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POLÍTICA

❚ ELEIÇÕES NA INTERNET Especialista em direito digital acredita que novas mídias serão cada vez mais usadas para que adversários políticos se alfinetem, configurando crimes de calúnia, difamação ou injúria

Ataques sem fim na web
BERTHA M AAKAROUN CADASTROS NO @TWITICOS Enquanto nos Estados Unidos as mídias digitais tornaram-se, desde a campanha presidencial que elegeu Barack Obama, novo paradigma de mobilização dos eleitores, no Brasil prevalece o achincalhe. São ataques à reputação, que podem ser tipificados em crimes de calúnia, de difamação ou de injúria. Sob o anonimato, a estratégia é trabalhar a campanha negativa, a partir da avaliação de que, embora ela não dê, tem potencial para tirar muitos votos. A tendência, que se delineou nas eleições municipais de 2008 e nas eleições presidenciais de 2010, vai se acentuar neste ano: mais as novas mídias vão ser usadas para atacar adversários. A avaliação é de Alexandre Atheniense, advogado e especialista em direito digital, que coordena o curso de propaganda eleitoral na internet na Escola Superior de Advocacia da OAB-SP. Se antes das eleições de 2010 apenas 226 dos 513 deputados federais usavam o Twitter, hoje a febre se alastrou. Só o perfil @twiticos tem em suas listas mais de 2.783 políticos cadastrados, entre os quais 347 deputados federais, 377 deputados estaduais, 402 perfis ligados a partidos políticos, 101 prefeitos, 468 vereadores, 66 senadores, 65 ministros/ministérios e 30 governadores, entre outras categorias. A estimativa é de que entre 60% e 70% dos políticos brasileiros estejam engajados em alguma mídia digital. O uso dos recursos da internet pelas campanhas torna-se ainda mais inevitável quando se considera que o Brasil já tem 80 milhões de internautas. Além da ampla penetração e da possibilidade de interação direta entre as campanhas e o eleitor, a regulamentação das eleições deste ano, que será divulgada pelo TSE por meio de instrução até o mês que vem, incorpora as mídias digitais às plataformas tradicionais de campanha, como a televisão e o rádio, disponibilizados aos partidos pelo horário eleitoral. Segundo Alexandre Atheniense, a instrução que regula-

2.783
políticos deputados federais deputados estaduais perfis ligados a partidos políticos prefeitos vereadores senadores ministros/ministérios governadores

347

377 402 101 66 65 30

placável” que a Receita Federal faria a José Serra, que seria forçado a viajar aos Estados Unidos para um novo exílio político. Na sequência, a peça diz que “Dilma abre guerra contra São Paulo” e, adiante, que ela aprovaria a descriminalização do aborto”. Argumentando ter sido o vídeo postado fora do período eleitoral, o TSE considerou que o assunto não seria de sua competência. O processo foi arquivado.

O BOM…

CINCO BOAS PRÁTICAS DOS POLÍTICOS NAS REDES SOCIAIS

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mentará a propaganda pela internet vai reiterar o princípio da “livre manifestação do pensamento” pela rede mundial de computadores e a propaganda em blogs, redes sociais, sítios, mensagens instantâneas como pelo Twitter ou SMS com conteúdo gerado ou editado por candidatos, partidos ou qualquer cidadão. “À medida que estamos avançando, estamos tendo flexibilização do uso da mídia digital”, considera o advogado. Segundo ele, no ano passado o TSE reconheceu pela primeira vez a possibilidade de o YouTube ser um canal da propaganda eleitoral, quando analisou a representação da coligação que elegeu Dilma Rousseff contra José Serra, pelo vídeo “2012. O fim está próximo”. Com mais de 324 mil visualizações de junho até hoje, o vídeo contém ataques a Dilma, de olho nas eleições presidenciais de 2014. O cenário discursivo no vídeo construído para justificar “o fim próximo” anuncia uma “perseguição im-

EXCESSOS Apesar disso, o vídeo marca, na avaliação do especialista, uma época que ainda não terminou e sinaliza para uma tendência. “A internet é um canal de propaganda inevitavelmente empregado pelas campanhas. Mas há poucos instrumentos para combater os excessos”, diz Atheniense, em referência ao fato de diferentemente dos Estados Unidos, onde as campanhas políticas são bem-sucedidas em propiciar o engajamento e o financiamento, no Brasil a campanha pela internet ser muito mais empregada para paródias ou excessos na liberdade de expressão, mirando a honra dos candidatos. “Isso acontece porque existe uma falsa sensação de que a tecnologia propicia anonimato e de que esses ataques não terão a autoria revelada”, avalia o advogado. Ledo engano. A cada 10 casos investigados, sete têm a autoria dos conteúdos desnudada. “Os excessos são ainda mais explicados pelo fato de o valor das condenações ser considerado pífio, naqueles casos em que os autores dos ataques são revelados”, afirma Alexandre Atheniense.

● Interação contínua com os usuários, ouvir as sugestões, responder e colocá-las em prática ● Oferta de conteúdos variados e que geram boa referência ao candidato: links de áudio, vídeos, fotos, link para textos/temas de interesse ● Bom humor e buscar as redes sociais para aproximar-se dos internautas/eleitores ● Ter um perfil pessoal e um profissional nas redes sociais para evitar ‘embaraços’ ● Todos os candidatos devem ter estratégia para zelar por sua reputação na mídia digital. Entre as sugestões, uma é básica: faça o monitoramento diário para identificar todas as referências ao próprio nome

… E O MAU EXEMPLO

CINCO ERROS DOS POLÍTICOS NAS REDES SOCIAIS
● Expor a vida pessoal/privacidade ● Responder agressivamente às críticas dos

internautas

● Publicar/divulgar conteúdos inadequados ao

perfil de sua rede

● Deixar internautas sem respostas, contrariando a

essência das redes sociais por assessores

● Deixar evidente que post/tweet é feito apenas

Fonte: Alexandre Atheniense, advogado e especialista em direito digital e coordenador do curso de propaganda eleitoral na internet, na Escola Superior de Advocacia da OAB-SP.

TONINHO ALMADA/DIVULGAÇÃO – 14/7/11

A internet é um canal de propaganda inevitavelmente empregado pelas campanhas. Mas há poucos instrumentos para combater os excessos
■ Alexandre Atheniense, advogado e especialista em direito digital

Direito de resposta é tendência
TWITTER.COM/REPRODUÇÃO DA INTERNET – 8/8/10

EM JULGAMENTO NO TSE
Está em pauta no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) um julgamento que colocará em debate o uso do Twitter por candidatos antes do início da propaganda eleitoral permitida em lei. Em 2010, o então candidato a vice-presidente da República na chapa de José Serra (PSDB), Índio da Costa (DEM), pediu votos pelo microblog em 5 de julho, um dia antes do permitido por lei. Ele escreveu: “Conto com seu apoio e com o seu voto. Serra Presidente: o Brasil pode mais”. O Ministério Público requereu à Justiça Eleitoral a aplicação de multa por propaganda antecipada. Índio da Costa recorreu e agora o caso vai a julgamento no TSE. O então vicecandidato na chapa de Serra se envolveu em outras polêmicas no Twitter, como críticas à relação do governo brasileiro com questões internas do Irã (foto) e religiosidade.

As mais recentes decisões do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) envolvendo as mídias digitais apontam para uma tendência: há determinação para a retirada do ar daqueles casos de difamação, calúnia ou injúria e quando o autor é identificado têm sido concedidos direitos de resposta nas mesmas plataformas. Entretanto, a maior dificuldade da Justiça continua sendo o anonimato. As peças com a propaganda negativa em geral são canceladas, mas obviamente os autores não são punidos. O primeiro direito de resposta concedido pelo TSE no Twitter foi postado na página do atual presidente nacional do PT, Rui Falcão, na ocasião coordenador da campanha de Dilma Rousseff (PT) à Presidência da República. Em 19 de outubro,

Falcão tuitou: “Cuidado com os telefonemas da turma do Serra. No meio das ligações, pode ter gente capturando seu nome para usar criminosamente...”. O petista completou: “...podem clonar seu número, pode ser ligação de dentro dos presídios, trote, ameaça de sequestro e assim por diante. Identifique quem liga!”. Condenado 10 dias depois, Falcão teve de publicar em seu microblog: “Justiça Eleitoral puniu Rui Falcão com este direito de resposta por ofensas à campanha de José Serra vinculadas em seu Twitter. Cabe esclarecer que a comunicação feita pela campanha de Serra agiu com lisura, de forma íntegra, respeitando todos os eleitores!”. Os comentários de Rui Falcão que resultaram em direito de resposta ao então candidato

a presidente da República José Serra (PSDB) referiam-se a ataques feitos a Dilma, entre outros, pelo site www.dilmentiras.com.br, cujo domínio fora registrado com o uso indevido e não autorizado do nome e do CPF de Odair Lucietto, na ocasião tesoureiro de campanha da candidata Marina Silva (PV). O site apontava o presidente Luiz Inácio Lula da Silva como “bebum” e acusava Dilma de preconceito contra nordestinos. Lucietto soube por meio do site www.registro.br, do Comitê Gestor da Internet no Brasil, que seus dados teriam sido usados por Ademir Silva Fernandez para registrar o domínio. O tesoureiro de Marina pediu ao TSE a retirada do ar e a aplicação de multa de R$ 5 mil a R$ 30 mil a Fernandez. O site foi retirado do

ar, mas Ademir Silva Fernandez nunca foi localizado. sos de ataques à honra dos candidatos pelas mídias sociais feitos sob a proteção do anonimato, está também uma ação ajuizada pela coligação de Dilma contra o telemarketing com emprego do Voip, serviço de comunicação que substitui as linhas telefônicas pela internet banda larga. Nessas ligações falava-se aos eleitores sobre o aborto, sobre a ex-ministra da Casa Civil Erenice Guerra e a então candidata petista era acusada de “chefiar uma quadrilha”. A Justiça Eleitoral definiu que a identificação do responsável pela divulgação não seria elemento indispensável à suspensão do serviço. (BM)

HONRA Entre os inúmeros ca-

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