Revista CADERNOS DE ADMINISTRAÇÃO

ANO 1, VOL. 1, Nº 02 JUL – DEZ/2008

CARACTERÍSTICAS COMPORTAMENTAIS EMPREENDEDORAS: UM ESTUDO COMPARATIVO ENTRE EMPREENDEDORES E INTRA-EMPREENDEDORES
Sandra Souto da Silva Angela Maria Monteiro da Silva Ana Alice Vilas Boas Edival Dan
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Resumo:
O presente artigo teve como objetivo principal investigar as possíveis diferenças de perfil entre empreendedores (proprietários de franquias) e intra-empreendedores (gestores corporativos), de uma empresa distribuidora de produtos para saúde. Os dois grupos foram comparados quanto às dez Características Comportamentais Empreendedoras, as CCEs de McClelland: busca de oportunidades e iniciativa; persistência; comprometimento; exigência de qualidade e eficiência; correr riscos calculados; estabelecimento de metas; busca de informação; planejamento e monitoramento sistemáticos; persuasão e rede de contatos; independência e autoconfiança. Foram também examinadas as diferenças entre os grupos quanto à percepção de seus níveis de empreendedorismo e os significados de empreendedorismo e intraempreendedorismo, e ainda foram apresentados conceitos da literatura em relação aos termos empreendedorismo e intra-empreendedorismo. A metodologia utilizada foi um estudo de caso descritivo, que utilizou técnicas de análises quantitativa e qualitativa. Conclui-se que os grupos não diferem significativamente em relação às CCE´s. Entretanto, há uma tendência dos intra-empreendedores para apresentar maior nível de ‘exigência de qualidade e eficiência’ e ‘planejamento e monitoramento sistemáticos’, em comparação aos empreendedores. Os achados deste estudo sugerem que o conceito de empreendedorismo pode apresentar dimensões ou facetas, que podem variar em diferentes grupos de empreendedores.

Palavras-chave: Empreendedorismo; Perfil empreendedor; Perfil intra-empreendedor.

1Msc (UFRRJ), e-amil: soutoss@hotmail.com 2 PhD (CEP - EB), e-amil: angelamonteiro@gmail.com 3 PhD (UFLA), e-mail: analice@ufla.br 4 Msc (UFRRJ), e-mail: edivaldan@ig.com.br
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1. The two groups were compared with ten Behavioral Characteristics Entrepreneurs. persuasion and network of contacts. search for information. commitment. de forma a avaliar suas possíveis semelhanças e diferenças quanto às suas características comportamentais empreendedoras. which used techniques of quantitative and qualitative analysis. Nesse contexto. the CCEs of McClelland: search of opportunity and initiative. there is a tendency of intra-entrepreneurs to make greater level of 'demand for quality and efficiency' and 'systematic planning and monitoring'. compared to entrepreneurs. The methodology was a descriptive case study. nos contextos de negócios cada vez mais exigentes e de padrões globalizados. OBJETIVOS Investigar as possíveis diferenças de perfil entre empresários (empreendedores) e gestores de 2 . calculated risks. The findings of this study suggest that the concept of entrepreneurship can present dimensions or facets. este estudo pretendeu examinar as características dos perfis de empresários e gestores de negócios. profile entrepreneur. and even concepts were presented in the literature regarding the terms entrepreneurship and intra-entrepreneurship. It follows that the groups did not differ significantly with respect to CCE's. novos empregos e como um caminho para o desenvolvimento. setting goals. 2. bem como levantar conceituações e comparações entre empreendedores e intra-empreendedores. Nº 02 JUL – DEZ/2008 Abstract: This paper aimed to investigate the possible main differences between profile of entrepreneurs (owners of franchises) and intra-business (corporate managers). O perfil empreendedor vem ganhando espaço nesses ambientes. a distribution company of products for health. which may to get in different groups of entrepreneurs. planning and monitoring system. funcionando como fonte para o sucesso empresarial. Keywords: Entrepreneurship.Revista CADERNOS DE ADMINISTRAÇÃO ANO 1. INTRODUÇÃO Idéias empreendedoras podem ser consideradas uma das bases de competitividade na revitalização de redes produtivas e sociais. intra-profile entreprenur. However. como diferencial de conquista profissional e de resultados empresariais. VOL. demand for quality and efficiency. independence and self-confidence. 1. Then are to examined the differences between the groups in the perception of their levels of entrepreneurship and the meanings of entrepreneurship and intra-entrepreneurship. O termo empreendedorismo aponta para a execução de planos ou impulsos para a realização de um novo negócio ou para a introdução de uma inovação de gestão numa organização já estruturada. persistence. conforme segue abaixo.

O Grupo 1. METODOLOGIA Quanto aos fins. de acordo com Vergara (1998. Por ser tradicional e pioneiro na identificação de características empreendedoras. e por ser reconhecido como adequado por entidades como o SEBRAE (Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas) e IBQP (Instituto Brasileiro de Qualidade e Produtividade no Paraná). a pesquisa foi descritiva. 2001). cujas metas de vendas eram muito parecidas com os ganhos esperados pelos donos de negócios (ditos empreendedores). o instrumento das CCEs de McClelland foi adotado no presente estudo. Para tanto. bibliográfica e de campo. Como a população do presente estudo era pequena. 47).Revista CADERNOS DE ADMINISTRAÇÃO ANO 1. portanto. houve uma perda de cinco participantes. Quanto aos meios. p. ao mesmo tempo. portanto. através de um estudo de caso em uma empresa distribuidora de produtos para saúde.1 População e Amostra Foi escolhida para objeto da pesquisa de campo uma organização que possuísse dois grupos trabalhando no mesmo tipo de negócio. que 3 . gestores de negócios (aqui considerados intraempreendedores). para o tratamento das respostas a duas questões abertas do instrumento de pesquisa. e. Trata-se. 1. 3. Ela pode também estabelecer correlações entre variáveis e definir sua natureza. buscou-se aplicar os instrumentos em todos os seus membros. os objetivos específicos do estudo foram: levantar e analisar conceitos na literatura em relação aos termos empreendedorismo e intra-empreendedorismo. O presente trabalho é. 53 indivíduos. “este tipo de pesquisa expõe características de determinada população ou de determinado fenômeno”. Entretanto. envolvendo um estudo de caso comparativo das CCEs em dois grupos de uma mesma organização: empresários ou empreendedores (donos de franquias) e gestores de filiais (intra-empreendedores). que formaram o Grupo 2. as CCEs de McClelland (1972). Esta organização tem como atividades principais a distribuição. cujos dados e resultados são apresentados na forma de um estudo de caso. comparando-os quanto às dez Características Comportamentais Empreendedoras. Também foi utilizada a técnica qualitativa de análise de conteúdo. de uma investigação sobre fenômenos ocorridos dentro do contexto da vida real (YIN. comercialização e assistência técnica de produtos para a saúde e tem sua sede situada no Estado do Rio de Janeiro. Nº 02 JUL – DEZ/2008 negócios (intra-empreendedores). a pesquisa foi. 3. VOL. uma pesquisa de campo de natureza descritiva. examinar as diferenças entre os grupos estudados quanto à percepção de seus níveis de empreendedorismo e verificar como se apresentam os significados de empreendedorismo e intra-empreendedorismo para os dois grupos.

em fevereiro de 2006. número de filhos.2 Coleta de Dados A coleta de dados foi realizada através de três questionários com itens fechados e abertos: . Alguns questionários foram enviados por e-mail. e retornaram no mesmo mês aos pesquisadores.87. por último. exigência de qualidade e eficiência. mas atende ao que é socialmente desejado. O item fechado avaliou. que utilizou a metodologia de análise de conteúdo. uma vez que os itens medem possivelmente um só conceito: empreendedorismo. Em um terceiro e 4 . Cada um deles seguido de uma escala de 5 pontos: 1 = nunca. 4 = freqüentemente e 5 = sempre. vinculação com a organização. .Questionário das CCEs de McClelland: o instrumento contém 55 itens. A função desse último fator é corrigir uma eventual tendência do respondente de apresentar uma visão de si que não corresponde à realidade. numa escala de 1 a 10. . A amostra final do presente estudo. parentesco com proprietário de negócio e tempo médio de trabalho por dia.Revista CADERNOS DE ADMINISTRAÇÃO ANO 1. No segundo momento. consistiu de 48 participantes: 29 do grupo 1 e 24 do grupo 2. Os empreendedores foram abordados na ocasião da Convenção Anual de Gestores. estado civil. Há ainda um fator de desejabilidade social ou de correção. tendo sido utilizado um recurso tecnológico para tanto. o que indica boa precisão. Tal resultado era esperado. correr riscos calculados. 90. busca de informações. que foi o uso do software Statistical Package for Social Sciences (SPSS). 1. persuasão e rede de contatos e. coabitação.Questionário semi-aberto: este instrumento incluiu dois itens abertos que indagaram o significado de empreendedorismo e intra-empreendedorismo para o respondente. portanto. identificação de negócio próprio dos gestores no presente e no passado. o quanto o respondente se percebia empreendedor. comprometimento. por razões diversas.Questionário sócio-demográfico: que registrou idade. 2 = raramente.3 Análise dos Dados A análise dos dados foi realizada em três momentos. O coeficiente de consistência interna deste instrumento. 3. gênero. dependendo da área geográfica do país onde se encontrava o respondente e/ou sua disponibilidade. nível de instrução. 3 = às vezes.57% da população total participou da pesquisa. O primeiro tratou da análise dos dados quantitativos. 3. persistência. VOL. mas sua grande maioria (81%) foi aplicada pessoalmente. planejamento e monitoramento sistemático. independência e autoconfiança. Nº 02 JUL – DEZ/2008 não completaram os questionários. Os itens são agrupados em 10 dimensões do empreendedorismo: busca de oportunidades e iniciativas. procedeu-se à análise das respostas às questões abertas. Assim. calculado com todos os participantes do presente estudo foi igual a 0. estabelecimento de metas.

que apresenta somente as médias.” (p. São elas: 1 – Visões Emergentes: reúnem idéias ou percepções do empreendedor sobre produtos ou serviços que ele possa lançar no mercado. alguém que sonha e busca transformar seu sonho em realidade” (p. alguns autores formularam modelos para a caracterização dos empreendedores. p. Geralmente o empreendedor investe muito tempo em pesquisa e reunião de percepções nessa etapa. Nº 02 JUL – DEZ/2008 último momento. de CCEs de participantes do EMPRETEC. observando-se o que ensina Tachizawa & Mendes (2000).Revista CADERNOS DE ADMINISTRAÇÃO ANO 1. preferências e auto-estimas. esse tipo de pesquisa não foi realizado até a presente data. Exceção feita a um estudo do SEBRAE (2002). Esses sonhos. em qualquer área. valores.28) ensina que o termo empreendedor (entrepreneur) tem origem francesa e indica aquele que assume riscos e começa algo novo. energia e percepções (CARVALHO.38). baseado na seguinte definição: “É empreendedor. 1. O autor desenvolveu um modelo visionário. nem relacioná-las a um padrão nacional. Dolabela (1999) apresenta seu modelo da teoria empreendedora do sonho. 5 . não é possível comparar os resultados obtidos pela amostra do presente estudo com os de pesquisas prévias. darão lugar a projetos. 4. cujo sucesso dará subsídios para a percepção seguinte ser iniciada. apontando seus perfis. mesmo dentro de uma corporação existente. foram comparados “dados e informações descritas com o suporte teórico e conceitual da fundamentação teórica. 13). A definição do autor para o empreendedor é a de “uma pessoa que imagina. desenvolve e realiza visões”. 2004. sejam em campos pessoal ou profissional. em que ele expõe que os empreendedores de sucesso desenvolvem três categorias de visão a partir de seus sistemas de relações. COMPREENDENDO O EMPREENDEDOR Na década de 90. Dessa forma. O autor ensina que um empreendedor pode ser encontrado em qualquer área de atuação por entendê-lo como aquele que vive tecendo articulações sobre desejos. visão de mundo. 46). Segundo o SEBRAE. competências. tudo através de seus sonhos. VOL. Filion (2000. estudos com intra-empreendedores não foram encontrados. Porém.4 Limitações do Método As CCEs de empreendedores e intra-empreendedores brasileiros não têm sido sistematicamente investigadas. de forma geral e abrangente. sem respectivos desvios-padrão. aspectos de liderança. p. 3. denominados como estruturantes.

de modo a desenvolver habilidades específicas à gestão de negócios e resultados. que cria métodos inéditos para a geração de oportunidades em mercados. quer por trâmites formais.1 Considerações sobre o Perfil Empreendedor Segundo Leite (1999). Destacam-se dois focos nesse processo: o lugar que seu produto ou serviço alcançará no mercado e o tipo de empreendimento que ele precisa criar pra lançar seu produto/serviço. merece ênfase o fato de que criar empreendimentos requer medidas que ultrapassam a existência de perfil empreendedor. ou seja. autônomos e/ou proprietários de empresas. Nº 02 JUL – DEZ/2008 2 – Visão Central: resulta de uma ou mais visões emergentes.Revista CADERNOS DE ADMINISTRAÇÃO ANO 1. Véras (1999) contribui para esse entendimento. Cunha e Ferla (1997) postulam que esse profissional define suas próprias metas. a formação de um perfil profissional baseado no empreendedorismo enfatiza. chegando por vezes à obstinação em persegui-las e que essas características podem ser aprendidas ao longo das experiências. do GEM . sobretudo. 1999). transformando possibilidades em probabilidades. Empreender tem sido a melhor solução encontrada em universos de desempregos (LEITE. procurando por nichos. ao levantar que 80% de novos empreendimentos fracassam em seu primeiro ano de funcionamento. transparecem competência para trabalhar em equipe. Todavia. 1. E. envolvendo processos gerenciais que permitirão desenvolver componentes como habilidades de comunicação e redes de relacionamento.Global Entrepreneurship Monitor .programa de pesquisa voltado a medir anualmente níveis nacionais de atividade empreendedora. tendo agora o alcance de todo o mercado. A autora explica que realmente há uma dificuldade burocrática e financeira na manutenção de novos 6 . o empreendedor é formado dentro do próprio mercado de trabalho. O perfil empreendedor vem sendo cada vez mais desenvolvido por conta de uma situação de mercado. VOL. A visão do autor reflete o chamado empreendedorismo por necessidade. algumas características peculiares: são multifuncionais com domínio de informática. sua ação tem impacto decisivo em contextos organizacionais. Observa-se um mercado rico em profissionais prestadores de serviço. 3 – Visões Complementares: servem como apoio à visão central e podem também ser imprescindíveis à continuidade da mesma. em que a escassez de empregos está conduzindo as pessoas à criação de negócios próprios visando geração de renda. espaço e aberturas de mercado para atuar. Para Gerber (2004). já que seu dinamismo praticamente dita o ritmo de andamento dos processos. o empreendedor é um estrategista. fazem o que gostam. nessa linha. Essa visão pode se materializar e chagar a uma missão e objetivos. quer pelo meio informal. 4. É a estratégia surgindo. possuem amplo conhecimento das diretrizes e princípios básicos de administração.

5% 9.5% 90.1% 4.3% 13. em todos os casos. em conjunto.9% 31. Por isso.Revista CADERNOS DE ADMINISTRAÇÃO ANO 1. 5. ou o meio organizacional em que está inserido.2% 53.5% Grupo 2 Proprietários 31. poderá sim alcançar todas elas. A equipe.5% 95.8% 50% 38. a identificação do perfil de cada uma é a chave. criam novos produtos ou processos.7% 0% 0% 19. essas não possuam. RESULTADOS E DISCUSSÃO 5.5% 7.6% 9.8% 4.2% 34. Talvez. Para Miner (1996) existem quatro tipos de empreendedores que atingem o sucesso desenvolvendo atividades e seguindo rotas diferentes.6% 46.5% 0% 4.1% 40.8% 31. o perfil necessário para empreender com sucesso.8% 68. É interessante notar que. São também os que implementam. e o trabalho em equipe pode ser fundamental para o sucesso dos empreendedores dentro de uma organização. É difícil encontrar todas essas características em uma única pessoa.2% 42.7% 50% 34. VOL.2% 88. Nº 02 JUL – DEZ/2008 negócios. 1. Algo que deve ficar claro é que dificilmente os empreendedores que atingem o sucesso possuem todas as características citadas na literatura como sendo apenas suas.45 ± 10. as características das pessoas que o conduzem são essenciais ao sucesso. Porém. Tabela 1: Dados sócio-demográficos dos grupos de gestores e donos de franquias Variáveis Gênero feminino Gênero masculino Média de idade ± dp Com Filhos Casados Solteiros Pós-graduação Nível de instrução – superior completo Nível de instrução – superior incompleto Nível de instrução – médio completo Nível de instrução – médio incompleto Nível fundamental Tem fluência em 2 ou mais idiomas estrangeiros Tem fluência em 1 idioma estrangeiro Não tem fluência em nenhum idioma estrangeiro Parentes com negócio próprio Grupo 1 Gestores 46. ainda. Os empreendedores não são apenas aqueles que têm idéias. esses empreendedores possuem características condizentes com as definições de Leite (1999).1 Dados da Análise Quantitativa a) Dados sócio-demográficos: A Tabela 1 apresenta os dados sócio-demográficos dos dois grupos: gestores e proprietários.08 30.81 ± 7.6% 7.19 85% 77.9% 7 . lideram equipes e vendem suas idéias.

b) Resultados das Características Comportamentais Empreendedoras A Tabela 2 apresenta as médias e desvios-padrão da amostra total em relação às dez CCEs e o fator de correção (dejesabilidade social).856 2.08 0.261 2.110 P Busca de oportunidades.455 2. 1. iniciativa Persistência Comprometimento Exigência de qualidade e eficiência Correr riscos calculados Estabelecimento de metas Busca de informações Planejamento e monitoramento sistemáticos Persuasão e rede de contatos Independência e autoconfiança Fator de correção Valid N (listwise) N 48 48 48 48 48 48 48 48 48 48 48 48 Mínimo 12 12 14 18 9 16 11 10 10 14 3 Máximo 23 22 24 30 23 25 24 22 22 24 19 Média 18.34 0.40 15.41 20.8% 9.48 19.7% 88.032 2.322 2.389 2.12 18.501 3.037 3.46 17.049 A Tabela 3 apresenta as médias e desvios-padrão dos grupos de gestores e proprietários.15 DP 2.642 3.62 21.38 19.32 18.5% 76.593 6.50 24.11 0. Nº 02 JUL – DEZ/2008 7.442 2.44 0. estatísticas t e a probabilidade obtida. Tabela 3: Médias e desvios-padrão dos grupos de gestores e proprietários.52 20.18 23.487 3.63 0.36 17.76 1.886 2. as estatísticas t e a probabilidade obtida. Características Comportamentais Empreendedoras PósEMPRETEC SEBRAE 2002 Média 17.783 2.35 19.82 0.5% 3. iniciativa Persistência Comprometimento Exigência de qualidade e eficiência Correr riscos calculados Estabelecimento de metas Busca de informações 1.423 2.48 -0.178 2.19 0.67 17.2% 14.403 Média 18.39 19.819 3.311 2.77 0. VOL.060 2.31 17.574 1.23 0.Revista CADERNOS DE ADMINISTRAÇÃO Jornada diária de trabalho – 8 ou menos horas Jornada diária de trabalho – de 9 a 12 horas Jornada diária de trabalho – mais de 12 horas ANO 1.96 18.77 25.08 15.18 0. Características Comportamentais Empreendedoras Busca de oportunidades. Tabela 2: Médias e desvios-padrão da amostra total em relação às dez CCEs e o fator de correção (desejabilidade social).39 16.31 8 DP 2.88 17.45 DP 2.54 13.953 3.77 18.86 .44 Gestores Proprietários t Média 19.59 15.38 17.43 19.92 0.32 19.499 2.3% Fonte: do autor.86 19.

19 17.5 4.2 2.6 10.59 17.59 17.4 19.8 14. otimismo e persistência Liderança.4 2.Revista CADERNOS DE ADMINISTRAÇÃO Planejamento e monitoramento sistemáticos Persuasão e rede de contatos Independência e autoconfiança Fator de correção 18. realização e ação de negócios Risco e coragem Investir financeiramente. sistematização e administração Tomar decisão e buscar solução Busca de qualidade e eficiência Busca de informação.6 18.5 4. VOL.24 Gestores % 23. criar e fazer negócios Iniciativa e pró-atividade Criatividade e inovação Motivação. aproveitar oportunidades.8 15.580 6.1 27. 9 . organização.77 19.1 19.06 0.2 Dados da Análise Qualitativa Os resultados da análise qualitativa dos dados encontram-se estruturados na Tabela 4.020 3.92 0.5 0 13.6 0 0 0 4.34 5.759 16.191 2. Significado de Empreendedorismo Idealização. visão e sonho Estabelecimento e alcance de metas.094 1. a Tabela 5 mostra as percentagens da amostra total de gestores e proprietários que apresentaram os significados de intra-empreendedorismo.2 12.4 4.57 17.8 7.38 ANO 1.67 18. que mostra as percentagens da amostra total de gestores e proprietários que apresentaram os significados de empreendedorismo.933 2.6 14.6 14.2 11.2 4.3 6.58 12.5 42.2 3.38 Seguindo-se a análise qualitativa.668 5.7 3.3 36. Tabela 4: Percentagens da amostra total de gestores e proprietários que apresentaram os significados de empreendedorismo.6 8.8 3.97 0. persuasão Auto-estima Autodisciplina e responsabilidade Planejamento.14 19. Nº 02 JUL – DEZ/2008 3.3 4.48 0.8 39.05 2.1 14.5 4.1 11.1 4.5 4. consciência e conhecimento Repetição do conceito Percentagem Média Amostra Total % 25 14.71 0.10 -0.50 14.5 7.3 23. 1.7 3.93 0.1 23.5 9.6 Proprietários 27.684 2.3 9.

4% declarou apresentar compreensão da expressão intraempreendedorismo. Significado de Intra-empreendedorismo Idealização.5 9. Isso reflete a condição da mulher na sociedade brasileira.1 2.1 2. No grupo 2 há participantes com apenas o ensino fundamental ou médio incompleto.8 3. alcançar metas.1 4.3 4.1 2. realização e ação de negócios Risco. Além disso. Na amostra total.4 3. que é maior no grupo 2. a maioria (83. 1. os proprietários de franquia apresentam maior freqüência na categoria superior a 12 horas.5 0 0 0 0 4.1 8. A freqüência de casados e com filhos é maior no grupo de proprietários. Nº 02 JUL – DEZ/2008 Tabela 5: Percentagens da amostra total de gestores e proprietários que apresentaram os significados de intraempreendedorismo. Com relação à jornada diária de trabalho. o grupo 1 apresenta nível mais elevado. visão e sonho Estabelecer. apenas 35.1 2.1 0 3. VOL.5 0 3. coragem Liderança Inovação. o grupo de gestores apresentou maior freqüência na categoria de 9-12 horas.1 0 0 0 0 4.41 Proprietários % 9. Em contrapartida.8 15.5 2. organização e sistematização Iniciativa e pró-atividade Aproveitar oportunidades Consciência Responsabilidade Criar negócios para a empresa Gerir negócios ou administrar Eficiência e eficácia Repetição do conceito Conceito errôneo Percentagem Média Amostra Total % 12.8 7.1 12.8 3.1 8.15 Gestores % 15.1 0 0 9. a fluência em idioma estrangeiro apresenta-se superior no grupo 1 (intra-empreendedores).2 2.4 5. que ainda é minoria como proprietária de negócios ou ocupante de um cargo de destaque numa organização. pois mesmo academicamente o intra10 .1 2.3 10. Por outro lado. isso está em congruência com a média de idade.3%) relatou compreender o termo empreendedorismo.8 23.4 11.42 5. criatividade Planejamento. Tal resultado já seria antecipado.3 Discussões e Recomendações para futuras pesquisas Os resultados indicaram que nos dois grupos há o predomínio de participantes do gênero masculino.5 2.7 3.8 11. Quanto ao nível de instrução.8 3.5 7.Revista CADERNOS DE ADMINISTRAÇÃO ANO 1.2 2.

houve uma tendência do grupo de intra-empreendedores para apresentar maior nível de ‘exigência de qualidade e eficiência’ e ‘planejamento e monitoramento sistemáticos’. grupo 1 e 2 o conceito de empreendedorismo é mais rico em significados do que o de intra-empreendedorismo.41% e 2. Tal característica também foi a mais baixa. Esses resultados 11 . para 16. A média dos “empretecos” nessa característica foi um pouco maior (16. a maior média foi a de ‘exigência de qualidade e eficiência’ (24. reforçando os achados quantitativos. 2003). é possível que ela se apresente mais diminuída do que as outras CCEs na população brasileira. a CCE mais baixa foi ‘correr riscos calculados’ (15.38%. se o tamanho das amostras fosse maior. os proprietários não haviam começado a participar desse programa.04. VOL. grupo 1 e grupo 2 foi 5. 14.24%. Possivelmente haveria diferença significativa.84.Revista CADERNOS DE ADMINISTRAÇÃO ANO 1. A análise qualitativa dos dados indicou que. depois (SEBRAE. desde outubro de 2005. não havendo diferença significativa entre os empreendedores e intra-empreendedores.4). respectivamente. Os dois grupos não apresentaram diferença significativa em relação às CCEs.6% e 9. numa escala de 1 a 10. Todavia. Na amostra geral. Na amostra total. Conforme será apresentado abaixo. A percentagem média de significados de intra-empreendedorismo na amostra geral. No estudo do efeito do EMPRETEC. não houve diferença significativa entre os grupos.15%. A percentagem média de significados de empreendedorismo em 15 categorias para a amostra geral. o que indica um nível relativamente alto. 1.42%. na amostra geral. Entretanto. Esse resultado talvez possa ser explicado pelo tipo de empreendedor desta pesquisa. no estudo com universitários do curso de Administração (CARVALHO & ZUANAZZI. Quanto ao nível de empreendedorismo autopercebido. Entretanto.39. uma vez que os proprietários parecem correr menos riscos planejados do que um empreendedor que cria sozinho seu próprio negócio. Até o momento da coleta de dados deste estudo. 2002). ao nível de significância de 5%. Como essa característica também é a mais baixa no grupo do SEBRAE. grupo 1 e grupo 2 foi 12. sua média na amostra geral foi 7. O intra-empreendedor se percebe tão empreendedor quanto o proprietário de negócio.4 ± 1. antes do programa.28. e mais resistente à melhora.39). desenvolvendo um programa de liderança estratégica com os seus gestores ou intraempreendedores. 7. Nº 02 JUL – DEZ/2008 empreendedorismo é menos explorado e investigado. respectivamente. essa média mudou de 15. Esse achado talvez possa ser explicado pelo fato da empresa estudada estar. em que os participantes evidenciaram compreender melhor o empreendedorismo do que o intra-empreendedorismo. média = 16.96) e ‘independência e autoconfiança’(19.52). não foi possível fazer um teste estatístico porque o SEBRAE (2002) não apresentou os desvios-padrão e o número de participantes da amostra. seguida pela de ‘estabelecimento de metas’ (20. Tal característica também se mostrou mais baixa em ambos os grupos.54). esses resultados são congruentes com os obtidos na análise qualitativa.

a continuidade e maior aprofundamento dos temas abordados no estudo. de McClelland. por necessidade e por oportunidade). observa-se que os gestores produziram mais significados de conceitos de empreendedorismo e intra-empreendedorismo do que os proprietários. no contexto brasileiro. Cabe. os achados deste estudo indicam que o conceito de empreendedorismo apresenta muitas dimensões ou facetas. recomenda-se que estudos futuros. 12 . Nº 02 JUL – DEZ/2008 indicam que para a amostra geral o empreendedorismo é um conceito com mais dimensões e riqueza do que o intra-empreendedorismo. criadores de negócio. seria o que apresentaria níveis mais elevados nas facetas ou características do conceito de empreendedorismo. 6. CONSIDERAÇÕES FINAIS O presente estudo conclui. o que pode ser testado por novas pesquisas. VOL.Revista CADERNOS DE ADMINISTRAÇÃO ANO 1. e que há uma tendência dos intra-empreendedores para apresentar maior nível de ‘exigência de qualidade e eficiência’ e ‘planejamento e monitoramento sistemáticos’. criador do seu negócio. que houve diferenças significativas entre os resultados dos intra-empreendedores e empreendedores com relação às CCEs. visando o enriquecimento da teoria empreendedora com base em observações empíricas. Presume-se que o empreendedor por oportunidade. que se apresentam mais ou menos pronunciadas em diferentes grupos. portanto. Observa-se que a Característica Comportamental Empreendedora ‘correr riscos calculados’ apresentou o menor “score” em comparação às demais características. o que está de acordo com estudos prévios. com grupos maiores e heterogêneos. Sendo assim. Além disso. portanto. 1. Finalmente. Talvez porque de seus resultados dependem o ganho de remuneração variável e a continuidade de seus vínculos empregatícios. que pode ter sido favorecido pelo fato do nível de escolaridade dos intra-empreendedores ser mais elevado do que o do grupo de empreendedores. examinem as diferenças entre grupos de intra-empreendedores e empreendedores diversos (proprietários.

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