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UNIVERSIDADE FEDERAL DO CEARÁ INSTITUTO UFC VIRTUAL CURSO: Sistemas e Mídias Digitais DISCIPLINA: Ética e

UNIVERSIDADE FEDERAL DO CEARÁ INSTITUTO UFC VIRTUAL CURSO: Sistemas e Mídias Digitais DISCIPLINA: Ética e Política Autoral PROFESSOR: Fernando Lincoln

ANÁLISE ÉTICA E AUTORAL DE “PRODUTO DIGITAL” Blog: TESTOSTERONA - http://testosterona.blog.br/

Alexiei-Alexander T. L. B. Ribeiro Israel Carlos Bezerra Jéssica Barbosa do Santos

Fortaleza - CE Novembro / 2011

O presente texto tem como objetivo fazer uma análise, sob o ponto de vista ético e autoral de um produto midiático conhecido como blog. Mas para que serve um blog? Diário Virtual, que embora tenha sido criado com essa finalidade, essa utilização já está em desuso, sendo substituída pelos microblogs (mais práticos). Fonte de Informação sobre um determinado nicho, onde o seu autor escolhe

um tema e posta regularmente informações sobre o assunto. Ferramenta de comunicação interna, pela facilidade de postagem e de atualização, seja individualmente ou em grupo. Pode servir como um suporte dentro da comunicação interna de uma empresa ou até mesmo instituições de ensino. Ferramenta de endomarketing, onde pode ser considerada a evolução do exemplo anterior, pois além de apresentar informações internas, pode servir como espaço para a opinião dos usuários, debates e fóruns. Ferramenta de Marketing Digital, em complemento ao site principal de uma empresa mostrando um lado mais informal da organização, e assim podendo abrir mais um canal de comunicação com seus clientes.

O Blog escolhido como objeto de estudo é intitulado “Testosterona - O Blog

do Macho Moderno”. É de teor cômico, portanto utiliza de seu espaço com o objetivo

essencial de promover lazer e entretenimento aos seus leitores, porém é percebido que

o

conteúdo postado, em sua maioria, trata-se de comentários preconceituosos com o

gênero feminino. O autor descreve seu blog com o seguinte texto: “Este é um blog de caráter humorístico. O testosterona é uma criação de Eduardo Mendes, um rapaz que acredita que toda mulher é uma rainha e a cozinha o seu castelo”. Não é difícil notar uma gama infindável de questões éticas a serem analisadas e que podem gerar polêmicas discussões sobre o tema e a forma como é apresentado na página, uma vez que se trata de um assunto tão antigo, jamais findado e que abrange reflexões científicas, filosóficas e até mesmo teológicas sobre o comportamento e a ação sócio-humana de repressão e humilhação às mulheres.

É interessante avaliar que, mesmo com os costumes mudando, essa é uma

questão que perdura há vários momentos históricos, pois, ainda que a norma social vigente seja outra, que se queira dirigir o comportamento para uma igualdade entre os gêneros, muito dos pensamentos sociais, bem como ações, tanto de homens quanto de mulheres, que, ainda, verdadeiramente ocorrem é de uma sociedade

extremamente machista e, no blog, ela está, tão somente, sendo explicita de forma direta e descarada.

Esses são exemplos dos mais delicados, relatando que mulher, tão somente, serve para serviços domésticos e, apesar disso, de rebaixarem a capacidade intelectual feminina, é exatamente o que é ensinado em muitos lares: “Minha filha, limpe a casa, porque é serviço de menina. Seu irmão vai fazer outra coisa (Nada!)”. Quanto à exposição sexual, o mais engraçado é que os pais/mães e mesmo os filhos/filhas não desejam isso para as mulheres de suas vidas, quando as geram ou foram gerados por elas. As primeiras devem ser as eternas meninas, bonequinhas de porcelana imaculadas ou as cientistas, as advogadas, as presidentas (Ué?! Mudaram de sexo na visão deles?), já as mães são merecedoras de respeito, procriadoras, meios que carregam o milagre da vida. Mulheres próximas são exceções, mesmo que nem isso aconteça algumas vezes. O pior não é o machismo masculino, mas o feminino. Afinal, "o que mais preocupa não é o grito dos violentos, dos corruptos, dos desonestos, dos sem caráter, dos sem ética. O que mais preocupa é o silêncio dos bons." (Martin Luther King). Tratando como piada aquilo que denigre suas imagens de forma tão baixa, elas estão confirmando o que está sendo dito. Homens e mulheres são diferentes, nem melhores, nem piores, mas complementares. As mulheres não devem perder sua feminilidade e reprimir sua sensibilidade, ou, dessa forma, cometerão os mesmos erros históricos feitos pelos homens: escravidão, guerras, competição predatória, etc. Então, por que a discriminação acontece? Já que a diferença entre homens e mulheres não é estabelecida em cunho intelectual. Se ética se tratasse de uma ciência biológica, evolutiva e psicométrica, seria algo muito mais fácil de ser estipulado e de se avaliar. Afinal, segundo estudos, a visão de que os homens são superiores às mulheres é muito equivocada.

Tanto uns quanto outros apresentam, em pé de igualdade, a mesma

capacidade de resolução de problemas. As diferenças observadas em estudos de psicometria não estão relacionadas a essa capacidade geral e sim à determinadas habilidades de operar com informações de natureza diversa. Além disso, Colom, Quiroga & Juan-Espinosa (1999), assim como Feingold (1988) mostram que, mesmo nas habilidades específicas, as diferenças entre homens

e mulheres estão se estreitando com o passar dos anos. Andrés-Pueyo & Zaro

(1998) mencionam o estudo dos alemães Stumpf e Klieme realizado no final da década de 80, no qual se mostra que em um período de 10 anos as diferenças

nas capacidades viso-espaciais, com relação ao sexo, diminuíram de um valor

d = 0,67 para um valor d = 0,40. Portanto, as pessoas que consideram que um

gênero sexual é superior ao outro, estão equivocadas por duas razões: primeiro

porque com relação à capacidade intelectual geral não há dados que apoiem essa crença e, segundo, porque no que se refere às aptidões específicas as diferenças entre estas estão diminuindo com o passar do tempo. (FLORES- MENDOZA, 2002)

Mas, o blog se baseia em tanta informação “gritantemente” errada, como aquela de “para que o salto alto foi inventado” (que, em seus primórdios, não eram direcionados às mulheres, mas a qualquer um de classe social elevada) que é complicado rebater suas informações com algo intelectualmente, no mínimo, normal. Nesse caso, deve haver sensibilidade para gerar alguma teoria. Enfim, realmente, não dá para entender esse comportamento social nos dias de

E o blog, creio que serve, apenas, para interação de pessoas que não sabem

hoje

tratar de outro assunto (melhor ou pior) e são um tanto quanto limitadas em relação, além de conteúdo e informações sobre o mesmo, a formas de expressão.

Além da ética em discussão científica e social, aspectos de teor político- legislativo são muito significantes à análise, relacionando-se com a violação frequente aos direitos do autor e à exposição de imagem presente no blog, uma vez que, por

exemplo, no dia 17 de novembro de 2011, o autor utilizou tweets de algumas pessoas com o objetivo de exibir seus erros ortográficos e intitulou a postagem de “É chato ser analfabeta”. Para exemplificar, segue imagens retiradas de postagens do Testosterona:

Na postagem, o autor manteve a identificação das pessoas através da foto do perfil e nome de usuário sem autorização prévia dos mesmos. (Figura 01) A grande maioria dos leitores do blog, por sua vez, comentam o que foi exposto,

muitas vezes

(Figura 02)

(Figura 01) A grande maioria dos leitores do blog, por sua vez, comentam o que foi
(Figura 01) A grande maioria dos leitores do blog, por sua vez, comentam o que foi

Para concluir, as postagens do blog testosterona ferem os direitos da personalidade. O assunto pode ser encontrado no novo código civil brasileiro de 2002, capítulo 2, com abrangência do artigo 11 ao 21. Como pressupõe Charles Taylor (The Ethics of Authenticity, 1992), ela se enquadra em três aspectos essenciais: Autonomia da vontade, alteridade e dignidade. Ao generalizar critérios para avaliação do gênero fêminino, o autor limita e censura a autonomia. Utiliza de maneira arbitrária e imoral nomes e imagens para reforçar o princípio norteador do blog. Se por um lado o autor pratica a liberdade de expressão também constituído na lei, ele fere um princípio de instância maior que é o direito acima citado. O intuito desta análise não é ferir a liberdade do(s) autor(es) deste blog ou qualquer outra forma de expressão. Apenas esclarecer que além da liberdade é preciso zelar e exercer a ética e conduta cujos critérios são endossados pelo rigor da lei. O escárnio de forma alegórica contra um indivíduo, grupo ou gênero não é eticamente adequado.

REFERÊNCIAS

Imagens

Textos FLORES-MENDOZA, C. Diferenças intelectuais entre homens e mulheres: uma breve revisão da literatura. Psicologo inFormação, São Paulo, n.4, p.33, mar./2002. TAYLOR, C. - The Ethics of Authenticity. Havard University Press, Cambridge- Massachusets e London - England, 1992. Novo Código Civil Brasileiro, 2001.