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SUMÁRIO EXECUTIVO RELATÓRIO DO PROJECTO QUALIDADE DO ENSINO E PREVENÇÃO DO ABANDONO E INSUCESSO ESCOLARES

SUMÁRIO EXECUTIVO

SUMÁRIO EXECUTIVO RELATÓRIO DO PROJECTO QUALIDADE DO ENSINO E PREVENÇÃO DO ABANDONO E INSUCESSO ESCOLARES NOS

RELATÓRIO DO PROJECTO QUALIDADE DO ENSINO E PREVENÇÃO DO ABANDONO E INSUCESSO ESCOLARES NOS 2.º 3.º CICLOS DO ENSINO BÁSICO: O PAPEL DAS ÁREAS CURRICULARES NÃO DISCIPLINARES (ACND) ESCOLA SUPERIOR DE EDUCAÇÃO DE SETÚBAL

2006/2008

As ACND e a melhoria das aprendizagens e dos resultados escolares Terá de ser questionada a forte

disciplinarização e pouca articulação das disciplinas existentes nas práticas actuais. Transformar a ACND em

mais três disciplinas sem relações entre si dificulta o seu uso integrado, acabando por funcionar como

elementos de dispersão e de acréscimo das dificuldades dos alunos. Os tempos dedicados às ACND deverão

ser reorganizados para que sejam verdadeiros instrumentos para a melhoria das aprendizagens da cidadania.

Existe um défice de autoridade pedagógica/liderança dos Conselhos Executivos e das chefias intermédia,

com a perpetuação da tendência para o isolamento dos professores/pares pedagógicos, que marca uma

orientação clara de disciplinarização no desenvolvimento das ACND. A ligação das ACND com os resultados

escolares é muito ténue no conjunto das escolas, não parecendo, contudo, haver uma relação entre as estas

e os resultados escolares.

Encontrou se, quer ao nível dos Conselhos Executivos, quer ao nível dos professores,

um objecto transitório no processo de reforma do currículo em função do modo como estão objecto transitório no processo de reforma do currículo em função do modo como estão

organizadas e, portanto,

quem considere as

dispensáveis desde que as Áreas Disciplinares funcionem convenientemente e

assumam os objectos daquelas.

Encontrou se um défice de capacidade de regular práticas, quer ao nível da escola, quer ao nível dos

Conselhos de Turma.

desenvolvidas.

De um modo geral, uma dificuldade generalizada em descrever e avaliar as práticas

Um dos principais obstáculos ao cumprimento dos objectivos das ACND foi a sua organização através do

modelo das Áreas Curriculares Disciplinares, na medida em que foram desenvolvidas por um grande número

de professores sem informação/conhecimento/formação nestas áreas.

Estudo Acompanhado (EA) Alguns professores, e responsáveis das escolas, pensam que a função do EA

poderia ser desempenhada ao nível das várias disciplinas do currículo e que os problemas de aprendizagem

não se resolvem porque não se conseguem introduzir as mudanças pedagógicas necessárias no conjunto do

currículo.

Uma parte dos professores centra o EA em actividades de utilização do espaço pedagógico para a

aulas de EA que funcionam em par pedagógico, foram verificadas algumas dificuldades de cooperação entre
aulas de EA que funcionam em par pedagógico, foram verificadas algumas dificuldades de cooperação entre

aulas de EA que funcionam em par pedagógico, foram verificadas algumas dificuldades de cooperação entre

os professores ao nível do par pedagógico, por exemplo as actividades são dirigidas por um dos professores,

enquanto o(a) colega vai assumindo um papel secundário (…) de “fiscalização da disciplina” na sala de aula.

Numa escola com uma população mais seleccionada de um ponto de vista social, constatou se que o EA

um ponto de vista social, constatou ‐ se que o EA surge como mero lugar de

surge como mero lugar de estudo, o que alguns professores consideram nada útil: “não faz qualquer sentido

os alunos que possuem todos os meios para estudar em casa à noite venham para escola muito cedo para

em casa à noite venham para escola muito cedo para uma aula de EA”. Uma das

uma aula de EA”.

Uma das dificuldades mais referidas pelos professores relativamente ao EA diz respeito à gestão de turmas heterogéneas. Verificou se que a diferenciação/individualização é uma estratégia difícil, pelo que se concluiu que trabalhar com o menor número de alunos possível seria benéfico. Actividades dirigidas a todos os alunos em simultâneo pelo professor resultaram, em casos observados, numa fonte de desmotivação para os alunos, por favorecerem práticas de passividade e desinteresse. Outra das actividades frequentes é a recuperação de disciplinas, organizada em função de dificuldades generalizadas, por exemplo no âmbito do Plano de Acção da Matemática. Esta actividade, que nos pareceu fazer todo o sentido, exige estratégias específicas, e não deveriam ser repetidas situações em que ficou comprovado os alunos não aprenderem.

A atitude dos alunos é, com frequência, a expressão do sentido de inutilidade do trabalho desenvolvido em

EA, acabando por estruturarse muitas vezes de forma aleatória, muito dependente da capacidade do(s)

professor(es) responsável(eis). Impõese uma estratégia de diferenciação pedagógica, muito útil no

enquadramento de turmas heterogéneas, na medida em que os professores e os Conselhos de Turma têm

grande dificuldade/resistência nestes casos.

No discurso de alguns dos seus professores, a proposta de EA surgia quase como que uma heresia por

pretender ocupar uma função que se considera que a família pode desempenhar.

Alguns professores dizem

claramente que não consideram estas tarefas de apoio como fazendo parte das suas funções e não lhe

reconhecem qualquer utilidade.

A implementação dos Planos Individuais de Trabalho no EA, pelo menos na

Planos Individuais de Trabalho no EA, pelo menos na turma do 5º ano, passou despercebida junto

turma do 5º ano, passou despercebida junto dos alunos entrevistados, pois não conseguiram explicitar o que

entrevistados, pois não conseguiram explicitar o que fazem naquelas aulas. Numa escola, em reunião

fazem naquelas aulas. Numa escola, em reunião centrada sobre as ACND, os professores afirmava

convictamente a inutilidade do EA para os alunos da escola uma vez que as famílias tinham meios culturais e

financeiros para a solução dos problemas de aprendizagem.

O sentimento da inutilidade do EA, no que se

refere ao seu papel no apoio ao estudo, é assim considerado porque os professores entendem que os alunos

têm condições para estudar em casa e que a escola não é um lugar de estudo.

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Área de Projecto (AP) ‐ Os dados obtidos, nos diferentes estudos de caso, evidenciam que,
Área de Projecto (AP) ‐ Os dados obtidos, nos diferentes estudos de caso, evidenciam que,

Área de Projecto (AP) Os dados obtidos, nos diferentes estudos de caso, evidenciam que, em termos

diferentes estudos de caso, evidenciam que, em termos globais, a AP revelou ser a ACND onde

globais, a AP revelou ser a ACND onde se formaram as maiores dificuldades na sua execução, com práticas de

sala de aula menos consentâneas com os objectivos e finalidades teoricamente traçadas para o seu desenvolvimento. Em termos conceptuais a AP tende a ser percepcionada como uma “área menor”, (…) que não sendo utilizada pelo conjunto das equipas educativas como um instrumento de gestão da autonomia das

escolas, mesmo quando lançam um tema para trabalhar no projecto.

A AP também não é, em geral,

valorizada como forma de melhorar os resultados escolares dos alunos, nem pelas equipas directivas nem

pelos docentes.

Os alunos, sobretudo do ciclo, assumiram, com frequência, um discurso bastante crítico relativamente à

Área de Projecto, revelando pouco interesse por este espaço lectivo, dificuldade em dar significado nos

assuntos tratados. Professores de AP descrevem situações de desmotivação e descrença face à metodologia

de projecto, com resistência e dificuldades na realização de trabalho de pesquisa.

A observação de aulas foi bastante elucidativa relativamente aos aspectos e dificuldades funcionais da AP. Em muitos casos, verificou se a existência de dificuldades de organização dos alunos no espaço escolar, ocupando se um tempo considerável de aula com questões marginais ao projecto, nomeadamente na organização da sala de aula e do grupo, ou na distribuição dos alunos pelas salas de computadores.

Constatou se existirem dificuldades significativas quer de controlo disciplinar por parte do professor e de

resolução de situações de conflito, quer de organização/gestão do trabalho de grupo, essencial nesta

metodologia de trabalho.

A AP não se impôs como espaço de desenvolvimento de competências transversais, com dificuldades e

constrangimentos vários na sua concretização. Sendo uma área em que (…) “os alunos deveriam aprender a

gostar de aprender e de trabalhar”, a falta de sentido destes projectos é muito confrangedora.

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