LIMA, M Perspectivas e riscos da educação profissional do governo Dilma: Pronatec, PNE e Diretrizes para o ensino médio e profissional LAGEBES

-UFES: Vitória, 2011

Perspectivas e riscos da educação profissional do governo Dilma: Pronatec, PNE e Diretrizes para o ensino médio e profissional (versão preliminar)1
Marcelo Lima2 marcelo.lima@ufes.br

1-Introdução Neste artigo, nosso objetivo é discutir as possíveis antecipações ao Pronatec do governo Dilma Roussef, por meio dos efeitos dos modelos de educação profissional nas redes públicas (federal e estadual) no estado do Espírito Santo com o fito de sinalizar as possíveis tendências mercantis e ideológicas de uma “nova” política de educação profissional. Em tempos de novo governo, as expectativas são muitas e as demandas também. Apesar dos avanços sociais do último governo Lula com considerável geração de emprego, ganho real no salário mínimo e inédita mobilidade social, se faz bastante incompleta a reestruturação do aparelho do Estado brasileiro. Particularmente na educação, mesmo com o aumento dos recursos voltadas para a educação pública, o ressurgimento da rede federal de educação profissional como elemento estratégico do desenvolvimento do país é um processo deveras incompleto. Isto, tanto do ponto de vista estrutural (pessoal e prédios laboratórios, etc) quanto pedagógico (implantação da integração do ensino médio com a Educação de Jovens e Adultos e com a Educação Profissional via “Ifetização” dos Cefets). Os primeiros esforços do MEC na criação dos Ifs já apontam para um total de 45 IFES com cerca de 450 campi. Essa expansão coloca para o Estado Brasileiro uma demanda de investimento que precisa de ordem geométrica no médio prazo. Mesmo com a criação do FUNDEB e com um montante destinado a educação em geral que, como afirma o ministro da educação Fernando Haddad, dobrou, em termos reais, e triplicou, em termos nominais, o investimento disponível e o gasto necessário para manter (ou chegar a) um custo aluno-ano de R$ 5000,00 para o ensino médio e R$ 7000,00 para a educação profissional, podem ter uma evolução numérica discrepante que obrigaria a uma aproximação mais rápida ao reivindicado pela CONAE de 10% do PIB para educação. Tentando fugir a essa problemática, o governo atual, no contexto de crise aguda do capital e aumento das demandas por mão de obra qualificada, criou uma estratégia que tem três elementos básicos: o PNE, as Diretrizes para o ensino médio e educação profissional e o PRONATEC. Passamos analisar teoricamente e politicamente com base numa pesquisa histórica, como o governo atual pseudocria direitos empurrando a educação profissional para um processo de mercantilização que pode fortalecer o papel do sistema “S” na oferta de ensino técnico com reforço na modalidade concomitante, hegemonia do subseqüente em detrimento do verdadeiro integrado.

Versão ampliada e revisada a partir do debate decorrido da apresentação do Trabalho de mesmo nome apresentado na 34ª reunião da ANPED- GT09 em Natal-RN 2011 2 Doutor em educação pela UFF e Prof. Adjunto do DEPS_CE- UFES, Membro do NET e Coordenador do projeto de pesquisa “ensino médio integrado” ligado ao LAGEBES–UFES – 27 4009 7774.

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2011 2-Da crítica ao economicismo à crítica da mercantilização da educação profissional Ao analisarmos a trajetória da formação profissional por meio de uma abordagem históricodocumental dos modelos da educação profissional. De acordo com Marx (1989). Tais movimentos. indicamos que no horizonte do governo Dilma está colocado o risco de um distanciamento da nova gestão em relação a estratégia. alteram não apenas. e o tempo de trabalho. mas também o tempo de formação. mas o inclui. só pode ser medida então pela “densidade temporal” da “substância criadora de valor” que é o trabalho. A sua base fundante. PNE e Diretrizes para o ensino médio e profissional LAGEBES-UFES: Vitória. por sua vez. sobretudo. O tempo de trabalho necessário mede o valor produzido para a subsistência do trabalhador e o tempo de trabalho excedente mede o valor produzido e apropriado pelo capital na forma de mais-valia. podem ser medidos e denominados como tempo de trabalho necessário e tempo de trabalho excedente. Mas essa quantidade de trabalho tem como referência a quantidade de tempo necessário para a produção. As estratégias dos capitalistas podem ser resumidas com base em dois movimentos: o primeiro será de reduzir o tempo de trabalho necessário por meio da redução de custos e dos gastos com a reprodução do trabalho e o segundo movimento será de ampliar o tempo de trabalho excedente aumentando a jornada (mais-valia absoluta) e depois intensificando o trabalho (maisvalia relativa). Esses. A formação profissional quando engendrada pela condição de mercadoria submete-se à lógica da mercantilização. E no capitalismo o trabalho se divide em trabalho necessário (produtor de valor de uso – conteúdo material da riqueza) e trabalho excedente (produtor do valor-forma social e histórica da riqueza que se manifesta pelo valor de troca). dia. o capital ao reduzir o tempo de trabalho necessário para produção vai . pela quantidade de trabalho genericamente gasto para a sua produção. por frações do tempo. a medida dessa valorização pode ser feita. toda riqueza vem do trabalho. Acreditamos que É necessário ir além do trabalho exaustivo produzida pelos pesquisadores históricos do GT Trabalho e Educação da ANPED que fizeram e fazem a crítica ao economicismo que pretende submeter a educação aos princípios da teoria do capital humano e do modelo das competências. Processo este que não se contradita com o produtivismo. 45). tendência da qual tentará fugir o capital. ainda incipiente nos governos Lula de reestruturação do Estado na direção da consolidação do direito à educação profissional de qualidade social para os jovens brasileiros durante a escolarização no nível médio. se a economia pressupõe uma quantificação do valor das mercadorias. M Perspectivas e riscos da educação profissional do governo Dilma: Pronatec. Desse modo. pois à medida que aumenta a complexidade da produção o capitalista tende a empregar mais trabalho complexo em relação ao emprego do trabalho simples. o tempo da produção. etc (MARX. e propor a análise do processo de mercantilização da educação profissional. p. o impulso capitalista será de reduzir o primeiro e expandir o segundo. no que diz respeito ao valor das mercadorias. a quantidade de trabalho mede-se pelo tempo de sua duração. Logo. como hora. 1989. Para darmos conta destas questões devemos passar da crítica ao economicismo à crítica da mercantilização da educação profissional. reduzindo o tempo de produção de cada mercadoria.LIMA. subordinando-se ao processo de parcelamento e de fragmentação resultantes das formas de aceleração do tempo socialmente necessário para sua produção. Logo. no entanto. pseudocriando o direito à educação. para garantir a acumulação. escondendo a formação para o mercado para no final das contas criar o mercado da formação Nossa abordagem teórica tenta analisar a transformação da formação humana em mercadoria ou sua inviabilidade como direito. Segundo Marx (1989).

de modo a reduzir (onde for possível) o número de indivíduos que realizam trabalho complexo. o que só não ocorre em determinados contextos tecnológicos e para funções mais técnicas para as quais a inovação produz complexificação e não simplificação. Esta crise ancora-se não apenas no propósito de redução dos custos do estado a serviço do capitalismo financeiro mundial. mas também implica no aumento do tempo socialmente necessário para a formação profissional que altera o custo de reprodução da força de trabalho. PNE e Diretrizes para o ensino médio e profissional LAGEBES-UFES: Vitória. no momento atual com uma nova crise do capitalismo. necessitando assim de mais tempo de formação. Assim as tecnologias vão buscar. Tal papel não prescinde da função produtivista com seus antigos e vigentes objetivos: reduzir os custos de formação profissional do capital com reforço no contingente trabalhadores qualificados sem emprego produzindo ao mesmo tempo inserção produtiva e pressão negativa sobre os salários. impõe-se uma crise do Estado-Nação e no fornecimento dos serviços públicos de formação humana encarados como conquista e como direito social. ampliando a participação do trabalho complexo (em detrimento do uso do trabalho simples) e sobre-valorizando do custo da força-de-trabalho. aumentando em muito o custo de reprodução da força de trabalho. b) redução do tempo de trabalho necessário c) aumento do tempo de formação com mais trabalho complexo (mais caro). e d) redução do tempo de formação com mais trabalho simples (mais caro). a complexificação do trabalho pode gerar diminuição do tempo socialmente necessário para a produção. isso gera uma contradição que limita e direciona a inovação que se quer aplicar ao processo produtivo. O Estado deve exercer o papel estratégico na redução dos custos do capital no fornecimento quantitativo e qualitativo das forças produtivas adequadas aos padrões técnicos vigentes. sobretudo nos países de fora do núcleo do capital. Logo. haverá uma contradição entre tempo da produção e tempo da formação da qual surgirão quatro tendências: a) aumento do tempo de trabalho excedente. M Perspectivas e riscos da educação profissional do governo Dilma: Pronatec.LIMA. que requer. a função de reprodução das forças produtivas seja uma responsabilidade do Estado. poder-se-á transferir paras as empresas parte deste custo que tenderão a mercantilizar o próprio processo formativo. um tempo de formação tão alto. conclui-se que a aceleração do tempo médio da produção pode acelerar o tempo médio da formação. Embora. mas também se valida na superação da lógica fordista-keynesiana (mercado crescente com mão de obra crescente e aumento do custeio social da reprodução da força de trabalho) em que se afirma uma nova lógica vinculada a acumulação flexível (mercado crescente com mão de obra decrescente e redução do custeio social da reprodução da força de trabalho) viabilizada pelas mudanças tecnológicas e organizacionais trazidas pelos processos de reestruturação produtiva com seus novos equipamentos e formas de gerir pessoas. Assim. sobretudo com o advento do estado intervencionista nos anos 30 e 40 do século XX. Essa questão é superada. Como a força de trabalho é formada pelo poder público não haverá interesse direto (só indireto) do capital em formar com menor tempo (leia-se com menor custo) o trabalhador. se o capital coloca um novo equipamento na produção. do ponto de vista do momento atual numa situação de esvaziamento da ação do poder público num estado neoliberal. Portanto. historicamente. Deste modo. já que sua remuneração e sua formação são pouco atrativas para o capital. a capacidade estatal de responder às necessidades qualitativas e quantitativas do mercado e a disposição dos capitalista em financiar parte deste processo. distribuir qualitativa e quantitativamente os trabalhadores. vem se modificando em função das crises as quais o próprio sistema econômico se vê imerso e suas consequências na relação oferta pública e oferta privada no campo da formação humana com destaque para o ensino médio e técnico. pelo custeio social da formação. . no entanto. No entanto. Ou seja. iniciada ainda nos anos 70. numa situação limite. 2011 ter que escolher entre ter maior quantidade (mais barata) de trabalho simples ou ter maior quantidade (mais cara) de trabalho complexo. por constituírem “altos” custos para a reprodução da força de trabalho.

. entre formação geral e formação específica.] Nessa parceria com a Samarco (. [. Esse encurtamento médio dos tempos dos cursos também afetou também os cursos técnicos que pelo decreto 2208/97 se dissociaram obrigatoriamente do ensino médio. Nesse momento. em pleno governo FHC. do utilitarismo pedagógico que tende a implantar configurações curriculares que desprezam os vínculos epistêmicos existentes entre teoria e prática. o “circuito cefetes”. PNE e Diretrizes para o ensino médio e profissional LAGEBES-UFES: Vitória. Aloísio Carnielli. exposto no quadro que segue. 4-5)..) o corpo docente é em parte da empresa e em parte do CEFETES. Para corroborar tais indicadores passamos analisar alguns exemplos que reiteram as tendências aqui sinalizadas. pois deste modo... (. Em 2002. além de ter. 2002.) precisamos saber a real situação das empresas do mercado. no 07: Para o diretor de Relações Empresariais do CEFET/ES. para podermos montar os currículos dos nossos cursos de acordo com essa necessidade. 2011 Acreditamos que essa mercantilização pode ser vislumbrada na formação humana com base em dois indicadores: 1) a fragmentação e a desarticulação curricular que indicam a aceleração dos tempos formativos fruto do pragmatismo.. no 8.LIMA. M Perspectivas e riscos da educação profissional do governo Dilma: Pronatec. 2002. Ganha destaque no duplo processo de esvaziamento da participação do Estado e de mercatilização da formação profissional o caso do convênio estabelecido entre o CEFETES e uma empresa mineradora relatado pelo jornal da instituição: “Circuito CEFETES”. preferencialmente seus profissionais com acesso garantido numa instituição cuja certificação representa qualidade construída ao longo de muitos anos e com alto gasto de recursos públicos.] o curso terá a duração de dois anos (CIRCUITO CEFETES. p.. A Samarco (empresa de mineração) ao assumir parte do custo da formação junto ao CEFET/ES preconizou um curso mais rápido de 02 anos sem uma conexão com o ensino médio. a empresa pode utilizar a prerrogativa de definir de modo mais imediato e específico a ênfase curricular adaptada à tecnologia utilizada em seus processos produtivos. conforme podemos observar no quadro que segue. adequando-os à realidade que o mercado precisa (CIRCUITO CEFETES. [. Se estivermos afinados com as necessidades das empresas. teremos condições de mexer nos currículos dos cursos. após transformar-se em CEFETES a antiga ETFES passou por esse processo de mercantilização.. Exemplo 01 – Transformação da formação humana em mercadoria na Rede Pública Federal de Educação Profissional No ano 2000. e 2) as Novas formas de esvaziamento da intervenção do Estado que pseudocriam direitos validados pela via meritocrática sustentada pelo financiamento público de bolsas de estudos que reiteram as parcerias público-privado. em que ocorreu a perda da hegemonia dos cursos técnicos compulsoriamente integrados ao segundo grau sob os ditames da lei 5692/71. por meio deste processo privatizante. 3). no 11.. houve o aumento vertiginoso das matrículas dos cursos de curta duração que por meio do PLANFOR possibilitavam a própria instituição uma forma de captação de recursos via FAT. p..

somando-se todas as redes (pública e privada). por sua vez. como os da Região Sudeste que.Transformação da formação humana em mercadoria na Rede Pública Estadual de Educação Profissional No estado do Espírito Santo. 728 (12.4%). no comparativo com a de outros estados e em nível nacional. 88.5%) vagas. 892 matrículas. A Região Sudeste. preenchendo. 373 (11. o que correspondeu a apenas 1.LIMA. sobretudo. De acordo com o Anuário. 945 matrículas. com os estados de São Paulo. Já o Espírito Santo realizou 10. foi responsável por 457. juntos com outros da Região Sul são responsáveis por 60 % da oferta de qualificação profissional de nível técnico nos mais diversos níveis e áreas. uma carência de técnicos. segundo o qual. respectivamente. Minas Gerais e Rio de Janeiro. onde é mais provável que haja. o Brasil teve. 747. mas.2%) delas. M Perspectivas e riscos da educação profissional do governo Dilma: Pronatec. Todos esses dados mostram que o que ocorre no âmbito da Região Sudeste (oferta de qualificação maior que a demanda por qualificados) não acontece no estado do Espírito Santo. em 2006.5% da oferta de Educação Profissional do País. 2011 Fonte: Lima (2010) Exemplo 02 . . 264. PNE e Diretrizes para o ensino médio e profissional LAGEBES-UFES: Vitória. Pelo menos é o que deixa claro o Anuário Nacional da qualificação social e profissional do MTE/DIEESE de 2006. 926 (35. 972 (61. a educação profissional tem um longo trajeto percorrer para igualar aos principais estados da Federação. Carência que poderá ser suprida por técnicos de estados vizinhos. a oferta de oportunidades não é só tímida em si. fazendo com que o capixaba tenha inúmeras desvantagens na disputa por melhores empregos gerados pela nova onda de desenvolvimento do Estado. em decorrência também da aceleração da economia capixaba.8%) e 93.

O total de 92. ES – R$ 3 122 8444. sobretudo em cursos ligados à indústria de alta complexidade. de seu público-alvo. AL . em 2008.264 para 1. M Perspectivas e riscos da educação profissional do governo Dilma: Pronatec. veremos que esse quadro é ainda mais grave do ponto de vista da contraposição das matrículas nas redes estadual. despencou.5%. de 1200. produzindo mais uma política educacional clone-espécie de um prouni técnico do que um ensino médio integrado à educação profissional pública de qualidade como preconiza a legislação vigente. 2011 Mas o que é relevante para efeito deste trabalho é a oferta de escolarização em nível médio e sua correlação com a oferta de ensino técnico no Espírito Santo.33).R$28 194552. E de acordo com o censo SEDU/MEC/2005. o total de matrículas caiu de 173. Se tomarmos por base os censos escolares SEDU/MEC/1998-2002. 468 para 2. alcançou apenas 74.070 para 3. a partir da promulgação do decreto 5154/04 passou o ocorrer um movimento de retomada da oferta de educação profissional na rede estadual.087 matrículas reduziu-se drasticamente para 3. 81% e 75. respectivamente. somando-se a todas as redes (pública e privada). a oferta dessas bolsas cresceram nessa ordem. No âmbito da SEDU. De 2008 à 2010. no que diz respeito à taxa de escolarização da população de 15 a 17 anos.955 para 126. respectivamente.27. respectivamente.R$ 18428542. federal e privada no ensino profissional de nível técnico.151. 2009 e 2010. mesmo quando comparado com estados menores (PB . de 3.1% dos jovens nessa faixa etária. apenas por 1% dos concludentes da educação profissional técnica nacional. Informática (10%). no período 1998/2002. de 25.LIMA. Saúde (7%).427. haviam 10. No período 2001 – 2006. Já em 2007. segundo TEM/DIEESE (2006). Seu principal resultado foi a hegemonia do subseqüente e o repasse de uma média anual de dois milhões de reais anuais para o setor privado que passou a apoiar eleitoralmente os executores desta política.758 e de 3. e nas redes públicas federal e estadual. Além disso. para 1700. Meio Ambiente (6%). A justificativa do governo em não investir pesadamente transformando as escolas do ensino médio em escolas técnicas com toda infraestrutura daí decorrente. o estado do Espírito Santo.552 nos chamados cursos técnicos. a matrícula caiu numa escala de 10 para 1 (10. no estado do Espírito Santo a bolsa SEDU tornou-se a principal medida de educação profissional de um estado que responde. que deveria estar cursando o ensino médio. no entanto. Ela consiste em comprar com recursos públicos vagas de cursos técnicos privados para os egressos do ensino médio da rede pública. no ES a Educação Profissional ofertada está de costas para o Ensino Médio. . os dados do censo escolar SEDU/MEC/2001-2006 demonstram uma tendência de estagnação e redução da oferta de matrículas para o ensino médio e técnico não só na rede pública estadual como nas redes federal e privada. ênfase em cursos técnicos teóricos que não exigem infraestrutura pesada de laboratórios e foicinas. enquanto que o Brasil. foi a de que se a demanda cessasse os cursos se tornariam obsoletos e o recurso seria perdido. Comércio (6%). A rede estadual reduziu as matrículas de 143.102 alunos matriculados em cursos técnicos estaduais nas áreas de Gestão (33%). demonstrando. Comunicação (5%). De acordo com a SEDU-secretaria de estado da educação do ES. Razão pela qual o ES em 2010 foi o menor tomador entre os demais estado de recursos de governo federal do programa “Brasil-profissionalizado” que financia construções para escolas de ensino médio integrado. Agropecuária (14%). conforme podemos observar no quadro que segue.1%.645 para 27. Turismo (11%). a Região Sudeste e o estado de Minas Gerais atingiram. O fato é que na atualidade. na rede privada. Nas redes privada e federal variaram. Secretariado Escolar (4%). PNE e Diretrizes para o ensino médio e profissional LAGEBES-UFES: Vitória.362. 795. Mineração (2%) e Construção Civil (2%). 732 para 158 e de 73. chegando a 3900 matrículas. 78.13.670 para 158.073).

iniciado pelo governo Lula. . PNE e Diretrizes para o ensino médio e profissional LAGEBES-UFES: Vitória. gerando uma contradição entre a criação de direitos e sua antítese que é a mercantilização de serviços que deveriam ter oferta pública. universal.Aula Inaugural do Bolsa SEDU. 2010) In:www. M Perspectivas e riscos da educação profissional do governo Dilma: Pronatec.es.LIMA.br – < acesso em 21/12/2010. gratuita e de qualidade. 2011 Fonte: Análise de Lima (2011) sobre o noticiado em SEDU. as Diretrizes para o ensino médio e profissional e o PNE é necessário levar em conta o contexto mais amplo das mudanças do governo Dilma que visam (ou não) a retenção do processo de reestruturação do Estado.11:00 horas > Acreditamos que para analisar o PRONATEC. num momento de aprofundamento da crise do capital que acaba por asseverar o componente neo-liberal da frente de coalizão que constitui o centro de poder do governo atual.gov.sedu.

No Artigo 3º.Transformação da formação humana em mercadoria no governo atual: o PRONATEC. o aluno faz o curso tradicional. vai aprender uma profissão (. V – Financiamento da educação profissional e tecnológica... IV – Oferta de bolsa-formação para estudantes e trabalhadores. tanto de bolsas quanto de financiamento estudantil. levando a mercantilização da educação profissional? Ou seria o pronatec apenas um aceno contrário à aceleração da expansão dos gastos do governo de efeito mais ideológico-midiático do que pedagógico-econômico? Trata-se de um programa cuja finalidade fundamental é de propiciar “por meio de (. ainda. trabalhadores e beneficiários dos programas sociais”.Protec que na campanha eles atacavam.(. EJA. VI – Fomento à expansão da oferta de EP técnica de nível médio ead. Passamos a analisar cada aspecto da política educacional atual separadamente: a) PRONATEC. III – Incentivo à ampliação de vagas e da rede do sistema S. Propõe.) " o governo do PT copiou uma ideia nossa . ou para IFES e Sistema S. ou. 2011 Exemplo 03 . que propus na campanha. Por que será que o projeto do novo governo se assemelha com o protec da gestão paulista que vem num contínuo de 16 anos de governo neo-liberal em São Paulo? O governo Dilma num contexto desfavorável de ajuste econômico se renderia em ressuscitar decreto nº 2208 restabelecendo as bases do modelo tecnológico-fragmentário.) projetos e ações de assistência técnica e financeira” “a expansão da rede física” açambarcando “da educação profissional técnica de nível médio aos cursos e programas de formação inicial e continuada ou qualificação profissional”..LIMA. embora sinalize que “(.. II – Fomento à ampliação de vagas e à expansão das redes estaduais.) atenderá prioritariamente: I – Estudantes do ensino médio da rede pública. Essa margem deixa em aberto a destinação dos recursos.". ainda. as diretrizes para o ensino médio e profissional e o PNE. no outro. aluno-hora ou em valores monetários diferenciando setorial e institucionalmente. (. PNE e Diretrizes para o ensino médio e profissional LAGEBES-UFES: Vitória. VII – Apoio técnico” Demonstrando uma enorme envergadura de campo de aplicação que não faz distinção setorial ou institucional entre aquilo que tem sido o papel fundamental da rede pública federal (a educação técnica) e o que tem sido o campo privilegiado da rede privada do sistema “S” (os cursos e programas de formação inicial e continuada ou qualificação profissional). Bolsa para pagar anuidades do ensino técnico.. para ensino técnico e para FIC e Qualificação.. assim como o PROUNI... Será um programa.)”. M Perspectivas e riscos da educação profissional do governo Dilma: Pronatec. Ironizando José Serra em entrevista ao “O Globo” de 12/02/2011 disse “dei os parabéns ao governo pelo anúncio do Pronatec – “o ProUni do ensino técnico. Exemplo: X% para setor público e Y % para o setor privado. no artigo 4º ações que incluem: “I – Ampliação de vagas e expansão da rede federal. b) Diretrizes para o ensino médio e profissional e c) PNE. A) PRONATEC Segundo Dilma no programa de rádio café com o presidente no início de 2011: “O Pronatec será um conjunto de ações voltadas para os estudantes e trabalhadores que querem fazer um curso técnico e que não têm como pagar. Assume ser um programa de financiamento e de provimento de bolsas que ao mesmo tempo em que poderá oferecer um suporte para expansão da rede federal já em curso inclui o sistema “S” já subsidiado pela sociedade..) Em um turno. trabalha com bolsas de estudo que não garantem o acesso a essa formação como direito social podendo vir a se transformar em práticas de . Para a garantia de sustentação da rede dos IFES talvez fosse mais adequado estabelecer a divisão em termos percentuais de matrículas. Ao contrário esse programa. ao versar sobre o regime de colaboração inclui todos os entes federados e faculta a participação ao sistema S..

da lei nº 11741/2008 que gerou novas condições para integração da EP. do EM e da EJA (artigos 37. Este aspecto é bastante temerário. além é claro da emenda constitucional nº 59/2009 (obrigatoriedade na faixa etária de 04 aos 17 anos) e outros (PDE. Especificamente para o ensino médio essa . O pronatec não resolve a questão do investimento com o pessoal da EP pública ligada sobretudo aos IFES. Segundo o Artigo 9º. pois a incluí de modo precário na atuação em ações de formação. Ainda prevê uma modalidade de financiamento “FIES empresa”. o qual decorreria da fusão da arrecadação do sistema “S” com os recursos do FAT gastos pelo MTE e pelo MEC em qualificação e cursos FIC. assim como consta nos cursos FIC. 39. ao afirmar que o “financiamento poderá beneficiar estudantes da educação profissional”. 36-B. IDEB e DCNs Gerais para a educação básica) gerou uma nova institucionalidade para o ensino médio e para a educação profissional que impôs a necessidade da criação de novas diretrizes para o ensino médio e profissional (CNE. ENEM. 36-C e 36-D). Do ponto de vista curricular esse programa exige a articulação do EM com a EP Técnica (modalidade concomitante – integração ?) como pré-condição para a capitação dos recursos. Além disso.. No Artigo 11. de oferta paga e privada de educação profissional. pois as empresas que vão financiar bolsas podem optar preferencialmente ou exclusivamente por cursos técnicos não integrados ou formas de qualificação mais rápidas e focadas nos seus processo produtivos jogando o papel mediador da educação no pragmatismo do imediatismo. considerando a capacidade de oferta. “Os valores serão fixados pelo poder executivo” e “As atividades não configuraram vinculo empregatício”. uma série de mudanças legais e normativas decorrentes do decreto 5154/2004. SAEB. sinalizando que o “executivo definirá requisitos e critérios de prioridades. Segundo o PL.O MEC disponibilizará recursos às instituições de educação profissional da rede federal para atendimento aos alunos. não garante a elevação de escolaridade como exigência. estabelece que o “financiamento da EP poderá ser contratado pelo estudante em caráter individual ou por empresa para custeio da formação de trabalhadores”. PNE e Diretrizes para o ensino médio e profissional LAGEBES-UFES: Vitória. “Os servidores poderão perceber bolsas de participação no pronatec. demonstrando o grau de volatilidade da participação dos profissionais da EP no contexto dessa proposta e incorrendo no risco de sobrepor para os profissionais da EP funções públicas pagas com orçamento da união e funções acessórias. a demanda. B) Diretrizes para o ensino médio e profissional Segundo o CNE e CEB (2011). foram gerados o parecer do CNE/CEB nº 07/2000 e a resolução CNE/CEB nº 2000 que deram corpo as diretrizes gerais para a educação básica.) (do) EM público propedêutico para cursos de EP técnica de nível médio (concomitante)” e b) “Bolsa-formação para trabalhadores e beneficiários de programas sociais para cursos FIC ou qualificação profissional. M Perspectivas e riscos da educação profissional do governo Dilma: Pronatec. Mais aconselhável talvez seria criar dois fundos 1) para o ensino técnico e médio totalmente público e 2) outro fundo para os cursos FIC e de qualificação de natureza paraestatal. p. E por outro lado pode vir a criar um mercado.). Nesse mesma direção.03).LIMA. executivo deveria resgatar o projeto de Paulo Paim sob o primado de Florestan Fernandes e propugnado na CONAE de que dinheiro público para escola pública. 2011. Se fosse para criar um fundo público para a educação profissional. “ficam as instituições de educação profissional das redes públicas autorizadas a conceder bolsas aos professores envolvidos nas atividades do pronatec”. artigos 36-A. pois joga a EP no processo de mercatilização. na qual esta figura como tomadora de financiamento e que esta responsabiliza-se pelo pagamento perante o FIES e que o “financiamento aplica-se a FIC / qualificação e a EP técnica de nível médio. mesmo com a carga horária mínima de 160 horas. O PRONATEC possuirá dois tipos de bolsas: a) “Bolsa – formação para estudante (. Artigo 7º . a faixa etária (. desde que não haja prejuízo de suas atividades e do cumprimento das metas da instituições”. mas ao incluir a qualificação profissional. mas fortemente indutoras.. o nível de escolaridade. 2011 mercantilização econômica e também política. da implantação do FUNDEB (Lei nº 11494/2007). já bem forte.. 41 e 42 e acrescido o capítulo II do título V com a seção IV-A.. alterando o FIES no seu Artigo 130 / 5º B da lei do FIES.

das formas de produção.). possibilitando o prosseguimento de estudos. espaços. VII. III) o aprimoramento do educando como pessoa humana. afirmando que elas “não devem constituir blocos distintos. Art. V.400 horas com carga horária anual de 800 horas em pelo menos 200 dias letivos e outras variações] no seu artigo 14º. sinalizando a compreensão do CNE sobre aquilo que deverá ocorrer com a correção de fluxo do ensino fundamental para o ensino médio em que a nova faixa etária de obrigatoriedade.LIMA.sustentabilidade ambiental como meta universal. que passamos preliminarmente aqui a analisar: Logo de início as diretrizes assumem no seu artigo 3º que o “ensino médio é um direito social de cada pessoa e dever do estado na sua oferta pública e gratuita a todos”. relacionando a teoria com a prática. da ciência.. incluindo a formação ética e o desenvolvimento da autonomia intelectual e do pensamento crítico. De modo geral. . no capítulo II sobre as formas de oferta e organização. IV) a compreensão dos fundamentos científicos e tecnológicos dos processos produtivos. IV. mínimo de 2. componentes. 60).indissociabilidade entre educação e prática social. III) Pesquisa como princípio pedagógico (. da tecnologia e da cultura. II) A preparação básica par ao trabalho e a cidadania do educando para continuar aprendendo. Entretanto. podemos afirmar que as novas diretrizes para o ensino médio trazem vários aspectos interessantes. considerando-se a historicidade dos conhecimentos e dos sujeitos do processo educativo bem como entre teoria e prática no processo de aprendizagem. No Título II da Organização Curricular.) proposição curricular [deverá estar] fundamentada na seleção dos conhecimentos. mas um todo integrado” e que se deve “considerar a diversidade e as características locais e especificidades regionais”.. p. mesmo prevendo que o ensino médio é um “conjunto orgânico.. de modo a ser capaz de se adaptar ás novas condições de ocupação ou aperfeiçoamento posteriores. da tecnologia e da cultura como eixo integrador. da ciência..educação e direitos humanos como principio nacional norteador. M Perspectivas e riscos da educação profissional do governo Dilma: Pronatec. II.. percebemos a intenção do CNE em fazer valer os princípios integradores da LDB nº 9394/96 e do Decreto lei nº 5154/04. VIII. III. 12).trabalho e pesquisa como princípios educativos e pedagógicos respectivamente. a partir de 2016 como orienta o novo PNE. ainda que enseje alguns riscos. Nos artigos 7º e 13º. VIintegração de conhecimentos gerais e técnico-profissionais na perspectiva da interdisciplinaridade e da contextualização. 2011. PNE e Diretrizes para o ensino médio e profissional LAGEBES-UFES: Vitória. formas de oferta e Organização Curricular por meio do seu artigo 7º o CNE reitera a base nacional comum e parte diversificada. Passamos analisar essas diretrizes. tendo presente: I) as dimensões do trabalho. tempos.. dos processos de trabalho e das culturas a eles subjacentes. 2011 normatização reitera que o EM é etapa final do processo formativo da educação básica que deve ter uma base unitária sobre a qual podem se assentar possibilidades pedagógicas diversas (CNE.integração entre educação e as dimensões do trabalho. II) o trabalho como princípio educativo (. Reitera nos seus artigos 4º e 5º a larga função assumida pela a educação básica e particularmente com essa etapa de ensino ao indicar suas finalidades já previstas na lei n° 9394/ 96 A consolidação e o aprofundamento dos conhecimentos adquiridos no ensino fundamental.). metodologias. dando ênfase aos processos integradores e/ou fragmentadores que se articulam com a configuração dos componentes da base curricular entendendo que tais mecanismos elucidam e distinguem a criação dos direitos dos movimentos de mercantilização. p. 2011. 5º: o ensino médio em todas as suas formas de oferta e organização baseia-se em: Iformação integral do estudante. IV) os direitos humanos e V) sustentabilidade sócio-ambiental” (CNE. e até onde conseguimos enxergar no geral é bastante positiva. nos seus aspectos positivos e negativos.duração mínima é de três anos. embora saibamos que isto não seja suficiente para garantir a integração do ensino técnico e geral no chão da escola.. embora assegure os mínimos adequados à sua duração [ para o EM regular .reconhecimento e aceitação da diversidade e da realidade concreta do sujeitos do processo educativo. No artigo 13º a firma a “(.

no mínimo. pois a qualidade do ensino médio principalmente ofertado nas escolas estaduais é sofrível e sua desconexão com a educação profissional empurra os jovens das classes populares para evasão e a repetência. . inciso VI do artigo 10 que determina que os estados incumbir-se-ão de “assegurar o ensino fundamental e oferecer. 2011 seqüencial e articulado”.) no formato de séries anuais. em regime de colaboração entre união. V – Elevar a escolaridade média da população de 18 a 24 anos de modo a alcançar o mínimo de 12 anos de estudo para as populações do campo. até 2016. módulos. coloca-se como objeto estratégico não só para os trabalhadores da educação. assegurando a qualidade da oferta. 20 são as metas a serem alcançadas pelo país de 2011 a 2020 (CNE. distrito federal e municípios. III – Oferecer educação em tempo integral em 50% das escolas públicas de educação básica.LIMA. com prioridade. 08). para toda a sociedade brasileira. segundo próprio CNE: I – Universalizar. alternância. O atendimento a estas metas. os estados. X – Valorizar o magistério público da educação básica a fim de aproximar o rendimento médio do magistério com onze anos de escolaridade do rendimento médio dos demais profissionais com escolaridade equivalente... na competência (. o atendimento escolar para toda população da população de 15 a 17 anos e elevar. PNE e Diretrizes para o ensino médio e profissional LAGEBES-UFES: Vitória. obtida em curso de licenciatura na área de conhecimento em que atuam. até 2020. C) PNE. no mínimo. sobretudo. mediante lei específica aprovada no âmbito dos estados.)”. 2011. o atendimento escolar aos estudantes com deficiência. Segundo o PNE. XII – Garantir. com vistas à redução da desigualdade educacional. no prazo de dois anos. VII – Duplicar as matrículas da educação profissional técnica de nível médio. com base na idade. transtornos globais do desenvolvimento e altas habilidades ou superdotação na rede regular de ensino. permite-se que entre as suas possíveis formas de oferta e organização essa etapa da educação básica “pode organizar-se (. a existência de planos de carreira para os profissionais do magistério em todos os sistemas de ensino. da região de menor escolaridade do país e dos 25% mais pobres. a nomeação comissionada de diretores de escola vinculada à critérios técnicos de mérito e desempenho e à participação da comunidade escolar.. para toda população de 04 a 17 anos. 07) e do ponto de vista do ensino médio e a educação profissional destacam-se. As metas relativas ao ensino médio e profissional presentes no projeto de lei que cria o novo PNE levam em consideração o que está determinado na LDB. garantindo a todos formação continuada em sua área de atuação. p. o ensino médio a todos que o demandarem” (lei nº 12061/2009) e tem como expectativa maior a meta de atender 100% da população de 15 a 17 anos até 2011. o patamar de 7% do PIB do país (CNE. VI – Oferecer. distrito federal e municípios.. períodos semestrais. 2011. Esta definição aparentemente bastante democrática abre margem para processo de modularização e de implantação de currículos por competência que podem correr na prática sua abrangência e integração. IV – Atingir as médias nacionais para o IDEB já previstas no plano de desenvolvimento da educação (PDE). ciclos. II – Universalizar. XIII – Ampliar progressivamente o investimento público em educação até atingir. VIII – Garantir. a taxa líquida de matrículas no ensino médio para 85% nessa faixa etária. IX – Formar 50% dos professores da educação básica em nível de pós–graduação lato e strictu sensu. mas. p. 25% das matrículas da educação de jovens e adultos na forma integrada à educação profissional nos anos finais do ensino fundamental e no ensino médio. bem como igualar a escolaridade média entre negros e não negros. XI – Assegurar. M Perspectivas e riscos da educação profissional do governo Dilma: Pronatec. que todos os professores da educação básica possuam formação específica de nível superior.

dos 89 matriculados na escola pública cerca de 9 não concluíram o ensino médio. PNE e Diretrizes para o ensino médio e profissional LAGEBES-UFES: Vitória. noutros termos. Na mesma linha de raciocínio. O. podemos afirmar que de cada 100 alunos matriculados no EM no Brasil. S. 2011 O processo em curso. não se materializa apenas no fato de ser matrícula na rede pública ou rede privada. 3 . tendem a ter um rendimento em matemática e português de 265. sobretudo na sua articulação com a EJA4. o que ocorrerá apenas com 0. C.2% de oferta pública. ainda que simplificando em muito os números.45 e 261. o FUNDEB e expansão da rede feral). e ALAVARSE. por outro. enquanto a oferta privada soma 987. os matriculados na rede pública. na qual se impõe estatização da quantidade e mercantilização da qualidade é a oferta de ensino médio na rede pública federal que permitem uma oferta não mercantil e de qualidade. M Perspectivas e riscos da educação profissional do governo Dilma: Pronatec. Tal possibilidade. M Ensino médio: possibilidades de avaliação Educação e Sociedade. p.86. dando uma falsa idéia de que a universalização resolveria os problemas dessa etapa da educação básica e. o duplo e qualificado papel de inserção produtiva e prosseguimento de estudos. A distinção entre a e b. na sociedade capitalista todo bem (escola média de qualidade) escasso (de acesso restrito) sem o provimento adequado (quantidade.35% de oferta diurna e 86 na rede estadual 50% de oferta diurna) e 11 matrículas na escola privada com 95% oferta diurna. A mercadoria (educação média privada) precisa ser eficaz e ter um efeito imediato. V. Ver dados do INEP. das condições de funcionamento da escola e de ser uma oferta diurna ou noturna e ter ou não articulação com a educação profissional. no entanto. 01 na rede municipal . gratuidade. segundo Moraes e Alavarse (2011). a apenas 101. representando 11. por isso se desarticula com a educação profissional sendo apenas propedêutica tem menos tempo para sua produção. Elemento destoante e superador dessa ambigüidade. embora tenha se expandido. respectivamente. tal processo encontra-se em curso o qual denominamos de mercantilização da escola média de qualidade via oferta privada. publiciza a expansão quantitativa.675 de matrículas. portanto essa distinção depende do tipo de aluno.22 e 310. Campinas. privatiza a oferta de melhor qualidade na medida em que se comprovam os melhores índices de rendimento e de fluxo3 para a educação privada no ensino médio.715. 89 estão na escola pública (02 na rede federal – 90% de oferta diurna. enquanto que os da rede privada alcançam 329.357. sobretudo fora da rede federal. 116. qualidade.5 aluno da escola privada. 807-838.8%. Além disso. n. de expansão do ensino médio traz em seu bojo uma ambigüidade perigosamente enganadora que. Assim. permitindo as classes populares. Ou seja. em 2010. ainda não configuram em termos de escala de grandeza uma mudança substantiva da situação acima descrita.14. pois a escola privada só poderia ser avaliada como melhor se ela trabalhasse com o mesmo tipo de aluno da escola pública. de um total nacional de 8. constituindo apenas 1. embora vise a formação profissional no nível superior.LIMA. V32. Censo Escolar do MEC de 1991 à 2010 apresentados por MORAES. 4 Vale lembrar que a oferta nacional da EJA integrada à EP é de apenas 38 152 matrículas em 2010 com 89. Como podemos concluir.2% do total. por um lado. Jul-set 2011. obrigatoriedade) pode transformar-se em mercadoria.838. estatiza-se a quantidade (a) e mercantiliza-se a qualidade (b) da oferta dessa etapa de ensino. pois correspondem. desde os governos FHC (regularização do fluxo do ensino fundamental) até os governos Lula (expansão etária da obrigatoriedade.

Mais uma invenção de moda? Ou uma necessidade estratégica? O fato é que os governos buscam incessantemente marcar suas posições no campo da educação repetindo os traços de descontinuidades e os zigue-zagues [ver (Cunha 1997)] das políticas educacionais brasileiras que parecem desconhecer a grande responsabilidade que há em simplesmente completar uma grande obra em curso. Riscos PNE / DCNEMs / PRONATEC: 1 . pressionada por um ambiente em que estaria por acontecer uma retomada da inflação. mas. são muito mais justificadoras do que justificadas. Miriam Belchior (ver site opiniaoenoticia. sobretudo. Pari passu a este processo o governo federal sinaliza que será lançado o Programa Nacional de Acesso à Escola Técnica (Pronatec) no qual a ideia é ampliar o caminho de acesso à educação profissional para jovens do ensino médio e para trabalhadores sem formação. 2 – Inviabilização dos processos de valorização dos profissionais da educação pública profissional num contexto de crise econômica e destinação inferior à 7% do PIB para educação. todo novo governo acena com mudanças educacionais justificando-as por argumentos econômicos e financeiros. 4 – Privatização e mercantilização política e econômica da EP com destinação privilegiada dos recursos para o sistema S. de manter o pagamento da dívida externa e. diante deste contexto.LIMA.Não implementação adequada das DCNs com emergência das competências e modularização dos cursos de EP técnica com fortalecimento da modalidade subseqüente. ainda assumir um discurso neo-desenvolvimentista com práticas neo-liberais colocam os governos numa encruzilhada que quando não raro tem na política educacional um elemento estratégico da política em geral. Assim como as reformas educacionais dos militares mudanças educacionais valem mais pelos seus efeitos e interesses indiretos ou subliminares do que pelos objetivos anunciados. Ou seja. tornamse tanto elemento de afirmação de marketing quanto de ideologia dos governos quanto representa instrumento de regulação dos custos necessário a manutenção da estabilidade financeira. 3. o novo governo sinaliza uma nefasta incorporação do discurso das classes dominantes. Talvez o melhor caminho seja aprofundar o debate sobre as medidas econômicas do novo governo testando ao extremo seu compromisso com a educação profissional que parece nesse momento se subordinar a um ajuste fiscal anti-inflacionário que pode gerar consequências graves que fazem repetir dos governos FHC em tempos de governo Dilma. PNE e Diretrizes para o ensino médio e profissional LAGEBES-UFES: Vitória. ao invés de romper com as medidas antissociais. de exercer o controle inflacionário. M Perspectivas e riscos da educação profissional do governo Dilma: Pronatec. quase sempre.br (2011) e outros jornais de grande circulação) que o arrocho orçamentário deverá ser de R$ 50 bilhões. Entretanto. segundo a ministra do planejamento. a nova presidente. Desde Pombal. assume um discurso de austeridade.Conclusão A necessidade de se manter uma boa governança. propondo.com. Acreditamos que as políticas educacionais desde sempre. 2011 9 . neste momento. Num momento em que a imprensa e os dados macroeconômicos sinalizam um desequilíbrio nas contas governamentais.O não cumprimento da obrigatoriedade do atendimento escolar dos 04 aos 17 anos. denunciando as ambigüidades neo-liberais e neo-desenvolvimentistas dos governos Lula-Dilma. As perspectivas do governo Dilma em função do PL do Pronatec confirmam alguns riscos já antecipados que sinalizam possíveis tendências mercantis e ideológicas de uma “nova” política de educação profissional. .

A a educação secundária no Brasil. o Estado brasileiro pressionado pelo crescimento econômico e pela demanda social busca fazer a formação profissional para mercado via a formação do mercado da formação por meio do financiamento público utilizando o mecanismo das bolsas de estudo. Lei n.acesso em 04 de março de 2011. C. 1997. . Mimeografado. 1971 DOU. Bolsa SEDU) sustentada por critérios assistencialistas ou meritocráticos quer seja no âmbito do estado e como da união tanto na oferta de nível técnico. FIES.br/noticias/arquivos/2011/02/14 .acesso em 04 de março de 2011. 1987. p. p.ebc. não se universalizou e está muito distante de ser um direito social plenamente atendido. ______. M Perspectivas e riscos da educação profissional do governo Dilma: Pronatec. ______.18. Dentre os grupos dominantes beneficiários da estratégia do governo atual acima descrita podemos citar: a) os empresários que empregam os egressos que ao investirem diretamente na formação (sem a mediação do Estado) fazem dessa modalidade de ensino (que deveria articulada com o ensino médio ser um direito social) instrumento de controle da qualificação dos trabalhadores inseridos na produção. PNE e Diretrizes para o ensino médio e profissional LAGEBES-UFES: Vitória. Caxambu: ANPED.. O Pronatec. Rio de Janeiro: Guanabara. N.º 5. ______ PL 1209/2011 – Programa Nacional de Acesso ao ensino Técnico – PRONATEC – Poder Executivo – 02 / 05 / 2011 BRAVERMAM.. Decreto Nº 5154/2004 Brasília:DOU. 2011 http://cafe. ______.gov. o público contra o privado. In: ______. universal e de qualidade. 21. e c) os governantes que utilizam a EP como elemento de barganha política via distribuição de bolsas (PROUNI. CUNHA. 2011. É necessário ultrapassar a crítica ao economicismo e estar atento à metamorfose do currículo da EP que se tornou o modo mais sofisticado de se fazer valer a TCH. 26.brasil. ______ Novas Diretrizes Curriculares Nacionais . 2006. Caxambu. PRONATEC. 23 p..14:00 horas. 2011 5 .692.LIMA. L A Ensino médio e ensino profissional: da fusão à exclusão. Programa de rádio: café com o presidente. Anais.CNE – Parecer 05/2011 – José Fernandes Lima – Aprovado em 5/5/2011 CNE/CEB/MEC. In: REUNIÃO ANUAL DA ASSOCIAÇÃO NACIONAL DE PÓS-GRADUAÇÃO E PESQUISA EM EDUCAÇÃO. 12-27. 2011 2011 In: http://www. Referências BRASIL.14:00 horas..br/cafe/arquivo/governo .MTE /Dieese Anuário nacional da qualificação social e profissional. Seção18. Sem garantir o acesso universal e gratuito à educação básica com a opção da profissionalização em nível técnico e superior. gratuito.com. 2004. 10% do PIB para a educação é condição sine qua nom para que o ensino (médio e profissional) deixe ser tratado como mercadoria tornando-se um direito. apesar de sua expansão recente. Resumo comentado do Capital de Karl Marx. com acesso obrigatório. Rio de Janeiro: UFRJ. p. COUTINHO. b) os empresários que vendem os cursos que tem nesse processo fonte de lucros /recursos para o ensino privado colocando em disputa uma mercadoria e um direito social. Sistema S. H. superior ou FIC. Trabalho e capital monopolista: a degradação do trabalho no século XX. 1997. 1990.Adesão dos servidores públicos da EP pública em cursos ofertados por instituição não públicas.

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