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Copyright 2011 por René Burkhardt

Capa Cláudio Nunes Horácio

Revisão René Burkhardt

Um chamado à intimidade
René Burkhardt

Nenhuma parte deste livro poderá ser reproduzida sem a autorização prévia do autor.

Contato com o autor: kasteloforte@gmail.com kasteloforte.blogspot.com

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Índice

Prefácio........................................................ 05 Eis a Eternidade ........................................... 06 Um Chamado à Intimidade .......................... 10 O Peso da Minha Cruz.................................. 14 Armadilha Mortal......................................... 22 A Soberba e o Pecado Mortal ....................... 28 A Libertação do Pecado................................ 35 Examinem-se.................................................44 Obediência. ...................................................51 Somos Santos?............................................. 64 Será Que Ninguém Viu Isto?......................... 70 Discipulado................................................... 76 Vocês, Discípulos, São o Sal da Terra ............ 81 Respondendo ao Chamado........................... 85

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Prefácio

Ao receber o convite para prefaciar “Um Chamado à Intimidade”, confesso que me senti completamente incapaz de fazê-lo. Não somente pela amizade que tenho com René Burkhardt, que me torna um tanto suspeito, mas também por conhecer seus escritos e saber da profundidade dos mesmos. Afinal, como definir o indefinível? O máximo que posso fazer, e o faço com total sinceridade, é dizer do impacto que este livro causou em minha vida. Livro que, aliás, não poderia ter um título mais apropriado. “Um Chamado à Intimidade” é exatamente isto: um apelo urgente para nos achegarmos, desnudos de nosso ego, ao coração de Deus, ao cerne de Sua vontade, revelada em Cristo Jesus. Desta forma, cada capítulo levou-me a uma sincera introspecção, na qual fui confrontado com minha soberba e levado a constatar a total dependência do Espírito Santo para transformar, capacitar e conduzir o meu ser no caminho que devo andar. De maneira que este não é meramente um livro para ser lido, mas um verdadeiro chamado de Deus para ser atendido. Sendo assim, o leitor perceberá que esta não é uma obra de rápida leitura, mas de necessária reflexão, na qual somos, por diversas vezes, levados a parar e meditar em nossas próprias vidas. Aos que chegarem ao final desta jornada, posso garantir que não mais lhes pesará o fardo da culpa e da condenação. Em lugar disso, a compreensão de quem somos em Cristo Jesus: amados filhos de Deus, que nos chama para uma perfeita e maior intimidade com Ele.

Alan Capriles

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Eis a Eternidade

Deus

é

eterno

e

infinito!

Esses

dois

atributos,

isoladamente, já são impossíveis de serem compreendidos pelo homem, que é mortal e totalmente limitado. Até para tentar compreender e definir esses atributos, o homem se utiliza de elementos limitados. Nossas próprias palavras impõem limites.

Para definir a eternidade, por exemplo, o homem precisa dizer que ela é não ter princípio, nem fim de dias! O homem não consegue compreender que a eternidade está além de seus conceitos de tempo e espaço, e que estes conceitos, tempo/espaço, estão contidos nessa eternidade. Mais difícil ainda, é compreender que cada momento desse tempo/espaço é visto de qualquer ponto da eternidade, eternamente, tipo um filme rodando quadro a quadro, onde cada quadro, estático, pode ser apreciado pelo Eterno, quantas vezes Ele quiser. Pior ainda, é compreender que Deus é o Pai da eternidade!

Esta compreensão explica, de uma forma básica, a presciência de Deus, Sua ciência e Sua pós-ciência,

conhecidas como Sua Onisciência, de cada fato que envolve toda a Sua Criação, em cada ponto daquilo que conhecemos 6

como tempo e espaço. É exatamente isto que O permite interferir pessoalmente em cada questão de nossas vidas, como se fôssemos o único ser criado por Ele, sem que todo o restante do sistema „desande‟. É isto que O permite conciliar Sua soberania com livres escolhas do homem, fazendo Sua vontade se cumprir através da própria vontade do ser humano, sem mudar de idéia a cada atitude nossa, como se tivesse sido pego de surpresa.

Diante disto, somos levados a concordar com o Senhor, quando Ele diz: "Pois os meus pensamentos não são os pensamentos de vocês, nem os seus caminhos são os meus caminhos" e "Assim como os céus são mais altos do que a terra, também os meus caminhos são mais altos do que os seus caminhos e os meus pensamentos mais altos do que os seus pensamentos” (Is 55.8-9).

Assim,

nessa

sabedoria

infinitamente

superior

à

nossa, Deus providenciou, na eternidade, mas trazendo para uma forma que coubesse em nossa compreensão, o

escândalo da Cruz! E esta é a forma de Deus lidar com o pecado! Ele atraiu todas as pessoas à Cruz, a fim de que, através dela, fosse consumada a Sua Justiça: condenação, para quem a rejeita como único caminho que leva à reconciliação gratuita com Deus, ou salvação, para quem a recebe e aplica à sua própria vida como o Caminho da Verdade! 7

Mas o pensamento pequeno e limitado do homem o leva a buscar caminhos alternativos, tanto para se

aproximar, quanto para se afastar de Deus. O que quer se aproximar, na sua própria força, no seu próprio

conhecimento, anula a mensagem de Jesus, de que o Reino Eterno dos Céus está próximo e que basta a fé na suficiência da obra de Cristo na Cruz, para entrar nele. Os que assim agem, desconsideram a Graça e se penduram na lei, seja ela qual for, afirmando que este é o caminho certo. Assim, tentam fazer com que a eternidade dependa e caiba dentro de um livro: qualquer livro que lhes apresente alguma lei, ou algo que possam transformar em lei!

Já o que quer se afastar de Deus, não percebe que, ainda que suba aos céus, ou, ainda que desça ao mais profundo abismo, nunca poderá estar longe do Senhor, o seu Criador! Tenta, em vão, viajar por caminhos que aparentam ser livres de Deus, sem perceber que Ele está ali também, observando aquela criatura que se imagina deus e que, por isto, diz não existir um Deus! Se perde na limitação de sua própria vaidade, ao invés de se encontrar na vastidão da eternidade.

“Daí em diante Jesus começou a pregar: „Arrependamse, pois o Reino dos céus está próximo‟" (Mt 4.17). Ele não falava sobre uma proximidade no “tempo”, algo que vai 8

chegar logo, mas de uma proximidade no “espaço”, algo que está acessível, pois Ele mesmo é o Caminho para essa eternidade representada por „Reino dos céus‟. Andando por esse caminho apertado das dificuldades e entrando pela porta estreita, pela qual só passa uma pessoa de cada vez, não um grupo, passamos a fazer parte dessa eternidade, porque estamos nas mãos do Pai da eternidade e, de Suas mãos, ninguém nos arrebata! E o arrependimento que Ele nos cobra é, apenas, que a gente pare de acreditar que somos deuses, ou que podemos chegar a Deus através do nosso próprio esforço, como Israel acreditava que seria!

Isto é um convite para embarcarmos em Suas Palavras, tomarmos lugar sob o Seu jugo suave, enviarmos nossos fardos para longe, através dEle, e viajarmos

eternamente em Sua companhia!

Próxima partida, agora mesmo! É só você querer, confiar e tomar o seu lugar, que já está reservado!

Tenham todos uma ótima viagem!

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Um Chamado à Intimidade

Jesus nos ensinou, o tempo todo, a buscarmos intimidade com o Deus Pai. Os judeus tinham medo (e ainda têm), até mesmo, de pronunciar o nome de Deus. Aí, ao nos ensinar a orar, Ele já demonstra que devemos nos dirigir com intimidade a Deus, sem medos, chamando-O de Pai. Não só nessa oração, mas também na parábola do filho pródigo e outras diversas passagens bíblicas, a

demonstração que temos é de um relacionamento íntimo de Pai e filho. Mas o que é, exatamente, viver essa intimidade? Seria, apenas, no momento de falar com o Pai, ou quando voltamos envergonhados, com o “rabinho entre as pernas”, para pedir o Seu perdão?

Entendo que essa intimidade é bem mais do que isto. Nossa vida íntima com Deus deve se manifestar a todo momento, em todos os dias, através de nossas atitudes diante de Deus e diante dos homens. Neste aspecto, vejo a parábola da grande ceia, em Lucas 14.16-24, como uma grande indicação para isso.

Nessa parábola, certo homem, que representa Deus, convida a muitas pessoas para participarem de uma grande ceia que ele havia preparado. Ora, certamente, esse homem 10

convidou pessoas de seu relacionamento íntimo, para confraternizarem com ele. Como este homem representa a Deus, as pessoas que Ele convidou são, hoje, os cristãos, aqueles que aceitaram o chamado para serem discípulos de Jesus, seguindo Seus passos. Mas, como disse no início, nós somos chamados a ter intimidade constante com o Senhor, em nosso dia a dia, não apenas quando formos para o céu. Dessa forma, podemos entender esse convite para a grande ceia como sendo um convite constante, permanente, diário.

Mas como esse convite nos é feito? A todo momento, surgem, diante de nós, aquelas “boas obras, as quais Deus de antemão preparou para que andássemos nelas” (Ef 2.10). Essas obras não se limitam à nossa ajuda a pessoas que tenham passado por uma catástrofe natural, a povos que passam fome, a órfãos e a viúvas. Essas boas obras são muito mais numerosas e muito mais comuns em nossas vidas, do que temos realmente percebido.

Na parábola, Jesus se refere a desculpas comuns e que, aparentemente, não são atitudes más, as quais usamos para não atendermos ao convite de Deus. Ele diz que usamos como desculpas nossas próprias obrigações diárias, que, em si mesmas, não são más. Não é errado nos concentrarmos em nosso trabalho. Não é errado cuidarmos dos bens que o Senhor nos entregou para administrarmos. Não é errado cuidarmos de nossas famílias. O erro não está 11

nisso! O erro está em colocarmos tais coisas acima de nosso relacionamento íntimo com o Senhor. Ele tem a primazia sobre todas as coisas! É para Ele que devemos olhar, mesmo diante das questões mais simples de nosso cotidiano.

Então, na verdade, Jesus está dizendo: “Lembra quando aquele mendigo lhe pediu um prato de comida e você disse que não poderia atendê-lo, porque estava em cima da hora de ir trabalhar? Era eu que estava convidando você a saciar a minha fome de intimidade com você! Lembra quando aquele vizinho lhe pediu o carro emprestado para levar a esposa ao hospital e você disse que não poderia atendê-lo, porque você era zeloso com seu patrimônio e não poderia correr o risco de danificá-lo? Era eu que estava convidando você a ter intimidade comigo através do meu maior patrimônio: o ser humano! Lembra quando aquele seu parente foi chorar sua dor com você e, porque estava fazendo o jantar para a sua família, você disse a ele que voltasse outra hora? Era eu que estava convidando você a ter, comigo, a intimidade de uma família!”.

O Senhor conhece todas as nossas obrigações, todas as nossas necessidades. Mas é Ele que sustenta todas as coisas pela palavra do Seu poder. Por isto, quando nos deparamos com alguma circunstância que demande amor, piedade, não podemos deixar de atendê-lO, por mais “santa” que seja a nossa desculpa. Já que Ele sustenta todas as 12

coisas, atendê-lO não irá prejudicar nada que estejamos por fazer. Podemos ter a certeza de que em muito mais vezes do que imaginamos, Ele está nos dizendo: “Este é o caminho, ande por ele e você terá intimidade comigo!”.

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O Peso da Minha Cruz

Busco.

muito

tempo

tenho

buscado

maior

intimidade com o Senhor Jesus. Quantas vezes já perguntei: “Senhor, que farei para herdar a vida eterna?”. Quantas vezes lutei contra meus pecados, pensando em atingir tamanha santidade que permitisse ao Senhor ter comunhão comigo! Quantas vezes clamei ao Senhor, para que Ele resolvesse meus problemas, a fim de que eu tivesse condições de fazer a Sua vontade! Quantas vezes condenei ao meu próximo por errar, onde eu estava acertando, ao mesmo tempo em que me escusava por errar, onde ele estava acertando! Quantas vezes o julguei, por não ser

como eu! Quantas vezes o desprezei, por não ser como eu! Quantas vezes, quantas vezes...

Como é difícil entender a verdade da Palavra do Senhor, que diz: “porque estreita é a porta, e apertado, o caminho que conduz para a vida...” (Mt 7.14 – grifo meu). Mas, graças a Deus, o Espírito Santo nos ensina todas as coisas. E, com o passar do tempo, com a evolução dos acontecimentos, Ele nos mostra que o caminho é apertado para aqueles que não seguem à risca a orientação de Jesus: “...Se alguém quer vir após mim, a si mesmo se negue,

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dia a dia tome a sua cruz e siga-me” (Lc 9.23 – grifo meu).

Negar a si mesmo é andar na “contramão” do mundo. Enquanto o mundo nos estimula (até exige) a cuidarmos da nossa aparência, buscarmos o maior conforto possível, satisfazermos todas as nossas vontades, tentarmos realizar todos os nossos sonhos, usarmos todos os meios disponíveis para alcançarmos a nossa felicidade, mesmo que isto cause a infelicidade de outros, o Evangelho nos leva a não nos preocuparmos com aparência, conforto, satisfação de

vontades pessoais; nos leva a abrirmos mão de nossos sonhos em troca de cumprirmos a vontade do Pai, e nos ensina que o único caminho para a felicidade pessoal é buscar a felicidade de Deus e dos homens.

Normalmente, pensamos que, ao negarmos a nós mesmos, estaremos entrando em uma vida de dolorosos sacrifícios, de “pagamento de preços”. Porém, não é isto o que acontece na prática. Quando, verdadeiramente, amamos a Deus e aos homens, o nosso desejo será o de que eles sejam felizes. Isto quer dizer que, quando eles ficarem felizes, automaticamente ficaremos satisfeitos e, portanto, felizes também.

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Isso acontece quando, por exemplo, um criminoso condenado se entrega ao senhorio de Jesus. Não importa se tivemos participação nesta conversão, ou não. O que importa é que uma alma foi resgatada das mãos do inimigo. Esta alma estará feliz pela libertação de seu cativeiro espiritual e pela possibilidade de encontrar o tesouro que está oculto no campo. E nosso Deus Pai também estará feliz, por avistar ao longe o seu filho pródigo voltando. Se amamos a Deus e ao próximo, ficaremos felizes com a felicidade do criminoso e com a felicidade do nosso Senhor! Assim, esta é a receita que o Evangelho nos dá, para a nossa felicidade: “amem a Deus e ao próximo! Deixem que o Senhor acrescente tudo o que for realmente necessário para as suas vidas”.

Isso nos leva a concluir que, ao invés de “pagarmos um preço”, ao invés de entrarmos em uma vida de sofrimento, quando dizemos “não” para as nossas vontades, na verdade, estaremos andando no caminho que nos traz felicidade. Neste caminho, só iremos sofrer quando não quisermos abrir mão de uma vontade nossa, ao buscarmos a felicidade de Deus e dos homens. Se eu não abro mão de comer “manjares especiais”, vou sofrer muito ao ofertar meu dinheiro ao Senhor, porque não vai sobrar o suficiente para eu satisfazer o meu desejo. Se eu não abro mão de uma programação na televisão, vou sofrer muito ao ter que sair 16

para „fazer a obra de Deus‟, porque não vou satisfazer meu desejo de assistir meu programa favorito. Se eu não abro mão de julgar aos outros, vou sofrer muito ao ter que perdoar, porque não vou satisfazer o meu desejo de que os outros se deem mal. Se eu não abro mão de contar o segredo de alguém para outra pessoa, vou sofrer muito ao ser repreendido, porque não vou satisfazer o meu desejo de ser o “dono da verdade e do conhecimento”. Se eu não abro mão da minha soberba também nas pequenas coisas, vou sofrer muito ao ser disciplinado pelo Senhor, porque não vou satisfazer o meu desejo de me assentar acima do Trono de Deus.

E o Senhor me diz que, para segui-Lo, devo carregar a minha própria cruz, todos os dias. Que peso insuportável! Olho para o caminho à frente, em direção ao Calvário, e ele parece não ter fim. Parece que não vou suportar o peso de todas as coisas que formam a minha cruz. O peso das minhas injustiças para com os outros. O peso da minha soberba impregnada em cada ato meu: uma soberba que sempre me levou a julgar àqueles que estavam em um estágio mais alto na fé, ao mesmo tempo que me levava a desprezar aos que eram mais fracos nela; soberba que sempre me levou a pensar que era o melhor cônjuge do mundo, o melhor pai, o melhor filho, o melhor estudante, o

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melhor trabalhador, o melhor amigo, o melhor colega, o melhor cristão, o melhor em tudo...

É essa soberba que me leva a discutir com os outros, sem considerar nada em favor deles, tão somente, que eles estão errados e eu certo. É ela que me leva a não aceitar o arrependimento de alguém, porque essa pessoa não pode ser mais humilde que eu. É ela que me leva a não perdoar os erros dos outros, porque eles têm que ser perfeitos como eu. É ela que me leva a aprovar algo feito por outra pessoa, mas acrescentando que eu faria diferente, para que ficasse melhor. É ela que me leva a querer cumprir a lei sobre o pecado dos outros, mas exigir a graça sobre o meu pecado. É ela que me leva a pensar que posso „fazer‟ alguma coisa para herdar a vida eterna, ao invés de aceitar o amor e o perdão de Deus, em Cristo Jesus crucificado e ressurreto, e confiar que o mais Ele fará. É ela que me leva a pensar que posso me santificar, para que o Senhor Se aproxime de mim. Aceitar a graça é confirmar que sou incapaz de fazer qualquer coisa que me justifique diante de Deus e isto é contrário ao que me diz a minha soberba.

Mas,

graças

a

Deus,

uma

autoridade

superior

determinou que Simão levasse a cruz de Jesus até o Calvário. Da mesma forma, uma autoridade superior, Jesus, 18

determinou que Ele próprio seria meu companheiro de jugo e dividiria o peso comigo. Mais do que isto, Ele disse que me aliviaria da minha sobrecarga, se eu tomasse sobre mim o Seu jugo e aprendesse com Ele. Assim, eu acharia descanso, porque o Seu jugo é suave e o Seu fardo é leve. Aprendendo com Ele, Seu Espírito me purifica dia a dia, através da Sua Palavra, e descubro que o peso vai sendo arrancado de meus ombros.

Que alívio tremendo é estar chegando de volta à casa de meu Pai e perceber que Ele veio correndo até mim, antes mesmo que eu chegasse lá. É como um bálsamo sobre uma ferida sentir o amoroso abraço de nosso Pai Celestial, Seus beijos afetuosos e Sua imensa alegria por minha volta à Sua casa. Que paz tremenda eu sinto ao perceber que Ele não quer que eu peça perdão pelos meus pecados, porque Ele já viu o arrependimento em meu coração, e nem quer mais que eu fique falando sobre eles. Que alegria eu sinto ao entender que tudo o que Ele mais quer é ter comunhão comigo, que eu não saia mais de Sua presença. Que felicidade é saber que Ele considera morto o meu “velho eu” e só Se interessa pelo “novo homem” que o Seu Espírito está formando em mim, agora.

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Ao atender ao chamado de ir a Jesus, tomar sobre mim o Seu jugo e aprender com Ele, todo o peso da minha cruz está sendo desfeito. Seu Espírito está realmente me aliviando e me fazendo sentir a leveza de Seu fardo. O Senhor tem, dia a dia, arrancado de mim cada item que pesava contra mim. Isto me faz pensar que, ao dizer que devemos tomar nossa cruz dia a dia e segui-Lo, o Senhor, na verdade, quer que reconheçamos as coisas que pesam sobre nós, para que Ele possa tratar, consertar, à medida que concordamos com Ele e que permitimos sermos

moldados à Sua semelhança.

Seguir ao Senhor é estar consciente de que serei transformado todos os dias, até alcançar a perfeição de santidade que me permitirá ver ao Pai. É estar consciente de que em meus dias, aqui na terra, posso não ter nem onde reclinar minha cabeça. É estar consciente de que o mundo será contra mim e, mesmo assim, posso me animar, porque o Senhor venceu o mundo. É estar consciente de que posso passar por inúmeras privações, porém, o Senhor estará comigo e nada vai me separar do Seu amor. Seguir ao Senhor é não pensar mais em vantagens para a minha vida, porque já não sou mais eu que vivo, mas Cristo vive em mim. Seguir ao Senhor é andar no caminho apertado, aquele caminho onde não cabe nenhuma dessas nossas vontades.

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Seguir ao Senhor me faz não pensar mais no peso da minha cruz, nem pensar no conforto e na segurança para mim mesmo. Eu O sigo com a certeza de que a minha vida é o despojo suficiente para mim, porque Ele sabe tudo o que é necessário para que Seu propósito se cumpra em mim, sem a necessidade (muito menos, a possibilidade) de que eu O dirija. Me alegro com Suas palavras: “Pois certamente te salvarei, e não cairás à espada, porque a tua vida te será como despojo, porquanto confiaste em mim” (Jr 39.18).

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Armadilha Mortal

“Ora, a serpente era o mais astuto de todos os animais selvagens que o Senhor Deus tinha feito... Disse a serpente à mulher: ... no dia em que dele comerem, seus olhos se abrirão, e vocês serão como Deus, conhecedores do bem e do mal" (Gn 3). Em outras palavras, Satanás estava dizendo: “Vocês têm direitos! Vocês são filhos do Rei! Não são pouca coisa, não! Onde está a dignidade de vocês? Vocês são muito mais dignos do que aparentam! Vocês são a imagem do próprio Deus, iguais a Ele!”.

Alguém pode dizer que nunca „ouviu‟ essas palavras, lá no seu íntimo? Se você pode dizer que nunca as ouviu, cuidado! Há um laço sob seus pés, que será puxado e apertado a qualquer momento! Satanás só pode agir com a permissão de Deus, mas Este usa aquele para nos

aperfeiçoar, para provar nossa fé para nós mesmos, para desviar os que são reprovados, enfim, para cumprir Seus propósitos.

Desde o começo, Satanás tentou, com êxito, arruinar a relação pura e direta entre o homem e Deus. Após nossa queda, ele continuou, com muito êxito, a nos afastar do 22

Caminho da reconciliação com Deus. Ele continuou a nos ensinar a sermos soberbos! Ele e nós perdemos o

relacionamento de Pai e filhos, entre Deus e nós, por causa da soberba. E este continua sendo o caminho da separação, mesmo depois da obra perfeita de Cristo, porque esse é o caminho inverso àquele que Jesus construiu.

É fácil para Satanás manter aqueles que ainda não conhecem a Cristo longe de Deus, através da soberba. É o que se vê por todo o mundo, através de toda a História! No afã de serem superiores aos outros, os homens se odeiam e se matam. O rico quer ser ainda mais rico, não para desfrutar de um maior conforto, que sua riqueza inicial já poderia satisfazer, mas para se sentir superior, mais rico do que alguém específico, ou do que todas as outras pessoas. Nações entram em guerra com outras, não pelas questões ideológicas que propagam, mas para agregar ainda mais territórios aos seus e/ou demonstrarem sua superioridade. O empregado entra em competição com seus colegas, para provar que ele é o mais eficiente. A dona de casa explica sua receita para outra mulher, não para que esta aprenda, mas para mostrar a todos que ela é a melhor cozinheira, superior à „rival‟. E, assim, todos seguem formando „inimigos‟ o tempo todo, porque a soberba de cada um não permite que exista algo ou alguém superior a si mesmo!

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Mas Deus Se revela a todas as pessoas! Todas, sem exceção, recebem orientação do Espírito de Deus, sobre o Caminho certo a seguir. E é aí que Satanás começa a ter trabalho! Ele precisa „roubar a semente‟, antes que ela germine. Ele precisa „secar‟ a pequena planta, caso a semente consiga germinar. Ele precisa „sufocar‟ a grande planta, caso ela consiga crescer. Ele precisa „impedir‟ que os frutos nasçam, caso a planta se transforme em árvore. E ele encontrou um caminho que facilita seu trabalho, uma grande arma, que ele usa com todos que querem se reconciliar com o Senhor: a religiosidade! Esta, nada mais é do que o uso da soberba, toda vez que deveríamos negarmo-nos a nós mesmos!

Na medida em que as pessoas aprendem a Palavra de Deus, Satanás faz uso dela, às vezes com sutis alterações, às vezes levando-nos a aplicá-la de forma errada. Diante de Jesus, no deserto, ele usou a Palavra corretamente, mas tentando levar Jesus a fazer um uso indevido dela. E é assim que ele faz conosco, quando percebe que alterar a Palavra não surte mais efeito em nós. Mas, diferentemente de Jesus, muitos de nós temos sucumbido a essa armadilha mortal. E uma das questões que ele mais faz uso é a da santificação.

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Todos os nossos pecados estão relacionados à nossa carne: vícios, luxúria, medo, exceto a soberba. Esta é de origem demoníaca, infernal. Já que a santificação, a

purificação dos pecados, é tratada extensamente na Palavra de Deus, a maior „sacada‟ de Satanás foi usar a soberba como princípio para alcançá-la, em vez da divinamente indicada submissão à obra do Espírito Santo de Deus! Ele fez o homem pensar que a santificação é uma obra que cabe a si mesmo, por ser digno e totalmente capacitado a efetuá-la.

Aqui entra a sutileza e a sagacidade de Satanás: levando o homem a pensar dessa forma, ele tenta anular por completo a obra de Jesus! Infelizmente, ele tem obtido sucesso com muitas pessoas. É muito comum vermos pessoas se esforçando e conseguindo vencer um vício, como tabagismo, alcoolismo, drogas, por terem se tornado cristãs. No entanto, muitas delas não vencem tal vício por amor a Jesus. No momento de sua conversão, lhes é dito que “agora vocês fazem parte de um grupo onde tais coisas não são praticadas”. E é esta inclusão em um grupo „especial‟, de pessoas „especiais‟, que move muita gente! É pura soberba de se achar digno de pertencer a uma comunidade que é superior ao restante da sociedade, principalmente por conta de sua santidade!

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E o pior é que a coisa não para por aí: depois de „vencer‟ a concorrência da sociedade em geral, é necessário vencer a concorrência interna no grupo! E o diabo continua soprando nos ouvidos das pessoas: “Você é muito especial! Deus ama você, porque você „é o cara‟! Quanto mais você se esforçar, mais Ele vai amar você, porque você será superior a esses seus irmãos! Agora que você deixou de fumar, de beber, de usar drogas, de olhar com desejo para as outras pessoas, você precisa mostrar que é mais santo que todos! Quando entrar em uma reunião de oração, faça cara de piedoso. Mostre que você está envolvido com aquilo! É fácil: nem precisa estar pensando em Deus, é só mostrar um semblante triste! Diga a algumas pessoas, discretamente, que você tem jejuado muito, que você tem orado muito, que tem lido muito a Bíblia! E não se esqueça de fazer um ar de pesar, quando alguém disser que não faz essas coisas como você! Exija que se leia a Palavra em pé, para que as pessoas saibam que você respeita a Deus muito mais do que elas respeitam!”.

Tudo isso tem a soberba como combustível, não o amor a Deus, não o reconhecimento do poder transformador do Espírito de Cristo! Assim, as pessoas „vencem‟ seus erros por acharem que sua dignidade está muito acima delas e, principalmente, muito acima das outras pessoas! Elas caem nessa grande armadilha de Satanás, de trocarem uma 26

espinha no rosto por um câncer violento, que corrói toda e qualquer possibilidade de haver amor a Deus e às outras pessoas, de haver verdadeira felicidade e de haver alguma chance de bom senso! A imagem da perfeição de si mesmas as cega totalmente!

Apesar disso, essas pessoas declaram crer em Deus e se consideram santas! Mas esse Deus, no qual dizem crer, é imaginário! Elas dizem que não são nada diante dele, com pretensa humildade, mas, em seu íntimo, passam o tempo todo pensando no quanto ele as aprova e as considera superiores às outras pessoas comuns! E nem percebem que foi a elas mesmas que o Senhor disse: “Nunca as conheci! Apartem-se de Mim!”.

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A Soberba e o Pecado Mortal

“Disse

a

serpente Deus

à

mulher: que, no

„Certamente dia em que

não dele

morrerão!

sabe

comerem, seus olhos se abrirão, e vocês serão como Deus, conhecedores do bem e do mal‟" (Gn 3.4-5)

E, então, “quando a mulher viu que a árvore parecia... desejável para dela se obter discernimento” e que, portanto, se tornaria igual a Deus, ela deixou de crer que Deus era o Pai Criador, passou a achar que ela se tornaria uma deusa, com poder sobre sua própria vida e sobre todas as coisas, e seu marido concordou com ela e pensou o mesmo sobre si.

A SOBERBA

A soberba do homem gera incredulidade, que, por sua vez, gera a morte do homem.

Muitos “apedrejam” Adão e Eva, por terem provocado a queda do homem e suas terríveis consequências, que observamos em nosso dia a dia, onde o mal parece prevalecer. No entanto, ao longo de nossas vidas, todos nós 28

mostramos que faríamos o mesmo que eles. Afinal, antes de darmos permissão para que o Espírito Santo aja em nossa vida, moldando o nosso caráter, nos aperfeiçoando, sempre agimos com a mesma soberba do primeiro casal.

Desde cedo, queremos ser o centro das atenções, queremos ser adorados por nossas qualidades e

capacidades. Queremos ser deuses! Da pessoa mais famosa à mais desconhecida, da mais poderosa à menos favorecida, todos agimos com soberba, senão em tudo, pelo menos, em alguma área de nossa vida.

Há muitos exemplos disso em todas as esferas da vida: quando crianças, queremos que todos pensem que somos o melhor filho, o melhor aluno, o melhor esportista, a criança mais sábia, a mais espetacular! Por quê? Porque queremos ser adorados como deuses! É como se

quiséssemos que todos se curvassem diante de nós, reconhecendo nossa grandeza. Mesmo crianças “quietinhas”, que não participam da folia das outras crianças, estão chamando atenção para si, querendo que todos reconheçam sua maturidade precoce, ou que são coitadinhas tratadas injustamente e que, na verdade, são merecedoras de um tratamento muito superior ao que têm, porque são muito superiores ao que parecem ser. 29

Ao

longo

dos

anos,

essa

atitude

vai

sendo

aperfeiçoada, mediante a experiência de vida, que mostra quais caminhos são mais eficientes para essa conquista. Então, se chega à fase adulta com uma “personalidade” formada: alguns fingem humildade, sentindo pena de si mesmos por não terem alcançado o patamar de vida que pensam merecer, afinal, são deuses! Estas pessoas tentam convergir para si a atenção e a adoração de todos, por parecerem frágeis e discriminadas, quando deveriam ser o centro do universo.

Outros se esforçaram de tal forma, que conseguiram se destacar na atividade que escolheram para serem superiores. Estes, não mediram esforços, ao longo de suas vidas, para atingirem seu objetivo de serem adorados como deuses! Afinal, o que leva alguém a querer ser o melhor em alguma coisa? É para o bem comum? É para benefício dos outros? Não, nunca! É para benefício próprio, para ser adorado, reconhecido como o superior!

Em todas essas coisas, o ser humano experimenta da sua própria árvore do conhecimento do bem e do mal. Em todas essas coisas, o ser humano crê que sua atitude, sua opção de vida, seu próprio esforço, o tornará semelhante ao 30

Altíssimo. Em todas essas coisas, o ser humano deixa de crer na Palavra do Senhor: “Eu sou o Senhor, teu Deus Pai e Criador! Não há outro deus semelhante a Mim!”. E esta incredulidade gera a morte!

O PECADO MORTAL

João disse: “Há pecado que leva à morte” (1Jo 5.16). E é bem provável que, ao dizer isto, ele se reportava à palavra de Jesus: “Por esse motivo eu lhes digo: todo pecado e blasfêmia serão perdoados aos homens, mas a blasfêmia contra o Espírito não será perdoada. Todo aquele que disser uma palavra contra o Filho do homem será perdoado, mas quem falar contra o Espírito Santo não será perdoado, nem nesta era nem na era que há de vir” (Mt 12.31-32).

Aqui, o Senhor está dizendo que existe um pecado que, inevitavelmente, levará à morte, quando cometido. Mas, se Jesus morreu por nossos pecados, se é Ele que nos purifica e lança para trás de Si toda a nossa iniquidade, como pode haver, ainda, uma possibilidade de cometermos um erro que não permita que sejamos salvos?

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Voltando no tempo, vemos o Espírito Santo afirmar através de Joel: “derramarei o meu Espírito sobre toda a carne... até sobre os servos e sobre as servas derramarei o meu Espírito naqueles dias” (2.28-29). Era uma profecia sobre o final dos tempos, mas Pedro, em seu primeiro discurso, afirmou que ela já começava a se cumprir naquele momento, naquele dia de Pentecostes.

Isto quer dizer que o Espírito do Senhor está junto de todas as pessoas, de todos os povos, do mundo inteiro. E sabemos da função do Espírito: “lhes ensinará todas as coisas e lhes fará lembrar tudo o que eu lhes disse”; “convencerá o mundo do pecado, da justiça e do juízo”; “ele os guiará a toda a verdade”; “lhes anunciará o que está por vir”; “receberá do que é meu e o tornará conhecido a vocês”, assim como a distribuição de dons para a Igreja. E Isaías esclarece como o Espírito fala com as pessoas: “Quer você se volte para a direita quer para a esquerda, uma voz atrás de você lhe dirá: „Este é o caminho; siga-o‟" (30.21).

Em outras palavras, o Espírito Santo orienta a todas as pessoas, em todo o tempo. Em todas as opções que o ser humano está para escolher, o Espírito lhe diz qual o caminho certo a seguir. Ele sempre torna conhecida a vontade de Deus para a pessoa, a cada passo no caminho da vida. 32

Podemos, até, tomar a ilustração dos desenhos animados e dos filmes, onde aparece um “anjinho” e um “diabinho” falando aos ouvidos da pessoa, como uma figura do que realmente acontece. Podemos tomar esse “anjinho” como figura do Espírito de Deus nos falando qual a Sua vontade diante da situação em que nos encontramos. A diferença é que Ele fala ao nosso coração, não aos nossos ouvidos.

É aí que cometemos o pecado mortal, ao qual Jesus Se referiu: inúmeras vezes, blasfemamos contra o Espírito! Blasfemar é ultrajar, insultar a divindade. É isto que fazemos, quando não seguimos a orientação do Espírito de Cristo, porque preferimos comer do fruto da nossa árvore do conhecimento do bem e do mal, ao invés de concordarmos com o verdadeiro Conhecimento Infinito! Isto é nos

fazermos Deus a nós mesmos! Isto é não crer na palavra de Jesus; é não crer que o Espírito Santo tenha o poder para nos ensinar todas as coisas; é não crer que Ele é o próprio Deus! E esta incredulidade gera a morte!

Como reconhecer a voz do Espírito? Jesus disse que o Espírito Santo receberia do que é dEle e o ensinaria a nós. Também disse que Ele convenceria o mundo do pecado, da justiça e do juízo. Então, a cada passo que damos, no dia chamado „hoje‟, o Espírito nos ensina como o Senhor agiria e 33

nos indica o caminho a seguir: imitá-lO! E, sempre, de acordo com a Palavra de Deus, da mesma forma que Jesus o fez. Ele também nos convence do pecado que cometeríamos ao termos, de nós mesmos, um conceito mais elevado do que deveríamos ter (Rm 12.3); nos convence do pecado que é a nossa soberba, a qual nos entrega à vã idolatria de nós mesmos. E “os que se entregam à idolatria vã abandonam aquele que lhes é misericordioso” (Jn 2.8).

Esta é a forma de Jesus bater à nossa porta: através do Seu Espírito! Concordar com Ele, aplicar Seus ensinos à nossa vida e reconhecer que só Ele é Deus, nos leva à vida! Por outro lado, blasfemar contra o Espírito de Cristo, não aceitando Seus ensinos e não reconhecendo que Ele é o próprio Deus, nos leva à morte!

“Eis que estou à porta e bato; se alguém ouvir a minha voz e abrir a porta, entrarei em sua casa e cearei com ele, e ele, comigo” (Ap 3.20).

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A Libertação do Pecado

O Senhor nos diz: "Venham a mim, todos os que estão cansados e sobrecarregados, E EU LHES DAREI DESCANSO. Tomem sobre vocês o meu jugo E APRENDAM DE MIM, pois sou manso e humilde de coração, E VOCÊS ENCONTRARÃO DESCANSO PARA AS SUAS ALMAS. Pois o meu jugo é suave e o meu fardo é leve" (Mt 11). “Eu pedirei ao Pai, e ELE LHES DARÁ OUTRO CONSELHEIRO PARA ESTAR COM VOCÊS PARA SEMPRE, O ESPÍRITO DA

VERDADE. O mundo não pode recebê-lo, porque não o vê nem o conhece. Mas vocês o conhecem, pois ELE VIVE COM VOCÊS E ESTARÁ EM VOCÊS. Mas o Conselheiro, o Espírito Santo, que o Pai enviará em meu nome, LHES ENSINARÁ TODAS AS COISAS e lhes fará lembrar tudo o que eu lhes disse. Deixo-lhes a paz; a minha paz lhes dou” (Jo 14). “Que a paz de Cristo SEJA O JUIZ EM SEUS CORAÇÕES, visto que vocês foram chamados a viver em paz, como membros de um só corpo” (Cl 3). “Quando o Espírito da verdade vier, ELE OS GUIARÁ A TODA A VERDADE. Não falará de si mesmo; falará apenas o que ouvir, E LHES ANUNCIARÁ O QUE ESTÁ POR VIR” (Jo 16).

E a Palavra ainda nos diz mais: “Ele se entregou [Cruz] por nós A FIM DE NOS REMIR DE TODA A MALDADE e 35

PURIFICAR PARA SI MESMO UM POVO PARTICULARMENTE SEU, dedicado à prática de boas obras” (Tt 2). “Cristo amou a igreja e entregou-se a si mesmo [Cruz] por ela PARA SANTIFICÁ-LA, TENDO-A PURIFICADO pelo lavar da água mediante a palavra, e APRESENTÁ-LA A SI MESMO COMO IGREJA GLORIOSA, mas sem mancha E nem ruga (Ef ou 5). coisa “Se

semelhante,

SANTA

INCULPÁVEL”

confessarmos os nossos pecados, ELE É FIEL E JUSTO PARA PERDOAR os nossos pecados E NOS PURIFICAR DE TODA INJUSTIÇA” (1Jo 1).

Amados,

todas

essas

passagens

querem

dizer

exatamente o que dizem: que o próprio Senhor Jesus nos chama a Ele e providencia, através de Seu Espírito, a nossa purificação, a nossa santificação. Quando Ele diz que o Espírito luta contra a nossa carne, para que a gente não faça o que, porventura, deseja fazer (Gl 5), Ele está dizendo que é Ele mesmo Quem opera a nossa santificação. E Ele acrescenta que Ele próprio é a nossa santificação (1Co 1).

Jesus veio e consumou a obra da Cruz, porque “aquilo que a lei fora incapaz de fazer por estar enfraquecida pela carne, Deus o fez, enviando seu próprio Filho, à semelhança do homem pecador, como oferta pelo pecado. E assim condenou o pecado na carne, a fim de que as justas 36

exigências da lei fossem plenamente satisfeitas em nós, que não vivemos segundo a carne, mas segundo o Espírito” (Rm 8). Em outras palavras, nem mesmo a perfeita Lei de Deus é capaz de nos levar à santificação, sem a qual não veremos o Senhor! Muito menos, leis que procedem de homens o farão! Somente o Espírito de Deus pode fazer essa obra!!!

“Mas como pode ser isto? Como que o Espírito Santo vai mudar alguma coisa em mim?”, perguntam alguns. “Se eu não derrotar o pecado que existe em mim, nunca chegarei ao Senhor!”, declaram outros. “Tudo bem, têm coisas que só o Espírito pode fazer, mas muitos pecados sou eu que devo derrotar!”, exclamam ainda outros.

Amados, se pudéssemos derrotar algum pecado em nós, conseguiríamos derrotar qualquer pecado, bastando, para isto, a aplicação diferenciada de esforço próprio! E, assim, o único caminho que leva a Deus seria a obediência a leis, não Jesus! “Aaahhh, mas Jesus veio em socorro dos fracos e oprimidos. Os outros podem e devem lutar contra o pecado e vencê-lo!”, alguém poderia argumentar. Mas isto seria verdade? É o que diz a Palavra da infinita sabedoria de Deus? Não! Ela diz: “Mas agora, SEM LEI, se manifestou a justiça de Deus testemunhada pela lei e pelos profetas; justiça de Deus mediante a fé em Jesus Cristo, para todos 37

{e sobre todos} os que creem; porque NÃO HÁ DISTINÇÃO, pois todos pecaram e [TODOS] CARECEM da glória de Deus” (Rm 3).

O grito desesperado de Paulo ecoa através dos séculos, no coração de cada pessoa: “Desventurado homem que sou! Quem me livrará do corpo desta morte?” (Rm 7). Esta é a constatação inequívoca de que ninguém consegue se livrar do pecado, se não for pelo poder do Espírito Santo! Não adianta dizermos “tem misericórdia de mim, Senhor, que eu Te pagarei todas as minhas dívidas contigo!”, porque esta é a declaração de uma mente insana que desconhece o real valor dessas dívidas e, pior ainda, desconhece a sua própria condição miserável de incapacidade de vencer o pecado!

Jesus disse que não adianta nós dizermos que não matamos, não adulteramos, não cobiçamos, porque esses pecados estão entranhados em nós, muito antes de serem ou não cometidos de fato! Este é o grande problema humano diante do pecado: não reconhecer que ele está dentro da pessoa, ainda que esta faça um esforço sobrehumano para não cometê-lo de fato, de forma aparente! E o não reconhecimento disto impede o arrependimento, pois a pessoa se considera justa e justificada pelo seu esforço de 38

não cometer aquilo que está enchendo a sua mente, o seu coração! E sem arrependimento não há salvação!

Enquanto nós dissermos que estamos no controle, que só precisamos de mais um tempinho, mais um pouco de esforço para eliminar um pecado, estaremos nos enganando e impedindo que o Espírito Santo atue na nossa plena purificação. O Espírito de Deus só age em nós, quando entregamos totalmente a Ele a responsabilidade de nos libertar do pecado. Sem isto, Ele deixa que façamos do nosso jeito, na nossa força, até chegarmos ao

arrependimento de nossas obras mortas (esses esforços) e à confissão da nossa incapacidade de vencermos. Até isto acontecer, nós lutamos e caímos, lutamos e caímos, e chegamos a desesperar de nossa própria vida. Chegamos a pensar que a santificação é algo inatingível e que nunca veremos a Deus. É nesta hora que gritamos: “Miserável homem que sou!! Quem me livrará do corpo desta morte??”.

Então o Espírito Santo responde: “Graças a Deus, por Jesus Cristo!”. Aí, Ele entra no assunto e assume o controle total. Começa a grande luta contra a nossa carne. Enquanto Ele não vence definitivamente esta luta, Ele providencia para que nossos meios de cometer o pecado sejam cada vez mais enfraquecidos, até não existirem mais, ou que eles sejam 39

usados somente para o bem, jamais para pecar. Ao mesmo tempo, Ele age nas próprias circunstâncias de nossa vida, para que não tenhamos mais a oportunidade para pecarmos. Isto Ele faz impedindo que haja a ocasião propícia, ou nos fazendo ter nojo, até mesmo raiva, do objeto do nosso pecado, ou ainda, colocando pessoas próximas de nós, diante das quais somos impedidos de pecar, por pura vergonha. Sua ação nos meios e nas oportunidades, claro, só dura o tempo necessário para Ele extirpar definitivamente o pecado da nossa carne.

Alguém, verdadeiramente

cristão, fica

planejando

matar ou adulterar? Absolutamente, não! Mas você acha que não planeja matar ou adulterar, porque é obediente à Lei, ou porque pensa que agrada a Deus não fazendo tais coisas? Se é isto que você acha, saiba que você não está purificado desses pecados! Você não mata, ou não adultera, por medo das conseqüências desses atos! Isto quer dizer que seu coração não está verdadeiramente limpo e que depende da ação do Espírito nele. Você está suscetível a cometer esses atos, bastando que você tenha, ao mesmo tempo, motivos, os meios e a oportunidade para isso!

Imagine que você se encontre diante de uma pessoa que acabou de espancar alguém que você ama muito. Essa 40

pessoa ainda tem sangue, daquele que você ama, em suas mãos. Vocês estão em um lugar ermo, sozinhos, e você tem um porrete em suas mãos. Você sabe que essa pessoa já fez isso antes e que, certamente, continuará fazendo. É aquela pessoa que chamamos de incorrigível. Você está com raiva dela, tem os meios e a oportunidade de dar uma porretada nela. Você o fará? Mas seja sincero(a)! Talvez este exemplo não seja aquele que mexe com você. Então, imagine aquela pessoa de quem você já sentiu raiva, em algum momento, e imagine você diante dela, tendo os meios e a oportunidade para lhe dar um bom “corretivo”. Sinceramente, você o faria?

O mesmo vale para o adulterar. Você já se imaginou na situação de José, que nos é apresentada na Bíblia? Você, diante de uma pessoa que ativa toda a sua libido... ninguém por perto e ninguém por chegar nas próximas horas... seu cônjuge já não desperta todo aquele interesse em você, ou, talvez, você esteja sozinho(a) há muito tempo (não seria adultério, mas fornicação)... Talvez, só em ler estas palavras e imaginar uma situação, você já sinta algo aquecendo dentro de você... Então, você acha que não cometeu esse pecado, até agora, por ser obediente à Lei e, por isto, tem agradado ao Senhor?

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Meus amados, saibam que, se vocês não cometeram esses pecados (ou outros) ainda, foi porque o Espírito de Deus os impediu, não dando a oportunidade propícia para isso, ou não lhes dando os meios para isso, enquanto Ele opera, em seu coração, a libertação total do pecado! E, se vocês já cometeram, foi porque vocês disseram que eram fortes o suficiente para resolver o problema do pecado e nunca cometê-lo! No momento da provação, caíram, porque confiaram em si mesmos, não no poder do Espírito de Deus! Confiando nEle, enquanto seu coração não estivesse

totalmente liberto, Ele não permitiria que você tivesse meios ou oportunidades para cometer o pecado! Isto é fato! Isto é real! Creiam! Não diminuam o poder do Espírito de Cristo! Não apaguem o Espírito!

Crer nisto e viver desta forma é colocar nossas vidas nas mãos do Senhor. Mas não podemos esquecer, nunca, que o tempo de Deus não é o nosso tempo! Ele faz a obra de purificação em nós, sim, mas a Seu tempo. E, talvez, a não compreensão deste fato é que esteja levando tantas pessoas a pensarem que precisam, que devem, se santificar na sua própria força. Mas isto é impossível! Paulo disse que queria fazer o bem, mas acabava fazendo o mal que estava entranhado nele. Você se acha mais “santo” que Paulo, ou mais forte do que ele? Não! Isto acontece com todas as pessoas! E a mesma solução que ele encontrou está à 42

disposição de todos: Jesus! Ele, através de Seu Espírito, é a única possibilidade que temos de alcançar a libertação do pecado!

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Examinem-se

“Examinem-se para ver se vocês estão na fé; provemse a si mesmos. Não percebem que Cristo Jesus está em vocês? A não ser que tenham sido reprovados!” (2Co 13.5)

Esta é a recomendação feita à toda a Igreja: um autoexame constante, diário, porque somos ordenados a viver um dia de cada vez. Assim, precisamos verificar o estado de nossa fé diariamente. Deus nos transforma, de glória em glória, à imagem de Seu Filho, pelo Espírito (2Co 3.18). Isto quer dizer que a verdadeira fé salvadora sempre traz uma mudança na conduta, no coração daquele que exercita a fé, e essa transformação se desenvolve a cada dia.

Se o fato de nos examinarmos conscientemente permite sabermos se estamos andando em fé ou não, então Paulo está nos indicando duas coisas, aqui, em relação à fé: quando ele diz para nós nos examinarmos, ele nos indica que é necessário termos uma convicção em nossa mente, de que a verdade pregada deve ser aplicada em relação a nós, que deve atuar na nossa conduta. E ele também diz que 44

essa verdade, que ouvimos na pregação da Palavra, precisa gerar uma mudança correspondente no coração. Isto quer dizer que, quando o homem é convencido pela pregação e admite a verdade em relação a si mesmo, então ele deve aplicar esta verdade em sua própria vida, gerando mudança na sua conduta.

As pessoas podem ouvir belos sermões sobre o plano de salvação, sobre o caráter e a soberania de Deus e, até, ficarem maravilhadas com a glória e a excelência mostradas. Elas podem até aplaudir com entusiasmo e pensarem que têm fé. Mas, na verdade, elas não têm nem um pingo de fé salvadora, porque até os demônios agem assim, desde que não tenham que aplicar essa verdade em suas próprias vidas.

Essas pessoas (e os próprios demônios) veem o Evangelho como verdade, mas não o aprovam, porque ele interfere diretamente no seu egoísmo. Passam a odiar a Deus e se rebelam contra Ele, porque Deus, o seu Criador, está totalmente em oposição a esse seu egoísmo. Então, essas pessoas aceitam o Evangelho como verdade, se alegram em ouvir certas pregações e chegam até a dizer que estão sendo alimentadas por elas. Mas, depois, vão embora e não aplicam em suas vidas aquilo que ouviram. 45

Tiago também comenta sobre isto: "Sejam praticantes da palavra, e não apenas ouvintes, enganando-se a si mesmos" (Tg 1.22). Em outras palavras, ele está dizendo que qualquer um que não pratica aquilo que admite ser verdade, engana a si mesmo.

E, amados, essas coisas estão sendo ditas para pessoas que carregam o nome de cristãs. Mas a Palavra comprova que tais pessoas são, na verdade, hipócritas. Algumas são hipócritas por tentarem enganar aos outros, como os fariseus faziam, através de sua religiosidade, suas longas orações, seus jejuns, seus dízimos e diversas outras coisas que possam tornar públicas. Outras, como diz Tiago, são hipócritas por enganarem a si mesmas, pensando que são boas cristãs, mas sem buscarem a santificação em Cristo Jesus e sem praticarem os preceitos básicos da Palavra.

Tanto Paulo, quanto Tiago, indicam que a verdadeira fé vai resultar em boas obras. Mas essas boas obras não são o cumprimento da lei, pura e simplesmente. Ambos apontam para o cumprimento da essência da lei, como disse Jesus, que é, primeiramente, a transformação do íntimo da pessoa,

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fazendo com que ela tenha prazer em exercitar justiça, misericórdia e fé (Mt 23.23).

Nossa grande dificuldade, atualmente, tem sido a de definir o que é andar em fé. Temos nos deixado levar por doutrinas e preceitos humanos, ao invés de imitar ao povo de Beréia e buscar nas Escrituras, para saber se as coisas são realmente assim. Também não temos orado para que o Espírito Santo nos ensine qual seja a perfeita vontade de Deus para as nossas vidas. Desta forma, permitimos sermos manipulados por pessoas que não têm o Espírito de Cristo e que nos levam a cumprir fetiches religiosos, como se fossem demonstrações de fé.

Já que “Toda a Escritura é inspirada por Deus e útil para o ensino, para a repreensão, para a correção, para a educação na justiça, a fim de que o homem de Deus seja perfeito e perfeitamente habilitado para toda boa obra” (2Tm 3.16-17), certamente, ela também nos ensina sobre o andar em fé:

Jesus disse: “Se alguém quer vir após mim, a si mesmo se negue, tome a sua cruz e siga-me” (Mt 16.24). Na sequência, o Senhor diz que essa atitude é que vai

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resultar na salvação da alma da pessoa. Ele está dizendo que, para seguir a Jesus (andar, viver por fé), existem condições e que, sem cumprir essas condições, ninguém alcançará a salvação de sua própria alma. Ele diz que as pessoas que tentarem salvar suas próprias vidas, ou seja, insistirem em satisfazer o seu próprio “eu” (v. 25), não se salvarão da condenação do inferno. Por outro lado, quem abrir mão da satisfação de seus desejos pessoais (a si mesmo se negar), será salvo dessa condenação e viverá eternamente junto ao Deus Pai e Criador.

Amados, o que o Senhor Jesus está dizendo é muito simples, porém, é extremamente difícil de ser cumprido por nós. É difícil, porque se trata de nossa morte, não física, mas espiritual. Para nos negarmos a nós mesmos,

precisamos fazer morrer a nossa natureza, que sempre busca o nosso próprio bem-estar, através de conforto e satisfação emocionais e físicos. Nossa natureza também nos leva a satisfazer a nossa soberba, aquela que nos faz pensar que somos merecedores de tudo do bom e do melhor, que somos superiores a tudo e a todos, e que somos capazes de fazer qualquer coisa, inclusive de cumprirmos preceitos (religiosidades) que nos deem direito à salvação.

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O que o Senhor está dizendo, em outras palavras, é que devemos nos arrepender de termos vivido, até este momento, achando que somos soberanos sobre nossas próprias vidas, e que devemos nos aproximar, em

humildade, do Senhor, para fazermos um concerto definitivo com Ele!

O Senhor Deus nos dirá: “Meu amado, estou feliz por você ter ouvido e ter atendido à Minha Palavra. Estou feliz por você ter recebido o Meu Evangelho e ter perseverado para entrar em Minha Presença. Agora, quero fazer um concerto com você, mas é necessário que você concorde com algumas coisas, a fim de que você esteja, a partir de agora e por toda a eternidade, em Minhas mãos”.

“Em primeiro lugar, amado, entregue-Me essa sua religiosidade, essa sua idéia de que pode fazer coisas como cumprir regras e leis, ou fazer boas obras, para se justificar e Me agradar. Essas coisas, da forma e com a intenção que são feitas, são imundas e fétidas para Mim. Coloque isso aos pés da Cruz do Meu Cristo e lhe darei a JUSTIFICAÇÃO em Jesus”.

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“Entregue-Me também essa sua tentativa inútil de se santificar através do seu esforço próprio, da sua própria capacidade que, na verdade, não o santifica de nada, apenas esconde no seu íntimo aquilo que deveria ser arrancado de você, e lhe dou a SANTIFICAÇÃO definitiva em Cristo Jesus”.

“Por último, filho Meu, Me entregue todos os seus sonhos, seus desejos, seus planos, que eu lhe dou o próprio Cristo para viver em você”.

Evidentemente, não podemos afirmar que o apóstolo Paulo, por exemplo, tenha tido esse diálogo com o Senhor, mas sabemos que, em certo momento, ele afirmou

confiantemente: “Estou crucificado com Cristo; logo, já não sou eu quem vive, mas Cristo vive em mim” (Gl 2.19-20).

Esta declaração nos mostra que o apóstolo passou pelo processo de crucificação com Jesus, onde o seu próprio “eu” foi morto definitivamente. Isto significa que ele aplicou em sua vida o fato de que apenas Jesus é “sabedoria, e justiça, e santificação, e redenção” (1Co 1.30).

Crer nisso e aplicar isso em nossas vidas é o verdadeiro “andar em fé”. 50

Obediência

Em todos os lugares, tenho escutado: “O crente tem que obedecer!”. Aí, percorro a maravilhosa Palavra de Deus e constato que isso é uma verdade fundamental a respeito da vontade de Deus para o homem. Mas, será que a declaração que tenho ouvido está em conformidade ao que diz o Senhor?

Tremo ao pensar que o homem tem uma facilidade inata para modificar aquilo que realmente foi dito a ele. Desde o Éden, sabemos que isto acontece. Quando indagada pela serpente se não poderia comer de nenhuma árvore do jardim, Eva respondeu que poderia, sim, comer das árvores do jardim, exceto da árvore do conhecimento do bem e do mal, em cujo fruto não poderia nem tocar.

Mas o Senhor não disse que eles não poderiam nem tocar no fruto daquela árvore. Disse, apenas, que não poderiam comer dele. Esse é o primeiro registro do legalismo humano, do costume de mudar o que realmente foi dito, como meio de ficar mais fácil não cometer erros, não desobedecer. A partir daí, o ser humano sempre procurou modificar a Palavra de Deus, acrescentando, ou 51

retirando algo, com o único fim de ter uma participação ativa em sua própria salvação, sua comunhão com Deus.

Infelizmente, a Igreja, hoje, está contaminada por esse tipo de pensamento. Os homens têm criado suas muralhas em redor da Palavra do Senhor, onde cada tijolo é uma regra, uma lei, que tem por objetivo tornar as pessoas santas e justas por suas próprias obras, por sua fidelidade e obediência a essa lei. Ficar do lado de dentro dessa muralha significa estar salvo. Ficar do lado de fora significa estar condenado. Mas isto anula completamente a justificação e a santificação mediante a fé em Cristo Jesus.

O CAMINHO DE MORTE

Como é dito em Provérbios 14.12, “há caminho que ao homem parece direito, mas ao cabo dá em caminhos de morte”. Muitas coisas se encaixam neste provérbio,

inclusive, essa pretensa santificação pessoal, através da obediência a mandamentos de homens.

Muitos santos, pelo mundo todo, têm sido levados a obedecerem aos preceitos humanos, como se fossem

mandamentos de Deus. Pessoas mal informadas e, até 52

mesmo, mal intencionadas têm deturpado as Escrituras, para manterem sob o seu domínio aqueles que estavam prontos a deixarem o pecado. O mais incrível é que isto acontece, mesmo depois de o próprio Senhor Jesus ter recriminado duramente essa atitude, que era própria dos fariseus, escribas e intérpretes da lei. Em Mateus 23.28, o Senhor fala com eles o que poderia ser dito hoje, para muitas pessoas dentro das igrejas: “Assim também vocês exteriormente parecem justos aos homens, mas, por dentro, estão cheios de hipocrisia e de iniquidade”.

Esse capítulo de Mateus traz uma das mais duras repreensões do Senhor, senão a mais dura, mas, ainda hoje, multidões praticam tudo isso que foi recriminado por Jesus, demonstrando não terem o mínimo temor de Deus. É um tal de „não faça isso‟, „não coma aquilo‟, „não toque nisso‟, „use esta roupa‟, „fique em pé‟, „ajoelhe-se‟, „diga para o irmão ao lado‟, „sorria‟, „pratique línguas estranhas‟, „profetize‟, „faça um propósito‟, „exija seus direitos‟, „determine‟, e outras coisas mais, alegando que tais coisas o santificarão!

Isso contaminou de tal forma a cristandade, que muitos santos já agem de forma legalista, sem perceberem que estão agindo assim. Muitos entram nas igrejas, vão para seus lugares e, imediatamente, colocam em seus rostos uma 53

expressão de piedade. Às vezes, fecham os olhos e movimentam os lábios, como se estivessem desfrutando de grande intimidade com o Pai celestial. Não desconsidero os que agem em verdade e em espírito, mas me refiro àqueles que o fazem para demonstrarem santidade aos que estão à sua volta.

Também é comum as pessoas chorarem durante o louvor, não por serem tocadas pelo Espírito, mas para darem a entender que são. Aproveitam o clima emocional proporcionado por uma melodia e derramam lágrimas, para que todos vejam o quanto são próximas de Deus. De novo, digo que há pessoas que realmente são cheias do Espírito e, por isto, choram ao sentirem sua proximidade com o Deus Criador. Mas muitos são atores e atrizes que deveriam estar no mundo cinematográfico, não na Igreja.

Todas essas coisas, por mais piedosas que pareçam, não santificam ninguém. Os cristãos farão essas coisas, ou não, seguindo suas consciências, que são orientadas pelo Espírito Santo. O Espírito sempre orientará as pessoas a agirem com base nos princípios elementares do cristianismo, de amar a Deus e ao próximo. Impor obediência a essas ordens é legalismo. Na verdade, isso demonstra que legalismo é mais do que a imposição de regras, ou seja, 54

legalismo é um desejo de parecer santo. Ele traz à tona o grande pecado da incredulidade humana na obra

santificadora e redentora de Jesus Cristo, pois leva as pessoas a confiarem em si mesmas, em suas próprias obras.

O que realmente se pratica, obedecendo-se a essas leis humanas, é uma tentativa de completar a obra de Cristo. Anula-se completamente a graça de Deus derramada sobre todos através da cruz do Calvário. E as pessoas que praticam esse legalismo, obedecendo a mandamentos de homens com o fim de parecerem santificadas, são o destino da dura palavra do Senhor: “Serpentes, raça de víboras! Como escaparão da condenação do inferno?” (Mt 23.33).

O CAMINHO DE VIDA

Graças

a

Deus,

nós

temos

à

disposição

outro

caminho: é um caminho apertado, que leva a uma porta estreita, mas é um caminho de vida!

O Senhor Jesus, pela Sua palavra, trouxe todas as coisas à existência. E é pela palavra do Seu poder, que Ele sustenta a existência de todas as coisas. Tudo isto, Ele fez (e ainda faz) com um propósito definido. O Senhor formou o 55

homem.

Na

verdade,

cada

ser

humano

é

formado

individualmente por Deus. E Ele tem um propósito definido, ao fazer isto. Isso quer dizer, claramente, que há um propósito divino na existência de cada ser humano e cabe a cada um de nós descobrir qual é o propósito de Deus para nossa vida.

“Que fazer, pois, irmãos? Quando vocês se reúnem, um tem salmo, outro, doutrina, este traz revelação, aquele, outra língua, e ainda outro, interpretação. Seja tudo feito para edificação” (1Co 14.26). Paulo está nos dizendo que todos os cristãos têm dons, dados pelo Espírito Santo, para edificação da Igreja. Neste capítulo de sua primeira carta aos coríntios, ele dá instruções sobre a ordem a ser adotada nas igrejas, porém, na maioria das igrejas, essas instruções não têm sido obedecidas. Em uma época na qual se fala tanto em obediência, um princípio básico não tem sido obedecido. O que o apóstolo nos revela, aqui, é

completamente diferente da liturgia adotada por quase todas as igrejas, atualmente. Paulo fala sobre a participação ativa de cada crente em suas reuniões (cultos). Ele não está falando sobre participar como uma marionete nas mãos de quem está, supostamente, investido de alguma autoridade, ou seja, os líderes. Ele não está dizendo: “Vocês devem fazer tudo aquilo que os que estiverem à frente do trabalho mandarem: vocês devem sorrir, quando mandarem sorrir; 56

cantar, quando mandarem cantar; repetir frases prontas, quando mandarem repetir; se abraçar, ajoelhar, levantar, bater palmas, quando mandarem fazer estas coisas!”.

Absolutamente! O apóstolo está se referindo a cada um dos crentes exercitar seus dons em benefício da Igreja. Ele está falando de reuniões onde as pessoas querem tanto receber edificação, quanto edificar. Ele fala sobre pessoas santificadas pelo Espírito, cada uma no estágio já alcançado, não sobre pessoas que querem mostrar que são santas. Ele fala de pessoas que já descobriram que Deus tem um propósito para a vida de cada um e que permitem que o Espírito Santo conduza suas vidas. Ele também fala de reuniões que têm por objetivo a comunhão com Deus e com os irmãos na fé. Não são reuniões para as pessoas se justificarem diante de Deus e dos homens, mas para declararem a sua justificação em Jesus Cristo, mediante a fé.

Essas instruções de Paulo mostram que o todo, que é formado por indivíduos, vai exercer uma influência santa sobre cada indivíduo. E, mais do que influência sobre os crentes, será uma influência sobre os incrédulos que terão contato com esses santos. Paulo diz que, quando “entrar algum incrédulo ou indouto, é ele por todos convencido e por 57

todos julgado; tornam-se-lhe manifestos os segredos do coração, e, assim, prostrando-se com a face em terra, adorará a Deus, testemunhando que Deus está, de fato, no meio de vocês” (1Co 14.24-25).

Essa influência da Igreja sobre os incrédulos também é abordada pelo Senhor Jesus: “Nisto conhecerão TODOS que vocês são meus discípulos: se tiverem amor uns aos outros” (Jo 13.35). Vejam o alcance que terá a manifestação do amor entre os cristãos: todas as pessoas saberão que somos verdadeiros seguidores de Cristo. Certamente, é assim que santificamos a Cristo e que as pessoas serão levadas a quererem conhecer qual é a “razão da esperança que há em vocês [nós]” (1Pe 3.15).

Na verdade, este é o primeiro e grande mandamento do Senhor e, também, o segundo: “Respondeu-lhe Jesus: Amarás o Senhor, teu Deus, de todo o teu coração, de toda a tua alma e de todo o teu entendimento. Este é o grande e primeiro mandamento. O segundo, semelhante a este, é: Amarás o teu próximo como a ti mesmo. Destes dois mandamentos dependem toda a Lei e os Profetas” (Mt 22.37-40 – grifos meus). Ora, onde há mandamento, há expectativa de obediência a ele. Se o Senhor nos diz que amar é o grande mandamento, certamente Ele espera que 58

amemos. Mas como podemos obedecer a tal mandamento, se o próprio Senhor Jesus disse que “do coração procedem maus desígnios, homicídios, adultérios, prostituição, furtos, falsos testemunhos, blasfêmias” (Mt 15.19)?

A resposta a essa pergunta também nos mostra o verdadeiro caminho para a obediência: “mas o Consolador, o Espírito Santo, a quem o Pai enviará em meu nome, esse lhes ensinará todas as coisas e lhes fará lembrar de tudo o que lhes tenho dito” (Jo 14.26 – grifo meu). O Espírito de Cristo nos ensina todas as coisas. Não é uma coisa ou outra. São todas as coisas. Isto inclui a obediência. E, para obedecermos à ordem de amar, Ele nos enche com o amor do Pai Celestial. Ele, que nos purifica de todo o pecado, ou seja, que, dia a dia, arranca todas aquelas coisas horríveis que procedem do nosso coração, nos capacita a amar, tanto a Deus, quanto ao nosso próximo.

Para que Ele atue em nós dessa forma, precisamos nos render a Ele, nos entregarmos a Ele total e

verdadeiramente. E precisamos, constantemente, falar com o Senhor e ouvi-Lo, ou seja, orar. É através da oração que criamos intimidade com Deus e é através dessa intimidade que o Espírito Santo age poderosamente em nós. Essa ação crescente do Espírito em nós, nos leva a obedecermos ao 59

que verdadeiramente é a vontade de Deus, a fazermos o que realmente tem valor para Ele. E é nesta obediência que nos tornamos instrumentos úteis à disposição d‟Ele.

Além do amor, o Senhor Jesus nos deixou outros mandamentos como perdoar, respeitar autoridades, sermos humildes, e ainda outros. Mas todos eles dependem do amor. Paulo também disse isto, quando se referia aos dons, mostrando que este é um bem que deve ser buscado em Deus. Ele diz que não temos o amor em nós mesmos e que devemos buscá-lo no Senhor, porque, sem ele, nada tem valor (ver 1C0 13). Ele diz que não adianta fazermos as coisas mais santas do mundo, se não tivermos amor. Então, de acordo com as palavras de Jesus e com o fundamento lançado pelo apóstolo Paulo, é aqui que deve começar a nossa obediência.

Seguindo

esse

princípio

seremos

levados,

pelo

Espírito, a obedecermos ao Senhor em toda a Sua vontade. É isso que nos levará a buscar e conhecer o propósito de Deus para as nossas vidas. De posse deste conhecimento, seremos levados a obedecer às instruções de Paulo quanto às reuniões da Igreja, onde nosso objetivo não será mais o de receber, mas o de dar. Não iremos mais às reuniões para recebermos a aprovação dos outros pela nossa santidade. 60

Não iremos mais para buscar alimento, apenas, para a nossa alma. Não iremos mais para receber revelações, curas, consolo, milagres e outras bênçãos. Iremos às reuniões, para que o Senhor utilize a cada um de nós como Seu instrumento, através do qual a Sua vontade será feita. Aí haverá comunhão com Deus e com os outros santos, porque Deus estará no meio de nós.

Creio que é a isto que o Senhor se refere, quando fala do caminho apertado que leva a uma porta estreita. Porque essa nossa obediência é o resultado de uma consagração total a Deus. Isto implica em abrirmos mão, completamente, de qualquer controle que possamos ter sobre nossas vidas, nos entregando totalmente ao domínio do Senhor. Esta entrega faz com que nos sintamos fracos, sem capacidade para fazermos nada. Mas a verdade é que, justamente nessa hora, seremos capacitados, pelo Espírito de Cristo, a fazermos qualquer coisa que seja de Sua vontade. Como disse Paulo: “quando sou fraco, então, é que sou forte” (2Co 12.10).

Hoje, normalmente, temos dificuldade para entender como Davi pôde enfrentar ao gigante. Muitas vezes, somos levados a considerar a habilidade que ele já tinha com a funda. Mas está bem claro que nem mesmo Davi se fiava na 61

sua própria habilidade. Vejam o que ele disse a Golias: “o SENHOR te entregará nas minhas mãos” (1Sm 17.46).

Da mesma forma, ficamos admirados com a força de Sansão. Mas ele não tinha força nenhuma! Sua força vinha sempre de Deus. “Então, o Espírito do SENHOR de tal maneira se apossou dele, que ele o rasgou [ao leão] como quem rasga um cabrito, sem nada ter na mão” (Jz 14.6 – grifo meu). De novo: “Então, o Espírito do SENHOR de tal maneira se apossou dele, que desceu aos asquelonitas, matou deles trinta homens” (14.19 – grifo meu). Mais uma vez: “porém o Espírito do SENHOR de tal maneira se apossou dele, que as cordas que tinha nos braços se tornaram como fios de linho queimados, e as suas amarraduras se desfizeram das suas mãos” (15.14 – grifo meu) e, com uma queixada de jumento, matou mil filisteus.

O Senhor o usava, porque ele era consagrado a Deus: “tu conceberás e darás à luz um filho sobre cuja cabeça não passará navalha... porque o menino será nazireu consagrado a Deus, desde o ventre materno até ao dia de sua morte” (Jz 13.5, 7), foi o que Deus disse à mãe de Sansão. No entanto, quando sua consagração foi cortada, ou seja, quando ele valorizou mais a uma pessoa do que a Deus, o Senhor se

62

retirou dele (ver Jz 16.20) e ele já não tinha nenhuma força para reagir a nada.

Da mesma forma, é a nossa consagração ao Senhor que nos capacitará a fazermos a vontade de Deus. Em outras palavras, quando nos negarmos a nós mesmos, tomarmos nossa cruz e seguirmos os passos do Senhor Jesus, seremos capazes de obedecer. A vida do Senhor aqui na terra foi uma vida de autonegação, para obedecer à vontade do Pai. Foi uma vida no caminho apertado, sem busca de realização de vontades pessoais, sem busca de concretização de sonhos pessoais e sem busca de satisfação pessoal, que não fosse a satisfação da vontade de Deus. E seguir o Seu exemplo também é um mandamento a ser obedecido.

Agora, pergunto a vocês e a mim: somos legalistas, obedecendo a mandamentos de homens, para parecermos santos aos olhos de todos, ou somos cristãos, obedecendo verdadeiramente aos mandamentos do Senhor, para sermos santificados por Ele? Há uma diferença eterna entre as duas posições.

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Somos Santos?

“Sede santos, porque eu sou santo” (1Pe 1.16)

Quanta coisa se tem feito por causa dessa ordem. A religião arrancou essa passagem do contexto bíblico e a aplica das piores formas possíveis, sempre impingindo ao homem o fardo de obedecê-la integralmente, a despeito de sua [do homem] incapacidade para tanto. Verdade é, que essa ordem foi dada ao homem e deve ser cumprida, mas, como em todas as coisas ligadas ao nosso relacionamento com Deus, é o próprio Senhor que nos aponta o caminho a ser trilhado e nos capacita, no Espírito Santo, a alcançar a meta, se quisermos.

Jesus se entregou por nós a fim de nos remir de toda a maldade e purificar para si mesmo um povo particularmente seu, dedicado à prática de boas obras. E boas obras, para que assim sejam consideradas, são o resultado do amor que enche a pessoa, a ponto de não poder mais ser contido e explodir em atitudes santas e santificadas, para com Deus e para com as outras pessoas. Elas nunca podem ser fruto da intenção racionalizada de se cumprir uma ordem. Quando dizemos: “Faço o bem e 64

elimino meus pecados, porque a Palavra de Deus determina isto!”, na verdade, agimos como os fariseus, que pensam garantir sua salvação através do cumprimento da lei. Transformamos a Graça em Lei!

O que fazemos, nesse caso, é cuidar da aparência! Dizemos: “Não fumo, não bebo, não me drogo, não adultero, não sou assassino, não sou pedófilo, não sou homossexual, falo baixo, me domino em tudo, não vou a festas, não assisto nem vou ao futebol, não assisto televisão, vou sempre à igreja e faço tudo o que a Palavra de Deus manda!”. Sobrou alguma coisa para o Senhor operar em nós, a fim de Ele nos purificar para Si mesmo? Com esse discurso, o que realmente estaríamos dizendo é: “Não tenho pecado. Graças Te dou, meu Deus, porque eu não sou como esses outros, que fazem essas coisas!”. Mas, se afirmarmos que não temos cometido pecado, fazemos de Deus um mentiroso, e a sua palavra não está em nós.

E o Senhor não vê como o homem: o homem vê a aparência, mas o Senhor vê o coração. É possível que alguém não faça nenhuma dessas coisas, na sua própria força. Por fora, esse alguém aparenta uma vida piedosa. No entanto, o seu interior está cheio de ódio pelas pessoas que tais coisas fazem. A todo momento, essa pessoa condenará 65

às outras, porque elas não se esforçam para atingir esse padrão de “santidade” que ela atingiu, com o seu esforço. Ela sempre olha as outras pessoas de cima para baixo, como se ela fosse um ser humano melhor, perfeito, ainda que diga, da boca para fora, “Não sou perfeito! Também tenho meus pecados!”. Ela só diz isto, para não transgredir a “lei” de que não podemos afirmar que não temos pecado. Vemos uma pessoa dessas e a consideramos “santa”, porém, o Senhor sabe que o seu coração é enganoso, mais do que todas as coisas, e desesperadamente corrupto. Não tem amor!

O nosso Deus Pai e Criador nos indicou a forma para chegarmos à santidade que Ele requer de nós: “Se

confessarmos os nossos pecados, ele é fiel e justo para perdoar os nossos pecados e nos purificar de toda injustiça”. Não sou pedófilo, mas devo confessar: “Senhor, sou homem e, enquanto estiver neste corpo carnal, estarei suscetível a cometer esse erro pavoroso. Não sou melhor do que as pessoas que caíram nesse erro, Senhor, por isto, não me deixe cair em tentação e livra-me do mal”. Não sou assassino, mas devo confessar a mesma coisa! E assim devemos fazer com todas as maldades que brotam em nosso coração, porque do coração saem os maus pensamentos, os homicídios, os adultérios, as imoralidades sexuais, os

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roubos, os falsos testemunhos e as calúnias. E são essas coisas que tornam o homem impuro, não-santo!

Assim Senhor,

também

é,

quando e

nos

aproximamos de

do

ainda

cansados

sobrecarregados

erros,

atendendo ao Seu chamado. Devemos ter a confiança de estarmos assentados nos lugares celestiais, em Cristo Jesus, santificados por Ele, através do Espírito Santo, que milita contra nossa carne, para que não façamos o que,

porventura, for de nossa vontade. E isto não acontece em um passe de mágica! É gradual! Todos os dias somos ensinados pelo Senhor! Todos os dias somos santificados por Ele, para que sejamos apresentados perante ele santos, inculpáveis e irrepreensíveis, se é que permanecemos nessa fé, alicerçados e firmes. Com essa fé, de que é Ele quem nos purifica, e com a confissão sincera da nossa fraqueza e da nossa impossibilidade de nos aperfeiçoarmos, o Espírito de Cristo nos mostra o caminho a seguir, luta contra nossa carne, age nas circunstâncias, para que não sejamos tentados além de nossas forças, e coloca o Seu amor em nosso coração, a fim de que ele seja capacitado a ver as outras pessoas, como o Senhor as vê, em amor, além de não pensarmos mais do que convém, a nosso próprio respeito.

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Mas

a

Palavra

de

Deus

não

está

cheia

de

recomendações para que abandonemos o pecado? Sim, está! Mas, se isto fosse possível, na nossa própria força, Jesus não precisaria ter-Se dado em sacrifício por nós. Ele veio, como Cordeiro de Deus, exatamente por não nos ser possível a autossantificação! E essa é a mensagem central do Evangelho: arrependimento de obras mortas! Isto

significa nos conscientizarmos da nossa incapacidade de alcançar, pelo nosso esforço, a santidade, sem a qual ninguém verá a Deus. Essa consciência nos leva a

confessarmos a nossa fraqueza a Deus e a entregarmos nossa vida em Suas mãos, confiando que Jesus é,

realmente, o único Caminho para nos chegarmos a Deus. E esse Caminho, somente Ele, é a nossa sabedoria, nossa justificação, nossa santificação e nossa redenção! Aplicar isto à nossa vida é obedecer aos mandamentos para deixar o pecado.

"Um novo mandamento lhes dou: Amem-se uns aos outros. Como eu os amei, vocês devem amar-se uns aos outros. Com isso todos saberão que vocês são meus discípulos, se vocês se amarem uns aos outros" (Jo 13.35). É expressando amor que nos tornamos discípulos de Jesus. “Amem os seus inimigos e orem por aqueles que os perseguem, para que vocês venham a ser filhos de seu Pai que está nos céus. Porque ele faz raiar o seu sol sobre maus 68

e bons e derrama chuva sobre justos e injustos (Mt 5.44.45). É expressando amor que nos tornamos filhos de Deus. Como ter esse amor, se do nosso coração só saem coisas ruins? Simples: reconhecendo que somos maus, a despeito de nosso esforço em parecermos ser santos! É diminuirmos, para que Cristo cresça em nós. E diminuir, aqui, significa pararmos de achar que somos capazes de fazer alguma coisa boa em nós mesmos.

É termos esta consciência: “O meu corpo e o meu coração poderão fraquejar, mas Deus é a força do meu coração e a minha herança para sempre” (Sl 73:26). É para o Senhor que estamos de pé ou caímos. Mas estaremos de pé, pois o Senhor é poderoso para nos sustentar. Isto é a Graça de Deus, que, através do amor, encravou a Lei na Cruz. Isto é andar no Espírito. Nós, que amamos a Jesus Cristo, devemos e romper ensinos definitivamente humanos, do com tipo: os "Não

mandamentos

manuseie!", "Não prove!", "Não toque!". Essas regras têm, de fato, aparência de sabedoria, com sua pretensa

religiosidade, falsa humildade e severidade com o corpo, mas não têm valor algum para refrear os impulsos da carne. Só Jesus é a nossa santificação!

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Será Que Ninguém Viu Isto?

Ontem à noite, em oração, algumas palavras de Jesus tocaram fundo em mim. Certamente, porque o Senhor tem falado sobre o assunto comigo, há alguns meses. Ele disse: “Não o proíbam; porque não há ninguém que faça milagre em meu nome e, logo a seguir, possa falar mal de mim” (Mc 9.39).

João havia dito ao Mestre, que um determinado homem expelia demônios em nome de Jesus. Mas, por esse homem não andar junto com eles, os discípulos

simplesmente o proibiram de continuar fazendo aquilo. E, depois de dizer para eles não proibirem tal coisa, Jesus ainda indicou que só há duas possibilidades, em relação a Ele: “Quem não é contra nós, é por nós!” (v. 40). Ou seja, quem não age contra Cristo, age a favor dEle. Não existe meio-termo! Ou a pessoa vive o seu dia-a-dia em nome de Jesus, como Seu representante (embaixador), ou vive por seu próprio nome, afastada do Deus Pai e Criador e, o que é pior, contra Ele.

Entendi que o Senhor estava me falando, como em tantas outras vezes, a respeito da unidade que deve haver 70

em torno do Seu Nome. Seus discípulos, ali, agiram como se fossem pessoas especiais, por participarem do único grupo de pessoas escolhidas por Deus, para serem representantes de Seu Nome, aqui na terra. E foram envergonhados por isto! A atitude que tomaram, por conta da visão que tinham, foi reprovada pelo Senhor! Em outras palavras, o Senhor estava dizendo a eles: “É certo que escolhi vocês

individualmente, para andarem comigo. Porém, há outras pessoas que reconhecem o Meu senhorio e optam por Me servir. E o Pai as traz para Mim! Vocês podem confirmar isto pelo Seu poder que foi manifestado através desse homem. Aquele homem, que vocês discriminaram, demonstrou sua fé em Mim, ao agir em Meu Nome e ao imitar Minhas atitudes. Ele não agia para sua própria glória, mas para a Minha!”.

E foi isso que encheu meu coração de temor, que me consternou profundamente. Olhei para trás, para meus passos, e fiquei estarrecido com a quantidade de vezes que agi exatamente da mesma forma que os discípulos agiram naquela ocasião, e quantas vezes agi de maneira ainda pior que eles. Pior do que isto: olhei em volta, para a Igreja, e me enxerguei em quase todas as pessoas que se professam membros do Corpo de Cristo.

71

Quantas vezes ouvi de Seus membros: “A Igreja é um corpo em movimento!”. E é verdade. Mas o movimento que se vê é de autodestruição. O movimento que se vê é de membros digladiando-se entre si. Um aponta para o outro e diz que o seu grupo é o único correto e que, por isto, o outro não é cristão e não tem o direito de dizer que está servindo ao Seu Senhor. Mais do que isto, um “proíbe” o outro de agir em nome de Jesus! Todos sabem que são membros do Corpo, mas cada um se considera a cabeça do corpo, nunca um membro inferior. Podem até afirmar o contrário com seus lábios, mas é isto que mostram com suas atitudes! E, como cabeça desmiolada, olham para os membros e dizem que eles não são membros.

Uns dizem que a salvação é pela eleição soberana e incondicional de Deus. Outros dizem que é pela eleição presciente, soberana e condicional. Uns dizem que os mil anos de reinado de Cristo na terra é espiritual e já está ocorrendo, enquanto outros dizem que ele será literal e ainda vai ocorrer. Uns dizem que o dízimo ainda é uma obrigação da Igreja, enquanto outros dizem que não é mais. Uns acham que o Espírito Santo não Se manifesta mais com o poder que Se manifestava no princípio da Igreja, ao passo que outros acham que Ele ainda Se manifesta assim. E milhares de outros motivos ridículos! E cada um quer proibir o outro de dizer que está agindo em nome de Jesus! 72

Paulo já havia dito que não importa se um acha que pode comer e o outro acha que não pode. Não importa se um acha que tem que separar dias especiais e outro acha que não. Porque o que importa, realmente, é se cada um crê que Jesus Cristo é o Senhor e passa a seguir Seus passos, a imitá-lO, em transformação constante de vida, para a honra e glória do Senhor, não para satisfazer a sua própria soberba. Estes, sim, é que estão separados de Cristo e são contra Ele! “Eis o soberbo! Sua alma não é reta nele; mas o justo viverá pela sua fé” (Hb 2.4).

Até quando ficaremos demonizando o servo alheio, julgando-o, desprezando-o, como se ele não fosse servo de Jesus, do Deus Altíssimo? Até quando vamos permitir que a nossa soberba reine em nossa vida, ao invés de Jesus? Por que não vemos que é conosco que o Senhor está falando, quando diz que vai chamar todos os “indignos” para a Sua ceia, no lugar daqueles que Ele havia convidado

anteriormente? Quando lemos, ou ouvimos, essa passagem de Lucas 14, sempre pensamos que Ele está falando dos outros crentes, nunca de nós mesmos! Mas é com nós mesmos que Ele está falando, porque nós estamos nos ocupando com ideias de homens, em vez de aceitarmos o Seu convite e irmos em Sua direção! Morremos defendendo

73

preceitos humanos, mas não aceitamos nem um desmaio em nome de Jesus! Dizemos que estamos fazendo a Sua vontade, mas nos enchemos de ódio se alguém não pensa como nós!

Tudo isso é viver uma mentira! Tudo isso exclui de nossas vidas o amor com que fomos amados por Jesus! Nós dizemos que aceitamos e recebemos esse amor, mas não o repassamos adiante. Nunca! Achamos que isso é

exclusividade nossa. Os outros que se virem para recebê-lo. Basta que ajam e pensem como nós, que, então, eles também serão merecedores desse amor. Mas desde quando fomos merecedores de alguma coisa vinda de Deus? Nenhum de nós é merecedor de nada, a não ser de condenação eterna. E, agora que a graça nos alcançou, vamos continuar dando motivos para essa condenação, rejeitando a Jesus? Claro que não! Eu duvido que algum cristão professo responda sim a essa pergunta,

conscientemente. Mas é o sim que nós estamos dizendo, ao nos rotularmos com nomes de homem e ao rotularmos aos outros também! Ao discriminarmos quem quer que seja, que pense diferente de nós!

Jesus disse para nos amarmos uns aos outros. O Espírito de Cristo disse que o amor é o vínculo da perfeição e 74

que devemos fazer o bem a todos, ESPECIALMENTE aos da família da fé. Ele não diz aos da família dos batistas, ou presbiterianos, ou assembleianos, ou católicos, ou

wesleyanos, ou calvinistas, ou arminianos, ou agostinianos, ou pelagianos, ou de Paulo, ou de Apolo, ou de Cefas, ou de outro nome qualquer. É aos da família da fé em Cristo Jesus. Aqueles que creem que Jesus Cristo, homem, é o único Deus e o único Mediador entre Deus e os homens. Aqueles que creem que Ele morreu pelos pecados de todos e que foi ressuscitado por Deus, para que todos os que nEle crerem, sejam salvos. Aqueles que creem que esse Jesus voltará para reunir definitivamente a Ele, todos os que nEle creram. Essa é a família da fé, que Deus considera. Essa é a família que será aperfeiçoada até se encontrar definitivamente com Ele.

Assim diz o Senhor: "Hoje, se vocês ouvirem a minha voz, não endureçam o coração”. A voz do Senhor nos chama ao amor, e amar também é ceder. Não de precisamos mas

concordar

com

preceitos

teológicos

ninguém,

precisamos amar a todos e reconhecer que o erro que vemos nos outros pode estar, na verdade, em nós! Se não tivermos humildade para isto, é porque ainda não morremos com Cristo e caminhamos para a morte eterna. Ouçamos a Sua voz! Sejamos Um com Jesus, assim como Ele é Um com o Pai! 75

Discipulado

“Passando por ali, viu Levi, filho de Alfeu, sentado na coletoria, e disse-lhe: „Siga-me‟. Levi levantou-se e o seguiu” (Mc 2.14)

Eis aí o discipulado descrito por completo, do início ao fim!

Não há teologias! Não há conhecimento prévio de Quem é Jesus! Não há cumprimento de leis! Não há apego às “certezas” da vida e à sua comodidade!

Tudo que existe é o chamado pessoal de Jesus e a obediência da pessoa chamada! É isto mesmo: a obediência ao “siga-me” é o primeiro passo, seja pelo motivo que for! Os evangelhos nos dão conta disto, ao nos trazerem um pouco da história dos discípulos. Ali, percebemos que havia diferentes motivações entre eles, mas havia esse ponto comum a todos: a obediência de seguir a Jesus, quando chamados.

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Esse chamado, que se mantém através do Espírito de Cristo, agora estendido a todas as pessoas, continua o mesmo: é um chamado à vida sem um roteiro préestabelecido; não há certezas! Pelo contrário: o que existe é um caminho apertado, de dúvidas, de incertezas, rumo ao desconhecido!

É um chamado que nos leva a largarmos tudo o que vivemos, até então, e a focarmos só e unicamente no Cristo, no Filho de Deus, no próprio Deus que Se tornou Homem. A meta, agora, é segui-Lo em cada passo Seu, aprendendo com Ele e imitando cada olhar, cada toque, cada abraço, cada acolhimento, cada atitude, cada comunhão, cada palavra, que Ele faz e diz! Agora, descartamos todas as fôrmas conhecidas, criadas e impostas pelo homem, que tentam encaixotar o Espírito!

E sem o “Siga-me” pessoal de Jesus, não adianta darmos nem um passo em Sua direção!

“Indo eles caminho fora, alguém lhe disse: Seguir-teei para onde quer que fores. Mas Jesus lhe respondeu: As raposas têm seus covis, e as aves do céu, ninhos; mas o Filho do Homem não tem onde reclinar a cabeça.

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A

outro

disse

Jesus:

Segue-me!

Ele,

porém,

respondeu: Permite-me ir primeiro sepultar meu pai. Mas Jesus insistiu: Deixa aos mortos o sepultar os seus próprios mortos. Tu, porém, vai e prega o reino de Deus.

Outro lhe disse: Seguir-te-ei, Senhor; mas deixa-me primeiro despedir-me dos de casa. Mas Jesus lhe replicou: Ninguém que olha para trás, tendo posto a mão no arado, é apto para o reino de Deus” (Lc 9.57-62).

Essa passagem é a indicação de Jesus sobre a necessidade do Seu chamado, para sermos Seus discípulos. Mais do que isto, é uma demonstração da insanidade humana em tentar segui-Lo, sem que Ele chame, e da inutilidade do emprego de fôrmas ou leis como

demonstração da capacidade própria de andar em Seu caminho:

No primeiro caso, a pessoa aborda a Jesus e diz que O seguirá a qualquer lugar. Imediatamente, Jesus demonstra que essa pessoa não tem a mínima noção do que está dizendo: Jesus fala da instabilidade e da incerteza de Seu

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caminho, que é em direção à Cruz, em direção ao sofrimento e ninguém tem como querer isto pra si mesmo!

Logo depois, é Jesus Quem chama uma pessoa. E a pessoa aceita o convite! Mas esta, provavelmente por conta da tradição humana da qual ouviu falar, pensa que precisa, primeiro, se preparar para seguir a Jesus! Ela acha que deve, antes de tudo, cumprir a Lei para, então, estar apta a seguir o Seu caminho. E Jesus diz a ela: “Esqueça a Lei! Seu compromisso é comigo; seu relacionamento, agora, é direto comigo; Eu vou falar diretamente com você, vou lhe ensinar tudo o que você precisa saber, vou lhe mostrar por onde ir e como agir!”.

“Esta é a aliança que farei com eles, depois daqueles dias, diz o Senhor: Porei no seu coração as minhas leis e sobre a sua mente as inscreverei. Portanto, por um lado, se revoga a anterior ordenança, por causa de sua fraqueza e inutilidade (pois a lei nunca aperfeiçoou coisa alguma), e, por outro lado, se introduz esperança superior, pela qual nos chegamos a Deus” (Hebreus).

Por fim, o terceiro caso, onde a pessoa também diz que quer seguir a Jesus, sem ser chamada, e demonstra

79

uma insanidade ainda maior que a primeira: além de não ter idéia do que teria pela frente como discípula, ela quer que o discipulado seja de acordo com a sua vontade, com as suas imposições, sem estar disposta a abrir mão de sua vida, sua segurança, suas certezas, e parece sonhar com viagens maravilhosas, cercadas de conforto, sob a tutela de um guru que irá providenciar todas as coisas para o seu bem-estar!

E Jesus rejeita isto! Com Sua resposta, Ele diz que não pode haver nada entre o chamado, o próprio Jesus, e a obediência, para que haja o discipulado! Não pode haver condições e nem leis entre Jesus e o discípulo. Se houver, deixa de ser discipulado, passando a ser um programa de vida de acordo com a vontade humana! Uma religiosidade!

Discipulado é compromisso única e exclusivamente com Jesus! Ao “Siga-me” segue-se o “levantou e O seguiu”, sem ponderações, sem questionamentos, sem condições. Discipulado é novidade de vida, largando-se o que até então se viveu! Isto não é uma autossantificação, mas uma mudança de foco, de prioridades, de meta! Discipulado é caminhar com Jesus, aprendendo e sendo direcionado por Seu Espírito!

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Vocês, Discípulos, São o Sal da Terra

“Eu lhes digo que uma Igreja, à qual dirigi todas essas bem-aventuranças, só pode partir de uma origem: a Cruz do Calvário! Vocês, discípulos, são bem-aventurados quando, POR MINHA CAUSA, os injuriarem e perseguirem e,

mentindo, disserem todo mal contra vocês. Regozijem-se e exultem, porque é grande o seu galardão nos céus; pois assim perseguiram aos profetas que viveram antes de vocês. POR MINHA CAUSA vocês são rejeitados, mas o atingido sou EU MESMO. As injúrias, as difamações, as perseguições até à morte, mesmo quando aparentemente gratuitas, são o motivo das bem-aventuranças e são amostras de sua comunhão COMIGO.

O mundo os odeia, porque sua voz humilde e mansa é uma ameaça ao mundo: vocês, discípulos, dão testemunho da injustiça do mundo, quando suportam a pobreza e o sofrimento com paciência e em silêncio. Enquanto lhes digo que são bem-aventurados, o mundo grita „Fora, fora!‟, para vocês. E esta é a esperança de vocês: que, fora do mundo, o que os aguarda é o salão celestial, com uma grande ceia preparada para vocês pelo próprio Deus Pai e Criador, o qual enxugará todas as suas lágrimas que, naquele momento, serão de alegria. Lá, suas feridas e seu martírio terão sido 81

transfigurados para um novo corpo, já não mais vestido com pecado e arrependimento, mas com vestes brancas da Verdadeira Justiça.

No entanto, enquanto esse dia não chega, vocês têm uma missão na terra: conservá-la! Quando o mundo os rejeita, traz destruição sobre si mesmo. Mas, POR MEU AMOR A VOCÊS, o mundo continua existindo. POR MEU AMOR A TODOS, ainda derramo minha misericórdia, porque muitos ainda virão através do que vocês demonstram em suas próprias vidas. E isto acontece porque vocês são o sal da terra! Vocês não têm o sal, nem têm que ser o sal! Vocês o são por sua comunhão COMIGO! Vocês não serão o sal da terra por pregarem a Palavra, mas apresentarão a Palavra de forma viva em seu cotidiano, por serem o sal! Vocês não terão o sal por dizerem o Meu Nome, ou por citarem as escrituras com perfeição, mas são o sal que permeia toda a terra, que é a sua substância principal, porque foram atingidos por Meu chamado e se tornaram Meus discípulos!

Mas, para a terra continuar conservada, o sal precisa continuar sendo sal, precisa manter seu poder de temperar, de purificar e de conservar. Ele precisa ser incorruptível! Se ele se tornar insípido, não poderá ser recuperado. Terá que ser lançado fora! Portanto, ele não pode ficar guardado: tem 82

que ser livre! Ele não pode ficar restrito a rituais do homem para o homem, porque ele é a vinda de Deus para todos os homens!

E vocês não são, apenas, o poder invisível do sal: vocês também são o brilho visível da luz! Mais uma vez Eu lhes digo: vocês não têm que ser luz, nem têm a luz. Vocês são luz! Sua resposta ao Meu chamado os fez luz! Vocês são a cidade edificada sobre o monte. Não há como escondê-la! Lembrem-se: vocês vieram da Cruz! E todos, do mais simples ao mais famoso, reconhecem que algo muito extraordinário acontece na Cruz! Para espanto de todos, a Cruz se torna claramente visível em toda essa escuridão! E as boas obras de vocês devem ser vistas nessa luz. Não são vocês que serão vistos, mas as suas boas obras! E as suas obras são o motivo de serem bem-aventurados: pobreza, sofrimento, humildade, paciência, mansidão, choro por causa da injustiça, amor à paz, rejeição, perseguição! Tomem a minha Cruz! Ela é a luz que brilha e onde suas obras serão vistas, onde sua renúncia será admirada. E, ao verem essas boas obras, as pessoas darão glórias a Deus! Não são vocês, não é a Igreja, que serão glorificados, mas o nosso Pai que está nos céus! (cfe. Mateus 5 e outros textos bíblicos).

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Nisto saberão todos que vocês são Meus discípulos: em amarem-se uns aos outros”.

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Respondendo ao Chamado

Eis-me aqui, Pai!!!

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