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Formar as Vozes que Contam Amílcar Martins 1

Contém 37 páginas

AMÍLCAR MARTINS, Ph.D. Ciências de Educação, Artes, Montreal


Professor no Departamento de Ciências de Educação
Coordenador do Mestrado em Arte e Educação
Investigador no CEMRI – Centro de Estudos das Migrações e das Relações Interculturais
Universidade Aberta Rua da Escola Politécnica, nº 147 1269-001 Lisboa Portugal
www.univ-ab.pt amilcarmartins1@gmail.com
_________________________________________________________________________________________________________________

BECRE da Escola Básica dos 2º e 3º Ciclos Serra da Gardunha


Fundão, 21 de Novembro de 2008

LER, CRESCER E CONVIVER

Formar as Vozes que Contam


Sinopse da Oficina

A sessão reveste-se de um dispositivo oficinal, privilegiando a


experimentação e a prática, articulando-as com breves explanações
fundadas em algumas das técnicas e abordagens artístico-
comunicacionais contemporâneas centradas no corpo, na voz e na
linguagem oral.
A experiência deverá conduzir à revitalização da consciência dos
participantes sobre o papel vital dos instrumentos e estratégias de
protecção e utilização do aparelho fonador e da voz, bem como à
compreensão sobre a adequação da performance oral a diversos contextos
de comunicação, designadamente os rituais ficcionais de contar histórias.
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Objectivos gerais da Oficina

Experimentar, vivenciar e consciencializar algumas das vias e heranças


multiculturais oriundas do património natural e construído centradas na
oralidade e na voz;
Identificar e reportoriar algumas das técnicas de produção e expressão
vocal;
Conhecer e identificar alguns dos elementos determinantes para uma
produção e expressão vocal de qualidade;
Produzir colectivamente um ritual de comunicação baseado no acto de contar.

Conteúdos Programáticos
SER
Amigo do Corpo (estar no corpo)
Amigo da Paisagem Sonora (estar à escuta)
Amigo da Palavra (estar por dentro da palavra dita)
Amigo do Livro (estar em viagem pelo imaginário do livro)
Amigo da Comunicação (estar em relação com o outro)
ESTAR
Em busca da boa forma (a energia - o CHI)
Com o Corpo
Com o Mental
Com o Espiritual
TER
Cuidados (cuidar de si)
Com o Corpo
Com a Voz
Com a Saúde
EXERCITAR
Técnicas de expressão e de comunicação
Corporal e vocal
Postura e atitude
Respiração
Máscara facial
Caixas de ressonância
Articulação e dicção
Volume e projecção vocal
LER
Em voz alta
DIZER (dire)
REPRESENTAR E TEATRALIZAR
PARTILHAR HISTÓRIAS PARA CONTAR
Criar ambientes ritualísticos ficcionais
Mandala dos contadores
Contos
Contador
Audiência

COMUNICAR A ARTE DE CONTAR


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Actividades de expansão da Oficina

(Págs. 4-9)

Actividade 1 ESTUDO SOBRE OS APARELHOS VOCAL E


AUDITIVO

• Objectivo: Identificar e conhecer algumas das


características básicas dos aparelhos vocal e
auditivo.

(Págs. 10-32)

Actividade 2 ACTIVIDADES DE AUDIÇÃO, DE EXPRESSÃO


CORPORAL E DE EXPRESSÃO VOCAL

• Objectivo: “Ouver”, explorar e analisar o


cdáudio voz na perspectiva do
desenvolvimento da audição, da expressão
corporal e motora, bem como da expressão
vocal.

(Pág. 33)

Actividade 3 ACTIVIDADE DE APRECIAÇÃO ESTÉTICA E


SONOPLÁSTICA

• Objectivo: Apreciar e comentar a


comunicação estética e publicitária da(s)
voz(es) e do(s) corpo(s) como instrumento(s)
de invocação de paisagens sonoplásticas.

Bibliografia
(Pág. 34)

Ficha de auto-aprendizagem
(Pág. 37)
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Actividade 1 ESTUDO SOBRE OS APARELHOS VOCAL E


AUDITIVO

OBJECTIVO:

IDENTIFICAR E CONHECER ALGUMAS DAS CARACTERÍSTICAS


BÁSICAS DOS APARELHOS VOCAL E AUDITIVO.

MATERIAIS DE APOIO:

! Sobre o aparelho auditivo:

Analise o conteúdo do site http://audiodata.no.sapo.pt/fisio01.htm

! Sobre o aparelho vocal:

Analise as imagens (em anexo) retiradas do artigo:

PARENT, François. (1992). “L’appareil vocal”, in Jacques


VERMETTE et Richard CLOUTIER (dir.). La parole
en public, pp 1-14. Québec: Les Presses de l’Université
Laval.
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in PARENT, François. (1992: 2).


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in PARENT, François. (1992: 3).


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in PARENT, François. (1992: 5).


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in PARENT, François. (1992: 6).


Formar as Vozes que Contam Amílcar Martins 9

in PARENT, François. (1992: 7).

! SOBRE O APARELHO AUDITIVO:

Veja o site http://audiodata.no.sapo.pt/fisio01.htm


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ACTIVIDADE 2 ACTIVIDADES DE AUDIÇÃO, DE


EXPRESSÃO CORPORAL E DE
EXPRESSÃO VOCAL

OBJECTIVO PRINCIPAL:

“OUVER”, EXPLORAR E ANALISAR O CD ÁUDIO VOZ NA


PERSPECTIVA DO DESENVOLVIMENTO DA AUDIÇÃO, DA
EXPRESSÃO CORPORAL E MOTORA, BEM COMO DA
EXPRESSÃO VOCAL.

MATERIAIS DE APOIO:

Actividades sugeridas em anexo e que acompanham o CD


ÁUDIO VOZ:

MARTINS, Amílcar (Voz) e FIRMINO, Joaquim


(Sonoplastia). (2004). Voz. Lisboa: Universidade
Aberta. 54’ 16’’.
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ACTIVIDADES A REALIZAR
COM O CD ÁUDIO VOZ *
MIN./ EXPRESSÃO EXP. VOCAL E
PISTA TÍTULO SEG. AUDIÇÃO CORPORAL LEITURA EM
VOZ ALTA
LONG LONG
01 DESCOBRE...
por 13’28’’ SIM — —
Amílcar Martins
DIABO
02 NO CORPO
por 04’18’’ SIM SIM SIM
Pedro Abrunhosa
CORPO E
03 RESPIRAÇÃO
por 09’09’’ SIM SIM SIM
Amílcar Martins
DICÇÃO MÁ MÉ MI
04 MÓ...
por 07’28’’ SIM SIM SIM
Amílcar Martins

05 DICÇÃO...
por 04’31’’ SIM SIM SIM
Amílcar Martins

06 PROCISSÃO
por 02’50’’ SIM SIM SIM
João Villaret

07 A RÃ
por 00’43’’ SIM — —
Gangan Bambu

08 LADAÍNHA
por 02’04’’ SIM — —
Maria Bethânia

09 N’GOLA
por 02’57’’ SIM — SIM
Amílcar Martins

10 IRACEMA
por 06’30’’ SIM — SIM
Amílcar Martins

* “OUVER” E EXPLORAR O CD ÁUDIO VOZ:


MARTINS, Amílcar e FIRMINO, Joaquim. (2004). Voz. Lisboa:
Universidade Aberta. 54’ 16’’.
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ACTIVIDADES A REALIZAR
COM O CD ÁUDIO VOZ
MIN./ EXPRESSÃO EXP. VOCAL E
PISTA TÍTULO SEG. AUDIÇÃO CORPORAL LEITURA EM
VOZ ALTA
LONG LONG
01 DESCOBRE...
por 13’28’’ SIM — —
Amílcar Martins

! A audição da história LONG LONG DESCOBRE OS SONS DE


MACAU deverá ser feita em condições espácio-temporais e
ambientais que proporcionem relaxamento, concentração e
atenção receptiva.

! Procure identificar as especificidades expressivas geradas pelos


três níveis do(s) discurso(s) que estão presentes:

i) a narrativa literária, o estilo e a(s) mensagem(s) do


TEXTO;

ii) a INTERPRETAÇÃO dada pela VOZ E PELA LEITURA;

iii) as opções SONOPLÁSTICAS E MUSICAIS.

! Finalmente, elabore uma síntese e partilhe-a com os colegas,


sobre a sua própria representação crítica e visão pessoal da
paisagem sonora da narrativa da história de LONG LONG
DESCOBRE OS SONS DE MACAU.

NOTA: o texto LONG LONG DESCOBRE OS SONS DE MACAU está


publicado em MARTINS, Amílcar. (Coord.). (2002).
Didáctica das Expressões. Lisboa: Universidade Aberta.
(pp 154-157).
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1
LONG LONG DESCOBRE OS SONS DE MACAU
Texto: Amílcar Martins

LONG LONG é um belo dragãozinho que vive lá no Norte,


muito próximo de Pequim, perto das célebres muralhas da
China.

LONG LONG é também um viajante, gosta de descobrir, de


conhecer.

Quando chegou o início do mês de Junho, LONG LONG resolveu


ir conhecer um outro lugar situado no Sul da China. Esse lugar
chama-se Macau. Ou Mun, em chinês, e também Cidade do Nome
de Deus, um nome que foi colocado pelos portugueses.

1
A história de LONG LONG DESCOBRE OS SONS DE MACAU encontra-se:
• Publicada em MARTINS, Amílcar. (Coord.). (2002). Didáctica das Expressões. Lisboa: Universidade Aberta. (págs. 154-
157). Os desenhos das crianças chinesas Mei Teng, Mak Sio Fai e Man Wai estão disponíveis na edição deste
documento;
• Gravada no CDáudio MARTINS, Amílcar e FIRMINO, Joaquim. (2004). Voz. Lisboa: Universidade Aberta, Pós-Graduação
em Comunicacional Multimédia. (Pista 1: LONG LONG DESCOBRE OS SONS DE MACAU, 13’28’’. Narração
da história por Amílcar Martins; Sonoplastia de Joaquim Firmino, baseada em excertos do CDáudio musical “Junção”, 1999,
de Rao Kyao acompanhado pela Orquestra Sinfónica de Macau).
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Para partir à descoberta de Macau, LONG LONG decidiu fazer


uma experiência única: viajar de avião e desembarcar em
Taipa, no Aeroporto Internacional de Macau.

LONG LONG já tinha ouvido falar que Macau era um lugar


muito bonito e valioso. Um lugar único onde viviam em
harmonia muitas pessoas de culturas diferentes: chineses,
portugueses, filipinos, tailandeses, ingleses, franceses, etc...

— Oh, que bonito! Aqui falam-se muitas línguas e


escrevem-se também de forma muito diferente!

Mas LONG LONG tinha para aquela viagem um objectivo


muito importante: descobrir a paisagem sonora de Macau. Ele
sabia que os sons se renovam todos os dias. Por isso, os seus
ouvidos estavam muito mais abertos e atentos.

— Como seriam os sons do ambiente acústico de Macau?

Sons de vozes humanas a falarem, a cantarem, a gritarem, a


sussurrarem. Sons de pássaros e de outros animais. Sons de
carros em movimento e de máquinas a trabalharem. Sons de
perigo, sons de aviso. Sons fortes, sons fracos. Sons agudos, sons
graves. Sons bonitos, sons feios. Sons agradáveis, sons
desagradáveis. Sons modernos, sons antigos. Sons de lembranças
quase a desaparecerem. Sons pequeninos e de quase nada...

Lá dentro da sua barriga um pequeno ruído lembrou-lhe que


precisava de alimento.

— Ah! Como havia coisas tão agradáveis para comer!

Naquele tempo de inícios de Junho, havia o Chong, um arroz


embrulhado em folhas de bambú com feijão, gema de ovo e
carne.

E LONG LONG provava todos aqueles sabores.

Uma barrigada arredondava ainda mais as formas de LONG


LONG.

— Tinha que parar de experimentar mais sabores, dizia-


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lhe alguém.

De repente, sons fortes de aviso e de perigo chamavam a atenção


dos transeuntes e dos automobilistas. Eram sons intermitentes de
buzinas de automóveis, e também um som contínuo de uma
ambulância que passava muito rapidamente.

Mais à frente, LONG LONG reparava que edifícios muito altos


estavam ainda em construção. Como ele se sentia tão pequeno.
Olhava para cima e sentia-se quase como uma pulga.

O catrapila batia e batia e provocava um som de metal muito


ruidoso. Era a poluição sonora a desequilibrar o ambiente.

— Oh! Não! Que barulho! Que ruído! É preciso tanto


barulho para fazer todos estes arranha-céus?

Ao virar de uma esquina, LONG LONG ouviu alguns sons que


lhe eram familiares. Aproximou-se daquele lugar onde se
produziam sons estridentes e barulhentos, mas, por vezes,
ritmados e melódicos. Eram os sons musicais das danças do leão
e do dragão que anunciavam uma festa...

Aqueles sons conduziam LONG LONG ao belo espaço de


recepção da cidade. Ali, no Largo do Senado, muitas pessoas se
juntavam. À volta, os edifícios europeus e o chão de pedrinhas
pequeninas, em preto e branco, embelezavam o espaço. Um palco
apresentava grupos de cantores, de músicos e de bailarinos que
participavam numa festa dedicada ao Ambiente. Crianças,
jovens e adultos davam-lhe as boas vindas com uma bela canção
em português e em chinês. Era a «Canção do Ambiente».

Macau do ambiente
Queremos um dia
Limpo para sempre
É a nossa via

Oriente e Ocidente
Na construção de Macau
Unidos pelo ambiente
A população de Macau
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Cidade som e poesia


Cidade abraço e amor
Cidade canta e dança
Cidade festa e flor

LONG LONG sentiu-se contagiado pela «Canção do Ambiente».


As crianças ensinaram-no a cantar e a dançar e LONG LONG
estava encantado e feliz.

Os panchões rebentavam forte, muito forte, e LONG LONG


ficava cada vez mais excitado e contente. Aquela festa que
celebrava o Ambiente estava no ar de Macau.

Agora LONG LONG queria conhecer outros lugares onde


escutasse mais claramente os sons de vozes, e também os sons de
animais e até de silêncio.

Um jovem macaense procurava conduzi-lo por esses lugares tão


especiais: os jardins, o Monte da Guia, e outras zonas verdes de
Macau, da Taipa e de Coloane.

— Ah! Qu e bom estes sons de pá ssaros, o mu rmúri o do


regato, o tombar da água da cascata! Que bom estes
sons da respiração das árvores, das folhas que
caiem, do vento qu e as empu rra... Qu e bom este
quase silêncio!

LONG LONG recuperava novas forças com estes sons da


natureza. Ele precisava deste constraste entre os sons. Dos sons
de animação e de festa e, também, dos sons de repouso e de
meditação.

— Ah! Que bom os sons da água, do vento, e também os


sons do nada e do vazio.

Ali, algumas pessoas faziam o Tai Chi, o Dayan Qicong ou o Mou


Kek, ginásticas muito antigas que se praticavam em Macau de
manhã cedo ou no fim de cada dia. E LONG LONG
experimentava também reproduzir aqueles movimentos e os
sons de silêncio e de concentração que os acompanhavam.

Um sino de uma igreja batia as horas do dia. Era um som muito


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antigo que quase não se dava por ele, uma espécie de som
sagrado que lembrava o tempo da chegada dos portugueses a
Macau.

Aquele dia tão luminoso chegava quase ao fim. Os sons de


Macau começavam, lentamente, a querer adormecer.

Aqui e ali, um ruído excessivo na rua ou num ou noutro


apartamento, como um falar alto, um batuque ou um martelar
nas paredes, impedia que o sossego da noite se instalasse. Então,
LONG LONG com o seu sorriso de dragãozinho sedutor, dizia:

— Amigo, o silêncio da noite é de oiro e também de


jade... A noite precisa do silêncio para dormir!

As pessoas olhavam admiradas para LONG LONG, acolhiam


aquelas palavras e iam sonhar a festa dos sons. Então, os sons da
cidade, agora quase ausentes, entrelaçavam-se numa sinfonia de
amor e onde o sono e o sonho faziam cócegas à noite.

Macau era bem um museu vivo de sons. De tal forma alguns


daqueles sons eram raros e belos que LONG LONG desejava
também que fizessem parte do seu sonho.
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ACTIVIDADES A REALIZAR
COM O CD ÁUDIO VOZ
MIN./ EXPRESSÃO EXP. VOCAL E
PISTA TÍTULO SEG. AUDIÇÃO CORPORAL LEITURA EM
VOZ ALTA
DIABO
02 NO CORPO
por 04’18’’ SIM SIM SIM
Pedro Abrunhosa

• Acompanhe a audição desta música — DIABO NO CORPO —


apropriando-se da sua mensagem sonora no seu conjunto, bem
como do texto, da interpretação vocal e dramática do cantor, da
sua pulsação rítmica, melódica e harmónica. Siga o ritmo da
música e parta para uma exploração da cartografia do seu corpo
como um mapa sagrado...

• (Re)visite e exercite, concentradamente, cada “porto-enseada


do seu pedaço-corpo”.

• Ocupe o espaço do local onde se encontra e desenhe nele


trajectórias de “andares”: para a frente, para trás, para um
lado, para o outro, em labirintos geográficos... e formas
variadas. Procure movimentar-se pelo espaço inteiro fora com
movimentos ora locomotores, ora não locomotores...

• Respire fundo. Solte a sua energia. Liberte-a.

• Siga depois para uma concentração de movimentos


mobilizando, progressivamente, todos os seus músculos e todas
as articulações do seu corpo: pescoço, ombros, cotovelos,
pulsos, mãos, dedos, coluna, ilíacos, coxas, joelhos, tornozelos,
pés... Percorra a trajectória da viagem de (re)visitação e
reconhecimento corporal no sentido inverso e em todas as
direcções.

• Surpreenda-se consigo e (re)invente-se na descoberta do DIABO


que existe NO seu CORPO... Uhuuu!!!
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DIABO NO CORPO
(Música e letra de Pedro Abrunhosa)

Corpo,
Como um mapa sagrado,
Em ti desenho o pecado.
Escrevo o mundo no meu
Corpo,
Com um toque divino,
Faço da pele o destino.
Sente nas mãos este meu
Corpo,
Uma estátua ardente,
E a cada toque teu,

Até a passarelle devagar


Se vai abrir por ti,
E toda a música que ouvires
Irá ser por existires
Sempre que digo:

Uhuuu, tenho o Diabo no Corpo,


Uhuuu, tenho o Diabo no Corpo.

Leva o meu
Corpo,
Por um momento eterno,
Fazes-me a vida um inferno.
Escondo um louco no meu
Corpo,
Um infinito prazer,
Por isso: “Qu’est-ce qu’on va faire?”.
Só tenho tempo para o meu
Corpo,
Como uma sombra inquieta,
E nessa voz discreta,

Até a passarelle devagar


Se vai abrir por ti,
E toda a música que ouvires
Irá ser por existires
Sempre que digo:

Uhuuu, tenho o Diabo no Corpo,


Uhuuu, tenho o Diabo no Corpo.

in ABRUNHOSA, Pedro e BANDEMÓNIO. (2002). Momento.


Lisboa: Universal Music Portugal, SA. (Pista 04 – 4’18’’).
Formar as Vozes que Contam Amílcar Martins 20

ACTIVIDADES A REALIZAR
COM O CD ÁUDIO VOZ
MIN./ EXPRESSÃO EXP. VOCAL E
PISTA TÍTULO SEG. AUDIÇÃO CORPORAL LEITURA EM
VOZ ALTA
CORPO E
03 RESPIRAÇÃO
por 09’09’’ SIM SIM SIM
Amílcar Martins

• Siga as indicações da voz (pista 03) no CD áudio VOZ.

ACTIVIDADES A REALIZAR
COM O CD ÁUDIO VOZ
MIN./ EXPRESSÃO EXP. VOCAL E
PISTA TÍTULO SEG. AUDIÇÃO CORPORAL LEITURA EM
VOZ ALTA
DICÇÃO MÁ MÉ MI
MÓ...
04 por 07’28’’ SIM SIM SIM
Amílcar Martins

• Siga as indicações da voz (pista 04) no CD Áudio VOZ.

ACTIVIDADES A REALIZAR
COM O CD ÁUDIO VOZ
MIN./ EXPRESSÃO EXP. VOCAL E
PISTA TÍTULO SEG. AUDIÇÃO CORPORAL LEITURA EM
VOZ ALTA

DICÇÃO...
05 por 04’31’’ SIM SIM SIM
Amílcar Martins

• Siga as indicações da voz (pista 05) no CD Áudio VOZ.


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ACTIVIDADES A REALIZAR
COM O CD ÁUDIO VOZ
MIN./ EXPRESSÃO EXP. VOCAL E
PISTA TÍTULO SEG. AUDIÇÃO CORPORAL LEITURA EM
VOZ ALTA

06 PROCISSÃO
por 02’50’’ SIM SIM SIM
João Villaret

— Vou-lhes dizer PROCISSÃO, FESTA NA ALDEIA!


(Interpretação de João Villaret)

Tocam os sinos na torre da igreja


Há rosmaninho e alecrim pelo chão
Na nossa aldeia que Deus a proteja
Vai passar a procissão

Mesmo na frente marchando a compasso


De fardas novas vem o sol e dó
Quando o regente lhe acena com o braço
Logo o trombone faz pó pó pó – pó pó pó pó

Olha os bombeiros tão bem alinhados


Que se houver fogo vai tudo num fole
Trazem ao ombro brilhantes machados
E os capacetes rebrilham ao sol

Tocam os sinos na torre da igreja


Há rosmaninho e alecrim pelo chão
Na nossa aldeia que Deus a proteja
Vai passando a procissão

Olha os irmãos da nossa confraria


Muito solenes nas opas vermelhas
Ninguém supôs que nesta aldeia havia
Tantos bigodes e tais sobrancelhas

Ai que bonitos que vão os anjinhos


Com que cuidado os vestiram em casa
Um deles leva a coroa d’espinhos
E o mais pequeno perdeu uma asa
Formar as Vozes que Contam Amílcar Martins 22

Tocam os sinos na torre da igreja


Há rosmaninho e alecrim pelo chão
Na nossa aldeia que Deus a proteja
Vai passando a procissão

Pelas janelas as mães e as filhas


As colchas ricas formando troféu
E os lindos rostos por trás das mantilhas
Parecem de anjos que vieram do céu

Com o calor o prior vai aflito


E o povo ajoelha ao passar o andor
Não há na aldeia nada mais bonito
Que estes passeios de Nosso Senhor

Tocam os sinos na torre da igreja


Há rosmaninho e alecrim pelo chão
Na nossa aldeia que Deus a proteja
Já passou a procissão
Formar as Vozes que Contam Amílcar Martins 23

ACTIVIDADES A REALIZAR
COM O CD ÁUDIO VOZ
MIN./ EXPRESSÃO EXP. VOCAL E
PISTA TÍTULO SEG. AUDIÇÃO CORPORAL LEITURA EM
VOZ ALTA

07 A RÃ
por 00’43’’ SIM — —
Gangan Bambu

• Procure identificar as especificidades do(s) discurso(s)


complementares que estão presentes:

i) o CONTO;

ii) a interpretação dada pela VOZ DA INTÉRPRETE;

iii) as opções SONOPLÁSTICAS E MUSICAIS.

! Elabore uma síntese sobre a sua visão pessoal crítica desta


PAISAGEM SONORA.
Formar as Vozes que Contam Amílcar Martins 24

ACTIVIDADES A REALIZAR
COM O CD ÁUDIO VOZ
MIN./ EXPRESSÃO EXP. VOCAL E
PISTA TÍTULO SEG. AUDIÇÃO CORPORAL LEITURA EM
VOZ ALTA

08 LADAÍNHA
por 02’04’’ SIM — —
Maria Bethânia

• Procure identificar as especificidades do(s) discurso(s)


complementares que estão presentes:

i) a LADAÍNHA;

ii) a interpretação dada pela VOZ DA INTÉRPRETE;

iii) as opções SONOPLÁSTICAS E MUSICAIS.

! Elabore uma síntese sobre a sua visão pessoal crítica desta


PAISAGEM SONORA.
Formar as Vozes que Contam Amílcar Martins 25

ACTIVIDADES A REALIZAR
COM O CD ÁUDIO VOZ
MIN./ EXPRESSÃO EXP. VOCAL E
PISTA TÍTULO SEG. AUDIÇÃO CORPORAL LEITURA EM
VOZ ALTA

09 N’GOLA,
de Xanana Gusmão 02’57’’ SIM — SIM
(leitura por A. Martins)

TEXTO EM ANEXO

• Procure identificar as especificidades do(s) discurso(s) que estão


presentes:

i) a INTRODUÇÃO (De Xanana Gusmão...);

ii) a INTERPRETAÇÃO do poema (Mulher negra,


Mulher...).

! Elabore uma síntese sobre a sua visão pessoal crítica desta


PAISAGEM SONORA.
Formar as Vozes que Contam Amílcar Martins 26
Formar as Vozes que Contam Amílcar Martins 27
Formar as Vozes que Contam Amílcar Martins 28
Formar as Vozes que Contam Amílcar Martins 29

ACTIVIDADES A REALIZAR
COM O CD ÁUDIO VOZ
MIN./ EXPRESSÃO EXP. VOCAL E
PISTA TÍTULO SEG. AUDIÇÃO CORPORAL LEITURA EM
VOZ ALTA

10 IRACEMA
de José de Alencar 06’30’’ SIM — SIM
(leitura por A. Martins)

TEXTO EM ANEXO

• Procure identificar as especificidades do(s) discurso(s) que estão


presentes:

i) a INTRODUÇÃO (Texto extraído do romance Iracema, de


José de Alencar...);

ii) a INTERPRETAÇÃO do texto (Além, muito além daquela


serra, que ainda azula no horizonte, nasceu Iracema...).

! Elabore uma síntese sobre a sua visão pessoal crítica desta


PAISAGEM SONORA.
Formar as Vozes que Contam Amílcar Martins 30
Formar as Vozes que Contam Amílcar Martins 31
Formar as Vozes que Contam Amílcar Martins 32
Formar as Vozes que Contam Amílcar Martins 33

Actividade 3 ACTIVIDADE DE APRECIAÇÃO ESTÉTICA


E SONOPLÁSTICA

OBJECTIVO:

APRECIAR E COMENTAR A COMUNICAÇÃO ESTÉTICA


E PUBLICITÁRIA DA(S) VOZ(ES) E DO(S) CORPO(S)
COMO INSTRUMENTO(S) DE INVOCAÇÃO DE
PAISAGENS SONOPLÁSTICAS.

MATERIAIS DE APOIO:

Veja os sites:

http://br.youtube.com/results?search_query=honda+civic+choir
&search_type=&aq=-1&oq=

http://www.honda.co.uk/civic/

http://br.youtube.com/profile?user=amilcarmartins1&view=videos
Formar as Vozes que Contam Amílcar Martins 34

BIBIOGRAFIA

AGUILAR, Luís. (2001). Expressão e Educação Dramática (Guia


pedagógico para o 1º ciclo do ensino básico). Lisboa: Instituto de
Inovação Educacional. Ilust. 134 p.

BEHLAU, Mara e PONTES, Paulo. (2001). Higiene Vocal - Cuidando da


Voz. Rio de Janeiro: Livraria e Editora Revinter Lda. Ilust. 62 p.

CARNEGIE, Dale. (1990). Comment parler en public. Paris: Hachette.


256 p.

Grande Enciclopédia Portuguesa e Brasileira. (Vários autores). (2000).


Atlas da Literatura. Lisboa: Última Página.
Ver os seguintes artigos no capítulo «LITERATURAS DA VOZ», p.
68-121:
• «Literatura oral», por Paul ZUMTHOR, p. 70-71;
• «A expressão vocal – Voz e expressão», por Corrado
BOLAGNA, p. 72-74;
• «A expressão vocal – Os simbolismos da palavra», por Corrado
BOLAGNA, p. 74-77;
• «A expressão vocal – A voz e o sagrado», por Charles
MALAMOUD, p. 78-79;
• «A expressão vocal – Os intérpretes», por Corrado BOLAGNA,
p. 80-83;
• «A expressão vocal – Literatura oral e teatralidade», por
Corrado BOLAGNA, p. 84-85;
• «As tradições orais – Oralidade e memória colectiva», por
Jacques DOURNES, p. 86-89;
• «As tradições orais – A África – Zonas culturais e grandes
tradições orais», por Pierre ALEXANDRE, p. 90-94;
• «As tradições orais – A África – Formas técnicas», por Pierre
ALEXANDRE, p. 94-95;
• «As tradições orais – A Índia», por Charles MALAMOUD, p. 96-
97;
• «As tradições orais – O Sudeste Asiático», por Jacques
DOURNES e Nicole REVEL, p. 98-103;
• «A voz no mundo contemporâneo – O folclore – A invenção de
uma palavra», por Jean CUISENIER, p. 104-106;
• «A voz no mundo contemporâneo – O folclore – Formas e
funcionamento», por Jean CUISENIER, p. 106-107;
Formar as Vozes que Contam Amílcar Martins 35

• «A voz no mundo contemporâneo - Literatura oral e criação


literária», por Jean CUISENIER, p. 108-109;
• «A voz no mundo contemporâneo - Declamações e leituras
públicas», por Jacques VASSAL, p. 110-111;
• «A voz no mundo contemporâneo - A literatura na era dos meios
de informação», por Jacques VASSAL, p. 112-113;
• «A voz no mundo contemporâneo - A poesia sonora», por Henri
CHOPIN, p. 114-115;
• «O teatro: uma arte da representação – A teatralidade», por
Robert ABIRACHED, p. 116-117;
• «O teatro: uma arte da representação – A tradição europeia»,
por Robert ABIRACHED, p. 118-119;
• «O teatro: uma arte da representação – A tradição oriental», por
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Formar as Vozes que Contam Amílcar Martins 37

Formar as Vozes que Contam

Ficha de auto-aprendizagem
ASSINALE
COM UM

COMPETÊNCIAS OBJECTIVOS ! O SEU


GRAU DE
A ADQUIRIR ACTIVIDADES DE APRENDIZAGEM IMPLI-
CAÇÃO
PESSOAL
Actividade infor- Identificar e conhecer algu-
CONSCIENCIALIZAR
-SE SOBRE OS INS-
1 mativa e de estudo mas das características bási-
TRUMENTOS VITAIS sobre os aparelhos cas dos aparelhos vocal e au-
vocal e auditivo. ditivo.
DE PROTECÇÃO E U-
TILIZAÇÃO DO APA- !
RELHO FONADOR E
DA VOZ, BEM COMO Actividade de au- “Ouver”, explorar e analisar o
DA CAPACIDADE DE
2 dição, de expres- CD áudio VOZ
ADEQUAÇÃO DA são corporal e de
PERFORMANCE O- expressão vocal.
RAL AOS DIVERSOS
CONTEXTOS DE CO-
!
MUNICAÇÃO. Actividade de a- Apreciar e comentar a comu-
3 preciação estética nicação estética centrada na
e sonoplástica. voz, no aparelho fonador e
no corpo como instrumento
de percussão.
!

Legenda: GRAU DE IMPLICAÇÃO PESSOAL


Fortemente implicado(a)
Moderadamente implicado(a)
Fracamente implicado(a)
! Ausente