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ARQUITETURA DE CELEBRAÇÃO

Também atingida pela Crise de 1929, a França passou pela agitação dos comunistas e, em fevereiro de 1934, pela extrema direita. A vitória da Frente Popular e chegada de socialistas ao poder – Léon Blum (18721950), entre 1936 e 1937; e Édouard Daladier (18841970), entre 1938 e 1940 – aumentou nos conservadores o temor pela novidade, inclusive no campo estético. Havia o receio da carga política que era expressa pelas formas puras e ideais racionalistas, os quais traziam a “profecia de uma sociedade mais justa e igualitária”, com fortes conotações de esquerda. Daí incentivou-se avidamente a difusão de uma arte e arquitetura tradicionalistas, voltando-se ao neoclassicismo, cujo “caráter sóbrio e elegante tinha a dignidade de estar a altura da tradição monumental francesa”.

A restrição ao campo de trabalho dos modernistas e a pressão política de regimes ditatoriais, na década de 1930 e início dos anos 40, fizeram ressurgir nos países centrais da Europa um academicismo neo-decorativista, expresso pela ARQUITETURA DE CELEBRAÇÃO, tipicamente monumental e neoclássica.  Paralelamente, houve a absorção
dos preceitos formais e funcionais da arquitetura moderna pelo repertório eclético ainda presente em muitos países, diminuindo a polêmica em relação aos conteúdos e limitando a discussão a certos esquematismos representados pelo estilo Art Déco.

 São exemplos dessa recaída francesa
ao HISTORICISMO as seguintes obras parisienses que demonstravam o retorno a uma arquitetura convencional, de espírito essencialmente classicista:
 Palais de Caillot: Projetado para a Exposição Universal de Paris de 1937, por Léon Azéma (1888-1978), Louis-Auguste Boileau (1812-96) e Jacques Carlu (1890-1976), possui enormes alas de colunas em curva, além de esculturas de bronze e baixos-relevos neoclássicos. Hoje, aloja quatro museus – o Musée des Monuments Français, o de l’Homme, o de la Marine e o du Cinéma –, um teatro e a Cinémathèque Française, além dos jardins du Trocadéro.  Palais de Tokyo: Projetado também para a Exposição de 1937 por Jean-Claude Dondel (1904-89) e Marcel Dastugue (1881-1960), entre outros, funciona hoje como o Musée d’Art Moderne de la Ville de Paris, caracterizando-se por suas simétricas e esbeltas colunas, além de esculturas em Art Déco.

PLANO DE BERLIM (1938)

ARQUITETURA STALINISTA
Apesar da pesquisa moderna ter sido acelerada logo após a Revolução Russa (1917) – a qual derrubou o último czar Nicolau III (1894-1917) –, isto devido ao seu interesse coletivo e também à atuação radical dos construtivistas, o autoritarismo de Iossif Stalin (18791953), a partir dos anos 30, acabou por cercear o pensamento funcionalista e impor uma mediocridade oficial.

Em meados dos anos 30, nos ambientes europeus onde as ditaduras instalaramse, a arquitetura moderna não sobreviveu nem marginalmente, sendo totalmente substituída pelo CELEBRALISMO – em especial na URSSS stalinista, na Alemanha nazista e na Itália fascista, – o que acabou se refletindo em práticas urbanas tradicionais, por meio do retorno aos esquemas grandiloquentes.
 Na França, embora não tenha sido
dominada por regimes extremistas, a crítica conservadora atingiu o poder e houve uma forte reação acadêmica, através do ART DÉCO, contra a estética moderna, da qual surgiram várias acusações, como a de se tratar de uma arquitetura de inspiração estrangeira (alemã) e, portanto, prejudicial aos interesses da produção francesa; ou ainda a de ser uma arquitetura escrava da máquina, extremamente pobre e nua para satisfazer o refinado gosto burguês.

Em 1932, foi fundada a União de Arquitetos Soviéticos – SSA, que considerava contra-revolucionários todos os grupos isolados na URSS, impondo formalismos acadêmicos (simetria, monumentalidade, decorativismo, etc.). A arquitetura stalinista, cujo maior expoente foi Boris M. Iofan (1891-1976) – responsável pelo projeto do Palácio dos Sovietes (1933) – via nos estilos clássicos a conveniência das formas e símbolos associados às virtudes aspiradas pelo novo regime.

Quanto às teorias urbanas, embora por alguns anos as autoridades soviéticas tenham concedido um espaço marginal às experiências desurbanistas do esquema linear de Milyutin, acabaram voltando a valorizar, cada vez com maior decisão, os esquemas centralizadores.  Ao mesmo tempo, procuraram
limitar a dimensão tanto das cidades existentes como das novas (entre 1917 e 1965, foram fundadas na URSS mais de 900 cidades novas). A lógica do crescimento concêntrico impôs suas exigências e os urbanistas acabaram constrangidos a intervir com os instrumentos convencionais do urban planning, como o zoneamento funcional e a implantação da regularidade geométrica dos traçados.
Até o final dos anos 20, a URSS era um país de economia preponderantemente agrícola e, com o primeiro Plano Qüinqüenal (1928), passou-se a buscar o desenvolvimento da indústria pesada e a criação de novas zonas industriais nas regiões orientais, menos desenvolvidas. Com os novos planos qüinqüenais, iniciouse um amplo processo de urbanização e, entre 1926 e 1938, a população urbana cresceu 33%. Em 1935, foi aprovado o novo PLANO REGULADOR DE MOSCOU, tecnicamente notável pelo zoneamento perspicaz e pela abundância de zonas verdes, mas afligido por formalismos acadêmicos. Da Praça Vermelha às colinas de Lênin, foi traçado um eixo monumental de mais de 20 km, semeado de grandes praças e palácios imensos, como o Meyerhold Theater (1932), o edifício do Comissariado da Agricultura (1933) e o Moscow Hotel (1935), obras de Aleksei V. Shchusev (1873-1949).

Desde o início, a operação foi rigidamente controlada pelo governo e voltada a projetos de abrigos de emergência, resultando em obras racionalizadas, através de casas padronizadas de baixo padrão, este denunciado em 1948.  A partir daí, a Academia de Arquitetura
da URSS passou a ser encarregada de preparar os projetos, aprovando-se uma série de 50 projetos-tipo para moradias e 200 projetos-tipo para edifícios públicos, os quais mantiveram características clássicas, inclusive nas casas préfabricadas. Na década de 1950, somente após a morte de Stalin e o novo curso da política interna soviética, a situação alterou-se, quando se denunciou com clareza os excessos estilísticos da reconstrução stalinista e defendeu-se a eliminação do supérfluo.

ARQUITETURA NAZISTA
Embora a Alemanha tenha sido o berço fértil do modernismo, a ascensão do comunismo, facilitada pela então desorganização financeira promovida pela Crise de 1929, somada ao desemprego e à miséria, redundou na formação de um movimento de caráter radical e conservador, o NAZISMO ou NacionalSocialismo, que levaria ao nacionalismo exacerbado.  A subida ao poder de Adolf Hitler
(1889-1945) em 1933 estabeleceu um regime ditatorial e anárquico (III Reich), sustentado por uma política repressiva e um aparelho paramilitar. A arquitetura moderna que dependia inicialmente do poder político, viu-se, a partir dos anos 30, restringida totalmente pelo interesse nazista por uma arquitetura de celebração, tradicionalista e estritamente alemã.
A Bauhaus foi fechada em 1933; e professores e arquitetos modernos acabaram emigrando, principalmente para os EUA ou a URSS. Hitler levou o Pan-Germanismo (exaltação da superioridade da raça germânica em detrimento das estrangeiras, notadamente dos judeus) a limites extremos, acabando por desencadear a Segunda Guerra Mundial (1939/45).

 A idéia da unidade de habitação
sobreviveu somente como indicação quantitativa e transformou-se no conceito de super-bloco formado por edifícios tradicionais, empregado de agora em diante nos planos reguladores soviéticos. No segundo pós-guerra, a maior parte da reconstrução das edificações na URSS foi realizada durante o quarto Plano Qüinqüenal (1946/50), ainda em pleno regime stalinista (BENEVOLO, 2001).

PLANO REGULADOR DE MOSCOU (1935)

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 O principal expoente da arquitetura
nazista foi Albert Speer (1905-81), nomeado diretor-geral da construção civil de Berlim em 1937, produzindo um estilo neoclássico colossal, principalmente nos edifícios públicos.
Ele considerava a arquitetura sobretudo como um “instrumento do poder”, sendo nomeado em 1942 o Ministro dos Armamentos. Com o término do conflito, foi condenado a 20 anos por crimes de guerra. O Pavilhão Alemão da Exposição Universal de Paris (1937) e a proposta da Grosser Halle (1939) são exemplos do tipo de arquitetura defendida por Speer.

Na Alemanha Oriental, um dos mais importantes planos urbanísticos implantados foi o da reconstrução do centro de Dresden. De modo análogo, algumas novas cidades foram projetadas e construídas, tais como Schwarze Pumpe, Houerswerda, Schwedt e Halle-Neustadt. Destacaram-se também o projeto de expansão de Rostock (1957/60), o mais importante porto da Alemanha Oriental; e o plano de renovação urbana de Erfurt (FERRARI, 1991).

Os nazistas qualificavam a arte moderna como “degenerada” e incentivaram o retorno aos princípios acadêmicos. Muito características foram as esculturas de Georg Kolbe (1877-1947), Josef Thorak (1889-1952), Arno Breker (1900-91) e Fritz Berberich (1909-89), além da pintura de Karl Truppe (1887-1959), Adolf Ziegler (1892-1959) e Gisbert Palmie (1897-1986), entre outros.

ARQUITETURA FASCISTA
A Itália iniciou o século XX com certa estabilidade política, o que favoreceu a industrialização e uma política reformista, o que satisfez a direita nacionalista, uma corrente cuja força ansiosa por reconquistar as terras austríacas, conduziu o país para a Primeira Guerra Mundial (1914/18). Porém, nos anos 20, uma grave depressão econômica atingiu o país e os antigos partidos revelaram-se incapazes de enfrentar a situação.  Benito Mussolini (1883-1945),
com seus fascios, acabou sendo reconhecido como o único recurso “face à desordem”. Gradualmente, um novo regime ditatorial e corporativista, o FASCISMO, instaurou-se em torno do Duce que, devido a realizações internas, conseguiu a adesão popular.
O modernismo, que vinha se afirmando através da atuação do Gruppo Sette, liderado por Giuseppe Terragni (1904-42), acabou adquirindo um significado político, associando as características racionalistas aos ideais fascistas. Em 1931, foi fundado o Movimento Italiano pela Arquitetura Racionalista – MIAR, com 47 membros, aproximando ainda mais o debate arquitetônico ao político e tornando os encargos públicos cada vez mais frequentes.

 No segundo pós-guerra, a reconstrução alemã atrelou-se aos princípios da CARTA DE ATENAS (1933), os quais foram aplicados em 1945 nos planos de reconstrução de Hanover, de renovação de Kreuzkirche e de ampliação de HemmingenWesterfeld, além dos bairros residenciais de Hamburgo e de Berlim (Markisches Viertel, ao Norte; e BritzBuckow-Rudow, a Sudeste).
Foram realizados ainda muitos projetos de recuperação de áreas centrais, como aqueles ocorridos nas cidades de Munique, Essen, Bremem, Colônia, Kassel e Dusseldorf. O plano de Buckow-Rudow, a Sudeste de Berlim Ocidental, ficou conhecido como PLANO GROPIUS (1963/73), tendo sido iniciado pelo mestre alemão.
Outros planejadores que se destacaram na Alemanha Ocidental após a II Grande Guerra foram: Franz Reichel (1901-65), criador do plano da comunidade de Langwasser (1955), situada a Sudeste de Nuremberg, para 60.000 habitantes; Walter Schwagenscheidt (18861968) & Tassilo Sittmann, responsáveis pelo Plano de Frankfurt (1959); Fritz Eggeling (1913-66), que criou a nova cidade de Wulfen (1960); e Hans B. Reichow (1899-1974), que elaborou a proposta da nova cidade de Sennestadt (1956/73).

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Entretanto, entre 1930 e 1936, as críticas dos arquitetos Giuseppe Pagano (1896-1945) e Edouardo Persico (1900-36) publicadas na revista italiana Casabella, acabaram por abrir a consciência italiana para o movimento funcionalista europeu, tornando insustentável a aliança entre modernismo e fascismo. A situação agravou-se após o exílio de Pagano e a morte de Persico, estes considerados antifascistas pelo regime, que começou a pregar o conformismo neoclássico.

Já nos anos 40, iniciaram-se pesquisas pós-modernas dos processos de construção tipicamente italianos, em termos técnicos e funcionais, visando-se extrair uma teoria de projeto da prática corrente, o que conduziu, na década de 1950, a uma arquitetura chamada neorealista ou neo-historicista, defendida por arquitetos como Mário Ridolfi (1904-84), Ignazio Gardella (1905-99) e Franco Albini (1905-77), entre outros.

 Em 1942, foi promulgada a
primeira lei urbanística geral da Itália, a qual previa uma hierarquia de planos de várias ordens – territoriais, intercomunais, comunais e particularizados – e que se tornou um instrumento técnico novo e avançado para regular as cidades italianas. Posteriormente, no setor das construções populares, depois de várias experiências conduzidas com critérios principalmente quantitativos, instituiu-se, em 1949, o INA-Casa, um novo órgão responsável pelo controle técnico e econômico dos trabalhos.
Os primeiros bairros projetados no início dos anos 50 demonstraram uma grande liberdade concebida aos arquitetos, os quais procuraram se inspirar em organismos tradicionais, justificando-se através de teorias contextuais que inter-relacionavam os edifícios ao ambiente urbano. O maior exemplo foi o Bairro Tiburtino em Roma, projetado por vários arquitetos, como Carlo Chiarini (1925-) e Carlo Aymonino (1926-). Outros bairros feitos pelo INA-Casa entre 1949 e 1956 foram: o Tuscolano em Roma; o Ponticelli em Nápoles; o Cesate em Milão; o Falchera em Turim; o Villa Bernabó em Gênova; e o Borgo Paniale em Bolonha, entre outros.

A partir de 1937, a arquitetura oficial adquiriu contornos monumentais, planimetrias simétricas e projetos retóricos e academicistas. O maior expoente desses exercícios superficiais foi Marcello Piacentini (1881-1960), oportunista político, cuja atuação fez-se sempre ambígua. O maior exemplo italiano do CELEBRALISMO foi o projeto de Piacentini para o bairro da Esposizione Universale di Roma – EUR, planejada para 1942 e nunca realizada devido à guerra. O Palazzo della Civiltà del Lavoro e o Museo della Civiltà Romana, ambos situados no EUR, são as obras mais características dessa arquitetura monumental fascista (BENEVOLO, 2001).

No segundo pós-guerra, as destruições na Itália não foram muito graves – apenas cerca de 5% das habitações foram demolidas –, mas o abalo político e social foi bastante forte, já que o longo regime autoritário desmoronou e deixou à vista a precariedade de seus fundamentos, especialmente quanto à carência de construções e à fragilidade das instituições urbanísticas.  Mais do que sanar destruições, a Itália
viu-se em frente aos problemas trazidos pelo fim da longa ditadura e sua substituição por uma nova classe dirigente entusiasmada, mas ainda inexperiente. Surgiu a sensação de se ter retomado o contato com a realidade e “ver com novos olhos” – como se fosse a primeira vez – as coisas circundantes e, sobretudo, mais próximas, até então mascaradas pela retórica patriótica e pelo clima artificial de protecionismo fascista; ou ainda cobertas pelo véus dos lugares comuns.
Nascia o desejo de se aderir à realidade cotidiana, concreta e circunstanciada, com preferência pelas formas populares e o interesse circunscrito ao ambiente próximo. Refutou-se as abstrações e exotismos maneiristas, preferindo uma arquitetura que dialogasse com seu entorno e sua comunidade, atravessando a tradição: surgia assim o NEOREALISMO, cujos pressupostos podiam ser encontrados em todas esferas da arte italiana, como o teatro e o cinema, por meio das obras de Eduardo De Filippo (1900-84), Vittorio De Sica (190174), Roberto Rossellini (1906-77), etc..

Deste modo, nos anos 50, surgiu o tema da MEMÓRIA COLETIVA na arquitetura e urbanismo italianos, aparecendo experiências de reutilização de formas e esquemas urbanos tradicionais. A partir da década seguinte, a crítica mudou a ênfase das questões ditas técnicas para as relações entre o espaço construído e a sociedade, dentro de uma perspectiva mais cultural, dando origem ao movimento NUOVA TENDENZA, centralizado em Milão, que teve como seus expoentes Luigi Moretti (1907-73), Ernesto N. Rogers (1909-69), Saverio Muratori (1910-73) e Ludovico Quaroni (1911-87), entre outros.

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os Promontory Apartments (1939). a partir de quando o controle da economia mundial passou para os EUA. passando a criticar um repertório unitário. o novo centro de discussão da arte e arquitetura mundiais. fez uma série de pesquisas sobre pré-fabricação. entre as quais as casas Ford (1938. cuja sutileza de proporções e riqueza material influenciaram toda uma geração de arquitetos. foi para a Inglaterra e colaborou com Edwin Maxwell-Fry (1899-1987) em uma arquitetura mais elástica e dinâmica (Impington School. Farnsworth House (1950). proliferaram-se nos anos 50 e 60. que se caracterizou pelo pragmatismo e extremo rigor técnicoconstrutivo.  A desagregação do Modernismo foi testemunhada pelos próprios mestres. Lincoln). Suas obras em Chicago mais destacadas foram: o novo Campus do IIT (1939/42). No ambiente americano.MANEIRISMO MODERNO Os primeiros anos do segundo pós-guerra constituíram em um período de transição e preparação. influenciou uma corrente caracterizada pelo rigor disciplinar. estabeleceu-se em Chicago. destacando-se o próprio Harvard Graduate Center (1949/50). voltou-se para uma arquitetura massiva de concreto armado e técnica exacerbada. propondo reformulações (MASSA. 860 Lake Shore Drive Apartments (1951) e IIT Crown Hall (1956). mas que procuravam ampliar seus horizontes técnicos e estéticos. no qual várias correntes maneiristas procuraram questionar e inovar a estética funcionalista. sendo produzidas na Europa construções para eliminar os danos ocorridos e abrigar milhares de refugiados. Através de um ritmo uniforme e aplicação de estruturas metálicas com vedação em vidro ou alvenaria. juntouse a ex-alunos no grupo The Architecture Collaborative – TAC.  LUDWIG MIES VAN DER ROHE (1886-1969): Tornando-se diretor do Illinois Institute of Technology – IIT em 1938. Em 1938. com soluções esquemáticas inapropriadas para todos os contextos. Foi uma fase de crise da burguesia européia face à falência dos ideais de conquista do poder. através de novas temáticas e experimentações. produzindo obras como a Universidade de Bagdá (1960) e a Embaixada Americana em Atenas (1961). inclusive do retorno a citações históricas. através de suas experiências nas décadas de 1940 e 1950. de modo a englobar o trabalho de artistas e arquitetos de formação moderna. Cambridge MA. 1936). seus edifícios tornaram-se mais circunscritos em si. Influenciado pela escala americana e urgência de soluções econômicas e flexíveis. 1940 Neo-Realismo Neo-Racionalismo 1960 1980 Novo Realismo / Hiperrealismo / Figuração Narrativa 2000 Tecnicismo Pop Art / Op-Art / Mec-Art Slick-Teck / High-Tech / Ecotech Formalismo / Contextualismo / Regionalismo Green Architecture Desconstrutivismo Arte Permutacional / Video Art Blobismo Arte Concreta Arte Conceitual / Arte Processual / Arte Ambiental Informalismo / Esculturismo / Body-Art Estruturalismo / Brutalismo / Povera Neo-Expressionismo Neo-Organicismo International Style Neo-Purismo / Colorismo / Minimalismo 71 . Entretanto. embora flexíveis. Denominou-se MANEIRISMO MODERNO o conjunto dessas atitudes pessoais de explorar a linguagem modernista. que variam de autor para autor. aplicandoa em enquadramentos mais vastos e enriquecendo-a com originalidade e genialidade. Por fim. NYC). Pittsburg) e Chamberlain (1940. onde iniciou uma rica experiência com aço e vidro. Suas pesquisas tardias acabaram influenciando a formação e difusão das novas tendências pluralistas:  WALTER GROPIUS (1883-1969): Depois da Alemanha. 1984). Weyland). ocorrendo uma ampliação do seu repertório formal e a apropriação inédita de novos meios expressivos.  Várias correntes de designações parciais. que já se processava desde os anos 30. precisão geométrica e perfeição técnica. Em 1945. Frank (1939. sua obra prima foi o Seagram Building (1955. produzindo cerca de 70 projetos até 1953. estabeleceu-se nos EUA como professor em Harvard. As correntes maneiristas pós-45 deram prosseguimento à redefinição da arquitetura funcional.  O período que vai do final da Segunda Guerra Mundial (1939/45) até meados dos anos 60 ficou sendo conhecido como PLURALISMO.

como a difusão dos meios de comunicação de massa. embora de menor qualidade que as abertas e elegantes casas realizadas por encomenda. o qual perdurou até a década de 1970. entre vários outros. com o qual projetou vários grandes edifícios. Índia (1950/65). seu trabalho experimentou combinações espaciais e de continuidade volumétrica. Cambridge MA) e acentuou a imagem e exposição da estrutura. que revolucionou a circulação de espaços museológicos. Desta fase. Foi nas universidades americanas que a teoria funcionalista passou a ser examinada em termos de História Social e Antropologia Cultural. somente possíveis nos ambientes históricos. Jersey). Também foram suas obras: Wolfsburg Cultural Center (1951/62. Imatra). Momento em que o Imperialismo americano estava em seu apogeu e as transformações socioeconômicas mundiais acabaram se refletindo sobre a arquitetura. por exemplo.  FRANK LLOYD WRIGHT (1869-1959): Mantendo a postura organicista e caminhando cada vez mais para o fantástico. Na Finlândia. se comparados aos edifícios funcionalistas. inclusive resgatando simbolismos e até ornamentalismos.  Na década de 1950. Nas obras dos Dormitórios Baker do Massachusetts Institute of Technoloy – MIT (1947/48. MITO DA FUNÇÃO: Alegava a superioridade dos resultados estéticos obtidos através da reciclagem de edifícios antigos. III. o Instituto de Pensões de Helsinki (1956). com o controle da economia mundial por parte dos EUA. associando serviços à habitação coletiva. A partir da reinterpretação do trabalho dos mestres modernos e de sua aplicação em novos contextos. sempre voltado porém à ideologia democrática ao invés de socialista. MITO DA TECNOLOGIA: Concluía que a industrialização fracassou na tentativa de produzir em série os edifícios. o sistema de divisórias leves (esbanjamento de espaço e de energia) e a habitação coletiva (falta de privacidade). Lá. Alemanha). concentrou-se na exploração plástica do concreto armado e principalmente da superfície exposta de tijolos. a Princeton University (N. MITO DA FLEXIBILIDADE: Criticava a planta livre (ambiente amorfo). surgiram as primeiras críticas autodenominadas pós-modernas. Wisconsin). várias tendências pluralistas afirmaram-se nesse período de transição. mas que mantinham uma sólida aliança com o poder devido à sua identificação com a lógica produtiva do sistema. 72 . Pennsylvania) e do Centro Comercial Mary Contry de San Rafael (1959/61. além de problemas de fluxo. LE CORBUSIER (1887-1965): Embora permanecendo na França. quando se analisou suas técnicas e modos de produção. entre 1948 e 1965. preconizando a corrente brutalista. Maison Luis Carré (1956/58. o ensino acadêmico moderno perdurou até meados dos anos 60. configurações espaciais e significados simbólicos das atividades de arquitetura e construção. Ronchamp). devido às diversidades climáticas. Nauilly) e o Monastério de La Tourette (1957. MITO DO DESIGN: Afirmava que o modernismo resultou em móveis e utensílios anti-humanos. Alemanha). da Sinagoga Beth Sholon de Elkine Park (1959. antecipando também a concepção brutalista. realizou a Prefeitura de Säynätsalo (1950/52. MITO DA EFICIÊNCIA: Apontava que a idéia de que todos os problemas urbanos poderiam ser resolvidos pela circulação e sua eficiência resultava num dispêndio de energia mecânica e humana. além do uso de brise-soleil e materiais rústicos. o Helsinki Cultural Center (1958) e a Igreja de Vuoksenniska (1958. a nova capital do Punjab. principalmente devido à imigração dos mestres europeus. o encontro e o intercâmbio. França) e a Essen Opera House (1961/76. inclusive latino-americanos. da Price Tower de Bartlesville (1953/56. Alexander (1907-77). o desenvolvimento da informática e a surpreendente evolução tecnológica. Destacou-se também na pintura tachista de telas nos anos 60 e 70. Também se destacaram os projetos da Igreja de Madison (1947/48. o ambiente cultural passou a ser marcado pela superação das posições rígidas dos modernos e a busca de novas diretrizes arquitetônicas. que.  Peter Blake (1932-). Oklahoma). Igualmente válida foi a experiência urbanística do plano e arquitetura de Chandigarh. têm a vantagem da imprevisibilidade dada pelo estímulo das escolhas formais. através da adoção da estética agressiva do concreto aparente (beton brut). II. Procurou explorar novos sistmeas de construção e padrões funcionais. a Columbia University (N. em seu livro Form follows fiasco (1977). MITO DO URBANISMO: Analisando as propostas modernas. Entretanto. na 5th Avenue. Em escolas como a Yale University (New Haven CT). Apoiado pelo governo francês e visando superar as distâncias urbanas. Guggenheim Museum. o Conjunto Residencial Jaoul (1954. em Nova York (1946/59).  ALVAR AALTO (1898-1976): A partir do segundo pós-guerra. empenhou-se na divulgação do pensamento moderno por todo o mundo. MITO DA PUREZA: Mostrava que o uso do branco como aspiração intelectualista resultou na vulnerabilidade. Califórnia). V. York) e a University of California (Berkley e Los Angeles). Lyon). além de utilizar métodos construtivos semi-artesanais e materiais ásperos no interior e exterior das edificações. sua intensidade profissional reforçou-se com a sociedade. fragilidade e rápido consumo arquitetônico. concluiu que estas negavam a relação entre as pessoas. realizando obras em vários países. como nas Villa Mandrot (1930).  RICHARD NEUTRA (1892-1970): Tendo trabalhado com sua esposa Dione e seu filho Dion. IV. como na Europa. Finlândia). em Argel). VII. projetou uma série de Unités d’Habitacion entre 1946 e 1957. Bazoches. Villa Auxmathes (1935) e a Cittè des Affaires (1938. com o arquiteto Robert E. que promoveram um rico debate arquitetônico. VI. sua obra prima foi o Solomon R. sua arquitetura caminhou cada vez mais para o emprego de formas pesadas e maciças. Seus principais projetos franceses desta fase foram: a Chapelle de Nôtre-Dame du Haut (1950/54. além da falta de identidade. quando se proclamou o PÓS-MODERNISMO. desvendou o que seriam os 07 (sete) “mitos” da arquitetura moderna: I. culturais e sociais.

Em relação à legislação urbanística. 1  Principalmente a partir da década de 1940. os quais adquiriram feições multidisciplinares. aprovou-se o New Towns Act. nomeou-se a Barlow Real Commission com o intuito de estudar a distribuição da população industrial de Londres. Em 1944. possibilitou a aplicação efetiva de vários planos. era aprovada a nova Lei Urbanística inglesa que acabou unificando os métodos de planificação em todo o território nacional (N. esse relatório deixou de ser apenas uma recomendação teórica e teve papel fundamental para a formação de novas leis 1 urbanísticas na Inglaterra . elaborados respectivamente em 1943 e 1944. Com o surgimento e afirmação do urban planning. surgia o Town Planning Act.A. como foi o caso de Wythenshawe. em 1913. de saneamento básico e de proteção da estética urbana. Em 1937. políticas e econômicas que determinariam suas condições e características de desenvolvimento”. a uma crise na participação do arquiteto no planejamento. a tradição das cidades-jardim. Isto conduziu à grande experiência do PLANO REGULADOR DE LONDRES (1941/44). perduraram durante todas as décadas de 1930 e 1940. Isto fez nascerem as correntes de DESENHO URBANO e o New Urbanism. o auxílio americano e o progresso da técnica moderna possibilitaram um período de expansão econômica que impôs grandes transformações sociais.  Na Inglaterra.  A atividade do PLANEJAMENTO URBANO ou urban planning nasceu com o urbanismo moderno. especialmente depois da década de 1960. descrevia as desvantagens da concentração demográfica e econômica ao redor das grandes cidades e sugeriu a criação de uma autoridade central que controlasse os terrenos edificáveis. sendo aplicado em algumas dessas “novas cidades”. iniciada em 1941. entidade específica. o conceito de “cidade-satélite” surgiu dos estudos de planejamento regional. defendendo a formação de NEW TOWNS ou a expansão das cidades médias. em 1946. por fim. sintetiza de forma abrangente todas as correntes de pensamento urbanístico vigorantes até então (BENEVOLO. mais rápidas e profundas em alguns países. geógrafos. no governo de sir Winston Churchill (1874-1965) até a criação em 1943 do Town & Country Planning Ministry. Osborn (1885-1978). além dos debates sobre a legislação urbanística. 73 . preparar planos de uso do solo e construir bairros residenciais subvencionados e/ou new towns. sendo compreendida como a “estrutura física-espacial. passaram a desenvolver teorias para o estudo e análise do fenômeno urbano. contudo. contudo. a GRÃ-BRETANHA é considerada a nação pioneira. lei que autorizava os governos locais a elaborarem planos de ordenação do solo. e. a cidade passou a ser encarada como o ponto crítico das relações políticas e socioeconômicas. levaria. Tanto as idéias pioneiras das garden-cities como os princípios corbusierianos foram aproveitados mais tarde em algumas das NEW TOWNS inglesas. uma lei autorizou a expropriação de terrenos danificados para a reconstrução. sendo fundado. Entretanto. independente das administrações locais e ligada ao governo central. sociólogos e economistas. instalou-se uma metodologia de trabalho baseada na multidisciplinaridade de saberes. publicado em 1940. satélite implantada próxima a Manchester. Já em fins da década de 1920. Nos anos 40. de base geográfica. a cidade tornou-se objeto de investigação multidisciplinar. Essa nova lei instituiu enfim a Development Corporation. surgindo nas primeiras décadas do século XX. defendida pelos discípulos de Howard. que poderia adquirir terrenos. devido à ausência da definição de seu enfoque sobre o fenômeno urbano. Purdom (1883-1965) e Frederic J. Tal abertura a outras disciplinas.  Composto pelos planos do Condado de Londres (London County Plan) e da Grande Londres (Greater London Plan). 2001). o que o limitava a compreender o espaço da cidade como reflexo e resultado. que se disseminaram nos anos 50 e 60. que passou a fundamentar quaisquer intervenções sobre a cidade desde então (FERRARI. Ao mesmo tempo. uma vez que. que empreenderam um amplo processo de reconstrução e planificação urbana. Charles B. cujo relatório. Logo.). que é etapa de um processo histórico. o quadro do segundo pós-guerra. dinâmico e irreversível. quando se retomou a visão global do fenômeno urbano.13 PLANEJAMENTO URBANO A Segunda Guerra Mundial (1939/45) provocou uma destruição material muito maior que a primeira. entre outros. já em 1909. de forças sociais. 1991). Em 1947. Com os maciços bombardeios de Londres e Coventry. o Royal Town Planning Institute. instituiu-se uma nova autoridade central em matéria de planificação inglesa.

mas não em forma de subúrbiosdormitórios. é possível distinguir 04 (quatro) zonas concêntricas: a) Inner Ring: que inclui toda a área do Condado de Londres (London County). ao mesmo tempo em que cresceu o desemprego entre os trabalhadores manuais não-especializados. então professor de Town Planning na Univeristy College London – UCL (1935/46). os custos financeiros e sociais com as demolições e deslocamentos populacionais conseqüentes geraram protestos e preferiu-se fazer algumas intervenções radicais e projetos de revitalização de alto padrão em locais de habitações esparsas e/ou decadência física e econômica. que. Harlow. devido à sua estrutura governamental altamente centralizada e a proeminência histórica de sua capital. acabando por atrair todas as indústrias. VILLES NOUVELLES Na França. a população enfrentou mudanças substanciais entre 1967 e 1981. a densidade populacional da Greater London seria reduzida para um máximo de 136 pessoas/acre. que circundaria a cidade e deveria permanecer sem construções – exceto pequenas towns já existentes –. propondo-se mais a inverter o processo de concentração. a um eixo principal que atravessava o centro histórico (city) e as zonas industriais. c) Greenbelt: que se constitui em uma vasta área verde (1/3 da Grande Londres). correndo ao longo do rio Tâmisa. ligadas por um anel interno. suficientemente grandes para terem uma vida auto-suficiente. Contudo. junto a Abercrombie. e a rede viária basear-se-ia em um sistema de vias expressas. O principal objetivo do PLANO REGULADOR DE LONDRES (1941/44). Nele. as zonas portuárias. com uma densidade satisfatória. Dentro da Greater London. inner e outer de Londres. Sua implementação deu-se até os anos 60 (GUIMARÃES.NEW TOWNS Iniciado com uma proposta teórica do grupo MARS. por meio de uma série de providências em escala regional. era evitar o crescimento difuso. caracterizada por excessiva densidade. Basicamente.000 habitantes. além de permitir a circulação sem congestionamentos e não perturbar as células vitais da comunidade. além de sugerir a criação e localização de NEW TOWNS (novas cidades). Entre 1965 e 1973. desordenado e degradante da cidade. o PLANO REGULADOR DE LONDRES (1941/44) foi definido em 1943 a partir da adoção pelo London County Council – LCC do plano de sir Leslie Patrick Abercrombie (1879-1957). b) Suburban Ring: que consiste na zona dos subúrbios. adotando-se o modelo howardiano de “cidade-célula”. Eram estas: Stevenage. encaixado no Inner Ring. elaborado por John Henry Forshaw (1895-1973). afastava-se dos conceitos de regularidade geométrica e de toda intervenção demasiado radical nas zonas já construídas. como um pente. Hemel-Hampsted. Até os subúrbios da outer Londres apresentaram decréscimo de população. em 1941. integrante do LCC. foi concebido um extenso plano de ring roads (“rodovias de contorno’) nas regiões central (city). deixando as ruas locais livres da ação intrusiva do automóvel. e por um anel externo. inspirada pelas gardencities. Crawley. Hatfiel.000 habitantes (densidade de 75 a 100 pessoas/acre). situado entre o Greenbelt e o Outer Ring. mas de 07 (sete) new towns. procurando assim redirecionar a expansão industrial para diversas “cidades novas” construídas além do cinturão verde e que agora constituem a chamada Outer Metropolitan Area2. a região parisiense é caracterizada por sua posição de centralidade econômica e cultural no país. d) Outer Ring: que seria desenvolvido através de novos centros. Basildon e Bracknell (densidade de até 20 pessoas/acre). fragmentava o tecido urbano londrino em uma série de bairros separados por zonas verdes interligadas. mas que exigia ser reordenada e disposta convenientemente (densidade de até 50 pessoas/acre). cujo objetivo era canalizar o tráfego e fazê-lo contornar núcleos vitais da cidade. a qual deveria ser progressivamente aliviada com afastamento de cerca de 40. o plano propôs a criação de subúrbios-satélites nas cidades existentes próximas ao greenbelt (cinturão verde) de Londres.  Baseando-se em uma minuciosa investigação sobre as edificações préexistentes. 74 . 2004). como exemplo. 2 Com esse plano de descentralização. quando as áreas centrais perderam cerca de 250. que caracterizava muitos centros urbanos ocidentais. para a qual converge toda a rede rodoviária e ferroviária.

além do Parc de La Villette e o novo bairro de La Defense. representados de modo arquetípico nas metrópoles. e ligando-se a esta por meio de auto-estradas. assim como ampliados os acessos a monumentos. Enquanto em Londres as new towns são isoladas e distantes de 60-80 km do centro histórico. com a criação de atrações culturais e novas opções de lazer. o que contribuiria para a autonomia de cada um e para o funcionamento da comunidade.  A solução.as quais somente foram concluídas nos anos 80. foi a criação de novas cidades (villes nouvelles) aos arredores de Paris. para onde a população poderia se transferir. adotada durante o governo de Charles De Gaulle (1890-1970). na medida do possível. que dizia haver traços essenciais que definiriam a organização social e personalidade urbanas. Para Simmel. incluindo o Louvre e o Orsay. que seria o resultado da libertação do indivíduo do tempo da tradição e a imersão no tempo da cidade. enfatizando-se o transporte coletivo. 75 . Se os ingleses buscaram criar comunidades autônomas e desvinculadas. e a vida na cidade provocaria uma disposição psicológica fundamentalmente nova: a ATITUDE BLASEE. que ocupavam as áreas congestionadas de Paris. caracterizada por formas abstratas. que formou a base do urban design. investiu-se na preservação do setor histórico de Paris3. a urbanidade seria uma mistura de indiferença e de tolerância. em uma distância de até 30 km.A. Paris precisou de um plano urbano-regional que possibilitasse a descentralização tanto de moradias como de empregos (trabalho). das quais o dinheiro seria a mais importante. uma zona de concentração de estruturas e serviços terciários (N. poucas residências e eram localizados em áreas de baixa densidade industrial.Possuindo uma das mais altas densidades urbanas no mundo ocidental. fundando assim a SOCIOLOGIA URBANA. na França as villes nouvelles foram planejadas para funcionar como extensões de Paris. Assim. exemplificando o PLANEJAMENTO URBANO E REGIONAL. Bairros dilapidados. concluiu-se que o habitante da metrópole seria uma espécie de “estrangeiro” que viveria na sociedade. sem lhe pertencer. e com a ascensão da burocracia e da ciência. caracterizandose como uma cidade densa e compacta. criadas para atender prioritariamente ao crescimento de indústrias leves. Abandonando-se a concepção haussmanniana de Paris como único centro. optou-se pela construção de multicentros urbanos. Tanto as new towns londrinas como as villes nouvelles parisienses representam métodos de direcionamento populacional e de desenvolvimento regional para locais específicos e previamente planejados.  Em The metropolis and mental life (1917). além de oferecerem melhores e mais baratas condições de moradia (baixos preços de aluguel e compra). foram restaurados. mas seria.  Além da construção desses novos “bairros”. no governo de François Miterrand (1916-96). o ministro da cultura André-Georges Malraux (1901-76) iniciou um amplo programa de renovação urbana. Paralelamente. as quais fundamentaram o chamado URBANISMO HUMANISTA. em contraste com as cidades novas. e as idéias de Patrick Geddes (18541932). como Le Marais. Simmel analisou a interação entre consciências individuais e a cidade moderna. antes.  De seus estudos. 3 Em 1962. 2004). Criou-se o Fórum Les Haulles e o Centre Beaubourg Georges Pompidou (1977). estudando a postura mental do homem que vivia na grande cidade e o modelo de relação que estabelecia com os outros. atraíram indústrias e escritórios. nos anos 60. foram planejados pólos de crescimento ou centres restructeurs (centros reestruturadores). na cidade. Essas comunidades-satélite. os laços formais entre indivíduos substituíram os laços afetivos mais tradicionais. URBANISMO HUMANISTA A noção da existência de uma cultura especificamente urbana desenvolveu-se a partir dos escritos do filósofo e sociólogo alemão Georg Simmel (1858-1918). que não pode ser confundida com a idéia americana ou brasileira de desenvolvimento suburbano.).  Suas precursoras foram as teorias de Georg Simmel (1858-1918). a vida tornar-se-ia altamente diferenciada: não possuiria mais um conteúdo fixo. os franceses enfatizaram a integração urbana e localizaram suas “cidades novas” em um corredor que as mantém ligadas a Paris (GUIMARÃES. mantendo certa reserva e distanciamento civilizado face ao outro. carente de áreas verdes para recreação e lazer nos bairros (arrondissements). que influenciaram a sociologia norteamericana no período entre-guerras. que reuniam. do centro (núcleo urbano) – o que é intensificado pela existência dos greenbelts e foi copiado pelos americanos –.

um organismo de múltiplos centros. economia e sociologia estética). projeto municipal. Florian W.Foi a partir das pesquisas de Simmel e de seus discípulos que se formou. biólogo.) tornar-se-iam os pensamentoschave para o atual desenvolvimento humano.A. Muitas das idéias defendidas por eles somente foram refinadas ou rejeitadas nos anos 50 em diante.).REGIONAL. a cidade que é dirigida ao homem e não à máquina ou à indústria. Robert E. apontava para a importância do PLANEJAMENTO URBANO-REGIONAL. graças aos seus contatos com os geógrafos franceses na virada do século.  A atitude humanista permitiu uma avaliação mais precisa da cidade pósindustrial. 76 . Alguns de seus representantes escreveram uma série de artigos sobre a influência de situações sociais sobre o comportamento individual. da sociologia e da ecologia. naturalista. Ernest W. sociologia. Anunciando o nascimento de uma nova era industrial – a ordem neotécnica.). que viria substituir a anterior ordem paleotécnica –. Louis Wirth (1897-1952). escreveu o livro Cities in evolution (Evolução das cidades). em que as estruturas tradicionais de educação. através da linguagem arquitetônica. história. na escala da região. entre outros. urbanista. Os humanistas. sexólogo. Seus maiores expoentes – William I. Jane B. Everett Hughes (1897-1983). que criticavam o zoneamento funcional e a perda da qualidade ambiental. defendendo a idéia da antrópolis. através da denominada NOVA SOCIOLOGIA URBANA e do urbanismo pósmoderno da Los Angeles School (N. nos quais deveriam ser levados em consideração os aspectos sociais através de uma metodologia multidisciplinar. do contexto urbano visando tanto objetivos estéticoformais como sócio-funcionais. cujas aplicações (levantamento regional. associando as preocupações da geografia. que passou a se desenvolver através uma metodologia multisciplinar: nascia assim o PLANEJAMENTO URBANO. psicologia e história. por nomes como Gordon Cullen (1914-94). que a organização física tem sua base na natureza humana.  Entre os anos 60 e 70. e enfatizando-se aspectos relacionados à psicologia.  Rejeitando os modelos propostos pelos urbanistas modernos. na perspectiva de uma cidade regional. que contribuíram enormemente com as idéias humanistas através de seus textos. Em 1910. procurando-se avaliar as ligações entre percepção e comportamento. A este grupo denominou-se Chicago School4. urbanização rural. seriam ultrapassadas por novas formas de organização e planejamento. que. McKenzie (1917-81) – colocaram o acento em uma sociabilidade no interior dos grupos. absorveu o credo do comunismo anarquista nas livres confederações de regiões autônomas. antropologia e ecologia. Baseavam-se no pressuposto de que a cidade possuía uma organização física e uma ordem moral que se interagiam mutuamente para se moldarem e se modificarem. Para eles. a partir da década de 1960. considerado o fundador do regional planning. o URBANISMO HUMANISTA expandiu-se principalmente na década de 1950. entre os quais Patrick Geddes (1854-1932) e. defendia a criação de PLANOS URBANOREGIONAIS. etc. Tal postura abrangente e multidisciplinar foi complementada. principalmente de áreas industriais. guiadas essencialmente por valores quantitativos. um grupo de sociólogos da University of Chicago que chamaram seu campo de estudos como ECOLOGIA HUMANA ou URBANA. mas que funcionasse como um todo. comerciais e habitacionais. compreendida como um sistema que unia cidade e campo em um vasto conjunto. Park (1864-1944). durante os anos 20 e 30. Patrick Geddes (1854-1932) Cientista escocês de múltiplas especialidades (sociólogo. A necessidade de retomar o espaço como campo de atuação prática – e não somente de discussão multidisciplinar – fez surgir o DESENHO URBANO como instrumento de interpretação. Thomas (18631947). trabalho e moradia. ou melhor. passaram a propor um sistema de POLINUCLEÍSMO urbano. dentro de cada qual se desenvolveria um espaço de identidade e relação mais forte. a reflexão urbana voltou-se principalmente para as relações estabelecidas entre os usuários e o espaço urbano de vivência e consumo. a metrópole seria um mosaico de grupos diferenciados. Jacobs (19162006) e Kevin Lynch (1918-84). o qual chamou a atenção para o fato do planejamento urbano e regional necessitar de pesquisas multidisciplinares (FERRARI. depois republicado em 1949. Znaniecki (1882-1958). que privilegiasse os métodos dos chamados sociological surveys (pesquisas e investigações baseadas na geografia. ou seja. etc. cujo enfoque intenta até hoje compreender a reprodução da “sociedade urbana”. Burgess (19112000) e Robert T. Apoiando-se na crítica ao movimento progressista e ao urbanismo funcionalista através da antropologia. fundamentando-se em avaliações estatísticas. ou seja. 1991). Lewis Mumford (1895-1990). posteriormente. 4 A CHICAGO SCHOOL criou as bases para o estudo sociológico do ambiente urbano.

Lewis Mumford (1895-1990) Jornalista-sociólogo norte-americano que foi capaz de dar uma forma coerente aos pensamentos de Geddes. especialmente ao zonning que. Também foi expoente do PSIQUISMO como tendência em enfatizar os aspectos visuais do meio ambiente. Gordon Cullen (1914-94) Arquiteto inglês que foi precursor do urban design. idosos. Contra o bucolismo das “cidades-jardins” ou o funcionalismo corbusieriano. esquinas e percursos. concluiu que isto era feito de forma consistente e previsível. construtivos e econômicos (KOHLSDORF. e observou uma vida rica e densa de significados no caos e microcosmos dos bairros populares. como um local de negócios ou de governo. encarando o bairro a partir de uma visão button-up (“de baixo para cima”). zonas (distritos e bairros de mesmo caráter). Privilegiando um enfoque cultural. baseada na diversidade funcional. desenvolveu uma série de críticas ao urbanismo moderno. além de vários conjuntos habitacionais. sujeira e abandono – frutos do esquematismo dos modos de vida moderna que os planejadores previam em seus modelos ideais –. Jane B. através de mapas mentais compostos por 05 elementos: caminhos. Até a crítica empreendida por Jacobs. baseado em critérios de desempenho técnico. a partir da decodificação pelos indivíduos e de sinais comunicativos. e grego e bárbaro não teriam mais sentido no planeta agora transformado em aldeia. até a menor vizinhança ou distrito urbano deveria ser planejado como um modelo funcional do mundo maior. Jacobs mostrava-se convencida que a cidade grande expressava caos. limites. Foi um dos expoentes do PSIQUISMO. Jersey City e Los Angeles (“mapas mentais”). mas a qualidade da imagem mental que suscita nos habitantes (“forma sensível”). nós (pontos focais ou intersecções) e marcos. Jacobs (1916-2006) Escritora e ativista canadense. cujo principal trabalho foi o livro The image of the city (A imagem da cidade. estilos e usos. de origem norteamericana. em que introduzia os conceitos de continuidade. cidadão e forasteiro. dissociava a habitação das demais funções urbanas.A. corrente de desenho urbano que abordava os aspectos psicológicos das relações entre os indivíduos e o ambiente urbano. chegando à formulação de novos princípios de projeto. locatários e a classe trabalhadora (N. 5 Nos EUA. que. legibilidade e identidade urbanas. Robert Moses (1888-1981) foi seu maior expoente. acreditava que o planning deveria partir das ruas em suas interações econômicas locais. 1961). sem contar as enormes parkways. construiu inúmeros viadutos. o processo de renovação urbana teve início por volta dos anos 40. bem representados nos esquemas de remodelação de áreas e implantação de vias-expressas. mas como um órgão essencial de expressão e atualização da nova personalidade humana: a do “Homem de um Mundo Só”. que se formou e lecionou no MIT.). que deveria ser buscada através de planos e projetos que reconhecessem as ações e situações capazes de gerar ou destruir a vitalidade de uma cidade. para ela. Jacobs identificou no cotidiano das metrópoles as razões de sua violência. acompanhada pela alta concentração. as antigas divisões entre homem e natureza. considerando o meio ambiente como algo psíquico ou percebido. através da expulsão de minorias. Lynch trabalhou com a idéia de que o objetivo final de um plano não deveria ser a forma física em si. difundindo-o nos anos 50 e possibilitando a formação de um pequeno mas brilhante e devotado grupo de planejadores sediados em Nova York. em seu livro Death and life of great american cities (Morte e vida das grandes cidades americanas. e multiplicidade de tipos de edificações. 77 . concluindo pela vitalidade urbana. seguindo a tradição do planejamento “de cima para baixo”. Assim. que propunha a complexidade. Seu trabalho e de seus discípulos efetuou uma análise morfológica detalhada de sítios antigos e um estudo crítico das realizações tecnocratas como a versão atual do progressismo. A partir de um estudo de cinco anos sobre como as pessoas percebiam e organizavam as informações espaciais ao circularem pelas cidades de Boston. valorização de ruas. citadino e rústico. considerado por muito. em primeiro lugar. elevados. reagindo às idéias dominantes no urbanismo moderno que limitavam as estruturas espaciais urbanas a requisitos funcionais. Em Nova York. após cerca de 50 anos de atividades. que introduziu o conceito de “visão serial” e alimentava a polêmica entre a teoria de desenho clássica – que propunha a clareza como qualidade-síntese – e a teoria de desenho pictórica. Para ele. Conseguiu detectar as qualidades espaciais das antigas cidades e codificálas sob novos tipos de espaços. “o maior construtor da América”. a qual trabalhou em inúmeras administrações públicas municipais e regionais. 1985). túneis e pontes. Sem indicar nenhum modelo urbano. 1960). considerava que a cidade não deveria ser concebida. Sua metodologia soube fundirse às idéias intimamente correlatas de Howard e espalhou-se por toda a América e pelo mundo afora. analisou o crescimento capitalista das cidades ocidentais e concluiu que a “vitalidade” urbana estaria ligada à sua “diversidade”. fundado nas Ciências Humanas. tais programas de remodelação urbana foram amplamente aplicados. Defendia assim a complexidade urbana. Usando o contexto do programa americano de renovação das áreas centrais baseado em megaprojetos5. o que promoveu um profundo processo de elitização. Kevin Lynch (1918-84) Urbanista e escritor norte-americano. especialmente com seu livro Townscape (Paisagem urbana. por meio da Regional Planning Association of América – RPAA. 1961).

os estudos urbanos foram amplamente impulsionados pelo geógrafo baiano MILTON SANTOS (1926-2001). subordinando-a à lógica da reprodução do Capital. uma flexibilidade organizacional e um maior poder para o gerenciamento em suas relações com o trabalho. enquanto os desenhistas urbanos passaram a estudar os aspectos de conformação física da cidade. como: Fundamentos de uma sociologia do cotidiano (1961) e A vida cotidiana no mundo moderno (1968) (CASTELNOU. A revolução urbana (1970). considerando-a um problema novo. perseguindo os nexos existentes entre espacialidade e experiência. Depois. ao mesmo tempo em que os planejadores fixaram-se no ponto de vista socioeconômico. ocorreu um notável ressurgimento de estudos marxistas. Com o NEOMARXISMO. Em La pensée marxiste et la ville (A cidade do capital. do mundo rural passou a pesquisar a cidade6. a defesa dos direitos humanos e das liberdades sexuais. o qual teria uma importância igual ou superior à da Revolução Industrial . o maior expoente do movimento de renovação crítica da geografia urbana e reconhecido internacionalmente por ter publicado trabalhos sobre a metodologia dessa disciplina. Destacaram-se seus livros sobre a vida cotidiana. levando a uma nova forma do capitalismo informacional caracterizado pela globalização das atividades econômicas centrais. o ambientalismo. Espaço e política (1972) e A produção do espaço (1974). o que fez com que ambos a se reestruturarem. e a econômica. os advocacy planners passaram a intervir das mais variadas maneiras: ajudariam a informar o público sobre as alternativas urbanas. assim como textos críticos dos problemas urbanos nos países subdesenvolvidos. o “sistema urbano” não seria mais que a articulação de instâncias de uma estrutura social dentro de uma unidade reprodutora de força de trabalho que se reflete na sua estrutura espacial. já que a este conotaria os processos de reprodução da força de trabalho. que criariam uma contradição principal – o espaço produzido globalmente e suas fragmentações. Além disto. Henri Lefébvre (1901-91) Filósofo e sociólogo que foi um dos primeiros pensadores franceses a rediscutir as questões da Chicago School sob a ótica do materialismo histórico. que atuaria remodelando as bases materiais da sociedade e induzindo a emergência do informacionalismo. em especial na França. 6 Manuel Castells (1942-) Sociólogo catalão que se tornou uma das maiores autoridades na análise das novas tecnologias e seu impacto sobre as sociedades urbanas. Do rural ao urbano (1970). e as relações de produção. enfatizando as categorias de produção. Assim. sendo um dos maiores difusores do marxismo na França. ofereceu um instrumental heurístico importante para a análise dos mecanismos de democratização da cidade. compreendia a cidade como aglomeração da população. com base na necessidade do poder industrial "modelar" a cidade de acordo com os seus interesses. focalizando a formação. Sobre o fenômeno urbano. como o feminismo. pulverizações e despedaçamentos –. tanto do capitalismo quanto do estatismo. os quais convergiriam para a “gênese de um novo mundo”:  a revolução das tecnologias da informação.URBANISMO NEOMARXISTA Entre as décadas de 1960 e 1970. os quais se iniciaram em 1968 e reagiram de múltiplas formas contra o uso arbitrário da autoridade. sobre o qual era necessário pesquisar. dos instrumentos de produção. Destacaram-se os trabalhos de Paul Vieille (1970) e Christian Topalov (1984). 78 . Analisou a influência do capitalismo no espaço urbano. dos prazeres e das necessidades. 1974) e prosseguiram até sua trilogia sobre La era de la información (A era da informação. O direito à cidade (1969). particularmente por fazê-lo sob o foco marxista.  O florescimento de movimentos socioculturais. A partir de 1968. 1972). a questão urbana possui 03 instâncias: a ideológica.  a crise dos modelos de desenvolvimento econômico. forçariam as secretarias de planejamento a competirem pelo subúrbio. No Brasil. revoltando-se contra a injustiça e procurando a liberdade para a experimentação pessoal. mas sem excluir a influência de outros agentes sociais. na sua acepção restrita e ampliada. 2007).  Os neomarxistas voltaram-se para a discussão materialista da cidade como local de reprodução do capital e redirigiram a atenção para as classes trabalhadoras e suas possibilidades de transformação socioeconômica. Lefébvre antecipou como as forças produtivas atingiriam uma tal potência para a produção do espaço em escala mundial. marcada pela heterogeneidade e associativismo. resultante do capitalismo. Para ele. realização e distribuição da mais-valia. através de sociólogos como Henri Lefébvre (1901-91) e Manuel Castells (1942-). da qual viria a “cultura urbana”. Suas contribuições iniciaram-se com La cuestión urbana (A questão urbana. a políticojurídica. ligada diretamente com o urbano. entre outros. Lefébvre escreveu O direito à cidade (1968). enquanto seu cenário e suporte. Foram igualmente importantes seus estudos sobre uma teoria do espaço urbano que o colocava embasado na experiência individual do habitante. e ajudariam os críticos em realizar e implementar planos que fossem superiores aos oficiais. 1999). trabalhou a propriedade do solo e a renda fundiária no quadro urbano. Seguindo Marx. que se caracterizaria por ser uma “superestrutura” que busca legitimar o sistema capitalista. concluiu que 03 processos independentes começaram a se formar no final dos anos 60 e princípios dos 70.

cujo signidicado está na estrutura do objeto criado (quadro. Se até a Segunda Guerra Mundial (1939/45). Com base no filósofo francês Maurice Merleau-Ponty (1908-61). o que abriu o caminho para a participação do espectador. prensado. o fio condutor foi a oposição ao Expressionismo abstrato. 1977). se o público não se dispõe a atender aos apelos da obra.  Em aberturas simples. 79 . Desaparecida a moldura. 7 Embora se considere o DADÁ (1916/25) a primeira manifestação de anti-arte no século passado. glória ou decadência da sociedade industrial e de consumo. dividido. porém as correntes de renovação mantiveram-se vivas. Os artistas contemporâneos abriram mão de seu dom maior. Até então. ou seja. que passou a ser convidado a tocar na obra (N. escultura. Até hoje. acumulado. a França foi o grande centro da arte moderna mundial. Como exemplos. A ARTE FIGURATIVA – a “fotografia”.). Pela primeira vez. tocando-a. Pede-se para pegar. mesmo deformada. ao romper com a moldura. Verifica-se na Arte Concreta e na Arte Conceitual. Autônomos desde o Cubismo. que teria completado o ciclo moderno – uma vez que o pintor americano Jackson Pollock (1912-56) praticamente esgotou o processo convencional da pintura –. foi Piet Mondrian (1872-1944) quem preconizou a desintegração da arte na vida. aparecem 03 (três) novos estados da arte:  OBJETO: Trata-se da morte de toda especificidade. comprimido. a vanguarda se mudava para os EUA.A. acrescentado. Buscando deliberadamente o ambíguo. no século XX. o objeto pode ser um ready-made ou um objettrouvé. transformado. a ARTE CONTEMPORÂNEA deixou de ser quadro ou escultura. responde-se com um contínuo questionamento – o que é arte? O artista parte de certa organização mental até chegar a uma arte-mensagem. ingressou-se na terceira fase da Revolução Industrial.14 ARTE CONTEMPORÂNEA A introdução do elemento lúdico – a participação do espectador – iniciou a fase pós-moderna da arte. a arte chegou. a expressão individual. Inicialmente. cada vez mais a arte confunde-se com os processos vitais: o exercício da arte como a “vitalidade elevada”. expandido. as transformações tecnológicas. que se tornou o principal reduto das correntes de arte contemporânea. para o qual o corpo seria um “vasto campo central. Na ARTE PÓS-MODERNA. tornado coisa enigmática ou aterrorizante. devido à energia atômica e à automação eletrônica. contra a aceleração plástica. da mesma forma como. os artistas pós-modernos enveredaram para novas aventuras estéticas. transvanguardas eclodiram em todas as partes. fundamento de toda referência simbólica”. avançando da quadridimensionalidade da arte moderna para as n-dimensões de hoje.  Desde 1950. mas cada vez maiores. apalpar.  CONCEITO: Corresponde à idéia como arte. os Happenings e as Performances. cheirar: a total interação entre arte e vida. àquela multiplicidade de significados coexistindo em um único significante até que a própria noção de obra estourou. acabou-se a distinção entre o externo e o interno – assim como no teatro a não-separação de palco e platéia coloca no mesmo plano atores e público –. etc. isto é. Agora. a New York School of Abstract Expressionism destronou a École de Paris. já preconizadas pelos 7 mestres do primeiro período . a forma desenvolvese à semelhança dos organismos vivos. instalação. nos anos 50. ela deixa de existir. Na segunda metade do século XX. moldura e pedestal mantinham a obra de arte em sua aura. buscando romper conceitos já cristalizados pela arte e arquitetura modernistas. ou existe parcialmente. recriado. Está presente em correntes como a Pop Art e o Novo Realismo. ao mesmo tempo em que Constantin Brancusi (1876-1957) eliminou o pedestal.  CORPO: Relaciona-se à transformação do corpo humano como motor da outra ou meio de expressão. a ARTE PÓS-MODERNA está viva (W ALKER. a negação das categorias tradicionais. sociais e culturais decorrentes dos processos de massificação. Criado. distanciada do público. a Body-Art.). multiplicado. que é a crônica sublimada desta mesma paisagem e/ou realidade – ou a transcrição lírica de “estados d’alma” – ou ainda à ARTE CONCRETA. midianização e globalização resultaram em uma verdadeira revolução nas artes em todo o mundo. gravura ou desenho. para se transformar em puro evento: a arte como atividade. e passaram a compartilhá-lo com seus espectadores. de paisagens “exteriores” ou “interiores” do homem – finalmente avançou em direção à ARTE ABSTRATA. alimentando-se do acaso e do aleatório. Logo. em que a obra é apenas intermediário entre dois mundos: real (vida) e mental.

Willem De Kooning (1904-97). Jean Degottex (1918-88) e Georges Mathieu (1921-). etc. ameaça todo o tempo transformar as galerias em antiquários. que pode ser considerada a versão européia da action painting. Seus maiores expoentes foram: os franceses Michel Tapié (1909-87). marcadas de 1 a 5. que ele ajuda a criar como companheiro de aventura do artista. Dentro da ARTE CONCRETA ou da ARTE ABSTRATA. também o crítico de arte contemporâneo torna-se mais e mais engajado nos movimentos. Franz Kline (1910-62).Nos gráficos acima. pode-se encontrar vários comportamentos. explorando com rigor o espaço e o vazio. os movimentos surgiram quase ao mesmo tempo na Europa e nos EUA. Clyfford Still (190480). deve-se observar que não existem nem o abstracionismo nem o concretismo como escolas propriamente ditas. o holandês Karel Appel (1921-2006). pertence a uma segunda geração. Robert Motherwell (191591) e principalmente Pollock junto com sua esposa Lee Krasner (1908-84). como Henri Rousseau (1844-1910). impensada e automaticamente. daí também ser conhecida como Pintura Automática ou Gestual. conhecido simplesmente por Wols (1913-51) foi quem inaugurou este estilo angustiado e fulgurante.. de Chicago. Arshile Gorky (1904-48). Os tachistas. tratava-se da Arte Informal ou Informalismo. Por outro lado. Pela primeira vez no Ocidente. desapareceram: também à arte aplica-se a lei de obsolescência planificada. Por isto. Jackson Pollock (1912-56). desta vez. mantendo vivo o movimento. borrão). além de Abstracionismo Informal. como o caos ou a crise. a aceleração dos ismos. Tachismo (1951) Tendência da pintura abstrata dos anos 50. Os museus estão sendo obrigados a rever antigos conceitos relativos à conservação e programação de atividades (incluindo a animação): a precariedade dos materiais e/ou o agigantamento das obras passaram a exigir cada vez espaços sempre maiores e especiais. inicialmente gestuais – e. onde impera a improvisação e que “não é geométrica ou construtiva. Nas últimas décadas. todos trabalhando nos EUA. seu maior expoente. mais recentemente. como DORFLES (1991). mas do processo criativo: realizavam a livre aplicação da tinta. O gráfico da página 84 pretende completar aquele disposto na página 34. Paralelamente. em alguns casos não é possível marcar a data e o local de cada ismo. a obra de arte foi sendo desmaterializada: de objeto “real e concreto” até chegar. abordando a ARTE PÓS-MODERNA e suas condicionantes principais. o catalão Antoni Tàpies (1923-) e o belga Pierre Alechinsky (1937-). na Video Art ou mesmo na Arte Cinética. nem sempre acompanhados do lançamento de manifestos. E assim como o espectador não é mais passivo diante da obra. 80 . para alguns. Para seus pintores. inventou um processo de gotejar a tinta sobre telas enormes (free canvas). logo se reduziram ao essencial sob a influência zen. pode-se apresentar as seguintes como principais correntes de ARTE PÓS-MODERNA ou CONTEMPORÂNEA: Expressionismo Abstrato (1945) Corrente pintoríca norte-americana nascida no segundo pós-guerra que visava expressar a vida interior através da arte compreendida nãeo somente como produto da criação artística. a velocidade de execução torna-se lícita. em que pode não passar mais do que um simples jato de luz em uma sala escura. Isto também determinou sua progressiva desvalorização econômica. E tão rapidamente como apareceram. sem nenhuma referência à realidade visual (Action Painting).  Em um processo gradual e contínuo. como conservar um monte de terra (Land Art) ou o próprio corpo do artista (Body Art). criando uma espécie de automatismo. de preferência exteriores. o gesto expressivo de Pollock ou o silêncio de Malevich. Excluem-se os croquis e a preparação: o artista lança a tinta diretamente sobre a tela. abandonando qualquer préconcepção. apresentado como obra? O novo museu deverá ser um propositor de situações que se desenvolverão no espaço-tempo da cidade. O pintor alemão radicado em Paris Wolfgang Schulze. Para alguns críticos. da mesma maneira como não existe primitivismo – há sim pintores ingênuos. caracterizada pela projeção de manchas e de cores escorridas (tache = mancha. “brutos” –. por exemplo. sem nenhuma tentativa ou vontade de figuração”. a imagem não resultava de uma idéia pré-concebida. foram: Hans Hofmann (1880-1966). mas também como processo ativo. Em um panorama de difícil categorização. A pintora norte-americana Joan Mitchell (1924-92). Seus maiores expoentes.

o húngaro Victor Vasarely (1908-97). Dentro do movimento. destacam-se: os alemães Lucian Freud (1922-). Alemanha (Group Zero) e finalmente EUA (The Responsive Eye. o francês de origem polonesa Balthazar Klossowski. Arte Ótica (1960) Também denominada de Op-Art. 1964) e URSS (Dvijenié. móbiles e estábiles. por vezes. Destacaram-se: o francês Jean Dubuffet (1901-85). estes dois últimos radicados nos EUA. ligado a um fenômeno quantitativo de expressão: o real percebido em si e não através do prisma de uma emoção [. Yves Klein (192862). Arte Cinética (1960) A Kinetic Art surgiu no início dos anos 60. com possibilidades de configurações diversas. passando pelas acumulações e compressões dos franceses Arman (1928-2005) e César Albertine (1921-98). conservando a figura apenas para dobrá-la à sua vontade. Georg Baselitz (1938-) e Anselm Kiefer (1945-). as quais podiam ser dividas segundo seu grau de previsibilidade em: máquinas (movidas por forças eletromagnéticas. dando início à Mec-Art. erótica e psicoquímica”. alucinatória. o italiano Bruno Munari (1907-98). Tratava-se de uma linguagem do movimento.. Holanda e Iugoslávia. A mais completa exposição de arte ótico-cinética foi realizada em Paris. 8 Na América. foi uma corrente dos anos 60 que. O artista Pop Robert Rauschenberg (1925-2008). Compunha-se de obras em movimento ótico e real. transposições fotográficas sobre trama. hidráulicas ou cibernéticas).] introduzindo-se um relais sociológico em estado essencial de comunicação”.. mantendo viva a figuração até os anos 60/70. Enquanto o Novo Realismo e a Pop Art esforçavam-se por salvar os restos da sociedade de consumo. o polonês Julian Stanczak (1928-) e o japonês Tadasky (1935-). o belga Pol Bury (19222005) e o italiano Gianni Bertini (1922-). com montagens irreverentes. Principais expoentes: a londrina Bridget Riley (1931-). tais como: retículas. dito Balthus (1908-2001). a argentina Martha Boto (1925-2004). tendo em Josef Albers (1888-1976) um de seus precursores (“menos expressão. adquiria por vezes características de Happening. Na escultura. suscetível a mutações de seus elementos. adotando princípios estabelecidos pela ciência e pela produção em massa. outros integrantes do Nouveau Réalisme foram: os franceses Raymond Hains (19262005). Os artistas óticos procuravam usar métodos e materiais industriais. além do italiano Mimmo Rotella (1918-2006). telas emulsionadas. 81 . cujo trabalho consistia em dilacerar os grandes cartazes de rua. provocando. poética. social-dramática. Nikos Kessanlis (1930-2004) e Alain Jacquet (1939-). 1964). os maiores nomes foram os do inglês Henry Moore (1898-1986) e da francesa Louise Bourgeois (1912-). Martial Raysse (1936-). Seus maiores expoentes foram: Gianni Bertini (1922-). o suíço Daniel Spoerri (1930-) e o búlgaro-americano Christo Javacheff (1935-). para depois chegar à França (Groupe de Recherche d’Art Visuel – GRAV). musical. Além dos citados. o londrino Francis Bacon (1909-92) e o norte-americano Philip Guston (1913-80). que a definiu como “atos que se tornam rituais e transformam nossa vida cotidiana”. vendo-se como estrutura viva e enfatizando a participação da luz como matéria-prima. a mostra Homenagem a Nicéphore Niepce. além do norte-americano Lawrence Poons (1937-). destacou-se uma tendência autônoma. tornando-se pura luz. em que podem se desenrolar Happenings8 – como aqueles do suíço Jean Tinguely (1915-91) –. limitadas pelas modificações recíprocas dos elementos e do espectador. Contrapunha-se ao Expressionismo Figurativo por. sequer existia materialmente. além do britânico Leon Kossoff (1926-).. etc. Jacques Villeglé (1926-). que buscava uma terceira posição entre o Não (Dadá) e o Zero (Tachismo). Frank Auerbach (1931-). A assemblage (ajuntamento) era uma das suas características principais. mais visualização”). em 1965.] que não interpreta a vida. teatral. mas participa de seu desenvolvimento”. política. Alguns falavam de uma “arte aberta”. a dos cartazistas. Trata-se de uma arte que “não se dirige unicamente aos olhos do observador. Vivendo no “horizonte provável” do aleatório e permitindo permutações. Niki de Saint-Phalle (1930-2002) e Gérard Deschamps (1937-). mas também “cinematográfica. incluindo a participação lúdica do espectador ou desdobrando-se em manifestações de rua. propõs uma relação dinâmica quadro/espectador. realizou. Esta pretendeu cobrir toda uma série de pesquisas européias nas quais se utilizava procedimentos fotográficos com um mesmo fim: a elaboração mecânica de uma nova imagem bidimensional por meio de processos industriais ou fotomecânicos. procurando eternizar um mundo de aparências. Arte Mecânica (1965) O mesmo Pierre Restany (1930-2003) do Novo Realismo. Freqüentemente ambiental. estendendo-se da simples colagem ao decor de ambiente. Em suas manifestações mais radicais. pretender “ser um gesto fundamental de apropriação do real. simbolizava um mundo instável. inquietação e vazio: “now-you-see-it-now-you-don’t”. Às vezes. mas com o princípio de que a arte deveria expressar uma verdade além das aparências. com manifestações na Suíça. com o título de Lumiére et Mouvement. Itália (Gruppi Gestatt N e T). François Dufrêne (1930-82). mas a todos os seus sentidos [. Entre os contemporâneos. existia só no momento que era consumida. Novo Realismo (1960) Movimento lançado em outubro de 1960 pelo o crítico francês Pierre Restany (1930-2003). em um mundo de contínuas metamorfoses.Expressionismo Figurativo (1950) Consiste no movimento artístico europeu que era contra a tendência dominante da abstração completa pós-45. cheiro ou ruído.. com sua Art Brut (a arte em estado bruto). tipografias. em 1967. Já seu introdutor na França foi Jean-Jacques Lebel (1936-). considerava-o um “pequeno teatro”. o termo Happening (“acontecimento”) teria sido cunhado pelo compositor John Cage (1912-96) e retomado em 1959 pelo pintor e assemblagista Allan Kaprow (1927-2006). porém de natureza não exclusivamente pictórica. que afirmava que o Happening era arte plástica. Seus maiores artistas foram: o americano Alexander Calder (1898-1976). o venezuelano Jésus Rafael Soto (1923-). o Cinetismo aceitava o precário e o instável.

informações) concentraram-se no final da década de 1960 e deram origem a inúmeras derivações. em telas imensas. opondo-se à introspecção e subjetivismo da arte abstrata. Dan Flavin (1933-96).. caracterizando-se principalmente por sua fisicalidade. Entre seus defensores estavam: Mark Rothko (1903-70). o artista daria apenas uma indicação e o observador se veria impulsionado a refletir e imaginar. Donald Barthelme (1931-89). mas a todos os seus sentidos – uma vez que cada espectador é parte da obra. o corpo ou a memória. ora seus aspectos residuais (apropriação de objetos). celebrando a realidade do dia-a-dia e o quotidiano. Destacaram-se: Shusaku Arakawa (1936-). conceitualista americano ligado ao grupo inglês Art & Lenguage. Richard Diebenkorn (1922-94) e Helen Frankenthaler (1928-). em que o fóco eram vastas extensões ou ”campos” de cor. cores puras e contornos rígidos. a abstração espontânea e subjetiva tornou-se calculada e impessoal. Joseph Kosuth (1945-). Tom Wesselmann (1931-) e Peter Blake (1932-). dançando ou simplesmente parado (performances). Jean Le Gac (1936-). Ad Reinhardt (1913-67). cujos trabalhos (conceitos. Popeye. Seus principais artistas foram: o norte-americano Chris Burden (1946-). Contra os “especialistas do bonito”. Principais artistas: Roy Lichtenstein (1923-97). busca um duplosentido de investigação e comunicação (Letrismo). Quando há a inclusão de outras dimensões. Lawrence Weiner (1942-) e Jenny Holzer (1950-). pintura que usava formas simples. além das esculturas de David Smith (1906-65). e as “esculturas vivas” dos ingleses Gilbert Proersch (1943-) e George Passmore (1942-). Colorismo (1960) Corrente norte-americana considerada uma variante da “pintura de ação” a partir dos anos 50. mas baseada na expressão da grande cidade. Richard Arfschwager (1924-). resultando em superfícies lisas. tomando como base ora seu caráter icônico. Arte Processual (1969) A Process Art inspirava-se no existencialismo e tinha como bases o Expressionismo Abstrato. Paralelamente. polidas e brilhantes (ausência de efeitos de matéria ou textura. 82 . não se dirigindo exclusivamente para os olhos do observador. Barnett Newman (1905-70). inclusive com a participação e interação com o público. e a fisicalidade da cor. Robert Rauschenberg (19252008). cavar um buraco ou mandar mensagens pelo fax ou correio (Mail Art). Seu objetivo era tornar a obra mentalmente interessante para o espectador. destacou-se o movimento Support/Surface. processos. exigindo-se uma participação mental do espectador. Carl André (1935-). Os maiores expoentes do Minimalismo eram: Sol LeWitt (1928-2007). espouca e pula (Pop-corn. afirmou que “a arte é a definição da arte”. Para os conceituais. agride. buscava o lado de fora. Hans Haacke (1936-). o catálogo. Pop-star. os alemães Joseph Beuys (1921-86) e Wolf Vostell (1932-). Robert Morris (1931-). pela abstração fria de Newmann e Reinhardt. exigindo assim que se use o corpo diante de um público. entre outros. Donald Judd (1928-94). da qual pertenciam Claude Viallat (1936-) e Vincent Bioulès (1938-). eis porque o artista desejava que ela fosse emocionalmente seca. era caracterizada por eventos montados para apresentar o artista falando. cantando. Dan Grahan (1942-) e Fred Sandback (1943-2003). suas esculturas (“instalações”) eram constituídas quase sempre por estruturas únicas. Arte Comportamental (1969) Corrente também derivada da arte conceitual e também denominada de Arte Performática. onde “um quadro grande era uma transação imediata”. criando-se nos anos 60 a Hard Edge Painting. entre vários outros. do desenho. enfim. meios de comunicação de massa. Da mesma maneira. musicais e cinematográficos) e a cultura da cidade (e da estrada). sendo para alguns “o segundo estilo norte-americano” (o primeiro seria o Expressionismo Abstrato). gestáltica ou primária). Concertos Pop). consumo e mitos políticos. Seus maiores expoentes foram: Richard Douglas Huebler (192497). tomando-se como tema o folclore urbano (publicidade. formada geralmente por esculturas enormes. Keneth Noland (1924-) e Frank Stella (1936-). com os trabalhos de Richard Hamilton (1922-) e David Hockney (1937-). com emprego de elementos estandardizados e constituindo sistemas (escultura elementar. e. em que trabalharam Yves Klein (1928-62). Abrindo mão da textura. Considerando o processo de criação artística mais importante que a peça acabada. o espaço onde é realizado e os objetos empregados convertem-se em protagonistas. Arte Conceitual (1967) Termo que reúne uma série de experiências artísticas. Alighiero Boetti (1940-94). serial ou modular. Walter De Maria (1935-). ou seja. migra-se para o Happening. Aos poucos. Batizada pelo crítico Lawrence Alloway (1926-90) e nascida na Inglaterra dos anos 50. o telefone. niilista. Foi precedida. Assim. a sociedade de consumo e o kitsch. Claes Oldenburg (1929-). a Pop Art frutificou nos EUA no início dos anos 60. no campo da pintura. que se caracterizava por duas linhas principais de pesquisas: a decomposição dos elementos materiais do quadro (tecido. Pop lembraria tudo o que é popular. Frank Stella (1936-) e Richard Serra (1939). do sombreado e também do pincel. Sendo sua execução impecável. programada. Daniel Buren (1938-). em quadros minimalistas que pareciam ser feitos por máquinas. Empilhar tijolos. além do mexicano Mathias Goeritz (1915-90). defendia-se a “expressão simples do pensamento complexo”. John Baldessari (1931-). seus artistas procuravam revelar a elegância do ordinário e do vulgar. mas logo se tornou expressão estética de toda sociedade industrial e suas grandes cidades. bem como toda referência lírica ou ideológica). o Colorismo e o Minimalismo. na França. Morris Louis (1912-62). feitas com matéria-prima industrial. Andy Warhol (1928-87). também denominada de arte redutiva. Marc Devade (1943-83) e Louis Cane (1943-). que poderia ser qualquer um: a galeria. quase de tamanho mural. revelando-se uma total liberdade de suportes. Seus expoentes foram: Ellsworth Kelly (1923-). uma vez que se descobria ao fazer arte. era um ramo da arte conceitual. tudo passava a ter uma intenção artística. Arte Mínima (1966) A Minimal Art foi uma corrente surgida em meados dos anos 60. chassis e moldura). Jasper Johns (1930-). situações.Pop Art (1955) Corrente artística equivalente à arte popular. Bernar Venet (1941-). Iain Baxter (1936-).

Arte Ambiental (1967) Surgida entre 1967 e 1969. interessando-se pela substância de um evento natural (nascimento de uma planta. trata-se de um gênero de performances que fazem intervir o corpo do executante enquanto medium único da arte – o artista se encontra só. um “novo alfabeto para o corpo e a matéria”. videotapes e fotografias. entre o déjà vu e o jamais vu: “em um mesmo movimento. correspondeu à tendência conceitual de se trabalhar com (Earth-Art ou Earthwork) e na (Land-Art) terra. mapas. tanto na Europa como nos EUA. Lowell B. surgindo. Bruce Naumann (1941-). Giovanni Anselmo (1934-). seu corpo. trabalho e lazer mecânicos.. Outros expoentes foram: os austríacos Arnulf Rainer (1929-) e Rudolf Schwarzkogler (194069). com efeito. Os expoentes italianos foram o casal Mario Merz (1924-2003) e Marisa Merz (1931-). Chuck Close (1940-). buscava-se o precário contra o eterno. não há uma linguagem única e os artistas. realizados sem a presença do público e deles restando apenas documentos: matéria orgânica ou mineral. já que o artista. fazendo uso de materiais perecíveis e pobres. Os trabalhos são perecíveis. ou de processos educativos (learning processes) no americano Dan Graham (1945-). eclipsando o suporte. químicas e biológicas da matéria. os americanos Dennis Oppenheim (1938-).] A arte faz convergir em uma substancial unidade a natureza e a cultura. fitas. a Arte do Corpo adquire a forma de ritual no “teatro de orgias” dos austríacos Otto Muel (1924-) e Hermann Nitsch (1938-). como sucata. estopa. tratava-se de uma arte que propunha uma nova cultura dos sentidos (nomadismo dos hippies). restos (objet-trouvé). uma vontade de retorno ao Éden. 83 . croquis. Influenciada pela arte comportamental. em movimento ou como suporte para ritos e gestos. madeira queimada. Tal documentação era posteriormente exposta em galerias ou divulgada em revistas. Gilberto Zorio (1944-). mares. face à vida e a si mesmo. Michael Heizer (1944-). física). Michelangelo Pistoletto (1933-). revelaria um “panteísmo inconsciente”. entre vários outros. Em suma. Entre os expoentes da Ambient Art. Don Eddy (1944-) e Denis Peterson (1951-). tatuagens. sua memória e seus gestos. pretende ser a própria máquina. Jan Dibetts (1941-). em que objetos e figuras humanas situam-se. O chamado Fotorrealismo retira o frêmito de vida. Audrey Flanck (1931-). fezes. as esculturas hiperrealistas lembram justamente figuras de museu de cera. etc. O efeito de uma tela hiperrealista é o de uma ”familiaridade desviada”.. principalmente em sua materialidade (suor. Logo. lagos secos. assim como recupera para o campo das artes plásticas práticas que existem em todos os tempos e em todas as sociedades: escarificações. Bob Flanagan (1952-96). o objeto se oferece na maior familiaridade e em sua estranheza mais desconcertante. não importando o lugar – em desertos. Arte Povera (1967) Expressão cunhada pelo crítico italiano Germano Celant (1940-) para designar uma “arte pobre”. e a ítalofrancesa Gina Pane (1939-90). e. o galês Barry Flanagen (1941-). Acreditava-se que “os produtos da natureza não se oporiam mais aos da cultura: a linguagem da arte obedeceria às mesmas leis que regulam a célula [. renovando-se em contato com os novos conceitos de arte. foi uma corrente artística Neo-Dadá dirigida para as possibilidades físicas. ou ainda atuar diretamente na natureza. Se suas pinturas parecem registros fotográficos. que mostrou trabalhos cujo acento principal era o retorno à natureza. para alcançar maior intensidade realista. no catálogo da mostra Relativist Realism (1972) enumerou uma dúzia de realismos e Udo Kultermann (1927-). é o subsolo do Hyperrealism. nela o artista deixa o ateliê “para fazer incisões no mundo”. Luciano Fabbro (1936-2007). Esta. em seu imediatismo e em seu distanciamento”. Reiner Ruttenbeck (1937-) e Franz Erhard Walter(1939-). exposta em fotografias ou documentos de trabalhos realizados por artistas europeus e norte-americanoss interessados pelas artes conceitual e processual. Prósima do Informalismo. através do qual o artista descobre a si mesmo. Robert Smithson (1938-73). eliminando o movimento na escultura. geleiras. Robert Bechtle (1932-). segundo o pintor francês Jean-Olivier Hucleux (1923-) seria o de “captar um evento interessante em um momento preciso”. A pintura torna-se assim uma película fina. Entre os europeus. tenta-se realizar uma “fatura invisível” (fazer desaparecer a pincelada e a própria tinta). no seu afã de perfeição e realismo. como consequência. Vito Acconci (1940-). Richard Estes (1932-). Também denominada de Arte Ecológica. Seus maiores expoentes americanos foram: Ralph Goings (1928-). sublinhando o papel determinante jogado pela fotografia. química. destacam-se: o francês Gilles Aillaud (1928-). Chris Burden (1946-). Pino Pascali (1935-68). destacaram-se os norte-americanos Walter De Maria (1935-). sangue. e mantendo-se como uma corrente viva até hoje. o olhar paralizado. grama. maquilagem e travestismos. Richard Long (1945). Esta arte. operam em direções diferentes. O objetivo hiperrealista. Hiperrealismo (1973) O retorno definitivo do realismo teve início no começo dos anos 70. reação química de um mineral. e a profundidade na pintura. formalista para outros. com seu olhar gelado e fantasmático. Dennis Oppenheim (1938-). Alighiero Boetti (1940-94). movimento de um rio. filmes. Neesbitt (1933-93). Ou animais empalhados. autor do primeiro livro sobre a nova tendência. além do búlgaroamericano Christo Javacheff (1935-). sugeriu que o realismo atual seria somente possível em sociedades como a americana ou em centros urbanos modernos. o alemão Konrad Klapheck (1935-) e o austríaco Gottfried Helnwein (1948-). As proposições da Arte Povera coincidiam com os objetivos da Contra-Cultura e as formulações de seus principais críticos tinham pontos comuns com as idéias do filósofo alemão Herbert Marcuse (1898-1979) contra a opressão da máquina.). resgantando tanto a pintura realista do século XIX como o realismo socialista da URSS. além de outros. baseada no desperdício. Arte Corporal (1972) Também conhecida como Body-Art. os alemães Eva Hesse (1936-70). como observa Clay. tendo seu próprio corpo como um campo novo de possibilidades. montanhas ou na própria cidade. através do despojamento material da sociedade consumista. Sua consagração deu-se em 1970 na Mostra del Museo Fisico de Turim. como se fosse uma projeção imaterial. reportagens. além do grego Jannis Kounellis (1936-). Jean Leering (1934-2005). John De Andrea (1941-). fazendas. romântica ou metafísica para alguns. Em geral. terra ou neve. Giuseppe Penone (1947-). tanto europeus como americanos.

Antonio Recalcati (1938-) e Mario Ceroli (1938-). Entre seus maiores expoentes. o italiano Gianni Colombo (193793). O húngaro Nicholas Schöffer (191296-) criou a expressão Cybernetic Art (Arte Cibernética) para designar a criação de programas puros e aleatórios. os alemães Peter Klassen (1935-) e Jan Voss (1936-). às vezes. aproximações. apontam-se: os franceses Bernard Rancillac (1931-). Peter Campus (1937-) e Bill Viola (1951-). 84 . Entre os precursores da Video Art. o sul-coreano Nam June Paik (1932-2006) e os norte-americanos Willoughby Sharp (1936-2008). destacaram-se: o alemão Wolf Vostell (1932-98).Arte Permutacional (1970) A Teoria Informacional da Percepção Estética acabou incluenciando as artes plásticas contemporâneas que evoluíram das artes ótica e cinética para os novos rumos da Computer Art (Arte por Computador). e sim de concepção ou “criação” da obra de arte. dos quadrinhos à imagem animada (cinema e televisão). Se são as máquinas de infomação que determinam cada vez mais nossos atos. vistas panorâmicas. para designar uma nova tendência pictórica que não estaria fundada sobre uma base filosófica ou política qualquer. Influenciado por essas novas mídias da Era da Informação. Martial Raysse (1936-). imperceptíveis no seu aspecto visual. em uma referência à dimensão temporal na elaboração da tela por aquele que a olha. mas corresponderia a um modo de expressão artística que implicaria. um dos responsáveis pela mostra Bande Dessinée et Figuration Narrative (1965). Hervé Télémaque (1937-). o essencial não estaria na automatização da fase de produção. decomposições e assim por diante. entre outros. Michel Macreau (1935-97). Outros expoentes eram: o espanhol Eusebio Sempere (1923-85). inclusive aqueles de pensar ou de criar. o francês François Morellet (1926-). Objetos de arte por computador são produzidos geralmente com aparelhos de emissão (out-put). isto é. Jacques Monory (1934-). Em meados dos anos 70. no seu aspecto temporal. do português René Bertholo (1935-) e do espanhol Eduardo Arroyo (1937-). o ítalo-brasileiro Waldemar Cordeiro (1925-73). e os italianos Valerio Adami (1935-). passou-se a construir uma multiplicidade de formas novas a partir de um número limitado de elementos. inclusive recaindo na Video Art. mas perceptíveis no seu desenvolvimento modificável. o alemão Manfred Mohn (1938-) e os americanos Ronald Davis (1937-) e Joseph Nechvatal (1951-). além do islandês Erró (1932-). utilizando-se o computador como ferramenta artística. Esta Nova Figuração faria uso dos mais diversos meios de expressão. Joan Jones (1936-). Porém. plotters e alto-falantes. nada mais natural que os progressos muito rápidos verificados no campo dos computadores levassem os artistas a realizar certos esboços de criação artificial. - Figuração Narrativa (1965) Termo criado pelo crítico francês Gerald GassiotTalabot (1929-2002). seus artistas explorariam métodos e recursos como o uso de grandes planos.

o International Style (COLIN. O FUNCIONALISMO. ligada aos problemas contemporâneos. individualidade e pureza. que reúne uma série de experiências que mantêm diferenças apostas entre si. como na tradição teórica do classicismo.15 PÓS-MODERNISMO O MODERNISMO em arquitetura pode ser considerado um movimento utópico e vanguardista. no caso da arquitetura. que significava a sua superação e o repúdio de uma continuidade. Ele tornou-se insubstituível como a própria palavra “moderno”. Segundo o PÓS-MODERNISMO. 2004). separando a arquitetura da sua tradição material e local para aquela que seria resultado da mistura entre gênio.  Calhou ao modernismo uma ideologia organizada pela pequena coletividade intelectual das nações mais desenvolvidas. do qual é estágio de sua evolução iniciada desde o século XVIII. Centralizava a produção na arquitetura. reestabelecendo uma continuidade com as experiências do passado antigo e moderno. Limitava-se sim à experiência dos grandes mestres. 85 .  O pensamento funcionalista teria se perpetualizado através de uma ideologia de constante mudança sobre si mesmo para o novo. em uma análise que “despedaçava” o todo em busca de uma equivalente mental. segundo os críticos pós-modernos. ao conjunto estilístico-formal que resultou do período entre-guerras. ou seja. Isto resultava numa revolução de idéias e métodos. mas que têm em comum a idéia de revitalizar a arquitetura como arte. Em sua opinião. o que resultou na desorientação urbana e na falta de representatividade e alienação de culturas milenares.  Embora o termo “pós-moderno” contenha a idéia de ruptura com o moderno. e não uma arquitetura cristalizada em valores formais e conceituais. ele teria destruído uma continuidade morfológica da arquitetura. A série de críticas à arquitetura resultante deste processo embasou o MOVIMENTO PÓS-MODERNO. vital e dinâmica. 2002). Assim. não se indagava as modificações do ambiente visual e da cultura de imagens organizadas pelo impulso de novas realidades sobre a consciência e a produção coletiva. Mies van der Rohe e Walter Gropius (1969). mas sim. esse movimento não se considera contra o modernismo propriamente dito. os arquitetos modernistas homogenizaram e despersonalizaram o ambiente construído na maioria dos lugares. superestimava a contribuição de grandes personalidades criativas e diminuía ou anulava o contributo coletivo para a transformação da cidade e o valor da cultura dos lugares. que estabelecia um conjunto de regras universais para a pesquisa arquitetônica. inclusive pela perda de direção moral e espiritual representada pela morte de seus principais mestres: Frank Lloyd Wright (1959). mas sim na geometria (formas primárias). desmembrava as coisas em partes. Ele não cumpriu a promessa de criar uma nova sociedade e reinventar a arquitetura sobre bases racionais. criando apenas mais um estilo. já que não colocava a origem de qualquer forma espacial na choça ou cabana pré-histórica. para aquilo que é garantido por ser produto de uma invenção ou mesmo um ato criativo (MONTANER. assumindo uma posição de reabilitar a história. a arquitetura havia perdido sua especificidade disciplinar e seu caráter de mediação concreta entre a sociedade e determinada época (tempo) e lugar (espaço). mas numa cultura incapaz de evolução e renovação. como antítese ao INTERNATIONAL STYLE. com a Revolução Industrial (1750-1830). ou seja. os quais pregavam uma arquitetura libertadora. No fundo. Le Corbusier (1965). esse estilo foi a negação dos próprios princípios modernistas. cuja influência na sociedade começou a diminuir nos anos 60. Além disso. ignorando a totalidade da realidade ambiental. Daí os críticos da segunda metade do século XX passarem a adotar o termo “pósmoderno”. Para os pós-modernos.

particularizando este momento histórico em relação a toda história da humanidade. e amadureceu nos anos 80 e 90. o design e. desde os anos 50. Reagindo ao estabelecimento de um modelo universal. biotecnologia. Louis EUA. A relação forma/função alterna-se com a relação forma/conteúdo.) aplicada à informação e comunicação. Ironicamente. o PÓSMODERNISMO influenciou a arte. em especial naqueles que delimitaram sua gênese com obras provocativas. a literatura. que se referia à natureza virtual ou irreal da cultura contemporânea (CASTELNOU. outros pensadores reforçaram a “condição pós-moderna”. às 3h32min. Típico das sociedades pós-industriais (Europa. o ambiente pós-moderno é dominado pela tecnociência (PC’s. mas em um mítico homem moderno. laser. que passa a fazer parte da realidade: a natureza passa a ser vista como algo limitado. tanto material como culturalmente.Em termos gerais. alastrando-se na moda. e Perry Anderson (1940-). da memória ou do ornamento. CD’s.  Suas bases teóricas concentraramse na filosofia. Guiado pela publicidade e marketing. do plano estético ao sócio-político. estabelecia como marco o dia 15/07/72. Além dele. que vai influenciar todo o processo de produção e uso da arquitetura (Era da Informação). etc. Sua característica mais expressiva seria a diversidade de aproximação e tratamento dos problemas. a dança. como crítica da cultura ocidental. Charles Jencks (1939-) lançou seu livro The language of post-modern architecture. EUA e Japão). diferente do International Style e do funcionalismo dos CIAM’s. a música. nas artes e nas sociedades avançadas a partir da segunda metade do século XX.  Despertar histórico. PÓS-MODERNIDADE é o nome aplicado às mudanças ocorridas nas ciências. os pósmodernos se empenham em ressaltar diferenças (SANTOS. com seu The condition of postmodernity (1989). como o francês Jean-François Lyotard (1924-1998). os quais se autolegitimavam e supervalorizavam um alcance global. em relação aos ideais universais do início do século XX. através de La condition post-moderne (1979). 9 Ao mesmo tempo. Ela nasceu com a arquitetura neorealista na década de 1950 e tomou corpo com a Pop Art nos anos 60. em uma era de mutação e de busca. 2002). a moda. por ocasião da demolição do Complexo Habitacional de Pruitt-Igoe (1955/61). cujo significado é muito mais perturbador que anteriormente. desta vez mais voltada ao consumo (arquitetura como bem-de-consumo) e aos reflexos dos mass media (influências decisivas do marketing). além do filósofo francês Jean Baudrillard (1929-). como as questões do contexto. estas teriam sido as principais causas do MOVIMENTO PÓS-MODERNO na arquitetura:  Descontentamento generalizado diante da estética e do pensamento modernos. tais como David Harvey (1935-). o qual se pretendia unitário e integrador. o teatro.  Despertar ecológico. em St. representado pela maior conscientização da importância do passado e da memória para a manutenção da identidade cultural e limitação do desperdício energético (boom das revitalizações e reciclagens). O abandono de grandes modelos filosóficos explicativos. a PÓS-MODERNIDADE passou a marcar as profundas contradições e ambiguidades do ato de produção arquitetônica no contexto social da atualidade. com The origins of postmodernity (1998). em 1977. que se tornou famoso por seus conceitos de hiperrealidade. além da necessidade de se romper com os 9 valores universalizantes do projeto moderno foram as premissas assumidas pelos teóricos do PÓSMODERNISMO. as correntes contemporâneas tentariam resgatar o status da profissão do arquiteto. formado por um conjunto de ecossistemas do qual o homem faz parte e é responsável pela manutenção de seu equilíbrio. vindo romper com padrões em vigor. paisagístico ou urbanístico. obra de Minoru Yamazaki (1912-86). não centralizado nas reais exigências humanas. 1997). resultado da progressiva crise ambiental. a arquitetura (JAMESON. Na Era da Informação. que não vinham mais atender à logica do sistema. passa a existir uma grande inter-influência entre os arquitetos de todo mundo devido aos meios de comunicação de massa (mass media).  Na arquitetura. Cresceu ao entrar na filosofia durante a década de 1970. pois passa a haver a intervenção de outros parâmetros diversos no projeto arquitetônico.  Segundo alguns autores. e no cotidiano programado pela tecnociência (LYOTARD. recuperando certas dimensões que o modernismo havia desprezado. finalmente. DVD’s. 86 . Fredric Jameson (1934-). em que apontava o crescente afastamento do Ocidente. diversões e serviços. no qual constatava a “morte” do modernismo. através de Post-modernism (1991). 1997). 2005). em todos os níveis. cinema e música.  Evolução tecnológica decorrente dos avanços trazidos pela informática. onde a tecnologia eletrônica passa a manipular a sociedade de massa através da saturação de informações. Como marco do pós-modernismo na arquitetura.

d) Um papel determinante que as transformações ambientais em seu conjunto tem sobre a produção cultural “oficial”. onde se passou a buscar uma reintegração à cotidianidade dos indivíduos. mas mantendo sua relação com a tecnologia.Com o PÓS-MODERNISMO. engloba as tendências que dão continuidade ao pensamento moderno.  NEOMODERNISMO: Retomando a relação com o presente. que devem ser reconhecidas e analisadas como fatores de identidade. a matéria e a técnica. incorporando questões como identidade cultural. Na opinião dos críticos pós-modernos. As várias correntes que conformam o MOVIMENTO PÓS-MODERNO podem ser agrupadas. TORRE VELASCA (1951/57. expressão da sociedade livre e patrimônio da cultura. criou-se em Milão o Movimiento Studi per l’Architettura – MSA. destacando valores populares que. através de programas de renovação urbana. Depois do período da ditadura fascista. não mais representável esquematicamente como o “universo da máquina”. que demoliram edifícios antigos para construir outros de qualidade geralmente inferior (atividade onerosa). presença histórica. c) Uma civilização industrial já madura. mas influenciou a arte e a arquitetura. destruindo o estoque imobiliário. Em 1944. não reconhecendo gostos e tradições diversas da arte erudita. a corrente neorealista foi relativamente efêmera. mas como um conjunto contraditório e dinâmico. da prática contextual e/ou do retorno a tradições vernaculares. mediados por instituições e formas de agregamentos sociais novas. o que se intensificou com o NEOREALISMO. aborda as tendências que discutem uma nova modernidade. concretizando uma relação de simultânea influência entre o produtor cultural e a população em geral. na sua busca pela simplificação e pureza.  Para PORTOGHESI (2002). em termos gerais.  ULTRA ou TARDOMODERNISMO: Projetandose incisamente para o futuro. 87 . em um importante catalisador do debate cultural italiano entre as décadas de 1950 e 1960. a reconstrução política.  Instituiu uma linguagem purista e autoreferente. econômica e social. mostrou com o tempo ser a mais interessante para o uso do especulador imobiliário. Exemplificam-se com os minimalistas e os desconstrutivistas. nas quais os espaços públicos perderam seu significado devido à padronização.  De bases romanas. a arquitetura moderna. junto à revista Casabella. Inicialmente proposta como a nova linguagem do proletariado. colocando em lados opostos o trabalho humano e o trabalho da máquina. Destacamse os formalistas e os contextualistas. os quais se diferenciam de acordo com a postura que mantêm em relação ao modernismo. através de seus arquitetos e urbanistas. Genova e Torino). resgatando a relação com a história através do ornamento simbólico. as premissas metodológicas da arquitetura e cidade pós-modernas foram as constatações por parte dos arquitetos da existência de: a) Diversas e diferentes culturas no mundo atual. reúne as tendências que negam a arquitetura modernista. em 03 (três) grupos.  Falhou na tentativa de criar soluções de qualidade para o problema da habitação coletiva.  Impôs. São seus expoentes os tecnicistas e os brutalistas. a saber:  PÓS-MODERNISMO propriamente dito: projetando-se mais para o passado. revestiu-se de um caráter mais elitista e dedicado à recuperação dos materiais e configurações neoracionalistas. funcionalidade e universalismo. reflexão ecológica e tecnologia avançada. do país possibilitou uma discussão nacional sobre a cidade como lugar do coletivo. seus valores sobre os dos clientes. ela teria falhado em vários pontos:  Eliminou a escala humana das cidades tradicionais. tirou da forma seu caráter simbólico e transferiu-o para a função. b) Uma produção coletiva de obras de interesse estético e que está ligada a processos subjetivos. que ignora tudo que a precedeu ou a circunda. entre outros. materializada através dos meios de informação e comunicação de massa. adaptando-o a novas perspectivas. Segundo FISCHER (1985). houve uma (re) aproximação entre a cultura popular e a erudita. que é produto de novos sinais e formas resultantes de novas necessidades e desejos da sociedade atual. inclusive a “banal” – e não só a de “elite” –. dispersando-a e tornando-as conjuntos de edifícios separados por amplas áreas verdes. no norte da Itália (Milano. MILÃO) NEO-REALISMO O ambiente italiano do segundo pós-guerra foi bastante propício ao debate crítico sobre a arquitetura e urbanismo modernos. que se converteu.

ao mesmo tempo. integrando-a. como aqueles empreendidos por Gianfranco Caniggia (1933-87) na análise da cidade de Como. 2007). A partir de seu livro Progetto e destino (1965). e sua relação com a sociedade e a produção industrial. culturais e políticos que a oposição esquerdista propôs como resposta ao crescimento do capitalismo do pós-guerra. Entre 1944 e 1946. o que se tornou comum a outros planos urbanísticos desenvolvidos nas décadas seguintes. baseado na pesquisa histórica. A Operazione Bologna recolocou o centro histórico como definidor da política urbana da cidade como um todo. em fins dos anos 60. tornaram-se básicas para sustentar muitas idéias pós-modernas. cujo esforço foi para construir uma teoria da arquitetura que respondesse às exigências internas da disciplina e que. Gae Aulenti (1927-). além da idéia de planejar novos edifícios como continuidade da cultura construtiva do lugar. criando uma nova estrutura teórica para a compreensão sistemática das leis históricas que deveriam ser aplicadas na arquitetura. As idéias de Muratori repercutiram em Roma e seu método de trabalho. entre os quais Giancarlo Cataldi e Gian Luigi Maffei. tanto as naturais como aquelas criadas historicamente pelo homem. reintegrando-se projeto e cidade. como a Torre Velasca (1951/57. Um de seus conceitos fundamentais foi a idéia de préexistências ambientais. publicadas em Studi per una storia operante urbana di Venezia (1959). Lombardia). incluindo os nomes dos contextualistas: Carlo Aymonino (1926-). Esta geração empenhou-se em associar teoria e prática. Em 1952. em 1963. onde iniciou uma série de pesquisas. incorporando a história no projeto. grupo que se empenhou em atualizar o repertório modernista. surgiu um grupo de arquitetos que resultou no movimento NUOVA TENDENZA. 10 Considera-se a Operazione Bologna. tecido. organismo e história operante. que. ou mesmo na profícua experiência da OPERAZIONE BOLOGNA10. classificando a crítica e história como instrumentos de projeto (MONTANER. defendendo que suas utopias e propostas universais deviam se atualizar com o modo de pensar e viver do seu tempo. difundiu a expressão “tipologia arquitetônica” (tipologia architettonica). ROGERS (1909-69): Arquiteto e editor da revista Casabella-Continuitá. objetivo e verificável. a uma visão global da arte e arquitetura. influenciou muitos trabalhos de renovação urbana. fundamentadas em um estudo meticuloso sobre a evolução das formas e tipologias existentes no tecido urbano. escreveu alguns ensaios onde surgiram os conceitos de cidades como organismos vivos e como trabalhos coletivos de arte. Insistiu na perda da qualidade conceitual da cultura atual em função do pragmatismo e na defesa do artesanato (Storia dell’arte come storia della città. procurou definir critérios para a identificação e sua classificação em algumas categorias analíticas.  GIULIO CARLO ARGAN (1909-92): Arquiteto e teórico italiano. Tratou-se de um plano implementado pelo governo municipal. nas quais reexaminou o centro da cidade. Enzo Bonfatti (1932-).  Uma terceira geração de arquitetos italianos acabou incorporando o estudo tipo-morfológico proposto pelo NEO-REALISMO dos anos 50 e 60 em seus trabalhos. O grupo realizou grande número de edifícios residenciais. seus artigos tornaram-se referências para a cultura arquitetônica italiana dada a enorme coerência e lucidez de suas propostas. A herança muratoriana do uso de procedimentos tipológicos acabou influenciando muitos projetos urbanos em cidades italianas e do norte da África. empregando os conceitos fundamentais de tipo. entre 1939 e 1969 – junto a Gian Luigi Banfi (1910-45). entre 1953 e 1964. por meio da clareza de critérios metodológicos. mais do que suas propostas formais. acabando por influenciar a geração de arquitetos que introduziu a revisão dos princípios modernistas. tornou-se catedrático em Veneza. Milão. estas compreendidas como “presenças respeitosas” da cidade tradicional. o marco histórico das iniciativas de REVITALIZAÇÃO URBANA e de criação de uma legislação para evitar as transformações de caráter espontâneo. recusando-se a separar teoria e realidade. consistindo em um conjunto de ações para a conservação do centro histórico de Bolonha. Franco Purini (1941-) e Massimo Scolari (1943-). Lodovico Barbiano di Belgiojoso (1909-2004) e Enrico Peressutti (1908-76) – do STUDIO BBPR.  SAVERIO MURATORI (1910-73): Arquiteto italiano que foi o primeiro. 1983). cujas concepções sobre cultura e arte. Aldo Rossi (193197). conduzida por colegas e ex-alunos. embora tenham sido realizados dentro do método racionalista. o qual tinha sido perdido com o modernismo. segundo as diretrizes do Partido Comunista Italiano e dirigido por Pier Luigi Cervellati (1936-). Vittorio Gregotti (1927-). se alinhasse com os objetivos sociais.  ERNESTO N. Essa geração pós-moderna entendia a arquitetura como processo de conhecimento. acabando por levar ao progressivo empobrecimento da prática arquitetônica. Diante da grande variedade de formas existentes. que negava ter referências culturais baseadas em raízes históricas.Em meados dos anos 50. Manfredo Tafuri (1935-94). nos anos 50. a adotar o método tipo-morfológico para a análise da arquitetura e do projeto urbano. Rogers participou. devia-se aprender seus ensinamentos morais e metodológicos. através da superação do “esquematismo” abstrato da sua linguagem. Giorgio Grassi (1935-). 2002). retomando o significado da área central como elemento irradiador de toda a ordenação urbana (CASTELNOU. adotaram referencias historicistas. 88 . que promoveu a recuperação do centro histórico dessa cidade no Norte da Itália. contextualizando-o com a realidade italiana.  Os arquitetos da Nuova Tendenza consideravam a HISTÓRIA como meio de reforçar o senso de continuidade da prática arquitetônica. Dos mestres.

na maior parte transformados através de uma estilização e/ou mudança de materiais.  Interessados na produção massiva. absorviam os pressupostos da POP ART dos anos 50/60. Influenciados pela Teoria da Comunicação. provocando surpresas e influindo no gosto. os pósmodernistas formalistas perceberam a força criativa contida nos estilos do passado e ornamentos históricos. faziam uma cínica abdicação da função. Além disto. 1997).  Sua arquitetura. materiais estes associados aos tradicionais.  Ajudava a reinterpretar a história. originalidade e importância de suas criações artísticas. portanto.  Vanguardismo: Crença na beleza. 89 . de vocabulário e princípios próprios e de uma linguagem simbólica. às vezes em prol de significados simbólicos (metáforas) nem sempre legíveis aos leigos (JENCKS. passava a ser determinada estritamente pelas considerações estético-formais. que encontrou o apogeu entre 1966 e 1978. Enquanto o Movimento Moderno (1915/45) abandonou a decoração naturalista para modificar toda a arquitetura. 1997). reforçando a idéia de estilo. frontões. Certos de que a arquitetura moderna deveria ser ultrapassada. à formação plástica de partes isoladas. que se expressava através de metáforas. expandindo-os para grande parte da sociedade e redirecionando a atenção arquitetônica para a história. o FORMALISMO pós-moderno mostrou uma concepção arquitetônica que acentuava a forma frente ao conteúdo. Inspirando-se na história. colunas. comodismo. plenos de significados e distantes historicamente – bem mais do que os modernos – e. para eles:  Tratava-se de um elemento formal que cria beleza e modifica espaços. menos preocupados em romper com o passado eclético. que inevitavelmente se transformaram em referências ao passado (JENCKS. através da idéia de conseguir o máximo pelo mínimo esforço.  O ORNAMENTO (plástica secundária) foi redescoberto e novamente aplicado pelos pós-modernistas porque. tendendo ao fechamento volumétrico. fazendo uso amaneirado de suas soluções. ênfase no tratamento gráfico. vidro e aço. os arquitetos formalistas usavam elementos inspirados na arquitetura popular e comercial de modo provocativo e atraente. sinais e aspectos emblemáticos. já que é rico em significados e conotações simbólicas.  Grafismo: Fascinação pelo poder evocativo de desenhos e maquetes. uso de convenções. tais como arcos. Propagava a desconfiança para com o funcionalismo. ornamentalismo.  Antifuncionalismo: Rejeição da estética funcionalista e da idéia de proeminência da função utilitária. Estes são associados a formas modernas e aos signos da sociedade de massa. a ARQUITETURA FORMALISTA voltava-se para a simbiose de efeitos compositivos. anti-universalismo. cúpulas e galerias. os formalistas ainda usam muito o concreto armado. valorizava mais os invólucros que a essência.  Elitismo: Pré-definição do público-alvo e dos parâmetros de conforto e qualidade do ambiente construído. em especial a composição modular como suporte para invenções decorativas. o ornamento e o ideal contemporâneo de beleza. isto é. a ARQUITETURA FORMALISTA adota elementos do passado. na sociedade de consumo e nas leis mercadológicas – e inclusive no Kitsch –. fachadismo. policromia. especialmente a pedra.16 FORMALISMO Corrente tipicamente norte-americana. à volta de aberturas isoladas e ao emprego de elementos estilísticos. Na busca de efeitos cenográficos. Especulando formas sem ter motivos diretos para isso.  Os fundamentos gerais do FORMALISMO concentram-se em:  Formalismo: Preocupação quase absoluta com o aspecto visual da obra. depurando-a e partindo assim do zero. tudo com a intenção de transmitir uma tensão entre estes elementos na mesma obra. a cerâmica e a madeira.  Levantava expectativas. os pósmodernos formalistas rechaçavam a arquitetura racional e objetiva sendo muito mais românticos e subjetivos.  Hedonismo: Culto ao prazer e à beleza. ironia e provocação.

auxiliada pelo conhecimento cultural. o “belo desenho”. A repercussão do livro The Language of PostModern Architecture (1977). comercial. ambíguas e incoerentes). etc. começou a haver maior preocupação com o contexto da obra. A ARQUITETURA FORMALISTA alterou a fórmula de que a forma segue a função. Pretendendo ser sedutora e efêmera. além de enfatizar o conteúdo histórico da arquitetura – vista como forma de comunicação –. atual Sony Building (1978/82. solucionando a forma mediante questões de gosto. só ele próprio torna-se capaz de refazer. da autoria de Philip Johnson (19062005). o gosto. ESPAÇO MODERNO (Abstração geométrica e anônima) Determinado por relações matemáticas e geométricas. uma vez que não usava os mesmos materiais e formas em toda ou qualquer parte do mundo. propiciador de redundância e de tensão (uso de formas contraditórias. mas que tinham uma linguagem duplamente codificada: parte moderna e parte não. fachada principal. de Robert Venturi (1925-).  Foram estes os principais acontecimentos. apontando o valor estético da ambigüidade (presença simultânea de vários caracteres arquitetônicos) e da provocação (potencial comunicativo da transgressão e da ironia). etc. guiadas por condicionantes funcionais. As razões dessa dupla codificação eram tanto tecnológicas quanto semióticas: os arquitetos procuravam usar a tecnologia atual. o conceito de função ampliase do conteúdo utilitário para as necessidades físicas. etc. principalmente 1980. Apresentando um decorativismo explícito. A partir da década de 1970 e. para ela. Aqui. que propunha uma atitude mais consistente com seu tempo. a arquitetura. 2004). a nostalgia e a memória. b) Tinha uma atitude mais liberal para com a relação forma/função. que constatava o fim da arquitetura moderna. A este livro.). A exposição The Architecture of the École des Beaux-Arts (1975. que afeta outra mercadoria. Learning from Las Vegas (1972). A solução da forma não nasce do problema utilitário. organizada por Arthur Drexler (1925-). que resgatou a beleza e o poder de atração das convenmções arquitetônicas (simetria. baseava-se na criação de cenários. podendo assim contrariar todas as normas ortodoxas que faziam a “boa forma” no modernismo (COLIN. de Charles Jecks (1939-). p. evitando empréstismos formais ou citações gratuitas de outro tempo ou lugar. estruturais e/ou funcionais (razão). mas pretendiam também se comunicar com um público em geral. que defendia uma arquitetura complexa e contraditória. realizada no Museum of Modern Art – MoMA de Nova York. e) Dava mais ênfase à representação do que propriamente à obra construída. psíquicas e culturais do indivíduo. c) Enfatizava a sensação estética subjetiva (emoção) em detrimento aos aspectos objetivos. que provocaram a difusão das idéias do FORMALISMO a partir dos anos 60 e 70:  A publicação de Complexity and Contradiction in Architecture (1966).   90 . reaproveitava elementos ornamentais de outros estilos eruditos e inspiração na arquitetura nãooficial (popular. não raro. que estabelece associações simbólicas tão sutis que. cor. pois. transformando determinados princípios de ordenação (simetria. esta segue a moda. New York). na área da arquitetura. mas é criada na imaginação do arquiteto.). determinações subjetivas e associações simbólicas. daí a realização de várias exposições: o veículo de seu discurso era o desenho de arquitetura transformado em mercadoria. textura.As principais características da linguagem arquitetônica formalista eram: a) Buscava a criação de lugares ao invés de espaços. seguiu-se outro. articulação formal. ritmo e equilíbrio axial) e configurações espaciais (uso de ornatos e ênfase da fachada principal). uso de eixos.1977). propondo a livre escolha da forma para satisfazer a função de modo criativo. A maior crítica sobre os formalistas recaiu no fato dos mesmos muitas vezes acabarem produzindo um NOVO ECLETISMO pela miscelânea estilística. Tanto o coroamento com frontão chipendale como a base com arco e colunata não possuíam justificativas funcionais. clima e topografia. d) Recriava códigos formais existentes do passado. o que provocou algum alvoroço na mídia.  O arquiteto formalista quer compor imagens que tenham a força de estímulos ao provocar emoções e reações no observador. técnicas e econômicas X LUGAR PÓS-MODERNO (Local específico associado à cultura e à história) Determinado por elementos como material. e o impacto causado pelo uso de elementos historicistas no projeto do AT&T Building. O PÓS-MODERNISMO FORMAL incluiu uma diversidade de abordagens que abandonam o paternalismo e o utopismo de seu predecessor. kitsch. além das superfícies verticais e do ornamento simbólico. qualidade de iluminação.

Cruz). New Canaan CT).) e Newark Museum (1990. Guild House (1960/63. Iniciando com reelaborações neoplásticas. Para ele. a partir de 1976. Nova York). Passou então a se utilizar do arco por considerá-lo um elemento contraposto ao utilitário no sentido construtivo. de 1964 a 1967. passou a utilizar transformações complexas de imagens antigas. como era de se esperar em uma sociedade de consumo. Mother’s House (1962/65. Sta. optando por estudar arquitetura somente em fins dos anos 30. a perda de fé em um só princípio de integração. a cidade-território e a consciência ambiental. buscando a anulação da “falsidade modernista” através da criação da crise de sua eficiência. ou seja. Burns House (1974. fosse capaz de exprimir uma grande beleza que pudesse ser apreciada por gerações futuras. buscando uma direção que. Houston TX). da California. atual Sony Building (1978/82. inserindo-se assim no formalismo pós-moderno. A maioria dos arquitetos formalistas começou então a depurar suas formas. Humana Corporation Building (1983. Houston TX. JOHNSON (1906-2005): Arquiteto e crítico de arte norte-americano que inicialmente foi influenciado pela disciplina de Mies. c/John Burgee). ou seja. Já em meados dos anos 70. Kahn (1901-74). N.  CHARLES W. parecendo uma celebração do Kitsch.  MICHAEL GRAVES (1934-): Arquiteto norteamericano que foi o primeiro a abandonar o novo dogmatismo dos whites. isto é. St. o esgotamento das formas decorativas acabou acontecendo. tentou superar a arquitetura miesiana. com base em academicismos. AT&T Building. quando. Los Angeles CA) e a Lurie Tower (1995. frontões partidos. Seus espaços eram definidos como uma série de bastidores colocados de maneiras diferentes. São obras suas: Ponte-Centro Cultural FargoMoorhead (1977. Moore procurou um centro vital do espaço habitativo e da função das paredes internas como diafragmas desenhados a luz e cor. Outras obras: Penzzoil Place (1976. através de molduras e frisos. O humor é parte integrante das obras de Graves. 91 . Nantucket MA) e Tucker House (1975. Ambler PA). Trubek House (1971/72. completando a analogia cenográfica. Juntamente com sua esposa. Louisville KY. Orleans). e de John Rauch (1930-). Univ. buscando novas justificativas no ambiente em que suas obras se inseriam e dialogavam. Edifício de Serviços Públicos (1982. Foi fundanmental a contribuição de seeu livro Complexity and contradiction in architecture (1966) Principais obras: Associação de Enfermeiros de Nort Penn (1960/62. Katonah NY). Destacaram-se as seguintes obras: Krege College (1971. Chestnut Hill PA). resultado de um processo de apropriação ao qual a arquitetura dá um valor de rito. ávida por novidades formais. Burgee (1933-). um espaço determinado e qualificado somente atingido a partir da presença ativa do homem.Alguns dos formalistas ou neo-realistas americanos ficaram conhecidos como GRISES – em contraposição ao neopurismo dos WHITES* – e. além do Bervely Hills Civic Center (1992. faziam sua releitura. expressa. Denise Scott Brown (1931-). passando a buscar a revitalização de arquétipos clássicos e empréstimos históricos de várias fontes. Através de sua obra. e a partir de então a John H. Portland OR). colunas e porticados. portanto. New York City) e Centro NCNB (1984. deveria ser pensada como pano de fundo de uma ação complexa. MOORE (1925-1993): Arquiteto norte-americano influenciado pelas idéias de Frank Lloyd Wright sobre o continuum urbano. Assim. cada um num determinado ponto do percurso. Foster (1919-2002). mas belo por causar o efeito de sublime. Monica) e sua obra-prima Piazza d’Italia (1977/79. tornando-a permeável a montagens irreverentes e criando espaços festivos cheios de provocações inusitadas. girava sua arquitetura em torno do conceito de “lugar”. segundo ele. graças ao seu conhecimento histórico. como o Art Déco e o vernáculo. Filadélfia PA). de Michigan). como as realizadas para Disney. Formado em Harvard. Univ. associou-se a Richard T. através de um tom romântico e saudosista que não negava as formas do passado. passou a procurar induzir a reativação de configurações do passado nas formas presentes.  ROBERT VENTURI (1925-): Arquiteto norteamericano que trabalhou até 1958 com Louis I. através de sua obra. Foram estes os maiores expoentes norteamericanos da arquitetura formalista:  PHILIP C. entre outras. Minnesota). Depois da sua famosa Glass House (1949. da obtenção de uma beleza artificial e gratuita através da estilização histórica e do ornamento simbólico. aprendendo com ele seu sentido de temporalidade. a arquitetura circundava o corpo e.

etc. assim como a existênciado do mito da reforma social através da arquitetura. associando-se a John S. a Daisy House (1976/77. cujo nome significa Sculpture in the Environmet. 1977. Houston TX. Aos poucos. Centro de Ciências ou Wissenschaftszentrum (1979/87. ALEXANDER (1936-): Arquiteto de origem austríaca e professor da Universidade da Califórnia. buildings. Voltando a atenção dos arquitetos para a construção popular. 92 . Performing Arts Center da Cornell University (1983/88. Leicester. Em seus livros New directions in american architecture (1969) e Modern Classicism (1988). procurando criar um elo de comunicação que consistiria no primeiro passo pós-moderno. Hiroshima. faz alusões históricas. inspirando-se na informática e na ecologia. Todas suas obras têm uma qualidade linear e um rigoroso controle gramatical. higiene ambiental e pureza de valor absoluto). Los Angeles CA). sua arquitetura intentava ser provocativa e até ridícula. Projetou-se através das obras da cadeia de Lojas de Departamentos BEST (1974. podem ser citados os seguintes arquitetos:  JAMES F. defendia o classicismo pós-moderno. Hagmann em 1969. Para ele.  CHRISTOPHER W. Houston TX). mobiliário e maçanetas. Estabelecendo um paralelo entre arquitetura e escultura. procurava dar uma visão alternativa da arquitetura atual. adquiriu maior sensibilidade contextual. aplicáveis da escala da cidade inteira. através de elaborações cenográficas e releituras coloniais. em Berkeley. permeiava seus projetos de elementos simbólicos e ironia. Sacramento CA. Embasando sua arquitetura no respeito ao contexto local. 1977) e Elemental House (1980/82. construction (1976) descrevia esta prática arquitetônica através de uma gramática generativa. Rustic Canyon. c/James Gowan). metáforas anatômicas. Henrico VA). Seu trabalho procurou fundir a eloqüência visual do NY5 com o recurso desinibido e radical à memória das raízes americanas.  CHARLES JENCKS (1939-): Arquiteto e crítico norte-americano em cujo livro The language of post-modern architecture (1977). Alexander sugeria métodos e regras para designs mais belos e seguros. ele chegou a uma coleção de 235 “padrões”. ROBERT A. etc. Sua principal obra A pattern language: towns. Sackler Museum (1979/84. Principais obras: Indeterminate Façade Showroom (1975. Destacam-se: Biblioteca da Faculdade de História (1964/67. Suas obras de destaque são a Hot Dog House (1975/76. Associou-se em 1971 a Michael Wilford (1938-). A partir da constatação de que as cidades medievais eram mais atrativas e harmoniosas. Paris). defendendo assim o saber popular. STIRLING (1928-92): Arquiteto britânico que começou bastante influenciado pelo brutalismo. por serem suas regulamentações locais mais específicas. Seus projetos desafiavam consistentemente a uniformidade do ambiente construído. Em conjunto com seus colegas do Center for Environmental Structure. na qual os edifícios devem ser simbólicos e os projetos processos de assimilação cultural. M. Ithaca NY) e a Bibliothèque de France (1988. como a de fazer rir o usuário. preocupando-se com a escala e tipologia do entorno de suas obras. Fez uso de símbolos fálicos. Cambridge). como com as obras do búlgaro-americano Javacheff Christo (1935-) ou Robert Smithson (1938-). Chicago IL). confiando no poder da memória combinada com os novos usos. Framingham MA). Indiana) e os Pensacola Place II Apartments (1978/81. influenciada pelo historicismo pós-moderno. Stuttgart Staatsgalerie (1977/84). Boston MA). Berlim). Highway 86 da Exposição Universal de Vancouver de 1986 e Four Continents Bridge (1989. a arquitetura é uma arte essencialmente comunicativa. Forest Building (1980.  STANLEY TIGERMAN (1930-): Arquiteto norteamericano que se utilizava de metáforas abusivas e de representações explícitas. Londres). Entre os representantes do FORMALISMO pós-moderno na Europa. Obras de destaque: Casa Própria em Westchester County (1974/76. Chicago IL). Clore Gallery (1980/86. tque se tornou mundialmente famoso por suas contribuições teóricas. ornamentação simplificadas. faz ainda referências à memória coletiva e à influência decisiva do usuário sobre o produto arquitetônico: Garagia Rotunda (Wellfleet MA. bairros. apresentou e validou um sistema arquitetônico ou pattern language (linguagem de padrões) que possibilitava qualquer um a projetar e construir em qualquer escala. Japão). STERN (1939-): Arquiteto norteamericano que foi aluno de Venturi em Yale e trabalhou com Richard Meier. cada qual descrevendo um problema – seja de “espaço” seja de “evento” – que ocorre repetidamente em nosso ambiente e que possibilita uma infinidade de combinações. Ghost Parking Lot (1978. Buscando razões lúbricas. edifícios e até jardins.  SITE GROUP (1970): Fundado pelos artistas plásticos norte-americanos James Wines (1932-) e Alison Sky (1946-). partindo para uma arquitetura mais formalista. Através de suas obras. Armonk NY) e Point West Place (1983/85. tornando-se célebre com o prédio da Faculdade de Engenharia da Universidade (1959/63. contrastes de cores e superfícies.). muitas vezes consideradas vulgares pelos críticos. evitando a revolução política. aponta a referência moderna constante a um número reduzido de conteúdos (racionalização da máquina e produção industrial. Hamden CT).

que surgiu na Itália em finais dos anos 60. Inspirando-se numa variedade eclética de fontes – do clássico à Pop Art e do Art Déco ao Kitsch –. a tendência formalista passou cada vez mais a rejeitar os princípios racionais do modernismo e valorizar a expressão criativa individual no design. RADICAL DESIGN Na área do desenho industrial. 9999 (1967) e Global Tool (1973). Superestudio (1966). inspirando-se no kitsch e no ecletismo histórico. entre outros. Marne-la-Vallée). citam-se os norte-americanos Michael Graves. usava cores ousadas e até ultrajantes. colunatas e arcadas.  A EURODOMUS 3. UFO (1967). tais como símbolos esotéricos e componentes kistch. Em seu livro Dopo l’architettura moderna (1984). PAOLO PORTOGHESI (1931-): Arquiteto e crítico italiano. Casa Papanice (Roma. Entre os expoentes estrangeiros. Charles Jencks e Peter Shire (1947-). o qual defende o uso de tecnologias locais na finalidade de se obter novas formas. utilizando decorações como catalisadores de reações fantásticas e empregando formas naturais e históricas. Piero Gatti (1940-) e Michelle De Lucchi (1952-). Além de do austríaco Ettore Sottsass (1917-2007). Städtisches Museum Abteiberg (1976/82. constata que arquitetura moderna como estilo de uma época ou expressão de uma civilização tecnológica morreu. Andrea Branzi (1938-). Viena). Mönchengladbach) e Museu de Arte Moderna de Frankfurt (1982/91). celebrada em Milão em 1970.  RICARDO BOFILL LEVI (1939-): Arquiteto espanhol. Através de grupos de Milão como o Studio Alchimia (1976/91) e o Gruppo Memphis (1981/88). Alessandro Mendini (1931-). ornamentação e ironia. A partir da atuação de grupos como os de Turim Strum (1963) e Libidarch (1971). “a arquitetura é uma ordem espiritual que se faz realidade ao se construir”. de bases brutalistas. Andorra). resgatando a relação do homem comn a natureza.  Com seu amadurecimento e difusão. pela maior reflexão histórica e consciência ambiental. Em suas obras. difundiu-se o pós-modernismo. Em escala e conceito. criando objetos provocadores. Remodelação de Les Halles (1974/77. 93 . recorrendo assim à história como fonte de inspiração. que pode se realizar em proporções exageradas. etc. suas principais características são a teatralização. 1970) e Esboços para o Centro Comercial de Vallo di Diano (1980). que iniciou seus primeiros trabalhos no final dos anos 60 como designer de interiores influenciado pela Pop Art. utiliza-se de uma ornamentação construída. suas obras encontram-se a meio caminho entre arquitetura e mobiliário. Paris). O RADICAL DESIGN foi um movimento teórico.  HANS HOLLEIN (1934-): Arquiteto austríaco. em sua opinião. o japonês Masanori Umeda (1941-). grafismo. Seu otimismo construtivo deve ser substituído. pois se prestam a um tratamento ornamental através da colagem simbólica de elementos e a intenção de criar um espaço desfrutável ao invés de um invólucro anônimo. 1997). politizado e experimental. dando mais ênfase ao visual e significado do objeto do que para seu uso. Procura dar novas funções a formas antigas. entre outros (TAMBINI. cuja principal característica é o ornamentalismo da produção massiva através de um estilo clássico monumental (Classicismo pós-moderno). simbolismo. que foi fundamental nas décadas de 1970 e 1980. como galerias envidraçadas. França) e Residencial de Abraxas (1978/82. seus maiores representantes italianos foram: Riccardo Dalisi (1931-). Algumas obras: Projeto de Xanadu (1968). Principais obras: Remodelação da Prefeitura de Perchtoldsdorf (1975/76). o espanhol Javier Mariscal (1950-) e o austro-italiano Matteo Thun (1952-). Para ele. Saint-Quentin-enYvelines. os de Florença Archizoom Associatti (1966/74). principalmente através de grupos italianos que exploraram o neo-historicismo. permitiu apreciar novas avaliações do sentido decorativo dos móveis e dos objetos de uso cotidiano com forte intervenção de designers e uma particular atenção ao delineamento global da sala de estar que pode ser considerada como o núcleo da vivenda moderna. trabalhando com ornamentos não-convencionais. o ANTIDESIGN propunha o design da evasão. Principais obras: Casa Baldi (Roma. Formando o Taller de Arquitectura com Anna Bofill Levi (1944-). a corrente pós-moderna formalista recebeu a denominação de RADICAL DESIGN ou Anti-Design. Agência de Viagens Austrian Airlines (1976/78. Residencial Les Arcades du Lac (1974/81. que tentava alterar a percepção geral do modernismo através de propostas e projeções utópicas. que desenvolveu importante papel como propagador de idéia. tridimensional. atacou o que se considerava de “bom gosto”. espontâneos e criativos marcados pelo decorativismo. 1959/60). o uso de curvas barrocas e a exibição de formas rústicas. Como projetista. Projeto para a Ponte de Meritxal (1974. busca significados extravagantes. Altamente crítico da tecnologia avançada e do consumismo. frontões partidos.

11  GAETANO PESCE (1939-): Arquiteto e radical designer italiano. Pastor & Colgan (1990). Defende que a arquitetura e o design são uma “representação da realidade e um documento dos tempos”. e Mies. aproximando-o dos gostos do usuário e da identidade com o ser humano.  Desenvolvimento de modos de controle e segregação (território da exclusão) 11. a circulação viária e a segregação funcionalespacial. Stern (1939-). em Montgomery AL. The Cotton District. 1968. Nos anos 80. depois de abandonar o Studio Alchimia de A. Mashpee Commons. Nos anos 90.  Reconstituição de ambientes do passado (uso de estilos múltiplos e grande variabilidade ambiental). perceptiva e simbólica de todo objeto ou espaço. em Orlando FL. Holanda). lugar. 1999). Mais tarde formou STUDIO ALCHIMIA (1976/91). excentricidade e ornamentalismo foram fundamentais na internacionalização do pós-modernismo. Serenbe. Entre seus produtos.  ALESSANDRO MENDINI (1931-): Arquiteto e designer italiano muito influenciado pelas teorias de Robert Venturi. que eram contra o esquematismo. The Waters. nos anos 50. criou a No-Stop City (1972). tais como: comunidade.  ANDREA BRANZI (1938-): Arquiteto e designer italiano que foi co-fundador em 1966 do grupo de Radical Design. introduzindo uma visão totalmente renovadora e desinibida do repertório industrial. baseavam-se em:  Criação de “realidades” agradáveis (fuga dos problemas urbanos). que nos anos 60 trabalhou com vários projetos experimentais de arte programa e cinética. destacam-se a: Poltrona de Proust (1978). quando criou a série de cadeira Up. produziu o sofá Century (1982). a Cadeira Dorifora (1984) e o Museu de Arquitetura em Groningen (1990. além de Gaetano Pesce (1939-) e outros. e Celebration Disney (1997). predominam a epiderme – a película sensual. Estabeleceu-se em Milão em 1979. a padronização e a supressão de valores culturais particulares em prol de modelos universais. Tal postura fez florescer nos anos 80 o NEW URBANISM MOVEMENT. além de Alexander. em Rockville MD. Outras obras: Golgotha Suite (1973). em Memphis TN. 1969). Massimo Morozzi (1941-) e Paolo Deganello (1940-). King Farm. Produziu muitas peças de mobiliário que tiveram grande influência (cadeiras Safari. Mendini. móveis e casas. reafirmando conceitos antes menosprezados pelos modernos. em Addison TX. Suas fantasias formais e seus desenhos converteram-se paulatinamente em objetos. criou um design mais racional para a Zanotta.  Tendo como seus maiores expoentes os arquitetos Andrés M. principalmente dos anos 80 em diante nos EUA. como Windsor Palms. Sofá Tramonto a New York (1980) e cadeira Umbrella (1992/95). Archizoom. principalmente pela necessidade de recuperar a capacidade significativa do design. Orenco Station. incorporando mitos e símbolos para ampliar o marco da liberdade do indivíduo. É conhecido pelo seu enfoque muldisciplinar. suas propostas – como Seaside FL (1981) e Kentlands MD (1988). em Gainesville FL.  Proliferação de comunidades fechadas criadas em pequena escala. entre outros pós-modernos. recebeu influências do Expressionismo Abstrato e da Pop Art. Duany (1949-) e sua esposa Elizabeth Plater-Zyberk (1953-). memória. expondo com o Studio Alchimia. propôs um desenho que desenvolvesse as potencialidades humanas mais além das necessidades técnicas. de Robert A. Addison Circle. Várias comunidades foram concebidas a partir destes pressupostos. a Cadeira Joe Colombo (1978). Essa corrente pós-moderna passou a defender a requalificação e a revalorização de áreas urbanas através do resgate de formas e traçados tradicionais. em Palmetto GA. Nos anos 60. Harbor Town.A. em Mashpee MA. aglutinador de todo tipo de experiências no campo do desenho formalista. da Merrill. em Hillsboro OR. 94 . destacase a Estante Suvretta (1982). em Starkville MS.). pois enfatizava a criação de áreas novas. M. Também chamado de Urbanismo Neo-Tradicionalista. Começou a produzir mobiliário em 1968. Entre seus trabalhos. criou a escola livre e experimental Global Tool. Loreto Bay.  Ênfase em questões como segurança. próximo a Orlando FL. Celebration. da qual participaram Sottsass e Branzi. em Canton MI. Em 1981. Criando formas vitais e lúdicas que opunham-se à frialdade da produção em série. identidade. a cadeira Animali Domestici (1985) e as cerâmicas para o Memphis. formas imaginativas em contraposição ao racionalismo e ao rigor funcionalista da Escola de Ulm. e Cherry Hill Village. conforto e tranqüilidade (sociabilidade vigiada). Em arquitetura. como a cadeira Niccola (1992) NEW URBANISM MOVEMENT Para seus críticos. Em seu trabalho. Seu aspecto vibrante. além de outros conjuntos urbanos. ETTORE SOTTSASS (1917-2007): Designer austríaco que foi o primeiro europeu a utilizar. Sottsass fundou em Milão o GRUPPO MEMPHIS (1981/88). uso misto e qualidade ambiental (ELLIN. tais como Haile Village Center. o modernismo teve sua parte de responsabilidade na deterioração ocorrida nas cidades contemporâneas. juntamente com Gilberto Corretti (1941-). em Loreto CA. a estante Magnolia (1985). que apresentou uma nova abordagem urbanística sobre a criação e a remodelação das comunidades norte-americanas. além de escrever artigos para a revista Casabella. suas idéias foram inspiradas por Jacobs e Lynch. nos EUA –. entre muitas outras (N. Em 1973.

materiais. essa vertente italiana contextualista voltou-se para o estudo morfológico da cidade. Inicialmente. seus defensores fizeram pesquisas de materiais e tecnologias tradicioniais. a maior atenção à forma e a recuperação da autonomia da arquitetura enquanto profissão. mas lhe dão uma concepção que ultrapassa à da Sociedade da Máquina. o que levou a um CONTEXTUALISMO RACIONAL que tentava explorar a contradição aparente entre uma geometria rigorosa – de bases classicistas – e o entorno cultural e/ou histórico. A TEORIA CONTEXTUALISTA não representa uma particularidade exclusiva do pós-modernismo. que se encontram no local onde a obra está inserida: trata-se do diálogo arquitetônico com o ambiente. menosprezados. o funcionalismo passou a ser analisado sem preconceitos e se teorizou sobre uma arquitetura que fizesse uma releitura provocativa e estimulante dos monumentos do passado. Ela defende uma arquitetura que associa elementos tradicionais e contemporâneos. utilizando formas. além de contribuir com inovações ligadas à própria identidade e heterogeneidade de cada sociedade. Trata-se de uma postura que outorga um lugar proeminente à TRADIÇÃO na qual se atua e o marco cultural geral do qual se situa a nova obra. Os italianos. mas sim como a superação dos seus próprios problemas. Considera-se PRÁTICA CONTEXTUAL a contaminação ou influência dos elementos e métodos típicos da linguagem moderna com elementos do repertório tradicional. as quais recaíram no Neo-Liberty. além da reutilização autônoma de estruturas antigas e uma exploração de “arquétipos” através de composições de uma ambigüidade substancial. o despertar de uma nova sensibilidade e a recuperação da TRADIÇÃO.  Existe assim uma convincente incorporação ao entorno e uma multiplicidade de elementos repletos de simbologias. e criando sua legitimidade formal (CASTELNOU. Preocupados com a conservação de fortíssimos traços da condição natural. mudaram a ênfase das questões ditas técnicas para as relações entre o espaço construído e a sociedade. graças à rejeição do reducionismo formal e material do modernismo (JENCKS. eles apóiam a reflexão histórica. preferindo uma arquitetura que dialogasse com seu entorno e sua comunidade local. texturas e cores para criar contrastes e combinações. não conseguiam reconhecer a beleza que existia no artesanato e na relação do homem com a natureza.  Para alguns. Os arquitetos contextualistas aceitam a sociedade industrializada. 2006). já em meados da década de 1960. Aos poucos. os contextualistas propõem soluções que se “encaixam” ao CONTEXTO. foram os primeiros a discutir a questão da presença histórica e suas relações com a arquitetura moderna. ocorreu a refutação das abstrações modernistas e do exotismo formalista. Mais tarde. através do Gruppo Nuova Tendenza. reafirmando e valorizando harmoniosamente a força e a integridade de cada elemento construtivo. é considerado uma revalorização da cultura arquitetônica. cultural e histórica. utilizando-se de materiais. cabendo aos pósmodernos o resgate do “prazer” da arquitetura como arte. ao antiformalismo e à abertura multidisciplinar. assim como da tipologia arquitetônica. técnicas e procedimentos tradicionais. sendo uma continuação das idéias do italiano Ernesto Nathan Rogers (1906-69). que defendia o neorealismo e a adaptabilidade à tradição do lugar e às pré-existências ambientais. além de releituras de formas e configurações urbanas.  Liderada por Aldo Rossi (1931-97).  A partir dos anos 60 e 70. 1997).17 CONTEXTUALISMO O PÓS-MODERNISMO CONTEXTUAL não se apresentou como uma teoria que queria substituir o formalismo. através da recuperação da presença histórica. em uma perspectiva mais cultural e abstrata. Contrários ao ahistoricismo. 95 . mas como se orienta de forma historicista. Se os modernos haviam se maravilhado com a indústria. tornando-se assim uma influência libertadora no meio profissional. não é também uma continuidade do modernismo.

a partir dos anos 70 e 80. etc. que deveriam ser captadas pelo arquiteto contextualista. Dando à tipologia um caráter mais instrumental. Seu livro L’Architettura della città (1966) classificava a cidade como um sistema espacial com experiência própria. Vittorio Gregotti (1927-) Arquiteto italiano que abandonou a temática do neorealismo (Neo-Liberty) no final dos anos 50 pela vontade de se opor à desagregação pluralista do modernismo. e Carlo Aymonino (1926-). outros teóricos vieram contribuir com seus estudos. que permitia a intrevenção em espaços já existentes. Luigi Snozzi (1932-). Aymonino concluiu que a cidade possui significado se puder ser encontrada uma relação precisa e homogênea entre sua forma urbana e a escala dos seus edifícios-símbolo (monumentos integrados na paisagem que são componentes validados pela experiência da cidade). Cerasi (1933-) e Manfredo Tafuri (1935-94). que são a máxima expressão da dimensão cívica e pública das cidades –. esforça-se em entender a arquitetura como fato cultural que se fundamenta na sua capacidade em intervir no território para propor uma prática de absorção de elementos regionais. Para ele. acreditando que as formas de intervenção deverão variar conforme a escala. Gregotti apresentou propostas mais concretas e intensas que muitos de seus colegas da Nuova Tendenza. Com base no neo-historicismo de Louis Kahn (1901-74). esta corrente firmou-se por meio de estudos sobre a maneira em que as cidades formavam vários binários que lhe davam legibilidade e identidade: a oposição figura/fundo no tecido urbano. O CONTEXTUALISMO intentava que a arquitetura voltasse a se situar entre os bens culturais do homem.  Com sua difusão internacional. praças. é que se pode conseguir compreender o verdadeiro significado das cidades e promover uma atuação conscienciosa. Seguindo a linha de Rossi.Promovendo um diálogo entre os conhecimentos tradicionais e os modernos. possível de ser aplicado nas áreas cinzentas da estrutura urbana. defendendo a reintegração do originário programa racionalista acrescentado pela preocupação contextual. Colin Rowe (1920-99). Basicamente. cuja forma não era apenas uma conseqüência da função.). com Territorio della architettura (1966). em seu âmbito físico. Enzo Bonfatti (1932-).  O pensamento de Aldo Rossi (193197) influenciou vários arquitetos italianos. 2007). em seu livro Collage City (1984). Projetando grandes conjuntos industriais e centros universitários. formal x informal. preocupava-se mais com a sua qualidade e diferenciava-se pelo seu conceito de desenho aberto. que passaram a aplicar suas idéias contextualistas em seus projetos. Em seu livro Territorio della architettura (1966). mas reflexo de condicionantes locais e culturais. embora sempre inovando e controlando o resultado enquanto produto arquitetônico. como: regular x irregular. Giorgio Grassi (1935-). com Il significato delle città (1975). entendendo-a como a criação de lugares significativos. Identificou 03 (três) disciplinas que auxiliariam o arquiteto: a geografia (descrição global de todas as partes que compõem um ambiente físico. sem atribuições estéticas). entre outros (CASTELNOU. tais como: Luigi Moretti (1907-73). 96 . bairros. Carlo Aymonino (1926-) Arquiteto italiano cuja importância está no estudo que fez das relações existentes entre as características morfológicas da cidade e as identidades tipológicas de alguns fatos edilícios (prédios. centro x periferia. mas Rossi foi o primeiro a admitir a impossibilidade de desenvolvimento do Neo-Liberty fixando-se em “um mundo rígido e de poucos objetos”. além de Maurice M. como Vittorio Gregotti (1927-). Concentrando seu estudo nas praças – os elementos formadores e espaços coletivos por excelência. deriva da relação entre a análise morfológica do conjunto e a classificação tipológica dos seus componentes. somente a partir de uma série de análises específicas. Franco Purini (1941-) e Massimo Scolari (1943-). Gregotti indaga-se em relação às dificuldades impostas pelas diferentes escalas ao projetar. Outro destaque foi a contribuição de Christian Norberg-Schulz (1926-2000). capazes de definir as transformações urbanas através dos tempos como testemunhas físicas de condicionamentos socioeconômicos. Em seu livro Il significato delle città (1975). Uma das suas mais fortes motivações consistia em projetar dentro dos gostos da comunidade. diz que o significado da cidade. procurou estabelecer uma relação entre morfologia e significado. Por exemplo. o NEO-REALISMO sublinhou a importância da memória histórica. etc. a morfologia urbana e a percepção ambiental (uma nova estruturação da paisagem a partiur de um processo operativo humano que afronta o espaço geográfico). Em paralelo. no sentido concreto e fenomenológico da palavra. que colocava a cultura do lugar (genius loci) no centro do processo projetual. verificando se estes poderiam ser avaliados enquanto constantes no tempo e nas diversas condições históricas. voltado a um método de análise do que à mera categorização. retomou a teoria dos contrates urbanos que colocava os monumentos em oposição a um pano de fundo e criou uma série de conceitos para nortearem qualquer intervenção urbana. levantou todas as dualidades existentes na cidade. Ithaca NY. a teoria contextualista serviu de crítica ao formalismo pós-moderno e encontrou novos fundamentos em uma vertente anglo-saxônica que se desenvolveu principalmente por meio dos estudos da Universidade de Cornell.

hábitos e arquitetura – que caracterizam um lugar ou cidade). Não se pode encarar a cultura regional de cada nação ou povo como algo dado e relativamente imutável. cujo objetivo principal é o de refletir e servir aos limitados elementos constitutivos em que se baseiam. através de estratégias de assimilação e reinterpretação do moderno. busca se opor à uniformização/unificação (padronização) da cultural geral. projetando do espaço externo para o interno. através de um novo sentido de urbanidade (urbano definido pela presença física de objetos que mantêm relações de continuidade entre si) e de contextualidade histórica. 2001). baseando-se na combinação entre centralidade e longitudinalidade. procurando harmonizar-se com ele. baseada na transformação volumétrica dos espaços interiores e na utilização autônoma de estruturas formais. tais como a memória. Ao mesmo tempo. tipologias e suas simbologias. c) Contaminação e distorção das formas a partir do contato com o entorno.  Subdividido em 02 (duas) vertentes – o cultural e o físico –. inicialmente explorando as potencialidades oferecidas pelo meio ambiente. Esta abordagem do espaço existiu desde os tempos romanos – para os quais nullus locus sine genio ("nenhum lugar é sem um gênio"). Deve-se compreender o contexto urbano. em uma soma não-aritmética do sítio com a história. provocativa e estimulante de monumentos. Ainda atuante. CONTEXTUALISMO CULTURAL Corrente pós-modernista que concebe o contexto como algo abstrato. 2002). b) Leitura original. intensificada a partir dos anos 70. propõe uma releitura provocativa e estimulante da paisagem. tem sua segunda versão. incentivado pelos programas de renovação urbana e de habitação social que proliferam na Itália nos anos 60. Norberg-Schulz reforça a idéia de que o principal objetivo do arquiteto é transformar um sítio em um lugar. além de buscar a criação de espaços que permitam a afirmação da identidade cultural. o qual estaria relacionado ao que governa um locus simbólico para determinada comunidade. d) Reitegração da imagem urbana. em especial devido à aspiração generalizada por uma forma de independência cultural.  Baseado no uso e transformação de FORMAS ARQUETÍPICAS (configurações arquitetônicas básicas extraídas do passado). econômica e política de determinadas sociedades em relação ao centrismo do processo de universalização (COLIN. 2004). mas sim algo que precisa.Christian Norberg-Schulz (1926-2000) Arquiteto. mantendo sua identidade no mundo globalizado. A ausência de estrutura ou elementos de referência leva à alienação do usuário: a identidade do usuário pressupõe a identidade do lugar em que ele habita. o termo REGIONALISMO CRÍTICO não se refere ao vernacular tal como era produzido antigamente pela interação combinada do clima. respondendo a ele e servindo de transição. sendo sua estrutura definida por nós. procura impor elementos e teorias invariáveis (atemporais). do mito e do artesanato como se produzia de forma espontânea. pelo menos atualmente. Partindo do pressuposto de que o meio influencia os seres humanos. o que resulta na absorção de elementos ou aspectos mais abstratos do entorno – diga-se culturais.  De acordo com FRAMPTON (2000). linhas e áreas. etc. assim como a construção de cidades. a da ARQUITETURA REGIONALISTA. porém identifica aquelas escolas regionais recentes. com forte vontade autoritária e racional São caraterísticas dessa vertente: a) Resgate da dimensão cultural da cidade. ou seja. seu caráter (o conjunto de características físico-geográficas e socioculturais – linguagem. substituindo o sistema de zonning moderno por relações de figura-e-fundo. a tradição em usos e costumes. transformando-os. Seus maiores expoentes são os seguintes: 97 . Manter qualquer cultura autêntica no futuro irá depender da capacidade de gerar formas vitais de cultura regional enquanto se apropria de influências estrangeiras. estas retiradas da geometria e da história. O encerramento seria a qualidade mais evidente do lugar artificial. através da continuidade visual-espacial. mas havia sido ignorada pelos modernos para ser retomada pelos pós-modernos. já que é “a cidade que produz a arquitetura e não o inverso” (ROSSI. resgatando em 1979 o conceito de Genius Loci (“espírito do lugar”). a convivência cívica e a conscientização política (MONTANER. teórico e historiador norueguês que foi aluno de Siegfried Giedion (1888-1968) e que propôs uma abordagem fenomenológica do ambiente e da interação entre lugar e identidade. da cultura. ser cultivado de forma autoconsciente. na qual se privilegia um mesmo tipo de arquitetura e. o CONTEXTUALISMO constitiui-se em uma corrente contrária à tendência de uma “civilização universal” (globalização). É justamente isto que a TEORIA REGIONALISTA se propõe.

Conn. aos poucos. recorrendo a seus conhecimentos pessoais. Residencial Friedrichstadt (1981/88. perfeito e atemporal. Richards Medical Research Center. New Hampshire EUA). realizando uma série de desenhos intitulada Casa Romana (1978/79). Conhecido como o ”poeta das instituições”. revolucionou a metodologia funcionalista. Eles mantêm uma relação física com o sítio (topografia.M. paisagens abandonadas e ambientes sinistramente vazios. Defendia uma metodologia de projeto em que se relaciona a obra aos monumentos.. Filadélfia). simetria. Nova Capital de Bangladesh (1962/74. Identificou diferenças entre as concepções de contexto nos europeus. geografia e paisagem natural).  Os latino-americanos têm com a cidade uma relação muito complexa e ambígua. fato urbano por excelência. a questão do contexto coloca-se de forma concreta (forma física da área onde se intervém). Entre 1947 e 1957. como Carlo Aymonino (1926-) e Giorgio Grassi (1935-). a beleza era determinada pela integridade. campo de relações quase matemáticas. entendia a arquitetura como a meditada construção de espaços que evocassem um sentimento de uso. através da releitura de suas formas e significados. e os edifícios eram espaços interiores em prol do bem-estar do homem (retomada do conceito de limite entre espaços). Autor de inúmeros ensaios e artigos. pois ao invés de partir da decomposição de funções. tomando-a como algo virtual e abstrato. sendo assim “deformada” e “adaptada”. o contexto nada mais é do que um sistema geométrico. Posteriormente. Seu principal interesse girava em torno da questão da moradia e sua relação com o contexto urbano. LOUIS I. com quem chegou a trabalhar. KAHN (1901-74): Arquiteto russoamericano formado na Pennsylvania. norte-americanos e latino-americanos:  Os europeus identificam-se com a cidade e. onde se tornou professor. 98 . Muratori e seus contemporâneos as preocupações historicistas. compactuando com Rogers. conformada por paredes de usufruto de todos. Veneza). a escolha arquitetônica partia de uma forma retirada do repertório da memória e da geometria elementar. mas têm mais liberdade de decifrá-lo nas suas leis constitutivas e tipológicas. Kahn foi professor na Universidade de Yale. Filadélfia. Dacca). principalmente os chamados grises (Robert Venturi. participando de muitos concursos nacionais e internacionais. feito de formas volumétricas puras e rigorosamente geométricas. Sua arquitetura caracterizou-se pela aguda sensibilidade das variações espaciais e do hábil manejo da luz. proporções e luz. a arquitetura seria a referência fixa da vida. Teatro Del Mondo (1979/80. Seu livro L’Architettura della città (Arquitetura da cidade. obra conjunta com Aldo Rossi. que é considerado o grande precursor do contextualismo norte-americano. tiradas da geometria através do filtro da história. sendo algumas de suas estruturas atemporais. Para ele. a praça era englobada pela rua. a forma adaptava-se às funções que deveria satisfazer (se o modelo não fosse compatível. publicou os livros Luogo e Progetto (1976). sendo um todoo inseparável. Maiores exemplos: Galeria de Arte de Yale (1951/53. Berlim). Para eles.  Os norte-americanos rejeitam a cidade. influenciando toda uma geração de arquitetos. Em suas obras. devido à paixão intelectual pelo rigor loosiano e miesiano. Kahn acreditava na unidade entre opostos e no diálogo entre técnica e estética. representando o poder e a harmonia entre homens. No urbanismo. Para ele. da Pennsylvania (1957/64. caminhou para uma rigidez geométrica cada vez maior. no qual procurava identificar imagens mentais da memória coletiva.  FRANCO PURINI (1941-): Arquiteto italiano formado pela Universidade de Roma em 1971. Biblioteca/ Refeitório da Phillips Exeter Academy (1967/72. Stern). podendo se transformar ao longo de distintas culturas. Charles Moore e Robert E. sublinhando aspectos como se quisessem desafiar a cidade. edifícios com identidade e volumetria próprias. defendia a definição de uma idéia sintética que desse origem à forma. Japão). Univ. Maiores obras: Cemitério de San Cataldo (1971/84. lembrando os desenhos de Massimo Scolari (1943-) e a estética de De Chirico (1888-1978): objetos ideais. Destaca-se a Residência de Estudantes em Chieti (1976/80). New Haven. Modena. Formulou um programa de redução baseado em formas elementais (arquétipos). traduzindo-as a partir de critérios de ordem compositiva e de abstrações das formas clássicas. perfeição. o ato de projetar era um ato criativo individual baseado em valores intersubjetivos e resultado de uma inspiração pessoal para determinada atividade humana. Assim. 1966) introduziu as preocupações contextualistas do pós-modernismo arquitetônico. Gênova) e Hotel Il Palazzo (1988/90. que era repensada em função das atividades que ali deveriam ocorrer. Itália). gerada pela desconfiança e temor no seu confronto. Trabalhou em conjunto com sua esposa Laura Thermes (1943-). Para ele. para eles. Alcune forma della casa (1979) e L’Architettura didactica (1980). dando um caráter quase ritual à operação compositiva. Teatro Carlo Felice (1983/91. incorporando a memória histórica e a tipologia urbana. feito de espaços determinados. Fukuoka. era necessário buscar uma nova forma). Para ele. também reformulou conceitos: via a rua como espaço comunitário. fazia referência a um mundo idealizado. onde se conservam fortes traços da condição natural.  GIORGIO GRASSI (1935-): Arquiteto italiano fundamentado na discussão neo-realista. New Haven CT).  ALDO ROSSI (1931-97): Arquiteto italiano inicialmente neo-realista que.

dedica-se somente a projetos. Bunker Hill Project (1980. Los Angeles CA). Paris Fr. Osaka). respondeu ao anonimato moderno através de uma arquitetura de referências. sacrificar sua identidade própria. através da renúncia ao efeito visual.  JOSÉ RAFAEL MONEO (1937-): Arquiteto espanhol tendo sido professor em Madrid. principalmente em termos tecnológicos. Os irmãos Krier defendem a criação de bairros ou distritos como unidades autônomas.) e paras as vias Condotte e Corso de Rione (1978. Entre os trabalhos de Rob Krier. Suas obras integram-se perfeitamente ao contexto sem. Zona Central e Jardim de Inverno de Niagara Falls (1976/78). San Sebastián). Lugano). Depois. trabalhou com VICTOR GRUEN (1903-1980) e. Banco Estatal de Friburgo (1977/82. A partir dos anos 70. Museu Alemão de Arquitetura (1979/84. buscava voltar à neutralidade de Mies. ao mesmo tempo em que usa metáforas a partir da reestruturação dos métodos de produção e dos elementos históricos ou contextuais. Museu de Arte Contemporânea de Los Angeles (1983). evoluiu para repetições de estruturas prismáticas. Principais obras: Pacific Design Center (1971/76. assim como mini-cidades dentro da cidade-mãe. iniciou trabalhando nas linhas brutalista e neo-expressionista. De 1968 a 1976. Em seu livro Arquitetura como tema (1982). Espanha) e o Centro de Conferências Kitakyuschu (1990. Complexo Residencial na Lützowplatz (1983. Traz de volta as axonometrias modernas frias e geométricas. cores e materiais.  ARATA ISOZAKI (1931-): Arquiteto japonês. West Hollywood. adotou fórmulas pós-modernas e um sentido historicista que o fez buscar nos elementos da arquitetura local a inspiração de algumas de suas obras. em 1977. Four Leaf Towers (1983/85. Centro Cívico de Tsukuba (1980/83). Londres GB). 99 . Suíça). Tem uma preocupação constante com “construir o lugar”. assim como restrições aos automóveis – optando por garagens subterrâneas – para priorizar as ruas e as praças aos pedestres. como um traçado mais orgânico.  OSWALD MATHIAS UNGERS (1926-2007): Arquiteto alemão em cuja obra. Ticino). Entre seus trabalhos. Centro Artesanal de Balerna (1977/79. Roma It. A partir do jogo inteligente de rasgos e aberturas. Berlim) e os Novos Bairros do Mercado Comum Europeu (1978. propõem o resgate de valores barrocos (dinamismo e variedade) e traçados neoclássicos de áreas verdes. Fortemente críticos ao modernismo. Fukuoka). a Prefeitura de Logroño (1976/81). destacam-se a Plaza de Toros de Pamplona (1966/67). no entanto. Hotel Berlim (1980). Buscando construções de boa qualidade técnica e preocupações de conforto ambiental. partem da idéia de articular espaços urbanos contínuos como volumes que fluem entre si e criam um entorno de edifícios visando a criação de ágoras. desde os anos 60. Londres GB) e os projetos particpantes dos concursos para o Parc de La Villette (1976.  MARIO BOTTA (1943-): Arquiteto suíço cuja obra apoia-se no gosto pela geometria pura através de um classicismo primitivo. Suíça). Combinando superfícies metálicas planas com pesados arcos de concretos. Espanha). assumiu a direção da Faculdade de Arquitetura da Yale University (New Haven. Luxemburgo). colocou que o prazer criativo estava na recombinação e transformação de temas. Barcelona e também nos EUA. indicadores de limites ou fronteiras. A partir de 1984. Seus maiores trabalhos foram: Convento dos Capuchinos (1976/79. e Casa Rotunda em Stabio (1981. Barcelona. reforçando suas bases racionalistas. NYC). o Ritterstrabe (1977/80. Casa em Preggassona (1979/80. aparecem as referências simbólicas do contexto. devido a sua convicção que a perda da cidade histórica só pode ser compensada pelas “cidades em miniatura”. Houston) e Canary Wharf Tower (1989/91. projetando edifícios formados por grandes volumes e superfícies nuas.). Suíça). Londres). Na década de 60.). tendo sido inicialmente influenciado pelos metabolistas. para depois questionar o contexto de seus edifícios. como nos projetos da Biblioteca da Prefeitura de Oita (1962/66) e no Ambiente Cibernético da Expo 70 (1966/70. Obras: Embaixada Alemã no Vaticano (1965). além dos terraços e galerias. Ampliação do New York Museum of Modern Art (1977/84). onde dirigiu a Escola de Design da Universidade de Harvard. tais como escalas. ROB (1938-) & LEON KRIER (1946-): Arquitetos britânicos que têm em comum a paixão pela cidade européia entendida como continum. unida à ênfase na qualidade de execução e na ordem geométrica. criou ornamentos abstratos. A partir dos anos 70.  CESAR PELLI (1926-): Arquiteto argentino emigrado para os EUA em 1950. Inicialmente. contornos. o Museo Nacional de Arte Romano de Mérida (1980/86) e o Edifício da Previsión Española (1982/87. Prefeitura de Gifu (1975/77). Assim. Principais obras: Museu da Prefeitura de Gunma (1971/74. Los Angeles). interferindo na ordem oriental. além de miolos de quadra públicos e semipúblicos. o Edifício Urumea (1969/73. Frankfurt).Identificando-se com o contextualismo racional. cujos elementos primários seriam a rua e a praça. destacam-se a Praça do Complexo Residencial de Tower Bridge (1974. Conn. Palau d’Esports Sant Jordi (1988/91. que foi aluno e depois trabalhou com Kenzo Tange (1913-2005). formal e politicamente. quando também abriu escritório próprio nesta cidade. Já as maiores obras de Leon são: as Royal Ment Square Houses (1974. Takasaki). Berlim) e Edifício da Administração da Feira de Frankfurt (1983/5). World Financial Center (1982/87. projeta a partir de referenciais do contexto. suas casas funcionam como marcos na paisagem. em uma tentativa inversa a dos monofuncionalistas. sua arquitetura caracteriza-se pelo respeito às condições topográficas e à sensibilidade regional. Absorveu elementos clássicos e formas plásticas do ocidente. em relação aos quais os monumentos exerceriam a função de pontos de referência. onde trabalhou no escritório de Eero Saarinen. Sevilla.

Para ele.  HELMUT JAHN (1940-): Arquiteto alemão emigrado para os EUA em 1966. como cornijamento e frontão. no Novo México. A partir da década de 1960. trata-se de uma teoria que busca resgatar valores antes ocultos pela prática moderna. como Frank Lloyd Wright (18671959). atuando principalmente na região sudoeste dos EUA. Phoenix AZ). além de relações geométricas e morfológicas. Kansas City MO). Berlim). d) Combinação freqüente entre os novos materiais industriais e muito da sensibilidade moderna. que são associados a práticas convencionais e até vernaculares. fundada por William Wilson Wurster (1895-1973). faz experiências com sistemas construtivos tradicionais. bem como a diversidade dos aromas e sons produzidos por materiais diferentes c) Ênfase em questões relacionadas ao conforto ambiental (iluminação. Houston TX). Marnele-Vallée. Hotel Santa Fé. composto por valores reais e concretos. ventilação. Contra o formalismo pós-moderno. 100 . as sensações de calor. umidade e deslocamento do ar. marcadas pelo uso minucioso e extremamente arquetípico de formas históricas. despontaram nas experiências da Bay Área School. Richard Neutra (1892-1970) e Rudolph Schindler (1887-1953). isolamento. perceptíveis através de técnicas e materiais. Sede da Rust-Oleum (1978. inclusive texturas. orientação. Southern Tower Bank (1982. o que favorece a realização da arquitetura como um fato tectônico – original e único –. já que tem consciência de que o ambiente pode ser vivenciado em outros termos. inspirando-se na arquitetura anônima e típica de determinada região. F. ANTOINE PREDOCK (1936-): Arquiteto norteamericano graduado pela Columbia University em 1962 e estabelecendo-se em 1967 em Albuquerque. Illinois State Center (1985. e) Emprego de elementos referenciais ao entorno próximo. tentando conectar presente e passado. MURPHY Associates em Chicago. a história e o vernáculo. Chicago IL).. Preocupa-se assim com a conservação de fortíssimos traços da condição natural e regional. Faz então uso de compenetrações de códigos sutis. contornos e cores. Foi aluno de Mies van der Rohe no I. não visa copiar formas do passado. aumentando a flexibilidade de seus projetos. etc. b) Valorização tanto do táctil como do visual. no sul da Califórnia. eixos de ordenação.T. tais como disposições espaciais. e na obra de Harwell Hamilton Harris (1903-90). Em seu trabalho. onde se estabeleceu em conjunto com a C. Zuber House (1986/89. São caraterísticas dessa corrente: a) Busca de efeitos emocionais através da continuidade das tradições. projetando alguns edifícios nos anos 60 com a conhecida expressão geométrica miesiana. Euro Disney (1992. associando-os a técnicas modernas. a força dos espaços e as qualidades abstratas. a relação com o lugar deve ser uma constante. as preocupações regionalistas já se mostravam no trabalho dos arquitetos organicistas. Pomona CA). que busca a relação do edifício com seu entorno. e não como a redução do ambiente a uma série de episódios cenográficos e/ou racionalmente ordenados. Chicago IL) e Sony Center (1995. Obras mais importantes: Nelson Fine Arts Center. Através do contextualismo. cores. Adotou finalmente uma linguagem variável. Arizona State University (1986/89.  Nos EUA. visando o barateamento e a “democratização” da arquitetura. Ligase a tendências nacionalistas que fazem a pesquisa de técnicas de construção alternativas. freqüentemente acompanhada de historicismo vernacular. as estruturas construtivas. mas sem o idealismo e objetivo liberal de melhoria social. transformando materiais e técnicas existentes no entorno. agenciamentos e formatos. Lecionou na UCLA e na California State Polytechnic University. e a incorporção da mão-de-obra local.I. não somente através da visão.  Baseia-se na TRADIÇÃO LOCAL. CONTEXTUALISMO FÍSICO Corrente pós-modernista que concebe o contexto como algo não-abstrato. Considerada como uma espécie de REGIONALISMO. técnicas construtivas e materiais naturais. além de símbolos que remetem a conteúdos históricos e culturais do sítio onde a obra se insere. interessa-se mais pelo conteúdo e espírito da história. opondo-se à tendência de substituir a experiência pela informação: tornase sensível a percepções complementares como os níveis de luz. Aos poucos. e usando-os nos novos edifícios como elementos. Principais obras: Kemper Arena (1974. foi abandonando a doutrina modernista para abraçar uma filosofia que valoriza o caráter intuitivo da criação racionalista. principalmente em renovações/revitalizações de centros históricos.). senão menosprezados em prol de uma arquitetura internacional e universal. Tempe AZ). possuindo alto sentido ecológico e procurando resgatando formas regionais de vida. mas sim o sentimento. França) e a California Polytechnic University (1993.

como resposta ajustada à paisagem campestre e marinha. o conjunto passa a impressão geral de ser do século XIX. formado em Oslo. Martorell (1925-). a partir da variedade ambiental com jogos de luzes e relação entre água e texturas. fornecendo segurança). o jogo de cores e o emprego de elementos naturais (rochas. da Schreiner House (1963. Apesar de ser contemporâneo. Hamar. com janelas de diferentes formatos e cores. principalmente na construção popular. além de empregar materiais reciclados. treinando mão-de-obra e realizando vários experimentos e sempre priorizando as condições climáticas e sociais da obra. que se tornou conhecido a partir do seu premiado projeto para o Pavilhão Norueguês na Exposição Internacional de Bruxelas. Edifício Nestlé. com cores e volumetria única. Fundamenta seus edifícios na configuração da topografia específica e na refinada textura local. Outro elemento contextual foi a criação de espaços semi-enterrados entre as casas e a rua. Suas obras caracterizam-se por uma volumetria pura com fluidez espacial. México). Quinta da Malagueira (1977. JEREMY DIXON (1939-): Arquiteto inglês que se caracteriza por uma arquitetura regionalista. e não somente formas simples. que já nos anos 30 defendia a aplicação de práticas artesanais e vernaculares. apoiando-se no legado de Antoni Gaudí e do modernismo catalão. Los Clubes (1964) e San Cristóbal (1968). criar terraços habitáveis. Outros fatores consistem em sua deferência para com os materiais locais. monótonas e absurdas.  LUCIEN KROLL (1927-): Arquiteto belga que conhecido por defender o chamado romanticismo social. Noruega). Colégio Thau de Esplugues (1972/74. telhado inclinado e esquadrias em madeira pintadas em cores). privacidade de pátios e ligação com os vizinhos. porém com preocupações mais contextuais. Utilizando-se da tipologia tradicional da casa geminada londrina num terreno estreito e profundo. Torres da Cidade Satélite (1957. isto é. Vila Conde). o que é acentuado pelo uso dos materiais tradicionais (tijolos refratários. fez ordenações pitorescas. reconciliando homem e natureza. como unidade da moradia e trabalho no mesmo lugar. P. etc. Sua obra mais famosa são as Casas Geminadas da St. áticos e balcões salientes. o artesanato e as sutilezas da luz local. Guadalajara) – passou a fazer. Entre suas obras. Recebeu o prêmio Pritzker de Arquitetura em 1997. tornou-se o diretor de arquitetura da Escola de Belas-Artes do Cairo. Leça da Palmeira). cujos projetos expressam um prazer estético incomum. a fluidez espacial. Nos anos 60. trabalha com Edward James (1939-). Vall d’Arán).   Principais obras: Casa Hereder. pátios internos e muros (Reforço a costumes latinos. Pode-se fazer um paralelo com o trabalho do catalão José Antonio Coderch de Sentmenat (1913-84). nos anos 50. Lambert (1974/76. Principais obras: Restaurante Boa Nova (1963.  LUIS BARRAGÁN (1902-88): Engenheiro mexicano. Casa do Arquiteto em Tacubaya (1947). Oriol Bohigas (1925-) e David Mackay (1933-). Res. a arquitetura era conceito. neoplasticismo e regionalismo. Em 1954. Cid.  ÁLVARO SIZA VIEIRA (1933-): Arquiteto português cuja obra caracteriza-se por um purismo ímpar a nível mundial. água. magia. Évora) e Faculdade de Arquitetura do Oporto. Inspirado pelos racionalistas. em 1958. em Kensington. Seu trabalho mantém um paralelo ao do inglês Ralph Erskine (1914-2005). de Mallorca). Esplugues de Llobregat (1982/87. Barcelona) e Casa Canovelles (1979/81. mais apropriada às condições econômicas locais.São estes os principais expoentes da arquitetura pós-moderna regionalista:  HASSAN FATHY (1899-1989): Arquiteto egípcio pioneiro no resgate da construção em barro cru (adobe). destacou-se através das obras do Pavilhão Nórdico da Bienal de Veneza (1962). ao mesmo tempo anônima e característica do lugar. Oslo) e do Hedmark Museum (1967/79. uma arquitetura como imagem de uma sociedade aberta e democrática com direito à participação coletiva. Preocupado com a história do lugar – como nas obras de La Paz y Colinas e Casa Gonzalez Luna (1929. cuja arquitetura adota e renova formas tradicionais. Bruxelas) e a Cidadela Francesa de Alençon (1982). GRUPO MBM (1962): Sociedade espanhola formada pelos arquitetos Josep M. fez uma disposição oblíqua e não perpendicular em relação à rua. segura de sua identidade cultural: de um lado a tradição da alvenaria catalã e do outro a influência do neorealismo italiano. surgindo como ato disciplinador do anarquismo que imperou nos anos 70. Barcelona). o qual já introduzia questões contextualistas. Para ele. Mark’s Road. surpresa e encantamento. usa desde traçados reguladores até ritmos. uma síntese entre cubismo. Sua obra tem um forte sabor regional. Barcelona). através da combinação entre poético e prático. Bloco Residencial Mollet (1983/87. sem excluir a forma racional e a técnica moderna. a partir de quando passou a divulgar a prática regionalista. Casa de Caxias (1970/72. destacam-se o Albergue Estudantil Wolluvé St. que se compõe dos Haras Las Arboledas (1961). Londres (1975/80). Entre suas obras na Cidade do México. Visando um projeto democrático. e Villa Escarrer (1985/88.). e explorando a pureza volumétrica. destacaram-se: Casa Figueroa (1940). Sua obra prima foi a Casa Gilardi (1980. que muda constantemente. superfícies brancas e formas puras. procurando criar uma arquitetura atemporal. c/Mathias Goeritz) e sua Trilogia Eqüestre. Tredós (1967/68. 101 .  SVERRE FEHN (1924-2009): Arquiteto norueguês. todos caracterizados pelas síntese de elementos modernos e tradicionais. Barcelona). denominados de “areas” ou pátios e que servem para a iluminação dos aposentos que estão no mesmo nível. Desde 1989.

através de vários mecanismos. mas não de ideologia.REGIONALISMO LATINOAMERICANO Nos últimos 50 anos. no caso da arquitetura.  A AMÉRICA LATINA pode ser entendida como uma vasta área de absorção e fusão cultural ibérica. Na verdade. Deve-se analisar o contexto físico. levando a um complexo de inferioridade e de rejeição cultural. ou seja. 102 Para GUTIERREZ (1989). assim como a sua própria realidade. conduzindo à negação da cidade como obra comum e à uma arquitetura caótica de especulação imobiliária. há o mundo vivencial e valorativo peculiar de seu povo. 1988). social. e suas relações com o projeto (qualidade criativa e programa funcional e técnico). por sedimentação histórica e questões culturais. De um lado. desde muito cedo. e) Produção de uma cidade elitista e exclusivista. é possível definir comose TRANSCULTURAÇÃO o processo de miscigenação que vem ocorrendo entre as culturas local e importada e que se baseia em estratégias de transferência. mas pode-se apontar caminhos como os possíveis para a valorização de nossa arquitetura:  Conhecimento de si própria. devido à utilização de critérios alheios de análise (teorias arquitetônicas importadas e/ou erocêntricas). Substituição da subjetividade por uma objetividade no estudo arquitetônico. nosso espaço e tempo marcados pela nossa paisagem. Diante deste quadro. a discussão contemporânea sobre a arquitetura latinoamericana vem girando em torno da questão de sua IDENTIDADE. a arquitetura latino-americana tem evoluído dentro de uma permanente tensão entre o chamado ESPÍRITO DO LUGAR (condicionantes locais) e o chamado ESPÍRITO DO TEMPO (época contemporânea). que é a da sua dependência cultural. a ARQUITETURA LATINO-AMERICANA é carente de teoria. não só formal. envolvem todos os corpos históricos em quaisquer lugares (BROWNE. segundo o tempo e a situação geográfica (folclore. indígena e africana – ocorrida entre os séculos XVI e XVIII –. segundo os críticos regionalistas. com seu ritmo próprio de desenvolvimento. Ambos constantemente se interagem entre si. que penetram no destino da humanidade e. político e cultural. mas sim alternativas de encaminhamento.). as quais variam conforme a criatividade e a diversidade de cada povo latino-americano. pois ao invés de ser um mero receptáculo passivo.    . em especial pela incompreensão de si. produzidos por modelos internacionais. cujo conceito está ligado à preservação do seu patrimônio arquitetônico e cultural. Isto originou diferentes configurações culturais e variou de acordo com a sucessiva dependência aos sistemas internacionais mercantis e industriais. Estudo da formação de nosso processo cultural. transformando-os para a obtenção de produtos culturais inéditos. c) Menosprezo das tecnologias ditas atrasadas. assumindo a condição de periferia e entendendo que não há regras ou métodos. no século XIX e XX. Revisão da história como processo acumulativo de experiências. marcando sempre nosso fazer arquitetônico. a América Latina promoveu recombinações inéditas de elementos pré-existentes com formas importadas. Ainda predominam as atitudes de importação de modelos comparadas às de resgate de nossa cultura. através da negação da participação e do pluralismo. mas também contextualmente. Essa MESTIÇAGEM CULTURAL transformou a discussão de nossa identidade cultural em tema constante da nossa história artística e cultural. que foi incrementada pelos fluxos migratórios europeus. adaptação e transformação. nas suas diversas regiões. abandonando a intuição e voltando-se a dados concretos. história e cultura. religião. etc.  As fontes culturais do mundo latinoamericano nunca chegaram a se fundir definitivamente em uma unidade completa e estável. e do outro. b) Adoção de modelos universais (formais e tecnológicos) que provocaram a negação do passado e a destruição de nossa paisagem (degradação urbana e ambiental).  Para os críticos regionalistas. mesclaram-se em grau e forma variáveis. os aspectos civilizatórios. analisando os mecanismos de conquista para se entender a construção de nossa cultura (fusão europeu/negro/indígena + contribuição de imigrantes).  Contudo. d) Desprezo de valores sociais e culturais. entre os quais: a) Importação de uma teoria arquitetônica que não contribuiu para a criação de algo autêntico e ligado à nossa realidade. nossa dependência cultural contribuiu para a perda de nossa identidade cultural. no decorrer de sua história.

que freqüentemente negavam a tradição histórica e até mesmo os usos e costumes locais. sem incorporar a modernidade como tema e as obras. segundo BROWNE (1988). assim como a adoção de estilos estrangeiros. representadas pelo MOVIMENTO NEOCOLONIAL ou NEOINDIGENISMO. teto plano. o choque artístico substituindo o conflito sócio-político e o interesse demonstrado pelos governos progressistas.18 ARQUITETURA LATINOAMERICANA A condição de colônia impôs à América Latina e Brasil a importação de modelos europeus. Na América latina. a situação da América Latina diferenciava-se do ambiente de vanguarda europeu. Assim. o que pode ser explicado pelo seu proclamado universalismo. Enquanto que na Europa ele foi resultado de uma longa gestação. Buenos Aires). caracterizado por revivais e por algumas referências aos estilos Art Nouveau ou mesmo Art Déco. que resultou no surgimento de estilos nacionais – como o Neozteca no México e o Marajoara no Brasil. 103 .  Estas 03 (três) residências foram consideradas obras introdutórias do então chamado ESTILO MODERNISTA ou Futurista. etc. a arquitetura moderna chegou como importação civilizatória. mas se desenvolvendo somente até o término da Segunda Guerra Mundial (1939/45). as correntes historicistas conduziram à difusão da arquitetura eclética em todos os países latino-americanos. seus principais líderes eram estrangeiros – ou nasceram e se formaram em seus países de origem – ou ainda passaram períodos na Europa entre 1927 e 1932. em volumetria pura. também tiveram de contornar os obstáculos regulamentares (decorativismo obrigatório) e as condições culturais (isolamento da rua por meio de muros. Entretanto. Praticamente. Além disso. Isto se tornou ainda mais evidente a partir do século XIX. telhado oculto).). a Nova Arquitetura introduziu-se na América Latina como estilo e não como movimento. até o final da década de 1930. todas construídas entre 1928 e 1930. devido ainda ao ECLETISMO generalizado. aqui. O MODERNISMO LATINO-AMERICANO começou a se desenhar em meados dos anos 20 e 30.  Mesmo com os processos de independência política gerados entre 1810 e 1825. obra de Alejandro Bustillo (1889-1982).  Casa Vilamajó (Montevideo).  Não existia aqui a tradição da ARQUITETURA MODERNA que havia na Europa nem uma sociedade que havia feito do progresso material uma das razões de sua existência como era o caso dos EUA. simetria parcial e sem pilotis:  Casa da Rua Santa Cruz (Vila Mariana. Nesse ambiente. Expressavam uma clara tensão entre os conceitos modernos (fachada nãoornamentada. teto plano) e tradicionais (fechamento por muros. São Paulo SP). inclusive o Brasil. que depois participou do projeto do prédio da ONU em Nova York (1947). com a imposição do Estilo Neoclássico em todas as áreas artísticas. a arte e a cultura mantiveram-se nos mesmos padrões coloniais. projetada por Gregori Warchavchik (1896-1972). na verdade. de Julio Vilamajó (1894-1948). onde ainda nem a industrialização havia se processado. Existiam sim sociedades tradicionais e agroexportadoras. à confusão eclética que ainda imperava nos países. arquiteto russo formado em Roma e fixado no Brasil. As primeiras casas modernas latinoamericanas aproximavam-se muito mais das obras de Adolf Loos (1870-1933) do que as de Le Corbusier (1887-1965). que durou dos finais do século XVIII até a Bauhaus. a discussão confundia forma e conteúdo. integravam-se.  Casa Victoria Ocampo (Palermo Chico. Além disso. com ares cultos ou folclóricos. apareceu inclusive uma preocupação de resgate das raízes arquitetônicas. formação acadêmica baseada no uso de simetria e eixos. na segunda metade do século XIX. pois eram muito simples e puristas.

como se enraizaram e em quê see recombinaram. ou simbólicas. entre os quais:  O uso de materiais tradicionais. a de obras públicas. adotou-se progressivamente o International Style.  A continuidade do uso de coberturas cerâmicas em várias águas. o ESTILO MODERNISTA evoluiu basicamente em 03 (três) áreas: a de casas unifamiliares. inclusive no Brasil.Na América Latina. preferiram se adaptar às condições socioeconômicas. 1988). fazendo alusões à arquitetura pré-colombiana. o risco de terremotos tornou raro o uso de pilotis. a eloqüência estrutural e tecnológica do BRUTALISMO LATINO-AMERICANO foi considerada propulsora do desenvolvimento de alguns países e não seu efeito.). era quase impossível abandonar os telhados cerâmicos em águas. em especial na sua versão regionalista. etc. O problema era justamente conciliá-los na prática.  Até a década de 1950. pergolados. lajotas. b)  No caso dos arquitetos regionalistas – os quais somente foram reconhecidos internacionalmente a partir da segunda metade do século XX –. técnicas e culturais de seus países. pois é importante saber de onde vêm todas as influências. principalmente através da criação de ambientes monumentais. que era um campo experimental mais fácil. tanto a nível social como cultural. voltadas para a infra-estrutura social ou representativas politicamente. Em alguns países.  Principalmente. corredores alpendrados e galerias ventiladas. etc.  O revestimento cerâmico (azulejos. mas havia as imposições locais.  O emprego de elementos vazados (cobogós. gelosias.) como regulador climático. em que se abriu para as tendências tardo e pós-modernistas. como ocorria na Europa e EUA. cuja eficácia havia sido comprovada através de gerações na construção popular. econômicas e sociais. houve sua internacionalização. por exemplo. evitando simultaneamente folclorismos ou indigenismos comuns ao ECLETISMO até então imperante. de superfícies ásperas e conotações ditatoriais. estes promoveram verdadeiras reelaborações a partir de seus elementos próprios da tradição colonial. cujas de maior repercussão foram o Brutalismo e o Contextualismo. Assim. mas indispensável. reconhecendo a condição pré-industrial de suas sociedades e a forte presença de um patrimônio arquitetônico e cultural. e a de edifícios para empresas privadas. não houve uma distinção muito clara entre racionalismo e organicismo: a maioria dos profissionais dos anos 30 e 40 tentaram adaptar sistemas construtivos e tipologias. Intensificação de referências culturais e contextuais. o REGIONALISMO CRÍTICO veio contribuir para uma tomada de posição em relação ao mundoe a si mesmos. a partir de 1936. Na arquitetura latino-americana moderna. amando os contrastes violentos e a psicologia do choque (acentuação dos elementos construtivos como forma de expressar tensões. A realidade local encarregou-se por si própria de impor limitações às suas aspirações e apareceram verdadeiras recriações regionalistas. muitos arquitetos da ÍberoAmérica pretendiam ser modernos e não europeus.  A criação de varandas exteriores. caracterizando-se por sua lógica funcional.  Servindo como um grande laboratório de experiências internacionais. à economia e à padronização. Por isto.  Foram vários os representantes dessa arquitetura do desenvolvimento. Devido às suas condicionantes políticas. Na sequência. que eram radicalmente distintas das européias. com telhas e amplos beirais. Entretanto. 104 . Seus pontos mais relevantes relacionavam-se às características: a) Emprego de uma estética que valoriza a força. de fortes traços tradicionais. Em alguns casos. resultando em sincretismos pouco profundos ou até mesmo em formalismos (BROWNE. muxarabis. vários líderes declaravam ver a necessidade de certo equilíbrio entre o espírito moderno e as condições do lugar. materiais e técnicas. os países da América Latina têm na pesquisa de suas origens a possibilidade de uma maior conscientização da população e dos profissionais de arquitetura e urbanismo. fazendoos surgir bem mais tarde. A incorporação de fatores como a mestiçagem cultural e a permeabilidade às influências externas no estudo da arquitetura contemporânea latino-americana é uma tarefa complexa. especialmente a madeira e o tijolo aparente. inclusive semi-artesanais). Todos os pioneiros buscavam aproximar-se ao máximo das normas ou modelos europeus. converteu-se em pura retórica. universalismo espacial e ênfase tecnológica. a exigência climática de varandas ou o revestimento em azulejos. Em outros casos. assegurando um bom ajuste ao meio e aproximando-os das preocupações modernas em relação à funcionalidade. pastilhas.

Frida Kahlo (1907-54). 13 A Revolución Mexicana foi um movimento armado que começou em 1910 com uma rebelião de bases socialistas. que derrotou o socialista Salvador Allende (1908-73). que permaneceu como ditador até 1990. produzindo em 1917 uma nova Constituição para o país. liderado pelo general Augusto Pinochet (19152006). liderada por Francisco I. CHILE Durante a Primeira Guerra Mundial (1914/18). o Chile viveu um período de prosperidade. Nos anos 70 e 80. na simplicidade da composição e na abstração. Entre seus trabalhos.  JUAN O’GORMAN (1905-82): Pintor e arquiteto mexicano que foi um dos introdutores da arquitetura corbusieriana no México. além do gigantesco painel. o que levou a prolongadas lutas. mantiveram o vigor da linha brutalista através de referências culturais muito fortes. as quais vieram acompanhadas de muito nacionalismo e representadas por arquitetos como José Villagrán Garcia (1901-82). Cid.MÉXICO A Revolução Institucionalista Mexicana (1910/17) favoreceu a difusão e afirmação das tendências modernas no país. da Biblioteca Central da UNAM. México) e Museu Rufino Tamayo. Na UNAM. Tendo participado no projeto do campus da UNAM (1949/51). a Casa Tomas Bay (1938). em 1949/51. Sua obra de destaque foi a Casa-Estúdio de Diego Rivera e Frida Kaho. edifícios públicos e planos urbanos. sendo apoiados pelo Estado. política e nacionalista. o Hotel Plaza (1945). destacando-se a poesia de Pablo Neruda (1904-73). da qual foi diretor. obra de Gustavo M. o general Ibánez Del Campo retornou à Presidência do Chile. Após o período das presidências do Partido Radical (1938/52). Na sequência. 12 12  MARIO PANI DARQUI (1905-82): arquiteto e urbanista mexicano que propagou o racionalismo em uma coleção de obras entre os anos 30 e 60. entre os quais: David Alfaro Siqueiros (18961974). que ganhou o Prêmio Nobel da Literatura em 1971. mas que foi seguida por outros focos de revolta até meados da década de 1920. Esta Revolução desencadeou a criação do Partido Revolucionário Nacional em 1929. o Centro Urbano Presidente Alemán (1946) e o plano da Ciudad Satelite (1954). Cid. juntamente com os arquitetos modernistas Enrique Del Moral (1905-87). sociais e políticas. Saavedra y Juan Martínez de Velasco. INFONAVIT (1973. graças a sua atividade acadêmica na Escuela Nacional de Arquitectura da UNAM. Na pintura. graças a dificuldades econômicas. ambos com Alfonso Liceaga e Xavier García Lascuraín. tendo participado do Plano-Diretor da Cidade Universitária da UNAM. sendo posteriormente influenciado pelo organicismo. Diego Rivera (1886-1957) e sua esposa. Sucederam-se presidências radicais. além de outros projetos no México e também na Venezuela A renovação arquitetônica mexicana deu-se graças às experiências de Luis Barragán (1902-88). de inspiração précolombiana. citam-se:  José Villagrán Garcia (1901-82): Arquiteto mexicano que é considerado um dos maiores difusores no funcionalismo em seu país. e apresentando obras monumentais. realizadas entre 1949 e 1954. a arte devia ser universal com características locais. mas foi deposto por um Golpe de Estado em 1973. testemunhadas principalmente na construções da Universidad Nacional Autónoma de México – UNAM. de superfícies ásperas e conotações historicistas (Teotihuacán e Monte Albán). México). a renovação surgiu a partir de 1920 com o chamado MURALISMO. realizou uma série de escolas. Universidade Pedagógica Nacional (1980. as quais aumentaram a intervenção estatal na 13 Economia até 1952 . representada através do rigoroso trabalho de vários artistas. escolas. todas na Cidade do México: o Hotel Reforma (1935).  O MODERNISMO nas artes floresceu justamente neste período. Para eles. sendo sucedido em 1958 por Jorge Alessandri (1896-1986). uma arte popular. além de sua atenção como projetista. que garantia direitos e reformas liberais e social (Reforma Agrária e Leis Trabalhistas). 105 . influenciada pelas correntes cubista e expressionista. Zabludovsky e González de León fundaram uma corrente arquitetônica consumada no México baseada na honestidade do material. Juan O’Gorman (1905-82) e Mario Pani Darqui (1911-93). incluindo moradias. mas isto não foi mantido nos anos 20. também projetou o Prédio de Arquitetura e o Museu Universitario de Ciencias y Artes – MUCA. realizada em 1927. que serviram de marco para uma arquitetura culturalmente consciente. seguidas pela atuação brutalista e conjunta de Abraham Zabludovsky (19242003) e Teodoro González de Léon (1926-). Madero (1873-1913) contra o governo autocrata do general Porfirio Diaz (1830-1915). Fez o projeto pioneiro do Sanatório de Huipulco (1929). que culminaram com um Golpe Militar em 1927 e a tomada de poder pelo general Carlos Ibáñez del Campo (18771960). hotéis. devido à exploração de suas riquezas minerais (cobre e nitratos). Allende tornou-se presidente somente em 1970. Dos arquitetos modernistas. destacaram-se as seguintes. o qual deteve o poder até as eleições de 2000. Cid. José Clemente Orozco (18831949). México). Parque Chapultepec (1980. antecipando traços do contextualismo e do minimalismo. Principais obras: Embaixada Mexicana em Brasília (1973). Mario Pani (1911-93) e Domingos García Ramos (1911-). rebatizado em 1946 como Partido Revolucionário Institucional – PRI.

Harris (1984). junto a sua terceira esposa. em pleno segundo pós-guerra. voltando quando o peronismo foi novamente legalizado. Com sua morte. todas em Santiago do Chile: Casas na Calle Charles Hamilton (1974). o que promoveu vários desenvolvimentos. além da cidade serrana de Temuco. Quando o peronismo estava no poder. introduziu inovações em Santiago e nos balneários litorais de Viña Del Mar. em Palermo Chico. que ingressou no MIT. além de ministrar cursos em Nova Orleans (EUA) e Calcutá (Índia). foi sucedido pela esposa. que realizou o Edifício Oberphauer (1930. produziuse. Eva Perón (1919-52). todas obras em Buenos Aires. entre os quais a transformação das universidades em motores de mudança social. as Hospedarias de Castro e de Ancud (1962. agravados com a crise mundial e prolongados até a II Guerra. Evolui da prática racionlaista até a incorporação de materiais tradicionais e regionais. autodenominado Proceso de Reorganización Nacional. Também lecionou na Universidad de Chile. 14 É autor do livro Otra arquitectura en America Latina (1988). Influenciou muitos arquitetos latino-americanos através de suas obras. conheceu e trabalhou com Waltyer Gropius. onde trabalhou com Le Corbusier e fez cursos com Theo van Doesburg. os Estúdios de TV da Universidade Católica (1982).  Em 1946. viajou para Paris. a arquitetura chilena abriu-se para as referências contextuais e surgiram vários arquitetos que tentam resgatar valores nacionalistas e democráticos. Assim. Pós-graduado em Harvard. de traços brutalistas e contextualistas. destacaram-se Sérgio Larraín García Moreno (1905-). Chiloé) e o Ministério do Trabalho de Santiago (1970). uma grande prosperidade argentina. no qual destaca a possibilidade de uma linha arquitetônica latino-americana diversa das importadas. entre outras. Santiago). Reñaca) e Paróquia Santo Toribio (1940.Entre os arquitetos modernos. a Casa La Cerda (1938. liderado por Eduardo Lonardi (18961956). Suas obras mlodernas de destaque foram: a Casa na Calle Aribeños (1935) e o Edifício Kraft (1937/39. além de Emilio Duhart (19172006). entrando em contato com o grupo De Stijl. que leve em consideração as condições locais e culturais desses países. Nove de Julio (1936). Las Condes). De volta ao Chile em 1933. Em 1930. explorando as condições locais em seus projetos. Las Condes) e a Casa Zapallar (2002). ARGENTINA Os argentinos viveram um período próspero e democrático no início do século XX. entre os quais: o arquiteto Alejandro Bustillo (1889-1982). encabeçou um movimento político e marcado pelo acento na justiça social (Peronismo ou Justicialismo). assim como os precursores da arquitetura moderna. em Cambridge MA. a Casa caracol (1985. o Teatro Gran Rex (1937) e sua casa em Vicente López (1939). na Universidad de Chile. Lecionou também no London Polytechnic e no ITT. a Casa na Calle P. foi diretor do Facultad de Arquitectura da Universidade Nacional de Tucumán. especialmente o uso de pátios associado à técnica de tijolos. vigas protendidas e fechamentos em concreto. autor da primeira casa racionalista no país (Casa Victoria Ocampo – 1928/30. inclusive derivando para o folclórico. crescimento progressivo e tecnologias intermediárias. o governo começou a ter dificuldades políticas e um golpe militar. ingressando nos estudos de arquitetura em 1917.  EMILIO DUHART HAROSTEGUY (1917-2006): Arquiteto chileno formado pela Universidad Católica de Chile em 1941. houve greves e problemas econômicos nos anos 20/30. principalmente com o fim da longa Ditadura de Pinochet (1973/90). depois de outro golpe em 1973. Buenos Aires). e Roberto Dávila Carson (18991971). Santiago). culminando com um sucessão de golpes e 14 um longo período ditatorial (1966/83) . Suas obras de destaque. entre os quais Ricardo Judson e Ricardo Claro Cruz. considerando as características sísmicas do lugar. formado na Universidad de Buenos Aires em 1932 e pós-graduado nos EUA em 1945. o qual criou muitas críticas.  ENRIQUE BROWNE (1942-): Arquiteto chileno pela Universidad Católica de Chile (1965). em Cambridge MA. De volta ao seu país. Contudo. o Colegio y Iglesia de Villa Maria (1992. e o arquiteto Alberto Prebich (1889-1970). o engenheiro e arquiteto Antonio Ubaldo Villar (1889-1966). Na Argentina. Contudo. com as eleições de 1983. além de espaços semi-cobertos. com o Edifício Club Hindu (1932) e suas casas em San Isidoro (1936/97. Obras de destaque: Casa Flores e Restaurante Cap Ducal (1936. foi eleito o presidente Juan Domingo Perón (1895-1974) que. como pesquisador (1969/75). passou a publicar vários artigos e trabalhar com colaboradores. tais como a Sede da CEPAL (1960/66. Buenos Aires). Reñaca e Concón. conhecido por seu Obelisco na Av.  EDUARDO SACRISTE (1905-): Arquiteto e professor portenho. graças a suas exportações de carne e grãos às potências européias que se encontravam em debilidade econômica. Perón exilou-se na Espanha. debates e lutas pelo poder. os artistas de vanguarda tiveram suas bases também na Europa. c/Rogelio Di Paola). ocorreu em 1955. o qual iniciou uma fase de grande repressão. Algarrobo. Santiago do Chile) e a Escuela Naval Arturo Prat (1957/58). o Centro Comercial Vitacura-Manquehue (1980). na época quando o modernismo finalmente aportou no país. Viña Del Mar). ambos em Buenos Aires Nas últimas décadas do século passado.  ROBERTO DÁVILA CARSON (1899-1971): Arquiteto chileno que viveu na Áustria até a I Guerra Mundial. A partir de então e até 1960. na qual s etornou professor e que explorou a tecnologia de alta sofisticação. associando-os a elementos neovernaculares. 106 . cujo governo foi marcado pela deterioração política que levou a mais um golpe em 1976. este último discípulo direto de Le Corbusier. Utilizou-se da tipologia de pátios centrais. A democracia argentina somente foi reestabelecida com Raúl Alsonsín (19272009).

Uruguai). José P. graças à sua liderança na Facultad de Arquitectura – UdelaR. Reconstrução do Queens Museum (1994. o Edifício Residencial na Calle Rodríguez Peña (1978. Batlle y Ordónez (1856-1929). ele ganhou o concurso internacional para o projeto do Tokyo International Forum. Entre os anos 30 e 40. . da Universidad de La Republica. pelo seu isolamento termoacústico. La Pampa). completado em 1988. Banco de Londres (1959/66. ESTUDIO DE ARQUITECTURA (1964): Grupo de seis arquitetos argentinos que defendiam a prática contextualista. construído até 1996. c/Francisco Bullrich e Alicia Cazzaniga de Bullrich). considerados pela crítica como vanguarda latino-americana. como elemento de vedação. por sua textura e durabilidade). Construiu nos anos 90 vários CPC’s (Centros de Participação Comunal) na Argentina. Entre os trabalhos de Testa. 15 O primeiro projeto de Vigñoly em Nova York foi o John Jay College of Cfriminal Justice. e como material de revestimento. destacaram-se: o Centro Cívico e Terminal Urbano de Santa Rosa (1955/63. Montevideo. até sua morte em 1935.   ELADIO DIESTE (1917-2000): Engenheiro uruguaio com grande sentido de formas. contribuíram para sua desestabilização. o Edifício CASFPI (1981) e o Edifício Reconquista (1981). apresenta uma arquitetura de pureza geométrica e volumes sólidos. interessados em explorar a técnica da cerâmica. B. na qual reuniu muitos discípulos racionalistas. Justo Solsona. No ano seguinte. caracterizando-se por uma prática de associação entre a arquitetura de qualidade tecnológica e o contexto cultural. dotado de uma legislação social avançada e característica (Batllismo). e o Conjunto Terrazas de Manantiales (1981. Brown University (2002. Montevideo) e a Hospedaria El Ventorillo (1943. usada de três maneiras básicas (como elemento estrutural. Punta de Este. Bronx Housing Court (1997. Bronx NYC). tanto que passou a ser conhecido como "A Suíça da América". Suas obras mais destacadas. edifícios. 107 Consolidada a democracia. foram: a Igreja de Atlântida (1958). que pôs em prática uma política externa agressiva e foi deposto em 1908 por Juan Vicente Gómez (1857-1935). Seu projeto premiado no concurso de La Pampa. Queens NYC). armada com aço. RAFAEL VIGÑOLY (1944-): Arquiteto uruguaio que estudou em Buenos Aires. que explorava as possibilidades estruturais ou expressivas da cerâmica. quando uma crise atingiu o país e. Entre suas melhores obras. Aires. construiu um Estado moderno. participando do Estudio de Arquitectura até os anos 70. sem esquecer de adaptar as soluções às condições do entorno. houve um Golpe de Estado e passou-se a viver sob um 15 regime militar até fevereiro de 1985 . revestido de um caráter constitucional e democrático. destacam-se: a Argentina Televisora Color – ATC (1978). Villa Serrana). a Facultad de Engenería (1935/38. o Uruguai alcançou altos níveis de bem-estar. é considerado a primeira obra brutalista da Argentina. o qual se manteve no poder por 27 anos. Projetou residências. a Iglesia de N. iniciou-se a exploração das jazidas de petróleo venezuelano. todos em Buenos Aires. Outras obras de destaque: Banco da Cidade de Buenos Aires (1968). em 1922. Montevideo). democrático e leigo. que. destacando-se sua casa própria (1928/30. Javier Sánchez Gómez. graças aos altos índices sociais e a estabilidade política. com forte caráter contextual. abrindo definitivamente seu escritório em Nova York em 1983. Sendo professor nas universidades de Córdoba e Buenos Aires. foi convidado a lecionar na Washignton University e depois em Harvard GSD. Seus componentes eram: Flora Manteola. EUA (1966/67). Santa Rosa. comparados aos europeus. fez mestrado em Desenho Urbano na Pensilvânia. o que acabou conduzindo ao Golpe do prersidente Juan María Bordaberry (1928-). Em 1978. Finalmente. expressando majestade em obras de concreto aparente e fachada dupla. título que perdurou até os anos 60. Este sistema de prosperidade perdurou até os anos 70. Providence RI) e Edifício Acqua (2008. Seu trabalho influenciou toda uma geração de latinoamericanos. sua firma foi uma das finalistas na competição pelo novo World Trade Center. Carlos Sallaberry e Rafael Vigñoly (1944-). Foi durante seu governo.Pedro de Durazno (1968) e do Depósito Herrera & Obes (1980). de origem napolitana. a escassez de recursos minerais e energéticos. o maior nome foi o arquiteto Júlio Vilamajó (1894-1988). a carência de tecnologia e a queda do preço da lã e carne no mercado internacional. que trabalhou através de um brutalismo pessoal. VENEZUELA A Venezuela começou o século XX sob a ditadura de Cipriano Castro (1856-1924). c/Héctor Lacana e Elena Acquarone). que impôs a Ditadura Militar (1973/85). Josefa Santos.  URUGUAI Após a completa independência e organização como país no século XIX. escolas e hotéis. S. Porém. de Lourdes de Montevidéu (1967) e as remodelações da Iglesia S. T. graduado em 1965 pela faculdade de Arquitetura da Universidade Nacional de Córdoba. na Argentina.  MIGUEL ANGEL ROCA (1940-): Arquiteto argentino. e Biblioteca Nacional de Buenos Aires (1962/84. presidente uruguaio de 1903 a 1907 e de 1911 a 1915. em 1973. CLORINDO TESTA (1923-): Arquiteto argentino. Buenos Aires). Uruguai). com a textura rugosa do concreto. todas no Uruguai.

embora nascido em Paris.  Como ocorria nos demais países latinoamericanos. da Universidad Central de Venezuela.  Em 1930. que somente aconteceria no segundo pósguerra. e a Reforma Constitucional de 1968. o Estádio Olímpico (1952) e o Auditório Aula Magna (1952). Residencial El Parque (1970. BRASIL Após o pioneirismo da Semana de Arte Moderna (1922. destacando-se inclusive os paulistas que incorporaram algumas das preocupações organicistas: Rino Levi (1901-65) e Osvaldo Arthur Bratke (1907-97). Com seu retorno.  CARLOS RAÚL VILLANUEVA (1900-75): Arquiteto venezuelano nascido em Londres. recebeu a incumbência do projeto da Ciudad Universidad de Caracas. Trabalha artesanalmente com a estrutura em pilotis de madeira lavrada com piso em pranchões e cobertura com troncos. que defendia a arquitetura que transcende o fato construtivo e torna-se significativa para a comunidade. Affonso E. Fundacion San Cristóbal. Superintendência do Porto Livre de Manaus (1971). promovida por Lúcio Costa (1902-98). o país se abriu para novidades. uma revolta militar retirou Gallegos do poder. Também foi fundamental a contribuição do paisagista caiorca Roberto Burle Marx (1909-94). Bogotá). entre 1948 e 1953. Com o Golpe de 64 e a instalação da Ditadura Militar. Suas obras de destaque em Caracas foram: o Museo Bolivariano (1931). responsável pela difusão do racionalismo no Brasil. Villanueva passou do INTERNATIONAL STYLE para uma arquitetura marcada pelo virtuosismo tecnológico e pela flexibilidade espacial. pedra e abóbadas de tijolos. ocorrida na segunda metade do século passado. ano em que o governo democrático foi retomado. escalonamentos. Paulo Mendes Da Rocha (1928-). instalando-se a ditadura de Marcos Pérez Jiménez (1914-2001). considerado o maior arquiteto venezuelano do século XX. João Vilanova Artigas (1915-85). a qual durou até 1958.  ROGELIO SALMONA (1929-2007): Arquiteto colombiano que trabalhou com Le Corbusier entre 1949 e 1958. Principais obras: Residencial El Polo (1960. considerada sua obra máxima. Campus da Universidade do Amazonas (1973) e Casa do Arquiteto (1974). cujos maiores expoentes foram: Lina Bo Bardi (1914-98). o Bairro El Silencio (1945) e os edifícios da Ciudad Universitária de Caracas (1944/57). pioneiro na discussão funcionalista no país que sempre defendeu a conciliação entre os ideias modernos e a tradição nacional. onde ficou até meados de 1937. combinando-o com características do meio físico e cultural onde se localizaria a obra. tais como o Hospital Universitário (1946). Bogotá). explorando as condições climáticas e aproveitando a habilidade e intimidade do caboclo com o manuseio das madeiras da região. pérgolas de madeira. Logo. a arquitetura moderna brasileira inclinou-se para o debate das massas em concreto armado e empenho tecnológico. COLÔMBIA Foi apenas em 1930 que terminou a hegemonia conservadora existente no governo colombiano desde 1886. arquiteto brasileiro. os arquitetos: Oscar Niemeyer (1907-). As eleições livres ocorreram na Venezuela no final de 1947. Nova Friburgo RJ). Procurou romper a monotonia racionalista. e fazendo uma reinterpretação expressionista. 108 . Bogotá). Rio de Janeiro) ou no Hotel do Parque São Clemente (1944. Reidy (1909-64) e os irmãos Marcelo (1908-64) e Milton Roberto (1914-53). Esta corrente encontrou representantes em todos os grandes centros. 16 Em 1953. Residencial Alto Los Pinos (1981. regressando à França para concluir seus estudos. Bogotá (1965).  SEVERIANO MÁRIO PORTO (1930-): Arquiteto mineiro formado no Rio de Janeiro que é considerado um dos expoentes do Regionalismo arquitetônico no Norte do país. Principais obras em Manaus AM: Sede Administrativa da Portobrás às margens do Rio Negro (1963). entre vários outros (BRUAND. porém logo a democracia venezuelana receberia novos abalos16. houve a tentativa de reforma do ensino da Escola Nacional de Belas-Artes do Rio de Janeiro. Pertenceram à ESCOLA CARIOCA. a ARQUITETURA MODERNA somente pôde ser implantada após a industrialização. como exposto na Casa Roberto Marinho (1937. Bogotá) e Hospedaria de Colômbia (1981. graças a Rómulo Betancourt (1908-81). Carlos Milan (1927-64). Seu precursor foi Carlos Raúl Villanueva (1900-75). o Museo de Ciencias (1934/35). entre outros. Tarumã-Açu AM) e a Pousada na Ilha de Silves AM (1979/83). Cartagena de Índias). que estudou em Paris e conheceu a Venezuela somente em 1928. quando o Partido Liberal tomou o poder. usando a cerâmica como material predominante. Seus pontos fortes foram o uso da cerâmica em arremates quebrados. Depois de uma recaída conservadora. produzindo um moderno amaneirado. além de uma volumetria baixa e variada com pátios centrais e espelhos d’água. levando ao poder o escritor e político Rómulo Gallegos Freire (1884-1969). nitidamente brutalista. o modernismo somente pôde se afirmar entre 1930 e 1946. Do decorrer de seu trabalho. Joaquim Guedes (1932-2008) e Ruy Ohtake (1938-). o Museo de Bellas Artes (1935/38). incluindo uma rica experimentação contextualista. outros generais o sucederam no poder em um período de transição para a democracia. o modernismo arquitetônico efetivou-se somente após a Revolução de 1930 e o governo progressista de Getúlio Vargas (1881-1954). São Paulo SP) e das obras de Gregori Warchavchik (1896-1972). Automobil Club de Colômbia (1972. cuja construção começou em 1940 e foi até 1954. além da Casa Robert Schuster (1978. destacando-se aqui a ESCOLA PAULISTA.Após a morte de Vicente Gómez. 2002). considerado o “pai da democracia venezuelana”. curvaturas e superfícies com luzes e sombras.

dão continuidade ao INTERNATIONAL STYLE. o TARDOMODERNISMO voltou-se para a tecnologia.  Os arquitetos ultramodernista. 1995). 1999). 109 . 1980). O Movimento Moderno (1915/45) desenvolveu uma nova tecnologia e corpo de regras para legitimar seus edifícios. Enquanto que. Consistiu em uma corrente que defendia um realismo expresso através dos detalhes da sociedade industrial em constante transformação. para os tardomodernos. Assim. respeita a linguagem e as teorias dos seus predecessores. prosseguindo a pesquisa moderna de atualização de métodos e renovação de processos. A partir dos anos 60. mecanizada e abstrata. os arquitetos estavam quase libertados de dogmas. a preocupação crítica deve-se concentrar na relação entre a imagem (aspecto visual) de um edifício e sua realidade. mas podendo alcançar a sutileza da simplicidade ou surpreender mediante a descontinuidade e a autosuficiência (JENCKS. Mantém assim o compromisso com a estética unificada e exclusiva – a Estética da Máquina –. inspirada na sociedade industrial. da Antigüidade egípcia até o século XIX. entre arquitetura e tecnologia. os tardomodernos propõemse a explorar as novas possibilidades da tecnologia contemporânea. tantos de projeto como de execução (materiais experimentais e metodologias computacionais) (DREXLER. ao invés de negá-lo. já que tal condição só pode ser fornecida pelo próprio trabalho do arquiteto dentro de determinadas regras da arte. a partir da década de 1960. assim como também fala em funcionalidade e tecnologia industrial.19 TARDOMODERNISMO O TARDOMODERNISMO é considerado um prolongamento do pensamento moderno que. A ARQUITETURA TARDOMODERNA é pragmática e tecnocrática na sua ideologia. essencial para qualquer arquiteto. mas ficaram sem um padrão comum para avaliar seus edifícios e sem uma base sólida para a legitimidade arquitetônica. estas normas tornaram-se dogmas e não conseguiram mais atuar com a realidade em permanente modificação de hoje em dia. A lógica moderna é então exagerada. mecanicidade. que é atualizado em termos de métodos. A falta dessa legimidade explicaria a busca de formas do passado na tentativa que estas transferissem um pouco de seu valor para o novo (pós-modernismo). duplicando os códigos –.  Enquanto os pós-modernistas esforçaram-se para chegar aos diversos usuários de seus edifícios – o que os fez utilizarem um amplo espectro de meios comunicativos. cujas vanguardas tentaram – e ainda tentam – quebrar (CASTELNOU.  Assim. Atualmente. dever-se-ia procurar um terreno mais sólido. etc. Baseando-se na relação entre arquitetura e construção. que seria dado pela relação básica entre a arte de nossos edifícios e seus sistemas construtivos. assim como na questão da legimitidade arquitetônica. 2006). Se antes os edifícios eram “legitimados” (considerados arquitetura) somente por seus objetivos. flexibilidade. mas respeitando praticamente todos os seus pressupostos e tendo inclusive nos próprios mestres modernos suas bases teóricas e experimentais. projetando-se para o futuro. de modo a ressuscitar uma linguagem até então entorpecida. Pela fragilidade da base teórica dessa prática. hoje se teria entrado para uma nova fase: a que se utiliza a estrutura em aço e concreto armado – uma novíssima tradição. os tardomodernistas permanecem fieis à liguagem restrita e hermética dos modernos. distorcida e transformada em algo belo por seu extremismo ou mordacidade (RAJA. Porém. o processo executivo. repleta de oportunidades. hoje não é através de valores religiosos ou de status social que um objeto arquitetônico tornase arte. materiais e técnicas. produzindo uma arquitetura modernista amaneirada. ainda não muito bem compreendida e. ou seja.). estaria já marcado o término de seu valor como moda. portanto. a tradição construtiva era a da alvenaria de pedra. levando ao extremo muitas das idéias estilísticas do modernismo (funcionalidade. os materiais e as formas de utilização ultramodernas.

na França. informalismo e tecnotopismo. No CIAM de 1959. Jacques Derrida (1930-2004) e Julia Kristeva (1941-). c) Arquitetura da perfeição técnica. os franceses Georges Candilis (1913-95) e Aléxis Josic (1921-). nascidos em torno dos anos 10/20. que se constituiu. ao isolamento térmico e acústico. monolitismo. que começaram a investigar a filosofia como uma forma de “discurso”. esculturismo (ou neo-expressionismo). as quais variaram de autor para autor em uma verdadeira “batalha de rótulos” (JENCKS. Bakema (1914-81). em uma primeira tentativa de utilização de um aparato teórico mais sólido e até então estranho à arquitetura: a lingüística estrutural. utilizandose de um vocabulário mais abstrato que convencional (anti-ornamentalismo). Buscava enfim compreender as relações que unem estes fatos bem mais do que os próprios fatos no seu caráter heterogêneo e anedótico. Jean Baudrillard (1927-2007). esses arquitetos decretaram o fim do MODERNISMO e propuseram-se a encontrar novos caminhos para o funcionalismo através de uma maior exploração plástica dos meios expressivos do projeto. Van Den Broek (1898-1978) e Jacob B. em 1956.  Além de Kahn e de Aldo van Eyck. entre vários outros (ZEVI. 1980). sendo consideradas as mais destacadas as seguintes: estruturalismo. ocorridos entre 1947 e 1950.As principais características da linguagem arquitetônica tardomoderna são: a) Enfoque por demasiado pragmático. particularmente em meados da década de 1960. aos sistemas e acabamentos. etc. universalismo e anti-historicismo).  Os anos do segundo pós-guerra europeu trouxeram uma série de questões que simplesmente inviabilizaram a continuação pura e simples da cartilha moderna ideologicamente neutra. o TEAM X. Roland Barthes (1915-80) e Louis Althusser (191890). esse ponto de vista foi derrotado no fim dos anos 60 pelos chamados pósestruturalistas. surgiu um grupo de arquitetos mais jovens. ESTRUTURALISMO Corrente tardomodernista holandesa formada em torno da Revista Fórum (1959/67) e liderada por Aldo van Eyck (1918-99). nas suas próprias gramáticas abertas à análise. Seus seguidores. aliados a estruturas profundas. Existiu uma infinidade de denominações para as teorias tardomodernas. flexibilidade extrema utilizável ou não e uso amaneirado e quase decorativo da tecnologia. ênfase circulatória e mecânica. Gilles Deleuze (1925-95). b) Lógica radical. exigiram uma nova orientação ideológica para quase todas as práticas arquitetônicas. entre os quais Jacques Lacan (1901-81). . brutalismo. Claude-Levi Strauss (1908-2009). assim como o sincronismo dos fatos ao invés de sua evolução. 110 Paralelamente. O início da época da GUERRA FRIA. entre outras.. já em finais dos anos 50.  Foi o lingüista Ferdinand de Saussure (1857-1913) quem inspirou os chamados críticos estruturalistas. do contexto urbano ou do domínio público (acontextualidade. priorizando questões ligadas à proteção física. iniciando uma crítica sistemática ao International Style. Dentro dos CIAM’s. da Guerra da Coréia (1950/53) e dos movimentos de libertação da Índia e da Indochina. da Revolução Chinesa (1946/50). tecnicismo (ou mecanicismo). os ingleses Peter (1923-2003) & Alison Smithson (1928-93). neopurismo (ou produtivismo). como: Jean-François Lyotard (1924-98). através de uma fantasia tecnológica levada ao extremo (funcionalismo e ênfase estrutural). Segundo ROBSON & GROVES (1999). também participavam do TEAM X os arquitetos holandeses Johannes H. da produção sistemática e da experimentação essencialmente prática: desconsideração da memória histórica. a corrente filosófica do ESTRUTURALISMO visava privilegiar a totalidade em detrimento do particular. viram o mundo organizado em sistemas que se entrosam. que provocou uma cisão definitiva entre aqueles que achavam necessária uma nova orientação e aqueles que se conformavam com a continuação do racionalismo funcionalista. o norte-americano Shadrach Woods (1923-73) e o italiano Giancarlo De Carlo (1919-2005). 1992).

de manejar o aparato teórico da lingüística e da antropologia estrutural (privilegia a totalidade sobre as manifestações parciais. assim como a interrelação das partes que sua manifestação isolada). etc.Os estruturalistas concebiam o mundo como um conjunto de sistemas. BAKEMA (1914-81): Arquiteto holandês que. materiais e técnicas industrializadas. Noordiwiujk. London) e a Escola de Arquitetura da Universidade de Bath (1988/89). d) Antecipação da estética brutalista. citam-se: do  ALDO VAN EYCK (1918-99): Arquiteto holandês que estudou na Inglaterra e foi um dos fundadores do Team X. voltada para a personificação e hierarquização dos espaços internos (ênfase da estrutura organizativa interna em detrimento do aspecto exterior). estruturas físicas disciplindas. objetividade (expressão verdadeira) e seriedade (utilização manifesta dos materiais). que não sobreviveu após a década de 1970 (COLIN. Obras de destaque: o Centro Comercial Lijnbaan de Roterdã (1949/54). partindo do estruturalismo para o brutalismo. ensejando a chamada clareza labiríntica..  Na arquitetura e urbanismo. Tendo sido co-diretor da Revista Forum (1959/67). Obras: Orfanato Municipal de Amsterdã (1957/60). que rechaçava o conceito moribundo do funcionalismo. The Economist Building (1959/65. demonstraram insatisfação com o lirismo geométrico e apontaram para uma volta ao amor pelos materiais e restabelecimento da relação entre forma construída e as atividades humanas. Principais obras: Colégio Secundário Hunstanton (1949/54. realizou uma arquitetura de rara modéstia.  Como os maiores expoentes estruturalismo arquitetônico. Sua teoria girava em torno de idéias fechadas – responsabilidade (obrigação do arquiteto diante da sociedade). Participando do Team X. Driebergen Church (1965). presente e futuro nas ARCHEFORMS propostas. A proposta de integração do passado. entre 1971 e 1982. ou seja. 1983). criando uma disjunção entre a estrutura volumétrica-espacial e a apropriação espacial. Holanda). foram essas as principais características da linguagem estruturalista: a) Abordagem introspectiva. c) Tentativa. embora incipiente. Piccadily. calcado no emprego convencional da malha quadrangular do Estilo Internacional foram seus pontos neuvrálgicos no que se refere à superação dos princípios anteriores do modernismo (JOEDICKE. Van Den Broek (1898-1978). b) Embora critique o reducionismo e a impessoalidade do Estilo Internacional. junto com seu sócio Johannes H. Dr. Norfolk). e a Prefeitura de Terneuzen (1963/72) e o Hospital Psiquiátrico de Middelharnis (1973/74. Na arquitetura estruturalista.). Suas obras demonstravam grande preocupação social e a busca de uma sensação intimista entre arquitetura e indivíduo. além da indiferença em relação ao sítio (acontextualidade). Sugden House (1957. sendo bastante influenciado pelas idéias neoplásticas. 2004). em cada um dos quais cada um de seus elementos somente pode ser definido pelas relações de equivalência ou de oposição que mantém com os demais elementos. Hubertus House (1973/78. desde 1943. e com sócio Theo Bosh (1940-).  Procurando explorar as interrelações – as ditas "estruturas" – através das quais o significado é produzido dentro de uma cultura. a indiferença quanto ao contexto urbano (acontextualidade) e o excessivo rigor projetual. contribuiu para a difusão do estruturalismo e depois do brutalismo dos Smithson.  JACOB B. também participou do Team X. mas muito criativa. Watford). Em colaboração com sua esposa Hannie Van Eyck (198-). Amsterdã) e Sede Central da ESTEC (1986. assimilava as práticas do gosto tecnológico. isto é.  PETER (1923-2003) & ALISON SMITHSON (1928-93): casal de arquitetos estruturalistas ingleses que fundou o conceito brutalista. Hol. seus expoentes foram criticados por serem não históricos e por favorecerem forças estruturais determinísticas em detrimento à habilidade de pessoas individuais de atuar. atacando também a frivolidade da arquitetura neoracionalista. 111 . Esse conjunto de relações formaria a ESTRUTURA. da exposição do conteúdo tecnológico dos edifícios e aspecto de mau-acabamento (Estética da Verdade). foi o principal ponto de ataque do movimento.

aplicou sua filosofia em edifícios. subtrai os núcleos. conjuntamente a Alexis Josic (1921-) e Shadrach Woods (1923-73). Casa Própria em Drottningholm (1963). Inglaterra). Asilo de Idosos De Drie Hoven (1972/74. As técnicas priorizadas eram as de vidro estrutural (maiores vãos e montagem rápida) e de painelização (revestimento liso). em uma exposição do MoMA de Nova York. estabeleceu escritório na sua cidade natal. cujos edifícios humanísticos e planos urbanos expressavam uma preocupação com a natureza dos materiais e o interrelacionamento humano. o Bairro Residencial em Fort-de-France (1957. quando divulgou suas idéias sobre o estruturalismo. Entretanto. John Hejduk e Michael Graves – todos na casa dos 30 anos. NEOPURISMO Em meados dos anos 60. Suas preocupações básicas eram: a estrutura espacial. Amsterdã. East London). Seu trabalho consistia em uma releitura da linguagem purista de Le Corbusier (1887-1965) dos anos 20. Seus maiores trabalhos foram a Unidade de Habitação em Bagnols-Sur-Cèze (1956). Delft). O grupo apresentou uma arquitetura branca e pura que parecia mais modelada em cartão do que construída. produziu muitos bairros e conjuntos residenciais irregulares e complexos. a relação interior/exterior e a configuração plástica. Amsterdã). Martinica) e o Plano Urbanístico de ToulouseLe-Mirail (1961. Avasjo. Fez uma série de estudos sobre edifícios auto-suficientes ou ainda dotados de redes de infra-estrutura de apoio. Além dos seus vários blocos residenciais na Suécia. 2004). Passando a ser conhecidos como os whites. repensando o modelo racionalista e aplicando-a a uma nova escala. o que conferia aos edifícios um caráter de “produto industrial”. Peter Eisenman. foi apresentado ao público o grupo NEW YORK FIVE ARCHITECTS – NY5. Hobin Hood Gardens Housing Complex – Poplar (1969/72. escolas e escritórios. foram tachados pela crítica como representantes de uma moda oportunista ou uma experiência estéril. Formado pela Universidade Técnica de Delft (1958). Oxford). as maiores obras de Erskine foram: o Hotel Turístico para Esquiadores em Borgafjäll (1948. Biblioteca da Universidade de Estocolmo (1983) e Terminal Vasa em Estocolmo (1984). fazendo uso amaneirado de suas soluções formais. entre 1959 e 1963. seus expoentes – Richard Meier. De fundamentos estruturalistas. moradias. levando-se em consideração questões como isolamento acústico e suficiência energética. ou seja.  Em 1969. Lapônia). Ao invés de realçar a massa. Seu maior talento residiu em convertes idéias sociais em realidade arquitetônica.  O NEOPURISMO também foi chamado de produtivismo por defender o uso de sistemas industrializados tanto para a estrutura como para o tratamento mural e divisão interna. Além disso. Principais obras: Smithson High School (1949/54. COLIN. acrescentando-lhe um maior apuro técnico. Hilda’s College (1968. 1996. Fábrica Química em Gnests (1950). Charles Gwatmey. suas obras revitalizaram as formas modernistas através da incorporação de métodos informatizados. e o Kassel Housing Complex (1982. Norfolk). sobretudo no que se refere a materiais e acabamentos. buscava uma qualidade espacial. aspirando alcançar sua identidade própria. França). além de uma complexificação nos métodos projetuais (CEJKA. uma corrente tardomoderna norte-americana propagava a desconfiança para com o modernismo. Apeldoorn). Garden Building St. RALPH ERSKINE (1914-2005): Arquiteto inglês que trabalhou principalmente na Suécia a partir dos anos 40.  GEORGES CANDILIS (1913-95): Arquiteto francês que trabalhou na reconstrução do segundo pós-guerra.  HERMAN HERTZBERGER (1932-): Arquiteto holandês que concedeu a máxima importância aos valores sociais na hora de projetar seus edifícios. o International Style seria entendido como fato do passado e seria atualizado por meio da ambigüidade espacial (W OLFE. 1990). madeira e chapas metálicas. o volume e as circulações lineares. lecionando na Academia de Arquitetura da cidade entre 1965 e 1970. Empregando aço. que se propunha a superar os limites racionalistas através de uma abstração extremizada e “pós-moderna” levada até o virtuosismo gráfico. 112 . Hunstanton. Utrech). Diagoon House (1966/70. Centro Musical Vredenburg (1976/78. Centraal Beheer Headquarters (1970/72. a distribuição funcional. as diversas rotas e os elementos construtivos individuais. Kassel Alemanha). Clare Hall em Cambridge (1968. Preferiu trabalhar com a multiplicidade celular extrema. Foi diretor da Forum.

tornando-se. Seus trabalhos mais recentes envolvem intervenções em entornos construídos. resultado do emprego de retículas bi e tridimensionais. Paul Getty (1984.  JOHN HEJDUK (1929-2000): Arquiteto norteamericano que desenvolveu toda sua atividade experimental no campo do ensino na Cooper Union da Irwin Chanin Scholl of Architecture. Comparado ao outros integrantes do NY5. Para Eisenman. Destacaram-se: a Casa I ou Pavilhão Bareholtz (1967/68.As principais características da arquitetura neopurista do NY5 eram: a) Rigor disciplinar e puritano. fez uma série de pesquisas nos projetos das casas I a XI. Hardwick CT). como a anexo do Guggenheim Museum de Frank Lloyd Wright. mas que acabou abandonando o neopurismo para adotar a fantasia pósmodernista dos grises norte-americanos.  PETER EISENMAN (1932-): Arquiteto norteamericano que criou o chamado objeto axonométrico. New Harmony Ind. Bye House ou Wall House II (1973) e Casa NorteSul-Leste-Oeste (1975). experimentando metodologias compositivas sobre a trama cartesiana. Columbia e Harvard. em uma sintaxe dos espaços internos e externos através de sua estratificação horizontal e vertical. Museu de Artes Decorativas de Frankfurt (1979/85). Wall House (1972). Destacaram-se também as casas de Amagansett NY. Los Angeles CA). Darien. plástico. Principais obras: One Half House (1966). A fidelidade ao purismo corbusieriano projetou-o internacionalmente. retícula aplicada. começando a atuar independente em 1963. uma chapa de alumínio enrijecido com resina sintética (“luva produtivista”). Siegel (1939-) a partir de 1968. East Hampton. Foffman House (1966/67. justaposições e superposições. Lakesville CT). Compartilha com o NY5 o interesse pela reciclagem dos modelos corbusianos através da experimentação gráfica. a obra arquitetônica entendida como um nó sintático que deslumbra a vista e confundem mente. A partir de 1967. associando-se a Robert H. sensível e próximo das necessidades materiais e simbólicas das pessoas. decompõe a arquitetura em suas formas geométricas mais simples e expressivas. b) Incrementação da complexidade compositiva através do jogo criativo dentro da “jaula conceitual”. d) Emprego abundante de superfícies envidraçadas (vidro estrutural) e de painelização com chapas de aço esmaltadas. 113 . seguindo regras elementares. um dos precursores da arquitetura desconstrutivista. função e mobiliário devem ser estruturados a partir de um sistema mental coordenador. significando nada mais do que o próprio processo que a gerou. Twin Parks Northeast (1969/73.). Inspirandose no neoplasticismo e cubismo. espaço. especialmente as de Adolf Loos (1870-1933). N. expresso através de uma racionalidade sofisticada e aristocrática inspirada nas formas puristas e neoplásticas dos anos 20. sendo que as plantas e fachadas marcam algumas transformações internas e aplicação de sistemas coordenadores.  MICHAEL GRAVES (1934-): Arquiteto norteamericano que contribuiu com o NY5 através do projeto de sua Benacerraf House (1967/70. Georgia) e Museu J. perfis são rebatidos e superfícies cortadas. Principais obras: Smith House (1965/67. recorte e interpenetração de volumes. Columbus OH). Gwathmey House (1965/67) e Tolan House (1970/71). The Atheneum (1975/79. nos anos 80. isto é.  Estes foram os expoentes do NY5:  RICHARD MEIER (1934-): Arquiteto norteamericano que trabalhou com o SOM e Marcel Breuer. Bronx NY). New York. Através de colisões geométricas de planos e estruturas. Atlanta. Alemanha) e o Centro de Congressos de Ohio (1989.  CHARLES GWATHMEY (1938-): Arquiteto norte-americano que foi catedrático nas Universidades de Yale. planos delgados recortados e estruturas desprendidas da modulação básica. emaranhado estrutural em angulações e sugestão de mecanismos. insere-se no tardomodernismo pelo uso de grandes superfícies de vidro. High Museum of Art (1980/83. c) Independência da arquitetura da paisagem e da história (acontextualidade e antiornamentalismo).). Frankfurt-am-Main.Y. Gerrit Rietveld (1888-1964) e Giuseppe Terragni (1904-42).). seu método era muito mais empírico. resultando em labirintos ceremoniosos e surrealistas. Princeton NJ). procura revelar contrastes. Le Corbusier (1887-1965). A partir do plano e da cor branca como elementos básicos. o Biozentrum (1987/89. vigamentos cruzam-se. Conn. recentemente substituídas por ACM (Alumynium Composite Material). a Casa II ou Falk House (1969/71. Princeton NJ). Enfatizando uma tecnologia controlada. a Casa III ou Miller House (1969/71.

tanto na Europa como fora dela. em Birmingham. uma série de relatórios – o de Milner Holland (1965) sobre a habitação em Londres. Curitiba e Rio de Janeiro. de Robert Matthew (1906-75) e Leslie Martin (1908-99). criado por Ricardo Bofill (1939-) e que demorou dez anos para ser concluído. nos anos 90. que desde o século XVII. Florença. Entre as décadas de 1970 e 1980. c) Criação de novos museus. Os chamados YUPPIES ou young urban professional people (“jovens profissionais urbanos”) elitizariam as degradadas áreas residenciais vitorianas próximas do centro de Londres. nos EUA. passaram por reestruturações. Em seu lugar. Glasgow. nasceu um complexo de lojas e lazer. promovendo sua participação no planejamento urbano. a política traçada para os centros históricos não pôde mais ser tratada de maneira autônoma e marginal à política territorial. Pei (1917-). 2002). M. que algumas obras foram concluídas. para o qual foi construído o Royal Festival Hall. 114 . o que levou a várias iniciativas de reconstrução funcionalista. organizações municipais proporam a instalação de uma nova estação de baldeação da Rede Expressa Regional – RER. e injetariam seu dinheiro em lojas. A orientação e controle do crescimento urbano foram de repente substituídos pela obsessão de encorajá-lo a todo custo (HALL. que procurou restaurar antigos monumentos. era o maior mercado atacadista de frutas e verduras de Londres para 1974 ser transferido e o local transformado um ponto de compras da moda e em uma concorrida zona turística. Bilbao.  Em meados dos anos 60. Em 1969. Gênova. quando Londres liderava o mundo da moda e da música popular. entre 1963 e 1969. Na América. bares e restaurantes. em fins dos anos 60. projetada pelo arquiteto I. em pleno coração do Le Marais. Salvador. além de grandes eventos para o desenvolvimento da cidade. Também compuseram o PLANO DE RENOVAÇÃO DE PARIS as obras de: a) Construção da Tour Montparnasse (1958/73). dando lugar a um complexo de uso misto inaugurado em 1979. projetado por Richard Rogers (1933-) e Renzo Piano (1937-). a partir de um amplo programa dirigido pelo ministro da cultura André-Georges Malraux (1901-76). 17  A partir de então. criada por Richard Meier (1934-). Baltimore. frutos de reciclagens de prédios antigos em 1986. Hamburgo. Iniciados em 1969 e interrompidos em 1976. por exemplo – era “estrutural”: a nova palavra em voga nas universidades e que passava a integrar o vocabulário urbanístico. os históricos pavilhões de vidro do mercado geral de gêneros alimentícios foram demolidos. o de Plowden (1967) sobre escolas primárias. no Beaubourg. em Newcastle-upon-Tyne. Grande parte de LONDRES foi arrasada por bombas na Segunda Guerra Mundial (1939/45). Somente na década de 1980. o Forum Les Halles. e do Centre Georges Pompidou (1972/77). Toronto e Sidney. As equipes que os implementavam proclamavam que o problema – de Saltley. b) Ampliação e modernização do Mussé du Louvre. no governo de François Miterrand (1916-96). Miami e São Francisco. com ações em São Luís. a receita mágica para a revitalização urbana passou a ser um novo tipo de parceria criativa entre o governo municipal e o setor privado. feitas nos anos 80. as experiências de Boston. Nova York. serviram de referência para projetos 17 similares em todo o mundo . os Community Development Projects – CDP visavam despertar a consciência das comunidades carentes locais. – com a conservação integrada. o polêmico edifício hightech. Lisboa e Porto. além de promover a revitalização de alguns bairros com base nas idéias difundidas pelo arquiteto Philippe Panerai (1940-). assim como o Inner Harbor Redevelopment de Baltimore. além de Vancouver. gerando muitos protestos. etc. de Gae Aulenti (1927-). Recife.  Além dos centros históricos de Paris e Londres. como os Jogos Olímpicos (1948) e o Festival da Grã-Bretanha (1951). ou Benwell. além do Parc de La Villette (1984) e do novo bairro de La Defense (1989). Berlim. Os casos mais emblemáticos desse novo perfil de intervenção urbana foram as obras renovadoras das Docklands de Londres e Liverpool. Veneza. que foi totalmente remodelado.REABILITAÇÃO URBANA Desde a Operazione Bologna e as demais experiências italianas – em Roma. d) Inauguração em 1989 da Ópera de Paris Bastille. O processo de renovação de PARIS iniciou-se em 1962 e durou cerca de duas décadas. a reestruturação do waterfront de Boston e o South Street Seaport de Nova York. Problemas de tráfego fizeram com que fosse transferido para os subúrbios e. passaram a renovar áreas urbanas problemáticas. o Parc Olimpic de Barcelona. e o de Seebohm (1968) sobre serviços sociais – marcou a redescoberta oficial da pobreza por parte do establishment britânico. ampliar seus acessos e reciclar suas estruturas. que promoveu alguns projetos de renovação. o Plano Estratégico de Lisboa e o Puerto Madero de Buenos Aires. Barcelona. vários governos. que funcionava no mesmo local desde 1183. Houve também reflexos no Brasil. criada por uma equipe liderada por Eugènne Beaudouin (1898-1983). como o Musée Picasso e o Musée d’Orsay. em 1981. as quais incluíram a transferência do Ministério das Finanças que ocupava a Ala Richelieu e a criação de uma nova entrada em forma de pirâmide.  Uma das primeiras áreas a ser remodelada foi a do antigo mercado de Les Halles. através de programas de REABILITAÇÃO URBANA. cidades como Liverpool. como ocorreu em Covent Garden.

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