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Exma. Sra.

Ministra da Educação,

C/c.: Exmo. Sr. Presidente da Assembleia da República

Exmo. Sr. Procurador Geral da República

Exmo. Sr. Primeiro - Ministro

Exmos. Srs. Dirigentes Sindicais

Órgãos da Escola Secundária D. João V:

Exmos. Srs. Membros do Conselho Geral Transitório

Exma. Sra. Presidente do Conselho Executivo

Exmos. Srs. Membros do Conselho Pedagógico

Exmos. Srs. Representantes Associação Pais e Encarregados de Educação

Moção aprovada em reunião no dia 12/11/2008


Os professores da Escola Secundária D. João V na Amadora reunidos no dia 12/11/08 em Assembleia
Geral, tendo analisado e tentado aplicar o Decreto-Regulamentar 2/2008 consideram que este não está
orientado para a qualificação do serviço docente, nem para a melhoria da qualidade da Educação, enquanto
serviço público, destinando-se a institucionalizar uma cadeia hierárquica dentro das escolas e a dificultar ou,
mesmo, impedir a progressão dos professores na sua carreira. Consideram que:

1. O modelo de avaliação se reveste de enorme complexidade, levando a que os docentes trabalhem


muito para além das 35 horas exigidas; é ainda objecto de leituras tão difusas quanto distantes entre
si, que nem o próprio Ministério da Educação consegue explicar atempada e devidamente;

2. O modelo não assegura critérios de rigor, imparcialidade ou justiça, parecendo violar o disposto na
alínea a) do artigo 44º do Código do Procedimento Administrativo: aí se determina que constitui
impedimento para qualquer titular de órgão ou agente da Administração Pública intervir em
procedimento administrativo ou em acto/contrato de direito público ou privado da Administração
Pública quando nele tenha interesse. O processo não fica isento de suspeição, quando existem
quotas estabelecidas para as menções de Excelente e de Muito Bom e quando um avaliador por
delegação de competência e um avaliado se encontram a competir para a entrada nessa quota.

3. A aplicação do actual modelo de avaliação está a prejudicar o seu desempenho profissional por via da
excessiva carga burocrática e das inúmeras reuniões que exige; não se traduz em qualquer mais-valia
profissional e é gerador de uma conflitualidade que dificulta o bom funcionamento da vida escolar, não
trazendo benefícios ao processo de ensino-aprendizagem, nem garantindo um real sucesso
educativo;
4. A definição dos parâmetros de avaliação, pelo seu grau de subjectividade, ressente-se de um
problema estrutural – não existem quadros de referência em função dos quais seja possível promover
a objectividade da avaliação do desempenho, levando a uma aplicação não uniforme;

5. O próprio Conselho Científico da Avaliação dos Professores, estrutura criada pelo ME, nas suas
recomendações, critica aspectos centrais do modelo de avaliação do desempenho como a utilização
feita pelas escolas dos instrumentos de registo, a utilização dos resultados dos alunos, o abandono
escolar ou a observação de aulas, como itens de avaliação. O Ministério não dá resposta a estas
recomendações, mantendo em vigor fichas de avaliação absolutamente desadequadas e
inexequíveis;

6. A avaliação do desempenho está orientada para a melhoria estatística dos resultados dos alunos,
produzindo eventuais resultados artificiais porque inflacionados, promovendo o facilitismo e
despromovendo o rigor e a exigência;

7. Este modelo de avaliação promove e incentiva a competição desmedida entre colegas de profissão,
inviabilizando o trabalho cooperativo, absolutamente necessário para um exercício de funções com
qualidade;

8. É inaceitável que a avaliação externa dos alunos pese na avaliação dos professores, uma vez que se
sabe que este critério apenas é aplicável às disciplinas que têm exame a nível nacional. A disposição
parece, por isso, infringir o princípio da igualdade consagrado no Artigo 13º da Constituição da
República Portuguesa.

9. Penaliza nos critérios de obtenção de Muito Bom ou Excelente, o uso de direitos como o de faltar por
motivos de maternidade/paternidade, por doença, por nojo e para cumprimento de obrigações legais.

10. A divisão entre titulares e não titulares, sem qualquer critério de exigência aceitável, apenas pelo
exercício de cargos administrativos pode ter levado a que os mais capazes, não sendo titulares,
jamais serão avaliadores; o estabelecimento de quotas na avaliação e a criação de duas categorias
que, só por si, determinam que mais de dois terços dos docentes não chegarão ao topo da carreira,
completam a orientação exclusivamente economicista em que se enquadra o actual Estatuto da
Carreira Docente que inclui o modelo de avaliação decretado pelo ME.

É evidente um clima de contestação e indignação dos professores, pelo que suspender o processo de
avaliação permitirá:

1. Concentrar a atenção dos professores naquela que é a sua primeira e fundamental missão – ensinar;

2. Que os professores se preocupem prioritariamente com quem devem – os seus alunos;

3. Antecipar em alguns meses a negociação de um outro modelo de avaliação do desempenho docente.

Assim, os signatários entendem suspender as iniciativas e actividades relacionadas com o


processo de avaliação em curso, solicitando ao Conselho Executivo e Conselho Pedagógico deste
estabelecimento de ensino que ajam em conformidade, certos de que, desta forma, contribuem
para a melhoria do trabalho dos docentes, das aprendizagens dos nossos alunos e da qualidade do
serviço público de educação.