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SUMÁRIO

  • 1. HISTORIA DA CONTABILIDADE ..........................................................................5

    • 1.1 Por que estudar Contabilidade Histórica?.....................................................................5

    • 1.2 Frei Luca Pacioli Pai da Contabilidade .........................................................................5

    • 1.3 Evolução da Contabilidade ............................................................................................6

      • 1.3.1 Contabilidade do Mundo Antigo ................................................................................................6

      • 1.3.2 Contabilidade do Mundo Medieval ............................................................................................7

      • 1.3.3 Contabilidade do Mundo Moderno ............................................................................................7

      • 1.3.4 Contabilidade do Mundo Científico............................................................................................7

  • 1.4 No Brasil...........................................................................................................................7

  • 2. MERCADO DE TRABALHO....................................................................................10

    • 2.1 Perspectivas de Mercado para o Técnico em Contabilidade.......................................10

  • 3 SOBRE A CONTABILIDADE...................................................................................10

    • 3.1. Conceito à Contabilidade..............................................................................................10

    • 3.2. Pessoas Interessadas na Contabilidade........................................................................11

    • 3.3. Objeto da Contabilidade...............................................................................................11

    • 3.4. Objetivo da Contabilidade............................................................................................11

    • 3.5. Finalidade da Contabilidade........................................................................................11

    • 3.6. Usuários das Informações Contábeis...........................................................................11

      • 3.7 Técnicas Contábeis.........................................................................................................12

        • 3.8. Campo de aplicação......................................................................................................12

          • 3.9 As principais áreas tradicionais de atuação do contador............................................13

            • 3.9.1 Contabilidade fiscal (ou tributária) ...........................................................................................13

            • 3.9.2 Contabilidade Pública ...............................................................................................................13

            • 3.9.3 Contabilidade de Custos ...........................................................................................................14

            • 3.9.4 Contabilidade Gerencial ou Controladoria ...............................................................................14

            • 3.9.5 Auditoria ...................................................................................................................................14

            • 3.9.6 Perícia .......................................................................................................................................15

    3.10 As divisões da contabilidade........................................................................................15

    • 3.10.1 Contabilidade Externa ou Geral .............................................................................................15

    • 3.10.2 Contabilidade Interna, Analítica ou de Gestão .......................................................................15

    3.11 Das Atribuições Privativas dos Contabilistas ............................................................15

    • 4. EXERCÍCIO SOCIAL ..............................................................................................16

      • 4.1 Conceito .........................................................................................................................16

    • 5. PRINCÍPIOS CONTÁBEIS......................................................................................16

      • 5.1 O Princípio da Entidade................................................................................................17

      • 5.2 O Princípio da Continuidade.........................................................................................17

      • 5.3 O Princípio da Oportunidade........................................................................................18

      • 5.4 O Princípio do Registro pelo Valor Original................................................................19

      • 5.5 O Princípio da Atualização Monetária.........................................................................20

      • 5.6 O Princípio da Competência..........................................................................................20

    5.7

    O Princípio da Prudência..............................................................................................21

    6 CONVENÇÕES CONTÁBEIS ..................................................................................22

    • 6.1 A Convenção da Consistência........................................................................................22

    • 6.2 A Convenção do Conservadorismo ..............................................................................22

    • 6.3 A Convenção da Materialidade.....................................................................................23

    • 6.4 A Convenção da Objetividade.......................................................................................23

    7. ESTUDO SOBRE O PATRIMÔNIO .......................................................................24

    • 7.1 Patrimônio......................................................................................................................24

    7.2 Aspectos.........................................................................................................................25

    • 7.3 Bens Direitos e Obrigações ...........................................................................................25

      • 7.3.1 Bens Materiais...........................................................................................................................25

      • 7.3.2 Bens Imateriais..........................................................................................................................25

      • 7.3.3 Direitos......................................................................................................................................26

      • 7.3.4 Obrigações.................................................................................................................................26

  • 7.4 Aspectos Quantitativos e Qualitativos do Patrimônio.................................................27

  • 7.5. Representação Gráfica do Patrimônio.........................................................................28

    • 7.6 Grupos Patrimoniais .....................................................................................................29

      • 7.6.1 Ativo..........................................................................................................................................29

      • 7.6.2 Passivo ......................................................................................................................................29

      • 7.6.3 Patrimônio Líquido....................................................................................................................30

  • 7.7 Situações Patrimoniais Líquidas ..................................................................................30

    • 7.7.1 Equação Fundamental da Contabilidade .................................................................................31

    • 7.7.2 Grupo do Ativo..........................................................................................................................32

      • 7.7.2.1 Ativo Circulante ....................................................................................................................32

      • 7.7.2.2 Ativo realizável a Curto Prazo...............................................................................................32

      • 7.7.2.3 Ativo realizável a Longo Prazo..............................................................................................33

      • 7.7.2.4 Ativo Permanente...................................................................................................................33

      • 7.7.2.5 Estoques .................................................................................................................................34

      • 7.7.2.6 Ativo Diferido........................................................................................................................34

        • 7.7.3 Grupo do Passivo ......................................................................................................................35

          • 7.7.3.1 Passivo Circulante .................................................................................................................35

          • 7.7.3.2 Passivo Exigível a Longo Prazo.............................................................................................35

            • 7.7.4 Contas do Patrimônio Líquido..................................................................................................36

              • 7.7.4.1 Capital Social .......................................................................................................................36

              • 7.7.4.2 Reservas..................................................................................................................................36

              • 7.7.4.3 Lucro ou Prejuízos Acumulados............................................................................................36

                • 7.7.5 Contas retificadoras...................................................................................................................37

                  • 7.7.5.1 Contas Retificadoras do Ativo...............................................................................................37

                  • 7.7.5.2 Contas retificadoras do passivo..............................................................................................37

  • 7.8 Representação Gráfica dos Estados Patrimoniais ......................................................38

  • 8. CONTAS DE RESULTADO .....................................................................................41

    • 8.1 Receita ............................................................................................................................41

      • 8.1.1 Receitas Operacionais ..............................................................................................................41

      • 8.1.2 Receitas Financeiras..................................................................................................................41

      • 8.1.3 Receitas Não Operacionais .......................................................................................................41

  • 8.2 Despesas .........................................................................................................................41

    • 8.2.1 Despesas Operacionais..............................................................................................................42

    • 8.2.2 Despesas Não Operacionais .....................................................................................................42

    • 8.2.3 Despesas Antecipadas ..............................................................................................................42

  • 8.2.4

    Despesas Pré-operacinais..........................................................................................................42

    • 8.3 Custos..............................................................................................................................42

      • 8.3.1 Custos Diretos...........................................................................................................................42

      • 8.3.2 Custos Indiretos.........................................................................................................................43

      • 8.3.3 Custo Fixos................................................................................................................................43

      • 8.3.4 Custos Variáveis .......................................................................................................................43

  • 8.4 Quais as diferenças entre Despesa e Custo?.................................................................43

    • 8.4.1 Custo..........................................................................................................................................43

    • 8.4.2 Despesas....................................................................................................................................44

  • 8.5 Exemplos de possíveis Receitas e Despesas ...................................................................44

  • 9. ATOS E FATOS CONTÁBEIS.................................................................................44

    • 9.1 Atos Administrativos Contábeis ...................................................................................44

    • 9.2 Fatos Contábeis .............................................................................................................45

      • 9.2.1 Fatos Permutativos....................................................................................................................45

      • 9.2.2 Fatos Modificativos:..................................................................................................................45

        • 9.2.2.1 Aumentativos..........................................................................................................................45

        • 9.2.2.2 Diminutivos............................................................................................................................45

          • 9.2.3 Fatos Mistos..............................................................................................................................46

            • 9.2.3.1 Aumentativos..........................................................................................................................46

            • 9.2.3.2 Diminutivos............................................................................................................................46

    • 10. MECANISMO DE DEBITO E CREDITO.............................................................46

      • 10.1. Aplicação pratica ........................................................................................................47

        • 10.2 Fórmulas de Escrituração ...........................................................................................49

          • 10.2.1 Primeira fórmula......................................................................................................................49

          • 10.2.2 Segunda Fórmula.....................................................................................................................49

          • 10.2.3 Terceira Fórmula ...................................................................................................................49

          • 10.2.4 Quarta Fórmula........................................................................................................................50

  • 10.3 Vantagens da Escrituração Contábil..........................................................................50

  • 11. PLANO DE CONTAS .............................................................................................51

    • 11.1 Conceito .......................................................................................................................51

    • 11.2 Codificação...................................................................................................................52

      • 11.3. Estrutura e Classificação das Contas Patrimoniais..................................................53

      • 11.4. Objetivos do Plano de Contas ....................................................................................54

  • 12. LIVROS CONTÁBEIS OBRIGATÓRIOS .............................................................54

    • 12.1 Livros Sociais ...............................................................................................................54

    • 12.2 Livros Comerciais ou Contábeis.................................................................................54

    • 12.3 Livros Fiscais ...............................................................................................................55

    • 12.4 Outros Livros ...............................................................................................................55

    • 12.5 Principais Livros para Escrituração Contábil...........................................................55

  • 13. DEMONSTRATIVOS CONTÁBEIS......................................................................55

    • 13.1 Balanço Patrimonial.....................................................................................................55

      • 13.1.1 Conceito ..................................................................................................................................55

      • 13.1.2 Divisão das contas do Balanço................................................................................................56

        • 13.1.2.1 Ativo.....................................................................................................................................56

        • 13.1.2.2 Passivo / Patrimônio Líquido ..............................................................................................57

  • 13.1.2.3 Alterações no Balanço da Lei 11.638/2007 .........................................................................57

    • 13.1.2 Modelo Simplificado ..............................................................................................................57

    • 13.2 Demonstrativo do Resultado do Exercício..................................................................58

      • 13.2.1 Modelo de DRE ......................................................................................................................59

    • 13.3 Demonstrativo das Origens e Aplicações dos Recursos.............................................60

    • 13.4 Demonstrativo dos Lucros e Prejuízos Acumulados..................................................61

      • 13.4.1 Outras Sociedades...................................................................................................................61

      • 13.4.2 Composição.............................................................................................................................61

      • 13.4.3 Ajustes De Exercícios Anteriores............................................................................................61

      • 13.4.4 Reversões De Reservas...........................................................................................................61

      • 13.4.5 Lucro ou Prejuízo Líquido do Exercício.................................................................................61

      • 13.4.6 Transferências para Reservas..................................................................................................62

      • 13.4.7 Substituição pela Demonstração das Mutações do Patrimônio Líquido ................................62

  • 13.5 Demonstrativo das Mutações do Patrimônio Liquido ..............................................62

    • 13.5.1 Mutações Nas Contas Patrimoniais.........................................................................................62

    • 13.5.2 Procedimentos A Serem Seguidos..........................................................................................62

    • 14. REGIME DE CAIXA E REGIME DE COMPETÊNCIA .....................................63

      • 14.1 Regime de Competência ..............................................................................................63

        • 14.1.2 Reconhecimento das Receitas.................................................................................................63

        • 14.2.3 Reconhecimento dos Gastos....................................................................................................63

    • 14.2 Regime de Caixa ..........................................................................................................64

  • 15. DEPRECIAÇÃO, AMORTIZAÇÃO, EXAUSTÃO................................................64

    • 15.1 Depreciação ..................................................................................................................64

      • 15.1.1 Limite da Depreciação.............................................................................................................65

      • 15.1.2 Início e Término da Depreciação............................................................................................66

      • 15.1.3 Vida útil, período de uso e volume de produção.....................................................................66

      • 15.1.4 Contabilização.........................................................................................................................66

  • 15.2 Amortização .................................................................................................................66

    • 15.2.1 Depreciação versus Amortização............................................................................................67

    • 15.3.1 Depreciação versus Exaustão..................................................................................................68

  • 16. LISTA DE EXERCÍCIOS .......................................................................................68

    • 16.1 Exercícios sobre Patrimônio .......................................................................................68

    • 16.2 Exercícios sobre a Contabilidade ...............................................................................83

    • 16.3 Exercícios sobre Lançamento......................................................................................88

  • ..............................................................................................................................................88

    ANEXO I.......................................................................................................................106 ANEXO II.....................................................................................................................108 REFERENCIAS ..........................................................................................................111

    1. HISTORIA DA CONTABILIDADE

    • 1.1 Por que estudar Contabilidade Histórica?

    Na Contabilidade a sua principal e mais característica manifestação – a conta – é tão antiga quanto é a civilização construída pelos homens. A história da Contabilidade é, em certo ponto, uma conseqüência da história da civilização, tanto em suas vicissitudes como nas mais altas manifestações da referida civilização, sobretudo no campo econômico. (MELIS 1950)

    A história da contabilidade é tão antiga quanto à civilização, a chave para importantes fases da história, entre as mais importantes profissões e mais fascinante em economia e negócios. Contabilistas participaram no desenvolvimento das cidades, o comércio, e nos conceitos de riqueza e de números. Os contabilistas participaram do desenvolvimento de dinheiro e serviços bancários, inventaram a escrituração dobrada que alimentaram o Renascimento italiano, salvou muitas revoluções, como a Revolução Industrial, ajudaram a desenvolver a confiança nos mercados de capital necessários para capitalismo ocidental, e que são centrais para as informações da revolução que está transformando a economia mundial. Não há nomes agregado entre a contabilidade dos inovadores, na verdade, praticamente não sobrevivem nomes antes do Renascimento italiano. Demorou aos arqueólogos a desenterrar a história e os estudiosos de diversos campos de demonstrar a importância da contabilidade para tantos aspectos da economia e da cultura. O papel dos contabilistas no antigo mundo está em foco mais claro com as novas descobertas arqueológicas e inovadoras interpretações dos artefatos. É agora evidente que a escrita desenvolvida ao longo de pelo menos 5.000 anos os contabilistas tiveram uma grande importância para o desenvolvimento. É difícil superestimar a importância da dupla entrada “bookkeeping” (escrituração), que foi fundamental para o sucesso dos comerciantes italianos, necessária para o nascimento da Renascença. Na Revolução Industrial as empresas exigiam dos contabilistas a tarefa de fornecer as informações necessárias para evitar a falência e ao seu papel desenvolvido em uma profissão. Grandes empresas dos mercados de capitais necessitavam de informações que eram precisas e úteis. Hoje, a nível mundial em tempo real é um sistema integrado de informação perto realidade, sugerindo novos paradigmas contabilidade. Compreender a história é necessário para desenvolver as ligações para prever esse futuro.

    • 1.2 Frei Luca Pacioli Pai da Contabilidade

    Luca

    Bartolomeo

    de

    de

    foi

    É

    considerado o pai da contabilidade moderna.

    No ano de 1494 foi publicado em Veneza sua famosa obra “Summa de Arithmetica, Geometria proportioni et propornaliti” (coleção de conhecimentos de Aritmética, Geometria, proporção e proporcionalidade). Pacioli tornou-se famoso devido a um capítulo deste livro que tratava sobre contabilidade: “Particulario de computies et Scripturis”. Nesta seção do livro Pacioli foi o primeiro a descrever a contabilidade de dupla entrada, conhecido como método Veneziano ("el modo de Vinegia") ou ainda "método das partidas dobradas".

    O livro “Summa” tornou Pacioli famoso, sendo convidado em 1497 para ensinar matemática na corte de Ludovico em Milão. Um dos seus alunos e amigo foi Leonardo da Vinci. Pacioli, apesar de ser considerado o pai da Contabilidade, não foi o criador das Partidas Dobradas. O método já era utilizado na Itália, principalmente na Toscana, desde o Século XIV.

    O tratado destacava, inicialmente, o necessário ao bom comerciante. A seguir conceituava inventário e como fazê-lo. Discorria sobre livros mercantis: memorial, diário e razão, e sobre a autenticação deles; sobre registros de operações: aquisições, permutas, sociedades, etc.; sobre contas em geral: como abrir e como encerrar; contas de armazenamento; lucros e perdas, que na época, eram "Pro" e "Dano"; sobre correções de erros; sobre arquivamento de contas e documentos, etc.

    Sobre o

    Método das

    Partidas

    Dobradas, Frei Luca

    Pacioli expôs a terminologia

    adaptada:

    "Per”, mediante o qual se reconhece o devedor;

    "A”, pelo qual se reconhece o credor.

    Acrescentou que, primeiro deve vir o devedor, e depois o credor, prática que se usa até hoje.

    A obra de Frei Luca Pacioli, contemporâneo de Leonardo da Vinci, que viveu na Toscana, no século XV, marca o início da fase moderna da Contabilidade. A obra de Pacioli não só sistematizou a Contabilidade, como também abriu precedente que para novas obras pudessem ser escritas sobre o assunto. É compreensível que a formalização da Contabilidade tenha ocorrido na Itália, afinal, neste período instaurou-se a mercantilização sendo as cidades italianas os principais interpostos do comércio mundial.

    1.3 Evolução da Contabilidade

    Foi a Itália o primeiro país a fazer restrições à prática da Contabilidade por um indivíduo qualquer. O governo passou a somente reconhecer como contadores, pessoas devidamente qualificadas para o exercício da profissão. A importância da matéria aumentou com a intensificação do comércio internacional e com as guerras ocorridas nos séculos XVIII e XIX, que consagraram numerosas falências e a conseqüente necessidade de se proceder à determinação das perdas e lucros entre credores e devedores.

    Podemos resumir a evolução da ciência contábil da seguinte forma:

    1.3.1 Contabilidade do Mundo Antigo

    Período que se inicia com as primeiras civilizações e vai até 1202 da Era Cristã, quando apareceu o Liber Abaci , da autoria Leonardo Fibonaci, o Pisano.

    1.3.2

    Contabilidade do Mundo Medieval

    Período que vai de 1202 da Era Cristã até 1494, quando apareceu o Tratactus de Computis et Scripturis (Contabilidade por Partidas Dobradas) de Frei Luca Paciolo, publicado em 1494, enfatizando que à teoria contábil do débito e do crédito corresponde à teoria dos números positivos e negativos, obra que contribuiu para inserir a contabilidade entre os ramos do conhecimento humano.

    • 1.3.3 Contabilidade do Mundo Moderno

    Período que vai de 1494 até 1840, com o aparecimento da Obra "La Contabilità Applicatta alle Amministrazioni Private e Pubbliche”, da autoria de Franscesco Villa, premiada pelo governo da Áustria. Obra marcante na história da Contabilidade.

    • 1.3.4 Contabilidade do Mundo Científico

    Período que se inicia em 1840 e continua até os dias de hoje.

    1.4 No Brasil

    Em todos

    os

    países do mundo

    e

    em

    todas

    as épocas, o surgimento

    e

    o

    desenvolvimento da profissão contábil sempre estiveram associados à expansão

    comercial da região.

    No Brasil, a vinda da Família Real Portuguesa incrementou a atividade colonial, exigindo – devido ao aumento dos gastos públicos e também da renda nos Estados – um melhor aparato fiscal. Para tanto, constituiu-se o Erário Régio ou o Tesouro Nacional e Público, juntamente com o Banco do Brasil (1808). As Tesourarias de Fazenda nas províncias eram compostas de um inspetor, um contador e um procurador fiscal, responsáveis por toda a arrecadação, distribuição e administração financeira e fiscal. A presença de profissionais de contabilidade já se fazia notar no Brasil desde o início de sua colonização. Já em 1549 ocorreu a primeira nomeação feita por D. João III para contador geral e guarda-livros. Contudo, somente em 1770, quando Dom José, rei de Portugal, expede Carta de Lei a todos os domínios lusitanos (incluindo o Brasil), ainda é que surge a primeira regulamentação da profissão contábil no país. Apesar das muitas dificuldades, o ensino contábil se desenvolvia timidamente através de algumas publicações que começaram a surgir em maior número, principalmente no final do século XIX, e da criação, em 1809, da aula (escola) de comércio, implantada um ano depois, com a nomeação de José Antonio Lisboa, que se torna o primeiro professor de contabilidade do Brasil.

    Então fica estabelecida a necessidade de matrícula de todos os guarda-livros na Junta do Comércio, em livros específicos, ficando claro que a não inclusão do profissional no referido livro o tornaria inapto a obter empregos públicos, impedindo-o também de realizar escriturações, contas ou laudos. Antigamente, o profissional de contabilidade era conhecido de um modo geral como "guarda-livros" e se encarregava da escrituração dos livros mercantis das empresas comerciais. Muito embora já se utilizasse há bastante tempo a nomenclatura "contador geral", esta era reservada àquele profissional que atuava na área pública. A antiga ocupação de guarda- livros, na verdade, deu origem ao atual profissional técnico em contabilidade. Entretanto, mais do que uma mudança de nomes, observa-se uma completa e complexa mudança do perfil desse profissional.

    A lei proibia que os escritórios das casas de negócios contratassem guarda-livros sem matrícula e ainda exigia que, na Contadoria Pública, só fossem aceitos profissionais que tivessem cursado as aulas de comércio. A primeira regulamentação contábil realizada em território brasileiro ocorreu em 1870, através do reconhecimento oficial da Associação dos Guarda-Livros da Corte, pelo Decreto Imperial nº 4. 475. Esse decreto representa um marco, pois caracteriza o guarda-livros como a primeira profissão liberal regulamentada no país.

    Então fica estabelecida a necessidade de matrícula de todos os guarda-livros na Junta do Comércio, em

    Classificados do Jornal do Commercio, Rio de Janeiro 23/01/1850.

    Então fica estabelecida a necessidade de matrícula de todos os guarda-livros na Junta do Comércio, em

    Classificados do Jornal do Commercio, Rio de Janeiro, 13/10/1835.

    Hoje, as funções do contabilista não se restringem ao âmbito meramente fiscal, tornando-se, num mercado de economia complexa, vital para empresas informações mais precisas possíveis para tomada de decisões e para atrair investidores. O profissional vem ganhando destaque no mercado em Auditoria, Controladoria e Atuarial. São áreas de analise contábil e operacional da empresa, e, para atuários, um profissional raro, há a especialização em estimativas e análises; o mercado para este cresce em virtude de planos de previdência privada.

    O que é facilmente perceptível é que naquela época, assim como hoje, as exigências de mercado requeriam uma postura profissional de busca multidisciplinar, com o conhecimento ultrapassando em muito o aspecto essencialmente técnico, o que confirma o pensamento de Camargo, quando escreve que "sem doutrina, sem cultura

    geral, não se pode ambicionar plenitude no desempenho do exercício da profissão contábil."

    A contabilidade foi à primeira profissão regulamentada no Brasil. Ela surgiu com a criação do ensino comercial, em 1931, viabilizando os negócios e acelerando o desenvolvimento econômico.

    O técnico em contabilidade, hoje em dia, pode legalmente obter seu registro profissional no conselho da classe, estando apto, portanto, a realizar todas as atividades contábeis de sua competência, responsabilizando-se inclusive pelos demonstrativos contábeis das empresas. Somente as atividades de perícia contábil e auditoria são reservadas aos profissionais de nível superior.

    Quadros 1 – Profissionais registrados e ativos no Conselho Regional de Contabilidade do Paraná

    PROFISSIONAIS ATIVOS REGISTRADOS NO CRC-PR

    CATEGORIA

    SEXO

    QUANTIDADE

     

    MASCULINO

    11.718

    CONTADOR

    FEMININO

    5.628

     

    MASCULINO

    7.953

    TÉCNICO EM CONTABILIDADE

    FEMININO

    2.604

    TOTAL

    27.903

    FONTE: Conselho Regional de Contabilidade do Paraná – dados do ano de 2009.

    Com base nessas informações percebe-se claramente que o mercado de trabalho para o técnico em contabilidade não está estagnado. Também não há a perspectiva de desaparecimento dessa profissão. No entanto, para se manter atuante nesse mercado há que se reconhecer que o técnico em contabilidade de hoje não é mais o mesmo guarda- livros de períodos passados. Os atributos, tarefas e requisitos exigidos desses profissionais não permaneceram iguais.

    Do mesmo modo, muitas competências profissionais exigidas atualmente não eram sequer cogitadas há alguns anos atrás como conhecimentos que o profissional técnico em contabilidade precisaria buscar. Essa visão equivocada de que o técnico em contabilidade de hoje é o mesmo guarda-livros de antigamente é um estereótipo criado em função da forma como os cursos profissionalizantes eram conduzidos, em que se denotava a visão de um profissional simplesmente cumpridor de dispositivos legais e sem nenhuma capacidade criativa.

    Isso

    pode

    ser

    facilmente

    detectado

    no

    Brasil,

    onde é comum encontrar

    estudantes que não gostam da Contabilidade nem das questões que a cercam por não

    verem nelas importância ou utilidade nos dias atuais.

    Faz-se necessário, portanto, inserir na estrutura do curso técnico uma visão moderna, coerente com os anseios do mercado e que efetivamente capacite o estudante para o exercício pleno da profissão, que é o que preceitua o artigo 1º, Inciso I do Decreto nº 2.208/97.

    2. MERCADO DE TRABALHO

    2.1 Perspectivas de Mercado para o Técnico em Contabilidade

    O campo de atuação do profissional de contabilidade, desde tempos remotos, esteve diretamente relacionado ao ambiente empresarial. De fato, as possibilidades de atuação profissional do técnico em contabilidade são bastante amplas e compreendem as empresas públicas e privadas de um modo geral, independentemente do setor econômico, as organizações não-governamentais e as instituições sem fins lucrativos. O profissional pode atuar ainda em empresas contábeis particulares ou como autônomo. São as empresas que realizam os negócios que são objeto de registro, controle, análise, acompanhamento e investigação da contabilidade, e é para elas que a Ciência Contábil se dispõe a fornecer informações úteis e que as auxiliem no seu desenvolvimento e crescimento. Dessa forma, se for preciso verificar tendências de atuação dos profissionais de contabilidade no próximo século, nada mais coerente do que analisar, dentre outros aspectos, qual será o comportamento das empresas nos novos cenários que se apresentam.

    O técnico em contabilidade precisa estar ciente de que é necessário manter uma postura proativa e muita perspicácia para compreender a sistemática econômico- financeira, política e social, em nível local, regional ou mesmo internacional. Sem essa concepção e consciência, o desenvolvimento profissional fica bastante prejudicado. Em primeiro lugar, a questão ética faz-se presente e assume relevância na formação profissional, pelo fato de que, por vezes, sua importância na contabilidade não é sentida nem pela sociedade, nem pelo empresariado e, até mesmo, em algumas situações, nem pelos próprios profissionais.

    O técnico em contabilidade de o mundo globalizado precisa estar apto a antecipar mudanças e a interpretar e utilizar diferentes ferramentas para tomada de decisões, pois as empresas, independentemente do porte que tenham, vão precisar cada vez mais acompanhar os movimentos do mercado, a fim de garantir um lugar no futuro.

    3 SOBRE A CONTABILIDADE

    3.1. Conceito à Contabilidade

    A Contabilidade é uma ciência que permite, através de suas técnicas, manter uma organização e um controle permanente do patrimônio da empresa. Sua principal finalidade é fornecer informações sobre o patrimônio, informações essas de ordem econômica e financeira, que facilitam assim as tomadas de decisões, tanto por parte dos administradores ou proprietários, por parte daqueles que pretendem investir na empresa. Com o passar do tempo, o Governo começou a utilizar-se dela para arrecadar impostos e a tornou obrigatório para a maioria das empresas. Segundo o IBRACON:

    “A Contabilidade é, objetivamente, um sistema de informação e avaliação destinado a prover seus usuários de demonstrações e análises de natureza econômica, financeira, física e de produtividade, com relação à entidade objeto de contabilização”

    Segundo a Norma Brasileira de Contabilidade nº 560/1983 o conceito de contabilidade são

    normas e regras estabelecidas a partir do conhecimento abstrato e do

    ... saber empírico, e não a partir de leis naturais, classifica-se entre as ciências

    humanas e, até mais especificamente, entre as aplicadas, e que a sua condição científica não pode ser negada, já que é irrelevante a discussão existente em relação a todas as ciências ditas “humanas”, sobre se elas são “ciências” no sentido clássico, “disciplinas científicas” ou similares.” (NBC

    nº560/83)

    Todas as movimentações possíveis de se medir em dinheiro são registradas pela contabilidade, que em seguida, resume os dados registros em forma de relatórios e os entrega aos interessados em conhecer a situação da empresa.

    Esses

    interessados,

    através

    dos

    relatórios

    contábeis,

    recordam

    os

    fatos

    acontecidos, analisam os fatos obtidos, as causas que levaram àqueles resultados e

    tomam decisões em relação ao futuro.

    • 3.2. Pessoas Interessadas na Contabilidade

    Sócios e acionistas; Administradores, Diretores e Executivos; Governo; Bancos e Capitalistas; Pessoas Físicas (Pessoas); Pessoas Jurídicas (Outras Empresas);

    • 3.3. Objeto da Contabilidade

    Define-se como objeto da Contabilidade o seu campo de aplicação, ou seja, O PATRIMÔNIO das entidades econômico- administrativas; ou, como tais, as aziendas. Como patrimônio, entende-se o conjunto de bens, direitos e obrigações das entidades.

    • 3.4. Objetivo da Contabilidade

    Como conseqüência da definição de Contabilidade, observamos claramente que seu objetivo é permitir o controle e o estudo do patrimônio das entidades econômico- administrativas.

    • 3.5. Finalidade da Contabilidade

    Cabe ainda definir a finalidade da Contabilidade como sendo fornecer informações econômicas e financeiras acerca da entidade. As informações de natureza econômica compreendem, principalmente, os fluxos de receitas e de despesas, que geram lucros ou prejuízos, e as variações no patrimônio da entidade. As informações de natureza financeira abrangem principalmente os fluxos de caixa e do capital de giro das entidades. Assegurar o controle do Patrimônio e fornecer informações sobre a sua composição e suas variações de maneira a atender os seus diversos usuários no que concerne à tomada de decisões de natureza econômico-financeiras ou na formação de suas avaliações. Diante do exposto, faz-se necessários delinear de forma resumida o tipo e a qualidade das informações as quais a contabilidade deve estar em condições de fornecedor aos vários grupos de pessoas que necessitam dessas informações, cujos interesses são diferenciados, embora não os sejam conflitantes.

    • 3.6. Usuários das Informações Contábeis

    São todas as pessoas físicas ou jurídicas que, direta ou indiretamente, tenham interesse na avaliação e no desenvolvimento da entidade.

    Podemos citar como exemplo de tais pessoas: os administradores, os sócios e acionistas da entidade, o governo, os bancos, etc. Note-se que, nesse aspecto, temos tanto usuários internos como usuários externos que se interessam cada um a seu modo, pelas informações contábeis como um todo.

    3.7 Técnicas Contábeis

    Do ponto-de-vista moderno, podemos enumerar quatro técnicas contábeis, quais

    sejam:

    A Escrituração: consiste em registrar nos livros próprios (diário, razão, caixa, etc.) todos os fatos administrativos que ocorrem na rotina das entidades; Demonstrações: são quadros técnicos e analíticos, com aspectos qualitativos e quantitativos, com dados extraídos dos registros contábeis da empresa. Como exemplos temos o Balanço Patrimonial, a DRE, etc.; Auditoria: consiste na verificação da exatidão dos dados contidos nas demonstrações financeiras, através do exame detalhado dos registros contábeis, em confronto com os respectivos documentos que os originaram; Análise de Balanços: é o exame e a interpretação dos dados contidos nas demonstrações financeiras, com o fim de transformar esses dados em informações diversas sobre a situação da entidade.

    3.8. Campo de aplicação

    O principal campo de aplicação da contabilidade são as aziendas. A azienda é o patrimônio considerado juntamente com a pessoa que tem sobre ele poderes de administração e disponibilidade. O conceito de azienda reúne o patrimônio e a pessoa que administra:

    Azienda = Patrimônio + Gestão. O campo de aplicação da Contabilidade consiste no ramo de estudo dos contabilistas, ou seja, no que eles trabalham. Com efeito, tal campo de atuação se traduz nas entidades econômico-administrativas como um todo. Podemos definir essas entidades como sendo as organizações dotadas de capital e patrimônio, geridas por ação administrativa em relação à atividade de pessoas, e que apresentam um fim determinado. Com relação ao fim a que se destinam, as entidades econômico-administrativas podem ser classificadas como sendo:

    Entidades com fins econômicos: chamadas empresas, visam lucro, a fim de preservar e aumentar seu patrimônio próprio (empresas comerciais, indústrias, etc.); Entidades com fins socioeconômicos: são chamadas de instituições, visam reverter seus resultados em benefício de seus integrantes (associações, sindicatos, etc.); Entidades com fins sociais: não têm fins lucrativos, se destinam a um fim em prol do interesse coletivo (Entes Federados, ONG’s, etc.)

    3.8.1 Instituições.

    São Entidades Econômico-Administrativas com finalidades Socioeconômicas. As com objetivos socais são aquelas cuja administração tem por objetivo o bem estar social da coletividade, como as associações recreativas e esportivas, os hospitais beneficentes, os asilos, etc.; As com finalidade sócio-econômicas são aquelas cuja administração tem interesse no aspecto econômico da Entidade, porém este reverte em beneficio da coletividade que a pertencem. São exemplos os Institutos de aposentadorias, pensões, previdência, etc.

    3.8.2

    Empresas

    São Entidades econômico-administrativos que tem finalidades econômicas, isto é, visam o lucro. Desenvolvem os mais variados ramos de atividade, como o comercio, indústria, agricultura, pecuária, transportes, telecomunicações, turismo, prestações de serviços, etc.; Elas são dividas em empresas:

    Públicas: aquelas constituídas com capital do Governo (Caixa Econômica Federal); Privadas: aquelas constituídas com capital de particulares (Casas Bahia, EXTRA, Colégio Anchieta); Mistas: aquelas constituídas com capital do Governo e de particulares ao mesmo tempo (Banco do Brasil S/A, PETROBRÁS). Este tipo de empresa o comando majoritário da empresa sempre é do Governo.

    3.9 As principais áreas tradicionais de atuação do contador

    • 3.9.1 Contabilidade fiscal (ou tributária)

    Participa do processo de elaboração de informações para fisco federal estadual e municipal, sendo responsável pelo planejamento tributário da empresa. Do ponto de vista das empresas, o objetivo da mesma é aplicar a legislação tributária, de forma menos onerosa às entidades empresarias. Do ponto de vista geral, a Contabilidade Tributária é um campo de estudo e de aplicação das Ciências Contábeis, que se ocupa da contabilização por meio de lançamentos adequados das operações das empresas que produzam o fato gerador dos tributos incidentes sobre lucros ou resultados superavitários que geram obrigações tributárias principais. No Brasil os referidos tributos são de legislação da União, basicamente Imposto de Renda e Contribuição Social sobre o Lucro Líquido.

    Outros tributos brasileiros exigem escrituração e cálculos diversos, não só da União, mas também dos estados, municípios e Distrito Federal. A rigor, essa especialização não faz parte da Contabilidade Tributária, mas de uma atividade específica conhecida como Escrita ou Escrituração Fiscal,cuja realização depende de conhecimento da legislação de cada tributo (Direito Financeiro), sem envolver conhecimentos mais amplos sobre Teoria Contábil e Economia Empresarial, por exemplo.

    • 3.9.2 Contabilidade Pública

    A Contabilidade Pública é o ramo da Contabilidade que se dedica ao estudo do Patrimônio dos entes públicos, entendidos como aqueles que são regidos pelo Direito Público Interno. A Contabilidade Pública, também chamada de Contabilidade Governamental, não deve ser confundida com a Contabilidade Social, pois esta é uma disciplina da Economia, cujo objeto são as chamadas contas nacionais, como por exemplo, o PIB - Produto Interno Bruto, cuja metodologia desenvolvida pela ONU faz uso do universal método das partidas dobradas.

    No Brasil, a Contabilidade Pública advém diretamente da legislação. O principal dispositivo legal é a Lei 4.320/64, embora na sua maior parte ela traga regulamentação orçamentária e financeira e não patrimonial ou contábil.

    Está intimamente ligada com a gestão de recursos públicos. Esta área ganhou maior visibilidade com a Lei de Responsabilidade Fiscal.

    3.9.3 Contabilidade de Custos

    Atualmente é uma das áreas mais valorizadas no Brasil e Internacionalmente. É o ramo da contabilidade que se destina a produzir informações para diversos níveis gerenciais de uma entidade, como auxílio às funções de determinação de desempenho, e de planejamento e controle das operações e de tomada de decisões, Ela coleta, classifica e registra os dados operacionais das diversas atividades da entidade, denominados de dados internos, bem como, algumas vezes, coleta e organiza dados externos. Os dados coletados podem ser tanto monetários como físicos. Exemplos de dados físicos operacionais: unidades produzidas, horas trabalhadas, quantidade de requisições de materiais e de ordens de produção, entre outros. Ela requer a existência de métodos de custeio para que, ao final do processo, seja possível obter-se o valor a ser atribuído ao objeto de estudo. Os principais métodos de custeio são: Custeio por absorção, Custeio variável ou direto, Custeio ABC - Activity Based Costing, Gestão Econômica ou GECON

    3.9.4 Contabilidade Gerencial ou Controladoria

    É um segmento da Contabilidade, mas também pode ser definida como ramo da Administração, dependendo do enfoque dado pelos gestores e contadores responsáveis pelo suprimento de informações aos tomadores de decisão. Devido a esse fato, ela pode ser dividida didaticamente em Controladoria Administrativa e Controladoria Contábil, mas na prática profissional isso não é muito comum pois ambas as partes costumam ficar sob a égide de um único gestor (controller ou controlador). Ainda do ponto de vista contábil, em função desse relacionamento estreito com a Administração, a Controladoria pode ser considerada como pertencente ao ramo especializado da Contabilidade administrativa.

    Ela utiliza primordialmente o controle e o processo de planejamento e orçamento como metodologias no desempenhos de suas funções. O encarregado pela área de Controladoria em uma empresa é chamado de Controller ou Controlador. Tal área é considerado um órgão de staff, ou seja de assessoria e consultoria, fora da pirâmide hierárquica da organização.

    A controladoria se apóia num sistema de informações e numa visão multidisciplinar, sendo responsável pela modelagem, construção e manutenção de sistemas de informações e modelos de gestão das organizações, a fim de suprir de forma adequada as necessidades de informação dos gestores conduzindo-os durante o processo de gestão a tomarem melhores decisões. Por isso é que se exige dos profissionais da controladoria uma formação sólida e abrangente a cerca do processo de gestão organizacional.

    3.9.5 Auditoria

    Compreende o exame de documentos, livros contábeis, registros, além de realização de inspeções e obtenção de informações de fontes internas e externas, tudo relacionado com o controle do patrimônio da entidade auditada. A auditoria tem por objetivo averiguar a exatidão dos registros contábeis e das demonstrações contábeis no que se refere aos eventos que alteram o patrimônio e a representação desse patrimônio. Além de ser uma técnica contábil, a auditoria também pode ser entendida como um ramo da Contabilidade.

    O objeto da auditoria se resume no conjunto dos elementos

    de controle do

    patrimônio, quais sejam os registros contábeis, documentos que comprovem esses

    registros e os atos administrativos. Fatos não registrados documentalmente também são objeto da auditoria uma vez que tais fatos podem ser relatados por indivíduos que executam atividades relacionadas ao patrimônio auditado.

    3.9.6 Perícia

    É o conhecimento proveniente da experiência; habilidade, talento. Espécie de prova consistente no parecer técnico de pessoa habilitada a formulá-lo. A perícia contábil constitui o conjunto de procedimentos técnicos e científicos destinados a levar à instância decisória elementos de prova necessários a subsidiar à justa solução do litígio, mediante laudo pericial contábil, e ou parecer pericial contábil, em conformidade com as normas jurídicas e profissionais, e a legislação específica no que for pertinente. (Item 13.1.1 da NBC T 13 – Normas Brasileiras de Contabilidade).

    Portanto, a perícia contábil tem sua amplitude relacionada á causa que a deu origem. Assim, uma perícia que envolva questões tributárias levará em conta não somente a contabilidade em si, como também a legislação fiscal que rege a matéria relacionada aos exames.

    3.10 As divisões da contabilidade

    • 3.10.1 Contabilidade Externa ou Geral

    Registra as operações externas da empresa, isto é, aquelas que respeitam à empresa no seu todo (registra fatos patrimoniais que fazem prova perante terceiros; permite conhecer em qualquer altura a situação patrimonial na empresa; dá a conhecer o resultado obtido com a exploração da empresa; possibilita a elaboração de análises econômicas e financeiras);

    • 3.10.2 Contabilidade Interna, Analítica ou de Gestão

    Registra as operações internas e visa o apuramento de resultados não globais, isto é, por produto, por departamento, etc. (fornece o custo de todos os produtos ou serviço produzido pela empresa; permite a criação de centros de custos dentro da própria empresa; possibilita estudos de rentabilidade interna; auxilia a gestão no controlo e tomada de decisões).

    3.11 Das Atribuições Privativas dos Contabilistas

    Segundo NBC 560 de 1983 estabelece algumas atribuições aos contadores e técnicos contábeis que são:

    Art. 1º – O exercício das atividades compreendidas na Contabilidade, considerada esta

    na sua plena amplitude e condição de Ciência Aplicada, constitui prerrogativa, sem exceção, dos contadores e dos técnicos em contabilidade legalmente habilitados,

    ressalvadas

    as

    atribuições

    privativas

    dos

    contadores.

    Art. 2º – O contabilista pode exercer as suas atividades na condição de profissional liberal ou autônomo, de empregado regido pela CLT, de servidor público, de militar, de sócio de qualquer tipo de sociedade, de diretor ou de conselheiro de quaisquer entidades, ou em qualquer outra situação jurídica definida pela legislação, exercendo qualquer tipo de função.

    Essas funções poderão ser as de: analista, assessor, assistente, auditor, interno e externo, conselheiro, consultor, controlador de arrecadação, “controller”, educador, escritor ou articulista técnico, escriturador contábil ou fiscal, executor subordinado, fiscal de tributos, legislador, organizador, perito, pesquisador, planejador, professor ou conferencista, redator, revisor.

    • 4. EXERCÍCIO SOCIAL

    4.1 Conceito

    Termo usado em referência aos demonstrativos de uma empresa, que denomina o período de tempo entre o levantamento de dois balanços patrimoniais de uma mesma empresa. No término do exercício, deve-se fazer um balanço das atividades da empresa, a partir do qual são calculados impostos, lucros, dividendos etc. Antes de 1986 as empresas podiam escolher o mês para encerramento do balanço patrimonial, conforme estabelece o artigo 175 da lei 6.404/76 (lei das S.A). E isto era importante quando se vivia em épocas de altos índices inflacionários. Então existiam prazos diferentes para entrega das Declarações das Pessoas Jurídicas e também para efetuarem o pagamento do imposto. Essa possibilidade de escolha da data de levantamento do balaço era utilizada como pratica de planejamento tributário. Ou seja, o legislador quando possibilitou esse planejamento tributário agiu em proveito dos empresários, deixando de lado os interesses do Estado e da coletividade. Desta forma, aproveitando-se desta brecha, colocada na legislação, muitas empresas encerravam o balanço em Janeiro, pois assim tinham mais de um ano para iniciar o pagamento do imposto de renda. O artigo 16 da Lei 7.450/1985 unificou a data de apuração do Balanço Patrimonial, fixando o ano calendário como exercício social padrão.

    “Art. 16 -

    ...

    o período-base de incidência será de 1º de Janeiro a 31 de dezembro,

    ...

    7.450 de 1985, CAPUT do artigo 16)

    .” (Lei

    • 5. PRINCÍPIOS CONTÁBEIS

    Um Princípio contábil é a essência das doutrinas e teorias relativas à Ciência Contábil, sendo, portanto, imutável no tempo e espaço. No Brasil, com forte tendência para a internacionalização, os princípios estão organizados em sete Princípios Fundamentais de Contabilidade, antes chamados de Princípios Contábeis Geralmente Aceitos.

    À medida que a prática e a Ciência Contábil foram sendo organizadas e estruturadas, pesquisadores procuraram identificar e compilar quais os princípios que as orientavam, em especial a função de registrar todos os fatos que afetam o patrimônio de uma entidade. Os princípios contábeis ou “contabilísticos” tornaram-se regras que passaram a ser seguidas e aceitas por todos e hoje constituem a principal teoria que sustenta e fundamenta a Contabilidade.

    “A finalidade pratica da fixação dos chamados princípios contábeis é a de servir de registro de fatos e elaboração de demonstrações dentro de regras uniformes que facilitem a função informativa da contabilidade.” (FRANCO 1988.13)

    No Brasil, desde que a lei 6.404/76 o incluiu como matéria legislativa a ser

    observada pelos agentes

    do mercado

    de

    os

    princípios

    são

    objeto

    de

    regulamentação dos órgãos reguladores oficiais. O Conselho Federal de Contabilidade definiu uma primeira versão em 1981, seguida pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM) que emitiu uma deliberação em 1986, classificando-os

    em postulados, princípios propriamente ditos e convenções. Em 1993, (Resolução CFC 750), ambas as entidades acordaram em declarar "Os princípios fundamentais da Contabilidade", o que não significa que são mais importantes do que os outros ou que existam somente os 7 (sete) definidos pela norma profissional citada. Os Princípios Fundamentais de Contabilidade devem ser obrigatoriamente observados no exercício da profissão contábil e constitui condição de legitimidade das Normas Brasileiras de Contabilidade (NBC).

    A Resolução do CFC nº 750-93, como já dito, define os Princípios, que estão revestidos de universalidade e generalidade, elementos que caracterizam o conhecimento científico, justamente com a certeza, o método e a busca das causas primeiras.

    No Brasil, os contabilistas, em caso da não observância aos PFC e às Normas Brasileiras de Contabilidade’ (NBC), estará à mercê de certas punições, podendo este sofrer uma entre as seguintes: advertência, censura reservada, censura publica e suspensão do exercício profissional.

    • 5.1 O Princípio da Entidade

    “Art. 4º - O Princípio da ENTIDADE reconhece o Patrimônio como objeto da Contabilidade e afirma a autonomia patrimonial, a necessidade da diferenciação de um Patrimônio particular no universo dos patrimônios existentes, independentemente de pertencer a uma pessoa, um conjunto de pessoas, uma sociedade ou instituição de qualquer natureza ou finalidade, com ou sem fins lucrativos. Por conseqüência, nesta acepção, o Patrimônio não se confunde com aqueles dos seus sócios ou proprietários, no caso de sociedade ou instituição. § único – O PATRIMÔNIO pertence à ENTIDADE, mas a recíproca não é verdadeira. “A soma ou agregação contábil de patrimônios autônomos não resulta em nova ENTIDADE, mas numa unidade de natureza econômico-contábil”.

    Percebe-se que o Princípio da Entidade presente na resolução do CFC, destaca autonomia patrimonial em relação aos sócios, ou seja, o fato de que o patrimônio da entidade não se confunde com o de seus proprietários.

    • 5.2 O Princípio da Continuidade

    “Art. 5º - A CONTINUIDADE ou não da ENTIDADE, bem como sua vida definida ou provável, devem ser consideradas quando da classificação e avaliação das mutações patrimoniais, quantitativas e qualitativas. § 1º - A CONTINUIDADE influencia o valor econômico dos ativos e, em muitos casos, o valor ou o vencimento dos passivos, especialmente quando a extinção da ENTIDADE tem prazo determinado, previsto ou previsível. § 2º - A observância do Princípio da CONTINUIDADE é indispensável à correta aplicação do Princípio da COMPETÊNCIA, por efeito de se relacionar diretamente à quantificação dos componentes patrimoniais e à formação do resultado, e de constituir dado importante para aferir a capacidade futura de geração de resultado.”

    De acordo com Reis (2004, p. 157), o fundamento deste princípio baseia-se na idéia de que, para a Contabilidade, as entidades jurídicas, têm vida ilimitada, até que fato qualquer venha provocar a sua descontinuidade. Este princípio é denominado pelo IBRACON como sendo “O Postulado da Continuidade das Entidades”, sobre o qual faz o seguinte enunciado:

    Para a Contabilidade, a Entidade é um organismo vivo que irá viver (operar) por um longo período de tempo (indeterminado) até que surjam fortes evidências em contrário...” Observar bem o Princípio da Continuidade é importante para a correta aplicação do Princípio da Competência, uma vez que se relaciona diretamente com a quantificação dos fatores que compõem o patrimônio assim como a formação do resultado, além de constituir dado fundamental para se avaliar sua capacidade futura de geração de resultado

    5.3 O Princípio da Oportunidade

    “Art.

    -

    O

    Princípio

    da

    OPORTUNIDADE

    refere-se,

    simultaneamente,

    à

    tempestividade e à integridade do registro do patrimônio e das suas mutações, determinando que este seja feito de imediato e com a extensão correta, independentemente das causas que as originaram.

    § único – Como resultado da observância do Princípio da Oportunidade:

    I – desde que tecnicamente estimável, o registro das variações patrimoniais deve ser feito mesmo na hipótese de somente existir razoável certeza de sua ocorrência;

    II – o registro compreende os elementos quantitativos e qualitativos, contemplando os aspectos físicos e monetários;

    III – o registro deve ensejar o reconhecimento universal das variações ocorridas no patrimônio da ENTIDADE, em um período de tempo determinado, base necessária para gerar informações úteis ao processo decisório da gestão.”

    Acerca de tempestividade citada neste Princípio, infere-se que é a exigência de que o registro seja realizado tão logo ocorra; e a integridade corresponde à fiel expressão do fenômeno patrimonial ocorrido. Decorrem da observância do princípio da Oportunidade as seguintes conseqüências:

    a) Registro das variações patrimoniais e suas posteriores mutações devem ser feito integralmente e de imediato, a despeito de suas origens, desde que sua mensuração seja tecnicamente possível, mesmo que exista apenas razoável certeza de sua ocorrência; b) Registro compreende os elementos quantitativos e qualitativos, contemplando os aspectos físicos e monetários; c) Registro deve ensejar o reconhecimento universal das variações ocorridas no patrimônio da Entidade, em um período de tempo determinado, base necessária para gerar informações úteis ao processo decisório da gestão. Enfoque bastante conciso, nos apresenta Sá (1999, p. 89), quando diz:

    “O princípio preocupa-se com matéria relativa ao registro contábil e com as caracterizações precisas das dimensionalidades relativas aos diversos fatos patrimoniais (tempo, causa, qualidade, quantidade; só exclui os problemas especiais, omitindo-se quanto a eles)”.

    Apesar deste Princípio não estar claramente disposto na Lei 4.320/64, a Contabilidade Governamental deve disponibilizar ao seu usuário, principalmente o interno, a informação que este necessite notadamente no processo de tomada de decisão. Determina, ainda, a Lei que os serviços de contabilidade serão organizados de forma a

    permitir o acompanhamento dos fatos ligados à administração orçamentária, financeira, patrimonial e de custos

    5.4 O Princípio do Registro pelo Valor Original

    “Art. 7º - Os componentes do patrimônio devem ser registrados pelos valores originais das transações com o mundo exterior, expressos a valor presente na moeda do País, que serão mantidos na avaliação das variações patrimoniais posteriores, inclusive quando configurarem agregações ou decomposições no interior da ENTIDADE. § único – Do Princípio do REGISTRO PELO VALOR ORIGINAL resulta:

    I – a avaliação dos componentes patrimoniais deve ser feita com base nos valores de entrada, considerando-se como tais os resultantes do consenso com os agentes externos ou da imposição destes; II – uma vez integrado no patrimônio, o bem, direito ou obrigação não poderão ter alterados seus valores intrínsecos, admitindo-se, tão-somente, sua decomposição em elementos e/ou sua agregação, parcial ou integral, a outros elementos patrimoniais; III – o valor original será mantido enquanto o componente permanecer como parte do patrimônio, inclusive quando da saída deste; IV – Os Princípios da ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA e do REGISTRO PELO VALOR ORIGINAL são compatíveis entre si e complementares, dado que o primeiro apenas atualiza e mantém atualizado o valor de entrada;

    V – o uso da moeda do País na tradução do valor dos componentes patrimoniais constitui imperativo de homogeneização quantitativa dos mesmos.”

    O princípio do Registro pelo Valor Original reconhece o custo de aquisição como base para registro contábil. Segundo o entendimento de Iudícibus (2004, p. 113), o Princípio do Registro pelo Valor Original ordena que os componentes do patrimônio tenham seu registro inicial efetuado pelos valores ocorridos na data das transações havidas com o mundo exterior à entidade, estabelecendo, pois, a viga-mestra da avaliação patrimonial:

    a determinação do valor monetário de um componente do patrimônio.

    Quando a art. 7º da Resolução 750/93 menciona:

    “. . .

    expressos a valor

    presente na moeda do País”, fica implícita a necessidade de homogeneização quantitativa do registro do patrimônio e das suas mutações, com vista a facilitar a comparabilidade e agrupamento de valores. Esta particularidade da lei visa assegurar que os registros dos fatos contábeis sejam realizados somente na moeda vigente no país. Iudícibus (2000) considera que este princípio seja uma seqüência natural do postulado da continuidade. Afirma o autor que os ativos são incorporados pelo preço pago para adquiri-los ou fabricá-los, mais todos os gastos incluindo-se todos aqueles necessários para colocá-los em condições de gerar benefícios para a empresa. Por tudo isso, pode-se então afirmar que este princípio fundamenta-se no registro das transações da entidade na data e pelo valor da sua realização. Fica então implícito que os ativos serão registrados pelo valor de aquisição, de construção ou de fabricação, conforme o caso, e os passivos pelos valores correspondentes nos documentos ou títulos que comprovem a dívida. A Lei 4.320/64 – com suporte neste princípio – menciona em seu artigo 106, que a avaliação dos elementos patrimoniais deverá obedecer ao seguinte:

    a) Os débitos e créditos (obrigações e direitos), bem como os títulos de renda, pelo seu valor nominal, feita a conversão, quando em moeda estrangeira, à taxa de câmbio vigente na data do balanço; b) Os bens móveis e imóveis, pelo valor de aquisição ou pelo custo de produção ou de construção;

    c) Os bens de almoxarifado, pelo preço médio ponderado das compras.

    • 5.5 O Princípio da Atualização Monetária

    “Art. 8º - Os efeitos da alteração do poder aquisitivo da moeda nacional devem ser reconhecidos nos registros contábeis através do ajustamento da expressão formal dos valores dos componentes patrimoniais. § único – São resultantes da adoção do Princípio da ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA:

    I – a moeda, embora aceita universalmente como medida de valor, não representa unidade constante em termos do poder aquisitivo; II – para que a avaliação do patrimônio possa manter os valores das transações originais (art. 7º), é necessário atualizar sua expressão formal em moeda nacional, a fim de que permaneçam substantivamente corretos os valores dos componentes patrimoniais e, por conseqüência, o do patrimônio líquido; III – a atualização monetária não representa nova avaliação, mas, tão-somente, o ajustamento dos valores originais para determinada data, mediante a aplicação de indexadores, ou outros elementos aptos a traduzir a variação do poder aquisitivo da moeda nacional em um dado período.”

    O Princípio da Atualização Monetária, sem correspondentes na classificação pela Estrutura Conceitual Básica da Contabilidade, ofuscou-se deveras a partir de 1995, quando, com a criação do Plano Real no Governo FHC, extinguiu-se a Correção Monetária dos Balanços.

    Destaca-se, no entanto, que a atualização monetária das demonstrações contábeis agrega muito valor ao tomador de decisão, uma vez que permite a este conhecer a real situação da empresa em relação à variação do valor do dinheiro no tempo.

    Ainda assim, talvez não fosse necessário criar um Princípio só para abordar o aspecto da Atualização Monetária, uma vez que o próprio Princípio do Registro pelo Custo Histórico, em uma interpretação mais ampla, já cumpre a função de esclarecer a importância do registro das alterações monetárias causadas pela inflação.

    • 5.6 O Princípio da Competência

    Art. 9º - As receitas e as despesas devem ser incluídas na apuração do resultado do período em que ocorrerem, sempre simultaneamente quando se correlacionarem, independentemente de recebimento ou pagamento. § 1º - O Princípio da COMPETÊNCIA determina quando as alterações no ativo ou no passivo resultam em aumento ou diminuição no patrimônio líquido, estabelecendo diretrizes para classificação das mutações patrimoniais, resultantes da observância do Princípio da OPORTUNIDADE. § 2º - O reconhecimento simultâneo das receitas e despesas, quando correlatas, é conseqüência natural do respeito ao período em que ocorrer sua geração. § 3º - As receitas consideram-se realizadas:

    I – nas transações com terceiros, quando estes efetuarem o pagamento ou assumirem compromisso firme de efetivá-lo, quer pela investidura na propriedade de bens anteriormente pertencentes à ENTIDADE, quer pela fruição de serviços por esta prestados; II – quando da extinção, parcial ou total, de um passivo, qualquer que seja o motivo, sem o desaparecimento concomitante de um ativo de valor igual ou maior; III – pela geração natural de novos ativos independentemente da intervenção de terceiros;

    IV – no recebimento efetivo de doações e subvenções. § 4º - Consideram-se incorridas as despesas:

    I – quando deixar de existir o correspondente valor ativo, por transferência de sua propriedade para II – pela diminuição ou extinção do valor econômico de um ativo; III – pelo surgimento de um passivo, sem o correspondente ativo.

    Na maioria das vezes, este é o primeiro princípio aprendido pelos acadêmicos de Ciências Contábeis, até mesmo por ser um dos mais complexos para os olhares leigos.

    O Princípio da Competência trata do reconhecimento das receitas e confrontação das despesas, evidenciando que as receitas devem ser reconhecidas no momento em que são auferidas e as despesas no momento em que são ocorridas, de modo com que as duas se confrontem, fato este que ocorre independentemente do desembolso financeiro.

    Alguns

    doutrinadores

    acreditam

    que

    o

    reconhecimento

    das

    receitas

    e

    a

    confrontação das despesas são dois princípios distintos, no entanto, para fins de Resolução CFC nº 750/93, ambas estão englobadas em um único artigo.

    5.7 O Princípio da Prudência

    Art. 10 – O Princípio da PRUDÊNCIA determina a adoção do menor valor para os componentes do ATIVO e do maior para os do PASSIVO, sempre que se apresentem alternativas igualmente válidas para a quantificação das mutações patrimoniais que

    alterem o patrimônio líquido. § 1º - O Princípio da PRUDÊNCIA impõe a escolha da hipótese de que resulte menor patrimônio líquido, quando se apresentarem opções igualmente aceitáveis diante dos demais Princípios Fundamentais de Contabilidade. § 2º - Observado o disposto no art. 7º, o Princípio da PRUDÊNCIA somente se aplica às mutações posteriores, constituindo-se ordenamento indispensável à correta aplicação do Princípio da COMPETÊNCIA. § 3º - A aplicação do Princípio da PRUDÊNCIA ganha ênfase quando, para definição dos valores relativos às variações patrimoniais, devem ser feitas estimativas que envolvem incertezas de grau variável.

    De modo oposto ao que ocorreu com a Entidade e a Continuidade, a Prudência “avançou” um passo na hierarquia teórica proposta pela estrutura conceitual básica da Contabilidade, avanço do nível de Convenção para Princípio na Resolução nº 750/93.

    Iudícibus (2004) destaca que a aplicação do Princípio da Prudência – de forma a obter- se o menor Patrimônio Líquido, dentre aqueles possíveis diante de procedimentos alternativos de avaliação – está restrita às variações patrimonial posteriores às transações originais como mundo exterior, uma vez que estas deverão decorrer de consenso com os agentes econômicos externos ou da imposição destes. Esta é a razão pela qual a aplicação do Princípio da Prudência ocorrerá concomitantemente com a do Princípio da Competência, conforme assinalado no §2º, quando resultará, sempre, variação patrimonial quantitativa negativa, isto é, redutora do Patrimônio Líquido. Diz ainda o autor que a prudência deve ser observada quando, existindo um ativo ou um passivo já escriturados por determinados valores, segundo os Princípios do Registro pelo Valor Original e da Atualização Monetária, surge dúvidas sobre a ainda correção deles. Havendo formas alternativas de se calcularem os novos valores, deve-se optar sempre pelo que for menor do que o inicial, no caso de ativos, e maior, no caso de

    componentes patrimoniais do passivo. Naturalmente, é necessário que as alternativas mencionadas configurem, pelo menos à primeira vista, hipóteses igualmente razoáveis. A provisão para créditos de liquidação duvidosa constitui exemplo de aplicação do Princípio da Prudência, pois sua constituição determina o ajuste, para menos de valor decorrente de transações com o mundo exterior, das duplicatas ou de contas a receber. A escolha não está no reconhecimento ou não da provisão, indispensável sempre que houver risco de não-recebimento de algumas parcelas, mas, sim, no cálculo do seu montante. Para que melhor se entenda esse princípio, é importante lembrar que:

    • Os custos ativados devem ser considerados como despesa no período em que ficar caracterizada a impossibilidade de eles contribuírem para a realização dos objetivos operacionais da Entidade; • Todos os custos relacionados à venda, inclusive aqueles de publicidade, mesmo que institucional, devem ser classificados como despesas Os encargos financeiros decorrentes do financiamento de ativos de longa maturação devem ser ativados no período pré-operacional, com amortização a partir do momento em que o ativo entrar em operação. É importante considerar os limites quanto à aplicação deste Princípio. Acerca disso, Iudícibus coloca que:

    “A aplicação do Princípio da Prudência não deve levar a excessos, a situações classificáveis como manipulações do resultado, com a conseqüente criação de reservas ocultas. Pelo contrário, deve constituir garantia de inexistência de valores artificiais, de interesse de determinadas pessoas, especialmente administradores e controladores, aspecto muito importante nas Entidades integrantes do mercado de capitais.”

    6 CONVENÇÕES CONTÁBEIS

    Dentro da ampla margem de liberdade que os princípios permitem ao contador, no registro das operações, as convenções vêm restringir ou limitar ou mesmo modificar parcialmente o conteúdo dos princípios, definindo mais precisamente seu significado.

    • 6.1 A Convenção da Consistência

    Assim, a convenção da consistência nos diz que, uma vez adotado determinado processo, dentre os vários possíveis que podem atender a um mesmo princípio geral, ele não deverá ser mudado com demasiada freqüência, pois assim estaria sendo prejudicada a comparabilidade dos relatórios contábeis. Se, por exemplo, for adotado o método PEPS para avaliação de estoques, em lugar do UEPS (ambos atendem ao mesmo princípio geral, isto é, "Custo Como Base de Valor"), deverá ser usado sempre o mesmo método nos outros períodos. E, se houver a necessidade inadiável de se adotar outro critério, esta adoção e seus efeitos no resultado devem ser declarados como nota de rodapé dos relatórios, de maneira a cientificar o leitor. Aceitamos como perfeitamente válida esta convenção, pois sua finalidade é reduzir a área de inconsistência entre relatórios de uma mesma empresa, contribuindo, de certa forma, para um progresso mais rápido rumo à padronização e unificação contábeis, dentro do mesmo setor de atividade.

    • 6.2 A Convenção do Conservadorismo

    Esta convenção consiste em que, por motivos de precaução, sempre que o contador se defrontar com alternativas igualmente válidas de atribuir valores diferentes a um elemento do ativo (ou do passivo), deverá optar pelo mais baixo para o ativo e

    pelo mais alto para o passivo. Se, por exemplo, o valor de mercado do inventário final de mercadorias for inferior ao valor de custo, deverá ser escolhido o valor de mercado, por ser o mais baixo. Esta é uma convenção que modifica o princípio geral do custo como base de valor. (Adotada também pela nossa atual Lei das S.A.) Outra implicação da convenção notamo-la na apuração de resultados. É freqüentemente citada pelos contadores a seguinte máxima: "Considere para a despesa do exercício o maior montante possível, mas atribua à receita o menor montante possível." A regra "Custo ou Mercado o Mais Baixo" está intimamente ligada ao conservadorismo. Em outras palavras, o custo é à base de valor para a contabilidade, mas, se o valor de mercado for inferior ao de custo, adotaremos o valor de mercado. Embora certa dose de conservadorismo, no bom sentido do termo, não seja de todo desprezível, a adoção irrestrita dessa convenção, em todas as situações, pode tornar-se um meio seguro de impedir o progresso da teoria contábil, criando problemas para as empresas, pois, ao se reverterem as causas que deram origem à aplicação do conservadorismo sem abandonar a convenção, perde-se o controle de seus impactos nos resultados.

    • 6.3 A Convenção da Materialidade

    Esta convenção reza que, a fim de evitar desperdício de tempo e de dinheiro, devem-se registrar na Contabilidade apenas os eventos dignos de atenção e na ocasião oportuna. Por exemplo, sempre que os empregados do escritório se utilizam de papéis e impressos da firma, registra-se uma diminuição do ativo da empresa, diminuição esta que poderia, teoricamente, ser lançada nos registros contábeis à medida de sua ocorrência. Entretanto, isto no é feito, pela irrelevância da operação, e a despesa só é apurada no fim do período por diferença de estoques. O julgamento quanto à materialidade também se relaciona com qual informação devemos evidenciar, cuja exclusão dos relatórios publicados poderia levar o leitor a conclusões inadequadas sobre os resultados e as tendências da empresa. Normalmente, materialidade e relevância andam juntas. Entretanto, algo pode ser imaterial de per se, ainda assim, relevante. Por exemplo, se todo mês descobrimos uma diferença de cerca de $ 1 no Balancete de Verificação do Razão, o fato em si pode ser imaterial, mas, pela repetição pode ser relevante no sentido de apontar eventuais problemas no sistema contábil. O fato de a diferença ter sido pequena pode dever-se ao acaso.

    • 6.4 A Convenção da Objetividade

    Esta convenção pode Ser explicada da melhor forma possível através do exemplo que, a seguir, será relatado. Suponha-se que o Contador, para a avaliação de certo bem, dispusesse de duas fontes, a saber: a fatura relativa à compra do bem e o laudo do maior especialista mundial em avaliação. Deverá escolher, como valor de registro, o indicado na fatura. Entre um critério subjetivo de valor, mesmo ponderável, e outro objetivo, o contador deverá optar pela hipótese mais objetiva. A finalidade desta convenção é eliminar ou restringir áreas de excessivo liberalismo na escolha de critérios, principalmente de valor. Em tese, é uma convenção que contém seus méritos. Entretanto, seria necessário definir de forma mais precisa o que vem a ser objetividade. Em suma, nem só o que é material, palpável, tem a qualidade de ser objetivo. Mesmo porque a objetividade atribuída a tais elementos é uma imagem criada pela

    nossa mente, que se utiliza, assim, do julgamento. Portanto, um julgamento pode ser objetivo também, profissionalmente.

    7. ESTUDO SOBRE O PATRIMÔNIO

    O patrimônio constituído por um conjunto de Bens, Direitos e Obrigações, busca além de vivenciar e relatar os processos de contabilização de uma azienda, transformar os dados em informações, mediante procedimentos próprios, originando toda ênfase dos procedimentos contábeis, que depois de compilados são apresentados aos usuários por intermédio de relatórios.

    PATRIMÔNIO BENS DIREITO OBRIGAÇÕES
    PATRIMÔNIO
    BENS
    DIREITO
    OBRIGAÇÕES

    Portanto, um dos objetivos principais do patrimônio, é buscar a partir de fatos, dados que nos dêem suporte para avaliação de seus Bens, Direitos e Obrigações, os quais são processados mediante técnica própria e transformados em informações para os usuários, visando atender seus interesses.

    A temática desenvolvida tem como foco uma estrutura que procura evidenciar três linhas norteadoras: num primeiro momento são tratados alguns aspectos, componentes e seus fatos e firmados alguns conceitos; seguindo-se a fase de tratamento do processo propriamente dito e suas interfaces com o mundo dos usuários como instrumento informativo.

    7.1 Patrimônio

    Parte impessoal da azienda que tem como consistência apresentar seus dois aspectos principais, que são os aspectos quantitativos, que pode ser visto como um fundo de valores, ou seja, consiste em atribuir aos seus respectivos elementos. E seu aspecto qualitativo, que reúne um conjunto de bens, créditos, débitos, ou seja, consiste em qualificar, dar nomes aos elementos componentes.

    “CONSIDERANDO ter a Contabilidade formas próprias de expressão e se exprime através de apreensão, quantificação, registro, relato, análise e revisão de fatos e informações sobre o patrimônio das pessoas e entidades, tanto em termos físicos quanto monetários;” (NBC nº 560/83)

    Mas como tem se observado o patrimônio é um elemento muito rico em itens que o compõe, ele é um tópico que absorve praticamente todos os atos, fatos e componentes que são integrados a uma azienda, onde ele relata desde a sua constituição ao encerramento de uma entidade.

    Conceito ilustrado na Norma Brasileira de contabilidade NBC nº 560/83:

    “CONSIDERANDO ser o patrimônio o objeto fundamental da Contabilidade, afirmação que encontra apoio generalizado entre os autores, chegando alguns a designá-la, simplesmente, por “ciência do patrimônio”, cabe observar que o substantivo “patrimônio” deve ser entendido em sua acepção mais ampla que abrange todos os aspectos quantitativos e

    qualitativos e suas variações, em todos os tipos de entidades, em todos os tipos de pessoas, físicas ou jurídicas, e que adotado tal posicionamento a Contabilidade apresentar-se-á,nos seus alicerces, como teoria de valor, e que até mesmo algumas denominações que parecem estranhas para a maioria, como a contabilidade ecológica, encontrarão guarida automática no conceito adotado;” (NBC nº 560/83)

    7.2 Aspectos

    São muitos os aspectos do Patrimônio, “[

    ...

    ],

    entretanto qualquer que seja o

    aspecto do Patrimônio estudado deve sempre considerar suas partes positivas e

    negativas, ou seja, ATIVO quanto o PASSIVO”. (GONÇALVES, 1998, p. 29). Em que

    estruturados compõe como um todo o patrimônio, dando assim diversas formas para

    uma análise concentrada de uma azienda, constados em seus relatórios.

    Um dos aspectos mais importantes do patrimônio como já citados acima, são os

    aspectos qualitativos e o quantitativo, são de suma importância para o patrimônio, que

    pode ser o capital de uma entidade de bens, créditos, débitos são também uns fundos

    valores aplicados para a obtenção de lucros. Citamos alguns dos mais importantes

    aspectos do patrimônio.

    O Patrimônio também é objeto de outras ciências sociais – por exemplo, da

    Economia, da Administração e do Direito – que, entretanto, o estudam sob ângulos

    diversos daquele da Contabilidade, que o estuda nos seus aspectos quantitativos e

    qualitativos. A Contabilidade busca, primordialmente, apreender, no sentido mais amplo

    possível, e entender as mutações sofridas pelo Patrimônio, tendo em mira, muitas vezes,

    uma visão prospectiva de possíveis variações. As mutações tanto podem decorrer de

    ação do homem, quanto, embora quase sempre secundariamente, dos efeitos da natureza

    sobre o Patrimônio.

    7.3 Bens Direitos e Obrigações

    Defini-se como o conjunto formado pelos bens, pelos direitos e pelas obrigações

    pertencentes a uma pessoa (física e jurídica) e que seja passível de avaliação em moeda.

    Como bens, podemos entender as coisas capazes de satisfazer necessidades humanas,

    suscetíveis de avaliação econômica. Podemos distinguir bens em duas espécies:

    • 7.3.1 Bens Materiais

    Também chamados de bens corpóreos, ou bens tangíveis; representam os objetos

    que a empresa tem para uso (prédios, moveis, carros, etc.), para venda/troca

    (mercadorias, dinheiro, etc.), ou para consumo (material de limpeza, de expediente,

    etc.);

    • 7.3.2 Bens Imateriais

    Também tipos como bens incorpóreos ou intangíveis; são os gastos que, por sua

    natureza, a legislação exige que sejam tipos como parte do patrimônio (ativo diferido,

    gastos com reformas, benfeitorias, etc.); como tais também são classificadas as marcas e

    as patentes, o fundo de comercio, etc.

    Pode-se também dividir os bens em:

    Bens de Uso: são aqueles utilizados equipar a empresa para que possa realizar o seu

    objetivo empresarial, são os moveis, imóveis, utensílios, maquinas, equipamentos,

    ferramentas, computadores, veículos, balcão, prateleiras e demais instalações

    comerciais, industriais, agrícolas, etc.

    Bens de Consumo: são os bens adquiridos para serem consumidos nas atividades da

    empresa de forma imediata e integral na manutenção de sua atividade e do seu

    funcionamento, são os materiais de consumo no escritório, na manutenção e na limpeza

    geral; os combustíveis e lubrificantes, impressos e formulários, etc.

    Bens para Venda: são os bens adquiridos ou produzidos com o objetivo de serem

    vendidos, isto é, trocados por dinheiro, como por exemplo: as mercadorias produzidas

    pela empresa, produtos industrializados para venda, produtos comprados estritamente

    para revenda, etc.

    BENS DE USO

     

    BENS DE CONSUMO

     

    BENS PARA VENDA

    Balcão

    Papel de embrulho

    Mercadorias próprias

    Prateleira

    Material de limpeza

    Mercadorias para revenda

    Vitrine

    Pó para café

    Caixa

    registradora

    7.3.3 Direitos

    São todos os valores que as empresas têm para receber de terceiros, tais como

    duplicatas a receber, promissórias a receber, alugueis a receber, etc.

    ELEMENTO

    EXPRESSÃO

    Duplicatas

    a

    Receber

    Promissórias

    a

    Receber

    Alugueis

    a

    Receber

    7.3.4 Obrigações

    São os valores que as empresas têm a pagar a terceiros, como duplicatas a pagar,

    salários a pagar, impostos a pagar, etc.

    ELEMENTO

    EXPRESSÃO

    Duplicatas

    a

    Pagar

    Promissórias

    a

    Pagar

    Alugueis

    a

    Pagar

    Salário

    a

    Pagar

    Impostos

    a

    Pagar

    IMPORTANTE: A maioria dos valores que representam direitos são denominados

    contabilmente seguidos da expressão a receber, bem como, a maioria dos valores

    representativos de obrigações são seguidos da expressão a pagar. Entretanto, pode

    haver exceções, como no caso das contas Clientes e Fornecedores, que representam um

    direito e uma obrigação, respectivamente. Há também casos que em que obrigações

    tributárias são seguidas da expressão a recolher.

    7.4 Aspectos Quantitativos e Qualitativos do Patrimônio

    Por aspecto qualitativo do patrimônio entende-se a natureza dos elementos que o

    compõem, como dinheiro, valores a receber ou a pagar expressos em moeda, máquinas,

    estoques de materiais ou de mercadorias, etc.

    PATRIMÔNIO

    BENS:

    Dinheiro

    Veículos

    Maquinas

    DIREITOS:

    Duplicatas a receber

    Promissórias a receber

    OBRIGAÇÕES:

    Duplicatas a Pagar

    Impostos a Pagar

    A delimitação qualitativa desce, em verdade, até o grau de particularização que

    permita a perfeita compreensão do componente patrimonial. Assim, quando falamos em

    "máquinas" ainda estamos a empregar um substantivo coletivo, cuja expressão poderá

    ser de muita utilidade em determinadas análises.

    Mas a Contabilidade, quando aplicada a um patrimônio particular, não se

    limitará às "máquinas" como categoria, mas se ocupará de cada máquina em particular,

    na sua condição do componente patrimonial, de forma que não possa ser confundida

    com qualquer outra máquina, mesmo de tipo idêntico.

    O atributo quantitativo refere-se à expressão dos componentes patrimoniais em

    valores, o que demanda que a Contabilidade assuma posição sobre o que seja "Valor",

    porquanto os conceitos sobre a matéria são extremamente variados.

    PATRIMÔNIO

     
     

    BENS:

    Dinheiro----------------------

    R$ 6.000,00

    Veículos----------------------

    R$ 45.000,00

    Maquinas---------------------

    R$ 12.000,00

    DIREITOS:

    Duplicatas a receber--------

    R$ 5.890,00

    Promissórias a receber-----

    R$ 5.796,00

    OBRIGAÇÕES:

    Duplicatas a Pagar----------

    R$ 500,00

    Impostos a Pagar------------

    R$ 7.890,00

    Agora desta maneira com estas informações, é possível fazer uma idéia do

    tamanho do Patrimônio da empresa, pois ficou esclarecido o que e quanto à empresa

    tem em Bens, Direitos e Obrigações.

    7.5. Representação Gráfica do Patrimônio

    Até agora compreendemos que o Patrimônio são os bens, direitos e obrigações

    de qualquer entidade, mas eles são coisas diferentes e devem ser divididas de forma que

    possamos visualizar cada qual no seu contexto. Visando atender ao aspecto didático e

    pratico, e para tornar mais fácil a compreensão do Patrimônio, vamos visualizar desta

    maneira:

    7.5. Representação Gráfica do Patrimônio Até agora compreendemos que o Patrimônio são os bens, direitos e

    Este ‘T’, como vemos, tem dois lados. No lado esquerdo colocamos os Bens e os

    Direitos:

    PATRIMÔNIO

    BENS

     

    DIREITOS

    No lado direito colocamos as Obrigações:

    PATRIMÔNIO OBRIGAÇÕES
    PATRIMÔNIO
    OBRIGAÇÕES

    Então, a representação gráfica do Patrimônio fica assim:

    PATRIMÔNIO

    BENS

    OBRIGAÇÕES

    DIREITOS

    Na representação gráfica apresentada temos, de um lado, os Bens e os Direitos,

    que formam o grupo dos elementos positivos; e o outro lado, as obrigações, que formam

    o grupo dos elementos negativos. Como esta representada abaixo:

    PATRIMÔNIO

    ELEMENTOS POSITIVOS

    ELEMENTOS NEGATIVOS

    BENS

    OBRIGAÇÕES

    Moveis e Utensílios

    Salários a Pagar

    Estoque de Mercadorias

    Impostos a Pagar

    Banco

    Duplicatas a Pagar

    Caixa

    Promissórias a Pagar

    DIREITOS

    Duplicatas a Receber

    Clientes

    Investimento

    7.6 Grupos Patrimoniais

    O patrimônio foi entendido como sendo a riqueza (bens e direitos) e as dívidas

    (obrigações) de qualquer entidade, mas essa divisão gráfica observada acima onde cada

    qual tem seu lado determinado tem uma nomenclatura especifica que determina sua

    natureza, e é denominado ATIVO, PASSIVO e PATRIMÔNIO LÍQUIDO.

    • 7.6.1 Ativo

    Em contabilidade o ativo são os bens e direitos que a empresa tem num

    determinado momento, resultante de suas transações ou eventos passados da qual,

    futuros benefícios econômicos podem ser obtidos. Exemplos de ativos incluem caixa,

    estoques, equipamentos e prédios.

    Cumpre ressaltar a evolução da Teoria Contábil na conceituação do Ativo: durante

    muito tempo se definiu os bens do Ativo como aqueles que a Entidade detivesse o

    chamado "Direito de Propriedade" (escola do Personalismo, por exemplo). Com o

    advento do Patrimonialismo, qualquer bem que seja utilizado economicamente pela

    Entidade, passou a figurar no Ativo. Na Contabilidade Pública brasileira, há grande

    quantidade de contas de compensação, que figuram em Ativos para fins de controle e

    análise, ou seja, independem das relações diretas jurídicas e econômicas com um

    determinado bem.

    ATIVO

    BENS

    DIREITOS

    Moveis e Utensílios

    Duplicatas a Receber

    Estoque de Mercadorias

    Clientes

    Banco

    Investimento

    Caixa

    • 7.6.2 Passivo

    Em contabilidade, o passivo corresponde ao saldo das obrigações devidas, ou

    obrigações com terceiros, conhecidas com estimadas, onde a todo o controle de todas as

    dividas e todas as obrigações da empresa assumidas e que devem ser pagas a uma

    empresa ou instituição. Ele representa as origens dos capitais.

    PASSIVO
    PASSIVO

    OBRIGAÇÕES

    Salários a Pagar

    Impostos a Pagar

    Duplicatas a Pagar

    Promissórias a Pagar

    7.6.3 Patrimônio Líquido

    O patrimônio Líquido constitui os Capitais Próprios da empresa, isto é, os

    capitais acumulados dos proprietários. Mas esses capitais nem sempre se originam do

    ingresso de meios de financiamentos desembolsados pelos proprietários. Originam-se

    também dos resultados obtidos nas operações sociais. É o que ocorre com as Reservas e

    os Lucros Acumulados. O artigo 178 da lei 6.404 de 1976, inciso III divide o

    Patrimônio Líquido em

    ...

    capital social, reservas de capital, ajustes de avaliação

    patrimonial, reservas de lucros, ações em tesouraria e prejuízos acumulados.”

    PASSIVO LÍQUIDO

    Capital social

    Reservas

    Ações

    Lucro

    Prejuízo

    Podemos observar que a fica fácil de entender quando dividimos e nomeamos e

    classificamos cada item do patrimônio. Fazendo uma evolução dos conceitos fica desta

    maneira:

    Sendo

    ATIVO: BENS E DIREITOS

    PASSIVO E PATRIMÔNIO LIQUIDO: OBRIGAÇÕES

     

    PATRIMÔNIO

    PATRIMÔNIO PATRIMÔNIO

    PATRIMÔNIO

     

    BENS

    OBRIGAÇÕES

     

    PASSIVO

    DIREITOS

     

    ATIVO

    PATRIMÔNIO

     

    LÍQUIDO

    7.7 Situações Patrimoniais Líquidas

    Podemos observar que até agora limitamos a demonstrar os conceitos de Ativo e

    Passivo e classificá-los e dividi-los, no aspecto qualitativo, mas se tratando de que a

    contabilidade é a teoria aplicada na prática devemos começar a entender a quantificação

    dos grupos patrimoniais e como devem ser demonstrados e distribuídos dentro dos seus

    próprios grupos.

    7.7.1 Equação Fundamental da Contabilidade

    7.7.1 Equação Fundamental da Contabilidade Uma balança de dois pratos em que se coloca no da

    Uma balança de dois pratos em que se coloca no da esquerda o Ativo e no da

    direita o Passivo poderá ilustrar o estado patrimonial. Se ambos tiverem valores iguais o

    equilíbrio estará conseguido. Mas como podemos observar que existe o grupo do

    Patrimônio Líquido o Passivo não será igual ao Ativo nessa situação, se fosse não

    ficaria nivelada. Então o Ativo tem que ser igual à soma do Passivo mais o Patrimônio

    Líquido para haver uma harmonia Patrimonial. O resultado disso fica assim:

    ATIVO = PASSIVO

    + PATRIMÔNIO LÍQUIDO

    Usando este conceito a representação gráfica do Patrimônio fica assim:

     

    PATRIMÔNIO

     

    ATIVO

    PASSIVO

    BENS:

    OBRIGAÇÕES:

    Dinheiro----------------------

    R$ 1.000,00

    Duplicatas a Pagar----------

    R$ 4.796,00

    Veículos----------------------

    R$ 10.000,00

    Impostos a Pagar------------

    R$ 7.890,00

    Maquinas---------------------

    R$ 5.000,00

     

    31

    DIREITOS:

    PATRIMÔNIO LÍQUIDO

    Duplicatas a receber--------

    R$ 890,00

    Capital Social ----------------

    R$ 5.000,00

    Promissórias a receber-----

    R$ 796,00

     

    TOTAL

    R$ 17.686,00

    TOTAL

    R$ 17.686,00

    Podemos concluir que:

    ATIVO

    =

    PASSIVO

    + PATRIMÔNIO LÍQUIDO

    ATIVO = PASSIVO + PATRIMÔNIO LÍQUIDO 17.686,00 12.686,00 5.000,00
    ATIVO = PASSIVO + PATRIMÔNIO LÍQUIDO 17.686,00 12.686,00 5.000,00
    ATIVO = PASSIVO + PATRIMÔNIO LÍQUIDO 17.686,00 12.686,00 5.000,00
     

    17.686,00

    12.686,00

    5.000,00

    Com estas informações observamos que sempre um lado dever ser igual ao

    outro, que o Ativo tem que ser igual o resultado da soma do Passivo mais o Patrimônio

    Líquido, havendo isso a um equilíbrio Patrimonial.

    7.7.2 Grupo do Ativo

    O Ativo representa as aplicações dos capitais e é composto em 6 grandes grupos,

    que serão dispostos como segue:

    Ativo Circulante;

    Ativo realizável a Curto Prazo;

    Ativo realizável a Longo Prazo;

    Ativo Permanente;

    Estoques;

    Ativo Diferido

    7.7.2.1

    Ativo Circulante

    Neste grupo devem ser registrados os itens patrimoniais que tenham liquidez

    imediata, sem nenhuma restrição, ou seja, a qualquer momento em que a empresa

    precisar existe disponibilidade instantânea de valor. Artigo 179 da lei 6.404 de 1976.

     

    I - no ativo circulante: as disponibilidades, os direitos realizáveis no curso do exercício social subseqüente e as aplicações de recursos em despesas do exercício seguinte;

    Exemplos:

    Caixa – dinheiro de posse da empresa;

    Banco – saldo de contas correntes diversas da empresa;

    7.7.2.2

    Ativo realizável a Curto Prazo

    Neste grupo são registrados os direitos que poderão ser transformados em

    dinheiro em um período curto de tempo.

    Exemplos:

    Clientes a Receber: títulos de clientes para pagamento a prazo, com recebimento do

    valor a curto prazo;

    32

    Cheques a Receber: cheques de clientes para pagamento a prazo, com recebimento do

    valor a curto prazo;

    Adiantamento a Terceiros: direito de recebimento de valores a curto prazo;

    • 7.7.2.3 Ativo realizável a Longo Prazo Neste grupo é registrado qualquer conjunto de bens e direitos que irão realizar-se

    em até 360 dias contados do ultimo dia do exercício social da data de publicação

    do balanço a que faz parte. De uma forma geral, são classificáveis no Realizável a

    Longo Prazo contas da mesma natureza das do Ativo Circulante, que, todavia, tenha sua

    realização certa ou provável após o término do exercício seguinte, o que, normalmente,

    significa realização num prazo superior a um ano a partir do próprio balanço. Artigo

    179 da lei 6.404 de 1976.

    II - no ativo realizável a longo prazo: os direitos realizáveis após o término do exercício seguinte, assim como os derivados de vendas, adiantamentos ou empréstimos a sociedades coligadas ou controladas (artigo 243), diretores, acionistas ou participantes no lucro da companhia, que não constituírem negócios usuais na exploração do objeto da companhia;

    Exemplos:

    Clientes a Receber a Longo Prazo: títulos de clientes para pagamento a prazo, com

    recebimento do valor a longo prazo;

    Investimentos a Longo Prazo: Investimentos que passem de 360 dias aplicados;

    • 7.7.2.4 Ativo Permanente Neste grupo são registradas as aplicações permanentes ou fixas dos recursos da

    empresa. São Bens ou direitos que são utilizados de forma permanente para a

    consecução dos objetivos sociais da empresa e que não estão e princípio, destinados à

    venda, e subdividem-se em:

    1. Investimentos – São participações permanentes em outras sociedades e os bens e

    direitos que não se destinam à manutenção das atividades da companhia ou

    empresa, ou que compreendem as participações societárias e os imóveis de renda;

    Exemplos:

    Participação em outras empresas: são cotas de outras empresas;

    Imóveis de renda: são imóveis de pose da empresa que estão alugados ou

    sublocados a outras empresas;

    • 2. Ativo Imobilizado – São bens e direitos necessários à manutenção das atividades produtivas da empresa ou sociedade, tais como: veículos, móveis e utensílios, máquinas e equipamentos, terrenos, ferramentas, construções, marcas e patentes, etc. Podem ser bens e direitos, tangíveis e intangíveis, utilizados na consecução das atividades-fins da entidade.

    Bens Tangíveis – aqueles que têm corpo físico, tais como terrenos, máquinas,

    veículos, benfeitorias em propriedades arrendadas, direitos sobre recursos naturais, etc.

    Bens Intangíveis – aqueles cujo valor reside não em qualquer propriedade física,

    mas nos direitos de propriedade legalmente conferidos aos seus possuidores, tais como:

    patentes, direitos autorais, marcas, etc.

    7.7.2.5

    Estoques

    Neste grupo são registrados todos os produtos que estão armazenados dentro da

    empresa num lugar especifico ou em um lugar ou propriedade destinada a este fim.

    Exemplo

    Numa empresa industrial, podemos ter:

    Estoque de produtos em processo: Este tipo de estoques baseia-se essencialmente em

    todos os artigos solicitados necessários à fabricação ou montagem do produto final, que

    se encontram nas várias fases de produção (Filho, 2006, p. 63).

    Estoque de matéria-prima e materiais auxiliares: Nestes estoques encontramos

    materiais secundários, como componentes que irão integrar o produto final. São

    usualmente compostos por materiais brutos destinados à transformação (Filho, 2006, p.

    62).

    Estoque operacional: É um tipo de estoque destinado a evitar possíveis interrupções

    na produção por defeito ou quebra de algum equipamento. É constituído por

    lubrificantes ou quaisquer materiais destinados à manutenção, substituição ou reparos

    tais como componentes ou peças sobressalentes (Filho, 2006, p. 63).

    Estoque de produtos acabados: É o estoque composto pelo produto que teve

    seu processo de fabricação finalizada. Em empresas comerciais é chamado de estoque

    de mercadorias.

    Usualmente são materiais que se encontram em depósitos próprios para expedição.

    São formados por materiais ou produtos em condições de serem vendidos (Filho, 2006,

    p. 63).

    Estoque de materiais administrativos: É formado de materiais destinados

    ao desenvolvimento das atividades da empresa e utilizados nas áreas administrativas da

    mesmas, tais como, impressos, papel, formulários, etc. (Filho, 2006, p. 63).

    A classificação dos estoques depende muito do sistema operacional e tipo de

    atividade que empresa exerce.

    • 7.7.2.6 Ativo Diferido

    Neste grupo são registradas as aplicações

    de recursos

    em despesas que

    contribuirão para a formação do resultado em mais de um exercício social.

    Exemplo:

    Despesas pré-operacionais: despesas ocorridas antes do funcionamento da empresa

    Despesas

    científicas

    ou

    tecnológicas:

    despesas

    de

    pesquisa

    para

    produção

    de

    medicamentos,

    produtos

    de

    limpeza,

    produtos

    de

    beleza,

    pesquisas

    de

    novas

    tecnologias, etc.

    7.7.3 Grupo do Passivo

    Passivo representa as origens dos recursos, que são representadas por direitos de

    terceiros tanto a curto prazo como a longo prazo. Ele é composto de 2 grandes grupos,

    que serão dispostos como segue:

    Passivo Circulante;

    Passivo Exigível a Longo Prazo.

    7.7.3.1

    Passivo Circulante

    Neste grupo são registradas todas as obrigações exigíveis a curto prazo, até o

    exercício seguinte. Ele é dividido em vários de tipos de obrigações como:

    Obrigações com terceiros: obrigações com outras instituições;

    Exemplo:

    Fornecedores;

    Empréstimos;

    Financiamentos;

    Obrigações Sociais: impostos que incidam sobre salários, pró-labore e pagamento de

    salários.

    Exemplo:

    Salários a Pagar

    INSS a Pagar

    FGTS a Pagar

    Provisões de Férias

    Obrigações Tributárias: impostos diversos;

    Exemplos:

    ICMS a Pagar

    ISS a Pagar

    IRPJ a Pagar

    COFINS a Pagar

    7.7.3.2

    Passivo Exigível a Longo Prazo

    Neste grupo são registradas todas as obrigações exigíveis a longo prazo, após o

    exercício seguinte.

    Este grupo reúne todas as contas representadas de créditos de terceiros, de

    exigibilidade remota, sujeitas há planos de amortização lentas, geralmente originados de

    operações de financiamento ou suprimento, bem como as operações oriundas de

    transações com empresa ligadas, sócios, acionistas e diretores. Artigo 180 da lei 6.404

    de 1976.

    Art. 180. As obrigações da companhia, inclusive financiamentos para aquisição de direitos do ativo não circulante, serão classificadas no passivo circulante, quando se vencerem no exercício seguinte, e no passivo não circulante, se tiverem vencimento em prazo maior, observado o disposto no parágrafo único do art. 179 desta Lei. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009)

    Obrigações com terceiros: obrigações com outras instituições com pagamento a longo

    prazo;

    Exemplo:

    Fornecedores;

    Empréstimos a longo prazo;

    Financiamentos a longo prazo;

    Obrigações Tributárias: parcelamento de tributos diversos a longo prazo;

    Exemplos:

    Parcelamento de ICMS

    Parcelamento de ISS

    Parcelamento de IRPJ

    Parcelamento de COFINS

    7.7.4 Contas do Patrimônio Líquido

    O Patrimônio Líquido constitui os Capitais Próprios da empresa, isto é, os

    capitais acumulados dos proprietários. Ele formado pelas contas:

    Capital social;

    Reservas de capital;

    Reservas de lucros;

    Lucro ou prejuízos acumulados.

    7.7.4.1

    Capital Social

    Segundo Lopes de Sá

     
     

    ...

    o

    Capital é o patrimônio das empresas, ou ainda, um conjunto ou

    sistema de valores que se destina à obtenção de lucro, do ponto de vista qualitativo é um conjunto de sistemas de bens, créditos, débitos e

    investimentos vários que se destina à obtenção de novos bens, créditos, débitos e investimentos vários que vem aumentar o dito sistema. Do ponto de vista quantitativo é fundo de valores aplicados na obtenção de lucro.

     

    Numa forma mais clara e objetiva é o investimento feito pelos sócios da entidade

    com o fim de iniciar uma atividade ou de investimento na mesma. Pode ser investido

    com propriedade ou com dinheiro ou até mesmo com direitos dos investidores.

    7.7.4.2

    Reservas

    São os valores decorrentes de retenção de lucros, de reavaliação de ativos e de

    outras circunstâncias que são reservados para determinadas fins. As reservas podem ser

    constituídas com várias finalidades não recebem aplicação na finalidade para a qual

    foram criadas, permanecerão como reforço de Capital. Enquanto existirem reservas para

    mais diversas finalidades, não há necessidade de se tocar no Capital em qualquer

    contingência.

     

    Exemplo:

    Reserva de Lucro: tem finalidade de abater em possíveis prejuízos que há empresa

    possa vir ter.

     

    7.7.4.3

    Lucro ou Prejuízos Acumulados

     

    No final do exercício social (período em que a empresa opera, geralmente é de

    um ano), a empresa poderá obter lucro ou prejuízo. No caso de lucro, ele terá vários

    destinos, como Imposta de Renda, distribuição para sócios, formação de reservas, etc. A

    parte não distribuída focará retida para aplicações com o título Lucros Acumuladas.

    Havendo prejuízo, este poderá ser dividido entre os sócios, ou permanecer no

    Patrimônio com o título Prejuízos Acumulado. Isso acontece em empresa que tem sua

    tributação baseada no Lucro Real 1 .

    7.7.5 Contas retificadoras

    Também chamadas de redutoras, são contas que, embora apareçam num

    determinado grupo patrimonial (ativo ou passivo) têm saldo contrário em relação às

    demais contas desse grupo. desse modo, uma conta retificadora do ativo terá natureza

    credora, bem como uma conta retificadora do passivo terá natureza devedora. as contas

    retificadoras reduzem o saldo total do grupo em que aparecem.

    • 7.7.5.1 Contas Retificadoras do Ativo

    No balanço patrimonial algumas contas que apresentam saldo credor devem ser

    agrupadas no ativo, uma vez que representam valores retificatiFICADOS de elementos

    que integram os seus grupos.

    Contas retificadoras do ativo circulante

    -

    títulos descontados

    -

    provisão para crédito de liquidação duvidosa

    -

    provisão para ajuste de estoque ao valor de mercado

    -

    provisão para perdas (registrará os valores estimados de perdas de investimentos

    temporários).

    Contas retificadoras do ativo realizável a longo prazo

    -

    provisão para crédito de liquidação duvidosa

    -

    provisão para perdas (registrará os valores estimados de perdas de investimentos

    (temporários).

    Contas retificadoras do ativo permanente

     

    Investimentos

    -

    provisão para perdas prováveis na realização de investimentos

    Imobilizado

    -

    depreciações acumuladas

    -

    exaustão

    -

    amortizações

    Diferido

    -

    amortizações

    • 7.7.5.2 Contas retificadoras do passivo Os custos e despesas relativos a receitas antecipadas, registradas em conta do

    grupo resultado de exercícios futuros (lei 6404-76, art. 181).

    • - ações em tesouraria, que não devem ser registradas no ativo, mas como dedução de

    conta no patrimônio líquido que registrar a origem dos recursos aplicados na sua

    aquisição (lei 6404-76, art.182, § 5º).

    1 – É à base de cálculo do imposto sobre a renda apurada segundo registros contábeis e fiscais efetuados sistematicamente de acordo com as leis comerciais e fiscais. A apuração do lucro real é feita na parte A do Livro de Apuração do Lucro Real, mediante adições e exclusões ao lucro líquido do período de apuração (trimestral ou anual) do imposto e compensações de prejuízos fiscais autorizadas pela legislação do imposto de renda, de acordo com as determinações contidas na Instrução Normativa SRF nº 28, de 1978, e demais atos legais e infralegais posteriores.

    - a que representa o prejuízo acumulado, que será um valor deduzido dos elementos do

    patrimônio líquido (lei 6404-76, art. 178, § 2º, letra d).

    - a parcela do capital a realizar, que será deduzida do capital social (lei 6404-76,

    art.182).

    A demonstração do resultado do exercício destina-se a evidenciar a formação do

    resultado do exercício, mediante confronto das receitas, custos e despesas incorridos no

    exercício.

    7.8 Representação Gráfica dos Estados Patrimoniais

    Como já foi explicado sobre a Equação Fundamental da Contabilidade o Ativo

    (A) é igual ao resultado da soma entre o Passivo (P) e o Patrimônio Líquido (PL) de

    qualquer entidade. Portanto não podemos ter valores negativos, por exemplo: o valor do

    Ativo negativo ou o Passivo negativo. Assim, os elementos patrimoniais podem assumir

    estes seguintes valores:

         
    P > 0
    P
    >
    0
       

    o

     

    A

    >

    0

    PL

    >

    u

    >

    0

    Baseado nesta

    premissa onde A

    =

    P + PL, encontramos

     

    cinco estados do

    Patrimônio.

    Situação Líquida Positiva

    A

    >

    P

    1º Situação Líquida Positiva A > P PL > 0

    PL

    >

    0

    A

    P

     

    500

    350

    PL

    150

    Resultado: Neste caso a existência da riqueza própria. É um caso bem comum,

    geralmente é o que se encontra, na maioria das vezes no mercado.

    ATIVO

       

    PASSIVO

     

    Caixa

    R$ 25.000,00

     

    Fornecedores

     

    R$

    55.000,00

     

    R$ 50.000,00

       

    R$

    120.000,00

    Maquinas Banco c/ movimento

    R$ 12.000,00

     

    Duplicatas a Pagar Boletos a Pagar

    R$

    250.000,00

    Veículos

    R$ 220.000,00

       

    Prédios

    R$ 170.000,00

     

    Terrenos

    R$ 130.000,00

     

    Diferença Favorável

    R$ 182.000,00

    TOTAL

    R$ 607.000,00

     

    TOTAL

    R$

    607.000,00

    2º Situação Superavitária

    A

    >

    P

    P

    =

    0

    PL

    >

    0

     

    A

    P

     

    500

    0

    PL

    150

    Resultado: Neste caso temos a propriedade plena do Ativo, ou seja, na há dividas, pois

    o Passivo esta zero.

    ATIVO

     

    PASSIVO

     

    Caixa

    R$

    25.000,00

     
     

    R$

    50.000,00

    Maquinas Banco c/ movimento

    R$

    12.000,00

    Veículos

    R$ 220.000,00

     

    PATRIMÔNIO LÍQUIDO

    Prédios

    R$ 170.000,00

    Capital Social

     

    R$

    607.000,00

    Terrenos

    R$ 130.000,00

       

    TOTAL

    R$ 607.000,00

    TOTAL

     

    R$

    607.000,00

    3º Situação Liquida Nula

     

    A

    =

    P

    PL

    =

    0

     

    A

    P

     

    500

    500

    PL

    0

    Resultado: Neste caso temos, ao contrario do 1º caso, a inexistência da riqueza própria.

    ATIVO

    PASSIVO

     

    Caixa

    R$

    25.000,00

    Fornecedores

    R$

    137.000,00

     

    R$

    50.000,00

     

    R$

    220.000,00

    Maquinas Banco c/ movimento

    R$

    12.000,00

    Duplicatas a Pagar Boletos a Pagar

    R$

    250.000,00

    Veículos

    R$ 220.000,00

    PATRIMÔNIO LÍQUIDO

    Prédios

    R$ 170.000,00

       

    Terrenos

    R$ 130.000,00

       

    TOTAL

    R$ 607.000,00

    TOTAL

    R$

    607.000,00

    4º Situação Líquida Negativa

    P

    >

    A

    PL

    <

    0

     

    A

    P

     

    100

    100

     

    PL

    -20

    Resultado: Esse caso é um dos mais comuns que acontece pelo menos uma vez para as

    empresa (no geral), é quando o prejuízo supera o Capital da empresa, neste caso usa-se

    o termo PASSIVO A DESCOBERTO, isso é o resultado de vários anos acumulando

    prejuízos.

    ATIVO

     

    PASSIVO

     

    Caixa

    R$

    25.000,00

    Fornecedores

     

    R$

    337.000,00

     

    R$

    50.000,00

     

    R$

    250.000,00

    Maquinas Banco c/ movimento

    R$

    12.000,00

    Duplicatas a Pagar Boletos a Pagar

    R$

    125.000,00

    Veículos

    R$ 220.000,00

     

    Prédios

    R$ 170.000,00

    Terrenos

    R$ 130.000,00

    Diferença Desfavorável

    R$

    (105.000,00)

    TOTAL

    R$ 607.000,00

    TOTAL

     

    R$

    607.000,00

    5º Situação Liquida Deficitária

    P

    >

    A

    A

    =

    0

    PL

    <

    0

       

    A

     

    P

     

    0

    20

     

    PL

     

    -20

    Resultado: Esse caso é um preocupante, pois a empresa não pode pagar as suas dividas

    porque não tem bens (monetários ou de posse) para saldar seus credores. As obrigações

    supra plantaram os bens e direitos.

    40

    8. CONTAS DE RESULTADO

    São as contas que aparecem durante o exercício

    social

    (período em que a

    empresa opera, geralmente é de um ano), elas se dividem em contas de Despesas,

    Receitas e Custos. Não fazem parte do *Balanço Patrimonial, mas permite apurar o

    *Resultado do Exercício (Lucro ou Prejuízo).

    * Veremos seus conceito mais pra frente.

    As contas de Resultado são aquelas que representam as Despesas, Receitas e os

    Custos.

    8.1

    Receita

    É o recebimento de dinheiro ou um direito de recebimento futuro (clientes a

    receber) pela venda de um produto ou serviço, relacionado ou não com as atividades

    fins da sociedade e/ou entidade, caracterizam-se pela entrada de elementos para o Ativo

    podendo ser classificadas em receitas operacionais ou não operacionais e receitas

     

    financeiras.

    8.1.1

    Receitas Operacionais

    São aquelas resultantes das operações relacionadas com as atividades fins da

    sociedade e/ou entidade como a venda de produtos e/ou Prestação de serviços.

    Exemplo:

    Venda de mercadorias de fabricação própria.

    Venda de mercadorias compradas para revenda;

    Prestação de serviços.

    8.1.2

    Receitas Financeiras

    São receitas advindas de operações que resultem no recebimento de um credito

    em compensação por um atraso em recebimento de juros, descontos recebidos,

    aplicações financeiras, etc.

    Exemplo:

    Recebimento de duplicata atrasada por venda a prazo;

    Resgate de aplicação financeira com rendimento;

    8.1.3

    Receitas Não Operacionais

    São aquelas resultantes das operações não relacionadas com as atividades fins da

    sociedade.

    Exemplo:

    Venda de um veiculo de uso da empresa para fazer vendas;

    Venda de uma maquina usada para produção.

    8.2

    Despesas

    È o encargo necessário para comercializar os bens ou serviços objetos das

    atividades, bem como para a manutenção da estrutura empresarial independentemente

    de sua freqüência. As despesas são itens que reduzem o Patrimônio Líquido e que tem

    essa característica de representar sacrifícios no processo de obtenção de receitas.

    Existem as despesas operacionais, não operacionais, antecipadas e pré-operacionais.

    8.2.1

    Despesas Operacionais

    São as despesas que não são computadas nos custos, mas são necessárias à

    atividade da empresa e à manutenção da respectiva fonte produtora, e podem ser:

    Comerciais: são relacionadas diretamente com a comercialização de produtos da

    empresa.

    Exemplo: Anúncios, propaganda, transportes, etc.

    Financeiras: são as despesas ou encargos, já deduzidos as receitas, necessários a

    realização das atividades fins da sociedade.

    Exemplos: Tarifas bancárias, juros, multas, encargos na antecipação de créditos, etc.

    Despesas gerais e Administrativas: São as despesas não relacionadas à atividade

    principal da sociedade, porém são necessárias na formação do resultado.

    Exemplo: Revistas e Periódicos, despesas com internet, etc.

    8.2.2

    Despesas Não Operacionais

    São as despesas não relacionadas com a atividade da sociedade e necessário para

    que se obtenha uma receita não operacional.

    Exemplo:

    Venda de um Ativo Permanente.

    8.2.3

    Despesas Antecipadas

    São despesas não incorridas, mas pagas antecipadamente, que devem ser

    registradas no Ativo Circulante, devendo ser apropriadas no mesmo do usufruto da

    mesma.

    Exemplos:

    Seguros;

     

    Aluguéis;

    Energia Elétrica;

    Assinatura de Revistas, jornais, boletins, etc.

    8.2.4

    Despesas Pré-operacinais

    São despesas já usufruídas, mas que somente proporcionaram receitas nos

    exercícios futuros.

    Exemplos:

    Gastos com a implantação de uma Fabrica.

    Gastos com a abertura de uma filial.

    8.3 Custos

     

    O custo é o preço pelo qual se obtém um bem, direito, ou serviço. Podem ser

    classificados em Direto ou Indireto, Fixo ou Variável.

    8.3.1

    Custos Diretos

    São os custos suscetíveis de serem identificados

    com os

    bens ou serviços

    resultantes,

    ou

    seja,

    têm

    parcelas

    definidas

    apropriadas

    a

    cada

    unidade

    ou

    lote

    produzido.

    Geralmente

    são

    representados

    pelas

    matérias

    primas.

    Exemplos:

    Papel utilizado para fabricação final de uma embalagem para o produto;

    Os pigmentos de tinta utilizados na impressão de um pote do produto.

    8.3.2

    Custos Indiretos

    São os outros custos que dependem da adoção de algum critério de rateio para

    sua atribuição à produção. Eles não participam fisicamente do produto, mas serão

    incorporados ao preço do produto no final do processo. No jargão da contabilidade

    brasileira eles são chamados de CIF, de Custos Indiretos de Fabricação.

     

    Exemplos:

    O transporte de matéria prima, manutenção de equipamentos de produção, etc.

     

    8.3.3

    Custo Fixos

    São os custos que, embora tenham um valor

    total que não

    se altera

    com a

    variação da quantidade de bens ou serviços produzidos, seu valor unitário se altera de

    forma inversamente proporcional à alteração da quantidade produzida.

     

    Exemplo:

    O pagamento de aluguel.

     

    8.3.4

    Custos Variáveis

    São os custos que, em bases unitárias possuem um valor que não se altera com

    alterações nas quantidades produzidas, porém, cujos valores totais variam em relação

    direta com a variação das quantidades produzidas.

     

    Exemplo:

    Matéria prima.

     

    Energia elétrica da produção.

    8.4 Quais as diferenças entre Despesa e Custo?

     

    Gasto, custo ou despesas. As três palavras são bastante utilizadas quando se fala

    em orçamento, com relação aquele dinheiro que não está mais em poder das famílias.

    No entanto, você sabe realmente a diferença entre estas duas palavras que podem até

    assustar?

     

    Muitos estudiosos consideram-nas com o mesmo significado: conjunto de

    dispêndios para adquirir algo. Enquanto outros consideram como um investimento. Para

    que você não faça confusão, veja como pode ser separado o significado de cada palavra,

    de acordo com o Centro de Ciências Sociais Aplicados, da Universidade Federal da

    Paraíba (UFPB).

     

    8.4.1

    Custo

    Ele pode ser considerado um gasto, quando não é utilizado para a produção de

    outros bens e serviços. O consumo de energia elétrica, quando a finalidade é apenas

    obter

    luz,

    é

    como

    um

    gasto.

    No entanto, a partir do momento que a família utiliza para esquentar a água do chuveiro

    ou a refeição

    em um forno de microondas, ele

    passa

    a

    ser

    um

    custo

    a mais

    para a

    utilização

    de

    outro

     

    bem.

    Para simplificar, os gastos feitos para utilização de outros serviços e produtos

    podem ser considerados custos. Para se ter uma idéia mais clara, pense numa empresa,

    em que é preciso comprar máquinas para produção de um sapato. As máquinas são um

    "custo de produção".

    8.4.2 Despesas

    Elas podem ter sido consideradas gastos, quando têm apenas a finalidade de

    suprir uma necessidade por um bem ou serviço. A partir do momento que os gastos se

    tornam freqüentes e diminuem o orçamento permanente, são consideradas despesas

    domésticas.

    Por isso, um gasto pode se transformar em despesa. Uma geladeira comprada foi

    uma aquisição de bem para a família, portanto um gasto, mas com o tempo, com a

    depreciação pode se tornar uma despesa fixa, como os impostos.

    8.5

    Exemplos de possíveis Receitas e Despesas.

    Segue alguns exemplos de receitas e despesas encontradas hoje no mercado

    econômico, mas elas são algumas de milhares maneiras de se registrar estas contas, pois

    depende muito da atividade fim da empresa e como é aplicada a metodologia adotada,

    por exemplo: contabilidade rural, contabilidade agrária, contabilidade bancaria, etc., tem

    muitas peculiaridades nas nomenclaturas dessas contas.

     

    RECEITAS

    DESPESAS

    de Vendas de Mercadorias

    de Alugueis

    de Vendas de Produtos Fabricados

    de Salários e Encargos

    de Prestação de Serviços

    de Juros

     

    de Comissões

    de Tributos (imposto, taxas e contribuições)

    de Contribuições de Associados

    de Comissões

     

    de Doações

    de Propaganda

    de Juros

    de Consumo de materiais de escritório

     

    de Alugueis

    de Manutenção e Limpeza

    de Mensalidades

    de Água, luz, telefone, correio.

    de Ganhos Diversos

    de Perdas diversas

    9. ATOS E FATOS CONTÁBEIS

     

    9.1

    Atos Administrativos Contábeis

    Na Contabilidade, Ato administrativo é aquele que não provoca alteração

    no Patrimônio e que, por isso, não precisa ser contabilizado. Contudo, alguns deles,

    considerados relevantes e cujos efeitos possam ser traduzidos em modificações futuras

    no Patrimônio da entidade, poderão ser contabilizados através de contas de compensação.

    Exemplos: admissão de empregados, assinatura de contratos de compra e venda e de

    seguros, fianças e avais etc.

    9.2 Fatos Contábeis

    É qualquer acontecimento que traz reflexos no patrimônio, alterando-o. No entanto,

    os fatos contábeis podem ou não trazer alterações no patrimônio líquido.

    Quanto a esse aspecto, os fatos contábeis serão classificados em Fatos Permutativos,

    Modificativos e Mistos.

    9.2.1

    Fatos Permutativos

    São os fatos que não provocam alterações no valor do PATRIMÔNIO LÍQUIDO

    apenas permutam os elementos patrimoniais ATIVOS e/ou PASSIVOS. Há somente

    alterações qualitativas no patrimônio.

    Exemplos:

     

    Compra de mercadorias, à vista (há a troca de bens por bens, isto é, mercadorias por

    moeda);

     

    Aumento do capital por incorporação de lucros (há somente a troca de patrimônio

    líquido por patrimônio líquido, isto é, reservas de lucros por capital).

     

    Venda de mercadorias ou qualquer bem pelo preço de custo (há somente a troca bens

    por bens, isto é, mercadorias por moeda)

     

    Pagamento de uma obrigação, sem acréscimo ou desconto (há somente a troca de

    bem por obrigação, isto é, desaparece uma obrigação e um bem de igual valor).

    Obs. Lembre-se do princípio da competência (pagamento de salários, aluguéis, juros etc. no

    mês seguinte ao da competência da despesa é obrigação, pois as despesas devem ter sido

    apropriadas ao resultado do mês da ocorrência do fato gerador).

    9.2.2

    Fatos Modificativos:

    São os que provocam alterações no valor do Patrimônio Líquido e envolvem apenas

    uma conta patrimonial que não seja do patrimônio líquido, podendo ser:

    Aumentativos: quando aumentam o valor do PL;

    Diminutivos: quando diminuem o valor do PL;

    São as alterações quantitativas do Patrimônio Líquido

    Exemplos:

    • 9.2.2.1 Aumentativos

    Recebimento de aluguel relativo à imóvel da entidade (há uma receita e movimentação

    positiva no caixa).

    Recebimento de juros (ocorre uma receita e aumento no caixa/bancos).

    Aumento de capital com recursos dos sócios ou acionistas (há o aumento de

    caixa/bancos/bens e aumento do Patrimônio Líquido).

    Recebimento de serviços (ocorre um aumento na conta caixa/bancos e ocorre uma receita).

    Conversão de uma obrigação em Capital Social (há uma diminuição de passivo sem o

    correspondente ativo, vale dizer, uma receita e o correspondente aumento do Patrimônio

    Líquido).

    • 9.2.2.2 Diminutivos

    Despesa com pagamento de salários (Ocorre a diminuição de caixa/bancos ou a assunção

    de um passivo e uma despesa).

    Apropriação de despesas (salários, aluguéis, juros, impostos etc.).

    Despesas financeiras pagas ao banco (veja-se que a despesa isolada paga ou assumida

    constitui fato modificativo, já o pagamento de uma obrigação com juros constitui fato misto

    como veremos a seguir).

    Distribuição de lucros aos sócios ou acionistas (ocorre a diminuição de caixa/bancos e do

    Patrimônio líquido).

    Retirada de um sócio da sociedade com bens da empresa (ocorre, igualmente a diminuição

    de ativo e do Patrimônio Líquido).

    É condição essencial que não haja permuta de elementos patrimoniais, pois, se houver o

    fato será ou permutativo ou misto.

    9.2.3 Fatos Mistos

    São os que combinam fatos permutativos com fatos modificativos, também podendo

    ser aumentativos ou diminutivos.

    Exemplos:

    Ocorrem quando há, pelos fatos contábeis, alterações qualitativas e quantitativas do

    patrimônio.

    • 9.2.3.1 Aumentativos

    Recebimento de uma duplicata com juros (também ocorre uma permuta entre

    caixa/bancos com duplicatas a receber, porém em valor maior o que representa aumento do

    Patrimônio Líquido, pois ocorre uma receita).

    Pagamento de duplicatas, com desconto (é o caso de haver receita, pela conceituação do

    Art. 9º dos princípios de contabilidade, e também uma permuta, isto é, há redução de um

    passivo e de ativo, porém este último em menor valor).

    • 9.2.3.2 Diminutivos

    Venda de mercadorias, com prejuízo (há a permuta de mercadorias e caixa, porém com

    diminuição do Patrimônio Líquido, pois houve uma despesa).

    Pagamento de uma duplicata com juros (é o caso de pagamento da duplicata, fato

    permutativo, com despesas de juros. Chama-se a atenção de que esse fato é misto, porém só o

    pagamento de juros é modificativo).

    Recebimento de duplicatas, com desconto (é o caso de diminuição de ativo, despesa, por

    meio de permuta).

    10. MECANISMO DE DEBITO E CREDITO

    Na contabilidade existem convenções que muitas vezes são antagônicas ao

    significado popular das palavras. Isso acontece com as palavras Debito e Credito, pois

    entendemos que debito é como contrair uma divida, e credito é algo que temos a receber

    ou um benefício adquirido, mas na linguagem técnica utilizada pela contabilidade isso

    não acontece.

    Como já vimos na definição do Patrimônio, no lado esquerdo ficam os bens e

    direitos da entidade e no lado direito ficam as obrigações, então quanto mais “bens”

    colocarmos no lado esquerdo, pela lógica mais ricos ficaremos, mas em contra partida

    quanto mais “obrigações” colocarmos no lado esquerdo mais endividados ficaremos.

    Esse método das partidas dobradas foi apresentado de forma didática pela

    primeira vez por Luca Pacioli, essa pratica é usada em praticamente no mundo todo.

    DEBITO

    PATRIMÔNIO

    Despesas financeiras pagas ao banco (veja-se que a despesa isolada paga ou assumida constitui fato modificativo,

    LADO

    LADO

    Despesas financeiras pagas ao banco (veja-se que a despesa isolada paga ou assumida constitui fato modificativo,

    CREDITO

    ESQUERDO

    10.1. Aplicação pratica

    DIREITO

    • a) Ativo: As contas do ativo têm natureza devedora, seu saldo quase que na sua totalidade será devedor.

    • b) Passivo / Patrimônio liquido: As contas do passivo têm natureza credora, seu saldo quase que na sua totalidade será credor

    • c) Receitas: Estas contas têm natureza credora.

    • d) Despesas: Estas contas têm natureza devedora.

    Assim funciona o debito e credito, a natureza da conta é que irá determinar o

    lado a ser utilizado para os aumentos e o lado para as diminuições.

    GRUPO

    NATUREZA

    CONSTITUIÇÃO

    LADO

    Ativo

    Devedora

    Debito

    Esquerdo

    Passivo

    Credora

    Credito

    Direito

    PATRIMÔNIO