CANCIONEIRO POPULAR PORTUGUÊS - Coligido por J.

Leite de Vasconcellos Coordenação de Maria Arminda Zaluar Nunes Por Ordem da Universidade – I – 1975, II – 1979, III – 1984 - Ver Terras Alentejanas e nomes – I vol. 704 pp. II vol. – 536 pp. 484 pp. – 1724 pp. Com milhares de quadras por localidades e temas a investigar...

ESTRUTURA BASE - GRANDES TEMAS TRADICIONAIS
VOLUME I

I – Cantigas de Começo II – Cantigas às Cantigas III – Cantigas da Natureza IV Rimas Infantis (desde as cantigas de embalar... às Lengalengas) V – Cantigas de Roda VI MODAS (Vol I - da p. 111 à 163) VII – Divertimentos VIII – Cantigas de Trabalho (Panorâmica do Trabalho e Ofícios, Ocupações) IX – Ritmos X – Amores, Amores (com 33 alíneas)
VOLUME II

XI – Amores e Tristeza XII – Em Expectativa XIII – Família XIV – Conselhos a Namorados XV – Solteiros, Casados e Viúvos XVI – Da Vida Qauotidiana XVII – Usos e Costumes XVIII – A Rua, a Fonte, o Rio XIX – A Terra Amada XX – Cantigas Conceituosas XXI – Simbolismo de Cores e de Plantas XXII – Subtilezas

XXIII – Culto pelos Jogos Verbais XXIV – Bocas do Mundo XXV – Graças, Chalaças e “Cantigas às Avessas” XXVI – Cantigas Satíricas XXVII – Em redor de Números XXVIII – Superstições XXIX – Idades da Vida XXX – Crepúsculo e Ocaso da Vida XXXI – Vários em DÉCIMAS XXXII – Ecos da História de Portugal

VOLUME III

XXXIII – Cantigas Geográficas e Tópicas (TOPONÍMIA) p. 1 a 214 XXXIV – Cantigas Religiosas (Cantos, Cantares, Cantigas, Orações) XXXV – Calendário (Profano e Religioso-Profano... Festas... Santos...) XXXVI – Saudações XXXVII – Remates de Cantigas Cantigas de Despedida

Locais da recolha – no Alentejo: 4.2, 7, 10.2, 12, 16, 41, 45, 49, 121, 127, Alandroal:
128, 195.2, 197, 204, 240, 250, 266, 277.2, 346, 351, 352, 363, 367, 378, 402, 403, 414, 424, 427, 428, 436, 453, 454.2, 461, 470, 477, 488, 495, 498, 513, 514, 526, 545, 546, 572, 574, 581, 582, 583, 589, 596, 598, 616, 617, 626, 635, 659. 4.4, 5.3, 6, 7.2, 11, 12.2, 17, 18, 20, 23, 25, 115, 119, 128, 129, 149.3, 152, 156, 165, 182, 193, 197, 203.2, 204.2, 206.2, 210, 221, 224, 225, 230, 235, 241, 245, 251, 252, 256, 265.2, 271, 277, 301, 302.2, 304.2, 305, 306, 307, 309.3, 311.2, 312.3, 313, 319, 320, 322.2, 323, 324, 328.2, 330, 331.2, 332, 333.2, 343, 344.2, 345, 347.2, 348.3, 350.2, 352.3, 353.2, 354.2, 355.2, 356, 357, 363.4, 364, 353.2, 354.2, 355.2, 356, 357, 363.4, 364, 365.3, 366.2, 368, 370.2, 371.2, 372, 373, 375, 378.2, 387, 392, 393, 394.2, 395.3, 396.2, 397.2, 399.3, 400, 401, 402.2, 406, 408, 409, 410, 411, 412, 414, 415, 416.2, 417.3, 419.2, 420, 421.3, 422, 425.2, 426, 428.2, 429, 431, 433, 435, 437.4, 438, 442, 445.2, 450, 452, 453.2, 457, 458.5, 459, 460.2, 461, 462.2, 465, 467, 468.2, 472, 473, 475, 477.2, 478.2, 482, 485, 486, 488.2, 489.2, 491, 492, 493.2, 494, 496, 497, 498.2, 499.2, 501.2, 504, 505, 506, 510, 511, 512, 513, 514.2, 515.2, 516, 517, 518.2, 519, 521.3, 522, 526, 528, 530.3, 532.3, 533, 534, 535.2, 537, 538.3, 539, 542, 544, 545, 546, 548, 549, 550, 551, 552, 553.2, 554, 555.3, 556, 558, 560.4, 564, 565, 568.2, 572, 577, 578.2, 579, 580, 582, 583.3, 586, 590, 591, 593.3, 594.2, 595, 596.2, 597.2, 599, 600, 601.2, 602, 603, 605.2, 606, 609. 610, 611, 619, 624, 625.2, 627.2, 628.2, 629.2, 631.2, 632, 636, 638.2, 639.2, 643, 644, 645, 646, 647, 648.2, 650, 651, 654, 656.3, 657.4, 658, 659.3, 662, 666.2, 667, 668, 669.2, 672.2, 674, 675.2. 386

57

Alcáçovas, c. de Viana do Alentejo:

Aldeia do Mato, c. De Reguengos de Monsaraz Aldeia de Pomares da Serra da Ossa: Alegrete, c. de Portalegre: ALENTEJO:

256 1

174. 233.2 18, 39, 40, 41, 42.2, 43, 44.2, 45, 47, 49, 87.2, 93, 102, 122, 143, 173, 180, 201, 202.2, 233, 240, 276, 277, 311, 316, 330, 367, 380.4, 381, 382.3, 384.2, 387, 432, 492, 517, 588, 591, 609, 614, 626, 633, 650, 664, 667, 609 654 401 359, 473, 533, 608, 610, 612, 616. 236, 243, 316, 496, 523, 549, 585.2, 597, 623, 655 26 403 17, 278, 279, 433, 444, 497, 550, 554

1 1

Baixo Alentejo: Aljustrel: Ameixial, c. de Estremoz: Amieira, c. de Nisa: Amieira, c. de Portel: Arês, c. de Nisa: Arronches:

45 1 1 7 10 1 1 8

Avis:

Azaruja, c. de Évora: Beja: Cabeção, c. de Mora: Campo Maior: Castro Verde:

Cuba: Elvas: Ervedal, c. de Avis Flor da Rosa, c. do Crato: Fronteira, c. de Portalegre: Gáfete, c. do Crato: Gafete, c. de Marvão: Galveias, c. de Ponte de Sor: Marvão: Mértola: Montargil, c. de Ponte de Sor: Montemor-o-Novo: Moura:

18, 57, 138, 199, 238, 316, 321, 322, 324, 325, 332, 333, 349, 355, 358, 359, 363, 364, 365, 374, 377.3, 387, 394, 411, 412, 418, 424, 431, 437.2, 448, 453, 455, 459, 461, 464, 468, 470, 471, 476, 478, 497, 498, 499.2, 500, 503, 509.2, 514, 550, 552, 571, 577, 594, 601, 602, 619, 621, 627, 633, 642, 647, 649, 653, 655, 657, 661. 134, 530, 571. 27, 79, 191, 206, 248, 308, 423,602. 567. 192, 332, 353, 357.2, 401, 408.2, 466, 500, 504, 519, 600.2. 11.3, 21, 23, 32, 112, 121, 123, 127, 135, 150, 153, 155, 160, 162, 176, 181, 191, 194, 196, 198, 200, 201, 202, 203, 222, 238, 256, 305.2, 307, 309, 314, 315, 317.2, 321.2, 326.2, 329, 340, 342, 344, 347, 354, 355, 356, 365, 372, 375, 376, 383, 385, 390, 392, 403, 406.3, 407, 415.2, 416, 418, 423, 428.2, 436, 443, 444, 452, 453.2, 455, 457.2, 459, 461, 462, 466, 467, 471.2, 473, 474, 478.2, 480, 481, 482, 485, 486.7, 487, 488.2, 489, 496.2, 497, 498, 500, 502, 508, 519, 551, 555, 558.2, 559, 560, 561, 572, 576, 579, 580, 595, 602, 605, 608, 620, 633, 637, 638.2, 640.3, 644, 645, 651, 653, 654, 655, 656, 663, 673, 674, 675. 79, 236, 303, 352. 30, 34, 50.2, 51.3, 52, 96, 165, 270, 399, 434, 449, 474· 517. 257, 258 573, 656. 400.2, 417, 472, 583, 602, 649, 650, 654. 35. 621. 200, 210. 91, 241, 375, 405, 420, 539, 556, 622, 660 5, 15, 23, 184, 219, 312, 317, 331, 360, 372, 425, 456, 483, 523, 540, 548, 557, 564, 629.2, 653, 662. 17, 206, 468, 479, 610, 623. 5.2, 49, 92, 146, 195.2, 198, 216, 572.2, 279, 306, 309, 317, 327, 331, 346, 384.2, 352, 370.2, 375, 377, 379, 381, 382, 383, 390, 392, 397, 398, 403, 404, 406, 409, 413, 414, 416, 418, 422, 431, 436, 439, 454.2, 455, 460, 462, 463.2, 468, 470, 475, 481, 482, 483, 485.2, 487, 492, 493, 495, 504, 506, 515, 519, 526.2, 528, 530, 532.2, 536, 538, 541, 542, 544, 545, 580, 581, 584, 589, 594, 595, 600, 603, 611, 619, 621, 622.2, 627, 628, 632, 634, 638, 641.3, 644, 647, 648.2, 650, 655, 656, 661, 664. 562. 246, 353, 583.

66 3 8 1 11

120 4 12 1 2 2 8 1 1 2 9

21 6

Odemira: Ourique:

96 1 3

Redondo: Reguengos de Monsaraz: São Matias, c. de Beja: Serpa: Terena, c. de Alandroal: Terrugem, c. de Elvas: Tolosa, c. de Nisa:

Veiros, c. de Estremoz: Viana do Alentejo: Vidigueira: Vila Verde de Ficalho:

Vila Viçosa: Vimieiro, c. de Arraiolos: TOTAL

182, 237, 248, 311, 345, 350, 360, 381, 406, 474, 521, 537, 539, 590, 659. 133, 134, 172, 196, 234, 251, 253, 259, 332, 350, 399, 420, 431, 450, 458, 466, 469, 480, 491, 494, 495.3, 499, 513, 524, 531, 533, 541, 578, 610, 652, 657, 662, 663, 664. 390. 204. 606. 249, 331. 3, 7, 16, 19, 26, 28, 29, 32.2, 43, 57, 133, 148, 168, 172, 194, 199, 204, 209, 216, 218, 220, 221, 222, 223.2, 226, 230, 233.2, 234.2, 237.3, 239, 243, 244, 246, 248.2, 257, 261, 262, 277, 303, 305, 306, 307, 346, 355, 359, 365, 366, 372, 381, 398, 401, 403, 404.2, 413.2, 415, 430, 433, 436, 440, 441.2, 458, 459, 460, 462.2, 479, 510.2, 511, 516, 522, 523, 524, 525, 533, 534.3, 540.2, 545.2, 546, 547, 552, 560, 564, 566, 568, 578, 582.3, 587, 593, 595, 597, 599.2, 602, 611, 615, 619, 620, 621, 623.2, 627, 628, 650. 220, 278, 405.2, 499· 261, 667.3 205, 253, 413, 428, 453, 454.2, 494, 549, 664, 670 11.2, 12, 131, 132, 194.2, 196, 197, 198.2, 200, 201.2, 203.2, 205, 206.2, 207.4, 210, 219, 221, 251, 271, 303, 304, 305, 306.2, 309, 311, 315, 328, 331, 332.2, 346, 351.3, 354, 358, 362, 367, 368, 369.2, 371, 373, 374, 379, 393.2, 397, 407, 409, 414, 417, 423, 424, 425, 429, 432, 434.2, 435.2, 436.2, 438, 439, 441.2, 451, 452, 453, 455.2, 458, 459, 460, 463.3, 464, 468.2, 472, 478, 484, 485.3, 487, 489, 491, 495, 501, 504, 510, 516, 537, 542, 544, 545, 546, 547, 554.3, 558, 561, 567, 576, 586, 592.2, 595, 597, 599, 600, 625, 628, 633, 638, 641, 642, 649, 650, 652.2, 653, 656, 659, 663, 678. 610 473.

15

34 1 1 1 2

99 4 2 10

111 1 1 1050

COLIGIDO por José LEITE DE VASCONCELOS COORDENADO E COM INTRODUÇÃO de MARIA ARMINDA ZALUAR NUNES Volume I

Dadores de CANTIGAS:
Coelho (Maria Felizarda) - Machede, c. de Évora e Tramagal. Nota 5 (Colheita de 1934) Correia (Mariana Pereira) - Alandroal. Frade (Júlia A.) - Nisa. – nota 7 Cantigas sobre o anel. Jorge (Faustino) - Moura. nota 9- Professor do Ensino Primário em 1938. Lampreia (Francisco) - Castro Verde. Nota 10 As [cantigas) de Castro Verde foram-me todas dadas nas Caldas de Monchique, em 1917, por Francisco Lampreia, mestre, rapaz de uns 20 anos, que as sabia todas de cor. Machado (Francisco Valente) – Vila Verde de Ficalho. Moniz (Manuel Carvalho) - Aldeia de Pomares da Serra de Ossa. Monteiro (L. F.) - Alcáçovas.

PUBLICAÇÕES periódicas de onde foram recolhidas CANTIGAS
ÍNDICE DE PUBLICAÇÕES PERIÓDICAS DE ONDE FORAM COLHIDAS CANTIGAS Almanaque de Cruz Coutinho (de 1881): 84, 88, 89, 96, 99. Correio Selecto (n.º 5, 1900): 148. Dão (O) (1-9-1889): 566. Diário Ilustrado (n.º 8027): 210. Diário de Noticias (1891): 200, 209.2, 425; (1881): 453. Elvense (1891): 79, 342, 570, 595· Revista Nova (n.º 3, 1894): 30, 139, 292. Terra Alentejana (192.5 e 1926): 133, 134, 189, 191, 204, 466, 571, 578. Turquel Folclórico: 218.

I Cantigas de Começo: 1. Auda-me a eu cantar, (Tolosa, c. de Minha leal companheira, Nisa) Que eu deixei o livro em casa, Debaixo da cabeceira. 2. Canta tu, cantarei eu, (Alandroal.) Faremos um cantarão; Os anjos cantam no Céu, Nós cantaremos no chão. 3. Canta tu, cantarei eu, (Alandroal.) Fatemos uma capela; Os anjos cantam no Céu, Nós cantaremos na Terra. 4. Cantigas, cantigas, (Alcáçovas, c. de Cantemos, cantemos; Viana do Lá virá o tempo Alentejo.) Em que choraremos. 5. Cantigas e mais cantigas, (Alcáçovas, c. de Cantigas hei-de cantar. Viana do Delas tenho a casa cheia Alentejo.) E um costal p'ta desatar. 6. , - Dá-me uma pinguinha d'água (Moura.) Para molhar a garganta, Quero cantar corno a rola. -- Como a rola ninguém canta. 7. Dizem que cante mais alto, (Alcáçovas, c. de lnda agora comecei: Viana do Em perdendo o acanhamento, ,_ Alentejo.) Mais a voz levantarei. 8. Em nome do Padre, do Filho ... (Alcáçovas, c. de E mais do Espirito Santo. Viana do Eis a primeira cantiga Alentejo.) Que à·tua janela canto. I 9. Eu sei fabricar cantigas (Alcáçovas, c. de Mesmo com o pó do chão: Viana do Ainda bem não digo uma, Alentejo.) Já vem outra de roldão. 10. Já vi um balho avagado, ' (Moura.) À falta de cantadores; .' Aqui vou eu p'ta cantar: . Com licença, meus senhores t I 11. Não sei o quel-de cantar, (Montargil, c. de Que me não lembram cantigas; Ponte de Sor.) Eu armá-las não nas sei E esqueceram-me as aprendidas. Nas horas de Deus começo, Agora começo eu, Começa o meu coração A dar combates ao teu.

I Vol. P. 3

I Vol. P. 4

I Vol. P. 4

I Vol. P. 4

I Vol. P. 4

I Vol. P. 4

I Vol. P. 4

I Vol. P. 4

I Vol. P. 5

I Vol. P. 5

I Vol. P. 5

12.

13.

Por bem cantar, mal não digam Dos que a voz aqui levantam; Pois uns cantam o que sabem, Outros sabem o que cantam. Por meu bem aqui não ‘sta-r, Sempre canto uma cantiga. Faço bem ou faço mal? Quem 'stá de fora que o diga. Quero agora cantar Que há muito que não cantei; Quero ver se a minha voz Está como eu a deixei. Tenho cantigas cá dentro Como as vespas num vespeiro Batalhando umas co'as outras Para ver qual sai primeiro. Tenho um saco de cantigas E uma cesta até ó arco: Pus-me a cantar as da cesta. P'ra não desatar o saco ... Vou já cantar as cantigas, Para que fui convidado. Na o que nlngtlém diga Que canto mal e rogado.

(Alcáçovas. c. de Viana do Alentejo.) (Alcáçovas, c. de Viana do A\ente\o.)

I Vol. P. 5

I Vol. P. 5

14.

(Alcáçovas, c. de Viana do Alentejo.) (Alcáçovas, c. de Viana do Alentejo; (Alcáçovas, c. de Viann do Alcnteio.)

I Vol. P. 6

15.

I Vol. P. 7

16.

I Vol. P. 7

17.

18.

19.

20.

II Cantigas às Cantigas As minhas cantigas oitavadas (Alandroal.) Vão d'reitas bem como velas; E assim, destas quadradas, Já não faço uso delas... «Cantigas são pataratas» (Vila Verde de E eu digo que as não são. Ficalho, c. de Muitas vezes em cantigas Serpa.) Desafoga o coração. Cantigas são pataratas, (Vila Verde de Pataratas são cantigas. Ficalho) c. de As vezes com pataratas Serpa.) Se enganam as raparigas. Cantigas são pataratas, (Alcáçovas, c. de Sem-razões, leva-as o vento. Viana do Quem se fia em cantigas, 2 Alentejo.) Passa debalde o seu tempo. Cantigas são pataratas, Sem-razões, leva-as o vento. uem namora por cantigas I rem falta de entendimento. Eu não sei cantigas, Nem cantigas sei: O rol das cantigas

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Trá-lo lá meu bem. Já me não lembram cantigas, Não sei o que hei-de cantar: Todas falam em amor, Em amor não quero falar. Não sei o que hei-de cantar Que me não lembram cantigas. Eu, armá-las não as sei, Esqueceram-m'as aprendidas. Ninguém repare em cantigas, Cantigas leva-as o vento; Quem em cantigas repara É vazio do pensamento. Quem diz que o cantar tem dias Fala verdade, não mente; Hoje não posso cantar, Ontem cantei lindamente. Quem quer aprende cantigas: Ponha os olhos no telhado, Que lá 'stá o livro delas, Onde eu tenho estudado.

(Castro Verde.)

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(Vila Verde de Ficalho, c. de Serpa.) (Alcáçovas, c. de Viana do Alentejo.) (Alcáçovas, c. de Viana do Alentejo.) (Alandroal. )

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III Cantigas da Natureza – 1. Os Astros e os Fenómenos Meteorológicos Já chove, já quer chover, (Tolosa, c. de Já correm os ribeirinhos, Nisa.) Já semeiam os alqueires Já cantam os passarinhos. Já lá vem no Sol nascendo (Alandroal.) Qu' é o rei das alegrias; Como pode o Sol ser velho, Nascendo todos os dias? O Sol é arco de prata, (Alcáçovas, c. de A Lua é a fechadura, Viana do As estrelas são as chaves Alenteio.) Que fecham pouca ventura. O Sol é trabalhador, (Arronches.) I Anda no campo lavrando. É abugão do Senhor, As 'strelas anda mandando. o sol-posto vai doente, (Alcáçovas, c. de A Lua o vai sang:rar, Nisa.) _As estrelas são bacias Que o sangue vão aparar. o Sol) quando nasce, é rê ' (Alentejo) E às dez hotas é c'roado, E à tardinha já não vê (2 var.) (E à tarde já vai doente) Que à noite é que é sepultado. Olha a Lua, coitadinha, (Tolosa, c. de Namora o Sol que a deixa, Nisa.)

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Anda de noite sòzinha, ' Vê lá tu se ela se queixa. Rompe o Sol, cantam as aves, Abrem as flot's no jardim. . Tudo alegre, tudo canta, S6 há tristezas em mim.

(Alcáçovas, c. de Viana do Alcntelo.)

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III Cantigas da Natureza – 2. O Mar; as Águas 35. ??? III Cantigas da Natureza – 3. A Natureza e as 'Estações Já os tristes campos choram, (Castro Verde.) Que não têm que vestir! Já 'stragaram os vestidos Que lhe deu o mês d' Abril! III Cantigas da Natureza – 4. -As Flores A tosa tem vinte folhas, (Por todo o país) o cravo têm vinte e uma. Anda a rosa em demanda Porque o cravo tem mais uma. Eu sou cravo, tu és rosa, (Por todo o país) 2 Var., Eu sou cravo da Qual de nós valerá mais? janela, I Tu és rosa dos (1 Var, Cais de nós se estima mais?) quintais. - (CASTRO VERDE). Eu, cravo, pelas janelas; Tu, rosa, pelos quintais. (2 Var., Eu sou cravo da janela, Tu és rosa dos quintais. - Manjaricão da janela, (Montargil, c. de Que tendes, que estais tão murcho? Ponte de Sor.} - Foi ano muito seco, Ficar eu verde foi muito. O alecrim desta terra Não é como o da minha. Este tem a folha larga, O meu tem-na miudinha. Ó alecrim, rei das ervas, Quem te dispôs no caminho? Quantos passam e não passam Todos tiram seu raminho. ' O cravo tem vinte folhas, A rosa tem vinte e uma: Anda o cravo à demanda I Por a rosa ter mais uma. Rosa branca, toma cor, Não sejas tão desmaiada, Que dizem as outras rosas:

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(Alcáçovas c. de Viana do Alentejo.) (Por todo o pais.)

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(Por todo o país.)

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- Rosa branca não val'nada. Vejam as flotes Todo o meu penar, Porque sei que as flores O não vão contar. Contarei às flores Todo o meu sofrer, Porque sei que as flores O não vão dizer.

(Alcáçovas) c. de Viana do Alentejo.)

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III Cantigas da Natureza – 5. Os Cereais Deitei-me à sombra do milho, (Nisa.) Que tem muita velhacaria: Bebe a água de noite, Para estar fresco de dia. III Cantigas da Natureza – 6. As Árvores, os Frutos, as Ervas Árvore cidreira (Beja.) Qu'aqui'stá no alpendre, Quanto mais se rega Mais a silva aprende. Mal o haja o eucalipto (Tolosa, c. de Que tão longe foi nascer! Nisa.) Tem um nome tão bonito, É tão triste a vida dele. Oliveirinha pequenina (Tolosa, c. de Que azeitona pode dar? Nisa.) Uma cesta até duas Já será muito carregar. III Cantigas da Natureza – 7. As Aves Bem pudera o senhor cuco (Elvas.) Casar com a cotovia, Mas nao quer o senhor cuco Mulher que tanto assobia. Ó que lindo bando (Tolosa, c. - de De pombos bravos Nisa.) Comem a beleta Por esses· montados! Apanhando os tiros Dos caçadores, Comem a boleta Aos lavrado-res. O rouxinol, quando bebe, Bate as asas no corrente 4; Com o seu biquinho escreve

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(Castro Verde.)

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Cartas de um amor ausente.
4 Explicação dada na localidade: «No corrente da água».

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O rouxinol, quando canta, Canta bem pelo seguro 5 Canta três vezes no ano, Em Abril e Maio e Junho. (Informação de uma velha): 5 = pouco. I

(Tolosa, c. de Nisa.)

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III Cantigas da Natureza – 8. Animais Vários Joaninha (2), avoa, avoa (Elvas.) Que o tê pai 'stá em Lisboa. A tua mãe no pelourinho Comendo pão e toicinho. 2 Var. escaravelho. I IV Rimas Infantis – 1. Cantigas de Embalar

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Sobre a criança Aos seis meses assenta, Aos sete adenta, Ao ano andante, Aos dois falante. Se assim fizeste, Boa ama tiveste. Faz'ó-ó, ó meu menino', Que te quero ir a deitar, Numa caminha bem fofa Teu corpinho consolar. Meu menino, dorme, dorme, o sono não te quer vir: Venham os Anjos do Céu Ajudá-lo a dormir. O mê menino é d'oiro, D'oiro é o mê menino, Hê-de dá-lo aos Anlos E hê-de ficar sem menino. Ó meu filho, dotme, dorme... Olha o papão que além está... Ó papã, vai-te embora, Que o menino dorme já! o meu menino é de oiro, É de oiro mui fininho: Hei-de mandá-lo p'rà? Anjos, Enquanto for pequenino. O meu menino é d'ouro, D'ouro é o meu menino:

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Eu hei-de dá-lo à Virgem, I Enquanto for pequenino. O meu menino tem sono, Tem sono e quer dormir: Venham os Anjos do Céu Ajudá-lo a dormir. Ó papão, vai-te daí, De cima desse telhado, Deixa dormir o menino Um soninho descansado. ·á papão, vai-te embora, Dai desse cantinho, Deixa dormi! o menino Um soninho pequenino. I Ó papão, vai-te embora, 'Sconde-te para o telhado, Deixa dormir o menino Um soninho descansado. o rouxinol, c canta, Põe o pé no amieiro... Deixa dormir a menina, Que está no sono primeiro. Uma mãe que um filho embala Todo o seu fim é chorar, S6 por não saber a sorte Que Deus tem para lhe dar. Vai-te embora, passarinho, De cima desse loireiro (1), Deixa dormir o menino O seu soninho primeiro.
1 Var. Deixa a baga do loureiro

(Alentejo.}

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Vai-te embora, passarinho, De cima desse telhado, Deixa dormir o menino Nesse sono descansado. Vai-te embora, passarinho, Deixa ò loureiro a baga, Deixa dormir o menino o sono da madrugada. Vai-te embota, vai-te, ó Medo, De cima desse telhado, Deixa dormir o menino Um soninho descansado. Vai-te, vai-te, ó papão, De cima desse telhado, Deixa dormir o menino Um soninho descansado.

(Alandroal.)

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(Moura.)

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Antonho, Deus te livre do demónio, E das más tentações, E do caldo dos feijões E do rabo das colheres. ... ... ... Chico, Larico, Da perna assada, Pariu um burrico Na noite passada. Francisca, Da fralda faz a isca. Francisco, Que por ti me arrisco! Joana Badana, Essa tua cara A mim nã m'engana. João, ... ... ... Pernas de cão; Orelhas de gato, Fugiu p'rò buraco. José Carimbé, Vai fazer sapatos A porta da Sé. Mateus, Co'a pata de burro Diz adeus.

IV Rimas Infantis – 2. Rimas Onomásticas (Elvas.)

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(Elvas.)

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IV Rimas Infantis – 3. Os Cinco Dedos IV Rimas Infantis – 4. Rimas Numerativas IV Rimas Infantis – 5. Frases e Respostas Estereotipadas -E que tal? Tolosa, c. de - Entrou pela porta da rua Nisa.) E saíu pela do quitltal. Janeiro, (Avis.) Quem te deu tamanho bico? Ou de ouro, ou de prata, Mete já numa buraca.

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Moirinho, moirinho, Toma o meu dente podre, Dá-me cá o meu sãozinho. IV Rimas Infantis – 6. Travalínguas
1. Igualmente se diz; «Trabalínguas» e «Trabalenguas».

IV Rimas Infantis – 7. Lengalengas 77. ERA NÃO ERA Uma vez era um era-não-era, Andava lavrando na serra Com um boi Carrapato E outro Calhandro. Veio-lhe noticia que seu pae que era morto E a sua mãe que ia a entarrar. Prantou os bois às costas E o arado a pastar. Foi lá abaixo, Achou um ninho de cartaxo, Poi à porta dum oitêro, Logo viu um cavalhêro Carregado d'avelãs E ameixas temporãs E anozes barrigudas. Foi à vinha e encheu a barriga de uvas. Vem lá o dono dos marmelos: - Ó sê ladrão, você está-me a comer nos meus figos, Que o mê pai tem para dar òs mês amigos! Os homens entraram de rezão am rezão. Atirou-me com um pepino e acertaln-me com um melão, Mesmo perto dum artelho Que correu sangue até ao joelho. Ai minha perna, ai minha mão 1 Papa-Ratos Papa-ratos já morreu, Tem na cova por fazer, As velas por acender, Pomos o manto e vamos a ver. Ó Papão, foge do telhado, Deixa dormir o menino, Um soninho descansado. Tocando num pandêro, Encontrê uns alforgêros, Carregados de avelãs, Mêas podres, mêas sãs, (Beja; Cuba.) (Do «Elvense» nº 1033) I Vol. P. 79

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Bradê p'ròs mês amigos, Acudiram-m'os ladrões, Despiram-m'os calções, Dêtaram-me num poço, C'um chocalho ò pescoço. As velhinhas a cantarem, As meninas a chorarem. Calai-vos, minhas meninas, Que amanhã será domingo. Cantará o pintassilgo, Pintassilgo derrabado, Sem ter sela nem cavalo, Tinha só 'ma burra velha P'ra correr toda Castela, De Castela a Marçagão, A buscar pregos d'ôro, P'ra trocar por assabão. O sabão era ranhoso, Coitadinho do velho tinhoso, Fez a cama no telhado, Encontrou um gafanhoto, Mandô-o deitar ò forno, Com três postas de toucinho, Dava-lh'o vento, dava-lh'o frio Cantava como um bugio; Dava-lh'o vento, dava-lh'o sol, Cantava como um rôxinol. Rôxinol que tão bem cantas, Quem t'ensinô a cantar, Foi a rainha na varanda E o rê no laranjal, Jogando à laranjinha, O rê más a rainha. Pintassilgo Pintassilgo derrabado, . Não tem sela nem cavalo, Foi buscar um moi o de pão, P'ra ele mais p'rà seu cão, O seu cão não está em casa, Está debaixo do navio, Dá-lhe o vento, dá-lhe o frio, Faz cantá-lo como um assobio. IV Rimas Infantis – 8. Orações Parodiadas Louvado seja Nosso Senhor Jesus Cristo, Para comer é que se faz isto!
(Dizem ao começar a comer? Não pude averiguar, mas o 1º verso diz-se ao começar a comer).

(Alentejo.)

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(Mértola.)

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IV Rimas Infantis – 9. Medos e Fórmulas Execratórias Cabecinha de pau, :Moura.) Cabecinha de ferro, Quem mentir Vai para o inferno. IV Rimas Infantis – 10. As Crianças e as Histórias Conta o conto e reza a história (Alentejo.) P'ra maior certeza do mundo: Quem não sabe navegar, Bate c'os queixos no fundo. [Deus] seja louvado 'Stá meu conto acabado. IV Rimas Infantis – 11. Rimas de Jogos e Gestos IV Rimas Infantis – 12. Criança e a Natureza (Alentejo.)

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Sardão, pintão (1), Jogador da bola (2), Se quiseres pão quente, Salta cá fora...

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Sou a cabra cabriola Que corre montes e vales E come meninos aos pares. Tamém te comerei a ti, Se cá chigares. V - Cantigas de Roda ??? (Não há recolhas no Alentejo)??? VI – Modas 84. Cana Verde Eu subi à cana verde, [a no meio e partiu-s( meu amor 'stava vendo, . m vez de chorar sorriu ... s Alecrim Alecrim, Alecrim aos molhos, Por causa de ti I Choram os meus olhos. Meu amor, (Castro Verde.) I Vol. P. 112

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(Alandroal.)

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Quem te disse a ti Que a felor do monte Que é o alecrim? Alecrim, Alecrim dourado, Que nasce no monte Sem ser semeado! Cão Carocho Alegra-te, cão Carocho, Que amanhã tens barrigada: Já morreu o chibo mocho, Filho da cabra azulada. Alegra-te, cão Carocho, Que amanhã tens fartadela: Já morreu o chibo mocho, Filho da cabra amareIa. Amor... Amor, se não era Da vontade tua, Para que me davas Conversa na rua? Amor, se não era De tua vontade, Para que me davas Tanta liberdade? Ao passar o Ribeirinho Ao passar's do ribeirinho, Ao passar's o ribeirão, Meu amor, casa comigo, Dá-me a tua d'reita mão... Ao passar's do ribeirinho, Joãozinho, dá-me a mão, Qu'eu prometo de ser tua, Mas por ora ainda não... Aqui neste Baile Aqui neste baile Andam namorados: Cuidam que os mais têm Os olhos quebrados! Aqui neste baile Anda um enleio: Andam dois a uma,

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Partam-na ao meio! Aqui neste baile 'Stão pares iguais: Fechem lá a porta. Não qu'remos cá mais! Da Palmeira nasce a Palma Da palmeira nasce a palma, Da palma nasce o botão; Da mulher a formosura, Do homem a ingratidão. Da palmeira nasce a palma, Da palma nasce o palmito; Tu és amor da minh'alma: Já o disse e tenho dito. De Noite De noite tudo são sombras; Eu ando pelos caminhos, Já que eu de dia não posso Alcançar os teus carinhos. De noite tudo são sombras, Eu por elas quero andar, Já que eu de dia não posso Teus carinhos alcançar. Despedida, Despedida... Despedida, despedida, Como fez o milharoco, Que se despediu cantando, Deixou as penas no choco. Despedida, despedida, Como fez o passarinho: Bateu as asas, voou, Deixou as penas no ninho. Despedida, despedida, Como fez o pintassilgo, Que se despediu cantando, Levou as penas consigo. Despedida, despedida, Sabe Deus quem se despede: Eu, p'ra não ficar chorando, Faço a despedida alegre. Do Céu caíu um Suspiro

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(Alandroal.)

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(Castr? Verde.) I

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(Alandroal; Alcáçovas, c. de Évora.)

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(Alcáçovas) c. de Évora.)

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Do céu caiu um suspiro, Partiu o pé àçucena; Amei-te com tanto gosto, Deixei-te com tanta pena! Do céu caiu um suspiro, No ar se desfarinhou; Quem neste mundo não ama, N o outro não se salvou. Eu quero-te bem Eu queto-te bem, Estrelinha, estrelinha, Já que Deus te deu Sorte igual à minha. Eu quero-te bem, Estrelinha do norte, Já que Deus te deu Tão bonita sorte. Eu subi ao Alto Freixo - Eu subi ao alto freixo Corri-o de nó em nó; Desejava, amor, saber Se me amas a mim só. - Eu subi ao alto freixo, Corri-o de nó em nó; o agrado é para todos, o amor é p'ra ti só. Fui acima Fui acima ao marmeleiro, Fui colher uma gamboa*; S'eu deixava o meu amor, Essa sim que estava boa! 97. *(var. de marmelo) Fui ao Mar .. Fui ao mar colher conchinhas E colhi das amarelas, Estas são as palavrinhas Que se dão para as donzelas. Que se dão para as donzelas, Que se dão para as· casadas; Fui ao mar colher conchinhas E colhi das encarnadas. Já corri o Mar em Roda (Tolosa, c. de Nisa.) I Vol. P. 133

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(Vila Verde de Ficalho, c. de Serpa.)

I Vol. P. 131

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(Vila Verde de Ficalho; c. de Serpa.)

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(Reguengos de Monsaraz.)

I Vol. P. 133

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(Azaruja, c. de Évora.)

I Vol. P. 134

Já corri o mar em roda, Co'ma vela branca acesa; Em tod'ô mar achi fondura, Só em ti pouca frimeza. Já corri o mar em roda, Nas asas duma cegonha; Em tod' ô mar achi fondura, Só em ti pouca vergonha. 99. Já corri o mar em roda, Nas asas duma cegonha; Não há que fiar nos homens, Qu’eles não têm vergonha! 100. O Rico· Já um rico quis entrar Lá no Céu a um cantinho. O Senhor lhe respondeu: - Vá vender trigo a quartinho. Já um rico quis entrar Lá no Céu à valentia. O Senhor lhe respondeu: - Ganhasse-o, que bem podia! Já um rico quis entrar A mão d'reita de Deus Padre. O Senhor lhe respondeu: - No Céu não há gravidade. Se o rico fosse senhor Do Céu, como é do dinheiro, Morriam os pobres todos, Não se salvava o primeiro t 101. Manjerico Manjerico, vira a folha Sentinela, sentinela: Eu morro duma paixão, Se te não logro, donzela! Se te não logro, donzela, Se te não logro, amor! Manjerico, vira a folha, Sentinela, meu amor! 102. Muito chorei eu Muito chorei eu No domingo à tarde: Aqui 'stá meu lenço Que diga a verdade.

(Reguengos de Monsaraz.)
(Do semanário Terra Alentejana 4-XI925.)

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(Castro Verde.)

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(Avis.)

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(Nisa.)

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Tua mãe é bruxa Tenho medo dela. Tenho medo dela, Porque ela me come: Tua mãe é bruxa, Teu pai lobisome. 103. Balancé Ó balancé, balancé, Balancé da neve pura, Ó minha Salvé-Rainha, Ó minha vida doçura! Ó balaneé, balancé, Balancé da outra banda, Hei-de amar esses teus olhos, 'Inda que seja em demanda. lnda que seja em demanda lnda que em demanda seja, Hei-de amar esses teus olhos, Minha cara de cereja. Minha cara de cereja, Minha cara de limão, Hei-de amar esses teus olhos, Amor do meu coração. 104. A tua Tenção - Ó coração de veludo, Ósas da Primavera, Desejava de saber A tua tenção qual era. A tua tenção qual era, Qual era a tua tenção Fazia-t'uma escrituta E dava-t'a minha mão. 105. O Frade foi ao Moinho O frade foi ao moinho, Trouxe farinha na c'roa Para levar de presente Às meninas de Lisboa. O frade foi ao moinho Veio carregado de farinha, Para fazer um bolinho Para dar a uma menina. 106. Malhão

(Alentejo.)

I Vol. P. 143

(Nisa.)

I Vol. P. 143

(Nisa.)

I Vol. P. 143

I(Moura.)

I Vol. P. 146

Ó malhão, malhão, 6 malhão do Norte, Quando o mar 'stá bravo Faz a onda forte. 107. Sapatinho O meu amor é António, Sapatinho, António da Conceição, Minha bela solidão. Delicado sapatinho, Meia fina de algodão, Hei-de-le mudar o nome, Sapatinho, De António para João. 108. O meu Amorzinho O meu annorzinho Anda carrancudo, Porque eu não lhe falo De noite a miúdo. Se anda carrancudo, Deixá-lo andar; De noite a miúdo Não lhe hei-de eu falar. O meu amorzinho Anda mal comigo, Porque não lhe falo De noite, ao postigo. De noite, ao postigo, Não lhe hei-de falar; Se anda mal comigo, Deixá-lo andar. 109. O meu Amorzinho chora O meu amorzinho Chora que rebenta, Só em considerar Que de mim se ausenta. O meu amorzinho Chora que faz dó, Só em considerar Que eu o deixo só. O meu amorzinho I

(Tolosa, c. de Nisa.)

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(Alcáçovas, c. de Évora.)

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(Alcáçovas, c. de Évora.)

I Vol. P. 149

Chora que se mata, Só em considerar Que de mim se afasta. o meu amorzinho Chora, chora, chora, Só por considerar Que eu me vou embora. 110. O meu Bem O meu bem não era De admiração; Tem-se agora dado Mais à estimação. O meu bem não era, Tem-se agora feito; 'Stá um rapazinho De meter respeito. 111. Penas Ó penas, não venham juntas, Venham de poucas em poucas! Venham assim compassadas, Dando tempo umas às outras! Ó penas, não venham juntas, Venham assim compassadas! Que as penas em vindo juntas, Tornam-se penas dobradas! 112. Olha a Pombinha! Olha a pombinha, Caíu no mar! Leva-a para casa, Deixa-a lá ficar. Olha a pombinha, Caíu no laço! Dá-me um beijinho, Que eu dou-te um abraço. . 113. Olha a Rola, olha a Rola Olha a rola, olha a rola, Onde foi fazê'lo ninho! Por baixo da laranjeira, No nlais alto ramalhinho. Olha a rola, olha a rola, Fê'lo ninho na ramada: I Quem quiser caçá'la rola

(Alcáçovas, c. de Évora.)

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(Castro Verde.)

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(Alcáçovas, c de Évora.)

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(Castro Verde.)

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Fale co'o meu camarada. Olha a tola, olha a tola, Fê'lo ninho no alecrim; Quem quiser caçá'la rola. Fale co'o meu Joaquim. A rolinha a andar, andou, Caíu no laço, logo lá ficou. - Dá-me um abraço? - Coisa que eu não faço. - Dá-me um beijinho? Lindo amor, num dou. 114. Ont'à Noite Ont'à noite sonhei eu Que te tinha nos meus braços! Acordei, achei-me só, Fiz o lençol em pedaços. Ont'à noite sonhei eu Contigo, minha lindeza. Acordei, achei-me só, Em sonhos não há firmeza! 115. Quando me dizias Q.uando me dizias Que outro amor não tinhas, Então é que tu Enganar-me vinhas! Quando me dizias Que outra não amvas, Então é que tu, Falso, me enganavas! 116. Quem me dera... Quem me dera ver O meu bem agora, Com_uma canoa Pela barra fora. Quem·me·dera ver O meu amorzinho, Só para saber Se está melhorzinho. Quem me dera ir Onde está meu bem, Inda que eu gastasse Quanto meu pai tem. Quem me dera estar

(Castro Verde.)

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(Castro Verde.)

I Vol. P. 155

as, C?: de Viana do ?Alenteio .. ·:

I Vol. P. 156

No teu pensamento, Como está o sumo Do limão lá dentro. Quem me dera estar No teu pensamento, Como estás no meu Há já tanto tempo. 117. Ribeira vai Cheia Ribeira vai cheia E o barco não anda; Tenho o meu amor Lá da outra banda! Lá da·outra Lá do outro lado; Ribeira vai chela E o barco parado! 118. Toma lá, amor... Toma lá, amor, Que te manda a prima: Um lenço de abraços Com beijos em cima. Toma lá, amor, Uma saudade: É mais uma prova Da minha amizade. VII – Divertimentos 1 Serões 119. A nossa função 'stá linda A nossa função 'stá bela; Eu já vi ali aquele A dar beijinhos àquela. 120. Manuel, por tua vida, Leva-me à noite ao serão, Que me faço pequenina Que caiba na tua mão. Minhas andadas de noite, Minhas idas ao serão... Pensava que aproveitava (1), Foi a minha perdição.
1. Var. Têm-me dado muita pena, Causado muita paixão. (Barroso.)

(Évora.)

I Vol. P. 157

(Castro Verde.)

I Vol. P. 162

(Elvas.)

I Vol. P. 165

(Alcáçovas, c. de Viana do Alente)o.)

I Vol. P. 165

VII – Divertimentos

2. Cantigas ao Desafio 121. -- Anda cá, meu bago de oiro, (Tolosa, c. de Nisa.) I Minha renda engomada: No ventre da tua mãe Já meu. coração te amava. - Já meu coração te amava... Isso não podia ser, Que tu não adivinhavas. Que eu que havia de nascer. 122. - Cala-te aí, boca aberta, Cara de sardinha frita, Vai dizer a Santo António Que te faça mais bonita. - Cala-te lá, boca aberta, Barbas de cão perdigueiro: Já vi andar teu pai As turras com um carneiro. - Cala-te aí boca aberta, - Rodilha de chaminé, Raparigas, como tu, Trago-as eu a pontapé. - Cala-te lá, boca aberta, Boca de sapo· ranhado: Já te dei um pontapé No cimo do meu telhado. 123. - Comigo não quer's falar, Já tens outro no sentido; Mas antes de eu abalar Ainda hás-de falar comigo. - P'ra contigo ir a falar, Ir sofrer os teus enganos, Mais me valia abalar Para longe, com ciganos. 124. - Da figueira nace o figo, Do figo se faz a passa, Diga-me lá em cantigas, Ó menina, a sua graça. - Quem fala de mim, quem fala, Quem de mim anda falando, Se calhar quem assim fala Já por mim andou chorando. - Eu vou-me a fartar de rir Se me vinhas a ganhar, Como a ti podem vir

I Vol. P. 168

(Reguengos de Monsaraz.)

I Vol. P. 172

(Alentejo.)

I Vol. P. 173

(Quadras recolhidas durante um

Aldeia de Pomares da Serra de Ossa, em Setembro de 1941, por Manuel Carvalho Moniz.)
desafio na

I Vol. P. 173, 174

Até esses «se calhar». - Em vendo certos fadistas A cantar com presunção, Salta-me o sangue às faiscas De dentro do coração. - Muito gosto cu de cantar Onde os cantadores estão, Se nalgum ponto me errar Os senhores me ensinarão. - Eu me vou fartar, de rir Se chego a comprar barato, Cantadores como tu és Podem vir aos três ou quatro. - Por se errar uma cantiga Não se deixa de cantar, Também o bom caçador, Errou a peça no ar. - Eu trago a minha colher, Eu como cne desunho, Cala-te daí, gaiato, Qu'inda t'assoas ao punho. Dá gosto de ouvir cantar Aqueles que cantam bem; Aqueles que cantam mal Não dão gostos a ninguém. - Se com o canto ganhasse P'ra amparar minha velhice, Até deixava de andar Metida na pelintrice. . 125. - Duas castanhas assadas, Dois copinhos de água ardente, Dois beijinhos numa moça. Faz'andar o rapaz quente. - Duas castanhas assadas, Dois copinhos de licor, Duas 'staladas na cara Também te hão-de dar calor! 126. - Eu sou moiral das cabras, Das cabras do sôr tenente; Dou-lhes voltas de repente, Digo-te destas gracinhas... Quando te venho cá ver, Ficam as cabras sozinhas.

(Castro Verde)

I Vol. P. 176

(Alentejo.)

I Vol. P. 179 e 180

- Eu não sou flor de jardim, Nem tão pouco de Jericó, E por môr de mim não deixes Todo o teu gado só. - Eu venho-te ver é só Para matar o desejo. Eu de leite tenho muito Há-des-me fazer muito queijo. Eu em queijo inda não pegui, Uma vez é a promeira; ‘Stou em tempo de tomar 'stado Que ainda estou solteira. - Já te pedi a teu pai E a todos teus parentes, Assim que ouviram a minha voz Davam saltos de contentes. - Panelinha, que estás ao fogo, Acaba já de ferver; Quero fazer uas sopinhas Para o meu amor comer. 127. Muita chama, pouca brasa Faz a lenha de figueira; Se vens a cantar por fama, Daqui não levas bandeira! 128. - No combate dos amantes Só querias ser a rainha; Outra para o teu lugar Melhor que a ti'inda tinha. -- No combate dos amantes Só tu querias ser o rei; Outro para o teu lugar Melhor qu'a ti 'inda achei. 129. - Passei pela tua porta, Espreitei pelo ferrolho, Deu comigo a tua mãe, Meteu-me um pau por um olho. - Espreitastes à minha porta Pois tens mais esse difeite! Devia-te a minha mãe Terar-te um para azeite. * - Pergunta a quem sabe amar

(Redondo.)

I Vol. P. 182

(Montargil, c. de Ponte de Sor.)

I Vol. P. 184

(Castro Verde.)

I Vol. P. 188

Quem mais saudades tem: Se é quem 'stá para chegar Se é quem 'spera por quem vem. - Essa pergunta está boa Em qualquer sentido entra: Quem 'stá p'ra chegar tem muita, Quem 'spera tem outra tanta. 130. - Se à tua casa nan fui, Tu é que a culpa tiveste, Que me prantavas na rua Vê lá a quem no dezeste. - Essa dita criatura Que essa rezão te contou And'à busca da vergonha. Mas inda a não encontrou. Variante: - Se não vou a tua casa A culpa tu a tiveste, Que me querias pôr na rua . Vê lá a quem no dezeste. Essa dita criatura, A que a ti to contou, Da vergonha and'à procura E ainda a não encontrou. 131. Se és galo, ribana a crista. Se és frango, larga a penuge; Se vens pera cantar comigo, Ata os sapatos e fuge! 132. - Tenho um lenço verde azul, Amarelo e cor de rosa P'ra dar á minha contrária (1) Qu'ela é munto vaidosa. - Ó contrária guarda ° lenço, Que te fica munto bem; Do que se tem precisão Nan se of'rece a ninguém.
1 Rival.

[Alentejo.)

I Vol. P. 189

(Do Semanário Terra Alentejana, 2-VIIl-25

(Serta de Ossa.)

I Vol. P. 189

(Bela.) (Do semanário Terra Alentejana, 10-7-916.)

I Vol. P. 191

133. - Toda esta noite aqui canto, Ainda não tive tesposta: Que tal é a fortaleza Aonde o meu amor se encosta! - Já que ninguém te responde, Vou-te agora responder: Já que ninguém por ti morre,

(Castro Verde.)

I Vol. P. 191

Quero eu por ti morrer. 134. - Tu- te queixas, eu meu queixo, Qual dos dois tará razão? Tu te queixas dos meus erros, Eu da tua engratidão. - Tu te queixas, eu me queixo, Qual dos dois será culpado? Tu te queixas do que há-de vir, ?u me queixo do que há passado.

(c. de Campo Maior.)

I Vol. P. 192

135.

136.

137.

138.

139.

140.

VII – Divertimentos 3- Canto Algum dia, em cantando, (Vila Verde de Ficalho, c. Ria-se o céu e a terra; de Serpa.) Agora, ficam chorando... Já eu não serei quem era? Calem-se aí os meus netos, (Castro Verde.) Deixem cantar o avô, Para ver se o avô sabe Cantar como Ja cantô. Canta lá, ó prima, ó prima, (Tolosa, c. de Nisa.) Canta lá, ó prima, agora. Canta lá uma cantiga Ao rapaz que te namora. Canta lá tu, ó meu primo, (Vila Verde de Ficalho, c. Que esta gente quer-te ouvir; de Serpa.) Se não havias cantar, Quem te mandou aqui vir? Canta tu, cantarei eu (Alandroal.) Faremos um cantarão; lCanta tudo ò mesmo tempo P'ra animar esta função. Canta tu, cantarei eu, (Alandroal.) Faremos um carztarão; (1) Os anjos cantom no Céu, Nós cantaremos no chão.
1 Var. Faremos uma capela. -- (Moura.)

I Vol. P. 194

I Vol. P. 194

I Vol. P. 194

I Vol. P. 194

I Vol. P. 195

I Vol. P. 195

141. Canta tu, cantarei eu, Que o cantar é àlegria: Os anjos no Céu lá cantam Canções à Vigem Maria.· 142. Eu cantar, não sei cantar, Eu não sei como se canta, Dá-se-l'um jeitinho à boca, Revoltinhas à garganta. 143. Eu, como rapaz que sou, A esquina faço parada, Cantando uma cantiga P'ra dar gosto à minha amada.

(Moura.)

I Vol. P. 195

(Reguengos de Monsaraz.)

I Vol. P. 196

(Castro Verde.)

I Vol. P. 196

144. Eu não sei o que adivinho; Nesta hora 'star cantando; Eu 'stou-me aqui divertindo, Meu amor 'stará chorando. 145. Eu quero cantar agora Para o tempo aproveitar, Amanhã será já tarde Talvez tenha que chorar. 146. Eu vejo a roda parada À falta de cantadores; Cá 'stá uma sua criada P'ra divertir os senhores. 147. Gosto de te ouvir cantar, Com essa fala à 'spanhola; Pega nos pontos que eu deixo, Escuta as partes da viola. 148. M.uito gosto eu de ouvir Cantar a quem aprendeu: Se houvesse quem me ensinasse, Quem aprendia era eu. 149. Não canto por bem cantar, Nem por bem cantar o digo: Canto para aliviar Penas que trago comigo. 150. Não canto por bem cantar, N em por boa fala ter: É só p'ra fazer raivar Quem me a mim não pode ver. 151. Não julguem, por eu cantar Que a vida alegre me corre; Que eu sou como o passarinho: Tanto canta até que morre. . 152. Nunca tive presunção, Meu canto é sempre certo; Em qualquer ocasião Tenho sempre o livro aberto. 153. O cantar da meia-noite É um cantar incelente (1) Acorda quem está dormindo, Alegra quem está doente. 1 excelente. 154. O cantar não é p'ra mim, O cantar p'ra mim não é: O cantar é p'ra quem tem O seu lindo amor ao pé, Mas o meu, que está lá longe, Cantar-lhe escusado é. 155. Ontem, à noite, à meia noite, À meia noite seria, Ouvi cantar uma pomba

(Vila Verde de Ficalho, c. de Serpa.)

I Vol. P. 196

Alcáçovas, c. de Viana do Alentelo.)

I Vol. P. 197

(Alandroal.)

I Vol. P. 197

(Vila Verde de Ficalho, c. de Serpa.)

I Vol. P. 197

(Vila Verde Ficalho, c. de Serpa.)

I Vol. P. 198

(Castro Verde, Vila do Conde.)

I Vol. P. 198

(Moura.)

I Vol. P. 198

(Vila Verde Ficalho, c. de Serpa.)

I Vol. P. 198

(Castelo de Vide.)

I Vol. P. 199

(Tolosa, c. de Nisa.)

I Vol. P. 199

(Avis.)

I Vol. P. 199

(Vila Verde Ficalho, c. de Serpa.)

I Vol. P. 200

No coração de Maria. 156. Quem canta seu mal espanta, Quem chora, seu mal aumenta; Eu canto para espalhar Uma dor que me atormenta. 157. Quero cantar e balhar E tocar no mê manchete, Não·venho cá' p'ra te amar... Leva lá est' alembrete! 158. Raparigas, cantai todas, Qu'inda aqui não há tristeza, Qu'inda aqui não há quem tenha Sua liberdade presa. Regala-me o tê cantar, E o tê cantar me regala; Regala-me 'star ôvindo Requebros à tua fala. Se eu soubesse cantar bem Assim como sei cantigas, Fazia chorar as pedras, Quanto mais as raparigas... Se eu soubesse cantar bem, Como sabem os actores, Fazia balhar as pedras, Quanto mais os impostores. Se eu soubesse cantar bem, Como sei armar cantigas, Fazia chorar as pedras, Quanto mais as raparigas. Vou cantar·uma cantiga, Já não canto senão esta; Se me não levam ao meio, O balho p'ra mim não presta.

(Castro Verde; Ilha de S. Miguel.)

I Vol. P. 200

(Marvão.)

I Vol. P. 200

(Alentejo.)

I Vol. P. 201

159.

(Castro Verde.)

I Vol. P. 201

160.

(Vila Verde Ficalho, c. de Serpa.)

I Vol. P. 201

161.

(Vila Verde Ficalho, c. de Serpa.)

I Vol. P. 201

162.

(Alentejo.)

I Vol. P. 202

163. A dona da casa disse, (Assim eu tivera o Céu!) - Quem quiser aqui bailar, Há-de tirar o chapéu. 164. Ainda agora reparei Quem andava no terreiro: Era o cravo e mais a rosa, Era o ramalhete inteiro! 165. Aqui, neste terreirinho, Sapatos se hão-de tomper; o sapateiro é pobre, Aiudai-o a viver. 166. As mocinhas deste balho São muitas, parecem poucas;

VII – Divertimentos 4. Dança (Castro Verde.}

I Vol. P. 202

(Castro Verde; Vila Nova da Cerveira.)

I Vol. P. 203

(Alcáçovas, c. de Viana do Alentejo.)

I Vol. P. 203

(Vila Verde de Ficalho, c. de Serpa)

I Vol. P. 203

167.

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173.

São como as flores em Maio; Umas encobrem as outras. Dançai, raparigas, Rapazes pimpões, Quais mós de moinho, Quais vivos piões. Daqui, onde 'stou, bem vejo O balho pelo buraco. Onde há gente de jaqueta, Não vai gente de casaco. Esta moda bem cantada, Bailadinha como é, Faz desengonçar as velhas Do canto da chaminé. Estas é que são as saias, Estas mesmas é que são; São cantadas e balhadas Na noite de São João. Eu gosto da pera doce, Gosto dela bem madura Eu gosto de dançar saias C'um rapaz da minha altura. Eu vejo a roda patada. À. falta de cantadores. Cá 'stá' ma sua criada P'ra divertir os senhores. 1 Ind'agora tinha calma, Agora já tenho frio. Ó meninas lá do meio, Cautela c'o montepio! (2) 2. - Ind'agora tinha calma, Agora já tenho frio. Se me não levam ao meio, Vão p'tà mãe que as pariu.
(2) Montepio - Uso na loc. - «Fazer montepio» assim se diz nos balhos de roda à combinação feita entre quatro pessoas, duas de cada sexo, para se preferirem mutuamente na procura de pares.

(Alcáçovas, c. de Viana do Alentelo.

I Vol. P. 203

(Vila Verde de Ficalho, c. de Serpa.)

I Vol. P. 203

(Alcáçovas, c. de Viana do Alentelo.

I Vol. P. 204

(Alcáçovas, c. de Viana do Alentelo.

I Vol. P. 204

(Tolosa, c. de Nisa.)

I Vol. P. 204

(Alandroal.)

I Vol. P. 204

(Setpa.) (Do semanário «Terra Alentejana» de 26-71925.)

I Vol. P. 204

174. Ó moças, levai-me ao meio, Dou-l'um bolo em m'eu casando: Vou-lo sempre prometendo Se ao meio me forem levando. 175. Ó moças, levem-me no meio Que eu pago muito bem. Os mais pagam a dez réis, Eu cá pago a vintém. 176. 1. Olha aqui pata o meu par

(Vidigueira.) I

I Vol. P. 205

(Vila Verde de Ficalho, c. de Serpa)

I Vol. P. 205

(Beja.)

I Vol. P. 205, 206

Que beleza de hortaliça Se alguém mo vier roubar Eu vou falar co'a justiça. 2 Olha aqui para o meu par. Olha para esta beleza, Anda comigo a dançar Com toda a delicadeza! Olhem para este balho, Olhem para, este·asseio, Olhem para os lindos pares Que ando'balhando no meio. 177. Quando a casa faz poêra, (1) Então é que é o balhar, Lá no Céu 'stá 'ma cadêra, P'ra quem na souber ganhar.
1- A casa faz poeira, porque o chão é de tijolo.

(Montemor-o-Novo.)

I Vol. P. 206

178. Quem aqui não tem amores, Ao meio, não vai balhar. u lU.ro à fé de quem sou Que um amor hei-de arranjar. 179. Quem tem gatos,·tem gatinhos; Quem tem porcos, tem presuntos. Oh! moças, levem-me ao meio, Por alma dos seus defuntos. 180. 1 ‘Stá uma roda parada Por falta da cantadeira; Siga o balho, vá àvante Já cá está a manageira (2). 2 Já cá está a manageira, Eu sem dançar o landum; Vai enganar o gatinho, Que a mim não me enganas tu.
2 - «A que handa na roda», a que dirige a roda e começa o canto.

(Vila Verde de Ficalho, c. de Serpa)

I Vol. P. 206

(Vila Verde de Ficalho, c. de Serpa)

I Vol. P. 206

(Vila Verde de Ficalho, c. de Serpa)

I Vol. P. 207

181. ‘Stou farto de tirar água, Já tenho um tanque bem cheio; Dou um pontapé no balho Se me não levam ao meio? 182. Vá de roda, cantem todos, Cada um, uma cantiga; Que eu também cantarei uma Que a mocidade me obriga. 183. Vinha para este balho, Vinha chegando bem perto;

(Vila Verde de Ficalho, c. de Serpa)

I Vol. P. 207

(Vila Verde de Ficalho, c. de Serpa)

I Vol. P. 207

(Vila Verde de Ficalho, c. de Serpa)

I Vol. P. 207

Ouvia as moças cantar Par'cia-me o Céu aberto. VII – Divertimentos 5 Música Malo haja o pandeiro, (Tolosa, c. de Nisa.) Mais quem le deu a pancada! Trá, lá rá, lá, lá, lá, lá. Que me não deixa dormir O sono da madrugada. Trá, lá rá, lá, lá, lá, lá. O tocador de manchete (Marvão.) Tem dedos de marafim, Tem olhos de enganar outro, Não me há-d'enganar a mim. Quando eu pego na guitarra (Alcáçovas, c. de Viana Sinto logo o quer que é, do Alentejo.) Que me fala ao coração, Que me faz pular o pé. Toda a noite canta, canta (Amarante; Mesão Frio; Lá na fonte o rouxinol: Vila Vetde ie Ficalho.) Nós cantamos todo o dia, Do nascer ao pôr do Sol. . VII – Divertimentos 6. Romarias (1) Sem referência...

184.

I Vol. P. 209

185.

I Vol. P. 210

186.

I Vol. P. 210

187.

I Vol. P. 210

1- Trata-se de romarias em geral. As cantigas de romaria, de carácter teligioso com indicação do local onde se realiza a festividade, virão no capitulo sobre Religião.

188. Os que a tomarias vão, Poderão ir mal, ou bem, Eles lá o saberão; Não sei se têm devoção, Mas gaita de foles têm...

I Vol. P. 212

VII – Divertimentos 7 Feira ... VIII – Cantigas do Trabalho· 1. Panorâmica do trabalho ... 2. -Oficios, Ocupações (Moura.)

189. Almocreve

I Vol. P. 216

A vida dum almocreve É uma v1da arr1scada, Ao subir duma ladeira E ao descer duma carrada. 190. Alvaneu Não quero amor alvaneu Que trabalha lá no alto! Pode cair e morrer

(Tolosa, c. de Nisa.)

I Vol. P. 216

E dizer que eu que o mato.
ALVANÉU - ALVANEL - ALVENÉU - ALVENER – ALVENEL. "Aquele que é mestre na arte de construir; aquele cuja profissão é construir.”

191. Boieiro Sou boieiro, corto rama, Faço belas enramadas, . Morra um homem, fique fama Defenda o seu camarada. 192. Caixeiro Eu hei-de ir àquele outeiro, Deitar fia voar, Que o meu amor é caixeiro Tem muitas para me dar. 193. Cardador O cardador não é homem, Os alfaiates menos são, O sapateiro é macaco, Que rói no cordovão. 194. Ceifeiro Ceifeira que andas à calma, . No campo, a ceifar o trIgo, Ceifa as penas que eu padeço; Ceifa-as ... e leva-as contigo. 195. Ceifeiro O que dirá meu amor Amanhã em me avistando: - Ora adeus, como passaste, Onde é que andaste ceifando? 196. Ceifeiro Dh, que bela calma cai, . Eu à sombra estou suando; I Que fará o meu amor Naquele campo ceifando i 197. Corticeiro A vida do corticeiro É uma vida arriscada Ao subir duma sobreira Ao mudar duma pernada. 198. Corticeiro Não há vida mais bonita. Que a vida do corticeiro: Anda de ramo em ramo

Tolosa, c. de Nisa.) ,

I Vol. P. 218

(Vila Verde de Ficalho, c. de Serpa.)

I Vol. P. 219

(Tolosa, c. de Nisa.)

I Vol. P. 220

(Vila Verde de Ficalho, c. de Serpa.)

I Vol. P. 221

(Castro Verde.)

I Vol. P. 222

(Tolosa, c. de Nisa.)

I Vol. P. 222

(Tolosa, c. de Nisa.)

I Vol. P. 223

(Tolosa, c. de Nisa.)

I Vol. P. 223

E de sobreiro em sobreiro. 199. Costureira Sou rapariga solteira Mal te posso assistir: De dia faço chapéus, De noite quero dormir. 200. Criada de servir Doba, dobadeira, doba, Não enrices a meada; O novelo está pequeno Inda cabe·em mão fechada. 201. Ferreiro Todos me-lavam-a cara (1) Que o meu amot é ferreiro Deixa-o lá bater o ferro... Quem tem ferro tem dinheiro.
1 - me lançam em rosto.

(Alcáçovas, c. de Viana do Alentejo.)

I Vol. P. 224

(Tolosa, c. de Nisa.)

I Vol. P. 226

(Tolosa, c. de Nisa.)

I Vol. P. 230

202. Fiandeira À roca e mais ao·fuso Tenho um ódio refinal. Toda a minha vizinhança Se queixa do mesmo mal. Esta noite choveu neve Lá nas minhas alfacinhas; Todos logram seus amores, Só eu 'stou torcendo linhas! 203. Ganhão Bom arado e bom tomão Faz'uma bela intanchadura; Boa junta e bom ganhão Deitam um rego à d'reitura. 204. Ganhão Já não há quem queira dar Uma filha a um ganhão. Pensam que lhe há-de vir Das ilhas um capitão... 205. Ganhão Mais vale um ganhão Todo roto e esfrangalhado, Que valem trinta pandilhas Dos que usam marrafa ao lado. 206. Ganhão

(Alcáçovas, c. de Viana do Alentejo.)

I Vol. P. 230

(Tolosa, c. de Nisa.)

I Vol. P. 233

(Tolosa, c. de Nisa.)

I Vol. P. 233

(Alegrete, c. de Portalegre.)

I Vol. P. 233

(Alentejo.)

I Vol. P. 233

Ó rapaz do boi Cadete, . Mais obras, menos razões ... Ipareces um ramalhete No méo dos outros ganhões. . 207. Ganhão Tenho vida de ganhão, Não te posso assistir: De dia ganho o meu pão (1) De noite quero dormir.
1 Variante: De dia ando a lavrar. - (Castelo Branco.)

(Alegrete, c. de Portalegre.)

I Vol. P. 233

208. Ladrilhador Esta casa ladrilhada , ... Quem é que a ladrilharia? Ladrilhador que a ladrilhou Bom ladrilhador seria. 209. Lavadeira Fui lavar ao rio turvo, Escorregou-me o sabão, Abracei-me com as tosas, Ficou-me o cheiro na mão. 210. Lavadeira Já lá vai quem me lavava Minha rica lavadeira: Deixava a roupa de neve Naquela fresca ribeira. 211. Lavadeira Meu coletinho de linho Não mo deu nenhum vadio; Bem mo custou a ganhar Naquelas pedras do rio. 212. Lavrador Hei-de namorar,·cantando. Um filho dum lavtador: Quem anda ao frio e anda à calma Goza sempre a mesma cor! 213. Lavrador Já morreu o boi Capote Qu' era parceiro do Pombinho, Quem não sabe dar um rego, Não lavr'ao pé do caminho (1). Meu amor é lavrador, Lavra terra na feiteira, (2) O arado com que lavra

(Tolosa, c. de Nisa.)

I Vol. P. 234

Reguengos de Monsaraz.)

I Vol. P. 234

(Tolosa, c. de Nisa.)

I Vol. P. 234

(Alcáçovas, c. de Viana do Alentejo.)

I Vol. P. 235

(Cuba.)

I Vol. P. 236

(Amieira, c. de Nisa.)

I Vol. P. 236

É de pau de laranjeira.
1 - Quem não sabe lavrar bem, não lavra ao pé de gente, parece mal. 2 - Onde há fetos - (Amieira, c. de Nisa.) .

214. Lavrador Morreu o boi R.amalhete, Camarada do Pombinho, Já não há quem tão bem deite Regos ao pé elo caminho. Não há coisa que mais brilhe Que a filha dum lavrado: Vai à calma, vai ao frio, E nunca lhe muda a cor. 215. Lavrador No alto daquela serra Canta alegre o lavrador; Que fará quem não arrasta Os duros guilhões de amor! Quando eu vou pata a cidade. Passo à quinta do vedor. Não te quero, não me és dado, Que és filho de um lavrador. 216. Leiteira A vendeira vende leite, Também vende requeijão, Também fala ao seu derriço, Quando tem ocasião. 217. Leiteira O mê amor é do campo, Chêram-le as botas a lête, Quando vem domingo à missa, Parece-me um ramalhete. 218. Lenhador Corto pau, ispalho rama, Levo, a vetória ganhada: Morr'ò home, fique fama, Ajuda-m', ó camarada! 219. Loiceiro Sou pintor de louça fina) Ainda hoje pintei um prato: Na pedra do meu anel Trago eu o teu retrato.

(Tolosa, c. de Nisa.)

I Vol. P. 237

(Tolosa, c. de Nisa.)

I Vol. P. 237

(Redondo.)

I Vol. P. 237

(Alandroal.)

I Vol. P. 237

(Avis.)

I Vol. P. 238

(Castro Verde.)

I Vol. P. 238

Sou pintor da louça fina, Já hoje pintei um prato, Ainda espero de pintar Em teu peito o meu retrato. 220. Malhador 1 Inda agora aqui cheguei Pus o pé na sua escada Venham ver os malhadores Que vêm da sua malhada. 2 Ó senhora cozinheira, O seu caldo cheira, cheira... Cheira a cravo, cheira a rosas, Cheira a ,flor de latanjeira. 3 Ó senhora cozinheira, Ponha o caldinho na sala; Já cá 'stão os malhadores Que vêm da sua malhada. 221. Malhador Meu Deus que assim aquece o sol Na eira aos malhadores, Quem fora ramo de sombra Que eu cobrira os meus amores. 222. Malhador Oh que grande calma cai! Eu, à sombra, estou suando... Que fará o meu amor, Naquela eira malhando! 223. Maltês Pro me veres de pau e manta Não julgues que sou maltês; Que a maldita da enxada Calos nas mãos não mos fez. 224. Mineiro Meu amor é barreneiro Trabalha na contramina À luz do seu candeeiro Tira ouro e prata fina (1).
1 - Os barreneiros (= mineiros) cantam estas quadras enquanto trabalham.

?

(Tolosa, c. de Nisa)

I Vol. P. 239

(Tolosa, c. de Nisa)

I Vol. P. 239

(Tolosa, c. de Nisa)

I Vol. P. 239

(Alandroal.)

I Vol. P. 240

(Alentejo.)

I Vol. P. 240

225. Mineiro

(Mértola.)

I Vol. P. 241

Ó Senhora Santa «Barba», Tenha dó dos barreneiros: Trabalham debaixo do chão À luz -dos seus candeeiros! 226. Moleiro Moleiro Tira o seu maqueiro (4), Lá vem a mulher Que tira o que quer; Lá vem a filha Maria Que tira a sua maquia, Depois vem o criado Que diz que ainda não'stá maquiado (5)
4 - Maquia. 5 - Assim fica sem nada o freguês...

(Alcáçovas, c. de Viana do Alentejo).

I Vol. P. 242

227. Moleiro Ó que lindos olhos tem A filha da moleirinha; São mal empregados No pó da farinha! 228. Mondadeira Eu ando aqui a mondar Sozinha, não tenho medo: Bem pudera o meu amor Tirar-me deste degredo! Eu bem sei que ando na monda, Eu bem sei que ando a mondar, Na monda é que eu arranjei Dinheiro p'ra me casar. 229. Mondadeira Hei-de fazer uma maia De ervilhacas e palanco P'ra maar ao meu amor (1) Que eu ando a mondar no campo...
1 – Variante: É p'ra que saibas, amor, Que eu que ando a mondar no campo.

(Alcáçovas, c. de Viana do Alentejo).

I Vol. P. 243

(Amieira, c. de Nisa.)

I Vol. P. 243

(Tolosa, c. de Nisa.)

I Vol. P. 243

230. Mondadeira 1 Não quero que vás à monda, Não quero que vás sozinha, No dia do casamento Não vou ser tua madrinha. 2.

(Tolosa, c. de Nisa.)

I Vol. P. 244

Não vou ser tua madrinha, Não te vou acompanhar, Não quero que vás à monda, Não quero que vás mondar. 3 Não quero que vás à monda, Nem à ribeira lavar, Não quero que vás à monda, Que vás à monda mondar. 231. Padeira 1 Mas que lindos olhos Tem a padeirinha! É mal empregada Andar à farinha. 2 Andar à farinha, Andar ao calor; Mas que lindos olhos Lem o meu amorl 232. Padeira Minha mãe é padeirinha Quando coze faz um bolo; Quando se zanga comigo, Bate-me com a pá do forno. 233. Pastor Eu não quero amar pastor Que são brutos e alimales; Comem leite nos caldeiros, Ouvem missa nos currales. 234. Pastor Eu vou-me daqui embora, Que eu aqui não posso 'star, Tenho que ir para o monte Que·é para o gado ceivar. 235. Pastor Já não há quem queira dar Uma filha a un pastor: Pensa que lhe há-de vir Das Ilhas algum doutor.. 236. Pastor Ovelhas não são p'ra mato Já m’o disse o pastor;

(Alcáçovas, c. de Viana do Alentejo).

I Vol. P. 245

(Alcáçovas, c. de Viana do Alentejo).

I Vol. P. 245

(Tolosa, c. de Nisa.)

I Vol. P. 246

(Ourique, improviso de um almocreve.)

I Vol. P. 246

(Castelo de Vide.)

I Vol. P. 247

(Redondo.)

I Vol. P. 248

Fica-lhe a lã no carrasco, E a perca é pr’ô lavrador. 237. Pastor Pastorinha, vem comigo, Amores meus! Deix'ò gado, deix’à serra, Pastorinha adeus, adeus! 238. Pastor Triste vida é a minha Em ter um amor pastor Andar de serra em serra: - Não vistes lá meu amor? 239. Pastor Vou aqui pêr d'abaixo C'uma cajadinha às costas; S'eu não achar as ovelhas, Vou ser pastor das cachopas. 240. Porqueiro Assubi à gambonêra A colher uma gamboa; Quem tem amores porqueros A lenços finos se assoa! 241. Respigadeira Fui à seara atespigar, Muita espiga encontrei: Eram tantas e tão hastas, Para a seara as levei. 242. Sapateiro Meu amor me disse E eu achei-lhe graça: - Eu sou sapateiro, Não andes descalça. 243. Sapateiro Quatrocentos sapateiros Se juntaram em campanha Com martelos e turqueses P'ra matarem uma ara.nha. 244. Sapateiro Sapateiros e alfaiates São uma súcia de ladrões: Sapateiro furta a sola, Alfaiate, os botões. 245. Sapateiro

(Beja.)

I Vol. P. 248

(Tolosa, c. de Nisa.)

I Vol. P. 248

(Tolosa, c. de Nisa.)

I Vol. P. 248

(Terrugem, c. de Elvas.)

I Vol. P. 249

(Alandroal)

I Vol. P. 250

(Vila Verde de Ficalho, c. de Serpa.)

I Vol. P. 251

(Reguengos de Monsaraz.}

I Vol. P. 251

(Alcáçovas, c. de Viana do Alentejo.}

I Vol. P. 251

(Alcáçovas, c. de Viana

I Vol. P. 252

do Alentejo.} Se tomar agora amores Há-de ser c'um sapateiro, Que me faça umas chinelas E não me leve .dinheiro... 246. Tecedeira Grande amarura passa. A tecedeira que tece: Em não vendo o seu amor, 'Té o tear lhe aborrece! 247. Tecedeira Mariana tecedeira Tem o tear, mas não tece; Em não vendo o seu derriço 'Té o tear lhe aborrece! 248. Trabalhos do campo Muito bem parece, Raminho de flores Pregado no peito Dos trabalhadores. 249. Trabalhos do campo Mulher bonita não é P'ra homem trabalhador (3): Só se levanta ao meio-dia Leva a tarde em se compor... Nunca eu fui cantador, Nem aos descantes chamado. Sou filho dum trabalhador Trabalhos me têm matado.
3 - Trabalhador de enxada.

(Vidigueira.)

I Vol. P. 253

(Reguengos de Monsaraz.)

I Vol. P. 253

(Castro Verde.)

I Vol. P. 256

(Alcáçovas, c. de Viana do Alentejo.)

I Vol. P. 256

250. Trabalhos do campo Que calma que está caindo P'rò homem trabador! Oh, quem fosse parra verde Que tapasse o meu amor!... 251. Trabalhos do campo Valha-me Deus! Tanta calma! Mesmo à sombra estou suando; Que fará o meu amor, Que anda por lá trabalhando! 252. Trabalhos do campo Os amores da azeitona (2) São como o milho miúdo (3):

(Moura.)

I Vol. P. 257

(Moura.)

I Vol. P. 257

(Flor da Rosa, c. do Crato.)

I Vol. P. 257

Em se acabando a azeitona, Lá vão amor's, lá vai tudo!
2 - Que se tomam no tempo da azeitona. 3 - Cultiva-se muito. «São como o milho miúdo», porque este milho escapa-se com facilidade.

253. Trabalhos do campo Os amores da azeitona São como o verde tramoço: Em s'acabando a azeitona Ficam os burros em osso (4).
4 - Os namorados ficam sem as raparigas, vindas de outras terras.

(Tolosa, c. de Nisa).

I Vol. P. 257

254. Trabalhos do campo Os amores da azeitona. São como os da cotovia: Em se acabando a azeitona (1), Fica-te com Deus, Maria!
1 – Variante - Logo que se acaba a fega... (fega = serviço da apanha da azeitona). - (Castelo Branco.)

(Flor da Rosa, c. do Crato.)

I Vol. P. 258

255. Vindimadores Ó moças, não há tempo Como é o vindimar: De dia escolhe-se a uva E à noite é namorar.

(Reguengos de Monsaraz.)

I Vol. P. 259

VIII – Cantigas do Trabalho· 3. Amos e Assalariados 256. Já s'acabou a azeitona, (Viana do Alentejo.) Já se ganhou o dinhêro, Damos vivas ao noss'amo Màs o nosso managêro. 257. O gato foi à panela (Tolosa, c. de Nisa). Pelo rabo da colher; Viva o·senhor inosso amo E mais a sua mulher Por mil anos e um dia, Porque têm na sua adega Uma fonte de alegria! 258. 1 (Tolosa, c. de Nisa). Ó senhora nossa ama, Saia cá para o serão, Venha ver os segadores Que lhe segaram o pão. 2 A senhora nossa ama É um vaso de alegria, Se nos paga bem a jeira

I Vol. P. 261

I Vol. P. 261

I Vol. P. 262

Tornaremos outro dia. 3 o Sole já se vai pondo Para trás daquele ramo Vem a alegriap'ra nós, A tristeza p'ra nosso amo. VIII – Cantigas do Trabalho· 4. Trabalhadores do Mar 259. Às dez horas parte o barco, (Alcáçovas, c. de Viana Às onze horas larga a vela; do Alentejo.) Ao meio dia em ponto Parte o meu amor da terra. 260. As ondas do mar são verdes, (Alcáçovas, c. de Viana As do meio amarelas; do Alentejo.) Coitadinho de quem nasce Para andar no meio delas! As ondas do mar são verdes, Por dentro são amarelas; Coitado do meu amor Que navega dentro delas! 261. Eu cá vou pelo mar dentro, Já não vejo minha terra, S6 vejo o mar e vento E a auga que me leva. 1 Eu corri o mar à roda, Com uma vela branca acesa; No mar não achei fundura, Em vós não achei firmeza! 2 Eu corri o mar à roda, Nas asas dumas formigas; Já perdi o tacto à terra, E a amizade às raparigas! 262. Ó mar btavo, ó mar bravo, Que assim andas furioso! Se tu, mar, foras casado, Serias mais amoroso! Ó mar, colchão dos navios, Ó cama dos marinhêros, . Ó navio que me levaste Os mês amores verdadêros.· VIII – Cantigas do Trabalho· 5. Da Milícia

I Vol. P. 265

I Vol. P. 265

(Alandroal.)

I Vol. P. 265

(Elvas.)

I Vol. P. 270

263. A vida de militar É uma vida de agonia: Scalfa-se (1) de marcar passo P'ra ganhar ventem por dia. Adeus, malvas do Rossio, Nunca mais as pisarê! Adeus, moças do mê tempo, Qu'ê vô a servir o rê!
1 Esfalfa-se.

(Alentejo.)

I Vol. P. 276

264. Fui à fonte, p'ra te ver, Só para me despedir! Vou p'rà vida militar, Sem te ver não posso ir. 265. Fui soldado, assentei praça No cinco de Infantatia! Dêxi o mê coração Entregue às mãos de Maria. 266. Lá vem o comboio à ponta, Lá vem ele a assobiar; Lá vem o mê amorzinho: Vem da vida militar. 267. Mandaste-me assentar praça No coração duma pomba: Depois de ter praça assente, Deste-me baixa redonda! 268. Meu amor assentou praça Na arma de Infantaria; Se eu pudesse sentar praça Fazia-lhe companhia. 269. Não chore, minha mãe, não chore, Não vale a pena chorar: Este ano tilro as sortes, P'ró ano sou militar. 270. Não chores, mê bem, nã chores Qu'ê inda ando a passear Qu'ê hoje fui à inspecção Mas nã vou ser militar. 271. Quando fui à inspecção Pus o pé no tabuado, Disse-me o meu capitão: - Ó rapaz, 'stás apurado! 272. Quando via um melitar, Dizia: - Não é ninguém. Agora não digo isso, Que um militar é meu bem.

(Alandroal.)

I Vol. P. 277

(Alentejo.)

I Vol. P. 277

(Tolosa, c. de Nisa.)

I Vol. P. 277

(Alandroal.)

I Vol. P. 277

(Alcáçovas, c. de Viana do Alentejo.)

I Vol. P. 277

(Arronches.)

I Vol. P. 278

(Veiros, c. de Estremoz.)

I Vol. P. 278

(Arronches.)

I Vol. P. 279

(Moura.)

I Vol. P. 279

IX – Ritmos (1) (Não há recolhas do Alentejo)
1 - Nome dado pelo Prof. Leite de Vasconcellos a dado tipo de cantigas patalelísticas e de refrão.

(segue) X – Amores, Amores

VOLUME I

I – Cantigas de Começo II – Cantigas às Cantigas III – Cantigas da Natureza IV Rimas Infantis (desde as cantigas de embalar... às Lengalengas) V – Cantigas de Roda VI MODAS (Vol I - da p. 111 à 163) VII – Divertimentos VIII – Cantigas de Trabalho (Panorâmica do Trabalho e Ofícios, Ocupações) IX – Ritmos A SEGUIR X – Amores, Amores (com 33 alíneas) 1. Considerações sobre o Amor 2. A B C dos Amores 3. Os Cinco Sentidos do Amor 4. Prisões de Amor. 5. Madrigais e Declarações. 6. Dúvida 7. Decisão 8. Esperança 9. Acenos e Arremessos Simbólicos· 10. Amot Encobetto· 11. Amor Contrariado. 12. Amor Perfeito 13. Alegria 14. Desejos· 15. Ousadias 16. Juras 17. Constância 18. Inconstância 19. Censuras 20. Ciúmes 21. Ameaças 22. Pragas 23. Desdéns e Desenganos 24. Arrufos e Reconciliação Arrrufos Reconciliação 25. Beijos e Abraços 26. Gabos 27. Encontros e Desencontros 28. Antroponímia Poética 29. Prendas 30. Retratos: Aspecto Geral O Cabelo, . O Coração mais os Olhos · Fala .. 31. Serenatas 32. Vigília e Sono . , 33. Sonhos ...
Nota1 - Trabalho que, depois de completar o Volume I, continuará pelo II e III volumes... Nota 2 – Um trabalho a desenvolver a seguir, seria o de organizar esta recolha por terras e empenhar cada região e cada terra a desenvolver e valorizar este monumental trabalho de Leite de Vasconcellos e Zaluar Nunes. (www.joraga.net – 2012 02 25)