Direito Processual Penal

2008/2009

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Capítulo I
O DIREITO PROCESSUAL PENAL ENQUANTO CIÊNCIA 1. O direito processual penal no âmbito das ciências jurídico-criminais: o problema da realização do direito através do processo penal; 2. A relação entre direito processual penal e direito processual civil; 3. O direito processual penal como direito público; 4. A conformação jurídico-constitucional do direito processual penal; 5. As finalidades do processo penal; A. O direito processual penal no âmbito das ciências jurídico-criminais Quando se fala em direito penal, normalmente, associamos ao direito penal substantivo, mas, numa acepcao mais ampla, nos estamos a incluir o direito processual penal, isto é, o direito penal é composto por direito penal substantivo e por direito penal adjectivo. Contudo, nao é muito correcto, nem muito normal, dizer direito penal adjectivo, porque há uma expressão própria para nos referirmos a este que é direito processual penal. Falamos em direito processual penal para nos referirmos ao conjunto de normas juridicas que regulam o processo através do qual se averigua quem terá cometido a infracção, que tipo de infracção e se deve ser punido ou absolvido em julgamento, com todas as garantias processuais que isso deve implicar. Não podemos nem devemos considerar o direito processual penal sem o ter enquadrado no âmbito das ciências juridico-criminais, sem estabelecer uma relação entre o direito processual penal e outras ciencias criminais, ou seja, temos de ter sempre presente a ideia da ciência conjunta do direito penal, onde englobamos, por um lado, a criminologia, por outro, a politica criminal e, finalmente, a dogmatica juridicopenal. Deste modo, quer se fale em direito penal substantivo, quer se fale em direito processual penal, adjectivo estamos a inclui-los no âmbito da ciência conjunta do direito penal. De facto, existem algumas relações entre estas ciencias, pois as soluções que estão positivadas no direito processual penal não são totalmente indiferentes aos estudos que tem sido feitos e as conclusoes que tem sido alcancadas pela criminologia, uma vez que esses estudos influenciam as soluções que vem ser consagradas no direito processual penal. O mesmo acontece com a politica criminal: quando se esta a pensar em encontrar solucoes do ponto de vista processual, temos em consideracao as orientacoes da politica criminal nestas materias. E, depois, ganha relevo a própria relação entre o direito processual penal e o direito penal: há aqui uma relação de reciproca e mutua complementaridade, ou seja, quer um quer outro se influenciam reciprocamente e se complementam mutuamente. Por exemplo, algumas solucoes que estao vertidas no Codigo Penal carecem de alguma complementaridade a nivel do processo penal, isto é, só adquirem alguma realização/concretização quando são viabilizadas através do direito processual penal. E algumas solucões do Codigo de Processo Penal tem como pressuposto aquilo que no proprio Codigo Penal esta determinado. O exemplo mais flagrante desta relacao pode ser encontrado, muito recentemente, atraves do crime de violencia domestica (antes denominado de crime de maus tratos) que se pode expor do seguinte modo: Inicialmente o crime de violencia domestica era um crime semi-publico, ou seja, as vitimas tinham de apresentar uma queixa para que pudesse haver um processo-crime contra o agressor. Isto significa que a falta de queixa fazia com que o processo nunca chegasse a existir, nao havia a possibilidade de perseguir criminalmente esse infractor. Ora, chegou-se a conclusao de que isto era propiciador da existência desta criminalidade. Os infractores viviam numa certa impunidade porque sabiam que as vitimas (muitas vezes seus conjuges) nao apresentavam queixa, uma vez que a condicao para que houvesse processo era que houvesse uma queixa. Portanto, chegou-se a conclusao, atraves dos estudos efectuados pela criminologia, que esta solucao nao era favoravel. Havia necessidade de alterar a natureza deste crime e, assim, entendeu-se que uma das formas de combater o crime (aqui ja estamos a falar numa demanda da politica criminal), era tornar o crime publico, porque assim qualquer pessoa – por exemplo, um vizinho – podia apresentar queixa e isso fazia e faz com

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que a justica o persiga criminalmente. Por tudo isto e em termos de politica criminal foi aconselhavel que o crime de violencia domestica se tornasse num crime publico. Porém, logo se verificou que, havendo processo, muitas vezes, as vitimas nao queriam que os agressores fossem punidos, nomeadamente com uma pena de prisao, por se tratar do pai dos seus filhos, do seu esposo, o unico sustento da propria casa, etc. E, portanto, os efeitos negativos que porventura pudessem decorrer de uma punicao seriam superiores aos beneficios que essa punicao podia trazer para aquela situacao. Entao houve quem constatasse (e bem!) que o facto de o crime ser publico, sem possibilidade de haver uma desistencia, talvez nao fosse uma boa solucao. Ao ser publico isso implicava que nao havia possibilidade de desistencia de queixa e que o crime podia ser perseguido independentemente de queixa. Era necessario encontrar uma solucao que não colocasse em causa os fins do direito penal substantivo e que resolvesse este impasse. A solucao encontrada do lado do direito processual penal foi permitir que se aplicasse o mecanismo da suspensão provisória do processo a pedido da vitima. Este mecanismo, que é diferente da desistência de queixa a pedido da vitima, visa permitir que seja aplicado ao arguido um conjunto de injuncoes e regras de conduta, durante um periodo que vai ate dois anos. Se o arguido respeitar essas regras de conduta e essas injuncoes, o processo pode vir a ser arquivado. Esta solucao nao choca com os fins do direito penal e contribui para a solucao do proprio Codigo Penal, complementando-o. Existem imensos exemplos mas, para perceber esta relacao, o que importa e compreender que existe uma relacao dentro da ciencia conjunta do direito penal entre a criminologia, a politica criminal e a dogmatica (aqui incluindo tanto o direito penal substantivo como o direito processual penal) e, depois, esta relacao de mutua complementaridade entre o direito penal e o direito processual penal. Pode dizer-se que, apesar de tudo, ambos tem alguma autonomia teleologica, sao independentes, mesmo o direito processual penal, apesar de se poder assestar uma certa posicao de instrumentalidade em relacao ao direito penal, pois ele é um instrumento para a aplicacao do direito penal adjectivo. Mesmo assim, ele existe autonomamente e pode dizer-se que o direito processual penal tem uma certa funcao co-criadora na resolucao de casos concretos. A.1. O problema da realização do direito (penal) através do direito processual penal O direito penal realiza-se quando se decidem casos juridicos concretos atraves de uma decisao judicativa, uma vez que, antes, temos um conjunto de normas e, tendo um conjunto de normas, nao temos necessariamente direito, porque essas normas so sao direito e so se realizam quando sao aplicadas na resolucao do caso. Esta resolucao acontece no processo penal e, assim, este contribui para a realizacao do proprio direito penal. E, neste processo de realizacao, o proprio direito processual penal contribui com solucoes autonomas, como sao exemplos o caso da suspensao provisoria do processo, o caso do processo sumarissimo, o do arquivamento com dispensa de pena, entre outros. Sao exemplos em que o processo penal oferece uma solucao para o caso sem que esta esteja prevista no tipo legal de crime do Codigo Penal. Está aqui presente a autonomia teleologica do direito processual penal e, ao mesmo tempo, a sua contribuicao para a realizacao do direito penal, porque é através do processo que nos conseguimos solucoes justas para os casos é, atraves da decisao judicativa do caso, que o direito se realiza, se transforma a partir do conjunto de normas, de uma prescrição normativa, numa concretizacao da prescrição através da resolução de concretos casos juridicos. Isto, claro, sem prejuizo para a função instrumental que normalmente o processo penal tem, através da aplicação dos tipos legais de crime, na resolução desses casos. B. O direito processual penal e o direito penal O direito penal é o conjunto das normas jurídicas que ligam a certos comportamentos humanos (os crimes) determinadas consequências privativas deste ramo de direito (as penas e as medidas de segurança). Neste sentido, o direito penal é só o direito penal substantivo. O direito penal em sentido amplo ou o “ordenamento jurídico-penal” abrange, para além do direito penal substantivo, o direito processual penal (adjectivo ou formal) e o direito de execução de penas e medidas de segurança (ou direito penal executivo). O direito penal substantivo visa a definição dos pressupostos do crime e das suas formas concretas de aparecimento, bem como a determinação das consequências ou efeitos que se ligam à verificação de tais pressupostos, isto é, das penas e das medidas de segurança.

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O processo penal não tem um objecto de partes. A função essencial deste cumpre-se na decisão sobre se. A lesão do bem jurídico é do 4 . ou seja. Só podemos utilizar o processo civil quando existe uma lacuna no direito processual penal mas. C. Por isso o direito processual penal é público. nomeadamente através da investigação e da valoração judicial do comportamento do acusado do cometimento de um crime e da eventual aplicação de uma pena ou medida de segurança. o direito processual penal surge como o conjunto das noras jurídicas que orientam e disciplinam o processo penal.Ao direito processual penal a regulamentação jurídica do modo de realização prática do poder punitivo estadual. podemos dizer que a relação entre o direito penal e o direito processual penal é uma relação de mútua complementariedade funcional: só através do direito processual penal logra o direito substantivo. D. Esta será a tarefa do direito processual penal. na sua veste de ius imperium. A política criminal interessa-se com os objectivos a prosseguir na perseguição do crime. apesar disso. Vigora aqui um principio basilar do monopólio estadual do exercício da função jurisdicional. Esta regulamentação complementar pode definir-se como a regulamentação jurídica da realização do direito penal substantivo. Formalmente considerado. Apenas quando falamos de lacunas e atendendo aos princípios da razão de ser do processo penal. adaptando-se ao caso concreto e concluindo pela aplicação da punição mais justa ao agente. Concluímos então que o direito penal e o direito processual penal são regulamentações jurídicas autónomas. exige uma regulamentação complementar para a sua concretização. é também lesada toda a sociedade. Apesar de haver também uma certa instrumentalidade funcional mas tal não pode pôr em causa autonomia teleológica por lhe corresponder um interesse material específico: a realização concreta da própria ordem jurídica. O processo penal visa . No seio desta relação de instrumentalidade/autonomia está a ciência conjunta do direito penal: direito penal. justificadas pela diversidade de objectos a que se dirigem. saber da prática ou não de determinado crime e. ou seja. isto é. através da investigação e valoração do comportamento do acusado da prática de um facto criminoso. se realizou em concreto um tipo-legal de crime e. aplicar o direito penal casuisticamente. que crime praticou e como. O direito penal concretiza esta solução da política criminal. ao aplicar-se aos casos reais da vida a realização ou concretização para que tende. qual a justa punição a aplicar ao sujeito em causa. Não tem também o ónus da prova. na realidade. mesmo assim. saber quem é o agente. para além de ser subsidiária. para além do lesado directamente. tendo uma conformação especial com regras próprias e institutos particulares. Este é consequência e pressuposto (art. em sentido estrito. ninguém é obrigado a provar sob pena de perder o direito.2CPP). a competência para a regulamentação dos conflitos. Ambos são independentes com regulamentação própria. Direito processual penal e o direito processual civil Existe uma autonomia entre ambos. retirando-se às partes a decisão concreta do caso em apreço. não perdem a sua autonomia própria por prosseguirem interesses e finalidades próprias. na decisão sobre a consequência jurídica que dali deriva. Conclusão: O processo penal visa instrumentalizar. ramo do direito que disciplina a investigação e esclarecimento do crime concreto e permite a aplicação da consequência jurídica àquele que realizou um tipo de crime. Assim. concluímos que o processo penal é autónomo do processo civil. O direito processual penal tem especificidades que não são compatíveis com o processo civil. Direito processual penal como direito público Só o Estado tem competência para julgar os processos entre as partes – Princípio do Monopólio do Estado no exercício do poder jurisdicional. Assim. essa decisão civil tem de ser compatível com os princípios do CPP. o direito penal cumpre-se através do direito processual penal.8º e 4º CPP). portanto. só ao Estado compete a aplicação da justiça. Portanto. O direito penal.Há uma necessária intrumentalidade entre os dois mas. criminologia e política criminal. O processo penal é autónomo relativamente ao direito substantivo. distintas pelo seu objecto e regras. Quando é lesado um bem jurídico. remetendo-se para o Estado. em caso afirmativo. podemos afirmar uma certa subsidiariedade entre o processo civil e o penal (art. em caso afirmativo.

necessário encontrar uma concordância prática ente a perseguição do crime e a protecção dos interesses dos indivíduos.. a obtenção da verdade material. Não obstante a descoberta da verdade material ser uma finalidade do processo penal. O juiz tem aqui também uma função de investigação durante o julgamento. ofensa à integridade física ou moral das pessoas (art. em certas situações. A realização da justiça e a descoberta da verdade material O processo penal não pode existir validamente se não for presidido por uma directa intenção ou aspiração de justiça e de verdade. com respeito dos direitos fundamentais das pessoas que no processo se vêem envolvidas.interesse de toda a comunidade. isto é. A conformação jurídico-constitucional do direito processual penal Todo o processo penal é uma concretização do direito constitucional.27 e ss. Visa-se proteger o interesse da comunidade de que o processo penal decorra segundo as regras do Estado e Direito. art32. tudo isto tem vindo a ser relativizado. É. Há todo um conjunto de princípios e garantias que estão no CPP e que decorrem da própria Constituição. São precisamente estas regras. coacção ou. a protecção perante o Estado dos direito fundamentais das pessoas e o restabelecimento da paz jurídica posta em causa pelo crime e a consequente reafirmação da validade da norma violada. ela não pode ser admitida a todo o custo. Acaba por afectar os interesses dos sujeitos em momento prévio à descoberta da verdade material. A protecção dos direitos fundamentais das pessoas A protecção perante o Estado dos direitos fundamentais das pessoas é também uma das finalidades do processo penal. portanto. Ele exige também a protecção das suas instituições e a viabilização de uma eficaz administração da justiça penal.126). com o que as partes oferecem no processo. que se prendem com os direitos fundamentais das pessoas e que exigem que a decisão final tenha sido lograda de modo processualmente válido. O CPP relaciona-se intrinsecamente com a protecção e concordância prática entre os indivíduos e os seus direitos. A descoberta da verdade não deve estar condicionada com a verdade formal. O Estado é detentor do ius puniendi e é ele que tem os meios para que o processo penal decorra. P. 2. O direito processual penal tem na sua base o problema fulcral das relações entre o Estado e a pessoa individual e da posição desta na comunidade. pretendendo ir ao encontro da 5 . Ela tem de ter sido lograda de modo processual válido e admissível. No processo haverá verdadeira liberdade de investigação. Esta é matéria da comunidade. G. e na perseguição e condenação dos criminosos. Daí dizermos que o CPP é o direito constitucional aplicado. em geral. O DPP é o ramo do direito que mais afecta os DLG’s dos indivíduos. 1. O Estado de Direito não exige apenas a tutela dos interesses das pessoas e o reconhecimento dos limites inultrapassáveis dali decorrentes à prossecução do interesse oficial na perseguição e punição dos criminosos.ex.. No entanto. Por tudo isto se tem dito que o direito processual penal é um direito constitucional aplicado ou espelho da realidade constitucional ou sintoma do espírito politico-constitucional de um ordenamento jurídico. O direito processual penal é porduto de uma longa evolução dirigida à escolha dos meios conducentes à realização óptima das tarefas próprias da administração da justiça penal e na sua base estão sempre os alicerces constitucionais do Estado. art. liberdades e garantias sentido na CRP. a função jurisdicional.20 e ss. A justiça penal é incompatível com um principio de verdade formal. com a proibição da valoração das provas obtidas mediante tortura. F. Só através da CRP e pelos seus princípios se pode recorrer a um processo justo que leve a uma decisão válida. Artigos da CRP importantes: arts. que vão impedir. Finalidades do Processo Penal Será a realização da justiça e a descoberta da verdade material. O Estado intervém no exercício das suas funções.

p. O processo penal acusatório ou de estrutura acusatória. inquisitória mitigada ou moderada 5. pretende-se por termo ao conflito entre o agressor e a sociedade e o lesado. As partes têm de sentir que a paz jurídica foi restabelecida e para isso o processo tem de ser justo. A concordância prática Apesar de se reconhecer todas estas finalidades. Com isto não haverá a validação da finalidade preponderante à custa da de menos hierarquia mas sim uma optimização das finalidades em conflito.verdade material. O processo penal de estrutura acusatória integrado por um princípio de investigação e o actual processo penal português 6 . Esta situação ocorre em nome da descoberta da verdade material. há situações em que se torna necessário eleger uma só finalidade por estar em causa a dignidade da pessoa humana. perturbando de novo a paz jurídica do arguido como a da própria comunidade. torna-se necessário pôr em causa os direitos fundamentais das pessoas. As medidas cautelares e de policia. Assim. 3. com institutos como o recurso de revisão (arts. bem como a detenção são um exemplo de matérias onde é patente a tarefa de concordância prática levada a cabo pelo legislador. Daí que as provas obtidas através de tais métodos não possam ser valoradas ainda que dessa forma contribuíssem para a descoberta da verdade material. que reforça a sua fidelidade aos bens jurídico-penais. em cada situação. 3.2CRP. deverá ser julgado no mais curto prazo possível) como no plano da comunidade jurídica. 2.. nenhuma transacção é possível. Contudo. Este restabelecimento incide tanto no plano do arguido (que nos termos do art32. Há-se salvar-se. A ESTRUTURA DO PROCESSO PENAL 1. 4. Isto acontece com maior probabilidade e eficácia quanto menor for o tempo que medeie entre a prática do crime e a realização do processo penal. há uma impossibilidade da sua integral harmonização na generalidade dos problemas concretos do processo penal. Esta finalidade liga-se. tendo então de dar prevalência à finalidade do processo penal que dê total cumprimento àquela garantia constitucional.126) pensados a partir da necessária protecção dos direitos fundamentais das pessoas. Assim. optimizando-se os ganhos e minimizando-se as perdas axiológicas e funcionais. EM PARTICULAR. Isto implica atribuir a cada finalidade a máxima eficácia possível.449º e ss) que contém na sua própria razão de ser um atentado frontal àquele valor de segurança. Capítulo II A EVOLUÇÃO DO DIREITO PROCESSUAL PENAL. em certas circunstâncias para que este interesses se concretizem. 4. o máximo conteúdo possível.ex. apesar do crime. Em conclusão. Mas também aqui existem limitações. Já em relação aos métodos proibitivos de prova (art. teremos de operar uma concordância prática das finalidades em conflito. Assim. Restabelecimento da paz jurídica Pretende-se restabelecer a paz jurídica posta em causa pelo crime (ou até pela suspeita da prática do crime). O processo penal inquisitório ou de estrutura inquisitória O processo penal reformado O processo penal de estrutura mista. aos valores de segurança. quando em qualquer altura da regulamentação processual penal esteja em causa a garantia da dignidade da pessoa. em grande parte. A paz jurídica pode ser posta em causa. nenhuma transacção é possível uma vez que está em causa a protecção da dignidade humana.

escrito e secreto de todo o processo. sem independência perante o poder político. Em nome da soberania do Estado minimiza-se ou ignora-se os mais elementares direitos do suspeito à sua protecção perante abusos e parcialidade dos órgãos estaduais. o direito processual penal torna-se numa ordenação limitadora do poder do Estado em favor do indivíduo acusado. Valem praticamente sem limites os princípios do dispositivo. • Total observância do principio do contraditório. Ao juiz. transformando este princípio em princípio da forma acusatória. do objecto do processo. o juiz pudesse ordenar ao ministério público que acusasse ou não acusasse. do juiz passivo. compete simultaneamente inquirir. Consequências estruturais: • Ilegitimidade da prisão preventiva e. inquisitória mitigada ou moderna Vigorava num Estado autoritário mas em termos diferentes do Estado absolutista do séc.1. • Estrita ligação do juiz pela acusação e pela defesa. não como sujeito co-actuante no processo mas como um mero “objecto” de inquisição. uma vez terminada. • Estruturação do processo penal como processo de partes. acusar e julgar. Estado absolutista que vigorou na generalidade dos países europeus do séc. Há. pelo interesse do Estado. uma total supremacia da força estadual perante os destinatários dos seus comandos. • Asseguramento a este de um direito de defesa tão amplo como o direito de acusação. não participando no processo activamente. A lide para ser justa supõe a utilização de armas e meios iguais. por seu turno. como único juiz do bem-comum. • Criação de um sistema estrito de legalidade da prova.XVII e XVIII. O Estado assume. pelas partes. o processo penal seria dominado. de quaisquer meios coercivos contra o arguido. Assim. A ele pertence o domínio discricionário do processo. quem dizia se devia ou não acusar era o juiz. Esta competiria ao ministério público. Tratava-se de um processo inquisitório camuflado. O indivíduo surge como um verdadeiro “sujeito” do processo com o seu direito de defesa e com as suas garantias individuais. o MP não passava de um ordenança do juiz. O processo penal de estrutura mista. • Reconhecimento de uma certa disponibilidade. dotado dos seus direitos naturais originários e inalienáveis. 3. 7 . da verdade formal. é visto. Este reconhecia o princípio da acusação. 2. Aqui acontece outra estruturação do processo penal. burocrata da justiça. Do que se trata neste processo penal é de uma oposição de interesses entre o Estado que quer punir os crimes e o indivíduo que quer afastar de si quaisquer medidas privativas ou restritivas da sua liberdade. O arguido. ou seja. Assim. exclusivamente. em geral. O processo penal de estrutura inquisitória Trata-se de uma concepção autoritária do Estado. XVII e XVIII. conseguia-se que pertencesse ao julgador também a competência para a instrução preparatória e que. Além disso abre caminho a todos os modos de extorquir ao arguido a confissão. Ele cumpria a ordem do juiz de acusar. enquanto que o julgamento seria da competência do juiz. então. Deste modo. uma posição de supremacia total e ilimitada sobre o indivíduo. No centro da consideração está agora o indivíduo autónomo. O juiz está muito subordinado ao poder político. Apenas se alcança a verdade formal que resulta do carácter puramente inquisitório. Mas. que não concede ao interesse das pessoas qualquer consideração autónoma e encontra-se ligado a uma liberdade discricionária do julgador (embora exercida sempre em favor do poder oficial). O processo penal de estrutura acusatória e o processo penal reformado O Estado liberal conduz a outra estruturação do processo penal. dando origem à perda real do direito de defesa do arguido. da autoresponsabilidade probatória das partes e da presunção de total inocência do acusado até à condenação.

independentemente das contribuições da acusação e da defesa. Na grande parte o processo é oral mas reduzido a escrito e público. O processo penal de estrutura acusatória integrado por um princípio de investigação Este é o processo próprio do Estado social dos nossos dias e que temos em Portugal. as partes não podem dispor livremente do objecto processual. O arguido não é parte mas um sujeito processual com direitos e deveres. o juiz é livre de investigar depois de lhe serem entregue os factos (mas apenas aqueles que são objecto de julgamento). da harmonização dos interesses em conflito é uma estrutura acusatória integrada pelo princípio da investigação. Nesta fase. buscando a verdade material. para termos um processo imparcial quem acusa não julga. então. Âmbito material Âmbito espacial Âmbito pessoal 8 . Lei Direito judicial Doutrina Interpretação e integração das normas processuais penais Interpretação Integração III. II. criando ele própria as bases necessárias à sua decisão. Não existe ónus da prova mas existe presunção de inocência. isto é. ou seja. Âmbito de aplicação do direito processual penal 1. Em fase de recurso apenas se transfere as gravações que serão ouvidas no tribunal. as limitações indispensáveis à liberdade do arguido que não ponham em causa a sua dignidade nem o seu direito de defesa. Sendo o MP a fixar o objecto do processo. que há uma distinção entre quem investiga e quem acusa e depois entre quem julga. Não temos um processo de partes mas um processo em que o MP representa os interesses de toda a comunidade. a não ser que os sujeitos concordem. o juiz não pode decidir sob factos que não constam na acusação. 2. O princípio da investigação traduz-se no poder. Assim. Assim. e esta é uma fase anterior ao julgamento. não vigora o princípio do dispositivo. o arguido não tem de provar a sua inocência. Capítulo III APLICAÇÃO DAS NORMAS PROCESSUAIS PENAIS I. o facto sujeito a julgamento. o juiz pode investigar mas não pode julgar por ser uma fase preliminar ao julgamento. As fontes do direito processual penal 1.4. Concluímos. Quem fixa o objecto do processo é a acusação que é titulada pelo MP. Apenas poderá julgar depois do despacho de pronúncia ou não pronúncia. Daqui deriva o princípio da acusação. Dá-se a possibilidade também ao juiz de investigar sempre que ele possa intervir no processo. 3. 2. 1. o juiz que intervém na fase de acusação não pode julgar. Aqui assegura-se os direitos de defesa do arguido. a sua intenção dirigida à verdade material. 2. Exceptuando tudo isto. 3. Poderá existir desistência mas apenas se for homologada. A estrutura processual que melhor dá cumprimento ao critério da concordância prática. Em regra. dever que pertence ao tribunal de esclarecer e instruir autonomamente. ou seja. Com este principio pretende-se acentuar convenientemente o carácter indisponível do objecto e do conteúdo do processo penal.

4. Estariamos a violar o principio da tipicidade. Cabe-lhe. nao há nenhum limite à analogia. ou porque não há caso análogo. 2. Portanto. exige-se uma interpretação feita de acordo com a unidade do processo penal.2º CPP e art. Interpretação e integração das normas processuais penais 1. aqui tambem aplicamos porque a situacao e identica).No Direito Penal não podemos recorrer a analogia quando esse recurso serve para incriminar. no fundo. pois. porque aqui nao se trata de incriminar ou nao incriminar – isso está na lei substantiva. devido ao princípio da legalidade “nullum crimen sine lege”. Portanto. Interpretação Quanto a interpretação.3 CPP. 1. De ressalvar a diferença existente entre interpretação e discricionariedade. remetemos para as regras de interpretação juridica que estão fixadas no Codigo Civil art. Integração Quanto a integracao de lacunas temos especificidades no Direito Processual Penal. um novo tipo legal que nao existia. É o CPP que está em questão e não outras normas. Ja a analogia. Ao lado desta fonte existe legislação extravagante que regula os mais diversos âmbitos particulares do direito processual penal. ao contrário do que estudamos em direito penal. É através das normas do DPP que se dá a aplicação ao caso concreto. 4º do CPP diznos como se resolve o problema das lacunas. ou seja. Isto é. nao se consiga resolver o problema. se nao for para incriminar é possivel. diremos que se aplicam ao processo penal as mesmas regras de interpretacao juridica que se aplicam aos restantes ramos de direito. A alternativa serão as normas do processo civil desde que se harmonizem com o processo penal. se a situação não estivesse prevista num tipo legal de crime. que não colida com os seus principios básicos. Âmbito temporal I. Doutrina É a fonte mais relevante entre nós depois da lei. Mas pode acontecer que. 9º CC. No CPP esse problema nao se coloca. em termos de lei processual. Podemos utilizar a analogia. Fontes do direito processual penal 1. “quando as disposições deste código não puderem aplicar-se por analogia”. Ou seja.3. Compete-lhe a construção dogmática jurídico-processual penal. ou porque a lei não sé aplicável analogicamente. aqui é possível recorrer a analogia. criado por via jurisprudencial. É um meio através do qual conseguimos aplicar as normas. no direito penal. seria como se estivessemos a criar uma nova lei. No entanto.1. por ser demasiado forçada a aplicação. 1. O art. Lei A mais importante fonte do direito processual penal vigente é o CPP.o do CPP diznos que podemos utilizar a analogia a partir das disposições do próprio Codigo. Primeiro.4. Direito Judicial Ao lado do “direito legal” tem um lugar de relevo o direito judicial. O que aplicamos analogamente sao as normas do Codigo e nao outras normas. O art. II.2. Há aqui este limite. mesmo com recurso a analogia. uma função “criadora” do direito. ou seja. em certa medida. ela não deve nem pode pôr-se ao mesmo nível de obrigatoriedade que cabe à lei. nao se podia incriminar com recurso a analogia. Trata-se de encontrar soluções justas e adequadas para os concretos problemas da vida. nao basta ir ao Processo Civil buscar normas que sejam 9 . aplicando-se normas do CPP. o principio da legalidade. Art. vamos aplicar analogicamente as mesmas normas do CPP a situações analogamente identicas (se ali aplicamos esta norma. Contudo.

quer os que possuam uma relacao meramente indirecta. E. com a aplicacao das normas do CPP. Âmbito de aplicação do direito processual penal 3. previsto no art. a segunda tem um cariz substantivo. Eles caracterizam o processo penal. 10 . quais as garantias em termos de efeitos de processo? Sera que a decisao previa nao penal faz caso julgado relativamente aos outros processos? A partida. 7o. De facto. É a terceira hipotese. 3. terão de ser sempre normas que a harmonizarem-se com o processo penal. tem que ver com a estrutura do processo penal. segundo a qual haveria um onus da prova para um dos sujeitos. A primeira constitui um problema processual sem a resolucao do qual o processo penal nao pode prosseguir. Ou seja. de materia. caso contrário. Ou seja. essas normas não serão aplicaveis. Nao se pode aplicar normas de processo penal sem ter em conta os principios de processo penal. Ha ainda que focar o problema do efeito interno/externo da decisão penal relativamente a estas questoes. tratando-se de um problema de conteudo. questoes nao penais em processo penal (as que trata o art. Contudo convem focar alguns aspectos em particular neste dominio. diaria. decisivos para descoberta de um crime.1. 2.7º. Em síntese: 1. outras defendem que o juiz penal resolve a questao penal. porque eles tambem sao emanação da Constituicao – trata-se de direito constitucional aplicado. se o processo penal resolve uma questao que nao se inclui no seu ambito.aplicaveis ao caso. O Processo Penal tambem tem um espaco de resolucao autonoma de algumas questoes que sao suscitadas no processo. 2CPP fala-nos nas questoes prejudiciais. nao havendo normas do Processo Civil aplicaveis que se harmonizem com o Processo Penal. com os principios do Processo Penal. o que obriga a execucao deste assunto no tribunal competente. Em processo penal os principios sao de aplicacao constante. Analogia CPC Princípios do processo penal III. quer os que tenham uma relacao directa com o crime. controlando todos os outros processos envolvidos no seu ambito. Em relacao a esta materia ha duas posicoes: umas defendem que o processo penal e genericamente absoluto. Por exemplo. a todos os casos. Âmbito material A lei processual penal versa sobre a existencia dos crimes e aplicacao das respectivas sancoes em geral. O processo pode terminar sem que se tenha aplicado a sanção prevista no tipo legal de crime. pelo que quando ha decisoes de outros tribunais que contrariem a decisao penal tem lugar o recurso de revisao de sentenca. nomeadamente atraves do recurso aos principios gerais de processo penal. previo ao proprio raciocinio (ex: saber quem pode ser considerado funcionario publico). se fossemos buscar uma norma ao processo civil que determinasse que o objecto do processo é disponivel. então aplicam-se os Principios gerais do Processo Penal. Por exemplo. diz-nos que é no processo penal que se resolvem todos os seus problemas. relacionadas com assuntos nao penais. nao poderia ser aplicado porque em Processo Penal o objecto não é disponível. com os principios de processo penal. Convem ainda distinguir questão prévia de questão prejudicial. embora admita a intervencao de outras entidades com relevancia para o caso. As questoes prejudiciais podem ser de tres tipos: questoes penais em processo penal. Ou se fossemos buscar uma norma ao Processo Civil que tivesse implicacoes no Processo Penal. É preciso que essas normas se harmonizem com o Processo Penal. no caso da suspensao provisoria do processo. nao havendo a possibilidade de resolver o caso atraves da analogia.1CPP. 7º. nao seria aplicável porque em Processo Penal não há onus da prova. por ultimo. tudo é aferido atraves dos princípios que são fundamentais para a aplicação prática do processo penal. Esta distinção releva porque se a questao prejudicial for tambem uma questao previa ha uma prejudicialidade propria. O proprio processo penal pode dar a solucao para o caso sem ser preciso aplicar nesse caso a lei substantiva. O principio da suficiencia do processo penal. o art. Contudo. 1CPP) e questoes penais em processo nao penal (reguladas no CPC). so se reconhecem meros efeitos internos a decisao.

Noutros casos, ha uma questao prejudicial, mas esta e resolvida dentro do proprio processo (prejudicialidade impropria, prevista no art. 7o, 1 CPP). Porem, este art.7,o1 apresenta as excepcoes do no 2. Assim, quando se tratem de questoes nao penais dentro do processo penal e a sua resolucao se apresente problematica, suspende-se o processo e remetem-se tais questões para o tribunal competente, a fim de se averiguar da existencia de um crime (elementos constitutivos do tipo legal de crime). O art. 7o, 3 foca as entidades com competencia para a suspensao e o no 4 frisa que, esgotado o prazo sem a resolucao da questao prejudicial, a questao regressa ao processo penal para ai ser resolvida. Uma das questoes nao penais mais relevantes no processo penal prende-se com a responsabilidade civil, que, segundo o art.71o CPP, se resolve no ambito do processo penal, salvo excepcao em contrario. As normas de direito processual penal aplicam-se a todos os casos de natureza penal para os quais, nao havendo outra lei especial, seja aplicavel o CPP. Nao se aplica, portanto, a materia que nao seja de natureza penal. Nao se aplica ao ilicito disciplinar, ao ilicito de mera ordenacao social, embora se aplique subsidiariamente as contra-ordenacoes. No Regime Geral das Contra-ordenacoes esta previsto que o CPP se aplica subsidiariamente ao processo das contra-ordenacoes. O ambito material de aplicacao e o da materia de natureza penal para a qual seja preciso um processo. E ai que se aplicam as normas de processo penal. 3.2. Âmbito temporal Nos termos do art. 5.o do CPP: “1 - A lei processual penal é de aplicação imediata, sem prejuízo da validade dos actos realizados na vigência da lei anterior. 2 – A lei processual penal não se aplica aos processos iniciados anteriormente à sua vigência quando da sua aplicabilidade imediata possa resultar: a) Agravamento sensível e ainda evitável da situação processual do arguido, nomeadamente uma limitação do seu direito de defesa; ou b) Quebra da harmonia e unidade dos vários actos do processo.” Portanto, esta primeira nota é importante: “aplicacao imediata”. Nao é preciso esperar que o processo termine para se poder aplicar esta nova norma, isto é, as normas processuais nao se aplicam aos novos processos apos a vigencia da entrada em vigor da norma do processo penal. Elas aplicam-se imediatamente aos casos que estao a ser decididos nos tribunais. Se está um caso a correr e entra em vigor uma norma processual penal, essa norma processual aplica-se imediatamente a esse caso, a esse processo. Nao se aplica apenas aos casos que vao ter inicio apos a entrada em vigor dessa norma processual – regra da aplicacao imediata. Mas isto tem limites. Um dos limites é de eventualmente isto poder enfraquecer ou prejudicar o arguido, e sé o arguido. Isto e, se, ao aplicarmos imediatamente a norma aos processos que estao a correr, aos processos que ja se iniciaram antes de a norma ter entrado em vigor, e ao aplicar-se a norma imediatamente a esses casos, resultar que a posicao do arguido saia enfraquecida no processo, nomeadamente, o seu direito de defesa ficar diminuido, entao não se aplica. Por exemplo, se a nova norma diz que o prazo para apresentar contestacao passa a ser de 5 dias e não de 20, como era ate aqui, a norma não se aplica, porque estamos a prejudicar o arguido, estamos a enfraquecer a sua posicao. Se, por exemplo, se diz que passa a ser possivel utilizar um determinado meio de prova, que incrimine o arguido, que antes não ra possivel, tambem se enfraquece a posicao do arguido. Ou seja, tudo o que concretamente limite o direito de defesa do arguido ou que venha a enfraquecer em geral a sua posicao juridica nao pode ser aplicado. Tem de ser um agravamento, como diz a lei, sensivel e ainda evitavel. Se houver um agravamento que nao seja sensivel, que nao se possa dizer que de facto vem afectar o direito de defesa, ou que seja inevitavel, entao, aplica-se na mesma a lei imediatamente ao arguido. Portanto, tem de se tratar de um agravamento sensivel, por um lado, evitavel, por outro, que enfraqueca a posicao do arguido, nomeadamente que diminua o seu direito de defesa. Quando isso acontece, não se aplica a nova norma. Por outro lado, o legislador preocupou-se com a questao da economia processual, a questao da harmonia dos actos processuais. O processo penal tem uma certa sequencia, e se da aplicacao imediata da lei resulta uma quebra da harmonia dos actos, ir atras e repetir desnecessariamente as coisas ou inverter a

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ordem normal, quando nao e necessario para a formacao da decisao, entao, não se aplica tudo o que vai quebrar a harmonia e unidade dos actos processuais,ou seja , se nao ha um resultado essencial para o processo nao vale a pena ser aplicado. Portanto, respeitando-se estes dois limites, sempre que uma norma processual é aprovada e entra em vigor, aplica-se imediatamente. Temos de ver art. 5º, 2 do CPP, em consonancia com o art. 32º, 5 CRP, como forma de proteger o arguido.

3.3. Âmbito espacial Em processo penal vigora o principio da territorialidade (art. 6o CPP), salvo as excepcoes previstas nos Tratados, Convencoes e regras de Direito Internacional (ex: normas de harmonizacao europeia, de cooperacao judicial, mandado de detencao europeu...). Uma pessoa comete um determinado crime em determinado lugar. Teremos então, primeiro, de aplicar o Codigo Penal, para saber qual a lei penal aplicável. Depois de saber qual a lei aplicável podemos partir para a norma processual penal, nos termos do art.6.o do CPP: “A lei processual penal é aplicável em todo o território português e, bem assim, em território estrangeiro nos limites definidos pelos tratados, convenções e regras do direito internacional.” Ou seja, no fundo é o principio da territorialidade com, eventualmente, excepcoes a esse principio tendo em conta as pessoas envolvidas. Nao se podem aplicar normas processuais penais no estrangeiro sem serem situacoes previstas nos tratados, convencoes e regras de direito internacional, como tambem nao e possivel que se apliquem normas processuais penais estrangeiras aqui em Portugal. Por exemplo, nao podemos mandar uma equipa de policias a um pais estrangeiro deter um portugues que cometeu um crime aqui em Portugal e traze-lo algemado. Seria a aplicacao das nossas normas processuais penais fora do nosso pais, fora do nosso território, não sendo permitido. Mas podemos pedir a extradicao de um individuo, por exemplo, e ai o direito que esta a ser aplicado e o direito desse pais e nao o nosso, e se esse pais entender que sim, o individuo é extraditado, é-nos entregue e,então, aplicamos as nossas normas processuais penais. Tambem temos de cumprir, aqui, as regras da Uniao Europeia (UE), nomeadamente a questao do Mandado de Detencao Europeu (MDE), que permite que haja alguma reciprocidade em relacao a aplicacao de normas processuais dos diversos paises da UE, atraves de um regime especifico onde as nossas decisoes sao aplicadas em paises da EU. Mas ai, como está salvaguardado no CPP, eé preciso que haja tratados ou convencoes que o prevejam, como é o caso do MDE, uma Decisao-quadro instituida pela UE, e que depois se tera transposto para os Estados-Membros. Tirando isso, não podemos aplicar as nossas normas processuais fora do pais, e assim como dentro do nosso pais aplicam-se as nossas normas processuais penais. Por exemplo, tambem nao pode vir aqui alguem de outro pais deter um individuo e leva-lo. Se alguem quiser levar um individuo que está em Portugal para ser julgado num outro pais tem de respeitar as normas do nosso pais, tem de requerer atraves dos instrumentos proprios previstos na nossa lei (detencao, extradicao, etc.), caso contrario não é possível.

3.4. Âmbito pessoal O ambito de aplicacao da lei processual penal coincide com o da lei substantiva, aplicando-se a todos os intervenientes no processo, portugueses ou nao. Ex: um estrangeiro que comete um crime em Portugal vai ser julgado em Portugal, embora o tribunal da sua nacionalidade possa requerer que a execucao de pena se processe no seu pais de origem. Em principio as pessoas que estao sujeitas as normas processuais penais sao todas aquelas que tambem estao sujeitas ao direito penal. Se, pelo Codigo Penal, uma norma for aplicada a uma pessoa, a regra é que tambem seja aplicada ao direito processual penal. Há uma dependencia em termos de aplicação entre direito penal e direito processual penal. Por isso, e mais simples no direito processual penal determinar o

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ambito pessoal do que no direito penal, porque primeiro temos que saber qual o ambito de aplicacao da lei penal para depois aplicar o direito processual penal. No entanto, ha algumas limitacoes e isencoes que tem que ver com questoes de natureza processual penal. Mesmo que certa pessoa seja responsabilizada pelo direito penal isso pode nao significar que aconteca no direito processual penal. Vejamos. 1a) – Esta isencao esta relacionada com o direito internacional. Neste há um conjunto de regras que nao permite que sejam aplicadas normas processuais penais a determinadas pessoas mesmo que tenham cometido crime no territorio portugues. Temos, como exemplos, Chefes de Estado, consules, diplomatas, agentes equiparados e sua familia e agentes administrativos. 2a) - Convencao de Viena: esta regula, entre outros aspectos, as relacoes diplomaticas e consagra limitacoes às normas processuais no que toca a pessoas que façam parte do corpo diplomatico de determinado pais. 3a) - No direito interno temos um conjunto de limitacoes que provêm do proprio direito constitucional. Estas referem-se ao Presidente da Republica (art.130o da C.R.P.), ao Primeiro-Ministro, aos deputados da Assembleia da Republica (art.157o da C.R.P.), aos membros do Conselho de Estado, aos membros do Governo (art.197o da C.R.P.) e ao Provedor de Justica. Trata-se de imunidades que impedem que sobre estas pessoas possa correr um processo-crime. Para que se possa perseguir criminalmente um deputado é preciso levantar essa imunidade e para tal e preciso uma autorizacao, a qual é pedida a Assembleia da Republica, sem a qual nao se verifica o pressuposto processual de perseguir o deputado. Isto aplica-se a todas as pessoas mencionadas anteriormente. 4a) – Garantia politica, tambem designada de garantia administrativa,isto é, os deputados no exercicio das suas funcoes, sempre que emitirem alguma opinião, nao devem ser responsabilizados civil, disciplinar e criminalmente. Eles são livres de se pronunciar pois, caso contrário,os deputados estariam limitados nas suas funcoes de representacao democratica. Visto que eles sao os representantes do povo que os elegeu democraticamente, eles nao devem estar limitados pelo temor de sofrer represalias, devem agir com inteira liberdade. Esta garantia politica nao se deve de confundir com a disciplina partidaria ou de voto ou de “bancada”; esta é interna, de cada partido.

Caso prático n.º 1 Imagine que o legislador foi agravando por diversas vezes o prazo maximo de duracao maxima da prisao preventiva em processo penal. Assim:  Em Janeiro de 1997, o prazo legal era de 12 meses;  Em Janeiro de 1998, o prazo legal passou para 15 meses;  Em Janeiro de 1999, o prazo legal passou a ser de 18 meses;  Em Janeiro de 2000, o prazo legal foi alargado para 21 meses;  Em Janeiro de 2001, o prazo legal foi fixado em 2 anos. Imagine, agora, que A pratica um crime em Julho de 1998. O respectivo processo penal, todavia, so e aberto em Julho de 1999 e o arguido e preso preventivamente em Julho de 2000.Qual o prazo maximo da sua prisao preventiva?

Resolução: Estamos perante um caso de aplicacao da lei processual penal no tempo. Segundo o n.1 do art.5º do CPP, a lei processual é de aplicação imediata, ou seja, entra em vigor logo. Aplica-se aos processos que irão iniciar a sua marcha e aqueles que ainda estão a decorrer. Por ser de aplicacao imediata, levanta dificuldades de aplicacao nos processos que ja estao a decorrer. O n.1 do art.5º do CPP contem a regra: a lei processual e de aplicacao imediata. O n.o 2 do mesmo artigo contem duas excepcoes a regra, ou seja, a lei processual nao se aplica aos processos iniciados anteriormente a sua vigência quando da sua aplicabilidade imediata possa resultar um

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nao nos choca que possa ser aplicada a lei de Janeiro de 2000. Esta ultima lei nao e relevante. O n. Caso contrário o n. No caso sub judice está em analise saber qual a lei que vamos aplicar ao arguido. e em Janeiro de 2001 o prazo ja era de 2 anos. Este exemplo é para salientar que nao pode a excepcao ser maior do que a regra. é para melhorar a dinamica do processo. ou seja. e ai ja estava em vigor a lei de Janeiro de 2000. é para melhorar uma situacao juridica. al. porque ele só é condenado em Julho de 2000. e ainda quando ha fortes indicios da pratica de um crime doloso punivel com pena de prisao de maximo superior a tres anos (art.2 é uma cláusula de salvaguarda que funciona em situações de extrema injustica.5o pretende vedar. A regra da aplicabilidade imediata resulta de dois motivos: 1. e essa nova lei foi aplicada ao arguido. porque se entendeu que nao agravava de forma sensivel a situacao do arguido. Alem disso. n. 28oCRP).a) em situações excepcionais. E quando lhe é aplicada tal medida. a). e porque a lei processual penal é de aplicacao imediata. Para regular tal medida foram publicadas sucessivamente varias leis que determinavam o periodo maximo da prisao preventiva. ele ainda não é arguido. Este raciocinio nao é do processo penal.202oCPP e art. pois se o legislador criou uma regra em que a lei processual penal e de aplicacao imediata.1 do art.5 do CPP. O delito ocorreu em Julho de 1998. Essa nova lei era desfavoravel ao arguido. A prisão preventiva é uma medida de coaccao aplicavel ao arguido subsidiariamente.agravamento sensível e ainda inevitavel da situacao processual do arguido. 5 seria a excepção. em 2009 uma lei publicada em 1989. A materia de aplicacao da lei no tempo ja foi debatida varias vezes. lei essa que determina o periodo maximo de prisao preventiva. quando se considerem inadequadas todas as outras medidas ou insuficientes. e nao um agravamento do direito penal ou da situacao individual do arguido. pois essa agrava o periodo máximo da prisão 14 . Não há receio que se afecte a posicao juridica do arguido. Questao primordial é saber se aplicamos a lei de Janeiro de 1999 ou de Janeiro de 2000. Em Janeiro de 2000.o2. 5o. Por isso é que nao admitimos a lei de Janeiro de 2001. do n. só porque nessa altura a medida de prisao era inferior a actual. Tal lei foi admitida. o que o legislador pretende e de acordo com o espirito do CPP. pois ele nem sequer sabe se vai ou nao ser condenado a prisao preventiva. e deu origem a um acordao do STJ de fixacao de jurisprudencia. é porque quer obter esse efeito quando publica uma nova lei. que estipula um prazo maximo de 15 meses. está errado. ele ainda nao tem expectativas formadas. Por outro lado. efectivamente ele ainda não está em prisao preventiva. a) fala num “agravamento sensivel” e “evitavel”. Num caso de aplicacao da lei no tempo. Assim sendo. trata-se de um agravamento da situacao processual do arguido. pois nao podemos deixar entrar pelo art. temos que ter em consideração o momento processual em que o arguido se encontra.o2 do art. e como consequencia nao se preenche. apesar de ai se ter iniciado o processo penal. o qual nos diz que já depois da decisao do tribunal. embora a jurisprudencia tenha alguns criterios proprios. Assim. so se aplicando o nº2 al. porque é anterior à pratica do crime e anterior ao inicio do processo. a defesa do arguido nao pode ser levada tao longe de maneira a protege-lo de uma coisa que ainda não existe. Quando o arguido vai a tribunal é em Julho de 2000. o prazo foi alargado para 21 meses. alteraram-se as regras do recurso. é que por regra as normas processuais penais sejam de aplicacao imediata. Isto é avaliado casuisticamente pelo juiz. pois o arguido ja se encontra condenado nessa altura. ainda não está em prisao preventiva. mas sim do Direito Penal. Quando o legislador muda uma norma. temos uma lei em Janeiro de 1997. E é avaliado em concreto. pois diminuia a sua possibilidade de recurso. e quando essa aplicacao imediata implica uma quebra da harmonia e unidade dos varios actos do processo. a al. contudo o processo so foi iniciado em Julho de 1999. a) todas as hipoteses que n.o2 al. 2. Quando se cria esta norma de aplicacao imediata. Se no momento ele ainda nem eé arguido entao não podemos dizer que as suas expectativas ou que a sua posicao é agravada. em principio. Este agravamento pressupoe uma alteração significativa da situação processual do arguido.2 seria a regra e o n. Portanto nao ha agravamento da situacao processual do arguido. Antes. pois sao as que estao em contacto com o processo penal.o1 do art. a qual nao relevante. em Julho de 1999. Ele vai ser condenado a uma prisao preventiva que tem como período máximo 21 meses. A situação processual dele não é de sujeito a uma aplicacao de medida preventiva. De seguida temos a lei de Janeiro de 1998. 5o n. A excepcao contida no art. porque isso iria fazer que com que se invocasse (por exemplo). é ai que ele pode criar expectativas que lhe vai ser aplicada uma prisão preventiva de 21 meses. o raciocinio de que uma lei prejudicial ao arguido nao lhe pode ser aplicada.

porque senao o arguido vai poder dizer que era a primeira lei do processo. invocando como argumentos que não é particularmente grave aumentar de 18 para 21 meses o periodo maximo de prisao preventiva. 5o do CPP.4. e viola o n. podemos admitir que se aplica a lei de Janeiro de 1999. Admitimos as duas hipoteses. Temos como referencias os seguintes acordaos: ac. Contudo.1. que vai ser aplicada em 2009. então temos fundamentos bastante para aplicar a lei de Janeiro de 1999.3.o2 do art. Depois desse momento ja nao se aplica. que o arguido vai ficar mais tres meses privado da sua liberdade. Mesmo nesta situacao. por exemplo a lei de 1999. Princípios relativos à forma 15 . Princípio da livre apreciação da prova ou sistema da prova livre 3. São só mais tres meses. a) do n. Se a mudanca de lei ocorrer ate ai era aplicada imediatamente. Entendeu que a situacao processual dele se configurava quando ele fosse condenado.preventiva. que é o pressuposto maior de um Estado de Direito Democratico como o nosso. a) do n. Capítulo IV PRINCÍPIOS GERAIS DO PROCESSO PENAL 1.2. 2. Numa primeira decisao o STJ entendeu que como a decisao ja tinha sido apreciada duas vezes e como a lei processual é de aplicação imediata entao o sujeito ficou sem a possibilidade de recorrer para o STJ.o 70/90 de 15 de Marco.3. e o arguido ja criou expectativas que o prazo maior será de 21 meses. aos art. Princípios relativos à prova 3. Numa outra decisao o STJ entendeu que nao. Este ultimo acordao diz respeito a materia de recurso. 432o e 401o do CPP. Princípios relativos à prossecução processual Princípio da investigação Princípio da contraditoriedade Princípio da suficiência e o problema das questões prévias Princípio da concentração 3. A lei de 2001 ja cabe na excepcao de salvaguarda da al. porque a própria jurisprudência também a admite. Princípio da oficialidade 1.1.5 do CPP.3. 2.o2 do art. Nesse acordao o sujeito ja tinha recorrido da decisao da 1a instancia para a Relacao e queria recorrer para o Supremo.2. Quanto a nos estes argumentos nao nos convencem e como tal rejeitamos aplicacao da lei de Janeiro de 2001. STJ n. também encontramos quem sustente tal aplicacao. que ele vai ver a medida de prisao preventiva agravada em 3 meses (21 meses – 18 meses).2. Esta lei mexe com a posicao processual do arguido.o 179/97 de 15 de Julho. Princípio da investigação ou da verdade material 3. do STJ de 18 de Fevereiro de 2009. entao preenche a al. so ai e que surgia a expectativa de haver ou nao recurso. a qual tem um prazo maximo de prisão preventiva mais favoravel para o arguido (18 meses). da Relacao de Evora n. 2.2. entao era ate ai tinha que haver a mudança de lei. Princípios relativos à promoção ou iniciativa processual 1. e tudo sera descontado na aplicacao de uma pena. Esta situacao conduz-nos a uma espiral de leis infinita.1. Princípio da acusação 2. al. se pensarmos que a lei de 2000 agrava a situacao processual do arguido de forma sensivel. Princípio "In dubio pro reo" 4. Durante esse periodo acabou a instancia do Supremo. e que esse agravamento é evitavel. a) do mesmo artigo. e ac. ac. Se argumentarmos no sentido que a prisao preventiva é a mais grave medida de coacção. 2. Princípio da legalidade 1.

contudo. nao é necessário que exista queixa nem acusação. que contém o principio do monopolio estadual da funcao jurisdicional: é o Estado que tem esse monopólio e nao os particulares. 16 .48 do CPP. há aqui uma limitacao no sentido de que o MP nao pode por si so dar inicio à investigacao. Princípios relativos à promoção ou iniciativa processual 1. princípios ligados à prova. bastando que o MP tome conhecimento da noticia do crime por qualquer meio previsto na lei para dar inicio a investigação. Estes estao sistematizados de acordo com a estrutura do processo penal. Esta nao é. directa ou indirectamente.1.2. a comunidade entregou ao Estado o poder de aplicar o direito penal e de realizar a justica penal (o mesmo nao se passa no direito processual civil).P.1. Mas é só esta limitacao. o ofendido ou a vitima. alusao a estes principios. com as restrições constantes dos artigos 49º a 52º “. É necessário que o particular queira que o crime seja investigado para se produzir a acusacao. Crimes públicos: são aqueles em que. e tem uma excepcao que esta relacionada com os crimes particulares stricto sensu.R. uma vez que vigora uma estrutura acusatória mitigada pelo principio do inquisitorio. Assim. Crimes semi-publicos: são aqueles em que é necessario apresentar uma queixa pelo titular do exercicio do direito de queixa para que o MP possa promover o processo. 1. Sendo o Estado o detentor do “ius puniendi”. Este principio decorre da C. – o poder de investigar se determinado crime foi cometido e averiguar se existem indicios suficientes que permitam conduzir o processo a julgamento. os crimes semi-publicos e os crimes particulares strcito sensu. permite saber que é uma entidade publica que tem competencia para investigar a pratica de uma infraccao e saber tal deve ser submetida a julgamento.4. se o MP tem conhecimento que foi cometido um homicidio. por um lado. esta sera formulada pelo MP. só interessa que ele tenha conhecimento desse facto. a tramitacao e. Princípio da oralidade e da imediação Introdução Os principios gerais do processo penal são principios constitucionais aplicados a todo o processo penal. A queixa é uma manifestação de conhecimento e de vontade. do seu art. Por exemplo. Este principio tem uma limitacao que tem que ver com os crimes semipublicos. Por outro lado. principios referentes à prossecução processual. por exemplo. nao interessa se tomou conhecimento por denuncia ou porque viu na televisao. 205. Existem três tipos de crimes quanto a sua natureza: os crimes publicos. O principio da oficialidade em Portugal significa que. por regra. Tendo em conta tal sistematizacao temos: principios ligados a promoção ou iniciativa processual.P.. por outro. Encontramos uma manifestacao do principio da oficialidade no art. sendo necessario a queixa. o qual ao dizer que “[o] Ministério Público tem legitimidade para promover o processo penal. para que a infracção seja investigada. porque a partir daqui o MP ja tem poder para dar seguimento ao processo sem estar dependente da consulta e da vontade do particular. temos a figura do MP que acaba por representar toda a comunidade. Princípio da Oficialidade Neste principio pretendemos saber quem tem competencia para investigar a pratica de uma infracção e saber quem tem competencia para leva-la a julgamento. a resposta do nosso sistema. A partir do momento em que é apresentada a queixa o MP avanca sem ter de consultar o particular. Sempre que se resolve um caso. cabe a uma entidade publica – M. O MP é a entidade que tem o poder de investigar a pratica de uma infraccao e de decidir se deve levar tal conduta a julgamento. teríamos um processo de partes tipico de uma estrutura acusatoria pura. temos. faz-se. Entao. por ultimo. Se fosse. principios ligados à forma e. Princípio da publicidade 4. Nao e necessario que o particular apresente uma acusacao. temos questões problematicas do processo penal.

ela compete ao juiz de instrucao e se for na fase de julgamento. significa que estamos a fazer depender a investigacao criminal de queixa exercida por quem tem o direito de a exercer. a lei nao admite a desistencia. no art. Este principio conhece algumas limitacoes que estao relacionadas com aquilo que chamamos de crimes particulares em lato senso e com os crimes semi-publico. se decorrer na fase de instrucao. compete ao juiz de julgamento. consequentemente. Isto significa que a investigação ira ser feita de acordo com as directrizes do MP. 284o e 285o do CPP). A estes tres regimes se liga. o MP recolhe indicios da pratica do crime e quem foi o seu agente. para que este promova o processo”. aquilo que em processo civil conhecemos por impulso processual. é necessário que essas pessoas dêem conhecimento do facto ao Ministério Público. CP) ou outras pessoas que em concretas circunstancias a lei designa como tais. pode desistir da acusacao particular. O MP pode acompanhar a acusacao. daqui concluimos que quando se trate de crimes particulares stricto sensu é preciso que os titulares do direito de queixa exercam esse direito e que procedam à acusação. e a entidade que estiver a presidir a esse momento pode proceder à homologação. Nao fazia sentido deixar nas maos dos particulares a iniciativa de um processo-crime. O art. é o MP que tem competencia para investigar o crime e promover o processo. Tratando-se da acusacao particular. tambem tem a possibilidade de decidir se querem continuar com o processo. Quem apresenta a queixa e genericamente o ofendido (art. esta homologacao compete ao MP. é necessário que essas pessoas se queixem. do ofendido ou de outras pessoas. se apresentou a queixa e a acusacao. Neste tipo de crimes limitamos a accao do MP. E convida o particular. 50CPP ao dizer que “[q]uando o procedimento criminal depender de acusação particular. justamente porque o particular pode chegar à conclusao de que nao lhe interessa continuar o processo e. Isto vai de acordo com a nossa propria concepcao de processo penal. A razao de ser desta medida é o facto de estarem em causa crimes cuja natureza envolve relevante gravidade. se a ele cabe essa tarefa entao nada mais logico do que atribuir a uma entidade publica a iniciativa processual. Nos crimes semi-publicos e necessario apresentar uma queixa. querendo este. a fazer a acusacao particular (a acusação segue os termos do art. O MP recebe a queixa. Nos crimes particulares e necessario apresentar uma queixa.Crimes particulares stricto sensu: o detentor do exercicio do direito tem de apresentar uma queixa e uma acusacao particular. Em suma. pois se podem decidir em apresentar ou nao queixa. A intervencao da entidade particular difere consoante o tipo de crime. A oficialidade remete para a entidade que tem esse poder de promocao processual. Essa entidade pode ser de dois tipos: estadual ou particular. nao permitindo que os particulares disponham do processo. Pela analise do art. 49 CPP que nos diz que “quando o procedimento criminal depender de queixa. nao ha livre disponibilidade do processo. No caso dos crimes publicos. que envolve na maior parte dos casos os orgãos de policia criminal que actuam sob direccao funcional do MP. se constituem assistentes e deduzam acusação particular”. pois a perseguição de um crime é do interesse da comunidade. Compete sempre a entidade que estiver a presidir a respectiva fase. notifica o particular findo o inquerito dando-lhe a conhecer os resultados da investigacao. A excepção ao principio da oficialidade reside nos crimes particulares stricto sensu e a limitacao nos crimes semi-publicos. esta é homologada. No nosso regime temos uma entidade estadual que e o MP. pode desistir da queixa. apresentando a desistencia de queixa. aqui sao os particulares que tem o poder de iniciativa processual. para alem de o MP nao estar dependente de queixa nem de acusacao. se o particular apresentou a queixa e ainda nao apresentou a acusacao. No caso dos crimes semi-publicos tal já é possivel. Mas ainda antes do particular partir para a acusacao e necessario que 17 . Se estivermos na fase de inquerito. o ofendido nao pode desistir. mas quando chega ao fim do inquerito tem de ser o particular a formular a acusacao. do ofendido ou de outras pessoas. pois no nosso sistema e o Estado que tem de assegurar a realizacao da justica. Princípio da Oficialidade Estamos a falar do poder de iniciativa processual. o problema da desistência ou nao da queixa e da acusacao. tratando-se de um crime de natureza publica.51CPP. 103o SS. a intervencao do MP cessa com a homologacao da desistencia da queixa ou da acusacao particular. Por isso. porque. Ha aqui um interesse publico que se impoe a toda a comunidade.

uma caracteristica marcante nos crimes particulares e o facto do arguido se constituir assistente. mas nao tem representacao. por isso e que nos formularios da policia quando vamos apresentar uma queixa ja consta nele uma frase a dizer se e da vontade da pessoa proceder a queixa. como tal a lei concede-lhe um prazo de 8 dias para se constituir assistente. Assim o conhecimento pode ser proprio do MP. como tal entende-se que se deve dar a vitima o direito de dizer se quer ou nao perseguir aquele agente. e também nao tem disponibilidade do processo. e nao o MP. Isto significa que se o advogado do assistente faltar ao julgamento o processo termina. sao crimes menos significantes para comunidade. A denuncia pode ser facultativa ou obrigatoria. Outra doutrina entende que esta a entrar na esfera privada das pessoas. 18 . nos termos do art. temos a questão de proteger um conjunto de aspectos da vida familiar e da vida intima da vitima. Os fundamentos da existencia dos crimes particulares estão relacionados com duas razoes: por um lado. o facto de ter que repetir a historia vezes sem conta. A exposicao a que se obriga a vitima num julgamento. pode nomear um advogado…). Temos aqui uma cedencia ao principio da oportunidade onde os crimes particulares e os semi-publicos assumem um certo compromisso com regras de oportunidade. Muitas vezes. se tal nao se verificar isso equivale a desistencia do processo. Nos crimes publicos qualquer pessoa pode apresentar uma denuncia. E o juiz que vai averiguar se tal pessoa tem ou não legitimidade para se constituir ou nao assistente. Desta forma se ve que os crimes particulares tem caracteristicas muito especificas que os diferenciam dos restantes tipos de crime. Temos que distinguir a queixa da denuncia. por intermedio dos orgaos de policia criminal (OPC) ou mediante denuncia (art. o facto de afectacao dos bens juridicos nesse crime nao e tao directa e imediata. o facto de ter que olhar para o agressor…tudo isto nao se justifica a nao ser que a vitima assim o entenda.o2 do CPP diz-nos que a noticia do crime da sempre lugar a abertura do inquerito. faz com que o ofendido assuma uma posicao de sujeito processual. se ela entender que não isso afecta mais a vitima do que a comunidade. tal declaracao fica lavrada em auto. pode fornecer meios de prova.ele se constitua assistente (este e um pressuposto processual essencial nos crimes particulares). mas que tem particular relevancia. pode ser atraves dos OPC.48o CPP dizem respeito aos crimes particulares (art. Ser um ofendido e uma mera qualidade de facto. A denuncia facultativa cabe a todos os cidadaos desde que tenham conhecimento. E de cuidar que quando dizemos que a diferenca entre o crime particular e o semi-publico e o facto de o primeiro depender de queixa e acusacao e o segundo necessitar so de queixa. Esta e uma figura que não existe so no nosso direito. O auto de noticia e a descricao lavrada pelo proprio agente de um crime que ele presenciou. As restricoes de que fala o art. os quais estao obrigados a comunicar ao MP. n. Nos crimes particulares o ofendido apresenta a queixa e diz que se quer constituir assistente. Esta cedencia e mais clara quando se fala no principio da oportunidade. Ao passo que um ofendido nao. isto significa que o MP adquire a noticia do crime por conhecimento proprio. Em termos de CPP. nao esta totalmente correcto. Da conjugacao destes artigos encontramos o principio da oficialidade. mas aqui levanta-se outra questao: e se a policia tiver conhecimento de um crime particular atraves de qualquer meio. quanto aos crimes que tomarem conhecimento no exercicio das suas funcoes e por causa dessas funcoes. a que o direito penal reconhece validade. o agente. Assim. porque e necessario a queixa. A noticia do crime adquire-se por qualquer meio. e uma testemunha qualificada. 242o do CPP. temos uma manifestacao deste principio no art. podendo ser assistente todo o ofendido. A figura do assistente vem regulada nos art. e independente de qualquer pessoa. 68o SS. De acordo com este artigo e o MP que deve promover o processo. pois é necessario que o ofendido se constitua assistente. o que pode ele fazer? Algumas pessoas sustentam que o MP deve perguntar ao ofendido se quer ou nao apresentar uma queixa. do CPP. Ao passo que a queixa e uma declaracao de conhecimento juntamente com uma declaracao de vontade. e de seguida paga uma taxa. A presenca do advogado é condicao para que o processo se cumpra. E obrigatoria para as entidades policiais de todos os crimes que estes tenham tomado conhecimento. dando inicio ao processo. o ofendido nao se constitui assistente no momento da queixa. 50o do CPP) e semi-publicos (art.386o do CP). Nos crimes particulares ou semi-publicos se for outra pessoa que nao o ofendido apresentar a denuncia essa nao serve. tem poderes dentro do processo tem uma intervencao activa no processo penal (pode arrolar testemunhas. Por outro lado. e a descricao dos factos por essa pessoa. 262o. Geralmente e o advogado do assistente que faz a acusacao e e ele quem a organiza. 241o do CPP). aqui. Neste caso ha uma participacao feita aos OPC. A denuncia e uma mera declaracao de conhecimento. e pressupoe esta doutrina que as pessoas tem discernimento suficiente para decidirem se querem ou nao apresentar queixa.49o do CPP). e para os funcionarios (art.48º do CPP. Da mesma maneira temos o art.

a denuncia anonima. desde que preencha os requisitos do art. documentos…indicios fortes da pratica do crime. Daqui se ve o sentido proprio do principio da legalidade em processo penal. n. presencia a seguinte cena: o condutor B atropela o peao C. onde o MP. a denuncia anonima e de mais dificil sucesso. o MP não tem a liberdade de decidir pelo arquivamento ou pela acusacao com base em criterios definidos por ele. No caso do nosso ordenamento e nos europeus continentais. Este artigo sofreu uma alteracao com a reforma de 2007. sera que isso basta para iniciar o processo? A doutrina maioritaria tem entendido que nao. Analise a questao da legitimidade de A para exercer a accao penal.º 3 Imagine que A. quando passeava na Rua do Raio. mas sera que tal admissao e permitida pelo direito? Estas sao questoes que ficam em aberto. isto é. Esta situacao verifica--se quando a denuncia e caluniosa. obrigatória para as entidades policiais quanto a todos os crimes de que tomem conhecimento. conhecido por Promotor Publico. ou se constituir ela propria um crime.2. se nao recolher indicios suficientes esta obrigado a arquivar. nao basta dizer que A matou B (por exemplo) Antes da alteracao. existe uma estrita vinculação à lei. mas esta posicao e muito forcada. Actualmente. Quanto às denuncias anonimas estas podem dar origem a um processocrime. no prazo de 10 dias. o qual se encontra de ferias na Australia ve C a partir as janelas da casa do seu vizinho. n. tem a possibilidade de fazer acordos ou negociar com o arguido (por exemplo. O mesmo se diga ao contrario. desde logo. quanto aos crimes de que tomem conhecimento no exercicio das suas funções e 19 . negociar uma pena). Este principio.o5 do CPP. Contudo. submetido a teste adequado. deduz acusação contra aquele”. de um modo geral. Ainda quanto a queixa.Outro problema levanta-se quando se apresenta uma denuncia mas não faz a queixa (num crime semipublico). por regra. ele deve investigar sempre. nao podendo deixar de o fazer. E preciso indicar provas. Pode A apresentar queixa? E ser o A tiver uma procuracao? E se esta so tiver poderes gerais? A queixa constitui um acto pessoalissimo ou nao? No caso da queixa atraves de representante com poderes específicos tem sido admitida pelo MP. entretanto. No art. e para os funcionarios nos termos do art. 246o. O alcance deste principio abrange as entidades publicas e nao so o MP. o qual é confundido com o principio do direito penal e do direito constitucional quando o enunciamos da seguinte maneira: “nulla poena sine lege” e “ nulleum crimem sine lege”. causandolhe ofensas graves a integridade fisica. Por exemplo. ou seja. C dirige a B palavras altamente injuriosas. a denuncia é. ou seja. aplica-se a diversas entidades quanto à denuncia.386CP. A lei diz que se o MP tiver conhecimento de um crime. e o crime semi-publico. a propria denuncia era o suficiente para se proceder a investigacao por parte do MP. de estrita vinculação à lei. Princípio da Legalidade O principio da legalidade em processo penal tem um sentido muito próprio. o que fazer no seguinte caso: A vizinho de B. Isto é o que se passaria nos paises anglo-saxonicos onde vigora o principio da oportunidade. Ha algumas decisoes do STJ a dizer que se aceita a denuncia. Com a nova redaccao. pois o artigo diz-nos que a noticia de um crime dá sempre lugar à abertura de inquerito. B revela uma taxa de alcool no sangue de 1. n2 do CPP temos a manifestacao deste principio. 1. agente do Ministerio Publico.2g/l. A obrigação do MP de acusar quando sao recolhidos indicios suficientes da prática de um crime e de quem é o agente consta no art. o Ministério Público. de acordo com este principio nao pode fazer um juizo de oportunidade. Caso prático n. nao pode decidir se vai ou nao investigar e se vai ou nao acusar. Este significa que o MP está obrigado a promover o processo penal e se recolher indicios suficientes da prática do crime e de quem foi o seu agente está obrigado a acusar. ou seja. Assim. tendo respeitado o principio da oficialidade. vigora o principio da legalidade. o MP tem de investigar sempre que tem noticia de um crime. so pode determinar a abertura de inquerito se dela se retirarem indicios da pratica do crime. em que basta a denuncia. existem algumas nuances que tem que ver com a suspensão provisoria do processo e com o arquivamento em caso de dispensa de pena. O MP rege-se por criterios de estrita legalidade. o MP tem de deduzir acusacao.1 do CPP: “ se durante o inquérito tiverem sido recolhidos indícios suficientes de se ter verificado crime e quem foi o seu agente. e se recolher indicios da prática do crime tem de acusar sempre. 283o.262. O MP. porque se admitisse tal deixaria de haver diferencas entre o crime publico.

As entidades policiais tem de comunicar sempre a denuncia do crime. pois pode tratar-sede um crime particular ou semi-publico. sempre que esteja relacionada com as suas funções. o MP investiga. 244CPP. É como se o MP antevisse o desfecho do julgamento. e se nao se opuserem razoes de prevenção. Por isso. e arquiva em vez de acusar. e é dá responsabilidade do MP determinar qual o tipo de crime em causa. O MP faz um juízo de oportunidade.). para que não restem duvidas de forma publica e solene. Também pode suceder que mesmo que venha a ser deduzida a acusação o juiz de instrução pode decretar o arquivamento com dispensa de pena. No art. na situação prevista no art. desde logo. Sobretudo por que não se pode confundir denúncia – que e uma manifestacao de conhecimento – com queixa – que é uma manifestacao de vontade. a saber. Tal como o MP está vinculado à lei no que toca a obrigatoriedade de investigar e acusar. Esta é de maior aplicabilidade.281CPP No primeiro caso. tem uma redaccao diferente da que existia antes da revisao de 2007. Nao se trata de uma absolvicao. Os particulares podem. a) e b) do CPP. De qualquer dos modos. semi-publico ou particular stricto sensu.280o do CPP. mas que estao preenchidos os pressupostos do art. tambem as entidades publicas estao obrigadas à lei e a denunciarem os crimes (art. quando recolhe indicios suficientes da pratica de um crime. No arquivamento. e entao dispensa a pena. 280 do CPP. MP Fase de Inquérito Acusação (há indícios) Arquivamento (não há indícios) Arquivamento com dispensa de pena (recolheu indícios mas não pode acusar) Art.por causa delas. pode optar pelo arquivamento se se verificarem os pressupostos daquela. o MP investiga. 243o. de quem foi o seu agente. Quando o MP investiga. o particular nao está obrigado a denunciar o crime. no 3. de se poder arquivar o processo quando estamos na presença de um caso que admitiria a dispensa de pena em termos de direito penal substantivo. e 244o do CPP) levantam problemas que tem que ver com o modo com o se interpreta o direito de queixa. o MP pode arquivar. Ou seja. pois a analise da natureza do crime consta no tipo legal de crime.74 do CP pode acontecer que em fase de julgamento o juiz chega à conclusao que se praticou um crime. denunciar o crime. o MP. Quanto aos particulares. não estamos na presença de um princípio da oportunidade puro. aqui com a concordância do MP e do arguido. por causa dos requisitos: crimes puníveis com pena não superior a cinco anos ou com sanção 20 . temos de procurar a resposta no art. justamente no sentido de resolver alguns problemas que se levantavam a este proposito e de distinguir a denuncia da queixa. não estamos a dizer que se vai aplicar o instituto da dispensa de pena. aqui estamos perante a figura do arquivamento em caso de dispensa de pena do art. em concordancia com o juiz de instrucao. porque a esse caso em sede de julgamento se poderia aplicar a dispensa de pena. Os funcionarios tambem têm a obrigação de denunciarem um crime. O que poderá suceder é que essa denuncia nao dê lugar a uma investigacao. Nao estamos a dizer que se aplica a dispensa de pena sempre que esta esteja prevista no tipo legal de crime preenchido pelo agente. recolhe indicios suficientes da pratica do crime.acusação. O arguido tem todo o interesse em participar. Estes artigos (242o. se o dano tiver sido reparado. mas nao recolhe indícios suficientes da pratica do crime e nao sabe quem foi o seu agente. n. por isso. Se o processo for por crime relativamente ao qual se encontra expressamente previsto no direito penal a possibilidade de dispensa de pena. Para as percebermos. mesmo que seja um crime publico. Em termos processuais. pode o tribunal declarar o arguido culpado. mas nao aplicar qualquer pena se o facto. se deve ou não levar o processo a julgamento. recolhe indicios da pratica do crime de quem foi o seu agente e acusa. actualmente.1. vejamos o seguinte esquema. Temos também a hipótese da suspensão provisória do processo. a culpa e a ilicitude do agente forem diminutas. e isto é feito com a concordância do juiz. o artigo 242. na fase de inquérito. De resto. 74 do CP verificamos que está prevista a possibilidade de quando o crime for punivel com pena de prisao não superior a seis meses ou pena de multa nao superior a 120 dias. O principio da legalidade tem limitações: que sao afloramentos do principio da oportunidade. 242. Nos casos do art. 74o do CP.280CPP Suspensão provisória do processo Art. porque pode querer que seja declarada a sua inocência.

aqui já pode proceder à acusação. atenta a alinea seguinte (al.281o do CPP) . se a nossa CRP imporia ou nao uma opcao pelo principio da legalidade.diferente da pena de prisão (por exemplo. Esta decisão do MP de acusar ou arquivar pode não ser no fim do prazo dos dois anos. determinar a suspensão do processo. entao se este pressuposto se verificar. com o acordo do juiz.o2 do CPP). cumulativa ou alternativamente. e que este e um processo de partes e o MP nao esta obrigado a acusar por todos os crimes. Existem no nosso sistema aberturas ao principio da oportunidade? Hoje em dia abre-se um conjunto de instrumentos que pretendem ter um lugar no principio da oportunidade. o arguido desrespeitar alguma regra de conduta que lhe tenha sido imposta.280o do 21 . o art. findo o qual o MP arquiva (quando o arguido cumpre essas regras ou injunções) ou acusa (quando há incumprimento das regras de conduta ou injunções). logo no inicio do decurso do prazo. O Tribunal Constitucional pronunciou-se sobre esta materia. pois este só será analisado na fase de julgamento.283o.o 5 deste artigo. sao oponiveis ao arguido. nao da outra oportunidade ao MP. O art.“ser de prever que o cumprimento das injunções e regras de conduta responda suficientemente às exigências de prevenção que no caso concreto se façam sentir” -. Alem do mais. 219o da CRP.281o do CPP). e nao lhe da margem de arbitrariedade para negociar ou tentar acordos. são muitos os crimes que cabem nesta possibilidade. Assim. nao faz sentido que se de tanto valor a alinea e) do referido artigo. “Indícios suficientes” sao aqueles que resultarem num possibilidade razoavel de ao arguido vir a ser aplicada uma pena ou medida de seguranca (art.277o do CPP diz que sempre que MP recolha indicios de que nao houve crime ou quando não recolhe indicios suficientes e obrigado a arquivar. quando lhe foi submetida fiscalizacao da constitucionalidade do CPP de 87. tal como vigora no sistema anglosaxonico. Este arquivamento tambem e uma imposicao legal. dizendo que a CRP impoe um respeito claro pelo principio da legalidade. Esta questao levantou-se na entrada em vigor do CPP de 1987. por exemplo. Recentemente essa discussao voltou a baila devido a aproximacao dos dois sistemas. que permite que esse prazo se prolongue ate cinco anos. Princípio da legalidade E um principio que vincula a actuacao do MP a regras estritas. o crime de ofensa a integridade física. isto quer dizer que o sistema continental esta a adquirir laivos do sistema anglo-saxonico. Na anterior redacção deste artigo exigia-se que não houvesse antecedentes criminais.262o e claro e indica-nos as funcoes do MP.1 do art. Este principio da legalidade tem sido muito discutido versus principio da legalidade. Quanto ao requisito ausência de um grau elevado de culpa (alínea e). que impedisse a suspensão provisória num crime de burla. O primeiro crime só devia ser relevante caso o crime cometido posteriormente fosse da mesma natureza. as injuncoes ou regras de conduta que constam no no 2 do art. O constitucionalista Vital Moreira pronunciou-se num sentido afirmativo. e o que se passa com a mediacao penal. em principio. vigora naquele sistema um principio da oportunidade. 281 n1. durante o prazo maximo de dois anos. com a excepcao do n. no. Nos casos em que exista uma culpa grave. n. não cumprindo a suspensão provisória do processo as exigências de prevenção. nesta disputa entre principio da legalidade e principio da oportunidade. este pressuposto era muito forcado. A diferenca do nosso sistema para o sistema anglo-saxonico. Esta suspensão provisória do processo consiste na possibilidade de o MP. Quando se fala em oportunidade referimo-nos ao poder do MP de acusar ou nao. Isto decorre do art. Para alem do requisito do tipo de crime que admite a suspensão provisória do processo. é necessário preencher os requisitos do art. Mas esta suspensão vai ser feita mediante a imposição de injunções e regras de conduta ao arguido. que e o instituto da suspensao provisoria do processo (art. do n. porque na fase de inquérito e muito difícil apurar o grau de culpa. a também duvidas.281o do CPP) e o arquivamento com dispensa de pena (art. devido ao sentido convergente entre o dito sistema continental e o anglo-saxonico. O CPP no seu art. embora ainda seja um processo ha ja uma desjudicializacao. e que este ultimo esta a importar caracteristicas do principio da legalidade. 281o do CPP. nem sequer deve requerer a suspensao provisoria do processo. diz-nos que o MP esta obrigado a promover todos os processos de que tenha conhecimento e a acusar por todas as infraccoes cujos pressupostos estejam preenchidos. por um prazo não superior a dois anos. Nao pode optar por nao acusar quando recolhe indicios da pratica de um crime e quem foi o seu agente. o MP. mas muito antes disso o CPP ja tinha uma marca que e de conhecimento internacional. por sua iniciativa ou a requerimento do arguido ou do assistente. Sendo assim. O nosso processo penal vincula o MP. cometido posteriormente. estes tanto podem ser processuais como substantivos. alíneas a) a f) do CPP. Chegou a discutir-se.o 1 do art. Da mesma maneira. f. ademais porque vigora durante todo o processo o principio da presuncao de inocencia. pois se. visto que nesta fase não e exigível ao MP demonstrar com precisão tal gravidade. porque não fazia sentido que um sujeito que tivesse cometido. todos os crimes punidos com pena de multa).283 do CPP diz-nos que recolhidos indicios suficientes ele acusa.

do CPP. e assim ja nao ha necessidade de tal processo ir a julgamento. Ha uma suspensao do processo. Trata-se de uma cedencia ao principio da legalidade obvia. 1. O MP. Estes institutos criam uma margem de manobra ao MP. a suspensao do processo cessa. ha uma especie de liberdade para prova. verificados os pressupostos o MP pode entender que naquele caso concreto nao deve ser aplicada uma pena privativa da liberdade aquele agente. no art. se se verificarem os pressupostos daquela dispensa.392º ss. porque de acordo com o art. e nao ha razoes de prevencao. Por isso nao faz sentido ocupar os tribunais com tal processo. 280o do CPP o MP embora tenha fundamentos pode decidir arquivar o processo. vai ter como consequencia um inquerito mais ligeiro. Ja o art. e mais elaborado. agora tambem se aplica aos crimes e violencia domestica e ao crimes contra a liberdade e autodeterminacao sexual. Na suspensao provisoria do processo temos requisitos de ordem material. porque e um agente primario. oficiosamente ou a requerimento do arguido ou do assistente. em que o bem juridico e de diminuto valor. Inicialmente. com a concordância do juiz de instrução. que nos diz que o tribunal apenas pode investigar e julgar dentro dos limites postos pela acusacao. E tambem nao obriga a vitima a ir contra o seu conjuge. tal como sucede no caso de arquivamento com dispensa de pena. mediante a imposição ao arguido de injunções e regras de conduta. consequencia da instrucao aberta por um dos sujeitos processuais. porque a partir do momento em que acusa o processo passa para as maos do juiz de instrucao. por se tratarem de coisas minimas. com a concordância do juiz de instrução. a censura ao agente existe mas nao e significante. Aqui. a culpa e diminuto e as exigencias de prevencao nao se sentem. Uma norma como esta levanta duvidas devido ao principio da separacao de poderes. sempre que se verifiquem” os pressupostos das alineas do n. este artigo estava pensado para os crimes contra a liberdade sexual. aqui e o MP que decide como vai ser o processo. Princípio da Acusação O principio da acusacao e um principio muito importante no processo penal. no seu n. e porque a estrutura do nosso processo penal e toda ela acusatoria. n. o MP. Esta previsto na C. o crime e menor. O processo sumarissimo e considerado. Neste tipo de crimes era frequente a vitima desistir com medo das represalias que iria sofrer por parte do conjuge. O facto de o MP decidir por um processo sumarissimo. pode decidir-se pelo arquivamento do processo. que do ponto de vista da aquisicao de provas para submeter a julgamento e muito mais fragil. um instituto de abertura ao principio da oportunidade. Permitir ao MP decidir qual a forma do processo e entrar nas funcoes jurisdicionais. porque sabe que o processo esta em aberto e caso o agressor infrinja alguma injuncao. Entao se o juiz achar que aquele processo nao e ao adequado. igualmente. Ao contrario da dispensa de pena onde temos uma transposicao da lei penal para o processo penal. Este processo vem regulado nos art. o Ministério Público. porque quem decide aqui e o MP. pois existe o acordo das partes bem como existe a concordancia entre o MP e o juiz de instrucao. Diz o art. e esta delimita o ambito do processo. amplo de pressupostos.3. mas o processo fica suspenso durante um determinado periodo de tempo com a condicao de o arguido ficar sujeito a regras de conduta. optar no caso em concreto. ele nao devia ter esta funcao. As garantias do processo sumarissimo sao diminuidas.P.CPP). ele proprio aplica o arquivamento do processo com dispensa de pena. e um instituto especial. vai no sentido de que quem investiga nao julga. Estes dois mecanismos sao as aberturas mais significativas ao principio da legalidade e sao motivo de louvor do nosso CPP. Se durante esse periodo o arguido desrespeitar essas injuncoes ou se voltar a delinquir.o 5. E preciso que se verifiquem um conjunto. nao ha a partida um arquivamento. por uma medida privativa da liberdade? Nestes casos o juiz deve remeter para a forma de processo adequada. ou companheiro. 281o do CPP.R. E se o juiz do processo sumarissimo. o processo retomase. Contudo. nao ha duvidas que este processo sumarissimo corresponde a uma abertura ao principio da oportunidade.o1 do mesmo artigo. Isto levanta muitas questoes. onde o MP verifica que estao preenchidos os seus pressupostos. e a tramitacao e diferente. produzida pelo MP ou pelo despacho de pronuncia. os elementos de prova constam na acusacao.o1 que “ se o processo for por crime relativamente ao qual se encontre expressamente prevista na lei a possibilidade de dispensa de pena. Atraves deste mecanismo a vitima fica protegida.” Este mecanismo funda-se no facto de o proprio CP prever a dispensa de pena. contudo o inquerito ja terminou. Neste caso. vai remeter para o processo competente. recorrendo a este instituto ele faz uma antevisao do que seria o desfecho daquele processo caso ele fosse a julgamento. determina. reza este artigo que “ se o crime for punível com pena de prisão não superior a cinco anos ou com sanção diferente da prisão. 32o. relativamente. 22 . a suspensão do processo.

logo. e quando. para proceder ao furto. o objecto do processo venha a ser fixado pelo despacho de pronuncia mas tendo em conta o que vem enunciado no requerimento de abertura de instrucao. se no julgamento se veio a verificar que. da-se como analisado. Esta é a primeira limitacao ao principio da acusacao. refere-se a situacao em que. Agora.Principio da identidade: isto significa que o objecto do processo deve manter-se o mesmo desde a acusacao ate ao transito em julgado da sentenca. ja contendo o crime de difamacao. mas das duas uma: ou essas alteracoes sao substanciais e ha acordo dos sujeitos processuais. pois ele fazia parte da acusacao. nao chega a haver um crime diverso e nem ha alteracao do limite maximo da pena aplicavel. a nao ser nas situacoes de excepcao que a lei preve. sem ser fraccionado ou dividido. a acusacao e pressuposto da existencia destes. ao dizer que ha uma entidade que investiga e acusa e outra que julga. Deste modo. e e punido com pena de prisao ate 5 anos. Ha. havendo abertura da instrucao. sem acusacao nao pode haver despacho de pronuncia ou julgamento. este novo facto transforma o crime de furto simples em crime de furto qualificado. 303o do CPP. uma limitacao do tribunal de nao poder investigar determinado facto que nao conste na acusacao. por principio. uma pequena alteracao no objecto do processo. e durante o julgamento se concluiu que o relogio era da marca “Tissot”. mas essa alteracao nao e substancial. atraves da acusacao define-se o objecto do processo. Por exemplo. A acusacao ao fixar objecto do processo. ou nao são substanciais e como tal nao alteram o objecto do processo. ou seja. vale como se tivesse sido julgado de forma indivisivel.Principio da unidade ou da invisibilidade: deve ser conhecido e julgado na sua globalidade de modo unitario. 1o. Temos de saber o que sao alteracoes substanciais do objecto. temos alteracao do limite maximo da pena de prisao. O que. . nao pode e alterar o objecto do processo em sede de julgamento. apos a acusacao e na fase de instrucao surgem novos factos. Costuma dizer-se que o tribunal fica vinculado tematicamente ao objecto do processo fixado pela acusacao. fora dos limites estabelecidos pela acusacao. portanto. estamos perante uma alteracao substancial dos factos. O principio da acusacao. a partir daqui. ao passo que o crime de furto simples e punido com pena de prisao ate 3 anos. ele tera sido julgado dentro do processo. O art. Claro que o tribunal pode comunicar ao MP a existencia desse novo facto. ha. e e este que ira ser conduzido a julgamento. O que o juiz nao pode fazer e ele proprio investigar por novos factos e pronunciar por esses factos. É permitido ao juiz fazer alterações. entende-se como “alteração substancial dos factos aquela que tiver por efeito a imputação ao arguido de um crime diverso ou a agravação dos limites máximos das sanções aplicáveis”. diz-nos que a primeira e aquela que define o objecto do processo. havendo um sujeito que investiga e acusa. o que julga nao pode alterar a acusacao. ou seja. se na acusacao consta a pratica do crime de ofensas corporais e se quem abre a instrucao entende que tambem houve crime de difamacao. Aqui o crime ja e diverso. no caso dos crimes publicos e nos crimes semi-publicos. porque isso e competencia de uma outra entidade que e o MP.Principio da consumpcao do objecto do processo penal: caso o processo nao tenha sido julgado como um todo. porque ele ja esta fixado pelo MP. se o juiz de instrucao verifica que o crime de difamacao foi efectivamente cometido. alínea f) do CPP. porque continuamos a ter um crime de furto simples. 23 . temos uma parte que investiga e acusa e outra que julga. isto e. esta a ditar a uma vinculacao tematica. No art. ou seja. nao podia ser outra a solucao senao a de que. porque este se considera como um todo. se o individuo esta a ser acusado de ter cometido o furto do relogio de marca “Omega”. alterar o objecto do processo. aqui. existe o principio da acusacao que nos diz que. nao e possivel julgar. e pelo assistente no caso dos crimes particulares em stricto sensu. problema que se levanta é o de saber se é possivel. Formulado o principio. Em segundo lugar. se determinado facto levado a julgamento que não tenha obtido uma decisao sobre ele. Ou seja. ou o assistente no caso dos crimes particulares stricto sensu. ainda assim. decorrentes do principio da acusacao. Aqui chama-se a colacao um conjunto de principios. e aplicando o principio da unidade.Tendo em conta que estamos perante um processo de estrutura acusatoria. entao vai emitir o despacho de pronuncia e fixa o objecto do processo a partir daqui. entao e como consequencia disto. Pode suceder que. nao e possivel investigar. . o individuo se introduziu ilegitimamente na habitacao do ofendido. Nao se pode julgar por factos que nao constem da acusacao. que passamos a enumerar: . Portanto.

Portanto. Depois desta acusacao. esta assim descrito na acusacao. (que e identico ao no. com o consequente adiamento do debate. 2. Principio da Unidade. 303o d CPP): a expressao “ se estes forem autonomizáveis em relação ao objecto do processo”. 358o do CPP: comunica-se ao arguido. O n. mas prossegue-se. Este principio e relevante na questao do objecto. um prazo para preparacao da defesa nao superior a oito dias. nem implica a extincao da instancia. porque os factos sao os mesmos. faz-se a comunicacao ao MP que vale como denuncia para que ele proceda penalmente. muito importante que esta a dar azo a criticas.O no. e o caso do relogio furtado ser da marca “Tissot” e nao da marca “Omega”). Relativamente ao julgamento de instrucao. porque sendo factos que estao no requerimento nao se pode falar de alteracao substancial dos factos. nao pode avancar. e por tal o agente nao vai ser devidamente julgado. esta situacao esta regulada no art. e pronuncia-se de acordo com este. por exemplo. o juiz. 1 deste artigo diz respeito aos casos em que a alteracao dos factos nao e substancial (no exemplo anterior. se eles forem autonomizaveis. o qual expressa a vinculacao tematica do tribunal ao objecto do processo. Todos os factos sobre os quais o juiz vai poder incidir o seu poder de investigacao. Se a alteracao e substancial. se a alteracao nao e substancial o juiz pode avancar. Podemos pensar que isto e uma injustica. esta e a regra. a qual e possivel. porque a lei assim o permite. a comunicacao da alteracao substancial feita ao MP vale como denuncia pelos novos factos. 303o. ele tem que acusar. da-se um prazo para ele preparar a sua defesa. a requerimento. Principio da Identidade. interroga o arguido sobre ela sempre que possivel e concede-lhe. estamos a falar do motivo/causa da instrucao. existe apenas a comprovacao judicial de que a acusacao esta mal feita. comunica a alteracao ao defensor.o4 do CPP). Temos e uma alteracao da qualificacao juridica dos factos.o2 do art. Isto tem uma ressalva: quando a acusacao tenha derivado de factos alegados pela propria defesa. tendo de comunicar ao MP. se nao puder ser autonomizada do furto simples. 358o do CPP tem um limite. n. Se a alteracao for substancial. 24 . não permite avancar com um novo inquerito apenas sobre essa circunstancia que veio alterar a base do furto. quer no julgamento. Se. se subdivide em três principios: 1. oficiosamente ou a requerimento. o qual. Recorrendo ao exemplo do furto simples. O individuo tem um prazo para preparar a sua defesa em funcao da nova qualificacao juridica dos factos. e que o requerimento de abertura de instrucao esta bem feito. ao fazer inquiricoes as testemunhas descobre um novo facto. e tambem nao pode dar lugar a uma nova investigacao. no julgamento. o juiz pode trazer mais factos para o processo? O juiz. No despacho de pronuncia ira aparecer este novo facto. Este novo facto pode fazer parte deste processo? Com a acusacao fixamos o objecto do processo. este facto nao pode ser tido em conta no processo. esses factos nao serao investigados. se necessario. Caso contrario. nestes casos. nao existe alteracao. E passa a ser julgado por um crime qualificado. dando um prazo ao arguido para preparar a sua defesa. por sua vez. porque esse facto nao e autonomizavel do restante processo. nao pode ser tomada em conta pelo tribunal. para efeito de abertura de um novo processo relativamente a esse facto (art. pois nao afecta o principio da acusacao. Nestes casos. Isto tem uma nuance no que toca a instrucao que ira ser tratada adiante. e o objecto furtado era de valor elevado. podemos pensar que por erro do MP esse novo facto nao consta do processo. 3 do mesmo artigo indica que uma alteracao substancial dos factos descritos na acusacao ou no requerimento para abertura da instrucao nao pode ser tomada em conta pelo tribunal para o efeito de pronuncia no processo em curso. quando a alteracao nao e substancial. e pode fazer-se essa alteracao. Neste caso. Isto e uma desvantagem do principio da acusacao. e esta ligado ao principio da vinculacao tematica. 4 do art. Princípio da Acusação O principio da acusacao diz-nos que recolhendo o MP indícios durante a investigacao. O no. ou seja. se concluir que o MP classificou mal aqueles factos. a existencia de um facto que qualifique o facto. Aqui estamos a partir do pressuposto que estes novos factos que alteram a acusacao nao são factos que estao no requerimento de abertura de instrucao. sao so os factos que constam no despacho de acusacao. ou seja. e o MP designou tal facto como furto simples e nao como furto qualificado. Aqui. nao existe alteracao do objecto do processo. quer na instrucao. se o juiz considerar que de facto e assim que esta no requerimento de abertura de instrucao. so se pode comunicar ao MP os novos factos para serem perseguidos criminalmente se eles forem separaveis do resto do processo.

Estes factos constam na acusacao. que no crime continuado se trata de um unico facto. o Ministerio Publico. Pode o juiz proceder a tal alteracao? Isto exemplo. define tambem os poderes dos tribunais (o poder de julgar). Isto vai a julgamento. e por consequência reflecte-se no resultado do processo. Supondo que o MP descreve o seguinte: o senhor A no dia 1 furtou 5 cadernos. passamos de homicidio simples. sobre a alteracao substancial dos factos. considera-se que este nao pode ser prejudicado devido a ma investigacao do MP. Pois a lei ficciona. mesmo que o juiz nao se pronuncie sobre eles (por lapso). uma pena ou medida de seguranca. Isto pode levantar problemas quando um conjunto de factos passou em” branco” no processo. mas aqui ja envolve a questao do caso julgado. a que o crime passe para furto qualificado. mais tarde. Indicios suficientes sao nos termos do art. Este e o caso mais gritante do principio da consumpcao. B apresenta queixa contra A. n. Por consumpcao quer-se dizer que todos aqueles factos devem ser julgados irrepetivelmente naquele processo. pretende demonstrar que a fixacao do objecto tem toda a relevancia. Mais complicado sao os factos anteriores a acusacao. e. no dia 4 furtou uma maquina de cafe. e o direito pressupoe que havendo uma diminuicao sensivel da culpa do agente. funciona como o principio “casum sentit dominus”.3. um conjunto de factos que deviam estar naquela acusacao e nao estavam.o2 do CPP aqueles dos quais resultar uma possibilidade razoavel de ao arguido vir a ser aplicada. a lei ficciona um conjunto de factos individuais que se repetem todos os dias. havendo uma probabilidade seria do arguido vir a ser condenado. e conduz a questao mais debatidas no processo penal. por forca deles. 5 e 6 furtou outros objectos. com a concordancia do juiz de instrucao. aquilo que ele pode investigar. Outro problema que se levanta e a questao da alteracao substancial dos factos. ou quando haja mais probabilidades de 25 . a responsabilidade e imputada ao MP e nao ao arguido. decide o arquivamento por dispensa de pena. se tais factos nao constam na acusacao consideram-se perdidos. nos quais consiga indicios suficientes da pratica do crime e quem foi o seu agente. Nao pode surgir um novo processo para julgar partes processuais que estavam inseridas dentro de um processo. os quais vao alterar o tipo legal de crime. Principio da Consumpcao. no decurso deste o juiz verifica que o A. tambem entrou em casa do B no dia 3. Aquilo que advier enquanto consequência juridica daquele processo. para defesa do arguido. Neste ultimo. Indignada com o escrito. Ha indícios suficientes quando na fase de inquerito se tiverem recolhidos provas bastantes. faz publicar um panfleto onde conta as ultimas aventuras intimas de B. em julgamento. juridicamente. no dia 2 furtou 50 sacos de farinha. de modo. e particularmente no crime continuado. Eles consideram-se julgados naquele processo mesmo que não tenham sido objecto de avaliacao por parte do juiz. e considerado como consequencia de todos os factos. Assim a acusacao define quer o objecto do processo bem como a defesa do arguido. no mapa da imprensa cor-de-rosa. 283o. ele esta cristalizado no despacho de acusacao. Ha doutrina que entende que se tratando de factos sucessivos esses devem considerar-se como se fossem um crime continuado. E se um desses factos constituir um furtou mais elevado. promovendo o inicio do respectivo inquerito. O MP tem a obrigacao de acusar por todos os inqueritos. afamada viuva la da terra. ele pode ser julgado pelo por um crime so. Os factos posteriores ao crime continuado o juiz aceita que e um crime autonomo. No que diz respeito a unidade queremos dizer que sao todos aqueles factos que devem ser apreciados e submetidos a julgamento. O que se passa com estes novos factos? Nao dao origem a um novo processo devido a consumpcao daquele processo. eles consideram-se julgados. A impossibilidade de voltar a imputar.º 4 A decidido a colocar Vila do Tedio. Quis iuris? Resolucao: Esta em causa o principio da legalidade e uma excepcao a este principio. considerando-se julgados findo aquele processo. Encerrado o inquerito. para homicidio qualificado. Durante o julgamento o juiz descobre novos factos. Caso prático n. para saber do que que esta a ser acusado e para preparar a sua defesa. e nenhum deles poder ser repetido. se num conjunto de factos fazem parte um conjunto de circunstancias submetidas a julgamento. Quanto ha identidade significa que e na acusacao que se identifica o objecto do processo. entao aplica-se a nova moldura e substitui-se a moldura anterior.

o procedimento criminal nao depende de queixa.280o do CPP. por suspeita de este ter subtraido de um cemiterio um crucifixo em bronze. Figueiredo Dias e Costa Andrade.1. a difamacao e a injuria sao equiparadas as feitas por escrito. Aqui ja cabe o panfleto do nosso caso pratico. como o art. o processo terminava. Esta obrigacao do MP deduzir acusacao. c) do CP.n. temos que ver se o crime. concluimos que o procedimento criminal depende de acusacao particular. estamos perante um crime de difamacao. nos termos do art. Para tal temos que ver se estao preenchidos os pressupostos do art. porque nao se constituindo o ofendido assistente. De acordo com o enunciado. Este conceito indeterminado fez correr muita tinta entre a doutrina. Desta forma. Em segundo lugar. o caso do arquivamento com dispensa de pena (art. o MP entende que recolheu indícios suficientes de que o A praticou o crime. aqueles interesses que visem concretizar um direito essencial ou uma formacao da cidadania das pessoas.º 5 O MP inicia procedimento criminal contra A. estamos perante um crime de difamacao. aqueles que visam apenas um interesse lúdico ou de entretimento. assimsendo.o1 do CP. o MP iniciou bem o inquerito. n. Contudo. e nao se consideram interesses legitimos. no prazo de 10 dias. como tal estamos perante um crime particular. o MP entende ter recolhido indicios suficientes de que A praticou o crime. gestos. No caso sub judice. Para tal temos que recorrer ao C. Se tratasse este assunto. so quando se diz coisa em contrario e que o crime e semi-publico ou particular. nem sequer ha abertura de inquerito. Por ultimo. no enunciado e dito que o juiz de instrucao concordou.o1 do mesmo artigo. pois este nao necessita de qualquer procedimento para dar inicio ao procedimento. segundo este. o MP inicia o procedimento criminal contra A. Desta forma. Nao se constituindo assistente.180o. esta preenchido o primeiro pressuposto. Quanto a natureza do crime. Em primeiro lugar. pois a regra e o crime ser publico. E o MP quem tem a 26 . Encerrado o inquerito. por este ter subtraido de um cemiterio um crucifixo em bronze. e uma manifestacao clara do principio da legalidade. p. temos uma causa de exclusao da culpa. quando a imputacao for feita para realizar interesses legitimos e o agente provar a veracidade dos factos. tendo sido publicado um artigo na Revista Legislacao e Jurisprudencia. admite a dispensa de pena. Ficando assim outro requisito preenchido. 204o do CP. 180o do CP. o panfleto. Este ultimo paragrafo deve ser analisado em primeiro lugar. Apresentar queixa nao e a mesma coisa que dizer que ela se constituiu assistente e que deduziu acusacao. E nos termos do n. 188o do CP. Este artigo e insuficiente e como tal temos que recorrer ao art. sempre que o MP recolha indicios suficientes da pratica de um crime e quem foi o seu agente esta obrigado a deduzir acusacao contra esse sujeito. e encerrado este. Nos termos do art. previsto no art. Atraves da leitura do art. Pode a imprensa publicar todo o direito informado para o cidadao. Caso prático n. Por vezes. Quando nada se diz o crime e publico. 186o do CP esta prevista a dispensa de pena. 281o do CPP). 280o do CPP) e o caso da suspensao provisoria do processo (art. imagens ou qualquer outro meio de expressao. o A ira ser punido pelo crime de difamacao (art. no caso. mas pretende arquivar o inquerito por julgar serem praticamente inexistentes as necessidades de prevencao especial. logo no inicio. nao satisfaz nenhum interesse legitimo e como tal. mas para a sua formacao individual. ao principio da oportunidade. O MP pretende arquivar o inquérito por julgar serem inexistentes as necessidades de prevencao especial. significa que estamos perante um crime de natureza publica. a viuva B apresentou queixa.182o do CP). este principio faz algumas cedencias ao principio da oportunidade. No caso. e necessario o acordo do juiz de instrucao. Pode faze-lo? Qual seria a sua decisao? Resolucao: No caso. e acusacao particular. temos que saber qual a natureza do crime de difamacao.182o do CP. Sao exemplos dessa abertura. 204.P. Quanto ao tipo legal de crime estamos perante um furto qualificado. o MP nao tem legitimidade para prosseguir com uma investigacao contra um crime particular.ele vir a ser condenado e nao absolvido. Nos termos do n. nao se pronuncia sobre o facto de ser necessario ou nao queixa. pelo Prof. Al. o MP arquivou com dispensa de pena. temos que saber o que se entende por interesses legitimos. Foi analisado em ultimo lugar para se proceder a avaliacao do arquivamento em caso de dispensa de pena. Assim sendo. substantivamente. entendendo estes que sao interesses legitimos.p no art.o2 do mesmo artigo. encontramos no fim do capitulo a natureza do crime.

este instituto nao se vai aplicar.281o do CPP): requisitos: 1.204. de o arguido nao o ter praticado a qualquer titulo (art. do CP. Isto e o que resulta do principio da acusacao e do principio da legalidade. se nao há indicios. igualmente.283o do CPP. ele no prazo de 10 dias. Do despacho de arquivamento do MP nao ha possibilidade de recurso.o1 do CPP). Estas duas solucoes saem do vector da acusacao. o MP so tem uma opcao que e arquivar. este requisito esta preenchido. ha duas saidas que sao o arquivamento para dispensa de pena e o caso da suspensao provisoria do processo. Crime punivel com pena de prisao nao superior a cinco anos ou com sancao diferente da prisao.o1 do art.283o. porque ele recolheu indicios da pratica do crime e quem foi o seu agente. 280o do CPP): o primeiro requisito desta e que a dispensa de pena esteja prevista na lei substantiva. n.277o.280o do CPP). impoe um conjunto de regras e injuncoes ao arguido. No caso. O inquerito e. As duas primeiras formas de encerramento do inquerito sao as duas formas tradicionais. cabendo-lhe arquivar ou acusar.Suspensao provisoria do processo (art. porque e dificil o assistente estar de acordo com o arguido. ou em acusacao (quando o arguido desrespeita as regras de conduta). O MP oficiosamente ou a requerimento do arguido ou do assistente determina com a concordancia do juiz de instrucao. n.283º DO CPP) ARQUIVAMENTO COM DISPENSA DE PENA (ART. 280º DO CPP) SUSPENSÃO PROVISÓRIA DO PROCESSO O MP procede ao arquivamento do processo quando recolhe prova bastante de se nao ter verificado crime. Assim temos que voltar ao art. 281 do CPP. Se ele tiver indicios.direccao do processo. aqui o MP sustem o processo por um periodo probatorio. classicas. pois se ha acordo pode prosseguir para o arquivamento com dispensa de pena (art. se ele infringir alguma regra de conduta o processo retoma-se. deduz acusacao contra aquele (art.o 2 do CPP). pedindo o Requerimento de Abertura de Instrucao (RAI). o MP nao pode arquivar o processo. tipicas e as maioritarias. nao faz sentido estar a perseguir com aquele processo. onde nos diz na sua alinea i) que o crime de furto qualificado e punível com pena de prisao ate cinco anos ou com pena de multa ate 600 dias. FORMAS POSSIVEIS DE ENCERRAMENTO DO INQUÉRITO: ARQUIVAMENTO (ART. 277º DO CPP) ACUSAÇÃO (ART. 3.277o do CPP. . Solucao distinta e muito mais frutuosa e o da suspensao provisoria do processo. Se ele as cumprir o processo cessa. No caso nada nos e dito.1 do CPP). Concordancia do arguido e do assistente: este e o mais dificil de obter. que sao: . mas estas funcoes estao imperativamente determinadas na lei. Podemos dizer que o nosso CPP. No caso do arquivamento para dispensa de pena ha indicios. Os sujeitos processuais podem impugnar o despacho de arquivamento do MP. partindo do art. Assim. Quando o MP recolhe indicios suficientes de se ter verificado o crime e quem foi o seu agente. Ao lado destas. e de acordo com o principio da legalidade o MP so pode acusar. todavia. 2.Arquivamento para dispensa de pena (art. arquivado se nao tiver sido possivel ao MP obter inicios suficientes da verificacao do crime e quem foi o seu agente (art. entao consideramos que o juiz de instrucao esta de acordo. 27 . Estas sao duas eventuais e segmentarias formas de conclusao do processo de inquerito. consagra duas formas particulares que sao uma cedencia ao principio da oportunidade. por se tratar de coisas bagatelares do ponto de vista juridico.n.277o. mas se se verificarem os pressupostos da dispensa de pena. Como tal nao se encontra. Restantes alineas do n. Na suspensão provisoria do processo este pode acabar em arquivamento (quando o arguido respeita as regras de conduta).1. 4. nos termos do art. n.

quando preenchidos os ditos requisitos. o juiz. Encontramos no art. 281o do CPP). na fase de julgamento. tambem. porque o juiz pode requerer certa producao de prova. Para alem desta formulacao do conteudo do principio da investigacao. pois ai o juiz tem um poder que nao estamos habituados a ve-lo noutros processos. Por isso e considerada uma forma lateral de encerramento do inquerito. do juiz. O nosso modelo e acusatorio mitigado com o principio do inquisitorio. e recebido pelo juiz de julgamento o qual agenda uma data para audiencia. porque este tem que decidir na base das provas que são carreadas para o processo e como os sujeitos processuais nao tem onus de prova e como o juiz nao esta limitado aos contributos dos sujeitos processuais. Esta medida e decretada pelo MP. e a partir desse momento o arguido e notificado e tem um prazo para contestar. Princípio da investigação Estes principios aplicam-se. o qual ainda nao foi julgado. e que esta contestacao nao tem tanta relevancia pratica como tem no processo civil. Princípios relativos à prossecução processual 2. o MP podia concluir pela suspensão provisoria do processo. requerer a entrega de certo documento… O juiz pode por si. durante o 28 . no fim do inquerito tendo por base as finalidades das penas. e chamado de principio da verdade material. há uma contestacao. Este principio esta intimamente ligado a prova. Preenchidos estes pressupostos. 283o do CPP. 2.o2 do art. juiz de instrucao. a todo o processo penal.Devido a necessidade de concordancia entre o MP. pois ele faz um juízo imparcial. Princípio da investigação O principio da investigacao consiste no poder-dever que o tribunal tem de esclarecer e investigar autonomamente o facto trazido a julgamento. se o juiz entende que para defesa do arguido tem que ser produzidas as provas A e B. assistente e arguido. este artigo e essencial para qualquer jurista.1. No processo civil. optar pela suspensao provisoria do processo (art. porque o processo penal nao e um processo de partes. sobretudo. para poder decidir com conviccao o caso concreto. Estas injuncoes sao muitos semelhantes as medidas de coaccao. O que se passa no processo penal. pode e deve investigar livremente. podia. A mesma coisa tambem se aplica em defesa do arguido. Isto sucede assim tanto na instrucao como no julgamento. se assim nao fosse so lhe resta acusar nos termos do art. no processo penal as provas sao plasmadas na acusacao. 281o do CPP. Em suma. aqui ele conduz a prova. e por isso pode e deve investigar o caso autonomamente. Este principio. pois e dificil obter o acordo destes sujeitos processuais. ele sera mais trabalhado quando estudarmos os principios relativos a prova. o juiz. para alem das contribuicoes que os sujeitos processuais possam fornecer. as provas sao indicadas nos respectivos articulados. e dificil o MP decretar a suspensao provisoria do processo. porque duas razoes: 1) O arguido nao tem nenhum onus da prova. quando o faz ele “oferece o merecimento dos autos”. e alem disso ja estamos a fazer consideracoes de culpa sobre o arguido. pode inquirir testemunhas. O tribunal nao esta dependente dos contributos que os sujeitos processuais possam trazer para o processo. tal como sucede em direito processual civil. Marcada a data para julgamento.340o do CPP uma manifestacao deste principio. ele pode faze-lo. Este principio e corolario do principio da verdade material. porque o MP esta a entrar na esfera juridica do juiz. isto e. esse seria do tribunal. o MP nao podia arquivar. aos meios de obtencao de prova e a sua admissibilidade. isto e estranho ao nosso sistema. sendo o seu papel mais acentuado na ultima fase. Há quem diga que. mas tem matrizes particulares em algumas fases. genericamente. Quem tem que provar tudo e o MP. porque e um artigo que permite requerer ou ordenar diligencias probatorias estando ja o julgamento a decorrer. se existisse algum onus de prova no processo penal. note-se que o MP teria que apor ao arguido cumulativa ou separadamente as injuncoes previstas no n. visto que eles perseguem objectivos diferentes. para alcancar a verdade material. por isso na maior parte dos casos o arguido nao contesta. o juiz tem um poder-dever de investigacao autonoma dos factos (que constem na acusacao). aqui. nao e aquele que apenas recebe aquilo que a acusacao e a defesa levam. Do lado do arguido. de modo proprio praticar esses actos.

decorra de acordo com principio do contraditorio. b.1. al. O art. 2. o principio do contraditorio esta presente. o qual nos diz que o juiz investiga autonomamente o caso submetido a instrucao. mas sim a investigacao noutras fases processuais. Face ao arquivamento a pessoa que cria o procedimento criminal fica descontente. tal como esta previsto no art. Temos tambem o art. no. temos o art. no art. porque eles partem do acordo dos sujeitos processuais. de contrapor. porque aqui tem de haver um contraditorio assumido. o juiz pode investigar autonomamente os factos. que diz que “ as questões incidentais no decurso da 29 . 327o do CPP que tem logo como epigrafe “Contraditoriedade”. No arquivamento e na acusacao ha sempre alguem que nao esta contente.. al. a dizer que: discorda com a decisao do MP. que todo o processo. pois diz o artigo que “o debate instrutório visa permitir uma discussão perante o juiz. Este requerimento funciona como uma antecamara de defesa. que lhe confere a possibilidade de intervir quer no inquerito quer na instrucao para exercer o contraditorio. resultam indícios de facto e elementos de direito suficientes para justificar a submissão do arguido a julgamento”. n. tendo em conta o referido no RAI. Basta recorrer ao art.julgamento se provara aquilo que o MP entende. 288o. Quando falamos em principio da investigacao. 290o do CPP. A fase em que este principio e mais fertil e na fase de julgamento. quando temos uma acusacao o arguido fica insatisfeito.1. E o mesmo se passa com o art.5 da C.P. no. que fala nos poderes de direccao e de disciplina do processo. sempre que um sujeito processual invocar algo no processo. 69o. 298o do CPP. em que o contraditorio estara um pouco prejudicado. nos termos do 288o. a) do CPP. O arguido deve arrolar previamente algumas testemunhas. Este e um articulado feito por um dos sujeitos (que da origem a instrucao). A instrucao nao serve para investigar outros factos e nem serve para alargar o objecto do processo. e ao poder –dever do juiz poder investigar novos factos. relativamente ao debate instrutorio. tendo em conta a indicacao. E para impugnar esta decisao que surge Requerimento de Abertura de Instrucao (RAI). E na fase de julgamento. pois de acordo com art. pode suceder em outras fases. Temos o principio da investigacao na fase de instrucao. 61o. isto e. mas mesmo aqui.o4 do CPP. E uma forma de sindicancia da decisao do MP atraves do tribunal. Muito embora o juiz de instrucao deve ter como indicativo este requerimento. por exemplo.286o. incluindo a decisao de enviar ou nao a decisao para julgamento. sempre que possivel. temos 288o. Na instrucao. Contudo. a. d. constante do requerimento da abertura de instrucao. Pois a unica finalidade da instrucao e verificar se existem ou nao indicios suficientes que aquele arguido cometeu ou nao aquele crime. c. na fase de inquerito. Este requerimento e o articulado que da inicio a instrucao porque um dos sujeitos nao concorda com uma questao. A instrucao e uma fase facultativa que surge entre o inquerito e o0 julgamento que serve icara sindicar a decisao do MP de submeter ou nao o processo a julgamento (art. se analisarmos o art. nao nos estamos a referir a investigacao do MP. o juiz investiga autonomamente o caso submetido a instrucao.o4 do CPP. ao outro sujeito assiste o direito de contradizer. mas na generalidade dos casos nao tem sucesso. E um requerimento dirigido ao juiz (na maior parte das vezes o pedido e deferido). que as partes tenham direito de se oporem ao que foi dito pelo outro sujeito processual. Princípio da contraditoriedade O principio da contraditoriedade ou principio do contraditorio significa que. No caso do assistente. que e uma fase assumidamente de investigacao. 328o que fala da contrariedade dos meios apresentados na audiencia.1 do CPP). como. mas se o nao fizer. e que provas nao foram tomadas pelo MP.2. do decurso do inquérito e da instrução.2. que o principio do contraditorio assume um papel de alto relevo. Serve apenas para verificar se o MP decidiu bem ou mal na forma como decidiu.323o do CPP. Para que se garanta. O arquivamento para dispensa de pena e a suspensao provisoria do processo sao formas de encerramento de inquerito que nao permitem impugnacao. e muito claro o principio do contraditorio. g do CPP.o 4 do CPP. 32o. n. n. Este articulado e usado para indicar algumas provas. quais as consequencias. e o art. onde sao esgrimidos os argumentos pro e contra a tese da defesa e da acusacao. Assim a um despacho como este tem que haver uma forma de reaccao que nao e um recurso. Ate aqui e o MP que procede a todas as diligencias. n. e permitido arrolar testemunhas. 340o do CPP da a possibilidade que alegando a descoberta da verdade material. Antecipa a defesa do arguido no julgamento para a fase da instrucao. sobre se. por forma oral e contraditória. pode faze-lo durante o julgamento. e no seu no. no. Na fase da instrucao. 2) Se tal e permitido ao arguido tambem se estende ao assistente e ao MP.R.

era que para aplicar uma medida de coaccao ao arguido. para conhecer os factos e as provas pelas quais o sujeito foi submetido a uma medida de coaccao. pois agora o juiz de instrucao tem que fundamentar a decisao de decretamento da medida de coaccao. agora. sao so aqueles que a lei determinar. no art. o qual vem regulado no art. o arguido. tem direito ao contraditorio. pois seria uma desigualdade de armas tanto relativamente a defesa como a acusacao que poderia por em causa a decisao final do juiz. porque este principio tem densidades diferentes consoante a fase de processo em que nos encontramos. todavia. pois tal fuga de informacao pode inviabilizar a perda de indicios suficientes. era que na fase da instrucao. Agora. antes da reforma do CPP de 2007. e no seu no. O juiz assegura. Com a reforma do CPP de 2007. e havia jurisprudencia e doutrina que ia no sentido oposto. n. n. 297o do CPP. Com esta solucao o problema continua a colocar-se. ouvidos os sujeitos processuais que nelas forem interessados”. e em qualquer contraditorio a ultima palavra e da defesa. mesmo que se diga que o processo penal portugues nao e todo ele regido pelo principio do contraditorio. mas se estivermos a falar de direitos fundamentais. No julgamento. no art.o2 do CPP. Da leitura destes artigos. Na fase de inquerito. As pessoas viam os seus direitos restringidos e nao sabiam porque. o qual nos diz que “o debate decorre sem sujeicao a formalidades especiais. e ele que os considera relevantes ou nao. a nao ser que no inquerito o MP. Isto passasse dentro da fase de inquerito. a regra era que o inquerito estivesse sob segredo de justica. isto para afastar a imputacao penal. introduziu-se o n.o2 do art. senao de submeter esta fase ao principio do contraditorio. a contraditoriedade na producao da prova e a possibilidade de o arguido ou o seu defensor se pronunciarem sobre ela em ultimo lugar. o MP tinha que contar aquilo que ele estava a fazer. Este principio esta assegurado constitucionalmente. 289 do CPP. ou o juiz o requeiram. Antes da reforma de 2007. Com a reforma de 2007. ou da aplicacao de uma medida de coaccao ai ja e assegurado o direito ao contraditorio. Da aplicacao de uma medida de coaccao cabe recurso. porque o MP entendia que não devia contar nada ao arguido. mesmo que tenham sido oficiosamente produzidos pelo tribunal. e especialmente. 290º do CPP dizia que o “juiz ordena as diligencias necessarias”. o problema que se levantava. a fase de inquerito ja nao e secreta. Dai que nao se admita outra coisa. Este debate e uma manifestacao clara do principio do contraditorio.o5 da CRP. pois e uma medida fortemente restritiva dos direitos fundamentais. pode o arguido durante o inquerito exigir que lhe seja comunicada o andamento do processo? Entendemos que nao. Um problema que se colocava. porque a propria natureza desta fase nao se compatibiliza com tal principio. e isso percebese pela fase de inquerito em que o MP domina e que tem como objectivo investigar a pratica de um crime e quem foi o seu agente. Contudo. Na instrucao situase no meio-termo. Com a reforma do CPP 2007. que e o debate instrutorio. ha um momento imprescindivel. Princípio da Contraditoriedade E uma questao de conhecimento e discussao das provas tanto pela acusacao como pela defesa. nao e um principio do contraditorio pleno.32o. Este principio e particularmente relevante quanto a defesa. de acordo com o art. mesmo assim. A aplicacao das medidas de coaccao e da competencia do juiz. como tal o advogado de defesa ha-de estar presente.audiência são decididas pelo tribunal. nao temos o principio do contraditorio. 290o do CPP. e absoluto no julgamento. O debate instrutorio sendo o unico acto obrigatorio da fase instrutoria. Aqui havia divergencias. temos alguns afloramentos deste principio. a regra e que todo o processo penal e publico. pois e limitado ao facto de os advogados poderem pedir 30 .2 e-nos dito que os meios de prova apresentados no decurso da audiencia sao submetidos ao principio do contraditorio. como tal os restantes actos ficavam na livre conviccao do juiz. onde nao ha um contraditorio puro. esta questao ficou resolvida. Não sao todos os actos que estao submetidos ao contraditorio. todos os actos anteriores dependem da consideracao do juiz. o qual permite a participacao dos advogados na producao de prova durante a instrucao. Esta interpretacao decorria do facto de o unico acto obrigatorio sujeito ao contraditorio ser o debate instrutorio. Como o art. mas a requerimento do MP. a regra e que a fase de inquerito nao esta submetida ao segredo de justica. o principio do contraditorio tem de ser observado sob pena de haver algumas situacoes de nulidade. O principio do contraditorio e muito mais estreito no inquerito. havia quem entendesse que nao era possivel estar presente o defensor quando o juiz interrogava as testemunhas. porque ha a necessidade de assegurar sempre a defesa do arguido. e como tal era um absurdo recorrer de uma coisa que nao se sabe quais os seus fundamentos.301o.

Estas situacoes estao enunciadas no art.1 diz que no processo penal se resolvem todas as questoes que interessarem a decisão da causa. 7o. ele avoca para si o processo. existem questoes que. pela sua natureza. Princípio da suficiência Esta relacionado com o art. assim como ha questoes que sao de tal importancia e que sao alheias ao processo penal. faz-se isso para depois voltar ao processo penal. Na fase de julgamento. o processo para o tribunal competente. nao e preciso suspender o processo para se resolver. por uma questao de economia processual . porque se entende que os sujeitos tem um estatuto. nao devendo ser desrespeitado nem pela defesa nem pela acusacao. sao os seguintes: 1o) Tem de se reconhecer que essa questao e necessaria para a resolucao do problema penal. 2 do CPP. queremos dizer que todas as questões necessarias a decisao da causa devem de ser decididas no processo. mas o facto de resolvermos o maior numero de questoes no processo penal traz vantagens. ha questoes que sao resolvidas fora do processo penal. Este principio esta enunciado no art. assim. nao ha questoes que sao resolvidas fora do processo penal? Sim. o processo penal tem de se apresentar como insuficiente para aquele litigio. tem que ser resolvidas fora do processo penal (por exemplo. Os requisitos para que se possa aplicar o no. o advogado nao pode interrogar as testemunhas directamente.no2 do CPP preve um conjunto de possibilidades de o juiz do processo penal remeter o processo aos tribunais competentes se entender que existe uma manifesta complexidade da matéria nao e conveniente que seja ele a julgar.. 7o. Se. ao ser resolvida fora do processo penal. Com o principio da suficiencia.7o do CPP. no seu no. Findo os prazos (que sao estritos). o advogado nao pode. no. Por exemplo. isto e. evitando-se descontinuidades no processo.7o do CPP.3. a indemnizacao civil emergente de facto penal). ela pode ser tratada fora do processo penal. sendo normal que as pessoas se esquecem de alguns factos. entao a questao passa a ser resolvida dentro do processo penal com os meios que este tem ao seu dispor. fa-lo por intermedio do juiz ou do MP. e preciso saber se determinado documento e falso para apurar se o agente praticou o crime de falsificacao. O processo penal e tendencialmente universal. o processo penal nao se afigura como a instancia adequada para resolver a questao. Nesses casos submete durante um determinado periodo de tempo. 2 deste artigo. que nos conduzem a aplicar outros processos que nao de natureza penal.se tudo puder ser resolvido no processo penal ganha-se em termos de tempo e de concentracao. isto e. Por outro lado. O art. 3o) Deve ser resolvida o mais rapido possivel para nao perder o efeito útil no processo penal. se o tribunal puder avaliar todo o arsenal de provas com uma certa continuidade e unidade temporal. com a questao da subsidiariedade do processo civil face ao processo penal. Por vezes. sejam elas penais ou nao penais. Este requisito decorre do no. ou seja. para conseguir resolver o problema. Princípio da suficiência O principio da suficiencia diz-nos que o processo penal e regra geral.esclarecimentos e a formular sugestoes. a decisao final sera muito mais adequada. e nele que se decidem todas as questoes. e sao as chamadas questoes prejudiciais. o qual. for preciso ajuizar o caso a parte do processo penal. directamente.3 e 4 do art. Portanto. contraditar a testemunha. desde logo. As descontinuidades sao prejudiciais. 2. do CPP. se perder o efeito util pretendido. uma maior celeridade e benefica para o processo. se for uma questao que nao seja importante para a resolucao do problema penal. Pergunta-se: e sempre assim. o lugar adequado para resolver todas as questoes que sejam levantadas ou cujo esclarecimento seja necessario para conformar a decisao final. porque pode nao haver condicoes no processo penal. ou dos seus contornos exactos e. 2o) Tem de se verificar que ela nao pode ser resolvida convenientemente no processo penal. 31 . e se. No processo penal a prova e difícil de se realizar e na maior parte das vezes assenta na prova testemunhal. por regra. para saber isso.7o.

esta e a regra. para satisfazer as necessidades basicas. por exemplo. Exige-se esta concentracao. 328o. Por exemplo. porque. O julgamento deve-se fazer. este poder estar inquinado pela sugestao de alguns dos sujeitos processuais. Obviamente que isto e impraticavel em termos de processos de maior dimensao. A concentracao espacial tem interesse nao so para o juiz. 328o do CPP temos o principio da continuidade da audiencia. o hiato temporal e tão grande que implica que se volte a ouvir a testemunha x porque ja nao esta claro o que foi dito no seu depoimento. tanto espacial como temporalmente. sem interrupcoes. se há uma certa sequencia de actos e se ha uma quebra temporal. para garantir a eficacia dos actos processuais.328o do CPP onde esta expresso o principio da concentracao. esta tem as suas limitacoes. em termos de julgamento. Isto nao invalida que.328o do CPP. dormir…). 32 . Outra excepcao prende-se com o adiamento da audiencia. tanto quanto possivel. Uma delas decorre da interrupcao normal da audiencia para satisfacao de necessidades básicas (comer. O n. e em termos espaciais pretende-se evitar que as questoes sejam apreciadas em locais diferentes (isto nao significa que tal nao aconteca).o 2 do mesmo artigo diz que sao admissiveis as interrupcoes estritamente necessarias. No art.2. para assegurar a presenca de todos os intervenientes. Isto e. isso faz com que haja uma quebra no proprio raciocinio e. Estes aspectos sao importantes para avaliar se o depoimento e prestado com espontaneidade e com veracidade. para os proprios sujeitos processuais. Outras vezes. sob pena de se perder tudo o que foi feito ate entao. uma interrupcao pode modificar todo o desenrolar da accao. Ha pormenores que nao sao tao clarividentes. por vezes. pois ja ha estudos que demonstram que certos sinais visiveis sensiveis presencialmente são importantes para a conducao dos actos e apuramento da verdade. se tenha de recorrer a videoconferencia. elas devem de ser marcadas no mais pequeno espaco de tempo. Sendo de salientar que o adiamento nao pode exceder os 30 dias. n. no que diz respeito a continuidade temporal a sua inexistencia provoca uma certa falta de celeridade a qual e importante para garantir que o efeito util da decisao seja o maior possivel. ou seja. Existe concentracao tanto no tempo como no espaco.o1 do CPP que “a audiencia e continua. O julgamento em processo penal e continuo. Concentrar e fazer tudo num lapso de tempo menor possivel. por vezes. Um julgamento em processo penal deve fazerse continuamente. Por vezes. pode ser um sinal de que esta a mentir. Depois. se as testemunhas estao a assistir ao julgamento e de seguida vão prestar o seu depoimento. onde se marcam varias sessoes de julgamento. Deve ser feito no mesmo espaco.3 consagra a possibilidade de adiamento. Se exceder perde-se toda a prova produzida. de forma unitaria e continua.4. Contudo. No que toca a concentracao espacial. Quando o julgamento se faz atraves de varias sessoes. pois as pessoas nestas quebras podem dialogar entre si e fazer conluios.3 do art.355o e ss do CPP temos varias manifestacoes deste principio. e favoravel a decisao processual que as testemunhas sejam ouvidas na presenca do juiz. devendo a sua sequencia ser a mais concentrada possivel. . isto e muito relevante.Princípio da concentração Temos o art. acontece que nao ha condicoes fisicas e. O n. Diz-nos o art. por um lado. pois que. E importante que as testemunhas prestem o depoimento na presenca do arguido. Ha excepcoes a este principio da concentracao. decorrendo sem qualquer interrupcao ou adiamento ate ao seu encerramento”. a qual pode acontecer nas situacoes previstas do no. se a testemunha esta a transpirar demais. Princípio da concentração O principio da concentracao esta relacionado com o principio anterior e diz-nos que no processo penal exige-se uma prossecucao unitaria e continuada de todos os termos e actos processuais. nunca podendo exceder os 30 dias. Nos art. Ha aspectos que as pessoas evidenciam quando estao frente a frente com outras e que podem ajudar a formar a conviccao do juiz. . de uma so vez. mas tambem. o processo deve decorrer com uma certa continuidade temporal. O principio da concentracao e um principio favoravel a producao de prova e e muito importante para descobrir a verdade material.

3. pode faze-lo livremente. ou nao. Nesta perspectiva. Tal pode suceder ate ao ultimo minuto do julgamento. uma treplica). pelo que se vai para julgamento sem subordinacao a qualquer forma especifica. a ausencia de contestacao nao implica qualquer efeito negativo para o arguido. E se entender que deve investigar coisas que nao foram carreadas pelos sujeitos processuais pode faze-lo. ate se costuma dizer que. O juiz e que tem de realizar todas as diligencias que lhe sao propostas/oferecidas pelos sujeitos processuais. que fala sobre os principios gerais da prova. 340o do CPP. nao significa que em termos de investigacao este esteja totalmente subordinado. Nao ha. pois. Em termos de producao de prova este principio e fundamental e essencial. tudo comeca com a noticia do facto (que pode ser atraves de uma queixa. independentemente do meio formal concretamente utilizado. Alias. em processo penal nada disto existe. por outro lado. Prova livre significa que o juiz aprecia a prova de acordo com a sua livre conviccao. Por um lado. havendo total liberdade de investigacao. Em processo civil temos um leque de artigos que nos dizem qual o valor das provas. posteriormente constituido assistente. Alem disso. Princípio da investigação/verdade material Este principio e muito importante no direito processual penal. Mas o facto de existir um principio da acusacao que vincula tematicamente o juiz. de modo a formar a sua própria conviccao. se assim o entender. Princípio da livre apreciação da prova Este principio e mais recente. na maior parte dos casos ate nem ha contestacao. Em processo penal. consoante estejamos na presenca de crimes semi-publicos ou particulares stricto sensu e crimes publicos) e a partir dai há uma investigacao que e levada a cabo pelo MP. Para isto nao existe qualquer forma. ao contrario do processo civil. utilizado em direito processual civil. bem como todas aquelas que considere conveniente para atingir a verdade material. em principio. sob a forma de questionario. se nao houver contestacao. este seria o do proprio juiz. Em processo penal. privilegia-se a descoberta da verdade. a ideia subjacente ao processo civil segundo a qual quando alguem invoca um direito/facto tem de o provar (principio da auto-responsabilizacao probatoria). tenha de provar aquilo que esta a imputar ao arguido. a ideia de que o ofendido. no processo penal. ao contrario do processo civil (em que ha uma peticao. nao ha qualquer onus de prova (principio de auto-responsabilizacao probatoria). nada sendo dado como provado. de modo a alcancar sucesso na lide. uma replica. por isso pertence a varios nucleos de principios. o juiz pode investigar livremente. O juiz apenas nao pode estender o objecto do processo. e com isso atingir a verdade material e o restabelecimento da paz juridica. Por exemplo. investigar autonomamente o facto. opondo-se ao principio da verdade formal. Nos limites oferecidos pelo objecto do processo. Dai que o que se leva a julgamento e aquilo que o juiz considera que ainda nao esta provado. de acordo com a sua experiencia e bom senso. o proprio juiz pode investigar autonomamente o caso. se o juiz no momento em que vai proferir a sentenca tiver alguma duvida e entender que por causa disso ainda deve levar a cabo mais diligencias de investigacao. Em processo penal e fundamental atingir a verdade sem subordinacao a qualquer forma especifica. em que. se existisse algum onus de prova. em nome da descoberta da verdade material.3. Princípios relativos à prova 3. Princípio da investigação ou da verdade material Este principio tem manifestacoes em varias materias. uma contestacao. Podemos encontrar afloramentos deste principio no art.2. O juiz nao esta subordinado a nada. Ao sistema da prova livre contrapoe-se o sistema da prova legal. sendo no despacho saneador que se fixa o que se da como provado e não provado ficando o julgamento dependente desse despacho em termos probatorios. que depois desencadeia um processo. o juiz nao esta dependente daquilo que os sujeitos processuais trazem ao processo. esta ultima significa que e a propria lei que diz qual o valor da propria prova. Nao vigora.1. pois esta vinculado pelo principio da acusacao. o reu e condenado. podendo ele proprio. no qual os sujeitos processuais intervem. Ora. pois. sendo ai o lugar indicado para os sujeitos processuais fazerem a s suas propostas e darem os seus contributos. ou seja. 33 .

Esta e valorada livremente pelo juiz. Outra limitacao ao principio da livre apreciacao da prova esta prevista no art. no entanto. so valem com meio de prova as declaracoes que tiverem sido prestadas na audiencia de julgamento. em que alguem presta declaracoes na fase de inquerito. a menos que sejam impugnados na sua autenticidade. este ultimo. e culpado e deve ser condenado. nomeadamente.163o do CPP. 129o CPP. Por exemplo. Sao situacoes especiais previstas no art. ou de que e inocente. com reducao do imposto de justica em metade (art. Estes documentos presumem-se verdadeiros. ou tambem conhecido como depoimento “de ouvir dizer”. pois isso poderia nao contribuir para a livre conviccao do julgador. Este verifica-se quando alguem que depoe em julgamento diz que ouviu dizer de outra pessoa aquilo que esta a dizer. a menos que este seja tambem um “perito” na materia. 129o CPP. os seus juizos se sobrepoem a livre conviccao do julgador. Na confissao. Trata-se de uma presuncao elidivel. os casos da confissao (art.127 oCPP. Caso tenha duvidas. como o arguido confessa. que fala do depoimento indirecto. 3 CPP). uma limitacao prevista no art. pelo que esta apenas tem o valor que a lei lhe confere. Quanto a prova pericial temos. o juiz pode decidir por factos contrarios. Esta prova esta subtraida a livre conviccao do juiz. 271o CPP. Regra geral. Ora. de acordo com as regras da experiencia. e como tal o juiz fica vinculado a prova pericial. ha regras para a sua valoracao previstas no art.169o do CPP). existem algumas limitacoes a este principio. tambem. se o tribunal suspeitar do caracter livre da confissao ou se o crime for punivel com pena de prisao superior a cinco anos art. 151o e ss. ja que. no CPP. apesar de nao o ter presenciado. a passagem de imediato as alegacoes finais do julgamento. mas como esta previsto neste artigo. a determinacao imediata da sancao. quando dita a sentenca.344o. Princípio da livre apreciação Este principio esta intimamente ligado ao principio da investigacao/verdade material. O sistema da prova livre significa que nao existe. CPP. no que diz respeito a confissao.344o do CPP). Esta excepcao tem um desvio que consta no n. sao os documentos autenticos e autenticados (art. quando ha recurso a pareceres de peritos. este depoimento tem de ser valorado pelo juiz tal como preve o art. algumas limitacoes. pode suceder que apos ficar lavrado no processo o juizo de um perito sobre determinado assunto. um criterio preestabelecido para valorar a prova. isto quer dizer que o juiz nao valora a confissao como quer. presume-se que o perito domina aquela materia. O art. tem algumas caracteristicas especificas quanto ao modo como e feita a confissao.No processo penal. 2 CPP). 127o CPP. e faz com que o resto da prova nao se produza (a nao ser que seja necessario provar circunstancias especiais do caso). tera de se socorrer do principio “in dubio pró reo”. No final do processo. logo. prevista nos art. a livre conviccao do juiz fica reduzida. Assim.o2 do dito artigo. encontrando-se previsto no art. ultrapassando o impasse a favor do arguido. vindo essas declaracoes a valer em julgamento. o juiz tem de estar completamente convencido de que o arguido tera cometido a infraccao. Mas mesmo aqui ha limites a confissao (ex: se houver co-arguidos e nao se verificar a confissao para todos. 344o CPP. devendo ser absolvido. perante um juiz que nao sera o de julgamento. o processo seguira um rumo completamente diferente. Este principio apresenta. Finalmente. O juiz nao pode estar sujeito a uma valoracao que lhe e imposta pelo CPP. A confissao traz uma atenuacao da pena do arguido. o juiz nao concorde com ele. necessitando de fundamentar a sua divergencia convenientemente 34 . Pois. o qual nos diz que quando o juiz tambem domina aquela materia. A excepcao verifica-se no caso das declaracoes para memoria futura. outra limitacao ao principio de que falamos prende-se com a prova pericial. Se o arguido confessar. tendo. Trata-se de um depoimento prestado fora da fase de julgamento. 163o CPP estabelece um criterio de valoracao da prova pericial que funciona como limitacao a livre apreciacao do juiz. em materia de facto. as quais esta subordinado. de valorar tal depoimento de acordo com o juizo do art. Na pratica. Uma outra limitacao ao principio da livre apreciacao da prova reside na declaracao para memoria futura. muita embora vigore o sistema da prova livre. Uma outra excepcao a este principio. a qual apesar de nao estar totalmente afastada da livre conviccao do juiz. pois a confissao integral e sem reservas implica uma renuncia a producao da prova relativa aos factos imputados e a consideracao destes como provados.344o.

Quer-se com isto dizer que a lei afirmou. Quer queira. Logo. ele deve decidir a favor do arguido. Princípio “in dubio pro reo” Este principio significa que exclusivamente em materia de facto e nunca em materia de direito. tratando-se de materia de direito. o MP tem que provar para la da duvida do razoavel que o arguido e o culpado. O n. portanto. O facto de se retirar ao MP o poder de efectiva direccao do inquerito ao MP e a 35 . pro libertate”. encontrando-se numa situacao de impasse e decidindo a favor do arguido. mesmo durante o inquerito. a qual podia ser secreta se o individuo entendesse que a sua publicidade o prejudicava.86o. que não e legitimo invocar o principio “in dubio pro reo” para materia de direito. A excepcao do n. A partir de 2007 a regra e o oposto: o processo penal e publico sob pena de nulidade. Mais vale não condenar um culpado do que condenar um inocente. quer nao queira. So em circunstancias excepcionais e que sera secreto. porque vem encurtar as funcoes do MP durante a fase de inquerito. que pode ser atacavel. quando era pedida a publicidade do inquerito. por regra. em que não consegue formar uma livre conviccao num sentido claro de condenacao ou de absolvicao. A unica fase inteiramente publica era a fase de julgamento. embora o mesmo nao se possa dizer sobre a materia de facto. 4. Em seguida. do assistente ou do ofendido. Nas questoes de direito. neste ultimo caso. pois os custos axiologicos.n.o 4 permite o levantamento do segredo de justica. tem de estudar a situacao. Ha quem entenda que quando o arguido invoca uma causa de exclusão (da ilicitude ou culpa). No n. “pro reo. Conclui-se.86o do CPP.o1 do CPP. o juiz nao pode decidir por um “non liquet”. quer-se com isto dizer que se o juiz tem duvidas sobre se se verificou ou nao certo facto. temos os principios relativos a forma: o principio da publicidade e o principio da oralidade/imediacao. Pelo facto de o arguido nao ter nenhum onus da prova ele submetese ao julgamento. pode ter duvidas. Alem disso. e o artigo mais polemico saido da reforma. 4.o2 e decretada por despacho irrecorrivel do juiz de instrucao. Princípios relativos à forma O principio da concentracao tambem cabe aqui. Este art. Isto. o qual pode ser feito oficiosamente ou a requerimento do arguido. abria uma excepcao muito lata na fase de inquerito. por isso e que existem recursos. Fruto da apresentacao de provas e contraprovas nao concludentes. e obrigado a tomar uma posicao de direito.o2 do artigo supra indicado constam as excepcoes a regra da publicidade. e quase sempre possivel o recurso. publico. Este principio vigora quanto a questao de facto. quem alega e o MP. Agora. que pretende que o inquerito seja. o poder de decidir como corre o inquerito. e uma excepcao muito mitigada na instrucao. pois ele sabe que vai ser o MP ater que provar em julgamento os factos por ele invocados. ainda que a decisao que venha a tomar seja sindicavel por via de recurso. tal decisao cabia ao MP. Esta posicao esta errada. porque vigora sempre o principio “in dubio pro reu”.o3 do dito artigo criou-se um mecanismo que em ambos os casos se retira do MP o poder de decidir o segredo de justica do inquerito. se ha um problema de analise e interpretacao de direito. Mas porque apenas em materia de facto? Porque so ai se admite que haja duvidas. Em caso de duvida o juiz considera nao provada a acusacao do MP.1. se o juiz chegar a uma situacao de impasse. de modo a obter uma resposta. Antes da reforma de 2007. Princípio “ In dubio pro reo” Este principio significa que qualquer duvida probatoria deve ser decidida a favor do arguido. ai nasce um onus da prova sobre o arguido. As normas relativas ao segredo de justica estao previstas no art. o juiz nao tem a certeza do modo exacto da ocorrencia dos factos. serao muito superiores. O n. o juiz nao. Se o juiz chegar a um ponto em que nao sabe como decidir a questao de direito.3. Contudo. Princípio da publicidade Ate a reforma do CPP de 2007 vigorava ja vigorava a publicidade. isto significa que estamos a subtrair ao MP (que e o dominus do inquerito). Nesta fase o MP pode requer ao juiz a declaracao de segredo. pois e um principio que tem implicacoes formais. tem sempre que tomar uma posicao. nao pode invocar este argumento em relacao a materia de direito. O arguido nao tem que provar que e inocente. por isso cabe-lhe provar o que invoca. dai que este principio vigore em toda a extensao do processo penal. inequivocamente. decide a favor do arguido. porque nao existe onus da prova.

Apesar de nao ter a experiencia do juiz. O inquerito. A alteracao a este numero foi direccionada aos jornalistas. sob pena de nulidade insanavel. mediante requerimento do arguido. levada a cabo durante o inquerito e a instrucao. este tem a possibilidade de sujeitar o processo a segredo de justica. a noticia de um crime. um processo publico. Nem se diga que o publico em geral nao tem competencia para fazer essa sindicancia. visto que o requerimento para submeter o processo a segredo de justica bem como para o levantamento desse mesmo segredo passa a ser da competencia do juiz de instrucao. isto tem sido alvo de durissimas criticas por parte do MP e do Procurador-geral da Republica. o art. publico. desde logo. o inquerito. e conhecimento dos elementos dele constantes. podendo ver negada esta possibilidade se os outros sujeitos processuais assim o entenderem. e o MP chama os orgaos de policia criminal para investigarem o caso. de modo a averiguar se ha indicios para levar o caso a julgamento. pois nao queremos que no decurso desta algo que. 86o. se nao existir uma razao legal valida para impedir a publicidade da audiencia. nem nos casos em que processo decorra sob o segredo de justica. esta relacionado com a presuncao de inocencia. pelo menos em relacao a materia de facto. Esta violacao consta no art.. 321o. se o MP entender que os interesses da investigacao.o8 do CPP tinha uma redaccao diferente. devido a problematica do segredo de justica. Antes da ultima revisao do CPP que ocorreu em 2007. e evidente que o publico possui a intuicao e sensibilidade suficientes para apreciar se o que foi dito na sala de audiencias foi bem ou mal valorado em relacao aos factos em si. a partir da publicacao eles tornam-se violadores do segredo de justica. artigo 206o. publico. Alem disso. O problema e que. podendo ele proprio levantar o segredo. ao contrario da matéria de direito. ficando tal decisao sujeita a validacao pelo juiz de instrucao no prazo maximo de 72 horas. e do artigo 321ºdo CPP. regra geral. em regra. A primeira excepcao esta logo no no 2. de sujeitar o processo a segredo de justica durante o inquerito. Por forca deste artigo. Este pode servir varios interesses. a partir de agora basta o conhecimento de elementos do processo. tem toda a legitimidade para o fazer. ofendido ou assistente. pode ele proprio determinar que o inquerito decorra sob segredo de justica. porque. Contudo. o MP. Princípio da publicidade Este principio revela-se. acessivel aos sujeitos processuais e o que nele se passa pode ser conhecido do publico. a fase dita de investigacao. porque esta em causa a realizacao da justica. oficiosamente ou a requerimento do arguido. desde logo. vigorando. pode determinar o seu levantamento em qualquer momento do inquerito. e como a divulgacao pressupoe a tomada de conhecimentos dos elementos. o segredo de justica existia facultativamente na fase de instrucao. assistente ou ofendido e ouvido o MP. pois. esta tem de ser publica. 86o CPP diz que o processo penal e. passando a ser sempre publica. Na fase de inquerito ha uma denuncia. Assim. passou a ser. O processo penal e. a instrucao deixou de poder ser secreta. onde agora se diz “ou”. uma queixa. Este principio tem. que se prendem com a fundamentacao do segredo de justica. e antes da reforma do CPP de 2007. Na ultima revisao ocorrida em 2007. Ate aqui. em que se da possibilidade ao juiz de instrucao. a partida. Por isso e que o art. 3 CPP). quando entender que a publicidade prejudica os direitos daqueles sujeitos processuais. Ora. o que interessa a toda a comunidade. O que se passava era que o jornalista tinha conhecimento dos elementos. na fase de inquerito. O problema que levanta o segredo de justica e a publicidade do processo passa pelos meios de comunicacao social. 36 . tem sido encarada com algum secretismo. ressalvadas as excepcoes previstas na lei. pois. Mas se o MP nao proceder a este levantamento. Assim. (art. de grande importancia. Alem disso. os media nao estavam vinculados ao segredo de justica. antes dizia “e”. no entanto. dependente da vontade do arguido.o 6 diz-nos quais as consequencias da publicidade do processo. os autos podem ser remetidos ao juiz de instrucao. Tradicionalmente. mas nunca tinha tido contacto com o processo. em regra. decorria obrigatoriamente sob segredo de justica. submetendo a uma pena quem violar o segredo de justica. 86o.n. pois agora a direccao do inquerito ja nao e integralmente do MP. com a possibilidade de ser secreto. A diferenca entre este “ou”. ou os direitos dos sujeitos processuais o justifiquem. porque antes era preciso que eles tivessem tomado contacto com o processo. sendo este despacho irrecorrivel.questao de toque deste artigo. o segredo de justica. seria secreto se torne do conhecimento de todos. O n. maior aplicabilidade na fase de julgamento. CPP determina que a audiencia de julgamento e publica.371º do CP. actualmente. Desde logo. os da investigacao. e “e” e fundamental no que toca aos jornalistas. este paradigma sofreu algumas alteracoes. momento em que esta a decorrer a investigacao dirigida pelo MP.. da CRP. Por isso e que o art. embora se deva aplicar tendencialmente a todo o processo penal. para a qual nao tem habilitacoes necessarias. que era sempre secreto. Decorre.

pese embora as reservas que possam ser feitas a uma tal opcao politica. com mencao das partes relevantes para o objecto de recurso. 363o CPP vem dizer que indistintamente do tipo de processo. criou-se uma conviccao geral (errada) na comunidade de que aquela pessoa teria cometido um crime. não so porque a audiencia e oral. sob certas condicoes. sob pena de nulidade. Dai que seja muito importante que a declaracao da testemunha seja espontanea e prestada o mais proximo possível do juiz. sobretudo porque. a prova e sempre gravada magnetofonica ou audiovisualmente e e isso que será enviado para os juizes do Tribunal ad quem. Sera seguramente. as pessoas que estao a ser objecto de um processo e que ate podem ser inocentes. dos gestos. previsto no artigo 20o da CRP. perante o juiz. Isto tem que ver com o valor da espontaneidade na producao de prova. devendo ser condenada. o que pode ou nao ser publicitado.. 364o. Isto e muito importante. Em 2007. a prova era gravada apenas em algumas situacoes e se houvesse necessidade de recorrer tinha de se mandar transcrever as partes que queriamos ver objecto de recurso. sao sempre documentadas na acta. apesar de sempre ter vigorado em Portugal o principio da oralidade. O regime do segredo de justica tem ainda uma serie de pormenores que se relacionam com o seu conteudo. que normalmente sao escritos e secretos).2. a prova mais importante. nao impede a sua reducao tal como ocorreu na revisao de 2007. Contudo. na maior parte das vezes. ele e que sabe se a testemunha e credivel ou nao. permitindo aos sujeitos processuais. pois acaba por ser decisiva para o desfecho do processo. anterior ao julgamento. De tal maneira que quando se recorria para um tribunal superior. tem um regime proprio para os meios de comunicacao social (art. i . consideram que como o juiz presenciou toda a producao de prova.e. ele sim tem a sua conviccao bem formada. quanto aos meios de obtencao. Desta forma. a prova testemunhal e. Com a reforma de 2007. produziu-se uma alteracao significativa nesta materia.se o inquerito decorre com publicidade. documental e pericial acabam por ser as mais utilizadas.88o CPP) e para o segredo interno diferente do segredo externo. Dai que haja uma tendencia generalizada para considerar que a justica não funcionou quando os tribunais tomam uma decisao nao condenatoria. pois uma possivel decisao de absolvicao nao chega para reparar os danos provocados. 37 . o que significa que os sujeitos processuais oferecem as suas provas e elas sao produzidas diante do tribunal. Mas o regime do segredo de justica. mas tambem porque depois se documenta através de gravacao ou filmagem.87o. materia a aprofundar nas aulas praticas.1 CPP). sem duvida. escutas telefonicas). Por isso e que a prova testemunhal. pelo que correm o risco de nao serem licitas. 89o. estao sujeitas a requisitos muito apertados. Todas as demais provas (fotografias. 90o CPP). A producao de prova e feita oralmente. reforcou-se o principio da oralidade. porque o art. inadmissiveis. alias tem sido sustentado por muitos acordaos de recurso que como eles nao tem a imediates propria do processo. 4. para que possa avaliar a propria veracidade do depoimento atraves da imediacao. filmagens. Ate ai. Deixou de haver a necessidade de se requerer a documentacao da prova ou deixou de haver a necessidade de a pessoa se pronunciar sobre a (in)dispensabilidade de documentacao da prova. as vezes irreversivelmente. o que ia para la era o resultado da transcricao. este principio da oralidade e da imediacao esta sujeito a algumas limitacoes. pela sua natureza. da transpiracao. A imediacao esta relacionada com a concentracao espacial. as declaracoes prestadas em audiencia. Agora a prova e sempre documentada da mesma forma: atraves de gravacao magnetofonica ou audiovisual (art. Isto sucede porque durante toda a fase de inquerito. etc. logo. Princípio da oralidade /imediação O nosso processo penal assenta na oralidade e na imediacao (ao contrario dos processos de estrutura inquisitoria. Ate a revisao de 2007. havia um pendor muito grande para a documentacao escrita da prova. atraves da sua transcricao. aceder ao processo quando este decorre e segredo de justica (arts. Oralidade e imediacao significam que os actos processuais sao feitos de forma directa e avaliados naquele momento pelo juiz. Ate 2007. Ha uma imediaticidade da prova. com ressalva para a prova testemunhal. as pessoas tinham sempre de se pronunciar sobre a possibilidade de documentacao de prova ou a sua dispensabilidade. do modo como se fala. Ate ha estudos feitos por especialistas em materia probatoria que averiguam a veracidade dos testemunhos atraves de alguns sinais exteriores da face. o que os obriga a ver ou ouvir tudo aquilo que interessa para o recurso. Princípio da oralidade e da imediação O principio da oralidade e sobretudo aplicavel na fase de julgamento. em contacto directo e imediato com o juiz. veem o seu bom nome posto em causa.

318o e 319o CPP. O Ministério Público 4. Qualquer alteracao nesta materia deve procurar uma certa concordancia dos dois interesses. a possibilidade de serem feitas declaracoes atraves de teleconferencia (art. ao principio da livre a apreciacao da prova. peritos ou consultores tecnicos. 355o. Órgãos de polícia criminal 2. Outros participantes. A necessidade de distinguir sujeitos processuais e participantes processuais de partes 2. o arguido pode reservar-se ao silencio. Parte II OS SUJEITOS PROCESSUAIS Capítulo V Considerações genéricas 1. ha tambem algumas limitacoes importantes previstas nos arts. Mas ha excepcoes. Deste modo. sobretudo quando essas declaracoes o incriminarem. quando razoes de celeridade o justifiquem. e tambem fundamental atentar no disposto no art. Assim. que remete para os art. O arguido e seu 38 . a audicao de declaracoes proferidas anteriormente ao julgamento que o incriminem. Caracterização genérica. exceptuando-se os casos das declaracoes para memoria futura e da prestacao de declaracoes fora da comarca ou no domicilio. Partes civis 3. meros participantes processuais e auxiliares dos sujeitos processuais ou sujeitos processuais acessórios Capítulo VI Os sujeitos e seu estatuto 1. 319o CPP preve.Em relacao a imediacao. O art. havendo. contudo. ou oficiosamente. foca as situacoes em que se permite a visualizacao ou a leitura de meios de prova produzidos antes da audiencia. 5 CPP). Assim. no 2 do CPP. pois o proprio arguido pode nao querer que seja feita leitura de declaracoes suas produzidas no inquerito. a requerimento do assistente. 356 e ss. a possibilidade de estas mesmas entidades serem ouvidas no seu domicilio. 318o. a prestacao de declaracoes pode nao ser feita presencialmente. e procurar ao mesmo tempo garantir o silencio. ainda. 355º CPP. das testemunhas. quando estas entidades residem fora da comarca. O Tribunal 3. em audiencia. que nos fala do principio da imediacao em audiencia. O assistente (e seu advogado) 2. apenas sendo obrigado a facultar os seus elementos de identificacao. evitando. O art. defensor Capítulo VII Outros participantes 1. Seria descabido permitir essa leitura sem a sua autorizacao. tendo em conta a distinção entre sujeitos processuais. sujeitos. com isso. mas nao e aqui que vamos tratar. como os peritos. as testemunhas. das partes civis. ainda. uma vez que vigora no processo penal o principio do direito ao silencio do arguido. Nesta materia. etc. vera ressalvado o seu direito ao silencio.

Mas uma testemunha tem intervencao no processo e nao e um sujeito processual. a sua intervencao no processo vai para alem daquela que os demais participantes tem. numa primeira linha. pelo menos do ponto de vista generico dos tribunais judiciais. Existe depois o tribunal colectivo. em que o CPP escolhe um determinado tipo de crimes para atribuir a determinado tribunal porque entende que materialmente aquela materia exige a intervencao de um tribunal colectivo singular. só em determinadas materias. Em algumas circunstancias entendese que essa consciencia comunitaria deve intervir directamente e nao por intermedio do juiz na administracao da justica. No processo penal temos o tribunal singular. que estao previstos no ETAF. 8o e ss. o da medida da pena. a chamada alcada.esta previstas na Lei de Organizacao e Funcionamento dos Tribunais Judiciais. Como se distinguem as competencias entre estes tribunais? Qual sera a competencia do tribunal de juri? O art. ainda. Os sujeitos processuais sao aqueles que. como verdadeiros “motores do processo”. o assistente. tem direitos e deveres autonomos. Com a instituicao destes tribunais pretendese aproximar a justica dos cidadaos. Ora. Dai 39 . que sao sujeitos processuais aqueles que intervem. Normalmente. a existencia de um tribunal diferente: o tribunal de juri. O tribunal de juri nao tem grande tradicao em Portugal. que decidem sobre materia de facto. constituindo-se. O juri e composto por pessoas sem formacao juridica. o assistente ou o arguido e mesmo assim. referindo que este tribunal e apenas subsidiario. O nosso processo penal cria nos arts. obviamente. por isso temos de criar um criterio qualitativo ou quantitativo. e um criterio quantitativo. a semelhanca do que acontece na cultura anglo-saxonica. Tribunal Qual e a distribuicao de competencias no processo penal? Que tribunal tem competencia para julgar que processo? Isso aparece regulado na LOFTJ. escolhidos de entre os cadernos eleitorais. participantes em sentido lato no processo. E preciso que a comunidade compreenda que participa na administracao da justica. Esta divisao também existe em processo penal e esta prevista nos arts. 13o. mas historicamente ja teve alguma relevancia entre nos. Em processo civil. regulados na LOFTJ e la se diz que ha tribunais de competencia generica. qual a razao para atribuicao de competencia a cada um dos tribunais de competencia especifica? E valor do processo. Os tribunais criminais estao. Sujeitos processuais no direito processual português: O arguido. um sistema de atribuicao de competencias relacionado com um criterio qualitativo. . que equivale.por oposicao aos Tribunais Administrativos e Fiscais. O tribunal de juri só funciona se for requerido pelo MP. de competencia especializada e de competencia especifica. portanto. o MP e o tribunal. as pequenas instancias. 1 CPP refere que sao julgados pelo tribunal de juri os crimes contra a identidade cultural e contra o Estado e os crimes relativos a violacoes do Direito Internacional Humanitario. Em determinados casos. o art. sendo obviamente. Mas nao faria sentido que o juri participasse no julgamento de todo o tipo de crimes. Os tribunais de competencia especifica dividem-se em juizos de pequena instancia. no processo penal não a alcadas. 13o CPP preve a sua competencia. pois e um juiz apenas a julgar. que equivale as varas. 13o e ss. civeis ou criminais ou aos juizos. Ora. a delimitacao das competencias. No processo penal a. que tem uma relacao com o processo. Seriamos tentados a dizer. CPP. juizos e varas. que mexem mais com a sensibilidade das pessoas estas dificilmente conseguiriam manter a isencao necessaria que tem de caracterizar o juri.A. Os sujeitos processuais Como sabemos o nosso processo penal nao é um processo de partes.

E o caso dos crimes dolosos ou agravados pelo resultado. Num caso de competencia por conexao ha varios tribunais que teriam a competencia originaria para julgar. 14º CPP? Se estivessemos apenas a falar de moldura de crimes esta alinea nao faria sentido. sao atribuidos aos tribunais singulares os crimes contra a ordem tranquilidade publica. Dai que o criterio qualitativo tenha de prevalecer. os crimes ate cinco anos de prisao sao julgados pelo tribunal singular e os com pena superior cabem ao tribunal colectivo. Assim. qual o tribunal competente para o julgamento? Importa aqui referir estes aspectos porque a redaccao acerca da competencia dos tribunais suscitou. 16o. vai ser julgado varias vezes e nao uma vez so. A competencia por conexao esta prevista nos arts. 2 CPP). De referir que nos crimes eleitos por forca do art. Ex: se um crime contra a ordem e a tranquilidade publica tiver uma pena de seis a oito anos de prisao. Qual e. O art. 13o CPP. 24o e ss. 27o CPP). 19o e ss CPP. deve estar aqui incluida. 14o CPP. o seu no 2 preve tambem alguns criterios especificos. Se se tratar de dois tribunais da mesma hierarquia ou especie aplicam-se os 40 . gracas ao nosso sistema de informatica mais moderno. Estes 25 crimes vao ser julgados todos num processo so ou em 25 processos diferentes? E se forem cometidos por todo o pais? O art. entao. E obvio que o legislador quis que os crimes contra a ordem e a tranquilidade publica fossem julgados pelo tribunal singular. Se ele quisesse apenas que fosse o criterio quantitativo a mandar. postulando o numero dois que a conexao so se pode verificar se os processos estiverem na mesma fase. Assim. duvidas interpretativas serias a doutrina. desde. 14o. sob pena de nao se justificar a insercao nestes preceitos de uma alinea que escolha um tipo de crimes especialmente atribuidos a determinados tribunais. superiores a oito anos de prisao (art. Ex: A comete 25 furtos ate ser apanhado. quantitativamente. mas simplesmente porque uns processos andaram mais depressa do que outros.que o legislador tenha seleccionado um conjunto de bens mais abstractos. Trata-se. abstractamente aplicavel. se forem crimes com pena superior a oito anos podem ser julgado pelo tribunal de juri. a primeira hora. 13o. igual ou inferior a cinco anos de prisao. Qual a razao de ser para a alinea a) do no 2 do art. Logo. penais em processo penal ou penais em processo nao penal. pois e este tribunal que tem a competencia originaria para julgar o tipo de crimes que podem ser atribuidos ao tribunal de juri. pois. Ja falamos na competencia por conexao a proposito do principio da suficiencia penal. mas que. o tribunal competente? Se estivermos a falar entre juizos e varas vai ser competente a vara (art. 13o. 24o. de uma questao de gravidade qualitativa do bem protegido no tipo incriminador. 2 CPP utiliza um criterio quantitativo (alinea b) e um criterio qualitativo (alinea a). Esta em causa a defesa de bens juridicos que sao mais da comunidade do que dos individuos. dada a sua gravidade. Qualitativamente. Mas a escolha pelo tribunal de juri tambem depende de um criterio quantitativo. so que aqui nao ha a possibilidade de julgamento a requerimento. a sua existencia significa que o legislador equacionou a hipotese de haver um crime que tenha uma pena maxima. com a nota de que. a requerimento. O tribunal singular e aquele que tem entre nos a competencia residual para o julgamento dos crimes (art. mas que interessam a comunidade pois contendem com a defesa do proprio Estado. A competencia territorial esta prevista nos arts. omitiria pura e simplesmente o criterio qualitativo e estabeleceria apenas uma linha assente nas molduras abstractamente aplicaveis. que se traduz na atribuicao a este tribunal de crimes com penas graves. Contudo. A competencia do tribunal colectivo esta prevista no art. Isto agora ja vai sendo ultrapassado. quando for elemento do tipo a morte de uma pessoa (ex: homicidio privilegiado). podemos ter o mesmo agente a cometer na mesma ocasiao varios crimes. As questoes previas podem ser nao penais no processo penal. porque se assim nao fosse nao faria sentido que ele utilizasse um criterio qualitativo. 1 CPP). que tem um numero um igual ao do art.1 CPP preve todos os casos em que ha conexao de processos. 1 CPP nao existe uma limitacao quanto a moldura.

relativamente aos crimes semi-publicos e particulares. o que e que o MP deve fazer? Ele esta neste processo. Nos artigos seguintes suscitam-se situacoes de declaracao de incompetencia (arts. ele tem de decidir se que aquele arguido deve ser acusado ou nao. logo. por regra. ou nao. tem o dever funcional de sustentar a acusacao do colega. determinada posicao processual. 34o a 36o CPP). o que normalmente acontece. Quando e que se adquire a posicao de arguido? A regra subsidiaria e que se um individuo nao for constituido arguido ate a fase de acusacao e-o na acusacao. conflitos de competencia (arts. 48o e ss CPP). 53o CPP refere as posicoes e atribuicoes do MP. Em primeiro lugar. 57o e ss. embora tambem o faca na fase de instrucao e julgamento. tendo o o dever de sustentar essa acusacao. 49o e 50o CPP. O MP e os OPC sao aqueles que tem. Mas isto nao e encarado numa perspectiva somente acusatoria ou persecutoria. recusas e escusas (arts. Face a essa acusacao particular. 28o CPP. o MP termina a investigacao do crime particular. de impedimentos. o MP encerra o inquerito e conclui que nao se reuniram indicios suficientes que provem que A matou B e arquiva o inquerito. a legitimidade para promover o processo penal. suspeito ou agente vai uma diferenca que e a de adquirir. com poderes de direccao e tutela. O art. Mas sera que alguem pode so adquirir a qualidade de arguido depois de encerrada a fase de inquerito? O 41 . com as restricoes previstas nos arts. 32o e 33o CPP). na instrucao e no julgamento? Pode haver processo penal sem representante do MP? O MP tem algum dever em relacao a essa acusacao particular? Deve manifestar a sua opiniao a respeito daquele processo? Ex: A e investigado pelo homicidio de B. Sera que o arquivamento em processo penal faz caso julgado? Produz um efeito consumptorio semelhante a sentenca? Arguido e ao seu defensor. Dai que em Portugal o MP nao seja um acusador publico com e no modelo anglo-saxonico. ele tem a legitimidade para a prossecucao do processo penal. e o investigador. seja qual for a conclusao a que o MP tenha chegado. dai a cinco anos descobrem-se novos factos que provam que A matou B. pois o MP tanto tem o dever de acusar o arguido como o dever de arquivar o processo se chegar a conclusao de que nao ha indicios de que ele cometeu o crime. ha um novo inquerito contra A? Tendo em conta os principios do processo penal podera isto ser possivel? Qual e o problema juridico que podera estar aqui em causa? E o problema de “ne bis in idem” ou de caso julgado. O agente do MP que faz a acusacao. por forca da distribuicao de competencias. O MP tem uma grande caracteristica. Encerrado o inquerito. este tem o dever de informar o assistente das conclusoes obtidas. Na maior parte das vezes. MP (arts. Se se tratar do caso de um crime particular (que depende de queixa. Portanto. pois e o “dominus” do inquerito. Ele tem um particular dever de descoberta da verdade material que funciona para ambos os lados.criterios do art. pode se-lo em momentos anteriores. corre o inquerito e A e constituido arguido. Por regra. como de pedir a absolvicao se nao for feita prova dos factos constantes da acusacao. E se o agente do MP do julgamento nao concordar com a acusacao feita pelo outro agente do MP na fase de inquerito? Como o MP e um orgao hierarquizado. notifica o assistente de que nao se recolheram indicios suficientes e o particular acusa na mesma. em julgamento tanto tem o dever de pedir a condenacao do arguido. figura central de todo o processo penal (arts. Ja falamos muito nele a proposito do principio da legalidade e da oficialidade. constituicao de assistente e acusacao particular) quem tem competencia para acusar e o assistente. Ja sabemos que o MP intervem particularmente na fase de inquerito. CPP) Entre arguido. 39o a 47o CPP). nao e o mesmo que esta na instrucao e no julgamento. para perseguir os crimes e descobrir a verdade material.

A alinea d) preve o dever do arguido em sujeitar-se as diligencias de prova. Tudo isto para concluir que estas questoes ligadas a nao cooperacao do arguido e aquilo que ele e obrigado a permitir aos OPC e ao MP levanta ainda muitos problemas. Os deveres do arguido estao tambem previstos no art. postulando que so as perguntas sobre a sua identidade deve responder com verdade. pelo que o art. 42 . CPP. ha um determinado conjunto de momentos do processo em que tem de lhe ser nomeado um oficiosamente (art. mesmo preso. Alias. 2a parte CPP diz-nos que se o inquerito tiver sido encerrado e o assistente tiver requerido a abertura de instrucao ainda pode haver a constituicao de arguido. o tribunal da Relacao do Porto veio sistematicamente proibir a recolha coerciva de ADN. correndo inquerito contra pessoa determinada. em relacao a qual haja suspeita fundada da pratica de um crime. 57o. 1CPP. pois se a constituicao nao for comunicada e/ou validada dentro dos dez dias pode cair. entre eles a informacao sobre os direitos e deveres. Ora isto parece entrar em contradicao com o art. O art. Assim. e de respeito pelo principio da nao auto-incriminacao. Quais sao os direito e deves processuais do arguido? Estao previstos nos arts. as pessoas tem o direito de requerer que sejam constituidas arguidas. por outro lado. comecando-se-lhe a fazer perguntas que permitam concluir que estao a ser inquiridas como suspeitas. Isto e o que nos diz o art. mas isso quase nunca acontecia. 61o CPP refere que o arguido tem o direito de nao falar. sucedia muitas vezes que o OPC ou o MP chamava a pessoa como testemunha e a medida que lhe ia fazendo as perguntas ia encaminhando o inquerito no sentido de lhe perguntar coisas como suspeita. nem sempre e facil de conjugar. Ate 2007. pois trata-se de uma materia de direitos fundamentais. tem tambem o direito de comunicar em privado com o advogado. O arguido pode ainda constituir advogado em qualquer altura do processo e se nao constituir. sob pena de ser punido por um crime de falsas declaracoes. A constituicao de arguido traduz-se na entrega de umas folhas as pessoas que dizem os seus direitos e deveres processuais. Se as pessoas forem inquiridas como testemunhas. 2 CPP veio clarificar tal exigencia caso seja necessario. 64o CPP refere a obrigatoriedade de assistencia do defensor. Alem destas. dependendo de comunicacao e validacao pelo MP dentro do prazo de dez dias.art. 62o CPP). Ora. a constituicao pelo OPC nao e absolutamente eficaz. 58o. O no 3 chama a tencao para um aspecto importante: se e certo que a constituicao pode ser feita pelo MP ou por um OPC. utilizando-se da vantagem de ela nao estar acompanhada de um advogado. A alinea d) do no 1 do art. mas se falar tambem se reserva no direito de nao explicar. Agora as testemunhas tambem podem fazer-se acompanhar por advogados durante inquiricoes. Esta constituicao tem de vir acompanhada de um conjunto de factos de ordem formal e material. Sera possivel obrigar o arguido a aceder uma amostra de ADN para a prossecucao das diligencias? Sera que o direito a nao auto-incriminacao so abrange o não falar? Em relacao a recolha de ADN. o art. pois enquanto as testemunhas estao obrigadas a falar com verdade. Ate aqui entendia-se que o MP ou os OPC tinham de explicar convenientemente os direitos e deveres ao arguido. 61o e ss. e obrigatoria a constituicao de arguido logo que. 59o. 58o CPP preve as hipoteses tipicas de constituicao de arguido. 3 CPP. 2 CPP. os arguidos nao. quando razoes de seguranca o exijam (“guarda-a vista”). Quem e que pode constituir alguem arguido? O MP ou os OPC. 57o. por um lado. esta prestar declaracoes perante qualquer entidade judiciaria ou OPC. as testemunhas inquiridas durante o inquerito nao se podiam fazer acompanhar por advogado. o que se traduz no seu direito pleno a nao auto-incriminacao. 61o. circulo minimo de defesa da pessoa. Em que medida pode o arguido ser obrigado a participar na prova requerida pelo MP? Isso nao contraria o direito a nao auto-incriminacao? A necessidade. 1. a prova e a utilizacao de ADN para criacao de uma base de dados esta a ser regulamentada por forca de comissoes da AR. de equilibrar as diligencias do inquerito. o no 2 consagra uma excepcao. Os artigos referentes a constituicao de arguido foram muito alterados pela revisao de 2007.

1.2.3.4.2. so nas situacoes aqui previstas e que existe esta obrigatoriedade (ex: quando o arguido e menor de 21 anos ou quando e estrangeiro). Dos actos do inquérito. Dos actos de instrução 3. Requerimento de abertura de instrução 3.3.6. Da notícia do crime 1.Tendo o arguido direito a nomear defensor ou ser-lhe nomeado.2.3. 5. O processo comum Fase preliminar 1. Duração do inquérito 2. Do encerramento da instrução 3. O objecto do processo 3. Arquivamento em caso de dispensa e suspensão provisória do processo 2.4.5.1.2.5. Da sentença com relevância para a questão da «cesure» 5. Do Inquérito 2. Despacho de pronúncia e de não pronúncia 3. 5. Intervenção dos órgãos de polícia criminal e das medidas cautelares e de polícia 1. entre a intervenção do MP e do Juiz de instrução 3. 5. Da documentação da audiência 4. Considerações gerais 2. Da detenção 2. Do debate instrutório 3.1.6. Da Instrução 3.3. 5.7. não substancial e substancial.6. Do julgamento 4. Do encerramento do inquérito 2. 5. Dos actos preliminares 4. Da produção de prova 4.1. Acusação pelo assistente em crimes cujo procedimento depende de acusação particular 3.5.4.2.3. Os recursos Princípios gerais Da tramitação unitária Do recurso para as relações Do recurso para o STJ Dos recursos extraordinários Da revisão 43 . pode ele dispensa-lo? Segundo este artigo.3.2. Considerações gerais . a praticar pelo MP.3.6. Parte III O PROCESSO PENAL Capítulo VIII 1.4.1. Despacho de acusação ou de arquivamento 2. Duração da instrução 4. com relevância para a presença/ausência do arguido 4.1. 5.1.5.a relação entre o inquérito e a instrução. Da audiência 4. Nulidade da decisão instrutória e recursos 3. pelo Juiz de instrução e pelos órgãos de polícia criminal 2.2. Dos actos introdutórios.6. Alteração dos factos.

Havendo despacho de pronúncia. Esta visa a comprovação judicial da decisão de acusar ou de arquivar. e pronuncia. 44 . consoante a natureza do crime (se for um crime público. Esta fase pode terminar com uma acusação ou com o arquivamento (se não encontrarmos indícios) ou com a suspensão provisória do processo com futuro arquivamento ou com o arquivamento em caso de dispensa de pena (apesar de existirem indícios). Esta é a fase em que o MP é o “dominus”. por não haver indícios. é a tramitação que se aplica nos casos de processo comum. dando razão ao MP por não acusar. esta há-de terminar ou com um despacho de pronúncia ou um despacho de não pronúncia. Esta é a Fase da Instrução. passamos para a Fase do Inquérito. mas não é a única que existe. Se o processo culminar com a condenação. concordando antes com o requerimento de abertura de instrução por parte do assistente. decisão esta tomada pelo MP e acontece porque o arguido ou o assistente não estão satisfeitos com a decisão. Havendo acusação ou arquivamento. o processo sumaríssimo e o processo abreviado. segue-se a Fase do Julgamento. considera que há realmente indícios e concorda com a acusação ou considera que há indícios e não concorda com o arquivamento. ou seja. e teremos aqui de saber quais são as medidas cautelares e de polícia que se podem aplicar nesta fase.A. Na fase do recurso. podemos ter a Fase de Recurso. diz que o processo deve de ir a julgamento. a ultima fase chama-se a Fase da Execução da pena. Esta fase pode terminar com duas hipóteses possíveis: ou termina com a condenação ou com a absolvição. A tramitação penal (processo comum) Breve esquema da tramitação processual penal comum Normalmente. De seguida. pode ter lugar a abertura da instrução. e para compreendermos como é diferente a tramitação do processo penal em relação ao processo civil. ou dá razão ao arguido ao dizer que não existem indícios. Esta tramitação é simplista. no caso de pronúncia. Independentemente do desfecho do julgamento. que é. ou seja. ou seja. esta chega ao MP por diversas vias. É onde se procedem as investigações. portanto. Estes processos tem uma tramitação ligeiramente distinta. tudo começa com um facto que dá origem à notícia do crime. e requerem a abertura da instrução para que haja intervenção do juiz que vai verificar se realmente essa decisão foi bem tomada ou não. Realizada a instrução. e ele que vai dirigir esta fase. e se for um crime particular strcito sensu são necessárias queixas e acusação). Quando a noticia do crime chega ao conhecimento do MP. uma fase facultativa. o juiz. Temos ainda o processo sumario. Ou não pronuncia. se tenta descobrir quem é o autor da infracção e se existem indícios desta ter sido cometida. se for um crime semipúblico chega obrigatoriamente através da queixa. aqui inicia-se a intervenção dos órgãos de polícia criminal. ou se mantém a decisão anterior do juiz no sentido de proceder a condenação ou se altera para a absolvição ou vice-versa. pode chegar por qualquer via.

seriam um conjunto de fases preliminares após as quais se segue o julgamento. do que em fases preliminares. E. É no julgamento que se busca a verdade material. Aqui se decide. E também se pode dizer que mesmo depois de se abrir o inquérito. digamos assim. portanto.Fases preliminares Existem quatro fases: · Fases preliminares · Fase do julgamento · Fase do recurso · Fase da execução da pena. julgamento. Normalmente diz-se que há uma fase preliminar após a qual existe o inquérito. Seja como for. recursos e execução de penas. acaba por assumir uma importância muito grande em termos de tramitação. uma concepção segundo a qual a fase mais importante do processo é o julgamento. E. na pratica. que se produz a prova. teremos que começar pelo conjunto de medidas cautelares e de policia que compõe. que e a aquisicao da noticia do crime.o CPP) por meio próprio (qualquer meio: porque viu nos orgaos de comunicacao social. antes de começar o inquérito – fase absolutamente preliminar de actuação dos órgãos de policia criminal – e que não chega a ter uma designação própria. Seja como for. Portanto. Mas podemos identifica-la: é todo um conjunto de actos que e possível levar a cabo antes ainda de se dar inicio ao inquérito. Das medidas cautelares e de polícia 1. julgamento. 2. por exemplo. do arguido. esses actos podem-se realizar por órgãos de policia criminal. 241. instrução. e muito mais usual falarmos em inquérito. depois a instrução e depois o julgamento. recursos e execução de pena. Da notícia do crime Costuma dizer-se que o Ministerio Publico (MP) toma conhecimento da noticia do crime (vide art. aprecia-se da inocência ou da culpa do suspeito. Tudo o que esta antes do julgamento são fases preliminares. Introdução O CPP inclui esta fase preliminar juntamente com o inquérito e com a instrução. Por isso. mesmo depois de se dar a intervenção do MP. neste âmbito decide-se muita coisa que determina o proprio decurso do processo penal. não se pode dizer que a pratica de actos que consubstanciam as medidas cautelares e de polícia sejam concretamente uma fase em si. Comecamos entao pela primeira questao que se coloca. portanto. assim. portanto. que se podem realizar antes do inquérito começar. ou entao no seu decurso. já no âmbito do inquérito → Medidas cautelares e de polícia. essa é a fase mais importante: a fase do julgamento. aquela que seria a preliminar das preliminares. tudo isso numa parte que designa fases preliminares. a natureza publica ou nao do crime. No entanto. porque foi uma das testemunhas ou porque 45 .para o nosso modelo processual penal existe. porque são apenas actos. No CPP não chegam a ter uma distinção como tem a fase do julgamento.o inquérito. quer se vá por uma via ou outra.

manifestacao de conhecimento. 242. em ligacao às funcoes que desempenham. Ha determinadas entidades para as quais a denuncia é sempre obrigatoria. A professora não faz essa leitura do art. Se se tratar de um crime publico esta correcto. Enquanto para os cidadaos comuns a denuncia nao e obrigatória mas facultativa. Denúncia facultativa: os particulares nao estao obrigados à denuncia. Segundo a jurisprudencia.o 244. embora nao produza qualquer efeito se se tratar de um crime que dependa de queixa e o titular do direito de queixa nao exercer esse direito. levantam ou mandam levantar auto de notícia. Policia de Seguranca Publica (PSP). 244CPP tambem decorre que tratando-se de um crime que dependa de queixa. podem apresentar a denuncia directamente nos servicos do MP (delegacoes do MP nos tribunais). mas o cidadao comum nao sabe. a qualquer outra entidade judiciaria ou orgaos de policia que a possam receber (Policia judiciaria (PJ). Se nao. nem a distinguir queixa de denuncia. so os titulares desse direito de queixa podem apresentar denuncia. o MP pode conceder um prazo para apresentar a queixa ou pode dar-lhe o encaminhamento que quiser. mas se se tratar de crime que depende de queixa (crimes semi-publicos ou crimes particulares stricto sensu) e eu for titular do direito de queixa. Para que isso aconteca é necessario que o queixoso se queixe. isto é.veio ao conhecimento por qualquer meio que nao a policia ou outro determinado pelo CPP). onde se mencionem: 46 . basta que o MP tome conhecimento de que existiu crime. em principio. sendo para eles facultativa. nao sendo obrigatoria. sou obrigado a denunciar o crime. nao basta que haja denuncia. 244. ha quem diga que qualquer pessoa pode apresentar denuncia. O MP tambem pode ter conhecimento da noticia do crime por intermédio dos órgãos de polícia criminal (denuncia obrigatoria – art. se nao encontrar razoes suficientes para notificar o eventual titular do exercicio de queixa.o CPP: Auto de denúncia “1. nem a saber aqueles que dependem de queixa. So que ha uma diferenca entre os particulares e as entidades policiais. Não se pode inibir os particulares de apresentar denuncia e admitir que eles sabem fazer essa distincao e em funcao desta saberem como devem optar. Nos termos do art. o aceitavel é que qualquer pessoa possa denunciar um crime. Art. Guarda Nacional Republicana (GNR)). Sempre que uma autoridade judiciária. por intermédio dos particulares (denuncia facultativa – art. qualquer orgao de policia criminal que esteja habilitado a receber a denuncia.o do CP abrange os professores e funcionarios em geral da universidade. Se se tratar de crime semi-publico é necessaria a manifestacao de vontade (que e diferente da manifestacao de conhecimento). as autoridades policiais devem apresentar denuncia ao MP. 386. um órgão de polícia criminal ou outra entidade policial presenciarem qualquer crime de denúncia obrigatória. Os orgaos de policia criminal. qualquer tipo de crime (pode ate ser semipublico). Manifestacao de vontade ≠ Manifestacao de conhecimento Do art.o). Tambem a denuncia é obrigatoria para os funcionarios (acepcao propria nos termos do art. Para os crimes pubicos nao faz sentido exigir esta manifestacao de vontade. Denúncia obrigatória: a denuncia é obrigatoria para as entidades policiais sempre que tenham conhecimento de um crime. 243. 244 que esta errada.o Codigo Penal) que tomem conhecimento do crime no exercicio das suas funções ou por causa delas. 386.. Em qualquer situacao nao somos obrigados a apresentar denuncia. Esta acepcao do art. Mas se for crime que dependa de queixa ou acusacao particular. o MP sabem fazer. Os cidadaos em geral nao sao obrigados a saber como se distingue os crimes publicos dos crimes semi-publicos e dos particulares stricto sensu. Desde que tenham conhecimento.o). Por isso.

Entao. Neste caso.5. por exemplo. e depois vai servir como acusacao no processo sumario (art. a). nomeadamente as testemunhas que puderem depor sobre os factos. a hora. que obrigatoriamente tem que denunciar) pergunta-se como é que os orgaos de policia criminal podem transmitir o conhecimento do crime sem ser atraves de um auto de denuncia? Nao é que tiverem “presenciado”. o problema que se levanta é que o art. O auto de noticia que é apresentado a uma autoridade judiciaria vale como acusacao.o 2.o. Depois o particular saberá se deve ou nao apresentar queixa.o. se e assim. tudo o que puderem acerca da identificacao. 243 so manda elaborar auto de noticia quando se trate de crime de denuncia obrigatoria e desde que seja presenciado pelos orgaos de policia criminal – o que nos leva a pensar que estamos em presenca de um crime em flagrante delito. O que provavelmente queria o legislador dizer é que estas chamadas anonimas nao devem dar azo a nenhum processo. Esta norma não seria necessária porque o MP toma conhecimento dos crimes por qualquer meio.2 CPP). 47 . o processo passa a ter a forma de processo sumario. o MP apreciava e. b) O dia. vai apresentar denuncia ao MP. que esta a ser investigado pela pratica de um crime. Mas a questao que se coloca e esta: Tratando-se de um crime de denuncia obrigatoria (recapitulando. a denuncia anonima so pode determinar a abertura de inquerito se contiver indicios da pratica de um crime ou a propria denuncia for crime (crime de denuncia caluniosa). uma especie de fase preliminar para ver se ha alguma coisa substancial que justifique um inquerito. Imaginemos que alguem viu.”. 243 que um orgao de policia criminal ou outra entidade policial que tiverem presenciado qualquer crime de denuncia obrigatoria elaboram um auto de noticia. Durante meses ou anos esse cidadao tem a vida destruida. porque ele é “apanhado” pelos orgaos de policia criminal. 53. bem como os meios de prova conhecidos. pode acontecer que processo siga a forma de processo sumario e nao o comum. 246. Antes de 2007.o 2 do CPP). 243 para a acusacao formulada pelo MP (dizer os factos. 242). faz sentido que se particularize o auto de denuncia como no art. No entanto. Mas isso é outra questao. nao sabe.). e só em certas situacoes devem dar origem à abertura de inquerito. inclusivamente atraves de uma denuncia anonima. etc. Ou seja. ao tomar conhecimento. 389 n. n. Visto nesta perspectiva. temos a denúncia anónima: segundo o art. Entao. apresentou denuncia na GNR. que foi vitima de furto. 389. 381CPP. Porque a vitima pode nem saber. apreciar da idoneidade da denuncia – e nao e isto que esta no CPP. o local e as circunstâncias em que o crime foi cometido. todos os crimes de que as autoridades policiais tenham conhecimento (art. e c) Tudo o que puderem averiguar acerca da identificação dos agentes e dos ofendidos. eu nao gosto de um fulano e escrevo as coisas mais escabrosas. que. um crime de denuncia obrigatoria. O que e que pode acontecer a uma pessoa vitima de uma denuncia anonima? Por exemplo. quando havia uma denuncia anonima. ou seja. e quando nao tiverem presenciado e for de denuncia obrigatoria? No caso de processo sumario faz sentido que se particularize o auto de denuncia porque é um crime presenciado. Neste momento alguem tem de lhe dizer que ele foi vitima de um crime. que presenciam e ate podem deter em flagrante delito. as autoridades policiais devem elaborar auto de noticia: o titular do direito de queixa nao sabe que foi vitima de crime. nos termos do art. praticado em flagrante delito. Se o juiz verificar que estao criadas as condicoes do art. olhava para a denuncia e dava-lhe o seguimento que devia. A partir da reforma de 2007. n. aquilo que normalmente faz parte de uma acusacao formulada pelo MP no processo comum. nao sendo necessario o MP formula-la (art. n. Os orgaos de policia criminal devem apresentar sempre denuncia. a hora e o local. Se temos um crime semi-publico. al. porque é que o CPP diz no art. mas deve ler-se de que “tomaram conhecimento”. e depois envio isto para um jornal.a) Os factos que constituem o crime.

nunca excedendo o prazo de 10 dias para o fazer – porque o MP é o dominus do inquerito. semen.Proceder a apreensoes no decurso de revistas ou buscas ou em caso de urgencia ou perigo na demora. etc. Porque se for possivel deixar passar o tempo. assegurando que ninguem mexe nos objectos e no lugar do crime. da pendência de processos de extradição ou de expulsão. 250.o 3.Colher informacoes das pessoas que facilitem a descoberta dos agentes do crime e a sua reconstituicao. sob pena de ser considerada uma detencao ilegal (podendo processar o Estado e pedir uma indemnizacao). Está previsto no CPP que os orgaos de policia criminal podem realizar um conjunto de accoes – as chamadas medidas cautelares e de polícia – sem que tenha havido ainda intervencao do MP. Intervenção dos órgãos de polícia criminal e das medidas cautelares e de polícia Em primeiro lugar. pistola. Isto é. seja por que meio for. sempre que sobre ela recaiam fundadas suspeitas da prática de crimes. saliva. 248. ou seja. criminalidade organizada) os orgaos de policia criminal nao tenham tempo para transmitir a noticia do crime ao MP sem que tenham que realizar previamente certas medidas cautelares. os orgaos de policia criminal que tiverem noticia de um crime. isto e. ha uma violacao dos direitos fundamentais. e vai por agua abaixo toda a investigacao criminal. aberto ao público ou sujeito a vigilância policial.º) . 249.o do CPP. esta previsto no CPP que os orgaos de policia criminal podem levar a cabo determinadas medidas sem necessidade de comunicacao ao MP. isolando a area.o e ss do CPP. tem que actuar antes e transmitir depois. fragmentos de municoes. faca. A identificacao do suspeito e feita nos termos dos n. 250. do art. devem transmiti-lo imediatamente ao MP. fragmentos de tecido. O periodo maximo de detencao e de 6 horas. recolhendo logo os vestígios do crime (sangue. proceder a apreensao de objectos do crime. A eficacia do orgaos de policia criminal. Ha um problema: os orgaos de policia criminal nao podem deter uma pessoa por tempo indeterminado. 173.2 e art. colher informacoes de eventuais testemunhas. de que tenha penetrado ou permaneça irregularmente em território nacional ou de haver contra si mandado de detenção”.3. Medidas relacionadas com a identificação do suspeito e pedido de informações (art. que se nao for integralmente respeitado. Quais sao essas medidas? Para alem da comunicacao da noticia do crime logo que possivel. e fundamental para o sucesso da intervencao. 4 e 5. Estas medidas tem em vista a manutencao dos meios de prova.Proceder a exames dos vestigios do crime. 171. os vestigios desaparecerao.º) “1 – os órgãos de polícia criminal podem proceder à identificação de qualquer pessoa encontrada em lugar público. sendo ele que decide se ha ou nao inquerito. bem como adoptar as medidas cautelares necessarias a conservacao ou manutencao dos objectos apreendidos. proibindo a entrada de gente estranha. . n.) – diligencias previstas no art. pode acontecer que em certos tipos de crimes (crimes violentos. 48 . Medidas relacionadas com a prova (art. No entanto. Ha um processo proprio para realizar a identificacao do suspeito. . neste momento. Art.

sempre que houver razões para crer que ocultam armas ou outros objectos com os quais possam praticar actos de violência”.” 49 . documentado por qualquer forma. 177.” Ex: X vem de uma noite do Enterro da Gata e houve qualquer problema naquela zona. No art. susceptíveis de servirem a prova e que de outra forma poderiam perder-se. previstos no art. ou quando haja fuga ou perigo de fuga iminente do suspeito.º 3. A policia pergunta-vos pela vossa identificacao e X recusa-se a identificar-se.º.º 5 do artigo 174. A policia leva-o ao posto policial ficando detido mas no maximo seis horas.º Pressupostos 1 – Quando houver indícios de que alguém oculta na sua pessoa quaisquer objectos relacionados com um crime ou que possam servir de prova. mas com um limite quanto as buscas domiciliarias. sempre que tiverem fundada razão para crer que neles se ocultam objectos relacionados com o crime. ou o arguido ou outra pessoa que deva ser detida. 251. os órgãos de polícia criminal podem conduzir o suspeito ao posto policial mais próximo e compeli-lo a permanecer ali pelo tempo estritamente indispensável à identificação.o: “ Entre as 21 e as 7 horas. na qualidade de suspeitos.o 2 do art. é ordenada busca. b) Consentimento do visado. das revistas e buscas enquanto meios de obtencao de prova. 174.o e seguintes (para qualquer fase do processo).o do CPP que diz: “Art. devam ser conduzidos a posto policial. c) Flagrante delito pela prática de crime punível com pena de prisão superior. 174. Medidas cautelares e de polícia: revistas e buscas (art. 251 prevê-se revistas e buscas sem previa autorizacao judiciaria. salvo tratando-se de busca domiciliária. é ordenada revista. em caso algum superior a seis horas. sob pena de nulidade. b) À revista de pessoas que tenham de participar oi pretendam assistir a qualquer acto processual ou que. 2 – Quando houver indícios de que os objectos referidos no número anterior. sem prévia autorização da entidade judiciária: a) À revista de suspeitos em caso de fuga iminente ou de detenção e a buscas no lugar em que se encontrarem. no seu mínimo.177. a busca domiciliária só pode ser realizada nos casos de: a) Terrorismo ou criminalidade especialmente violenta. quando se acabou de cometer. os orgaos de policia criminal podem imediatamente proceder a revista e busca sem autorizacao judiciaria. “Art. realizando. 4 e 5.º) Nao falamos. se encontram em lugar reservado ou não livremente acessível ao público. fotográficas ou de natureza análoga e convidando o identificando a indicar residência onde possa ser encontrado e receber comunicações. a 3 anos. 251. aqui.” Alguem ordena a revista ou a busca.º Busca domiciliária 1 – a busca em casa habitada ou numa sua dependência fechada só pode ser ordenada ou autorizada pelo juiz e efectuada entre as 7 e as 21 horas. 251. provas dactiloscópicas. X nao vai identificado. “Art. em caso de necessidade.º Revistas e buscas 1 – Para além dos casos previstos no n. So que depois vamos ao art.” Dispoe o n. os órgãos de polícia criminal podem proceder. Em situacao de emergencia da pratica de um crime.“6 – na impossibilidade de identificação. nos termos dos n.

porque pode nao haver tempo). Entre as 7 e as 21 horas. se for mesmo perigo iminente da pratica de um crime. nao havia autorizacao judicial. desde que o facam entre as 7 e as 21 horas.o.º. e. E preciso relacionar muito bem estes tres artigos: o 174. n. Estamos a falar de situacoes em que esta em causa terrorismo. ia no pressuposto de que estava garantida a reserva da intimidade da vida privada. e ha necessidade de efectuar buscas e revistas. e aqui sublinho esta parte. entre as 21 e as 7 horas. se nao e um meio de obtencao de prova. O TC deparou-se com duas teses: _os anexos nao podem ser considerados domicilio. O que esta aqui em causa e a possibilidade de localizacao de uma pessoa atraves da chamada. Argumentou-se que a busca era ilegal porque. os orgaos de policia criminal podem actuar de imediato.o . A busca foi feita nos anexos. entre as 7 e as 21 horas. Portanto. Porque entre as 21 e as 7 horas so com autorizacao do juiz. “localizacao celular”.º .Entre as 21 e as 7 horas tem que haver autorizacao do juiz – e um limite constitucional. o 177. nao estamos a falar de um crime acabado de cometer em que haja perigo de fuga. Um bar tinha uns anexos nas traseiras onde decorriam praticas de prostituicao e praticas ilicitas. Aqui e o contrario: uma situacao em que os orgaos de policia criminal se apercebem que alguem se esta a preparar para cometer um crime. “3 – As buscas domiciliárias podem também ser ordenadas pelo MP ou ser efectuadas por órgão de polícia criminal: a) Nos casos referidos no n. 252.A) Art. terao mesmo de actuar.A. O que esta em causa nao e a intercepcao de chamadas telefonicas.º 5 do art.o 1: “As autoridades judiciárias e as autoridades de polícia criminal podem obter dados sobre a localização celular quando eles forem necessários para afastar perigo para a vida ou de ofensa à integridade física grave. durante uma semana e o nosso domicilio. Entre as 21 e as 7 da manha tem que haver sempre autorizacao do juiz. Se nao e escuta telefonica. enquadradas nas medidas cautelares e de policia (o crime e cometido e ha perigo de fuga. 252. criminalidade violenta ou altamente organizada. b) Nos casos referidos nas alíneas b) e c) do número anterior. uma vez que se tratava de uma busca domiciliaria e dadas as circunstancias da busca. _esse local era um domicilio (um santuario proprio que garante a reserva da intimidade da vida das pessoas). Nos vamos estudar as escutas telefonicas mais adiante. Porque se vamos uma semana para um hotel. Medidas cautelares e de polícia: apreensão de correspondência (art.” Ha situacoes em que os orgaos de policia criminal fazem buscas e revistas mesmo nao sendo. quando haja fundados indicios da pratica iminente de crime que ponha em risco a vida ou integridade da pessoa. 252.o.174. porque em causa estao direitos fundamentais. entao. a policia entrou num estabelecimento comercial.º) NOTA: Caso que foi ao Tribunal Constitucional (TC): Foi uma situacao de busca domiciliaria sem autorizacao do juiz. nao e isso. E tratando-se deste tipo de crime.o e o 251. Esta busca era ou nao permitida? Medidas cautelares e de polícia: localização celular (art. 50 . passo a redundancia.” E preciso nao confundir isto com as escutas telefonicas. E aqueles anexos seriam um domicilio porque quem la ia.

visa o que? Visa prevenir crimes. aqui. Como e que a PSP consegue provar isso? Bem.? Como e que ele sabe isso Como e que ele sabe uma coisa dessas? Ora. Ha uma obrigacao de dar conhecimento ao juiz de que se fez uma utilizacao desses dados. coisas assim genericas que nao nos obriguem a dizer se o crime e qualificado ou e simples! Nao ha nenhum orgao de policia criminal. Agora. e ofensa a integridade fisica grave. alias. Ha uma questao que eu queria colocar: por que razao e que isto so se aplica ao crimes contra a vida e a integridade fisica grave? Porque? Por exemplo. ou autodeterminacao sexual”. Bem. isto e uma coisa completamente inacreditavel! Mas e o que esta na lei. imaginem. E essa a funcao da localizacao celular. sera ofensa a integridade fisica simples ou grave?. As autoridades judiciarias e orgaos de policia criminal podem utilizar os dados para a localizacao celular com vista a afastar o perigo para a vida ou ofensa a integridade fisica grave.” – como e que um GNR ou um PSP sabe que determinado individuo esta a preparar-se para cometer um crime. so se tiver a certeza absoluta porque gravou uma conversa… mas como e que gravou uma conversa se nao houve escuta telefonica autorizada previamente.grave. pode dizer-se assim: “Como e que os senhores sabiam que ia ser mutilado um braco?” Ou o contrario: “Porque e que nao fizeram a localizacao celular se mutilaram o braco ao tipo?” Isto obriga a provar e a comprovar coisas que sao em principio completamente impossiveis! Mas.sova. a nao ser que tenha uma informacao tao clara. e partiram-lhe uma perna. por exemplo? Quer dizer. E. vamos arrancar-lhe uma perna”. que consiga qualificar como e que vai ser um crime que ainda nao se deu! Nao e? Quer dizer. estas opcoes do legislador deixam-nos a pensar… Isto nao faz sentido! Eu admitia. Ha. que o legislador dissesse: “Sempre que exista a possibilidade de serem cometidos crimes contra a vida. a intervencao do juiz impoe-se quando se trata de um processo que nao esta em curso. Porque. E capaz de ser grave… mas pode se simples…”. tambem a necessidade de respeitar os direitos fundamentais e. a nao ser que os suspeitos estejam a dizer “vamos mutila-lo. tao indiscutivel. por exemplo. ou integridade fisica. enfim. a PSP ou a PJ vai fazer a localizacao celular de m individuo para prevenir a pratica de um crime porque ja tem a certeza de que o que ele vai cometer e um crime de ofensa a integridade fisica grave.. Esta incerteza nao faz sentido.. e o que esta na lei. por isso. saltamos agora para uma questao que e bem mais complicada e bem mais interessante: a questao da detencao. porque nao aos crimes sexuais? Porque nao aos crimes de terrorismo? Porque nao aos crimes violentos? Porque nao a criminalidade organizada? Porque nao? Porque razao e que isto so se aplica aos crimes que constituam perigo para a vida ou para a integridade fisica grave? E depois outra coisa que aqui nos faz pensar: “ofensa a integridade fisica . Mas como e que se sabe isto? Ate pode saber-se.grave. Se o crime ja aconteceu. Mas a questao e esta: nao havera muitas situacoes em que nao se consegue saber e que sao igualmente importantes? Quando se diz assim “vamos apanhar fulano em tal sitio e vamos dar-lhe uma sova” – e a PSP: “. Nao se consegue saber. E possivel deter alguem – quem pode deter? 51 . e ate vai ser de ofensa a integridade fisica . tao concreta. isto pode causar problemas serios aos orgaos de policia criminal. arrancaram-lhe um braco. a GNR.

o do CPP). O CPP da-nos essa possibilidade de procedermos a detencao de outra pessoa. em principio nao era possivel dete-lo de imediato. E. e. quando passa assim tanto tempo sobre a pratica do crime.o. por exemplo. E e isso que vamos saber: quem pode deter? Quando se pode deter? E por quanto tempo? Os orgaos de policia criminal podem deter sempre que exista mandado de detencao (sempre. No primeiro caso (art. estamos ainda na presenca de um flagrante delito. Portanto. e por isso e que e detido. o n. e. o que a lei quer dizer. a realizar-se – pode nao ser assim. perante esta situacao? Quando e que estamos perante uma detencao em flagrante delito.4. mas sem nunca exceder 24 horas. Da detenção Podem deter os orgaos de policia criminal. mas que interceptou um individuo com um objecto que indicia claramente que alguma coisa tera acontecido muito pouco tempo antes. Estamos em presenca do flagrante delito quando ele se esta a cometer ou se acabou de cometer. ou.caca ao homem.o como sendo “todo o crime que se está cometendo ou se acabou de cometer”. presenciado o crime a cometer-se. 254. Se fosse ha muito tempo. se a detencao e feita. como e evidente.” Por exemplo. no fundo. por exemplo. se formos nos a deter. “acabou de cometer” tem de ser um espaco de tempo relativamente curto em que se permita dizer que o crime foi algo que aconteceu antes. por exemplo. os cidadaos. temos limites. curiosamente. 255. ainda. mas no momento em que se possa dizer que o crime acabou de se cometer. O vestigio em que mostrar que algo sucedeu muito pouco tempo antes. E no art. se logo apos a pratica do crime ha uma “operacao stop” e a GNR verifica que o individuo tem ao seu lado uma faca. logo apos a realizacao do crime. e isto: nao tem que ser necessariamente aquando da pratica do crime. 255. nao sendo possivel. imediatamente antes a esse momento da detencao. ou uma semana depois do crime. podemos deter nos. o arguido ainda esta ali. como e evidente!) e podem deter sempre que aconteca uma situacao de flagrante delito. So que. Quando se da a detencao em flagrante delito tera que haver uma entrega imediata do detido a uma autoridade judiciaria.o esta a detencao em flagrante delito. 24 ou 48 horas. mas tambem nao pode ser muito depois da pratica do crime. ja nao estamos em presenca do flagrante delito. entao. logo após o crime. E por isso.o do CPP estao as finalidades da detencao e a detencao fora das situacoes de flagrante delito. mesmo que logo a partir da pratica do crime tenha havido uma . e o que e que se deve fazer em seguida? O que e que se deve fazer quando se prossegue a uma detencao em flagrante delito? O flagrante delito esta descrito no art. No art. O que e que temos que saber. perseguido por qualquer pessoa ou encontrado com objectos ou sinais que mostrem claramente que acabou de o cometer ou nele participar. 254. E porque? Porque o facto de esse individuo ter sido apanhado com vestigios “que mostrem claramente que o acabou de cometer ou nele participou” nao quer dizer que a GNR tenha presenciado. nos termos do art.. nao e necessario que os orgaos de policia criminal tenham. E. esta ainda tudo muito fresco. ao contrario do que muitas vezes os vossos colegas nas provas orais respondem.o 1 52 . sempre que seja necessario apresentar a julgamento sob forma sumaria ou ser presente ao juiz competente para primeiro interrogatorio judicial ou para aplicacao ou execucao de uma medida de coaccao.o 2 diz: “Reputa-se também flagrante delito o caso em que o agente for. Os orgaos de policia criminal podem chegar depois. com vestigios de sangue fresco. portanto. 256. isto e. portanto. do detido perante a autoridade judiciaria em acto processual. para assegurara a presenca imediata ou. n. pode dete-lo por suspeita de pratica de crime e se verificar que afinal se cometeu mesmo um crime de homicidio pouco antes daquilo. ou tres dias ou quatro. O indicio tem que ser muito forte. digamos. no mais curto prazo.

O proprio art. o detido tenha sido entregue a uma das entidades referidas na alínea anterior. e portanto nao faz sentido uma coisa dessas). caso nao consigam faze-lo. da a possibilidade de avancar com o processo sumario. 255. Porque se nao o fizerem e evidente que estarao a cometer um crime de sequestro. Mas pode identificar o infractor nos termos do artigo 250. confrontada com a situacao diz: “eu nao quero exercer o direito de queixa” – nao vai haver processo porque e um crime semipublico. E se nao vai haver processo a detencao ja nao faz sentido. que alem de dependente de queixa tambem depende da acusacao particular. Mas. a uma entidade policial. ou b) Quando a detenção tiver sido efectuada por outra pessoa e. por crime punível com pena de prisão cujo limite máximo não seja superior a 5 anos.o. O que nao quer dizer que o processo decorra sobre a forma de processo sumario. Mas. se a pessoa que deve exercer o direito de queixa. Essa entrega e feita mediante um auto de noticia e isso acontece porque se da inicio com esse auto de noticia e com a entrega desse detido a um processo sumario. Se o titular nao o fizer e evidente que os orgaos de policia criminal nao podem manter a detencao da pessoa.o e por uma autoridade judiciaria ou entidade policial. teria de haver uma detencao geral. Ha muita gente que e objecto de identificacao por parte dos orgaos da policia criminal justamente por cometer crimes particulares 53 . por um orgao de policia criminal e tenha sido feita em flagrante e delito.do CPP. e. entao. terao de proceder a sua libertacao. num prazo que não exceda 2 horas. tendo esta redigido auto sumário da entrega. Porque? Porque a detencao nao faz sentido. E preciso que se respeitem determinadas condicoes para manter o processo sob a forma sumaria e. nem sequer ha detencao em flagrante delito. mesmo em caso de concurso de infracções: a) Quando à detenção tiver procedido qualquer autoridade judiciária ou entidade policial.o nos refere essa possibilidade. porque os orgaos de policia criminal podem deter uma pessoa que tenha cometido um crime que nao seja publico. pode suceder isso. nos termos dos artigos 255. A partir dai tera que ser o particular ofendido a exercer o direito de queixa e depois de acusacao do particular (nos estadios de futebol. como dizem os números 3 e 4 do artigo 255. a cada Domingo. E se for um crime particular stricto sensu. 381. So que. muitas vezes por serem ultrapassados os prazos. Por exemplo um crime de difamacao: a GNR esta num sitio ou a PSP e ve/constata que um cidadao esta a injuriar ou difamar outra pessoa.º e 256. porque na verdade todos estariam a ofender o arbitro (a chamar-lhe nomes feios). os particulares nao podem tambem deter? Os particulares podem deter mas tem imediatamente de entregar a pessoa a um orgao de policia criminal. Mas condicao basica para ser processo sumario e ter havido detencao em flagrante delito. Pode proceder a identificacao do infractor e nada mais do que isso. Mas tambem porque se nos formos consultar as normas relativas ao processo sumario verificamos que logo no inicio se diz assim: “Art. isso da possibilidade. se for um crime semipublico essa detencao so se mantem quando o titular do direito de queixa o exercer imediatamente. Na aula anterior falamos do problema do exercicio do direito de queixa. A detencao so faz sentido se for para entregar essa pessoa a uma autoridade judicial para iniciar o primeiro interrogatorio e a partir dai o processo sumario. ha apenas identificacao do infractor. o comandante da GNR ou da PSP mandaria os seus soldados deter todos os espectadores do estadio.º Quando tem lugar 1 – São julgados em processo sumário os detidos em flagrante delito.o. se o crime nao for punivel com uma pena superior a 5 anos.o e 256.o. Ele e imediatamente libertado. ele acaba por ser remetido para a forma de processo comum. E obvio que nao vai deter a pessoa porque se trata de um crime particular stricto sensu (depende de queixa e de acusacao particular).” Portanto.º. por exemplo. desde que a detencao tenha sido feita por uma entidade policial. Tambem aqui e preciso ter em conta os numeros 3 e 4 do artigo 255. nos termos dos artigos 255.

entendendo tambem existir perigo de fuga. e portanto. pretendem ambos constituir-se como tal. Caso prático n. por sua vez. normalmente os policias fazem de conta que nao viram quem foi ou entao teriam que constantemente identificar pessoas). Quem pode reagir e em que termos? 5. como deve agir o juiz de julgamento? 7. Suponha que os autos seguem para julgamento e Antonio arrola como testemunha a sua mulher. Tendo Antonio sido condenado a 16 anos de prisao. acabando Celso por morrer. 194. aos beijos e abracos com um antigo namorado vem. Podera faze-lo? 6. por exemplo. contando-lhe que descobriu que a sua mulher o trai com Celso e dando-lhe conta de que prepara a morte daquele. O juiz. enviado por Antonio a um seu amigo de longa data. promovendo desde logo a aplicacao da prisao preventiva. por isso. para prova de que Celso avancou para si empunhando uma faca. por motivos de ciumes e num impulso de momento. o juiz. durante o qual foram observadas devidamente todas as normas processuais. pelo que. obrigado a defender-se. normalmente aqui tambem entra em linha de conta aquilo a que se chama acto da accao social ou os costumes. Ester.o do CPP. assistiu a tudo e procedeu a imediata detencao de Antonio.). Suponha que o antigo namorado. a matar aquele. Vindo o MP a acusar Antonio por factos subsumiveis ao crime de homicidio privilegiado. O MP e o Assistente. dois meses antes da ocorrencia dos factos submetidos a julgamento. Face a isto. (injuriar. 1. Poderia o juiz sujeitar Antonio aquela medida de coaccao? 3. considerou estar-se em face de um crime de homicidio privilegiado (art. porque ve a sua mulher que muito ama. Durante o julgamento. A mulher. dizendo que so pretendia confrontar Celso verbalmente. o que fez. apos sumaria inquiricao onde esteve tambem presente o defensor. todavia. acontece muitas vezes. e cumprindo todas as regras constantes do art.o do C. mas que este avancou para si com uma faca.o interrogatorio judicial e aplicacao de medida de coaccao. ao saber que ele a traia. 54 . consultando os autos. Celso. em 1. este pretende reagir. O que deve fazer? Durante a instrucao apura-se que os factos alegados por Antonio correspondem a verdade.º 8 Antonio. portanto. Antonio entende que o juiz nao poderia ter levado em linha de conta o e-mail referido. agente da PSP que passava no local. 133. ordenou a sua imediata conducao ao TIC para 1. compreende a atitude de Antonio e nao pretende. Esta. Este magistrado validou a constituicao de Antonio como arguido e. decidindo o JIC nao pronunciar Antonio. era casado e tinha um filho de 22 anos. 2. verifica que deles consta a transcricao de um e-mail. ninguem parece estar contente com tal desfecho.stricto sensu. Aprecie a legalidade da detencao de Antonio. Daniel. vendo-se ele. e a irma daquele. Ja o filho de Celso. aplicou a Antonio a medida de coaccao de Prisao Preventiva.P. constituir-se assistente. constituiu-o como arguido e apresentou-o de seguida ao MP. agora.o interrogatorio judicial. consideram que Antonio deveria ter sido 4. Quem pode faze-lo e em que termos? 4. Bernardo. recusa-se a depor.

de que nos ja tinhamos falado.. conservar a necessaria prova existente para depois instruir no processo. do ponto de vista factico e ate do ponto de vista normativo. as chamadas medidas cautelares e de policia – a necessidade de tomar providencias para o estado de coisas em que se encontra o momento em que se inicia um certo tipo de crime nao seja mexido por forma a nao comprometer as provas. no nosso caso pratico. que sao. estamos de acordo. Sao essas materias que vem previstas nos artigos 241. que tipos de detencao e que os senhores conhecem? Esta e uma detencao em flagrante delito. Antonio. O Sr. em que circunstancias? Em flagrante delito. como eles costumam dizer. identificamos a fase de inquerito como os primeiros actos processuais. nomeadamente. O processo so existe a partir do momento em que ha noticia do crime. ver quem sao as testemunhas. o Sr. em segundo lugar. como aqui. que o processo se inicia na fase de inquerito. precisamente. Mas so existe a partir do momento em que ha essa reflexao sobre a noticia do crime. A parte estas questoes atinentes propriamente a denuncia ou a noticia do crime.o e ss do CPP. em primeiro lugar.o e ss. de tudo aquilo a instruir no processo. E. pelo menos. a partir do momento em que se passa um determinado facto susceptivel de ser criminoso. que estava a passar. e a partir daqui e que o processo existe. está em causa a detenção. a noticia do crime vai ao MP e o MP abre o processo ou. Reparem que existem aqui duas circunstancias concretas: a primeira e a circunstancia do flagrante delito. tomar conta da ocorrencia. vai calmamente no seu caminho e assiste a pratica do crime? O que e que pode estar em causa nesta fase preliminar? Ja falamos de que maneira e que pode haver o conhecimento de um crime. real. Estamos habituados a dizer. Nos. sobre a susceptibilidade de ela conter elementos suficientes para dar inicio ao inquerito. obviamente.condenado a. agente da PSP.Concretamente. eventualmente. o orgao de policia criminal se tiver competencia delegada para isso. pode haver necessidade de tomar um conjunto de providencias quando ainda nao existe processo. O que e que os Srs. meus senhores? Que tipo de detencao? Ou. E. Reparem que. eles tem de ter a capacidade de para praticar um conjunto de factos para. fase preliminar. se quiserem. seja ela denuncia. do ponto de vista ontologico. normalmente. Policias chegam la e fazem? Nada. Pode cada um deles reagir?De que forma e com que fundamento? Resolução 1. E mais? A detencao esta prevista nos artigos 254. E eu pergunto-lhes: tendo em atencao as regras que os senhores conhecem de direito processual penal parece-lhes que esta detencao vai funcionar como? Como regra? Como excepcao? Num conjunto amplo de casos? Num conjunto restrito? Em que circunstancias e que os senhores acham que a detencao pode ser feita? Em que casos e que as pessoas podem ser detidas? Nos crimes puniveis com prisao. obstar a continuacao da actividade. uma vez que so existe processo a partir do momento em que existe inquerito. naqueles casos em que. a parte estas questoes atinentes a aquisicao da noticia do crime. assistiu a todo e deteve o Sr. fazer as medidas. nos crimes puniveis com prisao. vem-se embora? Obviamente. O que e que esta aqui em causa. queixa ou participacao. que pode ser feita por um orgao de policia criminal ou por 55 . portanto. E o caso tipico de acidente de viacao. Imaginem que os entes policiais sao chamados a casa de alguem porque a mulher A esta alegadamente a bater no marido B. obviamente. Muito embora isso seja verdade do ponto de vista formal. lavrar o auto. porque nao ha processo-crime? Ainda nao ha inquerito. se calhar. Aprecie a legalidade da detenção de António. como se adquire a noticia do crime: a noticia do crime e denuncia obrigatoria para autoridades. ha um conjunto de outras circunstancias que podem estar em causa aqui. existe um momento antes de existencia propriamente do processo que ja interessa a discussao dos factos que estao em causa – aquilo a que chamamos as fases preliminares. 20 anos de prisao. Antonio matou o antigo namorado da mulher (vao ver adiante que se chama Celso) e o agente da PSP.

não sendo possível. Sao detidas 12 pessoas. Nao podemos andar para ai a deter pessoas. Nao e uma detencao sem mais. mas sem nunca exceder vinte e quatro horas. e depois 56 . nao tendo havido flagrante delito. em casos como estes. do detido perante a autoridade judiciária em acto processual.º”. ou podem ser detidas. quais sao as razoes que conduzirao a necessidade de detencao? Razoes de prova e perigo de fuga.o do CPP: “1. 2. sendo correspondentemente aplicável o disposto no artigo 141. E o juiz tem todas essas pessoas para ouvir. dependendo dos casos. podem ir para casa e receber uma notificacao para comparecer na proxima segunda-feira no tribunal. e apenas no prazo de 48 horas. agora. A detenção a que se referem os artigos seguintes é efectuada: a) Para. que a actividade criminosa nao continua. E fora do flagrante delito? Que razoes poderao justificar que. depende do que se trate. Sera a necessidade de assegurar a cooperacao do arguido com a autoridade judiciaria? Os casos de detencao terao que corresponder a crimes em que seja possivel aplicar a medida de detencao preventiva? O Antonio foi validamente detido? Porque? Ora. Obviamente. 20. Ora bem. mas caso nao seja. E cuidado com este prazo. o senhor vem imediatamente para casa. uma operacao stop). eventualmente. com estas historias das inquiricoes. de acordo com o art. se podem ou nao continuar no dia seguinte. O arguido detido fora de flagrante delito para aplicação ou execução da medida de prisão preventiva é sem+pré apresentado ao juiz. ou b) Para assegurar a presença imediata ou. Tem que haver uma justificacao suficiente para a detencao fora do flagrante delito. porque. no caso de flagrante delito. em que ha muita gente detida (e sucede muitas vezes. nao e dificil ultrapassar-se o prazo de 48 horas. Portanto. E reparem que. no prazo máximo de quarenta e oito horas. Essas pessoas. elas poderiam continuar detidas. o caso tipico das operacoes stop na sexta-feira a noite. dete-lo. nao e essa a razao de ser da lei. ainda que elas sejam arguidas em processos – elas sao inocentes ate transito em julgado. E apenas para assegurar que vai la estar para que se possa cumprir a diligencia. por exemplo. Suponham. no mais curto prazo. obviamente. 40. em que circunstancias e que alguem pode ser detido? Porque entre nos a detencao ha-de ser excepcionalissima. E se ele nao as conseguir ouvir na segunda-feira? E tiver que passar para terca ou quarta-feira? Ficam detidas? Nao podem ficar! Nao podem ficar! Houve algumas decisoes um bocadinho estranhas e algumas posicoes curiosas que diziam que o que interessava era o inicio da inquiricao: comecavam a inquiri-las na segunda-feira. e depois. reparem. alem de que para assegurar. estamos a falar aqui de uma detencao que e por um prazo muito estreito. suponham uma rusga. Reparem.qualquer pessoas (qualquer um de nos pode deter em flagrante delito). o detido ser apresentado a julgamento sob forma sumária ou ser presente ao juiz competente para primeiro interrogatório judicial ou para aplicação ou execução de uma medida de coacção. ainda que demorassem quarta. nao tendo alguem visto ou concluido de forma muitissimo directa a existencia de um crime. 254. e e apenas para assegurar que o individuo e apresentado junto do juiz para qualquer uma destas finalidades. exactamente na mesma. nem que seja so por um determinado periodo de tempo. sexta a terminar a inquiricao das pessoas. pode ser aplicada uma medida de coaccao de prisao preventiva. A partir dai. portanto. Ha uma norma constitucional que impoe a liberdade das pessoas e que impede a restricao desse direito a nao ser em circunstancias particularmente delimitadas. para fazer as primeiras diligencias probatorias. quinta. 48 horas. se sao durante o dia e ou tambem podem ser durante a noite. Detidas – com base em que? Com base numa destas normas que aqui estao. em 48 horas elas tem que estar frente ao juiz: 48 horas e na segunda-feira! Sucede que elas sao 12! Podem ser 15. E por isso esta norma cria. Nao faz sentido deixar ir o suspeito quando se pode parar o sujeito ali.

coisa diferente e este arguido faltar. vamos dizer assim. era sempre obrigatoria a gravacao. aqui. Neste caso. nem para ser condenadas). porque ele nem sequer sabe que é arguido. para que aquela pessoa possa ser notificada. esta aflito para cumprir o prazo das 48 horas. na maior parte dos casos. muito curtos.o do CPP. nao se consegue sequer informar o arguido de que o é. Porque se ha o risco de o mandar para casa e ele. pode ser feito na ausencia. chega a segunda-feira. Agora é sempre obrigatoria. é automaticamente nomeado um defensor oficioso. nos casos em que o arguido nao estivesse. e arguido. mas apresentar-se para dizer “eu estou aqui. que e o regime que. E. Mas. sabe-se quem. De preferencia convem que esteja o arguido. se marca a audiencia de julgamento e o arguido falta a primeira sessao da audiencia de julgamento – o que e que faz o juiz quando o arguido falta? Pode fazer o julgamento na ausencia? Tudo isto sao pequenos pontos processuais. Este arguido correctamente notificado falta as diligencias. porque certa pessoa é arguido num processo e nunca foi tido em achado. se nao antes. Portanto. o arguido nao aparece. o juiz nao faz isso automaticamente. marcada neste dia. Sem arguido. para assegurar que vai estar o detido no acto processual que lhe diz respeito. Restringe-se-lhes um conjunto de direitos civis por forma a que as pessoas. o julgamento pode ser feito na ausência. Coisa diferente e um arguido. A contumacia é um regime em que. Neste caso é sempre obrigatoria a presenca de advogado. o problema e dele. Ele nem sequer pode ser sujeito naquele processo. constituido enquanto tal. pode julgar. susceptiveis se serem questionados a qualquer momento. nem notificado pode ser (desaparece. Os crimes sem prisao podem eventualmente nao ter advogado. E podem ver ai exactamente isso: “se o arguido regularmente notificado” – se ele nao estiver notificado. Por exemplo: bilhete de identidade – deixam de poder tirar. O que e que faz o juiz? Julga. que passou pelo termo de constituicao de arguido. falta ao julgamento. e nao aparece. sao as duas hipoteses de detencao em prazos curtos. É como na gravacao – dantes. o juiz pode fazer a audiencia sem o arguido? Reparam que ha dois casos distintos: que é o caso da contumácia.o juiz. de alguma maneira. estas duas hipoteses. se sintam constrangidas a apresentar-se (e nao e para ser presas. nao se aplica isto mas o regime da contumacia. entao. sou esta pessoa. passaporte – nao podem sair do pais. nomeadamente quando ele nao apareça na data marcada para a audiencia e o juiz entenda que nao ha perigo grave em o julgamento seja feito sem arguido. nao tem morada ou esta é muito antiga e o arguido ja nao vive la). quando se apresentem. como vimos na aula passada. nomeadamente. So para que se saiba quem é e onde está. na segunda-feira. nao se respeitando o minimo do contraditorio Para esses casos existe o regime da contumacia. Portanto. em primeiro lugar. presume-se que recebeu). Tambem e comum aquela circunstancia em que. nunca se conseguiu encontrar. pode haver logo a notificacao de que elas apareceram e. carta de conducao – nao podem renovar. quando o MP acusa. O que e que se passa ai? Vamos deixar o prazo correr para prescrever? Vamos fazer um julgamento na ausencia? Nao podemos. se o arguido faltar a discussao de audiencia e julgamento. suspende um conjunto de direitos das pessoas para que elas se sintam coagidas. portanto. e e onde mora (nao se esquecam que a partir do momento em que alguem se constitui arguido e obrigado a dar uma morada para a qual se notifica a partir dai por mera carta (e se ele nao recebe as cartas. 333. a apresentar-se. entao estamos a garantir que ele se vai apresentar. com prisao e sem prisao. ele faz sempre uma diligencia na tentativa de que o 57 . qualquer que seja o crime. tenho esta morada. Em algumas circunstancias. por outro. portanto. Se a pessoa nao indica um defensor. dizia. no momento da acusacao. Porque a minha pergunta era a seguinte: suponham que na audiencia de discussao e julgamento. desapareceu simplesmente. por exemplo. A falta e julgamento na ausencia do arguido esta prevista no art. a partir de agora o processo pode seguir”. mas tem de ter defensor! É um dos casos de presença obrigatoria de defensor.

que e deter a pessoa (manda os policias da area ou a GNR a casa ou a morada conhecida. Por isso. eu vou ali a passar e assisto a um senhor aluno (A) a partir a cara a outro (B). Cuidado com os crimes semipublicos e particulares. e por isso e que ha este prazo de 24 horas. eles ja saberao realmente como proceder. e . de acordo com o n. Porque . Mas. 254.injuria ou difamacao ou a uma ofensa a integridade fisica simples.. Posso deter o senhor aluno que esta a bater? Houve um grande acidente ali em baixo. nao e a mesma coisa que um crime publico. Isto e uma detencao em flagrante delito? Ou isto pode ser uma detencao em flagrante delito? Pois.detido.30 horas. as 7 ou as 8 horas.o2: “Tratando-se 58 . ou uma calamidade… nao pode ser chamada a policia em tempo util. as duvidas. De acordo com o art. Reparem. Por isso se preve no art. o cafe. Por exemplo. vao procurar o senhor e apanha-lo para o apresentar a julgamento). quer dizer… isso e um flagrante delito muito rebuscado. nao e a toa – “que se esta cometendo” ainda esta em acto de execucao. as policias (PSP ou GNR) iam de manha. Mas do ponto de vista pratico. e quanto a . a mesma coisa para qualquer pessoa. ha um prazo maximo de 24 horas. esta terceira hipotese ja levanta muitas duvidas a respeito de se poder configurar propriamente um flagrante delito.o “qualquer autoridade judiciária ou entidade policial pode proceder à detenção em flagrante delito”. tambem quanto a mim. perseguido por qualquer pessoa ou encontrado com objectos ou sinais que mostrem claramente que acabou de o cometer ou de nele participar – e o caso jurisprudencial da operacao stop feita a sexta-feira a noite e um dos condutores que e parado leva uma arma que esta toda ensanguentada.o do CPP: “E flagrante delito todo o crime que se esta cometendo ou se acabou de cometer” – reparem que a utilizacao do gerundio. do ponto de vista dogmatico. Do ponto de vista cientifico parece-me pouco flagrante delito. E. Obviamente. Posso deter o aluno agressor. so com vista a estas finalidades ou em casos de flagrante delito. mas nesse dia o arguido ja nao estava em casa. Aqui. Mas isto nao interessa para aqui. os “quase-flagrante” delitos: reputa-se tambem flagrante delito o caso em que o agente for tambem. a qual redige auto sumário de entrega e procede de acordo com o estabelecido no artigo 259.. E esse tipo de exigencia mantem-se nos crimes semipublicos e particulares. Quando e que estamos perante flagrante delito? Diz claramente no art.preso. Nos casos em que seja uma qualquer pessoa a proceder a detencao. E um crime semipublico. visivelmente transtornadas. sao as finalidades normais da detencao. 255. com armas ensanguentadas. ha dois tipos: presos preventivos e presos em execucao de pena. logo apos o crime. isso exige um conjunto de formalidades acrescidas. 256. em que se assiste aos actos de execucao do crime. Ex. Porque se entende que se encontraram vestigios evidentes de que se acabou de cometer um crime. Os policias comecaram a ir no dia anterior.º”. Encontrar alguem com objectos e vestigios. Estas.detido.presos. 255. a casa da mae.. depois.arguido esteja – qual e essa diligencia? E aquela detencao que estava prevista na alinea b) do art. e que as pessoas podem ser detidas? Os senhores tem que ter cuidado com as palavras . Imaginem que o julgamento estava marcado para as 9. esta aqui previsto.o. e utiliza-se efectivamente esse caso das operacoes stop em que se encontram pessoas com vestigios de cometerem crimes. em Portugal. pode dar origem a detencao em flagrante delito. quando lhes perguntar: “Em que casos. portanto. mas neste caso apenas se nao puder ser chamado em tempo util uma entidade policial ou autoridade judiciaria. se levantam. No caso de ser uma entidade policial ou uma autoridade judiciaria. n.o 2: “ a pessoa que tiver procedido à detenção entregue imediatamente o detido a uma das entidades referidas na alínea a). aqui.detidos.o. nao e . mas pode. obstar a que aquela pessoa fuja e identificar o agente. como todas as ofensas a integridade fisica. No caso de ser uma qualquer pessoa exige-se. porque as razoes para a detencao que apontamos ha pouco sao as mesmas: impedir a continuidade da actividade.

e ainda por cima e um crime publico e nenhuma das outras coisas se poe aqui em causa. era obrigatorio sempre na constituicao de arguido. mas apenas a identificacao do infractor. obviamente. o senhor pode esperar 20 dias ate saber se e ou nao efectivamente arguido. no art.o. 255. com estas normas dos crimes particulares em sentido amplo. Agora.” So que nesse caso o que e que se passa? E uma constituicao de arguido sujeita a validacao.o 1. pelo menos ai. a nao ser que aquela pessoa manifeste a vontade de que assim seja. e era causa. de acordo? Agora. diz-se “sempre que possivel. nem se poe quase a hipotese de flagrante delito. estao estabelecidas as circunstancias em que as pessoas adquirem a qualidade de arguido. constitua assistente. parece que e um destes casos. portanto.o 2 do art. O que e que ele ha-de fazer? Diz aqui que ele o constituiu como arguido e o apresentou de seguida ao MP. os direitos e os deveres processuais.o 4. a constituicao do arguido implica a entrega. ha-de receber o documento. em acto a ela seguido. a detenção só se mantém se. “A constituicao de arguido feita por orgao de policia criminal e comunicada a autoridade judiciaria no prazo de 10 dias e por esta apreciada. nos termos e para os efeitos previstos nos artigos 254. 256. E se o prazo for desrespeitado? Obviamente. De acordo com a redaccao anterior a 2007. A quem e que B apresenta a queixa? A autoridade. Ora. porque o crime tem uma relevancia menor. Ora. nao e? O suspeito foi detido. Obviamente. no prazo de 10 dias” – art. Porque sao os orgaos de policia criminal que lidam de imediato com os suspeitos.o 1. se este tiver sido nomeado. Mas. quer dizer. e flagrante delito por forca do n. quem e que constitui arguido? E como? Por forca do n. Se o foi pelo orgao policial. Portanto. sempre que possivel no proprio acto.o esta previsto um conjunto de circunstancias especificas em que.o e seguintes. Mas isto e o prazo maximo. que diz que a validade se adquire e se mantem durante todo o processo. assistiu ao crime. De acordo? Agora. o Bernardo que e agente da PSP estava no local. acuse. o titular do respectivo direito o exercer”. O processo nao existe em absoluto. n.º a 261. tenham cuidado. mas pressupoem os fundamentos que presidiram a escolha do crime particular. os agentes. c) “é obrigatória a constituição de arguido quando um suspeito for detido. no nosso exemplo? Cumpre ou nao cumpre estes requisitos? Foi um crime em flagrante delito. as pessoas tem que adquirir a qualidade de arguido. deve ser constituido arguido. notem que nos termos do n. Portanto. o senhor nao e arguido – o que levanta aquele problema de que ja falamos na aula anterior. mas pode nao ser no proprio acto. e claro que aqui as razoes sao as mesmas. nomeadamente num caso como este: o senhor agente da PSP deteve o agente em flagrante delito. Fez bem? Fez mal? De acordo com os artigos 57.o 1 do art. em ordem a sua validacao. depois da constituicao como arguido.o”. no proprio acto”. pode apresenta-lo directamente a policia. ha que cumprir apenas uma regra: a identificacao do agente. Portanto. al. se ainda nao a tem. de acordo com o artigo 58. por comunicacao oral ou escrita.o: ele assiste ao crime e procede a imediata detencao de Antonio. E se for um caso de crime particular? Nao ha lugar a detencao em flagrante delito.o. entende-se que nao foi validado. Pode faze-lo? Pode e deve (art.o 3 do CPP.de crime cujo procedimento proceda de queixa.o. E no caso de Antonio. alinea a). depois. n. foi detido em flagrante delito.o. Portanto. n. o papel onde conste o 59 . 58. constitui-o imediatamente arguido e nao tem o documento para dar ao senhor. desde 2007. porque nao se entregava este documento conforme devia ser. Portanto. 58. quanto a detencao em flagrante delito. do documento que constitui a definicao do processo. o defensor. Esta e uma inovacao de 2007. constituir alguem como arguido. 256. o orgao de policia criminal pode. alias de muitas invalidades na constituicao do arguido. E vimos que. Portanto. Ora. o senhor esta detido – e depois? Tenho de entrega-lo imediatamente as autoridades.

deveres. E voces podem ver. todavia.o.o tem legitimidade para promover. elas tambem tem um tratamento estatico.o. Entao. o caso. qual o valor que eles tem e quais sao. 141.o.”. e aplicacao de medida de coaccao. receber as denuncias. com as suas regras formais. pelas regras gerais. se esta tiver a finalidade referida na alínea b) do art. e ordenou-se a imediata conducao ao TIC (Tribunal de Instrucao Criminal) para 1.o interrogatorio judicial. 141. interpor recursos. Temos o art. Entao. como ja vimos. promover a execucao das penas. previsto no art. promovendo desde logo a aplicacao de prisao preventiva. Ha-de haver um sitio onde diz quais sao os meios de prova. o MP deve inquirir. aqui. 141. 143.o e seguintes. 259. 143. no nosso caso. Quanto ao MP os artigos 48. em especial. “Art. Aqui. Não é admitida a presença de qualquer outra pessoa. a não ser que. A regra do nosso processo penal e a publicidade. que o primeiro interrogatorio judicial do arguido vem regulado no art. b) Ao Ministério Público.º. 53. O interrogatorio judicial de arguido. obedecendo.: “O interrogatório é feito exclusivamente pelo juiz. compete ao MP em processo penal colaborar com o tribunal na descoberta da verdade e na realizacao do direito. 86. o juizo que o juiz pode fazer a respeito deles. e os arguidos nao detidos? Estao no art. as chamadas “normas estaticas”.o 2. 86. qual e a validade deles. os meios de obtencao de prova permitidos no CPP.o.o. Onde estao? Nos artigos 140.processo.o. às disposições deste capítulo. a indicacao do defensor. com assistência do MP e do defensor e estando presente o funcionário de justiça. que sao a tramitacao propriamente dita. a nao ser que nas circunstancias do art. uma norma importantissima. Diz o art. Toda esta parte regula as provas: quais sao os meios de prova admitidos. Mas nao e. nos casos restantes”. e secreto. E inquiriu-o.º Dever de comunicação Sempre que qualquer entidade policial proceder a uma detenção comunica-a de imediato: a) Ao juiz do qual emanar o mandado de detenção. 48. alias assinado pelo arguido. Deixem-se so sublinhar o n. desde 2007. O que e que ele fara na direccao do inquerito? Interrogara arguidos? Onde encontramos o fundamento legal? Muito embora as . 254. garantias contrapoem-se as “normas dinamicas”. do assistente e das partes civis. Esta e uma norma que e uma excepcao a publicidade prevista no art. eu ja lhes disse que. 144.provas. Devia. como nao havia processo e nao havia juiz. E ao MP que se tem de dar conhecimento. segundo o art. n. aqui. Mas o artigo fala nos detidos. nos termos do art. podendo este ouvi-lo sumariamente”. as queixas e as participacoes e apreciar o seguimento a dar-lhes. 141.o 6 do art.o – outros interrogatorios: “Os subsequentes interrogatórios de arguido preso e os interrogatórios de arguido em liberdade são feitos no inquérito pelo Ministério Público e na instrução e em julgamento pelo respectivo juiz. o detido deva ser guardado à vista”. que e. deduzir acusacao. direitos e deveres. inquiriu. O nosso processo e por regra publico. E as declaracoes do arguido sao um meio de prova. As declaracoes do arguido tem um papel particularmente importante dentro do processo penal. Nos termos do art. porque se produzem nas varias fases processuais. sejam uma materia dinamica. e compete.o e seguintes: regulam as declaracoes do arguido.o. depois.o esteja previsto especificamente o segredo. dirigir o inquerito. Tem o MP poderes ou deveres de inquirir arguidos? Nao se esquecam das normas que atribuem competencias aos diversos sujeitos – a primeira parte do CPP. As normas estaticas que regulam direitos. o termo propriamente de constituicao de arguido. E a seguir o que e que fez Bernardo? Apresentou ao MP. o MP validou a constituicao. por motivo de segurança. ha-de ser a alinea b). E o que e que o MP fez? Validou a constituicao de arguido. em tudo quanto for aplicável. havia a 60 .o – Primeiro interrogatorio nao judicial do arguido detido: “O arguido detido que nao for interrogado pelo juiz de instrucao em acto seguido a detencao e apresentado ao Ministerio Publico competente na area em que a detencao se tiver operado.

Chega o juiz e avalia que houve uma amnistia ou uma prescricao dentro de tres. 192. do ponto de vista da natureza cautelar tem essa semelhanca. deve aplicar a medida de coaccao? Muito embora se possam cumprir os demais pressupostos. E o artigo 191. podendo o juiz permitir que suscitem pedidos de esclarecimento das respostas dadas pelo arguido.o do CPP. que nao e medida de coaccao a obrigacao de identificacao perante a identidade competente. mas sempre atraves do juiz. pelas medidas de coacção e de garantia patrimonial previstas na lei”. neste caso. E. Um dos casos em que e a propria norma que estabelece um despacho irrecorrivel. em função de exigências processuais de natureza cautelar. em caso de prisao preventiva. E depois. ainda lhe somam uns outros requisitos especialissimos. Cuidado que umas sao as medidas de coaccao e outras sao as de garantia patrimonial. Portanto. sem prejuizo das medidas especificas que vao encontrar em cada uma das medidas de coaccao e. uma data de duvidas em relacao a presenca do defensor em actos de inquerito e instrucao. Mas isto exige um juizo previo do juiz a este respeito. e o que o MP ou o defensor podem fazer e pedidos de esclarecimento ou sugestao de perguntas. depois sao os requisitos de cada medida de coaccao e depois. mas impoe-lhe um juizo previo a respeito. parece que so os arguidos podem ser alvos de medidas de coaccao.o comeca logo por dizer que “a liberdade das pessoas só pode ser limitada. O que e que sao medidas de coaccao e para que e que servem? A quem sao aplicadas as medidas de coaccao? So ao arguido? As medidas de coaccao equivaleriam aquilo em que em processo civil entendem por medidas cautelares. O juiz. Foi pedida a medida de coaccao de prisao preventiva. que me parece mais uma tipicidade – “as medidas cautelares sao estas. o MP e o defensor. uma causa de isencao ou extincao – e o caso tipico da prescricao. se o requerimento háde ser feito na presença do arguido e sobre a relevância das perguntas”.o preve condicoes gerais de aplicacao. total ou parcialmente. Findo o interrogatório. umas muito especifica que vao poder encontrar na prisão preventiva.luz do Codigo anterior a 2007. Primeiro sao estas regras gerais. 399. 191. nomeadamente. por despacho irrecorrível. por serem mais pecunia. se quiserem. inquirir? E preciso ter cuidado com o que diz o n. do ponto de vis ta verificacao da descricao ou da verificacao de uma causa de exclusao. As medidas de coaccao estao previstas nos artigos 191. apenas estas e nao mais do que estas”. da propria viabilidade do processo penal. o que e que o defensor e o MP fazem no 1. O art. impoe-se. Nenhuma medida de coaccao ou de garantia patrimonial e aplicada quando houver fundados motivos para crer na existencia de causas de isencao da responsabilidade ou de extincao do procedimento criminal.o interrogatorio? Podem fazer perguntas. portanto. Sempre que possivel. reparem. Nao ha duvida de que no primeiro interrogatorio judicial o defensor tem que estar presente. para que nao existam duvidas. O MP promoveu a aplicacao desta medida. Mas. para aplicar medida de coaccao tem que verificar se efectivamente estao preenchidos os pressupostos positivos e negativos da punicao. alem dos principios da legalidade e 61 . O juiz decide. Reparem no que e que se impoe aqui: quando o juiz entender que aquele processo nao seguira por falha de um pressuposto substantivo. sem prejuízo do direito de arguir nulidades. Entao diz-se que a aplicacao de medidas de coaccao e de garantia patrimonial depende da previa constituicao como arguido. podem requerer ao juiz que formule àquele as perguntas relevantes para a descoberta da verdade. Cuidado que nestes casos a inquiricao e toda feita pelo juiz. nomeia-se-lhe um defensor. ou de outros pressupostos negativos. abstêm-se de qualquer interferência. e nao o art. por serem menos nobres.o e seguintes. ele nao deve aplicar a medida de coaccao. e se ele nao tem um. ha uma legalidade e uma tipicidade das medidas cautelares. aqui. sendo estas ultimas menos usadas em processo penal. os senhores quando aplicarem medidas de coaccao vao ter de fazer isto em varios passos. nao deve. E preciso que haja um crime ou se nao ha. nos termos do n2 do art. Afirma logo uma legalidade.o 6: “Durante o interrogatório. o MP e o juiz de instrucao impediam o defensor de estar presente. Portanto.

o principio da proporcionalidade em sentido amplo. Mas e notoria a excepcionalissima excepcionalidade da prisao preventiva. e importa a todos nos e outros agentes e operadores judiciarios. 193. c) A qualificação jurídica dos factos imputados. contém. reparem que o legislador e tao cuidadoso que na prisao preventiva e na obrigacao de permanencia na habitacao obriga a fazer dois juizos: um juizo positivo.o. especificamente. No n. a prisao preventiva. O art.da tipicidade que vimos. lugar e modo. O juiz tem que equacionar isto e tem que afastar todas as outras medidas de coaccao.o 1:”as medidas de coacção e de garantia patrimonial a aplicar em caso concreto devem ser necessárias e adequadas às exigências cautelares que o caso requerer e proporcionais à gravidade do crime e às sanções que previsivelmente venham a ser aplicadas”. Ao despacho que aplica a prisao preventiva pode o arguido reagir. ou seja. E nao nos dizia quais eram os factos que preenchiam os pressupostos.o regula todas as regras processuais e formais desta materia. à excepção do termo de identidade e residência. Diz especificamente:”a prisão preventiva e a obrigação de permanência na habitação só podem ser aplicadas quando se revelarem inadequadas ou insuficientes as outras medidas de coacção”. a integridade física ou psíquica ou a liberdade dos participantes processuais ou das vítimas do crime.o foi profundamente alterado na redaccao de 2007. Em que fases processuais e que podem ser aplicadas as medidas de coaccao? Pode aplicar-se no inquerito. uma medida de pisao preventiva cuja aplicacao esta no limite. Dependendo do caso em concreto. n. sempre que a sua comunicação não puser gravemente em causa a investigação. incluindo os previstos nos artigos 193. porque isto tem que reflectir-se na fundamentacao do juiz no despacho que da. especialmente detalhado nos seus tres sub – principios para que duvidas nao restem. e o juiz de instrucao. de adequacao e de proporcionalidade. d) A referência aos factos concretos que preenchem os pressupostos de aplicação da medida.o 3: “Quando couber ao caso medida de coacção privativa da liberdade. Ele quer que a prisao preventiva seja efectivamente a ultima ratio. deve ser dada preferência à obrigação de permanência na habitação sempre que ela se revele suficiente para satisfazer as exigências cautelares”. as circunstâncias de tempo. na instrucao e no julgamento.o 4: “A fundamentação do despacho que aplicar qualquer medida de coacção ou de garantia patrimonial. o que e dizia o juiz – dava a decisao e apenas dizia que estavam preenchidos os pressupostos. com excepcao do TIR. Este e um principio fundamental de todo o nosso sistema de medidas de coaccao: a prisao preventiva so em casos muitos excepcionais. nomeadamente a medida de prisao mais grave. b) A enumeração dos elementos do processo que indiciam os factos imputados. sob pena de nulidade: a) A descrição dos factos concretamente imputados ao arguido incluindo. O art. em principio deve ser afastada. Mas primeiro aplica-se a mais leve.º e 204. Isto importa ao juiz porque tem que fazer uma decisao em consciencia. 194. nos termos do número anterior. desde que 62 . Portanto. Se for preciso mudar. pois quem aplica a medida de coaccao. Quando nao existia esta norma assim tao clara. Art.. para cumprir este requisito. sempre que forem conhecidas. Nao se pode justificar dizendo que o crime e grave ou gera grande alarme na ordem publica ou social.º”. muda-se. de que a medida cabe. e fundamentar. 194. Muitas duvidas se suscitaram a respeito dos despachos que aplicavam medidas de coaccao. A aplicacao das medidas de coaccao e um dos actos do inquerito que esta subtraido ao dominio do MP. especificos principios de necessidade. O legislador nao deixa margem para duvidas. Primeiro aplica-se a medida de coaccao mais leve do que a prisao preventiva. Na revisao de 2007 o legislador vem estabelecer no n. impossibilitar a descoberta da verdade ou criar perigo para a vida. e um juizo negativo de que as outras nao bastam.

o preve a sua razao de ser. Suponham que o MP propoe a aplicacao de uma medida de caucao. 204. O juiz de instrucao ouviu Antonio em interrogatorio e decidiu aplicar uma medida de coaccao de prisao preventiva. O juiz nao concorda. legalmente ou em concreto? Nos termos do art. As medidas de coaccao existentes estao previstas nos artigos 196. e nao em . No nosso caso o juiz entendeu aplicar a medida de prisao preventiva. Entende que se for uma caucao ou uma obrigacao de apresentacao periodica ja esta bem. pela sua caracteristica de automaticidade que nao e um requisito partilhado pelas outras medidas de coaccao. Mas isto e so no inquerito.o. b) Perigo de perturbação do decurso do inquérito ou da instrução do processo e. A prisao preventiva tem um requisito especifico.o. entao. se o juiz quiser aplicar uma medida menos grave pode faze-lo. Pode o juiz aplicar uma medida de obrigacao de permanencia na habitacao? O juiz de instrucao. E foi aqui inserida o perigo em razao da natureza do agente perturbe a ordem publica. podia faze-lo? Para a medida de prisao preventiva.mais grave. 200. art.o). 9ª Aula teórico-prática (Continuacao da aula anterior) 2. quebra. pode ser aplicada se em concreto se não verificar.o. conservação ou veracidade da prova. no momento da aplicação da medida: a) Fuga ou perigo de fuga. O termo de identidade e residencia e so para cumprir a notificacao e e a unica medida cumulavel com todas as outras medidas.o e seguintes. 196. Poderia o juiz sujeitar António àquela medida de coacção? Iam. aplicam-se requisitos especificos previstos no art. Ele e o juiz das liberdades. dizer-me os senhores se a actuacao do juiz de instrucao que aplicou a medida de prisao preventiva ao Antonio foi uma boa ou ma decisao. 201. 204.1. Pode? O legislador fala em . e nao o crime em si. Alem das normas e requisitos gerais e alem dos requisitos especificos. muito embora seja ele quem tem competencias para aplicar medidas de coaccao. 194. n. Em primeiro lugar temos que ver se se verificam os requisitos gerais 63 .º. alteracao e extincao das medidas. e nao ha justificacao para o juiz aplicar a medida mais grave.o e seguintes. alem dos principios estreitos dos artigos 191.o e seguintes. ele e que conhece melhor a situacao. previsto no art. A medida de coaccao nao serve uma antecipacao da pena. n.! Quando e dentro da mesma medida ou cumulacao de medidas inferiores e que as duvidas se geram. Suponham que o MP requer a apresentacao periodica do arguido a policia mais proxima de 2 em 2 semanas. em razão da natureza e das circunstâncias do crime ou da personalidade do arguido. E no capitulo terceiro. 212. nomeadamente. cumulacao. 202.o 2? Suponham que o MP promove a proibicao de permanencia em determinada freguesia (art. 194. Na instrucao e no julgamento e o juiz que decide. Podem ver regras quanto a caucao: reforco. Este juizo de . à excepção da prevista no art. e pelo juiz. n. portanto. ha-de fazer-se abstractamente. e pode sera aplicado directamente pelos orgaos de policia e os outros nao pode.o preve os requisitos gerais das medidas de coaccao: “Nenhuma medida de coacção. a revogacao. Senao corremos o risco de estar a penar o arguido. ou c) Perigo. fundamentando.o do CPP.o. O art. e o juiz decide que deve ser todas as semanas. previstas por ordem crescente de gravidade. dogmaticamente uma nao – medida de coaccao. obviamente.se preencham os pressupostos. o art.o 2. O termo de identidade e residencia e por muitos considerado. durante o inquerito o dominus e o MP. perigo para a aquisição.mais grave. de que este continue a actividade criminosa ou perturbe gravemente a ordem a tranquilidade públicas”. e dos requisitos gerais do artigo dos artigos 204. E mais grave? Viola o art.diferente.

Esta alinea foi introduzida em 2007 e utiliza uma estrategia normativa que nao era a constante da norma. ou c) Se tratar de pessoa que tiver penetrado ou permaneça irregularmente em território nacional. as medidas referidas nos artigos anteriores.o. i) “ «terrorismo» as condutas que integrarem os crimes de organização terrorista. terrorismo e terrorismo internacional). tráfico de estupefacientes ou de substâncias psicotrópicas. O raciocinio nao e aquele “desde que 64 . na al. ja comprou um bilhete. como dissemos a bocado. Esta aqui a fazer aquela clausula uma equivalencia entre o conceito material e o conceito processual. nomeadamente o de saber se os conceitos sao os mesmos em Penal e em processo penal – o que se entende por criminalidade violenta ou altamente organizada e por terrorismo. O juiz de instrucao podia ou nao podia aplicar a Antonio uma medida de prisao preventiva? Podia porque e um crime contra a vida. ela faz referencia a tipos de crimes particulares.o do CPP preve um “dicionariozinho”. tráfico de pessoas. Quer dizer. e uma lei que da conceitos. 202. n. tráfico de influência ou branqueamento”. a integridade física ou a liberdade das pessoas e forem puníveis com pena de prisão de máximo igual ou superior a 5 anos. Excluimos tambem a alinea c). 204. na al. prevista na al. Se considerar inadequadas ou insuficientes. com pena de prisao aplicavel ate 5 anos. i) diz “as condutas que integrarem os crimes” faz uma remissao expressa para a ordem substantiva. al. uma certa indecisao. al.o. como a norma fazia ate aqui. criminalidade violenta ou altamente organizada punível com pena de prisão de máximo superior a três anos. O CPP diz-nos no art. que ha perigo de fuga. Para aplicar a prisao preventiva temos que ter em conta os seus fundamentos e o caracter de ultima ratio. b). que se ver os requisitos especificos. O que se pretende ao tomar estes conceitos e evitar uma incerteza.o. Fica-nos a hipotese da alinea b). por forca do art. para os tipos de ilicito concreto previstos na lei substantiva (crimes de organização terrorista. al. e uma lei que faz aquilo que nunca deveria ser feito. Numa boa tecnica legislativa nao deve ser o legislador a preocupar-se com os conceitos. tarefa que cabe a doutrina e nao propriamente ao legislador. ja fez diligencias).o. l «criminalidade especialmente violenta» as condutas previstas na alínea anterior puníveis com pena de prisão de máximo igual ou superior a 8 anos.o 1. no caso. tambem. E nao se esquecam que no despacho o juiz nao podia dizer so isto. 1. al. e um homicidio privilegiado. j) – prisão de máximo igual ou superior a 5 anos.o estara preenchido? “1. 1. corrupção. a). b) Houver fortes indícios da prática de crime doloso de terrorismo. O art. ou contra a qual estiver em curso processo de extradição ou de expulsão”. A realidade e sempre mais criativa do que a cabeca de alguem. Onde e que nos encontramos isso? Nao se consegue definir muito bem o que seja. e na al. terrorismo e terrorismo internacional. e vai de encontro ao conceito de criminalidade violenta. porque o juiz aplicou a prisao preventiva com base em perigo de fuga. Porque “definir e limitar”. 202. 1.das medidas de coaccao – art. o juiz pode impor ao arguido a prisão preventiva quando: a) Houver fortes indícios de prática de crime doloso punível com pena de prisão de máximo superior a 5 anos. porque nao se trata de cidadao estrangeiro a permanecer irregularmente em territorio nacional. Mas basta estar preenchido este requisito? Tem. j) «criminalidade violenta» as condutas que dolosamente se dirigirem contra a vida. Nao se aplica a alinea a) porque o crime de homicidio privilegiado tem uma moldura de 1 a 5 anos. e nao a circunstancias ou molduras. Quando o art. Por isso mesmo e que o art. tráfico de armas. Tinha que dizer especificamente quais eram os elementos do processo que justificavam a sua crenca de que havia perigo de fuga (ja contactou a familia na Australia. Esta relacao maias estreita do que e normal entre o processo penal e o Penal suscita alguns problemas. E ao definir o legislador esta a tomar uma opcao. m) «criminalidade altamente organizada» as condutas que integrarem crimes de associação criminosa.

com o desrespeito pelos pressupostos formais de aplicacao da medida. Nomeadamente. Se a pessoa so discordar da medida. o juiz pode aplicar a medida de prisao preventiva”.fundamente. que nao seja a prisao preventiva. para um recurso especial. estava casada com o respectivo marido ha mais de 50 anos. os senhores quando me fundamentarem. porque para aplicar a prisao preventiva tem que afastar as outras medidas. 220. olhava para a gravidade o crime e entao decidia pela aplicacao da medida de coaccao. O habeas corpus serve apenas a prisao ou a detencao manifestamente ilegais. quando os senhores aplicam uma prisao preventiva voces tem que justificar particularmente a aplicacao da prisao preventiva – ela e a ultima ratio. 65 . Estes artigos tem alguma especialidade do ponto de vista da urgencia.o. 204. O MP nao pode recorrer de uma decisao do juiz para agravar a situacao do arguido. que seja a obrigacao de permanencia na habitacao. ou porque bebia… um caso tipico de maus-tratos. Do despacho que aplica medidas de coaccao cabe recurso. previsto nos artigos 219. dessa longa vida casada com o marido. Eu so quero chamar a atencao. mas nao me e possivel analisar todas elas. Depois tem aqui o habeas corpus em virtude de prisao ou detencao ilegal. 204. E uma coisa. a maior parte dos crimes de homicidio entre nos sao crimes de que tipo? Sao crimes passionais. n. Este nao e muito usado entre nos porque tem. prestem atencao aos pontos mais relevantes. pressupostos muito particulares. que devia ser outra e nao a prisao preventiva. naquela manha o marido se dirigia a ela para lhe dar mais uns estalos ou murros. mas o juiz assim nao entendeu e pos a velhinha de 70 e tal anos em prisao preventiva. este recurso so existe em funcao do arguido. Qualquer um de nos diria que era justissima legitima defesa. tenham cuidado com esta fundamentacao. levava do dito cujo. E o que diz o art. Se tiver que ser uma medida de privacao da liberdade. Ha uns anos atras. um machado ou uma foice.o. E todos os dias. nomeadamente. Este caso que e excessivo serve. passou-se da cabeca. o crime do catalogo mais grave entre nos e o crime de homicidio. E isso e muito comum na aplicacao de medidas de coaccao a crimes de homicidio. e acertou no marido. Se os senhores fazem isso sem equacionar as outras medidas esta mal feito. Qual e o problema? Vinha o juiz dizer que havia um grande alarme social – o que e uma mentira. So o arguido ou entao o MP em seu interesse e que podem recorrer. art. E como vem. nao existe aqui nenhuma norma especifica em relacao ao recurso. Quando. que e o habeas corpus.o e seguintes – dos modos da impugnacao. mas e para quando haja efectivamente a perturbacao da ordem publica. uma fuga ou perigo de fuga ou perigo de perturbacao de inquerito E isto porque? Porque nenhum destes pressupostos se preenche particularmente. os crimes de homicidio sao aqueles em que menos se precisam de prisao preventiva. obviamente. Por forca das exigencias do art. Portanto. mantiver ou substituir medidas previstas no presente título”. Vai-se aos art. Se não estivermos no ambito do art. o que e diferente! Portanto. 194.o e seguintes.o. A nao ser que se verifique. aplicou uma medida de coaccao e nao a devia ter aplicado. Matou-o. Nao e certo! Nao e isso que se faz na medida de coaccao. com 70 anos ou mais. de uma aldeia do interior. ela e a excepcao. entre nos. obviamente para mostrar como e que isto era aplicado. A validade disso nao e o alarme social. Estatisticamente. previsto nesta parte. O juiz aplicava a medida como se aplicasse uma pena. porque e que aplicam. na prova ou um dia. mas o inverso: so aplica a prisao preventiva se nao couber nas outras medidas de coaccao! Voces tem que fundamentar a subsidiariedade da prisao preventiva. ou porque a comida estava mal feita. ou que ele aplicou uma muito leve e devia ter aplicado uma mais pesada. 219. nao chegamos a aplicar o habeas corpus. Ha algumas especialidades. voces tem que fundamentar tudo direitinho. aqui.o. nao utiliza o habeas corpus mas a via do recurso normal para a Relacao. uma senhora velhinha. quando se dedicarem a fundamentacao de despachos. Criminologicamente. e. Portanto. as pessoas entendem as medidas de coaccao da mesma maneira que entendem as penas. portanto. era um objecto cortante.o 1 do CPP: “Só o arguido e o MP em benefício do arguido podem interpor recurso da decisão que aplicar. pegou nalguma coisa que estava ali a mao.

nem em todos os crimes pode haver constituicao de assistente. 215. Pergunto: em todos os crimes pode haver assistente? Nao. Suponha que o antigo namorado. o cônjuge sobrevivo não separado judicialmente de pessoas e bens ou a pessoa. Podem constituir-se assistentes no processo penal. com extensoes e mais curto do que no Codigo anterior a 2007. 3 e 4. favorecimento pessoal praticado pelo funcionário. as pessoas indicadas na alínea anterior. segundo a ordem aí referida. nos ja falamos em algumas das nossas aulas. bem como nos crimes de tráfico de influência. além das pessoas e entidades a quem leis especiais conferirem esse direito: a) Os ofendidos. ao saber que ele a traía. encurtados com a revisao de 2007. de outro ou do mesmo sexo.o do CPP.o: “O recurso e julgado no prazo maximo de 30 dias a partir do momento em que os autos forem recebidos”. 8 meses sem que. Quero chamar-vos. na sua falta. na falta deles. Ainda assim. enquanto tal. Estes sao os prazos gerais que podem ser agravados por forca do n. Os prazos sao de 4 meses. A mulher. Esta nocao de constituicao de assistente. autarquicos e outros. previstos no art. que faz alargar o ambito destes prazos. muito ligada a nocao de vitima e a nocao de 66 . a atencao para os prazos maximos da prisao preventiva. Quem pode fazê-lo e em que termos? Sobre o assistente. Celso. que com o ofendido vivesse em condições análogas à dos cônjuges. em que em caso de declaracao de excepcionalidade o prazo maximo era de 4 anos e meio.Porque ao recurso se aplicam os artigos 399. e a irmã daquele. Nao e a partir da interposicao do recurso. tenha sido proferida decisao instrutoria. corrupção. Quando os processos sejam particularmente complexos pode haver uma declaracao de excepcional complexidade. Quem e que e o assistente? Disseram-me que era. 1 ano e seis meses sem que tenha havido condenacao com transito em julgado. e e a partir deste momento que comeca a contar o prazo. a nao ser duas coisas: so em beneficio do arguido e o n. ainda. constituir-se assistente. os descendentes e os adoptados. abuso de poder e de fraude na obtenção ou desvio de subsídio ou subvenção”. 219. 68. O art. denegação de justiça. havendo lugar a instrucao. peculato. Daniel. desde que maiores de 16 anos. salvo se alguma destas pessoas tiver comparticipado no crime. se for perante o inquerito ate a acusacao. nao tem nada de particular em relacao as medidas de coaccao.o 4 do art. prevaricação.o do CPP: “1. Portanto. Ester. e) Qualquer pessoa nos crimes contra a paz e a humanidade. E o exemplo de um crime ambiental – uma associacao que defende o ambiente pode. dos animais. alguma consideracoes mais a respeito do assistente. o representante legal e. ou. Um exemplo em que uma lei especial confere o direito de ser constituido assistente em processo penal: as associacoes (defesa do ambiente. compreende a atitude de António e não pretende. ascendentes e adoptantes. constituir-se assistente. por isso. 3. genericamente o ofendido. Já o filho de Celso. pretendem ambos constituir-se como tal. participação económica em negócio. salvo se alguma delas houver comparticipado no crime. considerando-se como tais os titulares dos interesses que a lei especialmente quis proteger com a incriminação. Mas tambem me disseram que pode nao ser. d) No caso de o ofendido ser menor de 16 anos ou por outro motivo incapaz. nomeadamente aquilo a que se chama a declaração de excepcional complexidade. mas vamos concretizar aquilo de que falamos na semana passada. a vitima. 1 ano e dois meses sem que tenha havido condenacao em primeira instancia. b) As pessoas de cuja queixa ou acusação particular depender o procedimento. Para orgaos politicos. Ha uma norma que diz expressamente que as associacoes se podem constituir assistentes nas accoes que lhes digam respeito. irmãos e seus descendentes.o e seguintes. c) No caso de o ofendido morrer sem ter renunciado à queixa. tambem esta prevista uma norma. do consumo).o 2. era casado e tinha um filho de 22 anos. e o direito de peticao e accao popular. mas quando sobe a relacao.

de instrucao ou julgamento. E nos outros casos? Isto esta previsto no n.o 2. Estamos perante uma falsificacao de documento.o (acusacao pelo assistente) ou 287. porque e preciso que o juiz decida a respeito da constituicao de assistente e dos seus elementos. aceitando-o tal como esta. faz perguntas. Mas o crime de falsificacao nao visa proteger determinada pessoa. E claro que quanto mais tarde for a intervencao do assistente. Agora. nem aplicacao de medida de coaccao. “Durante o inquerito. nem utilizar prova particularmente limitativa de direitos fundamentais). passa a outra pessoa que muda a fotografia e tira uma fotocopia para dizer que e o senhor “X”. um concreto titular de um interesse.o. tem que ser representado por um advogado e participa no processo de forma natural (arrola testemunhas. e dirigido ao juiz do julgamento. Durante muito tempo a jurisprudencia nao permitiu a constituicao de assistente da pessoa “falsificada” digamos assim. Sao prazos especificos de intervencao para. isto se nao estivermos na fase facultativa da instrucao. E preciso ter cuidado porque ha um conjunto de crimes em que isso e muito pouco visivel. entregamos o requerimento ao MP. na falsificacao de documentos. no prazo estabelecido para a pratica dos respectivos actos. Ha crimes que nao tem do lado de la directamente uma pessoa. podia levar-nos a considerar aqueles crimes que os senhores conhecem como “crimes sem vitima”. e qualquer pessoa pode ser assistente num crime dessa natureza. um senhor intercepta um bilhete de identidade. dependendo da fase. no caso de requerimento de abertura de instrucao. os crimes particulares. E. e se o processo estiver no inquerito e eu quiser me constituir assistente? Nos crimes dependentes de queixa. Por exemplo. a constituicao de assistente e os incidentes a ela respeitantes podem correr em separado. Agora a pergunta e: quando e que alguem se constitui assistente? No caso de crimes particulares tem que haver queixa e a tem que se constituir assistente no prazo de 10 dias. Tenho que dirigir o meu requerimento ao juiz. portanto. Parece que a vitima e a pessoa real dona do BI. E quando e que a pessoa se pode constituir assistente? O n. Quem decide e o 67 . se permite que a pessoa mediatamente ofendida pelo crime se possa constituir assistente. A alinea e) preve um conjunto de casos em que o bem juridico nao e individual. A jurisprudencia ia neste sentido. Ora. o que e que faz o assistente? Colabora com o MP na acusacao.ofendido. que nao visam directamente a defesa de um bem juridico pessoal. Quem e que decide o requerimento do assistente? O requerimento e dirigido ao juiz. e nos casos em que o ofendido queira acusar com o MP o arguido. o que tera de ser necessariamente na fase de inquerito. no dia-a-dia das pessoas. al.o 3 diz que o assistente pode intervir a qualquer altura do processo. segundo o art. menos margem de manobra ele tem. porque? Para que isto chegue ao juiz antes do resto do processo. mas sempre ao juiz). com juncao dos elementos necessarios a decisao”. quem e que se pode constituir assistente? Quem sao os ofendidos? Sao os titulares dos interesses que a lei quis especialmente proteger com a incriminacao proteger. Mas.o. Porque ela afinal tem um interesse. uma vez que ainda nao existe tribunal. E preciso ter cuidado porque depende do bem juridico que e alvo de proteccao. Para que este prazo de 5 dias? Para o conhecimento dos outros intervenientes. desde que o requeira ao juiz. o prazo e de 10 dias apos a queixa. Isto porque perante um crime que visa a proteccao de um bem comum. A instrucao e uma fase facultativa (nao ha requerimento de instrucao. 284. tenho a impressao que ja ha alguma abertura. a constituicao de assistente nao e permitida. Ou nos casos do art. …). Neste conjunto. Mesmo assim ele so pode fazelo ate 5 dias do inicio do debate instrutorio ou da audiencia do julgamento. b) (que preve o requerimento de abertura de instrucao). Nao ha uma vitima concreta. mas remetemos ao juiz. A constituicao de assistente tem de ser requerida. Na fase de inquerito. um interesse difuso/colectivo. desde que maiores de 16 anos. que nos conseguimos determinar quem e a outra pessoa que esta do outro lado da ofensa. 70. Mas sim defender a veracidade dos documentos e a sua credibilidade.

e defendida por quem diz que. Entao. porque se esta e a ordem para os casos de queixa. a) parece forcar um bocadinho o alcance dos interesses que a lei quis especialmente proteger com a incriminacao. a)? A familia tambem tem este interesse que a lei quis proteger. 68. salvo se alguma delas tiver comparticipado no crime”. quem e que se constitui assistente? Podem ser os dois? Os assistentes podem ser varios. numa primeira analise. A Ester e irma do Celso. Mas.o “Os assistentes sao 68 . salvo disposicao em contrario. De acordo? Mas resta-nos um problema. os descendentes e os adoptados. considerando-se como tal o titular dos interesses que a lei quis proteger com a incriminacao. ou nao? E na falta de constituicao e nao na falta das pessoas que vamos o segundo conjunto. e claro que isto nao resolve todos os problemas porque as pessoas na al. mas a mulher nao se quer constituir assistente. O Daniel e filho do Celso. c) nao tem nada a ver com os crimes particulares ou semipublicos. Porque? Porque os crimes semipublicos e particulares estao previstos na al. e capaz de fazer bastante sentido. Por outro lado. E. qual e? E que diz: “se o crime depender de queixa”.o 3 que “qualquer das pessoas pertencentes a uma das classes pode apresentar queixa independentemente das restantes”. sem ele ter podido manifestar-se na accao penal. parece dirigir-se especificamente a vitima e nao a familia da vitima. pode haver mais do que 1 assistente? Efectivamente. ou seja. so existia a mulher do Celso e a irmao do Celso. de facto. Se o ofendido morrer sem ter apresentado a queixa. entra a primeira classe e so se ela nao se preencher e que entra a segunda. Ha quem entenda que se isto existe para quando ha queixa tambem se deve entender que deve existir quando nao ha queixa. Suponham que nao existia o filho. o direito de queixa pertence as pessoas a seguir elencadas. Outra solucao. a pensar na alinea c) do art. do ponto de vista sistematico. Celso tem uma mulher. diz la “sem ter renunciado a queixa”. b) tambem podem morrer. Estas sao as tres solucoes que efectivamente se tem dado ao problema. Mas. depois de ter dado a oportunidade de se pronunciar ao MP e ao arguido. A aplicacao da al. A Ester e maior. e. quando aqui se diz . Agora. que so entram se nao entrarem os outros do primeiro conjunto.juiz. Portanto. porque e que nao ha-de ser a ordem para os casos de nao-queixa? O caso de ter morrido sem ter renunciado a queixa so interessa e para a presentacao da queixa. O que quer dizer que a mulher pode apresentar queixa e o filho pode tambem apresentar queixa.o porque o ofendido morreu. Esta alinea tem um conjunto de classes. sem ter havido accao penal. em crimes como o homicidio. e se houver e os outros nao quiserem constituir-se assistentes? E o caso. “Quando o procedimento criminal depender de queixa tem legitimidade para a apresentala. A este respeito regulam tambem os artigos 113. porque para esses existe a al. b). os ascendentes e os adoptantes. aplicar-se as mesmas regras em termos de classes e de preferencia entre elas. Noutro sentido ha quem defenda que cabe na al. portanto. c). 70. c) por uma aplicacao extensiva. o crime nao depende de queixa porque e um homicidio. e e preciso distinguir dois segmentos: estao na primeira linha: o conjuge sobrevivo. nao estamos em presenca de um crime dependente de queixa. e nao para a constituicao de assistente. Mais alguma solucao para o nosso problema? Porque e que nao cabe na al. b) e nao na al. ai. por forca das circunstancias. os irmaos e os seus descendentes. diz-se num sentido muito amplo.o e seguintes do Codigo Penal.. no nosso caso. o ofendido. ou. em parte: a mulher do Celso nao se que constituir assistente. quer-se dizer. Entrava a irma do Celso. a pessoa que com ele viva em condicoes analogas a dos conjuges. Pela aplicacao da al. O Daniel e maior. que nos falam da queixa e da acusacao particular. defendem que a al. nem ter renunciado a ela. ha uma ordem de preferencia entre as classes. no nosso caso. e todos estes estao num primeiro conjunto. Diz logo o art. c) por uma interpretacao extensiva. Ja nao me parece que o filho possa apresentar queixa e a irma possa tambem apresentar queixa – porque. E diz no n. nos seriamos levados.queixa. na falta daquele conjunto.

Vindo o MP a acusar António por factos subsumíveis ao crime de homicídio privilegiado. presidido pelo MP. Tanto aqui como no CP. So entra o segundo grupo se faltar alguem do primeiro. acabando Celso por morrer. A instrucao foi pensada para ser uma fase facultativa excepcional. em termos de factos. aqui. Aqui requer instrucao dos actos do MP. tanto pode ser do arquivamento como da acusacao.nao estiver dependente de acusacao particular. No casos de serem comparticipantes. Perguntolhes: suponham um caso em que o MP acusa. a primeira pergunta que lhes faco e a seguinte: porque e que diz. nao concorda. So deve existir quando algum deles queira fazer uma alteracao substancial do objecto do processo. pelo factos pelos quais o MP ou o assistente. Quando seja o assistente. Reparem: cada um deles so pode requerer a abertura de instrucao dos actos do outro. tiverem deduzido acusacao. previstas nos artigos 280. sao afastados e entram os segundos. e a de serem elas as que estao mais conscientes da vontade do de cuius. uma vez que a instrucao e a comprovacao judicial do inquerito.? Porque nos crimes particulares quem faz a acusacao e o proprio assistente. pergunto eu agora. no art. factos que nao estejam nem no despacho de arquivamento. e. o que fez. e C. mas que este avançou para si com uma faca. Nao ha instrucao contra arquivamentos. So na falta deles (e nao e se eles nao quiserem) e que entram os segundos.sempre representados por advogado. se existem primeiros. Estamos no caso de constituicao de assistente e nao de apresentacao de queixa. acusacao. suspensao provisoria do processo).o e seguintes (arquivamento. Portanto. 287. a possibilidade de se inaugurar uma nova fase processual (facultativa): a fase da instrucao. dizendo que só pretendia confrontar Celso verbalmente. e o assistente nao concorda: ele acha efectivamente que ha os factos A. mas que nao querem ser assistentes. obrigado a defender-se. 4. parece obvio que o que o legislador o que aqui pretende e criar uma ordem. mas faz uma acusacao menor. onde a lei e mais clara. mas 69 . Acusa pelos factos A. e a minha opiniao.o. Porque quer em funcionamento desta norma. Neste caso. Para os outros factos ha outros meios. seja ela do MP ou do assistente. Quem pode requerer a abertura da instrucao? Obviamente. o MP nunca pode requerer a abertura da instrucao. vendo-se ele. Ora. A eles importa-lhes a perseguicao criminal. os segundos nao entram. Porque pode haver acusacao e ela pode ser por menos factos do que o assistente acha que deveria la estar. Nesse caso o assistente pode requerer abertura de instrucao. Por isso e que o legislador da preferencia aos parentes mais proximos. por uma daquelas formas que ja vimos. Encerrado o inquerito. arquivamento para dispensa de pena. O que deve fazer? Ora. Ou seja. E se nao houvesse filho. o arguido so contra a acusacao. assistente so pode ser o filho. pelos factos contados acima. portanto. O que e que ele deve fazer? Deve dar origem a fase facultativa do processo que e o requerimento de abertura de instrucao. E se ele tem um filho que se quer constituir assistente. parece-me que a ratio e essa. Havendo varios assistentes sao todos representados por um so advogado”. No arquivamento o processo morre para o arguido. mas ele quer reagir. que quer ser assistente? A razao pela qual o legislador da a possibilidade de exercicio aos parentes mais proximos tanto da queixa como da assistencia. Em que casos? Quando seja o arguido. Portanto. o MP faz a acusacao. Antonio foi acusado de homicidio privilegiado. nem no despacho de acusacao. . quer em funcionamento da do CP. este pretende reagir. o procedimento nao depender de acusacao particular e relativamente a factos pelos quais o MP nao tiver deduzido acusacao. temos. B. deve este prevalecer em exclusao da irma. A instrucao so pode ser requerida pelo arguido ou pelo assistente. aqui. Se houvesse so a mulher que nao quer ser assistente e a irma. nao vai ser ele a requerer a instrucao. em caso de crime dependente de acusacao particular. B e C.

Deve-se indicar as razoes de facto e de direito que conduzem o sujeito processual a nao concordar com a decisao que foi tomada em sede de inquerito. n. n.que C nao se passou efectivamente assim. tem que estar la o defensor e o MP. e podem discutir oral e sucintamente a causa. ainda que seja para dizer que acompanha o MP. como tambem pode ser uma mera discordancia de direito. o juiz pode indeferir. 294. porque o assistente tem sempre a possibilidade de acompanhar a acusacao do MP. tem que requerer sempre a abertura da instrucao. E no caso do arguido? No caso do arguido. O que e que o assistente deve fazer? O assistente quer juntar um facto que nao altera substancialmente a acusacao. Isto por causa das restritas causas da recusa do RAI. mas deve? Ele nao precisa de ir discutir isto para a instrucao. nessas circunstancias. …) sao facultativos. face a uma acusacao. porque o requerimento vai ser semelhante a uma acusacao. Ele nao deve requerer a abertura de instrucao. 257o. e fazer a qualificacao juridica desses (esta qualificacao dos factos nao vincula o juiz). e o advogado do assistente. Quando temos um despacho de arquivamento. o assistente pode tambem deduzir a acusacao pelos factos acusados pelo MP. n. e em segundo lugar. e o assistente abre a instrucao. inquiricao de testemunhas. inquiricoes de facto. acha que e um homicidio normal e nao privilegiado – deve acusar. so nesse caso e que o assistente deve requerer a abertura de instrucao. por exemplo. No caso de acusacao pelo MP. Neste caso o RAI tem uma especificidade: e preciso um conjunto de formalidades. E preciso ter algum cuidado quando o requerimento e feito pelo assistente face a um despacho de arquivamento do MP. ai nao existe objecto.o. como uma verdadeira excepcao. O RAI nao esta sujeito a formalidades especiais devendo conter uma sintese com os motivos da discordancia com o despacho de arquivamento ou de acusacao do MP. Isto decorre do art. Em principio sera uma impugnacao de facto ou uma excepcao de direito. O assistente deve sempre tomar posicao. a). tem e que as indicar no RAI. A instrucao esta regulado nos artigos 286.o2 do CPP. isso e seguro. al. ele so pode requerer a abertura da instrucao. a sua intencao e fazer uma acusacao. Todavia. 4. extemporanea ou manifesta improcedencia do pedido. Requerimento de Abertura de Instrução (RAI) Muito embora a instrucao tenha sido pensada como uma fase facultativa. por parte deles ou por outros que nao importem a alteracao substancial daqueles”.o e seguintes e so tem um acto obrigatorio: o debate instrutorio. De seguida o juiz pronuncia-se. por isso e que e um meio comummente utilizado. primeiro pronunciase sobre a admissibilidade do RAI. O debate instrutorio e oral e obrigatorio. n. que o requerente entende que devem de ser feitas durante a instrucao. Assim como as diligencias probatorias. quando o assistente considere que ha outros factos que nao foram acusados e que deveriam ter sido. vai apreciar as diligencias requeridas pelo requerente. na maior parte dos casos faz-se uma impugnacao dos factos e 70 .o2 do CPP que remete para o art. nao existe nada. se existir.o: “ate 10 dias apos a notificacao da acusacao do MP. b) e c) do CPP. todos os outros (diligencias. Ele pode requerer a abertura de instrucao. al. 257o. pode faze-lo na audiencia de julgamento. Nao deve requerer a instrucao. porque assim o processo e mais celere.o 1. O mesmo se diga para as situacoes em que ele nao concorda com a qualificacao juridica. identifica-los. Pode requerer qualquer meio de prova que o CPP admite. 283o. Ou seja. E o que esta previsto no art. Mas quando e que ele a deve requerer? No nosso caso pratico cabe a abertura da instrucao. O que ele deve fazer e a sua propria acusacao.o3. ela tem sido aplicada como regra. requerimentos probatorios. No caso do arquivamento. que constam no art. e que alteram substancialmente o objecto do processo. 287. tem que se articular os factos que se imputam ao arguido. O juiz pode pronunciar-se em dois sentidos. cabe no art. A instrucao so pode ser recusada por ser ilegal.

por exemplo. sao aquelas que quando procuramos atacar uma decisao tem que caber aqui senao vai ser dificil invocar a nulidade. Arguir um vicio e a solucao quando nao temos outra. Da decisao do juiz apenas cabe reclamacao para o proprio juiz. e sao invocadas ate ao termino do processo. O n. A solucao ira passar por duas vias: recurso ou arguir a nulidade. podem ser de conhecimento oficioso. No nosso caso. 118o e 119o do CPP. e evitar que se possam invocar nulidades sucessivas e uma das formas de obviar a tal. Ele pode decidir nao as praticar. No art. por exemplo. Esta questao levantava muitas duvidas.como tal o requerente vai querer apresentar prova. O juiz decide dessa reclamacao e essa decisao e irrecorrivel. Num segundo grupo temos as nulidades que estao dispersas pelos artigos do codigo. E a propria norma que culmina a consequencia do incumprimento do acto com a nulidade. e um regime muito diferente do regime de processo civil. Portanto a nulidade em processo penal e excepcao. temos as nulidades de prova previstas nos artigos 124o e ss do CPP. 119o e ss do CPP temos as nulidades insanaveis e as sanaveis. Ao lado testa. 194o do CPP. porque o processo penal deve ser celere visto que estao em jogo direitos fundamentais do arguido. Quando falamos de prova vamos aos art. 119o do CPP contem falhas tao graves dai que culmine com a nulidade absoluta. Resta-nos a nulidade. Esta pode ser aquela que foi produzida durante a fase de inquerito mas que nao foi devidamente apreciada como pode ser uma nova prova. 120o do CPP sao dependentes de arguicao. Ha um conjunto de metodos de obtencao de prova que sao as formas atraves das quais se chega aos meios de prova. estas nao sao tao graves. O art. Chegamos a estas provas atraves de certos meios. sao as nulidades tipicas do catalogo. e que nao trazem nada de novo… Aqui indefere este requerimento. Antes de mais temos que fazer uma distincao entre meios de prova e meios de obtencao de prova. 119o do CPP sao as mais graves. a prova documental. e por sua vez estao divididas em nulidades absolutas e em nulidades relativas. O art. As previstas no art. 118o e ss do CPP. aqui a propria morna diz que a prova e nula. A primeira nao e possivel. e se o juiz por seu livre arbitrio decide praticar ou nao um acto isso e um pouco dificil de entender. no momento do transito em julgado nao mais podem ser invocadas. Do despacho do juiz que defere ou indefere a pretensao cabe apenas reclamacao. 118o e 119o e ss do CPP. Isto e particularmente sensivel no processo penal. as escutas telefonicas e um meio para obtera aprova documental. Regime das nulidades Este regime vem regulado nos art.291o do CPP). quando o juiz indefere as diligencias pedidas no 71 . podem ser arguida a todo o tempo. art. As nulidades do processo penal estao divididas em tres grupos.o1 do dito art. 126o do CPP indica os metodos proibidos de prova. pode considerar que elas sao dilatorias. esta nulidade nao e igual a nulidade do art. acareacao… Estes meios de prova nao sao particulares do processo penal. As primeiras cabem nos art. aqui temos uma nulidade que esta prevista numa norma do codigo. E assim. 35o da CRP. por exemplo. inconvenientes. 124o e ss do CPP e art. Esta ultima corresponde a anulabilidade que conhecemos de processo civil. porque o juiz tem este poder e a sua decisao e irrecorrivel (art. O art. Sobre as diligencias probatorias o JIC tem uma especial particularidade que e de decidir se acha ou nao que tais provas devam de ser produzidas. 119o e 120o tem a diferenca entra as nulidades insanaveis e as nulidades dependentes de arguicao. A nulidade prevista no art. Meios de prova sao. esta faz sempre cair por terra um vicio. prova testemunhal. diz-nos que a violacao ou a inobservancia das disposicoes da lei de processo penal so determina a nulidade do acto quando esta for expressamente culminada na lei. pericial. Quando estamos a falar do processo ou diz na norma ou entao vamos ao art. 119o e ss do CPP. porque se ao arguido e conferido um amplo meio de defesa.

Durante a instrucao ha apenas um acto que e obrigatorio que e o debate instrutorio. Ele pode fazer alguma coisa? Qual a forma de reagir? Temos o art. No art. mas diz respeito a alteracao substancial de factos. Assim. Este debate so pode ser adiado por absoluta impossibilidade do advogado. e se esta nao existir e fixada no RAI). 310o do CPP que diz que a decisao instrutoria que pronunciar o arguido pelos factos constantes do MP e irrecorrivel quando se trata dos casos previstos nos art. Esta nulidade pode ser invocada no proprio acto ou ate ao encerramento do debate instrutorio. sendo esta a solucao que desde sempre os advogados encontraram para a obstar que nao podessem discutir uma decisao do juiz que indeferisse a audicao de uma testemunha ou a pratica de uma prova. n. sentencas e dos despachos cuja admissibilidade esteja prevista na lei. 297o e ss.n. Nos podemos presumir a partir do art. Nao sao tidos em consideracao. 283o e 284o. Ha quem entenda que esta solucao faz entrar pela janela aquilo que se proibiu que entrasse pela porta. do CPP. Um despacho de nao pronuncia equivale a um arquivamento (art. decidindo o JIC não pronunciar António. Isto resulta claramente do art. 399o do CPP temos a regra geral: e permitido recorrer dos acordaos. 5. Quem pode reagir e em que termos? A instrucao pode encerrar de duas maneiras: podemos ter um despacho de pronuncia ou um despacho de nao pronuncia. Se forem autonomos ele extrai certidao e envia para o MP e este faz um novo processo. Se o MP nao fizer uma boa investigacao ha muitos factos que pura e simplesmente nao vao ser tidos em conta no processo. 307o do CPP). 399o e 400o do CPP que temos as causas que sao passiveis ou nao recurso. Um despacho de pronuncia consiste na remessa do processo para julgamento. 310o do CPP que e uma norma especifica sobre os recursos que esta inserido na fase de instrucao. O debate decorre sem formalidades especiais. Assegurando-se todavia a producao da prova e a possibilidade de o arguido ou o seu defensor se pronunciarem em ultimo lugar. So que a nulidade tem que ser arguida no prazo de 8 dias contados da notificacao da decisao. Isto faz pressupor quer nos outros casos e recorrivel. 400o do CPP temos um 72 . A grande diferenca da alteracao dos factos na instrucao e no julgamento. Trata-se de uma nulidade que tem de ser arguida num prazo muito curto. Neste caso. Esta decisao e desfavoravel ao assistente (Daniel) e ao MP. Se durante a instrucao o juiz conhecer novos factos que alterem substancialmente a acusacao. Isto vigora assim para o julgamento e como tal tambem se vai aplicar a instrucao. a partida o despacho instrutorio e recorrivel. 308o do CPP vemos as situacoes em que o juiz emite o despacho de nao pronuncia. pois se se diz que o despacho e irrecorrivel quer-se estabilidade da decisao do juiz. a nulidade convalida-se e a alteracao substancial dos factos vai para julgamento. e que no primeiro caso a nulidade tem de ser arguida apos a notificacao da decisao. O juiz pode conhecer desses factos? Se o juiz durante a instrucao conhecer factos que alterem substancialmente o objecto do processo (este e fixada na acusacao.o4 do CPP. Quanto aos recursos. A decisao e ditada para a acta.o1 do CPP. 118o do CPP. E nos art. Se nao forem autonomos caem. temos o art. ele nao pode conhecer deles.o1 do CPP que a decisao instrutoria nunca e recorrivel? No art. como tambem no RAI. No art. 310o. 310o. podemos invocar a nulidade do art. depois desta prazo a nulidade convalida-se.n. Este vem regulado no art.RAI. esta no art. Se nao for arguida. 209o do CPP que diz que a decisao instrutoria e nula por factos que constituem alteracao substancial da acusacao do MP ou do assistente. Durante a instrução apura-se que os factos alegados por António correspondem à verdade. mas ninguem pode vedar o conhecimento das nulidades.

Temos dupla conforme quando a decisao do tribunal de 2a instancia e exactamente igual a decisao do tribunal de 1a instancia. depois temos acordaos preferidos em recurso pelas relacoes que nao conhecam a final do objecto do processo (e aquilo que nos conhecemos em processo civil por recurso interlocutorios). as decisoes que ordenam actos dependentes da livre resolucao do tribunal (esta tambem se admite nos mesmos termos que no processo civil). e as partes civis que tiverem sido condenadas. Ha situacoes em que o recurso para o tribunal da relacao basta. Suponha que os autos seguem para julgamento e António arrola como testemunha a sua mulher. Nos tribunais penais temos tres graus jurisdicionais.conjunto de situacoes em que a dupla conforme obsta ao recurso. e quando se trata de crimes com pena de prisao ate 8 anos. entao esse despacho e irrecorrivel daqui vamos para julgamento. 399o e 401o do CPP. e se o juiz nao se pronunciar ja ha recurso. Inicia-se com a prova testemunhal. para prova de que Celso avançou para si empunhando uma faca. 399o e 400o do CPP. O art. 6. Aqui ha uma dupla conforme condenatoria. Nao e liquido que elas nao testemunhem. Ha um conjunto de pessoas que pelas suas relacoes especiais com as partes podem recusar-se a depor. Admitindo que estamos numa situacao tipica. 128o e ss. seja a que e feita por forca doa art. o arguido e o assistente de decisoes proferidas contra eles. Se o despacho de pronuncia confirmar a acusacao do MP. 401o do CPP estabelece quem tem legitimidade para recorrer. a verdade. e segue os mesmos termos do processo civil. seja a feita pelo art. em ultima instancia o juiz pode mandar a pessoa testemunhar. Isto esta previsto no art. aqui podemos encontrar os despachos de mero expediente. Transpondo para o art. E quando a decisao do tribunal da relacao confirma a decisao integralmente do tribunal de 1a instancia. isto da-se nos casos de dupla conforme. ou seja recurso do tribunal de 1a instancia para o tribunal de 2a instancia. de acordaos absolutorios preferidos em recurso que confirme a decisao da 1a instancia (isto e dupla conforme). 134o do CPP e mais extenso. Ainda temos outro nucleo de testemunhas que esta relacionado com as pessoas que estao sujeita ao segredo profissional. 283o do CPP. O art. so que aqui temos uma decisao judicial e outra do MP. E o caso de arguidos e co-arguidos. Temos tambem acordaos preferidos pela relacao que apliquem pena nao privativa de liberdade. Poderá fazê-lo? Os meios de prova estao regulados no art. 400o do CPP estabelece quais as decisoes que nao admitem recurso. No art. Podendo ainda configurar-se uma situacao de recurso “ per saltum”. que e a normal. esta e muito parecida com o processo civil. do CPP. recusa-se a depor. e o proprio processo que as impede para garantir a defesa. assistentes e peritos. e outro do tribunal da Relacao para o STJ. e 73 . Esta. As testemunhas estao obrigadas a responder com verdade. Portanto no caso face a nao pronuncia do JIC tanto o MP como o Daniel podiam recorrer nos termos do art. 133o do CPP temos um nucleo de pessoas que estao impedidas de depor. Pois sao sujeitos e participantes do processo penal. todavia. E principio constitucional que no processo penal tem sempre que haver um grau de recurso. a seguranca e a estabilidade do processo. Se o juiz de instrucao acusar por outros factos que nao constem na acusacao. partes civis. Segue-se os acordaos condenatorios proferidos pela relacao que confirmem a decisao do tribunal de 1a instancia e que apliquem pena nao superior a 8 anos. a diferenca e que o art. e temos dois graus de recurso. Um do tribunal de 1a instancia para o tribunal da Relacao. nos termos normais do art. 285o/4 do CPP. 310o do CPP e mais ou menos isto que sucede. sera que todas as causas podem chegar ao STJ? No processo penal nao existem alcadas nem valor de accoes. assim tem legitimidade o MP de quaisquer decisoes. ai vai ser tudo apreciado. 134o do CPP. se o MP acusou mas o assistente nao acompanhou.

O processo crime nao pode parar.284o. 330o do CPP). Assim sendo a esposa pode recusar-se a depor. 340o do CPP. o qual vai proceder a uma primeira avaliacao deles. o juiz. enviado por António a um seu amigo de longa data. nao necessitando de ir a julgamento. fiscaliza o processo. O arguido tem 20 dias a contar da notificacao da data da audiência (art. Aqui nao ha regras particulares. 341o do CPP temos a ordem por que sao chamadas as provas. Devemos ter em consideracao as regras da publicidade. 74 . e no decorrer da audiencia os advogados chamam os documentos.315o do CPP). se seguida os meios de prova que sao apresentados pelo MP. apresenta-se essa testemunha no momento por apelo art. No julgamento o momento mais crucial e a producao de prova.o1 e 285o. mesma hora. verifica que deles consta a transcrição de um e-mail. do CPP sobre a audiencia e os actos da audiencia. esta existe em processo penal so que e muito rara e quando e feita tem pouca importancia. pois um juiz serio jamais recusa uma testemunha que e fundamental para a descoberta da verdade material. no fim da acusacao temos a indicacao: “folhas x a y”. Durante o julgamento tem que se fazer mencao dos documentos. De resto toda a prova tem de ser produzida no julgamento para se proceder a imediacao do juiz e ao contraditorio. Quanto ao arguido e obrigatoria a sua presenca na audiencia de julgamento. n. depois constarem na sentenca. para estes. porque todo ele esta orientado por uma ideia de celeridade. porque ao contrario do processo civil. O MP. O JIC ou o MP envia os autos para o juiz de julgamento. O processo penal so para quando o juiz nao comparece. 329o e ss. por isso nao tem que provar nada. da contrariedade. nos termos do art. usa a contestacao para apresentar o seu rol de testemunhas e outras provas. do CPP que vem regulado. no processo penal o arguido nao tem nenhum onus da prova. primeiro vamos ao julgamento do processo crime. No n. Se faltar o assistente ao julgamento ou o seu advogado o processo continua nao para (art. geralmente. e temos a falta justificada para o processo civil. Face a isto. essas folhas contem as provas que o MP recorreu. Quando vamos consultar os processos. Em primeiro lugar temos as declaracoes do arguido.o4 o do CPP. Devido a este artigo nao e pratica dos advogados fazer rol de testemunhas. por ultimo os meios de prova do arguido e dos responsaveis civis. 333o. Se esse prazo for ultrapassado ou se durante o julgamento aparecer uma testemunha fundamental. e o arguido podem alterar o rol de testemunhas contando que a alteracao possa ser comunicada ate tres dias antes da audiencia de julgamento. Ele aqui procede a um saneamento do processo. depois os do assistente e do lesado.o 3 do art. O arguido. o assistente. para se pronunciar sobre as nulidades que podem obstar ao merito da causa (art. Isto de acordo com o art. dai que se estivermos numa situacao de termos um julgamento civil e um julgamento penal marcados para o mesmo dia. no geral sao situacoes gritantes. n. dois meses antes da ocorrência dos factos submetidos a julgamento. Isto e raro acontecer devido ao principio da descoberta da verdade material. como deve agir o juiz de julgamento? Quanto ao julgamento e nos art. contando-lhe que descobriu que a sua mulher o trai com Celso e dando-lhe de que prepara a morte daquele. consultando os autos. Durante o julgamento.311o do CP vemos as situacoes em que a acusacao e manifestamente infundada. Um elemento importante a referir e a contestacao. n. 332o do CPP sem prejuizo do disposto no art.se a pessoa recusar incorre em crime de desobediencia. O juiz pode recusar a acusacao se a achar manifestamente infundada. No art. Quanto a marcacao das audiencias temos regras no CPP. 311o e ss. pois pode acontecer que o juiz decida indeferir o rol. bem como a consequencia da falta do defensor nos crimes particulares. 311o do CPP). E as normas do art.o 1 a 3 do CPP. 7. A atitude mais comum do arguido e ficar calado durante todo o processo so aparecendo no julgamento.

1o. Dai que. e como as quer prestar. sem qualquer coaccao. a estas perguntas o arguido tem de responder com verdade. Quando temos processos feitos em varias sessoes. Do ponto de vista processual nao e chocante. e uma nova investigacao para o MP. e se faz uma confissao integral e sem reservas. com e o caso de Espanha. Considerações gerais Fase mais crucial para a investigacao criminal. temos que ver se sao substanciais ou nao. sem esquecer. a fase do julgamento e do recurso. como tal nao pode ser conhecido (art. Do e-mail releva que o crime e premeditado e nao e privilegiado. Antigamente. Assim o MP. uma vez que o termo instrucao estava conotado com uma ideia ultrapassada e mal conotada. e o assistente dispensam as suas testemunhas. pode optar por so fazer declaracoes e por nao responder as perguntas. f) do CPP e um facto substancial. tal como ainda acontece em alguns paises actualmente. Em termos de interesses controversos. nao e considerado. isto e errado. Esta tem como primeiro pressuposto a existencia de uma alteracao dos factos. onde consta um facto novo o qual e apreciado durante a leitura dos autos no julgamento. dado que normalmente aqui se poem em causa alguns dos principios fundamentais do processo penal. Se o facto fosse autonomo ia dar lugar a uma nova denuncia.O juiz comeca por perguntar os dados pessoais ao arguido. e e sociavel. e-lhe perguntado se ele quer responder a materia da acusacao. Entretanto. e iniciam-se as declaracoes do arguido. 1o. O MP passa a ter conhecimento da prova do arguido e ele fica com a possibilidade de apresentar qualquer prova. obviamente. a esta fase chamava-se instrucao. porque ja sabe que o arguido nao vai pode contradizer. E o arguido que decide se quer ou nao prestar declaracoes. Do inquérito 1. para vincar esta alteracao plena de modelo houvesse necessidade de alterar tambem a designacao. O MP tem por obrigacao. Comeca-se por aqui. Temos aqui em causa uma questao do objecto do processo. com a revisao do CPP de 1987 houve uma alteracao de designacao. Este novo facto pode ser conhecido? E substancial? De acordo com a nocao do art. a sua ma investigacao não pode prejudicar o arguido. fruto do Antigo Regime. ele tem a obrigacao de proceder a uma correcta investigacao. f) do CPP temos a nocao de alteracao substancial de factos. al. se e boa pessoa. so serao ouvidas aquelas testemunhas que podem atenuar a medida da pena. ao MP. Agora temos que avaliar os factos em si. Nao sendo um facto autonomo. al. o qual pode conduzir a descoberta de um novo facto. porque ele pode confessar. 75 . A alteracao substancial dos factos so pode ser conhecida quando ha acordo do arguido. de seguida le a acusacao. Pode responder parcial ou integralmente. De seguida passamos para a inquiricao de testemunhas. Nao podendo ser conhecida o facto vai cair. Se optar por confessar e-lhe perguntado se o faz de livre vontade. porque depois o arguido deixa de ter provas para se defender. ele fica precludido. esta e uma das fases mais delicada. produzir toda a sua prova antes do arguido. O email por si so e um meio de prova. e as testemunhas abonatorias que sao aquelas que vao testemunhar acerca da personalidade do arguido. se o fizer a restante prova ja nao sera necessaria. No art. No nosso caso temos uma transcricao de um e-mail (este e um meio de prova).359o do CPP). por vezes o MP pede para comecar com as testemunhas do arguido. Em primeiro lugar temos que ter factos que alterem substancialmente nos factos. pois nao podemos prejudicar o arguido por actos que competem ao Estado. as primeiras a serem ouvidas sao as do MP.

mitigada por um principio de investigacao. nao dependencia politica. ja que estes tem uma relacao de dependencia funcional em relacao ao MP. O MP nao pode queixar-se do protagonismo que tem os orgaos de policia criminal. mas funcionalmente. dependem sempre do MP. pelo juiz de instrução e pelos órgãos de polícia criminal Que relacao e que existe entre os orgaos de policia criminal e o Ministerio Publico? Esta questao e muito interessante.O inquerito visa a investigacao criminal de um facto e de quem tera sido o seu autor. nao dependencia organica. Por homenagem ao principio da acusacao. nomeadamente os recursos humanos. Quais sao? Aqueles que contendam directamente com direitos 76 . isto e. E o que e que se faz no inquerito? Realiza-se um conjunto de diligencias necessarias a determinar necessariamente isso. pois tem os seus comandos e direccoes proprias. nao dependencia administrativa. Quem o faz? Quem faz e o Ministerio Publico (MP). considerado o “dominus do inquerito”. existe uma dependencia funcional entre estes dois orgaos. tambem e preciso dizer que quando se trata de investigacao criminal os orgaos de policia criminal dependem mesmo do MP. 2. quando e como. portanto. ultimamente. nao mais do que isso. ouve-se falar bastante nesta questao: qual e o papel e qual e a relacao que se estabelece entre Ministerio Publico e os orgaos de policia criminal no processo penal? Esta fase e dirigida pelo MP. no que diz respeito a investigacao criminal. De facto. a entidade que investiga e que acusa e uma entidade diferente daquela que vai julgar. Porem. dependem do MP nas funcoes de investigacao criminal. nao dependencia financeira). porque ja devem ter ouvido muitas vezes falar sobre isto. A verdade e que contra o MP se podera dizer que a investigacao criminal em Portugal e no terreno normalmente feita pelos orgaos de policia criminal. e. nao tem nenhuma dependencia do Ministerio Publico alem da dependencia funcional. acaba muitas vezes por serem os orgaos de policia criminal a fazerem isso e o MP a funcionar como uma especie de espectador ou como alguem que ratifica os actos realizados pelos orgaos de policia criminal. com o auxilio e com a ajuda dos orgaos de policia criminal. Tirando os actos que sao proprios e exclusivos do juiz de instrucao porque ha actos realizados no inquerito da exclusiva competencia do juiz de instrucao. O MP queixa-se de que muitas vezes sao muitos os processos e os orgaos de policia criminal assumem um protagonismo que nao lhes e concedido pelo proprio MP. Ou seja. como e o caso das medidas cautelares e de policia. como nao existe um agente do MP para cada processo. tem competencias para investigar criminalmente. sobretudo na comunicacao social. porque se nao fosse esse protagonismo nao haveria investigacao criminal na maior parte dos casos. e a entidade que em Portugal de acordo com o nosso processo penal de estrutura acusatoria. e uma vez que os OPC tem competencias de investigacao muito proprias. Todavia. n. em que os OPC podem tomar a iniciativa de realizar algumas diligencias de investigacao. E porque estou a dizer isto? E porque parece que tem havido muitos equivocos na pratica. Na maior parte dos casos essa investigacao e quase totalmente delegada nos OPC. havendo necessidade de racionalizar os meios.o 2 que os orgaos de policia criminal actuam sob a direccao directa do Ministerio Publico e na sua dependencia funcional (so dependencia funcional. o Ministerio Publico e quem detem o exercicio da accao penal. em termos de pratica e de operacionalidade. e o MP que dirige o inquerito e decide o que se deve fazer.o. So que a magistratura do MP nao realiza a investigacao isoladamente. Mas. Este e. Ou seja. Dos actos do inquérito a praticar pelo MP. diz o artigo 263. em vez de ser o MP a assumir a direccao da investigacao. Exceptuando aqueles casos. porque o MP praticamente nao exerce funcoes de investigacao no terreno. Os OPC nao dependem hierarquica ou organicamente do MP.

fundamentais. O juiz funciona no processo penal como .juiz das garantias. ou .juiz das liberdades., aquele que garante que os direitos fundamentais sao respeitados e, por isso, no artigo 268.o ha actos que tem que ser praticados pelo juiz de instrucao, como por exemplo proceder ao primeiro interrogatorio judicial do arguido/detido – tem de ser o juiz a faze-lo e nao o MP, e porque? Porque o juiz e a figura imparcial e nao tem interesse directo no processo. Por exemplo, ao aplicar uma medida de coacao, uma medida de prisao preventiva, ou proceder a buscas ou a apreensoes ou, enfim, a todo um conjunto de actos que estao previstos no art. 268.o, que sao da exclusiva competencia do juiz de instrucao. Na verdade, nesta fase de inquerito, assim como em todo o processo penal, todos os actos processuais que contendam directamente com direitos fundamentais e que possam comportar uma restricao a esses direitos, so podem ser praticados pelo juiz de instrucao (art. 268o CPP). E o caso, por exemplo, do primeiro interrogatorio judicial do arguido detido, que tem de ser pelo juiz de instrucao. Trata-se de apelar a intervencao de uma entidade que, em principio, e completamente imparcial, e que nos termos da CRP, e o garante das liberdades e das garantias dos cidadaos. E por isso que todas as medidas de coaccao (excluindo o TIR, que ate um OPC pode aplicar) tem de ser decididas por um juiz de instrucao, ainda que sejam propostas pelo MP. Isto tambem pode levantar alguns problemas, senao vejamos: o MP propoe que se aplique a determinado individuo a prisao preventiva e o juiz de instrucao acha que se deve aplicar a obrigacao de permanencia na residencia. Ha quem diga que isto nao esta certo porque e o MP quem sabe qual a medida que melhor se adequa aos interesses da investigacao. No entanto, e preciso entender que ainda que a investigacao criminal seja um interesse importante, pois esta em causa a realizacao da justica, o respeito pelos direitos fundamentais esta acima de tudo isso, dai que nas situacoes em que haja a restricao de direitos fundamentais e necessario que intervenha uma entidade constitucionalmente preparada para operar tal restricao segundo os criterios da necessidade e da proporcionalidade do art. 18o CRP. Por outro lado, no art. 269o CPP estao os actos que tem de ser ordenados ou autorizados pelo juiz de instrucao, como e o caso das buscas domiciliarias, e no art. 270o CPP estao presentes os actos que podem ser delegados pelo MP nos OPC. Tirando esses actos, todos os outros actos sao, em principio, da competencia exclusiva do MP. O que e que pode ser feito, entao, pelos orgaos de policia criminal sem ofender esta competencia exclusiva do MP? Por um lado, aqueles actos que ja vimos, que se chamam medidas cautelares e de polícia que podem suceder antes ou ate durante, sobretudo, na fase inicial do inquerito (quando nao ha tempo, por exemplo, de comunicar a autoridade judiciaria). Mas por outro lado, e, sobretudo, aqueles que estao previstos no art. 270.o, ou seja, o MP pode delegar nos orgaos de policia criminal uma serie de diligencias que normalmente deviam ser feitas pelo MP e que sao feitas pela policia. – E e aqui que entra a questao fulcral, pois, normalmente, o MP delega toda a investigacao nos orgaos de policia criminal e depois vem a questao do maior ou menor protagonismo dos orgaos de policia criminal em relacao ao MP. O mesmo sucede nas relacoes com o JIC, o que levanta algumas dificuldades de relacionamento a certos niveis. Por exemplo, o levantamento ou nao do segredo de justica, entendido como forma de salvaguardar os interesses da investigacao, devia caber ao MP, pois e ele que sabe se aquele caso em concreto exige ou nao tal secretismo para o sucesso da investigacao. Mas com a ultima revisao do CPP o processo passou a ser publico, sendo secreto apenas se o MP quiser, com a possibilidade de recusa por parte dos outros sujeitos processuais, sendo que a ultima palavra cabe sempre ao juiz de instrucao. Dai que haja vozes discordantes que afirmam que se e o MP quem dirige o inquerito e sabe quais os interesses em causa na investigacao, a ultima palavra devia ser sempre dele e nao do juiz de instrucao. Ha uma coisa que e importante ter em conta: quem dirige o inquerito e efectivamente o MP. Isto e fundamental para se compreender a estrutura do processo penal portugues. Nao e o juiz de instrucao que dirige o inquerito e tambem nao e a policia criminal. As vezes a impressao que nos temos, quando ouvimos falar de algumas investigacoes, e de que quem dirige o inquerito

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(inquerito aqui com o mesmo sentido de investigacao), quem dirige a investigacao criminal e a policia judiciaria. Nao e verdade. Nunca e a policia judiciaria que dirige a investigacao criminal. E sempre o MP que dirige – e porque? Porque o MP funciona em Portugal como um representante de toda a comunidade, enquanto a policia criminal nao tem esse papel. O representante de todos os cidadaos no processo penal e o MP. De modo que tem de ser o MP a dizer o que se tem de fazer para investigar um crime, como se tem de fazer, quem tem de o fazer, que actos se tem de realizar, e nao os orgaos de policia criminal! A policia criminal nao tem essa competencia porque nao e representante da comunidade na accao penal. Claro que a policia criminal tem um papel muito importante em termos de seguranca para a comunidade – mas nos nao estamos a falar disso, nos estamos a falar do processo penal, da investigacao criminal. Nos estamos a falar de um fenomeno que ocorre apos o crime, e nao antes do crime. Na seguranca e prevencao, a policia tem um papel fundamental para toda a comunidade. Mas nos nao estamos a falar disso. Falamos depois de um crime ser cometido e do papel que as entidades tem na investigacao criminal e em concreto quem deve dirigir a investigacao criminal: dirige quem e representante da comunidade, neste caso, o MP, porque e o representante do Estado e o Estado representa-nos a todos nos. De maneira que nao ha duvidas sobre isto, embora como voces sabem infelizmente muitas vezes por delegacao quase total dos actos de investigacao por parte do MP nos orgaos de policia criminal, o que vem a suceder na parte pratica e que as investigacoes criminais sao realizadas quase exclusivamente pelos orgaos de policia criminal. Não se critica os orgaos de policia criminal, porque existem quer na policia judiciaria, quer na GNR, quer na PSP excelentes agentes preparados e bem formados. Mas a sensibilidade em geral para as questoes de natureza penal nao e a mesma quando falamos do MP ou de um orgao de policia criminal. Salvo muitas excepcoes, e cada vez sao mais as excepcoes, isto e, cada vez encontramos mais gente bem qualificada nos orgaos de policia criminal com sensibilidade para as questoes penais, por exemplo, e preciso dizer que ja existem inclusivamente muitos agentes da PSP, GNR, policia judiciaria (ja nem se fala!), com formacao juridica e nos proprios cursos de formacao da PSP existem nos curricula muitas disciplinas de Direito Penal ou Processo Penal, etc. Mas nao se compara isto, apesar de tudo, a formacao que um agente do MP tem, porque um agente do MP nao estuda so questoes de Direito Penal ou de Processo Penal, estuda Direito Constitucional, estuda Filosofia do Direito, enfim, ha todo um conjunto de disciplinas de formacao basica para um jurista, que permite uma diferente concepcao da realidade. Nos temos uma certa sensibilidade para a questao dos direitos fundamentais que normalmente o cidadao comum nao tem. Nao sei se ja se deram conta de estarem a discutir num grupo de amigos ou na familia um processo mediatico e se deram conta de que voces sao os unicos de que estao a tomar uma posicao “pro libertate”, pro arguido. Temos uma visao diferente, sobretudo quando estao em causa direitos fundamentais. E, portanto, os orgaos de policia criminal, apesar da formacao que tem, actualmente muito boa, mesmo assim nao tem talvez a mesma sensibilidade que tem o MP ou tem o juiz para estas questoes. De modo que nao ha duvida nenhuma de que a direccao teria de ser do MP, e isso e absolutamente claro. Em que consistem os principais actos do inquerito? Como vos disse, quando falamos dos principios, nao existem praticamente limites a descoberta da verdade material, porque e esse o principio que inspira o processo penal, ao contrario do processo civil. O que significa que em principio, exceptuando aqueles casos em que manifestamente for ilegal, a obtencao de um determinado meio de prova (e isso nos vamos aprender) nao tem limites, em obediencia ao principio da descoberta da verdade material. O art. 267.o diz: “Art. 262.º Actos do Ministério Público O Ministério Público pratica os actos e assegura os meios de prova necessários à realização das finalidades referidas no n.º 1 do art. 262.º, nos termos e com as restrições constantes dos artigos seguintes.” O que a seguir vem sao restricoes que tem a ver com as competencias de

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cada orgao. No art. 268.o do juiz de instrucao; no art. 269.o do juiz que pode autorizar ou ordenar que sejam realizados por outros agentes; no 270.o do Ministerio Publico que pode delegar nos orgaos de policia criminal. Mas de resto, nao existem grandes limitacoes. Agora, as limitacoes estao e, por exemplo, quando nos passamos aos artigos, – e aqui sim, as coisas nem sempre funcionam bem – relativos a obtencao de prova, ou seja, os artigos 124.o e seguintes e, sobretudo, os artigos 171.o e seguintes. Aqui e que voces encontram uma serie de restricoes que normalmente quando sao desrespeitadas dao origem as arguicoes de nulidades para o Tribunal Constitucional e que fazem com que um processo fique arruinado. E voces conhecem muitos casos. Basta que num processo se tenha atingido a formacao da culpa atraves de escutas telefonicas nao autorizadas legalmente ou nos termos da lei para que toda essa prova esteja inquinada pelo efeito cascata que a prova produz. Isto e, se a primeira prova, que e a base de toda a prova, e nula, toda a outra cai. E, por isso, basta que nao tenha havido respeito, nos termos legais, para toda essa prova ir por agua abaixo. Tirando esses limites, o MP nao tem restricoes a investigacao criminal e, por isso, pode realizar todos os actos que entender para a descoberta da verdade material. 3. Do encerramento do inquérito 3.1. Despacho de acusação ou de arquivamento; 3.2. suspensão provisória do processo e arquivamento em caso de dispensa de pena; Como e que o MP encerra o inquerito? Qual o prazo que tem para encerrar o inquerito? E o que e que pode acontecer apos o encerramento do inquerito? Os prazos de duracao maxima do inquerito e uma questao importante, ja que uma das cominacoes previstas na revisao de 2007 do CPP para a ultrapassagem dos prazos e a possibilidade do processo passar a ser publico. Os prazos, previstos no art. 276o CPP, diferem em funcao da existencia ou nao de arguidos presos preventivamente. Quem esta preso preventivamente nao esta a cumprir uma pena, ao contrario do que muita gente pensa. Na verdade, a regra e a da liberdade e nao da prisao. Dai que quando se prenda alguem estejamos a restringir a liberdade sem que haja culpa formada (estamos numa altura do processo em que vigora plenamente o principio da presuncao de inocencia, pelo que nao se pode de modo algum presumir que aquele individuo e culpado, ainda que os indicios sejam muito evidentes). Ate ha quem defenda que nao se poderia aplicar a prisao preventiva, o que nao esta certo, pois a prisao preventiva nao e uma pena, servindo outros interesses, que nao os da punicao do individuo. Contudo, uma vez que corresponde a restricao de direitos fundamentais, quando o individuo e condenado efectivamente a uma pena de prisao ha necessidade de descontar na pena o tempo que passou em prisão preventiva. Voltemos aos prazos. O art. 276o, 1 diz-nos que o prazo maximo de inquerito e de seis meses quando houver arguidos presos ou sob obrigacao de permanencia na habitacao, ou de oito meses quando nao os houver. Estes prazos podem ser aumentados consoante o tipo de crime ou a complexidade da investigacao, a luz do art. 676o, 2 CPP. Se forem ultrapassados estes prazos, o art. 289o, 6CPP prescreve que o processo torna-se publico se estiver a decorrer em segredo de justica. Este art. 276.o foi objecto de alteracao na revisao de 2007 porque na altura discutia-se a questao da falta de celeridade processual, e dizia-se, com alguma razao, que havia processos que demoravam imenso tempo logo na fase de inquerito. Os prazos que estao no art. 276.o foram relativamente encurtados. E, mais do que isso, veio estabelecer-se uma coisa, enfim discutivel, que e o facto de apos o prazo de inquerito o segredo de justiça cair obrigatoriamente, quando o processo estiver a decorrer sob segredo de justica. Ou seja, foi uma especie de pressao que o legislador fez sobre o MP dizendo-lhe assim: “Tu tens um prazo para realizar o inquerito. Findo esse prazo, se tu nao conseguires realizar o inquerito, nao vai haver mais segredo de

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Este prazo de 6 meses pode ser elevado para 8 meses se for um dos crimes previstos no art. e outra e dizer que e necessario que existam indicios suficientes. pedir a absolvicao do arguido. para 10 meses quando houver excepcional complexidade do processo. Por forca do principio da legalidade que vigora no ordenamento juridico portugues. Contudo. nomeadamente os mais complexos e mediaticos. continuado. nao e isso que se esta a pedir no art. Vejamos: a regra e que o prazo para a realizacao do inquerito e de 6 meses.. n. Mas esse e o prazo para o MP produzir acusacao ou arquivamento. ha que arquivar. e para 12 meses nos casos do art. Pergunta-se: nao e suficiente? O art. se houver arguidos presos preventivamente ou em obrigacao de permanencia na habitacao (o que erradamente se designa por prisao domiciliaria).o. Imaginem um processo com muitos arguidos. Porque ha um principio de presuncao de inocencia e. nao ha que acusar. nao e preciso demonstrar a culpa tal qual vem a ser necessario na sentenca. por exemplo. justamente. em audiencia de julgamento. Arquivamento: quando nao existam esses indicios. o andamento do inquerito nao depende apenas do empenho do MP.. – porque? Porque nos estamos a trabalhar na base da presuncao da inocencia. Pode e deve se entender que nao ha indicios suficientes em julgamento. nao sei se sabem.o muitas vezes sao insuficientes. se os indicios sao manifestamente insuficientes. dizemos:”ha indicios suficientes de que aquele individuo cometeu o crime”? Ao dizer que ha indicios suficientes estamos a presumir que ha culpa. Indícios bastantes e ja uma forte aproximacao a uma presuncao de culpa.justica”. o que ainda por cima vem dificultar mais as coisas ao MP. A regra sao os 6 meses.indicios suficientes. ao mesmo tempo que afirmamos a presuncao de inocencia. 215. Indícios suficientes e o minimo possivel para que o caso seja discutido em julgamento. que e saber o que e que se entende por . Entao. Porque ou ha realmente um conjunto de indicios que se podem considerar suficientes.o. 212. isto e. entao. o MP esta obrigado a acusar quando existam indicios suficientes da 80 .o tem a ver com a prisao preventiva. portanto. Nao e suficiente? A verdade e que muitas vezes nao e suficiente. mas simplesmente . E muito dificil em 12 meses produzir uma acusacao ou um arquivamento do processo – e dificilimo! A verdade e que se isso nao acontecer uma das consequencias e a quebra do segredo de justica. Acusacao: quando entender que existem indicios suficientes da verificacao de crime ou de quem foram os agentes. e nao e preciso muito mais do que isso.o. uma acusacao. Em todo o caso e preciso dizer o seguinte: o MP em Portugal nao esta obrigado a manter a sua posicao ate a sentenca final. se assim o entender. 215. da Interpol ou da Eurojust. E.indicios bastantes. ou. em que nao e possivel terminar o inquerito dentro destes prazos. Uma coisa e dizer que e necessario que existam indicios bastantes. 277. E. com um crime. Entao. Nao sei se da para perceber a diferenca. como e que nos podemos. o que se pede nao e que haja .o 2. Mas tambem nao podem ser indicios tao insuficientes que nao consigam sustentar um julgamento. ou um crime organizado. de modo a obrigar o MP a trabalhar mais rapidamente. o que se exige no final do inquerito nao e que ele tenha uma certeza absoluta da pratica do crime.o 3. aqui. n.indicios suficientes. uma vez que ha processos. E nao havendo mais segredo de justica a investigacao esta posta em causa. a insuficiencia deve produzir o arquivamento. a maior parte dos inqueritos terminam com arquivamento. temos uma questao complicadissima. Esta medida introduzida em 2007 tem sido objecto de muitas criticas por parte do MP e nao so. e 8 meses se nao houver arguidos presos. como e o caso do Instituto de Medicina Legal. O que significa que onde havia mais necessidade de perdurar o segredo e onde existe maior possibilidade do segredo cessar. O problema e que os prazos que estao aqui no art. Nao e possivel isso tambem. como e que se explica que ele acuse e mais tarde venha a pedir a absolvicao? Porque. 276. Ha quem diga que isto foi propositado.. mas tambem de outras entidades. o MP pode. com relacoes em paises diferentes. por isso.

Se nao se chegar a acordo segue-se a acusacao e o processo vai para julgamento. que nao sao mais do que um equivalente funcional da pena. Nao sao sancoes porque ainda nao ha uma declaracao de culpa formada. Se o arguido cumprir as injuncoes ou regras de conduta. pois. este sera devidamente homologado pelo MP e pelo juiz. Para tal e necessario a aplicacao ao arguido de injuncoes e regras de conduta. Dai que o arquivamento seja a solucao possivel para quando o MP chegue a conclusao de que nao existem indicios suficientes da pratica do crime e de quem foi o seu autor. No entanto. como e o caso do processo sumarissimo. Se acusar. Ele nao tem de ficar convencido de que o individuo ira ser declarado culpado. pois esta nao e um sujeito processual. de oportunidade. mas que constitui uma pequena abertura a oportunidade. se se tratar situacoes enquadraveis no ambito do art. nem registo criminal. e nao propriamente ao assistente. pode entregar o processo a um mediador penal. que pode ir ate dois anos. mas tem de estar convencido de que com bastante razoabilidade ha materia suficiente para que ele venha a ser julgado e condenado. cumprir essas injuncoes e regras de conduta pode arquivar-se o processo. e a possibilidade de suspensao provisoria do processo (art. pois so faz sentido levar a julgamento aquilo que tem condicoes para ser julgado. Em determinados crimes. em fase de julgamento o juiz pode dispensar a pena. Depois temos a hipotese da acusacao quando o MP reunir indicios suficientes da pratica do crime. que foi como tal constituido. o processo ao MP. Claro que aqui tambem estamos a ter em conta os interesses da vitima e e o proprio art. de acordo com o principio da legalidade o MP ter de acusar. o MP pode arquivar. de modo a intervir no processo e ser sujeito de direitos e deveres. apesar de haver indicios e. acusa-se e vai-se para julgamento. 74o CP. Sao espacos de consenso que estao a ser incrementados no processo penal por variadissimas razoes.pratica do crime. nao vai ser punido criminalmente. da qual ja falamos. dentro do nosso sistema em que vigora o principio da legalidade. estamos perante um juizo de oportunidade condicionada que apela ao acordo entre o MP. ha casos que podem nao seguir nem a via do arquivamento. assistente e o juiz de instrucao no sentido de suspensao do processo quando o crime for punivel com pena de prisao nao superior a cinco anos de prisao. 6 CPP que da a vitima a possibilidade de se pronunciar. e um espaco de consenso. porque se o arguido nesse prazo. obrigado a arquivar quando nao existam tais indicios. Se nao considerar que se deve arquivar acusa e o juiz em sede de julgamento pode dispensar a pena. o que lhe permite conformar a decisao final do processo. 280o CPP. pois e um dos casos que permitiria a dispensa de pena em sede de julgamento. Nao existe. se nao cumprir. o arguido. Estamos aqui perante uma situacao em que se apela a uma certa concordancia entre os sujeitos. entre as quais se 81 . 281o CPP). o caso sera objecto de dispensa de pena. nem sequer deixa ir a julgamento. Assim. O MP tem de olhar para as provas que tem. Como sabem. arquiva. que tenta um acordo entre os sujeitos. para o resultado da investigacao e decidir se existem indicios suficientes que permitam chegar a julgamento e sustentar a acusacao. apesar de cumprir o equivalente a uma sancao. o que so acontece no julgamento. um juizo de oportunidade. 74o CP. casos que admitam dispensa de pena. voltando. devidamente formado. e a mediacao penal. e a vitima do crime. tal como na hipotese do art. nem a via da acusacao. 281o. A maior parte dos processos acaba com o arquivamento. que acaba com um acordo. Quer a vitima. 280o CPP diz-nos que apesar de haver indicios suficientes da pratica de crime. e durante a fase de inquerito o MP entender que se for a julgamento. o art. mas funcionam como um equivalente. Ha outras situacoes semelhantes. depois. quer um seu representante legal podem constituir-se como assistente. agir por motivacoes politicas ou de qualquer ordem. o MP nao pode negociar. dando alguma relevancia aos interesses da vitima (principio vitimologico). Em certos casos. Neste caso. ha uma diferenca entre assistente. que nao derroga o principio da legalidade. se o MP assim o entender. o que e uma vantagem para o arguido. o que significa que nao ha consequencias juridicas do crime. se se verificarem os requisitos do art. se for obtido um acordo.

de acordo com o principio da dignidade da pessoa humana rodea-lo de direitos. Claro que isto nao pode ser aplicavel em todos os casos. o MP notifica o assistente desta acusacao. tambem no caso de crimes publicos ou semi-publicos pode haver acusacao por parte do assistente.a relação entre o inquérito e a instrução. o julgamento depende de acusacao particular e nao do MP. 82 . desde que nao haja uma alteracao substancial dos factos. nos casos de crimes particulares “stricto sensu”. acusa. o MP notifica o assistente para que este deduza acusacao particular se assim o desejar. servem para conferir uma certa importancia aos interesses da vitima. ultimamente tem havido uma certa tendencia para proteger o arguido. Se. De facto. uma vez que o objecto do processo e fixado por este isso comportaria uma alteracao substancial dos factos. 3. incluindo o tempo. porque. garantias e de deveres. Ora este tipo de solucoes de consenso desjudiciarizadas. e dado conhecimento ao assistente de que houve acusacao. no todo ou em parte. Vigora aqui o principio da acusacao. Esta necessidade. 283o. uma vez que ha indicios. No caso dos crimes particulares stricto sensu. e. que antes da CRP de 1976 era considerado um mero objecto do processo. o lugar e a motivacao da sua pratica. advinda do Estado de Direito Democratico fez com que praticamente se esquecesse a vitima. pois. comecamos a perceber. dos factos que justificam a aplicacao ao arguido de uma pena. sendo. 283o. b. podendo entao este acusar no todo ou em parte. fruto das advertencias das associacoes de proteccao das vitimas (APAV) que. pois. verificando-se o inverso do que sucede nos crimes publicos e semi-publicos: o MP tambem pode acusar. Neste caso. Por isso se diz no art. realiza-se a justica penal. que tem sido esquecida no processo penal. Expliquemos este artigo: temos a acusacao por parte do MP em situacoes de crimes publicos ou semi-publicos. da vinculacao tematica e da identidade do objecto.destaca a necessidade de conferir relevo a vitima. Da instrução 1. necessario restituir-lhe o estatuto de sujeito processual. podendo tambem este acusar. o MP. Considerações gerais . em muitos casos isso se traduz numa injustica para com as vitimas. ainda que dentro do processo penal. O que nao pode e acusar por factos diferentes dos que constem na acusacao. A nao existencia destes elementos do art. A acusacao pode ser do MP ou do assistente. dai o limite de cinco anos de prisao. Dai que numa situacao em que os dois sujeitos processuais. ainda que sintetica. Nos casos do art. 3 determina a nulidade da acusacao. o arguido nao cumprir as regras de conduta ou injuncoes. em que o MP acusou. A acusacao e. pois e esta que vai servir para determinar o objecto do processo. 284o CPP. entre a intervenção do MP e do Juiz de instrução. relegada para um segundo plano. que dependem de queixa e de acusacao particular do assistente (esta acusacao do assistente pode ser acompanhada pelo MP ou nao). Neste caso. sendo que em muitos casos a justica penal nao se realizava porque os interesses das vitimas nao eram tidos em conta. acabado o inquerito. uma peca importantissima no processo penal porque e ela que determina o que vai ser julgado a final na audiencia de julgamento. representante da comunidade e o juiz. CPP que tem de haver uma narracao. porque quem fixa o objecto do processo nos crimes publicos e semi-publicos e o MP (principio da acusacao). o processo volta novamente as maos do MP e. o que nao pode e acusar por factos diferentes dos que constem na acusacao do assistente. entretanto. Com o decorrer dos tempos. figura imparcial e independente estejam de acordo.

83 . Ou seja. para o facto de este artigo ter uma redaccao ligeiramente diferente da que tinha antes da revisao de 2007. Entao. Desde logo. as diligências a efectuar e o prazo para o seu cumprimento. Eu vou suscitar ja a intervencao hierarquica. E um onus que tem que arcar. o imediato superior hierárquico do magistrado do Ministério Público pode. em que situacoes e que e possivel a intervencao hierarquica? Chamo a atencao. enquanto na presenca de um despacho de acusacao pode nao ser bom requerer abertura de instrucao. 284. Porque? Porque vai haver um controlo judicial do despacho de arquivamento. ou se. Diz o art. Tem natureza administrativa porque e um superior hierarquico que vai intervir no processo para verificar se o despacho foi bem feito. A intervencao hierarquica que esta no art.o. 2 – O assistente e o denunciante com a faculdade de se constituir assistente podem. cujo prazo e de 20 dias a contar da notificacao que lhe tiver sido feita. neste caso de intervencao hierarquica. Neste caso o que e que acontece? Neste caso prescindem da abertura de instrucao. atraves do requerimento de abertura de instrucao (art. alem de furto simples acha tambem que houve violacao. Se eles nao abrirem instrucao no prazo de 20 dias. como e evidente. que e o juiz de instrucao. entao nao faz sentido requerer a este expediente. pode abrir instrucao – art. aqui existem duas hipoteses diferentes: ter havido requerimento para a abertura de instrucao ou nao ter havido requerimento para a abertura de instrucao. ao abrigo do número anterior. havia algo mais grave que nao esta na acusacao – por exemplo. 278. So que agora permite-se tambem o seguinte: permite-se que mesmo no prazo dos 20 dias o assistente e o MP suscitem a intervencao hierarquica. isto e. Aceito a acusacao. temos que esperar primeiro que decorram 20 dias para saber se o assistente ou o ofendido reagem. e com isto vamos terminar. 278. entao. 278. E depois ha ainda uma outra possibilidade que e a que esta prevista no art. Estamos a falar. se abrem instrucao ou nao. sim. acusou por furto simples quando o assistente acha que foi furto qualificado.o e um controlo administrativo ou de natureza nao judicial ou hierarquico. Nao quero que o meu adversario conheca os meus trunfos na instrucao. Requerimento de abertura de instrução E feito o despacho de acusacao ou de arquivamento. faz sentido que haja intervencao hierarquica. o assistente e o arguido fazem este juizo: eu tenho 20 dias para requerer a abertura de instrucao. entao o assunto vai ser analisado por quem tem de ser analisado. determinar que seja formulada acusação ou que as investigações prossigam indicando. Estamos a falar da situacao em que o MP arquivou e. se optarem por não requererem a abertura da instrução.o.o: “Art. se a acusacao nao e muito desfavoravel. nao me interessa. entao? Tem de se esperar justamente que passe o prazo dos 20 dias para requerer a abertura de instrucao. simplesmente. o advogado pode pensar em guardar alguns trunfos para o julgamento. Se abrirem. por sua iniciativa ou a requerimento do assistente ou do denunciante com a faculdade de se constituir assistente. feita pelo assistente ou pelo ofendido no prazo de 20 dias que lhes e concedido. A abertura de instrucao e um controlo judicial.2. suscitar a intervenção hierárquica. vamos supor. Ou reaccao do assistente se ele considerar que os factos descritos na acusacao nao sao exactamente aqueles que foram realizados. ele pode reagir abrindo instrucao. Ora. o que e que pode suceder? Se for despacho de acusação pode haver reaccao por parte do arguido. entao. neste caso.º Intervenção hierárquica 1 – No prazo de 20 dias a contar da data em que a abertura da instrução já não puder ser requerida. dando conta justamente da acusacao. que e a hipotese de intervencao hierarquica. 287. vou para julgamento e la vamos tratar do assunto. Porque se ha requerimento de abertura de instrucao. E o que e que se tem de esperar.o). no prazo previsto para aquele requerimento”. apenas do despacho de arquivamento. E e importante porque o alcance nao e exactamente o mesmo. Nao confundir: nao ha intervencao hierarquica no caso de despacho de acusacao. 278. mas eu nao vou requerer a abertura de instrucao. E suscitam a intervencao hierarquica. se o MP acusou por um crime apenas. tendo arquivado.

em principio. E. 287. queimando a possibilidade de ir para instrucao (terminando o processo. Pode ser utilizada a intervencao hierarquica se. por exemplo. requer a abertura de instrucao quando ha acusacao e se se tratar de crimes publicos ou semi-publicos. 3. ou o seu defensor. Tudo isto termina com o debate instrutorio oral e contraditorio. Relativamente ao arquivamento. O prazo de 20 dias do requerimento para abertura da instrucao esta previsto no art. como ultima hipotese. Este dispoe de um prazo de 20 dias a contar da notificacao do despacho de arquivamento. no caso de arquivamento. isto e. Havendo acusacao. Primeiro tem de se saber qual a via de notificacao seguida: se foi carta registada considera-se que foi recebida no terceiro dia util posterior ao do envio. para um advogado que esta a representar o assistente ou o arguido e completamente absurdo recorrer a intervencao hierarquica. Para a contagem dos prazos temos de fazer referencia ao art. perdeu ja o processo. 4. que nos ajuda a contar os prazos das notificacoes e quais as dilacoes possiveis. Entrando agora um pouco mais na instrucao. no qual podem participar o MP. mas pode suceder que haja necessidade de realizar novas diligencias. Ate aqui nao tivemos intervencao judicial.o do CPP. ha tambem a possibilidade de um controlo hierarquico (art. Perante estas duas possibilidades (abertura de instrucao e intervencao hierarquica) o que deve fazer um advogado? A pergunta e pertinente porque a opcao por um destes meios faz precludir a outra. Do encerramento da instrução. Do debate instrutório. Alteração dos factos. por factos que nao constem na acusacao do MP. o arguido. Nulidade da decisão instrutória e recursos. 6. ha ainda um prazo de 20 dias para suscitar a intervencao hierarquica. recordemos que quanto ao arquivamento ha a possibilidade de abrir instrucao por parte do assistente que nao se conforma com a decisao. o assistente. O assistente pode. 278. 6. não substancial e substancial. se foi carta postal simples considerar-se recebida no quinto dia posterior ao do envio. Nao se trata de realizar um novo inquerito. O que esta em causa na instrucao e uma comprovacao judicial da decisao de deduzir acusacao ou de arquivar. Findo o prazo para requerer a instrucao.278o CPP). Ele pode nao se conformar com parte ou toda a acusacao. Esses actos podem ser diligencias requeridas por quem abriu a instrucao ou pelo proprio juiz (vigora aqui o principio da acusacao mitigado por um principio de investigacao). Quem acusa e o MP mas o juiz de instrucao tambem pode investigar autonomamente tendo em conta os actos que lhe tenham sido requeridos ou aqueles que ele proprio considere relevantes para o processo. se o superior hierarquico mantiver o arquivamento.2. mas nao as partes civis. portanto.o do CPP. 84 . 5.1. deixar passar o prazo para requerer a abertura de instrucao.Ele ja nao pode fazer este juizo no caso do arquivamento. O objecto do processo. Vide art. 113o CPP. a nao ser que houvesse depois provas supervenientes). se esta nao lhe for favoravel. Porque? Se ha o arquivamento e nao ha abertura de instrucao. 6. Isso pode ser feio por iniciativa do MP ou a requerimento do assistente ou do denunciante. Nao e recomendavel suscitar a intervencao hierarquica no lugar da instrucao. As probabilidades de se manter o arquivamento sao muito grandes. Dos actos de instrução. e suscita a intervencao hierarquica. Qual o conteudo da instrucao? Esta traduz-se no conjunto de actos que o juiz entenda que deve levar a cabo para comprovara a decisao de acusacao ou de arquivamento. o arguido tambem pode requerer abertura de instrucao relativamente aos factos com os quais nao concorde. Despacho de pronúncia e de não pronúncia. ainda.

Mas se nao for o caso. O proprio art. ou. verificando-se o disposto no art. recebe despacho de acusacao. se no requerimento de instrucao se invocasse que o arguido tambem tinha cometido um crime de dano. Ou. pode nao aceitar a acusacao do assistente ou do Ministerio Publico (MP). Introdução Temos de ter conhecimento e saber de alguns aspectos que sao importantes para que o julgamento decorra de acordo com os principios do processo penal. pode haver rejeicao da acusacao por estar manifestamente infundada. A decisao instrutoria que pronunciar o arguido pelos factos constantes na acusacao do MP e irrecorrivel (art. O despacho de pronuncia tem de confirmar a acusacao ou o requerimento de abertura de instrucao. se nao o fossem. Ex: na acusacao o arguido e acusado por furto simples. 4CPP). pode o tribunal. Feito isso. mas o assistente vem requerer abertura de instrucao dizendo que se trata de furto qualificado. 3. entao notifica os sujeitos processuais do dia. 309o CPP comina com a nulidade a decisao instrutoria que pronunciar o arguido por factos que constituam alteracao substancial dos descritos na acusacao ou no requerimento de abertura de instrucao. o que o tribunal vai receber e uma dessas duas coisas. que esta prevista no 85 . portanto. enfim. Uma alteracao substancial dos factos nao pode ser levada em conta pelo tribunal no processo em curso. Ou recebe o despacho de pronuncia. da hora e do local da audiencia. caso contrario ha alteracao substancial de factos.7. Este comunicaria os novos factos ao MP. 310o CPP). 303o. e que nele se atinjam verdadeiramente as finalidades do processo penal. faz um despacho nesse sentido. valeriam com uma denuncia. para ver se existem nulidades ou questoes previas incidentais que devem ser analisadas no inicio. caso nao tenha havido instrucao. Dos actos preliminares Terminada a instrucao. Portanto. porque houve instrucao. digamos. se houve instrucao. se considerar que nao se verificam tais indicios. se o tribunal considerar que nao ha nenhuma nulidade ou nenhuma questao previa ou incidental que impeca que o processo continue para a fase de julgamento. nao permitir que o assunto prossiga para julgamento. como disse. 303o preve a hipotese de uma alteracao nao substancial dos factos. o juiz toma uma de duas decisoes: despacho de pronuncia. portanto.Vamos. ver isto por sequencia. E depois. 303o. perder-se-iam para o processo (art. O despacho de pronuncia/ nao pronuncia pode ser em total ou parcial acordo com a acusacao ou o requerimento de abertura de instrucao. Portanto. faz aquilo a que chama o saneamento. O art. porque e ai que se concentra. por um lado. nao havendo instrucao. ha desde logo uma primeira possibilidade. tera de haver um despacho de acusacao. 1CPP. tera necessariamente de haver um despacho de pronuncia para chegarmos ao julgamento. ou despacho de nao pronuncia. Duração da instrução Findo este debate instrutorio. tal implicaria uma alteracao substancial dos factos que nao podia ser tomada em conta pelo tribunal. tendo esta que ser arguida nos oito dias seguinte a notificacao da decisao. se estes fossem autonomizaveis. 2. o mais importante. E. neste caso nao ha alteracao substancial dos factos. Do julgamento 1. se considerar que existem indicios da pratica de um crime. verificada essa primeira questao.

mas tambem nao quer ir para julgamento sem manifestar a sua discordancia relativamente aquilo que vem na acusacao. em seguida. sao fundados num crime. 215. portanto. 78. mais complexo do que o processo penal e rege-se por principios proprios (e ai ja entra o principio da auto-responsabilizacao probatoria). nos termos do art. e claro que ha um momento na audiencia onde sao ouvidas as testemunhas e sao produzidas as provas relativas a materia penal e. ha um dano que e o dano da morte e a partir daqui a familia pede indemnizacao. eu nao vou abrir instrucao.o permite que seja apresentado no proprio processo penal. No final. “a pessoa contra quem for deduzido pedido de indemnizacao civil e notificada para. e que nem sempre se fala no processo penal. E evidente que ha casos em que pode haver um pedido em separado. Isto e. a contestacao acaba por nao ter o relevo que tem no caso do processo civil. quando ha um crime pode haver lugar a um pedid0o de indemnizacao civel fundado nos danos emergentes do crime. se foi a acusacao que chegou a julgamento). podemos ter a contestacao a materia penal. em que sao produzidas as provas relativas ao pedido civel. o que? Podemos ter a acusacao (por exemplo. querendo.o do CPP. Nao ha necessidade de intentar uma accao civel. Imaginemos uma situacao em que alguem e acusado e esse alguem entende que nao e necessario abrir instrucao. 78. ha um momento. por exemplo. quando os danos emergem de um crime.art. 71. Isso nao existe aqui. E esse pedido de indemnizacao civel. Tudo isto vai ser analisado ao mesmo tempo no julgamento. 71. porque como sabem o processo civil e um pouco mais complicado.o do CPP. seguindo o processo civel. E. E. uma pessoa mata outra.o. Portanto. E. e feito no proprio processo penal. apesar de tudo. mas que e importante. digamos. Pode suceder isso. a vitima. como preceitua o art. No processo penal a contestacao nao e muito importante porque nao existe no processo penal o principio do onus da prova. Ou seja. e vai pedi-la no proprio processo-crime atraves deste principio.o. ou seja. nos termos do art.o. que estao em seguida ai as regras que se aplicam a formulacao e a contestacao do pedido civel. E ve-se as vantagens para quem apresenta o pedido.o para discutir a materia civel no proprio processo penal. 72. nao haver lugar a condenacao penal.o do CPP vigora o chamado Princípio da adesão da materia civel em relacao a materia penal. Quando digo . que e a regra. Mas. Pelo facto de haver uma acusacao e nao existir contestacao nao significa que se deem como provados os factos que estao na acusacao. 77. em acto continuo. o 86 . 215. afinal de contas. porque nao acho que haja necessidade de abrir instrucao. quando nao ha instrucao. E isso vai para o processo penal. Tal como esta previsto no art.o do CPP. todavia. no processo penal podemos ter. e que esses pedidos de indemnizacao civel sejam feitos no processo penal quando se trate de materia penal. Em todo o caso. 71.o. porque o art. nao se aplica aquele principio do processo civil segundo o qual quem invoca um direito tem de o provar. E porque? Porque. 71. porque tambem vigora aqui o principio da verdade material. o principio da investigacao. neste caso.ao mesmo tempo. nos termos do art. que e a possibilidade de apresentar contestacao. E pode ate revelar-se importante. e a contestacao ao pedido civel nos termos do art. logo tudo isto significa que o facto de nao haver contestacao nao tem como consequencia a prova dos factos quer estao na acusacao. apresento o meu role de testemunhas para mostrar que nao estou de acordo com o que vem a ser dito. Os casos estao todos elencados no art. ela existe e esta prevista no art. pode recorrer a um processo civel em separado para pedir a indemnizacao. Portanto. Mas o que e normal.o. mas vou manifestar a minha discordancia relativamente a acusacao – e faco como? Contesto. isto e. e ate pode acontecer que nao haja uma condenacao penal e haja uma condenacao civel: os danos podem gerar uma responsabilidade civil e. De modo que acaba por ser muito vantajoso usar este Principio da adesao que esta previsto no art. nao existe o principio da auto-responsabilizacao probatoria. podemos ter o pedido civel. 215. Sao casos em que os sujeitos processuais. Aqui. E isso tanto se aplica para a meteria penal como para a materia civel. em principio. o instrumento mais apropriado para isso e a contestacao. portanto. contestar no prazo de 20 dias”.

Entao havia assim mais ou menos um costume que era o de ir protelando isto a espera que viesse uma amnistia. um outro principio que e fundamental relembrar e o Princípio do contraditório. com tanta dilacao. Ou porque o Papa Joao Paulo II vinha ca e havia uma amnistia. Houve tempos em que havia muitas amnistias. 4. moral (do bom nome. dos menores vitimas de crimes sexuais. Sendo certo. nao afectar ainda mais as vitimas. fazendo com que consecutivamente ele fosse adiado (pois a consequencia era o adiamento do julgamento quando o arguido nao estivesse presente). Isso e muito importante. E isto aconteceu muitas vezes. Tal como preceitua o art. entao vamos tentar que este julgamento seja depois”. e que ja sofreu muitas alteracoes: deve ou nao deve estar presente o arguido para se realizar o julgamento? O CPP na sua versao inicial em 1987 tal como nos diz a CRP de 1976 era muito claro no sentido de nao permitir que algum julgamento fosse feito na ausencia do arguido. algumas limitacoes a esta publicidade na audiencia. que nao seja aberta ao publico para proteccao da integridade fisica e. decide sobre as duas questoes: sobre a materia penal e sobre a materia cível. sem ela se poder defender. O arguido tinha que estar presente quando fosse julgado. Actualmente. porque havia eleicao do Presidente da Republica e havia uma amnistia. a sua identidade. Dos actos introdutórios. Este principio esta correcto. A declaracao da contumacia e uma declaracao no sentido de pressionar o arguido a vir a audiencia. Havia uma coisa que se fazia tambem que era declarar a chamada contumacia do arguido.o – e que ja falamos nele – o Princípio da publicidade da audiência. Como sabem. O arguido perdia uma serie de direitos civicos e isso obriga-lo-ia a ir a audiencia para 87 . Uma outra questao muito relevante para a audiencia do julgamento e uma questao que ha muito tempo tem sido discutida. neste caso o outro sujeito processual interessado deve poder contraditar aquilo que foi dito. So o que aconteceu foi que. todas as questoes que normalmente sao levantadas na audiencia do julgamento estao sujeitas ao contraditorio. no entanto. e onde e permitido que a audiencia funcione “a porta fechada”. o prazo de prescricao decorria e podia mesmo ate cair-se na prescricao. pois praticamente nao existem amnistias. presente no art. como ja vimos quando analisamos o principio da publicidade. e que vem enunciado no art. 335.o. com relevância para a presença/ausência do arguido Depois. sobretudo. que tem que ver com situacoes em que estao em causa determinados crimes e determinadas pessoas. crimes de natureza sexual que envolvem menores. a nao ser os indultos que o PR da normalmente por altura da quadra natalicia. que. Devem ser sempre contraditadas. foram muitos os casos em que aconteciam coisas como o arguido faltar dez ou quinze vezes ao julgamento. a outra parte. Sobretudo foram decrescendo e chegou-se a conclusao de que nao fazia sentido estar sistematicamente a adiar julgamentos por causa da ausencia do arguido. Isto tornava muito morosa a justica e as vezes ate podia correr-se o risco de haver prescricao porque entretanto. as audiencias de julgamento sao publicas. digamos. Esta proibicao de publicidade de audiencia e para. para que nao haja uma segunda vitimizacao justamente por causa do julgamento. ha desde logo que relembrar um principio fundamental que se aplica a audiencia de julgamento. nao so as amnistias acabaram porque cair praticamente em desuso. onde nao se deve falar de uma pessoa nas costas dela. “Como vai ser a eleicao do PR numa tal data e devera haver uma amnistia. Isto tambem decorre do senso comum.o do CPP. durante a vigencia deste artigo. 321. Da audiência Ora bem. quando decide. nomeadamente. sob pena de nulidade insanavel. principalmente) das vitimas. 327. existem algumas excepcoes.juiz. 3. portanto.

Portanto. 333. A semelhanca do que acontece com a instrucao. Caso nao fossem autonomizaveis nao podiam ser tidos em conta para efeitos de despacho de pronuncia. umas vezes a pedido do proprio arguido. nomeadamente do MP. Esses novos factos podem ser de dois tipos de natureza: podem ser substancialmente diferentes ou nao substancialmente diferentes. contida no art.o do CPP. 88 . que ele prepare a sua defesa e se prossiga o julgamento sobre esses novos factos.readquirir esses direitos civicos. temos costumes diferentes. So que e preciso nao esquecer que nos somos todos diferentes. o julgamento possa prosseguir sobre os novos factos.o do CPP. Uma alteracao substancial nao seria possivel no despacho de pronuncia. Durante o julgamento pode suceder que aparecam novos factos. isto e. que esta previsto no art. declararem-no contumaz mais grave ainda e. Com poucas diferencas. Eles faltavam e ainda por cima quando eram declarados contumazes isso nao tinha praticamente nenhum efeito. desde que continuemos no furto simples. Mas. E portanto hoje e possivel que existam julgamentos na ausencia do arguido nos termos do art. so seria possivel no caso da instrucao. Aqui o juiz entende. do arguido e do assistente. Por exemplo. os novos factos servem para o MP como auto de noticia para que ele avance com um novo inquerito sobre os novos factos apenas no caso de serem autonomizaveis. Tudo isto para dizer que houve uma alteracao que foi no sentido de ser obrigatoria a presenca do arguido. 5. que o caso pode ser julgado sem que ele esteja presente porque nao ha nenhuma razao que obste a isso. Se forem factos substancialmente diferentes permite-se que havendo acordo dos sujeitos processuais. 358. Em Portugal isto nao produziu praticamente efeitos nenhuns. 333. pode chegar-se ao momento em que exista a alteracao dos factos relativamente a acusacao ou ao requerimento de abertura da instrucao e ai vimos que se a alteracao for substancial so seria possivel continuar. no caso de furto simples nao interessa saber se foi furtada uma ou duas canetas. 333. o arguido preparasse a sua defesa e caso essa alteracao substancial existisse e os factos fossem autonomizaveis isso permitiria ou serviria como comunicacao ao Ministerio Publico para que ele realizasse inquerito relativamente a esses novos factos. Da produção de prova Ja vimos alguns destes aspectos quando falamos sobre os principios relativos as provas.o do CPP. Havia uma impossibilidade no inicio de alterar isto porque a CRP obrigava a que o arguido estivesse presente. Entretanto o juiz pode aceitar isto. Mas veio abrir-se um conjunto de excepcoes no sentido de permitir que a audiencia possa ser realizada na ausencia do arguido. Nao havendo acordo. Isto foi certamente inspirado no modelo alemao que tinha a contumacia. pois caso nao sejam autonomizaveis nao podem ser tidos em conta no julgamento. art. o mesmo se aplica no julgamento. de acordo com o art. E se e certo que para um alemao faltar a um julgamento e uma coisa gravissima.o do CPP. Outras vezes a audiencia pode ser realizada sem a presenca do arguido sem que tenha havido um pedido seu. por sua propria vontade ele diz “ eu nao vou querer estar presente mas nao me oponho que a audiencia seja feita”. para que tambem se de uma certa celeridade ao processo. que convem sempre aqui relembrar. A CRP entretanto foi alterada e veio possibilitar isto. Uma alteracao nao substancial podia ser levada em conta dando um prazo para que o arguido.o do CPP. Se forem não substancialmente diferentes permite-se que dando um prazo ao arguido. Isso tinha um certo efeito e as pessoas apareciam ao julgamento. 332. remete-se parte desta materia para aquilo que já foi referido. Ha uma questao. Apesar disto nao se tem notado uma celeridade nos processos. que embora ja possamos ter falado quando demos o principio da acusacao. temos uma mentalidade diferente. isto e. neste caso concreto. em alguns casos. os julgamentos na ausencia do arguido acontecem e e uma possibilidade que existe. os sujeitos processuais preparassem.

o do CPP. Se alguem conseguir provar que ele cometeu o facto. se foi furtado um objecto e no final se descobre que foi por introducao em casa alheia passa a ser qualificado. nao pode ser tido em conta no julgamento.nao ha uma alteracao substancial. Basicamente o que esta em causa e a leitura de declaracoes de co-arguidos e a leitura de declaracoes do arguido. ou situacoes em que as declaracoes tenham sido tomadas mediante o art. O direito ao silencio e um direito constitucional. das partes civis ou de testemunhas. porque o arguido tem o direito de nao se autoincriminar. o que eu queria dizer era…”. Mas que essa punicao nao tenha que ser a custa de uma auto-incriminacao. Se se entender que isso faz parte da sua defesa ele deve fazer isso.. 318. e esse crime de dano e autonomizavel do furto. o que e absolutamente ilegal. se as declaracoes que vao ser ouvidas agora foram produzidas perante um juiz. autos de instrucao ou inquerito que nao contenham declaracoes do arguido. das duas uma: ou vai falar ou invoca o silencio. isto e. nem de testemunhas que testemunhem agora no julgamento. podem ser novamente ouvidas na audiencia. 356. como diz o no3. aquela que e mais frequente. Se tiverem sido ouvidas. ou porque estava a ser coagido. Claro que. entao ai. Neste caso partimos do principio que ele esta a falar na audiencia. quando tenham sido feitas perante o juiz anteriormente. Quanto mais nao seja para dizer: “ eu disse isso porque estava mal da cabeca. testemunhas e assistente abre a possibilidade de se fazer a leitura de autos das declaracoes na audiencia de julgamento se ocorrer algumas das situacoes previstas nas alineas: a). Ou dizer isto. E. ele esta a declarar e diz: “ eu quero que sejam lidas as declaracoes que eu fiz no inquerito”. e obvio que ele vai ter que falar disso no julgamento. situacoes em que tenham sido obtidas declaracoes mediante interrogatorios. nao faz sentido que ele invoque o silencio e a seguir se diga que “agora vamos ouvir aquilo que voce disse no inquerito. pois nao invoca o direito ao silencio. Relativamente ao no2 do art. aqui ja nao podem ser ouvidas. nem das partes civis. basta que tenha sido forcado a dizer alguma coisa vai fazer com que quebre o direito ao silencio. do assistente. ele tem que ser punido. houver contradicoes ou discrepancias entre elas e as feitas na audiencia. como esta provado. 356. Relativamente ao arguido isto ja nao e bem assim. para alem do crime de furto houver crime de dano. Se o arguido esta presente. 271. tambem. b) e c) deste artigo. ha contradicoes com o que ele disse antes. Por exemplo. o que eu disse esta mal.o CPP. O direito ao silencio e uma maneira de ele nao se auto-incriminar. Mas por exemplo. assistente. por exemplo. ou perante o MP. declaracoes que foram produzidas durante o inquerito e durante a instrucao mas que nao tenham a ver com declaracoes do arguido. mas esta parte nao e autonomizavel. O mesmo nao sucedendo se. Tambem pode suceder. Ouvindo o que o senhor disse no inquerito vamos tomar isso em conta para a decisao final”. Ainda uma questao muito importante e muito controvertida relativa ao julgamento esta relacionada com a leitura de autos e declaracoes na audiencia de julgamento. e realizacao de actos urgentes.o do CPP.o do CPP diz-nos que so e permitida a leitura em audiencia de autos relativos a actos processuais levados a cabo nos termos dos arts. se aquilo que ele disse no inquerito o incrimina. se houver discrepancias ou contradicoes. por impossibilidade de estar no tribunal. relativamente as partes sociais. 319. Sao situacoes onde ha acordo. Ele esta a falar. e isso quebra o direito ao silencio. 89 . mesmo que haja discrepancias ou contradicoes. Portanto.o e 320. mas ao falar ha discrepancias. Pois se em audiencia de julgamento se vai ouvir o que ele disse no inquerito isso vai provocar necessidade de ele ter que falar. ou. perante um orgao de policia criminal. O art. entao. Estes artigos tem a ver com situacoes de pessoas residentes fora da comarca que tomarem declaracoes no domicilio. logo passa a ser um crime diferente. A pessoa deve nao falarna audiencia de julgamento. por exemplo. A leitura de declaracoes anteriormente feitas so e permitida se ele desde logo solicita. e portanto. Se invoca o silencio e um silencio que deve ser respeitado nao so na audiencia de julgamento quando lhe perguntam coisas sobre os factos como tambem relativamente aquilo que ele ja falou.o. pode servir de comunicacao ao MP para ele proceder a investigacao. Ou.o e 294. que haja necessidade de avivar a memoria dessas pessoas.

o e 365. Nos arts. Nos temos conhecimento disso. No caso de processo sumario e processo abreviado tinha-se que dizer que nao se prescindia da documentacao porque senao nao havia documentacao da prova. por um lado. por exemplo. pois tanto os orgaos de policia criminal como o MP.. A unica desvantagem que ha e obrigar os desembargadores a ouvirem as gravacoes. facilita imenso porque pode recorrer sempre da materia de facto. o MP em Portugal nao tem a mesma posicao que tem por exemplo nos EUA. 364.”. E os orgaos da policia criminal a mesma coisa. a propria audiencia de julgamento. Se nao houvesse documentacao da prova nao se podia recorrer da materia de facto.o do CPP.. permite-se sempre recurso em materia de facto. Ha aqui realmente vantagens: por um lado documenta-se sempre a prova. Pergunta-se em que situacao ela denunciou a policia judiciaria? E sera que essas declaracoes podem valer na audiencia de julgamento? Podem. independencia e liberdade por parte do arguido. pedir na audiencia de julgamento a absolvicao do arguido porque nao se consegue provar aquilo de que o arguido foi acusado. E por isso adiante na parte relativa ao recurso diz-se que os sujeitos processuais devem indicar as passagens das gravacoes que pretendem que sejam ouvidas pelos senhores desembargadores em sede de recurso. dizer porque e que se recorre em termos de materia de facto. Parte-se do pressuposto de que se as declaracoes no inquerito ou em qualquer parte do processo foram produzidas perante o juiz foram com total imparcialidade. A vantagem que isto tem e que simplifica. podia-se recorrer da materia de facto pois a materia estava documentada e o tribunal superior podia analisar a materia de facto. O art 364. por outro lado simplifica-se a audiencia de julgamento e. ou seja. Nao tem o mesmo valor as declaracoes produzidas perante o MP ou perante orgaos diferentes do tribunal. Da documentação da audiência Uma outra questao muito importante a ter em conta no julgamento e a da documentacao da prova. Isto sem prejuizo da documentacao atraves da autorizacao de meios estenograficos ou estereotipos de outros meios tecnicos. Actualmente isto esta bastante simplificado.Conclusao do que acabamos de falar: o juiz e uma figura em principio imparcial. em termos de recurso. Isto ate que esteja devidamente fundamentado em termos de prova do proprio recurso. nao tem a obrigacao de ter uma posicao de imparcialidade e independencia que tem o juiz. Por isso e legitimo ouvi-las novamente na audiencia uma vez que se esta a concluir que ha contradicao entre aquilo que esta a dizer e aquilo que disse anteriormente.o do CPP simplificou esta questao dizendo que as declaracoes sao documentadas atraves de gravacao magnetofonica ou audiovisual. Isto nao quer dizer que o julgamento nao possa ser todo repetido. O que se tem que fazer e: apresenta-se o recurso. gravacao audio ou gravacao video. pois estao a investigar. Portanto a liberdade do arguido nao e a mesma. independente e e o garante das liberdades. naquele caso muito mediatico em que os agentes violentaram a arguida (caso Joana). pois nao havia prova a ser analisada. Isto vai complicar a vida de quem tem eu analisar o recurso. Isto porque senao tinham que ouvir todo o julgamento. e diz-se: “como se pode constatar na cassete no1. 6. ainda. por outro lado. aspirando um certo resultado. Se houvesse documentacao da prova. Ha situacoes em que pode haver a renovacao de 90 . Ate a revisao de 2007. Ainda que se diga que em Portugal o MP pode. quem vai analisar o recurso vai ter que ouvir as partes do julgamento que estao em causa. Mas nao deixa de haver uma ligacao entre a ideia de investigacao e o resultado que se pretende da investigacao. principio da oralidade. as declaracoes prestadas oralmente. sao sempre documentadas em acta sob pena de nulidade. A questao que se coloca e a de saber como sao documentadas. pois sabe que esta a falar para entidades que o estao a investigar e que tem um interesse no resultado da investigacao. se quiser. se ela solicitar. era o caso de processo comum. Pois havia necessidade de requerer a documentacao da prova caso contrario nao se podia recorrer a materia de facto. isto era um problema. facilitando a vida aos senhores desembargadores.

Da tramitacao unitaria. qual o crime. 10ª Aula Teórica Sumário: Dos recursos. quer sobre o ponto de vista da tipologia. E saber. 3. Temos a medida a medida da pena que nos e dada pelo tipo. muito importante em tudo isto. E a questao da sancao que tem de ser objecto de decisao noutro momento. e a fundamentacao da decisao. vamos supor que se trata de um tribunal colectivo. 367. primeiro. dentro desta segunda hipotese. Nao ha subdivisoes. perante tudo o que foi produzido em audiencia. Actuou com culpa ou nao? Com que culpa? Se sim. dentro 91 . Do recurso para as relacoes. porque se nao se verificaram tambem nao vale a pena passar adiante. 2. Ao contrario do que sucede no processo civil. etc. Perante tudo o que foi produzido.o semestre no Direito Penal II. digamos. se o individuo actuou com culpa. ele sera tido em conta. que o arguido participou. de forma motivada. Na sentenca tem de haver essa fundamentacao. como e evidente. Ja sabemos que ha crime. perante tudo o que ouvimos. Dos recursos extraordinarios. Nao se confundem as duas coisas. Depois de assente a questao da culpabilidade passamos a sancao. em processo penal a materia de recursos e bastante mais simples. Em primeiro lugar. aquelas operacoes. dizer porque razao e que esta a decidir assim. o colectivo debruca-se sobre a questao da culpabilidade. depois. Do recurso para o STJ. se o arguido praticou o crime ou nele participou. perante tudo o que vimos. Feita esta analise. passa-se a seguinte. Principios gerais. Ha tambem regras para a deliberacao e votacao. Apresenta fundamentalmente duas questoes que tem que ser objecto de decisao: por um lado a questao da culpabilidade que tem de ser objecto de decisao num momento. se se verificaram os elementos constitutivos do crime. Da sentença com relevância para a questão da «cesure» Tem algumas particularidades. 1. portanto. Da revisao Recursos Os recursos como forma de impugnacao de uma decisao da primeira instancia dividem-se em dois grandes grupos: os recursos ordinarios e os recursos extraordinarios. E. sobretudo quando e um tribunal colectivo ou um tribunal de juri. quer sobre o ponto de vista da tramitacao. Porque nao se esquecam de uma coisa: vigora o Principio da livre apreciacao da prova – esse principio significa que o juiz deve apreciar segundo a sua conviccao livre. tem de fundamentar objectivamente. 6. quando afecta a nulidade de todo o julgamento. ha regras que estao previstas no art. ou se se verificam os pressupostos para a indemnizacao civil. Se a resposta for afirmativa passa-se a seguinte. 4. 7. a pergunta e: ha culpa ou nao ha culpa? – Declaracao de culpabilidade. e a partir dai declara-se a sancao. A decisao tem que der sempre fundamentada. Agora vamos aplicar-lhe a sancao. se se verificaram os elementos constitutivos do tipo. se exista alguma causa de exclusao que exclua a ilicitude ou a culpa. um recurso “per saltum”para o STJ. 5.toda a prova e ate pode acontecer que haja a repeticao de todo o julgamento.o para esse efeito e que devem ser respeitadas. E. mas de acordo com as regras da experiencia. Se houver relatorio social. com que culpa participou. passo a passo. Em processo penal. fazemos. Foi o arguido que praticou o crime ou nao? Se a resposta for afirmativa passa-se a seguinte. se se verificaram quaisquer outros pressupostos de que a lei faca depender a punibilidade do agente ou a aplicacao a este de uma medida de seguranca. dentro dos recursos ordinarios temos um recurso para a Relacao e um recurso para o STJ e. que voces ja estudaram no 1. finalmente. eventualmente. como e evidente.

o arguido e o assistente. mas pode recorrer de qualquer decisao condenatoria. mas apenas de decisoes condenatorias. Dentro dos recursos extraordinarios temos o recurso de fixacao de jurisprudencia e o recurso de revisao. porque o MP tem um dever de objectividade. de busca da verdade. De acordo com o nosso CPP. De acordo com a tendencia que e generalizada entre nos na nossa legislacao mais recente tem-se entendido que ao STJ deve caber uma competencia maioritariamente residual. de acordo com a alinea g)os demais casos previstos na lei. um grau de recurso. ainda que no exclusivo interesse do arguido.do recurso para a Relacao. E se o arguido foi condenado? Se o assistente entender que ha um conjunto de factos pelos quais o arguido nao 92 . por forca da configuracao das suas funcoes. Quem e que pode recorrer em processo penal? A respeito da legitimidade no recurso penal e do interesse em agir estabelece o art. portanto o direito a recorrer. Este grau de recurso esta pensado para todas as decisoes penais de merito. Por isso e que art. porque ai pode justificar-se um terceiro juiz a respeito daquela materia. tambem no caso de decisoes condenatorias de acordaos proferidos pelas Relacoes que apliquem pena nao privativa de liberdade e no caso de recursos pela Relacao que confirmem decisao de primeira instancia e apliquem pena de prisao nao superior a oito anos nao ha possibilidade de recurso para o STJ. Sao os despachos de mero expediente. Dai que. e portanto. as decisoes que ordenam actos dependentes da livre resolucao do tribunal e. aqueles que tiverem sido condenados ao pagamento de quaisquer importancias nos termos do CPP ou tiverem a defenderem um direito afectado pela decisao. O no 2 diz que nao pode recorrer quem nao tiver interesse em agir. 401o CPP que tem legitimidade para recorrer o MP de quaisquer decisoes. Em circunstancias normais. tambem so pode recorrer das decisoes contra ele proferidas. Assim. por exemplo. um conjunto de casos em que nao ha nenhum grau de recurso. 400o CPP elenca um conjunto de circunstancias que nao admitem recurso. mas ser condenado num determinado aspecto. quer de primeira instancia. prevista na alinea d). Vigora. eventualmente. 32o CRP). tem sempre legitimidade para recorrer. quando e que cabe recurso ate ao STJ? Quando haja uma decisao. ainda que o seja em parte. Todas as decisoes finais que versam a respeito do objecto do processo hao-de ter. Sao decisoes que afectam de forma menos importante o merito da causa. eventualmente dois. quer de Relacao que aplique uma pena de prisao superior a oito anos ou quando haja uma discrepancia entre a decisao da primeira instancia e a decisao da segunda instancia. seja ela uma verdade em beneficio da acusacao ou em beneficio do arguido. alem de. Mas foi a revisao constitucional de 1997 que ultrapassou definitivamente esta questao consagrando expressamente pelo menos um grau de recurso como garantia constitucional de defesa do arguido. Se a maior parte delas se refere a segunda instancia de recurso (recurso para o STJ) podemos encontrar nas alineas a) e b). o arguido so pode recorrer das decisoes que sejam proferidas contra ele. defendendo que em algumas hipoteses esta possibilidade devia ser restringida. Mas o que sao decisoes proferidas contra o assistente? Em primeiro lugar. das decisoes contra eles proferidas. dentro da alinea g). mantendo. alem da questao da dupla conforme absolutoria. entao justifica-se que ele suba ao STJ para poder voltar a ser avaliado. Se os dois tribunais nao entenderam da mesma forma aquele caso. pelo menos. este pode recorrer quando o arguido tenha sido absolvido. nem dentro do recurso para o STJ em revistas e apelacoes como existe no processo civil. O MP. como. entao. o despacho do juiz de instrucao que decide levar a cabo determinadas diligencias instrutorias. nao cabem dele recurso. Ha quem discuta esta necessidade de assegurar sempre pelo menos um grau de jurisdicao. 399o e 400o CPP). seja uma decisao absolutoria. dentro de um processo o arguido pode ser absolvido da maior parte dos factos. das imputacoes. em processo penal o principio constitucional da consagracao de pelo menos um grau de jurisdicao (art. Por sua vez. ha um conjunto de decisoes que permitem recurso e um conjunto de decisoes que nao o admitem (arts. as partes civis da parte das decisoes contra cada uma proferida. seja uma decisao condenatoria. Quanto ao assistente.

Aquilo que interessava ao assistente era a condenacao do arguido por um conjunto de factos. a partida abrange toda a decisao. E o que nos diz o art. Os recursos podem subir nos proprios autos ou em separado. Ate agora estivemos a falar do recurso independente. pois. demonstrando. Mas tambem pode acontecer que apenas um destes sujeitos queira apresentar originariamente um recurso. 403o CPP. mas desde que nao prejudique a capacidade de apreciacao de recurso. Se no processo penal. Face a uma determinada decisao condenatoria. tambem as partes civis ou quaisquer outros que tiverem sido condenados dentro do processo penal podem recorrer. por isso e que o recurso. face a um recurso interposto em seu beneficio. correm todas as outras causas atinentes com a causa penal e devem ali ser resolvidas. Sobe nos 93 . em caso de comparticipacao nao aproveita aos restantes. A tendencia e. dependente do recurso independente. se outras pessoas podem ser condenadas no processo. sejam os outros arguidos. So em determinadas circunstancias e que ele pode ser feito de forma espartilhada. E o caso. tambem podera recorrer. ao qual se contrapoe o recurso subordinado. neste caso. sob o ponto de vista da consequencia juridica nao foi a correcta. no sentido de beneficio de quem possa ser condenado. incluindo a parte que respeita aos outros? E se for o MP a recorrer? E evidente que este principio regra comporta um conjunto de excepcoes previstas no no 2. Qual o objecto do recurso? DE que se pode recorrer? O art. sob pena de verem comprometidos os seus direitos de defesa. determinada pessoa com interesse em agir recorre de determinada parte da materia de uma decisao por si so. Sera que o recurso de um arguido num processo com varios arguidos abrange toda a decisao. com as limitacoes que ja vimos. O recurso independente e aquele em que. limitado pelo objecto do primeiro recurso apresentado (recurso independente). ou que com ele nada tenha que ver. o recurso aproveita sempre. Cada um destes sujeitos pode recorrer autonomamente. ainda que seja interposto por um arguido ou por um responsavel civil. Alem destes sujeitos processuais (assistente. conforme os casos. sem previo recurso anterior. se a decisao for em sentido favoravel aos outros arguidos. com e o caso da “reformatio in pejus”. cumpridos todos estes requisitos. Esta caracteristica de salvaguardar sempre a posicao do arguido verifica-se em varios aspectos do nosso sistema de recursos. que podem recorrer de forma relativamente lata. Assim. ou a parte civil.foi condenado mas devia se-lo. em que e que discordam da decisao proferida. Mas isto pode levantar alguns problemas quando ha varios arguidos. O no tres faz uma distincao clara. mas apenas da parte que contra eles foi decidida. se for um recurso a favor de um arguido aproveita sempre aos restantes. Face a este recurso apresentado. O recurso subordinado e aquele que e feito apenas em funcao de um recurso que ja esta apresentado. tem legitimidade para recorrer. Ha ainda a possibilidade de fazer uma limitacao ao recurso de acordo com o art. uma tendencia unitaria: o processo e visto como um bloco e a decisao e toda ela entendida de uma forma completa e unificada. se for um recurso contra um arguido. de se recorrer apenas da materia penal ou da materia civil. por exemplo. varios sujeitos processuais podem recorrer independentemente: MP. 402o. o que nao aconteceria se estivessem noutro tribunal. pois nao e a mesma coisa ser condenado por um homicidio simples ou por um homicidio qualificado. Se ele entender que a ilacao que se retirou de um conjunto de factos. seja ele o arguido ou o responsavel civil. Podera tambem recorrer da medida da pena? Resulta da jurisprudencia do STJ que o assistente nao podera recorrer da medida da pena porque nao tem legitimidade em agir. tambem podem ter legitimidade para recorrer. a proibicao de agravacao da situacao processual do arguido. quanto a medida da pena entende-se que o assistente nao tem legitimidade para interpor recurso. por forca do principio da adesao e da suficiencia. pode o “contra-sujeito” apresentar um recurso? Pode. MP e arguido). mas apenas um recurso subordinado. assistente e arguido. assim. no 1 CPP diz-nos que o recurso abrange toda a decisao. homogenea. entende-se que. ou num caso de concurso de crimes de se recorrer de cada um dos crimes isoladamente.404o CPP. era a imputacao ao arguido do crime x. alegando as suas razoes de facto ou de direito.

A alinea a) refere que o recurso das decisoes finais condenatorias tem. Questao muito relevante e a da gravacao. 410o. no2 CPP). mas em circunstancias gravissimas. O art. apesar de interligadas sao diversas. em que o recorrente resume as razoes do pedido. as provas que impoem decisao diversa da recorrida e as provas que devem ser renovadas (art. Mas tem de haver sempre conclusoes da motivacao de deduzidas por artigos. O art. Em regra. apenas tem de 94 . 410o CPP. Ate 2007 nao existia uma norma como a que esta prevista no art. prevista nos arts. pois ha recursos que sobem imediatamente e recursos que sobem a final. o limite inultrapassavel que define a punicao do arguido. Bastava ao recorrente indicar quais eram as passagens das gravacoes que ele queria ver reapreciadas. Na maior parte dos casos em que sobe imediatamente ha-de subir em separado. alinea a) CPP). o STJ so conhece de materia de direito. Uns defendiam que era o recorrente que tinha de proceder a transcricao e a sua entrega. 412o CPP a motivacao enuncia especificamente os fundamentos do recurso e termina com a formulacao de conclusoes deduzidas por artigos. outros entendiam que isso era um peso excessivo para o recorrente. podendo este abranger qualquer materia decidida ou de que pudesse conhecer a decisao recorrida (art. sendo a audiencia gravada. 412o. Versando materia de direito. efeito suspensivo. no 3 CPP). no 3CPP). o tecto. Esta decisao fixa o limite maximo da sancao que pode ser aplicada ao arguido. quanto a motivacao penal. a fase seguinte e a fase de recurso. 407o CPP fala-nos do momento da subida. dizendo que e absolutamente necessario que a motivacao seja uma descricao da materia de facto e de direito relevante. que impede que a decisao sobre um recurso apresentado por um arguido o possa prejudicar a si ou aos outros co-arguidos. estipulando que estes podem ter efeito suspensivo ou devolutivo. As conclusoes sao muito importantes pois delimitam o objecto do recurso. referindo que sobem imediatamente todos os recursos cuja retencao os tornaria absolutamente inuteis. No prazo de 20 dias e necessario interpor um recurso com a apresentacao da motivacao (art. As situacoes em que o recurso sobe nos proprios autos ou em separado ou as situacoes em que sobe imediatamente ou a final. que apenas tinha de dizer em que parte das gravacoes estava aquilo que ele queria que fosse ouvido e depois o tribunal e que devia proceder a transcricao das gravacoes. 409o CPP fala-nos do principio da “reformatio in pejus”. 412o. 421o. A decisao de primeira instancia e. em que o recorrente resume as razoes do pedido. ou mesmo quando sejam outros recursos interpostos antes da decisao final mas que so devam subir no final. como as das alineas a) e b) do no 2 do art. portanto. qual a interpretacao que lhe foi dada e. no1 CPP).proprios autos aquele conjunto de circunstancias em que pelo proprio ciclo de desenvolvimento do processo. em caso de erro na determinacao da norma aplicavel qual a norma correcta (art. Quando impugne materia de facto o recorrente deve especificar os pontos que considera incorrectamente julgados. as conclusoes tem ainda de indicar as normas juridicas violadas. Ja ha uma decisao que poe fim a causa e todo o processo segue para recurso. De acordo com o art. O no 2 refere ainda que. no 4 e claro: o recorrente nao tem de fazer nenhuma transcricao das gravacoes. O prazo para a interposicao do recurso e de 20 dias a partir da notificacao da decisao (art. regra geral. 411o. era preciso dizer em que partes das gravacoes estavam os motivos da discordancia da decisao. Em processo penal os recursos seguem uma tramitacao unitaria. tambem pode conhecer de materia de facto. 412o. Houve muita discussao ao longo da vigencia desta norma a respeito de saber quem deve proceder a transcricao das gravacoes: era o recorrente ou o tribunal que o fazia? Vigoraram na jurisprudencia opinioes nos dois sentidos. quando havia recurso da decisao da materia de facto. Ao contrario do que sucede na maior parte da legislacao civil. Ora. o tribunal pode aumentar o valor da multa. uma fase de aceitacao e uma fase de alegacoes. o CPP estabelece regras de forma. 411o no 1. O processo penal nao tem uma fase de interposicao. 410o e ss CPP. Quanto aos feitos dos recursos rege o art. 408o CPP. Agora o art. Isto pode suceder quando se interpoe um recurso da decisao final. no 4 CPP. em caso de multa. se a situacao financeira do arguido melhorar.

449oCPP. um conjunto de regras acerca do recurso para o STJ. da desistencia (art. de fixacao de jurisprudencia como forma de evitar que haja uma vinculacao total a uma decisao anterior do STJ com a qual ele proprio nao concorda posteriormente. A alinea c) do no 1 do art. de modo a que o arguido veja a sua situacao particular definitivamente configurada. 432o CPP foi tambem alterada na revisao de 2007. Para garantir que haja unidade da decisao do STJ. 423º CPP). quando ja ha uma decisao estabilizada. por razoes de seguranca. O art. relativamente a mesma materia de direito. Mas quando tal configuracao e em prejuizo do arguido e e injusta por qualquer razao factica. E o caso. O art. 432o a 436o CPP estao prevista normas proprias para o recurso perante o STJ. Qual a razao de ser deste recurso? Trata-se de uma questao de certeza e seguranca juridica das proprias decisoes judiciais. nomeadamente quando decisoes posteriores. assentem em solucoes opostas. Depois ha regras acerca da admissao do recurso (art. e o caso de se ter dado como provado noutra sentenca um facto que entre em manifesta contradicao com aquilo que foi dado como provado no processo. 449o a 466o CPP). Em processo penal. as decisoes transitadas em julgado sao estaveis. condenado ou seu defensor. aquele que seja afectado por o recurso interposto por um sujeito processual tem o direito de resposta no prazo de 20 dias. tal como existe nos sistemas anglo-saxonicos. 95 . 432o CPP estabelece. De referir que todo o recurso e tratado de forma homogenea. 428o CPP conhecem de facto e de direito. a segunda decisao vai ser reapreciada para que se atinja um consenso. 427o a 431o CPP estao previstas normas especificas para o recurso perante as Relacoes. Por que e que uns recursos sao ordinarios e outros extraordinarios? Os recursos ordinarios interpoem-se antes do transito em julgado e os extraordinarios pressupoem o transito em julgado de uma sentenca. em principio so conhece de materia de direito.indicar quais sao as passagens da acta com as quais nao concorda e que pretende ver reapreciadas. 415o CPP). 399o e 400o CPP. 414o CPP). Falemos agora dos recursos extraordinarios. Caso seja uma pena inferior ou em caso de recurso da materia de facto recorre-se para a Relacao. O processo penal tambem conhece a figura da resposta ao recurso (art. em casos muito particulares.413o CPP). por exemplo. Da decisao do tribunal de juri e do tribunal colectivo para que tribunal se recorre? Qual o tribunal “a quo” neste caso? No caso de estarmos perante um tribunal colectivo ou um tribunal de juri que tenha aplicado pena superior a 5 anos de prisao e quando se vise apenas o reexame da materia de direito. assistente. a par com os art. Passemos ao recurso de revisao. se torne definitiva. Nos arts. depois do transito em julgado da decisao condenatoria pode haver. Deste modo. 437o a 448 CPP) e recursos de revisao (arts. 434o CPP diz-nos que o STJ. Isto nao equivale a dizer que existe entre nos uma regra de precedente. O no 6 esclarece que e o tribunal que tem por obrigacao proceder a gravacao ou visualizacao das passagens indicadas pelo recorrente ou outras que considere relevantes para a decisao da causa. Estão aqui em causa situacoes gravissimas. da vista ao MP (art. o recurso e directamente interposto para o STJ. O art. Muito embora nao haja regras de precedente entre nos. Sao os casos previstos no art. Os recursos extraordinarios dividem-se em recursos de fixacao de jurisprudencia (arts. Nos arts. de acordo com o art. Ha fixacao de jurisprudencia quando no dominio de uma mesma legislacao o STJ proferir dois acordaos que. Isto porque o nosso legislador entende que ha uma coesao do ponto vista da propria ordem jurisdicional. de ter sido afectado um juiz ou um jurado. ha normas genericas e ha uma tramitacao unitaria. 416o CPP) e da audiencia propriamente dita (art. 450o CPP refere a legitimidade para este recurso de revisao: MP. e importante que aquela decisao estabilize o mais breve possivel. que. em situacoes muito excepcionais uma reavaliacao daquela situacao. por vezes ha uma necessidade de unificacao por razoes de justica. Entre nos. mas transitadas em julgado tenham concluido algo que esta em manifesta oposicao com o que foi decidido na decisao alvo de revisao ou que ponha em causa essa decisao. Estamos a falar de unidade de julgados. certeza e defesa do proprio arguido.

No caso. com respeito pela proibicao dos metodos proibidos de prova. O art. porque essa decisao nao e contra si proferida e o assistente so pode recorrer de decisoes contra si proferidas. A medida da pena nao e. Vamos. Alem disso. O art. Mas voltemos a questao do e-mail. para que esta transcricao de e-mail fosse valida. Mas rapidamente a doutrina e o legislador colocaram a questao de saber se outros meios mecanicos de obtencao e prova que nao propriamente a escuta telefonica podem estar sujeitos ao seu regime. Trata-se de uma decisao final condenatoria. nao podendo ser utilizadas em qualquer caso. tem uma margem ampla de recurso. De referir que estas devem ser sempre encaradas como ultima ratio. se tiver legitimidade e interesse em agir com base no art.11ª Aula teórico-prática De acordo com a pergunta 7 da hipotese distribuida ha duas aulas atras. para a prova dos factos. 188o CPP refere as formalidades apertadas em que se realizam as escutas. o arguido e o assistente. o e-mail e um meio de obtencao da prova documental. parece que ha aqui alguma margem. admite-se o recurso. do ponto de vista factico. o assistente nao pode recorrer da medida da pena. 187o e ss CPP. 189o CPP o regime das escutas telefonicas as conversacoes ou comunicacoes transmitidas por qualquer meio tecnico diferente de telefone. Outra coisa nao podia ser num processo que pretende atingir a verdade material. Equiparar. Mas como nao existiam normas a este respeito o legislador entendeu por bem comparar no art. 128o e ss CPP. no no 4 estabelecer um leque fechado quanto as pessoas que podem ser escutadas: suspeito ou arguido. por um lado. Os especialistas na materia tem entendido que esta nao e uma boa solucao. Foram tambem criadas um conjunto de normas defensoras dos direitos fundamentais dos intervenientes. Os meios de obtencao de prova estao elencados nos arts. A revisao de 2007 veio tambem. 171o e ss CPP . previstos nos art. Assim. a intercepcao de um e-mail a intercepcao telefonica e forcar um pouco a letra do artigo. designadamente por correio electronico. tem de dizer respeito a um dos crimes do catalogo presentes nas varias alineas do art. Da decisao final condenatoria pode recorrer o MP. 401o CPP. pois. logo. Entende o legislador que desde que seja 96 . a respeito das escutas telefonicas. sera que um e-mail pode ser utilizado como prova no processo penal? Nos ja fizemos a distincao entre meios de prova e metodos de obtencao de prova. De acordo com o art. previstos nos arts. era preciso que preenchesse muitos e apertados requisitos. pode recorrer-se. nos termos dos arts. agora.no 1 CPP estas so podem ser utilizadas durante o inquerito se houver razoes para crer que a diligencia e indispensavel para a descoberta da verdade material ou que a prova seria de outra forma impossivel ou muito dificil de obter e atraves de despacho fundamentado do juiz de instrucao e requerimento do MP. uma decisao que lhe cabe decidir. podem ser outros que nao os aqui previstos? O art. Ja o art. nomeadamente dando direito ao assistente e ao arguido de ter acesso aos suportes e de garantir a destruicao deles. 400o e 427o CPP. Tendo em conta que e condenado a 16 anos de prisao. ha jurisprudencia uniformizada que diz que o assistente nao pode recorrer da medida da pena. Ora. Os meios de prova. estando previstas nos arts. 187o. 187o no 1. Sendo uma decisao condenatoria de primeira instancia. e meios de obtencao de prova por outro lado. intermediario e a vitima quando ela autorize.As escutas telefonicas sao aquelas que levantam maior numero de problemas. 126o CPP fala nos metodos proibidos de prova. terminar o nosso caso com a resposta a pergunta 8. 127o CPP parece voltar a falar apenas de provas. a partida. Efectivamente. E uma decisao que a ser confirmada pela Relacao ainda da a possibilidade de recurso para o STJ.125o CPP considera admissiveis todas as provas nao proibidas por lei. 399o. 187oCPP. 124o CPP define o que e objecto de prova e o art. Alias. o que nos leva a crer que ha uma distincao entre provas.

358o e 359o CPP estamos perante uma nulidade da propria sentenca. 120. alinea b) e no2 CPP. João. nao justificam um recurso para a Relacao. regressado a sua casa no Laranjeiro no dia seguinte. n 1. 380o CPP fala na correccao da sentenca. que obstam ao conhecimento do processo. Tudo isto relaciona-se com o art. tendo de ser motivado. o art. Face a esta atitude dos dois amigos. B e C são amigos.condenado pelos factos que o assistente pretende. Em Porto Covo. por regra. 401o CPP. neste caso. E o caso. que vai decidir sobre as nulidades e sobre o conteudo do recurso. que nao afectam propriamente o conteudo da decisao. o juiz pode corrigir oficiosamente a sentenca. Outras vezes. com uma alteracao de factos nao admitida ou com uma alteracao nao substancial de factos que nao tinha sido dada a conhecer e com prazo para defesa. Caso Prático n. 401o. S F e G agridem-se mutuamente em Braga. Se o juiz nao suprir as nulidades sobe tudo a Relacao. Se alem destas ainda houver impugnacao o recurso segue. de ter condenado alguem.º 6 Determine qual o tribunal competente para julgar os crimes a seguir enumerados: S A. Sempre que o juiz condene alguem com desrespeito pelos arts. 97 . Mas G é transportado para o Hospital de S. onde vem a falecer. Esta questao da aclaracao da sentenca e muito utilizada porque muito embora os advogados sejam obrigados a digitalizar os seus textos muitos juizes ainda escrevem os despachos a mao e as vezes acontece que nao se percebe o que la se diz. Essas nulidades vao-se arguir em sede de recurso. C tenta efectivamente suicidar-se. Ao ver que sao arguidas nulidades pode e deve supri-las. no prazo de 20 dias a contar da notificacao da decisao. C não se decide nesse momento. moradas ou artigos errados. Ha um conjunto de casos em que a sentenca e nula. para o proprio decisor. o MP poderia recorrer. As sentencas podem enfermar de lapsos. Qual a relacao entre as nulidades e o recurso? Se alguem quiser arguir nulidades de uma sentenca e necessario recurso? Se eu arguir uma nulidade de uma decisao proferida por um juiz de instrucao que me indeferiu de inquirir certa testemunha. esta correccao da sentenca e utilizada como manobra dilatoria. encontra B. esta cumprida a sua missao. Contudo. onde vem a falecer dois meses depois. Ora. de vicios menores. A incita C a suicidar-se. No caso de uma sentenca que enferma de uma ou mais nulidades o art. O art. fruto dos “corta e cola” ha nomes. por exemplo. o assistente ja nao poderia recorrer pois nao tem interesse em agir. E o juiz que decidiu que vai voltar a decidir a respeito da nulidade ou nao. que também o incita ao suicídio. 379oCPP fala especificamente da nulidade da sentenca. Em alguns casos. Vamos falar do sujeito processual tribunal e das suas competencias. mas que afectam a sua validade como um todo. A arguicao de nulidades e. Este recurso ha-de ser interposto na Relacao. por forca do art. e eu considero que isso e uma nulidade por forca do art. no 2. e o juiz da causa que vai ler o recurso e ver qual e o seu efeito e a sua justificacao. Como nos enviamos o recurso para o tribunal ad quem. 379o CPP refere que o tribunal pode suprir as nulidades. comecamos pela arguicao de nulidades. As lesões de F são ligeiras. Se so se tratar de nulidades e elas forem todas supridas. A este respeito. Quanto a Antonio tem tambem interesse em agir por forca do art. alinea d) CPP quem e que julga esta nulidade? O juiz de instrucao. mas. É transportado de imediato ao Hospital de Santa Maria. Assim sendo. podendo estar aqui em causa uma nulidade da prova. Antonio poe em questao a validade da prova. Se ele resolver logo o problema isso ja nao tem de ser reconhecido pela Relacao. acaba-se por aqui. 374o CPP que estabelece os requisitos da sentenca. Quando fazemos a interposicao de um recurso e fazemos a motivacao.

ainda que a pessoa nao morra. a pessoa tenha tentado suicidar-se. alinea b)CPP. que com ele vivia à data da morte. podia-se aplicar-se este artigo.Que tipo de competencias existem? Existe a competencia material. Qual o tribunal competente na primeira hipotese? A materia relativa a competencia do tribunal esta vertida nos arts. Quanto a competencia territorial rege o art. deixou um filho de 15 anos. Assim. Sera que o incitamento ao suicidio tem como elemento do tipo a morte de uma pessoa? Para que o incitamento seja punido e preciso que. O que interessa e que o filho nao pode ser assistente porque tem menoridade penal. 16o. hierarquica. A competencia material e funcional esta prevista nos arts. embora nao puna o suicidio ou a sua tentativa.. Na competencia funcional temos de dizer que materias cabem ao tribunal de primeira instancia. ex-mulher do falecido. 68o. 19o e ss CPP). logo. Quando isto acontece representa-o o representante penal. Em relacao a competencia funcional e competente o tribunal de primeira instancia. tem uma posicao de defesa da vida. A e B podem ser punidos pelo crime de incitamento ao suicidio previsto no art. A regra e a de que os crimes menos graves sao julgados pelo tribunal singular e os mais graves sao julgados pelo tribunal colectivo. 144o e 147o CP com pena de prisao de dois a dez anos. 19o CPP que diz que e competente para conhecer de um crime o tribunal em cuja area se tiver verificado a consumacao.. 14o. e necessario conhecer o mapa judiciario. no 2. Na competencia territorial temos de conhecer o tribunal competente em razao da area onde foi cometido o crime (arts.º 7 Imagine um caso de homicídio. parece que os autos poderiam ser apresentados em qualquer um destes tribunais. logo. no 1CPP. alinea a)CPP. O nosso CPP. que vive com a mãe. desde que o crime seja doloso. Sendo ofensa a integridade fisica grave o limite e de dez anos. por forca dos arts. funcional. Passemos a segunda hipotese do caso 6. consuma-se o crime com mera tentativa. punido pelo arts. Caso Prático n. 10o e 16o CPP. logo. quanto a competencia material trata-se de um crime de ofensas a integridade fisica grave. no 2. O incitamento ao suicidio basta-se com a tentativa. Esta causa sera julgada pelo tribunal singular. alinea a) CPP. logo. 8o e ss CPP. 10o e ss CPP. Sempre que um crime envolva a morte de alguem entende-se que e suficientemente grave para caber no tribunal colectivo. Mas podia-se levantar a questao do tribunal colectivo em relacao ao art. Mas talvez seja forcar um pouco as coisas. no 2. mas no caso em que se consuma ha morte. E a mulher tambem se pode 98 . no2. tambem podemos estar a falar de um caso da alinea c). o que cabera na alinea a) do art. que era divorciado. pelo que este crime pode caber no art. 16o. Quem se poderá constituir assistente no processo? Poder-se-a constituir assistente a mae em representacao do filho? Estamos falar de um bem juridico que ofende directamente a familia. aos tribunais da Relacao e ao STJ. 135o CP. tribunais colectivos e de juri. a mae. Se C so tivesse tentado era competencia do tribunal singular mas como ele morreu podera ser competente o tribunal colectivo? Ora. colectivo ou de juri? Por forca do criterio quantitativo presente no art. pelo menos. deixou ainda a companheira. aplica-se o no 1 por se considerar que Laranjeiro foi o sitio em que C tentou efectivamente suicidar-se e era competente o tribunal de Almada. Quanto a competencia funcional e competente o tribunal de primeira instancia. Numa resposta completa sobre competencia e necessario dizer que e competente o tribunal de primeira instancia da area territorial x. Nesta hipotese estao previstos os crimes de incitamento ao suicidio. alinea b)CPP. o falecido. em relacao a competencia territorial e competente o tribunal de Braga. por isso e que se criou a hipotese do 14o. esta tambem se pode considerar ofendida. estamos perante competencia do tribunal singular. Do ponto de vista material temos de fazer a distincao entre tribunais singulares. territorial. O tipo consuma-se com a mera tentativa da pessoa em matar-se. portanto compete ao tribunal colectivo por forca de qualquer um dos dois criterios.

2. Das medidas de coacção 1.2. As medidas de coacção 1.constituir assistente? Sim.2.2.2. obrigação de apresentação periódica 1. Do processo sumário Do processo abreviado Do processo sumaríssimo Parte IV AS MEDIDAS DE COACÇÃO E DE GARANTIA PATRIMONIAL Capítulo X As medidas de coacção 1. de profissão e de direitos 1. Dos requisitos gerais para aplicação das medidas de coacção 1.6.4.3. mas neste caso a representacao tem de ser feita por um so advogado.4.7. Da revogação. 3. de ausência e de contactos 1.2. Parte III Particularidades do processo penal Capítulo IX OS PROCESSOS ESPECIAIS 1. Princípios gerais 1.5.1.2. termo de identidade e residência 1.3. prisão preventiva (com especial relevância para a comparação desta medida com a anterior) 1. 2.5.2. proibição de permanência. alteração e extinção das medidas 1. arresto preventivo 99 .2. suspensão do exercício de funções. caução 1. caução económica 2. obrigação de permanência na habitação 1.1. Dos modos de impugnação e da indemnização por aplicação inadequada Capítulo XI Das medidas de garantia patrimonial 1.

se chega a conclusao de que tudo pode acabar com um acordo. caracterizado em tracos largos mas suficientemente claros. Se for atraves da forma de processo sumario. depois de o ter ouvido. se. Do processo abreviado No caso do processo abreviado. portanto isso acontece muitas vezes. essa proposta vai ao juiz para ser homologada. temos. a audiencia da-se no prazo de 48 horas e a sentenca e lida imediatamente. e que temos inclusivamente as autoridades que o detiveram que vao prestar depoimento na audiencia de julgamento. a moldura penal e esta. E. o arguido pede ou entao o MP toma a iniciativa e ouve o arguido e este concorda – o que e que acontece? O MP propoe uma sancao ao arguido. e quando esses prazos nao sao respeitados a consequencia e a de que o processo passa a ser automaticamente comum. E. que a detencao em flagrante delito e feita por uma autoridade judiciaria ou uma entidade policial. 387. a audiencia deve ser realizada no prazo maximo de 48 horas. digamos que temos indicios muito fortes (muito fortes!) da pratica do crime. a diferenca qual e? Primeiro. e se o juiz homologar 100 . e obvio que o proprio MP aproveita o auto de noticia das entidades policiais como acusacao. E evidente que isso nem sempre sucede assim – porque? Porque o art. Sendo certo que. no final. Portanto. isto traduz-se numa realizacao de um julgamento em muitissimo menos tempo do que seria normal atraves de um processo comum. O processo passa para a fase comum porque nao se consegue respeitar esses prazos que estao previstos aqui no art. nestas circunstancias. 387. e4stamos em presenca de crimes puniveis com pena de multa ou com pena de prisao nao superior a 5 anos. aqui. e onde o MP. por iniciativa do arguido ou. nestes casos de processo abreviado nos suprimimos algumas fases do processo. o processo sumario e as suas vantagens. tratando-se de processo sumario. mas segundo uma tramitacao que seja mais abreviada. e termos dito que era importante por causa do processo sumario? No art. Portanto.o diz-se que os detidos em flagrante delito podem ser julgados em processo sumario quando se trate de um crime punivel com pena de prisao cujo limite maximo nao seja superior a 5 anos. 2. nao temos de estar em presenca de uma detencao em flagrante delito. Concretamente. 381. Do processo sumário Recordam-se de termos falado sobre a detencao em flagrante delito. como e evidente. Qual e a implicacao que tem tratar-se de um processo sumario? E a seguinte: desde logo. Nao se esquecam que ha um flagrante delito. 3. No fundo e isso.Os processos especiais 1. e se ele concordar com essa sancao. a detencao tiver sido feita por uma autoridade judiciaria ou entidade policial. sob a forma comum. claro. portanto. portanto. as provas tem de ser simples e evidentes. bastante mais abreviada. Por isso e possivel que o julgamento seja feito no prazo de 48 horas. em que consiste esta abreviacao? Consiste no encurtamento dos prazos que normalmente estao estabelecidos para cada uma das fases. E estao reunidas as condicoes para que o processo nao tenha de decorrer. nomeadamente a instrucao (tal como tambem acontece no processo sumario).o permite que haja prorrogacoes ate ao quinto dia posterior e detencao ou ate 30 dias.o. Do processo sumaríssimo Tem lugar quando existem crimes com pena de prisao nao superior a cinco anos ou so com pena de multa.

caucao economica. cada uma tem finalidades totalmente diferentes. etc. que sao muito importantes. isto: nenhuma medida de coaccao pode ser aplicada sem estar prevista na lei. No fundo. muito falada e sujeita a muito debate: a questao das medidas de coaccao e de garantia patrimonial. Por exemplo. por exemplo. a medida escolhida tem de ser adequada as exigencias cautelares do processo. e para isto que servem as medidas de coaccao. se nao houver acordo. etc. medidas de garantia patrimonial. Se o arguido nao concordar. Primeiro. As medidas de coacção e de garantia patrimonial 1. Se nao for necessaria nao se pode aplicar. elas estao taxativamente previstas. do outro lado. que significa. como medida de garantia patrimonial. a obrigacao de permanencia na habitacao ou a prisao preventiva. ou seja. As medidas de coacção tem. Vamos aos principios em primeiro lugar.caucao. entao o processo e remetido para a forma comum. no entanto. sao estas e nao outras. sempre automaticamente aplicavel assim que alguem seja ouvido num processo. porque e uma materia importante. Portanto. Princípio da legalidade. ha aqui um Princípio de taxatividade. obviamente tem de ser uma medida que impeca a fuga. mas obrigacao de permanencia na habitacao de pernas para o ar. Portanto. Princípio da adequação. So se pode aplicar medidas de coaccao previstas na lei. A medida de caução económica visa garantir que no final serao pagas as custas. muito simplesmente. Princípios gerais Muito mais importante e conhecer as medidas de coaccao e os principios que sao aplicaveis. o juiz nao pode inventar medidas de coaccao (este tipo nao vai ser aplicada medida de obrigacao de permanencia na habitacao. por exemplo. se o que esta em causa e a fuga. evitar que se criem obstaculos a realizacao do proprio processo. sejam pagas. E. E nisto que consiste o processo sumarissimo. portanto.. evitar que haja fuga do arguido. Para que no fim haja uma verba que ficou devidamente garantida. Significa que. temos de um lado medidas de coaccao e.”). como medida de coaccao e a . alem de uma medida se afigurar necessaria. mas taosomente permitir que o arguido se apresente aos actos processuais. Segundo. podem ser as duas aplicadas e. As medidas de garantia patrimonial servem simplesmente para garantir que no final as custas e as penas. Princípio da necessidade. Nunca se pode aplicar uma medida de coaccao que nao se afigure necessaria as exigencias cautelares do processo. Isso nao e possivel. como veem. As medidas de coacção Temos de repisar. Mas se nao esta em causa a fuga. propositos iminentemente processuais. existem duas medidas que sao muitos semelhantes no nome: . digamos. 1. servem para obrigar a que o arguido colabore. evitar que as provas sejam depreciadas.termina o processo. todavia. Ate mesmo. A caução e uma medida de coaccao que visa garantir que o arguido estara presente nos autos processuais. sao coisas completamente diferentes. logo a partida. se calhar 101 . a excepcao da primeira que e o termo de identidade e residencia. Primeiro. Nao ha possibilidade de inventar outras. E. Tirando essa. Sao duas coisas diferentes e que cumprem objectivos diferentes. sao coisas completamente diferentes.1. todas as outras nao sao aplicadas nunca se nao forem necessarias.

Alem destes principios. isto e. 196.2. Ou se o que esta em causa e evitar que o arguido tenha contactos com determinada pessoa.1. ja obedecem a estes principios. A gravidade da medida de coaccao e completamente desproporcional a gravidade do crime e a sua sancao. 1. Prisão preventiva (com especial relevância para a comparação desta medida com a anterior) Temos que percorrer as medidas (art. Porque constitui uma restricao a um direito fundamental. o legislador. Mas e evidente que o legislador nao tem os dados do caso a frente. caso contrario deve ser imediatamente desaplicada. subsidiariamente. de função. ha um Princípio de precariedade.2 Caução. isto e. de certo modo. indo degrau a degrau.2. aos requisitos especificos que estao nas medidas. para cada medida. desde logo: a mais leve de todas que e o termo de identidade e residência (que consiste no facto de alguem ter de se apresentar periodicamente numa entidade policial. portanto.7. ou ate dois anos. da mais leve para a mais grave e perceber quais sao os requisitos especificos de cada uma dessas medidas.3. Porque as vezes pode acontecer que.2. Tem de haver proporcionalidade entre uma coisa e outra.2. para o mesmo caso.2. duas ou tres ou quatro medidas cumpram os requisitos e ai ele tem de fazer uma escolha e para a fazer tem de atender aos principios para saber qual delas e que deve aplicar. num orgao de policia criminal e que e sempre aplicavel e cumulavel com as outras medidas). independentemente da medida e e cumulavel com todas as outras medidas). que. que sao os principios gerais de aplicacao das medidas de coaccao. e pode ser cumulada com qualquer medida a excepcao da obrigacao de permanencia na habitacao e da prisao preventiva). Por exemplo. E. suspensão do exercício de profissão. Proibição de permanência. que o impeca de estar nesse local. de ausência e de contactos. o juiz deve fazer uma outra equacao: atender aos requisitos especificos de cada medida. obrigação de apresentação periódica (o crime tem de ser punivel com pena de prisao de maximo superior a seis meses. Obrigação de apresentação periódica. de actividade e de direitos (requisitos: crime punido com pena de prisao de maximo superior a dois anos e pode ser cumulada com outra qualquer medida). so quando for necessaria. 1. 1. de profissão e de direitos. por exemplo a medida de proibicao de permanencia num determinado local. se uma nao funciona aplica-se a outra que e um bocadinho mais exigente. o que e que tem de fazer o julgador? Tem de atender. Relativamente a todas as medidas ha o Princípio da subsidiariedade.o e ss). E nao o contrario! Nao se parte logo para a mais grave! E relativamente a prisao preventiva.6. o direito a liberdade. Isto quer dizer o que? Que as medidas devem ser aplicadas subsidiariamente umas em relacao as outras. devendo ser utilizada excepcionalmente.4. caução (tem simplesmente o requisitos de o crime ser punivel com pena de prisao. Termo de identidade e residência. ou ate um ano. Princípio da proporcionalidade. mas tambem tem de atender aos principios. 1. 1.2. Isto quer dizer que em principio o legislador ja fez isso. 1. Das medidas de coacção. nas outras medidas pode ser crime 102 . Portanto. ela so deve ser aplicada quando todas as outras nao funcionem e deve ser imediatamente desaplicada quando se verificar que ja nao e precisa. tem que ser uma medida adequada as exigencias cautelares que o caso requer. se calhar uma medida ideal e uma medida que o impeca de ir aquele local. por um lado. proibição e imposição de condutas (requisitos: o crime tem de ser doloso. A medida tem de ser proporcional a gravidade do crime e as sancoes que previsivelmente venham a ser aplicadas. 1. nao vamos aplicar a prisao preventiva a um crime punido com pena de multa ou com pena de prisao ate tres anos.2. Obrigação de permanência na habitação.5. 1. ja atendeu aos principios ao enunciar os proprios requisitos. Por exemplo.nao e preciso a prisao preventiva e basta a caucao.2. Suspensão do exercício de funções.

Dos modos de impugnação e da indemnização por aplicação inadequada.4. conservacao ou veracidade da prova.o. que sao muito importantes e que. perigo para a aquisicao. a excepcao do termo de identidade e residencia. etc. 200. a contrario sensu. tem de se verificar alguma destas situacoes que estao descritas no art. tendo sido previamente fixada e nao prestada a caucao economica. em razao da natureza e das circunstancias do crime ou da personalidade do arguido. criminalidade violenta ou altamente organizada. quer dizer. na area de uma determinada povoacao.5. para que haja libertacao imediata do arguido e. ou tratando-se de pessoas que tiver penetrado ou permaneca irregularmente em territorio nacional ou contra as quais estiver em curso processo de expulsao ou extradicao).o. Obviamente que estas duas medidas. 146. inclusivamente. que pode ser aplicada com ou sem a pulseira electronica. 103 . e aplica-se as situacoes onde houver crime doloso punivel com pena de prisao de maximo superior a tres anos). Se forem pagas as custas e as penas. com pena de prisao de maximo superior a cinco anos ou quando houver indicios da pratica de crime de terrorismo. A caucao economica serve para os casos em que temos que garantir que vai haver pagamento da pena pecuniaria (da multa). considerando-se adequada ou suficiente outra medida estas devem ser desaplicadas. logo que se verifique que elas nao devem continuar a ser aplicadas. a excepcao do TIR (termo de identidade e residencia.3. obrigação de permanência na habitação (aquilo que voces conhecem como “prisao domiciliaria”. Da revogação. se nao. 1. 227. nao contactar determinadas pessoas.doloso ou negligente. ou nao permanecer sem autorizacao. e a pena de prisao tem de ser de maximo superior a tres anos. alteração e extinção das medidas. se se chegar a essa conclusao. freguesia ou concelho ou na residencia onde o crime tenha sido cometido ou onde habitem os ofendidos seus familiares ou outras pessoas sobre as quais possam ser cometidos novos crimes. E um arresto de bens que fica a merce do processo. a obrigacao de permanencia. e para isso ha uma lei propria. assim como a detencao forem ilegais pode haver um processo de habeas corpus. ou perigo. de que este continue a actividade criminosa ou perturbe gravemente a ordem e a tranquilidade publicas”. o dinheiro e devolvido no fim. previsto no art. em certos casos. Se no final nao for preciso esse dinheiro e devolvido ao arguido. 1. entao. pode haver. 204. e por isso e que se diz “se considerarem adequadas ou insuficientes as outras medidas. 1. punivel com pena de prisao de maximo superior a tres anos.“nao permanecer. e consiste numa destas medidas que esta no art. prisão preventiva (que pode ser aplicada a situacoes de crime doloso. lugar a indemnizacao.o). os bens sao vendidos em hasta publica para as pagar. os bens sao devolvidos ao arguido. 2. Dos requisitos gerais para aplicação das medidas de coacção. das custas do processo ou de qualquer outra divida para com o Estado relacionada com o crime – art. nao se ausentar do estrangeiro. o MP requer que o arguido preste caucao economica para esse fim. O arresto preventivo é feito nos termos da lei processual civil e. perigo de perturbacao do decurso do inquerito ou da instrucao do processo e nomeadamente. nesse caso. O que e que isto quer dizer? Quer dizer que para se aplicar as medidas de coaccao que estao previstas no CPP. Das medidas de garantia patrimonial As medidas de garantia patrimonial sao duas: a caucao economica e o arresto preventivo.”). aplicam-se estas”. Ha umas certas regras. estao relacionadas com a necessidade de se verificar: “ fuga ou perigo de fuga. previstas no art. nao se ausentar da povoacao. que restringem o direito a liberdade.o . Se a prisao preventiva. 204 e ss.

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