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Ad

•1,

1

A.

•1

L

/

J

e

r

  • 42 LAVILLE

&

DIONNE

Objetividade e objetivação

O pesquisador disto tem consciência:

as compreensões

das

são

compreensões

relativas.

Dependem

do

talento

assim produzi

do

pesquisador

para

determinar o problema que escolhe eswdar, retraçar seus múltiplos

fatores, escolhê-los

e interpretá-los. Escolher e interpretar, isso também

se toma central.

Pensemos, por exemplo, na situação do historiador

que nos oferece

seu último livro

sobre,

digamos,

as origens do pensamento nacionalista

atual.

E um livro

de

200 páginas.

Mas,

para escrevê-las,

o historiador

teve que ler milhares

de páginas

de estudos

sobre

o assunto,

documen

tos históricos de todos os tipos (discursos, relatórios, estatísticas,

testemu

nhos diversos, etc.); confrontou seus pontos

de vista com outros

...

Final

mente,

no entanto, apenas 200 páginas:

é que escolheu e interpretou. O

que a nós submete é sua compreensão, que

tação.

outros

é uma escolha e uma interpre

produzindo

A maior parte das ciênci

Um outro poderia escolher e interpretar diferentemente,

saberes válidos

e igualmente relativos.

as humanas procede assim.

O que garante então o valor desse sâber? Um princípio dito de

obje

tivação.

Para os positivistas,

o valor do conhecimento produzido repousava

essencialmente

sobre

o

procedimento

experimental

e

a

quantificação

das observações. Tratava-se de fazer jogar fatores da realidade

variá

veis

—,

medir seus efeitos, do modo mais exato possível,

com o auxilio

de instrumentos que

se valem das ciências matemáticas

e da estatística

(daí, casualmente,

a idéia de ciências exatas).

Um tal procedimento era

facilmente

reconhecível

e,

portanto,

reproduzível:

poder reproduzi-lo,

nas mesmas condições com os mesmos resultados,

ve para a validade do

saber para os positivistas.

era um critério-cha

que

v&cé

:err

SfnN

A CONSTRUÇÃO DO SABER

43

Em tais circunstâncias, os mesmos exames da realidade produzindo

sempre os mesmos resultados, poder-se-ia esperar explicações seguras e

gerais, pretender, inclusive, determinar as leis naturais e reconhecer seu

determinismo. Mas saberes que se declaram interpretações não podem

evidentemente pretender tanto, e a idéia de lei vem desaparecendo da

ciência moderna. No melhor possível, o pesquisador que chega a um

nível elevado de generalização será tentado a falar em teoria. Por exem

plo, se um pesquisador compreendesse hoje o que economistas do passado

denominaram “lei da oferta e da procura”, iria se preferir, certamente,

nomeá-la teoria ao invés de lei.

Um saber que repousa sobre a interpretação não possibilita necessa

riamente um procedimento experimental e quantificador nem a repro

dutíbilidade, ainda que isso não seja excluído. Mas, com freqüência, da

mente do pesquisador que, a seu modo, e por diversas razões, efetua as

escolhas e as interpretações evocadas anterïormente. E esse modo e es

sas razões que são o objeto da objetivação: de uma parte, do lado do

pesquisador do qual se espera que tome metodicamente consciência des

ses fatores e os racionalize; de outra, do lado daquele ao qual serão

Quantitativo versus qualitativo

-

O desmoronamento da perspectiva positivista não se deu sem debates entre seus defensores e adversários.

Esses debates continuam ainda hoje. Pode-se verificá-lo principalmente na oposição entre pesquisa quan

titativa e pesquisa qualitativa.

A pesquisa

humanos e do que os exphca.

de espírito positivista aprecia números. Pretende tomar a medida exata dos fenômenos

E, para ela, urna das princioais chaves da objetividade e da validade dos

saberes construídos, Conseqüentemente, deve escoiher com precisão o que será medido e apenas conser

var o que é mensurável de modo preciso. Para os adversários desse método, trata-se de truncar o real,

afastando numerosos aspectos

Os adversários propõem

essenciais à compreensão.

respeitar mais o real. Quando se trata do real humano, afirmam, tentemos

conhecer as motivações, as representações, consideremos os valores, mesmo se dificilmente quantificáveis;

deixemos falar o réal a seu modo e o escutemos. Os defensores da quantificação apenas das características

objetivamente mensuráveis respondem,

então, que esse encontro incontrolado de subjerividades que se

adicionam só pode conduzir ao saber mol&, de pouca validade. Esquecem, desse modo, que para cons

truir suas quantificações,

tiveram que afastar inúmeros fatores e aplicar inúmeras convenções estatfsticas

que, do real estudado, corre-se o risco de não ter restado grande substância, Mas é verdade que o que resta

e assegurado por um procedimento muito rigoroso, testado e ureciso, E alguns gostam de afirmar que são as

exigências estritas desse rigor oue afastam os pesquisadores qualitativos (o que infelizmente parece, às

Vezes, correto, sobretudo em vista do saber matemático e do estatistíco necessário!).

Na realidade, esse debate, ainda que muito presente, parece freqüenteme te

..

inútil. pornue

os

‘-‘É-se

pesquisadores anrenderaro. há muco tempo,

accra pesquisadores de .abcrdagem

inútil e até falso.

a conjugar suas abordagens conforme-

as ner-essidarl,s

posirlv!ua deixar de lado seus asarethos de

e

r

seus dac!os ocra .:-r.

:v,aronto 5J5

  • CC ‘-

Ç

o melhor nossive!.

ebenes desejados.

Nesse sentido, centralizes :s pvsnui:sa em um proh!.ema convida a conciliar abo degens nre:ocupadas

mp!e>nciade do re

-rder o conmto

co

555 ane’to e

  • 44 LAVILLE

&

comunicados os

resultados da pesquisa,

que

pesquisador

espera que

lhe

informe tudo para que possa julgar a validade

dos

saberes

dos. E esse

princípio de objetivação que

fundamenta a regra da prova e

define a objetividade.

Poder-se-ia dizer que a objetividade

repousa so

bre a objetivação da subjetividade.

DIONNE

o

produzi

preocupação

A

em

evitar as

compartimen-

 

Multidisciplinandade

.

.

rações

leda

alguns

 

pesquisadores

das

a

desconfiar

 

numerosas

Em

sua fase de

desenvolvimento,

ciências humanas

tenderam a de-

as

categorizações

das

marcar-se umas em relaçao

cada uma tendo seu propno

outras,

as

setor

de

atividade (psicológico,

econômico,

cultural,

histórico,

etc.). A

pers

pesquisas

que

foram

 

desenvolvidas:

,

experimental,

teorica,

 

pectiva

positivista contribuía para o

estabelecimento

dessa

distinção

 

.

fendrnenológica,

hermenêutica,

avaliativa,

descritiva,

 

sugerindo,

para as necessidades da experimentaçao,

corte do real em

o

múltiplos

fim de

componentes,

facilitar

a

controle.

exame

e o

o

pesquisa-aÇao,

dc.

Quando as ciências humanas

perdem a ambicão de retirar

de

cada

     

.

,.

 

alguns

largão,

dizem

Se

a

pesquisa

define-se

por

um

problema a ser

 

um dos setores da atividade humana as leis que

a caractenzam e

se

tam mais para um procedimento

de resolução de problemas,

isso as

orien

con

resolvido,

duas

 

duz a se inquietarem com

divisões que poderiam restringir

as

sua ação,

 

.

.

-

.

.

.

-

   

categorias

lhe

parecem

suficientes:

pesquisa

fundamental,

se

se

trata

 

especialmente as

fronteiras

disciplinares,

com

seus

historiadores ocupam-se do passado; os sociólogos do presente;

dos

(os

terntonos reserva-

de preencher

vazios

no

 

geógrafos do espaço; etc.), pois isso poderia ser um obstáculo

os

à

com-

 

próprio

saber;

pesquisa

 

preensao completa de um problema

sob todos os seus aspectos

as inter-

e

aplicada,

resolver

se

um

se trata

de

problema

relações entre eles. O real, pensa-se,

deveria ser abordado

em sua

globa

pratico.

lidade,

como um sistema de fatores

inter-relacionados.

Mas

tal

aborda-

 
  • - gem,

dita sistêmica, não

é

simples,

devido aos limites dos

pensamentos

 

individuais e

hábitos

disciplinares

adotados.

aos

E

por isso,

provavel

mente,

que a pesquisa sistêmica

ainda não obteve muitos

resultados,

 

que se desenvolve, então,

O

é

uma abordagem muitidisciplinar,

que

consiste em abordar os problemas

de pesquisa apelando

às

diversas

dis

ciplinas das ciências

humanas que nos

parecem úteis.

Os

modos de fa

Multidisciplinar:

alguns

 

são

zer

diversos.

Um pesquisador pode

inspirar em perspectivas

de

se

vizinhas, usar seus aparelhos

conceituais

analíticos, tomar

e

de

certas

abordagem,

tecmcas

.

multiplicar

angulos

de

os

-

escolheriam

interdisciplinar.

Na

 

disciplinas

 

prática,

ambos

parecem

 

emprestado

sinõnimos.

questionamento e

de

visao

Cada

mais,

devido

amplitude

vez

a

e

a

...

Um

geógrafo

inquieta-se com

compartirnentações

Sempre lamentei que

a

imagem das ciências sociais

seja pulverizada:

aprende-se

historiador,

ser

a

economista,

analisam

que

o

sociólogo,

etnólogo,

homem em

sociedade.

geógrafo,

alguma adquire-se

parte

mas

uma visão

em

de conjunto das

disciplinas

Após

vinte

uns

preocupações

problemas

anos,

de todos

os

as

e

práticos

aproximam-se.

Os

ções antigas e completam

Aele r

st

historiadores

visão

a

descobrem

dimensões

etnoiógicas

sociológicas

civiliza

das

econômica que haviam adotado há uma

duas gerações.

Os geógrafos

ou

as

-e

os

tu

s ccrr

a

re

tu

oçado

nundoe

sreeramer

suar udos

Lc

stem

se’

cs

o

ds

os

ucham

frente

a nrohicrnas

que

os

socádio

geógrafos

há muito tempo.

e

encontram,

s

s

SIeVAL

Pau!.

Les

ru-vrhes

rOndameun

des

 

sciences

sacia/es,

Pariu

Presses UrriversiLdres de

Prarsr•e,

  • 1 98C

45

SABER

CONSTRUÇÃO

DO

A

os pesquisadores

no campo do humano,

dos problemas

complexidade

enclinam-se a se associarem para reunir o saber de cada um. Essa inclina

de modo

em equipe caracteriza,

os trabalhos multidisciplinares

para

sem, entretanto, rene

ÇãO

importante, a pesquisa em ciências humanas hoje,

indiscutível.

cujo valor permanece

gar a pesquisa individual,

de multidisciplinaridade

Cedeplar: um exemplo

de

árgão

CEDEPLAR é um

Regional

Planejamento

Belo Horizonte, o Centro de Desenvolvimento

e

de trabalhos muhidisciplinares.

Em

pesquisas sobre a população que oferece bons exemplos

basicamente

por

composto

é

UFMG,

da

Econômicas

Ciências

reali

de

Faculdade

de diversas áreas para

à

Este Centro, ligado

a

com colaboradores

freqüência,

corri

de conhecimentos de diferentes

cam

e demógrafos, mas conta,

economistas

conjunção

uma

sobre problemas que requerem

e Sociais de Trans

de pesquisas

Aspectos Econômicos

zação

Amazônica:

a pesquisa “Malária na Fronteira

políti

ciência

em demografia, socïologia, economia, antropologia,

Por exemplo,

pos.

reuniu especialistas

pertencentes

ao

bioestatística,

missão e Controle”

pública

saúde

e

regional,

urbano

de Pesquisa René Rachou, a Fundação

e

planejamento

arquitetura,

história,

Centro

SUCAM,

ca,

o

UFMG.

instituições tais

da

a

Farmacologia

como

Parasitologia

outras

CEDEPLAR e

e

de

a

departamentos

os princi

Secretaria de Saúde

atingir

e

puderam

(FUNED),

Dias

Ezequiel

comum,

de uma linguagem

partir do desenvolvimento

profundidade

estudo

Esses especialistas,

em

a

de referência

para um

de uma base

identi

1) estabelecimento

Rondônia; 2)

pais objetivos da pesquisa:

em Ariquemes,

da Malária

controle

transmissão

e

o

relevantes para

o

dos fatores humanos que afetam

ambientais associados a ocorrência da Malária

a

e

social

pesquisa econômica

(atores sócio-econômicos

e

e

ficação dos

de metodologia apropriada para

a

desenvolvimento

3)

mobilidade populacional.

da doença;

controle

alta

a malária em áreas de novos assentamentos

e

sobre

MÉTODO

O

RESUMO:

EM

as ciências humanas,

nas últimas décadas de nosso século,

Em resumo,

à pers

em relação

um pouco

em geral, distanciaram-se

como as ciências

determinaram o encaminhamento

que as viu nascer e

pectiva positivista

de constituição do saber.

de seu método

proble

principal

de pesquisa encontra-se

o

partida da operação

No ponto de

o pesquisador. Voltare

Diversos fatores influenciam

ma a ser resolvido!

assinalar que

momento,

mais detalhadamente, Importa,

no

isso

lhe

Ff05

pesquisador perceba um problema,

a

o

que

fazem com

fatores

igualmente- sur-or uma solução possível, uma explicação racional

estes

tazeru

a hipótese.

ou aperfeiçoada:

da situação a ser compreendida

é

a

sempre

não

sabe que sua hipótese

Muitas vezes, o pesquisador

Mas ele retém

a

consideradas.

possível, e que outras poderiam

ser

única

suficiente para progredir

lhe

cjue

parece

melhor,

a

lhe

ser a

rarece

sohição

eventr:ai

à

do oohie.nsa. e

sua.

Jo h coml.areensao.

duo

de umaexó:o.acão

ara

urna soluçio ou

de

Resta ver se essa ante.cipação

reila

na reaL-si-uda. si:, cara isso. deve—se vc.;itsir

essa

a

possível mantém—se

pesquisador a eia

O

‘veriuloando—e

hipó tese.

compro-sair a

de

a fim

do

suõe:.

oue sua hipótese

e,

informações

co lhe

as

efàtivamente.

anua

conclusRo.

tira

sua

desta 0rieflÇu,

la-—

trato

ja via

torras

não é mais absoluta ruesbisóte.

5-e

na

ua co nc•iu são

di.

si

tsóz.,

  • 5 ctas

..

  • 46 LA’IILLE

&

DION?;F

No

çâo das

as

entanto, o pesquisador estará geralmeQte atento para

condições

dessa validade, para

sua objetivação:

a

divuIga

dirá quais

são

é

Desse

um problema.

esque

delimitações do problema, como as percebeu,

por que sua hipótese

legítima e o procedimento de verificação empregado

modo, cada um poderá julgar

os

Essa operação de objetivação,

justificado.

saberes produzidos e sua credibilidade.

como

a concentração em

está hoje no centro do método cientifico.

Se se deseja retomar o conjunto do procedimento

e apresentar

maticamente seu caminho, poder-se-ia

fazê-lo da seguinte maneira.

PROPOR

E DEFINIR

 

UM

PROBLEMA

 

1’

 

ELABORAR

 

UMA HIPÓTESE

VERIFICAR

A HIPÓTESE

 

‘4’

[

 

CONCLUiR

 

Mas

trata-se aqui de uma simplificação lógica extrema.

Na realida

t

de, cada uma das grandes etapas de um processo

de pesquisa supõe um

certo número de outras operações

intelectuais, cujo quadro a seguir fome-

cc

uma

idéia

mais

completa

mas

ainda

não

inteiramente,

pois,

na

realidade do pesquisador com experiência,

o procedimento conhece diver

Los

vaivéns e encurtamentos que uma tal representação,

reduzida às

arti

culações

lógicas essendiais,

ignora.

Voltaremos

a falar nisso.

Tal

procedimento

havia

sido evocado

desde

as

primeiras

linhas

do livro.

Voltaremos

a

ele

longamente demonstrando,

detalhadamente,

cada uma das operações principais

nas panes H

em,

Aliás,

voltando-se

um instante ao Sumário do volume,

segundo esse caminho.

vê-se que as

panes estão ordenadas

Qbsor.em os

bem

no

quadto

d°°

5

orimeitamente

seta

eixo

princir.xd,

do-pois

desdobramentos,

seus

A

eis.

volta

rsa

nos

várias

se

47

CONSTRUÇÃO

SABER

DO

A

1nscientizar-se de um

problema

OEFINIR

PROPOR,E

[ná-lo significativo

e

UM PRO8LEMA

delimitá-lo

Analisar os dados

disponíveis

Formulá-lo em forma de

perguhta

hipótese

Formular

a

UMA

ELABORAR

de

tendo consciência

HIPÓTESE

sua natureza provisória

Prever suas implicações

lógicas

Decidir sobre novos

necessários

dados

r

VERIFICAR A

HIPÓTESE

Invalidar, confirmar ou

Recolhê-los

hipótese

modificar

a

4

Analisar, avaliar e

interpretar os dados

Traça(um esquema de

em

relação à hipótese

significativo

explicação

CONCLUIR

Quando possível,

gene

conclusão

ralizar

a

  • p. 43.

1979.

  • E. MerHll,

Charles

Snjdies, C&unibus (Oh4o:

Scx ia)

ièachiogin

Fnnte fnspradoern-Bacry Beyer,

DA

HWÓTESEÀ

CONCLUSÃO

PARTE

11

1

Um longo trajeto

foi percorrido desde a percepção inicial do proble

ma de pesquisa até o enunciado da hipótese,

que veio encerrar a primei

ra

vertente do procedimento.

O trajeto nessa vertente se mostra

sempre

o

mais

delicado da aventura de pesquisa.

Um pouco como em uma ex

cursão

à montanha onde a ascensão

se revela a etapa penosa.

Uma vez

atingido o

cume,

a

seqüência será mais

fácil:

dominando

nela se está situado de maneira precisa, percebendo melhor

a paisagem,

o objetivo a

iti

atingir e os caminhos que levam a ele. A seqüênciã das opêrações decor

rerá naturalmente do trabalho

realizado,

das

decisões tomadas.

A hipótese que

veio encerrar

o

primeiro tempo do procedimento

se

apresentava como uma resposta plausível,

até

mesmo provável,

para a

questão

colocada.

Essa resposta plausível

deve

agora

ser

uma verificação a fim de saber se resiste à prova dos fatos.

submetida

a

É

a razão de

ser

da etapa que

se

conclusão.

A parte

abre e que

deve

levar o

III

do

livro

é,

portanto,

pesquisador da hipótese

à

dedicada

aos

mecanismos

ia

dessa verificação, que é também uma demonstração do valor da hipóte

Se:

suas principais operações estão resumidas na metade inferior do qua

aro reproduzido

na página seguinte.

Emitir um julgamento

esclarecdo

sobre

o

valor

de

urna

hipótese

exige

sador

informações sobre as

quais apoiá.lo.

O

primeiro cuid.

do do pesqui

é

então inten’ogarse sobre a natureza dos dados necessários

à sua

Verificação

e

sobre

seus

modos

de

coleta,

Essas

interrogações

e

suas

Possíveis respostas serão tratadas no capítulo 6, “As estratégias

de verifi

asPos

ao passo

que,

as exiências

no capítulo?, “Em busca de informações”,

destacas

práticas,

os

ir:stramentos e

as

técnicas

dessa

coleta

usdos.

Mas a coi.eta das 1formaçõcs é

ir urna ccisa

bem

aue

estava previsto

.

outra:

sial

ver se

o

a

clara

que foi

raurudo

ala-analise

e

da

ou

ate

rnesrr:.o

a relelílo.

as

rapoiesu.

alIa.

.

Lar

-

as

°sões

que

delas

-

a,

co

se

pode tirar,

que

las

ioc

será ded.icada

o

asa

rO

capÍtulo

8

Ir

ti

ii

1

DONNE

&

  • 130 LAVILLE

Conscientizar-se de

um

problema

DEFINIR

UM

PROPOR E

Torná-lo significativo

e

PROBLEMA

delimitá-lo

dados

Analisar

os

disponíveis

Formulá-lo em forma de

‘7

pergunta

hipóte’

Formular

a

ELABORAR UMA

de

tendo consciência

HIPÓTESE

sua natureza provisória

suas implicaes

Prever

lógicas

Decidir sobre novos

necessários

dados

HIPÓTESE A

VERIFICAR

nvaIidar, confirmar ou

Recolhê-los

a hipótese

modificar

avaliar e

Analisar,

de

esquema

interpretar os dados em

Traçar um

significativo

explicação

  • à- hipótese

CONCLUIR

relação

Quando possível,

conclusão

generalizar a

43.

1979,

EMerrHI,

Chio), Chades

p,

Social Studies, CoZumbus

ir,

Teaching

Garry Beyer.

Fonte, Inspirado

em

Ao

assunto.

do

ceme

de

entrar

no

Urna última observação

antes

da hipótese. Inicial-

o papel central

do percurso. vemos delinear-se

principal

longo

que marca

provisória,

de

plausível,

apesar

mente explicação

do probleftn;

originado

um procedimento indutivo,

de

termo

mente

o

partida de um novo procedimento,

pre

de

toma-se em seguida o ponto

à realidade

para

ef&ua um retomo

ferentemente dedutivo,

se

que

cru

fatos. Nesse sentido, eladesempe

dos

à

submeter essa explicação

prova

duas vertem

articulam

as

papel de pivô em torno do qual

se

sobressai nitidarnenie

bem esse

nha

da pesquisa, cujo caráter hipotético-dedutivo

se

unsi

importância de

tcs

insistir sobre

a

portanto,

seria demais,

Não

doura procedirren’

açui.

coração e motor

c.onstruída,

hctcse cuidad.osamente.

construção do

de-.

metódico

to

CAPÍTULO

As

Estratégias de Verificação

q 1

:1

111

ii

Elaborada sua hipótese,

o

pesquisador deve decidir como procederá à

sua verificação:

deve determinar as informações que

serão necessárias,

as fontes às quais recorrer.e

a

maneira de recolhê-las

e analisá-las

para

tirar conclusões.

Essas decisões não são deixadas

só à fertilidade de sua

imaginação.

A

hipótese

lhe

ditará em

grande

parte

a

conduta

nessas

matérias.

Constataremos

isso

na primeira parte deste

capítulo

em que

serão

desenvolvidos

alguns

exemplos

de

pesquisas

centradas

em

um

mesmo problema. As

outras duas partes do capítulo tratarão

das

princi

pais

estratégias

de

verificação,

em

função

do

gênero

de

informações

exigida&

 

HIPÓTESES

DIVERSAS,

NECESSWADES

DIFERENTES

 

Às

vezes, podemos ler nos jornais manchetes

culturais

nas

escolás.

que noticiam disputas inter-

Comparando o procedimento de pesquisa ao da construção de uma

casa, a

plano desta:

primeiro,

função das

necessidades dos

moradores e-de-suas possibilidades: em

seguida este

plano

hipótese seria o

concebe-se o plano em

orienta a escolha dos materiais e Sua reunião

Ir

t

eIs

tt

11t

i

r

1!

Estes

conflitos

interraciais

tLCtos

Mas

r 3°

isxam,

por

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r

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filizmente não

são

freqüentes

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de

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nossa atençã

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O fl5CO

de

atiflr

c&ia

u.Tna

nas

e

nem

tão

icilam

no

o

1

1

  • 132 LAVILLE

violentos?

se poderiam prevenir tais enfrertamentos

Como

bater-se assim?

Como alunos podem chegar

tais questões reve

em uma mesma situação-problema,

Originadas

primeira testemunha

vontade

Iam-se t’undamentalmente diferentes.

uma

de compreender

a segunda gostaria

de prevenir tais acontecimentos,

compreender:

pesquisas

Intervir

presume-se

deles.

que

se

aspecto

ou

dois

no rastro dessas questões, encontrar-se-ão

grandes

promovidas

são

a pesquisa aplicada e

a pesquisa

de pesquisa evocados

antes

tipos

dependem essencialmente

de pesquisas

fundamental

tipos

que

dos pesquisadores.

intenções

É

as hipóteses ao fim de tais projetos?

Quais poderiam ser

imaginar.

um meio

pesquisador poderia querer tentar

No primeiro

caso,

a idéia de

fazer

degenerem,

tensões

diminuir

antes

e propor

que

as

e sereno, conjecturando

em um clima aberto

que

pessoas se encontrarem

permite diminuir

celebração de encontros interculturais

a

às

em relação

vidade dos alunos que deles participam

pessoas prove

da sua,

nientes de comunidades

diferentes

observada

da violência

razões

das

segunda questão,

trata

Na

que

dite-

a presença de colegas de culturas

alunos confrontados

com

entre

Li.

-

o pesquisador podena chegar a urna outra hipotese

rentes,

as pessoas de comunida

sao ainda mais agressivos

alunos

com

os

a culwra delas.

mal

porque conhecem

des diferentes

problema.

e55e

sobre um

diferentes

de questões

mesmo

partido

-Tendo

FixTos

que conduzem,

nos deparamos com hipóteses também diferentes

e

dados

a verificações diferentes, tanto no tocante à natureza dos

sua vez,

requendos quanto na maneira de proceder

O

e exatamente

uru

preferido

muitas-vezes,

tenhamos,

diversas ocasiõe,

mesno

que

dado

em

termo

apareceu

O

não podere

em pesquisa, inclusive neste

encontrado por toda parte

informação.

palavra

como

sempre

poderia

Contrariamente

enganador

une

revela-se

pouco

O

termo

des g’’,

‘ia

crer ade

ao

,u

prectso

e procurar com

evtdente,

que

nao é daco,

não

algo que

que

precauções.

base

busca que demanda

de instrumentos,

auxílio de técnicas e

informações sobre

esclarecimentos,

dados

pesquisadores,

Para

apóia-se

da hipótese

acontecimento.A

verificação

fenômeno,

s:tuação

ingredmntes

constituem

dados

sentido,

informações;

tais

sobre

nesse

demons

construir

base nue

que fundamentam a pesquisa, a matéria

-

1

..

E

&

Dt0NNE

a

a

A

a

o

Um

das

fácil

de

de

as

agressi

-

Duas

hitesesde

espírito

diferente

surgem aqui

de

um

-

mesmo problema.

bem

pois

ele

antes

do

será

fim

útil

ainda

desta

parte

.

por

que

moa

dado?

—••_—

Mas

é

fugir dele.

ruçao

um

D,c’ond

é

os

um

os

um

a

ele

o

çueno

rrar

mas

3O

ta

e

são

ee

ao

na

esforços e

os

de

um

p•ermïte

dos

a

e

e

uma

livro,

a

DADO

tie’l er

tu

quantidade

conhecida

que

serve de

à

resolução de um

problema.

A

CONSTRUÇÃO

DO

SABER

133

Dados criados, dados existentes

A

de

primeira das hipóteses que precedem prevê uma ação, a implantação

encontros interculturais para modificar uma situação julgada deplorá

O que a verificação dessa hipótese exigirá? Informações

ou dados,

como para qualquer verificação de hipótese. Relendo-a, nota-se que esta

presume uma mudança na agressividade dos alunos, mudança que deve

ria ser atestada pela presença dos dados colhidos.

E como é uma interven

ção planejada

dor

que

os encontros

interculturais organizados pelo pesquisa-

que

provocará o aparecimento dos

da

trará essa mudança,

dos,

falar-se-á, nesse caso, de

da pesquisa.

dados criados

ou

engendrados

no âmbito

A segunda hipótese não visa a uma mudança, mas

a um saber, o da

relação entre os conhecimentos que os alunos têm de

outras culturas e a

agressividade que eles experimentam relativamente

aos pertencentes

a

essas

culturas.

Desta

vez,

as

informações

assentam,

de

uma parte,

no

grau de agressividade intercultural presente nos alunos e, de outra parte,

no

seu nível de conhecimento das

outras

culturas,

informações

que o

aqui

pesquisador em seguida colocará em relação. Nenhuma necessidade

de

provocar uma mudança qualquer:

falar-se-á então de

dados existen

Esses dados certamente não existem independentemente da presen

pesquisador e de sua atividade. E ele, na verdade, que os faz apa

ça do

recer como dados:

pela escolha de um ponto de vista e o recurso

a diver

sos

instrumentos,

seleciona alguns elementos, transformando-os em in

formações

significativas.

Desempenha desse modo um papel essencial

na

existência

desses

dados,

da mesma

forma

que

a presença

de

uma

testemunha é necessária para que um fenômeno, a queda de um meteorito,

por exemplo,

se tome um acontecimento.

Mas,

assim como

a teste

munha não

aqui

faz

aparecer o

meteorito,

também o

pesquisador não

quer

induzir a proqução de dados novos,

por meio de uma intervenção

que transfon-ne o

objeto de estudo. No caso precedente,

ao contrário, tal

Intervenção

realidade,

Consciente

era desejada pan

mudar

as

atitudes,

para

modificar urna

pela ação

modificação portadora de novos dados, engendrados

do pesquisador.

Desde o começo do capítulo,

lembramos que um mesmo problema

P?de

permitir questionamentos diversos os quais, por sua vez,

diferentes.

levam a

hi

hIpóteses

Poteses

dad

5

Aprendemos também que a verificação dessas

exige coleta de dados diferentes: dados que

cso

surgimeto

sio provocados

em out:o

cate•

orjzccãoda pesquisas: pes

existem em um caso;

Oi;temcs

aLa esboço

cieu:ta nova

visas coro dados existeas

e pesquisas

ao

com dados criados.

O resto’do capítulo trará mais preci

Soes

assunto das novas categ.orjas,

PESQUISA

COM

DADOS

CRIADOS

OU

ENGENDRADOS

Pesquisa

baseada em

dados

colados após

uma

intervenção

deliberada,

que

visa

a

provocar uma

mudança.

PESQUISA

COM

DADOS

EXISTENTES

Pesquisa baseada

em

dados já

situação

presentes na

em estudo

e

que o pesquisador faz

aparecer sem tentar

modificá4os

intervenção

por

uma

iii

ri

ri]

til

1

1

4

É grande a tentação de se associar a idéia de pesquisa com dados criados

134

LAVILLE

&

DIONNE

Um

retorno aplicado a

categorizações

fundamentais

...

à pesquisa aplicada, uma vez

vínculos

que

esta supõe ação ou intervenção,

sa

fundamental

que

não

demasiada rapidez,

pois

quer

intenções do pesquisador,

e de vincular,

modificar

da mesma forma,

o

real.

Todavia,

é

interações

se

a

efeito.

a pesquisa com dados existentes

evitar estabelecer

tais

à pesqui

com

preciso

as duas categorizações são definidas em bases muito diferentes, uma fundada

nas

e outra, acabamos de dizê-lo, no tipo de informações

colhidas.

Há exemplos

de

levados

a

a intervenção. Contudo, os pesquisadores são

dos

diversos

(atores,

objetos

de

seus

trabalhos.

entre

nível

de

conhecimento

e

grau

então,

os

conhecimentos

de

das

se esse acréscimo acar

pesquisas fundamentais que não têm por objetivo

nelas

intervir para melhor compreenderem

as

Assim,

qualquer

um

poderia

ser uma

querer

relação

agressividade

pode

diversas culturas

determinar

de

causa

e

relação

Ele

acrescentaria,

em um certo número de participantes para,

em seguida, verificar

reta uma redução da agressividade intercultural nessas pessoas.

de instalar em seguida, ele próprio,

e comportamentos humanos.

criados.

Inversamente,

Teríamos então

que

lembremos

a pesquisa

obigazoriamente

isso.

Assim,

entre conhecimento

de

outras

Ele o faria sem ter forçosamente a intenção

atitudes

dados

não

4

a existência de um vínculo

poderia

ser aplicado

se

servisse

não

primeira

alguma prejulgar

o

tipc

outras atitudes, mas simplesmente para melhor compreender as

uma pesquisa fundamental

aplicada

visa

a

uma

em que

se apresentariam

intervenção

no

real.

Ela

o projeto em que o pesquisador apenas constata

culturas

e agressividade em relação

a

elas

para preparar uma intervenção futura mesmo que não se interviesse nela ativamente no momento, que

se

provocasse

categorização,

nenhum

pesquisa

surgimento

de

dados

novos.

De

aplicada-pesquisa fundamental,

fato,

não

as

intenções

permitem

de

que

fundamentam

forma

a

de informações

a colher.

Os dados são criados

De

início,

vamos observar mais

a fundo

um exemplo de pesquisa com

dados criados, conduzindo nossa reflexão em tomo da primeira

hipóte

aquela em que se quer julgar a utilidade

A verificação dessa hipótese

supõe

de encontros interculturais.

se,

a comprovação de uma relação

e aredução da

agressivi

de causa e efeito entre a participação nos encontros

dade intercultural nos alunos. Para esse fim,

o pesquisador deve

provocar

uma experiência na qual ele intervém,

tros previstos

na hipótese,

fazendo

presença dos efeitos.

cia,

através da organização dos

encon

assim agir a causa.

Verificará logo

a

experiên

Apoiando-se nos dados engendrados pela

observará se a intervenção acarretou a mudança de atitude prevista.

Imaginemos que, com a continuação da experiência,

o pesquisador

note com satisfação, nos alunos presentes nos encontros, um fraco nível

de agressividade a respeito dos pertencentes a outras culturas.

ção éjustificada? Poder-se-ia €rer

nisso:

os encontros

dos visando a diminuir a animosidade;

a que se observa

foram

é

p

Sua

quena.

satisfa

implanta

logo.

Mas tem-se realmente uma prova da eficácia da intervenção?

Não.

Ai de nós! Pois outros fatores poderiam explicar essa fraca agressividade.

Talvez o nível de animosidade intercultural

fosse baixo

nos

par

ticipantes, antes da intervenção.

rios

sem

agressividade,

diferentes,

os

encontros

mas,

não

(demo então cencluír

nuca

ter

rc-rnnza

da eresenca

ao

Se, por exemplo, estes fossem

contrário,

interessados

pelas

voluntá

pessoas

poderiam de

causa

provoceu

uma madama,

forma alguma modificá-los.

o

efeire

eserado?

De

fat:j.

cerrar e

renuer a

hirrúeec.

attt.udes

CSSt

,,e

a’

-r

um

cqtc

e rr,nc

dos

participantes

antes

dos

encontrose

e

para

issu

cnnce

Somente

então,

cumpri-

li

A CONSTRUÇÃO DO SABER

135

1.

--Á

rando a agressividade antes e depois da intervenção, se tornará possível concluir pela modificação.

Isolar a causa da modificação

1

-

Porém a questão fundamental permaneceria: se houve evolução, ela expli

ca-se somente pelos encontros? Talvez ela se tivesse produzido de qual quer maneira. Um acontecimento especial, estranho ao que nos interes sa, teria podido provocá-la: o único dono da loja de conveniência do bairro teria, por exerfiplo decidido fechar suas portas, cansado de servir

incessantemente de alvo das perseguições de jovens, porque pertence

visivelmente a uma minoria,

Como então distinguir a influência dos encontros, dos outros fato

res possíveis?

O uso é recorrer a um segundo grupo, análogo ao dos participantes

e que, durante o mesmo período, deveria normalmente sofrer as mesmas

Influências, salvo que tenha ficado à margem dos encontros, Subme

tem-se os dois grupos às mesmas avaliações, antes e depois do período

00 tempo cbnsiddrado,

Aa,’ acãeriu’a

t uermeteJugarseesdc sgrvpcs,c iosp oipz

1-

tes dos encontros ou grupo experimental, e o outro, que serve de ponto

cc comparação, o grupo-testemunha, são equivalentes: equiva.lentes no

plano da agressividade sentida, mas em outros- pianos também-, pois se

deve consideras um míximo de fátorus suscetíveis de explicar uma even

tual diferença entre os grupos, ao término da experidncia. Depois desse

tempo, então, se os dois se revelam razoavelmente semelhantes n.o inI

aio, uma boa parte das diferençaà que aparecerão quando da avaliação

GRUPO EXPERIMENTAL Em uma pesquisa com dados criados por uma experiência, conjunto de pessoas .submetldrs à intervc’nção coreto-lada

o-elo pesoulsados O

GRUPO-TESTEMUNHA

é então (or-mado por pessoas não submetidas à intervenção, mas que passam peb.s abesmas avaliações do gruo-o experimentaL a fim de fornecer um ponto de comparação,

:fl

:4]

11

1

ti’

Tt.

136

LAVILLE

&

DIOMNE

final

poderão

ser

conhecido

que

os

legitimamente

atribuídas

à

intervenção,

único

fator

grupos

não

terão

partilhacfà.

A estratégia usada

terá

permitido

isolar a participação

nos

encontros

como

fonte da evolução

observada, como causa da diminuição da agressividade

para com as pes

soas culturalmente diferentes.

Mas

é preciso

evitar

umh

fé absoluta em tal isolamento

da

causa,

durante a expe

 

cedi-

os

racis

am

e

Assim, por exemplo, os dois grupos poderiam vivenciar,

nência,

do

ante

pliaria neles

mente

é.

dois

acontecimentos como

a hostilidade racista,

participantes dos encontros,

mo, poderiam sentir mais

o fechamento da loja, tendo o dono

mas

sem

vivê-los

da mesma maneira:

mais

sensibilizados pelos problemas do

a injustiça sofrida pelo comerciante. Isso

as transformações observadas

ao término da intervenção

real-

apóia na presença

de

cena-

levaria eventualmente

o pesquisador a julgá-la mais eficaz do que

se

a estratégia que

se

Constata-se que,

grupos permite minimizar

a influência de fatores exteriores,

mente ela nunca a afasta.

Fantasia séria sobre as múltiplas

personalidades da causa

O termo “causa” pode assumir significações

muito diversas,

daí o risco de confusão.

Será usado ora quereis-

do

significar “acarreta

inelutave!mente”,

ou

então,

“permite,

torna

possível”,

ou

ainda,

“provoca,

engen

dra, conduz”, se não for simplesmente

“favorece, contribui para”. O que bem traduz

a

natureza variada

das

causas

possíveis:

diretas

ou

incidentes,

necessárias,

suficientes,

facilitadoras

...

A esse respeito, os dias se

guintes

a unia partida de

hockeypodern

fornecer exemplos tão divertidos quanto

instrutivos,

se

alguém

se

detém nas penetrantes análises

dos comentadores.

 
 

4

3

 
 

“De

qualquer

maneira,

 

teve-se

nossas

chances

de

scorer

(sic)

1

],

mas

é

preciso

aproveitar

isso”,

confiou

aos jornalistas

o treinador da equipe perdedora.

Essas chances de marcar constituem,

na verdade,

uma condição

necessá ria

à vitória,

mas,

constata

filosoficamente

o estrategista,

essa condição

não

basta

para assegurar essa vitória.

Ao contrário,

falando

dos vencedores:

“Eles foram mais oportunistas

(sk)

que

nós

e

[seu

goleiro]

fez

a

diferença”,

reconhece.

Eis

aí uma

condição

suficiente

para

vencer:

aproveitar

melhor que

o

adversário

as

ocasiões

que

se apresentam!

Poder-se-ia,

aliás,

por último,

acrescentar que

a

condição

necessária e

suficiente para ganhar

é marcar mais gols que o adversádo

E

unia condição

contrí

boi pan

a obtenção da vitória:

um

goleiro que

hrflha diante do

gol.

Outras

causas

não

têm

efeito

direto,

mas desempenham um poyco

o papel

de catalisador;

sem

intervir na ação propriamente dita,

faciLta,h

as

coisas.

“Não se deve esquecer a contribuição dos

‘torcedores’,

pois,

impelidos pela multidão, os jogadores

realizaram mi!agres”,

dirão os

analistas.

 
 

Entre os

pesquisadores,

 

a

idéia de

causalidade

animou

muitos

debates.

Para

os

positivistas,

“as mes

mas causas geram os mesmos efeitos”,

a

causa de um fenômeno podia ser isolada

e observada de fora.

 

Ora.

em

ciências

humanas

sabe-se que e

efeito pode variar:

assim,

em função

do momento,

do

contexto

e

cas

mcàc.:das.

uma provocação.

aaressisa le’.ará ora

a uma reacãc

:5:03

vic:à*zta,

cia

a

uma

soaso

 

asca cortara

aeaiad*-:Ea

aEe’v

-;rrzr

de

05/

 

roc

,ae

—‘‘

ec

—,u,m

-‘c

 

:3O0s

infiuêsc ias

diversas

e

freqüentemente

ira

orevisfveis,

usadas

aos

atores

e

àsci

rcunstãncias,

e

das.

quadnãoépossfveí hbertar-se sem Ozer desapamcero próprio fenômeno

.__

 

Ti

A

137

dos

A

constitui

muitas vezes

uma

estratégia eficaz

para pôr em dia relações

causais, mas ela continua

a ter

delicado; assim, as conclusões

uso

de

um

um estudo,

em que

o

grupo

experimental

seria composto

de

voluntários e o

grupo-testemunha de

escolhidos ao acaso na escola, seriam contestáveis.

alunos

Pois

mesmo

na ocasião da avaliação

inicial, os dois grupos se mostrem equivalen-

que,

no que concerne aos conhecimentos

tes

e às atitudes, as diferenças

-

final, diferenças que se poderiam atribuir à influência

vadas no

benéfica

dos

encontros, poderiam também se explicar pela qualidade de voluntá-

:4

dos membros do grupo experimental,

rios

que testemunham assim uma

abertura de espírito sem dúvida ausente nas pessoas racistas ou simples-

indiferentes.

mente

Como assegurar melhor a equivalência

dos

grupos?

No exemplo considerado,

o pesquisador pode

escolher ao acaso um

certo número de alunos da escola e reparti-los,

em dois

sempre ao acaso,

Um será forçado (sempre