Universidade Federal de Pernambuco Centro de Tecnologia e Geociências Departamento de Engenharia Química e Química Industrial

Equilíbrio Heterogêneo: Sistema Ternário

Aluno: Paulo José Guedes Oliveira dos Santos Professora: Luciano Almeida Disciplina: Laboratório de Físico-Química 2 Curso: Química Industrial Turno: noite Recife, 02 de Dezembro de 2011 1

para a representação das composições do sistema a diferentes temperaturas. e exprimindo as quantidades dos três componentes do sistema em frações relativas à unidade. mas apenas pela temperatura. pressão e as concentrações de dois componentes podem variar independentemente. que precisam ser fixados para que a condição do sistema em equilíbrio seja completamente definida. Qualquer ponto interno do triângulo indica um sistema de três componentes. pois. a temperatura. funis de separação de 125 mL. o número de componentes (C) e o de fases (P) presentes no equilíbrio. e traça-se a cada lado uma série de segmentos paralelos. provetas de vidro graduadas de 50 mL. dois.. Sistemas de grau de liberdade um. um ponto situado em um dos lados representa somente dois componentes à quantidade do terceiro sendo zero. solução 2 . Define-se fase como sendo qualquer parte fisicamente distinta e homogênea de um sistema. isto é. o procedimento usual é considerar um sistema condensado. suporte para bureta. bivariante. Estes apresentam a propriedade de a soma das distâncias de qualquer ponto interno aos três lados ser igual à altura do triângulo. pêra de borracha. ignora-se a fase vapor.. erlenmeyers de 205 mL. Os vértices do triângulo representam os componentes puros. O número de componentes é o menor número de constituintes químicos independentes por meio dos quais é possível expressar a fase. Procedimento e Metodologia Materiais e reagentes Buretas de vidro de 50 mL. O número de graus de liberdade ou variância de um sistema é o número de variáveis independentes. Tomando-se o comprimento da altura por unidade. trivariante. como temperatura. Assim o número de graus de liberdade se reduz a três e pode-se recorrer a um modelo tridimensional. etc. a regra das fases estabelece a relação entre o número de graus de liberdade (F) do sistema. etc. anéis para suporte. Para facilitar a localização dos pontos correspondentes às várias composições no diagrama triangular. pressão e concentração.Introdução Diagrama de fase ou diagrama de equilíbrio é um diagrama que ilustra o equilíbrio entre várias fases de substâncias constituintes de um sistema. Visando a simplificação da representação gráfica das condições de equilíbrio para três componentes. separada das outras partes do sistema por superfícies definidas. pela equação: F=C-P+2 Para sistemas de três componentes é possível se ter 4 graus de liberdade. Admitindo-se que o equilíbrio entre as fases não é influenciado pela gravidade. respectivamente. a altura é dividida em dez ou mais segmentos iguais. pressão e concentração. são chamados de univariante. ou por forças de superfície. três. pipetas graduadas de 10 mL. pipetas volumétricas de 5 mL. Considerando-se a temperatura constante. pode-se indicar de uma maneira simples a composição do sistema de três componentes independentes por meio de um diagrama triangular eqüilátero. torna-se possível a representação da composição de qualquer sistema por meio de um ponto no diagrama. por forças elétricas ou magnéticas.

quando foi fixado o volume de éter no sistema e variou-se o volume de água. preparou-se os sistemas de acordo com o especificado na tabela 1: Volume de éter (mL) 30 30 35 Volume de água (mL) 35 25 40 Volume de ácido acético (mL) 35 45 25 Funil A Funil B Funil C Agitou-se vigorosamente cada um deles. e deixou-se as camadas se separarem. adicionou-se lentamente ácido acético sob agitação vigorosa até a obtenção de um sistema límpido (solução dos 3 componentes). Em seguida. 10. solvente orgânico. Determinação da curva binodal Inicialmente. com a bureta.0 mol/L. Pesou-se o conjunto e submeteu-se o sistema a uma titulação utilizando a solução de hidróxido 2. 20 e 30 mL de água ao sistema. anotando o volume de ácido utilizado. Agitou-se e observou-se a formação de uma mistura turva. Determinação dos pontos de tie line Em três funis de separação. 30 e 50 mL de éter e anotou-se o volume de ácido usado em cada caso. tendo o cuidado para aliviar a pressão interna quando necessário. ácido acético glacial. Repetiu-se o processo adicionando mais 5. 10. A massa (m) dos compostos é calculada por meio da expressão (III). 20. Anotou-se o volume de ácido gasto. Resultados e Discussões Determinação da curva binodal Os resultados experimentais podem ser encontrados na tabela 2. Em seguida. Em outro erlenmeyer. Repetiu-se o procedimento para os dois funis restantes. adicionou-se ácido acético até homogeneizar o sistema e anotou-se o volume gasto do ácido. Da mesma forma que foi feito para a água. Anotou-se o volume de base gasta. solução de fenolftaleína. em que: d é a densidade do composto e V é o volume do mesmo: m = d ⋅V (III) 3 . colocou-se 2 mL de benzeno e 5 mL de água. tomou-se 5 mL da fase aquosa resultante de um deles e transferiu-se esta para um erlenmeyer previamente tarado. Anotou-se os volumes mínimos de ácido gasto para homogeneizar o sistema em cada repetição.0 mol/L e fenolftaleína como indicador. Com a bureta. repetiu-se o processo adicionando mais 5. Depois.aquosa de hidróxido de sódio (NaOH) 2. adicionou-se à solução formada mais 2 mL de água e repetiu-se a adição de ácido acético com a bureta até obter-se novamente uma solução. colocou-se em um erlenmeyer 10 mL de éter com o auxílio da proveta e 3 mL de água com a ajuda da pipeta graduada.

utilizando a expressão (VI).72 8.93 1.11 0.807 79.11 0.44 0. Composição dos sistemas. Tabela 2.33 1.89 V(C6H6) (mL) 10 10 10 10 10 10 m(éter) (g) 8.72 8.11 2.83 Diante dos resultados obtidos.9 53.343 26. e porcentagem em massa.11 0.56 1. utilizando a expressão (V).4 m(C2H4O2) (g) 7.829 109.12 0. 4 .17 0.0 g/mL.330 37. densidade do éter = 0. Os resultados obtidos por meio de cálculos estão na tabela 3: x (A = ) n (A ) n total (V ) m (A ) ⋅ 100 % m total (V I) % (m ) (A = /m ) Tabela 3.049 g/mL. densidade do ácido acético = 1. foi possível determinar composição dos sistemas no momento da homogeneização (resultante da adição de ácido acético): fração molar.71 g/mL.1 35.28 0.11 V(C2H4O2) (mL) 7 25. Ensaio 1 2 3 4 5 6 V(H2O) (mL) 3 5 10 20 40 70 m(H2O) (g) 3 5 10 20 40 70 n(H2O) (mol) 0.12 g/mol.11 0.72 8.11 0.516 n(C2H4O2) (mol) 0. massa molar da água = 18 g/mol. massa molar do éter = 74. em que m é a massa do composto e M é a massa molar do composto: n = m M (IV ) Os dados adicionais necessários para a realização dos cálculos podem ser observados logo abaixo: densidade da água = 1. no momento da homogeneização.63 0.2 76.72 n(éter) (mol) 0.659 55.A quantidade de matéria (n) é calculada pela expressão (IV). calculadas com os dados constantes na Tabela 2.72 8. Resultados experimentais do ensaio realizado adicionando água e mantendo fixo o volume de éter. massa molar do ácido acético = 60 g/mol.1 104.22 3.72 8.

424 102.28 0.23 0. Os resultados obtidos por meio de cálculos estão na tabela a seguir: Tabela 5. como foi feito anteriormente.19 0.35 0.104 14. Resultados experimentais do ensaio realizado adicionando solvente orgânico e mantendo fixo o volume de água.10 De posse desses valores numéricos.72 109.28 0.744 6.08 0. Composição dos sistemas.Ensaio 1 H2O Éter C2H4O2 Ensaio 3 H2O Éter C2H4O2 Ensaio 5 H2O Éter C2H4O2 massa (g) 3 8.264 58.61 0. utilizando a expressão (H).829 fração molar 0. utilizando a expressão (J).5 47.75 1. e porcentagem em massa.289 49.72 79. no momento da homogeneização. calculadas com os dados constantes na Tabela 4.28 2 7 17 37 67 117 1.72 55.113 38.330 massa (g) 20 8.36 % (m/m) (%) 16 46 39 % (m/m) (%) 18 15 67 % (m/m) (%) 31 7 62 Ensaio 2 H2O Éter C2H4O2 Ensaio 4 H2O Éter C2H4O2 Ensaio 6 H2O Éter C2H4O2 massa (g) 5 8.28 0.828 66.31 % (m/m) (%) 12 22 66 % (m/m) (%) 24 10 66 % (m/m) (%) 37 5 58 A tabela 4 contém os resultados experimentais encontrados quando fixou-se o volume de água no sistema e variou-se o volume de éter.41 0.807 massa (g) 70 8.42 0.057 21.67 0.43 fração molar 0.47 0.2 26.09 0.659 massa (g) 40 8.72 37.72 26.516 fração molar 0.34 0.02 0.64 0.53 fração molar 0.28 0.4 20.024 0.43 0.28 0.31 13.72 7.13 0.03 0. Só para lembrar que a massa é calculada por meio da expressão (O) e a quantidade de matéria é calculada pela expressão (K). Ensaio V(H2O) (mL) m(H2O) (g) n(H2O) (mol) V(éter) (mL) m(éter) (g) n(éter) (mol) V(C2H4O2 ) (mL) m(C2H4O2) (g) n(C2H4O2) (mol) 1 2 3 4 5 6 5 5 5 5 5 5 5 5 5 5 5 5 0.48 fração molar 0.05 0.28 0.824 32. Tabela 4.83 1.190 28. determinou-se a composição dos sistemas no momento da homogeneização (resultante da adição de ácido acético): fração molar.02 0.5 63 14.087 0.343 massa (g) 10 8.31 fração molar 0.52 0.8 36. Ensaio 1 massa (g) fração molar % (m/m) (%) Ensaio 2 massa (g) fração molar % (m/m) (%) 5 .

424 49.39 0.15 0.40 0.289 massa (g) 5 102.824 28. Figura 2: Diagrama ternário plotado utilizando os valores de porcentagem em massa dos compostos.45 24 8 68 % (m/m) (%) 10 31 59 % (m/m) (%) 4 52 44 H2O C6H6 C2H4O2 Ensaio 4 H2O C6H6 C2H4O2 Ensaio 6 H2O C6H6 C2H4O2 5 6. Nas mesmas figuras.50 fração molar 0.04 0.087 0. 6 .190 massa (g) 5 32. construiu-se os diagramas ternários que aparecem a seguir.H2O Éter C2H4O2 Ensaio 3 H2O Éter C2H4O2 Ensaio 5 H2O Éter C2H4O2 5 1.024 66.21 0. já o da Figura 5 foi plotado utilizando-se as composições em fração molar.11 0.30 0.113 massa (g) 5 58.44 fração molar 0.48 fração molar 0. constantes das Tabelas 3 e 5.10 0. as curvas de solubilidade estão representadas pelas auto-formas em vermelho.52 0.49 0.828 0.41 15 19 66 % (m/m) (%) 7 43 51 % (m/m) (%) 3 59 38 De posse da tabela anterior.264 38. Na Figura 2 foi feito o diagrama utilizando a porcentagem em massa.20 0.057 massa (g) 5 14.50 fração molar 0.31 0.744 14.104 21.

m2 é a massa do conjunto e VT é o volume gasto na titulação.Figura 3: Diagrama ternário plotado utilizando os valores de fração molar dos compostos.3 24. éter e ácido acético apresenta os possíveis pares: (a) água e ácido acético: completamente miscíveis. que se localiza na região interior à curva de solubilidade. completamente justificável. constantes das Tabelas 3 e 5. Determinação dos pontos de tie line A tabela 6 contém os resultados das pesagens realizadas e dos volumes de base gastos nas titulações. Tabela 6.59 VT (mL) 19. Valores experimentais para os volumes de base utilizados nas titulações. Os resultados estão na tabela 7: 7 .78 62.96 44. composto por água.69 m2 (g) 70.4 14. é possível calcular a quantidade de matéria (n 1) e a massa (m1) de ácido acético na fase aquosa. A região acima da curva binodal é bastante pequena se comparada com a região abaixo da curva binodal e situa-se próxima ao vértice correspondente ao ácido acético puro devido a sua grande solubilidade tanto no éter como na água. utilizando as expressões (D) e (E).14 59. uma vez que o sistema ensaiado. As curvas de solubilidade obtidas nos diagramas ternários obtidos têm uma configuração do tipo I. em que: m1 é a massa do erlenmeyer vazio.56 56. temos um ponto proveniente de um erro experimental grosseiro. (c) água e éter: praticamente imiscíveis. (b) éter e ácido acético: completamente miscíveis. Ensaio realizado no funil A B C m1 (g) 65. Em ambos os diagramas das Figuras 2 e 3.6 De posse desses valores e dos volumes totais de água em cada ensaio (constantes na Tabela 1).

2702 0.565 12. m1. sabendo-se o volume de água na operação fornecido na Tabela 1) é mostrada na tabela Tabela 8.244 0. a porcentagem em massa do ácido na fase orgânica (% (m/m) B) é calculada facilmente pela expressão (6). Quantidade de matéria e massa de ácido acético presente na fase aquosa.64 14.2336 m1 (g) 16.52 mtotal (g) 46.205 26.715 47. pois também se sabe o volume total de éter no início da operação (vide Tabela 1). Porcentagem em massa de ácido acético na fase aquosa. calculada pela expressão (VI).209 mo éter (g) 26.503 32. Informações referentes à composição da fase orgânica. onde a massa total é: Todas as informações necessárias.212 39. e a massa final encontrado na fase aquosa. Ensaio realizado no funil A B C n1 (mol) 0. m2: m 2 = m o ácido − m1 Sabendo que a massa inicial de éter (mo éter) utilizada pode ser encontrada pela expressão (III). juntamente com a porcentagem em massa. citadas nos dois parágrafos anteriores.0 mol/L 5 mL = n 1 ⋅ 60 g/mol (E) (D) Tabela 7.729 % (m/m)B (%) 44 55 29 8 .725 42. uma vez que temos o volume total desta substância no início da operação na Tabela 1).212 14. dada pela soma da massa de ácido (m1) com a massa de água utilizada no ensaio (m água.64 54.225 m2 (g) 20.016 % (m/m)A (%) 32 37 26 Pela diferença entre a massa de ácido acético inicial. Ensaio realizado no funil A B C mo ácido (g) 36. calculada pela equação (3).663 58. constam na tabela 9: Tabela 9. se pode determinar sua massa na fase orgânica. Ensaio realizado no funil A B C m água (g) 35 25 40 mtotal (g) 51.016 A massa da fase aquosa em cada ensaio (mtotal). Tabela 8. mo ácido (calculada com o uso da expressão (III).16 30.n1 = m1 Volume de água (mL) ⋅ VT ⋅ 2.16 26.

39 0.34 0.16 36.67 0. Ensaio A Água Éter Ácido acético x(água) x(éter) x(ácido acético) Volume (mL) 35 30 35 0.73 0.94 0.13 0.16 47.21 massa (g) 35 26.44 % (m/m) água (%) % (m/m) éter (%) % (m/m) ácido acético (%) 4 1 3 2 2 7 Colocando essas coordenadas de porcentagem em massa no diagrama ternário da Figura 2.34 0.715 Quantidade de matéria (mol) 1.22 0.13 0.14 massa (g) 40 30.12 0.79 % (m/m) água (%) % (m/m) éter (%) % (m/m) ácido acético (%) 2 5 2 7 4 8 Ensaio C Água Éter Ácido acético x(água) x(Éter) x(ácido acético) Volume (mL) 40 35 25 0.61 % (m/m) água (%) % (m/m) éter (%) % (m/m) ácido acético (%) 3 6 2 7 3 8 Ensaio B Água Éter Ácido acético x(água) x(Éter) x(ácido acético) Volume (mL) 25 30 45 0.55 0. As coordenadas calculadas estão na Tabela 10.O próximo passo é calcular a porcentagem em massa de cada componente no sistema para inserir essas coordenadas no diagrama ternário construído anteriormente (Figura 4).225 Quantidade de matéria (mol) 2.52 26.31 massa (g) 25 26.205 Quantidade de matéria (mol) 1.39 0. temos a seguinte imagem Figura 4: Erro experimental 9 .

Conclusão O diagrama ternário é uma ferramenta muito utilizada nas análises de operações de extração de líquidos. Belo Horizonte: Editora UFMG. O. Referência Bibliográficas 1) DE MIRANDA-PINTO. W. pois a construção do gráfico ternário exige o conhecimento do software Origin. 7th ed. M. De Souza. 3) DE ALMEIDA. B. C. 2003. pois se tratavam de sistemas bifásicos. J. Determinação voltamétrica de molibdênio(VI) utilizando um sistema ternário homogêneo de solventes. New York: McGraw Hill. (Tese de doutorado) 10 . C. São Paulo: Universidade Estadual de campinas. Os pontos plotados no diagrama referentes à determinação das tie lines encontraram-se na região abaixo da curva binodal como previsto na literatura. 2006. O ponto contido na circunferência em verde representa o erro experimental cometido e não deve ser confundido com os sistemas ensaiados nos funis de separação A. SMITH. Manual de trabalhos práticos de Físico-química. P. E. Unit operations of chemical engeneering. O conhecimento e experiência do analista para a interpretação dos dados obtidos é necessária. As auto-formas em azul correspondem às tie lines traçadas. os resultados obtidos foram bastante satisfatórios e coerentes com o previsto pela literatura. 2) MC CABE.. Observe que cada uma delas contém um dos pontos experimentais conseguidos através do procedimento de titulação.Figura 4: Determinação das tie lines (em azul) a partir de dados experimentais. Com relação as curvas de solubilidade e tie lines. L. A.. 2005. B ou C. HARRIOTT.

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