CADERNO DE DIREITO CONSTITUCIONAL

ÍNDICE
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INTRODUÇÃO Direito Constitucional e Constituição - Conceito, objeto,
Conteúdo E Fontes Do Direito Constitucional

Capítulo I Capítulo II Capítulo III Capítulo IV Capítulo V Capítulo VI -

Direitos, deveres e garantias fundamentais constantes no artigo 5º da Constituição Federal brasileira de 1988 Direitos trabalhistas, sindicais e sociais Direitos relativos à nacionalidade, direitos políticos e partidos políticos Da organização política e administrativa do estado e da divisão de competências Da organização dos poderes e da divisão de competências e funções Da defesa do Estado e das instituições democráticas. As intervenções

Capítulo VII - Da tributação e do orçamento Capítulo VIII Da ordem econômica e financeira e da ordem social

INTRODUÇÃO • Conceito Como falar em Direito Constitucional sem antes relembrarmos o que é o Direito? Segundo as noções mais básicas, mais primárias, temos que o Direito é um sistema de comandos, de normas impositivas, obrigatórias, que orientam os homens que vivem em sociedade e que são acompanhadas de sanções para o caso de eventual nãocumprimento das mesmas. Esse complexo conjunto de regras impostas aos indivíduos (que se denomina ordenamento jurídico do Estado) possui caráter de universalidade e de generalidade, sendo emanado dos órgãos competentes, segundo os ditames da Constituição. Relembradas estas obviedades, já podemos falar especificamente a respeito do Direito Constitucional. Tendo firmado-se como disciplina acadêmica autônoma em 1834, na Faculdade de Direito de Paris, o Direito Constitucional é o principal ramo do Direito Público Interno que estuda a lei definidora e regulamentadora da estrutura jurídico-política de um Estado; esta norma fundacional do Estado recebe o nome genérico de Constituição. Na órbita do Direito Constitucional gravitam todos os demais ramos do Direito Público1 (Direito Administrativo, Penal,

Tributário, Financeiro, Processual, Internacional Público e Privado, Econômico, Urbanístico, Militar, Eleitoral, Marítimo) e também do Direito Privado2 (Civil, Comercial), bem como daquelas áreas do Direito tidas como Direito Social ou Misto (Direito do Trabalho e Direito Previdenciário). Quer dizer, o Direito Constitucional é a base, é o fundamento, o tronco de todos os demais ramos do Direito. Para o constitucionalista pátrio José Afonso da Silva, o Direito Constitucional é o ramo do Direito Público que expõe, interpreta e sistematiza os princípios e normas fundamentadoras do Estado (1997, p. 38). Aqui é pertinente fazermos uma observação: de todas as disciplinas jurídicas, a de Direito Constitucional é a menos jurídica! E justamente pela influência que recebe dos fatores sociológicos e políticos, prestase a análises conjunturais, pois, do contrário, não seria possível abordar amplamente o fenômeno Estado ou, conforme Pedro Salvetti Netto (1975, p. 11), sem aqueles fatores não se explica a organização e a estrutura do Estado, ainda que formalizada em um código de leis. É a disciplina que mais próxima está da Ciência Política. Em função disso, Maurice Duverger nos passa a lição de que o estudo do Direito Constitucional não deve limitar-se tão somente a uma análise jurídica das instituições políticas, mas abarcar também aquelas instituições que o Direito ignora, mais ou menos completamente, como os partidos políticos, a imprensa, a propaganda, os grupos de pressão, etc. E, para além disso, o estudo isolado do fenômeno político sob o único prisma do fenômeno jurídico também deixa de oferecer a visão completa da organização da sociedade política, da criação e do exercício do poder político. • Objeto do Direito Constitucional O objeto de estudo do Direito Constitucional é a própria Constituição. Antecipamos que o conceito de Constituição abrange tanto normas (estas sempre escritas) quanto princípios constitucionais (sendo que estes podem ser escritos e também, eventualmente, não-escritos). • Conteúdo do Direito Constitucional A disciplina Direito Constitucional subdivide-se em Direito Constitucional Geral ou Teoria Constitucional, Direito Constitucional Positivo, Particular ou Especial, e Direito Constitucional Comparado. Ressaltamos de antemão, no entanto, que nenhuma destas três subdivisões sobrevive ou é estudada puramente, de maneira rigorosamente isolada; o que há é uma interpenetração dos conteúdos. Dito isto vemos, a seguir, a que se referem e o conteúdo científico abrangido por cada uma destas subdivisões: Direito Constitucional Geral ou Teoria Constitucional - como já diz o nome, nesta matéria tratam-se das teorias gerais constitucionais, aquelas que podem ser utilizadas como instrumento de análise de

qualquer ordenamento jurídico constitucional, que podem ser aplicadas em relação a qualquer Constituição. É a disciplina que fornece os parâmetros para a interpretação das Constituições, que classifica as normas constitucionais, que diz de quem é a titularidade do poder constituinte originário, etc. Direito Constitucional Positivo, Particular ou Especial - trata especificamente do Direito de um determinado Estado, ou seja, estuda a organização e o funcionamento dos poderes constitucionais específicos. É disciplina que pertence ao Direito Positivo, ao Direito posto de um dado Estado, tendo por objeto a análise e a interpretação de sua Constituição, de forma tanto dogmática quanto jurisprudencial. Direito Constitucional Comparado - tem por objeto de estudo várias Constituições, e não apenas uma, como o faz o Direito Constitucional Positivo. Podem ser feitos estudos comparativos entre as Constituições de um mesmo Estado, usando-se o critério da confrontação temporal para verificar as evoluções ou os retrocessos constitucionais, assim como se podem realizar estudos comparativos do Direito Constitucional no espaço, com a análise das Constituições de vários Estados. Esta segunda possibilidade, qual seja, a comparação do Direito Constitucional nacional com o Direito Constitucional estrangeiro, tem merecido mais larga aplicação pelos estudiosos. O grande mestre italiano, Biscaretti di Ruffia (1975, p. 13) esclarece que, servindo-se do método comparativo, ao comparar os vários textos constitucionais, do presente e do passado, tem-se o propósito de pôr em evidência, além das características mais significativas, as semelhanças e as diferenças entre os ordenamentos constitucionais. Em geral, no entanto, realizar estudos comparativos não é atividade comum em cursos de graduação, e sim nos de pósgraduação, até porque muitas vezes exige o conhecimento de vários outros idiomas. • Fontes do Direito Constitucional Seguindo os ensinamentos do constitucionalista pátrio Paulo Bonavides (1996, p. 36), a partir de Xifra Heras e Biscaretti di Ruffia, tem-se que as fontes aparecem como "formas de manifestação" da norma jurídica constitucional, assumindo duas modalidades: Fontes escritas: estas abrangem as leis constitucionais propriamente ditas; as leis complementares ou regulamentares (que servem para auxiliar a aplicação das Constituições); as prescrições administrativas, contidas em regulamentos e decretos, de importância para o Direito Constitucional, desde que o governo tenha entrado no exercício da delegação legislativa; os regimentos das Casas do Poder Legislativo, ou do órgão máximo do Poder Judiciário; os tratados internacionais; as normas de Direito Canônico; a legislação estrangeira; as resoluções da comunidade internacional

dadas pelos seus órgãos representativos, sempre que o Estado as aprovar ou reconhecer internamente; a jurisprudência e a doutrina, sendo que esta última é, na verdade, fonte "auxiliar", funcionando como técnica de "conhecimento" das normas constitucionais e não de criação destas. Fontes não-escritas: os usos e os costumes constitucionais. Estes, de enorme importância para o Direito Constitucional, são de criação pública e baseados no consentimento tácito que o uso reiterado autoriza. Aqueles, possuem maior relevância nos países desprovidos de Constituições escritas ou que, em as possuindo, têm-nas em textos sumários; na Inglaterra, por exemplo, certos usos constituem matérias constitucionais de fundamental importância, o mesmo ocorrendo nos Estados Unidos. 2 Um Intróito Necessário: Histórico Evolutivo Do Estado E Do Constitucionalismo 2.1 Delimitação dos conceitos de Estado e de Estado Constitucional de Direito Como a Constituição "cria" toda a estrutura político-jurídicoadministrativa e confere a vocação ideológica de um Estado, não podemos estudá-la dissociada deste. Assim, necessário faz-se um exame preliminar da natureza e das principais características do Estado, o que podemos brevemente fazer por meio do resgate de suas fases históricas. É muito provável que os alunos já tenham visto algo do que agora trataremos em Ciência Política; ainda assim, válido é retomar. Mas, de início, faz-se necessário delimitarmos o entendimento acerca de duas categorias fundamentais para este estudo, quais sejam, Estado e Estado Constitucional de Direito. Em primeiro lugar, o que entendemos por Estado? Trazemos um conceito de Estado dado por Max Weber, para quem o Estado é o detentor do monopólio da força legítima, isto é, do monopólio da Justiça (punição), da cobrança de tributos fiscais, de cunhar moeda, etc. Verdadeiramente, um dos mais antigos preceitos da Filosofia Política diz que o Estado tem o monopólio do uso da força, isto é, apenas o poder público pode usar a violência (e mesmo assim, na medida necessária) para garantir o cumprimento da lei e evitar que surja a guerra de todos contra todos. Logo, o Estado é a Instituição com poderes para organizar a sociedade em um dado território, coercitivamente, isto é, para disciplinar o convívio social humano através do Direito, por meio de normas jurídicas obrigatórias, acompanhadas de sanções. Já quanto ao caráter a um só tempo abstrato e concreto do Estado, Georges Burdeau nos diz que "ninguém jamais viu o Estado, porém, quem se atreveria a negar sua existência?"

Nele. aparelhos jurídicos . as guerras internas entre senhores feudais. portanto. é uma invenção moderna. o que deu destaque aos mercadores e artesãos e fez cair radicalmente o preço da terra. de uma esfera de liberdade intangível pelo próprio Estado. Cada feudo fazia as vezes de um Estado (exatamente porque todas as tarefas e funções hoje centralizadas no Estado eram realizadas por cada feudo. a qual. A principal característica do Estado feudal era. Com a desvalorização fundiária. tais como Atenas. e pela Civitas Romana. conforme os contextos históricos que serão referidos ao longo desta obra. b) Feudalismo.) e. neste item. a) Antigüidade Clássica. 2. Cartago.prisões e tribunais -. de regra. sedas e outras mercadorias. que o auto-limita. Europa Medieval. tributação e administração próprias. para os quais o exercício da função estatal confundia-se com o interesse privado. o que é? É o Estado limitado pelo Direito. eis que possuíam poder local autônomo economicamente. tomou força a evasão dos servos para os "burgos". Tebas. mas mesmo assim é importante que se tenha uma visão panorâmica de como se organizava o poder político desde a Antigüidade Clássica. assim. Mas faltava-lhe a centralização econômica . Estados Escravistas Caracterizava-se a organização política da Antigüidade Clássica pela multiplicidade de Cidades-Estados gregas (polis). Estados de tipo escravistas. marcado pela preocupação com a limitação do poder soberano. Todos eram. É importante frisar que o Estado. ao indivíduo.2 Estado . etc. exércitos próprios. o poder era fragmentado. ou seja. país rico seria aquele que lograsse possuir metal precioso) e o conseqüente comércio de especiarias. em pouco tempo. dando origem à incipiente burguesia. reconstruir minimamente os vários tipos de Estado e suas fases históricas correspondentes. Para o declínio do sistema feudal contribuiu o início das Grandes Navegações (o que originou a fase "metalista" do mercantilismo. Esparta. para que os alunos possam facilmente localizá-los. que adveio com o surgimento dos grandes Estados-Nações. submisso ao Papa. que era um Estado-Cidade. como o conhecemos. passou a ter a proeminência econômica.Histórico de sua formação Procuramos. Itaca. verdadeiro poder temporal e representante do poder espiritual na Terra). cujo poder se baseia no respeito a uma Constituição. a fragmentação da autoridade. os Estados eram caracterizados pela debilidade do poder central e pela dispersão do poder público entre inúmeros senhores feudais. significando o reconhecimento. O Estado em si era descentralizado em relação ao Rei (este revelava-se fictício. Este Estado foi o resultado dos processos revolucionários dos séculos XVII e XVIII. Estado Feudal O Feudalismo foi o sistema social que vigiu na Europa durante quase toda a Idade Média. as pestes.E Estado Constitucional de Direito.

o filósofo moderno Thomas Hobbes representava o reacionarismo. c) Idade Moderna. notadamente para destruir alguns obstáculos às suas atividades.total. representado este pela figura do Leviatã. em 1440. tinha-se como base e justificativa dos mandos e desmandos o Poder Divino dos Reis. O poder centralizado nas mãos do monarca substituiu de vez a fragmentação da autoridade que caracterizava o Estado medieval. eram os habitantes do reino apenas "súditos" e não titulares de direitos. Para além . desenvolvida pelo florentino Maquiavel (1469-1527). contribuiu também o inicial esclarecimento das pessoas por meio da invenção da imprensa. a falta de um exército nacional. o Rei Sol. cumpriu a tarefa de unificar o Estado e passou a governar de forma absoluta. o domínio do indivíduo pelo Estado. na verdade. Hobbes defendia. tendo sido o francês Luis XIV o paradigma dos monarcas absolutistas (foi ele. os direitos do homem enquanto indivíduo não tinham condições de ser exigidos. o totalitarismo. revelando a completa identificação entre o Rei e o Estado. essa mesma burguesia aliou-se ao Rei para absolutizar o poder na figura deste. etc. Aliás. pelo qual os súditos contratavam a própria submissão perante o Estado. Como já adiantado anteriormente. escrito em 1513. a necessidade de moeda única. e assim fazia-se o "Pacto Social". mas se encontrava na força. então. já que. após. que foi o primeiro grande pensador da Idade Moderna. o que passava pela centralização do poder político. inclusive desprezava o pensamento deísta da Idade Média e proclamava que a origem do poder não era divina. e é por isso que nestes Estados Absolutos Unificados. Para isso. como por exemplo a necessidade de pagar tributos aos feudos para transportar as mercadorias de um burgo para outro. para ele. conforme sua única e exclusiva vontade. a apologia do Absolutismo Monárquico feita por Thomas Hobbes (que viveu de 1588 a 1679). assim. também contribuiu a nova ideologia nacionalista pró-unificação dos Estados Nacionais. e sim algumas tolerâncias por parte do monarca. o poder deveria ser centralizado no monarca. que proferiu a célebre frase L'État c'est moi: "o Estado sou eu"). por Gutemberg. No Absolutismo Monárquico (muitas vezes "Despotismo Esclarecido"). pois. em um regime de privilégios. que serviu de nome à sua obra fundamental. Maquiavel. não havia um Estado de Direito. sendo que estes poderiam a qualquer momento ser violados ou derrogados pelo próprio monarca. em fins da Idade Média e primórdios da Idade Moderna. Estado Absolutista ou Absolutismo Monárquico Por fim o Rei. aliado à burguesia. E. para evitar um estado de permanente violência. em seu famoso livro "O Príncipe". a teoria do Governo Absoluto. os homens eram maus por natureza (lobos entre si) e.

de equilíbrio. Estado Segurança ou Estado Guarda-Noturno). o outro grande filósofo da época moderna. a sua não menos famosa obra "Que é o Terceiro Estado?". o que pode ser visto com bastante didática em análises ao filme "Danton". E a Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão. Para ele. isto é. a burguesia decide tomar de assalto aquele mesmo poder que ajudou a construir e investe contra o Rei. Rousseau apregoava que o soberano não era o representante de Deus na terra. do Antigo Regime. mas que deveria ser o representante do povo. de idéias contrárias. indo buscar os membros nos antigos feudos. Sua obra fundamental recebe o nome de "Dois Ensaios sobre o Governo Civil" e nela vamos encontrar a filosofia política do princípio de Liberdade. procurando proteger o homem contra os abusos do Estado e os abusos do poder. o famoso abade Sieyès (que será melhor estudado quando formos tratar do Poder Constituinte Originário) havia lançado. não deu lugar de destaque aos burgueses. Assim. o pressuposto da liberdade era a propriedade. A partir daí vêm os desdobramentos da Revolução Francesa. Para Sieyès. na aristocracia. ficou de fora do poder político. Gendarme (Estado Polícia. que constitui a base do Regime Democrático. Do mesmo modo. a burguesia. o Terceiro Estado representava a Nação. porém. com destaque para John Locke. Estado Liberal Clássico. isto é. Jean-Jacques Rousseau. Nascem aí os Estados Constitucionais limitados pelo Direito. Descontente com este estado de coisas. Nãointerventor No início da Idade Contemporânea. que acabou se traduzindo na grande palavra de ordem destruidora da monarquia tradicional. entidade abstrata e indefinível. Para derrubar a Teoria do Direito Divino dos Reis. na hora de compor sua corte. mas que se concretizava na representação do povo e da burguesia. d) Início da Idade Contemporânea. considerados livres e iguais por natureza. Aqui importa frisar que Locke. advogou o regime de liberdade individual e de equilíbrio político. já que Hobbes era absolutista e Locke anti-absolutista. outro discurso passa a justificar e a fundamentar o exercício do poder político: da teoria da Soberania Divina dos Reis passa-se à teoria da Soberania Popular. movidos por espíritos diferentes. . que consegue recriar a época em que se bradava a "morte ao Rei"! Ressaltamos que John Locke (que viveu de 1632 a 1704) foi. a soberania popular seria a expressão da vontade soberana de todos os homens. que havia lutado pela unificação dos Estados Nacionais. tendo para isso contribuído as formulações teóricas de grandes ideólogos. da gestão pública. pois o monarca. juntamente com Hobbes. com seis meses de antecedência à Revolução Francesa. inspirado no liberalismo inglês.disso. Montesquieu (que viveu de 1678 a 1755) e Emmanuel Joseph Sieyès.

Welfare State. É este o Estado Liberal Clássico: aquele que governa e administra. especialmente em relação à propriedade privada. o aforismo econômico laissez faire. Este modelo de Estado dos primórdios da Idade Contemporânea. aquele Estado que apenas fazia as vezes de um "Guarda Noturno". com o acirramento das exclusões e das explorações sociais. tivesse sido a que colheu os melhores frutos da Revolução. as explorações cometidas aos seres humanos pelo regime capitalista foram se acirrando. Diz-se liberal clássico porque foi centrado no valor "liberdade". enunciou solenemente: "O princípio de toda soberania reside essencialmente na nação". 3 E o Estado Liberal Clássico. contrária a qualquer outro avanço revolucionário fazendo com que. Estado Intervencionista Como já adiantamos acima. em jornadas diárias trabalhistas em torno de 12 a 18 horas. sendo defeso ao Estado intervir na ordem econômica. Início do século XX. Estado do Bem-Estar Social. devendo os trabalhadores laborarem sem qualquer proteção social ou legal. pela intervenção na economia. passou a receber a designação de Estado Gendarme. com o incremento do liberalismo e da Revolução Industrial. pudesse corrigir esses defeitos de origem do Estado liberal individualista. isto é. era não-intervencionista. isto é. titular do poder supremo. que não intervinha neste tipo de relações privadas (entre trabalhadores e patrões) passou a não dar conta da crescente situação de extrema . isto é. transformou-se em uma força conservadora. bem como proibido limitar o direito de propriedade. deixando isso para a "mão invisível do mercado". por salários miserentos e inclusive diminuindo sobremaneira a expectativa de suas vidas. laissez passer (deixai fazer. Para os ideólogos da burguesia revolucionária o Estado era uma criação da sociedade civil. deixai passar) traduziu o ditames da escola liberal: liberdade de produção e liberdade de circulação. que. nas relações contratuais dos indivíduos. cujos órgãos dirigentes fossem eleitos pelos cidadãos. devendo a ela subordinar-se e somente teria legitimidade o Estado que fosse representativo. ou seja. tempos mais tarde. e) Idade Contemporânea. tão logo realizada a Revolução e ter ascendido ao poder. porém não interfere nas atividades econômicas privadas. por conseguinte. logo após os feitos revolucionários franceses de 1789. Nasceram aí as desigualdades fáticas. Estado-Providência. dentre todas as camadas sociais que integravam o Terceiro Estado. iriam culminar com a imperativa necessidade de entrar em cena um Estado que. isto é.acolhendo as teorias de Sieyès. garantia a ampla liberdade dos cidadãos perante seu poder. no sentido de que se limitava a policiar a ordem pública. muitas vezes chegando a 20. Passou a ser a nação. Mas ocorre que a alta burguesia. Naquele contexto.

de 1917).pobreza e desigualdade social. conclamando os "trabalhadores do mundo inteiro" para unirem-se na defesa de seus interesses. passasse a atuar a serviço do bem comum. Neste contexto é escrito por Marx e Engels. como se estivéssemos voltando ao liberalismo clássico. Atualmente. de 1917 e a de Weimar. No início do século XX ocorrem duas revoluções de cunho socialista (a Revolução Russa e a Revolução Mexicana. que retiraram o Estado daquela passividade em que se viu imerso ao longo de quase dois séculos. Foram estas complexidades da sociedade contemporânea. daí "neoliberalismo". nasce o que se passou a chamar Estado Social. ou Welfare State. o Manifesto do Partido Comunista. através da intervenção nas atividades econômicas. mas como o processo assume novas feições. Este movimento acaba por retirar o Estado da economia. foi preciso apelar para o Plano Marshall de reconstrução do continente europeu. aquele Estado que se obrigou a implementar um sistema de previdência e de seguros sociais. entre 1914 e 1918 ocorreu a Primeira Guerra Mundial e tudo isso fez com que o Estado. Foi o Estado obrigado a dirigir. providente. Com o passar do tempo. o teórico economista John Keynes (Keinesianismo = Intervencionismo). f) Fase atual. recorreram à violência como represália às relações trabalhistas não-regulamentadas e a todas as demais injustiças cometidas à época. de seguro desemprego. os trabalhadores. de mero espectador passasse a ator. Gestor ou Gerencial Após o já referido crack da Bolsa de Nova Iorque. de 1919. foi preciso que os horrores da I Guerra Mundial alterassem profundamente as condições econômicas e políticas do Estado para que se realizassem reformas de base e estrutura. em 1929. ou seja. veio a II Guerra Mundial e. esse encolhimento do Estado (teoria do Estado mínimo) está sendo efetivado por meio de uma onda de . sem a proteção do Estado ausente. em 1848. A partir daí. etc. A partir daí. Em suma. foi-se percebendo que este tipo de Estado onerava muito os cofres públicos e teve início uma "campanha" para enfatizar a idéia da necessidade de diminuir gastos com seguro-desemprego. esta teoria do Intervencionismo estatal ganhou mais um aliado. todos sinônimos para designar um Estado intervencionista. ou Estado do Bem-Estar Social. nas décadas de 80 e 90. após o crack da Bolsa de Nova Iorque. denomina-se neo. Globalização. O grande marco do surgimento deste modelo de Estado são as Constituições Mexicana. Mais tarde. de habitação e educação às suas populações pauperizadas. com a quebra quase total da Europa. Estado Neoliberal. o que demandou novamente uma forte intervenção dos Estados de cunho social. aqui sumariamente referidas. ao mesmo tempo restringindo um tanto o indivíduo em sua autonomia contratual e contemplando interesses sociais. com previdência social. a traçar normas.

esclarece Pedro Salveti Netto (1975. tudo para poderem manter um emprego. nos países que viveram sob a égide do regime monárquico absolutista. ao tratar justamente da evolução histórica do Constitucionalismo. E. a jornadas menores. dos oligopólios.3 Histórico do Constitucionalismo Como a cada tipo de Estado corresponde um tipo de Constituição. sem .privatizações e por um processo de "Desregulamentação" das relações trabalhistas. 154-157). incluindo flexibilização para as contratações trabalhistas (contratações e dispensas temporárias). é possível fazer-se um levantamento do Direito Constitucional na Roma Antiga. Karl Löewenstein (1976. em rápidas pinceladas. pois lá já havia Constituições. etc. este é o modelo do Estado gerencial apregoado pelo Ministro brasileiro da Administração e Reforma do Estado. iniciaremos pela Antigüidade Clássica. Para se ter uma idéia básica e geral a respeito desse processo de globalização e das nefastas conseqüências disso nas vidas dos trabalhadores. nas cidades gregas da época clássica. um aluno prontamente respondeu: "em estado de necessidade". deram forma a um Estado específico em um certo tempo. E como diz Joan Robinson. procuraremos dar. 16) que o Direito Constitucional parte da existência das Constituições. muito antes que isso acontecesse (no ambiente racionalista da Ilustração. na Itália fascista. p. na Alemanha nazista. parece que esse processo globalizador neoliberal veio para ficar. Bresser Pereira. O Estado sai. embora com outras características. aos poucos. p. século XVIII). lamentavelmente. da intervenção econômica e passa a ser um mero "Gestor". na democracia inglesa. sugiro a leitura da obra "O Horror Econômico". uma visão a respeito do nascimento do que se chamou "constitucionalismo". da francesa Viviane Forrester. haja vista que o próprio modelo de Estado de antanho possuía características bem diversas das que modernamente se firmaram. E. à desproteção legal. organizações políticas viveram sob um governo constitucional. Neste sentido. o que acaba sendo uma regulamentação por outros meios. A propósito. Assim. pois. indo mais além. na abertura da obra "Manual do Perfeito Idiota Latino-Americano": "Só há uma coisa pior do que ser explorado pelo imperialismo: é não ser por ele explorado". que. 2. quando em sala de aula perguntei em que Estado estávamos vivendo. esclarece que a existência de uma Constituição escrita não se identifica com o constitucionalismo. fazendo com que os trabalhadores cheguem ao cúmulo de se submeterem a salários menores (o que inclusive é inconstitucional para nós brasileiros). escritas ou não. já que passa a garantir a sobrevivência dos grandes na área econômica. Embora o Constitucionalismo dito "moderno" só tenha iniciado em fins do século XVIII. Sr.

C. tem pouca importância o fato de que a polis-Estado fosse o domínio oligárquico de uma classe ociosa. no qual o poder político estava igualmente distribuído entre todos os cidadãos ativos. eis que tais limitações estavam tão profundamente enraizadas nas convicções das comunidades e nos costumes nacionais. é dizer: o dominador. Aliás. confiado por Deus aos detentores do poder na terra) através da lei moral. caracterizouse pela limitação do poder secular (poder religioso. pois esta submetia igualmente a governantes e governados. 4 Porém. frente ao permanente impacto que os gregos ocasionaram na evolução política do mundo ocidental. a Constituição apenas organizava a Sociedade. Isto teria se dado no século V a. Mas Karl Löewenstein afirma que durante dois breves e brilhantes séculos existiu na Grécia um regime político absolutamente constitucional. comum nos impérios orientais da Antigüidade. Sua forma de sociedade teocrática (sistema político em que os súditos vivem ou pretendem viver sob o domínio de uma autoridade divina).século VIII a. o exemplo dos hebreus. tendo devoção quase . Afirma. que as mulheres e filhos fossem considerados res nulius ("coisas de ninguém") e que obedecessem aos patriarcas e livres fossem apenas estes. em que a democracia direta das Cidades-Estados gregas é o único exemplo conhecido de um sistema político com plena identidade entre governantes e governados. de constituição física de um corpo.sentir a necessidade de articular os limites estabelecidos ao exercício do poder político. que obedeciam apenas a Deus.. havia. longe de ostentar um poder absoluto e arbitrário. Naquela época. a) Antigüidade Clássica (época da fundação de Roma . o primeiro povo que praticou o constitucionalismo. Mas que as havia.C. que eram respeitadas tanto por governantes quanto pelos governados. montada sobre a infra-estrutura de uma economia de escravos. da idéia de Natureza. Assim.em diante) A grande maioria dos autores de Direito Constitucional não menciona a existência de Constituições na Antigüidade Clássica. como algo natural. a idéia era a de uma relação natural. E ressalta que todas as instituições políticas gregas refletiam uma profunda aversão a todo o tipo de poder concentrado e arbitrário. a própria gênese da palavra CONSTITUIÇÃO demonstra que a mesma não vem da Ciência Política. inclusive que. eis que não havia distinção entre Estado e Sociedade Civil. para ele. e não o poder na Sociedade. E é por isso que era natural que existissem escravos. a de uma constituição para o perfeito funcionamento do corpo social. relativamente reduzida. . com outras funções e características. mas sim da Biologia. que buscou estudar as Constituições gregas. estava também limitado pela Lei do Senhor. e isto nos atesta o próprio Aristóteles. E cita o grande constitucionalista. chegando a dizer que a nação grega alcançou o mais avançado tipo de governo constitucional: a democracia constitucional.

). exceto para certos postos encarregados de tarefas técnicas. tem-se a Declaração de Independência de . havia prescrição de curtos períodos e rotações nos cargos. c) Idade Moderna Um segundo capítulo na história do Constitucionalismo tem como protagonistas novamente a Inglaterra e suas ex-colônias na América do Norte. a organização estatal republicana foi um sistema político com complicados dispositivos de freios e contrapesos para dividir e limitar o poder político dos magistrados estabelecidos. Os acontecimentos que marcam o que chamamos "Constitucionalismo Moderno" tiveram vez nos últimos quartéis dos séculos XVII e XVIII. o que aconteceu a 19 de junho de 1215. em que as diferentes funções estatais eram acessíveis a todos os cidadãos ativos. É por isso que se considera a Inglaterra o berço do Liberalismo. resultado da marcha dos barões ingleses sobre Londres. como exemplo. Do mesmo modo. de 1688). em 1689 (logo após a Revolução Inglesa. 11-4) que. o fato de o poder dos magistrados ser restringido por engenhosas instituições de controle (dentre as quais: os detentores dos cargos eram nomeados por sorteio. b) Idade Média . Karl Löewenstein refere a República Romana. Depois de outorgada. p. por seus representantes mais tradicionais.fanática pelos princípios do "Estado de direito" de uma ordem que era regulada democrática e constitucionalmente. não poderiam os detentores dos cargos ser reeleitos). dado que não se exigia nenhuma qualificação especial. sendo fundamentalmente constitucional. Cita. Na seqüência. que durou muito mais tempo (desde o século V até o final do século II a. Conta-nos Pontes de Miranda (1955. que tantas anarquias. sucedeu-lhe no trono da Inglaterra seu tio João. há que se destacar. Primeiramente.século XIII Podemos dizer que a Inglaterra escreveu um primeiro capítulo na história do Constitucionalismo dito "moderno". reagiu: os barões acordaram que era preciso obter do rei uma carta de liberdades. em 1776. a afirmação do Bill of Rights. João Sem-Terra violou por várias vezes essa declaração de 1215. não cometeu o erro de uma excessiva democratização.C. com a assinatura da Magna Cartha Libertatum. como o exemplo clássico de uma sociedade estatal que. que foi uma Declaração de Direitos para limitar o Poder Absoluto. Em Roma. em protesto às tiranias do Rei João Sem-Terra. sendo esse o primeiro documento em defesa das liberdades. desastres e arbitrariedades cometeu no novo governo até que a nação. o que se deu em 1215. no entanto. morto Ricardo I [Ricardo Coração de Leão].

em 1787. Sobreveio-lhe. E foi em tal contexto que. É interessante ressaltar que a Revolução Inglesa. o clero e o povo. embora o Poder Executivo tenha continuado a ser exercido pelo Rei (a República só foi proclamada em 1792) e houvesse sido instituído o voto censitário. artesãos. marcando o início da Idade Contemporânea. seu duplo conteúdo essencial era: a) a tripartição do Poder em Executivo. em Filadélfia. a revolução que marcou a independência norte-americana e a Revolução Francesa formam o conjunto das assim denominadas grandes "Revoluções Burguesas". em 1791. Constitucionalismo Liberal Clássico Na França. a separação entre a Igreja e o Estado) e registrando em seu texto outras tantas vitórias das idéias democráticas. A Nova Ordem foi instituída sob a tríade Liberdade. Legislativo e Judiciário. eclodida em 1789. de 1688.Virgínia. . formando a Confederação dos Estados Norte-Americanos. marcando a criação da Federação dos Estados Unidos da América do Norte. por fim. já que. vivia na miséria e não participava no plano governamental. b) a declaração dos direitos fundamentais do homem. d) Idade Contemporânea. de forma popular representativa. a Declaração Universal dos Direitos do Homem e do Cidadão e. justamente o lema da bandeira francesa. operários e camponeses) e excluído das benesses do Reino a nobreza parasitária que às suas custas vivia. sendo que este compunha o que se denominava Terceiro Estado. ainda no mesmo ano. pela teoria clássica elaborada por Montesquieu5 "todo aquele que exerce o poder tende a dele abusar" e "só o poder freia o poder" (le pouvoir arrête le pouvoir). Igualdade. logo após. a Monarquia Absolutista dos Bourbons mantinha a divisão social em três classes: a nobreza. sendo a francesa a mais radical revolução anti-feudal. visando com isso limitá-lo. não tem Constituição". com a literal queda da Bastilha (símbolo maior do poder monárquico). Tal Constituição ainda está em vigor. a Primeira Constituição escrita da Europa. criou-se. E. conforme veremos a seguir. tendo sido capitaneada pelo assim denominado Terceiro Estado (burguesia. contemplando a laicização do Estado (isto é. exatamente o teor do art. em fins da Idade Moderna. um importantíssimo passo foi dado na erradicação dos resquícios do poder feudal e do absolutista monárquico: a Revolução Francesa. após a rebelião das 13 colônias de origem britânica. Fraternidade. limitação feita através do sistema de cheks and balances: "freios e contrapesos". 16 da Declaração Universal dos Direitos do Homem e do Cidadão: "Toda a sociedade na qual a garantia dos direitos não estiver assegurada nem determinada a separação dos poderes. sequer para fiscalizá-lo. Esta Constituição Liberal Clássica continha como conteúdo básico. assina-se a primeira Constituição escrita da história do Constitucionalismo. Assim.

este modelo de constitucionalismo . as Constituições. E isto significou uma guinada daquele individualismo clássico do Liberalismo Clássico para o coletivismo. com o coletivo. a partir de então o "contrato social" seria redigido entre o povo e o Estado. Nasceram. o que era necessário justamente para o exercício da ampla liberdade dos indivíduos).o liberal clássico . Por isso tais direitos são tidos como "positivos". assim. de 1919. a Constituição de Weimar. a primeira Constituição que teve essas preocupações com o social. em direitos educacionais e habitacionais. principalmente as de Portugal e Espanha. com a fundamental função de proteger a pessoa humana contra os abusos de poder dos governantes. ou seja. de 1917 (que ainda está em vigor). É nesta fase do constitucionalismo que efetivamente o Poder Divino dos Reis cedeu por completo ao Poder Soberano do Povo. ou seja. O Estado foi. imprescritíveis. para o socialismo. Constitucionalismo Social Esta fase do constitucionalismo tem como principal característica a entrada de direitos sociais e trabalhistas nos textos constitucionais. especificamente todos aqueles direitos ligados ao Direito à Igualdade.realizou. onde nos incluímos. inalienáveis. e) Idade Contemporânea. Mas importa ressaltar que. pois impõem obrigações positivas ao Estado. no direito à saúde e à previdência social. com a ascenção de Hitler ao poder (o período da história alemã denominado . Em nível mundial ocidental. Esta Constituição regeu a vida da Alemanha do imediato pós-guerra até 1931. dentre o tripé que sustentou o movimento revolucionário.que haviam sido negados durante séculos e que agora passaram a ser exigidos como inatos. e de Constituição escrita. assim. Após. a idéia de "contrato social" passa a coincidir com a idéia de Constituição. teve um programa que contemplava esses direitos. foi a do México. Aí começou-se a falar em "função social da propriedade". chamado a efetivar direitos que até então só existiam nos textos das leis. na disciplina das relações entre capital e trabalho. anteriores e superiores ao próprio Estado. por intermédio de representantes eleitos para tal. E este modelo de Constituição escrita espraiou-se para outros países europeus continentais (isto porque a Inglaterra seguiu na sua tradição de Constituição não-escrita) e por suas colônias americanas. embora tenha representado um avanço grandioso na conquista e no reconhecimento de direitos e na limitação do poder político. normas portadoras de programas para tentar realizar na prática o valor/direito "igualdade". deixando em segundo plano o valor "igualdade". muito mais e prioritariamente o valor "liberdade" (e por isso institui direitos que os chamamos "negativos". Assim. "de oposição ao Estado". e isto deu-se grandemente por meio das assim denominadas Normas Programáticas.

Direitos sociais e preocupações coletivistas seriam retomados. a lei magna. que a Constituição é o documento político-jurídico por excelência de um Estado. pouco a pouco. após. passando para a iniciativa privada o patrimônio que sempre foi público e que foi construído com os tributos pagos pela população trabalhadora do País. dentre os quais citamos: 1. isto é. aprovado e publicado por uma Assembléia Constituinte eleita pelo povo. o grande mestre francês afirmou ser a Constituição uma "folha de papel" que deve ser criada pela soma dos "fatores reais de poder" que regem um país. especialmente no que se refere às imposições dos programas de privatizações e descentralizações. 6 E neste contexto de Nova Ordem Mundial. que retrata a forma de ser de um Estado e que confere direitos e garantias fundamentais. bem como dos Municípios e do Distrito Federal. as atribuições da União e de cada Estado-membro da Federação. f) A Constituição no Neoliberalismo. por exemplo. Conforme José Joaquim Gomes Canotilho. a Constituição de 1934 é tida como a versão sul-americana da Constituição de Weimar. as reformas à Constituição visam retirar do seu texto aquelas normas que sustentam a tese da ingovernabilidade: em não havendo como cumpri-las. as competências dos três Poderes Constituídos (Executivo. cada segmento da sociedade deve ser representado em sua criação. o Estado retira-se da economia. O Sociológico (Ferdinand Lassalle) . Vários podem ser os sentidos dados às Constituições. Assim. ou seja. Fase de "Desconstitucionalização" Como reflexo direto da Globalização e do Neoliberalismo. o Consenso de Washington dita aos países "periféricos" (dentre estes o Brasil) atitudes a serem tomadas pelos governos de plantões. tanto aos indivíduos quanto à coletividade. a Constituição indica os poderes do Estado. tira-se-as da Constituição. através dos quais a nação há de ser governada e ainda marca e delimita. 3 Constituição 3. em linguagem simples e corrente."República de Weimar" foi de 1918 a 1931). Legislativo e Judiciário). No Brasil. é a obra fundacional de um Estado. na Constituição de 1946.em sentido sociológico. Além disso. que nos regimes democráticos é redigido. É a lei fundamental. sob pena de a mesma não resultar .1 Conceito de Constituição Podemos dizer. deixando tudo mais uma vez nas "mãos invisíveis do mercado" e esse processo passa necessariamente por reformas às Constituições. o conjunto daquelas normas que fundam um Estado. no regime administrativo brasileiro. ou seja.

à distribuição das competências. O Jurídico (Hans Kelsen) . o famoso professor de Viena. 2. o princípio da supremacia da Constituição faz com que a mesma esteja no ápice das leis. às formas de Estado (Federação ou Estado Unitário) ao sistema de governo (Presidencialismo ou Parlamentarismo) e as relativas aos direitos e garantias fundamentais das pessoas. 3. garante-se. sob pena de incorrer em inconstitucionalidade da espécie normativa e conseqüente retirada do ordenamento jurídico. "obedeçam a tudo o que está na Constituição". a sua superioridade em relação a qualquer outra norma. às formas de governo (monarquia ou república). em que a Norma Hipotética Fundamental. Esta verticalidade fundamentadora do ordenamento jurídico com base na Norma Fundamental (que não é escrita. cuja teoria prevê que cada comando normativo encontra respaldo naquele que lhe é superior e lhe deve obediência. tem-se que Constituição é a "decisão política fundamental sobre a forma de ser de um Estado".Sob o aspecto do conteúdo material. São as normas referentes à composição e ao funcionamento da ordem política-estatal (aquelas referentes à organização do poder. cujo maior expoente foi o mestre alemão. conforme a construção escalonada do ordenamento jurídico do jurista austríaco. 3. uma vez que a Constituição está no topo da pirâmide e é justamente esta verticalidade que confere validade a todo o sistema normativo infraconstitucional. O Político (Carl Schmitt) . o mais importante.2 Conteúdo.legítima. Partindo-se da idéia de que o Direito é composto por comandos emanados do Estado para organizar a vida em sociedade.o mestre austríaco dá para a Constituição um fundamento puramente jurídico. conforme desdobramentos de sua teoria feitos por Norberto Bobbio. teria o seguinte conteúdo: por um lado "faça o poder constituinte originário uma Constituição" e.em sentido político. são aquelas Constituições que abrangem o conteúdo básico. estrutura e elementos da Constituição • Conteúdo da Constituição Quanto ao conteúdo costuma-se fazer uma classificação das Constituições em materiais e formais. o único merecedor de ser reduzido a MATÉRIA CONSTITUCIONAL. . ou seja. uma abstração) justifica a existência do Princípio da Supremacia da Constituição. Assim: Materiais . mas apenas pressuposta. • O Princípio da Supremacia da Constituição Como já adiantado. ao exercício da autoridade. por este princípio. o primado da Constituição. Hans Kelsen. por outro lado.

Formais . Outros exemplos poderiam aqui ser citados. haja vista que o art. • Estrutura da Constituição . especificamente para gozar da garantia e do valor superior conferidos pelo texto constitucional quanto à ALTERAÇÃO: ou seja. como é o caso de. Exemplos de normas apenas formalmente constitucionais na CF/88: • uma norma sobre desportos: art. que acarreta o inchaço dos textos constitucionais. 44: "O Poder Legislativo é exercido pelo Congresso Nacional.art. Ressaltamos que é justamente a entrada de normas de qualquer conteúdo nas Constituições. Exemplos de normas puramente materiais na Constituição Federal de 1988: . 47 do Regimento Interno do Senado Federal). que se compõe da Câmara dos Deputados e do Senado Federal". 5º (que trata da maior parte dos direitos fundamentais) possui. ou • uma norma trabalhista: art. que aí ingressa de MODO IMPRÓPRIO. haver uma Consolidação das Leis Trabalhistas que poderia pormenorizar tais direitos trabalhistas.Quando as Constituições inserem em seu corpo textual matéria apenas de APARÊNCIA CONSTITUCIONAL. infraconstitucionais. XXX: "é garantido o direito de herança". apenas FORMALMENTE. visando uma maior garantia quanto à mutação e. mais demorado (como por exemplo a exigência do quórum qualificado de 3/5. . tampouco a garantia em si de direitos fundamentais das pessoas. mais solene. 217. qualquer norma que esteja na Constituição deve atender a processo diferente de modificação. buscando a longevidade. 5º. sozinho.conforme art.art. o que significa que poderiam muito bem estar presentes em leis ordinárias. enquanto que para a alteração ou aprovação de lei ordinária basta o quórum de maioria simples . ainda assim seria um texto bastante extenso. mais difícil. por conseguinte. 233. setenta e sete incisos. em relação ao segundo exemplo. mas estes já são suficientes para comprovar que os conteúdos veiculados pelas normas não são da organização do Estado. Porém.Normalmente as Constituições que contemplam apenas este conteúdo básico são de textos extremamente curtos. importa ressaltar que mesmo que a nossa atual Constituição só fizesse constar em seu texto o conteúdo puramente material.

cumpridos. Antes da numeração sucessiva dos seus 324 artigos. os quais.ADCT. e estes em SEÇÕES e SUBSEÇÕES. de maneira sistematizada.Dos Princípios Fundamentais •Título II . após o qual os 250 artigos referidos encontram-se divididos em 9 grandes TÍTULOS. valem como regra de princípio programático. porém temporária. com seus INCISOS (algarismos romanos) e ALÍNEAS (letras minúsculas do nosso alfabeto). faz parte do caput (cabeça) desse art. são divididos em CAPÍTULOS. cada um deles representando um assunto específico.Geralmente as Constituições trazem suas normas agrupadas em TÍTULOS. Já as normas Transitórias possuem o mesmo valor das Permanentes.Das Disposições Constitucionais Gerais • Elementos da Constituição O poder constituinte sistematiza em um todo unitário as normas constitucionais que julga fundamentais para a coletividade estatal. 204) que os Preâmbulos Constitucionais têm "eficácia interpretativa e integrativa.Da Organização do Estado •Título IV . já o parágrafo (§) possui uma certa autonomia em relação ao caput. conforme o conteúdo que agrupam.Da Tributação e do Orçamento •Título VII . restando apenas como parte histórica no texto da Constituição. tendo 250 destes em sua parte fixa e 74 dispositivos denominados de "Disposições Constitucionais Transitórias" . p. é composta por 324 arts. Frisa José Afonso da Silva (1998. pois uma vez desenvolvidos.Da Ordem Econômica e Financeira •Título VIII . perdem seu valor enquanto ordem.Da Ordem Social •Título IX . em função da conexão do conteúdo específico que as vincula.. pelo menos". eficácia plena e aplicabilidade imediata. Quanto à estrutura de nossa Lei Maior. que agrupam os ARTIGOS. Estes dispositivos possuem vida útil curta.Dos Direitos e Garantias Fundamentais •Título III .Da Organização dos Poderes •Título V . a Constituição Federal de 1988. se contêm uma declaração de direitos políticos e sociais do homem. . Seções e Subseções.. Convém salientar que inciso de art.Da Defesa do Estado e das Instituições Democráticas •Título VI . os quais por sua vez dividem-se em Capítulos. possui a CF/88 um Preâmbulo. de regra. e. Os nove Títulos referidos são: •Título I . mas.

5º. que por sua vez limitam a ação dos poderes estatais e dão a tônica do Estado de Direito. segundo o qual "as normas definidoras dos direitos e garantias fundamentais têm aplicação imediata". 2) Elementos Limitativos: normas que consubstanciam o elenco dos direitos e garantias fundamentais. Por que os direitos sociais não entram aí? Porque os elementos limitativos tratam de direitos negativos. nos arts. especialmente em seu Capítulo I ("Do estado de defesa e do estado de sítio"). Na CF/88 aparecem no art. a defesa da Constituição. contra o Estado. que requerem prestações concretas do Estado. Na CF/88 encontram-se no Capítulo II do Título II ("Direitos Sociais"). Na CF/88 concentram-se nos Títulos III ("Da Organização do Estado"). o dispositivo que contém as cláusulas de promulgação e as Disposições Constitucionais Transitórias. 3. no Título VII ("Da Ordem Econômica e Financeira") e no Título VIII ("Da Ordem Social"). e os direitos sociais são direitos positivos. Capítulos I ("Do estado de defesa e do estado de sítio") e II ("Das Forças Armadas") do Título V ("Da Defesa do Estado e das Instituições Democráticas") e VI ("Da Tributação e do Orçamento"). 102. 5) Elementos Formais de Aplicabilidade: normas que estatuem regras de aplicação das Constituições. José Afonso da Silva (1997. 59.3 Classificação das Constituições Trazemos aqui as quatro grandes classificações em que comumente são as Constituições enquadradas. I e 60 (processo de emendas à Constituição).1 Quanto à forma como se apresentam . a (Ações Diretas de Inconstitucionalidade). IV ("Da Organização dos Poderes"). 3) Elementos Sócio-ideológicos: revelam o caráter de compromisso das Constituições modernas. 47) divisa cinco categorias de elementos: 1) Elementos Orgânicos: referem-se a normas que regulam a estrutura do Estado e do poder. no art. 4) Elementos de Estabilização Constitucional: normas destinadas a assegurar a solução dos conflitos constitucionais. não-intervencionista) e o Estado Social/ Providente/Intervencionista.3. p. como o Preâmbulo. Na CF/88 estão no Título II ("Dos Direitos e Garantias Fundamentais"). I. pactuado entre o Estado Individualista (o Liberal Clássico. a defesa do Estado e das Instituições Democráticas.mas a doutrina constitucional diverge quanto ao número e à caracterização desses assim denominados elementos constitucionais. bem como § 1º do art. exceto o Capítulo II ("Dos Direitos Sociais"). 34 a 36 (da intervenção nos Estados e Municípios). 3. 102 e 103 (jurisdição constitucional) e no Título V ("Da Defesa do Estado e das Instituições Democráticas"). arts.

3. de 1934. c) a concepção firmada desde o século XVIII de que não há melhor instrumento de educação política do que o texto de uma Constituição. Acompanharam o processo de racionalização do Direito e tiveram origem no "Contrato Social" de Rousseau. só podendo ser modificadas pela soberania popular. que.3. mas isto possui apenas valor histórico. da Itália. b) Não-escritas. do Paraguai. Populares ou Promulgadas: aquelas que têm origem em órgão constitucional eleito especialmente eleito pelo povo para tal finalidade. em grande parte coincidindo com os regimes absolutistas. como o Código de Hamurabi e a Lei das XII Tábuas. aquelas que se baseiam nos costumes e nas tradições observadas espontaneamente por um povo. mais especificamente referindo-se às Leis Fundamentais antigas. em um corpo textual único. Exemplos: As brasileiras de 1891. conforme Paulo Bonavides (1996. tendo surgido com a pretensão de eternidade. a da França. são praticamente auto-explicativas. como expressão do Poder Constituinte Originário. as Constituições dos Estados modernos são escritas e codificadas. Costumeiras ou Consuetudinárias: por não serem escritas. isto é. da Espanha. da Argentina. Exemplos: o exemplo clássico vem da Inglaterra (que entretanto também se baseia em alguns textos fundamentais escritos7). uma vez que os Deputados Federais e os Senadores da . b) a imagem simbólica de que quando se criasse uma Constituição estar-se-ia renovando o "contrato social". Em geral. etc. p. por meio de sufrágio universal e direto. Predominaram até os fins do século XVIII. embora seja esta última questionável quanto à legitimidade de sua origem. exprimindo o princípio político e jurídico de que todo o governo deve ser legitimado pelo consentimento dos governantes. secularmente transmitidas. todas as do Brasil. a da Hungria e a da Nova Zelândia.a) Escritas ou Positivas: aquelas postas em documentos formais. São elaboradas pelas Assembléias Nacionais Constituintes. por pelo menos três razões comprovadas. não podiam ser modificadas sob pena de maldição dos deuses. Atualmente são em número muito reduzido e podemos dizer que são "impostas" pela prática. de 1946 e de 1988.2 Quanto à origem a) Democráticas. 69): a) crença na superioridade da lei escrita sobre o costume. É importante ressaltar que em relação às Constituições Escritas poderia haver ainda uma classificação que as dissessem Imutáveis ou Fixas. Aqui fazemos uma crítica: esta última razão só se justifica onde a população à Constituição tem acesso! Exemplos: a Constituição dos EUA.

a realeza absoluta debilitada e a nobreza de um lado e. havia Senadores eleitos em 1982 (cujo cumprimento do mandato de 8 anos dar-se-ia em 1990). mas em função ordinária. com certeza não foram eleitos para o fim de elaborar a nova Constituição. 3. de 1215. de 1937 (imposta pelo ditador Getúlio Vargas). como a renovação do Senado Federal se dá de quatro em quatro anos. referindo-se à maior ou menor facilidade para a modificação dos textos constitucionais. à estabilidade ou à mutabilidade Esta classificação deve-se a James Bryce. Exemplos: as brasileiras de 1824 (imposta por D. além disso. não podem ser alteradas pelo processo comum de elaboração das leis ordinárias. Pedro I). b) Outorgadas: são aquelas impostas pelo detentor eventual do poder.República eleitos em 1986 não o foram com a exclusiva finalidade de criação da Constituição e. sempre tendo como parâmetro de comparação as leis ordinárias. Exemplos: o já mencionado documento constitucional Bill of Rights. não resultam da manifestação da soberania popular. pois requerem debates mais amplos. de 1967 (esta é também denominada "Atípica".3. não podemos nos esquecer que. de outro. Assim. na época dos primórdios do constitucionalismo. firmada entre os barões e o Rei João Sem-Terra. quanto à mutabilidade as Constituições podem ser: a) Rígidas: as que exigem a observância de procedimento diferenciado e mais complexo para sofrerem alterações em seus textos. através de seus representantes eleitos. Desse pacto resultou a Monarquia Limitada ou Monarquia Constitucional. o que não lhe retira o caráter de outorga) e a de 1969. c) Pactuadas: aquelas que exprimem um compromisso entre duas forças políticas rivais. Esta diferença no processo de reforma visa a proteger a Constituição dos golpes de força das maiorias partidárias. os quais. Formam uma categoria de Constituições históricas. por ter sido outorgada pelo Congresso Nacional. isto é. de tendências .3 Quanto à consistência. São adotadas pela maioria dos países contemporâneos. por um e dois terços. sempre em relação às leis ordinárias. uma vez que suprime do povo o exercício do poder de fazer a Constituição. Assim. Assim. prazos dilatados e quóruns qualificados. A outorga aproxima-se das formas totalitárias de governo. até porque em 1982 ainda nem se cogitava uma efetiva feitura de novo texto constitucional. pois dificilmente as veremos nos dias atuais. sem delegação constituinte. a burguesia em franca ascenção. como por exemplo. de 1689 e a Magna Cartha inglesa.

que. Exemplos: a dos EUA. parte flexível. b) Prolixas: são aquelas ditas inchadas. o que varia apenas é o grau de dificuldade ou de facilidade para tanto. sumárias. b) Flexíveis ou Plásticas: aquelas que sofrem alterações da mesma maneira pela qual se elabora ou modifica qualquer espécie normativa.4 Quanto à extensão a) Concisas: são as sintéticas. extensas. possui apenas 7 artigos e 26 emendas. deixando as pormenorizações à legislação complementar ou ordinária e. exceto a Imperial. devido justamente à sua extensão.oportunistas de grupos políticos predominantes e da exaltação dos ânimos em momentos de crise nacional. que apresentam texto amplo. como se suas regras básicas fossem as poucas varetas que o compõem. pela regra do art. onde o Parlamento tem função de Poder Constituinte Originário permanente. c) Semi-rígidas: aquelas que possuem parte de seu texto rígido. Também chamadas "Analíticas" por alguns autores. 178 criou uma terceira categoria de Constituições. Assim. e parte requer para sua mutação os procedimentos rigorosos e difíceis próprios das Constituições rígidas. as que apresentam texto enxuto. 16 da Declaração Universal dos Diretos do Homem e do Cidadão. atendem à metáfora do "guarda-chuva". São as Constituições do tipo "clássicas". isto é. vindo a ser semirígida. 3.3. nas semi-rígidas. Exemplo: a Constituição Imperial brasileira (de 1824) que. por isso mesmo. breves. Certo é que só servem para nações democráticas evoluídas e de alto nível cultural. desde 1787. integrando parte de dispositivos rígidos. geralmente contemplam regras programáticas e apresentam caráter polifacético por albergarem normas não apenas . parte flexíveis. qual seja. não exigem nenhum requisito especial de reforma. Exemplo: o exemplo clássico é da Constituição da Inglaterra. Todas as Constituições podem sofrer alterações. sucinto. Cada vez mais numerosas. mas isto não quer dizer que não possam ser modificadas. Abrangem somente direitos e princípios gerais. parte do texto é modificado como o são as leis ordinárias. todas as brasileiras. longas. Exemplo: a dos EUA. bem como regras básicas de organização e fundamento dos sistema político-jurídico estatal. aquelas que contemplam apenas o conteúdo básico apregoada pelo já conhecido art. isto é.

que possui 296 artigos mais a Lei do Tribunal Constitucional. rígida quando à sua alteração e prolixa ou analítica quanto à sua extensão.materialmente. para elaborá-la. apressar a sua reforma. Exemplos: a brasileira de 1988 . democrática ou popular quanto à sua origem.5 Classificação da Constituição Federal brasileira de 1988 Aplicando as tipologias a respeito das Constituições acima vistas. Aqui vale uma observação: praticamente todas estas Constituições extremamente extensas surgiram em contextos de larga desconfiança em relação a recém-extintos regimes militares ditatoriais. perdurou por todo o . paradoxalmente. surgida no imediato pósIndependência. pois. dá azo aos argumentos de "ingovernabilidade". como vemos. ou seja. de 1923. sendo composta exclusivamente por membros da elite agrária brasileira) e que efetivamente possuía um "Projeto de Constituição". oferecida e jurada por Sua Majestade o Imperador. promulgada. a "Constituição Política do Império". com 311 artigos e a da República da Índia.8 Assim. mas isso tem uma razão de ser: as matérias de natureza alheia ao Direito Constitucional propriamente dito adentram nos textos das Constituições. de ser Constituições "Clássicas".originalmente contendo 315 artigos. Até parece que o que não está na Constituição não está no mundo. que.3. havia se reunido naqueles anos (fora convocada para tanto antes mesmo da Proclamação da Independência. se de um lado realmente elevou vários direitos à categoria de constitucionais. Ocorre que isto configura uma "faca de dois gumes". a Imperial de 1824 (outorgada em 25 de março daquele ano). Longe estão. já que nossa primeira Constituição. 4 Breve Apanhado Sobre A História Constitucional Brasileira O Brasil tem uma História Constitucional dolorosa. o que fez com que se quisesse pôr o máximo de direitos nos textos constitucionais justamente para que aí desfrutassem da garantia de não serem suprimidos com tanta facilidade. mas sobretudo formalmente constitucionais. 3. após este ter dissolvido a "Assembléia Geral Constituinte e Legislativa". com 395 artigos. Iniciamos a história constitucional de forma pouco ou nada democrática. acabou sendo outorgada pelo Imperador Dom Pedro I. em que poucas vezes se conheceu uma verdadeira democracia. atualmente está com 324. por outro lado. a Constituição da República do Paraguai. visando garantias que só as próprias Constituições proporcionam em toda a amplitude. temos que a Constituição da República Federativa do Brasil de 1988 é: escrita quanto à forma como se apresenta. a da Espanha (de 1978). a de Portugal (de 1976). fortalece aqueles ataques à Constituição que afirmam que é impossível governar com uma Constituição tão inchada e isso vem.

Traduziu. de 12 de maio de 1840 "Interpreta alguns artigos da reforma constitucional". eis que foi inspirada na "Constituição da Mandioca". em 7 de abril de 1831) apressou-se o declínio do Império. de 23 de novembro de 1841 . mediante algumas concessões à soberania popular (malogradas. na qualidade de Chefe Supremo da Nação. os interesses particulares dos grandes proprietários rurais. concentrava o exercício de dois desses poderes: o Executivo e o Moderador. passando o Estado brasileiro a ser laico a partir de então. vedada pelo texto constitucional. a partir da criação jurídica do teórico francês Benjamin Constant. após longa "Campanha Federalista" de inspiração norte-americana. Procurou. de 12 de outubro de 1932 . coadunar em seu texto as idéias liberais derivadas das Revoluções Americana e Francesa. de 12 de agosto de 1834 . em 15 de novembro de 1889. b) Lei nº 16. federativa e descentralizadora (autonomia política e administrativa dos Estados-membros da Federação). Ademais. Adotou-se a teoria tripartite de divisão do poder elaborada por Montesquieu. Operou também a separação entre Igreja e Estado. d) Lei nº 234."Faz algumas alterações e adições à Constituição Política do Império. o Judiciário e o Moderador). À primeira e única Constituição do Brasil Imperial seguiram-se algumas leis que com ela mantinham estreita relação. que havia renunciado em nome de seu filho. com a manutenção da monarquia. Pedro de Alcântara. a Constituição."Ordena que os eleitores dos Deputados para a seguinte Legislatura lhes confiram nas procurações faculdade para reformarem alguns artigos da Constituição". com um Executivo presidencialista."Criando um Conselho de Estado". quando nosso Estado. nos termos da Lei. de 12 de outubro de 1832" (denominado "Ato Adicional"). o Legislativo. muda por completo sua estrutura: de um Império unitário e centralizador. autogoverno e auto-administração) e. a saber: a) Lei. previu uma divisão quadripartite do poder: única fase histórica constitucional em que tivemos quatro Poderes Constituídos (o Executivo. Com a exacerbação do Poder Moderador (desde há muito não exercido por D.Império e conferiu ao Estado então Unitário características centralizadoras (as Províncias não gozavam de autonomia para autoorganização. em realidade. passamos a uma República presidencialista. um Legislativo bicameral (dividido em Câmara dos Deputados e Senado Federal) e um Judiciário independente. em determinado momento da monarquia implantou-se uma prática parlamentarista. com novas funções e prerrogativas. com correções que julgava necessárias. caracterizando o autoritarismo político que marcou o Império brasileiro. sendo que o Rei. Inicialmente tivemos a "Constituição . enfim. Pedro I. eis que instituiu o voto censitário). Após as longas décadas de vigência da Constituição Imperial (dentre todas as Constituições brasileiras foi a que teve mais longa duração) podemos dizer que uma segunda fase de nossa história constitucional iniciou com a Proclamação da República. o Príncipe D. c) Lei nº 105.

sindicais e previdenciários. durante toda a chamada República Velha. A partir daí. derrogada por ato do então Presidente da República. evidenciam o predomínio do "coronelismo". Outra fase deu-se entre entre 1934 e 1937. em sua grande maioria. marcadas e definidas por "votos de cabrestos". de 24 de fevereiro de 1891. com a implantação do Estado Novo. evento relevante foi a chamada "Revolução de 1930". até 1930. capitaneado pelo então Presidente Getúlio Vargas. a definitiva . culturais. que suspendeu o curso da formação e afirmação de nossas instituições democráticas. Foi emendada em 18 de dezembro de 1935. Uma quarta fase iniciou-se com o golpe de Estado de 1937. de 1890 (publicada pelo Decreto nº 510. tida como a versão sul-americana da Constituição Alemã de Weimar (de 1919). em síntese. esta Constituição teve muitos de seus princípios violados. Ao golpe seguiu-se a imposição da nossa quarta Constituição . por ter pela primeira vez entre nós incorporado direitos sociais. através do Decreto Legislativo nº 6/1935 e acabou sendo abolida. pelo Decreto nº 19. após. o que foi feito. ou melhor. Esta. mediante a decretação do "estado de sítio". mecanismos pelos quais até defuntos votavam e que. a de 1934 ("Constituição dos Estados Unidos do Brasil". Na prática.nos Estados e pelas suspensões das liberdades públicas ante qualquer ameaça de desordem. de 22 de junho de 1890) e. foi uma das mais belas Constituições que já tivemos. em 1937. econômicos. que acabou derrogando a Constituição de 1891.muitas vezes abusivas .Provisória". bem como se incluiu a proteção à família. pela previsão de "normas programáticas". o que não foi acolhido pela Constituição. de 11 de novembro de 1930. onde se reconheceu o voto feminino. período da efêmera vigência da nossa terceira Constituição. das oligarquias locais no cenário político-econômico). inspirada no modelo austríaco. pela primazia dos Estados economicamente mais fortes na condução do poder político público (Minas Gerais e São Paulo: "Política do cafécom-leite" e "Política dos Governadores"). fraudes nas urnas por meio dos "bicos de penas"."Constituição da República dos Estados Unidos do Brasil". portanto. pelas freqüentes intervenções . se instituiu o voto secreto e a Justiça Eleitoral. sendo esta a segunda brasileira e a primeira republicana. trabalhistas. Essa Constituição sofreu emendas em 1926. de caráter marcadamente democrático. Essa novel inclusão da "ordem econômica" como matéria constitucional deve-se também ao exemplo da Constituição Mexicana de 1917. de vida curta. É importante observar que na Constituinte de 1934 foi apresentado projeto de instituição de uma Corte Constitucional. que pôs termo à Primeira República e instituiu o "Governo Provisório dos Estados Unidos do Brasil".398. pela inexistência ou difícil implementação da "verdade eleitoral" (uma vez que as eleições foram. de 16 de julho de 1934).

no campo dos direitos individuais. existiu". v. até a queda de Vargas em 1945. (Comentários à Constituição de 1946. marcando a superação dos anos ditatoriais de Getúlio Vargas e lembrando em muito o texto constitucional de 1934. E. Alguns autores lhe atribuem inspiração fascista. praticamente não foi executada. tendo ela sido elaborada pela Assembléia Constituinte convocada para tal em 2 de fevereiro de 1946. Conforme Pontes de Miranda. 80) que deveria ser submetida a um plebiscito nacional para ser aprovada. acresceu a garantia de acesso incondicionado ao Poder Judiciário. uma quinta fase constitucional iniciou-se com o advento democrático da igualmente democrática Constituição de 1946 ("Constituição dos Estados Unidos do Brasil". sequer.("Constituição dos Estados Unidos do Brasil".quase toda nem. ou. De cunho autoritário. alijaram-se da vida política os partidos políticos. reimplantou o bicameralismo no Poder Legislativo. ficou alcunhada como sendo a "Constituição Polaca". Como resultou praticamente em uma cópia literal desta última. que foi redigida por Francisco Campos. pura e simplesmente. a Carta de 1937 "foi solapada. para além de retomar o rol já contemplado pela Constituição de 1934. a pedido do ditador Vargas. Prestigiou grandemente o municipalismo. afirmando que nenhuma lesão de direito individual poderia ser subtraída à sua apreciação. Apenas para termos um exemplo disso. outorgada em 10 de novembro de 1937). tendo o apoio das forças armadas e como "modelo" a Constituição polonesa de 1935. o regime autocrático fundado na Constituição de 1937 teve seu termo com a eleição de uma Constituinte para elaborar uma nova Constituição. 1. por meio de "Leis Constitucionais". A partir daí. a Carta de 1937 operou uma "deformação democrática". 23). dito de outra maneira. não foi respeitada . pelos seus próprios autores. a disfarçar um regime ditatorial em toda a amplitude do conceito. bem como inovou com o princípio da liberdade de criação de partidos políticos (pluralismo partidário baseado na garantia de direitos fundamentais e . pelo menos. alargou a competência do Poder Judiciário e. Não se realizou. mormente em seu aspecto social. em seu texto (art. para alguns historiadores de nossa constitucionalidade. p. a Constituição de 1937 foi emendada pelo próprio Governo que a editou por inúmeras vezes. o Parlamento e o povo. Assim. mas tal plebiscito nunca se realizou. do regime do General Pilsudski. chegando-se a dizer que tão violada foi que sequer os privilégios que a si mesmo o governo havia inserido no texto constitucional foram observados. assim. a fase da nossa história que ficou conhecida por "Estado Novo" teve uma Carta Constitucional que para muitos não passou de um engodo. Certo é. de 18 de setembro de 1946). que traduziu-se em uma ruptura com a história constitucional do Brasil. logo depois. que viria a ser agora democrática. destinado. chegava a registrar em seu Preâmbulo que ela haveria de conter meios extraordinários para combater o Comunismo. Por fim. Previa.

A Constituição de 1967 teve cunho centralizador no âmbito federal e fortalecedor do Poder Executivo (inclusive com poderosas . dentre outros direitos trabalhistas e previdenciários. p. mais apropriadamente com o impacto que sofreu pelo Ato Institucional nº 2." (apud BASTOS. instrumento que ratificou as emendas operadas através do referido Ato Complementar. eis que. certo é que o movimento militar de 1964 rompeu com a ordem constitucional de 1946. com as alterações que ele próprio introduz. "não é propriamente a Constituição de 1946. na prática. 26. estabelecida pela Constituinte de 46. sob o ângulo jurídico. mais quinze. tendo inclusive a Emenda nº 4/61 instituído o sistema parlamentar de governo que. foi substituído pelo já entre nós tradicional presidencialismo. ainda que tecnicamente tenha vigorado por praticamente 21 anos (de 1946 a 1967). com as modificações por ele introduzidas.com restrições de não serem contrários ao regime democrático). da primeira Constituição do Regime Militar entre nós implantado desde 31 de março de 1964 ("Constituição do Brasil"). diz Manoel Gonçalves Ferreira Filho. ao "arrepio da técnica legislativa". pelo reconhecimento do direito de greve. de 7 de dezembro de 1966.Ato Institucional nº 4. Na verdade. é possível dizerse que tenha sido superada já com a edição do primeiro Ato Institucional (de 9 de abril de 1964). distorção contornada com a expedição do AI nº 6/1969. de 9 de abril de 1964. que está em vigor. Uma sexta fase iniciou-se com a outorga. após o AI n° 5/1968. que com vários Atos Institucionais (de números 5 a 17) e entre estes. votação e promulgação do Projeto de Constituição apresentado pelo Presidente da República" . Muito discute-se a respeito do exato momento em que a Constituição de 1946 deixou de vigorar. após o Ato Institucional nº 1. embora inicialmente "respeitada pelo regime militar". já que este afirmava manter "em vigor a Constituição de 1946". Para a feitura da Carta de 1967 o Congresso Nacional foi convocado para "discussão. em 24-1-1967. Entre 1950 e 1963 recebeu seis Emendas Constitucionais e. 24. pela coibição do abuso do poder econômico. 1997. que. Está em vigor uma Constituição outorgada pelo movimento revolucionário cujo conteúdo corresponde ao da Constituição de 1946. o que se pode verificar pela subsunção da propriedade privada ao "bem-estar social". através da Emenda nº 6/63. dentre outras medidas. fez acréscimos aos artigos 13. a partir do Ato Institucional de 9 de abril de 1964. por conta das modificações então introduzidas. De todos os modos. desde 1961 as diversas emendas operadas em seu texto denunciavam uma série de crises institucionais que se davam no Brasil. 133) Assim. inseriu-se o Ato Complementar n° 40/1968 que. após plebiscito desaprovando-o. extinguiu os partidos políticos. 99 e 136 daquele texto constitucional. Os valores coletivos nela também tiveram destaque. ou ainda.

competências legislativas). De 189 artigos a Constituição passou a ter 200. do clero mais "progressista" e dos movimentos estudantil e dos trabalhadores contra o governo militar e o brado pela convocação de uma Assembléia Constituinte. pela qual os Ministros da Marinha de Guerra. a sétima brasileira. Então. a Carta de 1969 teve sua redação conferida pela Emenda nº 1/1969. Isto faz com que muitos doutrinadores afirmem não ser a Constituição de 1969 uma nova Constituição. temse que configura uma nova Constituição. conseguiu-se. mesmo através do Colégio Eleitoral. do Exército e da Aeronáutica Militar. temos a oitava Constituição brasileira. Seguiram-se à mesma. Embora não tendo vencido no Congresso Nacional a emenda (de autoria do deputado Dante de Oliveira) que propugnava eleições diretas. em 17 de outubro de 1969. o que enfraquecia brutalmente a parte aproveitável do seu conteúdo" (1997. Foi após o pleito de 1982 (primeira eleição direta para Governadores havida naqueles últimos anos) que mais se fortaleceram o movimento em prol de eleições diretas para a Presidência da República e a corrente em defesa da convocação de uma Constituinte para o País. uma sétima fase de nossa história constitucional é marcada pela publicação da "Emenda Constitucional nº 1". Para o advento do novo texto constitucional contribuiu em muito a situação de instabilidade política vivida pelos brasileiros nos anos de 1967. afora as inúmeras alterações feitas na ocasião em seu texto. "promulgaram" a nova redação da "Constituição da República Federativa do Brasil". através da possibilidade de suspensão de direitos e garantias constitucionais. a partir do processo de redemocratização do País e do conseqüente abandono de práticas ditatoriais no comando do Estado e no trato da coisa pública. foi imposta por uma junta militar. eleger-se um civil em 15 de janeiro de . p. podendo sua principal peculiaridade ser resumida na enorme preocupação que dispensou à "segurança nacional" (conceito jurídico indeterminado que permitiu diversas posteriores manipulações no texto constitucional) e na restrição à autonomia individual que acarretou. promulgada em 5-10-1988. 1968 e 1969. No dizer de Celso Bastos. em ordem numérica. mas apenas uma Emenda à Constituição de 1967. forma especialmente anômala de nascimento de uma Constituição. intensificando-se a campanha da oposição parlamentar. neste particular. a teoria do Direito Constitucional. E. desprezando-se por completo. ou seja. mas como tal Carta alterou substancialmente a Constituição então emendada. por fim. o texto constitucional "continuava a conviver com os atos institucionais. 27 Emendas Constitucionais (de 1/1969 a 27/1985). destacando-se a criação de nova causa de perda de mandato parlamentar e o alargamento da possibilidade de censura em relação a publicações "contrárias à moral e aos bons costumes". o que não se efetivou. Verdadeiramente. 139). estando decretado em recesso o Congresso Nacional.

enfim. depois passou para 8 Comissões temáticas que elaboraram anteprojetos à Comissão de Sistematização. o relator elaborou outro substitutivo com 336 artigos ("Cabral II"). Após esta vitoriosa iniciativa. Embora o governo havia convocado uma comissão ("Afonso Arinos") para elaborar um projeto de Constituição. Após novas 14. capitaneada pelo "Centrão" (grupo de parlamentares interpartidário contrário aos critérios regimentais). em 27 de janeiro de 1988 o plenário reuniu-se para iniciar as votações. novo substitutivo. A partir daí. Diante disto. Teve seu regimento interno aprovado apenas em 24 de março. sendo que uns a queriam autônoma e independente e outros desejavam a conversão do próprio Congresso Nacional a ser eleito em novembro de 1986 em Assembléia Constituinte. sob a presidência do Ministro José Carlos Moreira Alves. o que foi usado como estratégia para uma próxima convocação da Assembléia Nacional Constituinte.615 emendas. denunciando a fragmentação e a falta de sistematização dos trabalhos constituintes. sendo que este. A Assembléia Nacional Constituinte foi instalada em 1º de fevereiro de 1987. desejosa de uma Constituinte Exclusiva. frustrando a expectativa da maioria do povo. Mas como a Comissão de Sistematização não poderia fazer as vezes do plenário. o relator apresentou um substitutivo ("Cabral zero"). agora com 374 artigos ("Cabral I"). já que todas as aprovações teriam que se dar pela maioria absoluta dos constituintes. o mesmo não foi remetido à Constituinte. Promulgada.320 emendas apresentadas a este substitutivo. então Presidente de Supremo Tribunal Federal.1985. que começou a ser votado pela Comissão de Sistematização em 24 de setembro de 1987. Esta última corrente saiu vencedora e os próprios congressistas foram os constituintes. Tal alcunha deveu-se à restituição ou ao resgate que em seu texto se fez da ampla cidadania e dos direitos humanos fundamentais. houve insurgência da maioria dos parlamentares contra dispositivos regimentais e encaminhou-se em 10 de novembro uma mudança nos mesmos. em 5 de outubro de 1988. Houve muitas divergências sobre o caráter desta. antecipando as dificuldades com que o andamento dos trabalhos iria se deparar na seqüência.790 emendas de plenário e 122 "populares". A reunião destes anteprojetos em um único texto resultou em uma peça com 551 artigos (alcunhada de "Frankenstein"). a Constituição recebeu imediatamente a alcunha de "Cidadã" por parte de seu idealizador. continuando em um segundo turno de votação a partir do final de julho. e nisto assemelhou-se à feitura da Constituição de 1946. sendo que já no dia seguinte foi eleito seu Presidente o Deputado Ulysses Guimarães. assim. por sua vez. o qual também recebeu 20. após duas décadas de restrições e cerceamentos no exercício dos mesmos e de supressão de liberdades públicas em . recebeu 5. os trabalhos não partiram de um pré-projeto. Ulysses Guimarães. Iniciou a ser redigida em 24 Subcomissões.

pois enquanto há mais de duzentos anos os Estados Unidos da América do Norte mantêm a mesma Constituição republicana e presidencialista. por ora. mas deixamos a análise das inovações trazidas em seu texto para a segunda parte desta obra: Direito Positivo Constitucional. acatadas como se sempre vestíssemos "manequins emprestados". Capítulo I Direitos. Esclarecimentos Prévios Iniciamos a análise do texto constitucional diretamente em seu artigo quinto. Ditadura Civil. E sempre é bom que os estudantes reflitam em cima destes dados. em 1937 "transplante" de princípios vigentes na Polônia e. uma vez que o constante no Preâmbulo e nos artigos primeiro ao quarto já foi abordado na Primeira Parte desta obra. Há que se relembrar. República Parlamentarista e até Democracia. deveres e garantias fundamentais constantes no artigo 5º da Constituição Federal brasileira de 1988 . tal conteúdo acaba por repetir-se direta ou indiretamente quando a Constituição trata de direitos e garantias fundamentais. bom ou mau. e estes são tratados por excelência. embora não exclusivamente. a perspectiva descentralizadora da CF/88 e o fato de a mesma ter instituído um Estado Democrático de Direito. Adiantamos. também. Ditadura Militar. em 1934 a influência de cunho social alemã. em igual e mesmo período o Brasil já foi de tudo: Colônia. o único detentor legítimo daquele poder capaz de criar uma Constituição. República Presidencialista. Não queremos com isso fazer um balanço dicotômico no sentido de ser produtivo ou não. sempre com Constituições que pouco refletiram a verdadeira pauta de valores desejada pelo povo. que no . Império. forte inspiração buscada no texto constitucional português. em 1988. mais especificamente quando tratamos dos "Princípios Constitucionais Fundamentais".geral.Desdobramentos 1. na seqüência as idéias federalistas e presidencialistas dos Estados Unidos da América do Norte. apenas demonstrar que refletem-se aqui as correntes de pensamento de outros centros. Ademais. podemos afirmar que aparecem nítidas influências teóricas e textuais de Constituições de outros países influenciando nossos textos: inicialmente as idéias liberais da França. no artigo 5º. Como corolário deste item sobre o histórico de nossas Constituições.

em nível de escolaridade. À Liberdade. que costumam ser direcionadas a parcelas minoritárias da sociedade (seja racial. poderiam ser tomadas como privilégios ou agressões à essa regra isonômica de que falamos. deveres e garantias tanto individuais quanto coletivos. isto é. Mas também desejou o constituinte originário de 1988. Então. dentre todos os demais. para dar-lhe a maior aplicação possível.. Essa igualdade máxima entre todas as pessoas deve ser observada na lei e também perante a lei. além de formal. de gênero.. que a tão sonhada igualdade entre os seres humanos pudesse ser. sendo essa a igualdade de cunho econômico. isto é. conta com a mais extensa abordagem nesta obra.artigo 5º existem direitos. que não são mais do que promotores da igualdade concreta. isto é. também conhecido como Princípio da Isonomia. Esse é o conteúdo da igualdade jurídica. à análise dos 77 incisos do artigo em pauta.213/91. Cabe observar. em seu artigo 93.1 ou ainda as chamadas "Ações Afirmativas". que toda a empresa com 100 ou mais funcionários deve ter de 2 a 5% de seus cargos ocupados por portadores de deficiências físicas). 2. À Igualdade E À Segurança Inicia o caput do artigo 5º dizendo que todos "são iguais perante a lei. através da garantia da indistinção das pessoas. em um primeiro momento. afirma-se óbvio que um tal entendimento amplo desse Princípio de primeira grandeza exige interpretação constitucional compatível. E para tentar maximizá-lo. E essa abordagem a fazemos sob a forma de desdobramentos dos significados dos respectivos direitos e garantias. existem no próprio ordenamento jurídico como um todo algumas regras que. nem sempre em número. então. . ou ainda como Regra Isonômica. justamente por ser o mais longo da Constituição e por tratar dos principais direitos e garantias fundamentais que possuímos. etc.). ainda. Direitos À Vida. (. nenhum texto legal infraconstitucional ou mesmo qualquer outra regra constitucional pode produzir ou reproduzir desigualdades. sem distinção de qualquer natureza. assim. que o artigo 5º. também material. buscando com isso ampliar ao máximo o entendimento acerca dos mesmos. para tentar igualizar as pessoas na prática é que existem tais mecanismos.)". que pudesse deixar de apenas estar registrada nos textos das leis para efetivamente se fazer verificar no mundo real. E. mas quase sempre em grau de acesso e participação.112/90) ou mesmo no setor privado (diz a Lei nº 8. como por exemplo a previsão de reservas de vagas para os portadores de deficiência física nos concursos que se realizam para a admissão nas empresas públicas (20%. Passamos. na materialidade da vida. figurando como justa e legítima reivindicação de parcelas significativas da população. Temos aí a consagração constitucional do Princípio da Igualdade. pela Lei nº 8. na realidade concreta.

prevalecia a decisão do pai em caso de divergência. sem preconceitos de origem. citamos exemplos para demonstrar que todas essas gradativas conquistas possuem como corolário a constitucionalização expressa do Princípio da Igualdade entre os gêneros. portanto. A igualdade em direitos e obrigações era requisitada pelas mulheres já há muito tempo. em que é muito comum a percepção de salário diferente para função igual. com o intuito de impossibilitar diferenciações jurídicas. 3º da CF/88: "promover o bem de todos. significa . que até o advento da Lei do Divórcio (Lei nº 6. nos termos desta Constituição. embora estas duas últimas sejam de difícil erradicação. a excepcionalidade do juízo corporativo. para que.Ainda em relação ao Princípio da Igualdade. o voto feminino só foi conquistado em 1932. principalmente no campo dos direitos de família. Ou seja. cor. do trabalho e dos negócios.515/77) vigia entre nós o Princípio da Indissolubilidade do Casamento. embora pelo texto dessa Lei o pátrio poder passou a ser exercido em colaboração. quando se grafa "nos termos desta Constituição". incluindo os réus. salvo para a apuração e punição de faltas disciplinares. por posse de deficiência física. eleitoral.121/62 (Estatuto da Mulher Casada) a mulher era considerada relativamente incapaz (art. mormente nas relações trabalhistas. na tradição do modelo patriarcal de família no Brasil implantado (por grande influência do Código Civil Napoleônico de 1804). são iguais perante a lei."). Nunca será demais recordar que. já que é princípio pétreo da Constituição que todos. seja por orientação ou opção sexual. raça. há que se relembrar o conteúdo do inciso IV do art. que até o advento da Lei nº 4. porque o mesmo significa a descida do Princípio da Igualdade na historicamente discriminatória e polêmica seara dos gêneros humanos: o masculino e o feminino. se extinguisse a Justiça Militar estadual. 6º. No presente inciso o constituinte originário reforçou a idéia da igualização dos gêneros já anunciada no caput do artigo.homens e mulheres são iguais em direitos e obrigações. a Constituição veda distinções de qualquer natureza entre as pessoas. jurista e humanista que ocupou a Secretaria da Segurança Pública do Estado de São Paulo. Ingressamos também já no primeiro inciso do artigo 5º ("I . Aqui importa trazermos a importante proposta feita pelo constitucionalista José Afonso da Silva. necessitando da autorização (se casada) do marido para comerciar (conforme artigos 1º e 27 do Código Comercial) ou trabalhar fora de casa e. que ao longo dos séculos tiveram a si associada uma carga culturalmente elaborada para determinar o espaço de um e de outro na sociedade (esferas pública e privada). enfim. e quiçá morais e sociais entre ambos os sexos. não se justificando. Por fim. etc. sexo. idade e quaisquer outras formas de discriminação". por reforma constitucional. Código Civil de 1916).

. p. à segurança e à propriedade. que no Brasil não é disciplinada autonomamente. de trabalhos forçados. à liberdade. A situação dos estrangeiros que não residem no Brasil já foi abordada em Direito Constitucional I. uma vez que se tem que o direito à vida consagrado na Constituição Federal não permite às pessoas da vida disporem. "d" e "e"). 5º. que vem a ser a vedação a qualquer forma de homicídio. devendo aqui apenas relembrarmos que. impedindo torturas ou tratamentos desumanos ou degradantes (art. 198] e. supranacionais. se um francês em férias pelo Brasil é preso ilegalmente. por serem estas efetivamente os sujeitos de direitos. inciso XLVII. ainda que em situações dramáticas [SILVA. enquadrando-se na definição de homicídio simples. E segue o caput do artigo 5º: ". tutela o direito à vida das pessoas. "morte bela". alíneas "b". 5º. Importa observar que a Constituição. 3º) o direito a tratamento digno. pressupondo o cumprimento de todos os direitos e garantias sociais e trabalhistas previstos nos artigos 6º e 7º da Constituição Federal. também conhecido como "morte branda". em primeiro lugar. cuja pena é de 6 a 20 anos) e o aborto (exceto o "aborto legal". o que sói acontecer quando. não admite ser violada e pode ter no mínimo os seguintes desdobramentos: 1º) o direito a não sermos mortos. mas como a . devido à característica de serem as garantias constitucionais em sua grande maioria também direitos humanos fundamentais e. à igualdade. Do mesmo modo. 7º (que prevê a proteção do mercado de trabalho da mulher). por exemplo. por isso. previsto no artigo 184 do Código Penal Brasileiro). recebe atenuantes.que só a Constituição pode estabelecer distinções (e nunca as leis infraconstitucionais de per si). continua sendo homicídio doloso. de banimento ou cruéis (art. não há que se falar em violação da Regra Isonômica quando a discriminação quanto ao sexo é necessária. em que esta. E a Constituição efetivamente faz algumas distinções entre os gêneros sem que isso configure um atentado ao Princípio da Igualdade. tal prisão será passível de correção por intermédio de um hábeas corpus).. para não agredir a vida. 2º) o direito à sobrevivência.)". "homicídio piedoso". porém. inciso III) e penas perpétuas. nem o consentimento lúcido do doente exclui o sentido delituoso da eutanásia. (.. desde que em situação regular (assim. as mesmas alcançam aqueles estrangeiros nãoresidentes no Brasil. Continuamos agora com a abordagem do direito à vida. portanto. "c". um concurso para selecionar mulheres a vagas na Polícia Feminina só admita inscrição de mulheres. 5º. a eutanásia (o homicídio eutanásico. também amplamente considerada como valor supremo.. por exemplo. como por exemplo o previsto no inciso XX do art. inciso XLVII. garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida. 1997. alínea "a"). tais como a pena de morte (art.

tais como habeas corpus. 3. conforme o disposto no inciso XV do artigo em pauta). continuam oprimidas pelas desigualdades fáticas. pela qual. XVII). pois sem condições mínimas de vida digna as pessoas não podem ser livres.vida no meio ambiente é indispensável para a sobrevivência dos seres humanos. deixamos para tratá-lo em separado. quando formos abordar os incisos XXII. isto é. Já para a Administração Pública. no sentido de que os órgãos e agentes públicos só podem fazer aquilo . recursos hídricos. 2º) o da liberdade de consciência (art. os que auferem rendas pagam antecipadamente. isto é. 2 em tempo de paz. XXIII. sem qualquer autorização ou interferência. VI). em relação ao território nacional. 4º) o da liberdade de associação (art. projetando-se. o Princípio da Legalidade está previsto no caput do art. que é permitido tudo aquilo que não for proibido. mas também a segurança jurídica. bem como o de transportar seus bens. 37 da Constituição Federal e possui um significado diverso. animais. para os administrados. configurando a chamada "legalidade estrita". XXIV e XXV do mesmo artigo. etc. ficar e permanecer. 5º) o da liberdade de exercício de profissão. possibilita a Constituição Federal vários instrumentos-garantias contra atos abusivos do Poder Público em geral. aliás. Significa. Princípio Da Legalidade O Princípio da Legalidade está consagrado no inciso II do art. é crescente a defesa do direito à vida bem como a mais ampla proteção também para plantas. nos seguintes aspectos: 1º) o da liberdade física (também dita liberdade de locomoção e de circulação. ao contrário. 3º) o da liberdade de expressão (art. 5º. 5º. IV). Já o direito à liberdade em sua acepção mais lata tem como pressuposto a igualdade material-econômica que mencionamos acima. Quanto ao direito à propriedade. ir e vir. Assim. a liberdade humana garantida na Constituição deve ser compreendida como ampla. mandado de segurança (individual e coletivo). dentre outros. habeas data. pela qual os destinatários de um ordenamento jurídico gozam de certas garantias que os protegem contra as arbitrariedades legislativas ou mesmo judiciais. para os cidadãos em geral. 5º. circunstância em que o Poder Público poderá até impedir a entrada e a saída de pessoas do território nacional. 5º: "Ninguém será obrigado a fazer ou deixar de fazer alguma coisa senão em virtude de lei". que vem a ser o direito que a pessoa possui de. Por sua vez o direito à segurança compreende não somente o dever de o Estado tutelar os bens públicos e a vida privada (e seus respectivos bens) por meio da segurança pública. englobando também a livre escolha da profissão. embora esteja elencado como um dos invioláveis direitos previstos no caput do art. etc. que pode ser restringida em tempo de guerra. 5º.

c) de . Assim. que tipificou o crime de tortura. isto é. uma semana após as imagens de torturas e homicídios cometidos por policiais na caso da truculência policial filmada e televisionada em rede nacional. em Diadema/SP. quase sempre para obter. de 7 de abril de 1997. após quase oito anos. a confissão obtida sob tortura não vale como prova de crime. algum tipo de confissão das pessoas torturadas. b) de caráter perpétuo. choques elétricos. que proíbem as penas: "a) de morte. na Favela Naval. A respeito da tortura. etc. ligando-o diretamente ao inciso XLIX. senão reabilitadora. percebendo seus autores penalização bem mais leve. como os exemplos clássicos utilizados pelos "donos do poder" nos regimes ditatoriais ("pau de arara". ainda que posteriormente se comprove que um acusado efetivamente cometeu os crimes pelos quais sofreu acusações e por mais que possa parecer uma pessoa extremamente desumana aos olhos das vítimas ou da população em geral. até o advento da Lei nº 9. também dizendo respeito à maneira de aplicação das penas permitidas constitucionalmente. bem como à vedação de alguns tipos de penas. Logo. A Tratamento Desumano Ou Degradante E Proibição De Certos Tipos De Penas Que Atentam Contra A Dignidade Humana Diz o inciso III do art. bem como ao inciso XLVII e suas alíneas. que agrediriam a dignidade da pessoa humana. por esta Constituição (incisos III e LVI do art. hipnoses. cumpre informar que desde 1989 tramitava em nosso Congresso Nacional um projeto de lei visando transformá-la em crime autônomo. Salientamos que. é dizer. Vedação À Tortura. exercem atividade sub lege.que está previsto na lei. evitando que violência gere mais violência. XIX. Estas vedações são garantias penais máximas às pessoas. o que só veio a acontecer em 1997. 4. enquadrava-se a mesma no tipo penal "lesões corporais". Assim. Na verdade. mais especificamente. o tratamento desumano ou degradante proibido pelo texto constitucional refere-se a todas as garantias de bons tratos que deve ter tanto um acusado quanto uma pessoa que esteja recolhida aos manicômios.).455. 5º: "Ninguém será submetido a tortura nem a tratamento desumano ou degradante". salvo em caso de guerra declarada. que assegura aos presos "o respeito à integridade física e moral". sob a lei. Por tortura devemos entender a prática de medidas de cunho físico. moral ou psicológico ofensivas à integridade humana. por uma simples e básica razão: é crime em si! Por sua vez. 5º) e pela lei que a regulamentou neste particular. devemos realizar a interpretação sistemática do inciso em comento. o tratamento digno é o único merecido por qualquer ser humano. nos termos do art. forçosamene. até porque a "missão" do sistema penal não é vingativa. ainda assim deve merecer todo o tratamento digno possível. 84.

por 30 ou por 250 anos). Pelo Código Penal em vigor. 45). e como o fará se este indivíduo for morto inicialmente ou restar na prisão até a morte? Ainda quanto à pena de morte. d) de banimento. implicaria. já aludida acima: a de que o sistema penal tem por função reintegrar o indivíduo à sociedade. venha a encontrar a morte na prisão. Foram épocas cruéis e irracionais. até porque nem em teoria existiam. seja qual seja a condenação (exemplificando: uma pessoa pode ser condenada por 120. o teto máximo que poderá cumprir será o de 30 anos. Tanto ela quanto a pena perpétua basicamente são rechaçadas pelo nosso ordenamento constitucional penal por uma mesma e fundamental razão. que o condenado carregasse. expressando a exacerbação do poder de punir. onde os direitos humanos da pessoa acusada e punida não eram respeitados na prática. está vedada a pena de trabalhos forçados. que parece ser a mais visada pelos constituintes e pelos pensadores do Direito Penal e da Criminologia. 1997. Para iniciarmos. esta era admitida em nosso Código Criminal Imperial de 1830. evidentemente . considera que a sobrevivência da nacionalidade é um valor mais importante do que a vida individual de quem porventura venha a trair a pátria em momento crucial (SILVA. um pouco de História: o Código Penal brasileiro de 1830 registrava a pena de morte (que era dada na forca. e uma segunda conotação. tendo sido abolida pela Constituição Federal de 1934. a única exceção que se admite é no caso de traição à pátria em caso de guerra externa declarada. como Amaral Netto e Farabuline Júnior. p. uma que toma o termo "forçados" stricto sensu. pois assim estabelece o art.trabalhos forçados. enquanto pena. Pode até ser que em algum caso um condenado já em idade avançada e que seja condenado a uma pena longa. 3 quando a Constituição. é aquela que implicaria que o trabalho imposto ao condenado devesse ser realizado gratuitamente. 198). Neste sentido. pela Lei de Execução Penal. 34). conforme ensinamentos de José Afonso da Silva. conforme seu art. e) cruéis. de maneira que tal tarefa lhe demandasse um esforço físico exagerado. de prisão perpétua com ou sem trabalho. a de galés perpétuas. mas isso não significa que a pena que lhe foi aplicada seja perpétua. significa apenas que a pena ultrapassou a expectativa de vida daquele apenado. por exemplo. como por exemplo a vinte e cinco anos. A pena de trabalhos forçados pode ter duas conotações. a de banimento.". A pena de morte é a dita pena capital. Quanto à pena de caráter perpétuo. temos que o trabalho realizado inerente ao cumprimento da pena é atividade ocupacional do presidiário com finalidade educativa e produtiva. embora a mesma tenha tido defensores renitentes no Brasil. diariamente. de desterro e de degredo (art. Seja qual for a conotação adotada. resta terminantemente proibida. uma quantidade exagerada de pedras. 75 máximo diploma Penal brasileiro em relação às penas privativas de liberdade.

remunerada porque vedado o trabalho forçado (o piso da remuneração é fixado em seu art. 29). Também o Código Penal em vigor no Brasil (art. 39) diz que o trabalho do preso será sempre remunerado, sendo-lhe garantidos os benefícios da Previdência Social, e tudo encontra fundamento na superação do trabalho gratuito desde que extinta a escravatura, não fazendo sentido o trabalho gratuito, ainda que imposto pelo Estado, mesmo na execução da pena criminal, pois o trabalho tem uma expressão econômica. Por outro lado, apesar da gratuidade, a prestação de serviços à comunidade não se confunde com os trabalhos forçados. Aqui abrimos um pequeno parênteses para comentar um paradoxo: o de que temos vedados trabalhos forçados nas prisões, enquanto penas, mas temos na prática, para os homens livres, isto é, para aqueles que não sofreram qualquer condenação, o trabalho escravo, como é sabidamente praticado em alguns pontos do Brasil, assim como sabida é a ocorrência do trabalho infantil. A pena de banimento, por sua vez, consistiria na expulsão de um nacional de seu País, ou seja, no envio compulsório de brasileiros para o exterior, o que não se admite, uma vez que, se acaso o brasileiro tenha cometido aqui algum delito, o próprio País dispõe de meios penais e processuais penais para processá-lo e puni-lo, sendo esta a mesma justificativa que impede a extradição de brasileiro nato. Ademais, existem várias outras penas às quais pode ser submetido um brasileiro, mas não o banimento, o que seria muito duro, já que o colocaria em situação desfavorável ao ter que viver em outro País onde não teria a nacionalidade e a cidadania, além de estar afastado de seus familiares, de suas atividades profissionais, etc. Mas a História prova que tivemos a pena de banimento no regime militar, criada que foi pelos Atos Institucionais de números 13 e 14, de setembro de 1969, tendo também existido e sido aplicada pelo Código Criminal do Império (de 1830), pela qual se privava para sempre os réus dos direitos de cidadão brasileiro e se os inibia perpetuamente de habitar território do Império (art. 50). E, por fim, as penas cruéis seriam todas aquelas que causassem sofrimentos físicos ou que, de alguma ou de outra forma, ofendessem a integridade física do condenado, como por exemplo receber "tantas" chicotadas todos os dias (açoite), ou as irracionais ordálias vigentes na Idade Média, ou ainda a marca de ferro quente que, dentre outras penas cruéis, foi abolida no Brasil pela Constituição Monárquica de 1824. De todos os modos, diz Luiz Vicente Cernicchiaro, a pena, em si mesma e na sua execução, não pode ofender a dignidade do homem, e chegar-se-á a essa situação sempre que o condenado for submetido física e moralmente a tratamento degradante, como o era a obrigação de o condenado sair à rua portando capela de chifres, disposição do Livro V das Ordenações Filipinas, ou o amarramento dos seus pés com barras de ferro a fim de impedir-lhe os

movimentos, a provocação de marcas no seu corpo (CERNICCHIARO, 1995, p. 142) e tantos outros exemplos que ficam para trás no transcurso da história penal e constitucional. Observamos ainda que, em relação ao inciso XLIX, o "respeito à integridade física e moral" dos presos é principalmente uma obrigação imposta ao Estado, significando que os órgãos públicos responsáveis pelo encarceramento (provisório ou definitivo) ou pela administração de qualquer outra pena aos condenados devem destinar-lhes tratamento digno, sob pena de, em falhando neste preceito constitucional, sofrer o dever de indenizar o próprio preso ou seus familiares. Por exemplo: já houve decisão judicial (e inclusive há jurisprudência do Supremo Tribunal de Justiça a respeito) condenando o Estado por responsabilidade civil, devendo indenizar familiares de um preso que foi assassinado na prisão por outro preso, colega de cela; considerou-se, no caso, que a sentinela estatal falhou no cumprimento de seus deveres de guardar a convivência pacífica em um presídio, já que o Estado tem a obrigação de oferecer aos detentos vigilância constante e eficiente. 5. Liberdade De Expressão, Direito De Resposta, Dano Moral E Vedação À Censura A liberdade de expressão é amplamente considerada em vários pontos do artigo 5º da Constituição Federal, iniciando pela expressão do pensamento, isto é, pela sua exteriorização, nos seguintes termos do inciso IV: "é livre a manifestação do pensamento, sendo vedado o anonimato" e, na continuação, o inciso V garante: "é assegurado o direito de resposta, proporcional ao agravo, além da indenização por dano material, moral ou à imagem". O pensamento humano, enquanto não exteriorizado, é indevassável, isto é, não há como nele se penetrar, pois uma vez não sendo conhecido não poderá ser indagado, tampouco invadido. Assim, as pessoas podem pensar coisas terríveis, imorais, ilegais, ofensivas, etc. e nunca ninguém vir a saber, assim como nunca o autor de tais pensamentos virá a ser punido por tê-los pensado. Mas uma vez exteriorizado, poderá sofrer restrições, e por isso há que se cuidar muito bem o conteúdo que se externa e os termos com que se o faz, porque, em sendo obrigatório assumir a autoria do que se diz, se mostra ou se escreve, está o autor sujeito a receber compulsoriamente uma resposta, concedida como direito a um hipotético ofendido, ou ainda, e o que é mais grave, sujeito a ter que indenizar pecuniariamente os danos causados à imagem, à moral ou ao material de outrem. Já dizia um brocardo latino que "o homem é o senhor do seu silêncio, mas escravo de suas palavras". Ou seja: temos que assumir o que dizemos, ou melhor ainda, assumir a autoria de tudo o que expressamos de uma ou outra maneira, e justamente para isso mesmo é que a Constituição prevê a vedação ao

anonimato, possibilitando a identificação do responsável pelas opiniões emitidas. O impedimento do anonimato é, assim, um dever que existe de forma simétrica à plena liberdade de manifestação do pensamento. Logo, não terá liberdade de manifestação aquele que quiser ocultar a própria identidade. Por fim, o direito de manifestação do pensamento engloba os direitos de manifestação da opinião, de discurso e de imprensa. O direito de resposta o vemos sendo exercido muito seguidamente em nosso País em épocas de campanhas eleitorais. De um modo geral, esse direito possibilita a defesa do ofendido contra qualquer imputação que lhe tenha sido feita de modo ofensivo e/ou prejudicial, não isentando, porém, o responsável pelas conseqüências de seu ato, ou seja, além do direito de resposta, o ofendido possui também o direito de pleitear indenização pecuniária, vindo o ofensor a responder judicialmente pelos seus excessos. Há que se ter em conta, por fim, que o direito de resposta é concedido "proporcionalmente ao agravo" sofrido, ou seja, de forma a não gerar novo direito de resposta, vedando-se, com isso, a tréplica. Cabe aqui, no âmago da liberdade de expressão, não só do pensamento como também das idéias, inserirmos a ampla discussão que se travou nos meios jurídicos quanto à constitucionalidade ou não da Lei nº 9.434/97, que dispõe sobre a remoção de órgãos, tecidos e partes do corpo humano para fins de transplante e tratamento. Não se questionava, ou tampouco se questiona, o seu significado humanitário, mas, sim, o fato de ter criado a presunção da anuência, introduzindo, assim, no direito brasileiro, a vontade presumida às avessas, pois que autoriza a retirada, depois da morte, de órgãos do corpo com a destinação de serem transplantados em corpos alheios, salvo se a pessoa, em vida, tiver documentado a sua recusa. Do ponto de vista de Walter Ceneviva, a regra constitucional é afrontada pela presunção de uma vontade não-manifestada, pois "a imposição da disponibilidade presumida do corpo ofende, durante a vida, os direitos da pessoa, pelo simples fato de impor que ela manifeste vontade que não queira manifestar".4 O direito à liberdade de expressão como já dissemos, é amplo e inclui também o previsto no inciso X do art. 5º: "são invioláveis a intimidade, a vida privada, a honra e a imagem das pessoas, assegurando o direito a indenização pelo dano material ou moral decorrente de sua violação". Os conceitos de "intimidade" e "vida privada" são muito próximos, correspondendo ao direito que a pessoa tem de não ser molestada, de viver por suas próprias escolhas, de acordo com o seu livre-arbítrio, não permitindo a intromissão de estranhos em sua intimidade e privacidade, ficando livre de qualquer forma de publicidade ou divulgação a respeito de sua pessoa que não queira suportar; por seu turno, também a "honra" e a "imagem" são conceitos interligados, referindo-se a imagem tanto ao domínio físico

das pessoas (suas representações concretas) quanto a "todo e qualquer modo pelo qual são conhecidas (a representação moral que têm de si mesmas, aferível objetivamente)" (CENEVIVA, 1991, p. 52). Podemos lembrar, ainda, que a ofensa à honra das pessoas pode dar lugar aos chamados "crimes contra a honra": calúnia (atribuição falsa de crime), injúria (ofensa à dignidade e decorro) e difamação (ofensa à reputação). Disciplinados pelo Código Penal Brasileiro, em relação a eles vige a regra de que cabe a quem alega provar o alegado, ou seja, não cabe ao ofendido provar que é mentira o que se disse a seu respeito, mas sim ao ofensor provar que é verdade o que disse. O dano moral, previsto nos incisos V e X já referidos, é novidade consagrada na Constituição Federal de 1988 e representa a ofensa aos valores éticos de alguém. É indenizável, tratando-se pois da "responsabilidade civil", sendo que pela reparação monetária do dano moral e da imagem pretende-se resguardar a dignidade e a privacidade das pessoas. O valor da indenização é arbitrado pelo juiz da causa, seguindo-se as determinações do art. 1.553 do Código Civil Brasileiro. A liberdade de expressão encontra, por fim, eco profundo no conteúdo do inciso IX, onde é amplamente garantida para as atividades intelectual, artística, científica e de comunicação, mas é óbvio que, por mais amplas que sejam estas garantias, deverão sempre ser exercidas levando-se em consideração o disposto no inciso X, acima visto, visando a manter um equilíbrio interpretativo a respeito de vários direitos e garantias constitucionais de igual importância e hierarquia. Há que se fazer, no entanto, uma ressalva em relação à expressão realizada por meio da comunicação, para a qual a liberdade não é absoluta, uma vez que sofre algumas limitações, impostas pela própria Constituição, determinadas nos artigos 220 a 224, constantes no Capítulo da Ordem Social. Precisamos recordar, por outro lado, que de 1964 a 1985, nos 21 anos de Regime de Exceção no Brasil, o regime militar acabava por decidir que notícias os brasileiros podiam ou não ler, que canções podiam ou não cantar, que filmes podiam ou não assistir; também decidia que brasileiros deveriam ser ou não torturados, mortos, exilados, banidos, cassados, sem o menor respeito à lei e à Constituição do País. Partimos dessas lembranças para vangloriar o feito de que na Constituição Federal de 1988 a censura foi completamente eliminada, nos termos do inciso IX do art. 5º: "é livre a expressão da atividade intelectual, artística, científica e de comunicação, independentemente de censura ou licença". Podemos considerar como "censura" todo o procedimento por meio do qual os Poderes Públicos visam a impedir a circulação de certas idéias, seja de conteúdo político, sexual, religioso, etc. Amplamente

revelando uma evidente preocupação do regime ditatorial também com a questão racial. a proteção aos locais de culto e a suas liturgias". sua reformulação e adequação ao espírito libertário e democrático da nova Constituição. Explica-se: elaborada em uma época de total e irrestrito domínio dos militares é. uma vez que uma consciência livre pode mesmo não ter crença alguma. Diz-se que até um artigo sobre xadrez foi cortado pelo censor. Mas há que se observar que a liberdade de consciência é distinta da liberdade de crença. os censores ou censoras trabalhavam nas redações dos próprios jornais ou. Estado Laico E Excusa De Consciência Estes assuntos estão contemplados basicamente em três incisos do art. Liberdade De Consciência E De Crença. Diz o inciso VI: "é inviolável a liberdade de consciência e de crença. desde que não vedado por lei". o espaço saía em preto. a vigente Lei de Imprensa (Lei nº 5.falando. sendo assegurado o livre exercício dos cultos religiosos e garantida. o primeiro de oposição ao regime militar. tendo sido o mais censurado de todos. como por exemplo ser adepta dos movimentos ecologistas ou dos movimentos pacifistas. portanto. ou aderir a valores morais e espirituais que não sejam religiosos. 5º: o VI. pelo menos. Normalmente. podemos dizer que seria uma espécie de patrulhamento ideológico. o certo e o errado. Como um dos exemplos históricos. causando-lhes muitos embaraços no exercício profissional. o VII e o VIII. A liberdade de consciência é inserida no contexto da liberdade de opinião e tem por objeto a moral e a religião. não era vazia de sentido. naquela época. as matérias produzidas pelos jornalistas iam para a análise da Polícia Federal antes de serem publicadas. na forma da lei. Urge. Como já mencionado. ao passo . alguns jornais convencionavam publicar aí receitas culinárias. que funcionou de 1972 a 1977. podemos citar o caso do "Jornal Opinião". muito dura nas penalidades e proibições que impõem àquelas pessoas que exercem profissões ligadas à expressão do pensamento. muito se usou da censura para cercear a liberdade de expressão em nosso recente regime militar. a liberdade de consciência corresponde ao "direito de fazer e de pensar. Tudo isso é uma pequena amostra que nos permite crer que a frase "a caneta é livre. como forma de protesto. Neste quadro. se assim não fosse. em branco ou. Quando havia cortes. Para Walter Ceneviva. principalmente para impedir a disseminação de idéias contrárias ou. mais especificamente à imprensa.250 de 1967) é por muitos considerada incompatível com o Estado de Direito que vige a partir da Constituição Federal de 1988. críticas e de oposição à oficialidade de plantão. mas o papel tem dono". atribuída ao jornalista Samuel Weiner. 6. porque terminava com a frase "as pretas ganharam". por vezes. sem restrição.

ao Distrito Federal e aos Municípios o estabelecimento de cultos religiosos ou igrejas. 51). Já o Brasil admitiu a liberdade religiosa em sua primeira Constituição. na de 1824. pois isso fere frontalmente a dignidade da pessoa humana. No mesmo inciso vemos a proteção aos locais de culto e suas liturgias. há . p. Porém. enquanto espaços para a exteriorização da crença. 19. uma vez que os cultos somente poderiam ser realizados nos templos pelos católicos. eis que. "às outras religiões apenas era permitido o culto doméstico ou particular". aos Estados. contemplando integralmente a liberdade de crença. impedindo então a liberdade de crença e de culto. mas que servem para balizar amplamente o respeito aos direitos humanos fundamentais. 1991. por ato administrativo ou por lei. Em qualquer caso. é óbvia a necessidade de todas as crenças e de todos os exercícios de cultos religiosos observarem "a ordem" e os "bons costumes". "a prestação de assistência religiosa nas entidades civis e militares de internação coletiva". isto é. que são conceitos indeterminados (o que por si só é um perigo). uma vez que o Estado não pode se imiscuir em questões religiosas por ser laico. nos termos da lei. embora o texto constitucional não restrinja. o que implica respeito a outras crenças que não aquelas geralmente padrões na cultura ocidental (por exemplo. sua subvenção ou a criação de embaraços ao seu funcionamento. que veda à União. inclusive queimando nas fogueiras da Santa Inquisição os hereges e todos aqueles que discordavam de suas orientações. Mas. Ademais. É dizer: a Constituição não ampara. que a garantia de liberdade religiosa é uma aquisição evolutiva da humanidade. Pelo inciso VII a Constituição assegura. como bem lembrado por Pinto Ferreira. Importa observar. também da CF/88. 103). cultos e religiões afros como o Candomblé ou mesmo seitas do tipo "Santo Daime"). por exemplo. Estamos diante de uma faculdade que a Constituição reconhece aos particulares. já que apenas os católicos eram elegíveis à Câmara dos Deputados (FERREIRA. de relações de dependência ou aliança. durante todo o Império os arcebispos e bispos eram nomeados pelo governo e faziam-se restrições políticas aos não-católicos. para que prestem tais assistências religiosas (desde que de aceitação voluntária). no mundo ocidental da Idade Média.que crença tem para este autor o sentido de "fé religiosa ligada ou não a uma denominação organizada" (CENEVIVA. Em consonância com este Princípio está o disposto no art. p. mas apenas parcialmente a liberdade de culto. 1998. por fim. por viger entre nós o Princípio da Separação entre o Estado e a Igreja. a igreja católica teve intenso predomínio. uma religião ou uma seita religiosa que exija o sangue obtido através do sacrifício de vítimas. proibindo também a manutenção com eles ou com seus representantes. enquanto um direito individual. ou seja. a Constituição assegura às pessoas ampla liberdade de consciência e de crença.

poderão ter suspensos seus direitos políticos. 226. sem com isso perder direitos. ou "objeción de conciencia" entre os espanhóis. pois a anterior Constituição não oferecia a possibilidade de prestação alternativa. Temos aqui uma inovação constitucional. 15.que se atentar que a separação entre o Estado e as igrejas não chega a ser absoluto. principalmente em Estados fundamentalistas religiosos. caso em que o ministro da organização religiosa envolvida assume a função civil do juiz de casamentos. vindo a atuar por delegação do Estado. Trata-se da garantia que coroa o Princípio da Liberdade de Crença e Consciência. de que são vítimas inúmeras pessoas. uma pessoa que faça parte da religião dos "sabatistas" e que seja convocada pela Justiça Eleitoral para trabalhar como mesária em um pleito eleitoral que se realiza justamente em um sábado. diz-se que os seres humanos são "prisioneiros de consciência". 7. no lugar daquela obrigação rejeitada. § 2º. explicando suas razões. inciso IV da CF/88. ninguém nela . Por último. uma prestação alternativa. que bem pode ser a prestação de serviços à comunidade. uma vez que a Constituição manteve o casamento religioso com efeitos civis. desatendendo ao chamado da Justiça. E pelo inciso VIII temos que "ninguém será privado de direitos por motivo de crença religiosa ou de convicção filosófica ou política. salvo se as invocar para eximir-se de obrigação legal a todos imposta e recusar-se a cumprir prestação alternativa fixada em lei". não aceita servir como jurada no Tribunal do Júri. Direito À Inviolabilidade Da Casa Diz o inciso XI: "a casa é asilo inviolável do indivíduo. Em todos esses exemplos a "escusa de consciência" evita a suspensão de direitos às pessoas. Como exemplos. e que onde esta não existe. da CF/88. uma vez que reconhece o que no Brasil se chama "escusa de consciência". por exemplo. desde que as mesmas cumpram as obrigações alternativas fixadas em substituição mas. por razões religiosas ou filosóficas. gostaríamos de frisar que as liberdades de consciência e de crença pressupõem também o direito de liberdade de expressão. situações constantemente denunciadas pela organização não-governamental Anistia Internacional. especialmente o serviço militar) sob a alegação de uma crença religiosa ou de uma convicção filosófica ou política. se não as cumprirem. podemos citar os seguintes casos hipotéticos: uma pessoa que. desde que se cumpra. um jovem que se recuse a cumprir o serviço militar obrigatório porque sua religião não permite pegar em armas. como se depreende do art. 5 instituto que possibilita o não-cumprimento de uma obrigação (a negativa em realizar determinados atos ou a prestar determinados serviços. É o que se depreende do art. assunto a ser aprofundado no Capítulo III desta obra.

nele não podendo entrar ninguém que não haja sido convidado pelo morador. Vedação Da Obtenção De Provas Por Meios Ilícitos E Proteção Do Sigilo Das Comunicações A vedação da obtenção de provas por meios ilícitos está intimamente relacionada com uma outra garantia. Perspectiva distinta e mais ampla é a durante o dia quando. e já que o ordenamento jurídico deve ser aplicado de maneira a ser o mais uniforme possível. ou. 8. que acaba por gerar "noites diferentes" (mais longas ou mais curtas) conforme o ponto do País em que nos encontrarmos. após às dezoito horas e antes das seis horas da manhã) só é possível penetrar-se em qualquer casa. A palavra casa deve aqui ser entendida como aquele lugar de domicílio ou residência com caráter permanente. se: a) houver alguma situação em que se configure um flagrante delito. mas no Brasil esbarramos com as peculiaridades dos fusos horários e do freqüente "horário de verão".podendo penetrar sem consentimento do morador. sendo tais exceções mais amplas durante o dia. Em vista disso. também é possível fazê-lo em qualquer situação. além dessas hipóteses acima elencadas que permitem a penetração na casa sem o consentimento do morador. E ela excepciona tanto durante o dia quanto durante a noite. b) estiver ocorrendo algum desastre (evento danoso e inesperado). uma vez que nenhuma determinação judicial neste sentido poderá ser executada durante a noite. desde que por determinação judicial. material e processual. seja por crime ou por contravenção (a flagrância subordina-se aos momentos imediatamente seguintes ao do cometimento do delito ou da perseguição do suspeito/acusado. salvo em caso de flagrante delito ou desastre. por determinação judicial". dizendo ser esta todo o período em que não houver luz do sol. No regime constitucional brasileiro. pelo texto do inciso em comento. Assim. Há autores que dão o conceito de noite. ou para prestar socorro. mais privado das pessoas. podendo este estar em sua própria casa ou ter invadido casa de outrem no processo de fuga). de um modo geral. c) houver necessidade de se prestar socorro (ato indispensável e urgente para garantir a segurança da pessoa e/ou da própria casa). como por exemplo um incêndio ou um desmoronamento. garante a inviolabilidade de domicílio. que é uma conseqüência imediata da segurança pessoal e também uma manifestação do direito de propriedade. preferível é adaptarmos a delimitação conceitual dada pelo "dia judicial". sem o consentimento do morador. esta inviolabilidade já vem sendo garantida desde a Carta Imperial. temos que durante a noite (ou seja. a não ser nos casos em que a Constituição excepciona. O inciso todo. considerando-se dia judiciário o período que vai das seis às dezoito horas. prevista . aquele lugar que é o recanto mais íntimo. durante o dia.

ou seja. por computadores em rede. nos seguintes termos: "é inviolável o sigilo da correspondência e das comunicações telegráficas. citamos o caso da Magna Carta de 1967. por telex. o que causou estranheza e inquietude no famoso processualista brasileiro José Carlos Barbosa Moreira. na prática. O sigilo de correspondência. jamais poderá ser para processos cíveis. violado constantemente. a Lei dá o novo tipo penal: "constitui crime realizar interceptação de comunicações telefônicas. Note-se que. pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ) confirma que não é agressão à Constituição a gravação de conversa própria. mesmo cumpridas todas estas formalidades. como vemos a regra é a do sigilo. que trata da interceptação de comunicações telefônicas e do fluxo de comunicações em sistemas de informática e telemática. sem autorização judicial ou com objetivos não-autorizados em lei. principalmente no que diz respeito à possibilidade de se admitirem gravações telefônicas sem autorização judicial. qual seja. no último caso. Pena: reclusão. de dois a quatro anos.). de 14 de abril de 1997. a qual deverá ser cumprida em seus estritos termos (é o chamado "grampo oficial"). de informática ou telemática. apenas para dar um exemplo de previsão constitucional acompanhada de constante violação pelo próprio Estado. por ordem judicial. no tocante às comunicações telefônicas. 6 A decisão proferida no acórdão nº 4. nas hipóteses e na forma que a lei estabelecer para fins de investigação criminal ou instrução processual penal". salvo.296. sendo sua concretização final. em tendo sido restabelecida a democracia. de dados e das comunicações telefônicas. que só poderão ser interceptadas em casos criminais (não importando se no curso do inquérito policial ou se já no processo. apresentando apenas uma exceção. sem autorização do interlocutor. e multa". em questionar por que esta cláusula de exceção só vale para o juízo criminal.pelo inciso XII do art. eis que gravar sons ou imagens pode constituir direito daquele que participa do fato porque em tal ato não está havendo invasão de privacidade. cremos. por telegrama. por fac-símile. 5º. o Princípio da Inviolabilidade das Comunicações é absoluto (pondo a salvo de violações as várias formas de comunicações em geral. que estabelecia teoricamente o sigilo de correspondência. desde que feitas por uma das partes interlocutoras. para posterior divulgação. etc. embora o mesmo fosse. É ele também que nos traz a notícia das últimas tendências neste campo. acompanha a liberdade de expressão do pensamento. a garantia do sigilo das comunicações. como qualquer outro segredo no inciso protegido. após a denúncia). Mas agora. se e quando expedida ordem judicial autorizatória. tais como as efetivadas por cartas. Aqui. que fez bem. Importante salientar que a parte final deste inciso foi regulamentada pela Lei nº 9. ainda que a outra parte não o saiba. de 24 de julho de 1996.503. Em seu artigo 10. pela simples . ou quebrar segredo da Justiça.

Há. já que. como gigantescas sonegações ao fisco. para o acobertamento de um sem-número de transações irregulares que podem fazer parte da macrocriminalidade (esta configurada pelo entrelaçamento de atividades de tráfico de entorpecentes. No que diz respeito à vedação de utilização judicial de provas obtidas ilicitamente. § 3º da CF/88 têm "poderes de investigação próprios das autoridades judiciais". o será sob pena de tornar-se uma desculpa para o crime e a impunidade.razão de que a pessoa que grava participa da conversa. do direito de liberdade. apenas. Direito A Exercício De Trabalho De Livre Escolha Pelo inciso XIII do art. um entendimento que diz que quando a quebra de um sigilo bancário for solicitada por uma CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito). o inciso LVI é claro e taxativo: "são inadmissíveis. Mas por outro lado. de conversa com o pai da criança em processo de reconhecimento de paternidade. extratos de movimentações bancárias. É bem possível que a forma mais ilícita de se obter provas seja a tortura. como uma manifestação. por exemplo. as provas obtidas por meios ilícitos". ofício ou profissão. O exercício de qualquer atividade profissional é por este inciso garantido. em sentido amplo faz parte da vida e está ligado a outro direito fundamental constitucionalmente assegurado que é o direito à privacidade. se o sigilo bancário continuar absoluto. 58. redes de prostituições. uma gravação telefônica efetuada sem autorização judicial. Na decisão referida o STJ considera legítima a gravação. por fim. podem haver muitas irregularidades fiscais. a pessoa tem a liberdade de informar sobre seus atos ou fatos da sua vida a quem quiser ou a ninguém. muitas vezes envolvendo crianças. do telefônico e de outros. não necessitará de prévia autorização judicial. aí incluídos. o suborno ou a ameaça a testemunhas. uma carta furtada. Deve-se atentar. neste contexto. 21). uma vez que este sigilo. corrupção. ao lado do fiscal. "é livre o exercício de qualquer trabalho. por exemplo. sobretudo. no processo. prevalecendo o interesse individual sobre o interesse coletivo. uma vez que as CPIs. à única limitação feita pelo próprio texto . 5º. 1997. as provas obtidas por meios ilícitos são aquelas "colhidas com infringência a disposições de direito material e. Outros meios ilícitos de obtenção de provas seriam. pelo disposto no art. já abordada em outro item. Quanto ao sigilo de dados. constituindo crime de lesa coletividade. por sua vez. firmam-se alguns entendimentos no sentido de que sigilo não deve acobertar crime e aí. feita por mãe solteira. a princípios ou normas constitucionais" (GRINOVER. p. por exemplo. ou seja. 9. atendidas as qualificações profissionais que a lei estabelecer". células de terrorismo). muito se discute a respeito da quebra do sigilo bancário em nosso País. desde que não seja a mesma criminosa. Conforme o entendimento de Ada Pellegrini Grinover.

o médico pode revelar o que sabe sobre seu estado de saúde. dos médicos. quando determina o atendimento das qualificações exigidas por lei para cada profissão. Direito De Petição E Habeas Data Diz o inciso XIV: "é assegurado a todos o acesso à informação e resguardado o sigilo da fonte. intencional). o segredo profissional não é ilimitado. dos padres confessores.constitucional. Significa que se uma dada atividade exige conhecimentos técnico-científicos ou culturais específicos e regulamentados. dos advogados. um açougueiro ou um veterinário não poderá realizar uma intervenção cirúrgica em um ser humano. dos juízes de direito. Mas em relação aos médicos. 1991. já que "não há direito à informação pública sobre a vida privada das pessoas em geral" (CENEVIVA. 10. inciso XVI da CF/88. pois o exercício da medicina só é permitido aos médicos de formação. dos psicólogos. por exemplo. Dizem alguns doutrinadores que a garantia do acesso à informação é um dos aspectos do que se convencionou chamar de "transparência governamental". casos em que a violação do segredo profissional constitui crime doloso (isto é.. Pelo texto do inciso XXXIII "todos têm direito a receber dos órgãos . e acreditamos ser esta a hipótese guarnecida pelo inciso em pauta. Esta restrição é também uma garantia aos tomadores dos serviços. quando necessário ao exercício profissional". Direito À Informação. ou. tais como médicos. tais como a dos jornalistas. tal atividade só poderá ser exercida por aqueles profissionais que os possuírem. o mesmo não ocorrendo em relação ao advogado. uma vez que visa a impedir que atos ou atividades sejam realizados sem a devida competência teórica ou prática. por exemplo. mormente profissionais liberais. ao dizer que "compete privativamente à União legislar sobre condições para o exercício de profissões". conforme Walter Ceneviva. etc. 53). dizendo também que a estes o dispositivo se refere. De todas as formas. dos psiquiatras. quando autorizado pelo paciente. eis que a própria lei estabelece exceções. 22. Sigilo Da Fonte. Somente lei federal pode definir as qualificações profissionais requeridas para o exercício das profissões. o povo tem o direito de conhecer as razões pelas quais as decisões são tomadas pelos governantes. como é o caso de algumas doenças que são de notificação compulsória às autoridades sanitárias. isto é. Isto fica claro na redação do art. procura evitar a imperícia. Mas pensamos haver interesse da pessoa individual em relação a informações sobre aspectos de sua vida privada que estejam sob guarda de outras pessoas privadas. pelos legisladores e até pelos membros do Poder Judiciário. pois. Assim. o resguardo do sigilo da fonte tem especial importância para o exercício de algumas profissões. p.

independentemente do pagamento de taxas. as informações solicitadas devem ser prestadas. para defesa de direitos e esclarecimento de situação de interesse pessoal". Amplamente falando. Certidões Negativas Criminais. possam interessar sobremaneira a outro Estado em caso de guerra externa envolvendo a ambos. sob pena de nulidade). IX. O direito de petição é uma das mais sagradas garantias de que todos dispomos. que deve ser observado pelo governo em geral e por seus agentes (consoante o art. Aqui sim cremos que são cabíveis as explicações relativas à "transparência governamental" de que falava o professor Walter Ceneviva a respeito do inciso XIV. com o Exército no caso dos homens. estaríamos imobilizados e não poderíamos exercer a ampla gama de direitos de que somos titulares. o direito de petição pode ser exercido por qualquer pessoa. De acordo com o inciso XXXIV: "são a todos assegurados. bem como pelo Poder Judiciário (o art. Na mesma esteira está a possibilidade de obtenção de certidões em repartições públicas. e pode visar a defesa de direitos tanto particulares quanto públicos. o inciso acima reproduzido assegura ambas as garantias a todos. 37. independentemente do pagamento de taxas: a) o direito de petição aos Poderes Públicos em defesa de direito ou contra ilegalidade ou abuso de poder. sob pena de responsabilidade. diríamos que são necessárias para o exercício amplo de nossa cidadania. pelo Princípio da Publicidade. Mas pode haver informações que constituam segredos de Estado e que. Sem ela de nada adiantaria termos todas as outras. etc. CF/88). Tais informações estão fora do alcance dos particulares e a sua negativa não constituiria uma inconstitucionalidade e tampouco daria azo a que o solicitante impetrasse ação de habeas data para consegui-las. que é o meio hábil para se fazer as denúncias dos abusos de autoridades. pois seguidamente as pessoas acabam tendo que pagar para exercê-las. . por exemplo. mas não é isso que vemos ocorrer na prática. abrangendo ainda o direito de representação. como por exemplo certidões de estarmos em dia com a Justiça Eleitoral. tanto física quanto jurídica. ou de interesse coletivo ou geral. ressalvadas aquelas cujo sigilo seja imprescindível à segurança da sociedade e do Estado". 93. que serão prestadas no prazo da lei. b) a obtenção de certidões em repartições públicas. Pois bem. CF/88 diz que o Princípio da Publicidade deve presidir todos os julgamentos. justamente porque se não pudéssemos ter o direito de pedir o cumprimento de direitos aos Poderes Públicos. Então.. necessárias para a defesa de nossos direitos e para o esclarecimento de qualquer situação de interesse pessoal que as exija. com todas as decisões devidamente fundamentadas.públicos informações de seu interesse particular.

b) para a retificação de dados. por ser o remédio constitucional de primeira aplicação em qualquer caso de violação de qualquer uma das garantias acima enunciadas. bancos de dados. em seu art. as normas do mandado de segurança.038. Diz o inciso LXXII: "conceder-se-á habeas data: a) para assegurar o conhecimento de informações relativas à pessoa do impetrante.507/97. E como em estreita relação com tudo o que vimos até agora neste item está o instituto habeas data. deve pagar. portanto. porque permite ao cidadão obter informações relativas à sua pessoa. veio a lume a Lei nº 9. sendo que "entidades governamentais" são órgãos do Estado. no que couber. quando não se prefira fazê-lo por processo sigiloso. como financeiras. de 28-5-1990. nela ingressou por proposta do ilustre publicista pátrio José Afonso da Silva. com informações que podem ser transferidas a terceiros. de caráter público. dando margem a erros que podem originar conseqüências graves para os titulares de tais dados. que formalizou a propositura e. diz a Lei nº 8. nem sempre com os cuidados necessários. serviços de proteção ao crédito. sabe-se que esta garantia foi sendo acatada por vários outros países da América Latina. Posteriormente. os dados que são objeto de conhecimento e/ou de posterior correção por via do habeas data são aqueles ditos dados sensíveis. que trata do instituto habeas data. passamos a vê-lo também neste espaço. endossada que foi pelo então senador paulista Mário Covas. significando que quem tem condições financeiras. serão observadas. 24.daí que alguns autores interpretam a regra do inciso como não sendo uma imunidade genérica. após. Em princípio. ajustado que está à era da informática. mais especificamente em 12 de novembro de 1997. judicial ou administrativo". O habeas data foi outro grande avanço democrático conquistado na Constituição Federal de 1988. assim entendidos os dados ou informações pessoais . Novidade da Constituição Federal de 1988. seja para retificá-las. § único que "no mandado de injunção e no habeas data. enquanto não editada legislação específica". Constitui importante instrumento de defesa do cidadão. seja meramente para conhecê-las. e "entidades de caráter público" são aquelas que mantêm. usualmente. tais como as autarquias. em que dados essenciais sobre a vida das pessoas são acumulados em bancos de dados de computadores. etc. Quanto ao seu processamento. constantes de registros estatais oficiais ou de caráter público. O instituto é cabível contra a autoridade detentora das informações. constantes de registros ou bancos de dados de entidades governamentais ou de caráter público.

no sentido de ele não apenas amparar o conhecimento e/ou a correção de informações relativas à própria pessoa. previsto no inciso XVI: "todos podem reunir-se pacificamente. também. a opiniões ou opções políticas. em relação àqueles dados armazenados por órgãos que prestam informações a um determinado público. em locais abertos ao público. De um modo geral. é possível dar-se uma outra interpretação extensiva ao instituto habeas data. englobam os incisos XVI ao XXI do artigo 5º. cumpre observar que a ação de habeas data é gratuita. 43 diz: "O consumidor terá acesso às informações existentes em cadastros. contra a negativa em revelar os dados que armazenam ou contra a correção dos mesmos. como já adiantado anteriormente. isto é. registros e dados pessoais e de consumo arquivados sobre ele. Finalmente. amplamente consideradas. à orientação sexual. etc. existindo jurisprudência do antigo Tribunal Federal de Recursos (atual Superior Tribunal de Justiça) nesse sentido. 238). não poderá a entidade ou repartição pública demandada em uma ação de habeas data esquivar-se a revelar a informação solicitada sob o pretexto de ser a mesma sigilosa. independentemente de autorização. filosóficas ou religiosas. por exemplo.relativos à origem racial. Liberdades De Reunião E De Associação As liberdades de reunião e de associação. mas. E já transcrevemos em seguida o inciso XVII. Ou seja. 5º. Tais liberdades surgiram historicamente pela Emenda nº 1 da Constituição norte-americana e pela Constituição francesa de 1791. Iniciamos com o direito de reunião. sem armas. No Brasil foram consagradas pela primeira vez na Constituição Republicana de 1891. Isso é possível pelo conhecimento e aplicação. de "institutos de deduração rápida". p. 1990. à filiação partidária ou sindical. cabe habeas data. desde que não frustrem outra reunião anteriormente convocada para o mesmo local. ainda que reduzido. por exemplo. conforme o disposto no inciso LXXVII do art. que se refere ao direito de . vemos que não apenas se aplica o habeas data para dados guardados em registros oficiais. analisando com rigor a questão. A regra é a de que o direito ao habeas data é personalíssimo. Por outro lado. fichas. da Lei nº 8078/90 (Código de Proteção e Defesa do Consumidor). tratando-se os SPCs (Serviços de Proteção ao Crédito). sendo apenas exigido prévio aviso à autoridade competente". que em seu art. 11. e isto porque simplesmente não pode haver informação sigilosa em relação à pessoa do próprio impetrante: "a informação registrada sobre qualquer pessoa dá-lhe direito a conhecê-la" (PACHECO. bem como sobre as respectivas fontes". admitindo-o aos herdeiros legítimos do morto ou ao cônjuge supérstite. do titular dos dados. Porém. senão também em relação a algumas pessoas já falecidas.

mas as reuniões privadas são amplamente livres. independem de autorização. ou que lutem esgrima. como por exemplo associações de pessoas que praticam tiro ao alvo. tendo um propósito determinado. § 4º da CF/88). a Constituição proíbe expressamente as de caráter paramilitar. que seriam aquelas destinadas ao treinamento de seus associados no manejo de armas e que adotam rigidez hierárquica com semelhança militar (com comandos e subordinados). Pelo inciso XVIII "a criação de associações e. 17. no que concerne ao funcionamento. A liberdade de reunião. embora interligados. Mas para ambos os tipos de instituições é proibida a interferência do Estado. garantir a segurança. porque amparadas por outros direitos fundamentais. desviar o trânsito. vedada a de caráter paramilitar". como o da inviolabilidade do domicílio ou a liberdade de associação em cuja sede se realizem. os sindicatos. os partidos políticos (conforme veremos no art. por exemplo. sem necessitar de autorização do Poder Público. no entanto. apenas este deve ser previamente avisado. sobretudo. os clubes desportistas. desaparece o laço existente entre os participantes. Já a associação é caracterizada por por ser uma reunião estável e permanente de pessoas que visam a um fim comum como. na forma da lei. desde que não autenticamente esportivas. associações de profissionais que portam e eventualmente usam armas pela atividade-fim da profissão. etc. No inciso XIX vemos garantida a existência e permanência de uma associação: "as associações só poderão ser compulsoriamente . ainda. a de cooperativas. sendo que ao término. podendo um encontro ser realizado em locais abertos ao público. mas há em relação a elas a necessidade de lei ordinária para regulamentar a forma de criação. Por outro lado. notadamente em relação às cooperativas de crédito. há que se lembrar que a proibição do paramilitarismo alcança. A reunião caracteriza-se pela pluralidade de participantes. Quanto às associações. portanto.associação: "é plena a liberdade de associação para fins lícitos. etc. ou. A criação de cooperativas também não depende de autorização. a liberdade de reunião algumas pequenas restrições em dias de eleições. é ampla. em que são proibidas reuniões públicas. É óbvio que esses exemplos não configuram associações de caráter paramilitar e. sendo vedada a interferência estatal em seu funcionamento". por exemplo. inclusive em dias de eleições. não são inconstitucionais. como o são as que congregam vigias e seguranças privados. a fim de que tome as providências que dele dependam. Ambos os direitos são distintos. por exemplo. como por exemplo providenciar iluminação. Sofre. A possibilidade de criar associações decorre da liberdade associativa e não depende de autorização estatal. como se vê. como praças.

bem como a impossibilidade de não lhe conceder a desvinculação de uma associação quando for de seu desejo. sendo que em caso de dissolução a decisão judicial que a ordena deve não ser mais passível de recurso. isto porque na República Federativa do Brasil adota-se o liberal capitalismo. Pelo teor do inciso XX temos que "ninguém poderá ser compelido a associar-se ou a permanecer associado". previsto no inciso LXX do mesmo artigo 5º. Assim. costuma acontecer em suas assembléias gerais. desde que estes lhes dêem autorização expressa. por este dispositivo. ainda em relação ao inciso XXI. representar seus filiados. que acreditamos ser mais amplo do que o instituto da representação processual. As associações podem. e uma sociedade com fins científicos não poderá representar um filiado seu em uma ação de divórcio. abrangendo o . embora aí trate-se do instituto da substituição processual. o trânsito em julgado". também decorrem da liberdade associativa.dissolvidas ou ter suas atividades suspensas por decisão judicial. o conceito constitucional de propriedade é amplo. exigindo-se. diferentemente seria se entre nós reinasse o socialismo. tanto a dissolução quanto a suspensão das atividades de maneira compulsória dependem de ordem judicial. Direito À Propriedade Privada E Limitações Estatais. Por fim. Desapropriação. Reforma Agrária Todos têm garantido o direito à propriedade privada (inciso XXII). não lhe podendo mais caber discussão alguma. têm legitimidade para representar seus filiados judicial ou extrajudicialmente". Segundo o inciso XXI "as entidades associativas. A impossibilidade de obrigar uma pessoa a associar-se. por exemplo. regime em que a propriedade seria estatizada para o uso comum de todos. em relação aos sindicatos. Sua Função Social. Quer dizer. temos que interpretá-lo em consonância com o instituto Mandado de Segurança Coletivo. trazidos por Pinto Ferreira. A imposição de vincular-se a uma associação ou a de nela permanecer não são admitidas nem de forma velada ou disfarçada. Interesse Ou Utilidade Pública E Necessidade Social. Aqui estamos tratando do instituto da representação processual. Tal autorização. por exemplo. há que ser restrita à matéria-objeto do próprio fim social da entidade. Servidão Administrativa E Uso. um sindicato de trabalhadores deve defender os direitos trabalhistas de sua categoria. Pelos ensinamentos de Orlando Gomes. quando expressamente autorizadas. no primeiro caso. conforme explicita-se no item infra que trata especificamente do Mandado de Segurança Coletivo. o que normalmente se dá pela assinatura de uma procuração e que. 12. porém. onde a Constituição autoriza a partidos políticos e entidades associativas a defender os direitos homogêneos de toda uma categoria de pessoas mediante uma só iniciativa em juízo.

da Universidade de São Paulo. enfim. já que tal cláusula também atinge imóveis urbanos e empresas. com base no texto constitucional há decisões judiciais que dizem não bastar ao proprietário ter o título de propriedade (escritura pública passada no Registro de Imóveis) para não perder sua propriedade. inciso XXIII). foi igualmente reconhecida como totalmente absoluta pelo Código Civil de 1916/17 (arts. sofre a propriedade algumas restrições. 110-111). A propriedade. Conforme ensinamentos do professor Dalmo de Abreu Dallari. 5º) e pelo direito à não-violação do domicílio (inciso XI do mesmo artigo 5º). inclusive. seja qual for a sua natureza.760/46 dispõe sobre os bens imóveis da União. Importa ressaltar que o Decreto-Lei nº 9. Clóvis Beviláqua ainda inclui a posse entre os direitos patrimoniais (FERREIRA. não são sujeitos a usucapião. ativa ou passivamente". torná-la produtiva. p. a utilização especulativa dos bens. faculdade que o Poder Público possui em relação à propriedade. garantida de um modo absoluto desde nossa Constituição Imperial de 1824 (que garantia inclusive o direito de propriedade sobre os escravos. pois é necessário também exercer essa propriedade. é importante esclarecermos que o domínio eminente que o Estado tem sobre todas as coisas que se encontram em seu território não é domínio patrimonial. Importa observar que uma tal extensão no conceito de propriedade gera conseqüências quanto ao alcance da desapropriação. embora mantenha a sua força enquanto direito fundamental. frisando que os mesmos. além de dar-lhe uma função social. os quais podiam ser vendidos. mas sim reconhecimento do Poder Público da conveniência de legitimar determinadas ocupações. evitando. alcançando. significando que o Estado não tem direito de propriedade . devendo ter um aproveitamento racional. Mas. os créditos e os débitos. 5º. Ainda quanto à função social da propriedade. Tais restrições giram em torno da regra de que toda a propriedade privada deve observar uma função social (art. mas não somente. o que vem inclusive reforçado pelo direito à herança (incisos XXVII. fundamentalmente em razão da supremacia do interesse público sobre o interesse do particular. e agora acha-se bastante relativizada pela Constituição Federal de 1988. todas as relações jurídicas de conteúdo econômico das quais participe a pessoa. 170. providência que se harmoniza com o preceito constitucional da função social da propriedade (art. XXX e XXXI do art. "as coisas. assim.complexo de direitos patrimoniais traduzíveis economicamente. 524 a 673). Segundo Pinto Ferreira. III. herdados ou hipotecados). não há usucapião de bem público como direito de posseiro. 1998. podendo o patrimônio ser considerado como o conjunto de direitos e obrigações economicamente apreciáveis. caracterizando-se como uma forma de interferência estatal. ou seja. que são limitações ditadas pela própria Constituição Federal. CF/88). Assim. principalmente da propriedade fundiária.

mediante indenização dos prejuízos efetivamente suportados pelo proprietário. isto é. 5º "a lei estabelecerá o procedimento para desapropriação por necessidade ou utilidade pública. 1998. pelos Estados. que todos os bens poderão ser desapropriados pelo Poder Público: "Mediante declaração de utilidade pública todos os bens poderão ser desapropriados pela União. por utilidade ou interesse social. 5º. e pode ser por necessidade ou por utilidade pública. através de atos de império tendentes a satisfazer as exigências coletivas e a reprimir a conduta anti-social da iniciativa privada. ressalvadas algumas exceções. CF). mas pode condicionar o uso da propriedade particular para o cumprimento de uma função social (CF/88. nem sempre (e indeniza-se o dono. pelo inciso XXIV do art. que com ele continua). a desapropriação ou expropriação é um instituto que significa expropriar alguém de algum bem. tendo em vista a necessidade desse bem na persecução dos fins sociais a que se destina o Estado. Municípios. que merecem algum aprofundamento. 111). Para o uso e o gozo dos bens e riquezas particulares o Poder Público impõe normas e limites e. ou retirá-la compulsoriamente de seu dono. p. . e ainda por interesse social. Entramos. Assim. assim. Diz Pinto Ferreira. III).365. Em outros casos. A intervenção na propriedade incide sobre os bens. tirar-lhe a propriedade. Não se confunde com a servidão civil de Direito Privado. Servidão administrativa ou pública é a medida mais atenuada de limitação à propriedade privada. ou por interesse social. a intervenção no domínio econômico incide sobre a atividade lucrativa. através de desapropriação. no tema da desapropriação e da servidão. art. e art. Distrito Federal e territórios" (FERREIRA. exercida pela empresa. consistindo no ônus real de uso imposto pela Administração Pública à propriedade particular para assegurar a realização e conservação de obras e serviços públicos ou de utilidade pública. quando o interesse público o exige. 170. não a propriedade. Nessa intervenção estatal já vimos que o poder público chega a retirar a propriedade privada para dar-lhe uma destinação pública ou de interesse social. de 1941. intervém na propriedade privada e na ordem econômica. 5º. configura-se como uma discricionariedade do poder público administrativo. XXIII. Então. como instrumento da iniciativa privada. através da desapropriação. ressalvados os casos previstos nesta Constituição". qualquer que seja ele. na servidão. com justa e prévia indenização (art. ordena socialmente o uso da propriedade privada. por meio de servidões administrativas.sobre todos os bens de seu território. Observamos que na desapropriação indeniza-se sempre. mediante justa e prévia indenização em dinheiro. tomar-lhe um bem. citando o Decreto-Lei nº 3. Assim entendida. XXIV. de forma compulsória.

e os Municípios de nenhuma) para o Poder Público ou seus delegados. vedada a ascendente. Quando o interesse for . Poderiam os leitores perguntar: para que se fazem desapropriações? O Estado delas se vale por constituírem eficaz instrumento para remover obstáculos para a construção de obras e serviços públicos. isto é. consiste a desapropriação na transferência compulsória da propriedade particular (ou pública de entidade de grau inferior para superior. ainda. não pode haver desapropriação indireta. por interesse social. para realizar a justiça social. quando em conflito com os direitos individuais. Cumpre observar que a desapropriação para fins de Reforma Agrária é privativa da União. todos os bens e direitos patrimoniais prestam-se à desapropriação. Inciamos por dizer que os fundamentos da intervenção na propriedade e na ordem econômica repousam na necessidade de o Estado proteger os interesses da comunidade. os bens públicos são passíveis de desapropriação. base do regime democrático adotado pelo nosso País. para propiciar a implantação de planos de urbanização. Como já mencionado previamente. ou seja.A desapropriação é a mais drástica das formas de manifestação do poder de império. Os interesses coletivos representam o direito do maior número e. a intervenção pública na propriedade particular pode ter fundamento na necessidade ou na utilidade pública. mas só pode ser exercido nos limites traçados pela Constituição Federal e nos casos expressos em leis. indestacáveis do indivíduo ou irretiráveis de sua condição física e a moeda corrente do País. por utilidade ou necessidade pública. feita por lei ou decreto expropriatório. com a redistribuição de bens inadequadamente utilizados pela iniciativa privada. Passamos agora a algumas noções acerca de interesse social. para indicar a necessidade. conforme a regra esclarecida acima. da Soberania Interna do Estado no exercício do seu domínio eminente sobre todos os bens existentes no território nacional. mediante prévia e justa indenização em dinheiro. ou. de caráter executório). e a segunda. Logo. o interesse ou a utilidade pública. para preservar o meio ambiente contra devastações e poluições. necessidade e utilidade pública. excluindo-se os direitos personalíssimos. é um procedimento (e não um ato) administrativo que se realiza em duas fases (a primeira é de natureza declaratória expropriatória. por isso. a União pode desapropriar bens de qualquer entidade estatal. O poder expropriatório é discricionário quanto às opções de utilidade pública e de interesse social. estes cedem àqueles. em atenção ao Princípio da Maioria. mas nunca no interesse privado. ou no interesse social (da coletividade). ressalvadas as exceções constitucionais. São características da desapropriação: é forma originária de aquisição da propriedade. face à regra da liberdade expropriatória.

para o imóvel. Daí por diante o que pode haver é retrocessão. de emissão previamente aprovada pelo Senado Federal.365/41). A finalidade pública tem que ser observada. São exemplos de casos de utilidade pública: defesa do Estado.150 do Código Civil Brasileiro. E tresdestinação é o desvio de finalidade do bem desapropriado (conceituado no § único. preservação e conservação dos monumentos históricos e artísticos. A mudança de destinação ou o desvio de destinação indica o mau emprego do bem expropriado. como causa de nulidade de atos lesivos ao patrimônio público.do Poder Público. 5º do Decreto-Lei nº 3. Como exemplos podemos citar: construção de casas populares. a desapropriação há que ser precedida de pagamento em dinheiro. segurança nacional. na desapropriação ocorre desvio de finalidade quando o bem expropriado para um fim é empregado noutra sem utilidade pública ou interesse social. 1. isto é. Mas há exceções consagradas pela própria Constituição Federal de 1988. senão que em títulos da dívida agrária. inciso III. 2ª) a do art. e. para o móvel. 2º da Lei nº 4. O ato expropriatório fica sujeito à retrocessão quando o Poder Público ou seus delegados não derem ao bem expropriado sua destinação legal. são destinados a particulares que irão explorá-los conforme as exigências da coletividade. condicionar o uso da terra à sua função social. mas sim por títulos da dívida pública.504/64). Conforme o art. que se refere à desapropriação por interesse social para fins de reforma agrária. sendo que os bens expropriados. casos em que os bens desapropriados são destinados à Administração expropriante ou a seus delegados. até a tradição. em que a indenização não será por dinheiro. 182. 2º da Lei nº 4. e em que o pagamento também não se efetuará em dinheiro. § 4º. a proteção do solo. etc. através de Ação Popular). que são as seguintes: 1ª) a do art. geralmente.. Quando o interesse for da coletividade. A desistência da desapropriação é possível até a incorporação do bem ao patrimônio do expropriante. Lei nº 4. Pela regra constitucional. que se refere à desapropriação da propriedade urbana (no caso de área urbana não-edificada. a desapropriação será por interesse social (determinados pelo art.. analisamos a possibilidade de desistência da mesma. do art. o fundamento da desapropriação será o de necessidade ou o de utilidade pública (interesses esses enumerados no art. subutilizada ou não-utilizada). e pelo Estatuto da Terra. até o trânsito em julgado da sentença ou o registro do título resultante do acordo. mediante a devolução do valor da indenização. alínea "e". 184. retrocessão é a obrigação que se impõe ao expropriante de devolver/oferecer o bem ao expropriado. . quando não lhe der o destino declarado no ato expropriatório. Ainda em estreita relação com o instituto da desapropriação.717/65. etc. socorro público em caso de calamidade.132/62.

não importando que extensão tenham as propriedades destas últimas. digamos. existindo a vedação constitucional do art. assim. p. 243. caput. e sim confisco. Esta modalidade não é considerada desapropriação. em que foi previsto o prazo de oito anos. E. no entanto. É dizer: indenizase o proprietário por "x" e dois meses após a construção da obra o mesmo imóvel já estará valendo "4x". controle. não contemplando o valor que será agregado ao imóvel pela própria obra pública a ser realizada. hipótese prevista no Parágrafo único do mesmo art. prevenção e repressão do crime de tráfico dessas substâncias. pelo qual se proíbe a desapropriação para fins de reforma agrária de pequenas e médias propriedades rurais (assim definidas em lei e desde que seus proprietários não possuam outras) e de todas as terras produtivas. Nesses casos as indenizações são feitas com base no valor dos imóveis a serem desapropriados. pela simples razão de que seria insuficiente. A outra reflexão parte de Walter Ceneviva. a qual "pode atingir os sucessores do cultivador (art." Gostaríamos que ficasse bem claro. 1991. se em um desses casos hipotéticos o mesmo proprietário desapropriado quisesse readquirir o seu antigo imóvel ou algum outro das cercanias. 243: "Todo e qualquer bem de valor econômico apreendido em decorrência do tráfico ilícito de entorpecentes e drogas afins será confiscado e reverterá em benefício de instituições e pessoal especializados no tratamento e recuperação de viciados e no aparelhamento e custeio de atividades de fiscalização. dizendo ter se desmoralizado ao introduzir uma possibilidade de "calote oficial" por meio do art. não poderia fazê-lo com o montante recebido pela indenização. Walter Ceneviva lembra-nos que essa desapropriação possui "caráter acessório de natureza penal".3ª) a do art. que critica o constituinte de 1988. 57). 5º. I e II. segundo o administrativista Hely Lopes Meirelles. a partir de julho de 1989. a mesma exceção atinge qualquer bem apreendido em decorrência do tráfico ilícito de entorpecentes e drogas afins. Por outro lado. 185. propriedades estas que devem ser imediatamente expropriadas. para o pagamento de . Uma primeira reflexão que se pode fazer é no tocante àquelas desapropriações realizadas com o fito de construção de uma obra pública. pelas leis do mercado de valorização imobiliária. XLV)" (CENEVIVA. que a desapropriação não é ilimitada. talvez. Por fim. 33 do ADCT. por ter muito apego ao lugar. ainda devêssemos aqui abrir um espaço para uma crítica a respeito de como o Poder Público fixa o valor e o modo pelo qual paga as indenizações decorrentes de desapropriações. sem que seus proprietários recebam qualquer indenização. devendo ainda ser destinadas ao assentamento de colonos para o cultivo de plantas medicinais e alimentícias. que se refere às glebas rurais que contêm culturas ilegais de plantas psicotrópicas.

devendo a lei dispor sobre os meios de financiar o seu desenvolvimento. hipótese que vem prevista no inciso XXV do art. p. menos os alusivos a alimentos. podemos citar . Tem-se que a União. que regulou o processo de desapropriação de imóveis para fins de reforma agrária.437/92.precatórios pendentes. dizendo que a mesma.629/93 e acrescentou artigo à Lei nº 8. apenas para superar o perigo ou a ameaça e o bem continua com o seu titular. para a compra de insumos e de máquinas agrícolas). enquanto que no uso a indenização só será cabível em caso de dano. 57). Ainda neste item relacionado à propriedade material. assegurada ao proprietário indenização ulterior. é autorizada a ingressar no imóvel de propriedade particular para levantamento de dados e informações. que é o Estatuto da Terra.629/93). o qual segue rito especial e sumário. Fazemos ainda neste item um breve comentário a respeito da Reforma Agrária. poderá o Estado utilizar-se de força policial. e da Lei do Rito Sumário. passamos a tratar do uso da propriedade particular pelo Poder Público. o inciso XXVI trata da pequena propriedade rural. sendo que para a realização da vistoria e avaliação do imóvel rural para fins de reforma agrária. o juízo para aferir a iminência do perigo público é da autoridade competente. se houver dano". assim definida em lei (definição esta que resulta diferente para cada região e que é feita a partir da Lei nº 4. não será objeto de penhora para pagamento de débitos decorrentes de sua atividade produtiva (por exemplo aquelas dívidas contraídas para o financiamento do plantio. a autoridade competente poderá usar de propriedade particular. 1991. Gostaríamos de frisar as principais diferenças do uso em relação à desapropriação: o uso é temporário. na desapropriação sempre há indenização (salvo as hipóteses anteriormente abordadas) e a mesma é prévia. é interessante consultar também a Lei Complementar nº 76/93. A esse respeito. e nunca o que deixou de ganhar). através de órgão federal competente. de 7-8-97. Nestes casos. que alterou a Lei n. nos seguintes termos: "no caso de iminente perigo público. e será sempre posterior. correspondendo ao efetivo prejuízo que o proprietário teve (indeniza-se apenas o que o proprietário efetivamente perdeu.504/64. Dando seguimento à análise do texto constitucional. enquanto que a desapropriação transfere o bem do particular para o poder público. de resto abrangendo débitos de qualquer natureza do Poder Público (CENEVIVA. 5º. desde que seus donos não contratem empregados para trabalhá-la). Quanto à "política" governamental de reforma agrária. preposto ou representante. desde que trabalhada pela família (ou seja. segundo as normas da Administração Pública. mediante comunicação escrita ao proprietário. Lei nº 8. 8. Estas são determinações dadas pela Medida Provisória nº 1577-2.

o gozo deste direito poderia ser temporário (até 60 anos para os colaterais. necessitariam os mesmos também receber instruções adequadas. o grande problema é que o ITR costuma ser um dos impostos mais sonegados no Brasil (em torno de 70% não é recolhido). portanto. estes últimos pelo menos com venda subsidiada pelo próprio governo. ascendentes.610/98 (que de 19 de fevereiro de 1998. em cinco anos as propriedades poderiam vir a ter seus valores transferidos ao Estado (5X20% = 100%). a obra cai em domínio público. conforme art. o que é constitucionalmente vedado. tampouco realiza reforma agrária. ademais. Mas os efeitos surtidos foram no sentido de tornar tais propriedades produtivas. Se o autor morrer sem deixar testamento (ab intestato) e sem deixar herdeiros. a contar de 1º de janeiro do ano seguinte ao do falecimento do titular dos direitos. Por um lado. Também é deferido aos herdeiros testamentários e vige "pelo tempo que a lei fixar". fixado em 20% ao ano para aquelas propriedades improdutivas com área de mais de cinco mil hectares. 13. Direito Hereditário À Propriedade Intelectual E Novas Leis Protetoras Dos Direitos Autorais Em primeiro lugar. a Lei nº 9. o que vem positivado no inciso XXVII do art. só entrou em vigor 120 . observamos o reconhecimento e a proteção dos direitos do autor sobre suas obras. esse grave problema social brasileiro. publicação ou reprodução de suas obras.um exemplo que se configurou em uma tímida tentativa de realização da tão almejada e necessária reforma em nosso País. Por outo lado. com a recente nova Lei dos Direitos Autorais. ficando pendente. § 1º da antiga lei). menos aos Estados. que foi o aumento da alíquota do ITR (Imposto Territorial Rural). E agora. o que não faz ingressar receitas aos cofres públicos. insumos e máquinas. 5º: "aos autores pertence o direito exclusivo de utilização. O direito hereditário à propriedade intelectual é também uma expressão do direito de propriedade e vem previsto no mesmo inciso. de acordo com a ordem de vocação hereditária estabelecida na lei civil.988/73). a considerar que se aplicada realmente. interessante seria que. transmissível aos herdeiros pelo tempo que a lei fixar". Pela antiga Lei dos Direitos Autorais (Lei nº 5. juntamente com o título de posse. quando o governo desapropriasse terras com o intuito de promover a reforma agrária. o que. 42. tal iniciativa surtiu algum efeito pois. aos assentados fosse imposta a obrigatoriedade de zelo pela questão ambiental e da busca do desenvolvimento auto-sustentável. Distrito Federal ou União. 42. o que é diferente de ser incorporada ao patrimônio do Estado. conforme art. pais ou cônjuge. cabendo aos herdeiros descendentes. a partir de 1996. por outro lado. § 2º daquela lei) ou vitalício (que eram os direitos transmitidos por sucessão mortis causa aos filhos. poderia configurar confisco. mas é claro que para isso. cônjuge e colaterais.

surgiu com o condão de proteger o produtor do software. Já o inciso XXIX diz que por lei se assegura aos autores de inventos industriais privilégio temporário para sua utilização. conforme a alínea "a" do inciso XXVIII. ou seja.609/98. assim como a "reprodução da imagem e voz humanas. que é aplicável a qualquer usuário de software. a Constitutição de 1988 protege as "participações individuais em obras coletivas". O advento da nova Lei dos Direitos Autorais serviu para atualizar uma lei que não contemplava a informática. estar sujeito a sofrer uma ação judicial. A partir daí surgiu.. não contar com manuais corretos e completos. aos intérpretes e às respectivas representações sindicais e associativas". em fevereiro de 1998. nos seguintes termos: "Os direitos patrimoniais do autor perduram por 70 anos contados de primeiro de janeiro do ano subseqüente ao de seu falecimento. etc. obedecida a ordem sucessória da lei civil". nem tanto por máfé). o legislador de 1973 nem sonhava com a revolução tecnológica desencadeada nos últimos anos no campo das . a nova Lei dos Direitos Autorais ampliou o rol das obras intelectuais protegidas em nosso País pela anterior lei. pois em sua feitura. como o de não contar com a assistência ou o suporte técnico da empresa. que vem a ser a reprodução de cópias dos programas de computador além do número autorizado por lei. que igualizou as categorias de herdeiros e também o prazo de desfrute dos direitos herdados em 70 anos. sempre tendo em vista o interesse social e o desenvolvimento tecnológico e econômico do País. e com isso o usuário possui alguns riscos. 17 e §§ 1º e 2º). a tecnologia digital. Dizemos que a "pirataria" é um "fenômeno" porque pesquisas revelam que em torno de 70% dos softwares utilizados em nosso País são pirateados (muitas vezes por desinformação. a transmissão a cabo. Assim. assim como proteção às criações industriais. 7 Esta nova lei. principalmente para evitar o fenômeno "pirataria". a respeito do tema dos direitos autorais. temos no Brasil duas recentes e inovadoras leis infraconstitucionais em defesa do autor. aumento dos riscos de contaminação de seu equipamento (por meio de "vírus"). a fibra ótica. acrescendo os "programas de computador" aos 12 grupos de obras já existentes. a Lei nº 9. à propriedade das marcas. Por outro lado. Já pela alínea "b" do mesmo inciso assegura "o direito de fiscalização do aproveitamento econômico das obras que criarem ou de que participarem aos criadores. exceto seu art. inclusive nas atividades desportivas". Ainda a respeito dos direitos do autor. ocasionando perda de dados e. as redes de computadores. as mudanças operadas quanto ao prazo de gozo destes direitos foram efetuadas pelo seu artigo 41. mais conhecida como Lei do Software. em junho de 1998 e revogou expressamente a anterior lei. por fim.dias após sua publicação. aos nomes de empresas e a outros signos distintivos. Cumpre ressaltar que a Lei referida trata da questão civil e penalmente.

até chegar-se ao quarto grau dos parentes colaterais e nenhuma pessoa for encontrada. além de meios óticos ou qualquer outro processo eletromagnético. o conceito de "transmissão". por exemplo. o conjunto dos . 14. ainda que remotamente. originará extraordinários desdobramentos na doutrina e na jurisprudência. a lei autoral expurgou resíduos do autoritarismo dos anos setenta. possui a chance de herdar bens dos particulares pois. ou seja. Entramos nestes detalhes para demonstrar que. por fim. 2º) ascendentes. Herança tem o sentido de universalidade de bens. dificultando a apropriação dos bens da pessoa falecida pelo Estado. também ocasionou mudanças nos conceitos de "reprodução". sem dúvida. Ampliando um pouco este quadro. Direito De Herança O inciso XXX garante o direito de herança. Já vimos em outra parte desta obra que no Brasil a sucessão a título universal é limitada pela meação (a parte do cônjuge que sobrevive. E a respeito destes últimos. se esgotadas as buscas dos herdeiros pela ordem vista. 4º) colaterais (até o quarto grau). embora o direito de herança exista para perpetuar a propriedade privada na linhagem daquela família que a iniciou e que a acumulou. como conseqüência do falecimento deste último. direitos e obrigações cuja posse e domínio são deixados aos herdeiros e legatários. fio. tomada de posição que. que previam intervenção da polícia na autorização de espetáculos. o que vem a reforçar o direito de propriedade. se alguém morre solteiro e sem filhos. Também. E. 5º) Estado. atendendo a velha aspiração dos intelectuais brasileiros. a ordem da vocação legítima na sucessão universal é a seguinte: 1º) descendentes. valendo sempre a regra de que os mais próximos excluem os mais distantes. nele incluindo a difusão por sinais de satélite. dividem-se os herdeiros testamentários (aqueles nomeados por ato de última vontade do titular dos bens) ou ab intestato ou legítimos (aqueles que obedecem a uma ordem legítima de sucessão. se por exemplo alguém além de filhos ainda possuir pais vivos. atribuiu exclusivamente à pessoa física a condição do autor. cumprindo a Constituição de 1988. se vivos. 3º) cônjuge supérstite (sobrevivente). A lei ampliou. assim como conferiu ao autor um novo direito. dentre outras novidades. cabo ou outro condutor. o de "distribuição". regulou a intervenção de sindicatos e associações profissionais de artistas na fiscalização das sociedades arrecadadoras. bem como. previstos naquela antiga lei. pela nossa lei civil. quando da morte do titular. o Estado (aqui considerado lato sensu). por outro lado.comunicações. sem ser previstos em um testamento). porque são os primeiros na ordem. a herança não passará dos filhos. quando se tratar de casamentos com regime de comunhão parcial ou total de bens) e pela existência de herdeiros necessários (descendentes e ascendentes). sua herança irá diretamente para seus pais.

elaborará código de defesa do consumidor". isto é. 81. titularizados em pessoas indeterminadas e ligadas por circunstâncias de fato. . é importante observar que a filosofia do Código do Consumidor é a da inarredável proteção e defesa do consumidor a ser promovida pelo Estado. dizendo que a situação de tais bens será regulada pela lei brasileira sempre que a esses herdeiros não for mais favorável a lei pessoal do de cujus. surgiu um ano e nove meses depois e entrou em vigência em 11/03/91. pois provocou modificações (juntamente com o Estatuto da Criança e do Adolescente) na Lei da Ação Civil Pública. uma vez que a Lei nº 8. mas uma vez criado. os bens passarão a ser "vagos". visando a beneficiá-los. importante é o papel do Ministério Público. quando não houver herdeiros para a herança. passando a fazer parte do patrimônio do Estado. quando sobre eles pairar a incerteza a respeito de quem serão os herdeiros. de uma ou outra maneira. Todos nós o somos. inclusive enquanto defesa da cidadania. interesses ou direitos coletivos . Consumidor é aquele que consome. Mas mesmo tendo um prazo limite constitucionalmente imposto. a defesa do consumidor".são aqueles transindividuais e indivisíveis. na forma da lei. os nossos legisladores federais não o cumpriram. Veio com atraso.bens passa a ser tido como bens "jacentes". Já o inciso XXXI trata de proteger o cônjuge ou os filhos brasileiros daqueles estrangeiros que faleçam. um prazo para que o Congresso Nacional criasse a referida lei. Inicialmente. dentre outras razões porque deve instituir Promotorias de Justiça de Defesa de Consumidor para a execução da Política Nacional das Relações de Consumo. se não aparecer ninguém para herdá-los. E o artigo 48 do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias previa. deixando bens situados no País em sucessão. interesses ou direitos difusos . obviamente. Na defesa do consumidor. isto é. ou seja. conforme o art. 15. É neste momento que tais bens serão incorporados pela Fazenda Pública. Ou seja: temos na Constituição assegurado o juízo sobre a lei mais favorável ao cônjuge e aos filhos brasileiros. § único do CPDC: .também são transindividuais e .078/90 só veio a lume em 11 de setembro de 1990. nos seguintes termos: "o Congresso Nacional. inclusive as empresas e o próprio Estado ao adquirir mercadorias. Assim. por sua vez. o Código de Proteção e Defesa do Consumidor (CPDC) revelou-se em um de nossos mais importantes diplomas legais. O Estado E A Defesa Do Consumidor O inciso XXXII diz: "o Estado promoverá. ampliando o tipo de direitos a serem protegidos. quando o patrimônio achar-se sem titular. dentro de cento e vinte dias da promulgação da Constituição.

por inteiro. o administrador. que devem ter . inclusive a concorrência desleal e a utilização indevida de inventos e criação industriais das marcas e nomes comerciais e signos distintivos. Em primeiro lugar. estabelecendo que quando houver. em detrimento do consumidor. o Código de Proteção e de Defesa do Consumidor adotou. fato ou ato ilícito ou violação dos estatutos ou contrato social". que possam causar prejuízo aos consumidores. auxiliares do Poder Judiciário. infração da lei. Código) são órgãos administrativos destinados à atividade de polícia judiciária. a tutela administrativa nas relações de consumo não exige. 56 do CPDC as sanções administrativas. 28. quer no plano da União. o controle prévio do Poder Judiciário. interesses ou direitos individuais . interesses ou direitos individuais homogêneos . III. As Delegacias de Polícia de Defesa do Consumidor (art. sem vinculação a grupo. excluindo o intermediário na consideração de consumidor.indivisíveis. mas integrantes da Administração Pública. VIII) a favor do destinatário final de bens e serviços. excesso de poder. Pelo art. o sócio majoritário. o acionista controlador. o que depreende dos artigos 55 a 60 do próprio CPDC. categoria ou classe de pessoas ligadas entre si ou com a parte contrária por uma relação jurídica básica. 6º. 5º. o juiz pode desconsiderar a pessoa jurídica e responsabilizar civilmente o sóciogerente. Pelo poder de polícia pode-se fiscalizar e coibir todos os abusos praticados no mercado de consumo. competência para legislar sobre consumo). em princípio. O poder de polícia só pode ser exercido por órgão da Administração Pública (possuindo características de auto-executoriedade. etc. mas titularizados em um grupo. . no entanto. . dada à auto-executoriedade do ato de polícia administrativa. categoria ou classe. Para além disso. com sanções administrativas precedidas de processo administrativo com amplo direito de defesa. do Distrito Federal ou dos municípios (estes não têm. a teoria da despersonalização ou da desconsideração da personalidade jurídica. Uma das mais importantes inovações processuais do CPDC foi a possibilidade de inversão do ônus da prova (art.são aqueles individuais que resultam de origem comum. quer dos Estados. coercibilidade e discricionariedade) e impõe medidas fiscalizadoras e punitivas. e o fez em seu art. "abuso de direito. Importante também é sabermos algumas informações sobre a relação entre os direitos do consumidor e a Administração Pública.aqueles em que o interesse se particulariza em uma determinada pessoa.

contra propaganda enganosa ou abusiva. Do Ato Jurídico Perfeito E Da Coisa Julgada. 6º. parcelamento. interdição total ou parcial de estabelecimento. Vedação De Juízo Ou Tribunal De Exceção. a inscrição do nome na "lista negra do PROCON". a inclusão do nome do violador das regras de proteção ao consumidor no CADIN (Cadastro de Inadimplentes. que . Quanto à última (art. combinado com o art. é novidade em nosso Direito. o princípio significa. proibição de fabricação do produto. intervenção administrativa. Do Devido Processo Legal E Do Contraditório Importa esclarecer. cassação de licença do estabelecimento ou de atividade. por isso. O Princípio da Inafastabilidade do Controle Jurisdicional está expresso no inciso XXXV: "a lei não excluirá da apreciação do Poder Judiciário lesão ou ameaça de lesão". E por fim. contínuos. que neste amplo item agrupamos várias garantias e/ou princípios-garantias. subvenções. apreensão do produto. compensações. imposição de contrapropaganda.prévia previsão legal. inciso X do Código. assim como o fisco pode negar o número do cadastro de Identificação (mas como esta matéria é muito nova. umas aplicadas tanto no Processo Civil quanto no Penal. XII). Ao elencar tal princípio. Uma última observação: o Código é o nosso manual básico de regência das relações de consumo e também do exercício da cidadania. E. cassação do registro junto ao órgão competente. Do Direito Adquirido. obra ou atividade. Princípios Do Juiz Natural. há grande divergência a respeito). Também fazem parte das sanções. por outro lado. o constituinte determinou a possibilidade de todos buscarem socorro junto ao Poder Judiciário. o fato de que as Certidões Negativas serão "positivas". mas todas com status constitucional. participação em licitações. tudo isso visando a impedir que os faltosos possam obter do poder público subsídios. também. seguros e. podem ser aplicadas aos fornecedores de bens ou serviços. Princípios-Garantias Da Inafastabilidade Do Controle Jurisdicional. publicado no Diário Oficial da União). suspensão temporária de atividade. pelo art. inicialmente. armando a coletividade de ação para exigir o cumprimento total ou parcial dessas obrigações e reparação de danos causados por seu descumprimento. 56. eficientes. determinando que os órgãos públicos ou suas concessionárias e permissionárias são obrigados ao fornecimento de serviços adequados. podendo ser: multa. 16. sempre que houver alguma lesão ou alguma ameaça de lesão a direito. § único temos que é direito básico a adequada e eficaz prestação dos serviços públicos. a "contrapropaganda". quanto aos essenciais. dentre outras. revogação de concessão ou permissão de uso. etc. outras de aplicação exclusiva no Processo Penal. 22. recomendamos a sua dedicada e cuidadosa leitura.

uma punição por indisciplina que uma escola básica ou uma instituição de ensino . Em estreita ligação e quase como um antecedente do princípio assegurado no inciso XXXV está a garantia prevista no inciso XLI: "a lei punirá qualquer discriminação atentatória dos direitos e liberdades fundamentais". o chamado direito de Ação Judicial. esquivar-se de apreciar e de se pronunciar sobre os feitos que lhe chegam. do direito a ter acesso à Justiça. exceto no que diz respeito à "vida". pois. também. para os casos de eventual perda da liberdade ou dos bens. que é a possibilidade de as partes envolvidas fazerem provas de seus direitos. com os meios e recursos a ela inerentes". argumentarem. como. por ele. o coroamento da matéria. ao sentirse lesada ou ameaçada em seus direitos pode submeter a questão à apreciação do Judiciário e este não pode se recusar a fornecer a prestação judicial que lhe foi devidamente pedida. por si só. já que. corresponde o dispositivo em pauta à afirmação do direito à jurisdição. com várias fases sucessivas.juiz algum poderá negar-se. em processo judicial ou administrativo. e aqui não! Ou seja. ainda. é possível que mesmo não a tendo prevista no enunciado do Princípio do Devido Processo legal. E. no que diz respeito à vida. por exemplo. as situações daquelas pessoas que são acusadas em outras esferas. abrangendo não só os processos judiciais ou administrativos. prevê que antes aconteça um processo formal. Engloba assim o princípio em análise. que é feito por meio do Princípio do Devido Processo Legal. assegurado no inciso LV: "aos litigantes. que vem a ser praticamente um outro nome para significar a mesma garantia pois. foi entre nós repetido quase ipsis literis. isto é. mas. qualquer pessoa. lá expresso "ninguém será privado da vida. E. de maneira que a lei infraconstitucional está impedida de criar qualquer órgão de tipo administrativo contencioso que possa. a parte interessada poderá contra ele impetrar um Mandado de Segurança. a protegemos bem mais amplamente que os norte-americanos. O Princípio do Devido Processo Legal. defenderem-se. da liberdade e da propriedade sem o devido processo legal". Mas. lá utiliza-se a pena de morte. de inspiração no due process of law do direito constitucional norteamericano. Importa salientar que esse processo visa a proteger as pessoas contra arbitrariedades taxativamente impostas. por derradeiro. E todas as fases de um processo devem estar permeadas pela garantia do contraditório. todas previstas nos códigos processuais. se isso acontecer. Mas a garantia do contraditório vai ainda um pouco mais longe. esgotar o debate sobre qualquer lesão já sofrida ou em vias de ser sofrida por uma pessoa. previsto no inciso LIV: "ninguém será privado da liberdade ou de seus bens sem devido processo legal" e do subseqüente Princípio do Contraditório. paradoxalmente. e aos acusados em geral são assegurados o contraditório e ampla defesa.

do Contraditório e da Ampla Defesa existem para. tratando-se. salvo para beneficiar o réu". O direito adquirido é aquele que se perfecionou sob a égide de uma dada lei. o inciso XXXVII diz: "não haverá juízo ou . estas três básicas garantias estão atreladas uma a outra. o qual. de uma regra de direito intertemporal. Esta é uma garantia que já vinha prevista em nosso Código Penal (art. provando. mesmo advindo essa nova lei. não mais caber qualquer espécie de recurso contra a mesma. que vem da Teoria Civilística do Direito Privado. o ato jurídico perfeito e a coisa julgada". A coisa julgada significa a impossibilidade de alteração de decisão judicial. bem como os proventos de aposentadoria que estejam sendo percebidos em desacordo com a Constituição.657/42. Dando continuidade. que é a regra geral. No Brasil foi a Constituição de 1934 que constitucionalizou o "direito adquirido". neste caso. não se admitindo. poderá ser exercido. significando o Princípio da Irretroatividade da Lei Penal. § único). que diz: "Os vencimentos. e que não foi exercido antes da vigência de nova lei advinda para regular a mesma matéria em sentido diverso. contestando. em última análise. No entanto. em razão de. invocação de direito adquirido ou percepção de excesso a qualquer título" (grifamos). Ou seja. as vantagens e os adicionais. artigo 6º. para evitar mal-entendidos em relação ao direito adquirido. conferem segurança às relações jurídicas impedindo que uma espécie normativa infraconstitucional altere situação estável. seja pedindo. até porque uma pessoa pode ser culpada mas ter direito à exclusão da punibilidade.de nível superior queira aplicar a um aluno. garantir a justiça no processo. neste caso. O ato jurídico perfeito é aquele consumado de acordo com a lei vigente na época. enfim. salvo para beneficiar os réus. 2º. O inciso XXXVI garante: "a lei não prejudicará o direito adquirido. em última instância. pelo que as leis penais não devem retroagir. as partes participam intensamente dos processos em que estão envolvidas. por exemplo. sendo aplicadas também especificamente no campo do Direito Penal. a remuneração. que visam a dar segurança jurídica aos destinatários do ordenamento jurídico. o que está previsto no inciso XL da CF/88: "a lei penal não retroagirá. findos todos os prazos para tal. julgamos interessante termos presente o conteúdo do artigo 17 do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias. É o único caso em que a própria Constituição veda a invocação da garantia do direito adquirido. Em suma: os Princípios do Devido Processo Legal. §§ 1º a 3º) e que visam a conferir estabilidade ao direito. São três fundamentais garantias que estão presentes também na Lei de Introdução ao nosso Código Civil (Decreto-Lei nº 4. serão imediatamente reduzidos aos limites dela decorrentes. Assim.

Assim. para julgar criminosos de guerra. Consagrado constitucionalmente este princípio. Em suma. assim como. As garantias processuais penais.tribunal de exceção". b) o sigilo das votações. juízo ou tribunal competentes são aqueles constitucionalmente previstos. I.1 Da instituição do tribunal do júri e do princípio da reserva legal e da anterioridade da lei penal O Tribunal do Júri é garantido pelo inciso XXXVIII. àquelas pessoas que são as vítimas em potencial dos criminosos. finda a Segunda Guerra Mundial. positivado no inciso LIII. II e III (vitaliciedade. Na esteira desta garantia aparece o Princípio do Juiz Natural. uma vez que tem como principal escopo evitar que os julgamentos sejam feitos de maneira parcial. o constituinte originário impossibilitou a criação de juízos ou tribunais fora da estrutura do Poder Judiciário. que seriam aqueles constituídos apenas para o julgamento de um caso judicial específico. por exemplo. garante a validade e a legitimidade dos feitos. dirigem-se basicamente aos acusados ou aos já condenados. estabelecido em 1946. A instituição Tribunal do Júri constitui momento de oxigenação da . ou seja. assegurados: a) a plenitude de defesa. por seu turno. também por as ter. como o foi o histórico e polêmico Tribunal de Nüremberg. Outras Garantias Penais E Processuais Penais Podemos dizer que as garantias penais têm duas faces principais: uma que é dirigida aos criminosos. Muitas dessas garantias penais e processuais penais já foram por nós abordadas nos itens antecedentes. a imparcialidade no exercício da jurisdição. c) a soberania dos veredictos. d) a competência para o julgamento dos crimes dolosos contra a vida". 17. com a organização que lhe der a lei. o princípio-garantia em comento impede. e outra que se destina à proteção dos demais membros da sociedade em geral. se não observado. 17. Ao estabelecer tal regra. a criação de tribunais ad hoc. Esta garantia existe com dupla razão: uma que protege os próprios juízes de carreira. nos seguintes termos: "ninguém será processado nem sentenciado senão pela autoridade competente". Agora comentamos as demais. de modo geral. causa a nulidade do feito. outra que protege aqueles que serão julgados. aquele que goza das garantias asseguradas no artigo 95. Juiz Natural é o juiz constitucionalmente previsto. inamovibilidade e irredutibilidade de vencimentos) e que. nos seguintes termos: "é reconhecida a instituição do júri.

sendo conhecido apenas o resultado final. Surgiu no Brasil em 1822. dos quais são sorteados sete para formar o Conselho de Sentença de cada sessão. obviamente. O júri é um juízo colegiado que tem competência para julgar apenas os crimes dolosos contra a vida. já que nomeava os juízes a seu bel-prazer. Juízes de Fato. por maioria simples (isto é. não no sentido de serem os jurados também delinqüentes. tal garantia visa a resguardarlhes a segurança. é a intenção. através da participação do senso comum dos cidadãos. surgiu na Inglaterra medieval. 8 O que caracteriza o dolo em qualquer um destes quatro crimes é a vontade. mais um corpo de vinte e um jurados. mas sim no sentido de não serem pessoas com formação técnico-jurídica. pelo menos deverá a condenação ou a absolvição do réu dar-se por 4 votos x 3 votos). c) infanticídio (quando a mãe mata sua própria prole no período do estágio puerperal. ou utilizando veneno. que são aquelas duas hipóteses em que a sua realização não configura crime: caso de gravidez resultante de estupro e caso de risco de vida para a gestante). Em Direito Penal a culpabilidade é o gênero de que são espécies o dolo e a culpa. A composição do Tribunal do Júri brasileiro é dada pelo artigo 433 do nosso Código de Processo Penal: um Juiz de Direito. Os jurados possuem a garantia do segredo das votações.Justiça. a condição de o agente querer o resultado ou assumir o risco de produzi-lo. ou seja. pelo menos. o Tribunal do Júri é um órgão de decisão judicial em que os veredictos são dados pelos sete jurados. ou seja. nos Estados Unidos da América do Norte atuam doze jurados e aceitamse apenas decisões unânimes. para diminuir a influência do Rei sobre os julgamentos. Em nível mundial ocidental. mesmo antes da Independência de nosso País. b) induzimento. se realizado com emboscada ou traição. situação em que recebe abrandamento da pena. por exemplo. parte do princípio do julgamento do delinqüente pelos seus iguais. mas naquela época era utilizado somente para julgamento dos crimes de imprensa. A decisão proferida em um júri deve automaticamente ser revista por novo júri quando a pena ultrapassar vinte anos. sejam consumados ou meramente tentados. pois é cientificamente comprovado que em tal período pós-parto a mulher pode agir sob influência de perturbações psíquicas). que é o Presidente da sessão. d) aborto (exceto o aborto legal. . instigação e auxílio ao suicídio. evidenciando o prazer do homicida em cometer o mal). Diferentemente. Assim. Em qualquer dos casos o réu. Estes crimes são em número de quatro: a) homicídio (que pode ser qualificado. então. pelos seus pares. tem direito à ampla defesa e ao contraditório. devendo a decisão ser. passando a ser. ou por motivo torpe.

que trata dos remanescentes das comunidades dos quilombos. por exemplo. (grifamos) E também em consonância com mais dois dispositivos da Constituição. eis que o seu ministrar deverá levar em conta "as contribuições das diferentes culturas e etnias para a formação do povo brasileiro" e o art. nos seguintes termos: "não há crime sem lei anterior que o defina. vinte ou cinqüenta anos do cometimento do crime. 3º da Constituição Federal de 1988 que. sem preconceitos de origem. Estes dispositivos foram colocados na Constituição como uma iniciativa em sanar um pouco o forte racismo (tratamentos desiguais atribuídos pelo agente a uma pessoa ou grupo de pessoas em função da raça ou da cor da pele) praticado no Brasil. no inciso XLII: "a prática do racismo constitui crime inafiançável e imprescritível. ainda que muitas vezes de forma velada. nulla poena sine lege) está positivado no artigo 1º do Código Penal Brasileiro. O racismo tem a seguinte previsão constitucional. São eles: o racismo e a "ação de grupos armados civis ou militares. pois há lei nesse sentido. como um dos objetivos fundamentais da República Federativa do Brasil elege "promover o bem de todos. faz-se necessária uma lei que o considere como tal e essa lei que prevê o crime há que ser anterior ao fato. uma vez que. nem pena sem prévia cominação legal". contra a ordem constitucional e o Estado Democrático". sexo. cor. raça.O inciso XXXIX prevê o Princípio da Reserva Legal e da Anterioridade da Lei Penal. Exemplificando: tortura já é crime. quais sejam: o art. que contempla a velha máxima cunhada por Feuerbach (nullum crimen. demonstrando que são delitos que mereceram agravantes constitucionais. que reforça o já abordado Princípio da Isonomia. significando que para que um fato seja considerado crime. que prevê de uma certa forma a revisão do ensino da disciplina História do Brasil. algo que nos parece inadmissível em um País com tantos descendentes afros! . poderão passar cinco. § 1º das Disposições Constitucionais Gerais. idade e quaisquer outras formas de discriminação". não se caracteriza crime um fato praticado no dia de hoje se a lei que o prevê enquanto crime entrar em vigor apenas no dia de amanhã. sujeito à pena de reclusão. 68 do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias. O mesmo princípio. 17. reconhecendo àqueles que estejam ocupando suas terras a propriedade definitiva. já a imprescritibilidade é uma característica que aumenta a possibilidade punitiva. nos termos da lei". ainda assim seus agentes poderão ser responsabilizados e pagar por tê-los cometido. ou seja. 242. além de inafiançáveis. deve ser lido conjugado com o inciso IV do art.2 Dos crimes inafiançáveis e imprescritíveis A Constituição eleva dois crimes à categoria de imprescritíveis. devendo o Estado emitir-lhes os títulos respectivos. Este inciso. Ser inafiançável significa que o acusado não poderá aguardar o julgamento em liberdade pelo pagamento de uma dada quantia em dinheiro. dez.

os crimes por racismo tiveram expandidas suas hipóteses. se omitirem".072/90 surgiu no contexto do então seqüestro do empresário brasileiro Abílio Diniz. atentado violento ao pudor. 17. Já crimes não suscetíveis de graça ou anistia são aqueles que não admitem essas espécies de "perdões". raça. pois trata dos crimes resultantes de preconceito de raça ou de cor. Crimes inafiançáveis são aqueles em que os acusados não têm direito a pagar uma fiança (uma quantia "x" em dinheiro) para aguardarem o julgamento em liberdade.. cor. uma vez que estabelece os crimes e as penas aplicáveis aos atos discriminatórios ou de preconceito de raça. lamentavelmente. sendo que a característica que os une é a da gravidade. genocídio. já que a lei de 1989 só os previa por raça e cor. por eles respondendo os mandantes.930/94. estupro. raros são os casos de condenação por esse crime. devido à dificuldade na obtenção de provas da discriminação ou do preconceito racial. existem três leis que tratam do assunto do racismo: a Lei nº 7. funcionando os institutos da graça e da anistia no direito penal como imperativos de política criminal que acarretam a extinção da punibilidade. frisamos que qualquer ação armada contra a ordem imposta pela própria Constituição e o Estado Democrático também é fortemente punida. Mas embora existam estas três leis regulamentando o crime de racismo. os executores e os que. o tráfico ilítico de entorpecentes e drogas afins. que é específica. latrocínio. religião. A chamada Lei dos Crimes Hediondos. tráfico de entorpecentes.No plano normativo infraconstitucional. Tão graves são que. depois. Lei nº 8. Por fim. deve a pena ser integralmente cumprida no regime . qualificado pela morte. sofreu alterações pela Lei nº 8. o terrorismo e os definidos como crimes hediondos.459/97. dentre outros: extorsão qualificada pela morte ou mediante seqüestro. etc. mais especificamente em maio de 1997. para eles. etnia ou procedência nacional.081/90. e recentemente. que não trata apenas do crime de racismo. A pena passou a ser reclusão de 1 a 3 anos e multa ao injuriador por cor. bem como a pena aumentada. fazendo cessar o poder de punir do Estado. praticados pelos meios de comunicação ou por publicação de qualquer natureza.716/89. na época do Governo Collor de Mello. a Lei nº 8.3 Dos crimes inafiançáveis e insuscetíveis de graça ou anistia Diz o inciso XLIII: "a lei considerará crimes inafiançáveis e insuscetíveis de graça ou anistia a prática da tortura. podendo evitá-los. religião ou origem. Esta Lei passou a punir também a divulgação do nazismo. etnia. São classificados como crimes hediondos. não podemos nos furtar de fazer uma observação: o que se observa é que. o que se deu pela Lei nº 9. envenenamento de água potável ou de substância alimentícia ou medicinal.

com as freqüentes falsificações de remédios. isto é. uma vez que a Lei que tipificou a tortura enquanto crime autônomo admite a progressão de regimes no cumprimento da pena. E ainda é possível dizer-se que o art. pagando todo o grupo a que pertencia o ofensor por condutas repreensíveis deste.4 Da pena e do seu cumprimento Há vários incisos no artigo 5º referentes à pena e aos critérios utilizados para o cumprimento da mesma. A concretização da personalidade como referência para a aplicação da sanção penal foi extremamente importante para centralizar a pena apenas no agressor. não se admite progressão. nos seguintes termos: "nenhuma pena passará da pessoa do condenado.455/97). até o limite do valor do patrimônio transferido". O raciocínio que se faz é que a Lei da Tortura é mais benéfica ao réu e. em que esta era grupal. em sendo a tortura um crime assemelhado aos crimes hediondos. representando lenta e penosa conquista política. e não mais no seu grupo social. É dizer. ser. Em consonância com o inciso que acabamos de ver é que deve ser . adulteração e corrupção de medicamentos e alimentos. o que veio em boa hora. mas pode ter efeito econômico extensivo. o Congresso Nacional aprovou projeto de lei de autoria do Poder Executivo tornando crime hediondo a falsificação. sob o argumento de que a lei pode retroagir se for para beneficiar o réu. Iniciamos pelo inciso XLV que diz respeito ao Princípio da Pessoalidade da Pena. Ainda um último comentário a respeito dos crimes hediondos: nos últimos meses de 1998. pelo princípio em pauta nenhuma pena passa da pessoa do condenado. o significado de evolução. podendo a obrigação de reparar o dano e a decretação do perdimento dos bens. coletiva. no entanto.fechado. Pelo menos não herdamos penas privativas de liberdade. face aos vários episódios que a população brasileira estarrecidamente assistiu. 17. estendidas aos sucessores e contra eles executadas. o que seria um absurdo! O que importa assinalar aqui é que a responsabilização pessoal (e unicamente esta) está diretamente associada ao direito penal liberal. que o regime fechado integral fere o utilitarismo da pena. embora preveja o início de tal cumprimento no regime fechado. Há quem diga. também denominado Caráter Personalíssimo da Pena. nos termos da lei. ou ainda Princípio da Responsabilidade Pessoal. como antes acontecia no período da vingança privada. neste ponto específico deveria também aquela Lei ser aplicada aos crimes hediondos. transformando-a em castigo. na época da Revolução Francesa. assim como também aos seus agentes é proibida a concessão de liberdade provisória. que teve no Iluminismo. 2º. que trata deste aspecto específico na Lei dos Crimes Hediondos tenha sido revogado tacitamente pela Lei da Tortura (Lei nº 9.

A respeito da pena de multa. seria uma obrigação transmissível. uma conquista inafastável. criando . hospitais. cujo cumprimento inicia em regime fechado (o que pressupõe estabelecimento de segurança máxima ou média). etc. 44) corresponde substancialmente às penas restritivas de direitos. a prestação de serviços à comunidade. A suspensão temporária de direitos pode ser a suspensão da habilitação para dirigir veículos. 49. 46 do Código Penal). escolas. ninguém senão o delinqüente poderá ser acionado para pagá-la e no caso de sua morte. podendo englobar.interpretado o § 6º do art. O inciso XLVI contempla o critério da individualização da pena. os sucessores não estarão obrigados a resgatar a multa. as seguintes: a) privação ou restrição da liberdade. podendo depois progredir para o regime semi-aberto ou aberto. b) perda de bens. d) prestação social alternativa. por exemplo. cumprida em regime semi-aberto (em colônia agrícola. p. por último. de crime. ou seja. a mais severa de todas. E. a pena restritiva da liberdade é a detenção. quanto à ampliação dos tipos de penas. pelo qual os filhos ilegítimos foram equiparados aos legítimos. o seu recolhimento é feito ao fundo penitenciário. sendo que o condenado trabalha durante o dia e fica isolado no "repouso noturno". vedada a herança de pena e. assim. 227 da Constituição de 1988. permitindo que a lei crie outras: "a lei regulará a individualização da pena e adotará. em novembro de 1998 foi sancionada nova lei relativa às penas alternativas. A pena de prestação social alternativa pelo disposto no Código Penal (art. orfanatos. 1995. (art. c) multa. como a realização de tarefas gratuitas junto a entidades assistenciais. caso contrário. e) suspensão ou interdição de direitos". ou seja. não há porque os filhos pagarem pelos atos ilícitos dos pais (o que se dava por possuírem uma defasagem de direitos em relação aos filhos havidos dentro do casamento): adúlteros são os pais. não os filhos. assim como a interdição temporária de direitos pode ser a proibição de freqüentar determinados lugares. A pena privativa da liberdade é a reclusão. aplicada para condenado a pena superior a oito anos. entre outras. industrial ou similar) ou aberto (em casa de albergado ou estabelecimento adequado). 100). Código Penal) pois. eis que o espólio e os herdeiros ficam a salvo de arcar com o ônus personalíssimo do morto (CERNICCHIARO. mas como obrigação exclusiva do condenado (art. portanto. autônomas e substitutivas das penas privativas de liberdade. fazendo uma relação não taxativa das penas que são adotadas em nosso ordenamento.

que assegura aos presos o respeito à integridade física e moral. aqueles cometidos sem a intenção de causar o dano. ou comprovado envolvimento em tráfico ilícito de entorpecentes e drogas afins. Quanto ao inciso XLII. Aqui temos também uma manifestação do Princípio da Individualização da Pena. Pelo inciso XLVIII: "a pena será cumprida em estabelecimentos distintos. alimento de fundamental importância nos primeiros meses de vida. perda de bens e valores. principalmente para que os criminosos mais experientes e perigosos não tenham a possibilidade de passar seus "ensinamentos" aos delinqüentes principiantes. o que torna o Brasil um dos países mais avançados na área. submissão a tratamento. se houver aceitação do beneficiário. ou pelo menos de celas exclusivamente femininas nos presídios que são gerais. por exemplo. A extradição consiste . em se tratando de crimes culposos. proibição de freqüentar determinados lugares e.oito novos tipos de penas alternativas à prisão (pagamento de indenização à vítima ou a seus familiares. em caso de crime comum. sempre de não-reincidente. o que antes só era possível em condenações de até um ano e. assim como ampliando os casos em que podem ser aplicadas (agora um juiz pode substituir a pena de prisão quando a condenação. principalmente em um País que possui tantas crianças desnutridas e subnutidas. já que devem os apenados ser separados conforme o grau de periculosidade. também já foi tratado em outro item. advertência. a idade e o sexo. obrigação de freqüentar curso. a pena alternativa pode ser usada qualquer que seja o tamanho da pena aplicada). Mais do que um direito das mães presidiárias. não permitindo que a pena imposta à mãe atinja os seus filhos. for de até quatro anos e desde que o delito não tenha sido cometido mediante grave ameaça ou violência. a indenização pode ser convertida em prestação de outra natureza como. que não devem pagar pelos crimes das mães. Na seqüência. a idade e o sexo do apenado". praticado antes da naturalização. recolhimento domiciliar. é um direito voltado para as crianças. que diz quais as penas que são proibidas em nosso ordenamento jurídico. ficando sem o leite materno.5 Da extradição Diz o inciso LI: "nenhum brasileiro será extraditado. Por este inciso também fica obrigatória a existência de presídios femininos. de acordo com a natureza do delito. na forma da lei". já o analisamos em outro item. o inciso L garante às presidiárias "condições para que possam permanecer com seus filhos durante o período de amamentação". 17. O inciso XLIX. o dispositivo acaba por ter caráter humanitário. salvo o naturalizado. O objetivo da nova lei é o de minimizar a superlotação das prisões e diminuir o índice de reincidência. a entrega de cesta básica). Assim.

Ainda quanto à extradição. o que dá uma média mensal de 3. cabe ao Supremo Tribunal Federal processar e julgar originariamente a extradição solicitada por Estado estrangeiro. pelo art. não importando se tenham sido cometidos antes ou depois da naturalização. ou por crime comum que o tenha praticado antes da naturalização brasileira. pois nos regimes democráticos os atos ideológicos não possuem caráter criminoso. Por este inciso vemos claramente uma diferença que a Constituição faz entre brasileiros natos e naturalizados: o brasileiro nato nunca. CF/88. É precisamente este o conteúdo do inciso LII: "não será concedida extradição de estrangeiro por crime político ou de opinião". o crime de "colarinho branco" é punido com pena de morte). e os países que lideram os pedidos são Itália e Alemanha. quais sejam. Para termos uma idéia. pois a quantidade de pedidos de extradição feitos à Justiça brasileira revela que o País é um dos refúgios prediletos de criminosos internacionais. que pressupõe e exige a liberdade de consciência. No Brasil compete à União legislar sobre extradição. para que lá responda a processo ou cumpra pena por delito cometido.no ato pelo qual um Estado entrega à Justiça de outro Estado um indivíduo que esteja em seu território nacional. ou em qualquer tempo em se tratando de delitos relativos ao tráfico de entorpecentes e drogas afins. coerente com seu espírito democrático. nos anos de 1995 e 1996 o Supremo Tribunal Federal acolheu setenta e oito solicitações. I. o que se explica por uma fama de impunidade de que gozamos no cenário internacional. pelo menos) concederá extradição quando o pedido se referir a crimes políticos ou . seguida de homicidas. 9 Como regra geral. inciso XV. A regra destina-se diretamente aos estrangeiros. o Brasil costuma negar o pedido de extradição caso a pena a ser aplicada pelo país autor do pedido seja a de morte ou a de prisão perpétua (na China. em hipótese alguma. mais especificamente um mapeamento a respeito da extradição no Brasil. 22. por exemplo. desde que requerida por esse outro Estado.815/80 (alterada pela Lei n° 6. conclui-se que o Brasil nunca (enquanto estiver em vigência esta Constituição. mas apenas nas restritas hipóteses enunciadas no dispositivo. Este assunto merece uma pequena reflexão. Quanto à competência constitucional em relação à extradição. conforme o disposto no art. 102. poderá ser extraditado.964/81). sendo o Estado requerente o competente para julgá-lo e puni-lo. nega a possibilidade de extradição por crimes políticos ou de opinião. Atualmente vigoram a respeito os artigos 76 a 94 da Lei n° 6. feitas por dezoito países. já o brasileiro naturalizado poderá sê-lo. sendo que a maioria dos foragidos é de traficantes de drogas. alínea "g". mas como brasileiro nato nunca poderá ser extraditado e os naturalizados apenas nas hipóteses do inciso anterior.25. a liberdade de opinião e de manifestação do pensamento. nossa Constituição.

mesmo a indenização que o Estado deverá ao inocente não será capaz de reparar sequer um dia que tenha passado na prisão. os verdadeiros infratores. nenhuma outra lei foi criada até hoje. 17. da Certidão de Nascimento.. de carteiras de ordens profissionais que se prestem para tal. Lei nº 6.6 O princípio da presunção da inocência Uma outra garantia que assiste aos acusados. que não é específica sobre o assunto. Outros avaliam que não raro são processadas e presas pessoas inocentes porque terceiros. é aquela prevista no inciso LVII. salvo nas hipóteses previstas em lei". 17. A vedação como se vê. tem por dever fazer a identificação criminal. Aí está a consagração constitucional do Princípio da Presunção da Inocência ou também conhecido como Princípio da Presunção de Não-culpabilidade do Acusado. que em seu artigo 30 diz: "o estrangeiro admitido na condição de permanente. constituindo-se a garantia na vedação da identificação criminal dactiloscópica (por meio de impressões digitais. ou seja. (grifamos) Mas afora essa lei. ou de asilado é obrigado a registrar-se no Ministério da Justiça. Quando isso ocorre. etc. pois todos somos considerados inocentes até provado o contrário. o que divide a opinião dos especialistas.815/80. identificaram-se com seus documentos. da Carteira de Trabalho e da Previdência Social. ou seja. Uns dizem que não se necessita de lei porque a polícia. dentro dos 30 dias seguintes à entrada ou à concessão do asilo e a identificar-se pelo sistema datiloscópico. que em linguagem policial é conhecida . senão parcial. o inciso visa a impedir a dupla identificação.]. sempre que tiver suspeitas quanto à identificação civil. quando já realizada a identificação civil (que pode ser feita por meio da Cédula de Identidade. não é absoluta. como por exemplo a da Ordem dos Advogados do Brasil. observadas as disposições regulamentares".de opinião. aquela feita com os dedos da pessoa que está sendo identificada. pela qual "ninguém será considerado culpado até o trânsito em julgado de sentença penal condenatória". 10 Muitos desses erros poderiam ser evitados se o nosso Poder Público não tivesse demonstrado sua omissão ao nunca ter criado um Instituto Nacional de Identificação. de temporário [. Uma das hipóteses previstas em lei é a apresentada pelo Estatuto dos Estrangeiros. conforme consta no Código Penal..7 Vedação parcial à identificação criminal Diz o inciso LVIII: "o civilmente identificado não será submetido a identificação criminal. Aparte a polêmica. ou seja. que fosse conectado em rede no País inteiro e que centralizasse todas as informações sobre identificações civis. toda e qualquer pessoa só poderá ser considerada culpada após decisão judicial da qual não caiba mais nenhum recurso.) não se pode submeter a pessoa também à identificação criminal.

Então. deve ser intentada pelo Ministério Público. isto é. Também conhecido como Princípio da Publicidade do Processo. sendo este o mais seguro instrumento de fiscalização popular em relação à atuação da Justiça. titulares da ação penal pública. conquista histórica que marcou o processo de racionalização do Direito e que vem desde os marcos constitucionais delimitados pelo início do constitucionalismo. a não ser nos casos previstos em lei. a regra. por razões políticas. A explicação existente para que a maior parte dos delitos seja de ação pública é muito plausível. naqueles casos em que os representantes do Ministério Público. ofereçam a queixacrime sustitutiva (nome que recebe a peça inicial de uma ação penal privada subsidiária da pública). em nosso Direito.8 Da possibilidade de ação privada subsidiária da pública e do princípio da publicidade dos atos processuais Diz o inciso LIX: "será admitida ação privada nos crimes de ação pública. Mas é preciso que o prazo legal de que dispõe o Ministério Público seja expirado em inércia. por meio de seus representantes legais. contra os juízos secretos. casos em que pode ter sido furtado e falsificado. estando solto o indiciado é de 15 dias e estando preso é de 5 dias). ou seus parentes. a titularidade da ação penal é pública. a regra é a da publicidade. por exemplo. e isto é assim desde que a Justiça deixou de ser privada. temos reconhecido o Princípio da Publicidade dos Atos Processuais. por exemplo. 17. à época da Revolução Francesa. fazendo valer o brocardo que diz que "o povo é o juiz dos juízes". Pela regra. Assim. os membros do Ministério Público não entram com a ação penal pública no prazo legal (sendo que no caso do crime de furto. até . sem que tenha ele tomado qualquer iniciativa para a propositura da ação. Diz o texto do inciso ora em comento: "a lei só poderá restringir a publicidade dos atos processuais quando a defesa da intimidade ou o interesse social o exigirem". perdem o prazo para iniciar a ação. se esta não for intentada no prazo legal". de que são membros os Promotores de Justiça (na esfera estadual) e os Procuradores da República (na esfera federal). isto é. nãoracionais e de caráter inquisitório do Ancien Règime. bem como a possibilidade do exame de autos por qualquer pessoa. E pelo inciso LX. como o enunciado acima. oferece a Constituição essa garantia para que a própria vítima. a pretensão punitiva dos agentes delituosos. assinalando a reação. ou por excesso de trabalho.vulgarmente como "tocar piano"). ou como nos casos em que o documento civil apresentado levante suspeitas quanto à veracidade. o prazo para o oferecimento da "denúncia". Mas como muitas vezes. Esta garantia existe para impedir que o criminoso possa se livrar dos atos que cometeu. é a de que o Estado é o titular do direito de punir. como um monopólio. garante a presença do público nas audiências. pois somente o Estado detém.

caracteriza-se o mesmo pela certeza visual do crime. salvo nos casos de transgressão militar ou crime propriamente militar. este inciso deu fim às prisões efetuadas por ordem da autoridade policial. que acabam sendo. que diz que a ação de impugnação de mandato tramitará em segredo de justiça. a própria Constituição faz pelo menos uma. Em primeiro lugar. pois. definidos em lei". segundo o Código de Processo Penal brasileiro (art. temos que qualquer prisão de civis efetuada sem que seja em flagrante delito ou sem que tenha uma ordem judicial. uma vez que o anterior texto constitucional apenas fazia referência a "autoridades". muitos presos poderiam confessar crimes não-cometidos. o que se dá quando o comportamento lesivo atinge a esfera íntima do ofendido. praticavam-se atos de torturas contra essas pessoas detidas ilegalmente. como veremos na seqüência dos incisos. Maximização do direito de liberdade física das pessoas e responsabilidade objetiva do Estado para com o condenado O artigo 5º apresenta pelo menos oito incisos diretamente relacionados ao preso e à prisão. tudo. em sua grande maioria. bem. devendo. em que por qualquer motivo detiamse as pessoas para "averiguações". não menos seguidamente. e em que. 14. ser imediatamente relaxada pela autoridade judiciária (este é o texto do inciso LXV). se antes isso não for feito espontaneamente pela autoridade coatora ilegal. comumente por intermédio do instituto habeas corpus. Para além das restrições à publicidade do processo.). que podem ser feitas por lei infraconstitucional. Por isso avançou em muito a Constituição atual ao especificar que as únicas autoridades que podem ordenar prisões são as judiciárias. se ouvidos por terceiros poderiam causar graves danos às partes). muito freqüentes nos anos ditatoriais. com os ares democráticos de volta. garantias contra prisões arbitrárias e a favor da mais ampla defesa possível aos detidos. a prevista no § 11 do art. ou em que se faz necessário o segredo para proteger menores envolvidos (separações de casais que envolvem filhos ainda crianças ou incapazes. qual seja. as audiências das ações de divórcios. flagrante delito e habeas corpus. Mas a Constituição admite que a lei faça exceções. Sob tortura. 17. etc.porque a Justiça é pública. pois casos há em que se as ações respectivas não corressem em segredo de justiça. .9 Prisão ilegal. permeado por uma proposta humanitária e democrática em prol da maximização do direito de liberdade física das pessoas. Quanto ao flagrante delito. e não privada. é ilegal. incluindo a responsabilidade do Estado em relação ao condenado. Pois. provavelmente as vítimas não processariam seus ofensores (por exemplo os casos de estupro. Inicia pelo inciso LXI: "ninguém será preso senão em flagrante delito ou por ordem escrita e fundamentada de autoridade judiciária competente. cujos fatos expostos.

o erro judiciário mais grave e mais célebre tenha sido aquele cometido em relação aos "irmãos Naves". Já o erro judiciário civil é indenizável na forma do art. alegando por exemplo. é muito provável que muitos desses presos . possui 150 mil presos acomodados em 70 mil vagas. quando acaba de cometê-la. ainda assim. e aqueles "continuados". pelo ofendido ou por qualquer pessoa. assim como o que ficar preso além do tempo fixado na sentença". neste inciso. Com números tão alarmantes e com um sistema carcerário mal gerido e praticamente falido. § 6º. no entanto. mas pode se dar por deserções. CF/88. Quanto à segunda parte do inciso. em que o momento consumativo se protrai no tempo. como por exemplo o homicídio. poderá pleitear indenização por erro do Estado. e. A prisão de militares segue outras regras. nos dá a caracterização de quando o agente de uma ilicitude penal está em "flagrante delito": quando está cometendo a infração penal (e aqui devemos atentar para aqueles crimes que são "instantâneos". ou quando é perseguido. o Brasil é um País que. como por exemplo o rufianismo). tendo em vista a sua liberação. em situação que faça presumir ser o autor da infração. ou seja. 37. em seu artigo 302. dizem os penalistas (como por exemplo Luiz Flávio Borges D'Urso). Vemos no texto uma das manifestações da responsabilidade objetiva do Estado e do conseqüente dever de indenizar o condenado por erro judiciário que. O inciso LXII traz uma inovação da Constituição de 1988. como o seqüestro. pela autoridade. definidas em leis que costumam ser diferentes entre os Estados da Federação. aqueles que são "permanentes". Aqui podemos inserir uma análise ao inciso LXXV: "o Estado indenizará o condenado por erro judiciário. e para que os familiares do preso ou outras pessoas próximas possam providenciar a constituição de advogado e ir reunindo provas. Talvez na história penal e processual penal brasileira. o qual. a pessoa deve ficar presa o menor tempo possível. Não há. não importando quando tempo dure a perseguição. etc.265). logo após. que visa a resguardar o status libertatis da pessoa. parece referir-se exclusivamente ao erro na esfera penal. por ofensa a símbolo nacional (como por exemplo uma cuspida na Bandeira Nacional). Em se tratando de prisão ilegal. É o texto: "a prisão de qualquer pessoa e o local onde se encontre serão comunicados imediatamente ao juiz competente e à família do preso ou à pessoa por ele indicada". e conta ainda com aproximadamente mais 200 mil aguardando para "entrar no sistema prisional". erro judiciário quando o condenado for beneficiado por redução da pena ou por indulto. Há erro judiciário indenizável quando ficar comprovado que o condenado é inocente do crime de que o acusaram. Para quê? Para que o juiz possa averiguar se não se trata de uma prisão ilegal. danos à imagem e/ou à integridade física. o seu estado de liberdade. que se passou em Minas Gerais a partir do ano de 1939.

como bafômetros e exames de sangue. Pelo inciso LXIII "o preso será informado de seus direitos. baseado na referida garantia constitucional. quanto à assistência de advogado. neste caso. no qual um médico constata se há sinais claros de embriaguez. ou seja. quando a lei admitir a liberdade provisória. pelo seu art. 11 No inciso LXIV aparece a seguinte garantia: "o preso tem direito à identificação dos responsáveis por sua prisão ou por seu interrogatório policial".503/97) que. Dizem os especialistas do Instituto Brasileiro de Ciências Criminais que. inocentemente. com ou sem fiança". Neste ponto em que a Constituição garante o direito das pessoas de não fabricarem provas contra si mesmas. A liberdade provisória e a fiança são institutos do Direito Processual Penal que possibilitam ao acusado ou ao réu aguardar o julgamento final em liberdade. lhes resultando ferido. arriscados a ser estúpida e traumaticamente violentados pela selvagens regras que vigem nas celas nacionais. ensina-nos Pinto Ferreira. entre os quais o de permanecer calado. pode negar-se a soprar no bafômetro e a colher sangue para exames. é uma garantia que tem sua base na caução do direito anglo-saxão e foi admitida entre nós já pela Carta Monárquica de . O direito de permanecer calado é uma tutela constitucional contra a auto-incriminação.encontrem-se nas prisões "além do tempo fixado na sentença". o motorista pode se recusar a passar por esses exames. A assistência da família tem inspiração humanitária e é uma tentativa de minorar o sofrimento e os transtornos causados pela prisão. na filosofia do sistema penal constitucional vigente é tida como medida de exceção. ou pelo menos coibir arbitrariedades e ilegalidades no ato da prisão ou do interrogatório. sendo-lhe assegurada a assistência da família e de advogado". o único exame a que o motorista pode ser obrigado a se submeter é o clínico. com ou sem o pagamento de uma fiança. sendo que por essa corrente interpretativa. em aparelhos homologados pelo Contran. A prisão. 277 obriga os motoristas suspeitos de terem cometido infrações a submeterem-se a testes para medir a dosagem alcoólica. isto é. Diz o inciso LXVI: "ninguém será levado à prisão ou nela mantido. E. possibilitando a responsabilização por eventuais abusos. ganham "hospedagem" nas prisões brasileiras. do dever de vedação do anonimato que. tem o objetivo de impedir. qual seja. é direito que decorre do Princípio da Ampla Defesa. portanto. A afiançabilidade do delito. um direito fundamental. cremos que o Estado nunca conseguirá ressarcir o sofrimento e o desconforto causados àqueles que. Decorre esta garantia de outra. só é possível quando no caso não couber a liberdade provisória. uma reflexão crítica: embora exista essa garantia de indenização por erro judiciário. podemos inserir a discussão que se trava a respeito do novo Código Brasileiro de Trânsito (Lei nº 9. Para finalizar.

é este o sentido da expressão "inadimplemento voluntário e inescusável". podendo-se traduzir: "ande com o corpo" ou "tenha o corpo". p. Os parentes devem-se. Pelo inciso LXVII "não haverá prisão civil por dívida. faz-se necessário o tratamento excepcional. Para um maior aprofundamento da matéria. E. Ainda assim. salvo a do responsável pelo inadimplemento voluntário e inescusável de obrigação alimentícia e a do depositário infiel". vestuário e educação.1824 (FERREIRA. a obrigação alimentícia é tratada no artigo 400 do Código Civil Brasileiro. por ilegalidade ou abuso de poder". tendo as condições para cumprir a obrigação. O habeas corpus tem origem no Direito Romano.265 do Código Civil Brasileiro. para alguns autores. 1998. foi recuperado pela tradição jurídica inglesa. Mas vale observar que tais prisões civis não possuem o caráter de pena. alimentos. 134). pelo qual se poderia reclamar a exibição de homem livre detido ilegalmente. compondo-se de habeas. Atualmente. mas como primeira e principal garantia de todos os direitos vistos até agora neste item. de habeo (ter. está a previsão constitucional do instituto habeas corpus. Foi-se o tempo em que por dívidas patrimoniais se pagava com o cerceamento da liberdade física. sendo que. as Constituições garantem ao máximo possível a liberdade pessoal. E também só será admitida a prisão do devedor se ele. há algumas exceções. convém consultar o texto do artigo 1. onde não se encontra o critério sangüíneo que. já que ele quebra a confiança que dá a base ao contrato de depósito. reciprocamente. por último. é possível no Brasil pleitear-se alimentos também no seio das uniões estáveis. tradicionalmente. Diz o inciso LXVIII: "conceder-se-á habeas corpus sempre que alguém sofrer ou se achar ameaçado de sofrer violência ou coação em sua liberdade de locomoção. A dívida de alimentos que possibilita a prisão civil deve ter origem em sentença judicial.12 Após. frisando que já na Magna Charta Libertatum de 1215 os ingleses o haviam previsto. tomar) e corpus (corpo). não o faz. sendo que no conceito "alimentos" incluem-se alimentos propriamente ditos. a expressão habeas corpus é latina. como estes dois casos registrados em nossa Constituição. Modernamente. mais precisamente no interdictum de libero homine exhibendo. Com efeito. mas Pontes de Miranda nos traz seus sábios ensinamentos. confere o direito a alimentos. Quanto ao depositário infiel. abrigo. o instituto existe na Inglaterra apenas desde 1679. ou seja. Para maiores esclarecimentos. porém. O direito aos alimentos (ou a chamada "pensão alimentícia") é irrenunciável. mas sim o intuito de obrigar o devedor a pagar. é uma modalidade de coerção ao pagamento. .

654 do Código de Processo Penal. Foi aquela Reforma que o restringiu à proteção do direito de locomoção. por fim. a liberdade física (ir. em seu art. como outros a denominam.Quanto às características do instituto. desde então há acionabilidade do "remédio" com fundamento na Constituição (art. mas não consagrou diretamente o habeas corpus. então. mas a ele fez alusão o Código Criminal de 1830. 340. interpretação extensiva. ficar ou permanecer) contra violência ou coação ilegal de autoridade. interpreta-se no sentido de que não se pode impetrar habeas corpus contra atos de ilegalidade advindos de "autoridade" particular (se é que possa existir autoridade particular) no que tange à liberdade pessoal. grifado no original). No entanto. as únicas que podem cometer abusos de poder. admitindo. p. a Constituição do Império. da "pretensão". eis que a Constituição não faz restrição expressa. conforme o texto constitucional de 1891. Lafaiete Rodrigues Pereira. conferiu o direito subjetivo constitucional à liberdade. Pois bem. 1955. para o detalhe de que as arbitrariedades (ilegalidades ou abuso de poder) que justificam o pedido de habeas corpus devem ser provindas de autoridades públicas. e ainda que ilegalidades qualquer pessoa as possa cometer. No Brasil. há alguns autores do Direito Penal que dizem que o instrumento também pode ser impetrado contra particular. ou. the power of locomotion. o Código do Processo Criminal (Lei de 29 de novembro de 1832). 184-185. existia no Brasil desde 1891. vir. desde 1891 o instituto é consagrado constitucionalmente. o ius ambulandi. da liberdade física. pois isso configura modalidade penal autônoma (seqüestro ou cárcere privado). a liberdade pessoal. criou a ação e. na esteira do Decreto de 23 de maio de 1821. isto é. causa danos e sofrimentos que não admitem reparação condigna. Como já visto. servia para tutelar qualquer direito. sendo seu processamento previsto no art. teve nos artigos 183 a 188 o foco criador do instituto. passemos aos seus desdobramentos. que embora não tenha sido então regulado. citado por Pontes de Miranda. assim se pronunciava: "o que particularmente o distingue é a celeridade com que êle (sic) restitui à liberdade aquêle (sic) que é vítima de prisão ou constrangimento ilegal. já que qualquer pessoa pode impetrá-la). 72. § 22). No regime da Constituição de 1988 o habeas corpus tem natureza de ação constitucional penal (ou por outros dita "ação penal popular". A violação da liberdade pessoal. O habeas corpus é o "remédio" jurídico que visa a tutelar a liberdade individual de locomoção. portanto. a coação (vis . Como se pode ver no texto do inciso em comento. isto é. ou melhor. Daí a necessidade de fazer cessar prontamente a ofensa de direito tão sagrado" (Apud PONTES DE MIRANDA. Atenção. mas desde seu ingresso entre nós até a Reforma Constitucional de 1926.

em benefício próprio ou de terceiro. podendo ser até mesmo na própria prisão. um inquérito policial arbitrário). as futuras. "Violências que passaram. em seu favor ou de outrem. Quanto à legitimidade ativa. podendo ser. p. Quanto à coação. 160-161) e precisamente porque. sem advogado. até decisão do feito. O habeas corpus repressivo ou também dito liberativo ou liberatório é aquele invocado quando o paciente já está sofrendo a coerção. quando alguém estiver ameaçado de sofrer um constrangimento ilegal. ou seja. por constituírem crimes. se houver grave risco de consumar-se a violência. e obviamente que pessoa jurídica não possui liberdade física. Mas é preciso que fique bem claro que pessoa jurídica também pode impetrar habeas corpus. com ou sem capacidade postulatória).compulsiva: pressão psicológica) e a coerção (coercitio: vis materialis. por exemplo. 648 do Código de Processo Penal brasileiro enumera os casos em que a mesma é considerada ilegal (por exemplo. desde que o paciente seja sempre pessoa física. e cabe quando o indivíduo acha-se na iminência de sofrer uma coerção. ou que já se encontra presa. por exemplo. um constrangimento ilegal (que não necessariamente precisa ser uma prisão. isto é. Também pode ser impetrado pelo Ministério Público. O habeas corpus preventivo previne. já que o remédio heróico visa a proteger a liberdade de locomoção. praticamente não se as exigem. sempre em benefício de algum paciente que seja pessoa física. já que é meio cabível para libertar alguém que se acha ilegitimamente detido ou para impedir que isso ocorra. isto é. conclui Pontes de Miranda que o passado não importa ao instituto. por maiores que tenham sido não encontram nenhum amparo no remédio do habeas-corpus" (PONTES DE MIRANDA. tais violências passadas podem ser punidas pelo Código Penal e também pelo juízo cível (enquanto reparação de perdas e danos). isto é. Nele poderá ser expedido salvo-conduto em favor do paciente. No dizer de Pontes de Miranda. A partir das duas modalidades possíveis de impetração do remédio. a liberdade física. sendo utilizado para que cessem violências atuais. qualquer pessoa ameaçada de ser presa. pode pedi-lo. quando alguém estiver preso por mais tempo do que determina a lei). 1955. conforme as previsões de suas atribuições. é aquele destinado a assegurar a liberdade do indivíduo contra violências que se temem. ou seja. o status libertatis. em um papel qualquer (inclusive . já que esta é uma exclusividade dos seres humanos. de maneira manuscrita. desde que nunca para si. ou seja. principalmente enquanto fiscal da lei (custus legis). O instituto apresenta-se sob duas formas: preventiva e repressiva. Assim. Quanto às formalidades. o art. equivalendo à violência física) ensejam a invocação do habeas corpus. o habeas corpus pode ser impetrado por qualquer pessoa (nacional ou estrangeira. precisamente porque a medida sempre tem caráter de urgência.

por razões que estão ligadas aos conceitos de disciplina e de hierarquia.906/94. que tem natureza de ação civil de rito sumaríssimo. 17. O juiz que concede a ordem. É criação genuína do direito brasileiro e foi constitucionalizada em 1934. com a sua prova pré-constituída ou. sem grandes formalidades. Mas há que se prestar atenção para o fato de que. § 1º da Lei nº 8. defendendo então todo e qualquer "direito certo e incontestável". 142. § 2º da CF/88 o excetua para os casos de punições disciplinares militares. ao lado das ações de inconstitucionalidade. assim. de ofício. ação popular e ação civil pública Já vimos. que é o Estatuto da Advocacia e da Ordem dos Advogados do Brasil: "Não se inclui na atividade privativa de advocacia a impetração de habeas corpus em qualquer instância ou tribunal" (grifamos). que relate o fato arbitrário e que apresente o pedido de liberação. denominação alterada em 1946 para "direito líquido e certo". pelo juiz competente. mandado de injunção.papel de pão). bastando que seja em duas vias (uma que ficará para o juiz de direito decidir e outra que irá para a autoridade coatora para que se explique). inciso I. configuram as ditas ações constitucionais típicas. Agora cabe-nos ver as outras ações que são também garantias de estatura constitucional. Como palavras derradeiras a respeito do habeas corpus. podemos dizer ainda que o art. embora sem exigir muitas formalidades. deve ser requerido a um juiz de direito e só poderá por ele ser concedido. em outros itens. CF/88). ou por fax. inciso LXXVII). 136. Iniciamos pelo Mandado de Segurança. delimitado na . direito líquido e certo é o que se apresenta manifesto na sua existência. a decisão não fará coisa julgada. o habeas corpus poderá ser concedido mesmo no estado de defesa. em outra acepção mais ampla. § 3º. E a explicação para isso tem um fundamento imperativo. isto é. recorre de ofício. quando o executor da medida comunicar-lhe a prisão de alguém e esta resultar ilegal (art. via on line. o habeas corpus é uma ação judicial e. com previsão constitucional. se tal recurso não for interposto. 5º. a Constituição Federal assegura a gratuidade do habeas corpus (conforme o art. 1º. diz o art. pois segundo a Súmula 423 do Supremo Tribunal Federal. telegrama. É a única exceção mencionada na Lei à obrigatoriedade da presença e da intervenção do advogado. Cumpre observar que esta garantia foi suprimida em 1937. Mas por outro lado.10 Outras garantias de status constitucional: mandado de segurança (singular e coletivo). as ações habeas data e habeas corpus. em tais casos não terá cabimento. Por direito líquido e certo devemos entender o direito documentado. Para torná-lo acessível a todos. qual seja: o exercício estrito da cidadania não pode ser mediado por representação profissional. Quanto à não-necessidade de advogado. Cabe ressaltar que muitas delas.

quando o responsável pela ilegalidade ou abuso de poder for autoridade pública ou agente de pessoa jurídica no exercício de atribuições do Poder Público". o singular ou individual. O inciso LXIX prevê o Mandado de Segurança Singular. sendo este segundo uma novidade da Constituição Federal de 1988. as hipóteses em que pode ser solicitado. o inciso LXX apresenta o Mandado de Segurança Coletivo: "o mandado de segurança coletivo pode ser impetrado por: a) partido político com representação no Congresso Nacional. são dadas por exclusão. São equiparados a "autoridade". Com o Mandado de Segurança Coletivo permitiu a Constituição que o mesmo possa ser proposto por pessoas diferentes daquelas que efetivamente lesadas. Trata-se do instituto da substituição processual que. em defesa dos interesses de seus membros ou associados".). E. contra atos que pratiquem podem figurar na legitimidade passiva de ações de Mandado de Segurança. etc. Na ordem constitucional vigente. reitores de Universidades. isto é. diretores de estabelecimentos de ensino superior. nem por habeas data. etc. à qual nos . estabelecimentos bancários.sua extensão e apto a ser exercido no momento da impetração. assim como idênticos o processamento e os legitimados passivos. ou melhor. A primeira peculiaridade que se nos apresenta é que o conceito de Mandado de Segurança. Entre ambos. podendo ser impetrado tanto por umas quanto por outras. serviços de táxi. Como estes são exemplos de exercentes de atribuições públicas. cabe para proteger direito líquido e certo que não seja amparado nem por habeas corpus. serventuários titulares de serventias do foro extra-judicial (tabeliães e registradores). por exemplo. companhias de seguro. Com relação às entidades particulares. segundo opinião de José Rogério Cruz e Tucci. cabe Mandado de Segurança quando atuarem por delegação. o Mandado de Segurança aparece em duas modalidades. e o coletivo. enquanto o habeas corpus é uma garantia que somente tutela os interesses da pessoa física viva. b) organização sindical. não amparado por habeas corpus ou habeas data. o que diferencia é a legitimidade ativa já que o motivo que fundamenta o pedido é o mesmo. o Mandado de Segurança se presta a assegurar direitos tanto de pessoas físicas quanto de jurídicas. na seqüência. Há que se observar que. e não quando forem apenas autorizadas (exemplos: hospitais particulares. nos seguintes termos: "conceder-se-á mandado de segurança para proteger direito líquido e certo. entidade de classe ou associação legalmente constituída e em funcionamento há pelo menos um ano.

158 e 159 do Código de Processo Civil). 42). que é possível a impetração de Mandado de Segurança Coletivo por partido político. se os integrantes das entidades em comento não necessitarem conceder autorização expressa para a atuação de seus substitutos processuais e como eles também não participam do contraditório. inclusive. para confundi-la com a representação processual. seja legal. como também. A medida liminar. E o que. neste caso. o da representação processual (inciso XXI da CF/88).filiamos. diferencia as duas hipóteses. assim como ocorre em todos os casos excepcionais de defesa de pretensão alheia. quando concedida. "desnaturaria a finalidade" do Mandado de Segurança Coletivo. a fim de que não se lhes viole a garantia do "devido processo legal". 1990. da Constituição Federal. 41. ao contrário do que recentemente foi asseverado. anômala ou extraordinária como se pretenda chamá-la. o que deve ficar bem claro é que. não deve ser confundido com outro instituto. 1990. não dependendo ela da autorização de qualquer interessado" (TUCCI. o direito a se auto-excluírem (TUCCI. deverão sempre ser cientificados da impetração da ação. ao contrário do que ocorre em relação à representação processual prevista no inciso XXI.533. assim como é de 10 dias o prazo para a prestação de informações da autoridade apontada como coatora. relativas ao Mandado de Segurança) e pela Lei nº 4. assegurandolhes. pelo interessado.. se o acúmulo de serviço o justificar. mas sim a atuação em nome de outrem" (TUCCI. Todavia. A . isto é. pois. O mesmo autor entende. desde que pertencentes a determinada categoria . Para ele. de 31/12/51 (que "altera disposições do Código de Processo Civil. ainda." (TUCCI. ou seja. é justamente o detalhe de que a substituição processual. "não só em defesa de interesses de seus filiados. de 26/6/64 (que "estabelece normas processuais relativas a mandado de segurança"). ao "admitir esta exigência estaríamos descaracterizando a substituição processual. 50). onde não mais se dará a defesa de interesse alheio em nome próprio. conforme Lourival Gonçalves de Oliveira.348. p. 5º. o direito de pedir a "segurança" extingue-se após 120 dias da ciência. 1990. E cita Ernane Fidélis dos Santos para dizer: "a legitimação que se dá às pessoas referidas no art. com representação no Congresso Nacional. p. a eventual autorização. p. vigorará pelo prazo de 90 dias. 43). da comunidade partidária. grifado no original). do ato impugnado (a Petição Inicial é feita nos moldes dos arts. já abordado em outro item. 1990. Por elas. revestida de natureza de mandato. para a proteção dos membros da comunhão social. contado de sua efetivação e prorrogável por mais 30 dias.. conforme o autor (a partir das lições de Calmon de Passos e de Ernane Fidélis dos Santos). LXX. O Mandado de Segurança é regido pela Lei nº 1. a disponibilidade da ação é da entidade legitimada. é absoluta. não necessita de autorização expressa dos membros ou filiados das entidades autorizadas a agir em seus nomes. p.

tendo adentrado em nossa Constituição Federal de 1988 por proposta do senador Virgílio Távora. a Constituição da República Portuguesa de 1976 teve marcante influência em sua adoção brasileira. Já o analisamos em um item da Primeira Parte desta obra. salvo se praticado por autoridade incompetente ou com inobservância de formalidade essencial. III. significando "ordem formal". o Mandado de Injunção originou-se na Inglaterra. 5º. O Mandado de Injunção é outra novidade da Constituição Federal de 1988. procedendo de injungere (ordenar. inciso XXXV) que a lei não excluirá da apreciação do Poder Judiciário lesão ou ameaça a direito e no § 1º do mesmo art.concessão ou a denegação de segurança na vigência de medida liminar será imediatamente comunicada à autoridade apontada como coatora. 5º determina que as normas definidoras dos direitos e garantias fundamentais têm aplicação imediata. Embora historicamente o instituto Mandado de Injunção tenha raízes no direito anglo-americano. salvo os relativos ao habeas corpus. Em sua origem. pelo quê. A legitimidade passiva para ambas também é a mesma. Pelo art.ato de que caiba recurso administrativo com efeito suspensivo. nos termos seguintes: "conceder-se-á mandado de injunção sempre que a falta de norma regulamentadora torne inviável o exercício dos direitos e liberdades constitucionais e das prerrogativas inerentes à nacionalidade. Ressaltamos. "imposição". de que caiba recurso. Vem previsto no inciso LXXI do art. onis). ou que seja suscetível de correição. 88 a 94 do Código de Processo Civil. Então. ainda. independente de caução. seria contraditório . que os processos de mandado de segurança têm prioridade sobre todos os atos judiciais. Aplicam-se ao processo do mandado de segurança os arts. à soberania e à cidadania". 5º. agora somente relembramos que a própria Constituição Federal adverte (art. bem como brevemente na abordagem da inconstitucionalidade por omissão.despacho ou decisão judicial. impor uma obrigação). 201 do Regimento Interno do Supremo Tribunal Federal. A competência para julgar qualquer uma das modalidades do Mandado de Segurança é definida em razão da autoridade que praticou o ato e de sua sede funcional.ato disciplinar. mandar. a palavra injunção procede do latim (injunctio. não se dará mandado de segurança quando estiver em causa: I. mais especificamente quando tratamos dos "instrumentos disponíveis para os casos de não-efetivação das normas constitucionais". II. Apesar disso. no século XIX.

cujo gozo pretende que venha a se tornar eficaz. que se torna lesiva. pode ser substituído pela demonstração das prerrogativas inerentes à nacionalidade. mas sim da comunidade.vedar o exercício imediato dos direitos por falta de norma regulamentadora. à moralidade administrativa. de 29 de junho de 1965. apontando com clareza e precisão a falta ou carência de lei. Quanto à legitimidade ativa. deve demonstrar: "1º) o direito ou liberdade. Protege-se. qual seja. p. já para os demais ramos do Poder Judiciário poderá vir a ser fixada por normas infraconstitucionais. A Ação Popular. a Lei nº 4. Tem fins repressivos e preventivos da atividade administrativa lesiva ao patrimônio público. ficando o autor. desde que dependa de tal órgão a emissão da norma que dá razão ao pedido. 253). ao meio ambiente e ao patrimônio histórico e cultural. 1990. visto de outro ângulo. pela Ação Popular. mas o povo enquanto titular do direito subjetivo ao governo honesto. teve pelo texto constitucional em vigor ampliadas suas possibilidades de propositura. sendo que no que se refere ao item primeiro. tampouco novidade da Constituição Federal de 1988 (uma vez que a lei que a rege data de 1965. embora não seja tipicamente constitucional.717. à soberania e à cidadania. implícita ou expressamente. e 3º) o interesse e legitimidade do impetrante" (PACHECO. Por ela não se amparam interesses próprios. o interesse geral (patrimônio público e moralidade administrativa) ou determinados interesses difusos (patrimônio histórico e cultural e meio ambiente). sendo que a competência para o Poder Judiciário Estadual (geralmente recai sobre o Tribunal de Justiça) depende de que seja fixada pelas Constituições Estaduais. O beneficiário direto e imediato da ação não é o autor popular. pela Constituição Federal a competência originária é apenas do Supremo Tribunal Federal e do Superior Tribunal de Justiça. asseguradas na Constituição. não alcançando a justiça federal. No que se refere à competência para o seu processamento e julgamento. recai sobre qualquer órgão dos Poderes Públicos. no Mandado de Injunção. . pode ser impetrado por qualquer cidadão que sinta-se prejudicado e quanto à legitimidade passiva. o rol de possibilidades foi ampliado pela inclusão da proteção da moralidade administrativa. mais conhecida como a Lei da Ação Popular). cujo exercício deseja fazer prevalecer. já que toda a competência desta está posta no texto constitucional. isento de custas judiciais e do ônus da sucumbência". 2º) o óbice que a tal exercício se apresenta a lacuna da legislação ordinária. A petição inicial. Sua previsão constitucional encontra-se no inciso LXXIII: "qualquer cidadão é parte legítima para propor ação popular que vise a anular ato lesivo ao patrimônio público ou de entidade de que o Estado participe. marcadamente pela inclusão do ataque à "moralidade administrativa" ou. salvo comprovada má-fé. prevista na Constituição Federal.

valendose. ou a suspensão liminar do ato lesivo impugnado. ingressará com a demanda. para tanto. variando de acordo com a parte passiva. a indenização reverterá a um fundo gerido por um Conselho Federal. cuja titularidade é conferida exclusivamente ao cidadão. acarretando. III. pois têm finalidades diversas. ao consumidor. a legitimação para deflagrar a Ação Civil Pública somente é deferida a determinados órgãos: ao Ministério Público. será feita com o título de eleitor. sociedades de economia mista ou associação. ou com documento que a ele corresponda". . Embora existam pontos de contato entre a Ação Popular e a Ação Civil Pública. são institutos diferentes. paisagístico. sendo regida pela Lei nº 7. Aquela persegue. somente podendo fazê-lo por via indireta. à União. empresas públicas. Interpreta-se que apenas atos desta.347/85. para ingresso em juízo. Note-se. provocando a iniciativa do Ministério Público que. Em relação à Ação Civil Pública. Quanto à legitimidade ativa. 5º da Lei nº 4. fundações. Além disso. a nulidade do ato lesivo. basicamente. O Ministério Público não tem legitimidade ativa própria para entrar com Ação Popular.717/65: "A prova da cidadania. da condenação em dinheiro ou do cumprimento de obrigação de fazer ou não-fazer (em caso de condenação em dinheiro. em nome do órgão. Quanto à legitimidade passiva para a Ação Popular. a mesma possui previsão constitucional no art. à reparação do fato consumado. constituindo-se em garantia ativa de direitos individuais e difusos. Mas o que importa é frisar que uma (Ação Popular) é aplicada sem prejuízo da outra (Ação Civil Pública). se procedente. aos Municípios. os interesses difusos da sociedade.Trata-se de uma "ação de conhecimento" em que se pleiteia sentença para anular atos diretos ou indiretos da Administração Pública. vem a mesma tratada pelo art.717/65. assim. basicamente. ao meio ambiente. autarquias. 1º. ao patrimônio estético. aos Estados. Assim o determina o art. visa. 129. eis que apenas a acompanha. Protege os direitos coletivos individualizáveis e os direitos individuais homogêneos. histórico. Inicia-se com inquérito civil. § 3º da já mencionada Lei nº 4. o Fundo de Defesa de Direitos Difusos). conquanto possa prestar-se a evitar o dano. esta. não se prestando a amparar direitos individuais. onde geralmente acontecem acordos. visando a recomposição do patrimônio público lesado. que o cidadão não detém legitimidade ativa para sua propositura. É o instrumento processual adequado para impedir danos ao patrimônio público e social. a expressão qualquer cidadão quer dizer apenas o nacional no gozo de seus direitos políticos. CF/88. pois contra atos de particulares há a Ação Civil Pública. também a condenação em perdas e danos.

Mas Walter Ceneviva levanta um paradoxo: o de que inclusive para provar a insuficiência de meios é necessária assistência jurídica. Esta garantia aos menos favorecidos economicamente deve ser entendida como possibilidade de acesso à Justiça àqueles que por ela não puderem pagar. a situação resolve-se. publicada no Diário Oficial da União . 1991. Reza o inciso LXXIV: "o Estado prestará assistência jurídica integral e gratuita aos que comprovarem insuficiência de recursos". de analfabetismo. para um País que se responsabiliza tão minimamente pelo destino de seus filhos mais pobres. Mas como. abandonados à própria sorte. embora havendo essa previsão constitucional.060/50. a favor do indivíduo que necessita comprovar a insuficiência de recursos. em setembro de 1996 foi encaminhado projeto de lei do Poder Executivo visando a tornar essa isenção universal. bem como o art. que é a Lei nº 1. é como se essas pessoas não existissem. o que dificulta em muito a organização de políticas públicas na área social. Brincamos. demonstrou que em torno de 30% da população brasileira não possui registro de nascimento. etc. Mas é muito se contarmos que uma pesquisa do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). na forma da lei: a) o registro civil de nascimento. para maiores informações sobre os critérios que definem a insuficiência de recursos. (CENEVIVA. os artigos 1º e 2º da Lei da Assistência Judiciária.. que é a Lei nº 9. Para os rigores da lei. dizendo que no Brasil já é possível "nascer" e "morrer" juridicamente de graça! É pouco. o que tem um custo. há uma recente lei dispondo sobre o assunto. realizada em novembro de 1996. em nossas aulas.17. 76) Consultar. Já o inciso LXXVI diz: "são gratuitos para os reconhecidamente pobres.465/97.11 Tutela estatal aos que comprovarem insuficiência de recursos Temos aqui dois incisos do artigo 5º interligados pelo assunto que apresentam: o LXXIV e o LXXVI. o que está de acordo com a realização do Princípio da Isonomia. sendo que este responderá pelo prejuízo se se evidenciar a falsidade de sua declaração de que os recursos são insuficientes. e assim não são computadas nos índices oficiais de pobreza. p. de marginalidade. muitas vezes a determinação do critério para aferir os "reconhecidamente pobres" acabava sendo uma decisão pessoal dos tabeliães. havendo alguns Estados da Federação em que este índice sobe para 80%. no entanto. Ambos procuram garantir a tutela do Estado em relação àquelas pessoas que não dispõem de recursos financeiros para encampar a defesa de seus direitos ou o credenciamento para o exercício básico da cidadania. Por fim. b) a certidão de óbito". 90 do Estatuto da Advocacia e da OAB.

portanto. cláusulas pétreas. possuindo. como por exemplo uma de autoria do Senador Mauro Miranda-GO. Não seria preciso. No Brasil os direitos sociais compõem a grande parte do substrato social da Constituição de 1988. É preciso esclarecer. protegê-los contra as reformas constitucionais (se tiverem força para configurarem-se como direitos fundamentais e. do qual não se podem separar e exigem determinadas prestações materiais do Estado. os direitos sociais nasceram sob a invocação do princípio da igualdade. Capítulo II Direitos trabalhistas. mas recordamos mais uma vez que tudo isso vem . principalmente por carência de meios e recursos. natureza humanitária e de solidariedade. é a primeira vez que um texto constitucional brasileiro utiliza a expressão "direitos sociais". Considerações Iniciais Este Capítulo (Capítulo II do Título II) da Constituição. já que pela garantia da perpetuidade. pela evolução do constitucionalismo brasileiro durante os últimos cinqüenta anos. através da constitucionalização desses direitos. enquanto há louváveis propostas de emendas constitucionais visando a expandir os direitos sociais.em 8 de setembro de 1997. Mas registramos que. o "núcleo absoluto" dos direitos fundamentais não está à disposição do legislador reformador) ou pelo menos dificultar ao máximo as suas modificações e. Aliás. compõem a base teórica positiva de nossa modalidade de "Estado social". as suas remoções. sindicais e sociais 1. muitas vezes tratando-se de modificações que com sutileza provocam danos irreversíveis ao patrimônio dos direitos e garantias dos trabalhadores. há inúmeras outras propostas tendentes a modificar tais direitos. que os direitos sociais são em sua grande maioria direitos trabalhistas. sendo que desde a Carta Magna de 1934. Mas não como apenas uma inconseqüente repetição de direitos. consagrados. irremovíveis da Constituição. inicialmente. que inclui a moradia no Capítulo dos Direitos Sociais garantidos pela Constituição. e que "dispõe sobre o fornecimento gratuito de registro extemporâneo de nascimento". também reconhece direitos e deveres individuais e coletivos. mas com um grande número dos mesmos já reconhecidos na CLT (Consolidação das Leis Trabalhistas) e que são agora repetidos no texto da Constituição. com algumas inovações constitucionais. sem retrocesso. há por trás disso um grande e nobre objetivo. Incluídos nos direitos ditos de "segunda geração". o dos Direitos Sociais. que é a tentativa de. nem sempre resgatáveis. quiçá. sem dúvida.

Dito de outro modo. embora seja o quarto bloco comercial mais importante do mundo. 307). que lhes dá os aspectos organizacionais. portanto. No Brasil. Os direitos sociais são enumerados no art. . sempre em crise. Para piorar. e não apenas aos trabalhadores. no campo dos direitos sociaistrabalhistas. apresenta um nível de descumprimento da legislação trabalhista para os que estão no mercado formal que ultrapassa de longe os padrões internacionais. praticamente nenhuma resolução de âmbito social foi aprovada. 6º. perante a onda de desregulamentação das relações trabalhistas para fazer valer o dogma do mercado livre. E não podemos nos esquecer que. Mas se olharmos o intróito dos direitos trabalhistas (caput do artigo 7º). após mais de seis anos de negociações entre os representantes dos países integrantes. já que há um "clima" contrário ao espírito da Constituição nas cúpulas empresariais mais retrógradas e em algumas lideranças políticas que resistem à aplicação dos direitos sociais básicos (BONAVIDES. p. embora com os efeitos perversos que podemos assistir dia após dia. tornam-se os grandes desestabilizadores das Constituições. até porque o "trabalho" é um direito social. a liberdade oprime. concentrando 54% do Produto Interno Bruto da América Latina. 1993. E por falar em mercados globalizados. como concretizar seu texto. o grande problema do momento constitucional é o de como aplicar a Constituição. o Mercosul. conforme o constitucionalista Paulo Bonavides. apenas tentaremos comentar os pontos mais importantes e apontar as principais inovações registradas pela Constituição Federal de 1988. quando desatendidos. introduzi-lo na realidade nacional. Uma rápida leitura dos artigos 6º e 7º já permite-nos dizer que os direitos sociais (reconhecidos no artigo 6º) dirigem-se a todas as pessoas.ocorrendo para atender a exigências internacionalmente impostas pelos círculos neoliberais para que o Brasil possa ingressar na era da globalização. Reflexões Cabíveis E Principais Inovações Constitucionais Na Seara Dos Direitos Sociais E Trabalhistas Não seremos exaustivos. A importância dos direitos sociais básicos é a de realizar a igualdade material na sociedade e. sobretudo em países de economia frágil. os direitos trabalhistas assegurados no artigo 7º são desdobramentos das metas fixadas no artigo 6º da Constituição. é a lei que salva". são também direitos de cunho social. a histórica advertência de Lacordaire é sempre atual: "entre o forte e o fraco. 2. trata de direitos que visam à melhoria da condição social dos trabalhadores e. no Título da Ordem Social. vemos que embora o artigo tenha destinação restrita. mas são displinados em outra parte da Constituição. por somente alcançar os trabalhadores.

Tomando dois trabalhadores. para o trabalhador rural". condensando neles. o número de . nos seguintes termos: "ação. a primeira grande novidade: a Constituição. Esta diferença foi constitucionalizada porque. ou seja. Na seqüência. digamos que nenhum dos dois tenha perdido o prazo para entrar com a ação: o urbano poderá reclamar direitos relativos a cinco anos pretéritos. se quiser. tanto para o trabalhador urbano quanto para o trabalhador rural só começa a contar a partir do momento da extinção dos respectivos contratos de trabalho. com prazo prescricional de: a) cinco anos para o trabalhador urbano. em geral. 7º equiparou os trabalhadores urbanos e rurais. Diferença há é no número de anos a que terão direito reclamar seus direitos. quanto a créditos resultantes das relações de trabalho. a inércia do titular da ação pelo seu nãoexercício.O artigo 7º possui 34 incisos. sob relação de emprego ou não. E quatro são os elementos integrantes. determinando a extinção da possibilidade de se ajuizar uma ação judicial. direitos e garantias dos trabalhadores. Quanto a isso não há diferença alguma entre ambos: o direito de entrar com a ação prescreve para ambos após o transcurso de dois anos da extinção do contrato. podendo reclamar cinco. p. nesses dois casos trazidos pelo inciso XXIX. a prescrição não corre durante o contrato. que vem estipulada no inciso XXIX. suspensiva ou interruptiva do curso prescricional. vinte anos pretéritos. a continuidade dessa inércia durante um certo lapso de tempo. 1991. o prazo de dois anos para dar entrada nas ações. estabelece uma relação jurídica entre duas partes e opera efeitos distintos entre elas: o da extinção do direito em relação ao titular. refere-se a todas àquelas pessoas que possuem um trabalho remunerado. b) até dois anos após a extinção do contrato. até o limite de dois anos após a extinção do contrato. um urbano e outro rural. quais sejam: a existência de uma ação exercitável. Pois bem. instituto que. engloba também os avulsos. Observamos que quando a Constituição emprega o termo "trabalhadores". Algumas palavras iniciais acerca da prescrição. e o da extinção da obrigação relativamente ao sujeito passivo. sendo o segundo artigo mais longo da Constituição. quinze. por meio do caput do art. 78). A única diferença entre ambas as categorias de trabalhadores que ainda persiste é aquela relativa ao prazo prescricional para as ações trabalhistas. inclusive no que toca ao Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS). de forma não exaustiva. dez. a ausência de algum fato ou ato a que a lei atribua eficácia impeditiva. quer dizer. já o rural não tem limite algum. ou também podemos dizer condições elementares da prescrição. autônomos e eventuais (CENEVIVA.

7º. partiu do princípio de que toda despedida tem de ser justificável. § 3º. Caso o empregado e seu representante não concordem com a comprovação do empregador. a Convenção é de 1985 e entrou em vigor no Brasil apenas em 1996. A comprovação mencionada neste artigo poderá ser feita em prazo inferior a cinco anos. de 10/4/96. trata-se de uma providência que pode ser tomada pelo empregador rural. conforme os ditames do art. até porque a tal lei complementar nunca foi criada (embora exista projeto para isso) e. Fica ressalvado ao empregado. fica o empregador isento de qualquer ônus decorrente daquelas obrigações no período respectivo. o empregador rural comprovará. Seu texto causou grandes discussões sindicais e jurídicas e doutrinárias. XXIX. aplicavam-se as disposições da Convenção 158 da OIT (Organização Internacional do Trabalho). 2º e 3º. o cumprimento das suas obrigações trabalhistas para com o empregado rural. § 3º do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias. 7º. caberá à Justiça do Trabalho a solução da controvérsia. perante a Justiça do Trabalho. nos termos de lei complementar. enquanto isso. tendo sido publicada no Diário Oficial da União por meio do Decreto n° 1. o governo brasileiro acabou cedendo e . os créditos que entender existir. em junho de 1996 o Tribunal Regional do Trabalho da 2ª Região (São Paulo e Santos) decidiu que a Convenção era constitucional. prevendo indenização compensatória e outros direitos. O inciso I do art. na presença deste e de seu representante sindical. a critério do empregador". o direito de postular. pois lá a contratação por toda a vida é habitual. ao proteger a relação de emprego contra despedida arbitrária ou sem justa causa. relativamente aos últimos cinco anos. § 1º. judicialmente. em qualquer hipótese. de cinco em cinco anos. Observar também a esse respeito o disposto no art. Pois aí está então uma faculdade de que dispõe o empregador rural em relação à prestação de contas de suas obrigações trabalhistas. Uma vez comprovado o cumprimento das obrigações mencionadas neste artigo. 10. bem como a própria distância física dos centros judiciais. Mas existe uma prevenção que pode evitar que o trabalhador rural pleiteie um número indefinido de anos. o que se explica pelo alto índice de analfabetismo e de desinformação que costuma reinar no meio rural. 233. do Ato das Disposições Gerais: "Para efeito do art. que estava em vigor e que tinha plena eficácia.855. Mas face às fortes pressões por parte dos sindicatos de empregadores. Antes de entrarmos na polêmica. Pois bem.reclamatórias trabalhistas rurais é bem menor em relação ao número das urbanas. §§ 1º. § 2º. uma explicação: o texto do inciso e o espírito que norteia todo o texto da Convenção da OIT são de inspiração japonesa.

a redução da jornada de trabalho. No inciso IV temos a previsão do salário mínimo que. sim. ainda mais que o mesmo não só deve atender às necessidades vitais básicas do trabalhador como também às de sua família! De que adianta termos uma previsão constitucional tão ampla. remédios. vale apenas a regra do artigo 10. Atualmente. em que uma das bandeiras dos empregadores é justamente a flexibilização das normas trabalhistas. a qual deixou de vigir no Brasil em novembro de 1997. tão abrangente e tão bem-intencionada. mas tudo resultando em aumento do mesmo. é claro) de que "ninguém" vive de . higiene. a novidade está na ampliação das necessidades tidas como vitais e básicas previstas pela lei ordinária. se os parlamentares que fixam o valor do salário mínimo a anulam? E ele não tem um valor maior porque sempre impera o argumento (contrário à ampliação do valor. inciso I. vestuário. está começando a ser aplicado no Brasil o "contrato de trabalho por tempo determinado". tendo sido acrescentado a saúde. a educação e a previdência social. Ao revés. parece que mais contribuirá para o desemprego e para a precarização das relações de trabalho. e lazer. porque dificilmente um trabalhador mal remunerado terá casa própria). tudo com o argumento de não gerar desemprego. Raciocinemos. moradia (e aluguel. pelo qual se prevê. como ainda não temos a referida lei complementar e como não temos mais a Convência em vigor. transporte. ou seja. sem os compulsórios descontos da Previdência Social. mas ocorre que os R$ 130. Se dele subtrairmos o valor da cesta básica (R$ 127. a título de indenização. do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias. principalmente em épocas de globalização. pois. Razão de toda a polêmica: a Convenção previa a reintegração aos respectivos postos de trabalho daqueles trabalhadores demitidos arbitrariamente ou sem justa causa.00. para agravar. embora não seja uma novidade.75). visando a acabar com o desemprego. que era tudo o que os sindicatos dos trabalhadores queriam (ter emprego) e tudo o que os sindicatos patronais não queriam. o lazer. E de que adianta ter uma indenização (que em poucos meses será gasta na subsistência do trabalhador desempregado e de sua família) e não ter emprego? A esse respeito ainda. estimulando a troca de trabalhadores formalmente contratados por um contingente com data marcada para perder seu emprego. como é que ficam? Terão que ser realizadas com o "excedente" da cesta básica? Apenas este simples raciocínio comprova de pronto que não é possível sobreviver com o valor que o salário mínimo possui no Brasil. restarão ao trabalhador apenas R$ 2. luz. educação.cancelou ("denunciou" é o termo técnico) a adesão à mesma. Atualmente é de R$ 130. enfim. sobre os cálculos e valores. um acréscimo de quatro vezes os 10% (totalizando 40%) sobre os depósitos do FGTS a ser levantado.25.00 constituem o valor bruto. as contratações temporárias. E as despesas de água. teve o mesmo ampliada a nomeação dos itens a que deve se prestar.

A qualquer um deles. § único. disposta no inciso VI não dispunha. etc. A participação nos lucros. A garantia da irredutibilidade de salário. . o empregador está obrigado a pagar a diferença até o seu limite. de novidade da Constituição de 1988. Será? A Constituição de 1988 veda a utilização do salário mínimo como indexador econômico ou como índice de reajuste de qualquer preço. significando o mínimo que cada categoria de trabalhadores pode ganhar em início de contrato. O piso salarial. por exemplo. aos que percebem remuneração variável. previsto no inciso V não existia na Constituição de 1969 e a CLT é omissa a respeito. CLT). ainda que em algum mês algum empregado tenha a hipotética má-sorte de não vender nenhum par de sapato. pelo menos um salário mínimo deve ser pago pelo empregador todos os meses. 468). Por óbvio. que se o empregado não atingir com a produção mensal o valor equivalente ao salário mínimo. habitação. sob a forma de alimentação. até o advento da Constituição de 1988. embora a vedação seja bem mais ampla. pois o é para "qualquer fim". o que pressupõe e obriga a intermediação de sindicatos. uma vez que isso implicaria em transferir-lhes os riscos e ônus do empreendimento. por exemplo. por produção ou por tarefas e recebem seus salários conforme o rendimento dos seus trabalhos. No inciso VII vemos a novidade de elevação a nível constitucional do preceito que prevê a garantia de salário. o instituto da retenção do salário é tratado em nível constitucional. Lembramos ainda que a CLT prevê que no mínimo 30% do valor do salário mínimo deve ser pago em dinheiro. que geralmente são aqueles trabalhadores que laboram em regime de comissões. Pela primeira vez. A garantia significa. Trata-se. Salientamos que piso salarial é diferente de salário mínimo. estando até então prevista apenas em lei ordinária (CLT. de 30-12-94. passando a ser crime a retenção efetivado dolosamente (inciso X). nunca inferior ao mínimo.salário mínimo no País. portanto. de respaldo constitucional. assegurando a referida participação desvinculadamente da remuneração. Mas a Constituição inovou em tratar o tema com mais objetividade e clareza no inciso XI. A regulamentação do inciso tem se dado por Medida Provisória (a MP de n° 794. podendo o restante ser pago in natura. (art. não haverá participação dos empregados nos resultados negativos da empresa. ou resultados da empresa empregadora não é novidade constitucional. Apenas em uma hipótese pode vir o salário a ter seu valor reduzido: quando isto for disposto em convenção ou acordo coletivo. art. isto é. que são exclusivos do empresário. constantemente reeditada). 82. portanto. existindo há decênios em nosso direito. no caso de um comissionado que venda calçados.

de uma "ação afirmativa" em favor das mulheres. o qual traz o Princípio da Isonomia para o campo do trabalho. embora discute-se muito atualmente a respeito de propostas de redução dessa jornada de 44 horas para 40 horas semanais. Previsto no inciso XII. o texto do inciso XII do art. Para José Afonso da Silva. mas parece ser um argumento falacioso. que os empregadores exijam atestado de gravidez ou de esterilização para as mulheres que se candidatam aos empregos. Após intensos debates entre os constituintes que desejavam a continuidade do sistema anterior de 48 horas e os que defendiam a redução para 40 horas. a nosso ver. torna-se mais viável ao empregador pagar horas-extras ao empregado que já está em seu quadro funcional. embora vedado pela interpretação desses dois incisos da Constituição. mediante incentivos específicos. 7º sofreu uma modificação. idade. de ato irrisório que é seu valor quase não paga o recibo que o emite. ou menos ainda. em uma demagógica esmola governamental. ao invés de contratar um novo empregado com todos os encargos sociais que isso implica. mais parecendo uma gorjeta oficial. uma vaia! Criado em 1963 (pela Lei nº 4. de exercício de funções e de critério de admissão por motivo de sexo. qual seja. cor ou estado civil". "isso tem por fim dar à mulher condições de competitividade no mercado de trabalho. 286). já que. possui ainda o agravante de não alcançar os trabalhadores domésticos. 7º. é a do inciso XX. tendo em vista o argumento patronal. prevendo "proibição de diferença de salários. não mais patronal). É muito comum. 1997. Existem pelo menos quatro projetos de lei tramitando no Congresso Nacional para regulamentar o inciso. a jornada semanal de trabalho foi fixada em 44 horas no inciso XIII. aliás. até outrora sufocadas pela milenar estrutura patriarcal. deve ser lido em conjunto com o inciso XXX.14 Para tentar coibir este tipo de prática por parte das empresas . passando a ser: "salário-família pago em razão do dependente do trabalhador de baixa renda nos termos da lei". Trata-se. que de certa forma coincide com as opiniões governamentais. sem discriminações" (SILVA.O salário-família merece um comentário. de que com isso se gerariam mais empregos. p. a proteção do mercado de trabalho da mulher. No dizer da professora Maria Garcia. A Constituição ampliou as hipóteses de proteção dos trabalhadores. que. nos termos da lei. constitui-se o salário-família em um "tapinha nas costas". Cumpre observar que pela Emenda Constitucional Nº 20/98.266/63)13 com o objetivo de auxiliar os trabalhadores no sustento e na educação de seus filhos até 14 anos ou inválidos de qualquer idade. ou melhor. A primeira que aparece. na ordem do art. pois não querem ter que arcar com o que representa uma licença-maternidade em termos de ficar privados dos serviços realizados pela empregada (e isto que o salário-maternidade é um ônus estatal.

201 da Constituição Federal prescreve: "Lei disciplinará a cobertura do risco de acidente do trabalho. região da Grande São Paulo. independentemente de sexo.agenciadoras de empregos. passou a ser garantido a todo e qualquer trabalhador urbano e rural. perda ou diminuição. só para termos um idéia. pouco vemos sendo feito. Também inovou o texto constitucional ao reconhecer. . pela Emenda Constitucional nº 20/98 o § 10 do art.263/96. no Brasil o número de mortos em acidentes de trabalho é. no inciso XXVI. a Constituição positivou uma ampliação do direito. ainda que temporária. Embora a boa intenção da norma. higiene e segurança. por exemplo. a ser atendida concorrentemente pelo regime geral de previdência social e pelo setor privado". 18. que venha a provocar lesão corporal ou perturbação funcional que cause morte. O inciso XXII diz que é um direito dos trabalhadores a redução dos riscos inerentes ao trabalho por meio de normas de saúde. que antes era restrito apenas às trabalhadoras mulheres e. devemos mencionar que. Em total sintonia com o inciso que acabamos de comentar deve ser lido e interpretado o inciso XVIII. em seu art. é grande a corrida atrás os Certificados da "família" ISO. da capacidade laborativa. 15 mas seria interessante que essa azáfama atingisse também uma espécie de "qualidade total" nos equipamentos e nas condições de trabalho em geral. quando incorrer em dolo ou culpa". a fim de evitar danos à saúde e à integridade física dos trabalhadores. dez vezes superior ao dos Estados Unidos. as convenções e os acordos coletivos de trabalho. Acidente de trabalho é todo aquele que ocorre no exercício laboral ou a caminho do local do emprego. que prevê "seguro contra acidentes de trabalho. sob o argumento de que tal dedo era de pouca utilidade e que tenderia a desaparecer com a evolução da espécie humana. eis que os mesmos tinham sido "postergados" pelas Constituições de 1967 e 1969. O episódio serve para ilustrar o descaso com que são tratados os acidentes de trabalho no País. a partir de 1988. sem excluir a indenização a que está obrigado. e isso que muitas empresas evitam registrar os acidentes que ocorrem com seus empregados. a cargo do empregador. tanto na iniciativa privada como na pública. tipifica como delito a exigência de atestado de esterilização para qualquer fim e confere para a violação da regra uma pena de reclusão de um a dois anos e multa. A respeito deste assunto. para minorar os riscos inerentes ao trabalho. Em épocas de globalização e neoliberalismo. Quanto à previsão de assistência gratuita aos filhos e dependentes desde o nascimento até os seis anos de idade em creches e préescolas (previsão do inciso XXV). em que foi negado o pedido de indenização a um metalúrgico pela perda de seu dedo mínimo. a Lei nº 9. 16 A esse respeito trazemos o exemplo de uma decisão judicial trabalhista que pode falar por si próprio: trata-se de uma sentença proferida em março de 1997 em Cotia.

seja por parte do braço para a infância da ONU (UNICEF). aos que "contratam" o trabalho de crianças. falta-lhes ler a Constituição. de alguns setores da igreja. inclusive havendo muitos debates a respeito da constitucionalidade . No inciso XIX temos a novidade da licença-paternidade. de alguns juristas. o que resultou de enorme importância para estes últimos. em razão de sua fraqueza ou inexperiência. "benefício" para os fins previdenciários. E esta vedação ingressou na Constituição no interesse do menor. muitas vezes. de pequenos brasileiros. Neste particular pensamos que mais importante tivesse sido que a Constituição pudesse ter assegurado a garantia de emprego ao pai enquanto contasse com filhos pequenos para manter.O inciso XXVII prevê como outro direito dos trabalhadores a "proteção em face da automação". cuja opção geralmente passa a ser a economia informal e. como por exemplo. portanto. perigoso ou insalubre aos menores de dezoito anos e qualquer trabalho a menores de dezesseis anos (esta foi uma alteração provocada pela Emenda Constitucional nº 20/98. que antes eram muito marginalizados. talvez milhões. continuar os estudos. na forma da lei. aplicando-se a determinação do § 1º do artigo 10 do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias. da imprensa. pelo artigo 80 da CLT. pois o Brasil a viola sistematicamente através da utilização e da exploração do trabalho infantil. O inciso XXXIII proíbe o trabalho noturno. Ao contrário do que ordena a Constituição. é de cinco dias. a não ser que seja na condição de aprendiz. eis que antes do seu advento aí constava "quatorze anos"). É encargo trabalhista do empregador. mas que raramente é cumprida. E onde está a fiscalização que poderia evitar que essas atrocidades acontecessem? Denúncias não faltam. O objetivo da inclusão de tal garantia ao trabalhador que venha a ser pai foi o de possibilitar-lhe pelo menos o acompanhamento do parto e a realização do registro de nascimento do filho no período imediatamente seguinte. seja de Organizações Não-Governamentais. de inspiração indígena. E mesmo como aprendiz. O que nos falta é ação efetiva para pôr fim a essa mácula indelével provocada na vida de milhares. até o crime. etc. eis que tinham direito apenas a férias e a 13° salário. só poderá ser desde que cumpridos os requisitos que estão elencados nos artigos 60 e 62 do Estatuto da Criança e do Adolescente. 17 No mínimo. Pelo inciso XXXIV a Constituição inovou registrando o reconhecimento da igualdade de direitos entre os trabalhadores com vínculo empregatício permanente e os trabalhadores avulsos. com ênfase na robótica) está despejando na rua milhares de operários. que até que não venha norma regulamentadora. Mais uma vez adentra na Constituição uma norma extremamente humanitária. o que vemos é que a crescente atualização tecnológica (pela informatização. e não do INSS. de alguns parlamentares comprometidos com a defesa dos direitos humanos. não sendo considerado. a partir de quatorze anos.

constitucionalizando também o direito de greve. E. estivadores. só foram oficializados após a Revolução de 1930. irredutibilidade do salário. assim. São avanços. a adicional noturno. etc. aviso prévio. mas a grande batalha deste setor laboral brasileiro junto aos legisladores atualmente é pela conquista do seguro-desemprego. conferindo aos sindicatos total autonomia. um dos mais importantes direitos trabalhistas que. Em seguida. Ademais. Além de não desfrutarem do seguro-desemprego. repouso semanal remunerado. licença-paternidade. a autonomia sindical.da legislação que lhes havia estendido o direito a Fundo de Garantia. licença à gestante. artigo 11. No entanto. Já a Constituição de 1946 retomou a constitucionalidade dos sindicatos. pelo qual a constituição dos mesmos foi subordinada à prévia aprovação governamental. como por exemplo a obrigação da participação dos sindicatos nas negociações coletivas de trabalho. consideram-se trabalhadores avulsos. Direito À Organização Profissional E Sindical No direito brasileiro a existência de sindicatos data do início deste século. a Constituição de 1934 consolidou os princípios da pluralidade sindical e da associação livre. a seguro contra acidente de trabalho. 3. Na nova Constituição o assunto dos direitos ligados à liberdade de criação e de associação profissional ou sindical é tratado no artigo 8º. E as Cartas de 1967 e de 1969 se por um lado mantiveram tais orientações. expressão do servilismo que os sindicatos deviam aos interesses do Estado. etc. não foi estendido aos trabalhadores domésticos pela Constituição. Pelo Decreto n° 80. dentre outros. onde são fixados alguns preceitos que deverão ser observados em relação a tal liberdade. dentre outros: vigias portuários. nestas duas últimas Constituições. décimo terceiro salário.770 de 1931. mais precisamente pelo Decreto nº 19.271/77. aposentadoria e integração à previdência social. que tiveram garantidos pelo Parágrafo único do artigo 7º os seguintes direitos: salário mínimo. por fim. os sindicatos foram declarados órgãos que exerciam funções delegadas do Poder Público. a horas extras. férias anuais. sem dúvida. inclusive os trabalhadores em estiva de carvão e minérios. pois as práticas foram bastante autoritárias. fazemos um último comentário a respeito dos trabalhadores domésticos. quando em 1903 o Decreto nº 979 instituiu os sindicatos agrícolas. conferentes de carga e descarga. os trabalhadores domésticos continuam sem ter direito a salário família. o fizeram somente na letra da lei. salário família e seguro relativo a acidentes de trabalho. o respeito à liberdade de que dispõem os interessados tanto para . o que foi subtraído pela Constituição de 1937. resultando tolhida. Na Constituição Federal de 1988 foi rompido o sistema de sindicalismo corporativismo e estatal herdado do Estado Novo.

Mas além de ser um direito coletivo. § 5° da Constituição. No Brasil. é porque quer expressar o seu descontentamento com alguma coisa relacionada ao seu trabalho. p. exercendo assim. opondo-se frontalmente ao pluralismo sindical. em nenhum país. inclusive em questões judiciais ou administrativas. 42. sendo tal decisão uma ação). significando que no mesmo Município ou grupo de Municípios pode existir apenas um sindicato por categoria profissional. que a liberdade de associação sindical restou excluída aos militares. Talvez a maior inovação ocasionada pelo texto constitucional de 1988 em relação à organização sindical seja a libertação desta da tutela do Ministério do Trabalho.ratificada por mais de cem países e é uma reminiscência do corporativismo" (Apud CHEIB. 135). no sentido de que só é possível ser exercido coletivamente. Observamos. embora tenha sido mantida a unicidade dos sindicatos. a incumbência dos sindicatos de defender os direitos e interesses coletivos ou individuais da categoria. Não há essa unicidade imposta por lei. decidir paralisar as atividades. deve ser exonerado dos prejuízos que advenham de sua inação. muito menos pela Constituição. ao sindicalismo. etc. portanto. isto é.associarem-se como para desassociarem-se. isto é. sua liberdade de expressão e de ação (esta última aqui interpretada como o direito de agir em direção à inação. no sentido de ser assegurado aos trabalhadores considerados enquanto indivíduos. 1989. a greve é também um direito individual. que se completa com a possibilidade de realização de greves. E está implícito no conceito de greve lícita (não-abusiva) que o trabalhador não pode ser punido por ter parado de trabalhar. A respeito da vencedora unicidade sindical nos trabalhos constituintes. contraria a Convenção n° 87 da Organização Internacional do Trabalho (OIT) . Historicamente. assim se pronunciou o professor Amauri Mascaro Nascimento: "Não há nada igual no mundo inteiro. para aumentos salariais e para várias outras conquistas que estão os trabalhadores a merecer e a reivindicar. O Direito De Greve O direito de greve está diretamente associado às atuações sindicais e. por fim. A imposição de sindicatos únicos é um retrocesso legal. pois a partir do momento em que um trabalhador resolve aderir a uma greve realizada por sua categoria. também conhecida como Princípio da Unidade Sindical. conforme o disposto no art. pois que estas são uma legítima forma de pressão para a barganha de melhorias nas condições de trabalho. Com esta última conotação demonstra que um País é democrático. comprova-se ter sido o direito de greve um dos meios mais eficazes na melhoria das condições de vida do trabalhador. ao seu emprego. 4. a Constituição de 1934 omitiu-se em relação à greve e pela Constituição de 1937 foi a greve considerada um recurso .

temos que a greve consiste em uma paralisação total ou parcial do trabalho. XI . Estados. II . que não podem parar.guarda. sendo que. III . São os seguintes os serviços ou atividades essenciais que pela Lei (artigo 30) devem ser protegidos: "I . uso e controle de substâncias radioativas.assistência médica e hospitalar. XI compensação bancária". VI . mas como direito a ser exercido pelos trabalhadores. 9° da Constituição. pela Constituição brasileira de 1988. ou em relação aos quais pelo menos há que haver um sistema de plantões ou revezamentos durante o período de greve. os empregadores e os trabalhadores devem garantir. mas depende de lei específica.transporte coletivo. durante a greve. gás e combustíveis. IV . O movimento grevista geralmente conta com uma comissão de negociação que empreende diálogos e busca algum acordo com os representantes da classe empregadora. 37. dizendo respeito à atividade privada.controle de tráfego aéreo. Assim. Após. ainda não foi elaborada (notar que antes da .783/89. passados dez anos da promulgação da Constituição Federal. os sindicatos.distribuição e comercialização de medicamentos e alimentos. A mesma Lei de Greve. VIII . tanto a oportunidade de exercer tal direito quanto a definição acerca dos interesses que serão defendidos pelo movimento são de exclusiva competência dos trabalhadores. isto é. indireta ou fundacional da União.telecomunicações.captação e tratamento de esgoto e lixo. em tais serviços ou atividades. X . portanto. que nomeia aqueles serviços ou atividades ditos essenciais. na forma da lei e as Constituições de 1967 e de 1969 tornaram a restringir o direito. sujeita a apenamentos os dirigentes e participantes por abusos que vierem a cometer no exercício do direito de greve. pois constituem necessidades inadiáveis da sociedade. inciso VII da Constituição Federal a greve para os funcionários públicos civis (aqueles que exercem atividades em órgãos da administração direta.anti-social e nocivo à produção e. a Constituição de 1946 reconheceu o direito de greve.processamento de dados ligados a serviços essenciais. Municípios e Distrito Federal) é permitida. que até hoje. Como antecipado acima. pela Constituição de 1988 a greve passou a ser compreendida não como delito ou simples fato social. equipamentos e materiais nucleares. E. Na Constituição Federal de 1988 o direito de greve aparece previsto no art. Será constitucional toda aquela greve que imponha pré-aviso de quarenta e oito horas à entidade patronal correspondente ou aos empregadores diretamente interessados. V . VII . Pelo art.funerários. 9º. por fim. em consonância com o § 2° do art.tratamento e abastecimento de água. disciplinada pela Lei nº 7. mais conhecida como Lei de Greve. produção e distribuição de energia elétrica. a prestação dos mesmos. proibida. proibindo a greve nos serviços públicos e essenciais.

mas salientamos que a criação de novos partidos foi praticamente liberada. mas há divergências quanto à possibilidade de tais greves serem realizadas já que falta a norma regulamentadora. para que se pudesse exercer o direito assegurado pela Constituição. Pensamos se aí não seria o caso de Mandado de Injunção. muito mais armada. em 1997 o País inteiro acompanhou a exibição de uma greve armada realizada pelas polícias estaduais de Minas Gerais. caso não se quisesse permitir a realização de greve pelos servidores públicos. Aliás. Por outro lado. trataremos em itens próprios os três grupos de direitos anunciados acima. o que serve para viabilizar tanto a democracia direta e participativa. Considerações Preliminares Neste Terceiro Capítulo de nossa obra agrupamos os direitos relativos à nacionalidade. Ainda assim assistimos a algumas greves realizadas neste âmbito. confirmando a regra democrática do multipartidarismo. a greve para os servidores públicos militares é terminantemente proibida. para além de concepções teórico-doutrinárias. § 5° do texto constitucional. com a extensão do voto aos analfabetos e aos maiores de 16 anos e com a possibilidade de apresentação de projetos de iniciativa popular. como aquela realizada em 1998 pelos professores das Universidades Federais. em que os supostos agentes da ordem foram os próprios violadores da Constituição. relacionam-se com a titularidade e o exercício ampliado da cidadania. Já pelo art. a lei "específica". 42. o texto original do inciso exigia lei "complementar". Não obstante. uma vez que em relação aos policiais militares está proibida toda espécie de greve. mantendo-se a proporcionalidade para os cargos legislativos. assunto que. Assim o fazemos porque todos. quanto a indireta e representativa. iniciando pelos direitos relativos à nacionalidade. adiantamos desde já que não houve alteração no sistema eleitoral por parte do novo texto constitucional de 1988. principalmente daqueles que têm a Constituição na mais alta conta. direitos políticos e partidos políticos 1. os direitos tipicamente políticos e aqueles que dizem respeito aos partidos políticos. concentra-se basicamente no artigo 12 da Constituição Federal de . Capítulo III Direitos relativos à nacionalidade. direta ou indiretamente. que neste caso passa a ser a ordinária. avanços democráticos concretizados no texto constitucional nesta seara propiciaram justamente uma ampliação da cidadania.reforma administrativa. Mas para surpresa geral. é introdução da Emenda Constitucional nº 19/98).

pelo solo. 2. 2. tendo os Estados soberania para determinar quem ou quais nascidos são seus nacionais originários. eis que a expressão nacional abrange tanto o brasileiro nato quanto o naturalizado. frisamos que todo o assunto relativo à nacionalidade na Constituição Federal de 1988 deve ser estudado sempre tendo em vista as significativas mudanças operadas pela Emenda Revisional n° 3/94. Nas Constituições.1988. Este é precisamente o conteúdo do art. ao passo que a expressão cidadão aparece para designar o nacional no gozo dos seus direitos políticos. que peça e consiga a nacionalidade brasileira. passa a ser um nacional . . ou seja. Equivale a dizer: todos têm direito a tê-la e a mesma não pode ser arbitrariamente suprimida. bem como um visto de entrada no país. pela origem territorial.brasileiro naturalizado). as pessoas passam a ser naturalizadas (um italiano. as pessoas são consideradas natas. Das relações do elemento humano (povo) com o território decorre o vínculo de nacionalidade. Ninguém será arbitrariamente privado de sua nacionalidade. por exemplo. a nacionalidade costuma ser a expressão do elemento humano dos Estados. por ato voluntário. isto é. rechaçando por si só qualquer arbitrariedade. aqueles vinculados ao território brasileiro seja por nascimento seja por naturalização. nem do direito de mudar de nacionalidade". Já pelo segundo tipo de nacionalidade (a secundária ou também denominada adquirida).1 Tipos de nacionalidade. A nacionalidade primária caracteriza-se por ser involuntária. Por esse tipo de nacionalidade. Antes de seguirmos. por exemplo. que é aquela que se adquire depois. isto porque decorre do fato natural nascimento. critérios para a aquisição da nacionalidade originária e opção adotada no Brasil Existem dois tipos de nacionalidade: a Primária ou Originária e a Secundária ou Adquirida. São basicamente dois os critérios utilizados pelos países para a determinação da nacionalidade primária: o jus solis e o jus sanguinis. não importa que critério utilize o Estado (se o sangüíneo ou o do lugar do nascimento). natos. Na ordem constitucional brasileira a nacionalidade tem um sentido diverso daquele da cidadania estrita. Direitos Relativos À Nacionalidade A nacionalidade é um dos direitos fundamentais da pessoa humana. 15 da Declaração Universal dos Direitos Humanos de 1948: "Todos têm direito a uma nacionalidade. ou seja. Pelo critério do jus solis. Todo e qualquer assunto relativo à nacionalidade diz respeito a uma questão de soberania. assim como toda a nação soberana tem a prerrogativa de decidir a quem concede ou não a sua nacionalidade.

Embora existam estes critérios para a definição da nacionalidade originária. isto é. "c". São nações que possuem muitos filhos espalhados por outros países. Citamos um caso hipotético: o filho de alemães que nasce no Brasil. como por exemplo a França (que inclusive utiliza os dois critérios). na prática algumas situações curiosas podem acontecer. desde que seus pais não estejam a serviço da Alemanha. isto é. E pelo critério do jus sanguinis a nacionalidade é determinada em função do vínculo de sangue. este é o critério adotado pelos países europeus de emigração.temos que a nacionalidade é determinada em razão do local do nascimento. 12. para preservar o sentimento de nação e o vínculo com as pátrias-mães. o que visa justamente a garantir o direito fundamental de que estamos tratando a todas as pessoas. pois acarreta muitas conseqüências negativas à pessoa (onde quer que viva. I. e sim porque nasce em seu território. os filhos que nascerem dessas pessoas terão a nacionalidade do país de origem dos seus pais. Logo. por aqueles que perderam para outros países grande contingente populacional nas épocas das Grandes Guerras. Neste caso não há problemas. A situação mais estranha é a do heimatlos. se seus pais não estiverem a serviço do Brasil: não terá a nacionalidade alemã porque a Alemanha não adota o critério territorial. será brasileiro nato de maneira natural e involuntária. casos que podem configurar o polipátrida. então. em princípio a criança será um heimatlos e a solução apontada pelo texto constitucional para que tal situação não perdure. etc. que é aquele que goza de mais de uma nacionalidade em função da co-existência dos critérios de sangue e solo. decorre do parentesco que a pessoa mantém com os seus ascendentes e. precisamente porque se encontra em alguma situação em que não incida sobre ele qualquer dos dois critérios para a aferição da nacionalidade. muitos doutrinadores o nominam "critério de filiação". ou seja. e isto porque o Brasil adota o critério territorial. Por exemplo: como a Itália adota o critério de sangue. não importa em que lugar do mundo estejam. Geralmente. do local do nascimento. ainda que não o queira ser. O critério adotado pelo Brasil para a definição da nacionalidade . viverá sempre com grandes restrições jurídicas e políticas). que é apátrida. mas tambem não terá a nacionalidade brasileira porque ninguém é considerado brasileiro só porque é filho de brasileiros. a Itália. a Alemanha. por isso. já que a Alemanha adota o critério sangüíneo. é muito interessante para uma pessoa poder desfrutar de duas nacionalidades ao mesmo tempo. ao contrário. expressão alemã que a rigor serve para designar aquele que não tem pátria. Como exemplo podemos citar o caso que pode suceder com um filho de brasileiros que nasça na Alemanha. é aquela prevista no art. Por exemplo: uma pessoa nascida em solo brasileiro é uma pessoa brasileira nata. e também será alemão nato. é considerado italiano nato o filho de italiano ou de italiana nascido em qualquer parte do mundo.

que beneficiava os brasileiros nascidos no estrangeiro. b) os nascidos no exterior. pois ocorre que com tal favorecimento. pelo inciso I do art. a extensão do conceito de domínio territorial desta. salvo se estiverem a serviço do governo dos seus países de origem. e não existe um período determinado de dias. o do solo. desde que venham a residir na República Federativa do Brasil e optem. a exigência para que o pretendente à nacionalidade originária viesse residir no Brasil tinha limitação de idade e de tempo de permanência. isto é. Antes. também. desde que qualquer um deles esteja a serviço da República Federativa do Brasil. dos Territórios (se algum for criado) e até de entidades da administração indireta. de pai brasileiro ou de mãe brasileira. mesmo que de pais estrangeiros. poderia ser comum existir um brasileiro que fosse nato mas que nunca havia vindo ao Brasil. podendo até viver sua vida toda sem nunca optar. ou melhor. Quer dizer: desde que os pais estejam no Brasil por conta própria (trabalhando ou não) ou a serviço de um outro País que não o seu de nascimento. é uma faculdade da pessoa. c) os nascidos no estrangeiro. meses ou anos para que no Brasil permaneça. o do território. quinze ou trinta anos. Agora isto pode dar-se a qualquer tempo. etc. os filhos dessas pessoas serão brasileiros natos. O certo é que após a modificação feita pela reforma constitucional. Estar a serviço do Brasil significa estar a serviço de ou estar trabalhando em alguma agência no exterior de qualquer entidade de Direito Público brasileira. a partir das quais. Talvez tenha sido justamente este um dos motivos que contribuíram para a extinção do registro consular. dos Municípios. em qualquer tempo. que não sabia sua língua. Ressaltamos que os estudiosos devem ter em conta o que se entende por República Federativa do Brasil. podendo ser da União. não importando se a pessoa tenha cinco. apresentando algumas variações. que não conhecia seu País. que não conhecia sua cultura.originaária (relembrando que é aquela adquirida pelo fator nascimento) é o do jus solis. vinculação esta por mínima que seja. 12 da Constituição Federal de 1988 consideram-se brasileiros natos: a) os nascidos na República Federativa do Brasil. isto é. isto é. não poderá deixar de ser reconhecida. sem nunca pedi-la. o que foi extinto pela Emenda Constitucional de Revisão n° 3 de 1994. uma vez manifestada tal opção. dos Estados. pela nacionalidade brasileira. Mas. faz-se necessário uma vinculação territorial real para a aquisição da nacionalidade brasileira nata. Aqui importa observar que a redação original desta alínea previa para este caso a possibilidade de registro consular da criança. de pai brasileiro ou mãe brasileira. Por outro lado. opta se quiser e quando quiser. o que se considera como sendo . do Distrito Federal.

A obtenção da nacionalidade brasileira secundária pode ocorrer de duas maneiras: a ordinária e a extraordinária. de pleitear a naturalização. há a publicação de uma Portaria de Naturalização no Diário Oficial da União. Macau. Goa. "a". no caso de o filho de uma alemã nascer em um vôo internacional realizado por alguma aeronave brasileira com essas características. dispensa o requisito de residência.715/81). II. O Decreto nº 86. ou prevê prazo reduzido (art. prevendo que. 113. Cabo Verde. quando se tratar de cônjuge estrangeiro casado há mais de cinco anos com Diplomata brasileiro em atividade. como Angola. ainda. por exemplo. Timor. aeronaves civis brasileiras em vôo sobre o alto mar. conforme o disposto no art. Os requisitos para a sua concessão são a residência por mais de quinze anos ininterruptos na República Federativa do Brasil e não ter condenação penal. Por outro lado.território brasileiro. ainda que seja remota tal possibilidade eis que as companhias aéreas possuem ressalvas em relação às gestantes. em seu art. ou de passagem por espaços aéreos estrangeiros. originários das colonizações portuguesas. só permitindo que viagem até um limite de meses da gestação. 2. exigidas àqueles originários de países de língua portuguesa (isto é. seu filho será brasileiro nato. A ordinária é a possível de ser obtida pelo estrangeiro residente no Brasil que preencha determinados requisitos. 12. regulamentadas pelo Decreto n° 86. já que abrange. requerendo o pedido expresso do interessado que. 12. exemplificando. que inclusive fez cair de 30 para 15 anos o prazo mínimo de residência no Brasil para que estrangeiros de qualquer nacionalidade possam ser considerados brasileiros. 112) se o naturalizando tiver filho ou cônjuge brasileiro. Assim. II. etc. que as naturalizações cresceram no Brasil após a .815/80. certificado esse que será remetido ao juiz federal da cidade onde tenha domicílio o interessado. para entrega solene em audiência pública. 12.2 Aquisição de nacionalidade secundária no Brasil: os brasileiros naturalizados O modo secundário de aquisição de nacionalidade brasileira. encontra fundamento constitucional no inciso II do art. exigindo-se apenas a estada no Brasil por 30 dias.964/81. mas na Lei de Naturalização ou no Estatuto do Estrangeiro (Lei n° 6. "b". os quais não são previstos na Constituição Federal. se deferido. Moçambique. o Estatuto do Estrangeiro. atualizada pela Lei n° 6. corresponde ao brasileiro naturalizado. devendo a naturalização sempre ser requerida expressamente pelo interessado. pelo Departamento Federal de Justiça. Frisamos.) apenas residência por um ano ininterrupto e idoneidade moral. quando esta é concedida. um certificado relativo a cada naturalizando. sendo emitido.715/81 trata da naturalização nos seus artigos 119 a 134. ou seja. A naturalização secundária extraordinária é aquela concedida segundo os moldes do art.

Após a já referida Emenda Constitucional n° 3/94. nos seguintes termos: "Será declarada a perda da nacionalidade do brasileiro que: I . § 4°. I. já foi absoluta. as duas únicas possibilidades de aquisição de outra nacionalidade sem .3 Manutenção e perda da nacionalidade brasileira Para a manutenção de nossa nacionalidade não temos que fazer nada especial. no entanto. Assim. preceitos pelos quais o "reconhecimento de nacionalidade originária pela lei estrangeira". que é a legislação mais recente a respeito do assunto. por último. se nelas incidirmos.771. que regulamenta a Lei nº 9. § 4º. em virtude de atividade nociva ao interesse nacional". 12. atesta o Ministério da Justiça (encarregado dos processos). 18 tratando-se de quase todos os casos de aquisição consciente e voluntária de outra nacionalidade. 3º diz que a concessão do registro provisório assegura aos estrangeiros residentes no País "os direitos e deveres previstos no art. ao brasileiro residente em Estado estrangeiro.Emenda Constitucional de Revisão nº 3/94. mesmo sem atender às exigências de saber ler e escrever na língua portuguesa. como regra. a brasileira. 12. Essa modificação feita no texto original da Constituição aumentou o interesse pela naturalização da parte daqueles imigrantes que vivem basicamente em comunidades formadas por pessoas da mesma origem (dos países asiáticos. 5º da Constituição Federal". "a" e "b". o aumento se deve principalmente à permissão para que estrangeiros morando em nosso País há mais de 15 anos possam se naturalizar. bem como a segunda hipótese de manutenção da nacionalidade brasileira é a "imposição de naturalização. qual seja. II. o fez na forma do art. como condição para permanência em seu território ou para o exercício de direitos civis". estando positivada no art. é dizer. Tal Decreto. Esta vedação a que brasileiro nato possa ter duas nacionalidades.tiver cancelada sua naturalização. isto porque o Brasil não admite. foi relativizada. Nos últimos anos. passando a Constituição a permitir duas hipóteses de dupla nacionalidade. 2. 12. por laços sangüíneos. mas existem duas regras que. mencionamos o Decreto nº 2. E. não acarreta a perda da nacionalidade atual.675/98. § 4°. portanto. CF/88. inciso II). que dispõe sobre o registro provisório para o estrangeiro em situação ilegal no território nacional. E a segunda parece dizer respeito somente aos brasileiros natos. por exemplo) e que não aprenderam o português o suficiente para serem aprovados no exame feito pelo Ministério da Justiça. em seu art. por sentença judicial. pela norma estrangeira. A primeira refere-se somente aos brasileiros naturalizados. a dupla nacionalidade (art. fazem com que a percamos. de 8 de setembro de 1998. Estas são. quando em 1994 o Congresso Revisor brasileiro mudou os critérios para a manutenção da nacionalidade brasileira.

1997. . estudar. exclusivos para brasileiros natos.4 Distinções constitucionais entre brasileiros natos e naturalizados Pelo § 2° do art. isto é. ou seja.de oficial das Forças Armadas. . inciso VII. ainda. Mas a própria Constituição reserva a si a realização de algumas distinções. CF/88. para permanecer no país em que o brasileiro esteja residindo ou. . ou quando se trata da única maneira. . 2. se era brasileiro nato voltará a ser brasileiro nato (SILVA. ademais imposta. faz-se necessário que a outra nacionalidade seja involuntária. por Decreto do Presidente da República. ou seja. no entanto. o que esta deve desejar é trabalhar. . o readquirente recupera a condição que perdera. residir. não deve ser desejada pela pessoa. como por exemplo. qualquer outro caso de aquisição de outra nacionalidade implica a perda da brasileira. excluindo-se.da carreira diplomática. conforme disposto no art.de Ministro do Supremo Tribunal Federal. poder trabalhar ou poder ingressar e estudar em Universidade. se estiver domiciliado no Brasil. isto é. se demonstrar que possui animus definitivo de permanecer em nosso País. mas não ter a nacionalidade do outro País. Também é privativo de brasileiro nato determinado número de ocupantes (seis) da função de membro do Conselho da República. porém. 320). para poder lá exercer direitos civis. inclusive os portugueses. não possuindo efeito retroativo. .de Presidente e Vice-Presidente da República. mormente no que diz respeito à possibilidade de acesso a alguns cargos.perder a brasileira: ou quando a outra nacionalidade desejada e reconhecida seja originária. Afora isso. os naturalizados. de acordo com o art. Os cargos privativos de brasileiros natos.19 Já aquele brasileiro que tiver perdido sua naturalização não poderá recuperar sua nacionalidade brasileira. p. Em qualquer dos dois últimos casos.de Presidente do Senado Federal. pelo § 3° do mesmo art. a não ser que o cancelamento seja desfeito por meio de ação rescisória. Aquele brasileiro que perdeu a sua nacionalidade por naturalização voluntária poderá readquiri-la. 12 são: . O constitucionalista José Afonso da Silva afirma que nos casos de reaquisição e de recuperação da nacionalidade. 89. por conseguinte. 36 da Lei n° 818/49.de Presidente da Câmara dos Deputados. 12 o texto constitucional impede que toda e qualquer lei infraconstitucional faça distinções entre os brasileiros natos e os naturalizados. operando. a partir do decreto que a concede.

Outras distinções constitucionais entre ambos estão nos seguintes dispositivos: a) art. 5°, inciso LI, pelo qual brasileiro nato nunca poderá ser extraditado, e o brasileiro naturalizado sim, em hipóteses que já estudamos em outro item; b) art. 222, quanto à propriedade de alguns meios de comunicação de massa, impossibilitando a propriedade de empresa jornalística e de radiodifusão sonora e de sons e imagens aos naturalizados há menos de dez anos. Aqui importa registrar a especial condição jurídica dos portugueses no Brasil, pois a atual Constituição favorece os portugueses residentes no Brasil, o que, aliás, já era feito pela Constituição revogada. Pelo § 1° do art. 12 (acrescentado pela Emenda Constitucional de Revisão n° 3/94): "Aos portugueses com residência permanente no País, se houver reciprocidade em favor de brasileiros, serão atribuídos os direitos inerentes ao brasileiro, salvo os casos previstos nesta Constituição". Esse especial tratamento deve-se à identidade da língua e às origens históricas de nosso País ("descobrimento" e colonização pelas mãos dos portugueses), além de os portugueses comporem o maior contingente de estrangeiros no Brasil. Mas, ocorre que as reciprocidades em favor dos brasileiros que residem e trabalham em Portugal parece que não estão sendo observadas, o que se evidenciou em alguns episódios diplomáticos envolvendo dentistas brasileiros, casos que derivaram da aplicação de uma lei aprovada em 24/4/97 pelo Parlamento Português, que rebaixou os cirurgiões dentistas brasileiros à categoria de "odontologistas" (que é formada pelos dentistas práticos portugueses, que não possuem curso superior). Como retaliação à aprovação dessa lei, ainda em maio de 1997 foi apresentada no Congresso Nacional brasileiro uma Proposta de Emenda à Constituição visando a suprimir o § 1° do art. 12 de que tratamos neste espaço. 3. Direitos Políticos Tratados primordialmente no artigo 14 do texto constitucional atual, os direitos políticos são expressão e aquisição da soberania popular, só sendo eficazes quando puderem ser praticados pelo exercício do voto. São também denominados direitos de participação e compreendem o próprio direito ao voto, enquanto expressão do sufrágio universal, mas também o direito de sermos votados (direito à elegibilidade), bem como o direito às expressões diretas da soberania popular, por meio do plebiscito, do referendum e da iniciativa popular de lei. Em relação a este último direito vale ressaltar que na Assembléia Nacional Constituinte propôs-se, também, a possibilidade de "veto popular", o que não passou nas votações. Além desses, também são direitos políticos a filiação partidária e o alistamento eleitoral, embora este último tenha muito

mais feição de um dever do que de um direito, ou melhor, de um prérequisito para o exercício de outros direitos políticos. Quando se usa a expressão "estar no gozo dos direitos políticos", devemos saber que a mesma significa que a pessoa está habilitada a alistar-se eleitoralmente, a participar amplamente de sufrágios (votar em eleições, em plebiscitos ou em referendos), a aderir com assinatura na apresentação de projeto de lei por meio de iniciativa popular, a propor ação popular, a habilitar-se a candidaturas para cargos eletivos ou a nomeações para certos cargos públicos que não sejam eletivos. E, pela via inversa, quem não estiver no pleno gozo de seus direitos políticos não poderá filiar-se a partidos políticos, não poderá ser investido em qualquer cargo público, ainda que não eletivo (art. 5º, II, da Lei nº 8.112/90), não poderá ser diretor ou redator-chefe de jornal ou periódico (Lei de Imprensa, art. 7º, § 1º), tampouco exercer cargo em entidade sindical (CLT, art. 530, V). Vemos assim, o quanto ganhamos e o quanto perdemos conforme estejamos ou não em plena posse e gozo de nossos direitos políticos. E, repetimos, pela ordem constitucional, só é considerado cidadão aquele nacional que estiver no pleno gozo dos seus direitos políticos, e nacional é todo o brasileiro (nato ou naturalizado). Portanto, nacionalidade é um conceito mais restrito do que o de cidadania. Feitos estes esclarecimentos iniciais, começamos a desvendar os direitos políticos, a começar pelo sufrágio e pelo voto. 3.1 Sufrágio e voto Primeiramente, uma distinção básica entre sufrágio e voto, já que não são exatamente a mesma coisa e muitas vezes as palavras acabam sendo usadas como sinônimos. E não representam a mesma coisa até porque a própria Constituição lhes dá sentido diverso, dizendo, no caput do art. 14, que o sufrágio é universal e que o voto é direto, secreto, e tem valor igual. O sufrágio normalmente é conceituado pela doutrina como sendo o direito subjetivo de natureza política que os cidadãos possuem de votar, ser votados, bem como de participar da organização do poder estatal. Já o voto seria a forma de exercício do sufrágio, isto é, sua definição geralmente é dada como sendo a manifestação do direito de sufrágio. O sufrágio é, assim, mais amplo do que o voto, este sendo o seu exercício. O sufrágio vem do latim (sufragium), significando "aprovação", "apoio" e é direito que decorre diretamente do Princípio da Soberania Popular, pelo qual todo o poder emana do povo, que o exerce ou por meio de representantes eleitos ou diretamente (art. 1º da CF/88). Como lembrado por José Afonso da Silva, o sufrágio constitui "a instituição fundamental da democracia representativa e é pelo seu exercício que o eleitorado, instrumento técnico do povo, outorga legitimidade aos governantes. Por ele também se exerce diretamente o poder em alguns casos: plebiscito e referendo. Nele consubstancia-

se o consentimento do povo que legitima o exercício do poder" (SILVA, 1997, p. 334). O sufrágio entre nós é universal. Mas nem sempre foi assim, isto porque no Império brasileiro o sufrágio era censitário (eleitor e candidatos dependiam de possuir certa renda), sendo que só passou a alcançar as mulheres após longa luta sufrágica encerrada em 1932 e, quanto aos analfabetos, só lhes foi estendido em 1985, mediante Emenda à Constituição. Com isso, afirmamos que o sufrágio só universalizou-se de fato e de direito no Brasil no ano de 1985. A partir de tal data, todos, indistintamente, alcançaram a condição de Homo suffragans, na expressão de Condorcet. O voto é, a um só tempo, um direito e um dever do cidadão, por vigir no Brasil, com algumas exceções, o princípio da obrigatoriedade do mesmo. Pela Constituição, deve o voto ser direto, secreto e com igual valor para todos sendo, inclusive, protegido contra modificações constitucionais, já que constitui uma das cláusulas pétreas do artigo 60. Afirmar que o voto é direto é dizer que temos o direito de votar diretamente nas pessoas que queremos eleger, e não por meio de votações em dois níveis ou via colégios eleitorais, que suprimem do povo um direito tão sagrado, já que poder votar significa também poder expressar o nosso pensamento, as nossas idéias, as nossas convicções políticas, filosóficas e, sobretudo, ideológicas. O voto direto é posto como um "princípio" pela Constituição, com uma única exceção: a da eleição de Presidente e Vice-Presidente da República pelo Congresso Nacional no caso de vacância de ambos os cargos nos dois últimos anos do mandato presidencial. Quando a Constituição faz menção ao voto secreto, não é ao seu conteúdo que se refere e, sim, ao ato de votar, isto é, se quisermos revelar o conteúdo do nosso voto, somos totalmente livres para fazê-lo, mas o que não nos pode ser suprimida é a garantia de que se não o quisermos revelar nada nos fará revelar, e assim o é, até porque o segredo do voto é tido como uma aquisição evolutiva, pois permite que se exerça um direito sem sofrer-se qualquer tipo de perseguição posterior. Em suma: não há voto livre se não for secreto. Sampaio Doria, citado por Rosah Russomano, diz que o voto secreto "não é a rolha à boca do eleitor", referindo-se apenas à votação com sigilo (RUSSOMANO, 1997, p. 76). Registramos que José Afonso da Silva pensa em sentido diverso, ou pelo menos mais amplo, afirmando que o segredo do voto consiste em que não deve ser revelado nem por seu autor, nem por terceiro, fraudulentamente, com o que estamos de acordo, pois não se admitiria fraude em tais situações; segue o doutrinador dizendo que o eleitor "é dono do seu segredo após a emissão do voto e a retirada do recinto de votação", mas que no momento de votar "nem ele próprio pode dizer em quem votou ou como votou" (SILVA, 1997, p. 344). Ter igual valor para todos quer dizer que não existem distinções quanto aos votos, pois todos os cidadãos possuem (ou devem

possuir) um mesmo peso em se tratando de voto, não existindo voto qualificado que possa valer mais do que o de outros, não importando se a pessoa que o exerce, por exemplo, é um abastado empresário ou um catador de papel nas ruas. Trata-se da aplicação do Princípio da Igualdade e do princípio que embasa o próprio sufrágio universal: one man, one vote ("um homem, um voto"). Como já mencionado, o direito ao voto engloba a capacidade eleitoral ativa (votar) e a passiva (ser votado). O voto é o direito político que mais freqüentemente assegura a participação do indivíduo no governo do seu país, seja votando ou sendo votado. O voto é obrigatório para os brasileiros que tenham entre dezoito e setenta anos, sendo facultativo para os analfabetos, para os maiores de setenta anos e para aqueles que estão em uma faixa etária entre dezesseis e dezoito anos, tudo de acordo com o disposto no art. 14, § 1°, I e II, CF/88. 3.2 Plebiscito, referendum e iniciativa popular de lei Estas três garantias ou instrumentos de exercício da soberania popular em sua modalidade direta, estão previstas no art. 14, I, II e III e dão à nossa democracia um matiz de democracia semi-direta, por mesclarem a democracia representativa com a democracia direta. Com algumas peculiaridades entre si, tanto o plebiscito quanto o referendo caracterizam-se por ser o pronunciamento direto do povo em algumas deliberações a que é submetido. Assim, ambos são exercidos por meio do voto, pressupondo a cidadania. A grande diferença entre ambos é que o plebiscito é uma consulta ao eleitorado no qual este aceita ou recusa determinada proposta, em geral sendo realizado antes de a lei ser aprovada, ao passo que o referendum é uma consulta popular feita após a criação de uma lei, que é, então, homologada ou recusada. O referendum é de autorização exclusiva do Congresso Nacional, conforme o previsto no art. 49, XV e embora a Constituição não fixe nenhum caso específico em que se deva realizar um referendo, inexistindo, portanto, regulamentação precisa sobre o instituto, certo é que sempre que for utilizado, só se processará mediante prévia autorização do Congresso Nacional. Ainda quanto ao plebiscito, este sempre deverá ser convocado privativamente pelo Congresso Nacional, conforme disposto no art. 49, XV. Notemos a diferença: embora o dispositivo constitucional seja o mesmo, em relação ao referendum trata-se de autorização; em relação ao plebiscito, de convocação. Para além disso, a Constituição registrou três casos obrigatórios de realização de plebiscito, quais sejam: a criação de Estados e Territórios Federais (art. 18, § 3º), a criação, incorporação, fusão e desmembramento de Municípios (art. 18, § 4º) e sistema e forma de governo (art. 2º do ADCT - Ato das Disposições Constitucionais Transitórias).

§ 6º da CF/88 que a mesma é possível. II). 14 são inalistáveis. é mais um importante instrumento que está à disposição dos cidadãos para tentar fazer valer sua vontade no campo legislativo. O alistamento eleitoral (condição para sermos eleitores) corresponde ao ato de natureza administrativa pelo qual são registrados os que reúnem condições para serem eleitores). ao alistamento e à elegibilidade casos de inelegibilidade (absoluta e relativa) Em decorrência da liberdade de associação. é igualmente obrigatório20 para os maiores de dezoito anos (art. a concepção obtusa de que tais pessoas por estarem sob os mandos hierárquicos de superiores não teriam autonomia de vontade para a livre escolha dos candidatos em quem votar. que são os mesmos que por muitos anos não permitiam o direito de voto às mulheres. Neste último caso parece haver uma inconstitucionalidade. mas não o é face ao grande colégio eleitoral brasileiro. um dos requisitos para que a pessoa possa vir a candidatar-se e estar apta a ser eleita. § 3º. em se tratando de lei estadual no art. porque não permiti-lo aos que já têm dezoito anos completos? Parece-nos que se avulta aí o ferimento ao Princípio da Igualdade. Então votar. V. e por argumentos defasados. mas que exige sempre o afastameno das atividades. em se tratando de lei que se queira ver encaminhada na esfera federal. estando previsto nas modalidades federal. § 2°. Quanto à filiação de militar. 27.3 Direitos à filiação partidária. § 1°. os encontramos no art. § 4º e no caso de lei municipal no art. todos da Constituição Federal. Para o caso de iniciativa de lei federal. sem o direito de votar. dispõe o art. é proibido o alistamento eleitoral. 42.A iniciativa popular de lei. Os requisitos. com pelo menos três décimos por cento dos eleitores de cada um desses Estados. 61. Mas para além de ser um direito que possuímos. isto é. o projeto de lei terá entrada na Câmara dos Deputados e exige o texto constitucional seja o mesmo subscrito por. significando portanto que não podem votar os estrangeiros e os conscritos durante o período do serviço militar obrigatório. excetuando-se os conscritos (já . por exemplo. 1% do eleitorado nacional. no mínimo. 29. Isto dá em torno de um milhão de assinaturas. porém facultativo para os analfabetos (de qualquer idade). XIII. estadual e local. também dita iniciativa legislativa popular. a filiação partidária é uma condição de elegibilidade. para os maiores de setenta anos e para os maiores de dezesseis e menores de dezoito anos (art. o que pode parecer muito. Pelo § 2° do art. ou seja. E assim ficam sem o direito a alistarem-se e. 3. bem como do partido de que fazemos parte nos desassociarmos quando bem o quisermos. 14. todos temos direitos à filiação partidária. § 1°. 14. devendo esse número ser distribuído pelo menos por cinco Estados da Federação. significando ir para a reserva ou ser agregado. 14. conforme disposto no art. por conseguinte. pois se é permitido o alistamento e o voto a partir dos dezesseis anos. ou seja. I).

§ 6° da CF/88 existe a reserva de que "o militar. conforme o tempo de serviço. voltará às suas atividades. De maneira geral. No primeiro caso o militar passará espontaneamente para a reserva. subtenentes ou suboficiais. por dedução lógica do texto constitucional. se eleito. Logo.que esta é a única exceção que a Constituição faz).737/65 (arts. se não eleito. 14 e. conscritos durante o serviço militar obrigatório) conforme o § 4°. para a inatividade". quer dizer.se contar mais de dez anos de serviço. dentre outras coisas. são alistáveis (como abaixo podemos ver em disposição do Código Eleitoral neste sentido) e elegíveis. todos presentes no § 3° do art. desde que atendidas as seguintes condições: "I. e isto já no momento da filiação partidária. passará. no ato da diplomação. não pode estar filiado a partidos políticos". isto porque é líquido e certo que ninguém é elegível se não for eleitor (isto é. se eleito. A elegibilidade é proibida aos analfabetos e aos inalistáveis (estrangeiros. os de carreira. enquanto em efetivo serviço. II. 5° do Código Eleitoral: "os militares são alistáveis. conforme o § 8° do art. está o alistamento eleitoral regulado pela Lei n° 4. guardasmarinha. ao ser agregado. desde que atendidos os limites mínimos de idade exigidos pela Constituição conforme os cargos almejados. se não puder se alistar eleitoralmente). 14. São duas situações distintas.se contar com menos de dez anos de serviço. A elegibilidade pressupõe. inelegíveis são esses expressamente nomeados pela Constituição (nos §§ 4º ao 7º). todos os militares podem. uma vez que pelo art. Os demais militares. vindo a nela não ocupar vaga e. art. terá seu nome retirado temporariamente da escala numérica do corpo ou quadro a que pertence. art. desde que oficiais. que sejamos eleitores. de . mas o certo é que em atividade os militares não podem disputar eleições. isto é. que é o Código Eleitoral em vigor no Brasil. 42 e seguintes). 14 da CF/88. aos menores de 16 anos. 42. Explicitando. bem como outros requisitos. deverá afastar-se da atividade. automaticamente. será agregado pela autoridade superior e. aspirantes a oficiais. passará para uma inatividade transitória. No segundo caso. Elegibilidade significa a possibilidade de postularmos sermos eleitos a um mandato no Poder Legislativo ou no Poder Executivo. pelo § único. sempre terão que se afastar das mesmas. sargentos ou alunos de ensino superior para formação de oficiais".

As inelegibilidades absolutas implicam que a pessoa está impedida eleitoralmente para qualquer cargo eletivo. apenas. como já mencionamos. § 5º (inelegibilidade para um terceiro período em relação aos mesmos cargos. e outros casos estabelecidos pelo art. São aquelas estabelecidas na própria Constituição. embora o tempo do domicílio seja fixado pelas leis ordinárias que regem cada eleição. São os casos que na Constituição aparecem no art. conforme José Afonso da Silva. art. § 7º (por motivo de parentesco). que pela sua abrangência podem ser considerados absolutos ou relativos. 14. constituem restrições à elegibilidade somente em relação a determinados mandatos. os analfabetos e os inalistáveis (aí entrando os conscritos enquanto estiverem prestando o serviço militar obrigatório. p. que originalmente previa a impossibilidade de reeleição para os mesmos cargos. que. só desaparecendo tal impedimento quando a situação que o produz for definitivamente eliminada. 14. exatamente por estar sujeito a um vínculo funcional. IV (inelegibilidade para mandato ou cargo eletivo em circunscrição em que não seja domiciliado pelo tempo exigido em lei. e que já foi modificada pela Lei Complementar n° 81/94. do Presidente da República. pela Emenda Constitucional n° 25. ou seja. a novidade constitucional que foi a constitucionalização do direito de voto aos analfabetos. no período subseqüente. que atuou por ordem do disposto no § 9° do art. mais os menores de 18 anos que não estiverem alistados e os que estiverem temporariamente ou definitivamente privados dos seus direitos políticos. não podendo concorrer a eleição alguma. abrangendo. e os menores de 16 anos). Neste item sobre as inelegibilidades não podemos nos furtar de fazer uma necessária observação ao teor do § 5° do art. sendo aqui motivo funcional). "O relativamente inelegível é titular de elegibilidade. Destacamos.eficácia plena e aplicabilidade imediata. 14. também por motivos funcionais). não pode ser exercida em relação a algum cargo ou função eletiva. pelo que recomendamos a sua consulta. por motivo de domicílio. o que pode dar lugar aos casuísmos). art. Já as inelegibilidades relativas. ou de parentesco ou de domicílio que inviabiliza sua candidatura na situação vinculada" (SILVA. dos Governadores dos Estados e do Distrito Federal. embora lhes reste afastada a possibilidade de serem eleitos. os estrangeiros. 1° da Lei Complementar n° 64/90. bem como dos . Também existem outros casos de inelegibilidades relativas fixados pela Lei das Inelegibilidades. conforme algumas situações especiais em que se encontre o cidadão no momento da eleição. tratamos já dos casos de inelegibilidades. 14. a Lei das Inelegibilidades. 14. § 6º (inelegibilidade para concorrer a outros cargos desde que não tenha havido a desincompatibilização exigida. conquista efetivada em 1985. art. 14. § 3º. por fim. 1997. Assim. 372). mas o poderia relativamente a outros.

tais reeleições. justificam a suspensão dos direitos políticos os casos de recusa a cumprir obrigação a todos imposta ou a prestação alternativa (hipótese analisada há pouco). com este entendimento ficamos aguardando algum pronunciamento do Supremo Tribunal Federal a respeito. E por considerarmos plausível a medida. 15 quais são os casos de perda e quais são os de suspensão. Quanto à improbidade administrativa. que ficou conhecida como "Emenda da Reeleição". violando toda a tradição republicana brasileira. mas principalmente por ter permitido a possibilidade de reeleição sem renúncia ao cargo. tem-se que dá azo à perda de direitos políticos apenas o cancelamento da naturalização por sentença transitada em julgado. de condenação criminal transitada em julgado (enquanto durarem seus efeitos) e improbidade administrativa. os casos de incapacidade civil absoluta. Assim. A Emenda. pela primeira vez consignada como causa de suspensão de direitos politicos. Embora a Constituição não tenha distinguido nos cinco incisos do art. sem a desincompatibilização. ou deverão. § 2º. 15. inciso VIII. ferindo. enquanto medidas excepcionais quando se configurarem alguns casos. que continha uma inelegibilidade. 4º. a Regra Isonômica. que sofreu uma radical modificação pela Emenda Constitucional n° 16/97. não prevendo a perda. Assim o dispositivo constitucional. 1°. ou seja. passou no mesmo lugar a admitir uma permissão. nos termos do art. os ocupantes dos cargos não precisam deles se afastar para concorrer à reeleição. em seu art.429/92 . foi bastante criticada e gerou várias polêmicas em torno de sua constitucionalidade ou não. o inciso I. nos termos do art. à suspensão dos direitos políticos decorrente da recusa. da CF/88.4 Suspensão e perda dos direitos políticos Pelo art. de alguma maneira. somos da opinião que as demais deveriam. o que deixa em franca desigualdade os demais candidatos. Inicialmente concordávamos com José Afonso da Silva e outros autores que também vêem na recusa a cumprir obrigação a todos imposta ou prestação alternativa fixada em lei. § 4. pelo seu art. sob seu comando.239/91 que regulou o cumprimento de prestação alternativa ao serviço militar obrigatório referiu-se. uma causa para a perda de direitos políticos. passando a admitir. 3. mas admite a Constituição a perda ou a suspensão dos mesmos. o que poderia eliminar a dúvida que persiste. a regra é a da vedação absoluta à cassação de direitos políticos. se assim entendeu o legislador para uma das hipóteses de recusa de cumprimento de prestação alternativa. Mas como a Lei nº 8. 37. uma proibição. isto é.Prefeitos. portanto. 5°. gerando o risco de poderem. a Lei n° 8. eis que aprovada em meio a denúncias de compras de votos. ter o mesmo tratamento. fazer suas campanhas eleitorais utilizando-se dos benefícios proporcionados pela "máquina administrativa" que está em suas mãos.

Como derradeira observação sobre o assunto em pauta. teve seus direitos políticos suspensos por oito anos.prevê figuras de infração ético-políticas e consagra como ato de improbidade. compondo o Capítulo V do Título II do texto constitucional. É esta mesma lei que estabelece o tempo de duração da suspensão dos direitos políticos por improbidade administrativa. Indiscutivelmente.1 Importância dos partidos políticos no sistema da democracia representativa e constitucionalização dos mesmos É salutar iniciarmos frisando que existem várias concepções acerca dos partidos políticos (algumas analisando sua forma organizacional. etc. iniciando-se pela construção teórico-doutrinária a respeito dos partidos políticos. Vale dizer que em razão de improbidade. Já a suspensão é temporária (incisos II. outras privilegiando sua inserção no contexto social)21 e que há estudiosos que as agrupam em orgânicas e tradicionais. procuraremos abordar. não necessitava de . por exemplo. 17. podendo ser citado como exemplo o caso do ex-Presidente da República Fernando Collor de Mello que. o recebimento de vantagens. 15). como por exemplo. embora sem prejuízo da ação penal cabível. Direitos Relativos Aos Partidos Políticos Os partidos políticos são expressão da liberdade de associação dos cidadãos. ainda que com efeitos políticos. nosso Direito cominava sanções de natureza penal. Os partidos políticos são fenômenos da democracia representativa já que a democracia direta. onde os partidos ditos da situação desempenham a função governamental e os de oposição. o art. tradicionalmente. devemos frisar que a perda de direitos políticos caracteriza-se por ser definitiva. A novidade agora é que a ação é político-civil. Enfim. III IV e V do art. Existem diversos direitos relativos aos partidos políticos. o direito de os próprios partidos agirem processualmente perante o Poder Judiciário em nome de seus filiados em dadas circunstâncias constitucionalmente previstas. por improbidade administrativa. 4. o direito de as pessoas criarem partidos. 22 Aqui interessa realçar o papel dos mesmos no domínio da democracia representativa. pelo menos os mais importantes aspectos relacionados ao tema nos itens que se seguem. Na Constituição Federal de 1988 estão previstos em apenas um artigo. se não todos. gratificações e presentes ofertados por quem tenha interesse junto à administração pública ou a esta encontre-se submetido. o direito de outras pessoas a filiarem-se a partidos. por óbvio. basicamente a de fiscalização. mas sempre em ação penal. 4. os partidos políticos são instituições de precípua importância para a manutenção do status democrático.

e é critério básico de legitimação das regras jurídicas e dos comandos políticos. antes disso. 1992. qual seja. 1988. 388). o de que os partidos políticos como entidades jurídico-políticosociais são fenômenos do século XIX para cá. No dizer de José Afonso da Silva. 375). bem adverte Celso Fernandes Campilongo que "o principal canal de comunicação entre o Estado e a sociedade. p. 45). Embora existam muitas dissensões quanto a vários aspectos nas análises do tema. todos os países ocidentais que elaboraram novas Constituições dedicaram aos partidos normas especiais. ainda é ocupado pelas entidades de representação" (CAMPILONGO.. importa deixarmos claro que os partidos políticos são importantíssimos para a participação e representação políticas e suas atuações constituem um dos elementos mais significativos do sistema político como um todo. há um ponto em que a doutrina converge. 389). 23 Então. diz ainda José Afonso da Silva que os partidos "destinam-se a assegurar a autenticidade do sistema representativo. "todos aqueles que se opunham à orientação política da Corôa eram considerados inimigos do Estado" (REIS. E arremata o doutrinador pátrio: "O sistema eleitoral forma com o sistema de partido os dois mecanismos de expressão da vontade popular na escolha dos governantes" (SILVA.]" (SILVA. No Brasil. Isso porque. Eles são. os partidos políticos tiveram suas origens a partir do século XVII (na Inglarerra. p. "o partido político é uma forma de agremiação de um grupo social que se propõe organizar. Mas isso não significa que os partidos políticos não existiam antes. Assim.organizações intermediárias entre o povo e os que exerciam o poder e tomavam as decisões . apenas demonstra que sempre foram considerados à margem da lei e bem assim um tema descurado pelos especialistas. apesar de que. quando se reconheceu a legitimidade para a realização de uma oposição ao Governo). canais por onde se realiza a representação política do povo [. Segundo nosso Direito positivo. 90). assim. coordenar e instrumentar a vontade popular com o fim de assumir o poder para realizar seu programa de governo" (SILVA.e constituem-se no liame entre a sociedade e o Estado. p. só obtiveram o reconhecimento jurídico-formal a partir do século passado. a representação política democrática resulta do livre embate eleitoral. Especificamente quanto à constitucionalização dos partidos políticos. entre o direito e a política. Compreensível essa demora histórica quanto ao reconhecimento. tema fundamental para o Direito Constitucional e para a Ciência Política. 1997. finda a II Guerra Mundial. na Época Moderna. p. 1997.. uma vez que. p. as Constituições Federais de 1824 e 1891 não incluíram uma só palavra quanto aos partidos políticos e a de 1934. apesar de . Nesse sentido. 1997.

Conforme já dito. denominado pluripartidário. mas não de direito. Como já anunciado no início deste tema. 24 A Constituição Federal de 1967 reservou-lhes todo o Capítulo III do Título II. apenas há menos de 50 anos os partidos foram aceitos nos textos constitucionais. p. Chegou mesmo a haver.a presença de um. segundo a qual os diferentes modos de organização partidária possibilitam o surgimento de três tipos de sistemas: "(a) o de partido único. do ponto de vista jurídico. (b) o de dois partidos.2 Sistemas partidários: unipartidarismo. dois ou mais partidos ou mesmo de nenhum deles . composto pelo art. pelo menos. 17. Inicialmente organizaram-se como associações de direito comum. regra geral. 1997. ou simplesmente pluripartidarismo. ou multipartidário. se não contestada a existência dos partidos era. 4. Dentre as tipologias que adota para designar regimes políticos democráticos. dentro do Título "Dos Direitos e Garantias Fundamentais". 379. após passaram a ter existência legal supervisionada pelos Poderes Executivos e só na última fase de sua história.incorporar as conquistas do Código Eleitoral de 1932. 48. Trazemos ao texto a concisa e límpida explicação de José Afonso da Silva. passaram a ter existência consagrada nos textos constitucionais. Assim. A aceitação constitucional dos mesmos em um texto magno pátrio deu-se apenas em 1946. foram institucionalizados em quatro artigos (a saber: 40. ou unipartidário. como se vê. quatro ou mais partidos.é de suma importância para a definição e o funcionamento do regime político de um determinado país. Os partidos políticos demoraram. sendo que por longo período histórico existiram de fato. durante um longo período histórico. Deste modo. a que mais interessa a este trabalho é a que leva em consideração o sistema dos . 119 e 141. até o início do século XIX. (c) ou o de três. bipartidarismo e pluripartidarismo. uma verdadeira aversão aos partidos políticos (os primeiros pensadores do século XIX os consideravam um mal). Prosseguimos lançando mão dos ensinamentos do jusfilósofo e cientista político italiano Norberto Bobbio. como pessoas jurídicas de direito público. a Constituição Federal de 1988 reservou-lhes um capítulo próprio. sendo novamente tratados como pessoas jurídicas de direito público interno. tendo nosso País aberto tal precedente na América do Sul. ou. grifamos). unipartidarismo. § 13) da Constituição Federal de 1946. não reconhecida pelo próprio sistema político. a ser acolhidos pelo Direito Positivo (não só pelas Constituições como pela legislação ordinária). ou bipartidarismo. ainda. multipartidarismo ou polipartidarismo" (SILVA. Concepções doutrinárias e opção atual no Brasil O sistema de partido . apenas os mencionou no art. 170 (e o fez para punir funcionários que os protegessem).

etc. para a qual sistemas bipartidários e sistemas multipartidários caracterizam formas democráticas de Governo. Já o sistema bipartidário não é o processo no qual existam exclusivamente dois partidos.)". atualmente a democracia formal/instrumental brasileira . há sistema de partido único quando o Poder só permite a existência de um partido. Efetivamente. os regimes autocráticos. Convém mencionarmos. é apenas na clandestinidade. a missão do partido único "é diferente da dos partidos em regime multipartidário. estrutura e método de funcionamento diferentes entre si. ou pluripartidarismo. incorporação e extinção de partidos políticos resguardados a soberania nacional. p. não pode ser incluído entre as formas democráticas de Governo" (BOBBIO. pois o que o caracteriza é a possibilidade de haver alternância de dois grandes partidos no Poder. O partido único é. Pelo sistema constitucional vigente no Brasil. incapazes. o pensador italiano manifesta-se no sentido de que o mesmo "(. já que exclui previamente toda a possibilidade de uma oposição organizada. É livre a criação.partidos. "o companheiro predileto das ditaduras. mesmo que não seja absoluta a liberdade partidária. conforme Otávio Mendonça. o pluripartidarismo. podendo existir um número de partidos menores. 1980.26 No entanto. como é o caso dos partidos do tipo comunista. com orientações internas. de modificar o jogo político entre as duas agremiações dominantes. porém.. não sendo uma técnica democrática. 25 Quanto ao sistema unipartidário. 149. 1992. a Itália fascista. existem diversos tipos de partidos únicos. a opção atual é pelo sistema pluripartidário. fusão.) pelo menos em suas formas mais rígidas. dos povos subdesenvolvidos. os direitos fundamentais da pessoa humana e observados os seguintes preceitos (. Por fim. nos regimes democráticos. nos termos do artigo 17 da Constituição da República do Brasil promulgada em 5 de outubro de 1988. grifamos). nos quais é proibida a presença do partido político. E no sistema pluripartidário há a necessidade de existirem mais de dois partidos capazes de efetivamente participar do processo de Poder. é certo que a unificação ou a ausência de partidos descaracteriza os regimes democráticos. do tipo fascista.. ainda. sendo que. a Espanha falangista e Portugal corporativista" (MENDONÇA.. 17. trata-se de um grupo de indivíduos selecionados que promovem a cooptação para se revezarem no Poder". o regime democrático. isto é. Assim. Seus casos típicos foram a Alemanha nazista. quando este funciona. 327). Assim reza o texto constitucional referido: "Art. Muito comum em processos ditatoriais.27 (grifamos) Portanto.. p.

período em que vigiu o bipartidarismo compulsório. Descontentes com tal domínio. ausente no lapso temporal de 1965 a 1979. com treinamento em Coimbra e nas Faculdades de Direito do Recife e São Paulo" (CHACON.3 Visão histórica e atualizada sobre os partidos políticos brasileiros Esclarecemos.. coroadas por elites urbanas estamentais. em 1870. os partidos alternavam-se no poder. No entanto. terminando com o dualismo partidário até então vigente. blocos políticos somente foram organizados em partidos por volta de 1834 (por meio do Ato Adicional durante a Regência de Feijó).] de início meras projeções de alianças familiares rurais. o Partido Republicano teve vida forte até 1930. as quais obstaculizaram a consolidação dos partidos políticos. Por ora adiantamos que. pelo Imperador. a partir de 1849. Com a incipiente prática do regime parlamentar. embora Norberto Bobbio enfatize que sistemas bipartidários possam compor regimes democráticos de governo. 29 4. 28 Veremos a seguir. Pode-se dizer que a pré-história dos partidos políticos brasileiros começou antes da Independência.contempla o pluralismo partidário. expressando as oligarquias rurais dos Estados. ainda na fase do Brasil Colônia de Portugal. estes foram. já que o mesmo se caracterizou por ter sido mero expediente fictício de legitimação do regime militar. a qual permaneceu no poder enquanto existiu (de 1862 a 1867). ambos não tinham diferenças ideológicas e governaram o País até 1889. os quadros partidários não foram . organizadas em verdadeiros clãs locais. que no atinente à gênese e fundamento dos partidos brasileiros. tendo o sistema bipartidário permanecido sem modificações até que. no retrospecto histórico acerca dos partidos políticos brasileiros. Após isto. 1981. De 1889 a 1930 (República Velha) prevaleceram os partidos regionais. p. ou seja. 20-21). pois em janeiro de 1822 falava-se no primeiro partido brasileiro de fato: o Partido da Independência. com a criação do Partido Liberal (o qual propugnava maior autonomia das Províncias) e do Partido Conservador (o qual pretendia o sistema unitário do Império). Os prenúncios da queda do Império fizeram com que os liberais descontentes fundassem oficialmente. tendo sido dissolvida. isso não se verificou no sistema bipartidário vigente no período nominado acima. muitos liberais (e conservadores dissidentes) formaram a "Liga Progressista". "[.. durante o chamado "período de conciliação" (de 1853 a 1862) quem teve de fato o domínio das forças foi o Partido Conservador. em 1868. que houve outro período em que entre nós reinou o bipartidarismo e que houve até um período em que sistema partidário algum vigiu. num quadro político marcado pelas revoluções civis entre 1832 e 1849.30 o Partido Republicano. primeiramente. Identificado com os interesses da economia cafeeira.

79.80. possibilitando fraudes de todos os tipos). sendo que esse dispositivo tinha endereço certo: o Partido Comunista. os partidos não possuíam outra influência além da "emprestada" pelo governo (a ponto de um dos postulados da Revolução de 1930 ter sido a legitimidade representativa). o Partido Trabalhista Brasileiro e o Partido Social Democrático. esbarradas em forças intransponíveis: o voto não era autêntico (tampouco secreto ou proporcional.31 sendo que a Constituição Federal de 1934 incorporou as conquistas do mesmo. 21. porém.Decreto-Lei n. embora os partidos continuassem a ser estaduais.076. Partidos Nacionais realmente só surgiram em 1945 (instituídos pelo novo Código Eleitoral). sendo posteriormente regulamentada pela Resolução nº 10. só reaparecendo em 1945. No ano de 1946 foi vetada a formação de partidos considerados "antidemocráticos".785. Houve vagas tentativas de organizar partidos nacionais. pois o Código Eleitoral daquele ano fazia várias exigências para a legalização.767. a apuração não era honesta. A Carta de 1937 ignorou-os e o golpe que implantou o Estado Novo extinguiu-os no mesmo ano. A vitória da oposição nas eleições de 1974 passou a dar às eleições um caráter eminentemente plebiscitário (sim ou não ao regime ditatorial) e iniciou-se o processo de deslegitimação do autoritarismo. voltou à legalidade. foi considerado ilegal três meses depois. encontrando.ajustados às exigências políticas de caráter nacional. sendo os primeiros a União Democrática Nacional. estabelecendo o bipartidarismo de forma indireta (ARENA e MDB). com as máquinas clientelísticas dominando o interior do País. por intermédio do nosso primeiro Código Eleitoral .32 Sucederam-se Atos Institucionais e cassações de mandatos parlamentares. . porém apenas por sete meses. com a decretação do estado de sítio. e contra ele foi usado. que fossem filiados a organizações internacionais e recebessem dinheiro do exterior. Os partidos foram regulamentados em 1932.12. Quando este findou. de 20. Em tal contexto a história partidária brasileira foi marcada pela fragilidade de suas organizações. em 1947. do Tribunal Superior Eleitoral. De 1945 a 1965 tivemos vinte anos de pluripartidarismo. O retorno ao pluripartidarismo deu-se pela Lei nº 6. 33 Por fim. salvo raras exceções. tendo sido fundado em março. O golpe militar de 1964 encontrou 13 partidos registrados na Justiça Eleitoral e os extinguiu em 1965 pelo Ato Institucional nº 2. Em 1902 fundou-se o Partido Socialista e em 1922 o Comunista que. restrições à sua organização. de 15.2. em 1927. quando o mesmo teve o seu registro cassado. Os partidos foram fechados e tiveram sua reorganização proibida. a reforma partidária de 1979 alterou as regras eleitorais e substituiu o sistema bipartidário pelo pluripartidário. já que em agosto do mesmo ano foi novamente tornado ilegal pela chamada "Lei Celerada".

por exemplo. portanto. tem-se que o Brasil já conheceu o bipartidarismo (no Império. 17. surgiram em torno de 31 partidos. que na vigência da Carta de 1937 tentou-se fundar um partido único. de 1945 a 1965 período apontado por muitos analistas políticos como o mais estável e bem-estruturado de nossa história -. porém. através da Emenda Constitucional nº 25. Também é importante chamar a atenção para o fato de que. o controle financeiro sobre os partidos políticos (significando o resguardo da soberania nacional. e a partir de 1980) e mesmo a ausência de partidos (de 1937 a 1945). 34 Como um apanhado geral. como instrumento deste no exercício de mandato político para a consecução das funções públicas que outorga a seus representantes. sendo que esta ampla liberdade de criação de partidos foi também assegurada pela Constituição Federal de 1988. Quiçá seja este o aspecto mais importante da autonomia e da liberdade partidárias: a estrutura de poder estatal não mais poderá interferir nos partidos para os extinguir. o que acabou não se concretizando (SARAIVA. ações privadas. tinham como saudação o "anauê" e se assemelhavam muito às organizações paramilitares. no Brasil. isto porque já tivemos no Brasil os integralistas. tendo varrido a possibilidade de extinção governamental dos mesmos. p. que se chamaria "Legião de Outubro". nunca tivemos o momento histórico do partido único (pelo menos não formalmente). então. através da vedação ao recebimento de recursos finananceiros de grupos ou governos estrangeiros e da imposição do dever de prestar contas de suas administrações financeiras à Justiça Eleitoral) e o controle ideológico (isto é. que usavam camisas verdes. com a imposição de vedação à utilização de organização paramilitar. já na Nova República. o pluripartidarismo. com o principal fito de evitar tendências fascistas). 60). A partir daí.35 Cumpre ressaltar. confere aos mesmos natureza jurídica de direito privado (constituem os mesmos. Com todas essas garantias os partidos colocam-se entre o governo e o povo. 1995. em Portugal. A Constituição Federal manteve. há que se frisar que nossa Constituição vigente alude ao caráter nacional dos partidos políticos. e 14 anos no regime militar). os direitos fundamentais da pessoa humana. para tanto possuindo autonomia organizativa. tendo em vista o regime democrático. o pluripartidarismo (durante a República Velha. De costume. o candidato à Presidência da República deve necessariamente ser filiado a um partido político para vir a ocupar o referido cargo. assegurada pelo § 1º do art. como várias vezes aconteceu em nossa história políticopartidária. outrossim. a Constituição patrulha-os ideologicamente.100/95 e a mais recente Lei Eleitoral .Em 1985. principalmente os de extrema direita. Assim.1 A Lei nº 9.3. como houve. 4. até 1870. Por fim. liberou-se a criação e a organização de partidos políticos. somente usam organizações paramilitares os partidos extremistas. CF/88).

conforme disposição constitucional do art. fusão.504/97. em seu artigo 80. cada partido ou coligação deverá reservar. Como não devemos olvidar. diferentemente do tratamento destinado . o estabelecimento das normas eleitorais para uma eleição deve ser feito mais de um ano antes da data de realização da eleição. o que deve permanecer até que estas possam por si sós firmar-se no espaço da política. regra existente para tentar evitar os "casuísmos" de última hora. Segue. assim. vinte e cinco por cento e. Assim. em nosso direito como um todo. destinando às candidaturas para as eleições de 1996 um percentual de 20% para as mulheres. aquela velha mania brasileira de querer inserir uma regra que beneficia a situação de um dado candidato. Inaugurou. garantindo a participação das mulheres nos pleitos eleitorais. significativamente por ter sido aquela que por primeira vez em nosso País instituiu o sistema de cotas eleitorais. quiçá. dispôs: "Nas eleições a serem realizadas no ano de 1998. De início severamente criticada pelos setores mais machistas da sociedade. para candidaturas de cada sexo. Registro provisório e registro definitivo Quanto à natureza jurídica. Possui em sua epígrafe: "Estabelece normas para as eleições". como também já estabeleceu algumas regras para as eleições que deverão ser realizadas em 2000. A mais recente Lei Eleitoral é a Lei nº 9. assim. estabeleceu no Parágrafo Terceiro de seu artigo 10 o seguinte: "Do número de vagas resultante das regras previstas neste artigo. o que realmente ocorreu. tradicionalmente tido como espaço público dos homens e onde a presença da mulher era irrisória.4 Natureza jurídica. criação. 4. nas Disposições Transitórias. 16. Pois isso está vedado pela Constituição. que sejam traduzidas por ações de tipo paternalista. ou seja. no mínimo. incorporação e extinção dos partidos políticos. de maneira a mudar as regras com o processo já em andamento. o tema das "ações afirmativas" em nosso Direito Eleitoral e. de 30 de setembro de 1997.A Lei nº 9. assim. ao tratar do "registro de candidatos". a lei em epígrafe foi a Lei que disciplinou o pleito de outubro de 1998 e deveria ter sido promulgada antes de outubro de 1997. Com isso temos que não apenas regeu as eleições proporcionais de outubro próximo passado. Por outro lado. outra norma para outro candidato e assim por diante.100/95 merece um comentário especial. quando então não serão mais necessárias as "ações afirmativas" evitando. Assim. cada partido ou coligação deverá reservar o mínimo de trinta por cento e o máximo de setenta por cento para candidaturas de cada sexo". setenta e cinco por cento do número de candidaturas que puder registrar" (grifamos). no máximo. gerou muita polêmica mas resultou em um importantíssimo passo dado pelo ordenamento jurídico em prol da efetivação do Princípio da Igualdade no campo da política.

de associação. segundo José Afonso da Silva. há doutrinadores que oferecem resistência ao caráter privatístico dos partidos políticos. O primeiro registro referido. A fusão requer a extinção de pelo menos dois partidos para fazer nascer um terceiro. a incorporação e a extinção dos partidos políticos são livres. o qual seria perdido se no prazo de vinte e quatro meses contados da formação dos partidos estes não obtivessem o registro definitivo.aos partidos políticos pela Magna Carta de 1946. Quanto ao registro dos partidos políticos no Tribunal Superior Eleitoral. das idéias. que é a eleitoral (para poder participar de eleições). ou seja. a Constituição Federal de 1988 enquadrou-os formalmente como pessoas jurídicas de direito privado. ou melhor. não há muito o que dizer. a fusão. Assim. p. existência. 17. mas não participar de eleições.5 O dever da fidelidade partidária e o direito à participação nos recursos do "fundo partidário". apesar de sua cristalinidade. como por exemplo os professores Maria Helena Diniz e Arnoldo Wald (CARVALHO. aquele realizado nos Cartórios de Registros de Títulos e Documentos. a regra é a de que seja um registro permanente. os partidos podem existir. por meio de registro no Cartório de Registros de Títulos e Documentos. mas não lhes confere simultaneamente a capacidade jurídica específica. confere personalidade jurídica aos partidos políticos. fazer arregimentação e movimentação política. 1994. A incorporação significa a absorção de um por outro. para aqueles partidos que fossem criados nos seis meses posteriores à promulgação da mesma. § 1º podemos verificar claramente que a Constituição criou o instituto da fidelidade partidária. diz o caput do art. e o fez no Parágrafo Segundo de seu artigo 17. difundir seus programas. Seja qual for o processo utilizado para a criação de novo partido político. Essa liberdade tanto para criar quanto para extinguir partidos políticos faz parte e ao mesmo tempo deriva da liberdade de expressão do pensamento. qual seja. mas como . A criação. O registro provisório foi apenas uma facilidade que a Constituição estabeleceu. Sobre esse assunto da natureza jurídica dos partidos políticos convém informar que. a partir apenas das idéias e dos ideais dos seus criadores. em seu art. §§ 1º e 2º do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias. 4. 6º. de opinião. diferente. A reforma política Pelo teor do texto do art. desde que observados alguns princípios e preceitos já comentados em outro item. 17. o que se dá. deverá este ser registrado. 70). pois significa o surgimento de novo partido a partir do nada. de convicções. Quanto à criação. pois isso só é possível com o registro dos respectivos estatutos no Tribunal Superior Eleitoral. sendo que os mesmos registram seus estatutos no Tribunal Superior Eleitoral "após adquirirem personalidade na forma da lei civil".

deixou para estes preverem em seus estatutos as tais "normas de fidelidade e disciplina partidárias". na respectiva casa legislativa. estaduais e municipais de não deixarem o partido pelo qual foram eleitos. dizendo que perde automaticamente a função ou cargo que exerça. ou seja. na forma da lei. sendo constituído por: multas e penalidades pecuniárias aplicadas nos termos do Código Eleitoral e leis conexas. Mais do que isso. ao nosso ver. ou de não se oporem às diretrizes legitimamente estabelecidas pelos órgãos da direção partidária. e não meramente de uma faculdade. bem como regulamentada pela Lei nº 5. Por fim. pois já havia sido introduzida em nosso ordenamento constitucional pela Emenda Constitucional nº 1/69. e modificar essas equivalência ou associações significa trair a confiança e a vontade dos cidadãos. o que parece ter sido uma liberalidade excessiva. com menor patrimônio. . a única penalidade geral que existe. para fazer valer o Princípio da Igualdade. destinando-lhes um amplo repúdio nas eleições seguintes. pois os eleitores escolhem "aquela" pessoa para executar "aquele" programa "naquele" partido. sob pena de perda do mandato por decisão proferida pela Justiça Eleitoral. foi revigorado pela atual Constituição. é a disposta no artigo 26 da Lei Orgânica dos Partidos Políticos (Lei nº 9. seria o dever de os parlamentares federais. os próprios eleitores podem dar uma punição aos parlamentares "infiéis". O fundo partidário existe por uma sábia razão. qual seja. onde reina uma profunda indisciplina neste campo. uma vez que poucos são os partidos que efetivamente estabelecem e cumprem essas regras exigidas pela Constituição. também possam atuar. o parlamentar que deixar o partido sob cuja legenda tenha sido eleito. significa que os parlamentares não podem trair a vontade dos que os elegeram. valendo uniformemente para todos os partidos e para todos os parlamentares. E o que vem a ser a fidelidade partidária? Conforme ensinamentos condensados por Celso Ribeiro Bastos. O texto constitucional diz que os estatutos "devem" e não que "podem" estabelecer normas de fidelidade partidária. isto é. senão por ela ressuscitada. a fidelidade partidária não foi criada pela Constituição Federal de 1988. Mas notem bem: perde a função ou o cargo. previsto na Lei Orgânica dos Partidos Políticos.682/71. para fazer com que os partidos políticos menos favorecidos economicamente. recursos financeiros que lhe forem destinados por lei. Na verdade. Chama-se "Fundo Especial de Assistência Financeira aos Partidos Políticos".quis respeitar a autonomia dos partidos políticos. Pensamos que no Brasil.096/95). Mas como o instituto havia sido suprimido pela Emenda Constitucional nº 25/85. não o mandato! Pelo § 3º do art. 17 da Constituição prevê que os partidos políticos têm direito a recursos do fundo partidário e acesso gratuito ao rádio e à televisão. de uma obrigação. aí disciplinado nos artigos 38 a 44. estamos diante de um dever.

salvo no caso de fusão ou incorporação de partido. 13 da Lei Orgânica dos Partidos Políticos (ou seja. embora não apenas refira-se ao particular ponto referente à fidelidade partidária. dotações orçamentárias da União. o sistema eleitoral defeituoso. feitas por depósitos bancários em conta bancária de titularidade do Fundo. do mesmo modo. a perda se daria automaticamente. na proporção dos votos obtidos na última eleição geral para a Câmara dos Deputados. mas sempre em prejuízo dos pequenos partidos que. aliás. eis que provavelmente atacará alguns defeitos fundamentais de nossa estrutura político-representativa que vêm de "longa tradição autoritária. Câmaras de Vereadores e Câmara dos Deputados). com um número não inferior a 2% do total de cada um deles). doações de pessoas físicas ou jurídicas. distribuídos em pelo menos 1/3 dos Estados. a má organização partidária. especificamente nesse prevê a perda de mandato para o parlamentar que trocar de partido. tais como: centralização unipessoal do poder. que nas eleições é o índice que acaba sendo o terror dos pequenos partidos. ou se o parlamentar ingressar em nova legenda como fundador. há de ser muito mais ampla. Mensalmente o Tesouro Nacional fará o depósito em conta especial à disposição do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). De acordo com a proposta do relator da comissão. Cremos que outros assuntos também deverão ser tocados. o quociente eleitoral é que determina a distribuição das vagas em disputa nas eleições proporcionais (para as Assembléias Legislativas. assim. assim. como por exemplo o do "quociente eleitoral". poderia haver perda de mandato quando o parlamentar ou chefe do Poder Executivo cometesse violação grave de disciplina partidária. Aguardemos para ver o que resultará da reforma política que. o número mínimo de votos que o partido ou coligação deve fazer para eleger algum de seus candidatos. com a metade ou até um terço do número de votos dele seja eleito. aquele que elegeu representante para a Câmara dos Deputados com o apoio de no mínimo 5% dos votos válidos apurados. Há no Congresso Nacional proposta de mudança constitucional que. nunca chegarão a ser grandes! Sobre alguns outros . no dizer de Franco Montoro. os outros 99% do total serão distribuídos aos partidos que tenham preenchido as condições do art. pois pode fazer com que um candidato bem votado fique de fora e que um outro.em caráter permanente ou eventual. centralizadora e elitista". assegurando-se a ampla defesa. na verdade. sendo que em 1998 a matéria já foi analisada no Senado Federal pela Comissão Especial da Reforma Política. sendo que este fará a respectiva distribuição aos órgãos nacionais dos partidos. significando. a todos os partidos que tenham seus estatutos registrados no TSE. É a regra da proporcionalidade. obedecendo os seguintes critérios: 1% do total do fundo partidário será entregue. em partes iguais. a desproporcionalidade da representação política dos Estados no Poder Legislativo.

Aspectos Históricos Do Federalismo Brasileiro Em primeiro lugar. vide nota de rodapé n. que as . Ter prevista a forma federativa é prever também. incluindo a divisão de competências. qual seja. justificam-se algumas linhas acerca do Federalismo em geral. os partidos políticos possuem legitimidade ativa coletiva (conferida a todo e qualquer partido político que tenha representação no Congresso Nacional) para impetrar Mandado de Segurança Coletivo. Capítulo IV Da organização política e administrativa do estado e da divisão de competências 1. conforme verifica-se no art. Mas antes de vermos as especifidades da República Federativa do Brasil. inciso LXX. § 4º. Também possuem legitimidade ativa para a propositura de Ação Direta de Inconstitucionalidade. Estados Unidos da América do Norte. Diz a teoria que a organização política fundamental de um Estado pode prever que um Estado seja Federal. a vedação de impostos sobre os seus patrimônios. implícita ou explicitamente. Daí a conseqüência das particularidades da sua organização como um todo. assim como novo é o "remédio constitucional". da CF/88. e que vem prevista no art. como conseqüência. utilizando a técnica da Substituição Processual. 58. Considerações Iniciais Acerca Do Federalismo E De Suas Formas De Criação. 103. 34. e com o próprio Brasil). § 1º da CF/88. alínea "a" da CF/88. o que geralmente vem definido pelas extensões territoriais (países com grandes extensões territoriais costumam adotar o federalismo. como ocorre com Venezuela.7 Limitações ao poder de tributar Dentre as limitações ao poder de tributar. inciso VI. 4. é preciso ter-se bem clara a lembrança de que o nosso Estado é de tipo federativo. inciso VIII.aspectos da Reforma Política. conforme o disposto no artigo 150. 4. México. sobre as suas rendas ou os seus serviços.8 Representação proporcional em mesas e comissões do Congresso Nacional É esta outra garantia de que dispõem os partidos políticos. Argentina. convém que já adientemos uma que possui fundamental importância em relação aos partidos políticos. alínea "c". Isso é uma novidade da Constituição Federal de 1988.6 Legitimidade ativa e substituição processual Pelo artigo 5º. 4.

ficam constituindo os Estados Unidos do Brasil". E em seu art. em Estados federados" (FERREIRA FILHO. a transformação (.. no sentido de maior autonomia municipal. sob certa medida. O Decreto referido dispunha. com o Decreto nº 1. no exercício de sua legítima soberania."). cada um dos quais iria ser regido por uma Constituição que ele próprio haveria de estabelecer.. 3º: "Cada um desses Estados. se transformavam. o que estipula o texto constitucional em seu art. Do mesmo modo. relativa. o qual transformou o País não só de Monarquia em República. e mesmo a autonomia que possuem é limitada pela Constituição Federal. Muita coisa mudou desde a nossa primeira Constituição Republicana até os dias atuais (como por exemplo as inovações introduzidas no sistema federativo pela Constituição de 1988. o direito constitucional federal brasileiro é incorporado ao direito constitucional dos Estados.) de províncias desse Estado unitário. como também de Estado Unitário em Estado Federal. financeiras. daquele momento em diante. A Federação é o sistema político que une diversos Estados em um só Estado soberano. Isto é.. que as províncias do Estado Unitário. decretará oportunamente a sua constituição definitiva elegendo os seus corpos deliberantes e os seus governos locais". . para exigir a observância dos princípios constitucionais da União. portanto. Título dos Princípios Fundamentais de nossa atual Constituição Federal: "A República Federativa do Brasil. "É. as partes constitutivas do todo têm autonomia interna. cabível. no que couber e. em que os Estados-membros mantêm autonomia executiva e legislativa nas esferas administrativas. em última instância. reunidas pelo laço da federação. mas a forma de Estado permaneceu inalterada (lê-se no primeiro art.. jurídicas e outras atinentes à ordem interna (embora tudo a partir de regras básicas constitucionalmente determinadas). se auto-organizem. constitui-se em Estado Democrático de Direito. mas carecem de soberania. 2º: "As províncias do Brasil. por força da Constituição Federal. 178). p. sendo assim. também ditos Estados-membros da Federação).unidades federadas (inicialmente os Estados Federados. Foi exatamente o que aconteceu no caso do Brasil.. mas subordinamse ao Governo Federal nas relações externas. bem como foi repetida a previsão de intervenção federal nos Estados-membros diante de algumas situações. 1974. formada pela união indissolúvel dos Estados e Municípios e do Distrito Federal. em Estados componentes de uma federação. que era o Império Brasileiro. 34. Isto porque previu. expressamente. de 15 de novembro de 1889. em Estados Federados. Gostaríamos de ressaltar que há duas espécies de formação do federalismo: uma por segregação e outra por agregação. em seu art. O federalismo que se dá por segregação tem sua maior característica no fato de que um Estado unitário transforma-se em Estado federal. dando uma dimensão trilateral ao novo modelo de federação).

p. 1956. Historicamente analisando. já federados. 179). pois tais direitos já estavam presentes nas Constituições dos Estados-membros.ademais. para finalizar este item e ingressarmos no próximo que. estatuídos pela vigente Constituição Federal. num verdadeiro ato internacional. se a êstes pertencem. já com sua Constituição. Assim. os Estados devem respeitar certos princípios constitucionais limitativos. p. privilégios nos quais são consignados os princípios fundamentais do seu govêrno e organização administrativa" (apud FERREIRA. o ano de 1776 marcou a fase áurea do constitucionalismo. 1974. cartas de liberdade. 46). transmudando-se em Estados soberanos. Neste caso. estuindo os princípios fundamentais da divisão e equilíbrio dos poderes). se unem. moldadas nos pressupostos liberais e. Isto fez com que. a Constituição Federal Americana de 1787 consagrou os princípios fundamentais do novo direito público. "permitindo simultâneamente a transformação da antiga confederação de Estados em um Estado Federal" (FERREIRA. nem sequer há necessidade do Poder Constituinte derivado para organizar constitucionalmente Estados já pré-existentes. vindo a publicar em 1776. as eventuais modificações operadas na Constituição do todo podem reclamar a convocação de Poder Constituinte nos Estados. Porém. se são da Coroa. as suas Constituições. ao lado dos seus direitos públicos. o importante é que fique bem claro que a principal diferença existente entre os Estados de tipo Unitário e os Estados Federativos é que naqueles ressalta a centralização. à época da revolução americana. os velhos núcleos da colonização inglesa adquiriram maioridade política. Isto fez com que o regime constitucional americano nascesse com características de uma perfeição no gênero (compunha-se de duas partes principais: uma declaração dos direitos individuais dos cidadãos. já organizados. ao estabelecerem suas Constituições Estaduais. e um plano governamental. Vale lembrar. todas as colônias já tivessem suas cartas. com vistas à adaptação de suas Constituições às normas daquela. achando-se as partes que o . segundo Pinto Ferreira. recebem dos reis da Inglaterra. Jellineck pesquisou a origem histórica das Constituições de tais Colônias emancipadas. escrevendo. com a independência. a despeito de qual seja a forma de criação de uma federação. p. 48). a respeito: "Estas colônias. portanto. para produzir um novo Estado" (FERREIRA NETO. Porém. com a independência das treze Colônias inglesas na América do Norte. e em caso contrário (como sucede na Carolina do Norte e na Pensilvânia) dos senhores. não possuía uma "declaração de direitos". e nos anos seguintes. Já o federalismo por agregação é aquele que "se verifica quando Estados pré-existentes. dotado do "conteúdo mínimo" exigido no moderno Estado de Direito. foi o aconteceu no caso dos Estados Unidos da América. em que. 1956. por oposição à política colonial britânica.

a garantia de que. não pode ser criado novo Estado Federal. sob a égide da Constituição da República Federativa do Brasil: a indissolubilidade do Estado Federal enquanto um dos princípios fundamentais do Estado brasileiro. que vem a ser o Princípio da Indissolubilidade. O traço principal de uma federação de equilíbrio é o estabelecimento de igualdade políticajurídica entre as unidades federadas do mesmo nível. em nossa Constituição Federal. são os seguintes: 1º) a participação da "vontade" dos Estados Federados na formação da "vontade" nacional. 2. O marco federativo. que é a autonomia e a descentralização dos entes que compõem a federação total. incluindo aí disposições gerais sobre a federação. no entanto.integram vinculadas ao centro. através de autogoverno. . o respeito à soberania e à autonomia. como ocorre no caso brasileiro. o que se aperfeiçou ainda mais após o advento da Constituição Federal de 1988. A organização político-administrativa do Estado brasileiro é definida. diferentemente. auto-organização e auto-administração). destaca-se a descentralização. sendo despidas de autonomia. sendo-lhes garantida autonomia (significando esta a possibilidade de gestão dos próprios interesses. sobretudo econômico. dentro de um sistema estabelecido por entidade superior: a Constituição Federal. bens e competências tanto administrativas quanto legislativas de cada um dos entes federativos. 2º) a divisão de competência entre as respectivas entidades que compõem a Federação. Nos Estados federados. os traços típicos de uma Federação (que asseguram a sua existência). não exclui. De maneira um pouco mais ampla. isto é. a impossibilidade de extinção da Federação. em razão do maior grau de desenvolvimento. embora possam acontecer modificações internas. do seu artigo 18 ao seu artigo 36. o que se dá em nossa Federação por meio do Senado Federal. Inexiste entre nós o dito "federalismo hegemônico". devendo o presente ser preservado. Federalismo Brasileiro Atual: Federação De Equilíbrio Como já mencionado acima. já que é protegida contra modificações que se queiram realizar na Constituição Federal (é cláusula pétrea). um traço unitário geral. a forma do nosso Estado é a de uma Federação de Equilíbrio. o que se costuma chamar de "pacto federativo" engloba. como já tivemos a oportunidade de tratar na Primeira Parte desta obra. mais especificamente no item sobre os Princípios Constitucionais Fundamentais. cujos membros são eleitos enquanto representantes dos interesses dos Estados. Sem excluir outros. plenamente verificáveis no modelo brasileiro. caracterizado pela supremacia de algumas unidades federativas sobre outras.

O Estado Federal total. tem-se uma regra geral para os entes federativos. os Estados. ou seja. Entes Federativos Que Compõem A República Federativa Do Brasil Para Fins De Organização Político-Administrativa Importa destacarmos que a divisão contemplada pelo art. inciso XLI. sem o que não seria possível a sobrevivência da própria. a colaboração de interesse público". com personalidade jurídica de Direito Público Internacional. estando absolutamente proibido à União. Não. subvencioná-los [isto é. a começar pela União e suas autarquias territoriais (os Territórios Federais). ressalvada. 5º. Pelo art.1 A União e os Territórios Federais De início. por este critério. 18: "A organização político-administrativa da República Federativa do Brasil compreende a União. sendo que esta vedação é devida à natureza laica do Estado brasileiro. 3. justamente por isso. nos termos desta Constituição". fazendo valer o Princípio da Igualdade. Aqui UNIÃO não é a mesma coisa que República Federativa do Brasil. o Distrito Federal e os Municípios. É. na forma da lei. aos Estados. isto só ocorre porque o Presidente da República é a um só tempo Chefe de Estado (do Estado brasileiro) e Chefe do Governo Federal (Governo da União) e. aqui o termo aparece em sentido distinto daquele empregado no art. Vejamos agora as especificidades de cada um desses entes autônomos. c) "criar distinções entre brasileiros ou preferências entre si". dar-lhes auxílio pecuniário]. com o nome de República Federativa do Brasil é o todo (formado pela União. embaraçar-lhes o funcionamento ou manter com eles ou seus representantes relações de dependência ou aliança. a "congregação" dos Estados Federados. do Distrito Federal e dos Municípios. isto é. b) "recusar fé aos documentos públicos". o ato discriminatório será nulo e a autoridade responsável poderá incidir na inconstitucionalidade prevista no art.3. pelo Distrito Federal e pelos Municípios). sim. identificando-se com a própria FEDERAÇÃO. a "reunião". ao Distrito Federal e aos Municípios: a) "estabelecer cultos religiosos ou igrejas. convém explicitar que o artigo 18 da Constituição desfaz a impressão de que o termo "União" que aí aparece represente a "soma". 18 da Constituição Federal não é coincidente com a divisão geográfica (até porque a União. estes sempre deverão ser aceitos com a presunção de veracidade. 19. Diz o mencionado art. todos autônomos. 1º da CF/88. considerada uma das entidades que compõem a República Federativa. coincidem os órgãos públicos na esfera federal com os órgãos da . se ocorrer. mas feita para fins de possibilitar a organização política e a administração da Federação como um todo. seria um entre abstrato). Neste último caso. E embora as relações externas. pelos Estados Federados. as relações internacionais do Estado brasileiro constituam competência exclusiva da União.

de um ou mais Estados-membros ou de território. já que foram extintos ou agregados por outros Estados por determinação do atual texto constitucional. é entidade de Direito Constitucional. administrativa e judiciária. A União. pois. Integrantes da União. etc. por lei complementar. Executivo e Judiciário. já que preside os fatos apenas de sua competência. pela Constituição atual. mas terão natureza de meras autarquias federais. para um mandato de quatro anos. às vezes. não mais serão considerados componentes da Federação. em segundo turno. Assim. poderão vir a existir. 3. A Constituição Federal reconhece a possibilidade de sua criação no § 2º do art. e sim Unitário. E se forem criados. a mesma que passou a permitir a reeleição dos Governadores de Estado e do Distrito Federal . prevista no art. 28 da CF/88 pelo texto da Emenda Constitucional nº 16/97. por sua vez. porções do território nacional destacadas. mas não possui o mesmo domínio da ordem jurídica. mas em um Estado que não era Federal. Por fim. claro fica que não é o nome que lhes dá a natureza. verificado nos artigos 27. mudança esta provocada no art. mas o regime de autonomia. portanto. porque a Constituição do Estado Federal é simultaneamente a Constituição da União. para fins de desenvolvimento e segurança nacional. do ano anterior ao do término do mandato de seus antecessores. como por exemplo "Províncias" na Argentina. o Império do Brasil. Note-se que já tivemos províncias. por alguns autores também chamados Estados-membros. tem o mesmo domínio territorial físico do que o Estado Federal. embora atualmente não existam. são instituições típicas do Estado Federal e podem assumir outros nomes. Pessoa Jurídica de Direito Público Interno. sendo que a escolha dos Deputados Estaduais é feita nos termos do art. os Territórios Federais pessoas jurídicas de Direito Público Interno. não possuirão autonomia política. 25. Serão. para o mesmo período sendo eleito o Executivo Estadual (cuja eleição para Governador e ViceGovernador realiza-se no primeiro domigo de outubro. no âmbito das respectivas autonomias. E a autonomia dos Estados Federados. pode ser verificada da seguinte maneira: a) autoorganização. a identificação errônea entre União e Estado Federal ocorre. e no último domingo de outubro. 27. em primeiro turno. mas ocorre que isto acontece em relação aos demais entes do Estado Federal. 18.2 Os Estados Federados Os Estados Federados. 28 e 125. sendo. integrantes desta. caput. prevendo que os Estados disponham sobre os Poderes Legislativo. também. assegurando aos Estados organizarem-se e regerem-se de acordo com Constituições e leis próprias. b) autogoverno. Quanto aos Territórios Federais.União. se houver. "Cantões" na Suíça. de simples descentralizações administrativas da União.

25. mas agora no § 1. É dizer: só não podem separar-se ou agrupar-se para formarem novo País. 27 foi modificado pela Emenda Constitucional nº 19/98. § 7º. 39. do governo federal. e do Congresso Nacional. § 2º. ressalvada a posse. 57. do Vice-Governador e dos Secretários de Estado serão fixados por lei de iniciativa da Assembléia Legislativa [. A atual composição territorial brasileira indica a existência de vinte e seis Estados Federados. renomeando o seu Parágrafo Único para § 1º e acrescendo um § 2º. I". E quanto ao Poder Executivo Estadual. É em Brasília. 38. ou formarem novos Estados ou Territórios Federais. I. c) auto-administração. na razão de.por um único período subseqüente). da CF/88.]". Notemos. a principal função do Distrito Federal é a de ser a sede política e administrativa do Governo da União. o Distrito Federal é uma espécie de Estado Federado "anômalo". passando a dizer o seguinte: "O subsídio dos Deputados Estaduais será fixado por lei de iniciativa da Assembléia Legislativa.. isto é. dizendo que aos Estados serão reservadas competências. em espécie. por último. 150. que é possível a intervenção federal nos Estados Federados. é importante relembrarmos a regra do § 3º do art. por lei complementar". e 153. mediante aprovação da população interessada. . II. 153. a mesma Emenda Constitucional efetuou modificação no art. subdividir-se ou desmembrar-se para se anexarem a outros. observado o que dispõem os arts. pela qual podem "incorporar-se entre si. Dessa forma. 28 da Constituição Federal. entidade federal e não apenas autarquia territorial.. desde que não lhes tenham sido vedadas pela Constituição Federal. o § 2º do art. observado o mesmo quanto ao estabelecimento dos subsídios dos Deputados Estaduais. cumpre observarmos que em relação à remuneração (agora atendendo pelo nome genérico "subsídios") dos Deputados Estaduais. III. Dizemos anômalo porque não é propriamente um Estado. para os Deputados Federais. aí instalada em 21 de abril de 1960. Quanto ao Poder Legislativo Estadual. nos seguintes termos: "§ 1º Perderá o mandato o Governador que assumir outro cargo ou função na administração pública direta ou indireta. assunto que trataremos em item específico. IV e V". "§ 2º Os subsídios do Governador. através de plebiscito. Ainda em relação aos Estados Federados. setenta e cinco por cento daquele estabelecido. também constante no art. a capital da República. § 4º. 3.3 O Distrito Federal É no Distrito Federal que se situa Brasília. 18. que acontecem os fatos decisivos para o destino do País. enfim. Elevado a ente federado. no máximo. em virtude de concurso público e observado o disposto no art.

tampouco um município, embora mais daquele se aproximando. Não possui municípios pois vedada lhe é sua divisão em Municípios, constituindo a cidade de Brasília uma das oito regiões em que foi dividido para fins administrativos. Podemos dizer que o Distrito Federal não é Estado, nem Município porque possui características de ambos, para além de algumas muito peculiares, próprias suas. Sua auto-organização pode ser percebida no art. 32, caput, regendo-se por Lei Orgânica (o que é uma característica de município). Seu autogoverno está contemplado no art. 32, §§ 2º e 3º, onde notamos possuir Governador (e não Prefeito Municipal, sendo, portanto, uma característica de Estado Federado, inclusive podendo o Governador do Distrito Federal ser reeleito por um período subseqüente, por força da nova redação do art. 14, § 5º da CF/88), sendo que seu Poder Legislativo é composto por Deputados Distritais (nomenclatura sui generis), bem como possui uma Câmara Legislativa (nomenclatura diferente das utilizadas nos Municípios e nos Estados Federados). A função jurisdicional é prestada pelo Poder Judiciário da União (o que mais uma vez o difere dos Municípios e dos Estados Federados). Por fim, sua autoadministração indica que possui competência exclusiva, ou seja, as mesmas definidas aos Estados Federados e aos Municípios. 3.4 Os Municípios Nunca é demais lembrar que a autonomia municipal no Brasil antecede à própria autonomia dos Estados Federados, porém os Municípios só foram elevados à categoria de entes federados com a atual Constituição Federal. Em estudo comparativo interno e externo verificamos que, dentre os países que adotam sistemas federativos, poucos elevam o município à altura federativa e, dentre os que o fazem, em menor número ainda, ou talvez mesmo nenhum nenhum ousou conferir à autonomia municipal o grau culminante registrado no Brasil. O federalismo tridimensional brasileiro institucionalizado pela CF/88, no dizer de Paulo Bonavides, não encontra paralelo "em qualquer outra forma contemporânea de organização do Estado" (BONAVIDES, 1994, p. 322). Mas o fato de o município fazer parte do pacto federativo, esbarra em uma dificuldade, qual seja, a de que os municípios não participam da formação da vontade federal, como o fazem os Estados Federados e o Distrito Federal por meio da eleição de representantes para o Senado Federal. A autonomia municipal pode ser verificada no texto da Constituição Federal de 1988 da seguinte maneira: a) auto-organização, no art. 29, caput, prevendo que são regidos por meio de Leis Orgânicas próprias, embora o Município não tenha um poder constituinte municipal; b) autogoverno, previsto no art. 29, I e II (Poder

Executivo, sendo que o Prefeito passou a poder ser reeleito para um período subseqüente, conforme disposto na nova redação do § 5º, art. 14, CF/88, dadas as modificações operadas pela Emenda Constitucional nº 16/97, a qual prevê segundo turno nas eleições para aqueles municípios onde a maioria não seja alcançada no primeiro turno, desde que tenham mais de 200 mil eleitores) e no art. 29, IV (Poder Legislativo), sendo que não possui o Poder Judiciário, sendo a função jurisdicional prestada pelo Poder Judiciário Estadual; c) auto-administração, significando a possibilidade de prestação e manutenção de serviços de interesse local, como por exemplo o serviço de coleta de lixo, ou o de limpeza urbana. Apenas duas observações quanto aos cargos máximos do Poder Executivo dos Municípios. Em primeiro lugar, observamos que os Prefeitos Municipais desfrutam de privilégio de foro, cabendo ao Tribunal de Justiça do Estado respectivo, conforme o art. 29, VIII. Mas tal prerrogativa não atinge os Vice-Prefeitos. A segunda observação é chamar a atenção para as alterações que sofreu o art. 29, inciso V da Constituição pelo texto da Emenda Constitucional nº 19/98, no que se refere à remuneração, passando a dizer que os "subsídios do Prefeito, do Vice-Prefeito e dos Secretários Municipais" serão fixados por lei de iniciativa da Câmara Municipal, observado o que dispõem os arts. 37, XI, 39, § 4º, 150, II, 150, III, e 153, § 2, I. Quanto à fixação da remuneração dos membros do Poder Legislativo Municipal, também o inciso VI do mesmo artigo acima visto foi modificado, dizendo que os subsídios dos Vereadores será fixado por lei de iniciativa da Câmara Municipal, na razão de, no máximo, setenta e cinco por cento daquele estabelecido, em espécie, para os Deputados Estaduais, observado o que dispõem os arts. 39, § 4º, 57, § 7º, 150, II, 153, III, e 153, § 2º, I. Importa ressaltar, também, que o número de edis (vereadores) é definido pela Constituição para cada Município, proporcionalmente ao número de habitantes, fixando um mínimo de nove e um máximo de cinqüenta e cinco vereadores (art. 29, IV). Quanto às garantias constitucionais, os vereadores são invioláveis (art. 29, VI), mas não imunes, ou seja, não desfrutam da imunidade que alcança os Deputados Estaduais e os Deputados Federais. São invioláveis por opiniões, palavras e votos no exercício do mandato proferidos na área territorial de sua circunscrição municipal, mas não fora dela. As proibições e incompatibilidades a que são submetidos são similares às impostas aos parlamentares estaduais e federais, mas como são desprovidos da imunidade, são processáveis em juízo, por crimes comuns, independentemente de autorização da respectiva Câmara Municipal de Vereadores. Atualmente existem no Brasil 5.507 Municípios, os quais não devem ser confundidos com as Comarcas, que fazem parte da divisão

judiciária. Pela regra do art. 18, § 4º da Constituição Federal é admitida a criação, a incorporação, a fusão e o desmembramento de Municípios, o que deverá ser feito por lei estadual, dentro de período determinado por lei complementar federal, e dependerá sempre de consulta prévia, mediante plebiscito, às populações dos Municípios envolvidos, após divulgação dos Estudos de Viabilidade Municipal, apresentados e publicados na forma da lei. Importa ressaltar que este parágrafo 4º sofreu duas modificações pela Emenda Constitucional nº 15/96, quais sejam, a lei complementar referida antes era estadual e não federal, e a exigência de realização de prévios estudos sobre a viabilidade municipal. Esta última alteração foi feita para evitar a proliferação desenfreada de Municípios para depois constatar-se que os mesmos não têm condições de manteremse economicamente. Basta vermos que, dos mais de 5.500 municípios hoje existentes no País, em torno de 1.600 apareceram nos últimos dez anos, ou seja, após a promulgação da Constituição Federal. E a primeira modificação indicada foi realizada para fazer jus ao fato de o Município ser ente federativo, pois se compõe a Federação é natural que uma lei complementar que fixe regras gerais sobre sua existência ou transformação deva ser federal, e não estadual. 4. Dos Bens E Da Repartição De Competências PolíticoAdministrativas E Legislativas Entre As Entidades Federativas Nesta parte há que se atentar para a peculiaridade de que primeiro a Constituição Federal apresenta os bens de cada unidade federada, para depois oferecer as respectivas competências. 4.1 Bens e domínio públicos Bens públicos são aqueles que pertencem à União, ao Distrito Federal, aos Estados Federados e aos Municípios. Em sentido amplo, bens públicos são todas as coisas, corpóreas ou incorpóreas, imóveis, móveis ou semoventes, créditos, direitos e ações, que pertençam a qualquer título, às entidades estatais, autárquicas, fundacionais. Todos os bens públicos são nacionais, podendo ser federais, estaduais ou municipais. A administração e a proteção desses bens cabe unicamente ao Poder Público, podendo valer-se dos meios administrativos e judiciais comuns e especiais para a garantia da propriedade e a defesa da posse. No conceito de administração de bens, normalmente compreende-se o poder de utilização e conservação das coisas administradas e, em sentido amplo, também a alienação dos bens que se revelarem inúteis ou inconvenientes ao domínio público, e a aquisição de novos bens, necessários ao serviço público. O conjunto de bens sujeitos ou pertencentes ao Estado, decorrente da soberania, constitui o domínio público. A expressão ora significa o

poder que o Estado exerce sobre os bens próprios e alheios, ora designa a condição desses bens, ou ainda pode designar o regime a que se subordina esse complexo de coisas afetadas de interesse público. Vale lembrar que os bens públicos apresentam as características da imprescritibilidade (é conseqüência lógica de sua inalienabilidade originária: se os bens públicos são originariamente inalienáveis, segue-se que ninguém pode adquiri-los enquanto guardarem essa condição, daí não ser possível a invocação de usucapião sobre eles), da impenhorabilidade (decorre do preceito constitucional que dispõe sobre a forma pela qual serão executadas as sentenças judiciárias contra a Fazenda Pública, sem permitir a penhora de seus bens, admitindo, no entanto, o seqüestro da quantia necessária à satisfação do débito, conforme CF/88, art. 100) e da não-oneração (a não possibilidade de oneração dos bens das entidades estatais, autárquicas e fundacionais decorre da inalienabilidade e da impenhorabilidade). Os bens da União vêm definidos no art. 20, I, inicialmente por sua própria definição, pois diz a Constituição que são os que "atualmente lhe pertencem" e os que lhe vierem a ser atribuídos. Após, enumera mais dez incisos nomeando os bens da União, como por exemplo "as terras tradicionalmente ocupadas pelos índios" (inciso XI), terras essas das quais os índios possuem a posse permanente. Os bens dos Estados Federados são determinados (embora de maneira não taxativa) no art. 26 da Constituição Federal. E os bens dos Municípios são determinados por exclusão, ou seja, serão aqueles que não pertencerem à União, aos Estados Federados ou a terceiros. Esse regime de divisão de bens pode, na prática, gerar situações um tanto estranhas, como por exemplo em relação ao solo e ao subsolo, em que o subsolo pertence à União, assim como o direito de explorar as riquezas minerais, mas o solo pertence ao Município. Neste caso, conforme Ives Gandra Martins cabe, portanto, à União, respeitar a propriedade do solo que pertence ao município para fins de não degradá-lo quando da exploração do subsolo (não afetar a riqueza do solo, nem a paisagem, nem o meio ambiente).

4.2 O sistema constitucional brasileiro de repartição de competências Mas afinal o que é competência? A competência corresponde à possibilidade jurídica de emitir decisões e legislar. Na repartição de competências está a essência do princípio federal, diz Rosah Russomano, afirmando que a mesma pode ser competência horizontal (quando o Estado Federal insere "estas ou aquelas

30. aos Estados Federados competem as matérias de que se vinculam a seu próprio território e de interesse predominantemente regional e aos Municípios as de interesse local. admite delegações. abrangendo obviamente o domínio das suas relações externas. A competência que é exclusiva dos Municípios está determinada no art. sendo que em relação à segunda modalidade de competência o Estado fixa o que se chama "condomínio legislativo" (RUSSOMANO. 93-94). a competência é definida em razão do interesse predominante! Assim: à União competem as matérias de interesse nacional. que a competência vertical engloba também o Distrito Federal e os Municípios.2. Sempre. § 1º. por fim. A competência exclusiva da União está prevista nos 25 incisos do art. 4. delimitando as suas próprias fronteiras normativas) ou competência vertical (quando o Estado Federal distribui igual matéria legislativa entre União e Estados Federados). pela disposição constitucional atual.2.1 Competência Exclusiva É aquela que não admite delegação. em nosso regime constitucional atual.matérias no âmbito de atuação desta ou daquela entidade federada". por exemplo. assim se dá a atual repartição de competências: 4. p. a competência que é exclusiva do Distrito Federal está positivada no art. Não podemos nos olvidar. § 3º. por exemplo. A da União. 4. e aqui acolhemos uma crítica efetuada por José Afonso da Silva. sendo atribuída a uma entidade com exclusão das demais. § 3º.2 Competência Privativa É aquela que. que cada vez está mais difícil e mais problemático discernir o que seja um interesse apenas estadual. e 25. A competência exclusiva dos Estados Federados aparece nos artigos 18. 1997.2. 32. que também não o seja municipal ou federal. É o que acontece quando os Estados Federados recebem uma competência a partir do disposto no . Mas é bem verdade. enumerada como própria de uma entidade. no entanto.3 Competência Delegada Ocorre quando a entidade recebe sua competência por delegação daquela que a tem originariamente. E. está prevista no art. sendo que pelo seu § Único pode ser delegada por lei complementar aos Estados Federados (e tão somente a eles). ou seja. tudo quanto concerne ao País em sua totalidade. 22. Em todo o caso. 21.

2. em sentido material.2.4 Competência Comum É aquela prevista no art. em sentido formal. os Estados Federados e os municípios cabendo. soberania e de manutenção da ordem jurídica vigente.5 Competência Concorrente É aquela utilizada em setores concorrentes. pelo que aconselhamos pesquisa atenta e estudo comparativo entre o texto constitucional original e o reformado. é o conjunto das funções necessárias aos serviços públicos em geral. Sendo o Brasil uma Federação formada pela união indissolúvel dos Estados e Municípios e do Distrito Federal. é o conjunto de Poderes e órgãos constitucionais. estruturalmente a esses postulados constitucionais. Distrito Federal e Municípios têm atuação paralela e concomitante em áreas gerais. algumas palavras sobre Governo e Administração. 22. 4. é expressão de comando. em sentido material. sofreu recentemente várias e profundas modificações pela Emenda Constitucional nº 19/98. que são termos que andam juntos e muitas vezes confundidos. 23. Governo. pela qual União. convém registrarmos que o Capítulo VII da Constituição. as linhas gerais devem ser estabelecidos através do Poder Legislativo da União. o comando da administração ao respectivo chefe do Poder Executivo. E. de 4 de junho de 1998. justamente o que se refere à Administração Pública. Entretanto. deixando de fora os Municípios! 5. para começarmos. Princípios Constitucionais Regentes Da Administração Pública Como Função Do Estado Antes de iniciarmos o tratamento dos princípios constitucionais informativos das atividades da Administração Pública. é o conjunto de órgãos instituídos para consecução dos objetivos do Governo. Já Administração Pública. em pé de igualdade. os Estados Federados e o Distrito Federal. visto acima.§ Único do art. desde que não contrariem a espécie normativa federal. com . Prevista no art. que assegura autonomia políticoadministrativa aos entes federados. em que os traços básicos. devido à descentralização territorial político-administrativa. frisamos que engloba apenas a União. meramente administrativa. Estados Federados. é o complexo de funções estatais básicas. há também uma descentralização institucional. mas expressam conceitos diversos. Daí a partilha de atribuições entre a União. competindo aos Estados Federados e ao Distrito Federal suprir as lacunas existentes na lei. A Organização Administrativa brasileira mantém estreita correlação com a estrutura do Estado e a forma de governo adotadas. a sua administração corresponde. 24. em sentido formal. em cada um deles. 4.

impessoalidade. 37. dentro da organização estatal. incentiva. CF/88. criando relações jurídicas com outras pessoas. deve obedecer aos princípios constitucionais previstos no art. dos Estados. diversamente da área privada. e ainda assim. aos mandamentos da lei. O interesse público constitui limitação à atuação administrativa. até prova em contrário (presunção juris tantum ou relativa. bem como norteia entidades e órgãos (estrutura). para essas finalidades. aos cidadãos em geral. Pois bem. eficiência [. publicidade. de qualquer dos Poderes da União.. Não possui ela o mesmo grau de liberdade de ação que os administrados. quando e como autorizada. Se a lei nada dispuser. por mínima que seja. públicas ou privadas. em toda sua atividade. Segundo o Princípio da Moralidade o ato e a atividade da Administração Pública devem obedecer não só à lei. mas à própria . e com os cidadãos. salvo situações excepcionais. Tanto a Administração Pública quanto seus agentes estão sujeitos. É determinação constitucional que a instituição e a alteração da estrutura da Administração Pública só podem ser feitas por Lei. "e". é a Administração Pública que aparece como sujeito de direitos porque é ela que aplica a lei aos casos concretos para a consecução imediata das necessidades coletivas. Qualquer ação estatal só pode ser feita se autorizada por lei. fiscaliza e intervém e. sob pena de invalidade do ato e responsabilidade de seu autor. fica integralmente submetida à norma legal. os quais podem tudo fazer desde que não exista vedação legal.distribuição de funções públicas e de interesse coletivo a entes Autárquicos e Paraestatais. não por decretos ou outro ato infralegal. É um campo de ação bem menor que o do particular. caput. § 1º. que admite prova em contrário). Por outro lado. não pode a Administração Pública agir. Ela é que presta serviços.]" (grifamos). in verbis: "A administração pública direta e indireta. Ainda pelo Princípio da Legalidade. agentes públicos (pessoas físicas) e atividades públicas (funções a serem desempenhadas). deles não podendo se afastar. moralidade.. da Constituição Federal de 1988. edita atos e celebra contratos. 61. Pelo Princípio da Impessoalidade tem-se que a atividade administrativa deve ser destinada a todos administrados. os atos administrativos presumem-se verdadeiros e conformes ao Direito. do Distrito Federal e dos Municípios obedecerá aos princípios de legalidade. na tarefa de realizar os fins desejados pelo Estado. E ocorre que qualquer atividade que realize. já que tem que ser sempre impessoal quanto aos beneficiários de sua atividade. Pelo Princípio da Legalidade a Administração Pública. conforme o disposto no art. sem discriminação de qualquer natureza. o interesse público informa todo o sistema jurídico-administrativo.

sem prejuízo da ação penal cabível. aplicando a relação custo-benefício. trata-se aqui dos Crimes de Responsabilidade. sobretudo a partir dos avanços ou retrocessos ocasionados em tal seara pela referida Emenda Constitucional.717/65. Pelo Princípio da Publicidade é obrigatória a divulgação oficial dos atos praticados pela Administração Pública. o Princípio da Eficiência. os atos de improbidade administrativa importam suspensão dos direitos políticos. a perda da função pública. os desejos dos administrados são contínuos e a atividade da Administração Pública é ininterrupta. na Administração Pública. não vamos exaurir o assunto. o que acabou por afetar também algumas cláusulas constitucionais que regiam a organização e o funcionamento dos três Poderes. CF) e a demora histórica na permissão do direito de greve aos servidores civis. também ditos Crimes Políticos. Existem outros princípios que norteiam a atuação da Administração Pública. porque não param os anseios da coletividade. como o Princípio da Finalidade. § 4º. 6. Lei nº 4. embora sem previsão diretamente constitucional. o Princípio da Moralidade Administrativa significa que a conduta do administrador ou do servidor público deverá ser de acordo com a moral social. explicando a vedação de greve aos militares (art. apenas elencaremos alguns tópicos que julgamos mais importantes. com o intuito de a Administração Pública buscar resultados satisfatórios em suas atividades com o menor custo possível. que ainda está por ser regulamentada. que impõe à Administração Pública apenas a prática de atos voltados para o interesse público. Ato que favorece ou persegue interesses particulares é nulo por desvio de finalidade. Todo o ato administrativo deve ser publicado porque pública é a Administração que o pratica. que é novidade em nosso Direito Constitucional Administrativo. Dada a extensão da matéria a respeito dos servidores públicos. Enfim. 37. Por fim. Pelo art. pelo qual os serviços públicos não podem parar. por meio da qual foi realizada a Reforma Constitucional Administrativa. introduzido que foi pela Emenda Constitucional nº 19/98.moral. . Há também o Princípio da Continuidade. conforme a Lei da Ação Popular. CF/88. Modificações Introduzidas Pela Reforma Constitucional Administrativa De 1998 A Emenda Constitucional nº 19/98. provocou inúmeras modificações no seio da organização administrativa do Estado Federal como um todo. A Administração Pública E Os Servidores Públicos Civis E Militares. § 5º. A moralidade administrativa está ligada ao conceito do bom administrador. a indisponibilidade dos bens e o ressarcimento ao erário. que é aquele que faz o melhor e o mais útil para o interesse público. 42.

37. A Emenda Constitucional nº 19/98 estendeu. II. Devemos observar ainda que a reserva de percentual de cargos para as pessoas portadoras de deficiência não afasta da exigência de caráter geral relativa ao concurso público. permitindo-a expressamente quanto: . chefia e assessoramento. Antes de continuarmos é preciso ressaltar que o art.429/92. a posse e o exercício de agente público ficam condicionados à apresentação de declaração de bens e valores (cujo conteúdo deve ser constantemente atualizado). Entretanto. nos casos. sendo que para os dois casos (funções de confiança ou cargos em comissão) o exercício somente poderá ser nas atribuições de direção. RDA. CF temos a previsão da obrigatoriedade de concurso público para ingresso no serviço público. reconhecendo a conveniência de melhor aproveitamento da capacidade técnica e científica de determinados profissionais. ressalvados os cargos em comissão. que trata do enriquecimento ilícito. e em maior número no Executivo. é ilegal se ocorrer sem motivação (STF. 37. abriu algumas exceções à regra de não-acumulação. A acumulação remunerada de cargos. conforme o inciso VIII do art. no Judiciário. no inciso I do art. entende o Supremo Tribunal Federal que a exclusão ou reprovação em concurso público com base em critério subjetivo. 37. empregos e funções públicas é proibida. empregos e funções públicas também aos estrangeiros. 50/113). contando também com a inclusão em seu texto de mais três parágrafos (7º. 37. na forma prevista em lei". CF). a fim de seja arquivada no Serviço de Pessoal. No inciso V do art. como a avaliação sigilosa de conduta do candidato. A inovação acarretada pela Emenda Constitucional no inciso em comento foi a inserção da ressalva de que os concursos públicos serão realizados "de acordo com a natureza e a complexidade do cargo ou emprego. a própria Constituição Federal. 37 fez-se uma modificação referente às funções de confiança e cargos em comissão. contanto que haja disponibilidade de horários.São servidores públicos todos os que mantêm com a Administração Pública. Em face do art. tanto na Administração Direta quanto na Indireta (art. onde foram introduzidas duas importantes regras: uma dizendo que as funções de confiança são exercidas exclusivamente por servidores que ocupem cargos efetivos. Existem no Legislativo. Em termos penais são considerados "Funcionários Públicos". Pelo art. os cargos. 13 da Lei 8. Para qualquer caso. 37 da CF/88 teve vários incisos modificados. sob um regime de dependência. na forma da lei. da CF/88. XVI e XVII. condições e percentuais mínimos previstos em lei. 8º e 9º). outra dizendo que os cargos em comissão são preenchidos por servidores de carreira. uma relação de trabalho de natureza profissional e perene.

os servidores públicos civis da União. pelo poder público". De forma excepcional. e consiste no subsídio fixado para os Ministros do Supremo Tribunal Federal. b) a de um cargo de professor com outro. a partir da sua promulgação. não se admitindo a percepção de excesso a qualquer título. tenha transposto três anos de efetivo serviço (CF/88. a Constituição Federal declarou estáveis. caput). 37. Salientamos que o teto. da Câmara dos Deputados e do Senado Federal (Poder Legislativo) e do Supremo Tribunal Federal (Poder Judiciário). 48. conforme art. do Distrito Federal e dos Municípios. quando de sua promulgação. 29 da Emenda que os subsídios. 41. inciso XV. 37. direta ou indiretamente. passando a incluir também "subsidiárias" das sociedades de economia mista e "sociedades controladas. dos Estados. que não poderá ser ultrapassado com a soma das remunerações dos dois cargos acumulados. aos limites decorrentes da Constituição Federal. além de as possíveis irregularidades atualmente existentes necessitarem correção. foram ampliadas as possibilidades de proibição de acumulação. em exercício na data de 5/10/88. diz o art. há pelo menos 5 anos . 37. As principais modificações introduzidas pela Emenda Constitucional nº 19/98 no tocante à remuneração dos servidores e agentes públicos dizem respeito aos "subsídios" e ao "teto salarial". art. ou seja. dever-se-á observar o disposto no inciso XI do mesmo art. ou seja. De acordo com as mudanças ocasionadas pela Emenda Constitucional nº 19/98 no inciso XVII do art. não pela modificação dos cargos. técnico ou científico. no entanto. mas pelo aumento do rol dos entes onde os agentes públicos detêm cargos públicos. Em qualquer dos casos permitidos. o teto máximo remuneratório. Ou seja. ou seja. proventos da aposentadoria e pensões e quaisquer outras espécies remuneratórias deverão adequar-se. remuneração. A estabilidade é uma garantia constitucional de permanência no serviço público outorgada ao servidor que. tenha transposto o estágio probatório de três anos. XI. c) a dois cargos privativos de médico. da Administração direta. foi previsto no art. dependendo a fixação do mesmo de lei de iniciativa conjunta dos chefes máximos dos Poderes: dos Presidentes da República (Poder Executivo).a) a dois cargos de professor. vencimentos. aquele limite remuneratório que deverá valer para todo e qualquer agente público da República Federativa do Brasil. ninguém dentre os agentes públicos poderá perceber mais do que um Ministro do Supremo Tribunal Federal. A partir disso. autárquica e fundacional públicas. nomeado por concurso para cargo de provimento efetivo.

sendo que a CF/88 só a concede aos Magistrados (art.480. 37. na União. de 3/5/95 que até que surja tal lei complementar (lei "específica". § 3º) e aos membros do Ministério Público (art.continuados. ADCT). outra regra que diz respeito à estabilidade é a que assegura o prazo de dois anos de efetivo exercício para aquisição da estabilidade aos atuais servidores em estágio probatório. acrescentado à Constituição pela Emenda Constitucional nº 19/98. Mas a vitaliciedade. a estabilidade não lhe será conferida automaticamente. VII. diz o Decreto nº 1. Assim. 28 da Emenda). § 5º. Quanto aos servidores vitalícios. são aqueles investidos em caráter perpétuo no cargo. o que somente se dará mediante processo administrativo em que lhe sejam assegurados o contraditório e a ampla defesa. 247 e seu Parágrafo Único. Na redação original da Constituição de 1988 o seu art. I. existe uma terceira hipótese. conforme o disposto no art. . Autárquica e Fundacional. 41). na forma de lei complementar. 41). e que não tivessem sido admitidos na forma regulada no art. 39 instituiu o "regime jurídico único e planos de carreira" para os servidores civis da Administração Direta. ordinária portanto. "mediante procedimento de avaliação periódica de desempenho. Mas isto já é passado! Quanto à estabilidade nos dias atuais. sendo-lhe exigida uma "avaliação especial de desempenho por comissão instituída para essa finalidade" (§ 4º do art. 37. a Constituição continua a garanti-la após a Emenda Constitucional que realizou a Reforma Administrativa. aos Ministros do Tribunal de Contas da União (art. 41 da CF/88 (conforme o disposto no art. "a"). CF (conforme o disposto no art. 95. mas de forma a permitir a perda do cargo pelo servidor público estável. assegurada ampla defesa" (inciso III do § 1º do art. qual seja. previsto no art. por ser um princípio desnecessário ao serviço público. temos que as principais modificações efetivadas pela Reforma Administrativa no que diz respeito à estabilidade e ao estágio probatório foram: o estágio probatório que era de dois anos passou a ser de três. sem prejuízo da avaliação a que se refere o § 4º do art. Quanto ao direito de greve. compensação ou cômputo para fins de contagem de tempo de serviço ou de qualquer vantagem que o tenha por base. 19. vem sendo vedada nos textos constitucionais. o que antes da reforma só se daria em virtude de sentença judicial transitada em julgado ou mediante processo administrativo em que lhe fosse assegurada ampla defesa e. foram ampliadas as possibilidades de servidor estável perder o cargo. as faltas decorrentes da participação de servidor público federal em greve não poderão ser objeto de abono. pelo texto atual pós Emenda Constitucional nº 19/98). na hipótese de insuficiência de desempenho. Pela mesma Emenda. 128. mesmo o servidor tendo cumprido os três anos de efetivo exercício. após a reforma. 73. I).

das Autarquias e das Fundações Públicas Federais está consubstanciado na Lei nº 8. pois o tratamento legal aplicável aos mesmos é muito específico e diferente da legislação aplicada aos trabalhadores urbanos e rurais. garantia de salário. salário-família para os seus dependentes. para os que percebem remuneração variável. etc. ampliando suas vantagens. já que se faculta à administração a sua adoção. 7º. licenças. caput.Estados. Mas como a Reforma Administrativa (Emenda Constitucional nº 19/98. estão os mesmos detalhadamente estabelecidos na Constituição Federal (muitos dos quais já vimos acima). 39) não o exige mais. insalubres ou perigosas (CF art. Apesar de a Constituição Federal. aposentadoria. Entende. por lei. casos de contratação por tempo determinado. embora não se cuida de pura extinção do regime até então aplicado. dizer que compete à Justiça do Trabalho conciliar e julgar reivindicações dos servidores públicos. § 2º. ainda. § 2º) estendeu diversos direitos dos trabalhadores urbanos e rurais aos servidores públicos civis. em seu art. não permitindo que outros lhes sejam acrescentados: salário mínimo. A par destes existem outros direitos decorrentes da função pública. combinado com o art. adicional de atividades penosas. XXIII). em seu art. 13º salário. deveres e direitos dos servidores. o administrativista Hely Lopes Meirelles reconhece que tal não condiz com a realidade. nunca inferior ao mínimo. assim. só era assegurada aos magistrados). tendo o tornado de opção facultativa para a Administração Pública.112/90. a serem observados pelos estatutos das entidades estatais e de seus desmembramentos autárquicos e fundacionais. forma e limites de remuneração. que as reivindicações de servidores públicos não-regidos pela . Distrito Federal e Municípios. irredutibilidade do salário (garantia que. nos vencimentos. remuneração do trabalho noturno superior à do diurno. ou não. 39. a situação prática pode parecer um pouco confusa. gratificações. Os direitos foram detalhados. os agentes são servidores do público. O regime estatutário existente. consubstanciando-se no exercício do cargo. planos de carreira. mas na imposição dos deveres e na concessão dos direitos. etc. investiduras em cargos em comissão e funções de confiança e. Quanto aos direitos a CF/88 (art. férias. 39. vale dizer. que dispõe preceitos sobre o ingresso no serviço (por concurso público). antes do advento da Constituição Federal de 1998. adicionais. o Regime Jurídico dos Servidores Civis da União. o que significa ter afastado o regime trabalhista até então utilizado por algumas Administrações para a contratação de seu pessoal para certas atividades. Especificamente quanto aos direitos e deveres dos servidores. a Administração deve sempre ter em vista o interesse coletivo na obtenção dos serviços públicos. 114. excluídas desse regime as empresas públicas e as sociedades de economia mista.

o zelo. a eficácia e a consciência dos princípios morais são primados maiores que devem nortear a atuação do servidor público. Quanto aos servidores públicos militares. ou o cumprimento de ordens ilegais acarretalhe responsabilidade disciplinar e criminal). a competência é da Justiça do Trabalho. respectivamente. E agora. dos Estados. Quanto à aposentadoria. a dignidade.172/97 estipula: "O servidor civil ou militar da União. do Distrito Federal ou dos Municípios. da CF/88: "São servidores militares federais os integrantes das Forças Armadas e servidores militares dos Estado. o de conduta ética (decorre do princípio constitucional da moralidade administrativa (inovação da Constituição Federal de 1988) e impõe ao servidor público a obrigação de jamais desprezar o elemento ético de sua conduta. 42. 11. 7º do Decreto nº 2. os estatutos modernos lhes impõem uma série de deveres. o de obediência (impõe ao servidor o acatamento às ordens legais de seus superiores e sua fiel execução. a sindicalização e a greve. E assim têm entendido os tribunais: "a causa de pedir e o pedido" definem a competência.10. o decoro. sendo que o nãocumprimento destas. diz o art. e a filiação partidária enquanto em efetivo serviço. que lhes proíbem. parece-nos que os servidores passam a ter o dever da competência. bem como o das respectivas autarquias e fundações. e Súmula 97). da Justiça Comum (STF. pelo qual o servidor está obrigado a cumprir as ordens legais. nessa . ensejadora de demissão . resulta da subordinação hierárquica e assenta no princípio disciplinar. é excluído. que são a matriz dos demais. mas já se acham compreendidos nos deveres de fidelidade e obediência. Em relação a eles gostaríamos de destacar apenas o conteúdo dos §§ 5º e 6º do art. O art. Quanto aos deveres dos servidores públicos. Outros deveres são comumente especificados nos estatutos.Consolidação das Leis Trabalhistas devem ser julgadas na Justiça Comum. Pleno. Se fundamentados na CLT.171/94). 42. impedindo que o mesmo atue contra os fins e os objetivos legítimos da Administração Pública. De acordo com o Código de Ética Profissional do Servidor Público Civil Federal (Dec. como requisitos para o bom desempenho de seus encargos e regular funcionamento dos serviços públicos. Territórios e Distrito Federal os integrantes de suas polícias militares e de seus corpos de bombeiros militares". nº 1.desligamento compulsório do serviço público). os servidores públicos estão sujeitos a outro regime Previdenciário que não o Regime Geral da Previdência Social.93. após a inclusão do princípio da eficiência dentre os que regem toda a atuação da Administração Pública por força da Emenda Constitucional nº 19/98. Salientam-se os deveres de lealdade ou de fidelidade (exige de todo servidor a maior dedicação ao serviço e o integral respeito às leis e às instituições constitucionais. vindo do sistema inglês. pois se assim agisse incorreria em infidelidade funcional. caso contrário.

A Constituição Federal de 1988 estabelecia. c) voluntária: prevista no art. "b". 40. aos 65 anos de idade para homens e aos 60 para mulheres. art. combinando os requisitos de idade e tempo de contribuição. ou se tornaram incapacitados para suas funções. Assim: a . com proventos integrais. e proporcionais nos demais casos). do Regime Geral de Previdência Social-RGPS [. do art. com proventos proporcionais ao tempo de serviço). com proventos integrais. e não mais por três. E o regime próprio a que pertencem é o Plano de Seguro Social de Servidor. Agora as possibilidades vigentes são aquelas que partem de um tempo mínimo de efetivo exercício no serviço público. art. iniciando pela regra de que os "proventos são proporcionais ao tempo de contribuição". desde que esteja sujeito a regime próprio de previdência social". após 30 anos de serviço para homens e após 25 anos para as mulheres. em seu texto original. b) compulsória: agora prevista no art. agora passa a ser fixada por apenas dois critérios. após 30 anos de efetivo exercício de magistério para homens e 25 para mulheres. moléstia profissional ou doença grave. para além disso.. I. Regra geral. com proventos proporcionais ao tempo de serviço. que nos casos de exceção. O critério que não existe mais é aquele que possibilitava a aposentadoria voluntária unicamente por tempo de serviço. para depois dizer. "d". CF/88 (sendo os proventos integrais quando decorrentes de acidente em serviço. 40. três espécies de aposentadoria: por invalidez permanente. 40. com proventos proporcionais ao tempo de serviço) e voluntária. e isto quer dizer que tampouco estes dois critérios possam ser aplicados de maneira isolada. CF/88 (aos 70 anos de idade. § 1º. com as seguintes modificações: a) por invalidez: agora a Constituição especifica que a proporcionalidade (cabível nas mesmas hipóteses anteriores à Reforma) é relativa ao tempo de contribuição. Aposentadoria é a garantia de inatividade remunerada reconhecida aos servidores que já prestaram longos anos de serviço com paralela contribuição. passou a ter proventos proporcionais à contribuição. e não mais ao tempo de serviço. II. III. para o qual os servidores recolhem contribuição enquanto segurados. "c". compulsória. 40 inverteu a ordem das duas modalidades de proventos. os proventos serão integrais. porém.].condição. contagiosa ou incurável.. § 1º. III. CF/88 (quando requerida pelo servidor após 35 anos de serviço para homens e após 30 anos de serviço se mulher. os três tipos ou espécies de aposentadoria continuam a existir. 40. "a". 40. o inciso I do § 1º. especificadas em lei. como sucedia antes. II. na seqüência. Mas ocorre que esta matéria toda sofreu profundas modificações por conta da Emenda Constitucional Nº 20/98. art. mais conhecida como Emenda da Reforma Previdenciária. após a Emenda Constitucional Nº 20/98. de 15 de dezembro de 1988.

desde que cumprido tempo mínimo de dez anos de efetivo exercício no serviço público e cinco anos no cargo efetivo em que se dará a aposentadoria. em relação ao disposto no § 1º. E também não existe mais a possibilidade de aposentadoria pela soma apenas dos critérios idade e tempo de serviço. o direito à aposentadoria. b) sessenta e cinco anos de idade. se mulher. se homem. conforme decisão reiterada do Supremo Tribunal Federal. observados critérios que preservem o equilíbrio financeiro e atuarial e o disposto neste artigo" (.). dos Estados. também modificaram-se as regras relativas à aposentadoria de professores. para que. III . sua situação não se alterará pela edição de lei modificadora. o novo texto constitucional. III. não existe mais. 202.aposentadoria do tipo voluntária que se dava apenas pelo critério do tempo de serviço.. a contagem recíproca do tempo de atividade privada e pública para efeitos de aposentadoria. A despeito das modificações ocorridas. abaixo. o leitor possa ter maior clareza das mudanças ocorridas especificamente quanto à aposentadoria voluntária. Note-se. Em função disso.) § 5º Os requisitos de idade e de tempo de contribuição serão reduzidos em cinco anos. observadas as seguintes condições: a) sessenta anos de idade e trinta e cinco de contribuição. (. ainda.. calculados os seus proventos a partir dos valores fixados na forma do § 3º: (. com proventos proporcionais ao tempo de contribuição.. incluídas suas autarquias e fundações.voluntariamente. originariamente.. Art. com proventos integrais ou proporcionias a esse tempo. garantia que continua mantida. de modo que. do Distrito Federal e dos Municípios. a. é assegurado regime de previdência de caráter contributivo. 40: "Aos servidores titulares de cargos efetivos da União. e sessenta anos de idade. para o professor que comprove exclusivamente tempo de efetivo exercício das funções de magistério na educação infantil e no ensino fundamental e médio".). porém com modificações efetuadas pela Emenda Constitucional nº 20/98: a partir dela a garantia não .. e cinqüenta e cinco anos de idade e trinta de contribuição. com estas explicações. Transcrevemos. se o servidor não a requereu na vigência desta.. § 1º "Os servidores abrangidos pelo regime de previdência de que trata este artigo serão aposentados. se mulher. que a Constituição Federal (na redação antiga: art. se homem. adquire-se com o preenchimento dos requisitos exigidos pela lei da época. § 2º) assegurava.

permissionários e autorizatários. hipótese em que os diversos regimes de previdência social se compensarão financeiramente. não abrangendo. conforme o texto constitucional: "Para efeito de aposentadoria. os prestadores de serviços públicos respondem diretamente pelos danos que vierem a causar a terceiros (art. ainda. a atuação dos particulares sempre dá-se mediante regulamentação e controle do Poder Público. é assegurada a contagem recíproca do tempo de contribuição na administração pública e na atividade privada. por empresas privadas e particulares individualmente (concessionários. 21. conforme disposição expressa do § 11 do art. O direito à Pensão por Morte. pela CF/88. mas sim no § 9º do art. E. 7. desse modo. o qual também deve ser observado no que se refere à percepção de proventos de inatividade. finalmente. 37 da Constituição Federal. ou. fundações públicas. § 6º). 40.está mais prevista no § 2º do art. que lhe é imposta. 201. conforme CF/88. Responsabilidades Das Pessoas Jurídicas Públicas E Dos Agentes Públicos O poder público pode realizar centralizadamente seus próprios serviços. por meio dos órgãos da Administração Direta. compreende a reparação dos danos causados pelos atos ilícitos. previsto no inciso XI do art. fundacionais e paraestatais que integram a Administração Indireta (autarquias. 37. ou prestá-los descentralizadamente. sendo desta responsabilidade que trataremos a seguir. 7. de requisição. como sucede nos casos de desapropriação. que estava previsto no art. de . segundo critérios estabelecidos em lei". em sua redação dada pela Emenda Constitucional nº 20/98. 202. relembramos a existência do teto remuneratório a todos aqueles que percebem remuneração da Administração Pública (direta ou indireta. tendo sido o tempo de serviço substituído pelo tempo de contribuição. arts. correspondendo o benefício à totalidade dos vencimentos ou proventos do servidor falecido ou ao valor dos proventos a que teria direito o servidor em atividade na data de seu falecimento. empresas públicas e sociedades de economia mista).1 Responsabilidade civil do estado No contexto colocado anteriormente. está agora previsto em seu § 7º. § 5º. rural e urbana. de ressarcir os danos causados a terceiros por suas atividades. Por fim. Em quaisquer dos últimos casos. por meios de entes paraestatais de cooperação que não compõem a Administração Direta nem a Indireta (serviços sociais autônomos e outros) e. a indenização devida em decorrência da atividade legítima do Poder Público. Tradicionalmente. XII e 175). 40. através das entidades autárquicas. a responsabilidade civil do Estado pode ser entendida como sendo a obrigação legal. autárquica ou fundacional).

por isso mesmo. em 1946 e 1947). Neste assunto atualmente vige a teoria publicística da responsabilidade do Estado. Substituiu-se a culpa civilística (não bastava para explicar o dano oriundo de falha da máquina administrativa) pela noção de culpa publicística e a responsabilidade do Poder Público não mais baseia-se nos critérios preconizados pelo Direito Civil (privado). nenhum escritor autorizado contesta a responsabilidade do Estado pelos atos de seus representantes estando até mesmo nas legislações o princípio da irresponsabilidade superado (EUA e Inglaterra foram os últimos países a abandoná-la. que se cogitar de responsabilidade do Poder Público se a vítima da lesão não comprovar o nexo causal entre o serviço público e o prejuízo sofrido. que a Administração deva indenizar sempre e em qualquer caso o dano sofrido pelo particular. sem se indagar se o ato ou omissão (atividade comissiva ou omissiva) de agente administrativo provém do jus imperii ou do jus gestionis.execução compulsória de medidas sanitárias. ao mesmo tempo em que a doutrina aboliu a distinção entre os atos de império/jus imperii (funções essenciais para manter a ordem constitucional e jurídica. subconcessionárias. Significa. através da citada regra constitucional. contudo. pelo anonimato do agente. agindo como gestor de interesses coletivos). é a diminuição ou subtração de um bem jurídico) e o nexo de causalidade material (entre o ato administrativo . A grande novidade da CF/88 foi estender essa responsabilidade às pessoas de direito privado prestadoras de serviços públicos (empresas concessionárias. que a vítima fica dispensada de provar a culpa da Administração. Há consenso dos autores e também na jurisprudência quanto a entender que o Direito brasileiro adotou. Nada mais. não fica na dependência da comprovação da culpa do agente. o dever de indenizar não se sujeita ao elemento subjetivo. Como elementos. embora atualmente a responsabilidade desfruta de maior amplitude. permissionárias. O risco administrativo (fundamento constitucional da responsabilidade civil na espécie) não significa. à consideração de falha da máquina administrativa. uma vez que ambos são formas da atuação administrativa. Segundo o sistema objetivo. É efetivamente objetiva a responsabilidade do Estado pela obrigação de indenizar. Não há. Atualmente. segundo a jurisprudência. a teoria da responsabilidade objetiva do Estado. passando a compreender também os danos injustos causados por uma atividade lícita da Administração. além das empresas públicas e das sociedades de economia mista). pela qual correu a despersonalização da culpa. nas quais o Estado estaria livre de qualquer reparação mesmo quando danosos aos súditos) e os de gestão/jure gestionis (funções facultativas. apenas requer-se o dano sofrido pelo particular (dano. em sentido lato. transformando-a. para satisfazer necessidades sociais de progresso e bemestar. ou seja.

civil e penal do servidor público Pelo Princípio da Tutela da Probidade. Na relação Estado-funcionário quanto ao encargo ressarcitório. ou se poderá a Fazenda Pública chamar ao processo o funcionário faltoso. 15 do Código Civil que. 37. nos termos da parte final do mesmo dispositivo constitucional. na forma do art. O elemento culpa é previsto constitucionalmente (na segunda parte do § 6º. Estado federado ou município) restaurar o patrimônio diminuído. 77. Essa obrigatoriedade de indenizar decorre do art. em seu contexto individualista. 37. possam causar a terceiros. O que importa frisar neste item é que a CF/88 alargou consideravelmente o conceito de responsabilidade civil em relação ao dado pelo art. art. As entidades devem reparar o dano mesmo sem culpa. porém. Então.2 Tutela da probidade e responsabilidade administrativa. mas a responsabilidade civil do servidor é subjetiva. 7. do mesmo Código. 37. traduz-se em atos de seus funcionários. que é a regra geral da responsabilidade objetiva civil do Estado em face do dano que seus funcionários. 70. Não há. cabe ao Estado (União. enquanto ação do Estado. A individualização da culpa ou dolo do agente público interessa apenas para fins de regresso. Como a ação da Administração Pública. o direito de regresso contra o servidor que executou certo ato com abuso de poder. CF) apenas para assegurar a ação regressiva das pessoas jurídicas contra os funcionários causadores do dano quando tiver havido dolo ou culpa deles. CF/88. § 5º. sendo que essa recomposição não prescreve. discutese a eventual instauração de litisconsórcio passivo. § 6º da CF. III. nessa qualidade. assim. sem que afete a responsabilidade objetivo do Estado perante terceiro prejudicado.e o prejuízo causado). desse elemento subjetivo para a obrigação de indenizar. recomposto o patrimônio do lesado. conforme art. só a reconhecendo quando tivesse havido dolo ou culpa do funcionário-representante. que deve ser efetuada no curso da ação) a que se refere o art. não ultrapassou os limites da teoria civilística da responsabilidade do Estado. em qualquer caso: prescinde-se. eliminada a perquirição de qualquer elemento psíquico ou volitivo: o prejuízo sofrido é conseqüência do funcionamento (regular ou irregular) do serviço público (Teoria do Risco Administrativo). bens e serviços) no interesse . a ação do administrador deve consubstanciar-se na correta gestão dos negócios públicos e no manejo dos recursos públicos (dinheiro. consenso quanto à forma de exercício do direito de regresso contra o funcionário responsável. entre os doutos. cabe ao Estado. III. Código de Processo Civil. se a execução de ato abusivo de poder causar dano ou prejuízo para o ofendido. a denunciação da lide (o Supremo Tribunal Federal tem entendido que o caso é de denunciação à lide.

direta ou indiretamente. de órgão público bem como daquelas para cuja criação ou custeio o erário haja contribuído com menos de 50% do patrimônio. Todos os crimes funcionais e os de responsabilidade são delitos de ação pública. ou dela se beneficiado. do Distrito Federal. Sem prejuízo da ação penal. servidor ou não. estão sujeitos às penalidades da lei os atos de improbidade praticados contra o patrimônio de entidade que receba subvenção.429/92. sendo imprescritível a ação de ressarcimento por ilícitos que causem prejuízo ao erário). 9º quando desproporcional. por nomeação. o que permite a instauração do processo respectivo mediante comunicação de qualquer pessoa à autoridade competente e denúncia do Ministério Público. seja pela via eletiva. c) os que atentam contra os princípios da Administração Pública (art. assim.429/92 classifica e define os atos de improbidade administrativa em três espécies: a) os que importam enriquecimento ilícito (pelo seu art. com ou sem remuneração. o enriquecimento ilícito é presumido. dos Territórios ou dos Municípios ou. A improbidade administrativa (dos agentes públicos) é regulada pela Lei 8. a Lei 8. com o que também assegura-se aos administrados o seu direito a práticas administrativas honestas e probas. Fora do campo penal. ainda. a lei em pauta não necessita de processo criminal para aplicação de suas sanções. 10). indireta ou fundacional de qualquer dos poderes da União. qual seja. vínculo ou mandato. O agente ativo é o agente público. dos Estados. assim. Do mesmo modo. Também são abrangidos pela legislação aqueles que. Impõe-se. b) os que causam prejuízo ao erário público (art. cargo. eis que foi prevista ação civil de improbidade para imposição das penas (suspensão dos direitos políticos. cabendo ao agente público a prova de que foi lícito. fiscal ou creditício. emprego ou função em qualquer dos níveis da Administração Pública direta. ou seja. . à prática da improbidade. à segunda parte deste item. de qualquer modo. que exerce. em empresa incorporada ao patrimônio público ou em entidade para cuja criação haja concorrido capital público com mais de 50% do patrimônio ou da receita anual. o controle da imoralidade administrativa até pela sobrevivência do Estado Democrático de Direito. Passemos. contratação ou qualquer outra forma de investidura. que disciplina as hipóteses e comina as respectivas sanções. indisponibilidade dos bens e ressarcimento do erário.coletivo. 11). com a inversão do ônus da prova). tenham concorrido ou induzido. mesmo não sendo agentes públicos. perda da função pública. benefício ou incentivo. designação. a responsabilização dos servidores públicos. no qual os interesses coletivos devem prevalecer sobre os interesses particulares. embora transitoriamente.

312 a 327). Aqui tratamos. uma vez que a administrativa decorre da situação estatutária.027/90. Em si. civil e criminal (Lei federal nº 8. aprimoramentos ou até corrupções. um atributo do Estado. a teoria clássica da separação dos poderes. de reparar (reparação material. dividiu-se o Poder em três funções típicas. perante a justiça comum (depende da comprovação da sua culpa em ação regressiva. e a penal está prevista no Código Penal. portanto. Capítulo V Da organização dos poderes e da divisão de competências e funções 1. pecuniária) o dano causado à Administração. Não há. no desempenho de suas funções ou a pretexto de exercê-las. Considerações Gerais Sobre O Princípio Da Separação Dos Poderes O Poder é uma manifestação da soberania. A responsabilidade de que cuida a CF/88 (art. o Executivo. o Legislativo e o Judiciário. Assim. Nasce esta com o ato lesivo e culposo. e se exaure com a indenização em dinheiro. Mas como já visto no Capítulo sobre os Princípios Fundamentais da República Federativa do Brasil. ao longo do tempo. Essa responsabilidade independe das demais (administrativa e penal) e se apura na forma do direito privado. com o fito histórico de limitar o Poder Absoluto das Monarquias. art.Os servidores públicos. em capítulo dedicado aos crimes funcionais (arts. § 6º) é a civil. devendo ser independentes entre si. apenas da Responsabilidade Civil. sendo. da Primeira Parte desta obra. por culpa ou dolo no desempenho de suas funções. em sua doutrina a noção de "lei" é o elemento fundamental que . 8º). que tem direta previsão constitucional e que é a obrigação que se impõe ao servidor. constitucionalmente. podem cometer infrações de três ordens: administrativa. Essencial para a existência da responsabilização civil é que o ato culposo do servidor cause dano patrimonial à Administração. aquela concebida pelo gênio do Barão de Montesquieu em seu Do Espírito das Leis foi sofrendo. passando a existirem. A responsabilidade civil não impede a deflagração das responsabilidades administrativa e penal se a atuação dos servidores públicos configurar ilícitos dessa natureza. responsabilidade objetiva ou sem culpa. como uma garantia contra as arbitrariedades e para evitar a ingerência descontrolada de uma função sobre a outra. para o servidor. três Poderes Constituídos. e ainda assim o fazemos brevemente. o poder é uno. Originariamente. proposta pela pessoa jurídica de direito público. sendo possibilitada a divisão do aspecto funcional do poder estatal. diferenciações. quais sejam. 37.

o que a leva a centrar-se em um Estado de Direito. a Emenda fixou um teto remuneratório. o disposto no art. contenciosamente: Legislativo. como é o exemplo das Medidas Provisórias as quais.36 No entanto. previsto no inciso XI do art. 2). p. 2. 1998. os Ministros de Estado e os Secretários Estaduais e Municipais serão remunerados exclusivamente por subsídio. Executivo e Judiciário" (FERREIRA FILHO. em qualquer caso. manteve nele muitos institutos jurídico-políticos próprios de sistema Parlamentarista. adicional. Estas são. fixado em parcela única. mormente à fixação do quantum remuneratório. passamos diretamente a uma visita panorâmica para vermos como os Poderes do Estado estão previstos e organizados no texto da Constituição da República Federativa do Brasil. No Brasil. 37. E cumpre observar também o disposto pelo § 6º do mesmo artigo 39: "Os Poderes Executivo. prêmio. obviamente ser pelos três executadas. embora tendo estabelecido um sistema Presidencialista. apesar de os constituintes terem conduzido os trabalhos com o firme propósito de criar um Sistema de Governo Parlamentarista. a Constituição. 37 (tendo por base o subsídio remuneratório dos Ministros do Supremo Tribunal Federal). sob pena de inconstitucionalidade. abono. o qual deve ser analisado sempre em conjunto com o disposto no art. o terceiro também a aplica. obedecido. regras comuns aos três Poderes e que deverão. pois aí é o lugar onde são dadas linhas gerais para o tratamento do assunto. X e XI". portanto. 39. o "membro de Poder. verba de representação ou outra espécie remuneratória. também possam estar resultando. § 4º da CF. mas não sem antes delimitarmos desde já as principais modificações provocadas pela Reforma Administrativa. pela Emenda Constitucional nº 19/98. porém. na prática. ou seja. no que diz respeito a assuntos comuns dos três Poderes.norteia a separação dos poderes. o que mais tarde foi confirmado pelo Plebiscito de 21 de abril de 1993. proibido o acréscimo de qualquer gratificação. em um uso abusivo. O Poder Legislativo No texto da Constituição Federal de 1988 o Poder Legislativo é . o detentor de mandato eletivo. É Manoel Gonçalves Ferreira Filho quem explica como a visão clássica erigiu três poderes em torno da noção de lei: "Um faz a lei. outro a executa. Como já visto em outro item. Após esse esclarecimento inicial. embora tendo substituído a figura autoritária do Decreto-lei. Assim: no que diz respeito especificamente à remuneração. Legislativo e Judiciário publicarão anualmente os valores do subsídio e da remuneração dos cargos e empregos públicos". o texto final da Constituição de 1988 manteve o Sistema de Governo Presidencialista e a Forma Republicana.

porém além de suas atribuições legislativas. e 49. O órgão legislativo da União é o Congresso Nacional. todas as Câmaras Legislativas podem alterar seu subsídio durante o ano em curso. Congresso Nacional e bicameralismo. composto pela Câmara dos Deputados e pelo Senado Federal. 61. 49 da CF/88 é pródigo em inovações. pois. exerce também outras. Assim. portanto. § 2º. o Congresso Nacional é a soma das suas duas Casas. 44 ao 75. Trata-se. 29. Ambas as Casas que compõem o Congresso Nacional são dirigidas pelos seus respectivos Presidentes e demais membros das Mesas Diretoras. eis que nas esferas municipais e estaduais os poderes legislativos respectivos possuem estrutura e funcionamento unicameral. introduzidas pela Emenda Constitucional nº 19/98. Notamos que o art. desde já. respectivamente. 64. não dependendo mais. sendo. 2. no Brasil a organização estrutural do Poder Legislativo é de sistema bicameral. Adiantamos. em suas três esferas (federal. ou também denominadas Câmaras. que pelas modificações nas regras do art. sendo a função legislativa de competência da União exercida pelo Congresso Nacional. indo dos arts. V. § 2º e no art.tratado no Capítulo I do Título IV. ambos da CF/88). integrados. ampliando . estadual e municipal). ao passo que o Senado Federal representa muito mais aos Estados Federados e ao Distrito Federal. Na composição do Congresso Nacional a Câmara dos Deputados representa muito mais a soberania popular. Prerrogativas dos parlamentares: inviolabilidade e imunidade Diferentemente de países que adotam o unicameralismo para estruturar o poder legislativo. 27. No entanto. No bicameralismo brasileiro não há predominância substancial de uma Câmara sobre a outra. de uma permissão que atinge o Poder Legislativo como um todo. por Deputados Federais e Senadores da República. quais sejam: as meramente deliberativas. apresentando um total de 594 congressistas.1 Estrutura e funções. sendo o ramo popular do Poder Legislativo. Chamamos a atenção para o detalhe de que o bicameralismo no Brasil é adotado apenas na esfera federal do Poder Legislativo. as de julgamento de crimes de responsabilidade. a Câmara dos Deputados goza de certa primazia relativamente à iniciativa legislativa (o que se pode verificar no art. Mas a Presidência do Congresso Nacional é exercida pelo Presidente do Senado Federal. portanto. o representante da Autonomia dos entes federados no Poder Legislativo central. as de fiscalização e controle. da regra que estipulava que a sua fixação deveria ser sempre para o ano subseqüente. e as constituintes. típico da Federação. VII da Constituição Federal.

o poder do Congresso Nacional. Ambas as prerrogativas são institutos correlatos. apenas impede o processo sem licença. retornando o parlamentar à condição de cidadão comum reabre-se o processo. na autorização para exploração mineral nas terras indígenas e na alienação de terras públicas. E como o indeferimento do pedido de licença ou a ausência da deliberação a respeito suspendem a prescrição apenas enquanto durar o mandato. Parlamento quer dizer "lugar onde se fala". por meio de atribuições exclusivas no que diz respeito à autorização de referendos e plebiscitos. pelo menos em relação ao primeiro suplente. Abordamos. até porque. na escolha de membros do Tribunal de Contas da União. para que possam desenvolver suas atribuições com independência e sem correr o risco de sofrer quaisquer perseguições políticas por manifestações que façam. é um privilégio constitucional. a primeira relacionada com o Direito Penal. cargo de Ministro de Estado) ficará a descoberto. se a casa à qual pertence conceder-lhe licença para tal). . 53. aquelas garantias oferecidas pela Constituição aos parlamentares. desta forma. por outro lado. Salientamos que pela vigente ordem constitucional tais prerrogativas não são extensíveis aos suplentes dos parlamentares. como acontecia na vigência da Constituição de 1934. o parlamentar que se afastar da sua atividade (para assumir. no controle das atividades nucleares. desde que proferidos no desempenho das funções) e de imunidade processual (pela qual o congressista só pode sofrer processo-crime. eis que as garantias lhe são oferecidas pela Constituição Federal exatamente em função de sua atividade legislativa. A atividade parlamentar é garantida pela Constituição Federal através das prerrogativas de inviolabilidade no exercício do mandato (que vem a ser a possibilidade de opiniões. e a segunda própria do Direito Processual Penal. § 1º e § 2º. qual seja. por exemplo. palavras e votos sem que haja configuração delituosa. Outra prerrogativa dos parlamentares é o privilégio de foro. na concessão e renovação de canais de rádio e televisão. cuja fórmula atual é fruto de um período em que se acreditava que o Poder Judiciário pudesse ser utilizado para perseguições políticas. porque é possível que um parlamentar acusado criminalmente tente a reeleição e assim vá postergando a sua presumível punição). A respeito de sua atual configuração constitucional. eliminando-se. Quanto a esta última prerrogativa. e até no acompanhamento dos resultados das viagens presidenciais. a sinonímia que a prática brasileira acabou estabelecendo entre imunidade e impunidade (sim. E. conforme o disposto no art. convém esclarecer que a mesma não exclui o crime. por fim. e notemos que a proteção não vale para a esfera civil. se emitem opiniões. etimologicamente. a imunidade. e onde se fala.

o Superior Tribunal de Justiça e os cidadãos promovem a iniciativa no . qual seja. O número de deputados federais é estabelecido por Lei Complementar (a LC nº 78/93). 53. 484): um Estado que tenha 400 mil habitantes terá 8 deputados eleitos. E para concordar com as críticas. § 4º da Constituição Federal. conforme o previsto no art. 2. 45. é a população. Convém lembrar que antes do advento desta Lei. 1997. de acordo com o art. fixando a Lei Complementar referida o número máximo de 513 Deputados Federais. escolhidos pelo sistema proporcional. São Paulo. já que é o mínimo exigido pela Constituição. ferindo com isso outras disposições constitucionais relativas às características do voto. Assim. o número máximo era de 503. e um Estado que tenha 30 milhões de habitantes terá 70 deputados eleitos. mas é ela quem determina reajustes a serem feitos pela Justiça Eleitoral em cada ano anterior às eleições.1 A Câmara dos Deputados A Câmara dos Deputados é composta pelos representantes do povo. conforme art. eleitos nos Estados. o máximo permitido pela Constituição.1. § 1º da Constituição Federal. o Supremo Tribunal Federal. pois não possibilita o voto com igual valor para todos. equivalendo a um deputado para cada 50 mil habitantes. 45. sendo que já nas eleições de 1994 a bancada do Estado de São Paulo na Câmara foi elevada de 60 para 70. mas brutal desproporção! Pode-se dizer que a Câmara dos Deputados goza de certa primazia sobre o Senado Federal. p. de modo a nenhum dos Estados ou o Distrito Federal terem menos de 8 ou mais de 70 Deputados (conforme art. quanto à iniciativa legislativa. que permitia (e talvez ainda permita) uma super-representação dos Estados menos populosos.571 habitantes. equivalendo a um deputado para cada 428. tendo ela aumentado em dez cadeiras a representação do Estado mais populoso do País. cujo critério de fixação. pois perante ela é que o Presidente da República. 45. Ora. que até então só poderia eleger até 60 Deputados Federais. § 1º). no Distrito Federal e nos Territórios Federais (caso houvesse algum. em qualquer matemática isso não é proporção. Assim. Mas embora a mudança operada pela Lei Complementar nº 78/93. esse critério da proporcionalidade continua sendo muito criticado. § 2º). arremata o autor. já vistas anteriormente.competindo ao Supremo Tribunal Federal julgar os deputados federais e os senadores. veio a Lei tentar corrigir algumas distorções no sistema proporcional brasileiro. o número total de membros da Câmara dos Deputados não é fixado pela Constituição. basta apresentarmos um simples exemplo montado pelo constitucionalista José Afonso da Silva (SILVA. para legislaturas (período do mandato parlamentar) com a duração de 4 anos.

§ 2º e 64 da CF/88. época em que a legislação estabelecia que a cada três anos seria eleito um senador por Estado. sendo três representantes para cada um dos vinte e seis Estados e mais três para o Distrito Federal (27x3 = 81). por dois terços de seus membros. conforme arts. como mantenedor da Federação. veremos que este mandato dos senadores nem sempre foi de oito anos. não raro. tal como os Deputados Federais. sendo a representação renovada de 4 em 4 anos. sendo que cada um elege três Senadores (com dois suplentes para cada um). por outro lado. A razão apontada para a duração diferenciada do mandato dos senadores é a de dar ao Senado maior estabilidade. significando que em relação a eles não se obedece o . diferentemente do que ocorrerá em 2002. e outras constantes no art. Mas se formos nos debruçar um instante sobre a história das nossas instituições político-jurídicas. Foi em 1934 que o mandato sofreu a redução de um ano. pois ocorre que embora sejam os representantes das entidades federativas mencionadas. CF. quando os outros dois senadores que foram escolhidos em 1996 serão substituídos (ou reeleitos). A Câmara dos Deputados possui atribuições exclusivas (como autorizar. Observamos que o caput deste artigo se refere a competências "privativas". alternadamente. Já na República. Esta sistemática de renovação faz com que sempre existam no Senado Federal 81 Senadores da República.1. Fica a pergunta: como conciliar a tese da representação do Estado com situações como esta? Já dissemos que os Senadores da República são eleitos pelo princípio majoritário. para um mandato de 8 anos. 61.processo de elaboração das leis. Existem. pelo princípio majoritário.2 O Senado Federal O Senado Federal é composto por representantes dos Estados Federados e do Distrito Federal. mas na verdade são "exclusivas". haja vista que no Império Brasileiro os senadores eram vitalícios. críticas que são dirigidas à essência da vocação dos Senadores da República. 2. a Constituição de 1891 fixou em nove anos o tempo de permanência de um parlamentar no Senado. em 1998 cada Estado e o Distrito Federal elegeram um senador. 46. vindo a defender programas diversos aos interesses do Estado. também são eleitos diretamente pelo povo. permanecendo assim até hoje. por um e dois terços. Dessa forma. já que não admitem delegação. e na prática dá-se o caso. 51 da CF/88). conforme previsão do art. de os Senadores de um Estado serem de um partido adversário ao do Governo Estadual. a instauração de processo contra o Presidente e o Vice-presidente da República e os Ministros de Estado.

Em todos os casos. não tomam posse em seus cargos. sendo esta. sem desprezar a constitucionalidade material. desempenhada pelo processo legislativo. Pelo mesmo art. 52 da CF/88). 52. havendo um mesmo número (três) fixo para cada ente federado que pode elegê-los (a partir desse número determinado. de maneira a garantir-lhes a constitucionalidade formal.2 Funções típicas e atípicas Sabidamente. quando é secreta. mais uma manifestação do grande poder que tem o Senado Federal. . a votação é secreta. vemos. A sabatina é pública. e que se sucedem na elaboração das espécies normativas. ou seja. pois várias autoridades indicadas pelo Presidente da República devem ser argüidas (sabatinadas) e aprovadas por esta Casa do Congresso Nacional. I (pelo qual a Câmara dos Deputados autoriza a instauração de processo contra o Presidente e o Vice-Presidente da República e os Ministros de Estado) e 52. do contrário. sua função típica. é eleito quem fizer mais votos). salvo no caso do Procurador-Geral da República e dos Ministros do Supremo Tribunal Federal. 51.3 O processo legislativo Por processo legislativo podemos entender o cumprimento de todos os ritos necessários.critério populacional. no entanto. a exemplo do que ocorre pelo disposto no art. Precisam ser aprovados pelo Senado Federal: Ministros dos Tribunais superiores. são-lhe atípicas. I (pelo qual o Senado Federal processa e julga o Presidente e o Vice-Presidente da República e os Ministros de Estado nos crimes de responsabilidade). 51. Procurador-Geral da República. o Poder Legislativo tem como principal e básica função a de legislar. os Anais do Senado não registram quais os senadores que votaram contra ou a favor do candidato. chefes de missão diplomática (Embaixadores). inciso III. nos termos dos arts. e outras dispostas no art. Presidente e diretores do Banco Central. como ocorre também com os outros Poderes. 2. como administrar. 2. e a aprovação dá-se por maioria simples com a presença da maioria absoluta dos membros da comissão. o Procurador-Geral da República e o Advogado-Geral da União também nos mesmos crimes. IV (pelo qual dispõe sobre sua organização) e julgar. No entanto. quando a Constituição exige maioria absoluta de votos. de elaborar as leis que regem o País. somente seu resultado. existem algumas atribuições que são privativas do Senado Federal (como por exemplo processar e julgar o Presidente e o Vice-presidente da República nos crimes de responsabilidade e os Ministros de Estado nos crimes da mesma natureza conexos com aqueles. Ministros do Tribunal de Contas da União. salvo no caso dos embaixadores. Assim como em relação à Câmara dos Deputados. portanto. em tese. também exemplificativamente. bem como os Ministros do Supremo Tribunal Federal. acaba por realizar outras funções que.

acentuando o formalismo do processo. tratamento diferenciado em relação à Constituição de 1967. a eliminação da irreformabilidade da República. como a localização do Poder Constituinte da Revisão no domínio comum do processo legislativo. a redução do quorum na deliberação sobre o veto presidencial (a derrubada de um veto presidencial dar-se-á não mais por voto qualificado de dois terços) e a inclusão da matéria reservada à lei complementar no elenco da indelegabilidade. medidas provisórias. alteração e consolidação das leis. redação. Em seu art. Há sempre uma estrutura básica em torno da qual dão-se os ritos do processo de elaboração legislativa. a delegação legislativa ao Presidente da República. 59. análise e deliberação das mesmas. a iniciativa popular das leis complementares e ordinárias. a delegação de competência legislativa às Comissões é uma modalidade de descentralização legislativa e recebeu. no aguardo da reformulação dos novos regimentos das Casas do Congresso. a ampla iniciativa privativa deste e a legislação pelas Comissões. adotando a terminologia que surgiu na Constituição de 1967. A Constituição Federal de 1988 manteve no Capítulo do Poder Legislativo a Seção dedicada ao processo legislativo.O processo da elaboração legislativa anterior à Constituição de 1988 prevaleceu mesmo depois dela durante quase um ano. a competência . a ampliação dos casos de irreformabilidade constitucional. mas de maneira geral o processo formal sobre propostas de legislação gira em torno da apresentação. O novo texto constitucional brasileiro vinculou o processo legislativo à elaboração de emendas à Constituição. decretos legislativos e resoluções. leis complementares. o regime de urgência na apreciação dos projetos de iniciativa do Presidente da República. § 2º). sendo que é a primeira vez que uma Constituição Federal prevê a extensão da iniciativa legislativa aos cidadãos. como o restabelecimento da iniciativa de proposta de emenda à Constituição Federal pelas Assembléias Legislativas dos Estados (participação dos Estados na vontade federal). prevê lei complementar a dispor sobre a elaboração. com força de lei. 58. a adoção das medidas provisórias. e não à Comissão Especial. Mas introduziu relevantes inovações. parágrafo único. na Constituição Federal de 1988. Por sua vez. leis ordinárias. dando tratamento constitucional às regras que comandam a formação dos atos legislativos. A atual Constituição Federal conferiu às Comissões Permanentes e Temporárias do Congresso Nacional (art. leis delegadas. o qual certamente atenuaria o autoritarismo do processo legislativo. Esta consagrou o procedimento autoritário do decreto-lei e não se utilizou do procedimento legislativo descentralizado. de modo geral. fases que veremos a seguir. A Constituição Federal manteve soluções acolhidas pela Constituição de 1967.

Pois bem. em favor dos Estados Federados e do Distrito Federal. É preciso mencionar-se. ao contrário. ainda. já que a composição das comissões e a escolha dos seus relatores obedece à proporcionalidade das bancadas existentes nas casas legislativas. manteve inclusive o seu fortalecimento. a competência concorrente com a União. procedimentos em matéria processual e direitos ou interesses coletivos como saúde. a Constituição Federal deu um importante passo para o fortalecimento de um federalismo de equilíbrio no Brasil. tendo alterado o modelo clássico do federalismo dual. Mas isso não conduziu ao enfraquecimento da iniciativa presidencial. tributário. pois através dela que é definida a forma de aprovação de cada espécie normativa. a competência concorrente não se confunde com a competência comum. após. processual de pequenas causas. na forma do Regimento. que a Constituição Federal de 1988 introduziu. previdenciário. urbanístico. caracterizada pelo comando constitucional à atuação cooperativa de todos os entes político-administrativos com relação às matérias enumeradas. em que a União edita normas gerais. consumidores. Por fim. e os Estados Federados editam as normas específicas. qual seja. vermos as várias fases do mesmo. meio ambiente. como o decreto-lei e a aprovação dos projetos por iniciativa do Presidente da República por decurso de prazo. especialmente os de autoria dos senadores. educação. Com a introdução da competência concorrente. colocando à disposição do Presidente da República a adoção de "medidas provisórias com força de lei" (concebidas em função do regime parlamentar de governo) e a solicitação de urgência legislativa para apreciação de projetos de sua iniciativa. Porém. penitenciário. que prestigia o trabalho das comissões e imprime maior rapidez à tramitação de projetos. mencionamos que a legitimidade de tais decisões não é prejudicada. A Constituição de 1988 eliminou manifestações autoritárias do processo legislativo. para.para discutir e votar projeto de lei que dispensar. isto é. deu às Comissões do Senado Federal e da Câmara dos Deputados uma nova responsabilidade. a de aprovar ou rejeitar projetos de lei sem a necessidade da anuência do plenário. não exaustivas. patrimônio histórico e cultural) conforme o Título "Da Organização do Estado". complementares ou suplementares. menores. Tratamos aqui do que se chama teoria das normas. É a chamada "decisão terminativa". econômico. vejamos agora algo sobre o "como" da criação legislativa. algumas regras relativas à forma com que o processo legislativo é desenvolvido. Feitas essas considerações de cunho geral. a deliberação do plenário. Assim. por tal teoria temos que quórum é o número mínimo necessário . para legislarem sobre diversas matérias enumeradas (incluindo os direitos financeiro.

prevista no art. A maioria simples. e ainda no art. que é justamente o que se passa com nossas duas casas legislativas federais: o Senado Federal é composto por 81 senadores. E é esta precisamente a regra do art. Por maioria devemos entender sempre mais da metade. Os quóruns podem ser de maioria simples. por último. todos da Constituição Federal. ou nada dispuser a respeito. para que a sessão deliberativa possa ter início. § 2º (perda de mandato de parlamentares). . desde que presente a maioria absoluta dos membros da casa. Constitui-se a partir do primeiro número inteiro acima da metade. 55. como é o caso da aprovação das leis ordinárias. e a Câmara dos Deputados por 513 deputados. § único (casos de julgamento de impeachment). sendo prevista constitucionalmente para as deliberações mencionadas no art. alínea "b" (fixação de alíquotas pelo Senado Federal). E. na Constituição Federal de 1988. e não em relação ao número de membros de uma casa deliberativa. I e art. visto que por esse entendimento será impossível apurá-la quando a casa se compuser de um número ímpar de membros. a maioria qualificada já indica em seu nome a exigência de uma qualificação no quórum. Esta é a regra. que diz: "Salvo disposição constitucional em contrário. 52.de integrantes de uma casa legislativa para o início de uma deliberação. Diz-se relativa por tratar-se de maioria que é calculada relativamente aos presentes. sendo errôneo considerá-la como metade mais um. 66. 155. 86 (admissão de acusação da Câmara dos Deputados contra o Presidente da República nos crimes de responsabilidade) e no campo do Direito Tributário. b) e a de 2/3 (dois terços). presente a maioria absoluta de seus membros". faz-se o arredondamento da medade. uma exigência de maior número de votos para as deliberações. Já a maioria absoluta leva em conta o número dos membros efetivos. há que entender-se que está se tratando de maioria simples. § 4º (rejeição de veto presidencial). ou relativa. de maioria absoluta ou de maioria qualificada. cujo quórum não está explicitado na Constituição. 47 da Constituição Federal. 69 (leis complementares). prevista no art. § 2º. inciso V. as deliberações de cada Casa e de suas Comissões serão tomadas por maioria dos votos. Nestes casos. sendo que em todas as vezes em que o texto constitucional não dispuser de forma contrária. § 2º (Propostas de Emenda à Constituição). mas é possível confirmar que é de maioria simples pela consulta aos Regimentos Internos da Câmara dos Deputados e do Senado Federal. isto é. no art. 60. deve ser calculada sempre em relação aos votos daqueles presentes em uma sessão. 51. no art. Temos. no art. a previsão de dois tipos de maioria qualificada: a) a de 3/5 (três quintos) dos membros da casa.

que o quórum de dois terços é o mais severo.1 Iniciativa legislativa A iniciativa legislativa é o ato que deflagra. gostaríamos de enfatizar que todas as fases a serem vistas adiante pressupõem a observação de regras e "técnicas legislativas" para o aperfeiçoamento da criação normativa. Mas antes disso. objetivas. e a da publicação.3. 2.3. por fim. como muitas vezes aos próprios doutrinadores e aplicadores do Direito.1. isto sem falar naqueles diplomas legais que terminam com a pouco esclarecedora e tradicional frase "revogam-se as disposições em contrário". pelo menos do ponto de vista da semântica e da propriedade de linguagem. conforme os quóruns exigidos. em que pese existirem essas regras todas. Que disposições? Não se costuma indicá-las na nova lei. que dá início ao processo de elaboração de uma espécie normativa. a da promulgação. a sanção ou o veto. Compreende a competência atribuída pela Constituição Federal a alguém ou a algum órgão para apresentar um projeto de lei. embora não seja diretamente aplicado ao processo legislativo.1. já que é o maior quórum que temos previsto no ordenamento constitucional. quais sejam: a da iniciativa. Dependendo da espécie normativa as votações são feitas em cada casa separadamente ou em conjunto. o mais difícil de ser conseguido. passemos às várias fases que compõem o processo legislativo. podendo ser aprovado ou rejeitado. A votação é o ato de decisão que se toma sempre por maioria de votos. se não do ponto de vista ideológico. a da discussão. A casa que dá início ao processo legislativo é chamada Casa . acréscimo ou supressão a projeto de lei em tramitação). emenda e votação Apresentado um projeto de lei. Dizemos isso porque. das emendas e da votação. Entre uma e outra destas duas fases há a possibilidade de serem feitas emendas (proposta de modificação.1 Fases do processo legislativo Vistas as regras e os conceitos básicos que regem as deliberações constitucionalmente previstas. e em ser a esmagadora maioria dos nossos legisladores bacharéis em Direito. funcionando o Congresso Nacional em votação unicameral ou bicameral.Ressaltamos. podendo ser leis inteiras ou mesmo artigos de leis esparsas que passam a perder a eficácia. 2.2 Discussão. é o mesmo discutido e posteriormente votado. com vistas à elaboração de normas claras. parece que seguidamente a redação das leis mais serve para confundir do que para esclarecer os destinatários das normas jurídicas.3. 2.

no prazo de 48 horas.3. e a segunda casa é a chamada Casa revisora.3. de regra. tampouco pelo Vice-Presidente da República. não seguirá para a Casa revisora.1. podendo ser derrubado pelo voto da maioria absoluta dos membros Congresso Nacional. deverá o Vice-Presidente do Senado fazê-lo. será colocado na ordem do dia. 2. devendo a Casa na qual tenha sido concluída a votação enviar o projeto de lei ao Presidente da República.5 Publicação . nos casos em que são previstos sanção ou veto deste. No sistema constitucional brasileiro o veto é relativo. também em 48 horas.1. 51 e 52 da Constituição Federal. Em não havendo promulgação nem pelo Presdidente da República. e sim será arquivado na primeira.1. Se não apreciado no prazo. não exige sanção do Presidente da República para as matérias tratadas nos arts. porém. Sanção é a concordância expressa (quando apõe "sanciono") ou tácita (que se dá após 15 dias a partir do recebimento do projeto) do Presidente da República com os termos do projeto de lei que lhe chega do Poder Legislativo federal. em um só turno de discussão e votação. que em regra é a Câmara dos Deputados.3 Sanção ou veto Sanção ou veto somente recaem sobre projetos de lei e são atos legislativos de competência exclusiva do Presidente da República. isto é. necessário não olvidar que pelas regras dos artigos 65 e 66 da Constituição Federal. 48 da Constituição. 2. possui preferência em relação à apreciação de outras proposições). Pode o veto ser total ou parcial e deve ser oferecido no prazo de 15 dias a contar do recebimento do projeto. pelo Presidente da Câmara dos Deputados. no prazo de 30 dias. em seu caput. que há nova norma. o Presidente do Senado o fará. nunca o será. ao Presidente da República.iniciadora. o projeto de lei aprovado por uma das Casas sempre sempre revisto pela outra. sobrestadas as demais proposições até sua votação final (isto é. 2. Promulgar é declarar que a ordem jurídica foi inovada. se não conseguir os votos mínimos necessários para a sua aprovação. na Casa iniciadora. Caso não o faça no prazo. em sessão conjunta. Só são obrigatoriamente sancionáveis ou vetáveis os projetos de lei que recaiam sobre as matérias indicadas no art. É sempre expresso e motivado por inconstitucionalidade ou interesse público. Em nosso sistema constitucional a promulgação é obrigatória e cabe. nem pelo do Senado. tendo em vista que o próprio artigo. Neste particular. 49.3. Veto é a negativa de aquiescência do Presidente da República aos termos do projeto de lei.4 Promulgação É o ato que transforma o projeto de lei em lei. Mas se o projeto de lei for rejeitado (derrotado).

desde que a Constituição de 1988 foi promulgada.1 Emendas Constitucionais As Emendas Constitucionais demandam a forma de maior complexidade na elaboração legislativa do nosso ordenamento constitucional.3. com prevalência das Leis Complementares. Quando há necessidade. 2. Ao todo. Decorrem da atuação do Poder Constituinte Reformador e. já recebeu vinte Emendas Constitucionais. e o da hierarquia vertical das leis.3. (sendo que a de nº 20 realizou a Reforma Previdenciária. sendo que no processo legislativo é o maior quórum constitucional. 61 da CF/88. ao observarmos as espécies normativas aí previstas.2 Espécies Normativas A enumeração das espécies normativas de nosso regime constitucional está prevista no art.3. tudo o mais seriam normas infraconstitucionais. por outro lado. 59. que oportuniza a diferença entre Poder Constituinte Originário e Poder Constituinte de Reforma. 2. sem falarmos daquelas outras seis recebidas sob a forma de Emendas Constitucionais de Revisão. formais e circunstanciais que devem ser obedecidas na sua propositura já foram analisadas na Primeira Parte desta obra. necessariamente temos que obedecer três princípios constitucionais: o da supremacia da Constituição Federal sobre os demais atos normativos. após a promulgação (que deve dar-se pelas duas Mesas das Casas do Congresso Nacional. diferentes entre si. as restrições materiais (cláusulas pétreas).2. A legitimidade ativa. se tomamos o sistema vertical de construção escalonada do ordenamento jurídico. tendo sido promulgada no dia 15 de dezembro de 1998). Sua iniciativa está regulada pelo art. veremos que hierarquicamente superior mesmo são apenas as "emendas à Constituição".2. o da rigidez da Constituição escrita.É o ato pelo qual se leva ao conhecimento de todos ("todos" os que lêem o Diário Oficial da União!) a existência de uma nova espécie normativa. porque justamente visam a complementar o texto da própria Constituição.2 Leis Complementares Lei Complementar é espécie normativa destinada à complementação do próprio texto constitucional. importando controle da constitucionalidade destes. pois uma vez aprovadas e promulgadas passam a fazer parte do texto magno. A esse respeito poderíamos dizer que. incisos I a VII. tais casos sempre são expressos na Constituição Federal. Mas. 2. em sessão conjunta). quando tratamos amplamente do processo de reforma constitucional. não existindo consenso entre os doutrinadores se tais espécies guardam ou não relação de hierarquia entre si. Quanto às fases de discussão e . temporais (inexistentes para este caso). passam a integrar o próprio texto constitucional.

2. A discussão e a votação também dar-se-ão separadamente. pois que espécies normativas cabíveis nos casos onde não haja previsão expressa de lei complementar. A competência para a iniciativa é a mesma que para a Lei Complementar. caput. ressuscitando assim um problema detectado há séculos por Montesquieu e que se julgava contornado historicamente. conforme o art. 2. Mas podemos dizer que são as que existem em maior número. fica a critério subjetivo do Presidente da República decidir a respeito da . A indelegabilidade atinge projetos que cuidam de assuntos nos quais a discussão e a votação do Congresso Nacional são essenciais (conforme art. são espécies normativas elaboradas pelo Presidente da República. segue para a promulgação e publicação pelo Presidente da República.3 Leis Ordinárias Têm seu campo de aplicação definido por exclusão. 62 e seu parágrafo único da Constituição Federal. Os projetos de leis delegadas poderão ou não ser apreciados pelo Congresso Nacional. O poder dado aos Presidentes da República por meio do instituto Medida Provisória pode fazer dele um verdadeiro déspota.votação. é que deve ser aprovada por maioria simples. nos limites por este impostos. Para as leis delegadas não há a fase de veto ou sanção. o que é feito por resolução. em se tratando de projeto de iniciativa do Presidente da República. CF/88. de maneira que a única diferença formal existente em relação à Lei Complementar. 68 e seus parágrafos da Constituição Federal. Hoje. vem com novas feições (inclusive democráticas). 68.2.5 Medidas Provisórias Previstas no art.3. suas formações não se dão por autêntico processo legislativo. 64. § 1º. Na verdade.2. mas vem. § 1º. Uma vez aprovado o projeto de lei complementar.3.4 Leis Delegadas Disciplinadas no art. As Medidas Provisórias só podem ser adotadas quando estiverem presentes os requisitos de relevância e urgência. já que seu conteúdo é previamente limitado. tampouco a de emendas.3. conforme disposto no art. conforme previsão do art. 61. 69 da CF/88. Admitem regime de urgência.2. mas como estes acabam sendo conceitos jurídicos indeterminados. devendo a aprovação ser por maioria absoluta. 2. CF/88. não são leis mas têm força de lei. conforme seja a delegação plena ou restrita. enquanto um ato unilateral. terão que ser realizadas em separado pelas duas Casas do Congresso Nacional. CF/88). pois são simplesmente editadas pelo Presidente da República. após ter solicitado e obtido delegação do Congresso Nacional para tal.

com o seguinte texto: "É vedada a adoção de medida provisória na regulamentação de artigo da Constituição cuja redação tenha sido alterada por meio de emenda promulgada a partir de 1995". 2. Gostaríamos de salientar.3. com a conivência do Poder Legislativo.2. que também determina a sua publicação. de 1970-CN (com alterações posteriores). destinados a reger o funcionamento de órgãos colegiados e . ou mediante concessão.700 Medidas Provisórias. vedada a edição de medida provisória para a sua regulamentação". ou seja. por maioria simples. sobre os mais díspares assuntos possíveis. do Senado Federal e do Congresso Nacional. por fim.7 Resoluções Espécies normativas que veiculam os atos em regra estabelecidos pelos Regimentos Internos da Câmara dos Deputados.3. 59 da Constituição". que estabelece: "Na regulação do Fundo Social de Emergência não poderá ser utilizado o instrumento previsto no inciso V do art. o que deve dar-se conjuntamente. Desde o advento da Constituição Federal de 1988 já temos criadas mais de 1. a saber: 1ª) a disposição do art. na forma da lei. Aprovada. os serviços locais de gás canalizado. sendo o meio hábil para regulamentar as matérias arroladas no art. 25. matérias que possuem efeitos externos ao Congresso. e 3ª) a regra criada pela Emenda Constitucional nº 07/95. pelo que podemos facilmente concluir. que originalmente aprovou o Regimento Comum do Congresso Nacional. eis que está prevista a sua aprovação pelo Congresso Nacional.6 Decretos Legislativos Configuram espécie normativa de competência exclusiva do Congresso Nacional. como por exemplo a Resolução nº 1. Vale registrar que os regimentos são atos administrativos normativos de atuação interna. que incluiu o artigo 246 às Disposições Constitucionais Gerais. os Presidentes da República costumam considerar "bastante conveniente" legislar desta maneira. sobretudo. Para a sua aprovação requerem maioria simples dos votos. Independem de sanção ou veto. § 2º.conveniência ou não de suas edições e.2. que diz: "Cabe aos Estados explorar diretamente. mas tal não costuma acontece. que em todo o texto constitucional existem apenas três regras que reservam matérias que não podem ser tratadas por meio de Medidas Provisórias. converte-se em Lei Ordinária. 73 do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias. sem controle da constitucionalidade ou não e. 2. 49 (incisos I a V) da Constituição Federal. 2ª) a regra do art. sendo que a promulgação é ato do Presidente do Senado Federal.

de Governo e de Administração. Também por força desta Emenda o art. trata-se de Poder unipessoal. não dependendo da confiança do Congresso para ser investido no cargo e nem para nele permanecer. O cargo de Presidente da República. Seu mandato é de quatro anos (conforme o art. 82. como já vimos. O Poder Executivo O Poder Executivo. dos três Poderes Públicos constituídos. que só deve expedir Decretos). na Constituição Federal brasileira é órgão constitucional supremo que tem por função a prática de atos de chefia de Estado.de corporações legislativas. para disciplinar matéria de sua competência específica. exigindo idade mínima de trinta e cinco anos. mas este sequer é votado). 87. 77 da Constituição Federal passou a ter a seguinte redação: "A eleição do Presidente e do Vice-Presidente da República realizar-se-á. Assim. A discussão e a votação ocorrem apenas na casa que irá expedi-las. 84. § 3º. simultaneamente. Como o nosso é o sistema de governo presidencialista. e no último . mas unicamente complementá-los e explicá-los. não havendo sanção ou veto. Ao contrário do sistema de governo parlamentar. de órgãos legislativos e de Colegiados Administrativos. no primeiro domingo de outubro. por obra da Emenda Constitucional nº 16/97. temos um Executivo monocrático. só se dirigindo aos que devem executar o serviço ou realizar a atividade funcional regimentada. A aprovação dá-se por maioria simples. sem obrigar aos particulares em geral. XVIII. pelos Ministros de Estado. é privativo de brasileiro nato (art. As resoluções são atos administrativos normativos expedidos pelas altas autoridades do Executivo (mas não pelo Chefe do Executivo. isto é. CF/88) e por dois Conselhos. embora em seu exercício o Presidente da República seja auxiliado pelo Vice-Presidente (são eleitos simultaneamente. em primeiro turno. que são nomeados pelo próprio Presidente e demissíveis ad nutum (art. 14. como Chefe do Poder Executivo. 3. conforme o disposto no art. sendo permitida uma reeleição em período subseqüente. A promulgação e a publicação também dão-se pela casa expedidora. não podem invocá-los ou contrariá-los. Sempre são atos inferiores aos regulamentos e aos regimentos. nosso Presidente da República enfeixa. o Executivo é o único exercido apenas por uma pessoa. que são órgãos de consulta (são eles o Conselho da República e o Conselho de Defesa Nacional. tendo sido o mandato de cinco anos suprimido pela Emenda Constitucional de Revisão nº 5/94). "a"). ambos convocados e presididos pelo Próprio Presidente da República. CF/88). embora possa responder por crimes políticos. 76 e art. ou pelos Presidentes de Tribunais. VI. as funções de Chefe de Estado e as de Chefe de Governo.

promover seus oficiaisgenerais e nomeá-los para os cargos que são privativos. Começou a vigorar no País desde a eleição presidencial de 1990. são classificadas conforme as três funções básicas do Poder Executivo: Chefia do Estado. abaixo enumeradas. o possuímos como uma garantia. total ou parcialmente. decretar o estado de defesa e o estado de sítio. As regras relativas ao segundo turno no domínio do art. pelo qual haverá segundo turno quando o candidato mais votado não alcançar a maioria absoluta na primeira votação. é princípio democrático que foi inserido no texto constitucional em 1988. 77 aplicam-se às eleições de Governadores de Estados e do Distrito Federal e de Prefeitos Municipais.domingo de outubro. com audiência. A luta por tal princípio no Brasil acentuou-se a partir da eleição de Juscelino Kubitschek de Oliveira para a Presidência da República. nomear. na forma e nos casos previstos na Constituição. bem como expedir decretos e regulamentos para sua fiel execução. Chefia do Governo e Chefia da Administração Federal. promulgar e fazer publicar as leis. se houver. As atribuições privativas do Presidente da República são enumeradas nos vinte e sete incisos do artigo 84 da Constituição da República Federativa do Brasil. exercer o comando supremo das Forças Armadas. exercer. 49. . quais sejam: nomear e exonerar os Ministros de Estado. dispor sobre a organização e o funcionamento da administração federal. celebrar tratados. conceder indulto e comutar penas. sancionar. Quanto ao segundo turno. alguma campanha para que na Reforma Política seja restringido apenas à eleição presidencial. a direção superior da administração federal. do ano anterior ao do término do mandato presidencial vigente". teve opositores constituintes (como por exemplo Humberto Lucena). pois deveria valer para todas as eleições majoritárias. na forma da lei. Há. manter relações com Estados estrangeiros e acreditar seus representantes diplomáticos. I). convenções e atos internacionais. 4º e 5º do art. quando se alegou ser ilegítima a eleição de um candidato sem a maioria absoluta. com o auxílio dos Ministros de Estado. dos órgãos instituídos em lei. em segundo turno. 77 da CF/88. em 1955. remeter mensagem e plano de governo ao Congresso Nacional por ocasião da abertura da sessão legislativa. com uma restrição em relação aos municípios (aplicado apenas naqueles que possuem mais de 200 mil eleitores). sob a alegação de que "tumultua" o pleito eleitoral. se necessário.1 Das atribuições do Presidente da República Federativa do Brasil As atribuições do Presidente da República. Enfim. decretar a intervenção federal. vetar projetos de lei. iniciar o processo legislativo. expondo a situação do País e solicitando as providências que julgar necessárias. sujeitos a referendo do Congresso Nacional (ver art. no entanto. 3. disciplinado nos §§ 3º.

executa. 73. os Ministros de Estado detêm o poder-dever de supervisão sobre todos os órgãos da Administração Direta ou Indireta. isto é. enviar ao Congresso Nacional o plano plurianual. no caso de agressão estrangeira. prestar. nomear os magistrados. enquadrados em suas respectivas áreas de competência. consoante o art. convocar e presidir o Conselho da República e o Conselho de Defesa Nacional. sobressaindo-se a primeira. Pelo controle ministerial. o presidente e os diretores do Banco Central e outros servidores. nas mesmas condições. os Ministros do Supremo Tribunal Federal e dos Tribunais Superiores. anualmente. autorizado pelo Congresso Nacional ou referendado por ele. administra. Detém também o poder regulamentar. que forças estrangeiras transitem pelo território nacional ou nele permaneçam temporariamente. quando ocorrida no intervalo das sessões legislativas. conferir condecorações e distinções honoríficas. 57. ressalvados aqueles sob a supervisão direta e imediata do Presidente da República. editar medidas provisórias com força de lei. 68. total ou parcialmente. e o Advogado-Geral da União. dos três. e. dentro de sessenta dias após a abertura da sessão legislativa. observado o disposto no art. na forma da lei.2 Funções típicas e atípicas As funções típicas do Poder Executivo são aquelas diretamente relacionadas à direção superior da Administração Pública Federal. a mobilização nacional. permitir. tais como: convocar extraordinariamente o Congresso Nacional. quando determinado em lei. CF/88. 89. 3. 84 da Constituição enumerar as atribuições acima como sendo privativas do Presidente da República. o ProcuradorGeral da República. Também é sua função típica o controle interno dos atos da Administração. exercer outras atribuições previstas na Constituição. os Governadores de Territórios (caso algum Território venha a ser criado). elaborar leis delegadas. § 6º. II. nos termos do art. 62. declarar guerra. conforme o disposto no art. à Chefia de Estado e à Chefia de Governo. decretar. as contas referentes ao exercício anterior. o projeto de lei de diretrizes orçamentárias e as propostas de orçamento previstos na Constituição. nomear. VII. seu Parágrafo Único permite a delegação de algumas delas. nos termos do art. ao Congresso Nacional. no sentido de conferir o que consta na lei enquanto direitos de seus administrados. pelo que estes pagam ou não tributos. pelo qual certos . Apesar de o art. é um dos meios pelos quais exercita-se o poder hierárquico: o órgão superior controla o inferior. os Ministros do Tribunal de Contas da União. pois justamente é o Poder que. nomear membros do Conselho da República. nos casos previstos na Constituição. prover e extinguir os cargos públicos federais. por exemplo.após aprovação pelo Senado Federal. faz cumprir planos e programas. celebrar a paz. autorizado ou com o referendo do Congresso Nacional. nos casos previstos em lei complementar.

sob o ponto de vista do "decoro". privativas. portanto. dentro do âmbito da Administração possui alguns Tribunais Administrativos. que trata das Medidas Provisórias com força de lei. que cuida das Leis Delegadas. também é reconhecida aos Governadores (dos Estados e do Distrito Federal) e aos Prefeitos. o Tribunal de Impostos e Taxas. 84. como por exemplo. por força constitucional. previstas no art. Para além dessas funções típicas. infrações constitucionais. compatíveis com a lei e visando a desenvolvê-la. embora não tão amplamente como a que ocorre no Parlamentarismo. chamados regulamentos (cujos instrumentos são os Decretos Executivos) compatíveis com a lei e para desenvolvê-la ou para dispor sobre matérias que. ou melhor. longe estão os tempos em que o "mandato" de Deus tornava irresponsável o rei! Quanto à responsabilidade do Presidente da República. responderá como qualquer cidadão normalmente por eles responderia. como por exemplo: legislar. matéria reservada à lei ou para dispor sobre matérias que. em processo . quando autorizado. Em qualquer um dos casos. aos dispositivos desta. da "oportunidade" que devem ser observados no exercício das funções) apuradas em processos político-administrativos realizados pelas Casas do Congresso Nacional. 86. em razão da simetria que reina entre as três esferas do Governo. da "lisura". chamados regulamentos. a atribuição privativa do Chefe do Poder Executivo para expedir atos normativos. da "conveniência". visto acima. típicas dos outros dois Poderes. em tese. sãolhes reservadas. 68. julgar. os quais não podem. para prover. expressa ou implicitamente. IV. lhes são. 84. e com o art. Essa competência é conferida privativamente ao Presidente da República (art. 62. este é responsável e sujeito à sanções de perda do cargo por infrações definidas como "crimes de responsabilidade". ou seja. Mas. pelo Princípio da Inafastabilidade do Controle Jurisdicional. expressa ou implicitamente. Poder regulamentar significa. da "prudência". atipicamente. que são infrações políticas. já que o Poder Executivo. constitucionalmente. de acordo com o art. da "sabedoria". o Poder Executivo acaba realizando funções que são. fazer autos conclusos para o Poder Judiciário. Em relação aos crimes comuns que possa praticar. existem muitas outras. CF/88). CF) e. uma admitindo a acusação e a outra processando e julgando (conforme art. da "honestidade".3 Responsabilidade do Presidente da República Uma das características do Governo Republicano e do Regime Democrático é justamente a possibilidade de responsabilização dos mandatários. 3. pela Câmara dos Deputados e pelo Senado Federal.agentes públicos têm competência para editar atos normativos. ofensas à Constituição (atentados ao "espírito" da Constituição.

objetivando afastá-los de seus cargos pela razão de terem violado a Constituição. pelo Supremo Tribunal Federal. das demais sanções judiciais cabíveis. 102. dos Ministros de Estado. I. porém. dos Ministros do Supremo Tribunal Federal. que regula o impeachment a ser aplicado como penalidades políticoadministrativa. "a" e "b". mas todo o processo. § único da CF/88. sem prejuízo. Ministros de Estado. em caso de crime de responsabilidade deverá sofrer processo de impeachment. Quando se instaura um processo desse tipo. com inabilitação. Além do Presidente da República a Lei do Impeachment alcança também. O termo impeachment vem do inglês e significa "acusação". 102.079/50. sendo processado e julgado. sinal de uma prerrogativa que dispõe em razão da função que exerce. I. Por este mesmo dispositivo constitucional. sendo que em relação a estes últimos aplica-se o Decreto-lei 201/67. inclusive ao Vice-Prefeito. que não preside apenas a sessão de julgamento. bem como os Prefeitos. tendo depois passado para os Estados Unidos da América do Norte. em caso de condenação. 52. É esta a previsão do art. eis que. por oito anos. do Procurado-Geral da República e do Advogado-Geral da União) tem o julgamento realizado pelo Senado Federal. . Elevado a status de instituto jurídico-constitucional. Governadores e Secretários de Estados. que em relação aos Ministros de Estado. demissíveis ad nutum). em consonância com a Constituição Federal. devendo limitar-se à perda do cargo. com a presidência do Presidente do Supremo Tribunal Federal. e não simplesmente ser demitido. pois não exerce cargo de confiança. tendo estreita ligação com o disposto nos artigos 51. Os crimes de responsabilidade em que pode incorrer o Presidente da República são previstos no art. a possibilidade de realização de impeachment fica praticamente esgotada. deverá a mesma ser proferida por dois terços dos votos do Senado Federal. assim. 52. apenas que com foro privilegiado. que por deter mandato conquistado nas urnas. Procurador-Geral da República. Advogado-Geral da União. Buscamos suas origens na Inglaterra. para o exercício de função pública. 85 da CF/88. ainda. como ocupam cargos de confiança. conforme o disposto no art. Deve-se notar. como tal designa a instauração de um processo contra altos dignitários da República. O processo de impeachment do Presidente da República (assim como o do Vice-Presidente da República. sendo definidos e tendo seu processo regulado pela Lei nº 1. "c". Ministros do Supremo Tribunal Federal. podem ser demitidos a qualquer momento pelo Presidente da República (isto é. "denúncia". efetua-se nele um julgamento político.penal ordinário. sem prejuízo da ação penal. ao Procurador-Geral da República e ao Advogado-Geral da União.

O Poder Judiciário exerce a jurisdição (juris dictio: dizer o direito). 4. Sendo assim.o Superior Tribunal de Justiça. indo até ao 126. Assim. suspensão esta que foi mantida pelo Supremo Tribunal Federal quando questionada pelo interessado. 4.o Supremo Tribunal Federal. por funcionários e agentes públicos designados na forma legal. estruturado para proteger o direito individual). a jurisdição é monopólio do Poder Judiciário do Estado. ao Poder Judiciário cabe. IV . e também fiscalizar algumas transações dos particulares. como sói acontecer quando são impetradas as ações para a proteção interesses meta-individuais (a ação popular. bem como realizar o controle da constitucionalidade dos atos normativos. Todas as disposições constitucionais relativas ao Poder Judiciário estão dispostas a partir do art. a ser visto abaixo. pelo que vem a ser sua função básica a aplicação das leis aos casos concretos. vindo a ser. o único que não é eleito é o Poder Judiciário. 92 da Constituição Federal. aliás. haja vista que o Senado Federal decretou a suspensão dos seus direitos políticos por oito anos. O Poder Judiciário Dos Poderes Constituídos pela Constituição Federal. o mandado de segurança coletivo e a ação civil pública. III . competências e efeito vinculante das decisões Pelo art.1 Estrutura. através da jurisdição voluntária (administração pública do direito privado). É regido por um princípio de reserva para a apreciação de lesões a direitos. o ex-Presidente da República Fernando Collor de Mello sofreu as conseqüências de um impeachment. o único caso envolvendo um Presidente da República.os Tribunais Federais e Juízes Federais. bem como os casos de ingresso naqueles Tribunais que admitem se faça o mesmo por meio do que se usa chamar "quinto constitucional".os Tribunais e Juízes do Trabalho. 92. que o fazem por meio da decisão dos conflitos de interesse que se lhes apresentam (jurisdição contenciosa). que se dá por nomeação do Presidente da República. mas mesmo assim sofreu os efeitos de um crime de responsabilidade. inerente à soberania. . II . ressalvada a ascenção a alguns Tribunais Superiores. o qual renunciou37 antes. que fogem aos esquemas tradicionais do direito de ação. "são órgãos do Poder Judiciário: I . a solução dos litígios que lhe são apresentados. O ingresso na carreira da magistratura dá-se por concurso público de provas e títulos.Se tivermos em vista nossa história político-constitucional recente. em linhas gerais. mediante prévia argüição e aprovação do Senado Federal. Pode o Poder Judiciário ter que decidir demandas individuais ou demandas de interesses públicos.

No art. conforme o art. conforme disposto no art. novidade positivada pela Constituição Federal de 1988 em seu art. sendo que os dois primeiros são únicos em sua classe e os outros cinco correspondem a conjuntos judiciais. 38 assim como pode ser Federal ou Estadual.V . VII . indicados e escolhidos na forma prescrita pelo referido artigo da Constituição. ou seja. § 4º. Quanto às competências. Lei Complementar nº 35/79). dos Juizados Especiais para Causas Cíveis de menor complexidade e Infrações Penais de menor potencial ofensivo e do Tribunal do Júri Federal (com a organização dada pelo Decreto-Lei nº 253/67. o Poder Judiciário estruturado em sete órgãos.os Tribunais e Juízes Eleitorais. 94 encontramos a previsão do que se chama "quinto constitucional". ambos com mais de dez anos de carreira e de efetiva atividade profissional. 4º). dos Juízes Federais. a Justiça Estadual Especial abrange os Conselhos de Justiça Militar no 1º grau e o Tribunal de Justiça Militar no 2º grau. aquela quinta parte da composição dos Tribunais Regionais Federais. esta em razão de matéria especializada (a Justiça Federal Especial abrange a Justiça Militar. ainda. CF). A Lei que dispõe sobre o Estatuto da Magistratura a que se refere o art. mas a lei os distingue em juízes. podendo. a Justiça Eleitoral e a Justiça do Trabalho. 109. A Constituição Federal apresenta. dos Tribunais dos Estados. Pela primeira vez na história nacional uma Constituição assegurou autonomia administrativa e financeira ao Poder Judiciário. com competência para o julgamento de policiais militares e bombeiros militares nos crimes militares. pois que vem a ser ocupada por profissionais do Direito membros do Ministério Público e inscritos na Ordem dos Advogados do Brasil. os membros que compõem o Poder Judiciário têm a designação genérica de juízes (magistrados). que independe de concurso. 99. ser Comum ou Especial. art. CF/88. Entidade Autárquica ou Empresa Pública Federal forem interessadas. desembargadores (nos Tribunais de Justiça estaduais) e Ministros dos Tribunais Superiores. podemos perceber que a Justiça pode ser de 1º ou de 2º grau de Jurisdição. assim. 125. e do Distrito Federal e Territórios. 93 da Constituição Federal é a Lei Orgânica da Magistratura Nacional (LOMAN. à Justiça Federal cabem as causas em que a União. Paira sobre todos (no que não for .os Tribunais e Juízes dos Estados e do Distrito Federal e Territórios". I. e à Justiça Comum Estadual competem as causas não-reservadas à Justiça Federal.os Tribunais e Juízes Militares. VI . A partir do rol dos órgãos do Poder Judiciário. A Justiça Federal Comum compõe-se dos Tribunais Regionais Federais. Mas seja de que tipo ou nível for.

o que se dá através do recurso ordinário ou do recurso especial (art. Os Juizados Especiais. em certas circunstâncias. 102). CF). composto de 11 Ministros. aparece como última instância da Justiça Comum em matéria não constitucional. ou a competência para processos oriundos de Estados Estrangeiros. a ordem pública e os bons costumes). compõem o Tribunal no mínimo 33 Ministros (esse número pode vir a ser ampliado por lei ordinária). os juízes de direito estaduais. parte do trabalho que cabia ao Supremo Tribunal Federal pelo regime da Constituição de 1969. ou por seu Presidente. o "espírito" e os princípios da Constituição Federal. No Brasil. conforme competências amplamente definidas no art. só com a diferença da alçada própria. Tribunal que. assim. vez que julgam a mesma matéria desta. Sem ser exclusivamente um tribunal constitucional. Promulgada a Constituição. que organiza a Justiça Federal. por meio de sua interpretação construtiva. no prazo de 5 dias. a composição inicial do Supremo Tribunal de Justiça fez-se pelo aproveitamento dos Ministros do Tribunal Federal de Recursos. através de julgamento de competência originária (Ações Diretas de Inconstitucionalidade e Ações Declaratórias de Constitucionalidade) ou em grau de recurso ordinário ou extraordinário. Podemos dizer que tem como principal função preservar. o órgão de cúpula do Poder Judiciário é o Supremo Tribunal Federal. . pode o Supremo Tribunal Federal também julgar matéria não-constitucional. podendo. os Tribunais de Alçada. § 2º. Pertencem à Justiça Estadual Comum os Tribunais de Justiça. ainda assim cabe-lhe a função precípua de guarda da Constituição. que devem ser escolhidos conforme os comandos do art. ADCT).inconstitucional. apesar do nome. por exemplo. mas à Justiça Comum. recebida a rogatória. como nos casos de: a) extradição. b) homologação de sentença estrangeira (esta só terá eficácia no Brasil com a prévia homologação pelo STF. 104. De regra. 102. especialmente no elenco das questões de competência originária (definidas no mesmo art. obviamente) a Lei nº 5. já que é seu intérprete definitivo. Tanto as causas da Justiça Federal como as da Justiça Estadual podem subir. o Tribunal do Júri e os Juizados Especiais. não pertencem à Justiça Especializada. o habeas corpus quando o coator for Tribunal. 104 da CF/88. como. Por exceção. CF/88. para o Superior Tribunal de Justiça. o interessado residente no país será intimado. extinto em 1988 (conforme art. c) carta rogatória (compete ao Presidente do Tribunal conceder exequatur a cartas rogatórias de Juízos ou Tribunais estrangeiros sendo que. não sendo homologada aquela que ofenda a soberania nacional. impugná-la). 27. assumindo.010/65. além de sua competência originária.

se vier a ser adotada. divergem os doutrinadores. De qualquer forma. desejando estender o efeito vinculante às súmulas do STF. 98. § 2º) só existem para os casos de declarações de constitucionalidade. 102. feita pelo método único das nomeações pelos Presidentes da República. possuindo competência exclusivamente penal. isso provocaria uma interferência na independência e na autonomia dos magistrados. conforme art. o juiz pode decidir de forma diferente da prevista em dada súmula). algumas outras peculiaridades relativamente ao Poder Judiciário que podemos mencionar são o fato de a Justiça Militar integrar o Poder Judiciário e não as Forças Armadas. ramo que sempre deve ser tratado com muita particularidade. De um lado estão os argumentos dos que desejam a extensão do efeito vinculante. 4. Em outros casos. além do que engessaria a jurisprudência. Longe de ser pacífica a sua adoção. pois funcionaria como uma espécie de indexador compulsório de sentenças. eis que quase todas as causas que chegam ao Supremo Tribunal dizem respeito a interesses do governo.2 Funções típicas e atípicas Também o Poder Judiciário realiza algumas funções que não são de . pelo que as decisões tomadas pelo STF vinculariam todos os casos semelhantes. uma vez que grande parte dos recursos que chegam ao Supremo Tribunal são mera repetição e. mediante sabatina e aprovação do Senado Federal. por exemplo. e até mesmo os membros do Supremo Tribunal Federal. sejam administrativos. CF/88. os parlamentares. algumas reflexões sobre o efeito vinculante das decisões judiciárias. ao final. eis que grande número de ações propostas perante juízes e tribunais federais são baseadas em pretensões contrárias às decisões reiteradas do Supremo. sejam políticos.Uma das maiores críticas que recebe o Supremo Tribunal Federal em sua atuação é relativa à sua composição dita política. o Supremo Tribunal Federal edita súmulas. Como este item não pretende ser exaustivo. o que gera uma situação delicada na atuação do futuro Ministro. inciso II. mas elas funcionam só como orientação (se quiser. mas há um item de pauta das discussões já em tramitação propostas de Reforma Constitucional do Judiciário. que pelo texto constitucional vigente (art. Em sentido contrário estão os argumentos que alegam o fato de todos os juízes de 1º grau terem de passar a acatar o conteúdo das súmulas. Por fim. o Direito de Família. o benefício maior da súmula vinculante seria o descongestionamento da Justiça. já que em tal seara cada caso realmente é um caso singular. a súmula vinculante deverá deixar de fora. e o fato de o Juiz de Paz tanto poder ser pago pelos cofres públicos quanto pelos interessados. impedindo a sua renovação. evitando repetições e procrastinações dos processos.

Para os membros do Ministério Público. tomando por parâmetros a teoria clássica da Separação dos Poderes. § 2º. Pela Súmula 36 do Supremo Tribunal Federal. salvo por sentença transitada em julgado. 4. A irredutibilidade dos vencimentos do juiz significa garantia de manutenção do poder . Estas garantias são três. exoneração a pedido ou morte. 39. como administrar. etc. nos incisos I. e 153. por exemplo nos casos do art. As garantias são: 1ª) vitaliciedade. aposentadoria compulsória. sendo que este terceiro inciso foi modificado pela Emenda Constitucional nº 19/98. I. prerrogativa que impede a perda do cargo. 96. É adquirida pelos juízes de 1º grau após 2 anos de exercício (nesse período a perda do cargo depende da deliberação do Tribunal a que estiver vinculado) e no 2º grau de jurisdição. 93. disposições sobre o Estatuto da Magistratura. etc. para os não oriundos da carreira (Ministros do Supremo Tribunal Federal) e para os Ministros do Tribunal de Contas da União. b. o servidor vitalício está sujeito à aposentadoria compulsória. já que o mecanismo do controle da constitucionalidade faz parte do sistema de freios e contrapesos (controle recíproco entre os Poderes).) e legislar. nas hipóteses dos artigos 96. 150. transcrita acima. 150. X e XI. pois. III. Vedações Existem garantias constitucionais de que dispõem os membros do Poder Judiciário para que com independência e imparcialidade possam exercer suas atividades na prestação jurisdicional. III e 128. 95 da Constituição Federal de 1998. Outorgada somente aos membros do Poder Judiciário. prerrogativa que impede a remoção do juiz ou do membro do Ministério Público. em razão da idade. 37. CF/88). removê-los para onde? 3ª) irredutibilidade de vencimentos. I". II e III. "f" (dispositivos pelos quais os tribunais organizam suas secretarias. II. "a" e 93 (tribunais elaboram seus regimentos internos. § 4º. 2ª) inamovibilidade. é alcançada após dois anos de exercício. I. é adquirida com a posse.). Mas incorre igualmente em funções atípicas. devendo ser observada a nova redação do dispositivo. Tipicamente exerce a função de julgar e de controlar a constitucionalidade das leis e dos atos normativos. o que significa que completados 70 anos de nada mais vale ter-se a garantia da vitaliciedade. aos Ministros do Tribunal de Contas da União e aos membros do Ministério Público.3 Garantias constitucionais e subsídios dos magistrados. salvo interesse público e nas condições dos arts. pois necessariamente o agente terá que se retirar de suas funções públicas. positivadas no art.sua vocação originária. não cabe falar em remoção dos seus membros. 73. Por existir só um Tribunal de Contas da União (art. ressalvado o disposto nos arts. passando a ser grafado assim: "irredutibilidade de subsídio. concedem licença e férias a seus servidores. CF/88. I. "b".

E. XI). 48. Por isso são "essenciais". outro cargo ou função que não seja de magistério. 37. Após termos visto as garantias constitucionais dos magistrados. 37. 95) de maneira a também garantir a isenção e imparcialidade no desempenho de seu mister. e 39. a respeito dos magistrados das demais carreiras do Poder Judiciário. mencionamos brevemente que ao lado das garantias que são oferecidas aos magistrados existem algumas vedações. XI. Pelo art. incisos I. com redação dada pela Emenda Constitucional nº 19799. entre os artigos 127 e 135. isto é. custas ou participação em processo. . Tais vedações impedem os juízes de exercer. Ainda podemos concluir que. e de dedicar-se a atividades políticopartidárias. não necessitando. que a Constituição lhes estabelece (no § único. mas não impede a incidência de quaisquer tributos sobre os mesmos. § 4º". conforme as respectivas categorias da estrutura judiciária nacional. obedecido. assim. não podendo a diferença entre uma e outra ser superior a dez por cento ou inferior a cinco por cento. V. não teria atuação satisfatória. o disposto nos arts. ou mais. sem as quais o Poder Judiciário. nem excede a noventa e cinco por cento dos subsídios mensais dos Ministros dos Tribunais Superiores. na prestação da jurisdição e no intuito de realizar a justiça. Importa relembrar que o subsídio a ser fixado para os Ministros do STF será o teto. terão seus subsídios fixados em lei e serão escalonados. de receber. Das Funções Essenciais À Justiça A Constituição Federal de 1988 disciplina as funções essenciais à Justiça no Capítulo IV do Título IV. ainda que em disponibilidade. Ou seja: apenas o subsídio dos Ministros dos Tribunais Superiores possuem vinculação imediata com o dos Ministros do Supremo Tribunal Federal. de lei infraconstitucional para a sua efetivação. prevê a Constituição Federal a respeito dos subsídios dos magistrados. 93. o limite remuneratório. As funções são compostas por todas as atividades profissionais públicas ou privadas. nos seguintes termos: "o subsídio dos Ministros dos Tribunais Superiores corresponderá a noventa e cinco por cento do subsídio mensal fixado para os Ministros do Supremo Tribunal Federal e os subsídios dos demais magistrados serão fixados em lei e escalonados.nominal do vencimento (não o poder aquisitivo). a qualquer título ou pretexto. II e III do art. conforme o disposto no art. embora não podemos nos esquecer que a fixação e a alteração do subsídio dos Ministros do STF dependem de lei. em qualquer caso. em tese. XV da CF/88. 5. tanto faz se em nível federal ou estadual. passemos ao tema remuneratório. para todos os demais agentes públicos (art. por último. em nível federal e estadual. não funcionaria ou funcionaria muito mal.

dentre outras. a Advocacia-Geral da União. como o controle externo da atividade policial. 83 do Código de Processo Civil (Lei n. essencial à função jurisdicional do Estado. os interesses das populações indígenas. o Ministério Público é instituição permanente. Diário Oficial da União de 10. Pela Constituição. 169. de 20. os Procuradores dos Estados Federados e do Distrito Federal. do consumidor. 127 da Constituição Federal: "Ao Ministério Público é assegurada autonomia funcional e administrativa. da família. o Ministério Público Militar. estendeu-lhe obrigatoriamente a presença nas "ações que envolvam litígios coletivos pela posse da terra rural e nas demais causas em que há interesse público evidenciado pela natureza da lide ou qualidade da parte". Compreende: o Ministério Público Federal (que está organizado pela Lei Complementar nº 75. e os Ministérios Públicos dos Estados Federados. a lei disporá sobre sua organização e funcionamento". 5. o Advogado e a Defensoria Pública. a notamos uma peculiaridade em relação aos servidores do Ministério Público da União: são atrelados ao Poder Executivo e não ao Poder . 127). há nova redação para o § 2º do art. observado o disposto no art. podendo.5. algumas leis esparsas ampliam-lhe as competências.São funções procuratórias e propulsoras da atividade jurisdicional. encampado novas funções. do regime democrático e dos interesses sociais e individuais indisponíveis (art. 5. dos adolescentes e das crianças tendo. isto porque é uma instituição que teve revigoradas suas funções pela Constituição Federal de 1988. enquanto defensor da sociedade e enquanto executor de suas funções clássicas de custus legis (isto é. institucionalizadas nos artigos da Constituição já mencionados. ao dar nova redação ao inciso III do art. a política remuneratória e os planos de carreira.1993 e cujo Regimento Interno está veiculado pela Portaria 221/97 da Procuradoria-Geral da República.7. o Ministério Público do Trabalho. no Ministério Público o principal guardião de tais valores. E já que estamos tratando de organização funcional-administrativa. sendo o defensor da causa ambiental. a defesa do patrimônio histórico.415/96 que. propor ao Poder Legislativo a criação e extinção de seus cargos e serviços auxiliares. inclusive. incumbindolhe a defesa da ordem jurídica.1 Do Ministério Público Qualquer que seja a marcha do nosso País à cidadania plena e à consolidação da democracia.869/73).97). Pela Emenda Constitucional nº 19/98. encontrará. do idoso. de fiscal da lei) e de titular da Ação Penal Pública. o Ministério Público do Distrito Federal e Territórios. Podemos mesmo dizer que ele é o canal das demandas sociais. provendo-os por concurso público de provas ou de provas de títulos. discriminadamente: o Ministério Público. como por exemplo a Lei nº 9. Além das atribuições constitucionais.

os membros do Ministério Público também passarão a receber "subsídios". 131 e seus parágrafos. organizados em carreira. na qual o ingresso dependerá de concurso público de provas e títulos. que foi modificado pela referida Emenda Constitucional nº 19/98. É novidade da Constituição Federal de 1988. 132. CF/88. Nestes moldes constitucionais é que se dá. referente às "Funções Essenciais à Justiça". Quanto aos Procuradores dos Estados e do Distrito Federal. Aos procuradores referidos neste artigo é assegurada estabilidade após três anos de efetivo exercício. exercerão a representação judicial e a consultoria jurídica das respectivas unidades federadas. essa "função" continua existindo na Constituição Federal. Assim. após relatório circunstanciado das corregedorias". alargando assim a seara de defesa dos interesses da sociedade. e não mais Advocacia-Geral da União. 150. Foi muito benéfica sua criação porque com isso também se possibilitou todo ou reordenamento das funções do Ministério Público. § 2º. com a participação da Ordem dos Advogados do Brasil em todas as suas fases. sendo a instituição que representa a União. portanto. cabendo-lhe as atividades de consultoria e assessoramento jurídico do Poder Executivo. passando o artigo a ganhar inclusive um parágrafo único. pois antes não existia entre nós. cuja nomeação se dá na forma do art. passando a vigorar nos seguintes termos: "c) irredutibilidade de subsídio. transcrevemos as novas disposições a respeito: "Os Procuradores dos Estados e do Distrito Federal. sofreu modificações. 153. 5. Como todos os demais agentes públicos. I". existe a previsão constitucional do art. 39. III. sendo que a esse respeito a alínea "c" do § 5º do art.2 Da Advocacia Pública Tratada na Seção II do Capítulo IV.Judiciário. judicial e extrajudicialmente. 131 e 132. 153. porém agora sob outra denominação: Advocacia Pública. 37. e suas funções eram exercidas pelo Procurador-Geral da República. § 3º. § 4º. 128. disciplinada em regras básicas nos arts. 128. II. fixado na forma do art. A Advocacia Pública compreende a atuação da Advocacia-Geral da União e dos Procuradores dos Estados e do Distrito Federal. A Advocacia-Geral da União está prevista no art. o Ministério Público é chefiado pelo ProcuradoriaGeral da República. e ressalvado o disposto nos arts. Em nível federal. o exercício da . Esta foi uma alterações feitas pela Emenda Constitucional nº 19/98. X e XI. mediante avaliação de desempenho perante os órgãos próprios. Parágrafo único.

§ 1º). 5. já que a defesa dos necessitados é um direito individual assegurado pelo art.Advocacia Pública. com isso. quanto à remuneração. como já mencionamos. da Advocacia Pública e da Advocacia e da Defensoria Pública. social e institucional que o Estado assegura a toda a Nação . Do Conselho Da República E Do Conselho De Defesa Nacional Após a Constituição Federal de 1988. CF/88. Passamos agora à Defensoria Pública. Pois é justamente para essas pessoas que a Constituição de 1988 previu. passando a refererir-se aos servidores integrantes das carreiras disciplinadas nas Seções II e III do Capítulo IV. realizar o Princípio da Igualdade. qual seja.906/94). as regras dispostas no art. As intervenções 1. a indispensabilidade conquistada deveu-se principalmente ao forte lobby que a OAB empreendeu durante os trabalhos constituintes.3 Da Advocacia e da Defensoria Pública A Constituição Federal de 1988 deu. Posteriormente. a segurança nacional passou a ser denominada defesa nacional. 135. também sofreu modificação em seu texto pela Emenda Constitucional nº 19/98. que é a situação de garantia individual. o que está positivado no art. que necessitam da Justiça mas que não possuem meios econômicos para contratar e pagar um advogado privado. Enfim. dizendo que aos mesmos se aplicarão. a Defensoria Pública. CF/88. Salientamos. com o objetivo de possibilitar a todos o acesso à Justiça e. e cumpre registrar que recebe algumas severas críticas. inciso LXXIV. 5º. 39. ou seja. aquela relativa à impetração do habeas corpus (art. 133 da CF/88 e vem repetido no artigo 2º do Estatuto da Advocacia e da Ordem dos Advogados do Brasil-OAB (Lei nº 8. 1º. destinada a encaminhar os interesses e defender as causas das pessoas necessitadas. por último. o Supremo Tribunal Federal suspendeu esta regra de indispensabilidade nos Juizados Especiais Civis e Criminais e na Justiça do Trabalho. àquela advocacia pública. pela primeira vez. § 4º. Capítulo VI Da defesa do Estado e das instituições democráticas. estrutura constitucional à advocacia. institucionalizando-a entre as "funções essenciais à justiça". como uma das "funções essenciais da Justiça". Esta Lei. 134. ou seja. que o art. no seu art. apenas fez uma exceção ao Princípio da Indispensabilidade da Advocacia privada. Da Defesa Nacional.

de pôr de lado a Constituição em casos extremos. não são revogados. estando previstas no Capítulo I do Título V da CF/88. O Conselho da República é órgão típico do Parlamentarismo. dentro da ordem jurídica vigente. assim considerados os de perigo externo ou de alteração da ordem interna. artigos 89 e 90 e Decreto nº 99. com elas cessam seus efeitos. como faculdades.180/90. Estado De Sítio E Estado De Defesa: Diferenças Nos regimes constitucionais tem-se que o império da lei corresponde ao estado de normalidade. quanto aos princípios considerados não-essenciais à sobrevivência do Estado e à defesa do regime. isto é. E essa faculdade conferida aos governos. têm lugar as chamadas síncopes constitucionais. por exemplo. que fora criado pelo Decreto-lei nº 348 de 1968. as garantias suspensas voltam a ser restabelecidas. A diferença básica entre ambas reside no fato de que a medida denominada estado de defesa é tomada tendo por base a justificativa de manter a estabilidade institucional em locais geograficamente restritos (podendo ser decretado pelo Presidente da República. como se fosse uma espécie de ditadura formal e legal. não é inconstitucional justamente porque vem prevista pelos próprios textos constitucionais. funciona como órgão superior de consulta do Presidente da República em todos os assuntos de intervenção federal. art.041/90. nos arts. Importa ressaltar que em tais circunstâncias os direitos individuais não desaparecem.180/90. constitucionalmente previstos. transitoriamente. 17). O Conselho de Defesa Nacional é também um órgão de consulta do Presidente da República. Os assuntos relacionados com a Defesa Nacional competem aos Conselhos da República e de Defesa Nacional. Tem sua organização e funcionamento regulados pela Lei nº 8. 2. tais síncopes constitucionais podem ocorrer em duas hipóteses distintas: no "estado de sítio" e no "estado de defesa". 136 a 141. Extirpadas as circunstâncias motivadoras das medidas. em que se suspende a vigência da Constituição. No Brasil. art. Nos períodos anormais. art. mas para os assuntos relacionados com a soberania nacional e com a defesa do Estado Democrático (conforme CF/88. . pelo regime constitucional vigente. estado de sítio e nas questões relevantes para a estabilidade das instituições democráticas (conforme CF/88. 17).para a perene tranqüilidade de seu povo. Em nosso Presidencialismo. Substitui o extinto Conselho de Segurança Nacional. que são medidas postas à disposição do poder público. para o pleno exercício dos direitos e para a realização dos objetivos nacionais. apenas o seu exercício fica temporariamente suspenso. É dizer: a suspensão das garantias constitucionais é necessária para que o poder de polícia se exerça sem embaraços. 91 e Decreto nº 99. estado de defesa.

conforme disposto no art. Quanto à prestação do serviço segurança pública. XIII. o que costuma acontecer nos casos de guerra externa ou de comoção interna grave. 144. são incumbidos de o fazer as seguintes instituições: a polícia federal. a polícia rodoviária federal. de maneira a preservar a regra. ou em apenas um Estado da Federação) e o estado de sítio pressupõe uma ameaça generalizada em âmbito nacional. Mas a regra não é esta. de 5 de fevereiro de 1998. a polícia ferroviária federal. ou seja. 3. Não é outro o sentido do art. quando estes descumprem ou não cumprem por inteiro disposições da Constituição Federal. 142. Prevista constitucionalmente no art. Das Forças Armadas E Da Segurança Pública Erigidas que foram pela Constituição atual (art. as polícias militares e os corpos de bombeiros militares. isto é. as Forças Armadas (reunindo o Exército. Mas tanto uma quanto outra. As Intervenções Federais E Estaduais Uma das maneiras de se manter uma Constituição rígida também pode ser por meio de intervenções nos entes que compõem a organização político-administrativa de um Estado. quando utilizadas. e sim a da manutenção da autonomia daqueles entes que compõem uma Federação. no imediato subseqüente regime constitucional. Por fim. constitui-se em uma medida constitucional mais rigorosa. e é por isso que no texto da Constituição Federal de 1988 vemos expressa a possibilidade de intervenção apenas como medida excepcional. 34. a Aeronáutica e a Marinha) têm como comandante supremo o Presidente da República. pelo qual a intervenção da União nos Estados e no Distrito Federal somente se dará: para manter a . a segurança pública é apresentada como sendo um dever do Estado. E prestar segurança pública implica assegurar a preservação da ordem pública. 84. vir a ser justamente o defensor da mesma democracia contra a qual atentou. Sob um aspecto é curioso ver quem fez tanto mal à democracia em um regime constitucional. as polícias civis. dispôs sobre o regime constitucional dos militares. tendo origem histórica na evocação dos plenos poderes nas praças sitiadas da Idade Média. bem como a incolumidade das pessoas (integridade física) e do patrimônio (tanto público como das pessoas particulares). importa ressaltar que a Emenda Constitucional nº 18/98.em apenas um Município. 4. caput) como instrumentos institucionais de defesa do Estado e da democracia. configuram atitudes de legítima defesa do Estado. e ao mesmo tempo um direito e uma responsabilidade de todos.

ordem ou decisão judicial. reorganizar as finanças da unidade da Federação que suspender o pagamento da dívida fundada por mais de dois anos consecutivos (salvo motivo de força maior) ou que deixar de entregar aos Municípios receitas tributárias fixadas na própria Constituição Federal. se não cumpridos podem ensejar uma intervenção federal.integridade nacional. tendo sido introduzido pela Emenda Constitucional nº 14/96. ou para prover a execução de lei. por dois anos consecutivos. bem como a duração e o restabelecimento da situação anterior estão previstas no art. CF/88) quando os Municípios: deixarem de pagar. ou quando o Tribunal de Justiça der provimento a representação para assegurar a observância de princípios indicados na Constituição Estadual. a prestação de contas da administração pública direta e indireta. de ordem ou de decisão judicial. pôr termo a grave comprometimento da ordem pública. sem motivo de força maior. incisos e parágrafos. garantir o livre exercício de qualquer dos Poderes nas unidades da Federação. O Sistema Tributário Na Ordem Constitucional Vigente No exercício de suas funções como administrador das finanças . os direitos da pessoa humana. são os ditos "princípios sensíveis". As regras necessárias para a decretação das intervenções. a autonomia municipal. 35. e para assegurar a observância de alguns princípios constitucionais (a forma republicana. não tiverem aplicado o mínimo exigido da receita municipal na manutenção e desenvolvimento do ensino. sistema representativo e regime democrático. compreendida a proveniente de transferências. na forma da lei. mas também como medida excepcional. Capítulo VII Da tributação e do orçamento 1. para repelir invasão estrangeira ou de uma unidade da Federação em outra. Os princípios constitucionais que. 36. na manutenção e desenvolvimento do ensino). da Constituição Federal. só podendo ocorrer (conforme o art. dentro dos prazos estabelecidos em lei. A intervenção nos Municípios é possível (do Estado em seus municípios e da União nos municípios dos Territórios Federais). a dívida fundada. a aplicação do mínimo exigido da receita resultante de impostos estaduais. para prover a execução de lei federal. não prestarem as contas devidas. dentre os quais o que se refere à aplicação do mínimo exigido constitucionalmente em ensino não estava no texto original da Constituição Federal de 1988.

temos que o Estado não dá nada aos administrados sem que antes tenha deles cobrado. ou seja. 2º diz que o Sistema Tributário Nacional deve ser entendido como o . à repartição da competência de tributar entre os entes federativos (União. Distrito Federal e Municípios). podemos ver que nos arts. porque advêm da relação contratual do Estado) ou derivadas (coativas). art. seja em relação aos princípios gerais e específicos que o informam. monopólios. no estágio atual. o qual deve ainda ser lido em consonância com as normas sobre a Administração do Estado (Administração Pública. 145 a 164 da CF/88 estão gravadas as diretrizes-chaves do sistema tributário nacional. o sistema constitucional tributário brasileiro foi elaborado com as características da rigidez (o sistema é rígido porque não pode ser modificado da mesma forma que as leis ordinárias. Na Constituição Federal de 1988. Todas estas regras compõem esmiuçadamente o nosso Sistema Tributário Constitucional. Assim. Tais recursos. sua gestão e aplicação nas finalidades propostas. sobretudo na parte que trata da divisão de competências (art. Por outro lado. O poder tributário é um monopólio estatal. afirmar ser a mais pormenorizada estrutura tributária constitucional do mundo! Assim. 3). ou ingressos. interessante é ter em vista o que estatui a respeito o nosso Código Tributário Nacional. em seu art. 39 E todas as manifestações. CF). como Ives Gandra da Silva Martins. ou receitas. Estados. Lei40 nº 5. dentre estas estando as que resultam da imposição de tributos. Se tem fins a cumprir (promoção do desenvolvimento e do bem-estar social). a principal fonte de receitas do Estado (CRISTANI. atividades industriais e comerciais do próprio Estado. seja em relação às limitações ao poder de tributar. exploração de bens e serviços.172/66 que. p. o Estado desenvolve atividades que se relacionam com a obtenção dos recursos necessários à satisfação das necessidades do grupo social que representa. O tratamento dado à matéria tributária pela nova Constituição foi tão exaustivo a ponto de os especialistas da área. além de trazer disposições sobre a repartição das receitas tributárias. logicamente carece de meios para realizá-los e o poder fiscal de tributar é. podem ser originárias (empréstimos. é uma das múltiplas manifestações do poder geral do Estado (função privativa). 43. 1997. CF) e sobre a Organização dos Poderes. 48. provêm do exercício de atividades e não são coativas.públicas. haja vista estar na Constituição Federal e só pode ser modificado por reforma constitucional) e da exaustividade (a Constituição Federal prevê todas as regras e princípios que definem e organizam o sistema tributário constitucional. características e modo de agir relativas ao poder de tributar têm sua organização prevista no que se costuma chamar sistema tributário.

referindose a todos os tributos. até porque ocasionou inovações de monta na própria Federação. 2. obviamente. conforme veremos em sua nomeação e significado abaixo mencionados. possam produzir efeitos na vida econômica das pessoas com conseqüências de ordem tributária. desde que. aqui em suas especificidades quanto ao Direito Tributário Constitucional. Modificações profundas foram realizadas pela nova Constituição no que diz respeito ao sistema tributário nacional. . contemplando de maneira mais ampla. Já vimos que uma Federação enseja um "pacto" entre entes que. não importa aplicados a qual área do Direito. 2. que o contribuinte tenha tido algum alívio em sua carga tributária. com a inclusão dos Municípios entre os entes federativos que desfrutam de autonomia. para não dizer a todo o ordenamento jurídico. novos tributos foram criados e as arrecadações tiveram um rearanjo em sua distribuição.conjunto de instituições dotadas de poder conferido pelo Direito Tributário. não significando. Assim. de regras tributárias de caráter constitutivo ou interpretativo da legislação e. mesmo. Neste grande item veremos que os próprios Princípios que regem toda a organização tributária já funcionam também como limitadores constitucionais à tributação. 2. ao tratarmos dos princípios que regem a ordem tributária e dos tipos de tributos existentes. estando ou não expressos. têm suas receitas tributárias próprias. constitucionalmente definidas. mas sempre com adequações próprias às várias áreas. no seu relacionamento. bem como a competência das unidades federativas para instituí-los e cobrá-los. de práticas tributárias aceitas pelos órgãos e entidades da Administração Pública. pela qual a desatenção a um princípio implica ofensa não apenas a um específico mandamento obrigatório mas a todo o sistema de comandos. Estas inovações serão vistas na seqüência. assim como é fundamental não perdermos de vista aquela sábia e já conhecida lição de Celso Antônio Bandeira de Mello. devemos nos recordar que são eles que dão as diretrizes de nível constitucional à matéria.1 Princípios da Federação e da República Por estes dois princípios. porém. no nosso sistema federativo.1 Princípios gerais Os princípios gerais são aqueles aplicáveis a mais de uma área do Direito. cada pessoa política. os entes municipais. Princípios Constitucionais Regentes Da Ordem Tributária E Limitações Constitucionais À Tributação Sempre que tratamos de princípios.1.

os entes gozam de imunidade recíproca. No entanto. significando a vedação de a União. Além disso. .1. 2. tem sua previsão no art. produtos industrializados. CF/88: "ninguém será obrigado a fazer ou deixar de fazer alguma coisa senão em virtude de lei". que fez incidir Imposto de Renda sobre os rendimentos de pessoa jurídica imune nas aplicações de fundo de investimento. E é por isso que em nossa Federação. 150. 150. § 1º): importação de produtos estrangeiros. Significa que para haver a cobrança de um novo tributo ou a majoração de um já existente. no sentido de que os contribuintes não se surpreendam pela imposição tributária. Mas parece que um ou outro ataque ao princípio federativo nesta matéria sempre tornam a ocorrer. I. impostos extraordinários. que estabelece ser vedado "exigir ou aumentar tributo sem lei que o estabeleça". III. CF/88. também impropriamente dito Princípio da "Anualidade".2 Princípio da anterioridade Este princípio. necessariamente. II. a lei deverá. o que vem estabelecido no art. 2. 5. pelo elevado número de exceções constitucionais e pelo fato de ser possível publicar uma lei em 31 de dezembro do ano em curso criando novo tributo e iniciar a cobrá-lo no dia 1° de janeiro do ano seguinte. Convém mencionar que o doutrinador Sacha Coelho diz que o princípio da Anterioridade. Distrito Federal e Municípios cobrar tributos "no mesmo exercício financeiro em que haja sido publicada a lei que os instituiu ou aumentou".3 Princípios da legalidade e da tipicidade O Princípio da Legalidade já foi visto em outro item. em 1997. 195. foi repetido no Sistema Tributário Nacional. conforme disposto no art. no art. Estados. previsto que está no art. prevê a própria Constituição que este Princípio não se aplica aos seguintes impostos (art. ser publicada até o final do exercício anterior ao que se inicia a sua cobrança.535.1. como por exemplo o surgimento da Lei nº 9. 150. Logo. configurando-se um federalismo cooperativo. É direito à segurança jurídica. CF. É uma forma de deter a eficácia da lei até o primeiro dia do exercício subseqüente da sua publicação. "a" da Constituição Federal.preservando suas autonomias. pois é com uma tributação adequada e com uma repartição equilibrada das competências e divisão das arrecadações que defende uma Federação. no estágio em que se apresenta. inciso VI. trata-se de mero princípio retórico. empréstimo compulsório extraordinário e contribuições sociais (estas últimas estão sujeitas ao período de 90 dias entre a publicação da lei e a eficácia. exportação de produtos nacionais ou nacionalizados. 150. E na área tributária este "pacto federativo" também deve ser respeitado. pelo qual não podem os Estados e a União instituir impostos sobre patrimônio. § 6º). renda ou serviços uns dos outros. sujeitam-se à soberania de um poder central para que o todo sobreviva. b.

pelo Código Tributário Nacional. CF: impostos extraordinários (caso de guerra externa). Porém. O Princípio da Tipicidade. IV e V". c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática". 2. 154. Especificamente em matéria fiscal. CF/88: "É facultado ao Poder Executivo. expressamente. tem-se em seu art. 150... 150. é possível haver a irretroatividade da lei posterior.2. tanto é que a Constituição protegeu as situações pretéritas: art. proibida qualquer distinção em razão de ocupação profissional ou função por eles exercida.4 Princípio da igualdade O Sistema Tributário Nacional repetiu o disposto no art. Mas existem algumas exceções.. sobre exportação de produtos nacionais ou nacionalizados.5 Princípio da irretroatividade da lei em matéria fiscal Nossa Constituição Federal não prevê. sobre produtos industrializados. sobre operações de crédito.] Cobrar tributos [. 2. II. Mas tal postulado transcende o Direito posto e faz parte dos princípios gerais do Direito. § 1º. impostos sobre importação de produtos estrangeiros. II.1.. 5º da CF/88 em seu art. III. 153. Também não se aplica ao art. aos Estados. descrevendo integral e exaustivamente os elementos da regra matriz de incidência.. câmbio e seguro ou relativos a títulos ou valores imobiliários. esse princípio. alterar as alíquotas dos impostos enumerados nos incisos I.2 Princípios constitucionais particulares da tributação São aqueles de existência e de aplicação específica na área tributária. 5º. desde que mais benigna aos contribuintes ou responsáveis. 2. XXXVI.. assim dispõe: "sem prejuízo de outras garantias asseguradas ao contribuinte. ao Distrito Federal e aos Municípios [. que diz ser vedado "instituir tratamento desigual entre contribuintes que se encontram em situação equivalente. Logo. "a". 2. quais sejam. Portanto. é vedado à União.1 Princípio da capacidade contributiva .1. pelo qual "a lei não prejudicará o direito adquirido. não-expresso. atendidas as condições e os limites estabelecidos em lei. reside ao lado do Princípio da Legalidade e serve para evitar que a lei em matéria tributária deixe margem à discricionariedade do intérprete quando da sua aplicação.só a lei em seu sentido formal e material é que pode dispor sobre a exigência e a majoração de tributos (Nullum tributum sine lege: não há tributo sem lei). o ato jurídico perfeito e a coisa julgada". independentemente da denominação jurídica dos rendimentos. trazidas no art. II. 106 que: "A lei aplica-se a ato ou fato pretérito. títulos ou direitos". o art. qualquer lei que veicular norma tributária deve fazê-lo de maneira expressa.] em relação a fatos geradores ocorridos antes do início da vigência da lei que os houver instituído ou aumentado".

5º. os dos artigos 153. mas na medida em que o permita a sua capacidade econômica. 2. à necessidade de tratamento isonômico às pessoas políticas. na feitura das leis. 153. admitida a concessão de incentivos fiscais destinados a promover o equilíbrio do desenvolvimento socioeconômico entre as diferentes regiões do País". e a igualdade entre brasileiros e estrangeiros residentes ou em trânsito no País. de maneira que sejam mais elevadas em um Estado Federado do que em outro. Por ele é vedado à União: "I . Há quem diga que a Constituição Federal confunde os termos "capacidade contributiva" e "capacidade econômica". IV (a vedação à utilização de tributo com efeito de confisco). CF/88. O que se pode afirmar é que. 20). os quais são os do art. 1997.3 Princípio da vedação à tributação confiscatória Previsto no art. mas o fato de o ônus fiscal tornar-se insuportável para o contribuinte ao ponto de. 150. o legislador federal não pode instituir alíquotas diferenciadas do Imposto de Renda. . por exemplo. 2. I e III (seletividade de alíquotas e a não-cumulatividade do IPI e do ICMS) e do art. 145. IV.instituir tributo que não seja uniforme em todo o território nacional ou que implique distinção ou preferência em relação a Estado. p. tem íntima relação com o respeito ao direito de propriedade (este garantido no art. Por este Princípio. I (progressividade expressa no IR). § 2º. os impostos terão caráter pessoal e serão graduados segundo a capacidade econômica do contribuinte.Diz o art. CF). ter que desfazer-se de seu próprio patrimônio (bens ou rendas). Distrito Federal ou a Município. pois é possível um contribuinte demonstrar capacidade econômica com o fato de ter um patrimônio muito grande que não lhe dá lucro e não ter capacidade contributiva porque não é possuidor de liquidez. para poder saldar as exações tributárias. I.2. 151. escolher como contribuintes aqueles que demonstrem possuir signos presuntivos de riqueza (CRISTANI. § 1º. cada um deve contribuir para atender as necessidades de recursos do Estado. I e II e 155. Assim. quanto à cobrança dos impostos o legislador deve.2. § 3º. é também conhecido como Princípio da Isonomia das Pessoas Constitucionais. Trata-se de princípio ligado ao pacto federativo. pois tributos exorbitantes acabariam por transferir a propriedade do particular para os poderes públicos. utilizando esta última com o significado da primeira. em detrimento de outro. sem a anuência do primeiro. isto é. § 2º. Existem outros dispositivos constitucionais que prestigiam o Princípio da Capacidade Contributiva. O que caracteriza um tributo confiscatório não é o percentual (alíquota) adotado.2 Princípio da uniformidade geográfica Previsto na Constituição Federal em seu art. não tem dinheiro à sua disposição. CF/88 que sempre que possível. 150.

p. Em exemplo. 2. aos Estados. por exemplo. compreendida como a prerrogativa para legislar sobre matéria tributária. Equivale dizer: "a pessoa constitucional que recebeu uma determinada competência tributária não pode transferi-la em favor de outra pessoa tributante. A cobrança do pedágio terá o mesmo valor a todos os passantes e não poderá questionar a origem ou o destino dos bens ou pessoas. encontra-se impedida de transferir a sua competência em proveito do Estado ou do Município" (JARDIM. não afasta a possibilidade de se utilizar a tributação com efeitos extrafiscais. 139). em razão de sua procedência ou destino". ao Distrito Federal e aos Municípios "estabelecer limitações ao tráfego de pessoas ou bens. o fato da transposição da fronteira não é elemento essencial à configuração da obrigação tributária" (CRISTANI. Está previsto no art. pelo qual: "É vedado aos Estados. Do mesmo modo. Quer dizer.6 Princípio da não-discriminação tributária em razão da origem ou do destino dos bens e serviços É Princípio que bambém afirma o pacto federativo ao não permitir a discriminação em razão da procedência ou do destino dos bens e serviços objetos de tributação. 1997. ressalvada a cobrança de pedágio pela utilização de vias conservadas pelo poder público". bem como ao desejar promover a igualdade na tributação. . 2. no entanto. por meio de tributos interestaduais ou intermunicipais. O Princípio permite. Mas o comando constitucional não veda. "tal cobrança também incida na circulação interna. a apreensão de mercadorias em situação irregular (como. 1993. ainda que assim o deseje. dotada que é da faculdade de legislar sobre imposto de renda. temos que a União.2. que seja cobrado o ICMS de um Estado para o outro ou de um Município para outro Município.5 Princípio da liberdade de tráfego de pessoas ou bens Pelo art. para ser constitucional. V é vedado à União. ainda que haja anuência. quando desacompanhadas da competente nota fiscal). CF/88. pelo qual é inconstitucional ente federativo interferir na competência tributária privativa de outro ente da Federação.2. 152. por exemplo. 150. O que se exige é que. p.4 Princípio da indelegabilidade da competência tributária Trata-se de princípio não-expresso. p. e tudo isto porque a competência tributária. 1997. 2. bem como a natureza da carga em trânsito ou a naturalidade da pessoa. Mais uma vez estamos diante de um Princípio que decorre do pacto federativo. de qualquer natureza. 23). 21).responsável pelo nascimento do tributo (CRISTANI. ao Distrito Federal e aos Municípios estabelecer diferença tributária entre bens e serviços. não pode ser objeto de delegação.2.

coaduna-se com os ditames do Sistema Tributário Nacional e tem-se que. em primeiro lugar. que adquira a disponibilidade econômica ou jurídica de renda. pelo atendimento dos princípios da Federação e da Igualdade. de iniciativa do Presidente da República ou de 1/3 dos senadores. por último. segundo o qual a tributação do Imposto de Renda deve alcançar tudo. em exemplo trazido por Cláudio Cristani. os dois últimos princípios são comuns ao Direito Tributário. adotou alíquotas diferenciadas em razão da origem e do destino da mercadoria ou do serviço de transporte intermunicipal e interestadual. homogêneo (CRISTANI. 155. IV (este diz que. estabelecerá as alíquotas aplicáveis às operações e prestações. § 2º. 22/90). isto é. 22/90). aplicando-se a interpretação lógico-sistemática. física ou jurídica. a Federação não pode comportar. § único. sob pena de correr sérios riscos de secção. na medida do possível.Porém. em todos os casos em que houver a aquisição da disponibilidade econômica ou jurídica de renda. Na verdade. pelo qual é necessário aumento quantitativo progressivo da alíquota do Imposto de Renda (IR) na medida em que a base de cálculo também aumentar. pelo qual a tributação do Imposto de Renda deve alcançar todos. devendo o desenvolvimento nacional ser. II da Res. tendo em vista as desigualdades regionais. "a") é aplicada uma alíquota interestadual de 12% (art. 150. Não obstante. VII. Após. tem-se o Princípio da Universalidade. se uma mercadoria tem sua origem no Estado de Santa Catarina e é comercializada com um destinatário do Estado do Paraná. Assim. ao passo que se o mesmo comerciante catarinense vender sua mercadoria a um destinatário do Maranhão. Assim. pois a todos é imposto o sacrifício de co-participarem com os gastos públicos. tal Resolução não é tida como inconstitucional porque. em qualquer caso (aplicação do Princípio da Generalidade) deverá contribuir com o Imposto de Renda. será aplicada uma alíquota interestadual de 7% (art. também contribuinte do ICMS (art. aprovada pela maioria absoluta de seus membros. do Senado Federal.3 Princípios específicos do Imposto de Renda Os princípios específicos ao Imposto de Renda são. a mesma deverá ser tributada. "resoluções do Senado Federal. em relação ao ICMS. E. está se tratando desigualmente os desiguais. 1º da Res. que complementou o art. Por outro lado. tem-se o Princípio da Generalidade. diferenças regionais de grande monta. interestaduais e de exportação"). 1997. § 2º. qualquer pessoa. não é em qualquer situação realizada por qualquer . 24). eis que também todos têm direito de receber os bens e serviços prestados pelo Estado. p. isto é. o da Progressividade. 1º. 2. fazendo com que os Princípios da Igualdade (no sentido aristotélico) e o da Capacidade Tributária tenham aplicabilidade. a Resolução nº 22/90.

155. Isto faz com que o IPI e o ICMS. I . art. o contribuinte do IPI é o industrial e do ICMS o comerciante. em relação ao IPI está previsto no art. 2. Os dois casos são de impostos indiretos (aqueles em que há um contribuinte de direito e um outro de fato. § 3º. sendo que aquele faz repercutir no preço o imposto e. Assim."será seletivo. significa que quanto mais as mercadorias e os serviços forem essenciais ao mínimo vital. dizendo que tal imposto "será não-cumulativo. a parcela de rendimentos comprometida com o mínimo vital não representa capacidade contributiva para o IR e não deve ser tributada. menor a alíquota aplicada e. geralmente. Por sua vez o Princípio da não-cumulatividade.pessoa em que houver a disponibilidade jurídica ou econômica de renda que deve incidir Imposto de Renda. isto é. § 2º. § 3º. o mesmo montante de ICMS que seria devido caso tivesse . 153. compensando-se o que for devido em cada operação com o montante cobrado nas anteriores" e em relação ao ICMS apresenta-se no art. levando-se em conta a essencialidade do produto. ao contrário. compensando-se o que for devido em cada operação relativa à circulação de mercadorias ou prestação de serviços com o montante cobrado nas anteriores pelo mesmo ou por outro Estado ou pelo Distrito Federal" e "A isenção ou não incidência. I e II. que são. b) acarretará anulação do crédito relativo às operações anteriores" (grifamos). salvo determinação em contrário da legislação: a) não implicará crédito para compensação com o montante devido nas operações ou prestações seguintes. CF/88. § 2º. art. no preço da mercadoria que adquire. mas quem arca com a exação tributária é o adquirente final do produto ou o consumidor final do bem ou serviço) e a esta categoria de impostos adotam-se alíquotas diferenciadas. quanto mais supérfluos forem. pelos quais: "será nãocumulativo. na tentativa de dar um caráter pessoal e efetivar os Princípios da Isonomia e da Capacidade Contributiva. CF/88. pois este não deve incidir sobre a parcela de aquisição de renda indispensável ao suprimento das necessidades básicas da pessoa que a obteve. 153. não sejam tributados em cascata. específico ao ICMS (CF/88. por conseqüência. III . o consumidor final tem o direito constitucional subjetivo de ver embutido. 155."poderá ser seletivo. O Princípio da não-cumulatividade faz operar uma técnica de política fiscal permitindo o abatimento do imposto anteriormente pago (que funciona como um crédito) no montante a ser pago na próxima operação (que se apresenta como um débito). impostos multifásicos. em função da essencialidade do produto"). maior a alíquota. o último acaba arcando com o ônus do imposto.4 Princípios específicos do ICMS e do IPI: da seletividade e da nãocumulatividade O Princípio da Seletividade. II. em função da essencialidade das mercadorias e serviços") e ao IPI (CF.

Do mesmo modo. previsibilidade da ação estatal. a imunidade exclui a própria competência tributária. estabilidade das relações jurídicas. a liberdade e o patrimônio. As limitações ao poder de tributar são impostas pelos princípios tributários e pelas imunidades. imunidades a taxas: impossibilidade de cobrança de custas judiciais e de taxas nas ações de habeas corpus. .884/89. não lhe permitindo exercer a sua competência tributária nos casos que especifica.5.). É a exclusão constitucional do poder de tributação que se refere apenas a impostos. Importa salientar que a Constituição não usa o termo "imunidade". habeas data e atos necessários ao exercício da cidadania. Quanto às outras espécies de tributos (vinculados à alguma prestação estatal). etc. 2. p. Difere a imunidade da isenção. quanto um outro que sofre várias etapas de industrialização terá. Isto porque. ainda que ocorra o fato. 2. não é possível prestar serviços sem cobrar pelos mesmos. Ou seja. prevista na CF/88. Agora trataremos das imunidades. a eles não correspondendo atividade específica do Estado em relação ao contribuinte. o mesmo encargo tributário. 27-28).ocorrido uma única operação mercantil. a federação.5 Outras limitações constitucionais à tributação O exercício da competência tributária não é ilimitado. 175. sendo esta a modalidade de exclusão do crédito tributário prevista no art. fazendo nascer a obrigação tributária. nos termos da Lei 7. Logo. o que poderia ocasionar arbítrio ou exercício abusivo do poder de tributar conferido pela CF/88. se pratique o ato ou se celebre o negócio considerado pela Constituição Federal como revelador da aquisição de capacidade econômica do contribuinte. sob a forma de norma dirigida ao legislador. o princípio da nãocumulatividade não permite que haja "cascata" de imposto sobre imposto (CRISTANI. Os princípios já foram vistos acima. e sim "é vedado". por serem estes tributos não-vinculados. embora a Constituição apresente enquanto exceção. a igualdade entre os Estados e os Municípios. no valor final. CTN: o crédito tributário existiu e o fato gerador ocorreu efetivamente. tanto um produto que é industrializado em uma única fase. também devendo ser gratuitos aos reconhecidamente pobres. "não incide". mas dispensa-se o pagamento do tributo a partir da data do nascimento da obrigação respectiva. com o fim de proteger valores básicos do indivíduo (segurança. dele não pode aproveitar-se o legislador para considerá-lo fato gerador do imposto.1 As imunidades A imunidade é uma limitação do exercício do poder de tributar. 1997. enquanto a isenção exclui o crédito tributário. que são as garantias constitucionais do contribuinte. o registro civil de nascimento e a certidão de óbito.

de forma exaustiva e rígida. 252). 14/04/97). pela União. sendo que. em decorrência da federação. conforme o poder tributante. havendo decisão do STF no sentido de que materiais relacionados com o papel (papel fotográfico. Regras De Repartição Das Receitas Tributárias 3. Tributos E Espécies Tributárias. E como o exercício do poder de tributar dá origem a relações obrigacionais de direito público. Discriminação Constitucional Das Rendas Tributárias: Competência Tributária. a atuação do Estado no setor tributário faz-se através de relações de direito. . II. 1995. Este poder fiscal. VI. podem existir tributos federais. para que não haja invasão de competências a Constituição Federal. uns dos outros. e. CF) e mais o disposto no art. a técnica da distribuição de competência tributária é denominada "discriminação de rendas tributárias". 150. fornecidos pelo art. mas não máquinas e aparelhos importados por empresa jornalística (cf. Extraordinário n. 3.1 Discriminação constitucional das rendas tributárias O poder fiscal (poder de tributar) é a faculdade que o Estado possui para criar tributos e exigi-los das pessoas que se encontram dentro do âmbito da sua soberania territorial (MORAES. 151. Estados. Assim. ao Distrito Federal e aos Municípios instituir impostos sobre o patrimônio. manterem seus objetivos institucionais aplicando integralmente no País os seus recursos e guardar as formalidades exigidas para a escrituração fiscal). sindicatos (entidades sindicais dos trabalhadores). Em Direito Tributário. dos partidos políticos (inclusive suas fundações). diferenciar. jornais e periódicos e o papel destinado à sua impressão (art. 1995. discriminou as competências entre os referidos entes federativos. no nosso sistema tributário nacional.127-1. filmes fotográficos) estão abrangidos por esta imunidade. refere-se à repartição da competência tributária entre os diversos níveis de governo (MORAES. instituições de educação e de assistência social (sem fins lucrativos. 14 CTN: não distribuírem lucros. "d". da renda das obrigações da dívida pública dos Estados. e não de simples relações de poder ou de soberania. a renda ou serviços. Também desfrutam de imunidade de impostos o patrimônio. Distrito Federal e Municípios). Discriminar é verbo que significa separar. 206. p. há também imunidade para livros. a renda ou serviços dos templos (de qualquer culto).Existem também as imunidades recíprocas das pessoas de Direito Público Interno. atendidos os requisitos da lei. p. Além destes casos. existem algumas recentes modificações. Quanto às últimas instituições. configurando o Princípio da Vedação de Tributação. estaduais e municipais. aos Estados. quando aplicado às rendas tributárias. é distribuído às diversas pessoas políticas (União. CF). VI: vedado à União. Rec. do Distrito Federal e dos Municípios (art. 150.

274). A discriminação de competência é prevista na Constituição Federal. Importa observar que a Constituição não cria tributo (o que deve ser feito por lei), mas prevê o caminho para a criação. A atribuição constitucional da competência para instituição de tributos compreende a competência legislativa plena (determinar sua incidência, base de cálculo e alíquota, sujeito passivo da obrigação constituída, formas de lançamento e cobrança e prover os modos de arrecadação e fiscalização) da seguinte maneira: a) todas as pessoas políticas (exceto os Territórios Federais, que não dispõem de Poder Legislativo e não têm competência tributária) podem impor impostos, conforme um regime de competências privativas da União (art. 153), dos Estados e do Distrito Federal (art. 155) e dos Municípios (art. 156); b) todas as pessoas políticas (novamente excetuando-se os Territórios Federais) podem instituir taxas e contribuições de melhoria, sob a sistemática de competência comum, conforme o art. 145, II e III; c) apenas a União pode instituir empréstimos compulsórios (sempre mediante Lei Complementar), assim como também cabe somente à União, com a exceção do § único do art. 149, a cobrança das Contribuições Parafiscais do art. 149 (contribuições sociais, de intervenção no domínio econômico e de interesse das categorias profissionais ou econômicas). Também a competência residual (art. 154, I, CF/88) para instituir outros impostos, desde que nãocumulativos e não tenham fato gerador ou base de cálculo coincidentes com os demais impostos e a competência extraordinária ou especial (competência para instituir, na iminência ou no caso de guerra externa, impostos, compreendidos ou não em sua competência tributária, os quais serão suprimidos, gradativamente, conforme art. 154, II, CF/88, cessadas as causas de sua criação, valendo observar que o Código Tributário Nacional, em seu art. 76, estabelece prazo de 5 anos para a supressão, contados da data da celebração da paz) são privativas da União. Sobre as demais formas de exercício da competência tributária, o art. 7º, CTN proíbe a delegação da competência tributária, admitindo, apenas, a delegação das atribuições de arrecadar ou fiscalizar tributos ou de executar leis, serviços, atos ou decisões administrativas em matéria tributária, desde que conferida por uma pessoa jurídica de direito público a outra. Esclarecemos que não constitui delegação de competência o que o CTN (art. 7º, § 3º) chama de cometimento a pessoa jurídica de dir. privado do encargo ou função de arrecadar tributos, o que ocorre quando o tributo é

recolhido pela rede bancária autorizada. 3.2 Tributos e espécies tributárias O conceito de tributo dado pelo Código Tributário Nacional está em seu art. 3º: "é toda prestação pecuniária compulsória, em moeda corrente ou cujo valor nela se possa exprimir, que não constitua sanção de ato ilícito, instituída em lei e cobrada mediante atividade administrativa plenamente vinculada". Tributo é gênero que comporta espécies. O alcance da palavra tributo, que pelo Código Tributário (art. 5º) abrangia apenas os impostos, as taxas e as contribuições de melhoria, foi ampliado pela CF/88 que abrange as três espécies citadas (no art. 145) e mais: empréstimos compulsórios (art. 148); contribuições sociais, ditas especiais ou parafiscais (art. 149), a contribuição para a seguridade social (art. 194) e o pedágio (150, V). No entanto, autores como Geraldo Ataliba adotaram a divisão tripartite e há quem diga que os empréstimos compulsórios e as outras contribuições que não as de melhoria não sejam espécies tributárias autônomas pois, pelo fato gerador das mesmas, especialmente do empréstimo compulsório, vêse que apresentam-se como verdadeiros impostos. Vejamos agora o que se entende por cada uma dessas espécies tributárias. Como síntese, podemos adiantar: o imposto é um verdadeiro adiantamento de meios; a taxa, um pagamento mais ou menos contemporâneo à fruição da vantagem ou do serviço, e a contribuição é sempre paga posteriormente. 3.2.1 Impostos Imposto, que pelo art. 16 do CTN: "é o tributo cuja obrigação tem por fato gerador uma situação independente de qualquer atividade estatal específica, relativa ao contribuinte", é um tributo nãovinculado: tributo cuja hipótese de incidência consiste na conceituação legal de um fato qualquer que não se constitua uma atuação estatal, conforme Geraldo Ataliba (ATALIBA, 1994, p. 121). São tributos destinados a atender indistintamente às necessidades de ordem geral da Administração Pública, distinguindo-se dos demais produtos pelo fim a que se destinam, que não é a necessidade ou o interesse de um indivíduo ou grupo de indivíduos, mas sim o custeio dos serviços gerais da administração. A CF/88 elencou quais os impostos que cada uma das pessoas políticas têm competência para instituir: a) à União couberam os impostos enumerados no art. 153 (e mais os do art. 154): 1. importação de produtos estrangeiros; 2. exportação, para o exterior, de produtos nacionais ou nacionalizados;

3. renda e proventos de qualquer natureza; (não incidirá, nos termos e limites fixados em lei, sobre rendimentos provenientes de aposentadoria e pensão, pagos pela previdência social da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, a pessoa com idade superior a 65 anos, cuja renda total seja constituída, exclusivamente, de rendimentos do trabalho); 4. produtos industrializados; (não incidirá sobre produtos industrializados destinados ao exterior); 5. operações de crédito, câmbio e seguro, ou relativas a títulos ou valores mobiliários; (aqui inclui-se o ouro, quando definido em lei como ativo financeiro ou instrumento cambial, com alíquota mínima de 1%, assegurada a transferência do montante da arrecadação na razão de 30% para o Estado, o Distrito Federal ou o Território, conforme a origem, e 70% para o Município de origem); 6. propriedade territorial rural (ITR, que terá suas alíquotas fixadas de forma a desestimular a manutenção de propriedades improdutivas e não incidirá sobre pequenas glebas rurais, definidas em lei, quando as explore, só ou com sua família, o proprietário que não possua outro imóvel, conforme disposições do art. 2º da Lei nº 9.393/96 e da CF, art. 153, § 4º; 7. grandes fortunas, nos termos de lei complementar (art. 153, VII; abrangeria grandes fortunas de pessoas físicas, mas a tal lei complementar ainda não surgiu). b) Aos Estados couberam os impostos elencados no art. 155 (redação dada pela Emenda Constitucional nº 3/94): 1. transmissão causa mortis e doação, de quaisquer bens ou direitos; (relativamente a bens imóveis e respectivos direitos, compete ao Estado da situação do bem, ou ao Distrito Federal; relativamente a bens imóveis, títulos e créditos, compete ao Estado onde se processar o inventário ou arrolamento, ou tiver domicílio o doador, ou ao Distrito Federal; terá a competência para sua instituição regulada por lei complementar se o doador tiver domicílio ou residência no exterior, ou se o de cujus possuía bens, era residente ou domiciliado ou teve o seu inventário processado no exterior; terá suas alíquotas máximas fixadas pelo Senado Federal); 2. operações relativas à circulação de mercadorias e sobre prestações de serviços de transporte interestadual e intermunicipal e de comunicação, ainda que as operações e as prestações se iniciem no exterior (ICMS, que não incidirá sobre operações que destinem ao exterior produtos industrializados, excluídos os semi-elaborados definidos em lei complementar; sobre operações que destinem a outros Estados petróleo, inclusive lubrificantes, combustíveis líquidos e gasosos dele derivados, e energia elétrica, sobre o ouro, nas

hipóteses definidas no art. 153, § 5º); 3. propriedade de veículos automotores. c) ao DF couberam os impostos previstos nos arts. 155 e 156. d) aos Municípios os impostos previstos no art. 156: 1. propriedade predial e territorial urbana (IPTU, que poderá ser progressivo, nos termos de lei municipal, de forma a assegurar o cumprimento da função social da propriedade); 2. transmissão inter vivos, a qualquer título, por ato oneroso, de bens imóveis, por natureza ou acessão física, e de direitos reais sobre imóveis, exceto os de garantia, bem como cessão de direitos a sua aquisição; 3. serviços de qualquer natureza, não compreendidos no art. 155, II, definidos em lei complementar (ISQN, criado pela EC 3/93 - serviços não compreendidos no ICMS, conforme a lista de tais Serviços veiculada pelo Decreto-Lei nº 834/69, com redação dada pela Lei Complementar nº 56/87: médicos, bancos de sangue, hospitais, planos de saúde, barbeiros, cabeleireiros, contabilidade, auditoria, perícias, traduções, datilografia, advocacia, demolição, reflorestamento, ensino, funerais, dentistas, etc.). Observamos que o Imposto sobre Vendas a varejo de Combustíveis Líquidos e Gasosos, de competência dos Municípios, foi eliminado pela Emenda Constitucional nº 3/93. Registramos, também, que a Lei nº 9.317/96 dispôs sobre o regime tributário das microempresas e das empresas de pequeno porte e instituiu o SIMPLES (Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte), conforme o art. 179, CF. As empresas mencionadas podem por ele optar, cuja inscrição implicará pagto mensal unificado dos seguintes impostos e contribuições: IRPJ; PIS/PASEP; CSLL (Contribuição Social sobre o Lucro Líquido); COFINS; IPI. E assim, como vimos, os impostos, salvo as exceções do art. 154 (competência residual reservada à União) têm número certo e estão devidamente distribuídos pelos entes da Federação. Afora esses casos, nenhum outro imposto poderá ser criado. 3.2.2 Taxas Podem ser instituídas por todas as pessoas constitucionais, conforme já vimos acima (art. 145, II, CF), "em razão do exercício do poder de polícia ou pela utilização efetiva ou potencial de serviços públicos específicos e divisíveis, prestados ao contribuinte ou postos à sua disposição".

79. CF "as taxas não poderão ter base de cálculo própria de impostos". taxa de limpeza pública. b) potencialmente. p. quando por ele usufruídos a qualquer título. § 2º. o Distrito Federal e os Municípios poderão instituir os seguintes tributos: III Contribuição de melhoria. é instituída para fazer face ao custo de obras . quando suscetíveis de utilização. no art. Exemplos de taxas: taxa judiciária.1 Contribuição de melhoria Prevista no art. 145. quando possam ser destacados em unidades autônomas de intervenção. tratando-se de atividade que a lei tenha como discricionária. 145. sendo de utilização compulsória. taxa é "o tributo vinculado cuja hipótese de incidência consiste numa atuação estatal direta e imediatamente referida ao contribuinte" (ATALIBA. sem abuso ou desvio de poder".2. III. os Estados. III . 3. regula a prática de ato ou abstenção de fato. no âmbito de suas respectivas atribuições.2. pelo Distrito Federal ou pelos Municípios. Parágrafo único. Considera-se regular o exercício do poder de polícia quando desempenhado pelo órgão competente nos limites da lei aplicável.3. 122). à tranqüilidade pública ou ao respeito à propriedade e aos direitos individuais ou coletivos. se assim fosse possível. de nada adiantaria o rol numerus clausus de todos os impostos no texto constitucional. Conforme Geraldo Ataliba.3 Contribuições 3. limitando ou disciplinando direito. 1994. com observância do processo legal e. taxa postal. quando. II . Sobre a taxa em razão de serviços importa observar o que diz o CTN em seu art. etc. 81 ("A contribuição de melhoria cobrada pela União. à ordem. Com este comando visa a Constituição proibir que o legislador ordinário (que é quem efetivamente cria os tributos) institua uma taxa e use uma base de cálculo própria de imposto pois. 78 o poder de polícia: "Considera-se poder de polícia atividade da administração pública que.específicos. à disciplina da produção e do mercado. ao exercício de atividades econômicas dependentes de concessão ou autorização do Poder Público. separadamente. decorrente de obras públicas") e no CTN. de utilidade ou de necessidade públicas.Sobre a taxa em razão do poder de polícia o CTN define. art. CF/88 ("A União.divisíveis. pelo qual os serviços públicos consideram-se: "I utilizados pelo contribuinte: a) efetivamente. taxa de resíduos sólidos. em razão de interesse público concernente à segurança. por parte de cada um dos seus usuários". aos costumes. Pelo art. taxa de pavimentação. taxa de licença. à higiene. pelos Estados. interesse ou liberdade. sejam postos à sua disposição mediante atividade administrativa em efetivo funcionamento.

Para além disso. pontes.públicas de que decorra valorização imobiliária. viadutos.2. O conceito de contribuições sociais é mais amplo do que aquele de contribuições sociais destinadas ao custeio da seguridade social. 195. portanto. FGTS no custeio da casa própria) e também as contribuições para SESI. SENAC. as contribuições de intervenção no domínio econômico e as contribuições de interesse das categorias profissionais ou econômicas. 212. CF. visando a destinar . 3. As Contribuições sociais propriamente ditas não devem ser reduzidas às contribuições para o financiamento da seguridade social. construção e ampliação de parques. pois estas últimas são espécies. 1997.art. redes telefônicas. um tributo vinculado cuja hipótese de incidência consiste numa atuação estatal referida ao obrigado: quando o poder estatal construir uma obra pública e esta. Existem também as contribuições para o financiamento da seguridade social do art. iluminação.2 Contribuições especiais Pelo disposto no art. embora não haja consenso na doutrina a respeito de serem tributos ou não. criada pela Lei Complementar 70/91) e a Lei nº 9. De qualquer forma. Assim. e as primeiras gênero. O montante não pode ultrapassar nem o custo da obra nem o valor do benefício. pela utilização da competência residual da União. esgotos. § 5. SESC. O art. funciona como uma forma de indenização ao Estado pela vantagem econômica especial. redes elétricas. etc. É. ainda que o particular não a tenha querido. reflexivamente. abastecimento de água. estão sujeitas ao regime jurídico dos tributos. ampliação do sistema de trânsito rápido. A valorização dos imóveis de propriedade privada pode dar-se em virtude das seguintes obras públicas: abertura. SENAI.3. alargamento ou pavimentação de vias públicas. 149.311/96 que criou a CPMF (Contribuição Provisória sobre Movimentação ou Transmissão de Valores e de Créditos e Direitos de Natureza Financeira). túneis. destacamos aqui a COFINS (Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social. 35). arborização. etc. é o tributo instituído para recuperar o custo da obra pública de que decorra valorização imobiliária particular. existem as contribuições sociais. haverá a possibilidade da cobrança da contribuição de melhoria. 149 regula o regime tributário das contribuições sociais (de caráter nãoprevidenciário) que custeiam a atuação do Estado em outros campos sociais (salário educação . CF. proteção contra inundações. fizer com que os imóveis nas suas proximidades venham a sofrer uma valorização (plus valia). isto é. tendo como limite total a despesa realizada e como limite individual o acréscimo de valor que resultar para cada imóvel beneficiado"). para evitar um enriquecimento sem causa dos proprietários ou possuidores dos imóveis que se valorizaram às expensas do dinheiro público (conforme CRISTANI. p.

que não existe mais a possibilidade de instituição de empréstimo compulsório em razão de "conjuntura que exija a absorção temporária do poder aquisitivo". que admite a contribuição especial. de Engenheiros. 637). da OAB. de Profissionais da Enfermagem. é de competência exclusiva da União. mas não-recepcionada pela CF/88 (art. contribuição para o desenvolvimento da indústria cinematográfica nacional. 149. decorrentes de calamidade pública.) ou indireta (por via legislativa.recursos ao financiamento da saúde. 148). Arquitetos. sendo que a aplicação dos recursos provenientes será vinculada à despesa que fundamentou sua instituição.). 148. Já as contribuições de interesse das categorias profissionais ou econômicas são instrumentos de atuação da União. 637). Agrônomos. CF. 15. contribuição ao Instituto Brasileiro do Café (IBC). (MORAES. . taxa de renovação da Marinha Mercante (receita incorporada ao fundo da Marinha Mercante). CF. "investimento público de caráter urgente e de relevante interesse nacional". 69. por último. 1995. de categorias profissionais ou econômicas.2. contribuição aos Conselhos Federais e Regionais de Contadores. disciplinando a liberdade de iniciativa. etc. inclusive para a execução de programas de interesse das mesmas. do Conselho Regional de Medicina. 3. pode ser. de guerra externa ou sua iminência". etc. (MORAES. conforme art. devendo respeitar as normas constitucionais tributárias. podendo ser: contribuição sindical. As contribuições de intervenção no domínio econômico são instrumentos de atuação da União. monopolização da empresa. etc. 1995. mediante lei complementar (sua instituição exige quorum qualificado de maioria absoluta conforme já vimos pelo art. já que prevê a devolução futura do dinheiro arrecadado. destinando-se ao custeio das atividades dos órgãos sindicais e profissionais. destinando-se ao custeio de serviços e encargos decorrentes da intervenção da União no domínio econômico. III do CTN. CF). Enquadram-se: contribuição para o Instituto do Açúcar e do Álcool (IDAA). reprimindo o abuso do poder econômico. p. prevista no art. de Economistas. conforme Moraes. Atende as seguintes finalidades: "despesas extraordinárias. Pelo art. também de acordo com o art. O que importa é que a Constituição Federal o tratou como verdadeiro tributo. p. não estando atualmente mais vinculada à saúde. E essa intervenção da União. direta (atuação ou atividade concreta de fomento ao setor produtivo. 149. Frisamos.4 Empréstimo compulsório Não reproduziremos aqui as longas e intermináveis discussões a respeito de o empréstimo compulsório ser mesmo um tributo ou uma espécie de empréstimo forçado. etc. exploração de atividade econômica.

Pertencem aos Estados e ao Distrito Federal: a) o produto da arrecadação do imposto da União sobre a renda e proventos de qualquer natureza (IR). relativamente aos imóveis neles situados. sobre rendimentos pagos. sobre rendimentos pagos.5% como FPM . recebendo competências em áreas sociais fundamentais (saúde. c) 22. provenientes dos impostos federais IR e IPI. e) 25% do produto do imposto estadual ICMS. entregues pela União mediante o Fundo de Participação dos Estados e do Distrito Federal.5% e quota-parte do ICMS de 20% para 25%. já vimos que foram erigidos pela CF/88 em entes federativos. CF/88). a qualquer título.5%. suas autarquias e pelas fundações que instituírem e mantiverem. Para fazer face à descentralização administrativa. 157 a 162. por eles. 154. I). d) 10% provenientes do imposto federal IPI. constantes nos arts. educação. que a União lhes entrega. b) 50% do produto da arrecadação do imposto da União ITR. com o aumento do Fundo de Participação dos Municípios de 17% para 22. Quanto aos municípios. incidente na fonte. pertencem aos Municípios: a) o produto da arrecadação do imposto da União IR. temos que aos Estados. habitação) que devem ser prestadas em cooperação com a União e o Estado (art. provenientes dos impostos federais IR e IPI. Distritos Federais e aos Municípios cabem as receitas tributárias coletadas diretamente (em sua totalidade) ou as que retornam indiretamente (sob a forma de percentuais que incidem sobre tributos cobrados diretamente por outro ente federado) conforme listado na seqüência. 23. incidente na fonte. por eles. Regras Constitucionais De Repartição Das Receitas Tributárias A repartição das receitas tributárias obedece regras definidas pela CF/88. . Aplicando-se as regras aí estabelecidas.4. suas autarquias e pelas fundações que instituírem e mantiverem. Assim. b) 20% do produto da arrecadação do imposto que a União venha a instituir mediante lei complementar (art. foram-lhes concedidos mais recursos no Sistema de Partilha. relativamente aos veículos automotores licenciados em seu território. d) 50% do produto da arrecadação do imposto estadual IPVA. entregues pela União. proporcionalmente ao valor das respectivas exportações de produtos industrializados. c) 21.Fundo de Participação dos Municípios. a qualquer título.

contudo. os Estados. o que é feito pelo art. Qualquer despesa pública deve ser necessariamente prevista no Orçamento. os montantes de cada um dos tributos arrecadados. Distrito Federal e Municípios a título de Fundo de Participação (respectivamente 21. destina 3% para aplicação em programas de financiamento ao setor produtivo das Regiões Norte. aos Estados. Normas Constitucionais E Processo Legislativo O Orçamento Público é uma peça jurídica aprovada pelo Poder Legislativo. Existe inclusive proibição expressa em relação à realização de despesas que excedam os créditos orçamentários ou adicionais.5%). 162 a União. por sua vez. CF). que a União e os Estados condicionem a entrega de recursos ao pagamento de seus créditos. É disciplinado nos arts. na forma que a lei estabelecer. prevê que os gastos com o pessoal ativo e inativo da União. CF/88. II. 169. através de suas instituições financeiras de caráter regional. do Distrito Federal e dos Municípios não poderá exceder os limites estabelecidos em lei complementar. ficando assegurada ao semi-árido do Nordeste a metade dos recursos destinados à Região.5% e 22. anualmente. Para efeito de cálculo da entrega a ser efetuada pela União aos Estados. conforme disposição do art. dos Estados Federados. Para totalizar os 47% entregues pela União da arrecadação do IR e do IPI (art. os recursos recebidos. Também o orçamento de investimentos das empresas em que a União. 159. II.f) 25% dos 10% recebidos pelos Estados da União a título de IPI. o Distrito Federal e os Municípios divulgarão. prevendo suas receitas e despesas. detenha a maioria do capital social com direito a voto deverá constar na lei orçamentária anual. CF/88 é vedada a retenção ou qualquer restrição à entrega e ao emprego dos recursos acima referidos. os valores de origem tributária entregues e a entregar e a expressão numérica dos critérios de rateio. § 5º. 165. inclusive de suas autarquias. de acordo com os planos regionais de desenvolvimento. Orçamento Público. enquanto . Pela regra do art. O art. pelo art. 167. 160. que dispõe sobre a atividade financeira do Estado. CF/88. 5. Nordeste e Centro-Oeste. 212 determina que a União aplique. Municípios e ao Distrito Federal (cálculos feitos pelo Tribunal de Contas da União). 165 a 169 da Constituição Federal de 1988. O art. ao Distrito Federal e aos Municípios. embora esta lei ainda não tenha sido promulgada. exclui-se a parcela da arrecadação do IR pertencente aos Estados. não impedindo. direta ou indiretamente. E por fim. até o último dia do mês subseqüente ao da arrecadação. no mínimo 18% de suas receitas advindas dos impostos na educação.

mas certamente por sua repercussão imediata no erário. paira a fiscalização do Poder Executivo como principal responsável pela efetivação/realização do Orçamento Público. as despesas de capital para o exercício financeiro subseqüente. pelo qual qualquer cidadão. 70) é feita com o auxílio do Tribunal de Contas da União (artigos 70 e 71) e se refere fundamentalmente à prestação de contas de todo aquele que administra bens. previsto no art. É decorrência natural da Administração como atividade exercida em relação a interesses alheios. com validade para o exercício financeiro de um ano). 6. denunciar irregularidades ou ilegalidades perante o Tribunal de Contas da União. a) o controle externo . na forma da lei. inovação da Constituição Federal. 49. bem como autoriza a realização das despesas. A fiscalização financeira e orçamentária da União (art. associação ou sindicato é parte legítima para. inciso X. valores ou dinheiros públicos. O art. § 2º. 74.feito pelos vários escalões hierárquicos dos Poderes (auto-controle). c) Lei Orçamentária Anual (que de forma estimativa prevê as receitas da União. 165 traça o regime constitucional do Orçamento Público em três tipos: a) Plano Plurianual (prevê despesas para programas de duração continuada). b) Lei de Diretrizes Orçamentárias (prevê as metas e prioridades da Administração Pública. Fiscalização Financeira E Orçamentária. 70 a 75 CF/88. como se depreende do art. partido político. Toda a administração pública fica sujeita à fiscalização hierárquica. c) o controle particular. Mas acima de tudo isso. as orientações para a elaboração do orçamento anual e as alterações na legislação tributária). a .exercido pelo Congresso Nacional com o auxílio do Tribunal de Contas da União. os Municípios e o Distrito Federal devem fazê-lo com 25%. A Fiscalização e o controle dos orçamentos públicos estão previstos nos artigo. Os Tribunais De Contas A Constituição Federal de 1988 ampliou significativamente as atribuições do Poder Legislativo para a fiscalização e controle dos atos da Administração em geral (direta e indireta). compreendendo: a) o controle interno .que os Estados.

assim como a fiel execução do orçamento. 70 a 75). Por fim. Ainda assim. do Distrito Federal e dos Municípios que os tiverem. aposentadorias e pensões. com a legalidade dos contratos. pois está instituído constitucionalmente como órgão auxiliar do Poder Legislativo (art.administração finananceira e orçamentária submete-se a maiores rigores de acompanhamento. 71). valores e dinheiros públicos. Se entrelaçados o são por natureza. com a aplicação dos dinheiros públicos. É controle político de legalidade contábil e financeira. faz-se necessário recordarmos que o constitucionalismo do século XVIII foi o liberal por excelência. importa frisar que os tribunais de contas (Tribunal de Contas da União. conforme o art. O Tribunal de Contas da União tem uma posição singular na Administração brasileira. mais dando valor ao direito de liberdade do que ao de igualdade. tendo a CF/88 determinado o controle interno pelo Executivo e o controle externo pelo Congresso Nacional auxiliado pelo Tribunal de Contas da União (arts. Inicialmente. com funções técnicas opinativas. Julgam as contas e não as pessoas ou seus responsáveis e por isso têm feições de Cortes Administrativas e não Judiciais. relacionadas com a fiscalização da execução orçamentária. Capítulo VIII Da ordem econômica e financeira e da ordem social 1. Da Vontade Originária De Intervenção Do Estado No Domínio Econômico Às Novas Tendências Dadas Pelas Reformas Constitucionais Por certo que os assuntos tratados em nossa Constituição no Capítulo referente à "Ordem Social" estão intimamente relacionados com os tratados na "Ordem Econômica e Financeira". não tendo apoio constitucional qualquer controle prévio sobre atos ou contratos da Administração direta ou indireta. auxiliares do Legislativo e colaboradores do Executivo. § 1º) são órgãos independentes. que podem ser realizadas a qualquer tempo. aqui os trataremos em abordagem compartida. 31. salvo as inspeções e auditorias in loco. mas desempenha atribuições jurisdicionais administrativas. O controle externo visa a comprovar a probidade da Administração Pública e a regularidade da guarda e emprego dos bens. Toda a ação que desenvolvem deve ser a posteriori. mesmo . embora no texto constitucional apareçam em locais distintos (respectivamente Títulos VIII e VII). Tribunais de Contas dos Estados Federados. nem sobre a conduta de particulares que tenham gestão de bens ou valores públicos.

principalmente após aqueles conflitos armados que não fizeram mais do que demonstrar a instabilidade e a impotência de um Estado que deixava as principais questões econômicas sob o comando da iniciativa privada. nos últimos anos. o fez por meio das normas constitucionais programáticas. por exemplo. Assim. No Brasil. fazendo-se uma análise conjuntural de cunho nacional e internacional. o futuro da Administração Pública como função parece ser o de mera gestora. quebra de monopólios. foi chamado a intervir na ordem econômica para. que passam para a iniciativa privada. Mas temos visto. 2.antes do advento das Grandes Guerras (Primeira e Segunda Mundiais) e Revoluções (Mexicana e Russa) que obrigaram o mundo ocidental a aceitar a limitação do modelo de Estado e de Constituição até então acatados e a rever seus conceitos e práticas. embebida da ideologia individualista-burguesa. esta. além da igualdade jurídica. por fim. A Constituição Federal de 1988. A partir daí. tentar estender aos homens a igualdade econômica. introduzido passo a passo em nossa realidade brasileira por meio de reformas constitucionais. ainda recordando. já estudadas na Parte I desta obra. com regras programáticas aí postas com boas intenções. Princípios Constitucionais Regentes Da Atividade Econômica . já alguns daqueles textos constitucionais liberais contemplavam certos preceitos de conteúdo social. o que pretendia fosse realizado por meio da previsão de socorros públicos e meios de sobrevivência aos que não tivessem condições de trabalhar. a primeira vez em que isso aconteceu. por seu turno. tais regras sendo suprimidas ou tendo seu conteúdo socializante amenizado. como por exemplo a Constituição francesa de 1793. a efetiva necessidade de o Estado intervir na ordem econômica para sanar graves problemas sociais (pauperização extrema de parcelas significativas da população) impôs-se com o desenrolar da Revolução Industrial. como perspectivas e tendências no contexto da globalização e do neoliberalismo afigurasse-nos um Estado de tipo "mínimo". Mas à parte de tais embriões de cunho social. através de concessões. Quando o Estado. deu-se com a Constituição de 1934. capitaneando. as Constituições passaram a insertar em seus textos títulos e capítulos específicos dedicados à Ordem Econômica e Social. Em um tal quadro de redução do tamanho do Estado. condensou a vontade do poder constituinte originário de termos no Brasil uma Constituição "Dirigente". com a criação de "agências executivas" para atuarem através de "contratos de gestão". não tinha qualquer obrigação de solucionar as mazelas sociais. sobretudo e justamente no campo da Ordem Econômica. que tinha preocupações com o abrandar de algumas desigualdades sociais. É dizer: regras desejosas de elevar a dignidade das pessoas ao nível da concretude.

que procuram moderar os excessos do capitalismo. Os "Princípios gerais da atividade econômica" acham-se positivados no artigo 170. II . embora suas regras não estejam apenas em tal local específico (Título VII). eis que não logram ter a força suficiente para garantir. conforme os ditames da justiça social". aparentemente. função social da propriedade. Para além das avassaladoras regras impostas pelo neoliberalismo aos países que nele querem se . no dizer de Raul Machado Horta. aos "Princípios gerais constitucionais da ordem econômica".propriedade privada. Devemos observar ainda que a Ordem Econômica funda-se "na valorização do trabalho humano e na livre iniciativa". parecem contraditórias entre si.). etc.redução das desigualdades regionais e sociais. IX . V . uma vez que existem inúmeros outros artigos constitucionais em direta ou indireta conexão consigo. IV .defesa do meio ambiente. de forma explícita. lamentavelmente. São eles: "I . nos nove incisos acima regras que. mas que. VI . no plano concreto.livre concorrência. 174. equivalendo. no atual contexto neoliberal.função social da propriedade. As principais inovações consumadas pela Constituição nesta matéria foi ter positivado.busca do pleno emprego.defesa do consumidor. pois que. ter exigido lei ordinária para a repressão do abuso do poder econômico (art. VIII . Por fim.soberania nacional. a livre concorrência como princípio da ordem econômica. uma reflexão necessária: como vemos. VII . condicionadores da atividade econômica (busca do pleno emprego.A Constituição Federal brasileira de 1988 dedicou à Ordem Econômica um espaço bem maior do que o fizeram as anteriores. ao lado de princípios tipicamente liberais (livre iniciativa. III . como já aludimos acima. existem. uma existência digna a milhões de seres humanos que vivem às margens das benesses do sistema capitalista e dos benefícios econômicos da globalização. etc. acabam estes últimos sendo relativizados. § 4º) e o próprio tratamento em Título separado da Ordem Social. tendo por fim "assegurar a todos existência digna. livre concorrência.tratamento favorecido para as empresas de pequeno porte constituídas sob as leis brasileiras e que tenham sua sede e administração no País".) há aqueles de cunho mais social.

conquanto reconheçam e asseguram a propriedade privada e a livre empresa. mas os atos interventivos podem ser praticados tanto pela União.1 Repressão ao abuso do poder econômico O domínio econômico gera poder para seus detentores e o seu abuso pode assumir diversas formas. ou para realizar o desenvolvimento nacional e a justiça social. foi promulgada a Lei n. acima de tudo.inserir. 173). como pelos Estados Federados e Municípios. abrangendo. como o nosso. Formas De Intervenção Estatal No Domínio Econômico Há várias maneiras de um Estado intervir na sua economia interna. condicionam o uso dessa mesma propriedade e o exercício das atividades econômicas ao bem-estar social (art. 3. do controle dos mercados e do tabelamento de preços. 170. sendo reguladas por leis federais. na forma da lei. visando a afastá-las do mercado ou obrigá-las a concordar com a política de preços do maior vendedor) e os cartéis (composição voluntária dos rivais sobre certos aspectos do negócio comum) são as formas mais usuais de dominação dos mercados. Diante dessa realidade e da recomendação constitucional de repressão ao abuso econômico. visando sempre à eliminação da concorrência e ao aumento arbitrário dos lucros. As normas de intervenção no domínio econômico são privativas da União (podendo ser delegadas). sendo este determinante para o setor público e indicativo para o setor privado" (art. Os trustes (imposição das grandes empresas sobre as concorrentes pequenas. na defasagem aqui apontada. os Estados sociais-liberais.884/94. pois se a vontade primeva deste era a de. Tais intervenções não são arbitrárias. 8. 3. CF/88). incentivo e planejamento. uma parcela de "culpa" que se situa no campo de atuação dos intérpretes e aplicados do texto constitucional. há também. promover e preservar a dignidade das pessoas. também a possibilidade de o Estado ser "agente normativo e regulador da atividade econômica". fazendo-a através da repressão ao abuso do poder econômico. mas sim constitucionais. . abrangendo várias variantes de atuação estatal na economia. deve o mesmo ser interpretado em consonância à já anunciada "justiça social". quais sejam: a possibilidade de "exploração direta da atividade econômica pelo Estado" (art. Na ordem econômica o Estado brasileiro atua para coibir os excessos da iniciativa privada e evitar que esta desatenda às suas finalidades. e não de forma a mais se distanciar de uma distribuição mais equitativa da riqueza existente. 174). "as funções de fiscalização. No regime constitucional brasileiro de 1988 a intervenção estatal no domínio econômico foi contemplada em acepção lata. Para além disso.

que é órgão judicante.dominar mercado relevante de bens ou serviços. precisamente quando diz que "constituem infração da ordem econômica. Realçamos que a Lei Antritruste.. parte de suas competências. III . aos combustíveis. O contole de abastecimento é outro mecanismo existente para que o Poder Público possa acudir à população quando faltarem produtos de necessidade básica no mercado. mas como foi extinta no primeiro semestre de 1997. visam a evitar um excessivo e injustificável aumento dos preços (ou seja.2 Tabelamentos dos preços e controle de abastecimento Os tabelamentos ou. com funções parajudiciais e jurisdição em todo o território nacional. ante a lei da oferta e da procura. Essa mesma lei de 1994 criou o CADE (Conselho Administrativo de Defesa Econômica).]" (grifamos). e em consonância com a Constituição Federal. 20 da lei em pauta).). 20. etc. atualmente não há mais tabelamento ou "congelamento de preços" pelo Poder Público. independentemente de culpa dos agentes: "I . em outras versões. proferindo julgamentos administrativos. sem qualquer participação do poder público). que indicou as 4 modalidades mais expressivas de abuso a serem combatidas.limitar. falsear ou de qualquer forma prejudicar a livre concorrência ou a livre iniciativa.aumentar arbitrariamente os lucros. por exemplo. 3. em relação às mensalidades escolares. e sim controle de preços. a cargo da Secretaria de Direito Econômico (como. serviço ou atividade que se compra ou utiliza mediante remuneração) privados (aqueles praticados no mercado. em função privativa. autarquia federal ligada ao Ministério da Justiça. IV . seja por algum tipo de boicote dos produtores ou fornecedores. passou para o PROCON e seus órgãos de proteção ao consumidor. Na verdade. [. positivou a responsabilidade objetiva em seu texto. O tabelamento de preços é feito pela União. "congelamentos" de preços.. II .mais conhecida como a Lei Antritruste. seja pelo advento de alguma catástrofe . caput. no mesmo art. independentemente de culpa. da retribuição pecuniária do valor do bem. sob a forma de preço vigiado. como a de fiscalização de preços.exercer de forma abusiva posição dominante" (art. os quais podem ser revistos judicialmente. A SUNAB tinha competência específica e exclusiva para fixar preços e disciplinar o sistema de seu controle.

energia. 3.031/90). o que desencadeou o processo das privatizações no Brasil. ocasionando mudanças na Lei nº 4. § 1º/ADCT da CF/88. serviço ou atividade. à navegação de cabotagem. etc. Inicialmente previsto pelo constituinte originário em alguns setores estratégicos da economia nacional. que são os seus instrumentos básicos. o monopólio estatal foi "fragilizado". exploração ou utilização de determinado bem. Planejamento é o estudo e o estabelecimento das diretrizes e metas que deverão orientar a ação governamental.3 Monopólios estatais Monopólio é a exclusividade de domínio. ao redefinir o conceito de empresa nacional. vendavais.317/96. para não dizer "quebrado" pelo poder reformador da Constituição. setoriais e regionais de duração plurianual. 6. A Emenda Constitucional nº 6/95. 9 e 13 alteraram as disposições específicas de infra-estrutura e serviços públicos (telecomunicações. deixaria de ser monopólio para ser estatização da economia privada (característica de regimes socialistas). o sistema . vide art. através de um plano geral de governo. ao serviço de distribuição de gás canalizado. 47. embora mantendo o regime de proteção às microempresas e empresas de pequeno porte (para saber mais a respeito. IX e art. 4. § 1º). 8. bem como flexibilizado o monopólio da PETROBRAS (empresa pela qual se exercia o monópolio estatal do petróleo). etc. Por tais Emendas já foram eliminados os monopólios relativos à exploração do subsolo. O Sistema Financeiro Nacional De acordo com o art. atendendo diretrizes do Programa Nacional de Desestatização (Lei nº 8. 7. de programas globais.864/94 e Lei nº 9.131/62. às telecomunicações. Monopólio estatal é a reserva para o Poder Público de determinado setor do domínio econômico.). Lei nº 8. 3. 192 da Constituição Federal. 174. transportes.). Se a exclusividade fosse sobre todo o domínio econômico. estabeleceu tratamento paritário entre as empresas nacionais e as estrangeiras. 179 e art.natural (enchentes. 21. O tipo de planejamento visto é o "indicativo" e acaba por ser uma modalidade mais suave de intervenção estatal no domínio econômico do que a modalidade do "monopólio estatal". que instituiu o SIMPLES).4 O planejamento na ordem constitucional Uma das finalidades precípuas do Estado. do orçamento-programa anual e da programação financeira de desembolso. por exemplo. resseguros. estiagens. uma vez que as Emendas Constitucionais de números 5. é a promoção do bem-estar social que a Constituição Federal traduz na elaboração e execução de "planos nacionais e regionais de ordenação do território e de desenvolvimento econômico e social" (art. realizada por meio da Administração Pública.

5. e inicia no art. Os direitos relativos à seguridade social englobam os direito à saúde. o Adolescente e o Idoso. são: universalidade da cobertura e do atendimento (aí significando também que não deve ser só para trabalhadores e seus dependentes. 193. mas sim aqueles que julgamos mais importantes. seletividade e distributividade na prestação dos benefícios e serviços. 195.financeiro nacional deve ser estruturado de forma a promover o desenvolvimento equilibrado do País e a servir aos integrantes da coletividade. a Cultura. algumas generalidades sobre o que se entende e como se estrutura constitucionalmente a "seguridade social". diversidade da base de financiamento (configurando uma espécie de solidariedade financeira: os meios financeiros advêm de contribuições gerais. "instrumento mais eficiente da liberação das necessidades sociais. para garantir o bem-estar material. irredutibilidade do valor dos benefícios. a Criança. uniformidade e equivalência dos benefícios e serviços às populações urbanas e rurais (isto porque a própria Constituição já equiparou trabalhadores urbanos rurais. os Índios. segundo José Afonso da Silva. Da Ordem Social A Ordem Social é tratada no Título VIII da Constituição Federal. e sim a cargo de Lei Complementar. dizendo que tem como base o primado do trabalho e como objetivo o bem-estar e a justiça social. sendo a seguridade financiada por toda a . O que a Constituição faz é traçar as diretrizes que deverão nortear a organização do sistema financeiro. a Família. Veremos aspectos de cada um destes direitos na seqüência abaixo. mas tal estruturação não é feita em nível constitucional. p. moral e espiritual de todos os indivíduos da população" (SILVA. porém.1 A seguridade social A Constituição Federal abre o Capítulo II do Título VIII (Da Ordem Social) com a invocação da Seguridade Social. 194. regras gerais quanto a objetivos e financiamento. 1994. 7º). no art. a Educação e o Desporto. E os grandes temas por ela abarcados (conforme Capítulos) são: a Seguridade Social. 5. 276). prescrevendo. Isto significa que todos os grandes temas que abarca devem ser interpretados em função destes traços inicialmente definidos. o Meio Ambiente. o direito à previdência social e o direito à assistência social. mas para todos indistintamente). não de contribuições específicas dos segurados. conforme os incisos do art. lá no seu art. a Ciência e a Tecnologia. eqüidade na forma de participação no custeio (atentando aqui para o Princípio da Proporcionalidade). A seguridade social constitui. Antes. a Comunicação Social. Frisamos que não iremos abordar a todos. Deve a seguridade social repousar em princípios básicos que.

E. um pouco de História nos auxiliará na compreensão do porque existir este tipo de proteção social. Neste processo. Esta proteção social. assegurando aos destinatários (desamparados) a proteção contra certos riscos da vida. tendo sido a primeira a ter um caráter mais social do que liberal. que genericamente consiste em dar às pessoas a segurança contra o infortúnio. no sentido de amparo destinado às pessoas quando atingidas pelo infortúnio. a proteção social passa a sair dos papéis que aceitaram as leis para servir à vida material que dela necessitava. o que as sociedades fazem norteadas pelo princípio básico da solidariedade social. seguindo-se a do seguro-invalidez e da velhice. 194. sendo a inclusão deste uma novidade). dos empregadores e dos trabalhadores). o que dificultou sobremaneira a exigência concreta do direito. com a participação dos trabalhadores. 5. quando praticamente se tornaram universais. Assim. Mas foi com o advento do Liberalismo. vemos que seus objetivos e princípios aproximam-se muito de tais fundamentos. providências são adotadas para buscar e garantir a segurança da vida em sociedade. já em 1883 a Alemanha capitaneava na Europa a adoção da legislação para a cobertura obrigatória dos riscos por acidente de trabalho e a lei do seguro-doença.1. destinadas a assegurar os direitos relativos à saúde. No Brasil. Nos demais Continentes tais medidas protetivas somente encontram ressonância após a I Guerra Mundial. com o "único" senão de que o modelo de Estado de então era o não-intervencionista. dos aposentados e do Governo nos órgãos colegiados. CF/88).1 Direito à saúde . antes de passarmos aos componentes da Seguridade Social. 194 pela Emenda Constitucional nº 20/98. e de lá para cá vem acompanhando a evolução do Direito. tendo como fim o bem comum da sociedade. mais especificamente com a Declaração Universal dos Direitos do Homem e do Cidadão de 1789 que o auxílio protetivo ao indivíduo economicamente mais fraco passou a ser proclamado como um direito do cidadão. dos empregadores. Começamos pelo termo "seguridade". senão vejamos: "A seguridade social compreende um conjunto integrado de ações de iniciativa dos Poderes Públicos e da sociedade. protetor de direitos sociais e econômicos.sociedade. de forma direta ou indireta. já marcamos em outros pontos a importância da Constituição de 1934 neste assunto. deve possuir administração com caráter democrático e descentralizado (atentando aqui para a mudança efetuada no inciso VII do art. à previdência e à assistência social" (art. pela qual a administração para a ser feita mediante gestão quadripartite. assim como por contribuições dos orçamentos públicos. Pela concepção de seguridade social acolhida pela nossa Constituição. remonta à Antigüidade Clássica. Quando historicamente começam a despontar os primeiros sinais do Estado intervencionista.

e do . precisamente para amparar aquelas pessoas que não dispõem de recursos financeiros para socorrer-se junto aos profissionais particulares da área médica. extremamente importante à vida humana só com a Constituição Federal de 1988 foi elevada à condição de direito fundamental do homem e interesse da coletividade. nos seguintes termos: "A saúde é direito de todos e dever do Estado. Existir existe. em caso de doença. impõe aos entes públicos a realização de determinadas tarefas. isto é.Quanto à saúde. já que pouco é executado na prática? Sim. mas não enquanto direito fundamental. de natureza positiva (direito às medidas e prestações estaduais visando a prevenção e o tratamento das doenças). cada um tem direito a um tratamento condigno de acordo com o estado atual da ciência médica. podemos dizer sem remorsos que é a primeira e a maior doente do País! A saúde. no caso o próprio Estado. segundo Gomes Canotilho e Vital Moreira: uma de natureza negativa (exigir do Estado ou de terceiros que se abstenham de qualquer ato que prejudique a saúde). Não que não exista um sistema de saúde. como o da saúde. positivado. são difíceis de serem cumpridos espontaneamente por quem o deve. pois em tendo um direito reconhecido. mas faltam leitos. desfruta de uma benesse advinda com esta Constituição. poderemos pleiteá-lo judicialmente. A saúde é um direito positivo. ou seja. Na Constituição anterior. o sistema não dá vazão à procura. Mas pergunta-se: adianta consignar isto em normas constitucionais. medicamentos. sempre adianta. Agora temos este direito fundamental humano reconhecido pela Constituição Federal. proteger e recuperar. embora fosse da competência da União "legislar sobre defesa e proteção da saúde". garantido mediante políticas sociais e econômicas que visem à redução do risco de doença e de outros agravos e ao acesso universal e igualitário às ações e serviços para sua promoção. tratava-se de uma previsão meramente no sentido de organização administrativa de combate às endemias e epidemias. e por isso é que existe a saúde pública. independemente de suas condições econômicas. a descentralização. o que faz via "sistema único de saúde". o direito à saúde comporta duas vertentes. aliás. 196). qual seja. serviços e ações que são de relevância pública" (art. que. proteção e recuperação. que exige prestações do Estado (promover. assim como existem hospitais. outra. Como ocorre com os direitos sociais em geral. O direito igual à vida de todos os seres humanos significa também que. exigir em juízo o seu cumprimento. descentralizado). E parece que alguns direitos sociais. relacionado com a seguridade social. e não são poucos os casos de necessitados de um socorro vital que falecem em filas hospitalares.

232 a 235. velhice e reclusão.cumprimento das mesmas depende a própria realização do direito. o companheiro ou a companheira. por ele sendo. Notemos que para a lei previdenciária "dependência econômica" consiste na situação em que certa pessoa vive. LXXI). e o tutelado. o cônjuge masculino ou feminino. o menor de quem o segurado tenha a posse e guarda por determinação judicial. quanto no regime que rege a previdência para os trabalhadores da iniciativa privada. tanto no regime especial aplicado aos agentes públicos (já analisado). o irmão nãoemancipado. e 103. Segurado é aquele que efetivamente contribui à Previdência Social. e o filho menor de 21 anos ou inválido. tratando da prevenção das doenças e da restauração da saúde por meio de ações e serviços prestados por uma rede regionalizada e hierarquizada em um sistema único de saúde (SUS). menor de 21 anos ou inválido. temos a dizer que o texto constitucional dispõe alongadamente acerca da Saúde em seus arts. impetrado quando o direito não for atendido in concreto. I. ainda. invalidez. quando morre deixando familiares dele dependentes. . efetivamente ou presumidamente.1. 5. desde que exista declaração nesse sentido por parte do segurado. 102. sendo que as prestações (benefícios e serviços) destinam-se a cobrir eventos de doença. tão-somente do segurado e de seus dependentes. 201 e 202 da Constituição Federal) fundam-se no princípio do seguro social. 2º). 5º. o enteado. quando não tenha fonte própria de subsistência). relativamente a um segurado. A Previdência Social é uma forma de substituição do salário quando o trabalhador deixa de trabalhar por motivo de doença. a lei confere direitos subjetivos à proteção previdenciária. morte. a Previdência reforça o salário em alguns casos. Os direitos de previdência social (previstos nos arts. Os dependentes são beneficiários indiretos. sendo que ao filho a lei equipara. Para além disso. podendo se dar em duplo sentido: Ação Direta de Inconstitucionalidade por Omissão (arts.2 Direito à previdência social Inicialmente convém salientar que a Emenda Constitucional nº 20/98 operou mudanças profundas quanto à Previdência Social. vigindo a regra de que para os trabalhadores que percebem ou percebiam salários mais altos a substituição não é total. no todo ou em parte. idade avançada ou incapacidade para manter o próprio sustento ou. "a". Por fim. por meio do salário-família. mantida e sustentada (sendo os pais do segurado. de qualquer condição. por falta de regulamentação. isto é. O descumprimento do direito à saúde dá ensejo a que se acione o direito subjetivo que encerra. justificada pelo não-cumprimento das tarefas estatais para sua satisfação e Mandado de Injunção (art. pessoas a quem. por estarem ligadas ao segurado por uma relação de dependência econômica.

eis que nem sempre coincidem os contribuintes e os percepientes. Ressaltamos.689/93. que extinguiu o INAMPS (órgão previdenciário que antes prestava a assistência médica). a partir do adevento da Lei nº 8. conforme o disposto na Lei 8. os salários (família e maternidade). classificando-os em empregados. extinguiram-se (art. ao estabelecer o Regime Geral da Previdência Social no Brasil. que regulamenta os Benefícios da Previdência Social. através do que denomina solidariedade social. sendo que o mesmo foi revogado pelo Decreto nº 2. possivelmente o mais importante dentre todos os benefícios (por invalidez. mas ao lado deles a Lei admite (art. . o auxílio-natalidade e o auxílio-funeral existentes no âmbito da Previdência Social. já que as pessoas contribuem socialmente para o sistema. também. empresários. Assim. CF/88). maiores de 14 anos.213/91. tendo também sofrido alterações por algumas Medidas Provisórias (como as de nº 1. Inicialmente a Lei de que tratamos foi regulamentada pelo Decreto nº 611/92. por idade. autônomos. seja qual for a maneira pela qual se equacione o custeio das prestações previdenciárias. auxílio-reclusão. não se estejam dedicando a atividade pela qual se tornem segurados obrigatórios. Lei orgânica da Assistência Social) a renda mensal vitalícia. Esta Lei trata dos Planos de Benefícios da Previdência Social e. Mas ocorre que.213/91 (que continua em vigor. mas não necessariamente pelas mesmas pessoas. por tempo de serviço e especial). Quanto à Legislação que rege a Previdência Social. pensão por morte. 195.A base da cobertura da Previdência Social assenta no fator contribuição. pois é um princípio social o de que o custeio da seguridade social como um todo é financiado por toda a sociedade (conforme art.523-5/97).172/97. que não requer contribuição. 12) a vinculação voluntária dos que. Frisamos que o "serviço" assistência médica passou a ser prestado pelo SUS (Sistema Único de Saúde). 40. que com a implantação dos Benefícios Eventuais e do Benefício de Prestação Continuada. sempre será da sociedade toda que provirão os recursos destinados ao pagamento das mesmas. os auxílios (doença e acidente). As prestações (modalidades de atendimento da Previdência Social) dividem-se em benefícios e serviços. mesmo cada segurado contribuindo. depois elas são consumidas por meio das prestações. diz-se que estes são os segurados obrigatórios. embora já tendo sofrido várias modificações). primeiro obtêm-se as fontes de custeio através das contribuições. segundo à forma pela qual dão curso às suas atividades. avulsos e especiais. temos a Lei nº 8. 11) dos trabalhadores vinculados à iniciativa privada.523/96 e a 1. estabeleceu a filiação ao INSS (art. E os serviços são apenas dois: (o serviço social e a reabilitação profissional). ao contrário da Assistência Social. Os benefícios são: a aposentadoria. Como tal filiação opera-se independentemente da manifestação de vontade do segurado.

II . a especial e proporcional (após 30 anos de trabalho ao homem e após 25 anos à mulher. o mesmo ocorrendo em relação ao regime previdenciário do funcionalismo público. nos termos da lei.trinta e cinco anos de contribuição. ou seja. 201. após 30 anos ao professor e após 25 anos à professora. conforme art. convém primeiro que vejamos como a Constituição Federal de 1988 consubstanciou originalmente o regime de previdência social em relação à aposentadoria: a por invalidez (sugerida no art. passando a existir somente duas modalidades: por tempo de contribuição. e por ter sido o mais alterado de todos os benefícios com a Emenda Constitucional nº 20/98. II). com proventos proporcionais a esse tempo. obedecidas as seguintes condições: I . para o professor que comprove exclusivamente tempo de efetivo exercício das funções de magistério na educação infantil e no ensino fundamental e médio". reduzido em cinco anos o limite para os trabalhadores rurais de ambos os sexos e para os que exerçam suas atividades em regime de economia familiar. 202. conforme o art. e por idade. ainda. Ressaltamos. Vejamos na CF/88 os textos integrais para dirimir qualquer dúvida: "§ 7º É assegurada aposentadoria no regime geral de previdência social. 202). sendo que esta restou inalterada. pela sua importância. I). A outra alteração é de conteúdo. e sessenta anos de idade. se mulher. a por idade (aos 65 anos para o homem e aos 60 para a mulher. deixa de fora o professor que exerce o magistério em nível superior. que o benefício de redução em cinco anos no tempo de contribuição aos professores atinge taxativamente aqueles professores que se dedicam à educação infantil e ao ensino fundamental e médio (comprovadas as exigências próprias). Mas para que tenhamos uma visão mais límpida das modificações ocorridas. o garimpeiro e o pescador artesanal". pela qual deixa de existir a aposentadoria por tempo de serviço. "§ 8º Os requisitos a que se refere o inciso I do parágrafo anterior serão reduzidos em cinco anos. . 201. nestes incluídos o produtor rural. 202 da Constituição Federal agora passam a estar no § 7º do art. I). reduzidos em 5 anos o limite de idade aos trabalhadores rurais de ambos os sexos. se mulher. como também a proporcional por tempo de serviço.Nos deteremos apenas no benefício aposentadoria. conforme art. A primeira alteração feita pela já aludida Emenda Constitucional que se nota é de cunho formal: no contexto do regime geral de previdência social as aposentadorias que antes estavam previstas no art. se homem. se homem. 202. a por tempo de serviço (após 35 anos de trabalho ao homem e após30 à mulher. e trinta anos de contribuição.sessenta e cinco anos de idade.

que foi criado em 1974. o art. pelo qual assegura-se a "participação dos trabalhadores e empregadores nos colegiados dos órgãos públicos em que seus interesses profissionais ou previdenciários sejam objeto de discussão e deliberação". Está atrelada ao MPAS (Ministério da Previdência e Assistência Social).213/91. 3 dos trabalhadores em atividade. assim. conforme o art. pela Lei nº 6. devendo ser periodicamente reajustado de maneira a preservar. sendo que ao INSS cabem as prestações em moeda e os serviços de assistência complementar. um limite máximo para o valor de estes benefícios do regime geral de previdência social. que é órgão superior de deliberação colegiada. separando este do Ministério do Trabalho. CF/88. 100 da Constituição Federal estabelece o regime de precatórios para a efetivação dos pagamentos devidos pela Fazenda . Subordinados ao Conselho Nacional de Previdência Social foram instituídos. dentre outras funções. 14.00 (um mil e duzentos reais). seguem-se alguns esclarecimentos sobre sua sistemática de funcionamento. acompanhar e avaliar sistematicamente a gestão previdenciária. liberando-os da aplicação dos arts. que a composição destes órgãos colegiados obedece o disposto pelo art. cuja escolha será aprovada pelo Congresso Nacional. Por sua vez. 10. o INSS possui o CNPS (Conselho Nacional de Previdência Social). composto por 15 membros. Também atrelado ao Ministério da Previdência e Assistência Social está a DATAPREV (Empresa de Processamento de Dados da Previdência Social).CMPS e CEPS que têm. em seu art. Vemos. os Conselhos Municipais de Previdência Social e os Conselhos Estaduais de Previdência Social . seu valor real. Este Conselho indicará cidadão de notório conhecimento na área para ser o Ouvidor Geral da Previdência Social. a ela cabendo o processamento de dados e tudo o mais relacionado à informática. vindo a ser de R$ 1. também órgãos de deliberação colegiada.E convém ressaltar também que a mesma Emenda Constitucional fixou.200. devendo o pagamento das prestações decorrentes de sentença judicial ser imediato. 100 excepciona os credores de verbas de cunho alimentício. 730 e 731 do CPC (regime de precatórios). seis são representantes do Governo Federal e nove são representantes da sociedade civil (3 dos aposentados e pensionistas. em caráter permanente. tratados nos parágrafos 7º e 8º. em seu art. pela mesma Lei. A tal Ministério são subordinadas as autarquias e órgãos atuantes nesse ramo da ação estatal.036/74. 3 representantes dos empregados). Para esclarecer. independente de apresentação de precatório. Ainda quanto à Previdência Social. Ressaltamos que em relação às ações judiciais contra a Previdência Social (que são muitas) a CF/88. dos quais. 3º da Lei nº 8.

portanto. à velhice e à pessoa portadora de deficiência. dentre outras atribuições.3 Direito à assistência social A respeito do direito à Assistência Social. O texto do art. sujeitas ao regime comum de execução imediata.1. traduzidas em proteção à família. citadas no art. que é a Lei nº 8742/93. vige em relação ao Regime Geral da Previdência Social o Princípio da Universalidade. significando que todos órgãos e o Regime como um todo abrangem indistintamente atividades urbanas e rurais (o FUNRURAL. qual seja. a da solidariedade financeira. sendo assim. pois os recursos procedem do orçamento geral da seguridade social e não de contribuições específicas de eventuais destinatários (art. 33 da Lei nº 8. A Assistência Social é um direito de todos e um dever do Estado. com expressa exclusão dos créditos de índole alimentar (aí incluídos os salários dos trabalhadores e as parcelas a eles equiparadas. que até a CF/88 amparava os rurículas. incluídas aí a proteção à maternidade e à infância e a assistência aos desamparados e desvalidos em geral. Dentre outros. 203 da Constituição Federal é eloqüente para demonstrar que ela constitui a face universalizante da seguridade social. pois prestada "a quem dela necessitar. não existe mais). sendo que a Medida Provisória nº 1473-33. IV). à infância. órgão superior de deliberação colegiada. prestados a quem deles necessitar. resultantes de condenação judicial. E é justamente pela não-contributividade que ressalta outra característica da seguridade social. temos a dizer que o seu regime jurídico é dado pela lei mais conhecida por LOAS (Lei Orgânica da Assistência Social).Pública. portanto. 18. que prevê o atendimento das necessidades básicas. à adolescência. de 11/07/97 deu nova redação a a alguns de seus dispositivos. 204).213/91 como prestações substitutivas do salário ou do rendimento do obreiro). "conceder atestado de registro de certificado de entidades de fins filantrópicos" (art. sendo que a esse Conselho compete. Ficam. 17). entre elas as prestações previdenciárias. Os seus serviços e benefícios são. à maternidade. As prestações da Assistência Social englobam o Benefício de . independentemente de contribuição à Seguridade Social. tratada nos artigos 203 e 204 da Constituição Federal. não-contributiva. 5. com membros nomeados pelo Presidente da República (art. de pronto pagamento. A Lei referida instituiu o CNAS (Conselho Nacional de Assistência Social). vinculado à estrutura do órgão da Administração Pública Federal responsável pela coordenação da Política Nacional de Assistência Social. Política de Seguridade Social. isto é. independentemente de contribuição".

Salientamos. iniciativas que lhes garantam meios. por fim. que pela Constituição Federal (art. incentivar e melhorar os benefícios e os serviços assistenciais) e os Projetos de Enfrentamento da Pobreza (investimento econômico-social nos grupos populares. dividida pelo número destes./98 para 67 anos. que comprovem não possuir meios de prover a própria manutenção e nem de tê-la provida por sua família". Damos aqui maior atenção ao acima referido Benefício de Prestação Continuada que. foi considerado norma de eficácia limitada. com prioridade para a criança. estabelecendo. V da CF. que são também beneficiários os idosos e os portadores de deficiências estrangeiros naturalizados e domiciliados no Brasil. a gestante. a pessoa portadora de deficiência. Tal benefício assistencial. embora outros possam ser estabelecidos para atender necessidades advindas de situações de vulnerabilidade temporária. a idade de 70 anos seria reduzida a partir de 1º de jan. dentre outras coisas. de 15/12/95 estabelece normas e procedimentos para a operacionalização desse benefício. e os Serviços Assistenciais. o que só veio a ocorrer com a Lei 8742/93. é aquela cuja renda mensal de seus integrantes. "a garantia de um Salário Mínimo Mensal à pessoa portadora de deficiência e ao idoso (com 70 anos ou mais). a organização da Assistência Social obedece às seguintes diretrizes: descentralização político-administrativa e participação da população na formulação das políticas e no controle das ações em todos os níveis. financeira e tecnicamente. a família. os Benefícios Eventuais. que são aqueles que visam ao pagamento de auxílio por natalidade ou por morte às famílias cuja renda mensal per capita seja inferior a um quarto do salário mínimo (denominados auxílio-natalidade e auxílio-funeral). elevação do padrão da qualidade de vida. desde que não amparados pelo Sistema Previdenciário do País de origem./2000 para 65 anos. dependente a exeqüibilidade do benefício de legislação integradora. e de 1º de jan. 324. a cultura e o desporto Podemos dizer que existe na Constituição um conjunto de normas que contém referências culturais e disposições que consubstanciam . estas atividades continuadas que visem à melhoria de vida da população. previsto pelo art. 203. A Resolução do INSS nº.2 A educação. 204. o idoso. I e II). com ações voltadas às necessidades básicas). capacidade produtiva e de gestão para melhoria das condições gerais de subsistência. 5. que família incapacitada de prover a manutenção da pessoa portadora de deficiência ou idosa. seja inferior a 1/4 do salário mínimo. a preservação do meio ambiente e sua organização social). buscando subsidiar. a nutriz e nos casos de calamidade pública. Existem ainda os Programas de Assistência Social (ações integradas e complementares destinadas a qualificar. e os indígenas.Prestação Continuada.

gestão democrática da escola e padrão de qualidade. As normas sobre educação e ensino têm. instituições estas que figuram. portanto. gratuidade do ensino público. no 23. IX e no 205-217). previstos no art. relativo ao ensino. 766). é um direito público subjetivo. à ação. exigível judicialmente se não for prestado espontaneamente. pluralismo. A explicação para que assim tais dieretrizes sejam interpretadas reside no fato de que a função lata dos direitos sociais é diminuir as desigualdades sociais e estas seriam perpetuadas pelos particulares. compondo o que se pode chamar de a "Ordem Constitucional da Cultura". obrigatório e gratuito. passou a vigorar com a . o preparo da pessoa para o exercício da cidadania. 206. um dos princípios acima referidos sofreu uma modificação. 206 da Constituição são: universalidade (ensino para todos). Os princípios referentes ao direito ao ensino (que deve ser concretizado pela escola formal). valorização dos respectivos profissionais. Os objetivos básicos da educação são três. temos que a educação foi elevada ao nível dos direitos fundamentais do homem. Em relação ao direito à educação. abrangendo a formação educacional do povo. A Constituição Federal de 1988 considerou que o acesso ao ensino fundamental. no 24. ampliar cada vez mais as possibilidades de que todos venham a exercer igualmente este direito. como titulares do dever. da obrigação. 205. III-V. sendo a iniciativa privada. conforme previsão do art. O termo cultura foi tomado amplamente pela Constituição Federal de 1988. as expressões criadoras da pessoa e das projeções do espírito humano materializadas em suportes expressivos. tratando-se do inciso V do art. o qualificação da pessoa para o trabalho. à memória dos diferentes grupos que formam a sociedade brasileira. plenamente eficaz e de aplicabilidade imediata. liberdade. também. os quais só poderiam oferecer educação aos que tivessem posses. como nos lembra José Afonso da Silva (SILVA.direitos sociais relativos à educação e à cultura. quais sejam: o pleno desenvolvimento da pessoa. políticos e profissionais. 1997. embora livre. Tudo isto está contido em vários artigos da Constituição (no 5º. sendo direito de todos e dever do Estado e da família. portadores de referências à identidade. Aqui observamos que pela Emenda Constitucional nº 19/98. igualdade. IX. isto é. VII-IX. no 30. meramente secundária e condicionada. o significado jurídico de elevar a educação à categoria de serviço público essencial que deve ser possibilitado a todos pelo Poder Público (gratuidade obrigatória no ensino fundamental e garantia da progressiva extensão da gratuidade ao ensino médio) e daí a preferência pelo ensino público. integrando valores antropológico-culturais. p. O Estado tem que se aparelhar para fornecer ensino a todos.

215 e 216 e são: direito de criação cultural (abrangendo criações científicas. Retornemos ao direito à cultura.seguinte redação: "valorização dos profissionais do ensino. planos de carreira para o magistério público. Verdadeiramente. pelo qual "o Estado garantirá a todos o pleno exercício dos direitos culturais e acesso às fontes da cultura nacional. Eis o texto do art. reguladas em lei. pelo qual. em síntese. na forma da lei. direito de acesso às fontes da cultura nacional. Quanto ao desporto. bem de uso comum do povo e essencial à sadia qualidade de vida. que até então a Constituição assegurava. 5. como forma de propriedade de interesse público. artísticas e tecnológicas). 225: "todos têm direito ao meio ambiente ecologicamente equilibrado. assegurando a todos o direito ao meio ambiente ecologicamente equilibrado essencial à qualidade de vida. com piso salarial profissional e ingresso exclusivamente por concurso público de provas e títulos". obviamente. § 1º garante o ingresso em juízo de ação relativa à disciplina e às competições desportivas após o esgotamento das instâncias da justiça desportiva. para frisar que os direitos culturais também são informados pelo princípio da universalidade (garantidos a todos) e estão referidos no art. no parágrafo em comento. 225). A alteração percebida é que deixou de prever o regime jurídico único para todas as instituições mantidas pela União. considerando-o bem público de uso comum do povo (art. 5º e já abordado no item próprio. a regra do art. Esta regra. direitodever estatal de formação do patrimônio cultural brasileiro e de proteção dos bens de cultura. não pode haver no País nenhum tipo de processo que se esgote sem que os litigantes possam ter acesso ao Poder Judiciário e à sua prestação.3 Proteção constitucional do meio ambiente A Constituição Federal de 1988 dedicou. Os direitos culturais reconhecidos na Constituição estão nos arts. dentro da Ordem Social. liberdade de manifestações culturais. veio apenas louvar o Princípio da Inafastabilidade do Controle Jurisdicional. liberdade de formas de expressão cultural. previsto no art. como vemos. O Capítulo que abriga os assuntos relativos ao meio ambiente é um dos mais importantes e avançados da CF/88. um capítulo próprio ao meio ambiente. e apoiará e incentivará a valorização e a difusão das manifestações culturais". impondo-se ao Poder Público e à coletividade o dever de defendê-lo e preservá-lo para as presentes e . o Poder Judiciário não se nega a apreciar causas relacionadas ao desporto. sendo dever estatal e social sua defesa e sua preservação. 215 da Constituição Federal. 217. indígenas e afro-brasileiras). desde que queiram. direito de difusão da cultura (especialmente as populares. mas só admite fazê-lo quando já se tiverem esgotadas as instâncias da justiça desportiva. garantidos.

mencionado pelo art. Salientamos que o Estado Brasileiro firma tratados internacionais visando à proteção do meio ambiente com um todo (cuja competência é da Justiça Federal). neste artigo está bem claro que a concreção do direito ao meio ambiente importa também em prestação do Poder Público. ganham novos enfoques. E no que diz respeito à preservação do meio ambiente como um dever do Estado. XIII. Um direito social que está muito associado aos direitos que os trabalhadores têm ao repouso. uma nova disciplina jurídica desponta: o Direito Urbanístico. Portanto. por isso mesmo. conforme art. é o direito ao lazer. águas. a mesma apóia-se no domínio eminente que ele exerce sobre todas as coisas que se encontram em seu território. CF/88. Respondem civilmente (responsabilidade objetiva) as pessoas jurídicas de direito público na ocorrência de dano em acidente ecológico. dentre os quais se destaca a "Agenda 21" (cartilha consensual de Cooperação que a Comunidade Internacional acordou. 6º entre os direitos sociais. em atendimento aos preceitos constitucionais de que a propriedade deve atender à uma função social e de que o seu uso não deve implicar em degradação do meio ambiente. cujo mote condutor é o avanço do Direito Internacional para o desenvolvimento sustentável). possuindo caráter social por decorrerem do fato de constituírem prestações estatais que interferem nas condições de trabalho e na qualidade de vida e. XXVI). como o direito de construir. sem impedir a normal utilização do bem. florestas. 22. Lazer e recreação são funções urbanísticas (destinam-se a refazer as forças depois da jornada trabalhista diária e semanal e requerem lugares apropriados e tranqüilos). fauna e espaço aéreo).futuras gerações". à medida em que se desenvolvem estudos sobre o modus vivendi nas grandes cidades. relacionando-se também com o direito ao meio ambiente sadio e equilibrado. nem retirar a propriedade do particular) ou a desapropriação individual e remunerada de determinado bem. que é a . pela qual velhos temas. Para a proteção dos recursos naturais (terras. como por exemplo em relação aos acidentes radiológicos. jazidas. 21. Isto faz com que o Estado imponha limitações à propriedade privada urbana. conferindo à União competência privativa para legislar sobre a matéria (art. transferindo-o para o domínio público e impedindo sua destruição ou degradação. Mas há que se ter em conta que a crescente urbanização das sociedades humanas muitas vezes ocasiona o caos ambiental e. conforme já tivemos a oportunidade de ver em outro item. "c". a Administração Pública pode se valer de dois meios: ou as limitações administrativas de uso (gerais e gratuitas. evoluindo a visão do que seja interesse público e função social da propriedade urbana. assim.

sujeita-se a um regime administrativo especial. sobretudo no campo do relacionamento familiar. Iniciemos pela família. Floresta é a forma de vegetação. A competência para sobre ela legislar e para a sua preservação são as mesmas que para as florestas. I. 23.4 A família. os princípios constitucionais que iluminam o Direito de Família na Constituição Federal encontram-se presentes no art. assim como de discriminações históricas que estão terminando no texto da lei. internalizando princípios que já há muito tempo se encontram grafados nas Declarações de Direitos. Quanto à instituição família e sua proteção jurídico-constitucional. com o mínimo espaçamento entre si. enquanto resultado da Conferência das Nações Unidas sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento de 1992. são constantes os danos ocasionados ao meio ambiente em nosso País.Declaração do Rio sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento.197/67 incorporou a fauna silvestre. no art. que merecem muita delicadeza por parte dos aplicados do Direito. Pela CF/88. abrigos e criadouros naturais de seus componentes ao domínio da União. I e 595). A Constituição democratizou e humanizou sobremaneira o tratamento constitucional dado à família. ao adolescente. Quanto à fauna. E. alguns comentários sobre as florestas e a fauna. VII). constituída por um grande número de árvores. Na parte referente à organização da família a Constituição estabeleceu novos princípios para o divórcio. a Lei nº 5. eis que nas normas a eles relacionadas tratam-se de sentimentos. Distrito Federal e Municípios (art. os Estados Federados. e a competência para preservá-las é comum entre a União. e especificamente nos arts. a criança. principalmente na Declaração Universal dos Direitos do Homem de 1948. por útimo. Contrariando o Código Civil (artigos 593. quais sejam: o da redução de prazo (diminuiu o lapso temporal de três para um ano. Estados e Distrito Federal (não incluindo os municípios). natural ou plantada. 24. bem como os ninhos. 226 a 230. a . ramo do Direito onde talvez a Constituição tenha introduzido as maiores inovações. 5. o regime jurídico sobre as mesmas está assim organizado: a competência para legislar sobre florestas é concorrente entre a União. integrantes do meio ambiente e possivelmente dos componentes deste que mais são violados. 205. VI. visando à sua preservação. Mas embora isso. que considerava os animais silvestres sem donos res nullius. o adolescente. ao idoso e ao índio. à criança. o idoso e o índio Este é o Capítulo (VII) da Ordem Social da Constituição que trata diretamente daqueles setores ou membros mais sensíveis da sociedade. 203. mas que muitas vezes continuam a existir no substrato social. conforme o art. como riqueza nacional que é.

.contar da obtenção da separação judicial) e o da efetivação mediante simples separação de fato. E em que pese existir a Lei do Divórcio desde 1977. Salientamos que a Lei nº 9. 226. 5º do seu texto. Anotamos também que a Constituição de 1988 rompeu com o Princípio da Indissolubilidade do casamento.841/89). A Constituição também reconheceu o planejamento familiar como "livre decisão do casal". seja civil. 41 Assim. 175. em consonância com o caput e o inciso I do art. visando sobretudo conferir a este tipo de relacionamento a "proteção do Estado". que possibilitava a indenização aos serviços domésticos prestados. ou seja. a concubina só poderia pleitear a indenização por serviços domésticos prestados e a partilha. Nossa anterior Constituição. § 5º). enfatizando o Princípio da Igualdade.263. fundado nos Princípios da Dignidade da Pessoa Humana e da Paternidade Responsável. adveio em 1990 a Lei nº 8. O reconhecimento constitucional das uniões estáveis abriu campo para as discussões doutrinárias e jurisprudenciais em torno da possibilidade ou da impossibilidade de se pleitear prestação alimentícia quando da dissolução de tais uniões. CF/88. o que o fez em seu art. fiscal. estabelecendo inclusive algumas penalidades. § 1º: "O casamento é indissolúvel". existente em nossos textos constitucionais desde a Constituição de 1934. alinhada aos princípios constitucionais de proteção da família. como por exemplo. de janeiro de 1996. o princípio ainda não havia sido varrido do texto constitucional. a tentativa de propor alimentos era sempre frustrada. § 4º. assunto que já abordamos em outro item. àquelas exigências de atestado de esterilização. antes da inovação constitucional de 1988. repetia a regra em seu art. pelo que o imóvel residencial próprio do casal ou da entidade familiar fica a salvo de execução por qualquer tipo de dívida. antes do advento da Constituição de 1988. Outra inovação foi o reconhecimento como entidade familiar da comunidade formada por qualquer dos pais e seus descendentes. de 1964. o que já é plenamente possível. a de 1969. prevendo a impenhorabilidade do bem de família. 226. Na mesma esteira de avanços. Por fim. 226. 226. previdenciária ou de outra natureza.009. o que agora foi positivado no § 6º do art. a Constituição de 1988 oficializou a igualdade de direitos entre homens e mulheres nas sociedades conjugais (art. conforme art. este assunto foi regulado pela Súmula 380 do Supremo Tribunal Federal. Por longo tempo. eis que a maior parte dos processos que chegavam ao Poder Judiciário sobre a temática envolvia concubinas reclamando seus direitos. Do mesmo modo reconheceu a união estável entre homem e mulher (§ 3º). regulou este dispositivo. § 7º. havendo lei ordinária em consonância com tais inovações (a Lei nº 7. comercial.

227. Dentre outras inovações asseguradas pelo Estatuto estão o acesso da criança à Justiça e a criação da Justiça da Infância e da Adolescência (especializada). Visando a regulamentar. com os de todas as pessoas (direito à saúde. conforme art. especialmente à gestante". embora não tenha sido incluído no . I a III). mormente no que diz respeito àqueles filhos que são crianças. E em regra geral. bem como a instituição Conselhos Tutelares para assuntos de interesse de crianças e adolescentes. 227). a criança. os direitos fundamentais da criança e do adolescente (art. salvo o princípio da prioridade. Também encontra-se no Capítulo específico para a família. e adolescentes de 12 a 18 anos de idade. assegurar. uma inovação gigantesca produzida pela Constituição foi a igualização dos filhos. importando na paridade de direitos. a regras especiais dos direitos previdenciários e trabalhistas (art. do direito de assistência social ("proteção à família. o que sem dúvida foi em grande avanço. à convivência familiar e comunitária. II). caput). 227. os direitos sociais da criança coincidem. em 1990 veio fazer parte do ordenamento jurídico infraconstitucional o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA. 6º da Constituição como uma espécie de direito social. não importando se havidos dentro ou fora do casamento. juntamente com o Estado e a sociedade. § 3º. proteções jurídico-constitucionais especiais. mas não apenas em relação a ela. § 6º). eis que passam a gozar de estatuto idêntico no âmbito familiar (vedadas as discriminações. assim. O princípio da prioridade vemos insculpido na Constituição quando diz que são deveres da família. em boa parte. como o direito à profissionalização. com "absoluta prioridade". Aparece como aspectos do direito de previdência social ("proteção à maternidade. conforme art. 227. à adolescência e à velhice". Lei nº 8. à infância. portanto). prevista lá no art. mas tendo seu conteúdo presente em mais de um dos Capítulos da "Ordem Social". necessitando. "amparo às crianças e adolescentes carentes". se naturais ou adotivos (esta é a regra do art. no qual estão inseridas crianças que possuam até 12 anos incompletos. 201. A respeito do direito dos idosos. o adolescente e o idoso (art. à alimentação. 203. de extraordinário alcance prático.069/90). sendo que alguns dos direitos sociais aí presentes são pertinentes só à criança e ao adolescente. à maternidade. Ainda sobre a criança. há que frisar que crianças e idosos são os componentes da família que mais cuidados exigem.Quanto aos direitos sociais da criança e dos idosos. à educação. ao lazer). I e II). e com isso dar operacionalidade prática aos novos direitos conferidos às crianças e aos adolescentes em nosso País. assim como desfrutam da sucessão de bens. Iniciamos pela proteção à maternidade e à infância.

exclusivamente. quando ele não possuir meios de prover sua subsistência. pagos pela previdência social da União. e se hoje vivem em condições muitas vezes aviltantes. etc. Porém o amparo à velhice vai um pouco mais além (art. espécies exóticas de plantas e animais. defendendo sua dignidade e bem-estar. art. grande parte se deve à invasão abusiva do homem branco em seus costumes. Integra o direito previdenciário. sobre rendimentos provenientes de aposentadorias e pensões. conforme novas disposições na área feitas pela Emenda Constitucional nº 20/98 (art. § 1º. I). do Distrito Federal e dos Municípios. garantindo-lhes o direito à vida e a gratuidade dos transportes coletivos urbanos (aos maiores de 65 anos. . tendo a família. CF/88). estando previsto em dispositivos constitucionais que lhe tutelam. principalmente. I) e realiza-se basicamente pela aposentadoria e o direito assistenciário (art. isoladamente ou por suas comunidades e organizações estejam pleiteando interesses ou direitos em juízo. o qual previa que o Imposto de Renda e Proventos de Qualquer Natureza não incidiria: "nos termos e limites fixados em lei. 155 da Constituição Federal.). sob a rubrica "idade avançada". § 2º). II. 201. de rendimentos do trabalho". como forma protetora da velhice. o 231 e o 232. cuja renda total seja constituída. composto por dois artigos. por último (last but not least). 6º como espécie de direito social. em suas tradições e. Não sei porque na Constituição são os últimos se deveriam ser os primeiros. 203. tem essa natureza. A Constituição lhes reservou um Capítulo próprio (o VIII). em suas terras. os índios. a intervenção do Ministério Público em todos os atos do processo em que. qual seja. 40. E. Mas não nos esqueçamos da aposentadoria compulsória. haja vista terem sido os primeiros habitantes de nosso País. a pessoa com idade superior a sessenta e cinco anos. Este último artigo prevê-lhes uma importante garantia. Devemos mencionar que a Emenda Constitucional Nº 20/98 revogou expressamente o inciso III do § 2º do art. a sociedade e o Estado o dever de amparar as pessoas idosas. 230. incluindo a garantia de recebimento de um salário mínimo por mês. dos Estados.art. as quais seguidamente escondem riquezas (minérios. 230. CF/88). pela qual a Constituição presume uma perda da capacidade laboral do agente público aos 70 anos de idade (art. assegurando sua participação na comunidade e a convivência em seu lar.

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