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MANUAL DO FORMANDO MÓDULO 3112 MANUTENÇÃO DE ESPAÇOS FLORESTAIS Formador: Sérgio Couto, Eng. 1 /

MANUAL DO FORMANDO

MÓDULO 3112

MANUTENÇÃO DE ESPAÇOS FLORESTAIS

MANUAL DO FORMANDO MÓDULO 3112 MANUTENÇÃO DE ESPAÇOS FLORESTAIS Formador: Sérgio Couto, Eng. 1 / 3

POVOAMENTOS FLORESTAIS

POVOAMENTOS FLORESTAIS NOÇÕES DE SILVICULTURA GERAL Segundo Assmann é uma porção bem demarcada de uma mata

NOÇÕES DE SILVICULTURA GERAL

Segundo Assmann é uma porção bem demarcada de uma mata que possui uma estrutura uniforme e é suficientemente limitada em extensão de modo a poder ser submetida a tratamento independente.

NOÇÕES DE COMPOSIÇÃO E ESTRUTURA DE UM POVOAMENTO

Composição: refere-se à variedade e natureza específica ou cultural dos indivíduos pertencentes aos povoamentos.

Ex. Se as árvores são todas da mesma espécie (só pinheiro bravo), ou se as árvores são de espécies diferentes (Pinheiro bravo, castanheiros, carvalhos…).

Estrutura: forma como o espaço acima do solo é ocupado, ou seja, diz respeito às formas de arranjo interno dos povoamentos.

Ex. Povoamentos equiénios ou regulares Povoamentos inequiénios ou irregulares

(se um povoamento de qualquer uma espécie florestal tem todo a mesma idade ou se pelo contrário tem idades diferentes).

Assim, quanto à composição os povoamentos podem ser de dois tipos:

Povoamentos puros: constituídos por uma só essência florestal; são aqueles em que a percentagem de espécies estranhas não ultrapasse 10%.

Povoamentos mistos: constituídos por indivíduos pertencentes a mais do que uma essência florestal.

PRINCIPAIS ESPÉCIES FLORESTAIS

PRINCIPAIS ESPÉCIES FLORESTAIS DISTRIBUIÇÃO GEOGRÁFICA PINHEIRO BRAVO DESCRIÇÃO O Pinheiro Bravo, Pinus pinaster
PRINCIPAIS ESPÉCIES FLORESTAIS DISTRIBUIÇÃO GEOGRÁFICA PINHEIRO BRAVO DESCRIÇÃO O Pinheiro Bravo, Pinus pinaster

DISTRIBUIÇÃO GEOGRÁFICA

PINHEIRO BRAVO

DESCRIÇÃO

O Pinheiro Bravo, Pinus pinaster é uma árvore de grande porte, podendo atingir os 30 - 40 m de altura. O tronco tem uma casca espessa, de cor castanha avermelhada, profundamente fissurada. As folhas são agulhas, emparelhadas, de cor verde-escura, com 10-25 cm, rígidas e grossas.

Região Mediterrânica e costas atlânticas de Portugal, Espanha e França. Introduzido na Bélgica,

Reino Unido, Austrália, Nova Zelândia e África do Sul.

CONDIÇÕES AMBIENTAIS

Vegeta bem na grande maioria dos solos, com excepção dos solos com muito calcário solúvel (pH elevado). Encontra-se em melhores condições em zonas com precipitação média anual superior a 800 mm, com pelo menos 100 mm no período estival.

a 800 mm, com pelo menos 100 mm no período estival. HISTÓRIA E UTILIZAÇÕES Fazendo parte

HISTÓRIA E UTILIZAÇÕES

Fazendo parte da história natural da Península Ibérica, a área de distribuição do Pinheiro Bravo começou a aumentar por intervenção humana a partir dos séculos XII e XIII, principalmente devido à sua utilização na contenção das dunas litorais. A partir do final do século XIX, e principalmente a partir da década de 40 do século XX, a área de Pinheiro Bravo aumentou através da expansão para Regiões serranas do interior do país.

As utilizações principais do Pinheiro Bravo são as madeiras (pranchas, aglomerados e outras utilizações) e a produção de resina.

(pranchas, aglomerados e outras utilizações) e a produção de resina. Formador: Sérgio Couto, Eng. 3 /
PINHEIRO MANSO DESCRIÇÃO É uma árvore que frequentemente ultrapassa os 30 metros de altura, de

PINHEIRO MANSO

DESCRIÇÃO É uma árvore que frequentemente ultrapassa os 30 metros de altura, de folha persistente. A copa é arredondada, semelhante a um guarda-chuva, sobretudo nos exemplares mais jovens. O tronco é direito cilíndrico de casca muito grossa e coloração parda a acinzentada, muito gretada, que com o tempo vai soltando pedaços da casca no lugar das quais aparece uma coloração castanho avermelhada. As folhas são agulhas verde claras, rígidas com 10 a 20 cm de comprimento e 1 a 2 mm de grossura, agrupadas duas a duas. Floresce de Março a Maio demorando as pinhas a amadurecer três anos e libertando os pinhões ao quarto ano.

DISTRIBUIÇÃO GEOGRÁFICA

os pinhões ao quarto ano. DISTRIBUIÇÃO GEOGRÁFICA O Pinheiro Manso ( Pinus pinea ) será originário

O Pinheiro Manso (Pinus pinea) será originário do Mediterrâneo Oriental (Ásia Menor) e encontra- se por toda a Bacia Mediterrânea começando a rarear à medida que aumenta a distância ao Mediterrâneo e as condições ecológicas se modificam. Em Portugal tem grande desenvolvimento na Península de Setúbal e zonas contíguas.

na Península de Setúbal e zonas contíguas. CONDIÇÕES AMBIENTAIS O Pinheiro Manso é uma árvore que

CONDIÇÕES AMBIENTAIS

O Pinheiro Manso é uma árvore que tem preferência por solos frescos, profundos e arenosos, adaptando-se mesmo a areais marítimos e dunas. Prefere solos ligeiramente ácidos mas adapta- se a solos calcários se não forem muito argilosos. Prefere boa luminosidade e temperaturas quentes, não suportando geadas fortes e/ou continuadas. É comum encontrá-lo entre o nível do mar e os 1000 metros de altitude.

entre o nível do mar e os 1000 metros de altitude. HISTÓRIA E UTILIZAÇÕES As Naus

HISTÓRIA E UTILIZAÇÕES

As Naus que dobraram o Cabo da Boa Esperança tiveram na sua construção Pinheiros Mansos de Alcácer do Sal, tendo o próprio Bartolomeu Dias escolhido as árvores nesta região.

SOBREIRO DESCRIÇÃO   O Sobreiro, Quercus suber é uma árvore de porte médio, com uma

SOBREIRO

DESCRIÇÃO  

DESCRIÇÃO

DESCRIÇÃO  
 

O Sobreiro, Quercus suber é uma árvore de porte médio, com

uma copa ampla, com uma altura média de 15 - 20 m. Pode

atingir, em casos extremos, os 25 m de altura. O tronco tem

uma casca espessa e suberosa, vulgarmente designada por

cortiça. As folhas são persistentes, de cor verde-escura,

brilhantes nas faces superiores e acinzentadas nas inferiores.

Têm uma forma oval, com margem inteira ou ligeiramente

serrada ou dentada; e têm indumento. O fruto do sobreiro é a

glande, que tem uma forma oval-oblonga e um pedúnculo curto

glande, que tem uma forma oval-oblonga e um pedúnculo curto DISTRIBUIÇÃO GEOGRÁFICA   Sul da Europa

DISTRIBUIÇÃO GEOGRÁFICA

 

Sul da Europa e Norte de África.

Existe em todo o nosso país, espontaneamente, semeado ou plantado. Nos dois últimos casos

forma povoamentos denominados montados, onde os sobreiros existem quase sempre em

consociação com uma cultura agrícola ou uma pastagem.

 
com uma cultura agrícola ou uma pastagem.   CONDIÇÕES AMBIENTAIS É chamada uma "árvore de

CONDIÇÕES AMBIENTAIS

É

chamada uma "árvore de sombra", é muito resistente ao ensombramento, crescendo melhor

debaixo de árvores adultas. Prefere climas com amplitudes térmicas suaves, humidade

atmosférica e insolação elevada. Suporta bem todos os tipos de solos excepto os calcários.

Suporta bem todos os tipos de solos excepto os calcários. HISTÓRIA E UTILIZAÇÕES   O sobreiro

HISTÓRIA E UTILIZAÇÕES

 

O

sobreiro era chamado de suber pelos romanos, foi daí que veio a sua denominação científica

em latim.

 

A

cortiça proporciona ao sobreiro uma protecção contra o fogo, permitindo-lhe frequentemente

sobreviver a incêndios que matam outras árvores.

 

A

sua principal utilização é a produção de cortiça, o único produto do qual Portugal é o primeiro

produtor mundial. Os frutos serviam de alimento para porcos denominados de montanheira. As

folhas mais baixas ou deixadas no solo como resultado de podas ou desbastes, servem como

complemento de alimentação para o gado nas épocas do ano em que o pasto escasseia.

A

madeira é muito dura e compacta, difícil de trabalhar, tendo pouco valor para carpintaria e

marcenaria. É num entanto um óptimo combustível para lume, sendo muito utilizada nas lareiras.

Formador: Sérgio Couto, Eng.

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  EUCALIPTO DESCRIÇÃO   O Eucalipto ( Eucalyptus globulus ) é uma árvore de grande
 
  EUCALIPTO

EUCALIPTO

  EUCALIPTO DESCRIÇÃO   O Eucalipto ( Eucalyptus globulus ) é uma árvore de grande porte,

DESCRIÇÃO

 

O

Eucalipto (Eucalyptus globulus) é uma árvore de grande porte, com uma altura que pode

atingir os 70 - 80 m em árvores adultas velhas. O tronco é alto e recto se a árvore estiver

inserida num povoamento florestal. A casca é lisa, cinzenta ou castanha. As folhas são persistentes e têm forma e aspecto diferentes conforme a árvore está numa fase de crescimento juvenil ou adulta. DISTRIBUIÇÃO GEOGRÁFICA

Originário da Austrália e Tasmânia. Foi introduzido em Portugal em meados do século XIX. Existe igualmente em Espanha e em França. Em Portugal, prefere regiões litorais e de baixa altitude, inferior a 700 m.

CONDIÇÕES AMBIENTAIS

 

Prefere climas temperados húmidos. Suporta mal o ensombramento. Tolera bem todos os tipos de solos, com excepção aos calcários. Resiste bem ao encharcamento e mal ao vento.

HISTÓRIA E UTILIZAÇÕES

 

A

esta espécie de Eucalipto foi dado o nome de globulus em virtude dos seus frutos lembrarem

os antigos botões do vestuário.

 

Devido às condições ecológicas excepcionais que esta espécie pode encontrar entre nós, existem muitos exemplares de grande porte, os maiores dos quais ultrapassam os 10 metros de perímetro à altura do peito.

A

sua principal utilização é a produção de madeira para pasta celulósica. As suas flores são

também muito procuradas pelas abelhas para produção de mel.

As folhas de Eucalyptus globulus possuem um óleo essencial denominado cineol ou eucaliptol que tem propriedades balsâmicas e antissépticas.

MANUTENÇÃO E BENEFICIAÇÃO DAS REDES VIÁRIA E DIVISIONAL DE LINHAS E PONTO DE ÁGUA

MANUTENÇÃO E BENEFICIAÇÃO DAS REDES VIÁRIA E DIVISIONAL DE LINHAS E PONTO DE ÁGUA

As infra-estruturas florestais são os elementos que dão passagem, para os povoamentos florestais, de todos os meios, bem como de prestarem auxílio na prevenção, detecção e combate aos incêndios florestais.

MÉTODOS E EQUIPAMENTOS UTILIZADOS

REDE VIÁRIA

Constituída pelos caminhos e estradões florestais, e a rede divisional, constituída pelos aceiros ou linhas corta-fogo, são dois subsistemas infra-estruturais que se interligam e complementam.

Existem determinadas zonas florestais onde há a necessidade de beneficiar determinados acessos, através de:

Limpeza das bermas,

Construção de valetas e de sistemas de drenagem,

Alargamento e melhoria do piso,

Construção de zonas de viragem e de cruzamento de viaturas,

Sinalizações.

As estradas e caminhos da rede viária que se situam em áreas florestais deverão ter as margens limpas, na faixa lateral confinante, de largura não inferior a 10 metros.

MANUTENÇÃO DA REDE VIÁRIA

Na manutenção dos caminhos florestais deverão observar-se algumas normas de segurança e operacionalidade:

A largura mínima da faixa de rodagem deverá ser 3.50 m, tendo em consideração o tipo de veículos que utilizam estes caminhos, quer seja afecta à exploração quer aos corpos de bombeiros;

Em caso de troços rectos poderão considerar-se locais de cruzamento, os quais devem ser construídos em pontos onde a visibilidade do condutor permita observar a aproximação de outro veículo;

Ser consideradas zonas de inversão de marcha, indispensáveis em áreas de elevado perigo de incêndio e ainda quando o caminho florestal tenha apenas uma ligação à rede rodoviária principal.

A orografia das áreas florestais nem sempre permite a construção dos caminhos florestais com as
A orografia das áreas florestais nem sempre permite a construção dos caminhos florestais com as

A orografia das áreas florestais nem sempre permite a construção dos caminhos florestais com as

dimensões adequadas; todavia, a segurança aconselha a construção de plataformas e zonas de manobra nos casos em que o traçado dos caminhos não é o desejável.

Outra regra que se deve obedecer para assegurar a diminuição do risco de incêndio é a limpeza de matos nas bordaduras dos caminhos e a plantação de espécies florestais menos combustíveis (folhosas), cujo objectivo visa dificultar a propagação do fogo.

REDE DIVISIONAL

Constituída pelos aceiros ou linhas corta-fogos. Os aceiros são construídos nas linhas de cumeada, aproveitando-se sempre que possível, barreiras e obstáculos naturais para alargar esta linhas corta-fogos, servindo assim as mesmas, tampão à progressão do fogo e de apoio ao combate.

tampão à progressão do fogo e de apoio ao combate. A direcção aconselhável para os aceiros

A direcção aconselhável para os aceiros deverá ser segundo o declive intermédio das encostas.

Sempre que possível, os aceiros serão utilizados como caminhos florestais, devendo as faixas adjacentes ter uma densidade de coberto inferior à do povoamento, ou ser arborizadas com espécies diferentes, quebrando assim as manchas contínuas.

O problema da erosão deve ser tipo em conta na construção das redes infra-estruturais. Nas situações em que o risco de erosão pode ser provocado pelo escoamento de águas superficiais, deverão construir-se valetas nas bermas dos caminhos e proceder-se à colocação de manilhas nos locais onde as linhas de água os interceptam.

As novas tendências da silvicultura propõem a existência de aceiros arborizados, que são áreas da

As novas tendências da silvicultura propõem a existência de aceiros arborizados, que são áreas da mancha florestal sujeitas a um diferente tipo de práticas culturais: diferentes espaçamentos e diferentes espécies. Esta técnica permite uma melhoria estética da paisagem e que sejam consumidos menos recursos na sua manutenção.

Dado que a razão de aceiros por unidade de área é, em geral, baixa, será de considerar a sua instalação em áreas florestais que possam tirar partido destas infra-estruturas.

MANUTENÇÃO DA REDE DIVISIONAL

A rede divisional é composta por faixas corta-fogos, as quais correspondem quer a faixas sem

coberto arbóreo e onde se realiza periodicamente a limpeza da vegetação espontânea (aceiros ou aceiros limpos), quer a faixas onde é mantida vegetação arbórea com menor densidade e é feito o controlo do desenvolvimento do estrato arbustivo (aceiros com vegetação), quer ainda a faixas ocupadas somente com vegetação herbácea.

PONTOS DE ÁGUA

A rede de pontos de água é constituída por um conjunto de estruturas de armazenamento de água,

naturais ou artificiais acessíveis aos meios de combate ao fogo.

A localização dos pontos de água deve ser planeada tendo em consideração:

A existência de fontes de alimentação em água;

A facilidade de circulação e de realização de manobras pelos veículos de combate a incêndios;

Os percursos dos animais bravios;

Os tempos de deslocação dos autotanques para reabastecimento.

tempos de deslocação dos autotanques para reabastecimento. A densidade aconselhável é de pelo menos 600 m3/1000

A densidade aconselhável é de pelo menos 600 m3/1000 ha, devendo esta capacidade estar

distribuída pelos pontos de forma a torná-la eficiente.

Os pontos de água devem estar localizados ao longo da rede viária e de forma a garantir a sua visibilidade pelos meios aéreos.

Deve existir uma área adjacente desarborizada, que funciona como local de realização de manobras e

Deve existir uma área adjacente desarborizada, que funciona como local de realização de manobras e heliporto.

MANUTENÇÃO DOS PONTOS DE ÁGUA

Deve ocorrer uma verificação periódica antes da época de maior risco de incêndio. Assim, os pontos de água devem ser limpos e estar sempre operacionais. Os seus utilizadores devem estar devidamente informados quanto às suas características e operacionalidade.

Ainda que se preparem facilmente, os pontos de água naturais, necessitam de uma manutenção periódica como o arranjo dos acessos, a limpeza das margens ou a reparação de pequenas represas.

Os pontos de água artificiais são de maior custo, no entanto, se estão bem desenhados, a sua manutenção é unicamente uma limpeza anual.

EQUIPAMENTOS UTILIZADOS

Na manutenção das infra-estruturas florestais, recorre-se com frequência a processos mecânicos, com recurso a:

Escavadoras com pá frontal,

Tractores florestais equipados com a grade de discos ou a capinadeira,

Equipamentos motomanuais, ex. motorroçadoras (ver capítulo roças de mato)

Escavadoras equipadas com pá

(ver capítulo roças de mato) Escavadoras equipadas com pá Formador: Sérgio Couto, Eng. 1 0 /

Tractores equipados com destroçador de mato

Tractores equipados com destroçador de mato UTILIZAÇÃO A utilização dos equipamentos pressupõe uma habilitação
Tractores equipados com destroçador de mato UTILIZAÇÃO A utilização dos equipamentos pressupõe uma habilitação

UTILIZAÇÃO A utilização dos equipamentos pressupõe uma habilitação específica de condução e uma preparação específica dos operadores, quer no que respeita aos cuidados prévios a observar antes de iniciar o trabalho, quer à operação dos mesmos.

MANUTENÇÃO DAS PLACAS DE SINALIZAÇÃO

TIPOS DE PLACAS O Decreto-Lei nº 124/2006, de 28 de Junho, define, a sinalização das medidas de condicionamento do acesso, de circulação e de permanência previstas no artigo 22º, nomeadamente nas zonas críticas, nas áreas submetidas a regime florestal, nas áreas florestais sob gestão do Estado e ainda naquelas onde seja de proceder à correspondente limitação de actividades. Outra sinalização importante nos espaços florestais, são as placas direccionais de sinalização de infra-estruturas de defesa da floresta contra incêndios.

Legenda de cores (pantone): a ) b ) C); Vermelho (1797 C); Vermelho-escuro (209 c
Legenda de cores (pantone): a ) b ) C); Vermelho (1797 C); Vermelho-escuro (209 c

Legenda de cores (pantone):

a)

b)

C);

Vermelho (1797 C);

Vermelho-escuro (209

c)

d)

Vermelho (1797 C);

Laranja (orange 021 C).

Placas direccionais de sinalização de infra-estruturas de defesa da floresta contra incêndio.

de infra-estruturas de defesa da floresta contra incêndio. MANUTENÇÃO DAS PLACAS DE SINALIZAÇÃO  A área

MANUTENÇÃO DAS PLACAS DE SINALIZAÇÃO

A área envolvente às placas deve estar limpa de vegetação, de modo a permitir uma fácil visualização;

Se for observado algum dano nas placas de sinalização, deverão substituir-se por outras de características análogas;

Não devem ser utilizados produtos abrasivos que deteriorem as placas de sinalização;

ROÇAS DE MATO

EQUIPAMENTOS MOTO MANUAIS

Motorroçadoura

ROÇAS DE MATO EQUIPAMENTOS MOTO MANUAIS Motorroçadoura É utilizada com a finalidade de proceder às seguintes

É utilizada com a finalidade de proceder às seguintes operações principais:

finalidade de proceder às seguintes operações principais: - Desbastes de florestas novas - Desmatação de matas

- Desbastes de florestas novas

- Desmatação de matas densas

- Limpeza de zonas de abate

- Criação de aceiros

- Limpeza de acessos

Este equipamento apresenta características próprias e requer uma formação específica para a sua operação em segurança de modo a evitar riscos para a saúde do operador e de terceiros. Nos pontos seguintes abordam-se aspectos chave a ter em conta para a concretização desta premissa.

Riscos mais frequentes:

- Fracturas nos membros inferiores

- Cortes nos membros inferiores

- Eventual surdez

- Lesões da coluna

- Lesões e cortes de terceiros

- Lesões nos olhos

Causas Principais

- Falta de equipamento de protecção individual (viseiras, botas reforçadas e calças com reforço)

- Posturas incorrectas

- Falta de informação/formação

Dispositivos de Segurança

Tratando-se de um equipamento que quando mal utilizado pode provocar graves acidentes de trabalho, os fabricantes têm incrementado desenvolvimento de dispositivos de segurança, que visam actuar de forma eficaz na prevenção de riscos de acidente. Seguidamente faz-se uma breve caracterização dos dispositivos mais comuns.

Protecção das cabeças de corte Este equipamento tem como função evitar a projecção de objectos

Protecção das cabeças de corte

Protecção das cabeças de corte Este equipamento tem como função evitar a projecção de objectos indesejados,

Este equipamento tem como função

evitar a projecção de objectos

indesejados, tais como pedras ou

partes da lâmina provenientes da sua

fractura, na direcção dos membros

inferiores do operador.

Bloqueador de acelerador

membros inferiores do operador. Bloqueador de acelerador Este dispositivo de segurança evita que se possa proceder

Este dispositivo de segurança evita

que se possa proceder à aceleração

acidental da roçadoura assim como

permite manter a mão do operador

em contacto com o punho sempre que esta esteja em funcionamento.

Sistemas anti-vibratórios

que esta esteja em funcionamento. Sistemas anti-vibratórios Sistemas de protecção integrada que diminuem a fadiga e

Sistemas de protecção integrada que

diminuem a fadiga e reduzem o risco

de lesões na coluna e nos membros

superiores.

Embraiagem de segurança

Embraiagem de segurança Este dispositivo tem como função de transmissão em caso de esforço parar o
Embraiagem de segurança Este dispositivo tem como função de transmissão em caso de esforço parar o

Este dispositivo tem como função

de

transmissão em caso de esforço

parar

o

movimento

do

veio

adicional

nas lâminas ou discos,

evitando

a

sua

quebra

e

a

projecção

Protecção contra terceiros, chama-se a atenção para o seguinte procedimento:

Delimitação e sinalização da zona de trabalho e interdição o acesso de terceiros durante os períodos

de trabalho.

Manual de Instruções

Antes de operador proceder a qualquer operação com o seu novo equipamento deverá ler

cuidadosamente o manual de instruções, o qual deverá estar traduzido na língua nacional, na medida

em que este contém informação detalhada sobre a correcta utilização dos equipamentos, informação

sobre as suas características técnicas, funcionamento, EPI's mais adequados, manutenção, entre

outras informações.

Equipamento de Protecção Individual

- Botas reforçadas com biqueiras de aço (protecção contra cortes e embate da motorrroçadoura

contra os pés do operador);

- Viseira de protecção de olhos (protecção contra lesões nos olhos devido ao pó e projecção de

objectos que podem ferir os olhos);

- Calças com reforço na zona das caneleiras (protecção contra a projecção de pedras e contra

eventuais cortes nos membros inferiores);

- Camisa ou casaco de cor identificativa ao longe (facilidade de identificação do operador em caso de

sinistro; protecção de terceiros que desta forma podem identificar mais facilmente o operador);

- Colete de suporte da motorroçadoura (distribuição do peso e vibrações do equipamento pelo

tronco do operador, diminuindo as lesões musculares e da coluna vertebral).

- Luvas reforçadas (protecção contra a transmissão do efeito vibratório e contra lesões devidas ao

contacto permanente e prolongado das mãos com o equipamento).

Acessórios de Corte da Motorroçadoura O operador deve escolher o tipo de lâmina ou disco
Acessórios de Corte da Motorroçadoura O operador deve escolher o tipo de lâmina ou disco

Acessórios de Corte da Motorroçadoura

O operador deve escolher o tipo de lâmina ou disco em função do tipo de trabalho que deseja efectuar. Existem dois tipos de acessórios fundamentais a conhecer:

Lâminas São acessórios que se destinam o corte de lenhas e matos densos, estando associados às seguintes operações:

Limpeza de caminhos

Limpeza de locais de abate

Discos - São acessórios que se destinam ao corte de materiais lenhosos de diâmetro médio, estando associados às seguintes operações:

Desbastes

Criação de aceiros

Limpeza de locais de abate

 Desbastes  Criação de aceiros  Limpeza de locais de abate Formador: Sérgio Couto, Eng.
No sentido de diminuir os malefícios no manuseamento da motorroçadoura, o operador deverá respeitar duas

No sentido de diminuir os malefícios no manuseamento da motorroçadoura, o operador deverá respeitar duas regras básicas:

- Manter o tronco direito e flectir as pernas quando necessário;

- Evitar "pendurar" o pescoço.

Manutenção e Conservação dos Equipamentos de Trabalho

O bom estado dos equipamentos é condição indispensável para o correcto funcionamento dos mesmos. Estes factores juntamente com a operacionalidade dos dispositivos de segurança, são condições essenciais para uma eficaz prevenção dos riscos de acidente.

Para a verificação destas condições o operador terá proceder à manutenção e conservação do equipamento. Seguidamente referem-se certos cuidados essenciais que o operador deverá ter no sentido da prevenção de riscos desnecessários.

Antes do trabalho:

Motorroçadoura

Verificar o funcionamento de todos os dispositivos de segurança.

Verificar o funcionamento do equipamento.

Verificar a afiação dos órgãos de corte.

Durante o trabalho:

Motorroçadoura

Verificar o grau de afiação dos órgãos de corte.

Em caso de contacto dos órgãos de corte com objectos indesejados, verificar imediatamente o estado destes órgãos.

Após o trabalho:

Motorroçadoura

Verificar o estado de desgaste dos órgãos de corte.

Substituir em caso de necessidade órgãos de corte danificados.

Verificar o estado da embraiagem de segurança.

Como medidas mais importantes de conservação dos equipamentos, contribuindo para o aumento da sua vida

Como medidas mais importantes de conservação dos equipamentos, contribuindo para o aumento da sua vida útil, referem-se as seguintes medidas:

Conservação dos equipamentos:

Motorroçadoura

Parafinar todos os órgãos activos do equipamento.

Substituir todo o material danificado ou com desgaste excessivo

Colocar o equipamento em cima de um estrado de madeira ao abrigo do sol e da chuva.

Guardar o equipamento em local restrito a terceiros, muito especialmente crianças.

Fonte: CAP/Ministério da Educação

OPERAÇÕES DE MANUTENÇÃO DE ESPAÇOS FLORESTAIS

As intervenções ao nível das árvores consistem na realização de cortes culturais.

Os cortes culturais fazem-se com o objectivo de conduzir, orientar e melhorar o povoamento, podendo, secundariamente, os produtos extraídos ser comercializados; mas as operações, neles enquadradas, não se fazem com essa finalidade específica. Normalmente, através deles, obtém-se material de menores dimensões, de pior qualidade e, consequentemente, de menor valor comercial.

Nem sempre se traduzem na remoção das árvores inteiras, dirigindo-se, nalguns casos, para o corte de partes das árvores. Podem incidir em indivíduos de espécies que não constituem o objectivo principal da exploração.

Os principais tipos de cortes culturais são:

Desbastes;

Desramações;

Podas;

Limpezas de povoamentos;

Por razões ligadas com a maior simplicidade de exposição, a descrição para cada um desses cortes faz-se tendo como referência os povoamentos de alto fuste regular.

Nos povoamentos irregulares misturam-se, em simultâneo, cortes de diversos tipos, embora cada um deles continue a ter objectivos e naturezas diferenciadas, tal como acontece naqueles povoamentos.

DESBASTES

DESBASTES São cortes que reduzem, de forma criteriosa, o número de árvores por hectare. Caracterizam-se por

São cortes que reduzem, de forma criteriosa, o número de árvores por hectare. Caracterizam-se por ser uma intervenção selectiva: escolhem-se os indivíduos a remover e a deixar no povoamento.

Com a sua implementação há uma redistribuição do potencial produtivo da estação em benefício das árvores seleccionadas para ficarem após o desbaste. Melhoram-se as condições de desenvolvimento dessas árvores através de um reaproveitamento e reocupação do espaço aéreo e do solo.

Os desbastes são das operações mais importantes de gestão florestal pois permitem:

A realização de receitas intermédias, antes do corte final;

Seleccionar as árvores, eliminando as mal conformadas, em benefício das melhores;

Provocar aumentos de diâmetro mais rápidos nas árvores que ficam sendo a produção independente do número de árvores por hectare, dentro de limites razoáveis, quanto menor for o seu número maior será o aumento em diâmetro;

Produzir madeira homogénea, com crescimentos regulares, graças a uma velocidade de crescimento controlada.

Apesar da sua importância esta operação é frequentemente negligenciada, não sendo realizada com a periodicidade e a intensidade desejável. Este facto prende-se, nomeadamente, com:

Dificuldades na comercialização de madeira de menores dimensões;

Dificuldades na exploração das matas quando da realização dos desbastes, sem danificar o povoamento principal;

Falta de mão-de-obra especializada;

Falta de conhecimentos técnicos.

PRÁCTICAS DE EXECUÇÃO

Cortam-se as árvores próximas e em concordância directa com as árvores de futuro, tendo, em simultâneo, o cuidado de abrir o povoamento e melhorar a distribuição no espaço do povoamento principal. Deverá, igualmente, ter-se em atenção a utilidade dos andares inferiores de árvores como vegetação de acompanhamento deste: as suas copas protegem os troncos das árvores de futuro, mantendo-se à sombra, melhorando-se, assim, as condições para a desramação natural, bem como a protecção do solo e a resistência a agentes bióticos e abióticos nocivos.

e a resistência a agentes bióticos e abióticos nocivos. Esquema exemplificativo da implementação de desbastes

Esquema exemplificativo da implementação de desbastes

Peso, grau e intensidade de desbaste

Peso, grau e intensidade de desbaste O peso de um desbaste define-se como o volume de

O

peso de um desbaste define-se como o volume de material lenhoso retirado nesse desbaste.

O

grau de desbaste, expresso normalmente em percentagem, é o quociente entre o volume (ou outra

variável como seja o n.º de pés) saído num desbaste e o volume do povoamento antes desse desbaste (ou outra variável como seja o n.º de pés). Este será considerado como:

Fraco, para valores de cerca de 20%

Moderado, para valores de cerca de 40%

Forte, para valores de cerca de 60%

A

intensidade de desbaste é o quociente entre o volume de material lenhoso retirado nesse desbaste

e

o número de anos que decorre até ao próximo desbaste. É, portanto, uma medida anual da

produção saída em desbaste.

No quadro seguinte indicam-se as classes das árvores a retirar em função do tipo e grau de

desbaste:

Descrição sintética dos tipos de desbaste e sua relação com os graus de desbaste:

sintética dos tipos de desbaste e sua relação com os graus de desbaste: Formador: Sérgio Couto,

DESRAMAÇÃO

DESRAMAÇÃO Consiste na limitação e supressão sistemática dos ramos que se desenvolvem ao longo do tronco,

Consiste na limitação e supressão sistemática dos ramos que se desenvolvem ao longo do tronco, com o objectivo de produzir madeira sem nós e de melhorar as condições que diminuem o adelgaçamento do tronco, reduzindo a proporção de tronco incluído na copa viva.

Esta operação também poderá ser executada para reduzir o risco e perigo de incêndio, dado que através dela se aumenta a descontinuidade vertical do povoamento, diminuindo, assim, a possibilidade do estrato arbustivo entrar em contacto com a parte inferior das copas das árvores e, consequentemente, a vulnerabilidade a incêndios florestais. Pode ocorrer naturalmente, falando-se então de desramação natural, ou ser uma desramação artificial, quando são cortados os ramos vivos e retirados os restos de ramos mortos.

PRÁCTICAS DE EXECUÇÃO

A desramação natural é conseguida através da manutenção de compassos apertados nas primeiras

fases de vida do povoamento (período de instalação e de formação do fuste) e de uma correcta

gestão da vegetação de acompanhamento de modo a promover o ensombramento do tronco.

Os princípios de execução da desramação artificial integram um conjunto de conceitos e práticas que são descritos de seguida:

Número e características das árvores a desramar

O facto de ser uma operação cara e por ter como finalidade melhorar a qualidade da madeira aconselha a que a sua execução seja feita apenas nas árvores com potencialidades para a produzir:

Árvores de futuro;

Exemplares a retirar durante os últimos desbastes que, embora não tenham sido seleccionados como de futuro, possam produzir madeira para serração de elevada qualidade, para folha ou para desenrolar.

Como regra prática aconselha-se desramar as árvores de futuro e mais 20% destas, escolhidas entre as melhores.

A necessidade de execução desta operação é superior nas espécies que desramam mal naturalmente.

Nas folhosas e em algumas resinosas a desramação natural ocorre frequentemente, desde que as

densidades não sejam muito baixas e/ou se a vegetação de acompanhamento for correctamente gerida. Nestas espécies a desramação artificial apenas se torna necessária, perante:

Densidades baixas e/ou presença insuficiente de vegetação de acompanhamento;

Espécies como a cerejeira que, mesmo com densidades elevadas, necessitam de uma desramação suplementar, porque os ramos à sombra morrem deixando no fuste restos de madeira morta que é necessário suprimir artificialmente.

Idade e dimensão das árvores a desramar

Idade e dimensão das árvores a desramar Esta operação poderá, em casos pontuais, quando os diâmetros

Esta operação poderá, em casos pontuais, quando os diâmetros das árvores justifiquem a sua execução, ser iniciada no período de instalação, mas implementar-se-á, principalmente, no de formação do fuste.

É uma operação desnecessária se for executada muito tarde, não se atingindo o objectivo da sua execução produção de madeira sem nós -, correndo-se o risco de o diâmetro do núcleo enodado ser já bastante largo. Executar esta operação cedo, além de garantir a eliminação eficaz dos nós, tem, ainda, a vantagem de remover ramos de menor dimensão, reduzindo-se os custos e a possibilidade de invasão do tronco por agentes patogénicos.

Como referência aconselha-se a sua prática até diâmetros de fuste das árvores de 12 cm, em resinosas, e de 15 cm, em folhosas.

Os diâmetros dos ramos a cortar devem ser de dimensões reduzidas, não devendo os seus diâmetros na base serem superiores a 3 cm. A desramação é feita da base para o topo do fuste.

3 cm. A desramação é feita da base para o topo do fuste. Representação das secções

Representação das secções transversais e do perfil do fuste de árvores submetidas a desramação (os diâmetros do núcleo enodado são indicados

Periodicidade da desramação

A periodicidade da desramação depende principalmente:

Da altura da árvore a desramar;

Da espécie e da sua taxa de crescimento: quanto maior a velocidade de crescimento em diâmetro, maior a necessidade de realizar esta operação com mais frequência.

Considera-se que o diâmetro da base do troço que se vai desramar não deve ser superior ao diâmetro da base do troço anteriormente desramado. Determina-se com base neste critério a altura mais adequada para repetir esta operação.

Como norma geral aconselha-se desramar de cada vez dois andares da copa viva e em intervalos não inferiores a quatro anos, efectuando três a quatro intervenções.

Altura a desramar na árvore

Altura a desramar na árvore A altura a desramar na árvore varia, nomeadamente, em função da

A altura a desramar na árvore varia, nomeadamente, em função da espécie e do objectivo de

produção. A possibilidade de realizar esta operação a partir do solo também é um factor a ter em

conta na definição dessa altura.

Aconselha-se a sua realização até alturas do fuste de 4 a 9 m. A opção por um valor nesse intervalo será função dos factores atrás referidos.

Na perspectiva da comercialização da madeira há vantagens na produção de material com idênticas alturas de desramação, optando-se com frequência por executar esta operação até 6 m de altura do fuste.

A remoção dos ramos verdes origina uma redução na superfície exterior da copa que se traduz na

redução dos acréscimos em diâmetro, mantendo-se, no entanto, o crescimento em altura praticamente inalterado. Razão porque, em cada desramação, não deverá reduzir-se a copa para

comprimentos inferiores a 75% do seu comprimento inicial.

comprimentos inferiores a 75% do seu comprimento inicial. Exemplo de alturas a desramar, quando esta operação

Exemplo de alturas a desramar, quando esta operação é executada em três intervenções

Como cortar os ramos

O corte dos ramos faz-se rente ao tronco, mas sem ferir a casca, a fim de melhorar as condições de

cicatrização e de reduzir a possibilidade de ataque de pragas e doenças na ferida aberta.

Deve contudo haver o cuidado de não cortar a uma grande distância do tronco para evitar, nomeadamente, a formação de nós mortos.

para evitar, nomeadamente, a formação de nós mortos. Modo de executar o corte dos ramos Formador:

Modo de executar o corte dos ramos

Período de execução

Período de execução Realiza-se normalmente na época de repouso vegetativo – Inverno/princípio da Primavera. Nessa

Realiza-se normalmente na época de repouso vegetativo Inverno/princípio da Primavera. Nessa altura a velocidade de cicatrização será maior, reduzindo-se o risco de invasão do tronco por agentes patogénicos.

Práticas incorrectas

A desramação em excesso de árvores muito jovens traduz-se em redução do volume da copa

provoca desequilíbrios na árvore que alteram os seus processos fisiológicos, comprometendo a

produção de madeira.

Em folhosas a desramação em excesso de árvores muito jovens pode, ainda, levar ao abrolhamento

de gomos dormentes no tronco, que, também, comprometem a produção de madeira de qualidade.

Árvores muito grossas, desramadas muito tarde, não garantem a produção de madeira sem nós, objectivo da execução desta operação.

Caso particular de necessidade de execução de desramações

Nalgumas situações, com o objectivo de aumentar a descontinuidade vertical do povoamento, diminuindo, desse modo, a sua vulnerabilidade a incêndios florestais, poderão ser feitas desramações em árvores de qualidade inferior, devendo, nesse caso, optar-se por realizá-las em árvores distribuídas ao longo de faixas paralelas à rede viária e divisional.

PODA DE FORMAÇÃO

Consiste em cortar, de forma selectiva, os ramos que desequilibram o tronco a fim de obter um fuste direito com maiores dimensões.

Corrige-se a forma das árvores eliminando as bifurcações do tronco e outros ramos que adquirem um forte desenvolvimento e/ou uma inclinação indesejável, provocando desequilíbrios, que poderão perturbar o crescimento do ramo terminal e a correcta forma do tronco.

Justifica-se, particularmente, nas plantações de folhosas, espécies que dificilmente apresentam um fuste direito e com uma boa forma, sobretudo se a sua instalação foi feita com baixas densidades.

Na figura seguinte, mostra-se uma nogueira-americana com forma florestal imperfeita por não ter sido submetida

Na figura seguinte, mostra-se uma nogueira-americana com forma florestal imperfeita por não ter sido submetida a poda de formação. Apenas a realização de rolagem poderá possibilitar a sua recuperação, na perspectiva da produção lenhosa.

a sua recuperação, na perspectiva da produção lenhosa. Nogueira-americana com fuste de reduzidas dimensões por

Nogueira-americana com fuste de

reduzidas dimensões por não ter sido sujeita a uma correcta poda de formação

PRÁCTICAS DE EXECUÇÃO

Por razões económicas a execução desta operação deverá ser feita apenas nas árvores destinadas à produção de madeira de qualidade e que também vão ser objecto de desramações, ou seja, as árvores de futuro e exemplares a retirar nos últimos desbastes, que embora não tenham sido seleccionadas como de futuro, irão produzir madeira para serração de elevada qualidade, para folha ou para desenrolar.

Contudo, como na fase em que se realiza ainda não se podem tirar conclusões definitivas sobre as melhores árvores do povoamento, aconselha-se a realização de podas de formação num número superior de árvores, por exemplo o dobro das que se irão designar como árvores de futuro, a retirar quando do corte final. Como regra prática recomenda-se a realização de podas de formação em cerca de 400 árvores/ha, as quais deverão ser seleccionadas, no povoamento, pela sua qualidade superior.

Realiza-se até uma altura do fuste igual à definida, em função da espécie e do objectivo de produção, para executar as desramações: de 4 a 9 m.

Os cortes fazem-se rente ao tronco, mas sem ferir, a alguns centímetros deste, com o objectivo de melhorar as condições de cicatrização e impedir o ataque de agentes nocivos (pragas e doenças).

Realiza-se normalmente na época de repouso vegetativo Inverno/princípio da Primavera (a velocidade de cicatrização será maior, reduzindo-se o risco de invasão do tronco por agentes patogénicos).

Esta operação poderá ser iniciada no período de instalação mas implementar-se-á, principalmente, no de formação

Esta operação poderá ser iniciada no período de instalação mas implementar-se-á, principalmente, no de formação do fuste. Há vantagens em intervir precocemente, porque uma intervenção tardia faz com que:

Os custos da sua execução aumentem, por se removerem ramos mais grossos e lenhificados;

O seu efeito na qualidade da madeira seja menos eficaz;

Diminua a capacidade dos troncos reagirem e de se melhorar a sua forma.

Recomenda-se começar as podas de formação depois das desramações e terminar a sua execução antes do fim dessa operação.

O esquema da figura representa a forma de implementação da desramação, da poda de formação e da monda (consiste no corte dos ramos ladrões que poderão surgir na parte inferior do fuste), operações que podem ser executadas em simultâneo nas árvores.

que podem ser executadas em simultâneo nas árvores. Distribuição no tronco da árvore da zona de

Distribuição no tronco da árvore da

zona de intervenção e dos ramos a

cortar na monda, na desramação e na poda de formação

LIMPEZAS DE POVOAMENTOS

LIMPEZAS DE POVOAMENTOS Corte das árvores muito ramificadas ou mal conformadas e redução das densidades excessivas,

Corte das árvores muito ramificadas ou mal conformadas e redução das densidades excessivas, com o objectivo principal de valorizar a madeira do povoamento a remover no futuro. Procura-se homogeneizar e abrir o povoamento, aumentando o espaço vital do conjunto das árvores e melhorando, igualmente, a sua estabilidade e a resistência a agentes externos perturbadores bióticos e abióticos. Na verdade, a redução das densidades excessivas traduz-se na:

Diminuição do coeficiente de adelgaçamento das árvores, melhorando, assim, a estabilidade mecânica do povoamento, o que aumenta a sua resistência ao efeito dos ventos, da neve e de outros agentes meteorológicos;

Melhoria da vitalidade das árvores, aumentando a sua resistência ao ataque de pragas e doenças;

Redução do risco e do perigo de incêndio por se diminuir a carga de combustível, aumentando a descontinuidade vertical e horizontal do povoamento.

Nesta operação são eliminados também matos e outra vegetação espontânea e é possível intervir ao nível da composição do povoamento. Podem, ainda, ser incluídas a selecção de varas na rebentação das touças, bem como uma primeira desramação, dita de penetração ou de desafogo do povoamento.

PRÁTICAS DE EXECUÇÃO

Executa-se em povoamentos muito densos, quando as árvores estão pouco ou nada diferenciadas, sendo a escolha dos indivíduos a remover grosseira, em massa, com um carácter mais global do que individual. A sua implementação faz-se segundo modalidades geométricas:

Em faixas, quando se removem várias linhas em simultâneo;

Ou na linha, quando a remoção se faz ao longo da linha.

As primeiras merecem particular destaque nos povoamentos de regeneração natural ou excessivamente densos. Possibilitam, nomeadamente, a racionalização dos compassos, de modo a facilitar as operações subsequentes de condução dos povoamentos.

As segundas, além de melhorarem o compasso, têm um carácter mais selectivo.

Nalgumas situações justifica-se a opção pela conjugação na mesma área destes processos, limpando em faixas de largura determinada pelos meios mecânicos a utilizar, por exemplo de 3,5 a 4 m de largura, e com um espaçamento, entre elas, variável em função das características do terreno e do povoamento, por exemplo de 25 em 25 m, e entre essas faixas na linha, por exemplo de 5 em 5 m.

Limpezas excessivas são prejudiciais, por deixarem no terreno um reduzido número de pés, que ficam com um espaço exagerado ao seu dispor, o que se repercute negativamente na forma e qualidade do futuro povoamento, bem como na sua resistência a agentes bióticos e abióticos

nocivos; se o espaço for muito aberto ocorrerá, ainda, um desenvolvimento exagerado da vegetação heliófila.

nocivos; se o espaço for muito aberto ocorrerá, ainda, um desenvolvimento exagerado da vegetação heliófila. A madeira retirada não tem valor comercial, sendo, por isso, uma operação que apenas se traduz em encargos, aconselhando uma gestão racional que:

Esta operação se realize apenas quando for indispensável;

Nessa situação, deverá optar-se por executá-la o menor número de vezes e o mais cedo possível na vida dos povoamentos.

Como valores médios indica-se a sua execução em intervalos de 2 a 4 anos, até aos 15 anos, com início quando os diâmetros à altura do peito (DAP) das árvores que se vão retirar ultrapasse os 5 cm. Nas restantes limpezas deverá atender-se ao crescimento em altura das árvores, que não deve ser retardado, e às suas copas, intervindo quando elas se começarem a cruzar. As espécies intolerantes ao ensombramento necessitam de intervenções mais cedo e mais frequentes que as tolerantes.

FONTE: Princípios de Boas Práticas Florestais - DGF

MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS UTILIZADOS

MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS UTILIZADOS Recorre-se com frequência a processos mecânicos, com recurso a tractores florestais

Recorre-se com frequência a processos mecânicos, com recurso a tractores florestais equipados com a grade de discos ou a capinaneira, equipamentos motomanuais, com recurso a motorroçadoras (ver capítulo anterior) e motosserras.

Assim, existe uma grande diversidade de ferramentas, pelo que se optou por referir apenas algumas mais usuais. Porém, alguns dos princípios e alertas aqui descritos aplicam-se a outras ferramentas.

Certas operações florestais têm de ser executadas manualmente e outras, mais ou menos mecanizadas, têm de ser complementadas com recurso a ferramentas manuais.

Catana

ser complementadas com recurso a ferramentas manuais. Catana Machado Serrote Formador: Sérgio Couto, Eng. 2 9

Machado

complementadas com recurso a ferramentas manuais. Catana Machado Serrote Formador: Sérgio Couto, Eng. 2 9 /

Serrote

complementadas com recurso a ferramentas manuais. Catana Machado Serrote Formador: Sérgio Couto, Eng. 2 9 /
MANUTENÇÃO E CONSERVAÇÃO DAS FERRAMENTAS UTILIZADAS Sendo as ferramentas manuais utensílios sujeitos a grandes

MANUTENÇÃO E CONSERVAÇÃO DAS FERRAMENTAS UTILIZADAS

Sendo as ferramentas manuais utensílios sujeitos a grandes desgastes, devem ter-se certos procedimentos que possam reduzir o desgaste das mesmas.

A manutenção e forma como estas ferramentas são conservadas, são factores que influenciam quer o

risco de acidentes, para quem com elas trabalha quer a vida útil das mesmas.

Manutenção de ferramentas de corte (catanas, serrotes, machados)

Devido ao facto da eficácia destas ferramentas, estar directamente relacionada com a sua regular manutenção, deve ter-se em atenção os seguintes cuidados principais:

Antes da sua utilização

- Verificar o estado de afiação das partes activas (gumes e lâminas);

- Verificar o estado do encravamento dos cabos de madeira nas peças de metal;

- Verificar o estado de conservação dos cabos de madeira procurando a existência de lascas ou pontos de rotura.

Durante a sua utilização

- Sempre que se verifique uma diminuição na sua acção de corte deve-se proceder à afiação das

partes activas das ferramentas;

- Se existir o contacto da parte activa de uma ferramenta com algum material indesejado (pedras)

deve-se proceder à vistoria dessas partes e averiguar a presença de limalhas ou pequenos destaques de metal que possam pôr em risco o operador ou que diminuam a segurança de trabalho com essa ferramenta;

- Verificar periodicamente o estado dos cabos de madeira.

Após a sua utilização

- Sempre que uma destas ferramentas não estiver a ser usada deve ser colocada uma protecção nas partes activas (protecção dos gumes e protecções das lâminas);

- Verificar a existência de pontos de ruptura nos cabos de madeira;

- Procurar nas partes activas desgastes excessivos que possam pôr em causa a segurança de utilização da ferramenta.

Acondicionamento de ferramentas manuais

Acondicionamento de ferramentas manuais O correcto acondicionamento das ferramentas constitui um dos factores que mais

O correcto acondicionamento das ferramentas constitui um dos factores que mais influencia a sua vida

útil.

Para que as ferramentas manuais possam manter as suas características de segurança durante toda a sua vida útil e não originem acidentes desnecessários, devem ser acondicionadas de forma correcta. Assim sendo, há que atender aos seguintes princípios:

- Verificar e substituir se necessário os cabos de madeira;

- Verificar e reparar se necessário as partes activas (lâminas, gumes, marretas);

- Lubrificar todas as partes activas com parafina;

- Colocar as protecções nas partes activas das ferramentas de corte;

- Colocar as ferramentas em local de abrigado do sol e da chuva;

- Limitar o acesso ao local das ferramentas a terceiros e interditá-lo a crianças.

BOAS PRÁCTICAS DE HIGIENE E SEGURANÇA

Catana Riscos

- Golpes e cortes nos membros inferiores e superiores

- Golpes e cortes a terceiros

Causas

- Modo operatório incorrecto

- Postura incorrecta

- Falta de equipamento de protecção individual

Machados Riscos

- Amputação de membros

- Cortes e golpes nos membros inferiores e superiores

- Lesões musculares

- Acidentes com terceiros

Causas

- Modo operatório incorrecto

- Falta de equipamento de protecção individual

- Posturas incorrectas

Serrotes Riscos

- Cortes nas mãos

- Lesões musculares

Serrotes Riscos - Cortes nas mãos - Lesões musculares Causas - Posturas incorrectas - Falta de

Causas

- Posturas incorrectas

- Falta de equipamento de protecção individual (luvas com reforço)

Utilização em Segurança das Ferramentas Manuais

Catanas Cuidados a ter em conta durante a sua utilização:

- Utilizar de equipamento de protecção individual (luvas, calças e botas).

- Verificar se existem terceiros no local de trabalho antes de iniciar as operações.

- Posicionar a mão de apoio a uma distância de pelo menos 50 cm do local previsto para o corte, de forma a evitar os cortes por ressalto.

Machado Cuidados a ter em conta durante a sua utilização:

- Optar por uma postura correcta (procurar bons pontos de apoio para os pés). -Ter atenção a terceiros na área de trabalho.

- Utilização de equipamento de protecção individual (Botas reforçadas, calças com caneleiras, luvas reforçadas).

- Manter as partes activas (gumes) protegidas quando não estão em uso.

NOTA:

O operador deve ter em atenção o perigo de ressalto dos machados quando estiverem a trabalhar em situações em que a madeira estiver a sofrer o efeito mola.

Serrotes Cuidados a ter em conta durante a sua utilização:

- Procurar um bom apoio para os pés.

- Procurar manter uma postura correcta (tronco direito).

- Manter uma distância de pelo menos 50 cm dos órgãos activos dos serrotes (lâminas).

- Utilizar equipamento de protecção adequado (luvas com reforço).

FICHA TÉCNICA

FICHA TÉCNICA Título Manutenção de Espaços Florestais Autor Sérgio Couto Área temática

Título

Manutenção de Espaços Florestais

Autor

Sérgio Couto

Área temática

Manutenção das infra-estruturas e dos povoamentos florestais

Público a que se destina

Agricultores / Produtores Florestais

Características técnicas

-Manutenção das redes viária e divisional de linhas e pontos de água

-

Equipamentos moto manuais

Objectivos

Actualizar, esclarecer e aprofundar conhecimentos na manutenção de espaços florestais

 

-

Alves, A.A.M. Técnicas de Produção Florestal. Lisboa,

1988

- DGF - Princípios de Boas Práticas Florestais. Lisboa, 2003

- IDICT - Trabalho Florestal, Manual de Prevenção Lisboa,

2001

IDICT - Trabalho Agrícola, Tractores e Máquinas Agrícolas Lisboa, 1999

-

Fontes

CAP/Ministério da Educação - Manual de higiene, segurança e saúde no manuseamento de equipamentos moto manuais e

-

de ferramentas manuais no trabalho florestal. Lisboa, 2001

Husqvarna Instruções para o uso das motosserras 345e, 346XP e 353 TrioBrake. 2006

-

-

Norma Portuguesa (NP 4406/2003) - Código de Boas

Práticas para uma Gestão Florestal Sustentável

DGRF - Plano Regional de Ordenamento Florestal do Douro (PROF Douro), 2006

-

Especificações técnicas

Manual para consulta posterior