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A INFLUÊNCIA DA ARQUITETURA COLONIAL NAS CONSTRUÇÕES DE PIRACANJUBA: DA SEGUNDA METADE DO SÉCULO XIX E PRIMEIRA METADE DO SÉCULO XX

RESUMO:

Sérgio Reis Amorim 1

Este estudo tem o objetivo de mostrar as primeiras construções coloniais do Brasil, seus estilos variados, suas técnicas construtivas, as leis de preservação e conscientização da sociedade, em especial a puracanjubense, da importância de se conservar sua memória cultural.

PALAVRAS-CHAVES: arquitetura - preservação estilos arquitetônicos.

INTRODUÇÃO

Nem todos sabem a beleza e importância colonial, não sei se por falta de

informação, curiosidade ou falta de interesse mesmo. Mas tal motivo pode ser

mudado se começarmos mostrar à sociedade que essa arquitetura tem valor,

origens antigas, técnicas complementares diferentes das aplicadas na atualidade do

século XXI, além de modelos variados, que ainda hoje podem ser observados em

muitas cidades do nosso país.

Essa arquitetura desvalorizada por grande parte da sociedade pode ser

encontrada em Piracanjuba, cidade a pouco mais de oitenta quilômetros de

Goiânia, capital de Goiás, e sendo foco principal de nossa pesquisa, assim

analisaremos e apresentaremos as técnicas, os modelos de arquitetura

piracanjubense e suas principais localizações, sendo que nossa pesquisa

compreenderá o período de mil oitocentos e cinqüenta à mil novecentos e

cinqüenta.

Em nossa pesquisa para buscarmos as informações que certamente

esperamos alcançar, para abrir a curiosidade das pessoas a respeito da arquitetura

1 Acadêmico da 3ª série do Curso de Licenciatura Plena em História da UEG Unidade Universitária de Morrinhos. Orientado pelo Professor Mestre Raul Pedro de Barros Batista.

colonial, temos como recurso uma metodologia de aprofundamento de informações nos livros, revistas e jornais. Buscaremos os conhecimentos e comparações entre autores, dos quais podemos citar como exemplo, Gustavo Neiva Coelho e Milena D’ayala Valva. Para melhor obtenção de resultados, utilizaremos imagens fotográficas, pelo motivo de mostrarmos à sociedade os detalhes da arquitetura de Piracanjuba, como por exemplo: portais, portas, janelas, telhas, caibros, ripas, pisos, etc. Para aprofundarmos nossa pesquisa, utilizaremos também o suporte teórico e metodológico da história oral, através das entrevistas, que por esse método apresentaremos relatos de pessoas que ajudaram a construir ou que tenha informação a respeito das técnicas utilizadas nessas construções. Com nossa pesquisa pretendemos oferecer muitas contribuições para a sociedade em especial a piracanjubense, porque não apenas mostraremos a importância de se preservar esse tipo de arquitetura, mas também as técnicas utilizadas nelas, sendo que esse tipo de construções faz parte da base de nossa arquitetura moderna, que com pesquisas e aprimoramento nas engenharias foram construindo desde casas luxuosas até prédios e torres de muitos metros de altura. Mas não podemos esquecer que a arquitetura colonial nos proporcionou principiarmos no processo de desenvolvimento arquitetônico, sem a qual talvez não estivéssemos tão avançados na arquitetura moderna, e não estaríamos tão desenvolvidos, como estamos na História da Habitação Humana.

1. ARQUITETURA COLONIAL

Não pretendemos nos alongar muito em informações históricas que julgamos já sejam do conhecimento dos leitores, recordemos tão-somente os principais acontecimentos que venham facilitar o entendimento do desenvolvimento da arquitetura européia, especialmente da portuguesa, em nossas primeiras e principais cidades. E como diz Lemos, a primeira habitação limitou ao litoral do nosso país.

Em resumo, podemos dizer que, nos primeiros séculos, nossa civilização material derivada da cultura branca limitou-se a fixar-se no litoral, na imagem antiga, limitamo-nos, como os caranguejos, a arranhar as praias. (LEMOS, 1979, p. 27).

Os colonos aqui chegados cada um construía como podia, ou seja, fazendo improvisações nesse noSSO mundo; assim quem sabia alguma técnica de como se construir, era disputado por todos e sendo seguido seu método de construção, mas coube aos militares aqui chegados a tarefa de como ensinar o povo a construir.

os colonos aqui chegados. Além de serem poucos, não tinhaM

habitações uniformemente distribuídas dentro da sociedade e eram, na verdade, grandes improvisadores neste isolamento do novo mundo. Assim, qualquer entendido em construções era disputado pelo povo em geral e seus ensinamentos calavam fundo e se transformavam em regras ou métodos por todos seguidos. Mas, Aos engenheiros militares é que coube a grande tarefa de educar e ensinar o povo a construir. (LEMOS, 1979, p. 29).

] [

Não podemos esquecer das obras dos jesuítas e dos franciscanos que definiram partidos arquitetônicos e chegaram a influir, inclusive nas construções laicas das cidades onde se estabeleceram. A arquitetura implantada pelos jesuítas aqui era a italiana, fato que compreendemos por ser a sede da Companhia de Jesus ser em Roma e a arquitetura do momento em Portugal era a italiana, aplicada pelos artistas italianos; isso veio para o Brasil no estilo maneirista, ou seja, antes do barroco e como exemplo desta aplicação de tal estilo podemos citar Olinda, que sofreu tal influência . Na Igreja de Nossa Senhora das Graças, antes da invasão holandesa, século XVI-XVIII.

Os jesuítas foram os primeiros a chegar e não devemos nos esquecer que constituíram uma congregação nova, recentemente fundada por Inácio de

Loiola e, por isso, movidos por um ímpeto de trabalhar [

aqui programada a longo prazo era de origem italiana, isso é compreensível por dois motivos: primeiro a sede da Companhia de Jesus era em Roma; segundo, a arquitetura no momento feita em Portugal era aquela levada pelos arquitetos italianos trazidos pelos reis, tanto os Filipes do tempo da dominação espanhola como os outros Lusitanos. A primeira arquitetura trazida pelos padres, então, foi aquela nova, aquela que os italianos praticavam, aquela que o irmão Francisco Dias trouxe para a Nova Igreja do Colégio de Olinda. Assim é que desse período pioneiro que antecedeu à invasão holandesa hoje somente possuímos milagrosamente essa Igreja de Nossa Senhora das Graças no Colégio de Olinda. (LEMOS, 1979, p. 31-33).

arquitetura

] a

Os franciscanos também se destacaram, principalmente com o Frei Francisco do Santos, mas devido às obras franciscanas serem mais modestas ou mais apressados, usavam, de permeio a pedra, tijolos outras vezes, a própria taipa e muita madeira e sendo assim mais fáceis de destruição do que as jesuíticas.

E nossa atenção no momento é voltada para os sobrados de Recife, que cresceram com o curto domínio holandês, passando de humilde burgo de pescadores, a porto bem equipado e centro de comércio. Não se sabe se é pela escassez de chãos firmes ou alto valor dos lotes disponíveis ou ainda razões urbanísticas, mas o fato é que Recife, é caracterizada pelos seus sobrados de pedra e cal altos e estreitos, chamados de “sobrados magros” que atingiam até seis pavimentos.

] [

pouco tempo, de humilde burgo [

do comércio florescente que sabemos talvez pela escassez de chãos

firmes, talvez pelo alto valor dos lotes disponíveis, talvez por razões urbanísticas que hoje desconhecemos, o fato é que a população concentrou-se em diminuta área beira-rio em forte gregarismo,

caracterizando por sobrados de pedra e cal altos e estreitos, [

eram os

tornou o porto bem equipado e o centro

Recife floresceu graças ao curto período de dominação holandesa. Em

]

]

chamados “sobrados magros” do Recife, de vários andares, chegando até a cinco, ou mesmo seis pavimentos. (LEMOS, 1979, p. 40).

Na Bahia, fundada em 1549 por Tomé, de Souza já apresentava uma arquitetura mais rica ou luxuosa, principalmente das igrejas, isso porque sendo a capital da colônia deveria ter essas características. Sobrados de pedra e cal, com suas chaminés naturais e paredes com uso de peças de madeira suportando os enchimentos de alvenarias. E claro que no início usava-se de tudo, mas com o tempo a madeira das paredes foi usada somente no telhado por ser presa fácil, principalmente de cupins, as chaminés foram substituídas pelo motivo de ter surgido modos mais práticos de cozer nas varandas ou quintais.

E, depois, vem a Bahia. A Bahia de Todos os Santos, da cidade do

apresentando uma

arquitetura da maior qualidade, pois a capital da colônia haveria de ostentar

construções ricas e rivalizando com as da metrópole. Igrejas suntuosas dentro dos estilos mais recentes, sobrados também de pedra e cal, de acordo com o Fausto Religioso e segundo a mais correta ortodoxia

lusitana. [

os sobrados de Salvador com suas chaminés algarvias, com

paredes mostrando soluções construtivas que logo deixaram de ser usadas

]. [

A madeira estrutural, para citarmos um caso, ficou só nos telhados,

Salvador. Fundada em 1549 por Tomé de Souza, [

]

]

porque sempre foi presa fácil dos insetos xilófagos, especialmente as brancas. As chaminés logo desapareceram, por ter surgido modos mais práticos de cozer nas varandas ou quintais. (LEMOS, 1979, p. 42).

As casas no período colonial eram construídas de modo uniforme, ou seja, tais construções deveriam seguir padrões contidos nas Cartas Régias ou em posturas municipais. Nossas vilas e cidades deveriam ser construídas sobre o alinhamento das vias públicas e paralelamente ao alinhamento das construções

vizinhas, altura dos pavimentos e número de aberturas, tudo para garantir uma aparência portuguesa.

A uniformidade dos terrenos correspondia à uniformidade dos partidos

arquitetônicos: as casas eram construídas de modo uniforme e, em certos

casos, tal padronização era fixada nas cartas régias ou em posturas

municipais. Dimensões e número de aberturas, altura dos pavimentos e alinhamento com as edificações vizinhas foram exigências correntes no

Finalidade era, em grande parte, garantir para as vilas e

século XVIII. [

cidades brasileiras uma aparência portuguesa. (FILHO, 1978, p. 24).

].

Em São Paulo como também em outras regiões do período colonial, as primeiras habitações eram construídas de madeira e tampadas de palha. Pelas distâncias da época, a população era muito isolada, mas de modo geral todos de origem Ibérica. As que conheciam as técnicas de construção de alvenarias de pedra ficaram de modo geral sem se desenvolver; as que usavam a técnica do adobe e taipa principalmente, logo atingiram um grande destaque nas construções paulistas, do século XVI e XVII.

O isolamento de seus moradores, todos pobres e de origem até certo

ponto heterogêneA, embora sempre ibérica: pessoas no norte Portugal, mais a feita a lidar com alvenarias de pedra, do sul, do Algarves, mais

afinada com a tradição Árabe envolvida com muros de terra, de taipas,

Os que conheciam a técnica da alvenaria de pedra

adobes

mantiveram-se na inoperância, dada pela falta desse material nas proximidades do colégio. E mesmo se tivesse a pedra seria pouco, porque

não havia cal nem perto nem longe. A cal só seria descoberto nos meados

do século XVIII. É claro que as primeiras construções seriam de palha e o

sapé caracterizou todo o burgo nascente. Mas logo houve uma definição. Afonso Brás foi o primeiro como pioneiro da seleção ecológica de

materiais de construção: escolheu a terra argilosa [

(LEMOS, 1979, p.

62).

[

].

].

As paredes construídas com taipa eram sujeitas a grandes destruições pelas enxurradas ou pela água da chuva que caÍa direto sobre a parede; para evitar esses problemas as casas eram construídas em locais de terreno plano e com grandes beirais.

A taipa por ser terra socada entre pranchões é altamente beirais e com

isso surgiu a necessidade de telhas cerâmicas de canal, [

exigência de se plantar a construção em terreno plano, em nível, de modo

a não permitir enxurradas. (LEMOS, 1979, p. 62-63).

a

],

e daí

Em forma da proteção das paredes, refletia no aspecto das ruas, pois só do lado esquerdo era construída a casa, só mais tarde com o uso do tijolo no início do século XIX que o lado direito foi utilizado para as novas construções, isso porque as ruas Às vezes não tinha calçadas a passarelas.

É interessante, tanto em Parnaíba como em São Paulo, nessas ruas

planas à meia encosta, as primeiras casas sempre foram levantadas nos lotes com queda para a frente, aqueles que olhavam a passagem por cima do leito carroçável, como se elas estivessem mais resguardadas das

enxurradas

todas as edificações do lado esquerdo de Taipa de pilão e aquelas do direito de tijolo, já mais recentes levantadas depois que toda a parte fronteira já estava saturada. (LEMOS, 1979, p. 64).

Por exemplo, a rua de cima de Santana de Paraíba com

[

].

As igrejas de São Paulo eram totalmente diferentes daquelas que estamos acostumados a ver nas nossas cidades coloniais, eram elas compostas de alpendres, principalmente na fachada. “As próprias igrejas eram diferentes daquelas que estamos acostumados a ver em nossas cidades velhas. Eram igrejas também

alpendradas [

Os alpendres ou áreas quando circulam a casa ou parte dela têm o objetivo de fazer sombra nas paredes fazendo com que a noite a casa fique fresca, mas o alpendre bandeirista de origem espanhola e mameluco é internamente na casa, ou seja, reentrante. Este fato faz nós compreendermos que o alpendre paulista tem como objetivo deixar exposta a parede de taipa ao sol, para armazenar calor para a noite, pois o clima de São Paulo variava; se durante o dia era quente,

a noite era fresca ou mesmo fria, então o alpendre nada tinha a ver com sombra nas paredes.

]”

(LEMOS, 1979, p. 64).

Os alpendres circundando as casas, apostos às paredes externas fazem sistemática sombra aos pavimentos de modo a que seja impossível o

Aqui em São

Paulo, o clima, porém, era diferente: se havia dias quentes de verão, havia sempre noites frescas e mesmo frias. Aqui, a vantagem não era a sombra na parede e sim a taipa ao sol para guardar para a noite o calor embutido. Nada de sombras. (LEMOS, 1979, p. 67).

armazenamento de energia térmica pelas alvenarias. [

]

1.1 Síntese do Movimento Preservacionista no Brasil

A preocupação com a preservação do patrimônio cultural data, no Brasil,

do início deste século. Apesar de alguns escassos registros do tema terem

levantado anteriormente e somente no início deste século que ações afetivas ocorreram. (SIMÃO, 2006, p. 23).

Nesta citação de Maria Cristina Simão, podemos compreender que à preocupação brasileira de preservação data do início do século XX, e que já ouve outras preocupações anteriores, mas não com caráter oficial. No entanto Gustavo Neiva Coelho nos dá um exemplo que a preocupação com nosso patrimônio já ocorria desde meados do século XVIII, mas informalmente.

As primeiras manifestações demonstrando preocupação com a defesa do nosso patrimônio cultural datam ainda dos primeiros séculos da colonização do nosso território. O mais antigo documento conhecido em que se manifesta tal preocupação é, sem dúvida, a carta do Conde de Galveas, D. André de Melo e Castro, Vice-Rei do estado do Brasil, que a 1742 advertia o governador de Pernambuco quanto à pretensão deste último de descaracterizar o palácio das torres construído por Maurício de Nassau, para instalar ali um quartel, considerando tal edifício um monumento vivo à bravura lusitana na guerra contra os holandeses além de importante documento de memória e da glória de toda a nação, dava o vice-rei demonstração de rara sensibilidade e preocupação quanto às futuras gerações. (COELHO,In: Estudos, Vol. 22 1995, P. 79).

O campo das preocupações do patrimônio atinge na década de 30 a Constituição Federal fazendo com que o Brasil ficasse entre as primeiras nações a defender constitucionalmente seu patrimônio cultural, sendo o texto ampliado no decorrer dos anos. “Em 1934, essa preocupação passou para a esfera do poder público instruído com o artigo 148 da Constituição Federal, que define, assim, a proteção ao nosso acervo monumental e arquitetônico como um princípio constitucional” (LEAL, apud COELHO, 2005, p. 80).

Com isso, passa o Brasil a figurar entre as primeiras nações a defender constitucionalmente seu patrimônio cultural sendo, inclusive, o texto da constituição de 1934 mantidos nas Constituições Federal seguintes, acontecendo, mesmo em certos casos, até de ser ampliado. (COELGO, 2005, p. 80).

No ano de 1936, foi instalado o serviço do patrimônio histórico e artístico nacional (SPHAN), mas para a melhor compreensão dos leitores citamos.

Recebendo diversas denominações ao longo de sua vida, conforme sua posição na herarquia do serviço público o SPHAN CORA IPHAN ou DPHAN) é sempre relacionado ao patrimônio histórico e artístico nacional, usualmente conhecido como patrimônio (SIMÃO, 2006, p. 16)

O que não podemos deixar de esclarecer é que o SPHAN foi criado basicamente em cima do anteprojeto de Mário de Andrade e sendo esse documento

transformado em Decreto-Lei, como podemos observar. No que se refere à legislação, a criação do SPHAN está calcada basicamente no documento elaborado por Mário de Andrade, transformando no Decreto-Lei nº 25 por Rodrigo M. F. de

Andrade [

]

(CORLHO, 2005, p. 81).

No Brasil, o documento mais importante relacionado à preservação de

1937,

utilizado ainda hoje pela sua atualidade, e base para a elaboração de várias outras leis, tanto em âmbito dos estados quanto dos municípios.

(COELHO, 2005, p. 82).

monumentos é o [

]

Decreto-Lei

25 de

30 de novembro de

O SPHAN veio conseguindo ao longo dos anos resultados positivos, em relação à preocupação com a defesa do patrimônio cultural, assim a conscientização relacionada à necessidade de se garantir sua pureza, fez com que não somente a união mas também os estados e municípios se organizassem individualmente no sentido de estruturarem suas próprias leis de preservação e restauro, como é comentado por Coelho na citação.

1.2 Tombamento: Esclarecimentos Básicos

De início, para a melhor compreensão dos leitores, citaremos o que é tombamento, pois se trata de um instrumento largamente utilizado pelo poder público

e também regido por leis inclusive o Decreto-Lei nº 25 que já discutimos anteriormente.

Tombamento é um conjunto de ações realizadas pelo poder público com o

objetivo de preservar, através da aplicação de legislação especifica, bens culturais de valor histórico, artístico, arquitetônico, arqueológico e ambiental de interesse para a população, impedindo que venham a ser demolidos, destruídos ou mutilados.

O tombamento federal é regido pelo decreto-lei nº 25 de 30 de novembro

de 1937, pelo decreto-lei 3.866 de 29 de novembro de 1941 e pela Lei nº 6.292 de 15 de dezembro de 1975. (Fundação Cultural Pedro Ludovico. Revista Preservando Nossa memória Cultural. Vol. I. Goiânia: AGECON, 1996, p. 27).

Maria Cristina Simão diz que o tombamento originou de estudo de Mário

de Andrade e que a inscrição dos bens podem ser feito em um dos quatros livros do

Tombo.

O tombamento, escolhido como o instrumento legal de proteção, originou-

sendo que os quatro livros de

Tombo, onde se inscrevem os bens, até hoje válidos, dividem-se nas seguintes categorias: Livro do Tombo Arqueológico, Etnográfico e Paisagístico, Livro do Tombo Histórico, Livro do Tombo das Belas-Artes e Livro do Tombo das Artes Aplicadas. (SIMÂO, 2006, p. 30).

se no estudo de Mário de Andrade, [

],

Gustavo Neiva Coelho confirma o dito por Simão e ainda diz que tombamento e a principal forma de preservar um bem cultural, sendo a inscrição feita em nível federal, federal, estadual ou municipal.

A principal forma de preservação de um determinado bem cultural seria,

em principio, o tombamento, ou seja, a inscrição desse bem em um dos quatro Livros de Tombo, que são o “Livro de Tombo Arqueológico e

Etnográfico”, o “Livro do Tombo Histórico”, o Livro do Tombo das Belas Artes” e o “Livro do Tombo das Artes Aplicadas”. Tal inscrição, que tanto pode ser feita em nível federal, estadual e municipal, dá de imediato a proteção legal, garantida pela esfera do poder público que a efetuou ficando assim tal poder responsável por sua proteção e fiscalização. (COELHO, In: Estudos, V. 22, 1995, p. 80).

Percebemos então que a União protege os bens de importância nacional, o estado protege os bens de importância regional, e o município, os de importância local, desde que cada estado ou município disponha de legislação especial para tanto. Mas de fato, como inicia esse processo de tombamento? Quais os órgãos responsáveis pelo tombamento federal, por exemplo?

A ação tem início com o pedido de abertura do processo, por iniciativa de

qualquer cidadão ou do próprio Instituto Brasileiro do Patrimônio Histórico

e Artístico Nacional (IPHAN). Este pedido, após o desenvolvimento de

estudos e levantamento, é submetido à apreciação da diretoria do IPHAN,

que delibera e o encaminha ao conselho consultivo do patrimônio cultural,

o conselho examina e aprova (ou não) o pedido de tombamento. Se

aprovado, o processo é encaminhado ao presidente do IPHAN que assina

o ato de tombamento e o encaminha para homologação do ministro da

cultural. Após a homologação do ministro, o ato de tombamento é publicado no Diário Oficial da União DOU e inscrito num dos Livros do Tombo do IPHAN. (Fundação Cultural Pedro Ludovico. Ecomuseu. Revista preservando Nossa Memória Cultural. Vol I. Goiânia: AGECON, 1996, p.

28-29).

Os bens depois de serem tombados seja pela União, estado ou município não poderão ser destruídos, restaurados ou pintados sem a autorização do Serviço do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, ou ter alguma construção, faixa ou anúncio que impesa a visão por tais bens tombados. Maria Cristina Simão nos dá a possibilidade de comprovar isto, em dois artigos da Legislação Federal o Decreto-Lei nº 25.

Art. 17: As coisas tombadas não poderão, em caso nenhum, ser destruídas, demolidas ou mutiladas, nem, sem previa autorização especial do Serviço do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, ser reparadas, pintadas ou restauradas, sob pena de multa de cinqüenta por centro do dano causado. Parágrafo Único: Tratando-se bens pertencentes à União, aos estados ou os municípios, a autoridade responsável pela infração do presente Artigo incorrrerá pessoalmente na multa. Art. 18: Sem prévia autorização do Serviço do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, não se poderá, na vizinhança da coisa tombada, fazer construção que lhe impeça ou reduza a visibilidade, nem nela colocar anúncios ou cartazes, sob pena de ser mandada destruir a obra ou retirar o objeto, impondo-se, neste caso multa de cinqüenta por centro do valor do mesmo objeto. (MEC/SPHAN/FUNPM, Apud, SIMÃO, 2006, p. 33).

O ato de tombamento não é igual à desapropriação de um imóvel, ou seja, o tombamento não altera a propriedade de um bem, apenas proíbe que venha a ser destruído, demolido ou mutilado. (Fundação Cultural Pedro Ludovico. Ecomuseu. Revista preservando Nossa Memória Cultural. Vol I. Goiânia: AGECON, 1996, p. 32- 33), sendo assim o bem pode ser vendido, alugado ou hipotecado, desde que o comprador comprometa a preservá-lo, isto se a União, estado ou município não se interessar pela compra, como podemos verificar no citado abaixo.

Desde que o bem continue preservado, não há qualquer impedimento

para que seja alugado, penhorado ou hipotecado. Apenas no caso de venda do bem tombado existe ressalva a União, o estado e o município, nessa ordem, te o direito de preferência para compra. Se o poder público não tiver interesse na compra, o proprietário poderá vender o bem tombado a terceiros que se comprometam a preservá-lo (Fundação Cultural Pedro Ludovico. Ecomuseu. Revista preservando Nossa Memória Cultural. Vol I. Goiânia: AGECON, 1996, p. 30).

] [

Temos ainda, como forma de preservação, outros mecanismos que envolvem, além dos poderes públicos, a conscientização da população em relação à importância e à necessidade de conservação do patrimônio, a qual o seu protegido diz respeito. Neste sentido de conscientização, na cidade de Goiás e em Pirenópolis, surgiram o Projeto Conhecer para Preservar, Preservar para Conhecer, dirigido a educação de crianças, no sentido de divulgar e despertar o interesse e consciência para a proteção e defesa dos monumentos. Claro que é um projeto a longo prazo mas que já alcança ótimos resultados, como podemos verificar nos dois parágrafos ditos por Coelho.

No estado de Goiás, mais especificamente nas cidades de Goiás e Pirenópolis, com o Projeto Conhecer para Preservar, Preservar para Conhecer, esse trabalho de educação patrimonial vem sendo desenvolvido, há algum tempo, também demonstrado ótimos resultados [ Essa seria uma forma de preservação a longo prazo, tendo como base a educação das crianças, no sentido de divulgar e despertar seu interesse e consciência para a proteção e defesa, não só dos monumentos mas também do elemento urbano e paisagístico. (COELHO, 2005, p. 96).

Convém observar, no entanto, que o processo de tombamento, nos últimos tempos, tem fugido ao seu controle, sendo executado de forma irregular se analisado dentro dos padrões internacionais, e mesmo em relação ao praticado no campo federal.

CONCLUSÃO

Percebemos que as primeiras construções coloniais foram de certo modo improvisadas, e se limitaram ao litoral brasileiro. Quem sabia alguma técnica de construção, era disputado por todos, pois quase ninguém naquela época sabia construir.

Os Jesuítas foram os primeiros a chegar e usando técnicas da pedra e cal de Roma, se destacaram com Inácio de Loiola. Já as construções dos franciscanos, que usavam na maioria a taipa e muita madeira tiveram suas construções destruídas pelo tempo, pois a taipa e a madeira são presas frágeis aos insetos e a água das chuvas, mas apesar da influência jesuíta e franciscana, coube aos militares a tarefa de ensinar o povo a construir. Destacamos os estilos das construções de Recife, Bahia e São Paulo, e concluímos que existiram e ainda existem vários exemplos da arquitetura colonial, os “sobrados magros” do Recife com seis pavimentos construídos de pedra e cal, a luxuosa arquitetura das igrejas da Bahia, as regras impostas pelas cartas regias, que fazia com que as pessoas construíssem ao limite das vias urbanas e aproveitando as paredes dos vizinhos, as igrejas e casas alpendradas de São Paulo, construídas com o uso da taipa. A arquitetura colonial tem toda sua história e beleza, mas a maioria já foi destruída. Assim com o objetivo de não deixar acabar nossa história cultural, desde o século XVIII políticos já se preocupavam com a preservação, várias lutas aconteceram com tal objetivo, mas coube a Mário de Andrade em 1936 a tarefa de elaborar um anteprojeto que tinha o objetivo de criar um órgão responsável pela preservação do Patrimônio Histórico. Os resultados foram alcançados, no mesmo ano foi criado o SPHAN, órgão responsável pela preservação histórica e artístico nacional, e sendo o anteprojeto transformado em Decreto Lei. Hoje qualquer pessoa pode fazer o processo de tombamento, ou seja, inscrever seu bem num dos quatro Livros do Tombo que seu bem será mantido sobre a preservação federal, estadual ou municipal, dependendo onde foi feita a inscrição, isso não tira o direito de posse, o bem pode ser vendido, alugado ou penhorado, o que não pode é ele ser modificado sem a autorização do SPHAN.

Em suma não basta deixar a responsabilidade da preservação nas mãos

dos órgãos públicos, a sociedade deve ser história cultural, no nosso patrimônio

histórico.

REFERÊNCIAS

COELHO, Gustavo Neiva; VALVA, Milena d’Ayala. Patrimônio Cultural edificado. Goiânia, Go: Católica, 2005.

COSTA, Lena Castello Branco Ferreira. Arraial e coronel, dois estudos de história social. São Paulo: Cultrix, 1978.

Estudos. Revista

da Universidade Católica de Goiás. V. 22, n. ½, jan/jun, 1995.

FILHO, Nestor Goulart Reis. Quadro da Arquitetura no Brasil. 4. ed. Editora Perspectiva, 1978.

Fundação cultural Pedro Ludovico. ECOMUSEU. Revista Preservando nossa memória cultural. V. I. Goiânia: AGECON, 1996.

LEMOS,

Melhoramentos, 1979.

Carlos

Alberto

Cerqueira.

Arquitetura

brasileira.

São

Paulo:

SIMÃO, Maria Cristina Rocha. Preservação do patrimônio cultural em cidades. Belo Horizonte: Altêntica, 2006.