FACULDADE INTEGRADA DE DIAMANTINO PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO ESPECIALIZAÇÃO EM GESTÃO ESCOLAR

CONTROLE SOCIAL E EDUCAÇÃO: Os Conselhos Deliberativos da Comunidade Escolar do município de Nortelândia-MT

PROJETO DE PESQUISA

Cecília Carrijo Irineu

Diamantino - MT 2007

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CECÍLIA CARRIJO IRINEU

CONTROLE SOCIAL E EDUCAÇÃO: Os Conselhos Deliberativos da Comunidade Escolar do município de Nortelândia-MT

Projeto de Pesquisa apresentado ao Programa de Pós-Graduação da Faculdade Integrada de Diamantino como requisito para obtenção do título de Especialista em Gestão Escolar, sob a orientação dos professores Bruna Andrade Irineu e Josiley Carrijo Rafael.

Diamantino – MT 2007

..........12 IX – Procedimentos Metodológicos.................08 VII – Justificativa........................................................05 III – Delimitação do Tema...................06 V – Hipótese.................................................................................................................................................05 IV – Problematização do Tema.......................................................04 II – Tema......................................................................................................26 ......................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................07 VI – Objetivos...............................................................................................................................................................................09 VIII – Abordagem Teórica.........................................................................................................................3 SUMÁRIO I – Introdução......24 X – Cronograma de Atividades.......................25 XI – Referências Bibliográficas.......................................................................................................

. não é algo desencadeado somente a partir da CF de 88. cidade pertencente a região do médio-norte do Estado de Mato Grosso. a problematização. religião. mas sim. sexo e idade. Na atualidade a discussão sobre o papel dos Conselhos Gestores. aplicação e fiscalização das políticas publicas. os objetivos. apresenta-se. em 1871. Dessa forma o presente projeto procura verificar a atuação dos Conselhos Deliberativos da Comunidade Escolar da rede estadual do município de Nortelândia. Atrelado aos direitos sociais estabelecidos na Constituição Federal (CF) de 88. Essas questões influenciaram diretamente na construção da Carta Constitucional aprovada em 1988 e denominada como Constituição Cidadã. possui antecedentes históricos em Portugal nos séculos XII e XV. destacam-se o reconhecimento da igualdade independentemente da cor. privilegiando sobretudo a investigação acerca da atuação dos seus respectivos conselheiros no processo de luta pela implementação e efetivação da Política de Educação Pública. A Gestão Participativa por via dos Conselhos.4 I – INTRODUÇÃO O processo de redemocratização decorrente da distensão do regime militar vivenciado na década de 1980 no Brasil oportunizou a retomada da organização da classe trabalhadora e dos movimentos sociais. e a bibliografia que dará suporte teórico à pesquisa. raça. e sobre a participação da sociedade civil no processo de implementação de um Estado verdadeiramente democrático ainda tem sido temática de debate e investigação por parte das ciências. os procedimentos metodológicos. que consistiu na autogestão operária por meio de conselhos populares durante o período de dois meses na França. articulando representantes da sociedade civil e membros do poder público estatal no processo de gestão das diversas políticas setoriais públicas. assim como também as preconizações no tocante a aplicação de políticas sociais publicas por parte do aparelho estatal. Dentre as conquistas advindas. e se tornou conhecida principalmente através da Comuna de Paris. em especial das ciências humanas e sociais. o cidadão brasileiro adquire também o direito de participação no processo de elaboração. Gratuita e de Qualidade. definindo as mesmas como direito do cidadão brasileiro e dever do estado. através dos Conselhos Gestores que representam sobretudo uma forma específica de participação sociopolítica. Delimitado o tema. a estrutura. a seguir.

.5 II – TEMA O Controle Social na política de educação III – DELIMITAÇÃO DO TEMA O papel dos Conselhos Deliberativos da Comunidade Escolar da rede estadual do município de Nortelândia-MT.

Gratuita e de Qualidade? Questões Norteadoras Quais as estratégias e alternativas utilizadas para a efetivação da Política Pública de Educação? Como os conselhos vêm desenvolvendo o processo de fiscalização e implementação da Política de Educação no município de Nortelândia? De que forma os agentes representativos da sociedade civil percebem a implementação e efetivação da cidadania por meio do Controle Social e das Políticas Sociais? . para a implementação e efetivação da Política de Educação Pública.6 IV – PROBLEMATIZAÇAO DO TEMA O projeto toma como problema de pesquisa e procura investigar: Qual a relevância dos Conselhos Deliberativos da Comunidade Escolar da rede estadual do município de Nortelândia.

que acabam por atuar de forma apolítica e descompromissada com os direitos preconizados na Constituição Federal de 1988. a participação sociopolítica em Conselhos Gestores recebeu reflexo direto da crise em forma de despolitização da sociedade civil. essa questão acaba por refletir também na atuação dos membros dos Conselhos Deliberativos da Comunidade Escolar no município de Nortelândia. Gratuita e de Qualidade. .7 V – HIPÓTESE Diante das transformações societárias ocorridas nos últimos anos. em decorrência das graves alterações sofridas pelo mundo do trabalho. desconstruindo o verdadeiro papel da gestão participativa quando não conseguem por via da representação garantir a implementação e efetivação da Política de Educação Pública.

 Conhecer como os agentes representativos da sociedade civil percebem a implementação e efetivação da cidadania por meio do Controle Social e das Políticas Sociais. .8 VI – OBJETIVOS GERAL:  Identificar as atribuições e complexidade das atividades desencadeadas pelos conselheiros do Conselho Deliberativo da Comunidade Escolar no município de Nortelândia. ESPECIFICOS:  Conhecer as estratégias e alternativas utilizadas para a efetivação da Política Pública de Educação.  Analisar a importância desses conselhos na fiscalização e implementação da Política de Educação no município de Nortelândia.

Possibilitando a inversão da gestão democrática em detrimento da gestão autocrática e de interesse da lógica dominante. fortalecendo ainda mais o entendimento equivocado que traduz a educação enquanto obtenção de título. desencadeado no final da década de 1980 e principalmente nos anos 90. do paternalismo e clientelismo. onde o acesso a uma formação crítica e questionadora sobre o papel do Estado na implementação e efetivação das políticas sociais públicas. em virtude do descompromisso. Um dos principais exemplos dessa caótica proposta governamental pode ser evidenciado na crescente proliferação das unidades de ensino privado. em virtude do ajuste neoliberal e da sua avassaladora proposta de redução do Estado Social e consolidação do Estado Mínimo. tem demonstrado que nos municípios pequenos e periféricos a questão da participação sociopolítica ainda se mostra de forma completamente equivocada. acaba por ser substituída pela ideologia do favor. sendo que na grande maioria a cooptação dos conselheiros mostra-se como algo determinante dentro dessas esferas de participação. da formação profissional acadêmica à distância. prejudicando diretamente os segmentos desfavorecidos da nossa sociedade. Os estudos e pesquisas sobre o papel dos conselhos de política. a política educacional acabou por sofrer reflexos diretos na sua condução e implementação. Essa problemática acaba por se agravar principalmente nas regiões periféricas. O panorama da realidade educacional evidencia ainda certa descompatibilidade no tocante ao papel da sociedade civil no processo de participação sociopolítica nos espaços que devem ser ocupados pelos agentes representantes dos interesses da classe trabalhadora. ou seja. representado pelo grande número de escolas e universidades que começaram a surgir a partir da década de 1990. o recente aparecimento da modalidade virtual de ensino superior. de direito e dos conselhos gestores em geral. suprimindo a qualidade em detrimento da quantidade.9 VII – JUSTIFICATIVA Com o processo de reforma do Estado. O que acaba desencadeando essas “reformas” no âmbito da política de educação. Podemos destacar também. . da desmotivação e até mesmo da desinformação sobre os direitos e deveres do cidadão brasileiro. por via do discurso liberal que entende que essas propostas “alternativas” de formação acadêmica representam sobretudo o favorecimento de acesso da camada popular ao ensino superior. com pouca participação popular e total descaso por parte dos gestores governamentais em efetivar a gestão democrática. e não como construção e obtenção de conhecimento.

investigar a realidade dos Conselhos Deliberativos da Comunidade Escolar do município de Nortelândia. participar dos processos de análise. representa uma verdadeira sintonia com as discussões contemporâneas acerca da democracia participativa. acompanhamento e aprovação de questões que envolvem o orçamento financeiro das escolas e divulgação e prestação de contas de todos os recursos que forem repassados à unidade escolar. acompanhamento e avaliação do Projeto Político-Pedagógico. e assim. Essas escolas contam com a participação da sociedade nos processos de gestão e tomadas de decisões. verificar por via da pesquisa cientifica a realidade sociopolítica dos conselhos do município de Nortelândia. fica evidenciada a necessidade de uma investigação sistemática sobre as atividades desenvolvidas pelos Conselheiros do CDCEs. constituídos pelos segmentos: Gestor/Diretor da Unidade Escolar (membro nato). com destaque principal às atividades garimpeiras. com Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) correspondente à 0. ou seja. conforme Atlas de Desenvolvimento Humano/PNUD (2000). desencadeando a necessidade de . das deliberações necessárias sobre os problemas de rendimento escolar. assim como também denunciar as supostas e comprovadas irregularidades. tendo recebido anteriormente o nome de Santana dos Garimpeiros. através dos Conselhos Deliberativos da Comunidade Escolar (CDCEs). Professores. De acordo com o ultimo Censo Demográfico do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) realizado em 2000. O município foi criado em 16 de dezembro de 1953. no sentido de incentivar e construir uma cultura de participação e emancipação humana. fortalecer a proposta de democracia participativa.718. Atualmente Nortelândia possui em funcionamento o total de três escolas estaduais. do Plano de Desenvolvimento da Escola. Pai e Aluno. Administrativos. subsidiando e instrumentalizando por meio da realidade identificada o desenvolvimento e realização de ações que divulguem o papel e a importância do Controle Social. principalmente se levarmos em consideração as particularidades que envolvem o processo histórico do referido município. podendo assim atender a população moradora das diversas regiões urbana. localizadas em bairros estratégicos e diferenciados. da aprovação do Calendário Escolar.10 Dessa forma. a população total do município era de 7. Frente ao exposto. com propósito de contribuir com os profissionais da educação e com a comunidade geral. Os membros dos CDCEs tem como competências e atribuições a participação nos processos de elaboração.246 habitantes. A origem do município de Nortelândia está diretamente relacionada com o desencadeamento do processo de exploração do solo na região do médio-norte do Estado.

.11 organização da sociedade civil na construção e implementação de um projeto societário transformador.

1995. mudou tudo”. de forma setorializadas e fragmentadas. mas parco em todos os gastos sociais e nas intervenções econômicas (ANDERSON. pela primeira vez. tem se reafirmado principalmente em decorrência daquilo que comumente costumados denominar de Estado Mínimo. advindo da lógica neoliberal e de seu projeto que fragmentaliza e despolitiza as contradições oriundas da antagonica relação Capital X Trabalho. da habitação. afirmavam Hayek e seus companheiros. p. da assistência social e também da educação. combinando. mas também política” (ANDERSON. sim. sem garantia de efetiva qualidade e acesso universal. de Friedrich Hayek.12 VIII – ABORDAGEM TEÓRICA As políticas sociais e os padrões contemporâneos de proteção social são desdobramentos e respostas de enfrentamento às mais variadas refrações e expressões da Questão Social no modo de produção capitalista. Mas a partir da crise do petróleo de 1973. . não somente econômica. então. As raízes da crise. de maneira mais geral. Esses dois processos destruíram os níveis necessários de lucros das empresas e desencadearam processos inflacionários que não podiam deixar de terminar numa crise generalizada das economias de mercado. do movimento operário. como é o caso da saúde. O remédio. nas regiões onde o capitalismo imperava. era claro: manter um Estado forte. é claro que. 10-11). Porém. em sua capacidade de romper o poder dos sindicatos e no controle do dinheiro. baixas taxas de crescimento com altas taxas de inflação. p. O agravento dessa questão. implementadas em geral. 9). destacando o posicionamento totalmente contrário a “qualquer limitação dos mecanismos de mercado por parte do Estado. “quando todo o mundo capitalista avançado caiu numa longa e profunda recessão. que impulsionaram por 40 anos o crescimento. nos escritos de O caminho da Servidão. O neoliberalismo surgiu após a Segunda Guerra Mundial. como temos verificado nas mais diversas políticas sociais. denunciado como uma ameaça letal à liberdade. o neoliberalismo gradativamente voltou à cena. precisamente na Inglaterra e nos Estados Unidos. como proposta “teórica e política veemente contra o Estado intervencionista e de bem-estar”. que havia corroído as bases de acumulação capitalista com suas pressões reivindicativas sobre os salários e com sua pressão parasitária para que o Estado aumentasse cada vez mais os gastos sociais. Sua filosofia foi inicialmente manifestada em 1944. 1995. estavam localizadas no poder excessivo e nefasto dos sindicatos e. o autor destaca que inicialmente a força do projeto neoliberal foi contida pelas políticas keynesianas e sociais-democratas.

consciência. p. pelo que lhe estão assim. os interesses e visões de mundo do capital. 1999. portanto. pois. Buscar entender adequadamente os dilemas e impasses do campo educativo hoje é. ético-político e educacional. em que dominam como classe e determinam todo o conteúdo de uma época histórica. ao destacarem que: as idéias da classe dominante são. portanto. o que tem culminado no esfacelamento de propostas realmente eficientes no combate ao analfabetismo. dessa forma. as idéias dominantes. entre outras coisas. como produtores de idéias. p. e daí que pensem. ao mesmo tempo. apontamos a contribuição de Marx e Engels (1977). concomitante às crises vivenciadas pela política educacional. Nesse contexto. inicialmente dispor-se a entender que a crise da educação somente é possível de ser compreendida no escopo mais amplo da crise do capitalismo real deste final de século. Essa consideração pode ser explicitada fundamentalmente através dos distantes extremos da régua econômica determinada pela divisão de classes sociais. que. sob o governo Thatcher. 78-79). as suas idéias são as idéias dominantes da época (p. critica. o Estado foi desmontado e gradativamente desativado. a aliança existente entre o Estado de Bem-Estar Social e os sindicatos foi suprimida.13 Assim. regulam a produção e a distribuição de idéias do seu tempo. enquanto os sindicatos foram esvaziados pela retomada política do desemprego. em todas as épocas. o seu poder espiritual dominante. precisamente na década de 1980 na Inglaterra. 56-57). na construção de uma sociedade mais politizada. 1995. Os indivíduos que constituem a classe dominante. ao mesmo tempo. portanto as idéias do seu domínio. ideológico. mas antes de tudo. o campo da educação pública. em especial no campo educativo. “Esse pacote de medidas é o mais sistemático e ambicioso de todas as experiências neoliberais em países de capitalismo avançado” (ANDERSON. cuja análise fica mutilada pela crise teórica (FRIGOTTO. também têm. dominam também como pensadores. portanto. As idéias dominantes não são mais do que a expressão ideal das relações que precisamente tornam dominante uma classe. influenciam e determinam as políticas públicas. A classe que tem à sua disposição os meios para a produção espiritual. Sobre essa influência exercida pela lógica do capital. na medida. entre outras coisas. nos primeiros anos de implementação da política respaldada nos princípios neoliberais. com a diminuição dos tributos e a privatização das empresas estatais. Trata-se de uma crise que está demarcada por uma especificidade que se explicita nos planos econômico-social. ou seja. 12). a classe que é o poder material dominante da sociedade é. enfraquecendo a classe trabalhadora e diminuindo ou neutralizando a força dos sindicatos. e menos desigual. acaba por sofrer drasticamente com a reforma estatal. submetidas em média as idéias daqueles a quem faltam os meios para a produção espiritual. . no plano internacional e com especificidades em nosso país. é evidente que o fazem em toda a sua extensão. e.

refração a controles democráticos. que há muito vem determinando a condução das políticas dos países periféricos. de Marx e Engels (1978). Dessa forma. onde nichos de razoável qualidade canalizam recursos públicos desproporcionais para o atendimento de estratos já bem aquinhoados da sociedade. onde apontam a necessidade da responsabilidade estatal pela educação. É neste momento que são criadas a CEPAL e a UNESCO. o tema do desenvolvimento aparece como problema mundial. inépcia. o que se encontra é um sistema escolar sofrível em todos os termos. Além disso. A segunda com suas ações voltadas especificamente para as áreas de educação. Organização das Nações Unidas para a Educação. A primeira instituiu-se com o objetivo de implementar e acompanhar políticas econômicas e sociais na América Latina. em conluio com o uso político menor de um sistema gigantesco e tão fundamental para as famílias em geral. eis o quadro presente da escola no Brasil. pelos interesses e hegemonia dos países desenvolvidos. que ainda caracteriza-se por uma pedagogia da exclusão. p. Ciência e Cultura (UNESCO). mau uso de recursos públicos. podem ser melhor entendidas se tomarmos como exemplo a política educacional vigente no Brasil.14 Uma outra reflexão sobre a possível influência burguesa na política educacional é destacada na “Crítica da educação e do ensino”. 45). A argumentação é poderosa: após décadas de gestão estatal. Em suma. farta politicagem deforma o caráter presumivelmente democrático do serviço público. favorecimento. já que esse repúdio era a forma de impedir que a burguesia contasse. onde as lacunas da ação estatal podem ser melhor verificadas na realidade escolar. insistir na receita? Melhor não seria experimentar uma estrutura alternativa a um sistema educacional unanimemente reconhecido como fracassado? (COSTA. Organização Mundial do Comércio (OMC) e o Fundo Monetário Internacional (FMI). beneficiando setores intermediários do sistema educacional (burocratas). Ao final da década de 1940. com todo o aparato escolar posto a seu serviço. na qualidade de organismos integrantes da Organização das Nações Unidas. ciência e cultura. então. clientelismo. sem levarmos em consideração as transformações societárias e econômicas desencadeadas particularmente pela chamada globalização do mercado. explicitadas fundamentalmente através das ações governamentais. Grupo Banco Mundial (BM). não podemos pensar na política educacional. espelho de uma sociedade absurdamente desigual. além dos outros poderes de que já dispunha. corrupção. e consequentemente pelo predominio. dentre os quais podemos destacar: Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (CEPAL). 1999. Por que. a grosso modo. capitaneados pelos organismos internacionais do capital. Os interesses e os ideais da classe dominante. mas advertem e repudiam o controle do Estado exercido sobre ela. A criação destes .

1). o pais tomador está mergulhado em condicionalidades que expressam a ingerência do BM e do FMI nas políticas macroeconômicas e nas políticas setoriais dos países devedores. A autora continua. a interferência dos organismos internacionais na definição da política educacional brasileira se desencadeia na passagem da década de 1970 para a década de 1980. p. cultural e político que exercem a partir da exigência de cumprimento de condicionalidades. p. A partir da década de 1960. utilizando a Teoria do Capital Humano para nortear suas ações na área educacional.15 organismos é atravessada por dimensões econômicas – pela necessidade da crescente expansão do capital – e também por dimensões políticas e culturais – no sentido de garantir a segurança e a legitimidade necessárias a esta expansão (LIMA. na qual se insere a reforma educacional” (IDEM. destacamos a contribuição de Costa (1999). A cada empréstimo. fundamentalmente críticas dos arranjos compensatórios dos Welfare States. atrelando a renegociação da dívida externa ao aval destes organismos. “na essência deste processo estava a reforma do Estado brasileiro. FMI) para concessão dos empréstimos (LIMA. ao apontar que: O poder dos centros financeiros sobre os devedores amplia-se na razão direta da deterioração dos termos de troca para estes últimos e da dependência cada vez mais acentuada de “favores” frente a débitos que não podem ser honrados. 145). Simultaneamente. sob a aparência de assessorias técnicas. Assim. mas. ou simplesmente democratização. 2005. por razões que estão longe das pretensões deste artigo explicar. como conseqüência da adaptação dos vários países periféricos ao projeto dominante de industrialização mundial. entendido em uma perspectiva de passagem progressiva do subdesenvolvimento para desenvolvimento. Nessa mesma direção. a CEPAL passa a trabalhar com a estratégia do planejamento como instrumento deste desenvolvimento. As respostas para a crise consubstanciadas em . fizeram com que o BM e o FMI impusessem programas de estabilização e ajuste na economia brasileira. os governos de países sede das instituições financeiras passam aceleradamente a mãos de coligações conservadoras. ao controle econômico. O Banco Mundial/BM e o Fundo Monetário Internacional/FMI nascem também na década de 1940 com a finalidade de articulação de uma nova ordem mundial no pós-guerra. BM. no período de redemocratização. A história destas organizações está ligada ao aspecto financeiro. no sentido de garantir estabilidade econômica e segurança ao movimento internacional do capital. De acordo com Lima (2005). apontando o papel desempenhado pelos outros organismos internacionais do capital: A atuação da CEPAL durante as décadas de 1940 e 1950 foi marcada pela teoria do desenvolvimentismo. p. a crise brasileira e de outros países periféricos que construíram seus processos de desenvolvimento respaldados na fartura de capitais disponibilizados no mercado internacional. a articulação entre os vários organismos (BID. 1). inclusive com “condicionalidades cruzadas” – ou seja. 2005. sobretudo. ao fornecimento de empréstimos aos países periféricos.

qualidade e equidade. altamente interventor. a idéia de Estado mínimo significa o Estado suficiente e necessário unicamente para os interesses da reprodução do capital (FRIGOTTO. da caótica situação do ensino público em geral. As próprias bases culturais sobre as quais tal pensamento se estabeleceu parecem esvanecer. Na realidade. pela ineficiência.. da crescente oferta de escolas privadas e. Um exemplo desse fenômeno pode ser melhor explicado partindo da inúmera multiplicação do Terceiro Setor. privatização de empresas públicas. o direito à saúde. 1999. em especial a educação. desencadeie tal processo (p. educação. manifestada através da desregulamentação. pelo privilégio. sendo fortemente percebida através do sucateamento das universidades públicas. Acompanha este processo o avanço da corrente teórica posteriormente identificada como neoliberal – cujo prefixo neo vem do paradoxo entre a preconização de esvaziamento da esfera de ingerência do estado sobre o mercado e a necessidade de que um estado forte. Tudo isto passa a ser comprado e regido pela férrea lógica das leis do mercado. Desta idéia-chave advém a tese do Estado mínimo e da necessidade de zerar todas as conquistas sociais. 52). etc. 1999. sua privatização desencadeia-se a passos largos. como o direito a estabilidade de emprego. principalmente. e sobre os impactos causados pelos organismos internacionais na política educacional brasileira. soberania do mercado e esvaziamento da intervenção dos estados nacionais (COSTA. A educação acaba por assumir integralmente o papel de serviço e mercadoria.. Percorrendo sobre as questões implicadas na ordem comercial mundial. A idéia-força balizadora do ideário neoliberal é a de que o setor público (o Estado) é responsável pela crise. acaba por caracterizar-se na redução da responsabilidade estatal na aplicação das políticas públicas. O caminho adotado para a superação da crise. transportes públicos. 50). num mundo cada vez mais bombardeado pelas idéias de competitividade. p. apontado como uma grande novidade para as diversas problemáticas. e que o mercado e o privado são sinônimo de eficiência. A ofensiva se dá sob condições sócio-políticas consideravelmente adversas para os defensores de que a desigualdade é o problema central de nossas sociedades. [.] um elemento de novidade está na busca de caracterizar como conservadores os projetos e discursos que defendam políticas conduzidas por um estado preocupado em corrigir as desigualdades sociais. em virtude da ordem comercial mundial. terceirização de serviços prestados e outras ações com o objetivo de transferir a responsabilidade do Estado. Lima (2005) destaca: . p.16 políticas econômicas ortodoxas assumem preponderância cada vez maior. 83-84). gerando na sua proposta um certo equívoco sobre as diversas manifestações da questão social.

remetem à mercantilização da educação desencadeada pelo complexo movimento do capital em busca de novos mercados para exploração lucrativa. Os reflexos causados no cenário nacional através da concepção de mundo burguesa. A educação moderna vai se configurando nos confrontos sociais e políticos. através da visão da difusão da concepção de mundo burguesa.17 Nos últimos anos da década de 1990. se considerarmos que a educação é algo que pode ser conduzido para ajudar na libertação ou na dominação dos seus sujeitos. impulsionada pelo desenvolvimento das inovações tecnológicas (p. os valores e os interesses de quem a direciona. como de controlar a liberdade dos . Assim. e como expressão dessa lógica podemos destacar a estagnação da resistência social e dos movimentos sociais. Esta visão de mundo difundida pelo ideário burguês acaba sendo enraizada e materializada na sociedade brasileira. ora como um dos instrumentos de conquista da liberdade. de racionalidade e de submissão suportáveis pelas novas formas de produção industrial e pelas novas relações sociais entre os homens. Percebe-se uma constante: a educação passa a ser encarada como santo remédio. da participação e da cidadania. A lógica neoliberal acaba por situar o mercado como fundamental regulador e definidor das relações humanas. a educação não tem possibilitado o que denominamos como processo de formação da consciência política. Justamente porque a educação no Brasil é gerenciada pela lógica do capital. acompanhou os processos das lutas de classe. sendo norteada particularmente pelos interesses econômicos internacionais. O terceiro se expressa no incentivo ao investimento na educação à distância. O segundo refere-se à constituição das universidades corporativas implementadas nas ou pelas empresas. no sentido de despertar maior resistência da classe trabalhadora contra a histórica subalternidade e injustiça que o capitalismo lhes remetem. elementos de continuidade e novas expressões vêm à tona no que tange ao processo de abertura do setor educacional como opção de investimentos de grupos privados. dessa forma. a concepção da educação enquanto estrutura norteadora na construção de uma sociedade justa e cidadã perpassa pelos mecanismos e intenções na qual sua interferência será utilizada. com três aspectos importantes. ora como um dos mecanismos para controlar e dosar os graus de liberdade. O elemento de novidade é o crescente empresariamento da educação. sendo cada vez mais significativos na região os incentivos para que universidades públicas e privadas associem-se às universidades estadunidenses e européias. na aprendizagem promovida pela educação está implicada antes de tudo. O prrimeiro diz respeito à globalização crescente dos sistemas educacionais na América Latina. 6). Nos moldes contemporâneos. e seu desenvolvimento em todos os âmbitos e espaços. transmitindo a idéia de que a igualdade e a justiça social são elementos nocivos à eficiência econômica. de civilização. capaz tanto de tornar súditos cidadãos livres. O elemento de continuidade é garantido pelo reforço à concepção de educação como estratégia de qualificação da força de trabalho para o mercado e também de dominação ideológica.

E a visão de mundo marxista. servindo como referência para compreensão e análise do mundo em períodos históricos diferentes. 41). destacando que os mesmos são uma construção que se faz e se reconfigura sem cessar. As visões de mundo têm nas concepções educativas um significativo ancoradouro. devendo ser compreendido dentro de uma totalidade histórica.18 cidadãos. em . Araújo (2005). da política. p?). 2005. 2005. seja em seu processo de explicitação desde o final do século XX. constituem-se respaldadas em um processo histórico. a existência humana implica sua educação. bem como a possibilidade de superá-los com o máximo de consciência possível. em nossa sociedade capitalista e fortemente marcada pela desigualdade social. É evidente que a visão marxista sobre a educação tem um potencial apontado a uma fecunda transformação da sociedade capitalista e de sua superação. e remetendo ao marxismo uma específica visão de mundo. com suas vertentes e tendências. guarda estreitas relações com a questão educativa. pois estruturam-se vinculadas a concepções antropológicas: estão implícitas nessas. Nos últimos séculos. da cultura. da economia. entre outras. da moral. dada a sua preocupação com o ser do homem no interior da sociedade capitalista. enfim. que os pensadores que atingem essa consciência conseguem ultrapassar as “questões relativas às gerações com as quais conviveu”. seja em seu nascedouro. as visões de mundo podem sobreviver ou não frente as suas possibilidade de interpretação e intervenção de determinada realidade.36). O autor percorre ainda. do trabalho. colocando-se esta como uma dimensão irredutível da mesma (ARAUJO. remetendo ao marxismo e sua visão de mundo a essa condição. pois. 2003. p. posturas a respeito da história. da sociedade. Afinal. p. a distribuição da dose de educação passa a estar condicionada ao destino de cada individuo na nova ordem social e à dose de poder que os diversos grupos sociais vão conquistando (ARROYO. sejam eles escolares ou não-escolares. e sua sobrevivência e viabilidade será sancionada diante das possibilidades interventiva nos projetos que visam a “superação de problemas de ordem societária” (ARAUJO. considerando que a mesma se constitui na consciência dos problemas enfrentados pelos homens. pela concepção e definição do que é uma visão de mundo. destaca também. essas são dimensões que expressam o ser do homem. pontua algumas questões referentes ao posicionamento de Marx a respeito do campo educativo e dos sistemas educacionais. Dessa forma. A contribuição sobre o papel da educação em nossa sociedade remete-nos a questionamentos sobre o verdadeiro posicionamento dos mecanismos educacionais. da existência.

. “como se tratasse de escolher o chefe de um esquadrão de cavalaria. A comparação não perdeu nada de sua terrível exatidão. ou seja.] nada menos do que o seu Chefe de Polícia [. 182). 44). pois “a classe detentora do poder na sociedade é também detentora do controle . Então. defende os interesses do Estado. A educação... a escola continuará sendo uma simples engrenagem dentro do sistema geral de exploração. como os outros. na tentativa de modificar a realidade. a visão de mundo marxista mostrar-se-á integramente em consonância com seu projeto “a favor da libertação das classes populares. Nesse sentido. o exercício teorizante só pode ser verdadeiro se se tornar ação. que. devendo ser posta em ação. o Senhor Restaurador pensou ver nas poucas escolas que havia autorizado a funcionar focos de agitação e de rebeldia. nomeou como Diretor do Ensino Primário [. ou de uma corte pretoriana. é invocada como instrumento de transformação das relações de produção vigentes” (ARAUJO. com um gesto digno dele. Fortalecendo a discussão sobre o papel da educação na sociedade de classes. p. demonstrando sua relação com o Estado através da institucionalização do ensino. 2005.. Quando. do ambiente escolar. e o corpo de mestres e de professores continuará sendo um regimento. considerando a influência exercida pelas classes detentoras do poder. p. Tal argumentação remete ao entendimento da educação como processo de perpetuação e indução de cultura que se dá no convívio entre gerações em uma sociedade. O autor evidencia o papel da educação em qualquer tipo de sociedade. por conseguinte. p. em 1842.] (PONCE. trata de encaminhar as reflexões tendo em vista a prática. destaca “que a educação é processo mediante o qual as classes dominantes preparam na mentalidade e na conduta das crianças as condições fundamentais da sua própria existência”. apesar do decorrer dos séculos. Aníbal Ponce (2001. porém nunca desligado de proposições concretas que devem apontar para a transformação (ARAUJO. começou a oposição contra a tirania. no modelo educacional. Essa perpetuação pode ser melhor compreendida se considerarmos que: Quando estudamos a educação em Roma. o tirano argentino Juan Manuel Rosas deixou bem esclarecidas as relações efetivas que existem entre o Estado e a Escola. 2001. vimos que Eumenes elogiava o zelo com que o Imperador escolhia os professores. Enquanto a sociedade dividida em classes não desaparecer. Mais franco do que todos os seus predecessores.19 relação a outras concepções educacionais. A operacionalização através da ação da teoria torna-se característica fundamental da proposta educativa marxista. 2005. uma locução contemporânea que tem concreção vinculada às relações e aos meios de produção. ao estabelecer que a teoria apenas possibilita dentro desse espaço a interpretação da realidade. pois. A atividade intelectual tem seu momento. 46). E isso advém primeiramente de sua própria natureza epistemológica e metodológica: situando a educação como prática social. p.169). somente assim.

A criticidade elimina a alienação para ser uma força de mudança. uma educação como ação estratégica que merece ser sonhada e efetivada.] defende uma educação libertadora da opressão da exploração do homem. mas verdadeiramente pautada na participação dos sujeitos. ideológica. poder decidir sobre a sua vida social. Paulo Freire (1994) na obra Pedagogia da Esperança aponta para uma educação pautada na criação de um homem novo. que: [. a conquista de um mundo solidário. possibilitando a transformação social. Paulo Freire (1993). A educação dialética é processo de formação e capacitação: apropriação das capacidades de organização e direção. p. esta educação é libertadora na medida em que tiver como objetivo a ação e reflexão consciente e criadora das classes oprimidas sobre seu próprio processo de libertação (VALE. Sobre essa participação encontramos o posicionamento de Freire (1974). na transformação estrutural da sociedade. Seu projeto histórico é explícito: criação de uma nova hegemonia. significa direção cultural. No cerne dessa educação está o homem na postura de auto-reflexão e de reflexão sobre seu tempo e espaço (FREIRE..44). p. de modo organizado. Contribuindo ainda sobre o processo de participação. 1999. A educação nessa perspectiva: [.. como medida de combate à opressão. A educação é projeto e processo.. aponta o caminho a ser seguido na prática educativa: . p. 1974. As condições para a hegemonia dos trabalhadores passam pela apropriação da capacidade de direção. vista como “projeto e processo”. sendo ela escolar ou não escolar. Contrapondo a centralização e o autoritarismo da educação. Isto explica o porquê desses aparatos constituírem o campo de batalha que consolida o tipo de sociedade que se quer reproduzir e perpetuar” (GUTIÉRREZ. 1988.20 cultural dos aparatos educativos. 36). livre de dentro para fora. libertado da opressão e da desigualdade.. Liberdade que ganha sentido mediante a participação livre e crítica dos educandos. a da classe trabalhadora. Para Paulo Freire. desencadeada no cotidiano de forma não isolada. e conseqüentemente a transformação dessa sociedade é o enfoque primordial da educação libertadora. Sendo assim. Hegemonia implica o direito de todos participarem efetivamente da condução da sociedade. fortalecimento da consciência de classe para intervir de modo criativo. 18). política.] tem a função política de criar as condições necessárias à hegemonia da classe trabalhadora.

não permite sua neutralidade. de forma sub-reptícia ou de forma grosseira. crítico. os sonhos porque brigamos. descomprometida. Arroyo (2003) contribui com essa discussão ao destacar que: A tese da imaturidade e do despreparo das camadas populares para a participação e para a cidadania é uma constante na história do pensamento e da prática política. em especial o processo educativo proporcionado pela democracia participativa. Uma das bonitezas da prática educativa está exatamente no reconhecimento e na assunção de sua politicidade que nos leva a viver o respeito real aos educandos ao não tratar. Porém. a educação de forma geral. de impor-lhes nossos pontos de vista. a própria diretividade da prática educativa faz transbordar sempre de si mesma e perseguir um certo fim. O que diferencia. político e democrático. participarem: o dia em que essas elites as julguem capacitadas (p. essa democracia participativa não tem encontrado espaço de efetivação por meio do discurso burguês que remete a sociedade civil a identidade de despreparo e incompetência para lhe dar com a gestão dos bens públicos. quanto na sua interlocução com outros mecanismos que desencadeiam a informação. onde os conflitos sociais. ao mesmo tempo dando-lhes provas concretas. um sonho. Nos curtos momentos de abertura. um dia. p. 37-38). como nos curtos de abertura. 33). intelectuais e educadores. as razões porque pensamos desta ou daquela forma. Tanto nos longos períodos de exclusão do povo da participação. É justamente essa possibilidade de formação para cidadania que a CF de 1988 vai possibilitar com a institucionalização dos Conselhos Gestores. o exercício da cidadania não é permitido porque o povo não está preparado. ainda. irrefutáveis de que respeitamos suas opções em oposição à nossa (FREIRE. Não pode haver caminho mais ético. apolítica. étnicos e culturais são cada vez mais perceptíveis. 1993. mais verdadeiramente democrático do que testemunhar aos educandos como pensamos.21 Não pode existir uma prática educativa neutra. educado para a cidadania responsável. nesse caso especificamente a educação não-escolar. mas. Tanto no possível processo de instrumentalização do indivíduo para que ela os torne cidadão participativo. que devem ser entendidos . os nossos sonhos. o ensino e aprendizagem. uma utopia. Os longos períodos de negação da participação são justificados porque o povo brasileiro não está. não pode distanciar-se da sua potencial e relevante possibilidade de intervenção dessa realidade. o ideal republicano volta. neste particular. as elites autoritárias das liberais é que estas se declaram a favor de educar as camadas populares para. Com a política neoliberal refletida num mundo de desigualdade crescente. não possibilitando uma educação para a cidadania e para uma postura e atuação política que possa contribuir com o processo de transformação da realidade social. e o tema educar para a cidadania passa a ser repetido por políticos.

p. saber que podia saber mais. como espaço democrático de ocupação para acompanhamento dos investimentos públicos. o exercício da democracia. p. 2003b. institucionalizados principalmente através da Constituição Federal de 1988. Entretanto.] ou dos novos fóruns civis não governamentais. de forma que respeite a diversidade. que tomamos como objeto de estudo as práticas participativas da sociedade civil. Como tal. é preciso destacar as devidas distinções que diferenciam os Conselhos Gestores dos Conselhos Comunitários. em que o erro é (ou deveria ser) tão pedagógico quanto o acerto. A educação e a formação permanente se fundam aí (FREIRE. Desenhar espaços participativos e construir a institucionalidade correspondente. mas também como espaço de construção de uma educação verdadeiramente cidadã. é importante destacar o papel da educação informal. tal projeção deve-se principalmente à contribuição de Paulo Freire (1993). da finitude do ser humano. que acabamos por denominar como Controle Social. [. Mais ainda. de um lado. não possuem assento . porque estes últimos são compostos exclusivamente de representantes da sociedade civil. pelo fato de. em nome da cidadania de todos. é um processo. Diante do exposto. ao longo da história. entendidas nesse trabalho como processo de efetivação da democracia participativa e viabilizadas principalmente pelos conselhos e fóruns. ou seja. ter incorporado à sua natureza não apenas saber que vivia mas saber que sabia e. pois. não uma engenharia de regras. seja plural. 1993.. que transcende os muros escolares. ele demanda tempo. exige articulações políticas que superem os faccionismos e costurem alianças objetivando atingir determinadas metas (GOHN. cujo reconhecimento tem se fortalecido nas últimas vinte décadas. da consciência que ele tem de sua finitude. assim. não se limitando exclusivamente ao período escolar. cujo poder reside na força da mobilização e da pressão e. oportunizando e assegurando os espaços para a participação das organizações da sociedade civil. Os conselhos gestores são diferentes dos conselhos comunitários populares. Embasados na perspectiva da junção entre educação e formação permanente. 20).22 também em uma perspectiva maximizadora.. de outro. Contudo. 64). aberto às identidades de cada grupo/organização/movimento. usualmente. “o ser humano jamais para de educar-se”. ao definir a educação como um processo que se perdura por toda a vida. ou seja. é construído por etapas de aproximações sucessivas. esse processo é permanente: A educação é permanente na razão.

haja vista a possibilidade de esses conselhos funcionarem como mecanismos de ampliação da participação popular. Os conselhos gestores são diferentes também dos conselhos de “notáveis” existentes em algumas áreas do governo – como educação. 2006. demonstram. p. 85). que ora se mostram inteiramente cooptados pelos interesses burgueses e ora evidenciam a autonomia das classes populares. Essa dualidade de caracterização dos Conselhos Gestores. como a direção escolar e os demais funcionários da instituição de ensino. sobretudo a contraditoriedade no movimento da sociedade civil. pois as competências atribuídas aos seus membros refletem diretamente na condução da gestão socioeconômica da unidade de ensino. pois apesar de ser constituídos por membros da comunidade escolar. Na cultura política brasileira. também fazem parte representantes do poder público.23 institucionalizado junto ao poder público. objeto de investigação desse estudo. . a mesma não pode ser entendida como intervenção indireta. 43). saúde etc. Nesse contexto. em virtude da frágil condição de reconhecimento político e jurídico desses direitos para segmentos expressivos dessa sociedade. A intenção é que. – pelo fato de eles serem formas de assessoria especializadas e incidirem na gestão pública de forma indireta (GONH. p. com a defesa da proposta de gestão democrática “dos negócios públicos” fazia-se uma importante aposta política nas atuações dos conselhos gestores de políticas públicas. 2003. No tocante a incidência de suas ações na gestão pública. mediante essa participação. Tal diferenciação remete-nos a concepção de que os Conselhos Deliberativos da Comunidade Escolar acabam se inserindo dentro da definição de Conselhos Gestores. devendo ser levado em consideração principalmente as condições objetivas para a efetivação da cidadania. os direitos sociais ora poder ser assimilados como fonte de legitimação política dos interesses das elites dominantes e dos setores governantes. que é colocada como meta primordial aos seus respectivos representantes. os conselhos gestores podem pôr freio às ações que pretendem desrespeitar os direitos sociais. ora como conquista dos segmentos organizados da classe trabalhadora (BIDARRA.

observação participante nas reuniões do CDCEs. o desenvolvimento do estudo toma por base teóricometodológica o ensaio preliminar que delimita e problematiza o objeto da pesquisa e as obras indicadas nas Referências Bibliográficas do projeto. elaboração e aplicação da entrevista semi-estruturada junto aos conselheiros do CDCEs (PORQUE A ENTREVISTA? COMO SERÁ APLICADA? ONDE? QUAIS E QUANTOS SUJEITOS?).     análise de documentos e atas das reuniões do CDCEs (PORQUE?). A avaliação do rigor dos estudos desenvolvidos na pesquisa decorrerá da relação orgânica entre os fundamentos conceituais e os fatos observados. Serão utilizados os seguintes procedimentos teórico-metodológicos:     levantamento bibliográfico (COMO? PRIVILEGIANDO O QUE? ENFATIZANDO QUAIS CATEGORIAS?). que privilegia uma abordagem amparada pelos referências da teoria social crítica. Em termos empíricos. observação participante nas reuniões do CDCEs (FALAR SOBRE ESSA TÉCNICA: PORQUE UTILIZA-LA? COMO SERÁ UTILIZADA?). interpretação de dados. análise de dados. desencadeada através de estudos documentais.24 IX – PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS Em termos teóricos. 1994). . e aplicação de entrevistas semi-estruturadas junto aos Conselheiros do Conselho Deliberativo da Comunidade Escolar. o levantamento de dados fundamenta-se na tradição da abordagem qualitativa (MINAYO. elaboração de Relatório Final de Pesquisa em formato de Monografia. estudo bibliográfico.

Realização das entrevistas junto aos conselheiros 8. Elaboração do Relatório Final de Pesquisa em formato de Nov/Dez/2007 monografia . Analise e interpretação dos dados Período Abril/2007 Todo período Agosto/2007 Ago/Set/Out/2007 Ago/Set/Out/2007 Setembro/2007 Outubro/2007 Set/Out/Nov/2007 9. Elaboração do roteiro de observação 4. Análise de documentos e atas das reuniões do CDCEs 6. Observação participante nas reuniões do CDCEs 5. Levantamento Bibliográfico 2. Estudo Bibliográfico 3.25 X – CRONOGRAMA DE ATIVIDADES Descrição da Atividade 1. Elaboração do roteiro de entrevista 7.

Z. de Marco Aurélio Nogueira. BIDARRA. COSTA. 2003b. A. A Educação em tempos de Conservadorismo. 1995. & SAVIANI. Petrópolis: Editora Vozes. 1999. 2ª edição. Coleção . São Paulo: Cortez. N. BRAVO.23. BEHRING. 2003. 1994.) Pedagogia da Exclusão: Crítica ao neoliberalismo em educação. G. G. Educação e Cidadania: quem educa o cidadão? 11ª edição. v. & GENTILI. O conceito de sociedade civil. ____________. O embate marxiano com a construção dos sistemas educacionais.26 XI – REFERÊNCIAS BIBLIOGRAFICAS ANDERSON. S. 1986. _____________. Política e Educação: ensaios. & PEREIRA. In: SADER. E. N°88. O futuro da democracia. In: Revista Serviço Social & Sociedade.). GONH. (Orgs. Educação e Exclusão da Cidadania. P. In: LOMBARDI. Ano XXVI. Petrópolis: Editora Vozes. Pósneoliberalismo: as políticas sociais e o Estado democrático. Educação como prática da Liberdade. Educação permanente e as cidades educativas. Polêmicas do Nosso Tempo. D. (Org. Rio de Janeiro: Paz e Terra. Rio de Janeiro: Paz e Terra. M. 1993. São Paulo: Paz e Terra. In: GENTILI. 2006. São Paulo: Cortez. Marxismo e Educação: debates contemporâneos. Coleção questões de nossa época. 1974. M. 1982. __________. São Paulo: Cortez. In: BUFFA. BOBBIO. P. Rio de Janeiro: Edições Grau. São Paulo: Cortez. Conselhos Gestores e Participação Sociopolítica. São Paulo: Cortez Editora. C. E. 6ª ed. Campinas: Autores Associados. I. ARROYO. G. Trad. 2005. J.). P.) Pedagogia da Exclusão: Crítica ao neoliberalismo em educação. M. 2002. J. NOSSELLA. M. P. (Org. In: GENTILI. Rio de Janeiro: Paz e Terra. Balanço do Neoliberalismo. São Paulo: Cortez. Eliane R. M. Paulo. Os delírios da razão: crise do capital e metamorfose conceitual no campo educacional. ARROYO. Conselhos Gestores de políticas públicas: uma reflexão sobre os desafios para a construção dos espaços públicos. FRIGOTTO. Petrópolis: Vozes. 1999. (Org. FREIRE. 16-26. P. 2003a. Coleção Polêmicas do Nosso Tempo. Política Social no capitalismo tardio. p. S. C. Política Social e Democracia. S. Movimentos Sociais no inicio do Século XXI: Antigos e novos atores sociais. P. 1999. uma defesa das regras do jogo. ARAUJO. ____________. Pedagogia da Esperança. P.

São Paulo: Cortez. São Paulo: Loyola. métodos de criatividade. Acesso em 21/12/2005. São Paulo: Editora Moraes. ___________. LIMA. 2001. LEHER. Classe Social e Status.H. (org).assistentesocial. F. 2000. 2005. Cadernos de EJA. VIEIRA. 1967. MINAYO. 1995.S. Roberto & SETÚBAL. MÉSZAROS. Evaldo. M. Para além do capital. Concepção sócio-progressista da educação: Alguns Pressupostos. 2002. São Paulo: Boitempo.html. 1999. Disponível em http://www. São Paulo: Loyola. E. Mariana (Org. Pensamento Crítico e Movimentos Sociais: Diálogos para uma nova práxis. . 2005. São Paulo: Instituto Paulo Freire. Maria C.27 ___________. Educação como práxis política. A educação para além do Capital.com. Cidadania. Educação e Luta de Classes. Rio de Janeiro: Vozes.). K. São Paulo: Boitempo. 2002. 1997. Pesquisa Social. VALE. J. São Paulo: Boitempo. Teoria dos Movimentos Sociais: Paradigmas Clássicos e Contemporâneos. Rio de Janeiro: Zahar. Democracia contra Capitalismo: a renovação do materialismo histórico. István. teoria. São Paulo: Summus Editorial Ltda. GUTIÉRREZ. 1988. 2005. M.br/cadernos. Aníbal. T. PONCE. Organismos internacionais: o capital em busca de novos campos de exploração lucrativa. 1977. Os Direitos e as Políticas Sociais. A ideologia Alemã. Movimentos e Lutas Sociais na História do Brasil. WOOD. F. São Paulo: Cortez. ________________. 16 ed. & ENGELS. K. São Paulo: Editora Cortez. MARX. MARSHALL.

28 Dimensões Éticas do Projeto de Pesquisa         Direitos Autorais/ Referências. Socialização dos resultados em eventos. Termo de Livre Consentimento. Veracidade nas informações. Sigilo de informações/ Proteção à identidade dos sujeitos. Compromisso com o Projeto Ético-Político. Retorno dos resultados aos sujeitos entrevistados e instituições. . Rigor na transcrição das entrevistas.

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