Dossier de Treino

Revista Técnica da Federação Portuguesa de Atletismo
N.º 7 Novembro 2010

Organização da Carreira Desportiva no Atletismo
Etapa da Aprendizagem Etapa do Desenvolvimento Etapa da Especialização Etapa do Rendimento

Etapa dos Fundamentos

Até aos 10 anos Adquirir os Fundamentos Motores Básicos

10-13 anos

14-16 anos

17-19 anos Treinar para Competir e Especialização numa Disciplina

Mais de 19 anos Treinar para Ganhar e Optimizar o Rendimento

Aprender a Treinar Treinar para Treinar e Treinar para e Desenvolver Aprender as Capacidades Condicionais

Dossier de Treino
Revista Técnica da Federação Portuguesa de Atletismo
N.º 7, Novembro 2010 Índice
1 - Editorial, 1 2 - A Organização da Carreira Desportiva no Atletismo, 2 Direcção Técnica Nacional
Neste artigo são abordadas as etapas que devem constituir uma Carreira Desportiva no Atletismo, de acordo com a Direcção Técnica Nacional.

3 - Como abordar a preparação de provas de velocidade nos jovens, desde o início até aos 17 anos, 10 Prof. Rui Norte Artigo sobre como abordar a preparação para as provas de Velocidade nos jovens “desde os
escalões de base até aos 17 anos”.

4 - Saltos: Jovens saltadores portugueses. Análise crítica e sugestões para o desenvolvimento, 16 Prof. Alcino Pereira Neste artigo é realizada uma analise critica por parte do Técnico Nacional de Saltos
“Prof. Alcino Pereira” sobre os jovens saltadores portugueses.

5 - O Treino da Resistência no Ensino Secundário: Ideias e Práticas Desenvolvidas na Escola Secundária do Monta da Caparica, 23 Prof. Joaquim Neves
Artigo sobre como desenvolver o treino da resistência no Ensino Secundário. Desde ideias e exemplos práticos possíveis de desenvolver.

6 - Treino de Multisaltos com Jovens, 30 Prof. Miguel Caldas, Prof. Ramón Cid Artigo que desenvolve a temática do treino de multisaltos com jovens.

Dossier de Treino
Revista Técnica da Federação Portuguesa de Atletismo

Editorial Prof. Alcino Pereira
Licenciado em Educação Física e Desporto e Mestrado em Treino Alto Rendimento Desportivo. Técnico Nacional de Saltos. Director Técnico Distrital da Associação da Madeira
Quando falamos do processo de formação desportiva dos jovens atletas, podemos assumir duas grandes prioridades: • O respeito pelo indivíduo e pelo seu desenvolvimento harmonioso e equilibrado; • O desenvolvimento das aptidões do jovem com vista ao rendimento, respeitando as etapas de treino organizadas em função do desenvolvimento do próprio jovem. Neste contexto, a competição surge como mais um meio de treino e de desenvolvimento, que permite aprendizagens muito próprias e extremamente ricas. Porém, durante o processo de formação desportiva, a competição não deve ser encarada como um objectivo em si mesma, ou sequer, como um objectivo prioritário. O desenvolvimento do jovem e o processo de construção do rendimento desportivo a longo termo deve prevalecer! Esta reflexão leva-nos, obviamente, ao estafado problema da especialização precoce. Ou, dito de outra fora, ao problema da procura do rendimento precoce. Às vezes, porém, a fobia da especialização precoce leva a um problema aparentemente inverso: o treino insuficiente. Porém, mantendo a competição. Paradoxalmente, esta falta de treino – mas não de competição – conduz precisamente ao resultado indesejado: especialização precoce! Pois a competição (uma componente muito específica e especializada do treino) acaba por condicionar e por se sobrepor a todo o processo de treino, conduzindo precisamente ao resultado que se pretenderia evitar. Isto deve-se a um errado entendimento do que é a especialização precoce, que leva muitos colegas, no intuito de não pecarem por excesso, a pecarem por defeito! Não é que haja algo de errado no facto de competir ou obter bons resultados enquanto jovens. Tudo depende da forma como esses resultados são obtidos. Se forem atingidos à custa de excesso de estímulo específico, não têm grande valor! Porque, certamente, irão conduzir à estagnação e ao abandono. Mas se forem o resultado natural do talento e de um processo de treino que privilegia o DESENVOLVIMENTO do jovem e das suas capacidades e aproveita as oportunidades que a própria maturação oferece, então, estamos no bom caminho. A prevenção da especialização precoce não passa por treinar menos ou com menor rigor. Passa, isso sim, por TREINAR MELHOR! E a qualidade do treino é uma consequência directa da qualidade do treinador. Daí a enorme importância da qualificação dos treinadores que trabalham com jovens. Esperamos que os artigos apresentados nesta revista possam ser um importante contributo para a melhor qualificação desses treinadores.

N.º 7, Novembro de 2010

Ficha Técnica:
Propriedade e edição: Federação Portuguesa de Atletismo Largo da Lagoa, 15 B 2799-538 Linda-a-Velha http://fpatletismo.sapo.pt Director: Fernando Mota Produção: João Abrantes Pedro Pinto Fotos: Arquivo FPA Lopo Pizarro Elisabete Costa Foto da capa: FPA Grafismo: Europress Contactos: jabrantes@fpatletismo.pt fpa@fpatletismo.pt Tel: 214 146 020 Fax: 214 146 021 Execução Gráfica: Europress Depósito legal: 237672/06 Distribuição gratuita Colaboram neste número: Direcção Técnica Prof. Rui Norte Prof. Alcino Pereira Prof. Joaquim Neves Prof. Miguel Caldas

A Organização da Carreira Desportiva no Atletismo
Direcção Técnica Nacional

Uma das principais preocupações que deve estar sempre presente quando se trabalha com crianças e jovens, é conseguir adaptar o treino às capacidades físicas, psicológicas, intelectuais, fisiológicas, e emocionais desses jovens atletas, ou seja, respeitar as diferentes etapas de crescimento e de maturação, para que o treino seja mais um factor a potenciar e a contribuir positivamente para esse desenvolvimento e não, como muitas vezes acontece, o treino não ter em consideração as características específicas das diferentes idades biológicas e das várias etapas do crescimento, tornando-se assim um factor de destabilização, interferindo de forma negativa no desenvolvimento harmonioso das diferentes capacidades das crianças e dos jovens.

Um dos principais erros que se cometem quando se pretende organizar um programa de treino para as diferentes etapas da carreira desportiva de um atleta, é considerar os jovens como que uns adultos em miniatura, e não mais fazer do que adaptar os programas de treino dos seniores para o processo de treino dos mais jovens. Há que ter consciência que as necessidades em termos do desenvolvimento das capacidades físicas, psicológicas e fisiológicas, assim como das necessidades cognitivas e emocionais dos mais jovens, a que podemos acrescentar a sua expectativa em relação à actividade física e prática desportiva, é que são completamente diferentes das dos adultos. Isso significa que não podemos limitar-nos a adaptar os programas de treino dos adultos aos escalões mais jovens,

Organização da Carreira Desportiva no Atletismo
4 – Etapa da Especialização
17-19 anos Treinar para Competir e Especialização numa Disciplina

5 – Etapa do Rendimento
Mais de 19 anos Treinar para Ganhar e Optimizar o Rendimento

3 – Etapa do Desenvolvimento 2 – Etapa da Treinar para Treinar Aprendizagem
10-13 anos Aprender a Treinar e Treinar para Aprender e Desenvolver as Capacidades Condicionais 14-16 anos

1 – Etapa dos Fundamentos
Até aos 10 anos Adquirir os Fundamentos Motores Básicos

2

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- Revista Técnica da Federação Portuguesa de Atletismo, N. 7, Novembro de 2010

devendo assim os treinos serem dinâmicos. saltar e lançar. orientação espacial e tempo de reacção. Esta carreira desportiva está dividida em diferentes etapas. 1 – Etapa dos Fundamentos Até aos 10 anos Adquirir os Fundamentos Motores Básicos Capacidades Físicas de Desenvolvimento Prioritário – Velocidade (fundamentalmente os aspectos da frequência da passada de corrida e da frequência gestual). 3 mas temos sim de criar modelos de treino completamente adaptados às necessidades específicas de cada etapa do desenvolvimento. Consideramos fundamental nesta etapa que as crianças retirem prazer da sua prática desportiva. Para isso temos em primeiro lugar que definir quais devem ser as diferentes fases do desenvolvimento das crianças e dos jovens. 7. porque muitas vezes a sua idade biológica. Treinar para ganhar e optimizar o rendimento. saltar e correr) de forma isolada e de forma combinada. Novembro de 2010 . privilegiando a competição por equipas. nomeadamente com a utilização do “Kids athletics”. Dossier de Treino . Treinar para treinar e desenvolver as capacidades condicionais e técnicas de um grupo de disciplinas. – Condição Física Geral. variados. e sempre que possível em formas jogadas. pelo que nesses casos o treinador deve fazer uma adaptação do treino à fase de crescimento e desenvolvimento desses jovens. recorrendo aos elementos motores básicos. – Procurar atribuir prémios a todos os participantes.A Organização da Carreira Desportiva no Atletismo Direcção Técnica Nacional ETAPA Fundamentos Aprendizagem Desenvolvimento Especialização Rendimento IDADES Até aos 10 10 – 13 14 – 16 17 – 19 Mais de 19 ESCALÕES Benjamins Benjamins Infantis Iniciados Juvenis Juvenis Juniores Seniores OBJECTIVOS Aquisição das habilidades motoras básicas: correr. É contudo muito importante que os treinadores tenham sempre presente que apesar de indicarmos quais as idades cronológicas em que devem ser aplicados os programas de treino para cada uma destas etapas. é fundamental que conheçam o melhor possível os jovens que orientam. Capacidades Psicológicas de Desenvolvimento Prioritário – Motivação para a prática desportiva – Desenvolvimento da dinâmica de grupo – Desenvolvimento de uma atitude disciplinada no treino – Desenvolvimento da capacidade de superação das dificuldades – Desenvolvimento da auto-confiança – Desenvolvimento das capacidades de comunicação – Regulação da agressividade Solicitações Técnicas Específicas da Modalidade – Aquisição e desenvolvimento das habilidades motoras básicas (lançar. – Utilizar sempre que possível as estafetas. Aprender a treinar e treinar para aprender. estando definido para cada uma delas objectivos muito específicos no que respeita ao tipo de trabalho realizado e às capacidades que devem ser desenvolvidas. proporcionando uma grande estimulação ao nível das capacidades coordenativas. – Capacidades coordenativas: coordenação motora. Nesta etapa o principal objectivo é o desenvolvimento da capacidade de movimento geral. – Não realizar competições a eliminar.Revista Técnica da Federação Portuguesa de Atletismo. Competições e importância dos Resultados – Realizar as competições através de formas jogadas e com provas adaptadas. N. – Flexibilidade. Treinar para competir e especializar numa disciplina. muito divertidos. – Englobar os momentos competitivos em situações de festa e de convívio. – Iniciação a algumas disciplinas do atletismo de forma adaptada às características desta fase do desenvolvimento. nem sempre corresponde à sua idade cronológica. ritmo. ou seja o seu estado de maturação. fazendo uma adaptação à nossa modalidade e aos escalões etários do atletismo. equilíbrio.

com capacidade de criar uma dinâmica de grupo positiva. – Força geral.Revista Técnica da Federação Portuguesa de Atletismo. – Desenvolvimento das capacidades de comunicação.A Organização da Carreira Desportiva no Atletismo Direcção Técnica Nacional Particularidades da intervenção do Treinador – Motivar os jovens para ganharem gosto pela prática desportiva. – Conhecimentos ao nível do desenvolvimento pedagógico das crianças. orientação espacial e tempo de reacção. – Iniciação ao salto com vara. – Força rápida. Número de Treinos semanais Propomos a realização de 1 a 2 treinos semanais. a extensão da perna de impulsão. e o domínio das rotações. Novembro de 2010 . a realizar fundamentalmente pelos clubes. 7. ritmo. que têm como objectivo preparar os jovens ao longo da época para estarem em condições de participarem nas provas do programa oficial. Solicitações Técnicas Específicas da Modalidade – Desenvolvimento dos elementos básicos dos saltos. motivadora e envolvente. de barreiras e de estafetas. tanto no que diz respeito às distâncias das provas de corrida. pois o treino nestas idades não deve ser apenas realizado através da prática do atletismo. N. saltos e barreiras). – Conhecimento ao nível das fases do crescimento e desenvolvimento das crianças e dos jovens. – Regulação da agressividade. assim como à aprendizagem dos elementos fundamentais para a grande maioria das disciplinas do atletismo que envolvem a corrida e as impulsões (velocidade. – Resistência aeróbia. equilíbrio. mas também na prática de outras modalidades desportivas. – Ser um bom “Animador” das sessões de treino. – Aprendizagem da transmissão visual e não visual do testemunho (estafetas). velocidade e barreiras. Todas estas provas são adaptadas às características desta etapa do desenvolvimento. 4 Dossier de Treino . como o apoio dinâmico. – Desenvolvimento da auto-confiança. Também se considera fundamental a aprendizagem dos elementos básicos dos lançamentos. – Capacidades coordenativas: coordenação motora. – Existe também um conjunto de provas. – Aprendizagem da partida de blocos. – Desenvolvimento da dinâmica de grupo. – Desenvolvimento da técnica de corrida. a colocação alta da bacia e a postura do tronco. – Aprendizagem da técnica específica dos saltos: altura e comprimento. – Iniciação aos lançamentos em rotação (disco e martelo). com ênfase na aprendizagem das técnicas das diferentes disciplinas. – Desenvolvimento dos elementos básicos dos lançamentos. – Aprendizagem da técnica dos multisaltos (iniciação ao triplo salto). 2 – Etapa da Aprendizagem 10-13 anos Aprender a Treinar e Treinar para Aprender Capacidades Físicas de Desenvolvimento Prioritário: – Velocidade: capacidade de aceleração e velocidade máxima (fundamentalmente os aspectos ligados à frequência da passada de corrida e à frequência gestual). – Desenvolvimento de uma atitude disciplinada no treino – Desenvolvimento da capacidade de superação das dificuldades de aprendizagem. com as devidas adaptações para esta faixa etária. como às disciplinas de saltos e lançamentos. – Aprendizagem da técnica específica dos lançamentos: peso e dardo. – Flexibilidade. – Iniciação ao desenvolvimento da capacidade de concentração. – Desenvolvimento dos ritmos rápidos entre barreiras. de marcha. Capacidades Psicológicas de Desenvolvimento Prioritário: – Motivação para a prática do atletismo. – Ter conhecimentos no âmbito da iniciação às disciplinas do atletismo. Nesta etapa os jovens vão começar a “aprender a treinar e treinar para aprender” através da utilização dos elementos técnicos básicos das diferentes disciplinas do atletismo e mesmo de outras modalidades desportivas. – Aprendizagem da técnica de transposição de barreiras com as duas pernas. Competições e importância dos Resultados – A FPA tem um programa de provas oficial para os escalões de Benjamins B (10-11 anos) e de Infantis (12-13 anos). como a extensão da cadeia posterior.

Revista Técnica da Federação Portuguesa de Atletismo. com capacidade de criar uma dinâmica de grupo positiva. evitando as competições a eliminar e procurando atribuir prémios a todos os participantes. 3 – Etapa do Desenvolvimento 14-16 anos Treinar para Treinar e Desenvolver as Capacidades Condicionais Nesta etapa os jovens começam a “treinar para treinar”. Capacidades Psicológicas de Desenvolvimento Prioritário: – Motivação para o treino.A Organização da Carreira Desportiva no Atletismo Direcção Técnica Nacional – O calendário competitivo para estes escalões realizase apenas a nível Distrital. mas também na prática de outras modalidades desportivas. começando a construir as “janelas da treinabilidade”. Novembro de 2010 5 . – Força elástico-reactiva. Dossier de Treino . – Ter conhecimentos no âmbito da aprendizagem de todas as disciplinas do atletismo. – Coordenação motora: essencialmente ligada à velocidade de execução da técnica das diferentes disciplinas. Velocidade. – Desenvolvimento da dinâmica de grupo. pois nestas idades ainda não há competições de carácter nacional. – A competição é mais um elemento do processo de treino. havendo assim mais tempo para treinar. pois o treino nestas idades ainda deve englobar a multidisciplinaridade. – Resistência em regime misto (aeróbio – anaeróbio). que deve estar essencialmente dirigido para a formação da estrutura corporal. A enorme importância do treino nesta etapa tem implicações ao nível do próprio planeamento. – Força geral. – Força de resistência. motivadora e envolvente. – Força explosiva. – Desenvolvimento de uma atitude disciplinada no treino – Desenvolvimento da capacidade de superação individual. Para os atletas do grupo de meio-fundo: – Resistência aeróbia. nomeadamente pelo atletismo. – Conhecimento ao nível das fases do crescimento e desenvolvimento das crianças e dos jovens. Nestas idades já é perfeitamente possível percebermos quais as características de cada atleta. para a melhoria condição física geral. sem descurar os objectivos fundamentais do treino nestas idades. pelo que é possível dividir os jovens em três grandes grupos de disciplinas: – Lançamentos. Aparece ao longo de toda a época com o objectivo de avaliar a evolução dos jovens e ser um elemento de motivação para a prática Particularidades da intervenção do Treinador – Motivar os jovens para ganharem gosto pela prática desportiva. N. – Os resultados das competições devem ser um espelho do treino e das aprendizagens técnicas. para o desenvolvimento das capacidades condicionais e para a melhoria e consolidação da técnica das diferentes disciplinas. Meio-fundo. Número de Treinos semanais Propomos a realização de 2 treinos semanais para os Benjamins B e de 3 treinos semanais para os Infantis. – Conhecimentos ao nível do desenvolvimento pedagógico das crianças e dos jovens. devendo o treinador sobrevalorizar o que nos resultados competitivos é fruto do desenvolvimento da técnica em relação ao que depende das capacidades condicionais de cada jovem. com um período de preparação maior e um período de competição mais curto. Capacidades Físicas de Desenvolvimento Prioritário: Para os atletas dos três grupos de disciplinas: – Velocidade: capacidade de aceleração e velocidade máxima. – Nestes escalões continua a haver a preocupação dos momentos competitivos promoverem o convívio. já é possível melhorar a velocidade através da frequência e da amplitude da passada de corrida. 7. – Ser um bom “Dinamizador” das sessões de treino. a competição por equipas. Saltos e Barreiras. através de um primeiro incremento ao nível do treino. ao mesmo tempo que os próprios jovens já têm as suas preferências relativamente ao grupo de disciplinas que querem praticar. não condicionando o planeamento e a organização do treino. Como nestas idades há um aumento significativo da força.

pois o enfoque deve continuar a ser no treino. – Sendo o incremento do treino. Saltos e Barreiras – Desenvolvimento dos elementos básicos dos saltos. – Treino do ritmo de 3 passos entre barreiras. – Treino da partida de blocos. Desenvolvimento da auto-confiança. velocidade e barreiras. deve-se utilizar uma periodização simples. – Treino da técnica dos multisaltos. mas sempre numa perspectiva de avaliação e controlo do treino e de motivação dos jovens atletas. – Treino da técnica dos multisaltos. – Desenvolvimento da técnica de corrida. – Conhecimento ao nível das fases do crescimento e desenvolvimento das crianças e dos jovens. – Ter capacidade para planear o organizar toda a época desportiva. 7. – Desenvolvimento da técnica de corrida. – Coordenação das habilidades técnicas a velocidades elevadas. Competições e importância dos Resultados – Apesar de haver um quadro competitivo a nível Distrital. Isto não significa que durante o período de competição não se realizem competições. – As competições já têm um aspecto formal e assumem uma importância cada vez maior para os jovens atletas. – Conhecimentos ao nível do desenvolvimento pedagógico dos jovens adolescentes. – Apesar das competições ainda serem encaradas como uma continuidade do treino e um momento privilegiado de avaliação e controlo do processo de treino e do desenvolvimento técnico-condicional dos jovens. – Treino da técnica específica dos quatro lançamentos. – Nesta etapa os resultados competitivos já espelham um misto da evolução técnica e do desenvolvimento das capacidades condicionais. 6 Dossier de Treino . já se deve incutir nos atletas uma atitude competitiva correcta. – Desenvolvimento dos elementos básicos dos saltos. – Treino da técnica de transposição de barreiras com as duas pernas. o desenvolvimento das capacidades condicionais e a consolidação da técnica. – Coordenação das habilidades técnicas a velocidades elevadas. Regulação da agressividade. Os treinadores devem estar atentos para não deixarem esta importância ser exagerada. todo o planeamento do treino é condicionado por esses objectivos. N. velocidade e barreiras. – Ter conhecimentos no âmbito da treino técnico de todas as disciplinas do atletismo.Revista Técnica da Federação Portuguesa de Atletismo. – Treino da transmissão não visual do testemunho (estafetas). com um grande período de preparação e um período competitivo mais curto. Particularidades da intervenção do Treinador – Motivar os jovens para ganharem gosto pelo treino. Desenvolvimento da “Pré-Disposição” para o treino. Desenvolvimento das capacidades de comunicação. Regulação do “Stress Competitivo”. Lançamentos – Desenvolvimento dos elementos básicos dos lançamentos. Desenvolvimento da capacidade de concentração. – Treino da técnica dos multisaltos. e a nestes escalões também a nível Nacional e até Internacional (Jogos da FISEC. Meio-fundo – Desenvolvimento dos elementos básicos dos saltos. – Ter conhecimentos ao nível do treino das capacidades condicionais. Iniciação à “Visualização Mental”. velocidade e barreiras.A Organização da Carreira Desportiva no Atletismo Direcção Técnica Nacional – – – – – – – – – Desenvolvimento das capacidades volitivas. – Coordenação das habilidades técnicas a velocidades elevadas. Assim. Solicitações Técnicas Específicas da Modalidade Velocidade. Desenvolvimento da capacidade de perseverança. – Treino da técnica de transposição de barreiras com as duas pernas. Jogos Olímpicos da Juventude e Campeonatos do Mundo de Juvenis). – Treino da técnica de transposição de barreiras com as duas pernas. e conhecimentos mais aprofundados no treino técnico de um grupo de disciplinas. – Treino da técnica específica dos quatro saltos. os principais objectivos desta etapa. é fundamental que o planeamento da época seja organizado em função das necessidades do treino e não de acordo com os objectivos competitivos. Novembro de 2010 .

– Regulação da agressividade. – Velocidade Máxima: para os velocistas e para os atletas de 400 metros barreiras. tal como na etapa anterior. Saltos: – Capacidade de Aceleração. através do desenvolvimento da frequência e da amplitude da passada de corrida. O treino procura optimizar as capacidades físicas e técnicas específicas para a disciplina escolhida. começando a haver uma especialização numa ou em duas disciplinas. – Desenvolvimento das capacidades volitivas. – Iniciação ao trabalho de força máxima. – Velocidade de execução. – Força de resistência / força geral.Revista Técnica da Federação Portuguesa de Atletismo. continuar a desenvolver os aspectos psicológicos fundamentais a uma boa prestação competitiva. Novembro de 2010 7 . – Desenvolvimento da capacidade de perseverança. – Desenvolvimento das capacidades de comunicação. – Desenvolvimento da capacidade de controlo da ansiedade. – Desenvolvimento da capacidade de focalização em objectivos. – Iniciação ao trabalho de força máxima. – Força de resistência / força geral. 4 – Etapa da Especialização 17-19 anos Treinar para Competir e Especialização numa Disciplina Capacidades Físicas de Desenvolvimento Prioritário: Velocidade e Barreiras: – Tempo de Reacção. – Desenvolvimento da capacidade de concentração. 7. Lançamentos: – Velocidade de execução. – Força explosiva. Capacidades Psicológicas de Desenvolvimento Prioritário: – Motivação para o treino e para a competição. devendo. pelo que se justifica alguma amplitude entre o número mínimo de treinos semanais (quatro) e o número máximo (seis). – Resistência anaeróbia láctica. – Força elástico-reactiva. – Desenvolvimento da capacidade de “Visualização Mental”. – Capacidade de Aceleração. – Velocidade Máxima. Meio-fundo e Marcha: – Velocidade. Número de Treinos semanais Nesta etapa os jovens apresentam enormes diferenças quer ao nível da “idade biológica”. para os atletas de 100 e 110 metros barreiras. Nesta etapa os jovens passam a “treinar para competir”. N. – Regulação do “Stress Competitivo”. – Velocidade de Resistência: essencialmente para atletas de 200m. Dossier de Treino . – Força de resistência / força geral. – Força elástico-reactiva. – Velocidade de resistência. – Desenvolvimento da auto-confiança. – Desenvolvimento da “Pré-Disposição” para o treino e para a competição. através da frequência da passada de corrida. – Força elástico-reactiva.A Organização da Carreira Desportiva no Atletismo Direcção Técnica Nacional – Ter conhecimentos ao nível da preparação psicológica para o treino e para a competição. – Resistência anaeróbia láctica: essencialmente para atletas de 400m e 400m barreiras. – Força de resistência / força geral. quer ao nível da “idade de treino”. As competições começam a ter uma importância crescente no planeamento do treino dos atletas. – Desenvolvimento da capacidade de superação individual. – Iniciação ao trabalho de força máxima. 400m e 400m barreiras. – Força explosiva. – Resistência aeróbia. – Força explosiva. – Força elástico-reactiva.

mas é possível começar de forma progressiva a introduzir os treinos bidiários. devendo começar a ser avaliada e a aumentar o grau de exigência. 400m e 400m barreiras. 5 – Etapa do Rendimento Mais de 19 anos Treinar para Ganhar e Optimizar o Rendimento Esta é a etapa do “treinar para ganhar”. – Força explosiva. através do desenvolvimento da frequência e da amplitude da passada de corrida. de forma a preparar os jovens para a etapa seguinte. – Velocidade de execução. Campeonato do Mundo de Juniores. o Campeonato da Europa de Juniores. 7. em que o principal objectivo é preparar os atletas para as competições. já representam as equipas principais dos seus clubes e por vezes representam a selecção nacional na Taça da Europa. – Ter conhecimentos ao nível da preparação psicológica para o treino e para a competição. – Força de resistência / força geral. – Capacidade de Aceleração. para além do calendário competitivo Distrital e Nacional dos escalões de Juvenis e Juniores. Particularidades da intervenção do Treinador – Motivar os atletas para o treino e para a competição. a recuperação do treino. – Força elástico-reactiva. – Ter conhecimentos ao nível de áreas importantes para o treino. – Velocidade Máxima. Saltos: – Capacidade de Aceleração. Coordenação dos elementos técnicos em velocidades elevadas e em situação competitiva. como a nutrição desportiva. – Velocidade Máxima: para os velocistas e para os atletas de 400 metros barreiras. para que ao longo da sua carreira atinjam todo o seu potencial. Competições e importância dos Resultados – Nesta etapa.Revista Técnica da Federação Portuguesa de Atletismo. – Conhecimentos ao nível do desenvolvimento pedagógico dos adolescentes. – Assim. a participação competitiva passa a ter uma importância muito maior. principalmente na segunda época de Juniores. onde as competições são o objectivo prioritário de toda a preparação. Os resultados devem ser conseguidos à custa de um bom modelo técnico alicerçado num desenvolvimento harmonioso das capacidades condicionais mais importantes para a disciplina em causa. – O planeamento do treino já é elaborado de acordo com o calendário competitivo. – Ser um especialista ao nível do treino das capacidades condicionais fundamentais para o grupo de disciplinas que treina. – Resistência anaeróbia láctica: essencialmente para atletas de 400m e 400m barreiras. os Jogos Olímpicos da Juventude. – Força elástico-reactiva. – Velocidade de Resistência: essencialmente para atletas de 200m. a prevenção de lesões e a biomecânica. podendo chegar aos oito treinos semanais (dois treinos bidiários). Número de Treinos semanais Nesta etapa o número mínimo de treinos semanais é seis. – Força de resistência / força geral. há também um calendário internacional com o Campeonato do Mundo de Juvenis. começando a surgir nestas etapas os modelos de dupla periodização. – Ser um especialista ao nível do planeamento do treino. – Força explosiva. – Iniciação ao trabalho de força máxima. contudo nunca deve colocar em causa a continuidade da evolução do atleta. Novembro de 2010 . Além disso. N. – Ser um especialista no âmbito do treino técnico das disciplinas praticadas pelos seus atletas.A Organização da Carreira Desportiva no Atletismo Direcção Técnica Nacional Solicitações Técnicas Específicas da Modalidade Consolidação dos elementos técnicos específicos da disciplina. maximizar as competências dos atletas ao nível dos aspectos físicos. a fisiologia do 8 esforça. – A atitude competitiva correcta deve ser consolidada nesta etapa. técnicos e psicológicos. Dossier de Treino . através da frequência da passada de corrida. – Iniciação ao trabalho de força máxima. para os atletas de 100 e 110 metros barreiras. procurando através do treino. a fisioterapia. o controlo e avaliação do treino. os melhores atletas destes escalões já têm mínimos de participação nas provas de seniores. Capacidades Físicas de Desenvolvimento Prioritário: Velocidade e Barreiras: – Tempo de Reacção.

devendo toda a preparação do atleta ter como principal objectivo a participação nas competições mais importantes em cada temporada. a prevenção de lesões e a biomecânica. Dossier de Treino . mas é um planeamento individual para cada atleta. – Desenvolvimento das capacidades volitivas. como a nutrição desportiva. Solicitações Técnicas Específicas da Modalidade Consolidação dos elementos técnicos específicos da disciplina. – Ter capacidades de liderança de uma equipa de especialistas nas áreas de apoio ao treino. – Resistência anaeróbia láctica. a recuperação do treino. – Ser um especialista ao nível do planeamento do treino. – Desenvolvimento da “Pré-Disposição” para o treino e para a competição. o controlo e avaliação do treino. – Desenvolvimento da auto-confiança. – Este planeamento não é feito para um grupo de atletas. – Desenvolvimento da capacidade de superação individual. – Os modelos de planeamento e programação do treino utilizados podem variar de acordo com a disciplina. a fisiologia do esforça. – Ser um especialista no âmbito do treino técnico da disciplina praticada pelo seu atleta. 7. Capacidades Psicológicas de Desenvolvimento Prioritário: – Motivação para o treino e para a competição.Revista Técnica da Federação Portuguesa de Atletismo.A Organização da Carreira Desportiva no Atletismo Direcção Técnica Nacional Meio-fundo e Marcha: – Velocidade. Competições e importância dos Resultados – As competições têm a máxima importância nesta etapa. Lançamentos: – Velocidade de execução. – Força elástico-reactiva. N. Campeonato do Mundo ou Jogos Olímpicos) no caso dos atletas de alta competição. tendo como objectivo conseguir um “pico de forma” coincidente com a competição mais importante (Campeonato da Europa. – Força explosiva. – Desenvolvimento das capacidades de comunicação. – Ser um especialista ao nível do treino das capacidades condicionais fundamentais para a disciplina que treina. – Força de resistência / força geral. – Força de resistência / força geral. – Resistência aeróbia. podendo variar entre os seis treinos (Período Competitivo) e os 12 treinos (Período Preparatório). – Regulação da agressividade. – Iniciação ao trabalho de força máxima. Coordenação dos elementos técnicos da disciplina em velocidades elevadas e em situação competitiva. – Desenvolvimento da capacidade de concentração. – O planeamento do treino é elaborado em função do calendário competitivo e da competição mais importante da época. a fisioterapia. – Desenvolvimento da capacidade de focalização em objectivos. – Velocidade de resistência. – Desenvolvimento da capacidade de perseverança. os objectivos de cada época e as características de cada atleta. Particularidades da intervenção do Treinador – Motivar os atletas para um treino intenso e para a competição ao mais alto nível. Número de Treinos semanais Nesta etapa. – Força elástico-reactiva. – Regulação do “Stress Competitivo”. – Ter conhecimentos ao nível de áreas importantes para o treino. o número de treinos semanais varia de acordo com as necessidades de cada atleta e com o período da época. – Ter conhecimentos ao nível da preparação psicológica para o treino e para a alta competição. – Desenvolvimento da capacidade de “Visualização Mental”. Novembro de 2010 9 . – Desenvolvimento da capacidade de controlo da ansiedade.

incluindo uma versatilidade e motivação pronunciadas. Em todos os momentos deve ter-se em conta as diferentes fases sensíveis do desenvolvimento do atleta para poder incidir de forma adequada nos aspectos a desenvolver e potenciar os resultados a longo prazo. há que potenciar a competição e treino de velocidade.Revista Técnica da Federação Portuguesa de Atletismo. Inicio do trabalho com halteres. Há que ter em presente esta afirmação na hora de planificar o treino e pensarmos no rendimento a longo prazo. 3. executar rapidamente gestos de variado tipo. sobretudo a força e a velocidade. Em nenhuma outra etapa os gestos técnicos elementares poderão ser adquiridos tão rapidamente”. ETAPA DE TECNIFICAÇÃO Dos 12 aos 14 anos. 1987). incidindo na formação das técnicas básicas das disciplinas do atletismo com transferência positiva para a corrida de velocidade: • salto em comprimento. Nesta etapa deve-se trabalhar fundamentalmente a técnica de corrida e de aceleração (partidas). flexibilidade.Como abordar a preparação de provas de velocidade nos jovens. Professor de Educação Física. especialização Análise e Observação do Movimento. Convivem de forma praticamente igual o treino do tipo multilateral geral com o especial. É a capacidade que se manifesta por completo nas acções motrizes onde o rendimento máximo não é limitado pelo cansaço (Harre. 2. o trabalho de velocidade pura. Treino multilateral. desde o início até aos 17 anos Prof. sendo essencial para lançar e saltar mais longe. 4. velocidade e flexibilidade). Colaborador da DTN Tradução de Artigo original de: Alex Codina Trenzano (Técnico Nacional Adjunto do Sector de Velocidade da RFEA). Deve-se insistir na realização de diferentes especialidades. de forma tanto analítica como global. em que o indivíduo está motivado. assim como. aos 13-14 anos UNIDADES DE TREINO SEMANAIS: 5 DURAÇÃO DAS SESSÕES DE TREINO: de 90 a 120 minutos aproximadamente. o que permitirá melhorar esta qualidade. Devem-se introduzir os exercícios competitivos também de forma global e analítica. Rui Norte Mestre em Educação Física e Desporto. já que serve de base para a prestação em provas que não apenas a corridas de velocidade. o indivíduo encontra-se num momento evolutivo para realizar um trabalho de velocidade de reacção. por isso há que insistir muito no treino técnico. resistência. • provas de estafetas. Formação das capacidades condicionais básicas (força. É nestas idades que se garante a aprendizagem. já que a nível psicológico tem uma grande predisposição. A velocidade depende das outras qualidades motoras básicas. É a qualidade física que permite realizar acções motrizes no menor tempo possível (Mora). já que isso permitirá valorizar de uma forma mais positiva as diferentes qualidades individuais que proporcionam um maior leque de especialidades para seleccionar. É fundamental que nesta etapa a realização de um trabalho técnico de forma mais analítica. A velocidade deve ser considerada como uma qualidade fundamental. Antonio Sánchez Muñoz (Técnico Nacional do Sector de Velocidade da RFEA) Introdução A Velocidade como qualidade neuromotriz deve ser desenvolvida desde tenra idade. CATEGORÍA INFANTIL-INICIADO. N. DEFINIçãO DE VELOCIDADE A velocidade é a capacidade de realizar acções motoras no mínimo tempo e com o máximo de eficácia (García Manso). ou seja. Também é um momento 10 Dossier de Treino . • lançamento do peso e dardo (ou arremesso de bola). gestual e de frequência de movimentos. coordenação. força. mas sem descurar o trabalho técnico global. ETAPAS DE DESENVOLVIMENTO DA VELOCIDADE THUNM (1987) assegura que “desde a idade de 8 anos até à puberdade. 7. Inicia-se a competição. Novembro de 2010 . resistência. • corridas com e sem barreiras. OBJECTIVOS GERAIS DESTA ETAPA: 1. os jovens têm uma facilidade natural de aprender e reter as coisas. pelo que devem ser treinadas junto com a velocidade.

Formação da técnica de salto em comprimento. nesta etapa devemos ir progressivamente especializando o treino. • Técnica de corrida. • Exercícios gerais de técnica de barreiras. Nesta fase. tanto física como psicológica. decompondo-a nas suas manifestações mais particulares. maior que nos rapazes e isto deveria ser aproveitado antes da produção de estrogénios ser muito importante (trabalhar a força na fase anterior). VELEZ (1999).Revista Técnica da Federação Portuguesa de Atletismo. o treino era multilateral. realiza-se um trabalho multidisciplinar com provas do mesmo grupo. há que começar a treinar o resto das capacidades condicionais com implicações na velocidade. Formação da técnica de lançamento do peso e do dardo. • Ritmo de barreiras. velocidade e saltos horizontais. pelo que devemos começar a realizar um treino específico. testosterona nas raparigas muito menor que nos rapazes. a produção de androgénios anabolicos. por parte da zona cortical das glândulas suprarenais é muito alta e inclusive. • Partidas de diferentes posições. Dos 16 aos 19 anos. velocidade e barreiras. como por exemplo. O desenvolvimento das capacidades condicionais tem uma grande importância e pouco a pouco vão-se incorporando os meios mais específicos do treino da velocidade. • Exercícios analíticos de técnica de corrida. quando se inicia o trabalho de força resistente. • Saltos horizontais. já não devemos iniciar a aprendizagem de novas destrezas. • Exercícios analíticos de técnica de barreiras. 7. o indivíduo consolida a sua maturação. para-vertebrais). Dossier de Treino . • Recepção e entrega do testemunho. Na puberdade.Como abordar a preparação de provas de velocidade nos jovens. • Corridas progressivas e de intensidade sub-máxima. • Exercícios de partida sem blocos. no entanto. N. • Lançamentos desde a posição de parado. Formação da técnica de barreiras: • Técnica de barreiras. • Corrida continua • Todo tipo de exercícios gímnicos. incidindo de forma fundamental na musculatura de suporte postural (abdominais. Rui Norte OBJECTIVOS Formação da força: • Rápida • Resistência • Explosivo-elástica CONTEÚDOS • Exercícios de musculação analíticos com o peso corporal. • Exercícios de partida com blocos. • Técnica de transmissão do testemunho. através de sessões específicas de treino. manter-se-á e melhorará o aprendido na etapa anterior. É neste momento. Formação da resistência: • Aeróbica Manutenção da flexibilidade: • Activa e passiva Formação da técnica de velocidade e de estafetas: • Técnica de partida. realizando os primeiros apoios activos. • Aprendizagem técnica dos exercícios básicos de halterofilia. quer acústicos quer ópticos. sem descurar que a velocidade é força. • Partidas de diferentes posições utilizando sinais. • Ensino da técnica básica do lançamento do dardo e peso. Formação da velocidade: • De reacção. • Corridas com barreiras a distâncias variáveis. Este aumento determina uma maior treinabilidade da força. para que no final deste período se utilizem os mesmos meios e metodologias que com um atleta adulto. “hormonalmente. o treino da resistência: Resistência ETAPA DE ESPECIALIZAÇÃO INICIAL E ESPECIALIZAÇÃO PROFUNDA Dos 14 aos 15 anos. • Treino em circuito. Assim como na etapa anterior. Novembro de 2010 11 . • Ensino da técnica básica do salto em comprimento. • Rampas ou escadas. desde o início até aos 17 anos Prof. Nas raparigas. lombares. • De aceleração. Também se deve ter em conta o aspecto psicológico. • Partidas. • Trabalho com bolas medicinais. nesta fase há um aumento da Aeróbia Lác ca Alác ca Capacidade Potência Capacidade Potência Capacidade Potência Temos de ter muito em conta a realização de um trabalho de condição física geral.

• Desenvolvimento da potência aeróbia. 7. barreiras e salto em comprimento. Utiliza-mos os meios de treino necessários ao desenvolvimento das qualidades fundamentais da especialidade. elástica-reactiva e técnica) e bioenergético específico (velocidade resistente e potência aeróbica). é muito importante introduzir de forma progressiva o treino de velocidade resistente e da capacidade e potência láctica. • Treino em circuito. • Ritmo de barreiras. 2. • Saltos com corrida curta e completa. OBJETIVOS GERAIS DA ETAPA 1. 3. Rui Norte Também nesta etapa. Aperfeiçoamento técnico das disciplinas de velocidade e estafetas. acústicos ou ópticos. • Trabalho com sobrecargas. a 3 e 5 passos. • Exercícios analíticos de técnica de barreiras. realizando os primeiros apoios activos. aproximadamente. • Trabalho com bolas medicinais. desde o início até aos 17 anos Prof. • Lançada Formação da resistência: • Aeróbica • Anaeróbica Manutenção da flexibilidade: • Activa e passiva 12 Dossier de Treino . Formação da velocidade: • De reacção. • Desenvolvimento da capacidade anaeróbica aláctica. Formação da técnica de salto em comprimento: • Técnica de salto. • Corrida de aproximação. • Multisaltos verticais. Desenvolvimento do trabalho neuromuscular especifico (força explosiva. • Exercícios de partida sem blocos. ESPECIALIZAÇÃO PROFUNDA CATEGORÍA JÚNIOR. • Multilançamentos. Novembro de 2010 . • Corridas com barreiras a distâncias variáveis. • De aceleração. trabalhando o aspecto psicológico do indivíduo. • Desenvolvimento da capacidade anaeróbica láctica. 4. • Exercícios de partida com blocos. • Corridas com barreiras. • Técnica de transmissão do testemunho. elástico-reactiva e técnica) e bioenergético especifico (velocidade resistente e potência aeróbica). • Todo tipo de exercícios gímnicos. OBJETIVOS GERAIS DA ETAPA 1. • Rampas de 30-40 metros em séries de repetições. • Corridas progressivas e de intensidade sub-máxima. • Ensino da técnica básica do salto em comprimento. • Corridas de 60-80 metros a alta intensidade (98%). para desta forma mantermos a motivação. de 15 a 16 anos UNIDADES DE TREINO SEMANAIS: 5-6 DURAÇÃO DAS SESSÕES DE TREINO: de 120 a 150 minutos aproximadamente. Aperfeiçoamento técnico das disciplinas de velocidade e estafetas. Grande importância do treino condicional. • Multisaltos horizontais. • Escadas ou rampas. Formação da técnica de velocidade e de estafetas: • Técnica de partida. de 17 a 19 anos UNIDADES DE TREINO SEMANAIS: 6 DURAÇÃO DAS SESSÕES DE TREINO: de 120 a 180 minutos.Como abordar a preparação de provas de velocidade nos jovens. • Partidas de diferentes posições utilizando sinais. Especificação progressiva do treino. • Exercícios gerais de técnica de barreiras. Início do trabalho neuromuscular específico (força explosiva. • Corridas de balanço. mediante o sistema contínuo ou fraccionado. Devemos realizar jogos específicos da especialidade. • Partidas de diferentes posições. N. 2. • Exercícios analíticos de técnica de corrida. • Recepção e entrega do testemunho. • Técnica de corrida. • Partidas.Revista Técnica da Federação Portuguesa de Atletismo. ESPECIALIZACIÓN INICIAL CATEGORÍA CADETE-JUVENIL. OBJECTIVOS Desenvolvimento da Força: • Rápida • Explosivo-elástica • Explosivo-elástica-reflexa • Resistência CONTEÚDOS • Exercícios analíticos compensatórios de musculação. fundamentalmente fora dos períodos competitivos. Formação da técnica de barreiras: • Técnica de barreiras.

uma vez que os níveis de força explosiva são diferentes. • Multisaltos horizontais. 2. 4. • Dinamismo dos braços. Cada uma delas possui as suas particularidades. Uma fase de velocidade lançada ou de velocidade máxima. • Arrastos. Isso exige. desde o início até aos 17 anos Prof. • Partidas de diferentes posições. • Multilançamentos. Impulsão. A VELOCIDADE COMO PROVA TÉCNICA Deve-se prestar atenção à corrida de velocidade. por um lado. graças ao treino sistematizado. tratada durante o treino. durante o processo de treino. • Exercícios de partida sem blocos. Regularizar as condições de partida até à sua estabilização: • Parâmetros espaciais (ângulos. Novembro de 2010 . Devem-se definir 4 fases bem diferenciadas: 1. • Arrasto com 8-10kg de 30 metros em séries de repetições. • Todo tipo de exercícios gímnicos. Por isso. como é a técnica.Como abordar a preparação de provas de velocidade nos jovens. 2. • A cabeça e a vista. Sem dúvida. • Técnica de transmissão do testemunho. N. desde um aspecto muitas vezes descurado. • Partidas. • Trabalho com bolas medicinais. FASES DE ACELERAÇÃO E LANÇADA: 1. para tentar resolvê-los. a corrida de velocidade deve-se qualificar como uma prova eminentemente técnica. • Escadas ou rampas. • Parâmetros temporais/espaciais (cadeia cinemática. Uma fase de aceleração. e codificar os possíveis erros que possa cometer. Primeiros apoios: • Extensão da perna dianteira. • Explosivo-elástica • Explosivo-elástica-reflexa • Resistência CONTEÚDOS • Treino com pesos. acústicos ou ópticos. Posição cómoda: • Pressão dos 2 pés nos blocos. Uma fase de velocidade resistente. e como tal. • Combinações. • Linearidade. FUNDAMENTOS TÉCNICOS PARA VELOCISTAS De seguida contemplam-se uma série de fundamentos que devem ser observados pelo treinador. os seus meios de trabalho e os seus elementos técnicos. • Exercícios analíticos compensatórios de musculação. 7. • Rampas de 30-40 metros em séries de repetições. a definição de um modelo técnico do qual o atleta deve Dossier de Treino .). • Lançada Formação da resistência: • Aeróbica • Anaeróbica Manutenção da flexibilidade: • Activa e passiva Formação da técnica de velocidade e de estafetas: • Técnica de partida. mas sempre necessário. • Técnica de corrida. que o atleta deve conseguir interligá-las. • Transmissões nas zonas especificas.Revista Técnica da Federação Portuguesa de Atletismo. o que facilitará a decomposição das diferentes exigências técnicas que o atleta deve resolver. 4. acção-reacção. • Multisaltos verticais. • Exercícios de partida com blocos. ritmo). 3. Formação da velocidade: • De reacção. • Desenvolvimento da potência aeróbia. um processo metodológico que facilite a aquisição dessa mestria técnica. para interpretar o que se conhece como corrida de velocidade. relação entre segmentos…. por outro. Uma fase de velocidade de reacção (prévia ao movimento). • Corridas progressivas e de intensidade sub-máxima. • Corridas de 60-80 metros a alta intensidade (98%). mediante o sistema contínuo ou fraccionado. • Técnica de aceleração. 3. • Desenvolvimento da capacidade e potência anaeróbica láctica. Não existe uma técnica de partida standart. • Bacia. • De aceleração. • Desenvolvimento da capacidade anaeróbica aláctica. realizando os primeiros apoios activos. • Cabeça (quando a levanta) 13 OBJECTIVOS Desenvolvimento da Força: • Máxima e explosiva • Rápida. Rui Norte aproximar-se e. • Trabalho com sobrecargas. a de seguida descrevem-se as fases que compõem a corrida de velocidade. • Exercícios analíticos de técnica de corrida. • Treino em circuito. • Partidas de diferentes posições utilizando sinais. PARTIDA DE BLOCOS: 1. • Recepção e entrega do testemunho.

• Inclinação do tronco.Revista Técnica da Federação Portuguesa de Atletismo. pode-se começar o trabalho com halteres. desde o início até aos 17 anos Prof. segundo a fase de crescimento em que se encontra o atleta 14 Dossier de Treino . ao longo dos ciclos de treino e dosificá-los tendo em conta as condições mencionadas anteriormente. Evidentemente. que não se deva trabalhar a força em etapas anteriores. Rui Norte • Tronco (quando o levanta) • Continuidade PERNA-TRONCO-CABEÇA 2.º N. e os meios que dispomos para isso. 7.º ções Unidade Exercícios Séries Repetições de Treino 10 3-5 15 a 30 1000 30”W 30”R 3 3 6-8 60-80 4 2 10 80 6-12 3-5 10 a 30 1000 Meios O DESENVOLVIMENTO DA FORçA PARA UM ATLETA JOVEM Grupo de Exercícios Expressão de Força Ciclo Fundamental Geral Ciclo CompeFundaEspecial titivo mental Intensivo Meios Força Geral Força Dirigida Força Especial Circuito Escadas Multilançamentos Resistência Fortalecimento e Rápida do Tronco e Braços Exercícios com Barra Multisaltos Horizontais Curtos Subidas de 30 metros Arrasto sobre Explosiva 30 metros – Elástica Subidas de 60 metros Multisaltos Longos até 50 metros Cargas Adicionais nos tornozelos (1kg) Explosiva Multisaltos – Elástica Verticais – Reflexa (barreiras) Corridas com cinto lastrado (4kg) Circuito Escadas Multilançamentos Fortalecimento do Tronco e Braços Exercícios com Barra Multisaltos Horizontais Curtos (x1 x3 x5) Rampas de 30 metros Arrastos de 30 metros Rampas de 60 metros Multisaltos Longos até 50 metros Cargas Adicionais nos Tornozelos (1kg) Multisaltos Verticais (barreiras) Corridas com cinto lastrado (4kg) 40 a 60 1-2 1-2 1-2 1-2 2-3 2-3 2-3 1-2 6-10 1-2 3-6 3-6 1-2 1-2 2-3 6-10 2-3 6 6 2 2 6 80 6 1 kg Variar altura 4kg / 50 metros 10-15% 6-8kg 10-15% O TREINO COM CARGAS ADICIONAIS Ora bem? Quando introduzir o treino com cargas adicionais? Esta é uma discussão que sempre aparece quando se apresenta treino para jovens e deve ser tratada com cautela mas sem dúvidas. 3. N. isto não quer dizer em nenhum momento. Quadro n. através de métodos mistos. • Apoio correcto. • Subida do pé desde o solo ao glúteo (debaixo e NÃO DETRÁS!). Uma vez que o jovem velocista tem o seu aparelho motor passivo convenientemente reforçado e domina a técnica de todos os meios que serão utilizados para o desenvolvimento da força. Esse é o primeiro princípio que deve ser seguido. com critério.Como abordar a preparação de provas de velocidade nos jovens. de maneira criteriosa para não prejudicar a progressão do atleta.º 1 Conhecidas as qualidades que devemos desenvolver. Novembro de 2010 . • Tensão dos ombros / cara / braços. Aceleração: • Aumento da frequência e amplitude. temos de distribui-los temporalmente. O volume para cada um dos meios com que vamos trabalhando será o seguinte: Volumes Máximos numa Sessão Máximo de Repetições Observapor N.º N. Desta maneira os meios de trabalho irão aparecendo e desaparecendo ao longo dos ciclos tal com demonstra o quadro 1. Corrida lançada: • Colocação da bacia.

1981. 1988. à que conhecer perfeitamente a biomecânica da corrida de velocidade.: “La estrategia el entrenamiento juvenil”. J. Barcelona. deve-se recordar as fases sensíveis do treino. Barcelona. 1985. Atleticastudi.:“Pedagogía de la carrera”. Madrid. E COL. Madrid.: “Carrera de velocidad” Atleticastudi. Não publicado. LEE E. Também se deve seguir uns critérios de progressão cuja referência. R. Comité Olímpico Espanhol.: “Planificación de la Escuela Catalana de Velocidad”. CARLO E COL. – TSCHIENE. 19 anos: 140 % do peso corporal. – VITTORI. Atlética Leggera.Como abordar a preparação de provas de velocidade nos jovens. 1983. Roma. – PIASENTA: “Aprender a observar”.: “Una dirección programática para la actividad deportiva juvenil”. M. E COL. – HAHN. Barcelona. Atleticastudi. R. – MARTÍN ACERO. 1986. 2002. – PIASENTA: “La educación atlética” INSEP 1988.: “La velocidad en el deporte” Ed. 1999. 17 anos: 120% do peso corporal. Centro de Documentación de la RFEA.Revista Técnica da Federação Portuguesa de Atletismo.: “Entrenamiento Óptimo” Editorial Hispano Europea. J. Roma. por outro lado. Scuola dello Sport.Brcelona. – CODINA. – VÁRIOS AUTORES: “El ABC de la práctica del entrenamiento en chicas jóvenes”. dado que em muitas ocasiões se centra o trabalho da força sobre uma parte da musculatura implicada. Barcelona. – CARBALHO. – MARTÍN ACERO. descurando outra que é fundamental para o rendimento do atleta e acaba por converter-se num foco de lesões importante (o sistema rompe-se sempre pelo lado mais fraco). Madrid. Roma. G. Nº 7. G. G. J. 1983.. J.: “Hacia un modelo de entrenamiento para la velocidad. Nº 11.: “El entrenamiento deportivo de niños y jóvenes”.:“Velocidad y relevos”. assinalamos os factores mecânicos a que fazemos referência. Madrid. Barcelona. Nº 46. R. reduzindo. – PÉREZ. Editorial Paidotribo. Editorial Paidotribo. 1991. referidas anteriormente e para isso. E COL. 1988. P. – MARTIN.: “El entrenamiento de la fuerza en jóvenes”. as lesões. CARLO: “Directrices entrenamiento de velocidad en todas las categorías”. se indica de seguida: a) Incremento da magnitude da carga no ½ agachamento. Para isso. – VITTORI.: “Preparación deportiva juvenil”. – PÉREZ. desde o início até aos 17 anos Prof. c) Aumentar a intensidade. Rui Norte permitam incidir no rendimento do atleta. Roma. sempre orientativa. Carreras y marcha”. Editorial Augusto Pila Teleña 1979. Lleida. para uma maior intervenção nervosa do atleta. Madrid. – MARTÍN ACERO. 2001. b) Posteriormente aumentamos o volume de trabalho. – VITTORI. 1981. com mais séries e mais repetições. Novembro de 2010 15 . 1978. Por isso.: “Entrenamiento de velocidad. CONI. 1981. 2000. Centro de Documentación de la RFEA. – MONTSERRAT. J. dispõe-se de meios de trabalho completamente adaptados à idade e que permitiram alcançar.: “El entrenamiento de la velocidad”. Madrid 2004.M. 1986. POVILL. – COMETTI. Madrid. Nº 11. 2001. – DINTIMAN. Tutor. Comunicação no Congresso Internacional de Planificação e Controlo do Treino. N. Lleida.M. D. – VÁRIOS AUTORES: “Actividad juvenil: manual del entrenador”. agilidad y rapidez”.: “Una experiencia de trabajo de resistencia en jóvenes velocistas” Comunicação no Congresso Internacional de Planificação e Controlo do Treino. 1990.: “Experiencia de entrenamiento de la resistencia específica en velocistas”. Centro de Documentación de la RFEA. P. 7. G E COL. Editorial Martínez Roca. Apesar de parecer obvio. Editorial Paidotribo. Sextas jornadas sobre el presente y futuro de las categorías menores en el atletismo. – WEINECK. JAVIER. CARLO. 2000. – VÁRIOS AUTORES.. Atleticastudi “ Roma. E. é necessário conhecer a musculatura que intervém nas acções técnicas da corrida de velocidade. Madrid. BIBLIOGRAFIA – BELLOTI. ALESSANDRO: “Metodologia de la utilización de la energía en la prueba de 400 metros” Cuadernos de Atletismo. 2007. POVILL. – MANNO. A.M. Editorial Miñon. 1982. E POVILL. de seguida. 1984.: “Engramas neuronales y teoría de la mente”. – BROWN. pode-se considerar que esse velocista já está em condições para treinar com cargas adicionais. R. 1978. Barcelona.: “Propuesta de un modelo técnico-biomecánico de la prueba de 100 metros” Cuadernos de Atletismo. Planificación y programación del entrenamiento para jóvenes atletas” Cuadernos de Atletismo.: “Fundamentos del entrenamiento deportivo”. C. A. 1983. – VÉLEZ. – VITTORI. de: 15 anos: 105% do peso corporal. Cuadernos de Atletismo.: “Manual de Metodología del Entrenamiento Deportivo”. – VÁRIOS AUTORES: “Manual Básico de Atletismo” Real Federación Española de Atletismo. – DONATTI. – BRAVO.: “Planificación del entrenamiento de los jóvenes hacia el alto rendimiento”. Quando é esse momento adequado? Vittori propõe que quando o atleta é capaz de realizar 10 abdominais e 10 lombares com 10 kg e saltar sobre uma perna depois de um agachamento completo. para deste modo se conhecer perfeitamente os factores mecânicos da corrida que nos Dossier de Treino .: “Entrenamiento con niños”. Editorial Paidotribo. Primeras jornadas sobre el presente y futuro de las categorías menores en el atletismo. segundo a idade. esse momento adequado para começar com o trabalho com cargas adicionais.: “Atletismo (1).

provavelmente.. muito bem sistematizado e amplamente divulgado por José Barros. não estará a ser estruturado de forma a garantir a continuidade do seu desenvolvimento desportivo! Com esta abordagem crítica. interessado em evoluir na sua intervenção técnica. Antes de passar a uma análise de cada disciplina. Cada um terá. Pelo que é o momento oportuno para reflectirmos sobre o modo como temos vindo a organizar o treino e para ponderarmos as correcções a fazer para a próxima época. Depois desta introdução de ordem geral. Pois dada a participação competitiva observável em alguns atletas (nomeadamente em alguns jovens de nível nacional). cabe-me. que coloco à consideração de cada um dos meus colegas treinadores. gostaria de abordar algumas questões relativas a cada um dos saltos.Saltos Jovens saltadores portugueses. Permito-me repetir: o modelo de treino baseado na competição incessante conduz a um rápido (mas ilusório) aumento do rendimento desportivo durante os primeiros anos. Dossier de Treino . questiono-me: quando e como é que estes atletas treinam? Tenho verificado que vários jovens atletas começam a competir no final de Novembro ou princípio de Dezembro.. pois. Pois cada caso é um caso e é possível competir com alguma frequência. 7. certamente. sabendo que há competições que servem para preparar outras mais importantes. Tentarei não me alongar demasiado. abre a época com um resultado próximo do seu melhor e continua. permitem-nos alguma segurança quanto à necessidade de abordarmos o treino numa perspectiva de desenvolvimento contínuo. O legado deixado por Robert Zotko. ainda mais importante. também a própria distribuição do calendário juvenil proporciona uma oferta competitiva quiçá excessiva. mantendo sensivelmente o mesmo resultado até ao final da época é um sintoma de que o seu treino. Novembro de 2010 . certamente. Por isso. E. É. estou confiante num mais apurado espírito de análise e de reflexão crítica. Depois.Revista Técnica da Federação Portuguesa de Atletismo. Quando é que estes jovens farão algum trabalho fundamental que lhes permita elevar os seus níveis de condição geral e específica? Quando lhes será permitido regenerar e recuperar as suas estruturas agredidas pelo impacto da intensidade competitiva nos saltos? Como melhorarão a sua técnica e como desenvolverão os requisitos condicionais que lhes permitirão ascender ao patamar competitivo seguinte? A consequência directa deste tipo de treino (?!) é uma rápida evolução inicial dos resultados. provocada pelo elevado estímulo competitivo. Análise crítica e sugestões para o desenvolvimento Prof. fundamental garantir a alternância dos ciclos competitivos com ciclos de preparação. devem aprender que o seu progresso e o seu desenvolvimento desportivo dependem mais daquilo que vão construindo no treino do que do resultado de uma competição de preparação. N. continuam) a competir em Abril. à lesão. Resultam. recomeçam (isto é. sistemático e progressivo da capacidade de treino. também. mas. a generalidade dos treinadores de saltos me parecem agora bastante mais qualificados e competentes. para que cada competição seja enquadrada na devida perspectiva. cabe-nos a nós treinadores. a sensatez de efectuar uma auto-análise crítica e objectiva sobre a sua própria prática e estará. como principais responsáveis pela condução do processo de desenvolvi16 mento desportivo dos nossos atletas. relativamente à minha primeira passagem por este cargo (1993 a 2001). fazer um breve balanço e deixar umas quantas sugestões de carácter técnico. não quero “meter tudo no mesmo saco”. Alcino Pereira Licenciado em Educação Física e Desporto e Mestrado em Treino Alto Rendimento Desportivo Técnico Nacional de Saltos Director Técnico Distrital da Associação da Madeira Com base no que me tem sido possível observar durante as competições e estágios de preparação. nos anos seguintes. Não posso terminar esta introdução sem referir que. Isto é. conservando os fundamentos correctos do treino. estabelecer prioridades e orientar o estabelecimento de objectivos. da observação efectuada e de alguma experiência acumulada. participando em tudo que seja competição até Março. seguida da estagnação. na qualidade de responsável pelo sector. parece-me pertinente introduzir uma questão relativa à organização do treino. à desmotivação e ao consequente abandono precoce. No entanto. da desmotivação e do abandono! Quando um jovem atleta atinge rapidamente (nos primeiros anos de treino) um patamar de algum nível competitivo e. do aperfeiçoamento técnico e dos requisitos condicionais específicos para o rendimento nos saltos. salvaguardando sempre uma perspectiva de desenvolvimento dos atletas! Estamos numa fase de transição de época. “matando” todas as competições até ao final da época. os jovens terão de aprender a hierarquizar a importância de cada competição. Por outro lado. inevitavelmente. leva à estagnação.

Não é fácil lidar com tudo isto! Nem para os atletas nem para os treinadores. é um assunto que. devemos considerar os procedimentos comuns à aprendizagem e ao treino dos MS (assunto que abordarei mais à frente) e incluir uma percentagem importante (tão importante quanto mais especialista é o atleta) de saltos a um apoio dirigidos para cima. • Limita a eficácia da chamada. £ Chamada demasiado longe da fasquia. Antes. tudo o resto deve estar mais abaixo). que leva a dificuldades no seu acerto e inconsistência de resultados). não é fácil de gerir (particularmente com as raparigas). o salto mais complexo! É necessário lidar com uma corrida em curva que culmina numa chamada tão verticalizada quanto possível. ter a força específica necessária para saltar (capacidade de salto vertical) e não cometer erros técnicos significativos. • Existe uma distância adequada para a chamada. 7. acabando por ficar arqueado antes do tempo e com a cabeça sempre numa posição demasiado alta relativamente ao tronco e ancas durante todo o salto). não o número de pés ) Isto provoca dificuldades no acerto da corrida em competição e um consequente aumento da insegurança. esta não deve ocorrer no sentido oposto ao da corrida (apesar de ser para cima. Falaremos novamente neste aspecto um pouco mais à frente. • Apesar de ter de haver uma mudança de trajectória muito acentuada durante a chamada. • Além de induzir ao erro anterior. uma das mais importantes ilações que me parece possível retirar é que. £ Ritmo incorrecto. £ Falta de um padrão regular na forma e no ritmo da corrida (corrida inconsistente. £ Antecipação da rotação dos ombros durante a chamada. induz também a uma chamada incompleta por antecipação do arco dorsal (para não ir contra a fasquia. não é por questões estritamente técnicas que os nossos melhores atletas não saltam mais alto.Saltos: Jovens saltadores portugueses. o atleta começa a arquear quando ainda está a sair do chão. por falta de capacidade de salto! Esta ilação vem ao encontro da necessidade de dar uma grande atenção à importância do treino dos multi-saltos (MS) na “construção” e na evolução dos saltadores. há alguns erros técnicos a não cometer (refiro alguns dos que tenho observado): £ Corrida demasiado longa (e rápida) ou demasiado curta para as possibilidades técnicas e condicionais dos atletas. • Durante a transposição. Análise crítica e sugestões para o desenvolvimento Prof. simultaneamente. todas as partes do corpo que não estejam sobre a fasquia devem ser colocadas para baixo (para elevar as ancas. • Normalmente. SALTO EM COMPRIMENTO Sendo o salto mais simples é. Mas tem de ser leve. No entanto. • Muitos atletas iniciam a sua corrida como se fosse uma prova de 60m (!) 17 Dossier de Treino . £ Braços acima do corpo quando este está sobre a fasquia. em função da velocidade de aproximação e da capacidade de salto (o atleta não deve ter de se “atirar” para a fasquia). Novembro de 2010 . dos mais difíceis de observar e de modificar. numa grande parte dos casos. com bom senso e mantendo o equilíbrio alimentar. produzindo um impulso menor e em direcção ao colchão (em vez de ser para cima). Quanto à capacidade de salto. mas a que devemos dar atenção. porque tudo ocorre a grande velocidade e num curto espaço de tempo! Alguns problemas detectados: £ Inconsistência na corrida de balanço. Acresce que (tal como na vara) é necessário saltar melhor quando a fasquia está mais alta. Alcino Pereira SALTO EM ALTURA O salto em altura é. talvez. é um erro também associado a uma acção muito breve e “tímida” da perna livre. £ Chamada no sentido oposto ao do movimento (chamada para trás). N. £ Chamada demasiado próxima da fasquia. Paralelamente. • Uma grande parte dos atletas (e alguns treinadores ) não fazem ideia de quantos passos tem a sua corrida (“passos de corrida”. sem dramatizar. Relativamente ao peso corporal. de onde “nasce” uma rotação tripla (sobre 3 eixos em simultâneo).Revista Técnica da Federação Portuguesa de Atletismo. o salto não deixa de ser para a frente). Um saltador em altura não tem de ser muito rápido. £ Local de chamada demasiado ao meio da fasquia (leva à perda do efeito da curva e/ou chamada no sentido oposto ao do movimento). às vezes.

£ Também se observa. com 1. Alcino Pereira – Isto conduz a um desgaste energético desnecessário e. N. 7. • Corrida com o corpo demasiado inclinado à frente e circulação atrás. £ Um erro que começa a surgir com alguma frequência é a “não preparação” da chamada. • A solução passa por. associados a algum excesso de rotação produzida durante a chamada e/ou a falta de compensação suficiente da rotação durante o voo (por exemplo. • Seja por antecipar a flexão das pernas para baixo do corpo (após a extensão à frente). Análise crítica e sugestões para o desenvolvimento Prof. para trás (o exemplo da figura referese à acção dos braços durante um salto em extensão). • Durante o penúltimo apoio a perna de apoio flecte um pouco mais (baixando o CG) enquanto a perna que vai fazer a chamada antecipa o seu avanço. • O problema é que é muito difícil “ensinar” este mecanismo de preparação da chamada (normalmente. até a chamada. circulando depois por cima. • Seja por deixar os braços à frente do corpo. • Seja ainda por antecipar a acção de uma das pernas. • Os atletas vão até à tábua sempre a tentar correr “alto” e não preparam a chamada. fazemos asneira ) porque se perde a naturalidade do movimento. quase sem alteração da trajectória do corpo (vão em frente – paradoxalmente. resultando numa chamada bastante pobre. o erro mais frequentemente observado é a elevação prematura dos braços (o que impede a eficácia da sua acção durante a chamada) e a sua conservação à frente do corpo durante a queda (que impede o melhor aproveitamento da queda – este erro é menos frequente). principalmente. desde cedo. • A acção dos braços após o final da chamada deverá ser. caindo com um pé mais atrás do que o outro. • Por vezes ocorre o inverso: os atletas correm “sentados”. £ Falta de equilíbrio durante a corrida (normalmente associado ao erro anterior). ligeiramente para baixo (favorecendo a necessária micropausa no final da chamada). mantendo o equilíbrio no ar. com alguma frequência.Saltos: Jovens saltadores portugueses. primeiro. proporcionar situações (lúdicas ou repetitivas) em que o jovem atleta seja “obrigado” a realizar este mecanismo de forma espontânea. tal é a sua obsessão em levantar os joelhos à sua frente • É importante correr de forma equilibrada. – Correr e saltar para cima de um obstáculo distante. 5 ou 7 passos de cor18 rida entre cada chamada) com a intenção de correr rápido e prolongar o voo (contrastar da acção). – Estes dois últimos erros estão. para a frente. algum desaproveitamento da queda. Dossier de Treino . a grandes dificuldades na dinâmica de aproximação à chamada. £ Durante a trajectória aérea. com o percurso dos pés mais “recortado” (mais baixo – um pouco como acontece com os barreiristas de nível internacional). fazendo com que os pés contactem demasiado atrás. normalmente. procurando uma posição de corrida bem equilibrada. com os joelhos relativamente elevados (mas não de forma a produzir o erro atrás referido) e de forma a que o atleta se consiga “organizar” para uma chamada eficaz. de forma semelhante ao que acontece quando chegam à chamada inclinados à frente…).Revista Técnica da Federação Portuguesa de Atletismo. acelerando progressivamente e com o ritmo mais elevado a ocorrer durante os últimos apoios. para baixo e. • O início da corrida deve ser feito a um ritmo relativamente suave. quando tentamos ensinar. por falta de amplitude do movimento dos braços). Novembro de 2010 . finalmente. • Durante os últimos passos a corrida deve alterar-se um pouco. 3. • Existem duas situações-base que permitem trabalhar este aspecto: – Correr – Saltar – Correr (também conhecido por “passo-chamada”.

• Tronco inclinado à frente e circulação atrasada e/ou pouco ampla. SALTO COM VARA Nota-se. algum entusiasmo em torno desta disciplina. ser muito rigoroso quanto ao mecanismo de apresentação da vara (a vara deve estar à frente e afastada. • Alguns (mais: “algumas”) jovens que mal dobram a vara usam corridas demasiado longas (com 14 ou 16 passos). £ Falta de impulsão activa e falta de penetração no final da chamada (os atletas são “arrancados” do chão pela vara). 19 Dossier de Treino . usam corridas demasiado curtas (apenas 10 passos. £ Falta de equilíbrio durante a corrida. É o sinal de que a disciplina está viva! Apesar de haver uma significativa evolução técnica geral (fruto da melhor formação dos treinadores) continuam a verificar-se alguns problemas técnicos recorrentes: £ Inconsistência entre o número de passos da corrida de balanço e a maturação técnica dos atletas. impedindo o aproveitamento completo do impulso da vara (só os atletas da escola de Lisboa não têm este problema e conseguem verticalizar bastante bem durante a extensão da vara – muito bem!). apresentação e chamada) de forma a garantir uma correcta aprendizagem do salto. Para isso: £ Dar muita importância à correcta execução dos exercícios educativos destas fases. associado a uma chamada demasiado próxima do encaixe (o que se costuma designar por: “saltar dentro”). que até revelam um muito razoável domínio das fases seguintes do salto. continuando a vara a ser activamente afastada durante a chamada.Saltos: Jovens saltadores portugueses. £ Transporte da vara ao lado do corpo (com ambas as mãos a segurar a vara claramente ao lado ou até atrás do corpo). por sua vez.Revista Técnica da Federação Portuguesa de Atletismo. Alcino Pereira – Por vezes. • É fundamental que o atleta tenha a vara à sua frente e bem alto quando inicia a chamada. por exemplo). ou de forma passiva. fora de tempo. • O que. £ Falta de verticalização do corpo durante a fase ascendente (inversão incompleta). • Os jovens têm tendência a olhar demasiado para a fasquia. • A apresentação final (a partir do momento em que a vara está horizontal) deve ser feita durante os últimos dois passos (3 apoios). • Este erro está. novamente. £ Efectuar bastantes saltos com balanço mais reduzido (sempre que possível com varas flexíveis) enfatizando a correcção da apresentação e da chamada (e também de outras fases posteriores) em condições de maior facilidade (porque a velocidade é menor). além de uma chamada demasiado próxima do encaixe. normalmente. – A vara deve ser transportada com uma mão ao lado e a outra à frente do tronco. com o empenhamento das várias “escolas” de salto com vara em mostrar resultados. Novembro de 2010 . • A perna de balanço encolhe antes do tempo (só deve flectir a partir do momento em que está ao mesmo nível – horizontal – do tronco). 7. • Outros. deve-se apenas a alguma falta de “paciência” dos atletas. logo no início da chamada – mas evitar “bloquear” o braço esquerdo). N. diria que é fundamental insistir sobre a correcção sistemática das primeiras fases do salto (corrida. £ Apresentação incompleta. • Este tipo de transporte da vara “desliga” a vara do atleta e provoca a apresentação tardia e incompleta. £ Desde as primeiras fases de ensino. está associado a uma incorrecta apresentação da vara. sendo que no início do último apoio (chamada) o topo da vara já deve estar completamente acima da cabeça do atleta. • É fundamental que a vara deslize no encaixe enquanto é activamente levantado o seu topo superior. pelo contrário. £ Falta de amplitude durante o “balanço”. Como recomendações finais. Análise crítica e sugestões para o desenvolvimento Prof.

• Por isso. quero dar relevo ao facto de que não devemos colocar os atletas apenas a fazer step’s ou hop’s ao máximo. prefiro abordar a questão dos MS. bastante entusiasmo em torno desta disciplina. havendo um excesso de utilização da acção simultânea dos braços – inclusivamente. Alcino Pereira £ Ensinar primeiro a saltar para a frente (em distância). neste caso) a intensidade (amplitude) dos saltos. Parece existir alguma evolução da técnica de execução e alguma preocupação no estabelecimento de um ritmo de salto mais equilibrado. TRIPLO SALTO Nota-se. £ O domínio da técnica do triplo pressupõe um razoável ou bom nível de condição física específica (nomeadamente. Porventura efeito dos excepcionais resultados obtidos pelo Nélson Évora e também. Nota-se. • Daí. Gostaria de reter apenas um ou dois aspectos relativamente ao triplo salto: £ O triplo salto é uma disciplina com um elevado potencial de lesão (particularmente quando a execução não é a mais correcta). fruto de uma maior utilização dos multi-saltos (MS) como meio de treino fundamental para o desenvolvimento da força explosiva e da força elástica-reactiva. mini-hop’s. por exemplo) para condicionar (diminuir. na caixa de areia e dominar primeiro este salto. em vez de uma análise aos erros. logo desde o primeiro salto (hop) – em detrimento da acção alternada (mais natural.…). devemos ter o cuidado de evitar ou realizar muito poucas competições em idades baixas (particularmente quando os atletas são ainda iniciados). No caso do triplo salto. também. por exemplo). £ O alinhamento postural durante o apoio deve ser outra das prioridades da aprendizagem. N. Com esta abordagem. também. de modo a 20 Dossier de Treino . £ Diminuir a velocidade anterior aos saltos (menos corrida prévia). mas enfatizar a importância de aprender a saltar através de step’s ou hop’s de baixa intensidade (mini-step’s. • Nos MS horizontais o pé deve apoiar toda a sua planta. 7. antes de nos preocuparmos com uma grande amplitude de circulação dos segmentos (que será necessária apenas quando os saltos também tiverem grande amplitude) devemos enfatizar os aspectos mais importantes da acção de salto: £ A acção do pé durante o apoio. obviamente. neste caso.Revista Técnica da Federação Portuguesa de Atletismo. de que trataremos seguidamente. terminando na ponta. Nestas condições. até pelo terço anterior) num movimento elástico contínuo. MULTI-SALTOS A aprendizagem dos MS pressupõe a realização de vários tipos de MS em condições simplificadas e o aumento progressivo da dificuldade das condições de execução. porém. alguma confusão quanto à acção dos braços. que é. mais fácil e que permite manter a velocidade mais facilmente). Exemplos de simplificação são: £ Utilização de referenciais visuais (pequenos sinalizadores. espero eu. o pé apoia pelo terço médio (eventualmente. onde se nota algum excesso competitivo em idades precoces – o que é particularmente problemático. Novembro de 2010 . Análise crítica e sugestões para o desenvolvimento Prof. enquanto não houver algum domínio técnico deve evitar-se a competição (sobretudo a competição regular). central no treino do triplo e no treino de todos os saltos e merece um ponto próprio. capacidade de salto). sem que o calcanhar toque o solo. É uma das disciplinas.Saltos: Jovens saltadores portugueses. • Nos MS verticais a pés simultâneos e em alguns exercícios de MS horizontais cujo objectivo prioritário seja o desenvolvimento da força elástica do pé (muito importante para a corrida rápida. • Isto pressupõe a aprendizagem e a prévia prática regular e sistemática de multi-saltos.

tanto quanto possível. £ Se definíssemos apenas três prioridades na aprendizagem da acção de salto. por um lado. N. não podemos considerar os MS desligados do resto do treino. articulações e tendões). deve ser dada uma muito especial atenção à progressividade do nível de impacto e do nível de tensão musculo-tendinosa na programação do treino dos saltadores. • A acção dos braços deve manter-se. abaixo do nível dos ombros e permanecer o mais natural possível (construções artificiais da acção dos braços devem ser evitadas – não complicar ). ainda no âmbito da eficácia. São pontos críticos neste aspecto: a estrutura muscular e tendinosa dos pés. Além da progressividade do treino. a terceira prioridade seria a acção activa e sincronizada entre os movimentos da perna de apoio e dos segmentos livres (perna livre e braços). • O foco de atenção no movimento da perna livre deve estar tão próximo da anca quanto possível – é daí que deve “nascer” o movimento de balanço activo. da prevenção de lesões e do desenvolvimento do atleta. Novembro de 2010 21 . 7. é importante que não se ultrapasse uma relação de 20 a 25% de MS de alto impacto. Dossier de Treino . os músculos estabilizadores da cintura pélvica e da coluna vertebral e (especialmente no caso dos varistas) os músculos da cintura escapular. Assim. O treino dos saltadores é uma actividade particularmente agressiva para o aparelho locomotor passivo (ossos. Análise crítica e sugestões para o desenvolvimento Prof.Saltos: Jovens saltadores portugueses. para 75 a 80% de MS de baixo impacto – mesmo nos períodos de maior intensidade! Finalmente. nomeadamente de um aspecto que é de crucial importância para que seja possível progredir no nível de treino: o reforço muscular e tendinoso. Alcino Pereira MINI-SALTOS HORIZONTAIS (Quadro adaptado de Ramon Cid) manter o maior alinhamento possível de todas as articulações e minimizando a deformação por flexão das articulações (joelho e anca). é de extrema importância a correcta execução dos movimentos de salto – movimentos mais correctos aumentam a eficácia e são menos agressivos. As tabelas que seguem na próxima página poderão ajudar a uma melhor distribuição anual e plurianual dos MS. Por outro lado.Revista Técnica da Federação Portuguesa de Atletismo. Este facto é facilmente comprovado pelo elevado número de lesões destas estruturas que têm afectado os nossos saltadores.

Graduação do Impacto (adaptado de Ramón Cid) Exemplos de movimentos em função da tensão músculo-tendinosa • Corrida • Corrida em rampa Tensão Baixa • Multi-saltos “básicos” sem carga e sem flexão profunda (IH p/ areia. Novembro de 2010 . Análise crítica e sugestões para o desenvolvimento Prof.Revista Técnica da Federação Portuguesa de Atletismo. 7. nem flexão profunda) Tensão Média • Exercícios isocinéticos com carga • Agachamento completo com salto • Multi-saltos simultâneos com grande flexão dos joelhos Tensão Elevada • Multi-saltos horizontais com saída parada • Drop-jump • Multi-saltos simultâneos nas barreiras c/ mínima flexão dos joelhos • Saltos em profundidade (depth landing) Tensão Muito Elevada • Multi-saltos horizontais com corrida de balanço • Drop Jump a 1 perna 22 Dossier de Treino . N.Saltos: Jovens saltadores portugueses. Alcino Pereira ANEXOS Impacto – Stress sobre o aparelho locomotor passivo susceptível de causar dano nas estruturas osteo-articulares (por elevado pico de tensão ou por trauma de repetição) Graduação do Impacto (adaptado de Ramón Cid) CRITÉRIO CALÇADO SUPERFÍCIE DESNÍVEL SOBRECARGA APOIO VELOCIDADE INICIAL PREDOMINÂNCIA MENOS IMPACTO Sapa lhas Areia Ascendente Facilitado (em suspensão) MAIS IMPACTO Bicos de Saltos Relva Horizontal Sem carga Alternados Baixa velocidade Terra ba da Descendente Lastro leve Lastro médio Mistos Velocidade média Pista sinté ca Descalço Cimento (ou similar) Tapetes de espuma Descendente profundo Lastro pesado Sucessivos Velocidade elevada A 2 pés De parado Inicio da Vida Despor va Preparação Geral Maturidade Despor va Preparação Especial TENSãO MUSCULO-TENDINOSA – Stress sobre a estrutura muscular e tendinosa da cadeia extensora – muito em particular sobre o tendão rotuliano e sobre o tendão de Aquiles. SentadoÞSalto…) • Multi-saltos a subir • Exercícios com carga adicional (sem salto.

A ideia de que é necessário motivar os jovens com actividades lúdicas não deve ser sobrevalorizada.Revista Técnica da Federação Portuguesa de Atletismo. a resistência pode ter um importante contributo para o desenvolvimento da cultura do esforço de que a escola actual tanto carece. quando a resistência não constitui o principal objectivo da aula. PREMISSAS A qUE DEVE OBEDECER O TREINO DA RESISTêNCIA NO ENSINO SECUNDáRIO O treino da resistência não pode prejudicar as aprendizagens de natureza técnico coordenativa.O Treino da Resistência no Ensino Secundário Prof.pt). Quadro 1 – Evolução dos conteúdos da resistência durante o ano lectivo 3. passámos a participar na competição Mega Km. já que as temperaturas dos meses de Maio e Junho poderiam prejudicar os alunos que têm aulas de Educação Física nas horas de maior calor (ver quadro 1). o teste de corrida de 1000m. como já referido anteriormente..fpatletismo. Assim. no âmbito do Desporto Escolar.) na valorização do conhecimento. refere que: “É preciso centrar forças nos aspecto essenciais do ensino. Assim. No plano metodológico os conteúdos devem evoluir da resistência de base para a resistência especial e específica no período que medeia entre a avaliação diagnóstica e a avaliação sumativa. e que. numa crítica inteligente. ou seja ( . Mestre em Treino do Jovem Atleta Diploma de Treinador de Atletismo pela Federação Alemã e Universidade de Mainz Diploma de Treinador Perito de Meio Fundo pela IAAF Ideias e Práticas Desenvolvidas na Escola Secundária do Monte da Caparica INTRODUçãO Leccionamos Educação Física há 31 anos. Neste sentido. tão exigente quanto necessário. desde o ano passado. N. 7. altura em que o jovem já tem um nível aceitável de condição física para realizar um teste de grande exigência. para que melhor se compreenda a opção do Departamento de Educação Física relativamente ao teste de resistência a adoptar na avaliação da Condição Física. A escola em que leccionamos situa-se num Território Educativo de Intervenção Prioritária e. Subscrevemos a ideia de Crato (2006). Joaquim Neves Licenciado em Educação Física. é importante referir que desde Setembro de 2002 que o Pavilhão Gimnodesportivo da nossa escola está inoperacional. Novembro de 2010 . os conteúdos dirigidos para o seu desenvolvimento deverão ser colocados na parte final da mesma. OS CONTEÚDOS DO TREINO DA RESISTêNCIA Durante esta apresentação optámos pela classificação da resistência centrada no grau de especificidade dos estímulos. Assim. táctica ou de expressão motora. A avaliação sumativa deverá ocorrer no final do 2º período. o que inviabiliza a aplicação do teste “vai vem” do “Fitnessgram” indicado no currículo nacional da disciplina. em que. 23 Dossier de Treino . não sabemos se esta apresentação representa a visão de um professor de Educação Física que deu treino ou a de um treinador que dá aulas. os estímulos de resistência de base são os que apresentam variadas estruturas de movimento. Esta competição inserese numa parceria entre a Federação Portuguesa de Atletismo e o Desporto Escolar e surge na sequência da acção de formação “O Treino da Resistência na Escola – Desafio 1000” desenhada para professores de Educação Física e realizada na Escola Salesiana de Manique em Janeiro de 2006 (www. 2. simultaneamente. da disciplina e do esforço”. robusta e consistente da pedagogia romântica e construtivista. O nosso referente (exercício de competição ou de avaliação) é o teste de 1000m metros. O treino desta capacidade deve ser tão divertido quanto possível e. Durante 28 anos estivemos ligados ao treino de meio fundo e fundo. A avaliação diagnóstica deverá ocorrer no início do mês de Novembro. os últimos 25 dos quais passados na Escola Secundária do Monte da Caparica.

mas sabem também que o seu empenho nesta actividade vai ter consequências na avaliação sumativa através do seu desempenho no teste de 1000m.1. a turma era muito organizada e todo o material estava preparado a fim de se garantir uma elevada densidade da carga. Dança – Salsa. Solicitamos aos nossos alunos que durante 15 a 25 minutos. etc). Na nossa escola dispomos de um circuito de cerca de 250 metros. não raramente obtêm boas classificações nos Campeonatos Nacionais de Juvenis do Desporto Escolar nas disciplinas de meio fundo curto. Os dados empíricos sugerem que em estados de treino baixos os estímulos gerais produzem efeitos específicos. do método alternado (corrida com variações de velocidade pré programadas) e do método alternado adaptado (corrida e marcha). Na verdade. • 200m de corrida lenta e 50m de corrida rápida. interrogar-nos acerca da eficácia da mesma. Os estímulos de resistência específica são os estímulos de corrida de velocidade idêntica a adoptar no exercício de avaliação (método de controlo). com apoios lateralizados) + skippings alternados com corrida + basquetebol 1x1 + exercícios de força resistência com bolas medicinais + transposições de barreiras combinadas com steps + corrida contínua lenta + Basquetebol 1x1 + corrida contínua lenta. que consistiu na aplicação da seguinte sequência de exer- 24 Dossier de Treino . por uma das três variantes acima mencionadas. acerca dos ganhos fisiológicos e psico- Resistência específica 3. As 18 respostas oscilaram entre os 12 e os 15 minutos. • 200m de corrida lenta e 50 m de marcha lenta ou rápida. Variadas manifestações da fadiga. no final da aula.20’ Salsa + 15’ CC Resistência especial Idêntica estrutura do movimento “correr”. Idêntica estrutura do movimento. Novembro de 2010 . Dança (Salsa – coreografias individuais com ritmos intensos) Formas combinadas: 1. atrás. com a duração de 24 minutos. Correr a velocidade idêntica à do exercício de competição. com vista ao reforço da motivação dos alunos. 3. Variada mobilização da vontade. Os alunos tinham automatizado bem a generalidade destes exercícios. Diferente velocidade de corrida. 24 minutos. percorram esse percurso de uma das seguintes formas: • Corrida contínua a velocidade uniforme. contudo. com pouco treino específico de corrida. N. é sabido que jovens atletas oriundos do Futebol. Método de Controlo Método Contínuo Método Alternado Resistência de base cíclica/ acíclica cícios: corrida contínua variada (frente. o tempo percepcionado foi bastante inferior ao tempo real. No ano de 1989 realizámos com uma turma da Opção de Desporto uma carga de treino. Quadro 2 – Conteúdos adoptados nas aulas de Educação Física na ESMC Ideias e Práticas Desenvolvidas na Escola Secundária do Monte da Caparica Referente – Exercício de Avaliação – Teste de 1000m Formas de Manifestação Características dos Estímulos Conteúdos Adoptados na ESMC Desportos Colectivos (defesa individual em todo o campo) Variadas estruturas de movimento. A duração da carga é igual para todos os alunos podendo estes optar.O Treino da Resistência no Ensino Secundário: Prof.2.5´corrrida contínua (CC) + 10’ Basquetebol + 5’ CC + 15’ Basquetebol + 10’CC 2. No quadro 2 apresentam-se os diferentes conteúdos adoptados nas nossas aulas. Joaquim Neves variadas mobilizações da vontade e variadas formas de expressão da fadiga (Desportos Colectivos. em função do seu nível de condição física. Os estímulos de resistência especial são os estímulos de corrida de velocidade diferente daquela a adoptar no exercício de avaliação (método contínuo e método alternado). é importante realizar uma aula teórica. o que sugere que esta foi uma forma divertida de trabalhar a resistência. 7. O Treino da Resistência Especial No âmbito da aula de Educação Física o treino da resistência especial deve ser desenvolvido através do método contínuo. Os alunos sabem que têm a liberdade para optar por uma variante. formas combinadas. No final da aplicação da carga questionámos os alunos acerca da duração da mesma. O Treino da Resistência de Base – Uma Experiência A Resistência de Base pode ser desenvolvida através dos Desportos Colectivos (defesa individual em todo o campo) e da Dança (coreografias individuais bem automatizadas e realizadas com ritmos intensos) mas pode também ser desenvolvida através de sequências de elementos técnicos do Atletismo aplicados através de carga de grande densidade (pausas muito curtas entre os exercícios). Poderemos. ou teorizar através da prática.Revista Técnica da Federação Portuguesa de Atletismo. Ou seja. Na nossa perspectiva.

Joaquim Neves lógicos inerentes à aplicação destes métodos monótonos mas. de grande alcance educativo. Nas raparigas poderão verificar-se perturbações dos ciclos menstruais e atrasos significativos na ocorrência da menarca. Ao interiorizar o ritmo de competição o aluno melhora a coordenação específica dessa velocidade de corrida. contribuem para esculpir Ideias e Práticas Desenvolvidas na Escola Secundária do Monte da Caparica o futuro corredor de meio fundo e podem constituir momentos de introspecção. quanto mais fraca for a performance diagnóstica Dossier de Treino .2. o teste de 1000m compreende 7 voltas ao circuito mais 6 metros. Naturalmente. Nos rapazes a hipótese da redução da taxa de testosterona e da concentração de espermatozóides é formulada por Theintz et al.2. Na nossa Escola improvisámos uma pista de 142 metros. uma componente fundamental do treino da técnica de corrida. A possibilidade de lesar as cartilagens de crescimento é referida por Caine e Lindner (1984). N. O treino do ritmo de competição é. No âmbito das aulas de Educação Física não nos parece que possam ocorrer exageros (o perigo reside antes na reduzida estimulação). Eram momentos em que aproveitávamos para. nalgumas situações. a intenção de simular a fadiga específica. Um argumento frequentemente utilizado em defesa da moderação na aplicação deste tipo de cargas é o dos hipotéticos danos fisiológicos e morfológicos que delas podem resultar.1. ter conduzido a essa prática. A experiência diz-nos que entre o teste diagnóstico e o teste de avaliação poderão ocorrer incrementos da performance que se situam entre os 3 e os 10%. Estes factores no seu conjunto contribuem para que os alunos tenham uma maior disponibilidade para as aquisições técnico coordenativas e para os desempenhos tácticos das diferentes matérias de ensino. 1988).Revista Técnica da Federação Portuguesa de Atletismo. já que permitem a realização de um maior número de repetições dos exercícios sem que a fadiga produza efeitos condicionantes da aprendizagem. No plano psicológico. a criança e o jovem toleram bem as cargas de corrida contínua. provavelmente torna-se mais económico a essa velocidade específica (economia de corrida – traduz o custo em oxigénio por velocidade de corrida) e habitua-se a tolerar acidoses metabólicas próximas das que ocorrem na competição. é necessária moderação no que concerne à duração destas cargas. comprometendo assim o seu desempenho. portanto. Contudo. (1995). Já no Desporto Escolar. favorecem a tolerância à acidose metabólica e a cargabilidade. Os Exageros na Aplicação das Cargas Contínuas No plano anátomo-fisiológico.O Treino da Resistência Específica A resistência específica é desenvolvida através do Método de Controlo e visa treinar o ritmo de corrida a adoptar na competição (velocidade prognóstica do exercício de avaliação sumativa). citados por Noakes (1988). mentalmente. Costumamos perguntar aos nossos alunos menos aplicados o seguinte: “Como é que podem mobilizar a vontade para estudar Matemática durante três horas se não têm a “força do querer” suficientemente desenvolvida para correr durante 20 minutos?” 3. repetitivo e necessário.Aspectos Positivos das Cargas Contínuas As cargas de corrida contínua aplicadas de forma criteriosa podem contribuir para o incremento da velocidade de corrida associada ao limiar anaeróbio. a nosso ver. segundo Scholic (1992). Há. desenhar os trabalhos que tínhamos que apresentar na Faculdade. Assim. 3. estas cargas valorizam o que é monótono.2. Quando éramos um jovem corredor. 3.3. Admite-se que os gastos energéticos associados às cargas de longa duração compitam com as necessidades energéticas inerentes aos processos anabólicos de crescimento (Dintiman e Ward. 7. Novembro de 2010 25 . reflexão e de grande produtividade. as sessões de corrida contínua de longa duração realizadas no parque de Monsanto ou na Costa da Caparica não serviam apenas para melhorar a condição física e gastar sapatos.O Treino da Resistência no Ensino Secundário: Prof. a ânsia em torno dos resultados poderá. Através da adopção deste método pretende-se que os alunos não partam demasiado rápido ou demasiado lento nas provas de avaliação.

Neste ano. A TREINABILIDADE DA RESISTêNCIA NOS JOVENS Ao longo dos últimos 45 anos foi produzida uma imensidão de trabalhos acerca da relação entre o consumo máximo de oxigénio por Kg de peso e a performance da criança e do jovem. a perder 21 kg em dois anos. Contudo. informamo-los dos tempos de passagem volta a volta. estudos realizados por Bar Or (1983). e Docherty et al. que se reflecte positivamente na economia de corrida. Joaquim Neves maior a probabilidade de ocorrerem maiores incrementos da mesma.Revista Técnica da Federação Portuguesa de Atletismo.80m/s. citados por Borms (1986). nas semanas seguintes. Parece verificar-se que o consumo máximo de oxigénio é uma variável discriminativa da performance em grupos heterogéneos. na avaliação diagnóstica. fazemos a carga evoluir para 2 x 3 voltas e 3 x 3 voltas mantendo sempre o intervalo de 3 minutos. Ballarin et al. o consumo máximo relativo de oxigénio varia pouco nos rapazes e tende a decrescer com a idade nas raparigas. já conseguiu realizar o tempo de 4´49”.95 entre a V4 (velocidade de corrida associada ao limiar anaeróbio) e a velocidade de corrida na prova de 8Km em Corta Mato.33 1:36 1:39 1:42 1:45 1:48 1. o que parece indiciar que a melhoria da performance se poderá dever à eficiência mecânica resultante do treino. Na aplicação deste método. o tempo gasto para percorrer a milha reduz-se em cerca de 50% nos rapazes e em cerca de 37% nas raparigas. à redução da taxa metabólica basal. Cumming et al.G.51 2:50 2:57 3:04 3:11 3:18 3:25 3:32 3:39 3:46 3:53 4:00 4:07 4:14 4:21 38 39 40 41 42 43 44 45 46 47 48 49 50 51 1:16 1:18 1:20 1:22 1:24 1:26 1:28 1:30 1:32 1:34 1:36 1:38 1:40 1:42 1:54 1. No quadro 3 apresentamos a tabela de ritmos que adoptamos para fornecer os “feedback”aos alunos durante o seu desempenho. citado por Rowland (1996). adequado às suas capacidades. segundo Murase et al. (1989) verificaram que os rapazes mais envolvidos nas actividades desportivas apresentam valores de velocidade de corrida associados ao limiar anaeróbio mais elevados do que os menos envolvidos nestas actividades. durante o 2º período escolar. apontam para incrementos da performance sem que se tenha verificado um incremento do consumo máximo relativo de oxigénio. N. durante este período de vida. começamos por solicitar aos alunos que realizem 3 x 2 voltas (ao ritmo da velocidade prognóstico) com 3’ de intervalo e. (1978). a fim de regularem e sua velocidade e o seu esforço. Estas constatações não são surpreendentes já que a economia de corrida tende a melhorar durante o processo de crescimento devido. Novembro de 2010 . 7. É relativamente fácil controlar 20 alunos em simultâneo. Este estudo suscita a curiosidade de verificar que correlação existirá entre aquelas duas variáveis em grupos constituídos pelos 15 primeiros classificados no Campeonato Nacional de Corta Mato das diferentes categorias/género de jovens atletas. foi nosso aluno no 10º ano e realizou 6´12” aos 1000m na prova de avaliação sumativa. Quanto ao limiar anaeróbio. Colaço (2000) num interessante estudo realizado com 12 atletas portugueses da categoria júnior apurados para o Campeonato Nacional de Corta Mato encontrou uma significativa correlação de 0. o que equivale ao tempo de referência para o Método de Controlo de 4´23” (ver tempos de passagem mais próximos do objectivo na última linha do lado esquerdo do quadro 3).O Treino da Resistência no Ensino Secundário: Prof.02 e os 5. Por outro lado. No entanto. entre outros factores. O João Gonçalves frequenta o 12º ano de escolaridade. Tabela – Tempos de Passagem por Volta – Método de Controlo Tempo Tempo Tempo Tempo Tempo Tempo Tempo Tempo à 1ª à 2ª à 3ª final à 1ª à 2ª à 3ª final volta volta volta 1000m volta volta volta 1000m 24 25 26 27 28 29 30 31 32 33 34 35 36 37 48 50 52 54 56 58 60 62 1:04 1:06 1:08 1:10 1:12 1:14 1:12 1:15 1:18 1:21 1:24 1:27 1:30 1. bem como por Wasmund e Mocelin (1973).06 2:09 2:12 2:15 2:18 2:21 2:24 2:27 2:30 2:33 4.28 4:35 4:42 4:49 4:56 5:03 5:10 5:17 5:24 5:31 5:38 5:45 5:52 5:59 26 Dossier de Treino . (1987). ajudou o J. associada a um plano dietético. Para que os alunos aprendam a adoptar o ritmo de competição. Prognosticamos que possa melhorar a sua performance em cerca de 10%. (1981). à alteração de variáveis biomecânicas (incremento da amplitude da passada) e à redução do quociente superfície corporal/massa corporal. Trata-se de um aluno extremamente empenhado que não desperdiça as oportunidades que a escola oferece nas actividades de complemento curricular. Esta atitude. Ainda Rowland (1996) refere que entre os 5 e os 15 anos.57 2:00 2:03 2. Quadro 3 – Tabela (Método de Controlo) Ideias e Práticas Desenvolvidas na Escola Secundária do Monte da Caparica 4. Nesta amostra a velocidade média de corrida dos diferentes atletas oscilou entre os 5. parece não ter eficiência discriminativa da performance nos grupos homogéneos de jovens treinados.

um estudo transversal para traçar o perfil de desenvolvimento da performance no teste de 1000m. Estes dados sugerem que os rapazes respondem ao esforço de uma forma mais aeróbia do que os jovens adultos. Nos rapazes verificou-se um incremento da performance até anos 14 anos de idade seguindo-se a sua estagnação até aos 16 anos de idade. expresso em percentagem do consumo máximo de oxigénio. interessa colocar a seguinte questão: Se os jovens têm uma baixa capacidade anaeróbia e tendem a responder ao esforço de uma forma marcadamente aeróbia. Esta ideia da naturalidade do processo é algo que 27 Dossier de Treino . devemos ou não aplicar estímulos de treino que exigem respostas anaeróbias? Não vamos responder a esta questão. A importância da cultura física naquele país e os conhecidos maus hábitos alimentares dos jovens americanos constituem explicação suficiente para o fenómeno. citado por Rowland (1996). acontece tanto na escola como no clube. Joaquim Neves Intrigante é o facto do limiar anaeróbio. se abusa do treino multilateral. semelhante ao apurado no estudo de Stemmler. 2ª Os rapazes têm menor capacidade anaeróbia do que os jovens adultos e assim tendem a dar uma resposta aeróbia ao esforço. menor concentração de fosfofrutoquinase e menor tolerância à acidose metabólica. num estudo relativo à evolução da performance júnior no período de tempo compreendido entre 1985 e 2005. sendo este. o que pode ter duas interpretações: 1ª Os rapazes têm maior capacidade aeróbia do que os jovens adultos. o perfil de desenvolvimento da resistência é. Physical Education and Dance (1990). na corrida da milha. com 12000 crianças e jovens. (1984). A segunda interpretação parece ser a mais correcta pois. N.Revista Técnica da Federação Portuguesa de Atletismo. A estagnação ou decréscimo da performance das raparigas a partir dos 15 anos de idade é vista como algo natural face aos hábitos sedentários. pouco valorizado por jovens atletas da Associação de Atletismo de Lisboa. Novembro de 2010 . na nossa escola. como referem Bayley e Mirwald (1988). Nos rapazes verificou-se um incremento da performance até aos 17 anos. Neves (2005). mas constatamos que. pela American Alliance for Health. no plano da teoria e metodologia do treino. apresentar valores mais elevados nas crianças e jovens do que nos adultos. se eventualmente no passado se abusou das cargas de longa duração. a nosso ver. Não é de surpreender que a performance dos jovens da Republica Democrática Alemã. segundo Neves (1994). seguindo-se o seu declínio até aos 17 anos. PERFIS DE DESENVOLVIMENTO DA PERFORMANCE Num estudo estudo realizado. verificou nos rapazes uma tendência para um ligeiro incremento da performance nos 800m e uma ligeira quebra da mesma nos 3000m. (1983). comparativamente ao adulto. em que foram adoptadas diferentes distâncias. Este estudo sugere que a causa do declínio da performance no meio fundo juvenil não reside na exagerada estimulação anaeróbia. No ano de 2005. Cooper et al. Nos rapazes registou-se um incremento da performance entre os 7 e os 17 anos de idade. O estudo foi realizado com amostras representativas de alunos de idades compreendidas entre os 12 e os 17 anos. Nas raparigas existe uma tendência clara para a quebra da performance nas duas distâncias. um incremento da performance nas raparigas entre os 5 e os 13 anos de idade seguindo-se um declínio até aos 16 anos de idade.O Treino da Resistência no Ensino Secundário: Prof. estamos em crer que no presente. na escola. pois. Face a estes dados. Este declínio é dramaticamente acentuado nos 3000m. verificou-se um crescimento da performance de resistência das raparigas entre os 7 e os 15 anos de idade. Para os escalões etários avaliados. os jovens reagem com mais entusiasmo às cargas aeróbias/anaeróbias alternadas típicas dos desportos colectivos do que às cargas de média e longa duração de fraca intensidade típicas da corrida contínua. apresenta baixa concentração e baixa taxa de utilização do glicogénio muscular. Nas raparigas a performance cresceu até aos 15 anos verificando-se de seguida um ligeiro declínio até aos 17 anos (quadro 4). Num estudo realizado na República Democrática Alemã por Stemmler (1962). 7. por inadequada Ideias e Práticas Desenvolvidas na Escola Secundária do Monte da Caparica formação dos treinadores. registasse incrementos até mais tarde do que a dos jovens americanos nos anos 80. mas antes na reduzida estimulação aeróbia que. na nossa escola. Bar Or et al. Ao longo da nossa carreira temos sentido que é cada vez mais difícil mobilizar os alunos para as cargas contínuas de metabolismo aeróbio. nos anos 60. realizámos. 5. citados por Massacesi (1991). verificou-se. aos hábitos alimentares e às transformações morfológicas que ocorrem durante a puberdade. No âmbito do desporto federado. No âmbito do desporto federado juvenil. e em nome da motivação e do divertimento. o jovem púbere. citado por Meinel (1977).

N. A performance dos rapazes melhorou 9 segundos. Diagnós. falta de estimulação ou preguiça para a realização de movimento. Sumat. Joaquim Neves não aceitamos e que os inconformados devem combater. contudo.O Treino da Resistência no Ensino Secundário: Prof. Quadro 6 – Carga Externa (Métodos por Intervalos) No ano lectivo de 2007/2008 realizámos um estudo comparativo relativo à performance dos 1000m na avaliação diagnóstica e na avaliação sumativa. Este estudo foi realizado com três turmas do 11º e 12º ano de escolaridade (alunos de idades compreendidas entre os 16 e 18 anos). isoladamente. Média 3’47” Increm. o que corresponde a um incremento de 3. para além dos métodos contínuos e do método de controlo. Voleibol. o treino da resistência é muito relevante para o sucesso nas aprendizagens técnicas e tácticas. o que terá contribuído para um melhor desempenho nas avaliações diagnósticas técnico coordenativas e tácticas. e 28 Dossier de Treino . Já no presente ano lectivo (2008-2009) tivemos a curiosidade de tentar compreender como se correlacionava a performance do teste de 1000m com a classificação dos desempenhos técnicos e tácticos das diferentes matérias de ensino (Futebol. Quadro 5 – Teste de 1000m – Comparação Avaliação Diagnóstica / Avaliação Sumativa Diferenciação da Carga Externa Métodos por Intervalos Método de Treino Método de Controlo Intervalado Extensivo Intervalado Intensivo Distância 500m 200m 200m Nº de repetições 2a3 8 a 10 5a6 Intervalo 4’ a 5’ 1’ a 1’30” 2’ a 2’30” Velocidade 98% a 102% da velocidade prognóstico 108 a 112% da velocidade prognóstico 115 a 120% da velocidade prognóstico Rapazes – 16 a 18 anos n = 17 Aval. Na leitura do quadro 5 pode verificar-se que a performance das raparigas melhorou. após os 16 anos de idade. Rugby e Atletismo) apuradas nas avaliações diagnósticas. analisámos a performance das dez melhores raparigas da escola nos escalões etários dos 14-15 anos e 16-17 anos. Nesta análise pudemos comprovar que as raparigas mais velhas tiveram desempenhos significativamente melhores do que as mais novas (quadro 4 – coluna da direita). No ano de 2006.7% (ver quadro 5). Novembro de 2010 . Perform Diagnós. bastante exigente no plano anaeróbico. Há. o treino intervalado intensivo.7% Média 5’17” Estas simples. Perform 15” Increm. simples- No quadro 6 apresentamos uma proposta para a diferenciação da carga externa dos métodos por intervalos nos diferentes alunos/atletas dos Grupos Equipa de Atletismo. Perform 9” Raparigas – 16 a 18 anos n = 22 Aval. apenas no período competitivo de Verão (categoria de juvenis). Concretizando com um exemplo real. Perform % 4. tendo como referente a performance prognóstico para a corrida de 1000m. legítimo afirmar que. % 3. Quadro 4 – Teste de 1000m – Perfis de Desenvolvimento da Performance Ideias e Práticas Desenvolvidas na Escola Secundária do Monte da Caparica 2005 Performance Média Níveis Etários 12 – 13 anos 14 – 15 anos 16 – 17 anos Masculinos n = 22 4’47” n = 25 4’15” n = 25 3’47” 2005 Performance Média Femininos n = 20 5’23” n = 25 5’09” n = 25 5’12” 2006 Média das 10 Melhores Marcas Femininos mente. Não é.7%. Estes resultados deixam claro que nas raparigas mais activas a performance continua a melhorar com a idade já que a economia de corrida continua a jogar a seu favor desde que a massa gorda se mantenha estável. 7. Média 3’56” Aval. Média 5’02” Increm.Revista Técnica da Federação Portuguesa de Atletismo. Sumat.64 numa amostra de 47 alunos (27 rapazes e 20 raparigas) do 12º ano de escolaridade. o que corresponde a um incremento de 4. mas robustas. faz também sentido aplicar o treino intervalado extensivo e.7% Increm. constatações empíricas deixam claro que não há nenhum determinismo sócio biológico que justifique a estagnação ou quebra da condição física das raparigas até aos 17 anos de idade. em 15 segundos. Dança. com muita moderação. no espaço de tempo de 5 meses. Pode acontecer que os alunos mais resistentes o sejam pelo simples facto de serem mais interessados pelas actividades físicas e terem tido mais experiências motoras ao longo da vida. Aval. 4’48” 4’26” 6. Encontrámos um coeficiente de correlação de 0. O TREINO NO DESPORTO ESCOLAR No âmbito do Desporto Escolar.

Journal of Sports Sciences. . R. R. Human Kinetics Publishers. Ano XIV. D. B. (1987): Effects of Resistance Training on Aerobic and Anaerobic Power of Young Boys. nº1. (1991): La Pratica Sportiva in Età Giovanile. (1995) : Il Bambino. com conhecimento técnico científico e saber prático. . Illinois – DOCHERTY. 10. 389-391 – MASSACESI. D. HOWALD. 4-8 – CRATO. (1989): Adaptation of the “Conconi Test” to Children and Adolescents. L.Ter em atenção a temperatura 14 – 15 anos 20 a 30’ 16 – 17 anos 30 a 45’ 60 a 65% da velocidade diagnóstico correspondente aos 1000m No quadro 7 apresentamos uma proposta relativa à diferenciação da carga externa para o método contínuo a velocidade uniforme.Revista Técnica da Federação Portuguesa de Atletismo.Questionar acerca do grau de percepção do esforço 3. Human Kinetics Publishers. E. Medicine and Science in Sports and Exercise. a velocidade a adoptar neste tipo de cargas situar-se-ia entre os 4’06” e os 4’26” ao Km. (1981): Longitudinal Study of Aerobic Power in Superior Junior Athletes. Illinois – THEINTZ. 3-20 – COOPER. P. 38-46 Diferenciação da Carga Externa Método Contínuo Uniforme Idades Duração da Carga Velocidade Frequência Cardíaca Observações 1. . H. nº 22. nº 1.. Y. (1986): The Child and the Exercise – An Overview. M.. WHIPP. WASSERMAN. K. (1977): Bewegungslehre. la Crescità e lo Sport di Alto Livello. WARD R. M. pp. para além de oneroso e complexo. C. 64-65 – NEVES. Nas nossas Universidades existem Dossier de Treino . Leichtathletiktraining. Estar atento à execução técnica 140 a 150-160 pulsações por minuto 2. pp.. 4. nº 0. PATRACCHINI. Journal of Applied Phisiology. LADAME. Por outro lado. T. P. Vol. 48-57 – MEINEL. pp.. Revista Atletismo. Scuola dello Sport – Rivista di Cultura Sportiva. 7. (2006): O “Eduquês” em Discurso Directo – Uma Crítica da Pedagogia Romântica e Construtivista. 628-633 – COLAÇO. Vol. nº 32. Scuola dello Sport – Rivista di Cultura Sportiva. WEILLER RAVEL.. Vol. Tomando o mesmo exemplo do aluno com capacidade para correr os 1000m em 2’40”. capazes de cumprir com competência esta tarefa. Jahrgang 3. U.. 19.. . H. pp. Human Kinetics Publishers. Medicine and Science in Sport and Exercise. pp. . SIZOZENKO. Human Kinetics Publishers. N. GUENTER S. BORSETTO. KOBAYASHI. O referente para a velocidade de corrida a adoptar no treino é a performance do teste diagnóstico de 1000m. T. 334-338 – BORMS. Ano X. pp. Estes tempos/velocidades devem ser tomados como referências cautelosas. no plano fisiológico. ZIGLIO. VITIELLO. (1984): Aerobic Parameters of Exercise as a Function of Body Size During Growth in Children. P. Sabemos que qualquer proposta de trabalho que se assuma como receita é passível de críticas. Joaquim Neves fazendo os cálculos sugeridos. 21-24 – ROWLAND. (1994): A Motivação para a Participação na Actividade Desportiva. nº2. (2006): A Evolução da Performance no Meio Fundo Júnior. nº 157. M. (1988): The Effects of Training on the Growth and Development of the Child. Isto não significa que não se devam realizar estudos com vista à caracterização fisiológica do treino típico do jovem corredor de meio fundo português. N. um aluno/atleta juvenil com capacidade para correr os 1000m em 2’40” realizaria as repetições de 500m do método de controlo para tempos compreendidos entre 1’19” e 1’21”. Psychological and Educational Perspectives. neste nível de prática. pp. 180-184 – NEVES. . Volkseigener Verlag. F. D. Illinois – SCHOLIC. . mas exequíveis. Novembro de 2010 29 . (1996): Developmental Exercise Physiology. (1991): Lore of Running. TORRESANI. K. Treino Total. WEISS. nº 5. Ano XIV. MIRWALD. Illinois – BALLARIN. Berlim – MURASE. F. pp. pp. H. . porque nem todos os professores de Educação Física estão familiarizados com o controlo e regulação operativa da carga no treino de meio fundo. J. G. 7. Gradiva. 13. (1992): Gestaltung des Aufbautrainings im Block Lauf/Gehen. as repetições de 200m do treino intervalado extensivo entre 29” e 30” e as repetições do treino intervalado intensivo entre 27” e 28”. (1988): Sport Speed. não constitui uma prioridade. . Lisboa – DINTIMAN G. COLLIS. CELLINI. Vol. S. nº 4. K. Vol. pp.. É possível que velocidades de corrida um pouco mais elevadas e durações da carga até 1 hora estejam perfeitamente ajustadas. É muito importante que esse trabalho seja realizado. International Journal of Sports Medicin. D. CONCONI. . WENGER. J. P. T.. o controlo fisiológico do esforço. nº 3. . pp.19-25 – NOAKES. KAMEI. Quadro 7 – Carga Externa (Método Contínuo) Ideias e Práticas Desenvolvidas na Escola Secundária do Monte da Caparica investigadores/treinadores. J. MATSUI.): Young Athletes – Biological. nº 4. Consideramos útil avançar com propostas simples.. (2000): Relação Entre ao Limiar Anaeróbio e a Performance em Competição de Corta Mato. In: Robert Malina (Ed. no caso de atletas que treinem regularmente 5 a 6 vezes por semana. Dossier de Treino – Revista Técnica da FPA.O Treino da Resistência no Ensino Secundário: Prof. 56. BIBLIOGRAFIA – BAILEY.

dentro das habilidades e destrezas básicas do ser humano. dois ou três eixos anatómicos. juntamente com a acção de lançar. Salto Comprimento e Triplo Salto em atletas seniores. a corrida galopada. 7. 2. Prof. – Com a continuidade da acção: Outro salto (Multisalto). – Com corrida a maior ou menor velocidade. Impacto Na tabela seguinte é possível observar a magnitude dos impactos nas provas de Salto Altura. INTRODUçãO O dicionário. opção Atletismo pela FADEUP. 3. caminhar. – Colocação do apoio de acordo com a projecção do CG no solo e acção do mesmo durante a chamada. (Salto em Comprimento) – Manter uma estrutura rítmica Dança – Executar gestos artísticos Ginástica Artística. se a entendêssemos como uma sucessão de saltos. os saltos e os multisaltos podem ser definidos da seguinte forma: 1. Antigo atleta olímpico. gatinhar outros tipos de deslocamento têm como objectivo primordial o deslocamento de um lugar para outro de forma mais rápida ou mais lenta. uma queda. No entanto. É no plano estritamente funcional na execução do movimento que podemos encontrar as principais diferenças: correr. (Basquetebol. Lançamento. para se deixar cair no mesmo ou noutro local. ASPECTOS PRÉVIOS A CONSIDERAR O trabalho de saltos é um excelente meio de melhorar a coordenação e força rápida nos jovens. 30 Dossier de Treino .Treino de Multisaltos com Jovens Prof. – Raio de acção (maior ou menor flexão dos joelhos. define saltar como “Elevar-se acima do solo através do impulso dos m. deveremos diferenciar o acto de correr e de saltar ou mutisaltar. É sempre necessário ter em consideração o impacto no momento de apoio e as tensões músculo-tendinosas que são produzidas. Corrida Existem exercícios híbridos entre os saltos e os deslocamentos. …) – Ultrapassar Um obstáculo elevado (Salto em Altura). o “salto índio”. Colaborador do Sector de Velocidade e Estafetas 2. Uma distância. de difícil definição do ponto de vista estrutural. – Na fase de voo. numa das suas acepções. Novembro de 2010 . Treinador de atletas internacionais. N. Licenciatura em Desporto e Educação Física pela Faculdade Desporto Universidade Porto (FADEUP). Outro salto. Director Técnico Regional Associação Atletismo Braga. no entanto. 2..i. Em alternativa. Miguel Caldas1. Continuidade da Acção – Sem continuidade da acção (queda). Pós-Graduação em Treino de Alto Rendimento Desportivo. Ramón Cid2 1. Acção Prévia – Sem acção prévia (parado). Treinador de Atletismo de 3º Grau. Técnico Nacional Saltos da Real Federação Espanhola de Atletismo (RFEA) 1. que são de grande valor coordenativo e condicional. que devemos ter sempre em consideração na planeamento das sessões de treino. podem ocorrer rotações num. – Tipo de apoio (metatarso ou rodado).” Esta definição poderia também ser utilizada para definirmos a corrida. – A partir de uma fase aérea. – Com acção prévia. os saltos têm outros objectivos: Classificação de saltos de um ponto de vista funcional: – Alcançar / Interceptar Um objecto móvel ou estático. entre outros. maior ou menor grau de inércia dos segmentos livres). Ambas as acções se incluem.Revista Técnica da Federação Portuguesa de Atletismo. pode haver algum risco envolvido caso a sua utilização seja efectuada de uma forma incorrecta no processo de treino. Ballet Classificação dos saltos e multisaltos do ponto de vista estrutural: Do ponto de vista estrutural. Andebol. Centro da Acção – Chamada – Voo – Um pé ou pés juntos.

4 PC t3 0. Miguel Caldas.016 0. devemos utilizar o trabalho de multisaltos de forma bastante racional. (*) O trabalho na areia fofa. – O pé é apoiado sobre a borda (lateral ou medial).9 PC 3.040 0.21 6. Ramón Cid Rendimiento (m) 2.5 PC 4. Prof. EXECUçãO TÉCNICA DOS MULTISALTOS – VARIANTES E NÍVEIS DE DIFICULDADE 3. Na imagem pode-se observar a forma como aumenta a tensão no tendão rotuliano.90 14. Podemos apontar algumas acções que poderão causar lesões: – O pé não é apoiado na direcção da corrida.8 PC 0. Dossier de Treino .053 0.140 0. No quadro podemos observar uma classificação dos exercícios em função dos níveis de tensão.054 0.Revista Técnica da Federação Portuguesa de Atletismo. – Colocação dos braços flexionados atrás do tronco. se o apoio não for efectuado de forma correcta.0 PC 0.1.08 4.055 elevada frequência no tendão rotuliano.058 0. Novembro de 2010 31 . – Compactação prévia do impacto. Desta forma.159 0. no entanto apresenta alguns riscos do ponto de vista músculo-tendinoso.2 PC 1.Treino de Multisaltos com Jovens Prof.182 0. O quadro inferior fornece algumas orientações sobre a forma como devem ser introduzidos ao longo de uma época e ao longo da vida desportiva.180 AMORTIGUACIÓN F2 t2 3.86 Tiempo bat.3 PC t1 0. à medida que aumenta a flexão do joelho.008 ACELERACIÓN F3 6. a sobrecarga sobre as articulações aumentam consideravelmente. Multisaltos Verticais f e d c b a Execução Técnica Até que o aparelho locomotor esteja completamente maturado.7 PC 4. A tensão músculo-tendinosa 3.2 PC 10. tem vantagens do ponto de vista do impacto. – A perna é colocada em rotação (interna ou externa). N.008 0.026 Prueba ALTURA LONGITUD TRIPLE 1º 2º 3º IMPACTO F1 6.060 0.5 PC 13.49 5.3 PC 4. enquanto o atleta se encontrar em idade de crescimento devemos evitar exercícios que envolvam flexões exageradas dos joelhos. 7. (s) 0.013 3.1 PC 4.2 PC 11. temos que ter em consideração que o crescimento do osso excede o crescimento muscular. provocando zonas de elevada tensão em algumas inserções.134 0.9 PC 3.55 4. – A perna é colocada de forma muito flexionada.031 0.8 PC 11. acontecendo com a: – Alinhamento tornozelo – joelho – bacia – ombros. No momento da chamada.019 0. Desta forma.

a altura e a sua distância de colocação. e realizando um apoio a dois pés com o metatarso. Por exemplo. com dois ou três apoios prévios. – Apoio de metatarso. procurando uma acção circular. – Pouca ou nenhuma acção de braços. estaremos a dirigir o exercício para um triplista. – Joelhos altos. 3. 7. – Compactação prévia do corpo e do MI que efectua o contacto de forma estendida. são os mais utilizados. O aumento em altura e distância das barreiras. ou rodado. sendo o apoio de maior duração. Novembro de 2010 . com um ou dois apoios entre barreiras. – Acção enérgica dos braços para a frente e para cima. será mais específico para os saltadores – lançadores. joelho e bacia. e: – Equilíbrio dos ombros.Treino de Multisaltos com Jovens Prof. conforme os objectivos. o ressalto será realizado predominantemente pela acção tendinosa. as partes contrácteis e tendinosa actuarão em conformidade. joelho. Ramón Cid Variantes: Podem-se efectuar diferentes situações. – Apoio em amortecimento. sem tensão prévia. bacia e ombros. Grau de dificuldade: Temos a possibilidade de utilizar duas variáveis unicamente com a utilização das barreiras. – Cabeça vertical. No segundo caso. se o apoio é de planta ou rodado. f: – Reinicio do ciclo. O aumento de uma.Revista Técnica da Federação Portuguesa de Atletismo. Flexão dos joelhos: Podemos procurar rigidez em todo o sistema ósteo-articular. Se o fizermos com o metatarso. Miguel Caldas. com um ou dois apoios entre as barreiras. Multisaltos Horizontais f e d c b a Execução Técnica a: – Alinhamento do tornozelo. N. ou mesmo das duas variáveis aumenta consideravelmente o grau de dificuldade. no momento prévio do contacto do pé com o solo. Apoio: Depende dos objectivos que pretende com o exercício. Em qualquer dos casos. no entanto. ou inibir esta acção procurando uma maior flexão na articulação do joelho (nunca superior a 120º. d: – Extensão do tornozelo. combinando todas estas situações. – Extensão incompleta. haverá uma maior sinergia de toda a cadeia cinética do salto.2. De forma mista. – Apoio com joelhos em varo ou valgo. No início com triplos. – Oscilações frontais ou laterais do tronco que produzem perdas de equilíbrio. – Elevação da ponta do pé. No primeiro caso. para os atletas mais velhos (não mais de 7 a 8% do peso corporal). Início da Acção: Normalmente dinâmica. se colocarmos as barreiras baixas. dependerá não só de aspectos puramente condicionais. – Olhar em frente. é aconselhável a alternância de ambos os tipos. b – c: – Apoio dinâmico. se utilizarmos um apoio mais rodado. Outro factor de dificuldade será a utilização de lastros. 32 Dossier de Treino . – Acção simultânea dos braços para a frente. graças à fixação prévia de todos os elementos contrácteis do sistema músculo-tendinoso. – Colocação do apoio em direcção favorável ao movimento. Prof. Erros comuns: – Acção de travagem no apoio. estamos a orientar o exercício para uma corrida de velocidade. será mais específico para os velocistas. O tempo de apoio será curto e com um maior comportamento reflexo. bastante separadas entre si. A pés juntos. – Bloqueio dos braços na parte final do movimento. no caso dos jovens). mas também do objectivo coordenativo que seja pretendido. sem bloqueio no final da extensão.

– Olhar em frente. b: – Pouca flexão. ao finalizar o impulso. – Acção da perna livre para a frente. 7. – Avanço da perna livre com o calcanhar próximo do glúteo. – Elevação da ponta do pé da perna livre. – Extensão incompleta no momento do impulso. quatro. – Compactação do corpo. – Equilíbrio da cabeça e do tronco. tartan). em colaboração com os braços. Chamadas Sucessivas a b c d e Execução Técnica a: – Posição é atingida através de uma acção circular prévia. Dossier de Treino . – A escolha do tipo de superfície a utilizar (relva. terra. Se existe um aumento da velocidade de deslocamento. alternados ou simultâneos. – Para os atletas mais velhos pode-se aumentar a dificuldade de execução com o uso de arrastos ou lastros. Imitativos. Prof. – Falta de alinhamento no momento do contacto. – Realizados de forma ascendente conseguem-se reduzir os impactos da execução. seis e oito apoios Nível de Dificuldade: – Uma maior velocidade de entrada. – Alinhamento do corpo. mais vale catalogá-lo como impulsões. – Amplitude de movimentos.Treino de Multisaltos com Jovens Prof. – Apoio de planta. – Avanço da perna livre com o calcanhar próximo do glúteo. Se o apoio for efectuado de metatarso. preparando o impacto. – Acção de travagem durante o apoio. d: – Equilíbrio da cabeça e ombros e de todo o sistema em geral. conforme a velocidade de execução. f: – Apoio alinhado – compacto. – Apoio favorável à direcção do deslocamento.Revista Técnica da Federação Portuguesa de Atletismo. – Não bloquear os segmentos livres. – Apoio com a ponta do pé. maior é a elevação dos joelhos. ou rodado. Início da Acção: Parado: Com os pés juntos. – Não utilizar os segmentos livres. Novembro de 2010 33 . assim como do tipo de calçado (sapatilhas. – Micro pausa dos segmentos livres. – Os saltos alternados são mais simples que os sucessivos. devido a uma maior utilização dos segmentos livres no momento dos apoios. d-f: – Acção circular da perna que vai efectuar o apoio. sapatilhas de bicos) fará com que o multisalto seja mais ou menos traumático. Chamadas. – Extensão da perna. – Elevação da perna livre. segundo a velocidade horizontal. Inicio de um novo ciclo. – Falta de facilidade na execução do movimento. – Acção forte dos braços. – Equilíbrio da cabeça e do tronco. N. – Elevação da ponta do pé da perna livre. – O apoio normalmente será rodado. 3. comparativamente com superfícies horizontais e fundamentalmente descendentes. Miguel Caldas. b: – Avanço da bacia. Ramón Cid – Colocação da bacia em posição neutra ou de retroversão. com um pé adiantado Lançados: Dois. Nunca supera a horizontal. origina nos multisaltos uma maior dificuldade. Erros comuns: – Chegada ao apoio com trajectória rasante. sendo de planta à medida que a velocidade horizontal vai aumentando.3. – Falta de equilíbrio com oscilações laterais ou frontais ao longo de todo o processo. c: – Extensão das pernas e bacia. – Equilíbrio da cabeça e ombros e de todo o sistema em geral. deixá-los “soltos”. c: – Pouca flexão da perna de apoio. – Avanço da bacia.

d: – Extensão da perna de chamada. aumenta ou diminui a intensidade deste exercício. – Apoio efectuados com as pontas dos pés. variando o número de passos no mesmo exercício. bloqueando os segmentos livres. – Falta de amplitude. 3. neste caso terá mais incidência para os saltadores em altura. – Extensão incompleta da perna de chamada. – A acção de braços pode ser efectuada de forma simultânea. Prof. intermédias (salto em comprimento) ou com uma parábola elevada (salto em altura). – Escassa utilização dos segmentos livres.4. – Ausência de bloqueio dos segmentos livres no final da chamada. e com grande envolvimento do sistema nervoso.Os atletas adultos podem incrementar a dificuldade do exercício. Miguel Caldas. estando também no mundo 34 Dossier de Treino .Revista Técnica da Federação Portuguesa de Atletismo. 7. que produz uma grande melhoria na força e que aumenta também a rigidez do “sistema”. Ramón Cid Apoio: – De planta ou rodado. Nível de dificuldade: – Aumentar a distância e altura das barreiras. Erros comuns: – Trajectória rasante antes da preparação para a chamada. – Acção de travagem no momento da chamada. Normalmente não é utilizado um número de passos superior. Novembro de 2010 .Treino de Multisaltos com Jovens Prof. Este ciclo está presente em todos os saltos. . N. Saltos Pliométricos É um meio de treino amplamente utilizado. – Falta de alinhamento. – Falta de compactação. – Preparação da chamada com a perna de chamada flexionada. olhando para a frente. com dois (mudança da perna de chamada) e três. utilizados de forma alternada. Constrói-se sobre as vantagens produzidas pelo ciclo de alongamento – encurtamento (CAE) da unidade músculo – tendão. Variantes: – Com um passo entre barreiras. – Os objectivos técnicos que procuramos devem ser tidos em conta se queremos efectuar chamadas rasantes (como o hop do triplo salto). Início da Acção: – Acção dinâmica com dois ou quatro apoios prévios. – Elevação e avanço da perna livre. aplicando um lastro. e: – Manutenção da mesma posição. – Falta de equilíbrio no movimento global. – Abordagem equilibrada. Também se podem utilizar situações mistas. do atleta que o realiza. – Acção enérgica dos braços.

no entanto. 7. PROGRAMAçãO Os multisaltos são um meio de treino essencial para todas as especialidades do atletismo. assim como quando devem ser utilizados e de que tipo. N. favorece a transição cíclica da corrida. Durante os primeiros anos os multisaltos utilizados devem ser o salto a pés juntos. Na figura que se encontra em baixo. com duplo apoio. com a excepção que minimiza o impacto no solo. para uma fase acíclica. Miguel Caldas. Entre outras vantagens. com um tipo de trabalho concêntrico. Utilizando uma situação idêntica aos saltos verticais. a altura de queda.Treino de Multisaltos com Jovens Prof. e extensão completa das articulações do tornozelo. característica da fase de chamada dos saltos. os erros mais frequentes.5. ao longo da época e da carreira desportiva. ao diminuir consideravelmente a fase excêntrica. multi- Dossier de Treino . produzindo uma maior solicitação dos músculos posteriores da coxa e “antecipação” da perna de chamada (impulso). são aconselháveis para os jovens atletas. joelho e bacia. Ramón Cid atlético catalogados como pliométricos os saltos realizados de diferentes alturas para o solo. Saltos de Índio (Calcanhar – Ponta do Pé): Apresenta componentes similares aos exercícios de chamada. Desta forma. saltos de baixa intensidade. e mesmo para atletas adultos com utilização no início da época desportiva. podemos dar um carácter diferente ao exercício. Pode ser executado procurando fundamentalmente o deslocamento horizontal com alta velocidade de deslocamento. podemos observar como vão entrando no processo de treino os vários tipos de multisaltos. 3. Podem-se atribuir ao exercício diferentes intenções. Corrida Saltada: A meio caminho entre a corrida e saltos. em função dos objectivos que se perseguem. utilizando várias e diferentes variáveis. com bloqueio de ombros no final da chamada. a partir dos 14 anos. havendo a possibilidade de realizar múltiplas combinações segundo o tipo de apoio. Outros Multisaltos Escadas: Praticamente contempla as mesmas características e variáveis que os saltos verticais. Devido ao reduzido efeito traumático destes exercícios. Novembro de 2010 35 . Pode-se também atribuir uma maior componente vertical. 4. procurando um correcto apoio do pé. Prof.Revista Técnica da Federação Portuguesa de Atletismo. A principal incidência deste tipo de exercício centra-se principalmente sobre a parte contráctil. a continuidade da acção. assim como uma correcta utilização dos braços. Este não é um meio fundamental para os escalões de formação. podem ser utilizados com alturas baixas (20-30cm). é aconselhável conhecer de forma correcta as formas de execução. etc.

000 14. Ramón Cid EDAD orientativa MULTIS.000 16.500 16. JUNTOS.000 3.000 1. O mesmo sucede com os pliométricos.500 2.000 profissionais de saúde.Treino de Multisaltos com Jovens Prof.000 4.000 15 2. Com o passar dos anos.000 4.000 16. Após os 20 anos podem-se utilizar todo o tipo de multisaltos com elevada intensidade. ± 500 ± 500 ± 1000 ± 50 14 1. Como forma de exemplo.500 12.000 20 – 22 4. ap.000 14.400 saltos horizontais alternados e saltos verticais com barreiras. possibilitando uma oferta global baseada numa rede. por serem mais traumáticos que os alternados. ALTERNOS SUCES.000 2. Miguel Caldas. com mais de 10 anos de experiência. que actua de forma inovadora. os cuidados da melhor A disciplina de um campeão. ap. Da mesma forma.-VALLAS PLIOMÉTRICOS ap. ap. vão-se equivalendo ou mesmo superando os alternados.000 375 17 5.500 1. possuem muito mais impacto e devem ser incluídos gradualmente à medida que se vai evoluindo nos anos de treino. equipa médica HPP SAÚDE SERVIÇO MÉDICO OFICIAL DA FEDERAÇÃO PORTUGUESA DE ÁTLETISMO 36 Dossier de Treino . que cobre todo o território nacional contando com mais de 2. o quadro superior indica o número de multisaltos anuais aconselhados para saltadores horizontais (comprimento e triplo). Novembro de 2010 A HPP Saúde é um grupo de referência no sector da Saúde em Portugal.500 1. Os multisaltos sucessivos e mistos incorporam-se mais tarde. N.000 350 16 3. os saltos sucessivos e mistos. o número de saltos pliométricos vai aumentando significativamente. centrado na personalização e qualidade dos cuidados de Saúde. . Prof. Y MIXTOS P.000 2. 7.000 7.000 400 18 6.000 800 19 5.Revista Técnica da Federação Portuguesa de Atletismo.

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