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EMPENHO LIQUIDAÇÃO PAGAMENTO

O EMPENHO

Empenho é o primeiro estágio efetivo da despesa e pode ser conceituado como o ato emanado de autoridade competente que cria para o Estado a obrigação de pagamento, pendente ou não, de implemento de condição (Lei nº4320/64, artigo 58).

Conforme a interpretação do professor Haroldo Costa, se analisar o dispositivo acima considerando estritamente o significado do termo obrigação de pagamento, teremos que considerar que o simples ato do empenho não cria de fato uma obrigação de pagamento, mas sim um compromisso condicionado ao cumprimento da parte que cabe ao fornecedor.

NOTA DE EMPENHO

O empenho é o ato da autoridade, legalmente autorizada para tal fim. Não deve ser

confundido com Nota de Empenho. O Empenho da despesa é materializado em um documento que no governo federal é denominado Nota de Empenho (NE). Este documento conterá a identificação da Unidade Gestora (UG) emitente, do credor, a especificação e a importância da despesa, bem como os demais dados necessários ao controle e acompanhamento da execução orçamentária.

Como regra geral, o empenho deve sempre preceder a realização da despesa e obedecer estritamente aos limites dos créditos orçamentários.

A Unidade Gestora poderá, ainda, reforçar ou anular empenho autorizado. Poderá reforçar o

empenho que se revele insuficiente para atender a um determinado compromisso ao longo do exercício financeiro, emitindo o chamado empenho/reforço.

Já a anulação do empenho poderá ocorrer de forma parcial ou total. A anulação do empenho

pode ocorrer nas seguintes situações:

1. Anulação parcial quando o seu valor exceder o montante da despesa realizada;

2. Anulação total;

a) Quando o serviço contratado não for prestado;

b) Quando não ocorrer a entrega do material encomendado;

c) Quando a obra não for executada;

d) Quando o empenho tiver sido emitido de forma incorreta.

3. O empenho deve, ainda, ser anulado no encerramento do exercício, quando se referir a despesas não liquidadas, salvo aquelas que se enquadrarem nas condições previstas

para inscrição em Restos a Pagar.

TIPOS DE EMPENHO

O empenho, de acordo com a sua natureza e finalidade, apresenta a seguinte classificação:

2.

Empenho global para atender às despesas com montante previamente conhecido como aluguéis, salários, etc.

3. Empenho por estimativa para acolher despesas com valor não identificável previamente e, geralmente, de base periódica não homogênea como as despesas com energia elétrica, diárias, telefone etc.

A LIQUIDAÇÃO

A liquidação da despesa consiste na verificação do direito adquirido pelo credor ou

entidade beneficiária, tendo por base os títulos e documentos comprobatórios do

respectivo crédito ou da habilitação ao benefício (Lei nº 4320/64, artigo 63).

É quando ocorre a comprovação de que o credor cumpriu todas as obrigações

constantes do empenho (entrega do material, prestação do serviço). Envolve, portanto, todos os atos de verificação e conferência, desde a entrega do material ou a prestação do serviço até o reconhecimento da despesa (contabilização de custos). Ao fazer a entrega do material, por exemplo, o credor deverá apresentar a nota fiscal, fatura ou conta correspondente, devendo essas informações ser atestadas pela administração.

Somente após a apuração do direito adquirido pelo credor é que será feito o pagamento da despesa. Portanto, nenhuma despesa poderá ser paga sem estar devidamente liquidada (Lei nº 4320/64, artigo 62). Ainda de acordo com o professor Heraldo Costa, é somente com o devido e completo processamento do estágio da liquidação que surge de fato a obrigação de pagamento da despesa por parte do Poder Público, uma vez que ficou comprovado o fornecimento da mercadoria, a prestação do serviço ou a execução de parcela ou da totalidade de uma obra.

O PAGAMENTO

Último estágio da despesa pública consiste na entrega de numerário ao credor da administração pública, extinguindo-se, dessa forma, o débito ou obrigação, procedimento normalmente efetuado por tesouraria. Em geral, as ordens de pagamento serão apresentadas em documento próprio, assinadas pelo ordenador de despesa e pelo agente responsável pelo setor financeiro. O ordenador de despesa na União é o presidente da República, no Estado e no Distrito Federal é o governador e no município é o prefeito. Evidentemente, que é humanamente impossível que cada uma dessas autoridades ordene o pagamento das despesas de cada um destes entes. Assim, eles delegam sua competência para ordenar despesas a outros administradores. Observam-se, ainda, em relação ao pagamento de despesas, as seguintes regras, apresentadas no Decreto nº 93872, de 23 de dezembro de 1986;

A competência para autorizar pagamento decorre da lei ou de atos regimentais, podendo ser delegada;

A descentralização de crédito e a fixação de limite de saques à Unidade Gestora importam mandato para a ordenação do pagamento, observadas a s normas legais pertinentes; e

O pagamento da despesa será feito mediante saque contra agente financeiro, para crédito em conta bancária do credor, no banco por ele indicado, podendo o agente financeiro fazer o pagamento em espécie, quando autorizado.

Pagamento por meio de suprimento de fundos

Essa modalidade de pagamento está regulamentada a partir da seção V do Decreto nº 93872/86 que determina:

Excepcionalmente, a critério do ordenador de despesa e sob sua inteira responsabilidade, poderá ser concedido suprimento de fundos (adiantamento) a servidor, sempre precedido do empenho na dotação própria às despesas a realizar, e que não possam subordinar-se ao processo normal de pagamento da despesa.

Os suprimentos de fundos serão feitos para atender:

1. Despesas de viagens ou serviços especiais que exijam pronto pagamento em espécie;

2. Despesas feitas em caráter sigiloso; e

3. Despesas de pequeno vulto (estabelecida na União por portaria do ministro da Fazenda).