Universidade do Sul de Santa Catarina

Disciplina na modalidade a distância

Criminalística e Investigação Criminal

Palhoça UnisulVirtual 2006

Apresentação
Este livro didático corresponde à disciplina Criminalística e Investigação Criminal. O material foi elaborado visando a uma aprendizagem autônoma, abordando conteúdos especialmente selecionados e adotando uma linguagem que facilite seu estudo a distância. Por falar em distância, isso não significa que você estará sozinho. Não esqueça que sua caminhada nesta disciplina também será acompanhada constantemente pelo Sistema Tutorial da UnisulVirtual. Entre em contato sempre que sentir necessidade, seja por correio postal, fax, telefone, e-mail ou Espaço Unisul Virtual de Aprendizagem. Nossa equipe terá o maior prazer em atendê-lo, pois sua aprendizagem é nosso principal objetivo. Bom estudo e sucesso! Equipe UnisulVirtual.

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Maria Carolina Milani Caldas Opilhar Criminalística e Investigação Criminal Livro didático Design instrucional Carmen Maria Cipriani Pandini Palhoça UnisulVirtual 2006 .

Educação Super a Distância Vir ior Cam pusUnisul tual Vir Rua João Pereira dos Santos. Ficha catalográf elaborada pela Biblioteca Universitária da Unisul ica Cr éditos Unisul. design instrucional Carmen Maria Cipriani Pandini. 2006. II.598 O69 Opilhar. 28 cm. 2.88130-475 hoça Fone/ax:( 3279-1541 e f 48) 3279-1542 E-mail cursovirtual : @unisulbr . Pandini. – Palhoça : UnisulVirtual. Inclui bibliografia. virtualunisulbr .Copyright © UnisulVirtual 2006 N enhum a parte desta publicação pode ser reproduzida por qualquer m eio sem a prévia autorização desta instituição. I.Sil veira Jucimara Roesl er ( coordenador) Lil Cristina Pettres ( iar) M árcia Loch ian Auxil Patrí M eneghel cia Francisco Asp Lauro JoséBalock l Sil Denise Guimarães vana LuizGuil herme Buchmann Tade-Ane de Amorim Figueiredo Pr etosCorpor oj ativos Vanessa de Andrade M anuel LuizOtávio Botel Lento ho Diane DalM ago Vanessa Francine Corrêa M arcel Caval o canti Vanderl Brasil ei Viviane Bastos M auri LuizHeerdt Viviani Poyer M auro Faccioni Fil ho Secr ia de Ensino a etar M ichele Denise DurieuxLopes l Distância Logí de Encontr stica os Destri Karine Augusta Zanoni Pr esenciais Nél Herzmann io ( secretária de ensino) Carol Batista ( ine Coordenadora) Dj Sammer Bortol Onei Tadeu Dutra eime otti Araceli Aral l di Patrí Al cia berton Carl Cristina Sbardela a l Graciel M arinês Lindenmayr e Patrí Pozza cia Grasiel M artins a JoséCarl Teixeira os Raul Jacó Brüning ino James M arcelSil Ribeiro va Letí Cristina Barbosa cia LamuniêSouza Kênia Al exandra Costa Hermann Liana Pampl Design Gr áfico ona iveira Cristiano Neri Gonçal Ribeiro M arcia Luzde Ol ves M aira M arina M artins Godinho Priscil Santos Al a ves ( coordenador) M arcel Pereira o Adriana Ferreira dos Santos M arcos Al M edeiros Junior cides Logí de M ater stica iais Al Sandro Xavier ex M aria I Aragon sabel Jef erson Cassiano Al meida da Evandro Guedes M achado Ol Laj avo ús Costa Priscila Geovana Pagani l Edição – Livr Didático o Pr ofessorConteudista M aria Carol M il Cal ina ani das Opil har Design I ucional nstr Carmen M aria Cipriani Pandini Pr eto Gr oj áfico e Capa Equipe Unisul Virtual Diagram ação Pedro Teixeira Revisão Or áfi ca togr B2B . ISBN 85-60694-33-1 ISBN 978-85-60694-33-4 1. : il.Rodrigues issa M aria Eugênia Ferreira Cel eghin Dênia Fal de Bittencourt cão ( iar) Auxil Simone Andréa de Castil ho El Fl isa emming Luz Charl Cesconetto es Viní M aycot Seraf cius im Enzo de Ol iveira M oreira Diva M aríia Fl l emming Fl Lumi M atuzawa ávia El Fl isa emming Luz Karl Leonora Dahse Nunes a Pr odução I ndustr e ial I tamar Pedro Bevil aqua Leandro Kingeski Pacheco Suporte Janete El Fel za isbino Ligia M aria Souf Tumol en o Arthur EmmanuelF. Site:www. . 122 p. 341. 303 Pal . Carmen Maria Cipriani. Maria Carolina Milani Caldas Criminalística e investigação criminal : livro didático / Maria Carolina Milani Opilhar . Inquérito policial.Univer sidade do Sulde Santa Catarina Unisul tual.SC . Título. . Crime e criminosos. ReitorUnisul Gerson LuizJoner da Sil veira Vice-Reitore Pró-Reitor Acadêm ico Sebastião Sal Heerdt ésio Chefe de gabinete da Reitor ia Fabian M artins de Castro Pr ó-ReitorAdm inistrativo M arcus Viní Anátol da cius es Sil va Ferreira Cam pusSul Diretor:Val Al Schmitz ter ves Neto Diretora adj Al unta: exandra Orseni Cam pusNorte Diretor:Ail Nazareno Soares ton Diretora adj Cibel unta: e Schuel ter Cam pusUnisul tual Vir Diretor:João Vianney Diretora adj Jucimara unta: Roesl er Equipe Unisul tual Vir Adm inistr ação Renato AndréLuz Val Vení I mir cio nácio Fernando Roberto Dias Zimmermann Higor Ghisi Luciano Pedro Paul Al Teixeira o ves Raf Pessi ael Vil M artins Fil son ho ( coordenador) Eduardo Kraus Sil Henrique Sil vana va Secr ia Executiva etár Viviane Schal M artins ata Tecnol ogia Osmar de Ol iveira BrazJúnior ( coordenador) Ricardo Al exandre Bianchini Rodrigo de Barcel M artins os M onitor e Supor ia te Raf da Cunha Lara ael ( coordenador) Bibl iotecár ia Adriana Sil veira Soraya Arruda W al trick ine Equipe Didático-Pedagógica Carol M endonça Edison Rodrigo Val im Angel M arçalFl ita ores Coor denação dosCur sos l Carmen M aria Cipriani Pandini Franciele Arruda Adriano Sérgio da Cunha a inverni Barbieri Carol Hoeler da Sil Boeing Gabriel M al ina l va Ana Luisa M ül bert Gisl Frasson de Souza ane Cristina Kl de Ol ipp iveira Ana Paul Reusing Pacheco a Josiane Conceição Leal Daniel Erani M onteiro W il a l Cátia M el S.

. . . . . . . . . . . . . . . . . . . 111 Sobre a professora conteudista . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 09 Plano de estudo . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 109 Referências . . . . . . . . . . . . . . . . . 11 UNIDADE 1 – Criminalística . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 49 UNIDADE 4 – Técnicas de Investigação Criminal . . . . . . . . . . . . 17 UNIDADE 2 – Metodologia de redação de laudos periciais . . . . . . . 69 UNIDADE 5 – Limites da Investigação Criminal . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 33 UNIDADE 3 – Investigação policial . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .Sumário Palavras da professora . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 117 . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 91 Para concluir o estudo . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 115 Respostas e comentários das atividades de auto-avaliação . . . . . . . . . . . . . . . . . .

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de suma relevância à investigação criminal. Para tanto. faço breves comentários sobre o conceito e o histórico da Polícia. Você terá a oportunidade de estudar também como se constituem os locais de crime. possibilitando a realização da prova pericial. Em seguida. O livro aborda. possibilitando a confecção do laudo de exame de levantamento de local. que segue padrão metodológico importante para a sua compreensão. concebidas como as provas técnicas produzidas pelos peritos. conservação e exame dos vestígios. coleta. na condição de prova técnica e irá conhecer alguns modelos de laudos periciais. assunto relevante para compreender a função investigação criminal na atualidade. você vai estudar mais detalhadamente sobre as perícias. ainda. a importância do isolamento e da preservação de provas na área onde o crime foi cometido e sobre os procedimentos empregados no exame de levantamento de local.Palavras da professora Prezado(a) aluno(a): O presente livro tem por objetivo estudar a Criminalística e a Investigação Criminal. que é objeto da criminalística. inicio apresentando o tema a partir do seu conceito para possibilitar uma compreensão contextualizada sobre o conjunto de conhecimentos acerca da pesquisa. mencionando as competências das Polícias dispostas pela Constituição . a metodologia de redação de laudos periciais. Na parte que aborda a Investigação Criminal. de suma importância para apuração da materialidade e autoria do crime.

você terá a oportunidade de conhecer os limites da investigação policial. importante mencionar os direitos fundamentais elencados pela Constituição Federal de 1988. você terá a oportunidade de estudar sobre o inquérito policial. com o objetivo de apurar infrações criminais. neste contexto. todas atuando nas suas atribuições com a finalidade de prover segurança à sociedade. concebendo-a como o trabalho realizado pelas Polícias Federal e Civil. Cito. constatando tratar-se de procedimento sigiloso. no qual a investigação criminal é formalizada. algumas técnicas de investigação criminal. porquanto a busca pela prova na atividade investigativa não é absoluta. amealhando provas técnicas e testemunhais para subsidiar o processo criminal.Federal de 1988. apresento e discuto o conceito da investigação criminal. considerando ser imprescindível ao êxito da atividade investigativa policial à adoção de metodologia e técnicas adequadas. Por fim. dentre outros órgãos. Neste estudo. Profa. de competência exclusiva das Polícias Federal e Civil. Dentre estas normas. que necessita atuar sempre respeitando normas materiais e processuais inerentes a um Estado Democrático de Direito. Maria Carolina . inquisitivo e informativo. Em seguida. Espero que o conteúdo tratado neste livro traga informações e subsídios úteis ao seu cotidiano de trabalho e que possa minimizar os problemas de Segurança Pública existentes no Brasil.

Conceito e histórico da polícia. Investigação Criminal. Metodologia de redação de laudos periciais. O processo de ensino e aprendizagem na UnisulVirtual leva em conta instrumentos que se articulam e se complementam. Ementa Criminalística. a construção de competências se dá sobre a articulação de metodologias e por meio das diversas formas de ação/mediação. Conceito de investigação criminal. Técnicas de investigação criminal. Ele possui elementos que o ajudarão a conhecer o contexto da Disciplina e a organizar o seu tempo de estudos. a distância e presenciais). Inquérito policial. São elementos desse processo: O Livro didático. portanto. Conceito. O EVA (Espaço Unisul Virtual de Aprendizagem).Plano de estudo Plano de Estudo O plano de estudo visa a orientar você no desenvolvimento da Disciplina. . Atividades de avaliação (complementares. Conceito de prova. Evolução histórica da prova criminal. Perícias. Locais de crime. Modelos de laudos periciais.

Saber acerca dos locais de crime. 12 . Descrever as perícias e a sua importância como prova criminal. seu conceito e sua evolução histórica. Específicos Conhecer os conceitos e objetivos da criminalística. Descrever as técnicas de investigação criminal e estar apto a aplicá-las. Conhecer a metodologia aplicada para a redação de laudos periciais. Objetivos da disciplina Geral Obter conhecimento teórico acerca da criminalística e da investigação criminal. Compreender os conceitos e objetivos da investigação criminal. Conhecer o inquérito policial. a necessidade do isolamento para a preservação das provas e os procedimentos empregados no exame de levantamento de local. Conhecer a prova criminal.Carga horária 60 horas-aula.

Metodologia de Redação de Laudos Periciais Unidade 3 . 13 .Criminalística Unidade 2 . com base no cronograma da disciplina disponibilizado no EVA. da realização de análises e sínteses do conteúdo.Investigação Criminal Unidade 4 .Limites da Investigação Criminal Agenda de atividades/ Cronograma Verifique com atenção o EVA. e da interação com os seus colegas e tutor.Técnicas de Investigação Criminal Unidade 5 . O sucesso nos seus estudos depende da priorização do tempo para a leitura. Registre no espaço a seguir as datas. Não perca os prazos das atividades. organize-se para acessar periodicamente o espaço da Disciplina.Unidades de estudo: 5 Unidade 1 . Use o quadro para agendar e programar as atividades relativas ao desenvolvimento da Disciplina.

Atividades
Avaliação a Distância 1 Avaliação a Distância 2 Avaliação Presencial

Demais atividades (organize sua agenda)

en fatizando a importância do isolamento da área onde ocorreu o delito.UNIDADE 1 Criminalística Objetivos de aprendizagem Compreender a Criminalística como um conjunto de conhecimentos científicos utilizados para a elaboração da prova pericial. Estudar as perícias. 1 Seções de estudo Seção 1 Criminalística: conceituação Seção 2 Perícias Seção 3 Locais do Crime Seção 4 Levantamento pericial: procedimentos empregados no exame do local . os locais de crime e os procedimentos empregados no exame de levantamento de local.

atua repressivamente. via de regra. a Carta Magna definiu as competências das Polícias.Universidade do Sul de Santa Catarina Para início de estudo As Polícias Investigativas mais avançadas priorizam a prova pericial. contrariada. que o policiamento ostensivo. então? Comecemos pelo conceito. preventivo compete à Polícia Militar e a apuração das infrações penais compete às Polícias Federal e Civil. é mais difícil de ser refutada. este é remetido ao Poder Judiciário. a autoria e estabelecer as condições em que o crime ocorreu. Em seu artigo 144. crime e delito. 18 . que a Polícia Civil. Você teve a oportunidade de ver. após a prática do crime e o seu objetivo é a elucidação dos delitos. o estudo da Criminalística afigura-se como de extrema relevância. procurando demonstrar a existência do fato criminoso. no nosso País. Neste livro. a autora apresenta como sinônimos os termos infração penal. dispondo. esta também chamada de Polícia Judiciária. As competências das Polícias serão objeto de discussão. serão detalhadas posteriormente. o qual subsidia o processo criminal.Criminalística: conceituação Não deve lhe ser novidade que a Constituição Federal de 1988 estabelece que a segurança pública. dentre outros. SEÇÃO 1 . É interessante notar que a investigação policial é formalizada através de peça preliminar e informativa denominada inquérito policial. nos estudos anteriores. porém. Vamos ao estudo. por ser científica. Também. que poderá valer-se das provas amealhadas na fase policial durante o processo criminal e na prolatação da sentença. as Polícias do Brasil que têm como competência a apuração de crimes vem seguindo este norte. Este trabalho é feito através da investigação policial. considerando que. Concebendo-se a perícia como prova primordial para a elucidação dos delitos. Após a conclusão do inquérito policial. é dever de Estado e é exercida por diversas Polícias.

o que pode relativizar o valor probatório do que foi dito na fase policial. Já a prova técnica é científica.. a perícia é realizada na fase policial. desde que o faça motivadamente. Acerca deste tema Espíndula (2002). mais difícil de ser contestada. portanto. enquanto que as chamadas provas subjetivas dependem do testemunho ou interpretação das pessoas. (ESPÍNDULA. No Brasil não há hierarquia entre as provas e o Juiz pode decidir de acordo com a sua consciência. Desse modo.Criminalistica e Investigação Criminal Neste contexto. discorre: (. Os laudos periciais são realizados através de conhecimento advindo da Criminalística. As Polícias Investigativas mais avançadas do mundo têm como prioridade o trabalho pericial. É importante notar. o trabalho pericial é de suma importância. para demonstrar materialidade e autoria do crime. temos um sistema processual penal que permite todos os meios de prova. É o chamado sistema da persuasão racional adotado pelo artigo 157 do Código de Processo Penal Brasileiro. 2002:22). A Enciclopédia Saraiva de Direito conceitua Criminalística como sendo: Unidade 1 19 . até porque muitas delas necessitam serem feitas imediatamente ou logo após a prática do crime. as pessoas ouvidas na Delegacia de Polícia são reinquiridas em Juízo. que no sistema processual penal brasileiro. Via de regra. objetiva. desde a simples falta de capacidade da pessoa em relatar determinado fato. pelos motivos já expostos. com o mesmo valor probatório. podendo ocorrer uma série de erros. onde exista a intenção de distorcer os fatos para não se chegar à verdade. Ocorre que analisando as sentenças criminais verificase a prevalência da prova pericial sobre as demais..) a prova pericial é produzida a partir de fundamentação científica. a princípio. menos sujeito a falhas do que a prova testemunhal. até o emprego de má-fé. ainda.

identificar os seus autores e encontrá-los.) que cogita do reconhecimento e análise dos vestígios extrínsecos relacionados com o crime ou com a identificação de seus participantes. p. Balística Forense.. da coleta. reunindo as contribuições das várias ciências.. Toxicologia Forense e Hematologia Forense..Universidade do Sul de Santa Catarina (. ou seja. p. 1997:486). A Criminalística é também denominada Polícia Científica. (DEL PICCHIA FILHO.. Documentoscopia. v.) trata da pesquisa.319). Gilberto. dentre outras. Segundo Gilberto Porto.. defender. 20 . da medicina legal. Papiloscopia. Criminalística pode ser conceituada como: (. Polícia Técnica ou Policiologia. de molde a sermos conduzidos à descoberta do criminoso. p. da prova objetiva ou material no campo dos fatos processuais. da psiquiatria. 2002. e os motivos que o levaram à prática do crime. São disciplinas que integram a Criminalística. cujos encargos estão afetos aos órgãos específicos. pesar e interpretar os indícios de um delito. da conservação e do exame dos vestígios. Criminalística (... Odontologia Legal.. utilizando-se de subsídios da química. 21. (GARCIA. Segundo Garcia. da datiloscopia. preferiu abordá-la como disciplina (. possibilitando à Justiça a aplicação da justa pena”. 1960. 1982. etc. e difere da Criminologia que estuda o perfil do criminoso. Locais de Crime.) sistema que se dedica à aplicação de faculdades de observação e de conhecimento científico que nos levem a descobrir. que são consideradas ciências auxiliares do Direito penal. (PORTO.5).. que são os laboratórios de Polícia Técnica. da psicologia. indica os meios para descobrir crimes.28) José Del Picchia Filho (1982).) Conjunto de conhecimentos que. Medicina Legal. (ENCICLOPÉDIA SARAIVA DE DIREITO. da antropologia.

que apresenta o organograma abaixo: Unidade 1 21 .Criminalistica e Investigação Criminal Em Santa Catarina. o trabalho pericial é realizado pelo Instituto Geral de Perícias.

p. GARCIA. faça uma pesquisa sobre o assunto. Como funciona o Instituto Nacional de Perícias? Socialize a investigação no Espaço Virtual de Aprendizagem. José. você vai estudar o objeto que trata das provas e os procedimentos de perícia. Inquérito .Procedimento Policial. Inquérito – Procedimento Policial. Tratado de documentoscopia. 2002 p. Gilberto. Manual de Criminalística. Escola de Polícia de São Paulo.28 .Universidade do Sul de Santa Catarina Você que reside em outro Estado. Editora Universitária de Direito: São Paulo. Use o espaço abaixo para registrar sua pesquisa. Para ampliar seus conhecimentos sobre o conteúdo tratado sugerimos: DEL PICCHIA FILHO. 319. 1960. Goiânia: AB Editora. Ismar Estulano. 9 ed. 1982. PORTO.A seguir. 22 .

abrangendo. Um das perícias realizadas trata-se do exame de corpo de delito. sob pena de nulidade processual... O corpo de delito. realizadas por peritos criminais. e são formadas pelas evidências materiais do crime. Você sabe a diferença entre provas criminais e técnicas? As provas técnicas são as perícias. Segundo JESUS (2002).Criminalistica e Investigação Criminal SEÇÃO 2 . as declarações das vítimas e o interrogatório dos suspeitos ou indiciados. Segundo Garcia (2002). é o conjunto de vestígios deixados pelo criminoso.) é o conjunto de técnicas usadas. As prova testemunhais são constituídas pelos depoimentos das testemunhas. por sua vez. o exame de corpo de delito é um auto em que se descrevem as observações dos peritos e o corpo de delito é o próprio crime na sua tipicidade. visando provar a materialidade do crime e apontar o autor. Há diferenciação entre corpo de delito e exame de corpo de delito. perícia (. Unidade 1 23 . Nos crimes que deixam vestígios. no sentido amplo. o exame de corpo de delito é obrigatório. nos termos do artigo 158 do Código de Processo Penal Brasileiro.Perícias A investigação policial tem como foco a obtenção de provas criminais que podem ser testemunhais e técnicas. Prova Criminal é aquela utilizada para demonstrar ao Juiz a veracidade ou falsidade da imputação feita ao réu e das circunstâncias que possam influir no julgamento da responsabilidade e na individualização das penas.

É importante ressaltar que o artigo 159 Código de Processo Penal Brasileiro determina que todos os exames periciais. Código de Processo Penal Anotado.. 2002. exija as providências da polícia. Goiânia: AB Editora. 24 . p. entre as que tiverem habilitação técnica relacionada à natureza do exame. o exame de corpo de delito é imprescindível. GARCIA. as perícias devem ser realizadas por duas pessoas idôneas. portadoras de diploma de curso superior.157. dano. acidente de trânsito. afogamento. O exame de levantamento de local deve ser diferenciado de acordo com a natureza da ocorrência. 1963:11).. a prova testemunhal é apta a suprir o auto de exame de corpo de delito. Portanto. incêndio. estupro. (. disparo de arma de fogo e outros. inclusive o exame de corpo de delito. Jesus. suicídio. p. 18 ed.Universidade do Sul de Santa Catarina Dispõe o artigo 167 do Código de Processo Penal Brasileiro: “Não sendo possível o exame de corpo de delito. por haverem desaparecido os vestígios. Inquérito – Procedimento Policial. Ismar Estulano. portanto. (KEDHY. de preferência. 319. escolhidas.Locais do crime Segundo Kedhy. 2002. furto qualificado. 9 ed. a prova testemunhal poderá suprir-lhe a falta”. sejam realizados por dois peritos oficiais. há exame de levantamento de local de homicídio. Para saber mais sobre o assunto que foi tratado sugerimos: DAMÁSIO.) local de crime é toda área onde tenha ocorrido um fato que assuma a configuração de delito e que. Não havendo vestígios. onde houver e. nos outros casos. SEÇÃO 3 . São Paulo: Saraiva. Dessa forma. havendo vestígios.

levadas a efeito pelo primeiro policial. que.. 2002: 3). sem licença de autoridade competente. para a investigação criminal.. para a preservação dos vestígios. conseqüentemente. quando das providências de isolamento e preservação. o aspecto de local especialmente protegido por lei. Esclarece Alberi Espíndula (2002) que: (. (. Por essa razão. que devem sempre ter em mente a importância da proteção do local do crime. Unidade 1 25 . somente após examiná-los adequadamente é que poderemos saber se este vestígio está ou não relacionado ao evento periciado. possibilitando.) isolamento é a proteção a fim de que o local permaneça sem alteração. e. importante destacar que todo elemento encontrado naquele ambiente é denominado de vestígio.) diante da sensibilidade que representa um local de crime. um levantamento pericial eficaz.. Pena – detenção de um mês a um ano e multa. nada poderá ser desconsiderado dentro da área da possível ocorrência do delito (ESPINDULA..Criminalistica e Investigação Criminal Isolamento e preservação das provas e vestígios essenciais à investigação O isolamento do local de crime é a primeira providência a ser tomada e é responsabilidade dos policiais e peritos. o qual significa todo material bruto que o perito constata no local do crime ou faz parte do conjunto de um exame pericial qualquer. conseqüentemente. pelo artigo 166 do Código Penal: Alterar. 2002: 324). (GARCIA. A alteração do local de crime é prevista como infração penal.

a fim de induzir a erro o agente policial. inquérito policial ou processo penal. parte de uma munição deflagrada. tendo como objetos de exame o projétil e a arma de fogo de um suspeito. ainda que não iniciados. a autoridade providenciará imediatamente para que não se altere o estado das coisas até a chegada dos peritos. também tipificou como crime a alteração de local de acidente de trânsito: Inovar artificiosamente. O artigo 6º do Código de Processo Penal enumera as providências que devem ser tomadas tão logo o delegado de polícia tenha conhecimento do fato delituoso. desenhos ou esquemas elucidativos. o procedimento preparatório. o estado de lugar. Parágrafo único: Aplicar-se o disposto neste artigo. a prática demonstra que nada deve ser alterado até a chegada dos peritos no local. quando da inovação. na pendência do respectivo procedimento policial preparatório. um estojo. ou multa. 26 . o inquérito ou o processo aos quais se refere. apreendido na cena do crime. Da mesma forma. é possível verificar se ele foi expelido pelo cano daquela arma. sendo objeto de exame com arma de fogo. através de suas marcas de percussão. parte de uma munição deflagrada. o perito ou juiz: Pena: detenção de seis meses a um ano. pode vir a elucidar a autoria de um homicídio.Universidade do Sul de Santa Catarina O Código Brasileiro de Trânsito. Não obstante. que poderão instruir seus laudos com fotografias. e que apenas após o exame de levantamento de local é possível a apreensão de qualquer material encontrado na cena do crime. de coisa ou de pessoa. O inciso II deste artigo menciona que a autoridade policial deve apreender os instrumentos e todos os objetos que tiverem relação com o fato. é possível constatar se foi deflagrado por aquela arma. no artigo 312. Através do Laudo de Comparação Balística. com vítima. em caso de acidente automobilístico. Dispõe o artigo 169 do Código de Processo Penal Brasileiro: Para efeito de exame de local onde houver sido praticada a infração. Apenas a título de exemplo. um projétil.

uma perícia completa de levantamento de local necessita de várias fases a saber: (. Após concluído.Criminalistica e Investigação Criminal SEÇÃO 4 . (GARCIA. Segundo Garcia (2002). exame das evidências em laboratório. 2002:326). b) preparação do material utilizado no exame. desenho ou croqui. c) reconhecimento do tipo de solicitação (natureza do exame).. o levantamento pericial dá origem ao laudo de exame de levantamento de local. observações prévias ou exame do local.Levantamento pericial: procedimentos empregados no exame do local O levantamento pericial é o trabalho pericial realizado nos locais de crime. São eles: Procedimentos anteriores ao exame a) anotação do endereço do fato. e redação de laudo. Exame preliminar da cena do crime: o que é necessário fazer? Unidade 1 27 . d) anotação do horário de solicitação do exame. transporte de evidências.. coleta e embalagem de evidências. utilizados em todos os exames de levantamento de locais. Espíndula (2002) elencou alguns procedimentos a serem realizados nos exames de locais de crimes contra a vida. que podem ser.) isolamento. fotografia. avaliação e interpretação. via de regra.

Croqui da cena do crime: o que é e como fazer? O croqui é o desenho do local do crime. descrição do local. condições de visibilidade. devendo sempre ser apresentado. localização exata do evento. Anotações gerais da cena do crime: o que registrar? data e hora do início dos exames. Neste desenho recomenda-se incluir: 28 . em quadrantes. impressões em poeira. condições atmosféricas. formulação dos objetivos do exame.). completa análise das vias de acesso. etc. visualização geral da cena do crime e verificação da adequação do isolamento. escolha do tipo de padrão a ser utilizado na busca de vestígios (em linha. independente da complexidade do local. em espiral. condições de iluminação.Universidade do Sul de Santa Catarina entrevista com o primeiro policial a chegar no local do fato visando à tomada de informações relativas ao histórico. busca de vestígios. em grade. dentre outras. que deve prever especial atenção às evidências facilmente destrutíveis. tais como: marcas de solado. condições topográficas da área. com nível de detalhe exigido para cada caso.

Criminalistica e Investigação Criminal dimensões de portas. As evidências devem ser anotadas no croqui e fotografas antes da sua coleta. Espíndula (2002). Unidade 1 29 . também discorre sobre o processamento do local: coleta. Qual a importância das fotografias da cena do crime? As fotografias. janelas. medidas que forneçam a exata posição das evidências encontradas na cena do crime. caso necessário. (GARCIA. internas e externas. móveis. por tratar-se de uma ”reconstituição permanente da ocorrência. Quais os procedimentos de coleta? Todas as evidências devem ser coletadas de forma legal. 2002:326). como vias de acesso (entrada e saída). coordenadas geográficas em locais abertos (obtidas por mapas ou GPS). que irá permitir futuras consultas”. identificação e preservação das evidências. distâncias entre objetos. visando à sua admissão como provas em um processo. Segundo Garcia. são imprescindíveis para a elaboração do laudo de exame de levantamento de local. a fotografia é o mais perfeito dos processos de levantamento de local de crime. distâncias de objetos até pontos específicos. Os dois peritos de local devem efetuar a coleta de todas as evidências.

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O que fazer na identificação?

Todas as evidências devem ser cuidadosamente identificadas. As marcas identificadoras podem incluir iniciais, números, etc., os quais permitam ao perito que realiza a coleta reconhecer, em data posterior, cada evidência como aquela coletada na cena do crime.

Qual a importância da preservação?

Cada item das evidências deve ser colocado em um recipiente ou invólucro adequado à natureza de cada material, tais como sacos plásticos, envelopes de papel, caixas que necessitam ser corretamente identificados e vedados ou lacrados; Evidentemente, que técnicas especiais deverão ser aplicadas de acordo com o delito praticado. Algumas recomendações específicas deverão ser aplicadas nos locais de morte por precipitação, por ação do calor, por arma de fogo, por afogamento, por envenenamento, por aborto e outros. - Leia, a seguir, a síntese da unidade, realize as atividades de Autoavaliação e consulte o saiba mais para ampliar seus conhecimentos acerca do assunto estudado.

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Síntese
Nesta unidade você teve a oportunidade de ver que, de acordo com a Constituição Federal de 1988, que a atividade investigativa criminal é realizada, dentre outros, pela Polícia Federal e pelas Polícias Civis dos Estados, estas também chamadas de Polícias Juridiciárias. A atividade de investigação criminal consiste na apuração dos crimes, que é feita através da busca de provas, periciais ou testemunhais. As provas periciais são técnicas, realizadas por peritos criminais e são formadas pelas evidências materiais do crime. As prova testemunhais são constituídas pelos depoimentos das testemunhas, abrangendo, no sentido amplo, as declarações das vítimas e o interrogatório dos suspeitos ou indiciados. A pesquisa, coleta e produção das provas periciais compete à Criminalística. Via de regra, o trabalho pericial exige imediatidade. A título de exemplo, o exame residuográfico de verificação de pólvora exige a condução do suspeito imediatamente após a prática do delito. O exame de lesões corporais e de verificação de aborto exige lapso temporal curto entre o crime e o exame. Considerada a importância da prova pericial e científica é imprescindível o isolamento e a preservação do local do crime. Falhas no isolamento do local do crime podem impossibilitar a produção da prova pericial. Vestígios deixados no local do crime podem levar ao autor. Como exemplo, um simples estojo componente de munição ou projétil componente de munição, encontrado em local de homicídio mediante disparo de arma de fogo, pode, através de perícia, ser prova crucial para demonstrar autoria.

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Atividades de auto-avaliação
1) Analise as questões abaixo e assinale verdadeiro ou falso, conforme a proposição. Confira se atendeu as expectativas no final do livro didático. ( ) Nos crimes que ocorreram mediante disparo de arma de fogo, a apreensão de estojos no local não é importante, posto que não é possível realizar perícia comparativa entre o estojo e a arma de fogo. ( ) Nos crimes que ocorreram mediante disparo de arma de fogo, a apreensão de projéteis no local possibilita a realização do laudo de identificação de projéteis e, quando a arma é apreendida, o laudo de comparação balística. ( ) O rol de provas elencados no Código de Processo Penal Brasileiro é exemplificativo. ( ) O sistema de provas previsto no Código de Processo Penal Brasileiro é o da íntima convicção. ( ) A prova testemunhal pode suprir a prova pericial quando a infração penal não deixar vestígios.

Saiba mais
Para saber mais sobre o conteúdo tratado acesse: http://www.espindula.com.br e leia o artigo: Função pericial do Estado. http://www.abcperitosoficiais.org.br/arti.htm e leia o artigo: Isolamento e preservação de locais de crime com cadáver.

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2 Seções de estudo Seção 1 O Laudo pericial: caracterização Seção 2 Modelos de laudo pericial .UNIDADE 2 Metodologia de redação de laudos periciais Objetivos de aprendizagem Conhecer a forma como são elaborados os laudos periciais. Conhecer alguns modelos de laudo pericial.

pode-se definir alguns requisitos inerentes a todos os laudos. Não deve tecer juízos de valor.Universidade do Sul de Santa Catarina Para início de estudo Todos aqueles que queiram se aprofundar no tema da segurança pública têm. p. SEÇÃO 1 . Existem diversos tipos de laudos periciais. de forma geral. laudo de comparação balística.O Laudo pericial: caracterização O laudo pericial deve ser simples e preciso. Cabe aos estudiosos do assunto segurança pública estarem aptos a interpretar e avaliar laudos periciais. Domingos e ESPINDULA. Não obstante. podem ser adotados na confecção dos demais. necessariamente. Alberi. b) laudo de identificação de projétil. Toccheto elenca alguns itens a serem preenchidos na elaboração de laudo pericial relacionado a crimes contra o patrimônio. Criminalística. cada qual com as suas peculiaridades. d) laudo de exame cadavérico. c) laudo de verificação de eficácia de arma de Fogo. considerações subjetivas. que.50-54. 34 . dentre eles podemos destacar: a) laudo de levantamento de local. mas fornecer objetivamente informações técnicas. facilmente compreendido e assimilado. de saber acerca da importância da prova pericial e conhecer a metodologia de redação dos laudos periciais. laudo de constatação de danos. Procedimentos e Metodologias. na sua forma e conteúdo. de forma geral. Veja quais são: TOCCHETTO.

bem como uma síntese do fato que originou a requisição da perícia e as providências tomadas referentes ao fato. Vamos lá? Preâmbulo ou Histórico Discriminar a data. este tópico destina-se à consignação de qualquer fato conflitante entre a requisição e o objeto de exame. bem como o objetivo geral dos exames periciais. você terá a oportunidade de conhecer cada um deles. 4. um pequeno histórico da requisição. Unidade 2 35 . Preliminares Neste tópico. ou que prejudicaram o andamento dos trabalhos periciais. objetivos do exame incompatíveis com o tipo de peça a ser examinada.Objetivo da perícia ou quesitos. 6.Preliminares. a data da requisição e/ou solicitação.Anexos. a hora e o local em que for elaborado o laudo pericial. neste tópico. funcionários e proprietários devem ser relatados neste item.Conclusão e/ou respostas aos quesitos. nome do diretor e dos peritos signatários do laudo. o relator vai consignar as informações referentes à preservação e isolamento do local e quaisquer outras alterações que forem relevantes ao caso.Dos exames periciais. tipo de laudo. Informações fornecidas por autoridades.Considerações técnicas ou discussão. Fazer.Fecho ou encerramento.Preâmbulo ou histórico. peças que não estão discriminadas. nome da autoridade que requisitou e/ou solicitou a perícia. A seguir. 7. 3. o nome do instituto e órgãos superiores aos quais está subordinado.Criminalistica e Investigação Criminal 1. 8. Nos casos de exames em peças. 2. 5. tais como número de peças distinto do constante na requisição.

Aqui devem ser relacionados e devidamente descritos todos os vestígios constatados no exame pericial. Não é necessário que. Quando for empregada mais de uma técnica na realização de um determinado exame. síntese do observado. ao prédio. nos exames periciais. Deve-se ater somente à descrição dos vestígios. é de bom alvitre que os peritos descrevam com certa precisão quais são os objetivos periciais pertinentes àqueles exames. convém distribuí-los em capítulos conforme sua natureza e interdependência. de exames macroscópicos para exames microscópicos. etc. é preciso citá-la na ordem em que a mesma foi aplicada.Universidade do Sul de Santa Catarina Objetivo da Perícia ou quesitos Descrever. quais os objetivos a serem buscados na perícia. à gaveta. Evitar informações. os quais deverão estar contidos na requisição da perícia ou nos quesitos formulados. discussões. deixando para o tópico seguinte a respectiva análise e interpretação dos mesmos. diagnósticos e conclusões. hipóteses. Dos Exames Periciais Discriminar todas as técnicas e métodos empregados e os respectivos exames levados a efeito naquela perícia. Quando os fatos forem variados. mas seu conteúdo deve obrigatoriamente integrar o texto relativo aos exames periciais: a) do local: constitui a parte essencial. Não sendo especificado na requisição os objetivos da perícia. fiel. b) dos vestígios: partindo-se das indicações (referências) maiores para as menores (detalhes). A descrição deve ser metódica. como o acesso ao terreno. minuciosa. Descrever conforme a ordem de maior importância. ao cômodo. 36 . objetiva. constem de forma explícita os subitens seguintes. clara. As técnicas ou métodos empregados devem sempre partir do geral para o particular. conforme consta na requisição.

obrigatoriamente. relatar neste tópico as análises e interpretações das evidências constatadas e respectivos exames. deve estar caracterizado pela sua condição autônoma associada ao seu significado no evento em estudo. evidenciando-se aquelas que. em certos casos há necessidade de cotejar fatos. Para chegar-se a essa única possibilidade. este vestígio determinante pode estar associado a outros elementos de convicção técnico-científica. Conclusão e/ou respostas aos quesitos A conclusão pericial inserida no laudo pericial devem ser. há um que. Em muitos casos. demonstrado e provado tecnicamente nos tópicos anteriores do laudo. Através da discussão asseguram-se conclusões lógicas. afastando-se as hipóteses capazes de gerar confusão. dissipar dúvidas ou ajustar obscuridades. A conclusão deve obedecer a critérios técnicos conforme já recomendados. Veja exemplo para entender melhor esse conceito. no conjunto dos vestígios constatados e examinados. determinante. por si só. Obviamente que vestígio determinante.Criminalistica e Investigação Criminal Considerações Técnicas ou Discussão Do histórico e das descrições (local e vestígios) defluem as conclusões. de analisá-los. Buscar a coerência ou não dos elementos observados e anteriormente citados. Unidade 2 37 . Porém. de maneira a facilitar a compreensão e entendimento por parte dos usuários do laudo pericial. exposto. têm-se apenas duas situações viáveis. ou seja: somente quando nos restar uma possibilidade para aquele evento. depois de cotejadas. A primeira situação é quando. Confrontá-los com a normalidade. conduzirão e subsidiarão a conclusão. neste caso. Enfim. uma conseqüência natural do que já fora argumentado. sob a ótica técnico-científica é que pode-se concluir de forma categórica.

Todavia. situações em que. os peritos não poderão fazer qualquer afirmativa conclusiva quanto ao fato. face à exigüidade de vestígios. em pesquisa de vestígios de hidrocarbonetos voláteis.Universidade do Sul de Santa Catarina Impressão digital individualmente é um vestígio determinante. ainda. e que. mas. salientando que os vestígios existentes são quantitativa e qualitativamente insuficientes para se chegar a uma conclusão categórica. se for encontrado um desses vestígios no local do crime. a situação na qual. apesar da existência de vestígios. A segunda situação em que os peritos poderão ter apenas uma possibilidade será em um universo de vários vestígios. Neste caso deve-se constar no laudo que. mesmo analisando-os em seu conjunto. Por outro lado. mas se restar comprovado que tais focos eram isolados ou incomunicáveis. nos locais correspondentes aos focos forem retiradas amostras de materiais que apresentem resultados positivos em exames laboratoriais. não quer dizer que foi identificado o autor do crime e por conseqüência trata-se de um homicídio. existem várias situações em que os peritos poderão ter vários vestígios relacionados com o fato. mas apenas probabilísticos. Existem. Neste caso. os peritos deverão apontar quais são e descrevê-los. Há. não será possível chegar a uma definição quanto ao diagnóstico. em um local de incêndio. e em conjunto com as observações anteriores. 38 . através do seu exame ou de sua análise. onde nenhum deles por si seja determinante. o grau de clareza da ação dolosa será determinante para a caracterização e materialização do delito. a constatação de múltiplos focos iniciais não é um vestígio determinante por si só. por vezes. não há elementos técnicos através dos quais possa ser fundamentada uma conclusão categórica. Neste caso. no seu conjunto de informações técnicocientíficas levem a uma única possibilidade. não se observem vestígios materiais capazes de fundamentar uma conclusão. onde nenhum deles por si só seja determinante.

não sendo possível concluir um laudo pericial. delimitarem o trabalho dos investigadores de polícia. da justiça. porém.Criminalistica e Investigação Criminal Mesmo que não seja possível uma conclusão categórica em uma determinada perícia. e. de forma clara e explicativa. deve-se constar no laudo o tópico correspondente e. e. para as suas conclusões. nele informada a impossibilidade de conclusão face aos motivos que devem ser mencionados (exigüidade de vestígios. ou de alguma técnica criminalística já consagrada ou de alguma lei da ciência de qualquer área do conhecimento científico. ou de ambas. O técnico-científico se refere à técnica criminalística e o científico às demais leis da ciência. tanto no exame quanto no texto dessas argumentações. o perito deverá tomar todo o cuidado. portanto. poderá ser levantada uma causa mais provável. deve seguir o mesmo rigor técnico-científico já mencionado. Em alguns casos concretos. falta de preservação. Então. O perito poderá se valer. os peritos terão condições de eliminar algumas admissibilidades ou hipóteses. e.) . de acordo com cada situação. posteriormente. para auxiliar no contexto geral das investigações e. à justiça. etc. com isso. Unidade 2 39 . A eliminação de algumas das possibilidades na verdade é uma conclusão pela sua exclusão. posteriormente.

gráficos. foi feito em duas vias de igual teor. descrito no tópico documentos de exame. composto por (. tais como. muitos recursos gráficos podem ser inseridos ao lado. lacrados no envelope nº . 2002:397-398. quando digitais ou digitalizadas. fotografias. Local e data Nome dos peritos... 448-449). etc. relatórios de outros peritos/profissionais. Este modelos foram extraídos da obra “Inquérito e Procedimentos Policial” (GARCIA.Modelos de laudos Periciais Seguem abaixo alguns modelos de laudos periciais. SEÇÃO 2 . resultado de exames complementares. 415-416. ou logo abaixo. Classe e/ou cargo Anexos É necessário incluir. estando ambas as vias autenticas com a rubrica dos seus subscritores.Universidade do Sul de Santa Catarina Fecho ou Encerramento Analise um modelo de laudo e verifique os elementos que ele contém. considerando os avanços da informática. Analise atentamente cada um deles: 40 . No entanto. Especialmente para evidenciar algum detalhe que o texto esteja se referindo naquele momento da argumentação. da parte do texto a que se refere tal assunto.) páginas impressas em seu anverso. ao final. bem como se devolve todo o material. podem seguir esse mesmo critério. Modelo de fecho ou encerramento de laudo pericial Este laudo. visando a melhor compreensão do mesmo.. acompanhadas pelos anexos (citar quais os anexos e o número dos mesmos). As fotografias. pelos peritos da Seção de Crimes Contra o Patrimônio. todos os anexos que foram produzidos e que sejam necessários para acompanhar o laudo.

é necessário que em ambos os seguintes valores sejam convergentes: A) habilidade gráfica.O autor do Auto de Colheita de Material Gráfico Autêntico. conforme Ofício nº . coletados pela Polícia Civil de São Paulo – DEGRAN – através do Dr. do ano de . (. 1......... 24. Peças Paradigmáticas Como espécimes de confronto. nesta Capital.. 4 – Quesitos e Respostas 1º .7 cm e 6.. é também autor das escritas gravadas no bilhete de fls. dias do mês de . Trata-se de envelope que apresenta manuscritos feitos com caneta dita esferográfica.. B) hábitos gráficos. no Departamento de Criminalística. foram confrontados entre si para uma possível origem comum ou não.. apresentando no canto superior direito o n.7 cm. Fotomacrografias foram tomadas.) Unidade 2 41 . tinta preta. a fim de ser atendida requisição do Bel. “25-z”. AB. 3 – Dos Exames As peças motivantes e paradigmáticas foram examinadas a olho nu e por meios óticos adequados em busca e de hábitos gráficos característicos que. contamos com padrões autênticos de JJ e JL. uma vez determinados.. C) que não haja divergências estruturais entre os dois grafismos. contidos em Auto de Colheita de Material Gráfico Autêntico. Encontra-se ele endereçado a SS e está colado a uma folha em branco. 25? Resposta: sim Para que dois grafismos sejam aceitos como do mesmo punho. doc 05 e envelope.. AA. Delegado Titular do 1ª DP. pelo Diretor LL foram designados PP e PQ para proceder ao exame pericial de documento. JJ.Criminalistica e Investigação Criminal a) LAUDO DE EXAME DE DOCUMENTOS Aos. fls. e os assinalamentos necessários foram permitindo assim um controle da conclusão pericial. Peças Motivantes Trata-se de manuscritos apostos em um pedaço de papel sem pauta medindo aproximadamente 14. doc06. O documento encontra-se colado em uma folha de papel sem pauta apresentando no canto superior direito “24-Z”..

bem como uma arma de fogo. c) N de série 683C09. de.. nesta Capital..... 1 – Características das Peças Examinadas Aos peritos foram apresentados sete cartuchos intactos e um estojo calibre nominal 7.. h) Dimensões: 8. através do Ofício nº... BN”(lateral esquerda)... tendo as seguintes características: a) Marca Beretta. d) Calibre nominal 7.. 01 a 07. foram designados os peritos PP e PQ para proceder ao exame pericial em arma de fogo.... os assinalamentos mais preponderantes estão em quantidade e qualidade suficientes para afirmarmos que as peças motivantes foram produzidas por JJ.65mm. de marca CBC... dias do mês de ....Universidade do Sul de Santa Catarina na carta de confronto em anexo. (. PP 1º Perito PQ 2º Perito b) LAUDO DE EXAME DE ARMA DE FOGO Aos .. i) Acabamento oxidado. Goiânia. de. 42 . cão aparente e pino percursos isolado. curta e de porte...) É o nosso relatório. classificada como pistola semi-automática. b) Fabricação italiana..5 de diagonal máxima.... Delegado do 1º Distrito Policial. bem como com o logotipo da marca da arma. pelo Diretor LL..65 mm. do ano de . no Departamento de Criminalística da Diretoria Geral da Polícia Civil.. a fim de ser atendida requisição do Bel AA.5cm de comprimento de cano X13. f) Carregamento por pente. em desgaste. e) Mecanismo de percussão central. g) Coronha guarnecida por talas de plástico pretas com inscrição “Cb. ... Obs: O material examinado é devolvido com o presente laudo..

está em perfeitas condições de uso? Resposta: Sim..65mm. como também identifica a arma que o expeliu. Está apta à realização de disparos 3 – Quesitos e Respostas a) Quais as características da arma periciada? Resposta_ ver item 1. de. não apresentando suas peças quaisquer anomalias que impeçam seu funcionamento. Ver fotos 1 e 2. PP 1º Perito PQ 2º Perito Unidade 2 43 .65mm.. c) A munição que a acompanha é do mesmo calibre da arma. e qual o seu estado? Resposta: Sim. 7. d) Há evidências de disparo recente? Resposta: Ver laudo químico.... b) No estado em que se encontra. Seu calibre corresponde ao da arma. Goiânia. OBS: O material examinado é devolvido com o presente. e) O pedaço de chumbo pertence ao mesmo calibre da arma? Resposta: O pedaço de chumbo a que se refere o quesito é um projétil de arma de fogo calibre nominal 7.. estado em condições de uso. ou seja.Criminalistica e Investigação Criminal j) OBS: Foi utilizado um cartucho em disparo experimental 2 – Funcionamento da arma O estado geral da arma é bom. inclusive foi expelido pela arma de fogo aqui periciada.. que.. ver item 2. a resposta não só é afirmativa. Portanto. de . É o relatório..

../.8 cm de diâmetro. 2 – ferida pérfuro-contusa.. Dado e passado no Instituto Médico-Legal. de . atendendo à requisição da Delegacia do 1º DP. asfixia. houve morte.. no Necrotério do Instituto Médico-Legal. com área de chamuscamento..Foi produzida por meio de veneno. de .. logo abaixo do pavilhão auricular. com grande destruição de massa encefálica... Capital de Goiás.Qual a data do óbito? (especificar hora...Qual a causa da morte? Resposta: Hemorragia intracraniana 3º .. explosivo. dias do mês de . 3 – sem outras lesões.. no qual observamos: Descrições das lesões: 1 – ferida pérfuro-contusa. transfixante. fogo. nós. dias do mês de . 1º . com trajeto transfixando a língua e ramo mandibular esquerdo. passamos a responder aos quesitos. com área de chamuscamento e câmara de mina. medindo 0. logo acima do pavilhão auricular (orelha).. Nada mais tendo sido constatado. Resposta: Óbito dia .... procedemos ao exame CADAVÉRICO no cadáver que nos foi apresentado como sendo de SS (qualificação completa). com saída na região bucinadora contra-lateral.Houve morte? Resposta: Sim.. localizada na região parietal esquerda. medindo 0.Qual o instrumento ou meio que a produziu? Resposta: Pérfuro-contundente 4º . PP 1º Médico-Legista PQ 2º Médico-Legsita 44 . às 17 h./. médico-legistas que abaixo assinamos.. mês e ano). 2º .. em Goiânia. aos .. com saída na região carotideana direita. localizada na região bucinadora (cochecha) direita.. dia..Universidade do Sul de Santa Catarina c) LAUDO DE EXAME CADAVÉRICO Aos. tortura ou outro meio insidioso ou cruel? Resposta: Prejudicado 5º ..8 com de diâmetro.

LESÕES CORPORAIS . no hipocôndrio esquerdo. medindo 2 cm de extensão.cicatriz de ferida pérfuro-cortante. debilidade permanente da função digestiva. antibióticos. 2. examinei SS e constatei o seguinte: estado geral comprometido. explosivo. médico-legistas que abaixo assinamos. asfixia. 4 – relatório de lesões.Qual o instrumento ou meio que a produziu? Resposta: Pérfurocortante. Hospital BDF. Lesões apresentadas: 1 – ferida penetrante no abdome. fogo. 2º .. soroterapia. medindo 25 cm de extensão. 7º . OS... localizada no flanco esquerdo (dreno).. Resposta: Prejudicado. 3 – cicatriz de incisão cirúrgica. Seqüelas que futuramente poderão se apresentar: distúrbio digestivo..cicatriz de incisão cirúrgica.Houve ofensa à integridade corporal ou à saúde do paciente? Resposta: Sim.. Nada mais tendo sido constatado. 3º .Resultou debilidade permanente ou perda ou inutilização de membro.Criminalistica e Investigação Criminal d) LAUDO DE EXAME DE LESÕES CORPORAIS Aos..Resultou aceleração de parto ou aborto? Resposta: Não Unidade 2 45 .. dias do mês de . devido à lesão penetrante no abdome com a laceração do estômago e devido ao estado geral comprometido produzido por choque hipovolêmico que necessitou de cirurgia e de reposição sangüínea. sentido ou função? Resposta: Sim. no Gabinete do Instituto Médico-Legal. nós. localizada na linha média do abdome. CRM – GO 007”.Resultou perigo de vida? Sim. passamos a responder os seguintes quesitos: 1º .. enfermidade incurável ou deformidade permanente? Resposta: Não 8º . Instrumento: arma branca. reposição sangüínea.Resultou incapacidade permanente para o trabalho. Tratamento: cirúrgico. 4º . atendendo à requisição da Delegacia do 1º DP. Dr.. por mais de trinta dias? Resposta – Sim 5º . procedemos ao exame de corpo de delito .a pessoa que nos foi apresentada como sendo SS (qualificação completa)./. ressecção de estômago devido à laceração extensa. na qual observamos: DESCRIÇÃO DAS LESÕES: 1 .Resultou incapacidade para as ocupações habituais.. tortura ou outro meio insidioso ou cruel?. cujo teor é o seguinte: “Aos .Foi produzida por meio de veneno. Afastamento de suas ocupações por 40 dias. localizada no hipocôndrio esquerdo. medindo 3 cm de extensão. próximo ao rebordo costal./. 6º . mediana.. 2 – choque hipovolêmico.

Preâmbulo ou histórico. a hora e o local em que for elaborado o laudo pericial.Universidade do Sul de Santa Catarina Dado e passado no Instituto Médico-Legal. 3. Capital de Goiás... O laudo pericial deve ser formado por: 1. quais os objetivos a serem buscados na perícia. PP 1º Médico-legista PQ 2º Médico-Legista .. Discriminar a data.. bem como o objetivo geral dos exames periciais. Síntese O laudo pericial deve ter linguagem clara.Objetivo da perícia ou quesitos. Descrever. nome da autoridade que requisitou e/ou solicitou a perícia... conforme consta na requisição.. nome do diretor e dos peritos signatários do laudo. realize as atividades de Autoavaliação e consulte o saiba mais para ampliar seus conhecimentos acerca do assunto estudado. dias do mês de . a síntese da unidade.Preliminares. sem haver juízos de valor. o nome do instituto e órgãos superiores aos quais está subordinado. aos . 46 . de . acessível e as informações devem ser objetivas. Neste tópico o relator vai consignar as informações referentes à preservação e isolamento do local e quaisquer outras alterações que forem relevantes ao caso.. 2.Leia. em Goiânia. a seguir. tipo de laudo. os quais deverão estar contidos na requisição da perícia ou nos quesitos formulados. ou que prejudicaram o andamento dos trabalhos periciais. a data da requisição e/ou solicitação.

Criminalistica e Investigação Criminal 4. 8.Conclusão e/ou respostas aos quesitos. 6. 5.Anexos. Atividades de auto-avaliação Leia as questões a seguir e responda com base no conteúdo. dissipar dúvidas ou ajustar obscuridades. Qual a importância do laudo pericial na investigação criminal? Unidade 2 47 .Fecho ou encerramento. Verifique no final do livro as indicações e comentários. Porém.Considerações técnicas ou discussão. Do histórico e das descrições (local e vestígios) defluem as conclusões. 1. 7. de analisá-los. Discriminar todas as técnicas e métodos empregados e os respectivos exames levados a efeito naquela perícia.Dos exames periciais. em certos casos há necessidade de cotejar fatos.

Universidade do Sul de Santa Catarina 2. Ou. Lançado em 1995. Gênero: Policial. Acessado em 17 de julho de 2006. Disponível em: http://espindula. ler: Artigo: “Laudo pericial e outros documentos técnicos”.com.htm. Que tipo de prova é o laudo pericial? 3. Duração: 128 min. então.br/default4. Direção: David Fincher. (EUA). 48 . O laudo pericial é sempre conclusivo? Saiba mais Para aprofundar seus conhecimentos tratados nesta unidade você pode assistir: Filme: “Seven”.

de competência exclusiva das Polícias Federal e Civil. Identificar procedimentos de prova criminal e o seu histórico. Conhecer o inquérito policial percebendo-o como procedimento sigiloso. inquisitivo e informativo. provas técnicas e testemunhais para subsidiar o processo criminal. 3 Seções de estudo Seção 1 Conceito e histórico da polícia Seção 2 Conceito de investigação criminal Seção 3 Conceito de prova Seção 4 Evolução histórica da prova criminal Seção 5 Inquérito policial . Contextualizar a investigação criminal. no qual a investigação criminal é formalizada.UNIDADE 3 Investigação Criminal Objetivos de aprendizagem Compreender o conceito e o histórico da Polícia. dentre outros órgãos. Identificar os procedimentos de apuração de infrações criminais. a partir dos pontos relevantes para compreender o sistema de provas brasileiro da atualidade. concebendo-a como o trabalho realizado pelas Polícias Federal e Civil.

atividade policial repressiva (judicial) ao crime e de auxílio à justiça penal (investigação científica dos crimes)..10.. Importante.. procede do grego “politeia”. conceitua Polícia como sendo: (. THOMÉ. inquérito policial e prova criminal.48). e saber quais os tipos de provas já foram aceitáveis em tempos passados e como é o sistema de provas da atualidade.) a organização administrativa que tem por atribuição impor limitações à liberdade (individual ou de grupo) na exata medida necessária à salvaguarda e manutenção da ordem pública (.) instrumento de utilidade e que passa a ser responsável pela investigação das infrações penais cometidas e pela política de disciplina e restrição empregada a serviço do povo. é imprescindível que verifique quais são as polícias existentes que integram este sistema e quais suas respectivas funções. p.. Contribuição à Prática da Polícia Judiciária. 2001: 47. Polícia pode ser definida como: (. Dessa forma. que significa.)administração da cidade. enquanto parte. a polícia mais visível a todos é a de segurança pública e por isso mesmo todos tendemos a confundi-la. Segundo o mesmo autor.... Ricardo Lemos..Universidade do Sul de Santa Catarina Para início de estudo Para que você compreenda como é exercida a atividade estatal de segurança pública brasileira na atualidade. SEÇÃO 1 . 1997. verificar o que é investigação criminal. 50 .. (. também. Marcineiro (2001). segundo Thomé. que por sua vez. No entanto. com o todo (.. (MARCINEIRO. saberá quais polícias serão responsáveis pela investigação criminal. de proteção individual e coletiva e a polícia judiciária.).) a polícia se especializa e hoje. se apresenta com duas funções: a polícia preventiva (administrativa). ou seja.Conceito e histórico da polícia A palavra Polícia é vocábulo derivado do latim “politia”.

. III – polícia ferroviária federal. IV – polícias civis. às Polícias Rodoviária Federal. Unidade 3 51 . nos termos do artigo 144. dever do Estado. Ferroviária Federal e Militares cabe o policiamento ostensivo. serviços e interesses da União ou de suas entidades autárquicas e empresas públicas. § 1º. De outro lado. o contrabando e o descaminho.Criminalistica e Investigação Criminal Segundo Tourinho Filho (2001). I e II da Constituição Federal de 1988. Você já teve a oportunidade de ler o que dispõe o artigo 144 da Constituição Federal de 1988 com relação à segurança pública. atuando precipuamente na prevenção dos delitos. além de prevenir e reprimir o tráfico ilícito de entorpecentes e drogas afins.) a Polícia é o órgão incumbido de manter e preservar a ordem pública e a incolumidade das pessoas e do patrimônio (TOURINHO FILHO. 2001:27). Apuram materialidade e autoria das infrações penais. Portanto. II – polícia rodoviária federal.. na repressão dos delitos. Diz o artigo: A segurança pública. por meio da função investigativa. assim como outras infrações cuja prática tenha repercussão interestadual ou internacional e exija repressão uniforme. V – polícias militares e corpos de bombeiros militares. segundo se dispuser em lei. é exercida para a preservação da ordem pública e da incolumidade das pessoas e do patrimônio. é interessante que você perceba que a atuação principal das Polícias Federal e Civis ocorre após a prática do crime. através dos seguintes órgãos: I – polícia federal. direito e responsabilidade de todos. O que cabe à Polícia Federal? À Polícia Federal cabe a apuração das infrações penais contra a ordem política e social ou em detrimento de bens. (.

tem competência residual. como organização. a Polícia tinha como prioridade salvaguardar a segurança nacional estatal. ressalvadas as atribuições da Polícia Federal e as infrações da alçada militar. considerada a primeira organização policial do mundo. ano de 1808.130.Universidade do Sul de Santa Catarina O que cabe à Polícia Civil? A Polícia Civil. da Carta Magna. Na democracia a Polícia tinha como foco a segurança pública dos cidadãos. na Inglaterra. de acordo com o artigo 144. tendo a função de apurar as infrações penais e respectivas autorias. Inicialmente. com seus delegados e subdelegados escolhidos dentre os cidadãos. a ação militar em defesa da posse. fez-se necessária a organização dos serviços policiais. Segundo Silva. A atividade investigativa ficava sob a responsabilidade dos magistrados. ocorreu em 1841. p.1999. a função policial e a função de julgar não estavam separadas. Segundo Marcineiro e Pacheco. em 1889. com a promulgação da Lei no. de 03 de dezembro. A partir da promulgação da república..No Brasil.) um regime político em que o poder repousa na vontade do povo”. que apresentava uma organização policial incipiente. segundo Thomé (1997). a Polícia passou a atuar de acordo com o modelo político vigente. § 4º. o que fica evidenciado pelos dispositivos que versavam sobre segurança pública. José Afonso da. em decorrência das invasões napoleônicas no continente europeu. 261. In: SILVA. com a vinda da Família Real Portuguesa ao Brasil. inseridos nas Constituições Federais que se sucederam. Curso de Direito Constitucional Positivo. a origem da Polícia Judiciária. Democracia é “(. criando em cada província um Chefe de Polícia. Segundo (MARCINEIRO e PACHECO. nos períodos ditatoriais. também chamada de Polícia Judiciária. e. (2001). a história da Polícia tem início apenas no século XIX.. A Polícia como organização surgiu em 1829. 52 . em especial dos Juízes de Paz. com a criação da Polícia Metropolitana de Londres. Com o rápido crescimento das atividades econômicas e sociais. 2001:15).

Segundo Bueno (1977). descobrir. José Joaquim Gomes. SEÇÃO 2 . (. a Carta Magna prima pela garantia dos direitos individuais. visa a obtenção de evidências. Evoluindo para a Polícia do Século XXI. fazem entre segurança nacional e segurança pública: a primeira com sendo a defesa do Estado e a segunda como tendo o foco na segurança da sociedade.. Unidade 3 53 . Nesse contexto. investigar significa (. Direito Constitucional e Teoria da Constituição. vamos adiante e contextualizando. p. É um ato instintivo do homem que o faz movido pelo princípio inteligente e pelo instinto de curiosidade..).. “(. na obra Polícia Comunitária. iniciada em 1985. (BUENO..Criminalistica e Investigação Criminal Importante a diferenciação que Marcineiro e Pacheco. a Polícia passa a ter o dever de prestar serviços respeitando tais garantias e contribuindo para salvaguardá-las. Você concorda? Muito bem. utilizando metodologia e técnicas próprias. pesquisar.372. A atual Constituição Federal de 1988 é fruto de uma redemocratização. In: CANOTILHO. após vinte e um anos de regime de exceção..33. 1999. p. A investigação policial é atividade de natureza sigilosa exercida por policial ou equipe de policiais determinada por autoridade competente que. fazer diligências para achar. Promulgada em um Estado Democrático de Direito.) garantias são os meios processuais adequados à proteção dos direitos. indícios e provas de materialidade e de autoria do crime. 1977:685).Conceito de investigação criminal Você sabe o que significa investigar? Que sentido esta palavra assume no contexto da segurança pública? Segundo Canotilho (1999)..) indagar.

A seguir você vai estudar sobre a prova e seu conceito. assim.Conceito de prova Como dito. meio de Prova e objeto da Prova: “Podese. é atividade policial direcionada à apuração das infrações penais e de sua autoria. Antônio Magalhães. O vocábulo “prova” origina-se do latim probatio. a prova é todo meio destinado a convencer o juiz a respeito da verdade de uma situação de fato. distinguir entre fonte de Prova (os fatos percebidos pelo juiz). Segundo Greco Filho (1997:196). As Nulidades no Processo Penal. para comprovar materialidade e autoria do delito. De Plácido e Silva (1978). ou investigação criminal. Estas circunstâncias são detalhes de fatos criminosos com a preocupação de melhor identificar as pessoas com eles relacionados e o próprio objeto do crime. p. Ada Pellegrini.1982. bem como as circunstâncias em que ocorreram. formar juízo sobre um fato. que por sua vez emana do verbo probare. GRINOVER. pois. 54 . A prova consiste. o objetivo da investigação criminal é a busca das provas criminais necessárias para a elucidação do crime.Universidade do Sul de Santa Catarina A investigação policial.(De PLACIDO e SILVA. na demonstração da existência ou da veracidade daquilo que se alega como fundamento do direito que se defende ou que se contesta. que se deduz da fonte e se introduz no processo pelo meio de Prova)”. especialmente delegados e seus agentes. (GRINOVER. Qual o objetivo da Investigação criminal? O objetivo da investigação criminal é amealhar provas criminais. visando reunir elementos probatórios para o indiciamento ou não e posterior encaminhamento à apreciação judicial. FERNANDES. Antônio Scarance. . SEÇÃO 3 .106). FERNANDES E GOMES FILHO diferem fonte de Prova. com o significado de demonstrar. GOMES FILHO. procurando esclarecer a autoria e materialidade de delitos. 1978: 1253). É o trabalho realizado por policiais. meio de Prova (instrumentos pelos quais os mesmos se fixam em juízo) e objeto da Prova (o fato a ser Provado. reconhecer.

a propósito de dada pretensão em juízo. bem como as afirmações feitas pelo réu.Teoria Geral do Processo. estando fortemente condicionados por circunstâncias históricas e culturais. CINTRA.Criminalistica e Investigação Criminal Todas as afirmações de fato feitas pelo autor. e de todos os demais elementos necessários para fundamentar uma decisão condenatória ou absolvitória. GRINOVER. De acordo com Cintra. a prova criminal é aquela utilizada para demonstrar ao Juiz a veracidade ou falsidade da imputação feita ao réu e as circunstâncias que possam influir no julgamento da responsabilidade e na individualização das penas. DINAMARCO. p. concebidos como instrumentos de reconstituição de fatos pretéritos. que normalmente se contrapõem àquelas. 2003. Especificamente com relação à prova criminal. Em síntese. GRINOVER. adotou o modelo europeu-continental. 2003: 348). Ada Pelegrinni. das condições de antijuridicidade e culpabilidade. Antônio Carlos de Araújo. no Processo Penal Brasileiro. sempre acompanharam a história da civilização. a prova constitui o instrumento por meio do qual se forma a convicção do juiz a respeito da ocorrência ou inocorrência dos fatos controvertidos no processo. Portanto. SEÇÃO 4 . Ada Pelegrinni. podem ou não corresponder à verdade. Unidade 3 55 . fazendo-se importante uma breve análise das origens deste modelo. Cândido Rangel.348. As provas criminais formam a convicção a respeito da autoria e materialidade da infração penal. pode-se afirmar que é aquela utilizada para demonstrar a ocorrência ou não de uma infração penal e as circunstâncias que possam influir no julgamento da responsabilidade e na individualização das penas. constituem as questões de fato que devem ser resolvidas pelo juiz. as dúvidas sobre a veracidade das afirmações de fato feitas pelo autor ou por ambas as partes no processo. à vista da prova dos fatos pretéritos relevante.Evolução histórica da prova criminal O sistema probatório. Antônio Carlos de Araújo. (CINTRA. Os meios de prova. DINAMARCO.

(COULANGE. segundo Sznick conheceram e fizeram uso da tortura contra seus escravos na Antigüidade.Universidade do Sul de Santa Catarina Na Antigüidade. as ordálias constituíram a prova suprema usada pelos germanos primitivos e os povos antigos da Ásia. (SZNICK. Esta foi uma época em que os homens não conheceram a liberdade individual. Segundo Santos (1970). Foi neste período em que se instituíram as ordálias ou juízos de Deus. e os juramentos. com os pés nus. que. 56 . sendo o acusado absolvido se não restassem lesões e condenado no caso contrário. e a prova pela água fervente consistia no acusado tirar um ou mais objetos do fundo de uma caldeira de água fervente. posteriormente. Segundo Santos. sobre ferros candentes. (1970:26) na prova pelo fogo se fazia o acusado carregar uma barra de ferro em brasa por certa distância. estes no pressuposto de que ninguém se atreveria a tomar Deus como testemunha de uma falsidade. conceitua ordália como “sendo a submissão de alguém a uma prova. Santos (1970). das cidades. Coulange (1996) menciona que o respeito dos antigos às leis advinha da crença de que estas eram ditadas pelos deuses. com o domínio absoluto dos bárbaros na Europa. as ordálias também tiveram aplicação. Durante muitos séculos na Idade Média. na esperança de que Deus não o deixaria sair com vida ou sem um sinal evidente. não tendo aplicação entre os romanos. estando acima de tudo e de todos. se não dissesse a verdade ou fosse culpado. 1996:152). 1970:25). Aqueles se fundavam na crença de que Deus não deixaria de sustentar o Direito do inocente. tinham origem sagrada. ou caminhar. pois não se tinha a mais leve idéia sobre a individualidade humana e sobre os Direitos a ela inerentes. Leis e religião se misturavam. a religião era a força propulsora das organizações rudimentares e.” (SANTOS. 1978:24).

os tribunais da inquisição. que se reflete na influência exercida pelas religiões sobre os homens e as organizações sociais da Antigüidade e da Idade Média.). Novinski (1982) nomina este método de “inquisitivo”. Unidade 3 57 . Acerca dos juramentos. bem como na circunstância de ser quase impossível. 1970: 30-31). dada a pouca densidade da população e a própria natureza patriarcal dos agregados humanos.Criminalistica e Investigação Criminal Montesquieu (1996). 1996: 553). atuante nos séculos XVI. a critério do acusador. 1982:47). XVII e XVIII.. Cotrin (1997) menciona que a tortura era utilizada oficialmente nos interrogatórios. e que atendia aos interesses de todas as facções do poder: coroa. No final da época medieval e durante a Idade Moderna surgiram. Assim. com a finalidade de obter a confissão. (NOVINSKY. (COTRIN. também chamado combate judiciário. Com a desmoralização do juramento. na Europa. Santos (1970) analisa: Compreende-se facilmente a inclusão do juramento entre os velhos sistemas probatórios. (MONTESQUIEU. por certa quantia e pelo juramento de algumas testemunhas que declarassem que o acusado não havia cometido o crime. menciona que a prova pela água fervente podia ser substituída. nobreza e clero. 1997:157). numa época em que a escrita não existia. colherem-se provas testemunhais. pode-se dizer que a prova pelo juramento decorria da própria necessidade (. (SANTOS. na presença dos juízes. período em eram tidos como hereges os que contrariavam os dogmas oficiais da Igreja Católica. instituiu-se como instituto probatório o duelo.. Mas para que a tortura era utilizada? Qual a finalidade? Discorrendo sobre este momento.

e somente a combinação destas autorizaria uma condenação criminal. e que influenciou a reforma de muitos Códigos Penais e Processuais Penais Europeus. Beccaria (1993). o paciente é submetido a uma série de provas. menciona: somente ela podia fornecer a certeza moral a respeito dos fatos investigados. (BECCARIA. 58 . e era diferenciada de acordo com a classe social a que pertencia o indivíduo. Enfocando a tortura. 1997:22). 2002:36). na Europa. nos séculos XVI e XVII. e que ele ganha agüentando ou perde confessando. e a pesquisa cedia vez à confirmação de uma verdade já estabelecida.Universidade do Sul de Santa Catarina Considerando a dificuldade de se obter outros meios de prova. discorrendo sobre o sistema jurídico-penal e processual penal. utilizada para obter a confissão do réu. Portanto. estando a nobreza sujeita à tortura apenas nos delitos considerados extremamente graves. Ortega (1998). escrita no século XVIII. menciona que a tortura tratava-se de peça fundamental no processo. manifestou-se afirmando que a tortura é muitas vezes um meio seguro de condenar o inocente fraco e de absolver o criminoso robusto. 1998:463) Sobre este tema. 1993:36). (2002) a tortura é um jogo judiciário estrito (. Gomes Filho (1997). No que se refere à valoração das provas. é neste período que surgiu o sistema das provas legais. pelo qual cada prova tinha seu valor previamente determinado.(GOMES FILHO.). A tortura clássica tornou-se mecanismo regulamentado e legalizado de Prova. (ORTEGA. Segundo Foucault. o princípio da igualdade era inexistente naquela época. (FOUCAULT. a confissão do acusado representava o objetivo primordial do procedimento inquisitório. autor da obra Dos Delitos e Das Penas.. cuja essência é a defesa do indivíduo contra as atrocidades e arbitrariedades daqueles tempos. de severidade graduada..

na obra citada: a mudança do processo inquisitivo para o acusatório. CALDAS. desvinculando os conceitos de pecado e delito. empleada para arrancar las confesiones. p. testis nullus**). Supondo que o delito não está provado. *tradução: rainha das Provas (cf. Sabadell (2002). (tradução da autora). A confissão era a regina probatium* e o depoimento de uma só testemunha não possuía valor probatório (testis unus.162) Para Bentham. a supressão total da tortura e da pena de morte.495. na dúvida de ser inocente ou culpado”. Tratado de Las Pruebas Judiciales. em graus: provas plenas. empregada para arrancar as confissões. qué hace el juez? Ordena atormentar a una persona. idéias estas que continuam a influenciar os sistemas penais e processuais penais atuais. indícios e presunções. e a preferência dos métodos preventivos aos repressivos. não se permite que se estabeleça nenhuma discussão ou questionamento. já que. público. semiplenas. (VALIENTE. inexistia a concepção de direitos individuais. Acima da prova plena está o notorium. a igualdade entre nobres. Sua base é a classificação sistemática das provas romanas. p. O Latim no Direito.Criminalistica e Investigação Criminal Valiente (2002). o que se coaduna com o sistema inquisitório.308. a tortura era empregada para suprir a deficiência dos meios probatórios da época: “A tortura. Na Idade Média e grande período da Idade Moderna. “La tortura. burgueses e plebeus. Por meio deste instituto era concedida a dispensa de produção de provas em determinados casos. havendo sempre a prevalência do interesse público em detrimento do indivíduo. (cf. desenvolvido a partir do século XIII pelos doutrinadores do Direito medieval europeu. Unidade 3 59 . a nítida separação entre a religião e o Estado e seus Poderes. BENTHAM. sintetiza algumas das idéias defendidas por Beccaria. segundo o método escolástico. 2002:161. conceitua notorium como sendo a prova à qual se deve dar a máxima credibilidade. que faz o juiz? Ordena atormentar uma pessoa.316. se encamina a suplir la insuficiencia de las pruebas. En el supuesto de que el delito no está probado. p. (SABADELL. Jeremias. a proporcionalidade entre os delitos e as penas. Gilberto. O Latim no Direito. Gilberto. com meios de prova claros e racionais. ** tradução: uma só testemunha equivale a nenhuma testemunha. Sabadell (2002). discorrendo sobre a tortura oficializada afirma: A tortura judicial está vinculada ao sistema de provas legais. 2002:275). diferentemente das demais provas. objetiva suprir a deficiência das provas. en la duda de si es inocente o culpable”. CALDAS.

a proibição legal da tortura. Os ideais iluministas postulados pela Revolução Francesa romperam com o sistema inquisitivo.28-29. também. Em outras palavras. de 1789. as provas não eram reunidas para apurar uma possível responsabilidade penal do réu. Antônio Magalhães. até o surgimento posterior do sistema da livre apreciação de provas. mencionar os sistemas de valoração de prova. a presunção de inocência do acusado e o direito ao contraditório. “selando a concepção 60 . conseqüentemente. consagrou a escola do Direito Natural. Conforme Sabadell (2002). implicava. incluindo a autorização para o uso da tortura. não se torturava um inocente.. mas ao longo dos séculos a doutrina o submeteu a modificações para facilitar a sua aplicação. sendo inicialmente rígido. Direito à Prova no Processo Penal. a Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão. Segundo Grinover (1982)..Universidade do Sul de Santa Catarina Em matéria de processo penal. advinda da Revolução Francesa. p. através da Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão. Tais ideais foram uma reação ao sistema inquisitório e à doutrina das provas legais. Tratava-se do sistema da íntima convicção. (SABADELL. e sim um meio culpado. conferiram maior liberdade aos juízes na apreciação da prova e na indicação dos motivos da convicção. Foram citados alguns meios de prova utilizados no transcorrer da história. GOMES FILHO. cf. sendo que esta era constituída por cada um dos elementos que permitiam reconhecer um culpado. 2002:278). (. É importante. dentre elas. 1997. para confirmar a suspeita legalmente criada de que ele era realmente culpado. De acordo com Sabadell (2002). o sistema das provas legais passou por várias fases. Um grau alcançado na demonstração da culpa (prova semiplena). e. além do já citado sistema das provas legais. um determinado grau de punição. Vêm ao encontro de um sistema probatório que respeita o ser humano enquanto sujeito de direitos e garantias individuais.) a existência de uma meia prova implicava a consideração do réu como meio culpado. o princípio da inocência do acusado era desconhecido. de 1789.

art. mas uma verdade obtida através de meios probatórios produzidos pelas partes. influenciando os demais ordenamentos continentais e representando. o modelo inspirador da maioria das legislações. nenhum indivíduo.gila. 61 . estivesse amparado por um mínimo de elementos probatórios. segundo esta nova concepção. à defesa.art.net/internacional/ declaração_Direitos_homem_cidadao_1789. Gomes Filho (1997:31) afirma que em 1808. o terceiro.. Disponível em: <http://www. também chamado por Capez de Unidade 3 CAPEZ. Fernando. 1º: “Todos os seres humanos nascem livres e iguais em dignidade e Direitos”. art. o Code d’instruction criminelle francês instituiu a combinação entre os padrões inquisitório e acusatório. Nenhuma corporação.. 2002. A doutrina passou a postular limitações à íntima convicção do juiz.03.) o núcleo doutrinário da Declaração está contido nos três artigos iniciais: o primeiro refere-se à condição natural dos indivíduos que precede a formação da sociedade civil. mas reconhecidos por este”. a fim de obter-se não uma verdade extorquida inquisitoriamente. não criados. 3º:”O Princípio de toda soberania reside essencialmente na Nação.12. p. à finalidade da sociedade política. e. menciona Bobbio (1992). (BOBBIO. o juiz só estaria autorizado a condenar se. do poder de produzir provas contrárias às da acusação.Curso de Processo Penal.Criminalistica e Investigação Criminal da existência de direitos subjetivos preexistentes ao Estado.267. 1992:93). além de convencido. Acerca desta Declaração. Segundo a Declaração Universal dos Direitos do Homem .. até os dias atuais. que vem depois (. Acesso em 14. Passou-se a postular pelo sistema da persuasão racional. 2º: “O objetivo de toda associação política é a conservação dos Direitos naturais e imprescritíveis do homem”. (.. o segundo.) do estado de natureza.net/legislação. ao Princípio de legitimidade do poder que cabe à nação. pode exercer autoridade que aquela não emane expressamente”. Gomes Filho (1997:55) entende que uma verdadeira Justiça penal pressupõe o reconhecimento.htm>.

O sistema probatório de persuasão racional foi adotado pelo Código Processual Penal Brasileiro . nem é prefi xada uma hierarquia de provas: na livre apreciação destas. ou nec essariamente maior prestígio que outra. considerando-se a visão sistêmica.10. Nunca é demais. Oportuna a transcrição deste trecho da Exposição de Motivos do Código Processual Penal Brasileiro. A própria confissão do acusado não constitui. A motivação das sentenças e decisões de modo geral.Decreto-Lei n. desde que acompanhada de demonstração lógica dos motivos da decisão. cedendo-se ao julgador liberdade de valoração da prova. Se é certo que o juiz fica adstrito às provas constantes dos autos. (ano). Todas as provas são relativas. Conforme Colucci (1988): Num terceiro estágio. o juiz formará. não é menos certo que não fica adstrito a nenhum critério apriorístico no apurar. art. valor decisivo. evitando-se que a excessiva liberdade na avaliação das provas transformasse o processo penal em instrumento de opressão e terror. honesta e lealmente. ex vi legis. Trecho extraído da Exposição de Motivos do Código Processual Penal Brasileiro. através do seu artigo 157. no capítulo que discorre sobre Provas. prova plena de sua culpabilidade. mas não pode abstrair-se ou alhear-se ao seu conteúdo.Universidade do Sul de Santa Catarina sistema da livre (e não íntima) convicção. não há hierarquia entre as Provas e o juiz pode decidir de acordo com a sua consciência. porém. a verdade material. E precisamente nisto reside a suficiente Garantia do Direito das partes e do interesse social. obedecendo à Constituição da República. através delas. 157: “O juiz formará sua convicção pela livre apreciação da prova”. Através do sistema da persuasão racional. salvo quanto ao estado das pessoas. fatalmente. a sua convicção. de 03. O juiz está livre de preconceitos legais na aferição das Provas. advertir que livre convencimento não quer dizer puro capricho de opinião ou mero arbítrio da apreciação das Provas. da verdade real ou do livre convencimento. em vez de protetor das liberdades públicas.3689. Código Processual Penal Brasileiro. tornou-se verdadeira garantia individual. (COLUCCI.1941-. fi xou-se como pressuposto do direito de defesa o conhecimento pelas partes dos caminhos percorridos pelo juiz ao julgar (persuasão racional). em respeito ao contraditório. 1988:237-250). desde que o faça motivadamente e. nenhuma delas terá. o Código 62 . Não estará ele dispensado de motivar sua sentença. Não serão atendíveis as restrições à prova estabelecidas pela lei civil.

Tem-se. rejeitando o formalismo exacerbado. Acerca deste sistema. O Ministério Público. XXXVIII.Criminalistica e Investigação Criminal de Processo Penal e demais legislações vigentes. Não basta ao magistrado embasar a sua decisão nos elementos probatórios carreados aos autos. (CAPEZ 2002:267). entretanto. os meios de prova mencionados no Código de Processo Penal são apenas exemplificativos. que procura demonstrar a existência do fato criminoso. Polícias Militares e outros órgãos podem exercer atividade investigativa. a autoria e estabelece as condições em que o crime ocorreu. o magistrado buscar como fundamento elementos estranhos aos autos. o objetivo principal das Polícias Civil e Federal é a investigação criminal. concebe-se a prova no Processo Penal como verdadeiro direito garantido às Polícias. SEÇÃO 5 . que: (.. à acusação e à defesa. considerando a soberania dos vereditos e o sigilo das votações. Não pode.Inquérito policial Como você viu anteriormente. assegurado pela leitura coordenada da Constituição da República. e por textos legais internacionais. gerador do arbítrio. limitados. e impede o absolutismo pleno do julgador. Neste sistema.. Unidade 3 63 . preceituados no artigo 5º. entende Capez (2002). da Carta Magna. Tal motivação não se faz necessária apenas nas decisões do júri. De outro lado. a investigação criminal não é atividade exclusiva destas Polícias. pelas normas constitucionais e infraconstitucionais. Mas. devendo indicá-los especificamente. Congresso Nacional.) atende às exigências da busca da verdade real. igualmente. pois. admitindo-se as provas inominadas. na medida em que exige motivação. um sistema processual penal que permite todos os meios de prova.

quebra do sigilo bancário. quebra de sigilo fiscal. normalmente.. previsto nas Leis Federais n. previsto no Código de Processo Penal Brasileiro. mediante requerimento de qualquer pessoa. de forma geral. cabe ao delegado de polícia determinar a instauração do inquérito policial. previsto no Código da Criança e do Adolescente (Lei Federal n. 8069/90). os atos investigativos são praticados no inquérito policial.. e outros. realização de acareações. o que é feito através da investigação. O auto de prisão em flagrante. e o auto de apuração de atos infracionais. requisição de todas as perícias necessárias.Universidade do Sul de Santa Catarina O inquérito policial é de atribuição exclusiva das Polícias Federal e Civil. ou ainda. fotográficos. cabe à Polícia Judiciária a apuração imediata do delito. a notícia de um crime chega ao conhecimento da autoridade policial através do boletim de ocorrência. As atividades são as mais diversas de acordo com o delito praticado. Considerando que. onde se diligenciará para buscar provas demonstrando materialidade e autoria do crime. cujos atos e resultados deverão ser formalizados.) é o conjunto de diligências realizadas pela Polícia visando a investigar o fato típico e a apurar a respectiva autoria. depoimentos de testemunhas. o termo circunstanciado. Segundo Tourinho Filho (2001:25) inquérito policial (. mediante requisição ministerial ou judicial. quebra do sigilo telefônico. por meio da investigação policial. declarações de vítimas. também são procedimentos policiais que podem ensejar investigação. avaliações reconhecimentos pessoais. Via de regra. via de regra. através do inquérito policial. A partir deste momento. 64 . prisões. interrogatório de suspeito e/ou indiciado. 10259/2001. representações por mandados de busca e apreensão. Após a prática da infração penal. 9099/95 e n. este estudo aborda apenas este.

inclusive seus antecedentes criminais. se for possível. Estas têm uma seqüência determinada pela autoridade policial que estiver presidindo o inquérito policial. se for o caso. h) Identificação datiloscópica do indiciado. e) Oitiva do indiciado.Criminalistica e Investigação Criminal Todos estes atos são formalizados no inquérito policial. faz-se necessária a aplicação de técnicas investigativas. não existindo um rito pré-estabelecido para a atividade investigativa. c) Coleta de todas as provas do fato e de suas circunstâncias. nos termos do artigo 17 do Código de Processo Penal Brasileiro. Quando o crime. g) Exame de corpo de delito. Para que a investigação policial tenha resultado e o inquérito policial seja concluído comprovando materialidade e autoria do crime. f) Reconhecimento de pessoas e coisas e acareações. de iniciativa obrigatória e indisponível. é. Unidade 3 65 . após a sua instauração. O artigo 6º. Não se pode contar com a improvisação e com a sorte no que concerne à investigação policial. detalhando quais atividades investigativas serão realizadas. de forma geral. em que o princípio do contraditório não é considerado. é de natureza inquisitiva. se for o caso. se for o caso. i) Investigação sobre a vida pregressa do indiciado. é sigiloso. cabe à Polícia realizar planejamento específico. b) Apreensão dos instrumentos e todos os objetos relacionados com o fato. destacandose: a) Comparecimento e preservação do local. O inquérito policial apresenta a forma escrita. Do Código de Processo penal Brasileiro delibera quanto aos procedimentos da Polícia Judiciária na apuração dos delitos. d) Oitiva do ofendido ou da vítima. em que tempo. de acordo com as peculiaridades da infração penal praticada. e definindo as técnicas a serem aplicadas. em face da necessidade da realização desta ou daquela diligência. não pode ser arquivado pelo delegado de polícia. j) Reprodução simulada dos fatos.

a função investigativa criminal. concebida como aquelas utilizadas para demonstrar ao Juiz a veracidade ou falsidade da imputação feita ao réu e as circunstâncias que possam influir no julgamento da responsabilidade e na individualização das penas. realize as atividades de Autoavaliação e consulte o saiba mais para ampliar seus conhecimentos acerca do assunto estudado. 66 . até o surgimento posterior do sistema da livre apreciação de provas. O sistema de provas foi sendo alterado com o transcorrer dos tempos. Síntese As polícias existentes no Brasil e suas atribuições estão descritas na Constituição Federal de 1988. sendo a confissão considerada aquela de maior valor. ou investigativa policial. verificamos que cabe à Polícia Federal e às Polícias Civis dos Estados. busca-se amealhar provas criminais. sempre acompanharam a história da civilização. mas ao longo dos séculos a doutrina o submeteu a modificações para facilitar a sua aplicação. concebidos como instrumentos de reconstituição de fatos pretéritos. Os meios de prova. através da elucidação da materialidade e autoria dos delitos. O sistema das provas legais passou por várias fases. vigia o sistema de provas legais. a seguir. Investigação criminal é a atividade voltada à apuração das infrações penais. estando fortemente condicionados por circunstâncias históricas e culturais. Na Idade Média e grande período da Idade Moderna. a síntese da unidade.Universidade do Sul de Santa Catarina . Através da Carta Magna. também chamadas Polícias Judiciárias.Leia. que eram previamente determinadas e hierarquizadas. nominando-a de “rainha das provas”. sendo inicialmente rígido. Para tanto.

o inquérito policial é de atribuição exclusiva das Polícias Federal e Civis.Criminalistica e Investigação Criminal Após a Declaração Universal dos Direitos do Homem e do Cidadão. Atividades de auto-avaliação Assinale verdadeiro ou falso: ( ) O rol de provas elencados no Código de Processo Penal Brasileiro é exemplificativo. no qual a obrigatoriedade da motivação das decisões judiciais e das sentenças tornou-se verdadeira garantia individual. Após abusos praticados nas sentenças. ) O sistema de provas previsto no Código de Processo Penal Brasileiro é o da íntima convicção. ficando isento de motivar as suas sentenças absolutórias ou condenatórias. Ocorre que. Além das Policias mencionadas. criou-se o sistema da livre convicção. ) O inquérito policial é peça imprescindível para a instauração do processo criminal. Este sistema foi o adotado pelo Código de Processo Penal Brasileiro vigente. decisão absolutória ou condenatória. dentre eles. razão pela qual a Polícia Militar é proibida de realizar qualquer tipo de investigação criminal. Congresso Nacional. que conferiu diversos direitos e garantias ao homem até então não existentes. de 1789. ) As Polícias exercem atividades excludentes. Ministério Público. em que o juiz tinha total liberdade na valoração das provas e nas suas decisões processuais. surgiu o sistema da livre apreciação de provas. Assembléias Legislativas dos Estados. outros órgãos exercem função investigativa. verdade real ou persuasão racional. ( ( ( Unidade 3 67 .

Disponível em: www. durante o curso de uma investigação.com.Universidade do Sul de Santa Catarina 2.br/?page_name=art_05_ 2005&category_id=31 68 .http://www. os policiais devem estar voltados prioritariamente à indicar e localizar o autor do crime ou à busca da verdade? Saiba mais Para complementar seus conhecimentos você pode ler: Texto: Inquérito Policial – Sigilo irrestrito.com.damasio. Disponível em: http://www.br/textos/x/15/73/1573 Artigo: Flagrante eficiente. Responda a seguinte questão: Na sua percepção.direitonet.

infiltração policial.UNIDADE 4 Investigação Criminal Objetivos de aprendizagem Estudar técnicas de investigação policial. Identificar a função das Polícias Investigativas e verificar qual a relação com a investigação experimental e suas respectivas técnicas. Conhecer e técnicas como o interrogatório. 4 Seções de estudo Seção 1 Interrogatório Seção 2 Infiltração policial Seção 3 Informante Seção 4 Vigilância . informante e vigilância.

” O que é técnica? Bem. na busca imparcial da verdade objetivando cumprir o dever do Estado. para realizar operações intelectuais ou física. ficará mais fácil o entendimento do conteúdo desenvolvido nas seções que seguem. 2003.. sob o comando de uma ou mais bases lógicas de pesquisa. como essa palavra pode ser definida? 70 . p. reunidas e acionadas em forma instrumental.) é um conjunto diferenciado de informações. PASOLD. Então. Visa à investigação policial resposta para as perguntas: (hectâmetro). Idéias e Ferramentas Úteis para o Pesquisador do Direito. seqüencial. Vamos lá? Comecemos com a palavra “técnica. Cesar Luiz.Universidade do Sul de Santa Catarina Para início de estudo Para iniciar os estudos desta unidade considero oportuno que você conheça termos-chave para a compreensão do que se pretende abordar. Assim. de acordo com Pasold (2003). (.. Técnica. pautado pelas garantias individuais e coletivas do cidadão. Prática da Pesquisa Jurídica. Mas. a) Quem? b) O que? c) Onde? d) Com que auxílio? e) Por que? f) De que maneira? g) Quando? Agora veremos o que é um procedimento. na preservação da ordem pública e da incolumidade das pessoas e do patrimônio. podemos dizer que a investigação necessita de técnicas que assegurem um trabalho lógico.107.

na investigação policial podemos dizer que procedimento é o conjunto dos atos policiais que tem por objetivo colher as provas da infração penal. guardando características próprias e peculiares em função dos mesmos.12. que foram todos alterados pela Lei n. os meios necessários para instruir a causa e assegurar ou restabelecer uma relação jurídica controvertida. É um estudo profundo de um problema. sob determinados preceitos legais. Tanto a investigação quanto a análise se baseiam no exame completo de um problema concreto.Interrogatório Interrogatório é o termo utilizado pelo Código de Processo Penal para conceituar a inquirição do acusado no processo penal. nela se procura. Concorda? O procedimento se consubstancia nos diversos atos policiais no decorrer das investigações e a técnica representa a maneira como o procedimento é realizado. recolher e organizar informações básicas. você terá a oportunidade de conhecer algumas técnicas policiais mais comumente usadas num processo de investigação. sobretudo. Então. A investigação será realizada a fim de obter informação sobre um tema. Na seqüência. Unidade 4 71 .2003. 10792. de 1. Vamos lá? SEÇÃO 1 .Criminalistica e Investigação Criminal Procedimento é o conjunto dos atos pelos quais se ordenam e se exercitam. A investigação é direcionada de acordo com os diferentes tipos de delitos. com a finalidade de descobrir fatos novos. O procedimento do interrogatório encontra-se disposto nos artigos 185 a 196 do Código de Processo Penal.

Quais as técnicas de interrogatório? Técnicas de abordagem dos fatos Os fatos acontecem dentro de uma estrutura de tempo. em favor da investigação. perante a autoridade policial. O interrogatório deve sempre ser orientado através de técnica. embora confessando o delito.Universidade do Sul de Santa Catarina No âmbito policial. nem sempre o faz obedecendo a uma seqüência real desses fatos dentro daquela estrutura. a fim de que saiba fazer as perguntas com pertinência. 72 . espaço. melhor do que o investigando. Evidentemente que as técnicas ora mencionadas também podem ser aplicadas durante a tomada de declarações da vítima ou a tomada de depoimento de testemunha. diminuindo as conseqüências penais. fazê-lo de forma a se beneficiar. ação e resultado. Pode acontecer que o interrogador. demonstrando firmeza e seriedade. chamada técnica de interrogatório. tentando sempre buscar a verdade dos fatos. quando alguém vai narrá-los. Dessa forma. etc. uma legítima defesa putativa ou uma injusta provocação da vítima. elucidar o crime. não tenha interesse de obter a narrativa de maneira ordenada. é importante que o interrogador busque. segurança e sabedoria. denomina-se interrogatório o ato em que o suspeito ou indiciado pela prática da infração penal presta depoimento formalmente nos autos. A preparação é importante porque é comum o autor da infração penal. O interrogador tem o dever de conhecer o fato que investiga. por exemplo. de forma técnica. alegando. Entretanto. Usualmente conceitua-se declaração como sendo a inquirição da vítima e depoimento a inquirição da testemunha.

via de regra. ausentou-se de casa ou do trabalho sob qualquer pretexto. a saber: da seqüência memorial. Isto não pode deixar de ser levado em conta por quem investiga. se saiu mais cedo ou chegou mais tarde. da seqüência protaitiva. Dessa forma. é importante buscar apurar onde e com quem o suspeito ou indiciado esteve durante todo o dia do crime. A seqüência com que os fatos são narrados depende da lembrança que interrogando tenha das circunstâncias do fato. manteve contatos ou encontros com pessoas estranhas. da seqüência dos fatos. Por essa razão. Unidade 4 73 . A aplicação de técnicas na atividade investigativa consiste no uso da inteligência. além de incidir em conduta criminosa também não prima pelo raciocínio inteligente. e da seqüência retroativa: A experiência tem demonstrado que a prática de um delito. a seqüência como os fatos serão abordados deve obedecer a critérios técnicos que sejam de pleno conhecimento e domínio do interrogador. levando-se em conta a seqüência como um interrogado pode narrar os fatos que estão sendo investigados. o interrogador pode se valer de cinco técnicas. Técnica da Seqüência Memorial Esta técnica tem aplicação quando a pessoa que estiver sendo inquirida se prontifica a narrar os fatos espontaneamente. como em razão dos cuidados que se toma para ocultar os fatos. da seqüência embaralhada. Ano 1998.Criminalistica e Investigação Criminal Assim. promovendo resultados negativos para o caso específico e para a Instituição Policial. quebra a rotina de quem o pratica. tanto por força das atividades necessárias à perpetração do delito. Estas técnicas foram mencionadas em aulas expositivas no Curso de Formação para Delegado de Polícia – Ministradas na Academia da Polícia Civil de Santa Catarina. O policial que faz uso da violência na investigação. O emprego de técnicas no transcurso do interrogatório norteia o interrogador para que demonstre conhecimento e segurança acerca do delito que investiga. e obtenha objetivamente a informação desejada. etc.

quando. percorrendo a narrativa do início ao fim do delito. devendo o interrogador conduzir a narrativa para que os fatos sejam relatados de forma clara e dentro da seqüência dos próprios acontecimentos. então. Para aplicação desta técnica faz-se necessário que a pessoa que estiver sendo inquirida demonstre a vontade de expor os fatos. como e porque iniciou. lógica e coerência às perguntas feitas. a partir do momento estabelecido pelo interrogador. levando-se em conta o tempo decorrido. Somente uma narrativa real e verdadeira se sustentaria harmônica diante desta técnica. para que não consiga responder com encadeamento. O interrogador deve. 74 . Técnica da Seqüência Embaralhada Esta técnica aplica-se quando há indícios de que a pessoa que está sendo inquirida optou por mentir acerca dos fatos que se investiga. na medida em que estas vão lhe surgindo na memória. embaralhar ao máximo os pontos já abordados. induzindo o interrogando a erro. Técnica da Seqüência dos Fatos Esta técnica procura abordar o acontecido levando em conta a seqüência em que os fatos se desenrolaram. buscando esclarecer as atividades e convivências da pessoa que se interrogando. por parte. Técnica da Seqüência Protaitiva É a técnica pela qual o interrogador parte de um determinado momento que pode ser de horas ou dias antes do crime e vai avançando no tempo. fazendo-a constatar que a sua versão dos fatos não condiz com as demais provas materiais e testemunhais amealhadas.Universidade do Sul de Santa Catarina Muitas vezes o interrogando inicia a sua fala pelo ato executório e depois desordenadamente vai narrando as demais circunstâncias. como se desenvolveu e como e quando terminou.

o interrogando faz uma narrativa dos fatos por ele praticados. da forma como o interrogador deve se comportar frente ao interrogando. Estas técnicas foram mencionadas em aulas expositivas no Curso de Formação para Delegado de Polícia – Ministradas na Academia da Polícia Civil de Santa Catarina. o interrogador se comporta de forma amigável com o interrogando. Por esta técnica. o interrogador não deverá interferir. tudo registrando fielmente.Criminalistica e Investigação Criminal A experiência tem demonstrado que para esconder atividades e encontros relacionados com a preparação e execução do crime. dando a este um grau de liberdade maior nas suas colocações. sem qualquer interferência do interrogador. Técnica da Seqüência Retroativa Esta técnica percorre o tempo de forma inversa aos acontecimentos. cujas evidências indiquem como sendo o tempo gasto para o suspeito ou indiciado cogitar. certamente não resistirá ao crivo da investigação séria. Ano 1998. Parte de um determinado momento que pode ser da comunicação do delito ou de sua execução e vai retroagindo no tempo até um determinado horário. Unidade 4 75 . Consiste em permitir que o interrogando. profissional e criteriosa. Ainda que a narrativa não corresponda àquilo que já foi apurado nos autos. espontaneamente. preparar e executar o delito. A verdade virá naturalmente à tona. Técnicas de Comportamento São técnicas que tratam da postura. inclusive não deixar transparecer que não está acreditando na versão apresentada. narre livremente o fato criminoso. o suspeito ou indiciado acaba inventando situações que são facilmente desmentidas posteriormente. da forma mais livre possível. Técnica da Espontaneidade É a técnica que deve ser utilizada para o início de um interrogatório. Através desta técnica. Se a versão for mentirosa.

se tiver mentido na narrativa espontânea.Universidade do Sul de Santa Catarina Todavia. precisa. diretas e de preferência curtas. sobre esta ou aquela circunstância não esclarecida. formulando perguntas bem elaboradas. Técnica da Indução Caracteriza-se pela formulação de perguntas ao interrogando que o induzam. pois assim fazendo correrá o risco de prejudicar a busca da verdade. é interessante que perceba que nem todo autor de crime confessa o fato espontaneamente e aí se faz necessário o emprego de outras técnicas para se chegar à verdade. ainda que o interrogando resolva narrar os fatos espontaneamente. O interrogador jamais deve contar o fato que investiga ao interrogando. 76 . leva-se o interrogando a. O que caracteriza esta técnica é a formulação de perguntas bem elaboradas que induzam o interrogando a dar uma resposta certa. Assim. De um modo geral. pela própria maneira como são formuladas. pela técnica da indução. Através desta técnica o interrogador discute as circunstâncias do delito e elucida pontos relevantes mencionados durante a narrativa espontânea. não conseguir sustentar a sua versão dos fatos. sobre este ou aquele momento do delito. como por qualquer outro motivo. dificilmente o fará de forma completa. a dar uma resposta certa e objetiva. para que não paire dúvidas ao interrogando sobre a resposta que deverá dar. As perguntas devem ser claras. A técnica da indução permite ao interrogador direcionar o diálogo. isso acontece tanto intencionalmente. como esquecimento e até mesmo por desconhecer este ou aquele detalhe.

Além dos benefícios legais. Evidentemente. 65. o interrogador jamais deve inventar benefícios legais inexistentes. que dispõe sobre a utilização de meios operacionais para a prevenção e repressão de ações praticadas por organizações criminosas.Criminalistica e Investigação Criminal Técnica da Persuasão Esta técnica tem por objetivo persuadir. inciso III. tais como a possibilidade de responder o crime em liberdade. ou delação premiada. A Lei Federal n. bons antecedentes. sendo primário. há a confissão espontânea. residência fi xa. convencer o investigando a primar pela verdade dos fatos. em troca da diminuição de pena. As Leis Federais de números 8. 13. letra “d” do Código Penal Brasileiro. que outros que podem ser sustentados? Unidade 4 77 . 9. mostrando ao interrogando que somente tem a ganhar se disser a verdade. menciona a colaboração eficaz. em seu art. prevêem diminuição da pena de um a dois terços para o concorrente que confessa o delito. Entre as atenuantes do crime. A Lei Federal n. constituindo um incentivo à confissão. que consiste em um instrumento que permite ao indiciado.269/1996. tenha colaborado efetiva e voluntariamente com a investigação ou processo criminal.807/1999. Outros argumentos ainda podem ser utilizados pelo interrogador. prevista no art. com a conseqüente extinção da punibilidade ao acusado que. fornecer informações que propiciem o desmantelamento de organização criminosa da qual faça parte. no seu artigo 6º. Assim o policial deve argumentar com os benefícios da lei. delatando os demais participantes.072/1990 e 9. 9034/95. emprego e profissão certos. ou que tenha conhecimento das suas atividades. dispõe que o juiz poderá conceder o perdão judicial. em face da primariedade. etc.

a oportunidade de dizer a verdade. da Constituição Federal de 1988: “O preso será informado de seus direitos. Cada policial deverá estar plenamente certo da técnica que irá aplicar. entre os quais o de permanecer calado. além de conhecer com a maior profundidade possível o fato delituoso que estiver sendo apurado. deve-se retornar à técnica da espontaneidade. Técnica da Alternância Consiste na aplicação das técnicas mencionadas acima. da Constituição Federal de 1988. nos termos do artigo 5º. uma vez esclarecido o fato criminoso cessa a perseguição da polícia. Não obstante. sendo-lhe assegurada a assistência da família e de advogado”. a aplicação de cada técnica deve ser feita por policial diferente. alterando-se. Art. Deve-se indagar acerca do que foi alegado pelo indiciado que esteja mal esclarecido. esta atitude motiva a intensificação das investigações. agindo sempre com calma e segurança. Técnica do Desmentido Esta técnica consiste em relacionar e mostrar ao suspeito que está faltando com a verdade. LXIII. LXIII. o interrogador deve aguardar a reação do suspeito.Universidade do Sul de Santa Catarina O primeiro argumento é de que. A cessação da pressão social e da imprensa também pode constituir um forte argumento para convencer uma pessoa a esclarecer o delito. social e profissional de alguém. oferecendo a ele. mostrando a ele todas as controvérsias que seu interrogatório apresenta. com o diferencial de que. 5º. portanto as técnicas e seus aplicadores. Sabe-se que o silêncio do interrogado não pode ser interpretado em prejuízo a sua defesa. 78 . após. Com paciência. Após a aplicação desta técnica. que sempre causa transtornos à vida pessoal. Técnica do Questionamento Consiste em questionar o que foi dito pelo indiciado e que não estiver de acordo com o que se apurou.

É interessante que você perceba que a acareação deve ser breve e se restringir apenas ao ponto em que houve controvérsia. por ter maior afinidade com ele do que com os demais. Unidade 4 79 . no decorrer da aplicação das técnicas. de maneira que se mantenha um perfeito domínio sobre os pontos abordados e que estes sejam explorados com todos os interrogandos. sabendo-se que ele busca afetar psicologicamente o suspeito. questionar o interrogando cuja versão esteja em desacordo com o conjunto probatório podendo realizar acareação entre os suspeitos. Deve ser aplicada por um único policial. escolher um dos policiais para revelar a verdade. o detector de mentiras não é utilizado no Brasil. É importante inquirir os suspeitos separadamente impossibilitando que um deles tome conhecimento das declarações dos demais.Criminalistica e Investigação Criminal Esta técnica tem proporcionado bons resultados práticos. Quando o interrogador verifica que existem divergências. e quando a versões dos fatos oferecidas por eles sejam controversas. pois é muito comum o investigando. a fim de elucidar os fatos. Técnica da Informação Cruzada Aplica-se esta técnica nos casos em que se investiga dois ou mais co-autores ou partícipes do delito. Do Emprego do Detector de Mentiras Diferentemente de outros Países.

.. Em qualquer fase da persecução criminal são permitidos.. constituída pelos órgãos especializados pertinentes.Universidade do Sul de Santa Catarina SEÇÃO 2 . determinar o momento oportuno para a realização de uma operação policial... preferencialmente.. sob acompanhamento do Ministério Público. No Brasil... Deve ser realizada por tempo determinado..... identificar pessoas envolvidas em um crime.. sob a proteção de uma história-cobertura.......... os seguintes objetivos: obter informações ou provas. mediante prévia autorização judicial e. entre outros. em tarefas de investigação. 2º... V – infi ltração por agentes de polícia ou de inteligência.. pelo que requer planejamento e preparação.. mediante circunstanciada autorização judicial. Apresenta elevado risco para o policial infiltrado. obtidos pelo policial infiltrado. 9034/95: Art. em descompasso com a maioria dos países mais avançados no tocante à repressão ao crime... Foi inserida no sistema processual penal brasileiro pela Lei n. mediante o recrutamento e posterior inserção de pessoas.. a infiltração até bem pouco tempo não era permitida.Infiltração policial A infiltração policial trata-se de técnica operacional eficaz. em determinado ambiente... sem prejuízo dos já previstos em lei...... os seguintes procedimentos de investigação e formação de provas: .. que permite a obtenção de conhecimentos profundos da organização criminosa.... A infiltração visa a atingir. constatar se um crime está sendo planejado ou realizado... que alterou a redação do artigo 2º da Lei Federal n. Trata-se de uma técnica de investigação que objetiva obter informações...... 80 .. 10217/01.

e. que contemplem o acompanhamento e fiscalização pelas Corregedorias de Polícia. possuem informação de grande valia. SEÇÃO 4 . portanto. O planejamento de uma operação de vigilância. transportadores e compradores de drogas ilícitas.Informante A técnica do informante permite estabelecer procedimentos uniformes. por meios similares. existem três tipos de vigilância: Unidade 4 81 . a vigilância é a única técnica de investigação a que se pode recorrer para averiguar a identidade dos fornecedores. a serem seguidas pelos órgãos policiais. deve levar em conta a possibilidade de uma contravigilância. por parte do suspeito ou de seus cúmplices. seja a pé ou por outros meios. Existe a necessidade de sua regulamentação através de diretrizes gerais. Muito freqüentemente. a serem utilizados no manejo de fontes vivas (informantes). incluídas as contramedidas eletrônicas. Quais os tipos de vigilância existentes? De modo geral.Criminalistica e Investigação Criminal SEÇÃO 3 . lugares e objetos com a finalidade de obter informações sobre as atividades e a identidade de pessoas. contínua ou periódica de pessoas. veículos. que se encontram inseridos na comunidade.Vigilância A vigilância é a observação encoberta.

c) Vigilância eletrônica: na qual se utilizam aparatos eletrônicos. Localizar pessoas observando seus conhecidos e os lugares que freqüentam. Determinar onde se encontra uma pessoa a qualquer momento. a partir de um ponto fixo. objeto ou pessoa. Obter informações que possam ser utilizadas em interrogatórios. Obter provas admissíveis nos tribunais. Quais os são objetivos de uma operação de vigilância? Obter provas de um delito. Localizar bens escondidos ou contrabando.Universidade do Sul de Santa Catarina a) Vigilância móvel: em que o investigador segue um indivíduo a pé ou em um veículo. Impedir que se cometa um ato criminoso ou prender uma pessoa no momento em que comete o delito. mecânicos ou de outra índole para interceptar o conteúdo de comunicações orais ou telefônicas. Proteger agentes encobertos ou corroborar seu testemunho. um local. b) Vigilância fixa: que consiste em vigiar continuamente. 82 . Testar a confiabilidade de informantes. Obter pistas e informações graças aos contatos mantidos com outras fontes.

destacadamente no combate ao crime organizado e ao tráfico de drogas. Nas operações em que participam vários policiais. a) Vigilância eletrônica A vigilância eletrônica compreende muitas e diversas tecnologias. e se atue de acordo ao planejar as operações de vigilância eletrônica. mediante a captação de conversações ambientais e a interceptação de comunicações telefônicas. Na seqüência. é oportuno destacar que o estudo procurou enfocar a vigilância que se cumpre como recurso de investigação policial. é necessário receber instrução e capacitação especializadas. A vigilância eletrônica é um aparato investigativo que ocasiona excelentes resultados operacionais. Também devem ser combinados sinais para a comunicação entre os policiais da vigilância. Unidade 4 83 . considerando a sua ampla utilização e sua previsão legal. Em muitos países. a vigilância eletrônica está estritamente limitada pelo temor de violar o direito à intimidade das pessoas. as substituições. a dura ção da vigilância. deve-se estabelecer um sistema seguro de comunicação com os superiores e uma coordenação central. deve ser preparado um plano tático que preveja as eventualidades e especifique a função de cada um dos policiais. Considerando a abrangência do tema. Além disso.Criminalistica e Investigação Criminal Uma das primeiras medidas que antecedem qualquer operação de vigilância é a designação do policial coordenador. você tem a oportunidade de ver mais pormenorizadamente aspectos da vigilância eletrônica. algumas das quais exigem um equipamento complexo e caro. Para utilizar eficazmente os diversos aparatos e técnicas requeridas por esse modo especializado de investigação. É extremamente importante que se levem em conta essas limitações potenciais à estratégia de investigação.

por terceiro. inciso XII estabelece: (. por ordem judicial. exigindo necessária regulamentação por lei ordinária. como a maioria dos doutrinadores. Quando feita por um dos interlocutores. 10217/2001 acrescentou o inciso IV. alínea “e” da Lei n. Com o advento da Constituição Federal de 1988.) para fins de investigação criminal ou prova em processo penal. em seu artigo 5º.. disciplinando expressamente acerca da captação e interceptação ambiental de sinais eletromagnéticos. bem como o seu registro e análise. c) Interceptação de comunicações telefônicas Mendes. (1999). 9034/1995. excepcionando o princípio constitucional. a captação é chamada gravação de conversa telefônica. de conversa telefônica. porém. nas hipóteses e na forma que a lei estabelecer para fins de investigação criminal ou instrução processual penal. inclusive do Supremo Tribunal Federal.. considera interceptação telefônica a captação. ao artigo 2º da Lei Federal n. óticos ou acústicos. de dados e das comunicações telefônicas. desde que judicialmente autorizadas e (. que.) é inviolável o sigilo da correspondência e das comunicações telegráficas. A prova obtida mediante gravação de conversa telefônica será objeto de comentário posteriormente. 84 . sem ou com o conhecimento de um ou de ambos os interlocutores..Universidade do Sul de Santa Catarina b) Captação de conversações ambientais No que concerne à captação de conversações ambientais. Anteriormente à previsão constitucional o fundamento legal utilizado para a interceptação era o artigo 57. no entendimento majoritário da doutrina e jurisprudência. a Lei Federal n.. A Constituição Federal de 1988. 4117/62 (Código Brasileiro das Telecomunicações). admitia fossem violadas as comunicações. 10217/2001 instituiu no sistema jurídico brasileiro esta modalidade de vigilância eletrônica. inciso II. no último caso. A Lei Federal n. salvo. a quebra do sigilo das comunicações passou a ter tratamento constitucional.

parte final. O parágrafo único do artigo 1º da Lei n. necessidade de ordem judicial. de dois a quatro anos. artigo 1º. A Lei n. exigência de realização de auto circunstanciado após o término da interceptação. 9296/96 prevê diversas exigências para a concessão de interceptação telefônica. A mencionada Lei. da Constituição Federal e tratou das interceptações telefônicas. requerimento deve ser feito pela autoridade policial. de informática ou telemática. do artigo 5º. entrou em vigor a Lei Federal n. previu: Constitui crime realizar interceptação de comunicações telefônicas.9296/96. comprovada necessidade. A discussão doutrinária acerca da legalidade deste dispositivo será comentada oportunamente. sem autorização judicial ou com objetivos não autorizados em lei. infração penal apurada deve ser punida com pena de reclusão. Unidade 4 85 . 9296/96. em seu artigo 10º. constando o resumo das operações realizadas. e multa. ou quebrar segredo da Justiça. § único: “O disposto nesta Lei aplica-se à interceptação do fluxo de comunicações em sistemas de informática e telemática” estendeu a sua abrangência à interceptação do fluxo de comunicações em sistemas de informática e telemática. 9296/96 que regulamentou o inciso XII. ou pelo representante do Ministério Público. na investigação criminal e na instrução processual penal. tais como: a interceptação deve ser utilizada como prova em investigação criminal e em instrução processual penal. prorrogável por igual período. na investigação criminal. Lei n. Penal – reclusão. prazo máximo de interceptação de quinze dias. procedimento deve tramitar em segredo de justiça.Criminalistica e Investigação Criminal Em 1996.

Interrogatório É o ato em que o suspeito ou indiciado pela prática da infração penal presta depoimento formalmente nos autos.10792. os agentes estatais que realizam investigação viram-se obrigados a se aperfeiçoar no exercício profissional e a se pautar em técnicas eficazes à atividade investigativa. Interrogatório é o termo utilizado pelo Código de Processo Penal para conceituar a inquirição do acusado no processo penal. de 1. realize as atividades de Autoavaliação e consulte o saiba mais para ampliar seus conhecimentos acerca do assunto estudado. Dessa forma.2003. . infiltração. Síntese A atividade investigativa afigura-se como trabalho lógico e seqüencial que objetiva a apuração das infrações penais. . a seguir.Universidade do Sul de Santa Catarina Com o advento da Constituição Federal de 1988. 86 . perante a autoridade policial.Leia. é imprescindível ao êxito desta atividade a adoção de procedimento. Dessa forma. que foram todos alterados pela Lei n. As técnicas de interrogatório também podem ser utilizadas na inquirição da vítima e testemunha. recursos como técnicas de interrogatório. Algumas técnicas investigativas foram estudadas nesta unidade. O procedimento do interrogatório encontra-se disposto nos artigos 185 a 196 do Código de Processo Penal. uso de informantes e vigilância são cada vez mais utilizados pelas Polícias investigativas na elucidação dos delitos. a síntese da unidade. técnicas e procedimentos passaram a ser adotados. que inseriu diversos direitos e garantias individuais muitas vezes limitadoras da busca da prova criminal.12. que se consubstancia na escolha dos diversos atos policiais no decorrer das investigações e a técnica representa a maneira como o procedimento é realizado. através da coleta de provas criminais. e também em razão dos crescentes índices da criminalidade. Nesse contexto.

lugares e objetos. . .Técnicas de abordagem dos fatos: da seqüência memorial. do questionamento. – Informante A técnica do informante permite estabelecer procedimentos uniformes. Técnicas de comportamento: da espontaneidade. Muito freqüentemente. do desmentido.Infiltração A infiltração policial trata-se de técnica operacional eficaz. a serem utilizados no manejo de fontes vivas (informantes). com a finalidade de obter informações sobre as atividades e a identidade de pessoas. obtidos pelo policial infiltrado. que se encontram inseridos na comunidade. É extremamente importante que se leve em conta essas limitações potenciais à estratégia de investigação. e atue de acordo ao planejar as operações de vigilância eletrônica. Unidade 4 87 . a vigilância eletrônica está estritamente limitada pelo temor de violar o direito à intimidade das pessoas. 9034/95. 2. Em muitos países. da seqüência embaralhada. A vigilância eletrônica compreende muitas e diversas tecnologias. que alterou a redação do artigo 2º da Lei Federal n. transportadores e compradores de drogas ilícitas. da indução da persuasão. da seqüência protaitiva e da seqüência retroativa. que permite a obtenção de conhecimentos profundos da organização criminosa. contínua ou periódica de pessoas. a vigilância é a única técnica de investigação a que se pode recorrer para averiguar a identidade dos fornecedores. e. portanto. da alternância. da informação cruzada. possuem informação de grande valia. da seqüência dos fatos. algumas das quais exigem um equipamento complexo e caro.Criminalistica e Investigação Criminal As técnicas de interrogatório são as seguintes: 1. veículos.Vigilância A vigilância é a observação encoberta. Requer planejamento e preparação e foi inserida no sistema processual penal brasileiro está pela Lei 10217/01.

A interceptação de comunicações telefônicas encontra-se disciplinada pela Lei Federal n. é importante que eles sejam interrogados conjuntamente. Atividades de auto-avaliação Assinale verdadeiro ou falso: ( ) Durante o interrogatório do indiciado. ) É necessário que a vítima seja interrompida durante o relato do ocorrido. ) No caso de haver mais de um suspeito. 10217/2001. ) São modalidades de vigilância eletrônica a captação de conversação ambiental e a interceptação telefônica. 9034/95. a captação de conversações ambientais e a interceptação de comunicações telefônicas. do artigo 2º da Lei Federal n. ) O detector de mentiras e a hipnose são meios de prova aceitos no ordenamento brasileiro.Universidade do Sul de Santa Catarina São modalidades de vigilância eletrônica. o advogado poderá fazer perguntas. A captação de conversações ambientais encontra-se prevista no inciso IV. 9296/96. em face do princípio do contraditório consagrado pela Constituição Federal de 1988. considerando que o rol de provas elencado no Código de Processo Penal Brasileiro é apenas exemplificativo. ) Interceptação telefônica e gravação telefônica são sinônimos. armas e outros dados importantes. Este inciso foi acrescentado pela Lei Federal n. ( ( ( ( ( 88 . para que sejam feitas perguntas dirigidas aos autores.

Responda à seguinte questão: Indivíduo ameaçado de morte por telefone e grava esta ameaça. este realiza gravação telefônica ou interceptação telefônica? Por quê? Justifique sua resposta.” Disponível em: http://direitonetcombr/artigos/x/24/32/2432 Unidade 4 89 .Criminalistica e Investigação Criminal 2. durante uma conversação. Saiba mais Para aprofundar seus conhecimentos leia o: Artigo: “Violação da intimidade por intermédio de interceptação telefônica. escuta telefônica e gravação clandestina-prova-sua validade na persecução criminal.

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seu conceito e sua evolução histórica.UNIDADE 5 Limites da Investigação Criminal Objetivos de aprendizagem Conhecer a prova criminal. Relacionar a prova às manifestações e aos princípios constitucionais de garantia dos direitos fundamentais. 5 Seções de estudo Seção 1 Sobre as provas: história e garantias constitucionais .

de ordem material e processual. sua história e como elas se inserem no ordenamento jurídico brasileiro e concebidas no âmbito dos direitos e princípios constitucionais. Vamos lá ? Comecemos. Assegura. da liberdade espiritual. de dados e telefônicas. Nesse sentido. o direito à vida. tida como garantista. com um pouco de história. 92 . à liberdade. instituiu diversos direitos individuais ao cidadão que devem ser respeitados e acabam por limitar a atuação policial investigativa na busca da prova. Como você já teve a oportunidade de ver. à igualdade. Também outras normas infraconstitucionais elencam direitos individuais. do sigilo da correspondência e das comunicações telegráficas. dentre outros. a garantia da inadmissibilidade das provas obtidas por meios ilícitos e o direito à não produzir prova contra si próprio. mediante a obtenção de provas criminais. Todos devem ser considerados na investigação criminal. à privacidade. bem como garante as inviolabilidades da manifestação do pensamento. Nesta unidade você terá a oportunidade de estudar sobre as provas. artística e científica. à integridade física e moral. do domicílio. ainda. à honra e imagem.Universidade do Sul de Santa Catarina Para início de estudo Para a manutenção de um Estado Democrático de Direito é necessário que a atividade estatal seja limitada por direitos e garantias individuais. A Constituição da República explicita. da expressão intelectual. então. a Constituição Federal de 1988. a investigação policial almeja a apuração da materialidade e autoria dos crimes.

Apenas com os ideais iluministas da Revolução Francesa. o qual não possuía direitos e garantias limitadores do poder estatal. em que a confissão era mais valorada do que as demais provas. instrumento por meio do qual se forma a convicção do juiz a respeito da ocorrência ou inocorrência dos fatos controvertidos no processo. Desconhecendo o princípio da presunção de inocência. as provas não eram reunidas para apurar uma possível culpabilidade do réu. sendo que esta era constituída de cada um dos elementos que permitiam reconhecer um culpado. A prova.Criminalistica e Investigação Criminal SEÇÃO 1 . Contrapondo-se ao sistema das provas legas. sempre foi influenciada pelo contexto histórico. com a criação dos Tribunais da Inquisição. concedendo total Unidade 5 93 . os valores do homem considerado em sua individualidade passaram a serem observados. em que o interesse do Estado estava acima do indivíduo. quando a religião era o valor supremo das organizações e desconheciam-se os direitos fundamentais. a tortura era oficialmente aceita como meio de Prova necessário para a obtenção da confissão? Utilizava-se o sistema das provas legais. Prevalecia a concepção organicista da sociedade. instituiriam-se as ordálias e os juramentos. encontrando limites expressos constitucional e infraconstitucionalmente. meios de prova que outorgavam a Deus a capacidade de condenar ou absolver os indivíduos? Que no final da Idade Média e grande período da Idade Moderna. Você sabia? Que durante a Antigüidade e parte da Idade Média.Sobre as provas: história e garantias constitucionais Num Estado Democrático de Direito a busca pela prova na investigação policial não é absoluta. criou-se o sistema da íntima convicção. social e cultural da civilização.

Posteriormente. proclamaram diversos direitos fundamentais. dispensando-os de motivar suas decisões. no Estado Democrático brasileiro. como meio para salvaguardar direitos fundamentais. e outros textos internacionais sobre Direitos humanos. também. dentre elas. inclusive no que concerne à produção da prova na investigação e no processo penal. adotado pelo Código Processual Penal Brasileiro. A busca pela verdade na investigação e no processo criminal passou a sofrer limitações consubstanciadas nas liberdades públicas. muitos deles consagrados pela Constituição Federal de 1988. os princípios e regras insertos. através do sistema da persuasão racional. desde que o faça motivadamente e obedeça à Constituição da República e demais textos legais. surgiu o sistema da persuasão racional ou livre convicção. 94 . de 1789. Estes direitos e garantias consubstanciam-se em limites à atividade estatal. A Declaração Universal dos Direitos do Homem. que passa a ser concebido não apenas como instrumento para persecução penal. mas. a presunção de inocência do acusado e o direito ao contraditório. não há hierarquia entre as provas e o juiz pode decidir de acordo com a sua consciência. a proibição legal da tortura. O homem passou a ser respeitado enquanto sujeito de direitos e garantias. opondo-se ao subjetivismo da íntima convicção do juiz. na Constituição da República atuam como norteadores da fase policial e do processo penal. explicita ou implicitamente. Neste contexto. Como você pode ver.Universidade do Sul de Santa Catarina liberdade aos juízes na apreciação da Prova. pelo qual a motivação das decisões judiciais tornou-se verdadeira garantia individual.

também chamados de liberdades públicas. mas no enfoque de sua inserção na sociedade.. Unidade 5 95 .. como sendo (. que se justificam. provas ilícitas e ilegítimas. sintetizam Grinover. tanto os Direitos como as suas limitações. transferiu do Direito natural ao Direito positivo. segundo a moderna doutrina constitucional. são ilegais. após o liberalismo. que se colocam como limites à atividade investigativa policial. Scarance e Gomes Filho: (. Ambas. De tal modo que não é mais exclusivamente com relação ao indivíduo. et all. SILVA. conceituadas por Grinover. através de quaisquer meios de provas. Nesta linha de pensamento. não podem ser entendidos em sentido absoluto. 1999:113). o processo penal é o instrumento no qual se desenvolve a instrução probatória. p.. Liberdades fundamentais e liberdades públicas são também expressões usadas para exprimir Direitos Fundamentais (cf. em face da natural restrição resultante do Princípio da convivência das liberdades. é tida como ilícita. pelo que não se permite que qualquer delas seja exercida de modo danoso à ordem pública e às liberdades públicas.. tais como os princípios constitucionais. Legislativo e Judiciário cabem respeitar os direitos fundamentais. pelos direitos e garantias individuais. Curso de Direito Constitucional Positivo. verifica-se que a atuação da Polícia em um Estado Democrático de Direito é limitada. também. As grandes linhas evolutivas dos Direitos Fundamentais.181) Efetivamente. Quando a prova ofende preceitos de ordem processual é chamada ilegítima. José Afonso da. desde que não ofendam os direitos fundamentais.Criminalistica e Investigação Criminal Quando a prova viola normas de direito material. no Estado social de Direito. Acerca deste tema.) os Direitos do homem. (GRINOVER: 1992:15).) os Direitos do homem que o Estado. Aos Poderes Executivo. através de sua consagração. (GRINOVER. acentuaram a transformação dos Direitos individuais em Direitos do homem inserido na sociedade. 1999.

honra e imagem das pessoas. de dados e telefônicas. de dados e das comunicações telefônicas. garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do Direito à vida. Assegura ainda. sem distinção de qualquer natureza. VI – é inviolável a liberdade de consciência e de crença. vida privada. artística. durante o dia. na forma da lei. a proteção aos locais de culto e a suas liturgias. sendo assegurado o livre exercício dos cultos religiosos e garantida. XII – é inviolável o sigilo da correspondência e das comunicações telegráficas. da publicidade dos atos processuais. as seguintes garantias. salvo em caso de flagrante delito ou desastre. ou . da Constituição da República: “Todos são iguais perante a lei. intimidade. No contexto desta discussão.. ninguém nela podendo penetrar sem consentimento do morador. bem como às inviolabilidades da manifestação do pensamento. 96 . à liberdade. do domicílio. da expressão intelectual. a autora adotou como sinônimas as expressões ‘Direito à intimidade” e “ Direito à Privacidade”. Relembre o que diz o artigo 5º. à segurança e à propriedade.Universidade do Sul de Santa Catarina A utilização das provas e os direitos fundamentais A Constituição da República explicita as garantias concernentes à vida. do interrogado reservar-se no direito de permanecer calado. salvo. XI. da liberdade espiritual. do sigilo da correspondência e das comunicações telegráficas. X – são invioláveis a intimidade. IX – é livre a expressão da atividade intelectual. no último caso. sendo vedado o anonimato. científica e de comunicação. IV – é livre a manifestação do pensamento. assegurado o Direito à indenização pelo dano material ou moral decorrente de sua violação. as Provas obtidas por meios ilícitos. a vida privada. integridade física e moral. LVI – são inadmissíveis. nas hipóteses e na forma que a lei estabelecer para fins de investigação criminal ou instrução processual penal. LX – a lei só poderá restringir a publicidade dos atos processuais quando a defesa da intimidade ou o interesse social o exigirem. à igualdade.a casa é asilo inviolável do indivíduo. nos termos seguintes: (. ou para prestar socorro. propriedade. no processo. artística e científica. segurança. igualdade. a honra e a imagem das pessoas. por determinação judicial. liberdade. independentemente de censura ou licença. dentre outras: da inadmissibilidade das provas obtidas por meios ilícitos. por ordem judicial.) incisos III – ninguém será submetido a tortura nem a tratamento desumano ou degradante.

é a violação do Direito à não auto-incriminação e à liberdade pessoal. ou para prestar socorro. 9455. Unidade 5 Constituição da República. a sua negativa não presume a veracidade do fato que se quer provar. da mesma forma. 5º. entre os quais o de permanecer calado. ninguém nela podendo penetrar. Faz-se importante lembrar que. artigo 5º. também deve ter assegurado o seu Direito a não fornecer Provas incriminadoras contra si mesmo. Também a tortura está proibida em diversas declarações internacionais. qualquer tipo de violação à integridade física e psíquica do acusado. Constituição da República. (GOMES FILHO. 1997:119). sendo-lhe assegurada a assistência da família e de advogado”. por ordem judicial. mencionados anteriormente. 97 . não são aceitas pelo ordenamento brasileiro. enquanto fundamentais. salvo em caso de flagrante delito ou desastre. ainda que mínimas. ou. é vedado constranger o suspeito a fornecer provas que prejudiquem a sua defesa. inclusive na Convenção Americana sobre Direitos Humanos. afirma Gomes Filho (1997). trata-se de crime inafiançável e insuscetível de graça ou anistia. O crime de tortura encontra-se tipificado na Lei n. ou. ainda que com o consentimento do interrogado. tais como o detector de mentiras.Criminalistica e Investigação Criminal LXIII – o preso será informado de seus Direitos. A garantia constitucional da inviolabilidade do domicílio excepciona apenas a entrada. durante o dia.)”.. de 1969. durante o dia.. sem consentimento do morador. bem como a utilização de meios que afetem a liberdade de declaração. No Brasil. sem a anuência daquele. tais como exames de sangue e testes de alcoolemia. a narcoanálise. art. garantindo a privacidade do cidadão. de 1966. O Direito à Prova não vai ao ponto de conferir a uma das partes no processo prerrogativas sobre o próprio corpo e a liberdade de escolha da outra. (SILVA. de 07 de abril de 1997. (. sem consentimento do morador. são vedados pelo nosso sistema legal.) o que se deve contestar em relação a essa intervenções. e no Pacto Internacional sobre os Direitos Civis e Políticos.. por determinação judicial. em caso de flagrante delito ou desastre. Acerca deste tema. inciso XLIII – “a lei considerará crimes inafiançáveis e insuscetíveis de graça ou anistia a prática da tortura (.. posto que tais direitos. razão pela qual as intervenções corporais. XI – “a casa é asilo inviolável do indivíduo. a intimidade e a dignidade pessoal do acusado. o hipnose. são irrenunciáveis. Em face da garantia constitucional da presunção de inocência. Desta forma. 1999: 185). ou para prestar socorro. pois se ninguém pode ser obrigado a declarar-se culpado.

MENDES.. a interceptação da correspondência e/ou das comunicações telegráficas e de dados. defende-se que nenhuma liberdade individual é absoluta. para a defesa de seu direito. Constituição da República.. XII – “é inviolável o sigilo da correspondência e das comunicações telegráficas. e que.Universidade do Sul de Santa Catarina Como já visto. 47: Para os efeitos desta Lei. no último caso. por ordem judicial. de dados e telefônicas. são adotadas as seguintes definições: (. no último caso. Desconsiderando-se a discussão doutrinária acerca da expressão “último caso” incidir exclusivamente sobre as comunicações telefônicas ou abranger as comunicações telegráficas. salvo. pela leitura do inciso XII do artigo 5º da Constituição da República. O que diz o Supremo Tribunal Federal sobre isso? Lei n. cf. por meio de carta. portanto. a inviolabilidade do sigilo da correspondência e das comunicações telegráficas. de disciplina prisional ou de preservação da ordem jurídica. sendo absoluto.) Correspondência: É toda comunicação de pessoa a pessoa. p. 5º. ainda. art. através da via postal ou telegráfica. embasado na visão sistêmica do ordenamento jurídico. O Código de Processo Penal prevê que as cartas poderão ser exibidas em juízo pelo respectivo destinatário. de dados e das comunicações telefônicas. a Constituição da República garantiu. 98 . nas hipóteses e na forma que a lei estabelecer para fins de investigação criminal ou instrução processual penal. art. nas hipóteses e na forma em que a lei estabelecer para fins de investigação criminal ou instrução processual penal. com fundamento em razões de segurança pública. salvo. defende-se a análise gramatical deste inciso e advoga-se que o sigilo da correspondência e/ou das comunicações telegráficas e de dados não comporta exceções. devemos concluir que. ou. de correspondência que seria remetida por preso.173-174. é possível. pela administração penitenciária. Maria Gilmaíse de Oliveira. 6538/78. respeitados certos parâmetros. Direito à Intimidade e Interceptação Telefônica. de dados e das comunicações telefônicas. por ordem judicial. 1999. O Supremo Tribunal Federal já decidiu favoravelmente à possibilidade da interceptação. Desta forma. verifica-se que o sigilo da correspondência não atinge nenhuma das duas interpretações.

§ 2o Nas hipóteses do § 1o. 233: “As cartas particulares. o requerimento de quebra de sigilo independe da existência de processo judicial em curso. não serão admitidas em juízo”. pela Comissão de Valores Mobiliários e pelas instituições financeiras as informações ordenadas pelo Poder Judiciário. § único: “As cartas poderão ser exibidas em juízo pelo respectivo destinatário. interceptadas ou obtidas por meios criminosos. os artigos 3º e 4º da Lei Complementar 105/2001. ou que tenha relação com as atribuições do cargo em que se encontre investido. preservado o seu caráter sigiloso mediante acesso restrito às partes. que delas não poderão servir-se para fins estranhos à lide. para a defesa de seu Direito. Unidade 5 99 . 3º da Lei Complementar 105/2001 No que se refere ao sigilo bancário.Criminalistica e Investigação Criminal Código de Processo Penal. § 1o Dependem de prévia autorização do Poder Judiciário a prestação de informações e o fornecimento de documentos sigilosos solicitados por comissão de inquérito administrativo destinada a apurar responsabilidade de servidor público por infração praticada no exercício de suas atribuições. permite a violação do sigilo bancário por decisão judicial ou por determinação de comissão parlamentar de inquérito. O Art. Veja o que diz o artigo: “Serão prestadas pelo Banco Central do Brasil. que dispõe sobre o sigilo das operações de instituições financeiras e dá outras providências. art. A inviolabilidade do sigilo de dados complementa a previsão ao direito à intimidade e abrange as informações bancárias e fiscais dos cidadãos. § 3o Além dos casos previstos neste artigo o Banco Central do Brasil e a Comissão de Valores Mobiliários fornecerão à Advocacia-Geral da União as informações e os documentos necessários à defesa da União nas ações em que seja parte”. ainda que não haja consentimento do signatário.

.. para qualquer fim. § 2o As solicitações de que trata este artigo deverão ser previamente aprovadas pelo Plenário da Câmara dos Deputados. os casos previstos no artigo seguinte e os de requisição regular da autoridade judiciária no interesse da Justiça”. do Senado Federal. Também o sigilo fiscal pode ser excepcionado por ordem judicial ou determinação de comissão parlamentar de inquérito. 100 . art. obtida em razão do ofício. 58. 198: “Sem prejuízo do disposto na legislação criminal. § 3º : “As comissões parlamentares de inquérito. art. Código Tributário Nacional. nas áreas de suas atribuições. além de outros previstos nos regimentos das respectivas Casas. sobre a situação econômica ou financeira dos sujeitos passivos ou de terceiros e sobre a natureza e o estado dos seus negócios ou atividades. diretamente das instituições financeiras. e as instituições financeiras fornecerão ao Poder Legislativo Federal as informações e os documentos sigilosos que.).Universidade do Sul de Santa Catarina Art. no exercício de sua competência constitucional e legal de ampla investigação. § 1o As comissões parlamentares de inquérito. 4o da Lei Complementar 105/2001: “ O Banco Central do Brasil e a Comissão de Valores Mobiliários. fundamentadamente. obterão as informações e documentos sigilosos de que necessitarem. unicamente. por parte da Fazenda Pública ou de seus funcionários. Constituição Federal. se fizerem necessários ao exercício de suas respectivas competências constitucionais e legais. ou do plenário de suas respectivas comissões parlamentares de inquérito” . é vedada a divulgação. serão criadas pela Câmara de Deputados e pelo Senado Federal (. ou por intermédio do Banco Central do Brasil ou da Comissão de Valores Mobiliários. de qualquer informação. Parágrafo único: Excetuam-se do disposto neste artigo. que terão poderes de investigação próprios das autoridades judiciais.

com o conhecimento dos últimos. 1ª Turma. Unidade 5 101 . aceitando-se a gravação.. será possível a interceptação para prova em investigação criminal e em instrução processual penal. Quando feita por um dos interlocutores. A Lei 9296/96 e seus Reflexos Penais e Processuais. Octavio Gallotti . As Interceptações Telefônicas e os Direitos Fundamentais. STRECK. Licitude desse meio de prova. 2. como prova lícita.Rel.. Interceptação telefônica Como já foi mencionado. há diferenciação entre esta e gravação telefônica. O entendimento doutrinário e jurisprudencial majoritário é no sentido de dar à gravação.678. telefônica ou ambiental. 10. por um dos interlocutores. DJU em 22.08.1997 . e que portanto. alegando que o fluxo de comunicações em sistema de informática e telemática são variantes da modalidade comunicações telefônicas. HC 75261 – MG – 1ª Turma . Conceituando a informática como a prática de comunicações via computador e a telemática como a ciência que trata da manipulação e utilização da informação através do uso combinado do computador e meios de comunicação. 42-44.97)..97. em 24. de um lado.06. § único: “O disposto nesta Lei aplicase à interceptação do fluxo de comunicações em sistemas de informática e telemática”. a captação é chamada gravação de conversa telefônica. tratamento diferenciado da interceptação.). Lenio Luiz. artigo 1º. sendo o caso. p. (. Min. Precedente do STF: (HC 74. recipiendários das ligações. Constituição – Cidadania – Violência.9296/96 (Lei n.06.) estende a sua abrangência à interceptação do fluxo de comunicações em sistemas de informática e telemática. (STF -1ª Turma. Existe discrepância doutrinária acerca da constitucionalidade deste dispositivo. de outro.p. 9296/96. e policiais e parentes da vítima. este autor entende que o veículo de tais variantes é o telefone. Streck não vislubra qualquer inconstitucionalidade neste artigo. Este é o entendimento pacífico do Supremo Tribunal Federal: Interceptação telefônica e gravação de negociações entabuladas entre seqüestradores.Criminalistica e Investigação Criminal Neste sentido faz-se importante realizar uma breve análise sobre as interceptações telefônicas. O parágrafo único do artigo 1º da Lei n. j.

DJSC em 26. parágrafo único). bancários. Leia atentamente mandado de segurança a seguir: 102 . a despeito de sua magnitude constitucional. já decidiram pela constitucionalidade das interceptações dos sistemas de informática e telemática. 119 Ainda. Otávio Roberto Pamplona – p.Universidade do Sul de Santa Catarina De outro lado. Habeas-corpus denegado”. Este autor entendendo que tal expressão limita-se às comunicações telefônicas.2002. bem como ao sigilo de dados. CONSTITUCIONAL – PROCESSUAL PENAL – HABEAS-CORPUS – SIGILO DE DADOS – QUEBRA – BUSCA E APREENSÃO – INDÍCIOS DE CRIME – INVESTIGAÇÃO CRIMINAL – LEGALIDADE – CF. 251 – (17096) – Blumenau – Rel. A jurisprudência pretoriana é unissonante na afirmação de que o direito ao sigilo bancário. DJU em 04. decisão do Tribunal de Justiça de Santa Catarina com relação à prova.296/96 – Embora a Carta Magna. por ordem judicial. XII). Vicente Leal – p.9. – Rel. ART. como o Superior Tribunal e Justiça e o Tribunal de Justiça de Santa Catarina.034/95.11.10.034/95 e nº 9. 1º. em sede de persecução criminal. 2º. Nesse sentido.296/96.2002 TJSC – MS . STJ – HC 15026 – SC – 6ª T. Min. documentos e informações fiscais. não é um direito absoluto. mediante autorização judicial. “o acesso a dados. no capítulo das franquias democráticas ponha em destaque o direito à privacidade. DJU em 04. Min. Vicente Leal –p. A legislação integrativa do canon constitucional autoriza.. 5º. prevista no inciso XII do artigo 5º da Constituição Federal. contém expressa ressalva para admitir a quebra do sigilo para fins de investigação criminal ou instrução processual penal (art. art. Des. concebe que esta questão está centrada na interpretação que se dá à expressão “último caso”. bem como “ a interceptação do fluxo de comunicações em sistema de informática e telemática” (Lei nº 9. excluindo as comunicações telegráficas e de dados.2001 – p. e vislumbra os sistemas de informática e telemática como variantes das comunicações de dados.. – Rel. Greco Filho (1996). cedendo espaço quando presente em maior dimensão o interesse público. XII – Leis nº. Outros Tribunais. considera inconstitucional o dispositivo sob comento. 5º. art. financeiras e eleitorais” (Lei nº 9.11. III). STJ – HC 15026 – SC – 6ª T.

há de ser deflagrada com cautela. restrições de prova relacionadas ao estado civil das pessoas. em relação às quais é pacífico que cabe a quebra do sigilo por determinação judicial. quando esta deixar vestígios. apenas alguns limites materiais à prova. XII. 2º da Lei nº 9. de dados ou de comunicações telefônicas preconizado pelo art. ante a regra inserta no inciso III do art. Unidade 5 103 . existem limitações probatórias previstas no Código de Processo Penal. DJSC em 26. equiparou-as às comunicações telefônicas. 119). para a análise do caso não há a necessidade de se perquirir sobre a constitucionalidade da equiparação. em razão de função. ou profissão. ofício. A matéria é objeto da ADIN nº 1. devam guardar segredo.296/1996.(TJSC – MS. ainda que constitucional. de 1996. devendo o magistrado verificar se estão presentes os pressupostos legais para o deferimento da medida e. a impossibilidade de condenação embasada exclusivamente na confissão do acusado. mas do periculum in mora. estão compreendidas no sigilo de correspondência. Des. 1º. via correio eletrônico (e-mail). em regra. em caráter exemplificativo. Na espécie.Criminalistica e Investigação Criminal MANDADO DE SEGURANÇA – DECISÃO MONOCRÁTICA – QUEBRA DE SIGILO DE CORREIOS ELETRÔNICOS (E-MAIL) – ART. Foram sucintamente mencionados neste item. Podemos citar: a obrigatoriedade da prova pericial para a constatação da materialidade da infração penal. seguir o procedimento fixado na Lei nº 9. proibição de depor como testemunhas as pessoas que. A Lei nº 9. não por ausência do fumus boni iuris. no caso de desaparecimento destes vestígios. 5º.256/1996. que ensejam muita discussão doutrinária e jurisprudencial.2001 – p. XII. da Constituição Federal. sendo as infrações investigadas punidas. no máximo. na qual foi indeferida a medida liminar. 5º. Segurança concedida. com possibilidade de suprimento pela prova testemunhal. DA CONSTITUIÇÃO FEDERAL – CORRESPONDÊNCIA – SISTEMA DE INFORMÁTICA E TELEMÁTICA – INCLUSÃO NO CONCEITO – Há controvérsia se as comunicações em sistema de informática/telemática.296. disso dependendo a licitude ou ilicitude da medida. No caso. em caso positivo. necessidade. Limitações probatórias Além dos preceitos limitativos de ordem material. descabe a quebra do sigilo. porque representa exceção à garantia constitucional prevista no preceito referido.499-9. todavia. estando pendente de julgamento. 251 – (17096) – Blumenau – Rel. Otávio Roberto Pamplona – p. dos laudos periciais serem lavrados por dois peritos oficiais. ministério. É que a interceptação do fluxo de tais comunicações (informática e telemática). com a pena de detenção.10. no parágrafo único do seu art.

a Prova testemunhal poderá suprir-lhe a falta”. 158 – “Quando a infração deixar vestígios. 155 – “No juízo penal. 104 . art. quiserem dar o seu testemunho”. não podendo supri-lo a confissão do acusado”. direto ou indireto. art. e depois de ouvido o Ministério Público. desobrigadas pela parte interessada. somente quando ao estado das pessoas. art. 62 – “No caso de morte do acusado. art.Universidade do Sul de Santa Catarina Código de Processo Penal. devam guardar segredo. caput –“Os exames de corpo de delito e as outras perícias serão feitos por dois peritos oficiais”. art. o juiz somente à vista da certidão de óbito. ofício ou profissão. em razão de função. perceba que a produção da prova criminal encontra-se limitada por preceitos insculpidos na Constituição da República. e demais textos legais que. Portanto. ministério. 167 – “Não sendo possível o exame de corpo de delito. 159. quando violados. Código de Processo Penal. conferem ilegalidade à prova. 207 – “São proibidas de depor as pessoas que. salvo se. declarará extinta e punibilidade”. será indispensável o exame de corpo de delito. por haverem desaparecido os vestígios. serão observadas as restrições à Prova estabelecidas na lei civil”. art.

. dentre elas. e grande período da Idade Moderna. Utilizava-se o sistema das provas legais. em que o interesse do Estado estava acima do indivíduo. criou-se o sistema da íntima convicção. A busca pela verdade no processo passou a sofrer limitações consubstanciadas nas liberdades públicas. instituíram-se as ordálias e os juramentos. Contrapondo-se ao sistema das provas legas. os valores do homem considerado em sua individualidade passaram a ser observados. Desconhecendo o princípio da presunção de inocência. concedendo total liberdade aos juízes na apreciação da prova. No final da Idade Média. com a criação dos tribunais da inquisição. o qual não possuía direitos e garantias limitadores do poder estatal. e parte da Idade Média. objeto da investigação policial. surgiu o sistema da persuasão racional ou livre convicção. a presunção de inocência do acusado e o Direito ao contraditório. sendo que esta era constituída de cada um dos elementos que permitiam reconhecer um culpado. em que a confissão era mais valorada do que as demais provas. sempre foi influenciada pelo contexto histórico. Durante a Antigüidade. quando a religião era o valor supremo das organizações e desconheciamse os direitos fundamentais. O homem passou a ser respeitado enquanto sujeito de direitos e garantias. social e cultural da civilização. a tortura era oficialmente aceita como meio de Prova necessário para a obtenção da confissão. Unidade 5 105 .Criminalistica e Investigação Criminal Síntese A prova criminal. Apenas com os ideais iluministas da Revolução Francesa. Prevalecia a concepção organicista da sociedade. meios de prova que outorgavam a Deus a capacidade de condenar ou absolver os indivíduos. opondo-se ao subjetivismo da íntima convicção do juiz. Posteriormente. as provas não eram reunidas para apurar uma possível culpabilidade do réu. a proibição legal da tortura. dispensando-os de motivar suas decisões.

e outros textos internacionais sobre direitos humanos proclamaram diversos direitos fundamentais. à privacidade. Estes direitos e garantias consubstanciam-se em limites à atividade estatal. explicita ou implicitamente. à igualdade.Universidade do Sul de Santa Catarina pelo qual a motivação das decisões judiciais tornou-se verdadeira garantia individual. além da responsabilidade penal e administrativa a quem produziu a prova está sujeito. de dados e telefônicas. no Estado Democrático Brasileiro os princípios insertos. A Declaração Universal dos Direitos do Homem. na Constituição da República atuam como norteadores do processo penal. Neste contexto. e passa a não ter qualquer valor para embasar uma sentença. mas também como meio para salvaguardar direitos fundamentais. dentre outros. artística e científica. a garantia da inadmissibilidade das provas obtidas por meios ilícitos. A Constituição da República explicita. Através do sistema da persuasão racional. à integridade física e moral. não há hierarquia entre as provas e o juiz pode decidir de acordo com a sua consciência. do domicílio. do sigilo da correspondência e das comunicações telegráficas. que passa a ser concebido não apenas como instrumento para persecução penal. à honra e imagem. desde que o faça motivadamente e obedeça à Constituição da República e demais textos legais. Todos estes direitos e garantias limitam a atividade policial investigativa. à liberdade. da liberdade espiritual. 106 . o direito à vida. muitos deles consagrados pela Constituição da República. Assegura. posto que ofende norma de direito material. é tida como ilícita. adotado pelo Código Processual Penal Brasileiro. bem como garante as inviolabilidades da manifestação do pensamento. da expressão intelectual. Quando uma prova é produzida com ofensa a algum destes direitos e garantias. inclusive no que concerne à produção da prova no processo penal. ainda. de 1789.

ainda que sem ordem judicial. mesmo sem a sua anuência? Em caso negativo. sem ordem judicial. Unidade 5 107 . é prova lícita.Criminalistica e Investigação Criminal Atividades de auto-avaliação Assinale verdadeiro ou falso: ( ) Exames de sangue e testes de alcoolemia podem ser realizados no suspeito mesmo que sem a sua anuência. sem consentimento do morador. constitui prova lícita. ) O registro dos arquivos extraídos da memória de computador. ) Captação de conversa ambiental por um dos interlocutores. expondo a dano potencial a incolumidade de outrem. é possível comprovar a embriaguez constrangendo o condutor a realizar o teste do bafômetro. previsto no artigo 306. fundamente e informe que outros meios de prova poderiam ser utilizados para tanto. ) É permitida a entrada da Polícia em domicílio. em caso de flagrante delito ou desastre. do Código de Trânsito Brasileiro. Responda à seguinte questão: Para comprovar um crime de trânsito. ou para prestar socorro. objeto de exclusiva apreensão mediante entrada em residência. com ordem judicial. sem consentimento do morador. ( ( ( ( 2. ) É permitida a entrada da Polícia em domicílio. durante o dia ou à noite.

htm 108 .neofito.Universidade do Sul de Santa Catarina Saiba mais Para ampliar seus conhecimentos sobre o assunto tratado leia: Texto: Da prova ilegal no processo penal http://www.com.br/artigos/art02/ppenal50.

da atuação estatal nesta área. o tema segurança pública vem sendo objeto de maior atenção pela sociedade e pelo Estado. aluno. São exorbitantes os gastos públicos gerados em decorrência da atividade delitiva e é negativa a visão. emprego. A par da discussão acerca da omissão do poder estatal em programas que tenham como foco a prevenção. moradia. que por interesses profissionais e/ou pessoais.Para concluir o estudo Este livro teve por finalidade estudar os temas Criminalística e Investigação Criminal. Profa. Estes são apenas alguns dos motivos pelos quais a segurança pública vem sendo objeto de preocupação pelo poder público. considere esta disciplina como o ponto de partida para o estudo aprofundado e permanente da investigação policial. saúde. é certa a necessidade perene da atividade policial em qualquer organização social atual. a busca pela prova criminal está em constante mutação. Maria Carolina . Com as alterações e criações de leis. com a rotatividade dos profissionais que atuam direta ou indiretamente na atividade investigativa policial. com a especialização das perícias. considerando que a função repressiva sempre terá de existir. tais como educação. Os crescentes índices de criminalidade verificados no País e as deficiências estatais no combate ao crime é um tema no qual a sociedade está cada vez mais preocupada. pela sociedade. Espero que você. está realizando este curso. Na atualidade. uma vez que a atinge diretamente.

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Dos Delitos e das Penas. COTRIN. 448 p. José Joaquim Gomes. História e Consciência do Mundo.1988. SILVA. n. São Paulo: Saraiva. Fustel de. Coimbra: Livraria Almedina. 310 p.120 p. 12 ed. 97. São Paulo: Edipro. 3 ed. Rio de Janeiro: Campus. Revista Informativa Legislativa. Antônio Carlos de Araújo. Francisco da Silveira. Dicionário Escolar da Língua Portuguesa. 5 ed. Maria Regina Caffaro. 217 p. COLUCCI. Maria da Glória Lins da Silva. Jan/mar. Ministério da Educação e Cultura. Direito Constitucional e Teoria da Constituição. Tradução de Jonas Camargo Leite e Eduardo Fonseca.Norberto. 1992. Brasília.1993. p. A Era dos Direitos. Tradução de Flório De Angelis. 1996.267 COULANGE. Curso de Processo Penal. Provas Ilícitas no Processo Penal. DINAMARCO. 1394p. Título original: Dei Delitti e Delle Penne BOBBIO. São Paulo: Malheiros Editores. CAPEZ.237-250. . Cândido Rangel. 6. Cesare. São Paulo: Saraiva. CANOTILHO. 8 ed. p. 2002. 1997. São Paulo: Hermus Ed. Ano 25. CINTRA. Ada Pelegrini. GRINOVER. ed. Título original: L´eta dei Diritti BUENO. 348 p.Referências BECCARIA. 1999. Gilberto. Tradução de Carlos Nelson Coutinho. 19 ed. 1414p. A Cidade Antiga. Teoria Geral do Processo. 1977. 2003. Fernando. Título original: La Cite Antique.

São Paulo: Saraiva. ISMAR ESTULANO. GRINOVER. ESPINDULA. Goiânia: AB Editora. Jesus. Local de Crime. GRINOVER. Manual de Documentoscopia Jurídica. 16p. 18 ed. Alberi. 183p GRECO FILHO. São Paulo: Saraiva. 1982. 2002. 9 ed. ENCICLOPÉDIA Saraiva de direito. 2. Giovanni Cardoso. Liberdades Públicas e Processo Penal. Serviço Gráfico da Secretaria de Segurança Pública de São Paulo. 267 p. KEDHY. . Porto Alegre: Sagra Luzzatto. São Paulo: Saraiva. Código de Processo Penal Anotado. 2001. Polícia Comunitária. 1996.Procedimento Policial. 2002. 60 p. Alberi. de 24 de julho de 1996-. As Nulidades no Processo Penal. GARCIA. Exames Periciais e Investigação Criminal. José. Antônio Scarance. Código de Processo Penal Anotado. Antônio Magalhães. MARCINEIRO. ESPÍNDULA. 5 ed. Evoluindo para a Polícia do Século XXI. São Paulo: Editora Universitária de Direito. Ada Pellegrini. 103p. 2002. 1996. GOMES FILHO. 1963. 485p. Nazareno e PACHECO. 287 p. FERNANDES. São Paulo: Revista dos Tribunais.157. Inquérito . Manual de Locais de Crime. Vicente. 1997. Carlos. Antônio Magalhães. Perícia Criminal e Cível. 2002. 9296. Ada Pellegrini. ed. São Paulo: Malheiros. Direito à Prova no Processo Penal.DAMÁSIO. Isolamento e Preservação. Brasília: Alberi Espindula. 946p. 343p. JESUS. GOMES FILHO. 2002.1982. 1997. p. Damásio E. DEL PICCHIA FILHO. Interceptação TelefônicaConsiderações sobre a Lei n. Florianópolis: Editora Insular. Colaboradores Antonio Mestre Junior et al. São Paulo: Saraiva. São Paulo: RT.

PASOLD. 4. 1999. Contribuição à Prática da Polícia Judiciária. 851p. SILVA. 5 edição. A Inquisição. José Afonso da. Maria Gilmaíse de Oliveira. 1970. 275p. 204p. São Paulo: Saraiva. 1997.MENDES. NOVINSKY. 871p. La Situacion Del Derecho Penal em Los Siglos XVI y XVII. Gregório PecesBarba et al. Gilberto da Silva. 1265 p. III J-P. Porto Alegre: Livraria do Advogado. Lenio Luiz. 8 ed. SILVA. A Lei 9296/96 e seus Reflexos Penais e Processuais. São Paulo: Malheiros. THOMÉ. Manuel Segura. Prática da Pesquisa Jurídica . As Interceptações Telefônicas e os Direitos Fundamentais. Dykinson.Idéias e Ferramentas Úteis para o Pesquisador do Direito-. Charles de Secondat. 2001. 243p. Cesar Luiz. São Paulo: Martrins Fontes. 5 ed. 1 vol. Ricardo Lemos. Belo Horizonte: Mandamentos. São Paulo. Código de Processo Penal Comentado. 666p. In: MARTINÉZ. Max Limonad. 2. Vocabulário Jurídico.. 1996. O Espírito das Leis. Fernando da Costa. Direito à Intimidade e Interceptação Telefônica. Curso de Direito Constitucional Positivo. 96 p. Madrid. MONTESQUIEU. 113 . 110p. STRECK. Título original: De L´´Esprit dês Lois. 1 v. História de Los Derechos Fundamentales. Florianópolis: Editora do Autor. S. 512 p. Anita Waingort. De Plácido e. Tradução de Cristina Murachco. 2003. Prova Judiciária no Cível e Comercial. Moacyr Amaral dos.ed. São Paulo: Brasiliense. 1999. Florianópolis: OAB/SC Editora. Tomo I. SANTOS. 875 p. 1997. Escola de Polícia de São Paulo. 1982. Baron de. 1998. Rio de Janeiro: Forense. Constituição – Cidadania – Violência. TOURINHO FILHO. 1960. 16 ed. 1978. ORTEGA.ed.L. PORTO. Manual da Criminalística.

273 p. Editora Revista dos Tribunais. Problemas Metodológicos na História do Controle Social: o exemplo da tortura. 293 p. SABADELL. Barcelona: Crítica. Ana Lucia. 1998.Universidade do Sul de Santa Catarina SZNICK. 39.266-287. 2002. Tortura. São Paulo: Universitaria de Direito. Francisco Tomás Y. n. La Tortura Judicial en España. Revista Brasileira de Ciências Criminais. VALIENTE. 114 .julho/setembro 2002. p. Valdir. Ano 10.

Sobre a professora conteudista
Maria Carolina Milani Caldas Opilhar é graduada em Administração de Empresas, pela Universidade do Estado de Santa Catarina – UDESC e em Direito, pela Universidade Federal de Santa Catarina – UFSC. Realizou Mestrado em Ciência Jurídica, pela UNIVALI/ SC – Universidade do Vale do Itajaí, com dissertação aprovada em junho de 2004. Possui especialização em Meio-Ambiente e Trânsito, pela Unisul, com monografia aprovada em maio de 2003. Está cursando Pós-Graduação Lato Sensu em Gestão de Segurança Pública, na ACADEPOL - Academia de Polícia Civil de Santa Catarina. É Delegada de Polícia, integrante da Polícia Civil do Estado de Santa Catarina e faz parte do corpo docente da ACADEPOL – Academia de Polícia Civil de Santa Catarina. Atualmente, presta serviços na Delegacia de Polícia de Palhoça, Santa Catarina.

116

Respostas e comentários das atividades de auto-avaliação
Respostas e comentários das questões das unidades do Livro didático

Unidade 1
1) Assinale V ou F (F) Nos crimes que ocorreram mediante disparo de arma de fogo, a apreensão de estojos no local não é importante, posto que não é possível realizar perícia comparativa entre o estojo e a arma de fogo. (V) Nos crimes que ocorreram mediante disparo de arma de fogo, a apreensão de projéteis no local possibilita a realização do laudo de identificação de projéteis e, quando a arma é apreendida, o laudo de comparação balística. (V) O rol de provas elencados no Código de Processo Penal Brasileiro é exemplificativo. (F) O sistema de provas previsto no Código de Processo Penal Brasileiro é o da íntima convicção. (V) A prova testemunhal pode suprir a prova pericial quando a infração penal não deixar vestígios.

e. (F) As Polícias exercem atividades excludentes.Universidade do Sul de Santa Catarina Unidade 2 1) Qual a importância do laudo pericial na investigação criminal? R: O laudo pericial vem sendo percebido como uma das provas cruciais para a investigação. Unidade 3 1) Assinale verdadeiro ou falso: (F) O sistema de provas previsto no Código de Processo Penal Brasileiro é o da íntima convicção. na condição de prova objetiva. é mais difícil de ser refutado. No sistema da livre convicção. adotado pelo Código de Processo Penal Brasileiro. não são hierarquizadas. tal como legítima defesa ou estado de necessidade. muitas vezes no transcorrer da atividade investigativa são coletadas provas em favor da inocência do suspeito. As Polícias investigativas mais avançadas do mundo vêm priorizando a prova pericial. ainda que a verdade demonstre que o suspeito não é o autor do crime. os policiais devem estar voltados prioritariamente à indicar e localizar o autor do crime ou à busca da verdade? R: Em um Estado Democrático de Direito. posto que. (F) O inquérito policial é peça imprescindível para a instauração do processo criminal. 2. Responda à seguinte questão: Na sua percepção. razão pela qual a Polícia Militar é proibida de realizar qualquer tipo de investigação criminal. 118 . ou que o autor agiu embasado em alguma excludente de antijuridicidade. durante o curso de uma investigação. ficando a critério do juiz esta valoração. Dessa forma. o objetivo primordial da investigação deve ser a busca da verdade dos fatos. 2) Que tipo de prova é o laudo pericial? R: O laudo pericial é prova objetiva. científica. científica. portanto. as provas não possuem valor pré-determinado. 3) O laudo pericial é sempre conclusivo? R: O laudo pericial nem sempre é conclusivo.

(V) São modalidades de vigilância eletrônica a captação de conversação ambiental e a interceptação telefônica. 2. o advogado poderá fazer perguntas. este realiza gravação telefônica ou interceptação telefônica? Por quê? R: Realiza gravação telefônica. é importante que eles sejam interrogados conjuntamente. 119 . (F) Interceptação telefônica e gravação telefônica são sinônimos. armas e outros dados importantes. considerando que o rol de provas elencado no Código de Processo Penal Brasileiro é apenas exemplificativo. Responda à seguinte questão: Indivíduo ameaçado de morte por telefone e grava esta ameaça. (F) O detector de mentiras e a hipnose são meios de prova aceitos no ordenamento brasileiro. em face do princípio do contraditório consagrado pela Constituição Federal de 1988.Unidade 4 1) Assinale verdadeiro ou falso: (F) Durante o interrogatório do indiciado. (F) No caso de haver mais de um suspeito. para que sejam feitas perguntas dirigidas aos autores. (F) É necessário que a vítima seja interrompida durante o relato do ocorrido. durante uma conversação. A interceptação necessita de ordem judicial para ser feita e é sempre realizada por um terceiro.

com ordem judicial. durante o dia ou à noite. do Código de Trânsito Brasileiro.Unidade 5 1) Assinale verdadeiro ou falso: (F) Exames de sangue e testes de alcoolemia podem ser realizados no suspeito mesmo que sem a sua anuência. fundamente e informe que outros meios de prova poderiam ser utilizados para tanto. constitui prova lícita. (F) É permitida a entrada da Polícia em domicílio. previsto no artigo 306. ou para prestar socorro. são outros meios de prova que podem demonstrar o estado de embriaguez. ainda que sem ordem judicial. sem consentimento do morador. (V) Captação de conversa ambiental por um dos interlocutores. ninguém pode ser obrigado a produzir prova contra si próprio. previsto no artigo 5º. é prova lícita. em caso de flagrante delito ou desastre. sem o seu consentimento. é possível comprovar a embriaguez constrangendo o condutor a realizar o teste do bafômetro. 2. pelo que não é possível constranger alguém a realizar o bafômetro. R: Em face do direito de que ninguém é obrigado a fazer ou deixar de fazer alguma coisa. sem consentimento do morador. expondo a dano potencial a incolumidade de outrem. 120 . realizado por médicos legistas. mesmo sem a sua anuência? Em caso negativo. senão em virtude de lei. II. Responda à seguinte questão: Para comprovar o crime de trânsito. sem ordem judicial. (F) O registro dos arquivos extraídos da memória de computador. da Constituição Federal de 1988. A prova testemunhal e o laudo pericial de verificação de embriaguez. (V) É permitida a entrada da Polícia em domicílio. objeto de exclusiva apreensão mediante entrada em residência.

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