ASSOCIAÇÃO BRASILEI A DE PSIQUI TRIA ASSOCI O B ASILEIRA PSIQUIATRIA SECRETARIA SECR ARIA SUDESTE

DIRETRIZES PARA A ASSISTÊNCIA PSIQUIÁTRICA [a formação do psiquiatra: ciência e ética] [a reforma e seus impasses] [psiquiatria e cidadania]

Belo Horizonte, 11 a 14 de junho de 2008
Associação Médica de Minas Gerais
Av. João Pinheiro, 161 - Centro Tel: (31) 3213.7457 ou (21) 2199.7500

Anais – Belo Horizonte, 2008

Realização: Associação Brasileira de Psiquiatria – Secretaria Sudeste Associação Mineira de Psiquiatria Associação Acadêmica de Psiquiatria de Minas Gerais Associação Psiquiátrica de Juiz de Fora Associação Psiquiátrica do Espírito Santo Associação Psiquiátrica do Estado do Rio de Janeiro Centro de Estudos do Instituto de Psiquiatria da UFRJ/ IPUB Centro de Estudos Treinamento e Aperfeiçoamento Jurandyr Manfredini – Hospital Pinel/ Instituto Philippe Pinel Sociedade Brasileira de Psicanálise do Rio de Janeiro Sociedade de Neuropsiquiatria de Minas Gerais

ASSOCIAÇÃO B ASILEIRA DE PSIQUI TRIA ASSOCI O BRASILEI A PSIQUIATRIA SECRETARIA SECR ARIA SUDESTE

DIRETRIZES PARA A ASSISTÊNCIA PSIQUIÁTRICA [a formação do psiquiatra: ciência e ética] [a reforma e seus impasses] [psiquiatria e cidadania]
Belo Horizonte, 11 a 14 de junho de 2008

Associação Médica de Minas Gerais
Av. João Pinheiro, 161 - Centro Tel: (31) 3213.7457 ou (21) 2199.7500

Anais – Belo Horizonte, 2008

II. Psiquiatras .: Belo Horizonte.: 2008. Cidadania.Formação. Belo Horizonte: ABP.Congressos.: 2008. III.: Belo Horizonte. 2008. Associação Brasileira de Psiquiatria. 188p. I. Secretaria Sudeste. Congresso Mineiro de Psiquiatria (12.: 2008. psiquiatria e cidadania / Associação Brasileira de Psiquiatria. Título CDU: 616. 3. Seminário de Ensino de Psiquiatria (6. a reforma e seus impasses. Secretaria Sudeste. ISBN: 1.89 J82d .: Belo Horizonte. 2. Psiquiatria . MG).FICHA CATALOGRÁFICA Elaborada pela Biblioteca da Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais Jornada Sudeste de Psiquiatria (6. MG). MG) Diretrizes para assistência psiquiátrica: a formação da psiquiatria. IV.

VI JORNADA SUDESTE DE PSIQUIATRIA XII CONGRESSO MINEIRO DE PSIQUIATRIA VI SEMINÁRIO DE ENSINO Temário DIRETRIZES PARA A ASSISTÊNCIA PSIQUIÁTRICA a formação do psiquiatra .a reforma e seus impasses psiquiatria e cidadania Belo Horizonte. 2008 . 11 a 14 de junho de 2008 Associação Médica de Minas Gerais Anais – Belo Horizonte.

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0396 Instituição responsável pela obra SECRETARIA SUDESTE DA ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE PSIQUIATRIA Nota: Este livro de teses foi elaborado a partir dos originais fornecidos pelos autores.br IMPRESSO POR Secretária de Saúde do Estado de Minas Gerais DIGITAÇÃO/FORMATAÇÃO Liliana Vieira Fone: (31) 3284. Modificações necessárias foram feitas no intuito de adaptá-las ao formato do livro e uniformizá-las quanto à apresentação. . No entanto.agenciasurf. a digitação e o conteúdo das mesmas são de inteira responsabilidade individual dos autores.CAPA Agência Surf www.com.

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Humberto Corrêa (UFMG).Vianna (HC/UFMG) Guilherme Medeiros (IPSEMG) COMISSÃO DE POSTERS Coordenação: Ana Raquel Correa e Silva (AMP) / Vinícius Tavares (AMP) Membros: Fernanda Vieira Mappa (APES) www. Maurício Leão (AMP).org. Helio Lauar (ABP). Renato Dias Ribeiro (APES).psiquiatriamg.br/jornada_sudeste . Silvio Oliveira (APJF). Lúcio Lima (ABP / Dep. Fabrício Corrêa Durão (HC/UFMG) Guilherme Nogueira Mendes de Oliveira (HC/UFMG) Guilherme Ribeiro Loss (HC/UFMG) Silvia Mendonça da Matta (HC/UFMG) COMISSÃO DE DIVULGAÇÃO Coordenador: Adriano Simões Coelho (AMP) / Vinicius Tavares (AMP) Membro: Bernardo Mattos. João Romildo Bueno (APERJ). Fausto Amarante (APES). Infância/Adolescência). Luciana Carvalho (AMP). Marcia Silva (APES). Paulo Repsold (AMP). Fátima Vasconcellos (APERJ). Marcos Alexandre Gebara Muraro (APERJ).Psiq. Mercedes Jurema de Oliveira Alves (AAPMG). Fernando Ramos (PinelRJ) Francisco Goyatá (AMP). Cristina Amendoeira (SBPRJ). Rosa Garcia (ABP). Helian Nunes (AMP). Gilda Paoliello (ABP/SUDESTE). COMISSÃO SOCIAL Coordenador: Maria da Piedade Bruzzi (AMP) Membro: Renato Ferreira. Elie Cheniaux (IPUBRJ).ORGANIZAÇÂO PRESIDENTE: José Alberto Carvalho (ABP) COMISSÃO ORGANIZADORA Presidente: Gilda Paoliello (ABP/SUDESTE) Vice-Presidente: Maurício Leão (AMP) Secretário: Maria Cristina de Oliveira Contigli (AMP) Marcos Gebara Muraro (APERJ) Tesoureiro: Hélio Lauar (ABP) COMISSÃO CIENTÍFICA Presidente: Sandra Carvalhais (AMP) Membros: Almir Tavares (ANPMG).

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final de feriado prolongado. ao qual também agradecemos. os três juntos desafinando o coro dos contentes! Como me escreveu João Carlos Dias. João permanecerá vivo entre nós. Queria falar com algum amigo comum. a Academia e a Ciência um professor que muito contribuiu para a formação e o pensamento crítico de tantos profissionais por este Brasil afora. Logo depois. interlocutor atento e generoso. Enviei algumas mensagens e me pus a lembrar.a reforma e seus impassespsiquiatria e cidadania Caro Colega. me chega o texto que vocês encontrarão aqui e que permaneceu solitário por muitas semanas no site da jornada. Dar a público esta obra em discussão é um ato corajoso de enfrentamento. Ironicamente. Organizava estes anais quando recebi a notícia da morte de João Ferreira. suas propostas e compromissos. para expressarem sua visão de nosso tema. palestrantes da VI Jornada Sudeste e XII Congresso Mineiro de Psiquiatria. na herança de seu trabalho Leitor. até que Romildo Bueno e Carol Sonenreich lhe vieram fazer companhia. escolho seu prétexto para fazer a apresentação destes anais. Reverenciando a memória de nosso professor João Ferreira. 25 de maio de 2008 Gilda Paoliello www. perdem a Psiquiatria. Foi o primeiro a responder a nosso pedido de texto para estes anais. Não por acaso.br/jornada_sudeste . o texto é seu! Belo Horizonte. No dia seguinte ao convite feito. lembro Barthes: o nascimento do leitor é pago pela morte do autor. documento das palavras escolhidas por nossos colegas. não encontrei ninguém. João era um amigo muito querido. domingo. ofereceram a si e ao seu trabalho para este enfrentamento. Mas um congresso é validado pelo público. Somos gratos a estes colegas que. me enviou o que chamou de pré-texto. solidário na perda do querido amigo.org. Perplexa. fiquei algum tempo incapaz de qualquer reação.DIRETRIZES PARA A ASSISTÊNCIA PSIQUIÁTRICA A formação do psiquiatra: ciência e ética .psiquiatriamg. Escrever um texto é um ato generoso: dividir com o leitor a própria obra. generosamente. mas.

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Portella Nunes e Domingos Sávio. assim. no Brasil.psiquiatriamg.Por uma Psiquiatria do Brasil Todo aquele que escreve. Imaginação. constituem os três tempos da criação. em Psiquiatria. ele está imerso em memória. e sim realidade. Barthes. memória e imaginação. de Saint Alban. Para ser precisa. narrativas de outros. Ronald Laing e quejandos. A construção da assistência. O real não brinca.org. Pedro constrói sua Igreja. Vem de Teixeira Brandão. para ser séria. Mas ele precisa de “lembranças do futuro”. Para isso temos sempre que ter certeza de nossas dúvidas. para ser realização. Juliano Moreira. passa pela realidade e também pela brincadeira. o vice-versa da memória. Essa estranha doença. Além disso. tem que “ver a linguagem”.br/jornada_sudeste . João é seu apóstolo. Luís Cerqueira. Ulisses Pernambucano. demarcando precisamente suas fronteiras científicas. passa além do mar Adriático. que o torna d’outrora. como diz R. à universalização de nossa filosofia. Nise da Silveira. João Ferreira 13 www. a criação. Ou seja. se pretende escritor. Falta o caminho para Damasco que nos leve a Paulo e. Portanto o oposto da brincadeira não é seriedade. nos mostrando que a coisa mais séria da vida é a brincadeira de uma criança. Donald Cooper. Nosso amigo Freud levou essa questão mais adiante. deve estranhar e se afastar do seu pré-texto para que a construção do seu texto dê-se tomando o que estuda enquanto um fato da cultura. sobre outros. com outros. Observação. de Maxell Jones. do treizième arrondissement. reina.

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principalmente através de seus diretores Rosa Garcia. obstinado companheiro da Reforma. a quem tenho a honra de ter como interlocutor e amigo. Desde a escolha do tema. Foi o primeiro a atender nosso convite para esta jornada. político e ideológico são plenamente coerentes com nossa prática. aos quais agradeço construírem conosco esta jornada: representando a Associação Psiquiátrica do Rio de Janeiro. tivemos sim. Felizmente um amigo ausente é sempre revivido no encontro com outros. Fátima Vasconcelos. às vezes difíceis.psiquiatriamg. como secretária Sudeste. o livro 68 e Saúde Mental. querido amigo. além de uma rica interlocução científica. Ao querido João. Mas incorporando suas lembranças e ensinamentos em nossa memória. Senhoras e Senhores. que desempenhou o duplo estatuto de nos acompanhar representando a diretoria da ABP e cuidar rigorosamente das finanças da jornada. pois. Gilda Paoliello Autoridades Presentes. sempre pronto a desafinar o coro dos contentes. é um fato. Agradeço à Associação Brasileira de Psiquiatria a confiança e o apoio à Jornada. Quando perdemos um amigo ficamos mais pobres. a indicação dos convidados. o que nos proporcionou. que construíram conosco esta jornada. nosso representante carioca na comissão organizadora.org. pioneira representante feminina na diretoria da ABP e nosso querido Hélio Lauar. Sustentamos nossas idéias e nossas propostas com o incomparável conforto da certeza de que nosso discurso científico. Daí a leveza desta construção. à divulgação do evento. um verdadeiro aggiornamento das relações institucionais. pela Sociedade Psicanalítica 15 www. nos possibilitando alcançar o objetivo de construir este encontro. agradeço de coração o efetivo apoio e labuta. muito trabalho. e Marcos Gebara. respondendo prontamente com o texto “Os novos velhos desafios da saúde mental”. Romildo Bueno. como disse Freud. como nosso tesoureiro.11/06/2008 – 20:00 h Solenidade de abertura – Auditório Oromar Moreira Palavras da Secretária Sudeste ABP. nossa homenagem. que será aqui representado por seu último trabalho publicado. mas nunca pesados. esta é uma possibilidade. Aos colegas das Federadas SUDESTE. os sonhos precisam de um capital para se realizar. onde aponta a importância das lembranças do velho para sustentarmos a direção do novo e de uma única certeza em relação à vida: a dúvida. A VI Jornada Sudeste de Psiquiatria foi efetivamente construída pelas nove federadas existentes na região. As lembranças de João serão revividas com nossos amigos do Rio. nos enriquecemos. Ao agradecer a meus colegas do Rio. Ao final desses seis meses preparatórios à jornada. gostaria de dirigir as primeiras palavras a João Ferreira. Caros Colegas. o desenvolvimento do programa. o levantamento dos patrocínios.br/jornada_sudeste . muito tenho a agradecer a todos os que confiaram em nós. que aqui lançaremos. pois sempre dividido de forma solidária.

de uma maneira que pode nos valer: “investigue o motivo que o manda escrever. Mercedes Jurema Alves pela Associação Acadêmica de Minas Gerais. Nosso agradecimento especial às nossas secretárias Joelma Alessandra.org. pela dedicação à organização da jornada. estatuariamente já agendado para esta data. pela afetiva e efetiva ajuda e estímulo. que abrindo mão do projeto de ter um ano sabático.(2) Ser Psiquiatra é. implica a construção de sua possibilidade. Com muito carinho. meu companheiro de vida. Humberto Correa. Ser psiquiatra é uma opção ou uma necessidade? Dizendo que é uma opção. agradeço a Marcílio. se puder contestar àquela pergunta severa por um simples – sou – então construa a sua vida de acordo com esta necessidade”. examine se estende suas raízes pelos recantos mais profundos de sua alma. por ser uma causa e não um ideal. Agradeço à Associação Psiquiátrica do Espírito Santo. que generosamente acolheu a Jornada Sudeste junto ao XII Congresso Mineiro de Psiquiatria. De forma muito especial. Paulo Repsold. Adriano Simões Coelho. que se tornou a figura mais conhecida de nossa equipe. E. do querer. Agradeço muito aos jovens colegas residentes que se aproximaram. A todos estes colegas. incansáveis para a realização desta jornada: o presidente Maurício Leão. deduzo a existência de um modelo. (1) Rilke responde ao jovem poeta que lhe perguntava se era ou não um escritor. Se for afirmativa. que permite a expressão da vontade. Francisco Goyata.sou mesmo forçado a escrever? Escave. indispensável. Dade Bruzzi e a querida Cristina Contigli. Caros Colegas. carinhosa.do Rio de Janeiro. Fausto Amarante e Márcia Silva e às Federadas mineiras. representando o Departamento de Psiquiatria da Infância e Adolescência da ABP. representando a Pinel. pelo Instituto de Psiquiatria da Universidade Federal do Rio de Janeiro e Lúcio Lima. Fernando Ramos. dividindo conosco o trabalho e nos instigando com suas questões. (1) 16 www. representados por Bernardo Mattos Vianna.psiquiatriamg. e Élida Irma. dentro de si uma resposta profunda. como sempre arregaçou as mangas e se colocou a trabalho.br/jornada_sudeste . Aqui também não posso deixar de nomear cada colega. Dizendo ser uma necessidade refiro-me a algo que se impõe a uma causa que é assumida. Luciana Carvalho. Helian Nunes. de um ideal. Almir Tavares pela Sociedade Neuro-Psiquiátrica de Minas Gerais. Vinicius Tavares. Ana Raquel Correa e Silva. uma necessidade. manifesto aqui minha gratidão e alegria pela interlocução sempre disponível. Associação Psiquiátrica de Juiz de Fora. através de Silvio Oliveira. Sandra Carvalhaes. agradeço à Associação Mineira de Psiquiatria. através de Renato Dias. Elie Cheniaux. como ao escritor. animada. Cristina Amendoeira. confesse a si mesmo: morreria se lhe fosse vedado escrever? Isto acima de tudo: pergunte a si mesmo na hora mais tranqüila de sua noite: . nessa referência. coordenadora da comissão científica.

Entretanto. Continuamos construindo as possibilidades da assistência psiquiátrica. a reforma e seus impasses. por mais trivial que seja.psiquiatriamg. a novas posições. abraçamos esta causa e. vai além da competência do saber científico.br/jornada_sudeste . liderados pelo querido Cesar Rodrigues Campos. Nossas diretrizes se constroem no caso a caso. lembrando Kant.psíquico. seria uma resposta. Atuando na área do comportamento e das emoções. Portanto o Clinicar não é preciso. a Psiquiatria necessita urgentemente resgatar o olhar clínico. A Clínica Psiquiátrica lida com o imprevisível. atravessada pelo social. a Clínica. pois. não devemos subestimar a importância do conhecimento científico dos fatos e suas interrelações causais. Por outro lado. A Clínica nos remete sempre. iniciando o movimento da Reforma da Assistência Psiquiátrica em Minas. Clinicar é preciso. não se pode esperar da Psiquiatria uma atividade isenta de conflitos. a quem homenageamos. Desde então. biológico e social . que nos permita unir a previsibilidade científica com o imprevisível da clínica e com o particular das diferenças. Lidar com as paixões da alma. Qualquer ato de escolha. nos reuníamos para traçar as primeiras diretrizes do III Congresso Mineiro de Psiquiatria. donde o tema escolhido para esta jornada: “diretrizes para a assistência psiquiátrica” pontuada por três coordenadas: a formação do psiquiatra.org. a abordagem ética conseqüente requer uma apreciação realista do exeqüível. Entretanto. ele saberá traçar e seguir as diretrizes para conduzir um tratamento no sentindo de permitir ao paciente passar à condição de sujeito e cidadão. que não se limita à ética do universal da ciência. Ciência e Ética se articulam.se o psiquiatra tem uma boa formação. Como nos alerta Bertrand Russel: "Nós estamos em meio a uma corrida entre a destreza humana quanto aos meios e a sandice humana quanto aos 17 www. aqui nesta mesma casa. diferenças essas que devem ter um eixo comum: uma ética. vastas emoções e pensamentos incertos exige delicadeza. lembrando que a Psiquiatria lida com aquilo que pode ser diferente da norma. no sentido da construção de uma ética também do particular. psiquiatria e cidadania. portanto. A Ciência é. a ética sem a ciência é vazia e a ciência sem a ética é cega. em uma posição trágica. Ao jovem psiquiatra que nos pergunta. é por que o trabalho não terminou. pois apoiada de um lado no psíquico e de outro no biológico. substituído que vem sendo pelo pan-opticon da neurociências. Apliquemos esta fórmula onde Psiquiatria. Portanto. a Psiquiatria é um campo complexo. O reconhecimento das diferenças é o ato básico das ações em saúde mental. Psiquiatria e Paciente. se estamos aqui de novo reunidos.Há 30 anos. qual a lógica destas referências.gera tensões e é justamente dessa convivência que a Psiquiatria cria um corpo próprio. como o jovem poeta a Rilke. um campo valioso para a reflexão ética. Entretanto. que remete à arte da escolha. respondemos: . o que seria uma boa formação em Psiquiatria? Aquela que alia ciência e ética.(4) E esse reconhecimento deve se iniciar pelo convívio com a diferença das práticas. A convivência desses três estatutos .

Assim. hoje é uma necessidade o resgate da clínica e o lugar do psiquiatra. os quais. sujeito e contexto. palestra na Associação Mineira de Psiquiatria. Se. como anda? Hoje. palestra na Associação Mineira de Psiquiatria.br/jornada_sudeste . Por outro lado.fins. Definindo brevemente a direção desta reforma. em um primeiro momento. podemos dizer que a articulação dos três eixos . a supremacia do social na reforma. Os novos velhos desafios da Saúde Mental.psiquiatria. mas. ao avanço do saber corresponderá o avanço do pesar. transformando-a em alguma outra coisa. se a sabedoria não avançar na medida do saber. trinta anos depois de seu início. colocando em relevo os avanços da Psiquiatria e fazendo respeitar a função do psiquiatra dentro do modelo construído em todos estes anos. são bússolas adequadas para a construção de nossas diretrizes e condução de nossa causa. resumo que a proposta ética de nossa reforma deve ser não nos assujeitarmos. subjetividade e dimensão sócio-política poderá nos permitir criar um modelo que possa superar as disparidades existentes entre especialistas. 1996) (2) Rilke R. Cartas a um jovem poeta. pois o homem é infinitamente maior e mais complexo que qualquer teoria de conhecimento que se construa a seu respeito. em torno a uma clínica geradora de sentido para quem dela participa: paciente. junho de 2008 (5) Figueiredo A.C. setembro 2001 (4) Ferreira J. Juntos. Não podemos permitir que da psiquiatria social fique apenas o social. efetivar a construção de uma rede que possa sustentar responsavelmente a assistência de nossos pacientes. Da Magia à Evidência. já é tempo que a reforma tenha seus objetivos consolidados. E nossa reforma.(3) Pois bem. as questões sociais e políticas foram priorizadas em detrimento da clínica. Indo além da transformação do hospital psiquiátrico. in “Aggiornamento”. já é tempo desta ser resgatada. 1995 (3) Neves F. Editora Globo. tratamento." Esta a mensagem que deixamos ao jovem psiquiatra em formação.M. a degradariam. atingida a idade da razão. se alterados. por razões contingenciais.psiquiatriamg.org. em um momento. se justificará nosso encontro. para uma condução do processo clínico. é preciso determinar e distinguir o que se constitui como os elementos fundamentais da Psiquiatria. Para finalizar. É um bom tema para um encontro: “o necessário e o contingente da Reforma Psiquiátrica” (5): foi uma contingência. Jornada Sudeste de Psiquiatria. Referências bibliográficas (1) Transportando a comparação feita por Jorge Forbes entre a Psicanálise e a poesia à Psiquiatria (Forbes J.. a tentativa de encaixar a Psiquiatria dentro de um rigor científico acaba trazendo à clinica um rigor mortis! Não podemos permitir que da psiquiatria biológica reste apenas o biológico! Os dois caminhos isolados colocam a clínica em risco. trabalhador e instituição. setembro de 2006 18 www.

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o hospital se transformou em um asilo superlotado e sem qualquer vocação terapêutica. inicialmente no Hospital Galba Veloso. na área de psiquiatria no Estado de Minas Gerais. 1 Gerente Técnico Assistencial IRS FHEMIG. Projetado em Frankfurt. em 1971 transferida para o Instituto Raul Soares. vários pacientes passaram a integrar os quadros de funcionários do hospital após o tratamento. Esta experiência inovadora não teve vida longa. o hospital incorporava idéias e concepções modernas para tratamento de enfermos mentais. Entretanto.DIA 11/06/2008 – QUARTA-FEIRA Seminário de ensino – Auditório Borges da Costa Tema: FHEMIG: 40 ANOS DE ENSINO Sub-tema: “A Residência de Psiquiatria do IRS de 1968 a 2008: notas preliminares” Relator: Hélio Lauar1 O Instituto Raul Soares (IRS) foi inaugurado em 07 de setembro de 1922 como instituição que pretendia ser modelo para tratamento e pesquisas na área de saúde mental. na instituição um foro permanente de debates e críticas ao modelo assistencial psiquiátrico vigente. 21 www. Em 1963. Seu projeto arquitetônico de estilo sóbrio e funcional se integrava ao elegante conjunto de prédios públicos da nova capital Mineira. Sua única função era a de triar os enfermos mais crônicos ou os mais rejeitados socialmente para o Hospital Colônia de Barbacena.br/jornada_sudeste . permitindo aos enfermos o livre trânsito por oficinas e espaços de lazer dentro do espaço institucional. Professor da PUC Minas. já em 1929 o IRS se tornara uma instituição asilar.org. Na década de 30 foram ensaiadas experiências inovadoras de tratamento dos enfermos pela laborterapia e lazer criativo. sem nenhuma previsão de alta. trazendo novas perspectivas para a instituição. Comandada por Lopes Rodrigues. Assim. com objetivos de atender aos egressos do hospital e aos pacientes que não demandavam internação. FEAP . premida pela demanda social de segregação dos “loucos” e pessoas “inconvenientes” de toda natureza.e. Durante este fértil período. superlotada pelos rejeitados sociais de toda a natureza. primeiro serviço destinado ao atendimento de pacientes externos. No ano de 1968 foi criada a Fundação Estadual de Assistência Psiquiátrica. Dr. Lopes Rodrigues. foi planejada uma nova transformação do modelo assistencial através da implantação do ambulatório “Roberto de Resende”. nos relatos do seu diretor. a instituição abriu as suas portas.que implantou a Residência Médica de Psiquiatria. e já havia perdido seus objetivos iniciais. A natureza crítica e reflexiva da RPIRS criou.psiquiatriamg. pela retomada dos seus objetivos originais de ensino e pesquisa. definitivamente afastado de sua trajetória inicial. No final dos anos trinta a Instituição já entrara em decadência novamente. naquela época. conforme tendência mundial.

De 1968 a 2008 foram quarenta anos de construção de um sistema de formação psiquiátrica comprometida com a assistência pública e seus fundamentos. Neste processo poderemos identificar três momentos distintos: o primeiro momento, ainda no Hospital Galba Velloso, onde o nome de Jorge Paproki se mostra emblemático aproximando investigação em pesquisa farmacológica e os prodromos de uma reforma da assistência onde já se testava uma aproximação entre os fundamentos da psicofarmacologia, da psicologia social e da psicanálise, na corajosa experiência do open door. Em 1971, a Residência de Psiquiatria se transfere para o Instituto Raul Soares e neste contexto o nome de Francisco Paes Barreto passa a figurar de modo representativo de um grupo de preceptores que trabalhavam sob os auspícios do conhecimento da psiquiatria clássica, as contribuições de uma psicanálise freudo-lacaniana, e, a dimensão sócio-política da psiquiatria e da assistência pública. Segundo Barreto (1999) tratava-se de exercício teórico-prático tenso e difícil, com avanços e retrocessos, no qual se procura revelar o conceito de cidadania e uma clínica do sujeito. Os questionamentos das Instituições Asilares e do próprio modelo de Assistência Psiquiátrica já estavam sendo feitas por Baságlia na Itália, Castel e Foucault na França, Laing e David Cooper na Inglaterra, entre outros tantos, e estes pensadores lançaram as bases de um movimento internacional interessado na reforma psiquiátrica e na revisão da concepção tradicional relativa aos transtornos mentais e seus tratamentos. No IRS este movimento teve acolhida natural na Residência de Psiquiatria que passou a liderar os debates sobre o tema em nosso meio. Em 1977, as antigas Fundações de Assistência de Saúde do Estado (FEAP, FEAMUR e FEAL) foram fundidas, criando-se a Fundação Hospitalar do Estado de Minas Gerais (FHEMIG) que passou a gerir a totalidade dos hospitais públicos do Estado, assumindo mais de sete mil leitos, incluindo os psiquiátricos. Nascida sobre a égide da racionalização administrativa e assistencial, a FHEMIG tornouse sensível aos questionamentos do modelo psiquiátrico pela sua irracionalidade, ineficácia e penalização dos enfermos que eram mantidos em estruturas asilares arcaicas e desumanas. Desta maneira, a criação da FHEMIG marca administrativamente o momento propício para o desencadeamento e implantação das medidas propostas pela Reforma Psiquiátrica. No mesmo ano Michel Foucault vem a Minas a convite de Dr. Célio Garcia lançando críticas à assistência e ao sistema psiquiátrico em Minas Gerais. Em julho de 1979, Franco Basaglia veio a Minas a convite de Dr. Antonio Simoni, então preceptor da RPIRS, para fazer uma semana de palestras sobre Psiquiatria Social. Basaglia fez uma denúncia pública questionando responsabilidades do estado na geração das instituições totais e dos seus crimes de lesa cidadania em tempo de paz. Em novembro de 1979 acontece em Belo Horizonte o III Congresso Mineiro de Psiquiatria, da AMP, presidido pelo Dr. Cesar Rodrigues Campos, então preceptor da RPIRS, que polemiza institucionalmente as relações da psiquiatria com as instituições psiquiátricas e com o estado. Nesta ocasião, o filme “Em

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nome da Razão” foi lançado com o intuito de mobilizar os olhares da sociedade para o que acontecia no interior das instituições psiquiátricas, fazendo públicas as imagens de horror encerradas nos porões da loucura. Estas estratégias somadas clamavam investimentos para o setor e mudanças de paradigmas assistenciais, caracterizando o princípio do que mais tarde se chamaria reforma psiquiatrica. Todas as denúncias foram fotografadas por profissionais e amadores e divulgadas nacionalmente pela Associação Mineira de Saúde Mental em 1979. A referida associação estava vinculada internacionalmente à Rede de Alternativas à Psiquiatria Todas estas críticas feitas ao modelo psiquiátrico vigente, propiciaram o desencadeamento da Reforma Psiquiátrica em Minas Gerais, nos anos 80, liderada por profissionais que, desde os anos 60 já trabalhavam com uma perspectiva aberta e crítica. A partir da denúncia nacional e internacional realizada por Basaglia, fomentada pela Residência de Psiquiatria do IRS, a mídia passa a dar cobertura ao tema da assistência psiquiátrica no estado, criando uma série de reportagens diárias que foram posteriormente compiladas e publicadas em Belo Horizonte no livro: “Nos Porões da Loucura” de Iran Firmino, em 1981. Em 1982 acontece em Belo Horizonte o “VII Congresso Internacional da Rede de Alternativas à Psiquiatria”, presidido pelo Dr. Antonio Simoni, dando continuidade à estratégia de denúncia, e a sustentação da proposta de criação de alternativas ao modelo assistencial baseado nas instituições totais e dando voz ao usuário e o incluindo nos processos de mudança pleiteados socialmente, juntamente com os profissionais do setor. Nos anos oitenta, se manteve nesse movimento, atento e síntone com as indispensáveis mudanças na assistência ao enfermos mentais, com um papel fundamental no movimento de crítica ao modelo asilar psiquiátrico. Neste contexto, introduziu serviços inovadores como o primeiro Hospital-Dia público no Estado de Minas Gerais, além das enfermarias mistas, regionalizadas e de curta permanência. Seus técnicos contribuíram para o planejamento e implantação dos serviços extra-hospitalares, serviços substitutivos, contribuindo no planejamento e execução das primeiras políticas públicas à saúde mental no Estado. Em 1989 começa tramitar no cenário político nacional o projeto de Lei, do deputado mineiro, Paulo Degado (Lei n. 3657) que propunha aos moldes italianos, a extinção progressiova dos manicômios. A partir de meados da década de 90, constata-se o avanço da Reforma Psiquiátrica nos municípios mineiros e dos movimentos sociais ligados à luta antimanicomial. A SMSA/SUS-BH vem implantando, desde 1993, uma expressiva rede de serviços substitutivos e os leitos em hospitais psiquiátricos começam a reduzir significativamente, inclusive com fechamento de alguns deles. Consonante com a Reforma Psiquiátrica, a Secretaria de Estado da Saúde de Minas Gerais e a FHEMIG organizam em 2001 o Seminário: “Hospitais Psiquiátricos: Saídas Para o Fim”, assumindo publicamente a possibilidade do

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fechamento de seus hospitais psiquiátricos, num cronograma consequente e coerente com as políticas de saúde mental nacional, estadual e municipais. Desde 1998 começamos observar um terceiro momento na vida institucional da Residência de Psiquiatria do Instituto Raul Soares, desta vez sob a liderança de Hélio Lauar. Ex-residente do Instituto Raul Soares, trabalhando na ineterface dos discursos universitários, público administrativo e da psicanálise. Em 1996 havia realizado em Belo Horizonte o Congresso Brasileiro de Psiquiatria onde se mostrava interessado nos fundamentos da psiquiatria: biologia, filosofia e politica. Discutia no interior da residencia uma reformulação do ensino e da formação teórico prática que permitisse um retorno a clinica, de modo adequado a investigação científica, sem excluir a subjetividade e a política. Num turbulento momento de transição política, onde o IRS se via destinado a ser destivado como hospital psiquiátrico, como os seus serviços substitutivos a saber: o seu Hospital Dia e o seu ambulatório, por estarem em local condenado à extinção pelos projetos de reformulação da assistência o IRS mais uma vez movido pelo inconformismo pensante e crítico da Residência de Psiquiatria possibilita a certificação do velho hospital como o novo hospital de ensino, conforme Portaria Interministerial nº 50, dos Ministérios da Saúde e da Educação, em substituição ao antigo FIDEPS. O Hospital de Ensino Instituto Raul Soares (HE-IRS) agora tem como missão prestar assistência aos portadores de sofrimento mental, através do Serviço de urgência/emergência, do ambulatório da Residência e do Serviço de internação; garantir espaço de formação na área da psiquiatria, desenvolvendo atividades de ensino e pesquisa através de sua Residência, e nas demais áreas da saúde mental. O HE-IRS passou a dispor de um corpo técnico com experiência no serviço público e com titulação universitária capaz de oferecer programas de formação, atualização, treinamento, aperfeiçoamento, programa de residência médica e especialização latu sensu. Sua estrutura e processo funcional podem ser utilizados pelos mais diversos cursos de saúde mental como campo de treinamento curricular, estágio e visitas técnicas. O programa de Residência Médica credenciado pelo MEC para formação em Psiquiatria Geral, passou a oferecer também concentração opcional em Psiquiatria Forense e Psicoterapia. Ainda hoje o programa de treinamento e formação tem por objetivo formar psiquiatras comprometidos com a assistência pública, no contexto do SUS, a partir de programa mínimo baseado nas indicações da Associação Brasileira de Psiquiatria e aprovadas pelo MEC que visa construir mentalidades científicas e éticas capazes de atuar na assistência clínica, no ensino, na pesquisa e no planejamento em saúde. Os residentes com entrada a partir de 2007 deverão cursar três anos para a obtenção do título de especialista fornecido pela FHEMIG/MEC. Poderão ainda cursar um quarto ano opcional de Psiquiatria Forense ou Psicoterapia que funcionam desde 2004. Nestes 40 anos de existência da Residência de Psiquiatria da FHEMIG a instituição comemora sua permanência, sua vitalidade e sua capacidade de se reinventar.

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PAINÉIS www.org.br/jornada_sudeste .psiquiatriamg.

br/jornada_sudeste .26 www.org.psiquiatriamg.

Não qualquer sofrimento é visto pela Medicina como "doença”-. Consideramos "cientifico" o pensamento que pode ser comunicado à coletividade científica. Os médicos separam-se dos outros "curandeiros". Não tem sentido excluir a tísica da lista das ciências. A psiquiatria é declarada não-científica por aqueles que proclamam que seu sistema do pensar é o "único científico". porque adere à teoria quântica. Muitos contestam esse título. causalidade. Os "clássicos" não separavam da mesma maneira que hoje separamos o discurso científico do "místico”.org. conhecimentos espontâneos. que "revelam" o que sabem. julgado. na medida em que as explicações das manifestações do "mal" passaram a ser consideradas em termos racionais. que não são "ortodoxos".psiquiatriamg. Um corpo de saber respondendo a um mandato social: estudo e tratamento das alterações fisicopsiquicas que consideramos doenças.DIA 12/06/2008 – QUINTA-FEIRA Painel 02 – Auditório Borges da Costa Tema: PSIQUIATRIA E CIÊNCIA Sub-tema: Psiquiatria científica Relator: Carol Sonenreich (SP) 1. que outros teóricos ou praticantes das ciências acham que rigor. Somente as alterações para as quais o ponto de vista médico propõe interpretação. Quem não adota em sua pesquisa o "modelo" consagrado. Intervenções com o objetivo de curar foram sempre praticadas por pessoas às quais eram atribuídos poderes. 4. O cientista formula os fenômenos em função de um "quadro de referência". Uma questão que não pode escapar. trabalhos. perde o caráter científico. que elimina causalidade. e os direitos que esse garante. 27 www. certeza. rigor como exigências do conhecimento.br/jornada_sudeste . não são qualidades indispensáveis para a ciência. pela mesma. omitem. com que objetivo colocamos a questão do caráter "científico" da psiquiatria? Qualquer que seja nossa preferência é inadmissível proibir a outros de ler pontos de vista diferentes. Ignoram. de realizações das pessoas. divinos. 3. Acrescentam-se as atividades médicas para melhorar as condições de vida. portanto criticado. A Medicina que praticamos é a científica. Alterações sempre prejudiciais para aquele que sofre. Em oposição ao estilo dos "iniciados". Consideramos a Psiquiatria como um ramo da Medicina. sem achar necessário submeter-se à avaliação. 2. não como fenômenos mágicos. censurar suas manifestações. conforme as características que atribuem à cientificidade. intervenção.

temos poucos leitos psiquiátricos em hospitais gerais (levantamento da Divisão de Saúde Mental do Ministério da Saúde. Sob o ponto de vista médico. mas inseparável.a 28 www. assim. conseqüência de uma progressiva especialização e despersonalização da medicina. apesar das recomendações e estímulo por parte de órgãos oficiais nacionais e internacionais para criação de UPHG. Por outro lado. não podemos falar de saúde mental sem reconhecer a doença mental. realizada no Chile. Os recentes estudos sobre imagem. a saúde seria evidente e inquestionável. este processo de integração da psiquiatria com a medicina não tem sido fácil e tranqüilo. Mário Machado de Lemos. Inúmeros fatores contribuem para isto.Painel 06 – Sala 06 Tema: PSIQUIATRIA E OUTRAS ESPECIALIDADES MÉDICAS Relator: Marco Antônio Brasil (RJ) A presença de unidades psiquiátricas em hospitais gerais como centros coordenadores de uma rede de assistência ao doente mental vem sendo proposta. Nessa portaria. a introdução de medicamentos capazes de apresentar. a presença da psiquiatria no hospital geral faz-se cada vez mais necessária. pois sem a doença como contraste. No Brasil. alcoólatras. 2000) Entre essas recomendações está a do Ministério da Saúde denominada "Normas para política de saúde mental". procura-se acabar com a separação entre a assistência psiquiátrica e a médica geral. com um total de 1800 leitos. como efeitos colaterais. Dr. A saúde mental é um aspecto específico. em substituição aos hospitais psiquiátricos tradicionais. feita há mais de trinta anos (portaria 32 de 22-01-1974).br/jornada_sudeste . a ausência de médicos dispostos a ouvir problemas pessoais e familiares do paciente. etc. aprovado na III Reunião Especial de MInistros de Saúde das Américas. a crescente existência de pacientes (velhos. entre eles: a progressiva conscientização por parte do médico da importância dos fatores psíquicos na gênese.psiquiatriamg. fisiologia e bioquímica cerebrais têm reforçado tal necessidade. o doente mental dever ser visto como um paciente do sistema geral de atenção à saúde. correspondente a 3% do total de leitos psiquiátricos (Larrobla e Botega. a análise da questão do normal e patológico deve ser feita a partir do par antitético: saúde e doença. A psiquiatria também necessita de uma maior aproximação com o restante da medicina.) que requerem cuidados psiquiátricos e médicos gerais concomitantes. distúrbios psiquiátricos. dependentes a drogas. indicou a existência de 84 UPHG representando apenas 3% dos leitos psiquiátricos do país. em outubro de 1972 . da saúde geral. Entretanto.levando em consideração as recomendações do Plano Decenal de Saúde para as Américas. coloca entre suas resoluções . as cirurgias complexas e arriscadas levando a pré e pós-operatórios tumultuados e sujeitos a problemas de ordem psicológica. realizado em 1998.org. evolução e prognóstico das doenças orgânicas e a necessidade de adquirir conhecimentos e instrumentos terapêuticos para lidar com tais fatores. o então Ministro. Desta forma. Por outro lado. apesar das vantagens que parecem ser óbvias. outorgando ao doente mental a condição de "enfermo de direito comum" (Hochmann).

entre eles. procura estimular a criação de uma rede da assistência em saúde mental extra-hospitalar e apoio à abertura de leitos psiquiátricos em hospitais gerais. com ela. internação somente em casos inevitáveis. o Ministério da Educação e Cultura e o Ministério da Saúde determina o pagamento de incentivo financeiro no valor de uma porcentagem adicional de 75% sobre o valor das internações aos hospitais de ensino que tenham internação psiquiátrica com um mínimo de quatro leitos. ao tratamento ambulatorial e a hospitalização curta de preferência em hospitais gerais (grifo nosso). Em 1991. aparecem freqüentemente nos discursos oficiais sobre as políticas de saúde mental. através da portaria 224/92 que traça diretrizes e normas a respeito do atendimento aos doentes mentais em hospitais gerais. Entretanto.br/jornada_sudeste .). promover a instalação progressiva de pequenas unidades psiquiátricas em hospitais gerais.org. Em 1992. Em portaria conjunta de no 001/94. Através das portarias 407 e 408/93. utilizar recursos intermediários entre o ambulatório e a internação integral. há uma grande dificuldade de transformar tais discursos em uma realidade da prática assistencial. da Coordenação Geral de Saúde Mental do Ministério da Saúde é enfatizado a importância de leitos de atenção integral em saúde mental em hospitais gerais e CAPS. recomenda que a atenção psiquiátrica no continente latinoamericano se baseie em serviços centrados na comunidade como alternativa à hegemonia do hospital psiquiátrico. Desde então. tanto em relação à proposta de instalação de 29 www. 1990).psiquiatriamg. a Coordenação de Saúde Mental do Ministério da Saúde. incluir-se numa estratégia de atenção primária de saúde (. O Programa de Reorientação da Assistência Psiquiátrica – CONASP/INAMPS (Portaria 3108 de 1982) propõe várias diretrizes para o atendimento ao paciente psiquiátrico: “ser predominantemente extra-hospitalar. a internação em hospitais gerais(Conferência de Caracas.” (Grifo nosso) A “Declaração de Caracas”. visando a redução das internações em hospitais psiquiátricos tradicionais.. o Ministério da Saúde (1993) determina que os serviços de atendimento em saúde mental substitutivos à internação tradicional em hospitais psiquiátricos teriam uma remuneração 20% superior a este tipo de serviço. através da portaria 189/91. o Ministério da Saúde. em hospitais-dia e nos Centros e Núcleos de Atenção Psicossocial. em hospitais psiquiátricos tradicionais.de dar prioridade. (Alves Brasil. 1996) No “Relatório de Gestão 2003-2006”. ser exercido por equipe multidisciplinar. texto-documento promulgado em novembro de 1990 pela Conferência Regional para a Reestruturação da Atenção Primária convocada pela Organização Pan-americana de Saúde/Organização Mundial da Saúde (OPAS/OMS). acatando parecer da Coordenadoria de Saúde Mental. a reforma da assistência psiquiátrica e. a proposta das UPHG.. ampliando e diversificando os procedimentos da Tabela do SIH/SUS e SAI/SUS. na assistência ao doente mental.

passa pela realidade e também pela brincadeira. formar mentalidades. memória e imaginação. uma prática heterogênea.psiquiatriamg. Imaginação. órfãos e desvalidos. mas também nos famosos internatos. A loucura passou a ser objeto de estudos meticulosos. Além disso. reina. sem dúvida. Os loucos. Mas ele precisa ainda de “lembranças do futuro”. Para isso temos sempre que ter certeza de nossas dúvidas. na reeducação do louco. deve estranhar e se afastar do seu pré-texto para que a construção do seu texto dê-se tomando o que estuda enquanto um fato da cultura. Convém lembrar que o recurso à internação parecia ser uma grande idéia do século XIX. Titular de Psicopatologia – Faculdade de Medicina/UFRJ. ele está imerso em memória. Assim podemos fisgar o que queremos da herança do “velho” para sustentarmos a direção do “novo”. Num gesto humanitário. tratar. narrativas de outros. 30 www. sofisticadas escolas que formavam as elites européias. Ou seja. médico. a loucura é enclausurada. a criação. oscilando entre o fisicalismo organicista e a pedagogia moral. Nosso amigo Sigmund Freud levou essa questão mais adiante. com outros. como diz Marcel Proust. Internar para melhor educar. para ser séria. no entanto. Observação. não apenas para a gestão dos pobres. Uma prática disciplinar. para ser realização. ao lidar com questões de ordem “moral”.br/jornada_sudeste . O real não brinca. A Psiquiatria se constituiu como uma espécie singular de medicina. e sim realidade. assim como os conventos.UPHG quanto ao restante do leque de propostas alternativas ao hospital psiquiátrico asilar. O forte humanismo pineliano vê na loucura um erro a ser corrigido. demarcando precisamente suas fronteiras científicas. enfim.org. segregar os sexos. 1) O gesto fundador de Pinel: Assim começa a administração da loucura. o vice-versa da memória. Para ser precisa. tutelada e deve ser silenciada das mais diversas maneiras. classificada. chegando até às universidades. filantrópico. senão algo a ser abolido. Como diz Roland Barthes. permanecem sendo um desafio perturbador para aqueles que se arvoram a tratá-los. sobre outros. como ensinou Antônio Vieira. Isso sem falar nos médicos “internos”. Portanto o oposto da brincadeira não é seriedade. de ensaios científicos. constituem os três tempos da criação. mas com ambições científicas. nos mostrando que a coisa mais séria da vida é a brincadeira de uma criança. Painel 09 – Sala 02 Tema: O PSIQUIATRA E SEUS IMPASSES Sub-tema: “Os novos velhos desafios na saúde mental” Relator: João Ferreira da Silva Filho2 Todo aquele que escreve tem que “ver a linguagem”. Tomemos três momentos históricos desse projeto de gestão dos loucos anterior ao movimento da reforma psiquiátrica brasileira iniciado nos anos 80. Mas é justo esse humanismo que 2 Prof.

Como conceber o alienismo? Prática desumana que encarcera a loucura? É antes um humanismo disciplinar (bem ao gosto do século XIX). um nome: François Tosquelles.psiquiatriamg. e faze-los considerar um futuro feliz (. que para avançar na cura destes infelizes. freqüentemente pobres e com idéias sociais (. como disse Castel1. se impor a eles mas não maltrata-los. na França3. Os loucos são entregues à sua própria condição sem saída. com o mestre Esquirol. Vai-se da medicina moral à medicina do sistema nervoso central (do cérebro como órgãorei). dos intelectuais e artistas no processo. ao trazer do alienismo uma psiquiatria desacreditada. que contava com voluntários dedicados aos cuidados dos internos. A abertura das portas do hospício. Isso não nos parece de todo estranho.org. O humano vai se reduzir ao biológico e a química deve ser o único instrumento terapêutico. as cooperativas. A doença mental é decretada incurável até que os progressos da ciência (aqui uma versão rudimentar como protótipo das neurociências) possam descobrir sua verdadeira etiologia orgânica. mas em favor de uma reeducação.. as trocas entre interior e exterior dão origem aos grupos terapêuticos. 2) A Psiquiatria e a Resistência Tudo começou ainda nos anos 1940.) eram atraídos pelo ensino da Salpêtrière.br/jornada_sudeste . À frente da empreitada. Encantou Pinel com sua extrema habilidade em lidar e conviver com eles. combater o objeto que os afetou. ambiciosos.. O que deu certo em Saint-Alban? Nas palavras de Tosquelles4: Se St Alban teve certo sucesso é porque havia gente de todo tipo: intelectuais. A derrocada do alienismo corresponde ao triunfo do cientificismo.) é principalmente através dos remédios morais que eu sempre combati esta doença2. seduzidos pelo que então aliava o aparente rigor de uma ciência com as grandes aspirações da filantropia e os prestígios da parisianidade. refugiados. o questionamento das hierarquias profissionais e da psiquiatria estritamente médica. O fracasso dessa empreitada.. Pussin assim se referia a seu trabalho: A experiência me demonstrou. Essa experiência pioneira acontece em plena resistência ao nazismo no hospital psiquiátrico de Saint-Alban. ganhar sua confiança. é preciso trata-los tanto o quanto possível com doçura. e mais a investigar. domesticador da loucura sim. e me demonstra diariamente. e aos novos dispositivos de cuidados em ritmo experimental. há cada vez menos o que tratar. camponeses. restaurar a razão que ainda resta no meio da loucura.também vê ali uma possibilidade de tratar. egresso de uma longa internação por tuberculose em Bicêtre. Um limite perigoso do setor poderia ser 31 www. o envolvimento da comunidade. Pussin. Segundo Castel: os primeiros alienistas eram jovens de boa vontade. de uma ambição ressocializadora. que nem médico era. ali permaneceu inicialmente como voluntário e chegou à chefia de um pavilhão que tratava de loucos. abre as portas para o cientificismo cético que condena a loucura ao intratável. como por exemplo: os clubes. Como conseqüência. Uma primeira medicina social..

que dava para fora.. onde o psicanalista seria o ápice da pirâmide. sair e até voltar.. é preciso permanecer um tanto que seja para criar laços. de ‘aplicar’ os procedimentos psicanalíticos.) St Alban já era um hospital psiquiátrico aberto (. cada vez que se fazia uma festa. esse é o movimento que deve ser sustentado seja onde for: desde o grande hospital. um delírio muito belo – parafrenias.br/jornada_sudeste . Eram as pessoas que vinham para dentro do hospital. havia uma espécie de patologização às avessas: lá onde deveria estar a saúde. não havia modo de movê-los. (.) Os protestantes de Cevennes tinham a esquizofrenia florida.. Roberto Quilleli. as moradias assistidas etc. construir lugares. um de seus idealizadores: a orientação psicanalítica [deve ser] aplicada não só no atendimento individual pacientes como também na organização e funcionamento da Divisão como elemento de valor terapêutico. as oficinas. A herança freudiana de que ‘há 32 www. mesma cultura. Estava implícita a idéia de que aqueles que se dedicassem ao penoso trabalho de cuidar dos doentes mentais deveriam confrontar-se com sua própria doença.. Ao mesmo tempo sabemos que é preciso acolher. onde improvisou um atendimento. Os doentes ficavam esperandoos e vendiam aos camponeses seus trabalhos.psiquiatriamg.8 Tratava-se. estabelecer referências e transferências. A proposta brasileira de trabalho da comunidade terapêutica dos anos 60/707 trazia em seu bojo a idéia que pode ser resumida neste exemplo do Prof. O psiquiatra deveria ser também psicanalista. eles não diziam e não faziam nada.. foi graças àqueles protestantes do sul... alucinações em quantidade – ao passo que os católicos do norte adoeciam do que chamamos “schizofrenia simplex” – pensamentos de um idiota.) Os camponeses. ao funcionamento da própria instituição. para ir à feira. 3) A Psiquiatria das comunidades terapêuticas5 O movimento internacional das comunidades terapêuticas não foi homogêneo. portanto. Isto é. Preguiçosos. É preciso poder chegar. mesmo grupo social. E falando de sua experiência anterior como psiquiatra num campo de concentração de refugiados espanhóis na França. suas obras de arte. por exemplo.) Enquanto os protestantes sabiam o valor da palavra. da criação da palavra. Só assim podemos pensar no ir e vir. também é verdade que eu o utilizei para fazer as pessoas entrarem por uma porta e saírem por outra. o que faz toda a diferença para a concepção asilar que tanto nos assombra.. poderia se encontrar a doença..exatamente este de envolver no sistema de cura pessoas que sejam iguais entre si: mesma profissão. Então. Portanto é muito mais fácil sair de um campo de concentração passando por um serviço de psiquiatria do que sair diretamente. (. E finaliza nos dando uma direção: O serviço de psiquiatria não é mais do que um lugar de passagem. Eis o que não podemos esquecer. (.. se algum dentre os católicos foi curado espontaneamente. por outro lado. paranóias.org. (..) Essas trocas (entre exterior e interior) eram muito importantes. Um importante divisor de águas foi o recurso maior ou menor à psicanálise6. até os pequenos serviços. passavam dentro do hospital com suas vacas.. Tosquelles nos confessa: Este pequeno serviço curou doentes com sucesso e.

As comunidades terapêuticas tinham a proposta de reabilitar ao invés de segregar. impedindo a formação de guetos de desvalidos. pois os valores transformam-se rapidamente. e em alguns lugares da América Latina. Cabe a cada um tomar para si sua tarefa e fazer dela uma razão do seu desejo. sucessores das comunidades terapêuticas e críticos de certa concepção da psicanálise que transborda interpretações. enfim. 9 Que valores éticos orientam a assistência. especialmente.um fundo de razão na própria loucura’ é levada ao limite em que haveria um fundo de loucura na própria razão. habilitando. O tratamento possível é o de trazer o sujeito à cena e apostar nele. os humanos. Hoje estamos em outro momento. Na base das virtudes éticas fundamentais está a vontade de conhecer para compreender. desvinculou-se da compulsão ao trabalho. a construção restituição e reconstrução de direitos humanos. Essa inversão subverte o princípio pineliano afirmando o primado da psicanálise. discípulos da inventividade de Tosquelles. Tudo isso vai ser retomado no movimento da reforma. mantemos viva a psiquiatria como um conjunto de práticas heterogêneas mas não infundadas. Então o que ficou de valor? Qual é a nossa herança? Somos descendentes do ‘tratamento moral’ de Pinel. Ensinando aos habilitados a conviver com os desabilitados. vamos caminhando caso a caso. seja com quantos recursos terapêuticos forem necessários. a pesquisa no campo da saúde mental na universidade? A resposta é complexa. flexibilizar o tratamento criando um ambiente terapêutico no combate à cronificação asilar. Atentos ao sujeito. nem a instituição. vamos chamá-lo a responder por si e convocá-lo a estar no mundo. ativando os recursos da comunidade. nas mais diversas instâncias. assumindo.org. especialmente no Brasil. O que envelhece é uma certa concepção da psicanálise que atualmente não mais é professada. Quanto à reabilitação em saúde mental. buscar uma convivência comunitária ao invés de uma hierarquia rígida. desorientados. da ousadia de Basaglia. mais somos levados ao terreno confuso dos ditames morais e daí à procura por restrição da 33 www. característica dos seus primórdios. na cidade (até onde ele suporta e lhe interessa) seguindo o seu estilo. nos novos dispositivos de cuidados e convivência. os sistemas de crença são questionados e muitos. organizando e avaliando serviços de saúde mental. Quanto mais limitado é o nosso conhecimento. o ensino e.psiquiatriamg. patologiza a instituição e reduz ao psicológico campos da política. antes de traçar regras de conduta ou criar leis e códigos para prescrever ou proibir. tratando desigualmente os desiguais. construindo leis inovadoras. na rua. a perceberem que tudo é deficiente. O nosso trabalho tem outra perspectiva. incentivando a solidariedade social. Herdeiros da clínica. E por isso pode ser permanentemente transformado.br/jornada_sudeste . Não se trata de psicanalisar os profissionais. reclamam ordem na busca de resgatar uma ética perdida. Compromissados com nosso mandato terapêutico. produzindo justiça. da cultura e das relações sociais. hoje.

Portella Nunes. também em Porto Alegre. passam além do mar Adriático. 26. 1997. tivemos. G. deve ser feito. . a experiência francesa de Jean Oury e o grupo de La Borde. Ulisses Pernambuco. São. que vai em outra direção. Relume Dumará/UFRJ. Palavras-chave: Psiquiatria _ Assistência _ Saúde Mental Notas 1 CASTEL. psicanalistas e psicólogos: o jogo profissional no campo ‘psi’” em RUSSO. Instituto de Psiquiatria.A Ordem psiquiátrica: a idade do ouro do alienismo. Ronald Laing. representantes da psicoterapia institucional. por exemplo. a técnicas assistenciais. “François Tosquelles – a Escola de Liberdade” em Saúde Loucura. que toma a clínica como critério. O. J & SILVA FILHO. portanto. “Psiquiatras.. 5 FIGUEIREDO. Os desafios antigos e recentes na construção da assistência em Psiquiatria no Brasil. a experiência inicial da Clínica Pinel de Porto Alegre sob a direção de Marcelo Blaya.. R. Passam por João que é um dos seus apóstolos. Elas sempre passaram pela realidade e também pela brincadeira.psiquiatriamg. Reconhecer e respeitar diferenças é o ato ético fundamental de toda a atividade de estudo e cuidado na saúde mental10.liberdade daqueles cujas ações e pensamentos escapam ao nosso conhecimento.D. teve diferentes representantes na Europa e na América como. universalizarmos nossas realizações na Saúde Mental. portanto. M. Vêm de Teixeira Brandão. 3a edição. 1993. sem coerções a discussões. 2 SERPA JR. A. de Saint Alban. de Maxwell Jones.) Duzentos anos de Psiquiatria. 1993.org. o saber deve aparecer em toda sua universalidade. Domingos Sávio. HUCITEC. Rio de Janeiro:Ed. Rio de Janeiro: Graal. 6 O movimento das ‘comunidades terapêuticas’ nos anos 50/60. E por Pedro que sustenta sua Igreja. a proposições científicas. do treizième arrondissement. Juliano Moreira. J. 1991. “Sobre o nascimento da Psiquiatria” in Cadernos IPUB. Nise da Silveira. nº 4. assim. 2a edição. (orgs. São Paulo: Ed. muito sérias. No 34 www. CONSTANTINO. Luís Cerqueira. que inaugura a antipsiquiatria. p. É contemporâneo do movimento italiano de desinstitucionalização liderado por Basaglia em Gorizia. Donald Cooper. Na universidade e na saúde em particular.C. a experiência inglesa pioneira de Maxwell Jones no Belmont Hospital. 7 No Brasil. 3 Essa experiência é uma espécie de matriz do movimento da Psicoterapia Institucional nos anos 50/60 na França. a americana de Chestnut Lodge (uma clínica nos arredores de Washington que oferecia tratamento psicanalítico aos pacientes psicóticos).F. 4 GALLIO. do serviço comunitário na Divisão Melanie Klein do Hospital Psiquiátrico São Pedro. Agora que já falamos as línguas dos pagãos podemos percorrer o caminho que leva a Damasco e. entre outras. a tudo aquilo que pode ser feito e que. e ainda. nº 3. Gerald Caplan e quejandos. criticando o institucionalismo e o apoliticismo.br/jornada_sudeste . IPUB/UFRJ.

J. e. 9 SILVA FILHO.org.C. a ciência e o bom cuidado. 10 SILVA FILHO.Rio de Janeiro. J. a experiência da Vila Pinheiros e da Pensão Margaridas. Fundação Getúlio Vargas. vol.. da Comunidade Terapêutica do Hospital Pinel com Eustachio Portella Nunes e Roberto Quilelli.. 73 em Arquivos Brasileiros de Psicologia Aplicada.T. Rio de Janeiro. Ética e Saúde Mental.br/jornada_sudeste . tivemos os trabalhos do Hospital Odilon Galloti com Osvaldo dos Santos e Wilson Simplício. 2001.C. R. IPUB/CUCA. Rio de Janeiro: Ed. “Uma experiência de comunidade terapêutica” p. FIGUEIREDO.F. 2000. (Orgs). “A saúde mental. 22. para citar os principais. A. In: FIGUEIREDO. 1970. A. Rio de Janeiro: Topbooks. nº 2. 8 QUILELLI. F. M. CAVALCANTI.psiquiatriamg. já no início dos anos 70. A Reforma Psiquiátrica e os Desafios da Desinstitucionalização. pp 51-58. e cols. 35 www. 2ª Ed.

de nossos colegas do Sul (Quevedo. MS. à mesma época.. J. o qual está situado em uma das Áreas Programáticas das quais o Instituto é referência. 3 4 Diretor Geral do Instituto Municipal Philippe Pinel (IMPP). habitual usuária de serviços de internação.org. Shimitt. nestas circunstâncias. No entanto não é esta a posição da Direção do Instituto Municipal Nise da Silveira. Sérgio Levcovitz4 (RJ) A natureza das emergências psiquiátricas tem mudado enormemente nos últimos anos. que abriga uma das mais procuradas Emergências Psiquiátricas de nossa cidade. julho 2006 ) O Instituto Philippe Pinel. R. após a transferência de seu PS para o PAM Rodolpho Rocco. da Secretaria de Saúde do Rio de Janeiro. era de 3. parece se lamentar do destino destes dispositivos.M. estuda cuidadosamente estas experiências e dialoga com Unidades Gerais de sua área.20 (!!!) a mesma taxa para o Estado do Rio de Janeiro. desenvolvendo também alternativas de recepção de novos casos e seu acompanhamento posterior. para valores quase 1000% inferiores às medias de nosso Estado.). haja vista a freqüência significativa de complicações clinicas e não raro o óbito. considerada apenas a clientela da AP 3-2. Enquanto isto./RJ. Assim. desospitalização. os quais passaram a se responsabilizar pelo acompanhamento de clientela grave. Urgente nos parece a passagem da internação do dependente alcoólico em abstinência inicial para Unidade Geral. para o 1º semestre de 2006. IMNS). no exame do melhor local para o acolhimento destas ações.. seguido por Pernambuco (Saúde Mental em Dados. o Campeão Brasileiro na modalidade. 36 www. foi de 0. também administrado pela S. passaram a ser atendidas principalmente nas emergências dos hospitais gerais?. Kapczinski. a oferta de vagas no Ambulatório da Unidade para a absorção de novos clientes e a abertura de Centros de Atenção Psicossociais na região. sob total responsabilidade do IMNS (Núcleo de Informações Gerenciais. por exemplo. que apoiada em pressupostos como regionalização da assistência. acessibilidade e tomada de responsabilidade por um dado território.DIA 13/06/2008 – SEXTA-FEIRA Painel 06 – Sala 06 Tema: URGÊNCIA E EMERGÊNCIA NA REDE Sub-tema: “O caso da Secretaria Municipal de Saúde do Rio de Janeiro” Relator: Mário Barreira Campos3 (RJ).S. F. O Prefácio da 2ª edição (2008) do substancial e útil volume sobre Emergências Psiquiátricas?. com a quase extinção destes.br/jornada_sudeste . tem ?se observado despencar as taxas de internação . vem obtendo resultados alentadores.psiquiatriamg.34/1000 habitantes/ano a taxa de internações realizadas no PS do PAM. Diretor Técnico do IMPP/SMS/RJ. Antes restritas aos hospitais psiquiátricos. Com o deslocamento para o Pronto Socorro Geral do atendimento às grandes emergências e a criação de espaços de Recepção no próprio Nise para casos de menor gravidade.

A evolução das pesquisas e da reforma psiquiátrica. Nos dois sentidos. complicando as já difíceis relações entre equipe. na construção da aliança terapêutica. pedra Mestre em Psicanálise Universidade de Paris 7 Psiquiatria Universidade de Paris VI 5 37 www. Teorias de inspiração psicodinâmicas como a da mãe esquizofrenogênica de Fromm-Reichmann (1848).br/jornada_sudeste . sistêmica.Apresentaremos dados e reflexões. Estudos prospectivos posteriores mostraram a pouca pertinência dessas explicações únicas. As diferentes escolas (cognitivista. Desde as obras assistenciais cristãs prérevolução francesa. seja pelo papel do poder médico. consideradas as circunstâncias. passando por Pinel e pela construção do manicômio.org. psicanalítica) souberam reinventar o vínculo entre família e equipe de cuidados.psiquiatriamg. para este segmento de nossa Saúde Publica. prometendo a cura graças à construção artificial de meios sociais supostamente mais sadios que aqueles domésticos. onde a patologia era explicada como uma doença da comunicação. os melhores resultados terapêuticos da psicofarmacologia fizeram com que a família assumisse novamente uma posição essencial no quotidiano dos pacientes. visando o aprofundamento das questões e a contribuição para tomada de decisões embasadas tecnicamente e amplamente discutidas. elegeram a família. em universo tão complexo como o da esquizofrenia. como agentes causais do transtorno. que criava métodos ainda mais equivocados. onde mães frias e desafetivadas estariam na fonte do adoecer do paciente. até a criação das comunidades terapêuticas de orientação analítica. com os resultados catastróficos que conhecemos. Painel 08 – Sala 08 Tema: A FAMÍLIA NA REDE Sub-tema: “O lugar da família nos cuidados do portador de sofrimento mental” Relator: Pedro Colen (MG)5 A reforma psiquiátrica nos leva à construção de um novo modelo de cuidados do portador de sofrimento mental necessariamente em torno da reabilitação psicosocial. o movimento de decomposição familiar teve força até o início do processo de humanização da psiquitaria pós-segunda guerra: seja pelas famílias esgotadas pela precariedade de resultados terapêuticos na penúria da psiquiatria prépsicofarmacológica. ou a teoria do “double bind” de Bateson (1958). com suas interpretações etiológicas equivocadas. mais que do pensamento. Estudos genéticos mais recentes revelam a etiologia multifatorial do transtorno. separar o paciente de sua família se constituía muitas vezes no fato terapêutico em si. para conhecimento e exame pelo Debatedor e a platéia. que apontem as melhores soluções. A desconstrução do modelo asilar coloca a família nesta dinâmica de maneira inevitável. buscando reparar séculos de segregação. família e paciente. de certa maneira. com evidente implicação genética.

De toda evidência. in Eastern Mediterranean Health Journal.. o meio associativo.br/jornada_sudeste . 1996.A.3. The Cochrane Data-base of Systematic Reviews. n. et ali. Muitas vezes os contatos entre família e cuidadores se fazem através de reivindicações agressivas junto à equipe. junho 1982. por sua organização inclusiva no tecido social de usuários e familiares.J. Alguns estudos questionam igualmente o fato que. reuniões em torno da produção do paciente. Insistir na parentectomia é condenar o paciente à segregação familiar e social. sobretudo na formulação de programas de formação que capacitem as equipes de cuidado primário e especializado a intervirem adequadamente neste sentido. psicólogos e outros). Se as formas de intervenção são múltiplas (contatos informais. etc. comumente saturadas. 38 www. não sendo vistos como doença propriamente dita. restabelecer uma comunicação intra-familiar quando todos estão em um impasse. Bibliografia: ASSODOLLAHI G. trabalho psico-educativo. tanto aquelas de cuidados primários (clínicos. maior é a segurança e a eficácia de nossa rede. os objetivos permanecem os mesmos: aliviar o sofrimento do paciente e de seus próximos. enfermeiros e membros da UBS)..org. 50-56. é uma alternativa altamente viável para construir uma interface de articulação entre equipe de cuidados e famílias. levando usuários e seus familiares a transmitir experiências da doença e suas soluções a pais e mães inquietos sobre a saúde de seus filhos. BOUCHER L. STREINER D.angular nos cuidados da esquizofrenia. vol 6. que poderão sobrevir secundariamente. pp 118127. A arquitetura da rede de cuidados deve levar em conta estes fatores. São variados os estudos que mostram a relação entre intervenções familiares precoces e prevenção de recaída na evolução da esquizofrenia. Neste sentido. vol 7. Ela é o fato de várias pessoas que se juntam para atingirem o mesmo objetivo. MARI J. the effects of family intervention for those with schizophrenia. 2000. LALONDE P. No nosso trabalho estas intervenções têm sido profícuas. mas como problemas do caráter preguiçoso. com menos culpa para eles. movimentos de rejeição em relação ao paciente. criar uma relação onde o clima de confiança e os laços positivos para ajudar os pais a suportarem as mudanças do paciente. p. desleixado e desorganizado do paciente). adotando as mesmas atitudes e os mesmos comportamentos. elas não estejam na prioridade do trabalho das equipes. issue 1. Training families to better manage schizophrenic’s behavior. uma vez que os negativos trazem habitualmente certa calma ao domicílio. em flagrante incapacidade em administrar os sintomas deste (sobretudo os positivos..). quanto mais laços construímos.. por ser uma organização pouco onerosa na construção da rede. psicoterapias psicodinâmicas ou comportamentais. grupos de família. quanto das especializadas (psiquiatras. mesmo conhecendo os benefícios destas intervenções. e a abordar os conflitos em um outro contexto. La famille du schizophrène: interférente ou alliée? in Santé Mentale au Quebec.psiquiatriamg.

et ali. 1995.psiquiatriamg. visando o resgate da pessoa cidadã. Roche-Frisson. La réhabilitation psychosociale en psychiatrie. Ed. jovens.br/jornada_sudeste . Disputas de natureza político-ideológicas. desenvolvido desde 1984.org. Paris. destacando o papel da universidade pública como agente de mudanças no setor. do Sistema Municipal de Saúde Mental de Juiz de Fora (MG). muito adequadamente. A repercussão dos mesmos sobre os serviços de saúde em geral é reconhecida. iniciativas da sociedade civil não podem ser desprezadas. como propulsor de uma ética capaz de balizar as ações que o momento nos impõe.REYNAUD M. sobretudo porque não se garante a realocação dos recursos financeiros. Paris. Igualmente. potencialmente capaz e responsável. O autor aponta a sua participação. Faz-se necessária a superação dos mesmos no interesse do bem coletivo. Amparados em leis que respaldam a mudança do modelo assistencial. mulheres. cada vez mais. Painel 09 – Sala 02 Tema: PSIQUIATRIA E COLETIVIDADE Relator: Uriel Heckert (MG) O psiquiatra. as políticas públicas têm aberto espaço significativo para as demandas da área da saúde mental. além de interesses corporativistas. 1991. FrissonRoche. trabalho psiquiátrico comunitário. A magnitude das questões ligadas à saúde mental está a exigir seu envolvimento em ações de âmbito coletivo. têm gerado confrontos desgastantes e contraproducentes. Tais iniciativas de alcance maior ganham eco na convocação da Organização Mundial da Saúde (OMS) por uma “ação global” pelo enfrentamento do crescente impacto causado pelos transtornos mentais na qualidade de vida das populações. Espera-se dos profissionais do campo psi habilidades que vão além das habituais. idosos). Em bom momento a Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP) promoveu o resgate do conceito de pessoa humana. Le traitement de la schizophrénie. Entretanto. que tradicionalmente prioriza a relação dual médico-paciente. grupos de apoio em situações especiais (gravidez precoce/indesejada. Ed. pode ser evocado. Nos últimos anos. eles ainda são insuficientes. pois somam recursos e mobilizam novos agentes sociais espontaneamente motivados. Assim. VIDON G. et ali. grupos de reflexão/ação com populações específicas (homens. é chamado a ir além do seu “setting” de trabalho. por exemplo. pois podem apontar caminhos criativos. tem sido a marca. exigindo a elaboração de novas estratégias. capazes de beneficiar grupos e comunidades. Algumas são destacadas pelo autor: programa de saúde mental para moradores de rua. novos serviços têm surgido. em articulação com o Programa de Saúde da Família (PSF). Experiências locais bem sucedidas devem ser reconhecidas. A integração com a rede básica de serviços. doenças 39 www. pois ele constitui uma contribuição genuinamente cristã e permanente à cultura universal. digna em seus direitos.

sexualmente transmissíveis.org. O desafio está lançado a todos. comunidades terapêuticas para drogadictos.psiquiatriamg. O campo de trabalho amplia-se e os trabalhadores disponíveis e capacitados são poucos.br/jornada_sudeste . sexualidade egodistônica). 40 www.

por ação do sujeito-estrutura. oriundo da praxis. que valoriza mais o objeto do que o saber sobre o mesmo.. 1998. não fosse a insistência da psiquiatria em se colocar como uma ciência empírica que exclui do saber do sujeito em nome de uma pretensa universalidade. Para lidar com este paradoxo as classificações nosológicas são construídas como consensos. in Escritos. pois não diante da causa como categoria da lógica. que presta contas dos seus efeitos na clínica. p 883. Portanto é útil anotar que o sujeito do cogito. que ao mesmo tempo em que espera o encontro de uma causa formal que sustente a nosologia se vale de um pacto social para classificar as doenças. J. Devemos resgatar históricamente sua dimensão epistêmica para mostrar que uma rede discursiva pode substituir uma causa natural faltante por uma positividade discursiva. advogando a passagem da natureza para a cultura. Este processo poderia fundar as bases de um novo paradigma. Professor da PUC Minas. Assim a percepção da natureza passa a ser produto da apreensão subjetiva que toma como verdade o que nunca foi antes possível de ser percebido.org. Estaríamos. LACAN. Ciência e Verdade. que demanda saber e se faz saber. a psiquiatria vem construindo-se ora como empírica. ora como dogmática. determinada por uma exterioridade incognoscível por definição. que como suporte desta exterioridade e sobre determinado por ela nasce no mesmo momento deste saber. 41 www. Rio de Janeiro: Jorge Zahar ED. ao enunciar “cogito ergo sum” (penso: logo existo). e que toda esta operação toca a 6 7 Gerente Técnico Assistencial IRS FHEMIG. Esta estratégia nos faz pensar que há uma espécie de dubiedade neste procedimento. capaz de operar a clínica. e admite que um saber sobre ela só fosse possível através da linguagem e neste sistema não haveria natureza que não fosse produto da subjetividade. poderia indicar que o pensamento só funda o ser ao se vincular a fala. caro à ciência moderna. Contra esta lógica podemos observar na uma outra ciência que se fundamenta numa posição antiempirista. produto da subjetividade.br/jornada_sudeste . mas como causando todo efeito7. ora como eclética. Esta lógica parte de uma arbitrariedade fundante. Neste movimento a natureza passa a ser pensada como incognoscível. se afastando do acordo tácito das intersubjetividades que formataram este saber.DIA 14/06/2008 – SÁBADO Painel 01 – Teatro Oromar Moreira Tema: A CONSTRUÇÃO DA SUBJETIVIDADE Sub-Tema: “A Psiquiatria entre o saber e a verdade” Relator: Hélio Lauar6 Tendendo a uma oposição entre clínica e ciência.psiquiatriamg.

no que se refere à apreensão da realidade. Livro Os Quatro Conceitos Fundamentais em Psicanálise.. 9 8 42 www.br/jornada_sudeste . onde a dúvida metódica desconfia de toda evidência.psiquiatriamg. a relação pensamento e mundo. que não seja enganador. Deus. A segunda se refere ao Outro. Deus. o esforço cartesiano produz um efeito distinto do psicanalítico. com vocação totalizante. Para Descartes a realidade é dada a priori. Ciência e Verdade. Apesar de supor aí uma divisão que parece capaz de se superar. entre saber e verdade. Esta proposição coloca em curso uma estranheza onde o eu se faz de trás para frente. tornando atual um traço anteriormente instalado.um comentário. 1979. 1979 11 FREIRE/FERNANDES/SOUZA. pp 38 a 50. Idem. que o sujeito poderá responder pelo objeto do seu desejo11. no seu discurso do método. Nestes termos Descartes e Lacan se pactuam.org. em sua própria razão objetiva10. Admitem que o pensamento seja constituído pelo saber.demonstrável topologicamente onde o verso e anverso de uma fita podem encontrar condições de se ajuntar por toda parte. J. O sujeito em Descartes tem dupla acepção. O verdadeiro fica fora do pensamento e ele recorre a um Outro.. ou seja. a verdade. A primeira se refere ao sujeito despojado de todas as suas garantias. que possa garanti-lo. Não se pode colocar fim a esta divisão e nem tratar o assunto admitindo-se que exista alguém que seja causa de si mesmo. Rio de Janeiro: Revinter. 1998. intervalo onde o ser se encontra com o pensar. Em Descartes a “dúvida hiperbólica”. a quem se supõe um saber. se a certeza é irredutível. se constrói a partir do engano. A dúvida metódica deve levá-lo a desalojar-se da sua experiência subjetiva para perceber o mundo assim como ele é. atributos e significações ditas naturais. Ver para isso LACAN. A polaridade “Cogito sum: Cogito ergo” tornada algébrica por Heidegger.operação e resultado desta operação . donde se evidência que nada é falado senão apoiando-se numa causa. da evidência de um paradoxo extremo. como suposto saber. Como sustentar então que há intimidade entre o ser e aquilo que o causa? Freud nós dará a chave desta operação com sua frase “Wo Es war. O ato LACAN. que não existe um significante que se refira a coisa em si. p 39. e deve ser percebida pelo sujeito através da sua subjetividade. J. e que será através da transferência ao Outro. O Seminário. lá onde isso estava”. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Ed. Podemos aproximar Descartes e Freud frente à certeza do sujeito. nos dirá Lacan. Assim surge o apelo para um saber fora do pensamento. mantido por uma incerteza metódica. soll Ich werden”. e mesmo da posição final do sujeito em relação a esta realidade. como na Banda de Moebius. como propõe Lacan9. que em português pode indicar “o eu deve advir. p 879. Para o autor. que se verá reproduzida no sujeito . in Escritos. 10 LACAN. funda uma espécie de dupla inscrição. indica que “o ser” depende “do pensar”. J. Indicamos também comentários de Ana Beatriz Freire em FREIRE/FERNANDES/SOUZA. Mesmo assim. que possa garantir só por sua existência as bases da verdade. com pontos em comum. A Ciência e a Verdade . Rio de Janeiro: Jorge Zahar ED. não pode ser garantida insuficientemente pelo pensamento.experiência da linguagem8. a certeza do sujeito pensante. ibiden. 1996.

da idéia que o sujeito faz do mundo. ou no futuro. na sua temporalidade própria. que ordena antecipadamente um saber sobre o que é mundo. em que o sujeito se mostre como elemento deste mundo. É como se pudesse sustentar que a visão do mundo do sujeito antecipa a visão do mundo em si. no lugar de senhor. está marcado por uma leitura “mundo que é” pelo “mundo do sujeito” e que o mundo e o sujeito se mostram inseparáveis da lógica da linguagem. 43 www. ganham dimensão temporal. uma representação sempre idêntica a si mesma no tempo. uma vez que não faz nascer nenhum conhecimento sobre o objeto. confere sentido. que oferece seu arcabouço teórico à tradição fenomenológica da Psiquiatria. e determinados pelo mundo12. ele perderia o estatuto de saber. não se pode deixar de anotar que todo este processo sígnico ou não. no presente. mas aos objetos. O signo parece advir do exterior. da presença do mundo. ainda que o mundo. e ainda da possibilidade de existência do mundo para além das representações do sujeito. Criado pelo sujeito e para o sujeito. a partir das suas representações. Lacan e a Filosofia. Não garante o endereçamento de algo para o sujeito que pudesse ter um significado para ele. Assim é que o Cogito (o que eu penso) acompanha todas as representações. 12 JURANVILLE. e chegar ao plano da percepção. mas ao contrário. que dizem que o mundo não pode se reduzir à extensão de uma dominação característica do saber sobre o mundo. mas sim uma pressuposição sobre ele. que dão sentido às representações do sujeito. 1987. este saber adquire um estatuto sígnico. por mais objetivamente afastadas que elas estejam da situação. fica marcada por sua dimensão sígnica. ou do saber. ou seja. como propõe Descartes. apesar de ser originado pelo sujeito.br/jornada_sudeste . ainda fica a mercê da comprovação. marca a independência e a clausura do seu mundo. A . o de conferir ao mundo uma unidade com a representação. Esta totalidade não se refere às representações articuladas uma às outras. 30 a 39.perceptivo. Assim o mundo adquire uma unidade e uma totalidade. Neste viés o conjunto de representações que o sujeito tem do mundo parece ser antecipatório a qualquer percepção do mundo. ou confirmação de algo exterior ao sujeito: Deus. O sujeito se mostra presente como pensamento em todas as suas representações do mundo. tal qual existam ou existiriam no mundo. Se. O sujeito. pp. uma vez que a linguagem é um sistema de signos. enquanto possuidor de um mundo aparece essencialmente como sujeito do conhecimento. Caso sigamos Husserl. ou seja. Mesmo considerando que a realidade. as representações garantidas por um sujeito sempre constante. No passado. na Psiquiatria. Assim é que poderemos acompanhar as críticas de Heidegger. De modo que o sujeito.org. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Editor. Preso a essa visão representativa do mundo o sujeito deve ultrapassá-la. passa a ser indicativa de uma exterioridade. estamos diante do problema de precisar como distinguir a presença do ser no mundo. capaz de convencê-lo de que o “mundo que ele pensa” e o “mundo que é” são finalmente idênticos. Será que poderemos supor que as representações que o sujeito faz do mundo e o mundo são idênticos? Se assim fosse os acontecimentos reais se desenrolariam. impeça que a realidade seja sempre conforme seu sentido antecipado pelo saber.psiquiatriamg.

pela formulação de um saber como obra do sujeito. é a única forma de se ter acesso ao mundo. O conceito de correspondência. ora incompatíveis. mas que resiste a ser reduzido ao pensamento? Os empiristas se recusam a admitir que a verdade seja um atributo do sujeito. pp. 1962. Ela seria exterior ou interior ao pensamento? Dito de outro modo: quando se pensa a coisa. O nominalismo também é capaz de admitir que esta correspondência se estabeleça entre as proposições e a coisa representada.psiquiatriamg. a representação da coisa. o sujeito e o Outro (alusão a Deus em Descartes). como coerência. e não no pensamento ou no discurso. A verdade nos coloca diante de uma lógica complexa. mas que se justifica pela sua utilidade. Ainda dizia que a medida da verdade está no ser ou na coisa. que ora se mostram compatíveis. 14 ABBAGNANO. Podemos valorizar a dimensão do sujeito. Aristóteles nos diz que a verdade está no pensamento. Na polêmica sobre o tema. e que ele é uma condição atributiva ao sujeito. 13 ª 44 www. através de multiplicidades relativas. O que validaria este procedimento cognitivo? Estamos diante do problema da Verdade. ou como utilidade14. como conformidade a uma regra. optou inicialmente. São Paulo: Mestre Jou. e admitiremos que não exista verdade. o mais difundido de todos os discursos sobre a verdade.Admitindo que o saber. tem múltiplas acepções. 957 – 961. Ou ainda que a verdade tenha um caráter instrumental. porque a coisa é em si mesma. admitindo a coisa é radicalmente impossível e o mundo do conhecimento se transforma numa reflexão do sujeito sobre si mesmo (metafísicos). N. Dicionário de Filosofia. ainda assim teremos que nos haver com as garantias do saber. Classicamente13 ela poderia ser pensada segundo cinco tendências distintas. Aponta para uma divisão entre critério e conceito de verdade. que não deixa de lhe escapar e de lhe fazer atualidade. 1962 . mas esta adequação para alguns está definida pela coisa. A Psiquiatria entre o saber e a verdade. não no ser ou na coisa. na sua tradição clinica e clássica. como revelação. devemos localizar a coisa. Podemos admitir que a coisa e o pensar se correspondam idealmente. admitindose que o pensamento estabelece uma relação arbitrária do sujeito com as coisas externas. e por outros ainda pelo sujeito que pensa. marcado por descontinuidades: a coisa. 2 ed. limitando-se a admitir que a verdade ateste a correspondência entre as proposições do intelecto com as das coisas. mas crivado da verdade que atesta sua validade com relação à coisa. ou na linguagem. como linguagem.br/jornada_sudeste . Coerência aproximativa e imperfeita. A disjunção entre saber e verdade é um fato clínico. se pensa a coisa pensante ou algo que exterior não se faz saber senão deste modo. o pensamento reprodutivo. ou por Deus que tudo sabe. por outros pelo intelecto. São Tomás localiza a questão da verdade como “a adequação entre o intelecto e a coisa”. Seu método clínico propõe a experiência do psiquiatra como o Ver o conceito de Verdade na tradição filosófica em ABBAGNANO. onde os elementos podem ser definidos como um sistema diferencial. No sistema empírico podemos demonstrar a valorização da dimensão da coisa. como correspondência.org. mas harmônica (idealistas).

baseado na epidemiologia. e dos sujeitos que as transmitem. deste modo. pp 97 -143. 17 Fernandes. que tem optado por deixar a coisa se entender sozinha com o número. seguindo os passos de um neopositivismo empírico. Aproxima-se. que pode ser percebida por todos independente das diferenças culturais. Rio de Janeiro: Revinter.240 km². 1996. como fundamento do método clínico e valorizando o esquecimento da Ciência em relação ao saber.org. Especialista em Psiquiatria pela ABP. do campo da Ciência de base positiva. Coordenador do Serviço de Saúde Mental de Serro. ganha o estatuto universal. Estas convicções não se confundem com o sujeito. 18 Residência em Psiquiatria pelo Instituto Raul Soares.campo essencial para o saber. o mundo e a linguagem. Na sua vertente atual. que desvaloriza o saber clínico feito por um. Aproxima-se pela vertente numérica. em suas observações.000 habitantes distribuídos em extensos 1. 15 45 www. lida com os logicismos. discute15 a verdade como um valor relevante no sentido de decidir qual formulação teórica é pertinente dentre o conjunto das formulações teóricas e demonstrações produzidas16. que se encontra na base de toda Ciência. 1996. como evidência de uma realidade invariável. alguns matemáticos parecem reconhecer e discernir com muita clareza um nível puramente sintático ( próximo do que Lacan denomina saber ) de um nível semântico ( próximo do que ele tematiza como verdade ).br/jornada_sudeste . Fernandes em FREIRE/FERNANDES/SOUZA. destituído de sujeito que o formulou. Aliada ao pensamento matemático. em obra citada. O Serviço de Saúde Mental (SSM) foi criado em 2005. onde cada um se constitui como o autor da sua experiência. Painel 09 – Sala 02 Tema: A PSIQUIATRIA NO PSF Sub-tema: “Relação entre Psiquiatria e PSF em cidade de pequeno porte: a experiência de Serro-MG” Relator: Juarez de Oliveira Pessoa (MG)18 Serro é uma cidade histórica com cerca de 22. e propõe no seu lugar a clinica como campo onde o saber. e que estas dimensões não se sobrepõem como eles supunham. que fecha o espaço da verdade. o que faz com que a capacidade de atendimento esteja próxima da saturação. A Ciência e a Verdade. como transmissor de uma experiência clínica traduzida como saber. garantido numéricamente.um comentário. Psiquiatra Forense pela ABP. Certamente o autor aponta para uma outra matemática que lida com espaços não euclidianos. nos alerta para o fato que mesmo nestes procedimentos. 16 FERNANDES.psiquiatriamg. Deste modo parece desconsiderar o saber e suas relações com a verdade17. a Psiquiatria tem se afastado dos dilemas próprios da distinção saber e verdade. É um princípio de independência das ordens que caracterizam uma separação entre o mundo e a idéia. permitindo a forclusão do sujeito e do seu saber. O logicismo eleva a um plano fundamental a convicção do sujeito sobre o mundo. e atualmente atente a cerca de 250 pacientes. nem com o mundo. Indicamos também comentários de Francisco Leonel de F.

com.O SSM de Serro particulariza-se pela estratégia de promover atendimentos itinerantes nas próprias unidades de PSF da zona rural. Observa-se que a maioria dos profissionais médicos não tem capacitação em saúde mental nem se interessam pelo tema.ou que não têm indicação de atendimento especializado – para o Programa de Saúde da Família (PSF). Uma das maiores dificuldades encontradas reside na dificuldade de (re) encaminhar casos estabilizados .br/jornada_sudeste .psiquiatriamg. Contato: juarezpessoa@uol. As ações de capacitação são muito dificultadas pela alta rotatividade destes profissionais.org. demonstrando a viabilidade na parceria entre Saúde Mental e PSF.br 46 www. Por outro lado. Tal ação se fez necessária pela dificuldade de acesso dos pacientes ao distrito-sede e resultou em maior eficácia na identificação e acompanhamento inicial de casos novos. observa se boa resolubilidade naquelas equipes mais estáveis e organizadas.

MESAS REDONDAS www.psiquiatriamg.org.br/jornada_sudeste .

br/jornada_sudeste .psiquiatriamg.org.48 www.

Esta apresentação tem a intenção de revisar as drogas psicotrópicas mais utilizadas no tratamento dos transtornos alimentares sem desconsiderar as outras formas de abordagens terapêuticas já citadas. domperidona e ciproheptadina. A psicofarmacoterapia na anorexia nervosa (AN) é usada para tratar a depressão e para reduzir o perfeccionismo e a perseguição à magreza. haloperidol. Já a perseguição implacável à magreza ou o medo intenso em ganhar peso. mas como conseguir atingir estes objetivos ainda é um obstáculo a ser superado. Trabalhos vêm mostrando que a fluoxetina além de melhorar os sintomas depressivos. Embora as medicações psicotrópicas não devam ser usadas de maneira isolada. psicologia. principalmente na anorexia do tipo restritivo. favorece o ganho de peso e diminui o número de recaídas na AN. elas têm sido de grande valia principalmente nas comorbidades e nos chamados sintomas nucleares. pode ser reduzida com o uso de antipsicóticos atípicos. os pensamentos obsessivos e o perfeccionismo são presenças marcantes nestes quadros. tetrahidrocanabinol.12/06/2008 – QUINTA-FEIRA MESAS REDONDAS MR 01 – Auditório Lívio Renault Tema: TERAPÊUTICAS PSIQUIÁTRICAS: DESAFIOS NA ATUALIDADE Sub-Tema: “Transtornos Alimentares” Relator: João Eduardo Vilela (MG) Os transtornos alimentares estão entre as condições mais desafiantes que a psiquiatria trata. ou típicos. As pesquisas mostram que a combinação de intervenções psicossociais e psicofarmacológicas é a melhor estratégia para o tratamento destes transtornos. Além de restaurar o peso das pacientes o tratamento visa melhorar os hábitos alimentares.br/jornada_sudeste . que muitos autores comparam a uma atividade delirante. especialmente a fluoxetina em 49 www. paciência. clínica médica. para que se consiga algum sucesso com o tratamento. pimozida e clorpromazina. tratar as complicações médicas. nutrição e serviço social. A depressão é muito comum na AN. Vários autores reconhecem que o profissional que vai lidar com estes transtornos tem que reunir qualidades tais como conhecimento. flexibilidade e dedicação. Em ambos os sintomas os antidepressivos. olanzapina e amisulpride. chegando alguns autores a dizer que ela seria uma variante de um transtorno depressivo maior. têm uma atuação satisfatória.psiquiatriamg.org. Assim como a depressão. ansiolíticos. cisaprida. trabalhar com a família e prevenir recaídas. especialmente os ISRS. naloxone. São unânimes em recomendar uma equipe que inclua profissionais das áreas da psiquiatria. Estudos têm demonstrado que a medicação antidepressiva é mais efetiva que o placebo no tratamento da bulimia nervosa (BN). zinco. Outras drogas têm sido usadas em estudos abertos nos últimos 30 anos: carbonato de lítio. Os objetivos para o tratamento dos transtornos alimentares estão bem definidos.

No tratamento do transtorno da compulsão alimentar periódica (TCAP) têm sido utilizados antidepressivos. Os pacientes com hepatite C crônica apresentam taxas de prevalência de transtornos psiquiátricos. apresentam risco aumentado de estarem contaminados com o vírus da hepatite C. naltrexona. pelas suas peculiaridades. O tempo de tratamento varia de acordo com o subtipo viral: 24 semanas para os subtipos 2 e 3. sobretudo transtornos mentais graves e dependência química. sistema imune e endócrino. A hepatite C crônica e o tratamento antiviral com interferon.psiquiatriamg.constituem. Os mais estudados são os inibidores de recaptura de serotonina (ISRS). se baseia em interferon. Ademais. com melhoras significativas. importante modelo para o estudo de interações entre o SNC.doses altas. Além disso. A transmissão do vírus da hepatite C se dá predominantemente por via parenteral. que visa à erradicação do vírus.). com taxas de sucesso (resposta sustentada) que variam entre 46% e 80%. e o adequado manejo desses efeitos adversos.associado à ribavirina. e 48 semanas para o subtipo 1. o interferonapresenta efeitos adversos psiquiátricos freqüentes. A hepatite C apresenta evolução variável. Ambas apresentam resultados animadores no tratamento da BN. que são desencadeados ou agravados pelo medicamento e que podem requerer a descontinuação do tratamento. significativamente mais altas do que a população geral. O tratamento farmacológico. Estima-se que no Brasil a prevalência esteja entre 1. Há na literatura estudos clínicos de tratamento preventivo para depressão nessa população – antes do início do tratamento antiviral – e de tratamento sob demanda. principalmente relacionados a distúrbios do humor (depressão em 15% a 45% dos pacientes tratados com interferon.br/jornada_sudeste . o equivalente a 170 milhões de pessoas.org. de antidepressivos diversos. Os pacientes com hepatite C crônica podem evoluir com cirrose (15% a 20%) e carcinoma hepatocelular (1% a 4% dos pacientes cirróticos).42% e 4. A avaliação do humor do paciente antes e regularmente durante o uso do interferon.9% da população. os pacientes portadores de transtornos psiquiátricos. sendo que atualmente o principal fator de risco para infecção é o uso de drogas injetáveis. topiramato e sibutramina. ou de transtornos 50 www. sendo que até 85% dos pacientes desenvolvem a forma crônica. MR 01 – Auditório Lívio Renault Tema: TERAPÊUTICAS PSIQUIÁTRICAS: DESAFIOS NA ATUALIDADE Sub-tema: “Transtornos psiquiátricos em pacientes com hepatite C” Relator: Bruno C.. Duas drogas relativamente novas têm sido avaliadas através de ensaios clínicos randomizados: ondansetron e topiramato. Fábregas (MG) A hepatite C crônica é uma doença infecto-contagiosa que acomete aproximadamente 2% da população mundial.

elevação das transaminases. estreitar .br/jornada_sudeste . are – apertar . Angústia vital não pode. ANGST do alemão pode ser traduzido como medo e também. na prática psiquiátrica. Este terror inelutável permeia nossa existência. ou outro indício clínico de doença hepática. estreitamento – e/ou – angusto. Para melhor entendê-lo é melhor recorrer às descrições literárias e teatrais que foram utilizadas para delimitar a angústia vital. o primeiro filósofo existencialista. como angústia vital. A melhor tradução para angst.psiquiátricos pré-existentes. conseqüentemente. Salienta-se neste particular a escola francesa do existencialismo: de Sartre deve-se ler Huis-clos. donde o português é a última flor inculta e bela. em linguagem corrente é um vocábulo que pode remeter a uma dupla origem: angester do dinamarquês e seu equivalente alemão angst ou anguste – aperto. Como impossibilidade primeira. à psicologia e cada corrente de pensamento de cada uma destas disciplinas apropriou-se da angústia como coisa própria. um atormentado homem religioso que nos deixou escritos filosóficos e. pacientes com comportamento de risco. devem ser considerados para investigação sorológica para hepatite C.angester seria terror ou pavor. como algo que fizesse parte de seu arcabouço teórico. Para Kierkegaard angester-angst traduzia o terror que cerca a certeza de nossa finitude e a inescapável atração exercida sobre nós por esta situação.. daí a confusão que cerca o emprego do conceito de angústia. Para melhor entendermos o conceito de angústia é indispensável reportarmos-nos inicialmente à Kierkegaard.. Para a percepção da angústia vital Camus recorre ao mito de Sísifo condenado que foi a rolar pedras morro acima para delas escapar correndo morro abaixo.. nem deve ser confundida com ansiedade – o conhecido medo sem objeto. à psicanálise. O terror-atração vai ser desenvolvido por Heidegger e Sartre. 51 www. uma vez que o diagnóstico precoce pode ter implicações favoráveis quanto à morbidade e mortalidade. estão associados à maior adesão ao tratamento antiviral e.org.. MR 02 – Auditório Bolivar Tema: A IMPORTÂNCIA DO CONCEITO DE ANGÚSTIA EM PSIQUIATRIA Sub-tema: “O conceito de angústia e suas relações com a doença maníacodepressiva e as depressões recorrentes” Relator: João Romildo Bueno (RJ) Angústia. principalmente de teologia protestante. após a obra de Kierkegaard. mestres do ser. daí ser Kierkegaard ser considerado o precursor. L’étranger e L’exyl et le royaume. do tempo e do vazio.do latim clássico. o conceito de angústia foi imediatamente incorporado à psiquiatria. maiores taxas de resposta sustentada. Por fim.psiquiatriamg. Le mur e Les mains sales e de Camus é indispensável a leitura de La chute.

para ser convincentes devemos nós mesmos estar meditando). do mesmo modo como também muita tristeza ou até alegria podem ser patológicos se chegam a extremos ou duram muito tempo. Trata-se do afeto magno.org. do mesmo modo como outras formas de higiene: exercícios. As neurociências são constituem a disciplina que mais tem desenvolvido o conhecimento sobre os aspectos biológicos da angústia.br/jornada_sudeste . Não nos consola a certeza de Heidegger que nascemos para a morte uma vez que viver. nos impede desfrutar dos detalhes da vida. Peru) A angústia é. A angústia excessiva. É da angústia como sintoma que nós tratamos como médicos e psiquiatras: a que nos impede viver tranqüilos e que perdeu seu valor de adaptação. sem dúvida. cognitivistas. Precisamos de certo nível de angústia na vida. Em se tratando de depressões recorrentes. neuro-feedback. nos momentos em que precisamos decidir com celeridade e enfrentando algum risco. e cuja angústia deixou de ser paralisante. Entre estas.. usado com consciência. o afeto central da nossa existência. o trabalho terapêutico deve incluir um espaço de diálogo profundo como o que uma terapia expressiva (que permita a expressão das emoções) fornece. em intensidade ou persistência no tempo. Um pouco mais também está bem. está bem: ansiolíticos e antidepressivos na primeira linha. Presente desde o inicio da vida extrauterina – talvez desde antes – nos acompanha até o final da mesma.. onde se lê SOLI-D-ÁRIO. Sem ela não enfrentaríamos os retos cotidianos.psiquiatriamg. a psicanálise tem um lugar preeminente. que a constituem. MR 02 – Auditório Bolivar Tema: A IMPORTÂNCIA DO CONCEITO DE ANGÚSTIA EM PSIQUIATRIA Sub-tema: “A importância do conceito de angústia para a Psiquiatria atual” Relator: Eduardo Gastelumendi (Lima. à inescapabilidade da situação o que nos coloca face ao dilema existencial de ser a morte a única solução viável.Ainda de Camus é outra frase paradigmática sobre a angústia vital: ali. melancólicas ou de doença maníaco-depressiva a angústia vital está diretamente ligada à desesperança. Mas para aqueles outros que tem uma sensibilidade maior e uma mais complexa compreensão da própria existência. tempo de lazer. deve entender-se SOLI-T-ÁRIO. Alguns dentre nós consideramos a meditação como um instrumento muito valioso (mas.. que joga um rol essencial na adaptação e na sobrevivência do individuo e da espécie: nos alerta contra os perigos e prepara o organismo para agir e pensar mais rápido e melhor. A filosofia tem feito aportes fundamentais para a reflexão sobre a existência do ser humano e suas 52 www. temos outras técnicas terapêuticas. Para isto contamos com um arsenal farmacológico que.. Para aqueles pacientes que não desejam ser tratados apenas com fármacos. alimentação adequada. ainda que em depressão seja nossa única vocação. Muita angústia já é outra coisa: tornamo-nos disfuncionais.

Na primeira a libido –a energia sexual. o mundo inteiro muda. se me permitem a imagem. e atribuiu a angústia ao conflito entre as diferentes instancias (ego. e pela própria imagem de como intuímos que podemos ser.psiquiatriamg. Ao mudarmos nossa atitude perante nossas emoções dolorosas. das pulsões e das fantasias sobre as emoções. Já não são os outros a fonte de sofrimento e desgraças: o mundo torna-se um território a caminhar. suas contradições. É isto que somos agora. projetada também no futuro. a explorar e reconhecer como próprio. É agora que estamos cientes. e também com suas possibilidades.não utilizada. etc. Ao longo das décadas. narcíssica. cada uma sendo resolvida com o reconhecimento dos conflitos infantis em jogo e a sua repetição na relação transferencial. Enquanto não reconhecemos a nossa própria responsabilidade sobre ela. no ser humano. se estanca e se transforma em angústia. Tornar-se consciente do conflito e – passo fundamental – poder resolvê-lo. no farol que mostra a direção para a que devemos nos dirigir.vicissitudes. e vai se tornando capaz de se pensar e aceitar a si mesma. tal como o vinho em vinagre. ao fazer mais complexa sua teoria da mente. Ao ter acesso à palavra. Isto graças ao reconhecimento da poderosa ação do inconsciente.br/jornada_sudeste . A psicanálise é a disciplina que mais tem contribuído à compreensão da angústia no ser humano individual. id e superego) do aparelho psíquico. Nossa mente. do conflito. às vezes até sua resolução. do processo de se constituir em sujeito. Com a angústia ocorre o mesmo: no ser humano está gerada também pelas emoções que projetamos ao futuro. 53 www. esquizo-paranoide. do temor à morte. Freud desenvolveu sua segunda teoria. joga um papel mais complexo do que o simples desejo de descarregar uma pulsão –com grande prazer!. A angústia no ser humano com consciência autorreflexiva é diferente da angústia nos animais. Nenhuma destas variedades de angústia nos é alheia: todos nós as vivemos em diferentes intensidades. etc. a faria desaparecer. A sexualidade. Já no processo de se tornar consciente a pessoa vai adquirindo um maior conhecimento de si mesmo. a angústia deixa de ser apenas um sintoma psicopatológico e se transforma. é agora quando devemos detectar aquilo que nos está inquietando. a psicanálise mostrou outras fontes da angústia: de separação. da culpa. da mentalização. E a psicanálise também contribuiu muito na diminuição da angústia patológica. depressiva. Ocorre igual com a sexualidade. No momento em que aceitamos que está em nós trabalhar para diminuí-la.. com seus desejos mais bizarros. de culpa. de fragmentação mental.e garantir a sobrevivência da espécie (ou dos genes). da experiência de vazio. nossa sexualidade se transforma. Quando é muito marcada. é na realidade psico-sexualidade. consciente e inconsciente. Alguns anos depois.org. estamos à deriva. Freud desenvolveu duas teorias da angústia. Os diversos momentos da história pessoal em que os conflitos foram mais intensos – os chamados pontos de fixação –. psicótica. dos desejos. projetando no mundo as razões do nosso padecimento. davam a característica secundária da angústia: de morte. sofremos e fazemos sofrer. de castração.

sede das emoções de angústia. de exprimir e atualizar com coragem as pulsões de vida. quando não produzido. se afastando das pulsões de morte. nada melhor que o colo materno. de alcançar suas potencialidades como seres humanos –nos termos de Rank. Porque nos seres humanos. numa vã tentativa de voltar ao útero: a voltar atrás. 54 www. no final da vida. As complicações da vida aparecem como fortes demais e a resolução delas exige todos os esforços. mas com um tom afetivo mais pessimista: todo ato nosso estará marcado pela tensão entre esse dois pólos pulsionais. a morte. nos termos de Freud. o amor. muita coisa acontece e muito está em jogo. Mas até chegar esse momento. ao menos alguns deles. calma e êxtase. descobrir que a vida pode ser tomada nas próprias mãos. Ocorre que quem já os conheceu na infância. pode ser um passo transcendental. mais facilmente os reencontrará no futuro. estes sintomas. à comodidade tranqüila. o então as características biológicas e as vivencias infantis são tão determinantes que não da para outra coisa que acalmar o sofrimento com medicamentos.psiquiatriamg. apontará na mesma direção. paz. sentem um desejo de conhecer mais. discípulo de Freud. esse ou outro sintoma é o inicio de um percurso que nos levará a trabalhar com o paciente para conhecer quais circunstancias vitais tem desencadeado. Mais adiante Freud (1920). Para a que sofre o recém nascido. Mas para outros. Às vezes ai termina nossa ação terapêutica. As pessoas cujo impulso vital intenso e cuja reflexão sobre o destino pessoal é importante.É verdade que para muitos de nossos pacientes isto pode parecer demasiado. Este cuidado não apenas calma esse afeto em aparência: a presença tranqüilizadora da mãe naqueles momentos de tensão e sofrimento infantil vão estruturando as conexões cerebrais de modo tal que o córtex pré-frontal estabelece uma relação cada vez mais funcional e compensadora com a amídala. predominando.br/jornada_sudeste . com freqüência voltaremos a procurar aqueles momentos de sossego. ao esconderijo. Aqui a angústia tem a função de mostrar-nos quais são os obstáculos que impedem nosso desenvolvimento. o fato de tomar consciência da própria responsabilidade.org. e aquelas que o puxam ao mais seguro. enquanto tivermos vida. a angústia deixa de ser predominantemente evolutiva e automática e passa a ter uma nova função: a de alertar-nos e mostrar-nos a direção do nosso desenvolvimento possível como seres humanos. de se afastar da comodidade do estado intrauterino. Em outras ocasiões. Otto Rank. ao menos para controlar o transtorno. Mais adiante. A tensão entre ambas tendências seria uma das bases da angústia existencial adulta. dizia que existem duas grandes tendências no ser humano: aquelas que o lançam para a vida e o desenvolvimento das capacidades e da autonomia. ao postular as pulsões de vida e pulsões de morte como elementos básicos de toda existência. Dizíamos que a angústia está presente desde os inícios. Passou já a época em que os psicanalistas tentavam curar um ataque de pânico só com a psicanálise –os psicofármacos funcionam bem. o que persistirá durante a vida toda. incluindo o mundo interno. o cuidado.

não se arriscar. estamos por completo submetidos às leis do determinismo biológico ou então aceitamos os condicionamentos sociais da época como o limite natural do desenvolvimento pessoal. Conta-se dele que quando criança sofreu durante algumas semanas graves sintomas de pânico: não podia se afastar da mãe e andava o dia todo prendido à saia dela. mas vão mostrando o caminho. 55 www. tudo muda. não entrar na luta. segundo o sentido que damos à vida. de separação. Com o tempo essa angústia se resolveu e.No momento em que o impulso que nos leva a evoluir pessoalmente. a história do grande matador Cordobés Manolete (1917-1947) ilustra este ponto de maneira extraordinária. Este é o reto. Uma vez que descobrimos que nossa tarefa fundamental e conquistar a liberdade que podemos ter. enfrentar as angústias que surgem quando queremos chegar a ser o que intuímos que podemos ser. nos compromete com um novo reto: chegar a ser quem podemos ser. Até a chegada desse momento no desenvolvimento da consciência – e da cultura –. E é esta angústia a que nos deve guiar na nossa transformação.org. etc. senão a questioná-lo e nos diferenciar dele. agir. chegou a ser quem foi! Como ocorreu essa transformação? Desde a perspectiva psicanalítica clássica poderíamos falar em mecanismos contra-fóbicos. pode-se pensar que essa criança já intuía quem era e o quê poderia chegar a ser no futuro: mas essa vaga consciência de ser capaz de enfrentar a morte encarnada em animais gigantescos era demais para uma criança e desencadeou os sintomas. E é aqui quando cada um deverá. as angustias de castração. Nos seres sensíveis e conscientes ocorre uma revolução ontológica. O reconhecimento de esse desejo. Na medida em que as enfrentamos. O maior inimigo agora é se acomodar. enfrentamos um novo tipo de angústia. mesmo não sendo plenamente consciente. enfrentar. liberdade para pensar e agir. Tal vez não seja demais dizer que o futuro da nossa espécie depende do modo em que possamos desenvolver uma consciência mais coletiva e transpessoal. E aqui. Fazer. comprometer-se socialmente gera angústia. não concluir nem se comprometer. com os anos. esquizo-paranoides e depressivas surgem novamente.psiquiatriamg. nos desenvolvemos. além das expectativas familiares e sociais. Mas desde outra perspectiva.br/jornada_sudeste . aquela que considera que desde o início somos de algum modo cientes das nossas possibilidades. considerar. não apenas a adaptar-nos ao meio. Aqui.

dentro de um espectro obsessivo-compulsivo2. Pacientes com TOC associado a tiques apresentam mais freqüentemente obsessões de agressividade e sexuais. Professor da PUC Minas.br/jornada_sudeste . somadas a outras. as comorbidades. Essas evidências. Int Rev Psych 1997. 2 1 56 www. The obsessive-compulsive spectrum disorders. 3 Hollander E. Compulsões "tic-like" são comportamentos semelhantes a tiques complexos. a relação entre Transtorno Obsessivo-Compulsivo e Síndrome de Tourette é a mais bem estabelecida.9:99-109. a idade de início. caracterizada pela presença de tiques vocais e motores). O conceito de espectro está fundamentado na similaridade do TOC com determinados quadros. Benzaquen SD. além de compulsões de simetria. a tricotilomania (caracterizado pelo ato repetitivo de arrancar pelos). mas oculta uma heterogeneidade do quadro.org. Gerente Técnico Assistencial IRS FHEMIG. colecionismo e "tic-like". compulsões sexuais e certos transtornos dos hábitos alimentares entre outros. O diagnóstico categorial permite uma circunscrição nosográfica. considerando a psicopatologia. até a etiologia3. o curso clínico. o jogo patológico. Int Rev Psych 1997. mais recentemente diversos autores têm sugerido que eles podem se distribuir ao longo de um continuum. a resposta e tipo de tratamento e. The obsessive-compulsive spectrum disorders. Embora esses transtornos sejam tradicionalmente classificados como categorias diagnósticas distintas. Neste sentido é que resultados de pesquisas recentes têm enfatizado que o TOC é heterogêneo e que ele poderia ser estudado a partir de uma visão dimensional e contínua.psiquiatriamg. talvez. genéticos e farmacológicos. As pesquisas recentes sobre TOC afirmam que o conhecimento dos diversos subgrupos homogêneos dos pacientes permite melhor aborda-los e tratá-los clinicamente. ordenação e arranjo.9:99-109. o "comprar" compulsivo.MR 03 – Sala 05 Tema: ESPECTRO OBSESSIVO/COMPULSIVO: CONTRIBUIÇÕES PARA A CLÍNICA Sub-Tema: Espectro Obsessivo Compulsivo: contribuições para a clínica Relator: Hélio Lauar1 O transtorno obsessivo-compulsivo (TOC) é caracterizado pela presença de obsessões e/ou de compulsões. os transtornos de tiques (incluindose a síndrome de Tourette. o transtorno dismórfico corporal (caracterizado por preocupações excessivas com partes do corpo). ou seja. Dos estudos sobre a associação entre os diversos transtornos desse espectro. mas precedidos por obsessões. o Transtorno Obsessivo-Compulsivo (TOC) é o mais prevalente e acomete cerca de 3% da população (a quarta doença psiquiátrica em termos de freqüencia). Benzaquen SD. Entre esses. sendo fundamentada por estudos clínicos. Hollander E. O espectro-compulsivo compreende: o transtorno obsessivo-compulsivo (caracterizado por obsessões e compulsões).

a qual permanece constituída a despeito das dezenas de vezes ao dia que ele lava suas mãos. Ele tem gasto . mas os achados clínicos epidemiológicos já permitem pensar e operar clinicamente com pretensas semelhanças entre os diversos transtornos especialmente no que se refere ao tratamento psicofarmacológico e comportamental. constitui um modelo eficaz para o avanço do conhecimento fisiopatogênico4. mas. o conceito de que haveria um "espectro obsessivo-compulsivo" precisa ser visto com crítica e comedimento. Phenomenology of intentional repetitive behaviors in obsessive-compulsive disorder and Tourette's syndrome. Esta associação entre TOC e ST tem sido descrita há vários anos. placebo controlled study in patients with and without tics. Lee NC. mas há alguns anos que tem convivido com uma angústia que acabou por lhe desenvolver o hábito repetitivo de lavar as mãos. 6 Coordenador da Residência de Psiquiatria do Instituto Raul Soares. Savage CR. 4 57 www. Antes.psiquiatriamg. E.51:302-308. Jenike MA. ele não pode encostar em nada. tem lavado também o tronco. passou a lavar os antebraços.br/jornada_sudeste . lavava apenas as mãos. inteligente. até que estudos adequados sejam realizados. 5 McDougle CJ. João chega ao consultório com a demanda de tratar sua “mania de lavar as mãos” e de aliviar sua angústia. depois. Membro da Escola Brasileira de Psicanálise e da Associação Mundial de Psicanálise. Arch Gen Psych 1994.cerca de três horas de seu dia nesse ritual.56:420-30. Quando finaliza a lavação. de neuroimagem e neurofisiológicos5. apenas uma hipótese que precisa ser testada cientificamente. Preceptor da residência de Psiquiatria do IPSEMG. o rosto e a cabeça. genéticos. com exceção da síndrome de Tourette.sugerem que alguns tipos de Transtorno Obsessivo-Compulsivo podem representar diferentes formas da Síndrome de Tourette. Pensar num continuum entre os transtornos dos movimentos repetitivos. Leckman JF. J Clin Psych 1995. Goodman WK. Heninger GR. Coffey BJ. João reinicia o processo. é ainda. Baer L. Rauch SL. que faz sucesso com as garotas. mais recentemente.org. tem sido comprovada através de estudos clínicos. João apresenta uma dermatite esfoliativa na pele das mãos e em seus antebraços. apenas recentemente. variando dos tiques simples à ideação obsessiva. Fecha a torneira com Miguel EC.em sua jaula obsessiva . Portanto. Price L. antes de dormir. Haloperidol addition in fluvoxamine-refractory obsessive-compulsive disorder: a double blind. À noite. MR 03 – Sala 05 Tema: ESPECTRO OBSESSIVO/COMPULSIVO: CONTRIBUIÇÕES PARA A CLÍNICA Sub-tema: “Efeitos terapêuticos rápidos no tratamento de uma neurose obsessiva” Relator: Sérgio de Campos6 João é um jovem universitário. Em decorrência dessa compulsão. A relação entre o transtorno obsessivo-compulsivo e os outros transtornos do espectro.

João comenta: Todo esse processo é demorado. mas mesmo assim. que houve alguma serventia em se lavar e que esse ato deve lavar mais alguma coisa além das mãos.br/jornada_sudeste .. queria ser piloto de corrida como Senna. mas após a morte do Senna perdeu todo o interesse pela “Fórmula Um”. encontrar outro método mais consistente de aliviar sua angústia. João considera absurdo esse procedimento de lavar as mãos repetidamente e confessa todo esse aparato com certo constrangimento. quando questionado o que aconteceria se ele não se lavasse. p. como um cirurgião antes da cirurgia. apenas no momento do ritual. Assinala que tem muito medo da morte. 8 Éric Laurent comenta que a admiração pode deslizar para o culto da personalidade. o ato de se lavar praticamente acabava com a angústia. O sujeito tem na velocidade o seu mais gozo e sua causa de desejo. Mas. João confidencia ser um sujeito muito angustiado. 129. o que aconteceu nesse dia? Creio que nada aconteceu de especial. É. Laurent recorre a um texto de Miller sobre As paixões cartesianas primárias para ressaltar que quando se reconhece o tipo de mais-gozar que faz com se diga “isso é alguém”. ele responde: Se eu não lavo. depois passa álcool no cotovelo e se dirige para a cama com os braços levantados. que faz com que o mais-gozar da admiração penda para o sacrifício. Revue internationale de santé mentale et psychanalyse appliquée – 13 décembre 2003.org. Relata que ele e seu pai eram admiradores8 do Senna e que os homens da família cultuam a velocidade. o sujeito se torna uma espécie de “carne de pancada do Partido como se fosse baby sitter da história”. No entanto. Indagado sobre as razões dele se lavar tanto. então. não entende por que tem colocado a vida em perigo em várias ocasiões por causa da alta velocidade. Quando mais jovem. Versões da clinica psicanalítica. porque após lavar as mãos. vejo que elas estão limpas e brancas Com referência ao Texto de Éric Laurent publicado em Mental. às vezes enfrentando situações de risco. Sou coagido por mim mesmo a lavar as mãos. Na sessão seguinte. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Ed. surge uma sombra negra em minhas mãos. Assinalo. ponderei. 1995). João ressalta que aprecia a velocidade. descreve suas compulsões que não se revelam propriamente um sintoma. Narra que sofreu nos últimos tempos uma intensificação da angústia. sem se encostar em nada. Encerro a sessão deixando essa questão como enigma.o cotovelo. Confessa que tem uma motocicleta possante e que abusa da velocidade tanto no campo como na cidade. (LAURENT. angustiado. 7 58 www. Mas a água escorre sempre errado e eu não paro de lavar as mãos até que ela escorra certo pelos meus antebraços e minhas mãos. Relata que não pode deixar de lavar as mãos ainda que considere esse ato absurdo e sem sentido. Ele revela que no início. fugazmente. Talvez fosse necessário. Trata-se de um negro que não é um sujo de minha mão.psiquiatriamg. Consistência do sintoma7: Quando teria iniciado a mania de lavar as mãos? Surpreendentemente. Se eu olho para minhas mãos. eu não as enxugo e aguardo pacientemente a água escorrer certo. ele responde: Dia 01 de maio de 1994. a não ser o fato do Senna ter morrido. João. João responde que aparentemente não vê motivo. mas atualmente ela se atenua. hoje. Pergunto se a lavagem das mãos alivia a angústia.

Se por um lado. procurando extrair delas um sintoma propriamente analítico.. apesar disso. Em seu exibicionismo. pois. Penso que a morte é uma escuridão negra. mas da natureza da pulsão escópica. Revue internationale de santé mentale et psychanalyse appliquée – 13 décembre 2003. João traz um sonho: no sonho estava dormindo e o Senna vem me abraçar. Mas. ora na face. Na realidade. Fiquei horas no banho. Penso que na morte deve ser tudo negro. andar em alta velocidade pode ser considerado uma formação reativa contra a morte. a velocidade como mais de gozo e a morte como o real. foi entrar dentro de um chuveiro. O analista acolhe suas ruminações. E. Foi o dedo do Senna? Intervenho na tentativa de permitir uma convergência de suas ruminações em um sintoma mais consistente. Pergunto: afinal. o acting 9 LAURENT. Éric Laurent ressalta que o obsessivo tem um véu9. Fico feliz em vê-lo. Parece que a água me purifica da morte. é surpreendido pelos seus familiares lavando seus sapatos sem necessidade aparente. Na sessão seguinte.e que não há negro algum. Quando não há mais negro algum nas mãos. depois da morte do Senna. Mas. o excesso de velocidade em que o sujeito se coloca pode ser considerado também um acting out. pode-se indagar se João revela um trauma. Um longo sono negro sem sonho numa noite escura em que nunca se acorda. O acting out não é da ordem do desejo. João tenta recobrir em vão pela compulsão de lavar as mãos essa sombra negra que vela o real. continua: Parece coisa de maluco. Ele é uma mostração que se deixa velar para o próprio sujeito da ação. Acordo angustiado.psiquiatriamg. Se sente incomodado. significa que a sombra negra foi lavada e desapareceu e quando a água escorre errado significa que o negro permanece. Mas.br/jornada_sudeste . quando ele me abraça. o que me faz persistir lavando várias partes do corpo. Ele ri muito e nega que era o dedo do Senna. 59 www. Sinto que a água tem haver com a vida e o negro tem haver com a morte. Me senti contaminado pela morte dele. às vezes. devendo eu continuar lavando as mãos. ele surge ora no antebraço. por outro. Nesse caso. eu tenho a impressão que há uma mancha negra e tenho que lavar as mãos até que esse negro desapareça. Interpretação: Noutra sessão: O negro me angustia porque ele me reporta à morte. ora no tronco. mas num flash pensei o Senna na escuridão. que relação o negro tem com o fato da água escorrer certo ou errado? João ressalta: Quando a água escorre certo. Mental. Foi aí que os sintomas apareceram? Acho que sim.org. O sujeito entrelaça Senna como o mestre. Com efeito. João comenta que a mancha negra tem aparecido também sobre os seus sapatos. eu me coloquei no lugar do Senna. É absurdo mas parece que a água limpa e purifica o negro. cujo real da morte se apreende sob o véu da mancha negra. Lembro-me que a primeira coisa que fiz. sinto que ele está frio. Sentia a água escorrendo no meu corpo e de repente pareceu que um dedo deslizou sobre as minhas costas. Morro de medo de morrer. Acho que eu queria me lavar todo.

o sujeito é confrontado com o real da causa e suporta colocando em ato a fabricação de uma aparelhagem sintomática. Assim. Paris: Éditions du Seuil. Eu luto contra a idéia da morte do Senna. onde o essencial é ele se mostrar como resto10. J.out é visível ao máximo. Paris: Éditions du Seuil. J. sobrevinha-lhe o medo da percepção do perigo que correra. observa a água escorrer lentamente pelo seus braços e mãos. 1962-1963. A noção do perigo interior funciona como uma estrutura de conservação ligada à defesa11. o ritual deve ser repetido. mas que está localizado no registro do invisível para o sujeito com relação a sua causa. Então. 2001. João chega muito abatido. Penso que toda essa compulsão tem haver com a minha LACAN. Lacan assinala que “o equivoco com o qual acabo justamente de jogar. após a lavagem apurada. Numa outra sessão.. A interpretação subjetivou a angústia oferecendo uma consistência ao sintoma e elevando-o a dignidade do conceito psicanalítico. numa localização subjetiva. Morreu porque correu errado. todo o tempo. Intervenho: Então. Le Séminaire. quando nele reconheço a abordagem predileta do inconsciente para reduzir o sintoma: contradizer o sentido”. Se ele que era o campeão. eu luto contra o negro. acarretando uma insuficiência na pulsão e uma insatisfação pulsional de tal sorte que a repetição se faz automática e sem novidade. comenta repetidamente. 1962-1963. o sujeito faz o luto do objeto nada no qual gravitava sua angústia constituída. Ele comenta que. Livre X. Lacan nos adverte que o medo do perigo não é senão a angústia. Peut-être à Vicennnes. LACAN. Mas. ao assinalar o índice da separação do objeto.psiquiatriamg. p. que no fundo é a idéia da minha própria morte. Ele perplexo e surpreso não compreende14. sempre mais uma vez. para não fazer o luto? A interpretação confronta o sujeito com a causa de desejo. Interrompo a sessão. 1962-1963. Le Séminaire. visto que ele se oferece naquilo que do sujeito é o engano. Paris: Éditions du Seuil. Autres Écrits. intervindo: es (S) corre errado13. Parece que a morte tem haver com o negro. p. é claro que isso pode acontecer comigo que fico andando em alta velocidade pelo trânsito. O sujeito morre de medo de morrer e. L’angoisse. 337). A angústia é um sinal do real que surge na experiência de separação do objeto12. João mais uma vez descreve seu ritual de lavar as mãos. Livre X. Senna correu errado. (1967). 14 Lacan assinala que o inconsciente é um lugar diferente de todo e qualquer apreensão do sujeito que se revela um saber. 2004:195. LACAN. Autres Écrit. Le Séminaire. Como pode Senna ter corrido errado? Logo ele? Você acha que eu fico tentando me livrar dessa idéia de que Senna correu errado? Silêncio.br/jornada_sudeste . 2001. Na sessão seguinte. Paris: Éditions du Seuil. morreu correndo errado. 314). Paris: Éditions du Seuil . 2004:146. o luto é o negro? Será que quero me livrar do negro lavando as mãos. 13 A interpretação através do equívoco da homofonia isolou a letra na qual cifrava o gozo. Enfim. L’angoisse.O saber que só se revela no engano do sujeito (LACAN. J. Livre X.. Murmura. 11 12 10 60 www. (1975). na velocidade. pode-se considerar que a lavagem das mãos é uma defesa da angústia de separação. La méprise du sujet supose savoir. (LACAN. J. dado que o sujeito não consente com a separação vivida como luto. faz um jogo com a morte para testar se está realmente vivo. J. até que a água escorra certo.org. Na verdade. Ainda sobre o mecanismo de atenuação da angústia. Silêncio. O sujeito não tolera a separação do objeto. a água escorre errado. 2004:188. L’angoisse. Após o sujeito se exceder na velocidade.

org. os bons efeitos da análise duram apenas um certo tempo. A prática com a psicose ensinou a Lacan que não é possível enodamentos definitivos e. Transferência: Após essa sessão. diante desse nó. Aliás. cabem alguns comentários. A interpretação trouxe uma perda do sentido que provocou um reenodamento de RSI de forma a resultar na perda de gozo e em uma nova orientação do gozo opaco a partir da queda dos efeitos imaginários. Seus relatos. João veio à sessão e disse que não voltaria mais uma vez que não estava precisando mais da análise. não estava mais lavando as mãos e para ele isso era o bastante. À guisa de conclusão. são de que. O interessante é que o imperativo categórico do supereu lave as mãos para dar conta do negro do imperativo do gozo cedeu lugar para o afeto superegóico da vergonha e para um humor experimentado como ridículo. pois sua angústia se deslocara. houve uma análise.br/jornada_sudeste . Segundo. considerei que fosse uma interrupção e cogitei se houve uma vacilação do desejo do analista. sim. Mas. pode-se dizer que a psicanálise aplicada à terapêutica é um médium que coloca a psicanálise no século XXI. João deixou a análise há alguns anos. no V Congresso da EBP (2005) : É necessário elevar a interrupção à dignidade de um conceito na lógica da cura. Com a interpretação o sujeito percebeu que ele enlaçara o negro imaginário com o luto simbólico enodando-o com o real da angústia de tal sorte que. gradativamente. propiciando uma angústia constituinte da exteriorização do objeto perdido. pois agora estava esclarecido que essa rotina se destinava a fazer com que Senna corresse certo. 15 61 www. João se sentia ridículo toda vez que se lavava. Na época. De acordo com Lacan. agora. o que não impede que seja uma saída. isso é uma coisa que terei de aprender a lidar e só eu terei condições de responder por isso. houve uma psicanálise aplicada à terapêutica.psiquiatriamg. Segundo Graziela Brodsky. Primeiro. angustia constituinte durante as ultimas jornadas de outono da ECF. haja visto que ela ensina os analistas a desidealizarem a psicanálise Enunciação de Lacan no Seminário: L’angoisse retomada por Miller no texto Angustia constituída. tentativas do sujeito em lidar com o supereu. João retornou mais algumas vezes. Também. haja visto que a análise não durou mais do que seis meses. Um dia. Portanto.dificuldade de lidar com a minha morte. Hoje. Sobre isso. apenas soluções provisórias com enodamentos contigenciais. os efeitos terapêuticos foram obtidos sem delongas. Terceiro. A interpretação provocou um corte no funcionamento pulsional do supereu. a idéia do negro em sua mãos foi sendo deixada de lado fazendo com que o ritual de lavação fosse perdendo toda sua força e relevância. É melhor do que não fazer nada. a angústia não é sem objeto15. O saber construído fez com que o ritual se tornasse risível. ele incluiu a exteriorização do objeto a. considero que João concluíra uma análise terapêutica.

pura, atualizando a psicanálise em conformidade com o declínio dos ideais no contemporâneo. Recentemente, o pai de João morreu em um acidente com motoclicleta. A moto, em alta velocidade, saiu da pista e bateu contra um poste. Fui até o cemitério para oferecer minhas condolências. João, agradecido pela minha presença, me disse que, se precisar de ajuda, voltará. MR 06 – Sala 07 Tema: ESQUIZOFRENIA: ESTRATÉGIAS DIAGNÓSTICAS Sub-tema: “Neuro-imagens” Relator: Marcos Alexandre Gebara Muraro (RJ) Desde seu surgimento, na década de 80, quando as técnicas de neuroimagem permitiram uma visualização mais acurada do encéfalo, os psiquiatras, associados aos neurorradiologistas vêm tentando estabelecer padrões que subsidiem o diagnóstico e o acompanhamento da evolução e do tratamento da esquizofrenia. Inicialmente, a Tomografia Computadorizada do Crânio não trouxe nenhum auxílio no intuito supramencionado. Na década de 90, começaram a surgir métodos mais sofisticados. A Ressonância Magnética Estrutural, a princípio com aparelhos de baixa capacidade, já revelava alguns dados que, embora não patognomônicos, mostravam-se extremamente freqüentes nesta entidade nosológica. Podemos citar o aumento ventricular, o alargamento de sulcos, o “cavum” do septo pelúcido e a atrofia hipocampal e amigdaliana como os mais encontradiços. Anos mais tarde, com o advento das tecnologias funcionais, acrescentaramse mais elementos úteis para o melhor entendimento da doença. A Tomografia por Emissão de Fóton Único (SPECT) permite, através do tracejamento de contraste radioativo, estudar com detalhes e em vários cortes o fluxo sanguíneo cerebral, obtendo também informações indiretas a respeito do metabolismo. Na esquizofrenia é possível observar áreas de hipofluxo, principalmente frontotemporais. A Tomografia por emissão de Pósitrons (PET) é ainda mais sensível, possibilitando o estudo do metabolismo, captando o consumo de glicose marcada radioativamente e, traçando radiofármacos, expõe as propriedades e funções dos receptores de diversos neurotransmissores envolvidos na esquizofrenia. No final da década, a engenharia médica produziu aparelhos de Ressonância Magnética com capacidade superior a 1.5 Tesla, o que permitiu aos pesquisadores, de posse de uma técnica não invasiva, pela simples captação do retorno do sinal emitido, criar os Mapas de Perfusão e a Espectroscopia de Prótons, que consiste num verdadeiro “mapeamento”, utilizando tecnologia de voxel único que estuda pequenas áreas específicas e multivoxel, que abrange áreas mais extensas na percepção da presença de substâncias marcadoras do funcionamento neuronal. A queda da relação entre o N-Acetil-Aspartato e a Creatina (NAA-CR) na área anterior do giro do cíngulo e lobo frontal direitos já vem se estabelecendo como característica. Adveio em somatório a Ressonância Magnética Funcional de Ativação, que estuda a

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atividade de determinadas regiões do cérebro, capturando a aceleração metabólica no momento da função, seja motora, seja sensitiva, ou mesmo mental. A partir daí, abriu-se um universo infindável de linhas de pesquisa, aumentando sobremaneira a compreensão da intrincada complexidade que cerca a esquizofrenia. Em brilhante palestra no Cogresso Mundial de Psiquiatria de 2005 na cidade do Cairo, Egito, o Prof. Tonmoy Sharma do Clinical Neuroscience Research Centre, UK, apresentou trabalho versando sobre “Os Efeitos cognitivos dos Antipsicóticos no Primeiro Episódio: Estudos Randomizados com Ressonância Magnética Funcional”. O objetivo foi demonstrar se os padrões de imagem na ativação cerebral previamente relatados na Esquizofrenia crônica estavam também presentes no primeiro episódio. Técnicas de Ressonância Magnética Funcional de Ativação (RMf A) foram usadas para comparar a função cerebral durante um teste verbal de memória. Seis pacientes masculinos esquizofrênicos em primeiro episódio, destros, foram pareados com esquizofrênicos crônicos segundo a PANSS. Dois do primeiro grupo eram virgens de tratamento, enquanto todos os outros recebiam terapia antipsicótica em doses semelhantes. Não havia diferença entre os dois grupos quanto ao QI pré-mórbido. Todos foram submetidos à RMf A enquanto executavam o teste denominado “Two-Back Task”. Quando comparados a um grupo de controles normais, ambos os grupos de esquizofrênicos, tanto os de primeiro episódio quanto os crônicos apresentaram hipoativação evidente no córtex pré-frontal direito, giro pré-central e cortex parietal posterior bilateral. Mostraram também hiperativação difusa no giro cuneiforme esquerdo. A ativação no grupo dos esquizofrênicos agudos e crônicos foi menor difusa e desordenada, enquanto no grupo controle mostrou-se mais intensa, concentrada e delimitada às áreas específicas da rede neural envolvida no teste. Os pacientes virgens de tratamento apresentaram alterações mais intensas que o grupo de agudos sob tratamento. Concluindo, as anormalidades observadas não foram devidas à cronicidade da doença nem ao efeito de curto ou longo prazo dos antipsicóticos, porém a introdução do tratamento parece atenuá-las. O trabalho do Prof. Sharma, apesar de abranger uma amostragem diminuta desperta o interesse daqueles que vislumbram na Neuroimagem um poderoso método de exame complementar em Psiquiatria, descortinando a imensa vastidão do campo de pesquisa a ser esquadrinhado. MR 08 – Teatro Oromar Moreira Tema: VIOLÊNCIA E SUICÍDIO Sub-tema: “Suicídio, um comportamento complexo” Relator: Humberto Corrêa (MG)16 O suicídio é considerado um problema de saúde pública na maioria dos países e figura entre as dez principais causas de morte. Dados da Organização
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MD, MsC, PhD. Chefe do Departamento de Saúde Mental da UFMG.

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Mundial de Saúde estimam em 1.000.000 as mortes por suicídio em todo o mundo no ano 2001, constituindo um sério problema social, econômico e familiar. Projeções dessa mesma organização estimam que até 2020 cerca de 1,5 milhão de mortes ocorrerão no mundo por suicídio, cerca de 2,4% de todas as mortes (Bertolote et al., 2002). Embora as maiores taxas de suicídio sejam atualmente observadas nos países desenvolvidos, estima-se que um grande aumento na mortalidade por suicídio será observada nos paises em desenvolvimento nas próximas décadas, em decorrência das mudanças socioeconômicas e comportamentais que se processam nesses países (Diekstra, 1993). No Brasil, por exemplo, observamos um aumento global nas taxas de morte por suicídio de 21% entre os anos 1980 e 2000 e esses dados são ainda mais impressionantes se levarmos em conta o perfil etário. No nosso país, embora as maiores taxas de morte por suicídio ocorram em idosos, constatamos que, a população mais jovem está se matando cada vez mais e um impressionante aumento de 1900% foi observado na mortalidade por suicídio na faixa etária que vai 15 a 24 anos entre os anos 1980 e 2000 (Mello-Santos et al., 2005). Autópsias psicológicas mostram que a maior parte dos suicidas teria algum transtorno psiquiátrico. Recentemente dois estudos independentes foram publicadas e mostraram que mais de 90% dos suicidas teriam um transtorno psiquiátrico (Cavanagh et al, 2003; Arsenaul-Lapierre, et al., 2004). Entretanto, se a existência de um transtorno psiquiátrico parece ser condição necessária para a ocorrência do suicídio esse não é suficiente visto que a maioria dos indivíduos nunca irá se suicidar. Sabendo-se que o suicídio ocorre quase exclusivamente em pacientes psiquiátricos, poderíamos imaginar que a prevenção fosse mais efetiva, principalmente porque cerca de 60 a 70% dos suicidas consultaram-se com um médico nas semanas que antecederam seu ato (Roy et al., 1986). A realidade, entretanto, é que temos poucos preditores que sejam robustos o suficiente para serem efetivamente úteis na prevenção do suicídio. Uma tentativa de suicídio é conhecida como o melhor preditor de futura tentativa e de suicídio completo, mas, ainda assim, não é um bom preditor, já que a maioria dos suicidas vão morrer em sua primeira tentativa e a maior parte das pessoas que fazem tentativas de suicídio nunca irão se matar (Malafosse, 2005). Esses dados, servem, entretanto, para nos alertar para a complexidade desse fenômeno. De fato, o suicídio é comportamento humano complexo onde interagem múltiplos determinantes biológicos, sociais e psicológicos, ou seja, do gene á cultura, passando pelo econômico, político, neuroquímico, emocional, vínculos afetivos, etc,. etc, etc...A sua abordagem, seja a nível individual seja a nível de saúde pública exige desprendimento. Desprendimento para cuidar do outro, desprendimento em relação a dogmas às amarras ideológicas. Na VI Jornada Sudeste de Psiquiatria, na mesa-redonda sobre suicídio, teremos uma amostra dessa necessidade de diversidade. O prof. Neury Botega falará sobre o impacto das mortes por suicídio em termos de saúde pública. A dra. Silvia Pelaez abordará tema importante, embora frequentemente negligenciado, a relação entre violência doméstica e suicídio. Finalmente o prof

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Acta Psychiat Scand 1993. Gustavo Turecki: Psychiatric diagnosis in 3275 suicide a meta-analysis. en el caso de los varones su comportamiento suicida representó un intento mas de controlar a las victimas. el descencadenante del comportamiento suicida. dicho instrumento nos ha permitido incluir como parte de esas situación al abuso sexual y a la violencia doméstica.16:244-73. Genetics of suicidal behavior. Aproveitemos essas oportunidades!!! Referências Bibliográficas Bertolote JM. ser biológico: a genética e o comportamento suicida. Wang Yan-Pang. caroline Kim. Bertolote JM. Roy A. 371: 6-20. 7: 6-8. En el trabajo detallaremos los mecanismos vinculares de sus actores. 2002. Linnoila M. Suicide Life Threat Behav 1986. 65 www.Alessandro Serretti falará sobre tema inevitável visto o ser humano ser. Fleischmann A. Alcoholism and suicide. Psychol Med 2003. Suicidologi 2002. Am J Med Genet 2005. BMC Psychiatry 2004.33:395–405. A global perspective in the epidemiology of suicide. Epidemiology of suicide in Brazil (1980-2000): Characterisation of age and gender rates of suicide.133C:1-2. en un porcentaje de mas de un 40 por ciento. Cuando se trataba de mujeres ellas ocupaban el rol de victimas. também. Carson AJ.br/jornada_sudeste . Revista Brasileira de Psiquiatria 27(2). cuando nos referimos a hombres más frecuentemente se trataba de victimarios.psiquiatriamg. Psychological autopsy studies of suicide: a systematic review. Lawrie SM. Mello-Santos C. MR 08 – Teatro Oromar Moreira Tema: VIOLÊNCIA E SUICÍDIO Sub-tema: “Violencia doméstica. variable segun la muestra. Cavanagh JT. Genevieve Arsenault-Lapierre. Sharpe M. The epidemiology of suicie and para-suicide.org. Fueron ellos. abuso sexual: Una causa de suicidio que muchos callan” Relator: Silvia Peláez (Uruguai) En el poliedro que integra la situación de riesgo suicida y su abordaje tenemos como herramienta ineludible a la perspectiva de género. Diekstra RFW. En el caso del abuso el suicidio mostró la intención de “matar” los aspectos internalizados del victimario y preservar fuera la imagen deseada y necesitada del varón. entre sí y con la comunidad con la intención de acordar un abordaje valido de prevención. 4:37 Malafosse A.

MR 01 – Auditório Lívio Renault Tema: AVALIAÇÃO DOS PROTOCOLOS DE DISPENSAÇÃO DOS ANTIPSICÓTICOS ATÍPICOS Sub-tema: “Dispensação dos antipsicóticos atípicos no ES” Relator: Vicente Ramatis (ES) Objetivando proporcionar rapidez na liberação de medicações antipsicóticas atípicas. O psiquiatra avalia cada processo como auditor. à eficiência. Destacamos a necessidade de se estudar melhor.13/06/2008 – SEXTA-FEIRA MR 01 – Auditório Lívio Renault Tema: AVALIAÇÃO DOS PROTOCOLOS DE DISPENSAÇÃO DOS ANTIPSICÓTICOS ATÍPICOS Sub-tema: “Avaliação do Protocolo e modus operandi atual” Relator: Cláudio Lyra Bastos (RJ) Procuramos discutir o protocolo situando os diversos aspectos do uso de antipsicóticos atípicos no atendimento público em psiquiatria no Rio de Janeiro e no Brasil. a gerencia da farmácia da Secretaria de Saúde (SESA-ES). à aderência e aos resultados terapêuticos. como por exemplo: informação das medicações utilizadas anteriormente. que são as seguintes: Formação de uma equipe técnica composta por médico especialista em psiquiatria e farmacêuticos. criou uma série de medidas que facilitam a avaliação dos processos.br/jornada_sudeste . assim como a relação custo-benefício no sentido econômico.psiquiatriamg. têm que fazer um curso direcionado especificamente para este tipo de atendimento.org. porém a meta é que sejam avaliados ainda no 1° dia. tanto econômicos como políticos. preparo e treinamento de recursos humanos na área de saúde mental e por fim. as questões relacionadas à eficácia. seleção. tendo até 05 dias úteis para a conclusão. de forma comparativa. Discutimos os perfis de efeitos colaterais em relação com o benefício terapêutico real. de follow-up adequado. A abertura do processo é realizada por uma equipe de farmacêuticos que tem treinamento para conhecer o protocolo e somente abrir o processo quando a prescrição e o laudo do médico assistente cumprem os requisitos mínimos necessários para a liberação da medicação. Evitando que os processos sejam indeferidos por questões técnicas. 66 www. Observação de detalhes como as datas de emissão das receitas. de formação. Os farmacêuticos para ingressarem no setor. inclusive com teste final. discutimos os problemas relacionados ao acesso à informação e aos conflitos de interesses. acarretando o ônus da não liberação com a perda de tempo do paciente. se na ausência de informação destas medicações existem justificativas de acordo com os critérios de inclusão ou exclusão do protocolo. Levantamos questões relacionadas aos problemas de diagnóstico.

A diretriz da farmácia é trabalhar em rede com os demais setores da Secretaria de Saúde e observar metas como a de reduzir atendimentos em pronto socorro. o processo é reavaliado pelo médico auditor. para aqueles usuários que já estão em uso contínuo. Para garantir que não falte medicação. buscando assim que o usuário não seja penalizado e fique sem medicação. causados por reagudização de quadros psicóticos e também de diminuir a busca de internações psiquiátricas reincidentes. visando a melhoria da Saúde Pública. Quando ocorre mudança de medicação ou o paciente deixa de pegar a medicação no tempo estipulado. Esta medida também ajuda a diminuir a carga na rede ambulatorial. graças à organização e empenho da equipe e investimento de uma política pública séria em saúde. Exceção para a medicação clozapina que depende de exame mensal.Para otimizar o fluxo do atendimento no balcão de retirada das medicações. já caduco e falho. o modus operandi da dispensação destes medicamentos é diferente entre as Unidades Federativas Brasileiras. Para cumprir estas metas. Também foi constatada a insatisfação por parte da maioria dos Psiquiatras Brasileiros que julgam o Protocolo atual (?). sendo que o paciente recebe sua medicação num período máximo de 05 dias. Foi constatado que.psiquiatriamg. criamos uma versão que possa atender melhor à população portadora de sofrimento mental. foi feita uma revisão do processo. No momento a rede de assistência abrange além da grande Vitória todos os municípios do Estado. em todos os Estados Brasileiros e ouvidos os colegas sobre o conteúdo deste Protocolo.O. 17 Presidente da AAP-MG. existe um controle constante dos processos ativos. criado pela Portaria MS 486 de 212 de outubro de 2002. Quando ocorrem vários indeferimentos em processos encaminhados por um mesmo médico assistente. Baseados em sugestões teóricas. MR 01 – Auditório Lívio Renault Tema: AVALIAÇÃO DOS PROTOCOLOS DE DISPENSAÇÃO DOS ANTIPSICÓTICOS ATÍPICOS Sub-tema: “Proposta de Novo Protocolo” Relator: Mercêdes J. é feito um contato com o mesmo a fim de orientar sobre o protocolo e os critérios de dispensação. é limitador de seus usos e.br/jornada_sudeste . são aceitas receitas da rede privada. 67 www. desde que cumpram com o protocolo.org. à revelia desta Portaria. visto que em alguns lugares não tem médicos psiquiatras atendendo na rede publica. Alves (MG)17 Considerando que o Protocolo de Dispensação de Antipsicóticos Atípicos. na literatura e nas sugestões dos colegas. elas são liberadas para 03 meses.

o planejamento de novas classificações e a multiplicação de escalas de mensuração. na primeira edição do seu livro. quando Clouston em seu informe anual do Morningside Asylum escreveu em 1890 que : “estados de depressão estão se tornando tão comuns quanto os estados de exaltação como causas de admissão no asilo".Esta proposta prestigia medicamento e transtorno mental que a Portaria MS 486/2002 não lista e coloca o critério médico como soberano nas indicações dos medicamentos. A falta de clarificação das diferenças entre os quadros depressivos graves (psicóticos). Até o início do século passado. Teoria são construídas e tratamentos são planejados sob a areia movediça de um conglomerado de conceitos reunidos sob a égide do termo. O conceito deste estado. a palavra depressão é usada para cobrir uma ampla e diversificada coleção de conceitos de maneira que continuam as contradições e as confusões. Muitas incertezas continuam.br/jornada_sudeste .org. em 1905. É interessante comentar que o termo "depressão" foi introduzido como uma tentativa de clarificar o conceito de uma doença psiquiátrica específica. É nossa intenção que a Secretaria Sudeste ABP encaminhe à ABP esta proposta. em edição posterior o termo manisch-depressive iresein (psicose maníaco-depressiva) foi introduzido. Passado mais de um século. e as outras formas variadas de estado de infelicidade e tristeza é uma questão que até hoje desafia a psiquiatria acadêmica.psiquiatriamg. ela aparece apenas uma vez no Journal of Mental Science (primeiro título do British Journal of Psychiatry) antes de 1909. mas é também um dos mais confusos. e que a ABP a encaminhe ao Ministério da Saúde para avaliação. de uma maneira que as pessoas pudessem saber exatamente o que esta palavra significava. o termo melancolia era usado para estados de depressão grave. Em 1883. síndrome ou transtorno é obscuro. Kraepelin faz referência a depressionzustande e em 1896. suas formas leves. em um simpósio sobre classificação. Adolpho Meyer conclamou para que o termo melancolia fosse substituído pela palavra depressão. mas gerando confusão em torno do termo. Apesar dos avanços conseguidos na confiabilidade do diagnóstico da depressão através dos critérios operacionais introduzidos pela DSM III. MR 02 – Auditório Bolivar Tema: DEPRESSÃO: DA TRADIÇÃO CLÁSSICA AO CONCEITO ATUAL Sub-tema: “Conceito de ‘transtornos depressivos menores’” Relator: Marco Antônio Brasil (RJ) A depressão é um dos grandes temas da psiquiatria. e a esperança de Adolfo Meyer não se realizou. aconselhar ou de alguma maneira ajudar aquelas pessoas que estariam sofrendo de depressão. A palavra depressão não foi frequentemente usada na literatura médica até a segunda década do presente século. um grande número de pessoas tentam tratar. e se tornam mais acentuadas quando nós afastamos dos estados depressivos graves e nos dirigimos ao outro polo dos quadros depressivo leves ou menores. Apesar dos sistemas classificatórios e suas revisões. Além dos psiquiatras. a validade de diversas sub-categorias de depressão 68 www.

menores presentes nas principais classificações diagnósticas atuais CID 10 e DSM IV-TR ainda é uma questão em aberto. MR 02 – Auditório Bolivar Tema: DEPRESSÃO: DA TRADIÇÃO CLÁSSICA AO CONCEITO ATUAL Sub-tema: “Banalização da Depressão e seu Tratamento” Relator: Sylvio Velloso Introdução: A opção por este sub-tema deu-se por dois motivos: o primeiro foi a lembrança do atendimento que, quando estudante, fazíamos no ambulatório da Faculdade de Medicina da UFMG quando, então, verificávamos que os pacientes mesmo saudáveis somente se sentiam bem atendidos quando recebiam uma receita – desnecessária e indevida. Aí sim, tinham sido bem atendidos. Era a banalização do receituário. O segundo motivo nos acompanha há anos: o aumento absurdo daqueles que nos procuram com a suspeita ou o autodiagnóstico de depressão ou já em uso de algum psicofármaco – freqüentemente em doses e indicações terapêuticas indevidas. Discussão: Acredito que a pletora de informações que chega ao indivíduo seja, em grande parte, a responsável por esse “aumento de deprimidos” – são revistas, jornais, entrevistas, testes em revistas ou impressos – os livretos postos em salas-de-espera para esclarecer se a pessoa tem ou não depressão. Há, também, programas de TV com verdadeiras mesas redondas que abordam o tema de modo superficial ou complexo e finalmente a fatídica internet que aceita tudo, mas informa muito mal. Com tamanha “onda” de informações, fica fácil que alguém sentindo-se triste, abatido, com dores, choro, mal-estar geral e desanimado chegue a conclusão de que está deprimido. A maior parte não tem a doença depressiva – está influenciado pelo que viu, ouviu ou leu; está passando por algum momento difícil da vida e freqüentemente está ansioso por estas situações, mas não deprimido. Corolário desta situação ocorre quando há oscilações do humor, tipo alegria e tristeza, por algumas horas ou dias – logo vem o “charmoso” diagnóstico de “bipolar” – doença grave, crônica e de evolução totalmente diferente. Infelizmente não só os leigos se diagnosticam erroneamente. Psiquiatras, terapeutas ou clínicos de diversas especialidades têm enorme facilidade em diagnosticar como “quadro emocional, possivelmente depressivo” quando os exames (vários) não esclarecem as queixas trazidas pelo indivíduo. É a banalização da depressão. De imediato surge uma receita de antidepressivo e/ou ansiolítico. E como há antidepressivos e ansiolíticos. Vejamos agora a banalização dos antidepressivos e outros psicofármacos: - O problema é o tabagismo? Receite o produto X.

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- O diagnóstico é alcoolismo? Empregue tal fármaco. - Trata-se de transtorno bi-polar? Recentes estudos mostram a eficácia do fármaco tal que antes só era indicado para esquizofrenia. - É portador de T.O.C.? Nada melhor que o antidepressivo X – que por anos foi usado com sucesso em verdadeiros quadros depressivos. É a banalização do receituário. Para cada queixa existe um remédio. Cabe, aqui, lembrarmos que raramente um não especialista prescreve algo quando o diagnóstico é de mania, onde há intensa euforia, ideação de grandeza, conduta perdulária, agitação psicomotora e RISCO DE HETERO AGRESSIVIDADE – chamem o psiquiatra mais próximo e o mais rápido possível. Diante de tais considerações negativas, sobre o falso diagnóstico de depressão, como proceder? Tomo a liberdade de apresentar, com algumas alterações, o esquema do Diagnóstico Pluridimensional do Prof. Leme Lopes e do Prof. Alonso Fernandez. MR 02 – Auditório Bolivar Tema: DEPRESSÃO: DA TRADIÇÃO CLÁSSICA AO CONCEITO ATUAL Sub-tema: “Linguagem do Afeto nos Transtornos Depressivos” Relator: Juarez Oliveira Castro (MG)18, Patrícia Vieira Sales (MG)19, César Reis (MG)20, Ana Cristina Côrtes Gama (MG)21 um bilhete na minha porta 22 estou em busca de mim daí que não me encontrem por enquanto até lá o que parece comigo é só a embalagem A depressão é uma das doenças que mais atinge o homem, impedindo-o de viver plenamente. Ela ataca sorrateiramente, quando a pessoa percebe, ela está inválida, só que de uma forma interna. A depressão não aparece em exames de
Professor Associado Doutor - Departamento de Saúde Mental da Faculdade de Medicina da UFMG. jcastro@medicina.ufmg.br 19 Fonoaudióloga, Mestre - Laboratório de Fonética da Faculdade de Letras da UFMG. 20 Professor Doutor - Coordenador do Laboratório de Fonética da Faculdade de Letras da UFMG. 21 Professora Doutora - Chefe do Departamento de Fonoaudiologia da Faculdade de Medicina da UFMG. 22 Entre a guerra e o muro - Hans-Curt Flemming - Trad. Rui Rothe-Neves & Georg Wink -Tessitura – Belo Horizonte -2006- pag. 82.
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laboratório, não tem sinais chamados patognomônicos. As pessoas relatam que preferiam ter um câncer ou uma perna ou braço quebrado, porque aí todos veriam e ela se sentiria legitimada no seu sofrimento. Se ela aparece de uma forma tão discreta, que sinais e sintomas, ou melhor, qual é a linguagem que a depressão utiliza para se manifestar? Como podemos perceber que estamos diante de uma pessoa que está doente, triste, a vida parou, não tem mais alegrias, já chorou tudo que podia e, talvez considere a possibilidade de sua morte para não fazer sofrer os demais? Esta forma de expressar não é uma ameaça, é uma sofrida consciência que a pessoa deprimida chega após rever sua vida e verificar que ela é um ser sem futuro, suas possibilidades de resistir estão restritas ou nulas. Não é um mero estar triste frente à presença de um evento adverso, a perda de um ente querido, do emprego ou estar vivendo em condições sociais absolutamente estressantes. È algo mais duradouro, onde a forma que a pessoa vivia desaparece, ela não sabe mais qual vai ser seu destino, a propósito, ela tem medo do porvir. Ele é vivido com muita apreensão, ela reflete muito sobre pequenos eventos como se estivesse ruminando. Talvez já tenhamos aí uma das alterações cognitivas que a impedem de encontrar um caminho entre as diversas possibilidades que aparecem como mais um peso a suportar. A comunicação entre os seres humanos está repleta de conotações afetivas que podem estar declaradas ou ocultas na emissão da voz, fenômeno este muito estudado, e que interfere no contato entre os indivíduos e no estudo clínico da fala. As emoções subjacentes a esta fala podem ser conscientes ou estarem reprimidas de tal maneira que o indivíduo não consegue correlacionar suas dificuldades com a voz e a fala com fatores afetivos. A pessoa pode apresentar a parte física de sua estrutura vocal em perfeitas condições, mas sua fala sai modificada como se houvesse uma lesão orgânica. Em outros momentos sua fala está alterada como defesa a um estresse, defesa esta que causa um transtorno na sua comunicação com os demais. Os aspectos afetivos podem representar a estrutura de fundo que está comprometida na emissão dos conteúdos e, sofrem uma profunda influência do contexto social em que um determinado indivíduo está vivendo. Em determinados momentos temos dificuldade em correlacionar a voz do indivíduo com sua estrutura orgânica. Mais ainda, correlacionar sua voz com sua fala. A dinâmica desta voz, desta fala, tem fundamentações psicopatológicas representadas por processos cognitivos e estes por sua estrutura emocional atual. Os transtornos depressivos, ansiosos, psicóticos e neurológicos modificam a capacidade de expressão deste indivíduo, prejudicando sua estrutura de relação com as demais pessoas de sua comunidade. Esta dificuldade necessita uma correta avaliação e um estudo multi- e transdisciplinar, permitindo assim uma melhor compreensão e abordagem dos pacientes que apresentam dificuldades emocionais e alterações da voz e da fala.

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A fala representa um passo importante na evolução do homem e. enquanto que o parassimpático está inibido (Henry Ey et al. no conjunto. de desespero e de lamentações. tais como agitação. a uma síndrome e também a uma entidade nosológica. Assim. observamos que o sistema nervoso simpático encontra-se excitado. de aborrecimento. manifestando-se em frases raras e muitas vezes monossilábicas.psiquiatriamg. apresentando. O termo depressão pode referir-se a um sintoma. de desencorajamento.org. ela incorpora suas vivências. sempre. como os distúrbios psicomotores afetam a articulação. Segundo Kaplan e Sadock (1997) muitos pacientes apresentam redução na velocidade e volume da fala. Ele se dá à base de antidepressivos que agem de forma distinta no sistema nervoso central. Neste trabalho. seu presente. sendo um complexo processo interativo. a detectar o quadro depressivo. tais como: ambientais. a sua caracterização pode ajudar. Tem dificuldade para exprimir todo o seu sofrimento moral. É através dos aspectos prosódicos que o interlocutor recebe e compreende a intenção de comunicação e a atitude do falante. nela está representada a nossa vida. Darby et al (1984) afirmaram que o uso de antidepressivos melhora significativamente a voz e a fala de pacientes deprimidos. o tratamento de referência foi o farmacológico. Crystal (1969) define a prosódia como efeitos vocais constituídos por variações ao longo dos parâmetros de altura. neste processo. 1989). caracterizada pelo humor depressivo e pela anedonia (falta de prazer em atividades que antes estimulavam o indivíduo). A presença de fadiga ou perda de energia e a agitação ou retardo psicomotor estão quase sempre presentes. social e profissional. em que o paciente apresenta capacidade diminuída de concentração e esquecimento. assim como os fatores que influenciam no adoecimento psíquico. um estado de tristeza profunda. O doente sente. duração e pausa. acústicos e perceptivos. de desgosto. sua história. com isso. Foi padronizado um antidepressivo. e muito. que invade mais ou menos todo o campo da sua consciência. pois. que é feito de sentimentos fortes e vagos. 72 www. Garcia-Toro (2000) diz que. inúmeros efeitos colaterais. As bases biológicas da depressão têm sido descritas. depressão é uma doença psiquiátrica. A redução global de todas as forças que orientam o campo da consciência constitui um tipo de paralisia psíquica. o que pode mudar significativamente o padrão de fala do paciente. descrita como uma dor emocionalmente agonizante. Complementando. intensidade. estando a linguagem bloqueada por essa inibição. A depressão não pode ser explicada por simples diminuições das funções biológicas. a fluoxetina e uma dosagem fixa de 20 mg/dia. ansiedade e sonolência diurna. A comunicação oral envolve aspectos articulatórios (musculares). ou seja. pode alterar todo o processo comunicativo. A inibição psíquica é o sintoma mais freqüente. A depressão é uma doença que causa comprometimento do funcionamento interpessoal. genéticos.br/jornada_sudeste . traumáticos e de personalidade. verifica-se que qualquer situação que modifique a prosódia.

duração e ritmo da fala.br/jornada_sudeste . Avaliamos a fala do indivíduo deprimido via parâmetros de freqüência fundamental e intensidade. ajudando no trabalho de lingüistas. Tendo em vista a alteração de humor e a diminuição das atividades globais. Pesquisamos dois grupos de indivíduos: grupo deprimido (GD) e grupo controle (GC) que foram pareados em idade. Utilizamos as seguintes hipóteses: (1) tempo que o grupo GD gasta para iniciar um proferimento comparado com o grupo GC. Nilsonne et al (1988) analisaram sete parâmetros diferentes de voz. da freqüência fundamental e um aumento da duração das sílabas tônicas. e que a caracterização sistemática destes aspectos poderia ajudar a definir melhor o quadro e sua severidade. encontrando variações na freqüência fundamental que poderiam ser correlacionadas com o estado do paciente. intensidade. utilizamos o programa WinPitch. todos envolvendo a freqüência fundamental.psiquiatriamg. em um esforço de desenvolver parâmetros acústicos vocais para pacientes deprimidos. A prosódia é considerada como a variação na altura. fonoaudiólogos. Para análise deste corpus. No T0 73 www. acreditamos que a depressão altera os aspectos prosódicos da fala do indivíduo. haveria uma redução da intensidade.org. Na realização da análise estatística os dados foram cruzados nos tempos zero e trinta. psiquiatras e psicólogos envolvidos com pacientes deprimidos. tom. versão 1. (3) O GD teria uma diminuição da velocidade de fala. A avaliação prosódica feita através e uma análise instrumental auxilia de modo objetivo na abordagem dos dados de forma científica. A escolha de uma população feminina. velocidade de fala e “tempo da resposta” e. A prosódia Após o levantamento destes dados. a nova nuance da fala assumida pelo indivíduo. o deslocamento da sílaba tônica proeminente como um aspecto estrutural do estudo prosódico. Alpert (2001) afirmou que a avaliação da prosódia pode constituir-se em importante elemento de análise do tratamento da depressão. através da análise dos seus aspectos prosódicos.92. da região metalúrgica foi decidida em função de evitar variações regionais da prosódia e deste grupo ter uma voz mais definida e pelo fato do cigarro ser um fator predisponente de alteração da qualidade vocal. (2) O GD apresentaria um abaixamento da freqüência fundamental usual. De acordo com o que foi apresentado. caracterizamos os aspectos prosódicos e. Os seguintes resultados foram encontrados para o GD x GC. assim como avaliar o andamento do tratamento.Nilsonne (1987) analisou variações da fala de pacientes deprimidos durante a depressão e depois da melhora do quadro. não fumante. A prosódia dos indivíduos deprimidos do sexo feminino foi analisada no momento do diagnóstico e após trinta dias de tratamento antidepressivo. a organização temporal da fala das pacientes via parâmetros de duração. foi proposta a realização de uma pesquisa onde o projeto tinha como objetivo estudar o impacto dos sintomas da depressão na comunicação oral do paciente.

Speech characteristics as indicators of depressive illness. Scand. Acoustic analysis of speech variables during depression and after improvement. Gonzalez A. Ciências Comportamentais. Ternström S. Berger PA Speech and voice parameters of depression: a pilot study. Paris: Masson.A. Para o GD x GC no T30. P. 1988 Feb. a variação melódica foi maior para este grupo.76(3):235-45. B. Kaplan.I. permitindo uma discussão do agir humano face às emoções e sua influência na fala do sujeito.org. H. Nilssone A. Saiz-Ruiz J. 2001 Sep. Prosody impairment in depression measured through acoustic analysis. houve um aumento da taxa de variação melódica no GD. Ey H. 1984 Apr. Ch. Commun. Prosodic systems and intonation in english. 1988 Mar. The Cambridge University.66(1):59-69. 77 (3): 253-63. 1987 Sep. Cambridge. Porto Alegre: Artes Médicas. Simmons N. apresentaram uma diminuição da tessitura e da velocidade de fala. este estudo constituiu mais um instrumento que permite reconhecer as diversas alterações da fala que ocorrem na expressão do afeto. J. Measuring the rate of change of voice fundamental frequency in fluent speech during mental depression. O GC possui valores maiores de intensidade de fala e o intervalo melódico ocorre em freqüências mais baixas. Soc. Sadock. 6e édition. Acta Psychiatr. Grebb J. O processo da fala frente ao estresse e suas repercussões sociais. Psiquiatria Clínica.br/jornada_sudeste .o GC responde mais rapidamente que o GD. Em conclusão. D. J. Askenfelt A. Crystal. 188 (12): 824-9. 1969.J. Os indivíduos deprimidos demoram mais para iniciar o proferimento. Silva RR Reflections of depression in acoustic measures of the patient's speech. 1997. 2000 Dec. Na análise do GD no T0 e no T30. J Acoust. a tessitura continuou maior no GC. Os valores de fo foram mais baixos. Neste contexto tem sido possível uma melhor compreensão da influência da cultura e do momento histórico na linguagem cotidiana. Nilsonne A.17(2):75-85. Houve uma maior variação da taxa de subida melódica para o GC. Am. os intervalos melódicos ocorreram em freqüências mais baixas no T0.. Garcia-Toro M. Acta Psychiatr. Disord. Bernard. Pouget ER.. a duração e o número de sílabas por segundo foram maiores no GD. J Affect Disord. Sundberg J.psiquiatriamg. 7 ed. Brisset. Nilsonne A. Ment. Manuel de Psychiatrie. 74 www. Scand.. Dis. a dinâmica das disfonias emocionais.. Talavera JA. Compêndio de Psiquiatria. o GD respondeu mais rapidamente. Darby JK. Bibliografia Alpert M.. Nerv. 83 (2): 716-28.1989.

dectando as errâncias da estrutura mesmo na estabilidade do quadro. considerando a construção da estrutura clínica. O DSM e a CID colocam estes quadros como diagnósticos diferenciais e há alguns estudos descrevendo esta relação. tornando possível evitar-se uma exposição do sujeito a uma crise. com prejuízo para o Eu. como o de Hoch e Polatin (1949). principalmente. se restringem ao aspecto descritivo. do sentido desses sintomas. descrevendo a paranóia em comparação. Professora da Residência de Psiquiatria do IPSEMG. Destaca que as diferenças entre a paranóia e as 23 Psiquiatra/Psicanalista. evoluindo. ao contrário. possibilitandolhes a construção de bússolas menos traiçoeiras. chama-nos a atenção o grande número de casos diagnosticados e conduzidos como neurose obsessiva ou TOC e que em situações cruciais desvelam uma estrutura paranóide.br/jornada_sudeste .MR 03 – Sala 05 Tema: SINTOMAS OBSESSIVOS E PSICOSE: DIAGNÓSTICO DIFERENCIAL E DIREÇÃO DO TRATAMENTO Sub-tema: “Quando falham as defesas” Relator: Gilda Paoliello (MG)23 DE BÚSSOLAS E ERRÂNCIAS “tenho duas bússolas: o sexo e o fraseado” Philippe Sollers Proponho discutir o diagnóstico diferencial entre neurose obsessiva e paranóia. Pesquisando na literatura psiquiátrica vemos que há algumas sinalizações sobre a proximidade de determinados quadros de esquizofrenia paranóide e TOC. em idéias auto-referenciais e persecutórias. descrevendo-os como ‘aberrações patológicas de estados afetivos normais”. não cuidando. finalmente. É. com a intenção de abordar a origem sexual e traumática das neuroses. estes relatos. Esta questão nem sempre é clara na clínica. Desde o início de suas elaborações. Freud destaca os pontos em comum desses quadros. permitem um diagnóstico diferencial e a condução do tratamento de forma mais adequada. a partir da descrição de quadro clínico que se caracterizava por uma ansiedade difusa e idéias hipocondríacas.psiquiatriamg. no Rascunho K. designando-as como neuropsicoses de defesa. Entretanto. com a neurose obsessiva. Freud coloca a Paranóia em série com a neurose obsessiva e histeria. e alucinações auditivas. colocando em relevo que estes estados patológicos conduzem a algo que não se resolve. que Freud demonstra a formação de cada um desses quadros clínicos. 75 www. Secretária SUDESTE ABP. que propõe um subtipo de esquizofrenia pseudoneurótica. sobretudo. Na Psicanálise encontrei sustentação para a hipótese de que os sintomas obsessivos poderiam ser uma tentativa de manter uma organização defensiva contra um desfecho trágico em uma estrutura paranóica e não uma comorbidade como quer a Psiquiatria atual. A atenção às referências que a psicanálise nos dá.org.

vejo este pedido como tentativa de ancoragem. Ela precisa 76 www. Para tentar esvaziar o gozo permaneço calada. que sempre o atraíra. O aspecto mais relevante de sua história é que. Ela pôs toda a Polícia Civil atrás de mim para me matar. vejo que o trabalho será possível. Maria e José. queriam eliminá-la “para queima de arquivo”. pergunta. Apenas um abraço e algumas carícias. do qual qualquer sinal de sensualidade fora substituído por repulsa e medo. Não me ouve e inicia série de fax acusando-me e ameaçando-me. o dentista. por isso mesmo. procuro mostrar como os sintomas obsesivos se organizam como defesa em estruturas psicóticos e como esta defesa falha nas situações cruciais. Extenuado. diagnóstico de TOC. pois a virada para uma erotomania. extremamente fragilizado. No final da sessão. Maria tenta agredi-la. proponho referências para um diagnóstico diferencial cuidadoso. na qual pensamentos obsessivos imperam desde muito cedo. A partir daí. a condição para instalar uma possibilidade de trabalho é manter num nível suportável este amor. de um psiquiatra a quem chama de terrorista. ele me liga pedindo atendimento. emocionado. Atenta a estes riscos. Seis meses após o último encontro. fala do encontro com um rapaz. mas que o caráter específico de um determinado quadro está no modo como se realiza o recalque e na forma como retornam as idéias recalcadas. Por esta proximidade os limites entre neurose obsessivo e paranóia às vezes são muito tênues. João procura-me atormentado por pensamentos de que está contaminado por AIDS.demais neuropsicoses de defesa são evidenciadas na maneira como os sintomas se formam e no rumo tomado pela doença. Com a bússola das defesas obsessivas quebrada. inviabilizaria o tratamento. Dizia-se a pessoa mais honesta e a escrivã mais competente do mundo e que. colocando-o em uma errância angustiante. As acusações são entremeadas com o terror despertado pelo encontro.br/jornada_sudeste . a partir de uma gota de sangue no avental de seu dentista. permitindo uma direção para o tratamento. A crise se desencadeou quando a corregedora chefe a convocou para esclarecimentos de rotina sobre o serviço. Maria. a acusações a mim e aos outros que cruzaram seu caminho. tanto quanto o ódio persecutório.psiquiatriamg. seu delírio passa a apresentar uma estrutura de rede. aos 38 anos tem vida afetiva e sexual literalmente nulas. Morando a 600km de BH. deixando-nos entrever que onde o ser-para-o-sexo não se sustenta surge o serpara-a-morte. o moço que o seduziu. Exaltada. Peço que venha. “A vida dessa mulher é me perseguir. Nos primeiros encontros ele persiste no medo da contaminação. entremeando com os relatos de sua vida. eu. As mensagens se repetem como uma metonímia desenfreada. dizendo-se envenenado pelo remédio. onde todos são colocados em seu caminho para enlouquecê-lo: o terrorista. A partir de três fragmentos clínicos das histórias de João. Percebo que neste fio sempre tênue da transferência. Abordando as diferenças estruturais entre os dois quadros. tendo recebido aos 16 anos. excelente profissional da Polícia Civil. Após o terceiro encontro liga-me em pânico. mantendo a cadeia de significantes vinculada a mim.org. se pode me dar um abraço. das quais ele fugiu alucinado com a certeza de que fora contaminado pela AIDS. chega ao Serviço Médico de Urgência em quadro de grande excitação. necessitando ser contida por policiais.

Retomando as diretrizes que Freud nos traça. E que fazia a namorada gozar muito melhor que ele! Algum tempo depois sua atenção é deslocada para uma sensação de que está sendo seguido.” Relatório do médico que a acompanha há alguns anos explicita diagnóstico de TOC e depressão. Quando ocorre o retorno do recalcado o afeto de recriminação se desloca para um significante substitutivo. Mas vou pôr uma roupa preta e sair à noite para fazer justiça. Marco sessão para o dia seguinte. que causara a morte da mãe no parto. Deu dignidade à namorada drogada e ela o abandona para voltar ao ex. é ela que tem raiva de mim. a experiência de gozo é vivenciada com prazer. que vai retornar. não deixa que entrem em sua casa de sapatos.morrer. e disse-lhe uma dura verdade . não há e reconhecimento da lei e. que vai constituir a idéia obsessiva e a compulsão acompanhada de culpa. seu outlook é invadido por mensagens estranhas e apócrifas. ao ser atendido. pois conhece todos os seus passos. Ela é sapatão e quer ficar comigo”. colocando o recalque e a forma como retornam as idéias recalcadas como as coordenadas-chave para a escolha da patologia. Em nosso segundo encontro. incidindo sobre o sujeito como perseguição. entretanto. chega e me diz que tomara uma decisão: iria matar uma pessoa. não há a barra do recalque. por que ele disse-lhe que sua esposa tentou seduzi-lo. Leu no prontuário que a corregedora tem um “TOC” com relação a ela. tanto na neurose obsessiva quanto na paranóia. vinha seguindo-o há vários dias. Sente-se duplamente traído. É sempre o Outro o responsável pelas 77 www. Seu melhor amigo se afastou. não havendo também reconhecimento da auto-recriminação. então.org. desistira de matar o rapaz. como vemos claramente em Maria ou nas injúrias alucinadas de João.br/jornada_sudeste . que o abandonara pela mulher. ainda no Rascunho K. como um sintoma produtivo. originando a escrupulosidade. Na neurose obsessiva o sujeito se recrimina quando o prazer é relembrado. indicando que o gozo é proibido. “Eu não tenho raiva dela. José me chega encaminhado por seu ex-analista. “como o filho só seu. Intervenho dizendo que ele vinha aqui para pedir minha cumplicidade e eu não seria cúmplice. O telefone de sua casa toca e.psiquiatriamg. exigindo o uso de pantufas. vejamos como este passos ocorrem na neurose obsessiva e na paranóia. toma vários banhos. no amor próprio e na ingratidão e é imperativo matar o rapaz para lavar sua honra! Tem já todo o plano traçado. A namorada rompera com ele para voltar com o ex-namorado. Na paranóia. aquele que a iniciara nas drogas. no real.que seu membro sexual é muito maior e mais grosso que o dele. com diagnóstico de neurose obsessiva. A família conta que Maria sempre gostou de tudo muito organizado. emudece. Chegou ao cúmulo de exigir que o marido morasse em casa separada: “ele é um porco”. Ele chega e me diz para ficar tranqüila. Lembrando o encontro com o sexo como a origem da neurose. Freud nos mostra que. O pai apresenta o irmão caçula. em conseqüência da foraclusão. A partir de um encontro com o ex-amigo. certinho e asseado. O significante (S1) é então recalcado. Sua vida se resume em uma palavra: preterido. Limpa a casa várias vezes ao dia. desvelando novamente a escrupulosidade. Vou ser a Justiceira. portanto. chega à certeza de que é ele quem o persegue. que criou sozinho”. Já se vingara: ligou para ele.

Por isso o paranóico se considera único. que é reconhecido pelo sujeito como dele . 6) Encontramos. seja com expurgos. mas que não se manifestam da mesma maneira: na neurose obsessiva esse Outro gozador aparece no sintoma como um imperativo superegóico. ameaça exacerbada pelo desejo sexual. aparece aqui. um desejo seu. na verdade. No caso de Maria. como Maria.recriminações e a hostilidade. transformada em objeto persecutório. o Outro gozador. transformando-se no alvo da mira de todos. à primeira vista. como João e José. Quando ameaçado imaginariamente ou no real. se desvelando a estrutura psicótica com as ruminações se expondo como verdadeiro delírio de contaminação. porque ele me persegue. onde o sujeito é o carrasco e a própria vítima de sua recriminação.br/jornada_sudeste . o paranóico projeta esta recriminação. diferentemente do neurótico obsessivo. característica da neurose. se vê em sofrimento. o paranóico se protege do Outro ou parte para exterminá-lo. eu o odeio. Já na paranóia o gozador é sempre projetado externamente. a provável atração pela corregedora.eu não o amo. Em João. Percebemos que a própria idéia delirante é uma tentativa de punição à rejeição a um suposto desejo homossexual da corregedora por ela. 4) Os casos ilustram. seja literalmente em uma passagem ao ato. tanto na paranóia quanto na neurose obsessiva. 2) O encontro com o sexo como o fator desencadeante do surto paranóico. “ela quer me destruir”. o que nos faz propor a posição frente ao Outro como 78 www. poderíamos considerar o medo da AIDS uma formação reativa em relação ao desejo homossexual e suas ruminações obsessivas como auto-recriminações por não cumprir a determinação superegóica. iniciando um delírio erotômano. nos permitindo entender porque o paranóico se fixa em um significante-mestre que não se desloca na cadeia significante. o que Kretschmer chama de mecanismo de retenção. ele não se vê perseguido. propondo ser o mecanismo fundamental da paranóia. formando o principal fenômeno da Paranóia. deixando clara também a ambivalência sexual: em Maria.psiquiatriamg. em José. a confrontação com a castração. por isso querem me eliminar”. é o um da lei. como ilustra a história de José. além da atração pelo amigo – traidor. que desnuda a gramática do ciúme proposta por Freud . 3) A divisão do sujeito. Vejamos o que temos em comum nos três casos e quais as diretrizes para o diagnóstico diferencial: 1) Sintomas obsessivos levando a um diagnóstico encobridor de transtorno obsessivo compulsivo. projetado no Outro. o rompimento com a namorada e a confrontação com o rival. Mas vemos que essas defesas falham. causando sua desestabilização. como diz Lacan “a paranóia é a identificação do gozo no lugar do Outro”. conceito que Lacan retoma no Caso Aimée e que Antonio Quinet desenvolve (Psicose e Laço Social). vemos que o tema central do delírio de perseguição . além disso. também. que é a auto-referência mórbida.o obsessivo é juiz e réu. o sintoma é sempre articulado edipianamente. é vinculado à idéia que o justifica – “porque ela é sapatão e me deseja”. do ideal e do gozo. principalmente em João e José.org. como explicita Maria: “sou a pessoa mais honesta e a escrivã mais competente do mundo. 5) Vemos que. como simulacro. em João.

como a exclusão de pacientes mais graves. Mas somos menos pessimistas que Sartre. o aripiprazol e a lamotrigina foram superiores ao placebo.org. REFRATARIEDADE E ABORDAGEM DA SUBJETIVIDADE Sub-tema: ”Tratamento farmacológico do TAB: uma revisão crítica” Relator: Elie Cheniaux Júnior São apresentados e discutidos os resultados dos estudos farmacológicos randomizados e controlados com placebo sobre o tratamento do transtorno bipolar. Se o paranóico nos procura. o lítio. mesmo que precária. a ziprasidona. seja em seu sintoma seja em seu delírio. a lamotrigina. Na depressão bipolar. sendo na prática reservada para casos refratários ou especialmente graves. a risperidona. a olanzapina. é. mas esta modalidade terapêutica tem sido sub-investigada. a quetiapina e o divalproato. para a errância psicótica. que presumimos ser um produto patológico. No paranóico. No tratamento de manutenção.psiquiatriamg. as altas taxas de abandono e as baixas proporções de pacientes respondedores. Mostraram-se eficazes na mania o lítio. Sartre dizia ser o homem uma paixão inútil. a combinação olanzapina / fluoxetina. o ódio pela diferença e a ignorância da divisão subjetiva. 79 www. em nível subjetivo. MR 04 – Auditório Borges da Costa Tema: TRANSTORNO AFETIVO BIPOLAR: TRATAMENTO PADRÃO. a imipramina. o divalproato. e vários antipsicóticos atípicos – tais como a olanzapina. Pensamos que o homem sofre de si mesmo e que é desta paixão que ele deve curar-se.br/jornada_sudeste . no sentido de se reposicionar como sujeito. São apontadas as limitações metodológicas desses estudos. a fluoxetina. Talvez uma bússola. uma tentativa de restabelecimento. identificamos estas paixões do ser como o amor pelo um. seguindo a orientação de Freud de ir atrás das relações que o paciente faz com seu delírio. a carbamazepina. na realidade. há resultados positivos com o lítio. um processo de reconstrução.a mais importante diretriz para o diagnóstico diferencial entre paranóia e TOC. A experiência clínica indica que a eletroconvulsoterapia seria eficaz. não podemos perder a chance de. quando nos lembra que a formação delirante. mobiliza-lo e implica-lo. o aripiprazol e a quetiapina.

psiquiatriamg. cerca de 35% dos pacientes têm sintomas positivos resistente à medicação. Seu agir compulsivo não é primariamente para si mesmo. ao se apossar de objetos (de outras pessoas). Este diagnóstico descreve vários fenômenos. O que os une? O preponderante desta clínica é o desafio ao outro. ao invés de confirmarem que seus destinos já estão traçados. heterogênea. Os profissionais de psiquiatria e saúde mental ao atenderem crianças e adolescentes com predomínio de provocações aos pais.presente tanto na CID-10. Este agir compulsivo pode permitir ao jovem obter benefícios secundários de monta e a partir da reação da sociedade. pouco compreendida e para a qual ainda não dispomos de tratamento satisfatório. como privilegiar ações de protagonismo infanto-juvenil. têm diante de si um desafio: como permitir se possível.br/jornada_sudeste . descreve um padrão de comportamento repetitivo e persistente relativo a agressividade e destrutividade. Nesta clínica. MR 06 – Sala 07 Tema: ESQUIZOFRENIA: TRATAMENTO PADRÃO E REFRATARIEDADE Sub-tema: “Os aspectos cognitivos da esquizofrenia e implicações para o tratamento” Relator: João Vinícius Salgado (MG) A esquizofrenia é uma doença mental grave. a equipe interdisciplinar e a intersetorialidade são imperiosas.org. assim como a apropriação de objetos alheios e transgressões de normas. à escola e à sociedade. O projeto terapêutico possível deve abranger desde uma escuta singular a esta criança/adolescente e seus cuidadores. quanto na DSM-IV. 80 www. Coordenadora do CARIM (IPUB/UFRJ). uma virada para um viver mais criativo. ao destruir algo (de outrem). a farmacoterapia é significativamente eficaz apenas para tratar os sintomas chamados “positivos” como delírios. Atualmente. Especialista em Psiquiatria (ABP).diferenças entre ato transgressor ou criador” Relator: Cristina Luce (RJ)24 O diagnóstico psiquiátrico – transtorno de conduta . Ainda assim. O indivíduo que encena este desafio transgressor curiosamente está alienado aos valores dos outros. ou transgredir normas compartilhadas (por vários) na sociedade. alucinações e comportamento desorganizado. Desafio existente ao agredir (alguém). um quadro de delinqüência. incapacitante. Diferencia-se da criança que é capaz de estar só e sentir-se acompanhada. da criança que é capaz de viver criativamente. complexa. Um dos possíveis percursos já determinados: a criança com transtorno de conduta se desdobrará em adolescente infrator e/ou usuário de drogas. Os sintomas chamados “negativos” 24 Psicanalista (Instituto da SBPRJ).MR 05 – Sala 08 Tema: TRANSTORNOS DE CONDUTA NA INFÂNCIA E ADOLESCÊNCIA Sub-tema: “Transtornos de Conduta .

Vários neurotransmissores têm sido relacionados às alterações cognitivas observadas na esquizofrenia. de modo geral. sociais. apresentam um risco maior (comparados à população geral) de cometer um crime violento. Entretanto. não respondem bem aos psicofármacos disponíveis atualmente. a deterioração cognitiva na esquizofrenia tem recebido especial atenção. que pacientes com menor prejuízo cognitivo apresentam menos sintomas positivos e negativos. 81 www. MR 06 – Sala 07 Tema: ESQUIZOFRENIA: TRATAMENTO PADRÃO E REFRATARIEDADE Sub-tema: “Comportamento violento na esquizofrenia: clínica e abordagem farmacológica para casos comuns e refratários” Relator: Alexandre Valença (RJ)25 Até o início dos anos 80. inclusive. Assim. já que os fármacos usados na terapia da esquizofrenia têm efeitos sobre a ação de vários destes neurotransmissores. A avaliação cognitiva é importante também no manejo não farmacológico da esquizofrenia. exibam padrão de déficit cognitivo distinto de outras doenças. ocupacionais e cognitivas. conhecer os déficits cognitivos de cada paciente e suas implicações para o tratamento farmacológico e não-farmacológico é fundamental. em conjunto. há variações importantes de paciente a paciente. Professor do Programa de Pós-Graduação em Psiquiatria e Saúde Mental do IPUB/UFRJ.org. embora os portadores de esquizofrenia.psiquiatriamg. deve variar conforme o perfil cognitivo de cada paciente. especialmente aqueles com esquizofrenia. a serotonina. que não depende de outros sintomas e que é intimamente relacionado ao desempenho social. vocacional e à qualidade de vida dos pacientes. Nesse contexto. novas evidências epidemiológicas têm se acumulado nos últimos vinte anos indicando que indivíduos com transtornos mentais graves. Tem sido demonstrado. o glutamato. é cada vez mais consensual que o tratamento de pacientes com esquizofrenia deve ir além do controle dos sintomas positivos e incluir terapias psicológicas. Professor Adjunto de Psiquiatria da Universidade Federal Fluminense – Niterói-RJ. Nos últimos anos. por exemplo. Para 25 Doutor em Psiquiatria-IPUB/UFRJ.como apatia e retraimento social. e os déficits cognitivos. É importante lembrar que. pois há evidências de que seja elemento nuclear e persistente da síndrome. embora a proporção de violência social atribuível a este risco seja pequena. a acetilcolina e o GABA. Os mais pesquisados são a dopamina. A compreensão dos aspectos neurobiológicos do déficit cognitivo na esquizofrenia é importante para o desenvolvimento de novos medicamentos e para a escolha da medicação disponível atualmente mais apropriada para cada paciente. havia um consenso de que a esquizofrenia não levaria a um risco maior de comportamento violento do que aquele encontrado na população geral. A escolha das estratégias de reabilitação psicossocial.br/jornada_sudeste . Especialista em Psiquiatria Forense pela ABP.

e por isso tem a convicção de que está agindo em “legítima defesa”.6 a 6.7%. Outro estudo examinou os antecedentes criminais de 2861 indivíduos que tiveram uma primeira internação hospitalar devido à esquizofrenia. Foi encontrado que 6% destes homicidas apresentavam esquizofrenia e 44% tinham história de qualquer transtorno mental. sendo comparados a igual número de indivíduos na comunidade. Estes achados foram reforçados pelo estudo de Beck. que encontrou uma relação positiva entre delírio.8%. por ser caracterizado principalmente por idéias delirantes de cunho persecutório. compararam 31 pacientes esquizofrênicos com outros 31 não violentos. considera-se que a própria condição psicopatológica seja um fator de risco para comportamento violento. Foram considerados atos violentos: agressão. além de não temer relatar o fato. enquanto os do grupo não violento eram mais influenciados por delírios de grandeza. em um período de 18 meses.org. porém outros diagnósticos não foram especificados. Cheung e col. sexo e região residencial. comparados aos indivíduos da comunidade (8. todos de enfermaria psiquiátrica comum e sem comorbidade com uso de substâncias psicoativas. dos anos de 1975 a 2000. Observou-se que os pacientes com esquizofrenia foram significativamente mais condenados por pelo menos um ato violento.br/jornada_sudeste . respectivamente). sem se preocupar em dissimular. pareados por idade. Comparados ao grupo controle. é a forma de esquizofrenia mais propensa a apresentar um quadro clínico associado a periculosidade. abuso de substância e crime violento. O tratamento farmacológico da esquizofrenia acompanhada de comportamento violento inclui antipsicóticos clássicos em dosagens otimizadas. Na maioria dos casos o indivíduo pratica o crime como se fosse por autodefesa. já que não avalia a gravidade dele. Ao contrário do criminoso não portador de doença mental. medicações de depósito e antipsicóticos atípicos como a clozapina e outros. O tipo paranóide. ameaçado.psiquiatriamg. Este grupo representou 70% das condenações por homicídio no período estudado. lesão física séria e homicídio. A maior parte destes indivíduos não tinha história de contato com serviços de saúde mental. o que motiva o paciente esquizofrênico paranóide a praticar um homicídio é a sensação de que está sendo sistematicamente perseguido.2% e 1. Em geral. sugerindo que este fator tivesse contribuído para a criminalidade. Outro achado importante é que os pacientes com problemas de abuso de substâncias tiveram mais condenações por delitos do que aqueles que não utilizavam drogas (68% e 11. Foi encontrado que os pacientes do grupo violento eram mais influenciados por delírios persecutórios. o esquizofrênico costuma permanecer no local do crime.6 vezes maior de ter pelo menos uma condenação por comportamento violento. Casos refratários podem receber uma combinação destes agentes com 82 www. Na Inglaterra. Um estudo epidemiológico de Link e Stueve encontrou que subgrupos particulares de delírios com características de controle e perseguição aumentavam fortemente o risco de comportamento violento. respectivamente).indivíduos com transtornos psicóticos. um estudo examinou 500 indivíduos que foram condenados por homicídio. indivíduos com esquizofrenia tiveram um risco 3.

e acompanhadas em psicoterapia de grupo cognitiva comportamental durante dois a três meses quando foram orientadas a preencher diário de sintomas. Miranda (MG). benzodiazepínicos e Inibidores Seletivos de Recaptura de Serotonina. Boson (MG). VALENÇA AM. Jornal Brasileiro de Psiquiatria 2004. quando os grupos caso e controle foram comparados. Valadares (MG). 53: 302-308. Periculosidade e Responsabilidade Penal na Esquizofrenia. 2004. O Objetivo deste estudo foi diagnosticar prospectivamente os quadros de TDPM (CID 10 e DSM IV). 83 www. Crime and Mentally Disordered Offenders. ácido valpróico). MECLER K. agentes betabloqueadores. VALENÇA AM. 2. Constatou-se elevação de sintomas de transtornos de humor e impulsividade nas portadoras de TDPM quando comparadas ao grupo controle. nesta população feminina. Luis A.br/jornada_sudeste .morbidades. Humberto Correa (MG). Wolfanga L. 3. JOZEF F. Sugestões para leitura 1. Método: As pacientes com sintomas de TDPM foram triadas e avaliadas por profissionais treinados para avaliação diagnostica e aplicação de questionários e escalas. carbamazepina. Revista Brasileira de Psiquiatria 2006. Débora M. ocupacional e sexual dessas mulheres. Violence. cognitivos e físicos que acometem milhares de mulheres. Student (teste t) foram realizados para avaliar as variáveis categóricas e contínuas respectivamente.psiquiatriamg. em diversas culturas. HOGINS S. Estes sintomas interferem de maneira significativa no funcionamento social. de Marco (MG). Marco A. MORAES TM. Romano-Silva (MG) Resumo: Introdução Transtorno Disfórico Pré Menstrual (TDPM) é constituída por um conjunto de sintomas emocionais. É importante a associação destes psicofármacos com intervenções psicossociais. MR 07 – Sala 06 Tema: CUIDADOS ESPECIAIS EM TERAPÊUTICA PSIQUIÁTRICA: A SAÚDE MENTAL DA MULHER Sub-tema: “Transtorno disfórico pré-menstrual em mulheres belohorizontinas” Relator: Gislene C. Resultados. descrever e classificar estes quadros de acordo com sua gravidade e co. Érico C. Costa (MG). em idade reprodutiva.estabilizadores do humor (lítio. MULLER-ISBERNER R. A análise descritiva dos testes de x2. 28 (Supl II): 62-68. England: John Wiley & Sons Ltd. além de eletroconvulsoterapia.org. Relação entre Homicídio e Transtornos Mentais. BARRETO BA.

e com história pregressa de exposição a experiências traumáticas e/ou violentas na infância e adolescência. bem como as experiências existenciais das pacientes.br/jornada_sudeste .Conclusão: A compreensão e tratamento do TDPM devem priorizar a correlação entre neurotransmissão e hormônios gonadais.psiquiatriamg. Raquel Altoé (ES). Bruno Lorentz (ES). como mostra-se associada a taxas mais elevadas de agravos à saúde física. 84 www. com déficits cognitivos ou 26 MD. Henriques (ES). Psicoterapia. André E. Almeida (ES). impactando a vida e saúde de milhares de crianças. PhD . adolescentes. mulheres que foram fisicamente agredidas ou sexualmente molestadas na infância apresentam maior risco de revitimização na vida adulta (Coid e cols 2001). Palavras-chave: Transtorno Disfórico Pré Menstrual.Psiquiatria Clínica. Vieira (ES) Introdução A violência doméstica ocorre dentro do âmbito familiar. Materiais e Métodos Pacientes do sexo feminino internadas em enfermarias da Santa Casa de Misericórdia de Vitória foram selecionadas aleatoriamente e avaliadas durante o período de Agosto de 2006 a Agosto/2007. Prevenção e Controle. Tainá C. caracterização e associação com agravos à saúde física e mental” Relator: Maria Carmem Viana (ES)26. Além disso. mulheres. Gustavo M. Diagnóstico. em mulheres de baixa renda internadas na Santa Casa de Misericórdia de Vitória. Foram excluídas pacientes apresentando quadros cérebro-orgânicos. Classificação. com sérias e graves conseqüências não só para o pleno e integral desenvolvimento pessoal. Objetivos Este estudo teve por objetivo avaliar 1) a prevalência e o perfil da violência doméstica entre casais e a sua associação a agravos à saúde física e mental. MR 07 – Sala 06 Tema: CUIDADOS ESPECIAIS EM TERAPÊUTICA PSIQUIÁTRICA: A SAÚDE MENTAL DA MULHER Sub-tema: “Violência doméstica em mulheres de baixa renda internadas na Santa Casa de Misericórdia de Vitória: prevalência. sobretudo. Silvia Da Matta (ES). Henriques (ES). Farmacoterapia. 2) avaliar a ocorrência de re-vitimização na idade adulta associada à exposição infantil a experiências traumáticas. Ciclo Menstrual.org. idosos e. incluindo o uso de álcool e outras drogas. Raphael Doyle Maia (ES). Thaís E. mental e reprodutiva.

Escala de Conflitos Domésticos.9% alfabetizadas. Self Report Questionnaire para avaliação de sintomas inespecíficos.149. A ocorrência de conflitos e violência doméstica mostrou-se positivamente associada à ocorrência de transtornos mentais (rho 0. 88. p=0.002). além de informações demográficas e clínicas colhidas no prontuário médico.org. incluídos em um programa de palmtop. avaliada a distribuição e freqüência da natureza dos conflitos e agressões praticadas entre os cônjuges e das experiências adversas ou traumáticas ocorridas na infânciae o perfil clínico dos agravos à saúde apresentados na idade adulta.003). uso e dependência de álcool (rho 0. Identificou.mcviana@intervip. Foi.000) e de história pregressa de exposição a experiências traumáticas e/ou violentas na infância (rho 0. usando instrumentos de avaliação padronizados.000). 60.psiquiatriamg.br/jornada_sudeste .rebaixamento do nível de consciência.205. p=0. p=0. transtornos de ansiedade (rho 0. uso de álcool e outras substâncias psicoativas. avaliação do funcionamento. ainda. com idade média de 43. a importância destas enquanto fator marcador de exposição a situações adversas. depressão (rho 0. Conclusões Esse estudo demonstrou que a ocorrência de situações de conflito.3% casadas.3 anos (DP 16. traumáticas e ou violentas na infância e de violência doméstica na família de origem.213. Foi conduzida análise descritiva padrão (distribuição de freqüências para variáveis qualitativas e médias e desvios-padrão para variáveis quantitativas) e testes de correlação não-paramétricos (rho de Spearman). Inventário de Depressão e de Ansiedade de Beck. Foram utilizados instrumentos padronizados: módulos diagnósticos componentes do Composite International Diagnostic Interview da OMS (doenças crônicas. identificando um perfil de re-vitimização na idade adulta associada à exposição na infância.com. Todas as pacientes selecionadas foram entrevistadas por alunos de iniciação científica. deficiência e incapacitação. Auxílio Financeiro Fundação de Apoio à Ciência e Tecnologia do Espírito Santo (FAPES) Processo 32956347/06 . ou que estivessem muito debilitadas. Além disso.002).br 85 www.3). Resultados Foram entrevistadas 434 pacientes. p=0. p=0. também mostrou-se associada a histórico de conflito e violência doméstica entre os pais ocorrida na infância (rho 0.000).42. ainda. agressão verbal e física entre casais é freqüente e suas configurações são variadas e identificou correlações significativas entre estas e agravos à saúde física e mental e o uso de álcool e outras drogas na idade adulta.173. transtorno de estresse pós-traumático).222. p=0.

RJ. que é um quadro benigno. Membro da Comissão Nacional de Direitos Humanos do Conselho Federal de Psicologia. paipj@tjmg. diagnóstico e apoio á mulheres na gravidez. do DSM IV e da CID X. telefone: 031-3295-5692. A maior parte dos quadros de Depressão Pós-Natal. É preciso fazer um diagnóstico precoce e instituir uma terapêutica eficaz para prevenir complicações. Psiquiatra do Hospital Maternidade Oswaldo Nazareth . em particular da depressão. se não tratadas adequadamente. O “Mito da Maternidade Feliz” perpetuado pela mídia e pela sociedade impede que a mulher busque ajuda e dificulta o diagnóstico. Coordenadora Clínica do PAI-PJ do Tribunal de Justiça de Minas Gerais.org. A Depressão Pós-Natal é mais grave e preenche os critérios diagnósticos para Depressão Maior. Psicanalista membro da Escola Brasileira de Psicanálise .psiquiatriamg.MR 07 – Sala 06 Tema: CUIDADOS ESPECIAIS EM TERAPÊUTICA PSIQUIÁTRICA: A SAÚDE MENTAL DA MULHER Sub-tema: “Depressão e puerpério” Relator: Virgínia Loretto (RJ)27 O nascimento de um filho representa para a maioria das mulheres um momento de alegria e de felicidade. Diante desses dados é evidente a necessidade de criar programas e estratégias de atenção precoce que envolva acolhimento. Na ausência de diagnóstico e de um tratamento. 86 www.Tem efeitos devastadores nas mães mas também tem um impacto negativo no bebê. As conseqüências da depressão nas interações mãe/filho e no seu desenvolvimento. MR 08 – Teatro Oromar Moreira Tema: VIOLÊNCIA E HOMICÍDIO Sub-tema: “Violência e homicídio na clinica da psicose” Relator:– Fernanda Otoni de Barros (MG)28 O presente trabalho relata a experiência do Programa de Atenção integral ao paciente judiciário portador de sofrimento mental infrator (PAI-PJ). Professora e Coordenadora da Pós-Graduaçao em Criminologia da PUC-Minas. Vale lembrar que também representa um período de vulnerabilidade para o aparecimento dos transtornos mentais. alternativa ao manicômio judiciário e metodologia capaz de substituir a prática secular de privação de liberdade dos portadores de sofrimento mental que através de uma 27 28 Mestre em Psiquiatria – UFRJ. no pós-parto imediato e no primeiro ano de vida de seu filho.AMP. vão além do primeiro ano de vida e podem ser classificadas em moderadas á graves. de resolução espontânea. e a Depressão Pós-Natal propriamente dita. Quando necessária deve ser feita uma intervenção na relação mãe/bebê. com inicio nos primeiros dias após o parto. a mulher pode ficar deprimida por um ano e as Interações maternas podem se tornar patogênicas.SMS . Isto pode determinar alterações no desenvolvimento emocional e cognitivo das crianças a curto e médio prazo. Para fazer o diagnóstico é importante distinguir entre a Disforia do Pós-parto (“Baby Blues”). a Depressão Pós-Parto ou Depressão Pós-Natal. começa na gravidez.br/jornada_sudeste .br.gov.

de modo razoável. na especificidade do ato homicida cometido pelo doente mental.br/jornada_sudeste . segundo. O que se tem podido colher dessa subversão é o desenho de laços sociais razoáveis. O PAI-PJ demonstra a importância do laço social e da referência aos direitos humanos. homicidios – os designados loucos infratores. como condição de cidadania e sociabilidade. Os sinais de alarme para o transtorno são o emagrecimento acentuado. como por exemplo. mostram que lá onde a ciência previu o monstro louco e perigoso pode-se encontrar. tem alta morbidade e mortalidade. com base na literatura e na experiência do relator em duas décadas de exercício da perícia psiquiátrica criminal. MR 09 – Sala 02 Tema: TRANSTORNOS ALIMENTARES Sub-tema: “Anorexia nervosa” Relator: Fátima Vasconcellos (RJ)29 É um transtorno alimentar que ataca a mente e o corpo.psiquiatriamg. de forma genérica e conceitual. tem uma prevalência entre 0. calorias e dietas. Existe uma recusa em se alimentar mesmo na presença da fome. numa perspectiva de rede por uma política de solidariedade que subverte a noção de periculosidade que sempre esteve indexada a estes casos. em alguns casos amenorréia. ainda distúrbio da imagem corporal e negação do emagrecimento. rituais 29 Presidente da Associação Psiquiátrica do Estado do Rio de Janeiro-APERJ Profa. ansiedade em ganhar peso ou ficar gorda. Segue orientação intersetorial. tanto sob o aspecto quantitativo quanto qualitativo.org. cometeram crimes ou delitos violentos. a excessiva preocupação com peso. A anorexia se inicia na adolescência. violência e psiquiatria serão abordadas. primeiro. medo intenso ganhar peso e de ficar gorda mesmo estando abaixo do peso.5 a 1% da população. alterações da imagem corporal. MR 08 – Teatro Oromar Moreira Tema: VIOLÊNCIA E HOMICÍDIO Sub-tema: “Homicídio em Psiquiatria” Relator: Alan de Freitas Passos (MG) As relações entre homicídio. prática feita por muitos. e. inéditos e plurais que. antimanicomial. negação da fome. A pessoa com Anorexia se caracteriza pela resistência em manter o peso do corpo dentro dos padrões normais para idade e altura.passagem ao ato. recusa de comer determinados alimentos e restrições severas a certos grupos alimentares ( carboidratos por exemplo). ao ampliar os recursos. um sujeito capaz de responder por sua posição. ao considerar na prática que a experiência da loucura é um lugar onde a capacidade e a responsabilidade se apresentam. de Psiquiatria da Universidade Gama Filho Chefe de Clínica do Serviço de Psiquiatria da Santa Casa da Misericórdia do Rio de Janeiro. 87 www.

à despeito da fome. As práticas clínicas e psiquiátricas detêm “um saber” sobre a Anorexia e a Bulimia. separadamente. 88 www. A anorexia envolve desnutrição provocada pela recusa em se alimentar. dentro do espaço hospitalar e no ambulatório o que exige uma equipe multiprofissional muito coesa.para se alimentar comer numa determinada ordem. a Anorexia e a Bulimia ainda representam um desafio aos profissionais de saúde. A escuta do sujeito com esses quadros ensina que a subjetividade insiste e escapa à proposta terapêutica normativa. que prestam assistência a pacientes com Anorexia e Bulimia. ficar re-arrumando a comida no prato e não comer. independente de tempo. portanto. e tratamento de pacientes anoréticas. do Psicólogo. Há critérios para o diagnóstico de Anorexia e de Bulimia nas classificações psiquiátricas (CID-10 e DSM-IV). Abordaremos. psicológicos e psicanalíticos. MR 09 – Sala 02 Tema: TRANSTORNOS ALIMENTARES Sub-tema: “Anorexia e bulimia nervosa: casos graves” Relator: Ana Raquel Corrêa e Silva (MG)30 A clínica da Anorexia Nervosa e da Bulimia Nervosa instiga a reflexão sobre a prática clínica e sobre as articulações teóricas que a sustentam. Psicanalista. Leva a conseqüências físicas como: diminuição do batimento cardíaco. cansaço. não completamente esclarecida do ponto de vista etiológico e nosológico e pela ausência de propostas terapêuticas bem consolidadas. Seu tratamento é complexo exige uma abordagem do Psiquiatra. fraqueza muscular. Muitas vezes necessita de internação pelas graves conseqüências clínicas da desnutrição podendo levar ao óbito. isolamento dos amigos e de atividades coletivas eventualmente purgação. do Clinico Geral. Mestre em Ciências da Saúde pela Faculdade de Medicina da UFMG. que os consideram transtornos alimentares. atualmente diversas e controversas. surpreendem-se com a crescente demanda de pacientes de diferentes classes sociais e de uma ampla faixa etária. desidratação grave entre outros. doença. por sua natureza sindrômica. abordagem individual e da família. as questões ligadas ao diagnóstico. Essa crescente demanda tornou necessária e atual a discussão a respeito das estratégias de tratamento desses pacientes. 30 Psiquiatra. Especialista em Psiquiatria da Infância e Adolescência. Apesar dos avanços sobre o tema nas últimas décadas nos estudos clínicos. prática vigorosa de exercícios físicos. ferimentos. públicos e privados. osteoporose.br/jornada_sudeste . temperatura corporal. psiquiátricos. É um dos mais graves transtornos na psiquiatria tendo elevada taxa de morbidade e mortalidade. do Nutricionista. Psiquiatria do NIAB .org.psiquiatriamg. mostram-se pouco eficientes para a condução dos casos graves. Os serviços de saúde brasileiros. pressão arterial. mas.Núcleo de Investigação em Anorexia e Bulimia do HC-UFMG.

não ter sentido e nem ser mensagem para decifração. sem possibilitar uma escuta sobre o seu sofrimento e excluindo o saber do paciente sobre o seu mal. Segundo Viganò (1999). a condução dos casos. pode-se estruturar um sintoma neurótico ou aparecer sinais de uma psicose”. sobretudo dos casos graves. risco de auto-extermínio. A remoção do sintoma. Após a classificação como transtornos. exige apreensão do que há de mais singular em cada caso. Deste modo. ou seja. psicose e perversão) e não sobre o fenômeno que se orienta a clínica. porque não são comportamentos subjetivados. a Anorexia e a Bulimia. São freqüentes as atuações. desconhecendo-se a sua função no caso clínico. mas automáticos. o sintoma em sua articulação entre o desejo e o gozo. pode ser desastrosa. empobrecimento simbólico e rígida identificação com o sintoma. Conseqüentemente. o médico não deve fazer uma intervenção muito forte. A conseqüência da prática desvinculada do sujeito pode ser vista nos dados estatísticos de insucesso terapêutico. com critérios gerais. estimulando a interlocução dos diversos profissionais envolvidos. A prática do diagnóstico médico. aí neste ponto. É sobre a estrutura subjetiva (neurose. defensivos. instigadas pelo detalhe clínico que escapa ao saber constituído. passagens ao ato.br/jornada_sudeste .psiquiatriamg. É na articulação entre a clínica e a teoria que a direção do tratamento aparece e a transmissão ocorre. A construção do caso clínico provoca o avanço da teoria. A sintomatologia anoréxico-bulímica é transestrutural e tem em cada estrutura um estatuto diferente. Pensar na função deste sintoma para cada sujeito é o eixo ético de orientação da clínica da Anorexia e Bulimia. as classificações facilitam a identificação e a aderência dos próprios pacientes aos diagnósticos nosológicos e simplificam e ampliam a indicação e o uso de psicofármacos. com altas taxas de morbidade (incluindo a cronificação) e mortalidade. possibilita uma nomeação.org. mas não acrescenta sobre a singularidade do caso. ditado pelo estatuto do Outro para o sujeito. uma condução terapêutica normativa é indicada. mas isso não quer dizer que não tenham função. A clínica da Anorexia e Bulimia é marcada pela gravidade e mostra que essa compreensão universal e fenomenológica das classificações e o conseqüente uso de fármacos são insuficientes para a assistência a estes pacientes. para que possa surgir alguma possibilidade de intervenção 89 www. A escuta do sujeito anoréxico-bulímico ensina que a subjetividade insiste e escapa à homogeneidade fenomenológica e à proposta terapêutica normativa. Por ser uma defesa do sujeito. parecem não querer dizer nada. à revelia do sujeito. ou reeducá-lo. Quando a Anorexia e a Bulimia perdem a capacidade de defesa do sujeito do gozo.porém tal classificação pouco auxilia na condução dos casos. sintomas contemporâneos. em sua ‘Conferência sobre Bulimia e Anorexia’: “Não é possível tratar a Anorexia e a Bulimia somente no plano alimentar. É preciso esperar o sujeito que está atrás deste distúrbio alimentar. O furor curandis pode ter como conseqüência o desencadeamento de uma psicose até então compensada pela Anorexia ou Bulimia. proposta pelas classificações. tentando remover o sintoma. E para pensar a função desses sintomas para cada sujeito é imprescindível o diagnóstico estrutural. Inseridos na atualidade.

a Anorexia impede absolutamente o desencadeamento psicótico ao estruturar uma identidade imaginária do sujeito. antes mesmo do corpo. verificado por duas formas distintas: o empuxo suicida. Segundo Recalcati (2003): “Na Anorexia e Bulimia melancólica.) A identificação idealizante à Anorexia pode funcionar como compensação ao buraco aberto no sujeito pela forclusão do Nome-do-pai. E. não de encaixar o caso a regra.eficaz. Nas duas formas. quando a recusa alimentar vale de apelo ao Outro (pseudo-separação) e não como uma pura exclusão do Outro. o empobrecimento da palavra. Os “casos graves” são aqueles quadros que põem em xeque o tratamento. numa mortificação progressiva do sujeito. produz um apagamento do sentimento de vida. o empuxo para a morte pode assumir duas formas distintas. Daí o risco da remoção do sintoma. a obsessão monótona da comida e pelo peso. que produz um curto-circuito no real e adquire as formas de ato violento e a cadaverização progressiva do sujeito. Segundo Recalcati (2003): “Nas Anorexias psicóticas é importante explorar a relação possível entre o desencadeamento da psicose e da Anorexia. que assume forma de um ato violento e a cadaverização progressiva do sujeito. a desvitalização. Assume o aspecto fechado. Empuxo para a morte. aponta para a singularidade do sujeito e reorienta a clínica. mas dos impasses durante o tratamento. a identificação com o corpo magro. a cola do sujeito ao objeto assume mais que as formas clássicas do delírio de culpabilidade e de auto-acusação. Existe uma variedade de soluções possíveis: pode ocorrer que a Anorexia seja uma resposta transitória do sujeito que tem risco de um desencadeamento psicótico ou um modo para suturar de forma compensatória uma psicose já desencadeada. na qual a extinção progressiva da vida. mas de verificar o que se aplica ao caso. Às vezes. A observação e o estudo dos casos clínicos de maior gravidade com base na literatura psiquiátrica e psicanalítica apontam que a gravidade do caso não depende apenas da estrutura do sujeito.” O deslocamento do quadro clínico ao caso clínico.psiquiatriamg. ou seja. a ausência de subjetivação do sentido (. Cada caso deve ser considerado único na sua condução. casos que põem em jogo as condições de sua tratabilidade. Rechaço do Outro. a anulação semântica do discurso. Trata-se. desafiando a equipe e exigindo esforços e inovações terapêuticos. através da escuta e da construção do caso clínico.org. O empuxo suicida... o sujeito tem acesso precário ao simbólico e permanece colado ao Outro.br/jornada_sudeste .” 2. os impasses observados nos casos graves foram identificados como: 1. 90 www. Citando Miller (2005): “Chamamos sujeito ao efeito que desloca o indivíduo da espécie. o caso da regra”. o particular do universal. Nas duas formas o sujeito tem acesso precário ao simbólico. E o rechaço como um modo radical do sujeito para se separar do outro de maneira absoluta e irreversível (passagem ao ato). também verificado em duas formas distintas: o rechaço como uma modalidade de relação com o Outro. desvela uma série de vivências psíquicas que. Na Anorexia e Bulimia. desconhecendo-se a sua função no caso clínico. com risco real de morte.

Uma forma contemporânea que a pulsão de morte tem assumido: o sujeito não quer se curar. não constituída sob o Outro paterno. O amor-ódio que caracteriza a simbiose mortífera da relação mãe-filha marca a vida afetiva de muitas mulheres com Anorexia. Uma identificação não-edípica. Assim. produzindo fenômenos transferenciais tipicamente psicóticos. leva a uma especularidade imaginária e impede a separação do outro e vice-versa. Conferência sobre Anorexia e Bulimia. Madrid: Editorial Síntesis.A. 2005. Referências Bibliográficas MILLER. RECALCATI. A redução do sintoma não é o objetivo inicial e configura-se como efeito da retomada da subjetividade. El Ruiseñor de Lacan. 2003.org. mas constituída como cola entre o sujeito e o Outro materno. o caso grave caracteriza uma dimensão clínica mais ampla que implica uma disjunção fundamental entre o campo simbólico e o real de gozo. A transferência psicótica conduz ao extremo da dialética de amor e de ódio e se caracteriza como devoradora. 2004.br/jornada_sudeste . que visa a retomada da subjetividade e a construção de uma verdadeira demanda de tratamento. O caso resíduo. Del Edipo a la Sexuación. não há espaço para a representação simbólica que faça uma contenção pulsional. Segundo Recalcati (2004). In: Millar JA (ed). que derrota o saber do Outro. VIGANÓ. 1999. psicosis. É o que pode assumir as formas típicas do empuxo bulímico para a devoração. A compreensão psicanalítica da Anorexia e Bulimia como sintomas em respostas a conflitos psíquicos cria novas possibilidades na direção da cura. o desgoverno pulsional grave pode ser encontrado. M. J. desenfreada. inclusive nos casos onde o diagnóstico estrutural se orienta para a neurose. A simbiose mortífera resultando em uma relação transferencial difícil. A pulsão se apresenta barreira. Esse amor-ódio vai marcar a transferência nos casos graves. C. Buenos Aires: Del Cifrado. sem contenção de uma borda simbólica.psiquiatriamg. Devido a uma holófrase funcional ou estrutural.3. 91 www. 4. Clínica del vacío. Belo Horizonte. Apresenta-se como caso intratável. RECALCATI. Anorexias. M. Deriva pulsional. 5. Buenos Aires: Paidós. La última cena: anorexia y bulimia. dependencias. que assume a forma de um desafio trágico ao saber especializado.

14/06/2008 – SÁBADO MR 01 – Auditório Lívio Renault Tema: ELETROCONVULSOTERAPIA: ESTUDOS ATUAIS Sub-tema: “Estigmas e realidade” Relator: Marcos Alexandre Gebara Muraro (RJ) Uma das ocorrências mais importantes do Congresso Mundial de Psiquiatria ocorrido no Cairo em 2005 foi a divulgação. e propunha modernos recursos para sua aplicação. ocasionalmente. sendo particularmente indicada na presença de sintomas psicóticos delirantes ou catatônicos e. nos anos 70. excetuando condições extremas onde o procedimento seja necessário para salvar vidas ou evitar rápida 92 www. pelas grandes Associações da Especialidade. cobrindo um período de 6 a 8 semanas. na Assembléia de Delegados. uma fase de continuação. como o uso de anestesia e relaxamento muscular. diz o seguinte: A Eletroconvulsoterapia (ECT) é um importante. com o expresso consentimento do paciente ou responsável legal. mesmo ao amplo espectro de opções farmacológicas. Desde sua introdução.psiquiatriamg. A boa prática repousa ainda num correto diagnóstico e minuciosa avaliação de riscos que o paciente possa infligir a si próprio ou a circunjacentes. esquizofrenia. a ECT é largamente considerada o mais efetivo método de tratamento. Dependendo das comorbidades. abrange as depressões graves. no sentido de aumentar sua segurança e tolerabilidade. Deve ser aplicado. a ciência mostrava cada vez mais sua importância. Basicamente. O expresso consentimento do paciente ou responsável legal deve ser a regra. O objetivo desta Declaração é evidenciar a eficácia e segurança da ECT e prover elementos e recomendações para otimizar sua prática. principalmente.br/jornada_sudeste . produzido pela Seção de Psiquiatria Biológica da WPA e que deverá pautar todos os “guidelines” das Associações afiliadas pelo mundo. correspondente às subseqüentes 16 a 20 semanas. pode constituir um procedimento de risco variável. insuflada por uma falsa imagem de barbárie e coerção. Nos transtornos depressivos graves. estados de mania. vem angariando importantes progressos. e uma fase de manutenção.org. porém controverso tratamento para alguns subgrupos de indivíduos padecentes de graves doenças mentais. num ambiente adequado às novas normas de administração. dependendo de critério médico e considerando a virulência previa do transtorno. de um documento intitulado “Declaração de Consenso Sobre o Uso e Segurança da Eletroconvulsoterapia”. de preferência. Em contrapartida. na década de 30. no sentido de manter a remissão (evitando recaídas) e atingir a plena recuperação. quando comparada a qualquer outra modalidade. visando prevenir as recorrências. O ressurgimento da ECT nos Estados Unidos. de duração flexível. diversos algoritmos para humanizar seu uso. risco iminente de suicídio. Foram produzidos. foi marcado por uma grande “resistência” ao tratamento. catatonia e. Resumidamente. O tratamento é categorizado por uma fase aguda para induzir a remissão dos sintomas.

mais encontradiços na primeira semana após o término da fase randomizada dos estudos. porém pode provocar mais efeitos cognitivos adversos. às aplicações bilaterais. Pode ser importante. 3) A aplicação bilateral demonstrou ser superior à unilateral. Um importante subsídio para estabelecer as bases da ECT em evidências foi uma recente e sistemática metanálise dos estudos randomizados controlados e observacionais feita pelo UK ECT Rewiew Group que reportou os seguintes achados: 1) Estudos comparando aplicações efetivas de ECT versus aplicações simuladas demonstraram ampla margem de significância estatística em favor das primeiras. No entanto. 4) ECT em procedimentos administrados de uma a três vezes por semana foi eficaz não sendo eliciada diferença significativa entre as três maneiras e não houve diferença quanto aos sintomas de descontinuação.deterioração física ou mental. sendo que estas foram enormemente reduzidas com a introdução de farmacoterapia na fase de continuação. em termos de eficácia. em determinadas circunstâncias. além de evidenciar a menor incidência de sintomas de descontinuação no grupo que recebeu esta terapêutica. 2) Estudos comparando ECT e farmacoterapia resultaram significativamente favoráveis à ECT. Outros importantes subsídios foram a recente Cochrane Rewiew. Na Esquizofrenia. diminuindo sobremodo a longo prazo.org. que reforçou os dados supramencionados e acrescentou que doses mais altas do estímulo elétrico unilateral no hemisfério dominante podem assemelhar-se. que a decisão parta de “juntas médicas” constituídas.psiquiatriamg. Altas taxas de recaídas foram relatadas após a remissão completa dos sintomas com ECT. a Cochrane Rewiew. que evidenciou a superioridade da ECT em deprimidos idosos e a NICE Rewiew. mas também produziram mais efeitos adversos. freqüências superiores podem levar a maiores prejuízos cognitivos.br/jornada_sudeste . às custas de aumento na ocorrência de efeitos cognitivos adversos que não devem durar mais que seis meses após o término do tratamento. 6) As aplicações utilizando pulso breve e onda quadrada demonstraram largamente ser mais eficazes e produziram menores efeitos adversos. mas enfatizaram a eficácia da ECT demonstrando benefícios clínicos significativos e como as 93 www. 5) As doses mais altas do estímulo elétrico implicaram em melhores resultados quanto à melhora dos sintomas. conforme estudos de Sackheim. Tang. com 90 estudos randomizados controlados. a NICE Rewiew e estudos de Suzuki. Estudos de neuroimagem não demonstraram qualquer indício de que ECT possa causar destruição neuronal. Ungvari e Sackheim evidenciaram a superioridade da farmacoterapia antipsicótica quando comparada à ECT (excetuando os estados de agitação psicomotora agudos e estuporosos relativos à catatonia). principalmente prejuízo da memória anterógrada.

ECT tem demonstrado. Não há contra-indicações absolutas ao uso de ECT. cicladores rápidos e estados mistos. mormente os que não respodem à farmacorterapia específica. A freqüência recomendada das aplicações varia de 6 a 12 para o tratamento da Depressão.variações na administração da terapêutica influenciaram a evolução. o simples garroteamento da extremidade de um membro pode evidenciar as contrações. a mortalidade associada à ECT é menor do que aquela associada aos procedimentos menores de anestesia geral. Quando isto não for viável. idosos e crianças. descolamentos de retina. apenas aqueles medicamentos que têm ação de antagonismo como benzodiazepínicos e barbitúricos. Quanto aos riscos. mesmo depois de 70 anos. ou seja. mas a maioria dos estudos compactua do consenso de que devem ser evitados. ainda. quando possível. infarto do miocárdio e feocromocitoma. succinilcolina como relaxante muscular. como gravidez. A associação de ECT com farmacoterapia nas fases de continuação e manutenção foi superior ao uso de fármacos isoladamente. com eletrodos bilaterais. 1/ 100000. sendo exclusivamente devida a complicações cardíacas. em pulso breve e onda quadrada. Os estudos demonstraram fartamente que a ECT pode ser muito valiosa no rápido controle de estados maníacos graves e também no tratamento de manutenção dos Transtornos Bipolares refratários. A dosagem do estímulo elétrico. recomendam o uso concomitante de antidepressivos e antipsicóticos. de forma geral. Há muita controvérsia sobre a administração simultânea de ECT e psicotrópicos. demência e Parkinson. aneurismas. arritmias cardíacas graves. assim como pode ser decisiva para salvar vidas para certos casos de Síndrome Neuroléptica Maligna. ventilação. obtendo melhora dos sintomas e menores índices de recaídas quando comparados aos que receberam aplicações simuladas. porém deve ser evitado em condições como tumores e infarto cerebrais.br/jornada_sudeste . especialmente nas fases de continuação e manutenção. portadores de marca-passos. Concluindo. Cabe ressaltar o bom uso de ECT em condições especiais.org. Nos tempos hodiernos não se justifica a prática da ECT sem anestesia. A observação da convulsão pode ser obtida pela maioria dos aparelhos modernos. além do uso de medicamentos como atropina para prevenir bradicardia vagotônica. deve estar regulada em cerca de duas vezes a do limiar convulsivo. A ECT pode ser considerada uma poderosa arma no tratamento de grande parte das emergências psiquiátricas. a ECT é um valioso recurso terapêutico para diversas condições psicopatológicas. A continuação pode ser semanal e a manutenção quinzenal ou mensal. enquanto na Mania o número pode ser superior a 16 sempre divididos em duas ou três vezes por semana. e pentotal ou etomidato como hipnóticos. além de ser um método 94 www. relaxamento muscular. sempre obedecendo criteriosos cuidados. Os algoritmos. Poucos pacientes deixaram de se beneficiar com ECT (aplicações efetivas). capazes de monitorizar o EEG. mas também aumentou as taxas de prejuízos cognitivos. ser de grande valia em alguns casos de TOC.psiquiatriamg.

seis aplicações em intervalos de quarenta e oito horas e. cíclica.psiquiatriamg. Considerando suas futuras perspectivas. como reforço? Iniciar antidepressivos e associar três sessões de eletroconvulsoterapia a cada setenta e duas horas e continuar com tratamento de manutenção com o antidepressivo que se escolheu? Escolher um antidepressivo e administra-lo em doses crescentes até atingir a resposta desejada e manter o tratamento por período variável entre sete a dez meses para se evitar possível recaída? Associar-se um antidepressivo a substâncias ansiolíticas e hipnoindutoras para minorar a angústia do conhecido período de latência entre a administração do antidepressivo e a aparição de seus efeitos sobre o humor vital? Utilizar uma combinação de dois antidepressivos com diferentes mecanismos de ação e cuidar dos efeitos colaterais quando e se aparecerem? 95 www. a saber: a) não há tratamento padrão para pacientes que sofrem de depressão. seja ela unipolar. hoje se recorre a micro-saia para expor barrigas sem sempre merecedoras de mais de um olhar rápido e deixar se ver a cor e o tipo da calcinha. por vezes. só rendas. as depressões ditas “refratárias” não podem ser submetidas a um plano de tratamento. são de alta prioridade o melhor conhecimento de seu mecanismo de ação. a menos que se faça uma “desconstrução” do que foi proposto.. visando desestigmatizar a ECT. Houve época em que o padrão era a mini-saia para expor belas pernas. a seguir uma aplicação mensal. as coisas ficam ainda mais afastadas de qualquer possibilidade de padronização. “Padrões” variam com o tempo e com o que existe a cada tempo. Levando em conta sua inquestionável validade. MR 02 – Auditório Bolivar Tema: DEPRESSÃO: TRATAMENTO PADRÃO E REFRATARIEDADE Relator: João Romildo Bueno (RJ) Sumário – O título desta apresentação comporta duas heresias. Qual o padrão para o manuseio terapêutico das depressões? Eletroconvulsoterapia..br/jornada_sudeste . faz-se mister um esforço das Associações afiliadas à WPA no sentido de conscientização pública. Se colocarmos em tela a fase depressiva da doença maníacodepressiva. por definição não admite possibilidade de resposta às chamadas abordagens terapêuticas. assim como estudos mais detalhados nas fases continuação e manutenção.org. recorrente. Deduz-se do exposto que nossa contribuição poderia ser dada como terminada. b) algo que é refratário.seguro e bem tolerado. com ou sem rendas ou. sazonal ou melancólica. Podemos pensar em um projeto terapêutico para uma forma de depressão que tenha exibido resistência aos métodos usuais de abordagem psicofarmacoterápica.

. Na maioria dos casos. doravante TOC. desde que em doses adequadas. Os pacientes com TOC sofrem significativos prejuízos pessoais e sociais e podem ter dificuldade para manter ou finalizar atividades.psiquiatriamg. ou para a clomipramina ou combinação destas 96 www. E quando ocorre uma resistência aos modelos terapêuticos conhecidos? Seria útil aumentar as doses dos medicamentos que estão sendo empregados? Ou descontinuá-los progressivamente enquanto se aumenta a dose de um seu substituto? Aumentar as sessões de eletroconvulsoterapia? Utilizar substâncias “potencializadoras” dos efeitos antidepressivos? Ou talvez. é uma patologia crônica e muitas vezes incapacitante.Escolher-se um tratamento com antidepressivos tríciclicos ou inibidores de monoaminoxidase. caracterizada por pensamentos obsessivos intrusivos. O tratamento seria basicamente psicoterápico ou farmacológico. Quando se trata de um padecente de depressão pode-se fazer tudo e mais o céu também. tolerabilidade. com evidente incapacitação. ADOLESCÊNCIA.. Por isto é proponho que passemos a discutir como se trata uma pessoa deprimida. dentro do grupo dos transtornos de ansiedade. devido à heterogeneidade. as alternativas incluem mudanças para diferentes ISRS. ADULTO) Sub-tema: “Adulto” Relator: Wander Lemos (MG) O Transtorno Obsessivo-Compulsivo. “desconstruir” é muito fácil que blowing in the wind. depende do que o paciente nos ensinar: ele é o padrão.. como comportamentos repetitivos ou atos mentais que são realizados como respostas ao pensamento obsessivo. MR 03 – Sala 05 Tema: TRANSTORNO OBSESSIVO/COMPULSIVO: ESTRATÉGIAS TERAPÊUTICAS (INFÂNCIA. classificada polemicamente.org. seletivo ou não. bem como desenvolver relações interpessoais. droga considerada “padrão ouro” no tratamento do TOC. quem sabe adicionar um neuroléptico atípico? Ou recorrer à velha associação de dois tricíclicos com mecanismos de ação diferenciados? Como se vê.br/jornada_sudeste . somar-se um estabilizador de humor? Ou. seja em função da história prévia do paciente ou da preferência e experiência do psiquiatra? São múltiplas as possibilidades e viáveis todas elas. o tratamento deve ser iniciado com um ISRS por causa da sua superioridade nas questões de segurança. indesejáveis e recorrentes e por atos compulsivos. e eficácia equivalente desta classe de drogas quando comparada com a clomipramina. Quando os pacientes não respondem a um ISRS específico.. O TOC quase sempre se apresenta com comorbidades com transtornos depressivos e/ou outros transtornos de ansiedade. sendo o protótipo do tratamento farmacológico um ensaio clínico de 12 a 20 semanas com um inibidor de recaptura de serotonina (IRS).

216/01. que buscou e busca a construção de novas formas de lidar com o sofrimento psíquico para além da assistência psiquiátrica por meio da construção de espaços de sociabilidade. tem como eixo norteador a construção de uma Rede de Atenção em Saúde Mental capilarizada nos 78 (setenta e oito) municípios capixabas. de ampliação de garantias legais e de produção de conhecimentos. a psicocirurgia.e/ou outras medicações. grupos de trabalho e eventos foram realizados com o foco na construção de novos espaços para a loucura. tais a eletroconvulsoterapia.org. como abordagens biológicas não farmacológicas. 31 97 www. 2007. encontros anuais em comemoração ao Dia Nacional da Luta Antimanicomial como também encontros promovidos por serviços municipais e instituições de ensino superior. movimento social complexo32.. a realização da II Conferência Estadual de Saúde Mental.psiquiatriamg. 10. os Médico psiquiatra e Coordenador Estadual de Saúde Mental da Secretaria de Estado da Saúde do Espírito Santo – SESA / ES 32 AMARANTE. e mais recentemente a estimulação magnética transcraniana. Paulo. seguindo as diretrizes emanadas da política nacional e. muitos ainda experimentais. A atenção psicossocial. A terapia cognitivo-comportamental é a abordagem psicoterápica mais indicada estando associada ou não à terapia medicamentosa. Ao longo desses anos podem-se destacar os encontros quadrimestrais do Fórum de Saúde Mental realizados desde 1999. Do ponto de vista técnico foram estruturados grupos de trabalho. RJ: Ed. A linha-guia é um instrumento de normalização do processo de trabalho em saúde cuja função é a comunicação entre o sistema de serviços de saúde.br/jornada_sudeste . em 2001. Recentemente. dentre outros. Caso a refratariedade permaneça deve-se considerar novos tratamentos. Fiocruz. Nossa apresentação consistirá numa discussão sobre as estratégias disponíveis de tratamento do TOC em faixas etárias diferentes. posteriormente da Lei nº. Desde então se constata que serviços foram criados. seja para a criação dos serviços residenciais terapêuticos – SRTs. No Espírito Santo a consolidação desta política teve como marco o ano de 1995 a partir da inclusão do campo da saúde mental na política estadual de saúde e com a ampliação da participação de diferentes atores no Fórum de Saúde Mental e no Núcleo Estadual da Luta Antimanicomial. para reorganização dos serviços estaduais existentes como também para a estruturação da linha-guia de saúde mental a ser lançada oficialmente dia 20 de junho corrente. MR 04 – Auditório Borges da Costa Tema: REFLEXÕES SOBRE A REFORMA DA ASSISTÊNCIA PSIQUIÁTRICA Relator: Antônio Schirmer (ES)31 A política de saúde mental do Estado do Espírito Santo. Há que se destacar que todo este processo tem seu nascedouro no Movimento da Reforma Psiquiátrica. no ano de 2007 o município de Vitória sediou o Encontro Nacional do Movimento da Luta Antimanicomial.

. A Construção da Rede de Atenção em Saúde Mental no Espírito Santo A atenção psicossocial destinada às pessoas em sofrimento psíquico está sendo estruturada por meio de uma Rede de Atenção em Saúde Mental.org. Há que se destacar que a construção desta Rede no estado tem ocorrido de forma lenta.) [e]. Estas têm por finalidade estabelecer o cuidado e articular ações com as Equipes de Saúde da Família. buscando normalizar as ações desenvolvidas em todos os pontos de atenção. Há ainda oferta de consulta psiquiátrica 98 www.. 2004). Serviço Residencial Terapêutico. a existência de serviço extra-hospitalar e de recursos humanos disponíveis. Nesse sentido.] abrange não só a Psiquiatria.]”. mas também. principalmente em municípios com base populacional inferior a 20 mil habitantes. obedecendo à ação coordenadora da Atenção Primária à Saúde (Mendes. assistência médica. 08 microrregiões e 16 módulos assistenciais definindo um conjunto de ações e serviços que deverá ser oferecido aos cidadãos. mas a criação das equipes de saúde mental vinculadas às Unidades Básicas ou Regionais de Saúde. como também a existência de hospital geral público ou conveniado ao SUS. social.ad. Leitos Psiquiátricos em Hospital Geral. Urgência Psiquiátrica no Hospital São Lucas.psiquiatriamg. que está vinculada ao Plano Diretor de Regionalização – PDR que delineou para o estado 03 macrorregiões. o desafio colocado é a criação permanente de serviços articulados numa Rede que inclua cada vez mais o sofrimento psíquico. O desenho da rede de atenção em saúde mental está estruturado considerando os seguintes serviços: CAPS. educação e garantia de trabalho protegido ou não (. sendo 16 (dezesseis) CAPS em 12 (doze) municípios e Equipes de Saúde Mental em 31 (trinta e um) municípios. de forma descentralizada e o mais próximo de sua residência. Estes serviços seguiram os parâmetros estabelecidos através de um conjunto de fatores que se entrecruzaram com os já definidos no PDR: a cobertura populacional. Serviço Hospitalar de Referência para Atenção ao Usuário de Álcool e outras Drogas – SHR..) em serviços abertos o menos restritivo possível [. dados epidemiológicos disponíveis. e Hospitais Psiquiátricos. Este panorama inicial teve como finalidade apresentar sucintamente o movimento sociotécnico e político realizado no sentido de disseminar na sociedade capixaba uma política que atenda os princípios do SUS e da Reforma Psiquiátrica. Atualmente. em que se destacam não só a criação dos CAPS.. os serviços extra-hospitalar que compõem a Rede de Atenção em saúde mental estão presentes em cerca de 46 (quarenta e seis) municípios. deve ser realizada (. o coeficiente de internação psiquiátrica.. 2008). reabilitação. leitos em hospital geral por microrregião e CAPS ad e i por macrorregião (SESA. odontológica. gradativa e contínua. jurídica. 2008) a atenção psicossocial “[. Foram previstos CAPS por cada módulo assistencial..br/jornada_sudeste .profissionais e usuários deste sistema... Segundo a linha-guia da saúde mental (SESA.

Desta forma. Hospital São Lucas . o Centro de Atendimento Psiquiátrico Dr. por meio da matricialidade ou de equipes situadas em Unidades Básicas / Regionais de Saúde e a reestruturação da assistência psiquiátrica do Hospital Adauto Botelho - 99 www. compete ao estado financiar e estimular a educação permanente como meio de revisão dos processos de trabalho e ampliação da noção de cuidado aos usuários do SUS. pois qualquer mudança de modelo depende do envolvimento e de mudanças de prática social dos profissionais de saúde envolvidos. a articulação da saúde mental na atenção primária à saúde.SESA tem realizado esforços para o fortalecimento do SUS e ampliação do acesso. em 2008. No âmbito hospitalar a atenção às pessoas com transtornos mentais é prestada nos seguintes hospitais especializados: Hospital Adauto Botelho – HAB no município de Cariacica. Aristides Alexandre Campos – CAPAAC e a Clínica de Repouso Santa Isabel no município de Cachoeiro de Itapemirim. de outras drogas e às pessoas com transtornos mentais. Reflexões finais O debate acerca da ampliação da rede de atenção em saúde mental extrapola a criação de um conjunto de serviços.000 habitantes.org.em 05 (cinco) municípios e a este conjunto integram os 05 (cinco) Serviços Residenciais Terapêuticos. localizados em Nova Venécia. Em 2007 criou o Plano Estadual de Expansão da Rede de Saúde Mental com o objetivo de ampliar a atenção aos usuários de álcool.br/jornada_sudeste . nas 03 (três) macrorregiões: 03 (três) CAPS I. em que co-financiará a implantação de 05 (cinco) Centros de Atenção Psicossocial. Santa Maria de Jetibá e Castelo e 02 (dois) CAPS ad em Cachoeiro de Itapemirim e São Mateus. Os hospitais gerais que possuem leitos psiquiátricos são: Hospital da Polícia Militar – HPM. Esta será superada após o processo de pactuação em curso. seguindo os parâmetros do Ministério da Saúde. A inclusão de indicadores da saúde mental no Pacto pela Saúde possibilitou uma ampla discussão e reflexão entre estado e municípios por ocasião das Oficinas Macrorregionais de Pactuação realizadas no mês de maio do corrente ano. Outros desafios impostos para a reorientação do modelo de atenção psicossocial e ampliação da Rede são: a criação do Serviço Hospitalar de Referência para Atenção Integral ao usuário de álcool e outras drogas –SHR – ad. que mesmo com todo o esforço de gestores e profissionais de saúde mental a cobertura de CAPS no Espírito Santo.37 por 100.HSL com a urgência psiquiátrica. localizados na capital e o Hospital Beneficente Santa Rita de Cássia em São Gabriel da Palha no norte do estado. se apresenta como regular – baixa totalizando uma cobertura de 0. Esta Rede é insuficiente para atender as demandas da população capixaba e diante desta situação a Secretaria de Estado da Saúde . Há que se destacar.psiquiatriamg. sendo necessário incluírem neste debate a educação permanente. bem como possibilitará a ampliação desta cobertura.

afirma que a anormalidade fenomenológica essencial no transtorno anti-social de personalidade é a falta de empatia. Estes indivíduos não são capazes de serem leais aos valores individuais. 100 www. A máxima incidência é encontrada na adolescência tardia e início da vida adulta. Especialista em Psiquiatria Forense pela ABP. O fato da existência de transgressões legais ou sociais não significa diagnóstico de transtorno anti-social de personalidade. Há uma incapacidade de se sentir desconfortável pelo que os outros experimentam como resultado de suas atividades anti-sociais.HAB. mas não são sinônimos.SRTs. 12% está livre de sintomas. Muitos psicopatas não seguem uma carreira de crimes e podem ser igualmente exploradores. impulsivos e incapazes de sentirem-se culpados ou de aprender através da experiência.psiquiatriamg. Para KOLDOBSKY (1995). enganadores e irresponsáveis em profissões socialmente aceitáveis. Mostram-se egoístas. ações neste sentido. insensíveis. onde a redução dos leitos de longa permanência se da através da criação de novos Serviços Residenciais Terapêuticos .br/jornada_sudeste . implicam expandir a noção do cuidado em saúde mental para além da psiquiatria e dos demais profissionais de saúde mental. grupais e sociais de uma determinada cultura. Professor Adjunto de Psiquiatria da Universidade Federal Fluminense – Niterói-RJ. o curso do transtorno anti-social de personalidade mostra ser este um transtorno irreversível. uma vez que. 27% tem melhora notável e 60% permanece sem modificações. sob gestão estadual. SYMS (1995).org. A criminalidade e a personalidade anti-social podem acontecer juntas. que inicia na infância ou começo da adolescência e continua na idade adulta. especialmente para compreender como as outras pessoas se sentem sobre as conseqüências de seu comportamento (anti-social). Há uma incapacidade de analisar os sentimentos das outras pessoas. a característica essencial do transtorno antisocial de personalidade é um padrão invasivo de desrespeito e violação dos direitos dos outros. Professor do Programa de Pós-Graduação em Psiquiatria e Saúde Mental do IPUB/UFRJ. os indivíduos com transtorno anti-social da personalidade apresentam padrões de conduta que entram em conflito com a sociedade. Segundo KOLDOBSKY (1995). Após 20 anos. 33 Doutor em Psiquiatria-IPUB/UFRJ. MR 05 – Sala 08 Tema: TRANSTORNOS DE PERSONALIDADE ANTI-SOCIAL: DIAGNÓSTICO E TRATAMENTO Sub-tema: “Transtorno de Personalidade Anti-Social: Clínica e Responsabilidade Penal” Relator: Alexandre Valença (RJ)33 De acordo com a APA (1994).

recomenda-se bastante prudência ao juiz na opção do que é mais necessário ao condenado.Para o diagnóstico de transtorno anti-social de personalidade é necessário colher dados relativos à história pessoal. impulsividade. O artigo 98 do Código Penal dispõe que “necessitando o condenado de especial tratamento curativo. possibilidade de recuperação e comportamento prisional esperado. Esta escolha pode representar um dilema. afirma que os transtornos de personalidade representam uma variação mórbida da norma. isto é.psiquiatriamg. alternativamente. encontrou que 51. O conjunto de critérios anti-sociais do DSM-IV e da CID-10 atingiu uma confiabilidade relativamente alta por enfatizar comportamentos específicos. mas com menor culpabilidade. Sem dúvida. porque a medida de segurança só cessa com a verificação de que cessou a periculosidade. de sua menor capacidade de discernimento ético-social ou de auto-inibição ao impulso criminoso. controle comportamental precário. que achavam-se detidos em delegacia policial. a defesa da sociedade quando são aplicadas medidas de segurança (nos transtornos de personalidade) é ampla. JOZEF (1997). em virtude da precariedade de nossos sistemas carcerários e psiquiátricos. em especial o tipo anti-social. Além de anamnese semi-estruturada. traços de caráter e comportamento (necessidade de estimulação/inclinação ao tédio. mas pode ter perdido o traço central da psicopatia.org. pelo prazo mínimo de um a três anos”. o cônjuge ou vizinhos. apud VARGAS (1990). verificação do padrão de relacionamento do indivíduo com outros e obtenção de informações de outras fontes como a família. que contém uma lista de características relativas a estilo de vida. e estes indivíduos são responsáveis. indicando sérias implicações no tocante a provável recidivismo. O próprio JOZEF (1997) afirma que estudos recentes estimam em 25% o percentual de psicopatas entre presos. HUNGRIA. estilo de vida parasítico.). de HARE (1984). face às suas condições atuais: imposição de pena reduzida ou. o principal instrumento diagnóstico utilizado por este autor foi o PCL-R (PSYCHOPATHY CHECKLISTREVISED). É sempre necessário mais de uma entrevista para se conseguir afirmar este diagnóstico com algum grau de certeza. a internação em hospital de custódia e tratamento psiquiátrico (se o crime era punível com reclusão) ou tratamento ambulatorial (se era prevista pena de detenção). num estudo com 29 indivíduos condenados por homicídio ou tentativa de homicídio.72% eram caracterizados como psicopatas (transtorno anti-social de personalidade). em virtude de sua inferioridade bioético-sociológica. os indivíduos com transtornos de personalidade podem ter redução da pena (de um terço a dois terços) ou esta pode ser substituída por medida de segurança. etc. De acordo com LUTZ (1941). envolve aspectos polêmicos. A questão do diagnóstico dos transtornos de personalidade. Quando enquadrados no parágrafo único do artigo 26.O transtorno de personalidade é considerado uma perturbação da saúde mental.br/jornada_sudeste . por selecionar muitos criminosos que não são psicopatas e ao mesmo 101 www. irresponsabilidade. a pena privativa de liberdade pode ser substituída pela internação ou tratamento ambulatorial. Um indivíduo com transtorno anti-social da personalidade em geral terá traído a confiança de todos.

Este indivíduo só poderá receber alta após exame de verificação da cessação de periculosidade (realizado pela perícia psiquiátrica) e autorização do juiz. a eficácia do tratamento psiquiátrico neste casos ainda não está bem estabelecida pela literatura sobre o assunto. VALENÇA A. cobrindo um espectrum que vai de assassinos perigosos e sequestradores a mulheres jovens cujo transtorno se manifesta.psiquiatriamg. para que se possa ajustar em cada caso a aplicação de medidas de segurança e de sanções penais e correcionais adequadas. Talvez fosse interessante os juizes receberem reciclagens sobre classificação psiquiátrica internacional e fenomenologia psiquiátrica. A avaliação da responsabilidade penal é de extrema importância. Jornal Brasileiro de Psiquiatria 1999. Vale salientar que após encaminhamento a um manicômio judiciário.M. etc. por exemplo. 2. ed. Isto ainda se torna mais sério quando levamos em conta as precárias condições de nossos sistemas manicomiais. FAULK M. por exemplo. tratamento ambulatorial. leva a uma avaliação reducionista e puramente criteriológica da personalidade. a psiquiatria e a sociedade. Não podemos ter dúvidas quanto à complexidade destas situações principais levantadas. Quando enquadrados no parágrafo único do artigo 26 (responsabilidade diminuída) os indivíduos com transtornos de personalidade podem ter sua pena reduzida ou receberem medida de segurança e serem encaminhados a um tratamento psiquiátrico compulsório (internação em manicômio judiciário. A redução da pena significa colocar novamente em liberdade (em menor tempo) um indivíduo cuja probabilidade de recidiva criminal é bastante elevada. (11): 499-507. 1994. Basic forensic psychiatry. sendo útil para a pesquisa. Outra questão que podemos levantar é a importância do termo “transtorno de personalidade” ser bem entendido pelos juizes.). 2. em especial aqueles que exercem atividades na área de direito penal.br/jornada_sudeste . esta medida de segurança vai perdurar por um período mínimo de 1 a 3 anos. London: Blackwell Scientific Publications. É fundamental que estas autoridades saibam que o grupo que recebe diagnóstico de transtorno de personalidade é extremamente heterogêneo.tempo omitir psicopatas que não são criminosos. Sugestões para leitura 1. para melhor poderem se posicionar frente a um caso de transtorno de personalidade. esta questão envolve conseqüências de ordem prática. podemos afirmar que a resposta para a seguinte questão parece não estar ainda completamente respondida: estes indivíduos devem ser considerados responsáveis por suas ações ou devem receber tratamento? De fato. As questões de tratamento e responsabilidade dos indivíduos com transtornos de personalidade continuam a ser desafiadoras para a justiça criminal. Por outro lado. Por outro lado. 102 www. Os limites da responsabilidade penal nos transtornos de personalidade. Diante de todos estes dados.org. Esta preferência por uma definição orientada para manifestação comportamental aumenta a confiabilidade. por comportamento repetitivo de auto-flagelação.

simultaneamente filosófico e psicanalítico. da filosofia e da psicanálise. Rio de Janeiro:Tese de Doutorado. Rio de Janeiro: J.psiquiatriamg. Young psychopaths in special hospital: treatment and outcome. sob pena de sucumbir às exigências que lhes são impostas. ainda tão obscuro. que tentaram realizar uma apreensão sobre o fenômeno da loucura. 1990.Z. mas o resultado de uma série de vicissitudes por que passa o ser humano — vicissitudes essas que podem resultar na psicose. que todo ser humano tem que realizar. a nosso ver. As citações referem-se à tradução brasileira da obra de De Waelhens. reconhecemos neste tema um tipo de abordagem. British Journal of Psychiatry 1996. A. Tomamos a questão da loucura como ponto de encruzilhada para o qual convergem os trabalhos da psiquiatria. Nesse campo.UFRJ . 35 34 103 www. Encontramos nesse tema os pontos de tensão e de debate entre os campos do saber. Sabemos que para os autores psiquiátricos o que distingue o louco do normal é um catálogo de déficits. da natureza à cultura. em suas relações consigo mesmo. MR 06 – Sala 07 Tema: ESQUIZOFRENIA: A CONSTRUÇÃO DA SUBJETIVIDADE Sub-tema: “A construção da subjetividade nas psicoses delirantes” Relator: Simone Scarioli (MG)34 Gostaríamos que essa leitura fizesse surgir a inscrição potencial da loucura no próprio cerne das estruturas constitutivas da condição humana Introdução Nossa pesquisa consiste em delimitar os momentos constitutivos da estrutura da subjetividade e suas particularidades. expressos de forma evidente nas apresentações sintomáticas das psicoses35. GRUBIN D.. 168 :99-104. com os outros e com o mundo.3. mestre em filosofia. Instituto de Psiquiatria .1997. Psicanalista. Psiquiatra. onde os enigmas e as questões superam nossas certezas e nosso conhecimento. que é nosso interesse. 4. Trata-se. O que vem a ser a loucura e o que ela significa para e no destino humano? Como e por que se introduz? Nosso esforço será em captar o sentido e a estrutura das modificações ocorridas no psicótico. A Psicose: ensaio de interpretação analítica e existencial. Nesse sentido nossa interlocução com o saber psiquiátrico ressalta mais os limites do que as contribuições desse saber. O criminoso homicida: estudo clínico-psiquiátrico. Trabalho baseado na tese de mestrado da autora intitulada “A Constituição da Subjetividade e seu Fracasso na Psicose segundo Alphonse De Waelhens”. REISS D. de deixar claro que o sujeito não é um dado inicial. Os loucos encarnam uma das formas possíveis de fracassar na travessia.br/jornada_sudeste .org.E. JOZEF F. MEUX C.

Quanto à psicanálise. poderíamos afirmar que o normal não é inteligível sem o patológico. o tornar-se sujeito subordina-se às regras dos significantes e. esclarecendo o papel constitutivo e estruturador da subjetividade. tal como nos provê a psicanálise de Freud e Lacan. sob a forma de não-resolução. indicamos as falhas na construção dessa estrutura. nas diversas patologias. como forma de preparação para a entrada nos momentos seguintes.br/jornada_sudeste . Ao mesmo tempo. Fazemos um percurso do cogito cartesiano ao sujeito lacaniano. do mundo e do outro.Na psiquiatria. O acesso à subjetividade significa a aquisição de uma identidade pessoal.org. não poderá entrar no Édipo nem conseguirá superá-lo. Se uma dessas crises não leva à sua resolução. e que a 104 www. Abordamos os momentos constitutivos da estrutura da subjetividade. trata-se de estabelecer um diálogo a partir da idéia de que o discurso analítico poderia acrescentar algo ao discurso filosófico sobre a loucura e a própria subjetividade. segundo o qual a falta e / ou a insuficiência do recalcamento originário são responsáveis pela psicose. Na filosofia trabalhamos com dimensão da subjetividade e suas diferenças no campo filosófico e psicanalítico. responsáveis pelo resultado psicótico. que lhe é atribuído no "normal". que a não inscrição do significante paterno. Assim. de forma que o próximo delimita e fecha o anterior. Nesse sentido. Essa insuficiência reside na inexistência de uma referência a um inconsciente constituinte. De um ponto de vista psicanalítico. a cada etapa. o sujeito fica marcado. Cada um dos momentos da constituição subjetiva está ligado ao seguinte. decorrência disso.psiquiatriamg. considerando o plano freudiano. Assim. a psicose é tomada pelo viés das explicações causalistas e funcionais ou pela leitura descritivo-existencial. da identificação de um verdadeiro outrem e o estabelecimento da realidade plena e inteira. um sujeito que não ultrapassou as relações puramente especulares do mesmo e do outro. e que a estrutura patológica se relaciona com este ou aquele momento da constituição do sujeito. cada momento que precede um outro deverá ser atravessado. determina a estrutura psicótica. quanto a seu sentido e o seu estatuto. que por sua vez nos possibilitariam a compreensão e a identificação dos momentos constitutivos da estrutura da subjetividade. As crises constitutivas da subjetividade se desenrolam no inconsciente e só se expressam. o recalque propriamente dito confirma o recalque originário e o narcisismo é superado apenas na vigência do complexo de Édipo. o Nome-do-Pai. a conquista da unidade corporal através da imagem especular e o complexo de Édipo. Na teoria psicanalítica a constituição do sujeito passa por uma série de crises em que se opera. sem permitir a elucidação do que vem a ser o fato psicótico. uma remodelação do si mesmo. Estabelecidos os momentos constitutivos da estrutura da subjetividade. segundo a doutrina psicanalítica: o auto-erotismo. pelo sinal próprio da etapa em que falhou.

desenvolvidas no cap. que a psicanálise ofereceu um progresso decisivo ao estudo das psicoses possibilitando um entendimento do que é o fato psicótico. Ao fim..Z. Inconscient. VII.org. XIV. Z. 3. Os Pensadores.A Psicose: ensaio de Interpretação analítica e existencial. 105 www. pp. 1980. São Paulo: Ed. XIV. "As pulsões e suas vicissitudes" (1915). XIX. v. significa analisar os elementos particulares à organização da subjetividade psicótica. BERCHERIE. esperamos que esse trabalho possa contribuir para o debate.psiquiatriamg. entre filósofos. psicanalistas e psiquiatras no que concerne à questão da loucura. 1991. Os Fundamentos da Clínica. 1974. "Três ensaios sobre a teoria da sexualidade" (1905). in Révue Phiosophique de Louvain. 4. 4 de La Psychose. 1972. E. v. VII (1900). desenvolvidas no texto de De Waelhens.B. 1989. 5. Espanha: Ed. Edição Standard Brasileira das Obras Psicológicas Completas de Sigmund Freud (E. XII. 6. "É nessa confusão que se inscreve o não-acesso do sujeito à ordem simbólica". relativos à imagem do corpo próprio como corpo despedaçado. configurando a esquizofrenia e a paranóia. XIX.E. v. R. Esses traços. sujet.saída do narcisismo só pode se realizar pela entrada no complexo de Édipo e sua dissolução. Introducion a la Clinica Psiquiatrica. Tradução de Vera Ribeiro. Analisamos os critérios analíticos e existenciais da psicose. "A perda da realidade na neurose e na psicose" (1924). 24 vols. DESCARTES. finalmente. à perturbação do triângulo edipiano. verité". à confusão entre o significante e o significado. Manifestações indiretas do mecanismo da foraclusão do nome-do-pai..E.S. à bissexualidade. Nauwelaerts. “Notas psicanalíticas sobre um relato autobiográfico de um caso de paranóia” (1911). V. identificados pelo autor. Referências Bibliográficas 1. Mai. v." cap. v. à identificação do nascimento com a morte. conseqüência da não-inscrição da diferença dos sexos e. Entendemos. "A Interpretação dos sonhos. sempre atual. XIV. S. possibilitam uma maior clareza sobre a subjetividade psicótica. FREUD. DE WAELHENS. v. "Neurose e psicose" (1924). . A. KRAEPELIN. Rio de Janeiro: J.). significa analisar os elementos particulares à organização da subjetividade psicótica. 1990. v. “Recalque” (1915). Louvain-Paris. v. 269-283. configurando a esquizofrenia e a paranóia.br/jornada_sudeste . La Psychose. 4a ed. Nova Cultural. “Sobre o narcisismo: uma introdução” (1914).1988. Rio de Janeiro: J. La Psychose Essai d’interprétation analytique et existentielle. Rio de Janeiro: Imago. Acompanhar as teses freudiana e lacaniana sobre a psicose. Nieva. 2. pois. Acompanhar as teses freudiana e lacaniana sobre a psicose. P.

higiene. membro da Associação Brasileira de Psiquiatria e Associação Mineira de Psiquiatria. Buenos Aires: Ed. Rio de Janeiro: J. Rio de Janeiro: J. servir como cínicas desculpas para criar ou aumentar impostos. psicótico. mimeo. 9. deprimido.E. 11. Chiquinho. 1987. J. tratam de si. 1985.org.psiquiatriamg. 12. Rio de Janeiro: J. MR 06 – Sala 07 Tema: ESQUIZOFRENIA: A CONSTRUÇÃO DA SUBJETIVIDADE Sub-Tema: Psiquiatria e cidadania Relator: Francisco Goyatá (MG) 36 A conquista da erradicação do bócio endêmico cresce de valor quando se lembra que saúde. Goyatá. Psicanalista. São Paulo: Ed. obrigados a uma nomeação desenfreada. ((PORTUGAL.. 1957) Não falarei como cientista social nem como cientista político nem como antropólogo.E.S. 10. Jacques-Alain. 2a ed. J. Escritos.. Não me reduzo a isso. Não me chamem de bipolar. Percurso de Lacan. transtornado ou doente. dos Reis. proponho que meu falar seja o do Chico. et PONTALIS. José e Francisco. 14.Z. Cabo Frio. Mestre em Psicologia pela UFMG. no máximo. Chicão. Somos. MILLER. In: Psicosis y Psicoanalisis. "Accion De La Estructura". (1974 / 1975). 2a ed. que se colocam a partir daí. 8. Falam desde não sei quando e como falam fazem e seu fazer provoca e invoca outros fazeres.Z. Vocabulário de Psicanálise. são oriundas de uma prática entre sujeitos. Livro 3: As psicoses (1955/56). Eles falam. por vezes. LACAN. 8a ed. Martins Fontes. Como cidadão.7. 1985. e o dinheiro arrecadado é logo desviado em nome de indecifráveis imperativos de ordem econômico-financeira. "Esquizofrenia y Paranoia". "A ciência e a verdade". Livro 11: Os quatro conceitos fundamentais da psicanálise (1964). Trata-se de propor ao psiquiatra encargo complexo de conduzir uma clínica não sem princípios e que as diretrizes. Podem.Z. J-B.I. 1987. seção Minas Gerais da Associação Mundial de Psicanálise do Campo Freudiano. "O estádio do espelho como formador da função do eu". 106 www. “De uma questão preliminar a todo tratamento possível da psicose”. e. ed. Buenos Aires: Ediciones Manantial. 1985.E. membro da Escola Brasileira de Psicanálise.br/jornada_sudeste . R. 1998. Como clínico da psiquiatria na cidade me autorizo.E. In: Matemas I.Z. 13.. Manantial.. dada essa nossa época em que 36 Psiquiatra. dos outros e de outrem. 1985. Rio de Janeiro: J. ao falar. educação e obras sanitárias nunca foram prioridade no Brasil. LAPLANCHE. "Formulações sobre a causalidade psíquica".

em artigo recente. Que ciência é essa? Não é ciência. produto. As narrativas poéticas também podem ser estudadas sob o signo das ciências. que pensamos e poetizamos desde muito cedo e admiramos a vida ao nosso lado. então.br/jornada_sudeste . Jacques Lacan nos lembrou que a loucura é limite da liberdade. inclusive as dos Homens. por isso as nomeamos. passeios. no plural. do cérebro. os homens cheios de nós. uma instituição dedicada ao amor e um estado ou uma empresa – e hoje elas existem maiores que as nações – dedicadas à chamada promoção da felicidade. duras.Jacques-Alain Miller tratou de chamar de nominalista e pragmatista – desenfreada digo eu. teatros. da chamada por mim. nas praças públicas. dobra e corta como fez nosso poeta neoconcreto Amilcar de Castro. O tal homenzinho é horroroso de ruim. O psiquiatra clinicando faz uma prática discursiva. Tudo poderia ser muito simples – mineral. vazadas e penetráveis. incongruências e singularidades. Podemos dizer. classe média devastada.org. de grata memória. sem adjetivos que necessita das ciências e das artes. Qual diretriz. as ciências sociais. Suas esculturas com a chapa do ferro retirado do fundo da montanha. Como disse Leonardo Boff. Aprendi com a professora Sônia Viegas. apontam freqüentemente para o céu. tratam de seu rigor. Como um clínico vou poder dizer com Manoel de Barros que uma garça que o rio passa ao lado é primordial. Deus pode ser um dos nomes da árvore que vive 300 anos e é mais anciã que nós.psiquiatriamg. inventa. dos encontros sérios e alegres. para tomar corpo porque lida com humanidade. as do inconsciente enquanto ciências que incluem a contingência e podemos até forçar um pouco mais: são poéticas. as outras. dos números e aquelas das incompletudes. Nessa prática específica e coletiva estamos nós. propaganda. não sei se estou me citando bem. flores e pássaros. é arte. Existem as ciências ditas exatas. As ciências. Questão de ética: a psiquiatria é uma prática complexa. e uma vida dedicada ao bem. mata. nas ruas e nas favelas. individual e coletivamente. não nos garantem de crimes. O tal homem é danado de bom. 107 www. esquadrinha e descobre. que sou. pela morte e pela loucura. Como clínico receito filmes. das partículas elementares e do que sejam para lá do átomo e mede. decide. embalagem e prateleira do supermercado. que a palavra de que trato é a palavra que consiste e insiste em ato. faz corpo. da fenda sináptica. sofre e faz sofrer. de acontecimentos sórdidos arquitetados para matar. a ciência dita neuro nos ensina que tomamos uma parte do corpo. O que atrapalha a cadeia é o homem. toma corpo. escraviza. como cria um pedaço de Real. por exemplo. No embate com Henri Ey. chuta e faz gol. como sólidas e silenciosas. quais as diretrizes que advêm desta prática? A ciência dita alguma coisa. joga. Desembolemos e proponhamos: por uma psiquiatria que converse de fato com a cidade. das trocas metabólicas. Na insegurança estamos. A arte toca o singular de cada caso que em sua intimidade é parcialmente decifrável. . produção. nos shopings. assim como somos marcados.

Fábio.. Não melhora nem otimiza sua mercadoria. Que de fé seja profícua ao fazer singular de cada um. O vendedor não precisa de lábia. A fome é a mais absoluta necessidade ou antes de morrer alguém tem sempre algo a dizer? Por que insistimos em modelos que em nome de dizer miséria. e . O cliente se arrastará pelo meio do esgoto implorando uma chance de comprar . psiquiatria e. Antão.. não morra e não banalize a maldade humana nem com a pílula dourada do monopólio.Por uma psiquiatria que aproveite o que os cidadãos inventam para não serem tão sofridos assim. cidadania. paciente. o oco. à guerra... como o chamarei?! Josefina. multidões de homens. Mais à frente. Proponho: psiquiatria e biologia. que seja rigoroso como o meu sintoma. saberem tudo de cada pedaço que cada um sabe do mistério da vida e da grandeza do desconhecido humano. mesmo que torta..br/jornada_sudeste .. onde um é tão incontável que só se possa contá-lo como multidão. de modo que a globalização seja vista em boa memória de nosso geógrafo Milton Santos. continua: “A face o ‘mal’ é sempre a face da mais absoluta necessidade. de doentes. reconstituindo seus princípios democráticos. proponho laços com associações de usuários. cliente.” Este cidadão viveu muitos anos e ele disse isto nos anos 60. Por uma psiquiatria que faça parcerias. O vendedor de junk não vende seu produto ao consumidor. como chamarei meu. que. Do ponto de vista do Chico cidadão. sujeito. Por uma psiquiatria que desconverse e diga não à tortura. não dizem cultura pura de pulsão de morte! Alguma coisa está podre no reino da Dinamarca. Guimarães. os chamarei pelo nome e eles falarão. Aí o eu ficará feliz de poder dizer: aquele doutor meu aliado coloca a meu serviço sua profissão. Os psiquiatras sem adjetivos conversem uns com os outros porque não existe possibilidade deles nem individual nem em seus grupos. Piora a qualidade da mercadoria e otimiza o cliente.. com a prática psiquiátrica. visitado por Sílvio Tendler – do lado de cá.. Paga seus funcionários em junk. Uma cidadania em que múltiplos cidadãos. de consumidores do que seja. psiquiatria e psicanálise. e. pela sanha do lucro desmedido. A geografia viva de suas andanças prevaleça para que não mate. Uma psiquiatria alegre em que prevaleça a boa convivência. Nas palavras da necessidade absoluta: ‘Você não faria o mesmo’”? Nestes dias disse a Déa Januzzi. contando com os laços que eles têm em seu território. a mercadoria suprema. uma jornalista admirável de Minas: a reforma psiquiátrica no mundo foi avanço das democracias. no que ele possa ter de invenção. usuário.psiquiatriamg. Eu tenho depressão e quero um psiquiatra que me trate. Que o Brasil tenha de volta seus cientistas que se foram para outros países. ensaio com 108 www.org. como nos lembrava Betinho quando nos falava da fome. ao subjugamento devastador da natureza pelo homem. de um jeito humano de ser. seus cidadãos possam não ser escravizados por palavras de ordem fechadas: palavras são feitas de letras e letras contornam o nonada.. no livro Almoço nu. que me promova. contratarão suas agências e seus cientistas para um diálogo tenso. psiquiatria e arte.. “Junk é o produto ideal .. Mas as democracias hão de convir que a face do mal é a mais absoluta necessidade. vende o consumidor ao seu produto.

A rã.br/jornada_sudeste . Henrique Furtado. In Jornal O Tempo. com a parceria do Trem Tam Tam. Déa. possibilita apresentar a viabilidade de comunicação 37 Psicanalista da Sociedade Brasileira de Psicanálise do Rio de Janeiro Doutora em Psiquiatria do IPUB/UFRJ Membro do Conselho da Sociedade de Amigos do Museu de Imagens do Inconsciente. Este estudo de caso. 4-6. do acervo Coleção Márcio Teixeira e Instituto Amílcar de Castro. 10. XI in Memórias inventadas: a infância. Formulações sobre a causalidade psíquica. BARROS. 2005. Ano 12. n. Catálogo da Exposição Amílcar de Castro. [et al.-nov. Referências bibliográficas ATHAYDE. 16. é permanente e descontinuada. In Jornal Estado de Minas.] A esperança como dever. In: ______ Escritos. 2003. 23/5/2008. 18. Manoel. por conseqüência. 1832. v. Para Marina Silva. CASTRO. J. Rio de Janeiro: Objetiva. ROCHA. 115-125. Carta de São Paulo. Miguel. sertões e gerais. P. talvez um Country for a old man . Belo Horizonte: domingo. Trad. 5. São Paulo. Celso. Guilherme Massara e ALVES JR. A nostalgia do pai.]. A saúde pública nas serras.psiquiatriamg. (1946). 25/5/2008. 1998. P. nº 4177. A formação do psiquiatra. A arte do diagnóstico : o rouxinol de Lacan. Amílcar. In Almoço nu. Rio de Janeiro: Ediouro. P. PORTUGAL. “política sem teologia é puro negócio”. BOFF. Caderno Pensar. altiplanos. Depoimento: Testemunho Acerca de uma Doença. Ano XII. Belo Horizonte. São Paulo: Planeta. Vera Ribeiro. P.. 152[151]-194[193]. 3 MR 06 – Sala 07 Tema: ESQUIZOFRENIA: A CONSTRUÇÃO DA SUBJETIVIDADE Sub-tema: “O trabalho da arte e subjetividade na esquizofrenia” Relator: Maria Cristina Reis Amendoeira (RJ)37 A presente comunicação origina-se de uma pesquisa de doutorado sobre a capacidade de expressão. p.meus alunos em Hamlet. Escola Brasileira de Psicanálise – Seção São Paulo. P. n. BURROUGHS. Belo Horizonte. p. 2008. out. porque não? Sem alegria. 2003. 109 www. poderia nomear certa nostalgia nesta minha comunicação. por meio das imagens. P.org. 31-36. maio 2008. Caderno Bem Viver. Leonardo. MILLER. em pessoas com transtorno mental. Belo Horizonte: sábado 19/4/2008. 2008. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Editor. 247. JANUZZI. William. mal traduzido para: Onde os fracos não têm vez. In Jornal Estado de Minas. P. Entrevista à Revista Caros amigos. descontração e festa não vai dar para sair no próximo carnaval: do 18 de Maio. Belo Horizonte: [s. In Cabeça de porco. nº 134. Douglas Garcia. Jacques. LACAN. NICOLELIS. 2005.. Eles deixam as sombras.

sobrevive à desintegração da personalidade” (PRINZHORN.. No início do século vinte. Alguns pacientes chegaram a criações consideradas por Mario Pedrosa e Ferreira Gullar como verdadeiras obras de arte (PERESTRELLO. são fonte de processos. é real. e valorizou. ensinou-nos que a criatividade pode persistir nos doentes mentais. 1993). A imagem artística tem uma inventividade nitidamente superior à de qualquer outra imagem: ela permanece na esfera da invenção e da descoberta: [. 110 www. apesar das raras verbalizações explícitas. a produção dos doentes mentais que vinha sendo coletada para estudos na clínica de Heidelberg. expressar plasticamente sua vida interior como conflitos. Nas diversas formas de expressão artística experimenta-se esse processo. sua finalidade era terapêutica: que eles pudessem exprimir. Prinzhorn apresentou teorias inovadoras sobre a psicologia da expressão. Nas vivências esquizofrênicas. pessoa extremamente criativa. Nise não visava nem descobrir. já que é uma forma de contato do sujeito com suas emoções e com o mundo. Adelina Gomes freqüentava diariamente o ateliê de pintura do Museu de Imagens do Inconsciente. a possibilidade do enfrentamento das dificuldades da busca. mas num campo social onde o trabalho criativo mantém a todos na grande aventura de ser humano. O potencial terapêutico da arte não requer a supressão do sofrimento e. alucinações e delírios por meio das imagens. 1972).br/jornada_sudeste . equilíbrio ou expressão de um sentimento. A necessidade humana de criar e recriar a realidade busca na arte uma via de expressão que pode trazer alívio emocional (CAVALCANTI ET AL... tornando visível o mundo interno de uma mulher portadora de esquizofrenia em sua trajetória nas transformações da psicose. doentes ou sadios. em seus valores expressivos. demonstrando que uma “pulsão criadora. levaram-na a revelar seus sonhos. na esquizofrenia. por meio da expressão artística. A necessidade de expressão. ao se dedicar a questões da teoria da arte como a arte autêntica e gênese da criação. comuns a todos nós. O processo criativo traz em si mesmo alguma insatisfação: o desejo de alcançar beleza. 2003). de afetos e de significações. vivências positivas e negativas e até esperanças.org. A expressão artística é um recurso de compreensão e tratamento à pessoa portadora de esquizofrenia.psiquiatriamg. Certamente a criatividade permanece intocada na condição esquizofrênica. A atividade expressiva recupera a dignidade do sujeito e o insere não em um mundo de velhos ou jovens. e sua linguagem se expressa através das imagens do inconsciente. Alemanha.e reabilitação psicossocial. e da alegria de encontrar algo que intuíra. mas não se pode prever o caminho que leva a esse resultado (PAREYSON. sim.] Nise da Silveira. nem formar artistas. 2006). Em seu notável trabalho quis mostrar o que se podia fazer e aprender com eles. historicamente. A expressão artística é considerada atividade terapêutica. As imagens. Com o diagnóstico de esquizofrenia. já que o substrato mais profundo do homem é universal. uma necessidade de expressão instintiva.

. Muitas de suas primeiras figuras têm a característica de ser um misto de mundo mineral. ou queriam possuir. não realizado no mundo real. O casal de noivos: o sonho de Adelina. através de extraordinárias criações. A série de casais inicia-se com figuras ainda incompletas. permanece na idade avançada. Deixou um acervo de 17500 obras: [. como nas mulheres crucificadas. dramáticas e líricas. 1980). uma tentativa de conjugar opostos angustiantes.br/jornada_sudeste . as imagens continuam fortes.psiquiatriamg. pintura que apresenta três figuras femininas dispostas em uma cruz. a central e com maior definição do rosto. A cruz é uma imagem identificada com várias concepções religiosas. as riquezas do psiquismo. estabilizar o caos existente em seu mundo interno (SILVEIRA. Esta transformação se reflete nas novas criações de Adelina: a série de idílios e para-idílios. em cor branca. envelhecida. e. A figura de duas mulheres.org. As temáticas arquetípicas vivem na pessoa durante toda a trajetória de vida. vegetal e animal. onde a despersonalização era tal que Adelina não reconhecia fronteiras entre si e o mundo que a cercava. 1992).. a superação dos contrários. O percurso da indiferenciação para um estágio mais integrado. Daí a importância das atividades expressivas no tratamento. Ainda presentes temores em relação à desintegração da personalidade pela invasão do outro. 111 www. dando uma noção da simbiose existente no mundo interior da paciente. As formas humanas se mesclam nesses mundos. entre imagens belas. o homem presente com a superação. sendo a maior delas. ao morrer. e. o que também poderá revelar. mãe e filha. enfim livre do medo dos duendes assustadores que habitavam os corredores do hospital e a perseguiam. Após muitos anos de internação. afirmando-se em sua individualidade num movimento claro de integração. é vivido em sua fantasia.] Adelina. ainda estava internada numa enfermaria do Hospital. apesar de sua atitude agressiva. 1992). Adelina pintava todos os dias. A série da metamorfose vegetal presente desde o início da crise. sem braços ou corpo. 1971). que são a glorificação do amor entre o homem e a mulher (PEDROSA. Sua personalidade incomum perde a terrível agressividade e vencendo profundos obstáculos chega a libertar-se da pressão da mãe mítica e impor a vitória dos seus impulsos femininos de amor e afirmação. Surge a imagem da mulher. com produção criativa importante (Silveira. não houve dificuldade para que aceitasse pintar quando começou a freqüentar o ateliê. de difícil compreensão e acesso no curso da psicose. Surge o homem e a tendência da mulher a relacionar-se com ele. A expressão artística torna-se reveladora do fluxo de imagens do inconsciente possibilitando o acesso ao seu mundo psíquico (JASPERS. A presença da sexualidade. No caso de Adelina Gomes (1916/1984).essas imagens invadem a consciência com extrema força e aproximam-se de forma desordenada das fontes do processo criativo. configuram uma série que narra o tema mítico da Dafne. negativista. em 1946. para Adelina.

Isso porque a construção de uma identidade carregada de sentido lhe é permitida através da atividade expressiva. M. set. Pode a arte ser terapêutica? Reflexões a partir do trabalho desenvolvido com pacientes da terceira idade no Ateliê da Vida do Instituto de Psiquiatria da UFRJ. como o retrato das contradições de uma instituição psiquiátrica. As limitações podem abrir novas saídas poéticas. LOUREIRO. CAVALCANTI. N. O mundo das imagens. H. contraditórios. de comunicação para o paciente psiquiátrico. O campo da arte é o terreno da sensibilidade e revela-se mais democrático em termos de possibilidades. 1981. UFSJR. C. Extraímos. Essa atividade criativa torna-se um canal de expressão emocional. 112 www. M. através da magia da arte. M. AMENDOEIRA.14. cisões no pensamento e cisão das funções psíquicas caracterizam um estado psicótico da mente.br/jornada_sudeste .Ter. PERESTRELLO. Minas Gerais. Solar da Marquesa. ed. n.psiquiatriamg. M. E. 1993. K. buscar instintivamente o sentimento de ser um sujeito que pertence a determinada época e cultura (ZOLADZ.3. no ateliê. Instituto Nacional de Artes Plásticas. JASPERS. essas pinturas. Referências bibliográficas CAVALCANTI. 1992. SILVEIRA. 1972.org. Imagens do Inconsciente. A. 4a. Artistry of the mentally ill [1922]. as imagens atuam como um meio de linguagem e também nos possibilitam o conhecimento do que se passa no turbulento mundo interior do paciente. a compreensão de que.. Rev. SILVEIRA. Texto de apresentação da exposição Criatividade e Envelhecimento no Museu de Imagens do Inconsciente.110-7. dessa experiência. Psicopatologia General. PEDROSA. PRINZHORN.T./dez. A análise dessas imagens possibilitam uma maior compreensão do que se passava no seu interior e constituem uma mediação simbólica entre a paciente e o mundo. 2002).2003. ricas em símbolos e imagens.C. Museus: Museu de Imagens do Inconsciente.São Paulo. Estes bloqueios. A existência desses dois mundos apontou-lhe novas possibilidades de modelos identificatórios. Coleção Museus Brasileiros. na enfermaria gradeada. A relação com a atividade artística possibilita assimilar novas representações em sua vida psíquica. SANTOS.Univ.v. Brasília: Alhambra. A mesma mulher e dois tratamentos antagônicos.Buenos Aires: Editorial Beta.Adelina transitou entre duas identidades diversas: a de “esquizofrênica”. exprimem inúmeros conteúdos numa linguagem primitiva que é comum a todos nós. 2007.Ocup. FUNARTE.IPUB. 1971 PAREYSON. experimentar um novo sentido de identidade e reatar contato com fontes internas de vitalidade. Existe em todos nós uma necessidade de criar e recriar a realidade e. 2000. 1980. e a de pintora. Estética: Teoria da Formatividade.p. Seu talento pessoal é reconhecido por críticos de arte. Este é o campo no qual os obstáculos podem ser superados ou subvertidos.M.T. quando a expressão através das palavras não se concretiza. No entanto. L. N. Petrópolis: Vozes. São Paulo: Editora Ática.R. MEC. USA: SpringerVerlag. New York.

79: 46-56. A propósito. R. Alguns deles sofrem novas inscrições. destaco dois conceitos para a reflexão sobre o tratamento com idosos: velhice e o sujeito que não envelhece. hábitos de vida. supondo diferenças na maneira de envelhecer e associando-a a uma série de fatores genéticos. remeto o leitor: Mucida. 2002. uma vez marcados não se alteram com a passagem do tempo. Mestre em Filosofia. Coordenadora da Especialização em Saúde Mental e Psicanálise (Newton Paiva) e autora do Livro: O sujeito não envelhece. traços arcaicos da memória que. não envelhecem e não morrem. Arte e Ensaios.br/jornada_sudeste . R. ZOLADZ. mas não igualam todos os idosos. um envelhecimento natural daquele com patologias do envelhecimento. capacidades de respostas às mudanças entre outros. 40 Freud. Ângela. indestrutíveis e exercendo influência sobre tudo que vem depois. Deparei-me também com essa dificuldade ao escrever sobre a velhice. Todavia. pois na velhice está em cena uma série de fatores que se entrelaçam. mas sob uma barra ao sentido. Quando afirmamos que o sujeito não envelhece nos referimos ao sujeito do inconsciente.org. hereditários. A iconografia da casa. Psicanalista.Que é a velhice? Quais os parâmetros utilizados para afirmar que alguém parece jovem ou envelhecido em relação a outro da mesma idade? Quando envelhecemos? Qual sujeito não envelhece? Tais perguntas. Rio de Janeiro. A medicina distingue pelos conceitos de senescência e senilidade. traduções e rearranjos no segundo e terceiro tempo da constituição desse aparelho. 39 38 113 www. A propósito do imaginário e suas representações culturais . In Dulcinéa da Mata Ribeiro Monteiro (org). 1976. EBA/UFRJ. Para explicitá-lo retomarei rapidamente em Freud a tese da constituição do aparelho psíquico. MR 07 – Sala 06 Tema: CUIDADOS ESPECIAIS EM TERAPÊUTICA PSIQUIÁTRICA: IDOSO E COMPLICAÇÕES CLÍNICAS Sub-tema: “A condução do tratamento na velhice: por uma clínica do sujeito” Relator: Ângela Mucida (MG)38 A partir de algumas indicações já desenvolvidas39.psiquiatriamg.W. Esses traços mesmo efetivos. saídas criativas.Psicanálise e velhice. trazem sempre uma complexidade significativa na resposta. 2ª edição. Depressão e envelhecimento. O sujeito não envelhece. eles não anulam a complexidade que o conceito de velhice traz a todos os saberes que se ocupam dela. No primeiro tempo encontram-se os primeiros traços da percepção. Carta 52.Psicanálise e velhice. Sigmund. Rio de Janeiro: Revinter. aparentemente fáceis. nomeada de Psicóloga. Belo Horizonte: Autêntica.2000. apesar da experiência anterior trabalhando com idosos. 2006. não podem ser lembrados ou trazidos à consciência.W.40 Ele expõe um aparelho psíquico constituído por traços ou estratificações. Partamos de algumas questões:.ZOLADZ.

com feridas narcísicas importantes e modificações nos laços afetivos. não disponíveis a todos. a partir de suas escolhas e daquilo que o constitui como sujeito.br 114 www. sociais e aguçamento de perdas. mas existe a velhice. Esse impedimento à rememoração marcará todo o funcionamento da memória. bem como o desejo e o psiquismo. cada um envelhece de seu próprio modo. distinguindo-o de todos os outros por não se modificarem com o tempo.com. No dizer de Manoel de Barros: “A um editor que me sugeriu que escrevesse um livro de memórias eu respondi que só tinha memória infantil. impera a segregação. Por outro lado. acarreta dificuldades de reconhecermos-nos em diferentes “espelhos” exibidos pela passagem do tempo. e mesmo sendo um destino inevitável. ainda bem. da juventude e outra de velhice. com a desvalorização da história e do antigo tem efeitos sobre a velhice. Muitas das decisões e projetos importantes da vida podem hoje ser adiados. lembradas como ecos de outro tempo. Marcado por uma série significativa de perdas e modificações. Apesar de tantos objetos à disposição não é fácil envelhecer no mundo atual! Para além da tecnologia e tratamentos. com passagem rápida de um objeto a outro. O editor me sugeriu que fizesse memória infantil. Entrevista concedida à revista Caros Amigos. oferecem a perspectiva de que afinal o tempo não passou.br/jornada_sudeste . exatamente hoje quando o mundo envelhece e presenciamos cada vez mais idosos pelas ruas. Recorda-se sob a pena de uma falha inaugural. em 11-12-2006. acarreta modificações no modo de conceber a velhice e na maneira de vivê-la. faladas. percebemos o envelhecimento muito mais claramente nos outros do que em nós mesmos. O sujeito não envelhece. A velhice é um momento do envelhecimento.psiquiatriamg. Há uma miopia na relação do sujeito com sua imagem: velho é o outro no qual não nos reconhecemos. impõe um intenso trabalho de luto e a criação de novas formas de enlaçar a vida.recalque. no qual se conjuga diferentes fatores inclusive a idade. A velhice é ainda um efeito dos discursos. sentidas. pois ela se posta hoje diferente do que foi anos atrás ou séculos anteriores ao nosso. o abandono e o descaso para grande parte dos idosos.”41 A sensação de que somos os mesmos. Esses traços que acompanham cada sujeito. Estou escrevendo agora minhas memórias infantis da velhice. Afirmar que o desejo não envelhece não implica que ele se inscreva da mesma forma durante a vida. vige o imperativo do novo. no qual o sujeito encontra um limite ao fantasma de eternidade no real do corpo. Nascemos em um mundo permeado de palavras escutadas. mas que não morrem. Disponível em: http://www. variável para cada um. esquecidas. O fato de vivermos mais devido a diferentes avanços científicos e tecnológicos.overmundo. Como não envelhecemos de uma só vez. No inconsciente predomina o infantil. A idéia de que tudo deve mudar em um tempo rápido. temos tratamentos de muitos dos efeitos trazidos pela passagem do tempo e pode-se viver melhor do que antes sob vários aspectos. Não existe uma velhice simplesmente natural. 41 BARROS. de uma relação a outra.org.

é pouco olhado e tocado. todavia que necessita ser escutado. O luto é um trabalho para a vida. tratamentos e pronto-atendimentos destinados aos corpos doentes. de outro pode se impor a fatídica frase: é a velhice! Muitos idosos fazem pacto com esse destino irreparável. ingerir dezenas de remédios é comum aos idosos. Nessa empreitada o corpo envelhecido encontra muitos limites e paradoxos. Ainda encontram-se embrionários os estudos sobre os efeitos de tantos medicamentos sobre um corpo realmente mais fragilizado. desresponsabilizando-se diante do que sofrem e colocando empecilhos consideráveis ao êxito do tratamento. concomitantemente. mas qual o álibi para ela? Muitos sujeitos afirmam terem se deparado com a velhice. muitos dos sintomas para os quais não se encontra uma solução. se de um lado presenciamos sujeitos que. prevalecendo mudanças na capacidade de defesa a muitas doenças. não adoeça. negando a velhice e as modificações inevitáveis. tenham ou não sintomas diagnosticados de uma patologia. belo. “Convidado” a existir à custa de seu apagamento com técnicas que prometem retirar da imagem as marcas prescritas pelo tempo. permitindo abrir as vias pelas quais o desejo possa transitar novamente. pois aí se conjugam inúmeras perdas. com efeitos nefastos sobre a marcha e a memória. estar doente é uma forma de ser olhado e tocado. passam de uma consulta médica a outra à procura de diagnósticos de supostas doenças. A oferta excessiva de medicamentos. Entretanto. Atualmente os lutos são cada vez mais evasivos 115 www. mesmo sob o sofrimento. Agarrar-se a esse estado pode ser a tentativa para alguns de resgatarem o laço com o outro.org. além de não ser valorizado socialmente. tornando-a por vezes irreconhecível é. ter uma verdadeira farmácia em casa. mas ali se encontra um sujeito com capacidades de enfrentar as perdas e de elaborá-las. Apesar de muitos sintomas e patologias só aparecerem com o passar dos anos e das modificações corporais.psiquiatriamg. um corpo reduzido à dimensão biológica e ao campo da necessidade. reais ou imaginárias que tocam diretamente a relação do sujeito com o mundo. Não existe velhice sem trabalho de luto. mostre-se sadio. em especial na imagem e na motricidade.br/jornada_sudeste . pode-se envelhecer bem. adaptando-se a elas. Diante das perdas o melhor remédio é o luto. tem efeitos sobre muitas das respostas sintomáticas presenciadas nos idosos. exigindo constantes cuidados médicos. Escuto na clínica que ir aos médicos. A maioria consome também uma série de antidepressivos e tranqüilizantes e muitos deles. não abre espaço à demanda e ao desejo. após uma consulta médica.No discurso atual o imperativo do “novo” e do gozo rápido coloca em destaque um corpo ideal e um mercado de técnicas para que ele funcione bem. Entretanto hoje se imputa à velhice ou ao envelhecimento a partir da meia-idade. já que o corpo envelhecido. sarado. a não ser quando doente. Vale ressaltar que. Há um corpo fragilizado pela passagem do tempo que exige cuidado. no sentido negativo. A velhice tende a ser o álibi para tudo. mesmo que em vários casos torna-se necessária também a prescrição de antidepressivos e/ou ansiolíticos. Consumir tratamentos. preparado para o trabalho e pronto para gozar. um corpo supostamente frágil e doente. diferente do corpo jovem.

a perda de um ente próximo ao idoso incide de maneira diferente sobre os outros membros da família. escutar sentimentos de solidão. só pode ser contornado com palavras.psiquiatriamg. tenta enlaçar com muitos fios sua história de amor. mas que sofre à sua maneira os efeitos da velhice. pedaços de palavras. Belo Horizonte: Autêntica. 2006. à vida que continua. imagem. tempo que não se apaga. Resposta subjetiva diante de alguns dos percalços da velhice.overmundo. abandono e insegurança são pontos a serem considerados para o diagnóstico e o tratamento.br. este passa sempre pelo sujeito. impreenchível. Um sujeito com 93 anos acentua que depois da perda do marido começou a esquecer os nomes das coisas. etc. sempre singular. Rio de Janeiro: Imago. que sem o trabalho de luto acarretam um recuo a um passado como defesa contra um real avassalador. Perdas e lutos mal-elaborados afetam a memória e nos tempos do Alzheimer nunca é pouco lembrar que. O sujeito não envelhece-Psicanálise e velhice. Esse buraco aberto por elas. de S. do retorno ao tempo do balbucio. respeitar o tempo necessário a ele. MUCIDA. Distinguir o luto da depressão. Ângela. In: Edição S. Cada perda toca de perto seu sentimento de finitude e pode despertar perdas anteriores. seja em instituições. Mesmo com afasias esse sujeito agarra-se às lembranças que lhe interessam e isto não a deixa sair do tempo. em 11-12-2006. Como falar na falta dos referentes? Como pensar sem as palavras? Insiste em falar pelas lembranças. no final. Entrevista concedida à revista Caros amigos. músicas às quais o sujeito tenta se agarrar na tentativa de recuperar algo de si. clínica ou no meio social. 116 www. 1976. trabalho. Freud. Não obstante geralmente os idosos conseguem suportar bem as perdas. De minha experiência clínica com alguns casos diagnosticados ou de suspeita de Alzheimer. Na clínica encontramos sujeitos que clamam por um espaço para falarem de suas perdas. pequenas frases. lembranças. Brasileira das Obras C.com. já que encontram poucos dispostos a ouvi-las. Presenciamos no Alzheimer uma mistura dos tempos da memória. nas relações familiares. Carta 52.br/jornada_sudeste . diagnóstico de doença grave. não quer se lembrar da perda. com predomínio.e curtos e o espaço destinado a ele na velhice é ainda menor. In: http://www. mas não todas. BARROS. histórias que buscam dar sentido ao não-sentido. Referências bibliográficas FREUD. sobretudo. junto a diferentes hipóteses de seu desencadeamento. mas apenas do que vive do objeto amado.. está em cena um sujeito que não envelhece. família. Ele inclui perdas significativas. desde que tenham espaço para o luto. Afásica para alguns nomes cotidianos.org. Dessa forma. no tratamento do idoso. da relação do sujeito com o Outro antes do desencadeamento dos distúrbios da memória. Sigmund. nem sempre facilmente detectáveis. 2ª ed. pude depreender que vige um rombo significativo.

Nessa última categoria. embora não sejam específicos do envelhecimento. o que por si só justifica a necessidade dos profissionais de saúde atualizarem seus conhecimentos acerca das alterações fisiológicas que ocorrem no sono com a velhice. menor duração do sono noturno. tais como doenças clínicas.psiquiatriamg. têm um grande impacto sobre os idosos em decorrência de seus efeitos sobre o sono: falta de adaptação às perturbações emocionais. transtornos orgânicos e afetivos. o comprometimento cognitivo e do desempenho diurno. 3) desconfortos emocionais 4) alterações no padrão do sono. e vários outros problemas. O envelhecimento ocasiona alterações na quantidade e qualidade do sono. hábitos inadequados de sono. mas como eventos normais do processo de senescência. 2) fatores ambientais. na resposta comportamental. embora os idosos geralmente relatem suas queixas relacionadas ao sono. maior latência de sono e despertar pela manhã mais cedo que o desejado. Isso contribui para o subdiagnóstico e o aumento no consumo de drogas hipnóticas. Essa sintomatologia permite afirmar que sono e repouso são funções restauradoras necessárias para a preservação da vida.br/jornada_sudeste . no humor e na habilidade de adaptação. com impacto negativo na sua qualidade de vida. Ressalta-se que. agitação noturna e quedas. as quais afetam mais da metade dos adultos acima de 65 anos de idade que vivem em casa e 70% dos institucionalizados. 117 www. com aumento de cochilos. nem sempre 42 Psiquiatria clínica e Medicina do sono. na função psicológica. assim como sobre os fatores que interferem no sono saudável. incluem-se as queixas referentes ao tempo dispendido na cama sem dormir. comorbidades psiquiátricas e eventos psicossociais. Essas alterações provocam impactos negativos no sistema imunológico. Os fatores que contribuem para os problemas de sono na velhice podem ser agrupados nas seguintes categorias: 1) dor ou desconforto físico. que. dificuldade para reiniciar o sono. Além dessas queixas. na performance.org. são também prevalentes a sonolência e a fadiga diurna. além de aumentar o risco para doenças cardíacas e cérebro vasculares e o risco para acidentes no trabalho e no trânsito. uso de drogas (psicotrópicas ou outras). muitos não o fazem por não concebê-las como disfunções.MR 07 – Sala 06 Tema: CUIDADOS ESPECIAIS EM TERAPÊUTICA PSIQUIÁTRICA: IDOSO E COMPLICAÇÕES CLÍNICAS Sub-tema: “Apnéia obstrutiva do sono em idosos e suas repercussões clínicas” Relator: José Soares Mol Filho42 A difusão e atualização dos conhecimentos a respeito dos distúrbios do sono nos idosos podem contribuir para a adoção de medidas não medicamentosas para melhorar a qualidade do sono e para tornar o envelhecer mais saudável.

confusão durante a noite e comprometimento neuropsicológico. Em decorrência da interrupção da respiração. tais como perda de peso. O padrão ouro para diagnóstico é a polissonografia. merecer uma criteriosa avaliação diagnóstica e intervenções terapêuticas. dormir em decúbito lateral. pois. ou 118 www. freqüentemente. além de um aumento do risco de morte súbita noturna.br/jornada_sudeste . prejuízo da memória na demência. A interrupção da respiração é acompanhada por ronco intenso e contínuo. O diagnóstico clínico das apnéias obstrutivas do sono é sugerido pelo roncar (obstrução da faringe). arritmias cardíacas. depressão. A apnéia do sono é definida como a cessação do fluxo do ar pela boca ou nariz por dez segundos pelo menos. e um índice superior a 10 episódios por hora aumentam os riscos de mortalidade. os idosos saudáveis mantêm a capacidade de dormir e restaurar a energia funcional. a tendência é de considerar as perturbações do sono e suas implicações como acontecimentos anormais associados ao envelhecimento. mais acentuada na posição supina. melhorando às vezes com a lateralização. pressão positiva contínua em vias aéreas (CPAP) e controle de doenças clínicas (hipotireoidismo. Atualmente. Medidas clínicas específicas.psiquiatriamg. a apnéia obstrutiva do sono é a que mais deve merecer a atenção do médico assistente. A apnéia do sono é mais freqüente em homens e em indivíduos acima de 60 anos de idade e está associada ao excesso de sonolência diurna. sonolência diurna (fragmentação e superficialização do sono) e o testemunho de apnéias (relato do companheiro de quarto). de abandono de cuidados domiciliares prestados pela família aos pacientes demenciados. tais como dispositivos para contenção da língua. acromegalia. Considera-se grave a ocorrência de 20 ou mais episódios de apnéia por hora na presença de hipertensão arterial sistêmica. cefaléia. a exemplo de outras dificuldades relacionadas à idade. suspensão de drogas. como memória e cognição. que ocorre durante o ciclo de sono cinco ou mais vezes por hora de sono. Dentre os diversos transtornos do sono. embora as alterações afetem a profundidade e a duração do sono. O tratamento pode envolver medidas clínicas genéricas. enquanto que o consumo de álcool. que avalia o grau de anormalidade. hipertensão noturna. incluindo medidas não farmacológicas. pelo seu potencial de morbi-mortalidade elevados. aumentam os riscos de morbidade. Acima de 5 apnéias por hora. exercícios físicos e suspensão do fumo. diminuição da concentração e atenção. pode ocorrer queda na saturação sanguínea de oxihemoglobina. A obesidade tem sido considerada como um fator de risco central para a apnéia do sono. a incapacidade para dormir foi correlacionada com a gravidade da diminuição cognitiva e. Devem. que possam melhorar a qualidade de vida na velhice. doenças neuromusculares. Por outro lado. rinite alérgica ou vasomotora).prescritas e consumidas com observância à sensibilidade farmacodinâmica da idade e às alterações no desempenho diário do idoso. particularmente álcool e sedativos. pois.org. arritmias cardíacas e sonolência diurna. os relacionados a problemas respiratórios são dos mais comuns entre os idosos e dentre esses. o tabaco e os sedativos têm sido apontados como fatores causais. aumento de irritabilidade.

1413-1427 Avidan AY. Tais pacientes representam então um duplo desafio para o psiquiatra: 119 www.controle cirúrgico (uvulopalatofaringoplastia.josemol. 190-205 Câmara VD. In: Busse EW. Lorenzi-Filho G. A depressão é uma das condições psiquiátricas mais comuns entre idosos. Arq Bras Cardiol 2002. Porto Alegre (RS) : Artmed. e também apresentam um potencial de agravamento destas. traqueostomia. Rio de Janeiro (RJ) : Guanabara Koogan. In: Papaléo Neto M. 1999.psiquiatriamg. geralmente já estão recebendo um ou mais fármacos para o tratamento das outras condições presentes.org. Brandão-Neto RA. Sleep Problems.com. Evidências atuais. chamando atenção para a depressão e outros aspectos da saúde mental do idoso. Management of chronic insomnia in the elderly. como novos problemas de Saúde Pública.br Referências Bibliográficas Neylan TC. 78(5): 531-6 MR . New York: McGraw-Hill. verificando-se que aqueles com sintomas depressivos apresentam maiores riscos de comprometimento funcional. Py L. glossectomia a laser. 333-342 Ring D. Desta forma.br josemol@lifecenter. Contato: www. McCall WV. Transtornos do sono e distúrbios cronobiológicos. São Paulo (SP): Atheneu. 2:178–185 Ceolim MF. os pacientes idosos que devem ser submetidos a tratamentos psicofarmacológicos para a depressão.07 – Sala 06 Tema: CUIDADOS ESPECIAIS EM TERAPÊUTICA PSIQUIÁTRICA: IDOSO E COMPLICAÇÕES CLÍNICAS Sub-tema: “Relação entre depressão e quadros clínicos nos idosos: desafios terapêuticos” Relator: Sandra Carvalhais O envelhecimento se associa com um considerável aumento de doenças nãoinfecciosas. p. Câmara WS.1996.F. entre outras). Benseñor IM. a depressão entre idosos está associada à presença de doenças físicas.br/jornada_sudeste . geralmente crônicas e incapacitantes. Neri AL et al. osteotomia mandibular inferior. aumento da mortalidade e aumento do uso de serviços de saúde. p. et al. In: Hazzard WR. Distúrbios do sono no idoso. Psiquiatria geriátrica. O sono do idoso. May MG. Reynolds III C. p. De uma maneira geral. Blazer DG. 190-195 Drager LF. p. Síndrome da apnéia obstrutiva do sono e sua relação com a hipertensão arterial sistêmica.Clin Excell Nurse Pract 2001. Tratado de geriatria e gerontologia. 5(1):13-16 Haponik EF. Sleep Changes and Disorders in the Elderly Patient. Principles of Geriatric Medicine and Gerontology. Gerontologia. In: Freitas EV. Ladeira RT. 1999.com. 2002. Current Neurology and Neuroscience Reports 2002.

org. produz impacto social pela apropriação desta fatia de consumidores por comerciantes ilegais. anestesiada pela intoxicação. 120 www. A princípio a questionei. nos anos 70. é freqüentemente convocada a justificar como causa expressiva da violência atual no cenário social. assim incrementando a violência. A violência vem se manifestando como fenômeno paradoxal do nosso tempo. como flagelo social forjou a figura escandalosa do toxicômano foi inevitável e justifica o controle social que proíbe o uso de substâncias consideradas ilícitas. uma forma de gozo particular que cada sujeito encontra na adesão ao produto. Paradoxo de nosso tempo. bandidos e perversos. Nossa sociedade produz a violência e a consome em larga escala. Mas é preciso rever nosso trajeto para compreender o presente. A toxicomania é uma solução do sujeito capaz de trazer alívio para a dor existencial. que situamos no nível da subjetividade. Produção que se vê na desordem das instituições garantidoras da lei. ao permitir a participação. na corrupção na política.medicar pacientes que apresentam sintomas que poderiam ser agravados pela medicação psiquiátrica e manter uma constante observação das possíveis interações medicamentosas entre as substâncias utilizadas no tratamento de todas as condições presentes. sustenta o narcotráfico. no incentivo ao consumo sustentado pelo sistema capitalista que valoriza a posse de objetos como signo de status e promessa de felicidade em detrimento dos laços sociais. O isolamento da entidade “toxicomania”. a palavra e o direito do cidadão. E não se pode desprezar o papel das mídias neste processo. Vivemos na modernidade um movimento que só conduz à sua própria aceleração e toda nostalgia é perigosa. A toxicomania é uma das formas de compulsão. 43 PERALVA. Fiz desta dúvida a questão central deste trabalho. pois a drogadicção.psiquiatriamg. Trabalharei a disjunção entre os dois termos e sua aproximação surgirá desta discussão. A violência entretanto extrapola a esta causa e surge num contexto mais amplo causada também por outros fatores. Democracia e violência. porém paradoxalmente vimos aumento da violência43. Para discutir a violência e sua relação com a toxicomania será preciso abordar duas vertentes: a objetiva ou poderia chamar social e a outra subjetiva. Esperava-se que o regime democrático. na desmoralização das autoridades. Angelina. MR 08 – Teatro Oromar Moreira Tema: VIOLÊNCIA E DROGADIÇÃO Sub-tema: “Uma escuta do nosso tempo: violência e a drogadicção” Relator: Regina Teixeira da Costa (MG) Minha questão a partir do convite para esta mesa foi pensar a conexão entre os dois termos: Violência e Drogadicção. De fato. instaurasse maior nível de satisfação na pósditadura vivida no Brasil.br/jornada_sudeste .

E a violência floresce apesar de malvinda entre nós espelhando laços mal construídos. apontando para o enfraquecimento das instituições sociais incapazes de interditar as condutas violentas. Tropa de Elite demonstra quão bem-vindos são os métodos violentos utilizados contra narcotraficantes pelas forças policiais(BOPE: missão dada é missão cumprida) e a sua grande aceitação pela sociedade. da cultura e de seus ideais. ou entre delinqüentes e policiais que dividem os mesmos ganhos ilegais ou fazem uso comparável da violência. até a polícia a política estão envolvidas com o crime e contra a população civil! (Peralva 2000: 87) Nos enganamos ao justificar que o motivo da violência seja a pobreza. Mesmo assim a lei não pode inibir toda tendência destrutiva do homem. e. a violência desencadeada pelas lutas entre clãs.Neste sentido. causando uma forte dessocialização que faz desaparecer as normas e os grupos que as representam produzindo um encontro direto entre as necessidades sociais e a recusa das regras44. se traduz na busca de dinheiro a qualquer preço. A cultura se forma mediante a regulação das relações quando retira o homem da lei do mais forte e faz laço. que abrigava bandidos autorizados por direito outorgado pelas próprias autoridades militares. desordem. 121 www. Devemos nos lembrar que uma das mais importantes conquistas da cultura sobre a psique humana foi interiorização da coerção externa. a forma da sociedade reside em instituições capazes de produzir integração social e aptas para lidar com seus desvios. um supereu. portanto. governadores civis eleitos e uma polícia autorizada por um regime de exceção a torturar e matar. herdeiro do pacto legal que coíbe a vontade de violência contra o pai. Para Torraine. A criminalidade é inseparável desta desorganização que afetou as instituições da ordem pública.org. estamos aqui interessados pela subjetividade estruturada a partir da linguagem. Combater a violência com igual violência tornou-se desejável e espelha o desamparo da população diante da impotência. Tivemos uma transição que durou dez anos com presidentes militares. Daí os tráficos ilícitos.br/jornada_sudeste . corrupção e desorganização das nossas instituições de segurança. A decomposição das normas e dos vínculos tradicionais e o surgimento de uma razão subjetiva permitiu surgir um individualismo destruidor. 44 Ibidem. determinam e estruturam a posição do sujeito. Aqui podemos lembrar o filme de José Padilha. restando então sua face cruel e obscena do olho por olho. que aliado ao sistema capitalista.psiquiatriamg. Na formação de um juízo crítico interno. A debilidade das instituições promotoras da integração social incapazes de lidar com os desvios promovem o pânico e o desejo de fazer justiça com as próprias mãos já que deixa de garantir a lei em seu viés pacificador. grande sucesso de bilheteria no ano passado. O Brasil saiu gradativamente de uma ditadura de trinta anos. por aquilo que.

45 O papel do pai é ser agente da proibição. Ela hoje é banalizada. fracassa46. Buenos Aires: Páidos.psiquiatriamg. Estando a vítima sem condições de resistir”. RIBEIRO SOBRINHO. Vivemos em um tempo no qual a castração simbólica transmitida pela linguagem.E são restos da ditadura juntamente com a implantação da democracia que paradoxalmente trouxeram o aumento da violência.77. pág. Belo Horizonte: [s. abandonou os ideais. Nem pai forte o bastante para fazer valer sua palavra em casa. Agressividade e criminologia: efeitos da leitura dos textos de Lacan de 1948/1949. No Código Penal Brasileiro. já que vivemos correndo atrás de coisas que de fato não queremos. e a ânsia de nossa época SALECL.].n. Sobre a felicidade: ansiedade e consumo na era do hipercapitalismo. E hoje vemos que este grande Outro como referência sofre uma dissolução. E a proibição também pode vir pelo discurso da mãe que se dirige à criança. Thaís. sujeita à lei da diferenciação através da fala. Para tal ele também é castrado.47 E rege a subjetividade do sujeito ordenando seu ato. Renata.br/jornada_sudeste . A violência cresceu assim como as comunidade de gangues. as ilusões de alcançar um mundo melhor. Neste ponto de fracasso a lei pública é obrigada a buscar apoio no gozo ilegal. 2007. Slavoj. a lei articulada pelo discurso público. a corrupção atinge níveis desesperadores. OLIVEIRA. corre o risco de um colapso do simbólico para as gerações que virão. 45 122 www. adquirir a simbolização. envolve um ato de separação que inaugura a vida subjetiva. as esperanças. 22. Pág 87 47 BRANDÂO. Vanda Pignataro. pelo significante que nomeia. 46 ZIZEK. PEREIRA.org. 2005. uma política marcada pela honradez. separa a criança da entidade materna. o narcotráfico militarizado e instituições débeis que fracassam em responder à irrupção de um real insuportável. vivemos o desalento de quem. p.). violência define-se como “constrangimento moral exercido sobre alguém através de ameaça ou ofensa a integridade física podendo resultar em lesões corporais em maior ou menor grau de gravidade. Las metástasis del goce: seis ensaios sobre a mujer y la causalidad. E neste contexto há o desvio das intenções originais de formação da sociedade como um corpo social. O caráter não todo da lei pública e as normas explícitas não bastam e devem ser suplementados. Movimentos sociais são fracos inexpressivos e nem de longe conseguem a adesão que hoje parece cambiar para shopings e o consumo de objetos na ilusão da felicidade. Mônica. No Brasil. 2003. A busca alucinada pela felicidade realiza a traição do desejo. (Orgs. Estádio do espelho. a justiça é lenta. A pobreza era maior antes e a violência não ocupava a cena social. O supereu é uma obscura lei que acompanha como sombra a lei pública. São Paulo: Alameda. A falta é que marca o sujeito e o inclui em laços sociais. qualquer um pratica ali na esquina e não há garantia da ordem. Porque entrar na linguagem. A lei superegóica é objeto da psicanálise porque ela emerge quando a lei pública. Milton. José Marcos. Qual é a cor da liberdade? In: GONTIJO.

consume o consumidor, sempre endividado. Nesta lógica, situamos a drogadicção como uma das faces da alienação. Há quem se pergunte, como Anelito de Oliveira em artigo recente48: Teremos sucumbido à toda porcaria atual? Estamos adormecidos, entorpecidos, pacatos ou indiferentes? A omissão de nosso tempo, quando o único projeto interessante é, cinicamente, cuidar da própria vida, nos lança ao rosto nossa própria responsabilidade pelo que vivemos agora, nos faz refletir, e melancolicamente, admitir que a omissão cedeu espaço para o cenário atual, somos reféns. Falar da atualidade é falar da pós modernidade, da contradição entre o ideal e o real. Legendre aponta a possibilidade da cultura ter desistido de introduzir o sujeito “instituição do limite”49. O sujeito sofre uma constante pressão para desfrutar – ele deve encontrar maneiras de preencher a falta, apagar do cenário qualquer negatividade, pressionado a ser ceder às ofertas de felicidade. Ser feliz é a finalidade última do homem a busca pelo prazer sempre norteou seu caminho. O grande Outro é uma ordem simbólica na qual nascemos e consiste não apenas de instituições da cultura, mas também da linguagem que molda a esfera social.50 Não existe um grande Outro mas uma ordem simbólica marcada por faltas e inconsistências. Mas as pessoas precisam de instituí-lo, e por isto ele funciona, embora não exista. Ele alivia nosso desamparo fundamental, nossa falta de garantia. Ele pode também ser um invasor ou perseguidor, nos casos de psicoses, mas nas neuroses o sujeito se remete a ele com sua demanda acreditando que ao submeter-se será reconhecido, amado e protegido. Cada um de nós institui o seu grande Outro, a partir de uma crença particular que chamamos fantasma fundamental em psicanálise. Ele igualmente representa como Nome-do-Pai, função que nos outorga a proibição ou regulação de um ato ou ação – do gozo desregrado de um sobre o outro. Funda a cultura e possibilita sua continuidade. Eleva a cria humana à dignidade de imortal. Estrutura o ser falante faz dele desejante. A colocação e aceitação da lei deve ser uma ato de amor. Lei funda o desejo e tem dupla face, uma pacificante que contém, acalma e protege e outra face cruel e obscena que pune por punir, a lei de talião: “olho por olho dente por dente”. É o que hoje vemos entre americanos e fundamentalistas, entre polícia do Bope e bandidos: o bem absoluto contra o mal radical, que termina por eliminar a liberdade e a democracia caso isto seja necessário contra o terrorismo e a violência. Outro exemplo é guerra em nome de deus, a guerra na faixa de gaza onde os desterrados querem desterrar.

48 49

OLIVEIRA, Anelito. Jornal Estado de Minas, Caderno Pensar, abril 2008. SALECL, Renata. 50 Ibidem, 20.

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No caso brasileiro o mesmo ocorre entre narcotráfico e polícia: usam mesma lógica da violência. A violência é uma as repostas à lógica do Um que não permite a expressão das pluralidades. O narcotráfico mantido na ilegalidade lucra e defende seu direito de fornecer o preciosos objeto de gozo que lhe demandam. Ele existe porque há toxicômanos. E estes obedecem os mandamentos da sociedade hiperconsumista que incitam a compulsão ao agir em busca de anestesiar o mal-estar existencial, quase proibido nos dias de hoje pela geração Prozac. Luto é medicado, tristeza é proibida, sofrer é desnecessário. É aqui que vejo o ponto de aproximação ente violência e drogadicção. È aqui que somos responsáveis pelas várias formas de intoxicação e empanturramento com as quais gozamos nos dias de hoje. O contemporâneo tem a marca da dissolução, da degradação do pai como agente de uma lei que sujeita e ordena o ser falante e que influencia todos os seus atos. Resulta disso que muitos não foram nomeados e marcados pela lei do pai, nem contaram com um ancoramento, um suporte simbólico que os norteará. Outros contando com a impotência do pai atuam trazendo no ato um pedido de socorro. Mas nem sempre o pai pode ouvir... A conseqüência da degradação da lei, e a partir do exemplo de um pai impotente em legislar ou o das autoridades perversas, que garantem seu direito ao gozo ilegal, e por outro lado a impunidade, têm como uma possibilidade a irrupção do ato de violência, já que a lei se apresentou apenas em sua face cruel e obscena, sem a face pacificante e seu poder interventor do caos e do desregramento. O sujeito busca o gozo, mas o desejo se apaga. Para se tornar desejante, o sujeito deve ser castrado, aceitando a perda de alguma coisa. Haverá um objeto perdido para sempre. É a partir desse objeto que o sujeito deverá se separar do Outro, o Outro parental, social, e de todos os semblantes encarnados pelo Outro familiar e social. Há crise, porque há queda dos semblantes. Por isso há crise em relação ao pai, já que há crise em relação a todos os semblantes que serviam como Nomes-do-Pai. E é por isso que há encontro com o pior – o pior contra o pai, ou seja, encontro com o objeto maisde-gozar, que faz com que se espatifem as figuras do Outro e se soltem todos os tampões como insígnias do pai. (SOLANO, 1997). A droga pode ser um Outro para o toxicômano e em determinados momentos de fissura levá-lo a cometer passagens ao ato violentas, furtos, assaltos. Nestes casos porém a violência é secundária e não um fim em si. O drogadicto é um consumista que obedece o ordenamento superegóico do mercado: Goza! Esta voz suplementa a lei escrita que fracassa. Em psicanálise, a traição do desejo tem um nome preciso: felicidade51. No entanto, somos forçados todos os dias a escolhas entre milhões de ofertas de felicidade nas quais o prazer é cada vez mais reduzido.

51

ZIZEK, Slavoj. Bem-vindos ao deserto do real. Coleção Estado de Sítio! São Paulo: Boitempo, Editorial, 2003. p. 77.

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Se o sujeito por um lado obedece à lei superegóica, por outro se auto-segrega resistindo a responsabilização sobre seu desejo, do qual nada que saber. Ele se reduz a organismo apagando o sujeito do inconsciente. A psicanálise não pode dar uma definição da toxicomania, pois seu objeto nem é droga nem álcool, mas essencialmente o sujeito. Um dos primeiros preconceitos que a escuta psicanalítica derruba é a droga como autodestrutiva. O uso das drogas pode ser entendido como automedicação, uma tentativa paradoxal de autoconservação já que visa conservar o corpo ao abrigo de uma dor insuportável. Além disso, o mercado moderno incita à busca de plenitude e oferece objeto, proposta que atende muito bem à estrutura metonímica do desejo humano. A droga realiza um fechamento narcísico do sujeito, produzindo uma anestesia da dor existencial, o sujeito torna-se médico de si mesmo e assegura ludibriar seu mal-estar. A droga, portanto, vem neutralizar momentaneamente o sofrimento, a melancolia, a nostalgia de plenitude nesta supressão tóxica. E vejamos que há outros objetos capazes de oferecer ao sujeito o gozo. A droga vem situar-se como mais um excesso onde toda forma de excesso é bem-vinda. Se a psicanálise é chamada a dizer algo sobre a toxicomania certamente será porque é a única que propõe ao mundo uma forma de agir sobre o gozo de um modo eficaz (SANTIAGO, 2003). O toxicômano pode ser definido como um indivíduo que encontrou uma forma muito particular de administrar seu gozo. E em nome deste gozo que ele se apresenta, seja em tratamento, em Instituições. Estas criadas pelo Outro da lei, pelo social, por um mestre que é sempre Outro. Porém, nenhum tratamento sob pressão funciona, não é o Outro que decide isto. A psicanálise só pode então tentar fazer uma subversão do sujeito. Subverter toda esta ordem e idéia segundo a qual a droga faz o toxicômano, este determinismo só pode fazer impossível a concepção de sujeito: para nós é o toxicômano quem faz a droga. Depois da auto medicação ter passado para controle médico e policialesco é como se pudéssemos, através de um ideal maior, dizer ao sujeito o que ele pode ou não fazer com sua dor. Em sua Carta ao Sr. Mountonnier, - legislador da lei de 1936, aprovada pelo decreto de julho de 1917 sobre estupefacientes e chamado por Artaud52 de Sr. Castrado –, Artaud requer seu direito sobre seu próprio corpo. Ele diz: “Lucidez ou não lucidez, há uma lucidez que ninguém me arrebatará jamais, é aquela que dita o sentimento de minha vida física. Se eu a perdi a medicina não tem outra coisa a fazer senão dar-me as substâncias que me permitam recobrar o uso desta lucidez...se há um mal contra o qual o ópio é soberano, este chamasse Angústia...ela faz os loucos, os suicidas, os condenados. Angústia que a medicina não conhece, que seus doutores não entendem. A angústia tira a vida.Por sua lei iníqua vocês põem em mãos de quem não confio castrados em medicina, farmacêuticos de porcaria, juizes fraudulentos, inspetores doutorais, o direito de dispor da minha angústia, que é em mim tão aguda como as agulhas
52

ARTAUD, Antoin. Carta ao SR. Legislador in: PHARMAKON. Buenos Aires: Tya, [s.d.].

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suportar o real e nossa cota de mal-estar inevitável pela humanização. única forma de liberdade para dizer não ao gozo e outros excessos ofertados. lactentes e autismo. A ética da psicanálise ultrapassa os códigos porque pode lidar com o inusitado. saindo da adaptação para a possibilidade do novo. Em 1963. Pretendemos com a psicanálise não recuar diante dos impossíveis. Sr. Desejo que tua lei recaia sobre teu pai. suportar a tensão permanente entre o animal mortal e o homem imortal. coibir a tentativa de calar a dor do sujeito por decreto pode ser entendido como ato de violência. Tais estudos propunham que as crianças possuíam uma atenção e comunicação social anterior à verbalização e seus estudos baseavam-se em pesquisas com crianças de 6 meses de idade e indicavam a capacidade de seguir uma dica.br/jornada_sudeste . mulher e filhos e toda posteridade. da verdade particular de cada um.” O desejo não se impõe por decreto.org. fazer calar por uso de força ou coerção moral. e Scielo.psiquiatriamg. Lilacs. a movimentação da cabeça em direção a um objeto e gestos de apontar. revisão sistemática da literatura. Werner e Kaplan na tentativa de compreender o desenvolvimento simbólico em crianças descreveram a “situação de compartilhamento primordial” na qual a criança e o outro se apercebiam de suas percepções comuns sobre o mesmo objeto. Neste sentido. leva a um aprofundamento sobre o tema a partir de um método para avaliação de um conjunto de dados. A escolha dessa metodologia possibilita uma visão crítica e panorâmica de uma grande variedade de estudos sobre o tema escolhido. falamos da escuta nem sempre considerada como aquela que abrirá portas da causalidade psíquica. Tais observações foram de encontro a teoria piagetiana vigente na época que descrevia as crianças como sendo egocêntricas e portanto incapazes de se colocarem no lugar do outro até a idade de 2 anos. a partir da palavrachave joint attention. superando o desamparo através da visada do desejo.Enquanto isto suporto tua lei. e artigos que tratavam de AC sem 126 www. Tua ignorância daquilo que é um homem só é comparável à estupidez que o limita. sem recorrer aos códigos restritos. é por tradição de imbecilidade. tua mãe. Porém aqui. A pesquisa bibliográfica foi realizada mediante a busca eletrônica de artigos indexados nas bases de dados Medline.Estudos de Bruner em 1975 sugeriram que as crianças possuíam uma base cognitiva não lingüística que contribuiria para o desenvolvimento subseqüente da linguagem.de todas as bruxas do inferno. Metodologia: A abordagem de pesquisa. legislador não é por amor aos homens que deliras. MR 09 – Sala 09 Tema: ATENÇÃO COMPATILHADA NO DESENVOLVIMENTO INFANTIL Relator: Antônio José Nunes Faria (ES) Conceituando Atenção Compartilhada: o constructo estudado tem sido foco de pesquisas já há alguns anos apesar do termo como hoje conhecemosAtenção Compartilhada-ter sido proposto por Seibert e colaboradores em 1982 (Mundy e Sigman 2006).

que apontam para uma melhor compreensão da atenção compartilhada nesta faixa etária. e considerando os adultos como referências sociais. consideram a atenção compartilhada como precursor que dá condições para o desenvolvimento da fala. Nesse aspecto. buscando relação com o potencial cultural e as habilidades lingüísticas das crianças.Destes. além de citarem alguns comportamentos a serem observados. Assim. espanhola e portuguesa e ano de publicação compreendido entre 1997 a março de 2008. 3) capacidade de linguagem e comunicação a partir de informações relatadas pelas mães. Ao concluírem seus estudos. está voltado para analisar a AC e a interação social.tais como: o engajamento conjunto. os autores focalizaram o surgimento e a relação da cognição social e da AC. autores conhecidos e de reconhecimento acadêmico. Resultados e Discussões: a atenção compartilhada é uma das formas mais precoces de aprendizagem cultural humana pois é quando o bebê consegue seguir e dirigir ativamente a atenção do adulto para estímulos exteriores usando deliberadamente gestos comunicativos.estar diretamente relacionados com transtornos invasivos do desenvolvimento entre os quais se destaca-se o autismo infantil. O segundo experimento desenvolvido por tais autores. artigos publicados em língua inglesa.sendo que 66 foram previamente selecionados por contemplarem pesquisas sobre AC. Dentre as variáveis analisadas os autores mediram os seguintes aspectos: 1) habilidades cognitivas-sociais.org.evindenciando o desenvolvimento entre ambos. Além dos artigos foi selecionada uma monografia.psiquiatriamg. podemos inferir que os artigos revisados constituíram fontes primárias de conhecimento sobre a ocorrência de atenção compartilhada. Os critérios de inclusão adotados nesta revisão foram: que compreendesse bebês de 1 a 12 meses de idade. e que fossem de extrema relevância para o total entendimento do assunto estudado. numa freqüência mensal.br/jornada_sudeste . seguir 127 www. 20 foram considerados pertinentes com o conteúdo da pesquisa em desenvolvimento e também devido a relevência dos autores. 24 crianças em ambiente de laboratório. sem relação direta com autismo ou quaisquer outros transtornos invasivos do desenvolvimento. A revisão sistemática da literatura tem sido um dos meios mais confiáveis de pesquisa nos dias atuais de tantas informações disponíveis sobre os diversos assuntos. Carpenter. Critérios: os critérios adotados para o desenvolvimento da pesquisa foram escolhidos com base na importância dada atualmente aos estudos sobre atenção compartilhada em bebês na idade de 1 a 12 meses para o desenvolvimento social-cognitivo e comunicação-linguagem. considerando a completeza da discussão sobre a temática.Nagell e Tomasello (1998) desenvolveram seus estudos observando. 2) interações com as mães. Entre 9 e 12 meses de idade os bebês conseguem apresentar sintonia com a atenção e o comportamento dos adultos em objetos e/ou eventos. e que estão acessíveis nas 3 bases de dados consultadas. Nesse ambiente. na faixa etária de 9 a 15 meses. Na base de dados Medline identificamos um total de 170 artigos relacionados ao tema.

br/jornada_sudeste . gestos declarativos e imperativos. Este trabalho é parte da dissertação de mestrado. e linguagem referencial.o apontar e o olhar. 128 www.José Salomão Schwartzman. Dr. imitação instrumental e de ação arbitrária.psiquiatriamg. com orienteção do Prof. no Programa de Distúrbios do Desenvolvimento da Universidade Presbiteriana Mackenzie de São Paulo. o que não possibilita a apresentação de resultados conclusivos.org. em andamento.

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desde um conhecimento suficiente. Saber mais é um reto importante e um dever para nós. se recebermos um paciente no qual percebemos um questionamento existencial. Ou se. Saber melhor é o grande desafio. faremos bem se o encaminhamos para uma psicanálise. E quanto mais nos conheçamos. especialmente quando estes encontram-se tão identificados com a sua própria linha de subespecialização que transmitem uma sutil denigração das outras. 131 www. nossas próprias pessoas. Tudo isso passando por um treinamento e sensibilidade para o contato adequado com o paciente. tal como acontece com freqüência durante o tratamento dos pacientes. do contato com o próprio mundo interior. quanto mais profundo melhor. do desejo de ajudar e da aceitação dos limites do que podemos fazer. deverá ser medicado. do árduo processo de integração dos diversos conhecimentos sobre o ser humano e o meio em que vive. O contato com os professores soe ser outra fonte de conflito. que permita estabelecer uma relação terapêutica. Porque o principal instrumento para tratar o paciente somos nós. Para isso devemos conhecê-los bem. política e social. A urgência em achar “a” solução para o paciente pode limitar nossa capacidade de seguir escutando e compreendendo o que vai surgindo na experiência do contato com o paciente. Assim. Se o paciente chegar desbordado. tanto melhor. no decurso de uma terapia o paciente manifesta inquietudes espirituais.org. Peru) A formação do psiquiatra é complexa e prolongada – nunca conclui – e exige o desenvolvimento de diversas habilidades.br/jornada_sudeste . assim como reconhecer a complexidade da realidade. com um quadro de angústia geral. antropológica. não apenas interpreta-las. da medicina e biologia até das outras disciplinas que estudam o ser humano. com um ritmo mais sadio. o psiquiatra deve ser capaz de tolerar não saber. uma sensibilidade e atenção determinadas. Saber melhor implica poder cultivar o contato com o próprio mundo interno. De quanta ajuda é aqui um bom mestre ou mentor! Por último. aceitando também os limites de cada um dos campos das nossas subespecialidades. devemos ouvi-las e aceita-las. principalmente a dimensão mental. e reconhecer o legitimo processo de busca. são dois temas que marcam a formação do psiquiatra hoje.psiquiatriamg. do paciente. Os avanços da neurociência e o frenético ritmo de vida atual com suas contradições.DIA 12/06/2008 – QUINTA-FEIRA Mesa-Eixo – Teatro Oromar Moreira Tema: A FORMAÇÃO DO PSIQUIATRA: CIÊNCIA E ÉTICA Relator: Eduardo Gastelumendi (Lima. ou sofrendo de ataque de pânico. O psiquiatra deve ser capaz de tolerar a angústia nele mesmo e que provem de diversas fontes: do encontro com o sofrimento do paciente.

os limites das convenções sociais.psiquiatriamg. O estudo de outros campos do conhecimento: a) Filosofia da mente e ética b) Sociologia e psicologia de massas c) Política e crítica social d) Literatura 4. até a experiência direta com o que os povos de cultura tradicional conhecem).org. O estudo profundo do próprio campo de especialização em psiquiatria a) Seus aportes e seus limites b) Sua relação com outros campos. além dos imprescindíveis cursos de psicopatologia. 2. A aprendizagem por outras vias: a) Psicoterapia pessoal b) Discussão em grupo de pares: com estímulo no pensamento crítico: o rol da indústria. O estudo de outros campos de especialização em psiquiatria. a formação do psiquiatra devia contar com os seguintes espaços. 3.Em termos amplos. 132 www.br/jornada_sudeste . psiquiatria clínica. exercícios psico-corporais. entre outros: 1. bioquímica. as conveniências políticas e econômicas c) Participação ativa nas diversas atividades cientificas e outras d) Experimentação própria com outros estados de consciência (desde a meditação. até poder “sentir” algum insight sobre a compreensão do ser humano desde outro campo de especialização diferente do próprio.

renovando sua inconclusão. Num tempo onde a palavra tende a ceder lugar ao número.br/jornada_sudeste . Forçosamente. deixando-a sempre atual nos constantes debates com a não ciência. 2001.DIA 14/06/2008 – SÁBADO Mesa Eixo – Teatro Oromar Moreira Tema: PSIQUIATRIA E CIDADANIA Sub-tema: Psiquiatria e cidadania: a nova clinica1 Coordenador/Debatedor: Hélio Lauar Contra Descartes e seu saber sem história. e a psiquiatria se vê condenada a abdicar da sua vocação discursiva. a episteme e a estrutura do saber psiquiátrico atestam o esforço da linguagem de dar conta de uma causa sempre faltante. mas pouco conhecimento.org. conferindo a ela operatividade clínica e suporte para a construção da subjetividade do sujeito que sofre.psiquiatriamg. mas estrangeira a ele. O objeto científico assim pensado substitui o suposto objeto natural. As descrições clássicas da Psiquiatria baseada na clínica. no discurso da ciência. Uma alternativa a esses impasses nos faz retomar a noção de 1 Baseado em LAUAR. A Psiquiatria: da causalidade à verdade como causa. a arqueologia. mesmo diante do crescente ideal neurocientífico baseado em evidências materiais de natureza tecnológica e numérica. A variedade dos modelos que tentam dar conta da relação cérebro mente tem gerado dificuldades na interpretação dos resultados oriundos da pesquisa. forçando a passagem da psiquiatria do registro da natureza para o registro do discurso. Devemos nos distanciar de uma psiquiatria que acredita que o real pode ser apreendido pelo conhecimento. convertendo-se na causa do discurso científico. 133 www. A história. Considera o psíquico como comportamento expressivo de uma condição biológica e não se interessa pelo que o sujeito pensa sobre o que vive. ainda conservam sua atualidade discursiva. é que paradoxalmente encontraremos uma psiquiatria interessada numa clinica que não exclui a subjetividade e se propõe como modelo para pensar uma ciência-linguagem capaz de ficcionar e fixar a causa impossível. à psiquiatria discursiva se impõe o difícil binômio cérebro/mente e uma pergunta sobre o lugar do sujeito em relação ao saber. devemos acompanhar as origens recusadas do saber que deu origem à ciência. em relação ao conhecimento. ficção que se oferece como resposta ao enigma que a demandou. onde a causa não pode ser pensada nem como positiva. e reconhecer uma nova lógica. e trazido muita informação. Belo Horizonte: Edições do campo Social. sofre ou quer. no interior da cultura e dos seus lastros de autorização social. H. proliferando dados empíricos. nem como negativa. Os números são capazes de conferir aos achados científicos o sentido que eles podem realmente ter? Eles não devem ser pensados a partir da sua interpretação e valor distintivo a partir das suas relações com a clínica? A psiquiatria que tende ao número se afasta da clínica ou a toma como campo de replicação prática do conhecimento científico.

mas revela o campo onde o conceito é formulado. Cada expervivência. A linguagem permite um acesso àquilo que é. dizendo que o fato é inacessível não fosse sua apreensão. através da relação do sujeito com seu dito e da possibilidade de compartilhamento discursivo daí decorrente. ao transformar o objeto natural em científico. na medida em que o transforma em indagação e se faz passar por aquilo que de outro modo não se teria acesso. A linguagem. admitindo-se uma exterioridade ao discurso. sob os pontos de vista epistêmico e arqueológico. e aquele que percebe o que existe e também permite formular o lugar da verdade — conformidade entre o ser e a linguagem. e mais. Destacar uma diferença entre o fato e sua apreensão. o estabelecimento de relações entre o relato clínico. Diante da falta objetiva da causa. admite um distanciamento marcado por descontinuidades artificiais entre os vários momentos da observação científica. orbitando entre a coisa e o ser. Sob a égide de uma descontinuidade. um efeito de tradução entre linguagens. e há algo no mesmo sistema que permite um 134 www. A epistemologia não resolve o problema da subjetividade. ainda que referida ao que dela é exterioridade.org.uma causa impossível. Assim sendo. evocando o lugar ao sujeito na relação com o inesgotável da causa. se despoja do seu ideal empirista e. Ambas se esforçam na tentativa de fornecer uma significação possível para o impossível. baseada no estatuto da ciência como discurso. a linguagem. ou pode demonstrar que o sujeito é produtor de sentidos e que não existe a coisa sem a sua mirada. oriundo do senso comum. com seu poder ficcional aproximam ciência e subjetividade.psiquiatriamg. O objeto tomado por uma rede de elementos discursivos ganha nova dimensão. recolhe evidências de si a partir de outra expervivência. A nova psiquiatria. O objeto pensado como expervivência é sempre formatado por uma subjetividade determinada pelo tempo interior da apreensão. produzindo uma espécie de naturalização do saber. Há algo nesse sistema que o afasta e o circunscreve como diferente do seu exterior.br/jornada_sudeste . A estes jogos de correlações chamamos verdade e o seu lugar no discurso produzirá efeitos variáveis. pensando a ciência como discurso. regula a teoria do conhecimento. pode sustentar que a coisa é possível. apontando para a relação da palavra com o sujeito. ao mesmo tempo em que mostra as tentativas e os limites da ciência na apreensão da coisa. nos coloca a questão: o que assegura a verdade da apreensão? Todo processo discursivo está permeado por uma estratégia comum. como falta estruturante que dará suporte a toda ação futura da estrutura assim constituída. fruto de uma artificialidade. e o fato biológico subjacente é uma arbitrariedade. que é da conformidade entre o ser e a linguagem que a coisa ganha estabilidade e existência. uma vez que ela permite crer que existe aquele que é. apontando para a vocação claudicante de todo conceito que se organiza como algo em torno do nada. fazendo parte de um sistema de diferenças do qual retira sua realidade. conferindo o estatuto de verdade à impostura substitutiva de toda resposta. para ultrapassá-los. que como causa fora do sistema se torna expectante de uma série de efeitos. que vão desde o relato do paciente até o conhecimento científico que permite sua leitura universalizante. A exterioridade causal se atualiza e se virtualiza como expervivência. a linguagem.

da contradição. E é por referência a esse registro que podemos situar a questão do sujeito. A primeira concernente à falta que produz ação e a segunda decorrente da exterioridade que produz subordinação. somos remetidos ao texto freudiano. como equivalente a uma primeira percepção nunca vista. elas estão também inevitavelmente situadas no registro do erro. Ao articular a palavra com a verdade. A ciência acredita que no discurso pode haver o princípio da não-contradição perfeita. nesse mal-entendido que produz múltiplos sentidos. no caminho das suas equivocações.br/jornada_sudeste . do equívoco. se colocando sempre exteriormente ao conhecimento que o refere. Admitindo que o saber. elas dissimulam a sua vocação ficcional. nos seus tropeços. idêntico à estrutura. ao tomá-lo como indagação a qual deve fornecer uma resposta. Nesse modo de estruturar o saber. ao registro do erro. há aí um desconhecimento daquilo que o determina e. produzindo um substituto para algo que lhe falta. que numa seqüência de signos haverá um saber absoluto. É isto que interessa particularmente a Lacan em sua análise. vem saber sobre aquilo que o determina. como linguagem. poderemos reconhecer nele duas dimensões para o sujeito: a de suporte. O sistema se vê marcado por duas características primordiais.encontro imaginário com aquilo que nele não está. ciência e psicanálise se opõem.org. Neste segundo modo de operar. na medida em que o sistema. a de que. as representações são colocadas em cena porque elas disfarçam a razão da sua existência. e outro. mas sim que em presença das palavras não sabemos se elas são verdadeiras ou não. admitindo o processo como aproximativo. Se o sistema funciona. Diante dessa concepção.psiquiatriamg. A disjunção entre saber e verdade é um fato clínico. é a única forma de se ter acesso ao mundo. a não ser como uma ausência simbolicamente inscrita que permite a uma percepção fabricada pelo sistema ser tomada como verdade. porque o que estrutura a realidade também as estrutura. que alude à divisão do sujeito e a sua subordinação às leis do inconsciente. Pelo menos dois mecanismos devem operar nesse processo: um que produz uma identidade de situações descontínuas e tomadas como semelhantes pela memória. que de hábito não se deixa pensar como objeto da reflexão psiquiátrica. Ao aproximarmos a psiquiatria da ciência da linguagem estamos introduzindo no seu campo de interesses a questão do sujeito. do equívoco. Dizer que a verdade habita a interioridade do sujeito não significa eliminar o fato de que a palavra se instaura e se desloca na dimensão da verdade. mesmo determinado pela exterioridade. que reconhece diferenças entre semelhantes. um conhecimento possível. como subjetividade. paradoxalmente. de um modo diferente. encontra-se com aquilo que nunca teve. ainda assim teremos que nos haver com as garantias do saber. o sistema está reduzido a um suporte. substitutivo e por isso mesmo capaz de ser submetido ao juízo judicativo da dissemelhança. Freud recupera desse modo o que no discurso da ciência positiva estaria condenado à dimensão do erro. da mentira. ou seja. A psicanálise. da 135 www. e outra. toma a verdade na ambigüidade da palavra. estabelecendo com a realidade uma única e mesma coerência. desde a sua fundação. e que ele é uma condição atributiva ao sujeito.

Capaz de fazer saber sobre ele. vai centrar-se mais além da relação significante e significado (como quer a ciência) e se deixar tomar pelos poderes do significante. A subjetividade cederia lugar à objetividade plena. Sujeito falante. é um modo de se chegar a um front. um limite. a arqueologia do saber.equivocação. a princípio idênticos. da mentira. substitutiva de algo impossível de ser acessado de outro modo. estar solicitado por ela. O “minto. A favor da subjetividade. Sujeito em exclusão interna a seu objeto. se colocando como é-feito de linguagem. Marcado por uma garantia antecipatória. no seu afastamento. tem o caráter de convencê-lo.br/jornada_sudeste . uma letra que mais nitidamente marca o sujeito na sua divisão. A verdade é certamente inseparável dos efeitos de linguagem tomados como tais. Freud. nunca vista. Baseada nesses pilares. que busca um objeto para sua satisfação. sem nunca encontrá-lo. Uma memória singular concebida como uma linguagem. o sujeito deve ultrapassar o saber. impossível de ser circunscrito. o sujeito do significante se divide respectivamente em sujeito senhor do seu saber e sujeito responsável. de enganar. a noção de discurso e suas implicações. Não se sustenta por estabelecer uma relação material com a coisa apresentada. ergo sum de Descartes. seriam antecipações legítimas do cogito. A verdade só pode ser localizada no campo onde ela se enuncia. anunciando o que lhe é dado a saber. O sujeito da ciência e o sujeito do desejo. a epistemologia. é levado a dizer quem ele é e o que deseja. devendo estabelecer com esse saber uma apropriação que confira a ele uma relação de autoria. esse momento. sem se desviar dos ideais cientificistas. Dividido entre o saber e a verdade. a rigor. confia ao dispositivo analítico a posição de dizer a verdade sobre a ciência e espera que o sujeito da ciência. É no sentido produzido na via significante que o significado se faz saber e o sujeito encontra sua primeira evidência. sujeito de desejo. O sujeito responsável está marcado por uma abertura para apreender o que ali ele recebe da verdade. uma primeira percepção. convoca guardiões poderosos: a história. no a posteriori da sua produção. É porque o outro é capaz de mentir. que se sabe que se está em presença de um sujeito. falar de relação intersubjetiva. Se dois interlocutores fossem impedidos de mentir. o sujeito falante.org. Segundo Lacan. se fossem obrigados por alguma força superior a dizer “apenas a verdade e nada mais que a verdade”. advindo lá onde o impossível não cessa. mas por estar referido a ela. ou o “equivoco-me. não se poderia. atualizada como percepção. para salvar o sujeito e a clínica da morte. tomado de trás para frente. e por atender ao sujeito que se forma nesse jogo. compõe a idéia de inconsciente como uma memória daquilo que não se esquece. pelo jogo significante. fala-a-ser. e aí se inclui o inconsciente. da sua condição de bastarda. Essa ficção do sujeito. que indicam uma posição de parceria com a psicanálise. um traço. A psiquiatria pelo avesso se faz valer daquilo que a destituía diante do olhar positivista. logo sou”. e cuja representação não encontra nenhum lugar no corpo do saber cientifico seja 136 www.psiquiatriamg. dividido entre a enunciação e o enunciado. faltante. logo sou”. Desse modo podemos afirmar que o significante em relação a outro significante se passa por aquilo que ele não é. de ocultar. É aí mesmo que o sujeito do desejo e o sujeito do cogito encontram sua refração.

em suplência à impossibilidade causal. epistêmicos e éticos. 137 www. passa a ser guardiã dos seus fundamentos históricos.reconhecido como sujeito do inconsciente. no dispositivo analítico. Sujeito causado pela verdade. É impensável que a psicanálise como prática. A nova psiquiatria. vindo a ser lá onde isso era. motivada pelos ideais neurocientíficos. verdade do desejo. tivessem tido lugar antes do nascimento da ciência. figurando como ciência do discurso capaz de. causada e aliançada com a psicanálise. Sujeito responsável. que o inconsciente (o de Freud) como descobrimento.psiquiatriamg.org. O que foi rejeitado pela ciência retorna na psicanálise. permitindo que a ciência faça laço social. sujeito cidadão que é capaz de se retificar com o seu inconsciente.br/jornada_sudeste . A psicanálise se institui então como produto da rejeição do sujeito pela ciência. O sujeito do desejo passa a ser o militante da nova psiquiatria na intimidade da cultura. construir o sujeito rejeitado pela ciência.

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Cláudia Vieira (MG). O presente curso visa: a) o estudo do manejo de alguns dos quadros mais comuns. As apresentações clínicas são complexas e diferem daquelas em pacientes jovens. b) e de quadros com potencial para gerar enganos clínicos. Kahlbaum colocou certa ordem na casa.PSICOGERIATRIA Dia 12: Tema: “Delirium no idoso” Professor: Almir Ribeiro Tavares (MG) (Coordenador). etiológicas e mistas. o que não deixa de ser ainda verdade. Numa análise dos primórdios das classificações psiquiátricas foram observadas várias formas de agrupar os sintomas. Além dessas possibilidades. confusão em muito responsável 141 www. A elaboração da classificação psiquiátrica já foi considerada um trabalho de Sísifo.br/jornada_sudeste .psiquiatriamg.CURSOS (Salão Multimeios Hilton Rocha) Curso 03 – Sala 06 . há os que defendem uma abordagem dos transtornos mentais como um todo unitário. complexos de sintomas e doenças. Antônio Alvim (MG) A idade avançada convive com grande aumento na prevalência de transtornos mentais orgânicos. Diferenciou entre elementos ou sintomas. empírico-descritivas.PSICOPATOLOGIA Dia 12: Tema: “A sintomatologia e o diagnóstico psiquiátrico” Professor: Maurício Viotti Daker (MG) Ao longo da história da psiquiatria são abordados de várias formas os sintomas psicopatológicos com vistas à classificação e ao diagnóstico dos transtornos mentais. originando classificações com poucas ou muitas categorias. baseadas nos poderes ou funções mentais. Dia 13: Tema: “Manifestações psíquicas e comportamentais nas demências” Professor: Helga Sartori (MG) Sub-tema: “Transtorno da expressão emocional involuntária (afeto pseudobular)” Professor: Almir Tavares (MG) Sub-tema: “Hypersexualidade” Professor: Guilherme Loss (MG) Sub-tema:“Manifestações psicóticas em demências” Dia 14: Tema: “Funções frontais nas demências” Professor: Gerson Laks Sub-tema: “Funções frontais na doença de Parkinson” Professor: Almir Ribeiro Tavares Júnior (MG) Sub-tema: “Desinibição e inadequação social nas demências” Curso 05 – Sala 08 . somáticas. dialéticas (hiper ou hipo).org.

142 www. 2. tanto brasileiros como internacionais. Kraepelin seguiu nessa linha e erigiu síntese classificatória psiquiátrica até hoje insuperável. originando o diagnóstico multidimensional. e um mesmo conceito é designado por termos diferentes. O próprio Kraepelin. será lançado o “glossário de sinais e sintomas psicopatológicos” do Projeto Casos Clínicos do site da ABP. Interessantes foram concepções em torno das quais se baseou Kretschmer. Constatou-se que não há verdadeiramente uma linguagem comum: determinados conceitos são considerados por alguns autores. Vergonha. roupagem que poderia mudar ao longo do tempo. O velho Kraepelin. Mostrou como os elementos se agrupavam em complexos de sintomas. Estes eram os hábitos ou a roupagem das verdadeiras doenças. Curso 08 – Auditório Borges da Costa Tema: ASPECTOS PSICODINÂMICOS DO ENVELHECIMENTO. Kleist e Leonhard procuraram fragmentar tal síntese com a descrição de mais transtornos e subformas. Ey e outros retomaram a idéia gestáltica de um todo. Hoje reina o neo-kraepelineano DSM –III e sucessores. ELABORAÇÃO DAS PERDAS: LUTO. nosologia e o processo diagnóstico. mas são ignorados por outros.psiquiatriamg. Aspectos psicodinâmicos do envelhecimento: a elaboração das perdas. No bojo dessa discussão será abordada também diferenciação entre nosografia. em certa ordem psicofisiológica. sem a mesma repercussão. Conrad.org. luto e depressão. culpa e suicídio. Kurt Schneider cuidou da confiabilidade dos sintomas. Eliane Cotrin Levcovitz (RJ). um mesmo termo é utilizado com diferentes sentidos. Dia 13: Tema: “A falta de uma linguagem comum na psicopatologia descritiva” Professor: Elie Cheniaux (RJ) Com o objetivo de examinar se existe uma uniformidade entre os diversos autores quanto aos conceitos e termos da psicopatologia descritiva. com a necessária consideração da personalidade ou da constituição psico-corpórea. Bleuler queria ver esquizofrenia em vasta gama de transtornos e mesmo em aspectos da normalidade. do curso natural de cada doença. foi realizada uma revisão de alguns dos principais livros dessa área. com sintomas e critérios estatisticamente manipulados.pelas dificuldades terminológicas e classificatórias da época.br/jornada_sudeste . Fortunée Nigri (RJ) 1. Predominaram após a segunda guerra abordagens que passaram a valorizar a biografia e situações existenciais e psicossociais em detrimento da classificação e do diagnóstico de transtornos universais. Após essa avaliação histórica das abordagens da sintomatologia e do diagnóstico psiquiátrico. SUICÍDIO E FINITUDE Professores/Coordenação: Maria Cristina Reis Amendoeira (RJ). Alguns pontos de divergência entre os diversos psicopatólogos são aqui exemplificados e discutidos. introdutória ao curso.

luto e depressão na abordagem a esses pacientes.Apresentação de vídeo para a discussão sobre o estigma e a discriminação do idoso com transtorno mental. Família e rede social na finitude. A abordagem à família e a mobilização de recursos da rede social do idoso também são aspectos relevantes que podem auxiliar o processo da finitude. Um dos desafios da clínica na atualidade é a demanda de idosos que procuram tratamento.psiquiatriamg. a aplicabilidade e eficácia da compreensão psicodinâmica das perdas. Muitas dificuldades encontradas originam-se em preconceitos relacionados à velhice e ao impacto emocional que o processo do envelhecimento provoca no terapeuta. 143 www. a aceitação do seu próprio envelhecimento e a constatação de sua própria mortalidade. 3. Entre os temas que apresentam-se e suscitam a necessidade de maior entendimento encontram-se os processos psicológicos próprios a essa fase da vida.br/jornada_sudeste . conseqüência da longevidade humana propiciada pelos avanços da ciência médica e melhoria das condições de vida da população.org. suas características normais e patológicas.

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br/jornada_sudeste .org.146 www.psiquiatriamg.

Luis Guilherme de Mendonça1. lentidão e distonia muscular mastigatória. tem bruxismo. hiperatividade. Queiroz2 Palavras-chave: Afasia.L. foi atendido no ambulatório Bias Fortes do HC-UFMG.APRESENTAÇÃO DE CASOS CLÍNICOS SERIA A AUSÊNCIA DE AMUSIA EM PACIENTE QUE NUNCA FALOU UM INDÍCIO DE AFASIA? Camila Milagres Macedo Pereira1. Aumentou-se a dose de fluoxetina para 10 mg/dia e foi prescrito risperidona 1 mg/dia. A mãe diz.M. Transtorno Autista.psiquiatriamg. Este último pilar é base do diagnóstico diferencial com as síndromes afásicas. Não utilizou linguagem oral até os 2 anos de idade. comportamento indiferente e arredio e dificuldades na fala e compreensão. Insistimos para que ele cantasse durante a 1 Acadêmicos do 6º período da Faculdade de Medicina da UFMG e estagiários do ambulatório de psiquiatria infantil e do adolescente.br/jornada_sudeste . pela primeira vez. Psiquiatria. O haloperidol foi então trocado por fluoxetina 6 mg/dia. Os transtornos autistas se manifestam por características de relacionamento interpessoal distantes. e é agressivo (consigo mesmo e com as outras crianças). Em retorno três meses depois desapareceram o bruxismo e as tentativas de autoagressão. não se assentava e brincava parecendo ignorar a presença de outras pessoas na sala. 147 www. ele permaneceu assentado durante a consulta e novamente a mãe relata que o filho canta com fluência. Resumo: Relatamos o caso de um paciente com transtorno autista a esclarecer e fluência musical. Estava em uso de haloperidol com o qual apresentou sialorréia. 2 Médico psiquiatra e professor adjunto do Departamento de Saúde Mental da UFMG.. que o filho canta "bem". Agitado durante a consulta apresentava linguagem laliforme. pelo neurologista. porém ele ainda é agressivo com as outras crianças. No momento da consulta falava poucas palavras e não atendia a comandos. Autismo. apresenta comportamentos estereotipados. Eduardo A. Em 15 dias a agressividade da criança diminuiu a níveis aceitáveis. Encaminhado ao serviço de psiquiatria. 4 anos. Relato do caso: L.org. David Albanez Campos1.A. repete normas e cenas. com hipótese de transtorno autista revelou-se que o paciente não interage com outras crianças. Introdução: A existência de afasia sem amusia indica autonomia funcional dos processos neuropsicológicos inerentes aos sistemas de comunicação verbal e musical e uma independência estrutural de seus substratos neurobiológicos.

BH. mas pensar em todos os diagnósticos diferenciais permite que o paciente possa atingir seu pico máximo de desenvolvimento. pode-se afirmar que o AT imprimiu alterações na rotina da usuária. ao longo de seu processo de adoecimento psíquico. Discussão: Continuamos trabalhando com a hipótese de transtorno autista. deixou de realizar suas atividades profissionais. é viável que as intervenções aconteçam em um cenário ampliado que contemple todos os espaços de circulação do indivíduo. laços e atividades gradativamente dissolvidos. com hipótese diagnóstica de Esquizofrenia Paranóide. O AT de C. tendo seus papéis. possibilitou sua aproximação ou 148 www. Este trabalho tem como objetivo destacar a importância e alcance do AT. Suspeita-se que apesar do característico quadro autista ele apresenta afasia sem amusia. reduziu sua circulação social. porém apenas quando ficou só com a estagiária é que o menino cantou uma ou duas frases.R.MG . favorecendo sua inclusão social. Os medicamentos foram mantidos e foi pedido RNM.camilamilagres@hotmail.Bairro Cidade Nova .. pautadas na construção de um novo estatuto social para o louco: o de cidadão.com Rua Eliseu Dias Coelho nº 271 apt 205 . materiais e imateriais. Nesse contexto. usuária desse serviço há aproximadamente seis anos.psiquiatriamg. Endereço para correspondência com a autora: Camila Milagres Macedo Pereira . ambas com fluência.R. O Acompanhamento Terapêutico (AT) é uma modalidade de atendimento pautada no estabelecimento/manutenção dos laços e das trocas de toda ordem. atuando em parceria com o Psiquiatra e a Técnica de Referência da usuária e ocorreu com o consentimento e participação de seus familiares. Durante o percurso do AT estimulou-se o envolvimento ativo da usuária e seus familiares na construção de possibilidades de resgate de diversas atividades interrompidas devido ao desenvolvimento do quadro psiquiátrico.consulta. Macedo Instituição de origem: Universidade Federal de Minas Gerais A Reforma Psiquiátrica estabeleceu novas formas de assistência em saúde mental. como estratégia e como prática.br/jornada_sudeste . à influência negativa da institucionalização e à falta de estímulos.F. a partir do relato de uma experiência ocorrida em um Centro de Referência em Saúde Mental de Belo Horizonte.C. Apesar da complexidade do quadro e das limitações do serviço.org. C. foi desenvolvido por uma estagiária de Terapia Ocupacional do serviço. que busca viabilizar ao indivíduo novas formas de estar no mundo.CEP: 31170-350 Tel: (31) 3234-3801/ (31) 8742-5175 ACOMPANHAMENTO TERAPÊUTICO: RELATO DE UMA EXPERIÊNCIA D.

no serviço de neuropediatria do ambulatório Bias Fortes do Hospital das Clínicas da UFMG. Introdução: A síndrome pseudobulbar é uma afecção decorrente da lesão bilateral do tracto córtico-nuclear. foi atendido no ano de 2003. Luís Guilherme de Mendonça3.F. que se associam a labilidade emocional desses pacientes. Desse modo. a disfagia. Palavras-chave: Acompanhamento Terapêutico. Tracto cortico bulbar. 4 Médico psiquiatra e professor adjunto do Departamento de Saúde Mental da UFMG. o que leva. explosões de risos e choros. Relato do caso: L.reaproximação a pessoas da comunidade e permitiu a retomada de atividades de seu histórico ocupacional. eles resgatem e exerçam de modo pleno a sua cidadania. principalmente. disfonia e disfagia causada pela lesão bilateral dos tractos cortico-nucleares que seguem para o bulbo. O parto do tipo cesárea teve duração aproximada de 10 horas. disfonia. com quatro anos de idade.org. Nesse trabalho relatamos um caso de um paciente de 9 anos de idade que apresenta associada a afecção. Eduardo A. Queiroz4 Palavras-chave: Síndrome Pseudobulbar. tendo nascido com 3. Cidadania MANIFESTAÇÕES PSIQUIÁTRICAS DA SÍNDROME PSEUDOBULBAR NA INFÂNCIA David Albanez Campos3. favorece que os indivíduos se tornem protagonistas dos projetos e processos de suas vidas e que. pode-se constatar que o AT entendido como uma estratégia de ação em saúde mental. em meio aos cenários do cotidiano. disartria.7 Kg e 49 cm de estatura. 149 www. dificuldade no reconhecimento de formas e sono extremamente agitado. sintomas de ordem psiquiátrica.P. Saúde mental. o 3 Acadêmicos do 6º período da Faculdade de Medicina da UFMG e estagiário do ambulatório de psiquiatria infantil e do adolescente.psiquiatriamg. com alta de mãe e filho no mesmo dia. bem como a terapêutica utilizada. Resumo: A síndrome pseudobulbar se manifesta com disartria.br/jornada_sudeste . Labilidade emocional. Camila Milagres Macedo3. segundo relato. descritos como ações agressivas contra si próprio e a familiares. palco de relações complexas. que se manifesta clinicamente com paralisia ou hipotrofia da musculatura inervada pelos pares cranianos bulbares. no qual foi constatado atraso no desenvolvimento da linguagem.

A. No ano de 2008 foi encaminhado ao ambulatório de psiquiatria infantil e do adolescente da mesma instituição.aleitamento materno foi realizado por 1 ano e 3 meses. aos 47 anos de idade. EEG e TC normais.br/jornada_sudeste . Endereço para contato: Rua Amparo nº93/301 Barroca david. onde permaneceu com o corpo durante 6 dias até ser encontrada por vizinhos. entretanto foi visto piora dos sintomas agressivos. Há 5 anos presenciou a morte desta irmã dentro de casa. apresentando queixas de ansiedade e agressividade.com. Apresenta dificuldade de concentração. e de tentativas de auto-agressão. corroborando a multifatoriedade do tema. associada com imipramina ao dormir. entretanto ter dificuldade intelectual na escola. sem. bem como quebra objetos pela casa. bem como história social dificultada pela ausência do pai. e após este episódio 150 www.M continuou a morar com a irmã dependente química. discutindo a melhor ação terapêutica. com história pregressa de 2 abortos sem uso de medicamentos. e A.albanez@yahoo. Foi trazida a BH para morar com outra irmã.M morava no interior de MG com a mãe e uma irmã. A primeira conduta foi o uso de metil-fenidado pela manha e almoço.org. A história revela episódios de uso de facas e pedaços de madeiras para atacar familiares. aos quais afirma que irá “matar”. O paciente possui história familiar de distúrbios psiquiátricos e de desordens de fala e de audição.2. Devido ao quadro de incapacidade da paciente. Não recebendo os cuidados necessários. com hipótese diagnóstica F20. principalmente contra a mãe. cessou o uso da medicação e seu desempenho em suas atividades caiu. com déficit nas Atividades de Vida Diária e Atividades de Vida Prática. e assim foi avaliada a necessidade de atendimentos domiciliares terapêuticos.psiquiatriamg. além de acondroplasia. a entrevista foi feita com sua irmã. na tentativa de contribuir para formação do médico psiquiatra.M foi encaminhada por seu psiquiatra à terapia ocupacional. tendo feito uso de carmabazepina e imipramina. devido a isso se instituiu a terapia com risperidona até a próxima consulta. porém nessa última opacificação das células etimoidais. Com a morte da mãe agravou-se o quadro. apresentando. essencialmente em ataques contra sua mãe. Discussão: Um dos objetivos desse trabalho é relatar as manifestações psiquiátricas dentro de uma neuropatia tão pouco discutida nos meios de divulgação científicos. alcoolista crônica.br Telefone para contato: 9145-4236/3332-5674 UM ESTUDO DE CASO DA TERAPIA OCUPACIONAL EM UM QUADRO DE ESQUIZOFRENIA CATATÔNICA Júlia Coutinho Nunes Castilho Resumo: A. Há 20 anos começou a apresentar perda gradual de suas funções.

Assim. a paciente começou a apresentar melhoras. e a realizar algumas de suas atividades de vida diária. Resumo A abordagem psicoeducacional tem por objetivo promover a ampliação do conhecimento de familiares. Telefone: (31) 9296-5998 Endereço: Rua Carlos Gomes. com severo retardo motor e interrompendo completamente a realização de suas atividades rotineiras. A família também era acompanhada e orientada a agir como facilitadora da saúde de A. Após 6 meses de atendimento. Bairro Santo Antônio Endereço eletrônico: ju_castilho@hotmail. Come sozinha. cuidadores ou portadores de sofrimento mental acerca do que é uma condição de saúde e seu tratamento. foram avaliadas melhoras significativas no desempenho de suas atividades. cuidadores. 160. assumi o caso. terapia ocupacional. Palavras-chave: Terapia Ocupacional.br/jornada_sudeste . Após 1 ano e meio de atendimento. Nos primeiros encontros A. apresentando mussitações. Flamareon Macieira Passos. Atividades.apresentou piora do quadro de catatonia. a escrever e a assistir televisão. permanecendo em pé sem movimento corporal ou visual. auxiliando no reconhecimento dos sintomas. a sair do quarto e explorar outros cômodos da casa. incluindo-os através do trabalho. respondendo a algumas perguntas e aceitando realizar certas atividades com ajuda.M não estabelecia nenhum contato.psiquiatriamg.org.M.M.com ABORDAGEM PSICOEDUCACIONAL EM UM GRUPO DE CUIDADORES E FAMILIARES DE PORTADORES DE TRANSTORNOS DO HUMOR Júlia Diniz Baptista. transtorno depressivo e transtorno esquizoafetivo. Qualidade de vida. toma banho com ajuda. grupo. com os objetivos de melhorar sua qualidade de vida e recuperar parte de sua autonomia. 151 www. voltou a fazer escolhas. Érika Rosana Paula Instituição de origem: conVida – Centro de Terapia Ocupacional Palavras-chave: psicoeducacional. Participaram deste grupo uma mãe e três funcionários de uma ONG que presta assistência a esta clientela. Com base nesta abordagem foi proposta a criação de um grupo psicoeducacional para familiares e cuidadores de pessoas com diagnóstico de transtorno bipolar. Percebe-se a importância do acompanhamento da TO para a melhoria da qualidade de vida da paciente e sua família. ela voltou a ter alguns movimentos corporais. Apesar do prognóstico reservado. transtornos do humor. e ampliaram-se os aspectos saudáveis da vida de A. na interpretação dos danos causados e no planejamento de estratégias de convívio.

Os resultados deste projeto foram obtidos através da análise dos questionários. Contato: Júlia Diniz – (31) 4101-6196/ 3222-3874/ 9993-3520 Av. foram percebidas como mais propulsoras de mudanças do que o aumento do conhecimento em si. * Redução da ansiedade e expectativa realista frente ao portador de sofrimento mental. A troca de experiências e informações aliada à intervenção grupal. É importante também salientar a contribuição da iniciativa privada com a pesquisa e a implementação de abordagens que visam à manutenção da autonomia e o ganho na qualidade de vida e interação entre cuidador/familiar e portador de sofrimento mental. cognitivo-comportamental. sexo masculino. * Redução da carga sobre o cuidado. Sendo estes: * Melhora na compreensão sobre as condições de saúde e repercussão destas nas relações interpessoais e no comportamento.com SUCESSO DA TERAPIA COGNITIVO-COMPORTAMENTAL NO TRATAMENTO DA MIGRÂNEA ENQUANTO EXPRESSÃO CORPORAL DA AMBIVALÊNCIA AFETIVA EM UM PACIENTE OBSESSIVO Karla Cristhina Alves de Sousa. Transtorno obsessivo Relato de caso: J. o paciente apresentava pensamentos obsessivos de conteúdo religioso.to@hotmail.br/jornada_sudeste . casado. Silas Prado de Sousa Instituição: Consultório particular Palavras-chave: Terapia compulsivo. Migrânea.B. após longo período de persistência. * Mudança na postura frente ao portador de sofrimento mental. incapacitantes por perturbarem a realização das tarefas de seu cotidiano e que. 4852 sala 301 – Funcionários convida. ensino fundamental completo. * Melhora na percepção da distinção entre personalidade e sintoma. * Aumento da interação entre cuidador/familiar e o portador de sofrimento mental. culminavam em crises 152 www. Contorno.D.org. refratárias ao tratamento medicamentoso profilático. 20 anos.psiquiatriamg. sentimento de culpa e onipotência. procurou atendimento psiquiátrico ambulatorial encaminhado por um neurologista devido a crises freqüentes (quatro por mês) e graves (necessidade de medicação intravenosa) de migrânea.. Ao exame psíquico. da percepção do terapeuta e do relato dos participantes. O processo de grupalização e sentimento de pertinência podem ter desencadeado sentimentos de segurança e autoconfiança para dividir angústias e criar estratégias de enfrentamento.

o paciente percebia a migrânea de uma forma ambivalente: “ruim” (dor insuportável) e “boa” (interrupção dos sintomas obsessivos incapacitantes). porém nada havia descrito em seu 153 www. após uma discussão com seu chefe. Segundo o relato. perda de 10kg nos últimos 2 meses. ensino médio completo. Trabalho. A paciente realizava exame médico periódico no setor de saúde ocupacional da empresa semestralmente. Ao exame psíquico. Relato de caso: V. falta de concentração e sentimento persistente de culpa. Relata que o processo de adoecimento iniciou-se há 3 anos devido à pressão por produção além de suas possibilidades. auxiliar administrativa.170-190 TENTATIVA DE SUICÍDIO: DESFECHO DE UM CASO DE SOFRIMENTO MENTAL OCASIONADO PELO TRABALHO NÃO DETECTADO EM EXAME MÉDICO PERIÓDICO Karla Cristhina Alves de Sousa. a terapia cognitivo-comportamental ao diminuir os sintomas obsessivos pode ser uma alternativa de sucesso no tratamento das crises de migrânea. Assim sendo. Os sintomas foram evoluindo até que. Nesses casos. tais como tristeza. a paciente ingeriu o conteúdo de um frasco de raticida. Contatos: Telefônico: (31) 9258-2072 E-mail: karlacalves@gmail. Foram feitas sessões semanais de terapia cognitivo-comportamental para o transtorno obsessivo compulsivo ao longo de três anos sem necessidade do suporte medicamentoso.C.de migrânea..S. Conclusão: A migrânea pode funcionar como uma “fuga” do indivíduo para se livrar das ruminações obsessivas.br/jornada_sudeste . em função de uma tentativa de suicídio. solteira. falta de energia. apenas quando a cefaléia intensa se iniciava é que cessavam os sintomas obsessivos angustiantes.org. 35 anos de idade. 302 – Bairro Cidade Nova – Belo Horizonte/MG – CEP: 31. sexo feminino. o paciente tinha reduzido o número de crises para cerca de uma vez a cada quatro meses. 610 apto.com Endereço: Rua Professor Pimenta da Veiga. perda de prazer em atividades antes consideradas prazerosas. apresentava sintomas de um grave episódio depressivo. aliviar sua angústia e obter um equilíbrio emocional via expressão corporal de sua ambivalência afetiva. foi encaminhada ao psiquiatra pelo setor de saúde ocupacional de uma empresa onde trabalhava há cerca de dez anos. Transtorno mental. Ao final de três anos de acompanhamento. insônia.psiquiatriamg. Silas Prado de Sousa Instituição: Consultório particular Palavras-chave: Tentativa de suicídio.

302 – Bairro Cidade Nova – Belo Horizonte/MG – CEP: 31. Queiroz6 Palavras-chave: Terapêutica psiquiátrica. tendo obtido melhora significativa do quadro após sua mudança de função.psiquiatriamg.br/jornada_sudeste . 610 apto. Assim sendo. a funcionária iniciou o acompanhamento psiquiátrico. Somente a partir do ocorrido. o diagnóstico precoce dos distúrbios psíquicos através de um acompanhamento periódico da equipe de saúde ocupacional é fundamental enquanto estratégia preventiva do adoecimento mental em função do trabalho.com Endereço: Rua Professor Pimenta da Veiga. Distúrbio de migração neuronal.170-190 TERAPÊUTICA PSIQUIÁTRICA NA ATROFIA CEREBRAL INFANTIL Luís Guilherme de Mendonça5. Hiperatividade. culminando inclusive em desfechos trágicos como o suicídio. Atrofia cerebral na infância. Conforme o grau de atrofia cerebral presente na criança 5 Acadêmicos do 6º período da Faculdade de Medicina da UFMG e estagiário do ambulatório de psiquiatria infantil e do adolescente.org.prontuário médico a respeito de seu quadro psiquiátrico e a própria funcionária confirmou que nas consultas não era abordado nada a respeito de seu estado mental ou de suas relações interpessoais no trabalho. Introdução: Os danos neurológicos e psiquiátricos de uma atrofia cerebral guardam correlação direta com as áreas lesadas. Conclusão: O estresse crônico enquanto um desequilíbrio entre as demandas do trabalho e a capacidade de resposta do trabalhador pode desencadear transtornos psiquiátricos graves como o episódio depressivo acima descrito. Camila Milagres Macedo5. Contatos: Telefônico: (31) 9258-2072 E-mail: karlacalves@gmail. Eduardo A. 6 Médico psiquiatra e professor adjunto do Departamento de Saúde Mental da UFMG. Resumo: Descrição dos sintomas psiquiátricos em uma criança de 6 anos com diagnóstico de atrofia cerebral fronto-têmporo-parietal no hemisfério direito e a terapêutica utilizada. Isso implica em capacitar os profissionais dos serviços de saúde para que considerem a importância da situação de trabalho como um dos determinantes no processo saúde/doença mental. David Albanez Campos5. 154 www. A sintomatologia pode ser estereotipada para cada área cerebral.

5mg ficou sonolenta e com 1mg de risperidona ficou trêmula. Em novembro de 2007 compareceu ao serviço de Psiquiatria Infantil do mesmo ambulatório com a queixa de agitação. portanto. 64. Alípio de Melo. Seu EEG de março 2007 mostrou atividade epileptiforme muito ativa e atividade de base com acentuada desorganização para a idade. testando e instituindo-se as melhores respostas. Paciente encontra-se menos agressiva.uma atenuação dos sintomas psiquiátricos favorecem um desenvolvimento físico e social associado a uma terapêutica adequada. 155 www. Houve piora da agitação. Paciente caminha normalmente e é capaz de comunicar-se. Foram realizadas duas TC e uma RM entre 2003 e 2007. Relatos de traçados terapêuticos satisfatórios contribuem para uma melhor caracterização da relação entre a sintomatologia psiquiátrica e atrofia cerebral. desatenção e agressão na escola. Por fim chegou-se ao seguinte tratamento: Risperidona 0. ansiedade./2008 foi retirado o Diazepam acrescentado Imipramina 5mg/2x ao dia e Lítio 75mg/3x ao dia. Em abril instituiu-se o teste do metilfenidato em que a paciente apresentou tique motor e vocal. Aos 3 anos manifestou sua primeira crise epiléptica.br/jornada_sudeste .org. Foi prescrito Ácido Valproico 375mg/2x ao dia. porém foi relatado episódios de agressividade com familiares. Em fev. deve-se percorrer um caminho farmacológico. melhor Relato de caso: S.A foi atendida no ambulatório Bias Fortes do HC-UFMG em 2004 aos 2 anos e 6 meses pelo serviço de Clínica Genética para acompanhamento de uma macrocrania familiar. Belo Horizonte – MG. Clobazam 5 e 10mg/ao dia de Diazepam. Contato: luguimen@gmail.25mg/2x ao dia.M. escassez de sulcos e giros no Hemisfério Cerebral Direito e sua RM revelou um distúrbio de migração neuronal na região fronto-têmporo-parietal com áreas de lisencefalia e polimicrogiria. 45 cm e perímetro cefálico (PC) de 36 cm. Apresentou um alargamento assimétrico da fissura silviana a direita. (31)3474-676. Ácido Valproico e clobazam nas mesmas doses iniciais apresentadas. Não foi encontrada nenhuma alteração genética/metabólica importante. Não apresenta crises epilépticas desde DEZ/06. Com 0.M. Aos 29 dias já apresentava PC de 40 cm. Não há uma terapêutica ideal ou específica e. Aumentou-se da dose do Lítio para 300mg e 150mg/3x ao dia e retirada da imipramina. Em março foi relata melhora da agitação. mais quieta.com – Rua dos Sociólogos. Nasceu de parto cesárea com 2530g. Discussão: As manifestações psiquiátricas em pacientes com atrofias cerebrais nem sempre são bem estereotipadas.psiquiatriamg. Tal aspecto dificulta o tratamento. Alternativamente foi proposta a Risperidona.

passou a mastigar e cuspir alimentos gordurosos durante a maior parte do dia. S.Trazida ao nosso serviço por familiares que informaram início há 20 anos de quadro de restrição alimentar. Contato: Rodrigo de Almeida Ferreira Endereço: Rua Jaú no. devido à longa evolução e aos insucessos dos tratamentos anteriores. professora de matemática.8 e ausência de dentes. P. Todas essas comorbidades devem ser consideradas no planejamento do tratamento. Comorbidades. Iniciou uso diário e abusivo de álcool há 5 anos. multiprofissional e envolver os familiares. Diversas tentativas de tratamento. Ao exame psiquiátrico.psiquiatriamg. atingindo IMC de 11. o alcoolismo é fator complicador grave de um quadro de anorexia nervosa já de mau prognóstico. requerem internações mais longas. Pacientes acometidos por alcoolismo e transtornos alimentares apresentam maior impulsividade.br/jornada_sudeste .com – Telefone: (31) 3482-3788 / 8793-4863 156 www.MG. paciente evoluiu com boa aderência ao tratamento nutricional e psicoterápico. Conclusão: A paciente apresenta um quadro de anorexia bulímica que evoluiu para quadro atípico de anorexia restritiva. são classicamente descritos como associados à anorexia nervosa. devido à mastigação de alimentos.R. paciente mostrou-se cuidada. sexo feminino.J. 150. Transtornos alimentares. Houve rápida perda de peso. apresentava IMC de 24.org. Alcoolismo. com alcoolismo associado. sem qualquer melhora. Nos últimos 10 anos. E.ANOREXIA NERVOSA E COMORBIDADES PSIQUIÁTRICAS: UM RELATO DE CASO Rodrigo A.1 e se julgava obesa. Na época.V. ainda.S. CEP 30270-250 E-mail: rodrigodeaf@gmail. Neste caso. com ganho de 2kg em duas semanas.G. freqüentemente chegando à perda da consciência e com relato de sintomas de abstinência alcoólica. Após internação hospitalar voluntária. Ademais. traços obsessivos e história de depressão. Amaral. Fonseca. Teixeira. alerta e eutímica. Paraíso. de sintomas depressivos e traços obsessivo-compulsivos. O exame físico revelou emagrecimento extremo.2 e amenorréia após 2 anos. Há história. Belo Horizonte . que deve ser longo. aderem menos ao tratamento e apresentam pior prognóstico. Ferreira. aos cuidados de equipe multidisciplinar. Deverá permanecer em tratamento. também presentes. T. Fonseca Instituição: Instituto da Previdência dos Servidores do Estado de Minas Gerais IPSEMG Relato do caso: Paciente de 40 anos. Palavras-chave: Anorexia nervosa. com IMC de 10. combinada a compulsão alimentar e purgação.

Realiza a própria higiene. Levomepromazina 25mg e Biperideno 2mg esporadicamente. Isso prova. Após essa data. Relato de Caso: G. totalizando 47 internações.org. exclusivamente. ocorrido nos países desenvolvidos ocidentais nas décadas de 60 e 70. natural de Juiz de Fora (MG).psiquiatriamg. Em relação aos pacientes esquizofrênicos. Capacidade mental altamente produtiva. Atualmente em uso de Haloperidol Decanoato – duas ampolas de 15/15 dias. Mora com sua família: mãe e irmão. mais uma vez.br/jornada_sudeste . 63 anos. apesar do descarrilamento do curso de pensamento e conteúdo delirante persecutório. com os quais tem boa conivência. criado pelo Ministério da Saúde em 2003. Contato: Samira Soares Jacob Rua Dr. negro. Possui boa interação social. freqüentou o Instituto de Saúde Mental (Caps). deixou de participar dos eventos do Caps e passou a freqüentar o Centro Regional de Serviço de Saúde Mental (Cressam). dispensando o auxílio de outrem. Sem sinais de heteroagressividade. Desinstitucionalização. auto-referente. Gil Horta 149/101 Centro Juiz de Fora – MG CEP: 36016-400 (32)8409-4816 – samirajacob@hotmail. é compositor musical e poeta. Sem uso de antipsicótico atípico. quatro anos de escolaridade. com breves períodos intermitentes de alta hospitalar. Em seus primeiros quatro anos desistitucionalizado. masculino.com 157 www. Desde setembro de 1999 não sofre hospitalização psiquiátrica.A REINSERÇÃO SOCIAL DE UM ESQUIZOFRÊNICO APÓS TRINTA ANOS DE HOSPITALIZAÇÃO Samira Soares Jacob. o interesse na qualidade de vida e na capacidade de interação social foi ainda maior. a importância do trabalho de reinserção social buscando uma maior humanização e individualização do tratamento. Conclusão: Apesar da baixa escolaridade e do longo tempo de duração da doença e da hospitalização. onde conta. Guilherme Henrique Faria do Amaral Instituição: Universidade Presidente Antônio Carlos – UNIPAC – Juiz de Fora Palavras-chave: Esquizofrenia. com o apoio de médicos psiquiatras. houve uma crescente preocupação com o retorno dos doentes mentais crônicos à comunidade. Reinserção social. apresentamos um paciente com boa interação social e elevada capacidade de criação sem uso de antipsicótico atípico. Em 2006 foi inserido no Programa “De Volta Para Casa”. Com o movimento de desinstitucionalização..G.A. Recebeu o diagnóstico de esquizofrenia aos 21 anos de idade e permaneceu internado por 32 anos em Hospitais Psiquiátricos. Introdução: A esquizofrenia é uma das mais graves doenças psiquiátricas e afeta cronicamente a vida dos pacientes e familiares em vários domínios.

Viana Instituição: Instituto de Previdência dos Servidores do Estado de Minas Gerais – IPSEMG. Uma das preocupações em indicar ECT para pacientes com demência são seus possíveis efeitos adversos sobre a cognição e memória. No entanto.V. Após 10 sessões de eletroconvulsoterapia bilateral sob narcose apresentou resposta satisfatória. Em uso de antipsicótico (risperidona) e antidepressivo (sertralina) sem resposta satisfatória. Depressão e Eletroconvulsoterapia. Com base na apresentação do caso. O exame físico não evidenciou alterações relevantes nos diversos aparelhos. O paciente evoluiu com piora importante do quadro depressivo com idéias suicidas. com taxa de remissão de cerca de 90% em pacientes deprimidos sem déficit cognitivo. pretende-se discutir as indicações de eletroconvulsoterapia em paciente com demência e depressão. U. T. Cunha. com risco de suicídio. E. Fonseca. já que o paciente se encontrava em estado de estupor. Iniciada rivastigmina na forma de adesivo. A eletroconvulsoterapia. Iniciada mirtazapina como terapia de manutenção.G. Discussão: A depressão afeta 20-25% dos pacientes com demência e cerca de 1/3 desses pacientes não responderão ao tratamento com antidepressivos. professor aposentado. Na pesquisa de causas secundárias de déficit cognitivo a rotina laboratorial não demonstrou alterações. Fonseca. embotamento e mutismo. O paciente passou a aceitar a dieta por via oral.B. A RNM encefálica foi compatível com o diagnóstico de hidrocefalia de pressão normal. Ferreira.V. a exacerbação do déficit cognitivo que ocorre como conseqüência da ECT é reversível e transitória.A. com boa tolerância e controle do distúrbio de comportamento. Resumo: Homem. Admitido na Unidade de Geriatria do Hospital dos Servidores do Estado de MG com diagnóstico de depressão e demência do tipo Alzheimer moderada (MMEM: 17/30) com 4 anos de evolução. No caso relatado. D. Apresentava como co-morbidades clínicas hipotireoidismo e Diabetes Mellitus. 158 www.br/jornada_sudeste .ELETROCONVULSOTERAPIA NO TRATAMENTO DA DEPRESSÃO ASSOCIADA À DEMÊNCIA Sarah G.psiquiatriamg. voltou a deambular. Amaral. Palavras-chave: Demência. R.org. associada a importante distúrbio de comportamento manifestado por agitação. A avaliação neurocirúrgica não recomendou a implantação de válvula devido ao tempo de evolução do déficit cognitivo e forte indício de demência irreversível associada. agressividade e idéias delirantes paranóides. com melhora do contato verbal e do afeto. R. 59 anos. complicações clínicas e morte. uma resposta rápida se fazia necessária. tem eficácia superior. recusa alimentar.P. restrição ao leito. além de oferecer resultados mais rápidos. engenheiro.S. Thomaz.

funcionaria como um estímulo para despertar o interesse pelo tratamento. porém não tem obtido melhora do quadro porque não reconhece necessidade de tratamento e relata que apenas deseja um relatório em que conste ser o mesmo “doente mental”. 610 apto. Conclusão: O transtorno de personalidade anti-social é uma condição duradoura de difícil tratamento porque é vivenciado por seu portador de uma forma egossintônica e tem pior prognóstico já que não há interesse pelo tratamento. Segundo a esposa.P. Silas Prado de Sousa Instituição: Consultório particular Palavras-chave: transtorno de personalidade anti-social. casado. 302 – Bairro Cidade Nova – Belo Horizonte/MG – CEP: 31.. Porém. O paciente nega histórico de qualquer tipo de tratamento psiquiátrico e pretende alegar transtornos mentais para não ser condenado à pena privativa de liberdade.br/jornada_sudeste . o psiquiatra assistente pode auxiliar o paciente a elaborar que sua pena privativa de liberdade representa o limite social ao qual até então não se submeteu. o psiquiatra é procurado com o intuito de ser manipulado como um instrumento de “defesa” judicial. sexo masculino.org. assassinou um preso após ter sido vítima de tortura na rebelião de uma cadeia. 52 anos. Foi ao ambulatório na tentativa de registrar formalmente antecedentes de tratamento psiquiátrico por estar sendo processado judicialmente e em breve será submetido à perícia de sanidade mental. o paciente sempre apresentou atitudes de heteroagressividade e indiferença completa para com sentimentos alheios. Nos casos em que há envolvimento criminal. Esse limite simbólico evitaria reafirmar para ele a sua capacidade manipuladora para conseguir objetivos de modo desonesto. Contatos: Telefônico: (31) 9258-2072 E-mail: karlacalves@gmail. ele poderá ter na lei o limite que não tem em si e isso será mais terapêutico do que emitir um relatório que conduza a uma decisão judicial no sentido de determinar medida de segurança com internação em hospital psiquiátrico por anos. agente penitenciário.J. ensino fundamental. resultando assim em um desfecho mais proveitoso para o paciente e para a sociedade.com Endereço: Rua Professor Pimenta da Veiga. Está sendo submetido à terapia cognitivo-comportamental.170-190 159 www. lei penal brasileira Relato de caso: D. Assim.psiquiatriamg.ASPECTOS JURÍDICOS EM PSIQUIATRIA O PAPEL DO PSIQUIATRA NO TRANSTORNO DE PERSONALIDADE ANTISOCIAL EM CONFLITO COM A LEI PENAL BRASILEIRA: ANÁLISE DE UM CASO Karla Cristhina Alves de Sousa.

Minas Gerais. Rúbia M. Conclusão: Os estudos analisados revelam que a COPM mostrou-se um instrumento útil. Pyló. Juliana L. SCIELO e CINAHL. Embora seja uma avaliação complexa.psiquiatriamg. sendo que apenas quatro encontravam-se disponíveis em território nacional.AVALIAÇÃO DE TERAPIA OCUPACIONAL EM SAÚDE MENTAL O USO DA COPM NA SAÚDE MENTAL Simone C. Entretanto. Belo Horizonte. Bastos. para conclusões mais efetivas. seu uso pode garantir maior engajamento no tratamento.A. 160 www. A busca foi restrita aos artigos publicados no período de 2002-2007. limitam-se possíveis generalizações e faz-se necessário. MEDLINE. existe um número restrito de estudos nesta área. Objetivo: Pesquisar o que a literatura revela sobre o uso da COPM em Saúde Mental na prática da Terapia Ocupacional. Artigo 3 A cOPM pode ser aplicado de forma confiável aos clientes de Taiwan. As palavraschave utilizadas foram COPM ou Canadian Occupational Therapy Measure e Mental Health e termos relacionados: schizophrenia. Introdução: A COPM (Medida Canadense de Desempenho Ocupacional) é uma avaliação da Terapia Ocupacional baseada na teoria da Prática Centrada no Cliente. OTseeker. LILACS. Desta forma. artigo 2 Combinação da COPM com outras categorias de avaliação baseadas no Modelo Canadense de Desempenho Ocupacional produziram um formulário de avaliação de Terapia Ocupacional que pode ser usado na prática da saúde mental.psychiatric disorders. válido e confiável para ser utilizado na prática da Terapia Ocupacional em saúde mental. Resultados: Artigo 1. mais pesquisa abordando-se esta questão.br/jornada_sudeste . Metodologia: A pesquisa foi feita através de consultas nas bases de dados eletrônicas PUBMED. A COPM foi um instrumento apropriado para detectar mudanças significativas num grupo de 60 clientes com esquizofrenia após término do processo de Terapia Ocupacional. Seis artigos atenderam os critérios de inclusão . Artigo 4 A COPM é uma medida clinicamente efetiva. capaz de detectar mudanças significativas nos níveis de desempenho e satisfação de clientes com problemas de saúde mental. Esta avaliação permite a participação ativa do cliente em todo o planejamento do tratamento.Gomes Instituição: Departamento de Terapia Ocupacional da Universidade Federal de Minas Gerais.org.

não completamente esclarecida do ponto de vista etiológico e nosológico e pela ausência de propostas terapêuticas bem consolidadas. surpreendem-se com a crescente demanda de pacientes de diferentes classes sociais e de uma ampla faixa etária. Objetivo: Apresentação do trabalho interdisciplinar realizado no NIAB.psiquiatriamg. Apesar dos avanços sobre o tema nas últimas décadas nos estudos clínicos. interdisciplinar. serviço público. Mônica Froes Schettino Motta7 Instituição de Origem: Núcleo de Investigação em Anorexia e Bulimia (NIAB) do HC-UFMG Palavras-chave: Anorexia. que prestam assistência a pacientes com Anorexia e Bulimia. atualmente diversas e controversas. psicológicos e psicanalíticos.br Contato: Profa. Roberto Assis Ferreira.Palavras-chave: Saúde mental.br/jornada_sudeste . O NIAB – Núcleo de Investigação em Anorexia e Bulimia do Hospital das Clínicas da Universidade Federal de Minas Gerais – é um serviço interdisciplinar de orientação psicanalítica e referência estadual para atendimento de casos de Anorexia e Bulimia. à demanda crescente de atendimentos a pacientes com Anorexia (AN) e Bulimia (BN). 161 www. Vinícius Tavares. psiquiátricos. e-mail: salmeida@ufmg. 7 Integrantes do NIAB. Os serviços de saúde brasileiros. O NIAB iniciou suas atividades de estudo e investigação em 1999 e em 2004 deu início à assistência a pacientes com sintomas anoréxicos e bulímicos. Avaliação. Bulimia. Apresentação: A clínica da Anorexia Nervosa e da Bulimia Nervosa instiga a reflexão sobre a prática clínica e sobre as articulações teóricas que a sustentam. a Anorexia e a Bulimia ainda representam um desafio aos profissionais de saúde. Simone Costa de Almeida Bastos – 3409-4790 / 8739-0043 IMPLANTAÇÃO E AVALIAÇÃO DE SERVIÇOS DE SAÚDE MENTAL NIAB – UMA EQUIPE INTERDISCIPLINAR Ana Raquel Corrêa e Silva. Terapia ocupacional. públicos e privados.org. Essa crescente demanda tornou necessária e atual a discussão a respeito das estratégias de tratamento desses pacientes. por sua natureza sindrômica.

abordando aspectos psiquiátricos. Uma equipe interdisciplinar se constitui como conseqüência do trabalho de muitos em torno da clínica. a rede pública de atenção à saúde mental conta com 10 Residências distribuídas entre as regionais da cidade. Em 2008. Na condução do tratamento dos casos de Anorexia e Bulimia. No ano de 2000 havia 40 Residências Terapêuticas no país. só por imposição e laço institucional. com idade entre oito e sessenta anos. foi criada a primeira Residência Terapêutica em Belo Horizonte.psiquiatriamg. Casa Floramar (9 moradores). O SERVIÇO RESIDENCIAL TERAPÊUTICO EM BELO HORIZONTE DE VOLTA À SOCIEDADE Júlia Coutinho Nunes Castilho e Francine de Lurdes Antonietti Instituição de origem: Prefeitura de Belo Horizonte Resumo: A desinstitucionalização e a efetiva reintegração de pessoas com sofrimento mental grave na comunidade. é uma das tarefas em que a Prefeitura de Belo Horizonte e a Secretaria de Saúde vêm se dedicando nos últimos anos. constituindo uma equipe. sobretudo na condução do tratamento e na definição do lugar ocupado por cada profissional. e substitutivos ao hospital psiquiátrico. e em 2006 já havia 426. Casa Teófilo Otoni (11 moradores). constituídas para responder às necessidades de moradia de pessoas portadoras de sofrimento mentais que não possuam suporte social e laços familiares.acolhendo demandas provenientes de toda rede pública de saúde. Casa Heliópolis (8 moradores).br/jornada_sudeste . As políticas públicas de saúde mental são norteadas pelo Sistema Único de Saúde. com predominância de adolescentes e adultos jovens. Em julho de 2001. o que faz obstáculo pode implicar e comprometer os profissionais. a equipe interdisciplinar funciona como uma rede de sustentação do paciente. Casa Pampulha (10 moradores). em sua maioria mulheres. clínicos e psicanalíticos. são casas localizadas no espaço urbano. egressas de internações psiquiátricas de longa permanência. O Serviço Residencial Terapêutico – ou Residência Terapêutica. O encontro e o diálogo entre diferentes disciplinas e saberes é a construção do caso clínico. no bairro Concórdia. instrumento tão precioso na clínica da Anorexia e Bulimia. que preconiza o atendimento às pessoas com sofrimento mental em serviços abertos. com 10 moradores. Casa Padre 162 www. Uma equipe não deve ser um amontoado de profissionais presos a suas rotinas. de todo estado de Minas Gerais. Atualmente são atendidos no ambulatório do Hospital das Clínicas cerca de duzentos pacientes. localizados nas comunidades. principalmente os casos graves. Casa Manhumirim (9 moradores). São elas: Casa Serpentina (9 moradores). o desconforto.org. que veio a ser denominada de Casa Concórdia. Só o desafio. Casa Itaquera (8 moradores).

As taxas variam de um país para outro. de re-conhecimento. As tentativas de suicídio. enquanto supervisor de uma Residência Terapêutica entra para mostrar seu diferencial. sendo no Brasil estimada em 3. acabam agindo indiretamente sobre o ato suicida. a abertura de mais 15 Residências. Segundo a OMS. de re-criação e transformação de seu cotidiano e de sua vida. Profa. podemos citar o lítio – sobretudo em 8 9 Pós-graduando em Farmacologia do sistema nervoso central. Márcia Ceribino9 Instituição: Universidade Federal de Lavras Introdução: O suicídio. Palavras-chave: Reforma Psiquiátrica.Eustáquio (4 moradores). Atuando como facilitador nas estratégias de resgate do papel do sujeito agente em seu processo de tratamento. A ação da terapia ocupacional está em promover e facilitar as condições do morador em habitar sua própria casa. Dentre eles.br/jornada_sudeste . reatando e/ou construindo novos laços. Serviço Residencial Terapêutico. visando a inserção do morador na rede de serviços e comunidade. na medida em que tratam os diversos transtornos mentais.org.000hab. têm sido considerados como problema de saúde pública. que fechará até dezembro. PSICOFARMACOLOGIA A EFICÁCIA DA CLOZAPINA SOBRE O COMPORTAMENTO SUICIDA Mauro Tavares Paes8. de conhecimento. estima-se. Dra.000. articulando-se com a rede de assistência municipal.000 de pessoas morrem ao ano por suicídio no mundo. de criação.4/100. Orientadora. e finalmente a Casa Concórdia (10 moradores). criando condições para autonomia social e econômica. Está previsto para esse ano. 163 www. rompendo com o manicômio.000hab e a média global 16/100. em re-significar seu cotidiano. a literatura apresenta estudos que demonstram a eficácia de fármacos diretamente sobre a ideação suicida. bem como o para-suicícidio. O serviço residencial terapêutico viabiliza o processo de reabilitação psicossocial. O impacto social e econômico é alarmante. Dentro desse movimento de reabilitar psicossocialmente é que a atuação do terapeuta ocupacional. cerca de 1. Porém. ocorrem de 10 a 20 vezes mais. para acolher os pacientes egressos de um hospital particular de Belo Horizonte. Terapia Ocupacional. Casa do Paulo Adriano (1 morador).psiquiatriamg. Os psicofármacos. superando as mortes de todos os acidentes de trânsito e guerras. tendo papel de mediador entre o mundo interno e o mundo de possibilidades.

natural e residente em Belo Horizonte.br/jornada_sudeste . contribuindo com os esforços mundiais de prevenção de mortes e outros danos por este meio. Uma grande revisão feita por Bousoa et al. Psicose. Os mecanismos de ação sobre a ideação suicida ainda são desconhecidos. Resumo: Paciente de 22 anos. que avaliaram seus efeitos em relação a placebo e em comparação com outros antipsicóticos. 164 www. 2006 e os de Yerevanian et al.pacientes bipolares – os antidepressivos e. antipsicóticos. quando comparada com a olanzapina. CORPO E LINGUAGEM Tammy da Silva Amaral Gilda Paoliello Nicolau. Felipe Antonio Ferreira Guio Instituição: Hospital Israel Pinheiro – IPSEMG Palavras-chave: Anorexia. Sarah Gonçalves Fonseca. Nosso estudo aponta para uma necessidade de pesquisas que demonstrem a eficácia e os mecanismos de ação de drogas que reduzam a ideação suicida. apontam para importância de pesquisas que descrevam uma farmacoterapia que atue sobre o comportamento suicida. demonstrou que a clozapina é a única droga que tem tido sua eficácia comprovada sobre o comportamento suicida. MÉTODO: Foi feito um levantamento bibliográfico na base de dados Medline/Pubmed com o objetivo de avaliar os artigos que demonstram os efeitos da clozapina sobre o comportamento suicida. que demonstrou redução significativa do risco de suicídio com o uso da clozapina.paes@terra. entre outros.org. clozapina. Rodrigo de Almeida Ferreira. Trazido ao nosso serviço pela mãe. foi o InterSept.br PSICANÁLISE E PSICOTERAPIAS ANOREXIA E PSICOSE: SUJEITO. OBJETIVO: Fazer uma revisão bibliográfica a respeito da eficácia da clozapina sobre o comportamento suicida. Palavras-chaves: suicídio. com quadro de insônia. contribuindo para a prevenção do suicídio. E-mail: mauro.psiquiatriamg. A clozapina foi objeto de estudo de diversos trabalhos. 2008). sexo masculino. Renato Ferreira Araújo. mais recentemente. como os de Houston et al. a clozapina tem apresentado melhores resultados. os antipsicóticos atípicos. universitário. RESULTADOS: Vários estudos. comportamento suicida. Dentre os fármacos disponíveis. Eduardo Villar Fonseca. Um dos primeiros estudos multicêntricos sobre esse tema.com. com destaque para a clozapina. em 2008. 2007. os estudos são escassos e muitas vezes inconsistentes (Aguilar e Siris. Porém.

psiquiatriamg. associado ao significante e não ao significado em si. Em uso irregular de Olanzapina desde janeiro de 2008. apesar de intelectualmente adequado. Eutímico. discurso lacônico. Iniciado tratamento medicamentoso em abril. Residente em Psiquiatria da Infância e Adolescência do Centro Psíquico da Infância e Adolescência .: (31) 8723-6896 / e-mail:tammysamaral@yahoo.FHEMIG 10 165 www. as manifestações neuropsiquiátricas de doenças Acadêmico de Medicina – 4º período da Faculdade da Saúde e Ecologia Humana de Vespasiano – FASEH 11 Médico Psiquiatra. Conclusão: Em “Tratamento psíquico” Freud discorre sobre a influência da mente sobre o corpo. a anorexia surge como oposição ao discurso materno da necessidade de se “garantir o arroz com feijão”. com afeto plano. utilização intensa do mecanismo de repressão e sinais comumente comprovadores de esquizofrenia. Ausência de insight. Durante a internação aceitou medicação e dieta via oral. Os exames laboratoriais iniciais não apresentaram alterações.br/jornada_sudeste . frente ao desejo do paciente de dedicar-se à filosofia. algumas com necessidade de nutrição enteral.com. Daniel de Sousa Filho11 São diversas e bem documentadas as várias apresentações clínicas de parasitas humanos.isolamento e embotamento afetivo desde 2004. Realizada Eletroconvulsoterapia com melhora parcial dos sintomas.br PSIQUIATRIA BIOLÓGICA MANIFESTAÇÕES NEUROPSIQUIÁTRICAS DE DOENÇAS PARASITÁRIAS COMUNS NO BRASIL: UMA REVISÃO DA LITERATURA Pablo George Vieira Guedes10. Evidencia que o corpo é organizado como um código semântico que responde às palavras de diferentes maneiras. iniciou restrição alimentar e hídrica.org.3). levando a comprometimento social progressivo. na dimensão do simbólico dá-se a origem do sintoma. Nova internação em março. Iniciada psicoterapia. sem que isso refletisse preocupação com a imagem corporal. Apresentava-se bastante emagrecido (IMC=14. pensamento pobre. interrompendo a ingesta após alta hospitalar. Tel. Destarte. O Psicodiagnóstico de Rorschach (fevereiro de 2008) demonstrou dificuldade de estabelecer relacionamento profundo. Entretanto.sem adesão. sem evidência de atividade alucinatóriodelirante. Cursou com grave desnutrição protéico-calórica e desidratação. o que levou a família a procurar auxílio médico em abril de 2007. Foi submetido a diversas internações hospitalares.tendo como cenário a esquizofrenia. Há cerca de um ano. No caso relatado.

realizamos uma revisão crítica e sistemática da literatura acerca das manifestações neuropsiquiátricas das principais doenças parasitárias comuns no nosso país. procurando artigos utilizando os unitermos: Parasitic Infections. Echinococcus granulosus. D. como da reabilitação biopsicossocial.br/jornada_sudeste . Em face do exposto. Novos estudos. Toxoplasmosis. as quais envolveram exclusivamente componentes do Stroop test. Pathology. O estudo apresentou como limitações o reduzido número de pacientes envolvidos e a impossibilidade realizar as avaliações na ausência de medicamentos por motivos éticos. Chagas Disease. Malaria. Digit Span Test. As funções executivas foram avaliadas através dos testes: Wisconsin Card Sorting task. Trial Making A e B. Os resultados mostraram que os pacientes com Transtorno afetivo bipolar tipo I e depressão maior apresentaram prejuízos na flexibilidade cognitiva e no processamento de informação emocional.parasitárias são relativamente pouco estudadas a despeito de.org. As variáveis clínicas que influenciaram a performance executiva foram a tempo de duração da doença e a ocorrência de episódios do humor recentes. Schistosomiasis. mesmo após longo período em eutimia. bipolar tipo II (n=10) e Transtorno Depressivo Maior Recorrente (n=12) com indivíduos saudáveis (n=12) em provas que avaliaram funções executivas. foi feito um estudo de correlação entre os déficits apresentados e diversas variáveis clínicas. Trichinosis. Palavras-chave: Manifestações Neuropsiquiátricas. Emotional Stroop Color Test e Gambling Test.psiquiatriamg. Os pacientes com Transtorno Afetivo Bipolar tipo II apresentaram poucas disfunções cognitivas. O objetivo deste estudo foi comparar o desempenho de pacientes eutímicos com Transtorno Afetivo Bipolar tipo I (n=14). 166 www. Pagnin Instituição: Grupo de Pesquisas em Saúde Mental – Universidade Federal Fluminense Resumo: Relatos recentes da literatura sugerem que pacientes com transtorno do humor apresentam dificuldades em vários domínios cognitivos. Doenças parasitárias. Além disso. em geral. Toxocariasis. com maiores amostras são necessários para confirmar os achados encontrados. bem como um grande impacto nos sistemas de saúde. Cyrticercosis. bem como dos recursos propedêuticos e terapêuticos utilizados nelas. causarem prejuízos importantes aos indivíduos acometidos. tanto do ponto de vista de diagnóstico e tratamento. Neurological and Psychiatric manifestations. AVALIAÇÃO DAS FUNÇÕES EXECUTIVAS EM PACIENTES EUTÍMICOS COM TRANSTORNOS AFETIVOS Valéria De Queiroz. Utilizamos as bases de dados Medline/Lilacs.

. Cognição. No total foram avaliados 15 pacientes com Transtorno Bipolar tipo I. 10 pacientes com Transtorno Bipolar tipo II e 11 pacientes com Transtorno Depressivo Recorrente.Palavras-chave: Neuropsicologia. Prejuízos nas áreas de memória e atenção figuram entre os principais relatos na literatura e podem interferir no processo de reabilitação.Italia MEMÓRIA E ATENÇÃO EM TRANSTORNOS DO HUMOR Valéria De Queiroz. Foram utilizadas a WAIS-R para avaliação do quociente de inteligência. adesão terapêutica e no funcionamento global destes pacientes.br/jornada_sudeste . Solução de problemas. tipo II (TBII) e Transtorno Depressivo Maior Recorrente (TDR) em fase de eutimia. D. Depressão. A capacidade de reconhecimento do material verbal. Transtornos afetivos. os três grupos de pacientes apresentaram performance abaixo do grupo controle. Pagnin Instituição: Departamento de Psiquiatria e Saúde Mental da Universidade Federal Fluminense Resumo: Existem evidências de que indivíduos com transtorno do humor apresentam déficits cognitivos mesmo em ausência de sintomas afetivos. no entanto. Novos estudos.psiquiatriamg. Os resultados mostraram que os pacientes com TBI e TDR apresentaram performance significativamente abaixo do grupo controle para a parte de aprendizado verbal do AVLT e na evocação tardia. CPT-AX e Digit Symbol para avaliação da atenção. 167 www. O estudo apresentou como limitações o reduzido número de pacientes envolvidos e a impossibilidade realizar as avaliações na ausência de medicamentos por motivos éticos.org. além de 12 indivíduos sem transtorno mental que compuseram o grupo controle. Todos os grupos apresentaram performance abaixo do grupo controle na avaliação da memória não verbal. sendo financiado pelo Acordo de Cooperação Cultural Bilateral entre Brasil e Itália através do Ministério da Educação no Brasil e Ministero Degli Affari Esteri . Quando avaliados pelo Digit Symbol Test. O objetivo deste estudo foi avaliar a atenção e memória em pacientes com Transtorno Afetivo Bipolar tipo I (TBI). AVLT e Picture Memory and Interference Test para avaliação da memória. no entanto. não deferiu entre os grupos. com maiores amostras são necessários para confirmar os achados encontrados. Em relação à atenção não foram observadas alterações entre os grupos para a atenção sustentada avaliada pelo CPT A-X. Obs: Este estudo foi realizado durante o curso de doutorado na Universidade de Pisa.

capaz de romper com o formato tradicional das instituições psiquiátricas que preconizavam a exclusão social da loucura. Como metodologia.org. Foram utilizados artigos científicos publicados por profissionais que trabalharam no HEIRS. As fontes revelam que a história do HEIRS é marcada pela emergência de idéias reformistas desde a sua fundação. que procuraram enfrentar o desafio de construção de um modelo assistencial dirigido aos portadores de sofrimento mental. sendo financiado pelo Acordo de Cooperação Cultural Bilateral entre Brasil e Itália através do Ministério da Educação no Brasil e Ministero Degli Affari Esteri . a Reforma Psiquiátrica significou uma ênfase crescente na estruturação de serviços de saúde mental fora dos hospitais psiquiátricos. Olimpio. 12 13 Professores orientadores. correlacionando a história do Hospital com a Reforma Psiquiátrica. Assim. 168 www.psiquiatriamg.Palavras-chave: Neuropsicologia. a emergência de uma série de projetos voltados para reformulação da assistência psiquiátrica.br/jornada_sudeste . Memória. mas também no panorama nacional. reagindo e respondendo de maneira complexa ao movimento crítico que posteriormente tomaria a forma da luta antimanicomial. foram coletados dados de campo e bibliográficos/documentais. O período de revisão bibliográfica foi de 1986 a 2007. Ela retrata um momento histórico da autocrítica e de esforço de transformação. monografias e vídeos. Atenção. Conclui-se que a participação desta instituição no cenário da assistência psiquiátrica mineira é seminal para aquilo que se configurou na década de 80. Débora Gusmão13 Instituição: Centro Universitário Metodista Izabela Hendrix A Reforma Psiquiátrica no Brasil foi um conjunto de iniciativas públicas. A pesquisa é de caráter histórico e qualitativo com o objetivo de resgatar a memória do Hospital de Ensino Instituto Raul Soares – HEIRS. entrevistas com técnicos que fundaram o Hospital Dia e participaram da construção do serviço. Transtornos afetivos e Depressão Obs: Este estudo foi realizado durante o curso de doutorado na Universidade de Pisa. Motta. não somente em Minas Gerais. resultantes de pressões societárias. década de 20 do século passado. Débora Naves12 Danieli C.Italia REFORMA PSIQUIÁTRICA O HOSPITAL PSIQUIÁTRICO NA REFORMA Juliana M. Acadêmicas de Enfermagem.

Objetivos: Incentivar a socialização dos usuários. Palavras-chave: Saúde mental. quando preparam e degustam o chá. O produto final transcende o cuidado com o espaço da horta e a produção do chá. Sérgio Cardoso. Bastos. A oportunidade de opinar e discutir sobre as temáticas propostas podem repercutir positivamente no cotidiano dessas pessoas. Serviço substitutivo. de forma a favorecer o aumento de vínculo entre eles mediante a atividade de cuidar do espaço da horta.org. permite a participação ativa de vários usuários. Terapia Ocupacional. no município de Belo Horizonte. com duração de 30 minutos.br/jornada_sudeste . desde 2005. colheita e secagem. respeitando a limitação e habilidade de cada um. Introdução: O presente trabalho refere-se ao relato de experiência da oficina Dedo de Prosa que acontece. e também lidam com a necessidade de respeitar e reconhecer a singularidade de si e do outro. preparar o chá e discutir temas de interesse do grupo. Contato: Profa. adubagem. acontece na horta de plantas medicinais. Os usuários conversam sobre temas corriqueiros fortalecendo os laços sociais e aliviando suas tensões. O primeiro momento. Michele Abreu Soares Instituição: Departamento de Terapia Ocupacional da Universidade Federal de Minas Gerais. como plantio. alcançando as relações interpessoais.RELATO DE EXPERIÊNCIA EM SERVIÇO SUBSTITUTIVO OFICINA DEDO DE PROSA Simone C. Resultado/Discussão: A oficina. de 13 usuários. Esta oficina é coordenada pelo farmacêutico do serviço em parceria com os estagiários curriculares do oitavo período do curso de Terapia Ocupacional da Universidade Federal de Minas Gerais.br 169 www. Giziane Oliveira. Trabalho em equipe. com discussão de temas eleitos pelos usuários. Simone Costa de Almeida Bastos – 3409-4790 / 8739-0043 – e-mail: salmeida@ufmg. O segundo momento. Metodologia: Atendimento semanal realizado no CERSAM com a participação. no Centro de Referência em Saúde Mental (CERSAM) da Regional Leste. ocorre em uma sala.A. O espaço da horta permite estabelecer uma conexão com o repertório ocupacional de alguns usuários e possibilita que o momento de socialização se inicie já nesse espaço. onde ocorre o manejo destas. em média.psiquiatriamg. por suas diferentes etapas. Plantas medicinais.

br/jornada_sudeste .psiquiatriamg.org.170 www.

org.psiquiatriamg.CONFERÊNCIA www.br/jornada_sudeste .

br/jornada_sudeste .172 www.org.psiquiatriamg.

a psicose de vestes. a obsessão de idéias. A.1 O "invólucro formal do sintoma" varia segundo a época: a histeria muda de cara. angústia e a morte. Quinet. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Editor. 173 www. a psicanálise vem lidando com praticamente as mesmas referências diagnósticas empregadas por Freud. que. Assim toda e qualquer hipótese etiopatogênica é excluída. voltando-se para uma descrição que seja partilhada pela maioria dos psiquiatras do mundo. pseudo novos males? À nosografia psiquiátrica em constante mutação com sua série de DSM. devem ser eliminados com medicamentos. as estruturas clínicas permanecem as mesmas e se declinam para a psicanálise conforme a maneira com que o sujeito lida com a falta inscrita na subjetividade.diante da qual o analista não deve recuar – nosografia conforme a posição do sujeito no Édipo em relação ao gozo.Noite 18:00 h Conferência – Teatro Oromar Moreira Tema: A FUNÇÃO SOCIAL DO SINTOMA Conferencista: Antônio Quinet SINTOMA OU TRANSTORNO? reatualizando a interconexão entre psiquiatria e psicanálise Os tipos clínicos clássicos da neurose (histeria.org. formações de compromisso entre as diversas instâncias do aparelho psíquico. psicose e perversão . novos remédios. Os manuais de diagnóstico são deliberadamente ateóricos. se diferencia da nosografia psicanalítica das estruturas clínicas. é abandonar a clinica feita propriamente de sintomas que remetem a uma estrutura clínica. perversão e psicose. em neurose. As 4+1 condições de análise. Ou será que é o avesso – a novos remédios. isto é. Essa evolução acompanha o desenvolvimento da ciência: a novos males. que é a estrutura do próprio sujeito. Ao substituir as doenças próprias da psiquiatria clássica por transtornos opta-se mais pela descrição e pela comunicação desses fenômenos entre colegas que por uma clinica em que cada caso seja efetivamente um caso e onde os fenômenos sejam considerados sintomas. a lei. ou seja. O atual movimento de desaparecimento de entidades clinicas dos manuais de diagnóstico (DSM e CID) descritas pela psicanálise não estaria dificultando a aplicação hoje em dia da relação de interconexão entre psiquiatria e psicanálise proposta e almejada por Freud? 1 Cf. Isto porque se as formas dos sintomas mudam de acordo com o discurso dominante na civilização. neurose. falta que condiciona a modalidade de cada um se haver com o sexo.br/jornada_sudeste . por consegüinte.psiquiatriamg. 1991. Fundar uma prática de diagnóstico baseada no consenso estatístico de termos relativos a transtornos. Enquanto os critérios de diagnóstico têm variado e se amplificado na psiquiatria contemporânea. o desejo. E dos tipos clínicos da psicose encontramos apenas a esquizofrenia e não mais a paranóia nem a melancolia. neurose obsessiva e fobia) não mais se encontram no DSM IV ou no CID 10.

Assim os sintomas deixam transparecer algo inaparente que é necessariamente um estado patológico determinado.br/jornada_sudeste . 1977. ou melhor. o que foi continuado pelas diversas correntes da psicanálise inclusive por aquela em que nosso projeto se inscreve que é a de Jacques Lacan. um pouco em recato. Ele parte de uma análise lingüística do sintoma. dificuldade para respirar não são a própria pleurisia mas permitem um estado patológico. Para a psicanálise se tudo é estrutura. M. descreve o nascimento da medicina da qual a clínica psicanalítica é. Tosse. dor lateral. p. por definição. Os sintomas deixam transparecer a figura invariável. O nascimento da clínica. de uma certa forma. derivada. é o que está mais próximo do essencial. Freud construiu as entidades clinicas da psicanálise com base na nosografia da psiquiatria clássica. “O sintoma – daí seu lugar de destaque – é a forma como se apresenta a doença: de tudo que é visível. e da inacessível natureza da doença. visível e invisível. O sintoma e o pathos Michel Foucault em O Nascimento da Clínica. Σ Patologia S s Por outro lado o sintoma médico se vincula sempre a outros sintomas cujo conjunto define a doença. O conceito de gozo em Lacan corresponde ao poder para além da função da fala e do campo da linguagem.101102.que um diagnóstico aparecerá como conclusão do processo de investigação. O sintoma é portanto um fenômeno que. é na construção do caso clínico – a partir de um saber sobre a subjetividade particular de cada paciente que a psicanálise permite elaborar . sobretudo no que diz respeito ao sintoma.org. da doença”. 2 174 www. ele é a transcrição primeira. definindo-o de início como um significante cujo significado é a doença. A abordagem de Foucault sobre o sintoma é uma abordagem estruturalista. tanto deriva quanto rompe com a clínica médica. Editora Forense-Universitária. reina a pulsão de morte que é irrepresentável. febre.3 A doença como algo da órbita do invisível é tornada transparente pelo sintoma. ele. que é parte da estrutura psíquica (apesar de não ser um elemento da estrutura significante). a dor lateral (S’’) e a dificuldade de respirar (S’’’) e essa cadeia significante de sintomas (Σn) têm necessariamente um significado: a doença pleurisia. A tosse (S) se articula com a febre (S’). a qual para os estruturalistas corresponde à própria estrutura2. 3 Foucault. Esse gozo é representado na fantasia pelo objeto a. Rio de Janeiro. o significado do sintoma como significante é sempre patológico.Como não temos na psiquiatria a autópsia que venha confirmar a doença da qual o sintoma seria o sinal. se opõe ao estado de saúde.psiquiatriamg. o que significa que sua referência é a linguagem. Na sua articulação significante com outros sintomas ele “faz" a doença. nem tudo é linguagem pois no silêncio do simbólico. constituído por significantes. Na clínica médica.

psiquiatriamg. ditos normais. um signo mórbido. o sintoma é um sinal do sujeito. há um pathos como padecimento do sujeito. Este transforma o sintoma em um significante que significa imediatamente a doença como sendo a sua verdade. uma paralisia. como decifração do inconsciente. mas não o sinal de uma doença. O sintoma para psicanálise não revela a verdade de uma doença orgânica. O sintoma da afonia de Dora mostra uma satisfação oral. a paixão do sujeito que é paixão pelo sexo. O que Freud descobre na análise das histéricas é que o sintoma se forma como os processos. pois o sentido de todo sintoma é sexual. a Srª K. ao fantasiar o pai neste tipo de relação sexual com sua amante. A operação médica consiste em transformar “o sintoma em elemento significante e que significa precisamente a doença como verdade imediata do sintoma”. O sintoma como significante para a psicanálise tem um significado sexual. o significado de um sintoma para a psicanálise não é a patologia. Por outro lado. Fazer do sintoma um sinal da verdade tornou-se um ideal médico: “para um médico cujos conhecimentos sejam levados ao mais alto grau de perfeição. O sintoma para a psicanálise. ou seja. é propriamente falando patológico. do sonho.br/jornada_sudeste . em quem ela adorava seu próprio enigma de ser mulher. porque eles têm exatamente a mesma estrutura. É também um sinal. Como para a medicina. já que ele padece da estrutura da linguagem. Assim. o sintoma não remete a uma doença que poderíamos encontrar uma comprovação patológica na autopsia. é necessário a intervenção de um ato que será efetuado pelo olhar médico. que é o significado sexual do sintoma. ou seja. é diferente do que é a tosse para outro sujeito. e o sintoma revela esse duplo padecimento pois ele é tecido de linguagem e é a forma de satisfação sexual do neurótico. o estabelecimento de relação do significante com o significado. não remete a um significado generalizável nem um significado patológico. é uma maneira de gozar do neurótico. Essa fantasia. por ele remeter em última a uma modalidade de gozo. ou uma idéia parasitária obsessiva. também para a psicanálise o sintoma é um significante porem não com o significado patológico. é um destino pulsional que a análise. É surpreendente Freud afirmar que um sintoma como uma tosse. o significado do sintoma tosse de um sujeito. do chiste e dos lapsos. O sintoma. Assim. fazendo assim do sintoma um sinal.Σn doença Para que haja essa relação entre o sintoma e a doença.org. O sintoma é a fumaça e o fogo é o sujeito. Eis a operação clínica fundamental. O que faz com que se rompa aí a barreira entre o normal e o patológico. O sujeito padece da linguagem e do sexo. por exemplo. o que não quer dizer que ele não revele uma verdade: trata-se da verdade do sujeito do inconsciente. Para psicanálise. desvela. e como sinal. só pode ser considerado patológico por ser referir ao pathos. na medida em que o sujeito está 175 www. todos os sintomas poderiam se tornar signos”.

o trauma. Freud terminou concluindo que esse trauma. só era possível inferi-lo ou supôlo. responder à interrogação do desejo que se apresenta como desejo do outro. em que era desvelado o real da doença. Para além dessa esperança. inicialmente dentro do ideal de ciência. Freud abandonou a busca de um real histórico que pudesse realmente mostrar a origem do sintoma sem. estabelecendo-se assim a relação entre sintoma e doença. Mas a psicanálise faz valer o sujeito no sintoma considerando ele mesmo como uma manifestação subjetiva. Freud. No caso de “O homem dos lobos”. Sua prova porém não era a autópsia e sim a prova do trauma. um caso não servindo de modelo para o outro. como um real vivido. por serem da ordem da fantasia. foi como teoria na psicanálise o equivalente analógico da autópsia na medicina.psiquiatriamg. pois fazem parte da realidade psíquica do sujeito. o que faz Freud recomendar que em cada análise é toda a psicanálise que deve ser refeita. que é a castração para ambos os sexos. a psicanálise demonstra que o significado de cada sintoma é sempre particular. quem sabe um dia. manteve a esperança de que. pois nenhum caso é igual ao outro. de uma certa forma. Há algo no corpo que resiste a ser totalmente apreendido pela ciência. portanto. Freud buscava. encontrar o ponto traumático do sujeito em uma cena que ele realmente tivesse vivido que seria a base real do sintoma. tentou ir atrás desse real último que desse a prova da veracidade do sintoma. E com isso registrava-se o caso que entrava na estatística. fazia-se uma autópsia e descobria-se uma lesão. Toda vez que se encontrava uma pessoa que tinha um sintoma e morria. sendo necessário construir um saber novo para dar conta daquele sintoma – o que é efetuado a cada vez em uma análise. Freud chegou até a encontrar o dia e a hora exata em que o sujeito teria se confrontado com a castração e com a diferença dos sexos. O sintoma na medicina tem relação com a estatística. Freud. Essas cenas. A psicanálise rompe com a questão da estatística. faz com que se questione muito a psicanálise a partir do modelo científico: “como vocês não têm nenhum método estatístico para comprovar a veracidade e eficácia da atuação do psicanalista?” Ora. Freud de fato abandonou seu projeto cientificista. 176 www. sabemos que isto nem sempre é encontrado e muito menos na psiquiatria. O que confere cientificidade à medicina são as provas que vão desde a anatomia patológica até a formula matemática. conservando. O fato de o método estatístico ser totalmente alheio à psicanálise.padecendo do sexo e tenta.org. Ora. um substrato anatomofisiológico de um real orgânico para as teorias que estava desenvolvendo. Mas na própria medicina. pois o corpo não está desvinculado do inconsciente e da pulsão e seu real não corresponde ao real da ciência. as ciências iriam descobrir uma base.br/jornada_sudeste . desde a constituição de sua clínica. dentro do ideal cientificista da sua época. recuar diante de um outro real. no entanto. que se encontra na origem causal dos sintomas. nem por isso deixam de ser traumáticas. tanto a exigência de transmissibilidade própria da ciência quanto a referência ao real dentro da sua teoria do sintoma. o que o fez passar da teoria universal do trauma à teoria da fantasia particular que se encontra na base do sintoma. com essa resposta sintomática. sempre traumático. Por outro lado.

p. mas se interpreta como algo de uma verdade desconhecida que o questiona e da qual ele gostaria de saber. O “sintoma”. s por exemplo. Ela transformou a verdade em uma letra (V) que não só permite a constituição de “tabelas de verdade” dos conectores lógicos como também a multiplicação de objetos fabricados. Escritos. se opõe a uma clínica de ciência que objetiva o sintoma para produzir mais uma fórmula que receba o V da verdade e da vitória no processo de colonização do real pelo simbólico. Eis uma grande diferença da interpretação da verdade do sintoma.br/jornada_sudeste . “Alétheia”. nem por isso ele deixa de falar a verdade: o sintoma fala a verdade do sujeito.psiquiatriamg. A abordagem do sintoma pela via da verdade do sujeito. Ao interpretar esse sintoma como algo da ordem orgânica. a balança é o símbolo da justiça desde os antigos egípcios. tal como a psicanálise propõe. seu sintoma tem algo da verdade que a psicanálise pode resgatar. O sintoma é um símbolo da verdade do sujeito que não é indelével pois está escrito na “areia da carne” sendo portanto movediço. É no registro da verdade do sujeito e da subjetivação da verdade que se situa a ética que se vincula à clínica psicanalítica na abordagem do sintoma. Mas esquece-se. procurará um médico ou um analista. Jorge Zahar Editora. que você esbarra e não consegue ultrapassar. O sintoma faz sofrer. Assim como Termo inventado por Lacan a partir da palavra grega Alétheia (verdade) para designar os objetos produzidos pela ciência como verdadeiros (O seminário. O sintoma aparece. diz Lacan. 4 177 www. que a subjetividade faz parte de toda a objetividade5. 5 Heidegger. a verdade não é só objetividade. O avesso da psicanálise). É um lugar que contém uma verdade para o sujeito. como na medicina. 1998. “é o significante de um significado recalcado da consciência do sujeito. A ciência foraclui a verdade do sujeito por se interessar apenas em formalizar objetos. M. é o que faz com que as coisas não funcionem. então. “latusas”4. ou ainda um padre ou um pai de santo. trata-se da verdade formalizada.. Gallimard. que se apresentam a nós como candidatos a objetos do desejo. Nesse segundo caso. como objetos de verdade. 313. Na ciência. necessário saber ler na areia pois ele está à vista e não enterrado. Para lê-lo é. ele pode vir a procurar um analista. Paris. 1958. 6 Lacan. Rio de Janeiro.O sintoma – verdade Se o sintoma para a psicanálise não é a verdade da doença. ele tende a procurar um médico.. Essais et conferénces. como um monumento da verdade que o sujeito deve decifrar. no entanto. J. ele é como uma cruz na estrada. 282. como lembra Heiddeger em seu texto “Alétheia”. ele participa da linguagem pela ambigüidade semântica que já sublinham em sua constituição”6. símbolo escrito na areia da carne e no véu de Maia. p. livro XVII. e dependendo da interpretação que ele lhe der. O sintoma-símbolo indica sua constituição metafórica S como. O sintoma é o lugar do sofrimento que proporciona satisfação sexual para o neurótico sem que ele o saiba.org.

org. Na clínica. é atravessado inteiramente pelo problema de sua verdade”.br/jornada_sudeste . Em seu texto Alétheia. é passível de esquecimento.8 Podemos aqui justapor no dizer de Lacan em seu texto “Formulações sobre a causalidade psíquica” que a “linguagem do homem. nesse texto. como des-velamento”. porém. 178 www. A dissimulação do que está velado constitui. O sintoma escrito no véu de Maia está na cara e sua verdade é escamoteada. para ele. esse instrumento de sua mentira. ocultação. O Logos é nele mesmo simultaneamente desvelamento e velamento. J. À concepção da verdade que refletiria a correlação entre a proposição e a coisa. Essas características da Alétheia. Esse mistério. 167. A A-letheia repousa na Lethé (velamento). mas necessita deste para mostrar (déployer) seu ser tal como é.também não está sob mas sobre o véu de Maia. para acentuar que o esconder-se apraz ao desvelar-se e que a emergência como desvelamento de si mesmo conserva o esconder-se: é o esconder-se que garante seu ser ao desvelar-se. Paris. segundo Heidegger. apesar de não ser eliminado por ele. coloca adiante o que por ela é mantido retraído. o mistério que não só faz parte da verdade mas domina o Ser–aí (Dasein) do homem.7 O velamento é dissimulado. p. como não-escondido. A tradução da verdade como não-velamento ou desvelamento mostra que a verdade contém tanto o desvelamento quanto o velamento.psiquiatriamg. Eis o que podemos ler em seu texto “Logos”: “O desvelamento é a Alétheia. Essais et conférences. p. Escritos. O Legei (o dizer) deixa o não-escondido estender-se diante. a verdade é velamento e sua negação. que o “desvelamento. cit.9 7 8 9 Heidegger. Esta e o Logos são a mesma coisa. ou seja. M. Heiddeger opõe uma definição da verdade à partir da própria etimologia da palavra alétheia (verdade) que é composta do “a” privativo e “leteia” que vem de léte. 267. op. velamento. seguindo uma tradição filosófica iniciada por Platão. 328. Todo desvelamento extrai a coisa presente do ocultamento. Heidegger as encontra no Logos que ele acaba identificando à própria verdade como des-velamento. a emergência desse mistério ao qual Heidegger se refere corresponde à suspensão de seu esquecimento promovendo a abertura à interrogação e ao enigma do desejo que leva ao deciframento do inconsciente. Lacan. o mundo em si. Esquece-se que há algo velado pois o velamento está dissimulado. O desvelamento necessita o ocultamento. Gallimard. não somente não exclui jamais o velamento. ele se detém no fragmento 123 que assim ele traduz: “O emergir (fora do esconder-se) favorece o esconder-se”. Em outros termos. nela bebe. Heidegger. Heiddeger chega à conclusão. Essa expressão é utilizada por Schoppenhauer (a partir do deus hindu Maia que representa a ilusão) para designar o mundo fenomênico das aparências e das percepções que. 1958. Alèthea. Heidegger traduz αληθεσια por não ocultamente que é o “traço fundamental do que já apareceu e deixou atrás de si o ocultamento”. se situa em oposição ao mundo escondido que seria o verdadeiro. na medida em que sua constituição utiliza a propriedade de equivocidade do significante. p. Ele é Alétheia”.. Partindo do comentário de fragmentos de Heráclito. “Logos”. M.

imaginário. o saber da psicanálise se situa no registro simbólico e implica conceitos e matemas. meu pai morre”.10 Diferentemente do conhecimento. Eis o elemento universal diante do qual o sujeito se divide: fonte da verdade sobre o qual ele não quer nada saber. marca na própria fala a irredutibilidade do véu da verdade. e sabemos pela doutrina freudiana que nenhum real participa mais dele do que o sexo”. como arma contra o sintoma. como desenvolveremos adiante. J. O “efeito de verdade culmina. deve ter essa mesma estrutura. (ϕ). ou seja. Por mais que o sujeito diga – e diga bem – sua verdade. A interpretação analítica. da ordem do semi-dizer da verdade.Mas a verdade. nem intuitivo sendo necessário a elaboração de um saber para apreende-la. diz Lacan.11 A primazia do significante sobre o significado que. e que constitui a equivocidade estrutural da linguagem.org. que se desvela no inconsciente e no sintoma. 367. onde podemos situar o padecimento do sujeito do sexo e da linguagem. p. Este padecimento Freud o nomeou de castração. pois esse contorno vai no sentido inverso ao de intuições muito cômodas para sua segurança”. Escritos.br/jornada_sudeste . A verdade do sintoma é correlativa à própria estrutura do inconsciente. O analista não desvela inteiramente a verdade do sintoma não porque seja recalcado mas por que é impossível. desejar e anular seu desejo. Lacan aponta a articulação da verdade linguageira com o real do sexo. que se situa no plano do imaginário e implica o desconhecimento e o não-reconhecimento (duas acepções do termo méconnaissance). Ela tem a característica da idéia obsessiva de fazer o sujeito querer e não querer. Para apreender o enigma da verdade é necessário tomar o que se diz ao pé da letra e seguir a disciplina do significante. “O efeito de verdade. ela mesmo. A ética da psicanálise no registro sintomal pode assim ser resumida: passar do semi-dizer do sintoma ao bem-dizer o sintoma. perceptivo. O recalque primário é uma face da verdade do sintoma. compreendido como velamento-desvelamento. faz a significação sempre recuar. 10 11 Lacan. não é nem espontâneo. A verdade se encontra na intersecção entre o simbólico e o real. A impotência do sujeito em conhecer sua verdade e por conseguinte a verdade do sintoma revela-se no final como impossibilidade estrutural imanente à questão da verdade. p.psiquiatriamg. ao vincular Heidegger com Freud. Por outro lado. o que no entanto. por mais que ele seja dito (decifração do sintoma). elaboração e construção. num velamento irredutível em que se marca a primazia do significante. exige do saber uma disciplina inflexível para seguir seu contorno. 367 179 www. a estrutura permanece a mesma. Lacan. J. O que está bem distante do conhecimento intuitivo. Escritos. só podendo portanto ser semi-dita. algo dele permanecerá na ordem do não-dito. distinta da principal que é aquela relativa a da dívida relacionada ao suplício dos ratos infringido à dama e ao pai. Essa outra idéia se formula na seguinte frase: “Se eu vir uma mulher nua. pode ser desvelada. Como esse ponto da verdade se manifesta no sintoma? Tomemos como exemplo uma das idéias obsessivas do homem dos ratos. ou seja.

aparece a divisão do sujeito que deseja aquilo contra o qual ele se defende manifestando aí a verdade do sujeito. evidenciando a verdade de sua divisão. A própria definição do sujeito implica essa divisão. que é o ataque histérico. a mulher por mãe encontramos exatamente a ficção edipiana de matar o pai e gozar da mãe. no corpo como no caso descrito por Freud do ataque histérico que é outro exemplo de manifestação da verdade-castração.pois este vem acoplado a uma sanção. no caso. classicamente. Esse é o poder do sintoma que desafia o saber da ciência. Vemos aí a articulação da angústia com o desejo que faz com que o sujeito. expressando assim a divisão do sujeito. Ao substituir. são uma só coisa. nessa frase do sintoma. Na decomposição desse sintoma. O sujeito é a castração. Essa articulação do desejo com a lei. o sujeito encontra uma figura da castração – a morte – incidindo numa pessoa querida. 180 www. utilize o recurso da evitação em relação ao seu próprio desejo. depreendemos claramente a própria estrutura do Complexo de Édipo. o pai. Eis o ponto de verdade presente em todo sintoma. Na histeria.psiquiatriamg. vemos a articulação do desejo com a lei manifestando então aquilo que ele deseja como uma proibição. a divisão do sujeito é mais evidenciada pois incide. Ao desejar.br/jornada_sudeste . verifica a verdade do sintoma: o sintomacastração. Trata-se de um poder que se opõe ao poder do comando: é o poder da hiância atrelado à falta e correlativo à divisão subjetiva. Nesse sintoma do homem dos ratos. Podemos fazer dessa frase-sintoma uma equação ao desdobrá-la em duas proposições e ligá-las com o conector lógico da implicação: Ver uma mulher nua – x Meu pai morre – y O sintoma se equaciona: [x → y]. e sua sanção de castração. particularmente o sujeito obsessivo. pois nada mais é do que o correlativo da castração. Trata-se de uma mulher que em pleno ataque histérico levanta a saia com uma mão e com a outra a abaixa representando assim aquele que está assediando-a sexualmente e ela mesma se defendendo. A descoberta freudiana é a descoberta do poder da verdade das formações do inconsciente. a qual que é incurável.org. Trata-se de uma lei que proíbe aquele desejo e ao mesmo tempo o sustenta pois o desejo e a lei não estão desvinculados no neurótico. Nesse sintoma agudo.

org.br/jornada_sudeste .psiquiatriamg.ÍNDICE DE AUTORES www.

.org................................................................................................................................................................................................. 100 182 www................................................................................... 41 “Os novos velhos desafios na saúde mental” João Ferreira da Silva Filho.......... 28 “O caso da Secretaria Municipal de Saúde do Rio de Janeiro” Mário Barreira Campos/Sérgio Levcovitz ............................................................................................................................................................. 81 “Transtorno de Personalidade Anti-Social: Clínica e Responsabilidade Penal” Alexandre Valença .......................................................................................... 36 “O lugar da família nos cuidados do portador de sofrimento mental” Pedro Colen .................................................................................................................................. 27 “A psiquiatria entre o saber e a verdade” Hélio Lauar .....br/jornada_sudeste ................................ 39 MESAS REDONDAS “Homicídio em Psiquiatria” Alan de Freitas Passos......................................................................... 30 “Relação entre Psiquiatria e PSF em cidade de pequeno porte: a experiência de SerroMG” Juarez de Oliveira Pessoa....................................................................................................... 21 PAINÉIS “Psiquiatria científica” Carol Sonenreich .............................................................psiquiatriamg.................................. 37 “Psiquiatria e coletividade” Uriel Heckert ..................................................................................................................................................... 87 “Comportamento violento na esquizofrenia: clínica e abordagem farmacológica para casos comuns e refratários” Alexandre Valença .............................................................................................................................................................. 45 “Psiquiatria e outras especialidades médicas” Marco Antônio Brasil ...................................ÍNDICE SEMINÁRIO DE ENSINO “A Residência de Psiquiatria do IRS de 1968 a 2008: notas preliminares” Hélio Lauar ..................................................

.org.............................................................................................. 66 “Transtornos de conduta ......................................................................................................................... Valadares/Débora M............... Costa/Humberto Corrêa/Wolfanga L................. um comportamento complexo” Humberto Corrêa ....... 52 ”Tratamento farmacológico do TAB: uma revisão crítica” Elie Cheniaux Júnior ................... 83 “Espectro Obsessivo Compulsivo: contribuições para a clínica” Hélio Lauar .......................... Miranda/Érico C................................................................................................................................. 79 “Anorexia nervosa” Fátima Vasconcellos ........................... de Marco/Marco A.........“Anorexia e bulimia nervosa: casos graves” Ana Raquel Corrêa e Silva ..... 63 183 www.....................diferenças entre ato transgressor ou criador” Cristina Luce ................................................................................................................................................................................................................................................. 86 “Psiquiatria e cidadania” Francisco Goyatá .............................. 88 “A condução do tratamento na velhice: por uma clínica do sujeito” Ângela Mucida .............................. Fábregas ........................................................................................................................................ ............................................................................................................................................ 87 “Violência e homicídio na clinica da psicose” Fernanda Otoni de Barros ....................psiquiatriamg.........................br/jornada_sudeste ............ Romano-Silva ........................................................................................................................................................................................... 80 “A importância do conceito de angústia para a Psiquiatria atual” Eduardo Gastelumendi ......... 113 “Atenção compartilhada no desenvolvimento infantil” Antonio José Nunes Ferreira ................................................................................................................................................................ 50 “Avaliação do Protocolo e modus operandi atual” Cláudio Lyra Bastos ................................................................126 “Reflexões sobre a reforma da assistência psiquiátrica” Antônio Schirmer .............................................................................................. 75 “Transtorno disfórico pré-menstrual em mulheres belo-horizontinas” Gislene C........................................ Boson/Luís A.................................... 97 “Transtornos psiquiátricos em pacientes com hepatite C” Bruno C........ 56 “Suicídio..................................................................... 106 “Quando falham as defesas” Gilda Paoliello ......

.................... 49 “O conceito de angústia e suas relações com a doença maníaco-depressiva e as depressões recorrentes” João Romildo Bueno ................................................................................................. Henriques/Thaís E........................................... 109 “Proposta de novo Protocolo” Mercêdes J...................................................... 120 “Relação entre depressão e quadros clínicos nos idosos: desafios terapêuticos” Sandra Carvalhais .......................... 95 “Os aspectos cognitivos da esquizofrenia e implicações para o tratamento” João Vinícius Salgado ................................... caracterização e associação com agravos à saúde física e mental” Maria Carmem Viana/Sílvia da Matta/Raquel Altoé/Tainá C........................... 67 “Uma escuta do nosso tempo: violência e a drogadicção” Regina Teixeira da Costa ................. 68 “Neuro-imagens” Marcos Alexandre Gebara Muraro .................................................................“Transtornos Alimentares” João Eduardo Vilela .....................................................................................O.........br/jornada_sudeste .............................................................................................. Vieira ............................................................................. 84 “O trabalho da arte e subjetividade na esquizofrenia” Maria Cristina Reis Amendoeira .................................................................................................... Alves ....................................... 117 “Linguagem do afeto nos transtornos depressivos” Juarez Oliveira Castro/Patrícia Vieira Sales/César Reis/Ana Cristina Côrtes Gama ..org................................................................................................................................................ 80 “Apnéia obstrutiva do sono em idosos e suas repercussões clínicas” José Soares Mól Filho ..................................................................... 57 184 www....................................................................... 70 “Conceito de ‘transtornos depressivos menores’” Marco Antônio Brasil ........................................................ Almeida/André E................................................................................ Henriques/Bruno Lorentz/Raphael Doyle Maia/Gustavo M.................. 92 “Violência doméstica em mulheres de baixa renda internadas na Santa Casa de Misericórdia de Vitória: prevalência.................................. 51 “Depressão: tratamento padrão e refratariedade” João Romildo Bueno ....................................................................................... 119 “Efeitos terapêuticos rápidos no tratamento de uma neurose obsessiva” Sérgio de Campos ....................................psiquiatriamg. 62 “Estigmas e realidade” Marcos Alexandre Gebara Muraro ..............................................

...................................... 142 “Psicopatologia” Maurício Viotti Daker/Elie Cheniaux Júnior ............. 131 “Psiquiatria e cidadania: a nova clinica” Hélio Lauar ............................................... 96 MESA EIXO “A formação do psiquiatra: ciência e ética” Eduardo Gastelumendi ....“Violencia doméstica.......... abuso sexual: Una causa de suicidio que muchos callan” Silvia Peláez .................................................................................................................................................................................................................... 66 “Depressão e puerpério” Virgínia Loreto .............................psiquiatriamg................................................................................................................................ 161 “Seria a ausência de amusia em paciente que nunca falou um indício de afasia?” Camila Milagres Macedo Pereira .........................................................................................br/jornada_sudeste ........................................................................................ 65 “A construção da subjetividade nas psicoses delirantes” Simone Scarioli ..................................................................................................................................................................................... 141 PÔSTERES “NIAB – uma equipe interdisciplinar” Ana Raquel Corrêa e Silva ........................................................................ Elaboração das perdas: luto........org.............................................................................................................................................................................................................................................................................................. suicídio e finitude” Maria Cristina Reis Amendoeira ..................... 133 CURSOS “Manifestações psíquicas e comportamentais nas demências” Almir Tavares/Jerson Laks ............................................................ 147 185 www. 86 “Adulto” Wander Lemos ... 69 “Dispensação dos antipsicóticos atípicos no ES” Vicente Ramatis ...................................................................... 141 “Aspectos psicodinâmicos do envelhecimento....................................... 103 “Banalização da depressão e seu tratamento” Sylvio Velloso ..............................................

... Ferreira ................................................................................................................................................................................................................ 149 “Esquizofrenia catatônica” Júlia Coutinho Nunes Castilho .........................................br/jornada_sudeste ................................................................................................ 153 “O papel do psiquiatra no transtorno de personalidade anti-social em conflito com a lei penal brasileira: análise de um caso” Karla Cristhina Alves de Sousa ........................................... 159 “Terapêutica psiquiátrica na atrofia cerebral infantil” Luís Guilherme de Mendonça ................. ............................................................................................. 154 “A eficácia da clozapina sobre o comportamento suicida” Mauro Tavares Paes ..................... 157 186 www....... 150 “O serviço residencial terapêutico em belo horizonte de volta à sociedade” Júlia Coutinho Nunes Castilho ............................. 152 “Tentativa de suicídio: desfecho de um caso de sofrimento mental ocasionado pelo trabalho não detectado em exame médico periódico” Karla Cristhina Alves de Sousa ......................................... 156 “A reinserção social de um esquizofrênico após trinta anos de hospitalização” Samira Soares Jacob .............................................................................psiquiatriamg.................................................................................................................... Macedo ...................................................................................................................................................................................................F.............................................. 151 “O hospital psiquiátrico na reforma” Juliana M............... 168 “Acompanhamento terapêutico: relato de uma experiência” Danielle C........................................................................... Olímpio . 165 “Anorexia nervosa e comorbidades psiquiátricas: um relato de caso” Rodrigo A.........................................................................................................................“O hospital psiquiátrico na reforma” Danieli C.....................................................................................................................org........................................... Motta ................................................................................ 162 “Abordagem psicoeducacional em um grupo de cuidadores e familiares de portadores de transtornos do humor” Júlia Diniz Baptista ........ 163 “Manifestações neuropsiquiátricas de doenças parasitárias comuns no Brasil: uma revisão da literatura” Pablo George Vieira Guedes....... 148 “Manifestações psiquiátricas da síndrome pseudobulbar na infância” David Albanez Campos ........ 168 “Sucesso da terapia cognitivo-comportamental no tratamento da migrânea enquanto expressão corporal da ambivalência afetiva em um paciente obsessivo” Karla Cristhina Alves de Sousa ......................................................................................

................................................................................................... Bastos ........................................ 166 “Memória e atenção em transtornos do humor” Valéria de Queiroz ........................A....“Eletroconvulsoterapia no tratamento da depressão associada à demência” Sarah G......................................................................................................................................................................................................................................................................................... 158 “O uso da COPM na saúde mental” Simone C. 173 Apoio Associação Médica de Minas Gerais Conselho Regional de Medicina MG Departamento de Psiquiatria e Neurologia da Faculdade de Medicina de MG Fundação Hospitalar Estado de Minas Gerais Residência em Psiquiatria da FHEMIG/Instituto Raul Soares Residência em Psiquiatria Infantil da FHEMIG Residência em Psiquiatria do Instituto de Previdência dos Servidores do Estado de MG .............................................................................. 167 CONFERÊNCIA “Sintoma ou transtorno?” Antonio Quinet .............................. corpo e linguagem” Tammy da Silva Amaral ............................................ 164 “Avaliação das funções executivas em pacientes eutímicos com transtornos afetivos” Valéria de Queiroz ..................................................A...................... 160 “Oficina Dedo de Prosa” Simone C................................................................. Bastos ................. 169 “Anorexia e psicose: sujeito.......................................... Fonseca ......IPSEMG Residência em Psiquiatria do Hospital das Clínicas da UFMG Residência em Psiquiatria do Centro Hospitalar Psiquiátrico de Barbacena/FHEMIG Secretaria de Saúde do Estado de Minas Gerais Secretaria Municipal de Saúde de Belo Horizonte UNIMED .......

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