Universidade do Sul de Santa Catarina

Disciplina na modalidade a distância

Criminalística e Investigação Criminal

Palhoça UnisulVirtual 2006

Apresentação
Este livro didático corresponde à disciplina Criminalística e Investigação Criminal. O material foi elaborado visando a uma aprendizagem autônoma, abordando conteúdos especialmente selecionados e adotando uma linguagem que facilite seu estudo a distância. Por falar em distância, isso não significa que você estará sozinho. Não esqueça que sua caminhada nesta disciplina também será acompanhada constantemente pelo Sistema Tutorial da UnisulVirtual. Entre em contato sempre que sentir necessidade, seja por correio postal, fax, telefone, e-mail ou Espaço Unisul Virtual de Aprendizagem. Nossa equipe terá o maior prazer em atendê-lo, pois sua aprendizagem é nosso principal objetivo. Bom estudo e sucesso! Equipe UnisulVirtual.

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Maria Carolina Milani Caldas Opilhar Criminalística e Investigação Criminal Livro didático Design instrucional Carmen Maria Cipriani Pandini Palhoça UnisulVirtual 2006 .

Crime e criminosos. Site:www.Copyright © UnisulVirtual 2006 N enhum a parte desta publicação pode ser reproduzida por qualquer m eio sem a prévia autorização desta instituição. I.Rodrigues issa M aria Eugênia Ferreira Cel eghin Dênia Fal de Bittencourt cão ( iar) Auxil Simone Andréa de Castil ho El Fl isa emming Luz Charl Cesconetto es Viní M aycot Seraf cius im Enzo de Ol iveira M oreira Diva M aríia Fl l emming Fl Lumi M atuzawa ávia El Fl isa emming Luz Karl Leonora Dahse Nunes a Pr odução I ndustr e ial I tamar Pedro Bevil aqua Leandro Kingeski Pacheco Suporte Janete El Fel za isbino Ligia M aria Souf Tumol en o Arthur EmmanuelF. Inclui bibliografia.Educação Super a Distância Vir ior Cam pusUnisul tual Vir Rua João Pereira dos Santos. II. 28 cm. . Maria Carolina Milani Caldas Criminalística e investigação criminal : livro didático / Maria Carolina Milani Opilhar . Título. ReitorUnisul Gerson LuizJoner da Sil veira Vice-Reitore Pró-Reitor Acadêm ico Sebastião Sal Heerdt ésio Chefe de gabinete da Reitor ia Fabian M artins de Castro Pr ó-ReitorAdm inistrativo M arcus Viní Anátol da cius es Sil va Ferreira Cam pusSul Diretor:Val Al Schmitz ter ves Neto Diretora adj Al unta: exandra Orseni Cam pusNorte Diretor:Ail Nazareno Soares ton Diretora adj Cibel unta: e Schuel ter Cam pusUnisul tual Vir Diretor:João Vianney Diretora adj Jucimara unta: Roesl er Equipe Unisul tual Vir Adm inistr ação Renato AndréLuz Val Vení I mir cio nácio Fernando Roberto Dias Zimmermann Higor Ghisi Luciano Pedro Paul Al Teixeira o ves Raf Pessi ael Vil M artins Fil son ho ( coordenador) Eduardo Kraus Sil Henrique Sil vana va Secr ia Executiva etár Viviane Schal M artins ata Tecnol ogia Osmar de Ol iveira BrazJúnior ( coordenador) Ricardo Al exandre Bianchini Rodrigo de Barcel M artins os M onitor e Supor ia te Raf da Cunha Lara ael ( coordenador) Bibl iotecár ia Adriana Sil veira Soraya Arruda W al trick ine Equipe Didático-Pedagógica Carol M endonça Edison Rodrigo Val im Angel M arçalFl ita ores Coor denação dosCur sos l Carmen M aria Cipriani Pandini Franciele Arruda Adriano Sérgio da Cunha a inverni Barbieri Carol Hoeler da Sil Boeing Gabriel M al ina l va Ana Luisa M ül bert Gisl Frasson de Souza ane Cristina Kl de Ol ipp iveira Ana Paul Reusing Pacheco a Josiane Conceição Leal Daniel Erani M onteiro W il a l Cátia M el S. virtualunisulbr . ISBN 85-60694-33-1 ISBN 978-85-60694-33-4 1.Sil veira Jucimara Roesl er ( coordenador) Lil Cristina Pettres ( iar) M árcia Loch ian Auxil Patrí M eneghel cia Francisco Asp Lauro JoséBalock l Sil Denise Guimarães vana LuizGuil herme Buchmann Tade-Ane de Amorim Figueiredo Pr etosCorpor oj ativos Vanessa de Andrade M anuel LuizOtávio Botel Lento ho Diane DalM ago Vanessa Francine Corrêa M arcel Caval o canti Vanderl Brasil ei Viviane Bastos M auri LuizHeerdt Viviani Poyer M auro Faccioni Fil ho Secr ia de Ensino a etar M ichele Denise DurieuxLopes l Distância Logí de Encontr stica os Destri Karine Augusta Zanoni Pr esenciais Nél Herzmann io ( secretária de ensino) Carol Batista ( ine Coordenadora) Dj Sammer Bortol Onei Tadeu Dutra eime otti Araceli Aral l di Patrí Al cia berton Carl Cristina Sbardela a l Graciel M arinês Lindenmayr e Patrí Pozza cia Grasiel M artins a JoséCarl Teixeira os Raul Jacó Brüning ino James M arcelSil Ribeiro va Letí Cristina Barbosa cia LamuniêSouza Kênia Al exandra Costa Hermann Liana Pampl Design Gr áfico ona iveira Cristiano Neri Gonçal Ribeiro M arcia Luzde Ol ves M aira M arina M artins Godinho Priscil Santos Al a ves ( coordenador) M arcel Pereira o Adriana Ferreira dos Santos M arcos Al M edeiros Junior cides Logí de M ater stica iais Al Sandro Xavier ex M aria I Aragon sabel Jef erson Cassiano Al meida da Evandro Guedes M achado Ol Laj avo ús Costa Priscila Geovana Pagani l Edição – Livr Didático o Pr ofessorConteudista M aria Carol M il Cal ina ani das Opil har Design I ucional nstr Carmen M aria Cipriani Pandini Pr eto Gr oj áfico e Capa Equipe Unisul Virtual Diagram ação Pedro Teixeira Revisão Or áfi ca togr B2B . 2. Ficha catalográf elaborada pela Biblioteca Universitária da Unisul ica Cr éditos Unisul.Univer sidade do Sulde Santa Catarina Unisul tual. Pandini. . design instrucional Carmen Maria Cipriani Pandini. 2006.88130-475 hoça Fone/ax:( 3279-1541 e f 48) 3279-1542 E-mail cursovirtual : @unisulbr . Inquérito policial.SC . – Palhoça : UnisulVirtual. 122 p. Carmen Maria Cipriani. 303 Pal .598 O69 Opilhar. 341. : il.

. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 109 Referências . . . . . . . 49 UNIDADE 4 – Técnicas de Investigação Criminal . . . . . . . . . . . . . . . . . . .Sumário Palavras da professora . . . . . . . . . . . . . . . . 09 Plano de estudo . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 17 UNIDADE 2 – Metodologia de redação de laudos periciais . . . . . . . . . . 11 UNIDADE 1 – Criminalística . . . . . . . . . 117 . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 115 Respostas e comentários das atividades de auto-avaliação . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 111 Sobre a professora conteudista . . . . . . . . . . . . 69 UNIDADE 5 – Limites da Investigação Criminal . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 91 Para concluir o estudo . . . . . . . . . . . . . 33 UNIDADE 3 – Investigação policial . . . . . . . . . . . . . . . . . . .

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Palavras da professora Prezado(a) aluno(a): O presente livro tem por objetivo estudar a Criminalística e a Investigação Criminal. possibilitando a realização da prova pericial. de suma importância para apuração da materialidade e autoria do crime. assunto relevante para compreender a função investigação criminal na atualidade. faço breves comentários sobre o conceito e o histórico da Polícia. inicio apresentando o tema a partir do seu conceito para possibilitar uma compreensão contextualizada sobre o conjunto de conhecimentos acerca da pesquisa. coleta. ainda. Em seguida. que é objeto da criminalística. conservação e exame dos vestígios. Você terá a oportunidade de estudar também como se constituem os locais de crime. que segue padrão metodológico importante para a sua compreensão. de suma relevância à investigação criminal. mencionando as competências das Polícias dispostas pela Constituição . concebidas como as provas técnicas produzidas pelos peritos. na condição de prova técnica e irá conhecer alguns modelos de laudos periciais. Na parte que aborda a Investigação Criminal. O livro aborda. Para tanto. você vai estudar mais detalhadamente sobre as perícias. possibilitando a confecção do laudo de exame de levantamento de local. a metodologia de redação de laudos periciais. a importância do isolamento e da preservação de provas na área onde o crime foi cometido e sobre os procedimentos empregados no exame de levantamento de local.

apresento e discuto o conceito da investigação criminal.Federal de 1988. você terá a oportunidade de estudar sobre o inquérito policial. todas atuando nas suas atribuições com a finalidade de prover segurança à sociedade. porquanto a busca pela prova na atividade investigativa não é absoluta. Profa. Em seguida. Maria Carolina . concebendo-a como o trabalho realizado pelas Polícias Federal e Civil. inquisitivo e informativo. Cito. você terá a oportunidade de conhecer os limites da investigação policial. amealhando provas técnicas e testemunhais para subsidiar o processo criminal. neste contexto. de competência exclusiva das Polícias Federal e Civil. que necessita atuar sempre respeitando normas materiais e processuais inerentes a um Estado Democrático de Direito. Neste estudo. importante mencionar os direitos fundamentais elencados pela Constituição Federal de 1988. dentre outros órgãos. Espero que o conteúdo tratado neste livro traga informações e subsídios úteis ao seu cotidiano de trabalho e que possa minimizar os problemas de Segurança Pública existentes no Brasil. Dentre estas normas. com o objetivo de apurar infrações criminais. Por fim. considerando ser imprescindível ao êxito da atividade investigativa policial à adoção de metodologia e técnicas adequadas. no qual a investigação criminal é formalizada. algumas técnicas de investigação criminal. constatando tratar-se de procedimento sigiloso.

Metodologia de redação de laudos periciais. Investigação Criminal. Inquérito policial. portanto. Locais de crime. Conceito de prova. a distância e presenciais). Técnicas de investigação criminal. Modelos de laudos periciais. Atividades de avaliação (complementares. São elementos desse processo: O Livro didático. Conceito. Ementa Criminalística. Conceito e histórico da polícia. Perícias. Evolução histórica da prova criminal. Ele possui elementos que o ajudarão a conhecer o contexto da Disciplina e a organizar o seu tempo de estudos. O EVA (Espaço Unisul Virtual de Aprendizagem). a construção de competências se dá sobre a articulação de metodologias e por meio das diversas formas de ação/mediação. Conceito de investigação criminal. O processo de ensino e aprendizagem na UnisulVirtual leva em conta instrumentos que se articulam e se complementam. .Plano de estudo Plano de Estudo O plano de estudo visa a orientar você no desenvolvimento da Disciplina.

seu conceito e sua evolução histórica.Carga horária 60 horas-aula. Conhecer a prova criminal. Saber acerca dos locais de crime. Descrever as técnicas de investigação criminal e estar apto a aplicá-las. Objetivos da disciplina Geral Obter conhecimento teórico acerca da criminalística e da investigação criminal. Específicos Conhecer os conceitos e objetivos da criminalística. Compreender os conceitos e objetivos da investigação criminal. a necessidade do isolamento para a preservação das provas e os procedimentos empregados no exame de levantamento de local. 12 . Conhecer a metodologia aplicada para a redação de laudos periciais. Descrever as perícias e a sua importância como prova criminal. Conhecer o inquérito policial.

Investigação Criminal Unidade 4 . da realização de análises e sínteses do conteúdo. com base no cronograma da disciplina disponibilizado no EVA.Unidades de estudo: 5 Unidade 1 . Não perca os prazos das atividades.Limites da Investigação Criminal Agenda de atividades/ Cronograma Verifique com atenção o EVA. organize-se para acessar periodicamente o espaço da Disciplina. O sucesso nos seus estudos depende da priorização do tempo para a leitura.Metodologia de Redação de Laudos Periciais Unidade 3 .Criminalística Unidade 2 . e da interação com os seus colegas e tutor.Técnicas de Investigação Criminal Unidade 5 . Registre no espaço a seguir as datas. Use o quadro para agendar e programar as atividades relativas ao desenvolvimento da Disciplina. 13 .

Atividades
Avaliação a Distância 1 Avaliação a Distância 2 Avaliação Presencial

Demais atividades (organize sua agenda)

en fatizando a importância do isolamento da área onde ocorreu o delito. os locais de crime e os procedimentos empregados no exame de levantamento de local.UNIDADE 1 Criminalística Objetivos de aprendizagem Compreender a Criminalística como um conjunto de conhecimentos científicos utilizados para a elaboração da prova pericial. 1 Seções de estudo Seção 1 Criminalística: conceituação Seção 2 Perícias Seção 3 Locais do Crime Seção 4 Levantamento pericial: procedimentos empregados no exame do local . Estudar as perícias.

via de regra. as Polícias do Brasil que têm como competência a apuração de crimes vem seguindo este norte. Vamos ao estudo. nos estudos anteriores. que poderá valer-se das provas amealhadas na fase policial durante o processo criminal e na prolatação da sentença. o qual subsidia o processo criminal. procurando demonstrar a existência do fato criminoso. É interessante notar que a investigação policial é formalizada através de peça preliminar e informativa denominada inquérito policial. por ser científica. 18 . serão detalhadas posteriormente. após a prática do crime e o seu objetivo é a elucidação dos delitos. Após a conclusão do inquérito policial. contrariada. Este trabalho é feito através da investigação policial. Também. que a Polícia Civil. a autora apresenta como sinônimos os termos infração penal. Você teve a oportunidade de ver. dispondo. é dever de Estado e é exercida por diversas Polícias. atua repressivamente. Neste livro. que o policiamento ostensivo. então? Comecemos pelo conceito. Em seu artigo 144. porém. a Carta Magna definiu as competências das Polícias.Criminalística: conceituação Não deve lhe ser novidade que a Constituição Federal de 1988 estabelece que a segurança pública. SEÇÃO 1 . este é remetido ao Poder Judiciário. é mais difícil de ser refutada. no nosso País. As competências das Polícias serão objeto de discussão. considerando que.Universidade do Sul de Santa Catarina Para início de estudo As Polícias Investigativas mais avançadas priorizam a prova pericial. o estudo da Criminalística afigura-se como de extrema relevância. Concebendo-se a perícia como prova primordial para a elucidação dos delitos. a autoria e estabelecer as condições em que o crime ocorreu. esta também chamada de Polícia Judiciária. preventivo compete à Polícia Militar e a apuração das infrações penais compete às Polícias Federal e Civil. crime e delito. dentre outros.

o trabalho pericial é de suma importância. Já a prova técnica é científica. menos sujeito a falhas do que a prova testemunhal. objetiva. Via de regra. Acerca deste tema Espíndula (2002). desde que o faça motivadamente. temos um sistema processual penal que permite todos os meios de prova. É importante notar. para demonstrar materialidade e autoria do crime. No Brasil não há hierarquia entre as provas e o Juiz pode decidir de acordo com a sua consciência. pelos motivos já expostos. Ocorre que analisando as sentenças criminais verificase a prevalência da prova pericial sobre as demais.Criminalistica e Investigação Criminal Neste contexto. podendo ocorrer uma série de erros. discorre: (. onde exista a intenção de distorcer os fatos para não se chegar à verdade. É o chamado sistema da persuasão racional adotado pelo artigo 157 do Código de Processo Penal Brasileiro. ainda.. até o emprego de má-fé. o que pode relativizar o valor probatório do que foi dito na fase policial. A Enciclopédia Saraiva de Direito conceitua Criminalística como sendo: Unidade 1 19 . mais difícil de ser contestada. (ESPÍNDULA. com o mesmo valor probatório. a perícia é realizada na fase policial. portanto. a princípio. enquanto que as chamadas provas subjetivas dependem do testemunho ou interpretação das pessoas. desde a simples falta de capacidade da pessoa em relatar determinado fato. 2002:22).) a prova pericial é produzida a partir de fundamentação científica. as pessoas ouvidas na Delegacia de Polícia são reinquiridas em Juízo. Desse modo.. Os laudos periciais são realizados através de conhecimento advindo da Criminalística. que no sistema processual penal brasileiro. As Polícias Investigativas mais avançadas do mundo têm como prioridade o trabalho pericial. até porque muitas delas necessitam serem feitas imediatamente ou logo após a prática do crime.

da datiloscopia.) que cogita do reconhecimento e análise dos vestígios extrínsecos relacionados com o crime ou com a identificação de seus participantes. (ENCICLOPÉDIA SARAIVA DE DIREITO.5). Balística Forense. 2002. da conservação e do exame dos vestígios.. da psicologia..Universidade do Sul de Santa Catarina (. 1982. da coleta... dentre outras.. da prova objetiva ou material no campo dos fatos processuais. Criminalística pode ser conceituada como: (.. preferiu abordá-la como disciplina (. Segundo Gilberto Porto. identificar os seus autores e encontrá-los.) Conjunto de conhecimentos que. possibilitando à Justiça a aplicação da justa pena”. da antropologia.. defender. (GARCIA. utilizando-se de subsídios da química.. que são os laboratórios de Polícia Técnica. da psiquiatria. Medicina Legal. Locais de Crime. e difere da Criminologia que estuda o perfil do criminoso. etc.319). (PORTO. 21. A Criminalística é também denominada Polícia Científica. Papiloscopia. Polícia Técnica ou Policiologia. Odontologia Legal. e os motivos que o levaram à prática do crime. pesar e interpretar os indícios de um delito. de molde a sermos conduzidos à descoberta do criminoso. 1997:486). 1960. que são consideradas ciências auxiliares do Direito penal. Criminalística (. São disciplinas que integram a Criminalística. p. p. Toxicologia Forense e Hematologia Forense. indica os meios para descobrir crimes.) sistema que se dedica à aplicação de faculdades de observação e de conhecimento científico que nos levem a descobrir. reunindo as contribuições das várias ciências. 20 .) trata da pesquisa. Documentoscopia. Gilberto.28) José Del Picchia Filho (1982). p. v. ou seja. cujos encargos estão afetos aos órgãos específicos. Segundo Garcia.. da medicina legal. (DEL PICCHIA FILHO.

Criminalistica e Investigação Criminal Em Santa Catarina. o trabalho pericial é realizado pelo Instituto Geral de Perícias. que apresenta o organograma abaixo: Unidade 1 21 .

Editora Universitária de Direito: São Paulo. Inquérito .A seguir. Use o espaço abaixo para registrar sua pesquisa. faça uma pesquisa sobre o assunto. p. Para ampliar seus conhecimentos sobre o conteúdo tratado sugerimos: DEL PICCHIA FILHO. Inquérito – Procedimento Policial. Gilberto. você vai estudar o objeto que trata das provas e os procedimentos de perícia.28 . José. 1982. Escola de Polícia de São Paulo.Procedimento Policial. Goiânia: AB Editora. 1960. 22 . Como funciona o Instituto Nacional de Perícias? Socialize a investigação no Espaço Virtual de Aprendizagem. Ismar Estulano. Tratado de documentoscopia. PORTO. 9 ed. GARCIA. 2002 p. Manual de Criminalística. 319.Universidade do Sul de Santa Catarina Você que reside em outro Estado.

Segundo JESUS (2002). Unidade 1 23 . sob pena de nulidade processual. Segundo Garcia (2002). Há diferenciação entre corpo de delito e exame de corpo de delito. é o conjunto de vestígios deixados pelo criminoso. e são formadas pelas evidências materiais do crime. no sentido amplo. Prova Criminal é aquela utilizada para demonstrar ao Juiz a veracidade ou falsidade da imputação feita ao réu e das circunstâncias que possam influir no julgamento da responsabilidade e na individualização das penas. O corpo de delito. nos termos do artigo 158 do Código de Processo Penal Brasileiro. o exame de corpo de delito é obrigatório. Você sabe a diferença entre provas criminais e técnicas? As provas técnicas são as perícias. abrangendo. por sua vez. visando provar a materialidade do crime e apontar o autor. Nos crimes que deixam vestígios.Perícias A investigação policial tem como foco a obtenção de provas criminais que podem ser testemunhais e técnicas.. Um das perícias realizadas trata-se do exame de corpo de delito.. o exame de corpo de delito é um auto em que se descrevem as observações dos peritos e o corpo de delito é o próprio crime na sua tipicidade.Criminalistica e Investigação Criminal SEÇÃO 2 . perícia (. As prova testemunhais são constituídas pelos depoimentos das testemunhas.) é o conjunto de técnicas usadas. realizadas por peritos criminais. as declarações das vítimas e o interrogatório dos suspeitos ou indiciados.

disparo de arma de fogo e outros. por haverem desaparecido os vestígios.. 9 ed. estupro. há exame de levantamento de local de homicídio. São Paulo: Saraiva. portanto. entre as que tiverem habilitação técnica relacionada à natureza do exame. incêndio. afogamento.) local de crime é toda área onde tenha ocorrido um fato que assuma a configuração de delito e que. portadoras de diploma de curso superior. a prova testemunhal é apta a suprir o auto de exame de corpo de delito. Ismar Estulano. 24 . acidente de trânsito. 1963:11). suicídio. Inquérito – Procedimento Policial. p. Goiânia: AB Editora. 319. (KEDHY. É importante ressaltar que o artigo 159 Código de Processo Penal Brasileiro determina que todos os exames periciais.. nos outros casos. onde houver e. dano. 2002. as perícias devem ser realizadas por duas pessoas idôneas. 2002. furto qualificado. exija as providências da polícia. o exame de corpo de delito é imprescindível. havendo vestígios. Para saber mais sobre o assunto que foi tratado sugerimos: DAMÁSIO. Jesus.157. SEÇÃO 3 . a prova testemunhal poderá suprir-lhe a falta”. Portanto. sejam realizados por dois peritos oficiais. 18 ed. Dessa forma. de preferência. inclusive o exame de corpo de delito. p. GARCIA.Universidade do Sul de Santa Catarina Dispõe o artigo 167 do Código de Processo Penal Brasileiro: “Não sendo possível o exame de corpo de delito. escolhidas. O exame de levantamento de local deve ser diferenciado de acordo com a natureza da ocorrência. (.Locais do crime Segundo Kedhy. Código de Processo Penal Anotado. Não havendo vestígios.

o aspecto de local especialmente protegido por lei. 2002: 3). quando das providências de isolamento e preservação. que devem sempre ter em mente a importância da proteção do local do crime. levadas a efeito pelo primeiro policial. conseqüentemente. Por essa razão... A alteração do local de crime é prevista como infração penal. possibilitando. Pena – detenção de um mês a um ano e multa.) isolamento é a proteção a fim de que o local permaneça sem alteração. e. importante destacar que todo elemento encontrado naquele ambiente é denominado de vestígio. conseqüentemente. (GARCIA. um levantamento pericial eficaz. pelo artigo 166 do Código Penal: Alterar.) diante da sensibilidade que representa um local de crime. para a preservação dos vestígios.. o qual significa todo material bruto que o perito constata no local do crime ou faz parte do conjunto de um exame pericial qualquer. 2002: 324). para a investigação criminal.. Esclarece Alberi Espíndula (2002) que: (. que. nada poderá ser desconsiderado dentro da área da possível ocorrência do delito (ESPINDULA. sem licença de autoridade competente.Criminalistica e Investigação Criminal Isolamento e preservação das provas e vestígios essenciais à investigação O isolamento do local de crime é a primeira providência a ser tomada e é responsabilidade dos policiais e peritos. (. Unidade 1 25 . somente após examiná-los adequadamente é que poderemos saber se este vestígio está ou não relacionado ao evento periciado.

O inciso II deste artigo menciona que a autoridade policial deve apreender os instrumentos e todos os objetos que tiverem relação com o fato. tendo como objetos de exame o projétil e a arma de fogo de um suspeito. a fim de induzir a erro o agente policial. o perito ou juiz: Pena: detenção de seis meses a um ano. a prática demonstra que nada deve ser alterado até a chegada dos peritos no local. a autoridade providenciará imediatamente para que não se altere o estado das coisas até a chegada dos peritos. desenhos ou esquemas elucidativos. parte de uma munição deflagrada. na pendência do respectivo procedimento policial preparatório. quando da inovação. inquérito policial ou processo penal. o procedimento preparatório. é possível constatar se foi deflagrado por aquela arma. ainda que não iniciados. ou multa. sendo objeto de exame com arma de fogo. também tipificou como crime a alteração de local de acidente de trânsito: Inovar artificiosamente. que poderão instruir seus laudos com fotografias. com vítima. um estojo.Universidade do Sul de Santa Catarina O Código Brasileiro de Trânsito. no artigo 312. Apenas a título de exemplo. Não obstante. O artigo 6º do Código de Processo Penal enumera as providências que devem ser tomadas tão logo o delegado de polícia tenha conhecimento do fato delituoso. Parágrafo único: Aplicar-se o disposto neste artigo. Da mesma forma. um projétil. o estado de lugar. é possível verificar se ele foi expelido pelo cano daquela arma. o inquérito ou o processo aos quais se refere. pode vir a elucidar a autoria de um homicídio. apreendido na cena do crime. em caso de acidente automobilístico. e que apenas após o exame de levantamento de local é possível a apreensão de qualquer material encontrado na cena do crime. através de suas marcas de percussão. de coisa ou de pessoa. Através do Laudo de Comparação Balística. 26 . parte de uma munição deflagrada. Dispõe o artigo 169 do Código de Processo Penal Brasileiro: Para efeito de exame de local onde houver sido praticada a infração.

2002:326). b) preparação do material utilizado no exame. Exame preliminar da cena do crime: o que é necessário fazer? Unidade 1 27 . Após concluído. utilizados em todos os exames de levantamento de locais. observações prévias ou exame do local. coleta e embalagem de evidências. exame das evidências em laboratório. fotografia. que podem ser. c) reconhecimento do tipo de solicitação (natureza do exame). desenho ou croqui. transporte de evidências.Criminalistica e Investigação Criminal SEÇÃO 4 . (GARCIA..Levantamento pericial: procedimentos empregados no exame do local O levantamento pericial é o trabalho pericial realizado nos locais de crime. São eles: Procedimentos anteriores ao exame a) anotação do endereço do fato. Segundo Garcia (2002). Espíndula (2002) elencou alguns procedimentos a serem realizados nos exames de locais de crimes contra a vida.. via de regra.) isolamento. e redação de laudo. o levantamento pericial dá origem ao laudo de exame de levantamento de local. uma perícia completa de levantamento de local necessita de várias fases a saber: (. d) anotação do horário de solicitação do exame. avaliação e interpretação.

descrição do local. devendo sempre ser apresentado.). tais como: marcas de solado. condições de iluminação. Anotações gerais da cena do crime: o que registrar? data e hora do início dos exames. condições de visibilidade. Croqui da cena do crime: o que é e como fazer? O croqui é o desenho do local do crime. formulação dos objetivos do exame. impressões em poeira. condições topográficas da área. completa análise das vias de acesso. busca de vestígios. etc. com nível de detalhe exigido para cada caso. que deve prever especial atenção às evidências facilmente destrutíveis. localização exata do evento. dentre outras. em espiral. visualização geral da cena do crime e verificação da adequação do isolamento.Universidade do Sul de Santa Catarina entrevista com o primeiro policial a chegar no local do fato visando à tomada de informações relativas ao histórico. condições atmosféricas. em quadrantes. Neste desenho recomenda-se incluir: 28 . independente da complexidade do local. em grade. escolha do tipo de padrão a ser utilizado na busca de vestígios (em linha.

medidas que forneçam a exata posição das evidências encontradas na cena do crime. que irá permitir futuras consultas”. identificação e preservação das evidências. móveis. internas e externas. Qual a importância das fotografias da cena do crime? As fotografias.Criminalistica e Investigação Criminal dimensões de portas. coordenadas geográficas em locais abertos (obtidas por mapas ou GPS). são imprescindíveis para a elaboração do laudo de exame de levantamento de local. As evidências devem ser anotadas no croqui e fotografas antes da sua coleta. Os dois peritos de local devem efetuar a coleta de todas as evidências. caso necessário. distâncias entre objetos. janelas. (GARCIA. por tratar-se de uma ”reconstituição permanente da ocorrência. visando à sua admissão como provas em um processo. também discorre sobre o processamento do local: coleta. Quais os procedimentos de coleta? Todas as evidências devem ser coletadas de forma legal. a fotografia é o mais perfeito dos processos de levantamento de local de crime. 2002:326). como vias de acesso (entrada e saída). Espíndula (2002). Unidade 1 29 . Segundo Garcia. distâncias de objetos até pontos específicos.

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O que fazer na identificação?

Todas as evidências devem ser cuidadosamente identificadas. As marcas identificadoras podem incluir iniciais, números, etc., os quais permitam ao perito que realiza a coleta reconhecer, em data posterior, cada evidência como aquela coletada na cena do crime.

Qual a importância da preservação?

Cada item das evidências deve ser colocado em um recipiente ou invólucro adequado à natureza de cada material, tais como sacos plásticos, envelopes de papel, caixas que necessitam ser corretamente identificados e vedados ou lacrados; Evidentemente, que técnicas especiais deverão ser aplicadas de acordo com o delito praticado. Algumas recomendações específicas deverão ser aplicadas nos locais de morte por precipitação, por ação do calor, por arma de fogo, por afogamento, por envenenamento, por aborto e outros. - Leia, a seguir, a síntese da unidade, realize as atividades de Autoavaliação e consulte o saiba mais para ampliar seus conhecimentos acerca do assunto estudado.

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Criminalistica e Investigação Criminal

Síntese
Nesta unidade você teve a oportunidade de ver que, de acordo com a Constituição Federal de 1988, que a atividade investigativa criminal é realizada, dentre outros, pela Polícia Federal e pelas Polícias Civis dos Estados, estas também chamadas de Polícias Juridiciárias. A atividade de investigação criminal consiste na apuração dos crimes, que é feita através da busca de provas, periciais ou testemunhais. As provas periciais são técnicas, realizadas por peritos criminais e são formadas pelas evidências materiais do crime. As prova testemunhais são constituídas pelos depoimentos das testemunhas, abrangendo, no sentido amplo, as declarações das vítimas e o interrogatório dos suspeitos ou indiciados. A pesquisa, coleta e produção das provas periciais compete à Criminalística. Via de regra, o trabalho pericial exige imediatidade. A título de exemplo, o exame residuográfico de verificação de pólvora exige a condução do suspeito imediatamente após a prática do delito. O exame de lesões corporais e de verificação de aborto exige lapso temporal curto entre o crime e o exame. Considerada a importância da prova pericial e científica é imprescindível o isolamento e a preservação do local do crime. Falhas no isolamento do local do crime podem impossibilitar a produção da prova pericial. Vestígios deixados no local do crime podem levar ao autor. Como exemplo, um simples estojo componente de munição ou projétil componente de munição, encontrado em local de homicídio mediante disparo de arma de fogo, pode, através de perícia, ser prova crucial para demonstrar autoria.

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Atividades de auto-avaliação
1) Analise as questões abaixo e assinale verdadeiro ou falso, conforme a proposição. Confira se atendeu as expectativas no final do livro didático. ( ) Nos crimes que ocorreram mediante disparo de arma de fogo, a apreensão de estojos no local não é importante, posto que não é possível realizar perícia comparativa entre o estojo e a arma de fogo. ( ) Nos crimes que ocorreram mediante disparo de arma de fogo, a apreensão de projéteis no local possibilita a realização do laudo de identificação de projéteis e, quando a arma é apreendida, o laudo de comparação balística. ( ) O rol de provas elencados no Código de Processo Penal Brasileiro é exemplificativo. ( ) O sistema de provas previsto no Código de Processo Penal Brasileiro é o da íntima convicção. ( ) A prova testemunhal pode suprir a prova pericial quando a infração penal não deixar vestígios.

Saiba mais
Para saber mais sobre o conteúdo tratado acesse: http://www.espindula.com.br e leia o artigo: Função pericial do Estado. http://www.abcperitosoficiais.org.br/arti.htm e leia o artigo: Isolamento e preservação de locais de crime com cadáver.

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UNIDADE 2 Metodologia de redação de laudos periciais Objetivos de aprendizagem Conhecer a forma como são elaborados os laudos periciais. Conhecer alguns modelos de laudo pericial. 2 Seções de estudo Seção 1 O Laudo pericial: caracterização Seção 2 Modelos de laudo pericial .

Criminalística. Procedimentos e Metodologias. Não obstante. 34 .O Laudo pericial: caracterização O laudo pericial deve ser simples e preciso. facilmente compreendido e assimilado. considerações subjetivas. Não deve tecer juízos de valor. necessariamente. b) laudo de identificação de projétil.50-54. Veja quais são: TOCCHETTO. laudo de constatação de danos. na sua forma e conteúdo. Alberi. laudo de comparação balística. de forma geral. d) laudo de exame cadavérico. mas fornecer objetivamente informações técnicas. SEÇÃO 1 .Universidade do Sul de Santa Catarina Para início de estudo Todos aqueles que queiram se aprofundar no tema da segurança pública têm. cada qual com as suas peculiaridades. c) laudo de verificação de eficácia de arma de Fogo. podem ser adotados na confecção dos demais. de forma geral. que. p. pode-se definir alguns requisitos inerentes a todos os laudos. Domingos e ESPINDULA. de saber acerca da importância da prova pericial e conhecer a metodologia de redação dos laudos periciais. Cabe aos estudiosos do assunto segurança pública estarem aptos a interpretar e avaliar laudos periciais. Toccheto elenca alguns itens a serem preenchidos na elaboração de laudo pericial relacionado a crimes contra o patrimônio. dentre eles podemos destacar: a) laudo de levantamento de local. Existem diversos tipos de laudos periciais.

Conclusão e/ou respostas aos quesitos. o nome do instituto e órgãos superiores aos quais está subordinado. Nos casos de exames em peças. A seguir. Fazer.Considerações técnicas ou discussão. 3. um pequeno histórico da requisição. o relator vai consignar as informações referentes à preservação e isolamento do local e quaisquer outras alterações que forem relevantes ao caso.Fecho ou encerramento.Criminalistica e Investigação Criminal 1. bem como o objetivo geral dos exames periciais. tipo de laudo. funcionários e proprietários devem ser relatados neste item. a hora e o local em que for elaborado o laudo pericial. tais como número de peças distinto do constante na requisição.Preliminares. peças que não estão discriminadas. 2. nome do diretor e dos peritos signatários do laudo. Preliminares Neste tópico. este tópico destina-se à consignação de qualquer fato conflitante entre a requisição e o objeto de exame. Informações fornecidas por autoridades. 5. 4. bem como uma síntese do fato que originou a requisição da perícia e as providências tomadas referentes ao fato. a data da requisição e/ou solicitação. você terá a oportunidade de conhecer cada um deles. Unidade 2 35 . ou que prejudicaram o andamento dos trabalhos periciais.Preâmbulo ou histórico. objetivos do exame incompatíveis com o tipo de peça a ser examinada. nome da autoridade que requisitou e/ou solicitou a perícia. neste tópico.Dos exames periciais.Anexos.Objetivo da perícia ou quesitos. 6. 8. Vamos lá? Preâmbulo ou Histórico Discriminar a data. 7.

Universidade do Sul de Santa Catarina Objetivo da Perícia ou quesitos Descrever. mas seu conteúdo deve obrigatoriamente integrar o texto relativo aos exames periciais: a) do local: constitui a parte essencial. é preciso citá-la na ordem em que a mesma foi aplicada. Não sendo especificado na requisição os objetivos da perícia. ao cômodo. como o acesso ao terreno. é de bom alvitre que os peritos descrevam com certa precisão quais são os objetivos periciais pertinentes àqueles exames. hipóteses. Deve-se ater somente à descrição dos vestígios. deixando para o tópico seguinte a respectiva análise e interpretação dos mesmos. Dos Exames Periciais Discriminar todas as técnicas e métodos empregados e os respectivos exames levados a efeito naquela perícia. convém distribuí-los em capítulos conforme sua natureza e interdependência. clara. síntese do observado. A descrição deve ser metódica. minuciosa. quais os objetivos a serem buscados na perícia. Aqui devem ser relacionados e devidamente descritos todos os vestígios constatados no exame pericial. Não é necessário que. Quando os fatos forem variados. de exames macroscópicos para exames microscópicos. Quando for empregada mais de uma técnica na realização de um determinado exame. à gaveta. b) dos vestígios: partindo-se das indicações (referências) maiores para as menores (detalhes). etc. os quais deverão estar contidos na requisição da perícia ou nos quesitos formulados. nos exames periciais. discussões. Evitar informações. conforme consta na requisição. ao prédio. objetiva. constem de forma explícita os subitens seguintes. Descrever conforme a ordem de maior importância. As técnicas ou métodos empregados devem sempre partir do geral para o particular. 36 . diagnósticos e conclusões. fiel.

há um que. uma conseqüência natural do que já fora argumentado. exposto. Enfim. Através da discussão asseguram-se conclusões lógicas. neste caso. A primeira situação é quando. Para chegar-se a essa única possibilidade. afastando-se as hipóteses capazes de gerar confusão. deve estar caracterizado pela sua condição autônoma associada ao seu significado no evento em estudo. têm-se apenas duas situações viáveis. ou seja: somente quando nos restar uma possibilidade para aquele evento. sob a ótica técnico-científica é que pode-se concluir de forma categórica. de maneira a facilitar a compreensão e entendimento por parte dos usuários do laudo pericial. por si só. determinante. evidenciando-se aquelas que. este vestígio determinante pode estar associado a outros elementos de convicção técnico-científica. Unidade 2 37 . conduzirão e subsidiarão a conclusão. relatar neste tópico as análises e interpretações das evidências constatadas e respectivos exames. no conjunto dos vestígios constatados e examinados. Confrontá-los com a normalidade. demonstrado e provado tecnicamente nos tópicos anteriores do laudo. Obviamente que vestígio determinante. depois de cotejadas. A conclusão deve obedecer a critérios técnicos conforme já recomendados. Buscar a coerência ou não dos elementos observados e anteriormente citados. de analisá-los. dissipar dúvidas ou ajustar obscuridades. em certos casos há necessidade de cotejar fatos. Conclusão e/ou respostas aos quesitos A conclusão pericial inserida no laudo pericial devem ser.Criminalistica e Investigação Criminal Considerações Técnicas ou Discussão Do histórico e das descrições (local e vestígios) defluem as conclusões. Em muitos casos. obrigatoriamente. Porém. Veja exemplo para entender melhor esse conceito.

Neste caso. Há. a situação na qual. mas. no seu conjunto de informações técnicocientíficas levem a uma única possibilidade. ainda. situações em que. em pesquisa de vestígios de hidrocarbonetos voláteis. não será possível chegar a uma definição quanto ao diagnóstico. e que. mas apenas probabilísticos. os peritos deverão apontar quais são e descrevê-los. não quer dizer que foi identificado o autor do crime e por conseqüência trata-se de um homicídio. salientando que os vestígios existentes são quantitativa e qualitativamente insuficientes para se chegar a uma conclusão categórica. não há elementos técnicos através dos quais possa ser fundamentada uma conclusão categórica. A segunda situação em que os peritos poderão ter apenas uma possibilidade será em um universo de vários vestígios. face à exigüidade de vestígios.Universidade do Sul de Santa Catarina Impressão digital individualmente é um vestígio determinante. Todavia. mas se restar comprovado que tais focos eram isolados ou incomunicáveis. onde nenhum deles por si seja determinante. 38 . em um local de incêndio. os peritos não poderão fazer qualquer afirmativa conclusiva quanto ao fato. não se observem vestígios materiais capazes de fundamentar uma conclusão. se for encontrado um desses vestígios no local do crime. o grau de clareza da ação dolosa será determinante para a caracterização e materialização do delito. Por outro lado. Existem. Neste caso. e em conjunto com as observações anteriores. onde nenhum deles por si só seja determinante. nos locais correspondentes aos focos forem retiradas amostras de materiais que apresentem resultados positivos em exames laboratoriais. existem várias situações em que os peritos poderão ter vários vestígios relacionados com o fato. apesar da existência de vestígios. por vezes. através do seu exame ou de sua análise. mesmo analisando-os em seu conjunto. a constatação de múltiplos focos iniciais não é um vestígio determinante por si só. Neste caso deve-se constar no laudo que.

O perito poderá se valer. etc. com isso. de acordo com cada situação. e. tanto no exame quanto no texto dessas argumentações. deve-se constar no laudo o tópico correspondente e. para as suas conclusões. Unidade 2 39 . nele informada a impossibilidade de conclusão face aos motivos que devem ser mencionados (exigüidade de vestígios. A eliminação de algumas das possibilidades na verdade é uma conclusão pela sua exclusão. poderá ser levantada uma causa mais provável. à justiça. porém.) . posteriormente. deve seguir o mesmo rigor técnico-científico já mencionado. para auxiliar no contexto geral das investigações e. não sendo possível concluir um laudo pericial.Criminalistica e Investigação Criminal Mesmo que não seja possível uma conclusão categórica em uma determinada perícia. o perito deverá tomar todo o cuidado. e. ou de alguma técnica criminalística já consagrada ou de alguma lei da ciência de qualquer área do conhecimento científico. portanto. Em alguns casos concretos. da justiça. e. os peritos terão condições de eliminar algumas admissibilidades ou hipóteses. O técnico-científico se refere à técnica criminalística e o científico às demais leis da ciência. delimitarem o trabalho dos investigadores de polícia. ou de ambas. posteriormente. falta de preservação. Então. de forma clara e explicativa.

pelos peritos da Seção de Crimes Contra o Patrimônio. descrito no tópico documentos de exame. Este modelos foram extraídos da obra “Inquérito e Procedimentos Policial” (GARCIA. podem seguir esse mesmo critério.Universidade do Sul de Santa Catarina Fecho ou Encerramento Analise um modelo de laudo e verifique os elementos que ele contém. relatórios de outros peritos/profissionais.. todos os anexos que foram produzidos e que sejam necessários para acompanhar o laudo. As fotografias. considerando os avanços da informática. estando ambas as vias autenticas com a rubrica dos seus subscritores. 415-416. No entanto. 2002:397-398. quando digitais ou digitalizadas. foi feito em duas vias de igual teor. resultado de exames complementares.. da parte do texto a que se refere tal assunto. Modelo de fecho ou encerramento de laudo pericial Este laudo. Classe e/ou cargo Anexos É necessário incluir. gráficos.. tais como. bem como se devolve todo o material. Especialmente para evidenciar algum detalhe que o texto esteja se referindo naquele momento da argumentação. muitos recursos gráficos podem ser inseridos ao lado.) páginas impressas em seu anverso. composto por (. etc.Modelos de laudos Periciais Seguem abaixo alguns modelos de laudos periciais. 448-449). acompanhadas pelos anexos (citar quais os anexos e o número dos mesmos). SEÇÃO 2 . lacrados no envelope nº . visando a melhor compreensão do mesmo. Local e data Nome dos peritos. Analise atentamente cada um deles: 40 . ou logo abaixo. ao final. fotografias.

Peças Motivantes Trata-se de manuscritos apostos em um pedaço de papel sem pauta medindo aproximadamente 14. coletados pela Polícia Civil de São Paulo – DEGRAN – através do Dr.. C) que não haja divergências estruturais entre os dois grafismos... uma vez determinados... contidos em Auto de Colheita de Material Gráfico Autêntico. nesta Capital. Peças Paradigmáticas Como espécimes de confronto. e os assinalamentos necessários foram permitindo assim um controle da conclusão pericial. Fotomacrografias foram tomadas. é necessário que em ambos os seguintes valores sejam convergentes: A) habilidade gráfica. 3 – Dos Exames As peças motivantes e paradigmáticas foram examinadas a olho nu e por meios óticos adequados em busca e de hábitos gráficos característicos que. do ano de .7 cm. no Departamento de Criminalística. Delegado Titular do 1ª DP. a fim de ser atendida requisição do Bel. pelo Diretor LL foram designados PP e PQ para proceder ao exame pericial de documento. contamos com padrões autênticos de JJ e JL. apresentando no canto superior direito o n. AB.Criminalistica e Investigação Criminal a) LAUDO DE EXAME DE DOCUMENTOS Aos.. 25? Resposta: sim Para que dois grafismos sejam aceitos como do mesmo punho.. doc06. conforme Ofício nº .. 1.. JJ. tinta preta. é também autor das escritas gravadas no bilhete de fls...O autor do Auto de Colheita de Material Gráfico Autêntico. 24. fls.. foram confrontados entre si para uma possível origem comum ou não. B) hábitos gráficos. doc 05 e envelope. AA. dias do mês de . 4 – Quesitos e Respostas 1º . Trata-se de envelope que apresenta manuscritos feitos com caneta dita esferográfica.) Unidade 2 41 .. O documento encontra-se colado em uma folha de papel sem pauta apresentando no canto superior direito “24-Z”. Encontra-se ele endereçado a SS e está colado a uma folha em branco... (. “25-z”.7 cm e 6.

h) Dimensões: 8. 1 – Características das Peças Examinadas Aos peritos foram apresentados sete cartuchos intactos e um estojo calibre nominal 7. d) Calibre nominal 7.. de marca CBC. em desgaste. bem como com o logotipo da marca da arma. curta e de porte. tendo as seguintes características: a) Marca Beretta. no Departamento de Criminalística da Diretoria Geral da Polícia Civil.. (. os assinalamentos mais preponderantes estão em quantidade e qualidade suficientes para afirmarmos que as peças motivantes foram produzidas por JJ. Obs: O material examinado é devolvido com o presente laudo. de. foram designados os peritos PP e PQ para proceder ao exame pericial em arma de fogo....Universidade do Sul de Santa Catarina na carta de confronto em anexo.. a fim de ser atendida requisição do Bel AA.... bem como uma arma de fogo. nesta Capital... b) Fabricação italiana. classificada como pistola semi-automática.5cm de comprimento de cano X13. Goiânia....... Delegado do 1º Distrito Policial. . BN”(lateral esquerda).. através do Ofício nº.65mm.. 01 a 07.. g) Coronha guarnecida por talas de plástico pretas com inscrição “Cb.. c) N de série 683C09. f) Carregamento por pente.. dias do mês de ... 42 .. i) Acabamento oxidado. pelo Diretor LL. PP 1º Perito PQ 2º Perito b) LAUDO DE EXAME DE ARMA DE FOGO Aos . de. cão aparente e pino percursos isolado..5 de diagonal máxima... do ano de .. e) Mecanismo de percussão central.65 mm...) É o nosso relatório.

de. está em perfeitas condições de uso? Resposta: Sim.65mm.... b) No estado em que se encontra. É o relatório... de . PP 1º Perito PQ 2º Perito Unidade 2 43 . estado em condições de uso.. inclusive foi expelido pela arma de fogo aqui periciada. Portanto. Seu calibre corresponde ao da arma. que. OBS: O material examinado é devolvido com o presente. e qual o seu estado? Resposta: Sim. a resposta não só é afirmativa. como também identifica a arma que o expeliu. ver item 2... 7. d) Há evidências de disparo recente? Resposta: Ver laudo químico. ou seja. e) O pedaço de chumbo pertence ao mesmo calibre da arma? Resposta: O pedaço de chumbo a que se refere o quesito é um projétil de arma de fogo calibre nominal 7.65mm. Está apta à realização de disparos 3 – Quesitos e Respostas a) Quais as características da arma periciada? Resposta_ ver item 1.Criminalistica e Investigação Criminal j) OBS: Foi utilizado um cartucho em disparo experimental 2 – Funcionamento da arma O estado geral da arma é bom.. não apresentando suas peças quaisquer anomalias que impeçam seu funcionamento. Ver fotos 1 e 2. Goiânia. c) A munição que a acompanha é do mesmo calibre da arma.

. dia.8 com de diâmetro. atendendo à requisição da Delegacia do 1º DP. houve morte.Qual o instrumento ou meio que a produziu? Resposta: Pérfuro-contundente 4º .Qual a data do óbito? (especificar hora.. com área de chamuscamento e câmara de mina. logo acima do pavilhão auricular (orelha)...... nós./. Nada mais tendo sido constatado. aos . transfixante.. com saída na região carotideana direita. PP 1º Médico-Legista PQ 2º Médico-Legsita 44 ./. às 17 h. localizada na região parietal esquerda. Resposta: Óbito dia . de . medindo 0. 2º ... dias do mês de .. com saída na região bucinadora contra-lateral... com área de chamuscamento. 3 – sem outras lesões. medindo 0.. 1º .. fogo.Houve morte? Resposta: Sim.Universidade do Sul de Santa Catarina c) LAUDO DE EXAME CADAVÉRICO Aos.Qual a causa da morte? Resposta: Hemorragia intracraniana 3º . de .. com trajeto transfixando a língua e ramo mandibular esquerdo. em Goiânia. procedemos ao exame CADAVÉRICO no cadáver que nos foi apresentado como sendo de SS (qualificação completa).... 2 – ferida pérfuro-contusa. médico-legistas que abaixo assinamos. Capital de Goiás. localizada na região bucinadora (cochecha) direita.Foi produzida por meio de veneno..... asfixia. no Necrotério do Instituto Médico-Legal. logo abaixo do pavilhão auricular. no qual observamos: Descrições das lesões: 1 – ferida pérfuro-contusa. tortura ou outro meio insidioso ou cruel? Resposta: Prejudicado 5º . mês e ano). explosivo. com grande destruição de massa encefálica. dias do mês de . Dado e passado no Instituto Médico-Legal. passamos a responder aos quesitos.8 cm de diâmetro.

3 – cicatriz de incisão cirúrgica. 2º . Instrumento: arma branca. asfixia. próximo ao rebordo costal.Resultou debilidade permanente ou perda ou inutilização de membro.. CRM – GO 007”. Seqüelas que futuramente poderão se apresentar: distúrbio digestivo. dias do mês de .. ressecção de estômago devido à laceração extensa. enfermidade incurável ou deformidade permanente? Resposta: Não 8º . Hospital BDF. 7º . OS. fogo. tortura ou outro meio insidioso ou cruel?. localizada na linha média do abdome. 4 – relatório de lesões.. explosivo.Resultou perigo de vida? Sim. atendendo à requisição da Delegacia do 1º DP... localizada no hipocôndrio esquerdo. Lesões apresentadas: 1 – ferida penetrante no abdome. mediana. 2 – choque hipovolêmico. no hipocôndrio esquerdo... soroterapia.a pessoa que nos foi apresentada como sendo SS (qualificação completa).cicatriz de incisão cirúrgica. medindo 3 cm de extensão. Resposta: Prejudicado. passamos a responder os seguintes quesitos: 1º . procedemos ao exame de corpo de delito ./. examinei SS e constatei o seguinte: estado geral comprometido.. Dr. medindo 25 cm de extensão. devido à lesão penetrante no abdome com a laceração do estômago e devido ao estado geral comprometido produzido por choque hipovolêmico que necessitou de cirurgia e de reposição sangüínea. 2.Qual o instrumento ou meio que a produziu? Resposta: Pérfurocortante. Tratamento: cirúrgico.. no Gabinete do Instituto Médico-Legal.Foi produzida por meio de veneno. 3º . antibióticos. nós. 6º . Nada mais tendo sido constatado. sentido ou função? Resposta: Sim. medindo 2 cm de extensão.. reposição sangüínea.Houve ofensa à integridade corporal ou à saúde do paciente? Resposta: Sim.Criminalistica e Investigação Criminal d) LAUDO DE EXAME DE LESÕES CORPORAIS Aos. Afastamento de suas ocupações por 40 dias.Resultou aceleração de parto ou aborto? Resposta: Não Unidade 2 45 .Resultou incapacidade para as ocupações habituais.cicatriz de ferida pérfuro-cortante. debilidade permanente da função digestiva./.Resultou incapacidade permanente para o trabalho. por mais de trinta dias? Resposta – Sim 5º . cujo teor é o seguinte: “Aos . localizada no flanco esquerdo (dreno). médico-legistas que abaixo assinamos..LESÕES CORPORAIS . na qual observamos: DESCRIÇÃO DAS LESÕES: 1 . 4º ..

. ou que prejudicaram o andamento dos trabalhos periciais..Preliminares. 3. em Goiânia. a seguir.Objetivo da perícia ou quesitos. de . quais os objetivos a serem buscados na perícia..Universidade do Sul de Santa Catarina Dado e passado no Instituto Médico-Legal. Neste tópico o relator vai consignar as informações referentes à preservação e isolamento do local e quaisquer outras alterações que forem relevantes ao caso.Leia. bem como o objetivo geral dos exames periciais. aos . Discriminar a data. PP 1º Médico-legista PQ 2º Médico-Legista . a síntese da unidade. O laudo pericial deve ser formado por: 1. acessível e as informações devem ser objetivas. tipo de laudo. 2. o nome do instituto e órgãos superiores aos quais está subordinado. sem haver juízos de valor. dias do mês de .. nome do diretor e dos peritos signatários do laudo. Descrever.. a hora e o local em que for elaborado o laudo pericial. Capital de Goiás. a data da requisição e/ou solicitação. Síntese O laudo pericial deve ter linguagem clara. realize as atividades de Autoavaliação e consulte o saiba mais para ampliar seus conhecimentos acerca do assunto estudado. conforme consta na requisição. Preâmbulo ou histórico.. 46 . nome da autoridade que requisitou e/ou solicitou a perícia... os quais deverão estar contidos na requisição da perícia ou nos quesitos formulados.

Criminalistica e Investigação Criminal 4. 5. Atividades de auto-avaliação Leia as questões a seguir e responda com base no conteúdo. 7. 1.Dos exames periciais. Porém.Anexos. dissipar dúvidas ou ajustar obscuridades. de analisá-los.Conclusão e/ou respostas aos quesitos. Qual a importância do laudo pericial na investigação criminal? Unidade 2 47 . Do histórico e das descrições (local e vestígios) defluem as conclusões.Considerações técnicas ou discussão. 6.Fecho ou encerramento. 8. Verifique no final do livro as indicações e comentários. Discriminar todas as técnicas e métodos empregados e os respectivos exames levados a efeito naquela perícia. em certos casos há necessidade de cotejar fatos.

Ou. Lançado em 1995. então. Que tipo de prova é o laudo pericial? 3. (EUA). Direção: David Fincher. Acessado em 17 de julho de 2006.htm. Disponível em: http://espindula. Duração: 128 min. O laudo pericial é sempre conclusivo? Saiba mais Para aprofundar seus conhecimentos tratados nesta unidade você pode assistir: Filme: “Seven”.Universidade do Sul de Santa Catarina 2.br/default4. 48 .com. ler: Artigo: “Laudo pericial e outros documentos técnicos”. Gênero: Policial.

no qual a investigação criminal é formalizada. a partir dos pontos relevantes para compreender o sistema de provas brasileiro da atualidade. provas técnicas e testemunhais para subsidiar o processo criminal. Contextualizar a investigação criminal. de competência exclusiva das Polícias Federal e Civil. 3 Seções de estudo Seção 1 Conceito e histórico da polícia Seção 2 Conceito de investigação criminal Seção 3 Conceito de prova Seção 4 Evolução histórica da prova criminal Seção 5 Inquérito policial . concebendo-a como o trabalho realizado pelas Polícias Federal e Civil. dentre outros órgãos. inquisitivo e informativo.UNIDADE 3 Investigação Criminal Objetivos de aprendizagem Compreender o conceito e o histórico da Polícia. Identificar os procedimentos de apuração de infrações criminais. Identificar procedimentos de prova criminal e o seu histórico. Conhecer o inquérito policial percebendo-o como procedimento sigiloso.

THOMÉ. e saber quais os tipos de provas já foram aceitáveis em tempos passados e como é o sistema de provas da atualidade.Universidade do Sul de Santa Catarina Para início de estudo Para que você compreenda como é exercida a atividade estatal de segurança pública brasileira na atualidade. Contribuição à Prática da Polícia Judiciária. No entanto.. conceitua Polícia como sendo: (. Ricardo Lemos. também.. 2001: 47. procede do grego “politeia”... (MARCINEIRO. saberá quais polícias serão responsáveis pela investigação criminal. Polícia pode ser definida como: (. de proteção individual e coletiva e a polícia judiciária.Conceito e histórico da polícia A palavra Polícia é vocábulo derivado do latim “politia”. Segundo o mesmo autor. 50 .10. verificar o que é investigação criminal. que por sua vez.. 1997.) instrumento de utilidade e que passa a ser responsável pela investigação das infrações penais cometidas e pela política de disciplina e restrição empregada a serviço do povo. enquanto parte.) a polícia se especializa e hoje. com o todo (. (.) a organização administrativa que tem por atribuição impor limitações à liberdade (individual ou de grupo) na exata medida necessária à salvaguarda e manutenção da ordem pública (. Importante. Dessa forma.)administração da cidade. é imprescindível que verifique quais são as polícias existentes que integram este sistema e quais suas respectivas funções.. se apresenta com duas funções: a polícia preventiva (administrativa). SEÇÃO 1 . ou seja. atividade policial repressiva (judicial) ao crime e de auxílio à justiça penal (investigação científica dos crimes). p.48). segundo Thomé... a polícia mais visível a todos é a de segurança pública e por isso mesmo todos tendemos a confundi-la..). que significa.. Marcineiro (2001). inquérito policial e prova criminal.

IV – polícias civis. Você já teve a oportunidade de ler o que dispõe o artigo 144 da Constituição Federal de 1988 com relação à segurança pública. dever do Estado. segundo se dispuser em lei. na repressão dos delitos. é exercida para a preservação da ordem pública e da incolumidade das pessoas e do patrimônio.. por meio da função investigativa. Ferroviária Federal e Militares cabe o policiamento ostensivo. II – polícia rodoviária federal.) a Polícia é o órgão incumbido de manter e preservar a ordem pública e a incolumidade das pessoas e do patrimônio (TOURINHO FILHO. 2001:27). o contrabando e o descaminho. atuando precipuamente na prevenção dos delitos. V – polícias militares e corpos de bombeiros militares. (. nos termos do artigo 144. Unidade 3 51 . é interessante que você perceba que a atuação principal das Polícias Federal e Civis ocorre após a prática do crime. às Polícias Rodoviária Federal.. assim como outras infrações cuja prática tenha repercussão interestadual ou internacional e exija repressão uniforme. Portanto.Criminalistica e Investigação Criminal Segundo Tourinho Filho (2001). Apuram materialidade e autoria das infrações penais. Diz o artigo: A segurança pública. além de prevenir e reprimir o tráfico ilícito de entorpecentes e drogas afins. através dos seguintes órgãos: I – polícia federal. direito e responsabilidade de todos. I e II da Constituição Federal de 1988. III – polícia ferroviária federal. O que cabe à Polícia Federal? À Polícia Federal cabe a apuração das infrações penais contra a ordem política e social ou em detrimento de bens. § 1º. De outro lado. serviços e interesses da União ou de suas entidades autárquicas e empresas públicas.

261. Com o rápido crescimento das atividades econômicas e sociais. Inicialmente. 2001:15). ressalvadas as atribuições da Polícia Federal e as infrações da alçada militar. segundo Thomé (1997). p. ocorreu em 1841.Universidade do Sul de Santa Catarina O que cabe à Polícia Civil? A Polícia Civil. tendo a função de apurar as infrações penais e respectivas autorias. A atividade investigativa ficava sob a responsabilidade dos magistrados. como organização. em especial dos Juízes de Paz. a origem da Polícia Judiciária. da Carta Magna. nos períodos ditatoriais. A partir da promulgação da república. § 4º. a função policial e a função de julgar não estavam separadas. que apresentava uma organização policial incipiente. (2001). fez-se necessária a organização dos serviços policiais. em 1889. em decorrência das invasões napoleônicas no continente europeu. de 03 de dezembro. a história da Polícia tem início apenas no século XIX. com a criação da Polícia Metropolitana de Londres.No Brasil. criando em cada província um Chefe de Polícia. o que fica evidenciado pelos dispositivos que versavam sobre segurança pública. inseridos nas Constituições Federais que se sucederam. Segundo Silva.. Segundo Marcineiro e Pacheco. tem competência residual.) um regime político em que o poder repousa na vontade do povo”. considerada a primeira organização policial do mundo. na Inglaterra. Curso de Direito Constitucional Positivo. a Polícia tinha como prioridade salvaguardar a segurança nacional estatal. com seus delegados e subdelegados escolhidos dentre os cidadãos. Democracia é “(. José Afonso da. de acordo com o artigo 144. Na democracia a Polícia tinha como foco a segurança pública dos cidadãos.. A Polícia como organização surgiu em 1829. In: SILVA.1999.130. a Polícia passou a atuar de acordo com o modelo político vigente. ano de 1808. a ação militar em defesa da posse. também chamada de Polícia Judiciária. Segundo (MARCINEIRO e PACHECO. 52 . com a vinda da Família Real Portuguesa ao Brasil. com a promulgação da Lei no. e.

. iniciada em 1985.Criminalistica e Investigação Criminal Importante a diferenciação que Marcineiro e Pacheco. a Carta Magna prima pela garantia dos direitos individuais.) indagar. p. após vinte e um anos de regime de exceção.. A investigação policial é atividade de natureza sigilosa exercida por policial ou equipe de policiais determinada por autoridade competente que. SEÇÃO 2 . (. Você concorda? Muito bem.33.. a Polícia passa a ter o dever de prestar serviços respeitando tais garantias e contribuindo para salvaguardá-las. fazer diligências para achar. Unidade 3 53 . p. (BUENO.) garantias são os meios processuais adequados à proteção dos direitos.Conceito de investigação criminal Você sabe o que significa investigar? Que sentido esta palavra assume no contexto da segurança pública? Segundo Canotilho (1999). na obra Polícia Comunitária. A atual Constituição Federal de 1988 é fruto de uma redemocratização. fazem entre segurança nacional e segurança pública: a primeira com sendo a defesa do Estado e a segunda como tendo o foco na segurança da sociedade. Direito Constitucional e Teoria da Constituição. 1999. indícios e provas de materialidade e de autoria do crime.. descobrir.. In: CANOTILHO. É um ato instintivo do homem que o faz movido pelo princípio inteligente e pelo instinto de curiosidade. “(.. 1977:685). Promulgada em um Estado Democrático de Direito. Nesse contexto. José Joaquim Gomes. Evoluindo para a Polícia do Século XXI. investigar significa (. visa a obtenção de evidências.372. vamos adiante e contextualizando. Segundo Bueno (1977). pesquisar. utilizando metodologia e técnicas próprias.).

com o significado de demonstrar. 54 . Qual o objetivo da Investigação criminal? O objetivo da investigação criminal é amealhar provas criminais. meio de Prova e objeto da Prova: “Podese. o objetivo da investigação criminal é a busca das provas criminais necessárias para a elucidação do crime. para comprovar materialidade e autoria do delito.1982.Conceito de prova Como dito. distinguir entre fonte de Prova (os fatos percebidos pelo juiz).Universidade do Sul de Santa Catarina A investigação policial. (GRINOVER. procurando esclarecer a autoria e materialidade de delitos. GOMES FILHO. . que se deduz da fonte e se introduz no processo pelo meio de Prova)”.106). ou investigação criminal.(De PLACIDO e SILVA. p. 1978: 1253). O vocábulo “prova” origina-se do latim probatio. Ada Pellegrini. Segundo Greco Filho (1997:196). assim. formar juízo sobre um fato. Antônio Scarance. reconhecer. GRINOVER. meio de Prova (instrumentos pelos quais os mesmos se fixam em juízo) e objeto da Prova (o fato a ser Provado. na demonstração da existência ou da veracidade daquilo que se alega como fundamento do direito que se defende ou que se contesta. é atividade policial direcionada à apuração das infrações penais e de sua autoria. FERNANDES E GOMES FILHO diferem fonte de Prova. As Nulidades no Processo Penal. visando reunir elementos probatórios para o indiciamento ou não e posterior encaminhamento à apreciação judicial. Antônio Magalhães. De Plácido e Silva (1978). pois. a prova é todo meio destinado a convencer o juiz a respeito da verdade de uma situação de fato. que por sua vez emana do verbo probare. FERNANDES. bem como as circunstâncias em que ocorreram. SEÇÃO 3 .A seguir você vai estudar sobre a prova e seu conceito. A prova consiste. especialmente delegados e seus agentes. Estas circunstâncias são detalhes de fatos criminosos com a preocupação de melhor identificar as pessoas com eles relacionados e o próprio objeto do crime. É o trabalho realizado por policiais.

pode-se afirmar que é aquela utilizada para demonstrar a ocorrência ou não de uma infração penal e as circunstâncias que possam influir no julgamento da responsabilidade e na individualização das penas. GRINOVER. (CINTRA.Evolução histórica da prova criminal O sistema probatório. das condições de antijuridicidade e culpabilidade. Antônio Carlos de Araújo. p. Especificamente com relação à prova criminal. De acordo com Cintra. podem ou não corresponder à verdade. CINTRA. a prova constitui o instrumento por meio do qual se forma a convicção do juiz a respeito da ocorrência ou inocorrência dos fatos controvertidos no processo.Teoria Geral do Processo. Antônio Carlos de Araújo.348. Ada Pelegrinni. concebidos como instrumentos de reconstituição de fatos pretéritos. à vista da prova dos fatos pretéritos relevante. bem como as afirmações feitas pelo réu. 2003: 348). no Processo Penal Brasileiro. Portanto. a propósito de dada pretensão em juízo. Cândido Rangel. SEÇÃO 4 . fazendo-se importante uma breve análise das origens deste modelo. 2003. Os meios de prova. que normalmente se contrapõem àquelas. a prova criminal é aquela utilizada para demonstrar ao Juiz a veracidade ou falsidade da imputação feita ao réu e as circunstâncias que possam influir no julgamento da responsabilidade e na individualização das penas. GRINOVER. as dúvidas sobre a veracidade das afirmações de fato feitas pelo autor ou por ambas as partes no processo. estando fortemente condicionados por circunstâncias históricas e culturais. Ada Pelegrinni.Criminalistica e Investigação Criminal Todas as afirmações de fato feitas pelo autor. constituem as questões de fato que devem ser resolvidas pelo juiz. Em síntese. sempre acompanharam a história da civilização. adotou o modelo europeu-continental. Unidade 3 55 . DINAMARCO. As provas criminais formam a convicção a respeito da autoria e materialidade da infração penal. DINAMARCO. e de todos os demais elementos necessários para fundamentar uma decisão condenatória ou absolvitória.

e a prova pela água fervente consistia no acusado tirar um ou mais objetos do fundo de uma caldeira de água fervente. ou caminhar.” (SANTOS. das cidades. Leis e religião se misturavam. as ordálias constituíram a prova suprema usada pelos germanos primitivos e os povos antigos da Ásia. que. estando acima de tudo e de todos. segundo Sznick conheceram e fizeram uso da tortura contra seus escravos na Antigüidade. (1970:26) na prova pelo fogo se fazia o acusado carregar uma barra de ferro em brasa por certa distância. na esperança de que Deus não o deixaria sair com vida ou sem um sinal evidente. se não dissesse a verdade ou fosse culpado. Coulange (1996) menciona que o respeito dos antigos às leis advinha da crença de que estas eram ditadas pelos deuses. pois não se tinha a mais leve idéia sobre a individualidade humana e sobre os Direitos a ela inerentes. com os pés nus. não tendo aplicação entre os romanos. as ordálias também tiveram aplicação. Segundo Santos (1970). tinham origem sagrada. posteriormente. Esta foi uma época em que os homens não conheceram a liberdade individual. conceitua ordália como “sendo a submissão de alguém a uma prova. 56 . 1970:25). Segundo Santos.Universidade do Sul de Santa Catarina Na Antigüidade. com o domínio absoluto dos bárbaros na Europa. a religião era a força propulsora das organizações rudimentares e. Santos (1970). Foi neste período em que se instituíram as ordálias ou juízos de Deus. 1978:24). 1996:152). e os juramentos. Aqueles se fundavam na crença de que Deus não deixaria de sustentar o Direito do inocente. sobre ferros candentes. estes no pressuposto de que ninguém se atreveria a tomar Deus como testemunha de uma falsidade. sendo o acusado absolvido se não restassem lesões e condenado no caso contrário. Durante muitos séculos na Idade Média. (SZNICK. (COULANGE.

). Mas para que a tortura era utilizada? Qual a finalidade? Discorrendo sobre este momento. numa época em que a escrita não existia. atuante nos séculos XVI. Santos (1970) analisa: Compreende-se facilmente a inclusão do juramento entre os velhos sistemas probatórios.. por certa quantia e pelo juramento de algumas testemunhas que declarassem que o acusado não havia cometido o crime. 1996: 553). Unidade 3 57 .Criminalistica e Investigação Criminal Montesquieu (1996). a critério do acusador.. Novinski (1982) nomina este método de “inquisitivo”. nobreza e clero. 1997:157). na presença dos juízes. (COTRIN. também chamado combate judiciário. com a finalidade de obter a confissão. menciona que a prova pela água fervente podia ser substituída. Assim. XVII e XVIII. 1970: 30-31). na Europa. dada a pouca densidade da população e a própria natureza patriarcal dos agregados humanos. período em eram tidos como hereges os que contrariavam os dogmas oficiais da Igreja Católica. 1982:47). e que atendia aos interesses de todas as facções do poder: coroa. No final da época medieval e durante a Idade Moderna surgiram. Com a desmoralização do juramento. Acerca dos juramentos. os tribunais da inquisição. Cotrin (1997) menciona que a tortura era utilizada oficialmente nos interrogatórios. bem como na circunstância de ser quase impossível. instituiu-se como instituto probatório o duelo. (SANTOS. que se reflete na influência exercida pelas religiões sobre os homens e as organizações sociais da Antigüidade e da Idade Média. (MONTESQUIEU. (NOVINSKY. pode-se dizer que a prova pelo juramento decorria da própria necessidade (. colherem-se provas testemunhais.

. nos séculos XVI e XVII. A tortura clássica tornou-se mecanismo regulamentado e legalizado de Prova. Ortega (1998). manifestou-se afirmando que a tortura é muitas vezes um meio seguro de condenar o inocente fraco e de absolver o criminoso robusto. utilizada para obter a confissão do réu.(GOMES FILHO. e era diferenciada de acordo com a classe social a que pertencia o indivíduo. No que se refere à valoração das provas. é neste período que surgiu o sistema das provas legais. Segundo Foucault. (FOUCAULT. e a pesquisa cedia vez à confirmação de uma verdade já estabelecida. o paciente é submetido a uma série de provas. e que influenciou a reforma de muitos Códigos Penais e Processuais Penais Europeus.). pelo qual cada prova tinha seu valor previamente determinado. Gomes Filho (1997). (2002) a tortura é um jogo judiciário estrito (. 58 . escrita no século XVIII. menciona: somente ela podia fornecer a certeza moral a respeito dos fatos investigados. de severidade graduada. (BECCARIA. a confissão do acusado representava o objetivo primordial do procedimento inquisitório. menciona que a tortura tratava-se de peça fundamental no processo. cuja essência é a defesa do indivíduo contra as atrocidades e arbitrariedades daqueles tempos. 1998:463) Sobre este tema. e somente a combinação destas autorizaria uma condenação criminal. autor da obra Dos Delitos e Das Penas. o princípio da igualdade era inexistente naquela época. estando a nobreza sujeita à tortura apenas nos delitos considerados extremamente graves. 2002:36). 1997:22). Portanto. 1993:36). Enfocando a tortura. e que ele ganha agüentando ou perde confessando. discorrendo sobre o sistema jurídico-penal e processual penal. Beccaria (1993).Universidade do Sul de Santa Catarina Considerando a dificuldade de se obter outros meios de prova. (ORTEGA.. na Europa.

En el supuesto de que el delito no está probado. 2002:161. p. na dúvida de ser inocente ou culpado”. diferentemente das demais provas. Sua base é a classificação sistemática das provas romanas. Unidade 3 59 .316. 2002:275). ** tradução: uma só testemunha equivale a nenhuma testemunha. (SABADELL. Por meio deste instituto era concedida a dispensa de produção de provas em determinados casos. a proporcionalidade entre os delitos e as penas. empleada para arrancar las confesiones. *tradução: rainha das Provas (cf. Sabadell (2002). desenvolvido a partir do século XIII pelos doutrinadores do Direito medieval europeu. Gilberto. p. O Latim no Direito. qué hace el juez? Ordena atormentar a una persona. burgueses e plebeus. sintetiza algumas das idéias defendidas por Beccaria.Criminalistica e Investigação Criminal Valiente (2002). en la duda de si es inocente o culpable”. que faz o juiz? Ordena atormentar uma pessoa. Tratado de Las Pruebas Judiciales.308. discorrendo sobre a tortura oficializada afirma: A tortura judicial está vinculada ao sistema de provas legais. desvinculando os conceitos de pecado e delito. público. não se permite que se estabeleça nenhuma discussão ou questionamento. na obra citada: a mudança do processo inquisitivo para o acusatório. semiplenas. p. CALDAS. a tortura era empregada para suprir a deficiência dos meios probatórios da época: “A tortura. segundo o método escolástico. idéias estas que continuam a influenciar os sistemas penais e processuais penais atuais. Jeremias. (VALIENTE.495. “La tortura. em graus: provas plenas. testis nullus**). (cf. Gilberto. empregada para arrancar as confissões.162) Para Bentham. já que. com meios de prova claros e racionais. a igualdade entre nobres. O Latim no Direito. Acima da prova plena está o notorium. indícios e presunções. Sabadell (2002). Na Idade Média e grande período da Idade Moderna. a nítida separação entre a religião e o Estado e seus Poderes. o que se coaduna com o sistema inquisitório. se encamina a suplir la insuficiencia de las pruebas. CALDAS. a supressão total da tortura e da pena de morte. Supondo que o delito não está provado. BENTHAM. A confissão era a regina probatium* e o depoimento de uma só testemunha não possuía valor probatório (testis unus. (tradução da autora). inexistia a concepção de direitos individuais. conceitua notorium como sendo a prova à qual se deve dar a máxima credibilidade. e a preferência dos métodos preventivos aos repressivos. havendo sempre a prevalência do interesse público em detrimento do indivíduo. objetiva suprir a deficiência das provas.

p. GOMES FILHO. 1997. não se torturava um inocente. (. implicava. Tratava-se do sistema da íntima convicção. Conforme Sabadell (2002).) a existência de uma meia prova implicava a consideração do réu como meio culpado.. e sim um meio culpado. até o surgimento posterior do sistema da livre apreciação de provas. Em outras palavras. de 1789. consagrou a escola do Direito Natural. mas ao longo dos séculos a doutrina o submeteu a modificações para facilitar a sua aplicação. também. o princípio da inocência do acusado era desconhecido. as provas não eram reunidas para apurar uma possível responsabilidade penal do réu. sendo que esta era constituída por cada um dos elementos que permitiam reconhecer um culpado. (SABADELL. De acordo com Sabadell (2002). a Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão. Um grau alcançado na demonstração da culpa (prova semiplena). Vêm ao encontro de um sistema probatório que respeita o ser humano enquanto sujeito de direitos e garantias individuais.Universidade do Sul de Santa Catarina Em matéria de processo penal. a presunção de inocência do acusado e o direito ao contraditório. “selando a concepção 60 . mencionar os sistemas de valoração de prova. Foram citados alguns meios de prova utilizados no transcorrer da história. sendo inicialmente rígido. conseqüentemente. dentre elas. advinda da Revolução Francesa. o sistema das provas legais passou por várias fases. incluindo a autorização para o uso da tortura. além do já citado sistema das provas legais. É importante. através da Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão. conferiram maior liberdade aos juízes na apreciação da prova e na indicação dos motivos da convicção.. Tais ideais foram uma reação ao sistema inquisitório e à doutrina das provas legais. Antônio Magalhães. um determinado grau de punição. Os ideais iluministas postulados pela Revolução Francesa romperam com o sistema inquisitivo.28-29. Direito à Prova no Processo Penal. a proibição legal da tortura. Segundo Grinover (1982). para confirmar a suspeita legalmente criada de que ele era realmente culpado. e. 2002:278). cf. de 1789.

e. segundo esta nova concepção. Gomes Filho (1997:31) afirma que em 1808. até os dias atuais.. p. art. Disponível em: <http://www. o juiz só estaria autorizado a condenar se. 3º:”O Princípio de toda soberania reside essencialmente na Nação. 61 . Acerca desta Declaração. menciona Bobbio (1992). o Code d’instruction criminelle francês instituiu a combinação entre os padrões inquisitório e acusatório. Nenhuma corporação. (. também chamado por Capez de Unidade 3 CAPEZ.) do estado de natureza.Criminalistica e Investigação Criminal da existência de direitos subjetivos preexistentes ao Estado. pode exercer autoridade que aquela não emane expressamente”.. ao Princípio de legitimidade do poder que cabe à nação.htm>. (BOBBIO. 2º: “O objetivo de toda associação política é a conservação dos Direitos naturais e imprescritíveis do homem”. 2002. mas reconhecidos por este”. não criados.. além de convencido. a fim de obter-se não uma verdade extorquida inquisitoriamente.) o núcleo doutrinário da Declaração está contido nos três artigos iniciais: o primeiro refere-se à condição natural dos indivíduos que precede a formação da sociedade civil. que vem depois (. à defesa.267. Segundo a Declaração Universal dos Direitos do Homem . A doutrina passou a postular limitações à íntima convicção do juiz. o segundo. estivesse amparado por um mínimo de elementos probatórios. do poder de produzir provas contrárias às da acusação.12.03.net/legislação. Acesso em 14. 1992:93).gila. à finalidade da sociedade política. influenciando os demais ordenamentos continentais e representando.art.. o modelo inspirador da maioria das legislações. 1º: “Todos os seres humanos nascem livres e iguais em dignidade e Direitos”. Gomes Filho (1997:55) entende que uma verdadeira Justiça penal pressupõe o reconhecimento. mas uma verdade obtida através de meios probatórios produzidos pelas partes.net/internacional/ declaração_Direitos_homem_cidadao_1789. nenhum indivíduo. art. Fernando.Curso de Processo Penal. o terceiro. Passou-se a postular pelo sistema da persuasão racional.

Código Processual Penal Brasileiro. (COLUCCI. fatalmente.Universidade do Sul de Santa Catarina sistema da livre (e não íntima) convicção. no capítulo que discorre sobre Provas. Oportuna a transcrição deste trecho da Exposição de Motivos do Código Processual Penal Brasileiro. art. através delas. A motivação das sentenças e decisões de modo geral. obedecendo à Constituição da República. não há hierarquia entre as Provas e o juiz pode decidir de acordo com a sua consciência. salvo quanto ao estado das pessoas. ex vi legis. Todas as provas são relativas. A própria confissão do acusado não constitui. advertir que livre convencimento não quer dizer puro capricho de opinião ou mero arbítrio da apreciação das Provas. Não estará ele dispensado de motivar sua sentença. porém.1941-. a sua convicção. em vez de protetor das liberdades públicas. considerando-se a visão sistêmica. mas não pode abstrair-se ou alhear-se ao seu conteúdo. evitando-se que a excessiva liberdade na avaliação das provas transformasse o processo penal em instrumento de opressão e terror. nem é prefi xada uma hierarquia de provas: na livre apreciação destas.10. o juiz formará. Nunca é demais. 157: “O juiz formará sua convicção pela livre apreciação da prova”. em respeito ao contraditório. 1988:237-250). prova plena de sua culpabilidade. ou nec essariamente maior prestígio que outra. O sistema probatório de persuasão racional foi adotado pelo Código Processual Penal Brasileiro .Decreto-Lei n. o Código 62 . não é menos certo que não fica adstrito a nenhum critério apriorístico no apurar. a verdade material. fi xou-se como pressuposto do direito de defesa o conhecimento pelas partes dos caminhos percorridos pelo juiz ao julgar (persuasão racional). desde que acompanhada de demonstração lógica dos motivos da decisão. (ano). E precisamente nisto reside a suficiente Garantia do Direito das partes e do interesse social. Através do sistema da persuasão racional. nenhuma delas terá. honesta e lealmente. através do seu artigo 157.3689. de 03. Se é certo que o juiz fica adstrito às provas constantes dos autos. tornou-se verdadeira garantia individual. desde que o faça motivadamente e. da verdade real ou do livre convencimento. Trecho extraído da Exposição de Motivos do Código Processual Penal Brasileiro. Conforme Colucci (1988): Num terceiro estágio. valor decisivo. O juiz está livre de preconceitos legais na aferição das Provas. cedendo-se ao julgador liberdade de valoração da prova. Não serão atendíveis as restrições à prova estabelecidas pela lei civil.

) atende às exigências da busca da verdade real. igualmente. um sistema processual penal que permite todos os meios de prova. na medida em que exige motivação. De outro lado. SEÇÃO 5 . Neste sistema. Não pode. Tem-se. XXXVIII. devendo indicá-los especificamente. gerador do arbítrio. Polícias Militares e outros órgãos podem exercer atividade investigativa. da Carta Magna. Unidade 3 63 . e por textos legais internacionais. admitindo-se as provas inominadas. (CAPEZ 2002:267). a autoria e estabelece as condições em que o crime ocorreu. que: (. a investigação criminal não é atividade exclusiva destas Polícias. o magistrado buscar como fundamento elementos estranhos aos autos. Tal motivação não se faz necessária apenas nas decisões do júri. Mas. pelas normas constitucionais e infraconstitucionais. entretanto. Acerca deste sistema. Congresso Nacional. que procura demonstrar a existência do fato criminoso. à acusação e à defesa. assegurado pela leitura coordenada da Constituição da República. limitados. e impede o absolutismo pleno do julgador. rejeitando o formalismo exacerbado. considerando a soberania dos vereditos e o sigilo das votações. entende Capez (2002). pois. os meios de prova mencionados no Código de Processo Penal são apenas exemplificativos. Não basta ao magistrado embasar a sua decisão nos elementos probatórios carreados aos autos. preceituados no artigo 5º.. concebe-se a prova no Processo Penal como verdadeiro direito garantido às Polícias.Inquérito policial Como você viu anteriormente.. o objetivo principal das Polícias Civil e Federal é a investigação criminal.Criminalistica e Investigação Criminal de Processo Penal e demais legislações vigentes. O Ministério Público.

mediante requerimento de qualquer pessoa. As atividades são as mais diversas de acordo com o delito praticado. este estudo aborda apenas este. representações por mandados de busca e apreensão. 9099/95 e n.. depoimentos de testemunhas. declarações de vítimas. quebra de sigilo fiscal. os atos investigativos são praticados no inquérito policial. cujos atos e resultados deverão ser formalizados. o que é feito através da investigação. de forma geral. por meio da investigação policial.. previsto nas Leis Federais n. O auto de prisão em flagrante. normalmente.Universidade do Sul de Santa Catarina O inquérito policial é de atribuição exclusiva das Polícias Federal e Civil. 10259/2001. ou ainda. via de regra. A partir deste momento.) é o conjunto de diligências realizadas pela Polícia visando a investigar o fato típico e a apurar a respectiva autoria. Após a prática da infração penal. o termo circunstanciado. cabe ao delegado de polícia determinar a instauração do inquérito policial. avaliações reconhecimentos pessoais. mediante requisição ministerial ou judicial. previsto no Código de Processo Penal Brasileiro. e outros. prisões. através do inquérito policial. realização de acareações. fotográficos. quebra do sigilo bancário. onde se diligenciará para buscar provas demonstrando materialidade e autoria do crime. quebra do sigilo telefônico. previsto no Código da Criança e do Adolescente (Lei Federal n. interrogatório de suspeito e/ou indiciado. também são procedimentos policiais que podem ensejar investigação. a notícia de um crime chega ao conhecimento da autoridade policial através do boletim de ocorrência. cabe à Polícia Judiciária a apuração imediata do delito. Considerando que. Segundo Tourinho Filho (2001:25) inquérito policial (. 8069/90). 64 . e o auto de apuração de atos infracionais. Via de regra. requisição de todas as perícias necessárias.

se for possível. O artigo 6º. nos termos do artigo 17 do Código de Processo Penal Brasileiro.Criminalistica e Investigação Criminal Todos estes atos são formalizados no inquérito policial. Não se pode contar com a improvisação e com a sorte no que concerne à investigação policial. c) Coleta de todas as provas do fato e de suas circunstâncias. de iniciativa obrigatória e indisponível. em que o princípio do contraditório não é considerado. se for o caso. é de natureza inquisitiva. Quando o crime. Unidade 3 65 . faz-se necessária a aplicação de técnicas investigativas. detalhando quais atividades investigativas serão realizadas. Estas têm uma seqüência determinada pela autoridade policial que estiver presidindo o inquérito policial. após a sua instauração. Para que a investigação policial tenha resultado e o inquérito policial seja concluído comprovando materialidade e autoria do crime. Do Código de Processo penal Brasileiro delibera quanto aos procedimentos da Polícia Judiciária na apuração dos delitos. O inquérito policial apresenta a forma escrita. se for o caso. é. e) Oitiva do indiciado. cabe à Polícia realizar planejamento específico. em face da necessidade da realização desta ou daquela diligência. se for o caso. em que tempo. de acordo com as peculiaridades da infração penal praticada. g) Exame de corpo de delito. f) Reconhecimento de pessoas e coisas e acareações. destacandose: a) Comparecimento e preservação do local. não pode ser arquivado pelo delegado de polícia. é sigiloso. j) Reprodução simulada dos fatos. inclusive seus antecedentes criminais. de forma geral. e definindo as técnicas a serem aplicadas. d) Oitiva do ofendido ou da vítima. não existindo um rito pré-estabelecido para a atividade investigativa. b) Apreensão dos instrumentos e todos os objetos relacionados com o fato. h) Identificação datiloscópica do indiciado. i) Investigação sobre a vida pregressa do indiciado.

Investigação criminal é a atividade voltada à apuração das infrações penais. a função investigativa criminal. estando fortemente condicionados por circunstâncias históricas e culturais. O sistema de provas foi sendo alterado com o transcorrer dos tempos. Através da Carta Magna. a síntese da unidade. Na Idade Média e grande período da Idade Moderna. realize as atividades de Autoavaliação e consulte o saiba mais para ampliar seus conhecimentos acerca do assunto estudado.Leia. concebidos como instrumentos de reconstituição de fatos pretéritos. Os meios de prova. 66 . sendo a confissão considerada aquela de maior valor. verificamos que cabe à Polícia Federal e às Polícias Civis dos Estados. Para tanto. Síntese As polícias existentes no Brasil e suas atribuições estão descritas na Constituição Federal de 1988. também chamadas Polícias Judiciárias. concebida como aquelas utilizadas para demonstrar ao Juiz a veracidade ou falsidade da imputação feita ao réu e as circunstâncias que possam influir no julgamento da responsabilidade e na individualização das penas. vigia o sistema de provas legais. sempre acompanharam a história da civilização. ou investigativa policial. através da elucidação da materialidade e autoria dos delitos. que eram previamente determinadas e hierarquizadas. a seguir. busca-se amealhar provas criminais. sendo inicialmente rígido. até o surgimento posterior do sistema da livre apreciação de provas. mas ao longo dos séculos a doutrina o submeteu a modificações para facilitar a sua aplicação. O sistema das provas legais passou por várias fases. nominando-a de “rainha das provas”.Universidade do Sul de Santa Catarina .

) As Polícias exercem atividades excludentes. ( ( ( Unidade 3 67 . ) O inquérito policial é peça imprescindível para a instauração do processo criminal. decisão absolutória ou condenatória. Este sistema foi o adotado pelo Código de Processo Penal Brasileiro vigente. Congresso Nacional. verdade real ou persuasão racional. Atividades de auto-avaliação Assinale verdadeiro ou falso: ( ) O rol de provas elencados no Código de Processo Penal Brasileiro é exemplificativo. o inquérito policial é de atribuição exclusiva das Polícias Federal e Civis. criou-se o sistema da livre convicção. ) O sistema de provas previsto no Código de Processo Penal Brasileiro é o da íntima convicção. dentre eles. razão pela qual a Polícia Militar é proibida de realizar qualquer tipo de investigação criminal. outros órgãos exercem função investigativa. de 1789. no qual a obrigatoriedade da motivação das decisões judiciais e das sentenças tornou-se verdadeira garantia individual. Ministério Público. surgiu o sistema da livre apreciação de provas. Após abusos praticados nas sentenças. Ocorre que. ficando isento de motivar as suas sentenças absolutórias ou condenatórias. Assembléias Legislativas dos Estados. Além das Policias mencionadas. em que o juiz tinha total liberdade na valoração das provas e nas suas decisões processuais. que conferiu diversos direitos e garantias ao homem até então não existentes.Criminalistica e Investigação Criminal Após a Declaração Universal dos Direitos do Homem e do Cidadão.

br/?page_name=art_05_ 2005&category_id=31 68 . durante o curso de uma investigação. os policiais devem estar voltados prioritariamente à indicar e localizar o autor do crime ou à busca da verdade? Saiba mais Para complementar seus conhecimentos você pode ler: Texto: Inquérito Policial – Sigilo irrestrito.http://www.direitonet.damasio. Disponível em: www.Universidade do Sul de Santa Catarina 2.com. Disponível em: http://www. Responda a seguinte questão: Na sua percepção.br/textos/x/15/73/1573 Artigo: Flagrante eficiente.com.

UNIDADE 4 Investigação Criminal Objetivos de aprendizagem Estudar técnicas de investigação policial. informante e vigilância. Identificar a função das Polícias Investigativas e verificar qual a relação com a investigação experimental e suas respectivas técnicas. 4 Seções de estudo Seção 1 Interrogatório Seção 2 Infiltração policial Seção 3 Informante Seção 4 Vigilância . Conhecer e técnicas como o interrogatório. infiltração policial.

PASOLD. pautado pelas garantias individuais e coletivas do cidadão.107. ficará mais fácil o entendimento do conteúdo desenvolvido nas seções que seguem. Então. Vamos lá? Comecemos com a palavra “técnica. Mas. podemos dizer que a investigação necessita de técnicas que assegurem um trabalho lógico. na busca imparcial da verdade objetivando cumprir o dever do Estado.Universidade do Sul de Santa Catarina Para início de estudo Para iniciar os estudos desta unidade considero oportuno que você conheça termos-chave para a compreensão do que se pretende abordar. de acordo com Pasold (2003). seqüencial. como essa palavra pode ser definida? 70 .. reunidas e acionadas em forma instrumental. (. Idéias e Ferramentas Úteis para o Pesquisador do Direito. a) Quem? b) O que? c) Onde? d) Com que auxílio? e) Por que? f) De que maneira? g) Quando? Agora veremos o que é um procedimento. na preservação da ordem pública e da incolumidade das pessoas e do patrimônio.) é um conjunto diferenciado de informações. Prática da Pesquisa Jurídica. 2003.. Técnica. Visa à investigação policial resposta para as perguntas: (hectâmetro). Cesar Luiz. sob o comando de uma ou mais bases lógicas de pesquisa. Assim.” O que é técnica? Bem. para realizar operações intelectuais ou física. p.

guardando características próprias e peculiares em função dos mesmos. Na seqüência. os meios necessários para instruir a causa e assegurar ou restabelecer uma relação jurídica controvertida. O procedimento do interrogatório encontra-se disposto nos artigos 185 a 196 do Código de Processo Penal. Concorda? O procedimento se consubstancia nos diversos atos policiais no decorrer das investigações e a técnica representa a maneira como o procedimento é realizado. de 1. A investigação é direcionada de acordo com os diferentes tipos de delitos. com a finalidade de descobrir fatos novos. Unidade 4 71 . que foram todos alterados pela Lei n. Então. recolher e organizar informações básicas. A investigação será realizada a fim de obter informação sobre um tema.12. Tanto a investigação quanto a análise se baseiam no exame completo de um problema concreto. Vamos lá? SEÇÃO 1 . você terá a oportunidade de conhecer algumas técnicas policiais mais comumente usadas num processo de investigação. É um estudo profundo de um problema. na investigação policial podemos dizer que procedimento é o conjunto dos atos policiais que tem por objetivo colher as provas da infração penal.Interrogatório Interrogatório é o termo utilizado pelo Código de Processo Penal para conceituar a inquirição do acusado no processo penal. sobretudo. sob determinados preceitos legais.2003.Criminalistica e Investigação Criminal Procedimento é o conjunto dos atos pelos quais se ordenam e se exercitam. 10792. nela se procura.

uma legítima defesa putativa ou uma injusta provocação da vítima. tentando sempre buscar a verdade dos fatos. fazê-lo de forma a se beneficiar. espaço. A preparação é importante porque é comum o autor da infração penal.Universidade do Sul de Santa Catarina No âmbito policial. é importante que o interrogador busque. Pode acontecer que o interrogador. perante a autoridade policial. por exemplo. Entretanto. quando alguém vai narrá-los. melhor do que o investigando. a fim de que saiba fazer as perguntas com pertinência. embora confessando o delito. O interrogatório deve sempre ser orientado através de técnica. Evidentemente que as técnicas ora mencionadas também podem ser aplicadas durante a tomada de declarações da vítima ou a tomada de depoimento de testemunha. demonstrando firmeza e seriedade. não tenha interesse de obter a narrativa de maneira ordenada. chamada técnica de interrogatório. alegando. Dessa forma. Usualmente conceitua-se declaração como sendo a inquirição da vítima e depoimento a inquirição da testemunha. ação e resultado. denomina-se interrogatório o ato em que o suspeito ou indiciado pela prática da infração penal presta depoimento formalmente nos autos. de forma técnica. segurança e sabedoria. nem sempre o faz obedecendo a uma seqüência real desses fatos dentro daquela estrutura. em favor da investigação. elucidar o crime. Quais as técnicas de interrogatório? Técnicas de abordagem dos fatos Os fatos acontecem dentro de uma estrutura de tempo. diminuindo as conseqüências penais. 72 . etc. O interrogador tem o dever de conhecer o fato que investiga.

da seqüência protaitiva. quebra a rotina de quem o pratica. Isto não pode deixar de ser levado em conta por quem investiga. a seqüência como os fatos serão abordados deve obedecer a critérios técnicos que sejam de pleno conhecimento e domínio do interrogador. é importante buscar apurar onde e com quem o suspeito ou indiciado esteve durante todo o dia do crime. Técnica da Seqüência Memorial Esta técnica tem aplicação quando a pessoa que estiver sendo inquirida se prontifica a narrar os fatos espontaneamente. e obtenha objetivamente a informação desejada. o interrogador pode se valer de cinco técnicas. e da seqüência retroativa: A experiência tem demonstrado que a prática de um delito. manteve contatos ou encontros com pessoas estranhas. ausentou-se de casa ou do trabalho sob qualquer pretexto. Dessa forma. da seqüência embaralhada. Por essa razão. se saiu mais cedo ou chegou mais tarde. O policial que faz uso da violência na investigação.Criminalistica e Investigação Criminal Assim. Unidade 4 73 . levando-se em conta a seqüência como um interrogado pode narrar os fatos que estão sendo investigados. O emprego de técnicas no transcurso do interrogatório norteia o interrogador para que demonstre conhecimento e segurança acerca do delito que investiga. via de regra. Ano 1998. A seqüência com que os fatos são narrados depende da lembrança que interrogando tenha das circunstâncias do fato. como em razão dos cuidados que se toma para ocultar os fatos. a saber: da seqüência memorial. A aplicação de técnicas na atividade investigativa consiste no uso da inteligência. da seqüência dos fatos. etc. promovendo resultados negativos para o caso específico e para a Instituição Policial. Estas técnicas foram mencionadas em aulas expositivas no Curso de Formação para Delegado de Polícia – Ministradas na Academia da Polícia Civil de Santa Catarina. além de incidir em conduta criminosa também não prima pelo raciocínio inteligente. tanto por força das atividades necessárias à perpetração do delito.

Somente uma narrativa real e verdadeira se sustentaria harmônica diante desta técnica. Técnica da Seqüência Embaralhada Esta técnica aplica-se quando há indícios de que a pessoa que está sendo inquirida optou por mentir acerca dos fatos que se investiga. como se desenvolveu e como e quando terminou.Universidade do Sul de Santa Catarina Muitas vezes o interrogando inicia a sua fala pelo ato executório e depois desordenadamente vai narrando as demais circunstâncias. induzindo o interrogando a erro. Para aplicação desta técnica faz-se necessário que a pessoa que estiver sendo inquirida demonstre a vontade de expor os fatos. O interrogador deve. buscando esclarecer as atividades e convivências da pessoa que se interrogando. por parte. para que não consiga responder com encadeamento. 74 . quando. como e porque iniciou. lógica e coerência às perguntas feitas. na medida em que estas vão lhe surgindo na memória. Técnica da Seqüência dos Fatos Esta técnica procura abordar o acontecido levando em conta a seqüência em que os fatos se desenrolaram. fazendo-a constatar que a sua versão dos fatos não condiz com as demais provas materiais e testemunhais amealhadas. percorrendo a narrativa do início ao fim do delito. então. embaralhar ao máximo os pontos já abordados. levando-se em conta o tempo decorrido. a partir do momento estabelecido pelo interrogador. Técnica da Seqüência Protaitiva É a técnica pela qual o interrogador parte de um determinado momento que pode ser de horas ou dias antes do crime e vai avançando no tempo. devendo o interrogador conduzir a narrativa para que os fatos sejam relatados de forma clara e dentro da seqüência dos próprios acontecimentos.

Técnica da Seqüência Retroativa Esta técnica percorre o tempo de forma inversa aos acontecimentos. o suspeito ou indiciado acaba inventando situações que são facilmente desmentidas posteriormente. Técnicas de Comportamento São técnicas que tratam da postura. Se a versão for mentirosa. Parte de um determinado momento que pode ser da comunicação do delito ou de sua execução e vai retroagindo no tempo até um determinado horário. certamente não resistirá ao crivo da investigação séria. cujas evidências indiquem como sendo o tempo gasto para o suspeito ou indiciado cogitar. Unidade 4 75 . da forma mais livre possível. o interrogando faz uma narrativa dos fatos por ele praticados. Através desta técnica. dando a este um grau de liberdade maior nas suas colocações. Consiste em permitir que o interrogando. narre livremente o fato criminoso. A verdade virá naturalmente à tona. Por esta técnica. Estas técnicas foram mencionadas em aulas expositivas no Curso de Formação para Delegado de Polícia – Ministradas na Academia da Polícia Civil de Santa Catarina. tudo registrando fielmente. espontaneamente. Técnica da Espontaneidade É a técnica que deve ser utilizada para o início de um interrogatório. sem qualquer interferência do interrogador. o interrogador se comporta de forma amigável com o interrogando. o interrogador não deverá interferir. Ainda que a narrativa não corresponda àquilo que já foi apurado nos autos.Criminalistica e Investigação Criminal A experiência tem demonstrado que para esconder atividades e encontros relacionados com a preparação e execução do crime. inclusive não deixar transparecer que não está acreditando na versão apresentada. da forma como o interrogador deve se comportar frente ao interrogando. preparar e executar o delito. Ano 1998. profissional e criteriosa.

formulando perguntas bem elaboradas. é interessante que perceba que nem todo autor de crime confessa o fato espontaneamente e aí se faz necessário o emprego de outras técnicas para se chegar à verdade.Universidade do Sul de Santa Catarina Todavia. como por qualquer outro motivo. sobre este ou aquele momento do delito. De um modo geral. leva-se o interrogando a. isso acontece tanto intencionalmente. não conseguir sustentar a sua versão dos fatos. pela própria maneira como são formuladas. A técnica da indução permite ao interrogador direcionar o diálogo. O interrogador jamais deve contar o fato que investiga ao interrogando. Técnica da Indução Caracteriza-se pela formulação de perguntas ao interrogando que o induzam. pois assim fazendo correrá o risco de prejudicar a busca da verdade. a dar uma resposta certa e objetiva. para que não paire dúvidas ao interrogando sobre a resposta que deverá dar. pela técnica da indução. ainda que o interrogando resolva narrar os fatos espontaneamente. 76 . se tiver mentido na narrativa espontânea. O que caracteriza esta técnica é a formulação de perguntas bem elaboradas que induzam o interrogando a dar uma resposta certa. precisa. dificilmente o fará de forma completa. como esquecimento e até mesmo por desconhecer este ou aquele detalhe. Assim. diretas e de preferência curtas. sobre esta ou aquela circunstância não esclarecida. Através desta técnica o interrogador discute as circunstâncias do delito e elucida pontos relevantes mencionados durante a narrativa espontânea. As perguntas devem ser claras.

emprego e profissão certos. 9034/95.269/1996. com a conseqüente extinção da punibilidade ao acusado que. delatando os demais participantes. que consiste em um instrumento que permite ao indiciado. prevêem diminuição da pena de um a dois terços para o concorrente que confessa o delito. bons antecedentes. em troca da diminuição de pena.807/1999. Assim o policial deve argumentar com os benefícios da lei. menciona a colaboração eficaz.Criminalistica e Investigação Criminal Técnica da Persuasão Esta técnica tem por objetivo persuadir. que outros que podem ser sustentados? Unidade 4 77 .072/1990 e 9. etc. letra “d” do Código Penal Brasileiro. ou delação premiada. em seu art. A Lei Federal n. Entre as atenuantes do crime. ou que tenha conhecimento das suas atividades. que dispõe sobre a utilização de meios operacionais para a prevenção e repressão de ações praticadas por organizações criminosas. constituindo um incentivo à confissão. o interrogador jamais deve inventar benefícios legais inexistentes. fornecer informações que propiciem o desmantelamento de organização criminosa da qual faça parte. A Lei Federal n. inciso III. prevista no art. convencer o investigando a primar pela verdade dos fatos. As Leis Federais de números 8. 65. residência fi xa. tais como a possibilidade de responder o crime em liberdade. 9. Além dos benefícios legais. em face da primariedade. há a confissão espontânea. dispõe que o juiz poderá conceder o perdão judicial. mostrando ao interrogando que somente tem a ganhar se disser a verdade. no seu artigo 6º. Outros argumentos ainda podem ser utilizados pelo interrogador. sendo primário. Evidentemente. tenha colaborado efetiva e voluntariamente com a investigação ou processo criminal. 13.

portanto as técnicas e seus aplicadores. Técnica do Desmentido Esta técnica consiste em relacionar e mostrar ao suspeito que está faltando com a verdade. oferecendo a ele. com o diferencial de que. alterando-se. Art.Universidade do Sul de Santa Catarina O primeiro argumento é de que. entre os quais o de permanecer calado. da Constituição Federal de 1988: “O preso será informado de seus direitos. Cada policial deverá estar plenamente certo da técnica que irá aplicar. além de conhecer com a maior profundidade possível o fato delituoso que estiver sendo apurado. nos termos do artigo 5º. agindo sempre com calma e segurança. 5º. esta atitude motiva a intensificação das investigações. após. Técnica da Alternância Consiste na aplicação das técnicas mencionadas acima. da Constituição Federal de 1988. a aplicação de cada técnica deve ser feita por policial diferente. 78 . Com paciência. Sabe-se que o silêncio do interrogado não pode ser interpretado em prejuízo a sua defesa. uma vez esclarecido o fato criminoso cessa a perseguição da polícia. A cessação da pressão social e da imprensa também pode constituir um forte argumento para convencer uma pessoa a esclarecer o delito. a oportunidade de dizer a verdade. Após a aplicação desta técnica. que sempre causa transtornos à vida pessoal. sendo-lhe assegurada a assistência da família e de advogado”. LXIII. deve-se retornar à técnica da espontaneidade. LXIII. Deve-se indagar acerca do que foi alegado pelo indiciado que esteja mal esclarecido. Técnica do Questionamento Consiste em questionar o que foi dito pelo indiciado e que não estiver de acordo com o que se apurou. Não obstante. social e profissional de alguém. mostrando a ele todas as controvérsias que seu interrogatório apresenta. o interrogador deve aguardar a reação do suspeito.

escolher um dos policiais para revelar a verdade. o detector de mentiras não é utilizado no Brasil. questionar o interrogando cuja versão esteja em desacordo com o conjunto probatório podendo realizar acareação entre os suspeitos. É interessante que você perceba que a acareação deve ser breve e se restringir apenas ao ponto em que houve controvérsia. Unidade 4 79 . É importante inquirir os suspeitos separadamente impossibilitando que um deles tome conhecimento das declarações dos demais. Quando o interrogador verifica que existem divergências. por ter maior afinidade com ele do que com os demais. a fim de elucidar os fatos. de maneira que se mantenha um perfeito domínio sobre os pontos abordados e que estes sejam explorados com todos os interrogandos. Deve ser aplicada por um único policial. Técnica da Informação Cruzada Aplica-se esta técnica nos casos em que se investiga dois ou mais co-autores ou partícipes do delito. no decorrer da aplicação das técnicas. Do Emprego do Detector de Mentiras Diferentemente de outros Países. e quando a versões dos fatos oferecidas por eles sejam controversas. sabendo-se que ele busca afetar psicologicamente o suspeito.Criminalistica e Investigação Criminal Esta técnica tem proporcionado bons resultados práticos. pois é muito comum o investigando.

que permite a obtenção de conhecimentos profundos da organização criminosa.... V – infi ltração por agentes de polícia ou de inteligência.. Trata-se de uma técnica de investigação que objetiva obter informações. A infiltração visa a atingir.. Deve ser realizada por tempo determinado.. mediante o recrutamento e posterior inserção de pessoas.. sem prejuízo dos já previstos em lei. sob a proteção de uma história-cobertura..... obtidos pelo policial infiltrado.... os seguintes procedimentos de investigação e formação de provas: . mediante circunstanciada autorização judicial. No Brasil. que alterou a redação do artigo 2º da Lei Federal n. a infiltração até bem pouco tempo não era permitida.. Em qualquer fase da persecução criminal são permitidos.Universidade do Sul de Santa Catarina SEÇÃO 2 .Infiltração policial A infiltração policial trata-se de técnica operacional eficaz....... 9034/95: Art..... sob acompanhamento do Ministério Público. os seguintes objetivos: obter informações ou provas.. em tarefas de investigação. em descompasso com a maioria dos países mais avançados no tocante à repressão ao crime. Apresenta elevado risco para o policial infiltrado.. Foi inserida no sistema processual penal brasileiro pela Lei n.. identificar pessoas envolvidas em um crime.. constituída pelos órgãos especializados pertinentes. mediante prévia autorização judicial e. preferencialmente. 80 ... 10217/01. pelo que requer planejamento e preparação.. em determinado ambiente. entre outros.. constatar se um crime está sendo planejado ou realizado.... determinar o momento oportuno para a realização de uma operação policial....... 2º.......

e. a serem seguidas pelos órgãos policiais. possuem informação de grande valia. Muito freqüentemente. por parte do suspeito ou de seus cúmplices. O planejamento de uma operação de vigilância. veículos. deve levar em conta a possibilidade de uma contravigilância. transportadores e compradores de drogas ilícitas.Criminalistica e Investigação Criminal SEÇÃO 3 . Quais os tipos de vigilância existentes? De modo geral. que contemplem o acompanhamento e fiscalização pelas Corregedorias de Polícia. que se encontram inseridos na comunidade. incluídas as contramedidas eletrônicas. por meios similares. SEÇÃO 4 . lugares e objetos com a finalidade de obter informações sobre as atividades e a identidade de pessoas. seja a pé ou por outros meios.Vigilância A vigilância é a observação encoberta. contínua ou periódica de pessoas.Informante A técnica do informante permite estabelecer procedimentos uniformes. portanto. Existe a necessidade de sua regulamentação através de diretrizes gerais. a vigilância é a única técnica de investigação a que se pode recorrer para averiguar a identidade dos fornecedores. a serem utilizados no manejo de fontes vivas (informantes). existem três tipos de vigilância: Unidade 4 81 .

a partir de um ponto fixo. objeto ou pessoa. Determinar onde se encontra uma pessoa a qualquer momento. Localizar bens escondidos ou contrabando.Universidade do Sul de Santa Catarina a) Vigilância móvel: em que o investigador segue um indivíduo a pé ou em um veículo. Obter informações que possam ser utilizadas em interrogatórios. Impedir que se cometa um ato criminoso ou prender uma pessoa no momento em que comete o delito. Quais os são objetivos de uma operação de vigilância? Obter provas de um delito. um local. Proteger agentes encobertos ou corroborar seu testemunho. Obter provas admissíveis nos tribunais. b) Vigilância fixa: que consiste em vigiar continuamente. Localizar pessoas observando seus conhecidos e os lugares que freqüentam. mecânicos ou de outra índole para interceptar o conteúdo de comunicações orais ou telefônicas. 82 . Testar a confiabilidade de informantes. c) Vigilância eletrônica: na qual se utilizam aparatos eletrônicos. Obter pistas e informações graças aos contatos mantidos com outras fontes.

É extremamente importante que se levem em conta essas limitações potenciais à estratégia de investigação. a vigilância eletrônica está estritamente limitada pelo temor de violar o direito à intimidade das pessoas. você tem a oportunidade de ver mais pormenorizadamente aspectos da vigilância eletrônica. a dura ção da vigilância. A vigilância eletrônica é um aparato investigativo que ocasiona excelentes resultados operacionais. Unidade 4 83 . deve-se estabelecer um sistema seguro de comunicação com os superiores e uma coordenação central. as substituições. Para utilizar eficazmente os diversos aparatos e técnicas requeridas por esse modo especializado de investigação. é necessário receber instrução e capacitação especializadas. a) Vigilância eletrônica A vigilância eletrônica compreende muitas e diversas tecnologias. Também devem ser combinados sinais para a comunicação entre os policiais da vigilância. deve ser preparado um plano tático que preveja as eventualidades e especifique a função de cada um dos policiais. é oportuno destacar que o estudo procurou enfocar a vigilância que se cumpre como recurso de investigação policial. Considerando a abrangência do tema. destacadamente no combate ao crime organizado e ao tráfico de drogas. considerando a sua ampla utilização e sua previsão legal. Nas operações em que participam vários policiais.Criminalistica e Investigação Criminal Uma das primeiras medidas que antecedem qualquer operação de vigilância é a designação do policial coordenador. Além disso. e se atue de acordo ao planejar as operações de vigilância eletrônica. Em muitos países. mediante a captação de conversações ambientais e a interceptação de comunicações telefônicas. algumas das quais exigem um equipamento complexo e caro. Na seqüência.

ao artigo 2º da Lei Federal n.. 10217/2001 acrescentou o inciso IV. (1999).) para fins de investigação criminal ou prova em processo penal. A Lei Federal n. Com o advento da Constituição Federal de 1988. 4117/62 (Código Brasileiro das Telecomunicações). no entendimento majoritário da doutrina e jurisprudência. a captação é chamada gravação de conversa telefônica. por ordem judicial.) é inviolável o sigilo da correspondência e das comunicações telegráficas. inciso XII estabelece: (. por terceiro. inciso II. exigindo necessária regulamentação por lei ordinária. c) Interceptação de comunicações telefônicas Mendes... 9034/1995. 84 . alínea “e” da Lei n. excepcionando o princípio constitucional. como a maioria dos doutrinadores. no último caso. nas hipóteses e na forma que a lei estabelecer para fins de investigação criminal ou instrução processual penal.Universidade do Sul de Santa Catarina b) Captação de conversações ambientais No que concerne à captação de conversações ambientais. que. óticos ou acústicos. a Lei Federal n. desde que judicialmente autorizadas e (. a quebra do sigilo das comunicações passou a ter tratamento constitucional. sem ou com o conhecimento de um ou de ambos os interlocutores. A prova obtida mediante gravação de conversa telefônica será objeto de comentário posteriormente.. de conversa telefônica. admitia fossem violadas as comunicações. considera interceptação telefônica a captação. em seu artigo 5º. 10217/2001 instituiu no sistema jurídico brasileiro esta modalidade de vigilância eletrônica. porém. de dados e das comunicações telefônicas. A Constituição Federal de 1988. Anteriormente à previsão constitucional o fundamento legal utilizado para a interceptação era o artigo 57. Quando feita por um dos interlocutores. salvo. inclusive do Supremo Tribunal Federal. disciplinando expressamente acerca da captação e interceptação ambiental de sinais eletromagnéticos. bem como o seu registro e análise.

Criminalistica e Investigação Criminal Em 1996. de dois a quatro anos. previu: Constitui crime realizar interceptação de comunicações telefônicas. necessidade de ordem judicial. tais como: a interceptação deve ser utilizada como prova em investigação criminal e em instrução processual penal. § único: “O disposto nesta Lei aplica-se à interceptação do fluxo de comunicações em sistemas de informática e telemática” estendeu a sua abrangência à interceptação do fluxo de comunicações em sistemas de informática e telemática. A mencionada Lei. Lei n. comprovada necessidade. A Lei n. infração penal apurada deve ser punida com pena de reclusão. na investigação criminal. requerimento deve ser feito pela autoridade policial.9296/96. artigo 1º. prazo máximo de interceptação de quinze dias. entrou em vigor a Lei Federal n. Penal – reclusão. exigência de realização de auto circunstanciado após o término da interceptação. de informática ou telemática. procedimento deve tramitar em segredo de justiça. ou quebrar segredo da Justiça. 9296/96 que regulamentou o inciso XII. e multa. prorrogável por igual período. parte final. constando o resumo das operações realizadas. da Constituição Federal e tratou das interceptações telefônicas. do artigo 5º. 9296/96. sem autorização judicial ou com objetivos não autorizados em lei. 9296/96 prevê diversas exigências para a concessão de interceptação telefônica. Unidade 4 85 . O parágrafo único do artigo 1º da Lei n. na investigação criminal e na instrução processual penal. em seu artigo 10º. A discussão doutrinária acerca da legalidade deste dispositivo será comentada oportunamente. ou pelo representante do Ministério Público.

Interrogatório é o termo utilizado pelo Código de Processo Penal para conceituar a inquirição do acusado no processo penal.2003. perante a autoridade policial. técnicas e procedimentos passaram a ser adotados. que foram todos alterados pela Lei n. realize as atividades de Autoavaliação e consulte o saiba mais para ampliar seus conhecimentos acerca do assunto estudado. Nesse contexto. que se consubstancia na escolha dos diversos atos policiais no decorrer das investigações e a técnica representa a maneira como o procedimento é realizado.Universidade do Sul de Santa Catarina Com o advento da Constituição Federal de 1988. Algumas técnicas investigativas foram estudadas nesta unidade. através da coleta de provas criminais. O procedimento do interrogatório encontra-se disposto nos artigos 185 a 196 do Código de Processo Penal. As técnicas de interrogatório também podem ser utilizadas na inquirição da vítima e testemunha.12. infiltração. . Síntese A atividade investigativa afigura-se como trabalho lógico e seqüencial que objetiva a apuração das infrações penais. e também em razão dos crescentes índices da criminalidade. de 1. . Dessa forma.Leia. 86 . que inseriu diversos direitos e garantias individuais muitas vezes limitadoras da busca da prova criminal. a seguir.Interrogatório É o ato em que o suspeito ou indiciado pela prática da infração penal presta depoimento formalmente nos autos. é imprescindível ao êxito desta atividade a adoção de procedimento. a síntese da unidade. recursos como técnicas de interrogatório.10792. uso de informantes e vigilância são cada vez mais utilizados pelas Polícias investigativas na elucidação dos delitos. os agentes estatais que realizam investigação viram-se obrigados a se aperfeiçoar no exercício profissional e a se pautar em técnicas eficazes à atividade investigativa. Dessa forma.

que permite a obtenção de conhecimentos profundos da organização criminosa. da seqüência dos fatos. a serem utilizados no manejo de fontes vivas (informantes). lugares e objetos. da seqüência embaralhada. a vigilância é a única técnica de investigação a que se pode recorrer para averiguar a identidade dos fornecedores. e atue de acordo ao planejar as operações de vigilância eletrônica. da informação cruzada. que se encontram inseridos na comunidade.Infiltração A infiltração policial trata-se de técnica operacional eficaz. 2. algumas das quais exigem um equipamento complexo e caro. . A vigilância eletrônica compreende muitas e diversas tecnologias.Vigilância A vigilância é a observação encoberta. e. portanto. veículos. Em muitos países. transportadores e compradores de drogas ilícitas. da seqüência protaitiva e da seqüência retroativa.Técnicas de abordagem dos fatos: da seqüência memorial. possuem informação de grande valia. 9034/95. que alterou a redação do artigo 2º da Lei Federal n. Muito freqüentemente. obtidos pelo policial infiltrado. do desmentido. da indução da persuasão. Unidade 4 87 . da alternância. a vigilância eletrônica está estritamente limitada pelo temor de violar o direito à intimidade das pessoas. com a finalidade de obter informações sobre as atividades e a identidade de pessoas. Técnicas de comportamento: da espontaneidade. É extremamente importante que se leve em conta essas limitações potenciais à estratégia de investigação.Criminalistica e Investigação Criminal As técnicas de interrogatório são as seguintes: 1. Requer planejamento e preparação e foi inserida no sistema processual penal brasileiro está pela Lei 10217/01. do questionamento. . – Informante A técnica do informante permite estabelecer procedimentos uniformes. contínua ou periódica de pessoas.

para que sejam feitas perguntas dirigidas aos autores. 9034/95. do artigo 2º da Lei Federal n. ( ( ( ( ( 88 . 9296/96. ) O detector de mentiras e a hipnose são meios de prova aceitos no ordenamento brasileiro. o advogado poderá fazer perguntas. armas e outros dados importantes. ) Interceptação telefônica e gravação telefônica são sinônimos. A interceptação de comunicações telefônicas encontra-se disciplinada pela Lei Federal n.Universidade do Sul de Santa Catarina São modalidades de vigilância eletrônica. Atividades de auto-avaliação Assinale verdadeiro ou falso: ( ) Durante o interrogatório do indiciado. é importante que eles sejam interrogados conjuntamente. 10217/2001. a captação de conversações ambientais e a interceptação de comunicações telefônicas. ) No caso de haver mais de um suspeito. considerando que o rol de provas elencado no Código de Processo Penal Brasileiro é apenas exemplificativo. A captação de conversações ambientais encontra-se prevista no inciso IV. Este inciso foi acrescentado pela Lei Federal n. ) É necessário que a vítima seja interrompida durante o relato do ocorrido. ) São modalidades de vigilância eletrônica a captação de conversação ambiental e a interceptação telefônica. em face do princípio do contraditório consagrado pela Constituição Federal de 1988.

Criminalistica e Investigação Criminal 2. Responda à seguinte questão: Indivíduo ameaçado de morte por telefone e grava esta ameaça. este realiza gravação telefônica ou interceptação telefônica? Por quê? Justifique sua resposta. escuta telefônica e gravação clandestina-prova-sua validade na persecução criminal. durante uma conversação.” Disponível em: http://direitonetcombr/artigos/x/24/32/2432 Unidade 4 89 . Saiba mais Para aprofundar seus conhecimentos leia o: Artigo: “Violação da intimidade por intermédio de interceptação telefônica.

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Relacionar a prova às manifestações e aos princípios constitucionais de garantia dos direitos fundamentais.UNIDADE 5 Limites da Investigação Criminal Objetivos de aprendizagem Conhecer a prova criminal. 5 Seções de estudo Seção 1 Sobre as provas: história e garantias constitucionais . seu conceito e sua evolução histórica.

da expressão intelectual. Todos devem ser considerados na investigação criminal. sua história e como elas se inserem no ordenamento jurídico brasileiro e concebidas no âmbito dos direitos e princípios constitucionais. artística e científica. da liberdade espiritual. à liberdade. de ordem material e processual. instituiu diversos direitos individuais ao cidadão que devem ser respeitados e acabam por limitar a atuação policial investigativa na busca da prova. com um pouco de história. Nesse sentido.Universidade do Sul de Santa Catarina Para início de estudo Para a manutenção de um Estado Democrático de Direito é necessário que a atividade estatal seja limitada por direitos e garantias individuais. de dados e telefônicas. mediante a obtenção de provas criminais. tida como garantista. à igualdade. à privacidade. dentre outros. Vamos lá ? Comecemos. ainda. Também outras normas infraconstitucionais elencam direitos individuais. Como você já teve a oportunidade de ver. a investigação policial almeja a apuração da materialidade e autoria dos crimes. do domicílio. o direito à vida. A Constituição da República explicita. à integridade física e moral. do sigilo da correspondência e das comunicações telegráficas. 92 . então. a Constituição Federal de 1988. à honra e imagem. a garantia da inadmissibilidade das provas obtidas por meios ilícitos e o direito à não produzir prova contra si próprio. Assegura. bem como garante as inviolabilidades da manifestação do pensamento. Nesta unidade você terá a oportunidade de estudar sobre as provas.

os valores do homem considerado em sua individualidade passaram a serem observados. as provas não eram reunidas para apurar uma possível culpabilidade do réu. A prova. quando a religião era o valor supremo das organizações e desconheciam-se os direitos fundamentais. a tortura era oficialmente aceita como meio de Prova necessário para a obtenção da confissão? Utilizava-se o sistema das provas legais.Criminalistica e Investigação Criminal SEÇÃO 1 . Prevalecia a concepção organicista da sociedade.Sobre as provas: história e garantias constitucionais Num Estado Democrático de Direito a busca pela prova na investigação policial não é absoluta. o qual não possuía direitos e garantias limitadores do poder estatal. Contrapondo-se ao sistema das provas legas. criou-se o sistema da íntima convicção. concedendo total Unidade 5 93 . com a criação dos Tribunais da Inquisição. instituiriam-se as ordálias e os juramentos. em que o interesse do Estado estava acima do indivíduo. sendo que esta era constituída de cada um dos elementos que permitiam reconhecer um culpado. social e cultural da civilização. sempre foi influenciada pelo contexto histórico. Apenas com os ideais iluministas da Revolução Francesa. meios de prova que outorgavam a Deus a capacidade de condenar ou absolver os indivíduos? Que no final da Idade Média e grande período da Idade Moderna. Você sabia? Que durante a Antigüidade e parte da Idade Média. encontrando limites expressos constitucional e infraconstitucionalmente. em que a confissão era mais valorada do que as demais provas. instrumento por meio do qual se forma a convicção do juiz a respeito da ocorrência ou inocorrência dos fatos controvertidos no processo. Desconhecendo o princípio da presunção de inocência.

adotado pelo Código Processual Penal Brasileiro. inclusive no que concerne à produção da prova na investigação e no processo penal. a proibição legal da tortura. O homem passou a ser respeitado enquanto sujeito de direitos e garantias. desde que o faça motivadamente e obedeça à Constituição da República e demais textos legais. não há hierarquia entre as provas e o juiz pode decidir de acordo com a sua consciência. Posteriormente. como meio para salvaguardar direitos fundamentais. Neste contexto. A Declaração Universal dos Direitos do Homem. através do sistema da persuasão racional. opondo-se ao subjetivismo da íntima convicção do juiz. mas. proclamaram diversos direitos fundamentais. que passa a ser concebido não apenas como instrumento para persecução penal. dentre elas.Universidade do Sul de Santa Catarina liberdade aos juízes na apreciação da Prova. na Constituição da República atuam como norteadores da fase policial e do processo penal. A busca pela verdade na investigação e no processo criminal passou a sofrer limitações consubstanciadas nas liberdades públicas. e outros textos internacionais sobre Direitos humanos. também. muitos deles consagrados pela Constituição Federal de 1988. pelo qual a motivação das decisões judiciais tornou-se verdadeira garantia individual. os princípios e regras insertos. de 1789. a presunção de inocência do acusado e o direito ao contraditório. no Estado Democrático brasileiro. Estes direitos e garantias consubstanciam-se em limites à atividade estatal. 94 . surgiu o sistema da persuasão racional ou livre convicção. dispensando-os de motivar suas decisões. Como você pode ver. explicita ou implicitamente.

tanto os Direitos como as suas limitações. conceituadas por Grinover. Liberdades fundamentais e liberdades públicas são também expressões usadas para exprimir Direitos Fundamentais (cf. como sendo (. transferiu do Direito natural ao Direito positivo. (GRINOVER: 1992:15). As grandes linhas evolutivas dos Direitos Fundamentais. também. são ilegais.) os Direitos do homem. desde que não ofendam os direitos fundamentais.) os Direitos do homem que o Estado.Criminalistica e Investigação Criminal Quando a prova viola normas de direito material. De tal modo que não é mais exclusivamente com relação ao indivíduo. o processo penal é o instrumento no qual se desenvolve a instrução probatória. Ambas. acentuaram a transformação dos Direitos individuais em Direitos do homem inserido na sociedade. verifica-se que a atuação da Polícia em um Estado Democrático de Direito é limitada. Unidade 5 95 . provas ilícitas e ilegítimas. Nesta linha de pensamento. segundo a moderna doutrina constitucional. 1999. Curso de Direito Constitucional Positivo. que se justificam.. também chamados de liberdades públicas. Legislativo e Judiciário cabem respeitar os direitos fundamentais. (GRINOVER. mas no enfoque de sua inserção na sociedade. SILVA.. et all. Aos Poderes Executivo. José Afonso da. pelos direitos e garantias individuais... é tida como ilícita. p. através de sua consagração. Quando a prova ofende preceitos de ordem processual é chamada ilegítima. pelo que não se permite que qualquer delas seja exercida de modo danoso à ordem pública e às liberdades públicas. em face da natural restrição resultante do Princípio da convivência das liberdades. no Estado social de Direito.181) Efetivamente. sintetizam Grinover. 1999:113). Scarance e Gomes Filho: (. Acerca deste tema. tais como os princípios constitucionais. não podem ser entendidos em sentido absoluto. através de quaisquer meios de provas. após o liberalismo. que se colocam como limites à atividade investigativa policial.

segurança. à igualdade. garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do Direito à vida. a honra e a imagem das pessoas. bem como às inviolabilidades da manifestação do pensamento. salvo. ou para prestar socorro. ou . nos termos seguintes: (. da publicidade dos atos processuais. do sigilo da correspondência e das comunicações telegráficas. da expressão intelectual. científica e de comunicação. sendo vedado o anonimato. nas hipóteses e na forma que a lei estabelecer para fins de investigação criminal ou instrução processual penal. propriedade. X – são invioláveis a intimidade. de dados e telefônicas. à segurança e à propriedade. de dados e das comunicações telefônicas. a vida privada. dentre outras: da inadmissibilidade das provas obtidas por meios ilícitos. do domicílio. do interrogado reservar-se no direito de permanecer calado. ninguém nela podendo penetrar sem consentimento do morador.a casa é asilo inviolável do indivíduo. da liberdade espiritual. da Constituição da República: “Todos são iguais perante a lei. durante o dia. 96 . sendo assegurado o livre exercício dos cultos religiosos e garantida. a autora adotou como sinônimas as expressões ‘Direito à intimidade” e “ Direito à Privacidade”. igualdade. liberdade. No contexto desta discussão. as seguintes garantias. por determinação judicial. a proteção aos locais de culto e a suas liturgias. XI. assegurado o Direito à indenização pelo dano material ou moral decorrente de sua violação. LVI – são inadmissíveis. na forma da lei. artística. Assegura ainda. no processo. no último caso. honra e imagem das pessoas.Universidade do Sul de Santa Catarina A utilização das provas e os direitos fundamentais A Constituição da República explicita as garantias concernentes à vida. à liberdade. artística e científica. sem distinção de qualquer natureza. as Provas obtidas por meios ilícitos. VI – é inviolável a liberdade de consciência e de crença. Relembre o que diz o artigo 5º. intimidade. vida privada. salvo em caso de flagrante delito ou desastre. XII – é inviolável o sigilo da correspondência e das comunicações telegráficas. IX – é livre a expressão da atividade intelectual.) incisos III – ninguém será submetido a tortura nem a tratamento desumano ou degradante. por ordem judicial.. LX – a lei só poderá restringir a publicidade dos atos processuais quando a defesa da intimidade ou o interesse social o exigirem. IV – é livre a manifestação do pensamento. independentemente de censura ou licença. integridade física e moral.

97 . o hipnose. de 1969. inclusive na Convenção Americana sobre Direitos Humanos. e no Pacto Internacional sobre os Direitos Civis e Políticos. posto que tais direitos. entre os quais o de permanecer calado. a sua negativa não presume a veracidade do fato que se quer provar. Faz-se importante lembrar que. sem consentimento do morador. a intimidade e a dignidade pessoal do acusado.. ou. tais como exames de sangue e testes de alcoolemia. sem a anuência daquele.. Constituição da República. por determinação judicial. durante o dia. ou para prestar socorro. Também a tortura está proibida em diversas declarações internacionais. trata-se de crime inafiançável e insuscetível de graça ou anistia.) o que se deve contestar em relação a essa intervenções. ou para prestar socorro. pois se ninguém pode ser obrigado a declarar-se culpado. sem consentimento do morador. Desta forma. salvo em caso de flagrante delito ou desastre. art. inciso XLIII – “a lei considerará crimes inafiançáveis e insuscetíveis de graça ou anistia a prática da tortura (. são irrenunciáveis.Criminalistica e Investigação Criminal LXIII – o preso será informado de seus Direitos. tais como o detector de mentiras. XI – “a casa é asilo inviolável do indivíduo. artigo 5º. garantindo a privacidade do cidadão. por ordem judicial. A garantia constitucional da inviolabilidade do domicílio excepciona apenas a entrada. afirma Gomes Filho (1997). enquanto fundamentais. da mesma forma. Acerca deste tema. é a violação do Direito à não auto-incriminação e à liberdade pessoal. ainda que com o consentimento do interrogado. (GOMES FILHO. também deve ter assegurado o seu Direito a não fornecer Provas incriminadoras contra si mesmo. (SILVA. Unidade 5 Constituição da República. Em face da garantia constitucional da presunção de inocência. bem como a utilização de meios que afetem a liberdade de declaração.)”. é vedado constranger o suspeito a fornecer provas que prejudiquem a sua defesa. qualquer tipo de violação à integridade física e psíquica do acusado. No Brasil. de 07 de abril de 1997. (. durante o dia.. O Direito à Prova não vai ao ponto de conferir a uma das partes no processo prerrogativas sobre o próprio corpo e a liberdade de escolha da outra. são vedados pelo nosso sistema legal. 5º. sendo-lhe assegurada a assistência da família e de advogado”. O crime de tortura encontra-se tipificado na Lei n. a narcoanálise. ninguém nela podendo penetrar. 1997:119). não são aceitas pelo ordenamento brasileiro. ainda que mínimas. ou. de 1966. mencionados anteriormente. em caso de flagrante delito ou desastre.. 1999: 185). razão pela qual as intervenções corporais. 9455.

de disciplina prisional ou de preservação da ordem jurídica.. O Supremo Tribunal Federal já decidiu favoravelmente à possibilidade da interceptação. por meio de carta. de correspondência que seria remetida por preso. ou. embasado na visão sistêmica do ordenamento jurídico. art. XII – “é inviolável o sigilo da correspondência e das comunicações telegráficas. cf.Universidade do Sul de Santa Catarina Como já visto. O Código de Processo Penal prevê que as cartas poderão ser exibidas em juízo pelo respectivo destinatário. a interceptação da correspondência e/ou das comunicações telegráficas e de dados. O que diz o Supremo Tribunal Federal sobre isso? Lei n. 1999. é possível. sendo absoluto. Desconsiderando-se a discussão doutrinária acerca da expressão “último caso” incidir exclusivamente sobre as comunicações telefônicas ou abranger as comunicações telegráficas. 5º. p. são adotadas as seguintes definições: (.) Correspondência: É toda comunicação de pessoa a pessoa. respeitados certos parâmetros. salvo. e que. defende-se que nenhuma liberdade individual é absoluta. devemos concluir que. através da via postal ou telegráfica.173-174. com fundamento em razões de segurança pública. Maria Gilmaíse de Oliveira. Constituição da República. portanto. 47: Para os efeitos desta Lei. para a defesa de seu direito. Desta forma. 98 . de dados e telefônicas. defende-se a análise gramatical deste inciso e advoga-se que o sigilo da correspondência e/ou das comunicações telegráficas e de dados não comporta exceções. MENDES. ainda. de dados e das comunicações telefônicas. salvo. nas hipóteses e na forma em que a lei estabelecer para fins de investigação criminal ou instrução processual penal. por ordem judicial. no último caso. verifica-se que o sigilo da correspondência não atinge nenhuma das duas interpretações. a Constituição da República garantiu. no último caso. de dados e das comunicações telefônicas. por ordem judicial. art. pela administração penitenciária. a inviolabilidade do sigilo da correspondência e das comunicações telegráficas. nas hipóteses e na forma que a lei estabelecer para fins de investigação criminal ou instrução processual penal. pela leitura do inciso XII do artigo 5º da Constituição da República. Direito à Intimidade e Interceptação Telefônica.. 6538/78.

A inviolabilidade do sigilo de dados complementa a previsão ao direito à intimidade e abrange as informações bancárias e fiscais dos cidadãos. Veja o que diz o artigo: “Serão prestadas pelo Banco Central do Brasil. os artigos 3º e 4º da Lei Complementar 105/2001. permite a violação do sigilo bancário por decisão judicial ou por determinação de comissão parlamentar de inquérito. interceptadas ou obtidas por meios criminosos. não serão admitidas em juízo”. O Art. 3º da Lei Complementar 105/2001 No que se refere ao sigilo bancário. preservado o seu caráter sigiloso mediante acesso restrito às partes. § 2o Nas hipóteses do § 1o. Unidade 5 99 . 233: “As cartas particulares. art. § único: “As cartas poderão ser exibidas em juízo pelo respectivo destinatário. que dispõe sobre o sigilo das operações de instituições financeiras e dá outras providências. pela Comissão de Valores Mobiliários e pelas instituições financeiras as informações ordenadas pelo Poder Judiciário. para a defesa de seu Direito. § 3o Além dos casos previstos neste artigo o Banco Central do Brasil e a Comissão de Valores Mobiliários fornecerão à Advocacia-Geral da União as informações e os documentos necessários à defesa da União nas ações em que seja parte”.Criminalistica e Investigação Criminal Código de Processo Penal. § 1o Dependem de prévia autorização do Poder Judiciário a prestação de informações e o fornecimento de documentos sigilosos solicitados por comissão de inquérito administrativo destinada a apurar responsabilidade de servidor público por infração praticada no exercício de suas atribuições. o requerimento de quebra de sigilo independe da existência de processo judicial em curso. ainda que não haja consentimento do signatário. que delas não poderão servir-se para fins estranhos à lide. ou que tenha relação com as atribuições do cargo em que se encontre investido.

58. e as instituições financeiras fornecerão ao Poder Legislativo Federal as informações e os documentos sigilosos que. ou por intermédio do Banco Central do Brasil ou da Comissão de Valores Mobiliários. sobre a situação econômica ou financeira dos sujeitos passivos ou de terceiros e sobre a natureza e o estado dos seus negócios ou atividades. 100 . por parte da Fazenda Pública ou de seus funcionários. 198: “Sem prejuízo do disposto na legislação criminal. diretamente das instituições financeiras.Universidade do Sul de Santa Catarina Art.). Código Tributário Nacional. obtida em razão do ofício. § 1o As comissões parlamentares de inquérito. Parágrafo único: Excetuam-se do disposto neste artigo. para qualquer fim. Constituição Federal. Também o sigilo fiscal pode ser excepcionado por ordem judicial ou determinação de comissão parlamentar de inquérito. do Senado Federal. ou do plenário de suas respectivas comissões parlamentares de inquérito” . 4o da Lei Complementar 105/2001: “ O Banco Central do Brasil e a Comissão de Valores Mobiliários.. unicamente. fundamentadamente. art. art. nas áreas de suas atribuições. é vedada a divulgação. os casos previstos no artigo seguinte e os de requisição regular da autoridade judiciária no interesse da Justiça”. § 3º : “As comissões parlamentares de inquérito. no exercício de sua competência constitucional e legal de ampla investigação. § 2o As solicitações de que trata este artigo deverão ser previamente aprovadas pelo Plenário da Câmara dos Deputados. serão criadas pela Câmara de Deputados e pelo Senado Federal (. de qualquer informação. que terão poderes de investigação próprios das autoridades judiciais.. se fizerem necessários ao exercício de suas respectivas competências constitucionais e legais. além de outros previstos nos regimentos das respectivas Casas. obterão as informações e documentos sigilosos de que necessitarem.

alegando que o fluxo de comunicações em sistema de informática e telemática são variantes da modalidade comunicações telefônicas.) estende a sua abrangência à interceptação do fluxo de comunicações em sistemas de informática e telemática. 9296/96. 1ª Turma.97). Constituição – Cidadania – Violência. A Lei 9296/96 e seus Reflexos Penais e Processuais. Interceptação telefônica Como já foi mencionado.. Licitude desse meio de prova. O parágrafo único do artigo 1º da Lei n. recipiendários das ligações. Unidade 5 101 . STRECK. § único: “O disposto nesta Lei aplicase à interceptação do fluxo de comunicações em sistemas de informática e telemática”. O entendimento doutrinário e jurisprudencial majoritário é no sentido de dar à gravação. Este é o entendimento pacífico do Supremo Tribunal Federal: Interceptação telefônica e gravação de negociações entabuladas entre seqüestradores. Existe discrepância doutrinária acerca da constitucionalidade deste dispositivo. (.1997 . e policiais e parentes da vítima. aceitando-se a gravação. DJU em 22. e que portanto. artigo 1º. por um dos interlocutores.08.Rel. Lenio Luiz.06. telefônica ou ambiental. de um lado. com o conhecimento dos últimos. será possível a interceptação para prova em investigação criminal e em instrução processual penal.p.678.. tratamento diferenciado da interceptação. em 24.97.06. há diferenciação entre esta e gravação telefônica. de outro.. a captação é chamada gravação de conversa telefônica. como prova lícita.Criminalistica e Investigação Criminal Neste sentido faz-se importante realizar uma breve análise sobre as interceptações telefônicas. Streck não vislubra qualquer inconstitucionalidade neste artigo.9296/96 (Lei n. Octavio Gallotti . (STF -1ª Turma. As Interceptações Telefônicas e os Direitos Fundamentais.). este autor entende que o veículo de tais variantes é o telefone. 10. j. 2. 42-44. Quando feita por um dos interlocutores. Min. sendo o caso. Precedente do STF: (HC 74. p. HC 75261 – MG – 1ª Turma . Conceituando a informática como a prática de comunicações via computador e a telemática como a ciência que trata da manipulação e utilização da informação através do uso combinado do computador e meios de comunicação.

Nesse sentido.Universidade do Sul de Santa Catarina De outro lado. III).2002 TJSC – MS . parágrafo único).296/96. Greco Filho (1996). art. STJ – HC 15026 – SC – 6ª T. 5º.034/95. por ordem judicial. Leia atentamente mandado de segurança a seguir: 102 . em sede de persecução criminal. já decidiram pela constitucionalidade das interceptações dos sistemas de informática e telemática. Des. art. financeiras e eleitorais” (Lei nº 9.2002.296/96 – Embora a Carta Magna. como o Superior Tribunal e Justiça e o Tribunal de Justiça de Santa Catarina. DJSC em 26. DJU em 04. mediante autorização judicial. excluindo as comunicações telegráficas e de dados. “o acesso a dados. 2º. A jurisprudência pretoriana é unissonante na afirmação de que o direito ao sigilo bancário. A legislação integrativa do canon constitucional autoriza. 251 – (17096) – Blumenau – Rel.10. bem como ao sigilo de dados. prevista no inciso XII do artigo 5º da Constituição Federal. bancários. concebe que esta questão está centrada na interpretação que se dá à expressão “último caso”.11. considera inconstitucional o dispositivo sob comento. decisão do Tribunal de Justiça de Santa Catarina com relação à prova. contém expressa ressalva para admitir a quebra do sigilo para fins de investigação criminal ou instrução processual penal (art. cedendo espaço quando presente em maior dimensão o interesse público. e vislumbra os sistemas de informática e telemática como variantes das comunicações de dados.2001 – p. Outros Tribunais. CONSTITUCIONAL – PROCESSUAL PENAL – HABEAS-CORPUS – SIGILO DE DADOS – QUEBRA – BUSCA E APREENSÃO – INDÍCIOS DE CRIME – INVESTIGAÇÃO CRIMINAL – LEGALIDADE – CF.11. documentos e informações fiscais. Vicente Leal – p. não é um direito absoluto.. – Rel. – Rel. 5º. Otávio Roberto Pamplona – p. Habeas-corpus denegado”. STJ – HC 15026 – SC – 6ª T.. Min. XII – Leis nº. Este autor entendendo que tal expressão limita-se às comunicações telefônicas. 1º.9.034/95 e nº 9. XII). Min. ART. 119 Ainda. DJU em 04. no capítulo das franquias democráticas ponha em destaque o direito à privacidade. bem como “ a interceptação do fluxo de comunicações em sistema de informática e telemática” (Lei nº 9. Vicente Leal –p. a despeito de sua magnitude constitucional.

Criminalistica e Investigação Criminal MANDADO DE SEGURANÇA – DECISÃO MONOCRÁTICA – QUEBRA DE SIGILO DE CORREIOS ELETRÔNICOS (E-MAIL) – ART. proibição de depor como testemunhas as pessoas que. dos laudos periciais serem lavrados por dois peritos oficiais. Limitações probatórias Além dos preceitos limitativos de ordem material. necessidade. existem limitações probatórias previstas no Código de Processo Penal. da Constituição Federal. Foram sucintamente mencionados neste item. 251 – (17096) – Blumenau – Rel. com a pena de detenção. 5º.10. devam guardar segredo.499-9. equiparou-as às comunicações telefônicas. A matéria é objeto da ADIN nº 1. 119). via correio eletrônico (e-mail).2001 – p. porque representa exceção à garantia constitucional prevista no preceito referido. de dados ou de comunicações telefônicas preconizado pelo art. há de ser deflagrada com cautela.296. em regra. com possibilidade de suprimento pela prova testemunhal. DA CONSTITUIÇÃO FEDERAL – CORRESPONDÊNCIA – SISTEMA DE INFORMÁTICA E TELEMÁTICA – INCLUSÃO NO CONCEITO – Há controvérsia se as comunicações em sistema de informática/telemática. em razão de função. ofício. em caso positivo. ministério. Podemos citar: a obrigatoriedade da prova pericial para a constatação da materialidade da infração penal. ainda que constitucional. 1º. que ensejam muita discussão doutrinária e jurisprudencial. no máximo. não por ausência do fumus boni iuris. XII. para a análise do caso não há a necessidade de se perquirir sobre a constitucionalidade da equiparação. XII. 5º. É que a interceptação do fluxo de tais comunicações (informática e telemática).(TJSC – MS.256/1996. a impossibilidade de condenação embasada exclusivamente na confissão do acusado. Unidade 5 103 . em relação às quais é pacífico que cabe a quebra do sigilo por determinação judicial. todavia. DJSC em 26. apenas alguns limites materiais à prova. em caráter exemplificativo. seguir o procedimento fixado na Lei nº 9. estando pendente de julgamento. Segurança concedida. no parágrafo único do seu art. restrições de prova relacionadas ao estado civil das pessoas.296/1996. estão compreendidas no sigilo de correspondência. no caso de desaparecimento destes vestígios. descabe a quebra do sigilo. na qual foi indeferida a medida liminar. devendo o magistrado verificar se estão presentes os pressupostos legais para o deferimento da medida e. de 1996. disso dependendo a licitude ou ilicitude da medida. Des. 2º da Lei nº 9. quando esta deixar vestígios. A Lei nº 9. Otávio Roberto Pamplona – p. mas do periculum in mora. ante a regra inserta no inciso III do art. ou profissão. sendo as infrações investigadas punidas. Na espécie. No caso.

ofício ou profissão.Universidade do Sul de Santa Catarina Código de Processo Penal. e demais textos legais que. ministério. art. 104 . quiserem dar o seu testemunho”. art. a Prova testemunhal poderá suprir-lhe a falta”. será indispensável o exame de corpo de delito. direto ou indireto. e depois de ouvido o Ministério Público. devam guardar segredo. o juiz somente à vista da certidão de óbito. 155 – “No juízo penal. 207 – “São proibidas de depor as pessoas que. em razão de função. Código de Processo Penal. 167 – “Não sendo possível o exame de corpo de delito. 159. art. art. 62 – “No caso de morte do acusado. declarará extinta e punibilidade”. conferem ilegalidade à prova. art. somente quando ao estado das pessoas. Portanto. quando violados. desobrigadas pela parte interessada. serão observadas as restrições à Prova estabelecidas na lei civil”. não podendo supri-lo a confissão do acusado”. caput –“Os exames de corpo de delito e as outras perícias serão feitos por dois peritos oficiais”. art. 158 – “Quando a infração deixar vestígios. perceba que a produção da prova criminal encontra-se limitada por preceitos insculpidos na Constituição da República. salvo se. por haverem desaparecido os vestígios.

em que a confissão era mais valorada do que as demais provas. em que o interesse do Estado estava acima do indivíduo. social e cultural da civilização. Prevalecia a concepção organicista da sociedade. e grande período da Idade Moderna. A busca pela verdade no processo passou a sofrer limitações consubstanciadas nas liberdades públicas. criou-se o sistema da íntima convicção. opondo-se ao subjetivismo da íntima convicção do juiz. Apenas com os ideais iluministas da Revolução Francesa. Utilizava-se o sistema das provas legais. . sendo que esta era constituída de cada um dos elementos que permitiam reconhecer um culpado. instituíram-se as ordálias e os juramentos. sempre foi influenciada pelo contexto histórico. O homem passou a ser respeitado enquanto sujeito de direitos e garantias. Contrapondo-se ao sistema das provas legas. concedendo total liberdade aos juízes na apreciação da prova. Durante a Antigüidade. os valores do homem considerado em sua individualidade passaram a ser observados. surgiu o sistema da persuasão racional ou livre convicção. No final da Idade Média. com a criação dos tribunais da inquisição. e parte da Idade Média. meios de prova que outorgavam a Deus a capacidade de condenar ou absolver os indivíduos. o qual não possuía direitos e garantias limitadores do poder estatal. quando a religião era o valor supremo das organizações e desconheciamse os direitos fundamentais. a presunção de inocência do acusado e o Direito ao contraditório. dentre elas. Unidade 5 105 . a tortura era oficialmente aceita como meio de Prova necessário para a obtenção da confissão. a proibição legal da tortura. dispensando-os de motivar suas decisões. objeto da investigação policial. Desconhecendo o princípio da presunção de inocência. Posteriormente.Criminalistica e Investigação Criminal Síntese A prova criminal. as provas não eram reunidas para apurar uma possível culpabilidade do réu.

e outros textos internacionais sobre direitos humanos proclamaram diversos direitos fundamentais. à privacidade.Universidade do Sul de Santa Catarina pelo qual a motivação das decisões judiciais tornou-se verdadeira garantia individual. e passa a não ter qualquer valor para embasar uma sentença. mas também como meio para salvaguardar direitos fundamentais. Estes direitos e garantias consubstanciam-se em limites à atividade estatal. à integridade física e moral. que passa a ser concebido não apenas como instrumento para persecução penal. à honra e imagem. Todos estes direitos e garantias limitam a atividade policial investigativa. Assegura. Quando uma prova é produzida com ofensa a algum destes direitos e garantias. não há hierarquia entre as provas e o juiz pode decidir de acordo com a sua consciência. da expressão intelectual. de dados e telefônicas. Através do sistema da persuasão racional. adotado pelo Código Processual Penal Brasileiro. do domicílio. muitos deles consagrados pela Constituição da República. do sigilo da correspondência e das comunicações telegráficas. 106 . bem como garante as inviolabilidades da manifestação do pensamento. A Declaração Universal dos Direitos do Homem. desde que o faça motivadamente e obedeça à Constituição da República e demais textos legais. de 1789. a garantia da inadmissibilidade das provas obtidas por meios ilícitos. posto que ofende norma de direito material. na Constituição da República atuam como norteadores do processo penal. artística e científica. ainda. inclusive no que concerne à produção da prova no processo penal. Neste contexto. à igualdade. A Constituição da República explicita. à liberdade. explicita ou implicitamente. dentre outros. o direito à vida. da liberdade espiritual. no Estado Democrático Brasileiro os princípios insertos. é tida como ilícita. além da responsabilidade penal e administrativa a quem produziu a prova está sujeito.

previsto no artigo 306. ) É permitida a entrada da Polícia em domicílio. ) É permitida a entrada da Polícia em domicílio. expondo a dano potencial a incolumidade de outrem. sem consentimento do morador. é possível comprovar a embriaguez constrangendo o condutor a realizar o teste do bafômetro. mesmo sem a sua anuência? Em caso negativo. constitui prova lícita. fundamente e informe que outros meios de prova poderiam ser utilizados para tanto. em caso de flagrante delito ou desastre.Criminalistica e Investigação Criminal Atividades de auto-avaliação Assinale verdadeiro ou falso: ( ) Exames de sangue e testes de alcoolemia podem ser realizados no suspeito mesmo que sem a sua anuência. ) O registro dos arquivos extraídos da memória de computador. sem consentimento do morador. sem ordem judicial. com ordem judicial. do Código de Trânsito Brasileiro. durante o dia ou à noite. Responda à seguinte questão: Para comprovar um crime de trânsito. ainda que sem ordem judicial. ) Captação de conversa ambiental por um dos interlocutores. ( ( ( ( 2. Unidade 5 107 . é prova lícita. objeto de exclusiva apreensão mediante entrada em residência. ou para prestar socorro.

Universidade do Sul de Santa Catarina Saiba mais Para ampliar seus conhecimentos sobre o assunto tratado leia: Texto: Da prova ilegal no processo penal http://www.com.neofito.br/artigos/art02/ppenal50.htm 108 .

com a rotatividade dos profissionais que atuam direta ou indiretamente na atividade investigativa policial. Profa. o tema segurança pública vem sendo objeto de maior atenção pela sociedade e pelo Estado. São exorbitantes os gastos públicos gerados em decorrência da atividade delitiva e é negativa a visão. considere esta disciplina como o ponto de partida para o estudo aprofundado e permanente da investigação policial. emprego. pela sociedade. Na atualidade. que por interesses profissionais e/ou pessoais. Com as alterações e criações de leis. Estes são apenas alguns dos motivos pelos quais a segurança pública vem sendo objeto de preocupação pelo poder público. Espero que você. aluno. saúde. com a especialização das perícias. Maria Carolina . a busca pela prova criminal está em constante mutação. está realizando este curso. tais como educação. considerando que a função repressiva sempre terá de existir. A par da discussão acerca da omissão do poder estatal em programas que tenham como foco a prevenção. moradia. é certa a necessidade perene da atividade policial em qualquer organização social atual. Os crescentes índices de criminalidade verificados no País e as deficiências estatais no combate ao crime é um tema no qual a sociedade está cada vez mais preocupada. da atuação estatal nesta área.Para concluir o estudo Este livro teve por finalidade estudar os temas Criminalística e Investigação Criminal. uma vez que a atinge diretamente.

110 .

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Sobre a professora conteudista
Maria Carolina Milani Caldas Opilhar é graduada em Administração de Empresas, pela Universidade do Estado de Santa Catarina – UDESC e em Direito, pela Universidade Federal de Santa Catarina – UFSC. Realizou Mestrado em Ciência Jurídica, pela UNIVALI/ SC – Universidade do Vale do Itajaí, com dissertação aprovada em junho de 2004. Possui especialização em Meio-Ambiente e Trânsito, pela Unisul, com monografia aprovada em maio de 2003. Está cursando Pós-Graduação Lato Sensu em Gestão de Segurança Pública, na ACADEPOL - Academia de Polícia Civil de Santa Catarina. É Delegada de Polícia, integrante da Polícia Civil do Estado de Santa Catarina e faz parte do corpo docente da ACADEPOL – Academia de Polícia Civil de Santa Catarina. Atualmente, presta serviços na Delegacia de Polícia de Palhoça, Santa Catarina.

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Respostas e comentários das atividades de auto-avaliação
Respostas e comentários das questões das unidades do Livro didático

Unidade 1
1) Assinale V ou F (F) Nos crimes que ocorreram mediante disparo de arma de fogo, a apreensão de estojos no local não é importante, posto que não é possível realizar perícia comparativa entre o estojo e a arma de fogo. (V) Nos crimes que ocorreram mediante disparo de arma de fogo, a apreensão de projéteis no local possibilita a realização do laudo de identificação de projéteis e, quando a arma é apreendida, o laudo de comparação balística. (V) O rol de provas elencados no Código de Processo Penal Brasileiro é exemplificativo. (F) O sistema de provas previsto no Código de Processo Penal Brasileiro é o da íntima convicção. (V) A prova testemunhal pode suprir a prova pericial quando a infração penal não deixar vestígios.

Responda à seguinte questão: Na sua percepção. Unidade 3 1) Assinale verdadeiro ou falso: (F) O sistema de provas previsto no Código de Processo Penal Brasileiro é o da íntima convicção. na condição de prova objetiva. científica. ou que o autor agiu embasado em alguma excludente de antijuridicidade.Universidade do Sul de Santa Catarina Unidade 2 1) Qual a importância do laudo pericial na investigação criminal? R: O laudo pericial vem sendo percebido como uma das provas cruciais para a investigação. adotado pelo Código de Processo Penal Brasileiro. 118 . razão pela qual a Polícia Militar é proibida de realizar qualquer tipo de investigação criminal. (F) As Polícias exercem atividades excludentes. durante o curso de uma investigação. os policiais devem estar voltados prioritariamente à indicar e localizar o autor do crime ou à busca da verdade? R: Em um Estado Democrático de Direito. ficando a critério do juiz esta valoração. muitas vezes no transcorrer da atividade investigativa são coletadas provas em favor da inocência do suspeito. não são hierarquizadas. posto que. e. científica. 2) Que tipo de prova é o laudo pericial? R: O laudo pericial é prova objetiva. No sistema da livre convicção. 3) O laudo pericial é sempre conclusivo? R: O laudo pericial nem sempre é conclusivo. as provas não possuem valor pré-determinado. 2. Dessa forma. tal como legítima defesa ou estado de necessidade. portanto. é mais difícil de ser refutado. ainda que a verdade demonstre que o suspeito não é o autor do crime. o objetivo primordial da investigação deve ser a busca da verdade dos fatos. (F) O inquérito policial é peça imprescindível para a instauração do processo criminal. As Polícias investigativas mais avançadas do mundo vêm priorizando a prova pericial.

(F) Interceptação telefônica e gravação telefônica são sinônimos. este realiza gravação telefônica ou interceptação telefônica? Por quê? R: Realiza gravação telefônica. 2.Unidade 4 1) Assinale verdadeiro ou falso: (F) Durante o interrogatório do indiciado. durante uma conversação. (F) No caso de haver mais de um suspeito. A interceptação necessita de ordem judicial para ser feita e é sempre realizada por um terceiro. para que sejam feitas perguntas dirigidas aos autores. o advogado poderá fazer perguntas. em face do princípio do contraditório consagrado pela Constituição Federal de 1988. armas e outros dados importantes. 119 . (V) São modalidades de vigilância eletrônica a captação de conversação ambiental e a interceptação telefônica. considerando que o rol de provas elencado no Código de Processo Penal Brasileiro é apenas exemplificativo. (F) É necessário que a vítima seja interrompida durante o relato do ocorrido. (F) O detector de mentiras e a hipnose são meios de prova aceitos no ordenamento brasileiro. é importante que eles sejam interrogados conjuntamente. Responda à seguinte questão: Indivíduo ameaçado de morte por telefone e grava esta ameaça.

pelo que não é possível constranger alguém a realizar o bafômetro. objeto de exclusiva apreensão mediante entrada em residência. (V) Captação de conversa ambiental por um dos interlocutores. sem o seu consentimento. durante o dia ou à noite. Responda à seguinte questão: Para comprovar o crime de trânsito. ou para prestar socorro. constitui prova lícita. em caso de flagrante delito ou desastre. sem ordem judicial. A prova testemunhal e o laudo pericial de verificação de embriaguez. senão em virtude de lei. é possível comprovar a embriaguez constrangendo o condutor a realizar o teste do bafômetro. 120 . ninguém pode ser obrigado a produzir prova contra si próprio. previsto no artigo 5º.Unidade 5 1) Assinale verdadeiro ou falso: (F) Exames de sangue e testes de alcoolemia podem ser realizados no suspeito mesmo que sem a sua anuência. R: Em face do direito de que ninguém é obrigado a fazer ou deixar de fazer alguma coisa. é prova lícita. sem consentimento do morador. do Código de Trânsito Brasileiro. previsto no artigo 306. (F) O registro dos arquivos extraídos da memória de computador. mesmo sem a sua anuência? Em caso negativo. (V) É permitida a entrada da Polícia em domicílio. (F) É permitida a entrada da Polícia em domicílio. realizado por médicos legistas. sem consentimento do morador. expondo a dano potencial a incolumidade de outrem. ainda que sem ordem judicial. são outros meios de prova que podem demonstrar o estado de embriaguez. com ordem judicial. II. fundamente e informe que outros meios de prova poderiam ser utilizados para tanto. 2. da Constituição Federal de 1988.