Universidade do Sul de Santa Catarina

Disciplina na modalidade a distância

Criminalística e Investigação Criminal

Palhoça UnisulVirtual 2006

Apresentação
Este livro didático corresponde à disciplina Criminalística e Investigação Criminal. O material foi elaborado visando a uma aprendizagem autônoma, abordando conteúdos especialmente selecionados e adotando uma linguagem que facilite seu estudo a distância. Por falar em distância, isso não significa que você estará sozinho. Não esqueça que sua caminhada nesta disciplina também será acompanhada constantemente pelo Sistema Tutorial da UnisulVirtual. Entre em contato sempre que sentir necessidade, seja por correio postal, fax, telefone, e-mail ou Espaço Unisul Virtual de Aprendizagem. Nossa equipe terá o maior prazer em atendê-lo, pois sua aprendizagem é nosso principal objetivo. Bom estudo e sucesso! Equipe UnisulVirtual.

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Maria Carolina Milani Caldas Opilhar Criminalística e Investigação Criminal Livro didático Design instrucional Carmen Maria Cipriani Pandini Palhoça UnisulVirtual 2006 .

Crime e criminosos. ReitorUnisul Gerson LuizJoner da Sil veira Vice-Reitore Pró-Reitor Acadêm ico Sebastião Sal Heerdt ésio Chefe de gabinete da Reitor ia Fabian M artins de Castro Pr ó-ReitorAdm inistrativo M arcus Viní Anátol da cius es Sil va Ferreira Cam pusSul Diretor:Val Al Schmitz ter ves Neto Diretora adj Al unta: exandra Orseni Cam pusNorte Diretor:Ail Nazareno Soares ton Diretora adj Cibel unta: e Schuel ter Cam pusUnisul tual Vir Diretor:João Vianney Diretora adj Jucimara unta: Roesl er Equipe Unisul tual Vir Adm inistr ação Renato AndréLuz Val Vení I mir cio nácio Fernando Roberto Dias Zimmermann Higor Ghisi Luciano Pedro Paul Al Teixeira o ves Raf Pessi ael Vil M artins Fil son ho ( coordenador) Eduardo Kraus Sil Henrique Sil vana va Secr ia Executiva etár Viviane Schal M artins ata Tecnol ogia Osmar de Ol iveira BrazJúnior ( coordenador) Ricardo Al exandre Bianchini Rodrigo de Barcel M artins os M onitor e Supor ia te Raf da Cunha Lara ael ( coordenador) Bibl iotecár ia Adriana Sil veira Soraya Arruda W al trick ine Equipe Didático-Pedagógica Carol M endonça Edison Rodrigo Val im Angel M arçalFl ita ores Coor denação dosCur sos l Carmen M aria Cipriani Pandini Franciele Arruda Adriano Sérgio da Cunha a inverni Barbieri Carol Hoeler da Sil Boeing Gabriel M al ina l va Ana Luisa M ül bert Gisl Frasson de Souza ane Cristina Kl de Ol ipp iveira Ana Paul Reusing Pacheco a Josiane Conceição Leal Daniel Erani M onteiro W il a l Cátia M el S.88130-475 hoça Fone/ax:( 3279-1541 e f 48) 3279-1542 E-mail cursovirtual : @unisulbr . ISBN 85-60694-33-1 ISBN 978-85-60694-33-4 1. Maria Carolina Milani Caldas Criminalística e investigação criminal : livro didático / Maria Carolina Milani Opilhar .Univer sidade do Sulde Santa Catarina Unisul tual. II.Copyright © UnisulVirtual 2006 N enhum a parte desta publicação pode ser reproduzida por qualquer m eio sem a prévia autorização desta instituição. 2006. 2. design instrucional Carmen Maria Cipriani Pandini. I. . 303 Pal .SC . 341.598 O69 Opilhar. . Título. 28 cm. Inquérito policial. Pandini.Rodrigues issa M aria Eugênia Ferreira Cel eghin Dênia Fal de Bittencourt cão ( iar) Auxil Simone Andréa de Castil ho El Fl isa emming Luz Charl Cesconetto es Viní M aycot Seraf cius im Enzo de Ol iveira M oreira Diva M aríia Fl l emming Fl Lumi M atuzawa ávia El Fl isa emming Luz Karl Leonora Dahse Nunes a Pr odução I ndustr e ial I tamar Pedro Bevil aqua Leandro Kingeski Pacheco Suporte Janete El Fel za isbino Ligia M aria Souf Tumol en o Arthur EmmanuelF. – Palhoça : UnisulVirtual. : il.Sil veira Jucimara Roesl er ( coordenador) Lil Cristina Pettres ( iar) M árcia Loch ian Auxil Patrí M eneghel cia Francisco Asp Lauro JoséBalock l Sil Denise Guimarães vana LuizGuil herme Buchmann Tade-Ane de Amorim Figueiredo Pr etosCorpor oj ativos Vanessa de Andrade M anuel LuizOtávio Botel Lento ho Diane DalM ago Vanessa Francine Corrêa M arcel Caval o canti Vanderl Brasil ei Viviane Bastos M auri LuizHeerdt Viviani Poyer M auro Faccioni Fil ho Secr ia de Ensino a etar M ichele Denise DurieuxLopes l Distância Logí de Encontr stica os Destri Karine Augusta Zanoni Pr esenciais Nél Herzmann io ( secretária de ensino) Carol Batista ( ine Coordenadora) Dj Sammer Bortol Onei Tadeu Dutra eime otti Araceli Aral l di Patrí Al cia berton Carl Cristina Sbardela a l Graciel M arinês Lindenmayr e Patrí Pozza cia Grasiel M artins a JoséCarl Teixeira os Raul Jacó Brüning ino James M arcelSil Ribeiro va Letí Cristina Barbosa cia LamuniêSouza Kênia Al exandra Costa Hermann Liana Pampl Design Gr áfico ona iveira Cristiano Neri Gonçal Ribeiro M arcia Luzde Ol ves M aira M arina M artins Godinho Priscil Santos Al a ves ( coordenador) M arcel Pereira o Adriana Ferreira dos Santos M arcos Al M edeiros Junior cides Logí de M ater stica iais Al Sandro Xavier ex M aria I Aragon sabel Jef erson Cassiano Al meida da Evandro Guedes M achado Ol Laj avo ús Costa Priscila Geovana Pagani l Edição – Livr Didático o Pr ofessorConteudista M aria Carol M il Cal ina ani das Opil har Design I ucional nstr Carmen M aria Cipriani Pandini Pr eto Gr oj áfico e Capa Equipe Unisul Virtual Diagram ação Pedro Teixeira Revisão Or áfi ca togr B2B . Carmen Maria Cipriani. Inclui bibliografia. Site:www. Ficha catalográf elaborada pela Biblioteca Universitária da Unisul ica Cr éditos Unisul.Educação Super a Distância Vir ior Cam pusUnisul tual Vir Rua João Pereira dos Santos. virtualunisulbr . 122 p.

91 Para concluir o estudo . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .Sumário Palavras da professora . . . . . . . . . . . . . . . . 11 UNIDADE 1 – Criminalística . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 33 UNIDADE 3 – Investigação policial . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 111 Sobre a professora conteudista . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 09 Plano de estudo . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 69 UNIDADE 5 – Limites da Investigação Criminal . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 17 UNIDADE 2 – Metodologia de redação de laudos periciais . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 117 . . . . . . 109 Referências . . 49 UNIDADE 4 – Técnicas de Investigação Criminal . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 115 Respostas e comentários das atividades de auto-avaliação . . . . .

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O livro aborda. assunto relevante para compreender a função investigação criminal na atualidade. Em seguida. Você terá a oportunidade de estudar também como se constituem os locais de crime. coleta. possibilitando a realização da prova pericial. a importância do isolamento e da preservação de provas na área onde o crime foi cometido e sobre os procedimentos empregados no exame de levantamento de local. Na parte que aborda a Investigação Criminal.Palavras da professora Prezado(a) aluno(a): O presente livro tem por objetivo estudar a Criminalística e a Investigação Criminal. concebidas como as provas técnicas produzidas pelos peritos. Para tanto. que segue padrão metodológico importante para a sua compreensão. mencionando as competências das Polícias dispostas pela Constituição . conservação e exame dos vestígios. ainda. inicio apresentando o tema a partir do seu conceito para possibilitar uma compreensão contextualizada sobre o conjunto de conhecimentos acerca da pesquisa. você vai estudar mais detalhadamente sobre as perícias. de suma relevância à investigação criminal. que é objeto da criminalística. na condição de prova técnica e irá conhecer alguns modelos de laudos periciais. de suma importância para apuração da materialidade e autoria do crime. possibilitando a confecção do laudo de exame de levantamento de local. faço breves comentários sobre o conceito e o histórico da Polícia. a metodologia de redação de laudos periciais.

Cito. considerando ser imprescindível ao êxito da atividade investigativa policial à adoção de metodologia e técnicas adequadas. constatando tratar-se de procedimento sigiloso. Maria Carolina . Por fim. algumas técnicas de investigação criminal. dentre outros órgãos. amealhando provas técnicas e testemunhais para subsidiar o processo criminal. você terá a oportunidade de estudar sobre o inquérito policial.Federal de 1988. de competência exclusiva das Polícias Federal e Civil. importante mencionar os direitos fundamentais elencados pela Constituição Federal de 1988. você terá a oportunidade de conhecer os limites da investigação policial. todas atuando nas suas atribuições com a finalidade de prover segurança à sociedade. Profa. Em seguida. porquanto a busca pela prova na atividade investigativa não é absoluta. no qual a investigação criminal é formalizada. apresento e discuto o conceito da investigação criminal. inquisitivo e informativo. neste contexto. Espero que o conteúdo tratado neste livro traga informações e subsídios úteis ao seu cotidiano de trabalho e que possa minimizar os problemas de Segurança Pública existentes no Brasil. Dentre estas normas. com o objetivo de apurar infrações criminais. concebendo-a como o trabalho realizado pelas Polícias Federal e Civil. Neste estudo. que necessita atuar sempre respeitando normas materiais e processuais inerentes a um Estado Democrático de Direito.

Ementa Criminalística. Metodologia de redação de laudos periciais. Inquérito policial. Técnicas de investigação criminal. Perícias. Evolução histórica da prova criminal. Conceito e histórico da polícia. Conceito de investigação criminal. O processo de ensino e aprendizagem na UnisulVirtual leva em conta instrumentos que se articulam e se complementam. Conceito. O EVA (Espaço Unisul Virtual de Aprendizagem). Modelos de laudos periciais. portanto. . Conceito de prova. Atividades de avaliação (complementares. São elementos desse processo: O Livro didático. a distância e presenciais).Plano de estudo Plano de Estudo O plano de estudo visa a orientar você no desenvolvimento da Disciplina. Ele possui elementos que o ajudarão a conhecer o contexto da Disciplina e a organizar o seu tempo de estudos. a construção de competências se dá sobre a articulação de metodologias e por meio das diversas formas de ação/mediação. Investigação Criminal. Locais de crime.

Específicos Conhecer os conceitos e objetivos da criminalística. seu conceito e sua evolução histórica.Carga horária 60 horas-aula. a necessidade do isolamento para a preservação das provas e os procedimentos empregados no exame de levantamento de local. Conhecer o inquérito policial. 12 . Descrever as perícias e a sua importância como prova criminal. Conhecer a metodologia aplicada para a redação de laudos periciais. Saber acerca dos locais de crime. Conhecer a prova criminal. Compreender os conceitos e objetivos da investigação criminal. Descrever as técnicas de investigação criminal e estar apto a aplicá-las. Objetivos da disciplina Geral Obter conhecimento teórico acerca da criminalística e da investigação criminal.

Técnicas de Investigação Criminal Unidade 5 . organize-se para acessar periodicamente o espaço da Disciplina.Metodologia de Redação de Laudos Periciais Unidade 3 . da realização de análises e sínteses do conteúdo. com base no cronograma da disciplina disponibilizado no EVA.Unidades de estudo: 5 Unidade 1 .Criminalística Unidade 2 .Limites da Investigação Criminal Agenda de atividades/ Cronograma Verifique com atenção o EVA. Registre no espaço a seguir as datas. Use o quadro para agendar e programar as atividades relativas ao desenvolvimento da Disciplina. 13 . e da interação com os seus colegas e tutor. Não perca os prazos das atividades. O sucesso nos seus estudos depende da priorização do tempo para a leitura.Investigação Criminal Unidade 4 .

Atividades
Avaliação a Distância 1 Avaliação a Distância 2 Avaliação Presencial

Demais atividades (organize sua agenda)

en fatizando a importância do isolamento da área onde ocorreu o delito. os locais de crime e os procedimentos empregados no exame de levantamento de local.UNIDADE 1 Criminalística Objetivos de aprendizagem Compreender a Criminalística como um conjunto de conhecimentos científicos utilizados para a elaboração da prova pericial. Estudar as perícias. 1 Seções de estudo Seção 1 Criminalística: conceituação Seção 2 Perícias Seção 3 Locais do Crime Seção 4 Levantamento pericial: procedimentos empregados no exame do local .

a autora apresenta como sinônimos os termos infração penal. Você teve a oportunidade de ver. que poderá valer-se das provas amealhadas na fase policial durante o processo criminal e na prolatação da sentença. Concebendo-se a perícia como prova primordial para a elucidação dos delitos. via de regra. contrariada. este é remetido ao Poder Judiciário. as Polícias do Brasil que têm como competência a apuração de crimes vem seguindo este norte. serão detalhadas posteriormente. preventivo compete à Polícia Militar e a apuração das infrações penais compete às Polícias Federal e Civil. por ser científica. no nosso País. o qual subsidia o processo criminal. esta também chamada de Polícia Judiciária.Criminalística: conceituação Não deve lhe ser novidade que a Constituição Federal de 1988 estabelece que a segurança pública. Neste livro. procurando demonstrar a existência do fato criminoso. Também. então? Comecemos pelo conceito. SEÇÃO 1 . é dever de Estado e é exercida por diversas Polícias. considerando que. Após a conclusão do inquérito policial. após a prática do crime e o seu objetivo é a elucidação dos delitos. É interessante notar que a investigação policial é formalizada através de peça preliminar e informativa denominada inquérito policial. dispondo. crime e delito. dentre outros. a Carta Magna definiu as competências das Polícias. Vamos ao estudo. As competências das Polícias serão objeto de discussão. nos estudos anteriores. que a Polícia Civil. porém.Universidade do Sul de Santa Catarina Para início de estudo As Polícias Investigativas mais avançadas priorizam a prova pericial. Em seu artigo 144. é mais difícil de ser refutada. o estudo da Criminalística afigura-se como de extrema relevância. Este trabalho é feito através da investigação policial. a autoria e estabelecer as condições em que o crime ocorreu. 18 . que o policiamento ostensivo. atua repressivamente.

Criminalistica e Investigação Criminal Neste contexto. Já a prova técnica é científica. No Brasil não há hierarquia entre as provas e o Juiz pode decidir de acordo com a sua consciência.) a prova pericial é produzida a partir de fundamentação científica. onde exista a intenção de distorcer os fatos para não se chegar à verdade.. a perícia é realizada na fase policial. até o emprego de má-fé. a princípio. menos sujeito a falhas do que a prova testemunhal. A Enciclopédia Saraiva de Direito conceitua Criminalística como sendo: Unidade 1 19 . pelos motivos já expostos. 2002:22). As Polícias Investigativas mais avançadas do mundo têm como prioridade o trabalho pericial. temos um sistema processual penal que permite todos os meios de prova. Os laudos periciais são realizados através de conhecimento advindo da Criminalística. Desse modo. para demonstrar materialidade e autoria do crime. mais difícil de ser contestada. Ocorre que analisando as sentenças criminais verificase a prevalência da prova pericial sobre as demais. que no sistema processual penal brasileiro. desde a simples falta de capacidade da pessoa em relatar determinado fato. até porque muitas delas necessitam serem feitas imediatamente ou logo após a prática do crime. É importante notar. desde que o faça motivadamente. o trabalho pericial é de suma importância. Acerca deste tema Espíndula (2002). (ESPÍNDULA. podendo ocorrer uma série de erros. discorre: (. enquanto que as chamadas provas subjetivas dependem do testemunho ou interpretação das pessoas. Via de regra. as pessoas ouvidas na Delegacia de Polícia são reinquiridas em Juízo. objetiva. com o mesmo valor probatório. ainda.. portanto. o que pode relativizar o valor probatório do que foi dito na fase policial. É o chamado sistema da persuasão racional adotado pelo artigo 157 do Código de Processo Penal Brasileiro.

Locais de Crime.319). A Criminalística é também denominada Polícia Científica.) que cogita do reconhecimento e análise dos vestígios extrínsecos relacionados com o crime ou com a identificação de seus participantes.. 2002. 1982. ou seja. Criminalística pode ser conceituada como: (. pesar e interpretar os indícios de um delito. defender. Segundo Gilberto Porto.. e difere da Criminologia que estuda o perfil do criminoso. da coleta... cujos encargos estão afetos aos órgãos específicos. da antropologia.) trata da pesquisa. da psicologia..Universidade do Sul de Santa Catarina (. reunindo as contribuições das várias ciências. Toxicologia Forense e Hematologia Forense. p. e os motivos que o levaram à prática do crime. etc. Balística Forense. p. Odontologia Legal. 1960. (GARCIA. indica os meios para descobrir crimes. Segundo Garcia. identificar os seus autores e encontrá-los.28) José Del Picchia Filho (1982). 21.5). 20 ... que são os laboratórios de Polícia Técnica. da psiquiatria. Gilberto. Criminalística (. Papiloscopia. (ENCICLOPÉDIA SARAIVA DE DIREITO. dentre outras. Polícia Técnica ou Policiologia. 1997:486). utilizando-se de subsídios da química. da conservação e do exame dos vestígios. da prova objetiva ou material no campo dos fatos processuais. que são consideradas ciências auxiliares do Direito penal. p.) Conjunto de conhecimentos que.) sistema que se dedica à aplicação de faculdades de observação e de conhecimento científico que nos levem a descobrir. São disciplinas que integram a Criminalística.. Documentoscopia. da medicina legal. possibilitando à Justiça a aplicação da justa pena”.. da datiloscopia. v. preferiu abordá-la como disciplina (. (PORTO. Medicina Legal. de molde a sermos conduzidos à descoberta do criminoso. (DEL PICCHIA FILHO.

Criminalistica e Investigação Criminal Em Santa Catarina. que apresenta o organograma abaixo: Unidade 1 21 . o trabalho pericial é realizado pelo Instituto Geral de Perícias.

28 . Para ampliar seus conhecimentos sobre o conteúdo tratado sugerimos: DEL PICCHIA FILHO.A seguir. 1960. Goiânia: AB Editora. Manual de Criminalística. Ismar Estulano. Editora Universitária de Direito: São Paulo. faça uma pesquisa sobre o assunto.Universidade do Sul de Santa Catarina Você que reside em outro Estado. Use o espaço abaixo para registrar sua pesquisa. Inquérito – Procedimento Policial. Inquérito . Gilberto. Escola de Polícia de São Paulo. 319. 1982. você vai estudar o objeto que trata das provas e os procedimentos de perícia. p. 2002 p. Tratado de documentoscopia.Procedimento Policial. GARCIA. José. Como funciona o Instituto Nacional de Perícias? Socialize a investigação no Espaço Virtual de Aprendizagem. PORTO. 9 ed. 22 .

. sob pena de nulidade processual. por sua vez. Você sabe a diferença entre provas criminais e técnicas? As provas técnicas são as perícias. Há diferenciação entre corpo de delito e exame de corpo de delito. Segundo JESUS (2002). Segundo Garcia (2002).) é o conjunto de técnicas usadas..Criminalistica e Investigação Criminal SEÇÃO 2 . Um das perícias realizadas trata-se do exame de corpo de delito. Prova Criminal é aquela utilizada para demonstrar ao Juiz a veracidade ou falsidade da imputação feita ao réu e das circunstâncias que possam influir no julgamento da responsabilidade e na individualização das penas.Perícias A investigação policial tem como foco a obtenção de provas criminais que podem ser testemunhais e técnicas. é o conjunto de vestígios deixados pelo criminoso. o exame de corpo de delito é um auto em que se descrevem as observações dos peritos e o corpo de delito é o próprio crime na sua tipicidade. visando provar a materialidade do crime e apontar o autor. e são formadas pelas evidências materiais do crime. no sentido amplo. O corpo de delito. Nos crimes que deixam vestígios. as declarações das vítimas e o interrogatório dos suspeitos ou indiciados. abrangendo. nos termos do artigo 158 do Código de Processo Penal Brasileiro. perícia (. As prova testemunhais são constituídas pelos depoimentos das testemunhas. realizadas por peritos criminais. Unidade 1 23 . o exame de corpo de delito é obrigatório.

Código de Processo Penal Anotado. 24 . inclusive o exame de corpo de delito. o exame de corpo de delito é imprescindível. Inquérito – Procedimento Policial. Não havendo vestígios. sejam realizados por dois peritos oficiais. 2002. suicídio. acidente de trânsito. por haverem desaparecido os vestígios. exija as providências da polícia. (. dano. É importante ressaltar que o artigo 159 Código de Processo Penal Brasileiro determina que todos os exames periciais. GARCIA. Portanto.. 2002. p. afogamento. São Paulo: Saraiva. O exame de levantamento de local deve ser diferenciado de acordo com a natureza da ocorrência. Jesus. as perícias devem ser realizadas por duas pessoas idôneas.) local de crime é toda área onde tenha ocorrido um fato que assuma a configuração de delito e que. nos outros casos. 9 ed. a prova testemunhal é apta a suprir o auto de exame de corpo de delito. de preferência. portadoras de diploma de curso superior. 18 ed. estupro. incêndio.157.. onde houver e. entre as que tiverem habilitação técnica relacionada à natureza do exame.Universidade do Sul de Santa Catarina Dispõe o artigo 167 do Código de Processo Penal Brasileiro: “Não sendo possível o exame de corpo de delito. 319. a prova testemunhal poderá suprir-lhe a falta”. Goiânia: AB Editora. há exame de levantamento de local de homicídio. SEÇÃO 3 . Dessa forma. furto qualificado. 1963:11). havendo vestígios. escolhidas. portanto. disparo de arma de fogo e outros. Para saber mais sobre o assunto que foi tratado sugerimos: DAMÁSIO. p. Ismar Estulano.Locais do crime Segundo Kedhy. (KEDHY.

) diante da sensibilidade que representa um local de crime. quando das providências de isolamento e preservação. (GARCIA. possibilitando. que. pelo artigo 166 do Código Penal: Alterar..) isolamento é a proteção a fim de que o local permaneça sem alteração.. somente após examiná-los adequadamente é que poderemos saber se este vestígio está ou não relacionado ao evento periciado. levadas a efeito pelo primeiro policial. e. Pena – detenção de um mês a um ano e multa. o qual significa todo material bruto que o perito constata no local do crime ou faz parte do conjunto de um exame pericial qualquer. Por essa razão. para a investigação criminal. 2002: 3).. conseqüentemente. 2002: 324). para a preservação dos vestígios. o aspecto de local especialmente protegido por lei. nada poderá ser desconsiderado dentro da área da possível ocorrência do delito (ESPINDULA. Unidade 1 25 . um levantamento pericial eficaz. conseqüentemente. importante destacar que todo elemento encontrado naquele ambiente é denominado de vestígio. (.. sem licença de autoridade competente.Criminalistica e Investigação Criminal Isolamento e preservação das provas e vestígios essenciais à investigação O isolamento do local de crime é a primeira providência a ser tomada e é responsabilidade dos policiais e peritos. Esclarece Alberi Espíndula (2002) que: (. A alteração do local de crime é prevista como infração penal. que devem sempre ter em mente a importância da proteção do local do crime.

inquérito policial ou processo penal. com vítima. que poderão instruir seus laudos com fotografias. Parágrafo único: Aplicar-se o disposto neste artigo. no artigo 312. O artigo 6º do Código de Processo Penal enumera as providências que devem ser tomadas tão logo o delegado de polícia tenha conhecimento do fato delituoso. um estojo. o estado de lugar. o inquérito ou o processo aos quais se refere. é possível constatar se foi deflagrado por aquela arma. a autoridade providenciará imediatamente para que não se altere o estado das coisas até a chegada dos peritos. e que apenas após o exame de levantamento de local é possível a apreensão de qualquer material encontrado na cena do crime. através de suas marcas de percussão. é possível verificar se ele foi expelido pelo cano daquela arma. parte de uma munição deflagrada. a prática demonstra que nada deve ser alterado até a chegada dos peritos no local. um projétil. de coisa ou de pessoa. tendo como objetos de exame o projétil e a arma de fogo de um suspeito.Universidade do Sul de Santa Catarina O Código Brasileiro de Trânsito. ou multa. a fim de induzir a erro o agente policial. o procedimento preparatório. ainda que não iniciados. desenhos ou esquemas elucidativos. Através do Laudo de Comparação Balística. parte de uma munição deflagrada. na pendência do respectivo procedimento policial preparatório. Dispõe o artigo 169 do Código de Processo Penal Brasileiro: Para efeito de exame de local onde houver sido praticada a infração. quando da inovação. O inciso II deste artigo menciona que a autoridade policial deve apreender os instrumentos e todos os objetos que tiverem relação com o fato. o perito ou juiz: Pena: detenção de seis meses a um ano. 26 . em caso de acidente automobilístico. apreendido na cena do crime. Não obstante. pode vir a elucidar a autoria de um homicídio. sendo objeto de exame com arma de fogo. também tipificou como crime a alteração de local de acidente de trânsito: Inovar artificiosamente. Da mesma forma. Apenas a título de exemplo.

.Criminalistica e Investigação Criminal SEÇÃO 4 . exame das evidências em laboratório.) isolamento. o levantamento pericial dá origem ao laudo de exame de levantamento de local. desenho ou croqui. Espíndula (2002) elencou alguns procedimentos a serem realizados nos exames de locais de crimes contra a vida.. coleta e embalagem de evidências. Segundo Garcia (2002). e redação de laudo. b) preparação do material utilizado no exame. uma perícia completa de levantamento de local necessita de várias fases a saber: (. c) reconhecimento do tipo de solicitação (natureza do exame). via de regra. que podem ser. d) anotação do horário de solicitação do exame. São eles: Procedimentos anteriores ao exame a) anotação do endereço do fato. 2002:326). transporte de evidências. avaliação e interpretação. observações prévias ou exame do local.Levantamento pericial: procedimentos empregados no exame do local O levantamento pericial é o trabalho pericial realizado nos locais de crime. fotografia. Após concluído. (GARCIA. Exame preliminar da cena do crime: o que é necessário fazer? Unidade 1 27 . utilizados em todos os exames de levantamento de locais.

escolha do tipo de padrão a ser utilizado na busca de vestígios (em linha. formulação dos objetivos do exame. localização exata do evento. devendo sempre ser apresentado. em grade. Anotações gerais da cena do crime: o que registrar? data e hora do início dos exames. que deve prever especial atenção às evidências facilmente destrutíveis. condições atmosféricas. em espiral. Croqui da cena do crime: o que é e como fazer? O croqui é o desenho do local do crime. visualização geral da cena do crime e verificação da adequação do isolamento. dentre outras. Neste desenho recomenda-se incluir: 28 .Universidade do Sul de Santa Catarina entrevista com o primeiro policial a chegar no local do fato visando à tomada de informações relativas ao histórico. busca de vestígios. impressões em poeira.). condições de iluminação. descrição do local. condições topográficas da área. completa análise das vias de acesso. etc. com nível de detalhe exigido para cada caso. tais como: marcas de solado. independente da complexidade do local. condições de visibilidade. em quadrantes.

2002:326).Criminalistica e Investigação Criminal dimensões de portas. também discorre sobre o processamento do local: coleta. As evidências devem ser anotadas no croqui e fotografas antes da sua coleta. Quais os procedimentos de coleta? Todas as evidências devem ser coletadas de forma legal. Qual a importância das fotografias da cena do crime? As fotografias. coordenadas geográficas em locais abertos (obtidas por mapas ou GPS). a fotografia é o mais perfeito dos processos de levantamento de local de crime. Unidade 1 29 . (GARCIA. distâncias de objetos até pontos específicos. móveis. distâncias entre objetos. Segundo Garcia. caso necessário. visando à sua admissão como provas em um processo. por tratar-se de uma ”reconstituição permanente da ocorrência. Espíndula (2002). identificação e preservação das evidências. são imprescindíveis para a elaboração do laudo de exame de levantamento de local. janelas. internas e externas. medidas que forneçam a exata posição das evidências encontradas na cena do crime. como vias de acesso (entrada e saída). que irá permitir futuras consultas”. Os dois peritos de local devem efetuar a coleta de todas as evidências.

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O que fazer na identificação?

Todas as evidências devem ser cuidadosamente identificadas. As marcas identificadoras podem incluir iniciais, números, etc., os quais permitam ao perito que realiza a coleta reconhecer, em data posterior, cada evidência como aquela coletada na cena do crime.

Qual a importância da preservação?

Cada item das evidências deve ser colocado em um recipiente ou invólucro adequado à natureza de cada material, tais como sacos plásticos, envelopes de papel, caixas que necessitam ser corretamente identificados e vedados ou lacrados; Evidentemente, que técnicas especiais deverão ser aplicadas de acordo com o delito praticado. Algumas recomendações específicas deverão ser aplicadas nos locais de morte por precipitação, por ação do calor, por arma de fogo, por afogamento, por envenenamento, por aborto e outros. - Leia, a seguir, a síntese da unidade, realize as atividades de Autoavaliação e consulte o saiba mais para ampliar seus conhecimentos acerca do assunto estudado.

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Criminalistica e Investigação Criminal

Síntese
Nesta unidade você teve a oportunidade de ver que, de acordo com a Constituição Federal de 1988, que a atividade investigativa criminal é realizada, dentre outros, pela Polícia Federal e pelas Polícias Civis dos Estados, estas também chamadas de Polícias Juridiciárias. A atividade de investigação criminal consiste na apuração dos crimes, que é feita através da busca de provas, periciais ou testemunhais. As provas periciais são técnicas, realizadas por peritos criminais e são formadas pelas evidências materiais do crime. As prova testemunhais são constituídas pelos depoimentos das testemunhas, abrangendo, no sentido amplo, as declarações das vítimas e o interrogatório dos suspeitos ou indiciados. A pesquisa, coleta e produção das provas periciais compete à Criminalística. Via de regra, o trabalho pericial exige imediatidade. A título de exemplo, o exame residuográfico de verificação de pólvora exige a condução do suspeito imediatamente após a prática do delito. O exame de lesões corporais e de verificação de aborto exige lapso temporal curto entre o crime e o exame. Considerada a importância da prova pericial e científica é imprescindível o isolamento e a preservação do local do crime. Falhas no isolamento do local do crime podem impossibilitar a produção da prova pericial. Vestígios deixados no local do crime podem levar ao autor. Como exemplo, um simples estojo componente de munição ou projétil componente de munição, encontrado em local de homicídio mediante disparo de arma de fogo, pode, através de perícia, ser prova crucial para demonstrar autoria.

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Atividades de auto-avaliação
1) Analise as questões abaixo e assinale verdadeiro ou falso, conforme a proposição. Confira se atendeu as expectativas no final do livro didático. ( ) Nos crimes que ocorreram mediante disparo de arma de fogo, a apreensão de estojos no local não é importante, posto que não é possível realizar perícia comparativa entre o estojo e a arma de fogo. ( ) Nos crimes que ocorreram mediante disparo de arma de fogo, a apreensão de projéteis no local possibilita a realização do laudo de identificação de projéteis e, quando a arma é apreendida, o laudo de comparação balística. ( ) O rol de provas elencados no Código de Processo Penal Brasileiro é exemplificativo. ( ) O sistema de provas previsto no Código de Processo Penal Brasileiro é o da íntima convicção. ( ) A prova testemunhal pode suprir a prova pericial quando a infração penal não deixar vestígios.

Saiba mais
Para saber mais sobre o conteúdo tratado acesse: http://www.espindula.com.br e leia o artigo: Função pericial do Estado. http://www.abcperitosoficiais.org.br/arti.htm e leia o artigo: Isolamento e preservação de locais de crime com cadáver.

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2 Seções de estudo Seção 1 O Laudo pericial: caracterização Seção 2 Modelos de laudo pericial . Conhecer alguns modelos de laudo pericial.UNIDADE 2 Metodologia de redação de laudos periciais Objetivos de aprendizagem Conhecer a forma como são elaborados os laudos periciais.

Não deve tecer juízos de valor. facilmente compreendido e assimilado. Cabe aos estudiosos do assunto segurança pública estarem aptos a interpretar e avaliar laudos periciais. p. Não obstante. considerações subjetivas. c) laudo de verificação de eficácia de arma de Fogo. SEÇÃO 1 . dentre eles podemos destacar: a) laudo de levantamento de local. de forma geral.Universidade do Sul de Santa Catarina Para início de estudo Todos aqueles que queiram se aprofundar no tema da segurança pública têm. pode-se definir alguns requisitos inerentes a todos os laudos. 34 . de forma geral. d) laudo de exame cadavérico. que. laudo de comparação balística. Toccheto elenca alguns itens a serem preenchidos na elaboração de laudo pericial relacionado a crimes contra o patrimônio.O Laudo pericial: caracterização O laudo pericial deve ser simples e preciso. na sua forma e conteúdo. Procedimentos e Metodologias. mas fornecer objetivamente informações técnicas. cada qual com as suas peculiaridades. Existem diversos tipos de laudos periciais. Alberi. Domingos e ESPINDULA. Veja quais são: TOCCHETTO. necessariamente. b) laudo de identificação de projétil. podem ser adotados na confecção dos demais. de saber acerca da importância da prova pericial e conhecer a metodologia de redação dos laudos periciais.50-54. Criminalística. laudo de constatação de danos.

3. ou que prejudicaram o andamento dos trabalhos periciais. A seguir. tais como número de peças distinto do constante na requisição. um pequeno histórico da requisição. nome do diretor e dos peritos signatários do laudo. 8. o relator vai consignar as informações referentes à preservação e isolamento do local e quaisquer outras alterações que forem relevantes ao caso.Fecho ou encerramento. objetivos do exame incompatíveis com o tipo de peça a ser examinada. peças que não estão discriminadas. tipo de laudo. a hora e o local em que for elaborado o laudo pericial. 5.Objetivo da perícia ou quesitos. 6.Considerações técnicas ou discussão. Preliminares Neste tópico. Fazer. 2. bem como o objetivo geral dos exames periciais. Nos casos de exames em peças.Criminalistica e Investigação Criminal 1. bem como uma síntese do fato que originou a requisição da perícia e as providências tomadas referentes ao fato. 4. nome da autoridade que requisitou e/ou solicitou a perícia.Conclusão e/ou respostas aos quesitos. este tópico destina-se à consignação de qualquer fato conflitante entre a requisição e o objeto de exame. neste tópico. Vamos lá? Preâmbulo ou Histórico Discriminar a data.Anexos.Dos exames periciais. a data da requisição e/ou solicitação. 7. você terá a oportunidade de conhecer cada um deles. funcionários e proprietários devem ser relatados neste item.Preâmbulo ou histórico. Unidade 2 35 .Preliminares. Informações fornecidas por autoridades. o nome do instituto e órgãos superiores aos quais está subordinado.

minuciosa. Evitar informações. Quando os fatos forem variados. quais os objetivos a serem buscados na perícia. Deve-se ater somente à descrição dos vestígios. Dos Exames Periciais Discriminar todas as técnicas e métodos empregados e os respectivos exames levados a efeito naquela perícia. conforme consta na requisição. deixando para o tópico seguinte a respectiva análise e interpretação dos mesmos. os quais deverão estar contidos na requisição da perícia ou nos quesitos formulados. ao prédio. ao cômodo. é preciso citá-la na ordem em que a mesma foi aplicada. etc. é de bom alvitre que os peritos descrevam com certa precisão quais são os objetivos periciais pertinentes àqueles exames. constem de forma explícita os subitens seguintes. como o acesso ao terreno. à gaveta. de exames macroscópicos para exames microscópicos. Quando for empregada mais de uma técnica na realização de um determinado exame. Não sendo especificado na requisição os objetivos da perícia. As técnicas ou métodos empregados devem sempre partir do geral para o particular. mas seu conteúdo deve obrigatoriamente integrar o texto relativo aos exames periciais: a) do local: constitui a parte essencial. 36 .Universidade do Sul de Santa Catarina Objetivo da Perícia ou quesitos Descrever. clara. A descrição deve ser metódica. síntese do observado. Aqui devem ser relacionados e devidamente descritos todos os vestígios constatados no exame pericial. objetiva. convém distribuí-los em capítulos conforme sua natureza e interdependência. Descrever conforme a ordem de maior importância. b) dos vestígios: partindo-se das indicações (referências) maiores para as menores (detalhes). discussões. nos exames periciais. diagnósticos e conclusões. fiel. Não é necessário que. hipóteses.

Em muitos casos. de analisá-los. afastando-se as hipóteses capazes de gerar confusão. Unidade 2 37 . deve estar caracterizado pela sua condição autônoma associada ao seu significado no evento em estudo. Para chegar-se a essa única possibilidade. obrigatoriamente. Conclusão e/ou respostas aos quesitos A conclusão pericial inserida no laudo pericial devem ser. neste caso. depois de cotejadas. relatar neste tópico as análises e interpretações das evidências constatadas e respectivos exames. em certos casos há necessidade de cotejar fatos. no conjunto dos vestígios constatados e examinados. Enfim. Buscar a coerência ou não dos elementos observados e anteriormente citados. este vestígio determinante pode estar associado a outros elementos de convicção técnico-científica. sob a ótica técnico-científica é que pode-se concluir de forma categórica.Criminalistica e Investigação Criminal Considerações Técnicas ou Discussão Do histórico e das descrições (local e vestígios) defluem as conclusões. Confrontá-los com a normalidade. dissipar dúvidas ou ajustar obscuridades. há um que. têm-se apenas duas situações viáveis. A primeira situação é quando. exposto. Obviamente que vestígio determinante. Porém. demonstrado e provado tecnicamente nos tópicos anteriores do laudo. conduzirão e subsidiarão a conclusão. de maneira a facilitar a compreensão e entendimento por parte dos usuários do laudo pericial. Através da discussão asseguram-se conclusões lógicas. A conclusão deve obedecer a critérios técnicos conforme já recomendados. uma conseqüência natural do que já fora argumentado. evidenciando-se aquelas que. por si só. ou seja: somente quando nos restar uma possibilidade para aquele evento. Veja exemplo para entender melhor esse conceito. determinante.

Neste caso deve-se constar no laudo que.Universidade do Sul de Santa Catarina Impressão digital individualmente é um vestígio determinante. 38 . no seu conjunto de informações técnicocientíficas levem a uma única possibilidade. em pesquisa de vestígios de hidrocarbonetos voláteis. onde nenhum deles por si só seja determinante. se for encontrado um desses vestígios no local do crime. os peritos deverão apontar quais são e descrevê-los. a constatação de múltiplos focos iniciais não é um vestígio determinante por si só. não há elementos técnicos através dos quais possa ser fundamentada uma conclusão categórica. salientando que os vestígios existentes são quantitativa e qualitativamente insuficientes para se chegar a uma conclusão categórica. a situação na qual. Por outro lado. existem várias situações em que os peritos poderão ter vários vestígios relacionados com o fato. situações em que. não se observem vestígios materiais capazes de fundamentar uma conclusão. onde nenhum deles por si seja determinante. A segunda situação em que os peritos poderão ter apenas uma possibilidade será em um universo de vários vestígios. não quer dizer que foi identificado o autor do crime e por conseqüência trata-se de um homicídio. Neste caso. face à exigüidade de vestígios. em um local de incêndio. não será possível chegar a uma definição quanto ao diagnóstico. ainda. através do seu exame ou de sua análise. e que. mas se restar comprovado que tais focos eram isolados ou incomunicáveis. mesmo analisando-os em seu conjunto. Há. Neste caso. Existem. nos locais correspondentes aos focos forem retiradas amostras de materiais que apresentem resultados positivos em exames laboratoriais. os peritos não poderão fazer qualquer afirmativa conclusiva quanto ao fato. mas apenas probabilísticos. e em conjunto com as observações anteriores. Todavia. o grau de clareza da ação dolosa será determinante para a caracterização e materialização do delito. mas. por vezes. apesar da existência de vestígios.

deve-se constar no laudo o tópico correspondente e. delimitarem o trabalho dos investigadores de polícia. não sendo possível concluir um laudo pericial. posteriormente. etc. portanto. ou de alguma técnica criminalística já consagrada ou de alguma lei da ciência de qualquer área do conhecimento científico. e. e.) . de acordo com cada situação. poderá ser levantada uma causa mais provável. O técnico-científico se refere à técnica criminalística e o científico às demais leis da ciência. com isso. falta de preservação. da justiça. A eliminação de algumas das possibilidades na verdade é uma conclusão pela sua exclusão. para as suas conclusões. Unidade 2 39 . para auxiliar no contexto geral das investigações e. e. deve seguir o mesmo rigor técnico-científico já mencionado. de forma clara e explicativa. posteriormente. Em alguns casos concretos. porém. tanto no exame quanto no texto dessas argumentações. os peritos terão condições de eliminar algumas admissibilidades ou hipóteses. Então. à justiça.Criminalistica e Investigação Criminal Mesmo que não seja possível uma conclusão categórica em uma determinada perícia. o perito deverá tomar todo o cuidado. nele informada a impossibilidade de conclusão face aos motivos que devem ser mencionados (exigüidade de vestígios. O perito poderá se valer. ou de ambas.

resultado de exames complementares. As fotografias. etc. relatórios de outros peritos/profissionais. Este modelos foram extraídos da obra “Inquérito e Procedimentos Policial” (GARCIA. da parte do texto a que se refere tal assunto. descrito no tópico documentos de exame. acompanhadas pelos anexos (citar quais os anexos e o número dos mesmos). ao final. quando digitais ou digitalizadas. estando ambas as vias autenticas com a rubrica dos seus subscritores. considerando os avanços da informática. Especialmente para evidenciar algum detalhe que o texto esteja se referindo naquele momento da argumentação.Modelos de laudos Periciais Seguem abaixo alguns modelos de laudos periciais. Local e data Nome dos peritos. Modelo de fecho ou encerramento de laudo pericial Este laudo. composto por (..) páginas impressas em seu anverso. visando a melhor compreensão do mesmo. podem seguir esse mesmo critério. bem como se devolve todo o material. ou logo abaixo. todos os anexos que foram produzidos e que sejam necessários para acompanhar o laudo. Classe e/ou cargo Anexos É necessário incluir. pelos peritos da Seção de Crimes Contra o Patrimônio.. tais como. SEÇÃO 2 . lacrados no envelope nº . foi feito em duas vias de igual teor. 415-416. gráficos. fotografias. 448-449). No entanto. 2002:397-398.. muitos recursos gráficos podem ser inseridos ao lado.Universidade do Sul de Santa Catarina Fecho ou Encerramento Analise um modelo de laudo e verifique os elementos que ele contém. Analise atentamente cada um deles: 40 .

25? Resposta: sim Para que dois grafismos sejam aceitos como do mesmo punho. do ano de . apresentando no canto superior direito o n. “25-z”. é também autor das escritas gravadas no bilhete de fls.. doc 05 e envelope. 4 – Quesitos e Respostas 1º . tinta preta. a fim de ser atendida requisição do Bel..O autor do Auto de Colheita de Material Gráfico Autêntico. coletados pela Polícia Civil de São Paulo – DEGRAN – através do Dr. 1.. contidos em Auto de Colheita de Material Gráfico Autêntico.7 cm e 6. Delegado Titular do 1ª DP.. e os assinalamentos necessários foram permitindo assim um controle da conclusão pericial. (. Fotomacrografias foram tomadas. AA.. contamos com padrões autênticos de JJ e JL. conforme Ofício nº .. dias do mês de . é necessário que em ambos os seguintes valores sejam convergentes: A) habilidade gráfica. Peças Motivantes Trata-se de manuscritos apostos em um pedaço de papel sem pauta medindo aproximadamente 14... C) que não haja divergências estruturais entre os dois grafismos.. O documento encontra-se colado em uma folha de papel sem pauta apresentando no canto superior direito “24-Z”.. Trata-se de envelope que apresenta manuscritos feitos com caneta dita esferográfica.Criminalistica e Investigação Criminal a) LAUDO DE EXAME DE DOCUMENTOS Aos.) Unidade 2 41 . nesta Capital. Peças Paradigmáticas Como espécimes de confronto. 24.. pelo Diretor LL foram designados PP e PQ para proceder ao exame pericial de documento. foram confrontados entre si para uma possível origem comum ou não. uma vez determinados. Encontra-se ele endereçado a SS e está colado a uma folha em branco. 3 – Dos Exames As peças motivantes e paradigmáticas foram examinadas a olho nu e por meios óticos adequados em busca e de hábitos gráficos característicos que. AB. JJ.. B) hábitos gráficos. doc06.7 cm... fls. no Departamento de Criminalística..

... (. dias do mês de . Goiânia. i) Acabamento oxidado.. d) Calibre nominal 7.. Delegado do 1º Distrito Policial...65 mm.Universidade do Sul de Santa Catarina na carta de confronto em anexo. BN”(lateral esquerda)... através do Ofício nº. de.. do ano de . nesta Capital. PP 1º Perito PQ 2º Perito b) LAUDO DE EXAME DE ARMA DE FOGO Aos . tendo as seguintes características: a) Marca Beretta. cão aparente e pino percursos isolado. curta e de porte. g) Coronha guarnecida por talas de plástico pretas com inscrição “Cb. classificada como pistola semi-automática. h) Dimensões: 8.. no Departamento de Criminalística da Diretoria Geral da Polícia Civil. 42 . de. c) N de série 683C09.... de marca CBC..... f) Carregamento por pente. 1 – Características das Peças Examinadas Aos peritos foram apresentados sete cartuchos intactos e um estojo calibre nominal 7.... foram designados os peritos PP e PQ para proceder ao exame pericial em arma de fogo.. os assinalamentos mais preponderantes estão em quantidade e qualidade suficientes para afirmarmos que as peças motivantes foram produzidas por JJ... . em desgaste... b) Fabricação italiana. Obs: O material examinado é devolvido com o presente laudo. bem como com o logotipo da marca da arma.5 de diagonal máxima.5cm de comprimento de cano X13.. 01 a 07. bem como uma arma de fogo. e) Mecanismo de percussão central...65mm. a fim de ser atendida requisição do Bel AA..) É o nosso relatório. pelo Diretor LL..

e) O pedaço de chumbo pertence ao mesmo calibre da arma? Resposta: O pedaço de chumbo a que se refere o quesito é um projétil de arma de fogo calibre nominal 7. ver item 2. Ver fotos 1 e 2.. c) A munição que a acompanha é do mesmo calibre da arma. não apresentando suas peças quaisquer anomalias que impeçam seu funcionamento.. Está apta à realização de disparos 3 – Quesitos e Respostas a) Quais as características da arma periciada? Resposta_ ver item 1. que. 7. Goiânia. estado em condições de uso. ou seja.. Portanto.. É o relatório. está em perfeitas condições de uso? Resposta: Sim.Criminalistica e Investigação Criminal j) OBS: Foi utilizado um cartucho em disparo experimental 2 – Funcionamento da arma O estado geral da arma é bom.. de .. a resposta não só é afirmativa. Seu calibre corresponde ao da arma. como também identifica a arma que o expeliu. inclusive foi expelido pela arma de fogo aqui periciada. e qual o seu estado? Resposta: Sim.65mm. de. OBS: O material examinado é devolvido com o presente. d) Há evidências de disparo recente? Resposta: Ver laudo químico.65mm... PP 1º Perito PQ 2º Perito Unidade 2 43 .. b) No estado em que se encontra.

.. houve morte. logo abaixo do pavilhão auricular.Houve morte? Resposta: Sim. aos . atendendo à requisição da Delegacia do 1º DP... PP 1º Médico-Legista PQ 2º Médico-Legsita 44 .8 cm de diâmetro. procedemos ao exame CADAVÉRICO no cadáver que nos foi apresentado como sendo de SS (qualificação completa).. 2º .. passamos a responder aos quesitos. no qual observamos: Descrições das lesões: 1 – ferida pérfuro-contusa.Qual o instrumento ou meio que a produziu? Resposta: Pérfuro-contundente 4º . dias do mês de .Universidade do Sul de Santa Catarina c) LAUDO DE EXAME CADAVÉRICO Aos... dia.Qual a data do óbito? (especificar hora. asfixia. em Goiânia. no Necrotério do Instituto Médico-Legal. localizada na região parietal esquerda. medindo 0. com grande destruição de massa encefálica. Dado e passado no Instituto Médico-Legal..8 com de diâmetro. fogo. logo acima do pavilhão auricular (orelha). médico-legistas que abaixo assinamos. 2 – ferida pérfuro-contusa.. com área de chamuscamento e câmara de mina../. com área de chamuscamento. de . transfixante. dias do mês de ...Foi produzida por meio de veneno. medindo 0. nós.../. Capital de Goiás.. com saída na região carotideana direita.Qual a causa da morte? Resposta: Hemorragia intracraniana 3º .. tortura ou outro meio insidioso ou cruel? Resposta: Prejudicado 5º . 3 – sem outras lesões. de . com saída na região bucinadora contra-lateral. 1º .. Nada mais tendo sido constatado.. mês e ano). às 17 h. Resposta: Óbito dia ..... explosivo. localizada na região bucinadora (cochecha) direita. com trajeto transfixando a língua e ramo mandibular esquerdo.

na qual observamos: DESCRIÇÃO DAS LESÕES: 1 .. 6º . dias do mês de . soroterapia.Foi produzida por meio de veneno. Afastamento de suas ocupações por 40 dias.a pessoa que nos foi apresentada como sendo SS (qualificação completa). Instrumento: arma branca. ressecção de estômago devido à laceração extensa... médico-legistas que abaixo assinamos.Qual o instrumento ou meio que a produziu? Resposta: Pérfurocortante.Resultou aceleração de parto ou aborto? Resposta: Não Unidade 2 45 .. cujo teor é o seguinte: “Aos . examinei SS e constatei o seguinte: estado geral comprometido.. Hospital BDF. OS. atendendo à requisição da Delegacia do 1º DP. medindo 2 cm de extensão.Resultou incapacidade permanente para o trabalho. 3 – cicatriz de incisão cirúrgica. Dr. 4 – relatório de lesões.cicatriz de ferida pérfuro-cortante.. localizada no hipocôndrio esquerdo. antibióticos. devido à lesão penetrante no abdome com a laceração do estômago e devido ao estado geral comprometido produzido por choque hipovolêmico que necessitou de cirurgia e de reposição sangüínea.././. 2º . debilidade permanente da função digestiva.Criminalistica e Investigação Criminal d) LAUDO DE EXAME DE LESÕES CORPORAIS Aos.Resultou debilidade permanente ou perda ou inutilização de membro. 3º .Resultou perigo de vida? Sim. 2.. localizada no flanco esquerdo (dreno). tortura ou outro meio insidioso ou cruel?. próximo ao rebordo costal. Tratamento: cirúrgico.Resultou incapacidade para as ocupações habituais. medindo 3 cm de extensão. explosivo. Lesões apresentadas: 1 – ferida penetrante no abdome. nós.LESÕES CORPORAIS .. 7º .cicatriz de incisão cirúrgica... passamos a responder os seguintes quesitos: 1º . medindo 25 cm de extensão.. no hipocôndrio esquerdo. sentido ou função? Resposta: Sim. asfixia. mediana. CRM – GO 007”. procedemos ao exame de corpo de delito . 4º . no Gabinete do Instituto Médico-Legal. localizada na linha média do abdome. Resposta: Prejudicado. reposição sangüínea.Houve ofensa à integridade corporal ou à saúde do paciente? Resposta: Sim. Seqüelas que futuramente poderão se apresentar: distúrbio digestivo. fogo. por mais de trinta dias? Resposta – Sim 5º . 2 – choque hipovolêmico. enfermidade incurável ou deformidade permanente? Resposta: Não 8º . Nada mais tendo sido constatado.

Neste tópico o relator vai consignar as informações referentes à preservação e isolamento do local e quaisquer outras alterações que forem relevantes ao caso. a hora e o local em que for elaborado o laudo pericial.. PP 1º Médico-legista PQ 2º Médico-Legista .. realize as atividades de Autoavaliação e consulte o saiba mais para ampliar seus conhecimentos acerca do assunto estudado. Descrever. Preâmbulo ou histórico. nome da autoridade que requisitou e/ou solicitou a perícia. sem haver juízos de valor. bem como o objetivo geral dos exames periciais.. a seguir. quais os objetivos a serem buscados na perícia. Capital de Goiás. dias do mês de ..Leia.Objetivo da perícia ou quesitos. O laudo pericial deve ser formado por: 1. nome do diretor e dos peritos signatários do laudo.. em Goiânia. 3.Universidade do Sul de Santa Catarina Dado e passado no Instituto Médico-Legal. Discriminar a data. a data da requisição e/ou solicitação. de . tipo de laudo. ou que prejudicaram o andamento dos trabalhos periciais.. os quais deverão estar contidos na requisição da perícia ou nos quesitos formulados. conforme consta na requisição.Preliminares. Síntese O laudo pericial deve ter linguagem clara.. o nome do instituto e órgãos superiores aos quais está subordinado. a síntese da unidade. acessível e as informações devem ser objetivas. 2.. aos . 46 .

de analisá-los.Anexos.Criminalistica e Investigação Criminal 4.Conclusão e/ou respostas aos quesitos. Do histórico e das descrições (local e vestígios) defluem as conclusões.Dos exames periciais.Considerações técnicas ou discussão. 8. Qual a importância do laudo pericial na investigação criminal? Unidade 2 47 . 7. Discriminar todas as técnicas e métodos empregados e os respectivos exames levados a efeito naquela perícia. 6.Fecho ou encerramento. Porém. 1. Atividades de auto-avaliação Leia as questões a seguir e responda com base no conteúdo. em certos casos há necessidade de cotejar fatos. Verifique no final do livro as indicações e comentários. dissipar dúvidas ou ajustar obscuridades. 5.

Acessado em 17 de julho de 2006. Duração: 128 min. 48 . (EUA). Disponível em: http://espindula. Ou.br/default4.com. Gênero: Policial. O laudo pericial é sempre conclusivo? Saiba mais Para aprofundar seus conhecimentos tratados nesta unidade você pode assistir: Filme: “Seven”. então. Lançado em 1995. ler: Artigo: “Laudo pericial e outros documentos técnicos”. Direção: David Fincher.Universidade do Sul de Santa Catarina 2. Que tipo de prova é o laudo pericial? 3.htm.

Contextualizar a investigação criminal. a partir dos pontos relevantes para compreender o sistema de provas brasileiro da atualidade. de competência exclusiva das Polícias Federal e Civil. concebendo-a como o trabalho realizado pelas Polícias Federal e Civil. no qual a investigação criminal é formalizada. Identificar procedimentos de prova criminal e o seu histórico.UNIDADE 3 Investigação Criminal Objetivos de aprendizagem Compreender o conceito e o histórico da Polícia. inquisitivo e informativo. provas técnicas e testemunhais para subsidiar o processo criminal. Identificar os procedimentos de apuração de infrações criminais. 3 Seções de estudo Seção 1 Conceito e histórico da polícia Seção 2 Conceito de investigação criminal Seção 3 Conceito de prova Seção 4 Evolução histórica da prova criminal Seção 5 Inquérito policial . Conhecer o inquérito policial percebendo-o como procedimento sigiloso. dentre outros órgãos.

segundo Thomé.).Universidade do Sul de Santa Catarina Para início de estudo Para que você compreenda como é exercida a atividade estatal de segurança pública brasileira na atualidade. p. ou seja.) instrumento de utilidade e que passa a ser responsável pela investigação das infrações penais cometidas e pela política de disciplina e restrição empregada a serviço do povo.. Segundo o mesmo autor. Importante. atividade policial repressiva (judicial) ao crime e de auxílio à justiça penal (investigação científica dos crimes). 1997.) a polícia se especializa e hoje.Conceito e histórico da polícia A palavra Polícia é vocábulo derivado do latim “politia”.... de proteção individual e coletiva e a polícia judiciária. se apresenta com duas funções: a polícia preventiva (administrativa).. (MARCINEIRO. Contribuição à Prática da Polícia Judiciária.) a organização administrativa que tem por atribuição impor limitações à liberdade (individual ou de grupo) na exata medida necessária à salvaguarda e manutenção da ordem pública (. é imprescindível que verifique quais são as polícias existentes que integram este sistema e quais suas respectivas funções. Ricardo Lemos. a polícia mais visível a todos é a de segurança pública e por isso mesmo todos tendemos a confundi-la.. 50 .10. inquérito policial e prova criminal. procede do grego “politeia”.. 2001: 47. também.. Marcineiro (2001).. Polícia pode ser definida como: (. enquanto parte. No entanto.)administração da cidade. Dessa forma. conceitua Polícia como sendo: (. saberá quais polícias serão responsáveis pela investigação criminal. verificar o que é investigação criminal. com o todo (. THOMÉ..48). que significa. e saber quais os tipos de provas já foram aceitáveis em tempos passados e como é o sistema de provas da atualidade. (. que por sua vez. SEÇÃO 1 .

III – polícia ferroviária federal. Unidade 3 51 . assim como outras infrações cuja prática tenha repercussão interestadual ou internacional e exija repressão uniforme. segundo se dispuser em lei. na repressão dos delitos. § 1º..) a Polícia é o órgão incumbido de manter e preservar a ordem pública e a incolumidade das pessoas e do patrimônio (TOURINHO FILHO. é exercida para a preservação da ordem pública e da incolumidade das pessoas e do patrimônio. Diz o artigo: A segurança pública. nos termos do artigo 144. através dos seguintes órgãos: I – polícia federal. Apuram materialidade e autoria das infrações penais. Você já teve a oportunidade de ler o que dispõe o artigo 144 da Constituição Federal de 1988 com relação à segurança pública.Criminalistica e Investigação Criminal Segundo Tourinho Filho (2001). além de prevenir e reprimir o tráfico ilícito de entorpecentes e drogas afins. II – polícia rodoviária federal. por meio da função investigativa. serviços e interesses da União ou de suas entidades autárquicas e empresas públicas. 2001:27). é interessante que você perceba que a atuação principal das Polícias Federal e Civis ocorre após a prática do crime. (. O que cabe à Polícia Federal? À Polícia Federal cabe a apuração das infrações penais contra a ordem política e social ou em detrimento de bens.. dever do Estado. IV – polícias civis. às Polícias Rodoviária Federal. I e II da Constituição Federal de 1988. o contrabando e o descaminho. V – polícias militares e corpos de bombeiros militares. direito e responsabilidade de todos. De outro lado. atuando precipuamente na prevenção dos delitos. Ferroviária Federal e Militares cabe o policiamento ostensivo. Portanto.

52 . (2001). ocorreu em 1841. em 1889. tendo a função de apurar as infrações penais e respectivas autorias. também chamada de Polícia Judiciária. a história da Polícia tem início apenas no século XIX. com a promulgação da Lei no. em especial dos Juízes de Paz. a Polícia passou a atuar de acordo com o modelo político vigente. segundo Thomé (1997). Inicialmente. Segundo Silva. a Polícia tinha como prioridade salvaguardar a segurança nacional estatal. o que fica evidenciado pelos dispositivos que versavam sobre segurança pública. Segundo (MARCINEIRO e PACHECO. A Polícia como organização surgiu em 1829. considerada a primeira organização policial do mundo.) um regime político em que o poder repousa na vontade do povo”. José Afonso da. p. e. ano de 1808. que apresentava uma organização policial incipiente. de acordo com o artigo 144. com a vinda da Família Real Portuguesa ao Brasil. A atividade investigativa ficava sob a responsabilidade dos magistrados. fez-se necessária a organização dos serviços policiais. ressalvadas as atribuições da Polícia Federal e as infrações da alçada militar. Na democracia a Polícia tinha como foco a segurança pública dos cidadãos. inseridos nas Constituições Federais que se sucederam. na Inglaterra. nos períodos ditatoriais. 2001:15). a origem da Polícia Judiciária. com a criação da Polícia Metropolitana de Londres.Universidade do Sul de Santa Catarina O que cabe à Polícia Civil? A Polícia Civil.. a função policial e a função de julgar não estavam separadas. com seus delegados e subdelegados escolhidos dentre os cidadãos. Com o rápido crescimento das atividades econômicas e sociais. a ação militar em defesa da posse. criando em cada província um Chefe de Polícia.No Brasil.. da Carta Magna.1999. Curso de Direito Constitucional Positivo. Democracia é “(. § 4º. em decorrência das invasões napoleônicas no continente europeu. 261. de 03 de dezembro. A partir da promulgação da república. como organização. Segundo Marcineiro e Pacheco. tem competência residual.130. In: SILVA.

pesquisar. Direito Constitucional e Teoria da Constituição. p. A investigação policial é atividade de natureza sigilosa exercida por policial ou equipe de policiais determinada por autoridade competente que. vamos adiante e contextualizando. “(. utilizando metodologia e técnicas próprias.. a Carta Magna prima pela garantia dos direitos individuais.. investigar significa (.Conceito de investigação criminal Você sabe o que significa investigar? Que sentido esta palavra assume no contexto da segurança pública? Segundo Canotilho (1999). (BUENO.33. Evoluindo para a Polícia do Século XXI. na obra Polícia Comunitária. SEÇÃO 2 .Criminalistica e Investigação Criminal Importante a diferenciação que Marcineiro e Pacheco. In: CANOTILHO. 1999. 1977:685). a Polícia passa a ter o dever de prestar serviços respeitando tais garantias e contribuindo para salvaguardá-las. fazem entre segurança nacional e segurança pública: a primeira com sendo a defesa do Estado e a segunda como tendo o foco na segurança da sociedade..) garantias são os meios processuais adequados à proteção dos direitos. visa a obtenção de evidências. após vinte e um anos de regime de exceção.372. Unidade 3 53 . Segundo Bueno (1977).. Nesse contexto. A atual Constituição Federal de 1988 é fruto de uma redemocratização. Promulgada em um Estado Democrático de Direito.) indagar. Você concorda? Muito bem.. É um ato instintivo do homem que o faz movido pelo princípio inteligente e pelo instinto de curiosidade.).. fazer diligências para achar. José Joaquim Gomes. descobrir. (. indícios e provas de materialidade e de autoria do crime. p. iniciada em 1985.

Antônio Scarance. . formar juízo sobre um fato. É o trabalho realizado por policiais. especialmente delegados e seus agentes.Conceito de prova Como dito. Estas circunstâncias são detalhes de fatos criminosos com a preocupação de melhor identificar as pessoas com eles relacionados e o próprio objeto do crime. O vocábulo “prova” origina-se do latim probatio. que por sua vez emana do verbo probare. 54 .1982. De Plácido e Silva (1978).106). SEÇÃO 3 . na demonstração da existência ou da veracidade daquilo que se alega como fundamento do direito que se defende ou que se contesta.(De PLACIDO e SILVA. FERNANDES. com o significado de demonstrar. 1978: 1253). Ada Pellegrini. meio de Prova e objeto da Prova: “Podese. que se deduz da fonte e se introduz no processo pelo meio de Prova)”. assim. GRINOVER. (GRINOVER. o objetivo da investigação criminal é a busca das provas criminais necessárias para a elucidação do crime. distinguir entre fonte de Prova (os fatos percebidos pelo juiz). visando reunir elementos probatórios para o indiciamento ou não e posterior encaminhamento à apreciação judicial. Segundo Greco Filho (1997:196). para comprovar materialidade e autoria do delito. a prova é todo meio destinado a convencer o juiz a respeito da verdade de uma situação de fato. bem como as circunstâncias em que ocorreram. A prova consiste. Qual o objetivo da Investigação criminal? O objetivo da investigação criminal é amealhar provas criminais. meio de Prova (instrumentos pelos quais os mesmos se fixam em juízo) e objeto da Prova (o fato a ser Provado. GOMES FILHO.A seguir você vai estudar sobre a prova e seu conceito. pois. procurando esclarecer a autoria e materialidade de delitos. p. FERNANDES E GOMES FILHO diferem fonte de Prova. reconhecer. é atividade policial direcionada à apuração das infrações penais e de sua autoria. As Nulidades no Processo Penal.Universidade do Sul de Santa Catarina A investigação policial. ou investigação criminal. Antônio Magalhães.

podem ou não corresponder à verdade.348. estando fortemente condicionados por circunstâncias históricas e culturais. Antônio Carlos de Araújo. Portanto. fazendo-se importante uma breve análise das origens deste modelo. constituem as questões de fato que devem ser resolvidas pelo juiz. Os meios de prova. Ada Pelegrinni. à vista da prova dos fatos pretéritos relevante. As provas criminais formam a convicção a respeito da autoria e materialidade da infração penal. das condições de antijuridicidade e culpabilidade. Antônio Carlos de Araújo. 2003. SEÇÃO 4 . concebidos como instrumentos de reconstituição de fatos pretéritos. no Processo Penal Brasileiro. a propósito de dada pretensão em juízo. GRINOVER. e de todos os demais elementos necessários para fundamentar uma decisão condenatória ou absolvitória. pode-se afirmar que é aquela utilizada para demonstrar a ocorrência ou não de uma infração penal e as circunstâncias que possam influir no julgamento da responsabilidade e na individualização das penas. sempre acompanharam a história da civilização. 2003: 348). adotou o modelo europeu-continental. Especificamente com relação à prova criminal.Evolução histórica da prova criminal O sistema probatório. De acordo com Cintra. GRINOVER. DINAMARCO. bem como as afirmações feitas pelo réu. p. que normalmente se contrapõem àquelas. as dúvidas sobre a veracidade das afirmações de fato feitas pelo autor ou por ambas as partes no processo. Cândido Rangel. Ada Pelegrinni. CINTRA. Unidade 3 55 . a prova criminal é aquela utilizada para demonstrar ao Juiz a veracidade ou falsidade da imputação feita ao réu e as circunstâncias que possam influir no julgamento da responsabilidade e na individualização das penas.Criminalistica e Investigação Criminal Todas as afirmações de fato feitas pelo autor.Teoria Geral do Processo. a prova constitui o instrumento por meio do qual se forma a convicção do juiz a respeito da ocorrência ou inocorrência dos fatos controvertidos no processo. (CINTRA. Em síntese. DINAMARCO.

Esta foi uma época em que os homens não conheceram a liberdade individual. Segundo Santos (1970). Coulange (1996) menciona que o respeito dos antigos às leis advinha da crença de que estas eram ditadas pelos deuses. 1996:152). não tendo aplicação entre os romanos. 56 .Universidade do Sul de Santa Catarina Na Antigüidade. a religião era a força propulsora das organizações rudimentares e. pois não se tinha a mais leve idéia sobre a individualidade humana e sobre os Direitos a ela inerentes. das cidades. Aqueles se fundavam na crença de que Deus não deixaria de sustentar o Direito do inocente. segundo Sznick conheceram e fizeram uso da tortura contra seus escravos na Antigüidade. posteriormente. (COULANGE. 1970:25). Durante muitos séculos na Idade Média. ou caminhar. Foi neste período em que se instituíram as ordálias ou juízos de Deus. Segundo Santos. e os juramentos. tinham origem sagrada. sendo o acusado absolvido se não restassem lesões e condenado no caso contrário. estando acima de tudo e de todos. Leis e religião se misturavam. sobre ferros candentes. as ordálias constituíram a prova suprema usada pelos germanos primitivos e os povos antigos da Ásia. e a prova pela água fervente consistia no acusado tirar um ou mais objetos do fundo de uma caldeira de água fervente. 1978:24). com os pés nus. conceitua ordália como “sendo a submissão de alguém a uma prova. com o domínio absoluto dos bárbaros na Europa. (SZNICK. (1970:26) na prova pelo fogo se fazia o acusado carregar uma barra de ferro em brasa por certa distância. se não dissesse a verdade ou fosse culpado. que. estes no pressuposto de que ninguém se atreveria a tomar Deus como testemunha de uma falsidade. as ordálias também tiveram aplicação. Santos (1970). na esperança de que Deus não o deixaria sair com vida ou sem um sinal evidente.” (SANTOS.

numa época em que a escrita não existia. com a finalidade de obter a confissão... 1982:47). Acerca dos juramentos. período em eram tidos como hereges os que contrariavam os dogmas oficiais da Igreja Católica. 1970: 30-31). (MONTESQUIEU. No final da época medieval e durante a Idade Moderna surgiram. os tribunais da inquisição. Cotrin (1997) menciona que a tortura era utilizada oficialmente nos interrogatórios. Assim. 1997:157). dada a pouca densidade da população e a própria natureza patriarcal dos agregados humanos.). nobreza e clero. Unidade 3 57 . que se reflete na influência exercida pelas religiões sobre os homens e as organizações sociais da Antigüidade e da Idade Média. atuante nos séculos XVI. instituiu-se como instituto probatório o duelo. 1996: 553). Novinski (1982) nomina este método de “inquisitivo”. na Europa. menciona que a prova pela água fervente podia ser substituída. na presença dos juízes. (NOVINSKY. pode-se dizer que a prova pelo juramento decorria da própria necessidade (. XVII e XVIII. e que atendia aos interesses de todas as facções do poder: coroa. Mas para que a tortura era utilizada? Qual a finalidade? Discorrendo sobre este momento. colherem-se provas testemunhais. (SANTOS. também chamado combate judiciário.Criminalistica e Investigação Criminal Montesquieu (1996). (COTRIN. a critério do acusador. bem como na circunstância de ser quase impossível. Com a desmoralização do juramento. Santos (1970) analisa: Compreende-se facilmente a inclusão do juramento entre os velhos sistemas probatórios. por certa quantia e pelo juramento de algumas testemunhas que declarassem que o acusado não havia cometido o crime.

Universidade do Sul de Santa Catarina Considerando a dificuldade de se obter outros meios de prova.(GOMES FILHO. cuja essência é a defesa do indivíduo contra as atrocidades e arbitrariedades daqueles tempos. A tortura clássica tornou-se mecanismo regulamentado e legalizado de Prova. é neste período que surgiu o sistema das provas legais. e que ele ganha agüentando ou perde confessando. 1997:22). Enfocando a tortura. Portanto. estando a nobreza sujeita à tortura apenas nos delitos considerados extremamente graves.). e somente a combinação destas autorizaria uma condenação criminal. (ORTEGA. de severidade graduada. (FOUCAULT. menciona que a tortura tratava-se de peça fundamental no processo. discorrendo sobre o sistema jurídico-penal e processual penal. Segundo Foucault. No que se refere à valoração das provas. o princípio da igualdade era inexistente naquela época. (2002) a tortura é um jogo judiciário estrito (.. a confissão do acusado representava o objetivo primordial do procedimento inquisitório. e era diferenciada de acordo com a classe social a que pertencia o indivíduo. e a pesquisa cedia vez à confirmação de uma verdade já estabelecida. escrita no século XVIII. 1993:36). o paciente é submetido a uma série de provas. manifestou-se afirmando que a tortura é muitas vezes um meio seguro de condenar o inocente fraco e de absolver o criminoso robusto. menciona: somente ela podia fornecer a certeza moral a respeito dos fatos investigados. pelo qual cada prova tinha seu valor previamente determinado. nos séculos XVI e XVII. e que influenciou a reforma de muitos Códigos Penais e Processuais Penais Europeus. autor da obra Dos Delitos e Das Penas. 2002:36). Beccaria (1993). 58 . Ortega (1998). 1998:463) Sobre este tema.. utilizada para obter a confissão do réu. na Europa. (BECCARIA. Gomes Filho (1997).

A confissão era a regina probatium* e o depoimento de uma só testemunha não possuía valor probatório (testis unus. (VALIENTE. Gilberto. a supressão total da tortura e da pena de morte. Na Idade Média e grande período da Idade Moderna. Sabadell (2002). na dúvida de ser inocente ou culpado”. indícios e presunções. 2002:275). 2002:161. (tradução da autora). “La tortura. p. Por meio deste instituto era concedida a dispensa de produção de provas em determinados casos. diferentemente das demais provas. CALDAS. p. a tortura era empregada para suprir a deficiência dos meios probatórios da época: “A tortura.Criminalistica e Investigação Criminal Valiente (2002). idéias estas que continuam a influenciar os sistemas penais e processuais penais atuais. qué hace el juez? Ordena atormentar a una persona. burgueses e plebeus. segundo o método escolástico. com meios de prova claros e racionais. O Latim no Direito. em graus: provas plenas. a igualdade entre nobres. Supondo que o delito não está provado. público. Unidade 3 59 . (SABADELL. p.162) Para Bentham. não se permite que se estabeleça nenhuma discussão ou questionamento. conceitua notorium como sendo a prova à qual se deve dar a máxima credibilidade. Sabadell (2002). Gilberto. discorrendo sobre a tortura oficializada afirma: A tortura judicial está vinculada ao sistema de provas legais. Sua base é a classificação sistemática das provas romanas. BENTHAM. o que se coaduna com o sistema inquisitório. testis nullus**).495. empleada para arrancar las confesiones.308. Acima da prova plena está o notorium. desenvolvido a partir do século XIII pelos doutrinadores do Direito medieval europeu.316. Tratado de Las Pruebas Judiciales. inexistia a concepção de direitos individuais. CALDAS. havendo sempre a prevalência do interesse público em detrimento do indivíduo. Jeremias. já que. se encamina a suplir la insuficiencia de las pruebas. objetiva suprir a deficiência das provas. desvinculando os conceitos de pecado e delito. en la duda de si es inocente o culpable”. (cf. semiplenas. que faz o juiz? Ordena atormentar uma pessoa. e a preferência dos métodos preventivos aos repressivos. a nítida separação entre a religião e o Estado e seus Poderes. na obra citada: a mudança do processo inquisitivo para o acusatório. O Latim no Direito. *tradução: rainha das Provas (cf. En el supuesto de que el delito no está probado. a proporcionalidade entre os delitos e as penas. ** tradução: uma só testemunha equivale a nenhuma testemunha. sintetiza algumas das idéias defendidas por Beccaria. empregada para arrancar as confissões.

implicava. mencionar os sistemas de valoração de prova. Um grau alcançado na demonstração da culpa (prova semiplena). para confirmar a suspeita legalmente criada de que ele era realmente culpado. mas ao longo dos séculos a doutrina o submeteu a modificações para facilitar a sua aplicação. a proibição legal da tortura. o princípio da inocência do acusado era desconhecido. 2002:278). e. incluindo a autorização para o uso da tortura. Os ideais iluministas postulados pela Revolução Francesa romperam com o sistema inquisitivo. sendo inicialmente rígido. as provas não eram reunidas para apurar uma possível responsabilidade penal do réu. (.Universidade do Sul de Santa Catarina Em matéria de processo penal. p. Tratava-se do sistema da íntima convicção. conseqüentemente. Conforme Sabadell (2002). De acordo com Sabadell (2002). Em outras palavras. a Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão.. Tais ideais foram uma reação ao sistema inquisitório e à doutrina das provas legais. “selando a concepção 60 . sendo que esta era constituída por cada um dos elementos que permitiam reconhecer um culpado. advinda da Revolução Francesa. a presunção de inocência do acusado e o direito ao contraditório. conferiram maior liberdade aos juízes na apreciação da prova e na indicação dos motivos da convicção. cf.) a existência de uma meia prova implicava a consideração do réu como meio culpado. através da Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão. e sim um meio culpado. É importante. de 1789. um determinado grau de punição. até o surgimento posterior do sistema da livre apreciação de provas. 1997. também.. (SABADELL. Antônio Magalhães. de 1789.28-29. consagrou a escola do Direito Natural. Vêm ao encontro de um sistema probatório que respeita o ser humano enquanto sujeito de direitos e garantias individuais. dentre elas. além do já citado sistema das provas legais. Segundo Grinover (1982). GOMES FILHO. Foram citados alguns meios de prova utilizados no transcorrer da história. não se torturava um inocente. Direito à Prova no Processo Penal. o sistema das provas legais passou por várias fases.

não criados. Gomes Filho (1997:55) entende que uma verdadeira Justiça penal pressupõe o reconhecimento. Fernando. (. o modelo inspirador da maioria das legislações. estivesse amparado por um mínimo de elementos probatórios. Gomes Filho (1997:31) afirma que em 1808. 1992:93).htm>.) o núcleo doutrinário da Declaração está contido nos três artigos iniciais: o primeiro refere-se à condição natural dos indivíduos que precede a formação da sociedade civil. segundo esta nova concepção. p. o terceiro.. além de convencido. 1º: “Todos os seres humanos nascem livres e iguais em dignidade e Direitos”.267. nenhum indivíduo. que vem depois (.Criminalistica e Investigação Criminal da existência de direitos subjetivos preexistentes ao Estado.. também chamado por Capez de Unidade 3 CAPEZ. Nenhuma corporação. do poder de produzir provas contrárias às da acusação. A doutrina passou a postular limitações à íntima convicção do juiz..net/legislação. até os dias atuais. o Code d’instruction criminelle francês instituiu a combinação entre os padrões inquisitório e acusatório. Passou-se a postular pelo sistema da persuasão racional. mas uma verdade obtida através de meios probatórios produzidos pelas partes. à finalidade da sociedade política.Curso de Processo Penal. 3º:”O Princípio de toda soberania reside essencialmente na Nação. 61 . influenciando os demais ordenamentos continentais e representando. o segundo. à defesa. art.gila. pode exercer autoridade que aquela não emane expressamente”. o juiz só estaria autorizado a condenar se. e. art. ao Princípio de legitimidade do poder que cabe à nação.net/internacional/ declaração_Direitos_homem_cidadao_1789. a fim de obter-se não uma verdade extorquida inquisitoriamente. menciona Bobbio (1992). Segundo a Declaração Universal dos Direitos do Homem .03.. 2º: “O objetivo de toda associação política é a conservação dos Direitos naturais e imprescritíveis do homem”. (BOBBIO.art.) do estado de natureza. mas reconhecidos por este”. Acesso em 14.12. Disponível em: <http://www. 2002. Acerca desta Declaração.

prova plena de sua culpabilidade. não é menos certo que não fica adstrito a nenhum critério apriorístico no apurar. Não serão atendíveis as restrições à prova estabelecidas pela lei civil. E precisamente nisto reside a suficiente Garantia do Direito das partes e do interesse social. (ano). O sistema probatório de persuasão racional foi adotado pelo Código Processual Penal Brasileiro . desde que acompanhada de demonstração lógica dos motivos da decisão. cedendo-se ao julgador liberdade de valoração da prova. obedecendo à Constituição da República. fi xou-se como pressuposto do direito de defesa o conhecimento pelas partes dos caminhos percorridos pelo juiz ao julgar (persuasão racional). no capítulo que discorre sobre Provas. em vez de protetor das liberdades públicas. ou nec essariamente maior prestígio que outra. o juiz formará.Decreto-Lei n. o Código 62 . advertir que livre convencimento não quer dizer puro capricho de opinião ou mero arbítrio da apreciação das Provas. Não estará ele dispensado de motivar sua sentença. a verdade material. O juiz está livre de preconceitos legais na aferição das Provas. ex vi legis. Todas as provas são relativas.1941-. Nunca é demais. Conforme Colucci (1988): Num terceiro estágio. considerando-se a visão sistêmica. em respeito ao contraditório. Através do sistema da persuasão racional. 157: “O juiz formará sua convicção pela livre apreciação da prova”. (COLUCCI.3689. evitando-se que a excessiva liberdade na avaliação das provas transformasse o processo penal em instrumento de opressão e terror.Universidade do Sul de Santa Catarina sistema da livre (e não íntima) convicção. tornou-se verdadeira garantia individual. honesta e lealmente. através do seu artigo 157. Trecho extraído da Exposição de Motivos do Código Processual Penal Brasileiro. desde que o faça motivadamente e. Código Processual Penal Brasileiro.10. fatalmente. não há hierarquia entre as Provas e o juiz pode decidir de acordo com a sua consciência. através delas. Oportuna a transcrição deste trecho da Exposição de Motivos do Código Processual Penal Brasileiro. art. nem é prefi xada uma hierarquia de provas: na livre apreciação destas. salvo quanto ao estado das pessoas. porém. valor decisivo. A própria confissão do acusado não constitui. da verdade real ou do livre convencimento. Se é certo que o juiz fica adstrito às provas constantes dos autos. A motivação das sentenças e decisões de modo geral. mas não pode abstrair-se ou alhear-se ao seu conteúdo. a sua convicção. 1988:237-250). de 03. nenhuma delas terá.

SEÇÃO 5 . O Ministério Público. a investigação criminal não é atividade exclusiva destas Polícias. o magistrado buscar como fundamento elementos estranhos aos autos. o objetivo principal das Polícias Civil e Federal é a investigação criminal.Criminalistica e Investigação Criminal de Processo Penal e demais legislações vigentes.) atende às exigências da busca da verdade real. pois. que: (. admitindo-se as provas inominadas. XXXVIII. Neste sistema. e impede o absolutismo pleno do julgador. entende Capez (2002). Não pode.Inquérito policial Como você viu anteriormente. preceituados no artigo 5º. a autoria e estabelece as condições em que o crime ocorreu.. à acusação e à defesa. concebe-se a prova no Processo Penal como verdadeiro direito garantido às Polícias. Tal motivação não se faz necessária apenas nas decisões do júri. um sistema processual penal que permite todos os meios de prova. Tem-se. devendo indicá-los especificamente. os meios de prova mencionados no Código de Processo Penal são apenas exemplificativos. Unidade 3 63 . Mas. (CAPEZ 2002:267). entretanto. igualmente. na medida em que exige motivação. limitados. Polícias Militares e outros órgãos podem exercer atividade investigativa. Acerca deste sistema. da Carta Magna. pelas normas constitucionais e infraconstitucionais. assegurado pela leitura coordenada da Constituição da República.. e por textos legais internacionais. que procura demonstrar a existência do fato criminoso. gerador do arbítrio. rejeitando o formalismo exacerbado. Congresso Nacional. De outro lado. considerando a soberania dos vereditos e o sigilo das votações. Não basta ao magistrado embasar a sua decisão nos elementos probatórios carreados aos autos.

realização de acareações. Após a prática da infração penal. por meio da investigação policial. previsto no Código da Criança e do Adolescente (Lei Federal n. normalmente.) é o conjunto de diligências realizadas pela Polícia visando a investigar o fato típico e a apurar a respectiva autoria. previsto nas Leis Federais n. interrogatório de suspeito e/ou indiciado. cujos atos e resultados deverão ser formalizados. requisição de todas as perícias necessárias.. onde se diligenciará para buscar provas demonstrando materialidade e autoria do crime. através do inquérito policial. o termo circunstanciado. As atividades são as mais diversas de acordo com o delito praticado. prisões. mediante requisição ministerial ou judicial. quebra de sigilo fiscal. representações por mandados de busca e apreensão. O auto de prisão em flagrante. os atos investigativos são praticados no inquérito policial.Universidade do Sul de Santa Catarina O inquérito policial é de atribuição exclusiva das Polícias Federal e Civil. fotográficos. quebra do sigilo bancário. via de regra. ou ainda. 64 . avaliações reconhecimentos pessoais. quebra do sigilo telefônico. Via de regra. depoimentos de testemunhas. mediante requerimento de qualquer pessoa. o que é feito através da investigação. cabe à Polícia Judiciária a apuração imediata do delito. A partir deste momento. este estudo aborda apenas este. de forma geral. cabe ao delegado de polícia determinar a instauração do inquérito policial. previsto no Código de Processo Penal Brasileiro. 8069/90). 10259/2001. e outros. Segundo Tourinho Filho (2001:25) inquérito policial (. Considerando que. também são procedimentos policiais que podem ensejar investigação.. a notícia de um crime chega ao conhecimento da autoridade policial através do boletim de ocorrência. 9099/95 e n. declarações de vítimas. e o auto de apuração de atos infracionais.

i) Investigação sobre a vida pregressa do indiciado. O inquérito policial apresenta a forma escrita. se for o caso. não pode ser arquivado pelo delegado de polícia. de forma geral. de iniciativa obrigatória e indisponível. e definindo as técnicas a serem aplicadas. Unidade 3 65 . é sigiloso. detalhando quais atividades investigativas serão realizadas. destacandose: a) Comparecimento e preservação do local. se for possível. Estas têm uma seqüência determinada pela autoridade policial que estiver presidindo o inquérito policial. em que o princípio do contraditório não é considerado. é de natureza inquisitiva. c) Coleta de todas as provas do fato e de suas circunstâncias. j) Reprodução simulada dos fatos. Para que a investigação policial tenha resultado e o inquérito policial seja concluído comprovando materialidade e autoria do crime. se for o caso. b) Apreensão dos instrumentos e todos os objetos relacionados com o fato. após a sua instauração. em face da necessidade da realização desta ou daquela diligência. se for o caso. Não se pode contar com a improvisação e com a sorte no que concerne à investigação policial. O artigo 6º. cabe à Polícia realizar planejamento específico. Do Código de Processo penal Brasileiro delibera quanto aos procedimentos da Polícia Judiciária na apuração dos delitos. inclusive seus antecedentes criminais. g) Exame de corpo de delito. é. d) Oitiva do ofendido ou da vítima. de acordo com as peculiaridades da infração penal praticada. não existindo um rito pré-estabelecido para a atividade investigativa.Criminalistica e Investigação Criminal Todos estes atos são formalizados no inquérito policial. em que tempo. h) Identificação datiloscópica do indiciado. nos termos do artigo 17 do Código de Processo Penal Brasileiro. e) Oitiva do indiciado. f) Reconhecimento de pessoas e coisas e acareações. faz-se necessária a aplicação de técnicas investigativas. Quando o crime.

Através da Carta Magna. vigia o sistema de provas legais. busca-se amealhar provas criminais. sendo inicialmente rígido. que eram previamente determinadas e hierarquizadas. sempre acompanharam a história da civilização. Para tanto. a seguir. sendo a confissão considerada aquela de maior valor. estando fortemente condicionados por circunstâncias históricas e culturais. nominando-a de “rainha das provas”. 66 . Investigação criminal é a atividade voltada à apuração das infrações penais. ou investigativa policial. a função investigativa criminal. mas ao longo dos séculos a doutrina o submeteu a modificações para facilitar a sua aplicação. concebida como aquelas utilizadas para demonstrar ao Juiz a veracidade ou falsidade da imputação feita ao réu e as circunstâncias que possam influir no julgamento da responsabilidade e na individualização das penas. concebidos como instrumentos de reconstituição de fatos pretéritos. Os meios de prova. O sistema das provas legais passou por várias fases. a síntese da unidade.Universidade do Sul de Santa Catarina . até o surgimento posterior do sistema da livre apreciação de provas. verificamos que cabe à Polícia Federal e às Polícias Civis dos Estados. O sistema de provas foi sendo alterado com o transcorrer dos tempos. também chamadas Polícias Judiciárias. realize as atividades de Autoavaliação e consulte o saiba mais para ampliar seus conhecimentos acerca do assunto estudado. Na Idade Média e grande período da Idade Moderna. Síntese As polícias existentes no Brasil e suas atribuições estão descritas na Constituição Federal de 1988.Leia. através da elucidação da materialidade e autoria dos delitos.

em que o juiz tinha total liberdade na valoração das provas e nas suas decisões processuais. razão pela qual a Polícia Militar é proibida de realizar qualquer tipo de investigação criminal. verdade real ou persuasão racional. Congresso Nacional. Após abusos praticados nas sentenças. dentre eles. o inquérito policial é de atribuição exclusiva das Polícias Federal e Civis. ) O inquérito policial é peça imprescindível para a instauração do processo criminal. Assembléias Legislativas dos Estados. Este sistema foi o adotado pelo Código de Processo Penal Brasileiro vigente. que conferiu diversos direitos e garantias ao homem até então não existentes. Ministério Público. de 1789. ficando isento de motivar as suas sentenças absolutórias ou condenatórias.Criminalistica e Investigação Criminal Após a Declaração Universal dos Direitos do Homem e do Cidadão. Ocorre que. Além das Policias mencionadas. ) As Polícias exercem atividades excludentes. no qual a obrigatoriedade da motivação das decisões judiciais e das sentenças tornou-se verdadeira garantia individual. surgiu o sistema da livre apreciação de provas. criou-se o sistema da livre convicção. outros órgãos exercem função investigativa. decisão absolutória ou condenatória. ( ( ( Unidade 3 67 . Atividades de auto-avaliação Assinale verdadeiro ou falso: ( ) O rol de provas elencados no Código de Processo Penal Brasileiro é exemplificativo. ) O sistema de provas previsto no Código de Processo Penal Brasileiro é o da íntima convicção.

direitonet.br/textos/x/15/73/1573 Artigo: Flagrante eficiente. Responda a seguinte questão: Na sua percepção. Disponível em: http://www.br/?page_name=art_05_ 2005&category_id=31 68 .damasio.http://www.com. durante o curso de uma investigação. os policiais devem estar voltados prioritariamente à indicar e localizar o autor do crime ou à busca da verdade? Saiba mais Para complementar seus conhecimentos você pode ler: Texto: Inquérito Policial – Sigilo irrestrito.Universidade do Sul de Santa Catarina 2.com. Disponível em: www.

Conhecer e técnicas como o interrogatório.UNIDADE 4 Investigação Criminal Objetivos de aprendizagem Estudar técnicas de investigação policial. Identificar a função das Polícias Investigativas e verificar qual a relação com a investigação experimental e suas respectivas técnicas. informante e vigilância. infiltração policial. 4 Seções de estudo Seção 1 Interrogatório Seção 2 Infiltração policial Seção 3 Informante Seção 4 Vigilância .

2003. Mas.” O que é técnica? Bem. Prática da Pesquisa Jurídica. Idéias e Ferramentas Úteis para o Pesquisador do Direito. na preservação da ordem pública e da incolumidade das pessoas e do patrimônio.) é um conjunto diferenciado de informações. sob o comando de uma ou mais bases lógicas de pesquisa. Cesar Luiz. seqüencial.Universidade do Sul de Santa Catarina Para início de estudo Para iniciar os estudos desta unidade considero oportuno que você conheça termos-chave para a compreensão do que se pretende abordar.. pautado pelas garantias individuais e coletivas do cidadão. Vamos lá? Comecemos com a palavra “técnica. podemos dizer que a investigação necessita de técnicas que assegurem um trabalho lógico. a) Quem? b) O que? c) Onde? d) Com que auxílio? e) Por que? f) De que maneira? g) Quando? Agora veremos o que é um procedimento. Visa à investigação policial resposta para as perguntas: (hectâmetro).. Então.107. (. Técnica. de acordo com Pasold (2003). na busca imparcial da verdade objetivando cumprir o dever do Estado. p. reunidas e acionadas em forma instrumental. Assim. PASOLD. para realizar operações intelectuais ou física. ficará mais fácil o entendimento do conteúdo desenvolvido nas seções que seguem. como essa palavra pode ser definida? 70 .

você terá a oportunidade de conhecer algumas técnicas policiais mais comumente usadas num processo de investigação. Vamos lá? SEÇÃO 1 . É um estudo profundo de um problema.Criminalistica e Investigação Criminal Procedimento é o conjunto dos atos pelos quais se ordenam e se exercitam. A investigação será realizada a fim de obter informação sobre um tema. guardando características próprias e peculiares em função dos mesmos. 10792.2003. na investigação policial podemos dizer que procedimento é o conjunto dos atos policiais que tem por objetivo colher as provas da infração penal. que foram todos alterados pela Lei n. com a finalidade de descobrir fatos novos. sobretudo. O procedimento do interrogatório encontra-se disposto nos artigos 185 a 196 do Código de Processo Penal. de 1. Concorda? O procedimento se consubstancia nos diversos atos policiais no decorrer das investigações e a técnica representa a maneira como o procedimento é realizado. Então. A investigação é direcionada de acordo com os diferentes tipos de delitos.12. Na seqüência. Tanto a investigação quanto a análise se baseiam no exame completo de um problema concreto. os meios necessários para instruir a causa e assegurar ou restabelecer uma relação jurídica controvertida. nela se procura. Unidade 4 71 . recolher e organizar informações básicas. sob determinados preceitos legais.Interrogatório Interrogatório é o termo utilizado pelo Código de Processo Penal para conceituar a inquirição do acusado no processo penal.

espaço. chamada técnica de interrogatório. uma legítima defesa putativa ou uma injusta provocação da vítima. tentando sempre buscar a verdade dos fatos. a fim de que saiba fazer as perguntas com pertinência. demonstrando firmeza e seriedade. 72 . etc. A preparação é importante porque é comum o autor da infração penal. Entretanto. quando alguém vai narrá-los. ação e resultado. denomina-se interrogatório o ato em que o suspeito ou indiciado pela prática da infração penal presta depoimento formalmente nos autos. perante a autoridade policial. nem sempre o faz obedecendo a uma seqüência real desses fatos dentro daquela estrutura. O interrogatório deve sempre ser orientado através de técnica. Dessa forma. por exemplo. Quais as técnicas de interrogatório? Técnicas de abordagem dos fatos Os fatos acontecem dentro de uma estrutura de tempo. elucidar o crime. alegando. de forma técnica. Evidentemente que as técnicas ora mencionadas também podem ser aplicadas durante a tomada de declarações da vítima ou a tomada de depoimento de testemunha. melhor do que o investigando. embora confessando o delito. em favor da investigação. não tenha interesse de obter a narrativa de maneira ordenada. fazê-lo de forma a se beneficiar. O interrogador tem o dever de conhecer o fato que investiga. Pode acontecer que o interrogador.Universidade do Sul de Santa Catarina No âmbito policial. diminuindo as conseqüências penais. é importante que o interrogador busque. segurança e sabedoria. Usualmente conceitua-se declaração como sendo a inquirição da vítima e depoimento a inquirição da testemunha.

além de incidir em conduta criminosa também não prima pelo raciocínio inteligente. levando-se em conta a seqüência como um interrogado pode narrar os fatos que estão sendo investigados. Por essa razão. O policial que faz uso da violência na investigação. Técnica da Seqüência Memorial Esta técnica tem aplicação quando a pessoa que estiver sendo inquirida se prontifica a narrar os fatos espontaneamente. Isto não pode deixar de ser levado em conta por quem investiga. promovendo resultados negativos para o caso específico e para a Instituição Policial. A seqüência com que os fatos são narrados depende da lembrança que interrogando tenha das circunstâncias do fato. etc. e da seqüência retroativa: A experiência tem demonstrado que a prática de um delito. como em razão dos cuidados que se toma para ocultar os fatos. é importante buscar apurar onde e com quem o suspeito ou indiciado esteve durante todo o dia do crime. A aplicação de técnicas na atividade investigativa consiste no uso da inteligência. manteve contatos ou encontros com pessoas estranhas. ausentou-se de casa ou do trabalho sob qualquer pretexto. da seqüência protaitiva. O emprego de técnicas no transcurso do interrogatório norteia o interrogador para que demonstre conhecimento e segurança acerca do delito que investiga. da seqüência dos fatos. a seqüência como os fatos serão abordados deve obedecer a critérios técnicos que sejam de pleno conhecimento e domínio do interrogador. se saiu mais cedo ou chegou mais tarde. Unidade 4 73 . da seqüência embaralhada. quebra a rotina de quem o pratica. via de regra.Criminalistica e Investigação Criminal Assim. Dessa forma. a saber: da seqüência memorial. o interrogador pode se valer de cinco técnicas. Estas técnicas foram mencionadas em aulas expositivas no Curso de Formação para Delegado de Polícia – Ministradas na Academia da Polícia Civil de Santa Catarina. tanto por força das atividades necessárias à perpetração do delito. Ano 1998. e obtenha objetivamente a informação desejada.

O interrogador deve. levando-se em conta o tempo decorrido. a partir do momento estabelecido pelo interrogador. Somente uma narrativa real e verdadeira se sustentaria harmônica diante desta técnica. Técnica da Seqüência Embaralhada Esta técnica aplica-se quando há indícios de que a pessoa que está sendo inquirida optou por mentir acerca dos fatos que se investiga. por parte. percorrendo a narrativa do início ao fim do delito. induzindo o interrogando a erro. para que não consiga responder com encadeamento. embaralhar ao máximo os pontos já abordados. Para aplicação desta técnica faz-se necessário que a pessoa que estiver sendo inquirida demonstre a vontade de expor os fatos. Técnica da Seqüência Protaitiva É a técnica pela qual o interrogador parte de um determinado momento que pode ser de horas ou dias antes do crime e vai avançando no tempo. devendo o interrogador conduzir a narrativa para que os fatos sejam relatados de forma clara e dentro da seqüência dos próprios acontecimentos. então. na medida em que estas vão lhe surgindo na memória.Universidade do Sul de Santa Catarina Muitas vezes o interrogando inicia a sua fala pelo ato executório e depois desordenadamente vai narrando as demais circunstâncias. Técnica da Seqüência dos Fatos Esta técnica procura abordar o acontecido levando em conta a seqüência em que os fatos se desenrolaram. 74 . lógica e coerência às perguntas feitas. quando. buscando esclarecer as atividades e convivências da pessoa que se interrogando. fazendo-a constatar que a sua versão dos fatos não condiz com as demais provas materiais e testemunhais amealhadas. como e porque iniciou. como se desenvolveu e como e quando terminou.

dando a este um grau de liberdade maior nas suas colocações. o interrogador não deverá interferir. Consiste em permitir que o interrogando. Técnica da Seqüência Retroativa Esta técnica percorre o tempo de forma inversa aos acontecimentos. Parte de um determinado momento que pode ser da comunicação do delito ou de sua execução e vai retroagindo no tempo até um determinado horário. Ainda que a narrativa não corresponda àquilo que já foi apurado nos autos. inclusive não deixar transparecer que não está acreditando na versão apresentada. espontaneamente. profissional e criteriosa. tudo registrando fielmente. certamente não resistirá ao crivo da investigação séria. sem qualquer interferência do interrogador. Se a versão for mentirosa.Criminalistica e Investigação Criminal A experiência tem demonstrado que para esconder atividades e encontros relacionados com a preparação e execução do crime. o interrogador se comporta de forma amigável com o interrogando. Através desta técnica. Unidade 4 75 . Por esta técnica. Estas técnicas foram mencionadas em aulas expositivas no Curso de Formação para Delegado de Polícia – Ministradas na Academia da Polícia Civil de Santa Catarina. preparar e executar o delito. o interrogando faz uma narrativa dos fatos por ele praticados. da forma mais livre possível. Técnicas de Comportamento São técnicas que tratam da postura. A verdade virá naturalmente à tona. Técnica da Espontaneidade É a técnica que deve ser utilizada para o início de um interrogatório. da forma como o interrogador deve se comportar frente ao interrogando. Ano 1998. o suspeito ou indiciado acaba inventando situações que são facilmente desmentidas posteriormente. narre livremente o fato criminoso. cujas evidências indiquem como sendo o tempo gasto para o suspeito ou indiciado cogitar.

76 . sobre este ou aquele momento do delito. O interrogador jamais deve contar o fato que investiga ao interrogando. pois assim fazendo correrá o risco de prejudicar a busca da verdade. como esquecimento e até mesmo por desconhecer este ou aquele detalhe. ainda que o interrogando resolva narrar os fatos espontaneamente. diretas e de preferência curtas. De um modo geral. como por qualquer outro motivo. para que não paire dúvidas ao interrogando sobre a resposta que deverá dar. Técnica da Indução Caracteriza-se pela formulação de perguntas ao interrogando que o induzam. leva-se o interrogando a. Através desta técnica o interrogador discute as circunstâncias do delito e elucida pontos relevantes mencionados durante a narrativa espontânea. precisa. a dar uma resposta certa e objetiva. não conseguir sustentar a sua versão dos fatos. se tiver mentido na narrativa espontânea. As perguntas devem ser claras. A técnica da indução permite ao interrogador direcionar o diálogo. Assim. O que caracteriza esta técnica é a formulação de perguntas bem elaboradas que induzam o interrogando a dar uma resposta certa.Universidade do Sul de Santa Catarina Todavia. sobre esta ou aquela circunstância não esclarecida. isso acontece tanto intencionalmente. dificilmente o fará de forma completa. formulando perguntas bem elaboradas. pela técnica da indução. é interessante que perceba que nem todo autor de crime confessa o fato espontaneamente e aí se faz necessário o emprego de outras técnicas para se chegar à verdade. pela própria maneira como são formuladas.

prevêem diminuição da pena de um a dois terços para o concorrente que confessa o delito.072/1990 e 9. Outros argumentos ainda podem ser utilizados pelo interrogador. As Leis Federais de números 8. sendo primário. 65. emprego e profissão certos. 13. com a conseqüente extinção da punibilidade ao acusado que. Além dos benefícios legais. que dispõe sobre a utilização de meios operacionais para a prevenção e repressão de ações praticadas por organizações criminosas. A Lei Federal n. bons antecedentes. constituindo um incentivo à confissão. que consiste em um instrumento que permite ao indiciado. em troca da diminuição de pena. tais como a possibilidade de responder o crime em liberdade. letra “d” do Código Penal Brasileiro. delatando os demais participantes. que outros que podem ser sustentados? Unidade 4 77 . mostrando ao interrogando que somente tem a ganhar se disser a verdade. ou que tenha conhecimento das suas atividades. Assim o policial deve argumentar com os benefícios da lei. há a confissão espontânea. ou delação premiada.Criminalistica e Investigação Criminal Técnica da Persuasão Esta técnica tem por objetivo persuadir. 9. A Lei Federal n.269/1996. tenha colaborado efetiva e voluntariamente com a investigação ou processo criminal. Entre as atenuantes do crime. inciso III. fornecer informações que propiciem o desmantelamento de organização criminosa da qual faça parte. o interrogador jamais deve inventar benefícios legais inexistentes. convencer o investigando a primar pela verdade dos fatos. em seu art. dispõe que o juiz poderá conceder o perdão judicial.807/1999. etc. em face da primariedade. prevista no art. 9034/95. menciona a colaboração eficaz. Evidentemente. residência fi xa. no seu artigo 6º.

alterando-se. Técnica da Alternância Consiste na aplicação das técnicas mencionadas acima. após. Não obstante. Cada policial deverá estar plenamente certo da técnica que irá aplicar. LXIII. deve-se retornar à técnica da espontaneidade. da Constituição Federal de 1988. Deve-se indagar acerca do que foi alegado pelo indiciado que esteja mal esclarecido. a oportunidade de dizer a verdade. LXIII. social e profissional de alguém. com o diferencial de que. Técnica do Desmentido Esta técnica consiste em relacionar e mostrar ao suspeito que está faltando com a verdade. a aplicação de cada técnica deve ser feita por policial diferente. Técnica do Questionamento Consiste em questionar o que foi dito pelo indiciado e que não estiver de acordo com o que se apurou. além de conhecer com a maior profundidade possível o fato delituoso que estiver sendo apurado. agindo sempre com calma e segurança. portanto as técnicas e seus aplicadores. sendo-lhe assegurada a assistência da família e de advogado”. da Constituição Federal de 1988: “O preso será informado de seus direitos. uma vez esclarecido o fato criminoso cessa a perseguição da polícia. oferecendo a ele. que sempre causa transtornos à vida pessoal. entre os quais o de permanecer calado. Com paciência. Sabe-se que o silêncio do interrogado não pode ser interpretado em prejuízo a sua defesa. mostrando a ele todas as controvérsias que seu interrogatório apresenta. 78 . esta atitude motiva a intensificação das investigações. 5º. A cessação da pressão social e da imprensa também pode constituir um forte argumento para convencer uma pessoa a esclarecer o delito. o interrogador deve aguardar a reação do suspeito. nos termos do artigo 5º.Universidade do Sul de Santa Catarina O primeiro argumento é de que. Após a aplicação desta técnica. Art.

o detector de mentiras não é utilizado no Brasil. a fim de elucidar os fatos. escolher um dos policiais para revelar a verdade. por ter maior afinidade com ele do que com os demais. pois é muito comum o investigando. de maneira que se mantenha um perfeito domínio sobre os pontos abordados e que estes sejam explorados com todos os interrogandos. É interessante que você perceba que a acareação deve ser breve e se restringir apenas ao ponto em que houve controvérsia. Deve ser aplicada por um único policial. Técnica da Informação Cruzada Aplica-se esta técnica nos casos em que se investiga dois ou mais co-autores ou partícipes do delito. sabendo-se que ele busca afetar psicologicamente o suspeito. e quando a versões dos fatos oferecidas por eles sejam controversas. questionar o interrogando cuja versão esteja em desacordo com o conjunto probatório podendo realizar acareação entre os suspeitos. Do Emprego do Detector de Mentiras Diferentemente de outros Países. Quando o interrogador verifica que existem divergências.Criminalistica e Investigação Criminal Esta técnica tem proporcionado bons resultados práticos. no decorrer da aplicação das técnicas. É importante inquirir os suspeitos separadamente impossibilitando que um deles tome conhecimento das declarações dos demais. Unidade 4 79 .

... mediante prévia autorização judicial e.. entre outros.. obtidos pelo policial infiltrado.. A infiltração visa a atingir. identificar pessoas envolvidas em um crime. Em qualquer fase da persecução criminal são permitidos... 10217/01.... Trata-se de uma técnica de investigação que objetiva obter informações.. mediante circunstanciada autorização judicial.. 9034/95: Art. a infiltração até bem pouco tempo não era permitida. mediante o recrutamento e posterior inserção de pessoas.... sem prejuízo dos já previstos em lei. que alterou a redação do artigo 2º da Lei Federal n. determinar o momento oportuno para a realização de uma operação policial... pelo que requer planejamento e preparação... os seguintes objetivos: obter informações ou provas... em tarefas de investigação..... preferencialmente.. Apresenta elevado risco para o policial infiltrado. constatar se um crime está sendo planejado ou realizado. sob a proteção de uma história-cobertura.Infiltração policial A infiltração policial trata-se de técnica operacional eficaz..... 2º.Universidade do Sul de Santa Catarina SEÇÃO 2 . em determinado ambiente....... No Brasil... sob acompanhamento do Ministério Público.. os seguintes procedimentos de investigação e formação de provas: . que permite a obtenção de conhecimentos profundos da organização criminosa.... 80 .. Foi inserida no sistema processual penal brasileiro pela Lei n. Deve ser realizada por tempo determinado..... em descompasso com a maioria dos países mais avançados no tocante à repressão ao crime. constituída pelos órgãos especializados pertinentes. V – infi ltração por agentes de polícia ou de inteligência.

lugares e objetos com a finalidade de obter informações sobre as atividades e a identidade de pessoas.Informante A técnica do informante permite estabelecer procedimentos uniformes. e.Criminalistica e Investigação Criminal SEÇÃO 3 . transportadores e compradores de drogas ilícitas. Quais os tipos de vigilância existentes? De modo geral. SEÇÃO 4 . portanto. a serem seguidas pelos órgãos policiais. que se encontram inseridos na comunidade. incluídas as contramedidas eletrônicas. a vigilância é a única técnica de investigação a que se pode recorrer para averiguar a identidade dos fornecedores. por parte do suspeito ou de seus cúmplices. Muito freqüentemente.Vigilância A vigilância é a observação encoberta. deve levar em conta a possibilidade de uma contravigilância. veículos. por meios similares. contínua ou periódica de pessoas. O planejamento de uma operação de vigilância. seja a pé ou por outros meios. existem três tipos de vigilância: Unidade 4 81 . que contemplem o acompanhamento e fiscalização pelas Corregedorias de Polícia. a serem utilizados no manejo de fontes vivas (informantes). possuem informação de grande valia. Existe a necessidade de sua regulamentação através de diretrizes gerais.

objeto ou pessoa. Determinar onde se encontra uma pessoa a qualquer momento. 82 . mecânicos ou de outra índole para interceptar o conteúdo de comunicações orais ou telefônicas. a partir de um ponto fixo. Localizar pessoas observando seus conhecidos e os lugares que freqüentam. um local. Testar a confiabilidade de informantes. b) Vigilância fixa: que consiste em vigiar continuamente. c) Vigilância eletrônica: na qual se utilizam aparatos eletrônicos. Obter pistas e informações graças aos contatos mantidos com outras fontes.Universidade do Sul de Santa Catarina a) Vigilância móvel: em que o investigador segue um indivíduo a pé ou em um veículo. Impedir que se cometa um ato criminoso ou prender uma pessoa no momento em que comete o delito. Localizar bens escondidos ou contrabando. Proteger agentes encobertos ou corroborar seu testemunho. Quais os são objetivos de uma operação de vigilância? Obter provas de um delito. Obter informações que possam ser utilizadas em interrogatórios. Obter provas admissíveis nos tribunais.

Além disso. Unidade 4 83 . mediante a captação de conversações ambientais e a interceptação de comunicações telefônicas. deve ser preparado um plano tático que preveja as eventualidades e especifique a função de cada um dos policiais. é necessário receber instrução e capacitação especializadas. A vigilância eletrônica é um aparato investigativo que ocasiona excelentes resultados operacionais.Criminalistica e Investigação Criminal Uma das primeiras medidas que antecedem qualquer operação de vigilância é a designação do policial coordenador. Considerando a abrangência do tema. É extremamente importante que se levem em conta essas limitações potenciais à estratégia de investigação. a) Vigilância eletrônica A vigilância eletrônica compreende muitas e diversas tecnologias. deve-se estabelecer um sistema seguro de comunicação com os superiores e uma coordenação central. é oportuno destacar que o estudo procurou enfocar a vigilância que se cumpre como recurso de investigação policial. e se atue de acordo ao planejar as operações de vigilância eletrônica. Também devem ser combinados sinais para a comunicação entre os policiais da vigilância. você tem a oportunidade de ver mais pormenorizadamente aspectos da vigilância eletrônica. Na seqüência. as substituições. a dura ção da vigilância. destacadamente no combate ao crime organizado e ao tráfico de drogas. Nas operações em que participam vários policiais. a vigilância eletrônica está estritamente limitada pelo temor de violar o direito à intimidade das pessoas. Em muitos países. considerando a sua ampla utilização e sua previsão legal. Para utilizar eficazmente os diversos aparatos e técnicas requeridas por esse modo especializado de investigação. algumas das quais exigem um equipamento complexo e caro.

) é inviolável o sigilo da correspondência e das comunicações telegráficas. (1999). considera interceptação telefônica a captação. Quando feita por um dos interlocutores. exigindo necessária regulamentação por lei ordinária. 9034/1995..Universidade do Sul de Santa Catarina b) Captação de conversações ambientais No que concerne à captação de conversações ambientais. 84 . de conversa telefônica. admitia fossem violadas as comunicações. desde que judicialmente autorizadas e (.) para fins de investigação criminal ou prova em processo penal. excepcionando o princípio constitucional. porém. de dados e das comunicações telefônicas. inclusive do Supremo Tribunal Federal. sem ou com o conhecimento de um ou de ambos os interlocutores.. a quebra do sigilo das comunicações passou a ter tratamento constitucional. que. alínea “e” da Lei n. como a maioria dos doutrinadores. bem como o seu registro e análise. c) Interceptação de comunicações telefônicas Mendes. no entendimento majoritário da doutrina e jurisprudência. ao artigo 2º da Lei Federal n. por terceiro. a captação é chamada gravação de conversa telefônica. 4117/62 (Código Brasileiro das Telecomunicações). inciso II. Anteriormente à previsão constitucional o fundamento legal utilizado para a interceptação era o artigo 57. por ordem judicial.. 10217/2001 acrescentou o inciso IV. A Constituição Federal de 1988. A prova obtida mediante gravação de conversa telefônica será objeto de comentário posteriormente. 10217/2001 instituiu no sistema jurídico brasileiro esta modalidade de vigilância eletrônica. inciso XII estabelece: (. Com o advento da Constituição Federal de 1988. salvo. disciplinando expressamente acerca da captação e interceptação ambiental de sinais eletromagnéticos. nas hipóteses e na forma que a lei estabelecer para fins de investigação criminal ou instrução processual penal. em seu artigo 5º. óticos ou acústicos. A Lei Federal n. no último caso. a Lei Federal n..

A Lei n. 9296/96 prevê diversas exigências para a concessão de interceptação telefônica. previu: Constitui crime realizar interceptação de comunicações telefônicas.9296/96. infração penal apurada deve ser punida com pena de reclusão. e multa. procedimento deve tramitar em segredo de justiça. artigo 1º. Lei n. 9296/96 que regulamentou o inciso XII. na investigação criminal. Unidade 4 85 . exigência de realização de auto circunstanciado após o término da interceptação. da Constituição Federal e tratou das interceptações telefônicas. § único: “O disposto nesta Lei aplica-se à interceptação do fluxo de comunicações em sistemas de informática e telemática” estendeu a sua abrangência à interceptação do fluxo de comunicações em sistemas de informática e telemática. constando o resumo das operações realizadas. Penal – reclusão. comprovada necessidade. O parágrafo único do artigo 1º da Lei n. requerimento deve ser feito pela autoridade policial. A mencionada Lei. em seu artigo 10º. prorrogável por igual período. tais como: a interceptação deve ser utilizada como prova em investigação criminal e em instrução processual penal. sem autorização judicial ou com objetivos não autorizados em lei. de informática ou telemática. ou quebrar segredo da Justiça. do artigo 5º. 9296/96. necessidade de ordem judicial.Criminalistica e Investigação Criminal Em 1996. parte final. prazo máximo de interceptação de quinze dias. ou pelo representante do Ministério Público. na investigação criminal e na instrução processual penal. de dois a quatro anos. A discussão doutrinária acerca da legalidade deste dispositivo será comentada oportunamente. entrou em vigor a Lei Federal n.

que se consubstancia na escolha dos diversos atos policiais no decorrer das investigações e a técnica representa a maneira como o procedimento é realizado. Dessa forma. perante a autoridade policial.Universidade do Sul de Santa Catarina Com o advento da Constituição Federal de 1988. Dessa forma.10792. Algumas técnicas investigativas foram estudadas nesta unidade.12. O procedimento do interrogatório encontra-se disposto nos artigos 185 a 196 do Código de Processo Penal. Interrogatório é o termo utilizado pelo Código de Processo Penal para conceituar a inquirição do acusado no processo penal. As técnicas de interrogatório também podem ser utilizadas na inquirição da vítima e testemunha. a seguir.Leia. . que foram todos alterados pela Lei n. de 1. técnicas e procedimentos passaram a ser adotados. Nesse contexto. os agentes estatais que realizam investigação viram-se obrigados a se aperfeiçoar no exercício profissional e a se pautar em técnicas eficazes à atividade investigativa. realize as atividades de Autoavaliação e consulte o saiba mais para ampliar seus conhecimentos acerca do assunto estudado. é imprescindível ao êxito desta atividade a adoção de procedimento. Síntese A atividade investigativa afigura-se como trabalho lógico e seqüencial que objetiva a apuração das infrações penais.2003. infiltração. através da coleta de provas criminais. a síntese da unidade. que inseriu diversos direitos e garantias individuais muitas vezes limitadoras da busca da prova criminal. e também em razão dos crescentes índices da criminalidade. recursos como técnicas de interrogatório. .Interrogatório É o ato em que o suspeito ou indiciado pela prática da infração penal presta depoimento formalmente nos autos. 86 . uso de informantes e vigilância são cada vez mais utilizados pelas Polícias investigativas na elucidação dos delitos.

. Unidade 4 87 . portanto. obtidos pelo policial infiltrado. da informação cruzada. da alternância. algumas das quais exigem um equipamento complexo e caro. que permite a obtenção de conhecimentos profundos da organização criminosa. Técnicas de comportamento: da espontaneidade. da seqüência dos fatos. Em muitos países. a serem utilizados no manejo de fontes vivas (informantes). 2. da seqüência protaitiva e da seqüência retroativa. que se encontram inseridos na comunidade. lugares e objetos. A vigilância eletrônica compreende muitas e diversas tecnologias. a vigilância eletrônica está estritamente limitada pelo temor de violar o direito à intimidade das pessoas. do desmentido. com a finalidade de obter informações sobre as atividades e a identidade de pessoas. É extremamente importante que se leve em conta essas limitações potenciais à estratégia de investigação. contínua ou periódica de pessoas.Infiltração A infiltração policial trata-se de técnica operacional eficaz. e atue de acordo ao planejar as operações de vigilância eletrônica. Muito freqüentemente.Técnicas de abordagem dos fatos: da seqüência memorial. – Informante A técnica do informante permite estabelecer procedimentos uniformes. Requer planejamento e preparação e foi inserida no sistema processual penal brasileiro está pela Lei 10217/01. a vigilância é a única técnica de investigação a que se pode recorrer para averiguar a identidade dos fornecedores. transportadores e compradores de drogas ilícitas. da indução da persuasão. e. possuem informação de grande valia. veículos. do questionamento. que alterou a redação do artigo 2º da Lei Federal n.Vigilância A vigilância é a observação encoberta. 9034/95. . da seqüência embaralhada.Criminalistica e Investigação Criminal As técnicas de interrogatório são as seguintes: 1.

Este inciso foi acrescentado pela Lei Federal n. ) No caso de haver mais de um suspeito. é importante que eles sejam interrogados conjuntamente. o advogado poderá fazer perguntas. Atividades de auto-avaliação Assinale verdadeiro ou falso: ( ) Durante o interrogatório do indiciado. considerando que o rol de provas elencado no Código de Processo Penal Brasileiro é apenas exemplificativo. 10217/2001. ) São modalidades de vigilância eletrônica a captação de conversação ambiental e a interceptação telefônica. ) Interceptação telefônica e gravação telefônica são sinônimos. a captação de conversações ambientais e a interceptação de comunicações telefônicas. ) É necessário que a vítima seja interrompida durante o relato do ocorrido. para que sejam feitas perguntas dirigidas aos autores. armas e outros dados importantes. A captação de conversações ambientais encontra-se prevista no inciso IV.Universidade do Sul de Santa Catarina São modalidades de vigilância eletrônica. 9034/95. ) O detector de mentiras e a hipnose são meios de prova aceitos no ordenamento brasileiro. em face do princípio do contraditório consagrado pela Constituição Federal de 1988. A interceptação de comunicações telefônicas encontra-se disciplinada pela Lei Federal n. ( ( ( ( ( 88 . 9296/96. do artigo 2º da Lei Federal n.

escuta telefônica e gravação clandestina-prova-sua validade na persecução criminal.Criminalistica e Investigação Criminal 2. este realiza gravação telefônica ou interceptação telefônica? Por quê? Justifique sua resposta.” Disponível em: http://direitonetcombr/artigos/x/24/32/2432 Unidade 4 89 . Responda à seguinte questão: Indivíduo ameaçado de morte por telefone e grava esta ameaça. Saiba mais Para aprofundar seus conhecimentos leia o: Artigo: “Violação da intimidade por intermédio de interceptação telefônica. durante uma conversação.

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Relacionar a prova às manifestações e aos princípios constitucionais de garantia dos direitos fundamentais. 5 Seções de estudo Seção 1 Sobre as provas: história e garantias constitucionais .UNIDADE 5 Limites da Investigação Criminal Objetivos de aprendizagem Conhecer a prova criminal. seu conceito e sua evolução histórica.

a Constituição Federal de 1988. então. dentre outros. artística e científica. Também outras normas infraconstitucionais elencam direitos individuais. instituiu diversos direitos individuais ao cidadão que devem ser respeitados e acabam por limitar a atuação policial investigativa na busca da prova. de dados e telefônicas. Todos devem ser considerados na investigação criminal. Vamos lá ? Comecemos. à integridade física e moral. bem como garante as inviolabilidades da manifestação do pensamento. A Constituição da República explicita.Universidade do Sul de Santa Catarina Para início de estudo Para a manutenção de um Estado Democrático de Direito é necessário que a atividade estatal seja limitada por direitos e garantias individuais. à liberdade. Nesta unidade você terá a oportunidade de estudar sobre as provas. Como você já teve a oportunidade de ver. mediante a obtenção de provas criminais. com um pouco de história. sua história e como elas se inserem no ordenamento jurídico brasileiro e concebidas no âmbito dos direitos e princípios constitucionais. à privacidade. tida como garantista. a garantia da inadmissibilidade das provas obtidas por meios ilícitos e o direito à não produzir prova contra si próprio. de ordem material e processual. 92 . à igualdade. ainda. o direito à vida. à honra e imagem. Assegura. da liberdade espiritual. Nesse sentido. do sigilo da correspondência e das comunicações telegráficas. a investigação policial almeja a apuração da materialidade e autoria dos crimes. da expressão intelectual. do domicílio.

sempre foi influenciada pelo contexto histórico. Apenas com os ideais iluministas da Revolução Francesa. instrumento por meio do qual se forma a convicção do juiz a respeito da ocorrência ou inocorrência dos fatos controvertidos no processo. Você sabia? Que durante a Antigüidade e parte da Idade Média. quando a religião era o valor supremo das organizações e desconheciam-se os direitos fundamentais. social e cultural da civilização. em que a confissão era mais valorada do que as demais provas. sendo que esta era constituída de cada um dos elementos que permitiam reconhecer um culpado. o qual não possuía direitos e garantias limitadores do poder estatal. instituiriam-se as ordálias e os juramentos. Prevalecia a concepção organicista da sociedade. A prova. concedendo total Unidade 5 93 . Desconhecendo o princípio da presunção de inocência. criou-se o sistema da íntima convicção.Criminalistica e Investigação Criminal SEÇÃO 1 . as provas não eram reunidas para apurar uma possível culpabilidade do réu. meios de prova que outorgavam a Deus a capacidade de condenar ou absolver os indivíduos? Que no final da Idade Média e grande período da Idade Moderna. com a criação dos Tribunais da Inquisição.Sobre as provas: história e garantias constitucionais Num Estado Democrático de Direito a busca pela prova na investigação policial não é absoluta. em que o interesse do Estado estava acima do indivíduo. os valores do homem considerado em sua individualidade passaram a serem observados. a tortura era oficialmente aceita como meio de Prova necessário para a obtenção da confissão? Utilizava-se o sistema das provas legais. encontrando limites expressos constitucional e infraconstitucionalmente. Contrapondo-se ao sistema das provas legas.

não há hierarquia entre as provas e o juiz pode decidir de acordo com a sua consciência. explicita ou implicitamente. que passa a ser concebido não apenas como instrumento para persecução penal. a proibição legal da tortura. A busca pela verdade na investigação e no processo criminal passou a sofrer limitações consubstanciadas nas liberdades públicas. opondo-se ao subjetivismo da íntima convicção do juiz. 94 . como meio para salvaguardar direitos fundamentais. também. Como você pode ver. proclamaram diversos direitos fundamentais.Universidade do Sul de Santa Catarina liberdade aos juízes na apreciação da Prova. adotado pelo Código Processual Penal Brasileiro. dispensando-os de motivar suas decisões. muitos deles consagrados pela Constituição Federal de 1988. mas. no Estado Democrático brasileiro. O homem passou a ser respeitado enquanto sujeito de direitos e garantias. a presunção de inocência do acusado e o direito ao contraditório. Estes direitos e garantias consubstanciam-se em limites à atividade estatal. pelo qual a motivação das decisões judiciais tornou-se verdadeira garantia individual. e outros textos internacionais sobre Direitos humanos. os princípios e regras insertos. Posteriormente. desde que o faça motivadamente e obedeça à Constituição da República e demais textos legais. surgiu o sistema da persuasão racional ou livre convicção. através do sistema da persuasão racional. Neste contexto. dentre elas. de 1789. na Constituição da República atuam como norteadores da fase policial e do processo penal. A Declaração Universal dos Direitos do Homem. inclusive no que concerne à produção da prova na investigação e no processo penal.

tanto os Direitos como as suas limitações. Aos Poderes Executivo. Unidade 5 95 . Legislativo e Judiciário cabem respeitar os direitos fundamentais. provas ilícitas e ilegítimas. (GRINOVER. não podem ser entendidos em sentido absoluto. também chamados de liberdades públicas.) os Direitos do homem. segundo a moderna doutrina constitucional. transferiu do Direito natural ao Direito positivo. através de quaisquer meios de provas. Ambas. que se colocam como limites à atividade investigativa policial. acentuaram a transformação dos Direitos individuais em Direitos do homem inserido na sociedade. 1999. através de sua consagração. Liberdades fundamentais e liberdades públicas são também expressões usadas para exprimir Direitos Fundamentais (cf. As grandes linhas evolutivas dos Direitos Fundamentais. SILVA. De tal modo que não é mais exclusivamente com relação ao indivíduo. verifica-se que a atuação da Polícia em um Estado Democrático de Direito é limitada. no Estado social de Direito. o processo penal é o instrumento no qual se desenvolve a instrução probatória. é tida como ilícita. tais como os princípios constitucionais. pelo que não se permite que qualquer delas seja exercida de modo danoso à ordem pública e às liberdades públicas. p. José Afonso da. conceituadas por Grinover. sintetizam Grinover.181) Efetivamente. também. Quando a prova ofende preceitos de ordem processual é chamada ilegítima. após o liberalismo. que se justificam.) os Direitos do homem que o Estado... como sendo (.. Acerca deste tema. desde que não ofendam os direitos fundamentais. 1999:113). mas no enfoque de sua inserção na sociedade. são ilegais. Nesta linha de pensamento. (GRINOVER: 1992:15)..Criminalistica e Investigação Criminal Quando a prova viola normas de direito material. em face da natural restrição resultante do Princípio da convivência das liberdades. pelos direitos e garantias individuais. et all. Scarance e Gomes Filho: (. Curso de Direito Constitucional Positivo.

Relembre o que diz o artigo 5º. na forma da lei. as Provas obtidas por meios ilícitos. nos termos seguintes: (. No contexto desta discussão. por determinação judicial. de dados e telefônicas. nas hipóteses e na forma que a lei estabelecer para fins de investigação criminal ou instrução processual penal. as seguintes garantias. salvo em caso de flagrante delito ou desastre. XI. a proteção aos locais de culto e a suas liturgias. intimidade. sendo vedado o anonimato..) incisos III – ninguém será submetido a tortura nem a tratamento desumano ou degradante. dentre outras: da inadmissibilidade das provas obtidas por meios ilícitos. assegurado o Direito à indenização pelo dano material ou moral decorrente de sua violação. propriedade. vida privada. artística e científica. liberdade. IX – é livre a expressão da atividade intelectual. no último caso. sendo assegurado o livre exercício dos cultos religiosos e garantida. à segurança e à propriedade. à liberdade. VI – é inviolável a liberdade de consciência e de crença. XII – é inviolável o sigilo da correspondência e das comunicações telegráficas. segurança. no processo.Universidade do Sul de Santa Catarina A utilização das provas e os direitos fundamentais A Constituição da República explicita as garantias concernentes à vida. 96 . ou . igualdade. independentemente de censura ou licença. LX – a lei só poderá restringir a publicidade dos atos processuais quando a defesa da intimidade ou o interesse social o exigirem. sem distinção de qualquer natureza. salvo. ninguém nela podendo penetrar sem consentimento do morador. IV – é livre a manifestação do pensamento. da liberdade espiritual. ou para prestar socorro. a honra e a imagem das pessoas. artística. da publicidade dos atos processuais. por ordem judicial. do interrogado reservar-se no direito de permanecer calado. da Constituição da República: “Todos são iguais perante a lei. honra e imagem das pessoas. durante o dia. a autora adotou como sinônimas as expressões ‘Direito à intimidade” e “ Direito à Privacidade”. garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do Direito à vida. científica e de comunicação. à igualdade. de dados e das comunicações telefônicas. do domicílio.a casa é asilo inviolável do indivíduo. Assegura ainda. bem como às inviolabilidades da manifestação do pensamento. da expressão intelectual. do sigilo da correspondência e das comunicações telegráficas. X – são invioláveis a intimidade. a vida privada. integridade física e moral. LVI – são inadmissíveis.

Faz-se importante lembrar que. ainda que com o consentimento do interrogado. e no Pacto Internacional sobre os Direitos Civis e Políticos. razão pela qual as intervenções corporais. 97 . tais como o detector de mentiras. No Brasil. pois se ninguém pode ser obrigado a declarar-se culpado. durante o dia. por ordem judicial. (SILVA. não são aceitas pelo ordenamento brasileiro.. artigo 5º. é vedado constranger o suspeito a fornecer provas que prejudiquem a sua defesa. sem consentimento do morador. tais como exames de sangue e testes de alcoolemia. a narcoanálise. posto que tais direitos. Acerca deste tema. garantindo a privacidade do cidadão. afirma Gomes Filho (1997). Unidade 5 Constituição da República. de 1966.)”. Também a tortura está proibida em diversas declarações internacionais. são irrenunciáveis. trata-se de crime inafiançável e insuscetível de graça ou anistia.. ninguém nela podendo penetrar. art. sendo-lhe assegurada a assistência da família e de advogado”. em caso de flagrante delito ou desastre. 9455.Criminalistica e Investigação Criminal LXIII – o preso será informado de seus Direitos. sem a anuência daquele. enquanto fundamentais. entre os quais o de permanecer calado. (. ou. bem como a utilização de meios que afetem a liberdade de declaração. 1999: 185). O Direito à Prova não vai ao ponto de conferir a uma das partes no processo prerrogativas sobre o próprio corpo e a liberdade de escolha da outra. Em face da garantia constitucional da presunção de inocência. a sua negativa não presume a veracidade do fato que se quer provar. também deve ter assegurado o seu Direito a não fornecer Provas incriminadoras contra si mesmo. durante o dia. ou. mencionados anteriormente. são vedados pelo nosso sistema legal. de 1969. por determinação judicial. ou para prestar socorro. Constituição da República. Desta forma. inclusive na Convenção Americana sobre Direitos Humanos. (GOMES FILHO. sem consentimento do morador. é a violação do Direito à não auto-incriminação e à liberdade pessoal.) o que se deve contestar em relação a essa intervenções. O crime de tortura encontra-se tipificado na Lei n. ainda que mínimas. inciso XLIII – “a lei considerará crimes inafiançáveis e insuscetíveis de graça ou anistia a prática da tortura (. salvo em caso de flagrante delito ou desastre.. 5º. 1997:119). da mesma forma. qualquer tipo de violação à integridade física e psíquica do acusado. o hipnose. a intimidade e a dignidade pessoal do acusado.. A garantia constitucional da inviolabilidade do domicílio excepciona apenas a entrada. de 07 de abril de 1997. XI – “a casa é asilo inviolável do indivíduo. ou para prestar socorro.

através da via postal ou telegráfica. é possível. cf. devemos concluir que. Constituição da República.. XII – “é inviolável o sigilo da correspondência e das comunicações telegráficas. no último caso. são adotadas as seguintes definições: (. ainda. a interceptação da correspondência e/ou das comunicações telegráficas e de dados. 5º. nas hipóteses e na forma em que a lei estabelecer para fins de investigação criminal ou instrução processual penal.. 98 . art. e que. Direito à Intimidade e Interceptação Telefônica. por ordem judicial.) Correspondência: É toda comunicação de pessoa a pessoa. salvo. pela administração penitenciária. Desta forma.173-174. no último caso. ou. O Código de Processo Penal prevê que as cartas poderão ser exibidas em juízo pelo respectivo destinatário. p. defende-se que nenhuma liberdade individual é absoluta. a Constituição da República garantiu. 6538/78. O que diz o Supremo Tribunal Federal sobre isso? Lei n. art. O Supremo Tribunal Federal já decidiu favoravelmente à possibilidade da interceptação. defende-se a análise gramatical deste inciso e advoga-se que o sigilo da correspondência e/ou das comunicações telegráficas e de dados não comporta exceções. de correspondência que seria remetida por preso. respeitados certos parâmetros. de dados e das comunicações telefônicas. salvo. a inviolabilidade do sigilo da correspondência e das comunicações telegráficas. de disciplina prisional ou de preservação da ordem jurídica. com fundamento em razões de segurança pública. de dados e telefônicas. de dados e das comunicações telefônicas. por meio de carta. embasado na visão sistêmica do ordenamento jurídico. Maria Gilmaíse de Oliveira. por ordem judicial. Desconsiderando-se a discussão doutrinária acerca da expressão “último caso” incidir exclusivamente sobre as comunicações telefônicas ou abranger as comunicações telegráficas. sendo absoluto. portanto. verifica-se que o sigilo da correspondência não atinge nenhuma das duas interpretações. para a defesa de seu direito.Universidade do Sul de Santa Catarina Como já visto. 47: Para os efeitos desta Lei. pela leitura do inciso XII do artigo 5º da Constituição da República. 1999. nas hipóteses e na forma que a lei estabelecer para fins de investigação criminal ou instrução processual penal. MENDES.

para a defesa de seu Direito. os artigos 3º e 4º da Lei Complementar 105/2001. preservado o seu caráter sigiloso mediante acesso restrito às partes. art. o requerimento de quebra de sigilo independe da existência de processo judicial em curso. § 3o Além dos casos previstos neste artigo o Banco Central do Brasil e a Comissão de Valores Mobiliários fornecerão à Advocacia-Geral da União as informações e os documentos necessários à defesa da União nas ações em que seja parte”. 233: “As cartas particulares. Unidade 5 99 . A inviolabilidade do sigilo de dados complementa a previsão ao direito à intimidade e abrange as informações bancárias e fiscais dos cidadãos. permite a violação do sigilo bancário por decisão judicial ou por determinação de comissão parlamentar de inquérito. § único: “As cartas poderão ser exibidas em juízo pelo respectivo destinatário. 3º da Lei Complementar 105/2001 No que se refere ao sigilo bancário. ainda que não haja consentimento do signatário. que delas não poderão servir-se para fins estranhos à lide. ou que tenha relação com as atribuições do cargo em que se encontre investido. interceptadas ou obtidas por meios criminosos. Veja o que diz o artigo: “Serão prestadas pelo Banco Central do Brasil. § 2o Nas hipóteses do § 1o. pela Comissão de Valores Mobiliários e pelas instituições financeiras as informações ordenadas pelo Poder Judiciário. § 1o Dependem de prévia autorização do Poder Judiciário a prestação de informações e o fornecimento de documentos sigilosos solicitados por comissão de inquérito administrativo destinada a apurar responsabilidade de servidor público por infração praticada no exercício de suas atribuições. O Art. não serão admitidas em juízo”.Criminalistica e Investigação Criminal Código de Processo Penal. que dispõe sobre o sigilo das operações de instituições financeiras e dá outras providências.

Também o sigilo fiscal pode ser excepcionado por ordem judicial ou determinação de comissão parlamentar de inquérito. 4o da Lei Complementar 105/2001: “ O Banco Central do Brasil e a Comissão de Valores Mobiliários. além de outros previstos nos regimentos das respectivas Casas. serão criadas pela Câmara de Deputados e pelo Senado Federal (. diretamente das instituições financeiras. por parte da Fazenda Pública ou de seus funcionários. Código Tributário Nacional. do Senado Federal. para qualquer fim. e as instituições financeiras fornecerão ao Poder Legislativo Federal as informações e os documentos sigilosos que. § 2o As solicitações de que trata este artigo deverão ser previamente aprovadas pelo Plenário da Câmara dos Deputados. obterão as informações e documentos sigilosos de que necessitarem. 58. 100 . art. que terão poderes de investigação próprios das autoridades judiciais.Universidade do Sul de Santa Catarina Art. fundamentadamente. é vedada a divulgação. § 1o As comissões parlamentares de inquérito. 198: “Sem prejuízo do disposto na legislação criminal.. Constituição Federal. obtida em razão do ofício. unicamente. se fizerem necessários ao exercício de suas respectivas competências constitucionais e legais. ou por intermédio do Banco Central do Brasil ou da Comissão de Valores Mobiliários.. os casos previstos no artigo seguinte e os de requisição regular da autoridade judiciária no interesse da Justiça”. ou do plenário de suas respectivas comissões parlamentares de inquérito” . Parágrafo único: Excetuam-se do disposto neste artigo.). no exercício de sua competência constitucional e legal de ampla investigação. § 3º : “As comissões parlamentares de inquérito. art. nas áreas de suas atribuições. sobre a situação econômica ou financeira dos sujeitos passivos ou de terceiros e sobre a natureza e o estado dos seus negócios ou atividades. de qualquer informação.

678..97). (STF -1ª Turma. Precedente do STF: (HC 74. Octavio Gallotti .06. A Lei 9296/96 e seus Reflexos Penais e Processuais. Existe discrepância doutrinária acerca da constitucionalidade deste dispositivo. Quando feita por um dos interlocutores. artigo 1º. DJU em 22. 1ª Turma.08. Unidade 5 101 .97. HC 75261 – MG – 1ª Turma . há diferenciação entre esta e gravação telefônica.Rel. O entendimento doutrinário e jurisprudencial majoritário é no sentido de dar à gravação. 9296/96.. 2. Conceituando a informática como a prática de comunicações via computador e a telemática como a ciência que trata da manipulação e utilização da informação através do uso combinado do computador e meios de comunicação. será possível a interceptação para prova em investigação criminal e em instrução processual penal. e policiais e parentes da vítima. a captação é chamada gravação de conversa telefônica. 42-44. aceitando-se a gravação.. com o conhecimento dos últimos. Interceptação telefônica Como já foi mencionado. Min. Licitude desse meio de prova. e que portanto.p. O parágrafo único do artigo 1º da Lei n. Este é o entendimento pacífico do Supremo Tribunal Federal: Interceptação telefônica e gravação de negociações entabuladas entre seqüestradores. Streck não vislubra qualquer inconstitucionalidade neste artigo.1997 . (. As Interceptações Telefônicas e os Direitos Fundamentais. este autor entende que o veículo de tais variantes é o telefone. em 24. por um dos interlocutores.06. de outro.Criminalistica e Investigação Criminal Neste sentido faz-se importante realizar uma breve análise sobre as interceptações telefônicas. p. sendo o caso. Lenio Luiz. 10. Constituição – Cidadania – Violência. j. tratamento diferenciado da interceptação.9296/96 (Lei n. alegando que o fluxo de comunicações em sistema de informática e telemática são variantes da modalidade comunicações telefônicas. como prova lícita. § único: “O disposto nesta Lei aplicase à interceptação do fluxo de comunicações em sistemas de informática e telemática”.). de um lado. telefônica ou ambiental. recipiendários das ligações.) estende a sua abrangência à interceptação do fluxo de comunicações em sistemas de informática e telemática. STRECK.

5º. bancários. decisão do Tribunal de Justiça de Santa Catarina com relação à prova. por ordem judicial. ART. DJU em 04. bem como ao sigilo de dados.296/96 – Embora a Carta Magna. A jurisprudência pretoriana é unissonante na afirmação de que o direito ao sigilo bancário. já decidiram pela constitucionalidade das interceptações dos sistemas de informática e telemática. Min. XII). não é um direito absoluto. prevista no inciso XII do artigo 5º da Constituição Federal. 5º.11. parágrafo único). XII – Leis nº. Otávio Roberto Pamplona – p.2001 – p.2002. Vicente Leal –p. considera inconstitucional o dispositivo sob comento. e vislumbra os sistemas de informática e telemática como variantes das comunicações de dados. excluindo as comunicações telegráficas e de dados. STJ – HC 15026 – SC – 6ª T. Des.. DJSC em 26. “o acesso a dados. CONSTITUCIONAL – PROCESSUAL PENAL – HABEAS-CORPUS – SIGILO DE DADOS – QUEBRA – BUSCA E APREENSÃO – INDÍCIOS DE CRIME – INVESTIGAÇÃO CRIMINAL – LEGALIDADE – CF.2002 TJSC – MS . STJ – HC 15026 – SC – 6ª T. Greco Filho (1996). financeiras e eleitorais” (Lei nº 9. Outros Tribunais. bem como “ a interceptação do fluxo de comunicações em sistema de informática e telemática” (Lei nº 9. como o Superior Tribunal e Justiça e o Tribunal de Justiça de Santa Catarina. III)..Universidade do Sul de Santa Catarina De outro lado. A legislação integrativa do canon constitucional autoriza. cedendo espaço quando presente em maior dimensão o interesse público. – Rel. – Rel. concebe que esta questão está centrada na interpretação que se dá à expressão “último caso”. 1º.11. Este autor entendendo que tal expressão limita-se às comunicações telefônicas. DJU em 04. a despeito de sua magnitude constitucional. no capítulo das franquias democráticas ponha em destaque o direito à privacidade. em sede de persecução criminal.034/95. Habeas-corpus denegado”.296/96. mediante autorização judicial. contém expressa ressalva para admitir a quebra do sigilo para fins de investigação criminal ou instrução processual penal (art. Nesse sentido. documentos e informações fiscais.034/95 e nº 9. Min. 2º.10. 119 Ainda. art. art. Vicente Leal – p. Leia atentamente mandado de segurança a seguir: 102 .9. 251 – (17096) – Blumenau – Rel.

de dados ou de comunicações telefônicas preconizado pelo art. em relação às quais é pacífico que cabe a quebra do sigilo por determinação judicial. 5º. 2º da Lei nº 9. XII. Na espécie. apenas alguns limites materiais à prova. ministério. No caso. para a análise do caso não há a necessidade de se perquirir sobre a constitucionalidade da equiparação. estão compreendidas no sigilo de correspondência.296/1996.256/1996. Otávio Roberto Pamplona – p. XII. ainda que constitucional. todavia. a impossibilidade de condenação embasada exclusivamente na confissão do acusado. A Lei nº 9. A matéria é objeto da ADIN nº 1. existem limitações probatórias previstas no Código de Processo Penal. devendo o magistrado verificar se estão presentes os pressupostos legais para o deferimento da medida e. porque representa exceção à garantia constitucional prevista no preceito referido. equiparou-as às comunicações telefônicas. ou profissão. de 1996. que ensejam muita discussão doutrinária e jurisprudencial.499-9. com possibilidade de suprimento pela prova testemunhal. na qual foi indeferida a medida liminar. restrições de prova relacionadas ao estado civil das pessoas. seguir o procedimento fixado na Lei nº 9. da Constituição Federal. ante a regra inserta no inciso III do art. em razão de função. ofício. quando esta deixar vestígios. estando pendente de julgamento. 5º. sendo as infrações investigadas punidas. dos laudos periciais serem lavrados por dois peritos oficiais. Des. Limitações probatórias Além dos preceitos limitativos de ordem material. devam guardar segredo. não por ausência do fumus boni iuris.(TJSC – MS. É que a interceptação do fluxo de tais comunicações (informática e telemática). descabe a quebra do sigilo. no máximo. Podemos citar: a obrigatoriedade da prova pericial para a constatação da materialidade da infração penal.2001 – p. com a pena de detenção. no parágrafo único do seu art. 251 – (17096) – Blumenau – Rel.10.Criminalistica e Investigação Criminal MANDADO DE SEGURANÇA – DECISÃO MONOCRÁTICA – QUEBRA DE SIGILO DE CORREIOS ELETRÔNICOS (E-MAIL) – ART. no caso de desaparecimento destes vestígios. via correio eletrônico (e-mail). necessidade.296. mas do periculum in mora. DA CONSTITUIÇÃO FEDERAL – CORRESPONDÊNCIA – SISTEMA DE INFORMÁTICA E TELEMÁTICA – INCLUSÃO NO CONCEITO – Há controvérsia se as comunicações em sistema de informática/telemática. 119). 1º. em regra. em caso positivo. Unidade 5 103 . disso dependendo a licitude ou ilicitude da medida. Segurança concedida. proibição de depor como testemunhas as pessoas que. Foram sucintamente mencionados neste item. há de ser deflagrada com cautela. em caráter exemplificativo. DJSC em 26.

Código de Processo Penal. 62 – “No caso de morte do acusado. somente quando ao estado das pessoas. e depois de ouvido o Ministério Público. desobrigadas pela parte interessada.Universidade do Sul de Santa Catarina Código de Processo Penal. 155 – “No juízo penal. e demais textos legais que. conferem ilegalidade à prova. perceba que a produção da prova criminal encontra-se limitada por preceitos insculpidos na Constituição da República. art. devam guardar segredo. 158 – “Quando a infração deixar vestígios. art. não podendo supri-lo a confissão do acusado”. 167 – “Não sendo possível o exame de corpo de delito. ofício ou profissão. Portanto. a Prova testemunhal poderá suprir-lhe a falta”. salvo se. art. 104 . serão observadas as restrições à Prova estabelecidas na lei civil”. quiserem dar o seu testemunho”. declarará extinta e punibilidade”. será indispensável o exame de corpo de delito. por haverem desaparecido os vestígios. direto ou indireto. caput –“Os exames de corpo de delito e as outras perícias serão feitos por dois peritos oficiais”. 207 – “São proibidas de depor as pessoas que. ministério. art. 159. art. art. em razão de função. o juiz somente à vista da certidão de óbito. quando violados.

meios de prova que outorgavam a Deus a capacidade de condenar ou absolver os indivíduos. sempre foi influenciada pelo contexto histórico. concedendo total liberdade aos juízes na apreciação da prova. o qual não possuía direitos e garantias limitadores do poder estatal. No final da Idade Média. e parte da Idade Média. criou-se o sistema da íntima convicção. a tortura era oficialmente aceita como meio de Prova necessário para a obtenção da confissão. . em que a confissão era mais valorada do que as demais provas. Prevalecia a concepção organicista da sociedade. opondo-se ao subjetivismo da íntima convicção do juiz. Unidade 5 105 . instituíram-se as ordálias e os juramentos. A busca pela verdade no processo passou a sofrer limitações consubstanciadas nas liberdades públicas. sendo que esta era constituída de cada um dos elementos que permitiam reconhecer um culpado. com a criação dos tribunais da inquisição.Criminalistica e Investigação Criminal Síntese A prova criminal. em que o interesse do Estado estava acima do indivíduo. objeto da investigação policial. Desconhecendo o princípio da presunção de inocência. social e cultural da civilização. a presunção de inocência do acusado e o Direito ao contraditório. Apenas com os ideais iluministas da Revolução Francesa. dentre elas. surgiu o sistema da persuasão racional ou livre convicção. Posteriormente. Durante a Antigüidade. O homem passou a ser respeitado enquanto sujeito de direitos e garantias. as provas não eram reunidas para apurar uma possível culpabilidade do réu. os valores do homem considerado em sua individualidade passaram a ser observados. Contrapondo-se ao sistema das provas legas. quando a religião era o valor supremo das organizações e desconheciamse os direitos fundamentais. dispensando-os de motivar suas decisões. Utilizava-se o sistema das provas legais. a proibição legal da tortura. e grande período da Idade Moderna.

de 1789. dentre outros. artística e científica. a garantia da inadmissibilidade das provas obtidas por meios ilícitos. no Estado Democrático Brasileiro os princípios insertos. adotado pelo Código Processual Penal Brasileiro. além da responsabilidade penal e administrativa a quem produziu a prova está sujeito. posto que ofende norma de direito material. Neste contexto. da liberdade espiritual. Todos estes direitos e garantias limitam a atividade policial investigativa.Universidade do Sul de Santa Catarina pelo qual a motivação das decisões judiciais tornou-se verdadeira garantia individual. à privacidade. à igualdade. e outros textos internacionais sobre direitos humanos proclamaram diversos direitos fundamentais. ainda. não há hierarquia entre as provas e o juiz pode decidir de acordo com a sua consciência. e passa a não ter qualquer valor para embasar uma sentença. muitos deles consagrados pela Constituição da República. explicita ou implicitamente. que passa a ser concebido não apenas como instrumento para persecução penal. Assegura. bem como garante as inviolabilidades da manifestação do pensamento. à honra e imagem. desde que o faça motivadamente e obedeça à Constituição da República e demais textos legais. à liberdade. do sigilo da correspondência e das comunicações telegráficas. Quando uma prova é produzida com ofensa a algum destes direitos e garantias. à integridade física e moral. 106 . da expressão intelectual. do domicílio. A Constituição da República explicita. inclusive no que concerne à produção da prova no processo penal. é tida como ilícita. Através do sistema da persuasão racional. na Constituição da República atuam como norteadores do processo penal. mas também como meio para salvaguardar direitos fundamentais. A Declaração Universal dos Direitos do Homem. o direito à vida. Estes direitos e garantias consubstanciam-se em limites à atividade estatal. de dados e telefônicas.

) É permitida a entrada da Polícia em domicílio. Responda à seguinte questão: Para comprovar um crime de trânsito.Criminalistica e Investigação Criminal Atividades de auto-avaliação Assinale verdadeiro ou falso: ( ) Exames de sangue e testes de alcoolemia podem ser realizados no suspeito mesmo que sem a sua anuência. Unidade 5 107 . ) Captação de conversa ambiental por um dos interlocutores. ) É permitida a entrada da Polícia em domicílio. do Código de Trânsito Brasileiro. mesmo sem a sua anuência? Em caso negativo. ainda que sem ordem judicial. objeto de exclusiva apreensão mediante entrada em residência. em caso de flagrante delito ou desastre. constitui prova lícita. ( ( ( ( 2. sem consentimento do morador. sem consentimento do morador. com ordem judicial. ou para prestar socorro. fundamente e informe que outros meios de prova poderiam ser utilizados para tanto. sem ordem judicial. é possível comprovar a embriaguez constrangendo o condutor a realizar o teste do bafômetro. durante o dia ou à noite. é prova lícita. ) O registro dos arquivos extraídos da memória de computador. expondo a dano potencial a incolumidade de outrem. previsto no artigo 306.

com.neofito.htm 108 .br/artigos/art02/ppenal50.Universidade do Sul de Santa Catarina Saiba mais Para ampliar seus conhecimentos sobre o assunto tratado leia: Texto: Da prova ilegal no processo penal http://www.

Na atualidade. moradia. uma vez que a atinge diretamente. considere esta disciplina como o ponto de partida para o estudo aprofundado e permanente da investigação policial. saúde. considerando que a função repressiva sempre terá de existir. da atuação estatal nesta área.Para concluir o estudo Este livro teve por finalidade estudar os temas Criminalística e Investigação Criminal. A par da discussão acerca da omissão do poder estatal em programas que tenham como foco a prevenção. Profa. que por interesses profissionais e/ou pessoais. Com as alterações e criações de leis. Os crescentes índices de criminalidade verificados no País e as deficiências estatais no combate ao crime é um tema no qual a sociedade está cada vez mais preocupada. pela sociedade. Espero que você. o tema segurança pública vem sendo objeto de maior atenção pela sociedade e pelo Estado. com a rotatividade dos profissionais que atuam direta ou indiretamente na atividade investigativa policial. aluno. emprego. a busca pela prova criminal está em constante mutação. está realizando este curso. Maria Carolina . tais como educação. com a especialização das perícias. São exorbitantes os gastos públicos gerados em decorrência da atividade delitiva e é negativa a visão. é certa a necessidade perene da atividade policial em qualquer organização social atual. Estes são apenas alguns dos motivos pelos quais a segurança pública vem sendo objeto de preocupação pelo poder público.

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p. 1997. COTRIN. José Joaquim Gomes. CAPEZ. Tradução de Carlos Nelson Coutinho. Jan/mar. História e Consciência do Mundo. Título original: La Cite Antique. Gilberto. Francisco da Silveira. Ada Pelegrini. 1992. Título original: L´eta dei Diritti BUENO. A Era dos Direitos. São Paulo: Hermus Ed. São Paulo: Saraiva. 1999. Curso de Processo Penal. Fernando. A Cidade Antiga. 1414p. 1394p. n. 5 ed. 348 p. Fustel de. Ministério da Educação e Cultura. CANOTILHO. 1977. 8 ed. Brasília. 310 p. Cândido Rangel. DINAMARCO. Ano 25. 19 ed. Título original: Dei Delitti e Delle Penne BOBBIO. Maria da Glória Lins da Silva. Tradução de Jonas Camargo Leite e Eduardo Fonseca. São Paulo: Saraiva. CINTRA. SILVA. Coimbra: Livraria Almedina. São Paulo: Malheiros Editores.1993. Rio de Janeiro: Campus. 6. .237-250. Direito Constitucional e Teoria da Constituição. ed. 1996. COLUCCI. Revista Informativa Legislativa. 448 p. Provas Ilícitas no Processo Penal. GRINOVER. 217 p. Dos Delitos e das Penas.267 COULANGE. 2002.120 p. Dicionário Escolar da Língua Portuguesa. Teoria Geral do Processo.Referências BECCARIA. Cesare. Tradução de Flório De Angelis. p.1988. 97. 2003. Maria Regina Caffaro. 3 ed. São Paulo: Edipro.Norberto. Antônio Carlos de Araújo. 12 ed.

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2002. n. Valdir.julho/setembro 2002. 293 p. Problemas Metodológicos na História do Controle Social: o exemplo da tortura. Editora Revista dos Tribunais. Revista Brasileira de Ciências Criminais. São Paulo: Universitaria de Direito. 273 p. p. Barcelona: Crítica. La Tortura Judicial en España. 114 . Tortura.Universidade do Sul de Santa Catarina SZNICK. SABADELL. Francisco Tomás Y.266-287. Ano 10. 1998. VALIENTE. 39. Ana Lucia.

Sobre a professora conteudista
Maria Carolina Milani Caldas Opilhar é graduada em Administração de Empresas, pela Universidade do Estado de Santa Catarina – UDESC e em Direito, pela Universidade Federal de Santa Catarina – UFSC. Realizou Mestrado em Ciência Jurídica, pela UNIVALI/ SC – Universidade do Vale do Itajaí, com dissertação aprovada em junho de 2004. Possui especialização em Meio-Ambiente e Trânsito, pela Unisul, com monografia aprovada em maio de 2003. Está cursando Pós-Graduação Lato Sensu em Gestão de Segurança Pública, na ACADEPOL - Academia de Polícia Civil de Santa Catarina. É Delegada de Polícia, integrante da Polícia Civil do Estado de Santa Catarina e faz parte do corpo docente da ACADEPOL – Academia de Polícia Civil de Santa Catarina. Atualmente, presta serviços na Delegacia de Polícia de Palhoça, Santa Catarina.

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Respostas e comentários das atividades de auto-avaliação
Respostas e comentários das questões das unidades do Livro didático

Unidade 1
1) Assinale V ou F (F) Nos crimes que ocorreram mediante disparo de arma de fogo, a apreensão de estojos no local não é importante, posto que não é possível realizar perícia comparativa entre o estojo e a arma de fogo. (V) Nos crimes que ocorreram mediante disparo de arma de fogo, a apreensão de projéteis no local possibilita a realização do laudo de identificação de projéteis e, quando a arma é apreendida, o laudo de comparação balística. (V) O rol de provas elencados no Código de Processo Penal Brasileiro é exemplificativo. (F) O sistema de provas previsto no Código de Processo Penal Brasileiro é o da íntima convicção. (V) A prova testemunhal pode suprir a prova pericial quando a infração penal não deixar vestígios.

e. 2) Que tipo de prova é o laudo pericial? R: O laudo pericial é prova objetiva. razão pela qual a Polícia Militar é proibida de realizar qualquer tipo de investigação criminal. os policiais devem estar voltados prioritariamente à indicar e localizar o autor do crime ou à busca da verdade? R: Em um Estado Democrático de Direito. ficando a critério do juiz esta valoração. científica. 3) O laudo pericial é sempre conclusivo? R: O laudo pericial nem sempre é conclusivo. No sistema da livre convicção. Dessa forma. muitas vezes no transcorrer da atividade investigativa são coletadas provas em favor da inocência do suspeito. ainda que a verdade demonstre que o suspeito não é o autor do crime. o objetivo primordial da investigação deve ser a busca da verdade dos fatos. 2. 118 . as provas não possuem valor pré-determinado. científica. ou que o autor agiu embasado em alguma excludente de antijuridicidade. na condição de prova objetiva. adotado pelo Código de Processo Penal Brasileiro.Universidade do Sul de Santa Catarina Unidade 2 1) Qual a importância do laudo pericial na investigação criminal? R: O laudo pericial vem sendo percebido como uma das provas cruciais para a investigação. Responda à seguinte questão: Na sua percepção. é mais difícil de ser refutado. Unidade 3 1) Assinale verdadeiro ou falso: (F) O sistema de provas previsto no Código de Processo Penal Brasileiro é o da íntima convicção. portanto. (F) O inquérito policial é peça imprescindível para a instauração do processo criminal. (F) As Polícias exercem atividades excludentes. não são hierarquizadas. tal como legítima defesa ou estado de necessidade. posto que. durante o curso de uma investigação. As Polícias investigativas mais avançadas do mundo vêm priorizando a prova pericial.

o advogado poderá fazer perguntas. este realiza gravação telefônica ou interceptação telefônica? Por quê? R: Realiza gravação telefônica. (F) Interceptação telefônica e gravação telefônica são sinônimos. durante uma conversação. em face do princípio do contraditório consagrado pela Constituição Federal de 1988. armas e outros dados importantes. Responda à seguinte questão: Indivíduo ameaçado de morte por telefone e grava esta ameaça. é importante que eles sejam interrogados conjuntamente. 2. (V) São modalidades de vigilância eletrônica a captação de conversação ambiental e a interceptação telefônica. (F) O detector de mentiras e a hipnose são meios de prova aceitos no ordenamento brasileiro. 119 . para que sejam feitas perguntas dirigidas aos autores. (F) No caso de haver mais de um suspeito.Unidade 4 1) Assinale verdadeiro ou falso: (F) Durante o interrogatório do indiciado. A interceptação necessita de ordem judicial para ser feita e é sempre realizada por um terceiro. (F) É necessário que a vítima seja interrompida durante o relato do ocorrido. considerando que o rol de provas elencado no Código de Processo Penal Brasileiro é apenas exemplificativo.

A prova testemunhal e o laudo pericial de verificação de embriaguez. da Constituição Federal de 1988. constitui prova lícita. mesmo sem a sua anuência? Em caso negativo. expondo a dano potencial a incolumidade de outrem. durante o dia ou à noite. R: Em face do direito de que ninguém é obrigado a fazer ou deixar de fazer alguma coisa. são outros meios de prova que podem demonstrar o estado de embriaguez. realizado por médicos legistas. pelo que não é possível constranger alguém a realizar o bafômetro. senão em virtude de lei. sem ordem judicial. previsto no artigo 5º. ainda que sem ordem judicial. ou para prestar socorro. é prova lícita.Unidade 5 1) Assinale verdadeiro ou falso: (F) Exames de sangue e testes de alcoolemia podem ser realizados no suspeito mesmo que sem a sua anuência. (V) É permitida a entrada da Polícia em domicílio. II. 120 . sem consentimento do morador. é possível comprovar a embriaguez constrangendo o condutor a realizar o teste do bafômetro. (F) É permitida a entrada da Polícia em domicílio. com ordem judicial. sem o seu consentimento. objeto de exclusiva apreensão mediante entrada em residência. (V) Captação de conversa ambiental por um dos interlocutores. em caso de flagrante delito ou desastre. 2. sem consentimento do morador. do Código de Trânsito Brasileiro. previsto no artigo 306. fundamente e informe que outros meios de prova poderiam ser utilizados para tanto. ninguém pode ser obrigado a produzir prova contra si próprio. Responda à seguinte questão: Para comprovar o crime de trânsito. (F) O registro dos arquivos extraídos da memória de computador.

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