UNIVERSIDADE FEDERAL DE UBERLÂNDIA

4ª Semana do Servidor e 5ª Semana Acadêmica
2008 – UFU 30 anos

SISTEMA DE CONTROLE DE LUMINOSIDADE DE UMA LÂMPADA INCANDESCENTE VIA PORTA PARALELA DO COMPUTADOR
Rodrigo Sousa Ferreira
Universidade Federal de Uberlândia – Faculdade de Engenharia Elétrica – Av. João Naves de Ávila, 2121 Bloco 3N rodrigosfufu@gmail.com

Daiane Rezende Carrijo
daianecarrijo51@gmail.com

Edylara Ribeiro Rangel
aralyde@gmail.com

Daniel Cardoso Dias
daniel.cardoso.dias@hotmail.com

Ernane Antônio Alves Coelho
ernane@ufu.br

Resumo: O objetivo deste trabalho é apresentar um sistema de controle de potência para uma carga elétrica monofásica através de um circuito gradador, controlado através de um computador compatível PC. O sistema é composto basicamente de um conversor D/A escada R-2R, conectado à porta paralela do PC, um circuito para controle do ângulo de disparo do TRIAC, com isolamento galvânico para proteção do circuito do computador efontes de alimentação. Palavras-chave: Controle de Potência, Circuito Gradador, Conversor D/A R-2R, Porta Paralela. 1. INTRODUÇÃO Este trabalho apresenta a implementação de um sistema eletrônico para controle da intensidade luminosa de uma lâmpada incandescente, por meio do interfaceamento com um computador compatível PC via porta paralela. É importante ressaltar que originalmente o projeto foi desenvolvido para controle da luminosidade de lâmpadas incandescentes, mas é possível controlar a potência elétrica de qualquer carga até o limite nominal, a qual não tenha restrições à forma de onda da tensão aplicada. Em razão das funções de controle definidas por software, pode-se controlar a potência elétrica, de forma contínua, obtendo-se no caso da lâmpada vários níveis de luminosidade em contraste aos habituais estados “ligado” e “desligado” e ainda incorporar funções específicas como vincular a potência elétrica a outras variáveis disponíveis no computador, como hora, dia, etc.. 2. SISTEMA PROPOSTO Para a realização da meta proposta desenvolveu-se um sistema constituído de módulos que utilizam à conexão de diversos componentes eletrônicos. Cada módulo do sistema caracteriza-se por uma funcionalidade específica, e a junção destes gera o controle desejado. A Figura 1 representa o circuito eletrônico completo do projeto:

1 – Rodrigo Sousa Ferreira, Daiane Rezende Carrijo, Edylara Ribeiro Rangel, Daniel Cardoso Dias <Engenharia Elétrica>; 2 – Ernane Antônio Alves Coelho 1

sendo que na prática observa-se pequenas variações. de 0 a 255. 2 . implica o uso de uma variável de controle analógica. Definida a tensão nos pinos D0 a D7. é necessária a utilização de uma variável discreta com resolução suficiente para a representação adequada desta variável analógica de controle. determina-se a tensão nos pinos de saída e consequentemente a entrada do conversor D/A. Conforme o byte escrito na porta. ou seja. O nível estabelecido será função do byte escrito. é necessário converter a variável de controle da sua forma digital para analógica. com número de bits suficientes para acomodar todos os níveis discretos de potência desejável para a carga. O bit alto define 5V no pino correspondente e o bit baixo corresponde a 0V (lógica TTL). CONVERSOR DIGITAL ANALÓGICO A variação contínua da potência. em princípio. os quais estão descritos a seguir.Figura 1: Esquema do circuito completo do sistema de controle de luminosidade de uma lâmpada incandescente via porta paralela Ao analisar o circuito eletrônico completo. percebe-se que este é formado por quatro módulos: conversão digital analógica (A/D). Para que o computador possa atuar no circuito gradador. de 0V a (5-1LSB)V. modificando o nível de potência. com passo de 1LSB (least signicant bit) = (5/256)V. Como a proposta prevê o controle digital (via computador). circuito de controle. constituem os bits de dados de 0 a 7. 256 níveis discretos serão definidos no ponto 1. Tais valores são nominais. Através dos resistores. Os pinos de 2 a 9 do 1conector. Assim optou-se pela utilização de um conversor D/A escada R-2R de 8-bits conectado à porta paralela do computador. é possível determinar a tensão no ponto 1 por meio do cálculo dos divisores resistivos compostos pela escada R-2R. acionamento da carga (gradador) e sistema de alimentação. A Figura 2 mostra o conversor conectado à porta paralela do computador (conector DB25). 3.

pelo TCA785. 3 . o que caracteriza a conversão digital analógica. conforme mostrado na Figura 3: Figura 3: Onda dente de serra gerada. 4. Sua estrutura interna e a possibilidade externa de seleção do ponto de chaveamento permitem um grande número de opções de funcionamento. desenvolvido para gerar pulsos e controlar o ângulo de disparo de tiristores e TRIAC. evitando um circuito externo volumoso. sincronizada com a rede. tem-se uma tensão em rampa no ponto 1. Por meio do processo descrito anteriormente. ao variar a palavra digital de entrada de 00H a FFH (0 – 255). o qual é um circuito integrado analógico de 16 pinos. continuamente entre 0° e 180° em aplicações para controle de tensão de saída nos retificadores controlados e controladores de fase.Figura: 2. Este circuito integrado gera uma onda dente de serra que é sincronizada com a onda de tensão proveniente da rede. CIRCUITO DE CONTROLE O controle de variação da intensidade luminosa da lâmpada incandescente é feito utilizando o circuito integrado TCA785. Conversor R-2R conectado à porta paralela.

a largura do pulso pode atingir 180°. O tempo de subida da onda é determinado pela combinação RC. A corrente desta fonte é determinada por uma resistência externa ligada ao pino 9. tensão esta aplicada ao pino 11. O circuito montado para este módulo está mostrado na Figura 5. Figura 5: Circuito de controle. Portanto o controle automático da intensidade luminosa da lâmpada incandescente é feito quando ocorre a variação do valor da tensão de controle.O gerador da onda dente de serra consiste em uma fonte controlada de corrente constante que carrega linearmente um capacitor externo conectado ao pino 10. que compara a onda dente de serra com a de controle. ou seja. A saída desta comparação constitui-se de pulsos de disparos positivos com aproximadamente 30µs presentes nos pinos 14 (sincronizada com o semi-ciclo negativo) e 15(sincronizada com o semiciclo positivo). Como a potência aplicada à lâmpada depende da posição inicial do pulso. proveniente do conversor digital analógico. A Figura 4 mostra a geração de pulsos: Figura 4: Geração de pulsos. quando os níveis lógicos enviados à porta paralela são alterados. Para a geração de pulsos há um comparador interno ao circuito integrado TCA785. 4 . Na Figura 4 percebe-se que a posição inicial do pulso depende do ponto comum das formas de onda (dente de serra e tensão de controle). esta é alterada quando há uma variação no valor da tensão de controle. A duração destes pulsos pode ser alterada por meio de capacitores ligados ao pino 12 e caso este pino seja aterrado.

o qual é um componente eletrônico equivalente a dois retificadores controlados de silício (SCR/tiristores) ligados em antiparalelo com o terminal de disparo (gate) em comum. para que o circuito de controle não cause nenhuma interferência no divisor de tensão resistivo do conversor R-2R. uma vez que sem esse artifício o computador poderia ser danificado por distúrbios presentes na rede. O isolamento galvânico é necessário para que a rede não esteja conectada diretamente ao circuito ligado a porta paralela do computador. entre outros. Uma vez disparado. O objetivo desta conexão é uma isolação entre estes módulos. o dispositivo continua a conduzir até que a corrente elétrica de carga caia abaixo do valor de corte. sendo assim este pode ser disparado por uma tensão. A utilização do capacitor é sugerida pelo fabricante do tiristor. Ao observar o circuito acima percebe-se que o acionamento da carga é feito por um Triode for Alternating Current (TRIAC). permitindo acionar grandes potências por meio de circuitos de controle com valores de corrente da ordem de miliampères. mantendo assim uma tensão contínua de 15V na entrada de alimentação do mesmo. O TRIAC de baixa potência também pode ser utilizado em outras aplicações. controles de velocidade para ventiladores. como controles de potência para lâmpadas. aplicada no eletrodo de disparo (gate). 5 . tanto positiva quanto negativa. Já o fotoacoplador é utilizado para isolar o sistema de carga do restante do circuito. 5. Este tipo de ligação resulta em uma chave eletrônica bidirecional que pode conduzir corrente elétrica nos dois sentidos. ou seja. o que torna o TRIAC um conveniente dispositivo de controle para circuitos de corrente alternada. percebe-se a presença de um amplificador operacional (LM741) que atua como um buffer que interliga o conversor digital analógico ao circuito de controle. ACIONAMENTO DA CARGA O circuito representado na Figura 6 demonstra como foi realizado o acionamento da carga.Ao observar o circuito eletrônico completo. Para o funcionamento do fotoacoplador um diodo Zener foi conectado ao pino 5 deste dispositivo. dimmers. O resistor de 180 no circuito visa um valor de corrente necessário para ativar o TRIAC. Figura 6: Circuito de acionamento da carga. devido à necessidade da eliminação dos ruídos da rede que afetam o disparo do TRIAC.

a partir da funcionalidade específica de cada parte. o qual possibilita o acesso à porta paralela do computador. ou seja. tem-se uma maior praticidade na utilização do projeto. sendo assim foi montado uma fonte com saídas de ± 15Volts. que permitia controlar a 6 . pois substitui o uso de uma fonte externa. escrito na linguagem CSharp. SISTEMA DE ALIMENTAÇÃO Os dispositivos eletrônicos utilizados no projeto necessitam de tensão de alimentação contínua. O circuito do sistema de alimentação está mostrado na Figura 7. Foi criada uma interface com o usuário. SOFTWARE UTILIZADO Para teste do protótipo implementado foi elaborado um software de controle da intensidade luminosa da lâmpada incandescente. 7. A montagem de tal dispositivo é justificável. Com este módulo finaliza-se o processo de entendimento do circuito. Figura 7: Sistema de alimentação.6. Figura 8: Protótipo implementado. O protótipo implementado pode ser visto na Figura 8.

“Elementos de Eletrônica Digital”. F. REFERÊNCIAS Ahmed. G. O software de controle pode ser adaptado para diferentes funções ou cargas elétricas. os quais compõem um sistema para o controle da luminosidade de lâmpadas incandescentes via porta paralela de um computador compatível PC. São Paulo. do ciclo acende apaga. Guia prático de funcionamento do TCA785. 1ª Edição. São Paulo. controle remoto via internet. I. Capuano. and.intensidade luminosa da lâmpada incandescente de formas distintas: movimentação do mouse de um lado para outro (movimento do mouse para a direita aumenta a intensidade luminosa da lâmpada e movimento do mouse para a esquerda diminui intensidade luminosa da lâmpada). V. incluindo software e hardware para a validação do sistema. Érica Ltda..pdf. indicando aumento e redução da intensidade luminosa. respectivamente) e a possibilidade de selecionar um modo automático que varia a freqüência.br/eletronica/disciplinas/Anexos/Eletronica%20de%20Potencia%202/pra tica_03. “Circuito de comando para retificadores controlados – estudo do CI TCA785”. Figura 9: Janela de Interface. 1998. em: http://www. CONCLUSÃO Foi apresentado em detalhes neste trabalho o conjunto de módulos. ou seja. “Eletrônica de Potência”. valores que estão relacionados a uma intensidade luminosa desde apagada à plena potência. Prentice Hall. mas muitas outras funções de controle podem ser implementadas. etc. 7 . A janela criada pelo software de controle para a interface com o usuário pode ser vista na Figura 9. 38a Edição. 9. Idoeta. Deve-se ressaltar que o software implementado possui apenas funções básicas para teste. como um dispositivo de temporização. O sistema permite a aplicação de todos os recursos disponíveis em um computador PC na função de controle de potência de uma carga elétrica através da variação da tensão eficaz aplicada. acessado em 9 de Maio de 2008. com finalidade de entender todo o comportamento do projeto. Após o estudo de todas as partes do circuito é importante relacionar as saídas e as entradas dos circuitos adjacentes. inserção de um valor numérico entre 0 e 255. Foi implementado um protótipo.ipuc. 8. mas a qualquer carga elétrica a qual possa ser alimentada com tensão eficaz variável sem restrições quanto à forma de onda. 2000. ou a intensidade luminosa. Aulas práticas da Faculdade de Engenharia Elétrica e de Telecomunicações do Instituto Politécnico da Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais. A.pucminas. o sistema não se restringe ao controle de lâmpadas incandescentes. Além disso. utilização das teclas direcionais do teclado (direcional direito e esquerdo.

com/datasheetpdf/view/2013 9/POINN/TIC226D.cardoso.com Daniel Cardoso Dias daniel. Parallel Port. 2121 Bloco 3N rodrigosfufu@gmail. R-2R D/A Converter. 8 .html em: 2008. LUMINOSITY CONTROL SYSTEM OF INCANDESCENT LAMP VIA COMPUTER PARALLEL PORT Rodrigo Sousa Ferreira Universidade Federal de Uberlândia – Faculdade de Engenharia Elétrica – Av. and power supplies.dias@hotmail. http://www.com Edylara Ribeiro Rangel aralyde@gmail.alldatasheet. acessado em 9 de Maio de 2008.org/datasheet/infineon/1-tca785. The system consists in a R-2R D/A converter connected to parallel port.datasheetcatalog.com Daiane Rezende Carrijo daianecarrijo51@gmail. Keywords: Power Controller. a integrated circuit to control triggering angles of the TRIAC. acessado em 9 de maio de em:http://pdf1. a galvanic isolation circuit to protect computer interface.pdf.com Ernane Antônio Alves Coelho ernane@ufu. João Naves de Ávila.Catálogo do TCA785. Catálogo do TRIAC (TIC226D). Triac Converter.br Abstract: This paper presents a single phase electric power controller using a TRIAC converter connected to PC parallel port.

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