ESTUDO DE CASO DE UM ALUNO PERANTE A DIFICULDADE DE LEITURA E ESCRITA.

STUDY OF CASE OF A PUPIL BEFORE THE DIFFICULT OF READING AND WRITING.
Ester Mendonça Ramos, Profª. Drª Luci Pastor Manzoli - Campus de Araraquara - Faculdade de Ciências e
Letras – Pedagogia- ester_mendonça@hotmail.com Palavras chaves: Avaliação; Leitura; Escrita. Keywords: Assessment; Reading; Writing.

1. INTRODUÇÃO O presente trabalho faz parte de um projeto denominado ‘’Leitura e Escrita: Avaliando Alunos de 1ª a 4ª série com queixas de dificuldades de aprendizagem’’. A partir da minha participação nesse projeto passei a avaliar uma criança de 10 anos de idade matriculada na 4 série do ensino fundamental indicada pela coordenadora por apresentar dificuldades de aprendizagem na leitura e na escrita. E para compreender o seu conhecimento tornou-se é necessário investigar o seu nível de escrita. Segundo Ferreiro (1986) o processo de leitura e escrita não é fácil e imediato, e sim se caracteriza por várias etapas da evolução conforme citados ao longo deste trabalho. 2 FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA E OBJETIVO 2.1 Fundamentação Teórica Segundo Piaget (1970), a criança a partir de suas interações com meio vai criando condições para o seu desenvolvimento cognitivo e o constrói de forma ativa de acordo com uma seqüência invariável de quatro estágios relacionados com a idade. Afirma o autor que a ordem dos estágios cognitivos é regular, mas a mudança de um para outro ocorre de maneira irregular, pois depende de fatores externos, como por exemplo, a experiência do meio. Para esse autor esses estágios se caracterizam como: sensório motor, que vai do nascimento aos 2 anos de idade, o estágio pré-operatório, dos 2 aos 7 anos de idade, o estágio das operações concretas, dos 7 aos 11 anos de idade e por último o estágio das operações formais, dos 11 aos 16 anos, cada um com a suas características cognitivas a sua relação com os objetos de conhecimento. Portanto, para fins educacionais torna-se necessário avaliar o conhecimento da criança para poder compreender suas dificuldades e estabelecer metas. Neste sentido, Ferreiro e Teberosky (1999), fundamentadas na teoria de Piaget, discutem as diferentes fases de como as crianças adquirem a linguagem escrita. A primeira é a pré-silábica, caracterizada pela fase icônica, onde a criança acredita que escrever é desenhar o objeto, dentre outras desta fase. A segunda fase e a silábica, que tem com característica associar um valor sonoro a cada uma das letras que compõem a escrita, e assim vai progredindo qualitativamente. A terceira é a silábico alfabética que é a transição entre a fase silábica e a alfabética, a criança descobre que necessita analisar outras possibilidades de escrita. A quarta e última fase ocorre quando a criança já compreendeu que cada um dos caracteres da escrita corresponde a valores sonoros menores que a sílaba e realiza sistematicamente uma análise sonora dos fonemas das palavras que necessita escrever. As dificuldades a partir dessa fase, não serão mais conceituais e sim ortográficas, pois a criança ficará exposta às dificuldades próprias do sistema ortográfico da língua materna. Segundo Weiss (1992) para avaliar a leitura é importante o uso de material com significado completo, sendo necessário ler o texto completo, criando na criança uma atividade prazerosa. Ao final da leitura é necessário verificar se a criança apreendeu o sentido global do texto e se é capaz de sintetizá-lo. Para a autora durante a leitura em voz alta da criança é importante avaliar a entonação, pontuação, junção, omissão, fluência, troca de letras, pois, o mais importante é que a leitura tenha significado para criança para que não haja bloqueio em seu pensamento.

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com 60 minutos de duração. pois ao ler um livro inventou as estórias. 1988). cola. que segundo Golbert (1988) tem como objetivo obter dados sobre a capacidade de audibilização das crianças na fase inicial da aquisição da escrita.E. A mostrou que a criança não está alfabetizada. que tem como objetivo verificar se a criança distingue significado de significante.Provas do diagnóstico operatório visando conhecer o nível cognitivo em que a criança se encontra.Prova do Realismo Nominal. Segundo Carraher (1981) a falta desta capacidade pode caracterizar uma dificuldade na aquisição da escrita. Na dupla educativa desenhou um amigo lhe ensinando uma brincadeira de rua denominada ‘’chuta lata’’. folha pautada.1Materiais Os materiais utilizados para a avaliação do aluno foram: Entrevista Operativa Centrada na Aprendizagem (E.Avaliação de leitura incidental: prova de sondagem Smolka. livros. borracha. de escrever com ponta e sem ponta. No Teste de Audibilização obteve um bom desempenho na discriminação fonética. Segundo Weiss (1992) a partir deste desenho podemos conhecer o que a criança entende por processo de ensino e aprendizagem. colocando ambas: sua mãe e ela dentro e para fora seu pai e irmãos. onde a criança escolhe um livro de história infantil e faz a leitura. que é caracteriza pelo desenho de uma pessoa que aprende e uma pessoa que ensina. 3 MATERIAIS E METODOLOGIA 3. Provas do Diagnóstico Operatório: Conservação de Pequenos Conjuntos Discretos de Elementos.O. lápis preto de escrever sem ponta. 1992) Livros infantis. 2. caneta esferográfica. O. borracha. memória e conceituação Na Leitura Incidental fez o reconhecimento dos logotipos como o da ‘’coca-cola’’. 1981). As provas aplicadas estão citadas no material. 12 fichas vermelhas. Seriação de Bastonetes. (WEISS. 3. marcadores. Prova do Realismo Nominal (CARRAHER. 1988). Foram realizadas as seguintes atividades: 1 . independente do significado.1 Metodologia O aluno foi avaliado de forma individual com atividades pedagógicas durante 6 encontros que ocorreram no período de abril e maio de 2009.A. Conservação de Quantidade de Matéria. lápis de: cor. papel cartão em quadrados 10x10 e revistas.cola. Avaliação de Leitura Incidental: Prova de Sondagem Smolka.O. pautada e papel fantasia em quadrados 10x10. ‘’açúcar união’’ e ‘’leite-moça’’. uma vez por semana. apontador. 5 rosas de plástico. 1987). que segundo Visca (1987) se caracteriza por uma aproximação com a criança e torna possível detectar sintomas dos quais emergem as dificuldades de aprendizagem. A) (VISCA. Desenhou sua família em uma casa sem janelas. não estabelecendo relações entre a escrita dos logotipos e a escrita cursiva.Desenho da dupla educativa. (SMOLKA.C. na quarta feira. • • • • • • • 3. Quantificação da Inclusão de Classes.bastonetes e massas de modelar. 5. apontador. caneta esferográfica.2 margaridas de plástico. Outros materiais: folhas de sulfite. Teste de audibilização (GOLBERT. 6-Avaliação da Leitura. As do Diagnóstico Operatório revelaram condutas conservativas na prova de Conservação de Pequenos 02092 . A Prova do Realismo Nominal mostrou que é capaz de focalizar o significante como tal. 4. que segundo Smolka (1988) é um instrumento que possibilita conhecer e organizar alguns conhecimentos das crianças com relação à escrita. 3-Teste de Audibilização. Este instrumento constitui na exploração feita pela criança de uma caixa com materiais como: folha sulfite. revistas e marcadores. tesoura. 10 fichas azuis. Objetivo O presente trabalho tem como objetivo avaliar uma criança com dificuldade de aprendizagem em leitura e escrita indicada pelo coordenador de uma escola de ensino fundamental 1ª a 4ª série.C. C. RESULTADOS E DISCUSSÃO Os resultados da E. 4.2. tesoura.

Jean. Porto Alegre: Artes Médicas. 1981. De acordo com os níveis de desenvolvimento cognitivo de Piaget (1972) a criança provavelmente encontra no nível pré operatório mostrando que o seu desenvolvimento cognitivo encontra-se aquém do esperado para a sua idade. pois tem noção do nome de algumas letras. mas soube interpretar a história lida pela avaliadora. Liana Di Marco. T. col. M . fato notado a partir da observação durante os intervalos de aula e relatos de sua professora. São Paulo: Cortez Editora e Editora da Unicamp.L. 1992. A criança na fase inicial da escrita. PIAGET. A partir desses resultados será desenvolvido um programa contendo atividades para ser aplicadas com este aluno visando sanar suas dificuldades de leitura e escrita.1988.C. M. D. 1986. 02093 . A. Atualidades Pedagógicas. Porto Alegre: Artes Médicas. 1988. GOLBERT. 1987. J. Rio de Janeiro: Zahar. Mário Corso. O realismo como obstáculo na aprendizagem da leitura. condutas intermediárias na Conservação de Quantidade de Matéria. Jorge. (b). Traduzido por: Diana Myriam Lichtenstein. 3-10. A avaliação da leitura mostrou que a criança ainda não possui o conhecimento alfabético da escrita. pois comi 10 anos de idade na quarta série do ensino fundamental deveria ter superado as atividades aplicadas.109. 39.A evolução psicolingüística e suas implicações na alfabetização. SMOLKA. Trad. Referências Bibliográficas CARRAHER. Porto Alegre: Artes Médicas. 1970.Lemme. Psicogênese da Língua Escrita.N & REGO. Ana. Emilia e TEBEROSKY. WEISS. Clínica Psicopedagógica. Os estádios de desenvolvimento intelectual da criança e do adolescente. Cadernos de pesquisa. mas as não as reconhece graficamente. Psicopedagogia Clínica: Uma Visão Diagnóstico. Possui um bom relacionamento com os seus colegas. Os dados mostraram também que a criança se encontra no nível pré silábico. O desenvolvimento da criança.Conjuntos Discretos. A alfabetização como processo discursivo. Porto Alegre:Artes Médicas. In: LEITE. Não estabelece relação entre fonema e grafema. FERREIRO. 1972. condutas intermediárias na Quantificação da Inclusão de Classes e possui noção de seriação operatória na Seriação de Bastonetes. São Paulo: EDUSP. Epistemologia Convergente. PIAGET.R. VISCA. Alvaro Cabral. O nascimento da inteligência na criança.