CONCEITOS DA PSICOPEDAGOGIA E DIFICULDADES DE APRENDIZAGEM

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CONCEITOS DA PSICOPEDAGOGIA E DIFICULDADES DE APRENDIZAGEM

Este material é parte integrante da disciplina “Conceitos da Psicopedagogia e Dificuldades de Aprendizagem” oferecido pela UNINOVE. O acesso às atividades, as leituras interativas, os exercícios, chats, fóruns de discussão e a comunicação com o professor devem ser feitos diretamente no ambiente de aprendizagem on-

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Sumário

AULA 01 • PSICOPEDAGOGIA ......................................................................................................5 O que é psicopedagogia? ............................................................................................................5 Campo de atuação do psicopedagogo ........................................................................................6 Histórico da psicopedagogia ........................................................................................................6 A psicopedagogia no Brasil .........................................................................................................7 Exercícios ....................................................................................................................................9 AULA 02 • PSICOPEDAGOGIA INSTITUCIONAL.........................................................................11 Psicopedagogia institucional .....................................................................................................11 Outras funções do psicopedagogo institucional .........................................................................12 Exercícios ..................................................................................................................................14 AULA 03 • OS FATORES QUE INTERFEREM NA APRENDIZAGEM ESCOLAR ........................16 Fatores que interferem na aprendizagem escolar ......................................................................16 Exercícios ..................................................................................................................................18 AULA 04 • A PSICOPEDAGOGIA CLÍNICA ..................................................................................20 A psicopedagogia clínica ...........................................................................................................20 Trabalho do psicopedagogo clínico ...........................................................................................21 Exercícios ..................................................................................................................................23 AULA 05 • MODALIDADES DE APRENDIZAGEM ........................................................................24 Modalidades de aprendizagem. O que são?..............................................................................24 O que fazer para identificar a modalidade de aprendizagem do sujeito? ...................................24 Como faremos isso?..................................................................................................................25 Os processos de assimilação e acomodação segundo Piaget...................................................25 As diferentes modalidades de aprendizagem ............................................................................27 Exercícios ..................................................................................................................................28 AULA 06 • DIFICULDADES DE APRENDIZAGEM........................................................................30 Dificuldades de aprendizagem. O que são e como entendê-las? ..............................................30 Causas das dificuldades de aprendizagem................................................................................30 Outros fatores que podem interferir na aprendizagem ...............................................................31 Métodos de ensino inadequados ...............................................................................................32 Fatores ambientais ....................................................................................................................33 Exercícios ..................................................................................................................................34 AULA 07 • TRANSTORNO DE DÉFICIT DE ATENÇÃO E HIPERATIVIDADE (TDAH) .................36 Transtorno de déficit de atenção e hiperatividade (TDAH).........................................................36 Sintomas do TDAH ....................................................................................................................37 Causas do TDAH.......................................................................................................................38 Hereditariedade .....................................................................................................................38 Sofrimento fetal .....................................................................................................................39 Exposição ou ingestão de determinadas substâncias tóxicas durante a gravidez ..................39 Problemas familiares .............................................................................................................40 Tratamento ............................................................................................................................40 Como ajudar crianças e adolescentes com TDA .......................................................................40 Um filme que ilustra o TDAH .....................................................................................................41 Exercícios ..................................................................................................................................42 AULA 08 • OUTROS DISTÚRBIOS DA APRENDIZAGEM ............................................................44 Dislalia .......................................................................................................................................44 Tratamento da dislalia ...............................................................................................................45 Disgrafia ....................................................................................................................................46 Disortografia ..............................................................................................................................46
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Dislexia ......................................................................................................................................47 Como identificar a dislexia .....................................................................................................47 Alertas na Educação Infantil ..................................................................................................48 Alertas na Idade Escolar ........................................................................................................49 Diagnóstico ............................................................................................................................50 Atenção aos distúrbios de aprendizagem ..................................................................................51 Exercícios ..................................................................................................................................52 AULA 09 • ESTUDO DE CASO .....................................................................................................54 BIBLIOGRAFIA .............................................................................................................................55

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Nesta aula, você verá que a psicopedagogia é uma área do conhecimento que se utiliza dos referenciais teóricos da psicologia e da pedagogia para diagnosticar as dificuldades de aprendizagem. Dar-se-á conta que o campo de atuação do psicopedagogo é vasto, podendo ser clínico, institucional e organizacional, e que a psicopedagogia surgiu no Brasil na década de 1970. Jorge Visca, psicopedagogo argentino, foi quem difundiu a psicopedagogia em nosso país.

AULA 01 • PSICOPEDAGOGIA

O que é psicopedagogia?
A psicopedagogia é um campo do conhecimento que se enquadra nas áreas da educação e da saúde e tem como objeto de estudo a aprendizagem humana e seus padrões evolutivos normais e patológicos. É um campo de estudo que se utiliza dos conhecimentos da psicologia e da pedagogia, além dos conhecimentos oferecidos por outras áreas, tais como a psicanálise, a medicina, a lingüística, a semiótica, a neuropsicologia, a psicofisiologia, a filosofia humanista-existencial. O Código de Ética a define da seguinte forma:
“A Psicopedagogia tem por definição o trabalho com a aprendizagem, com o conhecimento, sua aquisição, desenvolvimento e distorções. Realiza este trabalho através de processos e estratégias que levam em conta a individualidade do aprendente. É uma práxis, portanto, comprometida com a melhoria das condições de aprendizagem”.

Para que um trabalho psicopedagógico tenha sucesso, o profissional deverá considerar os aspectos físicos, emocionais, psicológicos e sociais do indivíduo. A intervenção do psicopedagogo pode se dar tanto institucionalmente, com caráter preventivo, quanto na clínica, com caráter terapêutico.

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Campo de atuação do psicopedagogo
Podemos dizer que, atualmente, o campo de atuação do psicopedagogo é vasto pois não se restringe à clínica. Esse profissional pode atuar na escola, por isso o nome psicopedagogia institucional, em hospitais e empresas. A psicopedagogia clínica tem por meta trabalhar as condições adversas de aprendizagem da criança, do adolescente e do adulto, a fim de que recuperem a auto-estima perdida no percurso escolar, levando-os a perceber que possuem potencialidades e que são capazes de realizar atividades acadêmicas. O trabalho clínico é realizado em centros de saúde e em clínicas particulares e as atividades geralmente são desenvolvidas individualmente. A psicopedagogia institucional acontece nas escolas e tem por objetivo prevenir as dificuldades de aprendizagem e, consequentemente, o fracasso escolar. Atualmente, em função do novo contexto educacional do ensino regular, que recebe as crianças portadoras de necessidades especiais, a psicopedagogia tem papel importante auxiliando os professores, os pais e a equipe escolar no trabalho com a chamada inclusão Dar vaga à criança com necessidades especiais não basta. Faz-se necessário oferecer condições para que ela permaneça na escola e que sua aprendizagem ocorra de forma eficaz, caso contrário haverá exclusão dentro do próprio ambiente escolar, que tem por meta oferecer a inclusão.

Histórico da psicopedagogia
J. Boutonier e George Mauco, em 1946, fundaram, na Europa, os primeiros Centros Psicopedagógicos de caráter médico-pedagógico, formados por médicos, psicanalistas, psicólogos e pedagogos. Esses centros tinham por objetivo unir conhecimentos dessas áreas do conhecimento com o propósito de buscar a readaptação de crianças que apresentavam comportamentos socialmente inadequados, tanto na escola quanto em casa, e também atender crianças que, apesar de serem inteligentes, apresentavam dificuldades de aprendizagem. Além disso, essas ciências poderiam oferecer conhecimentos para que se pudesse conhecer a criança e o seu meio, a fim de oferecer uma ação reeducadora.

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Naquela época, uma das maiores preocupações dos estudiosos era diferenciar as crianças deficientes mentais e/ou sensoriais daquelas que, apesar de inteligentes, não conseguiam aprender. Segundo Bossa (2000), a Argentina foi fortemente influenciada por essa corrente européia e a capital Buenos Aires foi a primeira cidade a oferecer o curso de psicopedagogia. Na década de 1970, psicopedagogos argentinos atuavam nos Centros de Saúde Mental, fazendo diagnósticos e tratamentos das dificuldades de aprendizagem. Nessa época, um fato interessante foi observado pelos psicopedagogos. Após aproximadamente um ano de tratamento, as dificuldades de aprendizagem eram sanadas, porém os pacientes deslocavam seus sintomas apresentando distúrbios de personalidade. Assim, os psicopedagogos sentiram necessidade de incluir no tratamento um olhar e uma escuta psicanalítica, modelo utilizado ainda hoje na Argentina. A psicopedagogia argentina diferencia-se da psicopedagogia brasileira, pois, na Argentina, são aplicados testes de uso corrente, “alguns dos quais não sendo permitidos aos brasileiros...” (BOSSA, p. 42), por ser considerado de uso exclusivo dos psicólogos (BOSSA, p. 58). “... os instrumentos empregados são mais variados, recorrendo o psicopedagogo argentino, em geral, às provas de inteligência, provas de nível de pensamento; avaliação do nível pedagógico; avaliação perceptomotora; testes projetivos; testes psicomotores; hora do jogo psicopedagógico”. (op.cit, 2000, p. 42)

A psicopedagogia no Brasil
A psicopedagogia começou a ser difundida no Brasil, na década de 1970, pois as dificuldades de aprendizagem naquela época eram associadas a uma disfunção neurológica denominada disfunção cerebral mínima (DCM) servindo para esconder problemas

sociopedagógicos (BOSSA, 2000, pp. 48-9).

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As crianças com disfunção cerebral mínima têm, em geral, inteligência média ou acima da média, mas apresentam certos problemas de aprendizagem ou de comportamento associados a desvios das funções do sistema nervoso central. Este problema pode surgir em função de diversos fatores: variações genéticas, irregularidades bioquímicas, traumatismos de parto, doenças, acidentes acontecidos no início do processo de desenvolvimento do sistema nervoso central ou uma severa privação sensorial e de estimulação no início do desenvolvimento da criança.

Nessa época, iniciaram os cursos de formação em psicopedagogia, com duração de dois anos, na clínica Médico-Pedagógica de Porto Alegre. Esse fato deveu-se porque a psicopedagogia chegou ao Brasil pautada no modelo médico de atuação das dificuldades de aprendizagem. Na Europa do século XIX, os problemas de aprendizagem foram estudados e tratados por médicos, por isso, no Brasil, percebemos, ainda hoje, que quando a criança e/ou adolescente apresenta dificuldade de aprendizagem são primeiramente levados aos médicos pelos pais. É comum o psicopedagogo receber no consultório crianças que foram examinadas por médicos, ora por indicação da escola, ora por indicação da própria família. De acordo com Visca (1987), a psicopedagogia, de início, recebeu influência da medicina e da psicologia e, posteriormente, passou a ser uma área do conhecimento independente e complementar com um objeto de estudo, que é o processo de aprendizagem, e tem recursos diagnósticos, corretores e preventivos próprios. (VISCA apud BOSSA, 2000, p. 21)
Jorge Pedro Luiz Visca nasceu no dia 14 de maio de 1935, em Baradero, província de Buenos Aires. Faleceu em 2000.

Em função das contribuições da medicina e da psicologia, o Brasil recebeu ajuda para o desenvolvimento da área psicopedagógica, de diferentes profissionais argentinos, entre eles: Sara Pain, Alicia Fernández, Jacob Feldmann, Ana Maria Muniz, Jorge Visca. Jorge Visca foi um dos profissionais que mais contribuiu para a difusão da psicopedagogia no Brasil. Criou a Epistemologia Convergente, que é uma linha teórica que propõe um trabalho com a aprendizagem, integrando três linhas da Psicologia, que são: Escola de Genebra - a psicogenética de Jean Piaget, que aponta que ninguém pode aprender o que está além de sua estrutura cognitiva; da Escola Psicanalítica de Sigmund Freud, que ressalta que dois indivíduos com igual nível cognitivo, mas investimentos afetivos diferentes em relação a um objeto, aprenderão de forma diferente; e a Escola de Psicologia Social de Enrique Pichon Rivière, que
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propõe que se ocorresse uma paridade do cognitivo e afetivo em dois sujeitos de culturas diferentes, também suas aprendizagens em relação a um mesmo objeto seriam diferentes, devido às influências que sofreram por seus meios sócio-culturais. (VISCA, 1991, p. 66) A análise do sujeito por meio dessas correntes deu origem ao método clínico psicopedagógico. “[...] quando se fala de psicopedagogia clínica, se está fazendo referência a um método com o qual se tenta conduzir à aprendizagem e não a uma corrente teórica ou escola. Em concordância com o método clínico, podem-se utilizar diferentes enfoques teóricos. O que eu preconizo é o da epistemologia convergente”. (VISCA, 1987, p. 16) Visca implantou CEPs (Centros de Estudos Psicopedagógicos) no Rio de Janeiro, na capital de São Paulo e em Campinas, em Salvador, e em Curitiba. Muitos outros cursos de psicopedagogia foram surgindo e, atualmente, está numa crescente, o que indica que muitas pessoas têm interesse em ser psicopedagogos.

Exercícios
1. De acordo com o que estudamos na aula 1, podemos afirmar que a psicopedagogia é um campo do conhecimento que se enquadra nas áreas da educação e da saúde e tem como objeto de estudo o ensino. A afirmação está: a) Incorreta. b) Correta. 2. De acordo com o código de ética, a psicopedagogia tem por definição o trabalho com a aprendizagem, com o conhecimento, sua aquisição, desenvolvimento e distorções [...]. A afirmação está: a) Incorreta. b) Correta. 3. A psicopedagogia clínica tem por meta trabalhar as condições adversas de aprendizagem da criança, do adolescente e do adulto, a fim de que recuperem a auto-estima perdida no percurso escolar, levando-os a perceber que possuem potencialidades e que são capazes de realizar atividades acadêmicas. A afirmação está: a) Incorreta. b) Correta. 4. Na década de 1970, um fato interessante foi observado pelos psicopedagogos. Todas as crianças em tratamento superavam suas dificuldades e, por isso, a psicopedagogia começou a ser utilizada no Brasil. A afirmação está: a) Incorreta. b) Correta.
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Respostas dos Exercícios
1. De acordo com o que estudamos na aula 1, podemos afirmar que a psicopedagogia é um campo do conhecimento que se enquadra nas áreas da educação e da saúde e tem como objeto de estudo o ensino. A afirmação está: RESPOSTA CORRETA: A 2. De acordo com o código de ética, a psicopedagogia tem por definição o trabalho com a aprendizagem, com o conhecimento, sua aquisição, desenvolvimento e distorções [...]. A afirmação está: RESPOSTA CORRETA: B 3. A psicopedagogia clínica tem por meta trabalhar as condições adversas de aprendizagem da criança, do adolescente e do adulto, a fim de que recuperem a auto-estima perdida no percurso escolar, levando-os a perceber que possuem potencialidades e que são capazes de realizar atividades acadêmicas. A afirmação está: RESPOSTA CORRETA: B 4. Na década de 1970, um fato interessante foi observado pelos psicopedagogos. Todas as crianças em tratamento superavam suas dificuldades e, por isso, a psicopedagogia começou a ser utilizada no Brasil. A afirmação está: RESPOSTA CORRETA: A

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Nesta aula, você aprenderá o que é psicopedagogia institucioanal e o que o psicopedagogo deve fazer junto aos profissionais da escola em que atua. É fundamental que esse profissional não se limite ao trabalho com a criança, pois ela está inserida num meio social que também é responsável por seu sucesso escolar. Cabe também aos pais, professores e toda equipe escolar ajudá-la da melhor maneira possível revivendo como foram suas aprendizagens.

AULA 02 • PSICOPEDAGOGIA INSTITUCIONAL

Psicopedagogia institucional
A psicopedagogia institucional é um campo de estudo que vem se desenvolvendo como ação preventiva de muita importância, mas é vista como ameaçadora, pois tem por objetivo fortalecer a identidade do grupo e transformar a realidade escolar. Desde a década de 1970, o trabalho do psicopedagogo institucional se resume em ajudar crianças e adolescentes a resolver os conflitos que encontram na trajetória escolar e/ou evitar que eles ocorram. Segundo Weiss (1994), o termo psicopedagogia institucional aparece sob três versões diferentes, tanto em relatos orais quanto em artigos de revistas especializadas. A primeira delas assume que o profissional com especialização em psicopedagogia trabalha como assessor psicopedagógico, ouvindo e conversando sobre a escola com os diferentes profissionais que nela atuam. Nesse sentido, a autora afirma que seu trabalho seria o “levantamento, a compreensão, a análise das práticas escolares em suas relações com a aprendizagem. Junto com os demais profissionais da escola promoveria a construção de novas práticas produtoras de melhor aprendizagem [...]” (op. cit, 1994, p. 97) A segunda versão considera que a psicopedagogia institucional deve englobar todos os trabalhos que dão suporte pedagógico e/ou clínico realizados no espaço escolar e por iniciativa da equipe de profissionais que trabalha na escola. Porém, a autora aponta, como terceira versão, que a psicopedagogia institucional deve ser um trabalho de prevenção dos problemas de aprendizagem. O termo prevenção refere-se à

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melhoria das condições externas proporcionadas pela escola que conduzam à construção da aprendizagem. Essa versão nos leva a refletir que o psicopedagogo deve fazer com que a escola seja a solução e não o problema. É na escola que a criança e o jovem irão adquirir conhecimentos para que possam viver em sociedade. Além disso, o psicopedagogo deverá ajudar a equipe escolar a transformar o ambiente escolar em um espaço de construção do conhecimento. Para isso, ele deverá colaborar na elaboração do projeto pedagógico, respondendo a três questões fundamentais: o que ensinar, como ensinar e para que ensinar. O psicopedagogo também tem por função realizar o diagnóstico institucional para identificar problemas que estão interferindo no processo ensino/aprendizagem dos alunos envolvidos. Muitas vezes, um professor não percebe que a forma que está ensinando não está em consonância com a forma que a criança aprende. Nesse caso, ele deve orientar o professor a fim de encontrar a melhor forma de ajudar a criança que apresenta dificuldade de aprendizagem. Se houver necessidade, ele irá, junto com a equipe escolar, encaminhar a criança para outros profissionais. neurologista) (psicólogo, fonoaudiólogo,

Outras funções do psicopedagogo institucional
O trabalho do psicopedagogo institucional tem um caráter preventivo e ele deve contemplar a instituição escolar como um todo. Nesse sentido, Bossa (1999, p. 33) salienta que o psicopedagogo deve: • Auxiliar o professor e demais profissionais nas questões pedagógicas e

psicopedagógicas; • Orientar os pais; • Colaborar com a direção para que haja um bom entrosamento entre todos os integrantes da instituição; • E, principalmente, socorrer o aluno que esteja sofrendo, qualquer que seja a causa. Weiss (1994, pp. 102-3) acrescenta, ressaltando que o trabalho psicopedagógico deve acontecer em diferentes níveis. São eles:

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1) “O conhecimento dos educadores de como se processou a construção do seu próprio Modelo de aprendizagem, de que modo, aqui e agora, ele atua como mediador na relação do aluno-aprendente com o objeto da aprendizagem escolar [...]”. 2) “O estudo teórico e a identificação na realidade do processo de construção do conhecimento humano, especialmente do aluno em suas diferentes etapas evolutivas [...]”. 3) “O conhecimento dos educadores de como identificar o fracasso na aprendizagem e a discriminação do que é possível de melhoria no âmbito escolar e as questões que exigem o encaminhamento do aluno para uma avaliação com profissionais e/ou serviços especializados”. 4) “O estudo aprofundado das questões relativas ao meio cultural, social e político que é parte integrante de todo processo de ensino/aprendizagem escolar”. 5) “O conhecimento, por parte do educador, de como se processou, na história da humanidade, a construção dos conhecimentos que ele pretende que seus alunos adquiram. Assim, conhecer a história da cultura humana, a história da ciência, é fundamental para saber o que se traz para a sala de aula [...]”. 6) “A melhoria das condições da escola, que fazem parte das “condições externas do ato de aprender”, ou seja, a melhor qualidade do ambiente escolar, que é parte básica da mediação no processo de interação do aluno-aprendente com o objeto de conhecimento que está nesse mesmo meio escolar. O melhor ambiente escolar evitaria a formação de forças que conduziriam à construção de desvios na aprendizagem ou ao reforço de problemas de aprendizagem já trazidos pelos alunos para a escola”.

Dessa forma, a autora aponta que, para se começar um trabalho psicopedagógico na escola, deve haver, por parte dos profissionais envolvidos, reflexão individual e grupal sobre as próprias aprendizagens e sobre aquilo que a escola produz. Além disso, deve existir aprofundamento teórico sobre as diferentes áreas do conhecimento que explicam como se dá a construção do conhecimento humano. Complementa salientando a necessidade de a equipe escolar organizar grupos operativos para vivenciar o aprender a aprender. Ex: Como cada um foi alfabetizado? Obtiveram prazer ou encontraram dificuldades nesta tarefa? Qual foi o sentimento de cada um quanto à aprendizagem da leitura, da escrita, da matemática, da física e das demais áreas do conhecimento? No grupo operativo, cada professor poderá verbalizar os sentimentos que vivenciou enquanto aluno,

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relacionando-os com sua situação enquanto professor. Isso fará com que ele reflita sobre seu papel de ensinante.
Segundo Taís Aparecida Costa Lima, ensinante “é o sujeito que investe o outro de desejo, permite ao outro a expressão, apresenta um movimento de mostrar-guardar para despertar no outro o desejo de buscar. É aquele que cria, compartilha um saber já existente e assimila outros saberes, que cria um espaço de liberdade, de confiança, de criatividade, onde o outro possa ousar, experimentar, possa assumir a ignorância e a partir dela buscar o conhecimento”. Chamamos grupo operativo a todo grupo no qual a explicitação da tarefa e a participação por meio dela permite não só sua compreensão, mas também sua execução [...]. O grupo pode ser visualizado em dois planos: o da temática, extensão de temas que constituirão a armação da tarefa; e o da dinâmica, no qual a inter-relação evidenciará o sentir que se mobiliza em dita temática.

Com certeza, cada escola tem suas necessidades e expectativas e o psicopedagogo deverá percebê-las para que efetivamente cumpra seu papel. Para isso, faz-se necessário que equipe escolar confie e acredite no profissional e esteja aberta para aceitar mudanças, caso contrário, não obterá um resultado eficaz. Essa auto-avaliação feita pela equipe escolar livra o aluno de ser sempre o responsável por seu fracasso no processo ensino/aprendizagem.

Exercícios
1. A psicopedagogia institucional é um campo de estudo que vem se desenvolvendo como ação preventiva de muita importância, por isso não é uma atividade ameaçadora. A afirmação está: a) Incorreta. b) Correta. 2. Weiss (1994) relata que o termo psicopedagogia institucional aparece sob três versões diferentes. Uma delas defende a idéia que a psicopedagogia institucional deve ser um trabalho de prevenção dos problemas de aprendizagem. O termo prevenção refere-se à melhoria das condições externas proporcionadas pela escola que conduzam à construção da aprendizagem. A afirmação está: a) Incorreta. b) Correta. 3. É trabalho do psicopedagogo institucional: auxiliar o professor e demais profissionais nas questões pedagógicas e psicopedagógicas; colaborar com a direção para que haja um bom entrosamento entre todos os integrantes da instituição; orientar os pais e encaminhar o aluno com dificuldade de aprendizagem para outros profissionais. A afirmativa está:
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a) Incorreta. b) Correta. 4. Para se começar um trabalho psicopedagógico na escola deve haver, por parte dos profissionais envolvidos, reflexão individual e grupal sobre as próprias aprendizagens e sobre aquilo que a escola produz. A afirmativa está: a) Incorreta. b) Correta.

Respostas dos Exercícios
1. A psicopedagogia institucional é um campo de estudo que vem se desenvolvendo como ação preventiva de muita importância, por isso não é uma atividade ameaçadora. A afirmação está: RESPOSTA CORRETA: A 2. Weiss (1994) relata que o termo psicopedagogia institucional aparece sob três versões diferentes. Uma delas defende a idéia que a psicopedagogia institucional deve ser um trabalho de prevenção dos problemas de aprendizagem. O termo prevenção refere-se à melhoria das condições externas proporcionadas pela escola que conduzam à construção da aprendizagem. A afirmação está: RESPOSTA CORRETA: B 3. É trabalho do psicopedagogo institucional: auxiliar o professor e demais profissionais nas questões pedagógicas e psicopedagógicas; colaborar com a direção para que haja um bom entrosamento entre todos os integrantes da instituição; orientar os pais e encaminhar o aluno com dificuldade de aprendizagem para outros profissionais. A afirmativa está: RESPOSTA CORRETA: A 4. Para se começar um trabalho psicopedagógico na escola deve haver, por parte dos profissionais envolvidos, reflexão individual e grupal sobre as próprias aprendizagens e sobre aquilo que a escola produz. A afirmativa está: RESPOSTA CORRETA: B

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Nesta aula, você estudará os fatores que interferem no processo de aprendizagem da criança e/ ou adolescente e perceberá que todos os envolvidos no processo são responsáveis para que eles obtenham sucesso. Os pais, o psicopedagogo, a equipe escolar e a própria criança tem seu papel a cumprir nesse processo. Jogar a responsabilidade apenas para um é o mesmo que se isentar das responsabilidades assumidas.

AULA 03 • OS FATORES APRENDIZAGEM ESCOLAR

QUE

INTERFEREM

NA

Fatores que interferem na aprendizagem escolar
Existem crianças que encontram dificuldade desde o início da vida escolar, outras apresentam problemas em determinada época da trajetória escolar. Esses problemas serão investigados pelo psicopedagogo e variam de pessoa para pessoa. Muitas crianças e/ ou jovens, às vezes, não são compreendidos pelo professor, outros, por não compreenderem o conteúdo explicado, se distraem por qualquer motivo. Esses fatores causam sofrimento nas crianças e jovens e a escola torna-se um lugar desagradável, quando deveria ser espaço de aprendizado, construção de conhecimento e, muitas vezes, são a causa da evasão escolar. Além desses, outros fatores podem interferir na aprendizagem do aluno. Segundo Bossa (1999), a criança pode: • não estar acostumada com outras pessoas que não sejam as da família; • estar acostumada a fazer o que tem vontade e na hora que quiser e não se adapta às solicitações feitas no espaço escolar; • encontrar profissionais na escola que falam coisas que a criança não entende e que pedem que faça coisas que ela não sabe; • se defrontar com professores enérgicos demais e não se adaptar; • não se adaptar com as cobranças feitas pelos pais e professores e somatizar;

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A palavra somatização foi criada por Zbigniew Lipowski (1924-1997) e significa "a tendência a experimentar e comunicar sofrimento somático em resposta a estresse psicossocial e buscar auxílio médico por isso”. O termo foi gerado pela tradução cientificista em inglês do termo alemão Organsprache ("fala dos órgãos"), originalmente criado por Wilhelm Stekel (1868-1940) no início do século XX, e que podia representar tanto a manifestação física com lesões orgânicas quanto sintomas físicos sem explicação médica, desde que gerados por conflitos psicológicos inconscientes. Freqüentemente, a palavra somatização é utilizada dentro desta definição por diversas disciplinas da Psicologia. (Fonte: Wikipédia)

• não se concentrar nas aulas e na fala da professora; • demorar para fazer as tarefas porque ainda não desenvolveu a coordenação motora fina responsável pela escrita; • faltar subsídios necessários para a aprendizagem de novos conteúdos; • não ver importância na escola porque os pais não explicam o porquê de ter de estudar. • pensar que se dará bem na vida sem estudo porque isso ocorreu com os pais ou com algum membro da família; • sofrer com a falta de limites que seus pais nunca impuseram; • acreditar que sua ida à escola é para que sua mãe possa cuidar do bebê que acabou de nascer ou do irmão menor; • ter qualquer problema de saúde que impede a aprendizagem; • ser desorganizada; • ser muito inteligente em algumas áreas, mas o cérebro falhar em aprendizagens específicas, como leitura, escrita ou cálculo; • estar numa escola aonde a metodologia vai de encontro com sua forma de aprender;
Segundo Sara Paín, psicopedagoga argentina, uma criança apresenta dificuldade de aprendizagem reativa quando ela não se adapta ao método pedagógico oferecido pela escola. Quando ensinada com outro método, a criança aprende. É comum encontrarmos crianças que saíram de escolas tradicionais para estudar em escolas com proposta construtivista e vice-versa, e passaram a apresentar dificuldade de aprendizagem. Nessa caso, é melhor deixar a criança estudar em escolas que ofereçam a metodologia que ela melhor se adpta.
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• não perceber a importância daquilo que está aprendendo porque o professor não consegue transmitir como e por que aquele conhecimento será utilizado no cotidiano da criança; • ter um professor que não sabe ensinar porque não gosta da profissão que exerce; • ter um professor que, por não ter compreendido sua própria infância e adolescência, não percebe as necessidades dos alunos. Por todos esses motivos, não basta apenas conversar com a criança. O psicopedagogo deve auxiliar o professor a encontrar uma forma de ajudá-la para que a vida escolar da mesma seja prazerosa. Afinal, é na escola que ela passará a maior parte do tempo.

Leia o texto complementar disponível no ambiente de estudo.

Exercícios
1. Ter um professor que não sabe ensinar porque não gosta da profissão que exerce pode ser causa de dificuldade de aprendizagem. A afirmativa está: a) Incorreta. b) Correta. 2. Ter um professor que não compreendeu sua própria infância e adolescência e, por isso, não percebe as necessidades dos alunos não é motivo de dificuldade de aprendizagem dos seus alunos. A afirmativa está: a) Incorreta. b) Correta. 3. Segundo Sara Paín, psicopedagoga argentina, uma criança apresenta dificuldade de aprendizagem reativa quando cria um sintoma e não consegue aprender. A afirmativa está: a) Incorreta. b) Correta. 4. Todas as situações pedagógicas devem ser adaptadas, contextualizadas pelo professor e ter objetivos claros, pois só assim o aluno terá prazer em aprender. Articular as atividades facilita a aprendizagem e a integração do grupo. A afirmativa está: a) Incorreta. b) Correta.

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Respostas dos Exercícios
1. Ter um professor que não sabe ensinar porque não gosta da profissão que exerce pode ser causa de dificuldade de aprendizagem. A afirmativa está: RESPOSTA CORRETA: A 2. Ter um professor que não compreendeu sua própria infância e adolescência e, por isso, não percebe as necessidades dos alunos não é motivo de dificuldade de aprendizagem dos seus alunos. A afirmativa está: RESPOSTA CORRETA: B 3. Segundo Sara Paín, psicopedagoga argentina, uma criança apresenta dificuldade de aprendizagem reativa quando cria um sintoma e não consegue aprender. A afirmativa está: RESPOSTA CORRETA: A 4. Todas as situações pedagógicas devem ser adaptadas, contextualizadas pelo professor e ter objetivos claros, pois só assim o aluno terá prazer em aprender. Articular as atividades facilita a aprendizagem e a integração do grupo. A afirmativa está: RESPOSTA CORRETA: B

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Nesta aula, você saberá o que é psicopedagogia clínica e qual o trabalho do psicopedagogo clínico. Verá que ele tem várias funções a cumprir se realmente objetivar um tratamento eficaz com a criança em atendimento. Tomará ciência que a criança e os pais também têm deveres e obrigações, e isso deve ficar claro na entrevista inicial. Saberá quando está na hora de encerrar as sessões.

AULA 04 • A PSICOPEDAGOGIA CLÍNICA

A psicopedagogia clínica
O psicopedagogo clínico, por meio do diagnóstico, identificará as causas das dificuldades de aprendizagem das crianças e adolescentes por ele atendidos. No início fará uma entrevista inicial com os pais ou responsáveis para acertar horários, quantidades de sessões por semana, honorários, a importância da freqüência e da presença da criança nos encontros. Depois de tudo acertado, marcará um horário com os pais para realizar a anamnese. É importante mencionar que a presença de ambos é imprescindível, pois poderá entender melhor a criança se tiver contato com o casal parental.
Anamnese é uma palavra formada do grego Ana, que significa “trazer de novo”, e mnesis, que significa “memória”. Tem por objetivo relembrar todos os fatos que se relacionam com a dificuldade do sujeito. Em uma anamnese são recolhidos dados desde a gestação, parto, ambiente em que o sujeito vive, sexualidade, histórico escolar, saúde, dados familiares, etc. (Você estudará todos os passos de uma anamnese no módulo diagnóstico psicopedagógico)

Segundo Fernandéz (1990), o psicopedagogo tem de ter claro que a origem da dificuldade de aprendizagem não é de ordem individual. O sintoma está ancorado em uma rede de vínculos familiares que funcionam junto com uma estrutura individual particular. No primeiro encontro com a criança, o psicopedagogo fará a sessão lúdica e nos outros usará diferentes instrumentos, entre eles a EOCA (entrevista operativa centrada na aprendizagem), as provas operatórias de Piaget, as provas projetivas como desenhos, histórias, o material pedagógico, entre outros.
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Terminado o diagnóstico, e confirmadas as suspeitas do psicopedagogo, ele marcará uma entrevista devolutiva para explicar aos pais o que foi observado e que conduta será tomada. Os pais poderão dar seqüência ao trabalho com o psicopedagogo que realizou o diagnóstico ou por outro profissional que porventura desejarem.

Trabalho do psicopedagogo clínico
Para evitar questões persecutórias e favorecer a formação do vínculo terapeuta/paciente, o primeiro encontro com a criança e/ou adolescente deve ser permeado de confiança e respeito. Pergunta-se à criança se ela sabe por que irá freqüentar um psicopedagogo, esclerece-se o trabalho que será realizado e respondem-se as perguntas que forem feitas. Segundo Bossa (1999, pp. 33-5), o psicopedagogo clínico deverá sempre: • Conversar com a criança para auxiliá-la na compreensão e elaboração das suas dificuldades. • Brincar, pois brincando também se aprende muita coisa sobre o funcionamento da vida, além de desenvolver a criatividade e a capacidade simbólica. • Jogar, pois assim a criança aprende a aceitar regras, além de desenvolver o raciocínio, a atenção e a concentração. E também percebe que, em diferentes situações, há ganhos e a perdas. • Ler para a criança a fim de que ela possa conhecer e saber muitas coisas sobre a vida e o mundo em que vive. • Olhar as tarefas e auxiliá-las nas dúvidas e correções, analisar e entender os erros para que os compreenda e não volte a repeti-los. • Propor atividades para desenvolver habilidades e competências requeridas no aprendizado escolar. • Ajudar a encontrar a melhor maneira de estudar, pois a criança irá descobrir o que facilita a sua compreensão e a sua memorização. • Conversar com os pais para que possam compreender e aceitar as possíveis dificuldades do filho (a), bem como orientá-los sobre a melhor maneira de ajudá-lo (a). • Sugerir que troque a criança de escola, se não for adequada para ela.

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• Criar um espaço de aprendizagem a fim de proporcionar condições para que a criança possa entender o que acontece com ela, mudando assim a direção de sua trajetória. O psicopedagogo deverá deixar claro à criança que irá ajudá-la a aliviar a dor que talvez esteja sentindo, mas enfatizar que ele não poderá fazer isso sozinho e que ela tem sua responsabilidade nesse processo. criança saber que: • Falar dos seus medos, angústias, alegrias e tudo que a incomoda ou a agrada; • Brincar com o psicopedagogo, fazer o que ele pede e realizar as atividades propostas trará benefícios a ela; • Pode perguntar tudo que quiser saber; • Pode dizer tudo o que pensa, inclusive se não gostar do psicopedagogo; • Precisa cooperar com o psicopedagogo; • É importante que não se atrase ou falte nas sessões marcadas com o psicopedagogo, pois a continuidade do trabalho é fundamental para sanar suas dificuldades. Faz-se necessário apontar à criança que, talvez, em alguns momentos ela não queira estar lá, por não querer enfrentar suas dificuldades. O psicopedagogo deve ajudar a criança a encarar as resistências que surgem no decorrer do processo e explicar que fugir dos problemas trará mais dor e sofrimento. É importante dizer à criança que tudo que for conversado no consultório será segredo dos dois, que se manterá sigilo.
Segundo o vocabulário de psicanálise, dá-se o nome de resistência “a tudo o que, nos atos e palavras do analisado, se opõe ao acesso deste ao seu inconsciente [...]”.

Nesse sentido, Bossa (1999) ressalta que é necessário a

Mas os pais e professores têm de saber, não é? Nesse caso, o psicopedagogo deverá conversar primeiro com a criança e esclarecer o porquê da necessidade de conversar com seus pais e com a equipe escolar. Todos juntos poderão ajudá-la e, assim, ela só terá benefícios. Nem sempre a criança consegue verbalizar seu sofrimento. Às vezes, nem sabe o que está sentindo, o que a faz sofrer, mas ela fala sem saber que está falando. Isso acontece quando ela brinca, joga, desenha, modela, conta e elabora histórias. Utilizando-se da linguagem pictórica e lúdica, acaba revelando sentimentos e pensamentos que desconhece.

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O trabalho clínico terminará quando a criança, sozinha, conseguir enfrentar os desafios que surgirem e quando a escola for um espaço agradável.

Exercícios
1. O psicopedagogo clínico, por meio do diagnóstico, irá identificar as causas das dificuldades de aprendizagem das crianças e adolescentes. No início fará uma entrevista inicial com os pais ou responsáveis para acertar os honorários. A afirmativa está: a) Incorreta. b) Correta. 2. No primeiro encontro com a criança, o psicopedagogo fará a sessão lúdica e aplicará testes. A afirmativa está: a) Incorreta. b) Correta. 3. Os pais poderão dar seqüência ao trabalho com o psicopedagogo que realizou o diagnóstico ou por outro profissional que porventura desejarem. A afirmativa está: a) Incorreta. b) Correta. 4. O psicopedagogo clínico não deve conversar com a criança para auxiliá-la, apenas observá-la para entender sua lógica de pensamento. A afirmativa está: a) Incorreta. b) Correta.

Respostas dos Exercícios
1. O psicopedagogo clínico, por meio do diagnóstico, irá identificar as causas das dificuldades de aprendizagem das crianças e adolescentes. No início fará uma entrevista inicial com os pais ou responsáveis para acertar os honorários. A afirmativa está: RESPOSTA CORRETA: A 2. No primeiro encontro com a criança, o psicopedagogo fará a sessão lúdica e aplicará testes. A afirmativa está: RESPOSTA CORRETA: A 3. Os pais poderão dar seqüência ao trabalho com o psicopedagogo que realizou o diagnóstico ou por outro profissional que porventura desejarem. A afirmativa está: RESPOSTA CORRETA: B 4. O psicopedagogo clínico não deve conversar com a criança para auxiliá-la, apenas observá-la para entender sua lógica de pensamento. A afirmativa está: RESPOSTA CORRETA: A

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Nesta aula, você aprenderá a identificar a modalidade de aprendizagem de uma criança e/ou adolescente. Entende-se como modalidade de aprendizagem um esquema de operar utilizado nas diferentes situações de aprendizagem. Para o reconhecimento da modalidade de aprendizagem será necessário entender os conceitos de assimilação e acomodação propostos por Jean Piaget. É imprescindível que o psicopedagogo saiba identificar as modalidades de aprendizagem, pois somente a partir desse reconhecimento poderá traçar uma seqüência de atividades que melhor se adapte ao sujeito em atendimento.

AULA 05 • MODALIDADES DE APRENDIZAGEM

Modalidades de aprendizagem. O que são?
Cada um de nós possui uma maneira própria de se apropriar do conhecimento e confirmar nosso saber. Essa maneira individual começa a ser construída desde o nascimento e, por meio dela, nos deparamos com as angústias inerentes ao conhecer/ desconhecer. Segundo Fernández (1990, p. 107), a modalidade de aprendizagem “é como uma matriz, um molde, um esquema de operar que vamos utilizando nas diferentes situações de aprendizagem”. A autora salienta que, se observarmos a modalidade de aprendizagem de uma pessoa, perceberemos grande semelhança com sua modalidade sexual e de uso da moeda pátria, pois a sexualidade como aprendizagem e a conquista do dinheiro são maneiras distintas de se apropriar do objeto. O psicopedagogo, quando realiza um diagnóstico, seja institucional ou clínico, tem de observar claramente a dinâmica da modalidade de aprendizagem e ter em mente que essa modalidade se constrói desde o sujeito e seu grupo familiar, de acordo com suas experiências de aprendizagem, e de que forma ele e seus pais a interpretam.

O que fazer para identificar a modalidade de aprendizagem do sujeito?
Para identificarmos a modalidade de aprendizagem do sujeito, Fernández (1990, p. 108) salienta que o psicopedagogo deve considerar:
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• a imagem de si mesmo como aprendente, como agem as figuras ensinantes pai e mãe; • o vínculo com o objeto de conhecimento; • a história das aprendizagens (recolhidas na anamnese); • a maneira de jogar; e • a modalidade de aprendizagem familiar. Devemos considerar de que forma o sujeito aprendeu aquilo que sabe, ou seja, que processos ele utilizou para realizar o que aprendeu. A modalidade de aprendizagem de um sujeito está intimamente ligada à modalidade de aprendizagem familiar, então, devemos investigar como a família se apropria do não conhecido.

Como faremos isso?
Perceberemos se os pais ocultam, escondem, se escondem, valorizam o segredo, comunicam-se com o conhecido, não querem se apropriar do desconhecido, entre outros. Para Fernández (1990), o psicopedagogo deve saber diferenciar modalidade de aprendizagem de modalidade de inteligência.
“A aprendizagem é um processo em que intervém a inteligência, o corpo, o desejo, o organismo, articulados em um determinado equilíbrio; mas a estrutura intelectual tende também a um equilíbrio para estruturar a realidade e sistematizá-la através de dois movimentos que Piaget definiu como invariantes: assimilação e acomodação”. (p. 108)

Os processos de assimilação e acomodação segundo Piaget
Para compreendermos as modalidades de aprendizagem, faz-se necessário entender os conceitos de assimilação e acomodação propostos por Piaget. O organismo se sustenta e cresce por meio de interações com o ambiente. É importante saber se a criança que adquiriu um padrão de conduta o realiza com autonomia ou se ela o realiza em função do controle materno e/ou paterno. Ex: quando a criança vai jogar, joga da maneira que quer ou da forma como os pais ensinaram e até mesmo impuseram a ela. A assimilação é o processo cognitivo pelo qual um sujeito incorpora um novo dado perceptual, motor ou conceitual às estruturas cognitivas já existentes. Isto é, quando um sujeito
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experiencia novas situações, ele tenta adaptar esses novos estímulos às estruturas cognitivas já existentes. Piaget (1996, p. 13) define assimilação como “[...] uma integração às estruturas prévias, que podem permanecer invariáveis ou são mais ou menos modificadas por essa própria integração, mas sem descontinuidade com o estado precedente, isto é, sem serem destruídas, mas simplesmente acomodando-se à nova situação”. Isso significa dizer que o sujeito sempre tenta adaptar os novos estímulos aos esquemas já adquiridos até aquele momento de vida. Por exemplo, imaginemos que uma criança está aprendendo a reconhecer as formas geométricas e, até o momento, a única forma geométrica que ela conhece e tem organizado esquematicamente é o quadrado. Nesse caso, podemos dizer que a criança possui, em sua estrutura cognitiva, um esquema de quadrado. Quando apresentarmos, a essa mesma criança, outra forma geométrica que possua alguma semelhança com o quadrado, como um retângulo, ela dirá que é um quadrado (quatro pontas, amarelo, grande, etc). O que ocorre, neste caso, é um processo de assimilação, isto é, a similaridade entre quadrado e retângulo faz com que um retângulo se confunda com um quadrado em função da proximidade dos estímulos e da pouca variedade e qualidade dos esquemas acumulados pela criança até aquele momento de vida. A diferenciação do quadrado para o retângulo ocorrerá por um processo que Piaget chamou de acomodação. O que isso significa? Quando a criança apontar um retângulo e verbalizar quadrado, o adulto que estiver com ela e/ ou outra criança mais experiente dirá: “Isto não é quadrado, é um retângulo”. Ao ser corrigida, a tendência da criança é acomodar esse novo estímulo à sua estrutura cognitiva, construindo, dessa forma, um novo esquema. Assim, podemos dizer que essa criança terá um esquema para o conceito de quadrado e outro para o conceito de retângulo. Piaget (1996, p. 18) define acomodação como: “(por analogia com os "acomodatos" biológicos) toda modificação dos esquemas de assimilação sob a influência de situações exteriores (meio) ao quais se aplicam”. Ao explicar os conceitos de assimilação e acomodação, Piaget (1996) esclarece que não existe assimilação sem acomodação e vice-versa. Isso significa dizer que o meio desencadeia ajustamentos ativos e não tem simplesmente a função de provocar o registro de impressões ou formação de cópias.

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Quando Piaget explica que não existe assimilação sem acomodação, significa que a assimilação de um novo dado perceptual, motor ou conceitual se dará primeiramente em esquemas já existentes, ou seja, acomodados em fases anteriores. E quando explica que não existe acomodação sem assimilação, significa que um dado perceptual, motor ou conceitual é acomodado perante a sua assimilação no sistema cognitivo existente. (PIAGET, p. 18)

As diferentes modalidades de aprendizagem
Antes de abordarmos as quatro modalidades de aprendizagem existentes, devemos salientar que todo comportamento inteligente, por mais rudimentar que possa parecer, supõe interpretação da realidade externa, ou seja, uma assimilação do objeto do conhecimento. Da mesma forma, todo comportamento inteligente, por mais elementar que seja, supõe que houve um enfrentamento com as características do objeto de conhecimento, isto é, uma acomodação dessas características. Fernández (1990, p. 110), citando Paín, descreve a constituição de diferentes modalidades de aprendizagem, cujos extremos são: hipoassimilação/ hiperacomodação e hipoacomodação/ hiperassimilação. Para a autora, a hipoassimilação é entendida como “uma pobreza de contato com o objeto que redunda em esquemas de objetos empobrecidos, déficit lúdico e criativo”. A hiperacomodação é entendida como “pobreza de contato com a subjetividade, superestimulação da imitação, falta de iniciativa, obediência acrítica às normas, submissão”. Infelizmente, essa modalidade de aprendizagem é a que mais encontramos no nosso sistema educacional. Sabe por quê? Porque muitos pais e educadores podam a criatividade de seus filhos/alunos, não os deixam pensar e, por comodidade, oferecem as respostas, não os levam à reflexão. Esse comportamento faz com que a criança não tenha iniciativa. A hipoacomodação é entendida como “pobreza de contato com o objeto, dificuldade na internalização de imagens, a criança sofreu falta de estimulação ou o abandono”. A hiperassimilação é entendida como “o predomínio da subjetivação, desrealização do pensamento, dificuldade para resignar-se”. Para que a aprendizagem ocorra de forma normal, deve haver equilíbrio entre assimilação e acomodação. Observe a figura abaixo e a história contada pela criança para entender a modalidade de aprendizagem.
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Criança 1 – “O ursinho está na floresta. Ele está feliz porque tem sol e ele gosta do calor. Antes de brincar, ele estava na escola e, para descansar, foi brincar na floresta. O ursinho vai esperar seus amiguinhos chegarem”. Podemos observar que há equilíbrio entre assimilação e acomodação. Pressupõe aprendizagem normal. Criança 2 – “Tem um ursinho. Tem sol. Está parado.Tem flor”. Neste caso, observamos uma modalidade de aprendizagem hiperacomodativa/

hopoassimilativa, pois, no relato, percebemos uma pobreza de contato com a subjetividade (aspectos próprios, sua forma de ser e pensar) e dificuldade em internalizar imagens. Criança 3 – “O ursinho está parado. Veio um leão enorme e quis comê-lo. O ursinho começou a correr para o país dos super-heróis. Ele chamou os super-heróis e foi voando com eles para o mundo das fadas”. Neste caso, temos uma modalidade de aprendizagem hiperassimilativa/ hipoacomodativa, pois a criança deixa claro a desrealização do pensamento.

Exercícios
1. A modalidade de aprendizagem é como uma matriz, um molde, um esquema de operar que vamos utilizando sempre da mesma forma. A afirmativa está: a) Incorreta. b) Correta. 2. Para identificarmos a modalidade de aprendizagem do sujeito, Fernández (1990, p. 108) salienta que o psicopedagogo deve considerar: a imagem de si mesmo como aprendente, como agem as figuras ensinantes pai e mãe; o vínculo com o objeto de conhecimento; a história das aprendizagens (recolhidas na anamnese); a maneira de jogar e a modalidade de aprendizagem familiar. A afirmativa está: a) Incorreta. b) Correta. 3. A acomodação é o processo cognitivo pelo qual um sujeito incorpora um novo dado perceptual, motor ou conceitual às estruturas cognitivas já existentes. Isto é, quando um sujeito experiencia novas situações, ele tenta adaptar esses novos estímulos às estruturas cognitivas já existentes. A afirmativa está: a) Incorreta. b) Correta.

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4. A hiperacomodação é entendida como “pobreza de contato com o objeto, dificuldade na internalização de imagens, a criança sofreu falta de estimulação ou o abandono”. A afirmativa está: a) Incorreta. b) Correta.

Respostas dos Exercícios
1. A modalidade de aprendizagem é como uma matriz, um molde, um esquema de operar que vamos utilizando sempre da mesma forma. A afirmativa está: RESPOSTA CORRETA: A 2. Para identificarmos a modalidade de aprendizagem do sujeito, Fernández (1990, p. 108) salienta que o psicopedagogo deve considerar: a imagem de si mesmo como aprendente, como agem as figuras ensinantes pai e mãe; o vínculo com o objeto de conhecimento; a história das aprendizagens (recolhidas na anamnese); a maneira de jogar e a modalidade de aprendizagem familiar. A afirmativa está: RESPOSTA CORRETA: B 3. A acomodação é o processo cognitivo pelo qual um sujeito incorpora um novo dado perceptual, motor ou conceitual às estruturas cognitivas já existentes. Isto é, quando um sujeito experiencia novas situações, ele tenta adaptar esses novos estímulos às estruturas cognitivas já existentes. A afirmativa está: RESPOSTA CORRETA: A 4. A hiperacomodação é entendida como “pobreza de contato com o objeto, dificuldade na internalização de imagens, a criança sofreu falta de estimulação ou o abandono”. A afirmativa está: RESPOSTA CORRETA: A

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Nesta aula, começaremos a estudar os diferentes problemas de aprendizagem. Inicialmente, veremos que fatores orgânicos, específicos, psicogênitos e ambientais podem levar uma criança e/ ou adolescente a apresentar dificuldade na aprendizagem. Definiremos cada um deles para depois nos atermos nas dificuldades de aprendizagem mais encontradas em nossas escolas.

AULA 06 • DIFICULDADES DE APRENDIZAGEM

Dificuldades de aprendizagem. O que são e como entendê-las?
As questões educacionais que mais têm preocupado os profissionais ligados ao ensino referem-se aos altos índices de evasão e reprovação escolar que têm sido registrados principalmente nas escolas municipais e estaduais, e o grande número de crianças que têm recorrido a tratamento psicopedagógico com dificuldades de aprendizagem. Esse problema também ocorre nas escolas privadas, mas não existem dados estatísticos que comprovem. Todas as crianças têm possibilidade de aprender e gostam de fazê-lo, e quando isso não ocorre é porque alguma coisa não está indo bem. Nesse momento, todos os profissionais envolvidos no processo ensino/ aprendizagem se questionam acerca das causas que podem estar contribuindo para que o aluno não aprenda.

Causas das dificuldades de aprendizagem
De acordo com pesquisas, a origem das dificuldades de aprendizagem encontram-se no sistema nervoso central do indivíduo, sendo que um conjunto de fatores pode contribuir para esse fato. Esses fatores podem ser: 1) hereditários – distúrbios como a dislexia, TDAH, entre outros. 2) pré-natais – excesso de radiação, uso de álcool ou drogas durante a gravidez, insuficiências placentárias, incompatibilidade de RH quando não tratada, parto complicado, hemorragias intracranianas durante o nascimento, anoxia (falta de oxigênio na hora do parto).
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3) pós-natais – traumatismos cranianos, tumores e derrames cerebrais, negligência ou abuso físico, substâncias tóxicas.

Outros fatores que podem interferir na aprendizagem
Falta de estimulação adequada nos pré-requisitos necessários à alfabetização • imagem corporal • lateralidade - conhecimento de direita e esquerda • orientação espacial • orientação temporal • ritmo • análise/ síntese visual e auditiva – ex: palavra visualizada – estojo: - análise – es-to-jo - síntese – estojo • habilidades visuais específicas - percepção e discriminação de semelhanças e diferenças - constância de percepção de forma e tamanho - percepção figura-fundo - memória visual - acompanhamento visual - coordenação viso-motora - memória cinestésica • habilidades auditivas específicas - discriminação de sons - discriminação auditiva figura-fundo - memória auditiva • linguagem oral

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- pronúncia - vocabulário - síntese oral

Métodos de ensino inadequados
Não estamos dizendo que os métodos que serão citados são inadequados, e sim que determinada criança poderá não se adaptar ao método de ensino proposto pela escola e, com isso, apresentar dificuldades de aprendizagem. Entre eles, estão os métodos sintéticos, que se subdividem em:
Até o final do Império brasileiro, o ensino carecia de organização. Em decorrência das precárias condições de funcionamento das escolas, o ensino dependia do empenho do professor e o material de que se dispunha para o ensino da leitura também era precário. Nessa época, iniciava-se o ensino da leitura com as chamadas “cartas de ABC" e depois se liam e se copiavam documentos manuscritos. Para o ensino da leitura, utilizavam-se métodos sintéticos (da "parte" para o "todo"): da soletração (alfabético), partindo do nome das letras; fônico (partindo dos sons correspondentes às letras); e da silabação (emissão de sons), partindo das sílabas. Dever-se-ia, assim, iniciar o ensino da leitura com a apresentação das letras e seus nomes (método da soletração/ alfabético), ou de seus sons (método fônico), ou das famílias silábicas (método da silabação), sempre de acordo com certa ordem crescente de dificuldade. Após reunidas as letras ou os sons em sílabas e conhecidas as famílias silábicas, ensinava-se a ler palavras formadas com essas letras e/ ou sons e/ ou sílabas e, por fim, ensinavam-se frases isoladas ou agrupadas. Quanto à escrita, esta se restringia à caligrafia e ortografia, e seu ensino, à cópia, ditados e formação de frases, enfatizandose o desenho correto das letras.

1) método alfabético 2) método fonético 3) método silábico Temos também os métodos analíticos, que se subdividem em:

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De acordo com o método analítico, o ensino da leitura deveria ser iniciado pelo “todo”, para depois se proceder à análise de suas partes constitutivas. Seus defensores consideravam o “todo” a palavra, ou a sentença, ou a "historieta". O processo baseado na "historieta" foi institucionalizado em São Paulo, mediante a publicação do documento “Instruções praticas para o ensino da leitura pelo methodo analytico – modelos de lições”. (Diretoria Geral da Instrução Pública/SP – [1915]). Nesse documento, priorizavase a "historieta" (conjunto de frases relacionadas entre si por meio de nexos lógicos) como núcleo de sentido e ponto de partida para o ensino da leitura.

1) método da palavra 2) método da frase 3) método do parágrafo 4) método do conto Problemas emocionais Algumas linhas teóricas defendem a idéia de que determinados transtornos emocionais que as crianças com dificuldades de aprendizagem apresentam são a causa do fracasso escolar, enquanto outras linhas defendem que a problemática emocional é causa do fracasso. Transtornos emocionais que podem causar as dificuldades em aprender: • superproteção dos pais; • crianças com dificuldades em aceitar limites poderão ter problemas para se adaptarem ao sistema educacional; • exigências sociais – forçar que a criança leia e escreva antes de possuir condições físicas, emocionais e cognitivas para tal.

Fatores ambientais
Quando nos referimos aos fatores ambientais, queremos enfatizar o ambiente material do sujeito e as suas possibilidades reais, tais como: quantidade, qualidade e freqüência dos estímulos aos quais é submetido e que constituem seu campo habitual de aprendizagem. Temos de levar em conta as características da moradia do sujeito, analisar o bairro onde vive e escola onde estuda. Também é importante verificar se tem acesso ao lazer, a práticas esportivas e aos bens culturais, como: revistas, jornais, televisão, computador, rádio.
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Outro aspecto a ser analisado refere-se à abertura profissional que o meio onde o sujeito está inserido oferece. Podemos dizer que o fator ambiental é determinante no diagnóstico dos problemas de aprendizagem na medida em que nos permite compreender a ideologia e os valores vigentes do grupo.

Exercícios
1. Todas as crianças têm possibilidade de aprender e gostam de fazê-lo, e quando isso não ocorre é porque alguma coisa não está indo bem. Nesse momento, todos os profissionais envolvidos no processo ensino/ aprendizagem se questionam acerca das causas que podem estar contribuindo para que o aluno não aprenda. A afirmativa está: a) Incorreta. b) Correta. 2. A origem das dificuldades de aprendizagem encontram-se no sistema nervoso central do indivíduo, sendo que um conjunto de fatores pode contribuir para esse fato. Esses fatores podem ser pós-natais – traumatismos cranianos, tumores e derrames cerebrais, negligência ou abuso físico, substâncias tóxicas. A afirmativa está: a) Incorreta. b) Correta. 3. Os métodos analíticos partem da parte para o todo: da soletração (alfabético), partindo do nome das letras; fônico (partindo dos sons correspondentes às letras); e da silabação (emissão de sons), partindo das sílabas. A afirmativa está: a) Incorreta. b) Correta. 4. De acordo com o método analítico, o ensino da leitura deveria ser iniciado pelo “todo”, para depois se proceder à análise de suas partes constitutivas. A afirmativa está: a) Incorreta. b) Correta.

Respostas dos Exercícios
1. Todas as crianças têm possibilidade de aprender e gostam de fazê-lo, e quando isso não ocorre é porque alguma coisa não está indo bem. Nesse momento, todos os profissionais envolvidos no processo ensino/ aprendizagem se questionam acerca das causas que podem estar contribuindo para que o aluno não aprenda. A afirmativa está: RESPOSTA CORRETA: B 2. A origem das dificuldades de aprendizagem encontram-se no sistema nervoso central do indivíduo, sendo que um conjunto de fatores pode contribuir para esse fato. Esses fatores podem ser pós-natais – traumatismos cranianos, tumores e derrames cerebrais, negligência ou abuso físico, substâncias tóxicas. A afirmativa está: RESPOSTA CORRETA: B

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3. Os métodos analíticos partem da parte para o todo: da soletração (alfabético), partindo do nome das letras; fônico (partindo dos sons correspondentes às letras); e da silabação (emissão de sons), partindo das sílabas. A afirmativa está: RESPOSTA CORRETA: A 4. De acordo com o método analítico, o ensino da leitura deveria ser iniciado pelo “todo”, para depois se proceder à análise de suas partes constitutivas. A afirmativa está: RESPOSTA CORRETA: B

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Nesta aula, você estudará o transtorno de déficit de atenção e hiperatividade (TDAH), doença que pode causar dificuldade de aprendizagem na criança e que tem preocupado pais e professores. Veremos que este transtorno pode levar a criança a apresentar problemas emocionais, de relacionamento familiar e social. Você aprenderá os sintomas, as causas e o tratamento do TDAH. No final da aula, saberá de um filme que tem uma personagem com o transtorno e que cativou o público adulto e infantil.

AULA 07 • TRANSTORNO DE DÉFICIT DE ATENÇÃO E HIPERATIVIDADE (TDAH)

Transtorno de déficit de atenção e hiperatividade (TDAH)
O transtorno de déficit de atenção/ hiperatividade é um problema de saúde mental que tem três características básicas: a desatenção, a agitação e a impulsividade. Pode levar a dificuldades emocionais, de relacionamento familiar e social e a um baixo desempenho escolar. É um transtorno neurobiológico, de causas genéticas, que aparece na infância e freqüentemente acompanha o indivíduo por toda a sua vida. Ele é reconhecido oficialmente por vários países e pela Organização Mundial da Saúde (OMS). Em alguns países, como nos Estados Unidos, portadores de TDAH são protegidos pela lei e recebem tratamento diferenciado na escola. O TDAH é o transtorno mais comum em crianças e adolescentes encaminhados para serviços especializados. Vários estudos internacionais e alguns recentes no Brasil têm demonstrado que 3 a 6% da população de crianças de sete a catorze anos apresenta TDAH. Meninos apresentam freqüência um pouco maior do que as meninas, isso porque as meninas tendem a apresentar mais TDAH com predomínio de desatenção, portanto, incomodam menos na escola. As crianças com TDAH apresentam maior freqüência de ter outros problemas, como ansiedade e depressão.

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CONCEITOS DA PSICOPEDAGOGIA E DIFICULDADES DE APRENDIZAGEM

Sintomas do TDAH
O TDAH caracteriza-se por dois grupos de sintomas: desatenção e hiperatividade. Os seguintes sintomas fazem parte do grupo de desatenção: • não prestar atenção a detalhes ou cometer erros por descuidos; • ter dificuldade para concentrar-se em tarefas e/ou jogos; • não prestar atenção ao que lhe é dito; • ter dificuldade em seguir regras e/ou não terminar o que começa; • ser desorganizado com as tarefas e materiais; • evitar atividades que exijam esforço mental; • perder coisas importantes; • distrair-se facilmente; • esquecer compromissos. Os sintomas abaixo fazem parte do grupo de hiperatividade: • ficar mexendo as mãos e/ ou os pés quando sentado; • não parar sentado por muito tempo; • pular, correr excessivamente em situações inadequadas; • ser muito barulhento para jogar ou divertir-se; • falar demais; • responder às perguntas antes de terem sido terminadas; • ter dificuldade de esperar a vez; • intrometer-se em conversa ou jogos dos outros. As pesquisas mais recentes têm mostrado que são necessários pelo menos seis dos sintomas de desatenção e/ ou seis dos de hiperatividade para que se possa pensar na possibilidade do diagnóstico de TDAH. É importante que eles aconteçam freqüentemente. Os sintomas aparecem em algumas crianças após os sete anos até por volta dos doze anos. Para se pensar no diagnóstico do TDAH, é necessária a presença de sintomas em pelo menos dois ambientes diferentes.

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CONCEITOS DA PSICOPEDAGOGIA E DIFICULDADES DE APRENDIZAGEM

Existem três tipos de TDAH: 1) TDAH com predomínio de sintomas de desatenção. Este tipo parece ser mais comum em meninas. 2) TDAH com predomínio de sintomas de hiperatividade. Este tipo parece ser mais comum em crianças menores, está associado a maiores dificuldades de relacionamentos com os amigos e a mais problemas de comportamento. 3) TDAH combinado. Este tipo parece estar associado a prejuízos globais maiores na vida da criança.

Causas do TDAH
O TDAH se caracteriza por um déficit básico no comportamento inibitório. Assim, determinadas áreas do cérebro teriam a função de comandar uma espécie de “freio de inibição”. Devido ao prejuízo do funcionamento deste “freio”, as crianças e adolescentes com TDAH apresentariam maior hiperatividade. Essas crianças não conseguem manter a atenção focalizada por períodos longos. As causas que levam a isso são:

Hereditariedade
Estudos apontam que os genes parecem ser responsáveis por uma predisposição ao TDAH. Essa hipótese foi levantada, inicialmente, a partir de observações em famílias cujos componentes eram portadores de TDAH, e concluiu-se que outros parentes também eram afetados. Essa recorrência familiar foi notada em cerca de 2 a 10 vezes mais do que na população em geral. Temos de levar em consideração que, como em qualquer transtorno do comportamento, a maior ocorrência dentro da família pode ser devido a influências ambientais, como se a criança aprendesse a se comportar de um modo diferente por observar seus pais se comportando desta maneira, o que excluiria o papel de genes. Dessa forma, houve necessidade de comprovar que a recorrência familiar era de fato devida a uma predisposição genética, e não somente ao ambiente. Para isso, também foram realizados estudos com gêmeos e com adotados. Continua.

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Nos estudos com adotados, os cientistas comprovaram que os pais biológicos têm três vezes mais TDAH que os pais adotivos. Os estudos com gêmeos compararam gêmeos univitelinos (divisão do mesmo óvulo) e gêmeos fraternos (óvulos diferentes). Sabe-se que os gêmeos univitelinos têm 100% de semelhança genética e os fraternos 50%, se os univitelinos se parecem mais nos sintomas de TDAH do que os fraternos, a única explicação é a participação de componentes genéticos. Quanto mais parecidos maior é a influência genética para a doença. A partir dos dados destes estudos, os cientistas começaram a procurar que genes poderiam ser estes. Concluíram que, neste transtorno, a predisposição genética envolve vários genes, e não apenas um. Provavelmente não existe, ou não se acredita que exista, um único gene do TDAH. Comprovou-se também que existe maior incidência de depressão, transtorno bipolar, abuso de álcool e drogas nos familiares de portadores de TDAH. Você também pode ouvir este conteúdo no ambiente de estudo.

Sofrimento fetal
Pesquisas recentes apontam que mulheres que tiveram problemas no parto e, por isso, o feto entrou em sofrimento, tinham maiores chances de terem filhos com TDAH. A relação de causa não é clara. É possível que mães com TDAH não tomem tanto cuidado no período gestacional e, com isso, podem provocar problemas na gravidez e no parto.

Exposição ou ingestão de determinadas substâncias tóxicas durante a gravidez
Sabemos que a nicotina e o álcool, quando ingeridos durante a gravidez, podem causar alterações em algumas partes do cérebro do bebê, entre eles a região frontal orbital. Estudos na área indicam que mães alcoólatras têm mais chance de terem filhos com TDAH. É importante lembrar que muitos destes estudos somente nos mostram uma associação entre estes fatores, mas não mostram uma relação de causa e efeito.

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Problemas familiares
Alguns estudos mostraram que problemas familiares como: briga conjugal, baixa instrução dos pais, famílias com apenas um dos pais, dinâmica familiar caótica e baixa renda poderiam ser a causa do TDAH nas crianças. Estudos recentes têm contrariado esta idéia afirmando que as dificuldades familiares podem ser a conseqüência e não a causa do TDAH, isto é, problemas familiares podem agravar um quadro de TDAH, mas não é a causa do transtorno.

Tratamento
O Tratamento do TDAH deve ser multimodal, isto é, deve existir uma combinação de medicamentos, orientação aos pais e professores, além de psicoterapia e técnicas específicas que são ensinadas ao portador de TDAH. A psicoterapia indicada é a Terapia Cognitivo Comportamental. Existe comprovação de que outras formas de psicoterapia não têm ajudado os portadores de TDAH. Recomenda-se tratamento fonoaudiológico nos casos onde existe simultaneamente a dislexia e a disortografia. Alguns portadores de TDAH apresentam baixo rendimento escolar por apresentarem dificuldade em manter a atenção, serem desorganizados e inquietos, mas o TDAH não é um distúrbio da aprendizagem. É necessário que os professores conheçam técnicas que auxiliem os alunos com TDAH a ter melhor desempenho.

Como ajudar crianças e adolescentes com TDA
• Intervenção precoce; • Esclarecimento familiar; • Intervenção psicoterápica e psicopedagógica; • Uso de medicação, se necessário; • Orientação para família e professores.

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Um filme que ilustra o TDAH
Mirian Marchiori, no site www.medicinadocomportamento.com.br, analisa alguns filmes à luz do Transtorno de Déficit de Atenção/Hiperatividade, entre eles, "Procurando Nemo". “Nemo é um peixinho-palhaço (de cor laranja, rajadinho de branco), sobrevivente de um ataque de um predador que matou sua mãe (Coral) e todos os seus futuros irmãozinhos, ainda em ovas. Seu pai (Marlin), agora viúvo, tímido e muito medroso, passa a superprotegê-lo, sem muito sucesso. Nemo, animado, destemido, impulsivo e desbravador (olha o TDAH aí, gente!), vai em busca do perigo, é fisgado por pescadores e acaba virando ornamento de um aquário em Sydney, na Austrália. Marlin, desesperado, tenta encontrar seu filho de qualquer jeito, mas sem a ajuda da simpática peixinha azul Dory – que ele conhece no meio do caminho - isso jamais seria possível. Dory, é tudo de bom! Tirando os exageros, que todo desenho animado exibe, Dory, ao meu ver, é a típica TDAH que vive no mundo da lua: sonhadora, criativa, atrapalhada, desastrada, esquecida, perdidinha da “silva” e falante (noooossa!). Ouvi críticas e críticas sobre o seu “desempenho”: fala demais, é irritante, saturou um pouco o espectador, deram muito ponto pra ela, exageraaaaada! Mas, cá entre nós, Dory roubou a cena de qualquer um. Marlin, em busca de seu filho Nemo, passou sufoco nas “mãos” de Dory. Vivenciou situações extremamente constrangedoras pelo seu jeitinho tão especial e extravagante de ser, bem como pelas suas tremendas gafes sociais, como, por exemplo, chamar uma respeitosa baleia de “miudinho” e tentar se comunicar com ela falando “baleiês” (cena hilária e inesquecível). Não deu outra: a baleia foi lá e papou os dois. Quando eles se conheceram, Marlin até fez um jogo duro, dizendo que ela tinha um “parafuso solto” e que não tinha tempo a perder. Mas depois, como todo bom TDAH, Dory foi cativando... cativando... cativando... que até nós, os grandalhões, ficávamos com aquela carinha boba, contente quando ela aparecia, esperando a próxima confusão que iria arrumar e suas mágicas soluções. Já, quase no finalzinho, o desesperançado Marlin, desistindo de procurar Nemo, pede para sua companheira de jornada Dory seguir o seu próprio caminho. E nesse diálogo entre os dois, está lá, mais uma vez, algo típico de TDAH: “Ah não, não me deixe sozinha. Você foi a única pessoa que conseguiu ficar comigo por tanto tempo!”. É, pessoal, as pessoas com TDAH sofrem de baixa auto-estima, medo da rejeição e não é pouco não! Fazer isso com alguém com TDAH é deixá-lo à mercê de seus próprios transtornos.
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Dory é uma amigona e tanto, e demonstra felicidade quando pode ajudar e ser útil, mesmo com seus desacertos. É ela quem incentiva Marlin, todo o tempo, a encontrar seu filho único, com sua cadência sempre bem humorada: “Continue a nadar! Continue a nadar!”. Pessoas com TDAH são sempre boas companheiras e, muitas vezes, geniais, quando lhes damos a chance de demonstrarem seus talentos e potencialidades natos”.

Indicação de Site: www.medicinadocomportamento.com.br

Exercícios
1. O transtorno de déficit de atenção/ hiperatividade (TDAH) é um problema de saúde mental que tem três características básicas: a desatenção, a agitação e a impulsividade. Pode levar a dificuldades emocionais, de relacionamento familiar e social e a um baixo desempenho escolar. A afirmativa está: a) Incorreta. b) Correta. 2. Vários estudos internacionais e alguns recentes no Brasil têm demonstrado que 1 a 3% da população de crianças de sete a catorze anos apresenta TDAH. A afirmativa está: a) Incorreta. b) Correta. 3. Os sintomas abaixo fazem parte do grupo de hiperatividade: ficar mexendo as mãos e/ ou os pés quando sentado; não parar sentado por muito tempo; não prestar atenção a detalhes ou cometer erros por descuidos; ter dificuldade para concentrar-se em tarefas e/ ou jogos. A afirmativa está: a) Incorreta. b) Correta. 4. Sabemos que a nicotina e o álcool, quando ingeridos durante a gravidez, podem causar alterações em algumas partes do cérebro do bebê, entre eles a região frontal orbital e ser a causa de TDAH. A afirmativa está: a) Incorreta. b) Correta.

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Respostas dos Exercícios
1. O transtorno de déficit de atenção/ hiperatividade (TDAH) é um problema de saúde mental que tem três características básicas: a desatenção, a agitação e a impulsividade. Pode levar a dificuldades emocionais, de relacionamento familiar e social e a um baixo desempenho escolar. A afirmativa está: RESPOSTA CORRETA: B 2. Vários estudos internacionais e alguns recentes no Brasil têm demonstrado que 1 a 3% da população de crianças de sete a catorze anos apresenta TDAH. A afirmativa está: RESPOSTA CORRETA: A 3. Os sintomas abaixo fazem parte do grupo de hiperatividade: ficar mexendo as mãos e/ ou os pés quando sentado; não parar sentado por muito tempo; não prestar atenção a detalhes ou cometer erros por descuidos; ter dificuldade para concentrar-se em tarefas e/ ou jogos. A afirmativa está: RESPOSTA CORRETA: A 4. Sabemos que a nicotina e o álcool, quando ingeridos durante a gravidez, podem causar alterações em algumas partes do cérebro do bebê, entre eles a região frontal orbital e ser a causa de TDAH. A afirmativa está: RESPOSTA CORRETA: B

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Nesta aula, você estudará outros distúrbios da aprendizagem que causam prejuízos na vida escolar da criança e, se não forem tratados, podem acarretar problemas emocionais. Entre eles estão a dislalia (distúrbio da fala), a disgrafia (distúrbio da escrita), a disortografia (escrita com muitos erros ortográficos) e a dislexia (distúrbio caracterizado pela dificuldade na leitura, escrita e soletração).

AULA 08 • OUTROS DISTÚRBIOS DA APRENDIZAGEM

Dislalia
Dislalia é uma palavra que se origina do grego dys + lalia. É um distúrbio da fala que se caracteriza pela dificuldade em articular as palavras. A criança dislálica tem dificuldade em pronunciar as palavras, ora omitindo ou acrescentando fonemas, ora trocando um fonema por outro ou ainda distorcendo-os. A dificuldade em emitir palavras pode também ocorrer em fonemas ou sílabas. Assim, podemos afirmar que os sintomas da dislalia consistem em omitir, substituir ou deformar os fonemas. De modo geral, a fala do dislálico chega a ser ininteligível, porém o desenvolvimento da linguagem pode ser normal ou levemente retardado. Na maioria dos casos, a pronúncia das vogais e dos ditongos costuma ser correta, bem como a habilidade para imitar sons. Diante da criança dislálica é necessário analisar as condições físicas dos órgãos necessários à emissão das palavras, ou seja, do palato, lábios e língua. Também se deve verificar se a audição está perfeita. A dislalia pode ser resultado de disfunções orgânicas ou funcionais da palavra. As disfunções orgânicas resultam das malformações ou de alterações de inervação da língua, da abóbada palatina e de qualquer outro órgão da fonação. Encontram-se em casos de malformações congênitas, tais como o lábio leporino ou como conseqüência de traumatismos dos órgãos fonadores. A dislalia também pode ocorrer devido à enfermidades do sistema nervoso central.

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Porém, quando não se encontra nenhuma disfunção orgânica, dizemos que estamos lidando com a dislalia funcional. Nesses casos, fatores hereditários e emocionais podem ser a causa, imitação ou alterações emocionais. Segundo os fonoaudiólogos, uma criança pode apresentar erros na linguagem até os quatro anos, mas depois dessa fase, se a dislalia não for tratada, outros problemas podem surgir. A dislalia também pode afetar a escrita. Casos conhecidos de portadores de dislalia, encontrados na literatura infantil, são os personagens Cebolinha da Turma da Mônica e Hortelino Troca-Letras, que sempre trocam o “r” inicial e intervocálico por "l”. No caso de Hortelino, o "r" final também é afetado, além de um caso especial quando pronuncia a palavra "coelho", que surge como “toelho”. Cebolinha (ao invés de “rabo” pronuncia “labo”) Hortelino (ao invés de “rua” pronuncia “lua”) (ao invés de “poder” pronuncia “pode”) (ao invés de “coelho” pronuncia “toelho”)
A criança dislálica pode apresentar dificuldade no aprendizado da escrita porque ela omite, substitui, distorce ou acrescenta sons. Veja os exemplos abaixo: Omissão: não pronuncia sons - "omei" = "tomei"; Substituição: troca alguns sons por outros - "balata" = "barata"; Acréscimo: introduz mais um som - "Atelântico" = "Atlântico".

Tratamento da dislalia
Inicialmente é feita uma pesquisa das condições físicas dos órgãos necessários à articulação das palavras. Verifica-se também a mobilidade desses órgãos: palato, lábios e língua, assim como a audição nos aspectos de quantidade e também a qualidade (percepção) auditiva. É importante uma estimulação da percepção auditiva para que a criança ou o adulto possa identificar e corrigir a sua emissão de fonemas, sílabas, palavras e frases.

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Disgrafia
A disgrafia é uma alteração da escrita normalmente ligada a problemas perceptivomotores. Para realizar movimentos finos necessários à escrita, a criança deve desenvolver a coordenação motora, a percepção para discriminar as diferentes letras e desenvolver a linguagem para compreender o simbolismo da linguagem oral e da linguagem escrita.
Podemos dizer que uma criança é disgráfica, quando apresentar: 1) traços imprecisos e incontrolados; 2) falta de pressão no lápis ou debilidade no traçado; 3) traçados muito forte que chegam a marcar o papel; 4) grafismos indiferenciados na forma e no tamanho; 5) escrita desorganizada que se pode referir não só a irregularidades e falta de ritmo dos signos gráficos, mas também a globalidade do conjunto escrito; 6) realizar incorretamente movimentos que estejam ligados à orientação espacial.

Disortografia
A disortografia consiste numa escrita não necessariamente disgráfica, mas com muitos erros, que se manifestam assim que a criança aprende a ler e escrever. Estudos revelam que 90% das disortografias têm como causa um atraso de linguagem (disortografias verdadeiras). Os 10% restantes têm como causa uma possível disfunção neurológica. Uma pessoa é considerada disortográfica quando comete um grande número de erros. Devemos observar: 1) Se existe troca de grafemas: geralmente as trocas de grafemas acontecem por problemas de discriminação auditiva. Quando a criança troca fonemas na fala, provavelmente ela escreverá apresentando as mesmas trocas, mesmo que os fonemas não tenham sons semelhantes; 2) Falta de vontade de escrever;

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3) Dificuldade em perceber as sinalizações gráficas, como parágrafos, travessão, pontuação e acentuação; 4) Dificuldade em usar orações coordenadas e subordinadas; 5) Escrita de textos muito reduzidos; 6) Aglutinação ou separação indevida das palavras.

Dislexia
A dislexia é um distúrbio ou transtorno de aprendizagem na área da leitura, escrita e soletração de maior incidência nas salas de aula. Pesquisas realizadas em vários países mostram que entre 5% e 17% da população mundial é disléxica. A dislexia é uma condição hereditária com alterações genéticas, apresentando ainda alterações no padrão neurológico e não o resultado de má alfabetização, desatenção, desmotivação, condição sócio-econômica ou baixa inteligência. A dislexia deve ser diagnosticada por uma equipe multidisciplinar, pois esse tipo de avaliação garante um acompanhamento mais efetivo das dificuldades após o diagnóstico, direcionando-o às particularidades de cada indivíduo, levando a resultados mais concretos.

Como identificar a dislexia
Por tratar-se de um distúrbio genético e hereditário, deve-se averiguar se a criança tem pais, irmãos ou outros parentes disléxicos. Quanto mais cedo for realizado o diagnóstico melhor para a criança, para os pais e para a escola. A criança deverá passar pelo processo de avaliação diagnóstica realizada por uma equipe multidisciplinar especializada. Para melhor identificação da dislexia, a ABD (Associação Brasileira de Dislexia) esclarece que a criança disléxica apresenta sempre: 1) dificuldades com a linguagem e escrita; 2) dificuldades em escrever; 3) dificuldades com a ortografia; 4) lentidão na aprendizagem da leitura.

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Muitas vezes podemos observar: 1) disgrafia; 2) discalculia, dificuldade com a matemática, sobretudo na assimilação de símbolos e de decorar tabuada; 3) dificuldades com a memória de curto prazo e com a organização; 4) dificuldades em seguir indicações de caminhos e em executar seqüências de tarefas complexas; 5) dificuldades para compreender textos escritos; 6) dificuldades em aprender uma segunda língua. Às vezes, a criança disléxica apresenta: 1) dificuldades com a linguagem falada; 2) dificuldade com a percepção espacial; 3) confusão entre direita e esquerda.

Alertas na Educação Infantil
Caso a criança esteja cursando a escola de Educação Infantil, fique alerta se ela apresentar alguns sintomas descritos abaixo: 1) Dispersão; 2) Fraco desenvolvimento da atenção; 3) Atraso no desenvolvimento da fala e da linguagem; 4) Dificuldade em aprender rimas e canções; 5) Fraco desenvolvimento da coordenação motora; 6) Dificuldade com quebra cabeça; 7) Falta de interesse por livros impressos. O fato de a criança apresentar alguns desses sintomas não indica necessariamente que ela seja disléxica; há outros fatores a serem observados. Porém, com certeza, estaremos diante de um quadro que pede uma maior atenção e/ou estimulação.

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Alertas na Idade Escolar
Nesta fase, pais e educadores devem estar atentos, pois, se a criança continuar apresentando alguns ou vários dos sintomas descritos acima e os que relataremos adiante, é necessário realizar um diagnóstico adequado e acompanhamento psicopedagógico para que ela possa dar continuidade aos estudos. Se não houver o acompanhamento adequado, os sintomas persistirão e irão adentrar a fase adulta, com possíveis prejuízos emocionais, sociais e profissionais. Na fase escolar, os sintomas são: 1) Dificuldade para aprender a ler e escrever; 2) Pobre conhecimento de rima (sons iguais no final das palavras – panela, janela) e aliteração (sons iguais no início das palavras – família, faminto); 3) Desatenção e dispersão; 4) Dificuldade em copiar tanto de livros como da lousa; 5) Dificuldade na coordenação motora fina (desenhos, pintura) e/ou grossa (ginástica, dança); 6) Desorganização geral (atrasos na entrega de trabalhos escolares e perda de materiais escolares); 7) Confusão entre esquerda e direita; 8) Dificuldade em manusear mapas, dicionários, listas telefônicas, tabelas. 9) Vocabulário pobre, ou com sentenças curtas e imaturas ou com sentenças longas e sem sentido; 10) Dificuldade na memória de curto prazo (instruções, recados); 11) Dificuldades em decorar seqüências, como meses do ano, dias da semana, alfabeto, tabuada; 12) Dificuldade na matemática e desenho geométrico; 13) Dificuldade em nomear objetos e pessoas (disnomia); 14) Troca de letras na escrita (disgrafia); 15) Dificuldade na aprendizagem de um segundo idioma;

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16) Problemas de conduta, como depressão, timidez excessiva ou seu oposto, o ‘’engraçado’’ da turma; 17) Bom desempenho em provas orais. Se a criança não teve um acompanhamento adequado na fase pré-escolar ou escolar, quando adulto ainda apresentará dificuldades em: 1) Leitura e escrita; 2) Memória imediata prejudicada; 3) Dificuldade na aprendizagem de um segundo idioma; 4) Dificuldade em nomear objetos e pessoas (disnomia); 5) Confusão entre direita e esquerda; 6) Dificuldade para se organizar; 7) Aspectos afetivos emocionais prejudicados, trazendo como conseqüência: depressão, ansiedade, baixa auto-estima e, algumas vezes, o início de uso de drogas e de álcool.

Diagnóstico
Antes de um diagnóstico multidisciplinar, os sintomas apenas indicam um distúrbio de aprendizagem, mas não confirmam a dislexia. Os mesmos sintomas podem indicar outras alterações, como lesões ou síndromes. Então, qual a melhor forma para se diagnosticar a dislexia? Identificado o problema de rendimento escolar ou sintomas isolados, que podem ser percebidos na escola ou mesmo em casa, deve-se procurar ajuda especializada composta por uma equipe multidisciplinar, formada por psicóloga, fonoaudióloga e psicopedagoga clínica. Essa equipe deve ampliar o processo de avaliação, verificando a necessidade do parecer de outros profissionais, como neurologista, oftalmologista e otorrinolaringologista. A equipe de profissionais deve fazer a avaliação multidisciplinar e de exclusão, ou seja, verificar todas as possibilidades antes de confirmar ou descartar o diagnóstico de dislexia. Além disso, deve-se descartar fatores como déficit cognitivo, deficiências auditivas e/ ou visuais, lesões cerebrais congênitas e adquiridas, desordens afetivas anteriores ao fracasso escolar, pois constantes fracassos podem levar a pessoa a apresentar prejuízos emocionais, mas

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estes não são a causa da dislexia, e sim a conseqüência. Deve-se ainda pedir um relatório da escola, ouvir os pais para fazer um levantamento do histórico familiar e de evolução do paciente. Após todo esse processo, se a dislexia for confirmada, deve-se encaminhar o paciente a profissionais adequados. Os resultados irão aparecer de forma consistente e progressiva e depende de cada caso e da predisposição de cada indivíduo. Quando é dito ao paciente que ele não tem uma doença grave e que poderá aprender como as outras pessoas, a tendência do disléxico é contornar suas dificuldades, encontrando seu caminho. Sempre que puder associar o que aprende a situações do cotidiano, o disléxico responde bem ao tratamento. Eles têm sua própria lógica de pensamento, por isso o vínculo entre profissional e paciente é fundamental. Durante o tratamento, o profissional deve utilizar o sistema multisensorial e cumulativo, ou seja, só poderá avançar se as etapas anteriores forem cumpridas, caso contrário não obterá sucesso. Para que o tratamento seja eficaz, o profissional, a escola e a família devem estar em constante sintonia, discutindo e avaliando os procedimentos adotados.

Atenção aos distúrbios de aprendizagem

Por Ligia de Carvalho Abões Vercelli Como profissional da saúde e da educação há trinta anos, sinto-me na obrigação de fazer um alerta quanto às questões relativas às dificuldades de aprendizagem. Durante minha trajetória profissional, observei muitos profissionais da educação se isentarem das responsabilidades que deveriam ter como educadores e atribuírem o fracasso escolar ao aluno, como se ele fosse o único culpado. Além disso, outros fatores estruturais, como salas superlotadas, inclusão de alunos com diferentes necessidades especiais em uma sala que já possui 40 crianças, falta de infraestrutura do prédio, falta de professores na rede pública tem ocasionado o fracasso escolar e os alunos também não são culpados. Por esses motivos, crianças e jovens têm sido encaminhados para profissionais da saúde como portadores dos mais variados distúrbios de aprendizagem. Penso que não podemos descartar as dificuldades de “ensinagem” por parte de alguns professores e o descaso de nossos governantes no que se refere à educação básica, caso contrário, nossas crianças e suas famílias serão sempre culpabilizadas pelas mazelas da educação e a psicologização na educação continuará ocorrendo. Continua.

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Não descarto a necessidade de atendimento especializado para muitas crianças, mas o que tem ocorrido é que a maior parte delas tem sido encaminhada antes de se questionar que trabalho está sendo realizado com ela, qual seu histórico escolar, nível sócio-econômico e cultural. Sem essa análise, partiremos do princípio que o ser humano é apenas um ser biológico e descartaremos todos os outros aspectos que o compõem, tais como: o social, o cultural, o psíquico, o afetivo, entre outros. Em março de 2008, o jornal do Conselho Regional de Psicologia de São Paulo divulgou um manifesto contra um Projeto de Lei que está em andamento na Câmara Municipal de São Paulo, que propõe serviços especializados em dislexia voltados a alunos da rede municipal de ensino. É um dos diversos Projetos de Lei que está em trâmite, no Brasil, centrado na dislexia, sem questioná-la. Caso seja aprovado, novamente a escola e os governantes terão como justificar o mau rendimento de nossas crianças, rotulando-as de disléxicas. Partirão do princípio que “eu fiz minha parte, essa criança é que é disléxica, por isso não aprende”, e continuarão se isentando de suas responsabilidades. Muitos psicólogos, e eu faço parte desta lista, estão preocupados com esta situação. Leia o manifesto, na íntegra, no site: www.crpsp.org.br Você também pode ouvir este conteúdo no ambiente de estudo.

Exercícios
1. Dislalia é um distúrbio da fala que se caracteriza pela dificuldade em articular as palavras. A criança dislálica tem dificuldade em pronunciar as palavras, ora omitindo ou acrescentando fonemas, ora trocando um fonema por outro ou ainda distorcendo-os. A afirmativa está: a) Incorreta. b) Correta. 2. O psicopedagogo é o profissional responsável por tratar a dislalia. A afirmativa está: a) Incorreta. b) Correta. 3. A dislexia é uma alteração da escrita normalmente ligada a problemas perceptivo-motores. A afirmativa está: a) Incorreta. b) Correta.

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4. A dislexia é um distúrbio ou transtorno de aprendizagem na área da leitura, escrita e soletração de maior incidência nas salas de aula. A afirmativa está: a) Incorreta. b) Correta.

Respostas dos Exercícios
1. Dislalia é um distúrbio da fala que se caracteriza pela dificuldade em articular as palavras. A criança dislálica tem dificuldade em pronunciar as palavras, ora omitindo ou acrescentando fonemas, ora trocando um fonema por outro ou ainda distorcendo-os. A afirmativa está: RESPOSTA CORRETA: B 2. O psicopedagogo é o profissional responsável por tratar a dislalia. A afirmativa está: RESPOSTA CORRETA: A 3. A dislexia é uma alteração da escrita normalmente ligada a problemas perceptivo-motores. A afirmativa está: RESPOSTA CORRETA: A 4. A dislexia é um distúrbio ou transtorno de aprendizagem na área da leitura, escrita e soletração de maior incidência nas salas de aula. A afirmativa está: RESPOSTA CORRETA: B

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AULA 09 • ESTUDO DE CASO

Aqui é o momento de aplicar todos os conceitos estudados nesta disciplina. Lembre-se que o Estudo de Caso será postado pelo seu professor no botão "Atividades/ Tarefas".

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