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DIFICULDADE DE APRENDIZAGEM ENTRE JOVENS E ADULTOS NO ENSINO FUNDAMENTAL

ESPECIALIZAÇÃO EM FUNDAMENTOS E MÉTODOS DA EDUCAÇÃO BÁSICA

ORIENTADOR: Prof. M.s.c. Thiago A. Remacre Munareto Lima

Alviene Gomes Santos Almeida 1

RESUMO

O estudo tem como objetivo verificar as causas que evidenciam as dificuldades de aprendizagem nos alunos inseridos no EJA, sendo de fundamental importância o envolvimento dos professores no sentido de produzir conhecimento que são essenciais a educação. Para isso, faz-se necessário uma pesquisa de autores que foi publicaram sobre a temática. Neste sentido o trabalho foi elaborado por um referencial teórico constituído por dois sub-capítulos, o primeiro referiu-se ao contexto histórico do EJA e a contribuição e perspectiva de aprendizagem dos alunos no EJA. Em relação a discussão ficou evidenciado que as dificuldades de aprendizagem são resultados da própria escola e do sistema de governo que não cria condições e politicas publicas para a sociedade. Nas considerações Finais percebeu-se que somente através do envolvimento entre professores e alunos é possível possibilitar uma educação de qualidade.

PALAVRA-CHAVE: Aprendizagem. Dificuldades. Educação.

ABSTRACT

The study aims to determine the causes that highlight the difficulties of learning for students entered in the EJA, being of fundamental importance to the involvement of teachers in order to produce knowledge that are essential to education. For this, it is necessary that a survey of authors was published on the subject. In this sense the work was prepared by a theoretical framework consists of two sub-chapters, the first referred to the historical context of adult education and the contribution and perspective of learning in adult education. Regarding the discussion it became evident that learning difficulties are the result of the school and system of government that does not create conditions for public policies and society. Final considerations realized that only through the involvement of teachers and students can facilitate a quality education.

1 Alviene Gomes Santos Almeida: Licenciada em Letras/Português/Espanhol, Professora da Rede Estadual de Ensino. E mail alvienealmeida@hotmail.com

KEYWORD: Learning. Difficulties. Education.

1.INTRODUÇÃO

O estudo propõe a reunião de informações sobre os principais aspectos que evidenciam as dificuldades de aprendizagem entre jovens e adultos no Ensino Fundamental. Na verdade, para produzir conhecimento aos alunos atendidos pelo EJA é necessário o envolvimento dos professores no sentido de motivar os alunos noturnos a estudarem. É importante abordar que as escolas para concretizarem uma educação de qualidade, será preciso abrir novas formas de envolver o aluno adulto na escola, sendo preciso criar alternativas e conscientizar os alunos a permanecer e frequentar a escola de forma a obter uma aprendizagem essencial ao desenvolvimento pessoal e profissional. Nesta perspectiva este trabalho constitui-se de fonte de informações, as quais serão representativas para estabelecer conhecimentos fundamentais para a obtenção do sucesso e permanência do aluno na sala de aula. Por isso, esta pesquisa faz-se necessária no momento em que conduz os homens a uma percepção de realidade social, tornando-os aptos a formação de consciência critica sobre a comunidade em que esta inserida. Cabe acrescentar que a evasão representa um dos pilares da exclusão, pois além de aumentar o numero de repetência, faz surgir uma forma de retrocesso no processo evolutivo da aprendizagem. Para a realização deste estudo, foi preciso partir da problemática referente às principais causas que prejudicam as alunas do EJA a obtenção da aprendizagem, contribuindo para o aumento do número de analfabetos no país. Na verdade, a preocupação referente às dificuldades de aprendizagem, deve representar um meio viável para que a escola, juntamente com os professores, coordenadores e diretores, busquem alternativas necessárias para motivar os alunos a aprendizagem, para isso, faz-se importante a cooperação, as escolas devem ser espaços privilegiados, onde a acolhimento, a motivação e as ações pedagógicas estejam voltadas aos interesses dos alunos. Diante da concretização desta análise, fica-se evidente que as dificuldades de aprendizagem ocorre principalmente nas redes públicas de ensino, isto devido a falta de motivação de alguns professores, coordenadores e diretores que não criam alternativas diversificadas para estimular os alunos a frequentarem e permanecer na escola.

Conforme este quadro, é indispensável que a instituição de ensino, justamente com seus funcionários utilizem recursos pedagógicos inovadores, realizando atividades educativas e recreativas para motivar os alunos desenvolvimento do processo de aprendizagem. Por isso, para que realmente ocorra essa motivação educacional, deve-se criar um ambiente acolhedor e agradável, que contribua para o interesse do aluno diante do conhecimento do mundo. Nesta perspectiva, faz-se importante trabalhar com atividades que facilitem a leitura dos alunos, pois somente através da leitura poderá formar uma consciência crítica, indispensável para a cidadania. Com esta compreensão, o estudo estruturou-se de acordo com as questões norteadoras referentes à: A metodologia utilizada pelos professores da EJA, contribui para obter a permanência do aluno na escola? As atas de rendimento são verificadas como recurso para analisar o desempenho dos alunos? Quais as causas prováveis que justificam a evasão escolar nos alunos da EJA? Como identificar as dificuldades de aprendizagens nos alunos do período noturno? Assim, dentre as diversas causas que prejudicam o sistema educacional, a evasão escolar representa um dos pilares da exclusão social, pois além de distanciar o aluno da escola, contribui para aumentar o numero de analfabetos no país. Diante desta contextualização, a evasão deve ser combatida, não só pela escola, mas pelos poderes públicos e pela comunidade em geral. Desta forma, a pesquisa realizada junto a esses, correspondem a uma nova perspectiva para perceber quais as consequências que impedem a permanência do aluno, ao passo que irá propor técnicas inovadoras para motivar o aluno para busca constante do conhecimento. Neste sentido, a temática em analise constitui-se de recurso essencial para o professor do EJA, sendo este recurso utilizado como ferramenta para solucionar ou amenizar as possíveis dificuldades de aprendizagem. Desta forma, o estudo justifica-se como necessário para compreendes as principais causas que contribuem para as dificuldades de aprendizagem dos alunos do EJA. Com isso, o estudo possui como objetivo geral verificar como ocorrem as dificuldades de aprendizagem dos alunos inseridos no EJA; também faz-se indispensável colocar os objetivos específicos como: Analisar o contexto histórico do EJA na sociedade, justamente com a contribuição de Paulo Freire e evidenciar as dificuldades e as perspectivas em relação aos alunos adultos.

2. METODOLOGIA

Para a constituição desta pesquisa, esta foi realizada com a utilização de uma abordagem qualitativa, isto por tentar aproximar-se do fenômeno social em analise. Assim, a pesquisa foi constituída através de uma referencial bibliográfica, que se deu através de consultas em obras que já publicaram sobre a temática em estudo. Como continuidade, a pesquisa foi dentro de uma visão qualitativa, sendo o estudo percebido através de concepções relacionadas ao contexto social, cultural e educacional. Para isso, foi necessário como instrumento de coleta de dados, um questionário misto, o qual será aplicado a professores, alunos e pais. As respostas coletas foram interpretadas sobre a visão do referencial teórico para possíveis resultados e discussões. Diante deste quadro, a análise foi qualitativa e quantitativa, pois os dados encontrados foram analisados e interpretados sobre a ótica dos autores que serviram para construção da pesquisa.

3. FUNDAMETAÇÃO TEÓRICA

3.1 Contexto Histórico do EJA e a Contribuição de Paulo Freire.

A Educação de jovens e Adultos consiste em um sistema que envolve os alunos que por diversos motivas não frequentaram o ensino regular. Neste contexto, faz-se primordial que sistema de ensino seja inclusivo, procurando motivar e estimular o aluno a permanecer na escola e adquirir novos conhecimentos. “O tema educação de pessoas jovens e adultos não nos remete apenas a uma questão de especificidade etária, mas, primordialmente, a uma questão de especificidade cultural. “(OLIVEIRA, 1999, p. 59) Na verdade, somente através de um processo de motivação, poderá conduzir os alunos a aprenderem com qualidade. Nesta concepção, faz-se importante colocar que somente com a motivação dos professores, poderá obter um conhecimento que produza autonomia. Assim, a educação básica de jovens e adultos começou a delimitar seu lugar na historia da educação no Brasil a partir da década de 30. Quando finalmente começa a se

consolidar um sistema público de educação elementar nos país. Neste período, a sociedade brasileira passava por grandes transformações, associadas ao processo de industrialização e concentração populacional em centros urbanos. A oferta de ensino básico gratuito estendia-se consideravelmente acolhendo setores sociais cada vez mais diversos. A ampliação da educação elementar foi impulsionada pelo governo federal, que traçava diretrizes educacionais para todo o país, determinando as responsabilidades dos estados e municípios. Tal movimento inclui também esforços articulados nacionalmente de extensão de ensino elementar aos adultos, especialmente nos anos 40. Segundo coloca MOURA (2003, p. 37):

Na década de 40, a educação de adultos aparece de forma mais sistemática nos textos oficiais, ganhando uma identidade própria. O Fundo Nacional do Ensino Primário, instituído em 1942, possa destacar 25% dos recursos para o ensino supletivo de adolescente e adultos analfabetos. A Reforma denominada Gustavo Capanema (1942), Decreto Lei 4.244, aponta o ensino secundário como um caminho para a aquisição do status almejado pelas famílias e seus filhos. Os jovens e adultos carentes da educação primária não foram lembrados na Reforma com a atenção desejada, e o analfabetismo continuava um fator negativo para o desenvolvimento nacional.

Como o fim da ditadura de Vargas em 1945, o pai vivia a efervescência politica da redemocratização. A Segunda Guerra Mundial recém terminada e a ONU Organização das Nações Unidas alternativas para a urgência de integrar os povos visando à paz e a democracia. Tudo isso contribuiu para que a educação dos adultos ganhasse destaque dentro da preocupação geral com a educação elementar comum. Nesta forma, a educação de adultos define sua identidade tomando a forma de uma campanha nacional de massa, a Campanha de Educação de adultos, Lançada em 1947. Pretendia-se, numa primeira etapa, uma ação extensiva que previa a alfabetização em três meses. Depois, seguiria uma etapa de “ação em profundidade”, voltada a capacitação profissional e ao desenvolvimento comunitário.

A partir da criação do Serviço de Educação de adultos, em 1947, foram incorporados aos sistemas públicos conveniadas a implantação de classes de educação de adultos, com a finalidade de adquirir recursos e fortalecer as bases eleitores dos partidos. O Estado Novo chegava ao fim e dava inicio à redemocratização do país, que necessitava integrar os imigrantes, que se deslocavam das grandes propriedades rurais aos centros urbanos. (MOURA, 2003, 39)

Assim, nos primeiros anos, sob a direção do professor Lourenço Filho, a campanha conseguiu-o resultados significativos, articulando e ampliando serviços já existentes e estendendo-os às diversas regiões do país. Num curto período de tempo, foram criados varias escolas supletivas, mobilizando esforços das diversas esferas administrativas, de profissionais e voluntários. “Durante toda a mobilização politico-educacional e cultural, as questões educacionais foram tratados como prioridade da ação.” (SCOCUGLIA, 2001: 41). O clima de entusiasmo começou a diminuir na década de 50, iniciativas voltadas a ação comunitária em zonas rurais não tiveram o mesmo sucesso e a campanha se extinguiu antes do final da década. Ainda assim, sobreviveu a rede de ensino supletivo por meio dela implantada, assumida pelos estados e municípios. Segundo MOURA (2003, p. 43):

Nos anos 50, o Brasil, em pleno processo de aceleração do desenvolvimento econômico e da modernização, aos poucos foi superando a visão preconceituosa que se tinha, até então, do analfabeto, limitando sua atenção politica e social. A educação do adulto passa a ser entendida como libertadora e funcional, um espaço de difusão de ideias.

Na verdade, a instauração da Campanha de Educação de Adultos deu lugar também a conformação de um campo teórico-pedagógico orientado para discussão sobre o analfabetismo e a educação de adultos no Brasil. Neste momento, o analfabetismo era concebido com causa e efeito de situação econômica, social e cultural do país. Essa concepção legitimava a visão do adulto analfabeto com o incapaz e marginal identificado psicológica e socialmente om a criança. No final da década de 50, as criticas a campanha de Educação de Jovens e Adultos dirigiram-se tanto às suas deficiências administrativas e financeiras quanto à sua orientação pedagógica. Denunciava-se o caráter superficial do aprendizado que efetiva no curto período da alfabetização, a inadequação do método para a população adulta e para as diferentes regiões dos pais. Todas essas críticas convergiram para nova visão sobre o problema do analfabetismo e para a consolidação de um novo paradigma pedagógico para a educação de adulto, cuja referencia principal foi o educador Pernambucano Paulo Freire. Para SCOCUGLIA (2001, p. 33-35:

Para Paulo Freire, a politicidade do ato educativo é concomitante à educabilidade do ato politico. A educação é (sempre) politica e a atividade política educa (contém uma pedagogia) A prática (e a teoria) educativa não contém apenas aspectos políticos, por enquanto se revela politica integralmente nos seus mínimos instantes e

No entanto, vale a advertência: a ligação politico pedagógico é tão intensa

que quando se desvela a especificidade de uma delas, esta especificidade não impede a presença da outra.

detalhes

Desenvolvendo a aplicando essas novas diretrizes, atuaram os educadores do MEB Movimento de Educação de Base, ligado à CNBB Conferencia Nacional do bispos do Brasil, dos CPCs Centros de Cultura Popular, organizadas pela UNE União Nacional dos Estudantes, dos movimentos de cultura Popular, que reuniam artistas e intelectuais e tinham apoio de administrações municipais. Esses grupos sofriam influencias da Igreja Católica e buscava a participação popular, além da ênfase dada à alfabetização (MOURA, 2003, p. 45) Esses diversos grupos de educadores foram se articulando e passaram a pressionar o governo Federal para que os apoiasse e estabelecesse uma coordenação nacional das iniciativas. Em janeiro de 1994, foi aprovado o plano Nacional de Alfabetização, que previa a dissem inação por todo o Brasil de programas de alfabetização orientados pela proposta de Paulo Freire. A preparação dom plano, com forte engajam de estudantes, sindicatos e diversos grupos estimulados pela efervescência politica da época, seria interrompida alguns meses depois pelo golpe militar. Segundo SCOCUGLIA (2001, p. 47):

É importante registrar, porém, uma herança: o fim dos anos 50 e o inicio da década de 60 foram o desaguadouro histórico de fracassados campanhas alfabetizadoras anteriores. Como tentativa de antidoto ao fracasso até então consumado, um novo realismo educacional trazia à toma novas preocupações especificas da educação dos adultos. Entre essas, havia uma principal: a alfabetização de adultos não existia como uma prática e uma teoria neutra. Ao contrario, tal processo continha motivações e inovações consequências de conteúdos politicas, econômicas, sociais e culturais.

Com o golpe militar de 1964, os programas de alfabetização e educação popular que se haviam multiplicado entre 1961 e 1964 foram vistos como uma grave ameaça à ordem e seus promotores durante reprimidos. O governo só permitiu a realização de programas de alfabetização de adultos assistencialistas e conservadores, até que em 1967 ele mesmo assumiu o controle dessa atividade lançado o Mobral Movimento Brasileiro de Alfabetização. “O Mobral, foi considerado pelo governo militar como um instrumento capaz de permitir a promoção social dos alunos.” (MOURA, 2003, p. 49)

Durante a década de 70, o Mobral se expandiu por todo o território nacional, diversificando sua atuação. Das iniciativas que derivaram do programa da Alfabetização, a mais importante foi o PET Programa de Educação Integrada, que corresponda a uma condensação do antigo curso primeiro. Este programa abria a possibilidade de continuidade de estudos para os recém alfabetizados assim como para os chamados analfabetos funcionais pessoas que denominavam precariamente a leitura escrita. “No caso dos jovens e adultos, seu desenvolvimento psicológico e suas modalidades de aprendizagem teriam que ser respeitados, restando pouco espaço para a intervenção educativa.” (OLIVEIRA, 2000, p. 64).

3.2 Educação de Jovens e Adultos suas Dificuldades e Perspectivas de Aprendizagem

A sociedade em constante transformação, necessita indiscutivelmente em relacionar- se a educação para desenvolver o contexto social. Na verdade, somente uma comunidade que valoriza todos as formas de educação, consegue construir valores que são significativos para os indivíduos.

Para os PCN (1997, p. 45)

A prática escolar distingue-se de outras práticas educativas, como as que acontecem na família, no trabalho, na mídia, no lazer e nos demais formas de convívio social, por constituir-se uma ação intencional, sistemática, planejada e continuada para crianças e jovens durante um período continuo e extenso de tempo. A escola, ao tomar para si o objetivo de formar cidadãos capazes de atuar com competência a dignidade na sociedade, buscara eleger, como objeto de ensino, conteúdos que estejam em consonância com as questões sociais que marcam cada momento histórico, cuja aprendizagem e assimilação são as consideradas essenciais para que os alunos possam exercer seus direitos e deveres.

Diante desta compreensão, faz-se essencial evidenciar a educação na sociedade, principalmente quando esta conduz os alunos a uma visão critica sobre si e o mundo. Nesta mesma analise, é necessário incluir neste contexto a Educação de jovens e adultos, sendo esta prática primordial para eliminação da dominação e a opressão.

Dentre as principais práticas sociais, e educação representa o meio viável para garantir o processo do individuo na sociedade. Mais que simples concepção de ensino, a EJA constitui-se de significados que conduzem os alunos a percepção da realidade na qual estão inseridos. Na verdade, os processos de modernização e globalização da economia impulsionada pelo avanço tecnológico têm implicado na redução do emprego formal em todo o mundo, gerando insatisfação nos níveis individual e social. (MOURA, 2003) Com isso, ocorre a acentuação das desigualdades sociais que reflete-se nas condições de acesso à escola e extensão da escolaridade. Crianças e jovens pertencentes às famílias de baixa renda têm necessidade de trabalhar desde cedo para manter se ou contribuir para a renda familiar, o que dificulta, quando não impede, seu acesso, permanência e progresso na escola (OLIVEIRA, 2006) Embora nem sempre se disponha de estatísticas confiáveis constata-se que os programas da EJA têm sido crescentemente procurados por um público heterogêneo, cujo perfil vem mudando em relação à idade, expectativas e comportamento. Trata-se de um jovem ou adulto que historicamente vem sendo excluído, quer pela impossibilidade de acesso à escolarização, quer pela sua expulsão da educação regular ou mesmo da supletiva pela necessidade de retornar aos estudos. Para Paulo Freire (2001, p. 20):

Este movimento dinâmico é um dos aspectos centrais, para mim, do processo de

alfabetização. Dai que sempre tenha insistido em que as palavras com que organizar

o programa da alfabetização deveriam vir do universo vocabular dos grupos

populares, expressando a sua real linguagem, os seus anseios, as suas inquietações,

as suas reivindicações, os seus sonhos. Deveriam vir carregados da significação de sua experiência existencial e não da experiência do educador.

A inegável prioridade conferida à educação das crianças e adolescentes, porém, tem conduzido a uma equivocada politica de marginalização dos serviços de EJA, que cada vez mais ocupam lugar secundário no interior das politicas educacionais em geral e de educação fundamental em particular. Essa posição resulta da falta de prioridade politicas no âmbito federal, o que se reflete no comportamento das demais esferas de governo; consequentemente, também a sociedade atribui reduzido valor a essa modalidade de educação (PCN, 1997). Diante desta analise, é possível perceber que a educação é um sistema que conduz ao desenvolvimento da sociedade, sendo necessário a escola e os professores, motivarem os alunos a envolver-se com os estudos.

Desta forma, a atuação do professor em sala de aula deve levar um conta fatores sociais, culturais e a historia educativa de cada aluno, como também características pessoais de déficit sensorial, motor ou psíquico, onde superdotação intelectual. Deve-se dar especial atenção ao aluno que demonstrar a necessidade de resgatar a auto-estima. Trata-se de garantir condições de aprendizagem a todos os alunos, seja por mais de incrementos na intervenção pedagógica ou de medidas extras que atendam às necessidades individuais (PCN, 1997).

Os Jovens e adultos entram na escola com o objetivo de preencher uma lacuna que existe em suas vidas. A escola é um novo começo buscando preencher o vazio que tanto os preocupa, no entanto muitas vezes esses jovens e adultos não chegam a meta principal, diante das dificuldades que a vida apresenta. Os motivos invocados para o abandono da escola na modalidade de Jovens e Adultos perpassam pelo cansaço, o stress, da dupla jornada de trabalho. O aluno noturno, trabalhar durante o dia para sustentar sua família, para atender às necessidades de sobrevivência e estudar à noite (COSTA, 1996)

Para Paone (2003, p. 18):

Estimular adultos que chegam à sala de aula depois de um dia de trabalho, que custeiam seu estudo e contribuem para a economia familiar é um desafio e tanto. Não dá para usar com eles a mesma metodologia empregada nos cursos diurnos. Procure em primeiro lugar perguntar a si mesmo qual é o sentido do aluno. Afinal, por que ele frequenta sua classe? Discuta a questão com os estudantes para que todos tomem consciência do que estão buscando na escola e o que esperam dela.

Os alunos trabalhadores, chegam à escola cansadas consequentemente seu potencial é prejudicado, o aluno acha que não tem capacidade não é inteligente e não vai conseguir desenvolver certas atividades envolvendo o lógico e o raciocínio. Fatores diversos ocorrem para que o aluno da EJA torne-se desmotivado para permanecer na escola, tais como a qualidade de ensino; a insuficiência dos professores, a falta de equipamento modernos como computadores para o ensino de jovens e adultos, uma vez que normalmente só quem tem acesso a esse tipo de equipamento são os alunos do ensino regular, as instalações mal conservadas das escolas a falta de uma merenda escolar, e um fator primordial que é a relação professor aluno (CAPORALIN, 1991)

Na conjuntura atual não existe uma preocupação em promover e desenvolver uma proposta pedagógica para jovens e adultos, levando em consideração sua experiência de vida, que atende a esse tipo de aluno, facilitando o seu desenvolvimento e crescimento no decorre dos seus estudos, principalmente relacionados à leitura.

Para Freire (2001, p. 11)

A leitura do mundo precede a leitura da palavra, dai que a posterior leitura desta não possa prescindir da continuidade da leitura daquele. Linguagem e realidade se prendem dinamicamente. A compreensão do texto a ser alcançada por sua leitura critica implica a percepção das relações entre o texto e o contexto. Ao ensaiar escrever sobre a importância do ato de ler, eu me senti levado e até gostosamente a “reler” momento fundamentais de minha prática, guardados na memoria, desde as experiências mais remotas de minha infância, de minha adolescência, de minha mocidade, em que a compreensão critica da importância do ato de ler se veio em mim constituindo.

A tendência de se seguir uma educação tradicional, sem inovações, sem estímulos de

modo a motivar o aluno a permanecer na escola, é bastante acentuada. As instituições de ensino para a qualidade do saber que tais alunos deveriam ter através da escola, com a qualificação adequada de profissionais de educação da EJA.

A educação de jovens e adultos, agrega-se a esses problemas, que na maioria das

vezes acaba sendo postulado como uma tradução sintética das demais, a falta de formação especifica dos educadores que atuam nessa modalidade de ensino, resultado numa transformação inadequada do modelo de escolha consagrada no ensino fundamental de crianças e adolescentes. Com esta compreensão, torna-se evidente que somente através da educação é possível libertar os homens da dominação, conduzindo-os a novos caminhos que possibilitem o desenvolvimento pessoal e profissional.

Para os PCN (1997, p. 95)

O desenvolvimento da autonomia depende de suporte materiais, a serem utilizados, organização dos grupos, materiais a serem utilizados, resolução de conflitos, cuidados físicos, estabelecidos, resolução de conflitos, cuidados físicos, estabelecimentos de etapas para a realização das atividades. Também é preciso considerar tanto o trabalho individual como o coletivo cooperativo. O individual é potencializado pelos exigências feitas aos alunos para se responsabilizarem por suas ações, suas ideias, suas tarefas, pela organização pessoal e coletiva, pelo envolvimento com o objetivo de estudo.

A educação de Jovens e adultos é uma modalidade de ensino onde, além de habilitar o aluno na escolarização oficial, forma para outra habilidade, valores e atitudes. E a escolaridade oficial, é necessário para os valores e atitudes. E a escolarização inserido outros processos educativos formação cultural, profissional, pessoal, cidadã, a partir das situações, vivencias e características dos educadores jovens e adultos, seus desejos, sonhos e ilusões e aprendizado de vida.

Compreendendo a realidade o aluno noturno, o professor vai conhecendo as suas necessidades e expectativas, construindo junto com ele um programa que vincule conteúdos relevantes das diferentes áreas do conhecimento à realidade da vida e às expectativas para o futuro. Na prática, isso significa usar cotidiano de trabalho para ensinar Língua Portuguesa, Matemática,

História, Geografia (PAONE, 2003, p. 18)

Ao falar em desafios educacionais, principalmente na área de educação de jovens e adultos, devem-se destacar os aspectos qualitativos e quantitativos, pois trata-se de universalizar o ensino fundamental, sem perder o padrão de qualidade. Tanto na escola pública, municipal como na escola particular, muitos aspectos ainda deixam a desejar. Fatores concorrem para tornar a escola e o professor de desinteresse e contestação, do que mesmo referencias para um novo posicionamento sobre a vida e o mundo, não obtendo com isso a autonomia do aluno.

Para os PCN (1997, p. 94)

A autonomia refere-se à capacidade de posicionar-se, elaborar projetos pessoas e participar enunciativa e cooperativamente de projetos coletivos, ter discernimento, organizar-se em função de metas eleitas, governar-se, participar da gestão de ações coletivas, estabeleceu critérios e eleger princípios éticas, etc. Isto é, a autonomia fala de uma relação emancipada, integra com as diferentes dimensões da vida, o que envolve aspectos intelectuais, morais, afetivos e sociopolíticos.

A qualidade do ensino é apontada e criticada dada a insuficiência e falta dos professores nas diversas áreas e series. De um modo geral, é mais por se preocupar em

garantir um futuro melhor para ele e sua família do que pela perspectiva das aulas e do saber, que o aluno permanece na escola. Diante desta compreensão, é possível acreditar que o processo de educação, é um ato amplo que envolve parceria entre professor e aluno. Por isso, os motivos invocador para o abandono da escola passam cansaço, o stress da dupla jornada de quem precisa trabalhar para auxiliar no sustento familiar. A vantagem representada pela escolarização é distante, e apenas teórica, também se percebe que cursos e diplomas não garantem emprego, ou remuneração a altura do investimento e do esforço desempenhado.

Para Freire (2001, p. 19)

Inicialmente me parece interessante reafirmar que sempre vi a alfabetização de adultos como um ato politico e um ato de conhecimento, por isso mesmo, como um ato criador. Para mim seria impossível engajar-me num trabalho de memorização mecânica das ba-be-bi-bo-bu, dos la-le-li-lo-lu, Dai que também não pudesse reduzir a alfabetização ao ensino puro da palavra, das silabas ou das letras. Ensino em cujo processo alfabetizador fosse “enchendo” com suas palavras as cabeças supostamente “vazias” dos alfabetizando. Pelo contrario, enquanto ato de alfabetização tem, no alfabetizando, o seu sujeito.

Diante dos poucos trabalhos e publicados nas ultimas décadas da Educação de Jovens e Adultos, comparativamente ao que foi produzido em outros campos da educação, pode-se analisar e concluir que essa modalidade não tem merecido a preocupação dos pesquisadores e o empenho dos educadores. Entretanto, no Brasil, o numero de adolescentes e adultos que buscam completar uma escolarização não obtida na época adequada é muito grande.

Na verdade, todo e qualquer movimento de reconhecimento de direitos e oferta de serviços no campo da Educação de Jovens e Adultos foi pouco eficaz na superação de problemas da escolarização de amplas parcelas da população. A realidade de oferta mostrou um panorama onde a improvisação de ações e o despreparo dos educadores foram marcantes. Além do mais, foram estes programas os que menos verbas tiveram dedicadas ao seu desenvolvimento. È elevado o número dos que se matriculam nas escolas noturnas, mas por outro é também elevado o numero dos que delas evadam. Para Paone (2003, p. 18):

A professora Stela Piconez, especialista em Educação de jovens e Adultos, sugere que a mudança comece pela celebração de um pacto pela qualidade. “Mostra que o

aluno deve esquecer a visão de educação que traz da experiência no Ensino Fundamental, pois ele precisa assumir a própria formação. “Ou seja, ninguém pode esperar que você, professor, fique o tempo todo cobrando tarefas, lição de casa e coisas do tipo”. Sobre o papel que cabe a você, Rui Berger, ex-secretário do Ensino Médio do Ministério da Educação, diz: “seja em assistente do processo de aprendizagem, desafio e mostra caminhos”. Não atue como condutor, para não infantilizar a classe”.

Neste espaço tão importante onde o professor poderia ser um formador de opinião e um apoio importante para a continuidade dos estudos, há os que limitam sua atenção ao mínimo necessário, concorrendo para a desmotivação e criticas à escola e ao ensino. Os termos polêmicos e os problemas são via, de regra evitadas, ao invés de enfrentadas, discutidas, visando confundir uma conduta.

O fato de ele necessitar da ajuda do educador, como ocorre em qualquer relação

pedagógica, não significa dever a ajuda do educador anular a sua criatividade e a sua responsabilidade na construção de sua linguagem. Na verdade, tanto o alfabetizador

quanto o alfabetizando, ao pegarem, por exemplo, um objeto, como faço agora com

o que tenho entre os dedos, sentem o objeto, percebem o objeto sentido e são

capazes de expressar verbalmente o objeto sentido e percebido. Como eu, o analfabeto é capaz de sentir a caneta, de perceber a caneta e de dizer caneta. Eu, porém, sou capaz de não apenas sentir a caneta, mas também de escrever caneta e,

consequentemente, de ler caneta (FREIRE, 2003, p. 19)

Faz-se importante colocar que a educação de jovens e adultos avançaria também na definição de um campo especifico de prática e reflexão pedagógica, superando-se o paradigma da educação compensatória. Com isso, a educação de jovens e adultos propõe aos professores focalizar sua ação pedagógica no presente, enfrentando de forma mais radical e problemática envolvida na combinação entre a formação geral e profissional entre teoria e pratica universitária e contextualização.

4. DISCURSÃO DOS RESULTADOS

Partindo do pressuposto da realidade vivida pelos alunos do EJA, as dificuldades de aprendizagem é um problema proveniente de um conjunto de fatores que envolve, aluno, família, escola e governantes. Por isso, faz-se essencial perceber que a educação é caminho mais viável para a obtenção do sucesso, eliminando desta forma qualquer forma de exclusão. Na verdade, as escolas tem sua parcela de culpa no que se refere as dificuldades de aprendizagem quando não adequam seus currículos para atenderem as necessidades mais urgentes dos alunos, gerando neles senso de responsabilidade, capaz de desenvolver pessoas criticas e aptas para enfrentar as dificuldades da vida. Quando não estimulam seu corpo docente e refletir sobre a importância do seu papel, coo educador, no contexto educacional e cultural do país, fazendo com que cada aluno sinta- se como um multiplicador capaz de transformar esse espaço. Pois sem socialização do aluno e sem a inovação do ensino formal e profissional fica difícil manter o interesse do mesmo em relação ao que a escola oferece. É importante colocar que, os governantes devem repassar a forma com que trata o sistema educacional, devendo gerar uma politica de emprego, para que os alunos, juntamente com suas famílias tenham uma vida mais digna. Acreditando num futuro melhor passaram a ver as escolas com um meio gerador de esperanças capazes de alcançar seus objetivos. Entretanto, percebe-se que, entre as causas das dificuldades de aprendizagem assimila-se a desestruturação familiar, a complementação da renda financeira e a repetência. Esse fatores, levam o aluno a um estado de insatisfação que ocasiona a falta de interesse pelos estudos.

Na verdade os professores ao burcas compreender as questões que corresponde a evasão escolar, devem também, perceber seu papel frente ao sistema educacional, que é ser o mediador do aluno e a aprendizagem. Com isso, cabe aos profissionais da educação, estarem aptos para ensinar, pois no momento em que o aluno percebe o interesse do professor, ele também irá motivar-se.

5. CONSIDERAÇÕES FINAIS

Conforme as informações registradas neste estudo é fundamental compreender a importância da Educação de Jovens e Adultos, esta sendo significativo para o processo educacional conduzindo-os a inclusão social. Na verdade, a elaboração só será igualitária, quando ocorre uma escola voltada aos interesses dos alunos. Assim, no contexto educacional, o processo de aquisição do conhecimento faz-se através da ativa participação entre, professores e alunos. Por isso, é de fundamental importância a escola criar alternativas que propiciem a participação dos jovens e adultos no ambiente escolar, contribuindo para uma democratização do ensino e da escola. Dentre os problemas enfrentados pela EJA, destaca-se a falta de um corpo docente habilitado para um desempenho adequado a essa modalidade de ensino. Os recursos de formação para o magistério não contemplam as especificidades da área e há poucas alterações de qualificação e especialização nos níveis de 2º e 3º graus, de modo que o professorado dispõe de reduzidas oportunidades de aperfeiçoamento e atualização nos fundamentos teóricos metodológicos da EJA, restrito quase que exclusivamente aqueles programas que empreendem esforços de formação em serviço de seus educadores. Há que se considerar ainda a existência de um elevado contingente de docentes sem habilitação e/ou formação especifica que atuam tanto nas redes públicas de ensino, como nas escolas comunitárias e também nas práticas educativas dos movimentos sociais, para os quais alguns Estudo mantém programas de habilitação de professores leigos. O processo de ensino-aprendizagem é uma grande troca e os métodos e técnicas utilizadas outrora já não desempenham papel tão decisivo numa sociedade atual, sim aquele que sabe aplica-los de forma critica e criativa, com condições de desenvolver uma plena participação social decorrente dos seus estudos no âmbito escolar. Portanto, a Educação de jovens e adultos é um dos principais métodos de ensino, o qual propõe a concretização de uma educação realmente seja significa não só para o aluno mas também para as diversas formas de inclusão social.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRAFICAS

BRASIL, Secretaria de Educação Fundamental. Parâmetros Curriculares Nacionais:

Introdução. Brasília: MEC/SEF, 1997.

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