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António Manuel Marques de Sousa Alves Lopes

O COMPORTAMENTO DA DEFESA DA SELECÇÃO DE ESPANHA NO TORNEIO DE ANDEBOL NOS JOGOS OLÍMPICOS DE PEQUIM

2008

ANÁLISE SEQUENCIAL NO MÉTODO ORGANIZADO DE JOGO DE ANDEBOL EM SITUAÇÃO DE 6X6

Orientador: Professor Doutor Oleguer Camerino

Co-orientador: Professor Doutor Pedro Sequeira

Co-orientador: Professor Doutor Leonel Morgado

Universidade Lleida

Instituto Nacional de Educação Física da Catalunha

Lleida

2011

Universidade Lleida

Instituto Nacional de Educação Física da Catalunha, Lleida

Programa de doutoramento: Fonaments Metodològics de la Recerca de l’Activitat Física i l’Esport

O comportamento da defesa da Selecção de Espanha no Torneio de Andebol nos Jogos Olímpicos de Pequim 2008

Análise sequencial no método organizado de jogo de Andebol em situação de 6x6

Dissertação apresentada para a obtenção do Grau Doutor pela Universidade de Lleida

António Manuel Marques de Sousa Alves Lopes

Orientador: Professor Doutor Oleguer Camerino

Co-orientador: Professor Doutor Pedro Sequeira

Co-orientador: Professor Doutor Leonel Morgado

Lleida

2011

Lopes, A. (2011). O comportamento da defesa da Selecção de Espanha no Torneio de Andebol nos Jogos Olímpicos de Pequim 2008. Análise sequencial no método organizado de jogo de Andebol, em situação de 6x6. Lleida: A. Lopes. Tese de Doutoramento apresentado ao Instituto Nacional de Educação Física da Catalunha da Universidade de Lleida.

Palavras-chave: Análise de Jogo, Andebol, Defesa, T-Patterns, Formação Treinadores, Second Life®.

Em memória do Miguel Ananias (1993-2011):

If good things lasted forever, would we appreciate how precious they are?

Para Sílvia:

Speak to me in a language I can hear humor me Before I have to go Deep in thought I forgive everyone As the cluttered streets greet me once again I know I can't be late supper's waiting on the table (V VI) Tomorrow’s just an excuse away So I pull my collar up and face the cold, on my own (VI) The earth laughs beneath my heavy feet (IX) At the blasphemy in my old jangly walk (XIV) Steeple guide me to my heart and home (XVI) The sun is out and Up and down again (XV) I know I’ll make it, love can last forever (IX) Graceful swans of never topple to the earth (III) And you can make it last, forever you (XXII) You can make it last, forever you (XIX) And for a moment I lose myself Wrapped up in the pleasures of the world I’ve journeyed here and there and back again (X) But in the same old haunts I still find my friends (XI) Mysteries not ready to reveal (V) Sympathies I’m ready to return I’ll make the effort, love can last forever Graceful swans of never topple to the earth Tomorrow’s just an excuse And you can make it last, forever you You can make it last, forever you 33, Corgan, B.

Agradecimentos

Antes de qualquer agradecimento gostaria de pedir desculpa pelo meu egoísmo para a

realização deste trabalho, que me privou do tempo estar com aqueles que me são mais

queridos:

- às minhas 3 Marias (minha avó, minha mãe e minha irmã) e ao meu avô que se sacrificaram, apoiaram e me chamaram à razão em todos os momentos, especialmente naqueles que eu

discordava;

- à Sílvia, que me inspira e ensina todos os dias a ser mais justo e me contagia com a sua

alegria, da forma como defende a vida, a liberdade e a igualdade, mas acima de tudo pelo seu

AMOR;

- ao Ivo pela sua vivacidade, alegria e AMIZADE incondicional em cada reencontro.

Ao professor Oleguer Camerino pela sua persistência, dedicação e sacrifício na direcção desta tese e nos ensejos proporcionados além fronteiras.

Ao meu amigo, companheiro de viagem e de busca pela verdade e simplicidade Dr. Mário Beça.

Altruísmo, tolerância, humildade, empatia e amizade seriam as palavras que escolheria para descrever o professor e amigo Pedro Sequeira, que desde o dia que nos conhecemos me proporcionou oportunidades que nunca imaginei ter e apenas porque sim.

Ao professor Leonel Morgado, pelo entusiasmo, envolvimento, paixão com que contagia e abraça cada projecto. A sua clareza e proficiência foram cruciais nas decisões a tomar na direcção desta tese.

Às professoras Marta Castañer e Maria Teresa Anguera pelo seu incentivo desinteressado e amizade neste percurso.

Ao Bruno Pires, Márcio Cardoso e José Maria Dinis pelo entusiasmo e dedicação nos desafios apresentados.

Aos “meu professores de Andebol” João Prudente, José António Silva, Paulo Sá, Pedro Alvarez, Carlos Cruz, João Comédias, Claude Onesta, Manolo Laguna, Matts Olson, Rolando Freitas, António Cunha, Manolo Cadenas, Branislav Pokrajac, João Castro, Victor Marques, Ricardo Costa e Luís Duque pela sua disponibilidade na partilha do vasto conhecimento que têm sobre

o nosso jogo, encontros que foram verdadeiras lições.

Aos meus novos amigos e colegas “lusófonos” (e não só) por tornarem o meu trabalho todos os dias mais fácil, possibilitando-me terminar esta tese enquanto trabalhava: Amélia Ordonho, Catarina Sousa, António Palmeira, Isabel Llorente, Timóteo Rodrigues, João Ferreira, Nuno Lourenço, Valter Matos, Sofia Fonseca, Ana Paulo, Luís Vilar, João Carvalho, Rute Muchacho, João Ildefonso, João Vieira, João Vaz, Paulo Ferreira, Mário Chaves, Pedro Costa, Miguel Carvalho, João Pedro Viana, Rúben Querido

Há 7 anos atrás não sabia o que fazer e tinha medo de querer o que é que fosse. Pensava que, querer me levaria a tentar e que tentar me levaria a falhar e que outros seriam sempre

melhores que eu, fizesse o que fizesse. Mas hoje, não consigo parar de querer. Eu quero viajar, aprender mais sobre o mundo e com o mundo, liderar uma equipa, surpreender-me a mim próprio. Quero ser a melhor pessoa que conseguir ser, quero ser eu a definir-me em vez de deixar os outros fazê-lo por mim. Quero vencer e ter pessoas contentes por isso, quero perder

e ultrapassar a derrota. Eu quero ser mais generoso e amigo da mesma forma que todas estas pessoas têm sido para mim. Quero conhecer o desconhecido, ter uma vida interessante e

cheia de surpresas

Não é que eu ache que vou conseguir tudo isto, mas só de saber que

posso ter essa possibilidade: a possibilidade que as coisas podem sempre mudar.

"I wonder why we think faster than we can speak." (Calvin)

"Probably so we can think twice." (Hobbes)

“Experience is the name everyone gives to their mistakes”

Índice Geral

Índice de Figuras

xix

Índice de Tabelas

xxix

RESUM

xxxi

RESUMO

xxxiii

ABSTRACT

xxxv

RESUMEN

xxxvii

CAPÍTULO 1 – INTRODUÇÃO

3

CAPÍTULO 2 - REVISÃO DA LITERATURA

7

2.1. Análise (da Dinâmica) de Jogo

10

2.2. Modelos e Teorias para Análise da Dinâmica de Jogo

13

Perspectiva mecânica ou associativista

14

Perspectiva da forma ou globalista

14

Perspectiva do fenómeno ou estruturalista

15

2.2.1.

Modelos de Análise dos Desportos Colectivos

15

Modelos Conceptuais

15

Modelos Descritivos e Preditivos

18

2.2.2.

Teorias para Análise dos Desportos Colectivos

20

Teoria Geral dos Sistemas

20

Teoria Geral da Acção

21

Teoria da Complexidade

21

2.3.

O Comportamento Defensivo em Andebol

24

2.3.1. Os Métodos de Jogo

24

2.3.2. Os Meios Tácticos Individuais e de Grupo

25

2.3.3. Os Sistemas Defensivos

27

Sistema defensivo 6:0

27

Sistema defensivo 5:1

28

Sistema defensivo 4:2

28

Sistema defensivo 3:3

29

Sistema defensivo 3:2:1

29

Sistemas de defesa mistos ou combinada (5+1 e 4+2)

30

Sistemas de defesa individual

31

2.4.

Tendências dos Estudos em Análise do Jogo de Andebol

31

2.4.1. Investigação em Observação e Análise de Jogo no Andebol

32

2.4.2. Análise de Jogo de Andebol e o Estudo do Processo Defensivo

33

Síntese

41

2.4.3.

Estudos com Recurso à Análise Sequencial

44

SDIS-GSEQ

45

Theme

45

Síntese

56

2.5.

Objectivos e Aplicação da Análise de Jogo

57

2.5.1.

Análise de Jogo para Fins Educacionais: a formação de treinadores

57

Os mundos virtuais como plataforma de ensino e de aprendizagem

60

CAPÍTULO 3 - OBJECTO E OBJECTIVOS DO ESTUDO

65

3.1. Objecto de Estudo

67

3.2. Objectivos do Estudo

67

3.2.1.

Dimensões do Estudo

68

Dimensão Contextual

68

Dimensão de Conduta

68

CAPÍTULO 4 – MÉTODOS

71

4.1. Desenho do Estudo

74

4.2. Procedimentos Metodológicos

75

4.2.1.

Fase Exploratória

75

4.3.

Amostra

75

4.3.1. Observacional

75

 

4.3.2. Sujeitos

76

4.4.

Instrumentos

76

4.4.1. Instrumento de Registo

77

4.4.2. Instrumento de Observação

77

4.4.3. Manual de Procedimentos para registo e Observação

78

Descrição do instrumento de observação

78

4.5.

Controlo da Qualidade dos Dados

91

4.5.1.

Validação do Instrumento de Observação

91

Amostra para a validação

92

Participantes

92

4.6.

Análise de Dados

92

4.6.1.

Limitações

93

Amostra

93

Instrumento de Observação (SODMO)

93

Instrumento de Registo (MatchVision)

93

Instrumento de Análise (Theme)

94

CAPÍTULO 5 - APRESENTAÇÃO E DISCUSSÃO DE RESULTADOS

95

5.1.

Análise de Cada Jogo

97

5.1.1.

Jogo Croácia-Espanha

98

1ª parte

109

2ª parte

113

Síntese

115

5.1.2.

Jogo China-Espanha

116

1ª parte

127

2ª parte

131

Síntese

135

5.1.3.

Jogo França-Espanha

137

1ª parte

140

2ª Parte

144

Síntese

149

5.1.4.

Jogo Espanha-Brasil

151

 

1ª parte

154

2ª parte

157

Síntese

161

5.1.5.

Jogo Coreia-Espanha

163

1ª parte

166

2ª parte

172

Síntese

174

5.1.6.

Jogo Islândia-Espanha

175

1ª parte

184

2ª parte

191

Síntese

196

5.1.7.

Jogo Croácia-Espanha – Apuramento do 3º e 4º classificados

198

1ª parte

201

2ª parte

203

Síntese

205

5.2.

Análise dos Jogos da 1ª Fase

206

5.2.1. Jogos com a Croácia e com a China

208

5.2.2. Jogos com a França e com o Brasil

219

Síntese

224

5.3. Análise dos Jogos da 2ª Fase

226

Síntese

231

5.4. Análise dos Jogos que terminaram com Vitória

232

5.4.1. Jogos da 1ª Fase

233

5.4.2. Jogos das 2ª e 3ª Fases

238

Síntese

243

5.5.

Análise dos Jogos que terminaram com Derrota

245

5.5.1. Jogos da 1ª Fase

245

5.5.2. Todas as Derrotas

252

Síntese

257

5.6.

Discussão

259

CAPÍTULO 6 – CONCLUSÕES

263

6.1. Análise de cada um dos Jogos

267

6.2. Análise dos Jogos Agrupados

271

CAPÍTULO 7 – PERSPECTIVAS FUTURAS

275

7.1. Sugestões para Estudos Futuros

277

7.2. Possibilidades de Aplicação da Análise de Jogo

278

REFERÊNCIAS

281

ANEXOS

I

Anexo 1 - Quadro síntese de Estudos de Análise de Jogo em Andebol

III

Índice de Figuras

Índice de Figuras

Figura 1 - Representação de uma situação de jogo no Campo de Andebol no Second Life

62

Figura 2 - Representação da utilização da aplicação para a criação de movimentações no Second Life

63

Figura 3 - Detecção de movimentos através do MotionCapture® para animação dos avatares no

Second Life

63

Figura 4 - Indicação do Desenho Observacional para o estudo

74

Figura 5 - Representação gráfica do sistema defensivo 6:0 (ZONA)

80

Figura 6 - Representação gráfica do sistema defensivo 5:1 (UNO)

81

Figura 7 - Representação gráfica do sistema defensivo 3:3 (CUATRO)

81

Figura 8 - Representação gráfica do sistema defensivo 4:2 (DOS)

81

Figura 9 - Representação gráfica do sistema defensivo 1:5 (CINCO)

81

Figura 10 - Representação gráfica do sistema defensivo 3:2:1 (NUEVE)

81

Figura 11 - Representação gráfica do campograma

85

Figura 12 - Representação gráfica da colocação do pivot adversário entre o 1º e 2º defensor (P12D, P12E)

86

Figura 13 - Representação gráfica da colocação do pivot adversário entre o 2º e 3º defensor (P23D, P23E)

86

Figura 14- Representação gráfica da colocação do pivot adversário no meio da defesa (PM)

86

Figura 15- Representação gráfica da colocação dos dois pivots adversários entre o 1º e 2º defensor (2P12)

87

Figura 16- Representação gráfica da colocação dos dois pivots adversários entre o 2º e 3º defensor (2P23)

87

Figura 17- Representação gráfica da colocação dos dois pivots adversários entre o 1º e 2º defensor do lado direito e no meio da defesa (2P1MD)

88

Figura 18 - Representação gráfica da colocação dos dois pivots adversários entre o 1º e 2º defensor do lado esquerdo e no meio da defesa (2P1ME)

88

Figura 19 - Gráfico plotter dos eventos em função do tempo em todo o jogo entre a selecção da Croácia e a de Espanha na 1ª fase

98

Figura 20 - Gráfico de frequências do tipo de eventos em todo o jogo entre a selecção da Croácia e a de Espanha na 1ª fase

100

Figura 21 - Dendograma representativo do padrão sequencial da recuperação de bola após golo sofrido pela selecção de Espanha em todo o jogo com a selecção da Croácia na 1ª fase 101

Figura 22 - Representação do evento p2,zona,zp,c,p23d,desl

102

Figura 23 - Representação do evento p2,zona,zp,ldc,p23d,desl

102

Figura 24 - Representação do evento p2,zona,zp,le,p23d,desl

102

Figura 25 - Dendograma representativo do padrão sequencial da recuperação de bola após golo sofrido pela selecção de Espanha em todo o jogo com a selecção da Croácia na 1ª fase 103

Figura 26 - Representação do evento p2,zona,zp,c,p23d,desl

104

Figura 27 - Representação do evento p2,zona,zp,ldc,p23d,desl

104

Figura 28 - Representação do evento p2,zona,zp,c,p23e,desl

104

Figura 29 - Dendograma representativo do padrão sequencial da recuperação de bola após golo sofrido pela selecção de Espanha em todo o jogo com a selecção da Croácia na 1ª fase 105

Figura 30 - Representação do evento p2,zona,zp,c,pm,desl

106

Figura 31 - Representação do evento p2,zona,zp,c,p23d,desl

106

Figura 32 - Representação do evento p2,zona,zp,ldc,p23d,desl

106

Figura 33 - Dendograma representativo do padrão sequencial da recuperação de bola após golo sofrido pela selecção de Espanha em todo o jogo com a selecção da Croácia na 1ª fase 107

Figura 34 - Representação do evento p2,zona,zp,c,p23d,desl

108

Figura 35 - Representação do evento p2,zona,zp,ldc,p23d,desl

108

Figura 36 - Gráfico plotter dos eventos em função do tempo da 1ª parte do jogo entre a selecção da Croácia e a de Espanha na 1ª fase

109

Figura 37 - Gráfico de frequências do tipo de eventos da 1ª parte do jogo entre a selecção da

Croácia e a de Espanha na 1ª fase

110

Figura 38 - Dendograma representativo do padrão sequencial da recuperação de bola após golo sofrido pela selecção de Espanha na 1ª parte do jogo com a selecção da Croácia na 1ª fase

 

111

Figura 39 - Representação do evento p2,zona,zp,c,p23d,desl

112

Figura 40 - Representação do evento p2,zona,zp,ldc,p23d,desl

112

Figura 41 - Gráfico plotter dos eventos em função do tempo da 2ª parte do jogo entre a selecção da Croácia e a de Espanha na 1ª fase

113

Figura 42 - Gráfico de frequências do tipo de eventos da 2ª parte do jogo entre a selecção da

Croácia e a de Espanha na 1ª fase

114

Figura 43 - Gráfico plotter dos eventos em função do tempo em todo o jogo entre a selecção

da China e a de Espanha na 1ª fase

116

Figura 44 - Gráfico de frequências do tipo de eventos em todo o jogo entre a selecção da China

e a de Espanha na 1ª fase

118

Figura 45 - Dendograma representativo do padrão sequencial de como a selecção de Espanha deixou a selecção da China recuperar a posse de bola através de ressalto ofensivo (sem remate

à

baliza) em todo o jogo na 1ª fase

119

Figura 46 - Representação do evento v5,nueve,zp,le,pm,desl

120

Figura 47 - Representação do evento v5,nueve,zp,c,pm,desl

120

Figura 48 - Dendograma representativo do padrão sequencial da recuperação de bola após golo sofrido pela selecção de Espanha em todo o jogo com a selecção da China na 1ª fase

121

Figura 49 - Representação do evento v5,nueve,zp,c,pm,desl

122

Figura 50 - Representação do evento v5,nueve,zp,c,p23d,desl

122

Figura 51 - Dendograma representativo do padrão sequencial da recuperação de bola após golo sofrido pela selecção de Espanha em todo o jogo com a selecção da China na 1ª fase

123

Figura 52 - Representação do evento v5,nueve,zp,c,pm,desl

124

Figura 53 - Representação do evento v5,nueve,zp,lec,pm,desl

124

Figura 54 - Dendograma representativo do padrão sequencial da recuperação de bola após golo sofrido pela selecção de Espanha em todo o jogo com a selecção da China na 1ª fase

125

Figura 55 - Representação do evento v4,nueve,zp,c,p23d,desl

126

Figura 56 - Representação do evento v4,nueve,zp,ld,p23d,desl

126

Figura 57 - Gráfico plotter dos eventos em função do tempo da 1ª parte do jogo entre a selecção da China e a de Espanha na 1ª fase

127

Figura 58 - Gráfico de frequências do tipo de eventos da 1ª parte do jogo entre a selecção da

China e a de Espanha na 1ª fase

128

Figura 59 - Dendograma representativo do padrão sequencial da recuperação de bola após golo sofrido pela selecção de Espanha na 1ª parte do jogo com a selecção da China na 1ª fase

 

129

Figura 60 - Representação do evento v4,nueve,zp,c,p23d,desl

130

Figura 61 - Representação do evento v4,nueve,zp,ld,p23d,desl

130

Figura 62 - Gráfico plotter dos eventos em função do tempo da 2ª parte do jogo entre a selecção da China e a de Espanha na 1ª

131

Figura 63 - Gráfico de frequências do tipo de eventos da 2ª parte do jogo entre a selecção da

China e a de Espanha na 1ª fase

132

Figura 64 - Dendograma representativo do padrão sequencial da recuperação de bola após golo sofrido pela selecção de Espanha na 2ª parte do jogo com a selecção da China na 1ª fase

 

133

Figura 65 - Representação do evento v5,nueve,zp,c,pm,desl

134

Figura 66 - Representação do evento v5,nueve,zp,lec,pm,desl

134

Figura 67 - Gráfico plotter dos eventos em função do tempo em todo o jogo entre a selecção

de França e a de Espanha na 1ª fase

137

Figura 68 - Gráfico de frequências do tipo de eventos em todo o jogo entre a selecção de França e a de Espanha na 1ª fase

139

Figura 69 - Gráfico plotter dos eventos em função do tempo da 1ª parte do jogo entre a selecção de França e a de Espanha na 1ª fase

140

Figura 70 - Gráfico de frequências do tipo de eventos da 1ª parte do jogo entre a selecção de

França e a de Espanha na 1ª fase

141

Figura 71 - Dendograma representativo do padrão sequencial da recuperação de bola após golo sofrido pela selecção de Espanha na 1ª parte do jogo com a selecção de França na 1ª fase

 

142

Figura 72 - Representação do evento p5,zona,zp,ldc,p23d,desl

143

Figura 73 - Representação do evento p5,zona,zp,c,p23d,desl

143

Figura 74 - Gráfico plotter dos eventos em função do tempo da 2ª parte do jogo entre a selecção de França e a de Espanha na 1ª fase

144

Figura 75 - Gráfico de frequências do tipo de eventos da 2ª parte do jogo entre a selecção de

França e a de Espanha na 1ª fase

146

Figura 76 - Dendograma representativo do padrão sequencial da recuperação de bola após golo sofrido pela selecção de Espanha na 2ª parte do jogo com a selecção de França na 1ª fase

 

147

Figura 77 - Representação do evento p5,zona,zp,c,p23d,desl

148

Figura 78 - Representação do evento p5,zona,zp,ld,p23d,desl

148

Figura 79 - Representação do evento p5,zona,zp,lec,p23d,apr

148

Figura 80 - Gráfico plotter dos eventos em função do tempo em todo o jogo entre a selecção

do Brasil e a de Espanha na 1ª fase

151

Figura 81 - Gráfico de frequências do tipo de eventos em todo o jogo entre a selecção do Brasil

e

a de Espanha na 1ª fase

153

Figura 82 - Gráfico plotter dos eventos em função do tempo da 1ª parte do jogo entre a selecção do Brasil e a de Espanha na 1ª fase

154

Figura 83 - Gráfico de frequências do tipo de eventos da 1ª parte do jogo entre a selecção do

Brasil e a de Espanha na 1ª fase

156

Figura 84 - Gráfico plotter dos eventos em função do tempo na 2ª parte do jogo entre a selecção do Brasil e a de Espanha na 1ª fase

157

Figura 85 - Gráfico de frequências do tipo de eventos da 2ª parte do jogo entre a selecção do

Brasil e a de Espanha na 1ª fase

158

Figura 86 - Dendograma representativo do padrão sequencial da recuperação de bola após golo sofrido pela selecção de Espanha na 2ª parte do jogo com a selecção do Brasil na 1ª fase

 

159

Figura 87 - Representação do evento v5,zona,zp,lec,pm,desl

160

Figura 88 - Representação do evento v5,zona,zp,c,pm,desl

160

Figura 89 - Gráfico plotter dos eventos em função do tempo em todo o jogo entre a selecção

da Coreia e a de Espanha na 2ª fase

163

Figura 90 - Gráfico frequências do tipo de eventos em todo o jogo entre a selecção da Coreia e

a

de Espanha na 2ª fase

165

Figura 91 - Gráfico plotter dos eventos em função do tempo da 1ª parte do jogo entre a selecção da Coreia e a de Espanha na 2ª fase

166

Figura 92 - Gráfico frequências do tipo de eventos da 1ª parte do jogo entre a selecção da Coreia e a de Espanha na 2ª fase

167

Figura 93 - Dendograma representativo do padrão sequencial da recuperação de bola após golo sofrido pela selecção de Espanha na 1ª parte do jogo com a selecção da Coreia na 2ª fase

 

168

Figura 94 - Representação do evento v1,zona,zp,ld,p23e,desl

169

Figura 95 - Representação do evento v1,zona,zp,le,p23e,desl

169

Figura 96 - Representação do evento v1,zona,zp,c,opiv,blc

169

Figura 97 - Dendograma representativo do padrão sequencial da recuperação de bola após golo sofrido pela selecção de Espanha na 1ª parte do jogo com a selecção da Coreia na 2ª fase

170

Figura 98 - Representação do evento e,zona,zp,c,p23e,desl

171

Figura 99 - Representação do evento e,zona,zp,le,p23e,desl

171

Figura 100 - Representação do evento e,zona,zp,ld,p23e,apr

171

Figura 101 - Gráfico plotter dos eventos em função do tempo da 2ª parte do jogo entre a selecção da Coreia e a de Espanha na 2ª fase

172

Figura 102 - Gráfico frequências do tipo de eventos da 2ª parte do jogo entre a selecção da Coreia e a de Espanha na 2ª fase

173

Figura 103 - Gráfico plotter dos eventos em função do tempo em todo o jogo entre a selecção

da Islândia e a de Espanha na 2ª fase

175

Figura 104 - Gráfico de frequências do tipo de eventos em todo o jogo entre a selecção da Islândia e a de Espanha na 2ª fase

177

Figura 105 - Dendograma representativo do padrão sequencial da recuperação de bola após golo sofrido pela selecção de Espanha em todo o jogo com a selecção da Islândia na 2ª fase178

Figura 106 - Representação do evento p1,zona,zp,ld,pm,desl

179

Figura 107 - Representação do evento p1,zona,zp,c,pm,desl

179

Figura 108 - Dendograma representativo do padrão sequencial da recuperação de bola após golo sofrido pela selecção de Espanha em todo o jogo com a selecção da Islândia na 2ª fase180

Figura 109 - Representação do evento p1,zona,zp,ldc,pm,desl

181

Figura 110 - Representação do evento p1,zona,zp,c,pm,desl

181

Figura 111 - Dendograma representativo do padrão sequencial da recuperação de bola após golo sofrido pela selecção de Espanha em todo o jogo com a selecção da Islândia na 2ª fase182

Figura 112 - Representação do evento p1,seis,zp,c,p23d,desl

183

Figura 113 - Representação do evento p1,seis,zp,c,opiv,stop

183

Figura 114 - Gráfico plotter dos eventos em função do tempo da 1ª parte do jogo entre a selecção da Islândia e a de Espanha na 2ª fase

184

Figura 115 - Gráfico de frequências do tipo de eventos da 1ª parte do jogo entre a selecção da

Islândia e a de Espanha na 2ª fase

186

Figura 116 - Dendograma representativo do padrão sequencial da recuperação de bola após golo sofrido pela selecção de Espanha na 1ª parte do jogo com a selecção da Islândia na 2ª fase

 

187

Figura 117 - Representação do evento p1,zona,zp,ld,pm,desl

188

Figura 118 - Representação do evento p1,zona,zp,c,pm,desl

188

Figura 119 - Dendograma representativo do padrão sequencial da recuperação de bola após golo sofrido pela selecção de Espanha na 1ª parte do jogo com a selecção da Islândia na 2ª fase

 

189

Figura 120 - Representação do evento p1,zona,zp,ldc,pm,desl

190

Figura 121 - Representação do evento p1,zona,zp,c,pm,desl

190

Figura 122 - Gráfico plotter dos eventos em função do tempo da 2ª parte do jogo entre a selecção da Islândia e a de Espanha na 2ª fase

191

Figura 123 - Gráfico de frequências do tipo de eventos da 2ª parte do jogo entre a selecção da

Islândia e a de Espanha na 2ª fase

193

Figura 124 - Dendograma representativo do padrão sequencial da recuperação de bola após golo sofrido pela selecção de Espanha na 2ª parte do jogo com selecção da Islândia na 2ª fase

 

194

Figura 125 - Representação do evento p1,seis,zp,c,p23d,desl

195

Figura 126 - Representação do evento p1,seis,zp,c,opiv,stop

195

Figura 127 - Gráfico plotter dos eventos em função do tempo em todo o jogo entre a selecção

da Croácia e a de Espanha na 3ª fase

198

Figura 128 - Gráfico de frequências do tipo de eventos em todo o jogo entre a selecção da Croácia e a de Espanha na 3ª fase

200

Figura 129 - Gráfico plotter dos eventos em função do tempo da 1ª parte do jogo entre a selecção da Croácia e a de Espanha na 3ª fase

201

Figura 130 - Gráfico de frequências do tipo de eventos da 1ª parte do jogo entre a selecção da

Croácia e a de Espanha na 3ª fase

202

Figura 131 - Gráfico plotter dos eventos em função do tempo da 2ª parte do jogo entre a selecção da Croácia e a de Espanha na 3ª fase

203

Figura 132 - Gráfico de frequências do tipo de eventos da 2ª parte do jogo entre a selecção da

Croácia e a de Espanha na 3ª fase

204

Figura 133 - Gráfico plotter dos eventos em função do tempo de jogo, dos dois primeiros jogos

observados da selecção de Espanha na 1ª fase

208

Figura 134 - Gráfico frequências do tipo de eventos dos dois primeiros jogos observados da selecção de Espanha na 1ª fase

210

Figura 135 - Dendograma representativo do padrão sequencial da recuperação de bola por golo sofrido pela selecção de Espanha quando observados os dois primeiros jogos da 1ª fase

 

211

Figura 136 - Representação do evento p2,zona,zp,c,p23d,desl

212

Figura 137 - Representação do evento p2,zona,zp,ldc,p23d,desl

212

Figura 138 - Representação do evento p2,zona,zp,le,p23d,desl

212

Figura 139 - Dendograma representativo do padrão sequencial da recuperação de bola por golo sofrido pela selecção de Espanha quando observados os dois primeiros jogos da 1ª fase

 

213

Figura 140 - Representação do evento v5,nueve,zp,lec,pm,desl

214

Figura 141 - Representação do evento v5,nueve,zp,c,pm,desl

214

Figura 142 - Representação do evento v5,nueve,zp,c,p23d,desl

214

Figura 143 - Dendograma representativo do padrão sequencial da recuperação de bola por golo sofrido pela selecção de Espanha quando observados os dois primeiros jogos da 1ª fase

 

215

Figura 144 - Representação do evento p2,zona,zp,c,pm,desl

216

Figura 145 - Representação do evento p2,zona,zp,c,p23d,desl

216

Figura 146 - Representação do evento p2,zona,zp,ldc,p23d,desl

216

Figura 147 - Dendograma representativo do padrão sequencial de como a selecção de Espanha deixou a selecção da China recuperar a posse de bola através de ressalto ofensivo sem remate

à baliza, quando observados os dois primeiros jogos da 1ª fase

217

Figura 148 - Representação do evento v5,nueve,zp,le,pm,desl

218

Figura 149 - Representação do evento v5,nueve,zp,c,pm,desl

218

Figura 150 - Gráfico plotter dos eventos em função do tempo de jogo, dos dois últimos jogos

observados da selecção de Espanha na 1ª fase

219

Figura 151 - Gráfico frequências do tipo de eventos dos dois últimos jogos observados da selecção de Espanha na fase de grupos (1ª fase) do Torneio de Andebol dos Jogos Olímpicos de

Pequim

221

Figura 152 - Dendograma representativo do padrão sequencial da recuperação de bola por golo sofrido pela selecção de Espanha quando observados os dois últimos jogos da 1ª fase . 222

Figura 153 - Representação do evento v5,zona,zp,le,pm,desl

223

Figura 154 - Representação do evento v5,zona,zp,c,pm,desl

223

Figura 155 - Gráfico plotter dos eventos em função do tempo de jogo, para os jogos da selecção de Espanha na 2ª fase

226

Figura 156 - Gráfico frequências do tipo de eventos dos jogos da selecção de Espanha na 2ª fase

228

Figura 157 - Dendograma representativo do padrão sequencial da recuperação de bola por golo sofrido em todos os jogos da 2ª fase

229

Figura 158 - Representação do evento e,zona,zp,le,p23e,desl

230

Figura 159 - Representação do evento e,zona,zp,c,p23e,desl

230

Figura 160 - Gráfico plotter dos eventos em função do tempo de jogo, para todos os jogos da

1ª fase que terminaram com vitória para a selecção de Espanha

233

Figura 161 - Gráfico frequências do tipo de eventos de todos os jogos da 1ª fase que terminaram com vitória para a selecção de Espanha

235

Figura 162 - Dendograma representativo do padrão sequencial da recuperação de bola por golo sofrido em todos os jogos da 1ª fase que terminaram com vitória para a selecção de Espanha

236

Figura 163 - Representação do evento v5,zona,zp,le,pm,desl

237

Figura 164 - Representação do evento v5,zona,zp,c,pm,desl

237

Figura 165 - Gráfico plotter dos eventos em função do tempo de jogo, para todos os jogos das

2ª e 3ª fases que terminaram com vitória para a selecção de Espanha

238

Figura 166 - Gráfico frequências do tipo de eventos de todos os jogos da 2ª e 3ª fase que terminaram com vitória para a selecção de Espanha

240

Figura 167 - Dendograma representativo do padrão sequencial da recuperação de bola por golo sofrido em todos os jogos da 2ª e 3ª fase que terminaram com vitória para a selecção de

Espanha

241

Figura 168 -Representação do evento e,zona,zp,c,pm,desl

242

Figura 169 - Representação do evento e,zona,zp,le,p23d,apr

242

Figura 170 - Gráfico plotter dos eventos em função do tempo de jogo, para todos os jogos da

1ª fase que terminaram com derrota para a selecção de Espanha

245

Figura 171 - Gráfico frequências do tipo de eventos de todos os jogos da 1ª fase que terminaram com derrota para a selecção de Espanha

247

Figura 172 - Dendograma representativo do padrão sequencial da recuperação de bola por golo sofrido em todos os jogos da 1ª fase que terminaram com derrota para a selecção de Espanha

248

Figura 173 - Representação do evento p2,zona,zp,c,pm,desl

249

Figura 174 - Representação do evento p2,zona,zp,c,p23d,desl

249

Figura 175 - Representação do evento p2,zona,zp,ldc,p23d,desl

249

Figura 176 - Dendograma representativo do padrão sequencial da recuperação de bola por golo sofrido em todos os jogos da 1ª fase que terminaram com derrota para a selecção de Espanha

250

Figura 177 - Representação do evento p2,zona,zp,c,p23d,desl

251

Figura 178 - Representação do evento p2,zona,zp,ldc,p23d,desl

251

Figura 179 - Representação do evento p2,zona,zp,c,p23e,desl

251

Figura 180 - Gráfico plotter dos eventos em função do tempo de jogo, para todos os jogos que

terminaram com derrota para a selecção de Espanha

252

Figura 181 - Gráfico frequências do tipo de eventos dos jogos que terminaram com derrota para a selecção de Espanha

254

Figura 182 - Dendograma representativo do padrão sequencial da recuperação de bola por golo sofrido em todos os jogos que terminaram com derrota para a selecção de Espanha

255

Figura 183 - Representação do evento p5,zona,zp,c,pm,desl

256

Figura 184 - Representação do evento p5,zona,zp,le,pm,apr

256

Figura 185 - Representação do evento p5,zona,zp,c,p23d,desl

256

Índice de Tabelas

Índice de Tabelas

Tabela 1 - Estudos portugueses no âmbito da análise de jogo que utilizaram a análise sequencial

47

Tabela 2 - Nº de registos de configurações de eventos por cada jogo da selecção de Espanha 75

Tabela 3 - Critério 1 (Início da sequência)

79

Tabela 4 - Critério 2 (Marcador de jogo)

80

Tabela 5 - Critério 3 (Sistema defensivo)

82

Tabela 6 - Critério 4 (Forma de organização defensiva)

83

Tabela 7 - Critério 5 (Campograma)

84

Tabela 8 - Critério 6 (Local do pivot adversário)

85

Tabela 9 - Critério 7 (Acções ofensivas do adversário)

89

Tabela 10 - Critério 8 (Oposição do defensor)

89

Tabela 11 - Critério 9 (Formas de recuperação de bola / Fim da sequência)

90

Tabela 12 - Quadro indicativo dos jogos observados da Selecção de Espanha de acordo com o

sistema competitivo do Torneio de Andebol dos Jogos Olímpicos de Pequim 2008

97

Tabela 13 - Frequência dos tipos de sequências de jogo em função do resultado no jogo Croácia-Espanha

99

Tabela 14 - Frequência dos tipos de sequências de jogo em função do resultado no jogo China-

Espanha

117

Tabela 15 - Frequência dos tipos de sequências de jogo em função do resultado no jogo França-Espanha

138

Tabela 16 - Frequência dos tipos de sequências de jogo em função do resultado no jogo Espanha-Brasil

152

Tabela 17 - Frequência dos tipos de sequências de jogo em função do resultado no jogo Coreia-

Espanha

164

Tabela 18 - Frequência dos tipos de sequências de jogo em função do resultado no jogo Islândia-Espanha

176

Tabela 19 - Frequência dos tipos de sequências de jogo em função do resultado no jogo Croácia-Espanha para apuramento dos 3º e 4º classificados

199

Tabela 20 - Frequência dos tipos de sequências de jogo em função do resultado, para todos os

jogos observados da selecção de Espanha na 1ª fase

206

Tabela 21 - Frequência dos tipos de sequências de jogo em função do resultado, para os dois

primeiros jogos observados da selecção de Espanha na 1ª fase

209

Tabela 22 - Frequência dos tipos de sequências de jogo em função do resultado, para os dois

últimos jogos observados da selecção de Espanha na 1ª fase

220

Tabela 23 - Frequência dos tipos de sequências de jogo em função do resultado, para os jogos

da selecção de Espanha na 2ª fase

227

Tabela 24 - Frequência dos tipos de sequências de jogo em função do resultado, para os jogos

terminaram com a vitória da selecção de Espanha

232

Tabela 25 - Frequência dos tipos de sequências de jogo em função do resultado, para todos os

jogos da 1ª fase que terminaram com vitória para a selecção de Espanha

234

Tabela 26 - Frequência dos tipos de sequências de jogo em função do resultado, para todos os

jogos da 2ª e 3ª fase que terminaram com vitória para a selecção de Espanha

239

Tabela 27 - Frequência dos tipos de sequências de jogo em função do resultado, para todos os

jogos da fase 1ª fase que terminaram com derrota para a selecção de Espanha

246

Tabela 28 - Frequência dos tipos de sequências de jogo em função do resultado, para todos os

jogos que terminaram com derrota para a selecção de Espanha

253

Tabela 29 - Quadro síntese de Estudos de Análise de Jogo em Andebol

III

Resum

Els estudis relacionats amb l’estratègia defensiva a l’handbol són escassos. L’autor, entrenador

i responsable de la formació d’entrenadors d’handbol a Portugal, va identificar l’ absència d’estudis relacionats amb l’ensenyament i l’aprenentatge del procés defensiu i el temps dedicat a l’entrenament d’aquest procés. Aquest estudi tracta d’analitzar el comportament de les defenses de la selecció d’handbol

d’Espanya en els Jocs Olímpics a Beijing durant les fases organitzades del joc en condicions de 6x6, utilitzant l’anàlisi observacional i seqüencial per a la detecció de patrons temporals. Aquest estudi té com objectius: a) desenvolupar i validar un sistema d’observació de la defensa organitzada (SODMO), i b) analitzar les seqüències de la selecció d’handbol de defensa

a Espanya durant el mètode organitzat del joc en els Jocs Olímpics del 2008, identificant: com

recuperar la possessió de la pilota i les seqüències de la conducta de la defensa abans de la recuperació de la pilota, en funció del resultat del marcador del joc, el resultat final i la fase de competició. Es va utilitzar el mètode d’observació per realitzar aquest estudi perquè és un procediment científic que va permetre la construcció d’un instrument d’observació que integra el sistema de categories i el format de camp per observar, enregistrar i analitzar comportaments perceptibles espontanis en contexts naturals d’interacció. El disseny de l’estudi va ser de tipus ideogràfic, de seguiment i multidimensional. La mostra d’aquest estudi observacional es representa per 3511 registres de seqüències organitzades de la fase del joc defensiu dels set partits que la selecció d'Espanya va jugar al Torneig d´Handbol. El programa THEME es va utilitzar per a l'anàlisi seqüencial i la detecció de patrons temporals. Els principals resultats mostren que:

(1) va ser possible detectar 33 patrons temporals en el comportament de les defenses de selecció d’handbol del torneig a Espanya en els Jocs Olímpics de Beijing; (2) el comportament defensiu més registrat va ser el desmarc defensiu; (3) el sistema defensiu més utilitzat va ser el 6:0; (4) la diferència de cinc o més gols en el marcador ha definit el resultat final del joc (victòria o derrota); (5) les seqüències dels patrons observats han precedit, a la majoria dels casos, la recuperació de la pilota després del gol patit, independent del resultat final, del resultat parcial, del sistema defensiu o fase de competició. El resultat també tenia per objecte ajudar als entrenadors i les autoritats esportives a la creació d’una simulació dels contextos d’interacció de les seqüències defensiva del joc d’handbol per a implementar-lo en l’ús de models tridimensionals en el món virtual Second Life®.

Paraules clau: Anàlisi de Jóc, Handbol, Defensa, T-patterns, Formació d’ entrenadors, Second Life®.

RESUM

Resumo

Os

estudos relacionados com a performance defensiva no Andebol são escassos. A experiência

do

autor como treinador e enquanto foi um dos responsáveis pela formação de treinadores de

Andebol em Portugal, permitiu-lhe identificar a ausência de conteúdos relativos ao ensino e

aprendizagem do processo defensivo e do tempo dedicado ao seu treino.

O presente estudo pretendeu analisar o comportamento da defesa da Selecção de Andebol de

Espanha nos Jogos Olímpicos de Pequim 2008, durante o método organizado de jogo em situação de igualdade numérica 6x6, pela detecção de padrões temporais com recurso à análise sequencial.

Este estudo teve como objectivos a) construir e validar um sistema de observação da defesa no método organizado (SODMO) e b) analisar as sequências defensivas da Selecção de Andebol de Espanha durante o método organizado de jogo, nos Jogos Olímpicos de 2008, identificando: as formas de recuperação da posse de bola e as sequências dos comportamentos dos defensores que antecedem a recuperação da bola, em função do resultado do marcador parcial de jogo, do resultado final e da fase da competição.

A metodologia observacional foi escolhida para este estudo uma vez se trata de um

procedimento científico que permitiu a construção de um instrumento de observação, combinando o sistema de categorias com o formato de campo, para observar, registar e

analisar condutas perceptíveis espontâneas em contextos naturais de interacção. O desenho

de estudo foi do tipo ideográfico, de seguimento e multidimensional.

A amostra observacional deste estudo é representada pelos 3511 registos de configurações de

eventos das sequências ocorridas durante método organizado do processo defensivo, em situação 6x6, nos sete jogos que a Selecção de Espanha disputou no Torneio de Andebol nos Jogos Olímpicos de Pequim de 2008. Foi utilizado o programa Theme para realizar a análise sequencial para a detecção de padrões temporais.

As principais conclusões indicam que (1) foi possível detectar 33 padrões temporais no comportamento na defesa da Selecção de Espanha durante o Torneio de Andebol nos Jogos Olímpicos de Pequim de 2008; (2) o comportamento defensivo mais registado foi o deslocamento defensivo; (3) o sistema defensivo mais utilizado foi o 6:0; (4) a diferença de 5 ou mais golos (vantagem ou desvantagem) no marcador parcial de jogo definiu o desfecho final do jogo (vitória ou derrota); (5) as sequências dos padrões detectados antecederam, em grande maioria, a recuperação da bola após golo sofrido, independentemente do resultado final, resultado parcial, sistema defensivo e fase da competição.

Com os resultados obtidos, foi pretendido ainda contribuir para a formação de treinadores e de agentes desportivos pela criação de um simulador de contextos de interacção das sequências dos processos ofensivo e defensivo durante o método organizado do jogo de Andebol, recorrendo a modelos tridimensionais no mundo virtual Second Life®.

Palavras-chave: Análise de Jogo, Andebol, Defesa, T-Patterns, Formação Treinadores, Second Life®.

RESUMO

Abstract

Studies related to defensive performance in handball are rare. The author’s experience as an handball coach and while a coach educator in Portugal allowed him to identify the absence of defense-related contents related to the teaching and learning process, and time devoted to its practice.

The purpose of this study was to analyze the defensive behavior of the Spanish Handball team in the Beijing Olympic Games, during the organized game method in 6x6 situations, using sequential analysis to detect temporal patterns.

The main goals of this study were: a) to build and validate a defense observation system for the organized game method (SODMO, Portuguese-language acronym) and b) to analyze the defensive sequences of the Spanish national handball team, in the Beijing 2008 Olympic Games, identifying: the methods for ball recovery and the behavioral sequence of defensive players prior to it, regarding the match’s score board at the time, the final result of the match, and the overall competition results.

The observational methodology was used in this study since it allows to observe, registry and analyze data from perceptive interaction conducts in a natural context situation and to build an observation instrument combining the category system and the field format. The study design was ideographic, longitudinal and multidimensional.

The observational sample of this study is composed by 3511 events registered during the organized defensive method, in the seven games of the Spanish national handball team in the tournament. The software package Theme was used to perform sequential analysis and detect temporal patterns.

The main findings showed that (1) it was possible to obtain 33 T-patterns from the defensive behavior of the Spanish national handball team in the Beijing Olympic Games; (2) the displacement of the defense was the most observed behavior; (3) the 6:0 defensive system was the most used by the Spanish national team; (4) a goal differential of 5 or more in the match score board defined the outcome of the match; (5) most of the detected patterns sequence showed that the ball recovery was made after a conceded goal, regardless the match outcome, scoreboard at the time, defense system, or competition stage.

It’s also intended as a contribution towards the improvement of coaching and sports agents’ education, applying the gathered data in a 3D simulator of defensive and offensive interaction context, using the Second Life® virtual world.

Key words: Match analysis, Handball, Defense, T-patterns, Coaching education, Second Life®.

ABSTRACT

Resumen

Los estudios sobre el desempeño defensivo en el balonmano son escasos. El autor responsable de la formación de los entrenadores de Balonmano en Portugal, detectó la falta de estudios relacionados con la enseñanza y el aprendizaje del proceso de defensa y el tiempo dedicado a su entrenamiento. Este estudio trata de analizar el comportamiento de las defensas de la selección de balonmano en España en los Juegos Olímpicos en Beijing durante el periodo organizado de juego en condiciones de 6x6, utilizando el análisis observacional i secuencial para la detección de patrones temporales. Este estudio tiene como objetivo: a) crear y validar un sistema de observación en la defensa método organizado (SODMO), y b) analizar las secuencias de la selección de balonmano de defensa en España durante el método organizado de jugar en los Juegos Olímpicos en 2008, identificando: cómo recuperar la posesión de la pelota y las secuencias de las conductas de las defensas antes de la recuperación de la pelota, en función del resultado de la parte marcador del juego, el resultado final y la fase de la competición. El método de observación fue elegida para este estudio porque es un procedimiento científico que permitió la construcción de un instrumento de observación que combina el sistema de categorías y el formato de campo para observar los contextos, los comportamientos perceptibles expontáneos en contextos naturales de interacción. El diseño del estudio fue de tipo ideográfico, seguimiento y multidimensional. La muestra de este estudio observacional está representada per 3511 registros de secuencias organizadas de la fase del juego defensivo de los siete partidos que la selección de España jugó en el Torneo de Balonmano. El programa THEME se utilizó para el análisis secuencial y la detección de patrones temporales. Los principales resultados muestran que:

(1) fue posible detectar 33 patrones temporales en el comportamiento de las defensas de selección de balonmano del torneo en España en los Juegos Olímpicos de Beijing; (2) el comportamiento defensivo más registrado fue el desmarque defensivo; (3) el sistema defensivo más utilizado fue el 6:0; (4) la diferencia de cinco o más goles ha definido el resultado final del juego (victoria o derrota); (5) las secuencias de los patrones observados han precedido, en la mayoría de los casos, la recuperación del balón después de haber sufrido, independientemente del resultado final, del resultado parcial, del sistema defensivo o la fase de la competición. El resultado también tenía por objeto ayudar a los entrenadores y las autoridades deportivas a la creación de una simulación de los contextos de interacción de las secuencias defensiva del juego de balonmano para implementarlo en el uso de modelos tridimensionales en el mundo virtual Second Life®.

Palabras clave: Análisis del Juego, Balonmano, Defensa, T-patterns, Formación de entrenadores, Second Life®.

RESUMEN

Capítulo 1 Introdução

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Os jogos desportivos colectivos de contacto e de invasão apresentam uma complexa multiplicidade de características na interacção das acções de colaboração e de oposição, na sua componente técnico-táctica. A análise de jogo permite descrever, compreender e estimar essas caracterísiticas e acontecimentos através de procedimentos estatísticos, algo só possível devido às diversas metodologias de observação e inovação tecnológica.

A análise de jogo pode ser entendida como o estudo do jogo a partir da observação dos

jogadores e das equipas, e que tem permitido recolher informação e melhorar o conhecimento da modalidade e da importância de cada elemento no resultado de uma competição (Garganta, 2001a), pelo registo das componentes biomecânicas, fisiológicas, psicológicas, técnicas e tácticas. A análise de jogo com recurso a sistemas observacionais apresenta como objectivos a medição e a interpretação: da performance individual, das situações tácticas, das interacções inter e intra-equipas e o apoio no processo de tomada de decisão dos treinadores (Nevill, Atkinson & Hughes, 2008).

Nas últimas grandes competições desportivas internacionais de Andebol tem-se notado uma maior atenção para a realização de análises para o processo defensivo, que levou a que os sistemas defensivos fossem mais dinâmicos e eficazes, obtendo maior sucesso durante o método organizado. Apesar do reconhecimento da importância do processo defensivo no Andebol (Antón Garcia, 2000), o conjunto de estudos que o analisam é ainda escasso, em oposição aos que abordam o processo ofensivo do jogo (Sousa, 2000).

A infinidade de possibilidades para a resolução de acontecimentos diversos durante o jogo de

Andebol e a necessidade do estudo e conhecimento fundamentado do processo interactivo do

mesmo, requerem a construção e utilização de ferramentas que permitam observar e registar

as condutas, para uma análise mais rigorosa e abrangente possível do que acontece no terreno de jogo.

A metodologia observacional foi utilizada uma vez que permite a combinação do rigor do

sistema de categorias com a flexibilidade do formato de campo. Desta forma esperou-se registar a grande diversidade de situações de interacção, de colaboração e de oposição, que ocorrem durante o método organizado do jogo de Andebol. A construção do sistema de observação foi baseada na pesquisa bibliográfica de critérios e indicadores, validados e utilizados noutros estudos (Prudente, 2006; Silva 2008), no âmbito da análise do jogo de Andebol. Com a utilização de software especializado para o efeito, este estudo pretendeu estudar o comportamento da defesa da Selecção de Espanha nos Jogos Olímpicos de Pequim em 2008, durante o método organizado do jogo de Andebol, em situação de igualdade

numérica 6x6, com recurso à análise sequencial para a detecção de padrões temporais.

A análise de jogo é um meio indispensável para a criação de modelos de jogo e de treino para

a eficácia dos mesmos (McGarry & Franks, 1996). O contributo das novas tecnologias na

análise do jogo de Andebol, relacionando o processo ofensivo e com o defensivo, é indispensável para a qualidade: da formação dos agentes desportivos, da selecção de atletas, do desenvolvimento de métodos e meios de treino e de ensino mais sofisticados, e da compreensão das tendências de evolução do jogo. Neste sentido foi também apresentada uma aplicação que recorre ao mundo virtual Second Life® para criar e simular movimentações de Andebol em 3D para utilizar na formação de agentes desportivos no Andebol.

O comportamento da defesa da Selecção de Espanha no Torneio de Andebol nos Jogos

Olímpicos de Pequim 2008

Esta introdução finaliza com a explicação da estrutura do trabalho realizado:

O capítulo 1 é o presente capítulo no qual se realiza uma introdução ao tema, com um breve

enquadramento teórico, se justifica a pertinência e se apresenta a estrutura do trabalho.

O capítulo 2 denomina-se “Revisão da Literatura” e nele pretende-se enquadrar

conceptualmente as questões fundamentais do estudo: as teorias e modelos de análise de jogo, o estado geral dos estudos da análise de jogo no Andebol, particularmente através dos autores que abordaram os fenómenos defensivos e dos que utilizaram a análise sequencial como técnica de tratamento de dados; e ainda os objectivos e possibilidades de aplicação da

análise de jogo, com especial incidência no papel da formação de treinadores.

Partindo da reflexão ponto anterior, é levantada a problemática a investigar e definidos: o objecto e os objectivos do mesmo, apresentados no capítulo 3.

No capítulo 4, “Métodos”, é apresentada a metodologia utilizada e os vários processos

inerentes: descrevendo-se e caracterizando-se os indicadores que compuseram o instrumento

de observação, apresentando-se o instrumento de registo, os procedimentos de análise

estatística utilizada para o tratamento dos dados e as limitações do estudo.

O capítulo 5 deste trabalho é composto pela apresentação e discussão dos resultados, no qual

se apontam os resultados obtidos das análises efectuadas, procurando projectá-los no âmbito

do quadro conceptual anteriormente descrito.

No capítulo 6, “Conclusões”, são apresentadas as principais ilações derivadas dos resultados e

objectivos do estudo realizado.

Nas perspectivas futuras, capítulo 7, são apresentadas sugestões para futuras investigações e sendo estabelecida uma ponte para as possibilidades de utilização da análise de jogo, nomeadamente no desenvolvimento de uma aplicação para a utilização dos dados, de análise de jogo, no processo de formação de treinadores de Andebol, através da simulação 3D das movimentações, no mundo virtual Second Life.

No final do presente trabalho são apresentadas as referências bibliográficas mencionadas

neste estudo.

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Capítulo 2 Revisão da Literatura

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Este capítulo tem como principal objectivo perfilar o enquadramento teórico sobre 4 temas fundamentais: Análise da Dinâmica do Jogo, Modelos e Teorias para a Análise da Dinâmica de Jogo, Tendências dos Estudos em Análise do Jogo de Andebol e para Objectivos e Aplicação da Análise de Jogo.

Os jogos desportivos colectivos exigem dos jogadores comportamentos perspicazes no sentido

de orientar as acções para a finalidade e objectivos do jogo. Desta forma cada jogador e equipa têm como objectivo transformar a relação de oposição/colaboração de forma

vantajosa (Tavares, 1996). Os jogos desportivos colectivos de oposição/colaboração caracterizam-se por serem constituídos por habilidades perceptivo-motoras 1 , contextualizadas, elaboradas, intencionais, abertas e de regulação externa, que se desenvolvem em circunstâncias de relação dialéctica, de incerteza e de variabilidade temporais.

De acordo com Blázquez (1990) a observação e análise do comportamento pode ser realizada de duas formas: fora da situação de competição (in vitro) ou em situação de competição (in vivo). O estudo e análise do comportamento de jogadores e equipas em contexto natural (treino ou competição) é:

- reconhecido como um dos meios fundamentais para a compreensão e evolução dos jogos desportivos colectivos (Garganta, 2001b; Garganta, 2007);

- considerado um dos motivos que mais afectam a aprendizagem (modelação do treino) e a

eficácia da acção desportiva (Silva, 2008; Prudente, 2006; Hughes & Franks, 1997), porque as

capacidades dos jogadores são condicionadas fundamentalmente pelas circunstâncias sucessivas que vão ocorrendo durante o jogo. São vários autores têm vindo a tentar perceber

os constrangimentos que caracterizam os diferentes jogos desportivos, no sentido de criar um quadro de referência para o treino (Garganta, 2001a).

A

competição parece ser o momento mais adequado para avaliar o desempenho, de jogadores

e

equipas, uma vez que é neste ambiente complexo e imprevisível que se destacam

capacidades específicas que são significativas e verdadeiramente válidas para a análise

(Garganta, 1997).

Na revisão da literatura dos estudos sobre a observação e análise do jogo têm sido utilizados

diferentes tipos de expressões para descrever a mesma finalidade: observação de jogo/game observation, análise de jogo/match analysis e análise notacional/notational analysis (Garganta, 1997). A expressão mais utilizada é “análise de jogo”, uma vez que engloba as diferentes fases do processo: observação, registo e interpretação dos dados (Franks & Goodman, 1986; Hughes

& Franks, 1997; Garganta, 1997).

A análise de jogo pode ser entendida como um processo que parte da observação e registo dos

comportamentos até à análise dos dados e interpretação dos resultados (Franks, Goodman &

Miller, 1983; Hughes & Bartlett, 2002; Nevill, Atkinson, Hughes & Cooper, 2002). Trata-se de

um meio objectivo para recolha de elementos-chave que possam ser quantificados de uma

forma válida e consistente (Nevill, Atkinson & Hughes, 2008).

1 De acordo com a corrente fenomenológica (Bayer, 1994, pp. 62).

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Pela análise de jogo é possível identificar padrões de actuação das equipas e jogadores, identificando e discriminando os aspectos relevantes na obtenção de determinado resultado (Volossovitch, 2005) e de momentos particulares que ocorrem durante um jogo (Ferreira, A.

2006).

2.1. Análise (da Dinâmica) de Jogo

O desafio inicial da análise de jogo, para quantificar a performance desportiva, foi a de determinar medidas que fossem objectivas e confiáveis para a recolha de dados.

Apesar de já existir alguma evidência no desenvolvimento da análise de jogo desde a primeira década do século XX, o seu fortalecimento e aplicação ocorreu no final dos anos 70 (Nevill, Atkinson & Hughes, 2008) que foi conducente com o desenvolvimento dos computadores pessoais. A análise de jogo cresceu e desenvolveu-se tanto no campo da pesquisa como no campo da sua aplicação, nomeadamente na análise da performance desportiva de elite (Nevill,

Atkinson & Hughes, 2008).

Numa primeira fase, os trabalhos científicos sobre a análise de jogo tiveram como objecto de estudo a actividade física dos jogadores (quantificação do deslocamento, capacidades físicas, diferenças intra-modalidade para diferentes posições) durante a competição, no sentido de identificar o perfil de deslocamento (Garganta, 2001a), a partir do seu tipo, frequência e quantidade. A partir destes dados foram criadas referências para a condução do processo de treino e ainda para classificar os diferentes níveis de performance. O desenvolvimento do sistema de categorias de Classificação de Movimento de Bloomfield (Bloomfield & Polman, 2004) transformou a análise do movimento no desporto, pela quantidade e pelo detalhe dos dados que proporcionava (Nevill, Atkinson & Hughes, 2008).

Seguidamente, a análise de jogo foi marcada pela investigação centrada na frequência dos procedimentos de ordem técnica, no sentido de estabelecer a relação entre os diversos indicadores 2 (Garganta, 2007). A recolha de uma elevada quantidade de dados, relativa a uma performance individual ou de uma equipa, viria a permitir a identificação de pontos fortes e pontos fracos das performances (Nevill, Atkinson & Hughes, 2008). O aparecimento das tecnologias computacionais facilitou o processo de recolha e de análise dos comportamentos. Desta forma foi possível desenhar sistemas de análise desportiva que permitiram registar movimentos e acções técnicas dos jogadores, a que se seguiram e influenciaram o aparecimento de uma série de estudos descritivos em diferentes modalidades e em variados contextos (McGarry, Anderson, Wallace, Hughes & Franks, 2002).

Várias questões foram levantadas sobre a objectividade, dificuldade e complexidade da análise

e a aplicabilidade dos dados no treino e na competição. A análise centrada nos procedimentos

técnicos de forma isolada demonstrou pouca relevância contextual, uma vez que se mostrou redutora na plenitude dos acontecimentos que ocorrem num jogo (Borrie, Jonsson & Magnusson, 2002; Hughes & Bartlett, 2002; Volossovitch, 2005); o que fez com que os estudos

2 Um indicador de jogo é uma variável ou conjunto de variáveis que permite definir alguns aspectos da performance (Hughes & Bartlett, 2002).

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seguintes se cingissem à relação da técnica com as acções tácticas (Garganta, 2001a). As recentes investigações apontam para a utilização combinada de indicadores de performance (e.g. biomecânicos com fisiológicos) para que a análise dos dados seja mais direccionada e adequada às necessidades dos treinadores.

Para garantir uma representação mais fiel da situação competitiva a observação e análise dos comportamentos de ordem táctica têm vindo a ser cada vez mais utilizada, tendo como principal foco a detecção da estabilidade de padrões de comportamentos 3 (Smeeton, Ward, Williams, 2004; Garganta, 2007). Com a generalização da utilização dos computadores pessoais, a meio da década de 80, foi possível aos investigadores recolherem e guardarem grandes conjuntos de dados e também analisá-los com maior profundidade. Os estudos realizados na análise táctica incidiram sobre os efeitos das alterações das regras de jogo na táctica de algumas modalidades, nomeadamente no futebol, no rugby, na vantagem dos jogos em casa, entre outros (Nevill, Atkinson & Hughes, 2008).

Este tipo de abordagem viria a colocar dificuldades acrescidas tanto na observação e registo como no tratamento e na análise estatística dos dados devido à sua complexidade - extensão de relações possíveis entre jogadores, inexistência de sequências previsíveis das acções de jogo, sistemas sujeitos a rápidas alterações (Volossovitch, 2002) - e diversidade de indicadores (Moreno & Pino, 2000; Garganta, 2007), relacionadas com a interacção dos intervenientes (colegas de equipa, adversários) e constrangimentos. A imprevisibilidade de um jogo pode ser causada por qualquer acontecimento casual que influencie e modifique a direcção e os acontecimentos do jogo (Garganta, 2001a), podendo não ser detectado (não ser tido como

relevante) pelas análises estatísticas. Os trabalhos mais recentes sobre análise táctica realçam

a importância da identificação e definição objectiva dos indicadores de performance e a estabilidade dos perfis tácticos (Nevill, Atkinson & Hughes, 2008).

Para a análise do jogo é necessário realizar a recolha de indicadores para o tipo de modalidade

a observar, podendo-se classificar os indicadores como: gerais de jogo ou estatísticos,

biomecânicos, técnicos e tácticos. Os indicadores que têm sido considerados para a análise dos jogos desportivos colectivos são os indicadores gerais de jogo (ou estatísticos) e os tácticos

(Hughes & Bartlett, 2002).

Os indicadores gerais de jogo procuram, a partir da análise dos dados estatísticos do jogo, justificar os comportamentos tácticos que estão na proveniência dos distintos níveis de eficácia - e.g. em função da classificação final de uma competição ou do resultado final do jogo - (Magalhães, 1999, Silva, 2000a; Rodrigues, 2005; Prudente, 2006; Volossovitch, 2007). A análise deste tipo de indicadores pode fornecer informações importantes para a compreensão

e esclarecimento da prestação desportiva dos jogadores e das equipas (Hughes & Franks,

1997; Silva, 2000b; Rodrigues, 2005). Através da análise dos dados provenientes dos indicadores gerais de jogo torna-se possível determinar o nível de rendimento das equipas e

3 O padrão pode ser entendido como uma sequência de actuação que parte de condutas critério. Estes padrões podem ser configuráveis com base nas regularidades, tornando possível identificar as relações entre o que acontece no jogo e os factores que contribuem para o sucesso e insucesso das equipas (Magnusson, 1996, 2000).

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avaliar o contributo dos indicadores para esse rendimento, possibilitando a realização de comparações de performances individuais, colectivas, de forma transversal e/ou longitudinal. Assim, os indicadores gerais, apresentam-se como uma das medidas mais objectivas para responder às questões relacionadas com a avaliação do rendimento desportivo.

Os estudos que utilizam os indicadores gerais de jogo sugerem a existência de uma interactividade entre os diferentes indicadores, com uma interligação entre a dimensão ofensiva e defensiva (Rodrigues, 2005), mas estas associações por si só pecam por não conseguirem transmitir toda a informação do jogo. Neste sentido a validade destas associações está dependente do conhecimento do enquadramento contextual no qual ocorrem, pois os indicadores não retratam as causas e os motivos que influenciaram a sua manifestação.

Para além da referida complexidade, devido ao elevado número e diversidade de indicadores,

o contexto no qual as acções decorrem assume uma particular relevância para a análise do

jogo. Nesta ordem de ideias é inevitável considerar as diferentes variáveis que estabelecem o contexto no qual decorrem as acções para a análise de jogo (Lago, Martín, Seirul’lo & Alvaro,

2006; Ferreira, A. 2006; Garganta, 2007).

Os estudos que utilizam indicadores de ordem táctica procuram caracterizar o comportamento dos jogadores e das equipas para demonstrar uma relação com os índices de eficácia, tendo em consideração o processo e resultado final do jogo (Volossovitch, 2005). Neste sentido é possível relacionar os indicadores tácticos com os seguintes aspectos: o tipo e a fase de competição, o tipo de jogos, o local de disputa das partidas, a importância do jogo, a oposição do adversário (Silva, 2008). Estes aspectos variam em função da modalidade, sendo oportuno considerar aqueles que contextualizam e condicionam as acções de jogo:

- a diferença pontual no marcador de jogo – o comportamento das equipas e

jogadores apresentam características distintas em função do resultado parcial

(Castellano & Blanco, 2004; Volossovitch, Dumangane & Rosati, 2007);

- os momentos críticos do jogo – a evolução do resultado de uma equipa e dos

jogadores é avaliada no sentido de ser decisiva para o desfecho final (Silva, 2005;

Ferreira, A. 2006);

- os momentum profiles (“perfis de ímpeto”) – acções que antecedem o comportamento observado são importantes e devem ser consideradas e integradas na análise (Hughes, 2004; Volossovitch, Dumangane & Rosati, 2007);

- a relação numérica absoluta – influencia de forma decisiva os comportamentos de jogadores e equipas (Antón Garcia, 1994; Prudente, 2000; Vilaça, 2001; Gomes, 2002; Vasconcelos, 2003; Ferreira, D. 2006; Gomes, 2008);

- o tempo de jogo decorrido – de forma isolada ou associado com algum dos condicionamentos anteriores (Castelo, 1992).

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Os estudos das acções de jogo devem ser realizados tendo em consideração as condições momentâneas do envolvimento uma vez que estas apresentam características específicas (Castellano & Blanco, 2004; Ferreira, A. 2006; Garganta, 2007).

Garganta (1998) refere a necessidade das categorias de observação conterem os seguintes

elementos:

- organização do jogo (referindo-se às características do encadeamento sequencial das acções da equipa);

- características das sequências que conduzem a diferentes produtos;

- situações na qual se verifiquem rupturas na relação ataque/defesa.

Todavia, têm sido identificadas algumas dificuldades para que, através da análise de jogo, se obtenham dados interpretáveis para o conhecimento do mesmo. Isto devido, essencialmente,

à subjectividade que caracteriza a própria observação. É necessário recorrer à observação

sistemática e objectiva para permitir a recolha de um número significativo de dados, que garanta o registo de forma contínua das sequências de acções que ocorrem num jogo,

preservando assim as características da situação a observar (Lames & Hansen, 2001). Contudo

a análise sistemática do jogo só é fiável se os seus objectivos estiverem bem definidos

(Garganta, 2001a). Assim, os sistemas de observação devem permitir não só o registo dos eventos, mas também a sua ordem de ocorrência, a identificação dos sujeitos observados e os diferentes contextos em que se desenrolam, para que posteriormente possam ser realizadas

análises quantitativas e qualitativas.

A concomitância do elevado número de variáveis que interagem permanentemente no jogo

dificulta a recolha e o tratamento dos dados da prestação dos jogadores e das equipas, tornando muito complexa a tarefa de alcançar a influência das variáveis na performance. Greghaigne (1992) refere que os métodos heurísticos manifestam-se mais adequados para imprevisibilidade do jogo que os algorítmicos, contudo ambos parecem ser importantes na codificação e interpretação das acções. Se por um lado os métodos heurísticos são úteis para a selecção de indicadores das acções de jogo, os métodos algorítmicos são vantajosos na sistematização e na ordenação dos indicadores.

De seguida serão resumidas as principais características dos modelos e teorias consideradas para a análise da dinâmica de jogo.

2.2. Modelos e Teorias para Análise da Dinâmica de Jogo

A utilização de computadores para os sistemas de análise de jogo têm permitido a criação de

bases de dados em diferentes modalidades e ajudado no desenvolvimento de diversas técnicas

para a modelação da prestação desportiva.

De acordo com Matvéiev (2001), a metodologia da teoria do desporto realiza-se na combinação de pressupostos conceptuais filosófico-cognitivos, perspectivas científicas gerais e

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meios de conhecimento científico aplicados. Daqui é possível distinguir enfoques metodológicos para as investigações no desporto: taxonómico (trata de ordenar sucessivamente a informação obtida sobre os objectos submetidos a estudo), sistemático e de modelação teórica.

A modelação de uma competição desportiva é uma técnica de informação analítica que

direcciona a atenção do modelador para os aspectos críticos dos dados que delimitam o sucesso da performance (Nevill, Atkinson & Hughes, 2008). Os modelos 4 procuram encontrar

um preditor de confiança para prever e descrever o comportamento desportivo.

Quando os objectos de análise são de natureza dinâmica e em elevado número, os modelos apresentam-se como um método de aplicação para explicar determinados fenómenos que seriam dificilmente explicados de outra forma.

Para Matvéiev (2001), a modelação é aplicável no desporto e “consiste na essência da formulação através de meios lógicos, de um determinado modelo concreto-abstracto do objecto de investigação e na sua operação com o fim de obter conclusões que possam ser transladadas, segundo a analogia, a apreciações sobre o objecto reproduzido”.

A concepção de modelos encontra-se dependente da interpretação da realidade e dos

aspectos que o modelador enuncie como relevantes. A perspectiva com que se observa as situações de jogo em desporto influencia e condiciona as decisões inerentes ao processo de

análise de jogo. É possível considerar 3 perspectivas:

Perspectiva mecânica ou associativista

A perspectiva associativista procura analisar as actividades identificando e definindo os

comportamentos técnicos de base da modalidade, decompondo-os em elementos simples e associando-os para reconstruir as representações de condutas mais complexas (Castelo, 1994),

de forma abstracta a partir de um “modelo ideal”. Nesta perspectiva encontram-se os estudos

que reproduzem o jogo colectivo como “um conjunto de acontecimentos agregados cuja frequência, ordem cronológica, direccionalidade e complexidade não podem ser previstos de antemão”. O jogo apresenta uma semelhança a uma estrutura caótica ou de baixa organização

interna (Garay & Hernández, 2005).

Perspectiva da forma ou globalista

A partir deste ponto de vista, os elementos a observar só apresentam um significado quando relacionados em conjunto, articulando-se entre si no sentido de compor uma forma. Esta forma resulta de uma interdependência dialéctica e da organização dos seus elementos em função de determinadas leis (Castelo, 1994). Em oposição à perspectiva anterior parte-se da totalidade (contexto) para o particular, analisando o jogo como uma série de acontecimentos de carácter complexo no qual se distingue uma ordem que garante uma regulação e sentido (Bayer, 1994; Castelo, 1994; Hernández, 1994). Nesta perspectiva é possível distinguir os tipos

de estudos (Garay & Hernández, 2005) relacionados com:

4 Um modelo pode ser entendido como uma descrição de uma representação sistemática e simplificada de uma parte da realidade através de símbolos, formas geométricas e palavras (Willet, 1992).

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- as correntes comunicacionais que analisam o jogo como uma transformação de informação motora entre os jogadores;

- a teoria dos jogos que analisa os jogos desportivos colectivos como jogos competitivos desde

que possuam determinadas características (estrutura de duelo, natureza simétrica, informação

perfeita);

- as correntes dualistas que contemplam a relação dialética de cooperação-oposição existentes em todas as situações de jogo, e que se dividem em duas fases fundamentais: processo ofensivo e processo defensivo;

- a corrente sistémica que analisa o jogo como um sistema que apresenta uma complexidade e uma organização de acordo com um conjunto de parâmetros explicativos e universais que incluem a funcionalidade dos mesmos.

Perspectiva do fenómeno ou estruturalista

A perspectiva estruturalista analisa os fenómenos de uma situação a partir da sua articulação interna e das relações dos seus elementos que são funcionalmente interdependentes. Neste sentido a estrutura de um jogo é tida num sistema de relações entre os jogadores, a bola, o terreno, face ao regulamento de jogo, evidenciando a importância das relações observáveis. Esta perspectiva introduz o conceito de modelo, que se pode resumir a uma construção teórica que define e reproduz com rigor o sistema de relações que se estabelecem entre os elementos

de uma realidade (Castelo, 1994).

2.2.1. Modelos de Análise dos Desportos Colectivos

O desenvolvimento dos jogos desportivos colectivos tem sido influenciado por diferentes

correntes de pensamento e pelos conhecimentos provenientes de variadas disciplinas técnicas

e científicas.

Os modelos de análise dos desportos colectivos têm como objectivo aprofundar o conhecimento da realidade competitiva de uma modalidade. Os modelos teóricos que a seguir se apresentam têm direccionado a visão do treino desportivo e que por extensão são susceptíveis de serem aplicados ao estudo do jogo. Estes modelos podem ser agrupados em 2 tipos: modelos conceptuais e modelos descritivos e preditivos.

Modelos Conceptuais

De acordo com Álvaro & Dorado (1995), as diferentes visões de análise da actividade humana nas décadas de 70 e 80 viriam a influenciar os métodos de análise de jogo, originando diferentes modelos de análise dos desportos colectivos:

Modelo Analítico

Difundido nas décadas de 70 e 80, e tendo tido como referências Matvéiev e Platonov, este modelo encontra-se relacionando com as componentes básicas do treino e a da sua preparação como das capacidades: condicionais, técnica, táctica, estratégica, psicológica e social (Matvéiev, 1990).

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Modelo Estrutural

Este modelo, que apresenta Bayer como autor de referência, considera os elementos comuns dos desportos colectivos, independentemente do seu significado cultural. Os desportos colectivos são apresentados sempre com princípios operacionais transferíveis (estruturas analógicas) de uma modalidade para outra: como a bola, o terreno, o alvo, as regras, os companheiros e os adversários (Bayer, 1994; Moreno, 1984; Antón Garcia, 1998, 2002).

Modelo Funcional

Este modelo assenta na perspectiva que o jogo deve ser observado pelas diferentes funções e situações desempenhadas pelos jogadores (a relação entre a cooperação e a oposição): se a equipa tem posse de bola (ataque) ou se a equipa adversária tem a posse de bola (defesa), referenciando o espaço (lugares de colocação, distâncias, locais de desmarcação, trocas de espaços), o tempo (ritmos, velocidade de execucação) as regras do jogo, a técnica, a táctica, a estratégia (circunstâncias e adequação da aplicação de procedimentos) e a comunicação motriz (qualificação e variedade das acções, as redes de comunicação e contra-comunicação) (Sánchez, 1987; Moreno, 1987; Antón Garcia, 1998, 2002). Para este modelo, o jogo desenvolve-se na base de um conflito entre duas equipas que através de diferentes estratégias procuram concretizar objectivos antagónicos.

Modelo Ergogénico

Este modelo baseia a sua análise nas necessidades biológicas de cada modalidade recaindo sobre as fontes energéticas - exigências fisiológicas (Davey, Thorpe & Williams, 2002) - e nas capacidades e necessidade motrizes dos jogadores - aspectos biomecânicos (Miller & Bartlett, 1993). No caso particular do Andebol as situações dos jogos são caracterizadas por esforços intermitentes (Soares, 1988; Maia, Galvão & Ribeiro, 1989).

Modelo Praxiológico

A ideia fundamental deste modelo é o estudo da lógica interna dos jogos, sem ter em consideração os intervenientes. A teoria da acção motora tem como objecto de estudo a acção motora, que é considerada a unidade básica de análise. Esta é considerada uma propriedade emergente que caracteriza um sistema praxiológico e tem uma relação estrutural que determina uma lógica interna única (Teodurescu, 1984; Jiménez, 2000; Ribas, 2006).

Pelos estudos de Parlebas 5 cria-se uma corrente cujo objectivo é analisar a relação que existe entre os parâmetros que compõem a estrutura dos desportos e da sua lógica interna (Bayer, 1994), tendo como elementos o regulamento de jogo, a técnica, o espaço, o tempo, a comunicação e a táctica e a estratégia (Castelo, 1994). A lógica interna do jogo de Andebol é encontrada pelo registo das acções motoras (saltos, travagens, remates, passes, etc.) realizadas durante um jogo sem ter em conta os jogadores.

5 Para Parlebas (1981) os jogos desportivos colectivos são situações motoras de confrontação codificada denominada de jogo ou desporto pelas instâncias sociais, sendo definido pelo seu sistema de regras que determina a sua linguagem interna.

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Os modelos apresentados permitem reunir um conjunto de informação sobre a actuação dos jogadores e equipas, contudo não se encontram totalmente ajustados à complexidade do jogo. A análise é complexa devido ao número de participantes, à sua lógica interna e à dimensão derivada da competição.

Neste sentido Areces e Vales (1996), apresentaram uma proposta para a sistematização dos estudos em desportos colectivos. Esta proposta organizativa distribui-se em duas opções na qual se deve centrar a análise: nos aspectos formais do jogo e/ou nos aspectos funcionais do jogo.

Sistematização do estudo dos desportos

Aspectos formais

Os aspectos formais analisam o contexto físico onde decorrem as modalidades e as constrições/possibilidades dos jogadores. A análise através dos aspectos formais condiciona os conceitos da funcionalidade, dos conteúdos e da dinâmica dos acontecimentos. Este tipo de estudos reduz-se à análise dos regulamentos a partir da componente física (número de jogadores, espaço de jogo, tempo de duração do jogo (Vales, 1994), do procedimento (e.g. graus de liberdade da acção admitidos nas relações existentes entre o jogador e os aspectos físicos da estrutura) (Gómez, 1993) e da avaliação (formas de êxito ou execução eficaz dos objectivos estabelecidos pelo jogo) (Colli & Faina, 1987; Castellano & Zubillaga, 1995).

Aspectos funcionais

Os aspectos funcionais do jogo permitem analisar o jogo de uma forma mais dinâmica, lançando a possibilidade de duas categorias de estudo: a natureza dos acontecimentos do jogo (investigação básica) e a dinâmica dos acontecimentos do jogo (investigação aplicada) (Garrido, 2003).

Dinâmica do jogo

Os estes estudos que acompanham a dinâmica dos acontecimentos do jogo, ocupam-se da análise das características e relações que se estabelecem entre os participantes e os elementos de componente física (espaço, tempo, distâncias).

Para analisar a dinâmica da actividade dos jogadores, apoiam-se na perspectiva mecânico- associacionista e em ciências biológicas, biomecânicas e psicológicas (e.g. abordagem ecológica), advindo estudos que descrevem e avaliam os aspectos relacionados com a prestação físico/condicional e técnico/táctica dos participantes.

Para o estudo da dinâmica da actividade da equipa, centram-se na perspectiva globalista e na sociologia, surgindo estudos de natureza táctico/estratégica que descrevem e/ou avaliam os comportamentos e atitudes manifestadas colectivamente por cada uma das equipas.

Natureza do jogo

Este tipo de estudos parte do conjunto de eixos fundamentais do jogo que proporcionam uma visão genérica e abstracta, independentemente das características dos jogadores. Tem como finalidade a manifestação de diferentes teorias sobre os elementos do jogo e das relações bilaterais entre os mesmos e utilizando uma análise qualitativa sobre 3 perspectivas:

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mecânico-associativistas, formo-globalista e fenomeno-estruturalista (Moreno, 1987; Castelo, 1994; Bayer, 1994; Antón Garcia, 1998, 2002).

Hernández (1994) ao examinar esta sistematização afirma que esta possibilita uma análise e um estudo pormenorizado e diferenciador de cada uma das actividades. No entanto considera que, as classificações que utilizam critérios internos partindo da estrutura funcional do desporto são as mais adequadas e com maior interesse para a análise da modalidade, permitindo uma definição e delimitação profunda da mesma.

Volossovitch (2008), por sua vez distingue dois grandes grupos de modelos que se aplicam aos desportos colectivos: os modelos descritivos e modelos preditivos. Os modelos descritivos têm como objectivos obter: a descrição de padrões de actuação das equipas, a identificação de comportamento e circunstâncias para o resultado momentâneo e a previsão de resultados futuros a partir dos dados existentes. Os modelos preditivos pretendem prognosticar a prestação desportiva através dos resultados anteriores ou da informação recolhida no decorrer do jogo.

Modelos Descritivos e Preditivos

No sentido de prognosticar a dinâmica dos resultados desportivos, tem sido prática comum recorrer-se a modelos matemáticos, que normalmente são aplicados em acontecimentos não circunscritos à actividade desportiva (Matvéiev, 2001).

De acordo com Franks e Goodman (1986), é possível identificar três tipos de modelos matemáticos:

- deterministas: o conhecimento do estado actual do sistema e das forças que sobre ele

actuam permitem fixar e antecipar o modo como se comportará integralmente o sistema;

- axiomáticos: modelo que descreve o comportamento para construir classificações a partir de determinado critério;

- probabilísticos ou estocásticos.

Por sua vez Hughes (2004) identifica os seguintes tipos de modelação: empírica, estocástica, por técnicas estatísticas e por inteligência artificial:

Modelos Empíricos

A forma mais simples de modelação utiliza métodos empíricos para assegurar dados suficientes para definir perfis de performance. Este tipo de modelo permite que sejam retiradas conclusões acerca dos padrões de jogo de uma amostra de jogadores, o que possibilita a análise e comparação da prestação de jogadores e equipas (Nevill, Atkinson & Hughes, 2008).

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Modelos Estocásticos

O processo estocástico é uma representação matemática de um sistema que específica a

ocorrência provável de um conjunto de eventos, possibilitando o prognóstico da transição de

um conjunto eventos para outro conjunto de eventos em qualquer momento.

Um exemplo é o modelo construído por McGarry e Franks (1996) para o squash, que permitiu identificar prospectivamente resultados a partir de performances anteriores pela previsão de uma resposta associada ao resultado de uma determinada jogada, sendo os resultados contudo limitados (Nevill, Atkinson & Hughes, 2008).

Os modelos estocásticos não são os mais utilizados na investigação desportiva para estudar e analisar o comportamento dos jogadores e equipas (Nevill, Atkinson & Hughes, 2008). Contudo este procedimento modelar encontra-se preparado para ser aplicado e perspectiva-se que possa conduzir a resultados úteis e interessantes (McGarry & Franks, 1996), parecendo ser o modelo mais completo para a análise do comportamento e da prestação desportiva (Nevill, Atkinson & Hughes, 2008).

Modelos de Técnicas Estatísticas

A predição da prestação desportiva pode ser descrita como a habilidade de apresentar e

formar conclusões sobre o resultado futuro do desempenho desportivo, baseada na combinação de dados recolhidos e do conhecimento prévio. É razoável assumir que com dados válidos e confiáveis e com as técnicas mais adequadas a predição da prestação desportiva

possa ser possível (Nevill, Atkinson & Hughes, 2008).

Do ponto de vista das ciências do desporto, as abordagens mais comuns para a predição do desempenho desportivo utilizam uma vasta quantidade de dados e técnicas de estatística aplicada (O’Donoghue, et al., 2004). Destas técnicas utilizadas para predizer a prestação desportiva destacam-se: a regressão linear múltipla, a regressão binária, a análise da função discriminante, a análise de clusters ou a combinação delas.

Santos (1999), a partir dos trabalhos realizados no Andebol com indicadores gerais de jogo (estatísticos) distinguiu os seguintes tipos estudos:

- descritivos – através das medidas da estatística descritiva (média, desvio-padrão e

valores percentuais

possibilitem a regulação da prestação desportiva pelas acções de jogo;

pretendem identificar e estabelecer valores de referência que

)

- univariados – a partir do teste de hipóteses procuram perceber a importância de

determinado indicador tentando estabelecer uma relação causa-efeito entre as variáveis dependentes e as independentes. Estes estudos recorrem a medidas da estatística como a amplitude e o coeficiente de variação de cada variável, tendo procurado distinguir as equipas vencedoras das derrotadas. Este tipo de estudos apresenta limitações uma vez que cada variável é tratada de forma isolada;

- bivariados – pretendem avaliar e hierarquizar o grau de associação entre duas

variáveis em estudo, no sentido de explicar a contribuição de cada uma delas através

de coeficientes de correlação linear. Os resultados de estudos de Magalhães (1999),

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Olímpicos de Pequim 2008

Silva (2000a) e de Silva (2000b) demonstram a relação dos distintos indicadores associada à classificação das equipas;

- multivariados – procuram identificar e hierarquizar múltiplos indicadores de jogo relacionando-os com o resultado final do jogo através de processos estatísticos mais complexos, como a análise da função discriminante, sendo exemplo os estudos de Silva (2000b) e de Volossovitch, Ferreira e Gonçalves (2003).

Modelos de Inteligência Artificial

Bartlett (2004) apresentou uma perspectiva da utilização de inteligência artificial na qual combinava o reconhecimento por voz, processamento da linguagem natural, sistemas de monitorização do movimento por computador e a tomada de decisões.

A análise de jogo baseada em modelos de inteligência artificial com base em redes neuronais

artificiais tem sido utilizada (Perl, 2002; Jürgen & Baca, 2003), uma vez que permite a detecção

de padrões de estrutura complexa. A utilização prospectiva dos mapas de auto-organização de

Kohonen tem sido reconhecida na análise de jogo, possibilitando a demostração de padrões de

estrutura complexa, mas de um ponto de vista macroscópico.

Apesar das dificuldades de replicação das investigações realizadas, esta abordagem representa uma possível e importante ligação para o estudo da dinâmica não linear, com o controlo ecológico da variabilidade do movimento (Nevill, Atkinson & Hughes, 2008).

No Andebol destaca-se o trabalho de Pfeiffer e Perl (2006) que procuraram identificar os tipos de estruturas tácticas do jogo de Andebol utilizando as redes neuronais (Dynamically Controlled Network) 6 , que com esta abordagem identificaram as situações tácticas características das equipas analisadas.

2.2.2. Teorias para Análise dos Desportos Colectivos

Teoria Geral dos Sistemas

O aparecimento da teoria geral dos sistemas deve-se à concorrência de três linhas de

investigação: cibernética, teoria da informação e a teoria dos jogos 7 , às quais propuseram uma

teoria geral aplicada a qualquer sistema (Garay & Hernández, 2005). Esta teoria pretende estudar a organização de fenómenos independentemente da sua formação e configuração procurando os princípios comuns aos sistemas. Em termos práticos procura descrever e explicar a entorpia e/ou a homeostase dos elementos de um sistema aberto ou fechado.

6 É um método que possibilita a identificação de tipos, frequências e distribuição dos padrões informativos, estáticos ou dinâmicos (séries temporais), representados por conjuntos de valores. 7 A teoria dos jogos, pela lógica probabílistica procura predizer o melhor resultado para uma situação proposta, com base num conjunto de condições previamente definidas e na qual se verifique uma relação directa entre os adversários e objectivos antagónicos (Eigen & Winkler, 1989).

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Teoria Geral da Acção

De acordo com esta teoria o comportamento humano encontra-se, de forma contínua, sujeito

à interacção de quatro contextos concorrentes e sincrónicos: fisiológico, psicológico, cultural e social. No âmbito desportivo, os elementos que constituem estes contextos modificam-se e controlam a conduta de um jogador, mesmo que este possua um elevado grau de rendimento

e experiência. Os níveis de actuação estão subordinados à estabilidade da mesma, mais que à maximização dos contextos, circunstância que não difere em absoluto do que sucede em qualquer sistema (Garay & Hernández, 2005).

Teoria da Complexidade

A teoria da complexidade assenta num conjunto de concepções e instrumentos para a análise

de sistemas complexos, em que se destaca: a modelação dinâmica, as ideias de atractor, da transição de fases, de criticalidade auto-organizada, a importância da retroalimentação (feedback) e da interacção, o tempo como uma variável inalienável da análise, entre outros (Lucas, 1997, 1999). A teoria da complexidade baseia-se na tentativa de explicação, através de descrição empírica e matemática, de como os sistemas complexos decorrem da interacção dos

seus elementos seguindo regras simples (Lucas, 1999).

Lucas (1999) distingue quatro tipos de complexidade: a estática, a dinâmica, a evolutiva e a

auto-organizada:

- o primeiro tipo pressupõe que o sistema não se modifica durante o tempo, podendo

ser analisado num determinado momento. Nesta perspectiva encontram-se os estudos de natureza descritiva e comparativa que relacionam os padrões das equipas com o resultado. Os resultados destas análises têm servido para a definição das tendências de evolução do jogo e costumam ser utilizados na formação de treinadores (Antón

Garcia, 1998, 2002);

- o segundo tipo acrescenta a dimensão do tempo ao estudo do sistema procurando

identificar funções nos seus padrões temporais. O tempo passa a constituir-se como o parâmetro configurador da lógica interna do jogo (Castelo, 1992);

- o terceiro tipo pretende a partir do estudo de um extenso número de sistemas

orgânicos, reconhecer os seus padrões de adaptação e de aprendizagem para os categorizar, sem garantir a possibilidade de predizer o seu comportamento uma vez que o sistema pode apresentar novas soluções;

- o quarto diz que o sistema co-evolui com o seu ambiente e as suas funções são

descritas na relação com este. É necessário modelar os constrangimentos do ambiente para que o sistema encontre as suas soluções e permitir que, a posteriori, seja possível predizer os comportamentos emergentes. O estudo do jogo a partir deste tipo de complexidade, ao seguir os princípios da perspectiva ecológica 8 conduz a uma visão contextualizada da performance dos jogadores e das equipas, possibilitando encontrar

8 De acordo com a abordagem ecológica os sistemas vivos são estudados no seu envolvimento natural, com o qual estabelecem uma relação recíproca. O indivíduo percepciona a informação e actua em função do envolvimento e interferindo no mesmo, ou seja influenciando-se mutuamente (Gibson, 1966 in Araújo, 2006).

O comportamento da defesa da Selecção de Espanha no Torneio de Andebol nos Jogos

Olímpicos de Pequim 2008

regularidades na sua actividade (Araújo, 2006). O marcador e o tempo do jogo são as variáveis que caracterizam o contexto de jogo.

Acompanhando a teoria da complexidade e enquadrando-se no tipo de complexidade auto- organizada, aparece a abordagem teórica dos sistemas dinâmicos e auto-organizados.

Teoria dos Sistemas Dinâmicos e Auto-Organizados

A teoria dos sistemas dinâmicos é considerada hoje um paradigma emergente para o estudo

dos jogos desportivos colectivos, uma vez que pretende contribuir para a descrição e explicação das interacções dos elementos de um sistema através de uma visão integrada dos fenómenos. A teoria dos sistemas dinâmicos assenta na convicção de que os padrões de movimento partilham princípios fundamentais de organização não linear de sistemas abertos e complexos. A abordagem teórica dos sistemas dinâmicos entende que o comportamento biomecânico humano enquanto sistema pode ser modelado como um sistema dinâmico

complexo (Gréhaigne, Bouthier & David, 1997). Ideias de paradigmas científicos (e.g. a teoria

do caos) foram integradas em conceitos e instrumentos da teoria dos sistemas dinâmicos,

proporcionando um conjunto de fundamentos conceptuais para compreender o modo como sistemas complexos se comportam ao longo do tempo. É neste sentido que esta teoria tem

sido mais usada: no estudo da cognição e da acção no desporto (Davids et al., 2001).

Na perspectiva dos sistemas dinâmicos os movimentos são organizados através de interacções

complexas do corpo com o seu ambiente de acordo com princípios universais da dinâmica. Um sistema dinâmico e complexo apresenta como características: inúmeros e independentes graus de liberdade, uma rede integrada de níveis do sistema, tendência de comportamento não linear, constrangimento de componentes pelo comportamento de outros elementos e a capacidade de criar padrões de relação estáveis e instáveis entre as partes do sistema que

emergem da auto-organização deste último (Handford, Davids, Bennett & Button, 1997).

O desempenho nos jogos desportivos colectivos é o produto da interacção de uma

multiplicidade de factores, os quais assumem diferentes graus de importância em função de diversos condicionalismos (Silva, 2000b). Esta abordagem sugere que o jogo seja visto como um sistema complexo de forma a integrar toda a informação recolhida e analisada. Assim, o jogo deve ser entendido como um sistema dinâmico (McGarry et al., 2002; Lebed, 2006) e analisado como tal. Não é só a equipa que constitui um sistema dinâmico em que existe auto- organização, o duelo 1x1 e a própria competição entre duas equipas também constituem um

sistema dinâmico auto-organizado (McGarry, et al., 2002). O termo auto-organização aplica-se

ao processo que emerge de uma determinada ordem e estrutura no comportamento de um

sistema. Os estados auto-organizados de um sistema surgem da interacção dos seus componentes de forma espontânea e sem a influência de qualquer ordem superior (Schmidt, O'Brien & Sysko, 1999).

De acordo com McGarry et al. (2002) a análise do contexto do jogo deve ser entendida como

um sistema auto-organizado não-linear, fundamentando-se em princípios dinâmicos. Assim, o

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contexto desportivo deve: ser descrito em termos de parâmetros de ordem 9 e de controlo 10 , exibir a tendência geral para a estabilidade, manifestar o aumento da variabilidade antes de qualquer transição não-linear no seu comportamento e ser visto em evolução.

McGarry e Franks (1996) demonstraram que perturbações – alterações nas fases em sistemas dinâmicos – podiam ser identificadas em jogos de squash, neste caso de forma qualitativa. Mais tarde foram verificados momentos de estabilidade e instabilidade em jogos de squash e de futebol (Nevill, Atkinson & Hughes, 2008). Os estudos evidenciaram a alternância entre os estados do comportamento invariável (estável) e variável (instável) durante o jogo ligados a pontos de transição, considerados como eventos chave do comportamento. Araújo (2006) identificou estados coordenativos estáveis e transições entre os estados de ordem na interacção dos jogadores. Os resultados do estudo demonstraram um acoplamento não intencional entre o atacante e defensor na situação de 1x1, provando a influência dos constrangimentos situacionais durante a realização da tarefa.

Lebed (2006) criticou o processo de jogo enquanto um sistema auto-organizado, uma vez que

o jogo perspectivado como uma inter-relação conflituosa voluntária entre oponentes com

objectivos opostos, nunca poderá formar um, mas sim dois sistemas, porque considera o jogo como um fluxo. Outra crítica passou pela diferença no entendimento do conceito de

perturbação e da sua influência durante o jogo, dizendo que as acções dos jogadores não podem ser reduzidas ao estímulo-resposta, uma vez que inviabilizaria o aparecimento dos comportamentos do tipo antecipativo.

A análise de jogo tem evoluído para estudos cada vez mais complexos, por considerarem

vários e distintos indicadores e cada vez mais restritos, ao privilegiar a análise de momentos particulares considerados relevantes do jogo. A partir da análise de base de dados tem-se tentado configurar modelos de jogo (McGarry & Franks, 1996) que permitam prever uma táctica vencedora. No entanto os métodos estatísticos têm sido questionados devido à aleatoriedade e imprevisibilidade dos comportamentos dos jogadores nos jogos desportivos colectivos.

A análise de jogo pode ser representada por diversos modelos que dependem dos propósitos

do observador em realçar determinadas características e/ou interacções. A pertinência do modelo, independentemente da perspectiva de análise e da teoria, é sempre avaliada pela sua capacidade de descrever o jogo e identificar os factores que determinam o desempenho desportivo (Volossovitch, 2008).

A análise do jogo de Andebol deverá concentrar-se nas acções e comportamentos tácticos dos

jogadores de forma contextualizada, no qual farão parte todas as acções de cooperação e

9 O parâmetro de ordem descreve a organização estrutural de um sistema e representa uma variável colectiva criada pela coordenação entre as componentes, que influencia o comportamento destas componentes, obrigando-as a pertencer a um padrão global. A dinâmica do parâmetro de ordem descreve como os padrões de um sistema evoluem, a organização estrutural e permite captar a sua coordenação (Handford, Davids, Bennett, & Button, 1997). 10 Os parâmetros de controlo representam constrangimentos que levam um sistema a diferentes estados e padrões comportamentais. O parâmetro de controlo é uma força não determinada que obriga o sistema a passar de um atractor estável para outro. (Araújo, 2006; Kelso, 1995).

O comportamento da defesa da Selecção de Espanha no Torneio de Andebol nos Jogos

Olímpicos de Pequim 2008

oposição de todos os intervenientes respeitando o carácter dinâmico do jogo (frequência, ordem e complexidade). Desta forma a análise deverá ser do tipo não linear.

2.3. O Comportamento Defensivo em Andebol

O

jogo de Andebol apresenta dois processos perfeitamente observáveis: o processo ofensivo e

o

processo defensivo que se encontram em oposição contínua (Antón Garcia, 1998).

O

processo defensivo 11 caracteriza-se pela condição de uma das equipas que não se encontra

com posse de bola (Bayer, 1994), procura recuperá-la sem sofrer golo, perturbando e antecipando-se às acções ofensivas dos jogadores atacantes, sem cometer infracções, e no

qual o guarda-redes contribui com a sua prestação para o sucesso final (Gomes, 2008). Para tal

é necessário que o comportamento dos defensores se adeqúe e adapte à especificidade do ataque, seguindo princípios organizados num ou em vários sistemas de jogo 12 .

2.3.1. Os Métodos de Jogo

Autores e especialistas na modalidade de Andebol identificaram e caracterizaram diferentes momentos durante o processo defensivo, que têm sido designados por fases ou métodos 13 de jogo (Fonseca, 1999; Mortágua, 1999; Prudente, 2006; Silva, 2008) 14 . Os métodos de jogo defensivo distinguidos são os seguintes (Teodorescu, 1984, Fernandez, & Falkowski, 1988; Antón Garcia, 2000; Sousa, 2000; Ribeiro, 1999, 2003):

- recuperação defensiva – constitui um primeiro momento defensivo que tem início desde logo que a equipa perde a posse de bola. A equipa ou alguns elementos individualmente tentam parar ou travar a transição defesa-ataque do adversário, impedindo e dificultando a progressão do portador da bola e defendendo as linhas de passe, enquanto outros deslocam-se o mais rápido possível para a zona defensiva para criar condições de organização de um sistema defensivo estruturado;

- defesa temporária (defesa de cobertura) – é o momento que se caracteriza pela chegada dos defensores perto da área de baliza (mas não no seu posto específico), pela utilização de um sistema defensivo alternativo, e onde se observa mais formas de cooperação e entreajuda, para tentar anular uma situação eminentemente de

11 O processo defensivo pode ser entendido como um conjunto de acções que ocorrem desde a perda da posse de bola e que termina com a sua recuperação, sendo regulada por determinados princípios pelos quais os intervenientes coordenam as suas acções técnico-tácticas (Gomes, 2008).

12 Os sistemas de jogo representam a estrutura genérica de organização e das acções de uma equipa, a partir das quais se estabelecem e seguem princípios de movimentação e colaboração previamente definidos (Teodorescu, 1984).

13 O método de jogo defensivo pode ser entendido como uma forma de organização (estrutura e funcionalidade) de como os jogadores de uma equipa desenvolvem o processo defensivo, desde o momento da perda de posse de bola até à sua aquisição ou recuperação de posse da bola, através das suas acções individuais, grupo, colectivas, ocupação do terreno de jogo e a gestão do ritmo e tempo de jogo (adaptado de Garganta, 1997). 14 Na literatura específica da modalidade de Andebol regista-se a utilização, de forma indistinta, dos termos métodos de jogo e fases do jogo. Neste estudo optou-se pelo termo método de jogo como considerou Fonseca (1999) e também utilizado por Prudente (2006).

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finalização em ataque rápido ou uma possível vantagem posicional. Este método termina quando equipa atacante começa a organizar o ataque;

- organização da estrutura defensiva – caracteriza-se pelo momento no qual a equipa que defende procura organizar o seu sistema defensivo. Para além das substituições ataque-defesa, das trocas de posições dos jogadores defensores, este momento pode ser alcançado pela interrupção do ritmo de jogo mediante a realização de uma falta;

- defesa organizada em sistema (defesa em sistema ou defesa propriamente dita) – é o último método do processo defensivo, sendo o mais utilizado, e o de maior duração no decorrer de um jogo de Andebol. Assume-se quando todos os jogadores defensores se encontram nos seus postos específicos num sistema defensivo 15 e a equipa adversária assume o ataque posicional em sistema.

Este estudo incide sobre o método organizado de jogo, ou seja quando uma equipa se encontra durante o processo defensivo numa defesa organizada em sistema e a sua homóloga em ataque posicional. O método de defesa organizado em sistema inicia-se quando a equipa que perdeu a posse de bola se dispõem num sistema defensivo estruturado e as acções se desenvolvem de acordo com princípios e estratégias defensivas previamente definidas.

2.3.2. Os Meios Tácticos Individuais e de Grupo

O jogo de Andebol baseia-se fundamentalmente em acções 1x1, a partir de combinações de 2 ou 3 jogadores (Borges, 1996; Santos, 1999), surgindo tanto como forma de dar continuidade como de culminar o ataque. Os gestos e decisões de ordem táctica defensiva correspondem a deslocamentos sem bola face (ou antecipando) as deslocações do adversário directo e do portador da bola: trajectórias, alterações de direcção e ritmo, velocidade (Lassiera, Ponz & Andrés, 2001).

A dificuldade verificada na recolha de estudos sobre o processo defensivo reflectiu-se como consequência na pesquisa de elementos sobre a descrição do comportamento defensivo em equipas de alto rendimento. Desta forma a pesquisa foi alargada a trabalhos e livros técnicos, nos quais foi possível apurar informação passível de ser associada ao comportamento defensivo. Foi ainda possível identificar na bibliografia alguns estudos realizados sobre diferentes postos específicos: guarda-redes (Oliveira, 1996), pivot (Santos, 1999), central (Román, 1997b), 1º linhas (Román, 1997a; Espírito Santo, 2000), contudo não do ponto de vista defensivo. Da recolha efectuada identificou-se um conjunto de trabalhos que referem e distinguem acções associadas a comportamentos tácticos defensivos individuais e de grupo (Lassiera, Ponz & Andrés, 2001).

Os trabalhos realizados para o estudo das grandes provas internacionais reflectem resultados baseados nas acções técnicas de forma isolada (Gutierrez, 2009). Lasierra, Ponz & Andrés (2001) ao abordarem uma sequência metodológica das intenções tácticas da defesa referem

15 Um sistema de jogo pode ser definido como uma estrutura organizativa de coordenação entre todos os jogadores de uma equipa que têm como missão manter uma organização de jogo. Esta coordenação representa a especialização dos jogadores a postos específicos que se alteram em função das linhas e dos sistemas utilizados (Lasierra, Ponz & Andrés, 2001).

O comportamento da defesa da Selecção de Espanha no Torneio de Andebol nos Jogos

Olímpicos de Pequim 2008

conceitos relacionados com a táctica individual defensiva. Tratam de encadear as acções para conseguir que as situações de ataque possam ser contrastadas por uma acção defensiva, uma vez que o somatório de actuações de um defensor é uma série ininterrupta de intenções sem vazios de actuação, ou seja encadeados cronologicamente. Nesta abordagem apontam para a noção básica de marcação como um aspecto que oferece uma variedade de possibilidades em função do adversário directo.

A táctica individual defensiva tem sido apresentada em diversas publicações (ainda embora

com diferente terminologia para um mesmo conceito), sobretudo nas que abordam o ensino do jogo. São acções tidas como tarefas básicas de actividade defensiva para o desenvolvimento integrado em sistemas de jogo (Laguna, 2005). Antón Garcia (2000) refere que nas relações 1x1 o defensor deve: aproximar-se rapidamente sobre a linha do atacante para parar ou atrasar as acções, quando o adversário directo não tem a posse de bola deve procurar antecipar o espaço e provocar faltas técnicas, forçando o atacante a trajectórias exteriores (menos favoráveis). A táctica individual defensiva apresentada e descrita nos trabalhos consultados pôde ser sintetizada nos seguintes conceitos (Trosse, 1987; Falkowski &

Fernandez, 1987; Cuesta, 1989; Kandija, 1989; Mraz, 1989; Oliveira, 1995; Cuesta, 1989, 2000; Ribeiro, 1999, 2003; Antón Garcia, 2000, 2001, 2002a, 2002b, 2002c; Lasierra, Ponz & Andrés, 2001; Mortágua, 2003; García, 2003; Ávila, 2005; Laguna, 2005): intercepção, controlo do adversário (contacto), saída ao portador da bola, recuperação, deslocamento defensivo (flutuação, basculação defensiva), marcação à distância, marcação premente, marcação de intercepção, dissuasão, intercepção, bloco.

Outros trabalhos avançam com a descrição de meios tácticos de grupo defensivos, contrastando com as análises estatísticas nas grandes competições que contabilizavam as acções técnicas de cariz individual, nomeadamente do ponto de vista ofensivo (Antón Garcia,

2000).

Antón Garcia (2000) referiu que todos os sistemas defensivos exigem o domínio de diferentes meios tácticos para fazer oposição aos meios tácticos ofensivos. Os meios tácticos são utilizados em função da variabilidade específica do jogo e/ou do funcionamento do sistema, uma vez que o processo defensivo de alto nível não se limita a reagir às acções ofensivas.

Antón Garcia (2000) classificou a utilização dos diferentes meios tácticos defensivos atendendo

à sua utilização geral dos sistemas defensivos: zona, individual ou mista (combinada). Assim, distingue um conjunto de meios tácticos defensivos estruturados na seguinte lógica (do mais simples ao mais complexo):

- meios imediatos: corresponde à distribuição de responsabilidades aos jogadores face à perda da posse de bola;

- meios simples: refere-se sobretudo à cobertura defensiva e ao deslocamento defensivo (Alonso, 1987);

- meios reactivos: situações de resposta a meios tácticos ofensivos: a dobra, troca de

adversário, defesa contra passe e entra e barreiras dinâmicas (bloco) (Alonso, 1987; Cuesta,

1989, 2000);

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- meios activos: quando os defensores assumem a iniciativa sem esperar que os adversários iniciem as suas acções, podendo ser destacados a flutuação (troca de posição), o ataque ao ímpar e o 2x1 (Cuesta, 2000).

2.3.3. Os Sistemas Defensivos

O funcionamento dos sistemas defensivos é dinâmico uma vez que se encontra em

permanente evolução durante um jogo, modificando-se em função de circunstâncias específicas do encontro. Esta alternância de sistemas e de intenções tácticas individuais contribui para o êxito de uma equipa na sua actividade defensiva.

A evolução de sistemas e comportamentos defensivos tem contribuído para o aumento da

velocidade de jogo, visível tanto nas transições como no jogo posicional (Román, 2005, 2007). Román (1996, 2007) identificou uma filosofia de mobilidade, alternância de espaços

defensivos, intercepção de passes constantes.

A taxonomia apresentada para organizar os vários sistemas defensivos tem sido (Cuesta, 1989;

Mraz, 1989; Oliveira, 1995; Ribeiro, 1999; Lasierra, Ponz & Andrés, 2001; Antón Garcia, 2000, 2002; Espina, 2009): zonal (uma linha, duas linhas, três linhas), individual e combinado/misto.

Sistema defensivo 6:0

O sistema 6:0 é um sistema que tem acompanhado a evolução do próprio jogo ao longo do

tempo (Espina, 2009). Tradicionalmente o sistema defensivo 6:0 é considerado como um sistema zonal (Falkowski & Fernandez, 1987; Mraz, 1989; Oliveira, 1995; Espina, 2009), porque

cada defensor responsabiliza-se por uma zona independentemente das trajectórias ofensivas, tendo como pressuposto a protecção da baliza colocando em toda a sua extensão os princípios

da amplitude e densidade em detrimento da profundidade (Alonso, 1978; Antón Garcia, 2000,

2004). Os defensores limitam-se a defender a baliza numa só linha defensiva realizando quase

que exclusivamente deslocamentos laterais em função da bola.

A evolução do sistema defensivo 6:0 parte para uma organização mais dinâmica e mais activa

por parte dos defensores que os levam a deslocamentos mais variados tanto em amplitude como em profundidade (Alonso, 1987; Pontes, 1987; Oliveira, 1995; Antón Garcia, 1991, 2000, 2004; Espina, 2009) para: impedir que a 1ª linha ofensiva realize remates à distância, impedir a ligação com os pivots, dificultar as possibilidades de ângulo de remate dos extremos ou pontas, assegurar a cobertura perante saídas dos defensores ao portador da bola e impedir

penetrações aos 6 metros.

Antón Garcia (2000) apresentou os seguintes tipos de funcionamento da atitude defensiva do sistema: passiva (baseado em deslocamentos laterais e a utilização de bloco), reactiva (é actualmente a mais utilizada e recorre a deslocamentos em profundidade, respondendo às iniciativas do adversário) e activa (muito mais agressiva e dinâmica, procurando uma antecipação no sentido de condicionar o ataque do adversário).

Os seis elementos que compõem a mesma linha defensiva apresentam 3 tipos de funções

distintas (Pontes, 1987; Oliveira, 1995):

O comportamento da defesa da Selecção de Espanha no Torneio de Andebol nos Jogos

Olímpicos de Pequim 2008

- extremos: condicionar e controlar as acções do adversário directo impedindo-o de rematar,

ajudar o colega de equipa mais próximo, impedir as entradas e acompanhando-as até efectuar

a troca de marcação e sair ao portador da bola na sua zona de acção;

- laterais: sair ao portador da bola na sua zona de acção em coordenação com o central do seu

lado, condicionar e controlar as acções do lateral contrário, efectuar marcação de intercepção ao pivot que permaneça nos 6 metros, impedir a concretização de qualquer remate no seu

espaço de actuação;

- centrais: dirigir a defesa, realizar marcação de intercepção sobre os pivots que permaneçam nos 6 metros, garantir equilíbrio da organização defensiva, sair ao portador da bola na sua zona de acção em coordenação com o outro central, impedir a concretização de qualquer remate no seu espaço de actuação.

Sistema defensivo 5:1

É um dos sistemas defensivos mais utilizados pela relação que consegue ser estabelecida entre

a profundidade e a amplitude, possibilitando uma elevada capacidade de adaptação aos sistemas ofensivos (Román, 2000 in Espina, 2009). A organização deste sistema passa por 5 jogadores numa 1ª linha e um outro numa 2ª linha (Falkowski & Fernandez, 1987; Mraz, 1989; Oliveira, 1995; Martinez, 2000; Espina, 2009):

- extremos: condicionar e controlar as acções do adversário directo impedindo-o de rematar,

ajudar o colega de equipa mais próximo, impedir as entradas e acompanhando-as até efectuar

a troca de marcação e sair ao portador da bola na sua zona de acção;

- laterais: sair ao portador da bola na sua zona de acção em coordenação com o central do seu

lado, condicionar e controlar as acções do lateral contrário, efectuar marcação de intercepção ao pivot que permaneça nos 6 metros, impedir a concretização de qualquer remate no seu

espaço de actuação, acompanhar as entradas até efectuar a troca de marcação;

- central: dirigir a defesa, realizar marcação de intercepção sobre os pivots que permaneçam

nos 6 metros, garantir equilíbrio da organização defensiva, sair ao portador da bola na sua zona de acção em coordenação com o lateral desse lado, impedir a concretização de qualquer remate no seu espaço de actuação;

- defesa avançado: condicionar as acções de quem ocupa a zona do central adversário, impedir

a concretização de qualquer remate no seu espaço de actuação, complementar o espaço que ocorre com a saída de qualquer dos laterais, acompanhar a entrada aos 6 metros e fazer a troca de marcação, interceptar qualquer passe para o interior da defesa.

Sistema defensivo 4:2

É um sistema zonal profundo mas com pouca amplitude que poderá ser utilizado quando o

adversário utilize dois pivots fixos. É composto por 4 jogadores na 1ª linha e 2 jogadores na 2ª

linha defensiva que mantêm uma profundidade simétrica (Mraz, 1989; Oliveira, 1995; Espina,

2009):

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- extremos: condicionar e controlar as acções do adversário directo impedindo-o de rematar,

ajudar o colega de equipa mais próximo, impedir as entradas e acompanhando-as até efectuar

a troca de marcação e sair ao portador da bola na sua zona de acção;

- laterais: dirigir a defesa, garantir equilíbrio da organização defensiva, sair ao portador da bola na sua zona de acção em coordenação com o central do seu lado, condicionar e controlar as acções do lateral contrário, efectuar marcação de intercepção ao pivot;

- defesas avançados laterais: sair ao portador da bola, condicionar as acções do adversário,

impedir a concretização de qualquer remate no seu espaço de actuação, complementar o espaço que ocorre com a saída de qualquer dos laterais, acompanhar a entrada aos 6 metros e

fazer a troca de marcação, interceptar qualquer passe para o interior da defesa.

Sistema defensivo 3:3

É um sistema muito profundo mas com pouca amplitude potenciando muitas acções de 1x1 na

zona dos extremos. É habitualmente utilizado com equipas adversárias que apresentam pouca mobilidade. É composto por 3 jogadores na 1ª linha e 3 jogadores na 2ª linha (Falkowski & Fernandez, 1987; Mraz, 1989; Oliveira, 1995; Espina, 2009) e que desempenham as seguintes

funções:

- extremos: condicionar e controlar as acções do adversário directo impedindo-o de rematar,

ajudar o colega de equipa mais próximo, impedir as entradas e acompanhando-as até efectuar

a troca de marcação e sair ao portador da bola na sua zona de acção;

- defesa avançado central: dirigir a defesa, realizar marcação de intercepção sobre os pivots

que permaneçam nos 6 metros, garantir equilíbrio da organização defensiva, sair ao portador da bola na sua zona de acção em coordenação com o lateral desse lado, impedir a

concretização de qualquer remate no seu espaço de actuação;

- defesas avançados laterais: sair ao portador da bola, condicionar as acções do adversário,

impedir a concretização de qualquer remate no seu espaço de actuação, acompanhar a entrada aos 6 metros e fazer a troca de marcação, interceptar qualquer passe para o interior da defesa.

Sistema defensivo 3:2:1

É um sistema que concentra os seus elementos na zona central e é utilizado geralmente contra

equipas que possuam rematadores de longa distância e de elevada compleição física. É o único sistema defensivo que se conhece o autor, Vlado Stenzel (Ribeiro, 1987; Antón Garcia, 2006). É

composto por 3 linhas defensivas (Ribeiro, 1987; Kandija, 1989; Mraz, 1989; Oliveira, 1995; Cuesta, 2000; Laguna, 2005; Antón Garcia, 2006) no qual os jogadores têm as seguintes

funções:

- extremos: condicionar e controlar as acções do adversário directo impedindo-o de rematar,

ajudar o colega de equipa mais próximo, impedir as entradas e acompanhando-as até efectuar

a troca de marcação e sair ao portador da bola na sua zona de acção;

- central: dirigir a defesa, realizar marcação de intercepção sobre o pivot que realiza uma

entrada aos 6 metros, garantir equilíbrio da organização defensiva, sair ao portador da bola na

O comportamento da defesa da Selecção de Espanha no Torneio de Andebol nos Jogos

Olímpicos de Pequim 2008

sua zona de acção em coordenação com o lateral desse lado, impedir a concretização de qualquer remate no seu espaço de actuação;

- defesas avançados laterais: sair ao portador da bola, condicionar as acções do adversário,

impedir a concretização de qualquer remate no seu espaço de actuação, acompanhar a entrada aos 6 metros e fazer a troca de marcação, interceptar qualquer passe para o interior

da defesa;

- defesa avançado central: dirigir a defesa, realizar marcação de intercepção sobre os pivots

que permaneçam nos 6 metros, garantir equilíbrio da organização defensiva, sair ao portador da bola na sua zona de acção em coordenação com o lateral desse lado, impedir a

concretização de qualquer remate no seu espaço de actuação.

Com as 3 linhas defensivas é realçada a importância dos defensores laterais atacarem directamente os seus adversários directos, quando têm a posse de bola e colocar-se nos 6 metros quando a bola se encontra nos extremos. Outra característica é facilidade com que se pode transformar nos sistemas 5:1, 3:3, 1:5, 5+1 e 4+2 (Ribeiro, 1987). O maior problema reside na distância entre todos os defensores, que dificulta os processo de colaboração entre eles (Espina, 2009).

Sistemas de defesa mistos ou combinada (5+1 e 4+2)

É uma construção que tem como principal característica responsabilizar um ou dois defensores

numa marcação exclusiva ao adversário (Falkowski & Fernandez, 1987; Espina, 2009), para limitar as acções de jogadores influentes numa equipa devido à sua capacidade de remate e/ou de organização de jogo, ou ainda para resolver uma situação momentânea (superioridade numérica, momentos finais de jogo). Devido às marcações individuais o espaço entre e nas

linhas defensivas diminuiu significativamente (Oliveira, 1995).

A sua composição baseia-se em 4 ou 5 jogadores numa 1ª linha defensiva (dois extremos e

dois laterais, ou dois extremos, dois laterais e um central) e um ou dois elementos em marcação individual (Mraz, 1989; Oliveira, 1995), que desempenham as seguintes funções:

- extremos: condicionar e controlar as acções do adversário directo impedindo-o de rematar,

ajudar o colega de equipa mais próximo, impedir as entradas e acompanhando-as até efectuar

a troca de marcação e sair ao portador da bola na sua zona de acção;

- laterais: sair ao portador da bola na sua zona de acção em coordenação com o central,

condicionar e controlar as acções do lateral contrário, efectuar marcação de intercepção ao pivot em coordenação com o central, acompanhar as entradas aos 6 metros do seu adversário

directo e realizar a troca de marcação;

- central: dirigir a defesa, realizar marcação de intercepção sobre os pivots que permaneçam

nos 6 metros, garantir equilíbrio da organização defensiva, sair ao portador da bola na sua zona de acção em coordenação com o lateral, impedir a concretização de qualquer remate no

seu espaço de actuação.

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Sistemas de defesa individual

O desenvolvimento dos sistemas defensivos em dinâmica e profundidade é facto constatado

(Oliveira, 1995; Espina, 2009). Oliveira (1995) relatou que nos anos 30 as equipas utilizavam

sistemas defensivos individualizados, que foram recuando até aos 6 metros à medida que a capacidade ofensiva técnica e táctica melhorava. Contudo, referiu também que tendencialmente as equipas em termos defensivos ocupam cada vez mais espaço no terreno de jogo e em maior número situações de defesa individual.

A marcação individual pode ser entendida como uma forma de defender os adversários

directos de forma inequívoca e muito próxima, independentemente da sua posição no terreno de jogo. É utilizado normalmente para surpreender o adversário em determinados momentos do jogo (finais de jogo em desvantagem no marcador) para desfazer a organização colectiva do ataque (Espina, 2009).

Este tipo de sistema deve considerar dois factores (Oliveira, 1995):

- a distância a que a defesa joga da baliza (todo o campo, meio campo ou próxima da baliza).

Se a distância a que a defesa joga é próxima da baliza permite que sejam realizadas trocas de marcação. Nas marcações a campo a inteiro e a meio campo as possibilidades de compensação de um erro defensivo são reduzidas. Por outro lado a elevada proximidade com o ataque

adversário possibilitam alguns êxitos devido a intercepções e a falhas técnicas;

- e a distância entre o defensor e o seu adversário. Este factor encontra-se dependente da

qualidade técnica e das características físicas do adversário, tendo que se ter em consideração um equilíbrio na distribuição das tarefas defensivas em função da criatividade, rapidez e

estatura do adversário.

2.4. Tendências dos Estudos em Análise do Jogo de Andebol

A observação e análise de jogo têm sido utilizadas como âmbito de estudo por treinadores e

investigadores, apresentando vários objectivos dos quais se destaca, para a área do treino desportivo: conhecer e analisar o comportamento da própria equipa e da adversária, para a melhoria da prestação e da preparação desportiva.

Na última década houve um aumento dos estudos realizados na modalidade de Andebol (Prudente, 2006; Silva, 2008). Na sua maioria, os estudos existentes baseiam-se na análise das grandes competições internacionais, nomeadamente Campeonatos do Mundo, da Europa e Jogos Olímpicos.

Em cada grande evento desportivo da International Handball Federation (IHF) ou da European Handball Federation (EHF) são realizados relatórios e estudos distintos das provas que se disputaram. Estes trabalhos são elaborados por especialistas que utilizam os indicadores estatísticos de jogo, as medidas antropométricas, relacionando com as posições dos jogadores, com os métodos de jogo, entre outros aspectos. Alguns destes trabalhos não cumprem as exigências das investigações de âmbito académico. Em grande parte são do tipo de descritivo, e centram a sua atenção, nos aspectos ofensivos, destacando-se em especial as desigualdades

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numéricas e o contra-ataque. Por outro lado, é dado conta de trabalhos de âmbito académico com recurso a metodologias, técnicas e instrumentos validados cientificamente.

Uma vez que este estudo se desenvolve numa competição masculina sénior no âmbito do alto rendimento serão apresentados os estudos que foram realizados neste mesmo cariz. É pretendido com este capítulo apresentar os trabalhos realizados em Portugal e alguns do estrangeiro que utilizem a análise do jogo de Andebol como enfoque da sua investigação. Os estudos realizados no Andebol podem ser classificados de acordo com o processo de jogo, técnicas estatísticas, objecto de estudo, processos de jogo. Independentemente da sua forma de classificação será possível registar tendências nos estudos efectuados. A descrição e a classificação destes estudos permitirá caracterizar as tendências das investigações realizadas e recolher indicadores e dados pertinentes para a selecção de variáveis.

Para além da referência aos trabalhos realizados sobre análise do jogo de Andebol (ANEXO 1 - Quadro síntese de Estudos de Análise de Jogo em Andebol) serão apresentados os principais resultados 16 daqueles que abordaram objectiva ou indirectamente resultados relacionados com os aspectos e componentes defensivas do jogo, no âmbito do alto rendimento em competições masculinas. Posteriormente serão distinguidos aqueles que recorram à análise sequencial como forma de tratamento dos dados recolhidos, independentemente do processo de jogo que estudaram. Todos estes trabalhos consultados constituíram um ponto de partida para a definição da problemática do estudo e de referência para o processo de selecção das variáveis.

2.4.1. Investigação em Observação e Análise de Jogo no Andebol

Na modalidade de Andebol, nos últimos anos, têm aumentado o número de estudos baseados na análise do jogo, procurando explicações para a distinção do desempenho em competição. Ao longo dos anos, vários estudos têm procurado determinar quais os factores que levam uma equipa a ser mais eficaz do que outra durante um jogo (Leitão, 1998; Magalhães, 1999; Silva, 2000b; Volossovitch, 2005; Prudente, 2006).

Prudente (2006), indica que os estudos realizados ao nível do Andebol, à semelhança de outras modalidades têm utilizado a análise de jogo como forma de entender o desempenho no jogo, tendo em conta distintos indicadores (morfológico, energético, motor, psicológico, técnico e táctico).

Inicialmente os estudos científicos sobre o rendimento no jogo de Andebol tentaram interpretar o desempenho baseando-se nas características morfológicas e antropométricas dos jogadores, procurando relacioná-las com as posições específicas que ocupavam no terreno de jogo e a classificação alcançada no final das competições (Prudente, 2006). Posteriormente seguiram-se os estudos baseados em indicadores fisiológicos que procuravam determinar a especificidade do esforço dos jogadores em jogo (Borges, 1996; Maia, Galvão & Ribeiro, 1989). Sucedeu-se a observação das situações de jogo que procuram entender o rendimento dos

16 É necessário ter em consideração que as diferenças apresentadas nos resultados dos trabalhos pode ter sido caracterizada pelas mudanças significativas que ocorreram nas regras do jogo de Andebol até à presente data.

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jogadores e equipas, pelos indicadores de jogo individuais e colectivos, referentes às acções realizadas em termos ofensivos, e posteriormente defensivos, recorrendo sobretudo à análise quantitativa.

A procura e a análise quantitativa/qualitativa de indicadores individuais e colectivos, na busca do entendimento da prestação desportiva no jogo de Andebol, passaram a ser matéria de estudo por parte dos investigadores.

2.4.2. Análise de Jogo de Andebol e o Estudo do Processo Defensivo

Landuré, Petit e Bana (1993) identificaram e classificaram os perfis dos jogadores defensores e os sistemas defensivos mais utilizados pelas selecções que participaram no Campeonato do Mundo de 1993. Segundo Gomes (2008), os autores distinguiram os defensores como “neutralizadores-blocadores” e “perturbadores-interceptores” em função das características morfológicas e disponibilidade motora com as acções realizadas em jogo. Os sistemas defensivos mais utilizados foram o 6:0 e o 5:1.

Algo que Klein (1998), na análise realizada ao Campeonato da Europa de 1998, reforça indicando que os sistemas defensivos mais utilizados foram o 6:0 e o 5:1. Neste trabalho o autor caracteriza o 6:0 utilizado pela Suécia, como um sistema defensivo compacto, com quatro elementos centrais de elevada estatura, envergadura e mobilidade. Apresenta como referência para o sistema defensivo 5:1 da selecção da Rússia, com três defensores centrais de elevada envergadura e um defensor avançado com muita mobilidade e disponibilidade motora. Apontou ainda que as equipas melhor classificadas possuíam até dois defensores especializados, exigindo a realização de substituições nas transições entre os processos ofensivo e defensivo.

Czerwinski (2000), na sua análise ao Campeonato da Europa de 2000, corrobora com esta última ideia referindo que quase todas as equipas utilizam jogadores especialistas na defesa, chegando a realizar até três substituições. O autor aponta características particulares fazendo distinção:

- do sistema defensivo 6:0 utilizado pela Suécia que se destacava dos seus adversários pela sua profundidade na zona activa de jogo, possibilitando uma maior eficácia no número intercepções;

- entre o sistema defensivo 5:1 utilizado pela selecção Francesa e pelas selecções da Espanha e da Rússia:

- a selecção Francesa apresentava um defensor avançado com elevada disponibilidade motora e capacidade táctica para a realização de acções antecipativas na tentativa interceptar e/ou perturbar o adversário;

- condicionar as trajectórias interiores dos laterais contrários à posição da bola;

avançado

as

selecções

de

Espanha

e

da

Rússia,

o

defensor

tentava

- do sistema defensivo 3:2:1 da selecção Portuguesa destacando o número de intercepções realizadas, atribuindo este feito à boa condição física dos jogadores;

O comportamento da defesa da Selecção de Espanha no Torneio de Andebol nos Jogos Olímpicos de Pequim 2008

Sousa (2000) apresentou como objectivo modelar o processo defensivo, analisando 389 sequências defensivas das 4 selecções melhor classificadas e da selecção Portuguesa, quando participaram no Campeonato da Europa de 2000. Concluiu que:

- a frequência da recuperação da posse de bola é superior para as selecções melhor

classificadas;

- as melhores selecções utilizaram preferencialmente os sistemas defensivos 6:0 e o

5:1 e que as principais acções de recuperação são a defesa do guarda-redes, o ressalto

defensivo, a falha técnica e a intercepção da bola;

- nos sistemas defensivos mais utilizados, apesar de serem de uma ou duas linhas defensivas os jogadores apresentaram uma grande mobilidade e disponibilidade para a perturbação e a recuperação da posse de bola.

Silva (2000a) ao procurar identificar o menor número de indicadores de jogo que distinguiriam as equipas vencedoras das derrotadas, entre os 287 jogos dos Campeonatos Nacionais de Andebol Masculinos de Portugal, entre as épocas 95/96 e 96/97, concluiu que:

- existiu uma relação entre a eficácia do guarda-redes e os defensores;

- os aspectos defensivos são particularmente mais importantes nos jogos equilibrados;

- a eficácia do guarda-redes apresentou-se como um indicador comum às diferentes classificações atribuídas aos jogos observados (normais, equilibrados e desequilibrados).

Calvo e Herrero (2001) realizaram um estudo que teve como objectivo identificar as causas dos erros defensivos. Para analisar o funcionamento do sistema defensivo 5:1 das Selecções de Espanha e França pelos registos obtidos nos processos defensivos, construíram um sistema de observação com: um campograma (para identificar as zonas onde ocorreram os erros defensivos), o período de jogo, a distância do sucesso ofensivo, as causas e a distribuição dos erros. Verificaram que:

- a zona mais vulnerável para ambas as selecções foi a central (Espanha, 49,11% e

França, 45,11%), registando-se ainda um equilíbrio com os lados esquerdo e direito;

- apesar não terem sido registadas diferenças significativas, entre os períodos de jogo,

a selecção de Espanha cometeu mais erros defensivos entre os 0’ e os 10’ e entre os 30’ e os 40’, enquanto a selecção Francesa entre os 10’ e os 20’;

- ocorreram menos erros defensivos, e para ambas as selecções, entre os 40’ e os 50’;

- as duas selecções apresentaram também valores similares no que diz respeito à

distância do sucesso ofensivo, ocorrendo por mais ocasiões perto da 1ª linha defensiva

e nas causas mais frequentes (1x1);

- a selecção de Espanha cometeu mais erros devido a más trocas defensivas enquanto

a sua congénere Francesa no contra-bloqueio;

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- os erros defensivos, para a selecção de Espanha significaram 77,11% dos golos e para

a selecção Francesa 59,03%.

Volossovitch, Barbosa e Reinaldo (2002) procuraram identificar a influência da prestação do guarda-redes no resultado final do jogo e analisar a correlação entre a média de eficácia dos guarda-redes e a classificação final das suas equipas. Concluiram que os níveis de eficácia dos guarda-redes, inferiores a 10% e superiores a 40%, por si só representam um factor determinante para o desfecho final dos jogos.

Sevin e Taborsky (2004ab) procuraram sistematizar o sistema defensivo base e as alternativas de cada selecção na análise do Campeonato da Europa de 2004 e concluíram que:

- as selecções da Suécia e da Islândia utilizaram somente um sistema defensivo, enquanto as suas congéneres apresentaram pelos menos um sistema defensivo alternativo;

- o sistema defensivo mais utilizado foi o 6:0, com grande profundidade, como sistema inicial;

- o sistema defensivo 4:2 como sistema base foi apresentado pela selecção da República Checa;

- durante a 1ª fase da prova as selecções sofreram um elevado número de golos, sugerindo que não se aplicaram em termos defensivos;

- o desempenho defensivo das selecções da Dinamarca e da Alemanha tiveram maior destaque nas meias-finais e esta última na final.

Varejão (2004) analisou 2370 sequências ofensivas dos jogos do Campeonato do Mundo de 2003 que terminaram com resultado igual ou inferior a 5 golos. Este autor pretendeu identificar a variação da distância e da velocidade do primeiro passe do guarda-redes de Andebol, a forma de recuperação da bola, a alternância de corredores de jogo do processo defensivo para o processo ofensivo, o número de jogadores envolvidos, o número de passes realizados, a zona de finalização, a forma de finalização e a duração dos ataques em função da qualidade das selecções (melhores e piores) e do resultado final da sequência ofensiva (com golo ou sem golo). Neste estudo foi verificado que:

- os guarda-redes têm um papel decisivo na recuperação da posse de bola e na rapidez com que se inicia o processo ofensivo, sendo que as melhores selecções realizaram primeiros passes mais longos e mais rápidos;

- as sequências ofensivas que utilizaram menos jogadores e tempos de ataque menores terminaram com golo;

- as melhores e piores selecções recuperam a posse de bola com maiores percentagens por defesa do guarda-redes (vindo ao encontro de Silva, 2000a) e por intercepção (verificado por Sousa, 2000);

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- as intercepções como forma de recuperação da bola implicaram sequências ofensivas com sucesso utilizando pouco jogadores e tempos de ataque menores;

- as melhores selecções optaram por realizar o ataque em sistema quando não o

conseguiram concretizar em contra-ataque, sendo realizados mais passes e variações

de corredores;

- a zona central foi a preferencial para a finalização das melhores e piores selecções, quer se concretizasse da 1ª ou da 2ª linha ofensiva.

Santos (2004) teve como objectivo principal configurar as tendências do jogo de Andebol com base na análise da performance táctica ofensiva e defensiva. Foram analisadas 1090 acções de 11 jogos correspondentes às finais de Jogos Olímpicos e Campeonatos do Mundo. Foi realizada uma análise descritiva, ANOVA, análise factorial, análise K-means Cluster e Teste de Associação Qui-quadrado. Os resultados demonstraram que:

-

o

resultado

da

eficácia

do

ataque

organizado

das

selecções

vencedoras

foi

significativamente

superior

ao

da

eficácia

do

ataque

organizado

das

selecções

vencidas;

- os indicadores da eficácia ofensiva, da eficácia ofensiva em superioridade numérica e da eficácia defensiva podem pertencer ao grupo dos indicadores que diferenciam as selecções vencedoras das vencidas;

- quando associados os indicadores, relativos ao jogo defensivo em geral, alcançam

níveis mais elevados em relação aos indicadores relativos ao jogo ofensivo, o que possibilitou afirmar que os indicadores relativos ao jogo defensivo têm vindo a conseguir cada vez mais importância no quadro do sucesso desportivo do Andebol;

- se

relacionados com a recuperação da posse da bola sem golo sofrido;

verificou

um

aumento

significativo

nos

níveis

de

eficácia

dos

indicadores

- se verificou uma tendência para as selecções vencedoras utilizarem dois sistemas

defensivos por jogo, geralmente, do tipo por zona: fechado, o 6:0 e o 5:1 e aberto, o

3:2:1;

- os elevados níveis de perda da posse da bola por falhas técnico-tácticas estiveram

directamente associados à forma agressiva e pressionante do jogo defensivo individual

e colectivo;

- o lote de indicadores que de forma hierarquizada melhor traduziu o sucesso no jogo

de Andebol foi constituído pela: eficácia do ataque organizado, eficácia ofensiva,

eficácia ofensiva em superioridade numérica e pela eficácia defensiva;

- o lote de indicadores que melhor descreveu a organização táctica ofensiva e

defensiva do jogo de Andebol foi formado pelo: ataque organizado, ataque rápido, perda da posse da bola por golo marcado, meio táctico individual remate espontâneo,

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meio táctico colectivo cruzamento, origem do processo ofensivo por reposição do guarda-redes e defesa em inferioridade numérica;

- ao longo das últimas duas décadas verificou-se um aumento significativo dos níveis

de eficácia dos indicadores relacionados com a recuperação da posse da bola sem golo

sofrido, nomeadamente, a origem do processo ofensivo por defesa e reposição do guarda-redes, intercepção, desarme, bloco e ressalto defensivo e por falha técnico- táctica do adversário;

- existiu uma correlação positiva entre o nível de eficácia do guarda-redes e o sucesso desportivo no Andebol.

Rodrigues (2005) recorreu a 98 jogos dos Campeonatos da Europa de 2002 e de 2004 para analisar o poder discriminatório dos indicadores do jogo de Andebol em função do tipo de jogo. Relativamente ao processo defensivo concluiu que:

- a eficácia dos guarda-redes é superior nos jogos das fases de grupos e representa um dos principais indicadores para as selecções vitoriosas;

- nos jogos a eliminar as selecções demonstraram:

- maior agressividade defensiva, traduzida num maior número de faltas técnicas provocadas e acções defensivas efectuadas, não sendo possível determinar se existe de facto uma maior eficácia defensiva neste tipo de jogos;

- uma elevada capacidade de obter e evitar golos da 1ª linha ofensiva sendo aquelas que apresentam melhores condições para serem bem sucedidas;

- maior eficácia das acções defensivas (superiores às dos jogos de grupo);

- maior percentagem de golos sofridos em penetração e de um contra-ataque;

- maior percentagem de faltas técnicas provocadas e percentagem de remates sofridos em penetração.

- ao discriminar as selecções vencedoras das derrotadas com o menor conjunto de indicadores, registou que:

- defensivamente existiu uma maior eficácia dos guarda-redes a remates da 1ª linha ofensiva;

- as selecções vitoriosas apresentaram maiores valores de percentagem de golos sofridos da 1ª linha ofensiva;

- as selecções derrotadas apresentaram maior percentagem de golos sofridos

de contra-ataque e de 2ª linha ofensiva e também maior percentagem no total

de remates sofridos;

- nos jogos da fase de grupos as selecções apresentaram maior qualidade de intervenção do sistema defensivo e do guarda-redes;

O comportamento da defesa da Selecção de Espanha no Torneio de Andebol nos Jogos Olímpicos de Pequim 2008

- as selecções vitoriosas nos jogos da fase de grupos obtêm uma elevada oposição aos remates efectuados a partir da 1ª linha ofensiva;

- em geral, os resultados apontam para a existência de uma interdependência entre os aspectos ofensivos e os defensivos.

Pollany (2006) também referiu, na análise do Campeonato da Europa de 2006, que:

- os sistemas defensivos mais utilizados foram o 6:0 e o 5:1 e recomendou um maior

cuidado na análise dos sistemas uma vez que estes permitiam distintas interpretações;

- as selecções apresentavam um sistema defensivo alternativo para utilizar em

situações desfavoráveis e que quando se encontravam em superioridade numérica

eram mais pressionantes;

- continuaram a existir jogadores que só participam no processo defensivo;

- as selecções apresentaram defensores com trajectórias e papéis bem definidos durante o processo defensivo;

- a selecção da Dinamarca destacou-se como a selecção mais criativa do ponto visto

defensivo, devido ao funcionamento e ao conjunto de alterações decorrentes em cada

jogo, considerando-a como a melhor a realizar recuperação defensiva:

- apresentou uma boa coordenação entre os defensores e os guarda-redes na utilização do bloco (apesar de não ser a acção mais utilizada);

- a selecção de Espanha apresentou o sistema defensivo 6:0 com dois jogadores de

elevada estatura nas posições centrais, contudo foi muito permissiva na finalização

adversária, denotando-se falta de coordenação entre os jogadores:

- o bloco à semelhança da selecção da Dinamarca foi pouco utilizado;

- o processo defensivo foi decisivo para o sucesso da selecção Francesa tendo poucas exclusões e utilizando quase em absoluto o sistema 5:1 com diferentes formas de actuação dos seus jogadores:

- com um maior número de acções de bloco, quando comparada com as selecções anteriores.

De entre os dados recolhidos da estatística oficial do Campeonato da Europa de 2008, Pokrajac (2008) procurou recolher informação no sentido de construir um perfil do Andebol actual, analisando as selecções melhor classificadas e comparando com as restantes da mesma prova. Recorreu a indicadores de ataque e da defesa provenientes da estatística de jogo e concluiu que foram os pequenos detalhes que distinguiram as equipas melhor classificadas: a eficiência no remate, uma boa defesa (25 a 27 golos sofridos), poucas faltas e mais blocos realizados.

Taborsky (2008), para a mesma prova, afirma que, e de acordo com o esperado, os guarda- redes apresentaram melhor eficácia nos remates da 1ª linha ofensiva, seguido dos remates da zona de extremos. As restantes situações apresentaram relativamente a mesma eficiência.

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O estudo qualitativo de Hergeirsson (2008) baseou-se na observação e na utilização dos indicadores estatísticos dos jogos da fase principal e das fases finais das 6 selecções melhor classificadas, no Campeonato da Europa 2008. O autor indicou que:

- a diminuição da eficiência dos golos marcados pode ser entendida como uma reacção de uma boa recuperação defensiva, defesa organizada e desempenho do guarda- redes, em comparação com o Campeonato Europeu da Suíça de 2006;

- os guarda-redes defenderam mais remates de curta distância, que poderá ter sido

devido à melhoria e desenvolvimento da capacidade técnica-táctica, a uma melhor cooperação com os defensores, a utilização de sistemas defensivos mais compactos (6:0 e 5:1) com jogadores dinâmicos que preveniam e diminuiam o aparecimento de espaços de finalização;

-

colectivamente;

a

defesa

organizada

encontra-se

a

progredir

tanto

individualmente

como

- a recuperação defensiva está a ser interiorizada pelos jogadores assim que a equipa

perde a posse de bola, quer seja por golo marcado ou por outra situação que devolva a posse de bola ao adversário;

- o sistema defensivo 6:0 foi utilizado por quase todas as selecções como o principal

sistema ou como alternativo (excepto para as selecções da França, Rússia, Hungria e

Montenegro);

- as selecções da Dinamarca, da Croácia e de França apresentaram jogadores que demonstraram movimentos dinâmicos e flexibilidade táctica com os sistemas utilizados;

- a selecção da Dinamarca utilizou um sistema defensivo 6:0 muito dinâmico e activo

especialmente na zona central com 4 jogadores, que pressionavam os jogadores entre

os 6 e 10 metros e ainda defendiam com sucesso o pivot;

- a Croácia foi a selecção que variou mais o seu sistema defensivo (5:1, 6:0 e 3:2:1);

- a selecção Francesa utilizou o sistema defensivo 5:1, com jogadores muito flexíveis e fortes no 1x1;

- contrariando as expectativas dos peritos, as selecções ainda apresentaram jogadores

especialistas na defesa. Este facto pareceu não afectar a recuperação defensiva uma vez que os jogadores pareceram ocupar melhor o espaço, no sentido de evitar golos de contra-ataque e reposição rápida.

Gomes (2008) ao analisar e descrever o processo defensivo em situação de igualdade numérica 6x6, das selecções classificadas nos três primeiros lugares do Campeonato da Europa de Andebol de 2006, construiu um instrumento para registar os indicadores defensivos de jogo: acção realizada, zona do campo, sistema defensivo, fase do jogo e duração do processo defensivo. Verificou a associação entre os indicadores defensivos e o sucesso da selecção concluindo que:

O comportamento da defesa da Selecção de Espanha no Torneio de Andebol nos Jogos Olímpicos de Pequim 2008

- a intercepção foi a acção defensiva que mais se associou com o sucesso do processo defensivo;

- o sucesso do processo defensivo revela uma dependência significativa da pressão

sobre o remate e o bloco (sendo as selecções de França, de Espanha e da Dinamarca

que exercem uma forte pressão sobre a finalização ofensiva);

- o erro nas situações 1x1 foi o principal motivo do insucesso dos processos defensivos (também verificado por outros autores);

- o desempenho dos guarda-redes revelou-se um factor determinante do sucesso do processo defensivo para as três selecções melhor classificadas;

- as recuperações da posse de bola sem sofrer golo aconteceram 46,6% para a selecção de França, 54% para a selecção de Espanha e 52,5% para a selecção daDinamarca;

- a grande parte dos processos defensivos terminava com finalização na zona central da 1ª linha defensiva (registado também por Sousa, 2000);

- a elevada eficácia das selecções na 2ª linha defensiva deveu-se à actuação: do

defensor avançado para a selecção Francesa, dos defensores laterais para a selecção de Espanha e dos dois defensores centrais para a selecção da Dinamarca;

- os sistemas defensivos mais utilizados foram o 5:1 e o 6:0 porém as selecções

apresentaram diferentes formas de interpretação intra e inter selecção, em diferentes

momentos do jogo (conforme recomendou Pollany (2006));

- a fase de defesa organizada revelou-se a mais eficaz do processo defensivo em

igualdade numérica, visto que 77,8% dos processos defensivos terminaram naquela

fase;

- os processos defensivos mais longos foram os mais eficazes (corrobora com Varejão,

2004);

- os guarda-redes têm um papel fundamental na eficácia dos processos defensivos mais longos.

O autor distinguiu ainda a eficácia dos jogadores na recuperação da bola no processo

defensivo em função da sua duração. Apontou para diferenças significativas entre as selecções

quanto à duração do processo defensivo quando termina em golo ou em defesa do guarda- redes, referindo que a capacidade de adiar a fase de finalização da equipa adversária é um factor que influencia a eficácia dos processos defensivos.

Gomes, Volossovitch, Ferreira e Infante (2009) pretenderam caracterizar os processos defensivos das equipas com êxito, em situação de igualdade numérica de 6x6 e a sua duração.

As sequências com intervalos de duração entre 0 a 10 e 21 a 30 segundos representaram

54,9% do processo defensivo. A eficácia defensiva das equipas é de 51,54% (23,85% devido acções dos defensores e 27,69% devido às acções do guarda-redes. A importância dos guarda-

redes aumenta com a duração do processo defensivo. 48,46% corresponde à percentagem que

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termina em golo, ocorrendo mais golos nos intervalos com duração de 21 a 30 segundos, com uma percentagem de 33,13%.

Gutiérrez e Férez (2009) realizaram um estudo que pretendeu quantificar a forma de finalização das acções ofensivas em situações de igualdade numérica em função do sistema defensivo para valorizar este último, através de 3 coeficientes: eficácia defensiva, produção defensiva e resolução defensiva. Foram analisados 36 jogos, 17 referentes ao Campeonato da Europa na Suíça em 2006 e 19 do Campeonato do Mundo na Alemanha em 2007. Daqui resultaram 2837 unidades de análise em igualdade numérica. Os principais resultados referem que:

- os sistemas defensivos mais utilizados em igualdade numérica foram o 6:0 e o 5:1, reportando a 86,39% das acções defensivas;

- o sistema defensivo 6:0 foi utilizado em 54,7% das situações defensivas em igualdade numérica;

- foi verificada uma maior proporção das acções recebidas nas defesas fechadas (6:0) quando comparadas com as defesas abertas (5:1, 3:2:1, 5+1) como é o caso da exclusão e dos livres de 7 metros com exclusão;

- as defesas abertas apresentaram valores superiores em recuperações de bola através de faltas técnicas, remates falhados, perdas de bola e jogo passivo;

- se verificou uma diferença na percentagem de golos sofridos para os sistemas

fechados 33,74% e para os sistemas abertos 36,85%, o que sugere uma maior eficácia das defesas fechadas;

- os remates falhados ocorreram nas defesas abertas, o que indica que, apesar de existirem mais remates, estes realizaram-se em piores condições;

- a utilização do sistema defensivo 6:0 provocou o dobro das faltas, tendo sido apontada como explicação a elevada densidade defensiva do sistema;

- através dos coeficientes, o sistema defensivo 6:0 revelou-se como o mais eficaz em

situações de igualdade numérica, sendo recomendada a sua utilização caso se disponha de jogadores de elevada envergadura e se a intenção for o bloco defensivo e se pretender sofrer o menor número de golos. Contudo, se o objectivo for forçar o remate e recuperar a bola pela defesa do guarda-redes, o sistema defensivo 5:1 deverá ser o utilizado.

Síntese

Os estudos apresentados identificaram e caracterizaram os sistemas defensivos mais utilizados, em diferentes competições sobretudo internacionais (Campeonato da Europa, Campeonato do Mundo e Jogos Olímpicos), descriminando as principais funções e acções dos jogadores. Foi verificada uma tendência das melhores selecções recorrerem a pelo menos dois sistemas defensivos muito dinâmicos por jogo, com diferentes formas de interpretação e de

O comportamento da defesa da Selecção de Espanha no Torneio de Andebol nos Jogos

Olímpicos de Pequim 2008

intra e inter relação, em diferentes momentos do jogo, uma do tipo fechada (6:0 e 5:1) e outra aberta (3:2:1). Para as situações desfavoráveis as selecções costumam recorrer à utilização de sistemas defensivos alternativos. A utilização de jogadores especialistas durante o processo defensivo foi também uma característica referida.

É dado conta de um aumento significativo da eficácia dos indicadores relacionados com a

recuperação da posse da bola sem golo sofrido pelos jogadores defensores e pela reposição do guarda-redes, interceptação, desarme, bloco e ressalto defensivo e por falha técnico-táctica do adversário. A recuperação da posse de bola sem sofrer golo é superior nas selecções melhor classificadas, tendo como principais acções: a defesa do guarda-redes, o ressalto defensivo, a falha técnica e a intercepção da bola. A recuperação da posse da bola por falhas técnico- tácticas encontra-se directamente associada à forma assertiva e pressionante, sobre as linhas

de passe e remate, quer em termos individuais quer em termos colectivos.

Os guarda-redes são referidos como decisivos na recuperação da posse de bola, tendo sido verificada a existência de uma relação entre a eficácia dos guarda-redes e a defesa (um indicador comum independentemente da classificação) e de uma correlação positiva entre a

eficácia do guarda-redes e o resultado do jogo. Os níveis de eficácia do guarda-redes inferiores

a 10% e superiores a 40% foram apresentados como factor determinante para o resultado final

do jogo, dando conta de uma maior eficácia nos remates da 1ª linha ofensiva. Para além da defesa do guarda-redes, a intercepção é a acção defensiva que também se associa ao sucesso do processo defensivo e que ocorre com percentagens consideráveis, contribuindo para o desenvolvimento de situações ofensivas eficazes. Nos estudos foram identificadas mais acções defensivas realizadas próximo da 1ª linha defensiva, sendo a zona central do terreno de jogo

como a mais vulnerável, uma vez que também é a preferencial para a finalização.

Em termos de contexto, os aspectos defensivos apresentaram-se como os mais relevantes nos jogos considerados equilibrados. Foram realizados estudos para determinar quais os momentos em que as selecções foram mais eficazes. Os processos defensivos mais longos foram os mais eficazes, tendo o guarda-redes um papel fundamental. A importância dos guarda-redes aumenta com a duração do processo defensivo. O método organizado revelou-se

o mais eficaz do processo defensivo em igualdade numérica, uma vez que grande parte deste processo terminou naquele método.

Durante as fases de grupo das competições as selecções concederam mais golos do que nas fases seguintes, contudo apresentaram uma maior qualidade de intervenção do sistema de defensivo e a eficácia dos guarda-redes foi superior, principalmente da 1ª linha ofensiva, representando um dos principais indicadores para distinguir as selecções vencedoras. Nos jogos a eliminar as selecções apresentaram um maior número de falhas técnicas e de acções defensivas.

Na generalidade, os indicadores relativos ao processo defensivo, quando associados, alcançam níveis mais elevados do que os do processo ofensivo, apontando para a existência de uma interdependência entre os aspectos ofensivos e os defensivos. A defesa durante o método organizado encontra-se a progredir tanto individualmente como colectivamente. A utilização de defesas compactas e dinâmicas, com diferentes formas de interpretação, com uma boa

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coordenação e cooperação entre os defensores (jogadores com uma grande mobilidade e disponibilidade para a perturbação e a recuperação da posse de bola) e o guarda-redes e, o desempenho deste último, as poucas exclusões e as poucas faltas apresentam-se como decisivos para o sucesso do processo defensivo. Os instrumentos para registar os indicadores defensivos de jogo têm-se baseado na acção realizada, na zona do campo, no sistema defensivo, no método de jogo e na duração do processo defensivo. Poucos foram os estudos que procuraram contextualizar o processo defensivo através da localização da bola e das acções no terreno de jogo, possivelmente devido à utilização de indicadores estatísticos de jogo.

Dos estudos

apresentados

foi possível estabelecer que

as

equipas

de

alto rendimento

analisadas:

∑ apresentam um sistema defensivo base tendo dois ou mais como alternativos, destacando-se os sistemas
∑ apresentam um sistema defensivo base tendo dois ou mais como alternativos,
destacando-se os sistemas 6:0 e o 5:1;
∑ alteram o sistema defensivo quando se encontram numa situação desfavorável;
∑ apresentam uma defesa caracterizada por uma maior mobilidade dos jogadores na
procura do erro do adversário;
∑ utilizam jogadores especializados para defender durante o método organizado, ocupando
estes jogadores a zona central;
∑ apresentam como aspecto fundamental para o sucesso defensivo a colaboração dos
defensores com o guarda-redes;
∑ identificam as acções de 1x1 e as trocas defensivas como as principais razões para o erro
defensivo;
∑ constatam um maior sucesso na recuperação defensiva devido à definição de papéis e
trajectórias dos jogadores;
∑ associam a recuperação da posse de bola sem sofrer golos a indicadores como a
intercepção, o desarme, o bloco e defesa do guarda-redes.

Constatou-se que os estudos realizados na observação das componentes técnico táctica são escassos, embora se tenha notado um aumento neste sentido, algo que Magalhães (1999), Prudente (2000) e Silva (2008) também registaram. A dimensão táctica assume um papel

fundamental tanto no jogo (Bayer, 1994; Antón Garcia, 1998, 2002) como para a investigação, na medida em que, em termos ofensivos a criação de uma situação vantajosa que facilite ou permita o golo, é um dos principais objectivos do jogo de Andebol e, em termos defensivos é a recuperação da bola sem sofrer golo. Os estudos que recorreram ao processo ofensivo como objecto de estudo (e.g. Borges, 1996; Oliveira, 1996; Barbosa, 1999; Mortágua, 2003) aparecem em maior número que os estudos que retratam o processo defensivo. Silva (2000a) e Prudente (2006) ao realizarem um levantamento de estudos efectuados sobre

o Andebol identificaram um conjunto de estudos analíticos que analisavam os factores

condicionantes do rendimento fora do contexto de jogo e, um outro conjunto de estudos que

partiu da análise do jogo e que procuravam, da forma mais contextualizada possível, estudar

os factores de rendimento desportivo. Os estudos analíticos centraram-se nas características dos jogadores e procuravam determinar um perfil morfológico dos jogadores de Andebol. Os

O comportamento da defesa da Selecção de Espanha no Torneio de Andebol nos Jogos Olímpicos de Pequim 2008

estudos baseados na análise de jogo procuraram: caracterizar a actividade física dos jogadores em contexto de jogo, analisar as componentes técnicas e analisar os aspectos tácticos. Silva (2000a) tendo em conta a metodologia utilizada caracterizou a maioria dos estudos como descritivos e classificou-os pelas técnicas estatísticas que utilizaram para o tratamento dos dados, organizando-os como: univariados, bivariados e multivariados.

Freitas (2007) e Varejão (2004) indicaram que uma percentagem considerável de trabalhos centrou-se no registo de frequências de um determinado conjunto de acções técnico-tácticas realizadas pelos jogadores. Estes estudos incidiram na análise do jogo e na natureza descritiva do mesmo para dar a conhecer uma melhor e mais abrangente realidade do jogo (Sanchez, 1991; Pokrajac, 2008), contudo enquadram-se num conceito de descrição, muitas vezes de carácter individual, pouco ajustadas às questões multidimensionais de aspectos importantes do jogo (Varejão, 2004).

Assim, devido às múltiplas dimensões que o jogo de Andebol apresenta e à sua imprevisibilidade (Antón Garcia, 1998, 2002; Varejão, 2004) é fundamental a realização de mais estudos que relacionem a interactividade entre as variáveis das sequências dos processos ofensivos e defensivos, numa perspectiva multidimensional, uma vez que o rendimento dos jogadores e equipas resulta de estratégias revistas em padrões de comportamento que se verificam durante um jogo.

A análise de jogo deve centrar a sua atenção nas acções e comportamentos dos jogadores das equipas em confronto, duma forma contextualizada pela ordem de ocorrência respeitando o carácter dinâmico e imprevisível do jogo. Assim, a análise de jogo terá de ser do tipo não linear, permitindo diferentes níveis de análise.

Serão apresentados de seguida os estudos em Andebol que utilizaram a Análise Sequencial como técnica de tratamento dos dados.

2.4.3. Estudos com Recurso à Análise Sequencial

Os estudos realizados na observação das componentes técnico táctica em Andebol são escassos, embora se tenha notado um aumento nos últimos anos, assim como aqueles que recorrem à metodologia observacional (Prudente, 2000), sejam eles no plano teórico (desenvolvimento conceptual de modelos) ou no plano prático (aplicação de desenhos observacionais, modelos de registo, aprofundamento das técnicas de análise de dados). A metodologia obervacional possibilita a utilização de vários procedimentos estatísticos intensivos para análise dos dados, destacando-se a análise sequencial. Vários estudos partem do modelo científico básico, utilizando a metodologia observacional e um processo de análise sequencial – que tem como objectivo obter padrões de sequenciais 17 de conduta pela detecção contingências entre diferentes condutas – para construir um modelo desportivo (Hernández & Anguera, 2001).

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