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Revista Brasileira de Ciências Farmacêuticas Brazilian Journal of Pharmaceutical Sciences vol. 37, n. 3, set./dez., 2001

Brasileira de Ciências Farmacêuticas Brazilian Journal of Pharmaceutical Sciences vol. 37, n. 3, set./dez., 2001
Brasileira de Ciências Farmacêuticas Brazilian Journal of Pharmaceutical Sciences vol. 37, n. 3, set./dez., 2001
Brasileira de Ciências Farmacêuticas Brazilian Journal of Pharmaceutical Sciences vol. 37, n. 3, set./dez., 2001
Brasileira de Ciências Farmacêuticas Brazilian Journal of Pharmaceutical Sciences vol. 37, n. 3, set./dez., 2001

Doseamento do cloridrato de sertralina por cromatografia líquida de alta eficiência e volumetria em meio não-aquoso

Andréa Inês Horn Adams, Ana Maria Bergold*

Departamento de Produção de Matéria-prima, Faculdade de Farmácia, Universidade Federal do Rio Grande do Sul

*Correspondência:

A.M. Bergold Departamento de Produção de Matéria-prima Faculdade de Farmácia UFRGS Av. Ipiranga, 2752 , CEP 90610-000 - Porto Alegre/RS E-mail: bergold@farmacia.ufrgs.br

Foram desenvolvidos métodos aplicando-se a volumetria em meio não-aquoso (VMNA) e a cromatografia líquida de alta eficiência (CLAE) para o doseamento do cloridrato de sertralina como matéria-prima, cápsulas e comprimidos. O método cromatográfico foi devidamente validado e, para tanto, empregou-se fase móvel composta por acetonitrila:tampão fosfato de sódio pH 5,5 (7:3), coluna RP-8 LiChrospher ® 100, 5 μm (125 mm x 4 mm), vazão de 1,0 mL/min e detecção no UV a 270 nm. A taxa média de recuperação do método por CLAE aplicado às formulações foi de 99,18% e os coeficientes de variação encontrados variaram entre 0,32 a 1,15% (volumetria) e 0,19 a 1,04% (CLAE). O método volumétrico apresentou resultados semelhantes aos da CLAE na análise do fármaco como matéria-prima e em cápsulas manipuladas.

Unitermos:

• Cloridrato de sertralina

Volumetria em meio não-aquoso

CLAE

Medicamentos

INTRODUÇÃO

O cloridrato de sertralina é um composto pertencen- te à classe dos denominados inibidores seletivos da recaptação da serotonina (SSRIs), que representam alter- nativa aos compostos tricíclicos no tratamento da depres- são. O cloridrato de sertralina é o enantiômero S-cis de um tetraidronaftaleno dissubstituído (Figura 1).

S-cis de um tetraidronaftaleno dissubstituído (Figura 1). FIGURA 1 - Cloridrato de sertralina. Em comparação à

FIGURA 1 - Cloridrato de sertralina.

Em comparação à imipramina, a resposta terapêutica é similar, porém a sertralina é melhor tolerada, com menor

incidência de descontinuidade do tratamento (Keller et al., 1998; Miller et al.,1998). Tem sido apontado como o fármaco de escolha para o tratamento da depressão em ido- sos, por não apresentar os efeitos adversos relacionados a outros antidepressivos e por apresentar menor risco de interações medicamentosas mediadas pelo complexo enzimático do citocromo P450 (Preskorn, 1993). Ao contrá- rio dos outros fármacos do grupo, não é necessário ajuste de dose para o tratamento de idosos (Preskorn, Lane, 1995). O fármaco tem apresentando bons resultados no tra- tamento de curta-duração da síndrome do pânico (Londborg et al., 1998; Pollack et al., 1998), no tratamento de distúrbios obsessivo-compulsivos (Greist et al., 1995),

na terapia medicinal da ejaculação precoce (Biri et al, 1998) e da tensão pré-menstrual (Freeman et al., 1996).

Apesar do uso crescente, os códigos oficiais não apresentam monografias do cloridrato de sertralina. Johnson e Chang (1996) relacionaram métodos espectro- fotométricos, potenciométricos e cromatográficos aplicá- veis à análise do fármaco como matéria-prima e em pre- parações farmacêuticas, bem como métodos por CLAE e

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A. I. H. Adams, A. M. Bergold

cromatografia gasosa para análise do fármaco em fluidos biológicos.

O presente trabalho objetiva o desenvolvimento de

métodos facilmente exeqüíveis e devidamente validados para a análise do fármaco como matéria-prima e em pro- dutos formulados.

MATERIAL E MÉTODOS

O teor do cloridrato de sertralina foi determinado

por volumetria em meio não-aquoso (VMNA), com detecção do ponto final potenciometricamente ou com indicadores. Desenvolveu-se e validou-se um método de doseamento via cromatografia líquida de alta eficiência (CLAE), para fins de comparação de resultados.

Amostras

Analisaram-se duas matérias-primas de cloridrato de sertralina provenientes de fornecedores de farmácias de manipulação (sertra1 e sertra2), dois lotes de cápsulas pre- paradas em farmácias de manipulação (sertralina 50 mg, excipientes q.s.p. 301,65 mg e 210,78 mg) e comprimidos disponíveis comercialmente (sertralina 50 mg, excipientes q.s.p. 205,14 mg). A substância de referência, com pureza declarada de 100,46 % e os comprimidos foram gentilmente doados pelo Laboratório Biosintética (Brasil).

Reagentes e soluções

Os reagentes usados na VMNA foram de grau ana- lítico e as soluções indicadoras e volumétrica foram pre- paradas conforme descrito na Farmacopéia Brasileira 4ª

ed.(1988).

Para a preparação do diluente e da fase móvel para CLAE, utilizaram-se acetonitrila grau CLAE (OMNISOLV) e água purificada por sistema Millipore®. O diluente constituiu-se por mistura de acetonitrila:água (8:2, v/v). Como fase móvel utilizou-se solução de acetonitrila:tampão fosfato de sódio, pH 5,5 (7:3, v/v). Para a preparação da solução tampão foram pesados 6,9 g de fosfato de sódio monobásico e 0,15 g de fosfato de sódio dibásico. Após dissolução em água q.s.p. 1 000 mL, ajustou-se o pH da solução para 5,5 ± 0,1.

Volumetria em meio não-aquoso

Matéria-prima Pesaram-se exatamente quantidades de 180 a 200 mg de matéria-prima (amostras sertra1 e sertra2), as quais foram dissolvidas em 50 mL de ácido acético glacial.

Adicionaram-se 3 mL de acetato mercúrico a 6 % em áci- do acético glacial. Titulou-se com ácido perclórico 0,05 M

e o ponto de equivalência foi determinado potenciometri-

camente (eletrodo de vidro/calomelano). Para determina- ção do ponto final com os indicadores cloreto de metil- rosanilínio SI (2 gotas) ou 1-naftolbenzeína SI (5 gotas),

o ponto final da reação foi indicado pela mudança de cor

de violeta a verde-esmeralda e de amarelo a verde, respec-

tivamente (1,0 mL de ácido perclórico 0,05 M equivale a

17,135 mg de cloridrato de sertralina). A amostra sertra1 foi também analisada por outro método empregando a VMNA, no qual utilizou-se como solvente 2 mL de ácido fórmico em 50 mL de anidrido

acético e como titulante ácido perclórico 0,05 M. O pon-

to final da titulação foi determinado potenciometrica-

mente (eletrodo de vidro/calomelano) ou com o indicador

1-naftolbenzeína.

Cápsulas e comprimidos Determinou-se o peso médio de 20 unidades. Em erlenmeyer, foram exatamente pesadas quantidades equi- valentes a aproximadamente 170 mg de sertralina. Adici- onaram-se 35 mL de ácido acético glacial previamente neutralizado e agitou-se por 10 minutos. Filtrou-se a solu- ção em filtro de papel, lavando-se o erlenmeyer e o filtro com 4 porções de 5 mL do mesmo solvente ou até que sua cor não alterasse em contato com os materiais. Ao filtra- do adicionaram-se 3 mL de acetato mercúrico a 6 % em

ácido acético glacial. Titulou-se com ácido perclórico 0,05 M.

O ponto de equivalência foi determinado potenciometri-

camente (eletrodo de vidro/calomelano) e o ponto final com o indicador 1-naftolbenzeína SI (1,0 mL de ácido perclórico 0,05 M equivale a 15,312 mg de sertralina).

Cromatografia líquida de alta eficiência (CLAE)

Utilizou-se cromatógrafo líquido Shimadzu LC-10 AD com injetor manual Reodyne® , loop de 20 mL,

detector UV/Vis Shimadzu SPD-10 AV ajustado em λ de 270 nm e integrador eletrônico Shimadzu C-R6A para estimar a área dos picos. A coluna usada foi RP-8 LiChrospher® 100 (125 mm x 4 mm, partículas 5 μm) e

a vazão da fase móvel foi de 1,0 mL/min. A solução

diluente e a fase móvel foram preparadas no dia da análi-

se e desgaseificadas antes do uso. As amostras e a fase móvel foram filtradas através de filtro de nylon 0,45 μm com 13 e 47 mm de diâmetro (SUPELCO).

Matéria-prima Quantidades exatas das matérias-primas e da subs- tância de referência foram pesadas e solubilizadas com o

Doseamento do cloridrato de sertralina por cromatografia líquida de alta eficiência

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diluente de modo a obter uma solução contendo 1,5 mg/mL de cloridrato de sertralina.

Cápsulas e comprimidos Determinou-se o peso médio de 20 cápsulas ou comprimidos. Amostras dos comprimidos pulverizados ou do conteúdo das cápsulas foram transferidas para ba- lões de 25,0 mL. Adicionaram-se 15 mL do diluente, agi- tou-se mecanicamente por 10 minutos e completou-se o volume com a mesma solução, a fim de obter solução com concentração de 0,75 mg/mL.

Teste de recuperação

Para avaliar a eficiência do procedimento de extra- ção do cloridrato de sertralina das amostras de comprimi- dos e cápsulas, quantidades conhecidas da substância de referência (0,6, 0,75 e 0,9 mg/mL) foram adicionadas às soluções da amostras contendo 0,75 mg/mL de cloridrato de sertralina. A percentagem de recuperação foi calcula- da por meio da expressão descrita pela AOAC INTERNATIONAL (Association of Official Analytical Chemists International, 1990).

Linearidade e precisão

A linearidade do método foi determinada por meio

de dois experimentos em dias diferentes, sendo a curva de calibração construída na faixa de 0,5 a 2,5 mg/mL. Os resultados foram avaliados estatisticamente por ANOVA.

A precisão foi avaliada com relação aos parâmetros

de repetibilidade e precisão intermediária.

RESULTADOS E DISCUSSÃO

O cloridrato de sertralina não possui monografia nos

códigos oficiais e a literatura científica sobre o controle de

qualidade deste fármaco é reduzida. Visando a suprir esta carência foram estudados métodos de análise compatíveis com as características estruturais do fármaco. Halogenetos, como o cloridrato de sertralina, podem ser quantitativamente determinados com ácido perclórico em meio acético; entretanto, o ponto de viragem com in- dicadores só pode ser observado nitidamente utilizando- se acetato mercúrico adicionado ao solvente ácido acético. Outra alternativa é a solubilização do fármaco em solução de anidrido acético e ácido acético (The Pharma- copoeia of Japan, 1981) ou em solução de ácido fórmico e anidrido acético. Os indicadores recomendados são Sudam III e IV e 1-naftolbenzeína (Europäisches, 2000).

Neste estudo empregaram-se dois métodos: o que utiliza acetato de mercúrio adicionado ao ácido acético e o método que utiliza mistura de ácido fórmico e anidrido acético como solvente. Porém, devido à pouca quantida- de de amostra, o segundo método foi empregado apenas para a amostra sertra1.

O método por CLAE foi desenvolvido e validado

(Adams, Bergold, 2001) a fim de comparar os resultados obtidos pela VMNA, pois a exatidão pode ser determinada pela comparação dos resultados do método que está sen-

do proposto com os de um segundo método bem caracte- rizado (The United States Pharmacopeia, 2000). Com base na varredura do espectro no UV, o λ para detecção foi ajustado em 270 nm, a fim de evitar interfe- rência de excipientes e solventes na análise.

O método mostrou-se linear na faixa de 0,50 a 2,50

mg/mL, com um coeficiente de correlação de 0,9999 e com a seguinte equação da reta: y = 124136 + 3491562x. Os cromatogramas mostram a ausência da interfe- rência dos excipientes no método analítico (Figura 2). Os resultados do teste de recuperação encontram-se descritos na Tabela I. Verifica-se que a percentagem mé-

dia de recuperação do cloridrato de sertralina em compri- midos e cápsulas foi 99,18% (n=18), confirmando a exa- tidão do método.

O sistema cromatográfico proposto apresentou nú-

mero de pratos teóricos em torno de 2 600, fator de cauda próximo a 1,25, e o coeficiente de variação entre injeções foi inferior a 1,0%, valores que cumprem as especi- ficações (FDA, 1994). O tempo de retenção do cloridrato de sertralina foi de aproximadamente 3,8 minutos, propor- cionando análises com tempo de duração adequado.

Com base em todos os fatores abordados, conside- rou-se o método por CLAE validado e, portanto, adequa- do para comparação dos resultados fornecidos pela VMNA. Os resultados obtidos no doseamento das matérias- primas por VMNA e CLAE estão representados na Tabela

II. Uma vez que o ponto final do método volumétrico com anidrido acético empregando indicador foi de difícil detecção, são apresentados apenas os resultados obtidos potenciometricamente.

A análise estatística dos resultados demonstrou não

haver evidências de diferenças significativas entre os métodos de análise (p< 0,05) para sertra2. Para a amostra sertra1 observou-se diferença significativa entre os méto- dos. Procedeu-se ao teste de Tukey, que identificou como sendo significativa a diferença entre as médias obtidas pela VMNA com anidrido acético e pela VMNA com ponto final potenciométrico, bem como com indicador 1- naftolbenzeína (p< 0,05). Porém, todos os métodos testa-

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A. I. H. Adams, A. M. Bergold

332 A. I. H. Adams, A. M. Bergold FIGURA 2 – Cromatogramas do cloridrato de sertralina:
332 A. I. H. Adams, A. M. Bergold FIGURA 2 – Cromatogramas do cloridrato de sertralina:

FIGURA 2 – Cromatogramas do cloridrato de sertralina: substância de referência (A), cápsulas manipuladas (B) e comprimidos (C). Condições: fase móvel, acetonitrila:tampão fosfato de sódio, pH 5,5 (7:3); vazão, 1,0 mL/min; coluna, RP-8 LiChrospher ® 100, 5 μm (125 mm x 4 mm); detecção em 270 nm; velocidade do papel 0,3 cm/min; concentração 1,5 mg/mL.

TABELA I - Recuperação de solução padrão de cloridrato de sertralina adicionada às amostras de comprimidos (Comp) e cápsulas manipuladas (Cap1, Cap2) e analisadas por CLAE

Amostra

Quantidade adicionada (mg/mL)

Quantidade encontrada (mg/mL)

Recuperação*

CV

(%)

(%)

Comp

0,60

0,59

98,33

0,63

0,75

0,74

98,66

0,75

0,90

0,89

98,89

0,48

Cap1

0,60

0,59

98,33

0,24

0,75

0,77

102,67

1,09

0,90

0,92

102,22

0,31

Cap2

0,60

0,59

98,33

0,48

0,75

0,73

97,33

0,09

0,90

0,88

97,78

1,15

*Média de 2 determinações

dos não foram estatisticamente diferentes ao método por CLAE, considerado como método de referência. Para conclusões definitivas quanto a VMNA em anidrido acético, seria necessário analisar outras matérias- primas.

Pode-se observar a precisão dos métodos pelos bai- xos valores dos coeficientes de variação apresentados. Convém ressaltar que a média expressa no doseamento por CLAE refere-se aos teores obtidos em três dias dife- rentes, distribuídos ao longo de um mês.

Doseamento do cloridrato de sertralina por cromatografia líquida de alta eficiência

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TABELA II - Teor de cloridrato de sertralina determinado por VMNA e CLAE para matérias-primas (sertra1 e sertra2

Amostras

VMNA (P)

VMNA (CV)

VMNA (NB)

VMNA (AA)

CLAE

SERTRA1

Teor (%)

98,36

98,95

98,36

99,98

98,92

CV (%)

0,44

1,09

1,15

0,54

1,04

SERTRA2

Teor (%)

99,86

99,95

99,73

-

99,64

CV (%)

0,41

0,59

0,33

-

0,88

n = 7 para VMNA e n = 9 para CLAE. (P): potenciométrico; (CV): cristal violeta; (NB): naftol-benzeína; (AA): anidrido acético.

Na Tabela III são apresentados os resultados obtidos no doseamento do cloridrato de sertralina de cápsulas manipuladas e comprimidos.

TABELA III - Teor de sertralina base determinado por VMNA e CLAE para comprimidos (comp) e cápsulas (cap1 e cap2)

Amostras

VMNA

VMNA

CLAE

(P)

(NB)

COMP

Teor (%)

101,19

101,53

99,01

CV (%)

0,32

0,59

0,19

CAP 1

Teor (%)

99,40

99,65

100,14

CV (%)

0,87

0,49

0,81

CAP 2

Teor (%)

98,83

98,91

99,37

CV (%)

0,82

0,88

0,89

n = 5 para todas as amostras avaliadas. (P): potencio- métrico; (NB): naftol-benzeína.

A análise estatística dos resultados (ANOVA) de- monstrou não haver evidências de diferenças significati- vas entre os métodos empregados no doseamento das cáp- sulas manipuladas (p< 0,05), as quais continham, como excipientes, aerosil e lactose. (F calculado: cap1 = 1,27; cap2 = 0,59. Fcrítico = 3,88). Os resultados obtidos no doseamento volumétrico da especialidade farmacêutica foram superiores aos obti- dos por CLAE (p< 0,05), o que pode ser atribuído à inter- ferência dos excipientes, que provavelmente foram solubilizados pelo ácido acético glacial e, assim, não fo- ram totalmente retidos no processo de filtração. (Fcalculado = 56,04 > Fcrítico = 3,88).

CONCLUSÕES

Os métodos propostos demonstraram ser precisos e exatos, pelos baixos coeficientes de variação e pela por- centagem de recuperação apresentados. Para a análise de matérias-primas e cápsulas mani- puladas, tanto os métodos volumétricos quanto o de CLAE mostraram-se adequados. Porém, por se tratar de técnica com metodologia muito simples, rápida e viável economicamente, a VMNA representa uma alternativa para o controle de qualidade do cloridrato de sertralina como matéria-prima e cápsulas preparadas em farmácias de manipulação e laboratórios de pequeno porte, desde que as cápsulas não contenham excipientes que interfiram no doseamento. O método volumétrico não se mostrou adequado para o doseamento dos comprimidos utilizados neste estudo.

ABSTRACT

Sertraline hydrochloride assay by high performance liquid chromatography and nonaqueous titrimetry

Volumetric and high-performance liquid chromatographic assays for the determination of sertraline hydrochloride in pharmaceutical preparations and raw material were developed. The HPLC method was validated using: a RP- 8 LiChrospher ® 100, (125 mm x 4 mm, 5 μm) column; mobile phase constituted of acetonitrile: sodium phosphate buffer, pH 5.5 (7:3, v/v); ultraviolet detection at 270 nm and flow rate of 1.0 mL/min. The average recovery of the HPLC method was 99.18% and the coefficients of variation were between 0.32 and 1.15% (volumetric assay) and 0.19 and 1.04% (HPLC assay). The volumetric assay showed to be adequate to the analysis of the sertraline hydrochloride content in raw material and capsules manufactured in pharmacies.

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A. I. H. Adams, A. M. Bergold

UNITERMS: Sertraline hydrochloride assay. Nonaqueous titrimetry. HPLC assay. Pharmaceutical preparations.

AGRADECIMENTOS

Ao CNPq, pelo auxílio financeiro, e ao Laboratório Biosintética, pela doação da substância de referência e comprimidos.

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Recebido para publicação em 18 de dezembro de 2000.