Departamento Pedagógico

CURSO DE MEDIAÇÃO E ARBITRAGEM

Ementas das Disciplinas:

1 - Mediação de Conflitos

Mediação e Gestão de Conflitos: Conceitos introdutórios O Conflito na Perspectiva da Mediação Comunicação Construtiva Procedimento de Mediação: Pré-mediação e etapas Caso simulado de Mediação

2 - Arbitragem

Disposições Gerais da Lei nº 9.307/96 Convenção de Arbitragem O Árbitro Procedimento Arbitral Sentença Arbitral

§ 68

Departamento Pedagógico 3 – Regimento do Procedimento Arbitral Introdução Da Arbitragem Dos Árbitros Das Partes e dos Procuradores Das Notificações, dos Prazos e dos Documentos Do Procedimento de Arbitragem – Normas Gerais. Da Sentença Arbitral Dos Encargos, Taxas e Honorários.

I – MODULO TEXTOS PARA ESTUDO DE MEDIAÇÃO DE CONFLITOS § 68

Departamento Pedagógico Prof. Carlos Eduardo de Vasconcelos

1. MEDIAÇÃO E GESTÃO DE CONFLITOS: CONCEITOS INTRODUTÓRIOS. Sumário: 1. Negociação, Mediação, Capacitação dos Mediadores. Conciliação e Arbitragem. 2.

1. Negociação, Mediação, Conciliação e Arbitragem.

O que é negociação? É lidar diretamente, sem a interferência de terceiros, com pessoas, problemas e processos, na transformação ou restauração de relações, na solução de disputas ou trocas de interesses. A negociação, em seu sentido técnico, deve estar baseada em princípios. Deve ser cooperativa, pois não tem por objetivo eliminar, excluir ou derrotar a outra parte. Nesse sentido, a negociação (cooperativa), dependendo da natureza da relação interpessoal, pode adotar o modelo integrativo (para relações continuadas) ou o modelo distributivo (para relações episódicas). Em qualquer circunstância busca-se um acordo de ganhos mútuos. Nem sempre é possível resolver uma disputa negociando diretamente com a outra pessoa envolvida. Nesses casos, para retomar o diálogo será preciso contar com a colaboração de uma terceira pessoa, que atuará como mediadora.

O que é mediação? Mediação é um meio geralmente não hierarquizado de solução de disputas em que duas ou mais pessoas, com a colaboração de um terceiro, o mediador - que deve ser apto, imparcial, independente e livremente escolhido ou aceito - expõem o problema, são escutadas e questionadas, dialogam construtivamente e procuram identificar os interesses comuns, opções e, eventualmente, firmar um acordo. Cabe, portanto, ao mediador, colaborar com os mediandos para que eles pratiquem uma comunicação construtiva e identifiquem seus interesses e necessidades comuns. § 68

recomenda-se a realização de encontros preparatórios ou entrevistas de pré-mediação. E é. Quando melhor se aplicam os modelos de mediação focada na relação? As mediações focadas na relação obtêm melhores resultados nos conflitos entre pessoas que mantém relações permanentes ou continuadas. da psicologia. da antropologia. que são aqueles em que um terceiro decide quem está certo. Em vez de se acomodar a contradição para a obtenção de um § 68 . também. Os modelos focados na relação (circular-narrativo e transformativo) priorizam a transformação do padrão relacional. judiciais ou arbitrais. da apropriação e do reconhecimento. a exemplo dos processos administrativos. contando com a colaboração do mediador. Há modelos diferentes de mediação? Há modelos focados no acordo e modelos focados na relação. através da comunicação. mas. Os mediandos são adversários? Não. Daí porque se dizer que a facilitação. A sua natureza transformativa supõe uma mudança de atitude em relação ao conflito.Departamento Pedagógico Há vários modelos de mediação. da sociologia. mas como co-responsáveis pela solução da disputa. da confidencialidade e da inexistência de hierarquia. Embora os vários modelos de mediação acolham os princípios da autonomia da vontade. de regra. uma arte. a mediação e a conciliação são procedimentos não adversariais de solução de disputas. do direito e da teoria dos sistemas. Os modelos focados no acordo (mediação satisfativa e conciliação) priorizam o problema concreto e buscam o acordo. Diferentemente dos processos adversariais. em face das habilidades e sensibilidades próprias do mediador. a conciliação – que nem por isto deixa de ser um modelo de mediação – adota o princípio da hierarquia e limita a confidencialidade e a autonomia da vontade. A mediação é tida como um método em virtude de estar baseada num complexo interdisciplinar de conhecimentos científicos extraídos especialmente da comunicação. Na mediação os mediandos não atuam como adversários.

nessas aplicações formais. etc. primeiramente. injúria. e. construir o reconhecimento. associações. igrejas. busca-se capacitar os mediandos em suas narrativas. bares. mediação comunitária. identificar as expectativas. verificar as opções e levantar os dados de realidade. escolares e corporativos. entre pessoas que habitam. no ambiente das instituições de educação. de abuso de autoridade. lesão corporal leve. escolas. Quais os conflitos que melhor se prestam à mediação focada na relação? Conflitos familiares. pessoas da comunidade vinculadas ao conflito. por exemplo. Há uma tendência universal no sentido da adoção sistemática das mediações penais. como atividade complementar e voluntária. os reais interesses. para conflitos de vizinhança. estudam ou trabalham nas mesmas residências. focadas na relação. mediação escolar. como instrumento de justiça restaurativa. comunitários. ameaça. do Tribunal de Justiça e da Defensoria Pública. A mediação focada na relação também pode ser utilizada nos Juizados Especiais Criminais. clubes. necessidades. com os apoios do Ministério Público. podem ser convencionadas alternativas de reparação ou medidas alternativas à prisão (Lei 9. praças. só depois. na presença de mediador que as escuta e colabora para o restabelecimento do diálogo objetivando a reparação dos danos e a restauração das respectivas relações. calúnia. para os conflitos domésticos ou no âmbito da família. difamação e outras infrações cujas penas § 68 . eventualmente. voluntariamente. em vez da reclusão. Nessas práticas. Nas atuais circunstâncias a mediação no campo criminal tem sido especialmente eficaz nos casos em que cabe transação penal. M mediação familiar. convivem. quando seja possível evitar a criminalização ou quando.Departamento Pedagógico acordo. antes do julgamento de infrações de menor potencial ofensivo. mediação corporativa. inclusive quando praticada pelos próprios alunos em relação aos seus conflitos recíprocos. ruas. ofensor e vítima. para os conflitos no ambiente empresarial. Casos. à construção de algum acordo. com vistas.099/95). participam dos encontros ou círculos de mediação. E. empresas. enquanto práticas restaurativas para prevenir litígios ou na fase inicial dos processos perante Juizados Criminais. à transformação do conflito ou restauração da relação e.

ocorre a apropriação dos disputantes. inclusive sobre fatos anteriores relacionados ao conflito.. Deve. estimular cada um dos mediandos a narrar a sua respectiva percepção do conflito. dialeticamente. desse modo. Como a mediação focada na relação reconhecimento e integração dos mediandos? contribui para o É muito comum que os mediandos não tenham clareza sobre os seus próprios interesses.. O terceiro que esteja legitimado para facilitar a comunicação entre pessoas nesse estado não deve tentar dirigir a polêmica no sentido da contemporização ou da tolerância. no fluxo e refluxo das abordagens . Pelo agir comunicativo o comportamento pode evoluir. circular e dialeticamente. ajuda os mediandos na estruturação dos seus próprios argumentos. Pode-se afirmar que a pessoa de perfil ou em estado cooperativo é aquela que melhor sabe manejar o equilíbrio entre apropriação e empatia. pré-julgamentos. preferências e posições. vão ajudando os mediandos a esclarecer suas falas e a reduzir as ambigüidades das suas respectivas percepções. entre a apropriação (autodeterminação) e a empatia (reconhecimento). E desde que sejam perguntas bem focadas. Essa possível integração é fruto do desenvolvimento de uma relação dialética entre auto-afirmação e reconhecimento.. ou a quatro anos. As perguntas pegam carona nas afirmações dos mediandos. sim.”. utilizando a linguagem eu. em se tratando de idosos. uma vez que costuma § 68 . Nos instantes iniciais de uma mediação focada na relação quando o diálogo evolui e involui. “na minha percepção. E as perguntas devem estar focadas no que vai sendo escutado. A repetição das narrativas e desabafos. A escuta e as perguntas circulares também são instrumentos de comunicação muito utilizados pelo medidor numa perspectiva transformativa.. comportamentos invasivos. etc... pressuposto necessário ao desenvolvimento de uma possível integração. “segundo me consta. evitando.Departamento Pedagógico privativas de liberdade não seriam superiores a dois anos. tipo “eu entendo. Isto vai naturalmente acontecendo na medida em que eles vão tomando consciência dos seus interesses comuns..” ou.” ou. Não deve aconselhar ou fazer pregações a respeito de como seria bom se eles se entendessem. Enquanto estiverem apegados a essas posições iniciais eles tendem à polêmica simplista e ao jogo emocional.

sujeita. com a empatia e o reconhecimento do outro.não será mais o de facilitar o entendimento – embora na dinâmica do processo arbitral isso sempre seja possível e recomendável – mas o de colher as provas. tem por objetivo central a obtenção de um acordo. a conciliação é uma atividade mediadora focada no acordo. a princípios de ordem pública. a conciliação é mais rápida do que uma mediação transformativa. qual seja. O que é arbitragem? A arbitragem é um instituto do Direito. Trata-se de instituto com duas naturezas jurídicas que se completam: a contratual e a jurisdicional. É prevista em leis e convenções internacionais. faz recomendações. Como procedimento. só quando estamos apropriados da nossa autodeterminação vamo-nos habilitando a lidar.307/06. da imparcialidade. de 1958. com vistas à conciliação. como os da independência. mas apenas o objetivo de equacionar interesses materiais.Departamento Pedagógico estar atenta aos seus valores e interesses. diferente do que ocorre na mediação . (“Lei Marco Maciel”). toma iniciativas. no entanto. porém muito menos eficaz. Portanto. com destaque para a Convenção de Nova York. Conceituamos conciliação como uma mediação focada no acordo. de modo saudável. Em verdade. com a particularidade de que o conciliador exerce uma autoridade hierárquica. do livre convencimento do § 68 . tradicionalmente. embora quase sempre de modo apenas intuitivo. É apropriada para lidar com relações eventuais de consumo e outras relações casuais em que não prevalece o interesse comum de manter um relacionamento. Neste caso o papel do terceiro. advertências e apresenta sugestões. junto ao Poder Judiciário. sem se descuidar do reconhecimento dos valores e interesses do outro. argumentos e decidir mediante laudo ou sentença arbitral irrecorrível. O que caracteriza a conciliação? A conciliação é um modelo de mediação focada no acordo. Pelo contrato as pessoas optam por se vincular a uma jurisdição privada. Aqui no Brasil a norma básica sobre arbitragem é a lei 9. Muito utilizada. As pessoas podem optar pela solução das suas disputas através da arbitragem.

ou “compromisso arbitral”. Negativos no sentido de subtrair poder jurisdicional ao juiz estatal que seria competente para apreciar a matéria. de plano. permuta. Honorários e custas são suportados por igual pelas partes. como o acordo não pode ser imposto. Assim. pela solicitação do procedimento arbitral. em face de disputa e como requisito para a instituição da arbitragem. podendo as partes. efeitos negativos e positivos. Eventual nulidade do procedimento ou da sentença arbitral poderá ser objeto de “ação de nulidade”. as partes ficam irrevogavelmente vinculadas à jurisdição arbitral. cláusulas que integram convenção de mediação e de arbitragem. de comum acordo. aqueles relativos a bens que têm valor econômico e podem ser objeto de operações de compra e venda. As partes podem escolher um ou número ímpar de árbitros. consoante regulamento previamente aceito. A convenção de arbitragem confere.Departamento Pedagógico árbitro. A lei estabelece prazo máximo de seis meses para a conclusão de uma arbitragem. que contemplam o dinamismo da vida moderna. Há quem recomende a adoção de cláusulas do tipo “med-arb”. as partes previamente se submetam ao procedimento de mediação. podendo contar com o apoio de instituição arbitral especializada na administração desse procedimento. transação. prevendo que. aliado à rapidez de um procedimento que não comporta recursos para outras instâncias. comumente os interessados optam. Firmada a convenção de arbitragem. a arbitragem pressupõe a livre opção das partes (autonomia da vontade) através de uma convenção de arbitragem – cláusula contratual denominada “compromissória”. E como o poder de impor o cumprimento de decisões é privativo do Estado ( coercio ou estrito poder de império). etc. com a vantagem de que as partes podem escolher árbitros especialistas na matéria em discussão. Portanto. firmada antes do surgimento de qualquer conflito. o não cumprimento espontâneo de medida ou sentença arbitral poderá ensejar constrição ou execução judicial. possibilita soluções rápidas. trata-se de alternativa processual à disposição das pessoas capazes. após a sua aceitação e confirmação das partes. salvo acordo noutro sentido. quando já há conflito e as partes. de comum acordo. pois. reduzir ou ampliar esse prazo. As matérias que podem ser objeto de processo arbitral são as que digam respeito a direitos patrimoniais disponíveis. O Supremo Tribunal Federal já se pronunciou pela constitucionalidade desse instituto. qual seja. do contraditório e da igualdade. Positivos no sentido de que esse poder jurisdicional passa a ser do árbitro. § 68 . decidem solucioná-lo através de arbitragem. doação. Esse aspecto. No entanto.

2. Ao término desse módulo teórico-prático o aluno deverá receber um certificado de participação. 2. com freqüência de. algo natural. 1. Pois. o instituto da arbitragem prevê execução específica para assegurar a instituição do procedimento. Evolução do conflito. Conflito na era dos conhecimentos. Decorre de expectativas. valores e interesses contrariados.recomendado pelo Conselho Nacional das Instituições de Mediação e Arbitragem – CONIMA – prevê um Curso de Capacitação Básica em Mediação . 3. A prática da mediação de conflitos pressupõe capacitação para lidar com as dinâmicas do conflito e da comunicação. No tocante à carga-horária. O conflito é dissenso. 2. diferentemente do que se dá na mediação. Embora seja contingência da condição humana. Caracterização do conflito. necessariamente.Departamento Pedagógico ficando.(www. portanto. infiel ou inimiga. numa disputa conflituosa costuma-se tratar a outra parte como adversária. A capacitação em mediação de conflitos inclui. salientando-se o aprendizado de noções básicas de Mediação.br). pelo menos. na prática.org. Caracterização do conflito. o CONIMA recomenda para o módulo teórico-prático um mínimo de 60 (sessenta) horas. conhecimentos metodológicos de caráter interdisciplinar. sem efeito a convenção de mediação. e. 90% (noventa por cento). O Plano de Capacitação em Mediação . Capacitação dos mediadores. O CONFLITO NA PERSPECTIVA DA MEDIAÇÃO Sumário: 1. Cada uma das partes da disputa tende a § 68 .conima.

Quando compreendemos a inevitabilidade do conflito somos capazes de desenvolver soluções autocompositivas. escutadas. subjacentes. Em realidade. com sua pluralidade de percepções. crenças e expectativas intercomunicados). Ao identificarem que não estão sendo entendidas. A solução transformadora do conflito depende do reconhecimento das diferenças e da identificação dos interesses comuns e contraditórios. O que se pode solucionar são disputas pontuais. A negociação desses conflitos é um labor comunicativo. Esse estado emocional estimula as polaridades e dificulta a percepção do interesse comum. Por isso mesmo. são conflituosas. valor ou interesse comum. É impossível uma relação interpessoal plenamente consensual. Por mais afinidade e afeto que exista em determinada relação interpessoal.Departamento Pedagógico concentrar todo o raciocínio e elementos de prova na busca de novos fundamentos para reforçar a sua posição unilateral. as relações. as partes se exaltam e dramatizam. quotidiano. o conflito interpessoal compreende o aspecto relacional (valores. Quando o demonizamos ou não o encaramos com responsabilidade. em nossas vidas. a tendência é que ele se converta em confronto e violência. Portanto. algum conflito estará presente. algum dissenso. lidas. o aspecto § 68 . o conflito ou dissenso é fenômeno inerente às relações humanas. com experiências e circunstâncias existenciais personalíssimas. O conflito não é algo que deva ser encarado negativamente. enquanto um se expressa o outro já prepara uma nova argumentação. A consciência do conflito como fenômeno inerente â condição humana é muito importante. polarizando ainda mais as posições. Nesse sentido. o conflito não tem solução. confrontos específicos. Pois a relação interpessoal funda-se em alguma expectativa. Cada pessoa humana é dotada de uma originalidade única. sentimentos. valores ou interesses comuns. Em suma. É fruto de percepções e posições divergentes quanto a fatos e condutas que envolvem expectativas. O que geralmente ocorre no conflito processado com enfoque adversarial é a hipertrofia do argumento unilateral. na tentativa de enfraquecer ou destruir os argumentos da outra parte. Sem essa consciência tendemos a demonizá-lo ou a fazer de conta que não existe. crenças e interesses. sentimentos. quase não importando o que o outro fala ou escreve.

por que. Essa idéia estaria fundada em três pressupostos: “a) crime provoca punição que. quando. A adequada identificação do problema objetivo muitas vezes supõe prévia abordagem da respectiva relação interpessoal. valores. o aspecto material. onde. sentimentos. b) Problema objetivo: o conflito interpessoal tem sua razão objetiva. Não é assim que se concebe atualmente. Tradicionalmente se concebia o conflito como algo a ser suprimido. problema objetivo e trama ou processo. do conflito é um dos seus elementos. com suas respectivas percepções. ao criticar Durkheim. pode resultar em mudanças positivas e novas oportunidades de ganho mútuo. crenças e expectativas. em verdade. funcional e necessário socialmente. a) Relação interpessoal: conflito interpessoal pressupõe pelo menos duas pessoas em relacionamento. c) incrementos excepcionais nas taxas de criminalidade podem alertar ou advertir autoridades para problemas existentes nos sistemas sociais onde ocorrem tais taxas de criminalidade”. c) Trama ou processo: a trama ou processo expressa as contradições entre o dissenso na relação interpessoal e as estruturas. A qualidade da comunicação é o aspecto intersubjetivo facilitador ou comprometedor da condução do conflito. eliminado da vida social. material. Portanto. indaga. Ao lidar com o conflito não se deve desconsiderar a psicologia da relação interpessoal. concreta. Durkheim[1] refere que certo nível de criminalidade seria benéfico. as circunstâncias. sendo inclusive traço normal e inevitável de toda sociedade. O conflito. E que a paz seria fruto da ausência de conflito. quando bem conduzido. função dos grupos § 68 . Daí porque o conflito interpessoal se compõe de três elementos: relação interpessoal. as possibilidades e processos do seu desdobramento e implicações. por sua vez. objetivo. interesses ou necessidades contrariados. Como foi. interesses ou necessidades contrariados. A paz é um bem precariamente conquistado por pessoas ou sociedades que aprendem a lidar com o conflito. se o crime supostamente benéfico. Essa materialidade pode expressar condições estruturais.Departamento Pedagógico objetivo (interesse objetivo ou material envolvido) e a trama decorrente da dinâmica desses dois aspectos anteriores. concreto. b) a repressão de crimes auxilia a estabelecer e manter limites comportamentais no interior de comunidades (em níveis não anômicos). não seria. com razão. as responsabilidades. reforça solidariedade nas comunidades. Ratton.

Mais de noventa e nove por cento da história da humanidade foi vivenciada por nossos ancestrais nômades. econômicas. b) conflitos de informação (informação distorcida. Eles podem ser divididos em quatro espécies que. com suas contradições. conflitos decorrem da convivência social do homem. Que o conflito é inerente à relação humana. § 68 . de regra. dos envolvidos) e d) conflitos de interesses (contradições na reivindicação de bens e direitos de interesse comum). Os conflitos eram mediados pela comunidade. Vigorava um tipo de direito préconvencional. na ideologia. Eles viviam da caça. Para lidar apropriadamente com o conflito interpessoal devemos ser capazes de desenvolver uma comunicação despolemizada. As relações humanas eram pouco complexas e fortemente horizontalizadas. o crime só se converte em necessidade social quando as políticas públicas são excludentes. conotação negativa). coordenada em torno das lideranças comunitárias. histórica. de caráter construtivo. na religião).Departamento Pedagógico dominantes. 2. A evolução do conflito e suas manifestações degeneradas pela violência varia consoante a circunstância intersubjetiva. os recursos eram maleáveis. A capacidade de transformar relações e resolver disputas pontuais depende de nossa comunicação construtiva. O espaço era teoricamente ilimitado. isto é pacífico. da pesca e da coleta de mantimentos. baseada em princípios. a saber: a) conflitos de valores (diferenças na moral. cultural e econômica. social. A ordem tinha um caráter sacro.Evolução do conflito. indiferenciado da religião e da moral. Também não se discute que do conflito pode nascer o crime e que essa evolução do conflito para o crime tem sido uma constante na história. incidem cumulativamente. sendo as penas sacrifícios realizados em rituais. c) conflitos estruturais (diferenças nas circunstâncias políticas. Inexistiam castas. classes sociais. injustas e corruptas. não se apresentando como imposição de uma autoridade social. estados ou hierarquias formais. mas como forma de proteger a comunidade do perigo que a ameaçasse. Em suma. No entanto. revelado. que se utilizam daquelas práticas cerimoniais conformadoras para atualização do poder.

do moral. sobreintregados socialmente. co-fundador do Harvard’s Program on Negociation. À plebe. consoante das crenças. algumas comunidades tornaram viável a sobrevivência através da agricultura e da pecuária. capitalistas mercantis (burguesia). intelectuais. religiosa e ecológica. elaborada por um poder central. Aos nobres e protegidos. convencional. sob rígida divisão do trabalho. vêm demonstrando que eram raros os atos de violência entre os nossos ancestrais nômades[2]. acumulando riquezas e poderes. Esse fenômeno ocorreu e se desenvolveu em épocas diferentes. hábeis e ousados se apossaram das terras produtivas e dos animais domesticáveis. Até que. A coercitividade difusa das sociedades primitivas foi sendo substituída por um direito tradicional.Departamento Pedagógico Pesquisas recentes. há cerca de dez mil anos. Multidões eram recrutadas à força para servir às milícias do poderoso mais próximo. com apoio em suas milícias privadas. A violência foi convertida em instrumento de poder. para proteção ou perseguição. referidas pelo antropólogo e mediador William Ury. Sua natureza patrimonialista propagou a cultura de dominação e suas atenuações circunstanciais. As comunidades foram passando de nômades a sedentárias. do jurídico e do religioso ainda se confundem. vai constituindo uma “ética da lei”. mas os seus efeitos de variável intensidade foram e são similares em toda parte. mitos e temores religiosos vigorantes. para os senhores dos mares e cidades. Deu-se início à chamada revolução agrícola. filósofos. apenas cabiam os deveres e obrigações. mas já começam a ser distinguidas. As esferas do ético. Lavradores. com atenuações ou ampliações. em que a norma. Especialmente a partir do século XVI. No entanto. Há milênios o patrimonialismo. inclusive após o advento da agricultura irrigada e da escrita. A partir de então os mais fortes. promove modelos fortemente hierarquizados e uma acumulação excludente de capital. jurídica. a validade dos comandos normativos ainda é § 68 . inclusive os de guerrear em defesa de interesses alheios. subintegrada socialmente. quase sempre. criando reinados e costumeiramente escravizando os povos derrotados em guerras de conquista. com suas variantes circunstanciais de natureza política. econômica. com o desenvolvimento do comércio – graças às novas técnicas de navegação e estocagem – o poder foi-se deslocando dos senhores territoriais. feudais. artesãos sob a dependência e à mercê do humor e conveniências dos que detinham esses poderes. de grandes proprietários de terras. a serviço. artistas. enquanto outorga de expectativa generalizada de comportamento. eram destinados os direitos e privilégios.

enquanto que a cultura escrita tem como unidade básica a palavra. nessa época escrevia-se como se falava e isso é observável na escrita jurídica de então. Santos destaca distinções entre a cultura oral e a cultura escrita. A idéia de poder. ainda em processo de consolidação. Se observarmos a história da cultura européia à luz destas distinções. mercantis e culturais. o processo de mudança e inovação. Na segunda fase. No entanto. na ambiência crescentemente urbana de todas aquelas expansões tecnológicas. Logo a seguir. enquanto que a cultura escrita está centrada na inovação. A cultura oral é totalmente coletivizada. moral (certo/errado) e jurídico (lícito/ilícito). é patente que. ou três formas de comunicação: “a retórica. Boaventura de Sousa Santos[3] comenta a relação entre a cultura escrita. a cultura – e. ao passo que a cultura escrita permite a individualização. em que prevalecem os códigos de referência político (poder/não-poder) e econômico (ter/não-ter) sobre os códigos de referência técnico (verdade/falsidade). também a cultura jurídica européia – foi predominantemente uma cultura oral. a palavra escrita dominou a cultura. algo tido como administração de uma massa coletiva de fenômenos. entre o século XVIII e as primeiras décadas do século XX. a burocracia. burocracia e violência. Não foi por mera coincidência que a população foi deixando de ser vista como aquilo que nos textos do século XVI se chamava de “paciência do soberano”. até o século XV. entre os séculos XV e XVIII. porém. assente na persuasão. “A cultura oral está centrada na conservação do conhecimento. Essas mudanças estão associadas ao fenômeno cultural da escrita impressa. Ao examinar a interpenetração estrutural entre retórica. a rádio e os meios audiovisuais de comunicação social redescobriram o som da palavra.Departamento Pedagógico deduzida de postulados que reproduzem valores hierarquizados. esteve impregnada da lógica interna da cultura oral. Por outras palavras. A cultura oral tem como unidade básica a fórmula. a estrutura da cultura escrita. O desenvolvimento da escrita e seus efeitos sobre a cultura teriam alterado as relações entre o que ele considera os três componentes estruturais do direito. A partir daí a cultura escrita expandiu-se gradualmente e a cultura oral retraiu-se.território-riqueza. dando assim início à terceira fase: uma fase de oralidade secundária”. a violência assente na ameaça da força física”. que se desenvolvia na Europa a partir do século XV. torna-se evidente que. § 68 . portanto. baseada em imposições autoritárias por meio de padrões normativos. foi-se paulatinamente deslocando da díade soberano-território para a variável governo-população.

portanto. etc. a riqueza.. sujeitas a processos § 68 . a cultura escrita se expandiu através da imprensa. Acentua Foucault que. ao lado de atividades terciárias que fomentaram uma crescente concentração das populações em cidades cada vez maiores. numerosas e complexas.. uma intolerância diante do suplício físico a que eram submetidos os infratores. na esfera penal. passou a constituir uma ciência. sob a inspiração dos conceitos sistêmicos de Montesquieu. fortalecia-se. Nos últimos duzentos anos. A despeito daqueles importantes avanços institucionais impulsionados pelas revoluções francesa e americana. mas agora sob um processo crítico de superação. e ao mesmo tempo um tipo de intervenção característico do governo: a intervenção no campo da economia e da população. o território. de um regime dominado pela estrutura da soberania para um regime dominado pelas técnicas de governo.Departamento Pedagógico Foucault[4] comenta que a rede de relações contínuas e múltiplas entre a população. deve ser compreendido a partir das táticas gerais da governabilidade”. com a revolução industrial. por conseguinte. o que é público ou privado. Tais avanços vão atenuando a dominância do código de referência poder/não-poder sobre o código lícito/ilícito e gerando as condições suficientes e necessárias ao surgimento dos modernos Estados Democráticos de Direito. As expressões do patrimonialismo em sua vertente capitalista passaram a se verificar em ambientes de maior mobilidade cultural. o que é ou não estatal. em torno da população e. etc. em sua sobrevivência e em seus limites. a cultura de dominação hierárquica e patrimonialista prevaleceu. “São as táticas de governo que permitem definir a cada instante o que deve ou não competir ao Estado. que se chamaria economia política. Evolui-se da idéia da soberania territorial (do príncipe) para a idéia da soberania da instituição (ou constituição político-jurídica). em torno do nascimento da economia política. legislativo e judiciário. Também conforme Foucault[5]. o comércio se ampliou. Tal mudança ocorre na passagem da uma arte de governo para uma ciência política. Tais mudanças vão-se consolidando a partir do século XVIII. então. o Estado. a partir do século XVIII. A difusão de conhecimento inovador resultou nas condições para a institucionalização da tripartição do poder em executivo.

substancialmente. Paralelamente à emancipação feminina. direito. até porque as elites tradicionais já não dispõem do monopólio da inovação e do poder. em sentido único “do poder para o direito” e “do soberano para o súdito”. que possibilitaram o acesso ao conhecimento pela grande massa populacional. 3. Ao atenuar as hierarquias patrimonialistas. sociologicamente urbanizadas. Ampliou-se. insurrecional. Multidões excluídas de fato se sentem. Em substituição ao modelo hierárquico unilateral. sob os mais novos modelos institucionais dos Estados Democráticos de Direito. consolida-se uma tripartição do poder material entre Estado. Pois. § 68 . um sentimento-idéia de igualdade. a exemplo da tripartição do poder formal em executivo. constrange milhões de cidadãos limitados econômica. social e ecologicamente. avança. Conflito na era dos conhecimentos. incluídas de direito. pois o amplo acesso ao conhecimento não é compatível com posturas de imposição unilateral. estado e cidadania. passou-se progressivamente a construir uma circularidade instável entre poder. Isto. que se expressa na forma de um movimento emancipatório. as políticas econômicas e sociais estão perdendo aquela conformação rigidamente hierarquizada. O processo cilivizatório avança e já se pode afirmar que. a nosso ver. Mercado e Sociedade Civil Organizada/pluralista. Especialmente a partir das últimas décadas do século XX uma “Revolução dos Conhecimentos” vem contribuindo para mudanças substanciais. ao mesmo tempo. As pessoas. acionada pela expansão das tecnologias da informação. na medida em que se afirmam diferenciações funcionais. legislativo e judiciário. vão-se tornando avessas às hierarquias tradicionais. Com efeito. as sociedades modernas. Pois a democratização dos conhecimentos e das instituições.. foram incorporando a consciência de uma complexidade crescente e atenuando os códigos do poder hierárquico. em decorrência das novas tecnologias da informação. a complexidade e a conflituosidade das relações interpessoais e interinstitucionais.Departamento Pedagógico dramáticos de resistência e superação institucional. na consciência moral e política do povo. centrais ou mesmo as periféricas. instiga e. a “Revolução dos Conhecimentos” deflagra ondas emancipatórias. entretanto. Uma explosão de criatividade se dá ao lado de um vulcão de frustrações. sob a dinâmica de uma moral pós-convencional.

Vivencia-se algo que se poderia denominar neonomadismo virtual. insustentáveis. para a prática do ilícito. Relações piramidais. de educação. trágicas. tentados a um atalho em direção aos confortos da modernidade. a cidadania vai-se universalizando e passa a ostentar uma consciência mais clara do seu direito a uma vida digna. num certo lugar. As grandes misérias do mundo a conformar cada um em suas misérias pessoais. pois é como se estivéssemos convivendo numa pluralidade de mundos. eventualmente. onde os direitos humanos ainda não foram efetivados. numa inusitada metamorfose social. Em meio a todas essas mudanças.não mais se sentem ocupando um lugar seguro. quotidianamente. os cidadãos – ressalvados os funcionários públicos estáveis . Em sua maioria são tragédias do quotidiano. num lugar incerto ou. fundadas em hierarquia e imposição. quando muito. inclusive para divergir. Acontecimentos em todos os rincões da terra nos chegam e afetam nossos valores e sentimentos. não apenas em um lugar definido. estruturadas mediante consensos instrumentais. transformadas em espetáculo por uma mídia que nelas encontra substância para grandes audiências e visualizações. Retorna-se à prevalência de recursos maleáveis. de saúde e de sustentabilidade econômica. Nessas circunstâncias a desigualdade de oportunidades assume feições dramáticas. milhões de jovens e suas famílias suburbanas. mas que entram em nossas casas como se os respectivos acontecimentos estivessem ocorrendo ali nas vizinhanças. e a uma igualdade de oportunidades. são como que induzidos ao uso da força e à prática do ilícito. com acesso a igual liberdade. Velhos conflitos. Talvez aí a razão de tanta violência em sociedades abertas. No Brasil. de provimento incerto. Tudo isto faz combinar a continuidade de velhos conflitos com o desenvolvimento de novos dissensos. Somos emocionalmente desestabilizados por notícias que vêm de longe. Sob esta globalização comunicativa. carentes da figura paterna. de feição liberal democrática. assim entendidos aqueles vinculados à posse e controle de § 68 . Cada um se percebe sem lugar. inclusive.Departamento Pedagógico Daquela combinação surge a matéria prima de uma inusitada emancipação social. vão sendo substituídas por relações prevalentemente horizontais.

e em tantos outros lugares e regiões . conforme Cláudio Souto. presos a uma moral do “olho por olho”. impaciência. aqueles relativos ao acesso e ao compartilhamento dos bens e oportunidades do conhecimento. a persuasão. o pluralismo. tornam-se rudes. para uma visão integradora das sociedades e das civilizações”. que vão lidar com o dissenso. no Brasil. Velhos conflitos. na Colômbia. sem condições ecológicas para a convivência humana. a modernidade não eliminou os valores de grupos sociais vingativos. Essas políticas. o absolutismo. à consciência da intersubjetividade. muito daquele aspecto positivo e libertário da era dos conhecimentos é convertido em tédio. ancorada no Velho Testamento. cínicas e socialmente alienadas em suas multidões solitárias.[7] Políticas públicas firmes e preventivas de urbanização. cooperação e conflitos construtivos”. em Diadema. Até porque. As pessoas embrutecem-se. o fundamentalismo. A despeito de tantas mudanças. a competição cooperativa. Acentua William Uri (2000:108) que “A revolução dos conhecimentos nos oferece a oportunidade mais promissora em dez mil anos de criar uma co-cultura de coexistência. Novos conflitos. a competição excludente. a igualdade de oportunidades. em que o elemento hierárquico é menos consistente. Bilhões de pessoas se amontoam. com o conflito. à oralidade persuasiva.Departamento Pedagógico bens materiais. aqueles que têm como paradigmas a hierarquia. na ambiência de uma moral pós-convencional.combinando “conivência zero” e estímulo ao protagonismo social responsável. o universalismo interdependente e suas dissipações. humanização e intervenção policial – a exemplo das adotadas em Bogotá. Mas essa visão integradora enfrenta uma contemporaneidade desafiada a lidar com o artificialismo da vida urbana. a criminalidade. aqueles que têm como paradigmas a horizontalidade. devem contemplar o desenvolvimento das nossas habilidades de negociação e mediação. a coação. Fábio Konder Comparato[6] afirma que “Após séculos de interpretação unilateral do fenômeno societário. crescentemente. § 68 . convergentemente. o pensamento contemporâneo parece encaminhar-se hoje. Com isto. revolta e criminalidade. Novos conflitos. drasticamente. em grandes cidades. podem reduzir. persevera uma antinomia entre a moral legal e determinadas expressões de moral social. a discriminação.

com vistas aos interesses comuns. Sob a cultura de dominação as pessoas são prestigiadas e distinguidas por seus sinais exteriores de poder e riqueza. expectativas e interesses envolvidos. enquanto que. quer de uma cultura de paz e direitos humanos. aos ganhos mútuos. expectativas e interesses expressam a prevalência. consubstanciado na apropriação privativa e excludente dos recursos disponíveis. enquanto que. Sob a cultura de dominação tende-se ao absolutismo. sob a cultura de paz e direitos humanos. aos princípios. Sob a cultura de dominação prevalece a desigualdade. adiante. princípios universais são acolhidos como hipóteses na orientação de comportamentos e instituições democráticas. o decisionismo. ao fundamentalismo. Sob a cultura de dominação prevalece a coatividade. os valores e interesses que caracterizam essas culturas? Para facilitar a compreensão dessas diferenças segue. sob a cultura de paz e direitos humanos. Como identificar. a mediação. em cada situação objetiva que se nos apresente. sendo discriminadas aquelas que não se enquadram nesse padrão. § 68 . enquanto que sob uma cultura de paz e direitos humanos prevalece o sentimento de igualdade. Sob a cultura de dominação prevalece o patrimonialismo. inspiradas em doutrinas razoáveis. enquanto que. quer de uma cultura de dominação. sendo necessária a prévia identificação. destaca-se o compartilhamento dos saberes e o emparceiramento na exploração dos recursos. então. Os valores. a hierarquia. enquanto que sob a cultura de paz e direitos humanos se pratica uma negociação cooperativa. dos valores. enquanto que sob a cultura de paz e direitos humanos destaca-se a persuasão. em relações fundadas na autonomia da vontade e tendencialmente horizontalizadas. o que entendemos como elementos caracterizadores de cada uma dessas culturas.Departamento Pedagógico Sobre essas habilidades deve-se ter em conta as variadas circunstâncias em que ocorre o conflito. a verticalidade de um elitismo hereditário ou simplesmente discriminatório. às crenças abrangentes. a negociação. Sob a cultura de dominação prevalece a competição predatória. com respeito às diferenças.

9. Atividade e inatividade são comunicações. sobre as quais pode se dizer.Departamento Pedagógico sob a cultura de paz e direitos humanos. 10. Reciprocidade discursiva. também estão comunicando. mesmo assim ela é relacional e. são abertos. Não reação. influenciam outros e estes outros não podem não responder a essas comunicações e. afastando-se os preconceitos. próprio dos sistemas fechados. 3. as características organizacionais do sistema § 68 . a comunicação é verbal (digital) ou não-verbal (analógica). “O estado final desse sistema fechado é completamente determinado pelas circunstâncias iniciais. circular ou recursiva. Não cremos na possibilidade de uma sociedade exclusivamente regida pelos valores de uma cultura de paz e direitos humanos. Watzlavick[8] refere que uma das características mais significativas dos sistemas abertos é o comportamento eqüifinal (independente das condições iniciais). 6. psicológicos e comunicativos). Reconhecimento da diferença. que constituem a melhor explicação desse sistema. Por mais que um indivíduo se esforce é-lhe impossível não comunicar. portanto. Ademais. Toda comunicação é interacional. portanto. Perguntas sem julgamento. 3. portanto. 2. é troca de mensagens. Assertividade. Um indivíduo vivo não tem como deixar de comportar-se. Não ameaça. 8. 4. palavra ou silêncio é comunicação. Conotação positiva. Possuem valor de mensagem e. 7. consciente ou eficaz. Comportamento é comunicação. contudo. Segundo ele. Enfim. Priorização do elemento relacional. A inevitabilidade da comunicação significa que a presença de pelo menos duas pessoas em um ambiente constitui uma relação interpessoal Enfim. na prevalência de uma cultura de paz e direitos humanos como possibilidade histórica. no processo civilizatório. 5. PRECEITOS DE COMUNICAÇÃO CONSTRUTIVA Sumário: 1. portanto. Portanto. sendo sistemas vivos (biológicos. sim. nem sempre a comunicação acontece de modo intencional. no caso do sistema aberto. busca-se premiar e reconhecer o ser humano em si e o meio ambiente saudável. Mensagem como opinião pessoal. especialmente em contraste com o modelo de equilíbrio (determinado pelas condições iniciais). rótulos e estereótipos. A mulher que numa mesa de bar prefere ficar de costas para os demais freqüentadores está comunicando que não quer falar com ninguém. relações humanas são interações e interações são sistemas que. Acreditamos. Escuta ativa.

e oficinas onde simulamos situações de conflito em que são utilizados esses preceitos de comunicação construtiva. g) priorização do elemento relacional. Pois estamos contaminados por uma comunicação dominadora. uma comunicação construtiva contempla o complexo de valores e práticas comunicativas complementares. e) mensagem como opinião pessoal. pois. A nosso ver. o desenvolvimento de uma comunicação construtiva. políticas e empresariais. judiciais. Como recurso pedagógico.Departamento Pedagógico podem operar no sentido de ser atingido até o caso extremo de independência total das condições iniciais: o sistema é. adiante. costumamos adotar. dez preceitos de Comunicação Construtiva. b) escuta ativa. as características específicas da gênese ou do produto da relação são menos importantes do que a organização atual da interação. com apoio visual através de projeção eletrônica. a partir de estudos sobre comunicação e negociação. uma comunicação construtiva torna-se cada vez mais necessária. j) não ameaça. i) não reação. e o estudo da sua organização atual é a metodologia apropriada”. um aprendizado que deve ser difundido amplamente: o da comunicação construtiva. Há. f) assertividade. Nesta quadra do processo civilizatório em que os trabalhos em equipe se tornam mais necessários à expansão do conhecimento e à obtenção de resultados positivos. na análise de como as pessoas se afetam mutuamente em sua interação. a sua própria e melhor explicação. Com efeito. c) perguntas sem julgamento. O desenvolvimento da comunicação construtiva habilita os grupos envolvidos à prática de negociações eficazes. Watzlavick refere que. d) reciprocidade discursiva. portanto. h) reconhecimento da diferença. § 68 . exposições dialogadas. Essa necessidade avança à medida que os modelos verticais de liderança são substituídos por modelos horizontais. gerindo os conflitos de modo sistêmico. nos cursos de capacitação. Assim. decompostas consoante os seguintes preceitos: a) conotação positiva. Essas constatações da ciência nos autorizam a trabalhar as possibilidades de reprocessar interações por meio de uma pragmática comunicativa construtivista. sintetizamos. e de experiências pessoais em organizações sociais. baseados em equipes. para orientar uma pedagogia de serenidade nas políticas públicas de mediação e prevenção da violência (expandindo a efetividade do acesso à justiça e à segurança) e nas relações interpessoais em organizações corporativas.

embora não implique. Gera empatia. contudo. 2. baseadas na idéia de uma verdade única. a cada momento. “esta é uma preocupação legítima”. a pessoa que estamos sendo numa conversa com alguém. pois. Apreciar a conversação é reconhecer o valor comunicativo do outro enquanto ser humano. ao fortalecer a auto-afirmação dos mediandos e interlocutores. A comunicação dominadora estimula o julgamento antecipado mediante a utilização de expressões do tipo mas. Nós geramos as conversações e as conversações nos geram. [9] O mediador de conflitos e os grupos de negociadores cooperativos. estimulante. “isto que você disse me pôs a pensar”. contribuem para o desenvolvimento do processo comunicativo. os fundamentos dos dez preceitos de Comunicação Construtiva. A conotação positiva expressa uma atitude de reconhecimento. em concordância. Conote positivamente e. ampliam as possibilidades da interação. você é capaz”. todavia. independentemente dos seus valores. destacando que eles também poderiam ser vistos como elementos de linguagem numa cultura de paz e direitos humanos: 1. Aprecia-se a conversação mediante conotações positivas do tipo “vá em frente. resumidamente. Conotação positiva. através de conotações positivas. § 68 . Esse reconhecimento é o fundamento da não-violência. direitos e obrigações diferentes dos que acontecem em outra circunstância ou com outra pessoa. Somos. com estilos. ”é interessante essa sua maneira de ver o problema”. necessariamente.Departamento Pedagógico Eis. Apreciar a conversação supõe o reconhecimento da inevitabilidade e da necessidade da diferença que o outro faz. A comunicação construtiva começa com o acolhimento do outro através de uma linguagem apreciativa. faça perguntas para permitir ao interlocutor uma abertura para outros enfoques ou formas de verbalização. que contempla o pluralismo. etc. caso necessário. Cada conversação é um padrão moral.Escuta ativa.

Departamento Pedagógico As pessoas precisam dizer o que sentem. A melhor comunicação é aquela que reconhece a necessidade de o outro se expressar. Em vez de conselhos e sermões, escute, sempre, com toda atenção o que está sendo falado e sentido pelo outro. Aconselhar, salvo situações muito especiais, é colocar-se acima, como alguém que se aproveita da dificuldade do outro para lhe lançar a superioridade das suas supostas virtudes. Dar conselhos normalmente se apresenta como expediente de uma cultura de dominação. Aconselhar é uma maneira de assistencialismo. O conselho bloqueia as necessidades de expressão, reconhecimento e emancipação do aconselhado. O facilitador ou mediador deve estar consciente de que a necessidade primeira do mediando é a de expressar as suas razões e sentimentos. Escute e escute, ativamente. Somente pessoas que se sentem verdadeiramente escutadas estarão dispostas a escutar. “Escute” a comunicação não-verbal. Observe o movimento corporal do outro. Quem não compreende um olhar também não compreenderá uma longa explicação. Tenha claro que escutar ativamente não é apenas ouvir. É identificar-se, compassivamente, sem julgamentos. É ter em conta o drama do ser humano que está ali com você, e suas legítimas contradições. Escutar, portanto, é, antes de tudo, atitude de reconhecimento; essa necessidade básica de todos nós nas relações interpessoais. Precisamos estar conscientes de que é a partir da escuta que se estabelece uma circularidade co-evolucionária na comunicação humana.

3.Perguntas sem julgamento. Primeiro escute, depois pergunte. Em vez de aconselhar, pergunte. Perguntas apropriadas apóiam e complementam o processo de escuta e reconhecimento. Perguntar esclarece, sem ofender. A pergunta nos protege da pressa em julgar o outro ou da nossa mania de dar conselhos. Através da pergunta você ajuda a outra pessoa a narrar e a melhor interpretar o próprio comportamento. Nesse sentido, as perguntas ajudam a esclarecer, contextualizar, a capacitar. Portanto, essencialmente, as perguntas são de esclarecimento (detalhamento) ou de contextualização. Porque elas são utilizadas para a obtenção de esclarecimento ou para facilitar uma re-visão, uma ampliação das perspectivas, um “empoderamento” do mediando. O conselho – que desiguala a relação – deve ser evitado e substituído por perguntas que ajudem o outro a repensar a questão. As perguntas de contextualização ajudam a conectar o indagado à responsabilidade e ao poder de reelaboração das suas posições. § 68

Departamento Pedagógico A resposta a uma pergunta de contextualização do tipo “tem sido proveitoso discutir com o seu marido quando ele chega bêbado em casa?” estimula a exploração de sub-argumentos ou histórias alternativas, ampliando a percepção. Quanto à forma, as perguntas podem ser fechadas, quando se busca uma resposta do tipo sim ou não. Podem ser dirigidas, quando se almeja o esclarecimento ou ponderação a respeito de um detalhe do problema. Ou podem ser abertas, quando se pretende um esclarecimento pleno do conflito. Em qualquer circunstância recomenda-se que essas perguntas tenham caráter circular, qual seja, vinculem-se, concretamente, às respectivas respostas, estabelecendo uma circularidade com as falas que as retro alimentam. Portanto, perguntas abstratas, fruto de mera imaginação ou de pré-julgamentos, devem ser evitadas. São exemplos de circularidade perguntas do tipo quando foi, onde foi, como foi, se foi a primeira vez, qual foi a reação das pessoas envolvidas, como costuma reagir, quais os efeitos da conduta sobre a relação, ou sobre terceiros implicados, como era a relação antes do problema, qual o motivo, você concorda com isto, você acha que haveria outra maneira de fazer isto, etc, etc.

4.Reciprocidade discursiva. Fale claramente, mas respeite o igual direito do outro de falar. Após escutar ativamente o que o outro tem a dizer, estabeleça, na mediação ou na negociação direta, uma comunicação em que ambos respeitam o direito do outro de se expressar. O mediador deve obter, logo no início da mediação, a concordância de ambas as partes com a regra da não interferência na fala do outro. E deve assegurar, firmemente, igual direito de expressão. Equilibrar o direito de expressão contribui para equilibrar o poder. Adote, pois, uma comunicação “de mão dupla”. Pessoas que falam e falam sem perceber que o outro não está mais a fim de ouvir comunicam-se negativamente. Comunicação construtiva é eqüitativa, circular, no sentido de algo co-construído. Sem isto a comunicação poderá estar sendo manipulatória e, portanto, reduzida ao nível do jogo de poder. É comum, em nossos diálogos e negociações diretas, a existência de pessoas mais tímidas, que tendem a se omitir, ou de pessoas loquazes, que costumam monopolizar a conversa. Devemos ter a sensibilidade de § 68

Departamento Pedagógico estimular o tímido através de perguntas e sensibilizar o loquaz a valorizar o diálogo. De qualquer sorte, é inviável uma comunicação construtiva enquanto as pessoas não estiverem atentas à circularidade do diálogo.

5. Mensagem como opinião pessoal. Quando fizer alguma observação sobre o comportamento de alguém use a primeira pessoa: Exemplo: “em minha opinião isto poderia ter sido feito da seguinte forma...” Esse modo de comunicação evita que se fale pelo outro. É conhecido como “linguagem eu”. O mediador deve orientar os mediandos a utilizarem a primeira pessoa, interrompendo-as quando assim não procederem. Nunca se deve dizer “você não devia ter feito isso ou aquilo”. Fale por si, nunca pelo outro. Diga: “eu penso que isto poderia ter sido feito da seguinte forma...”. A linguagem eu evita que a outra pessoa se sinta invadida ou julgada por você. Nossas experiências em mediação indicam o poder da “linguagem eu”. Quando as pessoas adotam a primeira pessoa e falam sobre como perceberam o comportamento da outra, dá-se uma transformação. As expectativas de ofensa são substituídas pelo alívio de um possível reconhecimento. Viabiliza-se a admissão de uma possibilidade de reconhecimento, afastando o hermetismo da polêmica.

O mediador deve colaborar para que os mediandos falem na primeira pessoa. Especialmente na fase inicial de um processo de mediação é importante que os ânimos exaltados não se expressem na forma de acusações pessoais, mas na forma de impressões sobre como cada um dos interessados sente e percebe o problema. A moral pós-convencional da modernidade é impaciente diante de comportamentos invasivos. As pessoas se sentem no direito de ser diferentes e não aceitam recriminações.

6. Assertividade. Não se deve ter medo de divergência. Ser assertivo é ter clareza. Dizer sim ou dizer não com todas as letras. Saiba naturalmente dizer não ao comportamento imoral, ilegal ou injusto. Quem não sabe dizer não também não sabe dizer sim. Quem não sabe dizer sim se omite das suas § 68

em vez de contemplar o interesse público. A dissimulação é a sua moeda de troca.ainda marcado pelos vícios do colonialismo e da escravidão . Essa restauração pressupõe uma capacitação. sem as mágoas e as explosões de raiva dos que se mantiveram omissos. favorecer o parente e enganar o mais frágil. sem o que as pessoas não estarão auto-afirmadas para negociar. especialmente nos ambientes empresariais. Mas o “bonzinho” não é confiável. tenha em conta que a necessidade primeira das pessoas envolvidas é restaurar a relação pessoal. comunicando-se construtivamente. se converte em excesso de agressão. Quando estamos auto-afirmados. Em nosso país . A moral do bonzinho é rigidamente hierarquizada. do chamado “homem cordial” a que se referia Sérgio Buarque de Holanda (Raízes do Brasil). assertivos. Baseia-se em princípios e é capaz de renunciar às facilidades ilegítimas. Portanto. A falta de assertividade contribui para o paradoxo da violência. Essa cultura desconhece a impessoalidade da justiça. Boa-fé pressupõe o reconhecimento da honestidade. E somos capazes de dizer sim à decência e à generosidade. somos capazes de receber um não com naturalidade. da acomodação.Departamento Pedagógico responsabilidades sociais. § 68 . Quando o conflito for pessoal e. [10] 7. Assertividade é boa-fé. Nossa cultura continua contaminada pela mania da “meia conversa”.persiste uma comunicação de oprimidos e opressores. do altruísmo e do amor como valores essenciais do agir comunicativo. em que não se distingue as questões de princípio das questões de mero interesse pessoal ou grupal. pois excesso de omissão. Daí porque a assertividade é algo que se pratica serenamente. favorece o nepotismo e a esperteza. Volta-se para agradar o poderoso. o mediador de conflitos deve ser assertivo e estar atento para ajudar os mediandos a se conduzirem assertivamente.Priorização do elemento relacional. Separe o problema pessoal do problema material. é capaz de superar o impasse entre o confronto e a fuga. uma conscientização. ao mesmo tempo. as reuniões costumam ser jogo de cena entre pessoas que se julgam mais espertas do que as outras. Somos levados a confundir tolerância com conivência. Essa “ética da amizade”. material. A pessoa assertiva. Os desonestos e covardes costumam ser avessos à assertividade. Daí a cultura do “bonzinho”. uma reelaboração dos sentimentos e percepções de cada um dos mediandos. Daí porque. A pessoa assertiva é confiável.

nessas dinâmicas. de medo. no seu contexto cultural e existencial. numa abordagem que permita a realização de mediação em círculo ou círculos restaurativos. o que enseja a abertura para que se estabeleça um diálogo identificador de interesses subjacentes. tende a polarizar. 8. de rigidez. restaurada a relação ou superada a animosidade. Tornamo-nos animais acuados. prejudicando de algum modo o vizinho a ponto de provocar uma disputa. de violência. essas outras pessoas protagonistas ou co-responsáveis pelo conflito e/ou pela sua transformação. humanos. a optar e fixar-se numa posição.Departamento Pedagógico uma revisão das posições originais. a mente humana. pois essa hipertrofia expressa um estado de carência. da compreensão das razões. Portanto. Somente após. dentro do seu terreno e no seu direito construiu um muro. Trata-se de um exercício que o mediador poderá sugerir aos mediandos. tende a ordenar os valores segundo hierarquias variadas. interesses comuns e opções. Exemplo: você. Isto é mais comum nos conflitos familiares entre casais.Reconhecimento da diferença. que supostamente contemplam as suas necessidades de auto-afirmação. as pessoas estarão aptas a cuidar do problema material (os bens e os direitos envolvidos). No entanto. Essa hipertrofia impede a percepção de outras possibilidades. Toda uma preparação será necessária até que o mediando se sinta em condições de sair da sua posição e se imagine no lugar do outro. percebemos os fatos do mundo de modo incompleto e imperfeito. Cada um. pois o contato com essa outra realidade é uma experiência de sensibilização e de integração. perceba o prejuízo que ele está § 68 . Há disputas de baixo comprometimento relacional em que a questão emocional quase não conta. necessidades e valores do outro. sob a tensão de disputa. Imagine-se na condição do vizinho. quando o problema emocional for muito complexo será recomendável que o mediador se faça acompanhar de co-mediador com formação em psicologia. Nós. Quando o conflito também envolver pessoas outras da respectiva comunidade será importante contextualizar. primeiro tenha em conta o problema pessoal (a relação propriamente dita). incorporando essas pessoas. Como se não bastasse. acolhendo-se. Colocar-se no lugar do outro é o caminho da empatia. desejos.

”. A reformulação pode ser adotada através da paráfrase (repetição da frase) ou através de pergunta. não reaja. Ao reformular você cria oportunidades para que o outro também reformule. à sua oportunidade de transformar aquela interação. A simples reação é dependência. se respeitam e se escutam como seres humanos reais e diferentes.” ou “você não acha que. Pela reformulação somos capazes de romper com o jogo ofensa-reação. Preconceituoso resistente é quem se apega às suas “verdades”.. a nossa comunicação será naturalmente preconceituosa.. hábitos de julgamento ou falsas generalizações. Estereótipos são aquelas nossas idéias ou convicções classificatórias. No entanto. Reformula-se através da paráfrase repetindo (com nossas próprias palavras) a frase agressiva do outro. Ao sofrer uma acusação injusta. Consoante o educador Paulo Freire: “Aceitar e respeitar a diferença é uma dessas virtudes sem o que a escuta não se pode dar”. preconcebidas.Departamento Pedagógico sofrendo e se habilite a compreender o conjunto do problema.. Isto lhe ajudará a identificar o interesse comum a ser protegido. Decorrem de expectativas. impedindo a fluidez da empatia.. Trazer o estereótipo para o plano do consciente é o primeiro passo para a apreciação da diferença. Pessoas que aprendem a superar os estereótipos se tornam capazes de apreciar as diferenças. revidando ou rompendo. Enquanto a rotina que o estereótipo reproduz não é trazida para o plano do consciente. A superação do estereótipo gera aquela empatia que se estabelece entre pessoas que se vêem. A reformulação é recurso de grande importância para o desenvolvimento de uma cultura de paz e direitos humanos. se aceitam. Exemplo: “por que você acha que eu sou mentiroso?” ou “e se o problema. Quando reagimos estamos cedendo. Para isto dê um tempo. Não perca o direito ao protagonismo.[11] 9. Para que estejamos aptos a reconhecer a diferença precisamos superar os estereótipos. § 68 . Gostaria que você me explicasse onde está a desonestidade” Também se reformula perguntando. Essas idéias ou convicções preconcebidas bloqueiam a comunicação construtiva. Reformule. Exemplo: “Você acabou de dizer que eu fui desonesto. Não reação. num encadeamento inconseqüente do estado de dependência e auto-comiseração. A prática transformadora da interação agressiva é conhecida como reformulação. sobre alguém ou algo.

econômicos ou jurídicos que devem ser levados em consideração na tomada de decisões. Convém lembrar que dados de realidade são os padrões éticos. poder de informação (acesso ou posse). A melhor atitude para evitar que isto aconteça é a conscientização prévia dos mediandos sobre a prática da escuta ativa. § 68 . Eugênio Carvalhal[12] destaca oito: poder coercitivo.Departamento Pedagógico comportamentos reativos integram. a pretexto de estarem reagindo contra uma repressão histórica. Sentem-se perseguidos. poder legal (quando atribuído pela organização) e poder legitimado (quando sustentado por liderados). muitas vezes. Este questionamento poderá ajudar na identificação de dados de realidade. 10. O preceito da não ameaça não exclui a possibilidade de se perguntar ao mediando se ele admite a existência de riscos ao proceder daquela forma. poder de referência (traços pessoais). Ao ameaçar. numa busca desesperada. A ameaça conduz o conflito na direção do confronto. da violência. Em vez de uma solução de ganhos mútuos (ganha-ganha). poder de conexão (ligações de influência). da igualdade de fala. poder de recompensa (prêmio ou punição). fica-se restrito a um jogo de ganha-perde ou de perde-perde. Há muitas bases de poder a ser observadas. poder de especialista (habilidade ou conhecimento). você deflagra uma competição pelo maior somatório de poder. técnicos. Ao ameaçar você está induzindo a outra parte a provar que é mais poderosa. a prática de pessoas que se dizem defensoras de uma cultura de paz. Não ameaça. Ameaça é jogo de poder coercitivo. Alguns desses militantes. da reformulação. reproduzem os valores reativos da subjacente cultura de dominação. Precisam de apoio no aprendizado da comunicação construtiva. È inaceitável a ameaça numa reunião de mediação. já em si afrontosa. e da linguagem na primeira pessoa.

Quarta etapa. 3. 2. O PROCEDIMENTO DE MEDIAÇÃO: PRÉ-MEDIAÇÃO E ETAPAS.2. Sumário: 1. 2. 3. A pré-mediação – salvo em matéria penal . o facilitador ou o mediador deve criar um clima de confiança e serenidade. Pré-mediação.2.1. 3.3. Primeira etapa da reunião conjunta. Quarta etapa como reunião conjunta de fechamento. Atende gentilmente e faz a entrevista de pré-mediação. § 68 . Procedimento conforme o modelo circularnarrativo. 1.4.5. Quinta etapa. Aqui procuraremos expor. Há situações em que se dá início à mediação sem passar por uma pré-mediação. Terceira etapa como reunião da equipe. 2. Como se faz a pré-mediação? Pré-mediação: Alguém procura pela mediação e é recebido por um facilitador (ou por um mediador). Mas a experiência tem indicado que as entrevistas de pré-mediação contribuem para a capacitação dos futuros mediandos a desempenharam os seus papéis de protagonistas responsáveis com maior desenvoltura. Segunda etapa. verificando se o caso comporta mediação. Ou mesmo para que se possa constatar alguma anormalidade que comprometa a atuação de ambas ou de alguma das pessoas envolvidas na disputa. das circunstâncias do caso ou do estilo do mediador. hipóteses em que outros encaminhamentos poderão ser recomendados. Terceira etapa. 2.Departamento Pedagógico 4.1.4. 3.3. também.6. 3. Sexta etapa.2. 2. Ao receber a pessoa solicitante. O procedimento de mediação pode variar em função do modelo utilizado e.não é uma condição sempre necessária da mediação. Etapas do procedimento. Pré-mediação. 2. 3. Primeira etapa. Segunda etapa na forma de reuniões individuais. 2. inicialmente. Pré-reunião. um procedimento que contempla a maioria dos modelos e que nós costumamos adotar.

já devidamente esclarecida sobre o que é mediação. realiza a entrevista de pré-mediação e explica o que é mediação. recomenda a participação daqueles que: “Têm o poder ou a autoridade para tomar uma decisão. § 68 . escutas ativas e perguntas ajudam na eliminação de ambigüidades. quando muitos credores desejem estar participando. Christopher Moore. é feito o convite à pessoa solicitada para igual atendimento. formulando as perguntas necessárias a esclarecer detalhes do conflito. ouvir. São aceitos pelas outras partes. Embora não caiba ao mediador decidir quem serão os disputantes que terão assento à mesa de mediação. atentamente. Têm habilidade para a negociação. Ou em disputas de terras envolvendo comunidades em que há muitos interesses a serem contemplados. aumentam a autoestima e acarretam a apropriação de novas atitudes e abordagens. o facilitador ou o mediador a recebe com a mesma gentileza e imparcialidade. Como em mediações empresariais envolvendo falência. Mas há situações em que as identidades das partes centrais não estão claras. Quando um grupo está desorganizado o mediador pode também colaborar na tomada de decisão para escolher a equipe de negociação ou o seu porta-voz. Têm capacidade.[13] ao definir critérios para a escolha de quem deve participar da mediação.Departamento Pedagógico Na entrevista de pré-mediação o facilitador ou o mediador deve. Caso a pessoa solicitada compareça. Conhecem e compreendem as questões em disputa. o que a pessoa solicitante tem a narrar. Têm controle sobre suas emoções. se não estiverem envolvidos. Muitas vezes a narrativa abre caminho para uma solução mais simples e direta. Isto porque as narrativas. Especialmente nas mediações comunitárias as entrevistas de pré-mediação possibilitam a solução da maioria dos conflitos. de inverter ou prejudicar um acordo negociado. escuta ativamente. antes de tudo. ele já poderá estar mediando a negociação a respeito de quem ou quantos irão representar cada grupo de interesse. Na maioria das disputas as partes que devem participar da mediação são facilmente identificadas. Caso necessário e após a concordância da pessoa solicitante.

2. assinado pelos mediandos. Costumamos dividir a mediação em seis etapas. visando facilitar o seu andamento. Têm o respaldo e o apoio de seus constituintes”. Nesta primeira etapa o mediador acolhe os mediandos e se apresenta de modo sereno e descontraído. Agradece a presença dos participantes e destaca o acerto da opção. As seis etapas da mediação: 2. Na prática as etapas não são perceptíveis. Eis um modelo: Compromisso. explica os preceitos da escuta ativa. declara a sua independência e revela o seu dever de imparcialidade. Considera-se primeira etapa a apresentação e recomendações. esclarece que o seu papel é apenas o de colaborar com os mediandos. solicita o mútuo respeito. expõe a possibilidade de entrevistas a sós (caucus). da igualdade de tratamento e da linguagem na primeira pessoa (linguagem “eu”). assinada pelo mediador. Sigilo e Declaração de Inedpendência: O (A) Solicitante (nome. profissão. que também deve incluir as informações sobre honorários do mediador e custas procedimentais eventualmente envolvidas. juntamente com uma Declaração de Independência.1. apenas para fins didáticos.Departamento Pedagógico Têm demonstrado compromisso ou estão dispostos a se comprometer na barganha de boa fé. a superação das resistências e a construção do diálogo. endereço e identidade): § 68 . deixa claro que os mediandos serão os protagonistas do entendimento. Todos esses cuidados e providências devem ser observados na fase de pré-mediação. Convém que essas recomendações constem de um Compromisso de Mediação e Sigilo. Etapas do procedimento. esclarece a importância do sigilo. pois o procedimento de mediação se caracteriza por avanços e recuos que vão possibilitando o esclarecimento das razões.

do qual possam resultar novas atitudes e decisões. uma vez que essas conversas são sigilosas. com o apoio do mediador por eles aceito. Assumem o compromisso de não comentar com outras pessoas os assuntos que forem conversados e resolvidos nas reuniões de mediação. caso os mediandos concluam que assim deve ser. E que o seu papel é o de colaborar para que se estabeleça um diálogo positivo. O(A) Mediador(a) declara que não é amigo íntimo ou parente e que não é ou foi chefe ou chefiado por qualquer das partes. De algum modo o mediador deve informar aos mediandos que o objetivo do procedimento é contribuir para que eles percebam claramente a situação e se preparem para o entendimento.Departamento Pedagógico O (A) Solicitado(a) (nome. Assumem o compromisso de comparecer às reuniões de mediação com pontualidade. profissão e identidade): Assumem o compromisso de se entenderem em busca de uma solução amigável para o conflito. que não poderá revelar os assuntos tratados na mediação. daí porque não poderá testemunhar em favor de ninguém a respeito dos assuntos tratados na mediação. endereço e identidade: Mediador(a) (nome. Este compromisso também é assumido e assinado pelo(a) Mediador(a). declarando-se independente e apto a atuar com diligência e imparcialidade. § 68 . nos horários livremente acertados de comum acordo entre eles e o(a) Mediador(a). profissão. Local e Data: Assinatura do Solicitante: Assinatura do Solicitado: Assinatura do(a) Mediador(a): Assinatura de eventual co-mediador: Tabelas de honorários de mediador e de custas procedimentais aprovadas pelas instituições especializadas na administração de mediações são geralmente adotadas pelos interessados.

2. assumem um ponto de vista positivo em relação aos motivos dos mediandos. mas da frase do mediando. o mediador afasta-se. Caso o mediando que está na vez de escutar interfira prejudicando a continuidade da fala do outro. A comunicação construtiva do mediador. Solicita ao outro mediando para apenas escutar. sem julgamentos. mesmo quando já tenham sido efetuadas. Iniciada a narração. contribuindo. preferências e posições. acolhe e encoraja a habilidade dos mediandos em lidar com os seus próprios conflitos. Através dessas escutas e questionamentos o mediador vai ajudando cada uma das partes a esclarecer seus respectivos interesses. Considera-se segunda etapa a fase de narrativas iniciais dos mediandos: Esta segunda etapa se inicia com a solicitação do mediador para que cada um dos mediandos narre o problema trazido à mediação. para liberá-las da insegurança e dos apegos. Tais narrativas são necessárias. desse modo. conscientemente. como apenas temporariamente incapacitados pelo egocentrismo. para não influenciar os pontos de vista e as escolhas das partes. Com isto cada mediando vai. do seu julgamento. deve o mediador estimulá-lo com perguntas. inclusive quanto à boa-fé e a decência. que sua vez será respeitada. Não se recomenda interromper os mediandos em suas primeiras intervenções. numa abordagem transformativa. etc. Devem estar associadas às declarações concretas. tendo por objetivo ajudar o mediando a entender porque essas questões são importantes. por cada uma das partes. mesmo em seus momentos mais críticos. Pois o mediador vê os mediandos. o mediador deve adotar a escuta ativa. quais as escolhas que gostaria de fazer. sempre buscando. mas elas estão livres para combinar quem inicia. paralelamente. o mediador deve interrompê-la e esclarecer sobre a importância da escuta. Convém lembrar que as perguntas não devem sair da imaginação do mediador. Quando o mediando tiver dificuldades. Claro que o mediador tem seus pontos de vista pessoais. separadamente. Ao dar-se conta desses sentimentos de julgamento. em entrevistas de pré-mediação. nesse microenfoque relacional de apropriação § 68 . Escuta e observa. entendendo melhor a perspectiva do outro. O mediador também deve estar atento aos seus próprios sentimentos. Anota apenas o essencial.Departamento Pedagógico 2. E. tendo sempre o cuidado de não julgar ou censurar. independentemente das aparências. Geralmente a pessoa solicitante narra primeiro. do mesmo modo.

Departamento Pedagógico e reconhecimento. Mas é recomendável. necessariamente. Especialmente nas mediações familiares o componente emocional costuma ser elevado. o mediador observa. 2. Essas mediações familiares costumam ser as mais complexas. Em não havendo mais o que expor. Não para que se trabalhe numa perspectiva terapêutica. Os mediadores afeitos à abordagem transformativa não se surpreendem com as inexatidões e ambigüidades dos mediandos a respeito do acontecido ou do que eles desejariam um do outro ou a propósito das § 68 . desde que dotado de uma consistente formação interdisciplinar/transformativa. o mediador relata uma espécie de resumo do que foi dito. E pedirá aos mediandos que participem da construção desse resumo. ainda. cabe ao mediador observar se eles realmente se apropriaram dos respectivos argumentos. auto-afirmativas. Considera-se terceira etapa o compartilhamento de um resumo do acontecido: A terceira etapa se inicia no momento em que o mediador expõe um resumo consolidado do que ficou finalmente esclarecido. psiquiatria ou serviço social. o desenvolvimento da mediação transformativa depende da eliminação de ambigüidades e. que se faça acompanhar de co-mediador com alguma dessas formações profissionais.3. pelos mediandos. em reuniões em separado. algo a acrescentar. sente e pergunta se há. inclusive. quando o mediador não tiver formação em psicologia. A revelação do resumo pode dar ensejo a novos sentimentos. passar um tempo trabalhando a interação das partes. corrigindo alguma inexatidão ou omissão. Esgotadas as narrativas. com sucesso. No resumo as duas narrativas são integradas numa única. mas para que as apropriações e reconhecimentos sejam bem desenvolvidos. nessas mediações. É uma simples e objetiva descrição dos sentimentos. percepções e reações. da apropriação de atitudes conscientes. problemas estranhos à mediação. qualquer mediador pode atuar. Esse resumo não é uma história burocrática do acontecido. desejos e necessidades pessoais e materiais revelados pelas partes. se necessário. dando início a uma nova etapa. Com efeito. que devem ser objeto de novas e pacientes escutas e questionamentos. Novas perguntas poderão ser formuladas. Mesmo que os mediandos se dêem por satisfeitos em suas narrativas. Avanços e recuos fazem parte do processo e não constituem nem indicam. No entanto. portanto.

capacitam-se a superar a rigidez das posições polarizadas do início do processo. A propósito. deve se sensibilizar e se sentir responsável por apoiar uma ambiência em que os mediandos estejam desenvolvendo os seus próprios esforços de comunicação. Essa circunstância caracteriza o início de uma nova etapa. Neste momento o mediador poderá fazer perguntas que facilitem a identificação de interesses comuns. 2. se os problemas de relação não estiverem bem apropriados e o conflito transformado pela comunicação construtiva. verdadeiramente. Sempre que houver a possibilidade de acordos parciais o mediador deverá incentivá-los. Esses acordos devem. Identificado o objeto do conflito. uma outra marca da prática transformativa é permitir e eventualmente até mesmo estimular que as partes explorem ou voltem a explorar as fontes das suas ambigüidades e incertezas. Tenha em § 68 . responsivamente. sem dirigismo. Ao invés disso. construção de perspectivas e tomada de decisão. Já apropriados pela circularidade da comunicação.4. sem julgamento. E o mediador deve ser responsivo a essas ondulações. Quais serão os interesses comuns dos pais que se separaram? Quais são os interesses comuns de dois vizinhos que se estranharam? Quais são os interesses comuns de dois dirigentes da empresa? Esses interesses não serão identificados.Departamento Pedagógico escolhas que poderiam ou deveriam fazer. com a colaboração do mediador. Considera-se quarta etapa a busca de: Identificação dos reais interesses: Concluído e discutido o resumo. essa inclinação dos mediandos e colabora para que eles se reconheçam mais efetivamente. o mediador transformativo não deve se sentir responsável pelos resultados da mediação. os mediandos estão mais receptivos à identificação de interesses comuns. Mudanças de poder durante o procedimento de mediação são resultados possíveis de uma sucessão de ações que as próprias partes desenvolvem com base em seus julgamentos e avaliações. revelados os sentimentos. necessariamente. Os acordos parciais podem aumentar a confiança na interação. O mediador acompanha. decorrer do diálogo direto entre os mediandos. desejos e necessidades. Assim. estão os mediandos mais fortalecidos e preparados para aprofundar um diálogo voltado para o interesse comum.

Departamento Pedagógico conta que os acordos devem ir das questões mais simples ou mais consensuais às mais complexas ou contraditórias.5. imaginemos. uma quinta etapa. Para se ter uma idéia de como a tempestade de idéias pode ser útil. Talvez seja preferível suspender a sessão para que os mediandos façam consultas. pode propor . Considera-se quinta etapa o esforço pela criação de opções com base em critérios objetivos: Os mediandos estão colaborando na escolha de opções. aleatoriamente. 2. que a mediação tenha fracassado. As opções válidas devem estar baseadas em dados de realidade. nessa ordem. sem compromisso.a realização de entrevistas em separado (caucus). Desta ou de outra forma os mediandos vão se entendendo e decidindo. Dados de realidade (ou critérios objetivos) são os valores econômicos. O caráter § 68 . Ao se chegar ao consenso. transferida para os filhos com ou sem reserva de usufruto. alugada a um deles.respeitada a igualdade de tratamento . pedagogicamente. adquirida por um deles a fração ideal do outro. Esta é uma técnica que ajuda os mediandos a não temerem a apresentação de propostas. alugada a terceiros. convém elaborar o acordo ou termo de mediação. em relação a uma casa. para obter dados de realidade ou critérios objetivos necessários às suas decisões. morais e jurídicos que devem ser observados para a tomada de decisão. pelos mediandos (brain storm). junto a advogados ou outros profissionais. Quando a mediação circula sobre esse tipo de problema é porque ela terá atingido. etc. A falta de consenso inviabiliza o acordo. demolida para exploração atividade de estacionamento. necessariamente. mas não significa. Em casos que envolvem pluralidade de escolhas o mediador pode sugerir a utilização de cartazes para que alguém anote as opções apresentadas. A casa pertencente em comum aos mediandos pode ser vendida. por exemplo. Os dados de realidade ou critérios objetivos devem ser devidamente examinados. de alternativas para a tomada de decisões. numa partilha de bens. caso o mediador constate resistência quanto a questões objetivas. o que pode ser decidido. convertida em ponto comercial. permutada por outra(s) ou permutada por apartamento(s) a ser(em) construído(s) no respectivo terreno. Já após criado o clima de entendimento.

quando deverão ser cumpridas essas obrigações e as conseqüências do não cumprimento. também por duas testemunhas. bem assim o foro ou o modo como será exigido o seu cumprimento. a exemplo do Brasil. Ao final. a identificação do seu objeto. a critério das partes. e as assinaturas de duas testemunhas ou advogados. Considera-se sexta etapa a elaboração do acordo: Nesta etapa final redige-se e assina-se o acordo. Chamamos de sexta etapa o momento de redação e assinatura do acordo ou termo de mediação.MODULO § 68 . sendo necessária a qualificação das partes. em combinação com as partes. 2.Departamento Pedagógico transformativo da mediação não se limita ao acordo. A homologação judicial do acordo pode ser requerida. em determinados países. O acordo é um contrato. o mediador deve agradecer e parabenizar os mediandos pelo resultado alcançado. O acordo é assinado pelas partes e. para que tenha força de título executivo extrajudicial. II . como. Nada impede que os advogados.6. aditem ou dêem uma redação mais técnica ao acordo. as diretrizes a respeito de onde. a definição das respectivas obrigações. A assinatura dos advogados dispensa a assinatura de outras testemunhas. Nas mediações paraprocessuais a homologação judicial do acordo está pressuposta.

Art. § 2º Poderão. Dispõe sobre a arbitragem. DE 23 DE SETEMBRO DE 1996. as regras de direito que serão aplicadas na arbitragem. Roberto Wanderley de Miranda. 2º A arbitragem poderá ser de direito ou de eqüidade.Departamento Pedagógico NORMAS PARA ESTUDO DA ARBITRAGEM. livremente. a critério das partes. desde que não haja violação aos bons costumes e à ordem pública. 1º As pessoas capazes de contratar poderão valer-se da arbitragem para dirimir litígios relativos a direitos patrimoniais disponíveis. Prof. Presidência da República Casa Civil Subchefia para Assuntos Jurídicos LEI Nº 9. § 1º Poderão as partes escolher. as partes convencionar que a arbitragem se realize com base nos princípios gerais de direito. nos usos e costumes e nas regras internacionais de comércio. também. O PRESIDENTE DA REPÚBLICA Faço saber que o Congresso Nacional decreta e eu sanciono a seguinte Lei: Capítulo I Disposições Gerais Art.307. § 68 .

poderá a outra parte propor a demanda de que trata o art. comparecendo. a arbitragem será instituída e processada de acordo com tais regras. § 68 . às regras de algum órgão arbitral institucional ou entidade especializada. hora e local certos. a cláusula compromissória só terá eficácia se o aderente tomar a iniciativa de instituir a arbitragem ou concordar. as partes estabelecer na própria cláusula. perante o órgão do Poder Judiciário a que. § 2º Nos contratos de adesão. Art. Parágrafo único. mediante comprovação de recebimento. firmar o compromisso arbitral. em dia. relativamente a tal contrato. 5º Reportando-se as partes. originariamente. com a assinatura ou visto especialmente para essa cláusula. convocando-a para. 3º As partes interessadas podem submeter a solução de seus litígios ao juízo arbitral mediante convenção de arbitragem. designando o juiz audiência especial para tal fim. Não comparecendo a parte convocada ou. igualmente. desde que por escrito em documento anexo ou em negrito. recusar-se a firmar o compromisso arbitral. § 1º A cláusula compromissória deve ser estipulada por escrito. Art. Art. com a sua instituição. podendo. a parte interessada manifestará à outra parte sua intenção de dar início à arbitragem.Departamento Pedagógico Capítulo II Da Convenção de Arbitragem e seus Efeitos Art. Art. ou em outro documento. tocaria o julgamento da causa. 7º desta Lei. por via postal ou por outro meio qualquer de comunicação. na cláusula compromissória. a forma convencionada para a instituição da arbitragem. podendo estar inserta no próprio contrato ou em documento apartado que a ele se refira. assim entendida a cláusula compromissória e o compromisso arbitral. poderá a parte interessada requerer a citação da outra parte para comparecer em juízo a fim de lavrar-se o compromisso. 7º Existindo cláusula compromissória e havendo resistência quanto à instituição da arbitragem. expressamente. 4º A cláusula compromissória é a convenção através da qual as partes em um contrato comprometem-se a submeter à arbitragem os litígios que possam vir a surgir. 6º Não havendo acordo prévio sobre a forma de instituir a arbitragem.

§ 7º A sentença que julgar procedente o pedido valerá como compromisso arbitral. Caberá ao árbitro decidir de ofício. sobre seu conteúdo. ouvidas as partes. § 5º A ausência do autor. validade e eficácia da convenção de arbitragem e do contrato que contenha a cláusula compromissória. nomeando árbitro único. podendo nomear árbitro único para a solução do litígio. as questões acerca da existência. 9º O compromisso arbitral é a convenção através da qual as partes submetem um litígio à arbitragem de uma ou mais pessoas. previamente. § 2º. de tal sorte que a nulidade deste não implica. 10 e 21. Constará. perante o juízo ou tribunal. § 2º O compromisso arbitral extrajudicial será celebrado por escrito particular. a conciliação acerca do litígio. estatuir a respeito. Não obtendo sucesso. Art. § 2º Comparecendo as partes à audiência. ouvido o autor. importará a extinção do processo sem julgamento de mérito. na própria audiência ou no prazo de dez dias. decidirá o juiz.Departamento Pedagógico § 1º O autor indicará. de comum acordo. ou por provocação das partes. onde tem curso a demanda. desta Lei. 8º A cláusula compromissória é autônoma em relação ao contrato em que estiver inserta. Parágrafo único. ou por instrumento público. 10. do compromisso arbitral: § 68 . Art. tentará o juiz conduzir as partes à celebração. a nulidade da cláusula compromissória. § 6º Não comparecendo o réu à audiência. podendo ser judicial ou extrajudicial. obrigatoriamente. assinado por duas testemunhas. do compromisso arbitral. caberá ao juiz. Art. o juiz tentará. o objeto da arbitragem. sem justo motivo. caberá ao juiz. § 4º Se a cláusula compromissória nada dispuser sobre a nomeação de árbitros. § 3º Não concordando as partes sobre os termos do compromisso. necessariamente. respeitadas as disposições da cláusula compromissória e atendendo ao disposto nos arts. estatuir a respeito do conteúdo do compromisso. à audiência designada para a lavratura do compromisso arbitral. § 1º O compromisso arbitral judicial celebrar-se-á por termo nos autos. após ouvir o réu. com precisão. instruindo o pedido com o documento que contiver a cláusula compromissória.

a causa que os fixe por sentença. se for o caso.a autorização para que o árbitro ou os árbitros julguem por eqüidade. originariamente.a matéria que será objeto da arbitragem. profissão.a indicação da lei nacional ou das regras corporativas aplicáveis à arbitragem. ou o presidente do tribunal arbitral. desde que as partes declarem. inciso III.o nome. concedendo-lhe o prazo de dez dias para a prolação e apresentação da sentença arbitral. expressamente.tendo expirado o prazo a que se refere o art.o nome. e VI . IV . profissão e domicílio do árbitro. este constituirá título executivo extrajudicial. o árbitro requererá ao órgão do Poder Judiciário que seria competente para julgar.o prazo para apresentação da sentença arbitral. ou dos árbitros. quando assim convencionarem as partes. § 68 . antes de aceitar a nomeação. II . ainda.escusando-se qualquer dos árbitros. expressamente. III . Art. não aceitar substituto. ou locais.local.o lugar em que será proferida a sentença arbitral. não aceitar substituto. Fixando as partes os honorários do árbitro. desde que as partes tenham declarado. V . ou. II . e IV . não havendo tal estipulação. 11. Parágrafo único.a declaração da responsabilidade pelo pagamento dos honorários e das despesas com a arbitragem.Departamento Pedagógico I . Extingue-se o compromisso arbitral: I . onde se desenvolverá a arbitragem. III . Poderá. II . a identificação da entidade à qual as partes delegaram a indicação de árbitros. Art.a fixação dos honorários do árbitro. e III . 12. se assim for convencionado pelas partes. ou dos árbitros. estado civil e domicílio das partes. desde que a parte interessada tenha notificado o árbitro. ou dos árbitros. o compromisso arbitral conter: I .falecendo ou ficando impossibilitado de dar seu voto algum dos árbitros. 11. no compromisso arbitral.

sempre em número ímpar. podendo nomear. § 7º Poderá o árbitro ou o tribunal arbitral determinar às partes o adiantamento de verbas para despesas e diligências que julgar necessárias. no que couber. elegerão o presidente do tribunal arbitral. Não havendo consenso. § 5º O árbitro ou o presidente do tribunal designará. competência. aplicável. § 2º Quando as partes nomearem árbitros em número par. independência. § 68 . § 3º As partes poderão. ou adotar as regras de um órgão arbitral institucional ou entidade especializada. um secretário. o procedimento previsto no art. o julgamento da causa a nomeação do árbitro. estes. por maioria. também. originariamente. os respectivos suplentes. diligência e discrição. Pode ser árbitro qualquer pessoa capaz e que tenha a confiança das partes. 13. a nomear mais um árbitro. § 1º As partes nomearão um ou mais árbitros. estabelecer o processo de escolha dos árbitros. estes estão autorizados. requererão as partes ao órgão do Poder Judiciário a que tocaria. o árbitro deverá proceder com imparcialidade. § 4º Sendo nomeados vários árbitros. será designado presidente o mais idoso. de comum acordo.Departamento Pedagógico Capítulo III Dos Árbitros Art. Não havendo acordo. 7º desta Lei. se julgar conveniente. § 6º No desempenho de sua função. desde logo. que poderá ser um dos árbitros.

a menos que as partes tenham declarado. deduzindo suas razões e apresentando as provas pertinentes. 20. que será substituído. quando: a) não for nomeado. qualquer fato que denote dúvida justificada quanto à sua imparcialidade e independência. procederá a parte interessada da forma prevista no art. conforme previsto no Código de Processo Civil. 17. 16. entretanto. aplicando-se-lhes. Poderá. na convenção de arbitragem. antes da aceitação da função. ou. nos termos do art. os mesmos deveres e responsabilidades. § 2º Nada dispondo a convenção de arbitragem e não chegando as partes a um acordo sobre a nomeação do árbitro a ser substituído. a respectiva exceção. quando no exercício de suas funções ou em razão delas. assumirá seu lugar o substituto indicado no compromisso. Acolhida a exceção. não aceitar substituto. Art.Departamento Pedagógico Art. 7º desta Lei. pela parte. após a aceitação. Parágrafo único. se houver. § 68 . diretamente ao árbitro ou ao presidente do tribunal arbitral. no que couber. § 2º O árbitro somente poderá ser recusado por motivo ocorrido após sua nomeação. § 1º Não havendo substituto indicado para o árbitro. diretamente. ser recusado por motivo anterior à sua nomeação. tornar-se impossibilitado para o exercício da função. Art. Os árbitros. será afastado o árbitro suspeito ou impedido. 15. ficam equiparados aos funcionários públicos. 14. com as partes ou com o litígio que lhes for submetido. ou for recusado. Se o árbitro escusar-se antes da aceitação da nomeação. ou b) o motivo para a recusa do árbitro for conhecido posteriormente à sua nomeação. na forma do art. se as partes as tiverem invocado na convenção de arbitragem. vier a falecer. aplicar-se-ão as regras do órgão arbitral institucional ou entidade especializada. Art. Estão impedidos de funcionar como árbitros as pessoas que tenham. § 1º As pessoas indicadas para funcionar como árbitro têm o dever de revelar. algumas das relações que caracterizam os casos de impedimento ou suspeição de juízes. expressamente. A parte interessada em argüir a recusa do árbitro apresentará. para os efeitos da legislação penal. 16 desta Lei.

se forem vários. reconhecida a incompetência do árbitro ou do tribunal arbitral. Parágrafo único. invalidade ou ineficácia da convenção de arbitragem. Capítulo IV Do Procedimento Arbitral Art. e a sentença que proferir não fica sujeita a recurso ou a homologação pelo Poder Judiciário. invalidade ou ineficácia da convenção de arbitragem. Art. bem como nulidade. que passará a fazer parte integrante da convenção de arbitragem. 16 desta Lei. será elaborado. Considera-se instituída a arbitragem quando aceita a nomeação pelo árbitro. 18. juntamente com as partes. bem como a nulidade. se for único. será o árbitro substituído nos termos do art.Departamento Pedagógico Art. um adendo. deverá fazê-lo na primeira oportunidade que tiver de se manifestar. § 1º Acolhida a argüição de suspeição ou impedimento. suspeição ou impedimento do árbitro ou dos árbitros. ou por todos. § 68 . firmado por todos. Instituída a arbitragem e entendendo o árbitro ou o tribunal arbitral que há necessidade de explicitar alguma questão disposta na convenção de arbitragem. O árbitro é juiz de fato e de direito. serão as partes remetidas ao órgão do Poder Judiciário competente para julgar a causa. 20. após a instituição da arbitragem. 19. A parte que pretender argüir questões relativas à competência.

e pelos árbitros. 33 desta Lei. § 1º O depoimento das partes e das testemunhas será tomado em local. caberá ao árbitro ou ao tribunal arbitral discipliná-lo. nas mesmas circunstâncias. sempre. terá normal prosseguimento a arbitragem. 28 desta Lei. sempre. tentar a conciliação das partes. mediante requerimento das partes ou de ofício. e reduzido a termo. § 2º Serão. às partes delegar ao próprio árbitro. § 3º As partes poderão postular por intermédio de advogado. da convocação para prestar depoimento pessoal. sem prejuízo de vir a ser examinada a decisão pelo órgão do Poder Judiciário competente. o art. 21. aplicando-se. § 2º Em caso de desatendimento. da igualdade das partes.Departamento Pedagógico § 2º Não sendo acolhida a argüição. dia e hora previamente comunicados. ou a seu rogo. Art. da imparcialidade do árbitro e de seu livre convencimento. 22. ainda. ouvir testemunhas e determinar a realização de perícias ou outras provas que julgar necessárias. o árbitro ou o tribunal arbitral levará em consideração o comportamento da parte faltosa. poderá o árbitro ou o presidente do tribunal arbitral requerer à autoridade judiciária que conduza a testemunha renitente. por escrito. regular o procedimento. § 1º Não havendo estipulação acerca do procedimento. no início do procedimento. quando da eventual propositura da demanda de que trata o art. no que couber. § 68 . A arbitragem obedecerá ao procedimento estabelecido pelas partes na convenção de arbitragem. a faculdade de designar quem as represente ou assista no procedimento arbitral. Poderá o árbitro ou o tribunal arbitral tomar o depoimento das partes. respeitados no procedimento arbitral os princípios do contraditório. Art. § 4º Competirá ao árbitro ou ao tribunal arbitral. ou ao tribunal arbitral. respeitada. que poderá reportar-se às regras de um órgão arbitral institucional ou entidade especializada. ao proferir sua sentença. comprovando a existência da convenção de arbitragem. assinado pelo depoente. sem justa causa. se a ausência for de testemunha. facultando-se.

As partes e os árbitros. § 5º Se. poderão prorrogar o prazo estipulado. havendo necessidade de medidas coercitivas ou cautelares. de comum acordo. 24. competente para julgar a causa. o prazo para a apresentação da sentença é de seis meses.Departamento Pedagógico § 3º A revelia da parte não impedirá que seja proferida a sentença arbitral. 23. § 68 . os árbitros poderão solicitá-las ao órgão do Poder Judiciário que seria. A sentença arbitral será proferida no prazo estipulado pelas partes. Nada tendo sido convencionado. Parágrafo único. um árbitro vier a ser substituído fica a critério do substituto repetir as provas já produzidas. § 4º Ressalvado o disposto no § 2º. durante o procedimento arbitral. Art. Capítulo V Da Sentença Arbitral Art. contado da instituição da arbitragem ou da substituição do árbitro. originariamente. A decisão do árbitro ou dos árbitros será expressa em documento escrito.

a pedido das partes. Art. suspendendo o procedimento arbitral. Art.o dispositivo. 27. a decisão será tomada por maioria. se for o caso. certificar tal fato. que conterá os requisitos do art. § 68 . Sobrevindo no curso da arbitragem controvérsia acerca de direitos indisponíveis e verificando-se que de sua existência. Resolvida a questão prejudicial e juntada aos autos a sentença ou acórdão transitados em julgado. expressamente. onde serão analisadas as questões de fato e de direito. e IV . 26 desta Lei. mencionando-se. se houver. A sentença arbitral decidirá sobre a responsabilidade das partes acerca das custas e despesas com a arbitragem. bem como sobre verba decorrente de litigância de má-fé. A sentença arbitral será assinada pelo árbitro ou por todos os árbitros. se for o caso.a data e o lugar em que foi proferida. Parágrafo único. declarar seu voto em separado. no decurso da arbitragem. as partes chegarem a acordo quanto ao litígio. ou não. respeitadas as disposições da convenção de arbitragem. 25. III . Parágrafo único. prevalecerá o voto do presidente do tribunal arbitral. o árbitro ou o tribunal arbitral remeterá as partes à autoridade competente do Poder Judiciário. Art. se os árbitros julgaram por eqüidade. querendo. II .o relatório. 26.os fundamentos da decisão. o árbitro ou o tribunal arbitral poderá. declarar tal fato mediante sentença arbitral. na hipótese de um ou alguns dos árbitros não poder ou não querer assinar a sentença. terá normal seguimento a arbitragem. 28. Se não houver acordo majoritário. dependerá o julgamento. Art.Departamento Pedagógico § 1º Quando forem vários os árbitros. Se. São requisitos obrigatórios da sentença arbitral: I . § 2º O árbitro que divergir da maioria poderá. Caberá ao presidente do tribunal arbitral. em que os árbitros resolverão as questões que lhes forem submetidas e estabelecerão o prazo para o cumprimento da decisão. que conterá os nomes das partes e um resumo do litígio.

Art. IV . inciso III. devendo o árbitro. ou se pronuncie sobre ponto omitido a respeito do qual devia manifestar-se a decisão. dá-se por finda a arbitragem. II .esclareça alguma obscuridade.comprovado que foi proferida por prevaricação. 21. aditando a sentença arbitral e notificando as partes na forma do art. Proferida a sentença arbitral. 30. VII . § 68 . III . No prazo de cinco dias. dúvida ou contradição da sentença arbitral. os mesmos efeitos da sentença proferida pelos órgãos do Poder Judiciário e. entregando-a diretamente às partes. entre as partes e seus sucessores. poderá solicitar ao árbitro ou ao tribunal arbitral que: I . desta Lei.for proferida fora dos limites da convenção de arbitragem. mediante recibo. II . O árbitro ou o tribunal arbitral decidirá.não decidir todo o litígio submetido à arbitragem.forem desrespeitados os princípios de que trata o art. 31. mediante comprovação de recebimento. VI . sendo condenatória.Departamento Pedagógico Art. a parte interessada.emanou de quem não podia ser árbitro. ou o presidente do tribunal arbitral. Art. mediante comunicação à outra parte. 29. constitui título executivo. § 2º. respeitado o disposto no art. Art. V .não contiver os requisitos do art.proferida fora do prazo. 32. por via postal ou por outro meio qualquer de comunicação.corrija qualquer erro material da sentença arbitral. enviar cópia da decisão às partes. 29. A sentença arbitral produz. ou. desta Lei. concussão ou corrupção passiva.for nulo o compromisso. e VIII . a contar do recebimento da notificação ou da ciência pessoal da sentença arbitral. 26 desta Lei. no prazo de dez dias. 12. ainda. É nula a sentença arbitral se: I . Parágrafo único.

§ 1º A demanda para a decretação de nulidade da sentença arbitral seguirá o procedimento comum. 32. conforme o art. VII e VIII. § 2º A sentença que julgar procedente o pedido: I . e deverá ser proposta no prazo de até noventa dias após o recebimento da notificação da sentença arbitral ou de seu aditamento. nos casos do art. 33. VI.decretará a nulidade da sentença arbitral. A parte interessada poderá pleitear ao órgão do Poder Judiciário competente a decretação da nulidade da sentença arbitral.Departamento Pedagógico Art. § 3º A decretação da nulidade da sentença arbitral também poderá ser argüida mediante ação de embargos do devedor. nas demais hipóteses. nos casos previstos nesta Lei. incisos I.determinará que o árbitro ou o tribunal arbitral profira novo laudo. se houver execução judicial. II. previsto no Código de Processo Civil. § 68 . II . 741 e seguintes do Código de Processo Civil.

II . com: I . acompanhada de tradução oficial. o disposto nos arts. na falta de indicação. na sua ausência. devendo a petição inicial conter as indicações da lei processual. e ser instruída. 483 e 484 do Código de Processo Civil. 34. Aplica-se à homologação para reconhecimento ou execução de sentença arbitral estrangeira. 37. conforme o art. 38.a convenção de arbitragem não era válida segundo a lei à qual as partes a submeteram. à homologação do Supremo Tribunal Federal. em virtude da lei do país onde a sentença arbitral foi proferida. § 68 . Art. Para ser reconhecida ou executada no Brasil. 35. estritamente de acordo com os termos desta Lei. quando o réu demonstrar que: I . 36. Somente poderá ser negada a homologação para o reconhecimento ou execução de sentença arbitral estrangeira. Considera-se sentença arbitral estrangeira a que tenha sido proferida fora do território nacional. Art. necessariamente. A homologação de sentença arbitral estrangeira será requerida pela parte interessada. unicamente. ou. no que couber. II . Art. a sentença arbitral estrangeira está sujeita. Art. 282 do Código de Processo Civil. Parágrafo único.o original da sentença arbitral ou uma cópia devidamente certificada.Departamento Pedagógico Capítulo VI Do Reconhecimento e Execução de Sentenças Arbitrais Estrangeiras Art.o original da convenção de arbitragem ou cópia devidamente certificada.as partes na convenção de arbitragem eram incapazes. autenticada pelo consulado brasileiro e acompanhada de tradução oficial. A sentença arbitral estrangeira será reconhecida ou executada no Brasil de conformidade com os tratados internacionais com eficácia no ordenamento interno e.

40. impossibilitando a ampla defesa. V . 39. tornado obrigatória para as partes. IV . e não foi possível separar a parte excedente daquela submetida à arbitragem. VI .a sentença arbitral não se tenha. tenha sido anulada. ou tenha sido violado o princípio do contraditório. Também será denegada a homologação para o reconhecimento ou execução da sentença arbitral estrangeira.a sentença arbitral foi proferida fora dos limites da convenção de arbitragem.a instituição da arbitragem não está de acordo com o compromisso arbitral ou cláusula compromissória. se o Supremo Tribunal Federal constatar que: I . uma vez sanados os vícios apresentados.não foi notificado da designação do árbitro ou do procedimento de arbitragem. a citação postal com prova inequívoca de recebimento. Art. II . tenha sido suspensa por órgão judicial do país onde a sentença arbitral for prolatada. inclusive. Art. § 68 . admitindo-se. o objeto do litígio não é suscetível de ser resolvido por arbitragem.Departamento Pedagógico III . ainda.segundo a lei brasileira.a decisão ofende a ordem pública nacional. nos moldes da convenção de arbitragem ou da lei processual do país onde se realizou a arbitragem. A denegação da homologação para reconhecimento ou execução de sentença arbitral estrangeira por vícios formais. Parágrafo único. desde que assegure à parte brasileira tempo hábil para o exercício do direito de defesa. não obsta que a parte interessada renove o pedido. ou. Não será considerada ofensa à ordem pública nacional a efetivação da citação da parte residente ou domiciliada no Brasil. ainda.

... 1... 43...048 da Lei nº 3..... IX ............" Art.... 42.. 584...................." "Art..... Os arts................................... Esta Lei entrará em vigor sessenta dias após a data de sua publicação................... 301............ 44........037 a 1... Art......convenção de arbitragem.... inciso III..... III ......... inciso IX...." "Art...... 520...... com a seguinte redação: "Art...pela convenção de arbitragem.... O art........ do Código de Processo Civil passam a ter a seguinte redação: "Art....072 a 1.... 41..................... 520 do Código de Processo Civil passa a ter mais um inciso.julgar procedente o pedido de instituição de arbitragem......071.... Ficam revogados os arts............. inciso VII............. VI . os arts.Departamento Pedagógico Capítulo VII Disposições Finais Art. 101 e 1." Art... 267....... 267....a sentença arbitral e a sentença homologatória de transação ou de conciliação.... Código Civil Brasileiro... e 584................... VII ...... de 1º de janeiro de 1916.............102 da § 68 ........... 301........

84. da Constituição.869. FERNANDO HENRIQUE CARDOSO Nelson A. no uso da atribuição que lhe confere o art. Código de Processo Civil. por meio do Decreto Legislativo no 52. Jobim Presidência da República Casa Civil Subchefia para Assuntos Jurídicos DECRETO Nº 4. Brasília.Departamento Pedagógico Lei nº 5. 23 de setembro de 1996. Considerando que o Congresso Nacional aprovou o texto da Convenção sobre o Reconhecimento e a Execução de Sentenças Arbitrais Estrangeiras. apensa por cópia ao presente Decreto.311. 1o A Convenção sobre o Reconhecimento e a Execução de Sentenças Arbitrais Estrangeiras. e demais disposições em contrário. inciso VIII. § 68 . Considerando que a Convenção entrou em vigor internacional em 7 de junho de 1959. nos termos de seu artigo 12. de 25 de abril de 2002. O PRESIDENTE DA REPÚBLICA. DECRETA: Art. será executada e cumprida tão inteiramente como nela se contém. de 11 de janeiro de 1973. DE 23 DE JULHO DE 2002 Promulga a Convenção sobre o Reconhecimento e a Execução de Sentenças Arbitrais Estrangeiras. 175º da Independência e 108º da República.

da Constituição. Art. Quando da assinatura. 2. EM 10 DE JUNHO DE 1958.O. qualquer Estado poderá. de 24. Brasília. Entender-se-á por "sentenças arbitrais" não só as sentenças proferidas por árbitros nomeados para cada caso mas também aquelas emitidas por órgãos arbitrais permanentes aos quais as partes se submetam. § 68 . A Convenção aplicar-se-á igualmente a sentenças arbitrais não consideradas como sentenças domésticas no Estado onde se tencione o seu reconhecimento e a sua execução. que sejam considerados como comerciais nos termos da lei nacional do Estado que fizer tal declaração. oriundas de divergências entre pessoas. nos termos do art. declarar que aplicará a Convenção ao reconhecimento e à execução de sentenças proferidas unicamente no território de outro Estado signatário. 2o São sujeitos à aprovação do Congresso Nacional quaisquer atos que possam resultar em revisão da referida Convenção.7. 3o Este Decreto entra em vigor na data de sua publicação. acarretem encargos ou compromissos gravosos ao patrimônio nacional. inciso I. Poderá igualmente declarar que aplicará a Convenção somente a divergências oriundas de relacionamentos jurídicos. sejam eles contratuais ou não. 49. ou da notificação de extensão nos termos do Artigo X. com base em reciprocidade. assim como quaisquer ajustes complementares que. 181o da Independência e 114o da República. FERNANDO HENRIQUE CARDOSO Celso Lafer Este texto não substitui o publicado no D. ratificação ou adesão à presente Convenção. 3. Artigo I 1. A presente Convenção aplicar-se-á ao reconhecimento e à execução de sentenças arbitrais estrangeiras proferidas no território de um Estado que não o Estado em que se tencione o reconhecimento e a execução de tais sentenças. sejam elas físicas ou jurídicas.Departamento Pedagógico Art.2002 CONVENÇÃO SOBRE O RECONHECIMENTO E A EXECUÇÃO DE SENTENÇAS ARBITRAIS ESTRANGEIRAS FEITA EM NOVA YORK. 23 de julho de 2002.U.

de acordo com as condições estabelecidas nos artigos que se seguem. quando da solicitação: a) a sentença original devidamente autenticada ou uma cópia da mesma devidamente certificada. a parte que solicitar o reconhecimento e a execução fornecerá.Departamento Pedagógico Artigo II 1. firmado pelas partes ou contido em troca de cartas ou telegramas. Cada Estado signatário deverá reconhecer o acordo escrito pelo qual as partes se comprometem a submeter à arbitragem todas as divergências que tenham surgido ou que possam vir a surgir entre si no que diz respeito a um relacionamento jurídico definido. não serão impostas condições substancialmente mais onerosas ou taxas ou cobranças mais altas do que as impostas para o reconhecimento ou a execução de sentenças arbitrais domésticas. 2. inoperante ou inexeqüível. a pedido de uma delas. seja ele contratual ou não. com relação a uma matéria passível de solução mediante arbitragem. Para fins de reconhecimento ou de execução das sentenças arbitrais às quais a presente Convenção se aplica. O tribunal de um Estado signatário. A fim de obter o reconhecimento e a execução mencionados no artigo precedente. a parte que solicitar o reconhecimento § 68 . Caso tal sentença ou tal acordo não for feito em um idioma oficial do país no qual a sentença é invocada. quando de posse de ação sobre matéria com relação à qual as partes tenham estabelecido acordo nos termos do presente artigo. 3. Artigo III Cada Estado signatário reconhecerá as sentenças como obrigatórias e as executará em conformidade com as regras de procedimento do território no qual a sentença é invocada. Artigo IV 1. Entender-se-á por "acordo escrito" uma cláusula arbitral inserida em contrato ou acordo de arbitragem. b) o acordo original a que se refere o Artigo II ou uma cópia do mesmo devidamente autenticada. encaminhará as partes à arbitragem. 2. a menos que constate que tal acordo é nulo e sem efeitos.

unicamente se esta parte fornecer. a pedido da parte contra a qual ela é invocada. na ausência de indicação sobre a matéria. prova de que: a) as partes do acordo a que se refere o Artigo II estavam. à autoridade competente onde se tenciona o reconhecimento e a execução. ou § 68 . não se deu em conformidade com a lei do país em que a arbitragem ocorreu. em conformidade com a lei a elas aplicável. O reconhecimento e a execução de uma sentença arbitral também poderão ser recusados caso a autoridade competente do país em que se tenciona o reconhecimento e a execução constatar que: a) segundo a lei daquele país. a sentença tenha sido proferida. na ausência de tal acordo. de algum modo incapacitadas. nos termos da lei do país onde a sentença foi proferida. o objeto da divergência não é passível de solução mediante arbitragem. ou contém decisões acerca de matérias que transcendem o alcance da cláusula de submissão. se as decisões sobre as matérias suscetíveis de arbitragem puderem ser separadas daquelas não suscetíveis. ou lhe foi impossível. ou c) a sentença se refere a uma divergência que não está prevista ou que não se enquadra nos termos da cláusula de submissão à arbitragem. ou. ou conforme a lei do qual. ou e) a sentença ainda não se tornou obrigatória para as partes ou foi anulada ou suspensa por autoridade competente do país em que. ou que tal acordo não é válido nos termos da lei à qual as partes o submeteram. a parte da sentença que contém decisões sobre matérias suscetíveis de arbitragem possa ser reconhecida e executada.Departamento Pedagógico e a execução da sentença produzirá uma tradução desses documentos para tal idioma. por outras razões. A tradução será certificada por um tradutor oficial ou juramentado ou por um agente diplomático ou consular. Artigo V 1. apresentar seus argumentos. ou d) a composição da autoridade arbitral ou o procedimento arbitral não se deu em conformidade com o acordado pelas partes. 2. ou. O reconhecimento e a execução de uma sentença poderão ser indeferidos. ou b) a parte contra a qual a sentença é invocada não recebeu notificação apropriada acerca da designação do árbitro ou do processo de arbitragem. contanto que.

igualmente. A presente Convenção deverá ser ratificada e o instrumento de ratificação será depositado junto ao Secretário-Geral das Nações Unidas. (e). a autoridade perante a qual a sentença está sendo invocada poderá. e na medida em que. ou qualquer outro Estado convidado pela Assembléia Geral das Nações Unidas. à assinatura de qualquer Membro das Nações Unidas e também de qualquer outro Estado que seja ou que doravante se torne membro de qualquer órgão especializado das Nações Unidas. a pedido da parte que reivindica a execução da sentença. O Protocolo de Genebra sobre Cláusulas de Arbitragem de 1923 e a Convenção de Genebra sobre a Execução de Sentenças Arbitrais Estrangeiras de 1927 deixarão de ter efeito entre os Estados signatários quando. § 68 .Departamento Pedagógico b) o reconhecimento ou a execução da sentença seria contrário à ordem pública daquele país. ordenar que a outra parte forneça garantias apropriadas. eles se tornem obrigados pela presente Convenção. Artigo VIII 1. A presente Convenção estará aberta. adiar a decisão quanto a execução da sentença e poderá. 2. 2. Artigo VI Caso a anulação ou a suspensão da sentença tenha sido solicitada à autoridade competente mencionada no Artigo V. As disposições da presente Convenção não afetarão a validade de acordos multilaterais ou bilaterais relativos ao reconhecimento e à execução de sentenças arbitrais celebrados pelos Estados signatários nem privarão qualquer parte interessada de qualquer direito que ela possa ter de valer-se de uma sentença arbitral da maneira e na medida permitidas pela lei ou pelos tratados do país em que a sentença é invocada. se assim julgar cabível. ou que seja ou que doravante se torne parte do Estatuto da Corte Internacional de Justiça. Artigo VII 1. até 31 de dezembro de 1958. 1.

Qualquer Estado poderá. Tal declaração passará a ter efeito quando a Convenção entrar em vigor para tal Estado. Artigo XI No caso de um Estado federativo ou não-unitário. cada Estado interessado examinará a possibilidade de tomar as medidas necessárias a fim de estender a aplicação da presente Convenção a tais territórios. aplicar-se-ão as seguintes disposições: a) com relação aos artigos da presente Convenção que se enquadrem na jurisdição legislativa da autoridade federal. em virtude do sistema constitucional da confederação. do consentimento dos Governos de tais territórios. ou a partir da data de entrada em vigor da Convenção para tal Estado. 2. 3. quando assim exigido por razões constitucionais. declarar que a presente Convenção se estenderá a todos ou a qualquer dos territórios por cujas relações internacionais ele é responsável. qualquer extensão será feita mediante notificação dirigida ao Secretário-Geral das Nações Unidas e terá efeito a partir do nonagésimo dia a contar do recebimento pelo SecretárioGeral das Nações Unidas de tal notificação. respeitando-se a necessidade. 2. A adesão será efetuada mediante o depósito de instrumento de adesão junto ao Secretário-Geral das Nações Unidas. considerada sempre a última data. A presente Convenção estará aberta para adesão a todos os Estados mencionados no Artigo VIII. ratificação ou adesão.Departamento Pedagógico Artigo IX 1. Artigo X 1. A qualquer tempo a partir dessa data. o mais § 68 . não são obrigados a adotar medidas legislativas. as obrigações do Governo federal serão as mesmas que aquelas dos Estados signatários que não são Estados federativos. b) com relação àqueles artigos da presente Convenção que se enquadrem na jurisdição legislativa dos estados e das províncias constituintes que. quando da assinatura. ratificação ou adesão. Com respeito àqueles territórios aos quais a presente Convenção não for estendida quando da assinatura. o Governo federal.

2. mediante notificação ao Secretário-Geral das Nações Unidas. A presente Convenção entrará em vigor no nonagésimo dia após a data de depósito do terceiro instrumento de ratificação ou adesão. Artigo XIV § 68 . a qualquer tempo a partir dessa data. Artigo XII 1. a presente Convenção entrará em vigor no nonagésimo dia após o depósito por tal Estado de seu instrumento de ratificação ou adesão.Departamento Pedagógico cedo possível. 2. declarar que a presente Convenção deixará de aplicar-se ao território em questão um ano após a data de recebimento da notificação pelo Secretário-Geral. ao conhecimento das autoridades competentes dos estados e das províncias constituintes. Qualquer Estado signatário poderá denunciar a presente Convenção mediante notificação por escrito dirigida ao Secretário-Geral das Nações Unidas. indicando até que ponto se tornou efetiva aquela disposição mediante ação legislativa ou outra. com recomendação favorável. A denúncia terá efeito um ano após a data de recebimento da notificação pelo Secretário-Geral. uma declaração da lei e da prática na confederação e em suas unidades constituintes com relação a qualquer disposição em particular da presente Convenção. Qualquer Estado que tenha feito uma declaração ou notificação nos termos do Artigo X poderá. levará tais artigos. atendendo a pedido de qualquer outro Estado signatário que lhe tenha sido transmitido por meio do Secretário-Geral das Nações Unidas. Para cada Estado que ratificar ou aderir à presente Convenção após o depósito do terceiro instrumento de ratificação ou adesão. c) um Estado federativo Parte da presente Convenção fornecerá. Artigo XIII 1. A presente Convenção continuará sendo aplicável a sentenças arbitrais com relação às quais tenham sido instituídos processos de reconhecimento ou de execução antes de a denúncia surtir efeito. 3.

francês.Departamento Pedagógico Um Estado signatário não poderá valer-se da presente Convenção contra outros Estados signatários. III – MODULO NORMAS PARA O ESTUDO DO REGIMENTO DO PROCEDIMENTO ARBITRAL Prof: Gleydson Oliveira § 68 . O Secretário-Geral das Nações Unidas transmitirá uma cópia autenticada da presente Convenção aos Estados contemplados no Artigo VIII. será depositada nos arquivos das Nações Unidas. Artigo XVI 1. A presente Convenção. d) data em que a presente Convenção entrar em vigor em conformidade com o Artigo XII. X e XI. c) declarações e notificações nos termos dos Artigos I. Artigo XV O Secretário-Geral das Nações Unidas notificará os Estados previstos no Artigo VIII acerca de: a) assinaturas e ratificações em conformidade com o Artigo VIII. da qual os textos em chinês. inglês. russo e espanhol são igualmente autênticos. salvo na medida em que ele mesmo esteja obrigado a aplicar a Convenção. b) adesões em conformidade com o Artigo IX. e) denúncias e notificações em conformidade com o Artigo XIII. 2.

incluindo ai instrumentos como a negociação. § 68 . um dos institutos mais antigos. fundada na harmonia social e comprometida. de outro. de um lado. quando se transformam em pretensões resistidas ou não satisfeitas. não só no campo internacional. Desde os tempos históricos da “justiça pelas próprias mãos”. Ao contrario do que se pensa.. entre os babilônios. por si ou por intermédio do grupo. A historia mitológica da Grécia é rica em exemplos de recurso ao laudo arbitral nas dissensões entre deuses. constituindo-se. Entre os hebreus. sempre com o objetivo de evitar a desagregação social. No Brasil. Se. pluralista e sem preconceitos. as contendas de direito privado resolviam-se com a formação de um tribunal arbitral. a arbitragem não é uma alternativa nova.C. Tem-se noticia de soluções por arbitragem publica. destinado a assegurar o exercício dos direitos sociais e individuais. que pode ser judicial ou arbitral. reunidos em Assembléia Nacional Constituinte para instituir um Estado Democrático. sendo. b) A sentença. compromisso assumido já no preâmbulo da Constituição Federal de 1988. promulgamos. a liberdade. a arbitragem é reconhecida desde a constituição Imperial de 1824. sob a proteção de Deus. como também. no Brasil. a seguinte Constituição da Republica Federativa do Brasil”. na ordem interna e internacional. vingava a ofensa a seus direitos. em que o lesado. a igualdade e a justiça como valores supremos de uma sociedade fraterna. a segurança. Na idade média. os conflitos de interesse alimentam a competitividade criadora na sociedade. Sua origem remonta há mais de 3. sem dúvida. no interno.pois. o desenvolvimento. mostram-se como elementos perturbadores da paz social. se conhecem basicamente.000 anos a. A solução pacífica de tais conflitos evita a desagregação social e é interesse de todos os povos civilizados. dois meios de solução de conflitos: a) O acordo. a conciliação. com a solução pacífica das controvérsias. a mediação. a sociedade feudal propiciou ambiente para a mediação e arbitragem. a técnica de composição de conflitos de interesses vem se sofisticando e ganhando novas dimensões. onde se lê: “ Nós. Hoje. representantes do povo brasileiro.Departamento Pedagógico Introdução. o bem-estar.

exigia que o laudo arbitral fosse homologado por sentença a ser proferida pelo poder judiciário. Assim. o juízo arbitral se encontra totalmente abandonado em decorrência da falta de tradição no emprego daquele meio alternativo de solução de controvérsias. desapareciam praticamente todas as vantagens que o instituto da arbitragem apresentava. Aberta á comunidade. importantes formulas de solução de controvérsias. a Câmara de Comercio França-Brasil. seguindo tradição de nosso direito. constitui titulo executivo judicial. tais como o segredo. solucionando os litígios ou controvérsias que lhe forem submetidos. Com tal exigência. teve o inegável mérito de afastar referidos obstáculos. produz. a Câmara de Comercio Holando-Brasileira de São Paulo. a Câmara Ítalo Brasileira de Comercio e Industria de São Paulo. interna e internacional. sem duvida. resolvendo-se em perdas e danos. passível. hoje tem o nome de sentença. como hoje regradas no direito brasileiro. A mediação e a arbitragem. embora aloje evidentes imperfeições. entre as partes e seus sucessores. É chegada á hora de colocá-las em pratica. com o objetivo de administrar procedimentos de mediações e arbitragens.307 de 23 de setembro de 1996. se alguém desrespeitava a clausula compromissória que havia assinado. porém. O segundo obstáculo era o de que o legislador brasileiro. a Câmara de Comercio e Industria Belgo-Luxemburguês no Brasil. A decisão arbitral.Departamento Pedagógico Muito já se ouviu dizer que no Brasil. basicamente. são. pessoas físicas e jurídicas. o mesmo efeito da sentença proferida pelo poder judiciário e. poderia responder por perdas e danos decorrentes de tal descumprimento. era totalmente ignorada na legislação brasileira. esta ultima dos recursos inerentes. o baixo custo e a celeridade. A Lei 9. O desrespeito a tal clausula não permitia a execução especifica de obrigação de fazer. Havia. ainda. capas de apresentar soluções rápidas e § 68 . dispositivo contratual onde as partes pactuam a solução de eventuais litígios por arbitragem. não poderia. Em assembléia inédita. O primeiro residia em que a clausula compromissória. ser compelido a solucionar os conflitos por meio da arbitragem. dois obstáculos ao desenvolvimento da arbitragem no Brasil. sendo condenatória. reuniram-se a Câmara Britânica de Comercio e Industria no Brasil. a Câmara Oficial Espanhola de Comercio no Brasil e a Câmara Portuguesa de Comercio no Brasil e decidiram criar uma sociedade civil denominada Câmara de Mediação e Arbitragem das Eurocâmaras . de 23 de março de 2001. a câmara de mediação e arbitragem das Eurocâmaras oferece uma nova instancia decisória. a Câmara de Comercio e Industria Brasil-Alemanha. A afirmação é completamente equivocada.

5No prazo de três dias da indicação do mediador. realizar-se-á reunião. 1. evitandose o recurso ao Poder Judiciário. ou caso seja o mediador independente.Da Mediação. as partes . por escrito. deverá esse ter a concordância das duas partes para conduzir o procedimento de mediação. desde que estejam de acordo. uma clausula prevendo que os futuros litígios serão resolvidos por arbitragem ( clausula compromissória). podem solucioná-la por mediação ou arbitragem na Câmara de Mediação e Arbitragem das Eurocâmaras. Para utilizá-la. Nesta entrevista as partes deverão ser orientadas sobre a metodologia do trabalho. no contrato ou em documento apartado.3Em caso de concordância das partes no procedimento de mediação. 1 . para a elaboração do termo de mediação a ser assinado pelas partes e § 68 . este deverá expor as partes o rol de mediadores disponíveis para mediar o litígio. para escolherem de comum acordo o mediador ou mediadores que atuarão no procedimento de mediação. 1. Mesmo quando inexista tal clausula surgida á controvérsia. para confirmar. também. Caso as partes não escolham dentro do prazo os mediadores ou mediador. A criação da Câmara de Mediação e Arbitragem das Eurocâmaras constitui significativo incentivo á utilização daqueles institutos.4As partes deverão ser orientadas para no prazo de cinco (05) dias.1A parte interessada em propor procedimento de Mediação deverá apresentar seu desejo acompanhado de requerimento neste sentido ao Mediador que escolher ou a um centro de Mediação e Arbitragem. o mediador será designado pela instituição a qual o litígio foi confiado para solução. as partes podem incluir. caso seja esta realizada em alguma instituição de mediação e arbitragem. são importantes formulas de auxilio na solução de conflitos sociais e. 1. que posso conduzir a causa. que designará dia e hora pra entrevista prémediação. das responsabilidades das partes e dos mediadores (caso seja mais de um) e demais informações pertinentes ao procedimento de mediação. de desafogamento do Poder Judiciário. o interesse na mediação. A mediação e a arbitragem repetimos. 1.2As partes terão dois (02) dias contados da data da pré-mediação. 1.Departamento Pedagógico seguras de conflitos envolvendo direitos patrimoniais disponíveis.

8Não chegando a um acordo as partes no tempo determinado estipulado no termo de mediação. desejando realizar tal solução. a outra parte terá idêntico prazo para fazer sua indicação.Departamento Pedagógico mediador. redigir-se-á o termo de acordo a ser assinado pelas partes.2A instituição de mediação e arbitragem que for escolhida para dirimir o litígio. e fazer o devido requerimento contendo: a) nome.Da Arbitragem 2. juntamente com a relação do corpo de árbitros disponíveis na instituição. deverá encaminhar notificação a outra parte informando do procedimento arbitral. deverá procurar uma instituição de arbitragem. endereço e qualificação completa da outra parte. d) copias dos documentos pertinentes a controvérsia. poderá ser utilizado em eventual procedimento arbitral ou judicial que se seguir. convidando-a para no prazo de no Maximo 15 dias indicar arbitro e substituto. 2. § 68 . contendo: a) o cronograma de reuniões. o procedimento de mediação não deverá ultrapassar 30 dias. d) a fixação dos honorários do Mediador. contados da assinatura do termo de mediação.6Salvo disposição em contrario das partes. 2 . nenhum fato. pelo mediador e por duas testemunhas. terá idêntico prazo para indicar o arbitro e substituto. 1.3Havendo multiplicidade de partes em um mesmo pólo do procedimento arbitral. 1. se possível. 1. ato ou declaração ocorrido durante a fase de mediação. c) copia do contrato contendo a clausula compromissória ou documento apartado que justifique a arbitragem. c) o recolhimento de taxas e encargos. e uma deverá ser arquivada junto ao processo de mediação.b) indicação da matéria que será objeto da arbitragem.1A parte em documento apartado que contenha clausula compromissória prevendo competência do juízo arbitral para dirimir a controvérsia. b) o local das reuniões. á qual deverá ser atribuído o valor econômico. o mediador deverá registrar tal fato e arquivar no processo. e) indicação do litígio ao qual as partes estão subordinando ao procedimento de mediação. Uma copia da via deverá ser entregue a cada uma das partes.7Chegando as partes a um acordo. pelas partes. 1. 2.9Frustando-se a mediação.

4Não havendo indicação de alguma das partes ou de ambas. elaborarem o termo de arbitragem que conterá: a) o nome.10 Após a assinatura do termo de independência. o(s) arbitro(s) e as partes deverão juntamente com o centro de mediação e arbitragem. instado para o litígio. c) os endereços e as qualificações das pessoas a quem devam ser endereçadas as notificações e convites para os atos processuais. d) uma relação dos pontos controversos a serem decididos e o valor econômico do objeto do litígio. e protocolada na secretaria do centro de mediação e arbitragem designado para a solução do litígio.11 O termo de arbitragem firmado pelas partes. deverá permanecer arquivado no processo. especificando os atos e fatos e circunstâncias em que se está baseado.Departamento Pedagógico 2. 2. no prazo de dois dias as partes serão informadas das qualificações do(s) arbitro(s) e substituto(s) indicados. e h) a declaração do arbitro ou do tribunal arbitral de que serão observados os prazos e procedimentos previsto na lei 9.307/96 2.9Após as manifestações das partes. dos honorários dos árbitros e dos peritos (caso seja necessário ao processo). 2. após a comunicação do(s) Arbitro(s). ou aceitando arbitro único. 2.8Caberá a instituição de mediação e arbitragem escolher dentro seu corpo de árbitros o que funcionará como presidente do tribunal arbitral. 2. sendo um ou mais. deverão firmar o termo de independência. e) a autorização ou não para que o(s)arbitro(s) julgue(m) por equidade. 2. contendo a declaração de sua capacidade. b)o nome e qualificação do(s) arbitro(s) e do que venha ser o presidente do tribunal arbitral caso seja mais que um. e sendo positiva e a aceitação dos árbitros. a organização de arbitragem a qual o litígio foi confiado.5Após a indicação do(s) arbitro(s) e substituto(s). sob guarda do instituto de mediação e arbitragem. e inexistência de qualquer dos impedimentos mencionados neste regimento ou no CPC. f)local da arbitragem. no prazo Maximo de dois dias. g) a responsabilidade pelo pagamento das despesas processuais. para manifestarem sua aceitação. para informarem qualquer impedimento do(s) arbitro(s) indicado(s) ou alterarem sua indicação. devera indicar arbitro e substituto. arbitro(s) e as testemunhas. A impugnação de um arbitro deverá ser feita por escrito. 2.7O(s) arbitro(s) indicado(s) terão cinco dias de prazo.6As partes terão dois dias. § 68 . endereço e qualificações das partes.

i) for herdeiro presuntivo. d) participar de órgão de direção ou administração de pessoa jurídica que seja parte no litígio. 2. dos honorários do(s) arbitro(s) e peritos(caso seja necessário). capacitação ou experiência em arbitragem.2Não poderá ser nomeado arbitro. darse-á com a assinatura pelas partes e por duas testemunhas.Departamento Pedagógico 2. gozando de seus direitos civis. maior de idade. e k) tiver. e que de preferência tenha experiência por formação. c) for cônjuge ou parente até terceiro grau de qualquer das partes ou de procurador ou advogado de qualquer das partes. do(s) arbitro(s) e respectivos substitutos. d) a autorização ou não para que o(s) arbitro(s) julgue(m) por equidade. por qualquer motivo. antes da instituição da arbitragem. b) os endereços e as qualificações das pessoas a quem devam ser endereçadas as notificações e intimações para os atos processuais. aquele que: a) for parte no litígio.12 A ausência de qualquer das partes na elaboração ou assinatura do termo de arbitragem não impedirá o regular processamento da arbitragem. procede a formação do termo arbitral. de compromisso arbitral. aconselhar alguma das partes acerca do objeto da arbitragem ou subministrar meios para atender as despesas da arbitragem. contendo: a) nome e qualificação das partes. f) for amigo intimo ou inimigo de qualquer das partes ou de seus procuradores. g) ter anteriormente opinado sobre o litígio ou aconselhado qualquer das partes. 3 – Dos Árbitros 3. e) o local da arbitragem. § 68 . interesse no julgamento da causa em favor de qualquer das partes. salvo convenção em contrario das partes. e) participar direta ou indiretamente do capital social de pessoa jurídica que seja parte no litígio. b) tenha intervindo no litígio como mandatário de qualquer das partes.14 Assinado o compromisso arbitral. 2. 3. testemunha ou perito. f) a responsabilidade pelo pagamento das despesas processuais. a instituição da arbitragem. h) ter atuado como mediador. c) uma relação dos pontos controversos a serem decididos e o valor econômico do objeto do litígio.13 Inexistindo clausula compromissória. desde que já tenham assinado a convenção de arbitragem e compromisso arbitral. j) receber dádivas antes ou depois de iniciada a arbitragem. donatário ou empregador de alguma das partes.1Poderá ser nomeado arbitro toda e qualquer pessoa.

5 – Das Notificações. no curso do processo.Das Partes e dos Procuradores 4. será ele substituído pelo seu respectivo substituto nomeado na convenção arbitral e termo de arbitragem. nomear outro arbitro. endereços e números de telefone dos representantes deverão ser comunicados. Os nomes.1 As partes podem se fazer representar por procurador. ou apresentar sua renuncia mesmo que tenha sido indicado por ambas as partes. sobrevier alguma das causas de impedimento ou ocorrer morte ou incapacidade de qualquer dos árbitros. 4 .Departamento Pedagógico 3. devidamente. compete ao arbitro declarar imediatamente. 3. credenciado através de procuração por instrumento publico ou particular. cabe ao instituto de mediação e arbitragem.3Ocorrendo qualquer das hipóteses mencionadas no artigo anterior. seu impedimento e recusar sua nomeação. § 68 . dos Prazos e dos Documentos. ás outras partes e ao instituto de mediação e arbitragem ao qual o litígio foi direcionado.4Se. por escrito. 3. por qualquer motivo. ficando pessoalmente responsável pelos danos que vier a causar pela inobservância desse dever.5Caso o substituto não possa assumir.

Considera-se prorrogado o prazo até o primeiro dia útil se o vencimento cair em dia em que não houver expediente no centro de mediação e arbitragem ao qual o litígio foi dirigido. 5. 5.2 Realizada a audiência preliminar. 6.3 Na ausência de prazo estipulado para providencia especifica. 2.Departamento Pedagógico 5. letra “c”. será considerado o prazo de cinco dias.10 e 2. 5.1 Instaurada a arbitragem.15.5 Toda e qualquer comunicação. com a assinatura do temo de arbitragem na forma dos art. com confirmação de recebimento por carta registrada ou sedex 5.2 As notificações determinarão o prazo para cumprimento da providencia solicitada.1 Respeitado o disposto no item 2. serão vertidos para o português. contando-se este por dias corridos.4 Todos os documentos. assim como todos e quaisquer documentos endereçados ao instituto de mediação e arbitragem a fim de se fazerem parte do processo deverá ser protocolado e juntado ao processo. podendo também ser efetuadas por fax. quando necessários. § 68 . o(s) arbitro(s) convocará as partes para audiência preliminar. Os prazos contidos nesse regimento poderão ser prorrogados por decisão do(s) arbitro(s). onde as partes serão esclarecidas a respeito do procedimento. tomando-se as providencias necessárias para o regular desenvolvimento da arbitragem. a partir do primeiro dia útil seguinte ao do recebimento da notificação.10. as partes terão 10 dias para apresentar suas alegações escritas. telegrama ou meio equivalente. por tradução simples. as notificações serão efetuadas por carta registrada ou via notarial. 6 – Do Procedimento Arbitral 6.

poderá . quando aquelas apresentadas pelas partes em suas alegações e manifestações. já se mostrarem suficientes ou quando a solução da controvérsia for questão meramente de direito. extinguindo-se o processo. 6. 6. na presença das partes.8 Alem das provas requeridas as partes deverão apresentar quaisquer outras que o(s) Arbitro(s) julgar necessárias para a compreensão e solução da controvérsia. a decisão fundamentada. será entregues as partes.3 O centro de Mediação e Arbitragem. 6. 6. 6.6 Em se considerando competente para a solução da controvérsia.9 Deferida a prova pericial. 6. hora e local da § 68 .7 Podem ser realizadas na arbitragem. 6. remeterá as copias respectivas para o(s) arbitro(s) e as partes. ou presidente do tribunal arbitral. para apresentar suas respectivas manifestações e indicar as provas que pretendam produzir. 6. o(s) arbitro(s) decidirá a cerca das provas a serem produzidas. tendo estas ultimas o prazo de dez dias. todas as provas que sejam úteis á instrução do procedimento e ao esclarecimento do(s) arbitro(s). as mesmas causas de impedimento e de suspeição previstas no Código de Processo Civil Brasileiro. As partes se desejarem terão cinco dias para indicar assistentes técnicos e oferecer quesitos. quanto aos fatos inerentes ao litígio. determinar a realização de diligencia fora da sede da arbitragem. 6.4 No prazo de cinco dias do recebimento das manifestações. nomeará perito e oferecerá quesitos.5 Em se considerando incompetente para a solução da controvérsia. Poderá. o(s) arbitro(s) julgar o feito sem a realização de qualquer outra prova. o(s) arbitro(s) decidirá sobre a competência do juízo arbitral para a solução do litígio apresentado.12 O Arbitro.10 A prova oral será produzida em audiência de instrução. caso seja mais que um. comunicando ás partes dia.11 Aplicam-se aos peritos e ás testemunhas. o arbitro ou presidente do tribunal arbitral instituído. nos cinco dias subseqüentes ao recebimento das alegações das partes. também.Departamento Pedagógico 6. considerando necessário.

desde que esta devidamente notificada. d) outras provas. a) esclarecimentos pelos peritos. a audiência de instrução. a audiência de instrução deverá ser convocada para ocorrer no prazo não superior a 30 dias. e demandado. as provas. se necessária. ou diligencia realizada. 6. justificadamente. para que as partes possam acompanhá-las se desejarem. mesmo que a revelia de uma das partes. da entrega do laudo pericial ou relatório da diligencia. 6. 7 – Da sentença Arbitral § 68 . 6. 6. as partes serão informadas da audiência com antecedência de 15 dias. c)depoimento das testemunhas arroladas pelo demandante.19 Encerrada a instrução.16 A suspensão da audiência. A revelia não se aplica a pena de confissão. 6. 6. 6. b) depoimentos pessoais do demandante e demandado.14 Na audiência de instrução. será realizada no prazo de até 30 dias. a critério do(s) arbitro(s). Não havendo produção de provas periciais ou diligencias.17 O procedimento arbitral prosseguira.15 O arbitro ou aquele que estiver como presidente do Tribunal arbitral instituído poderá suspender a audiência. não ultrapassará 60 dias.13 Havendo prova pericial produzida. a contar das manifestações das partes a que se refere o art. 6. o arbitro tentará promover a conciliação entre as partes.18 Durante todo o procedimento. sempre que possível. o Juízo arbitral oferecerá prazo de 10 dias para as alegações finais das partes. serão realizadas na seguinte ordem.3. não se apresente ou não obtenha adiamento da audiência ou do prazo para a pratica do ato que lhe tenha sido determinado.Departamento Pedagógico realização da diligencia.

O original da sentença deverá permanecer arquivado junto ao processo. entregar copia da decisão ás partes. 7. § 68 . que corrija erros. mediante comprovação de recebimento. esclareça alguma obscuridade. que deverá constar na sentença. a sentença será proferida por maioria de votos. b) os fundamentos da decisão. decidirá com seu voto.8 No prazo de 05 cinco dias.3. bem como o respectivo rateio. 7. o arbitro escolhido para presidir o tribunal. c) a decisão e o prazo para o seu cumprimento.1 A sentença arbitral será proferida no prazo de 20 dias.Departamento Pedagógico 7. 7.9 O arbitro ou tribunal arbitral decidirá no prazo de 10 dias o pedido de esclarecimento. devendo o arbitro ou tribunal arbitral.6. a sentença arbitral e notificando as partes. 7. denominado de tribunal arbitral. o prazo de 20 dias contar-se-á do encerramento das manifestações.6 Da sentença constarão também. não havendo acordo majoritário.2 O prazo de que trata o artigo anterior poderá ser dilatado por até quarenta dias. omissão ou contradição da sentença arbitral. e d) a data e o lugar onde foi proferida. onde serão analisadas as questões de fato e de direito. obrigatoriamente: a) o relatório. a fixação dos encargos e despesas com a arbitragem. 7.5 A sentença arbitral conterá. o acordado entre as partes na convenção de arbitragem ou no termo de arbitragem. observando. Quando houver de ser proferida sem a necessidade da produção de quaisquer outras provas além daquelas já trazidas pelas partes em suas manifestações a que se refere o art.7 Proferida a sentença arbitral. 7. por via postal ou por outro meio qualquer de comunicação. a parte interessada poderá. com a qualificação das partes e um resumo do litígio. dar-se-á por finda a arbitragem.4 O arbitro que divergir da maioria deverá fundamentar o voto vencido. se for o caso. aditando. solicitar ao arbitro ou tribunal arbitral. 7. mencionando-se se os árbitros ou arbitro julgou por equidade. cabendo a cada arbitro um voto. a contar do recebimento da copia da decisão. sempre que possível. 7. pelo(s) arbitro(s) desde que por motivo justificado. contados após o encerramento do prazo para a entrega das alegações finais.3 Caso o processo arbitral seja dirigido por um grupo de árbitros. mediante comunicação á outra parte.

1 Os árbitros ou instituições de Mediação e Arbitragem. deverão elaborar tabela de encargos.10 Se durante o procedimento arbitral. 8 – Dos encargos. poderá. Convenção de arbitragem – conjunto de documentos que da direito a solução do litígio por meio da arbitragem. Procedimento arbitral – processo julgado por arbitragem. devendo sempre ser número impar. § 68 . o qual se torna o objeto da mediação ou arbitragem. 7. as partes chegarem a um acordo.11 A sentença arbitral é definitiva. bem como a forma de pagamentos ou recebimentos.Departamento Pedagógico 7. cooperativa devidamente constituída para atuar na área de Mediação e Arbitragem. instituto ou instituição de mediação e arbitragem – empresa privada. ficando as partes obrigadas a cumpri-la na forma e prazos nela contidos. compromisso arbitral. Termo de mediação ou arbitragem – documento em que as partes e os árbitros. taxas e honorários para procedimentos de mediação e arbitragem. a pedido das partes declarar tal fato mediante sentença arbitral. expões as condições para a solução do litígio. sendo estes: clausula compromissória. Sentença arbitral – decisão proferida pelo arbitro ou tribunal arbitral. Centro. Tópicos de ajuda: Tribunal Arbitral – O conjunto de arbitros escolhidos para dirimir o mesmo litígio. Taxas e Honorários 8. Presidente do tribunal arbitral – arbitro indicado dentro de um grupo escolhido para dirimir um litígio. pondo fim ao litígio. e termo de arbitragem. associação. e as regras a serem seguidas. o arbitro ou tribunal arbitral. o qual se torna o responsável direto pelas ações do grupo e direção do processo. Litígio ou controvérsia – assunto relativo a discussão entre duas pessoas.

Fábio Konder.p. vol. 115 a 117. Vigiar e punir: nascimento da prisão. 2006. Rio de Janeiro: Campus. § 68 . Petrópolis: Vozes. Boaventura de Sousa Santos e João Carlos Trindade (organizadores). 2000. moral e religião no mundo moderno. William. Don. [5] FOUCAULT.Departamento Pedagógico Bibliografia. Política e Normalidade do Crime em Émile Durkheim. Tradução de Álvaro Cabral. p 18. 1º volume. 1997. no Trabalho e no Dia-a-dia. 2005. Cláudio. Tempo do Direito Alternativo: uma fundamentação substantiva. Porto: Edições Afrontamento. 31ª ed. 2006. Michel. [2] URY. [6] COMPARATO. O Estado Heterogêneo e o Pluralismo Jurídico. [8] WATZLAWICK. pp. 716 p. Organização e tradução de Roberto Machado. Janet. José Luiz de Amorim. São Paulo: Cultrix. São Paulo: Companhia das Letras. Microfísica do Poder. Michel. 1. Pragmática da Comunicação Humana. Revista Científica Argumentum da Faculdade Marista do Recife. 2003. 11 -129. 18. [3] SANTOS. 2006. Recife: Faculdade Marista. Um Estudo dos Padrões. JACKSON. pp. 1993. [7] SOUTO. Patologias e Paradoxos da Interação. Uma Paisagem das Justiças em Moçambique. [4] FOUCAULT. 290 a 292. 79-81. Racionalidade. Rio de Janeiro: Graal. Conflito e Transformação Social. tradução de Raquel Ramalhete. BEAVIN. Paul. Ética: direito. pp. [1] RATTON Jr. Chegando à Paz – Resolvendo Conflitos em Casa. 54-66. Boaventura de Sousa. p. p 47-89. Porto Alegre: Livraria do Advogado. p.

p. 1998. 368 p. Magda França Lopes. Recife: Fundação Joaquim Nabuco. 56-64. Eugênio do.Departamento Pedagógico [9] ROSENBERG. 2006. São Paulo: Editora Paz e Terra. § 68 . 2005. pp. São Paulo: Agora. Christopher W. 97. Trad. Porto Alegre: Artmed. 2ª Ed. 130-131. [14] Oliveira. Rio de Janeiro: Vision. 134. [11] FREIRE. Carlos Eduardo. O Processo de Mediação: estratégias práticas para a resolução de conflitos. 120. Educação para a paz – formação de agentes sociais para a prevenção da violência. Marshall B. Comunicação não-violenta: técnicas para aperfeiçoar relacionamentos pessoais e profissionais. 2ª ed. [13] MOORE. p. Relações Interpessoais e Mediação de Conflitos. [12] CARVALHAL. Negociação – fortalecendo o processo: como construir relações de longo prazo. p. Manual pratico para Arbitragem: Regimento do Procedimento Arbitral. Pedagogia da Autonomia. 2002. Pp. Paulo. Gleydson Santos. [10] VASCONCELOS. 2006. Tradução Mário Vilela.

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