Universidade Católica de Petrópolis Centro de Teologia e Humanidades Curso de Filosofia – Licenciatura Políticas Educacionais Prof.

Rivo Gianini de Araújo Alexandre Schimel Fichamento do Texto: As Grandes Conferências da Década de 90, as Diretrizes da Política Educacional e o Ensino Fundamental: uma Abordagem – de Sonia Martins de Almeida Nogueira.

Com o intuito de promover uma reflexão sobre a temática das grandes conferências sobre educação acontecidas na década de noventa, e comparando os compromissos do Brasil como signatário destas às políticas educacionais efetivas nos momentos subsequentes, a autora nos introduz um cenário de profundo pessimismo devido à toda a conjuntura sócio / político / econômica descrita. Os motivos das discrepâncias entre os compromissos assumidos e as ações efetivas são longamente discutidos, mas parecem se concentrar em paradigmas muito claros e pontuais como se segue: 1) O paradigma de desenvolvimento sob a ordem capitalista – pode-se resumir todo o absurdo deste cenário com a afirmação de que a simples existência de um termo como políticas sociais sugere que todo o resto do escopo político não é social, ou ainda, não tem nenhum comprometimento com o social. Parece haver nas entrelinhas do texto uma profunda crítica aos interesses reais que movem a política brasileira; a saber, o capital e o lucro. Segundo a autora não pode haver desenvolvimento da educação quando o paradigma norteador das políticas se mostrou ineficaz no que concerne ao alavancamento da qualidade de vida da população como um todo. Outro aspecto claro do pensamento da autora é a inutilidade do modelo legal brasileiro ante às reiteradas decisões de descumprimento deliberado das mesmas seja por parte da população em um âmbito mais direto, seja por parte da classe política no descumprimento dos compromissos firmados em documentos internacionais. 2) A leitura dos textos legais e dos documentos das grandes conferências – aplica-se aqui, mais uma vez, o paradigma do discurso desconectado da ação, e principalmente do interesse prático em cumprir as ações das quais nosso país se fez signatário. 3) O Script ficcional e a inutilidade de discursos de intenções desconectados da realidade – a dificuldade de implementação das diretrizes, mesmo das antenadas com os documentos assinados pelo Brasil, demonstra claramente que o problema, segundo a autora, se revela no âmbito da “vontade política” e não na ação propriamente dita, o que em última análise, apenas refletiria um conjunto de vontades atuantes por parte do poder público. Não se

C. (Org. A. O discurso de capacitação técnica que visaria a própria absorção no mercado 1 NOGUEIRA. na educação pública e democratização da gestão.2 pretende aqui uma repetição enfadonha de todos os contextos e textos apresentados pela autora. FELDMAN. A autora finaliza seu texto com duas questões provocativas e interessantes que mereceriam maior espaço de discussão principalmente no âmbito de um curso de graduação sob o tema de políticas educacionais. da sociedade civil organizada e do sistrema político parece predominar a tese de que cabe à escola fazer do ensino um ato de motivação do processo emancipativo do aluno e criar. e que tem como consequência mais grave o desemprego. F.. b) a melhoria da qualidade de ensino em todos os níveis. sob pena de corroer estes mesmo lucros.. Velhas políticas novas roupagens: o círculo aprisionador do “mesmo-de-sempre”. No espaço da Academia. C. em sua ação educativa. F. R. ou objetivos do PNE: a) elevação global do nível de escolaridade da população.) Administração escolar e política da Educação. o subemprego e a retração dos salários? e b) como antenar uma visão prospectiva da economia visando uma adequação ao enfrentamento das relações internacionais equilibradas sabendo que o exercício pleno dos direitos humanos básicos tem como corolário a educação? Ainda permanece ululante a questão de como implementar as premissas fundamentais. 132 . são elas: a) porque temos um atrelamento das políticas sociais ao desempenho da economia. PINTO. com sucesso. aos quais remetemos o leitor que procure desejável aprofundamento. manter-se preocupado com o bem estar desta mesma “ferramenta”. Como impressão fundamental o texto apresenta a incompatibilidade do sistema capitalista com projetos educacionais que se fundamente minimamente pelo menos na declaração universal dos direitos do homem. As premissas que sustentam esta conclusão são bastante claras e objetivas: um sistema mundial capitalista que minimiza o homem e o “utiliza” apenas como “ferramenta” objetivando o lucro imediato e maximizado não pode. S. percebido na redução de investimentos na área social quando a economia enfrenta redução de índice de crescimento.1 Mesmo as tentativas de ações específicas visando resposta aos desafios socioeducativos têm se mostrado pífias no que concerne a uma efetiva mudança de cenário. porém. SP: UNIMEP. p. Piracicaba.. uma citação em especial merece a transcrição integral por sua clareza e perspicácia: O redimensionamento da função social da educação se configura no perfil ideológico que orienta as discussões sobre projetos políticos de ordenação da sociedade e do Estado. In: SILVA. c) a redução das desigualdades sociais e regionais no tocante ao acesso e à permanência. 1997. M. M. reais possibilidades de formação do cidadão.

. baseado na livre concorrência. e aqui fica a sugestão para discussão destas em formato de fórum. O estado estabelecendo patamares baixos de no que se poderia considera minimamente como perspectiva educacional / social. todos os “ísmos” deixaram de existir. e principalmente. o que acontece é uma desconsideração absoluta da pessoa humana nesta conjuntura. eliminou quase completamente todos os seus concorrentes. qual é o abismo que separa o discurso da ação? Como efetivamente resolver os problemas das conjunturas educacionais reais que infelizmente se encontram também abismalmente distantes dos gabinetes decisórios? Quanto entenderemos que o modelo capitalista encerra em si mesmo a semente da destruição? Tal sistema já provou ter corrompido suas próprias premissas já que. na prática. Em sala de aula.3 produtivo e lucrativo se esvazia quando. como o queremos entender? O texto propõe todas estas perguntas. podemos pesquisar e apresentar propostas de ações concretas que norteariam a vida acadêmica de cada um e de todos os envolvidos. Quanto tempo levaremos para compreender que a alternativa a uma mudança de paradigma é a completa aniquilação do homem como o entendemos. Afinal. nivelam todo o elenco decisório para uma ridícula possibilidade “subnacional”.

Sign up to vote on this title
UsefulNot useful