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XXXI ENCONTRO NACIONAL DE ENGENHARIA DE PRODUCAO

Inovação Tecnológica e Propriedade Intelectual: Desafios da Engenharia de Produção na Consolidação do Brasil no Cenário Econômico Mundial

Belo Horizonte, MG, Brasil, 04 a 07 de outubro de 2011.

ANÁLISE E SIMULAÇÃO DE CENÁRIOS: ESTUDO DE CASO EM UMA EMPRESA DO SETOR DE AGROALIMENTOS

Rafael Silvestri Serpa Heinze (URI) rafael.heinze@gmail.com Nadya Regina Bilibio Antonello (URI) nadya@urisan.tche.br Regiane Klidzio (URI) regiane@urisan.tche.br

O objetivo deste trabalho está na simulação de cenários com foco em estudo de caso em empresa do ramo de agroalimentos da região da fronteira-oeste do Rio Grande do Sul. O objeto desta pesquisa é a relação do negócio da organização e as varriáveis críticas na tomada de decisão estratégica. Dentre os elementos decisoriais sugere-se o mercado, tanto interno como externo, a imagem institucional (marketing), mensuração da demanda atual e futura do mercado, o sistema de informação gerencial, a concorrência, tecnologia de ponta e os seus produtos. Para a construção do modelo de simulação de cenários para a empresa estudada adotou-se a metodologia Delphi, que deu o direcionamento correto da pesquisa e tornou possível a obtenção de elementos essenciais que compõem no entendimento de um grupo de participantes, gestores da própria organização, as variáveis críticas que esses consideram como sendo as mais importantes e necessárias para dar o suporte estratégico adequado, contribuindo desta forma, para compor o modelo proposto. Após a compilação e tratamento dos dados obtidos com os participantes, foi possível elaborar um modelo que envolve e engloba os elementos voltados que dão a devida sustentação para a simulação dos cenários para a empresa estudada, contribuindo, com a geração de possibilidades de tomadas de decisões estratégicas com base em possibilidades de acontecimentos futuros, que são os cenários.

Palavras-chaves: Cenários, Tomada de decisão, Variáveis críticas

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Belo Horizonte, MG, Brasil, 04 a 07 de outubro de 2011.

na Consolidação do Brasil no Cenário Econômico Mundial Belo Horizonte, MG, Brasil, 04 a 07 de

1 Introdução

Há várias hipóteses para o sucesso de uma empresa no mercado, porém não depende só dela mesma, há fatores como concorrentes, leis, fornecedores, economia enfim podem-se citar vários, pois depende do negócio e mercado de atuação da organização. Por isto é de grande relevância buscar informações, porém há muita dificuldade em encontrar estas, então é importante pesquisar e coletar dados sobre o ambiente de atuação da organização e a capacidade de transformar estes em informações úteis, e isso pode ser um diferencial em relação aos seus concorrentes, pois auxilia no processo de decisão da empresa e, desta forma, pode-se aumentar a probabilidade de acerto. Quando se fala em planejamento e gestão quanto mais houver informação sobre certos fatores que influenciam a atuação no mercado em que se trabalha a chance de proporcionar erro é muito menor, havendo grande grau de acerto com as metas e objetivos traçados e desta maneira contribuir para uma melhor execução do planejamento estratégico. Por isto é claro que a utilização das metodologias e tecnologias de gestão se tornará mais necessária para o sucesso das organizações, principalmente no ambiente atual que é caracterizado pelas incertezas e pela ampla concorrência muito acirrada. Com este contexto apresentado buscou-se estudar e aprofundar conhecimentos sobre conceitos e técnicas atuais de estratégia empresariais e cenários prospectivos, como também o método Delphi para orientar e servir de base para se estabelecer uma estrutura de simulação e análise de cenários e, assim desta forma, propor-se um modelo para a empresa pesquisada.

2 Referencial Teórico

2.1 Cenários

A análise de cenários no âmbito organizacional compreende o estudo de tendências futuras, isto quer dizer que cenários são possibilidades de acontecimentos futuros. A busca das

empresas em prever o futuro, se antecipar e se preparar para ele é chamado de cenário o que

seria um futuro possível. Schwartz apud Lobato et. al. (2007, p. 51) “[

como configurações de um sistema ou situação que se deseja conhecer, sempre vinculada a

um determinado período”.

define cenários

]

Nos dias de hoje as mutações no mundo contemporâneo dos negócios propiciam incertezas e por consequência o mercado mundial encontra-se vulnerável as mudanças dos fatores macro- ambientais que envolvem aspectos culturais, demográficos, econômicos, ecológicos, legais, mercadológicos, políticos, sociais, tecnológicos, entre outros que fazem parte do ambiente externo da organização. Estes possuem grande influência e podem interferir e muito nas decisões das empresas. “Devido a esta complexidade de influenciadores e incertezas, é necessário que se criem e se analisem os diversos cenários e suas tendências” (SILVA et. al., 2007, p.32). Buarque apud Grumbach & Marcial (2008) complementam: “Quanto maior a incerteza e a velocidade das transformações mais necessária se faz a antecipação de futuros, de modo a preparar as empresas e os governos para as surpresas e descontinuidades”.

Conforme Lobato et. al. (2007) os cenários são elaborados através do estudo de tendências do ambiente externo (ambiente geral e setorial) que podem influenciar os rumos que o ambiente de negócios da empresa pode tomar. Para Rojo (2006) a análise de cenários futuros, baseia-se no diagnóstico do macroambiente externo, na qual busca descrever determinada situação no futuro (tendências futuras). “Considerando-se como ponto de partida o momento presente e chegando a um determinado ponto de projeção futura, como por exemplo, o diagnóstico do ano de 2005 para gerar cenários simulados para o ano de 2006” (ROJO, 2006, p. 81). E, este autor complementa dizendo que, “Com essa simulação do futuro, os estudos de cenários e a

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sua crescente utilização como instrumento de apoio à gestão estão cada vez mais legitimados pelas companhias que desejam crescer com o mínimo de surpresas negativas que for possível” (ROJO, 2006, p. 82).

Conforme os autores citados nesta seção compreende-se que cenários consistem em uma descrição detalhada de uma possível situação do ambiente no futuro, com base em informações disponíveis no ambiente externo da organização. Uma vez estabelecido o cenário, procura-se construir estratégias que respondam de maneira efetiva as necessidades da empresa atingir os seus objetivos de negócios.

2.1.1 Método Delphi

Com as mutações do mercado as empresas que querem estar à frente das demais, devem estar em sintonia com as mudanças no mercado com seus produtos, serviços e tecnologias. Por isso é importante prospectar e estudar as variáveis que afetam a organização, portanto, a melhor aliada é a metodologia Delphi, pois através desta técnica se obtém precisão com a prospecção de futuro, permitindo orientar novos desenvolvimentos e assim construir o sucesso da empresa. Para Rojo (2006, p. 90) “A metodologia Delphi foi desenvolvida com objetivo de auxiliar o aumento da probabilidade de acerto dos estudos voltados à previsão de cenários e eventos futuros, também estimar os parâmetros desconhecidos a serem pesquisados”.

Esta técnica foi escolhida por ser muito utilizada para a construção de cenários, pois possibilita a prospecção de acontecimentos futuros através da aplicação de questionários para peritos e especialistas em determinada área e segmento da qual se deseja prospectar, pois não há dados quantitativos suficientes e não tem como projetá-los com a devida eficiência.

A técnica Delphi é inspirada na história do oráculo grego Delfos que fazia previsões do futuro

e Para Giovinazzo & Wright (2000), Grumbach & Marcial (2008) e Rojo (2006) o método tornou-se popular através de trabalhos publicados por Olaf Helmes e Norman Dalker pesquisadores da RAND Corporation, em que sistematizaram a metodologia. “O objetivo original era desenvolver uma técnica para aprimorar o uso da opinião de especialistas na previsão tecnológica” (GIOVINAZZO & WRIGHT, 2000, p. 54).

Conforme Grumbach & Marcial (2008) o método Delphi consiste na realização de perguntas de forma individual através de questionários para um grupo de peritos. Após a realização da

consulta através da aplicação do questionário aos especialistas, analisam-se as questões e as mesmas são apresentadas mais uma vez para que eles tenham a oportunidade de rever suas opiniões. O objetivo é de buscar um consenso de tal forma que as respostas apresentadas se aproximem da meta proposta e assim obter uma convergência. Giovinazzo & Wright (2000, p.

o Delphi é uma técnica para a busca de um consenso de opiniões de um

grupo de especialistas a respeito de eventos futuros”.

O desenvolvimento da metodologia Delphi possui três características básicas, primeiramente

54) concluem: “[

]

o anonimato dos respondentes, a representação estatística da distribuição dos resultados e o feedback (realimentação) de resposta do grupo para reavaliação nas próximas rodadas (CÂNDIDO et. al., 2007) e (GIOVINAZZO & WRIGHT, 2000).

Giovinazzo & Wright (2000) respondem com vários motivos as vantagens trazidas pela técnica Delphi, eles apontam as seguintes: a realização de prospecção de futuro em situações que haja falta de dados históricos; a participação de especialistas propicia um nível melhor e maior de informações; utilização de questionários leva a uma maior análise, reflexão e cuidado nas respostas e também propiciam o fácil registro das mesmas em relação a uma discussão em grupo; o anonimato dos sujeitos envolvidos na pesquisa elimina qualquer tipo de manipulação e influência de qualquer natureza, ou a capacidade de argumentação e

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oratória; Os questionários sendo enviados por meio de correio ou então via correio eletrônico, não há problema com os peritos responderem devido a suas agendas e compromissos como também não tem custos de deslocamento; os custos para a realização da pesquisa são menores em função daqueles que são presenciais; e o comprometimento efetivo de um número grande

de respondentes é uma vantagem enorme que induz à criatividade e proporciona credibilidade

à pesquisa.

2.2 Estratégia Empresarial

A estratégia é o meio com o fim de alcançar os objetivos e metas da organização,

estabelecendo qual será o caminho a ser traçado para atingir os objetivos propostos da mesma.

A estratégia é de extrema importância para a organização, pois uma estratégia precisamente

definida resultará no sucesso da empresa. “Estratégia é a definição ampla de como o objetivo deve ser atingido, os passos da ação são as táticas, e os planos de ação contêm detalhes individuais, o momento de ocorrência dos mesmos e quem os executará” (WESTWOOD,

1996, p. 139).

Seguindo a linha de raciocínio de Silva et. al. (2007) e Ferrel et. al. (2000) descreve que

estratégia é o meio de utilizar e integrar os recursos de todas as áreas da organização em que

se deve ajustá-los entre as forças, oportunidades e ameaças do ambiente em que a corporação

está inserida e assim conduzir o planejamento estabelecido para atingir as metas e objetivos propostos. Chandler apud Ghemawat (2007, p. 15) complementa: “A estratégia pode ser definida como a determinação de metas e objetivos básicos de longo prazo de um empreendimento e adoção de cursos de ação e alocação dos recursos necessários para atingi- los”. Atualmente na administração das organizações as estratégias fazem parte da rotina dos gestores e estão diretamente relacionadas às atividades de gestão e planejamento empresarial.

Para Silva et. al. (2007) deve-se avaliar o ambiente em que a organização está inserida,

analisar seus concorrentes, estudar suas próprias características e determinar os objetivos que devem ser alcançados. Desse jeito, formar o direcionamento da empresa e o conjunto de ações

e medidas para atingir estes objetivos.

Vários estudiosos formularam conceitos sobre estratégia e Lobato (2007) informa que também foram criadas muitas escolas sobre o pensamento estratégico onde as idéias formuladas são adaptadas para aplicação em empresas com o grande objetivo de construir o futuro da organização como planejado. Desta forma nasceram algumas ferramentas estratégicas, apresenta-se a seguir a utilizada nesta pesquisa.

2.2.1 Inteligência Competitiva

Com as mutações que ocorrem atualmente no mundo decorrem através de novas tecnologias e máquinas, novos equipamentos e métodos de trabalho trouxeram como consequência grandes transformações nas empresas, percebe-se que o conhecimento, as competências e as habilidades das pessoas tornaram-se imprescindíveis para o bom desenvolvimento das organizações. “Nesse sentido o capital intelectual torna-se o principal patrimônio das organizações bem sucedidas” (BROOKING apud TOLEDO & TOLEDO, 2007, p. 2). Com o cenário de grandes mudanças e inovações tecnológicas, surgem ameaças que podem

comprometer ou até fazer com que algumas organizações desapareçam, para aquelas que não

se adaptem aos novos tempos, mas também permite novas oportunidades de mercado para

seus negócios. As incertezas que assolam na área da gestão empresarial propiciam aos gerentes o estudo da Inteligência Competitiva, para auxiliá-los para a utilização do grande número de dados encontrados internamente e externamente da empresa, e transformar na maior quantidade de informações que sejam úteis para a organização, com o fim de agregar

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valor às competências organizacionais, visando adquirir novos conhecimentos, criar e manter vantagens competitivas podendo ser através de novas oportunidades de negócios, eficiência nos processos administrativos, produtivos e distribuição, fixação de preços competitivos e grande capacidade de diferenciação por meio de poder superior de mercado (TOLEDO & TOLEDO, 2007).

Para que seja possível uma organização sobreviver no concorrido mundo dos negócios, estas dependem da habilidade de seus gestores utilizarem a melhor forma a grande quantidade de dados que estão dentro e fora da empresa, processando-os com a finalidade de transformá-los em informações úteis para a tomada de decisões, traçarem as estratégias organizacionais para alcançar as metas e objetivos estabelecidos. “Processar com rapidez grandes volumes de dados sobre o meio ambiente e, enfim, convertê-los em conhecimentos que lhe permitam antecipar as mudanças externas e demais contingências impostas” (CHOO apud TOLEDO & TOLEDO, 2007, p. 2).

3 Metodologia

Este estudo foi resultado de pesquisa realizada em uma organização do setor de agroalimentos da região da fronteira-oeste do estado do Rio Grande do Sul. Foram realizadas várias visitas na empresa-alvo, onde se obteve dados suficientes para o referido trabalho. A pesquisa foi desenvolvida entre os meses de janeiro a abril de 2010. A aplicação dos questionários foi feita junto a quatro participantes que integram o corpo gerencial da organização, congregando do primeiro ao segundo escalão para a obtenção de dados referentes à tomada de decisões da empresa estudada.

A etapa inicial da aplicação do modelo proposto, o primeiro questionário visou identificar

quais são os elementos importantes, que neste trabalho foram caracterizados como variáveis ambientais, para que a referida empresa que participou do estudo, realizasse projeções de cenários, focadas no segmento de agroalimentos.

Após a formação do painel de participantes, iniciou-se a procura das variáveis críticas na realização da primeira rodada da metodologia Delphi, utilizou-se como ferramenta de coleta

de dados questionário preparado para cada uma das rodadas em conformidade com o objetivo

identificado, obterem as variáveis críticas.

A distribuição do questionário foi feita da seguinte forma: enviando-se via e-mail o arquivo

eletrônico e após o devido preenchimento, buscou-se o mesmo preenchido pelos participantes. Perguntou-se aos participantes que compõem a pesquisa: Quais as variáveis que o (a)

senhor (a) considera importantes para a tomada de decisões da Empresa X, as quais são necessárias para projeções de cenários futuros? [grifo nosso]

Nesta rodada inicial os fatores (variáveis) foram citados abertamente e livremente pelos participantes do painel, que destacaram de forma direta o que pensavam ser um conjunto próximo do ideal de elementos (variáveis). Conforme os participantes as variáveis críticas a serem utilizadas para simular cenários da organização são: demanda e ou mercado, economia mundial, fornecedores, logística, mão-de-obra qualificada, marketing, preço do produto, qualidade do produto, safra e lavoura, sistema de informação gerencial, tecnologia de ponta. [grifo nosso]. Com as respostas conseguidas nesta fase, possibilitou o desenvolvimento da segunda rodada do painel dos especialistas.

Para o desenvolvimento da segunda rodada de posse dos elementos obtidos através das respostas dos participantes deram na primeira rodada, encaminhou-se o resultado compilado novamente aos participantes e solicitou-se dentre todos os fatores abordados pelos demais que participam do painel, quais os elementos se destacam como sendo as 04 (quatro) principais

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variáveis de maior importância para a tomada de decisões da Empresa X. Após ordenaram por grau de importância, colocando 05 (cinco) para o mais importante, 04 (quatro) para importante, 03 (três) para média importância, 02 (dois) para pouco importante e 01 (um) para o menos importante.

Abaixo segue a compilação das respostas obtidas a partir da 2ª (segunda) rodada do experimento.

Variáveis Críticas

A

B

C

D

Total

Demanda / Mercado

 

1

1

5

7

Economia mundial

       

0

Fornecedores

2

     

2

Logística

1

 

2

1

4

Mão-de-obra qualificada

3

 

3

3

9

Marketing

 

2

   

2

Preço do produto

       

0

Qualidade do produto

5

5

4

4

18

Safra e lavoura

 

3

   

3

Sistema de informação gerencial

 

4

   

4

Tecnologia de Ponta

4

 

5

2

11

Fonte: A própria pesquisa Quadro 1 - Resultado da segunda rodada da pesquisa do painel de especialistas

Para a próxima etapa buscaram-se os 04 (quatro) elementos mais destacados pelos pesquisados, os quais são: demanda e/ou mercado, mão-de-obra qualificada, qualidade do produto e tecnologia de ponta. Estes foram analisados para o devido estudo de cenários futuros da organização.

4 Apresentação dos Resultados - Simulação de cenários

Os cenários foram formulados de duas formas, uma em que a demanda crescerá e outra que diminuirá.

4.1 Cenário Simulado 1 A demanda aumentará

As estratégias formuladas para este cenário são:

Investimento nos colaboradores e melhoria contínua em base na avaliação dos mesmos;

Investimentos em P&D (Pesquisa e Desenvolvimento);

Expansão de mercado;

Certificação de qualidade.

4.2 Cenário Simulado 2 A demanda declinará

As estratégias desenvolvidas e propostas para este cenário são:

Redução de custos operacionais;

Redução de custos com mão-de-obra;

Readequação de projetos em relação à demanda;

Diversificação de mercado.

4.3 Plano de Ação

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Este plano de ação conta com a definição das ações necessárias para colocar as estratégias propostas com o fim de trabalhar com o foco direcionado nas variáveis críticas apontadas pelos entrevistados, assim foram definidas as ações que a organização deverá colocar em prática. Este plano foi elaborado para auxiliar os planejadores da empresa pesquisada, crê-se que seja importante utilizar ferramentas de controle e avaliação, que permitirá que se faça reavaliação de todos os passos com o fim de melhoria contínua. E para antecipar-se dos possíveis imprevistos sugere-se que o controle seja feito de forma que o gestor possa monitorar permanentemente os resultados das ações e identificar os eventuais desvios, corrigi- los e melhorá-los.

Apresentam-se a seguir, os planos de ação para o cenário simulado 1 e para o cenário simulado 2, respectivamente nos Quadros 2 e 3. E, em seguida, mostra-se o alinhamento dos elementos estudados na pesquisa conforme o Quadro 4.

4.3.1 Plano de Ação para o Cenário Simulado 1

Estratégias Formuladas

   

Metas

Investimento nos colaboradores e melhoria contínua em base na avaliação dos mesmos.

Realizar a criação equipe mista entre o RH e empresa de consultoria para implementação da Gestão por Competências. Tem como objetivo

foco na captação e retenção de talentos, buscando investir e qualificar de forma

o

contínua os colaboradores da organização. Pensa-se que através deste tipo de gestão será possível alinhar o capital intelectual, gerado pelos talentos da empresa com as estratégias para obter uma melhor gestão e desenvolvimento dos negócios da mesma. Início

do

projeto em Julho de 2010.

Investimentos

em

P&D

(Pesquisa

e

Formar equipe mista, com empresa de consultoria na área de inovação com vistas no desenvolvimento de novos produtos através do melhor aproveitamento da matéria-prima da organização que é o arroz e o seu vasto aproveitamento na alimentação, exemplo: óleo para cozinha, farinha, amido, massa (macarrão), biscoitos, margarinas, como

também o arroz saborizado, semi-pronto, e até na diferenciação da embalagem. Vale ressaltar

Desenvolvimento).

 
 

a

possibilidade da utilização do arroz na

produção de energia, alimentação animal, produção de bebidas e também na indústria farmacêutica. Este em como objetivo a diversificação e diferenciação de mercado. Iniciar a partir de janeiro de 2010.

Expansão de mercado

 

Desenvolver e criar equipe interna com o intuito de elaborar projeto na expansão de mercado, analisando a possibilidade de formar parceria com novos fornecedores em estados onde o produto não é comercializado; analisar

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alternativa de criação de novo(s) ponto(s) de distribuição própria(s) como também na criação de nova planta fabril próxima do mercado-alvo e analisar possibilidade de exportação do produto.

Certificação de qualidade

Buscar parceria junto a consultoria especializada para a implementação da certificação ISO 9000 para desenvolver de uma melhor forma a gestão da qualidade da organização na busca da melhoria contínua e com vistas em implantar a ISO 22000 voltada para a indústria de alimentos.

Fonte: O próprio autor

Quadro 2 - Plano de Ação para o cenário simulado 1

4.3.2 Plano de Ação para o Cenário Simulado 2

Estratégias Formuladas

Metas

Redução de custos operacionais.

Montar equipe interna com o objetivo de realizar mapeamento estratégico de processos, tanto de produção como administrativo com o objetivo de desenvolver um planejamento operacional mais racional, permitindo maximizar e otimizar recursos contribuindo para a

redução de custos através da efetividade e diminuição de desperdício, ociosidade e re-trabalho. Início do projeto em julho de 2010 e execução do mesmo em janeiro de

2011.

Redução de custos com mão-de-obra

Implementação de Gestão por competências por parte do RH, com a finalidade de melhorar o recrutamento e seleção, como também outros subsistemas de gestão de pessoas, a fim de tornar não só um setor mais eficiente, mas a empresa como um todo, por exemplo, contribuir na

diminuição de turn - over e absenteísmo na organização, pois são fatores de alto custo. Iniciar projeto em julho de

2010.

Readequação de projetos em relação à demanda.

Renegociar preços e prazos de pagamento da matéria prima com produtores e buscar alternativas através da importação do grão da Argentina e Uruguai com vista em redução de custos. Iniciar em julho de 2010.

Diversificação de mercado.

Montar equipe que realize estudos com foco na estratégia de diversificação e sofisticação do mix do produto carro- chefe da organização, com o intuito de buscar outro nicho de mercado, clientes mais sofisticados. O objetivo desta estratégia é expandir a área de atuação e público-alvo valendo-se da credibilidade da marca conquistada no mercado para ampliar o seu leque de produtos. Dar início em julho de 2010.

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Fonte: O próprio autor

Quadro 3 - Plano de Ação para o cenário simulado 2

Variáveis Críticas

Cenários Simulados

Estratégias Simuladas

Metas

Demanda/Mercado

 

Melhoria do setor de RH

Janeiro de 2011

Cenário 1:

Investimento em P&D

Julho de 2011

Aumento da

   

Mão-de-obra

demanda

Expansão de mercado

Janeiro de 2012

qualificada

Certificação de qualidade

Agosto de 2011

 

Redução de custos operacionais

Janeiro de 2011

Qualidade do

Redução de custos com mão-de- obra

Julho de 2010

produto

Cenário 2:

Diminuição da

Readequação de projetos

Julho de 2010

Tecnologia de Ponta

demanda

Diversificação da demanda

Julho de 2010

Fonte: O próprio autor

Quadro 4 - Alinhamento dos elementos estudados na pesquisa

5 Considerações Finais

O planejamento por cenários apresenta-se como uma ferramenta que proporciona para as

organizações desenvolverem melhorias na gestão das mesmas, pois o benefício deste método é possível apresentar resultados interessantes como também de grande valia para as empresas no processo decisório. Cita-se benefício como, a antecipação de possíveis ameaças e oportunidades. Atualmente no mundo dos negócios, o mercado está inserido em um ambiente altamente competitivo e vulnerável as mutações da economia, política, legislação entre outros elementos importantes. De acordo com a influência das incertezas que se tem do futuro, é importante que simule e analise os diversos cenários e suas tendências.

Este estudo demonstrou que foi possível construir um modelo de simulação de cenários da empresa pesquisada, e desta forma atendeu o objetivo geral deste trabalho, com o intuito de contribuir em seu processo decisorial. A realização deste estudo foi realizada através de referencial teórico, contendo conceitos e idéias de autores renomados e ligados às áreas de cenários prospectivos e estratégia organizacional, e desta forma deram suporte e condições para propor o modelo para simulação de cenários.

Crê-se que este tipo de estudo possa ser utilizado em qualquer outro tipo de organização que necessite simular cenários para guiar seus negócios ou suas atividades em um ambiente competitivo. A aplicação do modelo proposto visa auxiliares gestores, para prepararem-se para os desafios das incertezas oriundas das ameaças tanto das ameaças tanto das oportunidades, e assim pensa-se que é possível reduzir a incerteza, significando maior probabilidade de acerto na tomada de decisão elevando o potencial da organização, utilizar este diferencial perante aos concorrentes.

O desenvolvimento e aplicação do modelo proposto nesta pesquisa demonstram grande

importância, pois simular cenários para as organizações que operam em mercado altamente

competitivo, como a empresa pesquisada, faz necessário o estudo profundo de planejamento

de cenários e gestão estratégica, reforçando que a estratégia é imprescindível para alcançar os

objetivos almejados no ramo dos negócios.

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Referências

CÂNDIDO, R. et al. Método Delphi: uma ferramenta para uso em microempresas de base tecnológica. Revista FAE, Curitiba, v.10, n.2, p.157-164, jul./dez. 2007.

FERREL, O. C. et al. Estratégia de Marketing. São Paulo: Atlas, 2000.

GHEMAWAT, P. A Estratégia e o Cenário dos Negócios. Porto Alegre: Bookman, 2007.

GIOVINAZZO, R. A. & WRIGHT, J. T. C. Delphi: uma ferramenta de apoio ao planejamento prospectivo. Caderno de Pesquisas em Administração, São Paulo, v. 1, nº. 12, 2º trim./2000.

GRUMBACH, R. J. dos S. & MARCIAL, E. C. Cenários Prospectivos. 5. ed. Rio de Janeiro: FGV, 2008.

LOBATO, D. M. et al. Estratégia de Empresas. 8. ed. Rio de Janeiro: FGV, 2007.

ROJO, C. A. Planejamento Estratégico: modelo de simulação de cenários uma aplicação em instituição de ensino. Cascavel: Assoeste, 2006.

SILVA, H. H. et al. Planejamento Estratégico de Marketing. 3. ed. Rio de Janeiro: FGV, 2007.

TOLEDO, L. A. & TOLEDO, L. A. Inteligência Competitiva: um estudo de caso no setor de telecomunicação. Revista FAE, Curitiba, v. 10, n-1, p1-18, jan./jun. 2007.

WESTWOOD, J. O Plano de Marketing: guia prático. 2. ed. São Paulo: Makron Books, 1996.