PONTIFÍCIA UNIVERSIDADE CATÓLICA DO RIO DE JANEIRO

História Econômica Política e Social do Brasil

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gerenciando ditaduras violentas quando lhes convinha. Para iniciar seu texto. esclarece também que o governo americano não foi o único fator que possibilitou a abertura progressiva do regime. Francisco Carlos Teixeira da Silva trata da influência da política americana e de seus governantes no quadro político sulamericano. De qualquer forma. Apesar de contra-argumentar diversos pontos levantados pelos militares do período. O autor deixa claro que o regime militar no Brasil não estava sendo útil para os interesses americanos. 1974-1985 Francisco Carlos Teixeira da Silva Resenha por Daniel Cavalcanti O texto traça uma linha contra-argumentativa das principais fontes que temos das entranhas de um fato histórico bastante recente no Brasil: os militares que comandavam a ditadura. quanto na política externa (reconhecendo países comunistas e opondo-se a Israel). dado o poder que os militares tinham. sempre clamado como um projeto do próprio golpe. em 1977. É estranho imaginar que. foi a eleição de Jimmy Carter. algo que os EUA não poderiam apoiar depois da Guerra do Vietnã). a crise energética debilitou a economia brasileira de tal forma que o processo de abertura fez-se necessário. especialmente se apresentavam indícios de possíveis laços com a União Soviética. tanto no âmbito interno (torturas e desaparecimentos. segundo Teixeira. havia alguma tentativa de “entregar” o poder. pois nenhum dos depoimentos levantados pelo autor nos fazem acreditar que o militares não se consideravam legitimados no 2 .Crise da ditadura militar e o processo de abertura política no Brasil. Além disso. O principal ponto de mudança na postura americana com relação ao regime militar brasileiro. é difícil perceber alguma desconfiança por parte do historiador quanto aos planos do processo de abertura.

É interessante o autor ter apontado que a PM ganhou fama de truculenta. obteve crescimento anual do PIB em torno dos 11%. apesar de defenderem a “abertura gradual”. mas ver que a instituição estava infectada desde sua origem é esclarecedor.exercício de seu poder. Tanto as cisões ideológicas presentes no meio dos militares. nessa época já tendo exaurido os sindicatos e em constante retaliação de partidos políticos. para investigação e espionagem de possíveis contraventores revolucionários (ou suspeitos) e um alargamento de operações da Brigada (ou Polícia) Militar. O autor descreve que esse movimento foi gerido pelo estado. Esse momento. o autor segue listando os principais conflitos internos apontados pelo autor como fatores de importância) que teriam possibilitado essa abertura. Vemos a criação dos DOI-Codis. sem contar a pressão de alguns setores da sociedade civil para o fim do regime. incompetente e corrupta. De certa maneira. O autor analisa Geisel como uma figura disciplinada. Geisel argumenta que o motivo para esse curso de ação era garantir a segurança de um novo regime. podemos perceber uma certa crise no governo após o sequestro do embaixador americano: a Lei de Segurança Nacional vigora trazendo a pena de morte e o banimento contra dissidentes poíticos. Não conheço estudos na área. mas é difícil levar tais depoimentos em conta. muito propício por uma política de industrialização e controle do mercado interno. deixa claro que o objetivo era manter qualquer partido ou força política anteriores à ditadura fora do poder. com castelistas e liberalistas discutindo com frequência no âmbito político. De qualquer forma. Já Teixeira. todo esse planejamento acaba tomando um discurso 3 . de certa maneira. por sua parcialidade. quanto as dificuldades enfrentadas pela economia construída pelo regime são apontadas como fatores internos do regime. e que a redemocratização não era seu objetivo. que garantiria que a abertura seguisse em ritmo desacelerado. é o Milagre Brasileiro no início dos anos 1970. como já dito. Um ponto importante abordado no texto. Em seu depoimento. Em 1969.

o poder militar de Geisel entra em crise e fecha o Congresso Nacional. que havia um sentimento de insatisfação com o regime. Em 1977. Tentativas de tomadas de poder. marca de um regime em declínio. mas o Poder Militar exercendo seu 4 . culpando a oposição de impedir uma abertura mais rápida nesse momento. então. encontramos algumas fagulhas de esperança: trazer a abertura seria possível com uma ação: anistia. Em 1979. Os atentados da ABI e da OAB. também ganham destaque. traço de um regime em pânico. e desafios ao poder de Geisel. aliado aos problemas econômicos: atrasos na abertura política. MDB. com a linha de pensamento do corpo militar. e o regime cria o Proálcool. parecem bastante claros e justificáveis. De certa forma. É a partir daí que os problemas estruturais da instituição começam a aparecer. com a posse de Figueiredo. Se Thales Tamalho (presidente da MDB) está certo ou não em seu depoimento.parecido com o do Dia do Fico: é uma revolução que não muda muita coisa. O pensamento de que o governo que estava no comando deveria gerenciar a abertura do regime. podemos perceber pelas eleições populares para o Parlamento em 1974. O autor nos oferta. Além disso. contrário aos movimentos da oposição. nesse ponto. o autor aponta para os radicais do regime como responsáveis pela lentidão de sua abertura. vale perceber pelo que se sucede: a retaliação por parte dos “militares linha-dura” que se sucede demonstra o medo de perder o poder. embora o governo estivesse em constante conflito com a oposição. acaba sempre se colocando contra a própria mudança. perseguindo parlamentares do único partido de oposição: o Movimento Democrático Brasileiro. o impacto da crise do petróleo de 1973 dá as caras em 75. que é gradual pois tenta-se manter um mesmo grupo no poder. O autor traça um paralelo entre o povo mantendo o discurso de anistia. preocupado com sua posição. além de procurar soluções energéticas em fontes como a energia nuclear e hidro-elétrica. Além disso.

Tavares cita Guillermo O’Donell quanto às opções apresentadas ao Poder Militar nesse momento: uma queda à força. O autor fala brevemente de Adolfo Suárez e sua estratégia para a saída do poder. ou um pacto. É aqui que fica o impasse. 5 . Visto como um dos principais motivos para as campanhas do Diretas Já! nos anos seguintes. mas também é preciso argumentar que a anistia. se não possibilitou. O PMDB (ex-MDB). garantindo sua anistia e evitando violência. Mas. com a desconfiança característica dos militares de direita.poder irrestrito e esmagador. começam novos atentados. Nesse momento. De fato. para o autor. é no movimento Diretas já! que o autor resolve marcar os personagens da próxima fase da história brasileira. é interessante perceber que a ideia de Suárez cai como uma luva na mão do Poder militar. em um momento pouco propício para o governo de Figueiredo. o autor aponta como Figueiredo não seguiu com planos de abertura por parte do poder militar e. foram tão pouco estruturadas que poderíam não ser feitas nunca sem um “empurrão” da oposição MDBista e das instituições civis. O atentado do Riocentro é apontado como amarra do governo Figueiredo e. a esquerda dos novos partidos na era pósditadura. O Diretas já! chega. Embora não pareça uma opção. os militares preferem pactuar com a oposição. O PT. É um argumento válido de que a ditadura talvez não merecesse essa “boa fé” do povo. fim da paciência por parte dos diversos grupos de oposição da época. O PP. portanto. podemos perceber que as tentativas de estabelecer algum processo de abertura. garantindo que continuem com uma forte presença no governo após a redemocratização do país. com a representação dos trabalhadores rurais e metropolitanos. acelerou a abertura do regime brasileiro. até o momento. mantendo os conservadores do MDB e do PDS. De qualquer forma.

estar na mão de líderes civis com alguma participação popular. especialmente com a entra de José Sarney . Em conclusão. É importante perceber que o medo de uma retaliação era forte no regime e ninguém queria uma repetição de casos como o da Grécia de da Argentina. É o momento que a Assembléia Nacional Constituinte vai se colocar no movimento de abertura. É assim que. finalmente. De qualquer forma. em que o processo de abertura pode. Apontando Sarney como vicepresidente. ainda com Sarney na posição de vice. e uma aliança com o PDS se forma. a candidatura de Paulo Maluf à presidência é apontada como solução para manter o delicado equilibrio dessa conturbada abertura. os políticos do PDS garantiam que a transição não acabasse em maus lençois para os militares. Esse é o momento em que o poder deixa as mãos dos militares. Tancredo se torna presidente do Brasil e começamos a Nova República. o autor percebe como os movimentos internos dos partidos se entrosam com a tentativa de conter problemas nessa transição por uma relação muito próxima de Maluf com o regime.ex-presidente do Arena e do PDS.passa a ter uma posição mais centrista e é visto pelo PT como aliado do antigo governo autoritário. onde os dirigentes dos regimes foram presos após a abertura. 6 . em 1985. Sem definir culpa a Maluf. apesar de uma abertura pactuada. Tancredo Neves toma o lugar de Maluf. Ainda vemos um personagem importante para história do Estado do Rio de Janeiro crescendo no horizonte: o gaúcho Leonel Brizola.

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