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2ª Fase Civil Curso FORUM RIO DE JANEIRO

PROFESSORES:

Roberto Figueiredo (BA), Haroldo Lourenço (RJ),Pedro Barretto (BA) & Jerônimo Soares (RJ)

(RJ),Pedro Barretto (BA) & Jerônimo Soares (RJ) É com imensa satisfação que o Curso Fórum, sob

É com imensa satisfação que o Curso Fórum, sob a Coordenação do Procurador do Estado e Mestre pela Universidade Federal da Bahia, Professor Roberto Figueiredo, apresenta o Novo Curso de Direito e Processo Civil para 2 Fase do Exame de Ordem.

De maneira inédita no mercado carioca serão oferecidas mais de 70 horas exclusivamente presenciais com professores dos mais diversos Estados da Federação! Inicialmente, serão apresentadas aulas exclusivas de Direito Material Civil e aulas exclusivas de Direito Processual. Após, uma Oficina de Peças, com prática processual.

Simulados, monitoria às tardes, contato pessoal e direto com a coordenação: o Curso Fórum quer a sua aprovação. Confira!

CRONOGRAMA DAS AULAS

PROFESSOR ROBERTO FIGUEIREDO

AULA 1:

TEMA: Apresentação do Curso. Introdução ao Direito Civil e ao Direito do Consumidor. A Constitucionalização do Direito Civil e os Direitos da Personalidade. A personalidade: conceito, aquisição e teorias explicativas. Capacidade de fato e de direito. Capacidade Processual. Maioridade e Emancipação. A Morte e seus Efeitos no Direito Material e Processual Civil.

AULA 2:

TEMA: A desconsideração da pessoa jurídica. Dicas sobre a teoria do domicílio: importância para o Processo Civil (fixação da competência processual). Família e Sucessões.

AULA 3:

TEMA: Obrigações, Contratos e Responsabilidade Civil.

AULA 4:

OFICINA DE PEÇAS: Alimentos, inventário, apelação, agravo e embargos de declaração.

PROFESSOR HAROLDO LOURENÇO

AULA 5:

TEMA: Petição Inicial no procedimento ordinário.

AULA 6:

TEMA: Petição Inicial no procedimento sumário e nos procedimentos especiais: possessórias, petitórias, alimentos e investigação de paternidade.

AULA 7:

TEMA: Resposta do Réu: contestação, reconvenção e exceções.

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Roberto Figueiredo (BA), Haroldo Lourenço (RJ),Pedro Barretto (BA) & Jerônimo Soares (RJ)

(RJ),Pedro Barretto (BA) & Jerônimo Soares (RJ) AULA 8: TEMA: Intervenção de Terceiro. AULA 9: TEMA:

AULA 8:

TEMA: Intervenção de Terceiro.

AULA 9:

TEMA: Recursos (Teoria Geral).

PROFESSOR PEDRO BARRETO.

AULA 10:

TEMA: Recursos no Direito-Civil Constitucional: Recurso Especial, Extraordinário e Reclamação.

PROFESSOR JERONIMO SOARES

AULA 11:

TEMA: Embargos infringentes e recursos nos Juizados Especiais. Cumprimento de sentença e execução extrajudicial.

AULA 12:

TEMA: Execução. Teoria Geral. Liquidação. Execução provisória. Defesas do executado.

AULA 13:

TEMA: Ações Locatícias e Inquilinato. Mandado de segurança.

AULA 14:

TEMA: Práticas e Peças Processuais.

AULA 15:

TEMA: Práticas e Peças Processuais.

AULA 16:

TEMA: Questões TGP.

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Roberto Figueiredo (BA), Haroldo Lourenço (RJ),Pedro Barretto (BA) & Jerônimo Soares (RJ)

(RJ),Pedro Barretto (BA) & Jerônimo Soares (RJ) 1. CONCEITO, OBJETO E FINALIDADE É um conjunto e

1. CONCEITO, OBJETO E FINALIDADE

É um conjunto e regras que tem por objetivo disciplinar as outras normas,

nos planos da existência, validade, e eficácia. O objeto da LICC ao contrário das leis

em geral, é a outra lei (plano da existência, validade e eficácia destas). As leis em geral têm por objeto as pessoas e as relações humanas.

2. BASE LEGAL Decreto-Lei

107/01.

4.567/42.

3. VACATIO LEGIS

Lei

Complementar

95/98.

Lei

Complementar

É lapso temporal entre a publicação da lei e o início da sua vigência,

passando a ter obrigatoriedade. Salvo expressa disposição em contrário, é de 45 dias no território brasileiro e de 03 meses fora do território nacional. Havendo disposição em lei sobre a data de início de sua vigência, esta previsão será válida.

CONTAGEM DO PRAZO DA VACATIO LEGIS: o primeiro dia (publicação) e o último são contados, se iniciando a vigência no dia seguinte. Assim, o dia da publicação é contado. Ex: se a Lei é publicada no dia 02 de março tendo como prazo de vacatio 15 dias, ela entrará em vigor no dia 17 de março de 2010. Caso haja alteração, republicação, da norma durante a vacatio legis, o prazo será interrompido e sua contagem sua contagem recomeçará do zero, a partir da republicação. Sendo a mudança posterior ao vacatio legis haverá novo processo legislativo, com publicação de uma nova lei (com um novo número). Na alteração durante a vacatio legis, será a mesma lei.

4. PRINCÍPIOS ESPECÍFICOS

I – OBRIGATORIEDADE: ninguém pode se descumprir a lei alegando o desconhecimento da mesma. Isso não obstrui, contudo, a alegação do erro de direito (art. 139, inciso III, CC), haja vista que este princípio não é absoluto, sendo mitigado em algumas situações.

II – CONTINUIDADE: apenas uma nova lei pode revogar uma lei antiga. Usos e costumes não revogam lei. Ab-rogação: revogação absoluta da lei. Derrogação: revogação parcial da lei.

A revogação pode ser expressa ou tácita, na primeira a lei nova prevê

expressamente a revogação da antiga.

Critérios para identificar uma revogação tácita:

a) Cronológico (Lex Novalis): a lei nova tende a revogar a lei antiga;

b) Hirárquico (Lex superioris): a lei hierarquicamente superior tende a revogar a inferior;

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Roberto Figueiredo (BA), Haroldo Lourenço (RJ),Pedro Barretto (BA) & Jerônimo Soares (RJ)

(RJ),Pedro Barretto (BA) & Jerônimo Soares (RJ) Antinomia jurídica aparente: ocorre quando a

Antinomia jurídica aparente: ocorre quando a ambigüidade/incoerência é solucionada com os critérios supracitados. Pode ser de primeiro (o uso de apenas um critério soluciona), segundo (o uso de dois critérios soluciona) e terceiro grau (o uso de três critérios soluciona).

Antinomia jurídica real: se dá quando a incoerência entre leis não se soluciona com o uso dos três critérios.

III – NO LIQUET (arts. 4º e 126 do CC): o magistrado não pode deixar de solucionar a lide alegando obscuridade, lacuna ou ambigüidade da lei. O juiz deve fazê-lo com base na primeira fonte do direito, a lei.

A decisão não pode ser feita com base na equidade, exceto nos casos

previstos em lei (art. 127 do CC). As exceções estão previstas no art. 1.109 do CPC (ex: jurisdição voluntária), no artigo 20, §§ 3º e 4, do CPC, no artigo 412 e 431 do

na CC

usos e costumes e os princípios gerais do direito, nesta ordem.

falta da lei, com base no art. 4º da LICC, deve ser utilizada a analogia, os

REVISÃO TERMINOLÓGICA

1. REPRISTINAÇÃO

É a restauração de lei revogada por revogação da lei revogadora. A repristinação não pode ser tácita, logo, precisa de expressa previsão legal. É admitida no direito, desde que ocorre expressamente.

2. EXEQUATUR

É a execução ou a homologação de sentença estrangeira no Brasil. Vide

artigo 12, § 2º da LICC. O Juízo competente para conhecer da exequatur no Brasil é

o STJ.

3. PRINCÍPIO DA TERRITORIALIDADE MODERADA

O Brasil, em relação à aplicação da lei no espaço, adota o princípio da

territorialidade moderada (vide, por exemplo, o artigo 7º, caput, da LICC).

4. IRRETROATIVIDADE DA LEI CIVIL

A lei civil não retroage, pois vigora em nosso sistema o princípio da

irretroatividade. Portanto, ao contrário do Direito Penal, por exemplo, a lei civil não

retroagirá nem mesmo para beneficiar, de modo que ficarão sempre preservados o direito adquirido, o ato jurídico perfeito e acabado e a coisa julgado.

A exceção a essa regra é a retroatividade motivada da lei civil. Ex:

retroatividade da lei 8009/90 que prevê a impenhorabilidade do bem de família, a teor da súmula 205 do STJ.

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Roberto Figueiredo (BA), Haroldo Lourenço (RJ),Pedro Barretto (BA) & Jerônimo Soares (RJ)

(RJ),Pedro Barretto (BA) & Jerônimo Soares (RJ) PERSONALIDADE 1. CONCEITO Aptidão para contrair direitos e

PERSONALIDADE

1. CONCEITO

Aptidão para contrair direitos e deveres na ordem jurídica. Basta ser pessoa (física ou jurídica) para adquirir a personalidade jurídica. É o pressuposto dos demais direitos (Orlando Gomes). É a qualidade de ser pessoa.

2. AQUISIÇÃO DA PERSONALIDADE

I – PESSOA FÍSICA (ART. 2º): a personalidade da pessoa física é adquirida com o nascimento com vida (teoria natalista). O nascituro não tem personalidade, entretanto, tem direitos protegidos, como o direito à vida e o direito aos alimentos gravídicos (Lei 11.804/08).

II – PESSOA JURÍDICA (art. 45): o registro marca a aquisição da pessoa jurídica. O fato de funcionar sem registro não gera a existência da personalidade jurídica, mas sim a existência de mera sociedade de fato, que também deterá responsabilidade civil, ilimitada e solidária de seus sócios.

Art. 45. Começa a existência legal das pessoas jurídicas de direito privado com a inscrição do ato constitutivo no respectivo registro, precedida, quando necessário, de autorização ou aprovação do Poder Executivo, averbando-se no registro todas as alterações por que passar o ato constitutivo. Parágrafo único - Decai em três anos o direito de anular a constituição das pessoas jurídicas de direito privado, por defeito do ato respectivo, contado o prazo da publicação de sua inscrição no registro.

CAPACIDADE

1. DE DIREITO (ARTS. 1º E 2º DO CC)

Art. 1º Toda pessoa é capaz de direitos e deveres na ordem civil. Art. 2º A personalidade civil da pessoa começa do nascimento com vida; mas a lei põe a salvo, desde a concepção, os direitos do nascituro.

Todo ser humano tem capacidade de direito, personalidade, mas nem todos têm capacidade de fato, ou seja, de exercer sozinhos, de praticar autonomamente os atos da vida civil.

2. CAPACIDADE DE FATO OU DE EXERCÍCIO.

Significa a capacidade de exerce pessoalmente os atos da vida civil.

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Roberto Figueiredo (BA), Haroldo Lourenço (RJ),Pedro Barretto (BA) & Jerônimo Soares (RJ)

(RJ),Pedro Barretto (BA) & Jerônimo Soares (RJ) 3. ABSOLUTAMENTE INCAPAZ (ART. 3º DO CC) Art. 3º

3. ABSOLUTAMENTE INCAPAZ (ART. 3º DO CC)

Art. 3º São absolutamente incapazes de exercer pessoalmente os atos da vida civil:

I

- os menores de dezesseis anos;

II

- os que, por enfermidade ou deficiência mental, não tiverem

o

necessário discernimento para a prática desses atos;

III

- os que, mesmo por causa transitória, não puderem exprimir

sua vontade.

O ato praticado por absolutamente incapaz é nulo, não se convalidando com o tempo (artigos 166, inciso I e 169, do Código Civil).

4. RELATIVAMENTE INCAPAZES (ART. 4º)

Art. 4º São incapazes, relativamente a certos atos, ou à maneira de os exercer:

I - os maiores de dezesseis e menores de dezoito anos;

II - os ébrios habituais, os viciados em tóxicos, e os que, por deficiência mental, tenham o discernimento reduzido;

III - os excepcionais, sem desenvolvimento mental completo;

IV - os pródigos.

Parágrafo único - A capacidade dos índios será regulada por legislação especial.

Importante notar que o adulto não pode alegar a incapacidade relativa da outra parte para, com isto, beneficiar-se (artigo 105, Código Civil), assim como o relativamente incapaz que dolosamente oculta a sua idade não poderá se beneficiar da própria torpeza para, posteriormente, invalidade o ato (artigo 180, Código Civil).

ATENÇÃO: o surdo-mudo é capaz, exceto se não conseguir expressar sua vontade. O índio submete-se ao Estatuto do Índio e ao Estatuto da FUNAI, desde que seja silvícola.

O ato praticado pelo relativamente incapaz é anulável. O prazo decadencial para se postular a anulabilidade é de quatro anos, nos termos do artigo 178 do Código Civil. Trancorrido este prazo, o ato será convalidado a teor do princípio da conservação do negócio jurídico.

As hipóteses de ato anulável são, basicamente, aquelas previstas no artigo 171 do Código Civil, ou seja, quando praticado por relativamente incapaz, ou quando houver defeito do negócio jurídico.

Teoria do ato-fato jurídico: admite-se que certos atos praticados por absolutamente incapazes sejam válidos, haja vista que são aceitos na sociedade e não geram grande impacto/prejuízo. Exemplifique-se com uma criança que celebra compra e venda de merenda escolar. O ato, em tese, seria nulo. Contudo, pela teoria do ato-fato jurídico, admite-se a validade do mesmo.

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(RJ),Pedro Barretto (BA) & Jerônimo Soares (RJ) 5. PLANOS DA EXISTÊNCIA, VALIDADE E EFICÁCIA DO ATO

5. PLANOS DA EXISTÊNCIA, VALIDADE E EFICÁCIA DO ATO JURÍDICO

EXISTÊNCIA

VALIDADE

EFICÁCIA

SUJEITO

SUJEITO CAPAZ

ONEROSIDADE

EXCESSIVA

OBJETO

OBJETO LÍCITO,

REGIME DE BENS,

POSSÍVEL,

DANOS MORAIS,

DETERMINADO OU

MATERIAIS,

DETERMINÁVEL

ESTÉTICOS.

FORMA

FORMA PRESCRITA

JUROS, CORREÇÃO

OU NÃO PROIBIDA

MONETÁRIA,

CLÁUSULA PENAL

VONTADE

AUSÊNCIA DE

TODOS OS DEMAIS

DEFEITO DO

EFEITOS, OU SEJA,

NEGÓCIO JURÍDICO,

TUDO O QUE GERAR

SIMULAÇÃO OU

EFEITOS DO NEGÓCIO

FRAUDE A LEI

JURÍDICO

IMPERATIVA

A doutrina estuda o plano da existência. Contudo, a legislação cível inicia-se pelo plano da validade, a teor do artigo 104 do Código Civil:

Art. 104. A validade do negócio jurídico requer:

I - agente capaz; II - objeto lícito, possível, determinado ou determinável; III - forma prescrita ou não defesa em lei.

Os defeitos do negócio jurídico são: erro, dolo, coação, estado de perigo, lesão e fraude contra credores. Segundo o artigo 2.035 do CC para saber se o negócio jurídico é válido, deve-se aplicar a lei da data da celebração. Quando à eficácia, deve ser observada a lei da época do efeito.

Não há rol taxativo de eficácia, sendo esta definida por exclusão.

6. MAIORIDADE X EMANCIPAÇÃO

Emancipação e maioridade não se confundem. Tanto é assim que o emancipado continua menor de idade, inimputável penal, não autorizado, por exemplo, a obter habilitação para o trânsito.

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Roberto Figueiredo (BA), Haroldo Lourenço (RJ),Pedro Barretto (BA) & Jerônimo Soares (RJ)

(RJ),Pedro Barretto (BA) & Jerônimo Soares (RJ) Súmula 358 do STJ: a maioridade não cancela

Súmula 358 do STJ: a maioridade não cancela automaticamente o dever de pagar alimentos, de modo que somente uma decisão judicial poderia gerar esta situação jurídica nova (de cancelamento/exoneração).

A emancipação gera a capacidade de exercer os atos da vida civil, mas não a maioridade. A emancipação é irrevogável e irretratável.

I – EMANCIPAÇÃO VOLUNTÁRIA: tem forma de escritura pública e o menor tem que ter, no mínimo, 16 anos. Ocorre quando há comum acordo dos pais. A emancipação voluntária não extingue a responsabilidade objetiva e solidária dos pais prevista nos artigos 932 e 933 do Código Civil, pois se trata a hipótese de norma cogente.

II – EMANCIPAÇÃO JUDICIAL: ocorre nos casos em que não há acordo entre os pais e na tutela (suprir a falta do poder familiar para menores não emancipados). Nesse caso, o pedido de emancipação deve ser judicialmente. Idade mínima: 16 anos.

III – EMANCIPAÇÃO LEGAL: decorre de determinação legal. A emancipação legal não se preocupa com idade mínima ou forma., devendo ser atendidos apenas os requisitos fáticos (ex: casamento, cargo público efetivo). Nessa espécie de emancipação há extinção da responsabilidade objetiva e solidária dos pais.

Art. 5º A menoridade cessa aos dezoito anos completos, quando a pessoa fica habilitada à prática de todos os atos da vida civil. Parágrafo único - Cessará, para os menores, a incapacidade:

I - pela concessão dos pais, ou de um deles na falta do outro, mediante instrumento público, independentemente de

homologação judicial, ou por sentença do juiz, ouvido o tutor, se o menor tiver dezesseis anos completos; II - pelo casamento;

III - pelo exercício de emprego público efetivo;

IV - pela colação de grau em curso de ensino superior;

V - pelo estabelecimento civil ou comercial, ou pela existência

de relação de emprego, desde que, em função deles, o menor

com dezesseis anos completos tenha economia própria.

7. MORTE (ARTS. 6º A 8º, 426 E 1.784 DO CC)

Art. 6º A existência da pessoa natural termina com a morte; presume-se esta, quanto aos ausentes, nos casos em que a lei autoriza a abertura de sucessão definitiva.

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Roberto Figueiredo (BA), Haroldo Lourenço (RJ),Pedro Barretto (BA) & Jerônimo Soares (RJ)

(RJ),Pedro Barretto (BA) & Jerônimo Soares (RJ) Art. 7º Pode ser declarada a morte presumida, sem

Art. 7º Pode ser declarada a morte presumida, sem decretação de ausência:

I - se for extremamente provável a morte de quem estava em perigo de vida; II - se alguém, desaparecido em campanha ou feito prisioneiro, não for encontrado até dois anos após o término da guerra. Parágrafo único - A declaração da morte presumida, nesses casos, somente poderá ser requerida depois de esgotadas as buscas e averiguações, devendo a sentença fixar a data provável do falecimento.

Art. 8º Se dois ou mais indivíduos falecerem na mesma ocasião, não se podendo averiguar se algum dos comorientes precedeu aos outros, presumir-se-ão simultaneamente mortos.

A morte extingue os direitos intuito personae e as obrigações da mesma

natureza (personalíssimas). Entretanto, os direitos transmissíveis não são extintos com o óbito.

A morte pode ser natural (há corpo, certidão de óbito) ou ficta. A morte

ficta pode ser com declaração de ausência ou sem declaração de ausência.

O artigo 8º prevê a comoriência, que consiste na presunção de morte simultânea quando não for possível verificar quem morreu primeiro.

O artigo 426 prevê a nulidade dos pactos sucessórios relativos à herança

de pessoa viva, de modo que são estes vedados pelo ordenamento jurídico.

Art. 426. Não pode ser objeto de contrato a herança de pessoa viva.

O art. 1.784 prevê a saisine, que corresponde à transferência automática

da herança com a morte (abertura da duscessão):

Art. 1.784. Aberta a sucessão, a herança transmite-se, desde logo, aos herdeiros legítimos e testamentários.

Na morte ficta, a declaração é feita pelo magistrado e não há declaração de óbito, havendo assim necessidade de um processo judicial. É necessário o desaparecimento da pessoa e a aplicação de todas as diligências possíveis na busca.

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Roberto Figueiredo (BA), Haroldo Lourenço (RJ),Pedro Barretto (BA) & Jerônimo Soares (RJ)

(RJ),Pedro Barretto (BA) & Jerônimo Soares (RJ) DIREITOS DA PERSONALIDADE ARTS. 11 A 21 DO CC/02

DIREITOS DA PERSONALIDADE

ARTS. 11 A 21 DO CC/02

1. CARACTERÍSTICAS

a) Indisponibilidade;

b) Impenhorabilidade;

c) Intransferíveis;

d) Incessíveis;

e) Imprescritíveis;

f) Incompensáveis;

g) Inatos;

h) Intuito personae.

i) Irrenunciáveis.

O art. 11 diz que o exercício dos direitos da personalidade não pode sofrer limitação voluntária. Entretanto, extraordinariamente, isto é possível (ex: reality show reduz a privacidade voluntariamente) desde que aconteça de modo temporário, não violente a dignidade humana, os usos e costumes, nem acarrete abuso do direito.

Portanto, a doutrina e o STJ estabelecem critérios para a limitação, quais

sejam:

a) Temporariamente;

b) Não represente abuso de direito;

c) Não confronte os usos e os costumes.

d) Não atinja a dignidade humana.

2. TUTELAS INIBITÓRIAS

Os direitos de personalidade são tutelados por obrigações de fazer. Quando as tutelas inibitórias não são possíveis, deve haver a tutela indenizatória. Assim, as inibitórias são preferíveis. Tutela dos direitos da personalidade do morto (artigo 12, parágrafo único, CC): o cônjuge ou qualquer parente em linha reta, colateral até o 4º grau, tem legitimidade para requerer a tutela dos direitos de personalidade do falecido. É a legitimidade ativa ad causam. O pleito é em nome próprio, mas versa dobre direito alheio, sendo exceção ao art. 6º do CPC.

O art. 20, parágrafo único, do CC prevê a limitação dos legitimados da tutela do de cujus nos casos de direito de imagem. Nessa situação, só são legitimados os cônjuges, os ascendentes e os descendentes.

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(RJ),Pedro Barretto (BA) & Jerônimo Soares (RJ) ATENÇÃO! Estes preceitos só se aplicam ao cônjuge, não

ATENÇÃO! Estes preceitos só se aplicam ao cônjuge, não se admitindo, portanto, à união estável.

Dano moral in re ipsa é o dano moral objetivo, não havendo necessidade de comprovar sua real existência.

3. TUTELAS DO CORPO (ARTS. 13/15)

É proibido ato de disposição do próprio corpo, salvo disposição médica,

quando importar diminuição permanente da integridade física ou contrariar os costumes.

É possibilitada, com objetivo científico ou altruístico, a disposição do

próprio corpo, no todo ou em parte, para depois da morte, entretanto, essa disposição tem que ser a título gratuito.

O art. 15 prevê que ninguém será obrigado a se submeter a tratamento

médico ou cirurgia quando não houver risco de vida.

Art. 15. Ninguém pode ser constrangido a submeter-se, com risco de vida, a tratamento médico ou a intervenção cirúrgica.

4. TUTELA DO NOME (arts. 16/19)

Nome é o gênero. O primeiro nome, também chamado de prenome, e o sobrenome, também chamado de patronímico ou apelido de família, são espécies.

NOME = PRIMEIRO NOME (PRENOME) + SOBRENOME (PATRONÍMICO)

O primeiro nome pode ser alterado pelo indivíduo entre os 18 e 19 anos,

já o sobrenome não pode ser alterado. A exceção a essa vedação se dá em poucos

casos previstos em lei (ex: vítima ou testemunha de crime, estrangeiro com sobrenome de difícil pronúncia, chacota, etc

Pseudônimo: pode ser utilizado e registrado, desde que em atividade lícita (ex: Xuxa, Pelé). Agnome (filho, neto, júnior) também é protegido. Pseudônimo e agnome também fazem parte do nome, logo, são

protegidos.

5. TUTELA À IMAGEM

Tanto a imagem-retrato quando a imagem-atributo são tuteladas pelo ordenamento jurídico. Dano estético é dano a imagem-retrato, a imagem física (corpórea). A imagem-atributo é aquela atribuída à pessoa pela comunidade, sendo imaterial.

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(RJ),Pedro Barretto (BA) & Jerônimo Soares (RJ) A imagem-atributo é tutelada pelo dano moral. PESSOA

A imagem-atributo é tutelada pelo dano moral.

PESSOA JURÍDICA

1. INTRODUÇÃO

A personalidade da pessoa jurídica é adquirida com o registro no órgão

competente.

A pessoa jurídica é uma reunião de coisas (fundação) ou pessoas

(associação ou sociedade), podendo esta última ser com fim econômico (sociedade)

ou não (associação).

PESSOAS JURÍDICAS MAIS SOLICITADAS EM PROVAS DA OAB

REUNIÃO DE COISAS

REUNIÃO DE PESSOAS

FUNDAÇÃO

ASSOCIAÇÃO E SOCIEDADE

As pessoas jurídicas com fins econômicos podem ou não ter fins lucrativos, sendo a com fim lucrativo denominada sociedade (S/A, comandita simples etc). A sociedade sem fim lucrativo é denominada civil, simples ou liberal (ex:

escritório de advocacia, cooperativa etc).

Súmula 227 do STJ: pessoa jurídica pode sofrer dano moral.

2. DESCONSIDERAÇÃO DA PESSOA JURÍDICA

É diferente da despersonalização, que tem efeito erga omnes, haja vista

que esta tira a personalidade da pessoa jurídica, sendo definitiva. A desconsideração

é provisória, sobrestando a existência apenas no caso concreto e específico, tendo

efeitos inter partes. Após adentrar o patrimônio dos sócios e realizar o crédito, a PJ é

reconsiderada.

A desconsideração não pode ser feita ex oficio, sendo necessário

requerimento da parte ou do Ministério Público, quando lhe couber intervir.

A desconsideração só pode ocorrer quando houver desvio de finalidade

ou confusão patrimonial.

A desconsideração só pode ir até o limite da responsabilidade do sócio

na administração.

É possível a desconsideração sucessiva de pessoas jurídicas, bem como

a inversa (adentrar o patrimônio da PJ por dívida do sócio como pessoa física). A inversa já foi admitida pelo STJ.

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(RJ),Pedro Barretto (BA) & Jerônimo Soares (RJ) 3. ASSOCIAÇÕES (ARTS. 53/61) As associações não podem

3. ASSOCIAÇÕES (ARTS. 53/61)

As associações não podem ter fins econômicos, sendo união de pessoas que se organizam para fins não econômicos.

Não há hierarquia, nem direitos recíprocos entre os associados, a teor do art. 55, salvo disposição estatutária em sentido contrário.

A qualidade de associado, salvo disposição em contrário no estatuto, é intransmissível, se extinguindo com a morte. Assim, não é possível é possível transferir por contrato inter vivos ou sucessão.

Não é possível a exclusão do associado sem justa causa, imotivadamente (art. 57). É necessária a instauração do procedimento administrativo, garantindo ao associado os direitos à ampla defesa e ao devido processo administrativo. O estatuto deve prever os termos desse procedimento.

As associações têm legitimidade ativa para ajuizar usucapião coletiva e ação civil pública.

Ninguém é obrigado a se associar ou se manter associado.

EXTINÇÃO DA ASSOCIAÇÃO: quando a sociedade é extinta, o remanescente do seu patrimônio líquido é destinado à entidade sem fins econômicos designada no estatuto ou, omisso este, por deliberação dos associados, à instituição de fins idênticos ou semelhantes (art. 61).

Antes dessa transferência, deverá vender seus bens e ratear o valor para pagar aos associados o que eles investiram (proporcionalmente).

Quorum deliberativo: maioria simples.

4. FUNDAÇÃO

I - FINALIDADES: a fundação deve ter finalidade religiosa, assistencial, cultural ou moral (art. 62).

Com

base

no

art.

67,

originariamente estabelecida.

II – CRIAÇÃO:

é

defeso

à

fundação

alterar

a

finalidade

1ª FASE: instituição por testamento (causa mortis) ou escritura pública (inter vivos), não podendo ser por simples contrato.

2ª FASE: elaboração do estatuto no prazo de 180 dias, ou o MP o fará.

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Roberto Figueiredo (BA), Haroldo Lourenço (RJ),Pedro Barretto (BA) & Jerônimo Soares (RJ)

(RJ),Pedro Barretto (BA) & Jerônimo Soares (RJ) 3ª FASE: encaminhar ao MP para aprovação. Caso não

3ª FASE: encaminhar ao MP para aprovação. Caso não aprove, o juiz poderá suprir, mas, se aprovar, irá para registro.

4ª FASE: registro no órgão competente.

III - EXTINÇÃO DA FUNDAÇÃO:

Na fundação não haverá rateio de valores com sua extinção. Extinta a fundação, seu patrimônio será incorporado a outra fundação (determinada pelo juiz) com igual ou semelhante fim, salvo disposição em contrário no estatuto.

Quorum de deliberação da assembléia: 2/3 (art. 67, I).

O curador das fundações é o Ministério Público, conforme disposto no art. 66 do CC. Caso a fundação se estenda por mais de um estado, o MP de cada uma deles velará pela parte que lhe couber.

Art. 66. Velará pelas fundações o Ministério Público do Estado onde situadas. §1º (Dispositivo declarado inconstitucional por força da ADI

2794/06)16

§

2º Se estenderem a atividade por mais de um Estado, caberá

o

encargo, em cada um deles, ao respectivo Ministério Público.

1. TERMINOLOGIAS

DOMICÍLIO

Domicílio não se confunde com residência. O domicílio é, em regra, mais amplo que a residência. O domicílio é composto por dois elementos: a residência (objetivo) e o animus de permanecer (subjetivo). Extraordinariamente, pode haver domicílio sem residência (ex: o domicílio do andarilho é o local onde este se encontrar.

Art. 70. O domicílio da pessoa natural é o lugar onde ela estabelece a sua residência com ânimo definitivo.

Art. 73. Ter-se-á por domicílio da pessoa natural, que não tenha residência habitual, o lugar onde for encontrada.

Habitação: é um direito real e uso gratuito do imóvel.

Moradia: direito constitucional social, que se caracteriza, por exemplo, pela impenhorabilidade.

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(RJ),Pedro Barretto (BA) & Jerônimo Soares (RJ) 2. TEORIA DO DOMICÍLIO PLURAL E ALTERAÇÃO DE DOMICÍLIO

2. TEORIA DO DOMICÍLIO PLURAL E ALTERAÇÃO DE DOMICÍLIO

A pessoa

pode

ter

mais

de

um

domicílio,

sejam

estes

civis

ou

profissionais, sendo considerado qualquer um deles. É a teoria do domicílio plural.

Art. 71. Se, porém, a pessoa natural tiver diversas residências, onde, alternadamente, viva, considerar-se-á domicílio seu qualquer delas.

Art. 72. É também domicílio da pessoa natural, quanto às relações concernentes à profissão, o lugar onde esta é exercida. Parágrafo único - Se a pessoa exercitar profissão em lugares diversos, cada um deles constituirá domicílio para as relações que lhe corresponderem.

É possível alterar o domicílio com a mudança da residência e do animus, mas a simples alteração da residência não altera, por si só, o domicílio. A alteração de domicílio pode ser expressa ou tácita (ex: informação de mudança de endereço para recebimento de contas).

Art. 74. Muda-se o domicílio, transferindo a residência, com a intenção manifesta de o mudar.

Parágrafo único - A prova da intenção resultará do que declarar a pessoa às municipalidades dos lugares, que deixa, e para onde vai, ou, se tais declarações não fizer, da própria mudança, com as circunstâncias que a acompanharem.

3. DOMICÍLIO OBRIGATÓRIO

O domicílio da PJ de direito privado é o lugar onde funcionar a sua

diretoria, salvo disposição em contrário no estatuto. As pessoas jurídicas de direito público terão domicílio conforme disposto no art. 75 do CC.

Art. 75. Quanto às pessoas jurídicas, o domicílio é:

I - da União, o Distrito Federal; II - dos Estados e Territórios, as respectivas capitais; III - do Município, o lugar onde funcione a administração municipal;

IV - das demais pessoas jurídicas, o lugar onde funcionarem as

respectivas diretorias e administrações, ou onde elegerem

domicílio especial no seu estatuto ou atos constitutivos.

§ 1º Tendo a pessoa jurídica diversos estabelecimentos em

lugares diferentes, cada um deles será considerado domicílio para os atos nele praticados.

§ 2º Se a administração, ou diretoria, tiver a sede no

estrangeiro, haver-se-á por domicílio da pessoa jurídica, no

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(RJ),Pedro Barretto (BA) & Jerônimo Soares (RJ) tocante às obrigações contraídas por cada uma das suas

tocante às obrigações contraídas por cada uma das suas agências, o lugar do estabelecimento, sito no Brasil, a que ela corresponder.

Algumas pessoas têm domicílio obrigatório, quais sejam: o incapaz (dos pais, do representante ou do assistente), o servidor público (lugar em que exercer suas funções), militar (onde servir), militar da Marinha ou Aeronáutica (sede do comando a que estiver diretamente subordinado, marítimo (onde navio estiver matriculado), o preso (onde cumprir sentença).

Art. 76. Têm domicílio necessário o incapaz, o servidor público, o militar, o marítimo e o preso. Parágrafo único - O domicílio do incapaz é o do seu representante ou assistente; o do servidor público, o lugar em que exercer permanentemente suas funções; o do militar, onde servir, e, sendo da Marinha ou da Aeronáutica, a sede do comando a que se encontrar imediatamente subordinado; o do marítimo, onde o navio estiver matriculado; e o do preso, o lugar em que cumprir a sentença.

Marítimo não se confunde com marinheiro. O marítimo é o empregado

(celetista), já o marinheiro é o militar (estatutário). O marítimo tem domicílio onde estiver matriculado o navio e o marinheiro onde estiver a sede do seu comando

direto.

O incapaz tem domicílio onde estiver seu representante ou assistente. O preso tem domicílio no local onde cumprir a pena.

4. DOMICÍLIO CONTRATUAL

trata

convencionarem o foro, é o denominado foro de eleição, e está previsto no art. 78 do

CC.

partes

O

domicílio

contratual

da

possibilidade

de

as

Art. 78. Nos contratos escritos, poderão os contratantes especificar domicílio onde se exercitem e cumpram os direitos e obrigações deles resultantes.

ATENÇÃO! Há possibilidade de o juiz, de ofício, declarar a nulidade da cláusula de eleição de foro nos contratos de adesão, a teor do artigo 112 do CPC. De acordo com o art. 114, o juiz só pode declinar a competência relativa até a citação, seja por iniciativa da parte ou de ofício. Assim, caso não ocorra antes da citação, prorroga-se a competência.

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(RJ),Pedro Barretto (BA) & Jerônimo Soares (RJ) BENS JURÍDICOS 1. CONCEITO É a cristalização de um

BENS JURÍDICOS

1. CONCEITO

É a cristalização de um valor, podendo ser corpóreo ou incorpóreo,

móvel ou imóvel.

2. BENS MÓVEIS E IMÓVEIS

A sucessão aberta é bem imóvel, assim como os direitos reais sobre

imóveis e as ações que os asseguram.

Art. 80. Consideram-se imóveis para os efeitos legais:

ações

asseguram;

II - o direito à sucessão aberta.

sobre

I -

os

direitos

reais

imóveis

e

as

que

os

Art. 81. Não perdem o caráter de imóveis:

I - as edificações que, separadas do solo, mas conservando a

sua unidade, forem removidas para outro local;

II - os materiais provisoriamente separados de um prédio, para nele se reempregarem.

A energia elétrica dotada de valor econômico é bem móvel.

Art. 82. São móveis os bens suscetíveis de movimento próprio, ou de remoção por força alheia, sem alteração da substância

ou da destinação econômico-social.

Art. 83. Consideram-se móveis para os efeitos legais:

I - as energias que tenham valor econômico;

II - os direitos reais sobre objetos móveis e as ações

correspondentes;

III - os direitos pessoais de caráter patrimonial e respectivas

ações. Art. 84. Os materiais destinados a alguma construção, enquanto não forem empregados, conservam sua qualidade de móveis; readquirem essa qualidade os provenientes da demolição de algum prédio.

O acessório segue a sorte do principal, logo, a telha retirada de uma

casa para depois ser recolocada é bem imóvel. Entretanto, a comprada é bem móvel, enquanto não for empregada, não perde a característica de móvel. Não deixa de ser imóvel a edificação que, separada do solo sem perder sua unidade, for removida para outro lugar.

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(RJ),Pedro Barretto (BA) & Jerônimo Soares (RJ) 3. UNIVERSALIDADE E PERTENÇAS A universalidade pode ser: a)

3. UNIVERSALIDADE E PERTENÇAS

A universalidade pode ser:

a) De fato: consiste na pluralidade de bens singulares que, pertencendo

à mesma pessoa, tenham destinação unitária em razão da vontade desta(ex:

rebanho, biblioteca);

b) De direito: é a lei que torna o bem indivisível, coletivizando bens que,

em tese seriam divisíveis (ex: massa falida, herança).

Art. 90. Constitui universalidade de fato a pluralidade de bens singulares que, pertinentes à mesma pessoa, tenham destinação unitária. Parágrafo único - Os bens que formam essa universalidade podem ser objeto de relações jurídicas próprias. Art. 91. Constitui universalidade de direito o complexo de relações jurídicas, de uma pessoa, dotadas

PERTENÇAS: bens que, não sendo parte integrante, se destinam, de modo duradouro, ao uso, serviço, ou aformoseamento de outro. Os negócios jurídicos referentes aos bens principais não abrangem as pertenças, salvo disposição legal, convenção sãs partes ou circunstâncias do caso.

BENFEITORIA: é um produto artificial, construído pelo ser humano. As benfeitorias seguem a sorte do bem principal (princípio da gravitação). Não são consideradas benfeitorias os melhoramentos e acréscimos não decorrentes da vontade do proprietário, possuidor ou detentor. Pode ser de três tipos:

a) Voluptuárias: para mero deleito e não aumentam o uso do bem, apesar de torná-lo mais agradável e de maior valor;

b) Úteis: aumentam ou facilitam o uso do bem;

c) Necessárias: precisam ser feitas para conservar o bem ou evitar que estes se deteriorem.

FRUTO: o fruto é natural.

Art. 95. Apesar de ainda não separados do bem principal, os frutos e produtos podem ser objeto de negócio jurídico.

4. BENS PÚBLICOS (ARTS. 98/103)

a) De uso comum: bens públicos afetados ao uso geral do povo (ex: mar,

praças, meio ambiente ecologicamente equilibrado);

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(RJ),Pedro Barretto (BA) & Jerônimo Soares (RJ) b) De uso especial: afetados à serviço público (ex:

b) De uso especial: afetados à serviço público (ex: sede de um órgão);

c) Dominicais: desafetados, não tendo uma destinação específica.

Os bens afetados podem ser desafetados, basta que seja retirada a sua destinação. Cabe ressaltar que o desuso não gera a desafetação. Os bens desafetados podem ser afetados, basta que se dê uma destinação a estes.

Os bens dominiais são desafetados, sendo de propriedade do erário, mas não são destinadas a nenhum fim específico (ex: terra devoluta).

Os bens especiais e de uso comum não podem ser alienados, apenas os dominicais, desde que haja autorização específica. Caso um bem de uso comum ou uso especial seja desafetado, perdendo assim sua destinação e se tornando desafetado, poderá ser alienado.

O uso dos bens públicos pode, em regra, ser tarifado, com base no art.

103 do CC.

Art. 103. O uso comum dos bens públicos pode ser gratuito ou retribuído, conforme for estabelecido legalmente pela entidade a cuja administração pertencerem.

Os bens públicos não são suscetíveis de usucapião.

FATO, ATO E NEGÓCIO JURÍDICO

1. FATO JURÍDICO É tudo

conseqüências jurídicas. O fato jurídico pode ser:

aquilo

que

for

relevante

para

o

direito,

que

acarrete

a) Ilícito (arts. 186 e 187);

b) Lícito: o fato jurídico lícito pode ser dependente ou independente da

vontade humana para acontecer.

Os que independem da vontade humana se dividem em naturais (maioridade, morte) e extraordinários (caso fortuito, força maior). Os que dependem da vontade humana se dividem em ato jurídico, negócio jurídico e ato-fato jurídico.

O ato jurídico propriamente dito (em sentido estrito) depende da vontade

humana, porém, não há possibilidade de negociação de condições, devendo o sujeito aderir ou não (ex: concurso público).

No negócio jurídico há a possibilidade de negociação das condições, havendo autodeterminação da vontade.

Ato-fato jurídico é aquele celebrado por incapaz, mas que se considera válido por não gerar grandes repercussões e ser aceito pela sociedade.

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(RJ),Pedro Barretto (BA) & Jerônimo Soares (RJ) 2. PRINCÍPIO DA CONSERVAÇÃO DO NEGÓCIO JURÍDICO É

2. PRINCÍPIO DA CONSERVAÇÃO DO NEGÓCIO JURÍDICO

É possível declarar a nulidade da simulação, mas conservar o negócio

jurídico que possa ser recategorizado, ou seja, se o negócio jurídico nulo contiver requisitos de outro negócio jurídico, subsistirá este quando o fim que visavam as partes permitir supor que o teriam querido, se houvessem previsto a nulidade.

Art. 170. Se, porém, o negócio jurídico nulo contiver os requisitos de outro, subsistirá este quando o fim a que visavam as partes permitir supor que o teriam querido, se houvessem previsto a nulidade.

O art. 12 prevê a hipótese de ratificação de negócios jurídicos nulos ou

anuláveis ao dispor que estes podem ser confirmados pelas partes.

3. PRINCÍPIO DA FORMA LIVRE

A validade da declaração da vontade não dependerá de forma especial,

senão quando a lei exigir. Nessa hipótese, a forma poderá ser escrito ou solene (ex:

necessidade de escritura pública). Caso a forma solene não seja atendida haverá a nulidade do ato.

4. INTERPRETAÇÕES DO NEGÓCIO JURÍDICO

O silêncio importa a anuência, mas apenas quando as circunstâncias ou

usos o autorizarem e não for necessária a declaração expressa de vontade. Ou seja, em regra, quem cala não consente.

Deve-se atender a real intenção das partes, valendo esta mais do que o que está consubstanciado no papel. Na declaração de vontade, observa-se de fato a vontade das partes e não a interpretação literal.

A

renúncia

deve

ser

interpretada

de

forma

restritiva,

entretanto,

excepcionalmente, pode haver renúncia tácita (ex: renúncia à prescrição de dívida).

Os negócios jurídicos devem ser interpretados conforme a boa-fé e os usos e costumes do lugar da celebração.

5. DIREITO DE REPRESENTAÇÃO

AUTO-CONTRATO (art. 117): é um negócio jurídico anulável, em regra.

Esse tipo de contrato só é válido com a autorização expressa na procuração ou autorização legal. O prazo para anular é de 02 anos, de acordo com o art. 179 do CC.

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(RJ),Pedro Barretto (BA) & Jerônimo Soares (RJ) Art. 117. Salvo se o permitir a lei ou

Art. 117. Salvo se o permitir a lei ou o representado, é anulável o negócio jurídico que o representante, no seu interesse ou por conta de outrem, celebrar consigo mesmo.

Parágrafo único - Para esse efeito, tem-se como celebrado pelo representante o negócio realizado por aquele em quem os poderes houverem sido subestabelecidos.

6. PRAZOS

O art. 179 estabelece que, quando a lei dispuser sobre ato anulável e não estabelecer prazo para pleitear anulação, este será de dois anos.

O art. 178 prevê o prazo de 04 anos (prazo decadencial) para pleitear a anulação do negócio jurídico quando houver defeito do negócio ou ato de incapaz.

Art. 178. É de quatro anos o prazo de decadência para pleitear-se a anulação do negócio jurídico, contado:

I - no caso de coação, do dia em que ela cessar;

II - no de erro, dolo, fraude contra credores, estado de perigo

ou

III

lesão, do dia em que se realizou o negócio jurídico; -

no

de

atos de incapazes, do

dia em

que cessar a

incapacidade.

Art. 179. Quando a lei dispuser que determinado ato é anulável, sem estabelecer prazo para pleitear-se a anulação, será este de dois anos, a contar da data da conclusão do ato.

7. ELEMENTOS ACIDENTAIS

I – CONDIÇÃO: FUTURO + INCERTO – “SE”. A condição pode ser

suspensiva, quando o negócio jurídico fica pendente, ou resolutiva, na qual o negócio jurídico é extinto.

II – TERMO: FUTURO + CERTEZA – “QUANDO”.

III – ENCARGO: FUTURO + ÔNUS – “DESDE QUE”.

Na condição suspensiva, o direito não é adquirido de imediato, ao passo que os demais elementos acidentais geram direito adquirido.

8. DEFEITOS DO NEGÓCIO JURÍDICO (anulabilidade do ato)

I – ERRO: é um vício no consentimento da pessoa, sendo uma visão

distorcida da realidade, e um pressuposto negativo de validade.

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(RJ),Pedro Barretto (BA) & Jerônimo Soares (RJ) Erro e ignorância são tratados da mesma forma pela

Erro e ignorância são tratados da mesma forma pela legislação, entretanto, não são a mesma coisa. A ignorância é o total desconhecimento e também é um pressuposto negativo de validade.

Erro escusável: erro perdoável, que qualquer pessoa com diligência normal poderia incorrer. Erro grosseiro: quase ninguém cometeria, logo, não gera a anulabilidade do negócio. Excepcionalmente, o STJ entende que isso deve ser analisado no caso concreto, assim, tendo em vista os princípios da confiança e da boa-fé, o negócio poderá ser anulado por erro grosseiro.

O erro, para gerar a anulabilidade do ato, precisa ser substancial

(interferir diretamente na realização do negócio), logo, o erro acidental não gera a anulabilidade, mas apenas o direito a indenização (no máximo).

O erro pode ser de direito (art. 139 do CC, III), gerando anulabilidade. O

erro de cálculo só enseja a sua correção. Erro não se confunde com vício redibitório,

tendo em vista que o primeiro é um problema interno (na pessoa) e o segundo é um problema na coisa.

ESPÉCIES DE ERRO:

a) Erro do negócio:

b) Erro de pessoa:

c) Erro de direito: anula o negócio desde que não implique em resistência à norma.

d) Erro de cálculo: não interfere no negócio e não gera anulabilidade.

A exposição

da

vontade

conseqüências da manifestação direta.

por

pessoa

interposta

gera

as

mesmas

II – DOLO: o dolo precisa ser substancial para gerar a anulabilidade, ou seja, o dolo precisa ser imprescindível para a realização do negócio. O dolo absorve o erro, haja vista que leva, dolosamente, a pessoa a incorrer em erro.

O dolo incidental gera, no máximo, indenização, posto que sem ele o

negócio seria realizado de qualquer forma.

O dolo pode ser comissivo ou omissivo. O dolo omissivo é diferente da

reserva mental, posto que esta não é punível, haja vista que é interior. A única hipótese de a reserva legal gerar conseqüências ocorre quando o destinatário tinha conhecimento dela.

Art. 110. A manifestação de vontade subsiste ainda que o seu autor haja feito a reserva mental de não querer o que manifestou, salvo se dela o destinatário tinha conhecimento.

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(RJ),Pedro Barretto (BA) & Jerônimo Soares (RJ) O dolo de terceiro pode ou não anular o

O dolo de terceiro pode ou não anular o negócio jurídico. Esse tipo de

dolo anulará o negócio quando a pessoa tinha conhecimento do dolo ou dele se aproveitou.

III – COAÇÃO: A coação pode ser vis absoluta, que ocorre quando há

agressão, retirando totalmente a vontade do indivíduo, gerando a inexistência do ato e não a anulabilidade.

A coação vis compulsiva ocorre quando a vontade é viciada por questões

morais, religiosas etc. Não é física ou absoluta e gera anulabilidade.

A coação gera fundado temor de dano iminente e considerável à pessoa,

sua família ou seus bens. Precisa ser substancial.

A coação pode ser direta – na pessoa – ou indireta – na família.

O simples temor reverencial não gera anulabilidade, assim como o

exercício regular do direito.

IV – ESTADO DE PERIGO: o estado de perigo é subjetivo, tendo o

sujeito conhecimento da situação e gera omissão excessivamente onerosa. Logo,

pressupõe o conhecimento de quem aproveita. Assim, há dolo de aproveitamento. A desproporcionalidade das prestações deve ser analisada com base nos valores vigentes à época do negócio

.

O

art. 157, parágrafo 2º, também se aplica ao estado de perigo por

entendimento doutrinário manso e pacífico.

V – LESÃO: o critério é objetivo, não importando a existência de dolo de aproveitamento, mas a apenas a prestação desproporcional. Assim, na lesão, basta que haja o desequilíbrio entre prestação e contraprestação.

A lesão é pressuposto de validade e deve ser analisada com base no

tempo da celebração, ao passo que a onerosidade, ao passo que a onerosidade é pressuposto de eficácia (não gera anulabilidade), sendo superveniente.

VI – FRAUDE CONTRA CREDORES: Ação pauliana (ou revocatória) é

própria da fraude contra credores e tem por objetivo anular o negócio jurídico realizado entre o devedor insolvente e terceiro. É uma espécie de ação ordinária.

(vencida).

O

indivíduo

precisa

ser

credor

de

dívida

líquida,

certa

e

exigível

Caso o negócio gere insolvência, será anulável, caso não gere, o negócio será válido.

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(RJ),Pedro Barretto (BA) & Jerônimo Soares (RJ) Não há necessidade do concilium fraudis , ou seja,

Não há necessidade do concilium fraudis, ou seja, as partes não precisam ter se unido com objetivo de fraudar.

O bem protegido na fraude contra credores é o patrimônio do devedor, já

na fraude à execução, o bem protegido é o regular andamento do processo. A fraude a lei imperativa (gera nulidade e não anulabilidade), que também é pressuposto de validade, ocorre quando há afronta a lei de ordem pública.

FRAUDE À EXECUÇÃO: A fraude à execução pode ser inibida de ofício pelo juiz e ocorre durante o processo, após a citação do devedor.

AÇÃO ORDINÁRIA DE NULIDADE DE NEGÓCIO JURÍDICO

Tal ação é imprescritível e não se convalida com o decurso do tempo (art. 169 do CC). A nulidade absoluta gera efeitos erga omnes, ou seja, se estende a todos. Assim, a nulidade absoluta pode ser alegada por qualquer interessado ou pelo MP, quando lhe couber intervir. A nulidade absoluta pode ser declarada de ofício pelo magistrado, não podendo este supri-la.

AÇÃO DE ANULABILIDADE DO NEGÓCIO JURÍDICO

São decadenciais, sendo o prazo de, em regra, 04 anos (art. 179 do CC) para relativamente incapazes e defeitos do negócio jurídico. Excepcionalmente, o prazo será de 02 anos (art. 179 do CC) ou prazo específico previsto esparsamente em lei (ex: art. 119).

A anulação tem efeito inter partes e não pode ser declarada de ofício

pelo juiz. Enquanto a sentença não transitar em julgado, a anulabilidade não gera efeitos (art. 177). Só podem alegar os interessados e só aproveita quem alegar.

AÇÕES CONDENATÓRIAS

As ações condenatórias não se confundem com as supracitadas e têm por objetivo uma obrigação. Prescrevem nos prazos previstos entre os artigos 205 e 206 do CC.

Com a lesão, que nasce da violação de direito, nasce a pretensão de reparação (art.189). A regra geral é a do art. 205, que é de 10 anos, e o art. 206 prevê os prazos específicos. Tudo que estiver fora desses artigos é prazo decadencial.

DIREITOS REAIS

1. RELAÇÃO REAL

Ao contrário da relação obrigacional, que se refere às pessoas, gerando efeitos inter partes, o direito real incide sobre as coisas e tem efeito erga omnes.Os direitos reais são tipificados no CC (números clausus - art. 1.225 do CC), dotados de publicidade (que se dá através do registro).

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(RJ),Pedro Barretto (BA) & Jerônimo Soares (RJ) Art. 1.225. São direitos reais: I - a propriedade;

Art. 1.225. São direitos reais:

I - a propriedade;

II - a superfície;

III - as servidões;

IV - o usufruto;

V - o uso;

VI - a habitação;

VII - o direito do promitente comprador do imóvel; VIII - o penhor;

IX - a hipoteca;

X - a anticrese.

XI - a concessão de uso especial para fins de

moradia;23

XII - a concessão de direito real de uso.24

Assim, são características dos direitos reais:

a) Incide sobre coisas;

b) Efeito erga omnes;

c) Tipificados ( números clausus – art. 1225 do CC);

d) Registro;

e) Publicidade (se dá através do registro).

Entre as relações de direito pessoal e direito real, existem as figuras híbridas, que mesclam características de ambas (ex: obrigação com eficácia real tem registro e publicidade; obrigações propter rem ou ambulatórias não aderem a pessoas, mas sim a coisa).

Art. 1.225. São direitos reais:

I - a propriedade;

II - a superfície;

III - as servidões;

IV - o usufruto;

V - o uso;

VI - a habitação;

VII - o direito do promitente comprador do imóvel; VIII - o penhor;

IX - a hipoteca;

X - a anticrese.

XI - a concessão de uso especial para fins de moradia;23

XII - a concessão de direito real de uso.24

2. POSSE

Apesar de não estar na lista do art. 1.225, a posse está no rol de direitos reais. Posse é um direito autônomo, diferente de propriedade, e representa/expõe o direito de propriedade.

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(RJ),Pedro Barretto (BA) & Jerônimo Soares (RJ) De acordo com a teoria clássica de Savigny, que

De acordo com a teoria clássica de Savigny, que é subjetiva, para ser considerado possuidor é necessário juntar dois elementos, quais sejam: animus (de ter o bem) e corpus (o próprio bem). Com base nessa teoria, aquele que tem o corpus, mas não o animus é o detentor. Posse = corpus + animus.

Após, surgiu a teoria de Ihering, que é objetiva, que defende que para ter

a posse, basta que se tenho o corpus, ou seja, basta que a pessoa esteja com o

objeto para ser considerado possuidor. Essa é a teoria adotada pelo direito brasileiro,

o que se depreende do art. 1.196 do CC. Para Iehring, a detenção (fâmulo da posse)

só existe quando prevista em lei e, nessa situação não corre a posse, ou seja, não pode justificar uso capião. POSSE = CORPUS.

Art. 1.196. Considera-se possuidor todo aquele que tem de fato o exercício, pleno ou não, de algum dos poderes inerentes à propriedade.

Art. 1.198. Considera-se detentor aquele que, achando-se em relação de dependência para com outro, conserva a posse em nome deste e em cumprimento de ordens ou instruções suas. Parágrafo único - Aquele que começou a comportar-se do modo como prescreve este artigo, em relação ao bem e à outra pessoa, presume-se detentor, até que prove o contrário.

Art. 1.208. Não induzem posse os atos de mera permissão ou tolerância assim como não autorizam a sua aquisição os atos violentos, ou clandestinos, senão depois de cessar a violência ou a clandestinidade.

I – CLASSIFICAÇÕES DA POSSE.

A) DIRETA OU INDIRETA: A posse pode ser direta, quando a pessoa

está diretamente ligada ao bem, ou indireta, quando a pessoa está

juridicamente/indiretamente ligada ao bem. Todo proprietário tem, necessariamente,

a posse indireta. Só existe uma posse direta, mas podem existir mais de uma posse indireta.

B) BOA-FÉ E MÁ-FÉ: A posse também se classifica em de boa-fé, que é

adquirida sem que se tenha conhecimento dos vícios, e de má-fé, ocorre quando o possuidor tem conhecimento do vício. A citação transforma o possuidor de boa-fé em possuidor de má-fé.

C) NOVA E VELHA: A posse também pode ser classificada, quanto ao

seu tempo, em posse nova (adquirida ou perdida a menos de um ano e um dia) ou posse velha (perdida ou adquirida a mais de ano e um dia). Isso reflete na esfera processual, posto que, havendo posse nova, haverá o direito a liminar possessória (em benefício do possuidor indireto) e na posse velha não há esse direito. A usucapião é uma punição do sistema ao possuidor (indireto) inerte, sendo a perda propriedade em razão da inércia. Prescrição aquisitiva é sinônimo de usucapião, posto que se adquire em razão do decurso do tempo em inércia.

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(RJ),Pedro Barretto (BA) & Jerônimo Soares (RJ) D) JUSTA E INJUSTA : A posse pode ser

D) JUSTA E INJUSTA: A posse pode ser justa ou injusta, sendo a primeira adquirida dentro dos ditames legais (através de um contrato) e a segunda adquirida através de violência, clandestinidade (escondida) ou precariedade (há quebra da confiança jurídica). A posse precária não convalesce, ou seja, não há prazo de detenção até se iniciar a posse, se iniciando ela no primeiro dia da quebra de confiança jurídica. Enquanto durar a clandestinidade, ou seja, enquanto o proprietário não toma conhecimento, e a violência não há posse, mas sim detenção, logo, não se conta prazo possessório para usucapião.

II - POSSE E BENFEITORIAS.

A benfeitoria é todo acréscimo feito no bem principal que vise conservar

(necessárias), melhorar (úteis) ou aformosear (voluptuárias). Todas essas benfeitorias se submetem ao princípio da gravitação, posto que se vinculam ao bem principal. Essa classificação da benfeitoria deve ser analisada com base no caso concreto, não havendo conceitos objetivos (ex: piscina em clube de natação é necessária, mas numa casa é voluptuária).

O possuidor de boa-fé tem direito a indenização e retenção em decorrência das benfeitorias úteis e necessárias, mas, no caso das benfeitorias voluptuárias, o possuidor de boa-fé poderá levantá-las, desde que não estrague o bem principal (ex: quadros). Quanto ao possuidor de má-fé, este só será indenizado

pelas benfeitorias necessárias e não terá direito de retenção. A indenização do possuidor de boa-fé é o valor atual da benfeitoria, ou seja, se esta foi feita em 2008, a indenização será feita com base no valor de 2010. No caso do possuidor de má-fé,

a indenização será feita com base no valor da época ou do atual, o que fica a escolha do indenizador.

III – POSSE, FRUTOS E PRODUTOS.

Fruto é todo bem acessório que, quando retirado do bem principal, não afeta a substância deste. Os frutos podem ser naturais (surgem sem intervenção humana), industriais (surgem por intervenção humana) e civis (surgem do rendimento – ex: alugueres, renda de poupança). Os frutos podem ser: pendentes (ainda vinculados ao bem principal), percebidos (desvinculado ao bem principal), percipiendo (ainda vinculado ao principal, mas já está estragado), estante (fruto

desvinculado, colhido, mas está guardado) e consumido (desvinculado e consumido).

O produto é todo bem acessório que, quando retirado do bem principal, afeta sua

substância.

O possuidor de boa-fé fica com os frutos percebidos, os frutos estantes e

não indeniza os percipiendos. Caso o possuidor seja de má-fé, deverá devolver ou

indenizar os percebidos e os estantes e indeniza os percipiendos.

pelo

possuidor de boa-fé ao tempo em que este se transformar em de má-fé.

Os

frutos

colhidos

por

antecipação

deverão

ser

indenizáveis

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Roberto Figueiredo (BA), Haroldo Lourenço (RJ),Pedro Barretto (BA) & Jerônimo Soares (RJ)

(RJ),Pedro Barretto (BA) & Jerônimo Soares (RJ) Os frutos civis são colhidos dia-a-dia, independentemente

Os frutos civis são colhidos dia-a-dia, independentemente do período e

da data de pagamento estabelecidos. Logo, o possuidor de boa-fé, ao passar a ser de má-fé, ficará com os frutos colhidos enquanto durar a boa-fé.

2.1. INTERDITOS POSSESSÓRIOS

O interdito possessório pode ser de três espécies: reintegração

possessória, manutenção de posse e interdito proibitório. O interdito possessório é gênero do qual o proibitório é espécie.

Os interditos possessórios são fungíveis, ou seja, caso se proponha um

interdito proibitório e se inicie a turbação, o juiz julgará como se fosse uma reintegração possessória, não sendo necessária uma nova ação.

A ação possessória tem caráter dúplice, haja vista que aceita pedido

contraposto.

Nos interditos possessórios não se faz necessária a autorização do cônjuge, ao contrário das demais ações reais. Por isso, alguns autores entendem que a posse não é direito real, entretanto, esse não é o entendimento majoritário.

ATENÇÃO!!! A ação de imissão na posse não existe no CPC, tendo sido extinta, entretanto, é utilizada até hoje. Essa ação não faz parte dos interditos possessórios, logo, não é fungível, não é ação dúplice e precisa da autorização do cônjuge. A imissão na posse deve ser utilizada quando o proprietário não tem, e nunca teve, a posse do bem e visa obtê-la.

I – ESBULHO: ocorre quando a pessoa foi expulsa da sua posse. Nesse caso, a medida processual cabível será a reintegração possessória.

II – TURBAÇÃO: ocorre quando a pessoa tem sua posse limitada, sendo cabível a ação de manutenção da posse.

III – AMEAÇA: quando o possuidor é ameaçado na sua posse deve ser intentada a ação de interdito proibitório (diferente de possessório).

3. USUCAPIÃO

É necessário que haja autorização do cônjuge e a citação de todos os

usucapiandos (e seus cônjuges) pelo usucapiente (autor da ação). É preciso que seja intimada também a Fazenda Pública e a participação do Ministério Público.

A usucapião extraordinária é a mais genérica, logo, é subsidiária.

Atos emulativos são aqueles que causam dano e não trazem qualquer

benefício.

A propriedade do solo, de acordo com a art. 1.230, não abrange as

jazidas, as minas, os recursos arqueológicos, petróleo, cataratas etc. Por isso há indenização (royaltes) pela exploração de petróleo ao estado produtor. Justo título é o documento hábil a transferir a propriedade caso não seja

viciada.

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(RJ),Pedro Barretto (BA) & Jerônimo Soares (RJ)         ESPECIAL ESP. EXTRAORDI
       

ESPECIAL

ESP.

EXTRAORDI

ORDINÁRI

ESP.

URBANO

URBANA

NÁRIA

 

A

RURAL

COLETIV

 

A

POSSE

         

MANSA E

X

 

X

X

X

X

PACÍFICA

 

ESPAÇO

15 ANOS

10

ANOS

     

DE TEMPO

FUNÇÃO

FUNÇÃO

CINCO

CINCO

CINCO

SOCIAL: 10

SOCIAL:

ANOS

ANOS

ANOS

ANOS

05

ANOS

BOA-FÉ E

   

NÃO

NÃO

NÃO

JUSTO

NÃO

 

X

PRECISA

PRECISA

PRECISA

TÍTULO

PRECISA

 
 

NÃO HÁ

NÃO HÁ

50

- DE 250 METROS

+ DE 250 METROS

ÁREA

ESPECIFIC

ESPECIFI

HECTARE

AÇÃO.

CAÇÃO.

S

QUADRAD OS

QUADRA DOS

FUNÇÃO

INTERFERE

INTERFER

NECESSÁ

NECESSÁR

NECESSÁ

SOCIAL

NO PRAZO.

E NO

RIA

IA

RIA

PRAZO

ZONA

NÃO HÁ

NÃO HÁ

     

ESPECIFIC

ESPECIFI

RURAL

URBANA

URBANA

AÇÃO

CA-ÇÃO

     

NÃO

NÃO PODE

NÃO

PODE

SER

PODE

PROIBIÇÕ

SER

PROPRIET

SER

ES

-----------------

------------

PROPRIE

ÁRIO DE

PROPRIE

TÁ-RIO DE

OUTRO

TÁRIO DE

OUTRO

IMÓVEL

OUTRO

IMÓVEL

IMÓVEL

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Roberto Figueiredo (BA), Haroldo Lourenço (RJ),Pedro Barretto (BA) & Jerônimo Soares (RJ)

(RJ),Pedro Barretto (BA) & Jerônimo Soares (RJ) Na modalidade de bens móveis, só existem duas

Na modalidade de bens móveis, só existem duas possibilidades de usucapião, quais sejam: ordinária e extraordinária. Os requisitos são os mesmos, entretanto, na extraordinária o tempo será de cinco anos e a ordinária em três anos.

O bem móvel furtado ou roubado pode ser adquirido por usucapião na

modalidade extraordinária se não houver a notícia crime.

3. PROPRIEDADE

O direito de propriedade é exclusivo, ou seja, cada bem só pode ter um

direito de propriedade. Entretanto, esse direito de propriedade pode ser exercido por mais de uma pessoa.

O direito de propriedade abrange os direitos de uso, gozo, disposição e

reaver, mas estes podem ser dispostos pelo proprietário, sendo a propriedade elástica.

O direito de propriedade é inerente ao bem, aderindo este, o que gera o

jus persequandi ou direito de seqüela, que o direito que o proprietário tem de

perseguir o bem.

Assim, o direito de propriedade tem as seguintes características:

a) Elástico: possibilidade de repartir os direitos em relação ao bem;

b) Exclusivo;

c) Inerente;

d) Eterno: uma vez inserido, continua vinculado ao bem até que alguém pratique uma conduta ativa. Assim, não se perde a propriedade pelo desuso.

A aquisição da propriedade de imóveis deve ser feita através de registro

no cartório de imóveis, só ocorrendo a transferência da propriedade a partir desse momento. Assim, o registro tem natureza jurídica constitutiva.

O art. 108 do CC afirma que, para imóveis com valor inferior a 30 salários

mínimos é dispensada a realização de escritura pública, podendo ser apenas um contrato particular, o que não dispensa o registro, que é sempre necessário para a propriedade.

NEGOCIAÇÃO ESCRITURA PÚBLICA REGISTRO PROPRIEDADE

A

escritura pública é um contrato feito pelo tabelião, pelo poder público.

O

registro gera presunção relativa de propriedade, ou seja, se admite

prova em contrário. Entretanto, há o registro torrens, que gera presunção absoluta, haja vista que é um procedimento judicial e não realizado apenas no cartório, só sendo registrada a sentença neste (esse registro gera presunção absoluta. O sistema torrens só se aplica aos territórios rurais. Assim, é correto afirmar que existe presunção absoluta de propriedade.

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Roberto Figueiredo (BA), Haroldo Lourenço (RJ),Pedro Barretto (BA) & Jerônimo Soares (RJ)

(RJ),Pedro Barretto (BA) & Jerônimo Soares (RJ) Na aquisição de propriedade por usucapião o registro tem

Na aquisição de propriedade por usucapião o registro tem efeitos meramente declaratórios, posto que a sentença já terá constituído o direito.

I - MATRÍCULA REGISTRO AVERBAÇÃO

MATRÍCULA: certidão de nascimento do imóvel, sendo o número originário do imóvel. Cada imóvel tem apenas uma matrícula, mas cada vez que este mudar de titularidade, haverá um novo REGISTRO. A AVERBAÇÃO é um acréscimo que se faz ao registro e serve especificar o imóvel, tendo por objetivo descrevê-lo e diferenciá-lo dos demais. Quando houver uma alteração no imóvel, esta deverá ser averbada (ex: puxadinho).

II – SUPERFÍCIE SOLO CEDIT: tudo o que está em cima do solo é de propriedade do dono do solo. Entretanto, surgiu o direito de superfície, que consiste na possibilidade de o proprietário do solo ceder sua superfície para construção de propriedade de outra pessoa. Precisa ser por escrito e registrado, haja vista que é uma exceção ao que costuma a acontecer. O direito de superfície sempre é temporal, ou seja, precisa haver determinação de um tempo específico de duração do contrato. Essa cessão da superfície pode ser onerosa ou gratuita, havendo, no primeiro caso, o recebimento do solarium (valor percebido em retribuição à cessão da superfície). O direito de superfície não é algo pessoal, incide sobre o bem, logo, é transferido para os herdeiros, só sendo este extinto pelo término do prazo, desvio de finalidade e desapropriação. Caso o proprietário do solo decida vendê-lo deverá ser observado o direito de preferência.

III – DESCOBERTA: ocorre quando uma pessoa perde o bem e outra o encontra. Acontecendo a descoberta, deve ser procurado o dono e, caso não o encontre, deve ser entregue à autoridade competente. Essa autoridade expedirá edital por 60 dias. Após esse prazo, se o dono não se manifestar, o bem passa a ser de propriedade pública e irá parta hasta pública. D valor arrecadado pelo hasta pública será dado 5% do valor à pessoa que achou, sendo esse valor chamado de achádego. Caso esse achádego não seja pago, haverá direito de retenção. Essa é uma hipótese de aquisição da propriedade.

IV - ACESSÃO NATURAL: pode se dar em razão da formação de ilhas, aluvião, avulsão e abandono de álveo. A acessão é uma forma de aquisição de propriedade e todas as suas hipóteses ocorrem em decorrência da atividade natural de um rio.

O aluvião ocorre com o acúmulo gradativo e imperceptível de uma porção de terra à propriedade. A doutrina divide o aluvião em própria (rio vem trazendo detritos e os acumulando) e imprópria (rio vai desviando seu nível, assoreando e descobrindo a área de terra e não acumulando detritos). Esse é lento, ao passo que a avulsão é violenta.

O avulsão ocorre por conta de uma violenta tromba de água que muda o trajeto do rio, gerando o ganho de propriedade em uma margem e a perda em outra. Nesse caso, o proprietário que ganhou, para adquirir a propriedade sobre a nova porção de terra, indenizará o que perdeu área.

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Roberto Figueiredo (BA), Haroldo Lourenço (RJ),Pedro Barretto (BA) & Jerônimo Soares (RJ)

(RJ),Pedro Barretto (BA) & Jerônimo Soares (RJ) Álveo é o fundo do rio, logo, abandono de

Álveo é o fundo do rio, logo, abandono de álveo ocorre quando o rio abandona um trajeto, trocando seu rumo e deixando o antigo abandonado.

III – ABANDONO: res derelictae é a coisa abandonada e a res nullius é a coisa sem dono. Ocupar é colocar o direito de propriedade em bem que não possui direito de propriedade. Aquisição de bem móvel.

IV – ACHADO DE TESOURO: é uma forma de aquisição da propriedade móvel. Ocorre quando a pessoa acha coisa antiga de valor da qual não se tem notícia de quem é o dono. Caso a descoberta ocorra por acaso, 50% será de quem achou e 50% do dono do terreno. Já se houve objetivo de buscar o tesouro, o dono do terreno será dono de tudo. Na hipótese de contratação para buscar tesouro, ao encontrá-lo, irá todo para o dono do terreno.

3.1. PERDA DA PROPRIEDADE

I – ALIENAÇÃO: é forma de transferência da propriedade.

II – ABANDONO: ato de se desfazer da coisa;

III – RENÚNCIA: pessoa abre mão do exercício do direito de propriedade, precisando ser por escrito e registrada (erga omnes). A renúncia é irreversível.

IV – PERECIMENTO: deixando de existir a coisa, não haverá mais a propriedade.

V – DESAPROPRIAÇÃO.

OBSERVAÇÃO: O direito de vizinhança é o uso anormal da propriedade que afeta segurança, saúde ou sossego. Não gera necessidade de propriedades contiguas, haja vista que tem coisas que afetam não só quem está na unidade contigua, mas sim os arredores. No direito de vizinhança a responsabilidade civil é objetiva. Para abrir uma janela, é preciso que seja observada uma distância de 1,5 metros para o muro do vizinho, mas caso a janela seja perpendicular essa distância será de 0,75 metros. O STF editou uma súmula para essas janelas, preservando assim a privacidade. Caso isso não seja obedecido deve ser proposta uma ação de nunciação de obra nova, que tem por objetivo construções em andamento, posto que, caso já esteja encerrada, será uma ação demolitória.

Passagem forçada é uma obrigação legal de tolerância de passagem de um imóvel para o outro em razão de encravamento. Nesse caso, será obrigada a autorização de passagem, mas é cabível indenização. Isso ocorre para o encravamento físico, mas já está sendo admitido para encravamento funcional. O CC trata de encravamento na aspecto físico, mas a doutrina e jurisprudência já aceitam a utilização da passagem forçada para encravamento funcional.

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(RJ),Pedro Barretto (BA) & Jerônimo Soares (RJ) Difere de servidão de passagem em: a) passagem forçada

Difere de servidão de passagem em:

a) passagem forçada é determinação legal, ao passo que servidão é decorrente de acordo entre as partes;

b) passagem forçada ocorre quando há encravamento, ao passo que na servidão de passagem não precisa de encravamento;

c) na passagem forçada há necessidade, ao passo que na servidão há a utilidade;

d) passagem forçada cessa com o fim do encravamento, ao passo que a servidão de passagem ao, só por vontade das partes.

OBSERVAÇÃO: AÇÃO DE DANO INFECTO se refere à possibilidade de sofrer danos em razão de ruína de uma obra ou imóvel.

4. DIREITOS REAIS EM COISA ALHEIA

I – USUFRUTO: cede bem a outrem e essa pessoa pode usar e colher os frutos. É personalíssimo, ou seja, se encerra com a morte do usufrutuário. É temporário, ou seja, só existe durante a vida de pessoa, tendo caráter vitalício e não eterno. Pode não ser vitalício.

Quando se trata de pessoa jurídica, o prazo máximo do usufruto é de 30

anos.

II – USO: ocorre quando alguém cede apenas o direito de uso para

outrem, não sendo possível fruir. No uso, em tese, não pode perceber fruto, entretanto, caso estes sejam necessários para a sobrevivência, pode.

III – HABITAÇÃO: concessão exclusiva do direito de habitar e é sempre

gratuita.

PRESCRIÇÃO E DECADÊNCIA (ARTS. 189/211)

1. PRESCRIÇÃO

A prescrição extingue a pretensão, que é a vontade de submeter outra pessoa a uma determinada conduta (obrigação de dar, fazer ou se abster). A pretensão pode ser resistida, surgindo assim a lide.

INÉRCIA+ DECURSO DO TEMPO + PRETENSÃO = PRESCRIÇÃO

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Roberto Figueiredo (BA), Haroldo Lourenço (RJ),Pedro Barretto (BA) & Jerônimo Soares (RJ)

(RJ),Pedro Barretto (BA) & Jerônimo Soares (RJ) A pretensão surge com a violação de um direito

A pretensão surge com a violação de um direito e se extingue pela

prescrição, nos prazos dos arts. 205 e 206 do CC (fora desses artigos, tudo é decadência.

Art. 189. Violado o direito, nasce para o titular a pretensão, a qual se extingue, pela prescrição, nos prazos a que aludem os arts. 205 e 206.

Teoria da actio nata: com a lesão nasce a pretensão. Assim, se a pretensão não for exercida nos prazos previstos nos arts. 205 a 206 haverá a prescrição. O prazo maior da prescrição é de 10 anos.

No art. 206 os prazos prescricionais aumentam de acordo com o

parágrafo: I – 01 ANO: pretensão dos hospedeiros etc;

II – 02 ANOS: alimentos (é o único com prescrição de 02 anos);

III – 03 ANOS: reparação civil;

IV – 04 ANOS: tutela (é o único com prazo prescricional de 04 anos);

V – 05 ANOS: honorários de profissionais liberais.

Art. 205. A prescrição ocorre em dez anos, quando a lei não

lhe haja fixado prazo menor.

Art. 206. Prescreve:

§ 1º Em um ano:

I - a pretensão dos hospedeiros ou fornecedores de víveres destinados a consumo no próprio estabelecimento, para o pagamento da hospedagem ou dos alimentos;

II - a pretensão do segurado contra o segurador, ou a deste

contra aquele, contado o prazo:

a) para o segurado, no caso de seguro de responsabilidade civil, da data em que é citado para responder à ação de

indenização proposta pelo terceiro prejudicado, ou da data que

a este indeniza, com a anuência do segurador;

b) quanto aos demais seguros, da ciência do fato gerador da

pretensão;

III - a pretensão dos tabeliães, auxiliares da justiça,

serventuários judiciais, árbitros e peritos, pela percepção de emolumentos, custas e honorários;

IV - a pretensão contra os peritos, pela avaliação dos bens que

entraram para a formação do capital de sociedade anônima, contado da publicação da ata da assembléia que aprovar o

laudo;

V - a pretensão dos credores não pagos contra os sócios ou

acionistas e os liquidantes, contado o prazo da publicação da

ata de encerramento da liquidação da sociedade.

§ 2º Em dois anos, a pretensão para haver prestações

alimentares, a partir da data em que se vencerem.

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(RJ),Pedro Barretto (BA) & Jerônimo Soares (RJ) § 3º Em três anos: I - a pretensão

§ 3º Em três anos:

I - a pretensão relativa a aluguéis de prédios urbanos ou

rústicos;

II - a pretensão para receber prestações vencidas de rendas temporárias ou vitalícias;

III - a pretensão para haver juros, dividendos ou quaisquer

prestações acessórias, pagáveis, em períodos não maiores de

um

ano, com capitalização ou sem ela;

IV

- a pretensão de ressarcimento de enriquecimento sem

causa;

V - a pretensão de reparação civil;

VI - a pretensão de restituição dos lucros ou dividendos

recebidos de má-fé, correndo o prazo da data em que foi deliberada a distribuição;

VII - a pretensão contra as pessoas em seguida indicadas por

violação da lei ou do estatuto, contado o prazo:

a) para os fundadores, da publicação dos atos constitutivos da

sociedade anônima;

b) para os administradores, ou fiscais, da apresentação, aos

sócios, do balanço referente ao exercício em que a violação tenha sido praticada, ou da reunião ou assembléia geral que dela deva tomar conhecimento; c) para os liquidantes, da primeira assembléia semestral posterior à violação;

VIII - a pretensão para haver o pagamento de título de crédito, a contar do vencimento, ressalvadas as disposições de lei

especial;

IX - a pretensão do beneficiário contra o segurador, e a do

terceiro prejudicado, no caso de seguro de responsabilidade civil obrigatório.

§ 4º Em quatro anos, a pretensão relativa à tutela, a contar da data da aprovação das contas.

§ 5º Em cinco anos:

I - a pretensão de cobrança de dívidas líquidas constantes de instrumento público ou particular;

II - a pretensão dos profissionais liberais em geral,

procuradores judiciais, curadores e professores pelos seus honorários, contado o prazo da conclusão dos serviços, da

cessação dos respectivos contratos ou mandato;

III - a pretensão do vencedor para haver do vencido o que

despendeu em juízo.

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(RJ),Pedro Barretto (BA) & Jerônimo Soares (RJ) Em tendo o pedido um pedido a natureza obrigacional

Em tendo o pedido um pedido a natureza obrigacional condenatório, haverá prescrição.

Os prazos prescricionais não podem ser alterados pela vontade das partes (art. 192 do CC), tendo em vista que as partes são proibidas de aumentá-los ou diminuí-los.

Entretanto, pode haver renúncia, expressa ou tácita, à prescrição (ex:

pagamento de dívida prescrita), desde que esta esteja consumada.

A prescrição é matéria de ordem pública, logo, pode ser alegada pelas partes ou reconhecida de ofício (art. 219, p. 5º, do CPC – caso não se trate de direito patrimonial) a qualquer tempo e grau de jurisdição (art. 193).

II – IMPEDIMENTO DO PRAZO CONSTITUCIONAL: nesse caso, o prazo nem começa a contar. São três as causas (temas) de impedimento e de suspensão:

a) Família: não corre prazo prescricional entre marido e mulher na vigência casamento, bem como entre tutor e tutelado e pais e filhos não emancipados (relações de subordinação). Ou seja, nas relações de família a contagem do prazo nem se inicia;

b) Interesse público: contra o militar, defendendo sua pátria, não corre prazo prescricional, bem como contra o servidor público que está fora do país a serviço do Estado;

c) Actio nata: a contagem do prazo de prescrição não corre enquanto não houver a lesão (ex: vencimento da dívida). Pendente a cláusula suspensiva, não corre o prazo prescricional. Pendendo (antes do trânsito em julgado) a ação de evicção, não corre o prazo prescricional, surgindo apenas o direito de regresso do evicto com a sentença condenatória transitada em julgado.

Evicção é a perda da coisa por decisão judicial transitada em julgado. O art. 448 prevê que é possível alterar para mais ou para menos ou até excluir a responsabilidade pela evicção (ex: compra de relógio roubado).

Não corre prescrição contra absolutamente incapaz (art. 198, I), entretanto, corre contra o relativamente incapaz, que têm direito de regresso (art. 195). A favor dos absolutamente e relativamente corre prazo prescricional.

Art. 198. Também não corre a prescrição:

I - contra os incapazes de que trata o art. 3º; II - contra os ausentes do País em serviço público da União, dos Estados ou dos Municípios; III - contra os que se acharem servindo nas Forças Armadas, em tempo de guerra.

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(RJ),Pedro Barretto (BA) & Jerônimo Soares (RJ) III – SUSPENSÃO DO PRAZO PRESCRICIONAL: nessa

III – SUSPENSÃO DO PRAZO PRESCRICIONAL: nessa situação, o

prazo se inicia e é parado, recomeçando a contar de onde parou. Ocorre quando há

crime também, havendo pendência de processo penal.

Art. 200. Quando a ação se originar de fato que deva ser apurado no juízo criminal, não correrá a prescrição antes da respectiva sentença definitiva.

IV – INTERRUPÇÃO DO PRAZO PRESCRICIONAL: o prazo começa a

contar, entretanto, é interrompido e recomeça do zero. O prazo prescricional só pode ser interrompido uma única vez. O art. 202 prevêem as hipóteses de suspensão.

Art. 202. A interrupção da prescrição, que somente poderá ocorrer uma vez, dar-se-á:

I - por despacho do juiz, mesmo incompetente, que ordenar a citação, se o interessado a promover no prazo e na forma da

lei processual;

II - por protesto, nas condições do inciso antecedente; III - por protesto cambial;

IV - pela apresentação do título de crédito em juízo de inventário ou em concurso de credores;

V - por qualquer ato judicial que constitua em mora o devedor;

VI - por qualquer ato inequívoco, ainda que extrajudicial, que

importe reconhecimento do direito pelo devedor.

Parágrafo único - A prescrição interrompida recomeça a correr

da data do ato que a interrompeu, ou do último ato do processo

para a interromper.

A interrupção da prescrição por um credor não aproveita aos outros, não os beneficiando ou prejudicando, tendo em vista que a prescrição é um ato intuito personae. O contrário só ocorre se houver solidariedade.

2. DECADÊNCIA (arts. 207 a 211 do CC)

A decadência destrói o direito potestativo, que é o direito-poder, direito auto-executável, direito que não se submete a qualquer tipo de resistência de ninguém (ex: renunciar cargo público). O prazo decadencial não se interrompe e não se prorroga (se terminar no domingo, não se estende para a segunda).

INÉRCIA + DECURSO DE TEMPO + DIREITO POTESTATIVO = DECADÊNCIA

Art. 207. Salvo disposição legal em contrário, não se aplicam à decadência as normas que impedem, suspendem ou interrompem a prescrição.

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(RJ),Pedro Barretto (BA) & Jerônimo Soares (RJ) I – LEGAL E CONVENCIONAL: Existe decadência legal e

I – LEGAL E CONVENCIONAL: Existe decadência legal e decadência

convencional (ex: prazo maior de garantia do que o previsto no CDC). A renúncia à decadência legal é nula. A decadência contratual é renunciável. O magistrado é

proibido de declarar a decadência convencional de ofício, mas as partes podem alegá-la a qualquer tempo.

Art. 210. Deve o juiz, de ofício, conhecer da decadência, quando estabelecida por lei.

Art. 211. Se a decadência for convencional, a parte a quem aproveita pode alegá-la em qualquer grau de jurisdição, mas o juiz não pode suprir a alegação.

Súmula 85: a lesão de trato sucessivo se renova com o tempo. As ações decadenciais normalmente têm natureza constitutiva ou desconstitutiva (anulatória). As ações declaratórias são imprescritíveis e não se submetem à decadência.

II – ABSOLUTAMENTE E RELATIVAMENTE INCAPAZ: a decadência não corre contra o absolutamente incapaz, mas corre contra o relativamente incapaz. A favor destes, a decadência corre (art. 208 do CC).

OBRIGAÇÕES (ART. 233 A 420 DO CC)

1. CONCEITO

É uma obrigação prestacional de caráter patrimonial, tendo em vista que se manifesta através de uma relação subjetiva entre dois ou mais sujeitos, que são vinculados por um nexo denominado de prestação. A prestação tem como objeto um dar, fazer ou não fazer. O inadimplemento dessa relação jurídica é resolvido patrimonialmente, mediante a penhora de bens do inadimplente.

2. OBRIGAÇÃO DE DAR

I – COISA CERTA:

II – COISA INCERTA:

Art. 243. A coisa incerta será indicada, ao menos, pelo gênero e pela quantidade. Art. 244. Nas coisas determinadas pelo gênero e pela quantidade, a escolha pertence ao devedor, se o contrário não resultar do título da obrigação; mas não poderá dar a coisa pior, nem será obrigado a prestar a melhor.

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(RJ),Pedro Barretto (BA) & Jerônimo Soares (RJ) Art. 245. Cientificado da escolha o credor, vigorará o

Art. 245. Cientificado da escolha o credor, vigorará o disposto na Seção antecedente. Art. 246. Antes da escolha, não poderá o devedor alegar perda ou deterioração da coisa, ainda que por força maior ou caso fortuito.

III - PERECIMENTO ANTES DA ENTREGA:

Isto ocorre apenas na hipótese de obrigação de dar coisa certa não na de entregar coisa incerta, posto que o gênero não perece. Nessa situação deve-se verificar se houve culpa.

Houve culpa?

a) Não, logo, a coisa perece em face do seu dono (res perit domini).

b) Sim, logo, há necessidade de indenização por perdas e danos.

IV - VALORIZAÇÃO DA ENTREGA: o art. 237 determina que, havendo valorização do bem antes da tradição, há obrigação de pagar a diferença, sob pena de desfazimento do negócio.

Art. 237. Até a tradição pertence ao devedor a coisa, com os seus melhoramentos e acrescidos, pelos quais poderá exigir aumento no preço; se o credor não anuir, poderá o devedor resolver a obrigação. Parágrafo único - Os frutos percebidos são do devedor, cabendo ao credor os pendentes.

V – FRUTOS: devem ser observadas três hipóteses:

a) Fruto pendente: será do credor, tendo em vista que o acessório segue a sorte do principal.

b) Fruto naturalmente colhido: nesse caso, os frutos serão do devedor

(vendedor), tendo em vista que o acessório não segue a sorte do principal, logo, como ainda não houve a tradição, o fruto naturalmente colhido será do devedor (vendedor).

c) Fruto precipitado: ocorre quando o fruto é precipitadamente colhido logo, nessa situação, o fruto será do credor (comprador). Isso ocorre, posto que o colhimento antecipado do fruto é ato ilícito.

3. OBRIGAÇÕES ALTERNATIVAS, SOLIDÁRIAS E INDIVISÍVEIS

I – ALTERNATIVAS: o objeto da prestação é alternativo, tendo o devedor a possibilidade de escolher entre uma prestação e a outra, salvo disposição em contrário. O fenômeno da concentração consiste na escolha. Caso uma das alternativas pereça, a obrigação continuará, subsistindo a outra obrigação. Caso as duas alternativas pereçam sem culpa, haverá a aplicação do res perti domini. Entretanto, se as duas perecerem por culpa, haverá indenização por perdas e danos.

A obrigação alternativa por perdas e danos pode ser sucessiva, protraída no tempo, logo, nesse caso, é possível a renovação da escolha a cada renovação da obrigação.

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(RJ),Pedro Barretto (BA) & Jerônimo Soares (RJ) Art. 252. Nas obrigações alternativas, a escolha cabe ao

Art. 252. Nas obrigações alternativas, a escolha cabe ao devedor, se outra coisa não se estipulou.

§ 1º Não pode o devedor obrigar o credor a receber parte em

uma prestação e parte em outra. § 2º Quando a obrigação for de prestações periódicas, a faculdade de opção poderá ser exercida em cada período.

§ 3º No caso de pluralidade de optantes, não havendo acordo

unânime entre eles, decidirá o juiz, findo o prazo por este assinado para a deliberação.

§ 4º Se o título deferir a opção a terceiro, e este não quiser, ou não puder exercê-la, caberá ao juiz a escolha se não houver acordo entre as partes.

II – SOLIDÁRIA:

A solidariedade não se presume, precisando ser prevista em lei ou da vontade das partes. A solidariedade pode ser ativa, passiva ou mista. A solidariedade trata do elemento subjetivo da obrigação. Nesse caso, quem recebe ou paga o valor total divide, se sub-roga. A solidariedade se mantém nas perdas e danos, entretanto, a indivisibilidade se perde na conversão em perdas e danos.

Art. 264. Há solidariedade, quando na mesma obrigação concorre mais de um credor, ou mais de um devedor, cada um com direito, ou obrigado, à dívida toda.

Art. 265. A solidariedade não se presume; resulta da lei ou da vontade das partes.

Art. 266. A obrigação solidária pode ser pura e simples para um dos co-credores ou co-devedores, e condicional, ou a prazo, ou pagável em lugar diferente, para o outro.

III – INDIVISIBILIDADE:

Neste caso, o que importa é o elemento objetivo da obrigação, o seu objetivo. Assim, não importa quantos são os sujeitos. Logo, deve-se verificar se a prestação é divisível ou indivisível. A solidariedade se mantém nas perdas e danos, entretanto, a indivisibilidade se perde na conversão em perdas e danos.

Art. 263. Perde a qualidade de indivisível a obrigação que se resolver em perdas e danos.

§ 1º Se, para efeito do disposto neste artigo, houver culpa de todos os devedores, responderão todos por partes iguais.

§ 2º Se for de um só a culpa, ficarão exonerados os outros, respondendo só esse pelas perdas e danos.

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(RJ),Pedro Barretto (BA) & Jerônimo Soares (RJ) 4. PAGAMENTO I – QUEM DEVE PAGAR (SOLVENS –

4. PAGAMENTO

I – QUEM DEVE PAGAR (SOLVENS – conceito mais amplo que devedor): qualquer interessado na extinção da dívida pode pagá-la, independentemente de autorização do devedor. Um terceiro não interessado também pode pagar, mas, nesse caso, deve ser em nome e à conta do devedor, salvo oposição deste (autorização do devedor).

O terceiro interessado, assim como o devedor, pode se utilizar de consignação em pagamento, além de se sub-rogar (substituir tudo) na dívida. O terceiro não interessado não se sub-rogará, tendo direito apenas ao reembolso.

Art. 304. Qualquer interessado na extinção da dívida pode pagá-la, usando, se o credor se opuser, dos meios conducentes à exoneração do devedor. Parágrafo único - Igual direito cabe ao terceiro não interessado, se o fizer em nome e à conta do devedor, salvo oposição deste.

II – A QUEM SE DEVE PAGAR (ACCIPIENS):

Credor ou representante legal do credor. O credor putativo é o credor aparente e o pagamento a este é válido, com base da teoria da aparência e na boa- fé.

III – ONDE SE DEVE PAGAR:

DÍVIDA QUERABLE x DÍVIDA PORTABLE

Dívida querable é dívida exigível no domicílio do devedor. A regra geral é que a dívida é paga no domicílio do devedor. Assim, a exceção à regra geral é a dívida portable, que é exigível mesmo fora do domicílio do devedor, situação em que o devedor porta a dívida e a paga no domicílio do credor. Quando se modifica o local do pagamento reiteradamente, há renúncia tácita do cumprimento do previsto no contrato, não podendo posteriormente as partes reinvidicarem que o pagamento seja feito no domicílio do devedor.

Art. 330. O pagamento reiteradamente feito em outro local faz presumir renúncia do credor relativamente ao previsto no contrato.

IV – QUANTO SE DEVE PAGAR: a partir do vencimento. As obrigações

tendem a ser instantâneas e, nesse caso, o pagamento será pago no momento.

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(RJ),Pedro Barretto (BA) & Jerônimo Soares (RJ) V – COMO PAGAR: paga-se em moeda nacional. 5.

V – COMO PAGAR: paga-se em moeda nacional.

5. MORA, CLÁUSULA PENAL E ARRAS

Quem está em mora (inadimplemento parcial, atraso no cumprimento), está presumidamente em culpa. Quem está presumidamente em culpa não pode alegar caso fortuito e força maior (excludentes da responsabilidade civil).

Cláusula penal (arts. 412 e 413): a cominação imposta na cláusula penal não pode ultrapassar o valor da obrigação principal. O juiz pode, de ofício, rever o valor da cláusula penal. A cláusula penal pode ser compensatória (quando os contratantes estipulam o valor das perdas e danos nessa cláusula – não pode ser cumulada com o pedido de perdas e danos) ou punitiva (previsão de multa, punição, para o inadimplente – pode ser cumulada com o pedido de perdas e danos). A cláusula penal é fixada no contrato, ao passo que multa diária é fixada pelo juiz.

Arras (ou sinal): é a mesma coisa da cláusula penal, porém, vem antes do negócio jurídico. Assim, ocorre antes da celebração do negócio, sendo pago em adiantamento um sinal. As arras podem ser com arrependimento, ou seja, caso a pessoa se arrependa, o sinal ficará com o contratante, havendo assim o arras compensatório (não sendo cobradas as perdas e danos). Em não havendo a possibilidade de arrependimento, haverá um arras sem arrependimento, que equivale ao início de um pagamento, assim, nesse caso, haverá a retenção do arras, mas as perdas e danos. O arras tem que estar expresso.

TEORIA GERAL DOS CONTRATOS

1. PRINCÍPIOS SOCIAIS

Os princípios sociais limitam os liberais.

I - FUNÇÃO SOCIAL DOS CONTRATOS (ART. 421): A liberdade de contratar será exercida nos limites da função social dos contratos. Assim, esse princípio limita a liberdade.

II – PRINCÍPIO DA BOA-FÉ OBJETIVA (ART. 422): é uma conduta que

não se preocupa com a intenção, sendo uma conduta objetvimanete esperada.

Art. 421. A liberdade de contratar será exercida em razão e nos limites da função social do contrato.

Art. 422. Os contratantes são obrigados a guardar, assim na conclusão do contrato, como em sua execução, os princípios de probidade e boa-fé.

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(RJ),Pedro Barretto (BA) & Jerônimo Soares (RJ) III – PRINCÍPIO DA EQUIVALÊNCIA MATERIAL: deve haver um

III

– PRINCÍPIO DA EQUIVALÊNCIA MATERIAL:

deve

haver um

equilíbrio, uma proporção, entre prestação e contraprestação.

2. PRINCÍPIOS LIBERAIS

I – FORÇA OBRIGATÓRIA: os contratos têm força obrigatória, fazendo o contrato lei entre as partes, visando a segurança jurídica do contrato. Assim, o contrato obriga, mas precisam ser obedecidos os princípios sociais.

II – AUTONOMIA PRIVADA: para ter contrato é preciso que tenha

vontade.

III – CONSENSUALISMO: duas ou mais vontades para iniciar o contrato.

IV – RELATIVIZAÇÃO DOS EFEITOS: o contrato obriga quem o assina.

3. CONTRATO DE ADESÃO

Nesse contrato não pode haver renúncia antecipada do aderente a direito resultante do negócio jurídico (art. 424) e, caso isso ocorra, será nula. As cláusulas ambíguas ou contraditórias devem ser interpretadas da forma mais favorável ao aderente (art. 423).

O juiz pode, de ofício, desconsiderar o foro de eleição eleito no contrato de adesão, sendo nula essa cláusula (artigo 112, parágrao único, do CPC). Entretanto, cabe destacar que esta nulidade só pode ser declarada de ofício ou alegada pelas partes até a citação, sob pena de prorrogação da competência (art. 114 do CPC), havendo assim um sistema híbrido de nulidade.

4. FORMAÇÃO DO CONTRATO

proponente (policitante) e o aceitante (oblato).

SUJEITOS

I

DA

PROPOSTA:

os

sujeitos

da

proposta

são

o

II – PROPOSTA: A proposta do contrato obriga o proponente, se o

contrário não resultar dos termos dela, da natureza do negócio, ou das circunstâncias.

A proposta pode ser presencial (imediata, online) ou não presenciale. Na proposta presencial não pode haver o arrependimento, sendo imediata. Entretanto, a proposta entre ausentes comporta o arrependimento, desde que este seja eficaz (tem que chegar antes ou no mesmo momento da aceitação). A proposta por telefone é tida como propostas entre presentes (código civil), logo, não pode haver arrependimento, não se confundindo com o direito do consumidor. No CDC há hipossuficiência do consumidor, logo, caberá arrependimento, inclusive desmotivado, no prazo de 07 dias (art. 49 do CDC).

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(RJ),Pedro Barretto (BA) & Jerônimo Soares (RJ) A oferta ao público do direito civil (ex: anúncio

A oferta ao público do direito civil (ex: anúncio de jornal) não se confunde

com a do direito do consumidor (ex: anúncio da Ricardo Eletro). Na oferta ao público do direito civil, pode haver arrependimento, desde que, desde o momento da oferta,

haja o registro da faculdade de arrependimento (art. 429).

III – PROMESSA DE FATO DE TERCEIRO X ESTIPULAÇÃO EM FAVOR DE TERCEIROS:

Promessa de fato de terceiro ocorre quando alguém promete que um terceiro irá fazer algo (ex: Jesus promete que Ivete Sangalo vai tocar). Nessa situação, a promessa não obriga o terceiro, exceto quando o terceiro ratifica a promessa (promitente se desobriga). Assim, a regra é que se obriga é o promitente (art. 439).

Art. 439. Aquele que tiver prometido fato de terceiro responderá por perdas e danos, quando este o não executar. Parágrafo único - Tal responsabilidade não existirá se o terceiro for o cônjuge do promitente, dependendo da sua anuência o ato a ser praticado, e desde que, pelo regime do casamento, a indenização, de algum modo, venha a recair sobre os seus bens.

A estipulação em favor de terceiro ocorre, por exemplo, no seguro em

favor de um terceiro (beneficiário).

5. EVICÇÃO X VÍCIO REDIBITÓRIO

Evicção é a perda da coisa por decisão judicial ou

administrativa transitada em julgado. Pode acontecer evicção por hasta pública,

cabendo direito de regresso contra o Estado.

I – EVICÇÃO:

É

possível

diminuir,

aumentar

ou

excluir

o

direito

de

responsabilidade pela evicção (art. 448).

regresso,

a

II – VÍCIO REDIBITÓRIO: Vício redibitório é o vício oculto inerente à coisa, no bem.

Não se confunde com o erro, posto que neste o erro é interno, estando na cabeça da pessoa, ao passo que no vício redibitótio o vício está na coisa.

A ação utilizada no vício redibitório é a ação edilícia. Essa ação pode ser

para trocar o bem ou receber um abatimento do valor.

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(RJ),Pedro Barretto (BA) & Jerônimo Soares (RJ) 6. LESÃO (ART. 157) X ONEROSIDADE EXCESSIVA (ART. 478)

6. LESÃO (ART. 157) X ONEROSIDADE EXCESSIVA (ART. 478)

Lesão é um defeito do negócio jurídico, logo é um pressuposto de validade e gera a anulabilidade do negócio. O prazo decadencial para anular o negócio é de 04 anos. A lesão ocorre com o nascimento do negócio.

Na onerosidade excessiva (plano da eficácia) o negócio é válido, entretanto, ocorre o desequilíbrio superveniente (plano da eficácia). Nessa situação, o negócio é válido, mas poderá ser resolvido por superveniência de onerosidade excessiva, superveniência de ilegalidade.

Isto não se confunde com a teoria da imprevisão, estando essa fora do contrato. O Brasil adotou a teoria da onersoridade excessiva.

7. EXTINÇÃO DOS CONTRATOS

I – RESCISÃO: a rescisão é sinônimo de invalidade, nulidade do negócio, logo, é para os negócios nulos ou anuláveis.

II – RESOLUÇÃO: é motivada e há presença de um ilícito, logo, só pode ser unilateral e se manifesta pela denúncia cheia. No inadimplemento há a resolução. Exemplo: onerosidade excessiva.

III – RESILIÇÃO: a resilição é imotivada e pode ser unilateral ou bilateral (distrato). A resilição unilateral também é chamada de denúncia vazia, posto que é imotivada.

RESPONSABILIDADE CIVIL

1. POR ATO PRÓPRIO (ART. 927, CC)

A regra é a responsabilidade subjetiva (precisa apurar culpa), salvo se for atividade de risco ou por força de lei específica.

2. POR ATO DE TERCEIRO (ART. 932 e 933, CC)

Nessa situação, há responsabilidade objetiva e solidária.

O incapaz (absoluta ou relativamente) responde civilmente, mas sua responsabilidade é subsidiária a dos seus representantes e condicionada a ausência de patrimônio suficiente do devedor principal, dos pais (art. 928). Essa responsabilidade civil é independente da responsabilidade criminal (art. 935). Só há interferência do julgamento criminal quando a vara criminal disser que não há autoria ou não há existência do crime.

Art. 932. São também responsáveis pela reparação civil:

I - os pais, pelos filhos menores que estiverem sob sua

autoridade e em sua companhia;

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(RJ),Pedro Barretto (BA) & Jerônimo Soares (RJ) III - o empregador ou comitente, por seus empregados,

III - o empregador ou comitente, por seus empregados, serviçais e prepostos, no exercício do trabalho que lhes competir, ou em razão dele;

IV - os donos de hotéis, hospedarias, casas ou

estabelecimentos onde se albergue por dinheiro, mesmo para fins de educação, pelos seus hóspedes, moradores e educandos; V - os que gratuitamente houverem participado nos produtos do crime, até a concorrente quantia.

Art. 933. As pessoas indicadas nos incisos I a V do artigo antecedente, ainda que não haja culpa de sua parte, responderão pelos atos praticados pelos terceiros ali referidos.

3. POR FATO – RESPONSABILIDADE OBJETIVA

I – FATO DA COISA (ART. 937): responsabilidade objetiva pelos danos causados por coisas caídas e atiradas.

Art. 937. O dono de edifício ou construção responde pelos danos que resultarem de sua ruína, se esta provier de falta de reparos, cuja necessidade fosse manifesta.

II – FATO DO ANIMAL (ART. 936): terá responsabilidade tanto o proprietário quanto o possuidor.

Art. 936. O dono, ou detentor, do animal ressarcirá o dano por

este causado, se não provar culpa da vítima ou força maior.

DIREITO FAMÍLIA

1. CASAMENTO (artigos 1.511 e seguintes)

I – CAPACIDADE NUBIL (arts. 1.517 a 1.520): a idade mínima para casar é 16 anos. Cabe destacar que, entre os 16 e os 18 anos (relativamente incapaz), a pessoa precisa de autorização dos seus pais para casar (assistência). Essa autorização pode ser suprida pelo juiz. Essa autorização concedida pelos pais é retratável até a data do casamento.

Na hipótese de gravidez, é possível que, extraordinariamente, uma menor de 16 anos case, devendo haver autorização do magistrado, que analisará o caso concreto e verificará se é cabível. Tendo em vista que o adultério não é mais crime, não cabe mais o casamento de menor de 14 para evitar a imposição de pena criminal.

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(RJ),Pedro Barretto (BA) & Jerônimo Soares (RJ) II – HABILITAÇÃO: é um procedimento administrativo,

II – HABILITAÇÃO: é um procedimento administrativo, feito pelo oficial de registro, que é a autoridade máxima competente. O oficial defere ou não o pedido administrativo de casamento, mas caso, haja impugnação, a habilitação será submetida ao juiz.

ou não

impedimento ao casamento (art. 1.521), obstáculo intransponível, ou causa

suspensiva. O casamento de pessoas impedidas é nulo (nulidade absoluta).

O

procedimento de habilitação

serve

para

verificar se

Os IMPEDIMENTOS do casamento se aplicam à união estável.

São hipóteses de impedimento:

a) Parentesco: excepcionalmente, é possível casar com tia ou sobrinha se dois médicos atestarem que não há problema biológico;

b) Bigamia (é crime): o único impedimento do casamento que não se aplica a união estável, desde que haja separação de fato. Caso não haja a separação de fato, haverá o concubinato (adultério é instantâneo, ao passo que concubinato é estável). Não é possível o concubinato consentido. Não é possível doação do cônjuge adúltero em face da concubina (ato anulável pelo outro cônjuge ou pelos herdeiros, até dois anos depois de dissolvida a sociedade conjugal – art. 550). Não é possível deixar testamento beneficiando a concubina (art. 1801, III, CC). Concubina não tem direito a receber indenização por serviços domésticos prestados, posto que dar a concubina indenização é reconhecer um direito subjetivo a esta que nem o cônjuge ou o companheiro têm. Os únicos direitos da concubina são:

bens comprados pelo cônjuge e a concubina são rateados entre os dois, tendo em vista o esforço comum (Súmula 380 do STF).

c) Homicídio: é um impedimento de ordem moral. Nesse caso, a pessoa tem que ter sido condenada e não apenas denunciada (ex: João matou Carlos, marido de Maria. João não pode se casar com Maria).

Art. 1.521. Não podem casar:

I - os ascendentes com os descendentes, seja o parentesco natural ou civil;

II - os afins em linha reta;

III - o adotante com quem foi cônjuge do adotado e o adotado

com quem o foi do adotante;

IV - os irmãos, unilaterais ou bilaterais, e demais colaterais, até

o terceiro grau inclusive;

V - o adotado com o filho do adotante;

VI - as pessoas casadas;

VII - o cônjuge sobrevivente com o condenado por homicídio ou tentativa de homicídio contra o seu consorte.

Art. 1.526. A habilitação será feita pessoalmente perante o oficial do Registro Civil, com a audiência do Ministério Público.

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(RJ),Pedro Barretto (BA) & Jerônimo Soares (RJ) Parágrafo único. Caso haja impugnação do oficial, do

Parágrafo único. Caso haja impugnação do oficial, do

Ministério Público ou de terceiro, a habilitação será submetida

ao juiz.

O casamento, quando houver CAUSA SUSPENSIVA (transponível), é válido, mas é submetido apenas ao regime da separação obrigatória. São causas suspensivas (art. 1.523):

Art. 1.523. Não devem casar:

I - o viúvo ou a viúva que tiver filho do cônjuge falecido, enquanto não fizer inventário dos bens do casal e der partilha aos herdeiros;

II - a viúva, ou a mulher cujo casamento se desfez por ser nulo ou ter sido anulado, até dez meses depois do começo da viuvez, ou da dissolução da sociedade conjugal;

III - o divorciado, enquanto não houver sido homologada ou

decidida a partilha dos bens do casal;

IV - o tutor ou o curador e os seus descendentes, ascendentes,

irmãos, cunhados ou sobrinhos, com a pessoa tutelada ou curatelada, enquanto não cessar a tutela ou curatela, e não estiverem saldadas as respectivas contas. Parágrafo único - É permitido aos nubentes solicitar ao juiz que não lhes sejam aplicadas as causas suspensivas previstas nos incisos I, III e IV deste artigo, provando-se a inexistência de prejuízo, respectivamente, para o herdeiro, para o ex-cônjuge e para a pessoa tutelada ou curatelada; no caso do inciso II, a nubente deverá provar nascimento de filho, ou inexistência de gravidez, na fluência do prazo.

III – ESPÉCIES DE CASAMENTO, TESTEMUNHAS E MOMENTO DO REGISTRO:

a) CASAMENTO CIVIL: o casamento pode ser civil e, nesse caso, é gratuito. Duas testemunhas;

b) CASAMENTO RELIGIOSO COM EFEITO CIVIL: 04 testemunhas;

c) CASAMENTO POR PROCURAÇÃO;

d) CASAMENTO POR MOLÉSTIA GRAVE: 02 testemunhas;

e) CASAMENTO EM RISCO DE MORTE: 06 testemunhas;

f) CASAMENTO PUTATIVO (casamento aparente, ou seja, nulo, mas com aparência de verdade): 02 testemunhas. Produz efeitos, até a sentença, para o cônjuge de boa-fé e para os filhos.

Em regra, o casamento precisa ter duas testemunhas (para o casal e não para cada um), bem como o testamento. As exceções a essa regra são: (i) quando a pessoa não sabe ou não pode escrever, serão necessárias 04 testemunhas; (ii) no casamento em prédio particular (igreja, salão de festas etc) são necessárias 04 testemunhas; (iii) no casamento com risco de morte (não dá tempo de fazer habilitação etc) de um dos cônjuges são necessárias 06 testemunhas (art. 1540).

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(RJ),Pedro Barretto (BA) & Jerônimo Soares (RJ) Caso o casamento ocorra no cartório, o registro ocorrerá

Caso o casamento ocorra no cartório, o registro ocorrerá logo após a celebração. Caso o casamento ocorra fora do cartório, o registro deverá ocorrer no prazo do casamento, no prazo da procuração e da habilitação. No casamento religioso com efeito civil, o prazo para registro é de 90 dias. O prazo de validade da procuração e da habilitação também é de 90 dias.

III – REGIME DE BENS:

a) ALTERABILIDADE (art. 1.639, p. 2º): é possível alterar o regime de

bens durante o casamento. Entretanto, no regime de separação obrigatória, essa alteração só será possível se cessar a causa suspensiva.

O pedido para alterar o regime é direcionado ao magistrado, deve ser feito por ambos os cônjuges e não pode prejudicar terceiros. É facultado aos cônjuges que casaram na vigência do CC/16 alterar o regime.

b) VENIA CONJUGAL (art. 1.647): em algumas situações é necessário

que haja a autorização do cônjuge para praticar ato da vida civil. Isso não ocorre

quando for regime de separação absoluta de bens. O desrespeito a venia conjugal gera a anulação do ato, sendo facultado ao cônjuge pleitear a anulação do ato no prazo de 02 anos.

STJ – Súmula 332: a prestação de fiança de um cônjuge sem a outorga do outro, acarreta a ineficácia da fiança (da garantia), mas mantém o negócio principal é mantido (exceção à regra de anulação).

Art. 1.647. Ressalvado o disposto no art. 1.648, nenhum dos cônjuges pode, sem autorização do outro, exceto no regime da separação absoluta:

I - alienar ou gravar de ônus real os bens imóveis;

II - pleitear, como autor ou réu, acerca desses bens ou direitos; III - prestar fiança ou aval;

IV

- fazer doação, não sendo remuneratória, de bens comuns,

ou

dos que possam integrar futura meação.

Parágrafo único - São válidas as doações nupciais feitas aos

filhos quando casarem ou estabelecerem economia separada.

Art. 1.649. A falta de autorização, não suprida pelo juiz, quando necessária (art. 1.647), tornará anulável o ato praticado, podendo o outro cônjuge pleitear-lhe a anulação, até dois anos depois de terminada a sociedade conjugal. Parágrafo único - A aprovação torna válido o ato, desde que feita por instrumento público, ou particular, autenticado.

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(RJ),Pedro Barretto (BA) & Jerônimo Soares (RJ) c) COMUNHÃO PARCIAL (art. 1.659): é o regime que

c) COMUNHÃO PARCIAL (art. 1.659): é o regime que é imposto pela

norma quando ninguém escolhe o regime de bem ou quando o pacto antenupcial (escritura pública que só gera efeitos com o casamento) é nulo.

Por esse regime, os bens anteriores ao casamento se comunicam, ao passo que os posteriores se comunicam. Os frutos se comunicam. Assim, tudo comunica, com exceção do previsto do art. 1.659:

Art. 1.659. Excluem-se da comunhão:

I - os bens que cada cônjuge possuir ao casar, e os que lhe sobrevierem, na constância do casamento, por doação ou sucessão, e os sub-rogados em seu lugar;

II - os bens adquiridos com valores exclusivamente

pertencentes a um dos cônjuges em subrogação dos bens

particulares;

III - as obrigações anteriores ao casamento;

IV - as obrigações provenientes de atos ilícitos, salvo reversão

em proveito do casal;

V - os bens de uso pessoal, os livros e instrumentos de

profissão;

VI - os proventos do trabalho pessoal de cada cônjuge;

VII - as pensões, meios-soldos, montepios e outras rendas

semelhantes.

d) REGIME DA SEPARAÇÃO ABSOLUTA: a separação absoluta pode

ser obrigatória (ex: maior de 60 anos) ou convencional (pacto antenupcial). Nessa situação, nada comunica, exceto os bens comprados com o esforço comum (Súmula 377 do STF). A idéia da incomunicabilidade se prorroga para o direito hereditário, assim, se um dos cônjuges morre, a herança fica toda para os herdeiros.

Art. 1.641. É obrigatório o regime da separação de bens no

casamento:

I - das pessoas que o contraírem com inobservância das causas suspensivas da celebração do casamento;

II - da pessoa maior de sessenta anos;

III - de todos os que dependerem, para casar, de suprimento

judicial.

d) DIVÓRCIO (EC 66/2010): o casamento civil pode ser dissolvido pelo

divórcio (art. 226, p. 6º, da CF). Assim, são objetivos da EC/66: não existe mais a separação e extinguir os prazos para o divórcio. Assim, a separação foi extinta e não existe mais prazo para o divórcio. Não existe mais divórcio direto ou indireto. Tendo em vista a irretroatividade e a segurança jurídica, as pessoas que já estão separadas judicialmente continuam separadas judicialmente, tendo que esperar correr o prazo para fazer o divórcio. Nos processos de separação que estão em curso, tendo em vista que esta não existe mais, é preciso que haja aditamento do pedido (para divórcio), sob pena de extinção do feito por perda do objeto.

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(RJ),Pedro Barretto (BA) & Jerônimo Soares (RJ) O divórcio pode ser extrajudicial (é administrativo) ou

O divórcio pode ser extrajudicial (é administrativo) ou judicial (consensual

ou litigioso). O divórcio extrajudicial (por escritura pública) ocorre quando não há litígio e incapaz envolvido, situação em que é feito em um tabelionato. É possível o divórcio extrajudicial com patrocínio da Defensoria Pública. No divórcio extrajudicial pode ser feita a partilha de bens. Situações em que não é possível o divórcio extrajudicial: (i) incapaz envolvido; (ii) segredo de justiça; (iii) não ter litígio.

Havendo incapaz, é necessária a intervenção do MP, logo, precisa ser

em juízo.

ALIMENTOS

1. DISPOSIÇÕES GERAIS

São reciprocamente devidos entre ascendente, descendente e colateral até segundo grau, além da esposa/marido e companheiro(a). Não havendo nenhum desses sujeitos, o alimento não pode ser cobrado ninguém, tendo em vista que são cobrados dentro do princípio da proximidade. Com base nesse princípio, há um benefício de ordem, sendo os alimentos cobrados inicialmente aos ascendentes (pais, avós e bisavós), depois descendentes (filho, neto e bisneto) e, após, dos irmãos.

Assim, não se pode cobrar dos avós antes de cobrar dos pais. Existe solidariedade no mesmo grau (pai e mãe, avô e avó) e subsidiariedade nos diversos graus (pai e avô).

Deve-se atender ao binômio: necessidade x capacidade.

A obrigação de prestar alimentos é intuito personae, logo, se extinguirá

com a morte do credor dos alimentos. O casamento e a união estável do credor também extinguem a obrigação alimentar. A maioridade do credor, por si só, não extingue a obrigação alimentar automaticamente, só se extinguindo esta se o magistrado fixar a extinção (Súmula 358 do STJ).

Até os 24 anos de idade, milita uma presunção favorável ao credor de alimentos, de necessitá-los. Após os 24 anos, essa presunção de necessidade de alimentos deixa de existir, precisando haver comprovação da necessidade do crédito alimentar.

A morte do devedor de alimentos não extingue o débito alimentar, posto

que, com base no instituto da saisine, a morte gera a transferência imediata aos herdeiros.

Caso o cônjuge adúltero vier a necessitar de alimentos, e não tiver parentes em condição de prestá-los, nem aptidão para o trabalho, o outro cônjuge será obrigado a assegurá-los.

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(RJ),Pedro Barretto (BA) & Jerônimo Soares (RJ) Art. 1.704. Se um dos cônjuges separados judicialmente

Art. 1.704. Se um dos cônjuges separados judicialmente vier a necessitar de alimentos, será o outro obrigado a prestá-los mediante pensão a ser fixada pelo juiz, caso não tenha sido declarado culpado na ação de separação judicial. Parágrafo único - Se o cônjuge declarado culpado vier a necessitar de alimentos, e não tiver parentes em condições de prestá-los, nem aptidão para o trabalho, o outro cônjuge será obrigado a assegurá-los, fixando o juiz o valor indispensável à sobrevivência.

Pode o marido contestar os filhos nascidos de sua mulher, sendo prevista assim a ação negatória de paternidade (art. 1.601). Compete privativamente ao cônjuge ajuizar essa ação e esta é imprescritível. Entretanto, ajuizada a ação, os herdeiros podem dar seguimento a ação.

Art. 1.601. Cabe ao marido o direito de contestar a paternidade dos filhos nascidos de sua mulher, sendo tal ação imprescritível. Parágrafo único - Contestada a filiação, os herdeiros do impugnante têm direito de prosseguir na ação.

2. ALIMENTOS GRAVÍDICOS

O credor do alimento gravídico é o nascituro, mas a autora da ação é a gestante, que o faz em nome do nascituro. O prazo para contestar o pedido de alimento gravídico é de 05 dias (contado da juntada do mandado). Caso a criança venha a nascer no curso do processo judicial de alimentos gravídicos, o processo será convertido, de ofício, em pensão alimentícia.

É possível a prisão civil pelo não pagamento de pensão alimentícia. Caso haja dívida de muitos meses dessa pensão, o devedor poderá pagar três meses (se não tiver condições de pagar tudo) e, nessa situação, não será realizada a prisão, sendo os demais meses cobrados em ação de execução por quantia certa. Esses três meses são contados retroativamente a partir do protocolo da execução, bem como as que sucederem (Súmula 309 do STJ).

3. ALIMENTOS PROVISIONAIS E PROVISÓRIOS

Na lei de alimentos, que tem um rito especial, a liminar concedida fixa os alimentos provisórios. Os demais são provisionais, sendo esta a regra geral (ex:

liminar no procedimento de ação ordinária, reconhecimento de paternidade etc).

4. FILIAÇÃO E PARENTESCO

Os

filhos

dentro

do

casamento,

são

presumidamente

do

cônjuge.

Existem quatro formas de reconhecer filhos fora do casamento:

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(RJ),Pedro Barretto (BA) & Jerônimo Soares (RJ) a) Registro no termo de nascimento: essa é a

a) Registro no termo de nascimento: essa é a forma ideal e geral, podendo o filho ser registrado normalmente;

b) Escritura pública: reconhecer, perante o tabelião, um filho fora do

casamento;

c) Termo nos autos de processo judicial: é possível reconhecer filho fora do casamento por termos nos autos de processo judicial. Pode ser no processo de reconhecimento de paternidade ou em qualquer outro processo;

d) Testamento: é possível reconhecer a paternidade no testamento.

É possível reconhecer filho ainda não nascido. É possível reconhecer

filho morto fora do casamento, desde que este tenha deixado descendentes (art.

1.609).

O filho havido fora do casamento não pode ir morar na casa dos

cônjuges sem o consentimento do cônjuge traído.

que concordar com o

reconhecimento, podendo impugnar o reconhecimento de filiação no prazo de 04 anos contados da maioridade ou emancipação.

O

filho

havido

fora

do

casamento

tem

Art. 1.614. O filho maior não pode ser reconhecido sem o seu consentimento, e o menor pode impugnar o reconhecimento, nos quatro anos que se seguirem à maioridade, ou à emancipação.

O filho concebido nos 180 dias após iniciada a convivência conjugal

presume-se concebido na constância do casamento, bem como os nascidos nos 300 dias subseqüentes à dissolução da sociedade conjugal. Isso não se aplica na união estável. Há presunção é júris tantum (relativa), logo, pode haver prova em contrário.

Art. 1.597. Presumem-se concebidos na constância do casamento os filhos:

I - nascidos cento e oitenta dias, pelo menos, depois de

estabelecida a convivência conjugal;

II - nascidos nos trezentos dias subsequentes à dissolução da

sociedade conjugal, por morte, separação judicial, nulidade e anulação do casamento; III - havidos por fecundação artificial homóloga (mesmo material genético do homem e da mulher, do casal), mesmo que falecido o marido; IV - havidos, a qualquer tempo, quando se tratar de embriões excedentários, decorrentes de concepção artificial homóloga; V - havidos por inseminação artificial heteróloga, desde que tenha prévia autorização do marido.

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(RJ),Pedro Barretto (BA) & Jerônimo Soares (RJ) Presumem-se concebidos na constância do casamento os filhos

Presumem-se concebidos na constância do casamento os filhos havidos por fecundação artificial homóloga (mesmo material genético do casal), sendo presumidamente filhos do casal, ainda que falecido o marido. O mesmo ocorre na inseminação artificial heteróloga, desde que tenha havido prévia autorização escrita do marido (sob pena de haver adultério casto). Há presunção é júris tantum (relativa), logo, pode haver prova em contrário. Impotência para coito não ilide a presunção, mas a impotência para fecundar (impotência generandi), em regra, ilide. Não basta o adultério feminino para ilidir a presunção.

Art. 1.599. A prova da impotência do cônjuge para gerar, à época da concepção, ilide a presunção da paternidade. Art. 1.600. Não basta o adultério da mulher, ainda que confessado, para ilidir a presunção legal da paternidade.

1. TERMINOLOGIAS

SUCESSÕES

I – SAISINE (art. 1.784):

É a transferência imediata da propriedade dos bens do de cujus aos

herdeiros (qualquer um), desde a data do óbito. É uma ficção jurídica, posto que não pode haver propriedade sem dono.

II – SUCESSÃO LEGÍTIMA OU TESTAMENTÁRIO:

A sucessão legítima é sem testamento e tem por sujeito os herdeiros

legítimos. Os herdeiros legítimos integram a sucessão legítima, sendo aqueles indicados no art. 1.829 (descendente, ascendente, cônjuge e colateral – nessa ordem).

O meio irmão tem meio herança (metade do que o irmão bilateral), ao

passo que o irmão germânico (bilateral) tem a herança completa. O filho da

concubina é tratado pela lei como os demais.

Caso não se tenha descendente, ascendente, cônjuge e colateral, a herança vai para os sobrinhos, na falta dos sobrinhos vai para tios, na falta dos tios vai para o primo e na falta do primo vai para o município. Os herdeiros testamentários são os que decorrem de sucessão testamentária.

Art. 1.829. A sucessão legítima defere-se na ordem seguinte:

I - aos descendentes, em concorrência com o cônjuge sobrevivente, salvo se casado este com o falecido no regime da comunhão universal, ou no da separação obrigatória de bens (art. 1.640, parágrafo único); ou se, no regime da comunhão parcial, o autor da herança não houver deixado bens particulares;

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(RJ),Pedro Barretto (BA) & Jerônimo Soares (RJ) II - aos ascendentes, em concorrência com o cônjuge;

II - aos ascendentes, em concorrência com o cônjuge; III - ao cônjuge sobrevivente; IV - aos colaterais.

III – LEGÍTIMA:

50% do patrimônio que é indisponível, sendo destinados obrigatoriamente aos herdeiros necessários (art. 1.845 – descendentes, ascendentes e o cônjuge – companheiro não). Todo herdeiro necessário é sucessor legítimo, mas nem todo sucessor legítimo é herdeiro necessário (ex: colateral). O limite da capacidade de testar é a existência de herdeiro necessário.

IV - HERANÇA JACENTE X HERANÇA VACANTE

Na jacência há uma situação de dúvida, ao passo que na vacância há certeza. Assim, na herança jacente, não se sabe se existem herdeiros, ao passo que na vacância há certeza de que não existem herdeiros. Na herança jacente, esta é absorvida pelo Estado, que determinará a publicação de edital para verificar a existência de herdeiros. Em não havendo apresentação de herdeiros no prazo de um ano, a jacência será convertida em vacância, e a herança irá para o Município.

O município tem 05 anos de propriedade resolúvel, logo, se aparecer

herdeiro necessário (colateral não) nesse prazo, a herança passará para este. Passados os 05 anos sem o comparecimento de herdeiro necessário, a propriedade

será definitiva.

I – INDIGNIDADE X DESERDAÇÃO:

Ambas constituem penas civis, logo, se submetem à exigência do contraditório, da ampla defesa e do trânsito em julgado. Assim, caso não seja ajuizada a ação de indignidade e deserção (são legitimados os herdeiros que se beneficiam da herança ou o MP, se houver incapaz indevido) no prazo decadencial

de 04 anos não ocorrerão. Por serem penas, não ultrapassam a pessoa do réu. A deserdação (art. 1962 – hipóteses de deserdação além da testamentária) pressupõe testamento e acaba com a legítima dos herdeiros necessários, ao passo que a ilegitimidade decorre de lei e alcança todos os herdeiros.

A indignidade decorre da lei e é pra qualquer tipo de herdeiro. A

deserdação decorre do testamento e é exclusivamente para herdeiro necessário,

excluindo esta da herança. As pessoas indignas ou deserdadas perdem toda a herança.

2. ART. 1.829, I , CF – ORDEM DE VOCAÇÃO HEREDITÁRIA

A meação não se confunde com a herança, quem tem meação não tem herança. A meação se refere a metade do patrimônio construído no matrimônio sob o regime de bens. O meeiro pode ou não receber herança.

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(RJ),Pedro Barretto (BA) & Jerônimo Soares (RJ) O cônjuge, em certos casos, concorre com os descendentes,

O cônjuge, em certos casos, concorre com os descendentes, dependendo isso do regime de bens. Só concorre na participação final dos aquestos ou se for casado no regime da comunhão parcial e, durante o casamento, forem adquiridos bens.

Art. 1.829. A sucessão legítima defere-se na ordem seguinte:

I - aos descendentes, em concorrência com o cônjuge sobrevivente, salvo se casado este com o falecido no regime da comunhão universal, ou no da separação obrigatória de bens (art. 1.640, parágrafo único); ou se, no regime da comunhão parcial, o autor da herança não houver deixado bens particulares;

DIREITO CIVIL 39

Vicente propôs, contra Hélder, ação de conhecimento pelo rito ordinário para a cobrança da quantia de R$ 125.000,00. O pedido foi julgado procedente e, após o exaurimento das vias recursais, a decisão transitou em julgado. Vicente, então, ingressou com pedido de cumprimento da sentença, o que ensejou a penhora de bem imóvel de propriedade do executado, avaliado em R$ 150.000,00. Intimado da penhora, Hélder ingressou, no prazo legal, com impugnação ao requerimento do cumprimento da sentença, sob a alegação de novação. A impugnação foi recebida no efeito suspensivo e, após regular processamento, foi julgado totalmente procedente o pedido do impugnante, extinguindo-se a execução. A referida decisão foi publicada, no órgão oficial, em uma quinta-feira, no dia 6 de setembro do ano de

200X.

Considerando a situação hipotética acima apresentada, na condição de advogado(a) contratado(a) por Vicente, elabore a peça processual cabível à defesa dos interesses de seu cliente. Se necessário, acrescente os dados eventualmente ausentes da situação hipotética, guardada a respectiva pertinência técnica. Date a peça no último dia do respectivo prazo.

Questão 1

Paulo ingressou com pedido de isenção do pagamento de matrícula correspondente ao primeiro semestre do curso de direito ministrado pela universidade pública estadual em que estuda. No requerimento, Paulo asseverou ser descabida a referida cobrança, ressaltando o teor do enunciado da Súmula Vinculante n.º 12 do STF. O coordenador do curso indeferiu o pedido, aludindo que o requerente poderia interpor, junto ao conselho universitário, recurso administrativo, cabível, na espécie. Em face dessa situação hipotética, responda, de forma fundamentada, se Paulo poderá propor reclamação constitucional sob o fundamento de afronta a autoridade de decisão do STF, de acordo com o art. 102, inciso I, alínea l, da Constituição Federal.

Questão 2

André constituiu, como mandatário, seu irmão caçula, de 17 anos de idade, a fim de que ele procedesse à venda de um automóvel, tendo o referido mandatário realizado, desacompanhado de assistente, negócio jurídico em nome de André.

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(RJ),Pedro Barretto (BA) & Jerônimo Soares (RJ) Em face dessa situação hipotética, discorra acerca da

Em face dessa situação hipotética, discorra acerca da capacidade, como mandatário, do irmão de André, explicando se é válido o negócio jurídico realizado por ele, inclusive, em relação aos direitos de terceiros.

Questão 3

Em virtude de acidente de trânsito ocorrido em 20/3/2006, Sandro ficou com graves sequelas físicas. Na ação penal proposta pelo Ministério Público, Armando, o causador do acidente, foi condenado à pena privativa de liberdade correspondente a um ano de detenção, tendo a sentença penal transitado em julgado em 5/4/2009. Nessa situação, o que Sandro deve fazer para tentar obter de Armando, já condenado na justiça criminal, a reparação civil por danos materiais? Justifique a resposta com base nas disposições pertinentes do Código de Processo Civil.

Questão 4 Marcos emprestou uma casa de praia de sua propriedade a Fábio, seu amigo de infância, para ele passar as férias de verão com a família. As chaves da casa foram entregues a Fábio no início das férias, ficando acertada a restituição do bem imóvel após trinta dias. Escoado o prazo ajustado, Fábio se recusou a devolver o bem sob o argumento de que ele deveria ser reembolsado das despesas feitas com o uso e o gozo da casa, tendo direito de retenção. Marcos tentou amigavelmente a restituição do bem, não tendo obtido êxito. Nessa situação hipotética, que espécie de negócio jurídico foi realizada entre Marcos e Fábio? Justifique sua resposta, indicando a medida judicial cabível para assegurar a pretensão de Marcos e a responsabilidade de Fábio pela mora, conforme as disposições do Código Civil e do Código de Processo Civil.

Questão 5

Proposta ação de execução por quantia certa fundada em título extrajudicial, o devedor opôs embargos à execução, tendo o juiz os rejeitado liminarmente, sob o argumento de intempestividade. Em face dessa situação hipotética, indique, com a devida fundamentação, a medida judicial cabível bem como seus efeitos.

DIREITO CIVIL 38

Marta, aos seis anos de idade, sofreu sérios danos estéticos ao receber a terceira dose da vacina antirrábica fornecida pelo Estado. Quando Marta estava com treze anos de idade, ajuizou, representada por sua mãe, ação de indenização em face do Estado, alegando que a má prestação de serviço médico em hospital público lhe teria deixado graves sequelas. Ela pediu indenização no valor de R$ 50.000,00 a título de danos materiais e outra no valor de R$ 40.000,00 a título de danos morais, e fez juntar aos autos comprovantes das despesas decorrentes do tratamento. Em contestação, a Fazenda Pública estadual alegou ocorrência de prescrição, com base no disposto no art. 1.º do Decreto n.º 20.910/1932, o qual estabelece que as dívidas passivas do Estado prescrevem em cinco anos, contados da data do ato ou do fato de que se originaram. Como entre a data do fato e o ajuizamento da demanda transcorreram sete anos, teria ocorrido a prescrição. Em primeiro grau de jurisdição, foram realizados perícia e demais atos probatórios, tendo todos atestado a ocorrência do dano e do nexo de causalidade. No entanto, ao proferir sentença, a

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(RJ),Pedro Barretto (BA) & Jerônimo Soares (RJ) autoridade julgadora acolheu a alegação de prescrição e

autoridade julgadora acolheu a alegação de prescrição e julgou extinto o processo nos termos do art. 269, IV, do Código de Processo Civil. Em face dessa situação hipotética, na qualidade de advogado(a) contratado(a) por Marta, redija a peça processual cabível, abordando todos os aspectos de direito processual e material necessários à defesa de sua cliente.

Questão 1

Jaqueline requereu inventário, sob a modalidade de arrolamento de bens, em decorrência do falecimento de seu esposo, com quem era casada em regime de comunhão universal de bens. A autoridade julgadora determinou a juntada aos autos da habilitação e a representação de todos os herdeiros descendentes, tendo em vista a informação de que da união teriam nascido três filhos. Contra a referida decisão insurgiu-se a viúva, alegando que o fato de ter sido casada com o falecido, em regime de comunhão universal de bens, implicaria a exclusão de seus filhos da sucessão, de acordo com o art. 1.829, I, do Código Civil. Considerando essa situação hipotética, discorra, com base no Código Civil de 2002, a respeito dos direitos da viúva na referida sucessão, especificando se o fato de ter sido casada em regime de comunhão universal de bens exclui os descendentes da sucessão.

Questão 2

Antônio submeteu-se a uma angioplastia, no curso da qual, em caráter de emergência, tornou-se necessária a realização de procedimento para implantação de dispositivo necessário ao funcionamento da circulação cardiovascular. Em contato com a seguradora de saúde, sua esposa, Ana, obteve a informação de que seria indispensável a assinatura de termo aditivo ao contrato inicial para que o procedimento estivesse sujeito a cobertura. Em face dessa situação, Ana assinou o aludido aditivo, aceitando as condições impostas pela seguradora, inclusive no tocante ao valor da prestação mensal, o qual seria bem superior àquele que vinha sendo pago. Entretanto, mesmo após a referida assinatura, a empresa recusou-se a cobrir as despesas pertinentes ao procedimento. Em virtude disso, Antônio e Ana ingressaram com ação, sob o rito ordinário, contra a empresa de seguro saúde, visando à obtenção de tutela jurisdicional que declarasse a nulidade do termo aditivo ao contrato assinado com a empresa e o respectivo reembolso dos valores pagos pelo segurado. A propositura da ação fundou-se no argumento de que os fatos caracterizariam estado de perigo. Em face dessa situação hipotética, responda, de forma fundamentada, às seguintes perguntas. Nos fatos apresentados, estão presentes os requisitos para que se configure estado de perigo? É possível a declaração de nulidade do negócio jurídico sob o fundamento de ocorrência do estado de perigo?

Questão 3

Julgado, a ressarcir os danos materiais e morais sofridos por José, de 25 anos de idade, em razão da perda dos movimentos das pernas e dos pés (incapacidade permanente, no grau de 100%) provocada por acidente de trânsito ocorrido no ano de 1991. A condenação consistiu no pagamento de prestação alimentícia no valor correspondente a três salários mínimos mensais até que José venha a completar 65 anos de idade. No ano de 2007, mãe e filho ingressaram com ação de exoneração

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(RJ),Pedro Barretto (BA) & Jerônimo Soares (RJ) do encargo com pedido sucessivo de revisão de prestação

do encargo com pedido sucessivo de revisão de prestação de alimentos, sob o exclusivo fundamento de que José não teria mais necessidade do recebimento do aludido valor mensal, por estar recebendo remuneração por trabalhos desenvolvidos em uma empresa. Considerando a situação hipotética apresentada, responda, de forma fundamentada, às seguintes perguntas. De acordo com os dispositivos legais aplicáveis à espécie e com a jurisprudência, somente a melhoria da situação econômica da vítima constitui elemento suficiente para autorizar a redução da prestação estabelecida na sentença? É possível a alteração da coisa julgada material quando a sentença de mérito prevê obrigação consistente em prestação continuada?

Questão 4

Renata, em razão de transação realizada com Carla e firmada por seus respectivos advogados, comprometeu-se a entregar a esta, em 29/2/2009, um apartamento de dois quartos ou uma casa de um quarto com varanda, no mesmo bairro. Não houve acordo quanto a quem caberia a escolha do objeto. Dez dias antes da data avençada para o cumprimento da prestação, Carla ainda estava em dúvida sobre qual seria o melhor imóvel, enquanto Renata, que fizera pesquisa nas imobiliárias da localidade, verificou que o valor de mercado do apartamento prometido lhe seria mais vantajoso. Em face dessa situação hipotética e com vistas à solução do impasse e ao cumprimento da obrigação, indique, com a devida fundamentação legal, a natureza jurídica da obrigação contraída e a medida judicial cabível para Carla ver satisfeita a obrigação, caso Renata deixe de cumpri-la.

Questão 5

Em contrato de empreitada mista, o dono de uma obra verificou que o preço dos materiais empregados na execução dos serviços sofrera significativa queda no mercado, o que acarretou redução, no valor total da obra, superior a 12% do que fora convencionado pelas partes. Diante disso, pleiteou ao empreiteiro a revisão do preço original, de modo a garantir abatimento correspondente à redução verificada. Em resposta a tal pedido, o empreiteiro argumentou que não seria possível qualquer revisão porque a queda no preço dos materiais resultara de fenômeno sazonal e, portanto, não se apresentava como motivo imprevisível capaz de justificar o requerimento. Inconformado com a resposta, o dono da obra procurou escritório de advocacia para se informar a respeito da possibilidade de pleitear o abatimento pretendido. Nessa situação hipotética, o dono da obra tem garantia legal para pleitear o abatimento pretendido frente ao argumento apresentado pelo empreiteiro? Justifique sua resposta com base no Código Civil.

DIREITO CIVIL 37

Gustavo ajuizou, em face de seu vizinho Leonardo, ação com pedido de indenização por dano material suportado em razão de ter sido atacado pelo cão pastor alemão de propriedade do vizinho. Segundo relato do autor, o animal, que estava desamarrado dentro do quintal de Leonardo, o atacara, provocando-lhe corte profundo na face. Em consequência do ocorrido, Gustavo alegou ter gasto R$ 3 mil em atendimento hospitalar e R$ 2 mil em medicamentos.

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(RJ),Pedro Barretto (BA) & Jerônimo Soares (RJ) Os gastos hospitalares foram comprovados por meio de notas

Os gastos hospitalares foram comprovados por meio de notas fiscais emitidas pelo hospital em que Gustavo fora atendido, entretanto este não apresentou os comprovantes fiscais relativos aos gastos com medicamentos, alegando ter-se esquecido de pegá-los na farmácia. Leonardo, devidamente citado, apresentou contestação, alegando que o ataque ocorrera por provocação de Gustavo, que jogava pedras no cachorro. Alegou, ainda, que, ante a falta de comprovantes, não poderia ser computado na indenização o valor gasto com medicamentos. Houve audiência de instrução e julgamento, na qual as testemunhas ouvidas declararam que a mureta da casa de Leonardo media cerca de um metro e vinte centímetros e que, de fato, Gustavo atirava pedras no animal antes do evento lesivo. O juiz da 40.ª Vara Cível de Curitiba proferiu sentença condenando Leonardo a indenizar Gustavo pelos danos materiais, no valor de R$ 5 mil, sob o argumento de que o proprietário do animal falhara em seu dever de guarda e por considerar razoável a quantia que o autor alegara ter gasto com medicamentos. Pelos danos morais decorrentes dos incômodos evidentes em razão do fato, Leonardo foi condenado a pagar indenização no valor de R$ 6 mil. A sentença foi publicada em 12/1/2009. Após uma semana, Leonardo, não se conformando com a sentença, procurou advogado. Em face da situação hipotética apresentada, na qualidade de advogado(a) contratado(a) por Leonardo, elabore a peça processual cabível para a defesa dos interesses de seu cliente.

Questão 1

Proferida sentença condenatória em desfavor de uma instituição bancária, a parte vencedora procurou o advogado que contratara para que promovesse o cumprimento da sentença, o qual constatou, ao avaliar o processo, que a sentença era ilíquida porque os dados necessários ao cálculo da importância devida estavam em poder do banco condenado. Nessa situação hipotética, qual seria a solução indicada? Fundamente sua resposta de acordo com a disciplina legal da matéria.

Questão 2

Mariana, que trabalha com grupos de apoio a mulheres vítimas de violência doméstica, casou-se, após três meses de namoro, com pessoa que conhecera na faculdade. Passados quatro meses da celebração do casamento, nada perturbava a vida harmoniosa do casal, até que Mariana soube que seu marido já havia sido condenado por lesões corporais graves causadas a uma antiga namorada bem como tramitavam, contra ele, duas ações penais em que era acusado da prática de estupro e atentado violento ao pudor contra a mesma pessoa. Em razão desse fato, Mariana pretende pôr fim a seu casamento. Em face dessa situação hipotética, indique a solução jurídica adequada à pretensão de Mariana, destacando não só o direito material aplicável à espécie como também o meio adequado de encaminhamento do pedido a ser realizado.

Questão 3

Rogério, em razão da necessidade de custear tratamento médico, no exterior, para o filho que contraíra grave enfermidade, vendeu a Jorge um apartamento de dois quartos, por R$ 200 mil, enquanto seu valor de mercado correspondia a R$ 400 mil.

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(RJ),Pedro Barretto (BA) & Jerônimo Soares (RJ) Jorge não tinha conhecimento da situação de necessidade

Jorge não tinha conhecimento da situação de necessidade do alienante e dela não

se aproveitara, mas Rogério, após dois meses, com a melhora do filho, refletiu sobre

o negócio e, sentindo-se prejudicado, procurou escritório de advocacia para se

informar acerca da validade do negócio. Em face dessa situação hipotética, na qualidade de advogado(a) contratado(a) por Rogério, esclareça, com o devido fundamento jurídico, se existe algum vício no negócio celebrado e indique a solução mais adequada para proteger os interesses de seu cliente.

Questão 4

Marta, microempresária, utilizou os serviços de uma oficina mecânica para reparar o veículo de sua confeitaria, o qual havia parado de funcionar durante uma entrega de bolos. Entre os fatos que a levaram a escolher aquela oficina, estava a oferta de um

veículo da própria oficina para transportar os bolos até seu destino. No curso da viagem, o condutor do veículo oferecido pela oficina, por não ter observado a distância de segurança, colidiu-o contra a traseira de veículo que seguia à sua frente. Marta, então, requereu do dono da oficina a indenização correspondente à destruição dos bolos, cujo valor final apurado correspondeu a R$ 1.500,00. O dono

da oficina, contudo, negou-se a indenizar os danos, ao argumento de que, em

transporte gratuito, o transportador só responderia em caso de dolo ou culpa grave, situação que não se configurara, dada a culpa leve do motorista. Em face dessa negativa, Marta procurou escritório de advocacia para obter informações a respeito de seus direitos à reparação de danos. Considerando a situação hipotética apresentada, na qualidade de advogado(a) consultado(a) por Marta, discuta o argumento utilizado pelo dono da oficina para eximir-se da responsabilidade e indique, se for o caso, a via judicial adequada e o juízo competente para o encaminhamento do pedido de reparação de danos.

Questão 5

Teresa, em 10/11/2008, celebrou com Artur contrato, registrado no cartório competente, no qual ela prometia vender a ele seu veículo, ano 2004, na primeira

semana de janeiro de 2009, sem estipulação de direito de retratação. O interesse de Artur em adquirir o veículo deveu-se à quantidade ínfima de quilômetros rodados, cerca de 1.000 por ano. Ficou acertado que Artur pagaria a Teresa o preço constante

na tabela FIPE. Entretanto, na data avençada para cumprimento da obrigação,

Teresa comunicou a Artur que a promessa de vender o veículo devia-se à sua intenção de adquirir um carro novo, o que ela desistira de fazer, e, por isso, o contrato estaria desfeito. Inconformado com a decisão de Teresa, Artur procurou escritório de advocacia para informar-se acerca de seus direitos. Considerando essa situação hipotética, especifique, com a devida fundamentação, o

negócio jurídico celebrado entre Artur e Teresa e indique as providências que podem

ser adotadas para cumprimento do contrato.

DIREITO CIVIL 36

Mauro, pedreiro, domiciliado em Salvador – BA, caminhava por uma rua de Recife – PE quando foi atingido por um aparelho de ar-condicionado manejado, de forma imprudente, por Paulo, comerciante e proprietário de um armarinho. Encaminhado a um hospital particular, Mauro faleceu após estar internado por um dia. Sua família,

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Roberto Figueiredo (BA), Haroldo Lourenço (RJ),Pedro Barretto (BA) & Jerônimo Soares (RJ)

(RJ),Pedro Barretto (BA) & Jerônimo Soares (RJ) profundamente abalada pela perda trágica do parente,

profundamente abalada pela perda trágica do parente, deslocou-se até Recife – PE e transportou o corpo para Salvador – BA, local do sepultamento. O falecido deixou viúva e um filho menor impúbere. Sabe-se, ainda, que Mauro tinha 35 anos de idade, era responsável pelo sustento da família e conseguia obter renda média mensal de R$ 800,00 como pedreiro. Sabe-se, também, que os gastos hospitalares somaram R$ 3.000,00 e os gastos com transporte do corpo e funeral somaram R$ 2.000,00. Após o laudo da perícia técnica apontar como causa da morte o traumatismo craniano decorrente da queda do aparelho de ar-condicionado e o inquérito policial indiciar Paulo como autor de homicídio culposo, a viúva e o filho procuraram um advogado para buscar em juízo o direito à indenização pelos danos decorrentes da morte de Mauro. Em face da situação hipotética apresentada, redija, na qualidade de advogado(a) procurado(a) pela família de Mauro, a petição inicial da ação judicial adequada ao caso, abordando todos os aspectos de direito material e processual pertinentes.

Questão 1

Antônio é filho reconhecido de Laura com Roberto, que faleceu e deixou outros três filhos tidos com Catarina, sua esposa. Sendo filho de uma união extraconjugal desconhecida dos demais irmãos, Antônio viu seu nome omitido das primeiras declarações realizadas pelo inventariante já nomeado para o inventário dos bens de

seu pai. Antônio sabe que a partilha ainda não foi julgada e já obteve informação de que seus demais irmãos pretendem discutir a sua condição de herdeiro. Em face dessa situação hipotética, aponte a solução processual adequada ao problema da omissão do nome de Antônio nas primeiras declarações do inventário de seu pai até que se decida a questão posta, discriminando o modo de encaminhar

a solução e indicando os dispositivos pertinentes no Código Civil e no Código de Processo Civil.

Questão 2

Laura propôs, na Comarca de Cabo Frio – RJ, ação contra Rafael, na qual pretende ver decretada a separação judicial do casal e partilhados os bens amealhados durante o convívio conjugal. Devidamente citado, Rafael ofereceu contestação ao pedido de Laura. Contudo, no prazo que lhe foi conferido para apresentação de réplica, Laura apresentou pedido que visava o deslocamento da competência para julgamento da lide para a Comarca de Campina Grande – PB. Sustentou seu intento

na alegação de que passara a residir nessa cidade e que a competência para julgar

a ação de separação dos cônjuges é do foro da residência da mulher, sendo

necessário o julgamento da ação no local onde reside a parte presumidamente mais fraca. Considerando essa situação hipotética, responda, de forma fundamentada, às seguintes perguntas.

< O caso implica competência absoluta ou relativa?

< É possível o acolhimento do pedido de Laura, quanto ao deslocamento da competência, segundo o Código de Processo Civil?

Questão 3

Amauri deve R$ 1.000,00 a Márcio e se encontra em mora. Reunidos para resolver o problema, Márcio aceitou como pagamento da dívida a transferência de uma nota

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(RJ),Pedro Barretto (BA) & Jerônimo Soares (RJ) promissória em que Amauri figurava como beneficiário de

promissória em que Amauri figurava como beneficiário de promessa de pagamento no valor de R$ 1.200,00 feita por Artur, comerciante conhecido na praça. Com o vencimento do referido título de crédito, Márcio procurou receber o seu crédito de Artur, momento em que tomou ciência da condição de insolvência em que este vivia

há muitos anos, razão pela qual acabou sem conseguir receber o valor pretendido

e

voltou a cobrar a dívida de Amauri. Em face da situação hipotética acima

apresentada, identifique o tipo de operação firmada entre Amauri e Márcio assim

como seus efeitos jurídicos, esclarecendo se subsiste a obrigação de Amauri. Fundamente sua resposta conforme as normas aplicáveis do Código Civil e do Código de Processo Civil, se houver.

Questão 4

Três amigos, Fredson, Ricardo e Alberto adquiriram juntos uma chácara em conhecido balneário e nela construíram uma casa com três suítes para usufruírem momentos de lazer. Construíram, também, uma piscina, uma churrasqueira e uma quadra de tênis. Acertaram, então, que o local serviria para diversão durante os finais de semana, feriados e férias e que cada um arcaria com um terço dos custos de manutenção do imóvel, o que tem sido devidamente cumprido. Ricardo e Alberto, por motivos profissionais, precisaram passar quinze meses em outro país, parando de utilizar o bem, e, ao retornarem, descobriram que Fredson estava alugando o imóvel, tendo imitido na posse o locatário no momento da celebração do negócio jurídico, um mês após Ricardo e Alberto se ausentarem. Ao procurarem Fredson para obter explicações, este narrou que tem alugado o imóvel com o objetivo de obter dinheiro para pagar a sua parte na manutenção do bem, uma vez que tem passado por dificuldades financeiras. Considerando a situação hipotética apresentada, identifique a natureza da relação mantida entre Fredson, Ricardo e Alberto, explique se a atitude de Fredson encontra amparo nas disposições do Código Civil e indique a providência que Ricardo e Alberto podem adotar para a defesa de seus direitos.

Questão 5

Rodrigo, colecionador de automóveis antigos, vendeu a seu amigo Felipe um dos veículos de sua coleção, estabelecendo, no entanto, que, no caso de o adquirente pretender vender o bem, este deveria ser primeiramente oferecido ao atual vendedor. Passados dois meses do negócio, Patrícia se interessou pelo automóvel e, desconhecendo quaisquer das condições estabelecidas entre original proprietário e Felipe, adquiriu o bem e pagou o preço ajustado, realizando todos os trâmites administrativos necessários ao registro junto ao órgão de trânsito. Concretizado o negócio, Rodrigo tomou conhecimento da sua existência e, tendo a sua disposição a mesma quantia paga por Patrícia, pretende reaver o bem com base na condição que ajustara com Felipe. Em face dessa situação hipotética, assumindo a posição de advogado(a) procurado(a) por Rodrigo, identifique a natureza do ajuste celebrado entre Rodrigo e Felipe, esclarecendo qual seria o comportamento adequado à preservação dos direitos de seu cliente, conforme as disposições pertinentes do Código de Civil e do Código de Processo Civil.

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(RJ),Pedro Barretto (BA) & Jerônimo Soares (RJ) DIREITO CIVIL 35 Márcia, vendedora domiciliada na cidade de

DIREITO CIVIL 35

Márcia, vendedora domiciliada na cidade de São Paulo – SP, alega ter engravidado após relacionamento amoroso exclusivo com Pedro, representante de vendas de empresa sediada em Porto Alegre – RS. Em 5/10/2002, nasceu João, filho de Márcia. Pedro manteve o referido relacionamento com Márcia até o quinto mês da gravidez, custeou despesas da criança em algumas oportunidades, além de ter proporcionado ajuda financeira eventual e estado, também, nas três primeiras festas de aniversário de João, tendo sido, inclusive, fotografado, nessas ocasiões, com o menino, seu suposto filho, no colo. No entanto, Pedro se nega a reconhecer a paternidade ao argumento de que tem dúvidas acerca da fidelidade da mãe, já que ele chegava a ficar um mês sem ir a São Paulo durante o relacionamento que tivera com Márcia. Sabe-se, ainda, acerca de Pedro, que seu o salário bruto, com as comissões recebidas, chega a R$ 5.000,00 mensais, bem como que arca com o sustento de uma filha, estudante de 22 anos, e que não tem domicílio fixo em razão de sua profissão demandar deslocamentos constantes entre São Paulo – SP, Rio de Janeiro – RJ e Porto Alegre – RS. Márcia, que já esgotou as possibilidades de manter entendimento com Pedro, ganha, no presente momento, cerca de dois salários mínimos. As despesas mensais de João totalizam R$ 1.000,00. Diante da situação hipotética apresentada, redija, na qualidade de advogado(a) contratado(a) por Márcia, a ação judicial que seja adequada aos interesses de João, abordando todos os aspectos de direitos material e processual pertinentes.

Questão 1

José foi aprovado em vestibular de instituição particular de ensino superior e, após efetuar a matrícula, recebeu notificação de decisão administrativa que indeferira seu pedido, ao argumento de que não estaria devidamente comprovada a conclusão do ensino médio. Em razão disso, ajuizou ação adequada, alegando estar apto a

freqüentar as aulas por já ter concluído o ensino médio. Juntou à inicial os originais das declarações de conclusão do ensino médio já apresentadas à ré. Na sua defesa, a instituição de ensino superior alegou que o indeferimento da inscrição não ocorrera por eventual defeito das declarações, mas pela ausência dos históricos escolares, os quais são documentos necessários à comprovação da conclusão do ensino médio.

O juiz condutor do feito conferiu a José a possibilidade de apresentar réplica à

contestação, e José informou a seu advogado que não havia conseguido apresentar os históricos escolares porque estes lhe foram negados pela instituição na qual completara o ensino médio. Considerando a situação hipotética apresentada, diante da necessidade de trazer aos autos as informações constantes do histórico escolar, apresente a solução processual adequada ao problema da retenção desse documento pela instituição de ensino médio, discriminando o modo de encaminhar tal solução, com base nos dispositivos pertinentes do Código de Processo Civil.

Questão 2

Laura e Rafael dissolveram a sociedade empresarial da qual eram os únicos sócios, constando do acordo de divisão dos bens que o imóvel pertencente à extinta pessoa jurídica seria partilhado na proporção de 60% e 40%, respectivamente, em razão de

os bens restantes terem sido atribuídos exclusivamente a Rafael. Entretanto, desde a

homologação do acordo, o imóvel, sem qualquer alteração, está na posse de Rafael,

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(RJ),Pedro Barretto (BA) & Jerônimo Soares (RJ) que tem se demonstrado irredutível quanto à possibilidade

que tem se demonstrado irredutível quanto à possibilidade de vender sua parte do bem ou viabilizar qualquer outra forma de garantir a Laura o direito que lhe cabe. Assevere-se, ainda, que o imóvel não comporta divisão cômoda, não possui benfeitorias, e que Laura também tem o interesse de adquirir o bem para si. Diante dessa situação hipotética, apresente a solução processual possível para o problema de Laura, inclusive, quanto ao seu intento de adquirir a parte de Rafael e ter a integralidade do bem.

Questão 3

Amanda, concubina de Paulo, recebeu deste, em 10 de dezembro de 2006, um veículo em doação, e, agora, diante da morte de Paulo e de Fernanda, esposa deste, durante as férias que eles passavam, juntos, em maio de 2008, teme que os irmãos de Fernanda, únicos herdeiros do casal, busquem de algum modo questionar a validade da doação e recuperar o bem, já que a doação ocorreu durante o período da relação adúltera mantida com o falecido. Com base nas disposições do Código Civil, esclareça se existe a possibilidade de os herdeiros de Paulo e Fernanda invalidarem o contrato que transferiu o veículo a Amanda.

Questão 4

Márcio, José e Pedro, proprietários de partes ideais iguais de um barco de pesca, venderam o bem para Maria, receberam o preço ajustado pelo negócio e assinaram um contrato de compra e venda no qual se obrigavam a entregar o bem até o início da temporada de pesca da lagosta no litoral cearense, isso sob pena de multa no valor de R$ 3.000,00. Entretanto, próximo à data da entrega do barco, José resolveu utilizá-lo e o danificou, de modo que só conseguiu cumprir a obrigação de entrega do bem com um mês de atraso. Maria, inconformada com o ocorrido, cobrou dos três vendedores o pagamento da cláusula penal estipulada. Em face dessa situação hipotética, na condição de advogado(a) consultado(a) por Márcio acerca da cobrança da cláusula penal, apresente a orientação adequada a respeito do pagamento devido em razão da mora causada por José, com base no que dispõe o Código Civil.

Questão 5

Luís, aproveitando-se da situação econômica notoriamente difícil vivida por sua vizinha Ana, que não tinha patrimônio suficiente para pagar todas as dívidas que contraíra, acertou, com ela, a compra do automóvel de Ana, por R$ 19.500,00, sabendo que o valor de mercado do veículo chegava a R$ 20.000,00. Realizada a tradição e ajustado o pagamento para dali a 10 dias, Luís, acreditando ter feito bom negócio, contou o ocorrido a um amigo, que o alertou acerca da possível invalidade do negócio. Preocupado, Luís resolveu consultar um advogado para obter maiores detalhes acerca da validade do negócio e da possibilidade de preservá-lo, caso fosse inválido, já que ainda não pagara o preço ajustado. Diante da situação hipotética apresentada, na qualidade de advogado(a) consultado(a) por Luís, exponha a solução adequada ao caso, esclarecendo, com base no que dispõe o Código Civil, a possibilidade, ou não, da validade do negócio e de preservá-lo diante da disponibilidade do valor ajustado.

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(RJ),Pedro Barretto (BA) & Jerônimo Soares (RJ) DIREITO CIVIL 34 Em 05/1/2007, Antônio adquiriu de João

DIREITO CIVIL 34

Em

05/1/2007, Antônio adquiriu de João o veículo VW Gol, ano/modelo 2006, placa

XX

0000, pelo valor de R$ 20.000,00, tendo efetuado o pagamento da compra à

vista.

No mês seguinte à aquisição, Antônio efetuou a transferência do veículo junto ao

DETRAN de sua cidade, tendo pago, além da respectiva taxa, multas por violação às normas de trânsito, no valor de R$ 2.000,00. No dia 29/11/2007, o veículo foi apreendido por ordem do delegado de polícia, por ter sido objeto de furto na cidade

de São Paulo. Todas as tentativas para solução amigável quanto ao ressarcimento restaram frustradas, notadamente em virtude de João ter transferido sua residência para o Rio de Janeiro, no endereço constante da consulta feita junto ao órgão estadual de trânsito. Diante da situação hipotética apresentada, proponha, na qualidade de advogado constituído por Antônio, a medida judicial que entender cabível para a proteção dos interesses de seu cliente, abordando todos os aspectos de direito material e processual pertinentes e atentando para todos os requisitos legais exigíveis.

Questão 1

Carlos e Cláudia celebraram, mediante instrumento particular, contrato de promessa de compra e venda de imóvel, obrigando-se o promitente vendedor e a promitente compradora à celebração do contrato definitivo no prazo de 90 dias, após o pagamento da última parcela de preço, que as partes ajustaram em R$ 300.000,00 e que deveria ser pago em três parcelas iguais, mensais e sucessivas. Do instrumento constou cláusula de irretratabilidade e irrevogabilidade. Tendo Cláudia pago todas as parcelas do preço, nos prazos do contrato, Carlos se recusou a outorgar a escritura definitiva, alegando que o contrato preliminar era nulo, porque celebrado por instrumento particular e, não, por escritura pública, e que, além disso, tinha o direito de se arrepender. Considerando essa situação hipotética, redija, na qualidade de advogado de Cláudia, texto argumentativo acerca dos fundamentos invocados por Carlos para se recusar à celebração do contrato definitivo.

Questão 2

Dora, em virtude do falecimento de seu marido, Pedro, pretende renunciar à meação e transferir aos filhos do casal a propriedade do imóvel que serve de moradia para a família, adquirido na constância do casamento. Diante dessa situação hipotética, redija um texto dissertativo acerca da meação do cônjuge sobrevivente e sobre a possibilidade de sua renúncia nos próprios autos do inventário da herança do cônjuge falecido.

Questão 3

José é autor de ação de execução por quantia certa, fundada em título extrajudicial, contra Cleusa, devedora solvente. Depois do regular trâmite do processo, com a penhora de bem imóvel de propriedade da devedora, os embargos opostos pela executada foram julgados improcedentes.

Em face da situação hipotética acima, redija um texto argumentativo, abordando,

necessariamente, os seguintes aspectos:

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(RJ),Pedro Barretto (BA) & Jerônimo Soares (RJ) < requisitos para a atribuição de efeito suspensivo ao

< requisitos para a atribuição de efeito suspensivo ao recurso interposto da sentença que julga improcedentes os embargos do executado;

< possibilidade, ou não, da realização de hasta pública do bem penhorado na pendência do julgamento desse recurso.

Questão 4

Maria, que é casada com João desde 10/11/1971, sob o regime de comunhão universal de bens, sem pacto antenupcial, deixou o lar conjugal alegando que sofria agressões por parte do marido. Após a separação de fato do casal, Maria começou a

temer que João desviasse recursos e dilapidasse o patrimônio, visto que ele detinha quase todo o acervo patrimonial partilhável, composto por bens imóveis, bens móveis que guarnecem a residência do casal, jóias, dinheiro, aplicações em contas bancárias e veículos registrados em nome de João. Considerando a situação hipotética acima, redija um texto argumentativo, indicando

a ação cabível para a preservação dos bens sobre os quais incide a meação de Maria.

Questão 5

Joel e Marta faleceram em um acidente automobilístico, não tendo sido possível supor ou provar qual deles faleceu primeiro. Casados pelo regime da comunhão parcial de bens, Joel e Marta, que não tinham descendentes, deixaram os seguintes bens a inventariar: um imóvel residencial de propriedade do casal, no valor de R$ 150.000,00, e um apartamento de propriedade exclusiva de Marta, no valor de R$

80.000,00.

Os pais de Joel estão vivos e Marta tem como parentes, ainda vivos, a mãe, a avó materna e duas irmãs. Considerando a situação hipotética acima e diante do fato de que os parentes dos falecidos, todos maiores e capazes, pretendem a abertura do inventário pelo rito do arrolamento sumário, redija, na condição de advogado constituído, um texto argumentativo acerca da sucessão de Joel e Marta, apresentando esboço da partilha amigável dos dois bens imóveis.

DIREITO CIVIL 33

Camões teve que se submeter a uma cirurgia de emergência, para colocar quatro stents em seu coração. A situação era de vida ou morte e a cirurgia foi salvadora. Quando ainda estava em recuperação, a Casa de Saúde onde ocorreu a operação cobrou-lhe pelos serviços 100 mil reais. Camões, então, informou que era conveniado de um plano de saúde da seguradora Seubem Ltda. O contrato de Camões com a Seubem Ltda. era bem antigo, com mais de três décadas. Nele, constava expressamente que o seguro ajustado era amplo, cobrindo qualquer emergência. Contudo, não existia referência expressa à colocação do stent, até porque, no momento em que o contrato fora celebrado, ainda não havia essa tecnologia. Como a seguradora não arcou com a conta da operação, a Casa de Saúde propôs ação contra Camões, cobrando a totalidade dos gastos. A citação de Camões foi juntada aos autos em 28/9/2007 e, apenas então, ele procurou os serviços de um advogado. Redija a contestação de Camões, indicando a sua tempestividade, bem como levando em conta que, com a negativa da seguradora, Camões sofreu abalo moral, que, inclusive, atrapalhou a sua regular convalescença.

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(RJ),Pedro Barretto (BA) & Jerônimo Soares (RJ) Questão 1 Adamastor morreu em São Paulo, embora fosse

Questão 1

Adamastor morreu em São Paulo, embora fosse domiciliado no Rio. Deixou a mulher, que vive no Paraná, e cinco filhos, cada um de uma relação distinta, residentes no Maranhão. Para surpresa de todos, descobriu-se que Adamastor tinha

um testamento, no qual deixava todos os seus bens para uma amante argentina, que estava grávida dele. Considerando essa situação, responda, sempre indicando a norma incidente:

< onde deve ser aberto o inventário de Adamastor?

< pode a amante argentina receber o disposto no testamento?

< como deve ser feita a sucessão de Adamastor?

Questão 2

Guilherme prometeu vender uma fazenda para João Pedro, ajustando-se que a transferência do bem deveria dar-se um ano após a celebração do contrato. Antes desse prazo, contudo, contrariando qualquer possível previsão, descobre-se petróleo na área, o que a torna incrivelmente mais valiosa. Nessa situação, o que pode Guilherme fazer? E se a fazenda já fosse mais valiosa no momento do negócio, mas ajustou-se valor ínfimo de venda, que medida Guilherme poderia, então, adotar? Responda fundamentadamente às perguntas.

Questão 3

Esaú e Jacó, dois irmãos, são condôminos num imóvel, embora Jacó viva sozinho nele há mais de duas décadas. Esaú, a rigor, nem sequer voltou ao imóvel depois que se desentendeu violentamente com seu irmão, há muitos anos. Esaú vende sua parte do bem para terceiro, sem nada avisar ao irmão. Este terceiro, por sua vez, alegando ser co-proprietário, tenta invadir o imóvel. Jacó procura seus serviços de advogado. O que você recomenda que ele faça? Responda fundamentadamente.

Questão 4

Ivo, aos 29 anos de idade, era aluno regularmente inscrito no curso de judô de uma importante agremiação atlética localizada no Rio de Janeiro. Em uma das aulas, enquanto treinava com outro colega, foi derrubado e, na queda, esbarrou no professor, que também treinava com outro aluno e não percebeu a aproximação de Ivo. O professor, desequilibrando-se, também foi ao solo, mas caiu em cima de Ivo, o que determinou a fratura de duas vértebras deste último, acarretando-lhe uma tetraplegia irreversível. Saliente-se que o professor é um profissional muito respeitado, tendo já acompanhado, em diversas ocasiões, a seleção brasileira de judô. Ivo agora deseja mover ação em face da agremiação atlética, pleiteando a reparação dos danos morais e materiais sofridos. O que você lhe diria, na qualidade de seu advogado? Fundamente sua resposta.

Questão 5

Maria, jovem estudante de Direito, aproveitando a onda de calor que marcou o último verão carioca, resolveu praticar topless na praia da Barra da Tijuca. Enquanto tomava seu banho de sol, foi fotografada inúmeras vezes por um repórter de um importante jornal de circulação nacional. No dia seguinte ao evento, uma das fotos foi estampada na primeira página do jornal e era acompanhada por uma legenda que

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(RJ),Pedro Barretto (BA) & Jerônimo Soares (RJ) informava o fato de "os termômetros terem registrado

informava o fato de "os termômetros terem registrado 40º (quarenta graus centígrados) no último final de semana". Maria já procurou a direção do órgão de imprensa, mas este informou que exerceu seu direito à informação, constitucionalmente garantido, e que não houve ofensa a nenhum direito de Maria. Esta última procura então alguma orientação jurídica. O que você lhe diria, na qualidade de advogado? Fundamente.

DIREITO CIVIL 32

Paulo Castro (brasileiro, solteiro, administrador de empresas, CPF 000.000.001-00) e Sílvia Brandão (brasileira, solteira, secretária, CPF 222.222.222-22) mantiveram união estável entre janeiro de 2000 e abril de 2005, quando decidiram separar-se. O período de convivência não foi antecedido de qualquer convenção sobre o regime de bens dos companheiros. Como não haviam adquirido quaisquer bens durante aquele período, e como Sílvia, ao tempo da separação, se achasse desempregada, Paulo anuiu à permanência de Sílvia, por tempo indeterminado, no imóvel que até então servira de residência aos companheiros, situado no Rio de Janeiro, na Rua Ministro Viveiros de Castro, n.º 57, ap. 301, Copacabana. Tal imóvel fora adquirido por Paulo, mediante pagamento integral do preço, no ano de 1997. Paulo retirou-se do imóvel, passando a morar em outro, tomado por ele em locação, situado, no mesmo bairro, na Avenida Nossa Senhora de Copacabana, n.º 245, ap. 501. Passados dois anos do fim da união estável, Paulo promoveu a notificação extrajudicial de sua ex- companheira, exigindo-lhe a desocupação, no prazo de quinze dias, do imóvel situado na Rua Ministro Viveiros de Castro. A notificação foi efetivamente recebida por Sílvia em 2/5/2007. O prazo concedido na notificação extrajudicial já se expirou, sem que Sílvia tenha deixado o imóvel, e Paulo deseja propor a ação judicial cabível para reaver o bem. Diante da situação hipotética apresentada, na qualidade de advogado constituído por Paulo, redija a petição inicial da ação a ser ajuizada pelo seu cliente.

Questão 1

Em 10/5/2004, Pedro estava dirigindo seu automóvel, de forma prudente, quando sofreu violenta batida de um outro veículo, cujo motorista avançara o sinal e que, além disso, se encontrava em velocidade incompatível com o prescrito nas leis de trânsito para aquele local. Posteriormente, apurou-se que o motorista imprudente apresentava alto teor alcoólico no sangue. Em conseqüência do acidente, Pedro sofreu sérias lesões nos braços e pernas e teve de ser removido em ambulância do Corpo de Bombeiros para o hospital mais próximo. Entretanto, no percurso para o hospital, a ambulância que transportava Pedro envolveu-se em grave acidente, tendo sido abalroada por ônibus da Viação Viaje Bem Ltda., que trafegava em alta velocidade e que, conforme apurado posteriormente, estava sem sistema de freios. Em conseqüência desse último acidente, Pedro faleceu, na própria ambulância, de traumatismo craniano. Você, como advogado, foi procurado em seu escritório, em 16/5/2007, pela família de Pedro (viúva com filhos absolutamente incapazes), que busca obter reparação pelos danos materiais e morais sofridos. O que você diria aos familiares da vítima? Fundamente.

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(RJ),Pedro Barretto (BA) & Jerônimo Soares (RJ) Questão 2 João casou-se com Maria em 1992, sob

Questão 2

João casou-se com Maria em 1992, sob o regime da separação total de bens, instituído em pacto antenupcial válido. O casal teve dois filhos: José e Madalena. João morreu em outubro de 2006, ab intestado, deixando um patrimônio líquido no valor de R$ 200.000,00 (duzentos mil reais). A propósito da situação hipotética acima, responda, de maneira fundamentada, aos seguintes questionamentos: - Qual é a fração do quinhão de cada herdeiro? - Se a relação entre João e Maria fosse de união estável, haveria alguma diferença na partilha dos bens do de cujus? Em caso positivo, qual seria a fração do patrimônio atribuída a cada herdeiro?

Questão 3

Carlos moveu ação de indenização de danos materiais e morais contra Antônio. A sentença, após exaustiva instrução probatória, julgou procedente o pedido quanto aos danos morais e, quanto aos danos materiais, concedeu apenas indenização dos danos emergentes, mas não dos alegados lucros cessantes, por entender que estes não haviam sido provados. Carlos e Antônio apelaram, mas o tribunal de justiça, por unanimidade, manteve integralmente a sentença. Na parte da motivação referente ao recurso de Carlos, o tribunal manifestou o entendimento de que os afirmados lucros cessantes efetivamente não restaram demonstrados. Carlos, então, interpôs recurso especial desse acórdão unânime, alegando violação ao art. 186 do novo Código Civil. Com referência à situação hipotética acima, responda, de maneira fundamentada, aos seguintes questionamentos: - Embora reconhecendo a falta de prova dos alegados lucros cessantes, poderia ter o tribunal condenado Antônio ao respectivo pagamento, determinando que aquela prova, até ali considerada ausente, se fizesse em liquidação de sentença? - O recurso interposto por Carlos deve ser admitido?

Questão 4

No curso de processo de ação de cobrança de dívida contratual, o réu postulou a produção de prova pericial, argumentando que ela se destinava a demonstrar que os valores cobrados pelo autor não estavam de acordo com o contrato firmado pelas partes. O juiz de primeiro grau indeferiu a produção da prova postulada, denominando tal decisão de sentença. Inconformado com o indeferimento da prova cuja produção requerera, o réu interpôs recurso de apelação no último dia do prazo previsto na lei para a interposição desse recurso. Acerca da situação hipotética acima, responda, de modo fundamentado, ao seguinte questionamento: à luz do requisito genérico de admissibilidade dos recursos consistente no cabimento, pode o tribunal conhecer do recurso interposto?

Questão 5

Em ação indenizatória proposta por paciente que permanecera, durante alguns dias, internado no Centro de Terapia Intensiva do Hospital X, e que alegava ter ali contraído infecção hospitalar de natureza grave, a sociedade mantenedora daquele estabelecimento hospitalar se defendeu, alegando que: (a) o percentual de infecção hospitalar, naquele Hospital X, é inferior ao percentual tolerado em estabelecimentos do mesmo porte e de características semelhantes, de acordo com portaria do Ministério da Saúde; (b) o Hospital X mantém, durante as 24 horas do dia, avançado

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(RJ),Pedro Barretto (BA) & Jerônimo Soares (RJ) sistema de controle de infecções hospitalares. Realizada

sistema de controle de infecções hospitalares. Realizada prova pericial, o perito do juízo formulou as seguintes conclusões: (a) que ambas as alegações da ré correspondiam à verdade; (b) que, a despeito disso, era provável que a infecção contraída pelo autor tivesse efetivamente ocorrido durante sua permanência no Hospital X. Na situação hipotética acima descrita, aberta vista às partes para a apresentação de razões finais por escrito, o que você, na qualidade de advogado do autor, diria acerca das conclusões do laudo pericial?

DIREITO CIVIL 31

Mario dos Santos (brasileiro, solteiro, engenheiro, domiciliado e residente, na cidade do Rio de Janeiro, na Avenida Nossa Senhora de Copacabana, n.º 1000, apto. 608, inscrito no CPF sob o n.º 000.000.001-00) adquiriu em estabelecimento comercial da Vende Tudo Ltda. (sociedade estabelecida, na cidade de Petrópolis, RJ, na Rua Imperial, n.º 10 e inscrita no CNPJ sob o n.º 123/0001-00) um aquecedor elétrico, fabricado por ABC Produtos Elétricos e Eletrônicos S/A (sociedade estabelecida na cidade de Campos dos Goytacazes, RJ, na Avenida Desembargador Amaro Martins de Almeida, n.º 271, e inscrita no CNPJ sob o n.º 456/0001-00). Em virtude de um defeito de fabricação, o aquecedor elétrico explodiu, provocando incêndio em pequena casa que Mário tem na cidade de Petrópolis (RJ). Em decorrência da explosão, além dos danos causados ao imóvel, Mário sofreu ferimentos nas mãos e no rosto, ficando parcialmente desfigurado e impossibilitado de desenvolver suas atividades profissionais pelo prazo de 6(seis) meses. Você, como advogado, foi procurado por Mário, que lhe expõe os fatos, acrescentando que não tem, neste momento, como saber qual o exato montante dos prejuízos sofridos em razão da parcial destruição do imóvel de Petrópolis, e que tão pouco pode precisar, de antemão, o que deixou de ganhar no período de cessação de suas atividades profissionais, por ser engenheiro que trabalha como profissional liberal. Redija a petição inicial da ação que, a seu ver, deve ser proposta, nas circunstâncias descritas. A petição - a ser assinada pelo advogado José Pinheiro (OAB/RJ 002), com escritório, na cidade do Rio de Janeiro, na Rua da Ajuda, n.º 20, Sala 801 - deverá justificar, explicitamente, a escolha do foro a seu ver competente.

Questão 1

Antônio Camargo, empregado da empresa XYZ Indústria e Comércio S.A., exercia, nos últimos três anos, cargo administrativo de diretor comercial nessa empresa, sem qualquer subordinação jurídica, já que eleito por decisão de assembléia. Ao ser despedido sem justa causa, após 10 anos de trabalho para essa empresa, entendeu que o cálculo de sua indenização compensatória era inferior ao devido, porquanto a empresa empregadora não depositara os 40% devidos sobre o FGTS, relativamente ao período em que exerceu o cargo de direção na XYZ Indústria e Comércio S.A. De fato, comprovou-se que não houve nenhum recolhimento de valores à conta do FGTS de Antônio Camargo no período em que este exerceu o cargo de diretor. Com base nesses dados, fundamente a atitude da empresa.

Questão 2

Uma empresa teve um automóvel penhorado por um oficial de justiça, em cumprimento ao mandado de execução expedido por Vara do Trabalho, em 12/3/2007. O gerente da empresa assinou o verso do termo de penhora como fiel

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(RJ),Pedro Barretto (BA) & Jerônimo Soares (RJ) depositário no próprio dia 12/3/2007, sendo que o mandado

depositário no próprio dia 12/3/2007, sendo que o mandado é juntado aos autos com

o termo de penhora em 30/3/2007 (uma sexta-feira). O advogado da empresa opôs

embargos à execução no dia 6/4/2007 (uma sexta- feira). No entanto, os embargos não foram conhecidos, tendo o Juízo declarado sua intempestividade. Considerando as informações prestadas na situação hipotética acima, responda se está correta a declaração do juíz quanto à intempestividade dos embargos à execução. Justifique sua resposta.

Questão 3

A estabilidade provisória assegurada atua como fator de limitação temporária ao direito potestativo de resilição contratual e visa propiciar a seu destinatário, em última análise, o exercício de direitos fundamentais. Dessa forma, mesmo havendo extinção da empresa, entende-se, para qualquer hipótese de estabilidade provisória, não se deva excluir essa proteção legal. Alice Monteiro de Barros. Curso de Direito do Trabalho. 2.ª ed., São Paulo: Ltr, p. 958 (com adaptações). Considerando o texto acima como motivador inicial, redija, fundamentadamente, um texto em que examine

o instituto da estabilidade provisória à luz da extinção do estabelecimento.

Questão 4

A lei é omissa quanto à remuneração do trabalho dominical, mas a Justiça do Trabalho aqui fez as vezes de legislador: o TST emitiu o Enunciado 146, segundo o qual "o trabalho prestado em domingos e feriados, não compensado, deve ser pago

em dobro". (

pessoas têm tempo para fazer compras. Edward Amadeo. Opinião. In: Valor Econômico, 18/4/2007, A-17. Considerando o texto acima, responda, de forma

fundamentada, aos seguintes questionamentos: a) É correta a afirmação de que "a lei é omissa quanto à remuneração do trabalho dominical"? b) Quais são as referências legais para o funcionamento do comércio aos domingos e o que elas

preceituam?

Questão 5

Um reclamante ajuizou reclamação trabalhista, com pedido de antecipação da tutela, postulando a sua reintegração no emprego, em razão de ter sido eleito dirigente sindical, conforme era do conhecimento da empresa. O juiz, ao analisar a petição inicial, entendeu estarem presentes os requisitos do art. 273 do CPC e deferiu a antecipação da tutela, antes mesmo de citar o réu. Quando o réu foi intimado da decisão, impetrou mandado de segurança visando à sua cassação, com pedido de liminar. No entanto, a liminar foi indeferida, uma vez que o juiz entendeu não estarem presentes o perigo da demora e a fumaça do bom direito. Considerando essa situação hipotética, redija de forma fundamentada, um texto em que aborde o remédio precessual cabível contra a decisão que indeferiu a liminar e o prazo para sua interposição. Esclareça, ainda, se há previsão legal específica que determina ao juiz do trabalho a concessão de medida liminar para se reintegrar dirigente sindical despedido pelo empregador.

)

Uma lei (sic) que limita o comércio aos domingos, dias em que as

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(RJ),Pedro Barretto (BA) & Jerônimo Soares (RJ) DIREITO CIVIL 30 FELIX SOARES, brasileiro, solteiro,

DIREITO CIVIL 30

FELIX SOARES, brasileiro, solteiro, médico, carteira de identidade 002/IFP, CPF:

52437, com endereço à Rua das Flores, nº 424/casa, Bangu, na qualidade de fiador de contrato de locação, foi citado para a ação de despejo por falta de pagamento cumulada com cobrança, proposta por MENERVAL FAGUNDES, que tem curso na 1ª Vara Cível Regional de Bangu (Processo 2006.0028). Predita ação, que tem também no pólo passivo o locatário (AIRTON GOMES), foi proposta com base no inadimplemento de contrato de locação residencial do apartamento 202, sito à Av. das Camélias nº 20, Bangu, celebrado pelo prazo de 30 (trinta) meses e que se encontra por prazo indeterminado desde agosto/2001, tendo em vista que não houve qualquer manifestação das partes. Da análise dos fatos e documentos se depreende que o locatário deixou de pagar os últimos 42 (quarenta e dois) meses de aluguéis, embora esteja honrando com os demais encargos locatícios. Sobre o valor total dos alugueres em atraso (R$ 21.000,00), o locador está pleiteando a incidência de multa de 10% (não prevista no contrato), juros de 6% a.m., além da respectiva correção monetária. Sabe-se que, no contrato de locação consta cláusula de que o fiador responde solidariamente e como principal pagador por todos os débitos locatícios, até que ocorra a efetiva entrega das chaves do imóvel. Diante de tal situação, elabore a pertinente defesa de FELIX, bem representando o cliente, face à toda situação fático/jurídica acima exposta. ADVOGADO: RENATO MEDEIROS - OAB/RJ: 1.000 ESCRITÓRIO: Av. Santos, nº 10/1001, Bangu/RJ

Questão 1

Eduardo Quartarone encontra-se na iminência de ser despejado, fato este desconhecido por sua mulher e seus dois filhos, que com ele convivem. Ao confidenciar sua imensa angústia a seu amigo Guilherme D'Aguiar, este oferece a Eduardo, mediante contrato de locação, imóvel de sua propriedade. O referido imóvel possui, no mercado, o valor locatício de R$ 300,00 (trezentos reais), mas Guilherme, sabedor da situação de emergência de eduardo, deste cobra a quantia mensal de R$ 900,00 (novecentos reais). Depois de quatro meses no imóvel, Eduardo, em conversa com o seu vizinho Flávio Valle, descobre, enfim, a desproporção entre o imóvel e o valor cobrado por Guilherme a título de locação. Superados os riscos de ver sua família desabrigada, Eduardo decide procurar um advogado. Na qualidade de advogado de Eduardo Quartarone, responda: pode Eduardo anular o contrato de locação, mesmo passados quatro meses de uso do imóvel? Fundamente sua resposta.

Questão 2

Que providências devem ser tomadas em uma operação de compra e venda imobiliária, em que o vendedor é ascendente do comprador, visando evitar futuras alegações de anulabilidade do negócio entabulado? Fundamente.

Questão 3

Crasso construiu uma casa em imóvel de propriedade de Pompeu, inobstante soubesse quem era o dono do imóvel. Considerando que a referida edificação tem valor muito superior ao do terreno, diga a quem ela pertence e se há direito à indenização. Fundamente.

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(RJ),Pedro Barretto (BA) & Jerônimo Soares (RJ) Questão 4 Júlio Nogueira, solteiro, morreu em 17 de

Questão 4

Júlio Nogueira, solteiro, morreu em 17 de junho de 2006, ab intestato, deixando patrimônio e, apenas, parentes na linha colateral. Analise fundamentando e justificando, a sucessão de Júlio Nogueira, sabendo: - Carla, mãe de Marina, é sua irmã bilateral; - Clotilde, mãe de Mirtes e avó de Francisco, é sua irmã bilateral; - Clotilde e Francisco morreram em acidente automobilístico em 10/05/2005; - Carolina, mãe de Miriam, é sua irmã unilateral; faleceu em 18 de abril de 2006; - Celso, pai de Moema e avô de Felipe, é seu irmão unilateral; Celso e Moema morreram em acidente aéreo em 13/02/2006; - Custódio, casado com Júlia, é seu irmão unilateral.

Questão 5

Jorge Souza, 63 anos de idade, solteiro, deseja casar com Marina da silva, 45 anos, mãe de Diego e Rodrigo. Casaram em 15 de dezembro de 2005, na Igreja XYZ, no Rio de Janeiro, casamento esse puramente religioso. Em maio de 2006, decidiram dar à sua união os efeitos da lei civil. Analise, fundamentando e justificando sua r