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UNIVERSIDADE ESTADUAL DE GOIÁS UNIDADE UNIVERSITÁRIA DE CIÊNCIAS EXATAS E TECNOLÓGICAS MESTRADO STRICTO SENSU EM ENGENHARIA AGRÍCOLA

TRATAMENTO DE EFLUENTE DE ABATE BOVINOS COM LAGOAS DE ESTABILIZAÇÃO E IMPACTO DO LANÇAMENTO SOBRE O CORPO RECEPTOR

ANÁPOLIS

JULHO/ 2010

TRATAMENTO DE EFLUENTE DE ABATE BOVINOS COM LAGOAS DE ESTABILIZAÇÃO E IMPACTO DO LANÇAMENTO SOBRE O CORPO RECEPTOR

ERLON ALVES RIBEIRO

Orientador: PROF. DR. DELVIO SANDRI

Dissertação apresentada ao Programa de Pós Graduação em Engenharia Agrícola, da Universidade Estadual de Goiás, Área de Concentração: Recursos Hídricos e Saneamento Ambiental, como requisito para obtenção do título de Mestre em Engenharia Agrícola.

ANÁPOLIS

GOIÁS

2010

TRATAMENTO DE EFLUENTE DE ABATE BOVINOS COM LAGOAS DE ESTABILIZAÇÃO E IMPACTO DO LANÇAMENTO SOBRE O CORPO RECEPTOR

Por ERLON ALVES RIBEIRO

Dissertação apresentada como parte das exigências para obtenção do título de MESTRE EM ENGENHARIA AGRÍCOLA.

Aprovado em

/

/

Prof. Dr. Delvio Sandri Orientador UnUCET/UEG

Profa. Dra. Orlene Costa e Silva Membro UnUCET/UEG

Prof. Dr. Rogério de Araújo Almeida Membro EA/UFG

DEDICATÓRIA iii Dedico especialmente este trabalho aos meus pais, Lázaro Alves Ribeiro e Zulmira Cortegibe

DEDICATÓRIA

iii

Dedico especialmente este trabalho aos meus pais, Lázaro Alves Ribeiro e Zulmira Cortegibe Ribeiro por estarem em todos os momentos da minha vida ao meu lado, a meus irmãos Edson, Tânia e Luís Carlos por me ajudar sempre que possível e a minha esposa Josianny por saber me entender e dar o ombro amigo nos momentos difíceis.

AGRADECIMENTOS iv Muitas pessoas contribuíram, direta ou indiretamente para a realização desse trabalho. Seja com

AGRADECIMENTOS

iv

Muitas pessoas contribuíram, direta ou indiretamente para a realização desse trabalho. Seja com sugestões e conhecimentos, seja através de um gesto, um afago amigo. A todos expresso meus sinceros agradecimentos. Em especial:

Ao meu orientador e amigo, professor Dr. Delvio Sandri, agradeço pelo apoio, ensino, compreensão e incentivo na execução de todo o trabalho. Aos meus pais, Lázaro Alves Ribeiro e Zulmira Cortegibe Ribeiro, pelos exemplos de vida e todo amor, carinho, apoio, dedicação em todos os momentos da minha vida.

A meus irmãos, Edson Ribeiro, Luís Carlos Ribeiro e Tânia Alves Ribeiro, pela ajuda

e apoio nos momentos mais difíceis.

A minha esposa Josianny Boêno Ribeiro, pela valiosíssima ajuda durante o mestrado,

pelo incentivo constante, pelo companheirismo e amizade, que me faz sentir orgulhoso pelo convívio desfrutado durante este tempo.

Ao meu amigo professor MSc. Danilo Rodrigues de Souza (UFBA) pela colaboração nas análises de carbono orgânico total, contribuindo com este trabalho.

Aos sogros Antônio Júlio e Oziris pelo constante apoio nos momentos críticos. Ao Fundo de Fomento à Mineração (FUNMINERAL), em nome de Luís Fernando, Silvio Divino, Valdir e Francisco, pela colaboração na análise de sódio. Aos amigos do mestrado em Engenharia Agrícola da UEG, Marco Sathler Rocha e Michael Silveira Thebaldi pela convivência, companheirismo e auxílio. Lembranças a Paulo Henrique, Pedro Henrique, Juliana, Camila, Sônia, Maria Antônia, Ana Gilda (in memorian), Benedita e Julieta (in memorian).

A todos os professores e funcionários da Universidade Estadual de Goiás, agradeço

pelos ensinamentos, amizade e incentivo na superação dos desafios, indicando sempre o

melhor caminho a ser traçado.

E a Deus agradeço sempre, por ter me concedido saúde, luz e perseverança necessárias

para superar os desafios e barreiras impostas pela vida, permitindo-me seguir em frente rumo à conquista de mais uma etapa em minha vida.

 
  v

v

 

SUMÁRIO

LISTA

DE

TABELAS

 

vii

LISTA

DE

FIGURAS

x

RESUMO

xi

ABSTRACT

xii

1

INTRODUÇÃO

1

2.

OBJETIVOS

4

2.1 GERAL

4

2.2 ESPECÍFICO

4

3.

REVISÃO BIBLIOGRÁFICA

 

5

3.1 DISPONIBILIDADE DE ÁGUA

5

3.2 ESCASSEZ DE ÁGUA

6

3.3 QUALIDADE DA ÁGUA

8

3.4 GESTÃO DE RECURSOS HÍDRICOS

9

3.5 MINIMIZAÇÃO DE RESÍDUOS E REÚSO

11

3.6 ABATE DE BOVINO E SEUS EFLUENTE

14

3.6.1 Divisão dos estabelecimentos de abate de bovinos

15

3.6.2 Etapas do processo de abate de bovinos

15

3.7 CONSUMO DE ÁGUA NO ABATEDOURO

17

3.8 CARACTERIZAÇÃO DO EFLUENTE FRIGORÍFICO

18

3.8.1

Tratamento de efluentes frigoríficos

21

3.8.1.1 Tratamento

primário

22

3.8.1.2 Tratamento

secundário

22

3.8.1.3 Tratamento terciário (se necessário, em função de exigências técnicas e legais

 

23

3.8.2

Lagoas de estabilização

23

3.8.2.1 Lagoa

facultativa

24

3.8.2.2 Lagoa anaeróbia-lagoa facultativa

24

3.8.2.3 Lagoa aerada facultativa

24

3.8.2.4 Lagoa aerada de mistura completa – lagoa de

24

3.8.2.5 Lagoa de maturação

25

3.8.3

Vantagens e desvantagens dos sistemas de lagoas de estabilização

26

3.8.3.1 Sistema de lagoa facultativa

26

3.8.3.2 Sistema de lagoa anaeróbia - lagoa facultativa

26

  vi
 

vi

3.8.3.4 Sistema de lagoa aerada de mistura completa - lagoa de decantação

26

3.8.3.5 Sistema de Lagoa de maturação

27

4

MATERIAL E MÉTODOS

28

 

4.1

LOCAL DO EXPERIMENTO

28

4.3

CONDUÇÃO E TRATAMENTO DO EFLUENTE

29

4.4

COLETA DAS AMOSTRAS E ANÁLISES

30

4.5

VAZÃO DO CÓRREGO JURUBATUBA E VOLUME DE EFLUENTE GERADO

PELO FRIGORÍFICO

32

 

4.6 ANÁLISES FÍSICAS E QUÍMICAS

34

4.7 ANÁLISE DOS DADOS

35

5

RESULTADOS E

DISCUSSÃO

36

 

5.1 DESCRIÇÃO DAS CONDIÇÕES GERAIS DO EXPERIMENTO

36

5.2 FUNCIONAMENTO DO FRIGORÍFICO

37

5.3 EFICIÊNCIA DA ESTAÇÃO DE TRATAMENTO DE EFLUENTE

40

5.4 ANÁLISES DA QUALIDADE DO AFLUENTE, EFLUENTE E DA ÁGUA DO

CÓRRREGO JURUBATUBA

50

6. CONCLUSÕES

82

7. REFERÊNCIAS

83

8. APÊNDICE

94

LISTA DE TABELAS vii TABELA 1 - Consumo de água em abatedouros e frigoríficos bovinos

LISTA DE TABELAS

vii

TABELA 1 - Consumo de água em abatedouros e frigoríficos bovinos 18 TABELA 2 - Características físico-químicas de um efluente frigorífico 21

TABELA 3 - Eficiência dos principais sistemas de lagoas para remoção percentual de

diferentes parâmetros do

TABELA 4 - Dados técnicos das lagoas anaeróbia e facultativa utilizadas no tratamento do

25

efluente do frigorífico em análise

29

TABELA 5 – Metodologia utilizada nas análises físico-químicas nos pontos

34

TABELA 6 - Precipitação ocorrida nos dias anteriores e nos dias das coletas das amostras no

período seco e período chuvoso

TABELA 7 - Número de animais abatidos nos dias de coletas de efluente para análise no

período seco e chuvoso

TABELA 8 - Quantidade de cabeças de gado abatidas por semana, quantidade de efluente e

tempo de detenção hidráulica, a partir das datas de coletas de amostra de efluente e água do

córrego Jurubatuba no período

TABELA 9 - Quantidade de cabeças de gado abatidas por semana, quantidade de efluente e tempo de detenção hidráulica, a partir das datas de coletas de amostra de efluente e água do

córrego Jurubatuba no período chuvoso

TABELA 10 - Valores máximo, mínimo e média de temperatura em o C, radiação solar diária

e velocidade do vento no dia de coleta e média mensal, ocorrida durante os dias de coleta das

amostras no período seco

TABELA 11 - Valores máximo, mínimo e média de temperatura em o C, radiação solar diária

e velocidade do vento no dia de coleta e média mensal, ocorrida durante os dias de coleta das

amostras no período

TABELA 12 - Valores médios de parâmetros físicos e químicos utilizados para a análise da eficiência da lagoa anaeróbia 1 considerando o afluente na entrada (Ponto A) e efluente de

saída (Ponto B) no período seco e no período chuvoso

TABELA 13 - Valores médios de parâmetros físicos e químicos utilizados para a análise da

eficiência da lagoa anaeróbia 2 considerando o afluente na entrada (Ponto B) e efluente de

36

37

38

38

39

40

41

viii TABELA 14 - Valores médios de parâmetros físicos e químicos utilizados para a análise

viii

TABELA 14 - Valores médios de parâmetros físicos e químicos utilizados para a análise da eficiência da lagoa facultativa considerando o afluente na entrada (Ponto C) e efluente de

saída (Ponto D) no período seco e no período

TABELA 15 - Valores médios de parâmetros físicos e químicos utilizados para a análise da

eficiência geral da estação de tratamento considerando o afluente na entrada (Ponto A) e o efluente de saída da estação de tratamento (Ponto D) nos períodos seco e no período chuvoso.

43

44

TABELA 16 - Valores médios de pH no período seco e chuvoso nos diferentes pontos de

coleta na estação de tratamento de efluente e do Córrego

TABELA 17 - Valores médios de turbidez no período seco e chuvoso nos diferentes pontos

de análise na estação de tratamento de efluente e do Córrego Jurubatuba

TABELA 18 - Valores médios de O 2 dissolvido no período seco e chuvoso nos diferentes

pontos de análise na estação de tratamento de efluente e do Córrego

TABELA 19 - Valores médios de % saturação O 2 no período seco e chuvoso nos diferentes

pontos de análise na estação de tratamento de efluente e do Córrego

TABELA 20 - Valores médios de carbono orgânico total (COT) total no período seco e

chuvoso nos diferentes pontos de análise na estação de tratamento de efluente e do Córrego

Jurubatuba

TABELA 21 - Valores médios de cloro no período seco e chuvoso nos diferentes pontos de

coleta na estação de tratamento de efluente e do Córrego

TABELA 22 - Valores médios de alumínio no período seco e chuvoso nos diferentes pontos

de coleta na estação de tratamento de efluente e do Córrego

TABELA 24 - Valores médios de Cu no período seco e chuvoso nos diferentes pontos de

coleta na estação de tratamento de efluente e do Córrego Jurubatuba

TABELA 25 - Valores médios de zinco no período seco e chuvoso nos diferentes pontos de

coleta na estação de tratamento de efluente e do Córrego

TABELA 26 - Valores médios de Manganês (Mn) no período seco e chuvoso nos diferentes pontos de coleta na estação de tratamento de efluente e do Córrego Jurubatuba 63 TABELA 27 - Valores médios de ferro total no período seco e chuvoso nos diferentes pontos de análise na estação de tratamento de efluente e do Córrego Jurubatuba 64 TABELA 28 - Valores médios de ferro III nos períodos seco e chuvoso nos diferentes pontos de análise na estação de tratamento de efluente e do Córrego Jurubatuba 65

50

51

52

54

55

56

57

60

62

ix TABELA 29 - Valores médios de ferro II nos períodos seco e chuvoso nos

ix

TABELA 29 - Valores médios de ferro II nos períodos seco e chuvoso nos diferentes pontos

de análise na estação de tratamento de efluente e do Córrego Jurubatuba

TABELA 30 - Valores médios de fósforo (P) no período seco e chuvoso nos diferentes pontos de análise na estação de tratamento de efluente e do Córrego Jurubatuba 67 TABELA 31 - Valores médios de sulfeto (S -2 ) nos períodos seco e chuvoso nos diferentes pontos de coleta na estação de tratamento de efluente e do Córrego Jurubatuba 68 TABELA 32 - Valores médios de sódio no período seco e chuvoso nos diferentes pontos de

coleta na estação de tratamento de efluente e do Córrego

TABELA 33 - Valores médios de DBO no período seco e chuvoso nos diferentes pontos de

análise na estação de tratamento de efluente e do Córrego Jurubatuba

TABELA 34 - Valores médios de DQO no período seco e chuvoso nos diferentes pontos de

coleta na estação de tratamento de efluente e do Córrego

TABELA 35 - Valores da relação de DQO/DBO nos pontos analisados desde a estação de

tratamento de efluente e do Córrego Jurubatuba

TABELA 36 - Valores médios de nitrogênio total nos períodos seco e chuvoso nos diferentes

pontos de análise na estação de tratamento de efluente e do Córrego

TABELA 37 - Valores médios de condutividade elétrica nos períodos seco e chuvoso nos diferentes pontos de análise na estação de tratamento de efluente e do Córrego Jurubatuba. 75 TABELA 38 - Valores médios de NO 3 nos períodos seco e chuvoso nos diferentes pontos de

coleta na estação de tratamento de efluente e do Córrego

TABELA 39 - Valores médios de NO 2 nos períodos seco e chuvoso nos diferentes pontos de

coleta na estação de tratamento de efluente e do Córrego

TABELA 40 - Valor médio de dureza nos períodos seco e chuvoso nos diferentes pontos de

análise na estação de tratamento de efluente e do Córrego Jurubatuba

TABELA 41 - Valores médios de molibdênio (Mo) nos períodos seco e chuvoso nos diferentes pontos de análise na estação de tratamento de efluente e do Córrego Jurubatuba. 79 TABELA 42 - Valores médios de sólidos sedimentáveis (SS) no período seco e chuvoso nos

diferentes pontos de análise na estação de tratamento de efluente e do Córrego Jurubatuba. 80 TABELA 43 - Valores médios de alcalinidade no período seco e chuvoso nos diferentes

pontos de análise na estação de tratamento de efluente e do Córrego Jurubatuba

66

70

71

72

73

74

76

77

78

81

LISTA DE FIGURAS x FIGURA 1 – Esquema do abate e processamento de FIGURA 2

LISTA DE FIGURAS

x

FIGURA 1 – Esquema do abate e processamento de FIGURA 2 – Vista área da localização do frigorífico

FIGURA 3 - Fluxograma percorrido pelo efluente desde o frigorífico até o sistema de

17

28

tratamento de efluente e posteriormente ao Córrego Jurubatuba

30

FIGURA 4 Pontos de coleta do efluente e água do córrego

31

FIGURA 5 - Local onde foi determinada a vazão do córrego Jurubatuba 32

FIGURA 6 - Número de cabeças de gado abatidas durante o experimento incluído o período

seco e chuvoso

39

RESUMO xi Os abatedouros de bovinos geram uma grande quantidade de efluentes, e se não

RESUMO

xi

Os abatedouros de bovinos geram uma grande quantidade de efluentes, e se não tratados

adequadamente, causam impactos ambientais aos recursos hídricos, como a elevação dos níveis de constituintes físicos, químicos e biológicos, ocasionando o processo de eutrofização

e interferindo na qualidade e quantidade da água para atendimento aos vários setores de

usuários. Desta forma, o objetivo deste estudo foi avaliar a eficiência de três lagoas de estabilização em série para tratamento do efluente de um abatedouro de bovinos, localizado em Anápolis/GO e o impacto de seu lançamento no córrego Jurubatuba. Foram realizadas análises de amostras do efluente na entrada e saída de cada uma das lagoas e no Córrego Jurubatuba, sendo um ponto a montante e dois pontos a jusante do lançamento do efluente. Os parâmetros físicos e químicos analisados foram: demanda bioquímica de oxigênio , demanda química de oxigênio, sólidos sedimentáveis, sólidos dissolvidos, nitrogênio total, nitrogênio

amoniacal, nitrito, nitrato, fósforo, alcalinidade, turbidez, sulfeto, cloro, alumínio, manganês, molibdênio, ferro total, ferro II, ferro III, zinco, cobre, dureza total, pH, oxigênio dissolvido, saturação de oxigênio e condutividade elétrica. O experimento foi realizado em dois períodos,

o primeiro de julho a agosto de 2009, que caracterizou o período seco e de setembro a

dezembro de 2009, como o período chuvoso. Os dados foram submetidos à Análise de variância (Anova) e teste Tukey a 5% de significância. Considerou-se também os padrões da legislação vigente e de outras literaturas em atendimento às exigências ambientais e uso agrícola. Quanto a eficiência da ETE os parâmetros de pH, DBO, sólidos sedimentáveis, amônia, e nitrogênio atendem os padrões de lançamentos, tanto no período seco, como no chuvoso, da resolução Conama n. 357/2005 para a qualidade de corpos hídricos de Classe 2. Para o efluente de fósforo as lagoas do frigorífico não atende à resolução, ficando com níveis considerados altos, em ambos períodos. Quanto ao cloro, amônia, zinco, ferro total, ferro II e III, sulfeto, nitrogênio, nitrato, nitrito, dureza, a ETE apresentou boa remoção e o efluente não comprometeu a qualidade da água do córrego. Em contra partida, a turbidez, COT (carbono orgânico total), alumínio, manganês, sódio, DQO (demanda química de oxigênio), DBO (demanda bioquímica de oxigênio), condutividade elétrica, nitrito e molibdênio não atenderam a legislação para lançamento e ainda influenciaram a qualidade da água do córrego. O efluente apresente risco de reuso para alguns parâmetros analisados.

PALAVRAS-CHAVE: Águas residuárias, qualidade de água, recursos hídricos.

ABSTRACT xii The cattle slaughterhouses create a great quantity of effluents, which if not treated

ABSTRACT

xii

The cattle slaughterhouses create a great quantity of effluents, which if not treated adequately cause environmental impacts to the water resources, such as increased levels of physical, chemical and biological constituents that may cause an eutrophication process, which in turn interfere in the quality and quantity of the water to serve the various user segments. In this way, the objective of the present study is to evaluate the efficiency of three stabilization ponds in series for the treatment of the effluent of one cattle slaughterhouse, located in Anápolis/GO and the impact of its release in the Jurubatuba stream. Analysis of the samples of the effluents in the inlet and outlet of each of the streams and in the Jurubatuba stream was carried out, one point being upstream and two points being downstream of effluent release. The physical and chemical parameters analyzed were: biochemical demand of oxygen, chemical demand of oxygen, sedimentary solids, dissolved solids, total nitrogen, ammoniacal nitrogen, nitrite, nitrate, phosphorus, alkalinity, turbidity, sulfide, chlorine, aluminum, manganese, molybdenum, total iron, iron II, iron III, zinc, copper, total hardness, pH, dissolved oxygen, oxygen saturation, and electrical conductivity. The experiment was carried out in two periods, the first from July to August 2009, which characterized the dry season, and from September to December 2009, the rainy season. The data was submitted to variance analysis (Anova) and the Tukey test at 5% significance, considering the standards of existing legislation and other literatures in response to environmental and agricultural demands. As to ETE efficiency the parameters of pH, DOB, sedimentary solids, ammonia, and nitrogen meet the discharge standards, both in the dry season, and in the rainy season of the Conama resolution 357/2005 for the quality of Class 2 bodies of water. For phosphorus effluent the ponds of the freezer warehouses do not meet the resolution, having considerably high levels, in both periods. As to chlorine, ammonia, zinc, total iron, iron II and III, sulfide, nitrogen, nitrate, nitrite, hardness, the ETE presented good removal and the effluent did not compromise the quality of the water in the pond. On the other hand, the turbinity, COT (total organic carbon), aluminum, manganese, solid, DQO (chemical demand of oxygen), DBO (biochemical demand of oxygen), electric conductivity, nitrite, and molybdenum did not meet the legislation for discharge and also influenced the quality of water in the pond. The present risck effluent reuse for some parameters analyzed.

Key Words: Wastewater, quality of water, water resources.

1

INTRODUÇÃO

O crescimento acelerado da população mundial, associado à produção e consumo elevado de diversos produtos, resultou na maior geração de resíduos sólidos, efluentes, gases tóxicos, dentre outros, causando impactos ambientais negativos. Para promover a proteção e a melhoria da qualidade ambiental, e ao mesmo tempo o desenvolvimento econômico e social, é necessário abandonar o conceito de inesgotabilidade dos recursos naturais; e adotar medidas de prevenção à poluição, reutilização, reciclagem e planejamento; que cada vez mais ganham espaço nas atividades produtivas. O desenvolvimento econômico deve ser alcançado, respeitando-se o potencial e as limitações do ambiente (FERREIRA et al., 2002). Com a crescente preocupação e fiscalização da sociedade e dos órgãos ambientais, no que diz respeito à qualidade das águas fluviais, as indústrias buscam promover medidas que minimizem o impacto ambiental causado pela liberação, nos corpos d'água, de seus efluentes de alto passivo ambiental. Dessa forma, vem alterando, ainda que de maneira incipiente, a consciência de que a água seria um corpo receptor infinito de toda a água residuária resultante do processo industrial (LEITÃO JÚNIOR et al., 2007). A maioria dos estabelecimentos, lançam suas águas residuárias diretamente em cursos d’água que, se forem volumosos e perenes, são capazes de autodepurar a carga recebida sem maiores prejuízos. Porém, o que frequentemente acontece é que os rios são de pequeno porte e possui alta concentração de matéria orgânica, tornando as águas receptoras impróprias à vida aquática e a vários usos como agrícola, comercial, industrial ou recreativo. Devido aos crescentes problemas ambientais, torna-se uma necessidade o prévio tratamento dos efluentes gerados pelas indústrias antes de seu lançamento nos corpos receptores, bem como estudar os impactos ambientais resultantes do lançamento. Dentre os principais despejos agroindustriais que precisam de atenção para evitar a poluição das águas, estão os dos matadouros e frigoríficos (BRAILE e CAVALCANTI, 1993). Suas cargas poluidoras apresentam uma elevada quantidade de matéria orgânica, fato que propõe que nestes tipos de estabelecimentos, haja tratamento de nível secundário, em que predominam os mecanismos biológicos, que objetivam as remoções da matéria orgânica e nutriente, como o nitrogênio e fósforo. A presença de matéria orgânica em corpos hídricos

2 leva a redução de oxigênio dissolvido no meio, utilizado nos processos metabólicos dos microrganismos

2

leva a redução de oxigênio dissolvido no meio, utilizado nos processos metabólicos dos microrganismos estabilizadores da carga orgânica (SARDINHA et al., 2008). No Brasil, o rebanho bovino é um dos maiores do mundo - em torno de 198,5 milhões de cabeças, em 2006, sendo a região Centro-Oeste a maior produtora, com 34,24% do rebanho nacional (PACHECO, 2006). No ano de 2009 foram abatidas um total de 27,97 milhões de cabeças (IBGE, 2009). Como conseqüências das operações de abate para obtenção de carne e derivados originam-se vários subprodutos e/ou resíduos que devem sofrer processamentos específicos: couros, sangue, ossos, gorduras, aparas de carne, tripas, animais ou suas partes condenadas pela inspeção sanitária, etc. De qualquer forma, processamentos e destinações adequadas devem ser dados a todos os subprodutos e resíduos do abate, em atendimento às leis e normas vigentes, sanitárias e ambientais (PACHECO, 2006). O município de Anápolis faz parte do quadro sócio-econômico e político do Estado de Goiás, sendo um dos municípios mais importantes; segundo em economia e o terceiro em população. Anápolis é caracterizada como município industrial, porque além das 657 indústrias distribuídas em seu território, abriga o maior pólo industrial do estado de Goiás, o Distrito Agroindustrial de Anápolis - DAIA, com 102 indústrias ativas, 7 em construção e 135 novos projetos aprovados através de incentivos fiscais concedidos pelo Estado. Os principais produtos agrícolas do município de Anápolis são milho, soja, banana, laranja, tomate e mandioca. Quanto ao efetivo de animais, as aves, com 146.600 cabeças são o principal bem produzido, seguido do efetivo bovino, com 82.000 cabeças. Na Vila Fabril, existem olarias, indústria de tijolos, telhas e ladrilhos, mas a base da indústria é de transformação de matérias primas de origem animal e vegetal, como frigoríficos, granjas e benecificiadoras de arroz e feijão (CASTRO, 2009). O córrego Jurubatuba, passa margeando o bairro Vila Fabril, onde recebe descarga de esgotos domésticos, das olarias e de um frigorífico também situado neste mesmo bairro. O córrego Jurubatuba faz parte da Bacia Hidrográfica do córrego Lagoinha, afluente do córrego Catingueiro, tributário do Jurubatuba que, juntamente com o córrego Pedreira, constitui o ribeirão João Leite, principal manancial responsável pelo abastecimento de água das cidades de Goiânia, e de parte de Aparecida de Goiânia. A área da bacia do Lagoinha possui característica de uso urbano-rural, sendo este fato evidenciado na região de despejo do efluente proveniente do frigorífico estudado, pois existem várias pequenas propriedades

3 instaladas as margens do Córrego Jurubatuba, voltados principalmente a produção de hortaliças (SANTOS e

3

instaladas as margens do Córrego Jurubatuba, voltados principalmente a produção de hortaliças (SANTOS e LOPES, 2007). Os efluentes de frigoríficos e abatedouros caracterizam-se pela elevada carga orgânica (em função da presença de sangue, gordura, conteúdo estomacal não digerido e conteúdo intestinal), flutuações de pH decorrente da utilização de sanitizantes ácidos e básicos, altos conteúdos de nitrogênio, fósforo e sal, flutuações de temperatura pelo uso de águas quente e fria (CETESB, 2008). Tais características levam à necessidade de um sistema de tratamento eficiente, para que não ocorra o comprometimento do ambiente do corpo receptor.

2. OBJETIVOS 4 2.1 GERAL - Avaliar a eficiência de um sistema de tratamento de

2. OBJETIVOS

4

2.1 GERAL

- Avaliar a eficiência de um sistema de tratamento de efluente de um abatedouro de

bovinos, composto de três lagoas de estabilização em série e medir o impacto do lançamento

de seu efluente final sobre o corpo receptor.

2.2 ESPECÍFICO

- Avaliar a eficiência total e de cada uma das lagoas do sistema na remoção de

parâmetros físicos e químicos dos efluentes do abatedouro.

- Avaliar o impacto do lançamento do efluente final do sistema de tratamento sobre a qualidade da água do corpo receptor.

- Avaliar a adequação do efluente ao reuso agrícola, direto e indireto.

- Avaliar o atendimento do sistema de tratamento à legislação vigente.

- Avaliar a qualidade das águas do córrego Jurubatuba em três pontos distintos.

3. REVISÃO BIBLIOGRÁFICA 5 3.1 DISPONIBILIDADE DE ÁGUA A água como recurso essencial à vida

3. REVISÃO BIBLIOGRÁFICA

5

3.1 DISPONIBILIDADE DE ÁGUA

A água como recurso essencial à vida é necessária para quase todas as atividades

humanas, sendo ainda, componente da paisagem e do meio ambiente. Trata-se de bem precioso, de valor inestimável, que deve ser conservado e protegido a qualquer custo (ATHAYDE JÚNIOR et al., 2008). Presta-se para usos múltiplos: geração de energia elétrica,

abastecimento doméstico e industrial, irrigação de culturas, navegação, recreação, aqüicultura, pesca e também para assimilação e afastamento de esgotos (ANEEL/ANA, 2001). Freitas et al. (2001) afirmam que a água é a substância que predomina na biosfera, onde quatro quintos do globo terrestre são cobertos de água, mas de todo manancial existente na face da terra, 97,6% é de água salgada e apenas 2,4% de água doce. Desta, pequena porção, 79%, estão sob a forma de geleiras, nas calotas polares; 20,96% correm nos subterrâneos do planeta e apenas 0,04% da água doce do Globo está sob forma de rios e lagos. Uma parcela muito pequena cabe à Austrália, África e Europa. As regiões do globo mais favorecidas são a Ásia e a América do Sul, sendo que nesta última, só o rio Amazonas deságua mais de 6 mil Km 3 de água no por ano no Oceano Atlântico (ASSIS, 2001).

O Brasil é considerado um país riquíssimo em termos hidrológicos, pois detém cerca

de 12% da água doce que escorre superficialmente no mundo. O problema é que esse volume é desigualmente distribuído: 70% estão na Amazônia, região com menos de 7% da população nacional, 15% no Centro-Oeste, 6% no Sul e no Sudeste e apenas 3% no Nordeste, sendo 2/3 destes localizados na bacia do rio São Francisco (SUASSUNA, 2004) De acordo com a Aneel (1998), a produção brasileira é de 182.170 m 3 /s com volume de deflúvio de 5.745 km 3 /ano. O Brasil possui situação privilegiada, entretanto, uma distribuição desigual do volume e disponibilidade de recursos hídricos: enquanto um habitante do Amazonas tem 700.000 m 3 de água por ano disponíveis, um habitante da região metropolitana de São Paulo tem 280 m 3 por ano. Essa disparidade traz inúmeros problemas econômicos e sociais, especialmente levando-se em conta a disponibilidade/demanda e saúde na periferia das grandes regiões metropolitanas do Brasil: esse é um dos grandes problemas ambientais deste início de século XXI no Brasil (TUNDISI, 2008). Nas demais regiões

6 brasileiras, onde reside a maioria da população, a disponibilidade hídrica para fins de abastecimento

6

brasileiras, onde reside a maioria da população, a disponibilidade hídrica para fins de abastecimento é de apenas 20% (GARCIA et.al, 2007).

O Estado de Goiás tem suas terras drenadas por quatro bacias hidrográficas que levam

suas águas para as regiões hidrográficas do Tocantins, do São Francisco e do Paraná. A bacia

hidrográfica do Paranaíba, além de sua importância territorial, destaca-se também pela localização das principais cidades do estado como Goiânia, Anápolis, Rio Verde, Jataí, Itumbiara e Santa Helena de Goiás. A alta concentração populacional, desta bacia tem resultado no agravamento de vários problemas ambientais, desde o uso de ocupação do solo nas áreas rurais até as ocupações desordenadas no entorno das cidades. Em conseqüência destas atividades rurais e urbanas, várias áreas desta bacia apresentam comprometimentos relacionados com assoreamento dos rios, ausência de cobertura vegetal ciliar, escassez de água, perda de solos agricultáveis e por atividades industriais (VEIGA, 2003).

3.2 ESCASSEZ DE ÁGUA

A escassez de água no mundo é agravada em virtude da desigualdade social e da falta

de manejo e usos sustentáveis dos recursos naturais. De acordo com os números apresentados pela ONU - Organização das Nações Unidas fica claro que controlar o uso da água significa ser dono de uma situação privilegiada. As diferenças registradas entre os países desenvolvidos e os em desenvolvimento conflitam-se e evidenciam que a crise mundial dos recursos hídricos está diretamente ligada às desigualdades sociais (CETESB, 2008). Vários especialistas apresentam estimativas negativas para o futuro. Setti (2001) aponta para uma situação de escassez que envolverá cerca de cinco e meio bilhões de pessoas vivendo em áreas com moderada ou séria falta de água, em um horizonte de trinta anos, por que, a água doce não se encontra distribuída uniformemente por toda a superfície do planeta. A água é um dos recursos naturais mais escassos no novo milênio. A escassez, naturalmente, reside não somente no volume de água doce encontrada na biota terrestre, mas devido a sua poluição generalizada, reduzindo a porção disponível para o consumo humano e outras atividades que exigem elevado nível de qualidade. Daí, o consenso mundial acerca da necessidade de garantir às presentes e futuras gerações o direito a um ambiente ecologicamente equilibrado com qualidade razoável que lhes permita viver com dignidade e bem-estar (BRASIL, 1988).

7 Segundo Tundisi (2008), a demanda mundial para a produção de alimentos aumenta progressivamente. Atualmente,

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Segundo Tundisi (2008), a demanda mundial para a produção de alimentos aumenta progressivamente. Atualmente, na maioria dos países, continentes e regiões, a água consumida na agricultura é de cerca de 70% da disponibilidade total. Há uma enorme necessidade de redução desse uso com a introdução de tecnologias adequadas, eliminação dos desperdícios e introdução de reuso e reciclagem. Questões relativas ao acesso regular a água potável tem causado preocupação, principalmente em países em desenvolvimento, que sofrem com a rápida expansão urbana, o adensamento populacional e a ocupação de áreas periurbanas e rurais, com evidentes deficiências e dificuldades no suprimento de água para satisfazer as necessidades básicas diárias. O provimento adequado de água, em quantidade e qualidade, é essencial para o desenvolvimento socioeconômico local, com reflexos diretos sobre as condições de saúde e bem-estar da população. Condições adequadas de abastecimento resultam em melhoria das condições de vida e em benefícios como controle e prevenção de doenças, prática de hábitos higiênicos, conforto e bem-estar, aumento da expectativa de vida e da produtividade econômica (RAZZOLINI e GUNTHER, 2008). Os problemas de escassez hídrica no Brasil decorrem, fundamentalmente, da combinação entre o crescimento exagerado das demandas localizadas e da degradação da qualidade das águas. Esse quadro é conseqüência dos desordenados processos de urbanização, industrialização e expansão agrícola (ANEEL, 2001). Os desafios que os agricultores do Estado de Goiás encontram são as necessidades de agregarem valor aos produtos para torná-los compatíveis com os produtos obtidos nas áreas irrigadas e, a capacitação e a transferência de tecnologias dos centros de pesquisas para o campo, visando um uso eficiente da água e demais fatores de produção (VEIGA, 2003) Segundo GEO Brasil (2007), as parcelas de água destinadas à irrigação no Brasil têm um merecido destaque estimado em 69% das vazões efetivamente consumidas, enquanto o abastecimento urbano representa 11%, o abastecimento animal 11%, o industrial 7% e o abastecimento rural 2%. A irrigação é uma tecnologia com grande importância para a produção de alimentos e propicia um maior controle da lavoura, possibilitando um aumento na qualidade. Tem o objetivo de fornecer água às culturas no momento certo e na quantidade adequada, garante uma maior eficiência no uso de água, aumenta a produtividade da cultura, diminui os custos

8 de produção e, consequentemente, proporciona um maior retorno dos investimentos (BERNARDO et al., 2006).

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de produção e, consequentemente, proporciona um maior retorno dos investimentos (BERNARDO et al., 2006). Existe uma tendência natural de aumento do uso da água, seja pelo aumento populacional, culminado numa maior necessidade por alimentos, seja pela disponibilidade de terras com aptidão para o uso na agricultura irrigada. Porém, não existe previsão de aumento da oferta de água doce, ao contrário, os desmatamentos e o uso inadequado do solo têm mantido um elevado escoamento superficial com baixa reposição dos mananciais e fontes hídricas (COELHO, 2005).

3.3 QUALIDADE DA ÁGUA De acordo com SPERLING (2005), a qualidade da água é resultante de fenômenos naturais e da atuação do homem. De maneira geral, pode-se dizer que a qualidade de uma determinada água é função das condições naturais e do uso da ocupação do solo da bacia hidrográfica. Tal se deve aos seguintes fatores:

Condições naturais: mesmo com a bacia hidrográfica preservada, a qualidade das águas é afetada pelo escoamento superficial e pela infiltração no solo, resultantes da precipitação atmosférica. O impacto é dependente do contato da água em escoamento ou infiltração com as partículas, substâncias e impurezas no solo. Assim, a incorporação de sólidos em suspensão (ex: partículas de solo) ou dissolvidos (ex: íons oriundos da dissolução de rochas) ocorre, mesmo na condição em que a bacia hidrográfica esteja totalmente preservada em suas condições naturais (ex: ocupação do solo com matas e florestas). Neste caso tem grande influência a cobertura e a composição do solo. Interferência dos seres humanos: a interferência antrópica quer de uma forma concentrada, como na geração de despejos domésticos ou industriais, quer de uma forma dispersa, como na aplicação de defensivos agrícolas no solo, contribui na introdução de compostos na água, afetando a sua qualidade. Portanto, a forma em que o homem usa o solo tem uma implicação direta na qualidade da água. Como resultado das desigualdades sociais e regionais, da pressão antrópica e da expansão das atividades industriais muitos rios, riachos, canais e lagoas foram assoreados, aterrados e desviados abusivamente, e até mesmo canalizados; Suas margens foram ocupadas, as matas ciliares e áreas de acumulação suprimidas. Imensas quantidades de lixo acumulam-se no seu interior e nas encostas desmatadas, sujeitas a erosão. Regiões no passado alagadiças,

9 com pântanos, mangues, brejos ou várzeas foram primeiro, aterradas e, depois, impermeabilizadas e edificadas

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com pântanos, mangues, brejos ou várzeas foram primeiro, aterradas e, depois, impermeabilizadas e edificadas (MACHADO, 2003). Alguns desses problemas são encontrados também na bacia do córrego Lagoinha, onde se encontra o córrego Jurubatuba, no município de Anápolis, GO. Esta bacia localiza-se na Área de Proteção Ambiental (APA) do ribeirão João Leite que, implantada em 2002, que com uma série de problemas oriundos da ocupação muito anterior à data da sua criação. Já é possível identificar, na bacia do córrego da Lagoinha, ainda mais rural do que urbana problemas de erosão e de assoreamento semelhantes aos existentes em bacias urbanas com características geológicas, geomorfológicas e pedológicas similares (SANTOS e LOPES,

2007).

De acordo com a resolução CONAMA n. 357/2005, para analisar a qualidade de água e de lançamento pode-se verificar pH, turbidez, DQO, DBO, nitrogênio total e fósforo, devido aos problemas que estes itens causam tanto na flora e fauna de um ambiente aquático.

3.4 GESTÃO DE RECURSOS HÍDRICOS Gestão de recursos, em sentido lato, é a forma pela qual se pretende equacionar e

resolver as questões de escassez dos recursos, bem como fazer o uso adequado, visando a sua otimização em benefício da sociedade (ANEEL/ANA, 2001).

nortear

qualquer processo de gerenciamento de recursos hídricos, são:

Segundo

Magalhães

(1998),

alguns

princípios

fundamentais

que

devem

- O acesso aos recursos hídricos deve ser um direito de todos;

- A água dever ser considerada um bem econômico;

- A bacia hidrográfica deve ser adotada como unidade de planejamento;

- A disponibilidade de água, deve ser distribuída segundo critérios sociais, econômicos e ambientais;

- Deve haver um sistema de planejamento e controle;

- Os usuários devem participar da administração da água;

- A avaliação sistemática dos recursos hídricos de um país é uma responsabilidade nacional e recursos financeiros devem ser assegurados para isso;

- A educação ambiental deve estar presente em toda ação programada.

A partir dos anos 70, no entanto, a ocorrência de sérios conflitos de uso da água começou a suscitar discussões nos meios acadêmicos e técnico-profissional sobre como

10 minimizar os problemas decorrentes. Os conflitos envolviam não só setores usuários diferentes, como também

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minimizar os problemas decorrentes. Os conflitos envolviam não só setores usuários diferentes, como também os interesses de unidades político-administrativas distintas (Estados

e Municípios). Nesse período, o poder se achava muito concentrado na área federal, tendo partido, justamente, de técnicos do Governo Federal a iniciativa de se criarem estruturas para gestão dos recursos hídricos por bacia hidrográfica (TUCCI et al., 2001).

A Lei n. 9.433, de 1997, deu ao Brasil uma nova política de recursos hídricos e

organizou o sistema de gestão, concretizou então a gestão por bacias hidrográficas. Hoje no Brasil, os recursos hídricos têm sua gestão organizada por bacias hidrográficas em todo o território nacional, seja em corpos hídricos de titularidade da União ou dos Estados. Há certamente dificuldades em se lidar com esse recorte geográfico, uma vez que os recursos

hídricos exigem a gestão compartilhada com a administração pública, órgãos de saneamento, instituições ligadas à atividade agrícola, gestão ambiental, entre outros, e a cada um desses setores corresponde uma divisão administrativa certamente distinta da bacia hidrográfica. (PORTO e PORTO, 2008).

O reconhecimento da água como bem econômico procede das situações de escassez

deste recurso natural, o que tem se apresentado com grande consequência em inúmeras

regiões do globo terrestre. No Brasil, a pouco tempo o tratamento dispensado ao tema da água colocava este recurso como um elemento incondicionalmente abundante, sem uma preocupação maior com sua possível exaustão (GARRIDO, 1999).

A Lei n. 9.433, estabelecendo que “foram cobrados os usos dos recursos hídricos

sujeitos à outorga (art. 20, seção IV), modificou substancialmente as bases operacionais e econômicas do uso da água” (BRASIL, 1997). A cobrança pelo uso da água, embora criticada por alguns setores, inclusive formadores de opinião com atuação na área ambiental, se constitui em instrumento extremamente benéfico tanto em termos de conservação de recursos hídricos, uma vez que induz à gestão da demanda, como em termos de proteção ambiental, promovendo a redução da descarga de efluentes em corpos hídricos (HESPANHOL, 2008). A cobrança pelo uso da água pode provocar uma racionalização do consumo porque, o desperdício que se pratica passa a ser encarado como prejuízo. A explosão demográfica vem liberando, em suas atividades, o lançamento de dejetos e substâncias tóxicas no meio ambiente, poluindo principalmente os recursos hídricos, tornando-os cada vez mais escassos, o que faz necessário encontrar medidas, para diminuir seu consumo, bem como evitar desperdícios e ainda proporcionar recursos econômicos para a sua manutenção. Uma das

11 formas é cobrar pela sua utilização, por meio do conceito usuário-pagador, que está associado

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formas é cobrar pela sua utilização, por meio do conceito usuário-pagador, que está associado ao poluidor-pagador.

A cobrança pela utilização da água tem as seguintes finalidades: conscientizar sobre

sua importância e, como se trata de um produto renovável, mas finito; fornecer subsídios

econômicos para o seu próprio gerenciamento; incentivar a utilização racional pela diminuição de sua captação e possibilitar uma distribuição mais equitativa; contribuindo no processo de se conseguir um desenvolvimento sustentável. Para que isso ocorra é necessário estudar e adotar um gerenciamento dos recursos hídricos com as seguintes providências:

manter equipamentos em bom estado para evitar desperdícios; incentivar o reúso e o reciclo da água; distribuir a água, levando em consideração as necessidades sociais e as possibilidades econômicas; rever e propor mudanças na legislação penal, para efetivas sanções ao poluidor (SANTOS, 2000b).

O princípio do usuário-pagador estabelece que os usuários de recursos naturais devem

estar sujeitos à aplicação de instrumentos econômicos para que o uso e o aproveitamento desses recursos se processem em benefício da coletividade (FREITAS, 2001). De acordo com Oliveira e Venturini, (2008), a lei de cobrança pelo uso da água não deve ser vista como um instrumento arrecada tório. Deve ser vista como um instrumento de gestão, pois melhor do que cobrar de quem polui para investir em ações que mitiguem o dano por ele causado é conscientizar quem polui a deixar de fazê-lo. Desse modo, a cobrança é tratada de forma diferenciada, de modo a promover a equidade, ou seja, o usuário que utiliza a água e devolve ao rio sem contaminar, elimina desperdícios e controla suas perdas, não deve pagar por aqueles que o fazem.

3.5 MINIMIZAÇÃO DE RESÍDUOS E REÚSO Como nem sempre é possível não gerar resíduos, a minimização é a segunda melhor opção de gerenciamento para a indústria, porque visa melhorias no desempenho ambiental de atividades existentes. O termo “Minimização de Resíduos” foi definido pela Agência de Proteção Ambiental Norte-Americana (EPA), como “toda ação tomada para reduzir a quantidade e/ou a toxicidade dos resíduos que requerem disposição final”. Segundo Crittenden e Kolaczowski (1995) esta opção de gerenciamento envolve qualquer técnica, processo ou atividade que evite, elimine ou reduza a quantidade de resíduo gerada na fonte, geralmente dentro dos limites do processo; ou permita o reúso ou a

12 reciclagem dos resíduos para um propósito útil com conseqüente diminuição dos gastos econômicos e

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reciclagem dos resíduos para um propósito útil com conseqüente diminuição dos gastos econômicos e disposição dos mesmos no meio ambiente. Segundo Mancuso e Santos (2003), e reuso de água é o reaproveitamento de águas previamente utilizadas, uma ou mais vezes, em alguma atividade humana, para suprir as

necessidades de outros usos benéficos, inclusive o original. Pode ser direto ou indireto, bem como decorrer de ações planejadas ou não planejadas. Ainda segundo este autor, existe as seguintes classificações:

- Reuso indireto não planejado de água; ocorre quando a água, utilizada em alguma

atividade, é descarregada no meio ambiente e novamente e utilizada a jusante, em sua forma diluída, de maneira não intencional e não controlada.

- Reuso direto planejado de água; ocorre quando os efluentes, depois de tratados, são encaminhados diretamente de seu ponto de descarga até o local do reuso, não sendo

descarregados no meio ambiente. É o caso com maior ocorrência, destinando-se a uso em indústria ou irrigação.

- Reuso indireto planejado de água; ocorre quando os efluentes depois de tratados são

descarregados de forma planejada nos corpos de águas, para serem utilizadas a jusante, de maneira controlada, no atendimento de algum uso benéfico. O reuso indireto planejado da água pressupõe que exista também um controle sobre as eventuais novas descargas de efluentes no caminho, garantindo assim que o efluente tratado estará sujeito apenas a misturas com outros efluentes que também atendam aos requisitos de qualidade do reuso objetivado. Segundo Hespanhol (1999) os sistemas de reuso adequadamente planejados e administrados trazem melhorias ambientais e de condições de saúde, como: evita a descarga de esgotos em corpos de água; preserva recursos subterrâneos, principalmente em áreas onde a utilização excessiva de aqüíferos provoca intrusão de cunha salina ou subsidência de terrenos; permite a conservação do solo, através da acumulação de húmus e aumenta a resistência à erosão; contribui, principalmente em países em desenvolvimento, para o aumento da produção de alimentos, no caso de irrigação, elevando assim os níveis de saúde, qualidade de vida e condições sociais das populações associadas aos esquemas de reuso. Existem inúmeras tecnologias disponíveis para adequar as águas servidas ao reuso. Processos físico-químicos, ultra filtração e osmose são apenas algumas das propostas. Considerando a legislação ambiental de alguns estados brasileiros, o reuso ou reciclo de parte

13 dos efluentes passa a ser muito interessante e convidativo, pois reduz o volume final

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dos efluentes passa a ser muito interessante e convidativo, pois reduz o volume final dos efluentes com conseqüente diminuição da exigência ambiental (SCARASSATI et. al., 2003). Com a implantação deste sistema otimiza-se o aproveitamento da matéria-prima e reduzem-se os custos de tratamento e disposição dos resíduos gerados, melhorando a eficiência e aumentando a produtividade dos processos (VALLE, 1995; EDWARDS et.al., 2000). Além disso, a melhoria no desempenho ambiental gera benefícios econômicos uma vez que a indústria passa a produzir mais com menos, desperdiçar menos, reciclar mais, etc. (GILBERT, 1995). Atualmente, a indústria está submetida a dois grandes instrumentos de pressão. De um lado, as imposições globais, tanto ambientais como de saúde pública, resultantes das relações do comércio interno e internacional; de outro, as recentes condicionantes legais de gestão de recursos hídricos, particularmente as associadas à cobrança pelo uso da água (PIO 2005). Para se adaptar a esse novo cenário, a indústria vem aprimorando seus processos e desenvolvendo sistemas de gestão ambiental para atender às especificações dos mercados interno e externo, e implementando sistemas e procedimentos direcionados para a gestão da demanda de água e a minimização da geração de efluentes (MIERZWA e HESPANHOL,

2005).

A água para uso industrial requer características de qualidade em razão do tipo de uso considerado. Na maioria dos casos, o efluente requer um tratamento adicional após o tratamento secundário, alcançando assim a qualidade requerida para um determinado uso (HESPANHOL, 2008). O reuso das águas residuárias tratadas é considerado um excelente instrumento para otimização dos recursos hídricos, cada vez mais ameaçado de escassez. Mais que isso, é uma forma de desenvolvimento sustentável, podendo os recursos hídricos ser aproveitados de forma permanente. Outro fator importante também levado em consideração na reutilização das águas residuárias das indústrias, é a conscientização ambiental, que vem se destacando dia a dia, nos diversos setores da sociedade moderna, com uma cobrança cada vez maior da sociedade civil organizada às autoridades competentes, bem como aos setores produtivos. Com efeito, as alterações que vêm ocorrendo no meio ambiente, sobretudo, pelo descarte de resíduos industriais de forma desordenada, vêm ocasionado a escassez de água de boa qualidade, reorientando o empresário a uma mudança de comportamento, no mundo inteiro, do

14 ponto de vista técnico/ambiental, que minimize os impactos ambientais e preserve o ecossistema às

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ponto de vista técnico/ambiental, que minimize os impactos ambientais e preserve o ecossistema às gerações futuras (SOUZA e LEITE, 2003).

3.6 ABATE DE BOVINO E SEUS EFLUENTE

O abate de bovinos é uma das atividades econômicas mais importantes no mercado

brasileiro, levando-se em conta que o Brasil é um dos maiores exportadores da carne bovina

no mundo. Portanto, este é um setor que deve cumprir todas as leis sanitárias para que não haja recusa do produto pelos compradores. O cumprimento das leis sanitárias consequentemente, leva ao cumprimento das leis de proteção ao meio ambiente. A sociedade cada vez mais preocupa-se com a preservação do meio ambiente, despertando com isso uma

nova consciência no questionamento ambiental. Devido ao crescimento populacional o consumo de carne passou a ter um substancial valor, que resultou no aumento da atividade do setor de abate de bovinos, trazendo junto à preocupação com meio ambiente (MARIA, 2008). Segundos dados do IBGE (2007), nos anos de 2006 e 2007 foram abatidas no Brasil aproximadamente 30 e 25 milhões de bovinos, respectivamente em estabelecimentos que possuem Sistema de Inspeção Federal (SIF).

O volume de resíduos e o consumo de água nos frigoríficos podem variar de acordo

com o processo empregado em cada estabelecimento, sendo grande parte descartada como efluentes com volumes de 0,4 a 3,1 m 3 por animal abatido (TRITT e SCHUCHARDT, 1992). Entretanto, utiliza-se como base de cálculo para abate de bovinos 2,5 m 3 por cabeça (BRAILE et al., 1993; SCARASSATI et al., 2003), distribuídos em 0,9 m 3 na sala de matança; 1 m 3 nas demais dependências como bucharia, triparia, miúdos, sanitários, etc.; 0,6 m 3 nos anexos externos como pátios e currais, incluindo a lavagem de caminhões. Com os dados do IBGE (2007) podemos estimar que o volume de efluente gerado no Brasil, nos frigoríficos, foi de 75 milhões de metros cúbicos, em 2006 e em 2007, 62,5 milhões de metros cúbicos. De acordo com Cetesb (2008), em abatedouros, assim como em vários tipos de indústrias, o alto consumo de água acarreta grandes volumes de efluentes (80 a 95% da água consumida é descarregada como efluente líquido). Estes efluentes caracterizam-se principalmente por: alta carga orgânica, devido à presença de sangue, gordura, esterco, conteúdo estomacal não-digerido e conteúdo intestinal; flutuações de pH em função do uso de agentes de limpeza ácidos e básicos; altos conteúdos de nitrogênio, fósforo e sal e flutuações de temperatura (uso de água quente e fria).

15 Os estudos relativos às águas residuárias de matadouro apresentam, para o efluente bruto, as

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Os estudos relativos às águas residuárias de matadouro apresentam, para o efluente bruto, as seguintes características: a maior parte da matéria orgânica presente nos resíduos de abatedouros é biodegradável, geralmente variando de 1.100 a 2.400 mg O 2 L -1 em termos de Demanda Bioquímica de Oxigênio (DBO 5 ), com a fração solúvel variando entre 40% e 60%.

A

fração insolúvel é formada por matéria coloidal e suspensa, na forma de gorduras, proteínas

e

celulose, que pode ser degradada de forma lenta em reatores anaeróbios ou lagoas

anaeróbias (JOHNS, 1995; NÚÑEZ e MARTINEZ, 1999).

3.6.1 Divisão dos estabelecimentos de abate de bovinos O Guia Técnico de Abate Bovino-Suíno da Cetesb (2008) divide as unidades de

negócio do setor quanto à abrangência dos processos que realizam, da seguinte forma:

- Abatedouros (ou Matadouros): realizam o abate dos animais, produzindo carcaças

(carne com ossos) e vísceras comestíveis. Algumas unidades também fazem a desossa das carcaças e produzem os chamados “cortes de açougue”, porém não industrializam a carne;

- Frigoríficos: podem ser divididos em dois tipos: os que abatem os animais separam

sua carne, suas vísceras e as industrializam, gerando seus derivados e subprodutos, ou seja, fazem todo o processo dos abatedouros/matadouros e também industrializam a carne; e aqueles que não abatem os animais – compram a carne em carcaças ou cortes, bem como vísceras, dos matadouros para industrialização. Graxarias: processam subprodutos e/ou resíduos dos abatedouros ou frigoríficos e de casas de comercialização de carnes (açougues), como sangue, ossos, cascos, chifres, gorduras, aparas de carne, animais de rejeito ou suas partes.

3.6.2 Etapas do processo de abate de bovinos Segundo Cetesb (2008) o processo de abate de bovinos da-se da seguinte forma:

- Recepção / Currais: o gado é transportado em caminhões até os abatedouros ou

frigoríficos. Ao chegar, é descarregado nos currais de recepção por meio de rampas

adequadas, preferencialmente na mesma altura do piso da carroceria dos caminhões.

- Condução e lavagem dos animais: os animais normalmente são lavados com jatos

e/ou “sprays” de água clorada. Estes jatos, com pressão regulada, podem ser instalados direcionados de cima para baixo (como chuveiros sobre os animais), para as laterais dos

16 animais e de baixo para cima, o que permite uma lavagem melhor do esterco

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animais e de baixo para cima, o que permite uma lavagem melhor do esterco e de outras sujidades antes do abate.

- Atordoamento: o objetivo desta operação é deixar o animal inconsciente. Chegando

ao local do abate, os animais entram, um após o outro, em um “box” estreito com paredes

móveis, para o atordoamento. O equipamento de atordoamento normalmente é a marreta pneumática, com pino retrátil, que é aplicada na parte superior da cabeça dos animais.

Posteriormente o animal é pendurado pela pata traseira, em um transportador aéreo e lavado para remoção de vômito.

- Sangria: por meio de corte dos grandes vasos do pescoço é feita a retirada do sangue,

que é recolhido em canaleta própria. O sangue armazenado nos tanques pode ser processado por terceiros ou no próprio abatedouro, para a obtenção de farinha de sangue, utilizada na alimentação de outros animais.

Após a sangria, os chifres são serrados e submetidos a uma fervura para a separação dos sabugos (suportes ósseos), e depois de secos podem ser convertidos em farinha ou vendidos. Quanto aos sabugos, são aproveitados na composição de produtos graxos e farinhas. - Esfola e remoção da cabeça: primeiro, cortam-se as patas dianteiras antes da remoção do couro, para aproveitamento dos mocotós. Via de regra, as patas traseiras só são removidas depois da retirada do úbere e dos genitais. Após a esfola, o couro pode seguir diretamente para os curtumes (chamado “couro verde”), ser retirado por intermediários, ou também pode ser descarnado e/ou salgado no próprio abatedouro.

- Evisceração: as carcaças dos animais são abertas manualmente com facas e com

serra elétrica. A evisceração envolve a remoção das vísceras abdominais e pélvicas, além dos intestinos, bexiga e estômagos. Após a lavagem, utilizando água quente, as carcaças são encaminhadas a câmara frigoríficas ou a desossa. - Refrigeração: as meias carcaças são resfriadas para diminuir possível crescimento microbiano. Para reduzir a temperatura interna para menos de 7 °C, elas são resfriadas em câmaras frias com temperaturas entre 0 e 4 °C. O tempo normal deste resfriamento, para carcaças bovinas, fica entre 24 e 48 horas. - Cortes e desossa: havendo operação de cortes e desossa, as carcaças resfriadas são divididas em porções menores para comercialização ou posterior processamento para

17 produtos derivados. Um esquema do abate e processamento de bovinos é apresentado na Figura1.

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produtos derivados. Um esquema do abate e processamento de bovinos é apresentado na

Figura1.

abate e processamento de bovinos é apresentado na Figura1. FIGURA 1 - Esquema do abate e

FIGURA 1 - Esquema do abate e processamento de bovinos.

Fonte: SCARASSATI et al. (2003).

3.7 CONSUMO DE ÁGUA NO ABATEDOURO Segundo Cetesb (2008), os padrões de higiene das autoridades sanitárias em áreas críticas dos abatedouros resultam no uso de grande quantidade de água (Tabela 1). Os principais usos de água são: consumo animal e lavagem dos animais; lavagem dos caminhões; lavagem de carcaças, vísceras e intestinos; movimentação de subprodutos e resíduos; limpeza e esterilização de facas e equipamentos; limpeza de pisos, paredes, equipamentos e bancadas; geração de vapor; resfriamento de compressores.

18 TABELA 1 - Consumo de água em abatedouros e frigoríficos bovinos. Tipo de Unidade

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TABELA 1 - Consumo de água em abatedouros e frigoríficos bovinos.

Tipo de Unidade

Consumo

Fonte

(L/cabeça)

Abate

500 - 2500

Cetesb (1993) Cetesb (2003) Envirowise; WS Atkins Environment (2000) IPPC (2005) UNEP; WG; DSD (2002) Cetesb (1993)

Abate

1.000

Abate

700 - 1000

Abate Abate mais graxaria Abate mais industrialização da carne Completa (abate, industrialização da carne, graxaria)

389 – 2.159

1.700

1.000 – 3.000

3.864

Cetesb (2004)

Abate evisceração e processamento das vísceras (incluindo estômago – bucho e

intestinos – tripas) respondem pelo maior consumo de água, usada principalmente para

limpeza dos produtos e das áreas de processamento.

Alguns aspectos gerais sobre a água consumida em abatedouros e frigoríficos (UNEP,

2000): 40 a 50% da água usada é aquecida ou quente (40 a 85 ºC); cerca de 50% do uso da

água é fixo (independe da produção); 50 a 70% do uso de água dependem de práticas

operacionais (limpezas com mangueiras, lavagens manuais dos animais e dos produtos).

Portanto, melhorias nestas práticas, conscientização do pessoal e sua supervisão operacional

podem influenciar significativamente o uso de água na indústria de carne.

3.8 CARACTERIZAÇÃO DO EFLUENTE FRIGORÍFICO

Na caracterização de efluente, muitas vezes é preferível a utilização de parâmetros

indiretos que traduzam o caráter ou o potencial poluidor do despejo em questão. Tais

parâmetros definem a qualidade de um efluente, podendo ser divido em três categorias:

parâmetros físicos, químicos e biológicos (SPERLING, 2005).

Segundo Sperling (2005); Ide et al. (2007) os parâmetros indicados para monitorar a

qualidade do efluente que sai de uma estação de tratamento são os seguintes:

- pH - potencial hidrogeniônico): o valor de pH indica a intensidade de acidez ou

alcalinidade, sendo que os microorganismos presentes no tratamento biológico normalmente

se inibem em pH menor que 6,0 e superior a 9,0. O controle do pH é fundamental para o

processo de digestão. Nos processos biológicos do tratamento de efluente, o pH é crítico para

o desenvolvimento de microrganismos. Muitos processos químicos utilizados para coagular

19 efluentes e despejos, adensar lodos ou oxidar substâncias requerem controle do pH. Ainda, o

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efluentes e despejos, adensar lodos ou oxidar substâncias requerem controle do pH. Ainda, o pH é importante, dada a sua relação com a acidez e alcalinidade.

- Turbidez - é a medida da dificuldade de um feixe de luz atravessar certa quantidade

de água. A turbidez é causada por matérias sólidas em suspensão (silte, argila, colóides,

matéria orgânica, etc.). A turbidez é medida através do turbidímetro, comparando-se o espalhamento de um feixe de luz ao passar pela amostra com o espalhamento de um feixe de igual intensidade ao passar por uma suspensão padrão. Quanto maior o espalhamento maior foi a turbidez.

- DBO 5,20 – demanda bioquímica de oxigênio.: medida a 5 dias a 20°C está associada à

fração biodegradável dos componentes orgânicos carbonáceos. É uma medida do oxigênio consumido após 5 dias pelos microorganismos na oxidação bioquímica da matéria orgânica. DBO é empregado para determinar os níveis de poluição, para avaliar cargas poluidoras e para avaliar a eficiência de um determinado sistema de tratamento. Princípio do método:

grandes partes dos organismos vivos dependem, direta ou indiretamente, de oxigênio para manter seus processos metabólicos que produzem energia necessária para o seu crescimento e reprodução. Chama-se de organismos aeróbios àqueles que dependem exclusivamente do oxigênio da forma livre para mineralização da matéria orgânica, resultando como produtos finais substâncias inorgânicas mais simples tais como o CO 2 , NH 3 , H 2 O etc. A matéria orgânica presente nas águas naturais e nos efluentes domésticos e industriais tendem a ser mineralizada naturalmente pelos microrganismos aeróbios existentes, consumindo oxigênio dissolvido no meio aquoso. O teste de DBO tem por objetivo, determinar essa quantidade de oxigênio consumido, e assim, relacionar com a quantidade de matéria orgânica – biodegradável – presente na amostra. O método usualmente empregado para a determinação da DBO é o da diluição, incubação por um período de 5 dias a 20 o C, com a determinação dos níveis iniciais e finais de oxigênio através do método da Azida modificado. Para garantir uma melhor eficiência no metabolismo dos microrganismos envolvidos no teste, são adicionadas ao frasco de incubação, soluções nutritivas e uma solução tampão, a fim de garantir um pH neutro de 6,5 a 7,5 (chamada de água de diluição). É importante frisar que, durante os 5 dias do teste, as amostras ficarão num ambiente desprovido de luz, à fim de evitar o aparecimento de seres clorofilados fotossintéticos.

20 - DQO - demanda química de oxigênio. Representa a quantidade de oxigênio requerida para

20

- DQO - demanda química de oxigênio. Representa a quantidade de oxigênio

requerida para estabilizar quimicamente a matéria orgânica carbonácea. Utilizam fortes

agentes oxidantes (dicromato de potássio) em condições ácidas.

- Nitrogênio Total - O nitrogênio total inclui o nitrogênio orgânico, amônia, nitrito e nitrato. É um nutriente indispensável para o desenvolvimento dos microorganismos no tratamento biológico. O nitrogênio orgânico mais a amônia compreendem o denominado Nitrogênio Total Kjeldahl (NTK).

- Nitrogênio Amoniacal: produzido como primeiro estágio da decomposição do

nitrogênio orgânico.

- Nitrogênio Orgânico - nitrogênio na forma de proteínas, aminoácidos e uréia.

- Nitrato - produto final da oxidação da amônia.

- Fósforo - o fósforo total existe na forma orgânica e inorgânica. É um nutriente

indispensável no tratamento biológico (SPERLING, 2005). Metcalf e Eddy (2003) citam que as formas mais usualmente encontradas deste nutriente em soluções aquosas incluem os

ortofosfatos, polifosfatos e fósforo orgânico. Os ortofosfatos (PO 4 -3 , HPO 4 -2 , H 2 PO 4- , H 3 PO 4 ) estão diretamente disponíveis para o metabolismo biológico, sem necessidade de conversão a formas mais simples. Os polifosfatos e o fósforo orgânico são convertidos a ortofosfatos e estes, por sua vez, pela decomposição biológica, se transformam em fosfatos.

- Sólidos Totais - orgânicos e inorgânicos; suspensos e dissolvidos; sedimentáveis.

- Sólidos Sedimentáveis: fração dos sólidos orgânicos e inorgânicos que sedimenta em uma hora no cone Imhoff.

- Sólidos Totais Fixos - componentes minerais, não incineravam, inertes, dos sólidos em suspensão.

- Sólidos Totais Voláteis - componentes inorgânicos dos sólidos dissolvidos.

A Tabela 2 mostra as características típicas dos efluentes gerados por frigoríficos.

21 TABELA 2 - Características físico-químicas de um efluente frigorífico. Parâmetro Média Valores pH

21

TABELA 2 - Características físico-químicas de um efluente frigorífico.

Parâmetro

Média

Valores

pH Condutividade elétrica (S.cm -1 ) Alcalinidade (mg CaCO 3 .L -1 ) DQO (mg O 2 .L -1 ) DBO 5 (mg O 2 .L -1 ) Sólidos suspensos (mg.L -1 ) Nitrogênio amoniacal (mg N.L -1 ) Nitrogênio total de Kjeldahl (mg N.L -1 ) Fósforo total (mg P.L -1 )

7,03

6,24 – 7,85 2.650 – 4.390 366 – 512 3.979 – 7.125 2.035 – 4.200 284 – 2.660 5,5 – 61,8 54,7 – 99,8 53,9 – 91,7

3.459

416

5.398

2.763

1.271

22,1

71,7

71,5

Fonte: AGUILAR et al. (2002)

Além dos parâmetros citados anteriormente, pode-se encontrar no efluente de frigoríficos a presença de alguns metais, que segundo Metcalf e Eddy (1991) podem apresentar algum risco aos corpos receptores e ao solo, se por ventura, sua água for aplicada diretamente em plantações sem algum prévio tratamento.

3.8.1 Tratamento de efluentes frigoríficos A disposição de efluentes industriais em redes de esgoto ou em corpos hídricos receptores deve atender aos padrões de lançamento estipulados por normas e regulamentações, os quais estão cada vez mais restritivos. O não atendimento à legislação ambiental pode acarretar em sanções legais como autuações e interrupções do lançamento. Para o atendimento aos restritivos padrões de lançamento são recomendados procedimentos e tecnologias de controle efetivo para os efluentes industriais. Contudo, as diferentes composições físicas, químicas e biológicas; a potencialidade de toxicidade; as variações de qualidade e de volumes gerados nos processos produtivos e os diversos pontos de geração de águas residuárias são indicativos preponderantes da necessidade de caracterizar, quantificar e tratar adequadamente os efluentes líquidos anteriormente à disposição final no meio ambiente (NARDI, 2005). Num frigorífico, há separação ou segregação inicial dos efluentes líquidos em duas linhas principais: a linha “verde”, que recebe principalmente os efluentes gerados na recepção

22 dos animais, nos currais, na condução para o abate/ “seringa”, nas áreas de lavagem

22

dos animais, nos currais, na condução para o abate/ “seringa”, nas áreas de lavagem dos caminhões, na bucharia e na triparia; e linha “vermelha”, cujos contribuintes principais são os efluentes gerados no abate, no processamento da carne e das vísceras, incluídas as operações de desossa/cortes e de graxaria, caso ocorram na unidade industrial. Segundo CETESB (2008) para minimizarem os impactos ambientais de seus efluentes líquidos industriais e atenderem às legislações ambientais locais, os abatedouros devem fazer o tratamento destes efluentes. Este tratamento pode variar de empresa para empresa, mas um sistema de tratamento típico do setor possui as seguintes etapas:

3.8.1.1 Tratamento primário

Este tratamento objetiva a remoção de sólidos grosseiros, suspensos, sedimentáveis e flotáveis, principalmente por ação físico-mecânica. Geralmente, empregam-se os seguintes equipamentos: grades, peneiras e esterqueiras/estrumeiras (estas, na linha “verde”, em unidades com abate), para remoção de sólidos grosseiros; na seqüência, caixas de gordura (com ou sem aeração) e/ou flotadores, para remoção de gordura e outros sólidos flotáveis; em seguida, sedimentadores, peneiras (estáticas, rotativas ou vibratórias) e flotadores (ar dissolvido ou eletroflotação), para remoção de sólidos sedimentáveis, em suspensão e emulsionados - sólidos mais finos ou menores. O tratamento primário é realizado para a linha “verde” e para a linha “vermelha”, separadamente. Em seguida ocorre a equalização; realizada em um tanque de volume e configuração adequadamente definidos, com vazão de saída constante e com precauções para minimizar a sedimentação de eventuais sólidos em suspensão, por meio de dispositivos de mistura. Permite absorver variações significativas de vazões e de cargas poluentes dos efluentes líquidos a serem tratados, atenuando picos de carga para a estação de tratamento. Isto facilita e permite aperfeiçoar a operação da estação como um todo, contribuindo para que se atinjam os parâmetros finais desejados nos efluentes líquidos tratados. Nos abatedouros, a equalização é feita reunindo-se os efluentes das linhas “verde” e “vermelha”, após seu tratamento primário, que seguem, após sua equalização, para a continuidade do tratamento.

3.8.1.2 Tratamento secundário

Objetiva a remoção de sólidos coloidais, dissolvidos e emulsionados, principalmente por ação biológica, devido à característica biodegradável do conteúdo remanescente dos

23 efluentes do tratamento primário. Nesta etapa, há ênfase nas lagoas de estabilização, especialmente as

23

efluentes do tratamento primário. Nesta etapa, há ênfase nas lagoas de estabilização, especialmente as anaeróbias. Assim, como possibilidades de processos biológicos anaeróbios, podem-se citar: as lagoas anaeróbias (bastante utilizadas), processos anaeróbios de contato, filtros anaeróbios e digestores anaeróbios de fluxo ascendente. Com relação a processos biológicos aeróbios, podem-se ter processos aeróbios de biofilme (filtros biológicos e biodiscos) e processos aeróbios de biomassa dispersa (lodos ativados – convencionais e de aeração prolongada, que inclui os valos de oxidação). Também é bastante comum observar o uso de lagoas fotossintéticas na seqüência do tratamento com lagoas anaeróbias. Pode-se ter, ainda, tratamento anaeróbio seguido de aeróbio.

3.8.1.3 Tratamento terciário (se necessário, em função de exigências técnicas e legais locais). É realizado como “polimento” final dos efluentes líquidos provenientes do tratamento secundário, promovendo remoção suplementar de sólidos, de nutrientes (nitrogênio, fósforo) e de organismos patogênicos. Podem ser utilizados sistemas associados de nitrificação- desnitrificação, filtros e sistemas biológicos ou físico-químicos (ex.: uso de coagulantes para remoção de fósforo). Quando há graxaria anexa ao abatedouro, podem-se ter variações, como tratamento primário individualizado e posterior mistura de seus efluentes primários no tanque de equalização geral da unidade; mistura do efluente bruto da graxaria aos efluentes da linha “vermelha”, na entrada de seu tratamento primário, entre outras.

3.8.2 Lagoas de estabilização Sperling (2002) afirma que os sistemas de lagoas de estabilização constituem-se na forma mais simples para o tratamento dos efluentes. Há diversas variantes dos sistemas de lagoas de estabilização, com diferentes níveis de simplicidade operacional e requisitos de área, a saber: - lagoas facultativas; sistema de lagoas aeróbicas seguidas por lagoas facultativas; lagoas aeradas facultativas; sistemas de lagoas aeradas de mistura completa seguida por lagoas de decantação. Além destas lagoas, cujo principal objetivo é a remoção da matéria carbonácea, existem as lagoas de maturação, direcionada à remoção de organismos patogênicos. Ainda segundo o mesmo autor, segue a descrição sucinta dos principais sistemas de lagoas de estabilização.

24 3.8.2.1 Lagoa facultativa A DBO solúvel e finamente particulada é estabilizada por bactérias aeróbias

24

3.8.2.1 Lagoa facultativa

A DBO solúvel e finamente particulada é estabilizada por bactérias aeróbias dispersas

no meio líquido, ao passo que a DBO suspensa tende a sedimentar, sendo convertida por bactérias aeróbicas no fundo da lagoa. O oxigênio requerido pelas bactérias aeróbias é fornecido pelas algas, através da fotossíntese. Para ocorrência da fotossíntese é necessária uma fonte de energia luminosa, neste caso representado pelo sol. Por esta razão, locais com elevada radiação solar e baixa nebulosidade são bastante propícios à implantação de lagoas facultativas.

3.8.2.2 Lagoa anaeróbia-lagoa facultativa

Cerca de 50% a 70% da DBO é removida na lagoa anaeróbia (mais profunda e que apresenta menor volume) enquanto a DBO remanescente é encaminhada à lagoa facultativa. A lagoa facultativa recebe uma carga de apenas 30% a 50% do efluente bruto. O sistema ocupa uma área inferior ao de uma lagoa facultativa única. Devido às menores dimensões, a fotossíntese praticamente não ocorre na primeira lagoa (lagoa anaeróbia). No balanço entre o consumo e a produção de oxigênio, o consumo é amplamente superior. Predominam, portanto, condições anaeróbias nessa primeira lagoa denominada, lagoa anaeróbia. Com o emprego das duas lagoas, obtém-se uma economia de área da ordem de 1/3, comparado a uma lagoa facultativa única.

3.8.2.3 Lagoa aerada facultativa

Caso se deseje ter um sistema predominantemente aeróbio, e de dimensões ainda mais reduzidas, pode-se optar pela lagoa aerada facultativa. A principal diferença com relação à lagoa facultativa convencional é quanto à forma de suprimento de oxigênio, o qual é advindo principalmente da fotossíntese. Já na lagoa aerada facultativa o oxigênio é obtido por meio de equipamentos denominados aeradores. Com maior entrada de oxigênio na lagoa, obtém-se uma rápida decomposição da matéria orgânica. Como a lagoa é também facultativa, uma grande parte dos sólidos do efluente e da biomassa sedimenta, sendo decomposta por bactérias anaeróbias no fundo desta unidade.

3.8.2.4 Lagoa aerada de mistura completa – lagoa de decantação.

A energia introduzida por unidade de volume da lagoa de mistura completa é elevada,

o que faz com que os sólidos (principalmente a biomassa) permaneçam dispersos no meio

25 líquido, ou em mistura completa. Com uma maior concentração de bactérias no meio líquido

25

líquido, ou em mistura completa. Com uma maior concentração de bactérias no meio líquido

aumenta também a eficiência do sistema na remoção da DBO, o que permite que a lagoa

tenha um volume inferior ao de uma lagoa aerada facultativa. No entanto, o efluente contém

elevados teores de sólidos (bactérias), que necessitam ser removidas antes do lançamento no

corpo receptor. Uma lagoa de decantação a jusante, proporciona condições para esta remoção.

3.8.2.5 Lagoa de maturação

O objetivo da lagoa de maturação é a remoção de organismos patogênicos. Nas lagoas

de maturação predominam condições ambientais adversas para bactérias patogênicas, como

radiação ultravioleta, elevado pH, elevada concentração de oxigênio dissolvido (OD),

temperatura mais baixas que a do corpo humano, falta de nutrientes e predação por outros

organismos. Ovos de helmintos e cistos de protozoários tendem a sedimentar. As lagoas de

maturação são um pós-tratamento e não objetivam a remoção da DBO, sendo usualmente

projetadas em série, ou como uma lagoa única com divisões por chicanas. A eficiência na

remoção de coliformes é elevadíssima. A Tabela 3 apresenta a eficiência dos principais

sistemas de lagoas na remoção de diferentes parâmetros.

TABELA 3 - Eficiência dos principais sistemas de lagoas para remoção percentual de diferentes parâmetros do esgoto.

Parâmetro

Lagoa

facultativa

Lagoa anaeróbia- facultativa

Lagoa aerada

facultativa

Lagoa aerada de mist. Completa -

decantação

DBO (%) DQO(%) Sólidos Sedimentáveis(%) Amônia (%) Nitrogênio (%) Fósforo (%) Coliformes(%)

75 - 85 65 - 80 70 - 80

75 - 80 65 - 80 70 - 80

75 - 85 65 - 80 70 - 80

75 - 85 65 - 80 80 - 87

< 50

< 50

< 30 < 30 < 35

< 30 < 30 < 35

< 60

< 60

< 35

< 35

90 -99

90 99

90 - 99

90 - 99

Fonte: SPERLING (2005)

No texto a seguir apresentam-se algumas vantagens e desvantagens e características

dos sistemas de lagoas de estabilização (SPERLING, 2005).

26 3.8.3 Vantagens e desvantagens dos sistemas de lagoas de estabilização Todas as alternativas para

26

3.8.3 Vantagens e desvantagens dos sistemas de lagoas de estabilização Todas as alternativas para o tratamento de efluentes apresentam prós e contras, caberá a indústria verificar qual o método que mais lhe será útil de modo que se obtenha um bom desempenho de tratamento.

3.8.3.1 Sistema de lagoa facultativa

Vantagens: satisfatória eficiência na remoção de DBO, razoável eficiência na remoção de patógenos; construção, operação e manutenção simples, reduzidos custos de implantação e operação; ausência de equipamentos mecânicos; requisitos energéticos praticamente nulos; satisfatória resistência a variações de carga e remoção de lodo necessária apenas após períodos superiores a 20 anos. Desvantagens: elevados requisitos de área; dificuldade em satisfazer padrões de lançamento restritivos; a simplicidade operacional pode trazer o descaso na manutenção (crescimento de vegetação); possível necessidade de remoção de algas do efluente para o cumprimento dos padrões rigorosos; desempenho variável com as condições climáticas (temperatura e insolação); possibilidade do crescimento de insetos.

3.8.3.2 Sistema de lagoa anaeróbia - lagoa facultativa Vantagens: idem lagoas facultativas; requisitos de área inferiores aos das lagoas

facultativas únicas. Desvantagens: idem lagoas facultativas; possibilidade de maus odores na lagoa anaeróbia; necessidade de um afastamento razoável às residências circunvizinhas.

3.8.3.3 Sistema de lagoa aerada facultativa

Vantagens: construção, operação e manutenção relativamente simples; requisitos de área inferiores aos sistemas de lagoas facultativas e lagoa anaeróbia-facultativa; maior independência das condições climáticas que os sistemas de lagoas facultativas; satisfatória resistência a variações de carga; reduzidas possibilidades de maus odores. Desvantagens: introdução de equipamentos; ligeiro aumento no nível de sofisticação; requisitos de energia relativamente elevados; baixa eficiência na remoção de coliformes; necessidade de remoção contínua ou periódica do lodo.

27 Vantagens: idem lagoas aeradas facultativas; menores requisitos de áreas de todos os sistemas de

27

Vantagens: idem lagoas aeradas facultativas; menores requisitos de áreas de todos os sistemas de lagoas. Desvantagens: idem lagoas aeradas facultativas; saturamento rápido das lagoas de decantação com o lodo (2 a 5 anos); necessidade de remoção continua ou periódica do lodo.

3.8.3.5 Sistema de Lagoa de maturação Vantagens: idem sistema de lagoas precedentes; elevada eficiência na remoção de patógenos; razoável eficiência na remoção de nutrientes. Desvantagens: idem sistema de lagoas precedentes; requisitos de área bastante.

4 MATERIAL E MÉTODOS 28 Foram coletadas amostras, de cada uma das lagoas da estação

4 MATERIAL E MÉTODOS

28

Foram coletadas amostras, de cada uma das lagoas da estação de efluente do frigorífico, assim como amostras de três pontos do corpo receptor. As amostras foram colhidas no período de julho a dezembro de 2009, dividindo-se em duas etapas, período seco e período chuvoso e algumas análises foram realizadas no local e no laboratório de físico- química da Universidade Estadual de Goiás, campus de Anápolis.

4.1 LOCAL DO EXPERIMENTO O abatedouro de bovinos está localizado na Vila Fabril, distante 4 km do centro da cidade de Anápolis/GO e a 16 km da Universidade Estadual de Goiás. “As coordenadas geográficas são “de 16º22’22” de latitude Sul, 48º53’08” de longitude Oeste e a altitude é de 1012 m. O clima da região de acordo com a classificação de Köppen, apresenta inverno seco e verões quentes e chuvosos (PEREIRA et al., 2002).

seco e verões quentes e chuvosos (PEREIRA et al., 2002). FIGURA 2 - Vista área da

FIGURA 2 - Vista área da localização do frigorífico.

Legenda: 1 Frigorífico; 2 e 3: lagoa anaeróbicas; 4:lagoa facultativa; córrego

(2010).

Jurubatuba. Fonte: Google Earth

29 4.2 DESCRIÇÃO DO FRIGORÍFICO O frigorífico, objeto do estudo, possui 260 funcionários, distribuídos nas

29

4.2 DESCRIÇÃO DO FRIGORÍFICO

O frigorífico, objeto do estudo, possui 260 funcionários, distribuídos nas diferentes

funções. A capacidade de abate é de 1.500 cabeças/dia, porém, devido as dificuldade de

comercialização dos produtos, opera abaixo de sua capacidade. Assim, durante o período

considerado seco foram abatidas em média 473 cabeças/dia, gerando 1.182,5 m 3 de efluente e

no período chuvoso do experimento foram abatidas em média 559 cabeças/dia, gerando

1.397,5 m 3 de efluente. As procedências dos animais abatidos são dos estados de Goiás e do

Mato Grosso.

4.3 CONDUÇÃO E TRATAMENTO DO EFLUENTE

A estação de tratamento de efluentes localiza-se a 500 m de distância do frigorífico. O

efluente proveniente das diversas unidades de processamento recebe tratamento preliminar

antes de ser conduzido às lagoas de estabilização, constituído de uma peneira estática na linha

verde e outra na linha vermelha. Após a peneira, o efluente da linha vermelha passa por uma

caixa de gordura e, da linha verde, por um decantador. Em seguida, estas duas linhas se unem

e o efluente escoa por gravidade, para o sistema composto de 3 lagoas de estabilização, sendo

a primeira e a segunda anaeróbia e a terceira facultativa, seus dados técnicos são apresentados

na Tabela 4. Cada lagoa possui duas tubulações para entrada do afluente e duas para saída do

efluente. Ao final, o efluente é conduzido até o Córrego Jurubatuba, distante cerca de 600 m.

TABELA 4 - Dados técnicos das lagoas anaeróbia e facultativa utilizadas no tratamento do efluente do frigorífico em análise.

Dados Técnicos

Anaeróbia 1

Anaeróbia 2

Facultativa 3

Dimensão interna (m)

22,2 x 63,5

33,2 x 7

60 x 86

Profundidade (m)

Capacidade (m 3 )

7,0

9867,9

3,3

8107,4

2,5

12.900,0

A Figura 3 apresenta um fluxograma detalhado do caminho percorrido pelo efluente

proveniente do frigorífico até chegar ao Córrego Jurubatuba, onde o Ponto 1: Peneira da linha

vermelha; Ponto 2: Grade da linha verde; Ponto 3: Junção do efluente da linha vermelha com

a verde e local de realização da amostra A.; Ponto 4 : Saída do efluente da lagoa anaeróbia 1,

entrada de efluente na lagoa anaeróbia 2 e local da realização amostra B.; Ponto 5: Saída do

efluente da lagoa anaeróbia 2, entrada de efluente na lagoa facultativa e local da realização da

30 amostra C.; Ponto 6: Saída do efluente da lagoa facultativa, local de despejo do

30

amostra C.; Ponto 6: Saída do efluente da lagoa facultativa, local de despejo do efluente no

Córrego Jurubatuba e local da realização da amostra D. Ponto 7: Local da realização da

amostra E a 50 m a montante no córrego.; Ponto 8: Local da realização amostra F a 50 m

depois do local de lançamento. ; Ponto 9: Local da realização da amostra a 500 m a jusante do

ponto de lançamento no córrego.

Frigorífico

2

Av. Fabril

Lagoa

facultativa

5

Lagoa anaeróbia 1

1

4
4
2 Av. Fabril Lagoa facultativa 5 Lagoa anaeróbia 1 1 4 3 Lagoa anaeróbia 2 6

3

Lagoa anaeróbia 2

6
6

7

8

9

Córrego Jurubatuba

FIGURA 3 - Fluxograma percorrido pelo efluente desde o frigorífico até o sistema de tratamento de efluente e posteriormente ao Córrego Jurubatuba

Legenda: 1: grade peneira linha vermelha; 2: peneira linha verde; 3: junção das linhas vermelha , verde e análise amostra A; 4: saída de efluente lagoa anaeróbia 1 e análise amostra B;5: saída de efluente lagoa anaeróbia 2 e análise amostra C; 6:saída de efluente lagoa facultativa e análise da amostra D; 7: análise da amostra da água do corpo receptor 50 m antes do lançamento de efluente; 8: análise da amostra do corpo receptor 50 m após o local de lançamento; 9: amostra da água do corpo receptor 500 m após o local de lançamento.

4.4 COLETA DAS AMOSTRAS E ANÁLISES

Foram realizadas 16 coletas para analisar e caracterizar o efluente e a água do córrego,

sendo as oito primeiras nos dias 9,15 de julho, 21 e 28 de agosto, 4,11,18 e 25 de setembro de

2009, consideradas como referentes ao período seco e nos dias 2, 16, 23 e 28 de outubro, 6, 13

e 19 de novembro e 4 de dezembro de 2009, como referente ao período chuvoso.

A Figura 4 apresenta uma vista aérea dos locais de coleta das amostras de efluente e de

água do córrego Jurubatuba.

5 6 7 4 2 3 1
5
6
7
4
2
3
1

31

FIGURA 4 - Pontos de coleta do efluente e água do córrego Jurubatuba.

Legenda: 1: Ponto A, junção linha vermelha/verde e entrada lagoa anaeróbia 1; 2: Ponto B (entrada lagoa anaeróbia 2); 3: Ponto C (entrada lagoa facultativa); 4: Ponto D (saída lagoa facultativa e lançamento no córrego); 5: Ponto E ( 50 m a montante do lançamento); 6: Ponto F ( 50 m a jusante do lançamento); 7: Ponto G (500 m a jusante do lançamento).

Foram coletadas amostras do afluente no ponto A, onde há mistura dos afluentes das linhas verde e vermelha e o afluente é direcionado para a primeira lagoa de estabilização (anaeróbia), caracterizando o esgoto bruto. O ponto B caracteriza a saída da primeira lagoa e a entrada da segunda lagoa anaeróbia, o ponto C caracteriza a saída do efluente tratado da segunda lagoa e entrada da terceira lagoa, que caracteriza o tratamento facultativo do efluente. O ponto D (a saída da lagoa facultativa). Após esta última lagoa, o efluente segue diretamente para o córrego Jurubatuba. No Jurubatuba, foram realizadas coletas de amostras de água no ponto E, 50 m a montante do local de lançamento, 50 m no ponto F, 50 m a jusante do local de lançamento e no ponto G a 500 m a jusante. As amostras foram acondicionadas em caixas de isopor com gelo para garantir sua integridade química e física durante o seu transporte até os Laboratórios da Universidade Estadual de Goiás. No ato das coletas foi analisado o pH, oxigênio dissolvido, saturação de oxigênio e turbidez. Os horários de coletas foram pela manhã, por volta das oito horas, quando o frigorífico já se encontrava em pleno funcionamento, uma vez que o abate normalmente se iniciava por volta das 6:00 h e se estendia até as 10:00 e 13:00 h, em função do número de animais abatidos por dia.

32 No laboratório foram analisados turbidez, demanda bioquímica de oxigênio, demanda química de oxigênio, nitrogênio

32

No laboratório foram analisados turbidez, demanda bioquímica de oxigênio, demanda

química de oxigênio, nitrogênio total, nitrogênio amoniacal, nitrato, nitrito, fósforo, sólidos

sedimentáveis, dureza total, alcalinidade, oxigênio dissolvido, condutividade elétrica, sulfetos,

alumínio, cobre, ferro total, ferro II, ferro III, manganês, molibdênio, cloro, zinco, carbono

orgânico total e sódio

4.5 VAZÃO DO CÓRREGO JURUBATUBA E VOLUME DE EFLUENTE GERADO PELO FRIGORÍFICO

A vazão do curso d’água foi determinada pelo do Método do Flutuador, adaptado de

Azevedo Netto et al. (1998). Para tanto, foram marcadas no córrego Jurubatuba duas balizas

espaçadas 10 entre si (Figura 5).

10 m
10 m

FIGURA 5 - Local onde foi determinada a vazão do córrego Jurubatuba.

A velocidade foi obtida utilizando-se como flutuador uma garrafa de polietileno de

250 mL, com água até a metade. Com um cronômetro, foi marcado o tempo necessário para o

flutuador percorrer a distância de 10 m entre as balizas. Este procedimento foi realizado em

três repetições. Através da divisão do espaço percorrido pelo tempo médio, em segundos,

obteve-se a velocidade de escoamento.

Com a multiplicação da velocidade do escoamento pela secção média do córrego foi

obtida sua vazão. A vazão obtida pelo fator de correção (f) da velocidade superficial da água,

considerando canais de paredes irregulares e, ou, com vegetação, na ordem de 0,7 indicados

por MATOS et al. (2003).

33 A vazão do efluente tratado foi obtida através do método volumétrico direto, utilizando um

33

A vazão do efluente tratado foi obtida através do método volumétrico direto, utilizando um flutuador, descrito em BERNARDO et al. (2006). O comprimento do leito do córrego nessas balizas foi medido com auxílio de uma trena. Nestas balizas, foram marcados três pontos, dois em cada margem do córrego e um no centro, onde foram medidas as profundidades com uma régua de precisão. A soma das profundidades dividida pelo total de leituras, multiplicando pela largura da secção resultou na área da seção. A média aritmética das áreas das duas seções resultou na seção adotada do córrego. O volume de efluente gerado foi obtido, segundo Scarassatti (2003), onde afirma que um animal consome aproximadamente 2,5 m 3 . Assim, o número de animais abatidos foi multiplicado por 2,5 resultando um valor teórico do efluente gerado. Estes valores obtidos foram utilizados para os cálculos do tempo de detenção hidráulica (TDHs) do sistema de lagoas.

Para o cálculo da eficiência de remoção do efluente nas lagoas 1, 2 e 3 foi utilizada a seguinte fórmula citada em SPERLING (2005). E = C 0 – C e . 100

C 0

Em que, E = eficiência de remoção (%) C 0 = concentração do afluente do poluente (mg L -1 ) C e = concentração efluente do poluente (mg L -1 )

34 4.6 ANÁLISES FÍSICAS E QUÍMICAS As análises físicas e químicas foram realizadas conforme Tabela

34

4.6 ANÁLISES FÍSICAS E QUÍMICAS As análises físicas e químicas foram realizadas conforme Tabela 5.

TABELA 5 – Metodologia utilizada nas análises físico-químicas nos pontos coletados.

Parâmetro

Método

pH

Potenciométrico

Dureza (mgL -1 )

APHA (1995)

Cálcio (mgL -1 )

APHA (1995)

Sódio (mgL -1 )

APHA (1995)

Magnésio (mgL -1 )

APHA (1995)

Alcalinidade

APHA (1995)

Fósforo (mgL -1 )

APHA (1995)

Sulfetos (mgL -1 )

APHA (1995)

Turbidez (NTU)

APHA (1995)

Oxigênio Dissolvido (mgL -1 )

APHA (1995)

% Saturação de Oxigênio

APHA (1995)

Demanda química de oxigênio (mgL -1 O 2 )

APHA (1995)

Demanda Bioquímica de Oxigênio (mgL -1 O 2 )

APHA (1995)

Nitrogênio Total (mgL -1 )

APHA (1995)

Nitrito (mgL -1 )

APHA (1995)

Nitrato (mgL -1 )

APHA (1995)

Sólido Sedimentáveis (mgL -1 )

APHA (1995)

Amônia (mgL -1 )

APHA (1995)

Fosfato Total (mgL -1 )

APHA (1995)

Ferro Total, Fe 2+ , Fe 3+ (mgL -1 )

APHA (1995)

Alumínio (mgL -1 )

APHA (1995)

Cobre (mgL -1 )

APHA (1995)

Zinco (mgL -1 )

APHA (1995)

Manganês (mgL -1 )

APHA (1995)

Molibdênio (mgL -1 )

APHA (1995)

35 4.7 ANÁLISE DOS DADOS A interpretação dos dados deu-se pela comparação entre os resultados

35

4.7 ANÁLISE DOS DADOS A interpretação dos dados deu-se pela comparação entre os resultados dos parâmetros físicos e químicos obtidos nas duas etapas de coletas e análise, com comparação estatística das médias pelo teste Tukey, com nível mínimo de significância de 5 % (P < 0,05), utilizando-se o software Statistica 6.0. Os resultados também foram comparados aos padrões estabelecidos pela Resolução Conama n. 357 de 2005.

5 RESULTADOS E DISCUSSÃO 36 5.1 DESCRIÇÃO DAS CONDIÇÕES GERAIS DO EXPERIMENTO Os aspectos climatológicos

5 RESULTADOS E DISCUSSÃO

36

5.1 DESCRIÇÃO DAS CONDIÇÕES GERAIS DO EXPERIMENTO

Os aspectos climatológicos de uma região influencia diretamente o corpo d’água,

provocando alterações no seu metabolismo. Quando há coletas com grande número de

variabilidade temporal, é importante destacar dados exatos, sem suas referidas médias, pois

pode haver grande variação dos parâmetros. Esta grande variação nos valores, são decorrentes

da precipitação, vento, temperatura do ar, assim como o lançamento de efluentes no corpo

hídrico em questão, que neste estudo, teve como o principal agente influenciador do corpo

hídrico, os lançamentos do frigorífico referente à quantidade de animais abatidos.

Os dados apresentados na Tabela 5, referente às precipitações nos dias anteriores e nos

dias de coletas para o referido estudo, foram obtidos no Sistema de Meteorologia e Hidrologia

do Estado de Goiás (SIMEGO, 2009) e são provenientes de uma estação meteorológica

automatizada instalada na cidade de Anápolis.

TABELA 6 - Precipitação ocorrida nos dias anteriores e nos dias das coletas das amostras no período seco e período chuvoso.

Período seco

Período chuvoso

Dia anterior ao da coleta

No dia de coleta

Dia anterior ao da coleta

No dia de coleta

Data de coleta

Precipitação (mm)

Data de coleta

Precipitação (mm)

08/7/09

0,00

0,00

1/10/09

0,00

3,80

14/7/09

0,00

0,00

15/10/09

0,00

0,70

20/8/09

0,00

0,00

22/10/09

0,80

0,00

27/8/09

0,00

2,50

27/10/09

19,00

17,3

3/9/09

0,50

0,50

5/11/09

23,50

0,75

10/9/09

6,50

0,00

12/11/09

10,25

0,50

17/9/09

0,25

0,00

18/11/09

1,00

4,25

24/9/09

4,50

3,25

03/12/09

2,75

2,75

De acordo com a Tabela 6, verifica-se que no período considerado seco, houve

pequenas precipitações, em três datas no dia anterior à coleta e três dias na coleta, no entanto,

como o solo encontrava-se bastante seco, não foi observado escoamento superficial que

pudesse influenciar na vazão do córrego, o mesmo, não ocorrendo no período chuvoso,

embora, deve-se salientar que nas três primeiras datas de coleta neste período, também não foi

37 observado chuvas significativas. No entanto, como o solo já possuía certo teor de umidade,

37

observado chuvas significativas. No entanto, como o solo já possuía certo teor de umidade,

mesmo como pequenas precipitações pode ter havido escoamento superficial. Segundo

COUTINHO (2000) a área de Cerrado, com clima tropical sazonal de inverno seco e verão

chuvoso, com média de precipitação anual entre 1200 e 1800 mm. Durante todo o período do

experimento as precipitações registradas foram em torno de 648 mm.

5.2 FUNCIONAMENTO DO FRIGORÍFICO

A Tabela 7 apresenta a quantidade de animais abatidos no dias de coleta de efluente.

TABELA 7 - Número de animais abatidos nos dias de coletas de efluente para análise no período seco e chuvoso.

Período seco

Período chuvoso

Data

Número de animais

Data

Número de animais

abatido

abatido

08/7/09

0

1/10/09

612

14/7/09

304

15/10/09

522

20/8/09

600

22/10/09

626

27/8/09

0

27/10/09

504

3/9/09

555

5/11/09

504

10/9/09

600

12/11/09

487

17/9/09

446

18/11/09

547

24/9/09

532

03/12/09

580

Pela Tabela 7 observa-se que a quantidade de animais abatidos, foi muito oscilante

durante todo o experimento. No período seco, a variação de abates foi maior em relação ao

período chuvoso.

As Tabelas 8 e 9 exibem as quantidades de animais abatidos, os volumes de efluente

gerado e os respectivos tempo de detenção hidráulica, obtidos nos períodos seco e chuvoso,

respectivamente. Observa-se que o número de abate de animais e efluente gerado, no período

chuvoso, foram significativamente maiores, com conseqüente redução do tempo de detenção,

que neste período foi menor (4,90 semanas), quase metade do período seco (8,66 semanas),

explicado pelo aumento considerável de abates no período chuvoso. Observa-se ainda maior

valor de desvio padrão e coeficiente de variação no período seco em relação ao período

chuvoso, comportamento este que pode interferir na eficiência da ETE e na qualidade final do

efluente.

38 TABELA 8 - Quantidade de cabeças de gado abatidas por semana, quantidade de efluente

38

TABELA 8 - Quantidade de cabeças de gado abatidas por semana, quantidade de efluente e tempo de detenção hidráulica, a partir das datas de coletas de amostra de efluente e água do córrego Jurubatuba no período seco.

Quantidade de cabeças de gado

Volume afluído na ETE (m³)

Tempo de detenção hidráulico teórico

Intervalo de dias (Período Seco)

 

abatidas

(semanas)

(semanas)

06/7 à 12/7 2009 13/7 à 19/7/2009 20/7 à 26/07/2009 27/7 à 2/8/2009 3/8 à 9/8/2009 10/8 à 16/8/2009 17/8 à 23/8/2009 24/8 à 30/8/2009 31/8 à 6/9/2009 7/9 à 13/9/2009 14/9 à 20/9/2009 21/9 à 27/9/2009

1.379

3.447,5

8,9

1.320

3.300

9,3

1.069

2.672,5

11,5

730

1.825

16,9

1.534

3.835

8,0

1.455

3.637,5

8,4

1.698

4.245

7,2

1.526

3.815

8,0

1.750

4.375

7,0

1.845

4.612,5

6,6

2.123

5.307,5

5,8

2.671

5.347,5

5,7

Média

1.591,6

3.868,3

8,6

Desvio padrão

496,2

1.016,8

3,05

Coeficiente de

31,1

26,2

35,2

variação

TABELA 9 - Quantidade de cabeças de gado abatidas por semana, quantidade de efluente e tempo de detenção hidráulica, a partir das datas de coletas de amostra de efluente e água do córrego Jurubatuba no período chuvoso.

Intervalo de dias (Período Chuvoso)

Quantidade de cabeças de gado abatidas

Volume afluído na ETE (m³)

Tempo de detenção hidráulico teórico (semanas)

28/9 à 4/10/2009 5/10 à 11/10/2009 12/10 à 18/10/2009 19/10 à 25/10/2009 26/10 à 1/11/2009 2/11 à 8/11/2009 9/11 à 15/11/2009 16/11 à 22/11/2009 23/11 à 29/11/2009 30/11 à 6/12/2009

2.049

5.122,5

6,0

2.715

6.787,5

4,5

2.071

5.177,5

5,9

3.054

7.635

4,0

2.162

5.405

5,7

1.956

4.890

6,3

2.813

1.4065

2,1

2.682

6.705

4,6

2.318

5.795

5,3

2.894

7.235

4,2

Média Desvio padrão Coeficiente de variação

2.471,4

6.881,7

4,9

403,0

2.701,0

1,2

16,3

39,2

25,4

A Figura 6 mostra a evolução no número de cabeças de gado abatidas no frigorífico no

período de 01 de julho de 2009 à 21 de dezembro de 2009. Constata-se variação durante o

39 experimento no número de abate de animais. Observa-se que o número de animais abatidos

39

experimento no número de abate de animais. Observa-se que o número de animais abatidos

variou de zero a 689 animais por dia.

.

800 700 600 500 400 300 200 100 0 Quantidade de animais 1/7/2009 15/7/2009 29/7/2009
800
700
600
500
400
300
200
100
0
Quantidade de animais
1/7/2009
15/7/2009
29/7/2009
12/8/2009
26/8/2009
9/9/2009
23/9/2009
7/10/2009
21/10/2009
4/11/2009
18/11/2009
2/12/2009
16/12/2009

Data

FIGURA 6 - Número de cabeças de gado abatidas durante o experimento incluído o período seco e chuvoso.

As Tabelas 10 e 11 apresentam os valores de temperatura máxima, mínima, radiação

solar diária, velocidade do vento e média das velocidades do vento, para os períodos seco e

chuvoso, respectivamente.

TABELA 10 - Valores máximo, mínimo e média de temperatura em o C, radiação solar diária e velocidade do vento no dia de coleta e média mensal, ocorrida durante os dias de coleta das amostras no período seco.

Dia/Mês

Temp. Máxima ( 0 C)

Temp.

Temp.

Radiação Solar Diária

Velocidade vento (ms -1 )

Média velocidade do

Mínima

Média

(

0 C)

(

0 C)

(MJ.m -2 )

vento (ms -1 )

9/7/2009

26,0

14,5

21,0

14,0

4,0

Julho. 9,0

15/7/2009

27,5

15,5

20,4

17,9

6,8

21/8/2009

27,0

18,5

20,9

15,2

7,0

Agosto. 8,5

28/8/2009

28,0

14,0

20,3

21,8

6,5

4/9/2009

27,5

19,5

22,4

12,9

4,8

11/9/2009

27,5

16,0

21,2

23,3

6,8

Setembro. 10,0

18/9/2009

31,0

22,5

25,5

11,5

6,2

25/9/2009

33,0

16,5

23,7

24,2

6,3

Média

28,4

17,1

21,9

17,6

6,0

9,10

40 TABELA 11 - Valores máximo, mínimo e média de temperatura em o C, radiação

40

TABELA 11 - Valores máximo, mínimo e média de temperatura em o C, radiação solar diária e velocidade do vento no dia de coleta e média mensal, ocorrida durante os dias de coleta das amostras no período chuvoso.

Dia/Mês

Temp.

Temp.

Temp.

Radiação Solar

Velocidade vento (ms -1 )

Média velocidade do

Máxima

Mínima

Média

(

0 C)

(

O C)

(

0 C)

(MJm -2 )

vento (ms -1 )

2/10/2009

29,0

18,5

21,9

17,6

6,6

Outubro. 10,0

16/10/2009

28,0

18,5

21,5

18,4

7,1

23/10/2009

27,5

19,5

23,4

20,3

5,0

28/10/2009

26,5

19,0

21,7

15,9

3,1

6/11/2009

27,0

18,0

20,0

17,3

6,1

Novembro. 15,5

13/11/2009

31,0

19,0

24,6

22,4

6,0

19/11/2009

27,5

18,5

23,6

19,0

5,3

4/12/2009

24,5

19,0

20,5

14,1

9,9

Dezembro 7,0

Média

26,6

18,6

22,1

18,1

6,1

10,8

Observa-se nas Tabelas 10 e 11, que no período seco, apesar de ser inverno, maiores

valores de temperatura máxima em relação ao período chuvoso, porém, os menores valores de

temperatura mínima foram observados no período seco. Para uma lagoa de estabilização isso

tem grande influência, uma vez que os microrganismos necessitam de temperatura elevada e

estável para se desenvolverem e segundo Parizotto (2002) temperaturas mais amenas

diminuem a atividade microbiana das lagoas. No período chuvoso, as temperaturas foram

mais constantes, não apresentando grande disparidade entre temperatura máxima e mínima. A

velocidade média do vento foi maior no período chuvoso.

5.3 EFICIÊNCIA DA ESTAÇÃO DE TRATAMENTO DE EFLUENTE

As Tabelas 12,13 e 14 apresentam a eficiência de remoção dos principais parâmetros

das lagoas anaeróbias 1, anaeróbias 2 e lagoa facultativa, respectivamente. Já a Tabela 15

apresenta as médias dos valores dos principais parâmetros para analisar a eficiência total da

estação de tratamento do frigorífico, durante o período seco e chuvoso.

Foram analisados os afluentes de entrada na lagoa 1 (anaeróbia) e o efluente lançado

no Córrego Jurubatuba, coletado na saída da lagoa 3 (facultativa).

41 TABELA 12 - Valores médios de parâmetros físicos e químicos utilizados para a análise

41

TABELA 12 - Valores médios de parâmetros físicos e químicos utilizados para a análise da eficiência da lagoa anaeróbia 1 considerando o afluente na entrada (Ponto A) e efluente de saída (Ponto B) no período seco e no período chuvoso.

Parâmetro

Período seco

Período chuvoso

 

Afluente

Efluente

Eficiência

Afluente

Efluente

Eficiência

 

(%)

(%)

pH DQO * DBO * DQO/DBO Nitrogênio Total * Amônia * Fósforo * Sólidos Sedimentáveis * Carbono Orgânico Total * Relação C/N

7,03

7,02

0,14

6,41

6,97

-8,73

1006,9

829,43

17,62

1802,9

1053,9

41,54

2301,3

713,22

69,00

1607,1

517,59

67,79

0,43

1,16

-

1,12

2,03

-

11,27

4,74

57,94

22,4

10,84

51,60

0,85

0,12

85,88

0,69

1,01

-46,37

18,03

13,13

27,17

11,04

8,09

26,72

28,59

52,5

-83,63

48,67

51,87

-6,57

581,11

176,56

69,61

685,41

193,68

71,74

51,56

37,24

-

30,59

17,86

-

* concentração em mg L -1 .

Segundo Sperling (1996), a eficiência de remoção de DBO nas lagoas anaeróbias é da

ordem de 50% a 70%, assim, nos dois períodos verificou-se que os valores de DBO se

comportaram de acordo com o indicado por este autor. Os parâmetros para nitrogênio total,

amônia (período seco), carbono orgânico total também foram dentro desta ordem de remoção.

Silva (2009) estudando lagoas anaeróbias com dejetos suínos encontrou eficiências

médias de remoção de DBO e DQO, em lagoas anaeróbias, na ordem de 67,4 e 67%,

respectivamente.

É fundamental que se tenha o adequado equilíbrio entre as duas comunidades de

bactérias (acidogênicas e metanogênicas). As metanogênicas necessitam de pH próximo ou

superior a 7. Como o pH, no período seco, estabilizou em 7, pode-se explicar uma ligeira

melhora de eficiência do período seco em relação ao período chuvoso.

Segundo Eastman e Ferguson (1981), as bactérias metanogênicas reproduzem-se mais

lentamente e são muito mais sensíveis às condições adversas ou alterações bruscas no meio

em que vivem. Desse modo, uma determinada alteração de equilíbrio no meio geralmente irá

refletir na diminuição da produção de biogás, em virtude da alta correlação existente entre a.

geração de metano e a população de bactérias metanogênicas (SOLERA et al., 2001). Pode-se

explicar assim, a baixa remoção de DQO no período seco, com relação ao período chuvoso,

uma vez que no período seco, houve maior variação de temperatura e coincidentemente neste

período, o número de abates de animais, não foi constante.

42 Souza (1982), Braile e Cavalcanti (1993) afirmam que um efluente com boa biodegrabilidade é

42

Souza (1982), Braile e Cavalcanti (1993) afirmam que um efluente com boa

biodegrabilidade é aquele cuja relação DQO/DBO apresenta valores menores que dois. No

período seco, a lagoa 1 apresentou resultados dentro do esperado, mas no período chuvoso,

esta relação ficou, no efluente, bem próximo do limite tolerável.

Para Kiehl (1978, 1979, 1981, 1985b, 1998) uma relação C/N acima de 30, significa

que a matéria orgânica está na forma crua, prejudicando o metabolismo dos organismos

presentes nas lagoas. No período seco este valor foi ultrapassado e no período chuvoso, no

ponto A, está na forma crua e no ponto B, estava começando a ficar humificado.

TABELA 13 - Valores médios de parâmetros físicos e químicos utilizados para a análise da eficiência da lagoa anaeróbia 2 considerando o afluente na entrada (Ponto B) e efluente de saída (Ponto C) no período seco e no período chuvoso.

Parâmetro

Período seco

Período chuvoso

 

Afluente

Efluente

Eficiência

Afluente

Efluente

Eficiência

 

(%)

(%)

pH DQO * DBO * DQO/DBO Nitrogênio Total * Amônia * Fósforo * Sólidos Sedimentáveis * Carbono Orgânico Total * Relação C/N

7,02

7,29

-3,84

6,97

7,25

-4,01

829,43

627,47

24,34

1053,9

420,49

60,10

713,22

119,32

83,27

517,59

96,73

81,31

1,16

5,25

-

2,03

4,34

-

4,74

3,34

29,53

10,84

3,35

69,09

0,12

0,23

-91,66

1,01

1,01

0

13,13

8,69

33,81

8,09

6,82

15,69

52,5

3,34

93,63

51,87

7,25

86,02

176,56

180,42

-2,18

193,68

150,44

22,32

37,24

54,01

-

17,86

44,90

-

*concentração em mg L -1 .

Os parâmetros DBO (período seco e chuvoso), DQO (período seco), nitrogênio total

(período chuvoso), sólidos sedimentáveis (período seco e chuvoso) tiveram uma remoção

acima de 50%, conforme SPERLING (1996) para lagoas anaeróbias.

Para que os processos biológicos de tratamento de efluentes sejam operados com

sucesso, é indispensável a presença de macro e micronutrientes em concentrações adequadas.

Amaral et al. (2008) enfatiza a importância da presença balanceada dos nutrientes necessários,

sendo que a restrição ou falta de algum deles pode levar à redução da taxa de metanogênese e

consumo da alcalinidade. Podendo explicar por que os índices de remoção de DQO,

nitrogênio total, amônia, fósforo e carbono orgânico total, no período seco, apresentam

43 valores menores que no período chuvoso, pois neste período, de acordo com a FIGURA

43

valores menores que no período chuvoso, pois neste período, de acordo com a FIGURA 7, os

abates não eram constantes, prejudicando assim, o metabolismo dos organismos anaeróbios.

Segundo Mara (1997) a eficiência de remoção de DBO em uma lagoa anaeróbia fica

acima de 60% a uma temperatura média de 20 ºC e como em ambos os períodos a temperatura

ficou de acordo com a literatura, verificou-se que as duas lagoas anaeróbias (TABELA 12 e

13) trabalharam dentro do esperado.

Sperling (2005) afirma que a medida que o efluente caminha pelo sistema de

tratamento, a relação DQO/DBO vai aumentando e conforme a TABELA 13, nota-se que isto

realmente ocorreu.

A relação C/N, no período seco, ficou acima de 30, caracterizando ainda matéria crua

na lagoa 2.

TABELA 14 - Valores médios de parâmetros físicos e químicos utilizados para a análise da eficiência da lagoa facultativa considerando o afluente na entrada (Ponto C) e efluente de saída (Ponto D) no período seco e no período chuvoso.

Parâmetro

Período seco

Período chuvoso

 

Afluente

Efluente

Eficiência

Afluente

Efluente

Eficiência

 

(%)

(%)

pH DQO * DBO * DQO/DBO Nitrogênio Total * Amônia * Fósforo * Sólidos Sedimentáveis * Carbono Orgânico Total * Relação C/N

7,29

7,7

-5,62

7,25

7,5

-3,44

627,47

505,99

19,36

420,49

341,92

18,68

119,32

75,54

36,69

96,73

89,8

7,164

5,25

6,69

-

4,34

3,8

-

3,34

1,53

54,19

3,35

0,51

84,77

0,23

0,43

-86,95

1,01

1,42

-40,59

8,69

12,35

-42,11

6,82

7,77

-13,92

3,34

0,09

97,305

7,25

0,67

90,75

180,42

150,09

16,81

150,44

136,41

9,32

54,01

98,09

-

44,90

267,47

-

* concentração em mg L -1 .

A lagoa 3 facultativa, apresentou boa remoção de nitrogênio total, sólidos

sedimentáveis em ambos os períodos. Para a remoção da DQO, DBO, amônia, e fósforo a

lagoa facultativa não apresentou resultados conforme citado por Sperling (2002), por isso,

sendo necessário a utilização da lagoa associada com outras, no caso anaeróbias para que a

remoção esteja dentro de limites aceitáveis (Tabela 14).

44 TABELA 15 - Valores médios de parâmetros físicos e químicos utilizados para a análise

44

TABELA 15 - Valores médios de parâmetros físicos e químicos utilizados para a análise da eficiência geral da estação de tratamento considerando o afluente na entrada (Ponto A) e o efluente de saída da estação de tratamento (Ponto D) nos períodos seco e no período chuvoso.

Parâmetro

Período seco

Período chuvoso

 

Afluente

Efluente

Eficiência

Afluente

Efluente

Eficiência

 

(%)

(%)

pH DQO * DBO * DQO/DBO Nitrogênio Total * Amônia * Fósforo * Sólidos Sedimentáveis * Carbono Orgânico Total * Relação C/N

7,0

7,7

-9,68

6,4

7,49

-17,03

1.006,9

505,9

49,75

1.802,9

341,91

81,03

2.309,1

75,5

96,73

1.607,1

89,79

94,41

0,4

6,7

-

1,1

3,81

-

11,2

1,5

86,60

22,3

0,50

97,75

0,8

0,4

50,00

0,6

1,42

-136,66

18,0

12,3

31,66

11,0

7,77

29,36

28,5

0,08

48,6

0,67

 

99,71

98,62

581,1

150,08

685,4

136,41

 

74,17

80,09

51,5

98,09

-90,46

30,5

267,47

-

* concentração em mg L -1 .

pH

Observou-se que o pH do afluente da lagoa 1, coletado no ponto A, possui um valor

adequado para as reações biológicas inicialmente do sistema anaeróbio, ou seja, o pH nos dois

períodos, ficou próximo de 7 (neutro) (Tabela 12) para que ocorra a conversão da matéria

orgânica (etapa metanogênica), pois é nela que ocorre a remoção da DBO, onde as bactérias

metanogênicas removem a matéria orgânica em forma de ácidos (bactérias acidogências), em

metano (CH 4 ), gás carbônico (CO 2 ) e água. Portanto, o pH é de extrema importância neste

processo.

Nota-se que a média do pH do afluente no período chuvoso foi menor, isto pode ser

explicado devido ao aumento do número de abates no período chuvoso e consequentemente

um aumento no uso de sanitizantes, utilizados para a limpeza de pátios e equipamentos.

Constatou-se ainda que o pH do efluente final (ponto D) está de acordo com os padrões de

lançamento previsto na resolução CONAMA nº. 357/2005, que estabelece um pH entre 6 e 9.

Observa-se ainda, que o pH na saída da estação de tratamento foi maior que no afluente em

ambos os períodos analisados.

DQO

Cavalcanti (2009) estabelece que uma DQO para ser considerada média, deve

apresentar valores entre 500 e 2000 mg L -1 , assim, pela Tabela 12, observa-se que os valores

45 do afluente do frigorífico, no período seco e no chuvoso, se enquadram nesta faixa.

45

do afluente do frigorífico, no período seco e no chuvoso, se enquadram nesta faixa. A remoção de DQO no período seco foi baixa, ficando próxima a 50%. Em contra partida, no período chuvoso, a remoção teve uma melhora significativa, sendo de 81%. De acordo com SPERLING (1986), a eficiência de remoção de DQO para um sistema de lagoas anaeróbia- facultativa (caso deste estudo), é de cerca de 65% a 80%. Afirma também, que o sistema de lagoas sofre efeito das condições ambientais, tendo como seus principais fatores, a radiação solar, a temperatura, pH e o vento. A baixa eficiência da estação no período seco pode ser explicada devida que, a média da velocidade do vento, para este período, foi menor que no período chuvoso. O vento influencia as condições de mistura e reaeração atmosférica (OLIVEIRA, 1993; SPERLING, 1986) na lagoa facultativa, que precisa de uma concentração de oxigênio para ajudar na oxidação química da matéria orgânica. Observa-se pelas as Tabelas 10 e 11 que a média dos ventos, no período chuvoso foi maior que no período seco. Além disso, outro fator importante, a temperatura pode ter contribuído para uma baixa eficiência na remoção de DQO, pois, de acordo com as Tabelas 10 e 11, a média das temperaturas no período seco foi menor, porém apresentando, picos maiores de temperatura se comparar com o período chuvoso, isso acarreta uma volatilização do oxigênio dissolvido, prejudicando assim, a oxidação química da matéria orgânica presente na lagoa facultativa. Porém, pela Tabela 15, verifica-se que os níveis de oxigênio dissolvido são maiores no período seco que no período chuvoso, esta concentração de oxigênio pode atrapalhar os processos anaeróbios que ocorrem nas 2 lagoas anaeróbias iniciais. Em Naval e Santos (1999), avaliando um sistema de lagoas de estabilização de águas residuárias domésticas da região Norte, encontrou valores finais de DQO entre 50 e 600 mg L-1 Os valores encontrados de DQO, no frigorífico em questão, ficaram entre 500 mg L-1 (período seco) e 341 mg L-1 (período chuvoso). A eficiência do sistema apresentou elevada variação, sendo que no período seco, não atingiu a eficiência descrita na literatura. Em contra partida, no período chuvoso, sua eficiência foi mais alta. Mas em se tratando da média compreendida entre os dois períodos, a eficiência foi de 65,5%, ficando dentro dos valores descritos pela literatura. Em Conama (2005) não contempla valores DQO para lançamento de águas residuárias.

DBO 46 A remoção de DBO em uma lagoa anaeróbia associada como uma facultativa é

DBO

46

A remoção de DBO em uma lagoa anaeróbia associada como uma facultativa é em torno de 75% a 85%, sendo que 50% a 70% removida na lagoa anaeróbia, enquanto que a DBO remanescente é removida na lagoa facultativa (SPERLING, 1986). Ainda de acordo com o mesmo autor, a conversão da matéria orgânica em condições anaeróbias é lenta, pelo fato das bactérias anaeróbias se reproduzirem numa vagarosa taxa, sendo para um período de permanência de apenas 2 a 5 dias na lagoa anaeróbia a decomposição da matéria orgânica é apenas parcial. Observa-se pela Tabela 10 que a média de temperatura máxima, no período seco foi maior, podendo ter contribuído com a eficiência das lagoas neste período. Mas o que realmente deve ter provocado uma maior eficiência no período seco, com relação ao período chuvoso, foi o aumento do número de abates de animais, ocorridos no período chuvoso e consequentemente aumentou o volume de efluentes gerados pela decomposição da matéria orgânica. As bactérias metanogênicas encontram seu equilíbrio em temperatura acima de 15ºC e pH próximo ou superior a 7 (SPERLING, 1986). Considerando a Tabela 10, no período seco, verifica-se que o pH foi maior que 7 e sua temperatura foi superior a 15ºC. Neste trabalho, verifica-se que a eficiência das lagoas do frigorífico, obteve um valor de 96,73% no período seco e 94,41% para o período chuvoso, em ambos os casos, as lagoas alcançaram as médias mencionadas pelas literaturas. TAKEUTI e MATSUMOTO (2003), estudando esgoto doméstico, encontraram em lagoas de estabilização, anaeróbia e facultativa, uma remoção de DBO próximo de 70,5%, bastante inferior aos valores médios obtidos neste trabalho.

DQO/DBQ e C/N Observa-se que relação DQO/DBO (Tabela 10) durante o período seco, no ponto A, o valor foi baixo 0,44 e 1,12 para período seco e chuvoso respectivamente. Souza (1982) e Braile e Cavalcanti (1993) consideram um resíduo facilmente biodegradável aquele cujas Demanda Química de Oxigênio (DQO) e DBO apresentam uma relação DQO/DBO menor 2. Sperling, (2005) afirma que uma relação DQO menor que 2,5 é considerada baixa sendo sua fração biodegradável elevada e indica-se um tratamento biológico; relação intermediária, são aquelas entre 2,5 e 3,5 com fração biodegradável não elevada e

47 necessitando de estudos para verificar a viabilidade do tratamento biológico e uma relação de

47

necessitando de estudos para verificar a viabilidade do tratamento biológico e uma relação de DQO/DBO eleva é aquela que apresenta valores maiores que 3,5 ou 4,0 com fração inerte (não biodegradável) elevada e sendo mais indicado um tratamento físico-químico, porém, afirma que esta relação nunca pode ficar abaixo de 1,0. A velocidade de decomposição da matéria orgânica não depende somente da quantidade de oxigênio dissolvido e do número e atividade das bactérias (KIEHL, 1985b; OLIVEIRA, 1993), mas também da composição do material, das dimensões das partículas e da sua relação C/N. Giessmann (1981); Kiehl (1985a) argumentam que, na fermentação aeróbia, as perdas de nitrogênio são controláveis, ampliando-se a relação C/N do substrato. KIEHL (1985b) esclarece que, se a relação C/N é maior que 35, os microrganismos não terão o material plástico necessário para construir a própria matéria celular, além do que será necessária a realização de inúmeros ciclos vitais, para eliminar o excesso de carbono na forma de CO 2 e de protoplasma albuminóide. Observa-se que a relação de C/N no ponto A foi 52, isto pode ter afetado o desempenho dos microrganismos, responsáveis pelo processo anaeróbio Tanto no período seco, como no período chuvoso, nos pontos D, a estação apresentou uma relação DQO/DBO de acordo com a literatura, apresentando bons resultados, pois a literatura prevê um aumento de relação à medida que o efluente percorre as lagoas.

Nitrogênio total Soares et al. (1995) afirmam que em lagoas facultativas a eficiência de remoção de nitrogênio situa-se entre 30% e 50% e Sperling (1986) afirma que um sistema de lagoas anaeróbias mais facultativas, tem uma eficiência para remoção de nitrogênio total menor que 60%, além disso, Medri e Medri (2004) encontraram uma eficiência de um sistema de 2 lagoas anaeróbias com uma facultativa de 64%, estudando lagoas de estabilização de dejetos suínos. Neste trabalho, a remoção foi alta, sendo que 86% no período seco e 97,7% no período chuvoso. O nitrogênio constitui em torno de 6% a 12%, em peso seco, do material celular das algas (ARCEIVALA, 1981) e na lagoa facultativa existe uma grande proliferação de algas. Sperling (1986) apresenta um gráfico que mostra que a eficiência de remoção de nitrogênio varia com o tempo de detenção hidráulica das lagoas e que para um tempo de 10 dias, pH 7,5 e temperatura 20 °C, a eficiência de remoção foi próxima de 30%. Observa-se na

48 Tabela 15 que os valores de temperatura, pH são próximos aos indicados por Sperling

48

Tabela 15 que os valores de temperatura, pH são próximos aos indicados por Sperling (1986), porém, a eficiência encontrada neste experimento foi maior, possivelmente pelo maior tempo de detenção hidráulica. Pode-se ainda mencionar, que segundo Arceivala (1981), EPA (1983) e Soares et al. (1985), a remoção de nitrogênio é devida a assimilação da amônia e dos nitratos pela algas presentes na lagoa facultativa, elas utilizam o nitrogênio em seu processo metabólico. Nas Tabelas 10 e 11, verifica-se que a radiação solar no período chuvoso, foi maior, além a temperatura e isto ajudou os microrganismos na degradação de matéria orgânica e consequentemente na remoção do nitrogênio.

Nitrogênio amoniacal Segundo (Sperling, 2006) nas lagoas anaeróbias não há, naturalmente, nenhuma reação de oxidação da amônia, devido à ausência de oxigênio, podendo chegar a uma eficiência de até 50%. Durante o período seco, a estação de tratamento apresentou valores dentro dos citados pelo autor que foi próximo a 50%. Entretanto, no período chuvoso houve um aumento considerável de amônia no efluente, uma vez que o frigorífico aumentou o número de animais abatidos e consequentemente um aumento da carga orgânica. Vivan et al. (2007) relata que a remoção de amônia pode ser relacionada com a alta volatilidade da mesma, explicada pela grande área superficial das lagoas e que está relacionada com o tempo de detenção hidráulico, assim, pela Tabela 9, verifica-se que o tempo de detenção hidráulico do período chuvoso, foi praticamente a metade do período seco, então, acredita-se que a baixa eficiência de remoção da amônia do período chuvoso, esteja relacionada com esta variável associada com a alta carga orgânica gerada neste período. O ligeiro incremento na concentração de N-NH 3 após passagem do efluente pelo processo anaeróbio se deve à degradação de nitrogênio ligado covalentemente a estruturas complexas (ex.: proteínas) presentes em solução ou no material particulado (WIESMANN et al., 2007). Com isso pode-se explicar, em ambos os períodos, a variação da concentração de amônia de menor para maior, nos pontos de C para D.

Sólidos sedimentáveis Segundo Sperling (1986) a eficiência de remoção de sólidos sedimentáveis para um sistema contendo lagoa anaeróbia mais facultativa situa-se entre 70% e 80%. Pela Tabela 15,

49 verifica-se que em ambos os casos, a eficiência de remoção foi maior do que

49

verifica-se que em ambos os casos, a eficiência de remoção foi maior do que citado pelo autor. O aumento de eficiência verificado no período seco em relação ao período chuvoso pode ter sido provocado devido ao maior tempo de detenção hidráulica. Ide et al. (2007) estudando a eficiência de um sistema de lagoas formadas por uma anaeróbia e duas facultativas, encontrou também alta eficiência de remoção de sólidos sedimentáveis e eficiência semelhantes a este estudo. Conama (2005) estabelece um limite máximo de 1 mL sólidos sedimentáveis para lançamentos de efluentes em corpos hídricos, assim, nos dois períodos estudados atendem a legislação.

Fósforo total Verifica-se que a remoção do fósforo foi próximo de 30%, concordando com Sperling (1986) que afirma que a eficiência de remoção de fósforo de um sistema de lagoas anaeróbias mais facultativas vai até 35%. Cavalcanti et al. (2001), afirma que em lagoas rasas e com baixas taxas de aplicação hidráulica, a remoção de fósforo situa-se entre 60 e 80%, ao passo que em lagoas facultativas, a eficiência de remoção é inferior a 35%. Já Ide (2007) estudando um sistema de lagoas anaeróbias e duas facultativas, encontrou um índice de remoção de fósforo de apenas 5,9%. Para Arceivaila (1981), Haandel e Lettinga (1994) os principais mecanismos de remoção de fósforo em lagoas de estabilização são: retirada do fósforo orgânico contido nas algas e bactérias através de saída com o efluente final e precipitação de fosfatos em condições de elevado pH. Observa-se pela Tabela 12 que durante o período seco, as lagoas apresentaram um valor ligeiramente maior de eficiência de remoção de fósforo com relação ao período chuvoso. Pode-se supor da influência do pH que durante o período seco, tendeu a ser mais alcalino em relação ao período chuvoso que teve caráter mais ácido, favorecendo a remoção de fósforo no período seco. Pela Resolução n. 357/2005, a concentração de fósforo em águas de classe 2, em ambientes intermediários não deve ultrapassar 0,050 mg L -1 , portanto, o efluente do frigorífico esta acima do permitido, o que exigiria um tratamento terciário.

Carbono orgânico total A remoção de carbono orgânico total apresentou valores elevados, tanto no período seco como no chuvoso, sendo que no período seco a eficiência ficou em torno de 74% e no

50 período chuvoso foi de 80%, a remoção de carbono orgânico total foi maior. Isso

50

período chuvoso foi de 80%, a remoção de carbono orgânico total foi maior. Isso pode ser

explicado de acordo com as Tabelas 10 e 11, pelo maior índice de radiação solar no período

chuvoso. Os microrganismos presentes na lagoa facultativa extraem o carbono para poderem

realizar a fotossíntese, favorecendo, assim, a diminuição da concentração de carbono orgânico

total. Pode-se mencionar ainda, que a média das temperaturas no período chuvoso foi maior

que no período seco, sendo a temperatura fator importante para os microrganismos. Sperling

(2005) afirma que a elevação da temperatura aumenta a taxa de reações física, químicas e

biológicas.

5.4 ANÁLISES DA QUALIDADE DO AFLUENTE, EFLUENTE E DA ÁGUA DO

CÓRRREGO JURUBATUBA

pH

A Tabela 16 apresenta os valores médios de pH obtidos durante o período seco e

chuvoso.

TABELA 16 - Valores médios de pH no período seco e chuvoso nos diferentes pontos de coleta na estação de tratamento de efluente e do Córrego Jurubatuba.

Pontos

de coleta

Período seco

pH

DesvPad

CV (%)

Período chuvoso

pH

DesvPad

CV (%)

A 7,03 b,A

0,37

5,27

6,41 d,A

0,17

2,74

B 7,02 b,A

0,15

2,20

6,97 bc,A

0,09

1,31

C 7,29 b,A

0,16

2,17

7,25 abc,A

0,08

1,15

D 7,70 b,A

0,22

2,81

7,50 ab,A

0,20

2,71

E 7,58 b,A

0,58

7,60

7,26 abc,A

0,46

6,38

F 7,58 b,A

0,19

2,56

7,41 ab,A

0,27

3,62

G 7,58 b,A

0,23

2,98

7,32 abc,A

0,30

4,14

Médias seguidas por letras minúscula distintas nas colunas diferem entre os pontos de análise no mesmo período e letras maiúsculas na linha diferem entre os períodos em cada ponto ao nível de 5% pelo teste de Tukey. DesvPad: Desvio Padrão; CV: coeficiente de variação. *Valores médios de 8 repetições. A: junção dos efluentes da linha vermelha e verde; B: entrada da lagoa anaeróbia 2; C: entrada lagoa facultativa 3; D: saída da lagoa facultativa; E: 50 m a montante do ponto de lançamento de efluente no córrego; F: 50 m a jusante do ponto de lançamento do efluente e G: 500 m a jusante do ponto de lançamento.

Durante o período seco, todos os pontos apresentaram valores próximos da

neutralidade e não houve diferença significativa. Os pontos A e B no período chuvoso, foram

os que apresentaram os valores mais baixo de pH. Isto pode ser relacionado com o aumento

no número de animais abatidos, tendo, como consequência, aumentado a quantidade de

substâncias sanitizantes na limpeza nos equipamentos do frigorífico. Segundo Bleich, (2002),

51 o processo de decomposição da matéria orgânica reduz o pH pelo aumento da concentração

51

o processo de decomposição da matéria orgânica reduz o pH pelo aumento da concentração

de gás carbônico que, ao dissolver-se na água, forma o ácido carbônico. O ponto A, no

período chuvoso, difere significativamente dos demais pontos neste mesmo período, esta

variação pode ter sido causada pelo aumento na quantidade de limpeza dos equipamentos com

produtos ácidos.

Com relação aos outros pontos do córrego (E, F e G), no período chuvoso, observou-s

valores menores que no período seco. No período de chuva, a quantidade de sedimentos

levantados do fundo do córrego foi maior, acrescido de detritos arrastados pela chuva que

escoa pela superfície do solo para dentro do córrego, onde a decomposição desta matéria

orgânica favorece a redução do pH.

Turbidez

A Tabela 17 apresenta os valores médios de turbidez obtidos durante o período seco e

chuvoso para os diferentes pontos de análise.

TABELA 17 - Valores médios de turbidez no período seco e chuvoso nos diferentes pontos de análise na estação de tratamento de efluente e do Córrego Jurubatuba.

Pontos de

Período seco

Período chuvoso

coleta

Turbidez

DesvPad

CV (%)

Turbidez

DesvPad

CV (%)

(NTU)

(NTU)

A 835,94 a,A

516,06

61,73

722,51 a,A

231,29

32,01

B 277,67 b,A

90,42

32,56

288,70 b,A

256,01

88,67

C 205,37 b,A

39,33

19,15