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21 Novembro 2008 - 10h01


Educação: Redução de parâmetros para dar notas a professores

Mudanças na avaliação
A ministra da Educação, Maria de Lurdes Rodrigues, vai alterar o processo de avaliação dos
professores, prometendo torná-lo mais simples, e solucionar os problemas relacionados com o
excesso de burocracia e sobrecarga de trabalho dos docentes. Apesar do recuo do Governo e das
alterações anunciadas, os professores vão manter os protestos.

De acordo com o anunciado ontem no final de um Conselho de Ministros extraordinário sobre


Educação – convocado pelo primeiro-ministro, José Sócrates – as notas dos alunos deixam de
influenciar a avaliação dos professores; avaliadores podem ser da mesma área de formação do que a
do docente avaliado e o número de aulas observadas desce de três para dois.

Alterações que não são suficientes para os sindicatos. Mário Nogueira, secretário-geral do Federação Nacional dos Professores
(Fenprof), considera que as medidas que visam reduzir a sobrecarga de trabalho não servem "de razão para não manter os protestos".
Atitude que a ministra certamente já esperava quando referiu que a concretização do modelo de avaliação não está dependente da
aceitação dos sindicatos.

"Manteremos a nossa disponibilidade para negociar e dialogar e a avaliação prosseguirá porque tem todas as condições para
prosseguir. Não está dependente de nenhum acordo", referiu Maria de Lurdes Rodrigues.

A ministra considera que as alterações "não são profundas" e não mudam os princípios orientadores do modelo, que centram na escola
o processo de avaliação. "A minha convicção é a de que desta vez os ajustamentos são muito menores (do que aqueles realizados no
anterior ano lectivo) e vão melhorar as condições da sua concretização".

MINISTÉRIO NEGA ILEGALIDADES

O ministério da Educação nega qualquer ilegalidade no registo electrónico dos objectivos individuais dos professores, garantindo que os
dados enviados para sítio na internet da Direcção-Geral dos Recursos Humanos da Educação serão apenas acessíveis a avaliador e
avaliado. "Não há acesso aos conteúdos da informação que é lá colocada", salienta fonte oficial. A Federação Nacional dos Sindicatos
da Educação (FNE) aconselhou os professores a não fazerem o registo, alegando que o processo permite um conhecimento
não-previsto da avaliação por parte da tutela.

NOTA DE ALUNOS JÁ NÃO CONTA

As notas dos alunos vão deixar de pesar na avaliação do desempenho dos professores. Trata-se de uma das regras mais contestadas
pelos docentes e que o Governo promete dispensar. Segundo a ministra Maria de Lurdes Rodrigues, constatou-se que este critério
"revelou dificuldades técnicas e de aplicação". Face ao sucedido, os resultados escolares dos alunos deixarão de constituir um
parâmetro da avaliação. Contudo, o professor terá de provar que, perante situações de insucesso escolar, demonstrou interesse em
subir o rendimento dos alunos.

REACÇÕES

"É LAMENTÁVEL QUE O ESSENCIAL SE MANTENHA" (Mário Nogueira, Fenprof)

"Muito longe das posições dos professores e das escolas. Além da timidez das medidas, a ministra vem atribuir às escolas
responsabilidades, quando elas apenas se limitaram a cumprir ordens. É lamentável que não haja uma alternativa válida, o essencial
mantém-se. Não há razão para não manter os protestos."

"GOVERNO INVENTOU MODELO INAPLICÁVEL" (João Dias da Silva, FNE)

"O Governo não foi ao encontro da principal exigência dos sindicatos, que era a suspensão do modelo de avaliação de desempenho dos
professores. Está a dizer que inventou um modelo inaplicável, estruturalmente inaceitável e impossível de se concretizar. Não há razão
para alterar as acções de luta."

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"VAI AO ENCONTRO DA REIVINDICAÇÃO DOS PAIS" (António Amaral, Confap)

"As decisões vão ao encontro das principais reivindicações apresentadas pelos pais ao Governo. Tem de haver cedência de parte a parte e um
aproximar de posições. Não temos outro entendimento que não seja a existência de um diálogo. Atitudes inflexíveis podem agravar o problema."

"TENHO DÚVIDAS SOBRE ESTA SIMPLIFICAÇÃO" (Maria José Viseu, CNIPE)

"Não sei até que ponto estas medidas irão simplificar o processo de avaliação dos professores, que é extremamente burocrático. Tenho dúvidas
sobre se três medidas simplificam a avaliação. Agora, se conseguirem ter esse efeito, e se for dado tempo às escolas, poderão ser boas
decisões."

AS MEDIDAS

REDUZIR TRABALHO

Serão concretizadas medidas que visem reduzir a sobre carga de trabalho nas escolas. Entre estas existe uma tentativa de agilização do trabalho
realizado nos conselhos executivos.

OBSERVAÇÃO DE AULAS

Redução de três para duas as aulas a observar, que só se realizarão por solicitação dos docentes, excepto para as classificações de Muito Bom e
Excelente.

MENOR BUROCRACIA

Simplificação das fichas de avaliação e dos instrumentos de registos e um menor número de reuniões.

ESCOLHA DE AVALIADOR

Os avaliadores e avaliados serão sempre da mesma área, desde que isso seja requerido pelo professor a ser avaliado.

"PROCESSO MAIS SIMPLES" (Maria de Lurdes Rodrigues)

– Quando serão ouvidos os professores sobre as alterações propostas?

Maria de Lurdes Rodrigues - Marcaremos reuniões [iniciadas hoje] com todos os parceiros para concretizarmos as alterações do processo que
ficará mais simples e exequível.

– Entende que o modelo de avaliação falhou?

– Não. Procurámos uma melhoria das condições para concretizar a avaliação, sendo que permanecem os princípios básicos de autonomia das
escolas; avaliação com consequências que visam a diferenciação e a possibilidade de detectar os problemas a corrigir; e também uma avaliação
integral de todo o trabalho desenvolvido pelo professor.

– As negociações com os sindicatos têm sido complicadas?

– As reuniões revelaram-se de uma grande utilidade na identificação dos problemas e para encontrar as possibilidades de os resolver. Iremos
manter toda a nossa disponibilidade de diálogo para que a avaliação possa ser concretizada, sendo que uma parte significativa das escolas está
a cumprir o calendário da avaliação.

– A observação das aulas vai cair?

– Não cai. Os mecanismos de observação das aulas são para concretizar. A média nos países membros da OCDE [Organização para a
Cooperação Económica e Desenvolvimento] é de 50%, em Portugal é inferior a 5%.

– Com estas mudanças poderá ter ficado fragilizado o seu lugar?

– O meu esforço é para concretizar em que medida posso contribuir para que a avaliação prossiga nas escolas.

João Saramago
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