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Luta contra corrupção não penal

Publicado a 25 Maio 2010

Deputados desafiados a criar mais mecanismos de prevenção.

Cera a mais incendeia a capela . Foi com este aforismo que o professor de Direito Penal da Universidade do Porto, Almeida e Costa, desafiou os deputados a não fazerem mais leis penais para combatera corrupção, defendendo a aposta na prevenção.

Na mesma linha, Augusto Silva Dias, professor na Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa, também ouvido ontem na comissão parlamentar para o combate à corrupção, avisou que a impaciência do legislador pode ser negativa para o combate a este tipo de crimes.

Chamados pelos deputados da comissão, presidida pelo socialista Vera jardim, estes dois professores de Direito Penal, concordarem na rejeição à criação do crime de enriquecimento ilícito. Das três iniciativas legislativas da autoria do PSD, BE e PCP, apenas a dos social-democratas foi aprovada na generalidade, encontrando-se agora em apreciação na especialidade.

Silva Dias foi claro ao dizer que é subtil mas grave o entorse à inversão do ónus na prova. Ou seja, a quebra da garantia da presunção de inocência, um direito constitucional. Como disse, se o indivíduo se cala (usando o direito que lhe assiste) a condenação está a vista .

A proposta de Almeida e Costa para que o legislador não incorra em inconstitucionalidade prevê a criação, fora do Código Penal, de uma lista de identificação

das fontes legítimas de receitas e de património . Todo o património ou renda de que determinado indivíduo disponha fora dessas fontes legítimas seria alvo de

investigação e confiscado. Teria de ser regulamentada com pinças, mas seria muito mais eficaz para combater a corrupção do que, por exemplo, aumentar a moldura penal .

A este argumento Almeida e Costa acrescentou a ideia de que actualmente, o corruptor pouco se importa de ser condenado a pena de prisão.

Outro dos diplomas analisados pelos professores de Direito Penal, ontem ouvidos, é o que cria outro novo crime, o urbanístico, através de diplomas apresentados pelo PS e pelo CDS-PP. Nesta área, Almeida e Costa contrapõe ao novo crime uma lei unitária de urbanismo, que consolide toda a legislação .

A proposta vem ao encontro de um projecto que está a ser preparado pelo PCP, no sentido da actuação nos mecanismos que levam à decisão urbanística.

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Professor considera que enriquecimento il cito tem cobertura constitucional Esta manhã, na comissão, os deputados vão ouvir outro professor de Direito, Paulo Pinto de Albuquerque, defender o contrário do que foi preconizado ontem. Este docente da Universidade Católica, antecipou, em declarações à lusa, a sua opinião a favor da criação do crime de enriquecimento ilícito, que na sua óptica é compatível com a Constituição.

Quanto às leis penas, o professor de Direito, para quem a actual organização é caótica e desigual , considera urgente a integração das leis no Código Penal (CP). É urgente integrar no CP a legislação dispersa , acentuou Pinto de Albuquerque, ao defender que esta medida é essencial para que o combate à corrupção se possa fazer de uma forma uniforme .

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