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CARLOS ALBERTO RICHA

LUCIANO Prefeito DUCCI

Vice-Prefeito

EDIMARA Secretário Superintendente FAIT Municipal SEEGMÜLLER / SMS da Saúde

RAQUEL FERRARO CUBAS

Diretora do Centro de Informações em Saúde / SMS

SECRETARIA MUNICIPAL DA SAÚDE DE CURITIBA PROTOCOLO DE ATENÇÃO À SAÚDE DO ADOLESCENTE 2ª edição, revista e atualizada Curitiba, 2006

  • 4 SECRETARIA MUNICIPAL DA SAÚDE DE CURITIBA

Produção, distribuição e informação :

Avenida Coordenação Endereço: João Gualberto, do Programa 623 Adolescente - 3º andar, Saudável torre A

Telefone ( 41 ) 3350-9436

FAX ( 41 ) 3350-9498

Protocolo de atenção à saúde do adolescente /

Teixeira

CEP 80030-000 Curitiba, Paraná, Brasil

Inclui bibliografia.

organizado por Julia Valéria Ferreira Cordellini ;

E-mail : adolescente@sms.curitiba.pr.gov.br

2ª edição revista e atualizada - 2006

Litwinski Ribeiro

[et

Centro de Informações em Saúde - CIS

Dados internacionais de catalogação na publicação

Bibliotecária responsável: Mara Rejane Vicente

...

equipe técnica Júlia Valéria Ferreira Cordellini, Hedi Martha Soeder

1.Adolescentes – Saúde. 2. Protocolos médicos - Curitiba (PR).

Muraro, Raquel Ferreira Scholz Uhlig ; co-autores Andréia Carolina

I. Cordellini, Júlia Valéria Ferreira.

al.]. – 2. ed. rev. e atual. – Curitiba:

Secretaria II. Muraro, Municipal Hedi Martha da Saúde, Soeder. 2006.

p.122 III. Uhlig, : il. Raquel col. ; 30cm Ferreira Scholz.

IV. Ribeiro, Andréia Carolina Litwinski.

V. Curitiba (PR).

Secretaria Municipal da Saúde.

CDD ( 2ª ed.)

613.0433

AGRADECIME

Agradecemos a todos os servidores da Prefeitura Municipal de

Curitiba

À Sociedade Paranaense NTO de Pediatria e à Associação de Obstetrícia e

Ginecologia do Paraná, parceiros que permitiram esta realização, nosso

elaboração Aos adolescentes deste Protocolo. que, com seus sonhos, dinamismo e explosão de

reconhecimento.

vida, nos impulsionam para o amanhã.

que participaram, de variadas formas e em diferentes momentos, da

SUMÁRIO

APRESENTAÇÃO ------------------------------------------------------------------------------------------------------ 09

INTRODUÇÃO -------------------------------------------------------------------------------------------------------- 11

JUSTIFICATIVA --------------------------------------------------------------------------------------------------------- 13

I.ABORDAGEM GERAL

1.1 POPULAÇÃO ALVO ----------------------------------------------------------------------------------------- 19

1.2

POPULAÇÃO DE RISCO ----------------------------------------------------------------------------------- 19

1.3

CONCEITUANDO E CONTEXTUALIZANDO A ADOLESCÊNCIA -------------------------------- 20

II. MEDIDAS DE PREVENÇÃO E PROMOÇÃO À SAÚDE

2.1

GRUPOS DE EDUCAÇÃO EM SAÚDE ------------------------------------------------------------------ 26

III. SAÚDE DO ADOLESCENTE

2.3

2.2

EDUCAÇÃO EM SAÚDE NAS ESCOLAS --------------------------------------------------------------- 28

RESILIÊNCIA -------------------------------------------------------------------------------------------------- 29

ASSISTÊNCIA À SAÚDE DO ADOLESCENTE ---------------------------------------------------------- 33

3.1

3.2

3.5.2

DESNUTRIÇÃO -------------------------------------------------------------------------------------- 67

CRESCIMENTO E DESENVOLVIMENTO PUBERAL -------------------------------------------------- 36

3.5.3

ANOREXIA NERVOSA ------------------------------------------------------------------------------ 68

SAÚDE SEXUALIDADE BUCAL ------------------------------------------------------------------------------------------------ ----------------------------------------------------------------------------------------------- 70 39

3.6

3.3

SAÚDE MENTAL --------------------------------------------------------------------------------------------- 71

SAÚDE REPRODUTIVA ------------------------------------------------------------------------------------ 43

3.7

3.4

3.7.2

3.7.1

3.7.3

3.8

3.4.2

3.4.1

SUICÍDIO ----------------------------------------------------------------------------------------------- 72

DEPRESSÃO -------------------------------------------------------------------------------------------- 71

ANTICONCEPÇÃO ---------------------------------------------------------------------------------- 44

USO/ABUSO DE DROGAS ------------------------------------------------------------------------- 74

GRAVIDEZ --------------------------------------------------------------------------------------------- 49

CAUSAS EXTERNAS ----------------------------------------------------------------------------------------- 79

3.5.4

BULIMIA ----------------------------------------------------------------------------------------------- 69

3.4.3

3.8.1

DST ----------------------------------------------------------------------------------------------------- 53

VIOLÊNCIA E VULNERABILIDADE -------------------------------------------------------------- 79

3.4.4

3.8.2

3.5

AIDS ---------------------------------------------------------------------------------------------------- 62

VIOLÊNCIA SEXUAL --------------------------------------------------------------------------------- 80

SAÚDE NUTRICIONAL ------------------------------------------------------------------------------------- 64

7

3.5.1

OBESIDADE ------------------------------------------------------------------------------------------- 64

8

  • 4.2 COMPETÊNCIA DA UNIDADE DE SAÚDE ------------------------------------------------------------ 85

  • 4.3 4.4 ATRIBUIÇÕES DOS PROFISSIONAIS DE SAÚDE DA UNIDADE BÁSICA --------------------- 86

COMPETÊNCIA DOS DEMAIS PONTOS DE ATENÇÃO À SAÚDE ------------------------------- 89

V. SISTEMA DE INFORMAÇÃO GERENCIAL -------------------------------------------------------------------- 95

ANEXOS

ANEXO I ORIENTAÇÕES NUTRICIONAIS -------------------------------------------------------------------- 101

ANEXO II. IMUNIZAÇÃO NA ADOLESCÊNCIA ------------------------------------------------------------- 103

ANEXO III. TABELAS DE TANNER FEMININA E MASCULINA -------------------------------------------- 105

ANEXO IV. GRÁFICOS DE REFERÊNCIA ----------------------------------------------------------------------- 107

ANEXO V. CONSENSO CURITIBANO ------------------------------------------------------------------------- 111

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

................................................................................................

118

Apresentação

Curitiba tem um sistema de saúde marcado pelo planejamento e pelo repensar constante de seus

parâmetros, indicadores epidemiológicos, sua organização interna e formas de cuidado ofertadas à

população.

Em 30 de novembro de 2002 a Secretaria Luciano Municipal Ducci da Saúde implantou o Programa Adolescente

Saudável sistematizando ações Vice-prefeito de prevenção e Secretário e atenção Municipal a um grupo da Saúde populacional considerado o mais

saudável, até recentemente.

9

Uma análise sobre as informações de morbimortalidade para essa faixa, no entanto, aponta a urgência

da articulação de políticas públicas amplas, intersetoriais e interinstitucionais, para intervir em problemas

complexos como as causas externas, predominante nos óbitos, mas também as DST, a gravidez

indesejada,

a AIDS, o abuso de drogas lícitas e não lícitas, os acidentes e a violência em suas variadas faces. É

preciso

aprender a trabalhar de forma aberta, sem preconceitos, e com a total participação dos mais

interessados

– os próprios adolescentes.

Após 3 anos de atuação, criando novas linguagens e formas de relação com os adolescentes, como a

utilização de cartilhas que geraram polêmicas mas também reconhecimento nacional, é tempo já de

rever o protocolo técnico que orienta o programa, complementando-o tendo em vista um sistema

integrado

de serviços, onde os vários pontos de atenção devem estar sintonizados para não deixar o adolescente

acompanhado desaparecer dos cuidados dos serviços .

É importante ressaltar que muitos resultados têm reforçado a correção das linhas de trabalho

adotadas.

Em primeiro lugar, há um reconhecimento nacional a respeito da atuação da SMS, da qualidade dos

conteúdos do material educativo criado e da competência técnica das equipes formuladoras dos

protocolos

e documentos do Programa. Em segundo lugar, há que se ressaltar a criação de parcerias para atuação

em prevenção e promoção à saúde, envolvendo já 34 escolas, 30 Unidades de Saúde, e centenas de

professores e alunos com a “Saúde e Prevenção nas Escolas” e com a atuação do ônibus “Adolescente

Saudável”; 73 Unidades de Saúde têm grupos de educação em saúde com os adolescentes de suas áreas

de abrangência. Um livro pode ser realizado e lançado, em dezembro de 2005, sobre a saúde e

prevenção

nas escolas, o que vai contribuir para a disseminação de informações e dar mais visibilidade ao

Programa.

Não menos importante é o atendimento aos adolescentes nas Unidades de Saúde, como terceiro ponto,

aumentando a cobertura vacinal própria da faixa etária, diminuindo a ocorrências de gravidez na

adolescência, e oportunizando acesso aos adolescentes do sexo masculino.

O Ministério da Saúde editou, no final de 2005, dois documentos que orientam condutas para a área

do adolescente e do jovem – Saúde Integral de Adolescentes e Jovens – orientações para a Organização

de Serviços de Saúde, e Marco Legal – Saúde, um Direito de Adolescentes. Imediatamente a Secretaria

Municipal da Saúde e seus parceiros – Sociedade Paranaense de Pediatria, Associação de Ginecologia e

Obstetrícia do Paraná, Conselho Regional de Medicina do Paraná, 1ª Vara da Infância e da Juventude de

Curitiba, assinaram documento de consenso sobre as questões técnicas, éticas e legais referentes ao

atendimento do adolescente nas Unidades Municipais de Saúde, em março de 2006, mais uma vez

mostrando pioneirismo, seriedade e competência na gestão de políticas que realmente respondam

necessidades vividas pela população em todas as faixas etárias.

Avançamos mais uma etapa mas não damos por findado nosso sistema de cuidado aos adolescentes,

pois sabemos que apenas o iniciamos, havendo que manter o já conquistado e que melhorar aspectos

como o acesso a algumas especialidades e, principalmente, nos voltarmos à prevenção das causas

externas,

que tem ceifado, precocemente, tantas vidas.

E temos a certeza de que conseguiremos avançar, sempre atentos à amplitude e complexidade das

questões e voltados à participação de todos, pessoas e instituições interessadas em cuidar da

preservação

e da qualidade da vida adolescente em nossa Curitiba .

Introdução

A atenção à saúde do adolescente tem sido um importante desafio para a organização dos serviços

de saúde e para a sociedade. Nas últimas décadas, a necessidade do estabelecimento de políticas para a

O Plano de Ação da Conferência Mundial de População e Desenvolvimento, realizada no Cairo, em

1994, introduziu o conceito de direitos sexuais e reprodutivos e destacou os adolescentes como indivíduos

Alguns importantes marcos internacionais e nacionais podem ser ressaltados como a comemoração

a serem priorizados pelas políticas públicas de saúde. A IV Conferência Internacional sobre a Mulher,

do Ano Internacional da Juventude em 1985, o Programa de Ação da ONU para a Juventude até o Ano

Inserida no contexto mundial de consolidação dos direitos humanos, a Constituição Brasileira de

representam e também a importância do desenvolvimento integral de suas potencialidades.

realizada em Beijing1, em 1995 reiterou esta definição e trouxe recomendações importantes em relação

2000, a formação do Comitê de Adolescência pela Sociedade Brasileira de Pediatria em 1978, a criação

1988 e o Estatuto da Criança e do Adolescente de 1990 2 estabelecem uma base sólida para o

à violência sexual.

da Associação Brasileira de Adolescência (ASBRA) em 1989, o Projeto Acolher da Associação Brasileira de

- Programa Saúde do Adolescente3, que se fundamentou numa política de promoção de saúde,

desenvolvimento de políticas para a juventude no Brasil.

Enfermagem, em 1999 e 2000 e o Projeto AdoleSer com Saúde, em 2001, da Federação Brasileira das

Segundo a Organização Mundial da Saúde e o Ministério da Saúde a adolescência é delimitada

como o período entre os 10 e 20 anos incompletos; o período de 10 a 24 anos é considerado como

Enquanto o começo da adolescência é verificado principalmente pelo início da puberdade, a

Sociedades de Ginecologia e Obstetrícia.

identificação

de grupos de risco, detecção precoce dos agravos com tratamento adequado e reabilitação, respeitando

juventude. Para dados estatísticos, divide-se a juventude em 10 a 14 anos, 15 a 19 anos e 20 a 24 anos.

delimitação do final da adolescência, tanto na teoria como na prática, não permite critérios rígidos. Esta

as diretrizes do Sistema Único de Saúde, garantidas pela Constituição Brasileira de 1988. O PROSAD foi

O Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) delimita adolescentes entre 12 e 18 anos, percebendo-se

Em 21 de dezembro de 1989, através da portaria nº 980/GM, o Ministério da Saúde criou o PROSAD

adolescência tem-se destacado, considerando o grande contingente populacional que estes grupos

transição está relacionada à aquisição de uma maior autonomia em diversos campos da vida, expressa na

substituído mais tarde pela ASAJ – Área de Saúde do Adolescente e do Jovem.

então que, por um período, adolescência e juventude coincidem.

possibilidade de manter-se profissionalmente, na aquisição de valores pessoais, no estabelecimento de

uma identidade sexual, de relações afetivas estáveis e de relações de reciprocidade com a geração

11

precedente, familiares e membros da sociedade4.

Justificativa

A história nos mostra que, até há pouco tempo, havia uma lacuna na sociedade com relação aos

Considerando os direitos à vida e à saúde, especificados pelo ECA, a Secretaria Municipal da Saúde de

Curitiba desenvolveu este Protocolo com o objetivo de assistir aos adolescentes, partindo do acolhimento

Quase um terço da população brasileira é formada por adolescentes e jovens entre 10 e 24 anos de

adolescentes.

na Unidade Básica de Saúde, da sistematização da atenção em um Sistema Integrado de Serviços de

idade. Cerca de 70% dos adolescentes e jovens residem nas cidades e 30%, nas áreas rurais.

Saúde, De acordo e da integração com dados das levantados ações desenvolvidas no MS/SE/Datasus5, em parceria a estimativa com diversos preliminar outros da setores população da sociedade. total do

acontecia na área de saúde, pois não havia profissionais voltados ao atendimento específico dos

adolescentes pois não existia legislação a respeito de direitos ou deveres desta faixa etária. O mesmo

Brasil em 2004 era de 179.108.134 habitantes. Na faixa dos 10 aos 14 anos : 18.298.595 adolescentes

Em Curitiba, em 2004 a população total estimada era de 1.697.703 habitantes. Destes, 309.614

( 10,22 % ) . Na faixa dos 15 aos 19 anos : 18.927.614 adolescentes ( 10,57 % ). E entre 20 a 24 anos:

(18,33 % ) são adolescentes e 169.885 ( 10,00 % ) são jovens. O total de 462.966 adolescentes e

17.060.326 jovens ( 9,53 % ). Tais percentuais resultam em 30,32 % do total da população brasileira .

jovens correspondeu à 28,33 % da população total da cidade 6.

O acréscimo populacional do contingente jovem reflete a mudança na estrutura etária da população

brasileira, constituindo uma das maiores populações jovens da história do Brasil e causando em 2000, um

Os adolescentes, neste período de vida considerado de transição, passam por dificuldades relativas ao

alargamento da pirâmide etária nesta faixa (20-24) anos. Os efeitos deste fenômeno, como em ondas

seu crescimento físico e amadurecimento psicológico, sexualidade, relacionamento familiar, crise

Segundo dados do Ministério da Saúde, as causas externas, principalmente acidentes de trânsito,

sucessivas, vão se fazer sentir nas faixas etárias subseqüentes, a cada década, e resulta no aumento

econômica, violência, uso e/ou abuso de drogas, inserção no mercado de trabalho e outras. Para abranger

homicídios, suicídios (estes em menor proporção), são responsáveis por 75% das mortes de adolescentes

todas estas questões, uma diversidade de ações conjuntas, entre instituições governamentais e não

do sexo masculino, com idade entre 15 e 19 anos, enquanto que no sexo feminino, na mesma faixa

absoluto

da população que vai se integrando às faixas etárias seguintes. Este fenômeno é denominado de “onda

governamentais, são necessárias para promover seu desenvolvimento na sociedade e atender suas

etária, este percentual encontra-se em torno de 40%. Vale lembrar que os acidentes também ocorrem

jovem”. (Madeira e Bercovitch-1992)7.

13

necessidades de educação, saúde, moradia, esporte e lazer, cultura e participação na comunidade, tanto

com adolescentes de 10 a 14 anos, de ambos os sexos, não só na condução de automóveis, mas em

no sentido da prevenção, como da assistência .

outras condições relacionadas aos meios de transporte, como atropelamentos, colisões (nas situações em

que se encontram como passageiros) e uso inadequado de bicicletas e skates.

  • 14 constata-se que o número de mortes por causas externas, para o sexo masculino é muito mais elevado

Analisando os índices de mortalidade de adolescentes, em Curitiba, entre 1998 e 2004, também

Principais causas de Mortalidade em Curitiba

que para o sexo feminino (80% masculino e 40% feminino),confirmando as estatísticas nacionais.

Principais Sexo causas masculino de Mortalidade de 10 a 19 em anos Curitiba

Fonte: CE/SMS

Sexo feminino de 10 a 19 anos

Os dados de morbidade hospitalar, tendo como fonte o Sistema de Internamento Hospitalar do

Ministério da Saúde – SIH/SUS, apontam riscos específicos inerentes ao gênero, ao confirmar a

vulnerabilidade dos rapazes às causas violentas e a das moças, à gravidez, parto e puerpério. Em

Curitiba,

Principais causas de Internações em Curitiba

estes dados são confirmados conforme tabelas abaixo.

Principais causas de Internações em Curitiba

Sexo masculino de 10 a 19 anos

Fonte: SIH/SUS

Sexo feminino de 10 a 19 anos

15

Estes dados apontam para a necessidade do trabalho quanto a medidas preventivas e assistenciais,

a serem desenvolvidas pelas diversas instituições envolvidas direta ou indiretamente com as questões

diagnosticadas.

A atenção ao adolescente abrange ações interdisciplinares, I.

Abordagem

Geral

voltadas

intersetoriais e interinstitucionais,

para a prevenção e promoção da saúde, para o atendimento local e para o encaminhamento de situações

e problemas específicos desta faixa etária.

  • 1.1 População Alvo

Adolescentes entre 10 e 20 anos incompletos, de ambos os sexos, que moram em Curitiba.

19

  • 1.2 População de Risco

A ausência de oportunidade para refletir, construir um projeto de vida e concretizá-lo, pode colocar

qualquer adolescente em situação de risco, independente da situação social em que se encontre. Na

É necessário, portanto, que as ações sejam dirigidas a todos os adolescentes através de uma rede de

atenção ao adolescente, é necessário considerar outros riscos, além das situações clássicas de urgência e

apoio que estimule o auto-cuidado e o seu potencial criativo e resolutivo. Porém, deverão ser priorizados

emergência e riscos biológicos. Considera-se também os riscos emocionais, familiares e/ou sociais. Como

nas ações preventivas e assistenciais os adolescentes que:

por condições exemplos citamos:

sociais · Tenham mais iniciado desfavoráveis, a atividade para sexual diminuir precocemente, o risco de problemas sem proteção de saúde para física DST/Aids e mental e gravidez; decorrentes

· risco biológico: obesidade, doenças crônicas;

principalmente da falta de saneamento básico, desemprego, violência, evasão escolar e tráfico de drogas.

· Estejam com gravidez precoce não planejada;

· risco emocional: depressão, uso e abuso de drogas;

Ações intersetoriais específicas devem ser desenvolvidas entre adolescentes pertencentes às

· Tenham irmãs grávidas adolescentes ou que foram mães adolescentes;

· risco familiar: pais alcoolistas, com transtornos mentais;

· Estejam fazendo uso/abuso de drogas (com destaque ao uso do tabaco e do álcool);

· risco social: morar em áreas de tráfico de drogas, pobreza extrema.

· Estejam faltando com freqüência à escola ou com evasão escolar;

· Fogem com freqüência de casa;

· Sejam vítimas de exploração sexual;

· Estejam sofrendo ou em risco de sofrer violência doméstica (vide Protocolo da Rede de Proteção à

Criança e ao Adolescente em Situação de Risco para a Violência - Curitiba);

· Tenham riscos nutricionais e/ou transtornos alimentares;

· Tenham transtornos mentais e/ou risco de suicídio (Vide Protocolo de Saúde Mental - SMS);

· Estejam em conflito com a lei;

· Estejam em situação de rua ou vivendo na rua;

· Estejam morando em abrigos.

1. 3 Conceituando e contextualizando a adolescência

20

1. 3 Conceituando e contextualizando a adolescência

1. 3 Conceituando e contextualizando a adolescência

1. 3 Conceituando e contextualizando a adolescência
1. 3 Conceituando e contextualizando a adolescência
1. 3 Conceituando e contextualizando a adolescência
1. 3 Conceituando e contextualizando a adolescência

A adolescência é uma etapa evolutiva da vida que se caracteriza pela passagem da infância para a

idade adulta e envolve um conjunto amplo de transformações físicas, psicológicas e sociais. O processo

Aspectos Físicos

de transformação e elaboração pode fragilizá-los de diferentes maneiras e intensidades tornando- os

mais O termo vulneráveis puberdade para uma é utilizado série de para riscos. designar Por isso especificamente este protocolo as considera, mudanças para corporais sistematização decorrentes e da

ação dos hormônios do eixo hipotálamo-hipófise-gonadal. O seu início acontece entre os 8 e os 13 anos

classificação do atendimento clínico, a denominação de adolescente em risco habitual para aqueles

Aspectos psicológicos

para o sexo feminino e entre 9 e 14 anos, para o sexo masculino.

que se encontram nesta fase de vida e de adolescente em situação de risco para aqueles que apresentam

riscos biológicos, emocionais, familiares e/ou sociais.

Vários autores procuraram estabelecer características psicológicas comuns à adolescência,

Destacam-se nesta fase:

  • destacando- • A ocorrência do estirão do crescimento - aceleração e desaceleração do crescimento;

Exemplos de risco habitual: a impulsividade, a onipotência juvenil, o pensamento mágico, a

se especialmente a reestruturação ou busca de uma nova identidade.8

• As alterações na quantidade e distribuição de gordura no corpo;

imaturidade emocional, a influência do grupo de pares e outros. Identifica-se no seu contexto de vida

Aberastury9 ressalta que o adolescente, ao perder a condição de criança, busca uma nova identidade

um número maior de fatores de proteção em relação aos fatores de risco.

• O desenvolvimento do sistema respiratório, circulatório e das gônadas ;

que • O é construída, surgimento consciente dos caracteres e inconscientemente, sexuais secundários. em um processo lento e doloroso de elaboração do

luto pela perda do corpo de criança, da identidade infantil e da relação com os pais da infância.

Knobel9 apresenta uma série de comportamentos comuns entre os adolescentes neste processo de

elaboração, denominado como “Síndrome da Adolescência Normal”, incluindo as seguintes

características:

• Busca de si mesmo e da identidade adulta;

• Tendência grupal;

• Necessidade de intelectualizar e fantasiar;

• Crises religiosas;

• Deslocação temporal;

• Evolução sexual desde o auto-erotismo até a heterossexualidade;

• Atitude social reivindicatória;

• Contradições sucessivas em todas as manifestações de conduta;

• Separação progressiva dos pais;

• Constantes flutuações do humor.

Vários autores enfatizam o caráter sócio-histórico da conceituação de adolescência e,

conseqüentemente, a existência de uma diversidade de formas de lidar com esta fase, entre sociedades e

culturas distintas10,11,12

..

Como analisado por Ariès 10, o conceito de adolescência, em sua complexidade,

surgiu como parte de um processo histórico relativamente recente na sociedade moderna.

A dificuldade e a polêmica da definição da adolescência é antiga, pois dentro de uma mesma

21

sociedade pode ocorrer uma variedade de experiências e situações de vida, apontando que a distinção

entre as gerações não seria só a faixa etária que as delimita, mas principalmente o conteúdo que elas

representam, em cada época.

Assim o contexto social e familiar no qual o adolescente está inserido representa um papel

fundamental

nesta etapa da vida, fornecendo valores, regras e expectativas, bem como os meios concretos para a

viabilização do seu projeto de vida.

II. Medidas de prevenção e 25 promoção à saúde

Os adolescentes enfrentam dificuldades relacionadas à crise econômica, ao desemprego, desamparo

social e familiar, violência dentro e fora de casa, uso e/ou abuso de drogas, exploração sexual, risco de

Uma amplitude de ações coordenadas e desenvolvidas por setores e organizações governamentais

DST/Aids, gravidez precoce não planejada, suicídio, acidentes, incluindo os de trânsito, a exploração do

e não governamentais são necessárias, objetivando:

Diversas estratégias de prevenção podem ser desenvolvidas pelas diferentes secretarias (educação,

trabalho adolescente, entre outros. A diversidade de problemas encontrados atualmente apontam para

• a participação do adolescente e do jovem nas decisões da família e comunidade;

saúde, esporte e lazer, ação social, cultura, abastecimento, meio ambiente) de maneira integrada,

um alto preço econômico e social a ser pago, decorrente da ausência de ações integradas e efetivas nesta

envolvendo grupos de adolescentes protagonistas, oficinas em unidades de saúde, atividades esportivas e

área.

culturais, profissionalização de adolescente, participação em atividades comunitárias e outras.

• a criação de condições materiais, sociais e psicológicas favoráveis a seu desenvolvimento que

As ações de prevenção e de promoção de saúde tem por objetivo estimular o potencial criativo e

incluam

resolutivo dos adolescentes para o desenvolvimento de projetos de vida e comportamentos que priorizem

a geração de renda em suas famílias;

o auto-cuidado em saúde.

• o cumprimento de legislações existentes como o código de trânsito e a proibição de venda de

cigarros e álcool para menores de 18 anos.

O Ministério da Saúde tem destacado como imperativa a necessidade da construção de uma agenda

nacional em prol da saúde e do desenvolvimento da juventude que envolva não apenas a participação do

• o atendimento às suas necessidades de educação, saúde, esporte, lazer e cultura;

governo, mas de toda a sociedade.

  • 26 funcionamento dos órgãos reprodutivos, os métodos contraceptivos, DST/Aids, ou ao acesso à camisinha,

A prevenção não se limita ao fornecimento de informações sobre o uso de drogas, a anatomia e

O desenvolvimento de um vínculo de confiança entre o adolescente e

mas envolve uma participação ativa do adolescente no sentido dele refletir sobre os caminhos que pode

o profissional é a base para todo o trabalho preventivo.

tomar em sua vida, desenvolvendo assim sua autonomia e responsabilidade.

A prevenção e a promoção da saúde do adolescente não se limitam à área de saúde, mas

A inserção e adesão do adolescente na escola é prioridade para a construção de um projeto de vida

2.1 criando

Grupos

de deeducação

educacional e profissional, proporcionando alternativas de vida distintas do uso e/ou abuso de drogas e

As atividades em grupos devem permitir a aproximação dos adolescentes com os temas próprios de

uma cultura

promoção da saúde

em entre saúde

os adolescentes e suas famílias.

da paternidade e maternidade precoces.

sua idade e da sua comunidade. É importante ouvi-los para saber quais são suas próprias demandas e

envolvem a integração das ações desenvolvidas por diferentes secretarias e comunidade,

O acesso do adolescente à Unidade de Saúde deve ser facilitado e ampliado, garantindo o atendimento

de suas necessidades de saúde, incluindo a obtenção de preservativos masculinos/femininos para a

prevenção das DST/Aids, de maneira gratuita e desburocratizada.

Podemos estimulá-los a trazer contribuições, sejam com idéias, dinâmicas, textos, livros, sucatas,

indicações de recursos da comunidade, de grupos de outros jovens, entre outros. Isto desenvolve o

É fundamental que os diversos profissionais estejam disponíveis para ouvir o adolescente, dentro da

necessidades.

sentimento de co-responsabilidade sobre a evolução dos grupos e permite descobrir talentos e lideranças.

sua realidade, respeitando a diversidade de idéias, sem emitir juízos de valores que inibam sua

comunicação.

Deve-se, sempre que possível, priorizar a prevenção em relação às DST/Aids, à gestação precoce não

planejada, ao uso e/ou abuso de drogas e à saúde mental a partir da reflexão por parte do adolescente

sobre seu projeto de vida e a responsabilidade em relação às suas ações, sempre com o reforço da auto-

estima e auto-cuidado.

2.2 Educação em saúde nas escolas13

• Cabe ao binômio Saúde/Educação, trabalhar em conjunto para potencializar as ações relacionadas

ao adolescente escolar, para o encaminhamento adequado das questões relacionadas à saúde e ao

Integração com as escolas

processo

de Trabalho aprendizagem. com os profissionais da educação:

• Estabelecer mecanismos de integração entre os profissionais das Unidades de Saúde e os professores

• Faz-se necessária a capacitação dos profissionais da educação, a criação de grupos de interesse nas

Recomendações para a estratégia de ação :

das escolas públicas da região, para que possam atuar em conjunto nas ações de educação em saúde,

escolas, a pesquisa de novas metodologias, a adoção de novos recursos tecnológicos e o trabalho

• Programar, junto com as Escolas Estaduais e Municipais da área de abrangência da Unidade de

Público alvo:

abordando temas previstos nos Parâmetros Curriculares Nacionais, relacionados à sexualidade, à

integrado

Saúde, treinamento inicial para uma equipe mínima de cada escola, enfocando a importância de ações

• Cada escola deverá definir uma equipe mínima para participar do treinamento em promoção de

voltadas para a construção do projeto de vida e dos temas acima citados.

com a equipe de saúde.

Metodologia:

prevenção

saúde e participação nas reuniões técnicas que pode incluir: orientador educacional, supervisor

de gravidez precoce não planejada, DST/Aids e uso/abuso de drogas.

• O profissional da educação tem um papel importante como agente de saúde, contribuindo para a

• Oficinas interativas e reflexivas com utilização de dinâmicas de grupo, palestras, discussão de

pedagógico,

• Apoiar a continuidade do treinamento com palestras, oficinas, atividades artísticas e debates sobre

textos, discussões de casos, trocas de informações sobre materiais específicos para trabalhos com

temas pertinentes.

1 a 2 professores por turno (de 5ª série ao 2ª grau). Esta equipe deve ter como responsabilidade o

adolescentes (apostilas, jogos, vídeos, folders e cartazes).

repasse

• Realizar pelo menos duas reuniões técnicas por semestre, com o objetivo de discutir situações

adoção de hábitos saudáveis e práticas seguras pelo adolescente escolar.

práticas de prevenção e orientação a adolescentes na escola e na unidade de saúde, integrando as ações.

do treinamento para todos os profissionais da escola.

• Auxiliar nas atividades de prevenção da escola, em eventos específicos.

• Fornecer folders e exemplares das cartilhas “Eu, Adolescente de Bem com a Vida” e “Pais e filhos,

de Bem com a Vida” para as bibliotecas dos Colégios Municipais e Estaduais, a partir da 5ª série, como

material de uso dos adolescentes, professores e familiares.

É uma atividade que pode ser realizada pelos médicos de referência, psicólogos, nutricionistas e

fisioterapeutas do DS, profissionais das US, profissionais de escolas e de outras secretarias e ONGs, de

acordo com o planejamento distrital e/ou da SMS.

População alvo:

Adolescentes pertencentes à área do DS com perfil e interesse em participar, encaminhados pelos

Recomendações para a estratégia de ação :

habilitação.

diversos órgãos envolvidos.

• Treinamento inicial para os adolescentes, em conjunto com os diversos profissionais envolvidos e

Metodologia:

Para realizar este trabalho, os profissionais deverão passar por um processo de capacitação e

de acordo com a programação estabelecida, enfocando a promoção de saúde, a partir da construção de

• Utilização de dinâmicas de grupo, palestras, trocas de informações sobre suas ações, discussão de

um projeto de vida, da prevenção da gravidez precoce não planejada, DSTs/ Aids e uso e/ou abuso de

textos e de materiais específicos para trabalhos com adolescentes (apostilas, jogos, vídeos, folders e

drogas, enfocando sempre o protagonismo juvenil;

cartazes).

2.3 Resiliência

• Reuniões bimestrais com os adolescentes/profissionais envolvidos, para o acompanhamento das

29

ações.

Resiliência é a capacidade humana de triunfar diante de adversidades, de recuperar-se e transformar-

se positivamente apesar das situações de estresse. É um modelo conceitual do comportamento de

indivíduos

que demonstraram essa força.

Estudos demonstram que a resiliência é construída desde a infância quando ampliam-se os fatores

protetores (boas condições de saúde e moradia, acesso à escola e afetividade, por exemplo) e reduzem-

se os fatores de risco (fome, doenças crônicas, maus tratos etc), somados à capacidade de manejar

recursos

de resistência individuais, nas fases difíceis da vida.

A resiliência pode ser desenvolvida em qualquer fase da vida, especialmente na adolescência, sendo

necessário compreender sua natureza dinâmica e a articulação entre fatores protetores e de risco,

envolvidos

em cada caso. Esses fatores podem ser de ordem genético-constitucionais, psicológicos, sociais ou

situacionais. A resiliência pode ser individual, grupal, institucional e/ou comunitária.

É necessário compreender que resiliência tem forte dimensão ética, de cidadania e educação para a

vida. É um conceito com potencial de instrumentalizar os profissionais para avaliação e acompanhamento,

especialmente dos adolescentes em situação de risco. Representa, ainda, uma ferramenta para esses

mesmos profissionais se auto-avaliarem no que se refere às suas competências pessoais para lidar com as

dificuldades que surjam ao longo do trabalho.

  • 30 multidisciplinar que deve estar essencialmente mobilizada pela esperança no jovem e pela forte vontade

Trabalhar com projetos de saúde integral baseados no conceito de resiliência envolve toda a equipe

para desenvolver estratégias criativas de ação com adolescentes, jovens, famílias e comunidades

(especialmente a escola) em que estão inseridos.

Resiliência não é a ausência do risco, adversidade ou estresse, mas ter ou criar condições para

• Nível individual: mudanças de hábitos de higiene ou alimentares, reforços de vacinação,

Fatores protetores que podem ser promovidos :

sensibilização (utilizando técnicas lúdicas em dinâmicas de grupo) para a auto-percepcão e auto-cuidado,

seu enfrentamento. Assim, a preocupação para este início de milênio será diminuir o impacto

em todas as suas dimensões, incluindo a ecológica e a espiritual, promovendo estilos efetivos de combate

vida. Isso só será possível com o fortalecimento do diálogo entre profissionais competentes e essa

às adversidades, como o bom humor, a criatividade, a auto-valorização, o reconhecimento das

população. dos adolescentes.

verdadeiras

dos fatores adversos e ampliar os fatores de proteção, favorecendo desta forma, a resiliência

dimensões dos problemas e estabelecimento de metas para sua resolução;

Por exemplo, se um adolescente apresenta comportamento agressivo, deve-se entender como um

pedido de socorro. Não contra-atuar e sim dialogar (ouvindo muito e falando pouco), flexibilizando a

• Nível grupal: organização de festas, gincanas, campeonatos, ações sociais permitindo que o potencial

situação com bom humor, promovendo o vínculo do profissional com o adolescente. Um importante

se expresse, que haja prazer e melhora da auto -estima;

alicerce para resiliência é o sentir-se aceito de forma incondicional por um adulto cuidador que lhe

• Nível institucional: reorganização das instituições para o diálogo, flexibilização e desenvolvimento

seja significativo. O vínculo do profissional com o adolescente favorece a construção de um sentido para

de habilidades. a vida.
de habilidades.
a vida.

A equipe multidisciplinar pode ajudar estes jovens a aceitar os desafios e a elaborar seus projetos de

33

3.1 ASSISTÊNCIA À SAÚDE DO ADOLESCENTE

A assistência tem por objetivos principais:

• Monitorar o processo de crescimento, desenvolvimento puberal e psíquico;

ASPECTOS ÉTICOS E LEGAIS

III. Saúde do adolescente

• Identificar e promover os fatores de proteção;

• O atendimento ao adolescente deve ser pautado por princípios éticos e guiado pelos seguintes

• Identificar os fatores de risco que deverão ser afastados e/ou atenuados;

artigos do código de ética médica (capítulos V e IX):

• Esclarecer sobre o direito de assistência à saúde;

Art. 56- É vedado ao médico desrespeitar o direito do paciente de decidir livremente sobre a execução

• Estimular e mostrar a importância de se assumir, gradativamente, a responsabilidade de cuidar da

de práticas diagnósticas ou terapêuticas, salvo em caso de iminente perigo de vida.

Art. 57- É vedado ao médico deixar de utilizar todos os meios disponíveis de diagnóstico e tratamento

• No Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA)2, diversos dispositivos referem-se aos direitos

própria saúde;

reprodutivos e sexuais. Os artigos 3º, 5º, 15º, 17º e 18º , de forma genérica, contêm preceitos relativos ao

• No dia 10 de março de 2006 foi assinado por representantes da Secretaria Municipal da Saúde,

a seu alcance em favor do paciente

Primeira Vara da Infância e da Juventude, Conselho Regional de Medicina do Paraná , Sociedade

Art. 103- É vedado ao médico revelar segredo profissional referente a paciente menor de idade,

Destaca-se o artigo 17º:

Paranaense

respeito à integridade física e moral da criança e do adolescente. (Ministério da Saúde, 1999)

inclusive a seus pais ou responsáveis legais, desde que o menor tenha capacidade de avaliar

• Sempre que possível, envolver a família do adolescente.

“O direito ao respeito consiste na inviolabilidade da integridade física, psíquica e moral da criança e do

de Pediatria e Associação de Obstetrícia e Ginecologia do Paraná o “ CONSENSO SOBRE QUESTÕES

seu problema e de conduzir-se por seus próprios meios para solucioná-lo, salvo quando a não

adolescente, abrangendo a preservação da imagem, da identidade, da autonomia, dos valores, idéias e

TÉCNICAS, ÉTICAS E LEGAIS REFERENTES AO ATENDIMENTO DO ADOLESCENTE NAS UNIDADES

crenças, dos espaços e objetos pessoais”.

revelação possa provocar danos ao paciente.

MUNICIPAIS DE SAÚDE.” O consenso está reproduzido no anexo V.

  • 34 Bioética e Adolescência

(Recomendações do Departamento de Bioética e Adolescência

da Sociedade de Pediatria de São Paulo)

1- O médico deve reconhecer o adolescente como indivíduo progressivamente capaz e atende-lo de

forma diferenciada.

2- O médico deve respeitar a individualidade de cada adolescente, mantendo uma postura de acolhi-

mento, centrada em valores de saúde e bem-estar do jovem.

3- O adolescente, desde que identificado como capaz de avaliar seu problema e conduzir-se por seus

RELAÇÃO MÉDICO-PACIENTE

responsáveis

próprios meios para solucioná-lo, tem o direito de ser atendido sem a presença dos pais ou

• no A relação ambiente do da profissional consulta, garantindo-se de saúde com a o confidencialidade adolescente deverá e a ser execução de confiança dos procedimentos e empatia. O

diagnósticos profissional e deve terapêuticos manter uma necessários. postura de Dessa compreensão, forma, o jovem observando tem o direito com atenção de fazer como opções o sobre

procedimentos adolescente expõe diagnósticos, a sua queixa terapêuticos inicial e as ou ansiedades profiláticos, que assumindo o levaram integralmente ao atendimento; seu tratamento.

• Os Sem pais expressar ou responsáveis pré-julgamentos, somente serão o profissional informados deve sobre abordar o conteúdo temas de das interesse consultas, do adolescente, como, por

exemplo,

estimulando-o a expor seus problemas e angústias, estabelecendo uma troca de informações de

nas maneira questões franca relacionadas e aberta; à sexualidade e prescrição de métodos contraceptivos, com o expresso

• consentimento A participação do dos adolescente. pais / familiares na consulta médica tem por objetivo o fornecimento de

4- A informações participação ao da profissional família no sobre processo o relacionamento de atendimento familiar do adolescente e a história é altamente pregressa desejável. do adolescente Os

limites (parto, desse doenças, envolvimento vacinas, vida devem escolar, ficar relacionamento), claros para a família bem e como para o a jovem. orientação O adolescente destes quanto deve ao ser

tratamento e esclarecimento de possíveis dúvidas.

incentivado a envolver a família no acompanhamento dos seus problemas.

5- • A Devem ausência ser dos estabelecidos pais ou responsáveis momentos não para deve o atendimento impedir o atendimento do adolescente médico em separado do jovem, dos seja pais, em

consulta evitando de que matrícula a presença ou nos destes retornos. o iniba;

6- • Em Tanto situações o adolescente consideradas como os de pais, risco serão (por exemplo: informados gravidez, sobre o abuso sigilo de da drogas, consulta, não a partir adesão do a qual, o

tratamentos que for dito pelo adolescente só será repassado aos pais com o consentimento deste, exceto em

situações de risco de vida, próprio ou de terceiros, conforme os princípios da ética profissional;

recomendados, doenças graves, risco à vida ou à saúde de terceiros) e frente à realização de

procedimentos de maior complexidade (por exemplo, biópsias e intervenções cirúrgicas) torna-se

necessária a participação e o consentimento dos pais ou responsáveis.

7- Em todas as situações em que se caracterizar a necessidade da quebra do sigilo médico, o

adolescente

deve ser informado, justificando-se os motivos para essa atitude.

maturidade para se responsabilizar por seu tratamento, seus pais serão convidados a comparecer

somente se ele estiver de acordo;

35

Avaliação Clínica

• É necessário dispor de um tempo adequado para cada atendimento, principalmente na consulta

para realizar uma abordagem integral e de orientações preventivas. Alguns retornos podem ser

• Realizar a avaliação clínica clássica (anamnese e ex. físico), considerando sempre a demanda e o

necessários para estabelecer um vínculo de confiança e esclarecer situações complexas.

aspecto geral do adolescente. Na anamnese, perguntas sobre menarca, espermarca, ciclo

avaliada e se necessário aplicar as vacinas que estão faltando.

menstrual,

Exames laboratoriais

atividade sexual, uso de drogas e ideação ou tentativa de suicídio são importantes;

• Quando proceder ao exame físico geral do adolescente, será imprescindível a presença, no

Devem ser solicitados, no ingresso do adolescente ao Programa, os seguintes exames:

consultório, de um outro profissional de saúde

• Hemograma completo

Observação:

• O adolescente deve ser orientado sobre a realização do exame físico, mostrando e explicando

• Parcial de urina

• Para os adolescentes de ambos os sexos, sexualmente ativos e com história de vários parceiros,

como os instrumentais serão utilizados. Seus pudores e temores deverão ser respeitados, adiando

• Parasitológico de fezes (havendo evidências clínicas, iniciar de imediato o tratamento)

além dos exames de rotina já indicados, é recomendado solicitar, uma vez ao ano, sorologia para

a realização do exame se necessário e possível. O exame dos genitais não é obrigatório na

• Ferritina sérica (pela incidência de anemia ferropriva na adolescência)

sífilis e HIV;

primeira consulta, porém ao realiza-lo, um outro profissional da saúde deverá estar presente

• Para adolescentes do sexo feminino, que já iniciaram atividade sexual, deve ser solicitado

• O exame dos genitais requer o uso de luvas.

Papanicolaou uma vez ao ano;

• A avaliação nutricional será realizada utilizando os gráficos de referência IMC/Idade ( CDC –

• Outros exames deverão ser solicitados de acordo com a necessidade de cada caso.

2000 ) e Altura/Idade ( NCHS-1977 ) .

• A maturação sexual será avaliada e acompanhada pelas tabelas de Tanner;

• Após o exame clínico serão levantadas as hipóteses diagnósticas, solicitados exames (de rotina e os

específicos de cada caso) e fornecidas prescrições necessárias, devendo sempre esclarecer o

adolescente sobre o diagnóstico , seus medicamentos e encaminhamentos para especialidades ou

para outras secretarias;

• É importante informar o adolescente sobre os trabalhos em grupo realizados pela equipe, convidá-

lo a participar e orientá-lo para agendar sua consulta de avaliação integral também com o

enfermeiro.

• Após a consulta, o adolescente deve ser encaminhado para a sala de imunização para que esta seja

3.2 CRESCIMENTO E DESENVOLVIMENTO PUBERAL

36

3.2 CRESCIMENTO E DESENVOLVIMENTO PUBERAL

3.2 CRESCIMENTO E DESENVOLVIMENTO PUBERAL

3.2 CRESCIMENTO E DESENVOLVIMENTO PUBERAL
3.2 CRESCIMENTO E DESENVOLVIMENTO PUBERAL
3.2 CRESCIMENTO E DESENVOLVIMENTO PUBERAL
3.2 CRESCIMENTO E DESENVOLVIMENTO PUBERAL
3.2 CRESCIMENTO E DESENVOLVIMENTO PUBERAL
3.2 CRESCIMENTO E DESENVOLVIMENTO PUBERAL

A puberdade refere-se às transformações do corpo envolvendo os vários órgãos e estruturas. Inicia-se

pelo aparecimento dos caracteres sexuais secundários (broto mamário no sexo feminino, aumento dos

3.2.1 CRESCIMENTO PÔNDERO-ESTATURAL

testículos no sexo masculino e desenvolvimento dos pelos pubianos em ambos os sexos). Termina com o

completo Na puberdade, desenvolvimento os adolescentes físico, parada ganham do cerca crescimento, de 20% de que sua se estatura constata final pela e soldadura 50% de seu das peso cartilagens

adulto. Ao rápido crescimento em estatura, característico desta fase, dá-se o nome de estirão puberal.

de conjugação dos ossos longos e aquisição da capacidade reprodutiva, em vista do amadurecimento

Fases do crescimento esquelético

gonadal.4

• Fase de crescimento estável (pré-puberal) – quando o adolescente ganha em média 4 a 6 cm/ano

Peso

em altura, e 2 a 3 Kg/ano no peso;

• Fase de aceleração do crescimento (puberal) – quando a velocidade do crescimento aumenta até

• atingir Apresenta o máximo também - PVC aceleração (Pico de e Velocidade posterior desaceleração. de Crescimento). No Nas sexo meninas masculino, ocorre a velocidade entre 11 e máxima 12

Proporções Corporais

de ganho de peso coincide com o pico de velocidade de crescimento estatural. No sexo feminino

anos atingindo em média, 8 a 9 cm por ano. Nos meninos, a média é de 10 cm por ano e ocorre

a velocidade máxima de ganho de peso ocorre geralmente 6 meses depois do pico da velocidade

entre 13 e 14 anos. Em ambos os sexos, esta fase dura em média 2 anos;

• O crescimento do tronco, ocorre depois do crescimento dos membros e contribui com a maior

• Fase de desaceleração do crescimento (pós-puberal) – há a diminuição da velocidade de

de crescimento em estatura.

parcela da altura, aumentando a relação tronco/membro. Na prática, é neste momento que se

crescimento

estabelecem e/ou se agravam os desvios da coluna (escoliose do adolescente, cifose juvenil, etc);

e o alcance da altura final do adulto, ocorrendo entre 15 a 16 anos no sexo feminino e 17 a 18

• O crânio também participa do estirão puberal. Cresce o globo ocular, e ocorre com freqüência o

anos no sexo masculino.

aparecimento de miopia. No sexo masculino é mais marcante o crescimento da fronte, do nariz,

da mandíbula e do maxilar superior (a má oclusão dentária pode acentuar-se nesta fase).

• Ocorre acúmulo progressivo de gordura dos 8 anos até o início do estirão puberal. A partir daí, a

velocidade de deposição de gordura sofre desaceleração;

• A prevenção da obesidade deve iniciar-se na infância e permanecer na fase de adolescência,

Pressão arterial

principalmente no sexo feminino.

37

• A pressão arterial, nos primeiros anos de vida tem elevação gradual. Na adolescência há uma

3.2.2 MATURAÇÃO SEXUAL

elevação mais rápida até chegar aos níveis pressóricos do adulto;

• A avaliação da PA deve ser uma rotina na consulta do adolescente, para permitir um diagnóstico

Sexo Feminino

precoce de hipertensão arterial.

• 1ª manifestação - surgimento do broto mamário, em média aos 9,7 anos. No mesmo ano há o

Sexo Masculino

aparecimento dos pelos pubianos. O broto mamário pode de início ser doloroso e unilateral,

demorando até 6 meses para o crescimento da outra mama;

• • 1ª Os manifestação pelos axilares - se aumento iniciam do em volume média testicular, aos 10,4 anos, em média acompanhados aos 10,9 anos. pelo desenvolvimento O crescimento peniano das

começa glândulas em sudoríparas geral, um ano que após trazem o crescimento o odor característico dos testículos. do adulto; Primeiro o pênis cresce em

• É comprimento freqüente a e presença depois em de diâmetro; corrimento vaginal claro nos 6 a 12 meses que antecedem a primeira

• Os pelos pubianos aparecem em torno dos 11,3 anos, os pelos axilares, em média aos 12,9 anos;

menstruação (menarca). A idade média da menarca em nosso meio é de 12,2 anos;

• Os e os primeiros pelos faciais ciclos e menstruais do restante são do corpo geralmente ocorrem anovulatórios em média aos e irregulares, 14,5 anos; podendo se manter

• A irregulares idade da primeira por até 3 ejaculação anos. O ciclo (espermarca), menstrual normal ocorre tem em média um intervalo aos 12,8 que anos. varia A de mudança 21 a 36 da dias, voz

e ocorre uma duração tardiamente; entre 3 a 7 dias;

• • A As ginecomastia adolescentes puberal ainda crescem (aumento em do média tecido 4 mamário) a 6 cm nos ocorre 2 ou 3 em anos grande pós-menarca. parte dos adolescentes

masculinos. É freqüentemente bilateral, com consistência firme e móvel e, às vezes dolorosa. De

acordo com o diâmetro, classifica-se em: grau I de 1 a 2 cm; grau II de 2 a 4 cm, e grau III de 5 cm

em diante. Inicia-se geralmente entre 13 e 14 anos. Regride espontaneamente em cerca de 6 a 8

meses. Quando não involui em 24 meses, deverá ser avaliada pelo cirurgião plástico. Em geral são

casos de macroginecomastia (grau III), ou aquelas persistentes;

• A ginecomastia de causa patológica (por drogas, endocrinopatias, tumores ou doenças crônicas),

Observações importantes

embora rara, deve ser pensada se ocorrer antes ou ao término da maturação sexual, devendo ser

cuidadosamente avaliada e/ou encaminhada para especialista;

• • A Considera-se polução noturna retardo é a puberal ejaculação a ausência noturna de involuntária, qualquer característica ou seja, saída sexual de sêmen secundária durante em o meninas sono,

a partir dos 13 anos de idade, e em meninos a partir dos 14 anos. Encaminhar para avaliação

decorrente de um estímulo cerebral para sonhos eróticos que levam ao orgasmo. É um evento

médica especializada;

3.2.3 MONITORAMENTO

Crescimento

fisiológico normal, mas às vezes causa constrangimentos e dúvidas aos adolescentes, que devem

• Considera-se puberdade precoce, quando ocorre o aparecimento de caracteres sexuais secundários

ser orientados e tranqüilizados pelo profissional de saúde.

A avaliação antropométrica ( peso , altura e avaliação nutricional ) deve ser realizada no mínimo 1 vez

endocrinologista ou ginecologista infanto-puberal.

antes dos 8 anos, no sexo feminino, e antes dos 9 anos, no sexo masculino. Encaminhar para o

ao ano até o final da adolescência e com maior frequência se for detectado algum problema (baixa

Índice de Massa Corporal (IMC) / Idade, utilizando-se os pontos de corte:

estatura, baixo peso, sobrepeso e obesidade).

Em – geral avalia-se a cada 4 meses na fase de aceleração do crescimento, a cada 6 meses na fase de

desaceleração do crescimento e uma vez ao ano até ao final da adolescência.

Baixo peso: IMC igual ou menor que o percentil 5º

O monitoramento nutricional é feito por meio dos índices abaixo citados, conforme o Manual de

Normal ou eutrófico: IMC entre percentil 5º e percentil 85º

IMC =

Vigilância Alimentar e Nutricional do Ministério da Saúde-2004, utilizando-se os gráficos que se encontram

Sobrepeso: IMC acima do percentil 85 até o percentil 95º

no final deste Protocolo.

Obesidade: IMC maior que percentil 95º

peso (kg)

(Padrão de Referência: CDC 2000.)

ou

altura2(m)

peso (kg) ÷ altura (m) ÷ altura (m)

Índice Altura/Idade, utilizando os pontos de corte:

Nanismo ou baixa estatura: altura/idade menor que percentil 3º

Normal: altura/idade entre o percentil 3º e 97º

Alta estatura: altura/idade maior que percentil 97º

(Padrão de referência: NCHS 1977).

Importância do monitoramento dos estágios puberais:

• É um instrumento para acompanhamento do desenvolvimento sexual do adolescente;

• Devido à grande variação da idade de início e da velocidade de progressão da maturação sexual,

O monitoramento é feito a partir das tabelas de Tanner14, que são divididas em 5 estágios desde

a idade cronológica tem pouca importância como parâmetro isolado na avaliação do crescimento

a situação pré-puberal (estágio 1) até a fase adulta (estágio 5):

e desenvolvimento do adolescente;

3.3 SEXUALIDADE

• No sexo masculino, está baseada na pilificação pubiana (P1 a P5) e genitália (G1 a G5). A evolução 39

• No sexo feminino, está baseada na pilificação pubiana (P1 a P5) e mamas (M1 a M5). A evolução

A sexualidade pode ser considerada como a energia de vida. É uma forma de comunicação entre os

desenvolvimento físico;

• O acompanhamento sistemático da maturação sexual cria oportunidades para esclarecer as dúvidas

do estágio 2 ao 5 (tanto P como M), dura de 2 a 5 anos.

• Observa-se relação direta entre os estágios de maturação sexual e o ritmo do crescimento e

do estagio P2 ao P5 dura de 2 a 5 anos, e do estágio G2 ao G5 dura de 3 a 4 anos.

seres humanos, não se limitando só à possibilidade de obtenção do prazer genital, estando presente

do adolescente quanto às mudanças ocorridas, e de orientá-lo sobre sua saúde sexual e

As necessidades de saúde e os direitos humanos das pessoas com as diferentes orientações

desde o nascimento até a velhice. Desta forma, sua vivência engloba aspectos afetivos, eróticos e

reprodutiva.

sexuais : heterossexual, homossexual e bissexual são as mesmas.

amorosos,

relacionados à construção da identidade, à história de vida e a valores culturais, morais, sociais e

religiosos

de cada um.

De uma maneira geral, os relacionamentos, o equilíbrio emocional e a manifestação de sentimentos

do indivíduo adulto, dependem da evolução da sexualidade durante as etapas de infância e adolescência.

Numa pesquisa, realizada em escolas de Curitiba e Região Metropolitana, em 1998, a idade média

da iniciação sexual para meninos foi de 14,6 anos e de 15,6 anos para as meninas.15

3.3.1 O DESENVOLVIMENTO DA SEXUALIDADE

40

3.3.1 O DESENVOLVIMENTO DA SEXUALIDADE
3.3.1 O DESENVOLVIMENTO DA SEXUALIDADE

3.3.1 O DESENVOLVIMENTO DA SEXUALIDADE

3.3.1 O DESENVOLVIMENTO DA SEXUALIDADE
3.3.1 O DESENVOLVIMENTO DA SEXUALIDADE

Segundo Freud, o desenvolvimento da sexualidade durante a infância ocorre em etapas, de acordo

com as regiões corporais (zonas erógenas) para as quais a libido (energia sexual) está mais dirigida com o

As seguintes etapas fazem parte da sexualidade infantil:

objetivo de obter prazer.

• A fase oral - do nascimento até em torno de 18 meses;

Fase da formação da identidade sexual:

• A fase anal - de 18 meses a mais ou menos 3 anos;

• Até em torno de 3 anos de idade, a criança assimila um esboço básico do que é ser homem ou

• A fase fálica - aproximadamente dos 3 aos 5 anos;

Fase autossexual:

mulher, adquirindo a noção de si própria e a qual sexo considera pertencer;

• Dos 3 anos de idade até em torno dos 6 anos, a criança volta-se para o prazer proporcionado por

• O período de latência - aproximadamente dos 6 anos até a adolescência.

Fase homossexual:

tocar seu próprio corpo, estando atenta especialmente para as sensações vindas de seus genitais.

Alguns autores16,17 apresentam etapas diferentes quanto ao desenvolvimento da sexualidade na

• Dos 7- 8 anos até 10 -11 anos, a criança dirige sua atenção para amigos ou adultos do mesmo

Fase de transição:

Ela também apresenta curiosidade quanto às diferenças sexuais anatômicas, sendo freqüentes as

infância, na adolescência e fase adulta:

sexo, os quais são vistos como um ideal do que a criança gostaria de ser. São comuns os clubes do

• Aos 11 - 12 anos, com o início da puberdade, os adolescentes dirigem sua atenção ao sexo

brincadeiras sexuais infantis;

Fase heterossexual:

“Bolinha” e da “Luluzinha”;

oposto. O contato em grupo com adolescentes de outro sexo, o paquerar e o ficar são fundamentais

• O desenvolvimento desta etapa ocorre geralmente a partir dos 15 - 16 anos. A heterossexualidade

para o desenvolvimento do papel sexual erótico. Entretanto, ainda há timidez e insegurança, de

maneira que as relações de intimidade se fazem com o outro do mesmo sexo. É com o amigo que

relacionamentos com o sexo oposto. Há uma maior consciência dos riscos e da necessidade do

se divide os pensamentos, dúvidas, experiências, confidências e fantasias;

auto-cuidado.

é alcançada gradativamente a partir do aprendizado decorrente das experiências dos

• Os Jogos Sexuais: geralmente acontecem entre 14 e 17 anos com adolescentes do mesmo sexo.

eventualmente o ato sexual, não implicando em um compromisso no decorrer do tempo entre os

É conhecida como a fase pubertária homossexual do desenvolvimento. O adolescente costuma

• A masturbação: é definida como uma procura solitária do prazer sexual, através da auto-

• O Ficar: é um relacionamento que envolve toques, carícias, beijos, jogos de sedução e

parceiros. Geralmente, o grau de intimidade depende do consentimento da menina, que atualmente

visualizar o outro como um espelho. Danos psicológicos são verificados quando tais jogos são

estimulação. Funciona também como uma forma de auto-conhecimento. No início da adolescência,

também tem tomado a iniciativa. O “ficar” é uma maneira do adolescente treinar seu papel

caracterizados por uma situação de abuso sexual homo ou heterossexual, por pressão do grupo

apresenta um caráter exploratório. À medida que vai amadurecendo, passa a haver a busca do

erótico como parte de uma fase exploratória. Entretanto, o que preocupa é que este “ficar” pode

ou de um adulto sobre o adolescente. Portanto, vale salientar que a ocorrência de eventuais

41

3.3.2 Homossexualidade

orgasmo. Vale salientar que este é um ato normal, esperado, que exige privacidade. Quando tiver

ser acompanhado de comportamentos de risco para gravidez e as DST, quando associado à falta

relacionamentos homossexuais em um determinado período da adolescência, não significa

caráter exibicionista e/ou freqüente, por um longo tempo, em detrimento do interesse de relações

identificação homossexual. Esta orientação sexual, se real, será confirmada ao longo do tempo

afetivas com outra pessoa, pode necessitar de uma avaliação global da situação vivida pelo

antigüidade,

frente à permanência do interesse exclusivo pelo mesmo sexo.

Este assunto ainda é um dos tabus da sociedade contemporânea, apesar de existir desde a

de conscientização e à onipotência, freqüentes na adolescência.

em diferentes culturas e classes sociais. Na atualidade, com freqüência, as pessoas acham que a

adolescente. Deve-se alertar as meninas quando do uso de objetos masturbatórios na vagina, pelo

homossexualidade é um desvio ou doença que deve ser tratada. Entretanto, instituições diversas como a

risco de provocar uma ruptura himenal acidental ou infecções.

Organização Mundial de Saúde, Associação Americana de Psiquiatria, Academia Americana de Pediatria,

Conselho Federal de Psicologia (resolução 1/99) e a classificação internacional das doenças (CID10) não

a têm considerado como um transtorno físico ou mesmo mental.

A saúde psíquica está relacionada à possibilidade da pessoa estabelecer relações afetivas marcadas

pela intimidade, o respeito e o crescimento mútuo, independente da orientação sexual do indivíduo.

Nenhuma pessoa deve sofrer discriminação por sua orientação sexual. Define-se orientação sexual

como a expressão do desejo sexual do indivíduo quanto ao estabelecimento de vínculos eróticos, o qual

pode dirigir-se a pessoas do mesmo sexo (homossexualidade), do outro sexo (heterossexualidade) ou de

ambos os sexos (bissexualidade).

A orientação sexual desenvolve-se no decorrer da infância e adolescência, sendo definida mais

claramente somente ao se alcançar a maturidade. Não se sabe com certeza por que uma pessoa é

homossexual. Todos nascemos potencialmente bissexuais, podendo desenvolver a hetero ou a

homossexualidade, a partir de influências do ambiente e das experiências emocionais vividas.

Em vista dos estigmas sociais e da cultura vigente, é natural que as pessoas homossexuais,

masculinas

(gays) ou femininas (lésbicas), passem por uma fase de confusão, ansiedade, incertezas e solidão,

tornando-

as mais vulneráveis aos agravos em geral.

  • 42 Leva tempo até a aceitação do fato, o que não implica em aprovação. O desejável é que haja pelo menos,

A família, ao descobrir, pode apresentar diversas reações, chegando até mesmo à expulsão de casa.

diminuição das tensões e culpas, com conseqüente reaproximação e volta da comunicação.

Riscos

O A discriminação profissional de quanto saúde, a em comportamentos especial o médico homossexuais e o psicólogo, pode podem tornar ser um um indivíduo facilitador mais e orientador vulnerável

a uma série de problemas orgânicos e psicossociais.

42 Leva tempo até a aceitação do fato, o que não implica em aprovação. O desejável

durante o processo de definição da orientação sexual emergente.

Possíveis conseqüências psicossociais:

• Baixa auto-estima;

• Isolamento social;

• Transtorno depressivo e de ansiedade;

• Comportamento suicida;

• Dificuldades escolares;

• Fugas de casa;

• Abuso de álcool e de outras drogas;

• Violência verbal, física, sexual, institucional;

• Exploração sexual.

Não há qualquer doença que tenha sido descrita, até o momento, como exclusiva da população

homossexual masculina ou feminina. Contudo, o preconceito e a discriminação social, podem inibir os

3.3.3 ORIENTAÇÕES SOBRE SEXUALIDADE

adolescentes de falar sobre seus comportamentos homossexuais e tirar suas dúvidas. Tal situação pode

dificultar • A educação a realização sexual do sexo deve seguro começar e aumentar o mais cedo o risco possível, de DST/Aids deve ocorrer e/ou outros de maneira agravos. contínua e estar

vinculada à formação de todas as crianças e adolescentes, sendo iniciada e assumida pelos pais,

complementada pela escola e profissionais de saúde;

• A maioria dos adolescentes é pouco informada a respeito de sexualidade e reprodução e tem

dificuldade de dizer não à atividade sexual, ou mesmo negociar a prática do sexo seguro. Negar

aos adolescentes informações sobre a sexualidade e contracepção, não contribui para evitar o

início precoce da vida sexual;

• A educação sexual de qualidade dá ao adolescente condições para escolher o momento apropriado

para o início da vida sexual segura, saudável e prazerosa;

• É fundamental que a equipe da Unidade de Saúde trabalhe a sexualidade pelo viés da auto-

estima, seja durante a consulta individual, seja nos grupos ou nas atividades de parceria com a

comunidade e escolas;

• É preciso lembrar que a adolescência é a época das fantasias, grandes paixões e amores eternos,

mesmo que passageiros. Deve-se valorizar a capacidade que o adolescente tem de amar, de ouvir

e de colocar em prática orientações, quando estas são feitas de forma clara e através do diálogo,

evitando conselhos, censuras e imposições;

• É preciso levá-lo a refletir sobre os valores que querem eleger como seus, sobre os seus potenciais

e limites pessoais. Desta forma pode-se ajudá-lo a construir o seu projeto de vida.

• Mostrando que a sexualidade não é sinônimo de sexo ou atividade sexual;

• Ajudando o adolescente a tomar decisões a partir de reflexões sobre o porque “sim” e o porque

“não” com base no respeito a si mesmo e ao outro;

43

3.4 SAÚDE REPRODUTIVA

• Mostrando que a sexualidade não é sinônimo de sexo ou atividade sexual; • Ajudando o

• Oferecendo informações claras, verdadeiras e adequadas à faixa etária;

• Ajudando a superar os tabus, mitos e preconceitos;

As atividades preventivas quanto à vida reprodutiva e sexual devem ser

• Mostrando que a sexualidade não é sinônimo de sexo ou atividade sexual; • Ajudando o

• Facilitando os canais de comunicação entre pais e filhos;

É na adolescência que na maioria das vezes se inicia a vida sexual. O adolescente geralmente procura

• Tendo o cuidado de não transmitir seus preconceitos e referenciais para o adolescente.

dirigidas a adolescentes de ambos os sexos.

a unidade de saúde quando já ocorreu esta iniciação, a qual tem se verificado cada vez mais precoce. O

Os adolescentes não utilizam métodos anticoncepcionais ou o fazem de maneira inadequada por

tempo entre a primeira relação sexual e a procura dos serviços de saúde costuma ser de vários meses.

vários fatores:

Os métodos anticoncepcionais disponíveis nas Unidades de Saúde estão descritos no Protocolo de

Nos

Planejamento Familiar. Este protocolo está dirigido para os métodos mais indicados na adolescência.

• Dificuldade de acesso aos serviços de saúde;

EUA a média é de 12 meses, sendo que, 50% das gestações ocorrem nos primeiros 6 meses do início da

As reconsultas devem ser freqüentes de acordo com o método escolhido, para avaliar a adesão ao

• Baixo nível socio-econômico e cultural;

A escolha do método anticoncepcional deve levar em conta a idade, o nível sócio econômico, a

atividade sexual.

• Não participação do parceiro ou dificuldade de negociar com ele o uso da camisinha;

método e estimular a prática do sexo seguro.

paridade, além do contexto social e religioso em que a adolescente vive. A decisão deve ser tomada em

Há uma estimativa de que 25% a 50% dos adolescentes não usam qualquer tipo de contraceptivo na

• Sentimento de invulnerabilidade e pensamento mágico (“nada vai acontecer comigo”);

conjunto: o casal e o profissional de saúde. O parceiro deve ser incentivado a participar desta decisão,

18

dividindo as responsabilidades, o que contribui para a construção da maturidade do casal e melhora da

primeira relação sexual e que 50% deles descontinuam o método nos primeiros 3 meses de uso . No

Brasil, pela pesquisa realizada em 1996 pela BENFAM, cerca de 33% das jovens abaixo de 17 anos já

• Medo do exame ginecológico;

tinham estado grávidas e 10% delas já tinham dois filhos.

• Preocupação com a auto-imagem (ganho de peso, adquirir celulite, etc.);

qualidade de informações sobre a saúde reprodutiva.

• Medo que se descubra a sua atividade sexual;

• Caráter esporádico e não planejado das relações sexuais;

• Não conscientização da possibilidade de uma gestação;

• Alto custo dos métodos anticoncepcionais;

• Desejo não revelado de testar a sua fertilidade.

  • 44 3.4.1.1 Métodos Anticoncepcionais Abstinência Sexual

A virgindade pode ser uma escolha dos adolescentes, e o profissional de saúde pode auxiliar nesta opção

quando este for o desejo do adolescente, pois muitos só iniciam a vida sexual para acompanhar o grupo.

Condom Masculino e Feminino

Orientações quanto à utilização:

• Condom Masculino: colocar a camisinha antes do contato do pênis com a vagina. Ao colocar a

camisinha, apertar ou enrolar a ponta da mesma para sair o ar. Assim evitará que se rompa

Considerações:

quando houver a ejaculação. Retirar logo após a ejaculação, pressionando as bordas para não

• A segurança está na forma correta do uso em todas as relações sexuais;

Vantagens: vazar o sêmen;

• Não devem ser usados o condom masculino e o condom feminino numa mesma relação sexual;

• Proteção contra DST e HIV/Aids, custo relativamente baixo, facilidade na aquisição, complicações

• Condom feminino: para usar, segurar o anel interno formando um oito e introduzir na vagina,

É o único método anticoncepcional com dupla proteção, para DST/Aids e gravidez, e deve

• Não usar dois preservativos masculinos ao mesmo tempo.

raras e boa eficácia anticoncepcional.

empurrando com o dedo indicador pela parte interna do condom feminino, até sentir o colo do

sempre estar associado, quando do uso de outros métodos anticoncepcionais.

útero, deixando o aro externo para fora da vagina recobrindo a vulva. Após o uso, torcer o anel

externo duas vezes e retirar o preservativo;

Anticoncepcional Hormonal Pílula Combinada

• Na prática é o método de eleição para adolescentes pela alta eficácia e facilidade de uso. Deve

ser prescrito sempre em associação com o preservativo masculino;

• Indica-se as pílulas com estrogênio abaixo de 35 μg, pois não interferem na soldadura das

Principais epífises orientações ósseas; de uso:

45

• A primeira cartela da pílula deve ser iniciada no primeiro dia da menstruação (1º dia do ciclo);

Deve-se alertar a adolescente sobre o risco de gravidez se houver esquecimento da pílula e

• A pílula deve ser tomada diariamente, sempre no mesmo horário;

• Deve-se obedecer as contra-indicações absolutas e relativas antes de sua prescrição;

• A pílula deve ser prescrita após seis meses da menarca, mas se o risco de gravidez for grande

como proceder:

• Após o término da cartela, orienta-se um intervalo de sete dias, quando ocorrerá a menstruação;

• Se o último comprimido foi tomado até 12 horas após o horário que deveria ser, a cartela deve

• A cartela seguinte deve ser iniciada no oitavo dia após o término da cartela anterior.

• Não protege contra DST/Aids;

ser continuada normalmente;

• Tem alta eficácia se tomadas corretamente. Diminui a acne, regulariza os ciclos menstruais,

• Se ocorrer o esquecimento e o último comprimido tomado foi há mais de doze horas após o

reduz as cólicas, o fluxo menstrual e a tensão pré-menstrual.

horário correto, a paciente pode continuar tomando a pílula, mas deve usar um outro método

pode ser iniciado logo após a mesma;

• Exames a serem solicitados quando da prescrição da pílula: hemograma, parcial de urina, glicemia

junto (condom) por uma semana, pois nesse período há risco de gravidez;

e colpocitologia oncótica uma vez ao ano. Porém não devem ser condição obrigatória para o

• Se houver esquecimento de duas ou mais pílulas; será melhor parar de tomar esta cartela de

início da tomada da pílula;

pílulas, usar camisinha e fazer um intervalo de sete dias (podendo neste período ocorrer

• Há necessidade de avaliação e controle médico após o primeiro mês de uso, e depois, a cada 3

sangramento ou não) e, após este intervalo, iniciar uma nova cartela;

meses, fazendo-se também o controle do peso e da pressão arterial;

• Deve-se discutir com a adolescente os riscos e benefícios do anticoncepcional oral, e a

• Indica-se para as adolescentes as pílulas combinadas monofásicas pela facilidade do uso. Os

possibilidade de pequenos sangramentos de escape nos primeiros três meses de uso, pois esta é

bifásicos e trifásicos podem confundir a adolescente com possibilidade de diminuição da eficácia.

uma importante causa de abandono do método;

• A eficácia das pílulas pode estar diminuída quando associada ao uso de: rifampicina, hidantoína,

fenobarbital, carbamazepina, primidona, griseofulvina, clofibrate, ampicilina, tetraciclina e

também por alguns fitoterápicos.

Contra-indicações absolutas ao uso de anticoncepcional oral combinado:

Contra-indicações relativas ao uso de anticoncepcional oral combinado:

• Grandes cirurgias com períodos longos de imobilização;

• Sangramento uterino anormal, sem diagnóstico;

Anticoncepcional hormonal combinado injetável mensal

• Otoesclerose;

• Enantato de noretisterona 50mg + Valerato de estradiol 5 mg (Mesigyna®)

• Hiperprolactinemia;

• Em mulheres que estão amamentando;

Anticoncepcional hormonal injetável trimestral

fenômenos tromboembólicos;

depois a cada 30 dias;

• Risco para tromboembolismo: anemia falciforme, obesidade, varizes importantes, imobilização;

• Suspeita ou diagnóstico de gestação;

• Caso não ocorra a amamentação, não utilizar antes de três a seis semanas do parto pelo risco de

• No primeiro mês de uso a injeção intramuscular deve ser aplicada no 1º dia do ciclo menstrual; e

• Diabetes melitus leve e moderado;

• Em caso de uso de fármacos que interferem com a pílula, receitar os anticoncepcionais com doses

• Trombose venosa profunda anterior ou atual;

• Consiste na aplicação intramuscular a cada três meses (90 dias) de 150 mg de depo-acetato de

• Uma ou duas semanas após a primeira injeção, ocorrerá um sangramento de privação hormonal,

• Doença cardíaca valvular complicada por hipertensão arterial;

e as menstruações tenderão a ocorrer no intervalo das injeções;

• Hipertensão arterial > ou = 160/100 mmHg;

medroxiprogesterona, (Depo Provera®);

iguais ou maiores de 30 microgramas de etinilestradiol.

• A primeira dose deve ser realizada até o sétimo dia do ciclo menstrual, indicando-se o uso de um

• Pode-se iniciar 2 anos após a menarca;

• Embolia pulmonar anterior ou atual;

método contraceptivo de barreira até o oitavo dia após a aplicação;

• Tem alta eficácia e rápido retorno à fertilidade quando suspenso.

• Apresenta indicação precisa para adolescentes que estão amamentando ou para portadoras de

• Cefaléias recorrentes, incluindo enxaquecas com sintomas neurológicos focais;

• Hepatite viral aguda;

algumas patologias como anemia falciforme, epilepsia, retardo mental ou nas que tenham contra-

• Cirrose severa descompensada;

indicação ao uso de estrogênios;

• Tumores hepáticos benignos ou malignos;

19

• Diabetes mellitus com duração maior de 20 anos com nefropatia, retinopatia ou neuropatia.

• Não usar em menores de 16 anos devido ao risco de diminuição da densidade óssea (osteoporose) ;

• Alta eficácia e retorno à fertilidade em 6 a 9 meses.

• Pílulas somente de progestágeno – Noretisterona 0,35mg - Micronor® ou Norestin®;

• Tem menor eficácia que o anticoncepcional oral combinado e exige maior precisão e regularidade

no horário das tomadas;

DIU - Dispositivo Intra Uterino

• Provoca alterações menstruais e deve ser usada no caso de contra indicação da pílula combinada

• Indicado para adolescentes somente nos casos de gestação anterior e parceiro único, com baixo

• Deve ser iniciada a partir de 6 semanas após o parto, com uso contínuo sem intervalos. Para

risco para DST;

ou em adolescentes que estejam realizando amamentação exclusiva;

ANTICONCEPÇÃO DE EMERGÊNCIA

• Há maior risco de expulsão do DIU em nulíparas menores de 20 anos;

aumentar a eficácia, aconselha-se a associação com condom.

• • Indicar Apresenta em alta situações eficácia emergenciais: anticoncepcional. estupro, relações sexuais não protegidas, rotura do condom,

esquecimento de dois ou mais comprimidos de contraceptivos orais, 90 dias ou mais da última

A adolescente que procura a Unidade de Saúde para obter anticoncepção de emergência deve ser

incluída no Programa do Adolescente e a ela deve ser oferecido um método anticoncepcional de alta

injetável mensal;

eficácia para evitar que se exponha novamente a uma nova situação de risco de gravidez não

planejada.

• Deve ser usada no máximo até 72 horas após o coito. Sua eficácia está na dependência da

precocidade do uso, quanto mais próximo do coito não protegido, mais eficaz;

aplicação do anticoncepcional injetável trimestral ou mais de 33 dias da última aplicação do

47

• A anticoncepção de emergência não protege de DST e nem de outra gravidez neste ciclo menstrual.

• A próxima menstruação pode ocorrer antes ou após a data prevista, podendo o fluxo variar entre

o normal, intenso ou inferior ao habitual;

• Deve-se pensar em gravidez, caso a menstruação não ocorra dentro de 3 semanas.

• A adolescente que procura regularmente a Unidade de Saúde para tomar a anticoncepção de

emergência, deve ser orientada a utilizar um método anticoncepcional de alta eficácia, evitando

assim o uso freqüente da anticoncepção de emergência.

  • 48 1) Método de Yuzpe

• Pílula combinada com 50mcg Etinilestradiol + 0,25 mg Levonorgestrel

Neovlar® ou Evanor® - 2 comp a cada 12 h (2 doses);ou

2) Pílula somente de Progestogênio

• Pílula combinada com 30mcg Etinilestradiol + 0,15 mg Levonorgestrel

Nordette®, • Comprimido Microvlar®, com 0,75 Ciclo mg 21® de Levonorgestrel - 4 comp cada 12 - Postinor-2 horas (2 doses);

• Um comprimido cada 12 horas (2 doses); ou

®

• Dois comprimidos de 0,75 mg em dose única (1,5 mg).

ou Pozato®,

Estudo recente da OMS demonstrou eficácia semelhante com os esquemas de dose única e de duas

doses. A taxa de gravidez foi de 1,34 % contra 1,69% respectivamente. O mesmo estudo mostrou que

Observações:

a eficácia mantém-se em níveis relativamente altos, se usado até cinco dias após a relação sexual

• Se ocorrerem vômitos até uma hora após a ingestão da pílula combinada ou duas horas após a

desprotegida. (Taxa de gravidez de 2,44% para a dose única e 2,67% para a dose dividida).51

pílula de progesterona, repetir a dose;

3.4.1.2 Orientações gerais para Anticoncepção

• • Pode-se É fundamental administrar investigar um antiemético as possíveis meia motivações hora antes do adolescente da pílula para em evitar relação os vômitos; a ter um filho, antes

• Deve-se de orientá-lo orientar quanto a abstenção aos métodos sexual anticoncepcionais, até a menstruação respeitando seguinte, a mesmo diversidade nas mulheres de idéias, que sem

emitir juízos de valores que possam inibir a comunicação entre o adolescente e o profissional de

iniciarem

imediatamente saúde; outro método anticoncepcional; pois com esta medida existe um aumento da eficácia

da • Devem anticoncepção ser disponibilizadas de emergência ao público 51 adolescente, informações sobre os métodos contraceptivos,

prevenção das DST/Aids e noções do aparelho reprodutor, dando-lhe o direito de decidir sobre

o controle da sua fecundidade, quando apresentar maturidade para tanto;

• As Unidades de Saúde devem facilitar o acesso dos adolescentes e agilizar a disponibilização dos

métodos contraceptivos, principalmente o condom, para a prevenção das DST/Aids;

• A Unidade deve disponibilizar a contracepção de emergência, que deverá ser prescrita somente

por médicos. Utilizar como primeira opção as pílulas de Levonorgestrel.

• Em geral apenas 36% das adolescentes que fazem o teste de gravidez estão grávidas, as restantes,

com teste negativo constituem um grupo de risco para gravidez não planejada pois 60% delas

20

Abordar engravidam com prioridade num período adolescentes de 18 meses que ; fizeram o exame de gravidez e tiveram o resultado

49

negativo, uma vez que constituem um grupo de risco para gravidez não planejada e realizar neste

• O momento da entrega do exame se constitui em uma oportunidade excelente para prevenção

ADOLESCÊNCIA

para DST/Aids

3.4.2 GRAVIDEZgrupo NA orientação

fazendo com que esta adolescente assuma sua vida sexual de forma responsável. Esta entrega

A gravidez na adolescência tem sido identificada como um problema de saúde pública, no Brasil e

deve ser feita preferencialmente pelo(a) Enfermeiro(a), em local adequado. À adolescente cujo

em outros países, em função do aumento crescente de sua incidência e da presença de importantes

"

TIG deu negativo deve ser oferecido um método anticoncepcional de alta eficácia.

conseqüências biológicas, sociais e psicológicas, especialmente ao ocorrer de maneira precoce e não

"

planejada.

Fonte : SMS/CE/CDS - SINASC

Os aspectos atuais da sociedade, relacionados à educação e à realização profissional ocasionaram a

NASCIDOS VIVOS SEGUNDO FAIXA ETÁRIA DA MÃE, POR ANO, CURITIBA/PR

postergação do casamento. Em contrapartida, a liberdade sexual, os estímulos no cotidiano, associados a

ANO20002001200220032004

outros fatores, implicam no início cada vez mais precoce da atividade sexual entre adolescentes.

IDADEN°%N°%N°%N°%N°%

Entre 1993 e 1998, o percentual de partos em mulheres de 10 a 14 anos, realizados pelo SUS,
11

anos1

cresceu 31% e, na faixa de 15 a 19 anos, houve um acréscimo de 19%21.

  • 12 Em Curitiba, a taxa de nascidos vivos de mães adolescentes vem tendo uma redução de maneira

anos33332

  • 13 anos243419249

progressiva, conforme tabela abaixo:

  • 14 anos145148120100105

  • 15 anos418396335334315

  • 16 anos738730701610621

  • 17 anos1197985872829827

  • 18 anos1432126511439601032

  • 19 anos15951529130711281126

Total NV Adolesc. 5553 19% 5090 18,80% 4500 17,10% 3988 16,07% 4037 16,04% Total NV 29287 100% 27072 100% 26331 100% 24803 100% 25168 100%

  • 50 Causas da Gestação na Adolescência

Uma multiplicidade de causas têm sido relacionadas à gravidez na adolescência por vários

autores: 22,23,24,25,26

Conseqüências

• Diminuição da idade da menarca;

As • Iniciação conseqüências sexual cada terão vez maior mais ou precoce; menor gravidade de acordo com a idade, paridade, aderência

ao pré-natal, ganho ponderal e fatores socioeconômicos e culturais.

• Falta ou inadequação das informações quanto à sexualidade e aos métodos contraceptivos;

Conseqüências orgânicas para a mãe27:

• Baixo acesso aos serviços de saúde;

• Anemia;

27,28,29

• Não utilização de métodos por receio que seus pais descubram que está tendo relações sexuais;

• Menor ganho de peso;

• Busca de confirmação da fertilidade;

• Hipertensão gestacional;

:

• Pensamento mágico (isto nunca vai acontecer comigo);

Algumas conseqüências sociais e psicológicas podem ser encontradas em decorrência de

• Presença de um desejo, consciente ou não, de engravidar;

• Maior morbi-mortalidade no parto e puerpério;

gestações não planejadas:

• Ocorrência da gestação na adolescência em familiares e pessoas próximas como modelos sociais;

• Maior número de abortos espontâneos;

• Ocorrência de abortos provocados;

• Histórico e presença de conflitos familiares;

• Maior número de partos prematuros.

• Dependência financeira dos adultos;

• Abuso de drogas;

Em relação ao bebê pode-se destacar o aumento do número de

• Abandono ou interrupção dos estudos;

• Faltas regulares às aulas e reprovações escolares;

• Natimortos e mortes prematuras;

• Dificuldade de retorno à escola;

• Expectativas e perspectivas educacionais e profissionais ausentes ou baixas;

• RN de baixo peso;

• Profissionalização deficiente e dificuldade de inserção no mercado de trabalho com manutenção

• Falta de uma comunicação aberta entre pais e filhos.

• Morte súbita nos primeiros seis meses de vida;

• Abuso ou exploração sexual

do ciclo de pobreza;

• Falta de apoio e/ou isolamento social e familiar;

• Internações e acidentes na infância.

• Doenças sexualmente transmissíveis;

• Maior risco de separação conjugal;

• Ausência do pai durante a gestação e a vida da criança;

• Sentimento de insegurança;

• Maior risco de depressão e suicídio;

• Maior risco de exploração sexual.

• Maior vulnerabilidade para uma segunda gravidez

Frente ao não desejo da gravidez, a pressão dos familiares, do parceiro e as incertezas decorrentes da

nova realidade, algumas adolescentes acabam optando pelo aborto, colocando-se freqüentemente em

risco quanto a complicações clínicas, infertilidade e risco de vida.

Gravidez Desejada

51

Algumas pesquisas têm apontado que a ocorrência de aborto tem sido mais freqüente entre os

estratos sociais médios e altos, diferentemente dos estratos sociais baixos nos quais a gestação tende a

Por outro lado, a ocorrência da gravidez desejada na adolescência tem sido destacada, em alguns

ser

estudos, por representar um grupo significativo de adolescentes. Quando planejada, ela tende a ser vivida

de maneira mais positiva, trazendo menos impactos negativos para a vida da mãe e do bebê.

Mudança do Status Social

concluída 25,30,31.

A O gravidez casamento desejada e a maternidade, ocorre geralmente especialmente como parte em estratos de um projeto sociais baixos, reprodutivo têm do sido casal utilizados em uma por

algumas adolescentes como forma de adquirir projeção social e mudança do lugar que ocupam na família,

relação de união formal ou consensual, mas pode ser observada inclusive entre adolescentes que estão

Paternidade Responsável

passando a ter um status de maioridade; entretanto, como relatado em diversos estudos, estes

namorando 22,26,32,33,34.

casamentos Os adolescentes, assim como os homens em geral, são pouco preparados para a função paterna,

tendo-se em vista a sua pouca participação ou até exclusão do período da gestação e processo de criação

precoces tendem a não durar.

Pré-natal

dos filhos ao longo da história. Isso, associado a outros fatores, vem contribuindo ao longo dos anos para

Como existe uma expectativa social de que a gravidez na adolescência é indesejada, algumas

o isolamento, negação e outras reações defensivas dos mesmos. É necessário que haja espaço para eles

adolescentes encontram dificuldade para assumir aos familiares e profissionais de saúde que planejaram

têm encontrado diferenças clínicas e obstétricas significativas entre as adolescentes gestantes e as

A adolescente grávida deve iniciar seu pré- natal o mais precocemente possível e ser orientada

grávidas

a gravidez, como constatado por vários autores22,33.

assumirem este novo papel que é ser pai.

e de durante outras faixas o primeiro etárias ano 25,26,33,34. de vida do bebê, para a construção de vínculos e de responsabilidades

Assim, a participação do pai da criança é desejável e muito importante, principalmente no pré-natal

para prevenção de nova gestação.

conjuntas, Condições de vida precárias e pressões psicológicas e sociais contribuem para a demora do início e

além baixa de adesão ser favorável ao pré-natal para pelas a evolução adolescentes. da gravidez, parto e puerpério e lactação 35.

O pré-natal da gestante adolescente deve ser realizado por uma equipe multidisciplinar, não se

É fundamental ressaltar que na presença de uma assistência pré-natal adequada, alguns estudos não

limitando somente a questões biológicas, devendo ser priorizada a captação precoce e a prevenção de

outras gestações.

As gestações na faixa etária abaixo de 16 anos são consideradas potencialmente de risco,

Orientações para o Atendimento

portanto podem ser encaminhadas para o pré-natal em Serviço de Referência 47.

• Realizar o pré-natal de baixo risco (gestante com 16 anos ou mais), definindo preferencialmente

Mães e Pais adolescentes

um dia da semana para o atendimento de adolescentes;

• Incentivar a participação do pai da criança durante o pré-natal (consultas, exames, grupos, visita à

• As maternidade); Unidades de Saúde são responsáveis pelo acompanhamento do bebê durante o primeiro ano

• Incluir de vida as e gestantes orientação e dos pais pais adolescentes adolescentes no programa neste período; do adolescente;

• As mães/pais adolescentes devem ser cadastrados no Programa do Adolescente;

• Desenvolver, se possível, um grupo específico para adolescentes gestantes e seus parceiros na

• O Unidade acompanhamento de Saúde ou tem inserir como na objetivo programação oferecer das apoio oficinas e suporte de gestante aos pais um adolescentes, encontro dirigido estimulando

exclusivamente suas capacidades, a esta auxiliando população, na construção de preferência de seu no projeto dia do de pré vida, natal, na dando prevenção ênfase das às DST/Aids questões

e próprias de outras desta gestações faixa etária; não planejadas;

• • Esclarecer Deve-se evitar a família taxar sobre os adolescentes as repercussões como psicossomáticas se fossem incapazes da gravidez para o desempenho e seus riscos das para funções que

de pai/mãe;

possam

• Encaminhar melhor compreender os adolescentes e apoiar para durante serviços este e período; atividades de outras secretarias e da comunidade

• Enfatizar voltados para cuidados a educação, com a saúde profissionalização, reprodutiva durante cultura, o esporte, pré-natal lazer prevenindo e creches uma que segunda atendam gravidez; suas

• Preparar necessidades; a adolescente para o parto, o puerpério e os cuidados com o filho. Disto depende a

• Orientar diminuição os da familiares mortalidade para uma infantil postura em filhos que de auxilie mães os adolescentes; adolescentes a desempenharem o papel de

pai/mãe, ao invés de assumirem esta função em seu lugar.

• Utilizar a cartilha “Eu, adolescente de Bem com a Vida” nos grupos ou reuniões específicas de

adolescentes gestantes, fornecendo-a posteriormente às participantes.

No mundo, um em cada 20 adolescentes contrai uma DST no período de um ano. No Brasil, as DSTs

36

estão entre as 5 mais freqüentes causas de procura dos serviços de saúde .

Fonte: adaptado do manual de controle de DST, MS, Brasil, 200037

53

Quando investigamos uma DST é importante salientar que o sexo masculino tem mais sintomatologia

clínica que o sexo feminino, por isto, no atendimento das adolescentes, mesmo na ausência de

Recomendações

sintomatologia, é fundamental explorar a probabilidade da existência de uma DST através de uma boa

• Todo adolescente com suspeita de DST deve ter um exame clínico-genital minucioso, que contemple

Na assistência ao adolescente por DST, os profissionais necessitam perceber as suas próprias atitudes

• Orientação para a realização do teste anti-HIV (vide Protocolo de Atendimento Inicial ao Portador

anamnese e exame físico.

a busca de outras DSTs;

em relação aos pacientes de DST, além de saber ouvir e aprender formas mais eficientes de interação a

do HIV em Unidades Básicas de Saúde - SMS);

fim de estabelecer uma relação de confiança; tornando este atendimento reservado e confidencial, não

• Estímulo para adesão ao tratamento e ao sexo seguro;

emitindo juízo de valor; visando proporcionar condições para que o adolescente possa falar sem

• Tratamento dos parceiros sexuais;

constrangimento e receber as orientações necessárias sobre a prevenção, transmissão e tratamento.

• Notificação dos casos através do CID 10 da DST no prontuário eletrônico.

Além da sintomatologia clínica, questões emocionais devem ser abordadas de forma cuidadosa para

não haver omissão de informações necessárias ao diagnóstico.

O Ministério da Saúde preconiza a abordagem em DST através do manejo clínico e sintomatológico

das quatro principais síndromes e da disponibilidade da pesquisa etiológica, propondo intervenção

imediata

com os recursos disponíveis já na primeira consulta.

  • 54 As DST/Aids na adolescência são consideradas doenças sentinela por alertar para:

Critérios de risco para infecção cervical:

• Exploração sexual

• Parceiro com sintomas

• Abuso sexual

• Descuido do adolescente em relação à sua saúde reprodutiva

• Paciente com múltiplos parceiros, sem proteção

• Paciente acredita ter se exposto a DST

• Paciente proveniente de áreas de alta prevalência de gonococo (>10%) e

clamídia (>20%)

55
55
  • 56 Fonte: adaptado do manual de controle de DST, MS, Brasil, 200037

Fonte: adaptado do manual de controle de DST, MS, Brasil, 200037

57

TRATAMENTO MEDICAMENTOSO DAS DST

Herpes simples

Tratamento Sistêmico:

Condiloma acuminado

• Primo-infecção: iniciar o mais precoce possível com:

Aciclovir 200 mg, VO de 4/4 h, por 7 dias ou 400 mg/dia VO 8/8 h , por 7 dias . Se menor

O que objetivo 45 kg do , 10 tratamento a 20 mg/kg/dia é a remoção máximo das 400mg/dia verrugas VO de de acordo 8/8h com 7 a 10 o tamanho, dias localização e

• morfologia: Recorrências: iniciar logo após o aparecimento de ardor, dor e prurido com:

• Ácido Tricloroacético (ATA) a 80 %, uma ou duas vezes por semana, no colo, vagina, vulva, períneo

Aciclovir 200 mg, VO por 4/4 h, por 5 dias ou 400 mg/dia VO

8/8 e área h, por perianal 5 dias - proteger a pele sã com vaselina líquida. (pode ser usado em gestantes e nutrizes,

• Herpes quando e lesões HIV: ocorre não muito formação extensas); de lesões ou extensas, sendo necessário o tratamento sistêmico

• com: Criocauterização Aciclovir 5 a 10 local mg/kg das lesões de peso se EV, não de muito 8/8 h, extensas; por 5 a 7 dias, ou até a regressão das lesões

Tratamento Lesões muito Local: grandes devem ser encaminhadas para retirada cirúrgica em local de referência

O preservativo não evita a transmissão da doença. A presença de pequenas lesões não contra-indica

• Solução fisiológica 0,9% ou Água Boricada a 3%, em compressas úmidas - 2 a 3 vezes ao dia por 20

o parto minutos; vaginal.

Uso Os pacientes tópico de antibióticos que tiveram (Neomicina) condilomas quando devem ser houver seguidos infecção pelo secundária. risco de desenvolverem alterações

Nas pré gestantes: neoplásicas tratar de pênis, somente colo, a vagina primo-infecção e vulva, principalmente em qualquer trimestre se forem da acometidos gestação. Orientar por vírus para de alto

que potencial a gestante oncogênico. não tenha atividade sexual enquanto durarem as l lesões genitais ou em seu parceiro,

principalmente no final da gestação.

• Sífilis primária:

Penicilina Benzatina 2,4 milhões UI, IM Dose única (1.200.000UI em

• Sífilis recente, secundária e latente:

Penicilina Benzatina 2,4 milhões UI, IM repetir após 1 semana (Total de 4,8 milhões de UI); ou

• Sífilis tardia (latente e terciária):

Penicilina Benzatina 2,4 milhões UI, IM semanal, por 3 semanas (Total de 7,2 milhões de UI); se

peso < de 30 kg 50.000 UI/kg IM com dose máxima de 2.400.000 UI

cada nádega); ou

Observar: reação febril de Jarisch-Herxheimer - exacerbação das lesões cutâneas, exigindo apenas

cuidados sintomáticos, com evolução espontânea em 12 a 48 horas. Não se justificando a interrupção

do esquema terapêutico.

59

Cancro mole

Controle do tratamento - Fazer seguimento sorológico com VDRL quantitativo de 3/3 meses no

• Azitromicina - 1 gr, VO, dose única;

primeiro ano e de 6/6 meses no segundo ano, não ocorrendo a redução de 2 títulos - repetir o

tratamento.

Se peso < que 45 kg Azitromicina, 20 mg/kg, VO, em dose única, máximo de 1 gr, ou

Nos pacientes que não responderem ao tratamento, administrar Ceftriaxona 250 mg IM, dose

• Estearato de Eritromicina - 500 mg, VO, 6/6 h por 10 dias em gestantes, nutrizes e HIV positivos;

Adolescentes grávidas com sífilis devem receber tratamento logo após o resultado do exame

e 7 dias nos demais pacientes; e, se peso < 45 kg usar Estearato de eritromicina 50 mg/kg/dia,

confirmatório de Sífilis (VDRL reagente e Fta-Abs positivo) e devem ser tratadas com o esquema

máximo 2 g /dia, divididas em 4 doses/dia, por 10 dias; ou

para sífilis tardia. O parceiro necessita de investigação e de orientação para usar o condom em

todas as relações sexuais até o final da gestação. Acompanhar mensalmente o VDRL até a queda dos

títulos e investigar o RN.

única; boa opção para gestantes e lactantes

• Associar medidas de higiene local e lembrar da possibilidade de associação entre o H. ducreyi e T.

Alérgicos à Penicilina :

Estearato de Eritromicina - 500mg, VO, 6/6h por 15 dias, na sífilis recente, e por 30 dias na sífilis

tardia (grávidas tratar por 30 dias, lembrando que a eritromicina não trata o recém-nascido).Esta

Parceiro : investigar e tratar.

• O preservativo é uma medida de prevenção importante para o cancro mole.

pallidum em 5% das lesões típicas do cancro mole

gestante deve ser avaliada pelo serviço de referência de alto risco, para dessensibilização à penicilina.

Se peso < 45 kg usar eritromicina 50 mg/kg/dia, divididas em 4 doses/dia, máximo 2 gr/dia, por 15

dias na sífilis recente e por 30 dias na sífilis tardia.

Parceiro : investigar e tratar.

  • 60 Linfogranuloma Venéreo

• Estearato de Eritromicina - 500 mg, VO 6/6 h, por 21 dias ou até a cura clínica, pode-se usar em

gestantes e nutrizes, ou, se peso < 45 kg, Estearato de Eritromicina 50 mg/kg/dia, máximo 2g/dia,

Donovanose

em 4 doses/dia, por 10 a 14 dias; ou

• • Sulfametoxazol/Trimetoprim Sulfametoxazol/Trimetoprim (800 – 160 e e 160 800 mg) mg, VO, VO, 12/12 12/12 horas, h, por até 21 dias, a cura ou clínica ( no mínimo por

Tricomoníase

as lesões;

• Azitromicina - 1 gr, VO, dose única; seguido por 500 mg VO/dia por 3 semanas ou até cicatrizar

• Estearato de Eritromicina - 500 mg VO; 6/6 horas, até a cura clinica (indicado para gestantes e

3 semanas); ou

nutrizes), no mínimo por 3 semanas. Se peso < 45 kg usar Estearato de Eritromicina 50 mg/kg/dia,

Se peso < que 45 kg Azitromicina, 20 mg/kg, VO, em dose única, seguido de 10 mg/kg/dia por

• Metronidazol - 250mg VO, 8/8 horas, por 7 dias e se

máximo 2g/dia, em 4 doses, por 10 a 14 dias; não havendo resposta clínica ao tratamento com a

Além do tratamento oral, os sintomas locais podem ser aliviados com tratamento tópico de

3 semanas ou até cicatrizar as lesões.

peso< 45kg - Metronidazol - 15 mg/kg /dia, em três tomadas diárias, por 7 dias. Pode-se usar em

Eritromicina, adicionar Gentamicina 1mg/kg/dia EV, 8/8 horas.

• Prevenção com condom e higiene após o coito

Metronidazol gel a 0,75%, com aplicações vaginais de 5 g duas vezes ao dia, por 5 dias (pode-se

• Metronidazol - 2g, VO, em dose única. Em gestantes usar após o 1º trimestre e nutrizes; ou

Vaginose bacteriana

gestantes após o 1º trimestre.

No tratamento da gestante a adição da Gentamicina deve ser considerada desde o início; ou

Parceiro : investigar e tratar.

usar em gestantes e nutrizes);

• Azitromicina - 1 gr, VO, dose única; seguido por 500 mg VO/dia por 3 semanas ou até cicatrizar

• Metronidazol - 2g, VO, em dose única - pode-se usar em gestantes após o 1º trimestre e nutrizes;

Observação - evitar a ingestão de álcool durante e até três dias após o tratamento com derivados

as lesões;

imidazólicos, para evitar o efeito antabuse: mal estar, náuseas, tonturas, gosto metálico na boca.

ou

Se peso < que 45 kg Azitromicina, 20 mg/kg, VO, em dose única, seguido de 10 mg/kg/dia por 3

• Metronidazol - 250 mg, VO, 8/8 horas, por 7 dias. Pode-se usar em gestantes após o 1º trimestre

Parceiro : investigar e tratar com Metronidazol - 2g, VO, em dose única.

semanas ou até cicatrizar as lesões.

e nutrizes, ou, se peso < 45 kg usar Metronidazol 15 mg/kg /dia, em três tomadas, por 7 dias.

Parceiro: investigar e tratar.

Os sintomas locais podem ser aliviados com tratamento tópico de Metronidazol gel a 0,75%, com

aplicações vaginais de 5 g, duas vezes ao dia, por 5 dias (pode-se usar em gestantes e nutrizes).

Em casos de recidiva, investigar a associação com outras DST

Observação - evitar a ingestão de álcool durante e até três dias após o tratamento com derivados

imidazólicos, para evitar o efeito antabuse: mal estar, náuseas, tonturas, gosto metálico na bôca.

Parceiro: investigar e tratar com Metronidazol - 2g, VO, em dose única, somente se apresentarem

sintomas.

• Cremes locais com Miconazol a 2% ou Miconazol /Tinidazol, em aplicações diárias de 3 a 14 dias.

• Tratamento sistêmico: deve ser feito somente nos casos recorrentes ou de difícil controle. Nestes

casos, investigar causas sistêmicas predisponentes.

Clamídia

Fluconazol - dose única de 150mg se peso > de 30 kg, VO; se peso < de 30kg, 3 a 12 mg/kg

• Azitromicina - 1 g, VO, dose única (pode-se usar em nutrizes e gestantes) ; se peso < que 45 kg

Em casos de recidiva, observar se a candidíase está se comportando como uma “infecção

usar Azitromicina, 20 mg/kg, VO, em dose única; ou

dia, VO, dose única.

Gonorréia

• Amoxacilina - 500mg, VO, de 8/8h por 7 dias (pode-se usar em nutrizes e gestantes);ou

secundária a outra infecção genital DST.

oportunista”,

• Ceftriaxona 250 mg IM dose única (Rocefin®), se peso < de 45 kg Ceftriaxona 125 mg IM, dose

• Estearato de Eritromicina - 500mg, VO, de 6/6h por 7 dias; ou 250 mg, VO, de 6/6h, por 14 dias

Em gestante, prescrever só tratamento local.

em casos de sensibilidade gástrica (pode-se usar em nutrizes e gestantes).

Parceiro : investigar e tratar os sintomáticos de forma sistêmica e local.

Parceiro : investigar e tratar da mesma forma acima citada.

única; (pode ser usado em gestantes e nutrizes).

Se peso < 45 kg - Eritromicina 50 mg/kg/dia em 4 doses, máx 2g/dia, por 10 a 14 dias;

61

Se a infecção por clamídia apresentar comprometimento do trato genital superior o tratamento

deve ser prolongado até 14 dias e em associação com outras drogas.

Parceiro : investigar e tratar com Azitromicina - 1 g, VO, dose única.

  • 62 3.4.4 AIDS

3.4.4 AIDS Aids é considerada uma pandemia porque ocorre em todos os lugares do mundo.

Aids é considerada uma pandemia porque ocorre em todos os lugares do mundo. Segundo a OMS,

metade das pessoas que contraíram o HIV no mundo se infectaram antes de completar 25 anos 38.

O relatório AIDS no Mundo II, salienta que a cada ano, mais de 150 milhões de jovens entre 13 e 24

anos tornam-se sexualmente ativos em todo o mundo. No país, estima-se que quase 4 milhões de jovens

tornam-se sexualmente ativos por ano.

No Brasil, no início da epidemia em 1984, a faixa etária mais atingida pela Aids era a de 20 a 39

anos. Ao longo destes vinte e dois anos, observou-se um progressivo aumento da incidência em pacientes

mais jovens. Atualmente, a faixa etária mais atingida é a de pessoas com 20 a 29 anos, mostrando o

elevado risco de infecção entre adolescentes e adultos jovens, levando-se em conta existir uma média de

dez anos entre a infecção e a manifestação da doença.

A epidemia de Aids, no país, tende a interiorização, a heterossexualização, através do aumento

expressivo de mulheres infectadas, a pauperização ( cresce nas pessoas com nível de escolaridade e

social mais baixo) e a um crescente aumento da sobrevida dos portadores de HIV e dos doentes.

Em Curitiba, entre os doentes de Aids, estima-se que 23% dos homens e 30% das mulheres,

adquiriram

o vírus HIV na adolescência (SMS/CE-2006). A relação entre sexo não protegido e uso/abuso de drogas é

corroborada por pesquisa realizada entre jovens conscritos do exército brasileiro, com idade entre 17 e

21 anos, em 8 Regiões Metropolitanas e o Distrito Federal. Nesta pesquisa, verificou-se que a menor taxa

de uso de preservativo ocorreu entre jovens que haviam experimentado algum tipo de droga ilícita, que

tinham menor escolaridade e entre os que já haviam experimentado algum tipo de bebida alcoólica 39.

É importante destacar também, a grande possibilidade de infecção pelo HIV através do uso de drogas

injetáveis. Com o objetivo de reduzir os prejuízos ou danos à saúde, resultantes do compartilhamento de

seringas durante o uso de drogas injetáveis, já existem novas abordagens preventivas que substituem o

categórico “não use drogas” por estratégias mais realistas e objetivas, que preconizam o “uso limpo de

drogas”. Políticas de redução de danos que distribuem seringas aos usuários, entre outras ações, têm este

sentido.

É importante lembrar aos adolescentes que qualquer pessoa, uma vez infectada, pode passar o vírus

para outra pessoa, independentemente de estar ou não desenvolvendo sintomas e de estar ou não

consciente da sua condição de portador do vírus. Por este motivo é importante orientar o uso da

camisinha

em todas as relações sexuais.

Todos os adolescentes devem ser orientados sobre as formas de transmissão e de prevenção das DST/

Aids. Deve ser enfatizando o risco aumentado da contaminação pelo HIV em qualquer relação sexual

sem o uso do preservativo, em vista deles apresentarem um aparelho sexual mais vulnerável por

questões

hormonais. O compartilhamento de seringas durante o uso de drogas injetáveis, assim como através da

transmissão vertical, a partir da gestação, do parto e do leite materno, também são formas de

transmissão

que precisam ser esclarecidas.

Os adolescentes devem ser levados a compreender que a prevenção não é um compromisso isolado

de uma pessoa, de um par, mas de toda a sociedade.

Pais e educadores devem ser informados de que a criança, o adolescente, ou jovem, portador do

vírus HIV tem garantido por lei, o direito à permanência na escola e a manutenção do sigilo acerca da sua

condição. Devem também ser discutidas e implantadas nas escolas condutas de prevenção de caráter

geral e não discriminatório.

O adolescente soropositivo deve ser informado sobre os tratamentos existentes, as medidas

preventivas

contra as infecções oportunistas e a importância do uso de preservativos.

Para o manejo clínico do adolescente portador do vírus HIV, consultar o Protocolo de Atendimento

Inicial ao Portador do HIV em Unidade Básica de Saúde, Secretaria Municipal da Saúde de Curitiba,

2002.

Testagem sorológica

63

Em Curitiba, os adolescentes podem fazer a testagem para o vírus HIV na unidade de saúde mais

próxima de sua residência. Também existe a possibilidade de testagem anônima pelo Centro de

Orientação

e Aconselhamento ( COA ). Em caso de sorologia positiva ele será acompanhado pela unidade básica de

saúde. Se o adolescente apresentar sinais e sintomas da doença ele será encaminhado, pela Central de

Marcação de Consultas, para uma das Unidades de Saúde de Referência para Aids : Centro de Orientação

e Aconselhamento ( COA ), Unidade de Saúde Vila Hauer, Centro de Especialidades Santa Felicidade e

Centro de Especialidades do Bairro Novo.

Segundo orientação do Ministério da Saúde, o adolescente a partir dos 12 anos pode decidir sozinho

pela realização do exame, desde que o profissional de saúde avalie que ele é capaz de entender o seu ato

e conduzir-se por seus próprios meios ( art. 103 do Código de Ética Médica ). Ainda assim, nesse caso, o

adolescente deverá ser estimulado a compartilhar o que lhe acontece com os seus responsáveis ou com

adulto(s) em quem confie e que possa(m) servir-lhe de suporte.

Na prática diária dos serviços ambulatoriais, os profissionais de saúde costumam orientar os

adolescentes acompanhados de um adulto de sua confiança no dia do resultado do exame. Caso ele

deseje, após receber o seu resultado, o profissional de saúde também poderá conversar com este adulto.

Contudo, em face das diversidades de condições de vida às quais estão submetidos muitos jovens,

importa

destacar que nem sempre os apoios partem de seus responsáveis legais.

  • 64 3.5.1 OBESIDADE40,41

3.5 SAÚDE NUTRICIONAL

A obesidade é um distúrbio do estado nutricional traduzido por aumento de tecido adiposo. O início

da adolescência é um dos períodos críticos para o desenvolvimento deste agravo. É considerada uma

Características da obesidade:

doença crônica multifatorial, de difícil tratamento, disseminando-se em todas as camadas sociais e, mais

• Origem genética ou endócrina: estatura abaixo do seu canal familiar, idade óssea atrasada, ou

Fatores desencadeantes da obesidade exógena:

freqüentemente, naquelas menos favorecidas, pelo excesso de ingestão de hidratos de carbono, gorduras

e sedentarismo.

• Fatores genéticos - a probabilidade de um indivíduo tornar-se obeso com pais normais é de 9%, se

Conseqüências da obesidade:

vezes, não há obesidade na família.

Na grande maioria dos casos, a obesidade está relacionada à alimentação excessiva e/ou inadequada.

• Hipertensão arterial, hiperlipidemia, doença cardiovascular, cálculos biliares, diabetes mellitus;

• Origem exógena (causas externas, não orgânicas): estatura acima do seu canal familiar, estágio

o profissional de saúde no sentido de desenvolver uma ação preventiva, alertando para os riscos;

um dos pais é obeso, ela aumenta para 40%; e se ambos o são, para 80%. Isto serve para alertar

• Psicossociais - isolamento social, baixa auto estima, depressão, dificuldade de aceitação pelo grupo;

puberal de Tanner avançado, idade óssea geralmente avançada; e o exame físico é normal. Na

• Fatores ambientais - os aspectos culturais, o prestígio social do alimento, a idéia de gordura

igual à cronológica. Ao exame físico podem ser detectadas mal formações; e, na maioria das

Os casos de distúrbios endócrinos, genéticos ou do sistema nervoso correspondem a apenas 5% dos

casos.

• Saúde reprodutiva - irregularidades menstruais, infertilidade, gravidez de risco, eclâmpsia e pré-

família há vários membros obesos.

associada

à saúde, permeiam a aquisição e utilização dos comportamentos inadequados. É importante

• Para o sexo masculino - diminuição dos níveis de testosterona e maior chance de aparecer

ressaltar

ginecomastia puberal.

que muitos adolescentes obesos foram crianças obesas;

eclâmpsia, maior possibilidade de infecção no puerpério;

• Fatores individuais - são de ordem física (aumento do apetite durante a fase do estirão),

relacionadas

ao sexo (maior demanda proteico-calórica no sexo masculino) e de ordem psicoemocional

(imediatismo e onipotência juvenil).

Na anamnese, é importante identificar:

• Vontade para emagrecer;

Exame físico:

• Tratamentos anteriores - dietas, medicamentos, internamentos, exercícios;

• Peso e estatura;

• Exames Problemas Laboratoriais: de saúde associados;

• Pressão arterial;

• Hemograma, Ferritina Sérica, Parcial de urina e Parasitológico de Fezes, caso não tenham sido

• Obesidade na família - pai, mãe, irmãos, avós;

Critérios de avaliação:

• Fácies do cliente;

• Hábito alimentar da família;

pedidos anteriormente.

• Presença de Acanthose nigricans - hiperqueratose e hiperpigmentação em dobras cutâneas;

• Hábito alimentar do adolescente dentro e fora de casa.- diário, semanal;

– Sobrepeso: IMC acima do percentil 85 até o percentil 95

• Distribuição de gordura corporal;

• Curva glicêmica de duas dosagens (1,75g/kg e máx. de 75g);

• Prática de atividade física.

• Colesterol total, HDL, LDL, triglicérideos;

– Obesidade: IMC maior que percentil 95

• Maturação sexual.

• TSH e T4 livre

Cabe à Unidade de Saúde diagnosticar, tratar e acompanhar os casos de sobrepeso.

Quando possível, com apoio de nutricionista.

• Para a curva do Índice de Massa Corporal (IMC) / idade do CDC 2000, deve-se considerar:

Os casos de obesidade e os de sobrepeso com agravos associados deverão ser encaminhados ao

endocrinologista/nutricionista dos Serviços de Referência.

65

TRATAMENTO – MUDANÇA DO ESTILO DE VIDA

1º. Dieta

A abordagem terapêutica inicial tem como objetivo instituir a adoção de disciplina diária quanto à

alimentação e atividade física. A mudança destes padrões de comportamento é essencial no processo do

Nas orientações higieno-dietéticas deve-se evitar:

tratamento e manutenção do peso.

2º - Atividade física

• Planejar metas inatingíveis de perda de peso;

A reeducação alimentar deve ser planejada junto com o adolescente e, se possível, com a família,

• Prescrever dieta inviável para o paciente (frutas caras, cereais desconhecidos, fibras que não

respeitando-se os hábitos, os locais da refeição, preferências raciais, regionais, religiosas e o poder

• Incentivar e orientar práticas aeróbicas - natação, caminhada, bicicleta, futebol, skate, danças,

comerá,

aquisitivo

para a compra e preparo dos alimentos.

3º - Medicamentos

vôlei, pular corda, ballet;

etc);

devem ser lembradas, como a fase de estirão (aceleração do crescimento) que requer uma maior

• Discriminar e estigmatizar o adolescente obeso entre os outros pacientes;

endocrinologista;

demanda

• O uso de medicamentos desloca a solução do problema que é interno ao adolescente, para um

• Dietas rígidas e monótonas.

• Respeitar a opção e possibilidade do adolescente, o seu momento de crescimento, desenvolvimento

As restrições alimentares devem ser feitas de modo gradativo. Características próprias do adolescente

• Evitar qualquer tipo de medicação, salvo algumas exceções devidamente avaliadas pelo

psicológico e maturação sexual.

• Esquecer de reforçar a auto-estima, geralmente comprometida;

• Deixar de valorizar pequenas perdas ponderais;

proteico-calórica, principalmente no sexo masculino, e as fases de gestação e lactação no sexo feminino.

agente externo.

O paciente deve aprender sobre os grupos de alimentos e substituições, sendo indispensável a

retaguarda da família no apoio e seguimento das recomendações dietéticas.

É definida como o estado de deficiência relativa ou absoluta de proteínas, carboidratos e gorduras.

Pode ser primária, pela ingestão insuficiente ou inadequada de nutrientes, ou secundária, devida a

Na adolescência a desnutrição é evidenciada basicamente pela baixa estatura

síndromes de má-absorção, doenças e infecções crônicas ou de repetição.

Conseqüências:

e pelo atraso da maturação sexual

adolescente

Avaliação Clínica e Laboratorial:

• Atraso na ocorrência dos eventos da puberdade;

Geralmente, resulta de uma má nutrição crônica, instalada desde a infância, que confere ao

• Diminuição da velocidade do crescimento esquelético;

uma menor estatura e uma menor capacidade para o trabalho. No sexo feminino, há um maior risco

A avaliação do estado nutricional deve ser seqüencial e a freqüencia depende da gravidade do

Para a curva do Índice de Massa Corporal(IMC)/idade do CDC 2000, deve-se considerar:

• Retardo na fusão dos ossos longos;

obstétrico, além do risco de parir um recém-nascido pequeno para idade gestacional (PIG). Esta criança,

quadro clínico.

por sua vez, poderá continuar sendo um desnutrido após o nascimento, perpetuando o ciclo da má

Exames laboratoriais:

nutrição e do retardo do crescimento.

Para o Índice altura/idade do NCHS 1977, deve-se considerar:

– Hemograma completo;

Mesmo nos níveis mais favoráveis, com farta disponibilidade, o distúrbio nutricional pode estar

– Nanismo ou baixa estatura: altura/idade menor que percentil 3

– Baixo peso: IMC igual ou menor que o percentil 5

presente, relacionado às próprias características do adolescente, questionamento dos padrões da família, 67

– Parasitológico de fezes;

• Realizar avaliação do estágio de maturação sexual associando com peso e estatura.

Tratamento:

– Parcial de urina;

influência do grupo, dietas incorretas com objetivos estéticos e a idéia de que não é necessária a boa

– Ferritina sérica - pela incidência de anemia ferropriva na adolescência.

• Orientação dietética - dentro das possibilidades e particularidades do adolescente – com o objetivo

alimentação de aumentar para a ou conservação corrigir a ingestão da saúde. calórica;

• Tratamento de doenças associadas - verminoses, anemia, entre outras;

• O tratamento da baixa estatura deve ser realizado pelo endocrinologista.

68

maior.

TRANSTORNOS ALIMENTARES

São condições psiquiátricas sérias com riscos potencialmente fatais.

41

A anorexia nervosa e a bulimia nervosa são os transtornos alimentares mais comuns entre os jovens.

Pesquisas nos EUA e Europa, indicam um crescimento importante destes agravos nas últimas quatro

décadas. Algumas profissões apresentam maior risco de desenvolver a doença, como é o caso de atletas,

bailarinas, manequins e pessoas ligadas à moda em geral, onde a preocupação com o controle do peso é

Estes transtornos alimentares podem ter causas biológicas (alterações de certos hormônios) e

psicossociais (supervalorização da magreza e pressões sociais).

3.5.3 ANOREXIA NERVOSA

Esta doença inicia-se freqüentemente entre os 13 e 17 anos, sendo 9 vezes mais freqüente no sexo

feminino do que no masculino. As estimativas de mortalidade giram em torno de 15%.

Geralmente, o quadro é desencadeado por um fator estressante como, por exemplo, comentários

sobre o peso, pressão profissional ou uma ruptura afetiva e, gradativamente, o adolescente passa a viver

só em função da dieta, de seu peso e das tabelas de calorias.

Apesar de emagrecidos, os pacientes costumam perceber-se gordos ou desproporcionais, o que se

denomina de distorção ou insatisfação da imagem corporal. A perda de peso constitui-se no grande

objetivo do paciente, que faz uso de dietas severas, períodos de jejum, pratica exercícios físicos em

exagero e usa ou abusa de medicações laxativas, diuréticas e/ou inibidores do apetite.

Conseqüências clínicas:

• Gerais: membros finos, joelhos protusos, fácies emagrecidas e desaparecimento dos caracteres

sexuais secundários (mamas);

• Cardiológicas: arritmias, bradicardias, temperatura e pressão arterial diminuídas;

• Hematológicas: anemia, leucopenia, problemas de coagulação;

• Endócrinas: amenorréia, hipotireoidismo, osteoporose;

• Odontológicas: erosões dentárias;

• Psicológicas: depressão, insônia, isolamento social, perda do interesse sexual;

• Fatais: infecções, arritmias cardíacas e suicídio.

O início dos sintomas ocorre nos últimos anos da adolescência até os 40 anos, estando a idade média

de início em torno dos 20 anos de idade. É mais frequente no sexo feminino, na mesma proporção da

Alguns comportamentos, nestes pacientes, chamam a atenção:

anorexia nervosa.

• Após as refeições ficam longos períodos no banheiro - provocação de vômitos;

Conseqüências clínicas dos transtornos alimentares

A doença caracteriza-se por repetidos ataques de grande ingestão alimentar - episódio bulímico - e

• Uso freqüente e indevido de laxantes e/ou diuréticos;

• Fraqueza, irritabilidade, cãimbras, tonturas, arritmias, irregularidade menstrual, amenorréia , dor

uma excessiva preocupação com o controle do peso, levando a paciente a adotar medidas extremas, que

• Excessos de exercícios físicos, negligenciando outras atividades sociais;

de garganta, desgaste dentário.

Tratamento da Anorexia e da Bulemia

incluem o uso de laxantes e/ou vômitos forçados.

• Comem mais que o habitual várias vezes na semana, perdendo o controle da quantidade ingerida;

• Co-morbidades: estes transtornos alimentares associam-se com freqüência com outras doenças

Os pacientes bulímicos têm uma história de insatisfação com o corpo, mesmo com peso e forma

• Cabe aos profissionais da Unidade de Saúde identificar estas pacientes e encaminha-las, junto

• Com freqüência sentem-se tristes ou irritadas sem motivo aparente.

psiquiátricas, tais como: abuso e dependência de álcool e outras drogas (12 a 40%), síndromes

• Deve ser realizado por equipe multiprofissional nos Serviços de Referência.

69

adequados. Centram seus valores quase que exclusivamente na aparência, ficando às voltas com as mais

Nestes pacientes, a desnutrição não costuma ser tão marcante quanto na anorexia nervosa. Porém, o

depressivas (50 a 75%), transtornos ansiosos e obsessivos-compulsivos (15 a 35%), e transtornos

com seus familiares, para estes serviços.

variadas e extravagantes dietas.

impacto na vida social e familiar causado por ambas as doenças são semelhantes.

de personalidade (40 a 75%).

Em geral, têm sentimentos de baixa auto-estima, com tendência ao isolamento social, evitando

reuniões

sociais ou viagens. Convivem anos com o problema antes de buscarem ajuda, com intervalo em torno de

5 anos entre o início dos sintomas e a busca de tratamento.

Durante um episódio bulímico, a maior parte dos alimentos consumidos são doces e carboidratos,

podendo ingerir cerca de 6 mil a 15 mil calorias. Há, na maioria dos pacientes, uma sensação de vergonha

e de culpa pelo descontrole alimentar.

3.6 SAÚDE BUCAL

A política de saúde bucal da SMS, ao longo dos anos, e o esforço das equipes odontológicas das

Unidades básicas de Saúde, contribuíram para a tendência de queda na incidência de lesões de cárie,

A saúde bucal dos adolescentes tem grande importância pois é neste período que:

refletindo no atual índice CPO-D de Curitiba: de 1,81, aos 12 anos de idade.

Trata-se de uma doença crônica inflamatória, onde ocorre grande destruição óssea, afetando os

A rede de clínicas odontológicas da SMS oferece pronto-atendimento para todos os curitibanos e

• Cresce o risco às doenças periodontais, apesar da redução gradual do risco biológico à cárie,

atendimento programado para grupos priorizados segundo critérios social e/ou biológico, na busca de

observada com a aproximação da vida adulta;

A Clínica Odontológica pode funcionar como um meio de captação de adolescentes

primeiros

• Ocorre a erupção da maioria dos elementos dentais permanentes, de maior risco à cárie;

molares, incisivos permanentes e na manifestação generalizada, todos os dentes podem ser afetados. A

impacto nos indicadores de saúde.

melhor prevenção é a visita periódica à Clínica Odontológica.

• Os bons hábitos de higiene são colocados de lado, trazendo ou acentuando a halitose. Os pais já

A equipe odontológica tem grande importância nas atividades preventivas

para o Programa de Atenção à Saúde do Adolescente na Unidade de Saúde.

Esta forma de organização, a descrição dos grupos priorizados, os critérios de priorização e os fluxos

delegaram a higiene bucal para os filhos;

realizadas com os adolescentes dentro e fora da Unidade.

de atendimento estão estabelecidos no Manual de Práticas da Odontologia. O grupo dos adolescentes

• O adolescente consolidará, se bem orientado, uma mentalidade de auto-cuidado que irá lhe

não aparece especificado no manual, apesar de estar contemplado no grupo de 0 a 14 anos e Alta

garantir uma saúde bucal duradoura;

Atividade da Doença.

• Surge uma oportunidade para as equipes de saúde, que tanto investiram na saúde bucal das

crianças, de eliminar a solução de continuidade, existente entre a infância e a vida adulta;

• Pode ocorrer gengivite gravídica nas adolescentes gestantes;

• Pode-se suspeitar ou diagnosticar as DST, pelas lesões orais, haja vista a prática do sexo oral sem

proteção, nesta e em outras faixas etárias;

• Pode-se suspeitar de anorexia/bulimia nervosa pelas erosões dentárias decorrentes de vômitos

repetidos;

• As más-oclusões são acentuadas pelo crescimento sagital do crânio, que ocorre na puberdade.

O Ministério da Saúde aponta o serviço de saúde bucal como a grande porta de entrada dos

adolescentes nos serviços de saúde49.

O risco aumentado à doença periodontal fica evidente quando observamos a alta incidência de

gengivites e o surgimento de uma patologia, não exclusiva , mas própria desta faixa etária, a Periodontite

Juvenil Localizada ou Generalizada, que aparece no início da puberdade e caracteriza-se pela destruição

do periodonto de sustentação.

3.7.1 DEPRESSÃO

Durante muitos anos acreditou-se que os adolescentes, assim como as crianças, não eram afetados

pela depressão, já que, supostamente, este grupo não tinha problemas vivenciais. Atualmente, sabemos

Etiologia:

que os adolescentes são suscetíveis à depressão e é um distúrbio que deve ser encarado seriamente.

A depressão resulta de múltiplos fatores:

Fatores de risco:

Mas é preciso saber diferenciar as intensas reações emocionais que experimentam os adolescentes

• Gerais: tensões da vida cotidiana, panorama existencial próprio da adolescência, amadurecimento

• Familiares/genéticos:

normais, quando estão sob estresse, de quando sofrem um transtorno depressivo.

sexual, transição da vida familiar para a independência negociada, transição da escola para o

Crises de tristeza são características normais do desenvolvimento psicológico do adolescente, que

trabalho, o medo do fracasso e pressão para realizar inúmeras tarefas;

com ambos os pais depressivos - 30 a 60% das crianças podem desenvolver depressão;

com um dos pais depressivo - três vezes mais risco;

geralmente não progridem para a depressão se não houver outros requisitos emocionais propícios ao

• Genéticos e bioquímicos: predisposição genética - a ocorrência de depressão é muito mais

• Educacionais: transtornos de aprendizagem e fobia escolar;

desenvolvimento do transtorno de humor.

freqüente

A depressão apresenta sintomas que persistem por um tempo maior do que os episódios de tristeza

em quem tem familiares com depressão;

• Psicodinâmicos: julgamento interno severo, frustrações ambientais, desapontamentos, abuso

• Sociais: falta de habilidade social, rejeição dos pares e isolamento social;

71

(no mínimo 2 semanas), interferindo de maneira significativa na vida diária, nas tarefas comuns do dia-a-

dia, nas relações sociais e no bem estar geral do adolescente, podendo até levar ao suicídio.

importante no estado depressivo.

violência doméstica e social;

Pesquisas recentes indicam que os neurotransmissores e os neuroreceptores desempenham papel

sexual,

Estudos epidemiológicos mostram que mais de 3% dos adolescentes sofrem condições depressivas

graves, ocasionando disfunções sociais. A probabilidade de transtorno depressivo na adolescência tardia

• Relacionados a eventos negativos e experiências precoces adversas: morte ou separação dos pais;

é de 10 a 20%. A depressão comumente aparece, pela primeira vez, entre 15 e 19 anos.

• Familiares: conflitos freqüentes, maus tratos, rejeição, problemas de comunicação, pouca expressão

de afeto e apoio.

Observa-se, nas duas últimas décadas, o aumento significativo de casos de depressão com início na

infância e adolescência. Este aumento talvez esteja associado à complexidade do mundo moderno, cada

vez mais competitivo e exigente, trazendo para muitos adolescentes dificuldades de adaptações à vida

cotidiana.

  • Quadro Clínico:
    72 O Protocolo de Saúde Mental da SMS de Curitiba descreve os quadros depressivos leves, moderados

Na adolescência chamam a atenção, com mais freqüência, os seguintes sinais, sintomas e

e graves, tanto no capítulo da depressão como no das patologias da infância e adolescência.

consequências:

As intervenções psicossociais visam:

• Problemas de sono ou apetite;

• Aumentar a auto-estima;

Tratamento:

• Delírios;

• Desenvolver habilidades adaptativas do adolescente;

• Nos casos de depressão leve, a única terapia necessária pode ser o acompanhamento, pela família

• Idéias ou tentativas de suicídio;

• Melhorar as relações familiares e sociais.

3.7.2 SUICÍDIO

• Mais prejuízos psicossociais do que as crianças;

e pela equipe da Unidade de Saúde, com a supervisão do psicólogo do Distrito Sanitário;

O suicídio é uma importante causa de morte na adolescência, não só pelo aspecto numérico, mas

• Nos casos moderados e graves, o tratamento medicamentoso é indispensável e, portanto, deve-se

• Mais problemas de comportamento e mais sintomas neurovegetativos do que os adultos;

também pelo impacto e significado social. Na maioria dos países, está entre as três principais causas de

Ideação Suicida

• Encontram-se co-morbidades em 40 a 90% dos casos, entre as quais destacam-se: transtornos de

encaminhar o adolescente e a família para psicoterapia realizada nos ambulatórios de Saúde

mortalidade de jovens e, a cada cinco minutos, um adolescente acaba com a própria vida. Por ano, pelo

ansiedade e de conduta em até 80% dos casos e abuso de substâncias químicas em 20% a 30%

A ideação suicida geralmente aparece quando a confusão e a depressão são muito intensas para o

Mental .

menos 100 mil adolescentes cometem suicídio. Para cada morte efetiva, há pelo menos 40 tentativas

• As medicações utilizadas estão descritas no Protocolo de Saúde Mental/SMS, devendo-se seguir

dos casos.

adolescente. O objetivo do ato suicida não é necessariamente morrer, mas sim a fuga de um sofrimento

mal-sucedidas. Os rapazes são mais propensos a completar o suicídio e as moças, a fazerem tentativas.36

também as outras orientações nele contidas para estes tipos de depressão.

sentido como insuportável.

Em outras ocasiões, esta ação auto-destrutiva pode ser uma forma de vingança ou ataque a quem o

adolescente atribui o seu sofrimento, como os pais, namorados, a sociedade, etc.

O suicídio representa uma saída impulsiva de um longo período de tensão para um adolescente

tomado de sentimentos de desesperança, solidão e raiva, pois reflete, de alguma maneira, o estresse

Vale salientar que, embora possa ser um ato impulsivo em indivíduos aparentemente estáveis, a

psicossocial, fracasso escolar, sérios conflitos familiares, alcoolismo, dependência de drogas, depressão e

maioria dos adolescentes que se suicida, mostra sinais de depressão ou estresse psicossocial e de

As taxas de suicídio são subestimadas tendo em vista as dificuldades para a notificação. Os principais

desespero.

indicadores de suicídio estão associados a fatores de risco, história familiar e fatores precipitantes

apresentados no Protocolo de Saúde Mental/SMS.

Conduta:

Lembrar que adolescentes, principalmente aqueles com transtornos de conduta,

pensam em suicídio e, portanto, este é um ponto que deve ser analisado

no atendimento pela equipe de saúde.

alguma maneira, pede ajuda.

• Compete aos profissionais da Unidade de Saúde desenvolver uma postura mais sensível e vigilante

Prevenção:

no atendimento, visando ao diagnóstico precoce e encaminhamento especializado, de acordo

• A prevenção do suicídio passa necessariamente pela melhoria das condições psicossociais da

com a gravidade do caso (ideação, risco, tentativa);

população de adolescentes e pela criação de espaços protetores interligados, dentro das diversas

• Via de regra, os adolescentes que pensam em suicídio, vão ou são levados aos profissionais com

instituições governamentais e não governamentais.

queixas vagas, somatizações ou distúrbios de conduta e se sentirão aliviados em poder

73

compartilhar

seus sentimentos.

3.7.3 USO E /OU ABUSO DE DROGAS

No Brasil, desde a década de 80, pode ser observada uma tendência em direção ao aumento do

consumo de maconha, inalantes, cocaína e crack, especialmente entre adolescentes das grandes cidades.

Características do uso em adolescentes e sua evolução 43:

O uso de álcool e outras drogas psicoativas está fortemente ligado à adolescência. Os estudos

• Freqüentemente iniciam por bebidas como a cerveja e o vinho, ou batidas adocicadas com a