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O lado Sul da Escuridão.

Conto.

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Todos os direitos reservados ano 2012.

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Literatura DarK.

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Diário

divindade

noturno,

Um

Vampiro,

Sinopse:

século

entre

1

a.c.

O

muitos

céu

desse

era

uma

mundo,

secretamente vê no limiar da sua porta, uma figura estranha trazendo em seus olhos as sombras e em suas mãos o luzeiro capaz de modificar todas as criaturas malévolas que viviam debaixo de um céu denso, jamais vespertino ou ensolarado.

“Eu não sabia, para meu espanto, que uma vida além- túmulo poderia ter sido tão magnificente como o visitante que, ao me assustar com sua presença enigmática e soberba, me deu o que eu chamaria de um clamor definitivo para se acenderem todas as luzes das Trevas deixando os demônios encurralados e vitimizados por suas próprias maldades”.

(the Vampir).

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The Vampir:

“Diziam que nesse século, a morte andava pelas noites.

Muitos Vampiros existiam sem contudo se entreterem na vida dos vivos. Esses vivos no entanto não eram humanos, mas, demônios jogados pelas tabernas ou pelas estradas empoeiradas, ou montanhas que

ficavam debaixo do céu escrupulosamente escuro, sem

pacto com o diabo porque

A Besta não existia.

Devo dizer que o sol brilhava como fogo, não haviam manhãs iluminadas, sendo possível vislumbrar, todos os dias, um céu densamente lúgubre com uma luz, lá no fundo da noite, dourada meio bronze.

Não haviam estrelas, apenas a lua na sua fase cheia ou minguante.

Os Vampiros não viviam soltos, estavam sempre isolados em seus castelos ou mansões ricamente trabalhadas na suas torres altas, onde morcegos rondavam e voavam o tempo inteiro.

Numa dessas noites, eu, elegantemente bem vestido, usando vestes de veludo e de cetim negros, luvas e um lenço vermelho bordado à ouro, abri a porta da minha mansão.

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A ventania estava muito forte quando, levando o lenço à minha boca, escondi uma gota de sangue que pendia diante do visitante sem eu ainda conseguir disfarçar.

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Fiquei surpreso ao vislumbrar que a Morte estava atrás dele.

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Vampir:

“Quem

és

tu? Me

assusta

tua

altura!

A Morte

caminha ao teu lado e atrás de ti!

O que queres comigo?”

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“O visitante era magnífico em sua beleza e maneiras

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Alto, cabelos curtos, ruivos e revoltos, vestido de veludos brancos, luvas e uma aureola negra sombreando seus cabelos, sua face translúcida, e seus olhos verde claro

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Apresentou-se com o nome de Liviano mesmo que eu, na minha sagacidade atemporal, desconfiasse de que esse nome era a suprema mentira daquele ser que não era nem Vampiro nem demônio nem anjo.

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Liviano:

“Não te espantes Vampiro me confessar”.

Vim aqui, acompanhado,

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Vampir:

“Mas por que logo a mim?

Na minha tola, escura e isolada mansão, só existe eu e os morcegos; aranhas e as pestes do meu sangue, essa doença misantropa!”

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Liviano:

“Vim a ti porque tu não és um demônio.

Toma, leia esse livro que escrevi com meus dedos finos cheios de sangue”.

“(entregando resoluto nas minhas mãos finas e pontudas, pastéis e cheias de veias que saltavam como uma demência expiatória, o livro).

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E Liviano nunca mais apareceu.

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Eu subi a escadaria até meu quarto, acendi uma vela gasta cheia de pó e teias de aranha, me acomodei na cama alta e pus-me a ler ”

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Livro de Liviano:

“Quando eu me fui das

terras

e

me

vi imerso

na

escuridão, milhões de mortos chegaram comigo.

Agora não sou luz tampouco divino, mas sinto, na densidade do éter escuro, que a Morte é meu paraíso.

Entanto escuto ao longe, as trombetas da divindade tocarem!

Elas soam como meu sangue regenerado

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Eu invoquei à Morte um dia, porque era a única a me provar, e eu era o único, exceto os Vampiros, que ela contemplava

Vinha dos céus tal suntuosa senhora?

Ela apenas me respondeu no abismo em que me enclausurava:

“Não venho do divino mas sirvo à escuridão forma de mediar entre os limbos e à criação”.

É uma

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Minha imortalidade foi minha sentença mas agora, pra minha alegria indizível, Vampiro, sou aquele que enlouqueceu e se curou

Venho te dizer, que no próximo milênio, dos próximos

Os demônios não

existirão porque a Morte estará comigo, ao meu lado e atrás da divindade com seus alados

e dos próximos

E dos próximos

O mundo se surpreenderá!

Verão finalmente a mim no fim do mundo, refeito em glória e sangue enquanto a Morte irá irritar-se com os demônios que não escolheram o que eu escolhi:

viver a dor lancinante que enlouquece, na escuridão e no silêncio absolutos

Aprendi a sangrar e a iluminar as Trevas a ponto destas, erguerem presbitérios imensos para os mortos ali prostarem suas doenças, suas negações e verem ao longo de seus sofrimentos infindos, que também a divindade visita a escuridão

Minha degeneração foram abismos profundos,

tenebrosos, inescrupulosos e demôníacos

remissão, o que a Morte chama de Juízo Final”.

E minha

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“Fechei o livro e não pude conter, no final da leitura, abundantes gotas de sangue que sujavam a cama a ponto de fazerem furos, de tão fundas, ácidas e inclementes

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Atrás

daquela beleza soturna do diário turvo, o

talhe profundo em sangue, da 'alma' do visitante”:

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“Lúcifer”.

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Conto Däkar Monsalbant

Good Night.