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Denise Maranhão Carlos André Teixeira Tiago Marques Araújo Teixeira ANÁLISE DE RISCO: APLICAÇÃO DA ACBR
Denise Maranhão Carlos André Teixeira Tiago Marques Araújo Teixeira ANÁLISE DE RISCO: APLICAÇÃO DA ACBR
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Denise Maranhão Carlos André Teixeira Tiago Marques Araújo Teixeira ANÁLISE DE RISCO: APLICAÇÃO DA ACBR
Denise Maranhão
Carlos André Teixeira
Tiago Marques Araújo Teixeira
ANÁLISE DE RISCO: APLICAÇÃO DA ACBR EM
ESTUDO DE CASO NA RMS
DE RISCO: APLICAÇÃO DA ACBR EM ESTUDO DE CASO NA RMS SALVADOR 2007 PROCEDIMENTOS DE INVESTIGAÇÃO
DE RISCO: APLICAÇÃO DA ACBR EM ESTUDO DE CASO NA RMS SALVADOR 2007 PROCEDIMENTOS DE INVESTIGAÇÃO

SALVADOR

2007

PROCEDIMENTOS DE INVESTIGAÇÃO E AVALIAÇÃO DA CONTAMINAÇÃO EM POSTOS DE COMBUSTÍVEIS, UTILIZANDO METODOLOGIAS DE

ESCOLA POLITÉCNICA - UFBA DEPARTAMENTO DE HIDRAULICA E SANEAMENTO CURSO DE ESPECIALIZAÇÃO EM GERENCIAMENTO E TECNOLOGIAS AMBIENTAIS NA INDÚSTRIA

Denise Maranhão Carlos André Teixeira Tiago Marques Araújo Teixeira

PROCEDIMENTOS DE INVESTIGAÇÃO E AVALIAÇÃO DA CONTAMINAÇÃO EM POSTOS DE COMBUSTÍVEIS, UTILIZANDO METODOLOGIAS DE ANÁLISE DE

RISCO: APLICAÇÃO DA ACBR EM ESTUDO DE CASO NA RMS

Monografia apresentada ao Curso de Especialização em Gerenciamento de Tecnologias Ambientais e Tecnologias, da Universidade Federal da Bahia – UFBA, como requisito parcial para obtenção do título de Especialista.

Orientador: Prof.ª Iara Brandão de Oliveira.

Salvador

2007

LISTA DE TABELAS

Tabela 2.1

Composição Molar da Gasolina por Tipo de Grupo e Nº de Carbonos 10

Tabela 2.2

Causa dos Acidentes em Postos de Combustíveis 13

Tabela 2.3

Normas Técnicas para Postos de Combustíveis 19

Tabela 2.4

Áreas Contaminadas no Estado de São Paulo - Maio de 2006 22

Tabela 2.5

Autuações em Postos de Combustíveis na Bahia 23

Tabela 2.6

Legislações Municipais Relacionadas à Instalação de Posto de Combustíveis em Salvador

26

Tabela 2.7

Classificação de Áreas e de Ações de Resposta para Tipo 1 – Risco Imediato

33

Tabela 3.1

Concentrações de COV das Amostras de Solo 57

Tabela 3.2

Resultados das Amostras Geotécnicas

59

Tabela 3.3

Resultados do Levantamento Topográfico Relativo dos Poços e da Medição do Nível d’Água e Fase Livre

63

Tabela 3.4

Resultados das Análises Químicas do Solo - BTEX E TPH - (mg/Kg) 70

Tabela 3.5

Resultados das Análises Químicas do Solo - PAH - (mg/Kg)

70

Tabela 3.6

Resultados das Análises Químicas da Água Subterrânea - BTEX E TPH - (mg/L)

71

Tabela 3.7

Resultados das Análises Químicas da Água Subterrânea - PAH - (mg/L)

71

Tabela 3.8

Levantamento dos Cenários de Exposição

72

Tabela 3.9

Resultados das Análises Químicas do Solo, Valores de Intervenção e NABR para BTEX e TPH (mg/Kg)

75

Tabela 3.10

Resultados das Análises Químicas do Solo, Valores de Intervenção e NABR para PAH - (mg/Kg)

75

Tabela 3.11

Resultados das Análises Químicas da Água Subterrânea, Valores de Intervenção e NABR para BTEX e TPH - (mg/L)

76

Tabela 3.12

Resultados das Análises Químicas da Água Subterrânea, Valores de Intervenção e NABR para PAH - (mg/L)

76

Tabela 3.13

Resultados das Análises Químicas do Solo e CMEA para BTEX (mg/Kg)

80

Tabela 3.14

Resultados das Análises Químicas do Solo e CMEA para PAH - (mg/Kg)

81

Tabela 3.15

Resultados das Análises Químicas da Água Subterrânea e CMEA para BTEX (mg/L)

81

Tabela 3.16

Resultados das Análises Químicas da Água Subterrânea e CMAE para PAH - (mg/L)

82

LISTA DE FIGURAS

Figura 2.1

Processos de Transporte do NAPL na Subsuperfície

 

8

Figura 2.2

Cenário Hipotético de Contaminação

 

29

Figura 2.3

Elementos da Análise de Risco em Níveis (ASTM)

 

30

Figura 2.4

Fluxograma Geral de Abordagem da ACBR

 

31

Figura 2.5

Tabela de Nível de Avaliação Baseados no Risco – Benzeno

 

35

Figura 2.6

Fluxograma

do

Novo

Procedimento

da

CETESB

para

Aplicação

da

39

Metodologia ACBR

 

Figura 2.7

Estrutura Conceitual do Modelo C Soil

 

41

Figura 2.8

Tipos e Freqüências de Aplicação de Tecnologias de Remediação de Solo

 

45

Figura 2.9

Tipos e Freqüências de Aplicação de Tecnologias de Remediação de Água Subterrânea

46

Figura 2.10

Técnicas de Remediação Implantadas no Estado de São Paulo – Período de2002 até maio de 2006

47

Figura 3.1

Foto Aérea do Local

 

50

Figura 3.2

Croqui do Posto de Gasolina

 

52

Figura 3.3

Mapa de Isoconcentrações de COV (ppm) e a Planta Situação da Área

 

56

Figura 3.4

Mapa de Localização das Sondagens e Distribuição dos Resultados Analíticos em Solo

58

Figura 3.5

Perfis

Litológicos

e

Construtivos

das

Sondagens

e

Poços,

com

as

60

Concentrações de COV em Profundidade

 

Figura 3.6

Mapa de Localização dos Poços Instalados, Distribuição dos Resultados Analíticos em Água e Mapa Potenciométrico

61

Figura 3.7

Seção Hidrogeológica A-A’ e Distribuição Vertical das Concentrações de COV (ppm)

67

1

1.1

1.1.2

1.1.3

2

2.1

2.2

2.3

2.4

2.5

2.6

3

3.1

3.2

3.2.1

3.2.2

3.2.2.1

3.2.2.2

3.2.2.3

3.2.2.4

INTRODUÇÃO

OBJETIVO GERAL

Objetivos Específicos

SUMÁRIO

Estrutura da Monografia

REVISÃO TEÓRICA

CONTAMINAÇÃO

COMBUSTÍVEIS AUTOMOTIVOS

DE

SOLO

E

ÁGUA

SUBTERRÂNEA

POR

CONTAMINAÇÃO NOS POSTOS DE COMBUSTÍVEIS E EQUIPAMENTOS DE PREVENÇÃO

LEGISLAÇÕES FEDERAIS, ESTADUAIS, MUNICIPAIS E NORMAS TÉCNICAS RELACIONADAS AO FUNCIONAMENTO DE POSTOS DE COMBUSTÍVEIS

METODOLOGIAS DE AVALIAÇÃO DE RISCO RBCA (ASTM E 1739 – 95) E ACBR (CETESB 10/2006/C)

METODOLOGIA DE AVALIAÇÃO DE RISCO C- SOIL

TECNOLOGIAS DE REMEDIAÇÃO PARA POSTOS DE COMBUSTÍVEIS

MATERIAIS E MÉTODOS

CARACTERIZAÇÃO DO POSTO COMBUSTÍVEL NA RMS E DA ÁREA DE ESTUDO

INVESTIGAÇÕES

METODOLOGIA ACBR

Investigação

Emergencial

Investigações Confirmatórias

REALIZADAS

Coleta

de

Preliminar,

PARA

Dados

APLICAÇÃO

DA

Básicos

e

Atendimento

Atividade de Sondagem do Solo, Instalação de Poços e Coletas de Amostras

Levantamento Topográfico, Mapa Potenciométrico da Área e Espessura da Fase Livre nos Poços de Monitoramento

Ensaio de Permeabilidade

Estudo de Caracterização Geológica e Hidrogeológica Local

3

6

6

6

7

7

12

17

27

40

44

48

49

53

53

54

54

63

64

66

3.3

MODELO CONCEITUAL DE EXPOSIÇÃO

72

3.4

ANÁLISE DE RISCO UTILIZANDO A METODOLOGIA ACBR

74

3.4.1

Análise de Risco – Nível 1

74

3.4.2

Análise de Risco – Nível 2

78

3.5

COMENTÁRIOS SOBRE O ESTUDO DE CASO E RECOMENDAÇÕES AO EMPREENDEDOR

83

4

RESULTADOS E DISCUSSÃO

85

4.1

PROCEDIMENTOS PARA AVALIAÇÃO DA CONTAMINAÇÃO ESTABELECIDOS EM SÃO PAULO

85

4.2

PROCEDIMENTOS PARA AVALIAÇÃO DA CONTAMINAÇÃO ESTABELECIDOS NA BAHIA

85

4.3

O ESTUDO DE CASO

86

5

CONCLUSÕES E RECOMENDAÇÕES

88

REFERÊNCIAS

90

ANEXOS

94

ANEXO I: Planilhas do RBCA Tool Kit for Chemical Releases, Version 1.3 b.

94

3

Especialização em Gerenciamento e Tecnologias Ambientais na Indústria.

Especialização em Gerenciamento e Tecnologias Ambientais na Indústria. 2007 Monografia I

2007

Monografia

I

1 INTRODUÇÃO

No Brasil existem cerca de 36.000 postos que envolvem a revenda de combustíveis (AGÊNCIA NACIONAL DE PETRÓLEO, 2005) e abastecem diariamente milhares de veículos automotores, o principal meio de transporte nacional. Estes postos estão distribuídos em todas as regiões do país, mas se concentram, principalmente, nas regiões de maior densidade populacional, por haver uma maior concentração de veículos e, conseqüentemente, um maior mercado consumidor. De acordo com dados da Agência Nacional de Petróleo – ANP, São Paulo é o estado que possui maior número de postos, seguido por Minas Gerais, Paraná, Rio Grande do Sul, Rio de Janeiro, Santa Catarina e na sétima colocação a Bahia (GOUVEIA, 2004, p. 9). Já há algum tempo, os postos de serviço têm sido fonte de preocupação motivada pelos riscos sócio-ambientais e de segurança relacionados às suas atividades. Os combustíveis são produtos tóxicos que podem contaminar fontes de abastecimento de água devido à presença na sua constituição de hidrocarbonetos monoaromáticos como benzeno, tolueno, etilbenzeno e xilenos (denominados BTEX), considerados substâncias perigosas por serem depressantes do sistema nervoso central, além de causar leucemia (CORSEUIL; MARINS, 1997, p. 2). Também são produtos inflamáveis, podendo causar acidentes com incêndio e explosão, caso ocorra o acúmulo de combustíveis em locais confinados como caixas de telefonia e cabos elétricos, subsolo de edificações, dentre outros ambientes. Os acidentes ambientais em postos estão relacionados, principalmente, com vazamentos e derramamentos de combustíveis gerados por falhas construtivas (ex.: corrosão em tanques e tubulações, ausência de pavimentação) e falhas operacionais (ex.: vazamentos durante a operação de abastecimento dos veículos e vazamentos durante o descarregamento de combustível do caminhão tanque) que atingem o solo e a água subterrânea. Esses acidentes ocorrem com maior freqüência em instalações de postos antigos, com tanques, tubulações e bombas com vinte anos de operação, em estabelecimentos ainda não licenciados e fora dos padrões atualmente exigidos. Os registros de acidentes ambientais atuais revelam que os postos de serviço são um dos principais causadores deste tipo de ocorrência no país, justificando os motivos de preocupação da sociedade em geral. De acordo com os dados do órgão ambiental do Rio de Janeiro, Fundação Estadual de Engenharia do Meio Ambiente (FEEMA), de 1983 a 2003, os

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Especialização em Gerenciamento e Tecnologias Ambientais na Indústria. 2007 Monografia I

2007

Monografia

I

postos foram responsáveis por 12% dos atendimentos de emergência realizados no estado, ficando na quarta posição das atividades com maior incidência de acidentes (GOUVEIA, 2004, p.16). Em São Paulo, dados do ano de 2006 revelam que os postos contribuíram com 73% da contaminação no estado, sendo a atividade que mais contamina, seguida das atividades industriais com 16% (COMPANHIA DE TECNOLOGIA DE SANEAMENTO AMBIENTAL, 2006). Antes de 2000, os postos de combustíveis já eram fiscalizados pelos estados e/ou prefeituras, através de suas secretarias e órgãos ambientais, entretanto esta fiscalização não era tão criteriosa como atualmente. A partir da Resolução Conama nº 273, de 29 de novembro de 2000, o licenciamento de postos de combustíveis se tornou obrigatório em todo território nacional, exigindo que todos os estados ou municípios fiscalizem esta atividade. Com base nessa Resolução, surgiram legislações estaduais mais específicas, definindo, inclusive, critérios construtivos mínimos com base em normas técnicas da ABNT. O aumento da fiscalização dos órgãos ambientais aos postos de combustíveis gerou um incremento na identificação de áreas contaminadas e também nas cifras envolvidas para descontaminar esses locais. As metas de descontaminação a serem atingidas para água subterrânea tinham como referência padrões de potabilidade da água para o consumo humano, tornando necessários investimentos financeiros altos para atingir estes valores que muitas vezes não eram alcançados. Para o proprietário do posto as conseqüências das contaminações são graves, pois muitas vezes é necessária à interdição do posto com paralisação das vendas, são aplicadas multas e, segundo dados da EPA, o custo de recuperação ambiental é da ordem de US$ 125 mil para extração do combustível e tratamento do solo na área de um posto e nas circunvizinhanças (EPA, 2002b apud KAIPPER, 2003, p. 5). O impacto econômico da contaminação é, de fato, um problema. Os custos de remediação são elevados e algumas áreas contaminadas são de instalações abandonadas, algumas de empresas falidas, dificultando a definição dos responsáveis pelo crime ambiental. Para tentar resolver esta questão, em 2005 o estado de São Paulo elaborou um projeto de lei (PL 368/2005), similar ao Superfund nos EUA, para a criação de um Fundo Estadual para Prevenção e Remediação de Áreas Contaminadas – FEPRAC, visando financiar inicialmente as remediações de áreas contaminadas sem responsáveis identificados (FURTADO, 2005); entretanto esse projeto de lei ainda não foi aprovado e a sua operacionalização ainda está sendo bastante discutida.

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I

O alto custo e dificuldades tecnológicas associadas à remediação de solos e aqüíferos contaminados tornaram necessário desenvolver metodologias de avaliação de áreas degradadas utilizando considerações de análises de risco como ferramenta para tomada de decisão. Com isso, evita-se a utilização de critérios únicos, tais como os padrões de potabilidade de água, em locais de pouco risco ao meio ambiente e a população, evitando-se grandes gastos. Assim os padrões são estabelecidos considerando-se as condições e os riscos do local contaminado, relacionados à saúde humana e ao meio ambiente. Devido à tendência crescente do uso dos mananciais de água subterrânea, áreas densamente povoadas e altos custos envolvidos em remediação de áreas contaminadas; a avaliação de risco é fundamental para que soluções sejam tomadas com menores custos, mas sem detrimento da saúde pública. No Brasil, as avaliações de riscos das áreas contaminadas por vazamentos de combustíveis são realizadas, principalmente, com base na metodologia ACBR (Ações Corretivas Baseada no Risco), adaptada da metodologia da norma norte americana ASTM E1739 – 95. Esta monografia avalia os procedimentos de investigação e avaliação de contaminação em postos de combustíveis do estado da Bahia, que possui atualmente cerca de 1700 postos (AGÊNCIA NACIONAL DE PETRÓLEO, 2005). Desde 2002, os postos estão passando pelo processo de licenciamento e por uma maior fiscalização por parte do órgão ambiental do estado, tendo sido já identificadas diversas áreas contaminadas por estes estabelecimentos. Sabe-se que a manutenção adequada da saúde pública passa pelo controle das fontes para abastecimento de água potável, destaca-se o cuidado para evitar a contaminação dos solos e águas subterrâneas cujos maiores causadores são os vazamentos e derramamentos de postos de combustíveis, tema desta monografia. Este trabalho também responde questões relacionadas à contaminação do solo e águas subterrâneas por postos de combustíveis. Como ocorre o fenômeno de contaminação? Qual a origem da contaminação? Quais são as legislações ambientais que regulamentam a atividade dos postos de combustíveis? O que é avaliação de risco e como é feita? Quais são os riscos envolvidos em uma contaminação por combustíveis? Quais são as técnicas de remediação mais aplicadas para contaminação por postos de combustíveis? Como poderia ter sido evitada a contaminação?

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Monografia

I

1.1 OBJETIVO GERAL

O objetivo geral desta monografia é apresentar procedimentos de investigação e avaliação da contaminação em postos de combustíveis, utilizando o método de análise de risco ACBR, aplicado ao estudo de caso realizado no estado da Bahia.

1.1.2 Objetivos Específicos

Para alcançar este objetivo geral, o trabalho tem os seguintes objetivos específicos:

a) comparar as legislações do estado da Bahia que disciplinam as atividades dos postos de combustíveis com referência as legislações de São Paulo;

b) investigar a contaminação em um posto de gasolina na Região Metropolitana de Salvador – RMS, como estudo de caso;

c) fazer a avaliação de risco do local utilizando a metodologia de Análise de Risco ACBR;

d) sugerir um programa de monitoramento ou recomendações para remediação da área contaminada.

1.1.3 Estrutura da Monografia

Esta monografia foi elaborada com base em pesquisa bibliográfica executada pelos autores do trabalho, bem como em resultados oriundos da execução de trabalhos técnicos relacionados a este assunto, obtidos na atividade profissional dos mesmos. O texto da monografia é composto de cinco capítulos. O segundo capítulo apresenta a revisão teórica sobre os assuntos: contaminantes e o fenômeno de contaminação por combustíveis automotivos, a origem da contaminação em postos de combustíveis e equipamentos de prevenção, legislações pertinentes, métodos de avaliação de risco (ACBR e C-Soil) e técnicas de remediação mais utilizadas para postos de combustíveis.

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I

O capítulo três destina-se a Materiais e Métodos. É feita uma análise de risco pela metodologia ACBR para um caso de contaminação por um posto combustível ocorrido em Salvador-BA. Neste estudo de caso, primeiro caracteriza-se o cenário de contaminação, com informações sobre as atividades do posto, equipamentos existentes no local e informações dos arredores; depois são descritas todas as atividades de atendimento emergencial, investigação e análise de risco seguindo a metodologia ACBR utilizada pela CETESB para atendimento deste tipo de ocorrência no estado de São Paulo. No capítulo quatro, relativo a Resultados e Discussões, são apresentados alguns aspectos relevantes identificados na aplicação da análise de risco ACBR realizada para o estudo de caso. As Conclusões e Recomendações são apresentadas no capítulo cinco, nas quais se destacam algumas observações e oportunidades de melhorias identificadas na aplicação da análise de risco ACBR e na Norma Técnica do CRA NT 002/2006, recém publicada no Estado da Bahia.

2 REVISÃO TEÓRICA

2.1 CONTAMINAÇÃO DE SOLO E ÁGUA SUBTERRÂNEA POR COMBUSTÍVEIS AUTOMOTIVOS

De acordo com as estatísticas da CETESB, entre o período de 1984 até novembro de 2006 (COMPANHIA DE TECNOLOGIA DE SANEAMENTO AMBIENTAL, 2006), nas ocorrências de vazamentos de tanques em postos de combustíveis no estado de São Paulo, os produtos mais identificados nestes acidentes são a gasolina e o óleo diesel, com percentuais de 71,1% e 18,6%, respectivamente. Um vazamento de gasolina ou óleo diesel se assemelha ao comportamento de um contaminante não miscível a água, também chamado de NAPL (Non Aqueous Phase Liquids – Fase Líquida Não Aquosa). Por serem menos denso que a água (light), ambos seguem o comportamento do LNAPL, geralmente caracterizada por duas regiões na subsuperfície, a área da fonte (LNAPL

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puro) e uma pluma de contaminação, na qual os contaminantes orgânicos hidrofóbicos (COHs) vão se espalhar na franja capilar da zona saturada, enquanto a fração dissolvida é transportada com o fluxo da água subterrânea. Após o derramamento de um NAPL na superfície do terreno, o líquido migra para baixo através da zona não saturada do subsolo. Há então, a formação de gânglios do líquido, que ficam retidos nos poros do solo, criando uma fase denominada residual. No caso dos LNAPLs, o líquido se deposita no topo da franja capilar. Em presença dos NAPLs com densidade maior que a da água (Dense Non Aqueous Phase Liquids - DNAPLs), o líquido continua a migrar para baixo através da zona saturada, até toda a sua massa ser distribuída como fase residual ou até encontrar uma camada impermeável, formando uma fase livre. A concentração dos contaminantes orgânicos na subsuperfície pode ser afetada por vários processos. Normalmente esses processos incluem: a infiltração do NAPL na zona insaturada da subsuperfície pelas forças gravitacional e de capilaridade, migração no topo da franja capilar e expansão do NAPL no lençol freático (pluma de contaminação), dissolução do NAPL na água, transporte com a água subterrânea em direção a juzante, bem como perdas por vaporização, sorção e biodegradação (como pode ser visto na figura 2.1) (POWERS et al., 2001 apud KAIPPER, 2003, p.28)

SASC Infiltração através da zona insaturada Volatilização Expansão no lençol freático Dissolução de
SASC
Infiltração através da
zona insaturada
Volatilização
Expansão no lençol freático
Dissolução de espécies químicas
para água subterrânea (zona saturada)
Co-solvência
Limitações taxa transporte água/NAPL
Avecção e Dispersão com
Sorção e
Biodegradação

Figura 2.1: Processos de Transporte do NAPL na Subsuperfície Fonte: POWERS et al., 2001 apud KAIPPER

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Ressalta-se ainda que a distribuição dos contaminantes dos combustíveis não se restringe apenas ao solo e a água subterrânea, existem outros processos de transporte, ou seja da distribuição da contaminação. Os contaminantes podem ser adsorvidos pelo solo, dissolverem-se na água, podem ser transferidos do solo para água, volatilizarem do solo ou água para o ar ou podem ser sorvidos do solo por plantas e outros vegetais. Um composto também pode sofrer degradação foto ou microbiológica. A tendência de um composto se mover será definido pelas suas propriedades físico-químicas (densidade, solubilidade em água, coeficientes de partição octanol/água - Kow, coeficientes de partição carbono orgânico/água - Koc, pressão de vapor e constante de Henry), as quais irão interferir no transporte e destino do mesmo (JERNIGAN et al., 1990 apud KAIPPER, 2003, p.28). Os vários processos de transporte dos contaminantes também determinam diferentes rotas de exposição aos seres vivos, pois a contaminação humana pode ocorrer não somente através da ingestão direta da água e contato com a pele durante o banho, mas também por inalação do vapor que migraram por entre os poros do solo, por exemplo. Óleo diesel e gasolina são combustíveis produzidos a partir do petróleo pelo processo de craqueamento ou destilação do óleo cru que separa as diversas frações de acordo com as aplicações definidas para as mesmas. Quanto ao petróleo, é uma mistura complexa de hidrocarbonetos gerados ao longo de milhões de anos (15 a 500 milhões de anos) da decomposição da matéria orgânica de plantas aquáticas e animais pré-históricos. A composição do petróleo pode variar dependendo da fonte e do histórico geológico de cada jazida. Estão presentes, no petróleo, diversas classes de hidrocarbonetos como os alcanos, alcenos, alcinos, cicloalcanos (comumente chamados de naftenos), aromáticos, etc. O óleo diesel é formado por um mistura de destilados intermediários do óleo cru do petróleo, com hidrocarbonetos variando de C8 a C30, sendo composto de aproximadamente 40% de n-alcanos, 40% de iso e cicloalcanos, 20% de hidrocarbonetos aromáticos e menores porcentagens de enxofre, nitrogênio e compostos oxigenados. No entanto, a composição de um óleo diesel específico dependerá da fonte do petróleo e dos métodos utilizados para produzi-lo (processos de destilação e outros). No diesel também poderão ser adicionados vários tipos de aditivos (inibidores de corrosão, surfactantes e aditivos para melhorar a estabilidade e ignição) (LEE et al., 1992 apud KAIPPER, 2003, p. 11). Na investigação de contaminação por óleo diesel, para presença de hidrocarbonetos totais de petróleo (HTP) são analisadas amostras de água subterrânea e solo. Neste grupo existe um subgrupo de hidrocarbonetos com característica mais tóxica e que demanda uma

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maior preocupação, denominado de hidrocarbonetos policíclicos aromáticos (HPAs), do qual fazem parte os seguintes compostos: naftaleno, acenaftileno, acenafteno, fluoreno, fenantreno, antraceno, fluoranteno, pireno, benzo(a)antraceno, criseno, benzo(b)fluoranteno, benzo(k)fluoranteno, benzo(a)pireno, dibenzo(a,h)antraceno, benzo(g,h,i)perileno e indeno(1,2,3-cd)pireno. A maior presença de HPAs nas amostras de água subterrânea e solo pode caracterizar uma maior toxicidade da contaminação. Sabe-se que os HPAs e seus derivados estão associados ao aumento da incidência de câncer no homem (Netto et al., 2000). Nos EUA, a EPA estabeleceu a inclusão destes 16 HPAs na lista dos contaminantes orgânicos prioritários, motivado pelo alto grau de toxicidade, potencial carcinogênico e mutagênico e ao fato de serem resistentes à biodegradação (GABARDO et al., 1995; FRAN LAI et al., 1995; BOUZIGUE et al., 1999; MANOLE et al.,1999 apud KAIPPER, 2003, p.12) Quanto à gasolina é constituída basicamente por hidrocarbonetos com número de carbonos que variam de 4 a 8, podendo chegar até 12 carbonos. Estes hidrocarbonetos são, em geral, mais "leves" do que aqueles que compõem o óleo diesel, pois são formados por moléculas de menor cadeia carbônica; eles têm estruturas moleculares diversas e podem estar classificados em grupos de acordo com os tipos de cadeias carbônicas: n-parafinas, isoparafinas, naftênicos, olefínicos e aromáticos. A composição molar da gasolina está apresentada na tabela 2.1.

Tabela 2.1: Composição Molar da Gasolina por Tipo de Grupo e Nº de Carbonos

           

Percentual

Nº de

Carbonos

n-Parafinas

Isoparafinas

Naftênicos

Olefínicos

Aromáticos

por igual nº

de carbono

C4

1,94

-

-

-

 

- 1,94

C5

1,61

3,60

0,29

0,05

 

- 5,55

C6

0,27

2,00

0,21

0,04

0,04

2,56

C7

0,05

1,74

0,14

-

50,90

52,80

C8

6,41

27,60

2,29

-

0,08

36,40

C9

 

- 0,40

-

-

-

0,40

C10

 

- 0,01

0,02

-

0,02

0,052

C11

 

- 0,01

-

-

-

0,01

Percentual

           

por Grupo

10,28

35,40

2,95

0,09

51,04

-

Fonte: CATALUÑA; SILVA, 2005.

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A formulação da gasolina pode demandar a utilização de diversas correntes nobres oriundas do processamento do petróleo como nafta leve (produto obtido a partir da destilação direta do petróleo), nafta craqueada que é obtida a partir da quebra de moléculas de hidrocarbonetos mais pesados (gasóleos), nafta reformada (obtida de um processo que aumenta a quantidade de substâncias aromáticas), nafta alquilada (de um processo que produz iso-parafinas de alta octanagem a partir de iso-butanos e olefinas), etc. Os maiores problemas relacionados com a contaminação por gasolina são atribuídos à presença dos hidrocarbonetos monoaromáticos denominados BTEX (benzeno, tolueno, etilbenzeno e xilenos), constituintes da gasolina mais solúveis em água e com maior potencial de migração na água subterrânea, contribuindo para expansão da pluma de contaminação. Estes contaminantes também são considerados substâncias perigosas por serem depressantes do sistema nervoso central e podem causar leucemia (CORSEUIL; MARINS, 1997, p. 2). Dos BTEX, o benzeno é considerado o mais tóxico e o mais solúvel em água. O padrão de potabilidade do benzeno, tolueno, etilbenzeno e xileno, listados na tabela de Padrão de Aceitação para Consumo Humano da Portaria 518 de 2004 do Ministério da Saúde, são os respectivos valores máximos permitidos: 5 µg/l, 0,17 mg/L, 0,2 mg/L e 0,3 mg/L. Outro fator importante que deve ser considerado na avaliação da contaminação por gasolina é que este combustível é comercializado, na maioria dos estados brasileiros, através de uma mistura de 80 % de gasolina e 20% álcool etílico anidro combustível (AEAC), ou o etanol anidro (conforme disposto na Resolução do Conselho Interministerial do Açúcar e do Álcool (CIMA), n.º 35, de 22 de fevereiro de 2006). Estudos revelaram que o etanol presente na gasolina comercial brasileira aumenta a solubilização dos hidrocarbonetos de petróleo na água através do efeito de co-solvência, ou seja, as plumas de compostos BTEX poderão ter maiores concentrações em derramamentos de gasolina misturada com etanol do que em derramamentos de gasolina pura. (KAIPPER, 2003, p. 34). Análises experimentais realizadas em laboratório revelaram que o aumento da massa total de BTEX atingiu aproximadamente 30%, para uma fração de etanol na fase aquosa de 10%. Este efeito foi mais significativo para os xilenos que são os compostos menos solúveis dentre os BTEX. Como o efeito de co- solvência é maior para os constituintes da gasolina mais hidrofóbicos (COH- Compostos Orgânicos Hidrofóbicos), é provável também que altas concentrações de etanol na água do aqüífero facilitem uma maior solubilização de hidrocarbonetos policíclicos aromáticos - HPA, que, conforme já apresentado são altamente nocivos à saúde humana (FERNANDES; CORSEUIL, 1999).

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Outro produto adicionado à gasolina brasileira é o MTBE (éter metílico terc-butílico), mas neste caso quase que exclusivamente no estado do Rio Grande do Sul, utilizado como substituto do etanol. Embora não tenha o efeito de co-solvência do álcool, não aumentando a solubilidade dos hidrocarbonetos de petróleo na água, o MTBE tem outros efeitos danosos como causar odor e sabor à água, mesmo em baixas concentrações (100 µg/L); resistência à degradação biológica; suspeitas de ser um agente potencialmente cancerígeno aos seres humanos; além de causar dor de cabeça, náuseas, dificuldade de respiração, irritação nasal e nos olhos, desorientação e erupções na pele. Atualmente existe um movimento internacional contra o uso do MTBE na gasolina; o estado da Califórnia proibiu a utilização em 1999 e depois a EPA recomendou a eliminação do uso deste produto em todo os EUA. Além de todo o risco à saúde humana, a adição de agentes oxidantes (álcool e MTBE, dentre outros) também influencia na composição da gasolina e consequentemente no comportamento dos seus constituintes no aqüífero e no solo.

2.2 CONTAMINAÇÃO NOS POSTOS DE COMBUSTÍVEIS E EQUIPAMENTOS DE PREVENÇÃO

A contaminação de solos e águas subterrâneas causada pelos postos de serviço é, na grande maioria dos casos, provocada por vazamentos em tanques e tubulações subterrâneas ou constantes e sucessivos extravasamentos junto às bombas e bocais de enchimento. De acordo com um estudo realizado pela CETESB, das causas dos acidentes nos postos de combustíveis em São Paulo, entre o período de 1984 até novembro de 2006, verificaram-se as porcentagens apresentadas na tabela 2.2:

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Tabela 2.2: Causa dos Acidentes em Postos de Combustíveis

Causas

%

Tanque

31,5

Passivo Ambiental

17,7

Tubulação

16,3

Extravasamento

8,1

Descarte

5,4

Outros

5,4

Desativado

4,6

Tubulação e Tanque

4,0

Bomba

3,0

Não identificada

2,1

Caixa separadora

1,8

Fonte: (COMPANHIA DE TECNOLOGIA DE SANEAMENTO AMBIENTAL, 2006)

Geralmente os acidentes são percebidos somente após o afloramento do produto em galerias de esgoto, redes de drenagem de águas pluviais, no subsolo de edifícios, em túneis, escavações e poços de abastecimento d'água. Os vazamentos em tanques de armazenamento de combustíveis que apresentou o maior percentual (31,5%) são gerados principalmente por corrosão nos pontos de solda das chapas causadas por agentes do subsolo (acidez, salinidade, correntes elétricas, umidade, flutuação do lençol freático, concentração de oxigênio no solo, etc). Estatísticas norte- americanas recentes indicam que 91% dos tanques subterrâneos sofrem corrosão a partir do seu exterior, enquanto que, apenas 9% deles sofrem corrosão a partir da parte interna. A corrosão a partir da parte interna dos tanques subterrâneos está normalmente relacionada aos componentes do produto comercializado, como é o caso do óleo diesel com altos teores de enxofre, que facilita a degradação das chapas metálicas, sendo que a oxidação tenderá a ser mais intensa na parte vazia dos tanques, pela presença de oxigênio. A corrosão nada mais é do que a reversão natural dos metais para sua condição mais estável, como são originalmente encontrados na natureza, isto é, sob a forma de mineral; o metal deixa seu estado metaestável e retorna espontaneamente a sua forma combinada (oxidada). A maior ou menor durabilidade do tanque à corrosão depende também das proteções aplicadas a sua chapa metálica (exemplo de proteções: parede dupla de aço-

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carbono, revestimento externo reforçado, parede dupla com externa não-metálica, proteção catódica, etc.). Os tanques de parede dupla, sendo a parede externa não-metálica, são denominados tanques jaquetados e apresentam um grande avanço no controle de vazamentos. Esses tanques são construídos com duas paredes e com um sensor especial instalado no espaço intersticial com pressão negativa. Este sensor será acionado pela alteração da pressão interna, provocada, tanto pela entrada de ar ou da água do lençol freático por falta de estanqueidade da parede externa; como pela entrada do produto por falta de estanqueidade da parede interna. A maioria desses tanques jaquetados é construída com dois materiais distintos, sendo que a parede interna, a exemplo do modelo convencional, é construída com aço-carbono, enquanto a parede externa é construída com uma resina termofixa, não sujeita à corrosão, a qual fica em contato direto com o solo. Alguns outros modelos de tanques possuem as duas paredes fabricadas com resina. Esses tanques novos possuem grandes câmaras de calçada, as quais possibilitam o acesso à boca de visita e a visualização das suas tubulações. Qualquer vazamento ocorrido nessas tubulações será contido no interior da câmara, podendo ser facilmente identificado. Infelizmente, os tanques ainda utilizados hoje, foram instalados há vinte anos atrás e não possuem estas proteções, por isso estão sendo trocados por outros mais resistentes. Ressalta- se que os pontos de vazamentos não são exclusivamente dos tanques, mas tubulações e conexões que também sofrem o efeito da corrosão ou rupturas por torções. Normalmente os vazamentos em tanques combustíveis não são grandes, mas pequenas infiltrações (de 2 a 3 litros por dia) que com dez, quinze anos de operação acabam contaminando o subsolo, águas subterrâneas e superficiais, atingindo outras áreas fora do limite do posto. Por isso, existe uma grande dificuldade em detectar estes pequenos vazamentos, eles passam despercebidos pelos administradores dos postos, que só tomam providências quando há uma perda significativa de combustível. Estas pequenas perdas são consideradas por estes administradores como resultantes do processo de colocação do combustível nos tanques dos veículos e dos níveis normais de evaporação. A ausência de sensores capazes de detectar vazamentos reduz a sensibilidade de controle das perdas de combustíveis. Além da corrosão em tanques e tubulações existem outros aspectos que têm igual importância como fontes de derramamentos ou vazamentos de combustíveis, por exemplo, alguns aspectos construtivos do posto podem propiciar rotas de migração dos combustíveis. A

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CETESB (COMPANHIA DE TECNOLOGIA DE SANEAMENTO AMBIENTAL, 2006) destaca os mais significativos:

a)

as trincas ou afundamentos existentes no piso das pistas de abastecimento do posto, reflexos do esforço mecânico imposto pela circulação de veículos no local,

principalmente, veículos pesados (caminhões e carretas). Nestas condições, as tubulações

tanques subterrâneos estão sujeitos aos efeitos da vibração e da movimentação do solo, podendo gerar rupturas, principalmente nas conexões.

e

b)

não pavimentação da pista de abastecimento ou construção com blocos de concreto, asfalto ou paralelepípedos, os quais permitem que, durante as operações de descarregamento ou de abastecimento dos produtos, qualquer vazamento superficial de combustível, se infiltre no solo.

c)

a

ausência de canaleta ou canaleta direcionada para via pública e não para um separador

água e óleo. Desta forma, os produtos extravasados acumulam-se nas calçadas e sarjetas, atingindo as galerias de águas pluviais ou de esgotos, gerando atmosferas inflamáveis em seu interior.

d)

falta de estanqueidade das bombas de abastecimento. Neste caso é recomendável a utilização de câmara de contenção impermeável que impede o contato direto do produto vazado com o solo.

e)

instalação com tubulações metálicas galvanizadas convencionais que são mais susceptíveis a vazamentos, pois são mais sujeitas à fragilização por esforço mecânico.

f)

câmara de calçada da boca de descarga de combustível não impermeabilizada e sem área de contenção para caso de eventuais extravasamentos no descarregamento de combustível, sendo comum observar a presença de combustível acumulado nas bocas de descarga ou a presença de solo impregnado com o produto ao redor das mesmas.

g)

manutenções das válvulas extratoras (conhecidas também como válvulas de pé) que ao serem reinstaladas inadequadamente podem gerar vazamentos, os quais são visualmente detectados pela presença de produto impregnado na parte superior da válvula de abastecimento ou impregnado no solo, ao redor e no interior da câmara de calçada.

h)

extravasamento nos respiros durante as operações de descarga do produto, devido ao excessivo enchimento dos tanques.

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j) as caixas separadoras de água e óleo estão sujeitas à ocorrência de trincas em sua estrutura ou mesmo ao extravasamento por excessivo acúmulo de resíduos. Outros fatores importantes que contribuem para a contaminação são os aspectos operacionais, alguns deles relacionados à falta de treinamento ou imprudência no serviço. Segundo a CETESB, dentre esses se destacam:

a) o controle de estoque através do método manual (considerado muito rudimentar), que utiliza uma régua de medição, cuja confiabilidade não é total, pois existe a possibilidade de que as pequenas variações no volume do produto estocado não sejam detectadas ou sejam consideradas como perdas aceitáveis associadas à evaporação do produto.

b) vazamentos durante a operação de abastecimento dos veículos. Dentre as principais causas, destacam-se as falhas operacionais no acionamento do sistema automático de bloqueio do fluxo dos bicos de abastecimento e a movimentação do veículo durante o abastecimento.

c) vazamento durante a operação de descarregamento de combustível próximo aos bocais de descarga, provocados pelo transbordamento do tanque ou pelo derramamento do produto ainda presente na tubulação de descarga do caminhão-tanque, ao final da operação. Em razão deste grande número de fatores que podem gerar contaminações ambientais, as agências reguladoras estão sendo mais rigorosas, atualmente, com relação às instalações e os equipamentos utilizados na operação de um posto de combustível. Tanto em postos novos ou reformados, existem várias proteções que estão sendo solicitadas através de normas

regulamentadas pelos órgãos ambientais estaduais. O CRA, em sua Norma Técnica NT-

002/2006, define que o posto que possua tanque subterrâneo deverá atender a norma brasileira NBR 13786 da ABNT (Posto de Serviço – Seleção dos Equipamentos para Sistemas para Instalações Subterrâneas de Combustíveis). Já a CETESB, tem procedimento próprio para licenciamento de postos o qual estabelece exigências técnicas para as novas instalações de tanques subterrâneos, chamados Sistemas de Armazenamento Subterrâneo de Combustível - SASC. Algumas exigências para os SASC são:

a) tubo de descarga com câmara de calçada impermeável e estanque para contenção de derramamentos;

b) descarga selada (bocal adaptador para descarga selada);

c) válvula anti-transbordamento, instalada no tubo de descarga do tanque;

d) tanque de parede dupla com monitoramento intersticial ligado a sistema de monitoramento contínuo, construídos de acordo com a norma NBR 13785;

e) câmara de acesso à boca de visita do tanque, estanque e impermeável;

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f) unidades de abastecimento (bomba) com câmara de contenção estanque e impermeável com sensor de detecção de líquidos ligado a sistema de monitoramento contínuo;

g) unidades de abastecimento (bomba) com válvula de retenção junto à bomba (check valve);

h) eliminação da válvula de pé;

i) válvula de segurança ou sentinela para as unidades de abastecimento que trabalham sob pressão positiva;

j) tubulações subterrâneas flexíveis e não metálicas atendendo as especificações previstas na norma NBR 14722;

k) equipamentos de proteção para sistema de filtragem de diesel;

l) cada tanque ou compartimento deve possuir tubulação de respiro independente.

m) pista de abastecimento coberta;

n) piso da pista de abastecimento em concreto armado com sistema de drenagem;

o) piso da área de descarga em concreto armado e com sistema de drenagem direcionado para sistema de tratamento de efluentes;

p) sistema de drenagem e sistema de tratamento de efluentes constituído de caixa de areia e separador água-óleo com placas coalescentes para efluentes gerados na pista de abastecimento.

O Procedimento para Licenciamento Ambiental de Postos e Sistemas Retalhistas de

Combustíveis da CETESB vai além das exigências técnicas citadas acima, mas define uma

série

e operação de postos de

combustíveis, importantes para prevenir e detectar possíveis vazamentos de combustíveis.

de

critérios

necessários

para

construção,

instalação

2.3 LEGISLAÇÕES FEDERAIS, ESTADUAIS, MUNICIPAIS E NORMAS TÉCNICAS RELACIONADAS AO FUNCIONAMENTO DE POSTOS DE COMBUSTÍVEIS

A Lei Federal nº6938/81, regulamentada pelo Decreto Federal nº 99274/90, dispõe-se

sobre a Política Nacional de Meio Ambiente e menciona que as atividades de armazenamento de combustíveis, lavagem de veículos, troca de óleo, geração de resíduos e emissões atmosféricas são atividades potencialmente poluidoras.

O exercício da atividade do comércio varejista de combustíveis é regulamentada

através da Lei 9478/97, chamada Lei do Petróleo. Essa lei estabelece como função da Agência

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Nacional de Petróleo (ANP) – órgão vinculado ao Ministério de Minas e Energia – a regulação, contratação e fiscalização do setor, incentivando a livre concorrência e o desenvolvimento nacional, com responsabilidade pela preservação do interesse público e do meio ambiente. Além desta lei existem a Portaria nº 9/97 do Ministério de Minas e Energia e as Portarias nº 116/00 e nº 32/01 da ANP que regulamentam o exercício desta atividade; enquanto a Resolução Conama nº 237/90 regulamenta os critérios para utilização do sistema de licenciamento como instrumento de gestão ambiental e define que as atividades de comércio varejista de combustíveis estão sujeitas ao licenciamento ambiental. A Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT) começou a elaborar normas técnicas voltadas para o armazenamento de líquidos inflamáveis e combustíveis, seus equipamentos e acessórios de tanques combustíveis, em 1992, e, a partir de 1997, passou a publicar as primeiras normas para disciplinar as atividades de postos e sistemas retalhistas de combustíveis, por meio da Comissão de Estudos para Líquidos Inflamáveis e Combustíveis. Essas normas tratam da construção, instalação e sistemas de proteção de tanques aéreos e subterrâneos, detecção de vazamentos em SASC, poço de monitoramento para detecção de vazamento, controle de estoque e remoção e destinação de tanques subterrâneos usados, dentre outras. Elas tomaram como referência as normas internacionais, especificamente a norte-americana. Desde que a ABNT publicou estas normas, as instalações de tanques e acessórios em postos de combustíveis melhoraram bastante (GOUVEIA, 2004, p. 38), pois os equipamentos tornaram-se mais seguros, através de adoção de materiais mais adequados, de melhor tecnologia e com características mais rígidas de construção, como por exemplo, o controle de rastreabilidade do material usado na confecção dos tanques. Na tabela 2.3 são apresentadas as normas em vigor que abragem os postos de combustíveis.

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Tabela 2.3: Normas Técnicas para Postos de Combustíveis

Número

Título

1

NBR 13212:2004

Posto de serviço – Construção de tanque atmosférico subterrâneo em resina termofixa reforçada com fibras de vidro, de parede simples ou dupla

2

NBR 13312:2003

Posto de serviço - Construção de tanque atmosférico subterrâneo em aço- carbono

3

NBR 13781:2001

Posto de serviço - Manuseio e instalação de tanque subterrâneo de combustíveis

4

NBR 13782:2001

Posto de serviço - Sistemas de proteção externa para tanque atmosférico subterrâneo em aço-carbono

5

NBR 13783:2005

Posto de serviço - Instalação do sistema de armazenamento subterrâneo de combustíveis – SASC

6

NBR 13784:2006

Armazenamento de líquidos inflamáveis e combustíveis - Seleção de métodos para detecção de vazamentos e ensaios de estanqueidade em sistemas de abastecimento subterrâneo de combustíveis (SASC)

7

NBR 13785:2003

Posto de serviço - Construção de tanque atmosférico de parede dupla, jaquetado

8

NBR 13786:2005

Posto de serviço - Seleção dos equipamentos para sistemas para instalações subterrâneas de combustíveis

9

NBR 13787:1997

Controle de estoque dos sistemas de armazenamento subterrâneo de combustíveis (SASC) nos postos de serviço

10

NBR 13895:200

Construção de Poços de Monitoramento e Amostragem - Procedimentos

11

NBR 14605:2000

Sistema de drenagem oleosa

12

NBR 14606:2000

Entrada em espaço confinado

13

NBR 14639:2001

Instalações elétricas

14

NBR 14722:2001

Tubulação não metálica

15

NBR 14867:2002

Tubos metálicos flexíveis

16

NBR 14973:2004

Remoção e destinação de tanques subterrâneos usados

17

NBR 15005:2003

Válvula antitransbordamento

18

NBR 15015:2006

Válvulas de esfera flutuante

19

NBR 15072:2004

Construção de tanque atmosférico subterrâneo ou aéreo em aço-carbono ou resina termofixa reforçada com fibra de vidro para óleo usado

20

NBR 15118:2004

Câmaras de contenção construídas em polietileno

21

NBR 15138:2004

Armazenagem de combustível - Dispositivo para descarga selada

22

NBR 15139:2004

Armazenagem de combustível - Válvula de retenção instalada em linhas de sucção

23

NBR 15205:2005

Armazenamento de combustível – Revestimento interno de tanque instalado, com a criação de parede dupla e espaço intersticial

24

NBR 15288:2005

Armazenamento de líquidos inflamáveis e combustíveis — Posto revendedor veicular (serviços) — Plano de atendimento a emergências (PAE)

25

NBR 15427:2006

Armazenamento de líquidos inflamáveis e combustíveis - Válvula de segurança da mangueira

26

NBR 15428:2006

Armazenamento de líquidos inflamáveis e combustíveis - Manutenção de unidade de abastecimento

27

NBR 17505-1:2006

Armazenamento de líquidos inflamáveis e combustíveis - Parte 1:

Disposições gerais

28

NBR 17505-2:2006

Armazenamento de líquidos inflamáveis e combustíveis - Parte 2:

Armazenamento em tanque e em vasos

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I

29

NBR 17505-3:2006

Armazenamento de líquidos inflamáveis e combustíveis - Parte 3:

Sistemas de tubulações

30

NBR 17505-4:2006

Armazenamento de líquidos inflamáveis e combustíveis - Parte 4:

Armazenamento em recipientes e em tanques portáveis

31

NBR 17505-5:2006

Armazenamento de líquidos inflamáveis e combustíveis - Parte 5:

Operações

32

NBR 17505-6:2006

Armazenamento de líquidos inflamáveis e combustíveis - Parte 6:

Instalações e equipamentos elétricos

33

NBR 17505-7:2006

Armazenamento de líquidos inflamáveis e combustíveis - Parte 7:

Proteção contra incêndio para parques de armazenamento com tanques estacionários

Fontes: Associação Brasileira de Indústria de Equipamentos para Postos de Serviço – ABIEPS e Associação Brasileira de Normas Técnicas (ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS, 2006)

Em 2000 foi publicada a Resolução Conama nº 273/00, determinando que o licenciamento dos postos e sistemas retalhistas passe a ser obrigatório. O não cumprimento

desta resolução sujeita os proprietários, arrendatários ou responsáveis pelo estabelecimento, ou pelos equipamentos, à penalidades como, multas, suspensão parcial ou total das atividades dos postos, cancelamento da licença de funcionamento ou de permissão para continuar operando, dentre outras medidas. A Resolução nº 273/00 também estabelece como competência do órgão ambiental estadual ou municipal a responsabilidade de exigir que os empreendedores das atividades de postos e sistemas retalhistas de combustíveis obtenham as seguintes licenças ambientais:

a) Licença Prévia-LP: concedida na fase preliminar do planejamento do empreendimento aprovando sua localização e concepção, atestando a viabilidade ambiental e estabelecendo os requisitos básicos e condicionantes a serem atendidos nas próximas fases de sua implementação;

b) Licença de Instalação-LI: autoriza a instalação do empreendimento com as especificações constantes dos planos, programas e projetos aprovados, incluindo medidas de controle ambiental e demais condicionantes da qual constituem motivo determinante;

c) Licença de Operação-LO: autoriza a operação da atividade, após a verificação do efetivo cumprimento do que consta das licenças anteriores, com as medidas de controle ambiental e condicionantes determinados para a operação. As Licenças Prévias e de Instalação poderão ser expedidas concomitantemente, a

critério do órgão ambiental competente.

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Em dezembro de 2002 foi estabelecida a Resolução Conama nº 319/02 dando nova redação a Resolução Conama nº 273/00, dispondo sobre a prevenção e controle da poluição em postos de combustíveis. Esta nova resolução dá ênfase aos equipamentos e sistemas destinados ao armazenamento e distribuição de combustíveis automotivos, assim como a sua montagem e instalação, determinando que os mesmos devam ser avaliados quanto à sua conformidade, no âmbito do Sistema Brasileiro de Avaliação da Conformidade. No âmbito estadual, as agências ambientais começaram a controlar as atividades de postos e sistemas retalhistas de combustíveis em períodos distintos e de formas distintas. No estado do Rio Grande do Sul, por exemplo, desde 1997 o programa de regularização destas atividades é realizado pelo serviço de emergência ambiental e o serviço de petróleo e petroquímica. Ressalta-se que, por meio de acordo entre os sindicatos de classes e distribuidores, o cadastramento exigido pela Resolução Conama nº 273/00 foi dispensado, já que os postos estão licenciados ou em fase de licenciamento no órgão ambiental do estado FEPAM (Fundação Estadual de Proteção Ambiental Henrique Luis Roessler 33). Em São Paulo, A CETESB já exercia ação fiscalizadora e de caráter corretivo mediante a aplicação de penalidades de advertências e multas desde 1984, com base na Lei Estadual nº 997, de 31 de maio de 1976, e em seu regulamento aprovado pelo Decreto nº 8468, de setembro de 1976 (GOUVEIA, 2004, p. 35). Em 2001, a Secretaria de Meio Ambiente do Estado de São Paulo promulgou a resolução nº 5/01, que estabeleceu a obrigatoriedade do cadastramento e licenciamento dos postos e sistemas retalhistas de combustíveis. A partir desta resolução, os postos de combustíveis do estado de São Paulo passaram a ser mais fiscalizados e por isso foram identificadas novas fontes de contaminação de solo e águas subterrâneas, sendo atualmente, a atividade que mais contribui para a contaminação do meio ambiente em São Paulo, conforme publicado pela própria CETESB em seu site. A tabela 2.4 apresenta a relação de áreas contaminadas no estado de São Paulo por região e atividade econômica, conforme registro de maio de 2006.

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Tabela 2.4: Áreas Contaminadas no Estado de São Paulo – Maio de 2006

Região/Atividade

Comercial

Industrial

Resíduos

Postos de

Acidentes

Total

combustível

desconhecidos

São Paulo

27

45

20

406

2

500

RMSP – outros

14

73

11

253

4

355

Interior

48

89

23

409

12

581

Litoral

10

32

11

70

1

124

Vale do Paraíba

1

20

0

83

0

104

Total

100

259

65

1.221

19

1.664

Percentual (%)

6

16

4

73

1

100

Fonte: (COMPANHIA DE TECNOLOGIA DE SANEAMENTO AMBIENTAL, 2006)

Como pode ser verificado na tabela 2.4, os eventos de contaminação por postos de

combustíveis se destacam em todas as regiões. Segundo a CETESB, a contribuição de 73% do número total de áreas contaminadas registradas atribuídas aos postos de combustíveis é resultado do desenvolvimento do programa de licenciamento que se iniciou em 2001 com a publicação da Resolução CONAMA Nº 273 de 2000. (COMPANHIA DE TECNOLOGIA DE SANEAMENTO AMBIENTAL, 2006). Em janeiro de 2006, a CETESB promulgou a Decisão da Diretoria nº 010-2006-C, estabelecendo novos procedimentos para licenciamento de posto e sistemas retalhistas de combustíveis e outras disposições. O licenciamento de postos passou a ser regulamentado pelos seguintes anexos e sub-anexos dessa Decisão:

a) Anexo I – Procedimento para Licenciamento Ambiental de Postos e Sistemas Retalhistas de Combustíveis – Roteiro Único

b) Anexo II – Quadros de Exigências para o Licenciamento Ambiental de Postos e Sistemas Retalhistas de Combustíveis, contendo 4 sub-anexos;

c) Anexo III – Roteiro de Inspeção de Tanques Aéreos de Armazenamento de Combustíveis e suas Tubulações

d) Anexo IV – Procedimento para Identificação de Passivos Ambientais em Estabelecimentos com Sistema de Armazenamento Subterrâneo de Combustíveis (SASC), contendo 3 sub-anexos: tabela para determinação do número de sondagens, procedimento para avaliação de gases no solo e procedimento para amostragem de água subterrânea;

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e) Anexo V – Procedimento para Identificação de Passivos Ambientais em Estabelecimentos com Sistema de Armazenamento Aéreo de Combustíveis (SAAC), contendo um único sub anexo para amostragem de água subterrânea;

f) Anexo VI – Procedimento para Remoção de Tanques e Desmobilização de Sistema de Armazenamento e Abastecimento de Combustíveis, contendo um único sub anexo para avaliação de gases no solo;

g) Anexo VII – Ações Corretivas Baseadas em Risco (ACBR) Aplicadas a Áreas

Contaminadas com Hidrocarbonetos Derivados de Petróleo e Outros Combustíveis Líquidos – Procedimentos, contendo 3 sub-anexos: tabelas de referência dos Níveis Aceitáveis Baseados no Risco (NABR), bibliografia consultada, glossário de termos utilizados no ACBR. Na Bahia, o licenciamento de postos de combustíveis começou a partir de 28 de Junho de 2002, através da promulgação da Resolução CEPRAM nº 2986, regulamentada pela Norma Técnica NT-005/02. Após essa resolução, a fiscalização a estes estabelecimentos aumentou e desde então, vários postos de combustíveis e depósitos de derivados de petróleo já foram multados pelo CRA, devido a vários tipos de irregularidades (ausência de licença ambiental, contaminação do solo e águas subterrâneas, descarte de efluentes líquidos e resíduos sólidos de forma inadequada, dentre outras). Tomando como referência a planilha de controle de multas de infração do CRA, disponibilizada no próprio site do órgão (CENTRO DE RECURSOS AMBIENTAIS, 2006) verifica-se um número significativo de autuações sobre estes estabelecimentos, conforme quadro abaixo.

Tabela 2.5: Autuações em Postos de Combustíveis na Bahia

Ano

Nº de Multas

Percentual Entre Todas as Autuações (%)

Valor das Multas

2003

39

14,9

Média de R$ 2.000,00 a R$ 3.000,00

2004

10

5,0

2005

19

7,2

Valor Máximo de R$ 40.000,00

Fonte: CENTRO DE RECURSOS AMBIENTAIS, 2006.

Não foi possível determinar a origem das irregularidades, mas as causadas por contaminação do solo e águas subterrâneas devem ter uma parcela significativa do total, devido à idade avançada dos tanques ainda não trocados por novos e o não atendimento as normas construtivas e de instalação destes equipamentos (NBR-13.312 e NBR-13.788).

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Em 2006, a Norma Técnica NT-005/02 passou por modificações importantes e agora a legislação que regulamenta este assunto é a Resolução CEPRAM nº 3656, de 25 de agosto de 2006, através da Norma Técnica NT-002/2006. Essa norma ficou mais criteriosa do que a anterior pela exigência de atendimento a padrões normativos; e maior número de medidas

preventivas para o controle dos impactos relacionados à atividade dos postos de combustíveis. Outros aspectos apresentados nessa nova norma técnica podem ser destacados como avanço, como por exemplo:

a) relação de normas da ABNT e legislações relacionadas ao assunto mais completa, com a inclusão de um tópico exclusivo para as normas de referência e documentos de referência;

b) necessidade de licenciamento para desativação de postos de combustíveis;

c) licenciamento de postos de combustíveis poderá ser realizado pelos municípios;

d) aumento da Capacidade de Armazenamento - CA e a diferenciação entre sistemas de armazenamento exclusivos para líquidos e para líquido e gases;

e) maior aderência entre as exigências para licenciamento com padrões normativos existentes, esclarecendo para o empreendedor o padrão que deverá ser seguido.

f) disposições específicas separadas para sistemas com tanques subterrâneos, tanques aéreos e sistema de abastecimento de gás natural. Observa-se nestas medidas a determinação de freqüência para execução de testes de estanqueidade e testes hidrostáticos;

g) disposições específicas para o atendimento de emergência ambiental e remediação, apresentando, na própria norma do CRA, a lista de valores para avaliação da qualidade do solo e água subterrânea;

h) maior clareza na relação de informações e documentos que devem ser fornecidos ao CRA,

de acordo com o estágio de funcionamento do estabelecimento e ao atendimento a padrões normativos (1- empreendimentos novos, 2- empreendimentos operando e reformados de acordo com o padrão estabelecido e 3- empreendimentos operando mas com reformas fora do padrão estabelecido). De acordo com esta nova norma do CRA, os postos de combustíveis devem ser classificados segundo sua capacidade de armazenamento. As instalações classificadas como de porte MICRO ou PEQUENO serão objeto de Licença Simplificada (LS); as de Porte MÉDIO, GRANDE ou EXCEPCIONAL serão objeto de Licença de Implantação (LI) e Licença de Operação (LO). Ficam dispensadas do licenciamento ambiental as instalações aéreas com capacidade total de armazenamento menor ou igual a 15 m³ (quinze metros cúbicos), desde que destinadas exclusivamente ao abastecimento do detentor das instalações.

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Apesar da NT-002/2006 estabelecer um melhor controle do processo de licenciamento ambiental e da prevenção dos impactos ambientais relacionados às atividades dos postos de combustíveis; esta norma não define padrões a serem seguidos para as medidas corretivas necessárias, em caso de acidentes ambientais tipo vazamentos e derramamentos de combustíveis. Como por exemplo, é pedido que o empreendedor tome ações cabíveis imediatas para controle de situações de emergência, mas não se estabelecem quais e nem que norma de referência poderia ser seguida. O Plano de Atendimento de Emergência pede que atenda a NR 23 do MTR, mas esta norma regulamentadora está relacionada apenas a proteção contra incêndios, não estabelece os requisitos para combater os vazamentos e derramamentos de combustíveis. Como eliminar de imediato o vazamento ou transbordamento do produto? Como retirar ou coletar o produto que vazou? Como esvaziar um tanque que está sob suspeita de vazamento? Como medir e eliminar os riscos de explosividade em ambientes fechados? É necessário definir os requisitos mínimos para que o empreendedor possa ter uma equipe capacitada e possa atuar adequadamente em todos os tipos de emergências. É necessário definir padrões mínimos de: nº de pessoas da equipe de atendimento de emergência, EPIs, ferramentas e equipamentos de monitoramento necessários, treinamentos, dentre outros. Atualmente a definição das ações corretivas para vazamentos e derramamentos está a cargo apenas do empreendedor, o CRA fica apenas responsável em aprovar ou não. A NT - 002/2006 poderia ter estabelecido que o Plano de Atendimento a Emergência seguisse uma norma mais abrangente, não restrita a incêndios e explosões e que atendesse a realidade dos postos de abastecimento. Uma questão importante que também deve ser ressaltada é que atualmente o CRA não realiza atendimento emergencial em postos de combustíveis (GOUVEIA, 2004, p. 9), ou seja, o órgão não dispõe de uma equipe especializada e preparada que possa apoiar e orientar no local, os atendimentos aos casos de emergências. Em caso de acidentes, apenas o corpo de bombeiros e a defesa civil irão atuar para ajudar na solução do problema. Em estados como São Paulo, Rio Grande do Sul e Rio de Janeiro, os atendimentos as emergências relacionadas a vazamentos e derramamentos de combustíveis de postos de serviços também são realizados pelos bombeiros e defesa civil, mas contam com o apoio de equipe de emergências do órgão ambiental (GOUVEIA, 2004, p. 9). A Bahia é o sétimo estado do Brasil em número de postos de combustíveis (1246 postos em 2002, segundo a ANP), e é o maior em número de postos no norte-nordeste. Portanto, em áreas metropolitanas como Salvador, com cerca de duzentos postos revendedores (SINDICATO DE

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REVENDEDORES DE COMBUSTÍVEIS, 2006), o órgão ambiental deveria ter uma equipe

para pronto atendimento a emergências ambientais. No momento, faltam legislações que

propiciem a criação e participação desta equipe especializada, pois é no órgão ambiental que

estão as informações e o conhecimento que ajudariam a extinguir o problema.

No município de Salvador, para que um posto de combustível, ou qualquer outro

estabelecimento comercial, seja instalado, é necessário atender as disposições dos seguintes

instrumentos legais, conforme apresentado na tabela 2.6:

Tabela 2.6: Legislações Municipais Relacionadas à Instalação de Posto de Combustíveis em Salvador

INSTRUMENTOS LEGAIS

DESCRIÇÃO

Lei 3377/84 - Lei do Ordenamento

Estas leis estabelecem aspectos construtivos que devem ser

do Uso e da Ocupação do Solo

obedecidos para que o empreendimento obtenha o Alvará de

Lei 3.903/88 - Código de Obras

Construção e depois o Alvará de Funcionamento

Decreto nº 13.131/01

Complementa as leis nº 3377 e nº 3903 e determina através do

artigo 3 que fossem atendidas as regulamentações: Portarias da

ANP nº 116/00 e nº 32/01, a Norma Técnica NBR12.236/1994,

Resolução Conama nº 273/00, Portarias do INMETRO nº 75/96

e nº 32/97

No artigo 4 do Decreto nº 13.131, é estabelecido que a cada três anos, o posto de

combustível deverá requerer a vistoria da Superintendência de Controle e Ordenamento do

Solo do Município – SUCOM, objetivando verificar o atendimento às questões de segurança

do estabelecimento (SUPERINTENDÊNCIA DE CONTROLE E ORDENAMENTO DO

USO DO SOLO DO MUNICÍPIO DE SALVADOR, 2006). Para que seja feita a vistoria, o

posto deverá apresentar os certificados do corpo de bombeiros, órgão ambiental, ANP e

INMETRO. Este Decreto alinhou a legislação municipal às principais regulamentações

federais e estaduais relacionadas à atividade dos postos de combustíveis, entretanto, faltam

legislações municipais específicas que melhor regulamentem este assunto. Esta demanda

poderá ser suprida futuramente pela Superintendência do Meio Ambiente – SMA do

município, criada em 28 de dezembro de 2004, que tem como uma de suas competências o

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licenciamento ambiental (SUPERINTENDÊNCIA DE MEIO AMBIENTE DO MUNICÍPIO DE SALVADOR, 2006).

2.4 METODOLOGIAS DE AVALIAÇÃO DE RISCO RBCA (ASTM E 1739 – 95) E ACBR (CETESB 10/2006/C)

A forma tradicional de se fazer o gerenciamento de áreas contaminadas é baseado no perigo que a contaminação representa, sendo direcionado para que a massa de contaminantes presentes no local seja reduzida a níveis naturais (chamado background) ou atinja os valores de referência conservativos estabelecidos por agências reguladoras. Esta abordagem tem como foco à “limpeza total” dos locais, a níveis que permitam sua re-utilização, independente do fim a que se destinam. A experiência ao longo do tempo demonstrou que tal sistemática não é eficaz na utilização de recursos, tanto humano quanto financeiro e tecnológico, pois freqüentemente o benefício final não é proporcional à quantidade de esforços, e os riscos de exposição aos contaminantes não são suficientemente minimizados. Visando um melhor aproveitamento dos recursos disponíveis, foi desenvolvida uma abordagem para o gerenciamento de áreas contaminadas, não mais baseada no perigo, mas

sim no risco que este perigo representa. Esta filosofia foi inicialmente desenvolvida pela agência ambiental americana Environmental Protection Agency - EPA e posteriormente homologada pela American Society for Testing and Materials - ASTM, e vem sendo utilizada cada vez mais pelos órgãos ambientais e pela indústria do mundo inteiro para a identificação e diagnóstico de áreas contaminadas e determinação da necessidade de ações corretivas. Uma dessas abordagens de análise de risco é denominada Risk-Based Corrective Action – RBCA, descrita pela norma norte-americana ASTM E1739 – 95 Standard Guide for Risk-Based Corrective Action - RBCA Applied at Petroleum Release Sites. O RBCA utiliza métodos de avaliação de exposição e risco, bem como modelos matemáticos de transporte de contaminantes. Esta metodologia fornece subsídios técnicos a um processo mais racional de tomada de decisões relacionadas à alocação de recursos em uma determinada área, definindo

a necessidade e a prioridade de ações corretivas, os graus de remediação aceitáveis em relação

à saúde e ao meio ambiente, e as alternativas tecnológicas aplicáveis a cada caso. Os graus de remediação são estabelecidos tendo em vista valores-alvo a serem atingidos para as

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concentrações dos contaminantes de interesse no ambiente impactado. Abaixo do valor-alvo é considerado que não existem efeitos adversos inaceitáveis aos receptores do determinado local.

A grande vantagem de uma análise de risco baseia-se no fato de poder avaliar uma

determinada área isoladamente, ou mesmo parte desta área individualmente. Desta forma, é possível estabelecer medidas de remediação específicas para cada nível de risco identificado.

Através da identificação e quantificação, os riscos, quando considerados não aceitáveis, terão que ser estabelecidas algum tipo de intervenção para poder reduzir a níveis aceitáveis.

O tipo de intervenção que pode ser direto ou indireto é definido em função das

características da área (residencial, industrial, comercial) ou das exigências das partes

envolvidas (proprietários, órgão ambientais, sociedade em geral). A intervenção direta significa a aplicação de medidas de remediação para redução dos níveis de contaminantes. Já a intervenção indireta pode ser a aplicação de mecanismos que impeçam o contato entre os potenciais receptores e as vias de exposição relevantes, não caracterizando desta forma o conceito de risco. O RBCA, por utilizar uma análise direcionada, precisa estabelecer um modelo conceitual específico para cada local a ser avaliado, de tal forma que permita um entendimento qualitativo da atual situação da área em questão. Este modelo inicial é normalmente estabelecido com base nos dados obtidos, após as investigações preliminares de reconhecimento do site, e por coleta de dados, que devem informar:

a) histórico de uso da área, fontes de contaminação, contaminantes de interesse, extensão do meio afetado, os potenciais receptores, vias de transporte e exposição;

b) características da área e seu contexto local e regional (informações da geologia, hidrogeologia, topografia);

c) utilização atual e futura do local.

Conforme mostrado na figura 2.2, o modelo conceitual apresenta uma visão global da área com base nas informações disponíveis, dentre elas: potenciais fontes de contaminação,

receptores, mecanismos de transporte e vias de exposição.

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Ambientais na Indústria. 2007 Monografia I Figura 2.2: Cenário Hipotético de Contaminação A

Figura 2.2: Cenário Hipotético de Contaminação

A visualização mostrada na figura 2.2 ajuda a identificar a necessidade de ações iniciais de controle de perigos potenciais, de determinar as incertezas e apontar a necessidade de informações adicionais que confirmem ou não as hipóteses assumidas inicialmente. O modelo conceitual deve ser considerado como uma ferramenta dinâmica, necessária para aplicação da metodologia RBCA, devendo ser atualizado de acordo com o avanço do conhecimento do site no decorrer do processo da análise de risco. Desta forma se garantirá que aspectos fundamentais para a determinação de soluções aceitáveis para o gerenciamento das áreas contaminadas não sejam esquecidos. Além do modelo conceitual, a metodologia RBCA utiliza uma abordagem escalonada em três níveis para a identificação e gerenciamento de riscos. Ressalta-se que em cada nível, é feita uma avaliação para trabalhar diferentes graus de informação, mas em todos os níveis são asseguradas premissas que garantam a proteção à saúde, à segurança e ao meio ambiente. Quanto mais alto o nível da abordagem, maior será o grau de detalhamento necessário às informações coletadas, assim como mais rigorosos serão os modelos matemáticos

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aplicados, tornando a definição dos riscos cada vez mais precisa sob as condições específicas

de cada área. Após conclusão de cada nível, poderá ser necessário definir alguma ação de

intervenção (ex.: interdição e isolamento da área, remediação, monitoramento) ou deverá ser

dada continuidade à análise, em níveis mais avançados.

Este procedimento possibilita a otimização de planejamento e de recursos, de acordo

com a especificidade do caso. A análise de risco com a abordagem em níveis é ilustrada na

figura 2.3.

o com a abordagem em níveis é ilustrada na figura 2.3. Figura 2.3: Elementos da Análise

Figura 2.3: Elementos da Análise de Risco em Níveis (ASTM) Fonte: ASTM, 2000.

Visando adaptar a metodologia RBCA às condições específicas locais no Brasil, em

2000, a Câmara Ambiental do Comércio de Derivados de Petróleo desenvolveu um

procedimento chamado de Ações Corretivas Baseadas no Risco (ACBR) para o

gerenciamento da contaminação em postos de serviços, bases de distribuição de combustíveis,

terminais ou em outras áreas, onde sejam manipulados e/ou armazenados compostos

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derivados de petróleo. Além desta adaptação, o procedimento ACBR teve também como

objetivo, estabelecer tabelas de referência para a análise de nível 1, considerando o risco à

saúde humana e dados específicos para o estado de São Paulo (CÂMARA AMBIENTAL DO

COMÉRCIO E DERIVADOS DE PETRÓLEO DO ESTADO DE SÃO PAULO- GRUPO

DE AVALIAÇÃO DE RISCO, 2000).

O fluxograma apresentado na figura 2.4 do procedimento ACBR, trás uma visão geral

da metodologia de avaliação de risco:

uma visão geral da metodologia de avaliação de risco: Figura 2.4: Fluxograma Geral de Abordagem da

Figura 2.4: Fluxograma Geral de Abordagem da ACBR Fonte: CÂMARA AMBIENTAL DO COMÉRCIO E DERIVADOS DE PETRÓLEO DO ESTADO DE SÃO PAULO- GRUPO DE AVALIAÇÃO DE RISCO, 2000.

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De acordo com o procedimento da ACBR, a metodologia desenvolve-se da seguinte

forma:

a) Primeira etapa: começa por investigações preliminares com o objetivo de confirmar a existência de vazamento e/ou contaminação, a existência de risco e elaborar o modelo

conceitual inicial da área. As principais atividades realizadas na investigação preliminar são:

- Coleta de informações sobre as instalações, as operações realizadas no local, os produtos manuseados, o histórico de ocorrências e a existência de estudos anteriores;

- Realização de inspeções na área do estabelecimento e nas edificações vizinhas,

principalmente no sistema hidráulico, sanitário e elétrico, de modo a identificar a existência

de indicadores de contaminação (presença de produto e vapores em ralos, pias, caixas de passagem, caixas de inspeção, etc.);

- Levantamento do uso e ocupação do solo em um raio de 100 metros;

- Identificação dos receptores potenciais (trabalhadores do posto, trabalhadores eventuais,

moradores da vizinhança, etc.) e das vias de exposição existentes na área (ex.: ingestão de água, contato dermal, inalação, etc.). Com base na investigação preliminar deve ser desenvolvido um modelo conceitual visando à identificação dos cenários de exposição atuais e potenciais. Para definição dos cenários de exposição devem ser obtidas as seguintes informações: meio impactado (ex.: solo, água, ar) fontes primárias (ex.: tanques subterrâneos) e fontes secundárias de poluição (ex.:

solo contaminado); compostos químicos de interesse (CQI) para a área; mecanismos de transporte (ex.: volatização, lixiviação, dispersão atmosférica) e dos caminhos de exposição (ex.: uso de água contaminada de poços de abastecimentos, obras de abertura de piso no local, serviços de varrição); vias de ingresso (ex.: ingestão de água, contato dermal, inalação, consumo de vegetais contaminados); receptores atuais e potenciais, dentro e fora da área impactada. Vale ressaltar que o modelo conceitual do site deve ser atualizado á medida que sejam obtidas novas informações relevantes e/ou mais detalhadas sobre a área, ou caso ocorra alguma modificação relacionada ao uso e ocupação das áreas do entorno à contaminação. A definição do modelo conceitual de exposição permitirá que a área seja classificada com base no risco que possa oferecer à saúde humana, à segurança da população, ao patrimônio e ao meio ambiente. Esta classificação será importante para orientar a implementação, ou não, de ações emergenciais, destinadas a minimizar os riscos agudos e

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torná-los aceitáveis, bem como de ações que contenham a expansão dos contaminantes em

todas as fases (produto livre, dissolvido ou na forma de vapor). A tabela 2.7 apresenta um

exemplo de classificação de áreas e de ações de resposta que podem ser adotadas em função

dos cenários observados.

Tabela 2.7: Classificação de Áreas e de Ações de Resposta para Tipo 1 – Risco Imediato

 

CRITÉRIOS PARA ENQUADRAMENTO

EXEMPLOS DE AÇÕES DE RESPOSTA

-

Níveis de explosividade que possam causar riscos à

Notificar as autoridades apropriadas, donos das propriedades, partes potencialmente afetadas e avaliar a necessidade de:

segurança das pessoas ou ao patrimônio estão presentes em uma residência ou em outra construção.

-

Evacuar a vizinhança imediata e dar inicio às

medidas de mitigação tais como ventilação.

-

Produto em fase livre está presente em quantidades

Prevenir a migração futura de produto em fase livre por meio de medidas de contenção apropriadas, instituir recuperação de produto em fase livre, e restringir o acesso à área.

-

significativas na superfície do solo, em corpos d’água

superficiais, em outras linhas de utilidades que não sejam as de suprimento de água ou em galerias de águas pluviais.

-

Um poço ativo de suprimento de água, uma linha de

-

Notificar usuário(s), prover fonte alternativa de

abastecimento de água, ou tomada superficial de água para

água, controlar hidraulicamente a água contaminada,

consumo humano estão impactados ou imediatamente ameaçados.

e tratar a água no ponto de consumo.

-

As concentrações de vapor ou partículas no ambiente

-

Instalar barreiras de vapor (tampões, espumas, e

excedem as concentrações de referência de uma exposição

assim por diante), remover fonte, ou restringir o

 

aguda.

acesso à área afetada.

Vapores em níveis explosivos estão presentes em

sistema(s) de utilidade(s) subsuperficial, mas nenhuma construção ou residência foi afetada. - Um habitat sensível (manguezais, restinga, mata atlântica, etc.), áreas de proteção ambiental ou receptores

-

Evacuar os ocupantes e dar início às medidas de mitigação tais como ventilação da área ou pressurização do prédio.

-

-

Minimizar a extensão do impacto com medidas de

contenção e implementar gerenciamento do habitat

sensíveis (espécies economicamente importantes, espécies em perigo ou ameaçadas) estão impactados ou afetados.

para minimizar a exposição.

Fonte: CÂMARA AMBIENTAL DO COMÉRCIO E DERIVADOS DE PETRÓLEO DO ESTADO DE SÃO PAULO- GRUPO DE AVALIAÇÃO DE RISCO, 2000.

No procedimento da ACBR existem outros exemplos de ações para outros níveis de

risco, como os riscos de curto prazo (0 a 2 anos), riscos de longo prazo (mais do que 2 anos) e

nenhum risco demonstrável.

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Uma vez feita a investigação preliminar e, em caso de necessidade, realizadas as ações emergenciais, passa-se para a segunda etapa.

b) Segunda etapa: investigação confirmatória cujo principal objetivo é confirmar a existência de contaminação em subsuperfície, localizando os pontos de maiores concentrações dos compostos químicos de interesse (CQI). Nesta etapa são geradas informações que poderão ser utilizadas na avaliação no nível

1. Sendo assim, as investigações de campo são conduzidas com o foco na identificação das concentrações dos CQI para cada meio impactado que foi considerado como fonte secundária de contaminação em pelo menos um cenário de exposição. Através da investigação confirmatória, o modelo conceitual deve ser atualizado a

partir dos dados obtidos, podendo haver uma reclassificação da área. Esta reclassificação deve ser considerada quando informações adicionais obtidas indicarem uma mudança expressiva nas condições da área, ou caso ocorra alguma mudança significativa no quadro da contaminação da área devido à implementação das ações de resposta. Após atualização do modelo conceitual, prossegue-se para uma nova etapa.

c) Terceira etapa: avaliação da área no nível 1. Para isto é feita a comparação das maiores

concentrações dos CQI observadas na área de estudo com os valores calculados dos Níveis de Avaliação Baseados no Risco - NABR, também denominado de RBSL (Risc- Based Screening Levels), que estão apresentados em forma de tabela e podem ser encontrados no procedimento da ACBR. A título de exemplo, uma dessas tabelas está apresentada na figura 2.5, para o composto químico de interesse benzeno. Os valores dos NABR indicados nestas tabelas foram calculados através de fórmulas matemáticas que relacionam parâmetros toxicológicos, de exposição, do meio físico e características físico-químicas dos CQI. Estas fórmulas estão apresentadas no procedimento ACBR. Cada NABR foi calculado de forma restritiva e conservadora, sendo adotados os valores correspondentes à mediana dos dados identificados para as propriedades inerentes ao meio físico representativo do Estado de São Paulo, e valores conservadores relativos aos parâmetros de exposição. Para cada cenário de exposição a ser avaliado no nível 1, foi calculado um valor de NABR correspondente.

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Figura 2.5: Tabela de Nível de Avaliação Baseados no Risco – Benzeno. Fonte: CÂMARA AMBIENTAL DO COMÉRCIO E DERIVADOS DE PETRÓLEO DO ESTADO DE SÃO PAULO- GRUPO DE AVALIAÇÃO DE RISCO, 2000.

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De acordo com o procedimento do ACBR os pontos de exposição (POE) são considerados como os pontos de potencial contato entre um receptor e um meio contaminado e os pontos de conformidade (POC), são os locais selecionados entre as áreas de fonte e os pontos potenciais de exposição, onde as concentrações dos CQI, devem estar abaixo, ou nos níveis alvo determinados para o meio. Na avaliação de nível 1 é feita uma comparação das concentrações encontradas na área com os valores dos NABR das tabelas de referência, onde os pontos – POE e os pontos – POC são assumidos de forma conservadora como estando sobre a área-fonte, onde as mais altas concentrações dos CQI foram identificadas. Entretanto, esta comparação também deve considerar as concentrações de background dos CQI, uma vez que os NABR podem, por

vezes, ser inferiores às concentrações de background. Outros critérios de referência também podem ser adotados para auxiliar na avaliação no nível 1, como por exemplo:

- critérios estéticos associados ao local estudado e à sua vizinhança;

- valores de background para a região;

- legislações municipais ou estaduais;

- determinações decorrentes, por exemplo, de acordos firmados entre a agência ambiental, o ministério público e o proprietário da área. Após a comparação das concentrações dos CQI com os NABR correspondentes inicia-se outra etapa.

d) Quarta etapa: esta etapa corresponde a um processo de avaliação da necessidade de algum

tipo de ação na área (ex: monitoramento, remediação, controle institucional, controle de engenharia, etc.), ou de passar para um nível mais alto da avaliação de risco. Caso as concentrações encontradas na área estejam de acordo com os NABR e outros critérios estabelecidos, deve-se avaliar a possibilidade de se monitorar a área impactada e as áreas próximas, segundo um plano de monitoramento, não sendo necessárias ações imediatas de remediação. Já se os níveis de concentração observados na área ultrapassarem os NABR, deverá ser avaliada a necessidade de adotar medidas de remediação, ou a possibilidade de

investigações adicionais na área para passar de nível. No caso da implantação de um programa de ação corretiva, as metas propostas com base nos dados levantados devem ser avaliadas levando-se em consideração a viabilidade técnico-econômica de implementação. Um programa de remediação deve proporcionar a combinação entre a remoção da fonte, técnicas de tratamento e tecnologias de contenção, assim como controles institucionais e de engenharia.

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Se as metas de remedição forem consideradas impraticáveis ou se existe alguma limitação tecnológica ou financeira, devem-se conduzir os trabalhos para um nível de maior detalhamento de informações, considerando a coleta de dados adicionais da área para desenvolvimento da Concentração Meta Específica da Área - CMEA nos níveis 2 e/ou 3. Nível 2 - Deverão ser calculadas as concentrações - CMEA específicas para a área em estudo, sendo que estas servirão como base para os programas de ações corretivas (projetos de remediação e/ou monitoramento). Ressalta-se que existem outras fontes que denominam os CMEA de SSTL (Níveis Alvo Específicos da Área - Site-Specific Target Levels). No nível 2 devem ser estabelecidos os pontos de conformidade - POC e calculadas as CMEA para os compostos químicos de interesse - CQI, assim definidos para o POC, para a área-fonte e para os pontos de exposição - POE. Também devem ser identificados os cenários de exposição indireta a serem avaliados (cenário indiretos são aqueles em que o risco é avaliado para um meio que não está em contato direto com os receptores, mas que poderá afetá-los em decorrência do transporte do CQI no meio físico). O nível 2 do ACBR possibilita

o cálculo da CMEA considerando múltiplos cenários de exposição. As CMEA são calculadas através da associação entre dados obtidos por meio da investigação adicional e dos resultados do modelamento matemático de transporte e atenuação desenvolvido com dados específicos da área em estudo. Desta forma é possível quantificar as concentrações teóricas nos POE e POC, utilizando como concentrações iniciais as obtidas nas áreas fonte da contaminação. A definição dos modelos matemáticos de transporte e atenuação de contaminantes em meio saturado e não saturado utilizados no nível 2 deve ser feita em função da complexidade de cada meio contaminado e da importância de cada cenário de exposição a ser avaliado. Podem ser utilizados modelos matemáticos analíticos, numéricos ou até mesmo a combinação dos dois tipos de modelagem. Associados aos modelos de transporte de contaminantes, é possível utilizar modelos que estimam as taxas de bioatenuação específicas para a área em estudo.

As concentrações nos POE e POC, no nível 2, também podem ser obtidas por meio de

medidas diretas em campo, ou pela realização de análises químicas de amostras de solo, água

e ar.

Depois de calculada as CMEA para cada cenário de exposição e CQI considerado para

a área, estas concentrações devem ser comparadas com as concentrações observadas nos POE

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e POC, identificando-se os cenários que apresentam concentrações no POE e POC acima das CMEA. Caso as CMEA estejam abaixo das concentrações observadas nos POE e POC, deve- se elaborar um plano de monitoramento considerando os POC como ponto de interesse para o cenário avaliado, não sendo necessárias ações imediatas de remediação. No entanto, se os níveis de concentração observados na área ultrapassarem as CMEA calculadas para cada cenário avaliado, deverá ser verificada a necessidade de adotar medidas de remediação, ou a possibilidade de investigações adicionais para passagem ao nível 3. Se a opção selecionada for o desenvolvimento e implantação de um projeto de remediação, deve ser realizada uma avaliação das técnicas de remediação aplicáveis ao caso para identificar a alternativa de melhor relação custo-benefício para atingir as metas definidas pelas CMEA. Projetos detalhados e desenvolvimento das especificações necessárias devem ser realizados para instalação e operação do sistema de remediação proposto. O sistema ou a ação de remediação deve funcionar até quando as concentrações dos CQI não mais estiverem acima das CMEA, nos POE, POC e/ou áreas-fonte. Um plano de monitoramento será necessário para demonstrar a efetividade das ações de remediação implementadas, podendo confirmar uma pior, melhor ou inalterada condição da contaminação da área. O programa de ação corretiva é concluído quando as metas de remediação são atingidas ou quando tiver sido demonstrado que as CMEA foram atingidas nos POE, POC ou áreas-fonte; e assim, o monitoramento do local é encerrado, pois a área não apresentará mais riscos. Caso tenham sido exigidos controles institucionais (formas de restrição ao uso ou acesso ao local, ex: cercas, muros, etc) eles devem permanecer instalados. Em janeiro de 2006, a CETESB revisou o procedimento da ACBR apresentando um conjunto de novos procedimentos para licenciamento de postos e sistemas retalhistas de combustíveis, através da Decisão da diretoria da CETESB nº 010-2006-C. Este novo procedimento estabelece claramente as ações que devem ser tomadas no decorrer da análise de risco, conforme apresentado na figura 2.6.

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Ambientais na Indústria. 2007 Monografia I Figura 2.6: Fluxograma do Novo Procedimento da CETESB para

Figura 2.6: Fluxograma do Novo Procedimento da CETESB para Aplicação da Metodologia ACBR Fonte: (COMPANHIA DE TECNOLOGIA DE SANEAMENTO AMBIENTAL,

2006a)

Nota-se, como principais mudanças, o direcionamento das ações corretivas a serem

tomadas. Estas ações corretivas são denominadas de ações respostas, são estabelecidas três

ações respostas ao longo da análise de risco. A ação resposta 1 é determinada para atender ao

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risco imediato; a ação resposta 2 é para eliminar a fase livre; e a ação resposta 3 é para atingir as metas de remediação (NABR ou CMEA). Estas ações são tomadas de acordo com a evolução de investigação do caso e da análise custo beneficio e as atividades que as compõe estão listadas no procedimento. Observa-se que na análise de risco nível 1, diferentemente do procedimento ACBR anterior, os valores encontrados do site são comparados com os valores de intervenção da CETESB – Lista de Valores Orientativos (COMPANHIA DE TECNOLOGIA DE SANEAMENTO AMBIENTAL, 2005d) e depois com os valores NABR (COMPANHIA DE TECNOLOGIA DE SANEAMENTO AMBIENTAL, 2006a) que também estão diferentes dos valores do procedimento anterior.

2.5 METODOLOGIA DE AVALIAÇÃO DE RISCO C- SOIL

A Holanda foi o primeiro país a desenvolver padrões de qualidade para solos e águas subterrâneas utilizando critérios numéricos para controle e prevenção da poluição. A Lei de Proteção do Solo de 1994 do Ministério da Habitação, Planejamento Espacial e Meio Ambiente - VROM estabeleceu os padrões holandeses atualmente em vigor. Os valores

propostos por esta Lei resultaram de pesquisas científicas e conhecimentos adquiridos através de modelos matemáticos de análise de risco. O modelo de análise de risco C-SOIL foi desenvolvido para avaliar a exposição humana à solos contaminados. Os modelos matemáticos do CSOIL incorporam a:

a) distribuição entre as fases do solo;

b) transferência a partir das diferentes fases do solo para o meio (interface) de contato;

c) exposição direta e indireta.

Os cálculos do C-SOIL tem como ponto de partida o conteúdo do solo (Van Den BERG, 1991/1994). Segundo a teoria da fugacidade de MACKAY e PATERSON (1981) é calculada a distribuição entre as fases móveis do solo (água intersticial e vapor). As rotas de exposição disponíveis no modelo são: inalação de ar; inalação de partículas de solo; absorção dermal a partir do solo; ingestão de solos; consumo de água; inalação durante o banho; absorção dermal durante o banho; consumo de produtos agrícolas. O conceito do modelo CSOIL é apresentado na figura 2.7.

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Conteúdo Representativo nos Solos

Conteúdo Representativo nos Solos Concentração nas Águas Intersticiais Adsorção e Transporte para as Águas
Conteúdo Representativo nos Solos Concentração nas Águas Intersticiais Adsorção e Transporte para as Águas
Concentração nas Águas Intersticiais Adsorção e Transporte para as Águas Subterrâneas Acúmulo na Vegetação
Concentração nas
Águas Intersticiais
Adsorção e
Transporte para as
Águas Subterrâneas
Acúmulo na
Vegetação
Transporte para
Águas de
Abastecimento
Permeação Através
das Águas de
Abastecimento
Permeação Através das Águas de Abastecimento Ingestão de Água de Abastecimento, Contato Dermal e

Ingestão de Água de Abastecimento, Contato Dermal e Inalação Durante o Banho

Consumo de Vegetação
Consumo
de
Vegetação

Concentração nos Vapores do Solo

Consumo de Vegetação Concentração nos Vapores do Solo Transporte para a Superfície Diluição no Ar Interno

Transporte para

a Superfície