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MOTIVOS DE RESIGNAÇÃO

12. Por estas palavras: Bem-aventurados os aflitos, pois que serão consolados, Jesus aponta a compensação que hão de ter os que sofrem e a resignação que leva o padecente a bendizer do sofrimento, como prelúdio da cura. Também podem essas palavras ser traduzidas assim: Deveis considerar-vos felizes por sofrerdes, visto que as dores deste mundo são o pagamento da dívida que as vossas passadas faltas vos fizeram contrair; suportadas pacientemente na Terra, essas dores vos poupam séculos de sofrimentos na vida futura. Deveis, pois, sentir-vos felizes por reduzir Deus a vossa dívida, permitindo que a saldeis agora, o que vos garantirá a tranqüilidade no porvir. O homem que sofre assemelha-se a um devedor de avultada soma, a quem o credor diz: “Se me pagares hoje mesmo a centésima parte do teu débito, quitar-te-ei do restante e ficarás livre; se o não fizeres, atormentar-te-ei, até que pagues a última parcela.” Não se sentiria feliz o devedor por suportar toda espécie de privações para se libertar, pagando apenas a centésima parte do que deve? Em vez de se queixar do seu credor, não lhe ficará agradecido? Tal o sentido das palavras: “Bem-aventurados os aflitos, pois que serão consolados.” São ditosos, porque se quitam e porque, depois de se haverem quitado, estarão livres. Se, porém, o homem, ao quitar-se de um lado, endivida- se de outro, jamais poderá alcançar a sua libertação. Ora, cada nova falta aumenta a dívida, porquanto nenhuma há, qualquer que ela seja, que não acarrete forçosa e inevitavelmente uma punição. Se não for hoje, será amanhã; se não for na vida atual, será noutra. Entre essas faltas, cumpre se coloque na primeira fiada a carência de submissão à vontade de Deus. Logo, se murmurarmos nas aflições, se não as aceitarmos com resignação e como algo que devemos ter merecido, se acusarmos a Deus de ser injusto, nova dívida contraímos, que nos faz perder o fruto que devíamos colher do sofrimento. É por isso que teremos de recomeçar, absolutamente como se, a um credor que nos atormente, pagássemos uma cota e a tomássemos de novo por empréstimo. Ao entrar no mundo dos Espíritos, o homem ainda está como o operário que comparece no dia do pagamento. A uns dirá o Senhor: “Aqui tens a paga dos teus dias de trabalho”; a outros, aos venturosos da Terra, aos que hajam vivido na ociosidade, que tiverem feito consistir a sua felicidade nas satisfações do amor-próprio e nos gozos mundanos: “Nada vos toca, pois que recebestes na Terra o vosso salário. Ide e recomeçai a tarefa.” 13. O homem pode suavizar ou aumentar o amargor de suas provas, conforme o modo por que encare a vida terrena. Tanto mais sofre ele, quanto mais longa se lhe afigura a duração do sofrimento. Ora, aquele que a encara pelo prisma da vida espiritual apanha, num golpe de vista, a vida corpórea. Ele a vê como um ponto no infinito, compreende- -lhe a curteza e reconhece que esse penoso momento terá presto passado. A certeza de um próximo futuro mais ditoso o sustenta e anima e, longe de se queixar, agradece ao Céu as dores que o fazem avançar. Contrariamente, para aquele que apenas vê a vida corpórea, interminável lhe parece esta, e a dor o oprime com todo o seu peso. Daquela maneira de considerar a vida, resulta ser diminuída a importância das coisas deste mundo, e sentir-se compelido o homem a moderar seus desejos, a contentar-se com a sua posição, sem invejar a dos outros, a receber atenuada a impressão dos reveses e das decepções que experimente. Daí tira ele uma calma e uma resignação tão úteis à saúde do corpo quanto à da alma, ao passo que, com a inveja, o ciúme e a ambição, voluntariamente se condena à tortura e aumenta as misérias e as angústias da sua curta existência.

Motivos de Resignação Sérgio Biagi Gregório

SUMÁRIO: 1. Introdução. 2. Conceito. 3. Aspectos Gerais. 4. Dor e Sofrimento: 4.1. Dor-expiação; 4.2. Dor- evolução; 4.3. Dor-auxílio. 5. Sofrer de Modo Feliz: 5.1. Dívidas do Passado; 5.2. Devemos 100, Pagamos Apenas 1;

5.3.

Vontade de Deus em Primeiro Lugar. 6. Consolação: 6.1. Vida Futura; 6.2. O Problema da Salvação da Alma;

6.3.

Visão Espiritual do Problema. 7. Conclusão. 8. Bibliografia Consultada.

1. INTRODUÇÃO

Não há quem não se pergunte: por que tantas dificuldades aos meus pés? Por que as coisas ao meu redor

não acontecem como eu as desejo? Por que o meu vizinho está sempre sorridente e eu triste? Analisemos, pois, as questões da dor e as razões pelas quais o Espiritismo nos exorta à resignação.

2. CONCEITO

Motivo: causa, razão, fim, intuito, escopo.

Resignação: tornar-se animoso no sofrimento. Paciência diante da ingratidão, da adversidade, do infortúnio.

3. ASPECTOS GERAIS

Este tema – Motivos de Resignação – encontra-se no capítulo V de O Evangelho Segundo o Espiritismo (Bem-Aventurados os Aflitos). Para uma melhor compreensão do tema, convém nos lembramos de que as bem-aventuranças encerram os ensinamentos de Jesus ministrados na fralda de um monte, em Cafarnaum, conhecido também como o Sermão da Montanha, e que tinha o objetivo de fazer uma síntese das leis Morais que regem a humanidade.

As bem-aventuranças é um termo técnico para indicar uma forma literária de ministrar conhecimentos. Pode-se dizer que é uma declaração de bênção em virtude duma boa sorte. Com Jesus toma a forma de um paradoxo: a bem-aventurança não é proclamada em virtude de uma boa sorte, mas de uma má sorte. Jesus dizia:

bem-aventurados os que sofrem

os que sentem frio

os que são perseguidos. (Mackenzie, 1984)

Ghandi, o grande libertador da Índia pela política da não-violência, dissera certa vez que se da Doutrina de

Cristo os homens tirassem tudo, mas deixassem as bem-aventuranças, de nada sofreria, pois ali contém o alimento necessário para a reformulação do pensamento do ser humano. Ao refletir sobre este tópico, tenhamos claro em nossa mente o seu fim último, que a consolação frente às nossas dificuldades.

4. DOR E SOFRIMENTO

Embora possamos sentir dor e não sofrer, os termos são, na maioria das vezes, interpretados como sinônimos.

Mas quais são os tipos de dor que, de acordo com a Doutrina Espírita, o ser humano está sujeito?

4.1. DOR-EXPIAÇÃO

Essa dor refere-se à conseqüência de uma ação passada. Dada a nossa ignorância, nos desregramos em relação às Leis de Deus e criamos o que os orientais falam de um carma, que deve ser purgado para a nossa felicidade e a nossa harmonia interior.

4.2. DOR-EVOLUÇÃO

Enquanto na dor-expiação somos obrigados a sofrer porque merecemos, ou seja, porque cometemos deslize com relação à Lei Natural, nesta ocorre o contrário: sofremos porque temos o anelo da perfeição, a

O Espírito que atingiu esta fase está num nível de evolução bem superior ao que sofre

purificação de nossa

por um "castigo". Por isso, não é muito correto dizer que a Reencarnação é uma punição. Ela é também motivo de

evolução. 4.3. DOR-AUXÍLIO

Esta dor já é mais voltada para o sentido corretivo, pois os nossos desequilíbrios são tantos que muitas vezes precisamos ficar num leito de dor por anos e anos meditando em nossa situação. Quem visitar pessoas internadas em Casas de Recuperação pode notar as feições de cada um nesta situação. (Xavier, 1976, p. 261 e 262)

5. SOFRER DE MODO FELIZ

A lição nos convida a ser feliz no sofrimento. Por que?

5.1. DÍVIDAS DO PASSADO

Voltando para dentro de nós mesmos, e mesmo que saibamos da advertência do esquecimento do

passado, temos sempre a intuição do que fomos e porque estamos nesta situação. Quer dizer, não há necessidade de fazermos uma regressão de memória ou terapia de vidas passadas. A nossa própria percepção nos conduz ao que fomos, dando-nos as razões de nosso sofrimento no presente.

5.2. DEVEMOS 100, PAGAMOS APENAS 1

Os Espíritos nos orientam que a resignação ao sofrimento equivale ao seguinte raciocínio: suponha que tenhamos uma dívida de R$ 100,00, que deve ser quitada num prazo X. Na contabilidade divina surge a seguinte operação: se me pagares apenas R$ 1,00, eu quitarei a dívida toda. Quem, que se julga honesto e responsável, não

se apressaria em desembolsar os R$ 1,00 e ficar livre de toda a dívida? Assim é que procede a divindade para cada um de nós. O nosso pagamento é sempre menor do que aquilo que deveríamos realmente pagar.

5.3. VONTADE DE DEUS EM PRIMEIRO LUGAR

Nas grandes crises pelas quais passamos, quando colocamos a vontade de Deus acima da nossa, o sofrimento torna-se mais leve, mais suave, enaltecendo os ensinamentos de Jesus que diz que o seu jugo é suave e

o seu fardo leve. Ele, o nosso irmão maior, nos dá força para continuarmos no caminho da fé, apesar das asperezas do caminho. É por isso que os Espíritos superiores estão sempre nos alertando: "Em tudo o que fizer, pensa em Deus primeiro".

6. CONSOLAÇÃO

6.1. VIDA FUTURA

Por que nos preocuparmos com a vida futura? Por que o evangelho nos diz que a felicidade não é deste mundo? Por que deixar para o dia seguinte o que podemos gozar hoje? As respostas a estas perguntas dependerão sensivelmente da visão de mundo de cada um de nós. Se formos muito apegados à matéria, poderemos querer gozar já no dia de hoje não importando se, com isso, precisarmos passar por cima do nosso próximo. Ao contrário,

porém, se a nossa visão de mundo for espiritualista, olharemos as coisas de um outro ângulo. Ou seja, daremos mais atenção ao Espírito do que ao corpo.

6.2. O PROBLEMA DA SALVAÇÃO DA ALMA

A salvação da alma, após o desencarne, é um problema grave para a maioria das religiões: para algumas

são necessárias as obras; para outras, basta a fé. A Doutrina Espírita ensina-nos que a morte não altera o nosso estado moral; mudamos apenas de plano. Deixamos de pertencer ao mundo dos encarnados para fazer parte do mundo dos desencarnados, o verdadeiro mundo espiritual. Assim, não é porque temos fé ou porque acreditamos em Deus que seremos salvos. Para sermos salvos precisamos de nos libertar do erro, do "pecado". Somente assim poderemos nos libertar do mundo das provas.

6.3. VISÃO ESPIRITUAL DO PROBLEMA

Quando olhamos os nossos problemas terráqueos de um ponto de vista espiritual, eles começam a perder

a sua intensidade, o seu valor relativo. Esta observação equivale a subirmos a uma montanha e de lá olharmos para

baixo: tudo parece em tamanho diminuto. Procede assim aquele que dá mais valor ao Espírito do que à carne. Esse indivíduo pode passar por todos o tipos de dificuldade, que continua calmo, paciente, inclusive, agradecendo a Deus

pelo sofrimento, pois o vê como uma forma de ativar a sua evolução espiritual.

7. CONCLUSÃO

Lembremo-nos da oração da serenidade em que pedimos a Deus serenidade para aceitarmos as coisas que não podemos modificar, coragem para modificarmos aquelas que podemos e sabedoria para distinguir uma da outra.

8. BIBLIOGRAFIA CONSULTADA KARDEC, A. O Evangelho Segundo o Espiritismo. 39. ed. São Paulo: IDE, 1984. MACKENZIE, J. L. (S. J.). Dicionário Bíblico. São Paulo: Paulinas, 1984. XAVIER, F. C. Ação e Reação, pelo Espírito André Luiz. 5. ed., Rio de Janeiro, FEB, 1976. São Paulo, abril de 2005

http://www.ceismael.com.br/artigo/motivos-de-resignacao.htm

BEM-AVENTURADOS OS AFLITOS ITENS 12 e 13: MOTIVOS DE RESIGNAÇÃO Segundo dicionários, resignação é ( Houais) " submissão à vontade de alguém ou ao destino". ( Caldas

Aulete) (Fig) " Submissão aliada à constância e paciência em face dos infortúnios, coragem para suportar os rigores dos infortúnios, constância numa situação sem que se reaja contra ela, ou sem que o paciente se lamente dela."

(Aurélio )

Submissão é (Houais) "disposição para obedecer, para aceitar uma situação de subordinação, docilidade, obediência, subalternidade. ( Aurélio) "disposição para aceitar um estado de dependência." Como vemos, a resignação implícita nas Bem-Aventuranças de Jesus e mais esclarecidas pelo espiritismo não está em desacordo com as definições acima. Resignar-se é submeter-se, voluntariamente, às leis de Deus, por reconhecer que sendo Ele, o Absoluto na perfeição, causa de tudo que existe, não comete erros ou enganos e Suas leis sábias e amorosas são as que nos levam à felicidade. Embora possam essas definições ser interpretadas pela aceitação passiva, podem também ser

interpretadas pela submissão racional, lógica e ativa de quem se sente seguro e confiante no Pai e Criador. Mesmo na definição de Caldas Aulete, a frase “sem que se reaja contra ela" pode ser interpretada como não reagir com revolta, com desespero, mas não coibindo ações para resolver a situação de infortúnio, para tentar amenizá-la, superá-la. Se assim não fora, Deus não teria dado a seus filhos a inteligência, a razão, que os levam a querer tudo conhecer, a transformar, a criar.

A resignação preconizada pelo espiritismo é submissão ativa, fruto do entendimento dos objetivos da vida e

dos seres. Submeter-se aos sofrimentos próprios da vida, compreendendo-os como merecidos e necessários ao

desenvolvimento do Espírito imortal é viver, otimisticamente, pela certeza da justiça das leis naturais e do futuro de felicidade que o espera.

É compreender a promessa de Jesus quando oferta as bem-aventuranças aos que sofrem, aos aflitos. É

chorar pela dor, mas sorrir pela benção da oportunidade de ressarcimento de dívidas do passado, entregando-se à vontade do Pai.É colocar o pensamento na libertação que virá após, amenizando, somente com essa certeza, as agruras do momento. "A resignação é a coragem da virtude." (Cairbar Schutel: Parábolas e Ensinos de Jesus, Clarim, décima edição, pag.137.) São, pois vários os motivos que podem levar o homem à resignação nos sofrimentos e dificuldades da vida. Resumindo-os:

- Confiança em Deus e na Sua sabedoria e amor. Se nós, homens ainda tão imperfeitos, queremos o

melhor para nossos filhos, Ele, A Perfeição absoluta, não pode querer menos. Se nós, pela nossa imperfeição, nem sempre sabemos, exatamente, o que é melhor para nossos filhos, Ele sabe, pela Sua onisciência, e faz pela Sua

onipotência. Aceitar e compreender - o quanto possível - Deus “inteligência suprema e causa primária de todas as coisas” parece-me ser a primeiro motivo para ser resignado nas dificuldades naturais do viver na Terra.

- Compreender e aceitar a imortalidade do Espírito, que nos leva a enxergar todos os acontecimentos e

situações da vida como coisas passageiras, importantes sim, mas nada catastróficas ou milagrosas.

- Aceitar e compreender a lei das vidas sucessivas, através das quais vamos evoluindo de Espíritos simples

e ignorantes a Espíritos angélicos, sábios e amorosos, precisando, pois das dificuldades da vida material para que

essa evolução intelectual e moral se processe.

- Aceitar e compreender a lei de ação e reação, através da qual vamos corrigindo nossos equívocos e

omissões, conhecendo as causas dos nossos sofrimentos pelos efeitos que sentimos e recebemos, no uso da nossa

inteligência e raciocínios, aprendendo assim a evitar as causas que os provocam.

- Entender as promessas de Jesus, nas Bem-aventuranças, promessas essas que só podem ser cumpridas

no decorrer da vida eterna, no processo evolutivo do Espírito imortal.

- Aceitar a perfectibilidade do homem que pode realizar seu desenvolvimento com muito mais facilidade e

menos sofrimento, se for submisso às leis de Deus, aproveitando as dificuldades e dores para conhecer-se e desenvolver toda a potencialidade divina que traz inserida em si.

- Compreender e aceitar que o homem é um ser em trânsito na Terra, onde faz sua evolução, e que

depende de cada um sofrer mais ou menos, na dependência do entendimento das leis divinas e na sua aplicação no

seu sentir, pensar e agir.

"Submissão paciente aos sofrimentos da vida."

Nessa compreensão e aceitação desses princípios, confiando nas palavras de Jesus "Bem- aventurados os aflitos porque serão consolados", os inevitáveis infortúnios da vida poderão ser recebidos como oportunidades de testes de avaliação do processo evolutivo, de liberação de dívidas, portanto com alegria, com confiança, com certeza de que são experiências saudáveis, necessárias e úteis ao nosso progresso espiritual. Daí a importância da resignação compreensiva e activa, sempre!

http://www.forumespirita.net/fe/o-evangelho-segundo-o-espiritismo/bem-aventurados-os-aflitos-

motivos-de-resignacao/

MOTIVOS DE RESIGNAÇÃO - Ler Matéria Muitas pessoas murmuram diante das dificuldades da vida, o que representa, de maneira consciente ou inconsciente, revolta contra Deus. É como se dissessem: não mereço os obstáculos, as provas que estou vivenciando; que Deus está sendo injusto comigo! Trata-se de um foco equivocado frente à existência corpórea no planeta em que vivemos. Fomos, como o espírita estudioso sabe, criados simples e ignorantes mas tendo por meta nos tornarmos sábios e benevolentes no curso do tempo. Deus, que nos ama, a par de nos ter concedido a consciência, a inteligência, a razão, o livre-arbítrio, nos proporciona ciclicamente programações reencarnatórias. Cada programação reencarnatória é cuidadosamente preparada por benfeitores espirituais, dela podendo participar o Espírito que irá reencarnar, se já tem condições para isso.

Na programação são levados em conta, entre outros aspectos, o lado daquilo que o Espírito fez ou deixou de fazer em existência ou existências físicas anteriores, e o lado daquilo que, no momento presente, mais útil é ao seu desenvolvimento espiritual, na direção do progresso incessante. Os desafios da vida, as provas, bem como as expiações, portanto, têm por finalidade servir à evolução de cada um, não representando desamor de Deus por nós, mas, muito pelo contrário, amor e misericórdia; amor pela obra (que somos nós) que Ele mesmo criou; misericórdia para com nossos equívocos, débitos, erros pregressos. Cada Espírito reencarnado, portanto, encontra-se no melhor local e na melhor situação para enfrentar lances que, se bem resolvidos, representarão acréscimo aos seus valores e à sua bagagem espiritual. Em “O Evangelho Segundo o Espiritismo”, capítulo V, item 12, 52ª edição – FEB, que tem o título deste editorial, Kardec pondera por estas palavras:

Bem-aventurados os aflitos, pois que serão consolados. Jesus aponta a compensação que hão de ter os que sofrem e a resignação que leva o padecente a bendizer do sofrimento, como prelúdio da cura. Não se trata, como o espírita estudioso sabe, apenas da cura de enfermidades orgânicas, mas, também, de cura das enfermidades da alma. Prossegue Kardec:

Também podem essas palavras ser traduzidas assim: Deveis considerar-vos felizes por sofrerdes, visto que as dores deste mundo são o pagamento da dívida que as vossas passadas faltas vos fizeram contrair; suportadas pacientemente na Terra, essas dores vos poupam séculos de sofrimentos na vida futura. Deveis, pois, sentir-vos

felizes por reduzir Deus a vossa dívida, permitindo que a saldeis agora, o que vos garantirá a tranquilidade no porvir.

O espírita, com sua fé raciocinada, pode, pois, entendendo o mecanismo das provas e expiações no

contexto do progresso do Espírito, suportar um “mal” com resignação, conformar-se, sem murmurar, diante de certos

desafios, sejam eles de ordem material, espiritual ou moral, não significando isso que irá cruzar seus braços, mas que terá como lema: buscarei modificar para melhor tudo que estiver ao meu alcance, mas me resignarei diante daquilo que não conseguir mudar! Finaliza Kardec:

O homem pode suavizar ou aumentar o amargor de suas provas, conforme o modo por que encare a vida

terrena. Resignáveis, portanto, são todas as provas, expiações, perdas, sofrimentos que o encarnado não conseguir reverter, lembrando-se que Deus nunca coloca nos ombros de seus filhos fardos superiores às suas forças. Com os olhos, bem como a mente e o coração, voltados para o futuro melhor e mais feliz que nos aguarda pelo próprio esforço, podemos entender e sentir a transitoriedade da existência material.

http://www.forumespirita.net/fe/revista-espirita/motivos-de-resignacao/

Texto de Apoio:

Aflicoes sao resgates perante a justica divina, decorrentes de erros do passado. Aceita-las com resignacao e' quitar-se. No entanto, blasfemar e' adiar o pagamento e contrair novos debitos. B - Questoes para estudo e dialogo virtual:

1 - De que forma o sofrimento pode ser traduzido por felicidade?

Sendo as dores de hoje o resgate de nossas dividas passadas, o sofrimento constitui forma e oportunidade abencoada de quitacao daquelas dividas. Portanto, e' feliz aquele que salda debitos com a justica divina.

Maldizer o sofrimento e' abdicar o homem do unico remedio que lhe permite a reconquista da felicidade.

2 - O que ocorre com aquele que nao sofre resignadamente?

Mostrar-se irresignado com o sofrimento e' tornar-se insubmisso 'a vontade de Deus. Aquele que assim

age, ao inves de saldar seus debitos, nova divida contrai, edificando um futuro tormentoso.

" teremos de recomecar absolutamente como se, a um credor que nos atormente, pagassemos de novo

por emprestimo." 3 - Na pratica, como podemos suavizar nossas provacoes? Moderando nossos desejos, evitando a inveja, o ciume, a ambicao, dando 'a vida material o valor relativo que lhe e' peculiar, acima de tudo aceitando-a com resignacao, e praticando o bem ao proximo. "Dai' tira ele uma calma e uma resignacao tao uteis 'a saude do corpo quanto 'a da alma " Segundo dicionários, resignação é ( Houais) " submissão à vontade de alguém ou ao destino". ( Caldas

Aulete) (Fig) " Submissão aliada à constância e paciência em face dos infortúnios, coragem para suportar os rigores dos infortúnios, constância numa situação sem que se reaja contra ela, ou sem que o paciente se lamente dela."

(Aurélio )

Submissão é (Houais) "disposição para obedecer, para aceitar uma situação de subordinação, docilidade, obediência, subalternidade. ( Aurélio) "disposição para aceitar um estado de dependência." Como vemos, a resignação implícita nas Bem-Aventuranças de Jesus e mais esclarecidas pelo espiritismo não está em desacordo com as definições acima. Resignar-se é submeter-se, voluntariamente, às leis de Deus, por reconhecer que sendo Ele, o Absoluto na perfeição, causa de tudo que existe, não comete erros ou enganos e Suas leis sábias e amorosas são as que nos levam à felicidade. Embora possam essas definições ser interpretadas pela aceitação passiva, podem também ser interpretadas pela submissão racional, lógica e ativa de quem se sente seguro e confiante no Pai e Criador. Mesmo na definição de Caldas Aulete, a frase “sem que se reaja contra ela" pode ser interpretada como

não reagir com revolta, com desespero, mas não coibindo ações para resolver a situação de infortúnio, para tentar amenizá-la, superá-la. Se assim não fora, Deus não teria dado a seus filhos a inteligência, a razão, que os levam a querer tudo conhecer, a transformar, a criar.

A resignação preconizada pelo espiritismo é submissão ativa, fruto do entendimento dos objetivos da vida e

dos seres. Submeter-se aos sofrimentos próprios da vida, compreendendo-os como merecidos e necessários ao desenvolvimento do Espírito imortal é viver, otimisticamente, pela certeza da justiça das leis naturais e do futuro de felicidade que o espera.

É compreender a promessa de Jesus quando oferta as bem-aventuranças aos que sofrem, aos aflitos. É

chorar pela dor, mas sorrir pela benção da oportunidade de ressarcimento de dívidas do passado, entregando-se à

vontade do Pai.

É colocar o pensamento na libertação que virá após, amenizando, somente com essa certeza, as agruras

do momento. "A resignação é a coragem da virtude." (Cairbar Schutel: Parábolas e Ensinos de Jesus, Clarim, décima edição, pag.137.)

São, pois vários os motivos que podem levar o homem à resignação nos sofrimentos e dificuldades da vida. Resumindo-os:

- Confiança em Deus e na Sua sabedoria e amor. Se nós, homens ainda tão imperfeitos, queremos o

melhor para nossos filhos, Ele, A Perfeição absoluta, não pode querer menos. Se nós, pela nossa imperfeição, nem

sempre sabemos, exatamente, o que é melhor para nossos filhos, Ele sabe, pela Sua onisciência, e faz pela Sua

onipotência. Aceitar e compreender - o quanto possível - Deus “inteligência suprema e causa primária de todas as coisas” parece-me ser a primeiro motivo para ser resignado nas dificuldades naturais do viver na Terra.

- Compreender e aceitar a imortalidade do Espírito, que nos leva a enxergar todos os acontecimentos e

situações da vida como coisas passageiras, importantes sim, mas nada catastróficas ou milagrosas.

- Aceitar e compreender a lei das vidas sucessivas, através das quais vamos evoluindo de Espíritos simples

e ignorantes a Espíritos angélicos, sábios e amorosos, precisando, pois das dificuldades da vida material para que

essa evolução intelectual e moral se processe.

- Aceitar e compreender a lei de ação e reação, através da qual vamos corrigindo nossos equívocos e

omissões, conhecendo as causas dos nossos sofrimentos pelos efeitos que sentimos e recebemos, no uso da nossa inteligência e raciocínios, aprendendo assim a evitar as causas que os provocam.

- Entender as promessas de Jesus, nas Bem-aventuranças, promessas essas que só podem ser cumpridas

no decorrer da vida eterna, no processo evolutivo do Espírito imortal.

- Aceitar a perfectibilidade do homem que pode realizar seu desenvolvimento com muito mais facilidade e

menos sofrimento, se for submisso às leis de Deus, aproveitando as dificuldades e dores para conhecer-se e

desenvolver toda a potencialidade divina que traz inserida em si.

- Compreender e aceitar que o homem é um ser em trânsito na Terra, onde faz sua evolução, e que

depende de cada um sofrer mais ou menos, na dependência do entendimento das leis divinas e na sua aplicação no seu sentir, pensar e agir. Nessa compreensão e aceitação desses princípios, confiando nas palavras de Jesus "Bem- aventurados os aflitos porque serão consolados", os inevitáveis infortúnios da vida poderão ser recebidos como oportunidades de testes de avaliação do processo evolutivo, de liberação de dívidas, portanto com alegria, com confiança, com certeza de que são experiências saudáveis, necessárias e úteis ao nosso progresso espiritual. Daí a importância da resignação compreensiva e ativa, sempre!

"Submissão paciente aos sofrimentos da vida."