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Capítulo Um (Quarta Versão)

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Capítulo Um (Quarta Versão)

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Capítulo um

Entre todos os reinos, um deles vivia entre caos e discórdia. O reino foi
tomado por uma desgraça, uma praga que dizem que foi rogada por um deus.
Há dezessete anos, antes da queda do clã Bai, um boato surgiu na vila Mù Xiāng,
conectada à cidade Huang por uma ponte. As pessoas falavam que o rei estava tendo um
caso com uma cortesã, mas o rumor não durou mais que duas semanas; o rei mandou
matar o homem que o espalhou, e nunca mais se falou disso. Dizem que a cortesã, que
teve um caso com o rei, teve um filho — Lì Zhàn, o menino de sangue real, mas que
nasceu um Fán Rén — Incapaz de cultivar.
Mas são apenas boatos, ou pelo menos é o que todos pensam.

Agora.

Os ecos dos passos ressoavam enquanto Lì Zhàn se aproximava, vestindo sua


túnica amarela simples e a fita branca tradicional amarrada ao braço. Suas pupila
estavam dilatadas e ele suava frio.
— Temos mais corpos... — disse ele, ajoelhando-se diante do trono imponente
onde seu pai, o rei Lì Wēi Shì, o observava com um olhar severo. — São vítimas do
Portador da Praga Divina.
O silêncio no salão tornou-se sufocante. O rei inclinou-se para frente, seus dedos
firmes repousando sobre o braço entalhado do trono.
— Quantos? — sua voz era fria.
— Uma vila inteira... — Lì Zhàn respondeu, com o olhar fixo no chão. —
Somente alguns corpos e ossos restaram.
Uma sombra passou pelos olhos do rei. Ele se levantou lentamente — Prepare-se
para partir ao amanhecer. Descubra quem está por trás disso... e traga respostas.
Lì Zhàn ergueu a cabeça, surpreso.
Missões sérias como essa nunca eram confiadas a ele. O rei sempre o mandava
para lugares diferentes sem descanso.
— Sim, majestade. — respondeu, com uma reverência profunda, ocultando o
turbilhão de pensamentos em sua mente.
Ao se virar para sair, o eco das palavras do rei ainda pesava em seus ouvidos:
“Traga respostas.”
Ele saiu da sala principal com vários pensamentos em mente, Ele levou a mão à
cabeça, massageando as têmporas como se tentasse organizar pensamentos dispersos,
um turbilhão de emoções dançavam em sua mente, deixando-o à beira de um colapso.
Quando chegar ao seu quarto a única coisa que faz é deitar-se em sua cama e
dormir, sem se preocupar com o amanhã.
Ele suspira.
— O que eu vou fazer agora? — falou para si mesmo.
Lì Zhàn encarava o teto, os olhos fixos em um ponto invisível, enquanto sua
mente vagava pelas possibilidades — pelas respostas que deveria encontrar. Mas como
encontrar algo quando tudo parecia tão confuso?
Ele fechou os olhos, tentando afastar a exaustão que ameaçava dominá-lo. Seu
peito subia e descia lentamente enquanto ele buscava um momento de paz.

Ao amanhecer, ele pegou a estrada com uma carroça em direção a vila Mù


Xiang. O príncipe pegou informações com pessoas da vila, e os moradores diziam que
mortes misteriosas estavam ocorrendo próximo ao território do clã Wú.
Li Zhan rapidamente mandou levarem ele lá, no entanto ele precisava de uma
autorização ou motivo para visitar a seita Wu.
A seita é muito reservada, é difícil entrar lá, mas fica fácil quando se é filho do
rei.
Ele retirou uma insígnia real esculpida em pedra amarela, mas hesitou.
Orgulhoso, não queria depender de seu título.
Ele preferiu resolver as coisas por mérito próprio. Mas, diante de mortes
inexplicáveis, não havia tempo para formalidades.
— Pare a carroça! — ordenou ao cocheiro, que imediatamente puxou as rédeas.
Lì Zhàn desceu e encarou a estrada à frente, o caminho era voltado por árvores
com folhas brancas e barulhos de animais por toda parte, no início da trilha o caminho
não era nem um pouco iluminado.
— Preparem um mensageiro. Enviaremos uma solicitação oficial ao Clã Wú.
Digam que devido a situações urgentes, o clã Lí precisa entrar no clã Wu, fale para eles
mandarem um cultivador para me guiar ate a seita.
O mensageiro invocou um corvo espiritual, entregando-lhe a mensagem. A ave
sombria alçou voo, desaparecendo no horizonte como uma sombra ágil e silenciosa.
Pouco tempo depois, uma figura emergiu das sombras como se fosse parte delas.
A sombra tampava seu rosto. Sua silhueta emergiu das sombras como se fosse parte
delas. O sino em sua cintura tilintava suavemente, cada som ecoando como um aviso
sutil. Sua roupa, marcada por símbolos antigos, estava desbotada, mas ainda carregava
um ar de mistério e poder. Seus olhos, embora ocultos sob o capuz, pareciam perfurar Lì
Zhàn, analisando-o sem pressa. Como se ele pudesse ver por dentro do príncipe.
— Você chama... e eu respondo — disse o estranho, a voz baixa e arrastada
como um sussurro na brisa.
— Quem é você? — Lì Zhàn questionou, adotando uma postura defensiva.
— Quem eu sou... não importa. O que você busca... isso sim. — A voz dele
carregava um tom irônico e despreocupado. — Minha função é guiar, não proteger.
Qualquer coisa que aconteça... será sua responsabilidade, Alteza.
Lì Zhàn estreitou os olhos.
— Chamei um guia, não um talismã falante.
O homem riu suavemente e puxou o capuz para trás, revelando olhos cor de
caramelo intensos e cabelos longos presos por uma fita verde.
— Não acredito que mandaram logo você, Wànjī . — Lì Zhàn falou, incrédulo.
— E eu não acredito que finalmente mandaram você para uma missão decente.
— Wànjī rebateu com arrogância. — Siga-me.
Eles começaram a trilhar o caminho íngreme, iluminado por tochas encantadas
que nunca se apagavam. A neblina densa os envolvia, tornando o percurso traiçoeiro e
misterioso. De repente, um som grave ecoou pela montanha. Pedras começaram a rolar
morro abaixo.
— Cuidado! — Wànjī alertou rapidamente. — Qualquer som alto pode causar
deslizamentos.
Lì Zhàn permaneceu firme, mas não conseguiu conter uma pergunta que o
inquietava.
— Vai mesmo se casar?
— Sim. — Wànjī respondeu com simplicidade.
O silêncio entre eles se estendeu enquanto continuavam a caminhar pelas
encostas traiçoeiras. Os ecos de pedras rolando ao longe pareciam sussurrar segredos
escondidos nas profundezas da floresta.
— A seita Wu terá o prazer de recebê-lo novamente no festival deste ano? —
Wànjī perguntou com um sorriso forçado, tentando manter um tom leve.
— Quer que eu vá? Para quê? Para você me beijar de novo e me pedir para
fingir que nada aconteceu? — Os olhos de Lì Zhàn brilharam com lágrimas contidas.
— Não fala assim. — Wànjī tentou responder, mas um nó na garganta o
impediu de continuar.
Silêncio.
Nenhum dos dois estava bem o suficiente para conseguir conversar sem
derramar uma lágrima sequer. Porque quanto mais eles tentavam resolver aquilo mais
eles se magoavam.
Lì Zhàn apertou o punho ao lado do corpo, sentindo as unhas cravarem na palma
da mão. Ele queria gritar, acusar Wànjī de engana-lo, de brincar com seus sentimentos,
mas tudo o que conseguiu foi respirar fundo e tentar conter as lágrimas que ameaçavam
escapar.
“Ele sempre faz isso... me afasta e depois age como se nada tivesse
acontecido.” Pensou.
Wànjī manteve o olhar fixo na trilha pedregosa à sua frente. Cada passo que
dava parecia mais difícil, como se o próprio caminho o julgasse.
Ele se odiava por ter machucado Lì Zhàn tantas vezes. Não era como se tivesse
planejado... as coisas simplesmente fugiam do controle. “Se eu o deixar entrar de novo...
vou magoa-lo.”
A lembrança daquele beijo proibido os queimava por dentro, uma memória tão
doce quanto dolorosa. Eles sabiam que não deveriam ter se aproximado daquela forma,
mas também sabiam que nenhum deles foi capaz de resistir.
— Eu não queria... — Wànjī começou, a voz rouca e hesitante.
Lì Zhàn girou sobre os calcanhares, encarando-o com os olhos brilhantes de
tristeza e raiva reprimida.
— Não queria o quê? — Sua voz tremia, mas havia uma força desesperada em
suas palavras. — Não queria se aproximar de mim? Não queria me beijar? Ou... não
queria que significasse algo?
Wànjī engoliu em seco, incapaz de responder. Como poderia explicar que, por
mais que tentasse, não conseguia afastar Lì Zhàn.
— Eu... — Ele desviou o olhar, incapaz de encarar a intensidade do príncipe. —
Eu só queria te proteger... de mim, da minha confusão.
Lì Zhàn riu.
— Não preciso da sua proteção, Wànjī . Nunca precisei.
Algo no príncipe queria um pedido de desculpas, algo nele queria que o beijo
nunca tivesse acontecido, e talvez algo nele queria nunca ter conhecido o Wu Wànjī .
De todas as pessoas que o príncipe já conheceu, Wànjī foi o mais sincero, ele
não foi simpático com li zhan por ele ser filho do rei, Wànjī sempre falou o que
pensava.
Mas quando se tratava de Lí Zhan tudo era tão confuso para Wànjī .

Wù Wànjī viu a luta interna nos olhos de Zhàn e deu um passo à frente —
Zhàn... — ele chamou suavemente, esperando alguma reação.
Por um instante, Lì Zhàn quase cedeu... mas se forçou a afastar a dor.
— Não me chame assim... Wùjī.
A palavra saiu como uma lâmina afiada, carregando memórias que ambos
preferiam esquecer.
Wù Wànjī estremeceu ao ouvir seu antigo nome. Poucas pessoas o chamavam
assim... Apenas sua irmã e Lì Zhàn.
Ele forçou um sorriso fraco, mesmo sabendo que não alcançaria seus olhos.
— Ainda se lembra... — sussurrou.
Lì Zhàn se afastou, deixando o silêncio cair como uma cortina entre eles. Ambos
sabiam que o passado ainda estava ali, uma ferida que nunca cicatrizaria totalmente.
Capítulo dois

Antes.

Doze anos antes, o Refúgio da Chuva pulsava com vida. O Festival de


Bênçãos e Gratidão enchia o ar com música, cheiros de comida fresca e o riso de
crianças correndo entre lanternas coloridas. Realizado apenas uma vez a cada
dez anos, atraía cultivadores, mortais e curiosos de todas as partes do mundo. No
entanto, naquele ano, algo incomum estava prestes a acontecer.
— Wùjī! Quantas vezes já disse que é proibido beber aqui? Pare de dar
dor de cabeça aos mais velhos! — A voz cortante de Wú Zǐyú fez-se ouvir
enquanto ela cruzava os braços, tentando impor autoridade apesar de sua baixa
estatura.
Wànjī, sentado em um muro alto, riu ao descer com uma garrafa de licor
na mão. — É Wànjī, irmãzinha! Todos me chamam assim. Ou, se preferir,
Senhor Confusão. E lembre-se, Zǐyú, o Refúgio da Chuva não é só seu! — Ele
estendeu a garrafa para ela, mas a menina apenas o encarou com desdém, o que
o fez gargalhar ainda mais.
Zǐyú revirou os olhos.
— Você devia mostrar mais respeito. Especialmente hoje. O príncipe está
vindo para o festival... — Sua voz foi diminuindo ao perceber que Wànjī já não
estava ao seu lado. Olhou adiante e viu que ele corria para fora do refúgio,
atravessando a multidão.

— Eu não entendo esse garoto... — murmurou para si mesma antes de


seguir seu próprio caminho.
Pouco depois, parou abruptamente. A resposta para a fuga repentina de
Wànjī estava à sua frente. Ela inclinou a cabeça, fez uma breve reverência ao
mestre e se afastou com pressa, deixando o local o mais rápido possível.
Wu Wanji corre em direção ao portão de energia, mas o portal estava
fechado e proibiram a abertura dele antes da entrada do príncipe, então Wanji
ansioso para fugir, ele joga a garrafa de licor pelo muro e pula.
Mais tarde no Salão do Silêncio, sempre tão respeitoso e quieto, foi
tomado por murmúrios quando um dos cultivadores, Zhāo Yún, exclamou,
surpreso:
— O quê? O filho do rei está aqui?
Os olhares repreensivos não tardaram, e uma senhora presente logo o
advertiu — Zhāo Yún, controle-se. Todos, saiam para receber o príncipe.
Os cultivadores começaram a deixar o salão, cada um se posicionando
com calma nas colunas que circundavam o pátio. Os murmúrios agora eram
abafados, mas o ar estava carregado de curiosidade.
—E o Wú Wànjī? Não o vejo desde manha — Ziyu, com expressão
impaciente, sussurrou para Zhāo yun
— Não me pergunte. Nem ideia do paradeiro dele — Respondeu,
encolhendo os ombros.
Ela estreitou os olhos, um pouco irritada, mas ficou ao lado dele,
aguardando. Logo, a figura do príncipe surgiu pelo portão de energia,
acompanhado por dois guardas do clã Wú. Sua fita amarela destacava-se contra
os cabelos, e as vestes brancas da realeza chamavam a atenção entre os demais.
O tilintar do talismã que ele carregava ecoava suavemente, somando ao ar
cerimonial da recepção.
Ele se aproximou, fazendo uma saudação discreta e agradecendo com
gentileza
— Agradeço a todos pela recepção.
Quando tudo parecia tranquilo, um homem correu pelo portão, tentando
atravessar antes que ele se fechasse, mas tropeçou numa pedra e perdeu o
equilíbrio. Antes que pudesse se recuperar, acabou caindo bem em cima do
príncipe.
Um murmúrio de surpresa e alguns risos contidos escaparam da
multidão. Os presentes se entreolharam, um pouco desconcertados, sem saber se
ajudavam o desajeitado ou apenas observavam a cena inusitada.
Enquanto os guardas se apressavam para ajudar o príncipe a se levantar, o
silêncio no Salão do Silêncio foi rompido por uma risada inconfundível. Era Wú
Wànjī, ainda estirado no chão, segurando a barriga de tanto rir.
— Ah, foi mal aí, Vossa Alteza — disse ele, tentando se recompor, mas
com um sorriso brincalhão que não conseguia disfarçar.
O príncipe, claramente incomodado mas tentando manter a compostura,
ergueu-se com a ajuda dos guardas. Ele olhou para Wànjī, sua expressão era um
misto de surpresa e irritação, mas, acima de tudo, curiosidade.
— E quem seria você? — perguntou ele, ajeitando sua fita amarela e
tirando um pouco de poeira das vestes.
— Eu? Ah, só um cultivador qualquer tentando não perder a festa —
respondeu Wànjī, levantando-se e ajeitando suas roupas desalinhadas. Wanji
fez uma saudação casual, sem nenhuma reverência que se esperava.
— Mas parece que o destino quis que nos encontrássemos, não é, Alteza?
Antes que o príncipe pudesse responder, Zǐyú apareceu, empurrando a
multidão de curiosos para chegar até Wànjī.
— VOCÊ! — gritou ela, com as bochechas coradas de raiva e vergonha.
— Você não consegue passar um dia sem causar problemas, consegue?
Wànjī apenas deu de ombros — Relaxa, irmãzinha. Não foi nada demais.
Zǐyú virou-se para o príncipe, curvando-se profundamente.
— Perdoe a grosseria, Vossa Alteza. Ele... ele é um tolo.
O príncipe, agora mais tranquilo, acenou com a mão, sinalizando que não
havia problema.
— Não se preocupe. — disse ele, com um leve sorriso — Afinal, não é
todo dia que somos literalmente derrubados por um cultivador tão... peculiar. —
Os murmúrios voltaram, dessa vez com tons de diversão. Wú Wànjī, por
sua vez, parecia encantado com a situação. Ele olhou diretamente para Lì Zhàn,
que o observava com uma expressão indecifrável, e fez uma pequena reverência
exagerada, como se estivesse diante de um amigo e não do príncipe.
— Bem, já que estamos nos conhecendo assim, de maneira tão... única —
começou Wànjī — qual é o seu nome, Alteza? Ou prefere que eu te chame de
Senhor Elegância Real?—

A multidão conteve risos, e Zǐyú cobriu o rosto, claramente mortificada.


Lì Zhàn arqueou uma sobrancelha, mas, para a surpresa de todos, um
leve sorriso escapou de seus lábios.
— Lì Zhàn. — respondeu ele calmamente — Mas, se preferir, Senhor
Elegância Real também serve.
A resposta causou uma onda de risos discretos entre os cultivadores, e
Wànjī abriu um sorriso largo.
— Gostei de você, Alteza.
O incidente deixou a recepção do príncipe mais descontraída. Por mais
que Lì Zhàn estivesse nervoso, ninguém notaria, pois os olhares estavam todos
em Wú Wànjī, que estava dando gargalhadas enquanto Zǐyú batia nele e se
desculpava com o príncipe. O príncipe parecia perdido e um pouco
desconfortável com a multidão. Os guardas perceberam e o acompanharam ao
quarto.
De acordo com a tradição, o festival começará no dia seguinte, na noite
da mudança de estação. Terá batizados da chuva, comidas típicas do refúgio da
chuva, truques e feitiços feitos para alegar crianças, mas tem sido um ano
perigoso para o clã Wu e por isso o clã teve que redobrar a segurança, e como
pessoas de outras seitas virão, não tem como saber quem vai causar problemas
no festival.

No dia seguinte, os discípulos acordaram cedo para os preparativos do


festival.
— Olá, príncipe. — Ziyu fez uma breve reverência — Não precisa
ajudar, eles dão conta sozinhos.
Logo depois, Wú Wànjī apareceu com baldes pendurados nos ombros,
passando a mão pelo rosto cansado. As olheiras sob seus olhos eram tão
profundas que poderiam ser vistas do pico de uma montanha.
— Lì Zhàn, me ajude com a água — Wànjī disse, como se estivesse
falando com um discípulo qualquer. O príncipe aceitou sem hesitar e seguiu
Wànjī em silêncio.
Descendo pela montanha, foram guiados pelo som suave da água
corrente. O caminho era iluminado por lanternas que, ao anoitecer, preenchiam a
trilha com uma luz suave. As árvores de flores brancas formavam um arco acima
de suas cabeças, tornando a paisagem quase mágica. Chegando ao lago, a cena
parecia ter saído de um quadro. A água era tão clara que refletia o céu como um
espelho. As árvores ao redor, carregadas de flores brancas, deixavam cair pétalas
que flutuavam serenamente na superfície. O ambiente era calmo, quebrado
apenas pelo som constante do riacho que alimentava o lago e pelo canto distante
de pássaros.
Wú Wànjī colocou os baldes no chão e suspirou profundamente,
admirando a paisagem. Ele se sentou à beira do lago, deixando de lado a
formalidade diante do príncipe. Ao levantar a cabeça, Wànjī olhou para Lì Zhàn.
O sol refletia nos olhos do príncipe, destacando ainda mais sua beleza. As fitas
de cabelo, parcialmente soltas, davam-lhe um charme singular, e o jeito como ele
mexia na fita amarela amarrada ao braço capturava a atenção de Wànjī.
— O que está olhando? — Lì Zhàn perguntou, inclinando levemente a
cabeça com curiosidade.
Wú Wànjī permaneceu sentado, sem desviar o olhar. Um pequeno sorriso
surgiu no canto de seus lábios, e ele hesitou, como se ponderasse se deveria
responder ou evitar a pergunta.
— Estava apenas... admirando a vista — respondeu finalmente, a voz
calma, mas com um tom enigmático.
Ele pegou uma pétala caída na beira do lago e a girou entre os dedos. —
E parece que hoje a paisagem está especialmente bonita.

Lì Zhàn arqueou uma sobrancelha, claramente percebendo o jogo de


palavras.
— A paisagem, é? — Ele cruzou os braços, inclinando a cabeça para o
lado com genuína curiosidade.
— Você vem ao lago quase todos os dias e, justamente hoje, a paisagem
está bonita?
Wànjī riu baixinho, fingindo desinteresse enquanto pegava uma pedrinha
e a jogava na água, criando ondulações que quebraram o reflexo perfeito do céu.
Ele olhou para Lì Zhàn novamente, o olhar agora mais direto.
— Está certo, não era só a paisagem. — Fez uma pausa, como se pesasse
suas palavras, antes de continuar com um tom despreocupado, mas sincero
— Você, Lì Zhàn. Eu estava olhando para você.
As palavras simples, mas inesperadas, pegaram Lì Zhàn desprevenido.
Ele desviou o olhar rapidamente, mexendo na fita amarela em seu braço,
um gesto inconsciente sempre que estava desconfortável.
— Por que estava olhando para mim? Tem algo de errado comigo? —
Ele tentou soar casual, mas a leve tensão na voz o traiu.
— Errado? Nada. — Wànjī respondeu com um sorriso tranquilo.
— Na verdade, acho que você deveria ouvir isso mais vezes. Você é...
interessante de se observar. E essa fita que você carrega parece ter muita história.
Me perguntei o que ela significa desde o momento em que te vi.
Lì Zhàn suspirou, olhando para a fita em seu braço. O olhar se suavizou,
e sua voz saiu um pouco mais baixa, carregada de emoção contida.
— Minha mãe fez essa fita para mim antes de eu nascer — explicou — É
tudo o que tenho dela. Por isso, nunca tiro.
O sorriso de Wànjī tornou-se mais gentil. Ele se recostou, apoiando as
mãos na grama.
— Isso faz sentido. Algo feito com tanto carinho merece ser valorizado.
Combina com você.
Lì Zhàn lançou-lhe um olhar breve, tentando decifrar se ele estava
brincando ou sendo genuíno. Mas não encontrou sarcasmo algum no rosto de
Wànjī. Havia algo cativante na honestidade do outro, algo que era difícil de
ignorar.
— Você fala demais. — Lì Zhàn desviou o olhar para o lago, mas havia
um leve sorriso nos lábios, quase imperceptível.
— Eu falo o necessário — respondeu Wànjī com uma risada suave.
— Mas talvez tenhamos que voltar antes que alguém venha atrás de nós.
Não quero ser acusado de sequestrar o príncipe.

Lì Zhàn pegou um dos baldes e o encheu com água do lago, balançando a


cabeça.
— Sequestrar não. Só me fazer carregar baldes como se fosse um de
seus subordinados.
— Bem, no final das contas, você aceitou. — retrucou Wànjī, já se
levantando com o outro balde. — E, convenhamos, você faz isso muito bem.
Talvez eu te recrute como meu ajudante pessoal.
Lì Zhàn bufou, mas não respondeu, deixando que o som da água e as
risadas leves de Wànjī ecoassem pelo caminho enquanto voltavam para a trilha.

— Quer saber por que o nome é Festival da Chuva? — Wànjī perguntou,


o tom cheio de expectativa, como se tivesse certeza de que a curiosidade seria
correspondida. Para sua surpresa, Lì Zhàn balançou a cabeça, negando.
— Sem graça. — murmurou Wànjī para si mesmo, bufando.
— Mesmo que você não queira saber, vou contar mesmo assim! —
continuou com entusiasmo.
— O nome não vem da nossa seita. Chama-se Festival das Chuvas
porque, dez minutos antes da estação mudar, chove um pouco, e essas árvores
brancas ficam verdes como mágica! É bonito de ver pela primeira vez, mas
quando se vê todo ano... perde a graça.
Ele terminou com um encolher de ombros, mas seus olhos pareciam
brilhar ao observar as árvores ao redor, como se quisesse dar razão à sua história,
mesmo que para ele o encanto já tivesse se desgastado.
Lì Zhàn permaneceu em silêncio, mas desviou o olhar para o céu, onde
nuvens escuras começavam a se formar, um vislumbre de curiosidade finalmente
cruzando seu rosto.
Eles seguiram para o pátio do Refúgio da Chuva, um espaço amplo
cercado por árvores de folhas brancas que balançavam levemente com o vento.
O lugar estava repleto de pessoas de todas as partes do mundo, cada uma
envolvida em suas atividades, seja ajudando nas celebrações ou simplesmente
aproveitando o ambiente.
Lì Zhàn acompanhava Wú Wànjī de perto, carregando os baldes de água.
Ao chegarem perto de uma tenda onde algumas curandeiras idosas estavam
reunidas, Wànjī entregou os baldes para elas.
— Wújì, obrigada! — disse uma das senhoras, com um sorriso caloroso e
uma reverência respeitosa. — Wújì, você não vai receber a bênção este ano?
Lì Zhàn observou a interação com uma mistura de curiosidade e
confusão. Ele olhou para Wànjī, que claramente compreendia a pergunta da
curandeira, mas havia algo em sua expressão que parecia evitar o assunto.
— Você sabe que não sou daqui. — respondeu Wànjī com uma voz
calma, mas firme, desviando o olhar.
— Sinto que não tenho direito a isso. — Sem esperar por mais
perguntas, ele virou-se e começou a se afastar, deixando o príncipe para trás,
ainda mais confuso.
Lì Zhàn apressou o passo para alcançar Wànjī, a curiosidade
transbordando.
— Seu nome é Wújì? — perguntou diretamente, sua voz carregada de
genuína surpresa.
A pergunta inesperada fez Wànjī parar. Ele parecia relaxar um pouco,
talvez aliviado por Lì Zhàn não ter perguntado sobre o Refúgio da Chuva ou seu
direito à bênção.
Ele assentiu lentamente, olhando para o príncipe.
— Meu nome é Wú Wànjī, — explicou — Mas meu nome de
nascimento... é Wú Wújì.
— Me nomearam de Wanji quando vim para o refúgio da chuva. —
explicou
Lì Zhàn absorveu a informação por um momento, antes de perguntar com
um tom leve, quase brincalhão
— Eu gosto de Wújì. Parece mais... você.
Wànjī riu baixinho, balançando a cabeça.
— Talvez, mas ‘Wànjī’ soa melhor para um cultivador. — Ele fez uma
pausa, encarando Lì Zhàn com um olhar que misturava sinceridade e humor.
— Além disso, você não acha que eu deveria parecer um pouco mais
respeitável?
Lì Zhàn sorriu de canto, cruzando os braços.
— Respeitável? Você, Wànjī ? Acho que nem com mil nomes isso seria
possível. — o príncipe riu — Quem iria respeitar um garoto de 16 anos?
Wànjī soltou uma risada genuína, dando um leve empurrão no ombro de
Lì Zhàn enquanto retomava o caminho.
— Vamos, antes que as curandeiras comecem a perguntar o que você está
fazendo comigo.

A chuva começou suave, uma garoa quase tímida, enquanto as árvores


brancas do Refúgio da Chuva pareciam esperar pelo momento exato. Lì Zhàn e
Wànjī subiram para o quarto simples de Wànjī, um espaço aconchegante, com
janelas grandes que davam para o pátio principal. Eles se acomodaram perto da
janela, observando em silêncio enquanto as gotas escorriam lá fora. O vento
carregava o aroma fresco da terra molhada, e o som constante da chuva criava
um ambiente quase hipnótico.
De repente, como se atendendo a um chamado antigo, as folhas das
árvores brancas começaram a brilhar em um tom esverdeado. Uma luz suave
dançou por entre os galhos enquanto a cor se espalhava, cobrindo todo o bosque
em um espetáculo mágico de vida renovada.
— Acontece todos os anos — murmurou Wànjī, a voz carregada de uma
melancolia suave. — Mas parece diferente desta vez.
Lì Zhàn desviou o olhar das árvores para encará-lo. Ele notou algo nos
olhos de Wànjī — uma vulnerabilidade que raramente deixava transparecer.
— Talvez porque você não esteja assistindo sozinho desta vez —
respondeu calmamente.
Wànjī sorriu de lado, mas não respondeu. O silêncio confortável entre
eles se prolongou até que Wànjī, mais uma vez, quebrou a quietude
— Não imaginei que você aceitaria vir até aqui. Você... não parece do
tipo que aprecia festivais.
— Não aprecio — admitiu Lì Zhàn, cruzando os braços. — Mas... desta
vez... não foi tão ruim.
Wànjī riu suavemente, inclinando-se ligeiramente para mais perto, um
sorriso travesso nos lábios.
— Isso é o mais próximo de um elogio que você consegue?

Antes que Lì Zhàn pudesse formular uma resposta, Wànjī estendeu a


mão, seus dedos hesitantes tocando suavemente a manga do manto do príncipe.
O gesto parecia delicado, quase como se ele temesse quebrar a frágil intimidade
que havia surgido entre eles. Mas Lì Zhàn não se afastou, os olhos fixos nos de
Wànjī com uma intensidade que nem ele mesmo compreendia.
Com um movimento lento e cuidadoso, Wanji tocou a bochecha do
príncipe, seus dedos sentindo a suavidade da pele de Lí zhan. O toque foi suave,
mas carregado de algo mais profundo, algo que os dois estavam começando a
perceber — uma conexão difícil de ignorar.
Foi Wànjī quem se aproximou primeiro, seus lábios tocando os de Lì
Zhàn com delicadeza.
O beijo foi suave, um toque leve. Mas à medida que o momento se
prolongava, a hesitação de Wànjī desapareceu. Lì Zhàn, guiado por um impulso
que não conseguia explicar, colocou as mãos no rosto de Wànjī, aprofundando o
beijo com uma intensidade que fez os corações de ambos dispararem. As mãos
de Wànjī ainda eram hesitantes, como se ele estivesse em conflito com o que
estava acontecendo, mas isso não impediu o príncipe de envolver os braços na
cintura do outro, puxando-o para mais perto, antes de suavemente colocá-lo em
seu colo.
Por um instante, o mundo ao redor desapareceu. O som da chuva lá fora,
o cheiro do ambiente, tudo parecia se dissolver, e tudo o que restava era o calor
dos corpos próximos, o toque das mãos e a suavidade dos lábios.
Mas, como se acordando de um sonho, Wànjī afastou-se abruptamente,
respirando com dificuldade, os olhos arregalados e o olhar perdido. Ele estava
confuso, seus pensamentos desencontrados. Não sabia o que fazer, nem como
agir. O rosto de Lì Zhàn estava ali, próximo, esperando, mas ele não sabia o que
mais poderia ser dito.
O silêncio entre eles parecia denso, como uma barreira que agora parecia
impossível de superar. O olhar de Wànjī vacilou, e, por um momento, ele parecia
querer se afastar de tudo o que acabara de acontecer.
Lì Zhàn não disse uma palavra, permanecendo imóvel, seu coração
batendo forte. Ele não sabia o que pensar, mas não queria interromper a sensação
que ainda pairava no ar. Contudo, o silêncio foi quebrado quando Wànjī
finalmente se levantou, seus olhos evitando os de Lì Zhàn.
— Esquece o que aconteceu. — murmurou Wànjī, a voz carregada de um
sentimento que Lì Zhàn não conseguia identificar. Ele parecia estar fugindo de
algo, talvez da intensidade do momento ou de suas próprias emoções. Wànjī
virou-se rapidamente, deixando Lì Zhàn sozinho.
Capítulo três

Agora.
O vento frio soprava suavemente através da floresta densa, fazendo as folhas
secas dançarem pela estrada de terra. A luz do amanhecer filtrava-se timidamente pelas
árvores antigas, lançando sombras distorcidas no chão, como mãos tentando agarrar
quem ousasse atravessar aquele caminho esquecido.
Lí Zhan caminhava à frente, sua expressão impassível como sempre, mas seus
olhos atentos não deixavam escapar nenhum detalhe ao redor. Seus passos eram firmes e
decididos, como se cada passo o afastasse de algo que preferia esquecer.
Logo atrás, Wú Wànjī seguia com o mesmo desleixo encantador de sempre,
mãos nos bolsos e olhar curioso. Embora seu comportamento sugerisse despreocupação,
ele estava tão alerta quanto seu companheiro. Nada passava despercebido por seus olhos
afiados.
— Sabe… se seu pai estiver realmente tentando dominar o mundo, acho que eu
deveria ser avisado. — Wú Wànjī quebrou o silêncio, sua voz descontraída contrastando
com a atmosfera opressiva ao redor. — Não quero ser surpreendido por soldados ou
bestas espirituais.
Lí Zhan lançou-lhe um olhar de soslaio antes de responder friamente
— Já disse uma vez e vou repetir: qualquer coisa que meu pai faça ou diga não é
problema meu.
Wú Wànjī ergueu as sobrancelhas, divertido. Era sempre assim com Lí Zhan:
uma muralha inabalável de emoções cuidadosamente reprimidas. Ele aprendera a não
esperar outra coisa.
Mais à frente, a estrada deserta revelou uma casa simples, quase perdida na
paisagem. As paredes de madeira estavam manchadas pelo tempo, e a cerca ao redor
estava quebrada, como se a natureza estivesse tentando engolir o lugar de volta.
— Vamos ver se há alguém em casa e pedir informações. — Lí Zhan disse,
apertando o passo sem esperar resposta.
Wú Wànjī suspirou, ajustando a espada nas costas enquanto seguia atrás dele.
Algo naquela casa o incomodava. Não era apenas o silêncio absoluto ao redor, mas a
sensação persistente de que estavam sendo observados.
Aproximaram-se lentamente, os sentidos em alerta. Quando estavam a poucos
passos da porta desgastada... ela rangeu e se abriu sozinha, revelando uma escuridão
silenciosa e convidativa.
— Me ajude! Socorro! Por favor
Uma voz de uma mulher surgiu, desesperados eles seguiram o som para ajudar.
Quando a acharam ela estava deitada no chão com as veias pulsando e tendo
alucinações.
— Ela está no estágio inicial da praga. — Li Zhan falou assustado — O que
fazemos? Como salvamos ela?
— Não salvamos.
Lì Zhàn engoliu em seco, lutando contra a vontade de ajudar, mas sabia que Wú
Wànjī estava certo. A praga das Sombras não apenas consumia o corpo, mas também
destruía a mente, transformando as vítimas em bestas sedentas por sangue.
— Vamos sair... agora. — Lì Zhàn assentiu relutantemente, levantando-se.
Antes que pudessem dar um passo, a mulher arquejou violentamente, suas veias
brilhando em um tom escuro e pulsante. Seus olhos opacos se abriram, irradiando um
brilho azul.
— F-fiquem... — sua voz distorcida ecoou, um sorriso grotesco se formando em
seu rosto. — Não vão... embora...
Com um grito inumano, ela se lançou contra eles, suas unhas se transformando
em garras retorcidas.
— Corra! — gritou Wú Wànjī, puxando Lì Zhàn para trás enquanto a criatura
avançava com uma velocidade mortal.

Eles correram em direção a uma cidade, a multidão seguia sua rotina, sem notar
a tensão dos dois cultivadores ofegantes. O som de risadas e conversas animadas
contrastava com a urgência que sentiam. Lì Zhàn olhou ao redor, analisando
rapidamente a estrutura da cidade. As bandeiras vermelhas e douradas balançavam
suavemente ao vento, ostentando o símbolo do clã Líng, uma flor de lótus cercada por
ondas.
— Não podemos ficar muito tempo expostos — murmurou Zhàn, endireitando-
se. — O clã Líng pode ser derivado do seu, mas não significa que sejam aliados.
Wú Wànjī ajustou sua insígnia em forma do clã Wu presa à cintura.
— Concordo, mas não temos muitas opções. Se aquela coisa ainda está nos
seguindo, precisamos despistá-la.
— Você é um príncipe, ninguém irá desconfiar de você. — implicou
— E você é Wu Wanji, o prodígio do clã Wu, a sua fama de idiota só é detalhe
— retrucou
Wanji franziu as sobrancelhas — Então podemos andar normalmente aqui.
Lì Zhàn lançou um olhar afiado para Wú Wànjī, mas não conseguiu evitar um
meio sorriso. A provocação era típica de Wànjī, que parecia sempre encontrar uma
maneira de aliviar a tensão, mesmo nas situações mais desesperadoras.
— Idiota ou não, minha fama pode ser útil — continuou Wànjī com um sorriso
despreocupado. — Afinal, quem desconfiaria de alguém tão “irresponsável” como eu?

— Desde que mantenha essa boca fechada, talvez tenhamos uma chance. —
retrucou Zhàn, ajeitando sua capa escura para esconder melhor sua espada amaldiçoada.

Eles começaram a caminhar pela rua principal da cidade, mantendo um passo


firme, como se fossem apenas mais dois viajantes importantes. As pessoas ao redor
davam-lhes olhares curiosos, mas logo voltavam à própria rotina, aparentemente
acostumadas a figuras excêntricas e poderosas.
— Se estivermos no território do clã Líng, precisamos evitar o salão principal da
cidade — murmurou Lì Zhàn. — Eles podem respeitar meu título, mas não confio neles.

Wú Wànjī assentiu, mas seus olhos permaneciam atentos aos arredores. Mesmo
sob a fachada relaxada, ele estava em constante alerta.

— Vamos encontrar um lugar discreto para ficar e descobrir o que está


acontecendo por aqui — disse ele, mudando de assunto. — A última coisa que
precisamos é daquela coisa nos rastreando de novo.

Antes que pudessem discutir mais, um grupo de guardas com armaduras azul-
prateadas apareceu na esquina da rua, liderado por um homem alto e de expressão
severa. Seu uniforme ostentava o brasão do clã Líng: uma flor de lótus entrelaçada com
ondas.

— Vocês dois! — chamou o líder, sua voz autoritária ecoando pelas ruas. —
Aproximem-se!
Lì Zhàn e Wú Wànjī pararam, trocando um olhar calculado. Não havia como
fugir sem levantar suspeitas.
— Deixe-me cuidar disso — sussurrou Wànjī com um sorriso despreocupado,
avançando antes que Lì Zhàn pudesse protestar.
— Oficiais! Que honra encontrar guardas tão respeitáveis! — disse Wànjī com
uma reverência exagerada. — Podemos ajudá-los em algo?

O líder estreitou os olhos, avaliando-os cuidadosamente.

— Temos informações de que criaturas perigosas foram avistadas nas


redondezas. Qualquer viajante estranho deve ser interrogado. Identifiquem-se.

Lì Zhàn deu um passo à frente, mantendo a postura altiva.

— Eu sou Lì Zhàn, do clã Lí. Este é Wú Wànjī, do clã Wú. Estamos viajando em
missão oficial. Algum problema?

O silêncio se estendeu por um momento, enquanto o líder avaliava a veracidade


das palavras.

— Príncipe Lì Zhàn e Mestre Wú Wànjī... — murmurou ele, desconfiado. —


Então, talvez possam explicar por que estão tão longe de seus domínios.

Wú Wànjī deu um sorriso largo.

— Ora, que tipo de cultivador fica preso em casa? Aventura e dever nos
chamam!

Antes que pudessem responder, um grito horrível ecoou na cidade, seguido pelo
som de algo pesado e monstruoso se arrastando pelas ruas. O horror que eles tentavam
evitar finalmente os encontrou.
— Wuji! Me sigam! — uma mulher que apareceu do além gritou.
Wanji pegou nos braços de Lí Zhan e seguiu a mulher até o Salão principal. Li
Zhan estava confuso, mas confiava em Wanji e o segui cegamente
Eles correram e passaram por multidões de guardas, parecia que eles estavam
seguindo os dois. Eles entram no salão e tudo se acalma
— Você está bem? Se feriu? — Ela tocou Wanji procurando alguma ferida
— Líng Mòyī, para. Eu estou bem. — Wanji disse afastando ela.
— Essa é sua esposa?
Fim do capítulo

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