Universidade do Sul de Santa Catarina

Disciplina na modalidade a distância

Criminalística e Investigação Criminal

Palhoça UnisulVirtual 2006

Apresentação
Este livro didático corresponde à disciplina Criminalística e Investigação Criminal. O material foi elaborado visando a uma aprendizagem autônoma, abordando conteúdos especialmente selecionados e adotando uma linguagem que facilite seu estudo a distância. Por falar em distância, isso não significa que você estará sozinho. Não esqueça que sua caminhada nesta disciplina também será acompanhada constantemente pelo Sistema Tutorial da UnisulVirtual. Entre em contato sempre que sentir necessidade, seja por correio postal, fax, telefone, e-mail ou Espaço Unisul Virtual de Aprendizagem. Nossa equipe terá o maior prazer em atendê-lo, pois sua aprendizagem é nosso principal objetivo. Bom estudo e sucesso! Equipe UnisulVirtual.

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Maria Carolina Milani Caldas Opilhar Criminalística e Investigação Criminal Livro didático Design instrucional Carmen Maria Cipriani Pandini Palhoça UnisulVirtual 2006 .

28 cm.Rodrigues issa M aria Eugênia Ferreira Cel eghin Dênia Fal de Bittencourt cão ( iar) Auxil Simone Andréa de Castil ho El Fl isa emming Luz Charl Cesconetto es Viní M aycot Seraf cius im Enzo de Ol iveira M oreira Diva M aríia Fl l emming Fl Lumi M atuzawa ávia El Fl isa emming Luz Karl Leonora Dahse Nunes a Pr odução I ndustr e ial I tamar Pedro Bevil aqua Leandro Kingeski Pacheco Suporte Janete El Fel za isbino Ligia M aria Souf Tumol en o Arthur EmmanuelF. Pandini. Site:www. design instrucional Carmen Maria Cipriani Pandini.Educação Super a Distância Vir ior Cam pusUnisul tual Vir Rua João Pereira dos Santos. ReitorUnisul Gerson LuizJoner da Sil veira Vice-Reitore Pró-Reitor Acadêm ico Sebastião Sal Heerdt ésio Chefe de gabinete da Reitor ia Fabian M artins de Castro Pr ó-ReitorAdm inistrativo M arcus Viní Anátol da cius es Sil va Ferreira Cam pusSul Diretor:Val Al Schmitz ter ves Neto Diretora adj Al unta: exandra Orseni Cam pusNorte Diretor:Ail Nazareno Soares ton Diretora adj Cibel unta: e Schuel ter Cam pusUnisul tual Vir Diretor:João Vianney Diretora adj Jucimara unta: Roesl er Equipe Unisul tual Vir Adm inistr ação Renato AndréLuz Val Vení I mir cio nácio Fernando Roberto Dias Zimmermann Higor Ghisi Luciano Pedro Paul Al Teixeira o ves Raf Pessi ael Vil M artins Fil son ho ( coordenador) Eduardo Kraus Sil Henrique Sil vana va Secr ia Executiva etár Viviane Schal M artins ata Tecnol ogia Osmar de Ol iveira BrazJúnior ( coordenador) Ricardo Al exandre Bianchini Rodrigo de Barcel M artins os M onitor e Supor ia te Raf da Cunha Lara ael ( coordenador) Bibl iotecár ia Adriana Sil veira Soraya Arruda W al trick ine Equipe Didático-Pedagógica Carol M endonça Edison Rodrigo Val im Angel M arçalFl ita ores Coor denação dosCur sos l Carmen M aria Cipriani Pandini Franciele Arruda Adriano Sérgio da Cunha a inverni Barbieri Carol Hoeler da Sil Boeing Gabriel M al ina l va Ana Luisa M ül bert Gisl Frasson de Souza ane Cristina Kl de Ol ipp iveira Ana Paul Reusing Pacheco a Josiane Conceição Leal Daniel Erani M onteiro W il a l Cátia M el S. – Palhoça : UnisulVirtual. 122 p. Título.Sil veira Jucimara Roesl er ( coordenador) Lil Cristina Pettres ( iar) M árcia Loch ian Auxil Patrí M eneghel cia Francisco Asp Lauro JoséBalock l Sil Denise Guimarães vana LuizGuil herme Buchmann Tade-Ane de Amorim Figueiredo Pr etosCorpor oj ativos Vanessa de Andrade M anuel LuizOtávio Botel Lento ho Diane DalM ago Vanessa Francine Corrêa M arcel Caval o canti Vanderl Brasil ei Viviane Bastos M auri LuizHeerdt Viviani Poyer M auro Faccioni Fil ho Secr ia de Ensino a etar M ichele Denise DurieuxLopes l Distância Logí de Encontr stica os Destri Karine Augusta Zanoni Pr esenciais Nél Herzmann io ( secretária de ensino) Carol Batista ( ine Coordenadora) Dj Sammer Bortol Onei Tadeu Dutra eime otti Araceli Aral l di Patrí Al cia berton Carl Cristina Sbardela a l Graciel M arinês Lindenmayr e Patrí Pozza cia Grasiel M artins a JoséCarl Teixeira os Raul Jacó Brüning ino James M arcelSil Ribeiro va Letí Cristina Barbosa cia LamuniêSouza Kênia Al exandra Costa Hermann Liana Pampl Design Gr áfico ona iveira Cristiano Neri Gonçal Ribeiro M arcia Luzde Ol ves M aira M arina M artins Godinho Priscil Santos Al a ves ( coordenador) M arcel Pereira o Adriana Ferreira dos Santos M arcos Al M edeiros Junior cides Logí de M ater stica iais Al Sandro Xavier ex M aria I Aragon sabel Jef erson Cassiano Al meida da Evandro Guedes M achado Ol Laj avo ús Costa Priscila Geovana Pagani l Edição – Livr Didático o Pr ofessorConteudista M aria Carol M il Cal ina ani das Opil har Design I ucional nstr Carmen M aria Cipriani Pandini Pr eto Gr oj áfico e Capa Equipe Unisul Virtual Diagram ação Pedro Teixeira Revisão Or áfi ca togr B2B . 2006. 303 Pal .88130-475 hoça Fone/ax:( 3279-1541 e f 48) 3279-1542 E-mail cursovirtual : @unisulbr .Univer sidade do Sulde Santa Catarina Unisul tual. Maria Carolina Milani Caldas Criminalística e investigação criminal : livro didático / Maria Carolina Milani Opilhar . : il. Inclui bibliografia. . . Inquérito policial. Carmen Maria Cipriani. 2. virtualunisulbr . I. Ficha catalográf elaborada pela Biblioteca Universitária da Unisul ica Cr éditos Unisul.SC . 341. II.Copyright © UnisulVirtual 2006 N enhum a parte desta publicação pode ser reproduzida por qualquer m eio sem a prévia autorização desta instituição.598 O69 Opilhar. ISBN 85-60694-33-1 ISBN 978-85-60694-33-4 1. Crime e criminosos.

. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 69 UNIDADE 5 – Limites da Investigação Criminal . . . . . 33 UNIDADE 3 – Investigação policial . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 111 Sobre a professora conteudista . . . 115 Respostas e comentários das atividades de auto-avaliação . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 17 UNIDADE 2 – Metodologia de redação de laudos periciais . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 109 Referências . . . . . . . . 91 Para concluir o estudo . 49 UNIDADE 4 – Técnicas de Investigação Criminal . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 117 . . . 09 Plano de estudo . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 11 UNIDADE 1 – Criminalística . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .Sumário Palavras da professora . . . . . . . . . . . . . . . .

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possibilitando a confecção do laudo de exame de levantamento de local. concebidas como as provas técnicas produzidas pelos peritos. Você terá a oportunidade de estudar também como se constituem os locais de crime. de suma importância para apuração da materialidade e autoria do crime. que é objeto da criminalística. na condição de prova técnica e irá conhecer alguns modelos de laudos periciais. a metodologia de redação de laudos periciais. conservação e exame dos vestígios. Para tanto. a importância do isolamento e da preservação de provas na área onde o crime foi cometido e sobre os procedimentos empregados no exame de levantamento de local. de suma relevância à investigação criminal.Palavras da professora Prezado(a) aluno(a): O presente livro tem por objetivo estudar a Criminalística e a Investigação Criminal. Em seguida. mencionando as competências das Polícias dispostas pela Constituição . assunto relevante para compreender a função investigação criminal na atualidade. faço breves comentários sobre o conceito e o histórico da Polícia. você vai estudar mais detalhadamente sobre as perícias. ainda. O livro aborda. possibilitando a realização da prova pericial. Na parte que aborda a Investigação Criminal. coleta. inicio apresentando o tema a partir do seu conceito para possibilitar uma compreensão contextualizada sobre o conjunto de conhecimentos acerca da pesquisa. que segue padrão metodológico importante para a sua compreensão.

neste contexto. Em seguida. dentre outros órgãos. Espero que o conteúdo tratado neste livro traga informações e subsídios úteis ao seu cotidiano de trabalho e que possa minimizar os problemas de Segurança Pública existentes no Brasil. de competência exclusiva das Polícias Federal e Civil. concebendo-a como o trabalho realizado pelas Polícias Federal e Civil. algumas técnicas de investigação criminal. você terá a oportunidade de estudar sobre o inquérito policial. Cito. Profa. você terá a oportunidade de conhecer os limites da investigação policial.Federal de 1988. apresento e discuto o conceito da investigação criminal. porquanto a busca pela prova na atividade investigativa não é absoluta. que necessita atuar sempre respeitando normas materiais e processuais inerentes a um Estado Democrático de Direito. importante mencionar os direitos fundamentais elencados pela Constituição Federal de 1988. Por fim. todas atuando nas suas atribuições com a finalidade de prover segurança à sociedade. considerando ser imprescindível ao êxito da atividade investigativa policial à adoção de metodologia e técnicas adequadas. Maria Carolina . no qual a investigação criminal é formalizada. com o objetivo de apurar infrações criminais. constatando tratar-se de procedimento sigiloso. Neste estudo. inquisitivo e informativo. Dentre estas normas. amealhando provas técnicas e testemunhais para subsidiar o processo criminal.

Conceito. Conceito e histórico da polícia. Modelos de laudos periciais. Ementa Criminalística. Evolução histórica da prova criminal. Perícias. a construção de competências se dá sobre a articulação de metodologias e por meio das diversas formas de ação/mediação.Plano de estudo Plano de Estudo O plano de estudo visa a orientar você no desenvolvimento da Disciplina. Técnicas de investigação criminal. a distância e presenciais). Investigação Criminal. . O processo de ensino e aprendizagem na UnisulVirtual leva em conta instrumentos que se articulam e se complementam. Atividades de avaliação (complementares. Metodologia de redação de laudos periciais. Conceito de prova. São elementos desse processo: O Livro didático. Locais de crime. portanto. Conceito de investigação criminal. Ele possui elementos que o ajudarão a conhecer o contexto da Disciplina e a organizar o seu tempo de estudos. Inquérito policial. O EVA (Espaço Unisul Virtual de Aprendizagem).

Carga horária 60 horas-aula. 12 . Saber acerca dos locais de crime. Compreender os conceitos e objetivos da investigação criminal. seu conceito e sua evolução histórica. a necessidade do isolamento para a preservação das provas e os procedimentos empregados no exame de levantamento de local. Objetivos da disciplina Geral Obter conhecimento teórico acerca da criminalística e da investigação criminal. Conhecer o inquérito policial. Descrever as técnicas de investigação criminal e estar apto a aplicá-las. Conhecer a prova criminal. Descrever as perícias e a sua importância como prova criminal. Conhecer a metodologia aplicada para a redação de laudos periciais. Específicos Conhecer os conceitos e objetivos da criminalística.

Use o quadro para agendar e programar as atividades relativas ao desenvolvimento da Disciplina. com base no cronograma da disciplina disponibilizado no EVA. O sucesso nos seus estudos depende da priorização do tempo para a leitura.Investigação Criminal Unidade 4 .Criminalística Unidade 2 . Registre no espaço a seguir as datas. da realização de análises e sínteses do conteúdo.Técnicas de Investigação Criminal Unidade 5 .Limites da Investigação Criminal Agenda de atividades/ Cronograma Verifique com atenção o EVA. e da interação com os seus colegas e tutor.Metodologia de Redação de Laudos Periciais Unidade 3 . organize-se para acessar periodicamente o espaço da Disciplina. Não perca os prazos das atividades. 13 .Unidades de estudo: 5 Unidade 1 .

Atividades
Avaliação a Distância 1 Avaliação a Distância 2 Avaliação Presencial

Demais atividades (organize sua agenda)

en fatizando a importância do isolamento da área onde ocorreu o delito. Estudar as perícias. os locais de crime e os procedimentos empregados no exame de levantamento de local. 1 Seções de estudo Seção 1 Criminalística: conceituação Seção 2 Perícias Seção 3 Locais do Crime Seção 4 Levantamento pericial: procedimentos empregados no exame do local .UNIDADE 1 Criminalística Objetivos de aprendizagem Compreender a Criminalística como um conjunto de conhecimentos científicos utilizados para a elaboração da prova pericial.

no nosso País. porém. Em seu artigo 144. a Carta Magna definiu as competências das Polícias. dispondo. que a Polícia Civil. serão detalhadas posteriormente. nos estudos anteriores. Também. Você teve a oportunidade de ver. esta também chamada de Polícia Judiciária. é dever de Estado e é exercida por diversas Polícias. Após a conclusão do inquérito policial. contrariada. considerando que. o qual subsidia o processo criminal. Este trabalho é feito através da investigação policial. procurando demonstrar a existência do fato criminoso.Criminalística: conceituação Não deve lhe ser novidade que a Constituição Federal de 1988 estabelece que a segurança pública. que poderá valer-se das provas amealhadas na fase policial durante o processo criminal e na prolatação da sentença. crime e delito. por ser científica. a autora apresenta como sinônimos os termos infração penal. SEÇÃO 1 . É interessante notar que a investigação policial é formalizada através de peça preliminar e informativa denominada inquérito policial. a autoria e estabelecer as condições em que o crime ocorreu. então? Comecemos pelo conceito. o estudo da Criminalística afigura-se como de extrema relevância. as Polícias do Brasil que têm como competência a apuração de crimes vem seguindo este norte. após a prática do crime e o seu objetivo é a elucidação dos delitos. preventivo compete à Polícia Militar e a apuração das infrações penais compete às Polícias Federal e Civil. atua repressivamente. Vamos ao estudo. via de regra. este é remetido ao Poder Judiciário. é mais difícil de ser refutada. Neste livro. As competências das Polícias serão objeto de discussão. que o policiamento ostensivo. 18 . Concebendo-se a perícia como prova primordial para a elucidação dos delitos.Universidade do Sul de Santa Catarina Para início de estudo As Polícias Investigativas mais avançadas priorizam a prova pericial. dentre outros.

(ESPÍNDULA. a princípio. pelos motivos já expostos.Criminalistica e Investigação Criminal Neste contexto. objetiva. ainda. as pessoas ouvidas na Delegacia de Polícia são reinquiridas em Juízo.. discorre: (. a perícia é realizada na fase policial. É o chamado sistema da persuasão racional adotado pelo artigo 157 do Código de Processo Penal Brasileiro. Desse modo. Os laudos periciais são realizados através de conhecimento advindo da Criminalística. que no sistema processual penal brasileiro.) a prova pericial é produzida a partir de fundamentação científica. Via de regra. desde que o faça motivadamente. 2002:22). No Brasil não há hierarquia entre as provas e o Juiz pode decidir de acordo com a sua consciência. desde a simples falta de capacidade da pessoa em relatar determinado fato. até porque muitas delas necessitam serem feitas imediatamente ou logo após a prática do crime. Já a prova técnica é científica. Ocorre que analisando as sentenças criminais verificase a prevalência da prova pericial sobre as demais. A Enciclopédia Saraiva de Direito conceitua Criminalística como sendo: Unidade 1 19 . com o mesmo valor probatório. para demonstrar materialidade e autoria do crime. É importante notar. enquanto que as chamadas provas subjetivas dependem do testemunho ou interpretação das pessoas. o que pode relativizar o valor probatório do que foi dito na fase policial. As Polícias Investigativas mais avançadas do mundo têm como prioridade o trabalho pericial. Acerca deste tema Espíndula (2002). portanto. o trabalho pericial é de suma importância. menos sujeito a falhas do que a prova testemunhal. onde exista a intenção de distorcer os fatos para não se chegar à verdade. podendo ocorrer uma série de erros.. até o emprego de má-fé. mais difícil de ser contestada. temos um sistema processual penal que permite todos os meios de prova.

ou seja..) trata da pesquisa. reunindo as contribuições das várias ciências. Criminalística (.. da psiquiatria..) que cogita do reconhecimento e análise dos vestígios extrínsecos relacionados com o crime ou com a identificação de seus participantes. 1960. etc. 1982. Toxicologia Forense e Hematologia Forense.) sistema que se dedica à aplicação de faculdades de observação e de conhecimento científico que nos levem a descobrir. v. Medicina Legal. cujos encargos estão afetos aos órgãos específicos. (PORTO. da conservação e do exame dos vestígios. utilizando-se de subsídios da química. São disciplinas que integram a Criminalística. p..) Conjunto de conhecimentos que.. Documentoscopia.319). (ENCICLOPÉDIA SARAIVA DE DIREITO.. da antropologia. da coleta. Papiloscopia. 2002. Odontologia Legal. dentre outras. da medicina legal. que são os laboratórios de Polícia Técnica. e os motivos que o levaram à prática do crime. Locais de Crime. Criminalística pode ser conceituada como: (. Segundo Garcia. Polícia Técnica ou Policiologia. de molde a sermos conduzidos à descoberta do criminoso.Universidade do Sul de Santa Catarina (. Balística Forense. preferiu abordá-la como disciplina (. A Criminalística é também denominada Polícia Científica. 20 .5). que são consideradas ciências auxiliares do Direito penal.. defender. possibilitando à Justiça a aplicação da justa pena”. Gilberto. identificar os seus autores e encontrá-los. (DEL PICCHIA FILHO. e difere da Criminologia que estuda o perfil do criminoso. p.28) José Del Picchia Filho (1982). p.. 1997:486). (GARCIA. indica os meios para descobrir crimes. da psicologia. pesar e interpretar os indícios de um delito. da datiloscopia. da prova objetiva ou material no campo dos fatos processuais.. 21. Segundo Gilberto Porto.

Criminalistica e Investigação Criminal Em Santa Catarina. que apresenta o organograma abaixo: Unidade 1 21 . o trabalho pericial é realizado pelo Instituto Geral de Perícias.

José. GARCIA. Para ampliar seus conhecimentos sobre o conteúdo tratado sugerimos: DEL PICCHIA FILHO. 1960. Inquérito – Procedimento Policial. Editora Universitária de Direito: São Paulo. 22 . Gilberto. 9 ed. você vai estudar o objeto que trata das provas e os procedimentos de perícia. p. Como funciona o Instituto Nacional de Perícias? Socialize a investigação no Espaço Virtual de Aprendizagem.Procedimento Policial. Manual de Criminalística.A seguir. faça uma pesquisa sobre o assunto.28 . Inquérito . Goiânia: AB Editora. Ismar Estulano. Tratado de documentoscopia. Use o espaço abaixo para registrar sua pesquisa. 319. 1982. Escola de Polícia de São Paulo.Universidade do Sul de Santa Catarina Você que reside em outro Estado. 2002 p. PORTO.

Criminalistica e Investigação Criminal SEÇÃO 2 .) é o conjunto de técnicas usadas. abrangendo. e são formadas pelas evidências materiais do crime. Um das perícias realizadas trata-se do exame de corpo de delito.. o exame de corpo de delito é obrigatório. Há diferenciação entre corpo de delito e exame de corpo de delito. Segundo Garcia (2002). realizadas por peritos criminais. visando provar a materialidade do crime e apontar o autor. O corpo de delito. nos termos do artigo 158 do Código de Processo Penal Brasileiro.Perícias A investigação policial tem como foco a obtenção de provas criminais que podem ser testemunhais e técnicas. é o conjunto de vestígios deixados pelo criminoso.. Nos crimes que deixam vestígios. Segundo JESUS (2002). Prova Criminal é aquela utilizada para demonstrar ao Juiz a veracidade ou falsidade da imputação feita ao réu e das circunstâncias que possam influir no julgamento da responsabilidade e na individualização das penas. As prova testemunhais são constituídas pelos depoimentos das testemunhas. Unidade 1 23 . sob pena de nulidade processual. no sentido amplo. Você sabe a diferença entre provas criminais e técnicas? As provas técnicas são as perícias. por sua vez. perícia (. o exame de corpo de delito é um auto em que se descrevem as observações dos peritos e o corpo de delito é o próprio crime na sua tipicidade. as declarações das vítimas e o interrogatório dos suspeitos ou indiciados.

1963:11). portanto. p. inclusive o exame de corpo de delito. 18 ed.Universidade do Sul de Santa Catarina Dispõe o artigo 167 do Código de Processo Penal Brasileiro: “Não sendo possível o exame de corpo de delito. 2002. São Paulo: Saraiva. Jesus. sejam realizados por dois peritos oficiais. Dessa forma. O exame de levantamento de local deve ser diferenciado de acordo com a natureza da ocorrência. 24 . Não havendo vestígios. SEÇÃO 3 . portadoras de diploma de curso superior. de preferência. (KEDHY. a prova testemunhal é apta a suprir o auto de exame de corpo de delito. Inquérito – Procedimento Policial. 319. afogamento. estupro. 9 ed. 2002. havendo vestígios. dano. Código de Processo Penal Anotado.157. disparo de arma de fogo e outros. (. p. incêndio.. a prova testemunhal poderá suprir-lhe a falta”. suicídio. escolhidas. há exame de levantamento de local de homicídio.) local de crime é toda área onde tenha ocorrido um fato que assuma a configuração de delito e que. Portanto.Locais do crime Segundo Kedhy. GARCIA. nos outros casos.. furto qualificado. É importante ressaltar que o artigo 159 Código de Processo Penal Brasileiro determina que todos os exames periciais. entre as que tiverem habilitação técnica relacionada à natureza do exame. Para saber mais sobre o assunto que foi tratado sugerimos: DAMÁSIO. acidente de trânsito. exija as providências da polícia. onde houver e. o exame de corpo de delito é imprescindível. Ismar Estulano. por haverem desaparecido os vestígios. as perícias devem ser realizadas por duas pessoas idôneas. Goiânia: AB Editora.

conseqüentemente. importante destacar que todo elemento encontrado naquele ambiente é denominado de vestígio. (. para a investigação criminal. o qual significa todo material bruto que o perito constata no local do crime ou faz parte do conjunto de um exame pericial qualquer.. levadas a efeito pelo primeiro policial. quando das providências de isolamento e preservação. um levantamento pericial eficaz.) isolamento é a proteção a fim de que o local permaneça sem alteração. (GARCIA. Esclarece Alberi Espíndula (2002) que: (. o aspecto de local especialmente protegido por lei. Unidade 1 25 . 2002: 324). e..Criminalistica e Investigação Criminal Isolamento e preservação das provas e vestígios essenciais à investigação O isolamento do local de crime é a primeira providência a ser tomada e é responsabilidade dos policiais e peritos.. 2002: 3). Por essa razão. somente após examiná-los adequadamente é que poderemos saber se este vestígio está ou não relacionado ao evento periciado. pelo artigo 166 do Código Penal: Alterar. para a preservação dos vestígios. sem licença de autoridade competente. possibilitando.) diante da sensibilidade que representa um local de crime. A alteração do local de crime é prevista como infração penal. nada poderá ser desconsiderado dentro da área da possível ocorrência do delito (ESPINDULA. Pena – detenção de um mês a um ano e multa. que. que devem sempre ter em mente a importância da proteção do local do crime. conseqüentemente..

parte de uma munição deflagrada. e que apenas após o exame de levantamento de local é possível a apreensão de qualquer material encontrado na cena do crime. a autoridade providenciará imediatamente para que não se altere o estado das coisas até a chegada dos peritos. no artigo 312. O artigo 6º do Código de Processo Penal enumera as providências que devem ser tomadas tão logo o delegado de polícia tenha conhecimento do fato delituoso.Universidade do Sul de Santa Catarina O Código Brasileiro de Trânsito. Apenas a título de exemplo. em caso de acidente automobilístico. através de suas marcas de percussão. sendo objeto de exame com arma de fogo. Dispõe o artigo 169 do Código de Processo Penal Brasileiro: Para efeito de exame de local onde houver sido praticada a infração. parte de uma munição deflagrada. apreendido na cena do crime. inquérito policial ou processo penal. ainda que não iniciados. 26 . também tipificou como crime a alteração de local de acidente de trânsito: Inovar artificiosamente. tendo como objetos de exame o projétil e a arma de fogo de um suspeito. desenhos ou esquemas elucidativos. um projétil. na pendência do respectivo procedimento policial preparatório. de coisa ou de pessoa. é possível constatar se foi deflagrado por aquela arma. ou multa. é possível verificar se ele foi expelido pelo cano daquela arma. um estojo. que poderão instruir seus laudos com fotografias. O inciso II deste artigo menciona que a autoridade policial deve apreender os instrumentos e todos os objetos que tiverem relação com o fato. Não obstante. Da mesma forma. pode vir a elucidar a autoria de um homicídio. Através do Laudo de Comparação Balística. quando da inovação. a prática demonstra que nada deve ser alterado até a chegada dos peritos no local. o inquérito ou o processo aos quais se refere. o estado de lugar. o perito ou juiz: Pena: detenção de seis meses a um ano. a fim de induzir a erro o agente policial. com vítima. Parágrafo único: Aplicar-se o disposto neste artigo. o procedimento preparatório.

fotografia. observações prévias ou exame do local. c) reconhecimento do tipo de solicitação (natureza do exame). d) anotação do horário de solicitação do exame. Espíndula (2002) elencou alguns procedimentos a serem realizados nos exames de locais de crimes contra a vida. coleta e embalagem de evidências. Após concluído. transporte de evidências. 2002:326). Segundo Garcia (2002). que podem ser. desenho ou croqui. via de regra. avaliação e interpretação.Levantamento pericial: procedimentos empregados no exame do local O levantamento pericial é o trabalho pericial realizado nos locais de crime. exame das evidências em laboratório. b) preparação do material utilizado no exame.. São eles: Procedimentos anteriores ao exame a) anotação do endereço do fato.) isolamento. (GARCIA.. e redação de laudo.Criminalistica e Investigação Criminal SEÇÃO 4 . uma perícia completa de levantamento de local necessita de várias fases a saber: (. utilizados em todos os exames de levantamento de locais. Exame preliminar da cena do crime: o que é necessário fazer? Unidade 1 27 . o levantamento pericial dá origem ao laudo de exame de levantamento de local.

condições de visibilidade. tais como: marcas de solado. em grade. dentre outras. condições topográficas da área. formulação dos objetivos do exame. em espiral. escolha do tipo de padrão a ser utilizado na busca de vestígios (em linha. devendo sempre ser apresentado. que deve prever especial atenção às evidências facilmente destrutíveis. busca de vestígios. condições atmosféricas. localização exata do evento. condições de iluminação. com nível de detalhe exigido para cada caso. impressões em poeira. em quadrantes. independente da complexidade do local. completa análise das vias de acesso. Croqui da cena do crime: o que é e como fazer? O croqui é o desenho do local do crime. Neste desenho recomenda-se incluir: 28 . descrição do local.).Universidade do Sul de Santa Catarina entrevista com o primeiro policial a chegar no local do fato visando à tomada de informações relativas ao histórico. etc. Anotações gerais da cena do crime: o que registrar? data e hora do início dos exames. visualização geral da cena do crime e verificação da adequação do isolamento.

internas e externas. por tratar-se de uma ”reconstituição permanente da ocorrência. que irá permitir futuras consultas”. medidas que forneçam a exata posição das evidências encontradas na cena do crime. distâncias de objetos até pontos específicos. (GARCIA. As evidências devem ser anotadas no croqui e fotografas antes da sua coleta. distâncias entre objetos. Qual a importância das fotografias da cena do crime? As fotografias. caso necessário. Unidade 1 29 . Espíndula (2002). janelas. coordenadas geográficas em locais abertos (obtidas por mapas ou GPS). 2002:326). Segundo Garcia. são imprescindíveis para a elaboração do laudo de exame de levantamento de local. também discorre sobre o processamento do local: coleta. a fotografia é o mais perfeito dos processos de levantamento de local de crime. visando à sua admissão como provas em um processo. móveis.Criminalistica e Investigação Criminal dimensões de portas. identificação e preservação das evidências. como vias de acesso (entrada e saída). Os dois peritos de local devem efetuar a coleta de todas as evidências. Quais os procedimentos de coleta? Todas as evidências devem ser coletadas de forma legal.

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O que fazer na identificação?

Todas as evidências devem ser cuidadosamente identificadas. As marcas identificadoras podem incluir iniciais, números, etc., os quais permitam ao perito que realiza a coleta reconhecer, em data posterior, cada evidência como aquela coletada na cena do crime.

Qual a importância da preservação?

Cada item das evidências deve ser colocado em um recipiente ou invólucro adequado à natureza de cada material, tais como sacos plásticos, envelopes de papel, caixas que necessitam ser corretamente identificados e vedados ou lacrados; Evidentemente, que técnicas especiais deverão ser aplicadas de acordo com o delito praticado. Algumas recomendações específicas deverão ser aplicadas nos locais de morte por precipitação, por ação do calor, por arma de fogo, por afogamento, por envenenamento, por aborto e outros. - Leia, a seguir, a síntese da unidade, realize as atividades de Autoavaliação e consulte o saiba mais para ampliar seus conhecimentos acerca do assunto estudado.

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Criminalistica e Investigação Criminal

Síntese
Nesta unidade você teve a oportunidade de ver que, de acordo com a Constituição Federal de 1988, que a atividade investigativa criminal é realizada, dentre outros, pela Polícia Federal e pelas Polícias Civis dos Estados, estas também chamadas de Polícias Juridiciárias. A atividade de investigação criminal consiste na apuração dos crimes, que é feita através da busca de provas, periciais ou testemunhais. As provas periciais são técnicas, realizadas por peritos criminais e são formadas pelas evidências materiais do crime. As prova testemunhais são constituídas pelos depoimentos das testemunhas, abrangendo, no sentido amplo, as declarações das vítimas e o interrogatório dos suspeitos ou indiciados. A pesquisa, coleta e produção das provas periciais compete à Criminalística. Via de regra, o trabalho pericial exige imediatidade. A título de exemplo, o exame residuográfico de verificação de pólvora exige a condução do suspeito imediatamente após a prática do delito. O exame de lesões corporais e de verificação de aborto exige lapso temporal curto entre o crime e o exame. Considerada a importância da prova pericial e científica é imprescindível o isolamento e a preservação do local do crime. Falhas no isolamento do local do crime podem impossibilitar a produção da prova pericial. Vestígios deixados no local do crime podem levar ao autor. Como exemplo, um simples estojo componente de munição ou projétil componente de munição, encontrado em local de homicídio mediante disparo de arma de fogo, pode, através de perícia, ser prova crucial para demonstrar autoria.

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Atividades de auto-avaliação
1) Analise as questões abaixo e assinale verdadeiro ou falso, conforme a proposição. Confira se atendeu as expectativas no final do livro didático. ( ) Nos crimes que ocorreram mediante disparo de arma de fogo, a apreensão de estojos no local não é importante, posto que não é possível realizar perícia comparativa entre o estojo e a arma de fogo. ( ) Nos crimes que ocorreram mediante disparo de arma de fogo, a apreensão de projéteis no local possibilita a realização do laudo de identificação de projéteis e, quando a arma é apreendida, o laudo de comparação balística. ( ) O rol de provas elencados no Código de Processo Penal Brasileiro é exemplificativo. ( ) O sistema de provas previsto no Código de Processo Penal Brasileiro é o da íntima convicção. ( ) A prova testemunhal pode suprir a prova pericial quando a infração penal não deixar vestígios.

Saiba mais
Para saber mais sobre o conteúdo tratado acesse: http://www.espindula.com.br e leia o artigo: Função pericial do Estado. http://www.abcperitosoficiais.org.br/arti.htm e leia o artigo: Isolamento e preservação de locais de crime com cadáver.

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UNIDADE 2 Metodologia de redação de laudos periciais Objetivos de aprendizagem Conhecer a forma como são elaborados os laudos periciais. 2 Seções de estudo Seção 1 O Laudo pericial: caracterização Seção 2 Modelos de laudo pericial . Conhecer alguns modelos de laudo pericial.

de forma geral. 34 . Criminalística. Existem diversos tipos de laudos periciais. considerações subjetivas.Universidade do Sul de Santa Catarina Para início de estudo Todos aqueles que queiram se aprofundar no tema da segurança pública têm. Não obstante.O Laudo pericial: caracterização O laudo pericial deve ser simples e preciso. c) laudo de verificação de eficácia de arma de Fogo. mas fornecer objetivamente informações técnicas. de forma geral. necessariamente. Toccheto elenca alguns itens a serem preenchidos na elaboração de laudo pericial relacionado a crimes contra o patrimônio. p. Domingos e ESPINDULA. facilmente compreendido e assimilado. que. dentre eles podemos destacar: a) laudo de levantamento de local. Procedimentos e Metodologias. laudo de comparação balística. Alberi. pode-se definir alguns requisitos inerentes a todos os laudos. SEÇÃO 1 . laudo de constatação de danos. b) laudo de identificação de projétil. Veja quais são: TOCCHETTO. na sua forma e conteúdo.50-54. Cabe aos estudiosos do assunto segurança pública estarem aptos a interpretar e avaliar laudos periciais. de saber acerca da importância da prova pericial e conhecer a metodologia de redação dos laudos periciais. cada qual com as suas peculiaridades. d) laudo de exame cadavérico. Não deve tecer juízos de valor. podem ser adotados na confecção dos demais.

Considerações técnicas ou discussão.Preliminares. Unidade 2 35 . este tópico destina-se à consignação de qualquer fato conflitante entre a requisição e o objeto de exame. Preliminares Neste tópico. 3.Objetivo da perícia ou quesitos.Conclusão e/ou respostas aos quesitos. tipo de laudo. 2. ou que prejudicaram o andamento dos trabalhos periciais. o relator vai consignar as informações referentes à preservação e isolamento do local e quaisquer outras alterações que forem relevantes ao caso.Criminalistica e Investigação Criminal 1. um pequeno histórico da requisição. 8. neste tópico. 5.Anexos. Informações fornecidas por autoridades. A seguir. 4. você terá a oportunidade de conhecer cada um deles. 7. 6. a hora e o local em que for elaborado o laudo pericial.Preâmbulo ou histórico. nome da autoridade que requisitou e/ou solicitou a perícia. bem como uma síntese do fato que originou a requisição da perícia e as providências tomadas referentes ao fato. Vamos lá? Preâmbulo ou Histórico Discriminar a data. objetivos do exame incompatíveis com o tipo de peça a ser examinada. funcionários e proprietários devem ser relatados neste item. peças que não estão discriminadas.Dos exames periciais. a data da requisição e/ou solicitação. nome do diretor e dos peritos signatários do laudo.Fecho ou encerramento. bem como o objetivo geral dos exames periciais. tais como número de peças distinto do constante na requisição. Nos casos de exames em peças. o nome do instituto e órgãos superiores aos quais está subordinado. Fazer.

deixando para o tópico seguinte a respectiva análise e interpretação dos mesmos. Quando os fatos forem variados. clara. Não é necessário que. convém distribuí-los em capítulos conforme sua natureza e interdependência. síntese do observado. os quais deverão estar contidos na requisição da perícia ou nos quesitos formulados. fiel. Evitar informações. b) dos vestígios: partindo-se das indicações (referências) maiores para as menores (detalhes). Dos Exames Periciais Discriminar todas as técnicas e métodos empregados e os respectivos exames levados a efeito naquela perícia. objetiva. etc. à gaveta. diagnósticos e conclusões. como o acesso ao terreno. de exames macroscópicos para exames microscópicos. A descrição deve ser metódica. Descrever conforme a ordem de maior importância. Aqui devem ser relacionados e devidamente descritos todos os vestígios constatados no exame pericial. constem de forma explícita os subitens seguintes. quais os objetivos a serem buscados na perícia. 36 . é de bom alvitre que os peritos descrevam com certa precisão quais são os objetivos periciais pertinentes àqueles exames. hipóteses. Não sendo especificado na requisição os objetivos da perícia.Universidade do Sul de Santa Catarina Objetivo da Perícia ou quesitos Descrever. ao prédio. mas seu conteúdo deve obrigatoriamente integrar o texto relativo aos exames periciais: a) do local: constitui a parte essencial. nos exames periciais. Quando for empregada mais de uma técnica na realização de um determinado exame. Deve-se ater somente à descrição dos vestígios. ao cômodo. é preciso citá-la na ordem em que a mesma foi aplicada. discussões. As técnicas ou métodos empregados devem sempre partir do geral para o particular. conforme consta na requisição. minuciosa.

Obviamente que vestígio determinante. deve estar caracterizado pela sua condição autônoma associada ao seu significado no evento em estudo. Através da discussão asseguram-se conclusões lógicas. exposto. de maneira a facilitar a compreensão e entendimento por parte dos usuários do laudo pericial. por si só. no conjunto dos vestígios constatados e examinados. Enfim. há um que. neste caso. Porém. uma conseqüência natural do que já fora argumentado. Conclusão e/ou respostas aos quesitos A conclusão pericial inserida no laudo pericial devem ser. em certos casos há necessidade de cotejar fatos. demonstrado e provado tecnicamente nos tópicos anteriores do laudo. determinante. Unidade 2 37 . relatar neste tópico as análises e interpretações das evidências constatadas e respectivos exames. dissipar dúvidas ou ajustar obscuridades. Para chegar-se a essa única possibilidade. conduzirão e subsidiarão a conclusão.Criminalistica e Investigação Criminal Considerações Técnicas ou Discussão Do histórico e das descrições (local e vestígios) defluem as conclusões. Em muitos casos. têm-se apenas duas situações viáveis. sob a ótica técnico-científica é que pode-se concluir de forma categórica. obrigatoriamente. Veja exemplo para entender melhor esse conceito. ou seja: somente quando nos restar uma possibilidade para aquele evento. A conclusão deve obedecer a critérios técnicos conforme já recomendados. de analisá-los. depois de cotejadas. evidenciando-se aquelas que. Buscar a coerência ou não dos elementos observados e anteriormente citados. afastando-se as hipóteses capazes de gerar confusão. A primeira situação é quando. este vestígio determinante pode estar associado a outros elementos de convicção técnico-científica. Confrontá-los com a normalidade.

onde nenhum deles por si seja determinante. nos locais correspondentes aos focos forem retiradas amostras de materiais que apresentem resultados positivos em exames laboratoriais. através do seu exame ou de sua análise. Todavia. Neste caso. a situação na qual. e em conjunto com as observações anteriores. Neste caso deve-se constar no laudo que. no seu conjunto de informações técnicocientíficas levem a uma única possibilidade.Universidade do Sul de Santa Catarina Impressão digital individualmente é um vestígio determinante. Há. mas se restar comprovado que tais focos eram isolados ou incomunicáveis. em pesquisa de vestígios de hidrocarbonetos voláteis. salientando que os vestígios existentes são quantitativa e qualitativamente insuficientes para se chegar a uma conclusão categórica. por vezes. A segunda situação em que os peritos poderão ter apenas uma possibilidade será em um universo de vários vestígios. não será possível chegar a uma definição quanto ao diagnóstico. não se observem vestígios materiais capazes de fundamentar uma conclusão. 38 . os peritos deverão apontar quais são e descrevê-los. Por outro lado. em um local de incêndio. existem várias situações em que os peritos poderão ter vários vestígios relacionados com o fato. se for encontrado um desses vestígios no local do crime. mas apenas probabilísticos. o grau de clareza da ação dolosa será determinante para a caracterização e materialização do delito. não quer dizer que foi identificado o autor do crime e por conseqüência trata-se de um homicídio. Existem. face à exigüidade de vestígios. não há elementos técnicos através dos quais possa ser fundamentada uma conclusão categórica. a constatação de múltiplos focos iniciais não é um vestígio determinante por si só. e que. situações em que. Neste caso. mas. ainda. mesmo analisando-os em seu conjunto. onde nenhum deles por si só seja determinante. apesar da existência de vestígios. os peritos não poderão fazer qualquer afirmativa conclusiva quanto ao fato.

de forma clara e explicativa. falta de preservação. posteriormente. e. etc. Unidade 2 39 . ou de alguma técnica criminalística já consagrada ou de alguma lei da ciência de qualquer área do conhecimento científico. delimitarem o trabalho dos investigadores de polícia. ou de ambas. de acordo com cada situação. Então. O técnico-científico se refere à técnica criminalística e o científico às demais leis da ciência. para auxiliar no contexto geral das investigações e. e. Em alguns casos concretos.Criminalistica e Investigação Criminal Mesmo que não seja possível uma conclusão categórica em uma determinada perícia. A eliminação de algumas das possibilidades na verdade é uma conclusão pela sua exclusão. poderá ser levantada uma causa mais provável. tanto no exame quanto no texto dessas argumentações. portanto. à justiça. O perito poderá se valer. posteriormente. o perito deverá tomar todo o cuidado. e.) . para as suas conclusões. nele informada a impossibilidade de conclusão face aos motivos que devem ser mencionados (exigüidade de vestígios. deve-se constar no laudo o tópico correspondente e. porém. com isso. não sendo possível concluir um laudo pericial. os peritos terão condições de eliminar algumas admissibilidades ou hipóteses. deve seguir o mesmo rigor técnico-científico já mencionado. da justiça.

As fotografias. considerando os avanços da informática. gráficos. fotografias. tais como. estando ambas as vias autenticas com a rubrica dos seus subscritores. acompanhadas pelos anexos (citar quais os anexos e o número dos mesmos). Especialmente para evidenciar algum detalhe que o texto esteja se referindo naquele momento da argumentação.. pelos peritos da Seção de Crimes Contra o Patrimônio.. 2002:397-398. resultado de exames complementares. 415-416. 448-449). foi feito em duas vias de igual teor. Modelo de fecho ou encerramento de laudo pericial Este laudo. etc. No entanto.) páginas impressas em seu anverso. muitos recursos gráficos podem ser inseridos ao lado. quando digitais ou digitalizadas.. Local e data Nome dos peritos. lacrados no envelope nº .Modelos de laudos Periciais Seguem abaixo alguns modelos de laudos periciais. SEÇÃO 2 . relatórios de outros peritos/profissionais. composto por (. podem seguir esse mesmo critério. Este modelos foram extraídos da obra “Inquérito e Procedimentos Policial” (GARCIA.Universidade do Sul de Santa Catarina Fecho ou Encerramento Analise um modelo de laudo e verifique os elementos que ele contém. Classe e/ou cargo Anexos É necessário incluir. todos os anexos que foram produzidos e que sejam necessários para acompanhar o laudo. da parte do texto a que se refere tal assunto. ao final. Analise atentamente cada um deles: 40 . bem como se devolve todo o material. descrito no tópico documentos de exame. ou logo abaixo. visando a melhor compreensão do mesmo.

Peças Paradigmáticas Como espécimes de confronto. contidos em Auto de Colheita de Material Gráfico Autêntico. dias do mês de .. no Departamento de Criminalística. Delegado Titular do 1ª DP. conforme Ofício nº .. 1. Encontra-se ele endereçado a SS e está colado a uma folha em branco. coletados pela Polícia Civil de São Paulo – DEGRAN – através do Dr. apresentando no canto superior direito o n.. doc06.. doc 05 e envelope. e os assinalamentos necessários foram permitindo assim um controle da conclusão pericial. é necessário que em ambos os seguintes valores sejam convergentes: A) habilidade gráfica. (. é também autor das escritas gravadas no bilhete de fls. contamos com padrões autênticos de JJ e JL.... fls.. “25-z”. a fim de ser atendida requisição do Bel. AB. uma vez determinados.7 cm e 6.O autor do Auto de Colheita de Material Gráfico Autêntico. Fotomacrografias foram tomadas. AA. 24. do ano de . 4 – Quesitos e Respostas 1º .. tinta preta.. Trata-se de envelope que apresenta manuscritos feitos com caneta dita esferográfica. foram confrontados entre si para uma possível origem comum ou não.. Peças Motivantes Trata-se de manuscritos apostos em um pedaço de papel sem pauta medindo aproximadamente 14. 25? Resposta: sim Para que dois grafismos sejam aceitos como do mesmo punho.Criminalistica e Investigação Criminal a) LAUDO DE EXAME DE DOCUMENTOS Aos.. 3 – Dos Exames As peças motivantes e paradigmáticas foram examinadas a olho nu e por meios óticos adequados em busca e de hábitos gráficos característicos que. pelo Diretor LL foram designados PP e PQ para proceder ao exame pericial de documento. B) hábitos gráficos. JJ... nesta Capital.) Unidade 2 41 . C) que não haja divergências estruturais entre os dois grafismos.. O documento encontra-se colado em uma folha de papel sem pauta apresentando no canto superior direito “24-Z”.7 cm.

.. de. Delegado do 1º Distrito Policial. PP 1º Perito PQ 2º Perito b) LAUDO DE EXAME DE ARMA DE FOGO Aos .65 mm. f) Carregamento por pente. (... BN”(lateral esquerda)... Obs: O material examinado é devolvido com o presente laudo.. ....65mm.. foram designados os peritos PP e PQ para proceder ao exame pericial em arma de fogo. 01 a 07... 1 – Características das Peças Examinadas Aos peritos foram apresentados sete cartuchos intactos e um estojo calibre nominal 7. a fim de ser atendida requisição do Bel AA. de. em desgaste.Universidade do Sul de Santa Catarina na carta de confronto em anexo. no Departamento de Criminalística da Diretoria Geral da Polícia Civil... nesta Capital.5cm de comprimento de cano X13..) É o nosso relatório. h) Dimensões: 8.. Goiânia. b) Fabricação italiana. dias do mês de . cão aparente e pino percursos isolado.. curta e de porte.. do ano de ... 42 .. os assinalamentos mais preponderantes estão em quantidade e qualidade suficientes para afirmarmos que as peças motivantes foram produzidas por JJ.5 de diagonal máxima..... classificada como pistola semi-automática. tendo as seguintes características: a) Marca Beretta. c) N de série 683C09.. bem como com o logotipo da marca da arma.. g) Coronha guarnecida por talas de plástico pretas com inscrição “Cb. e) Mecanismo de percussão central. através do Ofício nº.. de marca CBC.. d) Calibre nominal 7.. pelo Diretor LL. i) Acabamento oxidado. bem como uma arma de fogo.

Portanto. estado em condições de uso..Criminalistica e Investigação Criminal j) OBS: Foi utilizado um cartucho em disparo experimental 2 – Funcionamento da arma O estado geral da arma é bom. a resposta não só é afirmativa. Goiânia.. ver item 2.....65mm. está em perfeitas condições de uso? Resposta: Sim. inclusive foi expelido pela arma de fogo aqui periciada. Está apta à realização de disparos 3 – Quesitos e Respostas a) Quais as características da arma periciada? Resposta_ ver item 1. ou seja. e) O pedaço de chumbo pertence ao mesmo calibre da arma? Resposta: O pedaço de chumbo a que se refere o quesito é um projétil de arma de fogo calibre nominal 7.65mm. e qual o seu estado? Resposta: Sim. É o relatório. b) No estado em que se encontra. como também identifica a arma que o expeliu. PP 1º Perito PQ 2º Perito Unidade 2 43 . que. 7. OBS: O material examinado é devolvido com o presente.. Seu calibre corresponde ao da arma. c) A munição que a acompanha é do mesmo calibre da arma. Ver fotos 1 e 2.. de. não apresentando suas peças quaisquer anomalias que impeçam seu funcionamento.. de . d) Há evidências de disparo recente? Resposta: Ver laudo químico.

dias do mês de . nós.. no Necrotério do Instituto Médico-Legal. 2º ./... dia... localizada na região bucinadora (cochecha) direita. no qual observamos: Descrições das lesões: 1 – ferida pérfuro-contusa. medindo 0.... Capital de Goiás..Foi produzida por meio de veneno. com saída na região bucinadora contra-lateral..Universidade do Sul de Santa Catarina c) LAUDO DE EXAME CADAVÉRICO Aos. dias do mês de .. 2 – ferida pérfuro-contusa. mês e ano).8 cm de diâmetro.. com área de chamuscamento e câmara de mina. com trajeto transfixando a língua e ramo mandibular esquerdo.. com grande destruição de massa encefálica. Nada mais tendo sido constatado. atendendo à requisição da Delegacia do 1º DP.8 com de diâmetro. Dado e passado no Instituto Médico-Legal.. médico-legistas que abaixo assinamos.Qual a data do óbito? (especificar hora. aos .. com área de chamuscamento.. 1º . procedemos ao exame CADAVÉRICO no cadáver que nos foi apresentado como sendo de SS (qualificação completa). logo abaixo do pavilhão auricular. às 17 h. asfixia. em Goiânia. transfixante. de ./. houve morte. de . logo acima do pavilhão auricular (orelha).. fogo. explosivo.. passamos a responder aos quesitos... com saída na região carotideana direita.. tortura ou outro meio insidioso ou cruel? Resposta: Prejudicado 5º . medindo 0..Qual a causa da morte? Resposta: Hemorragia intracraniana 3º . PP 1º Médico-Legista PQ 2º Médico-Legsita 44 .Houve morte? Resposta: Sim.. 3 – sem outras lesões. localizada na região parietal esquerda. Resposta: Óbito dia .Qual o instrumento ou meio que a produziu? Resposta: Pérfuro-contundente 4º .

procedemos ao exame de corpo de delito .. sentido ou função? Resposta: Sim. antibióticos. 6º . próximo ao rebordo costal.LESÕES CORPORAIS . Dr.Houve ofensa à integridade corporal ou à saúde do paciente? Resposta: Sim. examinei SS e constatei o seguinte: estado geral comprometido.. 4º . localizada na linha média do abdome...Resultou perigo de vida? Sim.Foi produzida por meio de veneno. 2 – choque hipovolêmico.Resultou incapacidade para as ocupações habituais. Nada mais tendo sido constatado. na qual observamos: DESCRIÇÃO DAS LESÕES: 1 . no Gabinete do Instituto Médico-Legal.Qual o instrumento ou meio que a produziu? Resposta: Pérfurocortante... medindo 25 cm de extensão. localizada no flanco esquerdo (dreno). Tratamento: cirúrgico.Resultou aceleração de parto ou aborto? Resposta: Não Unidade 2 45 . dias do mês de .a pessoa que nos foi apresentada como sendo SS (qualificação completa).cicatriz de incisão cirúrgica. debilidade permanente da função digestiva. devido à lesão penetrante no abdome com a laceração do estômago e devido ao estado geral comprometido produzido por choque hipovolêmico que necessitou de cirurgia e de reposição sangüínea. atendendo à requisição da Delegacia do 1º DP. cujo teor é o seguinte: “Aos . explosivo.. enfermidade incurável ou deformidade permanente? Resposta: Não 8º . no hipocôndrio esquerdo. por mais de trinta dias? Resposta – Sim 5º . Lesões apresentadas: 1 – ferida penetrante no abdome. nós. reposição sangüínea.. 3º . Instrumento: arma branca. fogo. medindo 2 cm de extensão. Hospital BDF.Resultou debilidade permanente ou perda ou inutilização de membro./. CRM – GO 007”. 7º ... Afastamento de suas ocupações por 40 dias. 2º . 3 – cicatriz de incisão cirúrgica. asfixia. 4 – relatório de lesões.. ressecção de estômago devido à laceração extensa.Resultou incapacidade permanente para o trabalho. passamos a responder os seguintes quesitos: 1º .. mediana. localizada no hipocôndrio esquerdo. médico-legistas que abaixo assinamos. tortura ou outro meio insidioso ou cruel?. OS. soroterapia. medindo 3 cm de extensão.cicatriz de ferida pérfuro-cortante.Criminalistica e Investigação Criminal d) LAUDO DE EXAME DE LESÕES CORPORAIS Aos. 2./. Seqüelas que futuramente poderão se apresentar: distúrbio digestivo. Resposta: Prejudicado.

a seguir. 2. conforme consta na requisição. nome do diretor e dos peritos signatários do laudo. aos . acessível e as informações devem ser objetivas. Preâmbulo ou histórico. Discriminar a data. 3. nome da autoridade que requisitou e/ou solicitou a perícia.Objetivo da perícia ou quesitos. Neste tópico o relator vai consignar as informações referentes à preservação e isolamento do local e quaisquer outras alterações que forem relevantes ao caso. o nome do instituto e órgãos superiores aos quais está subordinado.Preliminares. O laudo pericial deve ser formado por: 1. dias do mês de . bem como o objetivo geral dos exames periciais. Síntese O laudo pericial deve ter linguagem clara. PP 1º Médico-legista PQ 2º Médico-Legista ..Universidade do Sul de Santa Catarina Dado e passado no Instituto Médico-Legal... Descrever.. realize as atividades de Autoavaliação e consulte o saiba mais para ampliar seus conhecimentos acerca do assunto estudado.Leia. Capital de Goiás. a data da requisição e/ou solicitação. os quais deverão estar contidos na requisição da perícia ou nos quesitos formulados. a hora e o local em que for elaborado o laudo pericial. 46 . de . tipo de laudo. a síntese da unidade... quais os objetivos a serem buscados na perícia. em Goiânia.. ou que prejudicaram o andamento dos trabalhos periciais. sem haver juízos de valor..

Dos exames periciais. Qual a importância do laudo pericial na investigação criminal? Unidade 2 47 . Porém. 8.Criminalistica e Investigação Criminal 4.Fecho ou encerramento.Anexos. dissipar dúvidas ou ajustar obscuridades. 6. Discriminar todas as técnicas e métodos empregados e os respectivos exames levados a efeito naquela perícia. em certos casos há necessidade de cotejar fatos. 7. de analisá-los.Considerações técnicas ou discussão.Conclusão e/ou respostas aos quesitos. Do histórico e das descrições (local e vestígios) defluem as conclusões. Verifique no final do livro as indicações e comentários. Atividades de auto-avaliação Leia as questões a seguir e responda com base no conteúdo. 1. 5.

então.br/default4. Que tipo de prova é o laudo pericial? 3. Ou. Duração: 128 min.htm. Direção: David Fincher. O laudo pericial é sempre conclusivo? Saiba mais Para aprofundar seus conhecimentos tratados nesta unidade você pode assistir: Filme: “Seven”. Disponível em: http://espindula.Universidade do Sul de Santa Catarina 2. Acessado em 17 de julho de 2006. 48 . Lançado em 1995. ler: Artigo: “Laudo pericial e outros documentos técnicos”. Gênero: Policial.com. (EUA).

UNIDADE 3 Investigação Criminal Objetivos de aprendizagem Compreender o conceito e o histórico da Polícia. 3 Seções de estudo Seção 1 Conceito e histórico da polícia Seção 2 Conceito de investigação criminal Seção 3 Conceito de prova Seção 4 Evolução histórica da prova criminal Seção 5 Inquérito policial . Identificar procedimentos de prova criminal e o seu histórico. de competência exclusiva das Polícias Federal e Civil. Identificar os procedimentos de apuração de infrações criminais. no qual a investigação criminal é formalizada. Conhecer o inquérito policial percebendo-o como procedimento sigiloso. dentre outros órgãos. a partir dos pontos relevantes para compreender o sistema de provas brasileiro da atualidade. concebendo-a como o trabalho realizado pelas Polícias Federal e Civil. provas técnicas e testemunhais para subsidiar o processo criminal. Contextualizar a investigação criminal. inquisitivo e informativo.

verificar o que é investigação criminal.. ou seja. p. Dessa forma. enquanto parte.. conceitua Polícia como sendo: (. e saber quais os tipos de provas já foram aceitáveis em tempos passados e como é o sistema de provas da atualidade. é imprescindível que verifique quais são as polícias existentes que integram este sistema e quais suas respectivas funções. atividade policial repressiva (judicial) ao crime e de auxílio à justiça penal (investigação científica dos crimes). SEÇÃO 1 ... segundo Thomé. Marcineiro (2001).) instrumento de utilidade e que passa a ser responsável pela investigação das infrações penais cometidas e pela política de disciplina e restrição empregada a serviço do povo. Importante.... que significa. Contribuição à Prática da Polícia Judiciária. Ricardo Lemos. THOMÉ. No entanto. se apresenta com duas funções: a polícia preventiva (administrativa). a polícia mais visível a todos é a de segurança pública e por isso mesmo todos tendemos a confundi-la. com o todo (. inquérito policial e prova criminal. 2001: 47.) a organização administrativa que tem por atribuição impor limitações à liberdade (individual ou de grupo) na exata medida necessária à salvaguarda e manutenção da ordem pública (. procede do grego “politeia”. (MARCINEIRO.).) a polícia se especializa e hoje.. 1997.)administração da cidade. Segundo o mesmo autor. 50 ..10.Conceito e histórico da polícia A palavra Polícia é vocábulo derivado do latim “politia”.48).Universidade do Sul de Santa Catarina Para início de estudo Para que você compreenda como é exercida a atividade estatal de segurança pública brasileira na atualidade.. Polícia pode ser definida como: (. (. também. de proteção individual e coletiva e a polícia judiciária. saberá quais polícias serão responsáveis pela investigação criminal. que por sua vez.

além de prevenir e reprimir o tráfico ilícito de entorpecentes e drogas afins.) a Polícia é o órgão incumbido de manter e preservar a ordem pública e a incolumidade das pessoas e do patrimônio (TOURINHO FILHO. na repressão dos delitos. é interessante que você perceba que a atuação principal das Polícias Federal e Civis ocorre após a prática do crime. 2001:27). dever do Estado. assim como outras infrações cuja prática tenha repercussão interestadual ou internacional e exija repressão uniforme. às Polícias Rodoviária Federal. o contrabando e o descaminho. atuando precipuamente na prevenção dos delitos. I e II da Constituição Federal de 1988. Você já teve a oportunidade de ler o que dispõe o artigo 144 da Constituição Federal de 1988 com relação à segurança pública.Criminalistica e Investigação Criminal Segundo Tourinho Filho (2001). IV – polícias civis. Apuram materialidade e autoria das infrações penais. direito e responsabilidade de todos. II – polícia rodoviária federal. De outro lado. Ferroviária Federal e Militares cabe o policiamento ostensivo.. § 1º. (. segundo se dispuser em lei. Unidade 3 51 . através dos seguintes órgãos: I – polícia federal. V – polícias militares e corpos de bombeiros militares. é exercida para a preservação da ordem pública e da incolumidade das pessoas e do patrimônio. III – polícia ferroviária federal. O que cabe à Polícia Federal? À Polícia Federal cabe a apuração das infrações penais contra a ordem política e social ou em detrimento de bens.. nos termos do artigo 144. Diz o artigo: A segurança pública. por meio da função investigativa. serviços e interesses da União ou de suas entidades autárquicas e empresas públicas. Portanto.

A Polícia como organização surgiu em 1829.130. o que fica evidenciado pelos dispositivos que versavam sobre segurança pública. a função policial e a função de julgar não estavam separadas.. em especial dos Juízes de Paz. a origem da Polícia Judiciária. Segundo (MARCINEIRO e PACHECO. com a vinda da Família Real Portuguesa ao Brasil. também chamada de Polícia Judiciária. da Carta Magna. Curso de Direito Constitucional Positivo. a Polícia passou a atuar de acordo com o modelo político vigente. Segundo Marcineiro e Pacheco. e. de 03 de dezembro. tendo a função de apurar as infrações penais e respectivas autorias. Democracia é “(. Com o rápido crescimento das atividades econômicas e sociais. A partir da promulgação da república. A atividade investigativa ficava sob a responsabilidade dos magistrados. criando em cada província um Chefe de Polícia. 2001:15). 261. Inicialmente. 52 . em decorrência das invasões napoleônicas no continente europeu.) um regime político em que o poder repousa na vontade do povo”. In: SILVA. inseridos nas Constituições Federais que se sucederam.. a história da Polícia tem início apenas no século XIX. p. (2001). a Polícia tinha como prioridade salvaguardar a segurança nacional estatal. ressalvadas as atribuições da Polícia Federal e as infrações da alçada militar. a ação militar em defesa da posse. em 1889. ano de 1808.1999. de acordo com o artigo 144. Segundo Silva. nos períodos ditatoriais. segundo Thomé (1997). com a criação da Polícia Metropolitana de Londres. tem competência residual.No Brasil.Universidade do Sul de Santa Catarina O que cabe à Polícia Civil? A Polícia Civil. como organização. fez-se necessária a organização dos serviços policiais. considerada a primeira organização policial do mundo. Na democracia a Polícia tinha como foco a segurança pública dos cidadãos. ocorreu em 1841. na Inglaterra. José Afonso da. que apresentava uma organização policial incipiente. § 4º. com a promulgação da Lei no. com seus delegados e subdelegados escolhidos dentre os cidadãos.

Unidade 3 53 . 1999.) indagar. visa a obtenção de evidências. A investigação policial é atividade de natureza sigilosa exercida por policial ou equipe de policiais determinada por autoridade competente que. In: CANOTILHO.372.Criminalistica e Investigação Criminal Importante a diferenciação que Marcineiro e Pacheco. a Polícia passa a ter o dever de prestar serviços respeitando tais garantias e contribuindo para salvaguardá-las. Promulgada em um Estado Democrático de Direito.. p. É um ato instintivo do homem que o faz movido pelo princípio inteligente e pelo instinto de curiosidade. A atual Constituição Federal de 1988 é fruto de uma redemocratização. iniciada em 1985. a Carta Magna prima pela garantia dos direitos individuais. investigar significa (. pesquisar.) garantias são os meios processuais adequados à proteção dos direitos.. José Joaquim Gomes. Segundo Bueno (1977). Evoluindo para a Polícia do Século XXI. 1977:685). indícios e provas de materialidade e de autoria do crime. fazem entre segurança nacional e segurança pública: a primeira com sendo a defesa do Estado e a segunda como tendo o foco na segurança da sociedade. “(.. vamos adiante e contextualizando. utilizando metodologia e técnicas próprias. Nesse contexto.Conceito de investigação criminal Você sabe o que significa investigar? Que sentido esta palavra assume no contexto da segurança pública? Segundo Canotilho (1999). descobrir.. (. Você concorda? Muito bem. Direito Constitucional e Teoria da Constituição. na obra Polícia Comunitária. após vinte e um anos de regime de exceção.33. p. (BUENO. SEÇÃO 2 . fazer diligências para achar.)...

Qual o objetivo da Investigação criminal? O objetivo da investigação criminal é amealhar provas criminais. para comprovar materialidade e autoria do delito. Antônio Scarance. a prova é todo meio destinado a convencer o juiz a respeito da verdade de uma situação de fato.Conceito de prova Como dito. ou investigação criminal. formar juízo sobre um fato. na demonstração da existência ou da veracidade daquilo que se alega como fundamento do direito que se defende ou que se contesta. . pois. procurando esclarecer a autoria e materialidade de delitos. Segundo Greco Filho (1997:196). meio de Prova (instrumentos pelos quais os mesmos se fixam em juízo) e objeto da Prova (o fato a ser Provado. meio de Prova e objeto da Prova: “Podese. p. FERNANDES. A prova consiste. o objetivo da investigação criminal é a busca das provas criminais necessárias para a elucidação do crime. distinguir entre fonte de Prova (os fatos percebidos pelo juiz). O vocábulo “prova” origina-se do latim probatio. (GRINOVER.(De PLACIDO e SILVA. 54 . As Nulidades no Processo Penal. Antônio Magalhães. FERNANDES E GOMES FILHO diferem fonte de Prova. GOMES FILHO. especialmente delegados e seus agentes. 1978: 1253). É o trabalho realizado por policiais. bem como as circunstâncias em que ocorreram. De Plácido e Silva (1978). reconhecer.1982. Ada Pellegrini.106).A seguir você vai estudar sobre a prova e seu conceito.Universidade do Sul de Santa Catarina A investigação policial. assim. que por sua vez emana do verbo probare. SEÇÃO 3 . é atividade policial direcionada à apuração das infrações penais e de sua autoria. com o significado de demonstrar. Estas circunstâncias são detalhes de fatos criminosos com a preocupação de melhor identificar as pessoas com eles relacionados e o próprio objeto do crime. visando reunir elementos probatórios para o indiciamento ou não e posterior encaminhamento à apreciação judicial. que se deduz da fonte e se introduz no processo pelo meio de Prova)”. GRINOVER.

Ada Pelegrinni. Especificamente com relação à prova criminal. GRINOVER. bem como as afirmações feitas pelo réu. no Processo Penal Brasileiro. DINAMARCO. DINAMARCO. Antônio Carlos de Araújo. As provas criminais formam a convicção a respeito da autoria e materialidade da infração penal. Portanto.Teoria Geral do Processo. Os meios de prova. a prova criminal é aquela utilizada para demonstrar ao Juiz a veracidade ou falsidade da imputação feita ao réu e as circunstâncias que possam influir no julgamento da responsabilidade e na individualização das penas. (CINTRA. Em síntese. 2003: 348). fazendo-se importante uma breve análise das origens deste modelo. Unidade 3 55 . De acordo com Cintra. Cândido Rangel. pode-se afirmar que é aquela utilizada para demonstrar a ocorrência ou não de uma infração penal e as circunstâncias que possam influir no julgamento da responsabilidade e na individualização das penas. podem ou não corresponder à verdade. concebidos como instrumentos de reconstituição de fatos pretéritos. GRINOVER. adotou o modelo europeu-continental. a prova constitui o instrumento por meio do qual se forma a convicção do juiz a respeito da ocorrência ou inocorrência dos fatos controvertidos no processo.Evolução histórica da prova criminal O sistema probatório. Antônio Carlos de Araújo. 2003. e de todos os demais elementos necessários para fundamentar uma decisão condenatória ou absolvitória. a propósito de dada pretensão em juízo. das condições de antijuridicidade e culpabilidade. p. as dúvidas sobre a veracidade das afirmações de fato feitas pelo autor ou por ambas as partes no processo.Criminalistica e Investigação Criminal Todas as afirmações de fato feitas pelo autor. estando fortemente condicionados por circunstâncias históricas e culturais. Ada Pelegrinni. à vista da prova dos fatos pretéritos relevante.348. sempre acompanharam a história da civilização. SEÇÃO 4 . que normalmente se contrapõem àquelas. CINTRA. constituem as questões de fato que devem ser resolvidas pelo juiz.

Foi neste período em que se instituíram as ordálias ou juízos de Deus. (SZNICK. ou caminhar. Segundo Santos. segundo Sznick conheceram e fizeram uso da tortura contra seus escravos na Antigüidade. 56 . Durante muitos séculos na Idade Média. e a prova pela água fervente consistia no acusado tirar um ou mais objetos do fundo de uma caldeira de água fervente. com os pés nus. estando acima de tudo e de todos.” (SANTOS. (1970:26) na prova pelo fogo se fazia o acusado carregar uma barra de ferro em brasa por certa distância. 1970:25). não tendo aplicação entre os romanos. que. com o domínio absoluto dos bárbaros na Europa. Aqueles se fundavam na crença de que Deus não deixaria de sustentar o Direito do inocente. Leis e religião se misturavam. 1978:24). as ordálias constituíram a prova suprema usada pelos germanos primitivos e os povos antigos da Ásia. as ordálias também tiveram aplicação. pois não se tinha a mais leve idéia sobre a individualidade humana e sobre os Direitos a ela inerentes. Santos (1970).Universidade do Sul de Santa Catarina Na Antigüidade. Esta foi uma época em que os homens não conheceram a liberdade individual. posteriormente. 1996:152). se não dissesse a verdade ou fosse culpado. a religião era a força propulsora das organizações rudimentares e. estes no pressuposto de que ninguém se atreveria a tomar Deus como testemunha de uma falsidade. Segundo Santos (1970). das cidades. (COULANGE. sendo o acusado absolvido se não restassem lesões e condenado no caso contrário. conceitua ordália como “sendo a submissão de alguém a uma prova. tinham origem sagrada. Coulange (1996) menciona que o respeito dos antigos às leis advinha da crença de que estas eram ditadas pelos deuses. e os juramentos. na esperança de que Deus não o deixaria sair com vida ou sem um sinal evidente. sobre ferros candentes.

e que atendia aos interesses de todas as facções do poder: coroa. na Europa. a critério do acusador. 1996: 553). 1982:47). Com a desmoralização do juramento. 1970: 30-31). Novinski (1982) nomina este método de “inquisitivo”. Unidade 3 57 . com a finalidade de obter a confissão.Criminalistica e Investigação Criminal Montesquieu (1996). (MONTESQUIEU. também chamado combate judiciário. (COTRIN. menciona que a prova pela água fervente podia ser substituída. atuante nos séculos XVI. Assim. Cotrin (1997) menciona que a tortura era utilizada oficialmente nos interrogatórios. Acerca dos juramentos. que se reflete na influência exercida pelas religiões sobre os homens e as organizações sociais da Antigüidade e da Idade Média. pode-se dizer que a prova pelo juramento decorria da própria necessidade (. por certa quantia e pelo juramento de algumas testemunhas que declarassem que o acusado não havia cometido o crime. nobreza e clero. No final da época medieval e durante a Idade Moderna surgiram.. (SANTOS..). instituiu-se como instituto probatório o duelo. 1997:157). na presença dos juízes. período em eram tidos como hereges os que contrariavam os dogmas oficiais da Igreja Católica. (NOVINSKY. XVII e XVIII. numa época em que a escrita não existia. Santos (1970) analisa: Compreende-se facilmente a inclusão do juramento entre os velhos sistemas probatórios. Mas para que a tortura era utilizada? Qual a finalidade? Discorrendo sobre este momento. colherem-se provas testemunhais. os tribunais da inquisição. dada a pouca densidade da população e a própria natureza patriarcal dos agregados humanos. bem como na circunstância de ser quase impossível.

A tortura clássica tornou-se mecanismo regulamentado e legalizado de Prova. Enfocando a tortura. 58 . e somente a combinação destas autorizaria uma condenação criminal. 1998:463) Sobre este tema. menciona: somente ela podia fornecer a certeza moral a respeito dos fatos investigados.(GOMES FILHO. Gomes Filho (1997). manifestou-se afirmando que a tortura é muitas vezes um meio seguro de condenar o inocente fraco e de absolver o criminoso robusto. é neste período que surgiu o sistema das provas legais. e que influenciou a reforma de muitos Códigos Penais e Processuais Penais Europeus. de severidade graduada. nos séculos XVI e XVII. Portanto. Segundo Foucault. No que se refere à valoração das provas. na Europa.. discorrendo sobre o sistema jurídico-penal e processual penal. (2002) a tortura é um jogo judiciário estrito (. 1993:36). 2002:36). utilizada para obter a confissão do réu. (FOUCAULT. estando a nobreza sujeita à tortura apenas nos delitos considerados extremamente graves. e era diferenciada de acordo com a classe social a que pertencia o indivíduo. autor da obra Dos Delitos e Das Penas.. (BECCARIA. o paciente é submetido a uma série de provas. Beccaria (1993). pelo qual cada prova tinha seu valor previamente determinado.Universidade do Sul de Santa Catarina Considerando a dificuldade de se obter outros meios de prova. a confissão do acusado representava o objetivo primordial do procedimento inquisitório. cuja essência é a defesa do indivíduo contra as atrocidades e arbitrariedades daqueles tempos. o princípio da igualdade era inexistente naquela época. menciona que a tortura tratava-se de peça fundamental no processo. escrita no século XVIII. e que ele ganha agüentando ou perde confessando. e a pesquisa cedia vez à confirmação de uma verdade já estabelecida. 1997:22). Ortega (1998).). (ORTEGA.

en la duda de si es inocente o culpable”. (tradução da autora).162) Para Bentham. p. não se permite que se estabeleça nenhuma discussão ou questionamento. Na Idade Média e grande período da Idade Moderna. empleada para arrancar las confesiones. e a preferência dos métodos preventivos aos repressivos. com meios de prova claros e racionais. empregada para arrancar as confissões. *tradução: rainha das Provas (cf. se encamina a suplir la insuficiencia de las pruebas.316. Gilberto. conceitua notorium como sendo a prova à qual se deve dar a máxima credibilidade. burgueses e plebeus. a nítida separação entre a religião e o Estado e seus Poderes. O Latim no Direito.Criminalistica e Investigação Criminal Valiente (2002). em graus: provas plenas. testis nullus**). A confissão era a regina probatium* e o depoimento de uma só testemunha não possuía valor probatório (testis unus. 2002:161. Por meio deste instituto era concedida a dispensa de produção de provas em determinados casos. (SABADELL.308. já que. sintetiza algumas das idéias defendidas por Beccaria. idéias estas que continuam a influenciar os sistemas penais e processuais penais atuais. havendo sempre a prevalência do interesse público em detrimento do indivíduo. Unidade 3 59 . na obra citada: a mudança do processo inquisitivo para o acusatório. p.495. BENTHAM. segundo o método escolástico. discorrendo sobre a tortura oficializada afirma: A tortura judicial está vinculada ao sistema de provas legais. 2002:275). a tortura era empregada para suprir a deficiência dos meios probatórios da época: “A tortura. O Latim no Direito. Sua base é a classificação sistemática das provas romanas. indícios e presunções. Tratado de Las Pruebas Judiciales. CALDAS. En el supuesto de que el delito no está probado. a igualdade entre nobres. a proporcionalidade entre os delitos e as penas. (cf. semiplenas. Acima da prova plena está o notorium. Jeremias. desenvolvido a partir do século XIII pelos doutrinadores do Direito medieval europeu. inexistia a concepção de direitos individuais. que faz o juiz? Ordena atormentar uma pessoa. objetiva suprir a deficiência das provas. na dúvida de ser inocente ou culpado”. p. diferentemente das demais provas. (VALIENTE. qué hace el juez? Ordena atormentar a una persona. Sabadell (2002). Sabadell (2002). público. a supressão total da tortura e da pena de morte. CALDAS. desvinculando os conceitos de pecado e delito. o que se coaduna com o sistema inquisitório. “La tortura. Gilberto. ** tradução: uma só testemunha equivale a nenhuma testemunha. Supondo que o delito não está provado.

o sistema das provas legais passou por várias fases. o princípio da inocência do acusado era desconhecido. De acordo com Sabadell (2002). Antônio Magalhães. a Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão. um determinado grau de punição. de 1789. e. também. conseqüentemente. sendo inicialmente rígido. sendo que esta era constituída por cada um dos elementos que permitiam reconhecer um culpado.. Segundo Grinover (1982). incluindo a autorização para o uso da tortura. Um grau alcançado na demonstração da culpa (prova semiplena). 2002:278).28-29. advinda da Revolução Francesa. Tratava-se do sistema da íntima convicção. conferiram maior liberdade aos juízes na apreciação da prova e na indicação dos motivos da convicção. Conforme Sabadell (2002). a proibição legal da tortura. Direito à Prova no Processo Penal. 1997. através da Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão. não se torturava um inocente.Universidade do Sul de Santa Catarina Em matéria de processo penal. Os ideais iluministas postulados pela Revolução Francesa romperam com o sistema inquisitivo. Vêm ao encontro de um sistema probatório que respeita o ser humano enquanto sujeito de direitos e garantias individuais.. p. as provas não eram reunidas para apurar uma possível responsabilidade penal do réu. além do já citado sistema das provas legais. implicava. e sim um meio culpado. Em outras palavras. (. de 1789. dentre elas. para confirmar a suspeita legalmente criada de que ele era realmente culpado. “selando a concepção 60 .) a existência de uma meia prova implicava a consideração do réu como meio culpado. mas ao longo dos séculos a doutrina o submeteu a modificações para facilitar a sua aplicação. GOMES FILHO. a presunção de inocência do acusado e o direito ao contraditório. É importante. Tais ideais foram uma reação ao sistema inquisitório e à doutrina das provas legais. até o surgimento posterior do sistema da livre apreciação de provas. (SABADELL. Foram citados alguns meios de prova utilizados no transcorrer da história. cf. mencionar os sistemas de valoração de prova. consagrou a escola do Direito Natural.

além de convencido. influenciando os demais ordenamentos continentais e representando. também chamado por Capez de Unidade 3 CAPEZ. menciona Bobbio (1992).) do estado de natureza. Gomes Filho (1997:31) afirma que em 1808. o terceiro. mas reconhecidos por este”. que vem depois (. ao Princípio de legitimidade do poder que cabe à nação.. o modelo inspirador da maioria das legislações.Criminalistica e Investigação Criminal da existência de direitos subjetivos preexistentes ao Estado. o juiz só estaria autorizado a condenar se. o Code d’instruction criminelle francês instituiu a combinação entre os padrões inquisitório e acusatório. estivesse amparado por um mínimo de elementos probatórios. mas uma verdade obtida através de meios probatórios produzidos pelas partes.art. Gomes Filho (1997:55) entende que uma verdadeira Justiça penal pressupõe o reconhecimento.. Disponível em: <http://www. Segundo a Declaração Universal dos Direitos do Homem . à defesa.Curso de Processo Penal. não criados. 1992:93). 2002. até os dias atuais. à finalidade da sociedade política. art. e. Fernando. art. A doutrina passou a postular limitações à íntima convicção do juiz. do poder de produzir provas contrárias às da acusação. (BOBBIO. p.gila.htm>. Nenhuma corporação.net/legislação.12. pode exercer autoridade que aquela não emane expressamente”. 2º: “O objetivo de toda associação política é a conservação dos Direitos naturais e imprescritíveis do homem”. Acerca desta Declaração.03... o segundo. nenhum indivíduo. (. 61 .267. Acesso em 14.net/internacional/ declaração_Direitos_homem_cidadao_1789. 1º: “Todos os seres humanos nascem livres e iguais em dignidade e Direitos”.) o núcleo doutrinário da Declaração está contido nos três artigos iniciais: o primeiro refere-se à condição natural dos indivíduos que precede a formação da sociedade civil. Passou-se a postular pelo sistema da persuasão racional. 3º:”O Princípio de toda soberania reside essencialmente na Nação. segundo esta nova concepção. a fim de obter-se não uma verdade extorquida inquisitoriamente.

cedendo-se ao julgador liberdade de valoração da prova. Não serão atendíveis as restrições à prova estabelecidas pela lei civil. em respeito ao contraditório. desde que acompanhada de demonstração lógica dos motivos da decisão. E precisamente nisto reside a suficiente Garantia do Direito das partes e do interesse social. Trecho extraído da Exposição de Motivos do Código Processual Penal Brasileiro. da verdade real ou do livre convencimento. porém. de 03. não há hierarquia entre as Provas e o juiz pode decidir de acordo com a sua consciência. art. mas não pode abstrair-se ou alhear-se ao seu conteúdo. o juiz formará. no capítulo que discorre sobre Provas. a verdade material. (ano). nem é prefi xada uma hierarquia de provas: na livre apreciação destas. fatalmente. 1988:237-250). Nunca é demais. não é menos certo que não fica adstrito a nenhum critério apriorístico no apurar. Através do sistema da persuasão racional.1941-. através delas. tornou-se verdadeira garantia individual.Decreto-Lei n. a sua convicção. O juiz está livre de preconceitos legais na aferição das Provas. evitando-se que a excessiva liberdade na avaliação das provas transformasse o processo penal em instrumento de opressão e terror. nenhuma delas terá. prova plena de sua culpabilidade. (COLUCCI.Universidade do Sul de Santa Catarina sistema da livre (e não íntima) convicção. o Código 62 . Todas as provas são relativas. Não estará ele dispensado de motivar sua sentença. valor decisivo. A própria confissão do acusado não constitui.3689. Se é certo que o juiz fica adstrito às provas constantes dos autos. fi xou-se como pressuposto do direito de defesa o conhecimento pelas partes dos caminhos percorridos pelo juiz ao julgar (persuasão racional). salvo quanto ao estado das pessoas. honesta e lealmente. Código Processual Penal Brasileiro. ou nec essariamente maior prestígio que outra. Oportuna a transcrição deste trecho da Exposição de Motivos do Código Processual Penal Brasileiro. 157: “O juiz formará sua convicção pela livre apreciação da prova”. O sistema probatório de persuasão racional foi adotado pelo Código Processual Penal Brasileiro . Conforme Colucci (1988): Num terceiro estágio. desde que o faça motivadamente e. em vez de protetor das liberdades públicas. obedecendo à Constituição da República. considerando-se a visão sistêmica. A motivação das sentenças e decisões de modo geral. advertir que livre convencimento não quer dizer puro capricho de opinião ou mero arbítrio da apreciação das Provas.10. através do seu artigo 157. ex vi legis.

Congresso Nacional. Acerca deste sistema. Unidade 3 63 . entende Capez (2002). entretanto. pelas normas constitucionais e infraconstitucionais. assegurado pela leitura coordenada da Constituição da República. SEÇÃO 5 . na medida em que exige motivação. admitindo-se as provas inominadas. à acusação e à defesa. gerador do arbítrio. um sistema processual penal que permite todos os meios de prova. da Carta Magna.Inquérito policial Como você viu anteriormente.) atende às exigências da busca da verdade real. limitados. pois. devendo indicá-los especificamente. rejeitando o formalismo exacerbado. igualmente. o magistrado buscar como fundamento elementos estranhos aos autos. e por textos legais internacionais. que: (. O Ministério Público. Não pode. a autoria e estabelece as condições em que o crime ocorreu. considerando a soberania dos vereditos e o sigilo das votações.. o objetivo principal das Polícias Civil e Federal é a investigação criminal. Polícias Militares e outros órgãos podem exercer atividade investigativa. os meios de prova mencionados no Código de Processo Penal são apenas exemplificativos.Criminalistica e Investigação Criminal de Processo Penal e demais legislações vigentes. Mas. concebe-se a prova no Processo Penal como verdadeiro direito garantido às Polícias. XXXVIII. e impede o absolutismo pleno do julgador. (CAPEZ 2002:267). Tal motivação não se faz necessária apenas nas decisões do júri. Neste sistema.. Não basta ao magistrado embasar a sua decisão nos elementos probatórios carreados aos autos. preceituados no artigo 5º. De outro lado. a investigação criminal não é atividade exclusiva destas Polícias. que procura demonstrar a existência do fato criminoso. Tem-se.

via de regra.. este estudo aborda apenas este.Universidade do Sul de Santa Catarina O inquérito policial é de atribuição exclusiva das Polícias Federal e Civil. e o auto de apuração de atos infracionais. Via de regra. de forma geral. previsto no Código de Processo Penal Brasileiro. Após a prática da infração penal. a notícia de um crime chega ao conhecimento da autoridade policial através do boletim de ocorrência. os atos investigativos são praticados no inquérito policial. mediante requisição ministerial ou judicial. avaliações reconhecimentos pessoais. por meio da investigação policial. 10259/2001. representações por mandados de busca e apreensão. também são procedimentos policiais que podem ensejar investigação. quebra de sigilo fiscal.) é o conjunto de diligências realizadas pela Polícia visando a investigar o fato típico e a apurar a respectiva autoria. quebra do sigilo bancário. prisões. cabe à Polícia Judiciária a apuração imediata do delito. depoimentos de testemunhas. quebra do sigilo telefônico. através do inquérito policial. o que é feito através da investigação. A partir deste momento. As atividades são as mais diversas de acordo com o delito praticado. normalmente. interrogatório de suspeito e/ou indiciado. e outros. previsto no Código da Criança e do Adolescente (Lei Federal n. declarações de vítimas. ou ainda. Segundo Tourinho Filho (2001:25) inquérito policial (. mediante requerimento de qualquer pessoa. onde se diligenciará para buscar provas demonstrando materialidade e autoria do crime. realização de acareações. 64 . o termo circunstanciado. fotográficos. cujos atos e resultados deverão ser formalizados. Considerando que. 8069/90). O auto de prisão em flagrante. previsto nas Leis Federais n.. cabe ao delegado de polícia determinar a instauração do inquérito policial. requisição de todas as perícias necessárias. 9099/95 e n.

h) Identificação datiloscópica do indiciado. Do Código de Processo penal Brasileiro delibera quanto aos procedimentos da Polícia Judiciária na apuração dos delitos. em que o princípio do contraditório não é considerado. Quando o crime. se for o caso. se for possível. cabe à Polícia realizar planejamento específico. O artigo 6º. se for o caso. nos termos do artigo 17 do Código de Processo Penal Brasileiro. é sigiloso. de forma geral. inclusive seus antecedentes criminais. Para que a investigação policial tenha resultado e o inquérito policial seja concluído comprovando materialidade e autoria do crime. Estas têm uma seqüência determinada pela autoridade policial que estiver presidindo o inquérito policial. i) Investigação sobre a vida pregressa do indiciado. d) Oitiva do ofendido ou da vítima. g) Exame de corpo de delito. e) Oitiva do indiciado. se for o caso. j) Reprodução simulada dos fatos. em que tempo. c) Coleta de todas as provas do fato e de suas circunstâncias. não pode ser arquivado pelo delegado de polícia. faz-se necessária a aplicação de técnicas investigativas. após a sua instauração.Criminalistica e Investigação Criminal Todos estes atos são formalizados no inquérito policial. de iniciativa obrigatória e indisponível. é de natureza inquisitiva. Não se pode contar com a improvisação e com a sorte no que concerne à investigação policial. b) Apreensão dos instrumentos e todos os objetos relacionados com o fato. de acordo com as peculiaridades da infração penal praticada. não existindo um rito pré-estabelecido para a atividade investigativa. Unidade 3 65 . destacandose: a) Comparecimento e preservação do local. O inquérito policial apresenta a forma escrita. em face da necessidade da realização desta ou daquela diligência. e definindo as técnicas a serem aplicadas. é. detalhando quais atividades investigativas serão realizadas. f) Reconhecimento de pessoas e coisas e acareações.

vigia o sistema de provas legais.Leia. concebida como aquelas utilizadas para demonstrar ao Juiz a veracidade ou falsidade da imputação feita ao réu e as circunstâncias que possam influir no julgamento da responsabilidade e na individualização das penas. a seguir. concebidos como instrumentos de reconstituição de fatos pretéritos. verificamos que cabe à Polícia Federal e às Polícias Civis dos Estados. ou investigativa policial. a função investigativa criminal. Na Idade Média e grande período da Idade Moderna. Para tanto. busca-se amealhar provas criminais. através da elucidação da materialidade e autoria dos delitos. 66 . estando fortemente condicionados por circunstâncias históricas e culturais. mas ao longo dos séculos a doutrina o submeteu a modificações para facilitar a sua aplicação. que eram previamente determinadas e hierarquizadas. a síntese da unidade. O sistema das provas legais passou por várias fases. Investigação criminal é a atividade voltada à apuração das infrações penais. sendo a confissão considerada aquela de maior valor. Através da Carta Magna. Síntese As polícias existentes no Brasil e suas atribuições estão descritas na Constituição Federal de 1988. sendo inicialmente rígido. O sistema de provas foi sendo alterado com o transcorrer dos tempos.Universidade do Sul de Santa Catarina . também chamadas Polícias Judiciárias. sempre acompanharam a história da civilização. até o surgimento posterior do sistema da livre apreciação de provas. Os meios de prova. nominando-a de “rainha das provas”. realize as atividades de Autoavaliação e consulte o saiba mais para ampliar seus conhecimentos acerca do assunto estudado.

Após abusos praticados nas sentenças. ) O inquérito policial é peça imprescindível para a instauração do processo criminal. Assembléias Legislativas dos Estados. Este sistema foi o adotado pelo Código de Processo Penal Brasileiro vigente. verdade real ou persuasão racional. Ministério Público. decisão absolutória ou condenatória. Atividades de auto-avaliação Assinale verdadeiro ou falso: ( ) O rol de provas elencados no Código de Processo Penal Brasileiro é exemplificativo. em que o juiz tinha total liberdade na valoração das provas e nas suas decisões processuais. outros órgãos exercem função investigativa. Além das Policias mencionadas. de 1789. dentre eles. Congresso Nacional. ) O sistema de provas previsto no Código de Processo Penal Brasileiro é o da íntima convicção. no qual a obrigatoriedade da motivação das decisões judiciais e das sentenças tornou-se verdadeira garantia individual.Criminalistica e Investigação Criminal Após a Declaração Universal dos Direitos do Homem e do Cidadão. que conferiu diversos direitos e garantias ao homem até então não existentes. ficando isento de motivar as suas sentenças absolutórias ou condenatórias. ) As Polícias exercem atividades excludentes. ( ( ( Unidade 3 67 . o inquérito policial é de atribuição exclusiva das Polícias Federal e Civis. surgiu o sistema da livre apreciação de provas. Ocorre que. criou-se o sistema da livre convicção. razão pela qual a Polícia Militar é proibida de realizar qualquer tipo de investigação criminal.

Disponível em: http://www. durante o curso de uma investigação.com. Disponível em: www.com.damasio.br/?page_name=art_05_ 2005&category_id=31 68 . Responda a seguinte questão: Na sua percepção. os policiais devem estar voltados prioritariamente à indicar e localizar o autor do crime ou à busca da verdade? Saiba mais Para complementar seus conhecimentos você pode ler: Texto: Inquérito Policial – Sigilo irrestrito.Universidade do Sul de Santa Catarina 2.direitonet.br/textos/x/15/73/1573 Artigo: Flagrante eficiente.http://www.

4 Seções de estudo Seção 1 Interrogatório Seção 2 Infiltração policial Seção 3 Informante Seção 4 Vigilância . informante e vigilância.UNIDADE 4 Investigação Criminal Objetivos de aprendizagem Estudar técnicas de investigação policial. Identificar a função das Polícias Investigativas e verificar qual a relação com a investigação experimental e suas respectivas técnicas. Conhecer e técnicas como o interrogatório. infiltração policial.

. PASOLD. podemos dizer que a investigação necessita de técnicas que assegurem um trabalho lógico. Visa à investigação policial resposta para as perguntas: (hectâmetro). Então. ficará mais fácil o entendimento do conteúdo desenvolvido nas seções que seguem. seqüencial.” O que é técnica? Bem. Prática da Pesquisa Jurídica.Universidade do Sul de Santa Catarina Para início de estudo Para iniciar os estudos desta unidade considero oportuno que você conheça termos-chave para a compreensão do que se pretende abordar. a) Quem? b) O que? c) Onde? d) Com que auxílio? e) Por que? f) De que maneira? g) Quando? Agora veremos o que é um procedimento. Mas. Cesar Luiz. Técnica. na busca imparcial da verdade objetivando cumprir o dever do Estado. pautado pelas garantias individuais e coletivas do cidadão. Vamos lá? Comecemos com a palavra “técnica. 2003.) é um conjunto diferenciado de informações.107. (. Assim. como essa palavra pode ser definida? 70 . sob o comando de uma ou mais bases lógicas de pesquisa. p. para realizar operações intelectuais ou física. reunidas e acionadas em forma instrumental. na preservação da ordem pública e da incolumidade das pessoas e do patrimônio. de acordo com Pasold (2003).. Idéias e Ferramentas Úteis para o Pesquisador do Direito.

A investigação será realizada a fim de obter informação sobre um tema. com a finalidade de descobrir fatos novos.Interrogatório Interrogatório é o termo utilizado pelo Código de Processo Penal para conceituar a inquirição do acusado no processo penal. 10792. nela se procura. Vamos lá? SEÇÃO 1 . Concorda? O procedimento se consubstancia nos diversos atos policiais no decorrer das investigações e a técnica representa a maneira como o procedimento é realizado. que foram todos alterados pela Lei n. recolher e organizar informações básicas.12. Tanto a investigação quanto a análise se baseiam no exame completo de um problema concreto. Na seqüência.Criminalistica e Investigação Criminal Procedimento é o conjunto dos atos pelos quais se ordenam e se exercitam.2003. sobretudo. os meios necessários para instruir a causa e assegurar ou restabelecer uma relação jurídica controvertida. você terá a oportunidade de conhecer algumas técnicas policiais mais comumente usadas num processo de investigação. Então. na investigação policial podemos dizer que procedimento é o conjunto dos atos policiais que tem por objetivo colher as provas da infração penal. guardando características próprias e peculiares em função dos mesmos. O procedimento do interrogatório encontra-se disposto nos artigos 185 a 196 do Código de Processo Penal. É um estudo profundo de um problema. A investigação é direcionada de acordo com os diferentes tipos de delitos. sob determinados preceitos legais. Unidade 4 71 . de 1.

por exemplo. perante a autoridade policial. tentando sempre buscar a verdade dos fatos. segurança e sabedoria.Universidade do Sul de Santa Catarina No âmbito policial. de forma técnica. Usualmente conceitua-se declaração como sendo a inquirição da vítima e depoimento a inquirição da testemunha. ação e resultado. demonstrando firmeza e seriedade. embora confessando o delito. elucidar o crime. a fim de que saiba fazer as perguntas com pertinência. diminuindo as conseqüências penais. Dessa forma. uma legítima defesa putativa ou uma injusta provocação da vítima. 72 . chamada técnica de interrogatório. O interrogador tem o dever de conhecer o fato que investiga. denomina-se interrogatório o ato em que o suspeito ou indiciado pela prática da infração penal presta depoimento formalmente nos autos. é importante que o interrogador busque. melhor do que o investigando. etc. Entretanto. A preparação é importante porque é comum o autor da infração penal. alegando. em favor da investigação. O interrogatório deve sempre ser orientado através de técnica. nem sempre o faz obedecendo a uma seqüência real desses fatos dentro daquela estrutura. espaço. Quais as técnicas de interrogatório? Técnicas de abordagem dos fatos Os fatos acontecem dentro de uma estrutura de tempo. não tenha interesse de obter a narrativa de maneira ordenada. Evidentemente que as técnicas ora mencionadas também podem ser aplicadas durante a tomada de declarações da vítima ou a tomada de depoimento de testemunha. quando alguém vai narrá-los. fazê-lo de forma a se beneficiar. Pode acontecer que o interrogador.

se saiu mais cedo ou chegou mais tarde. levando-se em conta a seqüência como um interrogado pode narrar os fatos que estão sendo investigados. A seqüência com que os fatos são narrados depende da lembrança que interrogando tenha das circunstâncias do fato. promovendo resultados negativos para o caso específico e para a Instituição Policial. Dessa forma. Unidade 4 73 . A aplicação de técnicas na atividade investigativa consiste no uso da inteligência. etc. manteve contatos ou encontros com pessoas estranhas. Por essa razão. Ano 1998. O emprego de técnicas no transcurso do interrogatório norteia o interrogador para que demonstre conhecimento e segurança acerca do delito que investiga. Isto não pode deixar de ser levado em conta por quem investiga. Técnica da Seqüência Memorial Esta técnica tem aplicação quando a pessoa que estiver sendo inquirida se prontifica a narrar os fatos espontaneamente. é importante buscar apurar onde e com quem o suspeito ou indiciado esteve durante todo o dia do crime. tanto por força das atividades necessárias à perpetração do delito. a saber: da seqüência memorial. e obtenha objetivamente a informação desejada. ausentou-se de casa ou do trabalho sob qualquer pretexto. da seqüência dos fatos. via de regra. da seqüência embaralhada. O policial que faz uso da violência na investigação.Criminalistica e Investigação Criminal Assim. e da seqüência retroativa: A experiência tem demonstrado que a prática de um delito. como em razão dos cuidados que se toma para ocultar os fatos. quebra a rotina de quem o pratica. além de incidir em conduta criminosa também não prima pelo raciocínio inteligente. a seqüência como os fatos serão abordados deve obedecer a critérios técnicos que sejam de pleno conhecimento e domínio do interrogador. Estas técnicas foram mencionadas em aulas expositivas no Curso de Formação para Delegado de Polícia – Ministradas na Academia da Polícia Civil de Santa Catarina. o interrogador pode se valer de cinco técnicas. da seqüência protaitiva.

Técnica da Seqüência Protaitiva É a técnica pela qual o interrogador parte de um determinado momento que pode ser de horas ou dias antes do crime e vai avançando no tempo. devendo o interrogador conduzir a narrativa para que os fatos sejam relatados de forma clara e dentro da seqüência dos próprios acontecimentos. a partir do momento estabelecido pelo interrogador. então. embaralhar ao máximo os pontos já abordados. lógica e coerência às perguntas feitas. na medida em que estas vão lhe surgindo na memória. como e porque iniciou. para que não consiga responder com encadeamento. como se desenvolveu e como e quando terminou. buscando esclarecer as atividades e convivências da pessoa que se interrogando. Somente uma narrativa real e verdadeira se sustentaria harmônica diante desta técnica. O interrogador deve. induzindo o interrogando a erro. Para aplicação desta técnica faz-se necessário que a pessoa que estiver sendo inquirida demonstre a vontade de expor os fatos. percorrendo a narrativa do início ao fim do delito. por parte. Técnica da Seqüência Embaralhada Esta técnica aplica-se quando há indícios de que a pessoa que está sendo inquirida optou por mentir acerca dos fatos que se investiga. 74 . quando. fazendo-a constatar que a sua versão dos fatos não condiz com as demais provas materiais e testemunhais amealhadas.Universidade do Sul de Santa Catarina Muitas vezes o interrogando inicia a sua fala pelo ato executório e depois desordenadamente vai narrando as demais circunstâncias. levando-se em conta o tempo decorrido. Técnica da Seqüência dos Fatos Esta técnica procura abordar o acontecido levando em conta a seqüência em que os fatos se desenrolaram.

tudo registrando fielmente. Técnica da Espontaneidade É a técnica que deve ser utilizada para o início de um interrogatório. Ainda que a narrativa não corresponda àquilo que já foi apurado nos autos. Se a versão for mentirosa. dando a este um grau de liberdade maior nas suas colocações. o suspeito ou indiciado acaba inventando situações que são facilmente desmentidas posteriormente. cujas evidências indiquem como sendo o tempo gasto para o suspeito ou indiciado cogitar. da forma mais livre possível. Parte de um determinado momento que pode ser da comunicação do delito ou de sua execução e vai retroagindo no tempo até um determinado horário. Estas técnicas foram mencionadas em aulas expositivas no Curso de Formação para Delegado de Polícia – Ministradas na Academia da Polícia Civil de Santa Catarina. sem qualquer interferência do interrogador. Por esta técnica. certamente não resistirá ao crivo da investigação séria. A verdade virá naturalmente à tona. preparar e executar o delito. Consiste em permitir que o interrogando. o interrogador se comporta de forma amigável com o interrogando. inclusive não deixar transparecer que não está acreditando na versão apresentada. o interrogando faz uma narrativa dos fatos por ele praticados.Criminalistica e Investigação Criminal A experiência tem demonstrado que para esconder atividades e encontros relacionados com a preparação e execução do crime. Através desta técnica. espontaneamente. Ano 1998. Unidade 4 75 . Técnica da Seqüência Retroativa Esta técnica percorre o tempo de forma inversa aos acontecimentos. da forma como o interrogador deve se comportar frente ao interrogando. o interrogador não deverá interferir. narre livremente o fato criminoso. profissional e criteriosa. Técnicas de Comportamento São técnicas que tratam da postura.

As perguntas devem ser claras. Técnica da Indução Caracteriza-se pela formulação de perguntas ao interrogando que o induzam. pela própria maneira como são formuladas. como esquecimento e até mesmo por desconhecer este ou aquele detalhe. leva-se o interrogando a. não conseguir sustentar a sua versão dos fatos. sobre este ou aquele momento do delito. pela técnica da indução. a dar uma resposta certa e objetiva. O interrogador jamais deve contar o fato que investiga ao interrogando. isso acontece tanto intencionalmente. O que caracteriza esta técnica é a formulação de perguntas bem elaboradas que induzam o interrogando a dar uma resposta certa. dificilmente o fará de forma completa. diretas e de preferência curtas. De um modo geral. ainda que o interrogando resolva narrar os fatos espontaneamente. Assim.Universidade do Sul de Santa Catarina Todavia. formulando perguntas bem elaboradas. Através desta técnica o interrogador discute as circunstâncias do delito e elucida pontos relevantes mencionados durante a narrativa espontânea. se tiver mentido na narrativa espontânea. como por qualquer outro motivo. A técnica da indução permite ao interrogador direcionar o diálogo. 76 . pois assim fazendo correrá o risco de prejudicar a busca da verdade. sobre esta ou aquela circunstância não esclarecida. é interessante que perceba que nem todo autor de crime confessa o fato espontaneamente e aí se faz necessário o emprego de outras técnicas para se chegar à verdade. para que não paire dúvidas ao interrogando sobre a resposta que deverá dar. precisa.

no seu artigo 6º. Evidentemente. etc. delatando os demais participantes.269/1996. menciona a colaboração eficaz. 13. o interrogador jamais deve inventar benefícios legais inexistentes. 9. As Leis Federais de números 8. sendo primário. Assim o policial deve argumentar com os benefícios da lei. mostrando ao interrogando que somente tem a ganhar se disser a verdade. prevêem diminuição da pena de um a dois terços para o concorrente que confessa o delito.Criminalistica e Investigação Criminal Técnica da Persuasão Esta técnica tem por objetivo persuadir. convencer o investigando a primar pela verdade dos fatos. Além dos benefícios legais. fornecer informações que propiciem o desmantelamento de organização criminosa da qual faça parte. A Lei Federal n. 9034/95. A Lei Federal n. bons antecedentes. inciso III.072/1990 e 9. em seu art. que outros que podem ser sustentados? Unidade 4 77 . Entre as atenuantes do crime. constituindo um incentivo à confissão. tais como a possibilidade de responder o crime em liberdade. tenha colaborado efetiva e voluntariamente com a investigação ou processo criminal. 65. residência fi xa. prevista no art. em troca da diminuição de pena.807/1999. em face da primariedade. que dispõe sobre a utilização de meios operacionais para a prevenção e repressão de ações praticadas por organizações criminosas. Outros argumentos ainda podem ser utilizados pelo interrogador. há a confissão espontânea. que consiste em um instrumento que permite ao indiciado. ou que tenha conhecimento das suas atividades. letra “d” do Código Penal Brasileiro. dispõe que o juiz poderá conceder o perdão judicial. ou delação premiada. com a conseqüente extinção da punibilidade ao acusado que. emprego e profissão certos.

após. entre os quais o de permanecer calado. com o diferencial de que. a aplicação de cada técnica deve ser feita por policial diferente. agindo sempre com calma e segurança. a oportunidade de dizer a verdade. nos termos do artigo 5º. LXIII. portanto as técnicas e seus aplicadores. que sempre causa transtornos à vida pessoal. além de conhecer com a maior profundidade possível o fato delituoso que estiver sendo apurado. 5º. mostrando a ele todas as controvérsias que seu interrogatório apresenta. social e profissional de alguém. Não obstante. Técnica da Alternância Consiste na aplicação das técnicas mencionadas acima. A cessação da pressão social e da imprensa também pode constituir um forte argumento para convencer uma pessoa a esclarecer o delito. oferecendo a ele. Cada policial deverá estar plenamente certo da técnica que irá aplicar. alterando-se. Após a aplicação desta técnica. Art. 78 . da Constituição Federal de 1988. LXIII. da Constituição Federal de 1988: “O preso será informado de seus direitos. Técnica do Questionamento Consiste em questionar o que foi dito pelo indiciado e que não estiver de acordo com o que se apurou. deve-se retornar à técnica da espontaneidade. Sabe-se que o silêncio do interrogado não pode ser interpretado em prejuízo a sua defesa. Deve-se indagar acerca do que foi alegado pelo indiciado que esteja mal esclarecido. uma vez esclarecido o fato criminoso cessa a perseguição da polícia.Universidade do Sul de Santa Catarina O primeiro argumento é de que. esta atitude motiva a intensificação das investigações. Técnica do Desmentido Esta técnica consiste em relacionar e mostrar ao suspeito que está faltando com a verdade. o interrogador deve aguardar a reação do suspeito. Com paciência. sendo-lhe assegurada a assistência da família e de advogado”.

questionar o interrogando cuja versão esteja em desacordo com o conjunto probatório podendo realizar acareação entre os suspeitos. sabendo-se que ele busca afetar psicologicamente o suspeito. Técnica da Informação Cruzada Aplica-se esta técnica nos casos em que se investiga dois ou mais co-autores ou partícipes do delito. pois é muito comum o investigando. de maneira que se mantenha um perfeito domínio sobre os pontos abordados e que estes sejam explorados com todos os interrogandos. É interessante que você perceba que a acareação deve ser breve e se restringir apenas ao ponto em que houve controvérsia. o detector de mentiras não é utilizado no Brasil. Quando o interrogador verifica que existem divergências. a fim de elucidar os fatos. Unidade 4 79 . por ter maior afinidade com ele do que com os demais. Do Emprego do Detector de Mentiras Diferentemente de outros Países. escolher um dos policiais para revelar a verdade. no decorrer da aplicação das técnicas.Criminalistica e Investigação Criminal Esta técnica tem proporcionado bons resultados práticos. É importante inquirir os suspeitos separadamente impossibilitando que um deles tome conhecimento das declarações dos demais. e quando a versões dos fatos oferecidas por eles sejam controversas. Deve ser aplicada por um único policial.

..... Foi inserida no sistema processual penal brasileiro pela Lei n.... determinar o momento oportuno para a realização de uma operação policial.. em determinado ambiente. 80 .. 9034/95: Art.Universidade do Sul de Santa Catarina SEÇÃO 2 .. em tarefas de investigação. entre outros.. os seguintes procedimentos de investigação e formação de provas: ... 10217/01. em descompasso com a maioria dos países mais avançados no tocante à repressão ao crime.. sob a proteção de uma história-cobertura.... No Brasil.. pelo que requer planejamento e preparação. Apresenta elevado risco para o policial infiltrado....... A infiltração visa a atingir. sob acompanhamento do Ministério Público.Infiltração policial A infiltração policial trata-se de técnica operacional eficaz.... identificar pessoas envolvidas em um crime.. constatar se um crime está sendo planejado ou realizado. preferencialmente.. obtidos pelo policial infiltrado. mediante o recrutamento e posterior inserção de pessoas... a infiltração até bem pouco tempo não era permitida. 2º. Deve ser realizada por tempo determinado... sem prejuízo dos já previstos em lei. mediante prévia autorização judicial e. os seguintes objetivos: obter informações ou provas. Em qualquer fase da persecução criminal são permitidos..... Trata-se de uma técnica de investigação que objetiva obter informações...... V – infi ltração por agentes de polícia ou de inteligência. constituída pelos órgãos especializados pertinentes. que permite a obtenção de conhecimentos profundos da organização criminosa. que alterou a redação do artigo 2º da Lei Federal n..... mediante circunstanciada autorização judicial..

Muito freqüentemente. possuem informação de grande valia. transportadores e compradores de drogas ilícitas. a serem utilizados no manejo de fontes vivas (informantes). lugares e objetos com a finalidade de obter informações sobre as atividades e a identidade de pessoas. deve levar em conta a possibilidade de uma contravigilância.Vigilância A vigilância é a observação encoberta. seja a pé ou por outros meios. veículos. O planejamento de uma operação de vigilância. portanto.Criminalistica e Investigação Criminal SEÇÃO 3 .Informante A técnica do informante permite estabelecer procedimentos uniformes. que se encontram inseridos na comunidade. Existe a necessidade de sua regulamentação através de diretrizes gerais. Quais os tipos de vigilância existentes? De modo geral. a serem seguidas pelos órgãos policiais. que contemplem o acompanhamento e fiscalização pelas Corregedorias de Polícia. por parte do suspeito ou de seus cúmplices. SEÇÃO 4 . incluídas as contramedidas eletrônicas. e. a vigilância é a única técnica de investigação a que se pode recorrer para averiguar a identidade dos fornecedores. existem três tipos de vigilância: Unidade 4 81 . por meios similares. contínua ou periódica de pessoas.

82 . Testar a confiabilidade de informantes. um local. Obter provas admissíveis nos tribunais. Quais os são objetivos de uma operação de vigilância? Obter provas de um delito. Impedir que se cometa um ato criminoso ou prender uma pessoa no momento em que comete o delito. b) Vigilância fixa: que consiste em vigiar continuamente. a partir de um ponto fixo. Obter pistas e informações graças aos contatos mantidos com outras fontes. Localizar bens escondidos ou contrabando. mecânicos ou de outra índole para interceptar o conteúdo de comunicações orais ou telefônicas.Universidade do Sul de Santa Catarina a) Vigilância móvel: em que o investigador segue um indivíduo a pé ou em um veículo. objeto ou pessoa. Proteger agentes encobertos ou corroborar seu testemunho. Localizar pessoas observando seus conhecidos e os lugares que freqüentam. c) Vigilância eletrônica: na qual se utilizam aparatos eletrônicos. Determinar onde se encontra uma pessoa a qualquer momento. Obter informações que possam ser utilizadas em interrogatórios.

Unidade 4 83 . as substituições. e se atue de acordo ao planejar as operações de vigilância eletrônica. considerando a sua ampla utilização e sua previsão legal. Também devem ser combinados sinais para a comunicação entre os policiais da vigilância. é necessário receber instrução e capacitação especializadas. É extremamente importante que se levem em conta essas limitações potenciais à estratégia de investigação. Além disso. mediante a captação de conversações ambientais e a interceptação de comunicações telefônicas. Nas operações em que participam vários policiais.Criminalistica e Investigação Criminal Uma das primeiras medidas que antecedem qualquer operação de vigilância é a designação do policial coordenador. Na seqüência. Para utilizar eficazmente os diversos aparatos e técnicas requeridas por esse modo especializado de investigação. Considerando a abrangência do tema. deve ser preparado um plano tático que preveja as eventualidades e especifique a função de cada um dos policiais. a dura ção da vigilância. é oportuno destacar que o estudo procurou enfocar a vigilância que se cumpre como recurso de investigação policial. deve-se estabelecer um sistema seguro de comunicação com os superiores e uma coordenação central. a) Vigilância eletrônica A vigilância eletrônica compreende muitas e diversas tecnologias. Em muitos países. destacadamente no combate ao crime organizado e ao tráfico de drogas. você tem a oportunidade de ver mais pormenorizadamente aspectos da vigilância eletrônica. A vigilância eletrônica é um aparato investigativo que ocasiona excelentes resultados operacionais. algumas das quais exigem um equipamento complexo e caro. a vigilância eletrônica está estritamente limitada pelo temor de violar o direito à intimidade das pessoas.

) para fins de investigação criminal ou prova em processo penal. A prova obtida mediante gravação de conversa telefônica será objeto de comentário posteriormente. disciplinando expressamente acerca da captação e interceptação ambiental de sinais eletromagnéticos. inciso XII estabelece: (.. inclusive do Supremo Tribunal Federal. 10217/2001 instituiu no sistema jurídico brasileiro esta modalidade de vigilância eletrônica. desde que judicialmente autorizadas e (. 9034/1995.. Quando feita por um dos interlocutores. excepcionando o princípio constitucional. 4117/62 (Código Brasileiro das Telecomunicações). 10217/2001 acrescentou o inciso IV. (1999). Anteriormente à previsão constitucional o fundamento legal utilizado para a interceptação era o artigo 57. inciso II. nas hipóteses e na forma que a lei estabelecer para fins de investigação criminal ou instrução processual penal. admitia fossem violadas as comunicações. porém. por ordem judicial.) é inviolável o sigilo da correspondência e das comunicações telegráficas. exigindo necessária regulamentação por lei ordinária. 84 . considera interceptação telefônica a captação. A Lei Federal n. sem ou com o conhecimento de um ou de ambos os interlocutores. em seu artigo 5º. alínea “e” da Lei n. a Lei Federal n. no último caso. bem como o seu registro e análise. salvo. c) Interceptação de comunicações telefônicas Mendes.Universidade do Sul de Santa Catarina b) Captação de conversações ambientais No que concerne à captação de conversações ambientais. de conversa telefônica. Com o advento da Constituição Federal de 1988.. óticos ou acústicos. a captação é chamada gravação de conversa telefônica. a quebra do sigilo das comunicações passou a ter tratamento constitucional. ao artigo 2º da Lei Federal n. no entendimento majoritário da doutrina e jurisprudência. de dados e das comunicações telefônicas.. que. por terceiro. como a maioria dos doutrinadores. A Constituição Federal de 1988.

O parágrafo único do artigo 1º da Lei n. do artigo 5º. artigo 1º. ou quebrar segredo da Justiça. A discussão doutrinária acerca da legalidade deste dispositivo será comentada oportunamente. necessidade de ordem judicial. previu: Constitui crime realizar interceptação de comunicações telefônicas. entrou em vigor a Lei Federal n. A Lei n. de dois a quatro anos. § único: “O disposto nesta Lei aplica-se à interceptação do fluxo de comunicações em sistemas de informática e telemática” estendeu a sua abrangência à interceptação do fluxo de comunicações em sistemas de informática e telemática. sem autorização judicial ou com objetivos não autorizados em lei. na investigação criminal e na instrução processual penal. Penal – reclusão. 9296/96 que regulamentou o inciso XII. parte final. da Constituição Federal e tratou das interceptações telefônicas.Criminalistica e Investigação Criminal Em 1996. 9296/96 prevê diversas exigências para a concessão de interceptação telefônica. tais como: a interceptação deve ser utilizada como prova em investigação criminal e em instrução processual penal. procedimento deve tramitar em segredo de justiça. comprovada necessidade. 9296/96. de informática ou telemática. ou pelo representante do Ministério Público. na investigação criminal. infração penal apurada deve ser punida com pena de reclusão. exigência de realização de auto circunstanciado após o término da interceptação. Unidade 4 85 . A mencionada Lei. em seu artigo 10º. constando o resumo das operações realizadas. prazo máximo de interceptação de quinze dias. prorrogável por igual período. Lei n.9296/96. e multa. requerimento deve ser feito pela autoridade policial.

de 1. perante a autoridade policial. Síntese A atividade investigativa afigura-se como trabalho lógico e seqüencial que objetiva a apuração das infrações penais. técnicas e procedimentos passaram a ser adotados. .Interrogatório É o ato em que o suspeito ou indiciado pela prática da infração penal presta depoimento formalmente nos autos. realize as atividades de Autoavaliação e consulte o saiba mais para ampliar seus conhecimentos acerca do assunto estudado.10792. Nesse contexto.Leia. Dessa forma. recursos como técnicas de interrogatório. Interrogatório é o termo utilizado pelo Código de Processo Penal para conceituar a inquirição do acusado no processo penal. que inseriu diversos direitos e garantias individuais muitas vezes limitadoras da busca da prova criminal. através da coleta de provas criminais. 86 .2003. e também em razão dos crescentes índices da criminalidade. As técnicas de interrogatório também podem ser utilizadas na inquirição da vítima e testemunha. a seguir. os agentes estatais que realizam investigação viram-se obrigados a se aperfeiçoar no exercício profissional e a se pautar em técnicas eficazes à atividade investigativa. Algumas técnicas investigativas foram estudadas nesta unidade. infiltração. que se consubstancia na escolha dos diversos atos policiais no decorrer das investigações e a técnica representa a maneira como o procedimento é realizado. .12.Universidade do Sul de Santa Catarina Com o advento da Constituição Federal de 1988. Dessa forma. uso de informantes e vigilância são cada vez mais utilizados pelas Polícias investigativas na elucidação dos delitos. que foram todos alterados pela Lei n. O procedimento do interrogatório encontra-se disposto nos artigos 185 a 196 do Código de Processo Penal. é imprescindível ao êxito desta atividade a adoção de procedimento. a síntese da unidade.

possuem informação de grande valia. do questionamento.Criminalistica e Investigação Criminal As técnicas de interrogatório são as seguintes: 1. Técnicas de comportamento: da espontaneidade.Técnicas de abordagem dos fatos: da seqüência memorial. É extremamente importante que se leve em conta essas limitações potenciais à estratégia de investigação. da seqüência embaralhada. Requer planejamento e preparação e foi inserida no sistema processual penal brasileiro está pela Lei 10217/01. contínua ou periódica de pessoas. que alterou a redação do artigo 2º da Lei Federal n. que se encontram inseridos na comunidade. 9034/95. Muito freqüentemente. a vigilância é a única técnica de investigação a que se pode recorrer para averiguar a identidade dos fornecedores. e atue de acordo ao planejar as operações de vigilância eletrônica.Infiltração A infiltração policial trata-se de técnica operacional eficaz. da seqüência dos fatos. da indução da persuasão. Unidade 4 87 . da alternância. da seqüência protaitiva e da seqüência retroativa. Em muitos países. que permite a obtenção de conhecimentos profundos da organização criminosa. A vigilância eletrônica compreende muitas e diversas tecnologias. 2. . e. lugares e objetos.Vigilância A vigilância é a observação encoberta. portanto. a serem utilizados no manejo de fontes vivas (informantes). . algumas das quais exigem um equipamento complexo e caro. a vigilância eletrônica está estritamente limitada pelo temor de violar o direito à intimidade das pessoas. – Informante A técnica do informante permite estabelecer procedimentos uniformes. veículos. da informação cruzada. obtidos pelo policial infiltrado. com a finalidade de obter informações sobre as atividades e a identidade de pessoas. do desmentido. transportadores e compradores de drogas ilícitas.

) São modalidades de vigilância eletrônica a captação de conversação ambiental e a interceptação telefônica. armas e outros dados importantes. do artigo 2º da Lei Federal n. ( ( ( ( ( 88 . 10217/2001. A interceptação de comunicações telefônicas encontra-se disciplinada pela Lei Federal n.Universidade do Sul de Santa Catarina São modalidades de vigilância eletrônica. 9296/96. o advogado poderá fazer perguntas. para que sejam feitas perguntas dirigidas aos autores. ) É necessário que a vítima seja interrompida durante o relato do ocorrido. 9034/95. ) O detector de mentiras e a hipnose são meios de prova aceitos no ordenamento brasileiro. A captação de conversações ambientais encontra-se prevista no inciso IV. Atividades de auto-avaliação Assinale verdadeiro ou falso: ( ) Durante o interrogatório do indiciado. a captação de conversações ambientais e a interceptação de comunicações telefônicas. ) Interceptação telefônica e gravação telefônica são sinônimos. considerando que o rol de provas elencado no Código de Processo Penal Brasileiro é apenas exemplificativo. ) No caso de haver mais de um suspeito. em face do princípio do contraditório consagrado pela Constituição Federal de 1988. é importante que eles sejam interrogados conjuntamente. Este inciso foi acrescentado pela Lei Federal n.

escuta telefônica e gravação clandestina-prova-sua validade na persecução criminal.Criminalistica e Investigação Criminal 2.” Disponível em: http://direitonetcombr/artigos/x/24/32/2432 Unidade 4 89 . Saiba mais Para aprofundar seus conhecimentos leia o: Artigo: “Violação da intimidade por intermédio de interceptação telefônica. este realiza gravação telefônica ou interceptação telefônica? Por quê? Justifique sua resposta. durante uma conversação. Responda à seguinte questão: Indivíduo ameaçado de morte por telefone e grava esta ameaça.

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Relacionar a prova às manifestações e aos princípios constitucionais de garantia dos direitos fundamentais. seu conceito e sua evolução histórica.UNIDADE 5 Limites da Investigação Criminal Objetivos de aprendizagem Conhecer a prova criminal. 5 Seções de estudo Seção 1 Sobre as provas: história e garantias constitucionais .

com um pouco de história. Como você já teve a oportunidade de ver. à igualdade. o direito à vida. a garantia da inadmissibilidade das provas obtidas por meios ilícitos e o direito à não produzir prova contra si próprio. à integridade física e moral. Vamos lá ? Comecemos. à liberdade. da liberdade espiritual. Nesta unidade você terá a oportunidade de estudar sobre as provas. instituiu diversos direitos individuais ao cidadão que devem ser respeitados e acabam por limitar a atuação policial investigativa na busca da prova. a investigação policial almeja a apuração da materialidade e autoria dos crimes. ainda. do domicílio. do sigilo da correspondência e das comunicações telegráficas. A Constituição da República explicita. 92 . Também outras normas infraconstitucionais elencam direitos individuais. dentre outros. de dados e telefônicas. artística e científica. à privacidade. então. à honra e imagem.Universidade do Sul de Santa Catarina Para início de estudo Para a manutenção de um Estado Democrático de Direito é necessário que a atividade estatal seja limitada por direitos e garantias individuais. da expressão intelectual. sua história e como elas se inserem no ordenamento jurídico brasileiro e concebidas no âmbito dos direitos e princípios constitucionais. bem como garante as inviolabilidades da manifestação do pensamento. a Constituição Federal de 1988. Assegura. mediante a obtenção de provas criminais. Nesse sentido. Todos devem ser considerados na investigação criminal. de ordem material e processual. tida como garantista.

instituiriam-se as ordálias e os juramentos. sempre foi influenciada pelo contexto histórico. social e cultural da civilização. a tortura era oficialmente aceita como meio de Prova necessário para a obtenção da confissão? Utilizava-se o sistema das provas legais. as provas não eram reunidas para apurar uma possível culpabilidade do réu. criou-se o sistema da íntima convicção. Desconhecendo o princípio da presunção de inocência. Apenas com os ideais iluministas da Revolução Francesa. A prova. com a criação dos Tribunais da Inquisição. encontrando limites expressos constitucional e infraconstitucionalmente. sendo que esta era constituída de cada um dos elementos que permitiam reconhecer um culpado. os valores do homem considerado em sua individualidade passaram a serem observados. quando a religião era o valor supremo das organizações e desconheciam-se os direitos fundamentais. Prevalecia a concepção organicista da sociedade. concedendo total Unidade 5 93 . meios de prova que outorgavam a Deus a capacidade de condenar ou absolver os indivíduos? Que no final da Idade Média e grande período da Idade Moderna. em que o interesse do Estado estava acima do indivíduo. o qual não possuía direitos e garantias limitadores do poder estatal. Você sabia? Que durante a Antigüidade e parte da Idade Média. em que a confissão era mais valorada do que as demais provas. instrumento por meio do qual se forma a convicção do juiz a respeito da ocorrência ou inocorrência dos fatos controvertidos no processo. Contrapondo-se ao sistema das provas legas.Criminalistica e Investigação Criminal SEÇÃO 1 .Sobre as provas: história e garantias constitucionais Num Estado Democrático de Direito a busca pela prova na investigação policial não é absoluta.

opondo-se ao subjetivismo da íntima convicção do juiz. A Declaração Universal dos Direitos do Homem. Como você pode ver. pelo qual a motivação das decisões judiciais tornou-se verdadeira garantia individual. também. inclusive no que concerne à produção da prova na investigação e no processo penal. Neste contexto. não há hierarquia entre as provas e o juiz pode decidir de acordo com a sua consciência. que passa a ser concebido não apenas como instrumento para persecução penal. a presunção de inocência do acusado e o direito ao contraditório. os princípios e regras insertos.Universidade do Sul de Santa Catarina liberdade aos juízes na apreciação da Prova. Posteriormente. e outros textos internacionais sobre Direitos humanos. A busca pela verdade na investigação e no processo criminal passou a sofrer limitações consubstanciadas nas liberdades públicas. adotado pelo Código Processual Penal Brasileiro. desde que o faça motivadamente e obedeça à Constituição da República e demais textos legais. Estes direitos e garantias consubstanciam-se em limites à atividade estatal. proclamaram diversos direitos fundamentais. explicita ou implicitamente. muitos deles consagrados pela Constituição Federal de 1988. no Estado Democrático brasileiro. a proibição legal da tortura. de 1789. como meio para salvaguardar direitos fundamentais. dentre elas. através do sistema da persuasão racional. mas. surgiu o sistema da persuasão racional ou livre convicção. dispensando-os de motivar suas decisões. 94 . O homem passou a ser respeitado enquanto sujeito de direitos e garantias. na Constituição da República atuam como norteadores da fase policial e do processo penal.

1999:113). segundo a moderna doutrina constitucional. Unidade 5 95 . após o liberalismo. através de quaisquer meios de provas. tais como os princípios constitucionais. sintetizam Grinover. p. é tida como ilícita. pelos direitos e garantias individuais..) os Direitos do homem.Criminalistica e Investigação Criminal Quando a prova viola normas de direito material. Liberdades fundamentais e liberdades públicas são também expressões usadas para exprimir Direitos Fundamentais (cf. (GRINOVER... que se justificam. acentuaram a transformação dos Direitos individuais em Direitos do homem inserido na sociedade. José Afonso da. que se colocam como limites à atividade investigativa policial. Nesta linha de pensamento. através de sua consagração. Curso de Direito Constitucional Positivo. não podem ser entendidos em sentido absoluto. como sendo (. em face da natural restrição resultante do Princípio da convivência das liberdades. pelo que não se permite que qualquer delas seja exercida de modo danoso à ordem pública e às liberdades públicas. De tal modo que não é mais exclusivamente com relação ao indivíduo. et all. no Estado social de Direito. As grandes linhas evolutivas dos Direitos Fundamentais. Aos Poderes Executivo.) os Direitos do homem que o Estado. Legislativo e Judiciário cabem respeitar os direitos fundamentais. conceituadas por Grinover. transferiu do Direito natural ao Direito positivo. desde que não ofendam os direitos fundamentais. Ambas. Scarance e Gomes Filho: (. Acerca deste tema. são ilegais.. verifica-se que a atuação da Polícia em um Estado Democrático de Direito é limitada. 1999. Quando a prova ofende preceitos de ordem processual é chamada ilegítima. o processo penal é o instrumento no qual se desenvolve a instrução probatória. também chamados de liberdades públicas. (GRINOVER: 1992:15). SILVA.181) Efetivamente. mas no enfoque de sua inserção na sociedade. provas ilícitas e ilegítimas. também. tanto os Direitos como as suas limitações.

ou . ou para prestar socorro. IV – é livre a manifestação do pensamento. Assegura ainda. artística e científica. do sigilo da correspondência e das comunicações telegráficas.a casa é asilo inviolável do indivíduo. No contexto desta discussão. de dados e das comunicações telefônicas. sendo assegurado o livre exercício dos cultos religiosos e garantida.) incisos III – ninguém será submetido a tortura nem a tratamento desumano ou degradante. da expressão intelectual. salvo em caso de flagrante delito ou desastre. integridade física e moral. as seguintes garantias. intimidade. independentemente de censura ou licença. sem distinção de qualquer natureza. a honra e a imagem das pessoas. a proteção aos locais de culto e a suas liturgias. as Provas obtidas por meios ilícitos. de dados e telefônicas.. sendo vedado o anonimato. 96 . assegurado o Direito à indenização pelo dano material ou moral decorrente de sua violação. igualdade. a autora adotou como sinônimas as expressões ‘Direito à intimidade” e “ Direito à Privacidade”. vida privada. no último caso. Relembre o que diz o artigo 5º. bem como às inviolabilidades da manifestação do pensamento. da liberdade espiritual. propriedade. científica e de comunicação. à liberdade. à igualdade. no processo. garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do Direito à vida. dentre outras: da inadmissibilidade das provas obtidas por meios ilícitos. nos termos seguintes: (. XI. durante o dia. segurança. por ordem judicial. XII – é inviolável o sigilo da correspondência e das comunicações telegráficas. LVI – são inadmissíveis. da publicidade dos atos processuais. do domicílio. salvo. à segurança e à propriedade. da Constituição da República: “Todos são iguais perante a lei. nas hipóteses e na forma que a lei estabelecer para fins de investigação criminal ou instrução processual penal. a vida privada. IX – é livre a expressão da atividade intelectual. LX – a lei só poderá restringir a publicidade dos atos processuais quando a defesa da intimidade ou o interesse social o exigirem.Universidade do Sul de Santa Catarina A utilização das provas e os direitos fundamentais A Constituição da República explicita as garantias concernentes à vida. VI – é inviolável a liberdade de consciência e de crença. X – são invioláveis a intimidade. liberdade. honra e imagem das pessoas. por determinação judicial. artística. do interrogado reservar-se no direito de permanecer calado. ninguém nela podendo penetrar sem consentimento do morador. na forma da lei.

de 1966. Também a tortura está proibida em diversas declarações internacionais. bem como a utilização de meios que afetem a liberdade de declaração. trata-se de crime inafiançável e insuscetível de graça ou anistia. O Direito à Prova não vai ao ponto de conferir a uma das partes no processo prerrogativas sobre o próprio corpo e a liberdade de escolha da outra. O crime de tortura encontra-se tipificado na Lei n.)”. sendo-lhe assegurada a assistência da família e de advogado”. ainda que com o consentimento do interrogado. Em face da garantia constitucional da presunção de inocência. por ordem judicial. são irrenunciáveis.Criminalistica e Investigação Criminal LXIII – o preso será informado de seus Direitos. durante o dia. posto que tais direitos. artigo 5º. e no Pacto Internacional sobre os Direitos Civis e Políticos. Acerca deste tema. de 07 de abril de 1997. salvo em caso de flagrante delito ou desastre. sem a anuência daquele. a sua negativa não presume a veracidade do fato que se quer provar. art. também deve ter assegurado o seu Direito a não fornecer Provas incriminadoras contra si mesmo. tais como o detector de mentiras. Faz-se importante lembrar que. Unidade 5 Constituição da República. sem consentimento do morador. 1999: 185). afirma Gomes Filho (1997). ninguém nela podendo penetrar. de 1969. A garantia constitucional da inviolabilidade do domicílio excepciona apenas a entrada.. 9455. não são aceitas pelo ordenamento brasileiro. (SILVA. é vedado constranger o suspeito a fornecer provas que prejudiquem a sua defesa. são vedados pelo nosso sistema legal. 1997:119). inciso XLIII – “a lei considerará crimes inafiançáveis e insuscetíveis de graça ou anistia a prática da tortura (. da mesma forma. em caso de flagrante delito ou desastre. razão pela qual as intervenções corporais. é a violação do Direito à não auto-incriminação e à liberdade pessoal. ou para prestar socorro. (GOMES FILHO. o hipnose.) o que se deve contestar em relação a essa intervenções. garantindo a privacidade do cidadão. qualquer tipo de violação à integridade física e psíquica do acusado.. entre os quais o de permanecer calado. No Brasil. ou para prestar socorro. (. a intimidade e a dignidade pessoal do acusado. durante o dia. por determinação judicial. a narcoanálise. sem consentimento do morador. Constituição da República. tais como exames de sangue e testes de alcoolemia. ou. pois se ninguém pode ser obrigado a declarar-se culpado. 97 . 5º. ainda que mínimas. enquanto fundamentais.. XI – “a casa é asilo inviolável do indivíduo. ou.. mencionados anteriormente. Desta forma. inclusive na Convenção Americana sobre Direitos Humanos.

98 . respeitados certos parâmetros. de dados e das comunicações telefônicas. 5º. O Código de Processo Penal prevê que as cartas poderão ser exibidas em juízo pelo respectivo destinatário. nas hipóteses e na forma em que a lei estabelecer para fins de investigação criminal ou instrução processual penal. a Constituição da República garantiu.. XII – “é inviolável o sigilo da correspondência e das comunicações telegráficas.173-174.Universidade do Sul de Santa Catarina Como já visto. verifica-se que o sigilo da correspondência não atinge nenhuma das duas interpretações. no último caso. Desta forma. O Supremo Tribunal Federal já decidiu favoravelmente à possibilidade da interceptação. ainda. no último caso. devemos concluir que.) Correspondência: É toda comunicação de pessoa a pessoa. ou. a interceptação da correspondência e/ou das comunicações telegráficas e de dados. para a defesa de seu direito. Constituição da República. nas hipóteses e na forma que a lei estabelecer para fins de investigação criminal ou instrução processual penal. por ordem judicial. 47: Para os efeitos desta Lei. art. 6538/78.. portanto. de correspondência que seria remetida por preso. são adotadas as seguintes definições: (. a inviolabilidade do sigilo da correspondência e das comunicações telegráficas. p. 1999. defende-se que nenhuma liberdade individual é absoluta. art. com fundamento em razões de segurança pública. por meio de carta. é possível. sendo absoluto. por ordem judicial. salvo. embasado na visão sistêmica do ordenamento jurídico. cf. pela administração penitenciária. de dados e das comunicações telefônicas. através da via postal ou telegráfica. de dados e telefônicas. Maria Gilmaíse de Oliveira. defende-se a análise gramatical deste inciso e advoga-se que o sigilo da correspondência e/ou das comunicações telegráficas e de dados não comporta exceções. de disciplina prisional ou de preservação da ordem jurídica. MENDES. pela leitura do inciso XII do artigo 5º da Constituição da República. Direito à Intimidade e Interceptação Telefônica. Desconsiderando-se a discussão doutrinária acerca da expressão “último caso” incidir exclusivamente sobre as comunicações telefônicas ou abranger as comunicações telegráficas. O que diz o Supremo Tribunal Federal sobre isso? Lei n. salvo. e que.

233: “As cartas particulares. 3º da Lei Complementar 105/2001 No que se refere ao sigilo bancário. permite a violação do sigilo bancário por decisão judicial ou por determinação de comissão parlamentar de inquérito. interceptadas ou obtidas por meios criminosos. § 3o Além dos casos previstos neste artigo o Banco Central do Brasil e a Comissão de Valores Mobiliários fornecerão à Advocacia-Geral da União as informações e os documentos necessários à defesa da União nas ações em que seja parte”. Veja o que diz o artigo: “Serão prestadas pelo Banco Central do Brasil. os artigos 3º e 4º da Lei Complementar 105/2001. que delas não poderão servir-se para fins estranhos à lide. ainda que não haja consentimento do signatário.Criminalistica e Investigação Criminal Código de Processo Penal. ou que tenha relação com as atribuições do cargo em que se encontre investido. o requerimento de quebra de sigilo independe da existência de processo judicial em curso. O Art. art. que dispõe sobre o sigilo das operações de instituições financeiras e dá outras providências. não serão admitidas em juízo”. preservado o seu caráter sigiloso mediante acesso restrito às partes. Unidade 5 99 . § único: “As cartas poderão ser exibidas em juízo pelo respectivo destinatário. pela Comissão de Valores Mobiliários e pelas instituições financeiras as informações ordenadas pelo Poder Judiciário. § 2o Nas hipóteses do § 1o. A inviolabilidade do sigilo de dados complementa a previsão ao direito à intimidade e abrange as informações bancárias e fiscais dos cidadãos. § 1o Dependem de prévia autorização do Poder Judiciário a prestação de informações e o fornecimento de documentos sigilosos solicitados por comissão de inquérito administrativo destinada a apurar responsabilidade de servidor público por infração praticada no exercício de suas atribuições. para a defesa de seu Direito.

art. unicamente. os casos previstos no artigo seguinte e os de requisição regular da autoridade judiciária no interesse da Justiça”. 198: “Sem prejuízo do disposto na legislação criminal. obtida em razão do ofício. fundamentadamente. § 3º : “As comissões parlamentares de inquérito. 4o da Lei Complementar 105/2001: “ O Banco Central do Brasil e a Comissão de Valores Mobiliários. e as instituições financeiras fornecerão ao Poder Legislativo Federal as informações e os documentos sigilosos que. § 2o As solicitações de que trata este artigo deverão ser previamente aprovadas pelo Plenário da Câmara dos Deputados. 58. no exercício de sua competência constitucional e legal de ampla investigação. ou do plenário de suas respectivas comissões parlamentares de inquérito” . § 1o As comissões parlamentares de inquérito.. por parte da Fazenda Pública ou de seus funcionários.). diretamente das instituições financeiras. do Senado Federal. é vedada a divulgação.. de qualquer informação. além de outros previstos nos regimentos das respectivas Casas. Também o sigilo fiscal pode ser excepcionado por ordem judicial ou determinação de comissão parlamentar de inquérito. sobre a situação econômica ou financeira dos sujeitos passivos ou de terceiros e sobre a natureza e o estado dos seus negócios ou atividades. serão criadas pela Câmara de Deputados e pelo Senado Federal (. obterão as informações e documentos sigilosos de que necessitarem. Constituição Federal. para qualquer fim.Universidade do Sul de Santa Catarina Art. Parágrafo único: Excetuam-se do disposto neste artigo. 100 . art. se fizerem necessários ao exercício de suas respectivas competências constitucionais e legais. que terão poderes de investigação próprios das autoridades judiciais. Código Tributário Nacional. ou por intermédio do Banco Central do Brasil ou da Comissão de Valores Mobiliários. nas áreas de suas atribuições.

Existe discrepância doutrinária acerca da constitucionalidade deste dispositivo. Licitude desse meio de prova. STRECK. com o conhecimento dos últimos. tratamento diferenciado da interceptação.) estende a sua abrangência à interceptação do fluxo de comunicações em sistemas de informática e telemática. sendo o caso. Streck não vislubra qualquer inconstitucionalidade neste artigo.97).Criminalistica e Investigação Criminal Neste sentido faz-se importante realizar uma breve análise sobre as interceptações telefônicas. 2. de um lado. A Lei 9296/96 e seus Reflexos Penais e Processuais. DJU em 22. Interceptação telefônica Como já foi mencionado. Unidade 5 101 . Este é o entendimento pacífico do Supremo Tribunal Federal: Interceptação telefônica e gravação de negociações entabuladas entre seqüestradores. recipiendários das ligações. como prova lícita. As Interceptações Telefônicas e os Direitos Fundamentais.). e que portanto.97. telefônica ou ambiental. por um dos interlocutores. § único: “O disposto nesta Lei aplicase à interceptação do fluxo de comunicações em sistemas de informática e telemática”.1997 . (STF -1ª Turma. 10. Quando feita por um dos interlocutores.06. e policiais e parentes da vítima.p. Min. (. Octavio Gallotti . Conceituando a informática como a prática de comunicações via computador e a telemática como a ciência que trata da manipulação e utilização da informação através do uso combinado do computador e meios de comunicação. em 24.08. j. O entendimento doutrinário e jurisprudencial majoritário é no sentido de dar à gravação. p. será possível a interceptação para prova em investigação criminal e em instrução processual penal. 9296/96.06. a captação é chamada gravação de conversa telefônica..Rel. 42-44. Constituição – Cidadania – Violência. artigo 1º. este autor entende que o veículo de tais variantes é o telefone. alegando que o fluxo de comunicações em sistema de informática e telemática são variantes da modalidade comunicações telefônicas. O parágrafo único do artigo 1º da Lei n. há diferenciação entre esta e gravação telefônica. Precedente do STF: (HC 74. Lenio Luiz. 1ª Turma. de outro.678. HC 75261 – MG – 1ª Turma ... aceitando-se a gravação.9296/96 (Lei n.

Universidade do Sul de Santa Catarina De outro lado.2002. Nesse sentido. 5º. III).10. A legislação integrativa do canon constitucional autoriza. bem como “ a interceptação do fluxo de comunicações em sistema de informática e telemática” (Lei nº 9. prevista no inciso XII do artigo 5º da Constituição Federal. – Rel. DJSC em 26. considera inconstitucional o dispositivo sob comento. “o acesso a dados. 2º. – Rel.296/96. Greco Filho (1996). STJ – HC 15026 – SC – 6ª T. a despeito de sua magnitude constitucional. e vislumbra os sistemas de informática e telemática como variantes das comunicações de dados..034/95 e nº 9. XII – Leis nº. DJU em 04. cedendo espaço quando presente em maior dimensão o interesse público. art. STJ – HC 15026 – SC – 6ª T. Des.2001 – p.9. como o Superior Tribunal e Justiça e o Tribunal de Justiça de Santa Catarina. 119 Ainda.034/95. bancários. 251 – (17096) – Blumenau – Rel. em sede de persecução criminal. contém expressa ressalva para admitir a quebra do sigilo para fins de investigação criminal ou instrução processual penal (art. art. XII).11. Leia atentamente mandado de segurança a seguir: 102 .2002 TJSC – MS . parágrafo único). financeiras e eleitorais” (Lei nº 9. decisão do Tribunal de Justiça de Santa Catarina com relação à prova. Vicente Leal –p. A jurisprudência pretoriana é unissonante na afirmação de que o direito ao sigilo bancário. 1º. no capítulo das franquias democráticas ponha em destaque o direito à privacidade. bem como ao sigilo de dados. Otávio Roberto Pamplona – p. documentos e informações fiscais. por ordem judicial. Vicente Leal – p. Min. Min. DJU em 04. Este autor entendendo que tal expressão limita-se às comunicações telefônicas. Outros Tribunais. já decidiram pela constitucionalidade das interceptações dos sistemas de informática e telemática. ART. Habeas-corpus denegado”. não é um direito absoluto..296/96 – Embora a Carta Magna. excluindo as comunicações telegráficas e de dados. CONSTITUCIONAL – PROCESSUAL PENAL – HABEAS-CORPUS – SIGILO DE DADOS – QUEBRA – BUSCA E APREENSÃO – INDÍCIOS DE CRIME – INVESTIGAÇÃO CRIMINAL – LEGALIDADE – CF. concebe que esta questão está centrada na interpretação que se dá à expressão “último caso”. mediante autorização judicial.11. 5º.

para a análise do caso não há a necessidade de se perquirir sobre a constitucionalidade da equiparação. mas do periculum in mora. XII.10. descabe a quebra do sigilo. 251 – (17096) – Blumenau – Rel. Na espécie. É que a interceptação do fluxo de tais comunicações (informática e telemática). 5º. quando esta deixar vestígios. dos laudos periciais serem lavrados por dois peritos oficiais. Podemos citar: a obrigatoriedade da prova pericial para a constatação da materialidade da infração penal. devam guardar segredo. em relação às quais é pacífico que cabe a quebra do sigilo por determinação judicial. na qual foi indeferida a medida liminar. 1º.2001 – p. estando pendente de julgamento. via correio eletrônico (e-mail). há de ser deflagrada com cautela. Limitações probatórias Além dos preceitos limitativos de ordem material. No caso. em razão de função.499-9. da Constituição Federal. não por ausência do fumus boni iuris. proibição de depor como testemunhas as pessoas que. 119). ante a regra inserta no inciso III do art. de dados ou de comunicações telefônicas preconizado pelo art. em caráter exemplificativo. com a pena de detenção. devendo o magistrado verificar se estão presentes os pressupostos legais para o deferimento da medida e. no máximo. Foram sucintamente mencionados neste item.296. ainda que constitucional. de 1996.256/1996. XII. 5º. em caso positivo. existem limitações probatórias previstas no Código de Processo Penal. DJSC em 26.Criminalistica e Investigação Criminal MANDADO DE SEGURANÇA – DECISÃO MONOCRÁTICA – QUEBRA DE SIGILO DE CORREIOS ELETRÔNICOS (E-MAIL) – ART. a impossibilidade de condenação embasada exclusivamente na confissão do acusado. no caso de desaparecimento destes vestígios. no parágrafo único do seu art. necessidade. equiparou-as às comunicações telefônicas. ou profissão. Unidade 5 103 . ofício. seguir o procedimento fixado na Lei nº 9. restrições de prova relacionadas ao estado civil das pessoas.(TJSC – MS. sendo as infrações investigadas punidas. Otávio Roberto Pamplona – p. A Lei nº 9.296/1996. Des. Segurança concedida. DA CONSTITUIÇÃO FEDERAL – CORRESPONDÊNCIA – SISTEMA DE INFORMÁTICA E TELEMÁTICA – INCLUSÃO NO CONCEITO – Há controvérsia se as comunicações em sistema de informática/telemática. apenas alguns limites materiais à prova. A matéria é objeto da ADIN nº 1. com possibilidade de suprimento pela prova testemunhal. disso dependendo a licitude ou ilicitude da medida. estão compreendidas no sigilo de correspondência. porque representa exceção à garantia constitucional prevista no preceito referido. todavia. ministério. em regra. que ensejam muita discussão doutrinária e jurisprudencial. 2º da Lei nº 9.

Código de Processo Penal. devam guardar segredo. ministério. e depois de ouvido o Ministério Público. caput –“Os exames de corpo de delito e as outras perícias serão feitos por dois peritos oficiais”. não podendo supri-lo a confissão do acusado”. somente quando ao estado das pessoas. 62 – “No caso de morte do acusado. conferem ilegalidade à prova. art. art. 207 – “São proibidas de depor as pessoas que. serão observadas as restrições à Prova estabelecidas na lei civil”. ofício ou profissão. art. art. Portanto. 104 . salvo se. desobrigadas pela parte interessada. perceba que a produção da prova criminal encontra-se limitada por preceitos insculpidos na Constituição da República. quando violados. 159. art. em razão de função. a Prova testemunhal poderá suprir-lhe a falta”. art. 155 – “No juízo penal. declarará extinta e punibilidade”. 158 – “Quando a infração deixar vestígios.Universidade do Sul de Santa Catarina Código de Processo Penal. será indispensável o exame de corpo de delito. quiserem dar o seu testemunho”. direto ou indireto. 167 – “Não sendo possível o exame de corpo de delito. e demais textos legais que. o juiz somente à vista da certidão de óbito. por haverem desaparecido os vestígios.

social e cultural da civilização. Apenas com os ideais iluministas da Revolução Francesa. Desconhecendo o princípio da presunção de inocência. sempre foi influenciada pelo contexto histórico. e grande período da Idade Moderna. Utilizava-se o sistema das provas legais. surgiu o sistema da persuasão racional ou livre convicção. sendo que esta era constituída de cada um dos elementos que permitiam reconhecer um culpado. concedendo total liberdade aos juízes na apreciação da prova. instituíram-se as ordálias e os juramentos. em que o interesse do Estado estava acima do indivíduo. com a criação dos tribunais da inquisição. O homem passou a ser respeitado enquanto sujeito de direitos e garantias. Posteriormente. Contrapondo-se ao sistema das provas legas. dentre elas. No final da Idade Média. dispensando-os de motivar suas decisões. criou-se o sistema da íntima convicção. em que a confissão era mais valorada do que as demais provas. meios de prova que outorgavam a Deus a capacidade de condenar ou absolver os indivíduos. A busca pela verdade no processo passou a sofrer limitações consubstanciadas nas liberdades públicas. e parte da Idade Média. Unidade 5 105 . Prevalecia a concepção organicista da sociedade. a presunção de inocência do acusado e o Direito ao contraditório. . objeto da investigação policial. as provas não eram reunidas para apurar uma possível culpabilidade do réu. o qual não possuía direitos e garantias limitadores do poder estatal. opondo-se ao subjetivismo da íntima convicção do juiz. Durante a Antigüidade.Criminalistica e Investigação Criminal Síntese A prova criminal. quando a religião era o valor supremo das organizações e desconheciamse os direitos fundamentais. a tortura era oficialmente aceita como meio de Prova necessário para a obtenção da confissão. os valores do homem considerado em sua individualidade passaram a ser observados. a proibição legal da tortura.

à igualdade. à honra e imagem. do domicílio. a garantia da inadmissibilidade das provas obtidas por meios ilícitos. desde que o faça motivadamente e obedeça à Constituição da República e demais textos legais. dentre outros. de dados e telefônicas. bem como garante as inviolabilidades da manifestação do pensamento. que passa a ser concebido não apenas como instrumento para persecução penal. ainda. à privacidade. Quando uma prova é produzida com ofensa a algum destes direitos e garantias. Assegura. adotado pelo Código Processual Penal Brasileiro. muitos deles consagrados pela Constituição da República. do sigilo da correspondência e das comunicações telegráficas. de 1789. e outros textos internacionais sobre direitos humanos proclamaram diversos direitos fundamentais. não há hierarquia entre as provas e o juiz pode decidir de acordo com a sua consciência. no Estado Democrático Brasileiro os princípios insertos. artística e científica. mas também como meio para salvaguardar direitos fundamentais. à integridade física e moral. Estes direitos e garantias consubstanciam-se em limites à atividade estatal. A Declaração Universal dos Direitos do Homem. o direito à vida. 106 . Todos estes direitos e garantias limitam a atividade policial investigativa. Através do sistema da persuasão racional. além da responsabilidade penal e administrativa a quem produziu a prova está sujeito. inclusive no que concerne à produção da prova no processo penal. posto que ofende norma de direito material. Neste contexto.Universidade do Sul de Santa Catarina pelo qual a motivação das decisões judiciais tornou-se verdadeira garantia individual. A Constituição da República explicita. e passa a não ter qualquer valor para embasar uma sentença. da liberdade espiritual. explicita ou implicitamente. na Constituição da República atuam como norteadores do processo penal. é tida como ilícita. da expressão intelectual. à liberdade.

expondo a dano potencial a incolumidade de outrem. ) Captação de conversa ambiental por um dos interlocutores. é prova lícita. mesmo sem a sua anuência? Em caso negativo. ) É permitida a entrada da Polícia em domicílio. do Código de Trânsito Brasileiro. previsto no artigo 306. Responda à seguinte questão: Para comprovar um crime de trânsito. ( ( ( ( 2. ou para prestar socorro. em caso de flagrante delito ou desastre. ) O registro dos arquivos extraídos da memória de computador. sem consentimento do morador. Unidade 5 107 . fundamente e informe que outros meios de prova poderiam ser utilizados para tanto. objeto de exclusiva apreensão mediante entrada em residência.Criminalistica e Investigação Criminal Atividades de auto-avaliação Assinale verdadeiro ou falso: ( ) Exames de sangue e testes de alcoolemia podem ser realizados no suspeito mesmo que sem a sua anuência. ainda que sem ordem judicial. ) É permitida a entrada da Polícia em domicílio. sem consentimento do morador. constitui prova lícita. sem ordem judicial. é possível comprovar a embriaguez constrangendo o condutor a realizar o teste do bafômetro. durante o dia ou à noite. com ordem judicial.

br/artigos/art02/ppenal50.htm 108 .com.Universidade do Sul de Santa Catarina Saiba mais Para ampliar seus conhecimentos sobre o assunto tratado leia: Texto: Da prova ilegal no processo penal http://www.neofito.

que por interesses profissionais e/ou pessoais. Espero que você. saúde. Na atualidade. uma vez que a atinge diretamente. Os crescentes índices de criminalidade verificados no País e as deficiências estatais no combate ao crime é um tema no qual a sociedade está cada vez mais preocupada. Maria Carolina . moradia. Estes são apenas alguns dos motivos pelos quais a segurança pública vem sendo objeto de preocupação pelo poder público. aluno. da atuação estatal nesta área. considere esta disciplina como o ponto de partida para o estudo aprofundado e permanente da investigação policial. com a especialização das perícias. a busca pela prova criminal está em constante mutação. com a rotatividade dos profissionais que atuam direta ou indiretamente na atividade investigativa policial. está realizando este curso. pela sociedade. Com as alterações e criações de leis. A par da discussão acerca da omissão do poder estatal em programas que tenham como foco a prevenção. o tema segurança pública vem sendo objeto de maior atenção pela sociedade e pelo Estado. São exorbitantes os gastos públicos gerados em decorrência da atividade delitiva e é negativa a visão. emprego. Profa.Para concluir o estudo Este livro teve por finalidade estudar os temas Criminalística e Investigação Criminal. tais como educação. é certa a necessidade perene da atividade policial em qualquer organização social atual. considerando que a função repressiva sempre terá de existir.

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Norberto. 2002. 1992. 8 ed. Ada Pelegrini. CANOTILHO. Ministério da Educação e Cultura. Brasília. 1977. p. . Maria da Glória Lins da Silva. Curso de Processo Penal. A Cidade Antiga. GRINOVER. 6. 310 p. 1996. A Era dos Direitos. CAPEZ. São Paulo: Hermus Ed. n. Gilberto.237-250. ed. SILVA. Dicionário Escolar da Língua Portuguesa. Fernando. 3 ed. DINAMARCO.120 p. Antônio Carlos de Araújo. 19 ed. 2003. Fustel de.267 COULANGE. p. Dos Delitos e das Penas. São Paulo: Edipro. 97. CINTRA. Maria Regina Caffaro. São Paulo: Malheiros Editores. 1394p. São Paulo: Saraiva. Cesare. Provas Ilícitas no Processo Penal. 217 p. Rio de Janeiro: Campus. Ano 25. Teoria Geral do Processo.1993. Título original: L´eta dei Diritti BUENO. Título original: Dei Delitti e Delle Penne BOBBIO. José Joaquim Gomes. São Paulo: Saraiva. Direito Constitucional e Teoria da Constituição. 12 ed. 1414p.Referências BECCARIA. Jan/mar. 348 p.1988. COLUCCI. Tradução de Carlos Nelson Coutinho. COTRIN. Revista Informativa Legislativa. 1999. Francisco da Silveira. Tradução de Flório De Angelis. Título original: La Cite Antique. Cândido Rangel. História e Consciência do Mundo. 5 ed. 1997. Coimbra: Livraria Almedina. 448 p. Tradução de Jonas Camargo Leite e Eduardo Fonseca.

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2002. 114 . SABADELL. 293 p.Universidade do Sul de Santa Catarina SZNICK. Barcelona: Crítica. 273 p. 1998. Valdir. 39. Ana Lucia. Editora Revista dos Tribunais. São Paulo: Universitaria de Direito.julho/setembro 2002. Ano 10.266-287. VALIENTE. Tortura. La Tortura Judicial en España. Francisco Tomás Y. p. Revista Brasileira de Ciências Criminais. n. Problemas Metodológicos na História do Controle Social: o exemplo da tortura.

Sobre a professora conteudista
Maria Carolina Milani Caldas Opilhar é graduada em Administração de Empresas, pela Universidade do Estado de Santa Catarina – UDESC e em Direito, pela Universidade Federal de Santa Catarina – UFSC. Realizou Mestrado em Ciência Jurídica, pela UNIVALI/ SC – Universidade do Vale do Itajaí, com dissertação aprovada em junho de 2004. Possui especialização em Meio-Ambiente e Trânsito, pela Unisul, com monografia aprovada em maio de 2003. Está cursando Pós-Graduação Lato Sensu em Gestão de Segurança Pública, na ACADEPOL - Academia de Polícia Civil de Santa Catarina. É Delegada de Polícia, integrante da Polícia Civil do Estado de Santa Catarina e faz parte do corpo docente da ACADEPOL – Academia de Polícia Civil de Santa Catarina. Atualmente, presta serviços na Delegacia de Polícia de Palhoça, Santa Catarina.

116

Respostas e comentários das atividades de auto-avaliação
Respostas e comentários das questões das unidades do Livro didático

Unidade 1
1) Assinale V ou F (F) Nos crimes que ocorreram mediante disparo de arma de fogo, a apreensão de estojos no local não é importante, posto que não é possível realizar perícia comparativa entre o estojo e a arma de fogo. (V) Nos crimes que ocorreram mediante disparo de arma de fogo, a apreensão de projéteis no local possibilita a realização do laudo de identificação de projéteis e, quando a arma é apreendida, o laudo de comparação balística. (V) O rol de provas elencados no Código de Processo Penal Brasileiro é exemplificativo. (F) O sistema de provas previsto no Código de Processo Penal Brasileiro é o da íntima convicção. (V) A prova testemunhal pode suprir a prova pericial quando a infração penal não deixar vestígios.

Unidade 3 1) Assinale verdadeiro ou falso: (F) O sistema de provas previsto no Código de Processo Penal Brasileiro é o da íntima convicção. (F) As Polícias exercem atividades excludentes. científica. No sistema da livre convicção. muitas vezes no transcorrer da atividade investigativa são coletadas provas em favor da inocência do suspeito.Universidade do Sul de Santa Catarina Unidade 2 1) Qual a importância do laudo pericial na investigação criminal? R: O laudo pericial vem sendo percebido como uma das provas cruciais para a investigação. os policiais devem estar voltados prioritariamente à indicar e localizar o autor do crime ou à busca da verdade? R: Em um Estado Democrático de Direito. as provas não possuem valor pré-determinado. As Polícias investigativas mais avançadas do mundo vêm priorizando a prova pericial. ou que o autor agiu embasado em alguma excludente de antijuridicidade. ainda que a verdade demonstre que o suspeito não é o autor do crime. e. científica. razão pela qual a Polícia Militar é proibida de realizar qualquer tipo de investigação criminal. o objetivo primordial da investigação deve ser a busca da verdade dos fatos. durante o curso de uma investigação. 3) O laudo pericial é sempre conclusivo? R: O laudo pericial nem sempre é conclusivo. é mais difícil de ser refutado. na condição de prova objetiva. Responda à seguinte questão: Na sua percepção. posto que. não são hierarquizadas. Dessa forma. tal como legítima defesa ou estado de necessidade. 118 . adotado pelo Código de Processo Penal Brasileiro. (F) O inquérito policial é peça imprescindível para a instauração do processo criminal. portanto. ficando a critério do juiz esta valoração. 2) Que tipo de prova é o laudo pericial? R: O laudo pericial é prova objetiva. 2.

o advogado poderá fazer perguntas. considerando que o rol de provas elencado no Código de Processo Penal Brasileiro é apenas exemplificativo. 2. este realiza gravação telefônica ou interceptação telefônica? Por quê? R: Realiza gravação telefônica. (V) São modalidades de vigilância eletrônica a captação de conversação ambiental e a interceptação telefônica. (F) No caso de haver mais de um suspeito. é importante que eles sejam interrogados conjuntamente.Unidade 4 1) Assinale verdadeiro ou falso: (F) Durante o interrogatório do indiciado. para que sejam feitas perguntas dirigidas aos autores. 119 . armas e outros dados importantes. (F) Interceptação telefônica e gravação telefônica são sinônimos. (F) É necessário que a vítima seja interrompida durante o relato do ocorrido. A interceptação necessita de ordem judicial para ser feita e é sempre realizada por um terceiro. Responda à seguinte questão: Indivíduo ameaçado de morte por telefone e grava esta ameaça. durante uma conversação. (F) O detector de mentiras e a hipnose são meios de prova aceitos no ordenamento brasileiro. em face do princípio do contraditório consagrado pela Constituição Federal de 1988.

ninguém pode ser obrigado a produzir prova contra si próprio. (V) Captação de conversa ambiental por um dos interlocutores. constitui prova lícita. R: Em face do direito de que ninguém é obrigado a fazer ou deixar de fazer alguma coisa. é possível comprovar a embriaguez constrangendo o condutor a realizar o teste do bafômetro. sem consentimento do morador. sem o seu consentimento. pelo que não é possível constranger alguém a realizar o bafômetro. são outros meios de prova que podem demonstrar o estado de embriaguez.Unidade 5 1) Assinale verdadeiro ou falso: (F) Exames de sangue e testes de alcoolemia podem ser realizados no suspeito mesmo que sem a sua anuência. mesmo sem a sua anuência? Em caso negativo. fundamente e informe que outros meios de prova poderiam ser utilizados para tanto. 2. ainda que sem ordem judicial. da Constituição Federal de 1988. sem consentimento do morador. A prova testemunhal e o laudo pericial de verificação de embriaguez. sem ordem judicial. do Código de Trânsito Brasileiro. ou para prestar socorro. (V) É permitida a entrada da Polícia em domicílio. com ordem judicial. senão em virtude de lei. II. objeto de exclusiva apreensão mediante entrada em residência. previsto no artigo 5º. (F) É permitida a entrada da Polícia em domicílio. 120 . é prova lícita. durante o dia ou à noite. previsto no artigo 306. (F) O registro dos arquivos extraídos da memória de computador. em caso de flagrante delito ou desastre. Responda à seguinte questão: Para comprovar o crime de trânsito. expondo a dano potencial a incolumidade de outrem. realizado por médicos legistas.

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