentre eles. ) As Polícias exercem atividades excludentes. razão pela qual a Polícia Militar é proibida de realizar qualquer tipo de investigação criminal. Ocorre que. ) O sistema de provas previsto no Código de Processo Penal Brasileiro é o da íntima convicção. Assembléias Legislativas dos Estados. em que o juiz tinha total liberdade na valoração das provas e nas suas decisões processuais. Após abusos praticados nas sentenças. ( ( ( Unidade 3 67 . ) O inquérito policial é peça imprescindível para a instauração do processo criminal. que conferiu diversos direitos e garantias ao homem até então não existentes. o inquérito policial é de atribuição exclusiva das Polícias Federal e Civis.

br/textos/x/15/73/1573 Artigo: Flagrante eficiente. Disponível em: http://www. Responda a seguinte questão: Na sua percepção.com. durante o curso de uma investigação.http://www.br/?page_name=art_05_ 2005&category_id=31 68 .direitonet.damasio. Disponível em: www. os policiais devem estar voltados prioritariamente à indicar e localizar o autor do crime ou à busca da verdade? Saiba mais Para complementar seus conhecimentos você pode ler: Texto: Inquérito Policial – Sigilo irrestrito.com.Universidade do Sul de Santa Catarina 2.

UNIDADE 4 Investigação Criminal Objetivos de aprendizagem Estudar técnicas de investigação policial. infiltração policial. 4 Seções de estudo Seção 1 Interrogatório Seção 2 Infiltração policial Seção 3 Informante Seção 4 Vigilância . Conhecer e técnicas como o interrogatório. informante e vigilância. Identificar a função das Polícias Investigativas e verificar qual a relação com a investigação experimental e suas respectivas técnicas.

como essa palavra pode ser definida? 70 . sob o comando de uma ou mais bases lógicas de pesquisa. ficará mais fácil o entendimento do conteúdo desenvolvido nas seções que seguem. Técnica.) é um conjunto diferenciado de informações. Vamos lá? Comecemos com a palavra “técnica. podemos dizer que a investigação necessita de técnicas que assegurem um trabalho lógico. de acordo com Pasold (2003). reunidas e acionadas em forma instrumental. Assim. Prática da Pesquisa Jurídica. p. Idéias e Ferramentas Úteis para o Pesquisador do Direito. na busca imparcial da verdade objetivando cumprir o dever do Estado.. para realizar operações intelectuais ou física. Visa à investigação policial resposta para as perguntas: (hectâmetro). Mas..” O que é técnica? Bem. Então. na preservação da ordem pública e da incolumidade das pessoas e do patrimônio. Cesar Luiz. a) Quem? b) O que? c) Onde? d) Com que auxílio? e) Por que? f) De que maneira? g) Quando? Agora veremos o que é um procedimento. seqüencial.107.Universidade do Sul de Santa Catarina Para início de estudo Para iniciar os estudos desta unidade considero oportuno que você conheça termos-chave para a compreensão do que se pretende abordar. PASOLD. pautado pelas garantias individuais e coletivas do cidadão. 2003. (.

que foram todos alterados pela Lei n. com a finalidade de descobrir fatos novos. na investigação policial podemos dizer que procedimento é o conjunto dos atos policiais que tem por objetivo colher as provas da infração penal. 10792.Criminalistica e Investigação Criminal Procedimento é o conjunto dos atos pelos quais se ordenam e se exercitam. É um estudo profundo de um problema. sob determinados preceitos legais. A investigação será realizada a fim de obter informação sobre um tema. Tanto a investigação quanto a análise se baseiam no exame completo de um problema concreto. nela se procura. Na seqüência. guardando características próprias e peculiares em função dos mesmos.Interrogatório Interrogatório é o termo utilizado pelo Código de Processo Penal para conceituar a inquirição do acusado no processo penal. os meios necessários para instruir a causa e assegurar ou restabelecer uma relação jurídica controvertida.12.2003. Concorda? O procedimento se consubstancia nos diversos atos policiais no decorrer das investigações e a técnica representa a maneira como o procedimento é realizado. de 1. Então. recolher e organizar informações básicas. sobretudo. você terá a oportunidade de conhecer algumas técnicas policiais mais comumente usadas num processo de investigação. Unidade 4 71 . A investigação é direcionada de acordo com os diferentes tipos de delitos. O procedimento do interrogatório encontra-se disposto nos artigos 185 a 196 do Código de Processo Penal. Vamos lá? SEÇÃO 1 .

tentando sempre buscar a verdade dos fatos. Pode acontecer que o interrogador. é importante que o interrogador busque. A preparação é importante porque é comum o autor da infração penal. não tenha interesse de obter a narrativa de maneira ordenada. Evidentemente que as técnicas ora mencionadas também podem ser aplicadas durante a tomada de declarações da vítima ou a tomada de depoimento de testemunha. quando alguém vai narrá-los. elucidar o crime. nem sempre o faz obedecendo a uma seqüência real desses fatos dentro daquela estrutura. segurança e sabedoria. etc. embora confessando o delito. Dessa forma. diminuindo as conseqüências penais. fazê-lo de forma a se beneficiar. de forma técnica. espaço. a fim de que saiba fazer as perguntas com pertinência. uma legítima defesa putativa ou uma injusta provocação da vítima. Quais as técnicas de interrogatório? Técnicas de abordagem dos fatos Os fatos acontecem dentro de uma estrutura de tempo. Usualmente conceitua-se declaração como sendo a inquirição da vítima e depoimento a inquirição da testemunha. demonstrando firmeza e seriedade. em favor da investigação. O interrogatório deve sempre ser orientado através de técnica. alegando. por exemplo. O interrogador tem o dever de conhecer o fato que investiga. ação e resultado. denomina-se interrogatório o ato em que o suspeito ou indiciado pela prática da infração penal presta depoimento formalmente nos autos. chamada técnica de interrogatório.Universidade do Sul de Santa Catarina No âmbito policial. 72 . perante a autoridade policial. Entretanto. melhor do que o investigando.

O emprego de técnicas no transcurso do interrogatório norteia o interrogador para que demonstre conhecimento e segurança acerca do delito que investiga. o interrogador pode se valer de cinco técnicas. promovendo resultados negativos para o caso específico e para a Instituição Policial. etc. via de regra. da seqüência dos fatos. e da seqüência retroativa: A experiência tem demonstrado que a prática de um delito. é importante buscar apurar onde e com quem o suspeito ou indiciado esteve durante todo o dia do crime. Estas técnicas foram mencionadas em aulas expositivas no Curso de Formação para Delegado de Polícia – Ministradas na Academia da Polícia Civil de Santa Catarina. da seqüência protaitiva.Criminalistica e Investigação Criminal Assim. Ano 1998. Dessa forma. Por essa razão. e obtenha objetivamente a informação desejada. além de incidir em conduta criminosa também não prima pelo raciocínio inteligente. levando-se em conta a seqüência como um interrogado pode narrar os fatos que estão sendo investigados. O policial que faz uso da violência na investigação. a saber: da seqüência memorial. da seqüência embaralhada. como em razão dos cuidados que se toma para ocultar os fatos. Unidade 4 73 . a seqüência como os fatos serão abordados deve obedecer a critérios técnicos que sejam de pleno conhecimento e domínio do interrogador. A seqüência com que os fatos são narrados depende da lembrança que interrogando tenha das circunstâncias do fato. Isto não pode deixar de ser levado em conta por quem investiga. Técnica da Seqüência Memorial Esta técnica tem aplicação quando a pessoa que estiver sendo inquirida se prontifica a narrar os fatos espontaneamente. se saiu mais cedo ou chegou mais tarde. tanto por força das atividades necessárias à perpetração do delito. quebra a rotina de quem o pratica. manteve contatos ou encontros com pessoas estranhas. A aplicação de técnicas na atividade investigativa consiste no uso da inteligência. ausentou-se de casa ou do trabalho sob qualquer pretexto.

Técnica da Seqüência Embaralhada Esta técnica aplica-se quando há indícios de que a pessoa que está sendo inquirida optou por mentir acerca dos fatos que se investiga. a partir do momento estabelecido pelo interrogador. buscando esclarecer as atividades e convivências da pessoa que se interrogando. fazendo-a constatar que a sua versão dos fatos não condiz com as demais provas materiais e testemunhais amealhadas. para que não consiga responder com encadeamento. como se desenvolveu e como e quando terminou. O interrogador deve. Técnica da Seqüência Protaitiva É a técnica pela qual o interrogador parte de um determinado momento que pode ser de horas ou dias antes do crime e vai avançando no tempo. 74 . percorrendo a narrativa do início ao fim do delito. embaralhar ao máximo os pontos já abordados. por parte. devendo o interrogador conduzir a narrativa para que os fatos sejam relatados de forma clara e dentro da seqüência dos próprios acontecimentos. lógica e coerência às perguntas feitas. Somente uma narrativa real e verdadeira se sustentaria harmônica diante desta técnica. levando-se em conta o tempo decorrido. Técnica da Seqüência dos Fatos Esta técnica procura abordar o acontecido levando em conta a seqüência em que os fatos se desenrolaram. quando. como e porque iniciou. na medida em que estas vão lhe surgindo na memória.Universidade do Sul de Santa Catarina Muitas vezes o interrogando inicia a sua fala pelo ato executório e depois desordenadamente vai narrando as demais circunstâncias. induzindo o interrogando a erro. então. Para aplicação desta técnica faz-se necessário que a pessoa que estiver sendo inquirida demonstre a vontade de expor os fatos.

Técnica da Seqüência Retroativa Esta técnica percorre o tempo de forma inversa aos acontecimentos. dando a este um grau de liberdade maior nas suas colocações. A verdade virá naturalmente à tona. o interrogando faz uma narrativa dos fatos por ele praticados. certamente não resistirá ao crivo da investigação séria. Ainda que a narrativa não corresponda àquilo que já foi apurado nos autos. tudo registrando fielmente. da forma como o interrogador deve se comportar frente ao interrogando. narre livremente o fato criminoso.Criminalistica e Investigação Criminal A experiência tem demonstrado que para esconder atividades e encontros relacionados com a preparação e execução do crime. da forma mais livre possível. espontaneamente. Por esta técnica. Estas técnicas foram mencionadas em aulas expositivas no Curso de Formação para Delegado de Polícia – Ministradas na Academia da Polícia Civil de Santa Catarina. Parte de um determinado momento que pode ser da comunicação do delito ou de sua execução e vai retroagindo no tempo até um determinado horário. inclusive não deixar transparecer que não está acreditando na versão apresentada. Através desta técnica. profissional e criteriosa. Técnicas de Comportamento São técnicas que tratam da postura. o interrogador não deverá interferir. preparar e executar o delito. Ano 1998. Técnica da Espontaneidade É a técnica que deve ser utilizada para o início de um interrogatório. Se a versão for mentirosa. Unidade 4 75 . o interrogador se comporta de forma amigável com o interrogando. o suspeito ou indiciado acaba inventando situações que são facilmente desmentidas posteriormente. sem qualquer interferência do interrogador. Consiste em permitir que o interrogando. cujas evidências indiquem como sendo o tempo gasto para o suspeito ou indiciado cogitar.

como por qualquer outro motivo. formulando perguntas bem elaboradas. é interessante que perceba que nem todo autor de crime confessa o fato espontaneamente e aí se faz necessário o emprego de outras técnicas para se chegar à verdade. dificilmente o fará de forma completa. isso acontece tanto intencionalmente. O interrogador jamais deve contar o fato que investiga ao interrogando.Universidade do Sul de Santa Catarina Todavia. precisa. Técnica da Indução Caracteriza-se pela formulação de perguntas ao interrogando que o induzam. se tiver mentido na narrativa espontânea. como esquecimento e até mesmo por desconhecer este ou aquele detalhe. ainda que o interrogando resolva narrar os fatos espontaneamente. 76 . sobre este ou aquele momento do delito. para que não paire dúvidas ao interrogando sobre a resposta que deverá dar. O que caracteriza esta técnica é a formulação de perguntas bem elaboradas que induzam o interrogando a dar uma resposta certa. Através desta técnica o interrogador discute as circunstâncias do delito e elucida pontos relevantes mencionados durante a narrativa espontânea. pela técnica da indução. As perguntas devem ser claras. sobre esta ou aquela circunstância não esclarecida. A técnica da indução permite ao interrogador direcionar o diálogo. a dar uma resposta certa e objetiva. pela própria maneira como são formuladas. Assim. leva-se o interrogando a. diretas e de preferência curtas. não conseguir sustentar a sua versão dos fatos. pois assim fazendo correrá o risco de prejudicar a busca da verdade. De um modo geral.

Criminalistica e Investigação Criminal Técnica da Persuasão Esta técnica tem por objetivo persuadir. em troca da diminuição de pena. que outros que podem ser sustentados? Unidade 4 77 . bons antecedentes. A Lei Federal n. há a confissão espontânea. sendo primário. inciso III. emprego e profissão certos. residência fi xa. dispõe que o juiz poderá conceder o perdão judicial. com a conseqüente extinção da punibilidade ao acusado que. 65. menciona a colaboração eficaz. em seu art. mostrando ao interrogando que somente tem a ganhar se disser a verdade. que consiste em um instrumento que permite ao indiciado. letra “d” do Código Penal Brasileiro. que dispõe sobre a utilização de meios operacionais para a prevenção e repressão de ações praticadas por organizações criminosas. Além dos benefícios legais. A Lei Federal n. 9. no seu artigo 6º. prevista no art. etc. Assim o policial deve argumentar com os benefícios da lei. tais como a possibilidade de responder o crime em liberdade.807/1999. Evidentemente. constituindo um incentivo à confissão. em face da primariedade. As Leis Federais de números 8. Outros argumentos ainda podem ser utilizados pelo interrogador.072/1990 e 9. o interrogador jamais deve inventar benefícios legais inexistentes. ou que tenha conhecimento das suas atividades. convencer o investigando a primar pela verdade dos fatos.269/1996. 9034/95. prevêem diminuição da pena de um a dois terços para o concorrente que confessa o delito. 13. tenha colaborado efetiva e voluntariamente com a investigação ou processo criminal. ou delação premiada. delatando os demais participantes. Entre as atenuantes do crime. fornecer informações que propiciem o desmantelamento de organização criminosa da qual faça parte.

Técnica da Alternância Consiste na aplicação das técnicas mencionadas acima. esta atitude motiva a intensificação das investigações. LXIII. social e profissional de alguém. o interrogador deve aguardar a reação do suspeito. com o diferencial de que. Após a aplicação desta técnica. além de conhecer com a maior profundidade possível o fato delituoso que estiver sendo apurado. da Constituição Federal de 1988: “O preso será informado de seus direitos. agindo sempre com calma e segurança. a oportunidade de dizer a verdade.Universidade do Sul de Santa Catarina O primeiro argumento é de que. Com paciência. Sabe-se que o silêncio do interrogado não pode ser interpretado em prejuízo a sua defesa. Deve-se indagar acerca do que foi alegado pelo indiciado que esteja mal esclarecido. deve-se retornar à técnica da espontaneidade. Não obstante. a aplicação de cada técnica deve ser feita por policial diferente. portanto as técnicas e seus aplicadores. após. entre os quais o de permanecer calado. nos termos do artigo 5º. sendo-lhe assegurada a assistência da família e de advogado”. que sempre causa transtornos à vida pessoal. mostrando a ele todas as controvérsias que seu interrogatório apresenta. Art. Técnica do Desmentido Esta técnica consiste em relacionar e mostrar ao suspeito que está faltando com a verdade. Cada policial deverá estar plenamente certo da técnica que irá aplicar. 5º. A cessação da pressão social e da imprensa também pode constituir um forte argumento para convencer uma pessoa a esclarecer o delito. oferecendo a ele. alterando-se. da Constituição Federal de 1988. 78 . LXIII. Técnica do Questionamento Consiste em questionar o que foi dito pelo indiciado e que não estiver de acordo com o que se apurou. uma vez esclarecido o fato criminoso cessa a perseguição da polícia.

questionar o interrogando cuja versão esteja em desacordo com o conjunto probatório podendo realizar acareação entre os suspeitos. escolher um dos policiais para revelar a verdade. sabendo-se que ele busca afetar psicologicamente o suspeito. Unidade 4 79 . É importante inquirir os suspeitos separadamente impossibilitando que um deles tome conhecimento das declarações dos demais. Do Emprego do Detector de Mentiras Diferentemente de outros Países. Deve ser aplicada por um único policial. e quando a versões dos fatos oferecidas por eles sejam controversas. o detector de mentiras não é utilizado no Brasil. É interessante que você perceba que a acareação deve ser breve e se restringir apenas ao ponto em que houve controvérsia. pois é muito comum o investigando. a fim de elucidar os fatos. Quando o interrogador verifica que existem divergências.Criminalistica e Investigação Criminal Esta técnica tem proporcionado bons resultados práticos. de maneira que se mantenha um perfeito domínio sobre os pontos abordados e que estes sejam explorados com todos os interrogandos. por ter maior afinidade com ele do que com os demais. no decorrer da aplicação das técnicas. Técnica da Informação Cruzada Aplica-se esta técnica nos casos em que se investiga dois ou mais co-autores ou partícipes do delito.

sem prejuízo dos já previstos em lei... Trata-se de uma técnica de investigação que objetiva obter informações... a infiltração até bem pouco tempo não era permitida... constatar se um crime está sendo planejado ou realizado. No Brasil... os seguintes objetivos: obter informações ou provas..... obtidos pelo policial infiltrado..... preferencialmente... mediante o recrutamento e posterior inserção de pessoas. pelo que requer planejamento e preparação.. 2º. 10217/01. em determinado ambiente.. que alterou a redação do artigo 2º da Lei Federal n..... identificar pessoas envolvidas em um crime. Apresenta elevado risco para o policial infiltrado... entre outros. mediante prévia autorização judicial e. 80 .. que permite a obtenção de conhecimentos profundos da organização criminosa. mediante circunstanciada autorização judicial...... em descompasso com a maioria dos países mais avançados no tocante à repressão ao crime.. determinar o momento oportuno para a realização de uma operação policial. 9034/95: Art.. sob acompanhamento do Ministério Público. em tarefas de investigação.. V – infi ltração por agentes de polícia ou de inteligência.Universidade do Sul de Santa Catarina SEÇÃO 2 . os seguintes procedimentos de investigação e formação de provas: ..... Foi inserida no sistema processual penal brasileiro pela Lei n.Infiltração policial A infiltração policial trata-se de técnica operacional eficaz.... constituída pelos órgãos especializados pertinentes.. sob a proteção de uma história-cobertura. Em qualquer fase da persecução criminal são permitidos. A infiltração visa a atingir..... Deve ser realizada por tempo determinado..

contínua ou periódica de pessoas. que se encontram inseridos na comunidade. transportadores e compradores de drogas ilícitas. existem três tipos de vigilância: Unidade 4 81 . Quais os tipos de vigilância existentes? De modo geral. Existe a necessidade de sua regulamentação através de diretrizes gerais. veículos. possuem informação de grande valia.Informante A técnica do informante permite estabelecer procedimentos uniformes. Muito freqüentemente. e. por parte do suspeito ou de seus cúmplices. deve levar em conta a possibilidade de uma contravigilância. O planejamento de uma operação de vigilância. a serem seguidas pelos órgãos policiais. a vigilância é a única técnica de investigação a que se pode recorrer para averiguar a identidade dos fornecedores. que contemplem o acompanhamento e fiscalização pelas Corregedorias de Polícia. lugares e objetos com a finalidade de obter informações sobre as atividades e a identidade de pessoas. incluídas as contramedidas eletrônicas. SEÇÃO 4 .Criminalistica e Investigação Criminal SEÇÃO 3 . portanto. por meios similares. a serem utilizados no manejo de fontes vivas (informantes). seja a pé ou por outros meios.Vigilância A vigilância é a observação encoberta.

b) Vigilância fixa: que consiste em vigiar continuamente. c) Vigilância eletrônica: na qual se utilizam aparatos eletrônicos. Proteger agentes encobertos ou corroborar seu testemunho. Impedir que se cometa um ato criminoso ou prender uma pessoa no momento em que comete o delito.Universidade do Sul de Santa Catarina a) Vigilância móvel: em que o investigador segue um indivíduo a pé ou em um veículo. Obter informações que possam ser utilizadas em interrogatórios. um local. Obter pistas e informações graças aos contatos mantidos com outras fontes. Quais os são objetivos de uma operação de vigilância? Obter provas de um delito. Localizar pessoas observando seus conhecidos e os lugares que freqüentam. mecânicos ou de outra índole para interceptar o conteúdo de comunicações orais ou telefônicas. Localizar bens escondidos ou contrabando. objeto ou pessoa. 82 . Testar a confiabilidade de informantes. Obter provas admissíveis nos tribunais. a partir de um ponto fixo. Determinar onde se encontra uma pessoa a qualquer momento.

a) Vigilância eletrônica A vigilância eletrônica compreende muitas e diversas tecnologias. deve ser preparado um plano tático que preveja as eventualidades e especifique a função de cada um dos policiais. e se atue de acordo ao planejar as operações de vigilância eletrônica. Considerando a abrangência do tema. considerando a sua ampla utilização e sua previsão legal. é necessário receber instrução e capacitação especializadas. Em muitos países. você tem a oportunidade de ver mais pormenorizadamente aspectos da vigilância eletrônica. A vigilância eletrônica é um aparato investigativo que ocasiona excelentes resultados operacionais. deve-se estabelecer um sistema seguro de comunicação com os superiores e uma coordenação central. destacadamente no combate ao crime organizado e ao tráfico de drogas. É extremamente importante que se levem em conta essas limitações potenciais à estratégia de investigação. Nas operações em que participam vários policiais.Criminalistica e Investigação Criminal Uma das primeiras medidas que antecedem qualquer operação de vigilância é a designação do policial coordenador. as substituições. Na seqüência. a vigilância eletrônica está estritamente limitada pelo temor de violar o direito à intimidade das pessoas. Para utilizar eficazmente os diversos aparatos e técnicas requeridas por esse modo especializado de investigação. mediante a captação de conversações ambientais e a interceptação de comunicações telefônicas. algumas das quais exigem um equipamento complexo e caro. é oportuno destacar que o estudo procurou enfocar a vigilância que se cumpre como recurso de investigação policial. Além disso. Também devem ser combinados sinais para a comunicação entre os policiais da vigilância. Unidade 4 83 . a dura ção da vigilância.

) para fins de investigação criminal ou prova em processo penal. Anteriormente à previsão constitucional o fundamento legal utilizado para a interceptação era o artigo 57. óticos ou acústicos. a captação é chamada gravação de conversa telefônica. inciso XII estabelece: (. alínea “e” da Lei n. A Lei Federal n. (1999).. em seu artigo 5º. Com o advento da Constituição Federal de 1988. A prova obtida mediante gravação de conversa telefônica será objeto de comentário posteriormente. 4117/62 (Código Brasileiro das Telecomunicações). salvo. nas hipóteses e na forma que a lei estabelecer para fins de investigação criminal ou instrução processual penal. sem ou com o conhecimento de um ou de ambos os interlocutores. por ordem judicial.. de dados e das comunicações telefônicas. 10217/2001 acrescentou o inciso IV. ao artigo 2º da Lei Federal n. a Lei Federal n. A Constituição Federal de 1988. 84 . por terceiro.. no entendimento majoritário da doutrina e jurisprudência.. desde que judicialmente autorizadas e (.) é inviolável o sigilo da correspondência e das comunicações telegráficas. considera interceptação telefônica a captação. de conversa telefônica. 9034/1995. no último caso. que. exigindo necessária regulamentação por lei ordinária. disciplinando expressamente acerca da captação e interceptação ambiental de sinais eletromagnéticos. bem como o seu registro e análise. 10217/2001 instituiu no sistema jurídico brasileiro esta modalidade de vigilância eletrônica. como a maioria dos doutrinadores. c) Interceptação de comunicações telefônicas Mendes. admitia fossem violadas as comunicações. Quando feita por um dos interlocutores. porém.Universidade do Sul de Santa Catarina b) Captação de conversações ambientais No que concerne à captação de conversações ambientais. inclusive do Supremo Tribunal Federal. a quebra do sigilo das comunicações passou a ter tratamento constitucional. inciso II. excepcionando o princípio constitucional.

sem autorização judicial ou com objetivos não autorizados em lei. A Lei n. Lei n. tais como: a interceptação deve ser utilizada como prova em investigação criminal e em instrução processual penal. de dois a quatro anos. artigo 1º. do artigo 5º. Penal – reclusão. ou quebrar segredo da Justiça. Unidade 4 85 . necessidade de ordem judicial. O parágrafo único do artigo 1º da Lei n. requerimento deve ser feito pela autoridade policial. em seu artigo 10º. exigência de realização de auto circunstanciado após o término da interceptação. procedimento deve tramitar em segredo de justiça. prazo máximo de interceptação de quinze dias. entrou em vigor a Lei Federal n. e multa. 9296/96 que regulamentou o inciso XII. A discussão doutrinária acerca da legalidade deste dispositivo será comentada oportunamente. previu: Constitui crime realizar interceptação de comunicações telefônicas. na investigação criminal. parte final.Criminalistica e Investigação Criminal Em 1996. prorrogável por igual período. da Constituição Federal e tratou das interceptações telefônicas. A mencionada Lei. ou pelo representante do Ministério Público. 9296/96. infração penal apurada deve ser punida com pena de reclusão. comprovada necessidade. constando o resumo das operações realizadas. § único: “O disposto nesta Lei aplica-se à interceptação do fluxo de comunicações em sistemas de informática e telemática” estendeu a sua abrangência à interceptação do fluxo de comunicações em sistemas de informática e telemática.9296/96. 9296/96 prevê diversas exigências para a concessão de interceptação telefônica. de informática ou telemática. na investigação criminal e na instrução processual penal.

Interrogatório É o ato em que o suspeito ou indiciado pela prática da infração penal presta depoimento formalmente nos autos.Leia. Dessa forma. técnicas e procedimentos passaram a ser adotados. Interrogatório é o termo utilizado pelo Código de Processo Penal para conceituar a inquirição do acusado no processo penal. perante a autoridade policial. de 1. infiltração. realize as atividades de Autoavaliação e consulte o saiba mais para ampliar seus conhecimentos acerca do assunto estudado. a seguir. Dessa forma. Nesse contexto. é imprescindível ao êxito desta atividade a adoção de procedimento.10792. . recursos como técnicas de interrogatório. As técnicas de interrogatório também podem ser utilizadas na inquirição da vítima e testemunha. 86 . que inseriu diversos direitos e garantias individuais muitas vezes limitadoras da busca da prova criminal.Universidade do Sul de Santa Catarina Com o advento da Constituição Federal de 1988.12. que se consubstancia na escolha dos diversos atos policiais no decorrer das investigações e a técnica representa a maneira como o procedimento é realizado. O procedimento do interrogatório encontra-se disposto nos artigos 185 a 196 do Código de Processo Penal. a síntese da unidade. Algumas técnicas investigativas foram estudadas nesta unidade. os agentes estatais que realizam investigação viram-se obrigados a se aperfeiçoar no exercício profissional e a se pautar em técnicas eficazes à atividade investigativa. através da coleta de provas criminais.2003. Síntese A atividade investigativa afigura-se como trabalho lógico e seqüencial que objetiva a apuração das infrações penais. . uso de informantes e vigilância são cada vez mais utilizados pelas Polícias investigativas na elucidação dos delitos. e também em razão dos crescentes índices da criminalidade. que foram todos alterados pela Lei n.

Vigilância A vigilância é a observação encoberta. a vigilância é a única técnica de investigação a que se pode recorrer para averiguar a identidade dos fornecedores. que alterou a redação do artigo 2º da Lei Federal n. algumas das quais exigem um equipamento complexo e caro. . com a finalidade de obter informações sobre as atividades e a identidade de pessoas. que permite a obtenção de conhecimentos profundos da organização criminosa.Técnicas de abordagem dos fatos: da seqüência memorial. obtidos pelo policial infiltrado. Muito freqüentemente.Infiltração A infiltração policial trata-se de técnica operacional eficaz. contínua ou periódica de pessoas. 2. do desmentido. a vigilância eletrônica está estritamente limitada pelo temor de violar o direito à intimidade das pessoas. – Informante A técnica do informante permite estabelecer procedimentos uniformes. e atue de acordo ao planejar as operações de vigilância eletrônica. do questionamento. da alternância. da seqüência dos fatos. É extremamente importante que se leve em conta essas limitações potenciais à estratégia de investigação. Unidade 4 87 . Requer planejamento e preparação e foi inserida no sistema processual penal brasileiro está pela Lei 10217/01. que se encontram inseridos na comunidade. lugares e objetos. transportadores e compradores de drogas ilícitas. e. . possuem informação de grande valia. 9034/95. veículos. A vigilância eletrônica compreende muitas e diversas tecnologias. da seqüência protaitiva e da seqüência retroativa. a serem utilizados no manejo de fontes vivas (informantes). Técnicas de comportamento: da espontaneidade. da indução da persuasão. portanto. da informação cruzada. da seqüência embaralhada. Em muitos países.Criminalistica e Investigação Criminal As técnicas de interrogatório são as seguintes: 1.

Universidade do Sul de Santa Catarina São modalidades de vigilância eletrônica. 9296/96. em face do princípio do contraditório consagrado pela Constituição Federal de 1988. ( ( ( ( ( 88 . ) O detector de mentiras e a hipnose são meios de prova aceitos no ordenamento brasileiro. considerando que o rol de provas elencado no Código de Processo Penal Brasileiro é apenas exemplificativo. A interceptação de comunicações telefônicas encontra-se disciplinada pela Lei Federal n. A captação de conversações ambientais encontra-se prevista no inciso IV. 9034/95. Este inciso foi acrescentado pela Lei Federal n. ) São modalidades de vigilância eletrônica a captação de conversação ambiental e a interceptação telefônica. a captação de conversações ambientais e a interceptação de comunicações telefônicas. do artigo 2º da Lei Federal n. Atividades de auto-avaliação Assinale verdadeiro ou falso: ( ) Durante o interrogatório do indiciado. armas e outros dados importantes. 10217/2001. ) Interceptação telefônica e gravação telefônica são sinônimos. para que sejam feitas perguntas dirigidas aos autores. ) É necessário que a vítima seja interrompida durante o relato do ocorrido. ) No caso de haver mais de um suspeito. o advogado poderá fazer perguntas. é importante que eles sejam interrogados conjuntamente.

Criminalistica e Investigação Criminal 2. este realiza gravação telefônica ou interceptação telefônica? Por quê? Justifique sua resposta.” Disponível em: http://direitonetcombr/artigos/x/24/32/2432 Unidade 4 89 . durante uma conversação. escuta telefônica e gravação clandestina-prova-sua validade na persecução criminal. Responda à seguinte questão: Indivíduo ameaçado de morte por telefone e grava esta ameaça. Saiba mais Para aprofundar seus conhecimentos leia o: Artigo: “Violação da intimidade por intermédio de interceptação telefônica.

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5 Seções de estudo Seção 1 Sobre as provas: história e garantias constitucionais . seu conceito e sua evolução histórica.UNIDADE 5 Limites da Investigação Criminal Objetivos de aprendizagem Conhecer a prova criminal. Relacionar a prova às manifestações e aos princípios constitucionais de garantia dos direitos fundamentais.

de ordem material e processual. à liberdade. dentre outros. bem como garante as inviolabilidades da manifestação do pensamento. a Constituição Federal de 1988. ainda. à honra e imagem. Todos devem ser considerados na investigação criminal. artística e científica. da expressão intelectual. de dados e telefônicas. à integridade física e moral. Vamos lá ? Comecemos. Como você já teve a oportunidade de ver. da liberdade espiritual. Nesse sentido. a investigação policial almeja a apuração da materialidade e autoria dos crimes. o direito à vida. instituiu diversos direitos individuais ao cidadão que devem ser respeitados e acabam por limitar a atuação policial investigativa na busca da prova. Nesta unidade você terá a oportunidade de estudar sobre as provas. 92 . sua história e como elas se inserem no ordenamento jurídico brasileiro e concebidas no âmbito dos direitos e princípios constitucionais. Também outras normas infraconstitucionais elencam direitos individuais. mediante a obtenção de provas criminais. à privacidade. A Constituição da República explicita. à igualdade. do domicílio.Universidade do Sul de Santa Catarina Para início de estudo Para a manutenção de um Estado Democrático de Direito é necessário que a atividade estatal seja limitada por direitos e garantias individuais. do sigilo da correspondência e das comunicações telegráficas. então. tida como garantista. com um pouco de história. a garantia da inadmissibilidade das provas obtidas por meios ilícitos e o direito à não produzir prova contra si próprio. Assegura.

social e cultural da civilização. instituiriam-se as ordálias e os juramentos. sempre foi influenciada pelo contexto histórico. quando a religião era o valor supremo das organizações e desconheciam-se os direitos fundamentais. concedendo total Unidade 5 93 . encontrando limites expressos constitucional e infraconstitucionalmente. Apenas com os ideais iluministas da Revolução Francesa. o qual não possuía direitos e garantias limitadores do poder estatal. as provas não eram reunidas para apurar uma possível culpabilidade do réu.Sobre as provas: história e garantias constitucionais Num Estado Democrático de Direito a busca pela prova na investigação policial não é absoluta. com a criação dos Tribunais da Inquisição. Você sabia? Que durante a Antigüidade e parte da Idade Média. Contrapondo-se ao sistema das provas legas. criou-se o sistema da íntima convicção. em que o interesse do Estado estava acima do indivíduo. a tortura era oficialmente aceita como meio de Prova necessário para a obtenção da confissão? Utilizava-se o sistema das provas legais. em que a confissão era mais valorada do que as demais provas. meios de prova que outorgavam a Deus a capacidade de condenar ou absolver os indivíduos? Que no final da Idade Média e grande período da Idade Moderna. Desconhecendo o princípio da presunção de inocência. sendo que esta era constituída de cada um dos elementos que permitiam reconhecer um culpado.Criminalistica e Investigação Criminal SEÇÃO 1 . os valores do homem considerado em sua individualidade passaram a serem observados. Prevalecia a concepção organicista da sociedade. instrumento por meio do qual se forma a convicção do juiz a respeito da ocorrência ou inocorrência dos fatos controvertidos no processo. A prova.

que passa a ser concebido não apenas como instrumento para persecução penal. a proibição legal da tortura. desde que o faça motivadamente e obedeça à Constituição da República e demais textos legais. mas. não há hierarquia entre as provas e o juiz pode decidir de acordo com a sua consciência. também. Neste contexto. explicita ou implicitamente. na Constituição da República atuam como norteadores da fase policial e do processo penal. dentre elas. como meio para salvaguardar direitos fundamentais. surgiu o sistema da persuasão racional ou livre convicção. opondo-se ao subjetivismo da íntima convicção do juiz. a presunção de inocência do acusado e o direito ao contraditório. Estes direitos e garantias consubstanciam-se em limites à atividade estatal. Como você pode ver. adotado pelo Código Processual Penal Brasileiro. A busca pela verdade na investigação e no processo criminal passou a sofrer limitações consubstanciadas nas liberdades públicas. 94 . pelo qual a motivação das decisões judiciais tornou-se verdadeira garantia individual. O homem passou a ser respeitado enquanto sujeito de direitos e garantias. proclamaram diversos direitos fundamentais. muitos deles consagrados pela Constituição Federal de 1988. de 1789. Posteriormente. inclusive no que concerne à produção da prova na investigação e no processo penal. e outros textos internacionais sobre Direitos humanos. no Estado Democrático brasileiro. A Declaração Universal dos Direitos do Homem. dispensando-os de motivar suas decisões.Universidade do Sul de Santa Catarina liberdade aos juízes na apreciação da Prova. através do sistema da persuasão racional. os princípios e regras insertos.

. Quando a prova ofende preceitos de ordem processual é chamada ilegítima. As grandes linhas evolutivas dos Direitos Fundamentais. desde que não ofendam os direitos fundamentais. Legislativo e Judiciário cabem respeitar os direitos fundamentais. em face da natural restrição resultante do Princípio da convivência das liberdades. também. (GRINOVER: 1992:15). através de quaisquer meios de provas. tanto os Direitos como as suas limitações. Aos Poderes Executivo. acentuaram a transformação dos Direitos individuais em Direitos do homem inserido na sociedade. como sendo (. Liberdades fundamentais e liberdades públicas são também expressões usadas para exprimir Direitos Fundamentais (cf. pelos direitos e garantias individuais. tais como os princípios constitucionais. conceituadas por Grinover. Curso de Direito Constitucional Positivo. mas no enfoque de sua inserção na sociedade. não podem ser entendidos em sentido absoluto. pelo que não se permite que qualquer delas seja exercida de modo danoso à ordem pública e às liberdades públicas.) os Direitos do homem que o Estado.) os Direitos do homem. provas ilícitas e ilegítimas. são ilegais.. p. no Estado social de Direito. Acerca deste tema. Ambas.. sintetizam Grinover. 1999:113).. 1999. et all. através de sua consagração. após o liberalismo. SILVA. Nesta linha de pensamento. José Afonso da. De tal modo que não é mais exclusivamente com relação ao indivíduo.181) Efetivamente. Scarance e Gomes Filho: (. Unidade 5 95 . segundo a moderna doutrina constitucional. é tida como ilícita. que se justificam. o processo penal é o instrumento no qual se desenvolve a instrução probatória. que se colocam como limites à atividade investigativa policial. (GRINOVER. transferiu do Direito natural ao Direito positivo. também chamados de liberdades públicas. verifica-se que a atuação da Polícia em um Estado Democrático de Direito é limitada.Criminalistica e Investigação Criminal Quando a prova viola normas de direito material.

de dados e das comunicações telefônicas. segurança. ou para prestar socorro. bem como às inviolabilidades da manifestação do pensamento. honra e imagem das pessoas. da Constituição da República: “Todos são iguais perante a lei. igualdade. da publicidade dos atos processuais. VI – é inviolável a liberdade de consciência e de crença. sendo vedado o anonimato. as Provas obtidas por meios ilícitos. do interrogado reservar-se no direito de permanecer calado. LX – a lei só poderá restringir a publicidade dos atos processuais quando a defesa da intimidade ou o interesse social o exigirem. vida privada. a honra e a imagem das pessoas. salvo.. No contexto desta discussão. as seguintes garantias. a proteção aos locais de culto e a suas liturgias. científica e de comunicação. propriedade. na forma da lei. à segurança e à propriedade. dentre outras: da inadmissibilidade das provas obtidas por meios ilícitos. durante o dia. integridade física e moral. IX – é livre a expressão da atividade intelectual. LVI – são inadmissíveis. à liberdade. da expressão intelectual. da liberdade espiritual. XI. de dados e telefônicas. no processo. no último caso. XII – é inviolável o sigilo da correspondência e das comunicações telegráficas.a casa é asilo inviolável do indivíduo.Universidade do Sul de Santa Catarina A utilização das provas e os direitos fundamentais A Constituição da República explicita as garantias concernentes à vida. ou . assegurado o Direito à indenização pelo dano material ou moral decorrente de sua violação. nas hipóteses e na forma que a lei estabelecer para fins de investigação criminal ou instrução processual penal. à igualdade. liberdade. independentemente de censura ou licença. por ordem judicial. sendo assegurado o livre exercício dos cultos religiosos e garantida. X – são invioláveis a intimidade. Relembre o que diz o artigo 5º.) incisos III – ninguém será submetido a tortura nem a tratamento desumano ou degradante. ninguém nela podendo penetrar sem consentimento do morador. garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do Direito à vida. intimidade. artística. 96 . do sigilo da correspondência e das comunicações telegráficas. nos termos seguintes: (. a vida privada. sem distinção de qualquer natureza. artística e científica. IV – é livre a manifestação do pensamento. salvo em caso de flagrante delito ou desastre. Assegura ainda. do domicílio. por determinação judicial. a autora adotou como sinônimas as expressões ‘Direito à intimidade” e “ Direito à Privacidade”.

sem a anuência daquele. trata-se de crime inafiançável e insuscetível de graça ou anistia. durante o dia. são irrenunciáveis. ainda que mínimas. afirma Gomes Filho (1997). de 1969. 1999: 185). Desta forma. durante o dia. ou.. salvo em caso de flagrante delito ou desastre. ou para prestar socorro. garantindo a privacidade do cidadão. inclusive na Convenção Americana sobre Direitos Humanos. são vedados pelo nosso sistema legal. da mesma forma. tais como exames de sangue e testes de alcoolemia. sem consentimento do morador. também deve ter assegurado o seu Direito a não fornecer Provas incriminadoras contra si mesmo. inciso XLIII – “a lei considerará crimes inafiançáveis e insuscetíveis de graça ou anistia a prática da tortura (. bem como a utilização de meios que afetem a liberdade de declaração. No Brasil. O crime de tortura encontra-se tipificado na Lei n. 1997:119). qualquer tipo de violação à integridade física e psíquica do acusado. a sua negativa não presume a veracidade do fato que se quer provar.. tais como o detector de mentiras. por determinação judicial. O Direito à Prova não vai ao ponto de conferir a uma das partes no processo prerrogativas sobre o próprio corpo e a liberdade de escolha da outra. sem consentimento do morador. XI – “a casa é asilo inviolável do indivíduo. Acerca deste tema. sendo-lhe assegurada a assistência da família e de advogado”. ainda que com o consentimento do interrogado. Faz-se importante lembrar que. de 1966. 5º. Constituição da República. posto que tais direitos. razão pela qual as intervenções corporais. art. (GOMES FILHO. a narcoanálise.)”. é a violação do Direito à não auto-incriminação e à liberdade pessoal. e no Pacto Internacional sobre os Direitos Civis e Políticos. ou. enquanto fundamentais.. não são aceitas pelo ordenamento brasileiro. em caso de flagrante delito ou desastre. mencionados anteriormente. de 07 de abril de 1997.Criminalistica e Investigação Criminal LXIII – o preso será informado de seus Direitos. Unidade 5 Constituição da República. A garantia constitucional da inviolabilidade do domicílio excepciona apenas a entrada. artigo 5º. Também a tortura está proibida em diversas declarações internacionais. por ordem judicial. é vedado constranger o suspeito a fornecer provas que prejudiquem a sua defesa. Em face da garantia constitucional da presunção de inocência. (SILVA. o hipnose. (. ou para prestar socorro. 97 . entre os quais o de permanecer calado. pois se ninguém pode ser obrigado a declarar-se culpado.) o que se deve contestar em relação a essa intervenções. a intimidade e a dignidade pessoal do acusado. ninguém nela podendo penetrar. 9455..

173-174. são adotadas as seguintes definições: (. Direito à Intimidade e Interceptação Telefônica. cf. no último caso. defende-se a análise gramatical deste inciso e advoga-se que o sigilo da correspondência e/ou das comunicações telegráficas e de dados não comporta exceções. art. Maria Gilmaíse de Oliveira. nas hipóteses e na forma em que a lei estabelecer para fins de investigação criminal ou instrução processual penal. O Código de Processo Penal prevê que as cartas poderão ser exibidas em juízo pelo respectivo destinatário.. 98 . ou. por meio de carta. por ordem judicial. 47: Para os efeitos desta Lei. de disciplina prisional ou de preservação da ordem jurídica. nas hipóteses e na forma que a lei estabelecer para fins de investigação criminal ou instrução processual penal. 5º.Universidade do Sul de Santa Catarina Como já visto. por ordem judicial. é possível. salvo. MENDES. portanto. a Constituição da República garantiu. defende-se que nenhuma liberdade individual é absoluta. embasado na visão sistêmica do ordenamento jurídico. O Supremo Tribunal Federal já decidiu favoravelmente à possibilidade da interceptação. a inviolabilidade do sigilo da correspondência e das comunicações telegráficas. de correspondência que seria remetida por preso. O que diz o Supremo Tribunal Federal sobre isso? Lei n. pela leitura do inciso XII do artigo 5º da Constituição da República. ainda.) Correspondência: É toda comunicação de pessoa a pessoa. e que. Constituição da República. de dados e das comunicações telefônicas. art. Desconsiderando-se a discussão doutrinária acerca da expressão “último caso” incidir exclusivamente sobre as comunicações telefônicas ou abranger as comunicações telegráficas. no último caso. Desta forma. salvo. com fundamento em razões de segurança pública. respeitados certos parâmetros. a interceptação da correspondência e/ou das comunicações telegráficas e de dados. pela administração penitenciária. p. 1999. através da via postal ou telegráfica. 6538/78. devemos concluir que. XII – “é inviolável o sigilo da correspondência e das comunicações telegráficas. verifica-se que o sigilo da correspondência não atinge nenhuma das duas interpretações. sendo absoluto. de dados e das comunicações telefônicas.. de dados e telefônicas. para a defesa de seu direito.

para a defesa de seu Direito. que delas não poderão servir-se para fins estranhos à lide. os artigos 3º e 4º da Lei Complementar 105/2001. Veja o que diz o artigo: “Serão prestadas pelo Banco Central do Brasil. pela Comissão de Valores Mobiliários e pelas instituições financeiras as informações ordenadas pelo Poder Judiciário. não serão admitidas em juízo”. O Art. preservado o seu caráter sigiloso mediante acesso restrito às partes. art. § 3o Além dos casos previstos neste artigo o Banco Central do Brasil e a Comissão de Valores Mobiliários fornecerão à Advocacia-Geral da União as informações e os documentos necessários à defesa da União nas ações em que seja parte”. 3º da Lei Complementar 105/2001 No que se refere ao sigilo bancário. que dispõe sobre o sigilo das operações de instituições financeiras e dá outras providências. permite a violação do sigilo bancário por decisão judicial ou por determinação de comissão parlamentar de inquérito. § 2o Nas hipóteses do § 1o. § 1o Dependem de prévia autorização do Poder Judiciário a prestação de informações e o fornecimento de documentos sigilosos solicitados por comissão de inquérito administrativo destinada a apurar responsabilidade de servidor público por infração praticada no exercício de suas atribuições. o requerimento de quebra de sigilo independe da existência de processo judicial em curso. ou que tenha relação com as atribuições do cargo em que se encontre investido. A inviolabilidade do sigilo de dados complementa a previsão ao direito à intimidade e abrange as informações bancárias e fiscais dos cidadãos. 233: “As cartas particulares. ainda que não haja consentimento do signatário. § único: “As cartas poderão ser exibidas em juízo pelo respectivo destinatário. interceptadas ou obtidas por meios criminosos.Criminalistica e Investigação Criminal Código de Processo Penal. Unidade 5 99 .

sobre a situação econômica ou financeira dos sujeitos passivos ou de terceiros e sobre a natureza e o estado dos seus negócios ou atividades. para qualquer fim. § 2o As solicitações de que trata este artigo deverão ser previamente aprovadas pelo Plenário da Câmara dos Deputados. os casos previstos no artigo seguinte e os de requisição regular da autoridade judiciária no interesse da Justiça”. Código Tributário Nacional. se fizerem necessários ao exercício de suas respectivas competências constitucionais e legais. por parte da Fazenda Pública ou de seus funcionários. que terão poderes de investigação próprios das autoridades judiciais.. obtida em razão do ofício. ou do plenário de suas respectivas comissões parlamentares de inquérito” .). 4o da Lei Complementar 105/2001: “ O Banco Central do Brasil e a Comissão de Valores Mobiliários. diretamente das instituições financeiras. art. § 3º : “As comissões parlamentares de inquérito. fundamentadamente. serão criadas pela Câmara de Deputados e pelo Senado Federal (. é vedada a divulgação. § 1o As comissões parlamentares de inquérito. Parágrafo único: Excetuam-se do disposto neste artigo.. unicamente. nas áreas de suas atribuições. Também o sigilo fiscal pode ser excepcionado por ordem judicial ou determinação de comissão parlamentar de inquérito. além de outros previstos nos regimentos das respectivas Casas. Constituição Federal. obterão as informações e documentos sigilosos de que necessitarem. art. ou por intermédio do Banco Central do Brasil ou da Comissão de Valores Mobiliários. 58. de qualquer informação. no exercício de sua competência constitucional e legal de ampla investigação.Universidade do Sul de Santa Catarina Art. e as instituições financeiras fornecerão ao Poder Legislativo Federal as informações e os documentos sigilosos que. do Senado Federal. 100 . 198: “Sem prejuízo do disposto na legislação criminal.

e policiais e parentes da vítima. a captação é chamada gravação de conversa telefônica. Precedente do STF: (HC 74.1997 .9296/96 (Lei n.97).p. 1ª Turma..08. As Interceptações Telefônicas e os Direitos Fundamentais. de um lado. 2. como prova lícita. Lenio Luiz. Licitude desse meio de prova. em 24. telefônica ou ambiental. alegando que o fluxo de comunicações em sistema de informática e telemática são variantes da modalidade comunicações telefônicas. 9296/96.Criminalistica e Investigação Criminal Neste sentido faz-se importante realizar uma breve análise sobre as interceptações telefônicas. O parágrafo único do artigo 1º da Lei n. Unidade 5 101 . Conceituando a informática como a prática de comunicações via computador e a telemática como a ciência que trata da manipulação e utilização da informação através do uso combinado do computador e meios de comunicação. será possível a interceptação para prova em investigação criminal e em instrução processual penal. 42-44. artigo 1º. com o conhecimento dos últimos. Min. Constituição – Cidadania – Violência.06. este autor entende que o veículo de tais variantes é o telefone.).06. Este é o entendimento pacífico do Supremo Tribunal Federal: Interceptação telefônica e gravação de negociações entabuladas entre seqüestradores. (. p. tratamento diferenciado da interceptação. Interceptação telefônica Como já foi mencionado.. há diferenciação entre esta e gravação telefônica. por um dos interlocutores. A Lei 9296/96 e seus Reflexos Penais e Processuais. e que portanto. § único: “O disposto nesta Lei aplicase à interceptação do fluxo de comunicações em sistemas de informática e telemática”. recipiendários das ligações. aceitando-se a gravação. sendo o caso. Existe discrepância doutrinária acerca da constitucionalidade deste dispositivo.97. Octavio Gallotti . DJU em 22. (STF -1ª Turma.678. STRECK. 10.Rel. de outro. Quando feita por um dos interlocutores. Streck não vislubra qualquer inconstitucionalidade neste artigo.) estende a sua abrangência à interceptação do fluxo de comunicações em sistemas de informática e telemática. O entendimento doutrinário e jurisprudencial majoritário é no sentido de dar à gravação. j. HC 75261 – MG – 1ª Turma ..

11. A legislação integrativa do canon constitucional autoriza. concebe que esta questão está centrada na interpretação que se dá à expressão “último caso”. Leia atentamente mandado de segurança a seguir: 102 . Nesse sentido.9.. XII). por ordem judicial. – Rel. bancários. art. STJ – HC 15026 – SC – 6ª T. documentos e informações fiscais. – Rel. Min. Habeas-corpus denegado”. art. em sede de persecução criminal.296/96 – Embora a Carta Magna. Vicente Leal – p.296/96. bem como “ a interceptação do fluxo de comunicações em sistema de informática e telemática” (Lei nº 9.Universidade do Sul de Santa Catarina De outro lado. CONSTITUCIONAL – PROCESSUAL PENAL – HABEAS-CORPUS – SIGILO DE DADOS – QUEBRA – BUSCA E APREENSÃO – INDÍCIOS DE CRIME – INVESTIGAÇÃO CRIMINAL – LEGALIDADE – CF. bem como ao sigilo de dados. DJSC em 26. no capítulo das franquias democráticas ponha em destaque o direito à privacidade. 5º.2002.034/95 e nº 9. A jurisprudência pretoriana é unissonante na afirmação de que o direito ao sigilo bancário. e vislumbra os sistemas de informática e telemática como variantes das comunicações de dados. parágrafo único). ART.10.2001 – p. contém expressa ressalva para admitir a quebra do sigilo para fins de investigação criminal ou instrução processual penal (art. Outros Tribunais. Este autor entendendo que tal expressão limita-se às comunicações telefônicas. III). já decidiram pela constitucionalidade das interceptações dos sistemas de informática e telemática. 119 Ainda. prevista no inciso XII do artigo 5º da Constituição Federal. Greco Filho (1996). decisão do Tribunal de Justiça de Santa Catarina com relação à prova. Des. cedendo espaço quando presente em maior dimensão o interesse público.2002 TJSC – MS .034/95. Vicente Leal –p. DJU em 04. STJ – HC 15026 – SC – 6ª T. excluindo as comunicações telegráficas e de dados. 1º. DJU em 04. como o Superior Tribunal e Justiça e o Tribunal de Justiça de Santa Catarina. não é um direito absoluto. “o acesso a dados. a despeito de sua magnitude constitucional.11. 5º. mediante autorização judicial. 251 – (17096) – Blumenau – Rel. Min. financeiras e eleitorais” (Lei nº 9.. 2º. considera inconstitucional o dispositivo sob comento. XII – Leis nº. Otávio Roberto Pamplona – p.

Criminalistica e Investigação Criminal MANDADO DE SEGURANÇA – DECISÃO MONOCRÁTICA – QUEBRA DE SIGILO DE CORREIOS ELETRÔNICOS (E-MAIL) – ART. 119). sendo as infrações investigadas punidas.296/1996. que ensejam muita discussão doutrinária e jurisprudencial. Otávio Roberto Pamplona – p. existem limitações probatórias previstas no Código de Processo Penal. 1º. todavia. ou profissão. no parágrafo único do seu art. na qual foi indeferida a medida liminar.296. quando esta deixar vestígios. com a pena de detenção. no máximo. para a análise do caso não há a necessidade de se perquirir sobre a constitucionalidade da equiparação. DA CONSTITUIÇÃO FEDERAL – CORRESPONDÊNCIA – SISTEMA DE INFORMÁTICA E TELEMÁTICA – INCLUSÃO NO CONCEITO – Há controvérsia se as comunicações em sistema de informática/telemática. disso dependendo a licitude ou ilicitude da medida. ainda que constitucional. em razão de função. necessidade. devam guardar segredo. A matéria é objeto da ADIN nº 1. porque representa exceção à garantia constitucional prevista no preceito referido. seguir o procedimento fixado na Lei nº 9. estão compreendidas no sigilo de correspondência. em caso positivo. em relação às quais é pacífico que cabe a quebra do sigilo por determinação judicial. 5º. Des. É que a interceptação do fluxo de tais comunicações (informática e telemática).499-9. Na espécie. equiparou-as às comunicações telefônicas.256/1996.10. 251 – (17096) – Blumenau – Rel. Foram sucintamente mencionados neste item. XII. Unidade 5 103 . descabe a quebra do sigilo. Limitações probatórias Além dos preceitos limitativos de ordem material. em regra.(TJSC – MS. 5º. A Lei nº 9. com possibilidade de suprimento pela prova testemunhal. Podemos citar: a obrigatoriedade da prova pericial para a constatação da materialidade da infração penal. XII. a impossibilidade de condenação embasada exclusivamente na confissão do acusado. em caráter exemplificativo. no caso de desaparecimento destes vestígios. de dados ou de comunicações telefônicas preconizado pelo art. dos laudos periciais serem lavrados por dois peritos oficiais. estando pendente de julgamento. 2º da Lei nº 9. devendo o magistrado verificar se estão presentes os pressupostos legais para o deferimento da medida e. de 1996. da Constituição Federal. mas do periculum in mora. proibição de depor como testemunhas as pessoas que. via correio eletrônico (e-mail). ante a regra inserta no inciso III do art. não por ausência do fumus boni iuris. há de ser deflagrada com cautela. No caso. ofício. apenas alguns limites materiais à prova. restrições de prova relacionadas ao estado civil das pessoas. ministério. Segurança concedida.2001 – p. DJSC em 26.

Universidade do Sul de Santa Catarina Código de Processo Penal. 207 – “São proibidas de depor as pessoas que. art. ministério. a Prova testemunhal poderá suprir-lhe a falta”. salvo se. somente quando ao estado das pessoas. art. direto ou indireto. caput –“Os exames de corpo de delito e as outras perícias serão feitos por dois peritos oficiais”. ofício ou profissão. não podendo supri-lo a confissão do acusado”. 155 – “No juízo penal. 104 . art. 159. 158 – “Quando a infração deixar vestígios. conferem ilegalidade à prova. será indispensável o exame de corpo de delito. quando violados. o juiz somente à vista da certidão de óbito. perceba que a produção da prova criminal encontra-se limitada por preceitos insculpidos na Constituição da República. devam guardar segredo. art. serão observadas as restrições à Prova estabelecidas na lei civil”. Código de Processo Penal. art. art. quiserem dar o seu testemunho”. e demais textos legais que. por haverem desaparecido os vestígios. desobrigadas pela parte interessada. 62 – “No caso de morte do acusado. em razão de função. 167 – “Não sendo possível o exame de corpo de delito. e depois de ouvido o Ministério Público. declarará extinta e punibilidade”. Portanto.

Durante a Antigüidade. opondo-se ao subjetivismo da íntima convicção do juiz. em que a confissão era mais valorada do que as demais provas. A busca pela verdade no processo passou a sofrer limitações consubstanciadas nas liberdades públicas. sempre foi influenciada pelo contexto histórico. as provas não eram reunidas para apurar uma possível culpabilidade do réu. dispensando-os de motivar suas decisões. Desconhecendo o princípio da presunção de inocência. a presunção de inocência do acusado e o Direito ao contraditório. quando a religião era o valor supremo das organizações e desconheciamse os direitos fundamentais. Apenas com os ideais iluministas da Revolução Francesa. criou-se o sistema da íntima convicção. Contrapondo-se ao sistema das provas legas. Unidade 5 105 . surgiu o sistema da persuasão racional ou livre convicção. com a criação dos tribunais da inquisição. a proibição legal da tortura. . em que o interesse do Estado estava acima do indivíduo. objeto da investigação policial.Criminalistica e Investigação Criminal Síntese A prova criminal. instituíram-se as ordálias e os juramentos. os valores do homem considerado em sua individualidade passaram a ser observados. Posteriormente. sendo que esta era constituída de cada um dos elementos que permitiam reconhecer um culpado. e parte da Idade Média. Utilizava-se o sistema das provas legais. meios de prova que outorgavam a Deus a capacidade de condenar ou absolver os indivíduos. concedendo total liberdade aos juízes na apreciação da prova. No final da Idade Média. O homem passou a ser respeitado enquanto sujeito de direitos e garantias. e grande período da Idade Moderna. o qual não possuía direitos e garantias limitadores do poder estatal. social e cultural da civilização. dentre elas. Prevalecia a concepção organicista da sociedade. a tortura era oficialmente aceita como meio de Prova necessário para a obtenção da confissão.

à privacidade. da liberdade espiritual. muitos deles consagrados pela Constituição da República. desde que o faça motivadamente e obedeça à Constituição da República e demais textos legais. que passa a ser concebido não apenas como instrumento para persecução penal. de 1789. e outros textos internacionais sobre direitos humanos proclamaram diversos direitos fundamentais. bem como garante as inviolabilidades da manifestação do pensamento. Neste contexto. Assegura. não há hierarquia entre as provas e o juiz pode decidir de acordo com a sua consciência. é tida como ilícita. no Estado Democrático Brasileiro os princípios insertos. na Constituição da República atuam como norteadores do processo penal. dentre outros. A Declaração Universal dos Direitos do Homem. à integridade física e moral. A Constituição da República explicita. à liberdade. à honra e imagem. a garantia da inadmissibilidade das provas obtidas por meios ilícitos. além da responsabilidade penal e administrativa a quem produziu a prova está sujeito. da expressão intelectual. de dados e telefônicas. artística e científica. Estes direitos e garantias consubstanciam-se em limites à atividade estatal. mas também como meio para salvaguardar direitos fundamentais. e passa a não ter qualquer valor para embasar uma sentença. Quando uma prova é produzida com ofensa a algum destes direitos e garantias. o direito à vida. ainda. explicita ou implicitamente. posto que ofende norma de direito material. do domicílio. inclusive no que concerne à produção da prova no processo penal. à igualdade. Através do sistema da persuasão racional. Todos estes direitos e garantias limitam a atividade policial investigativa.Universidade do Sul de Santa Catarina pelo qual a motivação das decisões judiciais tornou-se verdadeira garantia individual. adotado pelo Código Processual Penal Brasileiro. 106 . do sigilo da correspondência e das comunicações telegráficas.

do Código de Trânsito Brasileiro. ainda que sem ordem judicial. sem ordem judicial. Unidade 5 107 . constitui prova lícita. mesmo sem a sua anuência? Em caso negativo. é possível comprovar a embriaguez constrangendo o condutor a realizar o teste do bafômetro. objeto de exclusiva apreensão mediante entrada em residência. expondo a dano potencial a incolumidade de outrem. durante o dia ou à noite. ) É permitida a entrada da Polícia em domicílio. ) O registro dos arquivos extraídos da memória de computador. Responda à seguinte questão: Para comprovar um crime de trânsito. em caso de flagrante delito ou desastre. ou para prestar socorro. fundamente e informe que outros meios de prova poderiam ser utilizados para tanto. ) É permitida a entrada da Polícia em domicílio. sem consentimento do morador. ) Captação de conversa ambiental por um dos interlocutores. com ordem judicial. sem consentimento do morador. ( ( ( ( 2. previsto no artigo 306.Criminalistica e Investigação Criminal Atividades de auto-avaliação Assinale verdadeiro ou falso: ( ) Exames de sangue e testes de alcoolemia podem ser realizados no suspeito mesmo que sem a sua anuência. é prova lícita.

com.neofito.Universidade do Sul de Santa Catarina Saiba mais Para ampliar seus conhecimentos sobre o assunto tratado leia: Texto: Da prova ilegal no processo penal http://www.htm 108 .br/artigos/art02/ppenal50.

tais como educação. da atuação estatal nesta área. Estes são apenas alguns dos motivos pelos quais a segurança pública vem sendo objeto de preocupação pelo poder público. Profa. o tema segurança pública vem sendo objeto de maior atenção pela sociedade e pelo Estado. Na atualidade. Com as alterações e criações de leis. Maria Carolina . é certa a necessidade perene da atividade policial em qualquer organização social atual. com a especialização das perícias. moradia. a busca pela prova criminal está em constante mutação. São exorbitantes os gastos públicos gerados em decorrência da atividade delitiva e é negativa a visão. Os crescentes índices de criminalidade verificados no País e as deficiências estatais no combate ao crime é um tema no qual a sociedade está cada vez mais preocupada. com a rotatividade dos profissionais que atuam direta ou indiretamente na atividade investigativa policial. emprego. considere esta disciplina como o ponto de partida para o estudo aprofundado e permanente da investigação policial. uma vez que a atinge diretamente. Espero que você. que por interesses profissionais e/ou pessoais. aluno.Para concluir o estudo Este livro teve por finalidade estudar os temas Criminalística e Investigação Criminal. saúde. considerando que a função repressiva sempre terá de existir. está realizando este curso. A par da discussão acerca da omissão do poder estatal em programas que tenham como foco a prevenção. pela sociedade.

110 .

São Paulo: Hermus Ed. São Paulo: Saraiva. Rio de Janeiro: Campus. 217 p. 1997. SILVA.Referências BECCARIA. Antônio Carlos de Araújo. ed. Título original: Dei Delitti e Delle Penne BOBBIO. CAPEZ. Revista Informativa Legislativa. 19 ed. Fernando. São Paulo: Edipro. Tradução de Carlos Nelson Coutinho. n. 2003. 6. p. Tradução de Jonas Camargo Leite e Eduardo Fonseca. Gilberto. A Era dos Direitos.237-250. 97. Tradução de Flório De Angelis. COTRIN. Ano 25. 1977. São Paulo: Saraiva. Dos Delitos e das Penas.1993. 12 ed. Ministério da Educação e Cultura. Fustel de. José Joaquim Gomes. 1394p. Cesare. São Paulo: Malheiros Editores. DINAMARCO. 448 p.120 p. 5 ed. CINTRA. Brasília. 1414p. 348 p. . 1992. GRINOVER. Maria Regina Caffaro. CANOTILHO. Título original: L´eta dei Diritti BUENO. Dicionário Escolar da Língua Portuguesa. A Cidade Antiga. 1999. Teoria Geral do Processo. Maria da Glória Lins da Silva. Direito Constitucional e Teoria da Constituição.1988. Provas Ilícitas no Processo Penal. História e Consciência do Mundo. Coimbra: Livraria Almedina. 2002. Ada Pelegrini. Curso de Processo Penal.267 COULANGE. Francisco da Silveira. 1996. Título original: La Cite Antique.Norberto. 3 ed. 310 p. 8 ed. COLUCCI. Cândido Rangel. p. Jan/mar.

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julho/setembro 2002. São Paulo: Universitaria de Direito. 114 . 273 p. 293 p.Universidade do Sul de Santa Catarina SZNICK. p. n. Francisco Tomás Y. Barcelona: Crítica. 1998. Ano 10. Problemas Metodológicos na História do Controle Social: o exemplo da tortura. Ana Lucia. SABADELL. Revista Brasileira de Ciências Criminais. La Tortura Judicial en España. VALIENTE. Valdir. 2002.266-287. Editora Revista dos Tribunais. 39. Tortura.

Sobre a professora conteudista
Maria Carolina Milani Caldas Opilhar é graduada em Administração de Empresas, pela Universidade do Estado de Santa Catarina – UDESC e em Direito, pela Universidade Federal de Santa Catarina – UFSC. Realizou Mestrado em Ciência Jurídica, pela UNIVALI/ SC – Universidade do Vale do Itajaí, com dissertação aprovada em junho de 2004. Possui especialização em Meio-Ambiente e Trânsito, pela Unisul, com monografia aprovada em maio de 2003. Está cursando Pós-Graduação Lato Sensu em Gestão de Segurança Pública, na ACADEPOL - Academia de Polícia Civil de Santa Catarina. É Delegada de Polícia, integrante da Polícia Civil do Estado de Santa Catarina e faz parte do corpo docente da ACADEPOL – Academia de Polícia Civil de Santa Catarina. Atualmente, presta serviços na Delegacia de Polícia de Palhoça, Santa Catarina.

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Respostas e comentários das atividades de auto-avaliação
Respostas e comentários das questões das unidades do Livro didático

Unidade 1
1) Assinale V ou F (F) Nos crimes que ocorreram mediante disparo de arma de fogo, a apreensão de estojos no local não é importante, posto que não é possível realizar perícia comparativa entre o estojo e a arma de fogo. (V) Nos crimes que ocorreram mediante disparo de arma de fogo, a apreensão de projéteis no local possibilita a realização do laudo de identificação de projéteis e, quando a arma é apreendida, o laudo de comparação balística. (V) O rol de provas elencados no Código de Processo Penal Brasileiro é exemplificativo. (F) O sistema de provas previsto no Código de Processo Penal Brasileiro é o da íntima convicção. (V) A prova testemunhal pode suprir a prova pericial quando a infração penal não deixar vestígios.

razão pela qual a Polícia Militar é proibida de realizar qualquer tipo de investigação criminal. na condição de prova objetiva. tal como legítima defesa ou estado de necessidade. As Polícias investigativas mais avançadas do mundo vêm priorizando a prova pericial. Responda à seguinte questão: Na sua percepção. as provas não possuem valor pré-determinado. adotado pelo Código de Processo Penal Brasileiro. No sistema da livre convicção. (F) O inquérito policial é peça imprescindível para a instauração do processo criminal. científica. ou que o autor agiu embasado em alguma excludente de antijuridicidade. e. 2. o objetivo primordial da investigação deve ser a busca da verdade dos fatos. 118 . Unidade 3 1) Assinale verdadeiro ou falso: (F) O sistema de provas previsto no Código de Processo Penal Brasileiro é o da íntima convicção. não são hierarquizadas. (F) As Polícias exercem atividades excludentes. Dessa forma. 2) Que tipo de prova é o laudo pericial? R: O laudo pericial é prova objetiva. portanto. científica.Universidade do Sul de Santa Catarina Unidade 2 1) Qual a importância do laudo pericial na investigação criminal? R: O laudo pericial vem sendo percebido como uma das provas cruciais para a investigação. posto que. muitas vezes no transcorrer da atividade investigativa são coletadas provas em favor da inocência do suspeito. 3) O laudo pericial é sempre conclusivo? R: O laudo pericial nem sempre é conclusivo. ficando a critério do juiz esta valoração. os policiais devem estar voltados prioritariamente à indicar e localizar o autor do crime ou à busca da verdade? R: Em um Estado Democrático de Direito. é mais difícil de ser refutado. ainda que a verdade demonstre que o suspeito não é o autor do crime. durante o curso de uma investigação.

(F) O detector de mentiras e a hipnose são meios de prova aceitos no ordenamento brasileiro. para que sejam feitas perguntas dirigidas aos autores. (F) É necessário que a vítima seja interrompida durante o relato do ocorrido.Unidade 4 1) Assinale verdadeiro ou falso: (F) Durante o interrogatório do indiciado. em face do princípio do contraditório consagrado pela Constituição Federal de 1988. durante uma conversação. considerando que o rol de provas elencado no Código de Processo Penal Brasileiro é apenas exemplificativo. (V) São modalidades de vigilância eletrônica a captação de conversação ambiental e a interceptação telefônica. A interceptação necessita de ordem judicial para ser feita e é sempre realizada por um terceiro. 119 . (F) Interceptação telefônica e gravação telefônica são sinônimos. é importante que eles sejam interrogados conjuntamente. o advogado poderá fazer perguntas. Responda à seguinte questão: Indivíduo ameaçado de morte por telefone e grava esta ameaça. 2. armas e outros dados importantes. este realiza gravação telefônica ou interceptação telefônica? Por quê? R: Realiza gravação telefônica. (F) No caso de haver mais de um suspeito.

ou para prestar socorro. previsto no artigo 306. previsto no artigo 5º. (V) Captação de conversa ambiental por um dos interlocutores. com ordem judicial. fundamente e informe que outros meios de prova poderiam ser utilizados para tanto. 120 . é prova lícita. do Código de Trânsito Brasileiro. objeto de exclusiva apreensão mediante entrada em residência. pelo que não é possível constranger alguém a realizar o bafômetro. ainda que sem ordem judicial. senão em virtude de lei. é possível comprovar a embriaguez constrangendo o condutor a realizar o teste do bafômetro. constitui prova lícita. (F) É permitida a entrada da Polícia em domicílio. (V) É permitida a entrada da Polícia em domicílio. são outros meios de prova que podem demonstrar o estado de embriaguez. (F) O registro dos arquivos extraídos da memória de computador. ninguém pode ser obrigado a produzir prova contra si próprio. expondo a dano potencial a incolumidade de outrem. II. A prova testemunhal e o laudo pericial de verificação de embriaguez. em caso de flagrante delito ou desastre. mesmo sem a sua anuência? Em caso negativo. R: Em face do direito de que ninguém é obrigado a fazer ou deixar de fazer alguma coisa. sem consentimento do morador. Responda à seguinte questão: Para comprovar o crime de trânsito. durante o dia ou à noite. sem consentimento do morador.Unidade 5 1) Assinale verdadeiro ou falso: (F) Exames de sangue e testes de alcoolemia podem ser realizados no suspeito mesmo que sem a sua anuência. sem ordem judicial. 2. realizado por médicos legistas. sem o seu consentimento. da Constituição Federal de 1988.

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