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TERAPIA COMUNITÁRIA NA DEPRESSÃO

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Título em cabeçalho: TERAPIA COMUNITÁRIA NA DEPRESSÃO

Terapia Comunitária como Proposta Psicoterapêutica à Depressão em Idosos Marco Loureiro

(Estudante, de Reabilitação Psicomotora Faculdade de Motricidade Humana, Portugal)

Margarida Gaspar de Matos

(Psicóloga, Projecto Aventura Social / HBSC Faculdade de Motricidade Humana, Portugal)

&

Mafalda Ferreira

(Psicóloga, Projecto Aventura Social / HBSC Faculdade de Motricidade Humana, Portugal)

&

Marta Reis

(Psicóloga, Projecto Aventura Social / HBSC Faculdade de Motricidade Humana, Portugal)

Maio 2011

TERAPIA COMUNITÁRIA NA DEPRESSÃO

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Resumo

Pretende-se com este artigo apresentar uma proposta de intervenção, no âmbito da depressão nos

idosos, com base nos pressupostos teóricos da Psicologia Comunitária, apresentando-se como uma

intervenção ao nível da prevenção primária da saúde e, igualmente, a nível individual e comunitário.

Procedeu-se à pesquisa de revisão bibliográfica, utilizando motores de busca (APA psycnet, EBSCO,

Sciencedirect), foram encontrados 38 artigos publicados entre 2005 e 2011, tendo sido seleccionados 3

artigos para comparação da eficácia no tratamento da depressão, utilizando metodologias distintas. Da

análise comparativa, conclui-se que os não se verificaram diferenças significativas de eficácia, entre as

várias abordagens terapêuticas utilizadas. A Terapia de Casal orientada para o coping (TCOC) apresenta

resultados significativamente superiores aos resultados da Terapia cognitivo-Comportamental.

Verificou-se que a utilização da música, no tratamento da depressão, é significativamente mais eficaz

que a Terapia Cognitivo-Comportamental (TC). Igualmente, verifica-se que a Terapia Interpessoal (TI)

apresenta melhores resultados do que as restantes metodologias analisadas.

Palavras-Chave: idosos; depressão; terapia comunitária.

TERAPIA COMUNITÁRIA NA DEPRESSÃO

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Abstract

This paper presents a proposal for intervention in the context of depression in old age, based on

theoretical principles of Community Psychology, presenting itself as an intervention at the level of

primary health prevention and also the individual and community level. To review the literature a

serarch was made using scientific search engines (APA PsycNET, EBSCO, Sciencedirect). 38 articles

published between 2005 and 2011 were found and only three articles were selected to compare the

efficacy in treating depression, using different methodologies. From this comparative analysis,

conclusions were reached. There were no significant differences in effectiveness among the various

therapeutic approaches. Couple Therapy coping-oriented (TCOC) yields significantly higher efficacy

than the results of Cognitive-Behavioral Therapy (TCC). It was found that the use of music in the

treatment of depression is significantly more effective than cognitive-behavioral therapy (CT). Also, it

appears that Interpersonal Therapy (IT) produces better results than the other analyzed methods.

Keywords: old age; depression; community therapy.

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Terapia Comunitária como Proposta Psicoterapêutica à Depressão em Idosos

A Psicologia Comunitária surge num contexto de profundas mudanças sociais, que caracterizaram a

segunda metade do século XX (Ornelas, 2008). Esta surge oficialmente em 1965, no âmbito da

Conferência de Swampscott, em Boston, estabelecendo como prioridades, a intervenção ao nível da

prevenção primária, ao nível da comunidade e numa perspectiva de mudança (Ornelas, 2008).

Contributos como os da teoria geral dos sistemas e do modelo ecológico tiveram uma grande

importância na atribuição da responsabilidade dos contextos no desenvolvimento pessoal e social do

indivíduo e na manutenção do seu bem-estar psicológico (Ornelas, 2008). No entanto, estes contextos,

podem-se verificar como fontes de stress. A Terapia Comunitária (TC) estuda este processo, sendo um

dos seus objectivos, o de facilitar e promover o processo de adaptação e coping do indivíduo pelo

aumento das redes de suporte e das competências individuais (Ornelas, 2008).

Igualmente, o controlo da comunidade aponta para uma maior participação social, munindo a

comunidade do controlo sobre os programas que lhe são dirigidos. Assim, a comunidade assume

responsabilidade e participação activa na resolução dos seus problemas, o que remete os técnicos e

profissionais para uma posição de prestador de suporte à comunidade no sentido de garantir o seu eficaz

funcionamento (Ornelas, 2008).

Rappaport (1977) aponta para a análise ecológica que a TC elabora, sendo esta uma das suas

características fundamentais, na medida em que enfatiza as relações sociais, o ambiente social e físico e

o ajustamento entre as pessoas e os contextos e sistemas sociais em que se inserem. Outro aspecto

relevante é o enfoque na mudança social, intervindo ao nível dos sistemas de oposição, nomeadamente,

no âmbito das políticas e reformas sociais (Rappaport, 1977).

Segundo Dalton, Elias e Wandersman (2001, cit in Ornelas, 2008), a TC assume-se, não só como uma

disciplina científica, mas como uma disciplina filosófica, assente sobre valores como: bem-estar

individual, sentimento de comunidade, justiça social, participação cívica, colaboração e fortalecimento

comunitário, respeito pela diversidade humana e fundamentação empírica.

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A intervenção na comunidade é, desta forma, influenciada pelos valores da psicologia comunitária,

em especial, pela participação cívica do indivíduo em comunidade, sendo alvo de empowerment, no

desenvolvimento de uma maior consciência e reflexão crítica sobre o meio envolvente, adquirindo

controlo sobre as suas vidas, sobre o funcionamento das organizações e sobre a qualidade de vida. Desta

forma, sendo capacitados para um papel interventivo na definição das políticas que determinam o

processo de desenvolvimento social, como também, participando em grupos de ajuda mútua (Rappaport,

1984; cit in Ornelas, 2008). O indivíduo assume um papel activo, que contribui para o aumento do

sentimento de comunidade, sendo o indivíduo parte integrante de uma colectividade caracterizada por

uma relação de compromisso mútuo e respeito pela diversidade, unidade colectiva e percepção de

pertença (Dalton, Elias e Wandersman, 2001).

Dando seguimento ao referido anteriormente, os profissionais terão um papel fundamental no

fortalecimento comunitário, desenvolvendo uma relação colaborativa, promotora de empowerment,

contribuindo com conhecimento e identificando os recursos disponíveis à comunidade. O trabalho que

os profissionais desenvolvem inicia-se pelo planeamento da intervenção, ajudando os cidadãos na

definição de objectivos, identificando os programas comunitários adequados e mobilizando os recursos

necessários (Fetterman, 1996).

A TC enfatiza o trabalho das competências interpessoais, onde através do fortalecimento das redes

sociais de apoio, visa combater situações isolamento social, promovendo um processo de

desenvolvimento individual, pela aquisição de competências em contextos do quotidiano, encontrando

soluções a nível local e fortalecendo as estruturas de apoio social (Ornelas, 2010).

Ao inserir o indivíduo na num numa rede apoio, a TC permite que, simultaneamente, o indivíduo dê e

receba apoio, aumentando as suas convicções pessoais e confiança nas suas capacidades pessoais de

intervenção (Rappaport, 1984; cit in Ornelas, 2008). Nestes contextos, recorrendo aos recursos os

indivíduos desenvolvem afinidades pessoais, sentimentos de identidade, integração e pertença, através

da comunidade

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A World Health Organization (WHO, 2007) no relatório World Health Statistics: 2007 adverte para o

facto de a depressão ser uma problema de saúde pública pela sua elevada prevalência durante a vida e o

grau de incapacidade que provoca, constituindo cerca de 12% do total de anos de vida. Stuart-Hamilton

(2006) descreve-a como sendo uma condição que, a grande maioria da população, experiencia-a durante

várias vezes durante a sua vida, numa forma mais atenuada, não sendo susceptível de ser classificada

como patológica. O Manual de Diagnósticos e Estatísticas das Perturbações Mentais (APA, 2002)

refere uma prevalência de larga amplitude, podendo variar entre 15 a 25% na população adulta feminina

e 5 a 12% na população masculina. Verifica-se, igualmente, um elevado grau de mortalidade associada.

A taxa de suicídio, para a população adulta, é de 15%, podendo atingir quatro vezes esse valor em

indivíduos com idades superiores a 55 anos de idade (APA, 2002).

Nos idosos, verifica-se uma comorbilidade associada a uma sintomatologia de carácter físico

acentuado e.g. ausência de energia, hipotonia (APA, 2002). Esta é uma condição patológica que se não

for alvo de tratamento poderá produzir condições patológicas crónicas. Nestas situações, verifica-se que

usualmente o quadro depressivo mantém-se por diagnosticar, sendo prescrita uma terapêutica para a

resolução das condições patológicas de carácter crónicas (WHO, 2007).

Nesta população, é por vezes determinar se os sintomas cognitivos (e.g. desorientação, apatia, perda

de memória), são melhores explicados pela demência ou um episódio depressivo major no quadro da

Perturbação Depressiva Major (APA, 2002).

Tendo em conta o enquadramento teórico, verifica-se que a intervenção terapêutica no âmbito da

depressão nos idosos poderá ter maiores ganhos com uma abordagem terapêutica comunitária. Assim, é

objectivo deste artigo, verificar a eficácia de vários modelos psicoterapêuticos no tratamento da

depressão no idosos, identificando diferenças entre os modelos e as suas mais-valias, integrando-as

numa proposta de intervenção preventiva e psicoterapêutica de base comunitária.

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Metodologia

A revisão da literatura que foi feita, inicialmente, foi feita em relação à Terapia Comunitária como

abordagem psicoterapêutica no tratamento da Depressão em idosos. No entanto, após breve pesquisa

tornou-se evidente o número muito reduzido de artigos científicos que abordavam esta temática.

Desta forma, nova pesquisa foi feita procurando artigos comparativos de diversas intervenções na

Depressão e.g. Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC), Terapia Interpessoal (TI), Musicoterapia

(MT) para que estabelecer uma comparação com a Terapia Comunitária (TC).

No processo de pesquisa, foram recolhidos 38 artigos, através da pesquisa nos motores de busca do

site Sciencedirect, da APA Psycnet e da base de dados da EBSCO do Instituto Superior de Psicologia

Aplicada, tendo sido adoptadas como condições para a selecção dos mesmos a data de publicação, todas

posteriores a 2005, e a relevância do tema abrangido. No total dos artigos, foram seleccionados três

artigos, seguindo duas premissas: (1) artigos comparativos da eficácia de intervenções e, (2) artigos

recentemente publicados.

Resultados

Bodenmann et al (2008) no estudo em que se propunham a avaliar a eficácia da Terapia de Casal

orientada para o coping (TCOC) em comparação com a TCC e a TI, concluiu que a TCOC é tão eficaz

na redução da sintomatologia dos pacientes depressivos como a TCC e a TI, comprovando a sua eficácia

no tratamento da depressão. A TCOC apresenta vantagens, relativamente à TCC e a TI, no que concerne

ao grau de recaída, apresentando um valor de 28.6%, contrastando com os valores da TCC (42.9%) e da

TI (62.5%). A TCOC apresenta grau de recuperação de 37%.

Castillo-Pérez et al (2010), na avaliação da eficácia da MT, no tratamento da depressão, em

comparação com a TCC, apontou para o efeito significativamente positivo da utilização da música, na

melhoria da sintomatologia do grupo submetido a esta forma de psicoterapia expressiva. Neste estudo,

verificou-se que muitos dos elementos do grupo submetido à MT demonstraram, inicialmente,

resistência à utilização de música clássica nas sessões mas, ao longo da terapia não só o interesse do

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grupo aumentou, como também demonstraram interesse em aprofundar o seu repertório do género de

música utilizada.

Efeito positivo da música clássica na redução da frequência dos sintomas depressivos, diminuição dos

níveis de depressão e estimulação de sentimentos positivos, demonstrando ser um meio eficaz no

tratamento da anedonia (Castillo-Pérez, 2010).

Cuijpers et al (2008), no estudo comparativo da eficácia de vários tipos de tratamentos psicológicos

analisados (TCC, Terapia de Apoio não directiva [TAND], Terapia de Activação Comportamental

[TAC], Terapia Psicodinâmica [TP], Terapia de Resolução de Problemas [TRP], TI, Treino de

Competências Sociais [TCS]) verificaram-se muito poucas diferenças significativas no tratamento da

depressão a curto prazo. A TI apresentou-se como sendo um pouco mais eficaz que os restantes

tratamentos psicoterapêuticos e a TAND com menor eficácia que as demais metodologias abordadas. A

longo prazo, as diferenças esbatiam-se, não se verificando diferenças significativas entre elas.

Discussão

A análise dos estudos comparativos da eficácia de vários modelos de intervenção psicoterapêutica na

depressão, conclui-se que dos diferentes estudos comparativos não se verificam diferenças moderadas na

sua eficácia. Contudo, algumas diferenças significativas foram salientadas, nomeadamente na

intervenção com base na TCOC (Bodenmann et al ,2008), na MT (Castillo-Pérez et al, 2010) e na TI

(Cuijpers et al, 2008).

O estudo de Bodenmann et al (2008) apresenta o apoio do conjugue como factor vantajoso para a o

sucesso do tratamento e na manutenção da recaída, nomeadamente, através do apoio efectivo na gestão

de stress (coping). Esta intervenção psicoterapêutica apresenta grau de recuperação de 47%. A

participação do conjugue no tratamento é um factor com clara potencialidade no grau de envolvência no

processo através de uma papel mais activo, podendo o tratamento ser proveitoso no fortalecimento da

qualidade da relação matrimonial.

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Castillo-Pérez et al (2010), apresenta a música como uma variável positiva tanto na diminuição da

sintomatologia depressiva, como na promoção de sentimentos de bem-estar. Este estudo apresenta uma

vantagem significativa de eficácia em comparação com a TCC e com as restantes psicoterapias (a

verificar em estudos futuros). Dos resultados desta intervenção coloca-se a questão se esta diferença

significativa de eficácia entre a MT e, a TCC e as restantes psicoterapias, é extensível para as diversas

modalidades de psicoterapias expressivas.

Da meta-análise de Cuijpers et al (2008) algumas questões se levantam, apesar dos resultados

positivos da TI. Pelo número reduzido de estudos comparativos desta modalidade psicoterapêutica, para

comprovar claramente a sua eficácia a longo termo, pelo que se recomendam mais estudos nesta área.

Tanto a MT (sessões de grupo), como a TCOC apresentam um elemento de apoio, que estimula o

indivíduo, através da promoção das competências interpessoais e sociais, num processo de identificação

e aumento de sentimentos de pertença. Tal vai de encontro com os pressupostos da Terapia Comunitária

(TC) que prevê um trabalho em comunidade, quer seja em grupos de ajuda mútua formais ou informais.

Sendo esta população alvo mais susceptível a sintomas depressivos (Stuart-Hamilton, 2006), pela

tendência ao isolamento, confronto com eventos de vida dramáticos como a morte ou apenas

insatisfação com o caminho percorrido, a TC apresenta-se como uma solução ideal, promovendo um

papel activo dos indivíduos em ambientes de partilha, ajuda mútua e apoio social, sendo grande o

enfoque na promoção das competências sociais e interpessoais.

Desta forma, a TC apresenta-se como uma metodologia de intervenção psicoterapêutica pertinente no

tratamento da depressão em idosos, pelo reunir de características tão importantes no tratamento da

depressão, verificadas cientificamente nos estudos apresentados (Bodenmann et al, 2008; Castillo-Pérez

et al, 2010; Cuijpers et al, 2008).

Esta proposta, pelas características inerentes ao modelo psicologia comunitária apresenta-se como

um projecto preventivo e terapêutico de interesse, nomeadamente, pela utilização de recursos locais e

pela participação activa da comunidade, que trabalho no sentido de maximizar a eficácia das respostas às

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necessidades, tanto do indivíduo, como da comunidade, minimizando os custos efectivos das políticas e

serviços sociais, no âmbito saúde.

Estas características justificam, claramente, a elaboração e aprofundamento de estudos que vão no

sentido de verificar o real valor da proposta apresentada neste artigo.

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Referências

American Psychiatric Association (2002). DSM-IV-TR (Manual de Diagnósticos e Estatísticas das

Perturbações Mentais). 4ª Edição. Climepsi Editores: Grenoble.

Bodenmann, G., Plancherel, B., Beach, S. R. H., Widmer, K., Gabriel, B., Meuwly, N., Charvoz, L.,

Hautzinger, M., Schramm, E. (2008). Effects of coping-oriented couples therapy on depression: a

randomized clinical trial. Journal of Consulting and Clinical Psychology. Vol. 76, N. 6 (944-954).

Castillo-Pérez, S., Gómez-Pérez, V., Velasco, M. C., Pérez-Campos, E., Mayoral, E. (2010). Effects

of music therapy on depression compared with psycotherapy. The Arts in Psychotherapy. N. 37 (387-

390).

Cuijpers, P., van Stratan, A., Andersson, G., van Oppen, P. (2008). Psychotherapy for depression in

adults: a meta-analysis of comparative outcome studies. Journal of Consulting and Clinical Psychology.

Vol. 76, N. 6 (909-922).

Dalton, J., Elias, M., Wandersman, A. (2001). Community psychology: linking individuals and

communities. Wadsworth Publishing Company.

Fetterman, D. (1996). Empowerment evaluation: an introduction to theory and practice. Em

Fetterman, D., Kaftarian, S., Wandersman, A. (1996). Empowerment Evaluation: Knowledge and Tools

for Self-assessment and Accountability. Sage: California.

Ornelas, J. (2008). Psicologia Comunitária. Fim de Século: Lisboa.

Rappaport, J. (1977). Community psychology: values, research, and action. Holt, Rinehart &

Winston: New York.

Stuart-Hamilton, I. (2006) The Psychology of Ageing: an introduction (4 th edition). Jessica Kingsley

Publishers: London.

World Health Organization (2007). World health statistics: 2007. Acedido em: 09, Junho, 2011 em:

http://www.who.int/whr/2007/en/index.html.