Você está na página 1de 3

A sociedade civil e o governo local do município de Novo Hamburgo/ RS – Brasil, estiveram reunidos, no dia 25 de janeiro de 2012, na realização do Fórum

Social Temático 2012 debatendo o tema da Sustentabilidade Urbana. O Fórum foi organizado pelo Comitê Municipal integrado por representações de organizações sociais da sociedade civil e da prefeitura de NH. O recorte Sustentabilidade Urbana deveu-se a relevância do tema e teve por objetivo proporcionar uma reflexão sobre a situação atual das cidades na economia capitalista que estimula o consumo e mercantiliza as relações humanas, produzindo ações que visando o lucro prejudicam a vida e ocasionam a degradação do ambiente. A programação do dia contou com o painel de abertura “O Desenvolvimento Sustentável e as Cidades: conceitos e práticas” e rodas de conversa que abordaram “Recuperação de áreas degradadas e arborização urbana”, “Ecologia interior – interação humana. O girassol”, “Kit Reciclei e sementes nativas”, “Energia solar fotovoltaica: livre de combustíveis fósseis”, “Projeto Peixe Dourado – conhecendo as águas dos arroios e banhados do meu município”, “Avaliação quantitativa e qualitativa na educação ambiental”, “Projeto Amigos da Água em nossa comunidade”, “Copa 2014: evolução ou regressão para as cidades”, “Sistemas de tratamento de esgoto com plantas macrófitas flutuantes” e “Mobiliário ecológico”. As oficinas trataram dos temas “Educação Ambiental: cidades ecologicamente corretas e incorretas”, “Artesanato – Economia Solidária”, “Mundinho – Ferramenta tecnológica na educação” e “Arte e Reciclagem - Catavida”. Além disso, foram realizadas visitas à Casa Ecológica do Centro Urbano de Práticas Ambientais e à Central de Triagem Roselândia que realiza a gestão de resíduos sólidos em NH. Exposições de iniciativas sustentáveis também compuseram o FST, como as apresentadas pela Economia Solidária, por algumas escolas e empresas da região, de forma presencial ou através de banners. Outras atividades fizeram parte da programação como uma mostra de vídeos, apresentações culturais que exploraram a mística latino-americana e o Forunzinho que inseriu o público infanto-juvenil nos debates, a partir dos princípios da Carta da Terra. Ao longo do dia, as atividades foram proporcionando uma maior compreensão sobre a cidade e aumentando o sentimento de pertença, de modo que ao final do dia, na plenária geral, tomou forma esta Carta de Intenções para uma Cidade Sustentável. Durante as atividades foram construídos instrumentos que pudessem identificar de forma concreta como cada atividade poderia contribuir para o aprofundamento das discussões e para a aplicabilidade, no cotidiano da vida nas

cidades, do conceito de sustentabilidade urbana, visando a construção de um modelo alternativo de cidade para “um outro mundo possível”. Por isso, a Carta objetiva contribuir para uma reflexão sobre o tema, uma vez que acreditamos que se fazem urgentes e necessárias estratégias que sejam ambientalmente sustentáveis, economicamente viáveis e socialmente igualitárias. Além disso, entendemos que o planejamento de tais estratégias deve respeitar a história, a posição geográfica, a diversidade cultural e biológica, enfim, as especificidades de cada cidade, sem perder de vista que ela é parte de uma matriz global. Entendemos a cidade como um organismo vivo em constante transformação que se constitui por diferentes dimensões – ambiental, social, econômica, política e cultural - e é permeada por relações humanas, sendo, portanto, resultado das nossas escolhas. Ao mesmo tempo, entendemos que não há apenas uma conceituação para o termo sustentabilidade, mas nos identificamos com aquele ou aqueles que se traduzem em práticas que satisfazem ou buscam satisfazer as necessidades reais do ambiente no presente, sem perder a perspectiva de futuro, e que são pautadas em princípios como a defesa da vida, a equidade, a ética e o respeito mútuo. Acreditamos que tais práticas, individuais e coletivas, promovem interações solidárias, possibilitam uma reconexão com a mãe natureza e podem contribuir efetivamente para uma restauração do ambiente e da situação socioeconômica dos países no mundo de forma equilibrada. Assim, ao longo do dia ficou claro que há procedimentos e práticas que, por estarem embasadas em experiências concretas podem ser aplicadas e universalizadas. Tomamos alguns exemplos sustentáveis em cidades que se preocupam com a preservação da vida para ilustrar estas possibilidades, tais como: na mobilidade urbana, para a qual são adotados transportes coletivos, ciclovias e melhorias no espaço de deslocamento de pedestres com a limitação de espaços para o uso dos automóveis e a diminuição de distâncias entre locais de trabalho e residências; na energia limpa através do aproveitamento da energia solar com a utilização de placas fotovoltaicas; no uso consciente do solo com medidas de permeabilização para evitar enchentes e proteger a água; na construção de cisternas para aproveitamento da água das chuvas; na construção civil através de técnicas de construção voltadas para a diminuição do consumo de energia, de água potável e o aumento da refrigeração natural; no tratamento de esgoto com a utilização de procedimentos alternativos com aplicação de plantas macrófitas flutuantes, na gestão de resíduos sólidos com a coleta seletiva e o trabalho das cooperativas de catadores; na alimentação com o uso de espaços urbanos públicos e residenciais para a produção

de alimentos orgânicos; na construção de corredores verdes no espaço urbano através do plantio de mudas nas vias públicas. Para que avance o crescimento destas práticas já comprovadas, acreditamos ser necessário um crescente trabalho de conscientização de todos os atores das cidades sobre a exaustão do modelo atual e o impacto gerado por eles. Acreditamos também ser necessária uma pressão sobre os governantes para o planejamento das obras públicas com o uso de novas tecnologias ecologicamente sustentáveis, para a democratização da construção dos planos diretores, para a modificação das leis atuais e para a elaboração de políticas públicas que garantam a sustentabilidade. Para isso, elencamos algumas propostas no desejo de que elas possam produzir alternativas sustentáveis e provocar a construção de um novo modelo de cidade, sem a pretensão de esgotar as possibilidades. Propomos: a valorização de uma educação, para além da educação ambiental, voltada para a alfabetização das ações e práticas que preservam a vida, criando uma cultura de sustentabilidade planetária; a construção do plano diretor das cidades com participação social e de políticas públicas permanentes; a ampliação da participação social através da criação de um Fórum permanente para constituição de vínculos de debate em cada cidade; o fomento à prática da agricultura familiar e ao consumo de produtos biodegradáveis; a diminuição do consumo de produtos industrializados; o incentivo à Economia Solidária; a utilização de transportes coletivos e a construção de ciclovias e espaços seguros de deslocamento de pedestres; o incentivo à pesquisa de tecnologias ecologicamente sustentáveis; a criação de áreas verdes urbanas; o incentivo a edificações que preservem a natureza, a implantação de sistemas alternativos de captação de energia solar, de armazenamento de água da chuva e de tratamento de esgoto e uma ampla divulgação das práticas de sustentabilidade através de mídias alternativas. Finalizando, desejamos que as manifestações presentes nesta Carta possam contribuir para os debates que vislumbram a criação de “um outro mundo possível”.

Comitê Municipal do Fórum Social Temático 2012 Participantes do Fórum Temático da Sustentabilidade Urbana Novo Hamburgo, 25 de janeiro de 2012.