Você está na página 1de 7

PODER JUDICIÁRIO

TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE SÃO PAULO

 

Registro: 2011.0000100513

ACÓRDÃO

Vistos, relatados e discutidos estes autos de

Apelação nº 0000048-66.2011.8.26.0165, da Comarca de

Dois Córregos, em que é apelante BANCO SANTANDER BRASIL

S/A sendo apelado PREFEITURA MUNICIPAL DE DOIS CORREGOS.

Direito Público do

Tribunal de Justiça de São Paulo, proferir a seguinte

de

decisão:

conformidade com o voto do Relator, que integra este

acórdão.

ACORDAM,

em

15ª

Câmara de

ao

"Negaram

provimento

recurso.

V.

U.",

a

Desembargadores ERBETTA FILHO (Presidente) e ARTHUR DEL

GUÉRCIO.

O

julgamento

teve

participação dos Exmos.

São Paulo,7 de julho de 2011.

RODRIGUES DE AGUIAR RELATOR Assinatura Eletrônica

PODER JUDICIÁRIO TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE SÃO PAULO VOTO Nº : 17311 APEL.Nº

PODER JUDICIÁRIO

TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE SÃO PAULO

VOTO Nº : 17311

APEL.Nº : 0000048-66.2011.8.26.0165 COMARCA : DOIS CÓRREGOS

APTE.

: BANCO SANTANDER BRASIL S/A

APDO.

: MUNICÍPIO DE DOIS CÓRREGOS

APELAÇÃO EMBARGOS A EXECUÇÃO FISCAL ISS, exercícios de 2007 a 2010 Municípios de Dois Córregos Alegada nulidade da sentença e da CDA Inocorrência Serviços bancários “Administração de Fundos” Incidência devida RECURSO IMPROVIDO.

1. Apelação do embargante BANCO SANTANDER

BRASIL S/A (fls. 352/ss) contra r. sentença (fls. 344/ss) proferida pelo MM

Juiz de Direito Paulo Henrique Stahlberg Natal, em embargos à execução

fiscal ajuizada por MUNICÍPIO DE DOIS CÓRREGOS, referente ao não

recolhimento de ISSQN sobre as atividades de administração de fundos,

entre 01/04/2007 e 30/06/2010.

2. Na inicial dos embargos, em preliminar, alegou o

requerente nulidade da CDA, eis que não observa os requisitos elencados

no artigo 2º, § 5º, incisos II, III e IV, da LEF. No mérito, alega que as

atividades desenvolvidas são tributadas com IOF; que a lista anexa à LC

116/03 é taxativa, não se admitindo a interpretação analógica. Aduz, ainda,

que sobre as atividades-meio não deve incidir o ISS, já que constituem

condição para outra atividade. Impugna, ademais, a incidência de ISS

sobre a conta “Recuperação de encargos e despesas”, pois não representa

prestação de serviço.

3. A r. sentença julgou improcedentes os embargos,

condenando o autor ao pagamento de honorários advocatícios fixados em

10% sobre o valor da execução, sob o fundamento de que a CDA não é

PODER JUDICIÁRIO TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE SÃO PAULO nula, eis que preenche todos

PODER JUDICIÁRIO TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE SÃO PAULO

nula, eis que preenche todos os requisitos do artigo 2º da LEF, não havendo prejuízo à defesa do embargante. No mérito, considerou o juiz a quo que incide ISS sobre as operações denominadas por “Administração de Fundos”, já que constituem prestação de serviço, havendo previsão na lista anexa à LC 116/03, bem como legislação municipal. 4. Inconformado, apela o embargante alegando nulidade da r. sentença, sob o argumento de erro quanto à apreciação de pedidos de nulidades formulados em primeiro grau e apreciados como matéria meritória. No mais, reafirma todas as alegações trazidas na inicial dos embargos à execução, 5. Recurso tempestivo, preparado (fls. 381/ss) e respondido (fls. 388/ss).

É o relatório.

6. Trata-se de apelação do embargante, contra r. sentença proferida em embargos à execução fiscal, referente a ISS incidente sobre administração de fundos, exercícios de 2007 a 2010, conforme CDA acostada às fls. 08 do apenso. O recurso não merece provimento, conforme fundamentos seguintes:

7. Quanto à alegação de nulidade da r. sentença. O embargante alega nulidade da. r. sentença, aduzindo erro quanto à apreciação de pedidos de nulidade formulados em primeiro grau e apreciados como matéria meritória. Não procede tal alegação. Isso porque, a r. sentença apreciou a alegação de nulidade da CDA, tal como formulada pelo embargante. Decidiu o juízo a quo pela regularidade da CDA, já que preenche os requisitos do artigo 2º da Lei 6.830/80, bem como 202 do CTN. Consignou, ainda, o juiz de primeiro grau, que a CDA faz menção à origem da dívida, descrevendo-a detalhadamente e indicando seu fundamento legal. Assim, não há que se falar em nulidade da r. sentença.

PODER JUDICIÁRIO TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE SÃO PAULO 8. Quanto à alegada nulidade

PODER JUDICIÁRIO

TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE SÃO PAULO

8. Quanto à alegada nulidade da CDA.

Também nesse ponto, não procede a alegação do

apelante.

A CDA (fls. 08 do apenso) é expressa em identificar o

serviço tributado, qual seja, a administração de fundos. Indica, ademais, o

valor da dívida, composto do valor principal, juros, multa e correção

monetária, mencionando a fundamentação legal.

Anote-se que o critério quantitativo da regra matriz

incidência tributária foi fixado com base no artigo 148 do CTN, conforme se

vê às fls. 26 dos autos em apenso.

Identificada a atividade tributada, assim como o valor

do débito, não há que se falar em cerceamento de defesa.

Dessa forma, não se vislumbra a alegada nulidade da

CDA, já que preenche os requisitos do § 5º do artigo 2º da LEF, bem como

artigo 202 do CTN, não merecendo reforma a r. sentença.

9. No mérito, os argumentos do apelante não merecem

ser acolhidos.

Com efeito, a questão discutida nos autos se refere à

incidência ou não de ISS sobre as atividades de administração de fundos,

exercidas pela apelante.

O contribuinte alega que a lista de serviços é taxativa.

Ademais, aduz que a incidência de ISS implicaria bitributação, eis que

incide o IOF, de competência da União. Por fim, alega que suas atividades-

meio não são passiveis de incidência de ISS, pois apenas viabilizam as

atividades-fim, sendo essas tributadas pelo IOF.

Contudo, tais argumentos não prosperam, conforme

fundamentos seguintes.

A LC 116/03, no que se refere à administração, traz o

seguinte texto:

15.01

Administração de fundos quaisquer, de consórcio, de

PODER JUDICIÁRIO TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE SÃO PAULO cartão de crédito ou débito

PODER JUDICIÁRIO TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE SÃO PAULO

cartão de crédito ou débito e congêneres, de carteira de clientes, de cheques pré-datados e congêneres.

O ente público, quando do lançamento de tributos, deve-se ater aos princípios da legalidade e da taxatividade, tributando apenas os serviços previstos em legislação pertinente. No entanto, se por um lado, deve-se observar a taxatividade dos serviços, por outro, nada impede que se faça uma interpretação extensiva dos itens acima descritos, para que serviços correlatos sejam tributados por ISS. Se assim não fosse, bastaria a mudança nominal do serviço para que houvesse a exclusão do fato gerador. O que se revela imperativo, portanto, é a natureza do serviço prestado, e não a nomenclatura dada pela instituição bancária. Nesse sentido, encontramos diversos julgados na jurisprudência, a exemplificar:

TRIBUTÁRIO - ISS - SERVIÇOS BANCÁRIOS LEI COMPLEMENTAR N. 56/87 - LISTA DE SERVIÇOS ANEXA AO DECRETO-LEI N. 406/68 - ITENS 95 E 96 - INTERPRETAÇÃO EXTENSIVA - POSSIBILIDADE - AGRAVO REGIMENTAL - DECISÃO MANTIDA. 1. A jurisprudência majoritária desta Corte firmou-se no sentido de que a lista anexa ao Decreto-lei n. 406/68 comporta interpretação extensiva a fim de abarcar os serviços correlatos àqueles previstos expressamente, uma vez que, se assim não fosse, ter-se-ia, pela simples mudança de nomenclatura de um serviço, a incidência ou não do ISS. Precedentes. Agravo regimental improvido. (Ag. Reg. no Resp 661.921/MG, Rel. Ministro Humberto Martins, Segunda Turma, julgado em 17.04.08, DJ 05.05.08)

No mesmo sentido:

Embora taxativa em sua enumeração, a lista de serviços anexa ao Decreto-lei nº 406/68 comporta, dentro de cada item, interpretação extensiva para o efeito de fazer incidir o tributo sobre os serviços bancários congêneres àqueles descritos. Precedentes. Não se

PODER JUDICIÁRIO TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE SÃO PAULO pode confundir (a) a interpretação

PODER JUDICIÁRIO TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE SÃO PAULO

pode confundir (a) a interpretação extensiva que importa a ampliação do rol de serviços, com inclusão de outros de natureza diferente dos indicados, com (b) a interpretação extensiva da qual resulta simplesmente a inclusão, nos itens já constantes da lista, de serviços congêneres de mesma natureza, distintos em geral apenas por sua denominação. A primeira é que ofende o princípio da legalidade estrita. A segunda forma interpretativa é legítima (cf. REsp 1016072/PR, Rel. Min. TEORI ALBINO ZAVASCKI, J. 27/05/2008, DJ de 09/06/2008, in site do STJ).

E ainda:

PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL EM AGRAVO DE INSTRUMENTO. ISS. SERVIÇOS BANCÁRIOS. LISTA DE SERVIÇOS. TAXATIVIDADE. INTERPRETAÇÃO AMPLA. POSSIBILIDADE. NULIDADE DA CDA. MATÉRIA DE PROVA. SÚMULA 7/STJ. 1. A jurisprudência do STJ reconhece que a Lista de Serviços anexa ao Decreto-Lei 406/1968, para efeito de incidência de ISS sobre serviços bancários, é taxativa, mas admite uma leitura extensiva de cada item, a fim de se enquadrarem serviços idênticos aos expressamente previstos. Precedentes. (AgRg no Ag 824609 / PR AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO DE INSTRUMENTO 2006/0205333-4, relator Min. HERMAN BENJAMIN, T2, DJ 10/03/2009, DP 24/03/2009)

Ademais, ressalte-se que os serviços acessórios, desde que não constituam hipótese de incidência de IOF, o que implicaria bitributação, são passíveis de incidência de ISS, desde que assim previstos na legislação pertinente. Assim, a “Administração de Fundos”, atividade ora tributada, está prevista na LC 116/03 e legislação municipal correspondente, como sendo atividade passível de tributação por ISS. Devida, pois, a incidência. Não há que se falar, por outro lado, em bitributação, uma vez que tal atividade não é fato gerador de IOF.

PODER JUDICIÁRIO TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE SÃO PAULO No mais, a presente execução

PODER JUDICIÁRIO

TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE SÃO PAULO

No mais, a presente execução refere-se apenas,

segundo consta da CDA, à administração de fundos, e não à recuperação

de encargos e despesas, motivo pelo qual a análise da alegação do

apelante quanto a não incidência de ISS sobre recuperação de encargos e

despesas resta prejudicada.

Ante o exposto, não merece reparo a r. sentença

proferida.

Pelo meu voto, nega-se provimento ao recurso.

RODRIGUES DE AGUIAR Des. Relator