Princípio do contraditório e da ampla defesa

O Princípio do Contraditório e da Ampla Defesa é assegurado pelo artigo 5º, inciso LV da Constituição Federal, mas pode ser definido também pela expressão audiatur et altera pars, que significa ³ouça-se também a outra parte´. É um corolário do princípio do devido processo legal, caracterizado pela possibilidade de resposta e a utilização de todos os meios de defesa em Direito admitidos.

Índice

Interesse público
Tal princípio não se trata de uma benesse do Estado aos seus governados, mas uma questão de ordem pública, sendo essencial a qualquer país que pretenda ser, minimamente, democrático.

Abrangências
No meio processual, especificamente na esfera do direito probatório, ele se manifesta na oportunidade que os litigantes têm de requerer a produção de provas e de participarem de sua realização, assim como também de se pronunciarem a respeito de seu resultado. Abrange qualquer tipo de processo ou procedimento, judicial, extrajudicial, administrativo, de vínculo laboral, associativo ou comercial, garantindo a qualquer parte que possa ser afetada por uma decisão de órgão superior (judiciário, patrão, chefe, diretor, presidente de associações, etc). Tal princípio não encontra, no entanto, aplicação no campo de procedimentos inquisitivos e investigatórios, como o inquérito policial, procedimentos judiciais e administrativos de cunho meramente investigatórios, sendo que o investigado pode ser até afastado de suas atividades através da suspensão do contrato de trabalho, em casos de inquérito administrativo no âmbito da CLT, ou, até mesmo, ser preso, nos casos de prisão preventiva do acusado que pode atrapalhar as investigações.

Contraditório
É inerente ao direito de defesa, é decorrente da bilateralidade do processo: quando uma das partes alega alguma coisa, há de ser ouvida também a outra, dando-lhe oportunidade de resposta. Ele supõe o conhecimento dos atos processuais pelo acusado e o seu direito de resposta ou de reação. O Princípio do Contraditório exige:
1

a) a notificação dos atos processuais à parte interessada; b) possibilidade de exame das provas constantes do processo; c) direito de assistir à inquirição de testemunhas; d) direito de apresentar defesa escrita.

Ampla defesa
Esta deve abranger a defesa técnica, ou seja, o defensor deve estar devidamente habilitado, e a defesa efetiva, ou seja, a garantia e a efetividade de participação da defesa em todos os momentos do processo. Em alguns casos, a ampla defesa autoriza até mesmo o ingresso de provas favoráveis à defesa, obtidas por meios ilícitos, desde que devidamente justificada por estado de necessidade.

Bibliografia
y y

BRASIL. Constituição (1988) Constituição da República Federativa do Brasil. Brasília: Senado, 1988. 168p. PORTANOVA, Rui. Princípios do Processo Civil. 4.ª edição. Editora Livraria do Advogado. Porto Alegre, 2001. P. 125.

Definições para "Princípio do contraditório"

Princípio do contraditório - 1) Modalidade indicadora de que ninguém pode ser condenado criminalmente sem que lhe seja assegurado o exercício do direito de defesa. O princípio floresceu e se consagrou no período humanitário, embora a Magna Carta haja registrado que ninguém poderá ser detido, preso ou despojado de seus bens, costumes e liberdades, senão em virtude de julgamento de seus pares, segundo as leis do país. 2) No Direito Administrativo a instrução do processo deve ser contraditória, ou seja, é essencial que ao interessado ou acusado seja dada a possibilidade de produzir suas próprias razões e provas e, mais que isso, que lhe seja dada a possibilidade de examinar e contestar argumentos, fundamentos e elementos probantes que lhe sejam favoráveis. O princípio do contraditório determina que a parte seja efetivamente ouvida e que seus argumentos sejam efetivamente considerados no julgamento.

@@@@@@@@@@@@@@@@@@@@@@@@@@@@@@@@@@@@@ http://www.jurisway.org.br/v2/dhall.asp?id_dh=866 acesso em 21/01/2012

O Princípio do Devido Processo Legal
O Princípio do Devido Processo Legal, só foi surgir expressamente no Brasil, na Constituição Federal de 1988, apesar de estar implícito nas Constituições anteriores. Ele está assim disposto no art. 5º, inciso LIV da nossa Carta Magna:
2

Art.5º ³ Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no país a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade, nos termos seguintes : LIV _ ninguém será privado da liberdade ou de seus bens sem o devido processo legal.´ O devido processo legal é garantia de liberdade, é um direito fundamental do homem consagrado na Declaração Universal dos Direitos Humanos: Art.8º ³Todo o homem tem direito a receber dos tribunais nacionais competentes remédio efetivo para os atos que violem os direitos fundamentais que lhe sejam reconhecidos pela constituição ou pela lei.´ E ainda na Convenção de São José da Costa Rica, o devido processo legal é assegurado no art. 8º: Art. 8o ± ³Garantias judiciais 1. Toda pessoa terá o direito de ser ouvida, com as devidas garantias e dentro de um prazo razoável, por um juiz ou Tribunal competente, independente e imparcial, estabelecido anteriormente por lei, na apuração de qualquer acusação penal formulada contra ela, ou na determinação de seus direitos e obrigações de caráter civil, trabalhista, fiscal ou de qualquer outra natureza. (...)´ O Princípio do devido processo legal é uma das garantias constitucionais mais festejadas, pois dele decorrem todos os outros princípios e garantias constitucionais. Ele é a base legal para aplicação de todos os demais princípios, independente do ramo do direito processual, inclusive no âmbito do direito material ou administrativo. Assim, o devido processo legal garante inúmeros outros postulados como os princípios do contraditório, da ampla defesa e da motivação (apesar de autônomos e independentes entre si), integrando-se totalmente os incisos LIV e LV, ambos do artigo 5º da Carta Magna de 1988. Tais princípios ajudam a garantir a tutela dos direitos e interesses individuais, coletivos e difusos. O contraditório é o direito que tem as partes de serem ouvidas nos autos, ou seja, é o exercício da dialética processual, marcado pela bilateralidade da manifestação dos litigantes. Já a ampla defesa possui fundamento legal no direito ao contraditório, segundo o qual ninguém pode ser condenado sem ser ouvido. Do que se conclui que os Princípios do contraditório e da ampla defesa (apesar de serem autônomos) são necessários para assegurar o devido processo legal, pois é inegável que o direito a defender-se amplamente implica
3

conseqüentemente na observância de providência que assegure legalmente essa garantia. O Princípio do devido processo legal garante a eficácia dos direitos garantidos ao cidadão pela nossa Constituição Federal, pois seriam insuficientes as demais garantias sem o direito a um processo regular, com regras para a prática dos atos processuais e administrativos. O devido processo legal possibilita o maior e mais amplo controle dos atos jurídico-estatais, nos quais se incluem os atos administrativos, gerando uma ampla eficácia do princípio do Estado Democrático de Direito, no qual o povo não só sujeita-se a imposição de decisões como participa ativamente delas. Para a manutenção do Estado Democrático de Direito e efetivação do princípio da igualdade, o Estado deve atuar sempre em prol do público, através de um processo justo e com segurança nos tramites legais do processo, proibindo decisões voluntaristas e arbitrárias. Oportuna a transcrição das palavras de Paulo Henrique dos Santos Lucon 1[1] : ³ a cláusula genérica do devido processo legal tutela os direitos e as garantias típicas ou atípicas que emergem da ordem jurídica, desde que fundadas nas colunas democráticas eleitas pela nação e com o fim último de oferecer oportunidades efetivas e equilibradas no processo. Aliás, essa salutar atipicidade vem também corroborada pelo art. 5o, § 2o, da Constituição Federal, que estabelece que ³os direitos e garantias expressos nesta Constituição não excluem outros decorrentes do regime e dos princípios por ela adotados, ou dos tratados internacionais em que a República Federativa do Brasil seja parte´. E continua: ´ por não estar sujeito a conceituações apriorísticas, o devido processo legal revela-se na sua aplicação casuística, de acordo com o método de ³inclusão´ e ³exclusão´ característico do case system norte-americano, cuja projeção já se vê na experiência jurisprudencial pátria.Significa verificar in concreto se determinado ato normativo ou decisão administrativa ou judicial está em consonância com o devido processo legal.´ É o que se verifica também no sistema jurídico brasileiro, os nossos tribunais entendem que a defesa das garantias constitucionais faz-se necessária para conceder ao cidadão a efetividade de seus direitos. É neste sentido que o devido processo legal passa a simbolizar a obediência as normas processuais estipuladas em lei, garantindo aos jurisdicionados-administrados um julgamento justo e igualitário com atos e decisões devidamente motivadas. Assim, o devido processo legal resguarda as partes de atos arbitrários das autoridades jurisdicionais e executivas.
1[1] Lucon, Paulo Henrique dos Santos, garantia do tratamento paritário das partes,in Garantias cconstitucionais do processo civil, São Paulo, Revista dos tribunais, 1999

4

1997. da CF Referências bibliográficas: 5 . É considerado o mais importante dos princípios constitucionais. 1995. Revista dos Tribunais. Sálvio de Figueiredo Teixeira. São Paulo. Curso de Direito Administrativo.. BERARDI. in Recursos no Superior Tribunal de Justiça.. Max Limonad. Malheiros. 1998. Luciana Andrea Accorsi . in Garantias constitucionais do processo civil. Malheiros. 2ª ed. Impetus..direitonet. de forma que o indivíduo receba instrumentos para atuar com paridade de condições com o Estado-persecutor. Belo Horizonte. 1998. @@@@@@@@@@@@@@@@@@@@@@@@@@ Princípio do devido processo legal É o princípio que assegura a todos o direito a um processo com todas as etapas previstas em lei e todas as garantias constitucionais. Revista da Faculdade de Direito da Universidade Federal de Minas Gerais. Curso de Direito Previdenciário. Saraiva. Paulo Henrique dos Santos. Direito Administrativo ± Repertório de Estudos Doutrinários e Jurisprudência.com. Acesso em http://www. Renovar. Se no processo não forem observadas as regras básicas. vol. coord. 1999. 4ª ed. BARACHO.. Revista dos Tribunais. São Paulo. Lúcia Valle. 1ª ed. Instituições de direito processual civil. ----------. Breves Reflexões sobre a Jurisdição Administrativa: uma perspectiva de Direito Comparado. 5º. no âmbito material e formal. Malheiros. 2000.. Fundamentação: y Art. 4ª ed. SILVA. _____________________________. Romeu Felipe. ³Superior Tribunal de Justiça e acesso à ordem jurídica justa´. PIETRO. A Reforma do Código de Processo Civil. pois dele derivam todos os demais. 13ª ed. Ele reflete em uma dupla proteção ao sujeito. Direito Administrativo. Processo e Constituição: o devido processo legal. Princípios Constitucionais do Processo Administrativo Disciplinar.. ----------. Princípios no Processo Administrativo Previdenciário. 9 ed.Referências Bibliográficas: BACELLAR FILHO. ele se tornará nulo. 2001. NDJ LTDA. Fábio Zambitte. Celso Antônio. Curso de Direito Administrativo. Atlas. no prelo. Patrícia Vianna Meirelles Freire e. ³Garantia do tratamento paritário das partes´. BANDEIRA DE MELLO. 2007. 1. _______________________. BASTOS. 2000. Dissertação apresentada p/ conclusão de Mestrado na PUC/SP. 1998. 8ª ed. LIV e LV. Maria Sylvia Zanella Di Pietro. José Alfredo.Devido Processo Legal: Do processo devido à garantia constitucional. FIGUEIREDO. 1991. São Paulo. 1998. Curso de Direito Administrativo. IBRAHIM.br/textos DINAMARCO. Celso Ribeiro. LUCON. SARAIVA. São Paulo. Cândido Rangel.

que até hoje se fazem reluzentes em praticamente todas as constituições liberais do mundo. se tornando assim uma espécie de superprincípio. @@@@@@@@@@@@@@@@@@@@@@@@@@@@@@@@@@@@@@@ http://www. a estes competem o dever de obedecer aos ritos. Sinopses Jurídicas.Do Devido Processo legal Linhas Gerais: Ao devido processo legal é atualmente atribuída a grande responsabilidade de ser um princípio fundamental. é importante ressaltar que este princípio é subdividido em devido processo legal em sentido formal. Pois.direitonet. 1 . e devido processo legal substantivo. Carlos Eduardo Ferraz de Mattos. ou seja.y BARROSO. 8ª ed. bem como seus demais aspectos que 6 . que serão abordados em linhas gerais nos tópicos a seguir. Com status de superprincípio ela tem a finalidade de reprimir os abusos do Estado.com. Desta forma.Por Fausto Luz Lima Trata-se de um artigo com objetivo de apontar alguns aspectos relevantes acerca do devido processo legal. podemos mencionar algumas garantias significativas do direito no sentido de trazer alguns conceitos estrangeiros como o due processo law e outros. 2008. sobre ele repousam todos os demais princípios constitucionais. na esteira do estudo do processo em geral. Teoria Geral do Processo e Processo de Conhecimento. Destarte. 2 .Do devido processo legal em sentido formal (procedural due process): Nas raias das garantias individuais quando mencionamos procedural due process tem como principal destinatário o juiz como representante do Estado.br/artigos/exibir/6111/O-Devido-Processo-Legal-dueprocess-of-law O Devido Processo Legal (due process of law) 21/dez/2010 . São Paulo: Editora Saraiva.

Por final. o juiz natural a ampla defesa o contraditório. ou suprimindo quaisquer garantias das partes. o eivá-lo de nulidade. portanto. a igualdade entre as partes e a exigência de imparcialidade do magistrado. outros princípios que tomam forma tendo como sustento legal. oferecer aos seus jurisdicionados. 7 . materialmente informado pelos princípios da justiça. com base nos quais os juizes podem e devem analisar os requisitos intrínsecos da lei.1 Não podemos afastar também.J Gomes Canotilho: A teoria substantiva está ligada à idéia de um processo legal justo e adequado. nos informa algo relevante sobre o tema em enfoque nos termos que se segue: O principio do devido processo legal. que lastreia todo o leque de garantias constitucionais voltadas para afetividade dos processos jurisdicionais e administrativos. sem inovações. Em outras palavras é a regularidade formal em todo o procedimento já pré-estabelecido pela Lei em todos os seus termos. cumpre destacar que no Supremo Tribunal Federal o guardião da Constituição Federal. e não pode afastá-la em caso concreto. como o acesso a justiça. Como nos ensina J.Do devido processo legal substantivo (substantive due process): O devido processo legal substantivo vai além do que de uma simples decisão formal promovida pelo juiz de direito diante de um caso concreto. Como decorrência deste princípio surgem o postulado da proporcionalidade e algumas garantias constitucionais processuais. Uma vez que detém a jurisdição. podemos dizer que é a garantia que a parte tem em saber o que vai acontecer dentro do processo. que constituindo-se em um limite à sua atuação.circundam o processo sem. a justiça de uma forma ampla e irrestrita. em primeiro momento ao legislador. razoabilidade e racionalidade. 3 . que deverá pautar-se pelos critérios de justiça. Com este principio norteando as relações nos processos em geral alcançamos o que o dever do Estado tem como missão. através de decisão proferida pelo Ministro Gilmar Mendes. doutrinário e jurisprudencial. conforme nos aponta Marcelo Novelino: O devido processo legal substantivo se dirige.2 Neste sentido. ou seja. que possam comprometer seu direito. que vem com este princípio.

no sentido de garantir a participação equânime. ou seja. ora juntando documentos. seja no processo judicial. a necessidade de que processo seja dialético. justificada por estado de necessidade. e. não permitindo.5 Quanto à ampla defesa.4 4 . esta deve abranger a defesa técnica. insertas em nossa Constituição Federal de 1988.3 De igual forma. Ademais. deixo expresso que a constituição de 1988 consagra o devido processo legal nos seus dois aspectos.Da Ampla Defesa: A ampla defesa sem dúvida alguma é um dos temas mais apaixonantes dentro da ceara do direito. O conteúdo da defesa é a prevalência do principio da igualdade para que ela possa repelir o argumentos de acusação. visto que além de estar inserido no contexto da garantia do devido processo legal. o defensor deve estar devidamente habilitado nos quadros da Ordem dos Advogados do Brasil. a ampla defesa autoriza até o ingresso de provas favoráveis à defesa. ofertando quesitos etc. enfim. ou seja. sempre imbuída pela boafé e pela ética dos sujeitos processuais. justa. Neste sentido. além disso. nos incisos LIV e LV. do art. 5º. a igualdade de armas no processo). que a parte tenha no processo sua defesa restringida de forma a não ter sua defesa abrangida por todos os aspectos que envolvem as garantias fundamentais do ser humano. obtidas por meios ilícitos.assegura que todo julgamento seja realizado com observância das regras procedimentais previamente estabelecidas. em alguns casos. substantivo e processual. a garantia e a efetividade de participação da defesa em todos os momentos do processo e. ou seja. do Ministro Carlos Velloso trouxe o seguinte entendimento acerca do devido processo legal: Abrindo o debate. nos ratifica acerca da necessidade do debate dentro direito.. seja no processo administrativo disciplinar (a par conditio. ou seja. 8 . leal. ora indicando testemunhas. respectivamente. representa uma exigência de fair trial. o guardião da Constituição Federal. cumpre trazer a baila sobre a ampla defesa às palavras de Nestor Sampaio Penteado Filho: Por isso a defesa assume o papel multifacetário no processo. a defesa efetiva. em outra decisão memorável.

Desta forma. Sobre este assunto nos ensina Vicente Greco Filho sintetizando o princípio de maneira bem prática e simples: O contraditório se efetiva assegurando-se os seguintes elementos: a) o conhecimento da demanda por meio de ato formal de citação. contudo podemos constatar de forma prática sua aplicabilidade no direito processual. encerro este tópico com uma frase de Dr. principalmente no que trata os que são demandados que possuem neste instrumento. Martin Luther King Jr.Do Contraditório: Dentro da sistemática constitucional. em face das alegações de seus antagonistas. b) a oportunidade. para ambas as partes. com os meios e recursos a ela inerentes. ela deve ser exigida pelo oprimido. que nos ensina: Liberdade nunca é dada voluntariamente pelo opressor. c) a oportunidade de produzir prova e se manifestar sobre a prova produzida pelo adversário. Nesta esteira nos aponta a Constituição Federal do Brasil em seu artigo 5º inciso LV in verbis: LV . o que se percebe é que é muito abrangente o conceito de ampla defesa.aos litigantes. O contraditório. e aos acusados em geral são assegurados o contraditório e ampla defesa. diversos escritos referentes ao tema do contraditório no âmbito da ciência do direito. em processo judicial ou administrativo.6 5 . de se contrariar o pedido inicial. 9 . e numa visão mais ampla do direito nos sentido de que os processos possuem uma série de garantias. e esta sendo uma das mais importantes que o presente trabalho visa apenas. conceder um adendo já que há no contexto jurídico. uma forma ampla de se defender. encontra guarida dentro do Estado Democrático de Direito de uma forma muito abrangente já que visa estabelecer de forma clara as regras. Por final. em prazo razoável.

quanto no aspecto material. ensejando assim de forma clara e transparente cerceamento de defesa. especificamente o processual quando incorpora tais princípios. parece-nos. este seria o caso em que (no poder injusto) a legitimidade seria usurpada e. clássicos que temos é o fato do magistrado em uma audiência não deixar a parte produzir provas sem justificativa. Sem embargo. O contraditório é. injustamente. se reveste de uma série de princípios que são de suma importância para uma relação processual coerente. de uma suposta legalidade. e) a oportunidade de recorrer da decisão desfavorável. Isto porque. presente e atuante: a justiça que provém da verdade real. fazendo consignar as observações que desejar. repudiado pelo direito. só nos restaria um poder injusto. sem direito ao acesso a qualquer fato. muitas vezes. portanto. possam ter 10 . uma ação o direito de contestar de maneira geral sobre qualquer fato ou ato alegado pela parte contrária. pois. de modo contrário. Desse modo. como instrumento para se materializar o direito no caso concreto. que é processado sem ao menos saber do que se trata a acusação. fazem com que as regras em que as partes litigam em uma determinada demanda. uma máxima do direito não se permitindo mais processos inquisitórios. de uma garantia que concede a parte que litiga ou que tem sobre seu bem da vida. Com isso. que se resume da seguinte forma: Dessa forma. 6 . constatamos que o contraditório também encontra-se inserido na garantia do devido processo legal ao passo que não podemos alcançar um processo justo sem que a parte tenha o seu sagrado direito de defesa respeitado tanto em seu aspecto formal. conquistando o conquistador (ou usurpador). Num dos exemplos. em nome. também podemos constatar que é a luta da justiça contra o poder. sobre o que lhe imputavam. a justiça torna-se forte. já que suas decisões devem ser fundamentadas.O Devido Processo Legal e Duplo Grau de Jurisdição: O processo. portanto. a justiça deve conquistar o poder ± e jamais o contrário.7 Trata-se.d) a oportunidade de estar presente a todos os atos processuais orais.8 Em conclusão. O direito. ou kafkanianos em alusão ao livro de Franz Kafka que conta à história do personagem é Joseph K.

fossem revestidos sem dúvida alguma de maior transparência e gerência quanto ao modo de se chegar ao seu fim. seja pela parte. no sentido de que as partes pudessem ter segurança. 5º (omissis) LIV . o direito através da Lei Maior trouxe de forma indelével ao nosso ordenamento jurídico. o legislador constituinte originário de 1988. Sendo assim. que na maioria das vezes criam procedimentos. não mais como uma versão utópica. que frontalmente prejudicam o direito. um novo norte de forma nos a conceder a garantia efetiva do devido processo legal. O juiz não pode ser um mero profissional do Direito. riquezas e cultura. e os processos que tramitam na Justiça. com simples conjecturas ou ilações. 11 . os protagonistas de uma demanda não são mais surpreendidos por atos praticados.9 Com este entendimento. mas um poder transcendental que não tem similar.10 Em vista disso. que dispõe in verbis: Art. não mais interessa apenas justificar esses princípios e garantias no campo doutrinário. E de nada serve aos cidadãos terem poderes. se não têm uma boa justiça. Com isso. seja pelo Estado através do magistrado. que é a de distribuir justiça entre os mortais. pois sua missão tem algo de divino. O importante hoje é a realização dos direitos fundamentais e não o reconhecimento desses ou de outros direitos. manifestamente ilegais. e nos apresentou as primeiras linhas do devido processo legal. Algo interessante sobre os princípios é colocado Paulo Henrique dos Santos Lucon: A questão que se coloca hoje é saber como os princípios e as garantias constitucionais do processo civil podem garantir uma efetiva tutela jurisdicional aos direitos substanciais deduzidos diariamente. ficou consignado em nossa Constituição Federal em seu artigo 5º inciso LIV.amplitude acerca do processo e seu seguimento até a tutela jurisdicional. ou até mesmo no âmbito administrativo. incorporou na Carta Política. mais sim como sendo algo de extrema relevância. no capítulo dos direitos e garantias fundamentais.ninguém será privado da liberdade ou de seus bens sem o devido processo legal. as partes estão em plena igualdade diante do conflito de interesses. Posto isto. Com idéia supramencionada faz-se pertinente os escritos de Francisco Fernandes de Araújo: Exercer a Justiça não é só exercer um poder. Ou seja.

é mais importante que o direito. particularmente. Colorário a este principio assegura-se aos litigantes. em sua acepção mais própria: o direito de µtoda pessoa acusada de delito¶. acerca da importância do devido processo legal. na qual. sobre quaisquer convenções internacionais. à citação. inalienável. incluídas as de proteção aos 12 . oriunda de uma idéia norte americana que é o due process of law. que a garantia por ser emanado da Lei Maior. Prevalência da Constituição. A situação não se alterou.A partir de então. o art. 2. com meios de recursos inerentes. de produção ampla de provas. já a garantia é irrenunciável. em processo judicial e administrativo. já na área cível. à moda clássica. no Direito brasileiro. o duplo grau de jurisdição. efetivamente. à publicidade do processo. Com esse sentido próprio ² sem concessões que o desnaturem ² não é possível. 8º. com a incorporação ao Direito brasileiro da Convenção Americana de Direitos Humanos (Pacto de São José). à luz da Constituição e da Convenção Americana de Direitos Humanos. sob as sucessivas Constituições da República. à revisão criminal). à decisão imutável. atuando tanto no âmbito material de proteção ao direito de liberdade. consagrou. tantas são as previsões. do julgamento de única instância ordinária. aos recursos.12 Outrossim. quanto no âmbito formal. entre outros aspectos como nos aponta Alexandre de Morais: O devido processo legal configura dupla proteção ao indivíduo. como garantia. Para corresponder à eficácia instrumental que lhe costuma ser atribuída. na área penal. µde recorrer da sentença para juiz ou tribunal superior¶. o duplo grau de jurisdição há de ser concebido. de ser processado e julgado pelo juiz competente. ao menos na esfera processual penal. como nos aponta a doutrina: Ninguém será privado da liberdade ou de seus bens sem o devido processo legal. e do duplo grau de jurisdição nos aponta a jurisprudência do Supremo Tribunal Federal13: Duplo grau de jurisdição no Direito brasileiro. com seus dois caracteres específicos: a possibilidade de um reexame integral da sentença de primeiro grau e que esse reexame seja confiado à órgão diverso do que a proferiu e de hierarquia superior na ordem judiciária. já. na própria Lei Fundamental. durante o processo. uma vez que o primeiro precisa ser exercido pela parte.11 Cumpre ressaltar. h. erigir o duplo grau em princípio e garantia constitucional. imprescritível. de forma clara o processo passou a ser tratado sempre a luz desta garantia. ao assegurar-lhe paridade total de condições com o Estado ± persecutor e plenitude de defesa (direito à defesa técnica. e aos acusados em geral o contraditório e ampla defesa.

93. o direito ao processo tout court ± assegurado pelo princípio da inafastabilidade do controle jurisdicional que a Constituição impõe mediante a chamada garantia da ação. em primeiro lugar. pela observância dos princípios e garantias estabelecidas. III. 102. e só a emenda constitucional poderia ampliar. LIII). Compreende algumas categorias fundamentais como a garantia do juiz natural (CF.direitos humanos. de duas uma: ou também previu recurso ordinário de sua decisão (CF. 121.14 Com esta mesma idéia. também as competências recursais dos outros Tribunais Superiores ² o STJ e o TSE ² estão enumeradas taxativamente na Constituição. IV e V) ou. II.. art. IX). art. arts. a e b. garantia de acesso a Justiça (CF. a. segue-se a incompatibilidade com a Constituição da aplicação no caso da norma internacional de outorga da garantia invocada. porém não se exaure na observância das formas da lei para tramitação das causas em juiz. inc. a Constituição não admite que o institua o direito infraconstitucional. b) de resultados. é indispensável que o processo se haja feito com aquelas garantias mínimas: a) de meios. 5º. o recurso ordinário contra decisões de Tribunal. 5º. (.. Faz-se necessário modernamente uma assimilação da idéia de devido processo legal a de processo justo. não o tendo estabelecido. 105. À falta de órgãos jurisdicionais ad qua. no sistema constitucional.) Competência originária dos Tribunais e duplo grau de jurisdição. XXXV). também vem afirmando o autor Cândido Rangel Dinamarco: direito ao processo justo é. a pretendida aplicação da norma do Pacto de São José: motivação. 5º. inc. e do juiz competente (CF. inc. § 4º. assim como as do Supremo Tribunal. no caso. que ela mesma não criou. é que o proibiu. como nos aponta a doutrina pátria de Humberto Theodoro Junior: A garantia do devido processo legal. da ampla defesa e do contraditório e a da fundamentação de todas as decisões judiciais (art. Sem ingresso em juízo não se tem a efetividade de um processo qualquer e muito menos de um processo justo. Garantido o ingresso em juízo e até mesmo a obtenção de um provimento final de mérito. II. XXXVII). afora os casos da Justiça do Trabalho ² que não estão em causa ² e da Justiça Militar ² na qual o STM não se superpõe a outros Tribunais ². 13 . inc. indispensáveis a viabilizar a aplicação do princípio do duplo grau de jurisdição aos processos de competência originária dos Tribunais. com relação a todos os demais Tribunais e Juízos do País. art. Toda vez que a Constituição prescreveu para determinada causa a competência originária de um Tribunal. Em tais hipóteses. Ocorre que além desta garantia que de legal podemos ver que ela abrange uma série de outros pontos. seja lei ordinária seja convenção internacional: é que. que impede.

mediante a oferta de julgamentos justos. STF ± AI nº. 529. Gomes. portadores de tutela jurisdicional a quem efetivamente tenha razão. São Paulo. Acesso em: 17 jul. n. J.785. Instituições de direito processual. 26 abr. 1. sendo adequadamente empregados. é grande o risco de erro quando os meios adequados não são cumpridos. 3º edição revista e ampliada ± Porto Alegre: Livraria do Advogado. GUIMARÃES. nem se admite que se aventure a decidir a causa segundo seus próprios critérios de justiça. Teresina. Brasil. notamos que no Estado Democrático em que vivemos há uma grande necessidade de manutenção de tal garantia. constituem o melhor caminho para chegar a bons resultados. Disponível em: <http://jus2.733. BRASIL. voto do Min.com. A Ética do Juiz.2006). 2004. Dinamarco. Bibliografia ARAÚJO. Sepúlveda Pertence. 14 . Heloisa Helena Siqueira. MARTINEZ. ano 2003. E. como afinal o que importa são os resultados justos do processo (processo civil de resultados).15 Em conclusão.. editora Malheiros. amorfa e enigmática. Vinício C. Rel. Eis o conceito e conteúdo substancial da cláusula due process of law. Gilmar Mendes (DJ 01.br/doutrina/texto. 4º edição editora Coimbra Almedina. que mais se colhe pelos sentimentos e intuição do que pelos métodos puramente racionais da inteligência.06. julgamento em 29-03-00. BRASIL. Min. não só a justiça. 2000. CORREIA. 293. ao passo que sua violação traria prejuízos irreversíveis. voto do Ministro Carlos Velloso (DJ 06. Direito Constitucional e teoria da Constituição. Ano 2000. ou seja. Candido Rangel. Segundo a experiência multissecular expressa nas garantias constitucionais. Marco Antonio Miranda.12. CANOTILHO. DJ de 22-11-02).2003). do Promotor e do Juiz e do Advogado no Processo e na Sociedade. O processo de Kafka: memória e fantasmagorias do Estado de Direito. Jus Navigandi. mais a toda sociedade. Francisco Fernandes de. com a colaboração de Paulo César Martini Minuzzi. STF.uol. Dominique Paul. sem ter empregado os meios ditados pela Constituição e pela lei. editora Copola Livros.511. Os meios. (RHC 79. 2008.asp?id=5130>. ano 8. STF ± ADI (MC) nº.J. não basta que o juiz empregue meios adequados se ele vier a decidir mal. Joel Ettori Lívia Ibañez. ano 2000.

ano 1996. Dominique Paul.ª Edição atualizada. voto do Min. Marco Antonio Miranda. LUCON. Paulo Henrique dos Santos. ano 2008. pág. 5 PENTEADO FILHO.511. Editora Saraiva. Volume I. Vicente. 90. pág. editora: Método. 1. Direito Processual Civil Brasileiro.mundojuridico.br. pág. 11. 10. São Paulo.º Volume.12. Direito Constitucional. Direito Constitucional. São Paulo editora: Método. São Paulo. São Paulo editora: Método. 15 . Alexandre de. 6 Extraído: GUIMARÃES. ano 2008.º Volume. ano 2000. 2. Vicente. 4º edição editora Coimbra Almedina. Doutrina e Legislação.GRECO FILHO.. Rio de Janeiro: Forense. LENZA.2006). Marcelo. 36ª ed. pág. 2. Doutrina e Legislação. 11. Direitos Humanos. Humberto. 80. ano 2008. PENTEADO FILHO. THEODORO JÚNIOR.06. 3º edição revista e ampliada ± Porto Alegre: Livraria do Advogado. Pedro. Direito Constitucional. voto do Ministro Carlos Velloso (DJ 06. Atualizada e ampliada ± São Paulo: Editora Método. 2 NOVELINO. ano 1996. Direito Constitucional esquematizado 9º edição ver. 332. 4 STF ± ADI (MC) nº. Joel Ettori Lívia Ibañez. ed. MORAES. out/2005.2003). 529. editora: Método.ª Edição atualizada. Gomes. 2001. Nestor Sampaio. Direito Constitucional e teoria da Constituição. Devido Processo Legal Substancial. Acesso em 21 de junho de 2008. NOVELINO.adv. ano 2008. 3 STF ± AI nº. 2001. São Paulo. Gilmar Mendes (DJ 01. São Paulo: Atlas. Curso de Direito Processual Civil. pág. Editora Saraiva.733.J. 2000. São Paulo. Notas 1 CANOTILHO. Direitos Humanos. Nestor Sampaio. 482. 7 GRECO FILHO. Marcelo. 135. J. com a colaboração de Paulo César Martini Minuzzi. Disponível na Internet: <http://www. Direito Processual Civil Brasileiro.

Sepúlveda Pertence. 293. 10. A Ética do Juiz. ano 8. out/2005. pág. Rel. Instituições de direito processual. Disponível em: <http://jus2. São Paulo: Atlas. O processo de Kafka: memória e fantasmagorias do Estado de Direito. Atualizada e ampliada ± São Paulo: Editora Método. 10 ARAÚJO. Por Alexandre Guilherme Fabiano 16 . 121.. Jus Navigandi. Teresina. Disponível na Internet: <http://www. do Promotor e do Juiz e do Advogado no Processo e na Sociedade. 13 (RHC 79. pág.com. pág. Heloisa Helena Siqueira. 2008.com..br. Min. jurisdição e devido processo legal 22/abr/2010 Visão sobre a definição do Estado Democrático e jurisdição e devido processo legal à luz da CF. ed. 11 LENZA. n. 555.adv. 2001. 22.asp?id=5130>. editora Copola Livros. 94.br/doutrina/texto. 2004. 15 . 12 MORAES.br/artigos/exibir/5691/Estado-democratico-de-Direitojurisdicao-e-devido-processo-legal Estado democrático de Direito. 36ª ed. Curso de Direito Processual Civil. Volume I. 23.785.mundojuridico. Devido Processo Legal Substancial. pág. Rio de Janeiro: Forense.uol. Acesso em: 17 jul. Alexandre de.8 CORREIA. n. 9 LUCON. Paulo Henrique dos Santos. 26 abr. Pedro. Direito Constitucional.direitonet. 2001. MARTINEZ. @@@@@@@@@@@@@@@@@@@@@@@@@@@@@@@@@@@@@ http://www. Humberto. Direito Constitucional esquematizado 9º edição ver.Dinamarco. julgamento em 29-03-00. Francisco Fernandes de. DJ de 22-11-02) 14 THEODORO JÚNIOR. ano 2003. Acesso em 21 de junho de 2008. Vinício C.

Sua soberania provém do poder. que o exerce por meio de representantes eleitos oi diretamente. Correto afirmar que o Estado é submetido às regras do Direito. Do artigo 1º da Lei Maior. e) O Estado tem o dever de atuar positivamente para gerar desenvolvimento e justiça social. nos termos do previsto da Constituição Federal. Mas o que se culmina. conceitos e discussões que poderia se alastrar tranquilamente por quarenta páginas. podem opô-los ao próprio Estado. e nem poderá atuar contras as normas já existentes. sendo titulares de direitos. b) O agente político é exercido. Características fundamentais do Estado de direito: O Estado não poderá impor suas vontades que não forem previstas em Lei. A maioria da doutrina brasileira é certa em afirmar que a Constituição do Brasil institui o Estado Democrático Social de Direito. constitui-se em Estado Democrático de Direito. em parte diretamente pelo povo. Vidal Serrano nos lembra: Compartilhando desse ponto de vista. no presente artigo é o tecer breves comentários sobre Estado Democrático e de Direito. as garantias e direitos dos cidadãos. que controlam uns aos outros. c) A lei produzida pelo Legislativo é necessariamente observada pelos demais Poderes. dos governados. a lição de Carlos Ari Sundfeld que agrega a identificação dos elementos conceituais do Estado Democrático Social de Direito: a) Criado e regulado por uma Constituição. e por ventura. Nesse sentido. em parte por órgãos estatais independentes e harmônicos. inclusive políticos e sociais.[1] 17 . suas limitações e funções. Nele ira dispor a forma de atuação do Estado. d) Os cidadãos. podem-se extrair vários princípios. Mas o que vem a ser Estado de Direito ? O Estado de direito é aquele em que o Poder exercido é limitado pela Ordem Jurídica Constitucional.O artigo 1º de nossa Constituição da República de 1988 positiva que a República Federativa do Brasil. que emana do povo.

[2] (. Os órgãos do Estado.. em especial o princípio da Separação dos Poderes. na qual estão sintetizados os elementos componentes do Estado. então. O Estado Democrático agregaria o princípio da soberania popular. ou típicas e atípicas. o conjunto de órgãos mediante os quais a vontade do Estado é formulada. ou o conjunto de órgãos supremos a quem incumbe o exercício das funções do Poder Político. inclusive com o objetivo de assegurar o respeito aos valores fundamentais da pessoa humana. Importante fazer uma ressalva importante: O Poder Político Estatal é uno. portanto. expressada e realizada. que o poder político. Assim é que se acentua o caráter de ordem jurídica. ou seja.. Este se manifesta mediante suas funções. a executiva e a jurisdicional. trecho do clássico livro Elementos de Teoria Geral do Estado: (. que são exercidas e cumpridas pelos órgãos do governo. ganham evidência as idéias da personalidade jurídica do Estado e da existência. o Estado deve procurar ao máximo de juridicidade. denominado ³Governo´ ou ³órgãos governamentais´.[4] Sem desmerecer os demais ³Poderes´.) Como se tem procurado evidenciar. é atribuição típica do Poder Judiciário jurisdicionar. 18 . Esse é o entendimento de José Afonso da Silva. no que se refere a limitação do Poder Estatal pelo Professor Dallari. tudo isso procurando reduzir a margem de arbítrio e discricionariedade e assegurar a existência de limites jurídicos à ação do Estado.. que fundamentalmente são três: a legislativa. com efetiva participação do povo na gestão da coisa pública. indivisível e indelegável.. fato que permite falar em distinções das funções. ora em legislar.Mas a idéia de Estado de direito é bem estruturada inicialmente. dizer o direito em um determinado território. em especial os constitucionais. importante delinear conceitos e características do Poder Judiciário. executar e jurisdicionar. na previsão da separação de poderes e na consagração de direitos e garantias individuais. de um poder jurídico. e não menos precisa. uno. Alem disso. ao instituir que ³são poderes da União. independentes e harmônicos entre si. indivisível e indelegável. Vale dizer. com suas atribuições primárias e secundárias. são os a quem incumbe o exercício do Poder Político. O governo é. se desdobra e se compõe em várias funções. Note abaixo. o Legislativo.) A idéia de Estado de Direito implicaria na submissão de todos ao império da Lei. o Executivo e o Judiciário´.[3] Do artigo 2º da Lei Maior versa sobre a questão do Poder. De maneira genérica. nele. O que é dividido é o seu exercício.

5º. LIV da CF/88. função e atividade. estampado no art. Este é o princípio culminante de todo ordenamento jurídico processual brasileiro. Como função. convém destacar a divisão que a professora Ada Pellegrini Grinover faz sobre o tema. Jurisdição não é só reconhecer. motivo pelo qual há certa concordância no que tange aos seus conceitos e características. poder. conceituado como capacidade de decidir imperativamente e impor decisões. a função e a atividade somente transparecem legitimamente através do processo devidamente estruturado (devido processo legal)´. as medidas voltadas concretamente à tutela (à proteção) do direito tal qual reconhecido pelo Estado-juiz´. sob o prisma constitucional. Trata-se de princípio base. É a norma mãe. não se restringe. expressa o encargo que têm os órgãos estatais de promover a pacificação de conflitos interindividuais. em afirmar que ³a jurisdição. E como atividade ela é o complexo de atos do juiz no processo. exercendo o poder e cumprindo a função que a lei lhe comete. apenas. O poder. mediante a realização do direito justo e através do processo. 19 . no mesmo tempo. a propósito. através de magistrados legal e legitimamente investidos no cargo. no sentido de declarar quem tem e quem não tem um direito digno de tutela (proteção) perante o Estado. e que ela é atividade que o Estado exerce para a solução lide ± conflito de interesses caracterizado pela pretensão de um dos interessados e pela resistência do outro (pretensão resistida). Note: ³Que ela é uma função do Estado e mesmo monopólio Estatal.que é inerte pelo direito de ação. de dizer o direito em um determinado território. Entretanto se olvidam em afirmar que eles decorrem do princípio constitucional do Devido Processo Legal. é manifestação do poder estatal.[5] Existem várias correntes sobre a definição de jurisdição.A Jurisdição. a doutrina jurídica internacional os reconhece. ao contrário do que a etimologia da palavra poderia dar entender. ou seja. Mas antes de passar aos princípios aplicáveis à Jurisdição. resta agora. é o Poder-dever do Estado-Juiz. pelo menos à luz do modelo constitucional do processo civil brasileiro. já foi dito.[6] Os princípios inerentes à Jurisdição são universais. dizer que a jurisdição é. sobre a qual todos os outros se sustentam. O Princípio do Devido Processo Legal trata-se do postulado fundamental do processo. à declaração jurisdicional do direito. A jurisdição envolve também. Cássio Scarpinella Bueno complementa o conceito apresentado acima. mas o importante é estabelecer que o Estado detém o monopólio estatal e que a jurisdição se manifesta . diferentemente da compreensão que lhe emprestou a doutrina tradicional do direito processual civil. Como poder.

Os demais principais princípios são. judicial. basicamente. juiz natural e inércia.Origina-se da expressão inglesa due process of Law. normas estas cujo processo de produção também deve respeitar aquele princípio. O termo consagrado foi utilizado em lei inglesa de 1254. indelegabilidade. a doutrina predominante os classifica da seguinte maneira: investidura. Processo é palavra gênero que engloba: legislativo. com todos os meios de recursos a ela inerentes. na sua plenitude. Inclusive na formação das Leis.[7][8] Sobre a supremacia do referido princípio. Desdobram-se estas nas garantias: a) de acesso à justiça.[9] É correto afirmar que o devido processo legal é considerado um supra princípio processual. e f) da tutela jurisdicional dentro de um lapso temporal razoável. convém destacar uma analise do mesmo autor: O devido processo legal em sentido formal é. Retomando ao assunto dos princípios inerentes à jurisdição. c) de tratamento paritário dos sujeitos parciais do processo. A primeira previsão do princípio ocorreu com a Magna Carta de João Sem Terra. inafastabilidade. O processo. administrativo e negocial. aplica-se o princípio genericamente a tudo que disser à vida. ao patrimônio e à liberdade. de 1215. decorrente daquele. d) da plenitude de defesa. De todos. a não ser que no procedimento em que se este se materializa se constatem todas as formalidades e exigências em lei previstas. Este princípio é a máxima aplicação dos direitos fundamentais. 20 . é o direito constitucional aplicado. Como bem afirma Cruz e Tucci: Em síntese. nas palavras de Ada Pellegrini Grinover. o direito e ser processado e a processar de acordo com as normas previamente estabelecidas para tanto. que na verdade são os mais importantes e que merecem maior enfoque ao presente estudo. inevitabilidade. e) da publicidade dos atos processuais e da motivação das decisões jurisdicionais. Nas palavras do processualista Fredie Didier Junior. b) do juiz natural ou preconstituído. aderência ao território. a garantia constitucional de devido processo legal deve ser uma realidade durante as múltiplas etapas do processo judicial. na verdade. de sorte que ninguém seja privado dos seus direitos. merece destaque especial dois: inafastabilidade da jurisdição e do juiz natural.

ou seja. um agente do Estado (age em nome deste). Essa é consubstanciada pelo direito de ação. 5º. sem esquecer-se da sua importância na legislação processual. O juiz. inciso XXXV da CF ao prescrever que ³a Lei não excluirá da apreciação do Poder Judiciário lesão ou ameaça 21 . o que não ocorre. caput. contenciosa e voluntária. No âmbito do Poder Judiciário não pode juiz algum. A inafastabilidade da jurisdição está prevista no art. no litígio. Relaciona-se com o da investidura. exercendo a função jurisdicional. · Princípio da indelegabilidade. [10] · Princípio da inevitabilidade. expresso no art. encontram-se em situação de sujeição à jurisdição. por ser uma garantia fundamental do cidadão. O principio do juiz natural e o da inafastabilidade da jurisdição convém dissertar ao mesmo tempo. Importante ressaltar que o direito de ação é materialmente exercido pelo direito de demandar. respeitando-se as regras condicionais do CPC. Conforme já descrito no conceito de jurisdição. O que se condiciona é a demanda. Essa definição está expressa no art. Este princípio remete-se ao da segurança jurídica. A atividade jurisdicional em regra somente é exercida pela iniciativa da parte. 5º.Os demais façamos breves comentários. Os órgãos jurisdicionais se revelam um poder que emana do próprio poder estatal soberano. não o faz em nome próprio e muito menos por um direito próprio: ele é. O magistrado somente deve exercer sua atividade jurisdicional nos limites territoriais de seu Estado. · Princípio da investidura. Significa que as partes. da CF. Este é incondicionado. essas impropriamente denominadas em ³condições da ação´. pois estão inevitavelmente ligados entre si. é exercida pelos juízes. que detém investidura não pode transferir a outrem suas competências e atribuições. em todo o território nacional. de demandar em juízo em face de um juiz competente. aí. · Princípio da aderência ao território. legal e legítima. Evidentemente deve-se levar em conta a matéria envolvida na lide. segundo seu próprio critério e talvez atendendo à sua própria conveniência. 1º do CPC ao estabelecer que ³a jurisdição civil. Somente a CF poderia condicionar um direito fundamental. ora cidadãos. É que cada magistrado. · Princípio da inércia. conforme as disposições que este código estabelece´. de forma válida. delegar funções a outro órgão. instrumento processual para exercer o direito de ação. a atividade jurisdicional é exercida por magistrados investidos no cargo.

não se contentando com a noção escassa de concretização do direito de ação e do juiz natural. Não obstante. a exigência do prévio exaurimento da via administrativa afronta a garantia de tutela jurisdicional. ³não basta a simples garantia formal do dever do Estado de prestar a Justiça. segundo a qual ³o ingresso em juízo poderá ser condicionado a que se exauram previamente as vias administrativas. que possa ser apreciada pelo Poder Judiciário. Trata-se. o direito de ação poderá ser livremente exercido (art. Na realidade. Importante destacar que a inafastabilidade também está intimamente ligada como o monopólio da Justiça pelo Estado. 153 da Constituição anterior ± introduzida pelo EC n. Hoje. a que se obrigou o Estado a assumir o monopólio da Justiça´. 7/77-. Há uma exceção. 2º. proibiu a lei de criar órgão administrativo contencioso que tenha que ser necessariamente invocado ou em que a discussão acerta de um litígio venha a se esgotar. Também não há exigência de esgotamento de instancias administrativas para o exercício do direito de ação. Esse assunto foi lembrado pelo professor Dr. 5º. em positivar que ³O Poder Judiciário só admitirá ações relativas à disciplina e às competições desportivas após se esgotarem-se as instâncias da Justiça desportiva.ao direito´. que devem ser resolvidas inicialmente na Justiça Desportiva. §1º. no que tange a matéria. a doutrina evoluiu o entendimento da prestação jurisdicional. Marinoni. reguladas em Lei´. Segundo o STF. que a própria CF impõe: relação às questões esportivas. segundo o seu art. Nas sábias palavras do professor Didier. da abrangência e fundamento para o direito de ação. CF). que satisfaz à tutela jurídica. é necessário adjetivar esta 22 . Esse é o que está prescrito no art. caso as instâncias da justiça desportiva não profiram decisão final no prazo de sessenta dias. 127. uma vez que. Esse é o entendimento de Pontes de Miranda. Não se deve olvidar que não há limites. 217. desde que não exigida garantia de instância nem ultrapassando o prazo de cento e oitenta dias para decisão sobre o pedido´. O art. na edição de novembro de 2009 da Revista Carta Forense: A CF de 1988 não reproduziu a segunda parte do § 4º do art.[11][12] Com o passar do tempo. a única exceção à proibição de instância administrativa de curso forçado está delineada na própria Constituição Federal. 217. em afirmar que ³o fim do processo é a entrega da prestação jurisdicional. ³o Poder Judiciário só admitirá ações relativas à disciplina e às competições desportivas após esgotarem-se as instâncias da justiça desportiva. contados da instauração do processo. XXXV. em sede constitucional. a doutrina melhor doutrina insiste acertadamente a noção de tutela jurisdicional qualificada. §1º da CF. reguladas em lei´.

neste particular. 5º.prestação estatal. está proibida de excluir ³ameaça de lesão´. XXXV. sob pena de afrontamento expresso à Lei Maior. ou seja. além de não poder excluir lesão. como uma garantia fundamental do cidadão. Obviamente o juiz natural deve ser interpretado à luz da CF. a natureza do provimento e os meios executórios adequados às peculiaridades da situação de direito material. mas obviamente respeitando o devido processo legal. Mas devemos mais. O objetivo do art. exigir entrega efetiva. sob pena de incorrermos em processos e decisões injustas. que nada mais é do que um subproduto do princípio da adequação da tutela jurisdicional. conforme já exposto. A norma do art. foi deixar expresso que o direito de ação deve propiciar a tutela inibitória e ter sua disposição técnicas processuais capazes de permitir a antecipação de tutela. efetiva e tempestiva. É de onde se extrai. sem o qual não teria o menor sentido. Complementando esta tendência. a garantia do devido processo legal. XXXV. afirmou que a Lei.[13] O princípio da inafastabilidade garante uma tutela jurisdicional adequada à realidade da situação jurídico-substancial que lhe é trazida para solução. de acordo com o estabelecido nas normas constitucionais e legais. 5º. Devemos exigir do Poder Judiciário o cumprimento efetivo da Constituição Federal no que tange sua função típica. da apreciação jurisdicional. Um processo devido é um decidido por um juiz natural. o devido processo legal é o alicerce dos demais. também. Garante o procedimento. a espécie de cognição. completa e em tempo razoável da prestação jurisdicional. arbitrárias e desumanas à luz da obra Kafkiana. cito novamente Marinoni: Ter direito de ação é ter direito ao processo justo e à tutela jurisdicional adequada. Significa que ninguém pode ser privado do julgamento por juiz independente e imparcial. efetiva e adequada´. seu componente indelével e essencial. que é jurisdicionar. Sobressai igualmente o princípio da adequação do procedimento.[14] E o princípio do juiz natural ? Qual a relação com o da inafastabilidade ? E com o do devido processo legal ? Primeiramente. 23 . ao contrário das normas constitucionais anteriores que garantiam o direito de ação. Todos originam dele. que há de ser rápida.

03. O princípio do juiz natural não apenas veda a instituição de tribunais e juízos de exceção. Precedentes da Corte.ninguém será processado nem sentenciado senão pela autoridade competente. rel.788/99. O juízo competente e capaz é denominado de aspecto formal e objetivo do juiz natural. publicado no DJ de 16. como também impõe que as causas sejam processadas e julgadas pelo órgão jurisdicional previamente determinado a partir de critérios constitucionais de repartição taxativa de competência. assim sem a garantia da vitaliciedade.não haverá juízo ou tribunal de exceção. não há. dependentes justamente daqueles que irão julgar ± todos os desembargadores são réus na ação popular -. 24 . Rcl n.0401994). O fato de o processo ter sido relatado por um Juiz Convocado para auxiliar o Tribunal no julgamento dos feitos e não pelo Desembargador Federal a quem originariamente distribuído tampouco afronta o princípio do juiz natural. de modo que não é dado ao legislador ordinário criar juízes ou tribunais de exceção. Toda origem. estando os juízes de 1º grau da jurisdição de Roraima ainda em estágio probatório. em favor do jurisdicionado. 11. A convocação de Juízes de 1º grau de jurisdição para substituir Desembargadores não malfere o princípio constitucional do juiz natural. o juiz natural. autorizado no âmbito da Justiça Federal pela Lei n. Pleno. a distribuição dos feitos entre relatores constitui. Relator substituído por Juiz Convocado sem observância de nova distribuição. possibilidade de realização do devido processo legal. 417. [15] A imparcialidade e independência do juiz são denominadas pela doutrina de aspecto substancial do juiz natural.1993. juiz confiável. conceituado este como juiz com garantias de independência. Art. XXXVII . j. Nos órgãos colegiados. Min Carlos Velloso.O juiz natural não está previsto expressamente na Lei Maior. 5º. juiz imparcial. dado que um dos componentes deste. Também é vedado aos organismos judiciários estruturação diversa do que está prescrito na Lei Maior. "Princípio do juiz natural. não existe. excluída qualquer alternativa à discricionariedade. no caso´ (STF. LIII . do poder jurisdicional só pode emanar da Constituição Federal. no Estado de Roraima. expressa ou implícita. 5º. para julgamentos de certas causas. imperativo de impessoalidade que. Note abaixo alguns importantes julgados do STF sobre o aspecto substancial do juiz natural: ³Ora. 9. Trata-se de uma interpretação conjunta de dois dispositivos abaixo descritos: Art.

1ª Turma. 149. Curso de Direito Constitucional . que opera como um dos mais claros pressupostos de imparcialidade que deles. Dalmo de Abreu. julgadores. 113. 175. pois estavam presentes os requisitos legais necessários para tanto.746-SP. (HC 79. José Afonso. em 16-2-2000. [3] Silva. tradicionalmente reconhecido na Justiça do Trabalho (RE 215. Carlos Britto. Min. 2001. ³Teoria Geral do Processo´. reconheceu o mandato tácito da advogada que compareceu à audiência. acolhendo a tradição do mandato apud acta. T. Malheiros Editora. pag. ³Elemento de Teoria Geral do Estado´. 130. [5] Bueno. 34. Marco Aurélio. DJ de 10-3-06). Cintra. pag. Dinamarco. através de sua 2ª. Comentário Contextual à Constituição . O Supremo. O recurso da revista subscrito pela advogada foi considerado interposto. Rel.05. Rel. no ato de designação do Juiz Convocado. 2007. Cândido Rangel. Rel. pag. Independência.396-RJ. foi alcançada com o primeiro sorteio. Ada. proclamada no inciso LIII do art. que nunca outorgou mandato expresso.889. Octávio Gallotti. Min. j. Min. Boletim Informativo STF. Cássio Scarpinella. Menezes Direito. não se vislumbra. [6] Pellegrini. 239-240. em 16-12-1999. Boletim Informativo STF. em 14-12-1999. 2009. é uma das mais eficazes condições de independência dos magistrados. Marco Aurélio. Editora Saraiva. Rel." (RE 418.na hipótese vertente. n. julgamento em 6-12. 5º da Carta de Outubro. pag. 25 . 175. a seu turno. Vidal Serrano Nunes. O Pretório Excelso entendeu que não havia defesa técnica. 178. [2][2] Dallari. Curso Sistematizado de Direito Processual Civil. julgamento em 20-11-07. a garantia do juízo natural. pag. Min. Demais disso." (HC 86. acompanhando a preposta da empresa. Editora Saraiva. se exige. José Afonso. DJE de 15-2-08)´ "Com efeito. pag. Rel. Malheiros Editora. j. Araújo. op cit. 2003.. 35. n. 1ª Turma. nenhum traço de discricionariedade capaz de comprometer a imparcialidade da decisão que veio a ser exarada pelo órgão colegiado competente. em reclamação trabalhista. O Supremo Tribunal Federal anulou um decreto de expulsão de estrangeiro em que a advogada dativa que o representou apenas limitou-se a requerer a expulsão. Editora Saraiva. Boletim Informativo STF. j. [7][7] O Supremo Tribunal Federal entendeu necessária a intimação da parte contrária para se manifestar sobre embargos de declaração quando estes pretenderem dar efeito modificativo ao julgado (RE 250.624-MG. 2003. [4] Silva.852. n. BIBLIOGRAFIA [1] Junior. Min.

1. [13] Revista Carta Forense. pag. 3. com mais força que as leis e chegam a pedir a inaplicabilidade dessas. desde o seu já longínquo nascedouro. 29-30. [10] Pellegrini. Abrangência do Devido Processo Legal. 3. não se podia relegá-las por conta daqueles. Editora Podivm. 2004. podendo ingressar com ação para o Poder Judiciário.Elaborado em 08/2003. posiciona-se Marcelo Abelha Rodrigues: Questão já pacificada diz respeito a desnecessidade de esgotamento da via administrativa para o ingresso na via jurisdicional. Araújo. praticamente confundindo-se ao princípio da legalidade. [15] Junior. Editora Forense. Correlação com o princípio da razoabilidade. a partir do momento que foram assegurados na Constituição. atualmente. [11] Nelson Nery Junior: Também neste sentido. Curso de direito Processual Civil Teoria Geral do Processo e Processo de conhecimento . 3. 30. 26 . pag. Curso de Direito Processual Civil . Cândido Rangel. O devido processo legal foi concebido como amparador ao direito processual. op cit. [14] Junior. por isso. Ainda que exista recurso ou instância administrativa não está obrigado o administrado a esgotá-la. 2. Edição de novembro de 2009. Substantive Due Process. 2009. Fredie Didier. Pretendemos analisar minuciosamente este instituto jurídico do processo constitucional.1 Procedural Due Process. @@@@@@@@@@@@@@@@@@@@@@@@@@@@@@@@@@@@@@@@@ http://jus. contam. [12] Revista Carta Forense.[8] Junior. [9] Junior. mas já se expandiu para processual civil e até para o processo administrativo. Cintra. op cit. op cit. Entretanto. Ada. 4. Fredie Didier. os princípios eram abstraídos das normas e.com. Edição de novembro de 2009. SUMÁRIO: Introdução. B20-B21. pag. Dentre as garantias constitucionais uma das mais festejadas é o devido processo legal. Acompanhamento histórico. Dinamarco. em respeito ao princípio constitucional do direito de ação e livre e pleno acesso à justiça . Bibliografia INTRODUÇÃO Há algum tempo.2. pag. B20-B21. pag. 30.br/revista/texto/4749/o-devido-processo-legal O devido processo legal Euler Paulo de Moura Jansen . estabelecendo sua efetiva importância e mostrando tudo que o seu conceito envolve e suas facetas de atuação. Conclusões. quando contrariados. 36. Compreensão e importância. mas ganhou força expressiva no direito processual penal. pag. Fredie Didier. Humberto Theodoro. 138.

raro hodiernamente encontramos petição. já contavam com o instituto [5] . não trata originalmente do instituto. no entanto. Em 1354. quando o seu art. como Maryland. como veremos. de forma extremamente merecida. incorporado aquele texto aos dispositivos da Common Law. termo posteriormente traduzido para a língua inglesa como law of the land. Há de se admitir. a cláusula due process of law apareceu pela primeira vez ao lado do trinômio "vida. passou a significar também a "igualdade na lei". como Espanha e Portugal. due process of law. a Itália e a Alemanha. no conhecido Statute of Westminster of the Liberties of London. sendo abordado explicitamente nas suas emendas. 1 ACOMPANHAMENTO HISTÓRICO O primeiro ordenamento que teria tratado desse princípio foi a Magna Carta [1] do rei John Lackland (João "Sem-Terra"). Nos propomos a tratar. Na América Latina. Carolina do Norte. além de marcar a sua utilização efetiva. não esquecendo das suas inovações e correlações com outros princípios. sem. por um legislador desconhecido. liberdade e propriedade" e. se utilização e sem expressão. Na Europa continental. A Constituição dos Estados Unidos da América [3] . países onde há enorme aprofundamento científico no direito processual serviram de exemplo para os demais. pois. Tais inserções deram-se pela tendência de acompanhar a evolução das Constituições de alguns Estados. de forma mais importante. Delaware. em 1853 e 1857. parecer ou sentença que não o louve. contudo. por sua vez. e não só "perante a lei". de 15 de junho de 1215. de indispensável a qualquer tempo e lugar. Vermont e de New Hampshire. 39 se referiu a legem terrae. respectivamente. ou melhor. que não o enalteça ou o busque tenazmente e tudo isso. onde muito se desenvolveu o devido processo legal. ainda na Inglaterra do rei Eduardo III. Na primeira emenda referida. de forma simples. a Argentina e o México. na segunda. posteriormente transformados em Estados federados. que já contavam com o a garantia em testilha. na 5ª e na 14ª Emenda [4] (1). acompanhavam as Declarações de Direitos das Colônias de Virgínia.Atinente ao devido processo legal. desde o nascedouro de suas Constituições. mencionar a expressão que hoje conhecemos. que durante toda essa época. foi utilizada a expressão definitiva [2] e. o instituto era meramente formal. que de logo chamamos de contemporâneo. Afinal. sofreu grande transformação-evolução. 27 . o tema do devido processo legal. traçaremos uma abordagem que o correlaciona com o atual princípio da proporcionalidade ou razoabilidade. Pensilvânia e Massachusetts.

sobre ele repousam todos os demais princípios constitucionais. dentre outros. a 6ª Convenção Européia Para Proteção dos Direitos Humanos e Liberdades Fundamentais (Roma. do duplo grau de jurisdição e da motivação das decisões judiciais. da inafastabilidade da jurisdição. 5º. contra os abusos da coroa inglesa. um super princípio. inciso LIV: "ninguém será privado da liberdade ou de seus bens sem o devido processo legal". Cândido Rangel Dinamarco e Paulo Rangel. de 1969. da publicidade dos atos processuais. 28 . afirmam que no devido processo legal estariam contidos todos os outros princípios processuais. com certeza poder-se-á identificar nuances do Princípio do Devido Processo Legal. a intenção mais pura de servir à cidadania. Com muita precisão. mas da redundância que decorreria da referência expressa ao devido processo legal após elencado todos os princípios e direitos processuais constitucionais.. teriam. do baronato. desde 1924. quando consignaram os princípios da ampla defesa. do juiz natural. que até hoje se fazem reluzentes em praticamente todas as constituições liberais do mundo. em especial a de 1967 e Emenda Constitucional nº 01. países que já tiveram o dissabor de passar por ditaduras e golpes militares. Tal crítica não é no sentido de que não fosse ela necessária ou o princípio não a merecesse. adjetivada "cidadã". Paulo Roberto Dantas de Souza Leão e José Rogério Cruz e Tucci. Nota-se uma critica subliminar na doutrina à expressa inserção desse princípio no texto constitucional. no art. e vice-versa" [6] . pois. é pacífico entre os doutrinadores que o princípio do devido processo legal foi abraçado por todas as Constituições pátrias. Nelson Nery Jr. na sua gênese.A Declaração Universal dos Direitos do Homem (Paris. como o da isonomia. à democracia ou ao povo em geral. do contraditório e da igualdade. 1948). Sabemos que a Magna Carta não teve. que explicitamente estabeleceu. Entretanto. posto criada como uma espécie de garantia para os nobres. aceitado a existência daquele. No Brasil. Entretanto. 1950) e o Pacto Internacional de Direitos Civis e Políticos das Nações Unidas (1966) consagram proteções e garantias individuais que denotam o encampar daquele princípio. ou seja. Cristina Reindolff da Motta afirma que "a todo momento que se fizer análise ou reflexão acerca de algum princípio processual constitucional. da proibição da prova ilícita. Impossível olvidar a nossa Constituição de 1988. 2 COMPREENSÃO E IMPORTÂNCIA Ao devido processo legal é atualmente atribuída a grande responsabilidade de ser um princípio fundamental. ela continha institutos originais e eficazes do ponto de vista jurídico para a repressão dos abusos do Estado. tacitamente.

o devido processo legal tem por objetivo enfeixar as demais garantias. É um delicado processo de adaptação que inevitavelmente envolve o exercício do julgamento por aqueles a quem a Constituição confiou o desdobramento desse processo" [8]. principalmente.. buscando uma adequação do processo à ritualística prevista.como o nosso. adaptação gradual ou. não é novidade para os americanos. Não é um padrão. "amorfo e enigmático. perene. que mais se colhe pelos sentimentos e intuição do que pelos métodos puramente racionais da inteligência" [7] Esse conteúdo. e que somente mediante a existência de normas processuais. 29 .S. µdue process¶ é produto da história. µDue process¶ não é um instrumento mecânico. indubitavelmente. que há muito se debruçam sobre o devido processo legal. assim. McGrafth. do fluxo das decisões passadas e da inabalável confiança na força da fé democrática que professamos. da razão. mas como um inabalável sustentáculo. LIV. mais amplo. sabem da importância da Constituição conter explicitamente as garantias fundamentais derivadas do processo legal. 5º. É um processo. foi concebido e conceituado durante muito tempo como amparador ao direito processual. 341 U. 123 (1951). encontrado apenas na nossa mais recente doutrina. evolução. de acordo com a demanda da sociedade. expresso no art. praticamente confundindo-se ao princípio da legalidade.. justas. 3 ABRANGÊNCIA DO DEVIDO PROCESSO LEGAL O devido processo legal encontra-se. das garantias constitucionais do processo. Luiz Rodrigues Wambier cita que "Arturo Hoyos entende que o princípio do devido processo legal está inserido no contexto. mas já se expandiu para processual civil e até para o processo administrativo. muito menos. como já declinado supra. não como uma redundância. que proporcionem a justeza do próprio processo. O devido processo legal. Numa nova fase. Ele ganhou força expressiva no direito processual penal. Felix Frankfurter: "Due process não pode ser aprisionado dentro dos traiçoeiros lindes de uma fórmula. onde refere-se aos bens jurídicos da liberdade e da propriedade. pelo Juiz da Suprema Corte Americana. Trazido praticamente ao final do rol. Veja-se trecho do voto proferido no voto no caso Anti-Facist Committe vs. encontra-se invadindo a seara do direito material. da Constituição Federal. O conteúdo substancial de cláusula do devido processo legal apresenta-se. não tem uma definição estanque. fixa ou. Como veremos. o devido processo legal. Isso permite a sua mutabilidade. é que se conseguirá a manutenção de uma sociedade sob o império do Direito" [9] .

que de um lado asseguram às partes o exercício de suas faculdades e poderes de natureza processual e. conforme a doutrina pátria e americana. legitimam a própria função jurisdicional" [12]. tal elemento não deveria ter sido omitido. de expressão do pensamento. que estabelece: "é assegurado o direito de resposta. a intimidade. de culto. Assim. de outro. Quanto à liberdade referida na norma. Assim. proporcional ao agravo. ao estatuir da liberdade. significa o conjunto de garantias de ordem constitucional. não é crível que o vocábulo "propriedade". A vida não se refere apenas ao arrebate da vida. a due process clause visa à tutela do trinômio "vida. vez que bens que podemos considerar menores como a liberdade e a propriedade o estão. não pode o intérprete distinguir (sic))" (11). duas facetas sobre as quais incide o devido processo legal: o procedural due process e o substantive due process. entre nós. Na nossa opinião. de associação. se encontra desassociado do elemento "vida". de imprensa.Em sentido genérico. nos termos do seu artigo 5º. vemos que ele. além da indenização por dano material. de acordo com a lei. Oportuna a transcrição transcrever as palavras de CINTRA. entre outros direitos que geram "qualidade de vida". se reserve tão somente à propriedade material. liberdade e propriedade". A liberdade é. apesar de mais segura. de locomoção. que representou a respaldo material do direito à indenização ao dano puramente moral e à imagem. Fazendo uma breve análise comparada do instituto. não especificou o tipo de liberdade. como veremos. Ubi lex non distinguit nec nos distinguere debemus (onde a lei não distingue. como princípio constitucional. o intérprete não está autorizado a restringir o alcance do dispositivo legal constitucional. 3. ou não imaginou que passasse pela mente do intérprete que o bem da vida não estaria protegido. Numa nova fase. Há portanto. inciso V. É preciso que se diga que o princípio do devido processo legal inicialmente tutelava especialmente o direito processual penal. ou o legislador constituinte esqueceu-se que no nosso país existe efetivamente a pena de morte [10]. de credo. ainda mais nesta constituição. A segunda. ou seja. a honra. mas já se expandiu para processual civil e até para o administrativo. Da mesma forma. não é de boa técnica legislativa. daquele trinômio. Ora. convêm mencionar o seguinte entendimento: "A Constituição.1 Procedural due process 30 . de fazer e não fazer. moral ou à imagem". mas também aos valores permitem um melhor exercício dela. acerca do princípio sub analisis: "o devido processo legal. GRINOVER e DINAMARCO. toda liberdade imaginável. enfim. o lazer. invade a seara do direito material.

à ampla defesa. verifica-se que a cláusula do procedural due process of law nada mais é do que a possibilidade efetiva de a parte ter acesso à justiça. comercial. de ter his day in Court. 3. também chamado de devido processo adjetivo ou procedimental. Considera-se o seu alcance mais amplo que o seu lado procedimental. ela é utilizada nos Estados Unidos como nós brasileiros. dizemos num restaurante. relativas ao direito a orderly proceedings. do julgamento duas vezes pelo mesmo fato (double jeopardy) e do direito à ampla defesa e ao contraditório. isto é. em que lhe seja assegurada ampla defesa) e de leis retroativas (ex post facto law). debruçou-se especialmente na sua aplicação ao direito processual penal. verifica-se que esse princípio visa a tornar o processo judicial ou administrativo pleno de direitos para a parte. "quero tudo que tenho direito". procedimentos ordenados por princípios como. "Resumindo o que foi dito sobre este importante princípio. sendo indiscutível que nesse campo. Assim. Inobstante o alcance diminuto. talvez exatamente por conta do vocábulo "processo" do princípio estudado. à proibição da prova ilícita.2 Substantive due process O devido processo legal substantivo ou material é a manifestação do devido processo legal na esfera material. no campo processual penal. garante o direito à citação. ao contraditório. na denominação genérica da Suprema Corte dos Estados Unidos" (13) A título de esclarecimento sobre essa expressão his day in. penal. Convém lembrar também da sua aplicação ao direito processual civil. de julgamento rápido e público. mesmo ciente da vigência da cláusula due process of law nas constituições anteriores e do seu alcance a todos os tipos de procedimentos. civil. A cláusula do devido processo legal no Direito Constitucional americano refere-se. a proibição de bill of attainder (ato legislativo que importa em considerar alguém culpado pela prática de crime. entre outros). deduzindo pretensão e defendendo-se do modo mais amplo possível. ao juiz natural e imparcial. ao duplo grau de jurisdição. em juízo. numa primeira fase (5ª Emenda). entre outros. é considerado mais restrito que a devido processo material e caracteriza-se pela simples norma de respeito ao procedimento previamente regulado. esta faceta do devido processo legal é mais empregada pela doutrina e pelos usuários do Direito. apenas a garantias de natureza processual propriamente ditas. "na corte". 31 . à gratuidade da justiça ou ao desembaraçado acesso a essa. pois se manifesta em todos os campos do Direito (administrativo. foi ele apenas sub-utilizado nesta acepção. do conhecimento do teor da acusação. além da vedação de auto-incriminação forçada (self incrimination). como se sabe.O procedural due process. à igualdade de partes. tributário. sem a precedência de um processo e julgamento regular. A doutrina.

prolatou acórdão que em poucas palavras traz a perfeita essência do aspecto material do devido processo legal: "due process of law. exercício do poder estatal. Holmes. outros destes derivados ou inseridos na Constituição. entretanto. Carlos Velloso. devem ser dotadas de razoabilidade (reasonableness) e de racionalidade (racinality). inibindo que lei em sentido genérico ou ato administrativo ofendam os direitos do cidadão. à liberdade contratual ou outros direitos. a lógica e a prudência e a moderação no ato de interpretar as normas. Este o teste pelo qual o ato legislativo ou administrativo deve passar. a idoneidade.substantive due process . podemos exemplificar que uma lei que proíbe "disparo de arma de fogo em área habitada" restringe essa liberdade do indivíduo. Para que seja adequada aos limites do devido processo. Em verdade. uma lei deve apenas "ser razoável". anomalias e absurdos decorrentes do arbítrio e do abuso de poder. permitindo ao Judiciário invalidar as ações abusivas ou destemperadas dos administradores e dos legisladores. sendo o instituto também referenciado como "princípio da proporcionalidade". O ministro do Supremo Tribunal Federal. não-absusivo.O substantive due process tutela o direito material do cidadão. Numa ótica simplista. a lei deve empregar razoáveis meios para atingir seus fins. Trata-se de um mecanismo de controle da discricionariedade administrativa e legislativa.constitui limite ao Legislativo. e os demais povos europeus [16] o rotulam de "princípio da proibição de excesso". um real substancial nexo com o objetivo que se quer atingir" [14] . buscando extirpar distorções. segundo W. A Suprema Corte Americana entende que tem direito a examinar qualquer lei e determinar se ela constitui um legítimo. o devido processo legal material não apresenta limites e. O Princípio da razoabilidade é o meio através do qual o operador do Direito busca a perfeita adequação. a liberdade e a propriedade. Visivelmente apreende-se o sentido de sua utilização. isso é 32 . Isto é. pode abranger quaisquer direitos que a imaginação permita conceber. É necessária a compreensão de que as leis e atos administrativos normalmente ferem direitos. devem guardar. pelos alemães [15]. com conteúdo substantivo . como a vida. não impondo qualquer limitação desproporcional ao direito de propriedade. os meios devem mostrar uma razoável e substancial relação aos propósitos do ato. 4 CORRELAÇÃO COM O PRINCÍPIO DA RAZOABILIDADE A expressão "princípio da razoabilidade" advém dos norte-americanos. no sentido de que as leis devem ser elaboradas com justiça.

buscando o equilíbrio. 5º do Decreto-Lei nº 4. conhecido por Lei de Introdução ao Código Civil. com isso. o vetor em estudo posta-se muito mais como uma diretriz geral de hermenêutica. do que uma pauta de matriz jusnaturalista. com a própria norma trazendo os critérios para o exercício da busca da razoabilidade. Utilizando-se deste. o intérprete pondera os valores que informam o ordenamento jurídico. Não é à toa que muito se comenta sobre uma tendência mundial de translação do grande eixo do Direito do Poder Legislativo para o Judiciário. Tal lei é razoável. a moderação e a harmonia. vê-se um exemplo do referido no parágrafo anterior. de 4 de setembro de 1942. Daí alguns doutos vislumbrarem nele traços do jusnaturalismo. Portanto. cada vez mais repletos de poderes discricionários sobre os direitos do cidadão. preceitua: "Na aplicação da lei. ao menos um pouco. culturais e filosóficas. que deflui do sentimento de justiça. Não se pode chamar de jusnaturalismo ou de Direito Alternativo [18]. afasta-se. não considerando-nos aptos a apreender tal aspecto.feito em nome do bem comum. O professor Tesheiner nos pareceu temeroso pela rápida evolução dessa faceta material ou substantiva do instituto alvo de nossa minuta. o fantasma da discricionariedade ou arbítrio desenfreados. evitando-se que o seu alto teor de abstração comprometa a sua aplicabilidade" (17). porquanto compreensível que aquela liberdade ou o prazer insólito que daquele ato resulta não são superiores ao bem protegido pela norma. apresenta-se eivado de subjetividade. Em verdade. Dessa forma. Acompanhamos o seguinte entendimento: "Para nós. traduzido na idéia de respeito aos comandos legislativos.657. Da mesma forma. vez que é a própria norma positiva traz elementos para aquela ponderação e. O art. numa espécie de "era dos juízes". a dimensão notadamente subjetiva do conceito cede lugar a uma concepção muito mais objetiva. para evitar o risco de balas-perdidas e conseqüente a exposição da idoneidade física e talvez até a vida de terceiros a perigo. para se aproximar deste. o juiz atenderá aos fins sociais a que ela se dirige e às exigências do bem comum". é a própria lei que funciona como elemento balizador da razoabilidade. prima facie. Claramente. o instrumento principal é o senso de proporção. cujo grau de abstração é bastante elevado. age a Constituição Federal ao relacionar os direitos e garantias do cidadão. dizendo: 33 . pela qual o magistrado examina a constitucionalidade de leis estaduais e federais à luz das suas idéias sócio-econômicas. porque interage-se com elementos do espírito. O princípio da razoabilidade. A razoabilidade prende-se à busca pelo ideal de justiça e. a aplicação do devido processo legal sob a ótica material enseja uma nova espécie de revisão judicial da lei.

Há a inarredável necessidade de aprendermos a lidar com os direitos os quais fomos presenteados. Uma definição estática para o instituto é difícil. tão repleta de erros. somos contra a concentração exacerbada de poder não vinculado a rígidos preceitos legais nas mãos de quem quer que seja. De tal tutela resultam as duas faces do devido processo legal. um contra-senso. ademais. senão impossível. através das suas 5ª e 14ª Emendas. tal como. Mas. não deixa a dever a de nenhum país do mundo. que são proibidas de lidar com os brinquedos mais valiosos. distante de seu enunciado. quando o seu conceito constou na Magna Carta. referem-se aproximadamente nos seguintes termos: que tem origem no direito anglosaxônico. a nossa historia de busca do ideal de cidadania e democracia. A história de tal instituto remonta à Inglaterra do "ano do senhor" de 1215. ao passo que também assegura o exercício daqueles direitos contra fatos inibidores. não podemos ser tratados como crianças. quando quebradiços (e não têm tais características os direitos constitucionais?). mas somente na Constituição de 1988 foi erigido (ou elevado) expressamente à categoria constitucional. idêntica evolução" [19]. porquanto que deve se adaptar aos novos direitos decorrentes da mutabilidade e avanço social. Por fim. a existência de uma legislação que viesse a restringir exatamente o direito ao devido processo legal. mas permaneceu estático até a sua introdução na Constituição americana. É considerado um princípio fundamental. cremos entender ponto de vista do honorável mestre e. Verdade. Somente em 1354 sagrou-se com a expressão due processe of law. ainda. após longa evolução jurisprudencial. ou seja. Verdadeiramente. porquanto guarda estreita relação com todos os demais princípios aplicáveis ao processo. satisfazem-se apenas em tangenciar a sua evolução histórica. a plena utilização desses direitos e garantias só pode ocorrer com o requisito da responsabilidade e só há uma forma de se ensinar essa. como leis ou atos administrativos injustos. Entretanto. CONCLUSÕES Apesar da inabalável importância do princípio do devido processo legal."recém-introduzido (expressamente) entre nós. vários processualistas pátrios. até porque ele não deve ficar adstrito a conceitos pré-estabelecidos. ressaltamos seria estranha. nos Estados Unidos da América do Norte. apesar de não termos uma história milenar. que impõe apenas o ideal de justiça como limite ao exercício de todos os direitos concebíveis. não se pode pretender que o princípio do devido processo legal contenha dimensão substantiva. mas as constituições pátrias sempre o adotaram. Ora. pela experiência. onde foi encarregado de tutelar solidamente os direitos processuais e materiais. 34 . É um aprendizado lento. Não sofremos.

n. e ampl. Acesso em: 23 ago. BIBLIOGRAFIA AGRA. 1 : parte geral ± 8. ou seja. 2000. Jus Navigandi. São Paulo: Saraiva. conseqüentemente.br/arqui vos/civel%2006. instrumentalizado para cercear leis ou atos administrativos que ofendam aos direitos do cidadão. 5º da Constituição Federal) e o princípio da razoabilidade das leis: a atuação do Ministério Público. Manual de direito processual civil. Teresina. Acesso em 22 ago 2002. a. ocorre a ponderação dos diferentes valores dos bens jurídicos protegidos ou tutelados. Já o devido processo substantivo.ccj. v. BOLQUE. na mais extensa concepção. para que a construção que lhe foi dado pela jurisprudência e doutrina internacional é necessário que conste do texto constitucional.pdf. 2002. ALVIM. volume 11. assim. BARROSO. Teoria geral do processo e processo de conhecimento. São Paulo : Editora Revista dos Tribunais. está preso apenas ao lado material do trinômio "vida. A força do devido processo legal é imensurável. liberdade e propriedade". AMARAL. Sua aplicação. Fernando César. posto que o correto é que o utilizemos com responsabilidade para que nossa cidadania evolua e. para escapar ao puro (ou impuro) arbítrio do interprete. ± São Paulo: Editora Revista dos Tribunais. Disponível na Internet: http://buscalegis. rev. 2003. se dá com o auxílio do princípio da razoabilidade. Além disso. a todas as decorrências desses direitos. out. Disponível em: <http://jus. Princípios de processo civil na Constituição Federal. ed. ou seja.br/revista/doutrina/texto. Coleção Sinopses Jurídicas. 2003. atual. A efetividade dos direitos fundamentais (art. Manual de Direito Constitucional. não se encerra à legal ritualística do processo. 46. hierarquicamente superior às normas injustas as quais ele pode e deve coibir. mas a todo o arcabouço de garantias que lhe podem ser aplicáveis. Pode ser. 35 . entretanto é mais difundida na Brasil. 1999. Júlio Ricardo de Paula. pouco difundido. Como dito supra.asp?id=771>. Arruda. evoluamos individualmente e socialmente.com. Walber de Moura. Carlos Eduardo Ferraz de Mattos. 4. mas não devemos nos privar de utilizá-lo somente porque cair em mãos inescrupulosas.ufsc.O devido processo procedimental é considerado mais restrito que a acepção material. O devido processo legal exala o aroma da cidadania e da democracia. posto que reúne grande número de garantias de ordem constitucional e processual.

História e doutrina: O significado do princípio do devido processo legal. Paulo Henrique dos Santos. DINAMARCO. Gisele. Sérgio Gilberto Porto Alegre: Livraria do Advogado. rev. CALMON DE PASSOS. v. Disponível na Internet: <http://www. Alexandre. volume 4. 35/2001. ampl.br/pdf/R VITA-DIALOGOJURIDICO-01-2001-J-J-CALMON-PASSOS. 36 . Princípios do processo civil na Constituição Federal. rev e atual com as Leis 1-0. 13. CÂMARA. Uadi Lammêgo. 7. 2002. Vocabulário Jurídico.bRASIL. São Paulo: Malheiros. 1996. 2002. Rio de Janeiro: Forense. ed. 10. 2002. São Paulo: Saraiva. ver. Ada Pellegrini. Direito Processual Penal. ed. 14ª ed. NERY JUNIOR. ver. Coleção RT-mini-códigos ± São Paulo: Editora Revista dos Tribunais. DINAMARCO.352/2001 e 10.fortunecity. Acesso em 17 de agosto de 2003. e atual. rev. 2003. ed. São Paulo : Saraiva. Disponível em: <http://campus. São Paulo: Atlas. Instituições de Direito Processual Civil.358/2001 ± São Paulo: Editora Revista dos Tribunais. BRINDEIRO. Disponível na Internet: <http://www. ed. 2003. 2. 2003. 4.htm>. rev. Alexandre Freitas. e atual. De. 7. Até a Emenda Constitucional n. V.mundojuridico. p. Lições de direito processual civil. Lumen Juris : Rio de Janeiro. DONADEL. Nelson. Constituição Federal anotada. Cândido Rangel.direitopublico. GRINOVER. Resumo de processo civil. e atual. Cândido Rangel. RANGEL. LEITE. Maximilianus Cláudio Américo. LUCON. As garantias do cidadão no processo civil.htm>. 1987. ed. 2002. ed. PLÁCIDO E SILVA. FÜHRER. e atual.br/html/artigos/document os/texto008.pdf>. Devido Processo Legal Substancial. O devido processo legal. Instrumentalidade do processo e devido processo legal. Paulo. ARAÚJO CINTRA. MORAES. Adriane. 2002. código civil. ed. Antônio Carlos de. Coleção Resumos. 1 ± 7. 1998. e ampl. Acesso em: 22 jun. código de processo civil / organizador Yussef Said Cahali ± 5. Acesso em 17 de agosto de 2003. Teoria Geral do Processo. Geraldo. et al. atual. ed. José Joaquim. 1. Org. São Paulo : Malheiros. 04.adv. Constituição do Brasil interpretada e legislação constitucional. ± Rio de Janeiro: Editora Lúmen Juris. e atual. Constituição federal. BULOS.com/clemson/493/jus/m09-015.com. rev. 2003.

Atual nos termos da Constituição Federal de 1988 ± São Paulo: Saraiva. Acesso em 17 de agosto de 2003. v.br/Biblio teca/direito/Hipertextos/livro_tesheiner/Principal.htm>. TESHEINER.tex. Acesso em 23 de agosto. mar. Disponível em. ± São WAMBIER. Elementos para uma teoria geral do processo.pro. THEODORO JÚNIOR. v. ALMEIDA.. Ovídio A. ed. Flávio Renato Correia de.SANTOS.pro. rev. O princípio do devido processo e a razoabilidade das leis. v. Curso Avançado de direito processual civil. e atual.pro.tex. re Paulo: Editora Revista dos Tribunais. 1991.ead. Revista dos Tribunais.pucrs. 1 : Teoria geral do processo e processo de conhecimento ± 3. Disponível em <http://www. O Devido Processo Legal no Processo Penal: da Antígona ao Garantismo. A garantia fundamental do devido processo legal e o exercício do poder de cautela no Direito Processual Civil. 1992.br/wwwroot/processocivil/principiosontemehoje. a. 1997. 2002. TALAMINI. v. Curso de direito processual civil. 80. ed. ago. Acesso em 23 de agosto de 2003. a. Disponível em <http://www. São Paulo. atual e ampl. Moacyr Amaral. v.br/wwwroot/processocivil/oprincipiododevidoprocessoearazoabilidaded asleis. 11-22. 665. Primeiras linhas de direito processual civil. Revista dos Tribunais. 2000. ± Rio de Janeiro: Forense. 2003. 37 . São Paulo. GOMES. Humberto. SILVA. 2003. Anotações sobre o princípio do devido processo legal.tex.br/wwwroot/processocivil/soreoprincipiododevidoprocessoemsentidosu bstancial. ed. 3. José Maria Rosa. 78.ontem e hoje. Luiz Rodrigues. __________. v. Sobre o princípio do devido processo legal em sentido substancial. Fábio. Disponível em <http://www. 1989. __________. p. p. <http://cursos. WAMBIER. 646. Luiz Rodrigues. Eduardo. coordenação Luiz Rodrigues Wambier.htm>. Acesso em 23 jun. 1 : ± 15. 33-40. ± São Paulo: Editora Revista dos Tribunais.htm >. Baptista da Silva. __________.htm>. __________. 1 : Teoria geral do direito processual civil e processo de conhecimento ± 20. ed. Princípios .

Acesso em 22 ago 2003. BOLQUE. idioma dos intelectuais da época. 02. nor disinherited. No State shall make or enforce any law which shall abridge the privileges or immunities of citizens of the United States. nor put to death.thelatinlibrary. nor shall be compelled in any criminal case to be a witness against himself. NERY JUNIOR. except in cases arising in the land or naval forces. Disponível na Internet em http://www. "No person shall be held to answer for a capital. nor taken or imprisoned. Humberto. Escrita originalmente em Latim. 263. nor be deprived of life. "None shall be condemned without trial. Princípios do processo civil na Constituição Federal.gov/Constitution/Constitution. unless on a presentment or indictment of a Grand Jury.html.house. 80. without being brough to answer by due process of law". 5º da Constituição Federal) e o princípio da razoabilidade das leis: a atuação do Ministério Público. Also. Idem. when in actual service in time of War or public danger. or property. As garantias do cidadão no processo civil. Disponível na Internet em http://www. a.gov/ Constitution/Amend. and subject to the jurisdiction thereof. A garantia fundamental do devido processo legal e o exercício do poder de cautela no Direito Processual Civil. Instituições de Direito Processual Civil 09. mar.ccj. Adriane. without due process of law. DINAMARCO.br/arqui vos/civel%2006. liberty.com/magnacarta. nota 6. Sérgio Gilberto Porto Alegre: Livraria do Advogado. shall be put out of land or tenement. A efetividade dos direitos fundamentais (art. 07. without due process of law. Acesso em 22 ago 2003. 08. nor deny to any person within its jurisdiction the equal protection of the laws". THEODORO JÚNIOR. 03.html. v.ufsc. 05. 38 . or property.house. Disponível nessa versão na Internet em http://www. p. 7. "All persons born or naturalized in the United States. Acesso em 22 de agosto de 2003. p. Fernando César. without just compensation". Idem. 2003. of what estate or condition that he be. 06. São Paulo. 1991.352/2001 e 10. Acesso em 22 ago 2002. Org. nor shall private property be taken for public use. 2002. or otherwise infamous crime. nor shall any State deprive any person of life. nor shall any person be subject for the same offence to be twice put in jeopardy of life or limb.358/2001 ± São Paulo: Editora Revista dos Tribunais. et al. or in the Militia.pdf>. are citizens of the United States and of the State wherein they reside. liberty. 04. DONADEL. Disponível na Internet: <http://buscalegis. ed. Nelson. 11.NOTAS 01. 665. Cândido Rangel. pg. 33. that no man. rev e atual com as Leis 1-0. Revista dos Tribunais.html.

Até a Emenda Constitucional n.portugal. 2002. Como citar este texto: NBR 6023:2002 ABNT JANSEN. 646. Luiz Rodrigues. Antônio Carlos de. É comum os juízes do Bundesverfassungsgericht (Corte Constitucional Alemã) adotarem a proporcionalidade como critério balizador de suas decisões.gov. ano 9. julgado em 14. a.358/2001 ± São Paulo: Editora Revista dos Tribunais. Paulo. ADIn n° 1511-7 DF . Revista dos Tribunais. Teoria Geral do Processo. Decreto-Lei 1. 2012. Jus Navigandi. Direito Processual Penal.pt/pt/Sistema+Po litico/Constituicao/Constituicao_p02. ampl. muito difundida no início dos anos noventa. 19.001. liberdades e garantias nos casos expressamente previstos na Constituição. Lumen Juris: Rio de Janeiro. Nelson. Uadi Lammêgo.com. ARAÚJO CINTRA. p. Apud WAMBIER. Ada Pellegrini. Anotações sobre o princípio do devido processo legal.htm> Acesso em 27 ago 2003. 18. 2004. conforme apregoam os arts. p. ed.br/revista/texto/4749>. n. 2003. devendo as restrições limitar-se ao necessário para salvaguardar outros direitos ou interesses constitucionalmente protegidos". Para os Crimes Militares em Tempo de Guerra. 04. 78.br/wwwroot/processocivil/oprin cipiododevidoprocessoearazoabilidadedasleis. 14ª ed. rev. ed. Disponível em <http://www. 1989. 55. da Constituição lusitana: "A lei só pode restringir os direitos. Cândido Rangel. Acesso em 23 de agosto de 2003.pro. ver. atual. p. ex vi do art. 14. 35/2001.1996 16. v. 242. p. Constituição Federal anotada. São Paulo. p. 1998. nascida do abraçar de jovens magistrados gaúchos. O princípio do devido processo e a razoabilidade das leis. 18. 34. a. Disponível em: <http://jus.10. e 355 usque 397 do Código Penal Militar. NERY JUNIOR. São Paulo: Malheiros.08. São Paulo : Saraiva. Acesso em: 21 jan. Princípios do Processo Civil na Constituição Federal. 20. 7. ed. 56. Arturo. DINAMARCO. O devido processo legal.tex. 2002. Disponível em <http://www. vinculando sua aplicação à justiça. Em Portugal a proibição de excesso é mandamento constitucional expresso. 15. rev e atual com as Leis 1-0. 11. RANGEL.htm >. p.40. GRINOVER. Uma visão do direito. Teresina. 4. ago. 2. mesmo que para isso seja necessário inobservar a norma jurídica. 13. HOYOS. BULOS. de 21 de outubro de 1969. 7. @@@@@@@@@@@@@@@@@@@@@@@@@@@@@@@@@@@@@@ 39 . 17. e atual. Euler Paulo de Moura. 24 jan. 202. 12.352/2001 e 10. 33-40.Medida Liminar.

não apenas para evitar o acúmulo absurdo de processos repetidos onde as questões jurídicas já foram anteriormente decididas inúmeras vezes. tendo em vista o acúmulo de processos no Judiciário. efetivamente.fortunecity. principalmente. uma vez que me parece inaceitável dar tratamento diferenciado.com/clemson/493/jus/m09-015. e para que o Estado possa. e. exercer o seu papel de promover a segurança e o bemestar. maior eficiência.htm O DEVIDO PROCESSO LEGAL "Não tenho dúvidas da necessidade premente de modernizar o Poder Judiciário e o Ministério Público. no campo civil e comercial. No campo penal. dos seus destinatários: as partes e os cidadãos brasileiros. Os interessados em número crescente. 40 . As dificuldades no acesso à Justiça e a lentidão nos julgamentos definitivos. são necessárias para permitir o desenvolvimento econômico e social do País. Preconiza-se como uma das soluções a reforma constitucional do Judiciário e creio que ela. mas também e. descrentes da presteza e da eficácia da máquina judiciária. aparelhando-os com os meios materiais e os recursos humanos necessários e eliminando-se anacronismos legislativos e administrativos que geram a lentidão na prestação jurisdicional e o acúmulo de processos. em respeito ao princípio constitucional da isonomia. aparelhando-os com os meios materiais e os recursos humanos necessários e eliminando-se anacronismos legislativos e administrativos que geram a lentidão na prestação jurisdicional e o acúmulo de processos. buscam soluções alternativas. prejudicando o acesso ao Judiciário e a qualidade da prestação jurisdicional. a pessoas em situações jurídicas absolutamente idênticas. num regime democrático participativo e estável. como a arbitragem e os acordos extrajudiciais. No campo trabalhista. especialmente do Supremo Tribunal Federal e do Supremo Tribunal de Justiça. tentam-se soluções negociadas entre trabalhadores e empregadores sem interveniência da Justiça do Trabalho. Não tenho dúvidas da necessidade premente de modernizar o Poder Judiciário e o Ministério Público. têm sido objeto de críticas e preocupações não só dos principais protagonistas dos processos ± os juízes. já às vésperas do Século XXI. o excessivo formalismo das regras processuais e a quantidade às vezes abusiva de recursos e procedimentos protelatórios ou impeditivos da prestação jurisdicional. os advogados e os membros do Ministério Público ± mas. também." V ivemos uma época neste país onde há uma grande preocupação dos responsáveis pelo funcionamento do sistema jurídico com sua maior credibilidade. há reclamações generalizadas sobre a insegurança e a impunidade.http://campus. com base na mesma lei. Há anos tenho sido francamente favorável à adoção do efeito vinculante das súmulas dos Tribunais Superiores. como outras reformas da Constituição. principalmente.

do contraditório e da ampla defesa. A Constituição Federal de 1988 consagra o princípio do devido processo legal. com a devida presteza e sem procrastinações. E quando a expressão refere-se a processo e não a simples procedimento. durante o período do Chief Justice Earl Warren. ou na expressão original em latim per legale judicium parium suorum. sem a prudente e cautelosa análise de sua essencialidade. liberdade e propriedade. como se sabe. disponha o processo judicial de eficiência e funcionalidade. a qualquer custo. A modernização do processo. em detrimento do exame da substância do direito. o que significa que ninguém pode ser processado "senão mediante um julgamento regular pelos seus pares ou em harmonia com a lei do País". segundo o disposto nos incisos XXXV e LV do mesmo artigo da Constituição. em 1868. estabelecendo que "nenhuma pessoa pode ser privada da vida. desenvolver jurisprudência de proteção aos direitos civis assegurados no Bill of Rights. para todos. E a 14ª Emenda. em nome de suposta eficácia da prestação jurisdicional. é corolário do devido processo legal. as cláusulas do due process of law e da equal protection of the laws (igual proteção das leis) complementam-se reciprocamente. com os meios e recursos a ela inerentes. Nesse sentido. A 5ª Emenda à Constituição Americana de 1787 foi. vel per legem terrae. originado da cláusula do due process of law do Direito anglo-americano. A garantia da prestação jurisdicional. ao lado das garantias da forma. pois os princípios da legalidade e da isonomia ± essenciais ao Estado Democrático de Direito ± não fariam qualquer sentido sem um poder capaz de fazer cumprir e pôr em prática. a partir da 14ª Emenda à Constituição de 1787 dos Estados Unidos. todavia. especialmente nos anos 60. segundo os imperativos da ordem jurídica. na Magna Carta de 1215 que se referia inicialmente ao processo by the lawful judgement of his equals or by the law of the land. Tão importante princípio ± o do devido processo legal ± teve sua origem histórica. 5º. alude sem dúvida ao processo judicial pelo Estado. e com as garantias de isonomia processual. Penso ainda que a igualdade perante a lei e o devido processo legal são princípios constitucionais complementares entre si. com a necessária presteza. a Constituição e as leis do País. sem o devido processo legal". da bilateralidade dos atos procedimentais. É preciso que. É preciso todo o cuidado para não incidir ao grave erro das soluções simplistas em prejuízo de princípios constitucionais do Estado Democrático de Direito.As modernas teorias do processo demonstram seu caráter instrumental. 41 . porém. vinculou os Estados da Federação à cláusula. têm dado significativas contribuições à moderna Doutrina. aproximando os mecanismos processuais dos anseios práticos da sociedade. no seu art. ratificada pelo Congresso em 1868. deve ser associado aos princípios constitucionais do controle judiciário ± que não permite à lei excluir da apreciação do Poder Judiciário lesão ou ameaça a direito ± e das garantias do contraditório e da ampla defesa. os processualistas brasileiros. por mero apego a oneroso e complicado tecnicismo. inciso LIV. No direito Constitucional americano. onde se inspira o princípio do devido processo legal. que introduziu a expressão due process of law. e introduzido no Brasil pela Constituição de 1988. o que permitiu à Suprema Corte Americana. Este princípio. não deve significar a redução pura e simples de formalidades e a diminuição de recursos. Não se podem aceitar hodiernamente velhos procedimentos formais.

às razões do desenvolvimento da teoria do substantive due process. de provas obtidas por meios ilícitos. por meio de construção jurisprudencial (construction) e baseando-se em critérios de razoabilidade (reasonableness). no nosso sistema constitucional. A Constituição Brasileira de 1988. A Suprema Corte dos Estados Unidos. em que lhe seja assegurada ampla defesa) e de leis retroativas (ex post facto law). No Brasil. em processo judicial ou administrativo. o contraditório e a ampla defesa. a Constituição Federal de 1988 assegura aos litigantes. O renascimento do substantive due pro-cess. A partir de 1890. observada em alguns casos pelo Supremo Tribunal Federal. a disclosure. assim. numa primeira fase. 42 . inspirada na jurisprudência da Suprema Corte dos Estados Unidos. Consagra. em síntese. Por isso. do julgamento duas vezes pelo mesmo fato (double jeopardy) e do direito a ampla defesa e ao contraditório. inciso LVI. além da vedação de auto-incriminação forçada (self incrimination). 5º. Segundo sua concepção originária e adjetiva. incorporou-se à cláusula do due process of law. o que somente se apura obedecidos os ditames do due process of law. o duplo grau de jurisdição e a publicidade dos julgamentos dentre outras garantias. sem a precedência de um processo e julgamento regular. do direito constitucional à tutela jurisdicional do Estado e do devido processo legal resultam a instrução contraditória. o direito de defesa. Connecticut em 1965 e Roe v. volta a enfatizar a importância da proteção de valores fundamentais contra ação arbitrária e irrazoável. aplica-se a denominação procedural due process. portanto. no processo. a revelação de dados sigilosos. procedimentos ordenados por princípios como. a famosa doutrina constitucional americana sintetizada na expressão fruits of the poisonous tree. a cláusula do devido processo legal não visava a questionar a substância ou o conteúdo dos atos do Poder Público mas sim. a partir das decisões da Suprema Corte nos casos Griswold v. já na vigência da 14ª Emenda à Constituição Americana. especialmente da Suprema Corte. a assegurar o direito a um processo regular e justo. nesse sentido. o sentido de proteção substantiva dos direitos e liberdades civis assegurados no Bill of Rights. como se sabe. em muitos casos. relativas ao direito a orderly proceedings. segundo a doutrina e a jurisprudência norte-americana. a proibição de bill of attainder (ato legislativo que importa em considerar alguém culpado pela prática de crime. assegurada na Constituição. no campo processual penal. Estas são. garantindo aos cidadãos a proteção contra os abusos e a violação de garantias procedimentais e de direitos fundamentais. passou a promover a proteção dos direitos fundamentais contra ação irrazoável e arbitrária (protection from arbitrary and unreasonable action). No campo processual civil. para limitar a ação administrativa do Estado na esfera individual e o poder de polícia. apenas a garantias de natureza processual propriamente ditas. Wade em 1973. como no processo trabalhista.A cláusula do devido processo legal no Direito Constitucional americano refere-se. O princípio do devido processo legal nos Estados Unidos tem também sido aplicado. o princípio da invalidade. no seu art. pela jurisprudência. isto é. adota. fundada em critérios de razoabilidade e interesse público relevante. A excepcionalidade da medida relativamente à privacidade dos cidadãos. somente pode ser verificada no âmbito do Poder Judiciário. Nas investigações criminais. A doutrina constitucional americana tem se modificado ao longo dos anos sobre a extensão e o significado da cláusula do devido processo legal. somente pode ocorrer existindo probable cause (fundada suspeita).

para decidir de seus direitos e deveres ou do fundamento de qualquer acusação criminal contra ela". o mais importante é o dito princípio genérico. menos o que a lei proíbe. especialmente em relação à ameaça de tráfico internacional de drogas. a importância da garantia constitucional do due process of law é reconhecida no Direito Comparado e no Direito Internacional ao incluí-la na Declaração Universal dos Direitos Humanos de 1948. A história constitucional brasileira e de sua democracia. que vale para todos. Leandro Cadenas .br/direito-administrativo/principio-da-legalidade. Vamos ver outros dois exemplos constitucionais. que é nosso foco atual. em seu inciso XXXIX. esse princípio diz respeito à obediência à lei. a partir da publicação do livro The White Collar Crime. 43 . e está no mesmo art." e "Toda pessoa tem direito.algosobre. 8º e 10 expressamente: "Toda pessoa tem direito a receber dos tribunais nacionais competentes recurso efetivo para os atos que violem os direitos fundamentais que lhe sejam reconhecidos pela constituição ou pela lei. II do art. ao crime organizado e aos crimes do colarinho branco (denominação usada pelos criminalistas americanos já na década de 50. realizando mudanças para a consolidação do regime democrático no País. 5º.com. Para concluir. demonstram a necessidade de superar as dificuldades tradicionais da cultura política. E o Estado Democrático de Direito não pode prescindir do respeito à Constituição. porém.Finalmente. Encontramos muitas variantes dele expressas na nossa Constituição. em 1949 por Edwin H. @@@@@@@@@@@@@@@@@@@@@@@@@@@@@@@@@@@@@@@@@@@ http://www. 5º. em plena igualdade. Aproveitando. da igualdade e do devido processo legal. aos princípios da legalidade. Assim. O primeiro é o que orienta o Direito Penal. segundo dispõem os seus arts.profcadenas@algosobre. das Nações Unidas. que pode fazer de tudo. Vemos então que existe relativa liberdade do povo. Sutherland). É encontrado no inc. que diz que ³ninguém será obrigado a fazer ou deixar de fazer alguma coisa senão em virtude de lei´. atendendo aos anseios da sociedade.html Princípio da Legalidade sobre Direito Administrativo por Prof. vou relembrar alguns. Não se devem.br Como o próprio nome sugere. devo enfatizar mais uma vez a necessidade de reformas a fim de tornar o processo moderno e funcional. a uma audiência justa e pública por parte de um tribunal independente e imparcial.com. esquecer jamais as lições do passado para não cometer os mesmos erros dos julgamentos sumários e tribunais de exceção nos regimes autoritários. É preciso também modernizar a legislação para maior eficiência no combate à corrupção e à criminalidade. para que fique bem clara a incidência desse princípio específico no Direito Administrativo.

tendo em vista seus interesses. exceto o que a lei proíbe. a pessoa pode fazer de tudo.com/doutrina/2/direito_civil/principio_da_legalidade. sintetizada na seguinte frase: ³administrar é aplicar a Lei de ofício´. esse princípio determina que. Aqui diz que somente poderá ser cobrado ou majorado tributo através de lei. Representa um limite para a atuação do Estado. por exemplo. @@@@@@@@@@@@@@@@@@@@@@@@@@@@@@@@@@@@@@@@@@ http://www. 150. mas o administrado só se submeterá ao previsto nas 44 . pois esta também advém da lei. Seus atos têm que estar sempre pautados na legislação. a CF/88. inciso II. Neste. no Direito Público. no Direito Tributário. se não houver previsão legal. A diferença entre o princípio genérico e o específico do Direito Administrativo tem que ficar bem clara na hora da prova. encontramos em toda a Constituição suas expressões específicas. Tal idéia toma como alicerce a célebre lição do jurista Seabra Fagundes. o constituinte estabeleceu que determinada conduta somente será considerada criminosa. No Direito Privado. inciso XXXIX). ou então o trâmite de um projeto de lei no legislativo ou a fiscalização das contas presidenciais pelo TCU. É ela quem estabelece como um juiz deve conduzir um processo ou proferir uma sentença. também estabeleceu a observância obrigatória a esse mesmo princípio. qualquer ato da Administração Pública somente terá validade se respaldado em lei. Assim. estando engessada. O princípio da legalidade apresenta um perfil diverso no campo do Direito Público e no campo do Direito Privado. entre outros. se prevista em lei. visando à proteção do administrado em relação ao abuso de poder. em seu art.centraljuridica. a Legalidade Penal (artigo 5º. nada pode ser feito. a Legalidade Tributária (artigo 150. em sua acepção ampla. só se pode fazer o que a lei expressamente autorizar ou determinar.medidas provisórias: são atos com força de lei.Nesse ponto. Então. da Constituição Federal). Agora. pois. não obstante sua larga aplicação. as partes poderão fazer tudo o que a lei não proíbe. ou ainda as regras para aquisição de materiais de consumo pelas repartições. em qualquer atividade. e cada um dos agentes públicos estará adstrito ao que a lei determina. inciso I). norteador da elaboração de nosso texto constitucional. O princípio da legalidade representa uma garantia para os administrados.. na ausência de tal previsão. Em outro ramo. O princípio em estudo. Repare na importância que a legislação tem na vida do Estado. o que nos interessa: no Direito Administrativo. como. diferentemente. é expressão do princípio da legalidade a permissão para a prática de atos administrativos que sejam expressamente autorizados pela lei. a Administração Pública está estritamente vinculada à lei.html Ninguém será obrigado a fazer ou deixar de fazer alguma coisa senão em virtude de lei (artigo 5º. Naquele.. ou seja. I. apresenta justificáveis restrições: . existe uma relação de subordinação perante a lei. ainda que mediante simples atribuição de competência. a Administração Pública só pode fazer o que a lei autoriza. Como desdobramentos de tal princípio. tudo tem que estar normatizado.

ou seja. se nelas constarem os requisitos da relevância e da urgência. aqueles assuntos que não podem esperar mais de 90 dias. autorizando ou determinando a prática de atos sem respaldo legal. §§ 1º a 4º).estado de sítio e estado de defesa: são situações de anormalidade institucional. 45 . Vêm sendo considerados fatos urgentes.medidas provisórias se elas forem editadas dentro dos parâmetros constitucionais. a legalidade não se subsume apenas à observância da lei. . para fins de edição de medidas provisórias. Concluindo. em razão da previsão constitucional de procedimento sumário para a criação de leis (artigo 64. que pode ampliar os poderes da Administração. ou ao Direito. mas sim a todo o sistema jurídico. Representam restrições ao princípio da legalidade porque são instituídos por um decreto presidencial.

Sign up to vote on this title
UsefulNot useful