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Moção

Os professores e educadores do Agrupamento de Escolas José Cardoso Pires, subscritores


deste documento vêm propor ao Conselho Pedagógico e ao Conselho Executivo a
suspensão do processo de avaliação do desempenho em curso nos termos e com os
fundamentos seguintes:
1.O modelo de avaliação do desempenho aprovado pelo Decreto-Regulamentar 2/2008
não está orientado para a qualificação do serviço docente, como um dos caminhos a
trilhar para a melhoria da qualidade da Educação, enquanto serviço público;
2.O modelo de avaliação instituído pelo referido decreto-regulamentar destina-se,
sobretudo, a institucionalizar uma cadeia hierárquica dentro das escolas e a dificultar ou,
mesmo, impedir a progressão dos professores na sua carreira;
3.O estabelecimento de quotas na avaliação e a criação de duas categorias que, só por si,
determinam que mais de 2/3 dos docentes não chegarão ao topo da carreira, completam a
orientação exclusivamente economicista em que se enquadra o actual estatuto de carreira
docente que inclui o modelo de avaliação decretado pelo ME;
4.Paradoxalmente, a aplicação do actual modelo de avaliação do desempenho está a
prejudicar o desempenho dos professores e educadores por via da despropositada carga
burocrática e das inúmeras reuniões que exige;
5.O modelo de avaliação reveste-se de enorme complexidade e é objecto de leituras tão
difusas quanto distantes entre si e que nem o próprio Ministério da Educação consegue
explicar devidamente;
6.A instalação do modelo revela-se morosa, muito divergente nos ritmos que é possível
encontrar e dificultada ainda pela falta de informação cabal e inequívoca às perguntas que
vão, naturalmente, aparecendo;
7.A maioria dos itens constantes das fichas não são passíveis de ser universalizados.
Alguns só se aplicam com um número reduzido de professores. Outros, pelo seu grau de
subjectividade, ressentem-se de um problema estrutural – não existem quadros de
referência em função dos quais seja possível promover a objectividade da avaliação do
desempenho;
8. É evidente um clima de contestação e indignação dos professores e educadores;
9. O próprio Conselho Científico da Avaliação dos Professores (estrutura criada pelo
ME) nas suas recomendações, critica aspectos centrais do modelo de avaliação do
desempenho como a utilização feita pelas escolas dos instrumentos de registo, a
utilização dos resultados dos alunos, o abandono escolar ou a observação de aulas, como
itens de avaliação;
10. O Ministério da Educação assumiu com os Sindicatos de Professores a revisão, este
ano lectivo, do modelo instituído pelo Dec-Regulamentar 2/2008;
11. Suspender o processo de avaliação permitirá: (i) recentrar a atenção dos professores
naquela que é a sua primeira e fundamental missão – ensinar; (ii) que os professores se
preocupem prioritariamente com quem devem – os seus alunos; (iii) antecipar em alguns
meses a negociação de um outro modelo de avaliação do desempenho docente, quando já
estão em circulação outras propostas, radicalmente diferentes e surgidas do meio sindical.
Assim, o signatários, solicitam ao Conselho Pedagógico que aconselhe o Conselho
Executivo do Agrupamento de Escolas José Cardoso Pires a suspender todas as
iniciativas e actividades relacionadas com o processo de avaliação em curso, certos de
que, desta forma, contribuem para a melhoria do trabalho dos docentes, das
aprendizagens dos nossos alunos e da qualidade do serviço público de educação.
Os signatários