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http://www.carliniadvogados.com.br/ver_noticia.asp?id=18 MÓDULO II MEDICINA LEGAL

MEDICINA LEGAL

1. IDENTIFICAÇÃO

A identificação pode ser efetuada quanto: a) Espécie Entre animal e ser humano. Pode-se chegar a essa classificação pela análise dos ossos e dos canais de Havers. b)Raça Há cinco tipos étnicos fundamentais: caucasiano, mongólico, negróide, indiano e australóide. A raça é identificada pelo índice cefálico (forma do crânio e ângulo facial). c)Sexo O sexo do indivíduo pode ser identificado das seguintes maneiras:

sexo cromossomial: avaliação dos cromossomos. Ex.: sexo masculino: quem tem cromossomo XY; sexo feminino: quem tem cromossomo XX; sexo gonadal: os indivíduos humanos que têm ovário são do sexo feminino; os que têm testículos são do sexo masculino; sexo cromatímico: com a aplicação, nas células humanas, de corante que se adere ao corpúsculo cromatino. A presença da
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cromatina indica o sexo feminino; sua ausência indica o sexo masculino.

sexo da genitália interna: quem tem útero e ovário é do sexo feminino; quem tem próstata é do sexo masculino; sexo da genitália externa: quem tem vagina e clitóris é do sexo feminino; quem tem pênis e escroto é do sexo masculino; sexo jurídico: é o sexo constante nos documentos do indivíduo. Pressupõe-se que alguém constatou o sexo do indivíduo; sexo de identificação: é o sexo psíquico, sexo do comportamento, é a sexualidade do indivíduo. Na maioria das vezes, tem tudo a ver com o sexo físico. É o sexo que o indivíduo projeta no plano da sexualidade; sexo pericial: é o sexo de avaliação, por meio de toda uma avaliação dá-se um laudo sopesando todos os aspectos.

Legalmente, no Brasil, o que vale é o sexo físico. O judiciário não pode autorizar a mudança de sexo na documentação, pois poderia estar incorrendo em uma fraude.

1.1. Idade Existem algumas faixas etárias juridicamente importantes: 13, 16, 18 e 21 anos. Especialmente a faixa dos 18 anos, que é a faixa da imputabilidade. Universalmente, hoje se aceita a Tabela de Grevlisch para determinar a idade das pessoas. Grevlich, ao radiografar os ossos dos braços das pessoas, chegou a um padrão de calcificação para determinar as faixas etárias jurídicas. Esse processo de calcificação dos ossos se encerra com 21 (vinte e um) anos. Não é possível distinguir uma radiografia de uma pessoa com 25 (vinte e cinco) anos de outra com 35 (trinta e cinco) anos, porém, é possível identificar, pela radiografia, um indivíduo de 20 (vinte) anos e 9 (nove) meses de outro indivíduo de 21 (vinte e um) anos. Os ossos do antebraço são o rádio e o úmero. Posição anatômica é a posição da pessoa voltada para a frente, com os braços voltados para a frente e as pernas ligeiramente afastadas. Sendo essa a posição anatômica, o rádio localiza-se no exterior do antebraço.
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Ossos do punho: escalóide, semilunar, piramidal, psiforme, na primeira fileira. Na segunda fileira: trapézio, trapezóide, grande osso e ganchoso ou unciforme. Os ossos da mão são cinco e chamam-se metacarpianos. Dedos: indicador, polegar, médio, anular e mínimo. O polegar tem dois ossos, duas falanges, que recebem o nome de proximidal e distal. Os quatro outros dedos possuem três falanges: proximidal, medial e distal. Além disso, existem pequenas esferas ósseas que ajudam no processo de articulação, chamados semamóides. Temos então 32 (trinta e dois) pontos de observação (ossos) para identificar a idade das pessoas. É por isso que se adota essa parte do corpo para proceder a identificação: pela quantidade de detalhes e variedade de pontos de observação.

1.2. Altura Existem tabelas para que se possa verificar a altura do indivíduo. Ex.: se o fêmur mede 48,6 cm, o indivíduo vivo tinha 1,80 m. A tabela pode ser aplicada sobre vários ossos: fêmur, tíbia etc.

1.3. Outros Tipos de Identificação Para ajudar numa identificação individual, são valiosos os seguintes sinais:
a) sinais individuais: verrugas, manchas etc.; b) malformações: lábio leporino, desvio de coluna, consolidação

viciosa de uma fratura etc.;
c) sinais profissionais: calosidade de sapateiros, calo nos lábios

de sopradores de vidro, de músicos de instrumentos de sopro etc.;
d) cicatrizes:

traumática (ação de agentes queimaduras), patológicas (vacinas) ou cirúrgicas.

mecânicos,

A identificação pelos dentes, no morto, é relevante. Porém, para que tal identificação seja possível, seria necessário dispor de uma ficha dentária fornecida pelo dentista da vítima. Uma cárie com restauração de
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então.4. colocação de prótese. Grande parte dos indivíduos possuem também o sistema marginal. Para seu estudo. só do lado interno ou só do lado externo. As que têm só do lado interno. As pessoas que têm o delta só do lado externo. formam uma figura chamada delta. Vucetich resolveu colher a impressão dos dez dedos das mãos. Essas cristas digitais consistem em uma série de linhas. a classificar as impressões por grupos. chamou-se de presilha externa (E). Consiste na superposição de fotos do indivíduo tiradas em vida sobre a foto do esqueleto do crânio. mas jamais mudaria o desenho. dentes manchados de fumo etc.). Vucetich começou. as alterações adquiridas pelos agentes mecânicos. chegou à conclusão que nenhuma pessoa possui as impressões iguais às de outra. influem na identificação do indivíduo. as quais Vucetich denominou de sistema basilar. estudando as cristas que todo ser humano possui nas polpas digitais (pontas dos dedos). A figura de 2 (dois) deltas é chamada de verticilo (V). As pessoas que não têm o delta. O delta pode aparecer nas pessoas de diferentes maneiras: dois deltas. na confluência dos três sistemas. 1. e também que a impressão das cristas em papel (impressão digital) poderia mudar de tamanho conforme a idade do indivíduo. Essa forma de identificação. os demais dedos recebem a numeração seguinte: VEIA(4321) 4 . chamou-se de arco (A). químicos. físicos e biológicos (desgastes dos dentes. No centro da polpa digital existe o sistema nuclear. esbarrava na dificuldade de se encontrar determinada impressão num arquivo imenso. também. embora fosse barata. mais ou menos horizontais. Identificação Jurídica Jean de Vucetich. O sistema de letras fica restrito aos polegares._________________________________________________________________________ MÓDULO VIII MEDICINA LEGAL determinado material. Deve-se levar em conta. presilha interna (I). ausência de delta. Ele será usado quando falhar os métodos mais significativos. Vucetich verificou que certas pessoas. A identificação por fotografia não é um método de grande segurança.

_________________________________________________________________________ MÓDULO VIII MEDICINA LEGAL V (verticilo) = 4 E (presilha externa) = 3 I (presilha interna) = 2 A (arco) = 1 Todos os indivíduos de uma população a ser identificada que tiverem a forma A4214. (Energia = Massa x Velocidade). o mesmo não produzirá 5 . O trauma produzido por energia pode ser físico ou psíquico. A energia vulnerante é classificada em: mecânica. TRAUMATOLOGIA MÉDICO LEGAL A traumatologia estuda as formas de vulneração do corpo humano.1. física.: ao examinar determinada impressão. Energia Mecânica É a energia cinética. O que varia é a velocidade. As cristas não são lineares e formam inúmeros desenhos. química. A2421 ficam arquivados em conjunto. isto é. 2. pode-se identificar certamente o indivíduo. 2. Ex. a identificação. por meio de impressões dos desenhos formados pelas cristas papilares. Ex. A esse sistema de identificação dá-se o nome de sistema decadactilar 10 (dez) dedos. A ciência que se propõe a identificar as pessoas fisicamente. dessa maneira. que atua sobre um corpo (E = M x V). facilitando. biológica e mista. se encontrados 12 (doze) pontos de coincidência. Basicamente tudo aquilo que ofende a saúde é um trauma.: se colocar suavemente um tijolo sobre a cabeça de alguém. recebe o nome de datiloscopia.

Exemplo de objetos cortantes: faca. finos e pontiagudos. A energia pode atuar de várias maneiras: explosão. É errado falar “ferida cortante”: o instrumento é cortante. Porém. escada etc. impacto. Perfurantes São instrumentos punctórios.: cortantes. tração etc. deslizamento. pode provocar um corte ou até mesmo uma fratura de crânio. raramente. Os instrumentos são como uma superfície plana que atua sobre o corpo humano. dependendo da força ou do objeto.000 Kg sobre a cabeça de alguém.: perfurantes. compasso etc. secionando-as. a ferida é incisa.: contundentes. O tijolo (massa) é o mesmo. Exemplo de instrumentos contundentes: martelo. picador de gelo. Exemplo de objetos perfurantes: agulha. afastando as fibras do tecido e. A lesão típica provocada por objeto contundente tem vários estágios. Existem alguns objetos cuja massa. Atuam por pressão. bisturi etc._________________________________________________________________________ MÓDULO VIII MEDICINA LEGAL nenhum trauma. que atuam num plano ou superfície – ex. veículo. por si só. soco. b) Cortantes São instrumentos que agem por um gume mais ou menos afiado. que atuam numa linha – ex. Ex. As feridas produzidas por esse tipo de instrumento recebem o nome de punctória ou puntiforme. já produzem energia suficiente para provocar um trauma. Contundentes São instrumentos que agem por pressão. por mecanismo de deslizamento sobre os tecidos.: um cofre de 3. se o tijolo for atirado com força. o que variou foi a velocidade. torção etc. balaustre. Existem três grupos de instrumentos: • • • que atuam num único ponto – ex. 6 . prego. O que determina a intensidade do trauma é o resultado M x V (massa x velocidade). A ferida causada por esse tipo de instrumento chama-se incisa.

Hematoma Ocorre quando o instrumento contundente. Enquanto existir. 2. somente uma mancha vermelha transitória que não deixa vestígios. Não há lesão anatômica. Não há sangramento. Ex. Ferida contusa Produzida quando o instrumento age com muita violência que é capaz de rasgar os tecidos. Escoriação É a lesão superficial de atrito (ralada) que rompe a epiderme. Equimose Se a lesão foi provocada com tal intensidade que chegou a romper alguns vasos sangüíneos.1. que são vasos pouco expressivos. produzido por uma faca de ponta.: tapa._________________________________________________________________________ MÓDULO VIII MEDICINA LEGAL • Espécies de lesões contundentes Eritema ou rubefação É a primeira lesão provocada por objeto contundente e a mais simples. As manchas seguem uma evolução padronizada: mudam de cor até o décimo quinto dia. os instrumentos misturam as seqüências da lesão. atuando no tecido corporal. quando o instrumento bate mais pesado e chega a romper um vaso. perto da superfície da pele. formando uma lesão aberta. A escoriação é produzida quando o instrumento tangencia e produz um ralamento na epiderme. mas pequena infiltração de sangue entre as malhas do tecido. produzindo o afastamento de tecidos. quando então desaparecem. produzindo uma dilatação dos vasos sangüíneos. Feridas produzidas pelos instrumentos Com freqüência. recebe o nome de equimose. provocando vazamento de sangue. É provocada por impacto de baixa densidade.1. Alguns penalistas não aceitam o eritema como lesão corporal.: instrumento perfuro-cortante. deixando a derme a descoberto. Ex. provoca ruptura de vasos importantes. Não há sangramento e não deixa seqüelas. 7 . São as famosas manchas roxas provocadas por ruptura de vasos capilares. retrata com fidelidade o instrumento que a causou.

produzem lesões. O instrumento típico cortocontundente é o machado. Instrumentos básicos Instrumento Perfurante Cortante Contundente Característica Perfura Corta Contunde Ferida Punctória Incisa Eritema. Existe também uma combinação de instrumento que corta e que contunde: instrumento corto-contundente._________________________________________________________________________ MÓDULO VIII MEDICINA LEGAL Existem instrumentos que por sua velocidade. mais do que por sua forma. pelo instrumento corto-contundente. equimose. que atua perfurando e contundindo. A lesão produzida pelo instrumento perfuro-contundente denomina-se perfuro-concisa. Ex. Temos. cortantes e contundentes) e 3 (três) formas combinadas (perfuro-cortante. 3 (três) instrumentos básicos (perfurantes. ferida contusa Instrumentos combinados Instrumento Perfuro-contundente Perfuro-cortante Corto-contundente Característica Perfura e contunde Perfura e corta Corta e contunde Lesão Perfuro-contusa Perfuro-incisa Corto-contusa 8 . A lesão típica produzida denomina-se corto-contusa. então. hematoma. A ferida produzida pelo instrumento perfuro-cortante é denominada perfuro-incisa.: instrumento perfuro-contundente (projétil de arma de fogo). perfurocontundente e corto-contundente). escoriação.

ª Lei: feridas punctórias numa mesma região de linhas de tensão ou linhas de Languer. Esses instrumentos também têm uma propriedade do sinal do acordeão. forma triangular. a forma de casa de botão ou botoeira. em virtude de ser comprimida. surgem três leis a respeito das feridas punctórias: 1. 3._________________________________________________________________________ MÓDULO VIII MEDICINA LEGAL a) Feridas punctórias (produzidas por instrumentos perfurantes) Feridas punctórias são feridas produzidas por instrumentos perfurantes. ou sinal de Lacassagne. As feridas na zona de confluência das linhas de força tomam a forma de triângulo. em razão disso. como a casa de um botão. e diz respeito à forma que a lesão vai apresentar. 9 . pois as feridas produzidas. predominância do comprimento sobre a profundidade. hemorragia abundante. 2. são profundas. porém apresentam características de corte. cuja ferida. ausência de vestígios traumáticos em torno da ferida. têm todas o mesmo sentido.ª Lei: diz respeito às feridas que acontecem coincidentemente numa mesma região de linhas de tensão. apresenta uma extensão maior do que o instrumento que a produziu. afastamento das bordas da ferida. em razão da retratilidade da pele. quando retirado o instrumento.ª Lei: as feridas punctórias provocam. b) Feridas incisas (produzidas por instrumentos cortantes) Características das feridas incisas: − − − − − − regularidade das bordas (pois não foi rasgada). se o corpo é vivo. A importância desses instrumentos perfurantes na Medicina Legal localiza-se no fato de serem esses instrumentos inoculares de infecção. regularidade do fundo da lesão. embora aparentemente pequenas. ou seja.

quando existem duas lesões cruzadas. − − − Nas feridas incisas. Se houver cicatriz. vai haver um degrau. c) Feridas produzidas por instrumento contundente • Rubefação ou eritema: No período em que é visível. em virtude da elasticidade dos tecidos. 3. esgorjamento: ferida incisa na região anterior do pescoço. Escoriação: Abrasão. trata-se de uma perda de substância e não de escoriação. na hipótese de duas feridas se entrecortarem. porque reproduz o instrumento que a produziu. 10 • . Na escoriação há uma reconstrução integral da pele._________________________________________________________________________ MÓDULO VIII MEDICINA LEGAL − cauda de escoriação voltada para o lado em que terminou a ação do instrumento. Algumas feridas incisas têm nome próprio: 1. Não existe cicatriz de escoriação. o centro da ferida é mais profundo que as extremidades. A esse “degrau” dá-se o nome de Sinal de Chavigny: angulação que se verifica na segunda ferida. degolamento: ferida incisa no plano posterior do pescoço (nuca). e em forma de bizel se o instrumento agiu inclinadamente (oblíquo). 15 minutos). é possível determinar qual a primeira e qual a segunda. porque foi feita sobre a lesão anterior. as vertentes (encostas) da lesão são emparedadas (regulares) e serão verticais se o instrumento agiu perpendicularmente. não se trata de escoriação. pois a primeira foi feita sobre a pele íntegra e. lixamento da pele. na segunda. pegando a segunda camada da pele. 2. Quando a abrasão se estende em profundidade. pois não tem uma base anatômica e dura pouco tempo (em média. Há uma forte corrente dizendo que a rubefação não possui os requisitos de uma lesão corporal. a extensão da ferida é quase sempre menor do que aquela que realmente foi produzida. decapitação: ferida incisa secionando todo o pescoço (guilhotina). Caracteriza-se por uma vermelhidão no local atingido. tem uma grande importância. Só é escoriação a abrasão que se verifica na epiderme por atrito tangencial ou instrumento contundente.

prensando partes moles entre o instrumento e o osso. pode ocorrer a ruptura de um pequeno vaso na parte externa do cérebro. Essa ruptura intra-baço. não produzem graves sintomas e podem passar desapercebidos num exame clínico. menos. quando a cápsula se rompe. Podem provocar uma onda de choque que pode levar a uma lesão dentro do fígado ou do baço. os instrumentos contundentes podem provocar hematomas de extrema gravidade. 11 . ocorre a hemorragia e o indivíduo entra em choque. Outra característica da equimose é que. nos primeiros momentos. Aí recebe o nome de ferida contusa. • Ainda que não haja uma fratura ou ferida externa. nos impactos. Quando o impacto é maior e há um anteparo ósseo. levando o indivíduo ao coma. nas proximidades das bordas._________________________________________________________________________ MÓDULO VIII MEDICINA LEGAL • Equimose: Manchas roxas. Consistem no extravasamento dos vasos sangüíneos. que vai gotejando sangue e descolando a membrana que se expande até comprimir violentamente o cérebro. O sangue fica dentro da cápsula que envolve o baço. O sangue forma uma bolsa que caracteriza o hematoma. Outra situação extremamente grave são alguns traumatismos no crânio. É um hematoma extradural em dois tempos que leva à uma compressão do cérebro. pode ser que a lesão se abra. Hematomas: São provocados por objetos contundentes. Chama-se hematoma em dois tempos e é mais comum no baço e no fígado. A seqüência das cores da equimose permite estabelecer um diagnóstico cronológico da mesma. Suas características são: −bordas irregulares. d) Feridas contusas: É uma espécie de contusão. −traumas −vertentes −entre uma lateral e outra pode haver ponte de tecido íntegro. −sangram −são mais profundas do que compridas. costumam haver equimoses exatamente na forma do objeto que as produziu. Independentemente dos hematomas superficiais. e fundo irregulares. Ex.: soco no supercílio.

e) Empalamento O indivíduo é amarrado e suspenso. ele passa a funcionar como instrumento contundente. As contusões podem provocar também ruptura de órgãos internos. ele se rompe no ápice da curvatura. por suas características. Provocam o chicote cervical que provoca luxação cervical ou fratura com morte imediata._________________________________________________________________________ MÓDULO VIII MEDICINA LEGAL Esses são os itens que permitem diferenciar uma ferida contusa de uma ferida incisa. Existem órgãos que.: martelada na cabeça provoca uma lesão característica que recebe o nome de ferida de Strassmann. Acidentalmente podem ocorrer empalações. − − provocar uma violenta cinto de três pontos: toráxico. f) Lesões produzidas por cinto de segurança Quando a colisão ultrapassa em energia a capacidade do cinto. Se o órgão é comprimido por aumento de pressão interna. MÓDULO IV MEDICINA LEGAL 12 . Na medida em que se aumenta a pressão interna do órgão. Era uma prática utilizada como pena de morte. Outra característica da pancada com martelo é o sinal de Carrara (pequenos círculos na região afetada). quedas no campo da construção civil. − transverso toráxico: costumam projeção do pescoço e da cabeça. luxações na coxa com relação ao quadril. Ex. Coloca-se uma haste e o indivíduo é descido pela haste. Ex: quedas a cavaleiro. são mais sujeitos à ruptura. As contusões podem provocar ainda algumas lesões típicas. ele se rompe. por compressão. Hoje existem três tipos de cinto: pélvico: provoca lesão na bacia. diagonal e pélvico. que penetra na região perianal. como o fígado e o baço.

calor.1.1. Dura algumas horas e depois cessam os efeitos. frio. 1. resfriam rapidamente e demoram mais para entrar em putrefação. Para tanto. O frio sistêmico faz diminuir as funções circulatórias e cerebrais. Os cadáveres têm pele clara. O frio pode atuar diretamente sobre o corpo. Podem ocorrer geladuras localizadas de vários tipos: a) Primeiro grau Área superficial pálida (ou rubefação). congestão ou isquemia das vísceras. Ações Físicas da Temperatura 1. luz. extravasamento de sangue pelas vias respiratórias. convulsões. porém a pele 13 .1. podendo advir a morte. delírios. anestesias. sonolência. ENERGIA DE ORDEM FÍSICA Vários são os agentes físicos: som. perturbações dos movimentos. A ação do frio leva a alterações do sistema nervoso. há mecanismos termoreguladores que mantêm a temperatura estável em aproximadamente 36 graus centígrados. inchada e de aspecto anserino na pele. Frio Os seres humanos são homeotérmicos (temperatura constante) e resistem a uma variação de temperatura pequena (abaixo de 42 graus centígrados e acima de 32 graus centígrados de seu próprio corpo). radioatividade etc._________________________________________________________________________ MÓDULO VIII MEDICINA LEGAL MEDICINA LEGAL 1.

Calor O calor pode atuar de duas formas: a) Calor difuso Calor sistêmico. interessa a sua extensão.1. Pode ocorrer a degeneração das proteínas. nas indústrias com câmaras frias etc. intermação: exposição a outras fontes de calor. desidratação. queimaduras de qualquer grau que atinjam mais de 40% da superfície do corpo 14 . são necessários enxertos. Formam-se úlceras e. tendo como conseqüência as termonoses: • • insolação: exposição à natureza. Hoje ocorre no alpinismo. d) Quarto grau Quando o indivíduo permanece com os membros em contato direto com o frio. Um grande segmento do corpo gangrena e vai à necrose. b) Segundo grau Ação mais intensa do frio. às vezes. líquidos ou metais aquecidos. 1. Mais do que a profundidade da queimadura. b) Calor direto Calor local tem como conseqüência as queimaduras. provocando o congelamento do local e levando à necrose dos tecidos moles por falta de circulação. Chama-se de trincheira. ambiente confinado. que podem ser causadas por chamas. gases. com formação de bolhas de sangue que estouram e cicatrizam. Assim._________________________________________________________________________ MÓDULO VIII MEDICINA LEGAL descasca. lugares mal arejados. convulsão e morte. Causam deformidades permanentes. Os materiais em combustão são instrumentos para essa ação. c) Terceiro grau Quando a ação do frio é muito intensa.2. que provoca a destruição da epiderme.

produzindo manchas (ex. 1.: queimadura por raios solares). Pode ser total ou generalizada. resulta em úlcera.: queimadura em decorrência de gases. devido à retração dos músculos. adota-se a classificação das queimaduras feita por Hoffmann: a) Primeiro grau Vermelhão. Em Medicina Legal. b) Segundo grau A superfície apresenta vesículas com líquido amarelado (sais e proteínas). com cicatrizes chamadas sinéquias. só fica na posição de “boxer” se foi carbonizado enquanto vivo ou logo após a morte por qualquer 15 . A carbonização generalizada reduz o volume do corpo por condensação dos tecidos. Corpos de adultos carbonizados chegam à estatura de 100 a 120 cm. A pele fica retrátil. pode haver abalos no mecanismo. há fuligem e fumaça nas vias respiratórias (sinal de Montalti). As bolhas (sinal de Chambert) podem infeccionar. a pele apresenta-se inchada e quente. O morto toma a posição de “boxer”.1. Forma-se uma placa dura e preta que. A explosão de gases causa o rompimento da cavidade abdominal e do crânio. o sangue dos pulmões e coração possui alta taxa de óxido de carbono. A epiderme descasca após 3 ou 4 dias (ex. retirada. líquidos e metais aquecidos). levando à morte. Dependendo da área afetada. por chama ou sólido superaquecido e determinam a queima da pele. dolorida. c) Terceiro grau São as queimaduras produzidas. Importância médico-legal das queimaduras A observação das queimaduras propicia saber se o indivíduo já estava morto ou não no momento da carbonização. sendo necessário o enxerto.3. d) Quarto grau É a carbonização do plano ósseo. geralmente. A carbonização total é rara e difícil de ser produzida._________________________________________________________________________ MÓDULO VIII MEDICINA LEGAL determinarão a morte do indivíduo. A queimadura de terceiro grau incide até no plano muscular. Se morreu no fogo. Presença de eritema (sinal de Christinson).

escafandristas e outros profissionais que trabalham debaixo d’água ou em túneis subterrâneos.2. mas especialmente o da descompressão brusca. São assim chamadas todas as formas de lesões causadas por eletricidade industrial.1. Quando provoca apenas lesões corporais. A eletricidade industrial é a produzida pelo homem e tem como ação uma síndrome chamada eletroplessão.3. fratura óssea antiga e por meio de material genético. a eletrocussão. 1. Identificação do morto: é feita por meio da ausência de órgãos.4. Essa síndrome é conhecida como mal dos caixões._________________________________________________________________________ MÓDULO VIII MEDICINA LEGAL outra causa. Há. que pode causar lesões muito graves. É o chamado mal das montanhas. denomina-se fulminação.: raios). quando age letalmente (quando há óbito). também. Sofrem aumento da pressão atmosférica os mergulhadores. Ocorrem em indivíduos que trabalham em câmara fria. A eletricidade natural. 1. com ou sem morte. 1. Ações Físicas da Pressão Atmosférica Com a diminuição da pressão atmosférica. há a diminuição de oxigênio e de gás carbônico e o indivíduo passa mal. Temperaturas oscilantes Oscilações bruscas de temperatura podem diminuir a resistência. tuberculose etc.). disposição dos dentes. Ações Físicas da Eletricidade A eletricidade natural e a artificial podem atuar como energia danificadora. A natureza jurídica desse evento é quase sempre acidental e desperta interesse no estudo da infortunística (acidente de trabalho). que é a pena de morte em cadeira elétrica. a imunidade do indivíduo (pneumonia. chamase fulguração (ex. Há três hipóteses de morte causada por eletricidade: 16 . Não correm só o perigo do aumento da pressão atmosférica.

podendo levar o indivíduo à asfixia (contratura dos músculos respiratórios). 2. a carga elétrica leva à desorganização dos batimentos cardíacos. morrendo por ação de energia mecânica (contusão). por ação química. • 17 . provocando a contração fibrilar do ventrículo e a morte. física ou biológica. a vítima é precipitada ao solo._________________________________________________________________________ MÓDULO VIII MEDICINA LEGAL • a carga elétrica leva à contratura. as substâncias recebem o nome de cáusticos. 2.: nitrato de prata). Efeito coagulante: os cáusticos produzem lesão grave. formando escaras (áreas enegrecidas). Ao receber o choque elétrico. as substâncias recebem o nome de venenos. afetando a pele violentamente. Ação Externa (cáusticos) Entre as substâncias químicas de ação externa. Mas pode ser que haja resistência. as lesões podem ser por queimaduras ou por alterações funcionais dos órgãos citados acima. das paredes ventriculares. Quando a ação é de ordem interna. produzindo queimaduras (“auto-fritura”). Às vezes. levando ao calor. A evolução mostra que essa área deve ser retirada para que ocorra a cicatrização. É o chamado efeito Jaule. a carga elétrica leva à parada cerebral ocasionada por hemorragia das meninges.1. Quando a ação é de ordem externa. do bulbo e da medula espinhal. dois grupos são mais importantes: alcáles e ácidos. • • Na fulguração. a morte é devida a outras causas sobrevindas de quedas ocasionadas pela eletricidade. ENERGIA DE ORDEM QUÍMICA Existem substâncias que. O efeito coagulante desidrata os tecidos (ex. são capazes de causar danos à vida e à saúde.

a morte violenta ou o dano grave à saúde.2. Não basta. apenas. porém podem envenenar o sistema nervoso central (ex._________________________________________________________________________ MÓDULO VIII MEDICINA LEGAL Efeito liquefaciente: a substância química atua desfazendo os tecidos. 18 . No século XVIII. a qualidade da substância. quando a química começou a desenvolver-se. danifica a vida ou a saúde. O indivíduo fica cianótico (roxo). principalmente os organofosforados. em que alguém joga sobre as pessoas uma substância cáustica. atuando no organismo. necessariamente. chamava-se óleo de vitríolo. dolosamente. A morte ocorre por parada respiratória e edema pulmonar. vão desempenhar um efeito sistêmico. • Vitriolagem: é um tipo de comportamento delinqüente. na época. Produzem escaras moles (ex. passam pela consideração de ordem quantitativa. dado à atitude de alguém que joga. daí o nome vitriolagem. chamou a atenção dos químicos o ácido sulfúrico. Tanto um grupo como o outro. Ação Interna (venenos) Venenos são substâncias químicas que. portanto. criminosa ou voluntária. o que é um sinal de que está havendo má respiração dos tecidos. uma substância química sobre as pessoas. • 2. porém. gás metano. combustíveis. podem produzir a morte (ex. Os clorados são menos perigosos. ocasionados por determinadas substâncias de forma acidental. Os venenos apresentam-se em dois grupos: organofosforados e clorados. que. podem ser causadores de envenenamento por contato com a pele. é preciso que haja uma certa quantidade. As noções do veneno. ingestão e inalação.: estricnina – 1mg pode causar convulsão. introduzida no organismo. contratura e morte).: soda cáustica). Existem substâncias que. em quantidade muito pequena. 1 milésimo de miligrama pode servir como remédio. Veneno é qualquer substância que. dependendo da quantidade). Entende-se por envenenamento. Essa noção de quantidade passa a envolver praticamente todas as substâncias.: formicida.

• Toda e qualquer situação que interfira nas vias respiratórias. • Hipóxia: situação em que está ocorrendo uma diminuição da oxigenação dos tecidos. Asfixias são todas as formas de carência ou ausência de oxigênio. O ser humano oxigena em ambiente gasoso. A caixa toráxica é um sistema fechado._________________________________________________________________________ MÓDULO VIII MEDICINA LEGAL A mesma cocaína que excita. nos pulmões. Há um espaço entre a parede interna da caixa toráxica e o pulmão: o espaço pleural. vital para o ser humano. Em seu lado inferior está localizado o músculo do diafragma. que “cola” o pulmão e o indivíduo não consegue respirar. MÓDULO V MEDICINA LEGAL MEDICINA LEGAL 1. com determinadas 19 . num efeito inverso. todas as anormalidades no processo respiratório. numa quantidade maior. Anóxia: ausência de oxigenação. A lesão corporal que perfure expressivamente a caixa toráxica vai provocar uma abrupta entrada de ar. ASFIXIAS Todo e qualquer mecanismo que intervenha na correta oxigenação dos tecidos humanos constitui uma asfixia. caracteriza asfixia. na caixa toráxica. A pressão nesse espaço é maior que a pressão atmosférica. que recebe o nome de pneumotórax. A variação da quantidade pode inverter o efeito da substância. pode ocasionar a morte.

3._________________________________________________________________________ MÓDULO VIII MEDICINA LEGAL características. 1. Por modificação do meio ambiente • • • Confinamento Soterramento Afogamento 1. quando o ar é composto por outros gases.1. Por obstrução das vias aéreas • • • Enforcamento Estrangulamento Esganadura 1. Classificação das Asfixias 1. Por impedimento da expressão do tórax • • Sufocação indireta Afundamento de tórax 1. Por paralisação dos músculos respiratórios • • Paralisia espástica – eletroplessão. nem em meio líquido e nem em meio sólido.1.2.1.1.1. Não respiramos quando o meio gasoso é muito alterado.1. estricnina Paralisia flácida – curare 20 .4.

em decorrência do aumento da pressão. porque. nas regiões de maior declive. Equimose 21 . Manchas de hipóstase O indivíduo morre e.3. o sangue não chega. Essas manchas começam a se formar 1 ou 2 horas depois da morte. percebe-se. se ele estiver em decúbito dorsal. Nos casos de asfixia. Se o morto está deitado. O sangue venoso (com gás carbônico) é mais escuro. Por parada respiratória central ou cerebral • • Eletroplessão Traumatismo crânio-cefálico 1. mais precoces. parte alta do pescoço nos asfixiados são cianóticos.6. São.5. também. portanto. o sangue vai para as extremidades (mãos. Sinais Gerais de Asfixia 1. há um acúmulo muito maior de sangue nas extremidades. Se o morto está em pé (enforcado). 1. ou no tórax. por força gravitacional. porque o sangue está sem oxigênio._________________________________________________________________________ MÓDULO VIII MEDICINA LEGAL 1.2. por isso que as manchas hipostásicas são mais visíveis nos asfixiados. o sinal de cianose (roxidão). pernas). pés.2.2. as manchas tendem a se formar nas costas. em conseqüência da morte. Por paralisia central • Depressão do sistema nervoso central – tóxicos 1. na face. 1. rosto. se ele estiver em decúbito ventral.1. com a morte. Em todos os casos de asfixia. o coração não bate.2.1. Nas regiões de apoio.2. acumula-se. as manchas hipostásicas são mais marcadas (pronunciadas) e mais precoces. O sangue contido nos pequenos vasos próximos à pele. não se formam as manchas nessas regiões.1. Cianose Face. com gás carbônico.

Esse mesmo aumento da pressão. No pulmão. 22 .: num comboio de trem a carvão. Maior quantidade de sangue nos órgãos Órgãos que normalmente contêm sangue. As pessoas se asfixiam com o próprio gás carbônico: é a asfixia clássica.5.2. num ambiente compartimentado.4. por isso é comum a secreção sanguinolenta nos casos de asfixia. Confinamento A modalidade mais comum de confinamento é o das pessoas que. 1. 1.3. em conseqüência do aumento da pressão.2. os vasos se rompem formando as manchas equimóticas. Confinamentos podem ocorrer com grupos de pessoas num compartimento onde não há renovação do ar.3. a permanecer fluido. Ex.: cabine de avião). o indivíduo morre asfixiado. durante a asfixia. como o fígado. porque não foi asfixiado com gás carbônico. O sangue não tem a coloração forte das outras asfixias. A cor da hemoglobina é mais avermelhada. têm o sangue enriquecido por monóxido de carbono. mas com monóxido de carbono.1. Asfixias por Modificação do Meio Ambiente 1. fechado sem oxigênio. Sangue não coagulado O sangue tende a não coagular._________________________________________________________________________ MÓDULO VIII MEDICINA LEGAL Manchas na pele e em algumas vísceras. 1. ficam muito cheios. recebem o nome de Manchas de Tardieu. Alguns casos são também visíveis no coração (em crianças de pouca idade). pode provocar um aumento de sangue nos alvéolos dos pulmões e pode ocorrer ruptura de vasos dos alvéolos. O confinamento pode se dar em ambientes em que a mistura atmosférica é pobre em oxigênio: confinamento por inadequação da mistura oxigenatória (ex.

o coração bate por mais ou menos 9 minutos. também. indireta. destacada com tanta precisão (como uma luva). Ocorre a sufocação direta. 1. respira profundamente inundando os pulmões de água. Pele anserina: a pele tem um aspecto chamado anserino arrepiada pelo mecanismo pilo-eretor. Contração de determinadas partes do corpo: os mamilos. Maceração da pele palmar e plantar: a pele das mãos e dos pés ficam maceradas (enrugadas). trigo etc.3. Afogamento Afogamento é a asfixia no meio líquido: pode ser água. tanque de coca-cola. álcool. 1. Entra em concussão e morte aparente. É possível . Quando não agüenta mais. a) Sinais externos do afogamento • Baixa temperatura da pele: a temperatura da pele dos afogados é precocemente mais baixa (mais fria). A pele chega a descolar e permanece tão perfeita. gasolina etc. Num primeiro momento. o soterramento em grãos (soja. 23 • • • • . Após isso.3. a bolsa escrotal. pênis e clitóris são contraídos. o afogado tem a fase de surpresa: fica agitado e segura ao máximo a respiração. mais a imersão em meio não respirável (sólido).)._________________________________________________________________________ MÓDULO VIII MEDICINA LEGAL O confinamento em ambiente com gás também é outra causa de asfixia.2. É uma asfixia clássica. devido à quantidade de sangue acumulado. que é até possível colher as impressões digitais. Máscara equimótica: o rosto fica preto. Soterramento Soterramento é a asfixia no meio terroso.3. Recebe o nome de Sinal de Bernt.

às expensas do líquido que está nas vias. essas manchas podem ser grandes. Quando o processo de afogamento é mais demorado. A trompa de Eustáquio liga a 24 • • . Presença de líquidos no aparelho digestivo: o indivíduo também engole água. para esclarecer. o lugar onde ocorreu o afogamento. Ex. inchando-se. Os animais têm predileção pelos lábios._________________________________________________________________________ MÓDULO VIII MEDICINA LEGAL • Cogumelo de espuma: espuma branca ou rosada que sai da boca e dos orifícios nasais. além de inspirá-la. por si só. Por meio do líquido pode-se analisar o meio aquático em que o indivíduo se afogou. Quando o indivíduo aspira uma grande quantidade de água. Nos casos de pneumonia. A presença desses líquidos não deve ser. pálpebras e nariz. mas também porque o pulmão ainda estava cheio de ar. recebendo o nome de manchas de Pautalf. Os pulmões. O pulmão adquire um volume maior. não confirma o diagnóstico da morte por afogamento. também. Lesões por animais aquáticos: são comuns nos afogamentos. forma-se um cogumelo de espuma. uma mistura borbulhante de água e ar. então. rompem-se os alvéolos e o líquido passa pelo espaço intra-alveolar. Isso se chama enfisema aquoso ou sinal de Brouardel. A distensão dos pulmões não se dá só em virtude do líquido que está dentro dele. • b) Sinais internos de afogamento • Inundação das vias aéreas com líquido: as pessoas se afogam em vários tipos de líquido. A pressão atmosférica age na mistura de ar e água. Lesão dos pulmões: apresenta um pontilhado de manchas chamadas de manchas de Tardieu. A presença do líquido serve. há diferenciação entre os líquidos. os pulmões tornam-se extremamente estendidos. também pode ocorrer o cogumelo de espuma. exatamente. uma constatação pericial.: o indivíduo pode ter sido morto em uma banheira e ter o seu corpo jogado no mar. Mesmo se tratando de afogamento em água doce com posterior remoção do cadáver para um rio. Esses sinais são bem característicos. A presença de cogumelo de espuma no cadáver. Forma-se. ao retirar o cadáver da água. então. O cadáver atacado pela fauna aquática tem um aspecto mais ou menos uniforme. Nas mortes agônicas. formando o cogumelo. apenas. enchem-se de água. Isso explica o fato de que. também de água doce.

que é aquele que veio da pequena circulação. É comum encontrar nesses afogados sinais de luta pela sobrevivência. Permanecido na água o morto por afogamento. não há compartimentação de gases e é mais difícil de se encontrar o cadáver. a água passa para a pequena circulação e mistura-se com o sangue. Num afogamento. tende a afundar. Durante as primeiras 24 horas. Isso dará a certeza se houve ou não afogamento. Tecnicamente. 25 . Em um cadáver putrefato. O sangue com oxigênio vai para a periferia. depois disso ele vem à tona. Pela análise do sangue. suicídio e homicídio. Se for retirado sangue do lado direito do coração e sangue do lado esquerdo. há uma violentíssima aceleração do processo de putrefação. porque o processo da putrefação humana. na sua segunda fase. produz uma enorme quantidade de gases (fase gasosa). que veio do pulmão. Resumindo: se o sangue da aurícula esquerda estiver mais diluído. com certeza ocorreu o afogamento. dizer em qual tipo de líquido ocorreu o afogamento. pela sua densidade. a certeza de que ocorreu o afogamento é dada pela análise comparativa do sangue da aurícula direita e esquerda do coração. A hipótese de afogamento por acidente configura a maior parte dos casos. Esses casos recebem o nome de suicídio acidental. c) Mecanismos jurídicos da morte por afogamento Acidente. o cadáver fica submerso. Nos cadáveres cuja pele não está íntegra. não existe suicídio por afogamento. o sangue mais diluído será o da aurícula esquerda. quando retirado. O sangue que veio da aurícula direita será mais concentrado. que chegou até lá pela trompa de Eustáquio. também. há presença de líquido no ouvido médio. nos afogamentos. pode-se. Esses gases fazem com que o cadáver venha para a superfície. Um cadáver dentro da água._________________________________________________________________________ MÓDULO VIII MEDICINA LEGAL faringe ao ouvido médio.

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1.4. Asfixia por Obstrução das Vias Aéreas

1.4.1. Enforcamento Enforcamento é a constrição do pescoço por um instrumento chamado laço e a força que constrange é a do próprio indivíduo. No enforcamento, a força constritiva é o próprio peso do indivíduo. 15 kg são suficientes para que ocorra o enforcamento. No enforcamento e no estrangulamento, o laço que circunda o pescoço, levando o indivíduo à morte por asfixia, deixa uma marca característica, que se chama sulco. É uma marca, em baixo relevo, do material utilizado no laço que provocou o enforcamento, que desenha o instrumento que constringiu o pescoço, caracterizando o sulco. Além do sulco, embaixo da pele há lesões: hemorragias e fraturas em cartilagens, ruptura de vasos, nervos achatados e secção da artéria carótida, que recebe o nome de sinal de Amussat. Há dois tipos de enforcamento: a) Suspensão completa Quando há uma distância considerável entre o corpo e o chão. O corpo, verticalizado, fica solto no espaço, sem contato com o plano de sustentação. b) Suspensão incompleta Quando o corpo não fica inteiramente pendurado. Ex.: amarrar o laço numa janela. Nas asfixias por enforcamento, o mecanismo é misto, pois, além da constrição das vias respiratórias, constringe-se, também, a circulação sanguínea e o sistema nervoso que comanda a respiração e os batimentos cardíacos. c) Fases da morte por enforcamento

Fase da resistência: agitação; o indivíduo tem alucinações, visão turva, torpor, perda da consciência (quase coma). Essa fase dura de 40 a 80 segundos.
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Fase da agitação: ausência de consciência, convulsões intensas, alterações na cor da pele, língua protusa, olhos esoftalmos. Essa fase dura de 3 a 5 minutos. Fase de prostração ou morte aparente: o coração bate e essa fase pode durar até 10 minutos.

No enforcamento, o sulco é oblíquo ascendente, tem profundidade variável, é interrompido no nó, fica por cima da cartilagem tireóidea.

1.4.2. Estrangulamento No estrangulamento, que também é uma constrição por um laço, a força constritiva é externa. O que constringe é o laço, acionado por uma força externa, geralmente homicida. Para determinar se a causa da morte foi enforcamento ou estrangulamento, é necessária a análise das características do sulco deixado pelo laço. No estrangulamento, o sulco é horizontal, tem profundidade uniforme, não é interrompido e fica no meio do pescoço.

1.4.3. Esganadura Esganadura é a constrição do pescoço por um membro do corpo humano: mãos, pés, cotovelos, joelhos. A esganadura é sempre um homicídio, porque a força constritiva será sempre um segmento do corpo humano. Na esganadura, sempre há disparidade de forças entre os sujeitos.

1.5. Asfixias por Impedimento da Expansão do Tórax

1.5.1. Sufocação indireta Diz respeito a todo e qualquer fenômeno que comprima o tórax, impedindo a sua expansão (ex.: acidente de veículos, homicídio, estouro de
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pessoas contra a parede, morte por pisoteamento contínuo entre os seres humanos). Há uma compressão do tórax, que impede a respiração, provocando a asfixia.

1.5.2. Afundamento de tórax Fraturas múltiplas nas costas que bloqueiam a respiração, provocando a morte por asfixia.

1.6. Asfixias por Paralisação dos Músculos Respiratórios

1.6.1. Paralisia espástica É a contratura dos músculos. Ocorre nos casos de morte por eletroplessão. Alguns tóxicos também podem levar a esse estado. O tétano é também outra causa da paralisia espástica. Um veneno que leva a essa paralisia é a estricnina. 1.6.2. Paralisia flácida A paralisia flácida é causada por substância vegetal, utilizada pelos índios da Amazônia, de nome curare. O curare é utilizado, também, nas anestesias. Outra hipótese remota, mas que também pode ocasionar paralisia flácida, é o traumatismo de medula (raquimedular).

1.7. Asfixias por Parada Respiratória Central ou Cerebral

1.7.1. Traumatismo crânio-encefálico
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8. Eletroplessão A carga elétrica leva à parada cerebral ocasionada por hemorragia das meninges. o que as produziu ou qual sua extensão. do bulbo e da medula espinhal. Esse traumatismo lesa os centros de comando e o indivíduo pára de respirar.7. que afunda o cérebro. não importando o seu lugar. MÓDULO VI MEDICINA LEGAL MEDICINA LEGAL 1. LESÃO CORPORAL A lei penal distingue lesões corporais em três tipos: leves. álcool e overdose por cocaína (asfixia por depressão do sistema nervoso central). 29 . das paredes ventriculares. Outras substâncias que podem produzir esse mesmo efeito são alguns tranqüilizantes. graves e gravíssimas._________________________________________________________________________ MÓDULO VIII MEDICINA LEGAL O traumatismo crânio-encefálico pode ser ocasionado por uma pancada violenta na cabeça.8.1.2. Depressão do sistema nervoso central É ocasionada por drogas que levam o sistema nervoso a parar. Asfixias por Paralisia Central 1. 1. As lesões classificam-se pelo resultado. 1. as lesões são classificadas pelo resultado. O modelo clássico inclui as substâncias barbitúricas. Do ponto de vista médico-legal.

sistema ou aparelho que conduz a uma atividade padrão (ex.1. É mais do que o trabalho. Lesões Corporais Graves 1. Se da lesão corporal resultar perigo de vida É a lesão que causa uma quase morte. Por exclusão.1. mãos. dedos.3. coxas. em que uma função vital periclitou (ex.1.. 1. paladar e tato. 30 • • • .: função digestiva.: parada cardíaca. estado de coma. que provoca uma periclitação vital. Se da lesão corporal resultar debilidade permanente de membro. a expressão “risco de vida”. Perigo de vida é um momento. audição. embora também o inclua. A incapacidade não precisa necessariamente ser absoluta. um instante. O exame que comprova a incapacidade deve ser realizado no 30. Debilidade: não é anulação da atividade.2. olfato. Não existe. 1. parada cerebral etc. Função: é o conjunto de atividades de um ou mais órgãos.. função respiratória)._________________________________________________________________________ MÓDULO VIII MEDICINA LEGAL A lei dispõe “se da lesão corporal resulta (.). pernas e pés. sentido ou função • Membros: são os braços. as lesões não definidas pela lei são consideradas leves. Se da lesão corporal resultar incapacidade habitualidades ocupacionais por mais de trinta dias para as Ocupação habitual é tudo o que a pessoa faz. Sentidos: são a visão. mas sim uma expressiva redução da mesma. Risco é prognóstico e não existe em medicina legal.)” e relaciona quatro resultados que definem as lesões graves e cinco resultados que definem as lesões gravíssimas. antebraços. desde o nascimento até a morte. legalmente.1.1. cotovelos.º dia após a lesão. 1.

que ocasiona diminuição da função renal. e não somente para o trabalho especificamente exercido pela vítima. Lesões corporais gravíssimas 1._________________________________________________________________________ MÓDULO VIII MEDICINA LEGAL • Permanente: quando cessam os meios habituais de tratamento ou recuperação. em face de processos normalmente utilizados para a cura. Meios habituais de tratamento são os meios rotineiros.2. a lesão corporal é considerada grave. Se da lesão corporal resultar incapacidade permanente para o trabalho Permanente é a incapacidade que sobrevém no instante em que cessam os meios habituais de tratamento. Exemplos: • • • 1. 1. ou do feto permanecer em gestação por 40 semanas. 31 .2.2. devido ao qual o indivíduo fica com uma expressiva diminuição da força.1. traumatismo ocular que produza descolamento da retina e o indivíduo tenha reduzida sua visão. debilidade permanente de função: espancamento no rim. 1. Se provocar antecipação e. A lei diz claramente que a incapacidade diz respeito a qualquer tipo de trabalho.1.4. debilidade permanente de membro: traumatismo no nervo do braço.2. conseqüentemente. Se da lesão corporal resultar antecipação do parto A lei protege o direito da mãe de gestar durante 40 semanas. a perda desse direito. Se da lesão corporal resultar enfermidade incurável Incurável é aquilo que é definitivo. debilidade permanente de sentido: redução da audição por poluição sonora violenta.

2. • • • A questão da visão tem uma outra conotação. inutilização de membro: traumatismo sob o plexo braquial (embaixo do braço). com secção de nervo. chamada de função estereostática (visão em profundidade). mas constituiria uma inutilização da função estereostática. produzindo uma aderência do pulmão à caixa torácica e diminuindo. inutilização de função: traumatismo em bolsa escrotal que inutilize a função reprodutora. inutilizando o braço. A surdez total unilateral retira do indivíduo a audição estereofônica: ele não consegue direcionar exatamente de onde vem o som. assim. Quando o indivíduo enxerga com os dois olhos. 1. Se da lesão corporal resultar perda ou inutilização de membro._________________________________________________________________________ MÓDULO VIII MEDICINA LEGAL Enfermidade é uma anomalia. extração. é chamada de doença. 32 . como também possui uma especialização na função da visão. a capacidade respiratória do indivíduo). Perda é o zeramento das funções de um órgão. amputação.: ferida penetrante no tórax que ocasiona lesão grave da pleura. perda de função: pancada no rosto que arranca todos os dentes. inutilização de sentido: cegueira dos dois olhos. perda de sentido: enucleação (extração) do globo ocular. sua retirada.3. Alguns peritos admitem que a surdez total unilateral constitui uma inutilização da audição espacial. do sentido direcional da audição. resultante de um trauma externo (ex. Alguns peritos admitem que a cegueira total de um só olho não é somente uma debilidade do sentido da visão. Exemplos: • • • perda de membro: amputação de quaisquer dos quatro membros. perdendo a função mastigadora. sentido ou função Nesse caso a graduação é maior do que na debilidade permanente (lesão grave). patologia permanente. Quando resulta de fator interno. não apenas enxerga o que tem que enxergar.

pois estigmatiza. Concausas preexistentes 33 . constitui aborto. profissão. Se da lesão corporal resultar aborto._________________________________________________________________________ MÓDULO VIII MEDICINA LEGAL No caso de órgãos duplos – mas independentes dos sentidos (como os rins) –. claudicações expressivas. preexistentes ou supervenientes. suscetíveis de modificar o curso natural do resultado de uma lesão.se somente um deles é atingido. idade. tudo isso poderá constituir uma deformidade permanente. e não como lesão gravíssima. Nem sempre isso ocorre. Esse conceito varia de pessoa para pessoa. Se da lesão corporal resultar deformidade permanente Duas coisas estão envolvidas: o caráter permanente e a aparência. A deformidade permanente pode ter um resultado devastador na vida do indivíduo. 1. Concausas Para todas as hipóteses de lesão exige-se uma clara e inequívoca relação de causalidade entre o agente determinante e o resultado. a partir do instante da fecundação até o minuto que antecede o parto.3.5. 1.2. 1. é lesão corporal de natureza gravíssima. Se da lesão corporal resultar aborto Aborto é a morte fetal. desvios. O conceito enfocado é o de gerar repugnância pela perda de harmonia e não pelo feio ou bonito. deforma a personalidade.2. A questão da aparência há que ser vista no contexto cultural em que o indivíduo vive. entende-se como lesão grave que causa debilidade.1.3. que modificam o resultado ao arrepio da vontade do autor. cultura. Tudo aquilo que provoca a destruição.4. desde que seja aparente e afete o modo de vida da pessoa. independentemente da intenção (dolo ou culpa). de acordo com o sexo. podendo acontecer as concausas. Concausa é o conjunto de fatores. alterações de formas. 1. mesmo que resulte em extração. a conduta e o comportamento de seu portador. Cicatrizes.

_________________________________________________________________________ MÓDULO VIII MEDICINA LEGAL São aquelas que já existiam antes da lesão e são capazes de modificar o resultado. aneurisma etc.: o sujeito está com a bexiga cheia. negligência. a) Concausas preexistentes anatômicas São anomalias congênitas (má formação). se houver trauma pode estourar a bexiga.3. As concausas preexistentes são classificadas em anatômicas. imprudência.2. Concausas supervenientes Ocorrem depois. infecções etc. 1. mudança de resultado em razão de uma concausa preexistente de origem fisiológica. fisiológicas e patológicas. Gravidez: no início é impossível saber). esse mesmo trauma não a afetaria. c) Concausas preexistentes patológicas São os casos de hemofilia. de determinado órgão (ex. no momento da lesão. MÓDULO VII MEDICINA LEGAL MEDICINA LEGAL 1. ao passo que se ela estivesse vazia. SEXOLOGIA CRIMINAL 34 . b) Concausas preexistentes fisiológicas Referem-se ao estado de funcionamento. como a patologia cistus inversus (órgãos do lado contrário). com o agravamento. Podem envolver imperícia. diabetes.

implantada na parede da vagina. fúrcula vaginal. configurando os atos libidinosos.2. aproveitando-se de sua inexperiência ou justificável confiança. do Código Penal ou Código de Processo Penal aparecem alguns aspectos ligados à sexologia humana e. vista de frente. a contactação pênis/vagina (intromissio penis). Para que haja justificável confiança._________________________________________________________________________ MÓDULO VIII MEDICINA LEGAL Em vários pontos do Código Civil. Essa membrana tem uma anatomia extremamente variável nos seres humanos. clitóris e. que são diferentes da conjunção carnal. A anatomia feminina. envolve estrutura composta de pequenos lábios. 35 . deve existir uma relação suficientemente longa e duradoura. a presença de uma película membranosa ou rugosa chamada hímen. 1. Conjunção Carnal Conjunção carnal é a cópula vagínica. A prova da conjunção carnal é definitiva para a tipificação do crime. Prova da conjunção carnal A prova da conjunção carnal é feita por meio da observação de ruptura ou não do hímen. orifício uretral. intróito vaginal.1. Inexperiência quer dizer alheamento. grandes lábios. menor de 18 (dezoito) anos e maior de 14 (catorze) e ter com ela conjunção carnal. falta de conhecimento do que seja conjunção carnal. em muitos desses aspectos.1.2. Conceito Médico-Legal de Mulher Virgem Mulher virgem é aquela em relação à qual não se prova experiência sexual anterior. 217 do Código Penal: “Seduzir mulher virgem. está embutida a questão pericial. Pena – reclusão de 2 (dois) a 4 (quatro) anos”. 1. sobre a qual possa ser expedida uma sensação de confiar no parceiro a ponto de se ter com ele uma conjunção carnal. estável e equilibrada. O que envolve aspectos da libido não faz parte do crime de sedução. 1. Dispõe o art. na região perineal.

Na medida em que os entalhes se estendem até muito próximo da borda vaginal. tendo havido uma penetração com o pênis. congenitamente. que recebem o nome de carúnculas mirtiformes. após algum tempo. O tecido vai se atrofiando até que. se forem esticadas todas as ondulações. com duas fendas Em cada tipo temos himens com óstio ou orifício pequeno. ele se apresenta maior. até mulheres que têm himens que fecham a cavidade vaginal. mas a ruptura não foi até a borda vaginal. nascem com ausência de hímen. que significa que o hímen rompeu. Em algumas mulheres pode haver uma configuração do hímen que se apresenta com o óstio bastante irregular. Na maioria das vezes a borda tem certas ondulações. os fragmentos são reduzidos a meros nódulos na parede vaginal. apresenta-se de uma maneira. quando nos deparamos com rupturas himenais já totalmente 36 . Em alguns livros podemos encontrar a terminologia “ruptura incompleta”. Existem vários tipos de himens: anular: tem uma borda que se implanta na vagina. nas mulheres com himens mais comuns. em repouso. O diâmetro do orifício. Quando essas ondulações são mais pronunciadas. ele se rompe e permanece roto. recebem o nome de “entalhes”.º dia da conjunção. Até o 15. O diâmetro._________________________________________________________________________ MÓDULO VIII MEDICINA LEGAL Há desde mulheres que. cicatrizando-se a borda da ruptura. torna-se suficientemente largo. uma vez tracionado. é um. Face às características da irrigação sanguínea do hímen. sem ser tracionado. cujas ondulações se aproximam bastante da borda vaginal. • semilunar: orifício labiado. médio ou grande. cribiformes (pequenos orifícios). permitindo o acesso do pênis no interior da vagina. pela ruptura. após esse tempo. as bordas se cicatrizam. As rupturas estendem-se da borda ostial até a borda vaginal. mas não se refazendo. esse diâmetro se apresentará de maneira diferente. chamada borda vaginal. de tal modo que o diâmetro do óstio. devido a sua ondulação. Em 80% dos casos. há rompimento da membrana. as bordas sangram. • bilabiado.

as rupturas. superior esquerdo. • Essas três diferenças são fundamentais para diferenciar ruptura de entalhe.2.2.: ruptura 2 horas). sim. Local de ruptura É muito importante. 1. 1. A preocupação em descrever o local da ruptura é importante. pois.2. 37 . divide-se a cavidade vaginal em quatro quadrantes – superior direito. Sob luz ultravioleta. as bordas do entalhe não se coaptam porque jamais pertenceram a um mesmo plano. que qualquer pessoa que leia o laudo possa saber em que parte do hímen ocorreu a ruptura. Hoje. Existem alguns parâmetros para identificar em que parte do hímen se encontram as rupturas. as que forem bordas cicatriciais (ruptura) apresentar-se-ão pálidas. adotava-se a nomenclatura do mostrador de relógio (ex. num laudo pericial. as bordas dos entalhes são do mesmo tecido do hímen. tem-se oito pontos para descrever o local da ruptura no laudo (quatro quadrantes e quatro junções). poderá surgir a necessidade de se fazer um diagnóstico diferencial entre o que é ruptura e o que é entalhe. Antigamente._________________________________________________________________________ MÓDULO VIII MEDICINA LEGAL cicatrizadas.3. as rupturas ocorrem nos quadrantes inferiores ou na junção dos dois quadrantes inferiores. em 97% dos casos. • as bordas da ruptura se coaptam (se encaixam). • as bordas da ruptura apresentam uma cicatriz. tendo em vista a maior irrigação. quando os parceiros se encontram em posição normal. as que forem bordas de entalhes apresentar-se-ão mais vermelhas. Diferenças entre entalhes e ruptura de hímen O diagnóstico é feito de três maneiras: os entalhes não se estendem até as bordas da vagina. Pelos quadrantes. inferior direito e inferior esquerdo.

produzem um diâmetro significativo que permite a cópula. de trauma. quando submetidos a uma tensão. 1. Óstios himenais de grande diâmetro. ou de coitos com o parceiro em posição vertical. O que leva à ruptura não é a violência em si.2. Tempo da ruptura Recentíssima: ocorreu há poucas horas. Rupturas por manobras masturbatórias só ocorrem nos quadrantes superiores. 1._________________________________________________________________________ MÓDULO VIII MEDICINA LEGAL As rupturas em quadrantes superiores. 38 . mas a ausência de lubrificação. as bordas estão sangrantes. ocorreu até 15 dias atrás. Poderá ocorrer ainda: • • • Ausência de hímen (casos muito raros). A lubrificação também reduz o atrito e diminui a perspectiva de ruptura do hímen. quando vítima de uma situação de estupro. • • • Recente: em cicatrização. podem ser produto de manipulação. isso recebe o nome de complacência. pela situação de estresse causada. Hímen dotado de muitos entalhes que. Himens dotados de extraordinária elasticidade. não havendo lubrificação. • O estado de lubrificação vaginal. que aparece no estado de excitação pré-conjunção.5. Razões para não ocorrer a ruptura após a conjunção carnal Até 22% das mulheres podem ter conjunção carnal sem apresentar o fenômeno da ruptura.4. Podem ocorrer situações em que a mulher tem uma vivência sexual ativa sem a ruptura do hímen e. Não recente: ocorreu há mais de 15 dias. ainda que sem óstio grande. ocorre a ruptura. • • Pênis pequeno.2. em princípio.

• Gravidez: sem considerar o estado do hímen. presença de pêlos etc. pouco importando o tipo de hímen.6. Evidências de conjunção carnal não levam a diagnóstico (ex. mesmo quando o homem utiliza preservativo. granulomas e condilomas presentes no fundo da vagina).2. 39 ._________________________________________________________________________ MÓDULO VIII MEDICINA LEGAL É importante o estudo dessas razões. • Em alguns países já se pesquisam as substâncias lubrificantes de alguns preservativos. escoriações. • Presença de fosfatase ácida: presença. vislumbrando a hipótese de uma ação penal. A presença de espermatozóide gera diagnóstico de conjunção carnal. de enzima que só existe no líquido espermático. são evidências. por um detalhe anatômico ligado ao órgão masculino. pois o espermatozóide depende do meio ácido para sobreviver. cancróides. colhe-se material no fundo da vagina e faz-se pesquisa de existência de espermatozóide. O tipo de parceria pode ser decisivo a permitir uma vivência sexual sem ruptura. 1. Podem ser encontradas algumas tabelas sobre até quanto tempo após a conjunção se pode pesquisar a presença de espermatozóides na vagina. mas “daquela” parceria. melhor do que qualquer outra situação é o próprio resultado da conjunção. Presença de espermatozóide no fundo do saco vaginal: com uma espátula. mas com um histórico de experiência sexual. Presença de doenças venéreas: presença de certas doenças venéreas no fundo da vagina que só se reproduzem por contato (ex.: cancro sifilítico. Não existe gravidez sem conjunção carnal. possibilitando o diagnóstico de conjunção carnal. mas não garantem um diagnóstico). e isso só existe no ambiente vaginal. na vagina. Complacência não é um fenômeno exclusivamente do hímen. Maneiras de diagnóstico de conjunção carnal • • Ruptura do hímen.: equimoses. visto que podem aparecer mulheres declarando-se virgens. pontos hemorrágicos. mesmo nos vasectomizados.

O constrangimento não se processa apenas em quem pratica ou deixa que nele seja praticado ato libidinoso. ela já é encarada como anomalia). 1. Na vida prática. a própria pessoa se satisfaz sexualmente. mas também naquele que é constrangido a presenciar ato libidinoso diverso da conjunção carnal. finda a agressão. encontram-se várias situações que poderiam ser caracterizadas como ato libidinoso. pois. Para a Medicina.3. porém. Na prática. as vítimas de agressão sexual têm uma enorme tendência de. é uma variação anômala (ex. isto é. inclusive com o uso de ducha vaginal. porém. pois houve cópula vaginal. Atos Libidinosos Entende-se por ato libidinoso o ato diverso da conjunção carnal. Não existe prova pericial para o ato libidinoso. mediante violência ou grave ameaça. tal fato pode destruir a possibilidade da prova.: a masturbação não se trata de anomalia da sexualidade. força um homem a praticar com ela conjunção carnal não pratica o crime de estupro._________________________________________________________________________ MÓDULO VIII MEDICINA LEGAL Geralmente. não podendo ser considerado atentado violento ao pudor. Toda variação da relação heterossexual normal que seja exclusiva. como se limpassem também quaisquer vestígios de agressão. 40 . o que traduz sempre uma depravação moral. É todo ato praticado com a finalidade de satisfazer o apetite sexual. Configura-se. Sexualidade Anômala É necessário que os instintos do homem se equilibrem dentro da normalidade para que não comprometam a segurança das pessoas e da sociedade. após cinco ou seis dias já ficará mais difícil encontrá-los. se o indivíduo usa a masturbação como substitutivo da relação sexual normal. existe a possibilidade de se encontrarem vestígios de espermatozóides na vagina até 22 dias após a conjunção. Uma mulher que. o constrangimento ilegal.4. 1. pois ele não deixa vestígios que possam ser apreciados do ponto de vista pericial. Segundo alguns autores. limpar-se exageradamente.

Sexualidade anômala é uma modificação qualitativa ou quantitativa do instinto sexual.4. Compreende desde os atos obscenos até a prática de manifestações libidinosas.1. A prática sexual anômala deve substituir em caráter permanente e total a prática normal. 1. deixa de existir o desejo sexual. b) Pedofilia É a predileção sexual por crianças. d) Frigidez É a ausência de libido na mulher. Pode decorrer de doenças do sistema nervoso e de outras causas externas ou internas. Práticas sexuais anômalas a) Onanismo É o impulso obsessivo à excitação dos órgãos genitais. podendo existir como sintoma numa degeneração psíquica ou como intervenção de fatores orgânicos glandulares. Pode ter várias razões: 41 . por várias razões. Distúrbio do instinto sexual que se caracteriza pela diminuição do apetite sexual._________________________________________________________________________ MÓDULO VIII MEDICINA LEGAL No aspecto jurídico. tornando-se forma exclusiva da manifestação sexual. a prática sexual anômala impede a sexualidade normal. O sistema de ereção peniana funciona. pela duração e exclusividade. bloqueia a prática da conjunção carnal normal. c) Anafrodisia Quando há diminuição do apetite sexual do homem. É a prática orgásmica auto-erótica. A masturbação é considerada anômala quando. mas. principalmente no tocante à anulação do casamento.

O indivíduo desenvolve uma paixão mórbida e doentia. não podendo ser confundido com o priapismo no homem (ereção permanente) nem com a ninfomania na mulher. que é o apetite sexual acentuado. h) Erotomania É a fixação maníaca de alta morbidez. e) Erotismo É o apetite sexual acentuado. f) Auto-erotismo É a manifestação da sexualidade que. generandi. podendo até transformar-se num criminoso de alta periculosidade. g) Impotência Pode ser coeundi. O indivíduo é levado por uma idéia fixa de amor e tudo nele gira em torno dessa paixão. que é o desejo insaciável. Manifesta-se por meio da satiríase no homem. que é a incapacidade para o ato sexual. que é a incapacidade para gerar (no homem). em que o indivíduo se fixa em alguém fora do campo de seu relacionamento. que é a incapacidade para gestar (na mulher). i) Exibicionismo 42 . vaginismo (psicofísica) ou outras doenças psíquicas ou glandulares._________________________________________________________________________ MÓDULO VIII MEDICINA LEGAL sucessivas frustrações. não depende de parceiro nem de masturbação. e concipiendi. Normalmente são castos e virgens (amor platônico). situações psíquicas (bloqueio infantil). depende apenas da imaginação. para a satisfação sexual.

• k) Mixoscopia Popularmente chamada de voyeurismo. É o culto exagerado da própria personalidade e sempre com indiferença para o outro sexo. Fase narcísica: cuidados com o aspecto. O exibicionismo é uma das manifestações mais comuns das demências senis. j) Narcisismo É a fixação do prazer na admiração do próprio corpo. Quando essa fase se mantém além da adolescência e impede o relacionamento com o sexo oposto. • Fase heterossexual: o indivíduo expressa a sua libido com parceiros heterossexuais. O indivíduo pervertido envolve-se apenas na excitação com uma parte da pessoa ou com um objeto a ela 43 . Nos idosos ocorre nos processos de demenciação senil (arteriosclerose) e na demenciação pré-senil (mal de Alzheimer). consiste no prazer em presenciar a relação sexual de terceiros. Fase anal: satisfação em adquirir o controle da evacuação e da micção. O prazer do exibicionista é mostrar-se por meio de seus órgãos sexuais. trata-se de anomalia. l) Fetichismo Fetiche é a fixação da libido em objetos que ligam o indivíduo a pessoas para as quais está direcionado. Segundo FREUD. o indivíduo passa por quatro fases: • • Oralidade: tudo o que toca a boca lhe dá prazer. As demências pré-senis são doenças específicas. O indivíduo já invade a área infracional._________________________________________________________________________ MÓDULO VIII MEDICINA LEGAL É a obsessão impulsiva de exibir-se sexualmente.

q) Urolagnia É o prazer sexual pela excitação de ver alguém no ato de urinar ou apenas de ouvir o ruído da urina.) o) Gerontofilia É a desmedida atração sexual de pessoas muito jovens por pessoas de idade avançada. a idade da vítima é inversa à idade do delinqüente. de que participam três ou mais pessoas. Há homens que preferem manter relação sexual com mulheres em época de menstruação. em desproporção com a idade. Traduzem um elevado grau de desajustamento moral e sexual (ménage à trois etc. sujas. p) Riparofilia É a atração sexual por pessoas desasseadas. Em geral._________________________________________________________________________ MÓDULO VIII MEDICINA LEGAL pertencente. n) Pluralismo Manifesta-se pela prática sexual grupal. Adora determinada parte do corpo (mãos. 44 . m) Lubricidade senil É a manifestação sexual exagerada. É sempre sinal de perturbação patológica. de baixa condição social e higiênica. sutiãs) pertencentes à pessoa amada. Conhecida também por cronoinversão. seios) ou objetos (calcinhas. como demência senil ou paralisia geral progressiva.

a tal ponto que o orgasmo só será conseguido com o sofrimento supremo do parceiro. v) Sadismo É a aplicação de sofrimento ao parceiro. Indivíduos portadores dessa aberração muitas vezes são impotentes com mulheres. é a satisfação sexual com animais domésticos. Algumas dessas aberrações podem chegar ao extremo. ao impulso do ato sexual com parentes próximos. u) Bestialismo Também chamado de zoofilia. A satisfação sexual está em produzir sofrimento ao parceiro. t) Edipismo É a tendência ao incesto._________________________________________________________________________ MÓDULO VIII MEDICINA LEGAL r) Coprofilia É a perversão em que o ato sexual se prende ao ato da defecação ou do próprio contato com as fezes do parceiro. que é a morte. 45 . isto é. s) Coprolalia É a satisfação sexual que se expressa por meio de falar ou de escutar palavrões e obscenidades.

É tão compulsivo que. a) Intersexualismo 46 . A Organização Mundial de Saúde. como o homossexualismo feminino (lesbianismo). havendo necessidade de que se faça distinção entre o homossexualismo. são anomalias._________________________________________________________________________ MÓDULO VIII MEDICINA LEGAL w) Masoquismo É o prazer sexual por meio do sofrimento físico ou moral. também chamado de uranismo ou pederastia. y) Pigmalionismo É o amor anormal pelas estátuas (hoje substituídas por bonecas infláveis). o necrofílico “fabrica” um. o transexualismo e o travestismo. x) Necrofilia É a relação sexual com cadáveres. mata uma pessoa para que possa ter com ela relação sexual após a morte. o intersexualismo.2. Homossexualismo Tanto o homossexualismo masculino. O homossexualismo deve ser considerado como um caso estritamente médico. considera o homossexualismo como doença e não como anomalia. na inexistência de um cadáver.4. do ponto de vista fisiológico. O masoquismo é mais comum nas mulheres. ou seja. 1. entretanto.

como as prostaglandinas. 47 . 2. hastes metálicas. ou por meios químicos. A vida humana inicia-se no momento da fecundação. b) Transexualismo O indivíduo é inconformado com seu estado sexual. 2. para preservar os direitos sucessórios do ser embrionário). ABORTO O aborto define-se como morte fetal. Existem substâncias tão tóxicas que.: mulher viúva só pode casar-se 10 meses após a morte do marido. como se a natureza não tivesse se definido quanto ao sexo. pela fragilidade do feto. Em relação aos meios químicos. Técnicas de Aborto Pode ser feito por meios mecânicos. com a intenção de romper a bolsa e provocar a expulsão do feto. c) Travestismo O indivíduo sente-se gratificado com o uso de vestes. não importando em que momento. sondas. não existe uma substância especificamente feticida. Existem drogas. maneirismos e atitudes do sexo oposto. tubos. assim. com direitos legais (ex._________________________________________________________________________ MÓDULO VIII MEDICINA LEGAL O indivíduo se apresenta com a genitália externa e com a genitália interna indiferenciadas. provocar aborto. que provocam contração do útero.1. são capazes de matá-lo e. com dilatação e expulsão do feto. Geralmente não admite a prática homossexual.

48 . quando não há outra maneira de preservar a vida materna. MÓDULO VIII MEDICINA LEGAL MEDICINA LEGAL Tanatologia 1. Aspectos Legais do Aborto O aborto legal ocorre em duas hipóteses: • • gestação proveniente de estupro. Definir ou conceituar morte é um trabalho árduo. No ordenamento jurídico brasileiro. o entendimento corrente considera morte como ausência de vida. Para outros. morte é a cessação da vida.2. considerando o atual estágio do conhecimento. para alguns impossível._________________________________________________________________________ MÓDULO VIII MEDICINA LEGAL 2. abordando os aspectos biológicos e antropológicos. TANATOLOGIA I 1. Conceito Tanatologia é a parte da Medicina Forense que estuda a morte.1.

passando pela “morte cardíaca”. 1._________________________________________________________________________ MÓDULO VIII MEDICINA LEGAL O conceito de morte evoluiu com o tempo. ainda válido. pois com a parada definitiva do coração. parada respiratória. incluindo o pulmão e o encéfalo. parada cardiocirculatória. sem a necessidade de grandes recursos. O diagnóstico de morte encefálica. desde a “morte pulmonar” dos gregos até a “morte encefálica” contemporânea. considerado conceito operacional. midríase paralítica bilateral (dilatação das pupilas).1. Diagnóstico de morte A morte é caracterizada em nosso meio pela presença dos sinais abióticos (sinais que indicam ausência de vida).1. compatível com a evolução médica. ou parada definitiva da atividade encefálica. é um procedimento complexo que exige profissionais habilitados. 49 . instrumental e centros médicos de excelência. como o pulmão e o encéfalo. os demais órgãos param sucessivamente. permitindo um novo entendimento nos casos de transplantes de órgãos. Logo após a parada cardíaca e o colapso e morte dos órgãos e estruturas. perda da consciência. não existentes em todos os locais do País. permitindo o diagnóstico de morte em todos os locais. necessidade atual. surgem os sinais abióticos imediatos ou precoces.

1. alterações de coloração. ou seja. indicativos de certeza da morte. hipotermia (ou equilíbrio térmico) e opacificação da córnea. devido ao acúmulo (deposição) sangüíneo por atração gravitacional. Tal observação é denominada Lei de Nysten. tronco e extremidades. como: livores. Morte encefálica 50 . rigidez. uma hora após a parada cardíaca. indicativos de certeza da morte (morte real). de cima para baixo (da cabeça para os pés). ou seja. Após 12 horas não mudam mais de posição._________________________________________________________________________ MÓDULO VIII MEDICINA LEGAL imobilidade e insensibilidade. indicam a possibilidade de morte e são denominados por alguns autores como período de morte aparente. ou seja. O tempo de evolução é variável. A rigidez. Tais sinais são considerados de probabilidade. Tais sinais constituem uma tríade – livor.2. fenômeno denominado de fixação. tem início na cabeça. Os livores. O relaxamento se faz no mesmo sentido. tardios ou consecutivos. por outros são chamados de morte intermediária.1. contratura muscular. rigor e algor –. podendo mudar de posição quando ocorrer mudança na posição do corpo. alterações de coloração. progredindo para o pescoço. São observados nas regiões de declive. Algum tempo depois aparecem os sinais abióticos mediatos. variam da palidez a manchas vinhosas. Aparecem ½ hora após a parada cardíaca. rigidez e de temperatura.

ou seja. é uma situação particular em que a morte é diagnosticada. como a morte reflexa (“congestão”). “A” morreu antes de “B”. Premoriência e comoriência Tais conceitos são importantes nas situações de mortes muito próximas. As mortes violentas são divididas em acidentais. as mortes são classificadas em naturais. 1._________________________________________________________________________ MÓDULO VIII MEDICINA LEGAL O critério de morte encefálica é um caso particular. estudados em Asfixiologia. determinada por mecanismo inibitório.2. Alguns autores incluem outros tipos. como nos casos de afogados brancos. Quanto ao tempo. com a demonstração da parada definitiva da atividade encefálica. violentas ou suspeitas. em que há necessidade de estabelecimento de seqüência. tida como certa. as mortes são classificadas em: 51 . não aplicável no dia a dia. Tipos de Morte Quanto ao modo. caso mais comum. homicidas e suicidas. 1. Premoriência é a seqüência de morte estabelecida.3. ou seja. Nesses casos os órgãos de interesse são mantidos em funcionamento com o uso de equipamentos e/ou fármacos (drogas médicas).1. próprio para as situações de transplante de órgãos. em que há a necessidade de um diagnóstico rápido e preciso. com fins sucessórios. pois na maioria das vezes não é possível a determinação da seqüência de eventos. Comoriência é a simultaneidade de mortes.

horas após a parada cardíaca. após ter dado um tiro na cabeça. ocorre um processo de auto-destruição celular denominado autólise. há necessidade de autópsia pelos Serviços de Verificação de Óbitos e. as autópsias devem ser realizadas pelos Institutos MédicoLegais. denominadas docimásticas. uma das organelas citoplasmáticas. mas possíveis). Agônica: aquela precedida de período de sobrevida. Fenômenos Cadavéricos Microscopicamente._________________________________________________________________________ MÓDULO VIII MEDICINA LEGAL • Súbita: aquela que não é precedida de nenhum quadro. Neste item cabe lembrar das situações de sobrevivência. tecidos e substâncias presentes no organismo. inferior do abdome). o indivíduo tem tempo para reagir e ferir ou matar o desafeto. Tal mancha é originada pela produção bacteriana de hidreto de enxofre que. escreve bilhete de despedida (situações não usuais. caracterizada por auto-digestão determinada por enzimas presentes nos lisossomos.1. Nas mortes naturais. nas mortes violentas. por sua vez. regra geral. que é inesperada. determina a formação de 52 . Macroscopicamente. TANATOLOGIA II 2. 2. ou então o suicida que. o médico deverá fornecer “Declaração de Óbito”. como glicogênio e adrenalina. após ter sido atingido mortalmente com um tiro no coração. • O diagnóstico diferencial entre as formas “súbita” e “agônica” é possível com provas especiais. por exemplo. sem diagnóstico da causa básica (doença ou evento que deu início à cadeia de eventos que culminou com a morte). o primeiro sinal de putrefação é o aparecimento da mancha verde abdominal na região inguinal direita (porção direita. Nas mortes naturais. em que o indivíduo realiza atos conscientes e elaborados no período de sobrevida. que estudam as células. documento que contém o Atestado de Óbito e que originará a Certidão de Óbito.

progride para as outras regiões abdominais e depois para o corpo todo. A mancha aparece de 16 a 24 horas após a parada cardíaca. cabeça grande. dentes. restando os ossos. Ocorre quando os restos mortais ficam imersos em meio líquido. como apresentado no parágrafo anterior. e ocorre o “parto pré-mortal” nas grávidas. O resultado da putrefação é a redução das partes moles. caracterizando a fase cromática da putrefação. 53 . A maceração é um desses fenômenos.1. sendo caracterizada por putrefação atípica. origina o fenômeno denominado “fogo fátuo”. genitais aumentados. 2.1. aparece geralmente dias após e é caracterizada pela produção de gases e de álcool etílico. na morte o enxofre “ocupa” o lugar do oxigênio ou do dióxido de carbono na hemoglobina. Nesse período os cadáveres dos afogados flutuam. fósforo e flúor. Maceração Quando ocorre alguma perturbação ambiental ou na estrutura dos restos mortais. 2. são observados outros fenômenos cadavéricos. A terceira fase é a coliquativa. amônia. caracterizando a fase terminal denominada esqueletização. cadaverina e hidretos de enxofre. ou seja. denominada gasosa ou enfisematosa. caracterizada pela “liquefação” tecidual. O hidreto de fósforo.2.1. Nos afogados a mancha verde pode aparecer no tórax. cabelos. Tem início com a fase cromática. Os gases mais freqüentes são o metano. A formação de gases determina um aumento de volume cadavérico. enrugamento tecidual e exsangüinação (saída do sangue pela pele desnuda). com língua protrusa. quando em combustão. Putrefação A putrefação é o fenômeno cadavérico mais freqüente. O hidreto de enxofre determina o odor característico de carne podre. putrescina. pêlos e partes densas como os tendões._________________________________________________________________________ MÓDULO VIII MEDICINA LEGAL sulfohemoglobina. adquirindo o cadáver um aspecto de pasta. olhos abertos e proeminentes e braços e pernas com aspecto pneumático. A segunda fase.

como os desertos e regiões áridas. 2. como os embalsamamentos. úmidos e mal ventilados. desidratam (secam). com interrupção das reações químicas. Não pode ser confundida com os processos de conservação artificial. Saponificação Outro fenômeno conservativo é a saponificação.1. em lagos. 2. determinando a conservação parcial denominada mumificação. dando aos restos mortais um aspecto acinzentado e de manteiga e um odor de queijo rançoso (“adipocera”). Ocorre com cadáveres de obesos e grávidas e é facilitado por inumações em solos argilosos. Fossilização: fenômeno conservativo de longa duração. conservando o tegumento._________________________________________________________________________ MÓDULO VIII MEDICINA LEGAL São conhecidas duas formas: • Séptica: mais comum. Os cadáveres inumados em solos com alta concentração salina e em ambientes quentes e secos. • 54 . São conhecidos outros fenômenos conservativos como: • • Refrigeração: em ambientes muito frios. ocorre geralmente nos corpos que permanecem. caracterizado pela transformação da gordura corporal em sabão.4.3. Asséptica: observada na morte e permanência do feto intra-útero. rios e mares.1. Mumificação São conhecidos também fenômenos conservativos. após a morte. • É um fenômeno destrutivo e não significa morte na água e sim permanência em meio líquido. Corificação: desidratação tegumentar com aspecto de couro submetido a tratamento industrial.

Inicialmente ocorre autólise. Resumindo. Conhecemos dois tipos: destrutivos e conservativos. As estruturas orgânicas são progressivamente reduzidas substâncias mais simples. Essa seqüência é preferencial. gasosa ou enfisematosa. seguido do período de morte real. são transformativos. Os destrutivos são a putrefação e a maceração e. os conservativos. a 55 . dando um aspecto de pedra com manutenção da morfologia dos restos mortais._________________________________________________________________________ MÓDULO VIII MEDICINA LEGAL • Petrificação: substituição progressiva das estruturas biológicas por minerais. após a parada cardíaca e dos demais órgãos. seguida da putrefação. como o pulmão e o encéfalo. com suas quatro fases: cromática. Tais fenômenos. a mumificação e a saponificação. coliquativa e esqueletização. que farão parte dos ciclos da Natureza. ditos cadavéricos. ocorre o período de morte aparente ou intermediária.

relacionando a personalidade anormal com fins médico legais. Em . permitindo muitas interpretações e modificações temporais. Entre os itens programáticos. INTRODUÇÃO A Psicopatologia Forense pode ser entendida como sendo o segmento do conhecimento médico que estuda as desordens do psiquismo. via de regra. conceituais. O estudo da psique com fins jurídicos é complexo e controverso. é considerado de importância menor. as questões sobre o tema não estão presentes em todos os exames (concursos). Delmonte Printes 1. e essas são. Também é chamada Psiquiatria Forense e Psiquiatria Médico-Legal. dentre outras finalidades.MÓDULO IX MEDICINA LEGAL Psicopatologia Forense MEDICINA LEGAL Psicopatologia Forense C. ou seja.

Direito Penal e Direito Processual Penal. de modo a conferir-lhe fisionomia própria.função do exposto. Observamos que questões sobre o tema são formuladas também nas provas de Direito Civil. personalidade é a síntese de todos os elementos que concorrem para a conformação mental de uma pessoa. PERSONALIDADE Para iniciar este breve estudo é importante ter noções sobre personalidade e caráter. Traumatologia. Em termos gerais podemos dizer que é o hardware da pessoa. Na constituição da personalidade interferem ou atuam múltiplas variáveis de ordem biopsíquica (constituição biopsíquica) somadas às experiências vividas (integração). 2. considerando o volume de matéria de maior relevância como Tanatologia. julgamos prudente estudar os itens conceituais e de maior probabilidade de consulta nos exames. Segundo Porot. Como colocado . Sexologia. Asfixiologia e Antropologia.

A personalidade apresenta particularidades. a segunda. vitalidade: caracterizando um conjunto animado e hierarquizado.1. baseada em tipos somáticos. constituição é o conjunto da estrutura do organismo e do temperamento.por Odon Ramos Maranhão. relações com o meio ambiente: caracterizadas pela regulação entre o eu e o meio ambiente. Personalidade Normal É difícil estabelecer um critério de personalidade normal. baseada no critério biopsicológico e. Vários autores adotaram diversos critérios para atingir tal fim. • • • 2. que são suas bases fundamentais (Maranhão). caráter: conjunto de experiências vividas. A estrutura da personalidade é integrada por: • • • tipo morfológico: conformação básica. tipo temperamental: disposição emocional básica. . consciência: que mantém a informação sobre o si mesmo e o meio. com oscilações interiores (fatores endógenos) e estímulos exteriores (fatores exógenos). a saber: • unidade e identidade: que lhe permitem ser um todo coerente. que reage e responde. organizado e resistente. Exemplificamos duas classificações: a primeira.

com abdome volumoso. relevos musculares evidentes. b) Pícnico Baixo. com tendência à calvície. com base embriológica. sociológicos e psicanalíticos. . mesomorfo e ectomorfo. Sheldon descreveu os tipos somáticos.O critério biopsicológico. apresenta três tipos somáticos: a) Leptossômico Alto. sem pescoço. englobando três tipos básicos: endomorfo. gordo. da euforia à depressão (ciclotímico). ombros largos. encanece precocemente. Outras classificações de menor importância são baseadas em critérios filosóficos. descrito por Kretschmer. é introvertido e oscila da insensibilidade à hipersensibilidade (esquizotímico). rosto afilado. magro. pouco musculoso. apresenta variações freqüentes de humor. é explosivo e agressivo (epileptóide). c) Atlético De aspecto trapezoidal.

podemos considerar fazendo parte das personalidades patológicas as seguintes perturbações: do desenvolvimento e da continuidade. representadas pelas neuroses. da ideação e do juízo crítico.2. Civil. de acordo com Maranhão – presume capacidade geral e faz restrições parciais e absolutas. • do caráter. representadas pelas personalidades psicopáticas. • da senso-percepção. de base constitucional. mais uma vez baseado nos trabalhos do Professor Odon Ramos Maranhão. representadas pelas psicoses (alienações) e pelas demências (deterioração mental). Oligofrenias As oligofrenias. são insuficiências congênitas. São vários os critérios diagnósticos: a) Psicométrico . intenção. caracterizadas por deterioração da inteligência normalmente desenvolvida.2.O critério jurídico é definido pelos códigos: • Penal – dirige-se a entender o caráter do fato e a determinar-se conforme esse entendimento. • 2. • 2.1. provocando sofrimentos conscientes de causa insconsciente. considerando as capacidades de discernimento. também denominadas atrasos ou debilidades mentais. • da harmonia intrapsíquica. caracterizadas pelo nãodesenvolvimento da inteligência. diferem das demências. representadas pelos atrasos e infranormalidades – são as oligofrenias. Personalidades Patológicas Ante o exposto. consciência e juízo.

porém. Débeis: com Q. são pouco utilizados. da sífilis. • • b) Escolar Baseado no desenvolvimento e na cronologia. Demências .3. equivalentes aos idiotas do critério psicométrico. até 30. Alienações Alienações ou psicoses são alterações psíquicas que tornam o indivíduo impossibilitado de manter uma vida normal e de participar da vida em sociedade (vida coletiva e social). entre 60 e 90 segundo um critério e entre 40 e 65 em outro. Permite ainda um tipo denominado atrasados profundos.2.2. as senis. via de regra. Imbecis: com Q. entre 30 e 60 segundo um critério e entre 20 e 40 em outro. da arteriosclerose e dos traumatismos crânio.I.2. as epilepsias.Baseado em medidas do quociente de inteligência. e até 20 para outros. é atualmente muito combatido.I. mas que por apresentar muitas deficiências. São os “loucos de todo o gênero” do Código Civil e a “doença ou doente mental” do Código Penal. Outros critérios diagnósticos são o social e o clínico. dividindo as deficiências em ligeiras (débeis). médias e profundas (idiotas). Divide os deficientes em três grupos: • Idiotas: com Q.I. 2. é o critério mais conhecido. resultando daí as designações alienação ou alienados. São exemplos a psicose maníaco-depressiva (atual distúrbio bipolar). das drogas. a esquizofrenia e as alterações decorrentes do alcoolismo. 2. São inimputáveis. para alguns autores. São inimputáveis. é o critério mais aceito e mais justo.encefálicos.

grupo ou código.4.3. Personalidade Delinqüente Os indivíduos com personalidade delinqüente são portadores de defeitos graves do caráter. São inimputáveis. que não tiram proveito das experiências vividas. São semi-imputáveis. global e incurável. são também conhecidos como portadores de personalidades dissociais.5. falta de motivação e intolerância à frustração. o psicopata (personalidade psicopática) apresenta falta de adequadas inibições. tendência à impulsividade. 2. citado por Maranhão. Normalmente são religiosos. enquanto a personalidade pseudo-social (delinqüente) se mostra capaz de se adaptar a grupos de comportamento desviado. Apresentam ausência de sentimentos. quase sempre estruturados e geralmente irreversíveis. Podem ser exemplificadas pelas senis (arteriosclerose. Neuroses . social ou não (reação antisocial). o que o leva a desordens do comportamento e à ação anti-social. 2. 2. incluindo sentimento de culpa. Segundo entendimento de Maranhão são indivíduos cronicamente anti-sociais. primários ou verdadeiros. via de regra. sempre em dificuldades. De acordo com Jerkins. Personalidades Psicopáticas Personalidades psicopáticas ou anti-sociais são as determinadas por conduta anormal. via de regra. nem das punições sofridas e que não mantém lealdade real a qualquer pessoa. demência e Alzheimer) e pelos traumatismos. agressividade. as demências ou deteriorações mentais são caracterizadas por um enfraquecimento (deterioração) intelectual progressivo. Considerados delinqüentes essenciais.De acordo com o pensamento de Seglas.

de aranha etc. dentre outros. O alcoolismo e as outras toxicomanias são apresentadas no tópico “Toxicologia”. Os principais modificadores da capacidade civil são: a idade. fobias (“medo” de altura. doenças psicossomáticas (gastrite. A incapacidade civil resulta. . histeria.7. 2.As neuroses manifestam-se por alterações freqüentes. dentre outras. inadaptação à realidade e sensação de insuficiência afetiva e social. alcoolismo. angústia e compulsão. personalidade psicopática. em interdição. geralmente sem base anatômica conhecida. surdimutismo. determina-se o “exame prévio”.). de pontas. que não alteram a personalidade. perturbações mentais (alienações) e debilidade mental (oligofrenias). As pessoas portadoras de neuroses são pessoas capazes.6. Incidente de Sanidade Mental Quando há dúvida sobre a integridade psíquica do agente criminal. tutela ou curatela.). por exemplo).). 2. nos termos dos arts. pois a personalidade está preservada. Capacidade de Imputação e Capacidade Civil Capacidade civil é a aptidão de alguém reger bens e pessoas. 149 e 151 do Código de Processo Penal. conforme o caso concreto em análise. ou pode resultar. as diferenças mais significativas entre as neuroses e a personalidade delinqüente. disciplinada pelos Códigos Penal (18 anos) e Civil (até 16 anos é absoluta. colite etc. baseadas nos trabalhos de Maranhão. Caracterizam-se por perturbações afetivas. Como complemento. apresentamos. dor e/ou batedeira no peito etc. dentre outros. São exemplificadas por distúrbios neuro-vegetativos (azia.

mas admite a dependência com atitudes situação agressivas Caráter normal Caráter deformado (dissocial) MÓDULO X MEDICINA LEGAL Criminalística MEDICINA LEGAL Criminalística C. Delmonte Printes .Neuroses Com conflito interno Agressividade voltada a si Gratifica-se por fantasias Admite seus impulsos reconhece como seus Desenvolve positivas relações e Personalidade delinqüente Sem conflito interno Agressividade voltada à sociedade Alivia tensões internas por meio de ações criminosas os Atribui seus impulsos ao mundo exterior Desenvolve defesas emocionais Comportamento dissocial emocionais Socialmente ajustado Reage à passividade e dependência Procura negar a passividade e a com sofrimento.

e a denominada “P50”. utilizamos as de probabilidade. como a coloração denominada árvore de natal – que individualiza os espermatozóides no campo observado ao microscópio óptico –. Na impossibilidade do uso das técnicas de certeza. Nos exames é restrita ao estudo das manchas e ao diagnóstico (identificação de amostras).A Criminalística é um dos assuntos menores nos concursos em geral. que diagnostica o líquido espermático. em exame microscópico direto ou por meio de provas como soro anti-esperma ou de Corin-Stockis. cristais . 1. que consiste na obtenção de imagens microscópicas de espermatozóides coloridos. com o uso de reagentes como a solução de eritrosina amonical. conhecidas como cristais de Florence. Hoje dispomos de técnicas mais modernas. ESPERMA As manchas ou as amostras contendo esperma são identificadas pelo diagnóstico dos espermatozóides. Tais provas são chamadas de certeza.

com uso de reagentes químicos. odor e consistência. resultando em imagens características denominadas cristais de Teichmann. 2. Tais provas são denominadas de certeza. pouco utilizadas hoje em dia. sendo essa última a mais utilizada em nosso meio. as manchas de esperma podem ser reconhecidas pela cor (brancas ou amarelo-citrinas. SANGUE As manchas ou amostras contendo sangue são identificadas por meio do estudo microscópico. Temos também provas específicas. como a soroprecipitação de Uhlenhuth e a de inibição de antiglobulina de Coombs. Tais provas são chamadas de orientação.de Barbério e fosfatase ácida. quando recentes). Nos locais de crime e nas autópsias. substituídas por inúmeras provas com o . por espectroscopia (equipamentos laboratoriais com luzes especiais) ou por técnicas de laboratório.

probabilidade – as que admitem exceções e só têm valor quando não podemos realizar as de certeza – as de maior nível de confiabilidade. As técnicas são classificadas em três níveis de confiabilidade: orientação – as que servem para dirigir os exames.uso de diversos tipos de reagentes ou de técnicas imunológicas e imunohistoquímicas. saliva. Kastle-Meyer e Van Deen. Na impossibilidade de realização dessas provas. Por meio de técnicas especiais. Amado Ferreira. cabelos e pêlos. é possível a identificação de sangue por meio de técnicas de orientação e de probabilidade. fezes. verniz caseoso. é possível também a identificação de manchas e de amostras contendo urina. líquido amniótico. leite. que utilizam diversos tipos de reagentes. não tendo valor isoladamente. colostro. como as reações de Adler. MÓDULO XI MEDICINA LEGAL Medicina Forense Aplicada ao Código Penal . mecônio. fibras em geral.

É a capacidade dependente de aprendizagem especializada. bem como preparar os candidatos para responder questões que incluam conhecimentos de Medicina Forense – habituais nas provas de Direito Penal. De forma geral.MEDICINA LEGAL Medicina Forense Aplicada ao Código Penal 1. ou seja. Comprometimento da integridade corporal é a ofensa orgânica. PONTOS RELEVANTES a) Caracterizar lesão corporal. mas não o seu funcionamento. a estrutura está comprometida. é a alteração funcional (software). Função de trabalho é um bem maior. INTRODUÇÃO Medicina Forense. que não necessitam de aprendizado especializado. . b) Diferenciar função habitual de trabalho Função habitual corresponde às funções da vida em geral. aplicada ao Código Penal e ao Código Civil (essa última é matéria a ser abordada no próximo módulo). como andar. entre outras. que ainda não foram abordados. enfermidade. Civil e Processual Penal –. Comprometimento da saúde é a doença. comer e tomar banho. em concursos para o Ministério Público. sem comprometimento funcional. 2. Magistratura e outros. podemos dizer que é uma alteração do hardware. integridade corporal e saúde Lesão corporal é a ofensa à integridade corporal e à saúde. faz parte do conteúdo programático do curso normal e visa reiterar itens importantes.

os restos mortais são encaminhados aos serviços de verificação de óbito. Nas mortes violentas. Nas situações de morte natural. caracterizada por intervalo de tempo entre a ação e a morte. sentido ou função). a fim da pesquisa necroscópica ser realizada. o primeiro evento notado é a própria morte. h) Conhecer as modalidades de morte Aqui. d) Conhecer os critérios de perigo de vida Conhecer os critérios de perigo de vida. usados nas situações de transplante de órgãos. para complementação. c) Diferenciar debilidade. o conjunto de ações diferenciadas típicas do homem. de início. por exemplo. idade e nível socioeconômico). salvo em casos em que a causa básica da morte não é conhecida. como o termo informa. O aluno deve rever as apostilas de Traumatologia. e perda equivale. É importante rever as apostilas de Tanatologia. e entender as diferenças dos critérios de morte encefálica. como perigo real (diagnóstico. regra geral. suicídio e acidente).a capacidade de trabalhar. morte natural e violenta (homicídio. f) Conhecer os critérios de morte Conhecer os sinais abióticos imediatos. à amputação. o médico-assistente é obrigado a fornecer a Declaração de Óbito. perda e inutilização Debilidade é a perda da capacidade até 70 ou 75% (de membro. os estudos necroscópicos são desenvolvidos nos institutos médicos . inutilização é a perda maior que 70 ou 75%. como. de ocorrência súbita. Em tais situações. e não prognóstico) e nexo causal. o critério de visibilidade e de gradiente estético anterior (sexo. caso em que não se observa. e) Conhecer os critérios de deformidade permanente Conhecer os critérios de deformidade permanente. a sensação vexatória para quem mostra e/ou para quem vê uma deformidade. ou seja. e morte súbita. a ação. g) Entender as diferenças entre morte agônica e súbita A morte agônica .

Atualmente.legais. i) Conhecer os conjunção carnal • sinais duvidosos e certos de Sinais duvidosos: dor. Sinais certos: rotura himenal. procura pesquisar a atividade pulmonar extrauterina. como Instituto Médico Legal. e não-flutuação = ausência de respiração extra-uterina. São também chamados de peritos não-oficiais. ou seja. lesões e contágio (contaminação). a flutuação + respiração extra-uterina (vida extrauterina). 434 do CPC e 159 do CPP). A perícia pode ser realizada através de relatório (laudo ou auto). As mortes suspeitas. as provas mais seguras são as histológicas. quase sempre. verificando o comportamento do pulmão em água. São peritos “louvados” os nomeados. durante a autópsia. l) Diferenciar peritos oficiais de “louvados” São peritos oficiais os funcionários de repartição pública. 421 e 431 do CPC e 195 do CPP). hemorragia. baseada nos estudos gregos. k) Conceituar perícia Exames realizados por técnicos a serviço da Justiça. são analisadas de forma igual às mortes violentas. (ver arts. entre outros (ver arts. Instituto de Criminalística e Manicômio Judiciário. presença de esperma na vagina e gravidez. parecer (opinião) e atestado (constatação). • j) Conhecer a perícia que diferencia natimorto de nativivo A prova mais conhecida – docimasia de Galeno –. que evitam os resultados falso-positivos (putrefação) e falso-negativos (broncopneumonia). .

aplicada ao Código Civil. Pode ser classificado em instrumental. com comportamento desse e rejeição ao primeiro. Nos homens são conhecidos dois tipos de impotências: coeundi e generandi. INTRODUÇÃO O estudo da Medicina Forense. O tipo coeundi caracteriza-se por comprometimento da capacidade de realização de conjunção carnal. conceituar e diferenciar as impotências – estados conhecidos pela incapacidade para a realização de conjunção carnal e/ou para a procriação. transexualismo pessoas que apresentam fenótipo sexual definido. Magistratura e outros. denominadas hermafroditas. e psicofuncional (psicológica). à idade e às enfermidades. relacionada à ereção. que envolvem conceitos ou conhecimentos médicos. organofuncional. O termo é válido tanto para homens como para mulheres. de intersexualismo pessoas que apresentam alterações genitais e/ou extra-genitais. objetiva reiterar itens importantes do conteúdo programático do curso normal. PONTOS RELEVANTES Diferenciar e caracterizar os desvios de gênero. buscando obsessivamente a “correção” morfológica (Maranhão) . O tipo generandi é caracterizado por alterações . nos concursos do Ministério Público. ou seja. apresentar malformação e anomalias do pênis e do escroto. Direito Civil e Direito Processual Penal. mas psicologicamente pertencem a outro sexo.MÓDULO XII MEDICINA LEGAL Medicina Forense Aplicada ao Código Civil MEDICINA LEGAL Medicina Forense Aplicada ao Código Civil 1. Conhecer. 2. de difícil diagnóstico. visando questões formuladas nas provas de Direito Penal. ou seja.

é necessário rever o módulo de Sexologia. O estado vital tem início com a fecundação e tem fim com a morte. Consideramos prudente conhecer o significado de eutanásia = morte boa ou homicídio piedoso. Para conceituar. A pessoa. morte e pessoa. o surdimutismo. É importante conhecer as modificadoras da capacidade civil. Decorrentes de tais conceitos. • Muitas outras classificações são conhecidas. para muitos o equivalente à personalidade. Para conhecer e diferenciar identidade de semelhança.qualitativas e/ou quantitativas dos espermatozóides (esterilidade ou infertilidade). de 120 a 300 dias. bem como os hipodesenvolvimentos da personalidade. e conhecer os limites (início e fim). Modificam essa aptidão a idade. sem valor atual. Nas mulheres são descritos dois tipos: • Coeundi: incapacidade para realização de conjunção carnal. Por exemplo. para muitos é impossível tal tarefa e. eutanásia passiva. por exemplo. É necessário conceituar vida. conhecer e diferenciar os tipos de aborto. citamos os limites do ciclo gestacional. . tendo início (ou diagnóstico) com os critérios apresentados no estudo da Tanatologia. A morte é o estado de ausência de vida. como o desligamento da aparelhagem/instrumental de suporte de vida. Muitos dos conceitos e limites apresentados não são aceitos por todos. conseguimos apenas diagnosticar o estado vital. que é a aptidão para a regência pessoal dos atos e dos bens. Também é necessário conhecer os critérios diagnósticos e limites dos ciclos menstrual e gestacional. podendo ser instrumental (alterações e anomalias vulvovaginais). tem início com o nascimento e fim com a morte. surgem os direitos fundamentais do homem (direito à vida). vaginismo. rever o módulo de Antropologia. o alcoolismo e as alienações. O aluno deve rever o módulo de Sexologia. funcional (idade. Não há definição de vida aceita por todos. caracterizada por atitude passiva. Concepiendi: relacionado à capacidade de procriação (esterilidade ou infertilidade). coitofobia) e orgânico (enfermidades). assim. e de ortotanásia = morte justa. morte com a finalidade de abreviação de sofrimento ou agonia. para complementação do assunto.

período de 42 dias após a gestação. ou um movimento muscular esquelético (critérios da Organização Mundial da Saúde). o mais importante é o movimento respiratório. . Outro ponto importante. O aluno não deve deixar de rever as apostilas de Sexologia para complementação. único que pode ser determinado em perícia após a morte. que não deve ser esquecido.Igualmente é preciso conhecer os critérios de diagnósticos e limites do puerpério. pelas docimásias de Galeno e Breslau e pelas condições histológicas. é conhecer as provas de vida-uterina – um movimento respiratório. Entre os critérios. ou um batimento cardíaco ou umbilical.

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