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Oração para o VII Encontro Mundial das Famílias Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, e

Oração para o VII Encontro Mundial das Famílias

Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, e nosso Pai, nós Te adoramos, Fonte de toda comunhão; proteja e abençoa as nossas famílias para que nelas haja comunhão e doação mútua entre os esposos, entre pais e filhos.

Nos te contemplamos Artífices de toda perfeição e de toda beleza; conceda a cada família um trabalho digno e justo, para podermos ter o necessário sustento

e gozar do privilégio de sermos teus colaboradores na edificação do mundo.

Nós te glorificamos, Motivo de júbilo e de festa; abre também às nossas famílias o caminho da alegria e do repouso para podermos gozar, desde então, daquela alegria perfeita que nos doaste em Cristo Ressuscitado.

Assim os nossos dias, laboriosos e fraternos, são frestas abertas sobre o teu mistério de amor e de luz, que o Cristo teu Filho nos revelou e o Espírito vivificador nos antecipou.

E nos viveremos satisfeitos de sermos a tua família, no caminho para Ti, Deus bendito para sempre.

Amém

no caminho para Ti, Deus bendito para sempre. Amém Milão, de 30 de maio a 3
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Fev 01 1. O segredo de Nazaré   --- Fev 15 2. A família gera

Fev 01

1. O segredo de Nazaré

 

---

Fev 15

2. A família gera a vida

 

Quarta-feira de Cinzas

Fev 29

3. A família vive a prova

 

---

Mar 14

4. A família anima a sociedade

 

---

Mar 28

5. O trabalho e a festa na família

 

Semana Santa - Quarta-feira Santa

Abr 11

6. O trabalho, recurso para a família

 

---

Abr 25

7. O trabalho, desafio para a família

 

---

Mai 09

8. A festa, tempo para a família

Mai 16

9. A festa, tempo para o Senhor

Mai 23

10. A festa, tempo para a comunidade

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Viver segundo o domingo «Esta novidade radical, que a Eucaristia introduz na vida do homem,

Viver segundo o domingo «Esta novidade radical, que a Eucaristia introduz na vida do homem, revelou-se à consciência cristã desde o princípio; prontamente os fiéis compreenderam a influência profunda que a celebração eucarística exercia sobre o estilo da sua vida. Santo Inácio de Antioquia exprimia esta verdade designando os cristãos como “aqueles que chegaram à nova esperança”, e apresentava-os como aqueles que vivem “segundo o domingo” (iuxta dominicam viventes). Esta expressão do grande mártir antioqueno põe claramente em evidência a ligação entre a realidade eucarística e a vida cristã no seu dia-a-dia. O costume característico que têm os cristãos de se reunir no primeiro dia depois do sábado para celebrar a ressurreição de Cristo – conforme a narração do mártir São Justino – é também o dado que define a forma da vida renovada pelo encontro com Cristo. Mas, a expressão de Santo Inácio – “viver segundo o domingo” – sublinha também o valor paradigmático que este dia santo tem para os restantes dias da semana.

De facto, o domingo não se distingue com base na simples suspensão das actividades habituais, como se fosse uma espécie de parêntesis dentro do ritmo normal dos dias; os cristãos sempre sentiram este dia como o primeiro da semana, porque nele se faz memória da novidade radical trazida por Cristo. Por isso, o domingo é o dia em que o cristão reencontra a forma eucarística própria da sua existência, segundo a qual é chamado a viver constantemente: “Viver segundo o domingo” significa viver consciente da libertação trazida por Cristo e realizar a própria existência como oferta de si mesmo a Deus, para que a sua vitória se manifeste plenamente a todos os homens através de uma conduta intimamente renovada.

[Sacramentum Caritatis, 72]

F. Perguntas para o casal e o grupo

PARA O CASAL

1. A nossa família sente o domingo como um tempo com e para os outros?

2. Como é o relacionamento entre a nossa família, as demais famílias e a comunidade cristã?

3. Que gestos de serviço e de caridade vivemos dentro de casa, durante a semana? Que compromissos de caridade sugerimos em prol dos outros, sobretudo dos mais necessitados?

4. A nossa casa mantém a porta aberta ao mundo, aos seus problemas e às suas necessidades?

PARA O GRUPO FAMILIAR E A COMUNIDADE

1. Hoje em dia, a dimensão comunitária do domingo é pouco vivida. Que remédios e sugestões podemos encontrar?

2. As comunidades cristãs transmitem às famílias a experiência da comunhão»? As famílias estimulam as comunidades cristãs a um estilo de vida mais fraterno?

3. A caridade tornou-se uma atenção constante da vida paroquial? As associações e instituições caritativas (Caritas) constituem uma expressão de toda a comunidade?

4. Como se ajudam as famílias entre si na educação para o valor de uma vida despendida pelos outros, suscitando vocações para a missão?

G. Um compromisso para a vida familiar e social

H. Orações espontâneas. Pai-Nosso

I. Canto final

ÍN

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CATEQUESES

A Familia: O Trabalho E A Festa

Catequeses preparatórias para o VII Encontro Mundial das Famílias

(Milão, 30 de Maio – 3 de Junho de 2012)

Índice das catequeses

1. O segredo de Nazaré

2. A família gera a vida

3. A família vive a provação

4. A família anima a sociedade

5. O trabalho e a festa na família

6. O trabalho, recurso para a família

7. O trabalho, desafio para a família

8. A festa, tempo para a família

9. A festa, tempo para o Senhor

10. A festa, tempo para a comunidade

Estrutura das catequeses

Ordinário

A. ! Canto e saudação inicial B.! Invocação do Espírito Santo

Próprio

C.! Leitura da Palavra de Deus

D. ! Catequese

Bíblica

E.! Escuta do Magistério

F. !

Perguntas para o casal

 

e o grupo

Ordinário

G. ! Um compromisso para

 

a vida familiar e social

 

H. ! Orações espontâneas.

 

Pai-Nosso

 

I. !

Canto final

Tema das catequeses

Família, trabalho e festa. São as três palavras do tema para o VII Encontro Mundial das Famílias. Elas formam um trinómio que começa a partir da família, para a abrir ao mundo: o trabalho e a festa são modos como a família habita o «espaço» social e vive o «tempo» humano. O tema põe em relação o casal, um homem e uma mulher, com os seus estilos de vida: o modo de viver as relações (a família), de habitar o mundo (trabalho) e de humanizar o tempo (festa).

As catequeses são subdivididas em três grupos, relativos sequencialmente à família, ao trabalho e à festa, e introduzidas por uma catequese sobre o estilo da vida familiar. Elas tencionam iluminar o entrelaçamento entre a experiência da família e a vida quotidiana na sociedade e no mundo.

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No bonito ícone do Livro dos Actos dos Apóstolos, acima citado, é descrita a comunidade de Antioquia que, enquanto celebra o culto do Senhor, talvez dominical, é impelida pelo Espírito rumo à missão. No dia do culto, a comunidade torna-se missionaria. A missão não se refere unicamente aos indivíduos enviados, mas mostra a sua eficácia quando a Igreja inteira, com a variedade dos seus

carismas, ministérios e vocações, se torna o sinal real da caridade de Cristo para todos os homens. As formas missionárias da comunidade são diferentes, mas todas devem conduzir os homens para Cristo.

A família é chamada a evangelizar de maneira própria e insubstituível: no seu interior, no seu ambiente

(vizinhos, amigos e parentes), na comunidade eclesial e na sociedade em geral.

A comunidade eucarística ampliará o seu olhar rumo a um horizonte universal, assumindo a solicitude

de São Paulo por todas as Igrejas. Se a missio ad gentes constitui o horizonte da missão para a Igreja, também a Igreja local é, no seu próprio território, enviada a anunciar o Evangelho. A educação para o acolhimento do próximo, do diverso, do imigrado deverá começar a partir das famílias e receber um impulso da parte da comunidade. Antes ainda, é na família que, não raro, nasce a intuição de uma vida despendida em benefício dos outros, dedicada à missão e ao compromisso no mundo. Em muitas

famílias cristãs, com uma vigorosa experiência de humanidade e de amor, e com a frequência da eucaristia dominical, brotaram maravilhosas histórias de vocação para o serviço no seio da sociedade, para o compromisso no voluntariado, para o testemunho na política e para a missão nos outros países do mundo. A relação entre domingo e eucaristia, entre Igreja e missão, entre família e serviço ao próximo exige uma renovada obra de introdução naquilo que é essencial na vida cristã, que conduza a uma nova consciência missionária. A força extraordinária do domingo, centrado na eucaristia doméstica, levou os mártires de Abitene até ao martírio.

«Agiste contra as prescrições dos imperadores e dos Césares, congregando todas estas pessoas?». E o presbítero Saturnino, inspirado pelo Espírito do Senhor, retorquiu: «Celebramos a eucaristia dominical, sem nos preocuparmos com elas». E o procônsul perguntou-lhe: «Por quê?». Ele respondeu: «Porque a eucaristia dominical não pode ser descuidada» (IX).

«Na tua casa foram realizadas reuniões contra o decreto dos imperadores?». Emérito, repleto de Espírito Santo, disse: «Na minha casa celebramos a eucaristia dominical». Ele perguntou: «Por que lhes permitias que entrassem?». Retorquiu: «Porque são meus irmãos, e eu não os poderia impedir». «E no entanto – retomou o procônsul – tu tinhas o dever de os impedir». E ele disse: «Eu não poderia impedi-los, porque nós cristãos não podemos viver sem a eucaristia dominical» (Acta Saturnini, Dativi, et aliorum plurimorum martyrum in Africa, XI).

Nos primeiros séculos, a eucaristia dominical permitiu que a Igreja se difundisse até aos confins do mundo. Também hoje, a vida quotidiana da família e da Igreja é convidada a recomeçar a parir daqui:

os cristãos não podem viver sem a eucaristia dominical.

E. Escuta do Magistério

O domingo é a repetição, no ciclo breve, do tempo semanal do grande mistério da

Páscoa. É chamado também «pequena Páscoa dominical». «Viver segundo o

domingo» significa viver consciente da libertação trazida por Cristo e realizar a própria existência como oferta de si mesmo a Deus, para que a sua vitória se manifeste plenamente a todos os homens através de uma conduta intimamente renovada. O domingo como festa para os outros não deve ser entendida unicamente em função litúrgica: ela constitui um valor humano, além de uma dádiva cristã. Não viver os dias como se fossem iguais (e somente o domingo tem o segredo da diversidade), dedicar tempo à comunidade e à caridade é um caminho eficaz para a libertação do homem

da servidão do trabalho.

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também a lei fundamental da missão: a Igreja unida e concorde é o testemunho mais

também a lei fundamental da missão: a Igreja unida e concorde é o testemunho mais persuasivo para o mundo. A Igreja só pode tornar-se escola de missão, se for casa de comunhão. Os trechos tirados dos Actos dos Apóstolos, acima citados, oferecem-nos a imagem das primeiras comunidades que vivem a sua experiência cristã entre a casa e o templo. A festa e o domingo constituem o momento para renovar a vida eclesial, de tal modo que a comunidades dos fiéis venha a assumir o clima da vida familiar, e a família se abra ao horizonte da comunhão eclesial.

A Igreja local e a paróquia constituem a presença concreta do Evangelho no cerne da existência

humana. Elas são as figuras mais conhecidas da Igreja, pela sua índole de proximidade e de acolhimento em relação a todos. Em muitos países, as paróquias indicaram a «vida boa» segundo o Evangelho de Jesus, conservando o sentido de pertença à Igreja. Como afirma o Concílio Vaticano II, nas Igrejas locais, «a Igreja caminha juntamente com a humanidade inteira, participando da mesma sorte terrena do mundo» (Gaudium et spes, 40).

Na paróquia as famílias, que são «igreja doméstica», fazem com que a comunidade paroquial seja uma igreja no meio das casas do povo. A vida quotidiana, com o ritmo de trabalho e de festa, permite ao mundo entrar na casa, abrindo a casa ao mundo.

Por outro lado, a comunidade cristã deve cuidar das famílias, subtraindo-as à tentação de se fechar no seu «apartamento» e abrindo-as aos caminhos da fé. Na família, a vida é transmitida como dom e promessa; na paróquia, a promessa contida no dom da vida é acolhida e alimentada. O dia do Senhor torna-se dia da Igreja, quando ajuda a experimentar a beleza de um domingo vivido juntos, evitando a banalidade de um fim-de-semana consumista, para realizar às vezes também experiências de comunhão fraterna entre as famílias.

2.

Dia da caridade.

O

dia do Senhor, como dies Ecclesiae, torna-se dia da caridade. A Igreja que se alimenta da Eucaristia

dominical é a comunidade ao serviço de todos. A família, embora não sozinha, é a rede em que se transmite este serviço. O bonito texto do Evangelho de Marcos, acima citado, explica o modo como na eucaristia dominical Jesus está no meio de nós como aquele que serve. Este é o critério do serviço na

comunidade: quem quiser ser o maior, torne-se o menor (vosso servo), e quem quiser ser o primeiro, dedique- se aos pobres e aos mais pequeninos (servo de todos). O serviço da caridade é um elemento caracterizador do domingo cristão.

Alguns períodos litúrgicos (o Advento e sobretudo a Quaresma) propõem-no como uma tarefa essencial das famílias e da comunidade. Assim, o domingo torna-se o «dia da caridade». O serviço da caridade exprime o desejo da comunhão com Deus e entre os irmãos. Ao longo da semana, a família vai ao encontro das necessidades de todos os dias, mas a vida familiar não pode limitar-se a oferecer bens e a cumprir compromissos: deve fazer crescer o vínculo entre as pessoas, a vida boa na fé e na caridade. Sem uma experiência de serviço em casa, sem a prática da ajuda recíproca e a participação nos deveres comuns, dificilmente nasce um coração capaz de amar. Na família, os filhos experimentam no dia-a-dia a dedicação incansável da parte dos pais e o seu serviço humilde, aprendendo do seu exemplo o segredo do amor. Quando, na comunidade paroquial, os adolescentes e os jovens, tiverem que ampliar o horizonte da caridade às outras pessoas, poderão compartilhar a experiência de amor e de serviço aprendida em casa. O ensino prático da caridade, sobretudo nas famílias com um filho único, deverá abrir-se imediatamente a pequenas ou grandes formas de serviço ao próximo.

3. Dia do envio em missão.

A dimensão missionária da Igreja está no centro da eucaristia dominical e abre as portas da vida

familiar ao mundo. A comunidade dominical é, por definição, uma comunidade missionária.

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1. O SEGREDO DE NAZARÉ

A. Canto e saudação inicial

B. Invocação do Espírito Santo

C. Leitura da Palavra de Deus

11 Veio ao meio dos seus,

e os seus não o receberam.

12 Mas a todos aqueles que o receberam, aos que crêem no seu nome, deu-lhes o poder de se tornarem filhos de Deus (Jo 1, 11-12).

40 O menino ia crescendo e fortalecia-se: estava cheio de sabedoria, e

a graça de Deus repousava sobre ele.

41 Os seus pais iam todos os anos a Jerusalém, para a festa da Páscoa. 42 Tendo ele completado doze anos, subiram a Jerusalém,

segundo a tradição da festa [

]

51 Em seguida, desceu com eles a Nazaré, permanecendo-lhes submisso. A sua mãe conservava todas estas coisas no seu coração. 52 E Jesus crescia em estatura, sabedoria e graça diante de Deus e dos homens (Lc 2, 40-42.51-52).

D. Catequese Bíblica

1. Veio ao meio dos seus. Por que motivo a família deve escolher um estilo de vida? Quais são os novos estilos de vida para a família de hoje, a propósito do trabalho e da festa? Dois trechos bíblicos descrevem o modo como o Senhor Jesus veio ao meio de nós (cf. Jo 1, 11-12) e como viveu no seio de uma família humana (cf. Lc 2, 40-42.51-52).

O primeiro texto apresenta-nos Jesus que habita no meio do seu povo: «Veio ao meio dos seus, e os seus não o receberam. Mas a todos aqueles que o receberam, aos que crêem no seu nome, deu-lhes o poder de se tornarem filhos de Deus». A Palavra eterna parte do seio do Pai, vem para o meio do seu povo e entra numa família humana. O povo de Deus, que deveria ser o ventre acolhedor do Verbo, revela-se estéril. Os seus não o receberam mas, pelo contrário, eliminam-no. O mistério da rejeição de Jesus de Nazaré insere-se no coração da sua vinda para o meio dos nós. Mas a todos aqueles que o recebem, «deu-lhes o poder de se tornarem filhos de Deus». Aos pés da cruz, João vê realizar-se aquilo que ele mesmo proclama no início do seu Evangelho. «Quando vê a sua mãe e, perto dela, o discípulo que ele amava» (Jo 19, 26), Jesus confia à mãe o novo filho, e ao discípulo que ele amava, confia a mãe. Depois, o evangelista comenta: «E a partir dessa hora, o discípulo levou-a consigo para a sua casa» (19, 27). Eis o «estilo» que Jesus nos pede, para vir ao meio de nós: um estilo capaz de receber e de gerar.

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Jesus pede que a família seja lugar que acolhe e gera a vida em plenitude.

Jesus pede que a família seja lugar que acolhe e gera a vida em plenitude. Ela não gera apenas a vida física, mas abre à promessa e à alegria. A família torna-se capaz de

«receber», se souber preservar a sua própria intimidade, a história de cada um, as tradições familiares,

a confiança na vida e a esperança no Senhor. A família torna-se capaz de «gerar», quando faz circular

os dons recebidos, quando conserva o ritmo da existência quotidiana entre trabalho e festa, entre afecto

caridade, entre compromisso e gratuidade. Esta é a dádiva que se recebe em família: conservar e transmitir a vida, no casal e aos filhos.

e

A

família tem o seu ritmo, como a palpitação do coração;é lugar de descanso e de impulso, de chegada

e

de partida, de paz e de sonho, de ternura e de responsabilidade. O casal deve construir a atmosfera

antes da chegada dos filhos. O trabalho não pode tornar a casa deserta, mas a família deve aprender a viver e a conjugar os tempos do trabalho com aqueles da festa. Muitas vezes deve confrontar-se com pressões externas, que não permitem escolher o ideal, mas os discípulos do Senhor são aqueles que, vivendo na realidade das situações, sabem dar sabor a todas as coisas, mesmo àquilo que não se consegue mudar: são o sal da terra. De modo particular, o domingo deve ser tempo de confiança, de

liberdade, de encontro, de descanso e de partilha. O domingo é o momento do encontro entre o homem e a mulher. É acima de tudo o Dia do Senhor, o tempo da oração, da Palavra de Deus, da Eucaristia e da abertura à comunidade e à caridade. E deste modo, também os dias da semana receberão luz do domingo e da festa: haverá menos dispersão e mais encontro, menos pressa e mais diálogo, menos coisas e mais presença. Um primeiro passo nesta direcção é ver como habitamos a casa, o que levamos a cabo no nosso lar. É necessário observar como é a nossa morada e considerar o estilo do nosso habitar, as escolhas que ali fizemos, os sonhos que cultivamos, os sofrimentos que vivemos, as lutas que enfrentamos e as esperanças que alimentamos.

2. O segredo de Nazaré. Nesse povoado da Galileia, Jesus vive o período mais longo da sua vida. Jesus torna-se homem: com o transcorrer dos anos, ele atravessa muitas das experiências humanas para as salvar todas: faz-se um de nós, entra numa família humana, vive trinta anos de silêncio absoluto, que se tornam revelação do mistério da humildade de Nazaré.

O versículo com que tem início este trecho delineia com poucos traços o «segredo de Nazaré». É o

lugar onde crescer em sabedoria e graça de Deus, no contexto de uma família que recebe e gera. «O

menino ia crescendo e fortalecia-se: estava cheio de sabedoria, e a graça de Deus repousava sobre ele».

O

mistério de Nazaré diz-nos de modo simples que Jesus, a Palavra que vem do Alto, o Filho do Pai,

se

faz menino, assume a nossa humanidade, cresce como um jovem no seio de uma família, vive a

experiência da religiosidade e da lei, a vida quotidiana cadenciada pelos dias de trabalho e pelo descanso do sábado, o calendário das festas. O «Filho do Altíssimo» reveste-se com o semblante da fragilidade e da pobreza, é acompanhado pelos pastores e por pessoas que manifestam a esperança de Israel. Porém, o mistério de Nazaré é muito mais: é o segredo que fascinou grandes santos, como Teresa de Lisieux e Charles de Foucauld.

Com efeito, o versículo de encerramento do episódio diz que Jesus «desceu com eles a Nazaré, permanecendo-lhes submisso. A sua mãe conservava todas estas coisas no seu coração. E Jesus crescia em estatura (maturidade), sabedoria e graça diante de Deus e dos homens». Eis o profundo mistério de Nazaré: Jesus, a Palavra de Deus em pessoa, imergiu-se na nossa humanidade durante trinta anos! As

palavras dos homens, as relações familiares, a experiência da amizade e da conflitualidade, da saúde e

da enfermidade, da alegria e do sofrimento tornaram-se linguagens que Jesus aprendeu, para proferir a

Palavra de Deus. De onde vêm, a não ser da família e do ambiente de Nazaré, as palavra de Jesus, as suas imagens, a sua capacidade de contemplar os campos, o camponês que semeia, a messe que lourece, a mulher que mistura a farinha, o pastor que extraviou a ovelha, o pai com os seus dois filhos.

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10. A FESTA, TEMPO PARA A COMUNIDADE

A. Canto e saudação inicial

B. Invocação do Espírito Santo

C. Leitura da Palavra de Deus

46 Unidos de coração, frequentavam todos os dias o templo. Partiam

o pão nas casas e consumavam as refeições com alegria e singeleza de coração, 47 louvando a Deus e cativando a simpatia de todo o povo. E o Senhor acrescentava cada dia à comunidade outros que estavam a caminho da salvação (Act 2, 46-47).

33 Com grande coragem os apóstolos davam testemunho da ressurreição do Senhor Jesus. Em todos eles havia uma grande a graça (Act 4, 33).

42 E todos os dias não cessavam de ensinar e de pregar o Evangelho de Jesus Cristo no templo e nas casas (Act 5, 42).

43 «Entre vós, porém, não será assim: todo o que quiser tornar-se grande entre vós, seja o vosso servo; 44 e todo o que entre vós quiser ser o primeiro, seja escravo de todos. 45 Porque o Filho do homem não veio para ser servido, mas para servir e dar a sua vida em resgate por muitos» (Mc 10, 43-45).

1 Havia então na Igreja de Antioquia profetas e doutores, entre eles Barnabé, Simão, chamado o Negro, Lúcio de Cirene, Manaém, companheiro de infância do tetrarca Herodes, e Saulo. 2 Enquanto celebravam o culto do Senhor, depois de terem jejuado, disse-lhes

o Espírito Santo: «Separai-me Barnabé e Saulo para a obra à qual

os destinei». 3 Então, jejuando e orando, impuseram-lhes as mãos

e despediram-nos. 4 Enviados assim pelo Espírito Santo, foram a

Selêucia e dali navegaram para a ilha de Chipre. 5 Tendo chegado

a Salamina, começaram a pregar a palavra de Deus nas sinagogas

dos judeus. Estava com eles João, que os assistia (Act 13, 1-5).

D. Catequese bíblica

1. Dia da comunhão.

O dia do Senhor faz viver a festa como um tempo para os outros, dia da comunhão e da missão. A

eucaristia é memória do gesto de Jesus: isto é o meu corpo entregue, isto é o meu sangue derramado

por vós e por todos. O «por vós e por todos» vincula intimamente a vida fraterna (por vós) e a abertura

a todos (pela multidão). Na conjunção «e» encontra-se toda a força da missão evangelizadora da família e da comunidade: é doado a nós, a fim de que venha a ser para todos.

A Igreja que nasce da eucaristia dominical está aberta a todos. A primeira forma de missão consiste

em construir a comunhão entre os fiéis, em fazer da comunidade uma família de famílias. Esta é

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Onde foi que Jesus aprendeu a sua surpreendente capacidade de narrar, imaginar, comparar e pregar na vida e com a vida? Não vêm elas porventura da imersão de Jesus na vida de Nazaré? Por isso dizemos que Nazaré é o lugar da humildade e do escondimento. A palavra esconde-se, a semente desce ao ventre da terra e morre para trazer como fruto o amor do próprio Deus, aliás, o rosto paterno de Deus. Este é o mistério de Nazaré.

3. Os vínculos familiares. Jesus vive numa família caracterizada pela espiritualidade judaica e pela fidelidade à lei: «Os seus pais iam todos os anos a Jerusalém, para a festa da Páscoa. Tendo ele completado doze anos, subiram a

Jerusalém, segundo a tradição da festa». A família e a lei constituem o contexto onde Jesus cresce em sabedoria e graça. A família e a religiosidade judaicas, uma família patriarcal e uma religião doméstica, com as suas festas anuais, com o sentido do sábado, com a oração e o trabalho diário, com

o estilo de um amor de casal puro e meigo, fazem compreender que Jesus viveu profundamente a sua família.

Também nós crescemos numa família humana, dentro de vínculos de acolhimento que nos fazem crescer e responder à vida e a Deus. Também nós nos tornamos aquilo que recebemos. O mistério de Nazaré é o conjunto de todos estes vínculos: a família e a religiosidade, as nossas raízes e o nosso povo, a vida diária e os sonhos para o porvir. A aventura da vida humana começa a partir daquilo que recebemos: a vida, a casa, o afecto, a língua e a fé. A nossa humanidade é forjada por uma família, com as suas riquezas e as suas pobrezas.

E. Escuta do Magistério

A vida de família traz consigo um estilo singular, novo e criativo, que deve ser vivido e saboreado no casal e transmitido aos filhos, a fim de que transforme o mundo. O estilo evangélico da vida familiar influi dentro e além do círculo eclesial, fazendo resplandecer o carisma do matrimónio, o mandamento novo do amor a Deus e ao próximo. De maneira sugestiva, o n. 64 da Familiaris Consortio exorta-nos a descobrir de novo um rosto mais familiar de Igreja, com a adopção de «um estilo de relações mais humano e fraterno».

Estilo evangélico da vida em família

«Animada e sustentada pelo mandamento novo do amor, a família cristã vive a acolhida, o respeito, o serviço para com a homem, considerado sempre na sua dignidade de pessoa e de filho de Deus.

Isto deve acontecer, antes de tudo, no e para o casal e para a família, mediante o empenho quotidiano

de promover uma autêntica comunidade de pessoas, fundada e alimentada por uma íntima comunhão

de amor. Deve além disso ampliar-se para o círculo mais universal da comunidade eclesial, dentro da qual a família cristã está inserida: graças à caridade da família, a Igreja pode e deve assumir uma dimensão mais doméstica, isto é, mais familiar, adoptando um estilo de relações mais humano e fraterno.

A caridade ultrapassa os próprios irmãos na fé, porque “todo o homem é meu irmão”; em cada um,

sobretudo se pobre, fraco, sofredor e injustamente tratado, a caridade sabe descobrir o rosto de Cristo e um irmão a amar e a servir.

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Para que o serviço ao homem seja vivido pela família segundo o estilo evangélico, será

Para que o serviço ao homem seja vivido pela família segundo o estilo evangélico, será necessário pôr em prática com urgência o que escreve o Concílio Vaticano II: “Para que este exercício da caridade seja e apareça acima de toda a suspeita, considere-se no próximo a imagem de Deus, para o qual foi criado, veja-se nele Cristo, a quem realmente se oferece tudo o que se dá ao indigente” (AA 8)». [Familiaris Consortio, 64]

F. Perguntas para o casal e o grupo

PARA O CASAL

1. A nossa família é lugar que recebe e gera a vida em plenitude, nas várias dimensões humanas e cristãs?

2. Que escolhas fazemos para que a família seja espaço onde crescer em plenitude e graça de Deus?

3. Que tipo de vínculos familiares, afectivos e religiosos alimentam o crescimento do casal e dos filhos?

PARA O GRUPO FAMILIAR E A COMUNIDADE

1. Quais são os novos estilos de vida para a família de hoje, entre trabalho e festa?

2. Quais são as escolhas e os critérios que orientam a nossa vida quotidiana?

3. Quais são as dificuldades comunicativas e sociais que se devem enfrentar para fazer da família um lugar de crescimento humano e cristão?

4. Quais são as dificuldades culturais que se encontram na transmissão das formas da vida boa e da fé?

G. Um compromisso para a vida familiar e social

H. Orações espontâneas.

 

Pai-Nosso

I.

Canto final

ÍNDICE

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F. Perguntas para o casal e o grupo

PARA O CASAL

1. Como são sentidos na nossa família o domingo e o encontro com o Senhor ressuscitado?

2. Os gestos e a ritualidade em casa e na comunidade permitem sentir a vida nova do Ressuscitado, a alegria da sua presença?

3. A experiência da gratuidade dos bens e do tempo, a escuta da Palavra em casa e na igreja, a mesa eucarística compartilhada, fazem-nos viver o domingo como Páscoa semanal?

4. Em que momentos do ano, especialmente, e com que gestos vivemos a eucaristia dominical, como tempo da espera e da esperança?

PARA O GRUPO FAMILIAR E A COMUNIDADE

1. Na sociedade contemporânea, o que é que impede de viver o domingo como dies dominicus (dia do Senhor)?

2. A educação para o rito e a atmosfera da comunidade cristã introduzem verdadeiramente no encontro com o Crucificado ressuscitado?

3. Como pode o domingo tornar-se o dia do Evangelho e da memória da ressurreição de Jesus?

4. De que modo o caminho do ano litúrgico, com os seus tempos e as suas festas, consegue manifestar a espera do Senhor?

G. Um compromisso para a vida familiar e social

H. Orações espontâneas. Pai-Nosso

I. Canto final

ÍNDICE

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O domingo é o dia da assembleia dos cristãos e faz-nos sentir o clima das

O domingo é o dia da assembleia dos cristãos e faz-nos sentir o clima das primeiras comunidades, que

viviam a eucaristia dominical como uma «antecipação» da vida nova conferida pelo Ressuscitado e «promessa» da transformação do mundo. Hoje, a Igreja e a família são novamente convocadas a esta nascente que jorra, a fim de que a originalidade do domingo cristão não venha a perder-se. Sobretudo em alguns períodos do ano, como o Advento e o Natal, renova-se a espera da vinda do Senhor, através dos gestos que em família e na comunidade alimentam o sentido da esperança.

E. Escuta do Magistério

A família é coisa do domingo, «dia de alegria e de descanso»: é assim que o define o

Concílio Vaticano II, na Constituição Sacrosanctum concilium. Deve ser coisa não tanto do domingo como dia livre, descanso colectivo, festa popular, mas principalmente do domingo como «dia do Senhor», ou seja, como dia da assembleia eucarística, da qual parte e para a qual converge (fonte e ápice), em unidade de tempo e de lugar, toda a vida cristã. Os outros aspectos do domingo vêm sucessivamente: são

importantes, mas não essenciais. A assembleia eucarística é necessária para a família.

A família cristã organiza a sua vida, educa-se a si mesma e os seus filhos, de maneira a

poder dar à missa a precedência sobre qualquer outro compromisso.

Domingo, dia do Senhor «Por tradição apostólica, que nasceu do próprio dia da Ressurreição de Cristo, a Igreja celebra o mistério pascal de oito em oito dias, no dia que justamente se denomina dia do Senhor, ou domingo. Nesse dia devem os fiéis reunir- se para participar na Eucaristia e para ouvir a palavra de Deus, e assim recordar a Paixão, a Ressurreição e a glória do Senhor Jesus, e dar graças a Deus que os “regenerou para uma esperança viva pela Ressurreição de Jesus Cristo de entre os mortos” (1 Pd 1, 3). O domingo

é, pois, o principal dia de festa a propor e a inculcar no espírito dos fiéis; seja também o dia da alegria

e do repouso.

Não deve ser sacrificado a outras celebrações que não sejam da máxima importância, porque o domingo é o fundamento e o centro de todo o ano litúrgico».

[Sacrosanctum Concilium, 106]

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2. A FAMÍLIA GERA A VIDA

A. Canto e saudação inicial

B. Invocação do Espírito Santo

C. Leitura da Palavra de Deus

27 Deus criou o homem à sua imagem; criou-o à imagem de Deus:

criou-os varão e mulher (Gn 1, 27).

18 E o Senhor Deus disse: «Não é bom que o homem esteja só: vou dar-lhe uma ajuda, que lhe seja adequada». 19 Tendo, pois, o Senhor Deus formado da terra todos os animais dos campos e

todas as aves dos céus, levou-os ao homem para ver como ele lhes havia de chamar: e cada nome que o homem deu aos animais vivos, tal devia ser o seu verdadeiro nome. 20 Assim, o homem deu um nome a todos os animais, a todas as aves dos céus e a todos os animais dos campos; mas não se encontrava para o homem uma ajuda que lhe fosse adequada. 21 Então, o Senhor Deus mandou descer sobre o homem um profundo sono; e enquanto ele dormia, tirou-lhe uma costela e fechou com a carne o seu lugar. 22 E da costela que tinha tirado do homem, o Senhor Deus criou uma mulher, e levou-a para junto do homem. 23 Então, o homem disse:

«Eis agora aqui,

o

osso dos meus ossos,

e

a carne da minha carne;

ela chamar-se-á mulher, porque foi tirada do homem». 24 Por isso, o homem deixará o seu pai e a sua mãe para se unir à sua mulher; e os dois serão uma só carne (Gn 2, 18-24).

D. Catequese bíblica

1. Criou-os varão e mulher. Por que motivo Deus criou o homem e a mulher? Por que quis que no casal humano, mais do que em qualquer outra criatura, resplandecesse a sua imagem? O homem e a mulher que se amam, com todo o seu ser, são o berço que Deus escolheu para ali depositar o seu amor, a fim de que cada filho e cada filha que nascem no mundo possa conhecê-lo, recebê-lo e vivê-lo, de geração em geração, prestando louvor ao Criador.

Nas primeiras páginas da Bíblia explica-se o bem que Deus pensou para as suas criaturas. Deus criou o homem e a mulher iguais em dignidade, e no entanto diferentes: um é homem, e o outro é mulher. A semelhança unida à diferença sexual permite aos dois entrar em diálogo criativo, estabelecendo uma aliança de vida. Na Bíblia, a aliança com o Senhor é aquilo que dá vida ao povo, em relação ao mundo e à história da humanidade inteira. Aquilo que a Bíblia ensina a propósito da humanidade e de Deus

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encontra a sua raiz na vicissitude do Êxodo, em que Israel experimenta a proximidade benévola

encontra a sua raiz na vicissitude do Êxodo, em que Israel experimenta a proximidade benévola do Senhor e se torna seu povo, dando o seu consenso àquela aliança, a única da qual deriva a vida.

A história da aliança do Senhor com o seu povo ilumina a narração da criação do homem e da mulher.

Eles são criados para uma aliança que não diz respeito unicamente a eles mesmos, mas envolve o Criador:

«Criou-os à imagem e semelhança de Deus: criou-os varão e mulher».

A família nasce do casal pensado, na sua própria diferença sexuada, à imagem do Deus da aliança.

Nela, a linguagem do corpo tem um grande relevo, narra algo acerca do próprio Deus. A aliança que

um homem e uma mulher, na sua diferença e complementaridade, são chamados a viver é à imagem e semelhança do Deus aliado do seu povo. O corpo feminino está predisposto a desejar e a receber o corpo masculino, e vice-versa, mas ainda antes a mesma coisa é válida para a «mente» e para o

«coração». O encontro com uma pessoa do outro sexo suscita sempre curiosidade, apreço, desejo de se

fazer notar, de dar o melhor de si, de demonstrar o próprio valor, de cuidar, de proteger

um encontro sempre dinâmico, cheio de energia positiva, porque no relacionamento com o outro/outra descobrimos e desenvolvemos-nos a nós mesmos. A identidade masculina e feminina é salientada especialmente quando entre ele e ela surge a maravilha pelo encontro e o desejo de estabelecer um vínculo.

; trata-se de

Na narração de Gn 2, Adão descobre-se homem precisamente no momento em que reconhece a mulher: o encontro com a mulher faz-lhe entender e mencionar o seu ser homem. O reconhecimento recíproco do homem e da mulher derrota o mal da solidão e revela a bondade da aliança conjugal. Contrariamente àquilo que afirma a ideologia do «gender», a diferença dos dois sexos é muito importante.

É o pressuposto para que cada um possa desenvolver a sua própria humanidade na relação e na

interacção com o outro. Quando os dois cônjuges se entregam totalmente um ao outro, juntos doam-se também aos filhos que poderiam nascer. Tal dinâmica do dom é depauperada, cada vez que se recorre a uma utilização egoísta da sexualidade, excluindo toda a abertura à vida.

2. Não é bom que o homem esteja só. Para cumular a solidão de Adão, Deus cria para ele «uma ajuda que lhe seja adequada». Na Bíblia, o

termo «ajuda» tem sobretudo Deus como sujeito, a ponto de se tornar um título divino («O Senhor está comigo, é a minha ajuda» Sl 117, 7); além disso, com «ajuda» não se entende uma intervenção genérica, mas o socorro oferecido diante de um perigo mortal. Criando a mulher como ajuda que lhe seja adequada, Deus subtrai o homem à má solidão que mortifica, inserindo-o na aliança que dá a vida:

a aliança conjugal, em que o homem e a mulher se concedem reciprocamente a vida; a aliança genitorial, em que pai e mãe transmitem a vida aos filhos.

A mulher e o homem são, um para o outro, uma «ajuda» que «está à sua frente», sustém, compartilha

e comunica, excluindo qualquer forma de inferioridade ou de superioridade. A igual dignidade entre o homem e a mulher não admite qualquer hierarquia e, ao mesmo tempo, não exclui a diferença. A diferença permite ao homem e à mulher estreitar-se em aliança, e a aliança fortalece-os. É quanto ensina o livro de Ben Sirac: «Aquele que possui uma mulher virtuosa, sabe como se tornar rico; há uma ajuda que lhe é semelhante, uma coluna de apoio. Onde não existe uma cerca, os bens ficam

expostos ao roubo; onde não há uma mulher, o homem suspira de necessidade» (Eclo 36, 26-27).

O homem e a mulher que se amam no desejo e na ternura dos corpos, assim como na profundidade do

diálogo, tornam-se aliados que se reconhecem um graças ou outro, mantendo a palavra dada, são fiéis

ao pacto, sustentam-se mutuamente para realizar aquela semelhança com Deus à qual, como varão e mulher, são chamados desde a fundação do mundo. Ao longo do caminho da vida aprofundam a

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Jesus, as aparições pascais e a efusão do Espírito. Os cristãos das origens retomaram o ritmo semanal judaico mas, a partir da ressurreição, começaram a dar uma importância fundamental ao «primeiro dia depois do sábado» (Lc 24, 1). No âmbito desse dia, João e Lucas inserem a memória das refeições consumidas em companhia do Ressuscitado (cf. Lc 24, 13-35 e Jo 21, 1-14), colorando-os com traços eucarísticos. O texto contido no capítulo 21 de São João descreve bem a atmosfera dos encontros eucarísticos das primeiras comunidades cristãs. Jesus «toma, dá graças e distribui» o pão partido (Jo 21, 12.9-14), e é «reconhecido ao partir o pão» (Lc 24, 30.35). Em continuidade com as refeições de Jesus colocam-se as «reuniões» do primeiro dia da semana, recordadas em Act 20, 7 como um momento da assembleia comunitária para «partir o pão» e para ouvir a palavra do apóstolo, e mencionadas em 1 Cor 16, 2 como dia da colecta para os pobres de Jerusalém. Por este motivo, o domingo é conotado por estes três elementos: a escuta da Palavra, o partir do pão para a partilha fraterna e a caridade.

Mais tarde, em Ap 1, 10, será chamada o «Dia do Senhor». Assim, a Igreja das origens confirma o vínculo de continuidade e de diferença em relação ao sábado. O «dia do Senhor» é o dia da memória da ressurreição.

Participando na missa, a família dedica espaço e tempo, oferece energias e recursos, aprende que a vida não é feita unicamente de necessidades a atender, mas de relações a construir. A gratuidade da eucaristia dominical exige que a família participe na memória da Páscoa de Jesus. Na missa, a família alimenta-se na mesa da palavra e do pão, que dá sabor e sentido às palavras e ao alimento compartilhado à mesa de casa. Desde crianças, os filhos devem ser educados para a escuta da palavra, retomando em casa aquilo que se ouve na comunidade. Isto permitir-lhes-á descobrir o domingo como «dia do Senhor». O encontro com Jesus ressuscitado, no âmago do domingo, deve alimentar-se na memória de Jesus, na narração do Evangelho, na realidade do pão partido e do corpo oferecido. A memória do Crucificado ressuscitado marca a diferença do domingo em relação ao tempo livre: se não nos encontrarmos com Ele, a festa não se realiza, a comunhão é apenas um sentimento e a caridade se reduz a um gesto de solidariedade, que no entanto não constrói a comunidade cristã e não educa para a missão. Enquanto nos introduz no coração de Deus, a eucaristia do domingo faz a família, e a família, na comunidade cristã, faz de um certo modo a Eucaristia.

3. O domingo nos primeiros séculos. Nos primeiros tempos da vida da Igreja, o domingo e a eucaristia no dia do Senhor punham fortemente em evidência também a espera da vinda do Senhor. São Justino, filósofo e mártir, deixou-nos a imagem sugestiva da comunidade cristã congregada no «dia do Senhor», correspondente ao dia seguinte ao sábado.

«No dia, chamado do Sol, reúne-se a assembleia. Todos aqueles que moram na cidade ou no campo encontram-se no mesmo lugar, para a leitura das memórias dos apóstolos ou dos escritos dos profetas, na medida que o tempo o permitir. Depois, quando o leitor termina, aquele que preside dirige palavras de admoestação e de exortação, que convidam a imitar gestas tão bonitas. Em seguida, levantamo-nos todos juntos e elevamos orações; quando terminamos de orar, trazem pão, vinho e água. Então, aquele que preside formula a oração de louvor e de acção de graças, com todo o fervor, e o povo aclama:

Amém!

Enfim, a cada um dos presentes são distribuídos e comunicados os elementos sobre os quais foram dadas graças, enquanto os mesmos são enviados aos ausentes por mão dos diáconos. No fim, aqueles que possuem em abundância e que o desejarem, oferecem livremente quanto quiserem. Aquilo que se reúne é depositado junto de quem preside, e ele socorre os órfãos, as viúvas e quantos, por doença ou por outro motivo, se encontram em necessidade, e depois também aqueles que estão na prisão e os peregrinos que chegam de fora. Em síntese, cuida de todos os necessitados» (cf. I Apologia, LXVII,

36).

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D. Catequese bíblica 1. Jesus, «Senhor» do sábado . O domingo nasce como «memória» semanal

D. Catequese bíblica

1.

Jesus, «Senhor» do sábado.

O

domingo nasce como «memória» semanal da ressurreição de Jesus, celebra a «presença» real do

Senhor ressuscitado, cumpre a «promessa» da sua vinda gloriosa. Nos primeiros tempos do cristianismo, o dies dominicus não substituiu imediatamente o sábado judaico, mas viveu em simbiose com ele. Para compreender isto, temos que meditar sobre três momentos: a relação entre Jesus e o sábado; o surgimento do primeiro dia da semana; o domingo nos primeiros séculos. Nestes três momentos torna-se presente o significado espiritual e teológico do domingo cristão como memória, presença e promessa.

No Evangelho, Jesus manifestou uma liberdade particular em relação ao sábado, a tal ponto que a sua actividade taumatúrgica parece concentrar-se naquele dia: pensemos no episódio das espigas recolhidas no dia de sábado (cf. Mc 2, 23-28; Mt 12, 1-8; Lc 6, 1-5); na cura do homem com a mão seca (cf. Mc 3, 1-6; Mt 12, 9-14; Lc 6, 6-11), da mulher curvada (cf. Lc 13, 10-17) e de um homem hidrópico (cf. Lc 14, 1-6). O evangelista João insere num dia de sábado a cura do paralítico na piscina (cf. 5, 1-18) e o episódio do cego de nascença (9, 1-41). Em relação ao sábado, Jesus move-se numa tríplice perspectiva. Antes de tudo, Jesus confirma a veneração pelo mandamento do sábado: para além da prática legalista dos fariseus, Jesus reconhece, vive e recomenda o significado do sábado.

O episódio das espigas recolhidas num dia de sábado interpreta a Lei à luz da vontade de Deus: «O

sábado foi feito para o homem, e não o homem para o sábado». O sábado tem como finalidade a vida plena do homem (cf. Mc 3, 4; Mt 12, 11-12). Em segundo lugar: Jesus cumpre o sentido do sábado, libertando o homem do mal. O sábado é o auge da obra de Deus, e o homem é criado para o sábado autêntico, ou seja, a comunhão com Deus. A missão de Jesus cumpre-se no gesto de oferecer à humanidade a graça de realizar a sua vocação, aquela para a qual Deus a criou desde a origem. Isto acontece sobretudo para aqueles que vivem feridos no corpo e na alma: os doentes, os aleijados, os cegos, os pecadores.

O sábado é o dia dos gestos de libertação de Jesus. Enfim, Jesus é o «Senhor» do sábado. Renovando a

obra de criação e de libertação do mal, Jesus revela-se a si mesmo como plenitude de vida, finalidade

do mandamento sabático. Jesus é o o Senhor do sábado porque é o Filho e, como Filho, introduz na

plenitude do sábado.

Para experimentar a «presença» do Senhor ressuscitado, a família deve deixar-se iluminar pela eucaristia dominical. A celebração da missa torna-se o fulcro vivo e pulsante do dia do Senhor, da sua presença aqui e hoje como Ressuscitado. A eucaristia faz-nos chegar à margem do mistério santo de Deus. No domingo, a família encontra o centro da semana, o dia que conserva a sua vida quotidiana. Isto acontece quando a família se interroga: podemos encontrar juntos o mistério de Deus? Na sua simplicidade, a celebração deixa que o «mistério» de Deus venha ao nosso encontro.

O rito coloca a família em contacto com a nascente da vida, a comunhão com Deus e a comunhão

fraternal. Aliás, muito mais: o mistério cristão é a vida nova de Jesus ressuscitado, que se torna presente na assembleia eucarística. A eucaristia dominical constitui o fulcro do domingo e da festa. Nela a família recebe a vida nova do Ressuscitado, acolhe o dom do Espírito, ouve a palavra, compartilha o pão eucarístico e manifesta-se no amor fraterno. Por isso, o domingo é o senhor dos dias, o dia do encontro com o Ressuscitado!

2.

O «primeiro dia da semana».

O

domingo é a «memória» da Páscoa de Jesus. Segundo o concorde testemunho evangélico, Cristo

ressuscitou no «primeiro dia da semana» (Mc 16, 2.9; Mt 28, 1; Lc 24, 1; Jo 20, 1). Nesse dia cumpriram-se todos os acontecimentos sobre os quais se fundamenta a fé cristã: a ressurreição de

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linguagem do corpo e da palavra, porque de ambos há tanta necessidade quanto do ar e da água. O homem e a mulher devem evitar as insídias do silêncio, da distância e da incompreensão. Não raro, os ritmos de trabalho, quando se tornam extenuantes, subtraem tempo e energias ao cuidado da relação entre os esposos: então, há necessidade do tempo da festa, que celebra a aliança e a vida.

A criação da mulher tem lugar enquanto o homem dorme profundamente. O sono que Deus faz descer

sobre ele exprime o seu abandonar-se a um mistério, que lhe é impossível compreender.

A origem da mulher permanece envolvida no mistério de Deus, como misteriosa permanece para cada

casal a origem do seu próprio amor, o motivo do seu encontro e da atracção recíproca que os levou à

comunhão de vida. No entanto, uma coisa parece certa: na relação conjugal, Deus inscreveu a «lógica» do seu amor, para a qual o bem da própria vida consiste em doar-se um ao outro.

O amor conjugal, feito de atracção, companhia, diálogo, amizade, atenção… mergulha as suas raízes

no amor de Deus, que desde a origem pensou o homem e a mulher como criaturas que se amassem

com o seu próprio amor, não obstante a ameaça do pecado possa tornar o seu relacionamento cansativo

e ambíguo. Infelizmente, o pecado substitui a lógica do amor, do dom de si mesmo com a lógica do poder, do domínio e da própria afirmação egoísta.

3. Os dois serão uma só carne. Criada da costela do homem, a mulher é «carne da sua carne e osso dos seus ossos». Por este motivo, a mulher participa da debilidade – a carne – do homem, mas também da sua estrutura basilar – o osso. Um comentário do Talmude observa que «Deus não criou a mulher a partir da cabeça do homem, para que o dominasse; não a criou dos pés, a fim de que fosse submissa ao homem; mas criou-a da costela, para que permanecesse próxima do seu coração». A estas palavras fazem eco as palavras da «amada»,

do Cântico dos Cânticos: «Põe-me como um selo sobre o teu coração

união profunda e intensa à qual aspira e à qual está destinado o amor conjugal.

(8, 6). Elas manifestam a

»

«Eis agora aqui, o osso dos meus ossos, a carne da minha carne»: o homem pronuncia estas suas primeiras palavras diante da mulher. Até àquele momento ele tinha «trabalhado», dando um nome aos animais, mas permanecendo ainda sozinho, incapaz de pronunciar palavras de comunhão. No entanto, quando vê diante de si a mulher, o homem profere palavras de admiração, reconhecendo nela a grandeza de Deus e a beleza dos afectos.

Deus confia a sua criação à comunhão rica de enlevo, gratidão e solidariedade de um homem e de uma mulher. Aliando-se no amor, ao longo do tempo eles tornar-se-ao «uma só carne».

A expressão «uma só carne» faz certamente alusão ao filho, mas ainda mais evoca a comunhão

interpessoal que envolve de maneira total o homem e a mulher, a ponto de constituírem uma nova realidade. Assim unidos, o homem e a mulher poderão e deverão dispor-se à transmissão da vida, ao acolhimento, gerando filhos mas também abrindo-se às formas de acolhimento e de adopção. Com efeito, a intimidade conjugal é o lugar originário predisposto e desejado por Deus, onde a vida humana não apenas é gerada e nasce, mas também é acolhida e aprende toda a constelação dos afectos e dos vínculos pessoais.

No casal existe admiração, acolhimento, dedicação, alívio à infelicidade e à solidão, aliança e gratidão pelas obras maravilhosas de Deus. E deste modo ela torna-se terreno fértil onde a vida humana é semeada, germina e vem à luz. Lugar de vida, lugar de Deus: acolhendo tanto um como o Outro, o casal humano realiza o seu destino ao serviço da criação e, tornando-se cada vez mais semelhante ao seu Criador, percorre o caminho rumo à santidade.

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E. Escuta do Magistério Na vida de família, os relacionamentos interpessoais encontram o fundamento e

E. Escuta do Magistério

Na vida de família, os relacionamentos interpessoais encontram o fundamento e recebem o alimento do mistério do amor. O matrimónio cristão, aquele vínculo pelo qual o homem e a mulher prometem amar-se no Senhor para sempre e com todo o seu ser, constitui a nascente que alimenta e vivifica as relações entre todos os membros da família. Não é por acaso que, nas seguintes citações tiradas da Familiaris consortio e da Evangelium vitae, para explicar o segredo da vida doméstica, aprecem repetidas vezes os termos «comunhão» e «dom».

O amor, nascente e alma da vida familiar

«A comunhão conjugal constitui o fundamento sobre o qual se continua a edificar a mais ampla comunhão da família: dos pais e dos filhos, dos irmãos e das irmãs entre si, dos parentes e de outros familiares.

Tal comunhão radica-se nos laços naturais da carne e do sangue, e desenvolve-se encontrando o seu aperfeiçoamento propriamente humano na instauração e maturação dos laços ainda mais profundos e ricos do espírito: o amor, que anima as relações interpessoais dos diversos membros da família, constitui a força interior que plasma e vivifica a comunhão e a comunidade familiar.

A família cristã é, portanto, chamada a fazer a experiência de uma comunhão nova e original, que confirma e aperfeiçoa a comunhão natural e humana. Na realidade, a graça de Jesus Cristo, “o Primogénito entre muitos irmãos” (Rm 8, 29), é por sua natureza e dinamismo interior uma “graça de fraternidade”, como lhe chama S. Tomás de Aquino (Summa Theologiae IIª-IIIIae, 14, 2 ad 4). O Espírito Santo, que se infunde na celebração dos sacramentos, é a raiz viva e o alimento inexaurível da comunhão sobrenatural que estreita e vincula os crentes com Cristo, na unidade da Igreja de Deus. Uma revelação e actuação específica da comunhão eclesial é constituída pela família cristã que também, por isto, se pode e deve chamar “Igreja doméstica” (LG, 11; cf. também AA, 11).

Todos os membros da família, cada um segundo o dom que lhe é peculiar, possuem a graça e a responsabilidade de construir, dia após dia, a comunhão de pessoas, fazendo da família uma “escola de humanismo mais completo e mais rico” (GS, 52): é o que vemos surgir com o cuidado e o amor para com os mais pequenos, os doentes e os anciãos; com o serviço recíproco de todos os dias; com a co- participação nos bens, nas alegrias e nos sofrimentos».

[Familiaris Consortio, 21]

«A família tem a ver com os seus membros durante toda a existência de cada um, desde o nascimento

o lugar onde a vida, dom de Deus, pode

ser convenientemente acolhida e protegida contra os múltiplos ataques a que está exposta, e pode desenvolver-se segundo as exigências de um crescimento humano autêntico” (Centesimus annus, 39). Por isso, o papel da família é determinante e insubstituível na construção da cultura da vida.

até à morte. Ela é verdadeiramente “o santuário da vida (

),

Como igreja doméstica, a família é chamada a anunciar, celebrar e servir o Evangelho da vida. Esta tríplice função compete primariamente aos cônjuges, chamados a serem transmissores da vida, apoiados numa consciência sempre renovada do sentido da geração, enquanto acontecimento onde, de modo privilegiado, se manifesta que a vida humana é um dom recebido a fim de, por sua vez, ser dado. Na geração de uma nova vida, eles tomam consciência de que o filho “se é fruto da recíproca doação de amor dos pais é, por sua vez, um dom para ambos: um dom que promana do dom” (Discurso aos participantes no VII Simpósio de bispos europeus, 17 de Outubro de 1989).

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9. A FESTA, TEMPO PARA O SENHOR

A. Canto e saudação inicial

B. Invocação do Espírito Santo

C. Leitura da Palavra de Deus

23 Num dia de sábado, o Senhor caminhava pelos campos e os seus discípulos, andando, começaram a colher espigas. 24 Os fariseus disseram-lhe: «Vê! Por que fazem eles no sábado o que não é permitido? ». Jesus respondeu-lhes: 25 «Nunca lestes o que fez David, quando se achou em necessidade e teve fome, ele e os seus companheiros? 26 Ele entrou na casa de Deus, sendo Abiatar príncipe dos sacerdotes, e comeu os pães da proposição, dos quais só aos sacerdotes era permitido comer, e deu-os também aos seus companheiros ». 27 E dizia-lhes: «O sábado foi feito para o homem, e não o homem para o sábado; 28 e, por isso, o Filho do homem é senhor também do sábado» (Mc 2, 23-28).

1 Depois disso, Jesus voltou a manifestar-se aos seus discípulos, junto do lago de Tiberíades. Manifestou-se-lhes deste modo: 2 Estavam juntos Simão Pedro, Tomé (chamado Dídimo), Natanael (que era de Caná da Galileia), os filhos de Zebedeu e outros dois dos seus discípulos. 3 Disse-lhes Simão Pedro: «Eu vou pescar». Responderam- lhe eles: «Também nós vamos contigo». Partiram e entraram na barca. Naquela noite, porém, nada apanharam. 4 Tendo chegado a manhã, Jesus estava na praia. Todavia, os discípulos não O reconheceram. 5 Perguntou-lhes Jesus: «Amigos, não tendes acaso alguma coisa para comer?». «Não», responderam-lhe. 6 Disse-lhes: «Lançai a rede ao lado direito da barca e achareis». Lançaram-na, e já não podiam arrastá-la, por causa da grande quantidade de peixes. 7 Então aquele discípulo, que Jesus amava, disse a Pedro: «É o Senhor!». Quando Simão Pedro ouviu dizer que era o Senhor, cingiu-se com a túnica (porque estava nu) e lançou-se na águas. 8 Os outros discípulos vieram na barca, arrastando a rede dos peixes (pois não estavam muito longe da terra, somente cerca de duzentos côvados). 9 Quando chegaram à terra, viram umas brasas preparadas e um peixe em cima delas, além do pão. 10 Disse-lhes Jesus: «Trazei aqui alguns dos peixes que agora apanhastes». 11 Subiu Simão Pedro e puxou a rede para a terra, cheia com cento e cinquenta e três peixes grandes. Apesar de serem tantos, a rede não se rompeu. 12 Disse-lhes Jesus: «Vinde, comei». Nenhum dos discípulos ousou perguntar-lhe: «Quem és tu?», pois bem sabiam que era o Senhor. 13 Jesus aproximou-se, tomou o pão e deu-lhes, e do mesmo modo fez com o peixe. 14 Esta era já a terceira vez que Jesus se manifestava aos seus discípulos, depois de ter ressuscitado dentre os mortos (Jo 21, 1-14).

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Na medida em que esta “lembrança”, repleta de gratidão e louvor a Deus , estiver

Na medida em que esta “lembrança”, repleta de gratidão e louvor a Deus, estiver viva, o repouso do homem, no dia do Senhor, assume o seu pleno significado. Por ele, o homem entra na dimensão do “repouso” de Deus para dele participar em profundidade, tornando-se assim capaz de experimentar aquele regozijo de alegria que o próprio Criador sentiu depois da criação, vendo que toda a sua obra “era muito boa” (Gn 1, 31)». [Dies Domini, 16-17]

F. Perguntas para o casal e o grupo

PARA O CASAL

1.

Como vivemos o estilo do domingo na nossa família?

2.

O

nosso domingo é um dia de «descanso no Senhor»?

3.

Para a Bíblia, a festa é um tempo de liberdade interior, de escuta recíproca e de proximidade familiar: como é a atmosfera doméstica no dia de domingo?

4.

O

encontro com Deus e com o próximo é o âmago da festa: o nosso domingo põe

verdadeiramente no centro a celebração de Deus e o tempo para os outros?

PARA O GRUPO FAMILIAR E A COMUNIDADE

1.

Quais são, na sociedade actual, os estilos de vida da festa e do tempo livre?

2.

Que experiências propõem as comunidades cristãs, para viver o domingo como um tempo para Deus e para os outros?

3.

A

paróquia e as agregações eclesiais ajudam a «guardar o domingo»: que iniciativas podem ser

 

tomadas?

4.

De que modo a celebração dominical pode tornar-se a «sarça ardente», que ajuda a reencontrar

o sentido de Deus?

G. Um compromisso para a vida familiar e social

H. Orações espontâneas. Pai-Nosso

I. Canto final

ÍNDICE

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A família cumpre a sua missão de anunciar o Evangelho da vida, principalmente através da educação

dos filhos. Pela palavra e pelo exemplo, no relacionamento mútuo e nas opções quotidianas, e

mediante gestos e sinais concretos, os pais iniciam os seus filhos na liberdade autêntica, que se realiza no dom sincero de si, e cultivam neles o respeito do outro, o sentido da justiça, o acolhimento cordial,

o diálogo, o serviço generoso, a solidariedade e os demais valores que ajudam a viver a existência

como um dom. A obra educadora dos pais cristãos deve constituir um serviço à fé dos filhos e prestar uma ajuda para eles cumprirem a vocação recebida de Deus. Faz parte da missão educadora dos pais ensinar e testemunhar aos filhos o verdadeiro sentido do sofrimento e da morte: pode-lo-ao fazer, se souberem estar atentos a todo o sofrimento existente ao seu redor e, antes ainda, se souberem desenvolver atitudes de solidariedade, assistência e partilha com doentes e idosos no âmbito familiar». [Evangelium Vitae, 92]

F. Perguntas para o casal e o grupo

PARA O CASAL

1. Como vivemos o desejo e a ternura na nossa relação?

2. Quais são os obstáculos que impedem o nosso caminho de profunda aliança?

3. O nosso amor conjugal está aberto aos filhos, à sociedade e à Igreja?

4. Que pequena decisão podemos tomar, para melhorar o nosso entendimento?

PARA O GRUPO FAMILIAR E A COMUNIDADE

1. Como promover na nossa comunidade o valor do amor esponsal?

2. Como favorecer a comunicação e a ajuda recíproca entre as famílias?

3. Como ajudar aqueles que estão em dificuldade na vida conjugal e familiar?

G. Um compromisso para a vida familiar e social

H. Orações espontâneas.

 

Pai-Nosso

I.

Canto final

ICE

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é de transformar o nosso trabalho em oferta agradável, em reconhecimento do dom que nos foi

oferecido: a vida, o cônjuge, os filhos, a saúde, o trabalho, as quedas e as retomadas da existência. A liberdade cristã consiste na libertação do homem do trabalho e no trabalho, a fim de ser livre para Deus e para o próximo. O homem e a mulher, mas sobretudo a família, devem inscrever no seu estilo

de vida o sentido da festa, de maneira a viver não só como sujeitos em necessidade, mas como

comunidade do encontro.

O encontro com Deus e com o outro é o âmago da festa. A mesa dominical, em casa e com a

comunidade, é diferente daquela de todos os dias: a de cada dia serve para sobreviver, mas a do domingo serve para viver a alegria do encontro. A mesa festiva é tempo para Deus, espaço para a escuta e a comunhão, disponibilidade para o culto e a caridade. A celebração e o serviço são as suas formas fundamentais da lei, com as quais se honra a Deus e se recebe a sua dádiva de amor: no culto, Deus comunica-nos gratuitamente a sua caridade; no serviço, o dom recebido torna-se amor compartilhado e vivido com os outros. O dies Domini deve tornarse inclusive um dies hominis! Se a família se aproximar deste modo da festa, poderá vivê-la como o dia «do Senhor».

E. Escuta do Magistério

A família que sabe suspender o fluxo contínuo do tempo, fazendo uma pausa para

recordar com gratidão os benefícios recebidos do seu Senhor, exercita-se em entrar no descanso de Deus. A família chamada a descansar no Senhor sabe reorientar a dispersão dos dias para o dia de acção de graças. Sabe transformar a expectativa dos dias na única espera do Dia do Senhor. Volta, como o leproso curado, para dar graças

ao seu Senhor pela salvação de todos. Com a insistência da sua intercessão, abrevia o tempo da espera do oitavo dia, para o qual o Esposo promete à esposa: «Sim, eu venho depressa! Amém. Vinde, Senhor Jesus!» (Ap 22, 20).

Recorda-te do dia de sábado

«O mandamento do Decálogo, pelo qual Deus impõe a observância do sábado tem, no livro do Êxodo, uma formulação característica: “Recorda-te do dia de sábado, para o santificares” (20, 8). E mais adiante, o texto inspirado dá a razão disso mesmo, apelando-se à obra de Deus: “Porque em seis dias o Senhor fez o céu, a terra, o mar e tudo quanto eles contêm, e descansou no sétimo dia; por isso, o Senhor abençoou o dia de sábado e consagrou-o” (v. 11). Antes de impor qualquer coisa a ser praticada, o mandamento indica algo a recordar. Convida a avivar a memória daquela grande e fundamental obra de Deus que é a criação. É uma memória que deve animar toda a vida religiosa do homem, para depois confluir no dia em que ele é chamado a repousar. O repouso assume, assim, um típico valor sagrado: o fiel é convidado a repousar não só como Deus repousou, mas a repousar no Senhor, devolvendo- lhe toda a criação, no louvor, na acção de graças, na intimidade filial e na amizade esponsal.

O tema da “lembrança” das maravilhas realizadas por Deus, posto em relação com o repouso sabático,

aparece também no texto do Deuteronómio (cf. 5, 12-15), onde o fundamento do preceito é visto não tanto na obra da criação como sobretudo na libertação efectuada por Deus no êxodo: “Recorda-te de que foste escravo no país do Egipto, de onde o Senhor, teu Deus, te fez sair com mão forte e braço poderoso. É por isso que o Senhor, teu Deus, te ordenou que guardasses o dia de sábado” (Dt 5, 15).

Esta formulação é complementar da precedente: consideradas juntas, elas revelam o sentido do “dia do Senhor” no âmbito de uma perspectiva unitária de teologia da criação e da salvação. O conteúdo do preceito não é, pois, primariamente uma interrupção qualquer do trabalho, mas a celebração das maravilhas realizadas por Deus.

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confere a fecundidade ligada ao descanso de Deus. Assim, o culto e a festa dão

confere a fecundidade ligada ao descanso de Deus. Assim, o culto e a festa dão sentido ao tempo humano.

Através do culto, o tempo põe o homem em comunhão com Deus, e Deus entra na história do homem.

O sétimo dia conserva o tempo do homem, o seu espaço de gratuidade e de relação.

Hoje, a festa como «tempo livre» é vivida no contexto do «fim-de-semana», que tende a dilatar-se cada vez mais e adquire características de dispersão e de evasão. O tempo do week-end, particularmente agitado, sufoca o espaço do domingo. Em vez do descanso, privilegia-se a diversão, a fuga das cidades, e isto influi sobre a família, principalmente se tem filhos adolescentes e jovens. Ela tem dificuldade de encontrar um momento doméstico de serenidade e de proximidade. O domingo perde a sua dimensão familiar: é vivido mais como um tempo «individual» do que como um espaço «comum».

O tempo livre torna-se com frequência um dia «móvel» e corre o risco de não ser mais um dia «fixo»,

adaptando-se ao contrário às exigências do trabalho e da sua organização.

O homem não descansa somente para voltar ao trabalho, mas para fazer festa. É mais oportuno do que

nunca que as famílias voltem a descobrir a festa como lugar do encontro com Deus e da proximidade

recíproca, criando a atmosfera familiar sobretudo quando os filhos são pequenos. O clima vivido nos primeiros anos da casa natal permanece inscrito para sempre na memória do homem. Também os gestos da fé, no dia do domingo e nas festividades anuais, devem assinalar a vida da família, dentro de casa e na sua participação na vida da comunidade. «Não foi tanto Israel que conservou o sábado – afirmou-se – mas é o sábado que conservou Israel». Assim, também o domingo cristão conserva a família e a comunidade que a celebra, porque abre ao encontro com o mistério santo de Deus e renova

os relacionamentos familiares.

2. O mandamento de santificar o sábado.

O terceiro mandamento do decálogo recorda a libertação do Egipto, o dom da liberdade, que constitui

Israel como povo. Trata-se de um «sinal perene» da aliança entre Deus e o homem, em que participa toda a existência, até mesmo a vida animal. Nela participa também a terra (que tem o seu descanso no sétimo ano) e toda a criação (o jubileu, o sábado dos anos) (cf. Lv 25, 1-7 e 8-55). Por conseguinte, o

sábado do decálogo possui um significado social e libertador. O mandamento não é motivado apenas mediante a obra criadora, mas também com a obra redentora: «Recorda-te de que foste escravo no país do Egipto, de onde o Senhor, teu Deus, te fez sair… O Senhor, teu Deus, ordenou-te que guardasses o dia de sábado» (Dt 5, 15). Obra da criação e memorial da libertação caminham de mãos dadas. «Guardar o dia de sábado» significa realizar um «êxodo» para a liberdade do homem, passando da «escravidão» ao «serviço». Durante seis dias o homem servirá com esforço, mas no sétimo dia cessará o trabalho servil, a fim de poder servir na gratidão e no louvor.

Portanto, o sábado tira do serviço/escravidão, para introduzir no serviço/liberdade. Na Liturgia existe uma prece maravilhosa (Oração sobre as oferendas, do 20º Domingo), que nos pode ajudar a reencontrar a festa como cumprimento do trabalho do homem: «Recebei os nossos dons,ó Senhor, neste misterioso encontro entre a nossa pobreza e a vossa grandeza: nós oferecemos-vos aquilo que Vós nos concedestes e Vós, em contrapartida, oferecei-nos a Vós mesmo». Este texto invoca o prodigioso encontro entre a nossa pobreza e a grandeza de Deus. Este intercâmbio realiza-se no encontro entre o trabalho e a festa, entre a dimensão «produtiva» e a dimensão «gratuita» da vida. Em casa e na comunidade cristã, a família experimenta a alegria de transformar a vida de todos os dias numa liturgia viva. Na oração em casa, o casal prepara e irradia a celebração litúrgica festiva. Se os filhos virem os pais rezarem antes deles e com eles, aprenderão a orar na comunidade eclesial.

3. A oração sobre as oferendas, acima recordada, termina com estas expressões: «E Vós, em contrapartida, ofereceis-nos a Vós mesmo». Esta invocação pede a Deus não apenas a saúde, a tranquilidade e a paz familiar, mas nada menos do que Ele mesmo. O sentido da fatiga de todos os dias

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3. A FAMÍLIA VIVE A PROVAÇÃO

A. Canto e saudação inicial

B. Invocação do Espírito Santo

C. Leitura da Palavra de Deus

13 Um anjo do Senhor apareceu em sonhos a José e disse-lhe: «Levantate, toma o menino e a sua mãe, e foge para o Egipto; permanece lá até que eu te avise, porque Herodes vai procurar o menino, para o matar». 14 José levantou-se durante a noite, tomou o menino e a sua mãe, e fugiu para o Egipto. 15 Ali permaneceu até à morte de Herodes, para que se cumprisse quanto o Senhor dissera através do profeta:

«Do Egipto chamei o meu filho». 19 Quando Herodes morreu, o anjo do Senhor apareceu em sonhos a José, no Egipto, e disse-lhe: 20 «Levanta-te, toma o menino e a sua mãe, e retorna para a terra de Israel, porque morreram aqueles que atentavam contra a vida do menino». 21 José levantou-se, tomou o menino e a sua mãe, e foi para a terra de Israel. 22 No entanto, ao ouvir que Arquelau reinava na Judeia, no lugar do seu pai Herodes, não ousou ir para lá. Depois, avisado divinamente em sonhos, retirou-se para a província da Galileia, 23 e foi habitar numa cidade chamada Nazaré, para que assim se cumprisse o que fora dito pelos profetas: «Será chamado Nazareno» (Mt 2, 13-15.19-23).

D. Catequese bíblica

1. Um anjo apareceu em sonhos a José. Mais cedo ou mais tarde, de vários modos, a vida de família é posta à prova. Então, exigem-se sabedoria, discernimento e esperança, muita esperança, às vezes para além de qualquer evidência humana. O sofrimento, o limite e a falência fazem parte da nossa condição de criaturas, assinalada pela experiência do pecado, ruína de toda a beleza, corrupção de toda a bondade. Isto não significa que somos destinados a sucumbir; pelo contrário, a aceitação desta condição estimula-nos a confiar na presença benévola de Deus, que sabe renovar todas as coisas.

Este trecho evangélico descreve com tons dramáticos a viagem de uma família, a família de Jesus, aparentemente semelhante a muitas outras: a criança está em perigo e, durante a noite, é necessário partir imediatamente, empreendendo a viagem rumo a uma terra estrangeira. Assim, a jovem família encontra-se a encaminharse por uma estrada imprevista, complicada e inquietadora. É aquilo que acontece também nos dias de hoje e muitas famílias, obrigadas a deixar as suas habitações para poder oferecer aos seus filhos um contexto de vida melhor e para os subtrair aos perigos do mundo circunstante. Porém, talvez a narração da fuga para o Egipto faça alusão a uma vicissitude mais universal, que diz respeito a todas as famílias: a necessidade de empreender a viagem que conduza os pais rumo à sua maturidade, e os filhos para a idade adulta, na consciência da sua própria vocação; e isto, não raro, pode verificar-se à custa de decisões também dolorosas. Trata-se da viagem da

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construção da família, da geração e da educação dos filhos, caminho árduo, difícil e exigente,

construção da família, da geração e da educação dos filhos, caminho árduo, difícil e exigente, no qual

as numerosas dificuldades, das quais nenhuma família é preservada, às vezes podem desanimar.

Nesta narração evangélica, Jesus parte como criança e, quando regressa, adquire o seu nome de adulto:

«Será chamado Nazareno» (v. 23), título que já prefigura o seu destino de cruz; assim, da viagem de cada família, em que também os pais amadurecem, nascem filhos adultos, capazes de assumir pessoalmente a vocação que lhes é própria. Desta viagem de família, os protagonistas principais são os pais, de modo especial o pai, chamados a predispor boas condições de vida para os filhos. A necessidade de partir é comunicada a José mediante a linguagem dos sonhos. Em sonhos (cf. Mt 1, 20-21) já lhe tinha sido anunciada a gravidez de Maria e comunicado o convite a recebê-la e a tomá-la consigo (cf. Mt 1, 20-21).

Sabemos pouco acerca de José, mas uma coisa é certa: «Era um homem justo» (Mt 1, 19). A justiça, virtude das relações interpessoais, põe em primeiro lugar a salvaguarda do próximo; assim José, dado que era justo, tinha decidido rejeitar Maria secretamente, em vez de a expor ao juízo público. Na simplicidade do seu coração, ele sabe entrever o plano de Deus e vislumbrar nos acontecimentos da vida de família a mão divina. É fundamental saber «ouvir os anjos», discernir espiritualmente os acontecimentos e os momentos da nossa vida familiar, para que as relações sejam sempre purificadas, favorecidas e curadas. Com efeito, a família vive de bons relacionamentos, de olhares recíprocos positivos, de estima e de garantias mútuas, de defesa e de tutela: deste clima derivam o discernimento atento e a decisão pronta que salvaguarda a vida de um filho. Isto é válido para todas as famílias, para aquelas que vivem uma situação concreta de perigo, mas também para aquelas que vivem situações aparentemente mais seguras: os pais permaneçam voltados para a vida boa dos filhos, que devem ser subtraídos às ameaças e aos perigos.

e confiar, permanecendo numa terra estrangeira até

que o Senhor avise. José assume as suas responsabilidades, é protagonista da sua própria vicissitude, mas não se sente sozinho, porque conta com o olhar d’Aquele que provê à vida dos homens. A confiança em Deus não exonera da reflexão, da avaliação das situações, do percurso complexo da

O anjo convida a despertar, tomar, acolher, fugir

decisão mas, ao contrário, torna possível viver em todas as situações, sem jamais desesperar ou resignar-se. José está acordado, é capaz de enfrentar os acontecimentos e proteger a vida da mãe e do menino; mas ele age também na plena consciência de que é assistido pela salvaguarda eficaz de Deus.

2. Toma o menino e a sua mãe. José obedece, toma o menino e a sua mãe, e afasta-os da situação de perigo. Com efeito, o rei Herodes, que devia ser garante da vida do seu povo, na realidade transformou- se no perseguidor do qual escapar. Também hoje, a família vive em contacto com insídias perigosas e dissimuladas: sofrimento, pobreza e prepotência, mas também ritmos de trabalho excessivos, consumismo, indiferença,

O mundo inteiro pode apresentar-se como hostil, adversário da vida dos mais

abandono, solidão

pequeninos, de muitas formas. Cada pai ou mãe gostaria de tornar mais fácil o mundo, mais habitável para os seus filhos, demonstrando-lhes que a vida é boa e digna de ser vivida.

Os cuidados oferecidos aos filhos na sua primeira infância são motivados por este desejo: os pais sentem-se mal quando os filhos choram; sofrem e fazem de tudo para aliviar a sua dor. Fazem aquilo que podem, para que a vida dos seus filhos seja boa, seja um dom, seja abençoada em nome de Deus. Eis o significado da viagem para o Egipto: a busca de um lugar seguro, para além da noite, que proteja contra as ameaças, preserve da violência, restitua a esperança e permita conservar uma boa ideia de Deus e da vida.

A esta obra parece ser chamado, em primeiro lugar, o pai:é ele que acorda e toma a iniciativa. A José

estão confiados o filho e a mãe; ele sabe que deverá levá-los, a ambos, para o Egipto, para um lugar

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8. A FESTA, TEMPO PARA A FAMÍLIA

A. Canto e saudação inicial

B. Invocação do Espírito Santo

C. Leitura da Palavra de Deus

1 Assim foram completados os céus, a terra e todos os seus exércitos. 2 Tendo Deus terminado no sétimo dia a obra que tinha feito, descansou do seu trabalho. 3 Ele abençoou o sétimo dia e consagrou-

o, porque nesse dia repousara de toda a obra da Criação.

4 Esta é a história da criação dos céus e da terra (Gn 2, 1-4a).

8 Recorda-te do dia de sábado, para o santificares. 9 Trabalharás

durante seis dias e realizarás toda a tua obra; 10 mas no sétimo dia, que é o sábado em honra do Senhor, teu Deus, não realizarás qualquer trabalho, nem tu, nem o teu filho, nem a tua filha, nem o teu escravo, nem a tua escrava, nem os teus animas e nem sequer

o estrangeiro que estiver hospedado na tua casa. 11 Porque em seis

dias o Senhor criou o céu, a terra, o mar e tudo quanto eles contêm,

e descansou no sétimo dia; por isso, o Senhor abençoou o dia de sábado, e consagrou-o (Êx 20, 8-11).

D. Catequese bíblica

1. O sétimo dia da criação.

O homem moderno criou o tempo livre e perdeu o sentido da festa. É necessário recuperar o sentido da

festa, e de modo particular do domingo, como «um tempo para o homem», aliás, «um tempo para a família». Voltar a encontrar o fulcro da festa é decisivo também para humanizar o trabalho, para lhe atribuir um significado que não o reduza a ser uma resposta às necessidades, mas que o abra ao relacionamento e à partilha: com a comunidade, com o próximo e com Deus.

O sétimo dia é, para os cristãos, o «dia do Senhor», porque celebra o Ressuscitado presente e vivo no

seio da comunidade cristã, na família e na vida pessoal. É a Páscoa semanal. O domingo não interrompe a continuidade com o sábado judaico mas, ao contrário, completa-o. Por isso, para compreender a singularidade do domingo cristão é necessário referir-se ao sentido do mandamento do sábado. Para santificar a festa, em conformidade com o mandamento, o povo de Deus deve dedicar um tempo reservado a Deus e ao homem. No Antigo Testamento existe um forte vínculo entre o sétimo dia da criação e a lei de santificar o sábado. O mandamento do sábado, que reserva um tempo para Deus, conserva em si também a sua intenção de criar um tempo para o homem.

Depois da obra realizada nos seis dias, o descanso é o cumprimento da obra criadora de Deus. No primeiro dia Deus estabelece a medida do tempo, com a alternância de noite e dia; no quarto dia Deus

cria os luzeiros, o sol e a lua, para que «sirvam de sinais para marcar o tempo, os dias e os anos» (Gn

1, 14); e no sétimo dia Deus «termina a obra que tinha feito». Início, centro e fim da semana da criação

são caracterizadas pelo tempo, que tem a sua finalidade no dia de Deus. O sétimo dia é o momento do descanso e comunica a bênção a toda a criação. Não apenas interrompe a actividade humana, mas

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matéria é nobilitada, o próprio homem não venha a sofrer uma diminuição da sua dignidade».

matéria é nobilitada, o próprio homem não venha a sofrer uma diminuição da sua dignidade».

Trabalho: um bem para a pessoa e a sua dignidade

«E no entanto, com toda esta fadiga – e talvez, num certo sentido, por causa dela – o trabalho é um bem do homem. E se este bem traz em si a marca de um bonum arduum –“bem árduo” – para usar a terminologia de S. Tomás de Aquino, isto não impede que, como tal ele seja um bem do homem. E mais, é não só um bem “útil” ou de que se pode usufruir, mas é um bem “digno”, ou seja, que corresponde à dignidade do homem, um bem que exprime esta dignidade e que a aumenta. Querendo determinar melhor o sentido ético do trabalho, é indispensável ter diante dos olhos, antes de mais nada, esta verdade […]

Sem esta consideração, não se pode compreender o significado da virtude da laboriosidade, mais exactamente não se pode compreender por que é que a laboriosidade haveria de ser uma virtude; efectivamente, a virtude, como aptidão moral, é algo que faculta ao homem tornar-se bom como homem. Este facto não muda em nada a nossa justa preocupação por evitar que no trabalho, mediante o qual a matéria é nobilitada, o próprio homem não venha a sofrer uma diminuição da sua dignidade. Sabe-se, ainda, que é possível usar de muitas maneiras o trabalho contra o homem, que se pode mesmo punir o homem com o recurso ao sistema dos trabalhos forçados nos lagers (campos de concentração), que se pode fazer do trabalho um meio para a opressão do homem e que, enfim, se pode explorar, de diferentes maneiras, o trabalho humano, ou seja o homem do trabalho. Tudo isto depõe a favor da obrigação moral de unir a laboriosidade como virtude com a ordem social do trabalho, o que há-de permitir ao homem “tornar-se mais homem” no trabalho, e não já degradar-se por causa do trabalho, desgastando não apenas as forças físicas (o que, pelo menos até certo ponto, é inevitável), mas sobretudo menoscabando a dignidade e subjectividade que lhe são próprias».

[Laborem Exercens, 9]

F. Perguntas para o casal e o grupo

PARA O CASAL

1. Sabemos suster-nos nas nossas respectivas dificuldades profissionais?

2. Procuramos com interesse ocasiões nas quais desempenhar em conjunto um trabalho manual?

3. Os nossos filhos compreendem o cansaço do trabalho e o valor do dinheiro ganho mediante o compromisso e a fadiga?

4. Sabemos compartilhar o produto do nosso trabalho também com os pobres?

PARA O GRUPO FAMILIAR E A COMUNIDADE

1. Como influi a crise económica sobre a vida das nossas famílias?

2. Nas nossas comunidades cristãs há preocupação por quantos estão desempregados, ou então desempenham um trabalho precário, pouco retribuído ou insalubre?

3. Quais são as opções concretas que a família pode fazer para educar os mais pequeninos para a «salvaguarda da criação»?

4. Ainda existem formas de escravidão no mundo do trabalho? Como podemos vencê-las, enfrentá-las e superá-las?

G. Um compromisso para a vida familiar e social

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seguro. «Toma o menino e a sua mãe», diz duas vezes o anjo, e o texto retoma mais duas vezes estas mesmas palavras.

Elas ressoam como um encorajamento aos pais, a superar as incertezas, a ir em frente, a cuidar do menino e da mãe. Hoje, as ciências humanas redescobrem a importância decisiva da figura paterna para o crescimento integral dos filhos.

O pai – sugere o texto – encontra a sua identidade e o seu papel, quando protege a mãe, ou seja,

quando cuida da relação conjugal. Sabemos bem como o entendimento dos pais é decisivo para proteger, salvaguardar e encorajar os filhos; sabemos também como é difícil para o homem tutelar a

mulher contra as mil noites da solidão, do silêncio e da incomunicabilidade. Considerando bem, também estas são ameaças que tornam a vida mais «difícil» para os filhos!

3. Fugiu para o Egipto.

A viagem de uma família: partir, ir embora de uma terra hostil rumo a outra mais habitável, o Egipto,

que a seu tempo tinha sido terra de escravidão e de sofrimento, mas também lugar da revelação do amor do Senhor pelo seu povo Israel.

O Egipto enche de pensamentos o imaginário de Israel: é a terra em que foram hospedados Jacob e os

seus filhos e, antes ainda, o seu filho José, vendido pelos próprios irmãos; é a terra onde o povo sofreu a escravidão e experimentou a libertação.

Também Moisés tinha fugido daquela terra que o hospedara. O anjo pede a José que salve o menino, levando-o precisamente para lá, como se dissesse que, revisitado e habitado de esperança e de confiança, até um lugar de morte pode tornar-se um berço para a vida.

No entanto, para que isto aconteça, são necessários a coragem de voltar ali e a decisão de habitar naquele lugar difícil, sustentado pela confiança no Deus da vida. A fé em Deus é capaz de renovar todas as coisas e de infundir nova vitalidade nas famílias.

José parte «durante a noite». Na noite nada se vê, o homem caminha como um cego; porém, é possível ouvir e escutar a voz que sustém e encoraja. Existem muitas «noites» que caem sobre a vida de família: aquelas povoadas de sonhos, bons e maus; aquelas que vêem o casal andar às apalpadelas na escuridão de um relacionamento que se tornou difícil; aquelas dos filhos em crise, que se tornam

mudos, distantes, ou então acusadores e rebeldes

quase irreconhecíveis.

Todas estas noites – ensina a narração da fuga para o Egipto – podem ser atravessadas, levando o filho para um lugar seguro, na medida em que se mantiver com confiança o ouvido atento à Palavra do Senhor.

Aos pais é pedido que preservem os filhos contra as numerosas noites da sua relação, dos seus problemas, e contra as noites dos seus próprios filhos, por vezes muito dolorosas, por causa das suas escolhas contrárias ao bem. Especialmente nestes momentos, o pai cuida do filho, conservando a certeza, também aos olhos amargurados da mãe, de encontrar para ele um lugar de refúgio. Tal refúgio

é, não raro, o próprio coração do pai e da mãe, onde a imagem do filho se conserva intacta, e onde os

pais possam voltar a encontrar a paciência e a esperança, para continuar a amá-lo.

Jesus morrerá em Jerusalém, naquela mesma terra da qual é afastado para ser protegido, pela mão do mesmo poder ao qual os seus pais o subtraíram. Chega um momento, na vida da família, em que os pais devem retirar-se. Quando completaram o seu serviço, acompanhando o filho a reconhecer a sua vocação, é bom que se ponham de lado, deixando que seja feita a vontade de Deus. A família não é eterna, e depois de ter acompanhado o filho a esperar na bondade da vida recebida, tem o dever de os encorajar a partir, a ir mais além pelo seu caminho. Os pais dão prova da sua sabedoria na discrição da

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sua presença, no gesto de se porem de lado, o que nunca é um abandono,

sua presença, no gesto de se porem de lado, o que nunca é um abandono, mas sim uma forma de estima e de liberdade que prepara o futuro do mundo.

Ainda em sonhos, José compreende que chegou o momento de reconduzir a família para a terra de Israel. Sabiamente toma as iniciativas, avalia a situação e decide – iluminado por uma profecia misteriosa – estabelecer a sua morada em Nazaré, um lugar mais seguro em relação à Judeia. O sonho

é novamente um lugar de revelação e de vitória sobre a hostilidade e a violência; embora seja invisível

e quase inconsistente, torna-se lugar do discernimento atento e corajoso, conseguindo derrotar a arma do poder, muito mais evidente e sólida. Nada pode pôr em xeque a providência de Deus, capaz de salvar das situações mais difíceis e perigosas todos aqueles que se lhe confiam. Ele está presente nas noites das nossas famílias, e na trama escondida e às vezes obscura dos acontecimentos, tece o seu desígnio de salvação.

E. Escuta do Magistério

O n. 18 da Familiaris consortio representa um sugestivo afresco das «noites da família»

que caem sobre todas as idades da vida e sobre todas as fases da existência. O texto ajuda a ler, em cada região do mundo, as dificuldades peculiares das famílias no tempo presente, com a inteligência da mente e a compaixão do coração. Ouvindo as

preocupações pastorais dos Padres do Sínodo, o grande afecto de João Paulo II dirige

o «olhar» da Igreja a ler com amor os sofrimentos e as dificuldades que atravessam a

vida familiar, e pede também hoje aos seus pastores, aos ministérios laicas e às famílias, que enriqueçam o «olhar» da Igreja sobre a multidão incontável, que é como «um rebanho sem pastor».

Ajudar a família em dificuldade

«Um empenho pastoral ainda mais generoso, inteligente e prudente, na linha do exemplo do Bom Pastor, é pedido para aquelas famílias que – muitas vezes independentemente da própria vontade ou

pressionadas por outras exigências de natureza diversa – se encontram em situações objectivamente

difíceis [

]

Tais são, por exemplo, as famílias dos emigrantes por motivos de trabalho; as famílias de quantos são obrigados a ausências longas, como, por exemplo, os militares, os marinheiros, os itinerantes de todo o tipo; as famílias dos presos, dos refugiados e dos exilados; as famílias que vivem praticamente marginalizadas nas grandes cidades; aquelas que não têm casa, as incompletas ou «monoparentais»; as famílias com filhos deficientes ou drogados; as famílias dos alcoólatras; as desenraizadas do seu ambiente social e cultural ou em risco de perdê-lo; as discriminadas por motivos políticos ou por outras razões; as famílias ideologicamente divididas; as que dificilmente conseguem ter um contacto com a paróquia; as que sofrem violência ou tratamentos injustos por causa da própria fé; as que se compõem de cônjuges menores; os anciãos, não raramente forçados a viver na solidão e sem meios adequados de subsistência [ ]

Outros momentos difíceis em que a família tem necessidade de ajuda da comunidade eclesial e dos seus pastores, podem ser: a irrequieta adolescência contestadora e às vezes tumultuosa dos filhos; o seu matrimónio, que os separa da família de origem; a incompreensão ou a falta de amor da parte das pessoas mais queridas; o abandono do cônjuge ou a sua perda, que faz começar a experiência dolorosa da viuvez, a morte de um familiar, que mutila e transforma em profundidade o núcleo originário da família».

[Familiaris Consortio, 77]

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A justa exploração dos recursos terrestres implica a salvaguarda da criação e a solidariedade para com as gerações vindouras. Uma máxima indiana ensina que «nunca deveríamos pensar que herdamos

a terra dos nossos pais, mas que a emprestamos dos nossos filhos».

A tarefa de conservar a terra exige o respeito pela natureza, no reconhecimento da ordem desejada pelo

seu Criador. Deste modo, o trabalho humano evade-se à tentação de dilapidar as riquezas e deturpar a

beleza do planeta terra, tornando-o ao contrário, segundo o sonho de Deus, o jardim da coexistência e

do convívio da família humana, abençoada pelo Pai celestial.

4. Comerás o pão com o suor do teu rosto.

O perigo de que o trabalho se torne um ídolo é válido também para a família. Isto acontece quando a

actividade de trabalho detém o primado absoluto perante as relações familiares, quando ambos os cônjuges se sentem obcecados pelo lucro económico e depositam a sua felicidade unicamente no bem- estar material. O risco dos trabalhadores, em todas as épocas, é de se esquecer de Deus, deixando-se absorver completamente pelas ocupações mundanas, na convicção de que nelas se encontra a

satisfação de todos os seus desejos. O justo equilíbrio no trabalho, capaz de evitar estas derivas, exige

o discernimento familiar acerca das opções domésticas e profissionais. A este propósito, parece injusto

o princípio que delega somente à mulher o trabalho doméstico e o cuidado da casa: toda a família deve ser envolvida nesta tarefa, em conformidade com uma distribuição equitativa dos deveres. Por outro lado, no que diz respeito à actividade profissional, é certamente oportuno que os cônjuges concordem em evitar ausências demasiado prolongadas do seio da família. Infelizmente, a necessidade de prover

ao sustento da família muitas vezes não deixa aos cônjuges a possibilidade de escolher com sabedoria

e

harmonia.

O

desleixo da vida religiosa e familiar opõe-se ao mandamento do amor a Deus e ao próximo, que

Jesus indicou como o primeiro e maior de todos os mandamentos (cf. Mc 12, 28-31). Reconhecer o seu amor de Pai com todos os seus dons, viver neste horizonte é quanto Deus deseja para cada família humana. Reconhecer o amor do Pai que está nos céus e vivê-lo na terra, eis a vocação que é própria de cada família.

A fadiga é parte integrante do trabalho. Na era contemporânea, do «tudo e já», a educação para

trabalhar «suando» é providencial. A condição da vida na terra, somente provisória e sempre precária, prevê também para a família cansaço e dor, sobretudo no que diz respeito ao trabalho a realizar para o próprio sustento. No entanto, o cansaço derivado do trabalho encontra sentido e alívio quando é assumido não para o enriquecimento egoísta pessoal, mas sim para compartilhar os recursos de vida, dentro e fora da família, especialmente com os mais pobres, na lógica do destino universal dos bens.

Às vezes os pais excedem ao evitar qualquer dificuldade aos filhos. Eles não devem esquecer que a família é a primeira escola de trabalho, onde se aprende a ser responsável por si mesmo e pelos outros, pelo ambiente comum de vida. A vida familiar, com as suas incumbências domésticas, ensina a apreciar o cansaço e a fortalecer a vontade em vista do bem-estar comum e do bem recíproco.

E. Escuta do Magistério

O cristão reconhece o valor do trabalho, mas sabe ver nele inclusive as deformações introduzidas pelo pecado. Por isso, a família cristã aceita o trabalho como uma providência para a sua vida e a vida dos seus familiares. Mas evita fazer do trabalho um valor absoluto e considera esta tendência, hoje muito difundida, como uma das tentações idolátricas desta época. Não se limita a afirmar uma convicção diferente. Ela delineia a sua vida de modo que ressalte uma prioridade alternativa. Faz sua a solicitude da Laborem exercens (cf. n. 9), para que «o trabalho, mediante o qual a

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Segundo a tradição bíblica, o trabalho manual goza de grande consideração e, nas escolas rabínicas,

Segundo a tradição bíblica, o trabalho manual goza de grande consideração e, nas escolas rabínicas, é acompanhado pelo estudo. Hoje, diante de um crescente desprezo por alguns tipos de profissões, especialmente artesanais, é mais oportuno do que nunca redescobrir a dignidade do trabalho manual.

A conservação e o cultivo do jardim terrestre confiada por Deus à humanidade não diz respeito apenas

à mente e ao coração, mas emprega também as mãos, o trabalho agrícola e a produção artesanal e

industrial permanecem dois pontos de referência do trabalho, através dos quais os homens contribuem para o desenvolvimento de cada pessoa e da sociedade inteira.

Como afirma o n. 9 da Laborem exercens: «O trabalho é um bem do homem – é um bem da sua humanidade – porque, mediante o trabalho, o homem não somente transforma a natureza, adaptando-a às suas próprias necessidades, mas também se realiza a si mesmo como homem e até, num certo sentido, “se torna mais homem”».

2. O Senhor Deus tomou o homem e colocou-o no jardim do Éden.

Deus não apenas planta um jardim, mas nele coloca o homem para o habitar.

O jardim terrestre é concedido aos homens, a fim de que vivam em comunhão entre si e, trabalhando,

cuidem reciprocamente da sua vida. O trabalho não é uma punição divina, como se imaginava nos mitos antigos, nem uma condição de escravidão, como se pensava na cultura greco-romana: é sobretudo uma actividade constitutiva de cada ser humano. O mundo espera que os homens lancem mãos à obra. Eles têm a possibilidade e a responsabilidade de realizar no mundo criado o desígnio de Deus Criador. Nesta luz, o trabalho é uma forma com que o homem vive a sua relação e a sua fidelidade a Deus.

Por conseguinte, o trabalho não é o fim da vida: ele conserva a sua justa medida de meio. O fim é a comunhão e a co-responsabilidade dos homens com o seu Criador. Se o trabalho se tornasse uma finalidade, a idolatria do trabalho tomaria o lugar da colaboração exigida dos homens da parte de Deus. Deles não se requer simplesmente que trabalhem, mas que «trabalhem cultivando e guardando» a criação divina. O homem não trabalha por sua própria conta, mas colabora com a obra de Deus. Além disso, a sua colaboração é activa e responsável, de tal maneira que ele, evitando a indolência e exercendo a laboriosidade, «cultiva e guarda» a terra, «trabalhando».

O trabalho previsto para o homem no jardim do Éden é o do camponês, consiste principalmente em

cuidar da terra a fim de que a semente nela lançada liberte toda a sua fertilidade, dando fruto em abundância. Promover a criação sem a deformar, valorizar as leis inscritas na natureza, pôr-se ao serviço da humanidade, de cada homem e de cada mulher, criados à imagem e semelhança de Deus, trabalhar para os libertar de todas as formas de escravidão, mesmo no campo do trabalho: eis algumas das tarefas confiadas ao homem, a fim de que contribua para fazer da humanidade uma única grande

família.

3. Para o cultivar e guardar.

Enquanto na primeira narração da criação (cf. Gn 1) se perfila ao homem que reine sobre os animais e domine a terra, na segunda narração (cf. Gn 2) alude-se sobretudo à sementeira e ao cultivo da terra. E se na primeira narração não se entende um domínio despótico, mas principalmente o generoso senhorio do soberano que, sábia e equitativamente, busca o bem do seu povo, na segunda narração remete-se à paciência e à esperança, na expectativa dos frutos.

No tempo da expectativa, ao homem é pedida a virtude da fidelidade, semelhante àquela exigida daqueles que, em Israel, prestam serviço religioso no templo. A laboriosidade do homem requer, além disso, a humildade do camponês que observa a terra para adivinhar como melhor cultivá-la, como também a modéstia do carpinteiro que trabalha a madeira respeitando as suas veias.

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F. Perguntas para o casal e o grupo

PARA O CASAL

1. Quais são as «provações» actuais da nossa família? Como as vivemos?

2. Que homem sou para a mãe dos meus filhos? Que mulher sou para o pai dos meus filhos? Que pai e mãe somos para os nossos filhos?

3. Como pode crescer a nossa união conjugal, no cansaço e na esperança, diante das situações de dificuldade e de sofrimento?

4. Que pequena decisão podemos tomar?

PARA O GRUPO FAMILIAR E A COMUNIDADE

1. Quais são as principais ameaças para as famílias da nossa sociedade e cultura?

2. Como podemos tornar o mundo mais vivível para os nossos filhos?

3. Como podemos ajudar a nossa comunidade a fortalecer a esperança no futuro?

G. Um compromisso para a vida familiar e social

H. Orações espontâneas.

 

Pai-Nosso

I.

Canto final

ÍNDICE

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7. O TRABALHO, DESAFIO PARA A FAMÍLIA

A. Canto e saudação inicial

B. Invocação do Espírito Santo

C. Leitura da Palavra de Deus

8 Ora, o Senhor Deus tinha plantado um jardim no Éden, do lado do oriente, e colocou aí o homem que Ele tinha criado. 9 O Senhor

Deus fez brotar da terra toda a espécie de árvores, de aspecto agradável,

e de frutos bons para comer; a árvore da vida no meio do

jardim, e a árvore da ciência do bem e do mal. 10 Um rio saía do Éden para regar o jardim, e dividia-se em seguida em quatro córregos. 15 O Senhor Deus tomou o homem e colocou-o no jardim do Éden, para o cultivar e para o guardar (Gn 2, 8-10.15).

17 E disse, em seguida, ao homem: «Porque ouviste a voz da tua mulher e comeste do fruto da árvore que eu te havia proibido comer, maldita seja a terra por tua causa! Tirarás dela com trabalhos penosos o teu sustento, durante todos os dias de tua vida. 18 Ela produzir-te-á espinhos e abrolhos,

e tu comerás a erva da terra.

19 Comerás o pão com o suor do teu rosto, até que voltes à terra da qual foste tirado; porque és pó, e pó te hás-de tornar!» (Gn 3, 17-19).

D. Catequese bíblica

1. O Senhor Deus tinha plantado um jardim no Éden. O jardim no éden constitui uma dádiva que provém das mãos de Deus, um lugar maravilhoso, rico de água que irriga o mundo inteiro. O primeiro dever que Deus confia ao homem, depois de o ter criado,é de trabalhar no seu jardim, cultivando-o e guardando-o. O sopro de vida que Deus infundiu na humanidade enriquece-a de criatividade e de força, de genialidade e de vigor, a fim de que seja capaz de colaborar para a obra da sua criação.

Deus não é cioso da sua obra, mas coloca-a à disposição dos homens, sem qualquer desconfiança e com grande generosidade. Não só Ele confia ao seu cuidado todas as suas outras criaturas, mas concede aos homens o espírito, a fim de que eles participem activamente na Sua criação, plasmando-a segundo o Seu desígnio. O espírito é o recurso que Deus inseriu na criatura humana, a fim de que cuide, para Ele e com Ele, de toda a criação.

Os homens não foram criados, como afirmavam algumas religiões do Antigo Oriente, para substituir o trabalho dos deuses ou para ser os seus escravos nos serviços mais humildes. A humanidade foi desejada por Deus para cultivar a natureza criada, colaborando activamente para a sua obra criativa.

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4. A FAMÍLIA ANIMA A SOCIEDADE

A. Canto e saudação inicial

B. Invocação do Espírito Santo

C. Leitura da Palavra de Deus

43 Ouvistes o que foi dito: Amarás o teu próximo e odiarás o teu inimigo. 44 Eu, porém, digo-vos: amai os vossos inimigos, fazei o bem a quantos vos odeiam e orai por aqueles que vos perseguem. 45 Deste modo, sereis os filhos do vosso Pai que está nos céus, pois Ele faz nascer o sol tanto sobre os maus como sobre os bons, e faz chover sobre os justos e sobre os injustos. 46 Se amais somente aqueles que vos amam, que recompensa tereis? Não agem assim também os próprios publicanos? 47 E se saudais apenas os vossos irmãos, que fazeis de extraordinário? Não agem assim também os pagãos? 48 Portanto, sede perfeitos, como é perfeito o vosso Pai que está nos céus. 1 Guardai vos de praticar as vossas boas obras diante dos homens, para serdes admirados por eles. Caso contrário, não recebereis a recompensa junto do vosso Pai que está nos céus. 2 Quando, pois, deres esmola, não toques a trombeta diante de ti, como fazem os hipócritas nas sinagogas e nas ruas, para serem louvados pelos homens. Na verdade, digo-vos: eles já receberam a sua recompensa. 3 Pelo contrário, quando deres esmola, que a tua mão esquerda não saiba o que faz a tua mão direita. 4 Assim, a tua esmola seja praticada em segredo; e o teu Pai, que vê no segredo, recompensar-te-á (Mt 5, 43-6, 4).

D. Catequese bíblica

1. Ouvistes o que foi dito

Por que motivo temos que educar os nossos filhos para a generosidade, o acolhimento, a gratidão, o serviço, a solidariedade, a paz e todas aquelas virtudes sociais, tão importantes para a qualidade humana da sua vida? Que vantagem obtêm eles de tudo isto? Talvez não haja um aumento de riqueza,

de prestígio e de segurança. E no entanto, só se cultivarem estas virtudes os homens terão um futuro na terra. Elas crescem graças à perseverança daqueles que, como os pais, educam as novas gerações para

o bem. A mensagem cristã encoraja-nos a algo maior, mais bonito, mais arriscado e mais promissor: a humanidade da família, graças àquela centelha divina nela presente, e que nem sequer o pecado eliminou, pode renovar a sociedade em conformidade com o desígnio do seu Criador. O amor divino impele-nos pelo caminho do amor do inimigo, da dedicação pelo desconhecido, da generosidade para além do que é devido. A família participa da generosidade superabundante do nosso Deus: por isso, pode olhar para mais longe e viver uma alegria maior, uma esperança mais vigorosa e uma coragem maior nas escolhas.

Eu, porém, digo-vos.

Muitas das palavras de Jesus citadas nos Evangelhos iluminam a vida familiar. De resto, a sua sabedoria a respeito da vida humana aumentou graças ao clima familiar em que transcorreu uma boa

parte da sua existência: ali conheceu o diversificado mundo dos afectos, experimentou o acolhimento,

a ternura, o perdão, a generosidade e a dedicação. Na sua família constatou que é melhor dar que

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pretender, perdoar que vingar-se, oferecer que reter, dedicar-se sem poupar a própria vida. O anúncio

pretender, perdoar que vingar-se, oferecer que reter, dedicar-se sem poupar a própria vida. O anúncio do Reino por parte de Jesus nasce no contexto da sua experiência directa de família e abrange todos os relacionamentos, a começar precisamente pelas relações familiares, iluminando-as com uma nova luz e dilatando-as para além dos confins da lei antiga. Jesus convida a superar uma visão egoísta dos vínculos familiares e sociais, a ampliar os afectos para além do círculo limitado da própria família, a fim de que se tornem fermento de justiça para a vida social.

A família é a primeira escola dos afectos, o berço da vida humana, onde o mal pode ser enfrentado e superado. A família é um recurso precioso de bem para a sociedade. Ela constitui a semente da qual nascerão outras famílias, chamadas a melhorar o mundo. No entanto, pode acontecer que os laços familiares impeçam o desenvolvimento do papel social dos afectos. Isto acontece quando a família arrebata para si energias e recursos, fechando-se na lógica da vantagem familiar, que não deixa qualquer herança para o futuro da sociedade.

Jesus quer libertar o casal e a família da tentação de se fecharem em si mesmos: «Se amais somente aqueles que vos amam… se saudais apenas os vossos irmãos, que fazeis de extraordinário?».

Com palavras revolucionárias, Jesus recorda aos seus ouvintes a «antiga» semelhança com Deus, convidando-os a dedicar-se aos outros segundo o estilo divino, para além dos temores e dos receios, dos cálculos e das garantias de uma própria vantagem.

Causando admiração naqueles que O ouvem, Jesus ensina nos como é possível ser filho à semelhança do Pai. Ele subtrai-nos do sono da resignação e do egoísmo e, vigorosamente, diz-nos que amar o inimigo e rezar por quantos nos perseguem estão ao nosso alcance, que podemos erradicar a violência do nosso coração perdoando as ofensas, que a nossa generosidade pode superar a lógica económica do simples intercâmbio.

2. Sereis os filhos do vosso Pai que está nos céus. Jesus exige este estilo de vida singular e assim revela que os homens estão destinados precisamente a estas alturas. Confia no ensinamento que as famílias, por desígnio de Deus, são capazes de oferecer no caminho do seu amor.

Na família educa-se a dizer «obrigado» e «por favor», a ser generoso e disponível, a emprestar as próprias coisas, a prestar atenção às necessidades e às emoções dos outros, a ter em consideração os cansaços e as dificuldades de quem está próximo. Nos pequenos gestos da vida quotidiana, o filho aprende a estabelecer um bom relacionamento com os outros e a viver na partilha. Promover as virtudes pessoais é o primeiro passo para educar para as virtudes sociais. Na família ensina-se aos mais pequeninos a emprestar os seus brinquedos, a ajudar os seus companheiros na escola, a pedir com gentileza, a não ofender quem é mais fraco, a ser generoso nos favores. Por isso, os adultos esforçam- se em dar exemplo de atenção, dedicação, generosidade e altruísmo. Assim a família torna-se o primeiro lugar onde se aprende o sentido mais verdadeiro da justiça, da solidariedade, da simplicidade, da honestidade, da veracidade e da rectidão, juntamente com uma grande paixão pela história do homem e da polis.

Os pais, como José e Maria, admiram-se ao ver os filhos enfrentar com segurança o mundo adulto. Às vezes, os filhos revelam que podem ser mestres surpreendentes também para os adultos:

«Encontraram- no no templo, sentado no meio dos doutores, ouvindo-os e interrogando-os. E todos aqueles que o ouviam ficavam maravilhados diante da sabedoria das suas respostas» (Lc 2, 46-47). Como a família de Nazaré, assim cada família confia à sociedade, através dos seus filhos, a riqueza humana que ela mesma viveu, inclusive a capacidade de amar o inimigo, de perdoar sem se vingar, de se alegrar com os sucessos do próximo, de doar mais de quanto se lhe pede

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F. Perguntas para o casal e o grupo

PARA O CASAL

1. Damos graças ao Senhor pelo trabalho que nos permite manter a nossa família?

2. Que relação se interpõe entre o facto de sermos trabalhadores e a nossa vocação de cônjuges e pais?

3. Os afazeres domésticos e o cuidado dos filhos são compartilhados por ambos?

PARA O GRUPO FAMILIAR E A COMUNIDADE

1. No mundo do trabalho subsistem discriminações injustas entre homens e mulheres, entre mulheres solteiras e casadas?

2. Que papel educativo podem desempenhar a família, a escola e a paróquia, na formação dos jovens para o valor da laboriosidade e da responsabilidade social?

3. Como recuperar hoje em dia a solidariedade no mundo do trabalho? Que ajuda pode oferecer a Igreja?

G. Um compromisso para a vida familiar e social

H. Orações espontâneas. Pai-Nosso

I. Canto final

ÍNDICE

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«Dom e responsabilidade» constituem o binómio no contexto do qual se insere o trabalho da

«Dom e responsabilidade» constituem o binómio no contexto do qual se insere o trabalho da família e de cada um no seu seio. Todos são chamados a reconhecer os dons recebidos de Deus, a pôr os que lhe são próprios à disposição dos outros e a valorizar os dons dos outros. Cada um é responsável pela vida dos outros: com o trabalho, cada um provê ao bem de todos em família e pode também contribuir para quem está em necessidade. Vivendo deste modo, os afectos e os vínculos familiares dilatam-se a ponto de reconhecer em cada homem e em cada mulher um irmão e uma irmã, todos filhos do mesmo Pai.

E. Escuta do Magistério

O trabalho é um recurso para a família no dúplice sentido de constituir uma fonte de sustento e de desenvolvimento da família e, ao mesmo tempo, um lugar em que se exerce a solidariedade entre as famílias e entre as gerações. O ensinamento da Igreja sugere que se tenha em correlação o trabalho com a família. De resto, que modelo de desenvolvimento poderíamos imaginar sem a família, que recolhe os seus frutos e que através das suas próprias escolhas generativas orienta os seus ulteriores desenvolvimentos? A Laborem exercens propõe a correlação do trabalho com a família e recorda-nos que «a família é uma comunidade tornada possível pelo trabalho e, ao mesmo tempo, a primeira escola interna de trabalho para todos e cada um dos homens».

Trabalho e família

«O trabalho constitui o fundamento sobre o qual se edifica a vida familiar, que é um direito fundamental e uma vocação do homem. Estas duas esferas de valores – uma conjunta ao trabalho e a outra derivante do carácter familiar da vida humana – devem unir-se entre si e compenetrar-se de um modo correcto. O trabalho, de alguma maneira, é a condição que torna possível a fundação de uma família, uma vez que a família exige os meios de subsistência que o homem obtém normalmente mediante o trabalho. Assim, trabalho e laboriosidade condicionam também o processar-se da educação na família, precisamente pela razão de que cada um “se torna homem” mediante o trabalho, entre outras coisas, e que o facto de se tornar homem exprime exactamente a finalidade principal de todo o processo educativo. Como é evidente, entram aqui em jogo, num certo sentido, dois aspectos do trabalho: o que faz dele algo que permite a vida e o sustento da família, e aquele outro mediante o qual se realizam as finalidades da mesma família, especialmente a educação.

Não obstante a distinção, estes dois aspectos do trabalho estão ligados entre si e completam-se em vários pontos. Deve-se recordar e afirmar que, numa visão global, a família constitui um dos mais importantes termos de referência, segundo os quais tem de ser formada a ordem sócio-ética do trabalho humano. A doutrina da Igreja dedicou sempre especial atenção a este problema e será necessário voltar ainda a ele no presente documento. Com efeito, a família é uma comunidade tornada possível pelo trabalho e, ao mesmo tempo, a primeira escola interna de trabalho para todos e cada um dos homens».

[Laborem Exercens, 10]

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Com efeito, também na família têm lugar divisões e rupturas, também nela nascem inimigos, e o

inimigo pode ser o cônjuge, o pai, a mãe, o filho, o irmão ou a irmã

amam-se, desejam sinceramente o bem umas das outras, sofrem quando alguém está mal, mesmo que

se tenha comportado como um «inimigo»; rezam por quantos as ofendem; estão dispostas a renunciar

aos próprios bens, contanto que isto torne feliz os outros; compreendem que a vida é boa, quando é despendida pelo bem deles.

No entanto, na família as pessoas

A família constitui a «célula primeira e vital da sociedade» (FC, 42), porque nela se aprende como é importante o vínculo com os outros. Na família sente-se que a força dos afectos não pode permanecer encerrada «entre nós», mas está destinada ao mais amplo horizonte da vida social. Se forem vividos somente no contexto do pequeno núcleo familiar, os afectos deterioram-se e, em vez de dilatar o aleance da família, acabam por sufocá-lo. O que torna vital a família é a abertura dos vínculos e a extensão dos afectos que, diversamente, encerram as pessoas em prisões mortificadoras!

3. O teu Pai…vê no segredo.

A conservação dos vínculos e dos afectos familiares é melhor garantida, quando a família é boa e

generosa com as outras famílias, atenta às suas feridas, aos problemas dos seus filhos, por mais diferentes que sejam dos nossos.

Entre pais e filhos, entre marido e esposa, o bem aumenta na medida em que a família se abre à sociedade, prestando atenção e oferecendo ajuda às necessidades dos outros. Deste modo, a família adquire motivações importantes para desempenhar a sua função social, tornando-se fundamento e recurso principal da sociedade. A capacidade de amar adquirida ultrapassa com frequência a necessidade da própria família. O casal torna-se disponível para o serviço e a educação de outros jovens, além dos seus: também deste modo os pais se tornam pais e mães de muitos.

«Sede perfeitos, como é perfeito o vosso Pai que está nos céus»: a perfeição que aproxima as famílias do Pai que está nos céus é aquele «suplemento» de vida oferecido para além do próprio núcleo familiar, um vestígio daquele amor superabundante que Deus derrama sobre as suas criaturas.

Muitas famílias abrem a porta de casa à hospitalidade, cuidam do mal-estar e da pobreza do próximo, ou então simplesmente batem à porta ao lado, para perguntar se há necessidade de algo, oferecem algumas roupas ainda em boas condições, hospedam os companheiros de escola dos filhos para fazer

os deveres escolares…

Ou ainda, acolhem uma criança que não tem família, ajudam a manter o calor familiar onde permaneceu somente o pai, ou apenas a mãe, associam-se para ajudar outras famílias nas numerosas dificuldades contemporâneas, ensinando aos filhos o auxílio recíproco em relação a quantos são diferentes por raça, língua, cultura e religião. Assim, o mundo torna-se mais agradável e habitável para todos, beneficiando a qualidade de vida em vantagem da sociedade inteira.

Não é por acaso que o texto evangélico, depois da exortação à perfeição, fala da esmola, que nos tempos antigos, numa economia de subsistência, era um modo para redistribuir os recursos, uma prática de justiça social. Jesus exorta a não procurar o reconhecimento dos outros, utilizando o pobre para adquirir prestígio, mas a agir secretamente. No segredo do coração, o encontro com Deus confirma a própria identidade de filho, tão semelhante ao Pai; uma meta alta, aparentemente inatingível, que contudo a vida em família torna mais próxima.

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E. Escuta do Magistério A família oferece como dom à sociedade o precioso fruto do

E. Escuta do Magistério

A família oferece como dom à sociedade o precioso fruto do amor gratuito que se reveste de docilidade, de bondade, de serviço, de abnegação e de estima recíproca. Por outro lado, como demonstra o seguinte trecho da Familiaris consortio, o ensinamento magisterial sempre desejou ressaltar como a família, além de ser a escola dos afectos, se conota inclusive como a «primeira escola de virtudes sociais». Efectivamente, ela possui uma dimensão pública específica e originária, que influi positivamente sobre o bom funcionamento da sociedade e sobre a estabilidade dos vínculos sociais.

O dever social da família

«A família possui vínculos vitais e orgânicos com a sociedade, porque constitui o seu fundamento e alimento contínuo mediante o dever de serviço à vida: saem, de facto, da família os cidadãos e na família encontram a primeira escola daquelas virtudes sociais, que são a alma da vida e do desenvolvimento da mesma sociedade.

Assim por força da sua natureza e vocação, longe de se fechar em si mesma, a família abre-se às outras famílias e à sociedade, assumindo a sua tarefa social. A mesma experiência de comunhão e de participação, que deve caracterizar a vida quotidiana da família, representa o seu primeiro e fundamental contributo à sociedade.

As relações entre os membros da comunidade familiar são inspiradas e guiadas pela lei da “gratuidade” que, respeitando e favorecendo em todos e em cada um a dignidade pessoal como único título de valor, se torna acolhimento cordial, encontro e diálogo, disponibilidade desinteressada, serviço generoso, solidariedade profunda».

[Familiaris Consortio, 42, 43]

F. Perguntas para o casal e o grupo

PARA O CASAL

1. Quais são os valores que os nossos filhos aprendem do nosso modo de viver?

2. Que atenção presta a nossa família à vida social?

3. Que ajuda oferecemos aos pobres e aos necessitados?

PARA O GRUPO FAMILIAR E A COMUNIDADE

1. Quais são as necessidades mais urgentes na nossa comunidade?

2. O que podemos realizar a favor de quem se encontra em necessidade?

3. Que famílias podemos ajudar? Como?

G. Um compromisso para a vida familiar e social

H. Orações espontâneas. Pai-Nosso

I. Canto final

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alimentado inclusive pelo facto de que ela «abre a boca com sabedoria e a sua língua profere amáveis instruções». A tarefa dos pais consiste em ensinar os filhos a praticar o bem e a evitar o mal e, ulteriormente, a valorizar o mandamento do amor a Deus e ao próximo. A coerência de vida dos pais fortalece e torna verdadeiro o seu ensinamento, ainda mais quando ele se refere ao bem a praticar o ao amor a viver. O modelo daqueles que vivem o que ensinam permanece perenemente válido e, sobretudo nos dias de hoje, conserva toda a sua inigualável eficácia.

A comunicação hodierna parece muitas vezes deformada: pronunciam-se palavras e lançam-se

mensagens com a superficialidade de quem não assume qualquer responsabilidade pelas consequências daquilo que afirma. A pessoa responsável procura a verdade dos acontecimentos e fala daquilo de que está persuadida.

A sabedoria bíblica convida a fugir da mentira e a evitar os discursos vãos. Ouvindo a Palavra de

Deus, a família cristã tem a grande responsabilidade de testemunhá-la fielmente, evitando que seja sufocada por muitas palavras inúteis.

Numa sociedade onde a comunicação deformada e falaz está na origem de muitos sofrimentos e incompreensões, a família pode tornar-se o contexto propício para a educação na sinceridade e na verdade.

Admitir os próprios erros, pedindo perdão e assumindo coerentemente as responsabilidades pessoais, é um estilo de vida nada espontâneo, no qual é necessário educar os filhos desde a idade mais tenra.

Falando com sabedoria, a mulher ideal «só profere amáveis instruções» a dar. A sabedoria da palavra consiste em dar voz ao bem, evitando aqueles discursos de pura crítica que corrompem o diálogo familiar. Com esta finalidade, é preciso deixar que a escuta da Palavra de Deus, iluminando e enriquecendo a qualidade da comunicação, torne a vida familiar mais evangélica.

4. Tem confiança no dia de amanhã. A vida familiar, e da mulher no seio da família, não é tão fácil e ao alcance, como aparece no retrato ideal descrito pelo livro dos Provérbios. Por exemplo, quando a mulher é obrigada a um duplo trabalho, dentro e fora de casa. Torna-se, por exemplo, de importância decisiva, quer sob o perfil prático quer afectivo, que os cônjuges compartilhem os deveres educativos e colaborem nos afazeres domésticos. Hoje em dia é mais preciosa do que nunca para muitas famílias a presença dos avós, cuja contribuição para a vida familiar, contudo, corre o risco de ser demasiado pouco reconhecida e excessivamente explorada.

O fascínio da mulher que tem confiança no dia de amanhã, evocando deste modo a esperança para o

futuro, é de grande actualidade. Apesar das dificuldades quotidianas, muitas famílias representam um autêntico sinal de esperança para a nossa sociedade. A virtude da esperança tem origem na entrega confiante à Providência divina.

Em relação a cada esposa e mãe, a gratidão é mais do que obrigatória: «Reconhecei – observa o livro dos Provérbios – o fruto das suas mãos». Os afazeres domésticos de cuidado da casa, de educação dos filhos, de assistência aos idosos e aos enfermos possui um valor social muito mais elevado que muitas profissões no mundo do trabalho, que de resto são bem retribuídas. A contribuição insubstituível da mulher para a formação da família e para o desenvolvimento da sociedade ainda espera o devido reconhecimento e a adequada valorização.

A família é o contexto para a formação em numerosas virtudes, é também escola de reconhecimento pelo compromisso assumido com gratuidade e amor pelos pais. Aprender a dizer «obrigado» não é automático, e não obstante é totalmente indispensável.

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O quadro delineado é o da mulher ideal, que vive relações positivas no interior da

O quadro delineado é o da mulher ideal, que vive relações positivas no interior da famílias. Confiando

na habilidade organizativa e na actividade de trabalho da esposa, em Israel o marido podia dedicar-se à profissão de juiz, ofício que competia aos homens sábios, geralmente aos anciãos que, com o passar do tempo, tinham adquirido a sabedoria.

Esta divisão dos deveres domésticos e profissionais esclarece a importância do comum acordo entre marido e esposa na programação do trabalho de ambos: a cada um é pedido que se comprometa a fim

de que o outro possa melhor expressar os próprios talentos. Por sua vez, a sociedade deve oferecer à família todo o apoio possível, para que os cônjuges se tornem capazes de fazer livre e responsavelmente as suas escolhas de trabalho. Também os filhos, juntamente com o marido, elogiam

a mãe, exaltando os seus dotes. Nas suas características certamente idealizadas, este pequeno quadro familiar é oferecido como um modelo do qual haurir inspiração e estímulo.

A família exemplar vive no temor de Deus e nele deposita a sua confiança. A prosperidade de que

goza, reconhecida como um dom divino, é conservada e valorizada na laboriosidade quotidiana.

A mulher sente a responsabilidade que lhe foi confiada e empenha-se sem se poupar para corresponder

à tarefa que lhe foi pedida. Mediante a sua atitude, ela convida todas as pessoas a serem responsáveis pelas próprias obras, mas também a cuidarem dos demais membros da família e a preocuparem-se pela vida social, contribuindo para o bem comum. Os dons e os dotes pessoais são, ao mesmo tempo, uma responsabilidade em relação a Deus e ao próximo. O pensamento corre à parábola dos talentos, dados

a cada um a fim de que sejam multiplicados (cf. Mt 25, 14-30).

2.

Levanta-se quando ainda é noite.

O

levantar da mulher durante a noite e o seu trabalho nocturno descrevem um zelo que elimina

qualquer forma de indolência. A laboriosidade da mulher, distante de toda a negligência, é ulteriormente sublinhada ao longo deste texto, observando que ela «vigia o andamento da sua casa, e não come o pão da ociosidade». Cada pessoa é chamada a velar constantemente para não ceder à tentação da indolência, renunciando às suas próprias responsabilidades e descuidando os seus compromissos.

O retrato da mulher ideal, alheia a qualquer forma de ociosidade, é o ícone de quem não teme o

cansaço nem os sacrifícios, porque sabe que o consumo das suas energias não é vão, mas tem um sentido. Com efeito, com o seu trabalho provê às necessidades da sua família e é também capaz de socorrer o pobre e o indigente.

Este exemplo, sempre actual, interpela a vida familiar. Entre as responsabilidades da família encontra-

se também a de se abrir às necessidades dos outros, próximos ou distantes que sejam. A atenção aos

pobres é uma das mais bonitas formas de amor ao próximo, que uma família possa viver. Saber que mediante o próprio trabalho se ajuda aqueles que não dispõem do que lhes é necessário para viver, fortalece o compromisso e sustém no cansaço.

Por outro lado, oferecer aquilo que se possui a quantos nada têm, compartilhar com os pobres as próprias riquezas significa reconhecer que tudo o que recebemos é graça, e que na origem da nossa prosperidade existe contudo um dom de Deus, que não pode ser conservado para nós mesmos, mas há- de ser dividido com os outros. Através desta atitude promove-se a justiça social e contribui-se para o bem comum, contestando a propriedade egoísta da riqueza e contrastando a indiferença pelo bem comum.

3. Abre a boca com sabedoria.

Uma qualidade característica da família ideal é o abster-se das bisbilhotices. De que se fala em família? Qual é o teor das conversas? O fascínio da mulher descrita no livro dos Provérbios é

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5. O TRABALHO E A FESTA NA FAMÍLIA

A. Canto e saudação inicial

B. Invocação do Espírito Santo

C. Leitura da Palavra de Deus

26 Então, Deus disse: «Façamos o homem à nossa imagem e semelhança. Que ele reine sobre os peixes do mar, sobre as aves dos céus, sobre os animais domésticos e sobre toda a terra, e sobre todos os répteis que se arrastam sobre a terra». 27 E Deus criou o homem à sua imagem; criou-o à imagem de Deus:

criou-os varão e mulher. 28 Deus abençoou-os e disse-lhes:

«Frutificai e multiplicai-vos, enchei a terra e submetei-a. Dominai sobre os peixes do mar, sobre as aves dos céus

e sobre todos os animais que se arrastam sobre a terra».

29 Deus disse: «Eis que eu vos dou toda a erva que produz semente sobre a terra, e todas as árvores frutíferas que contêm em si mesmas

a sua semente, para que vos sirvam de alimento. 30 E a todos os animais da terra, a todas as aves dos céus, a todos os seres que se arrastam sobre a terra, e em que haja o sopro da vida, eu dou toda a erva verde como alimento». E assim se fez. 31 Deus contemplou toda

a sua obra, e viu que tudo era muito bom. Sobreveio a tarde e depois

a manhã: foi o sexto dia.

1 Assim foram completados os céus, a terra e todos os seus exércitos.

2 Tendo Deus terminado no sétimo dia a obra que tinha feito, descansou do seu trabalho. 3 Ele abençoou o sétimo dia e consagrou-o, porque nesse dia repousara de toda a obra da Criação. 4 Esta é a história da criação dos céus e da terra (Gn 1, 26-31; 2, 1-4a).

D. Catequese bíblica

1. Deus disse: façamos o homem.

A narração bíblica das origens apresenta a criação do homem, varão e mulher, como obra de Deus,

fruto do seu trabalho. Deus cria o homem, trabalhando como o oleiro que plasma o barro (cf. Gn 2, 7).

E também quando der vida ao seu povo Israel, libertando-o da escravidão do Egipto e conduzindo-o

rumo à terra prometida, a obra de Deus assemelhar- se-á ao trabalho do pastor, que age conduzindo o seu rebanho rumo à pastagem (cf. Sl 77, 21).

A obra criadora de Deus é acompanhada da sua palavra, aliás, realiza-se mediante a sua palavra: «Deus

disse: “Façamos o homem à nossa imagem e semelhança”… E Deus criou o homem à sua imagem…». Aquilo que Deus leva a cabo não é sobretudo «usado»,mas contemplado. Ele contempla aquilo que tinha feito, até captar o seu esplendor, e alegra-se diante da beleza do bem que Ele criou.

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Aos seus olhos, o trabalho parece uma obra-prima. Quem ainda sabe admirar-se diante das maravilhas

Aos seus olhos, o trabalho parece uma obra-prima. Quem ainda sabe admirar-se diante das maravilhas

do mundo, revive de alguma maneira o júbilo de Deus. Ainda hoje, para quem sabe olhar com

simplicidade e fé, a beleza do universo convida a reconhecer a mão de Deus e a compreender que não

se trata de um produto do acaso, mas a obra amorosa do Criador para a criatura humana que, não apenas é «boa» como todas as outras, mas é «muito boa».

A palavra que acompanha a criação de Deus não pode falar também ao homem que trabalha: jamais

deveria acontecer que o trabalho sufoque o homem, a ponto de o reduzir ao silêncio! Desprovido do direito de palavra, o trabalhador precipita na condição de escravo, a quem é impedido alegrar-se pelo seu trabalho, porque todo o fruto lhe é arrebatado pelo patrão.

Para poder viver, o homem deve trabalhar, mas as condições de trabalho devem salvaguardar e, aliás, promover a sua dignidade de pessoa.

Hoje, o mercado do trabalho obriga não poucas pessoas, principalmente se são jovens e mulheres, a situações de incerteza constante, impedindo-os de trabalhar com a estabilidade e as seguranças de ordens económica e social, as únicas que podem garantir às jovens gerações a formação de uma família, e às famílias, a geração e a educação dos seus filhos.

A oportuna «flexibilidade» do trabalho, exigida pela chamada «globalização», não justifica a

permanente «precariedade» de quem tem na sua única «força-trabalho» o recurso para assegurar para

si mesmo e para a sua família o necessário para viver. Previdências sociais e mecanismos de tutela

adequados devem integrar a economia do trabalho, a fim de que sobretudo as famílias que vivem os momentos mais delicados, como a maternidade, ou mais difíceis, como a enfermidade e o desemprego,

possam contar com uma razoável segurança económica.

2. Deus disse-lhes… enchei a terra e submetei-a.

A criação «muito boa» não deve ser apenas contemplada pelo homem, mas é também um apelo à

colaboração. Com efeito, o trabalho é para cada homem uma chamada a participar na obra de Deus e, por isso, um verdadeiro lugar de santificação. Transformando a realidade, ele reconhece que o mundo vem de Deus, que o empenha a completar a obra boa por ele encetada. Isto significa, por exemplo, que

o grave desemprego, fruto da actual crise económica mundial, não apenas priva as famílias dos meios

de sustento necessários mas, negando ou reduzindo a experiência de trabalho, impede que o homem se

desenvolva plenamente.

O trabalho não deve submeter o homem, mas o homem, através do trabalho, é chamado a «submeter»

a terra (cf. Gn 1, 28). Todo o globo terrestre está à disposição do homem, a fim de que ele, mediante a sua engenhosidade e o seu compromisso, descubra os recursos necessários para viver e faça deles o devido uso. Para esta finalidade, hoje muito mais que no passado, não podemos esquecer que a terra

nos foi confiada por Deus como um jardim a apreciar e a cultivar (cf. Gn 2, 7).

O uso responsável dos recursos da terra, em ordem a um desenvolvimento sustentável, tornou-se hoje

uma questão de primeiro plano, a «questão ecológica». A degradação ambiental de muitas regiões do planeta, o aumento dos níveis de poluição e outros factores negativos, como o sobreaquecimento da terra soam como campainhas de alarme em relação a uma condução do progresso tecnocientífico que descuida os efeitos colaterais das suas empresas. Estudar políticas industriais, agrícolas e urbanísticas que ponham no centro o homem e a salvaguarda da criação é a condição imprescindível para garantir

às famílias, já hoje e de maneira especial no futuro, um mundo habitável e hospitaleiro.

Depois de ter trabalhado durante seis dias na criação do mundo e do homem, no sétimo dia Deus descansa. O descanso de Deus recorda ao homem a necessidade de suspender o trabalho, para que a vida religiosa pessoal, familiar e comunitária não seja sacrificada aos ídolos do acúmulo da riqueza, do

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6. O TRABALHO, RECURSO PARA A FAMÍLIA

A. Canto e saudação inicial

B. Invocação do Espírito Santo

C. Leitura da Palavra de Deus

10 Uma mulher virtuosa, quem poderá encontrá-la?

Muito superior ao das pérolas é o seu valor. 11 Confia nela o coração do seu marido,

e jamais lhe faltará coisa alguma.

12 Ela proporciona-lhe o bem, nunca o mal, por todos os dias da sua vida. 13 Ela procura lã e linho

e trabalha com mão alegre.

14 Semelhante ao navio do mercador, manda vir os seus víveres de longe.

15 Levanta-se, quando ainda é noite, distribui a comida à sua casa

e a tarefa às suas servas.

16 Ela encontra uma terra, e adquire-a. Planta uma vinha com o fruto das suas mãos. 17 Cinge os seus rins de fortaleza,

e revigora seus braços.

18 Alegra-se com o seu lucro,

e a sua lâmpada não se apaga durante a noite.

19 Põe a mão na roca,

e os seus dedos manejam o fuso.

20 Estende os braços ao infeliz

e abre a mão ao indigente.

21 Ela não teme a neve na sua casa, porque toda a sua família tem vestes duplas. 22 Faz cobertas para si mesma:

as suas vestes são de linho fino e de púrpura.

D. Catequese bíblica

23 O seu marido é considerado às portas da cidade, quando se senta com os anciãos do lugar. 24 Tece túnicas e vende-as,

e fornece cintos ao mercador.

25 Fortaleza e graça servem-lhe de ornamentos;

e tem confiança no dia de amanhã. 26 Abre a boca com sabedoria,

e a sua língua profere amáveis instruções.

27 Vigia o andamento da sua casa,

e não come o pão da ociosidade.

28 Os seus filhos levantam-se para a proclamar bem-aventurada

e o seu marido para a elogiar:

29 «Muitas mulheres demonstram vigor, mas tu a todas excedes!».

30 A graça é fala e a beleza é vã;

mas a mulher inteligente deve ser louvada. 31 Reconhecei o fruto das suas mãos

e que as suas obras a louvem às portas da cidade.

(Pr 31, 10-31).

1. Uma mulher forte, quem poderá encontrá-la? No retrato do livro dos Provérbios, a actividade da mulher adquire um valor de importância primária na economia doméstica e familiar. A mulher, figura da sabedoria humana e ao mesmo tempo divina, exprime através do seu trabalho a genialidade criativa de toda a humanidade.

Com efeito, as qualidades atribuídas à mulher podem ser válidas para todas as pessoas chamadas ao sentido de responsabilidade pela família e pelo trabalho.

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progresso da carreira e do incremento do poder. O homem não vive só de relações de trabalho, em função da economia. É necessário tempo para cultivar as relações gratuitas dos afectos familiares e dos vínculos de amizade e de parentesco.

Infelizmente, no Ocidente a cultura predominante tende a considerar o indivíduo sozinho mais funcional à sociedade da produção e do consumo: mais produtivo, porque mais disponível à mobilidade e à flexibilidade dos horários, sob o ponto de vista da percentagem ele consome mais do que as pessoas que vivem em família.

3. Façamos o homem à nossa imagem e semelhança.

Criado à imagem e semelhança de Deus (cf. Gn 1, 26) o homem, como Deus, trabalha e descansa. O tempo tranquilo do descanso e jubiloso da festa é também o espaço para dar graças a Deus, criador e salvador.

Suspendendo o trabalho, os homens recordam a experimentam que na origem da sua actividade de trabalho está a obra criativa de Deus. A criatividade humana mergulha as suas raízes no Deus criador:

só Ele cria a partir do nada.

Descansando em Deus, os homens encontram também a justa medida do seu trabalho, comparativamente com a sua relação com o próximo. A actividade de trabalho está ao serviço dos vínculos mais profundos que Deus quis para a criatura humana. O pão que se ganha trabalhando não é só para si mesmo, mas doa sustento também aos outros com os quais se vive. Através do trabalho, os cônjuges nutrem a sua relação e a vida dos seus filhos.

Além disso, o trabalho é inclusive o gesto de justiça com que as pessoas participam no bem da sociedade e contribuem para o bem comum. Tempo de gratuidade para as relações interpessoais e sociais, o descanso do trabalho é uma ocasião propícia para alimentar os afectos familiares, assim como para estreitar laços de amizade com outras famílias. Com efeito, os ritmos de trabalho contemporâneos, estabelecidos pela economia consumista, limitam até quase anular, especialmente no caso de certas profissões, os espaços da vida comum, sobretudo em família. As actuais condições de vida parecem desmentir aquilo que se imaginava até há pouco tempo. Esperava-se que o progresso tecnológico aumentasse o tempo livre. Os ritmos de trabalho frenéticos, as viagens para ir ao trabalho e voltar para casa, reduzem drasticamente o espaço de confronto e partilha entre os cônjuges e a possibilidade de estar com os filhos. Entre os desafios mais árduos dos países economicamente desenvolvidos há o de equilibrar os tempos da família com os tempos do trabalho. No entanto, a tarefa difícil dos países em fase de desenvolvimento consiste em aumentar a produtividade, sem perder a riqueza das relações humanas, familiares e comunitárias, resolvendo e conciliando a relação família- trabalho, tanto no contexto das migrações externas como internas no mesmo país.

4. Deus abençoou-os…

Da narração da criação sobressai uma estreita ligação entre o amor conjugal e a actividade de trabalho:

com efeito, a bênção de Deus diz respeito à fecundidade do casal eà sujeição da terra. Esta dúplice bênção convida a reconhecer a bondade da vida familiar e da vida de trabalho. Por isso, encoraja a encontrar uma forma de viver a família e o trabalho de modo equilibrado e harmonioso. Hoje não faltam tentativas que vão neste rumo, como por exemplo, onde é possível e oportuno, o horário parcial de trabalho, ou as autorizações e as licenças compatíveis com os deveres de trabalho, mas correspondentes às necessidades da família. Também a flexibilidade dos horários pode favorecer o justo equilíbrio entre as exigências familiares, ligadas sobretudo ao cuidado dos filhos, e as exigências do trabalho.

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A bênção é dada aos cônjuges a fim de que sejam fecundos e beneficiem da

A bênção é dada aos cônjuges a fim de que sejam fecundos e beneficiem da fecundidade da terra. Abençoada por Deus, a famíliaé chamada a reconhecer os dons que recebe de Deus. Um modo concreto para recordar a obra benéfica de Deus, origem de todo o bem, é a oração de bênção que a família recita à hora das refeições.

Reunir-se para louvar a Deus e para lhe dar graças pelo alimento é um gesto tanto simples quanto profundo: é a expressão da gratidão do Pai dos céus que provê aos seus filhos na terra, concedendolhes a graça de se amarem e o pão para viverem.

E. Escuta do Magistério

Não apenas o trabalho mas o próprio descanso festivo constitui um direito fundamental e, ao mesmo tempo, um bem indispensável para os indivíduos e as suas famílias: é quanto se afirma na exortação pós-sinodal Sacramentum caritatis. O homem e a mulher valem mais do que o seu trabalho: eles são feitos para a comunhão e para o encontro. Por conseguinte, o domingo configura-se não já como um intervalo ao cansaço, a preencher com actividades frenéticas ou experiências extravagantes, mas sim como o dia do descanso que abre ao encontro, leva a redescobrir o outro e permite dedicar tempo às relações em família e com os amigos e à oração.

O sentido do descanso e do trabalho

«É particularmente urgente no nosso tempo lembrar que o dia do Senhor é também o dia de repouso do trabalho. Desejamos vivamente que isto mesmo seja reconhecido também pela sociedade civil, de modo que se possa ficar livre das obrigações laborais sem ser penalizado por isso.

De facto, os cristãos – não sem relação com o significado do sábado na tradição hebraica – viram no dia do Senhor também o dia de repouso da fadiga quotidiana. Isto possui um significado bem preciso, ou seja, constitui uma relativização do trabalho, que tem por finalidade o homem: o trabalho é para o homem e não o homem para o trabalho. É fácil intuir a tutela que isto oferece ao próprio homem, ficando assim emancipado duma possível forma de escravidão.

Como já tive ocasião de afirmar, “o trabalho reveste uma importância primária para a realização do homem e o progresso da sociedade; por isso torna-se necessário que aquele seja sempre organizado e realizado no pleno respeito da dignidade humana e ao serviço do bem comum.

Ao mesmo tempo, é indispensável que o homem não se deixe escravizar pelo trabalho, que não o idolatre pretendendo achar nele o sentido último e definitivo da vida» (Homilia na solenidade de São José, 19 de Março de 2006). É no dia consagrado a Deus que o homem compreende o sentido da sua existência e também do trabalho (cf. Compêndioda Doutrina Social da Igreja, n. 258)». [Sacramentum Caritatis, 74]

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F. Perguntas para o casal e o grupo

PARA O CASAL

1. Sentimos-nos realizados na nossa actividade de trabalho?

2. Confrontamos-nos a propósito das nossas experiências de trabalho?

3. O exercício da profissão entra em conflito com os nossos vínculos conjugais e familiares?

4. Temos o hábito de rezar à hora das refeições? Que significado atribuímos à bênção do alimento?

PARA O GRUPO FAMILIAR E A COMUNIDADE

1. Nas nossas comunidades cristãs presta-se atenção aos problemas do trabalho e da economia?

2. Na Caritas in veritate, Bento XVI fala de condições para um «trabalho decente» (CV, 63): de que modo podemos comprometer- nos para garantir a todos os homens um trabalho digno?

3. A flexibilidade no campo do trabalho constitui uma oportunidade ou um prejuízo?

4. Que formas de idolatria do trabalho estão presentes na sociedade em que vivemos?

G. Um compromisso para a vida familiar e social

H. Orações espontâneas.

 

Pai-Nosso

I.

Canto final

ÍNDICE

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