i

Índice
1. Introdução ....................................................................................................................... 1
PARTE 1 COMPORTAMENTO DOS SOLOS MOLES .......................................................... 2
2. Resistência e deformabilidade ........................................................................................ 4
3. Fundações em solos moles ............................................................................................ 4
3.1. Assentamento de solos moles ................................................................................. 4
3.1.1. Assentamentos imediatos .................................................................................... 7
3.1.2. Teoria da consolidação unidimensional ................................................................ 8
3.1.3. Teorias da consolidação multidimensional ......................................................... 20
3.1.4. Previsão do assentamento ................................................................................. 23
3.2. Considerações finais ............................................................................................. 32
PARTE 2 PROCESSOS DE TRATAMENTO DE SOLOS MOLES ....................................... 33
4. Estabilização de solos .................................................................................................. 34
4.1. Estabilização de solos por mistura de aditivos químicos ........................................ 34
4.2. Estabilização térmica de solos ............................................................................... 40
5. Reforço de solos ........................................................................................................... 46
5.1. Injecção de solos ................................................................................................... 47
5.2. Estacas de brita ..................................................................................................... 50
5.3. Micro-estacas ........................................................................................................ 61
5.4. Pregagem de solos ................................................................................................ 64
5.5. Terra armada ......................................................................................................... 69
6. Compactação profunda ................................................................................................. 70
7. Aceleração da consolidação ......................................................................................... 79
7.1. Aceleração da consolidação por electro-osmose ................................................... 81
7.2. Pré-cargas ............................................................................................................. 85
7.2.1. Pré-cargas por vácuo ......................................................................................... 87
7.2.2. Pré-cargas com aterros ...................................................................................... 89
ii
7.3. Drenos verticais ..................................................................................................... 94
7.3.1. Introdução .......................................................................................................... 95
7.3.2. Métodos de cálculo ............................................................................................ 95
7.3.2.1. Hipóteses de cálculo ....................................................................................... 95
7.3.2.2. Teorias de consolidação radial ....................................................................... 95
7.3.2.3. Métodos numéricos ........................................................................................ 95
7.3.2.4. Métodos probabilísticos .................................................................................. 95
7.3.2.5. Resultados práticos ........................................................................................ 95
7.3.3. Dimensionamento prático de drenos verticais .................................................... 95
7.3.4. Experimentação em verdadeira grandeza .......................................................... 95
7.3.5. Tipos e modos de execução de drenos .............................................................. 95
7.4. Outros métodos ..................................................................................................... 95
PARTE 3 CONCEPTUALIZAÇÃO DE UM MODELO A UTILIZAR ...................................... 96
8. Métodos de tratamento de solos considerados ............................................................. 96
9. Modelos de análise a adopter ....................................................................................... 96
10. Calibração dos modelos a aplicar.............................................................................. 96
PARTE 4 ANÁLISE DO CASO DO TERMINAL DE MATÉRIAS PRIMAS DA SIDERURGIA
NACIONAL .......................................................................................................................... 97
11. Objectivos da obra .................................................................................................... 97
12. Caracterização da situação de referência ................................................................. 97
13. Concepção da solução. Métodos aplicados. ............................................................. 97
14. Execução e observação do aterro experimental ........................................................ 97
15. Comportamento do terrapleno ................................................................................... 97
PARTE 5 CONSIDERAÇÕES FINAIS ................................................................................. 98
16. Conclusões ............................................................................................................... 98
Bibliografia ........................................................................................................................... 99

iii
Índice de Figuras
Figura 1 – Comparação da previsão e observação das pressões intersticiais da água (segundo
(Tavenas, et al., 1980)) ........................................................................................................................... 5
Figura 2 – Análise convencional unidimensional para 0 calculo dos assentamentos: a) erros
cometidos; b) importância relativa dos assentamentos imediatos (segundo da consolidacão,1968) .... 6
Figura 3 – Ensaio edométrico esquemático. Notação e terminologia................................................... 10
Figura 4 - Curvas tempo assentamentos para aterros em argilas moles: A) altura do aterro 0.30m; B)
altura do aterro 6.0m, segundo Olson e Ladd, (1979). ......................................................................... 13
Figura 5 - Esquematização do método de Bjerrum para cálculo dos assentamentos primário e
secundário segundo BJERRUM (1973). ............................................................................................... 14
Figura 6 – Cálculo comparativo, usando a teoria de Terzaghi e o método CONMULT, de: a)
assentamento total; b) tensões verticais na base do provete (segundo LEROUEIL e TAVENAS, 1981).
............................................................................................................................................................... 15
Figura 7 – Assentamentos observados e calculados pelo método CONMULT sob o aterro
experimental de St. Alban (segundo Leroueil e Tavenas, 1981). ......................................................... 16
Figura 8 – Análise gráfica de assentamentos baseada no modelo auto-regressivo de Asaoka: a)
discretização da curva de assentamentos; b) dados usados na construção de Asaoka; c) Diagrama da
construção de Asaoka (segundo ASAOKA e MATSUO, 1980). ........................................................... 19
Figura 9 – Resultados típicos da análise de Asaoka no caso de carregamento em duas fases de um
estrato compressível do solo, com consolidação secundária (segundo ASAOKA e MATSUO, 1980). 20
Quadro 1 – Resumo das equações da consolidação básicas, para as teorias de Terzaghi-Rendulic e
de Biot. .................................................................................................................................................. 22
Figura 10 – Comparação dos resultados das teorias de Terzaghi-Rendulic, e de Biot: a) evolução do
excesso de tensão intersticial; b) evolução da tensão octaédrica efectiva (segundo VIGIANI, 1970). 23
Figura 11 – Exemplo elementar do método do caminho das tensões. K1 representa a envolvente de
rotura. .................................................................................................................................................... 25
Figura 12 – Coeficiente de assentamento de Skempton-Bjerrum, em função do coeficiente de pressão
neutra, para sapatas contínuas e circulares (segundo SCOTT, 1963)................................................. 27
Figura 13 – Exemplo de aplicação da teoria do estado crítico. Caminho de tensões efectivas possível
pelo carregamento com um aterro. ....................................................................................................... 29
Figura 14 — Limites de aplicacao 00s varios twos de tratamento em funcao da granulometria dos
solos (segundo Mitchell 1981)............................................................................................................... 34
iv
Figura 15 – Execução de uma estaca de cal pelo método sueco: a) Execução da estaca; b) Estaca
pronta; c) Misturador. ............................................................................................................................ 36
Figura 16 – Esquema do cálculo de assentamentos, para cargas elevadas, no caso de estacas de cal
(segundo BROMS, 1985). ..................................................................................................................... 37
Figura 17 – Esquema do cálculo dos assentamentos em solos tratados com estacas de cal, para
cargas reduzidas (segundo BROMS, 1985). ........................................................................................ 38
Figura 18 – Condutividade térmica do solo (segundo Mitchell, 1981, adaptado de Kersten, 1949). ... 41
Figura 19 – Esquema para tratamento térmico em profundidade (segundo Litvinov, 1960, citado por
Mitchell, 1981). ...................................................................................................................................... 42
Figura 20 – Efeito da heterogeneidade dos estratos geológicos na forma da zona congelada (segundo
Schuster, 1972). .................................................................................................................................... 43
Figura 21 – Curvas de fluência para uma argila siltosa orgânica (segundo Sanger e Sayles, 1979). . 45
Figura 22 – Métodos correntes de congelação de solos (segundo Schuster, 1972). ........................... 46
Figura 23 - Limites de aplicacao de varios tipos de calda em função da granolometria dos solos e
propriedades dos solos tratados (segundo mighell,i981) ..................................................................... 47
Figura 24 – Tipos de injecções ............................................................................................................. 48
Figura 25 – Tipos de malhas de distribuição de estacas: a) malha hexagonal; b) malha triangular; c)
malha quadrada (segundo Cristóvão, 1985). ....................................................................................... 52
Figura 26 – Tipos de rotura de estacas de brita (segundo Bergado et al,, 1984). .............................. 53
Figura 27 – Curvas tensões – deformações radiais, determinada com base em ensaios
pressiométricos (adaptado de Bergado et al., 1984). .......................................................................... 53
Figura 28 – a) Deslocamento vertical, em profundidade; b) Deslocamento radial do perímetro da
estaca/raio inicial da estaca, com a profundidade (segundo Hughes e Withers, 1974). ...................... 54
Figura 29 – Comparação da tensão máxima, numa estaca de brita, em função do ângulo de atrito
interno (segundo Cristóvão, 1985). ...................................................................................................... 56
Figura 30 – Curvas carga assentamento para várias estacas de brita, e para o solo sem tratamento
(segundo Bergado et al., 1984). ........................................................................................................... 58
Figura 31 – Comparação dos factores de melhoramento do solo de acordo com vários autores
(segundo Cristóvão, 1985). ................................................................................................................... 58
Figura 32 – Factor de redução das deformações em regime elástico (segundo Goughnour, 1983). . 61
Figura 33 – Factor de redução das deformações em regime plástico: a) Ф
estaca
=45º, K
o
=0.4 e 0.5; b)
Ф
estaca
= 40º, K
o
= 0.4 e 0.5 (segundo Goughnour, 1983). ................................................................... 61
Figura 34 – Curvas de tensão deformação para sapatas em solo virgem, e sobre grupos de estacas
verticais ou inclinadas com base de areia ou tout-venant (segundo Plumelle, 1984). ......................... 63
v
Figura 35 – Esquema conceptual da instalação dos pares de micro estacas e nodo de funcionamento
dessas micro estacas (segundo Pitt e Rhodes, 1984). ........................................................................ 64
Figura 36 – Execução de pregagens estabilizando um talude de escavação (segundo Stocker et al.,
1979). .................................................................................................................................................... 65
Figura 37 – Mecanismos de rotura possíveis num muro de escavação pregado (segundo Stocker et
al., 1979). ............................................................................................................................................... 66
Figura 38 – Esquema de cálculo de estabilidade de um muro de suporte pregado (segundo Stocker
et al., 1979). ........................................................................................................................................... 66
Figura 39 – Ábacos de pré dimensionamento de pregagens (segundo Bangratz e Gigan, 1984). .... 69
Figura 40 – Relação entre o peso e a alyura da queda, na compactação dinâmica (segundo Mayne
et al., 1984). ........................................................................................................................................... 72
Figura 41 – Representação do comportamento do solo: a) quando sob a aplicação de uma carga
estática; b) quando sob a acção de carga repetida na consolidação dinâmica. (segundo Ménard e
Boise, 1975). ......................................................................................................................................... 75
Figura 42 – Dissipação das tensões intersticiais. Exemplo de Botlek (segundo Ménard e Boise,
1975). .................................................................................................................................................... 75
Figura 43 – Relação entre a profundidade aparente máxima de influência e a energia por pancada
(segundo Mayne et al., 1984). ............................................................................................................... 76
Figura 44 – Esquema de ábaco de dimensionamento de compactação dinâmica para espessura
constante da camada a tratar (segundo Jesseberger e Beine, 1981). ............................................... 77
Figura 45 – Velocidade das partículas em função de um factor de energia (segundo Mitchell, 1981).
............................................................................................................................................................... 79
Figura 46 – Tratamento por electro-osmose sobre a argila mole de AS: ............................................. 84
a)variações do teor em água ................................................................................................................. 84
b) variação da coesão não drenada ...................................................................................................... 84
(segundo Bjerrum et al, 1967). .............................................................................................................. 84
Figura 47 – melhoria da coesão não drenada Cu de uma argila remoldada tratada por electro-
osmose: ................................................................................................................................................. 85
a) electro-drenagem; b) electro-injecção de silicato de sódio (35%); c) electro-injecção de cloreto de
amónia (10%); (segundo Caron, 1971). ............................................................................................. 85
Figura 48 – Tipos de précarga: a) Construção com sobrecarga; b) Construção por fases. ................. 86
Figura 49 – Método de pré carga por vácuo: a) Processo de Kjellman (1952); b) Processo do poço. 88
Figura 50 – Compensação do assentamento devido à consolidação primária numa aplicação de
sobrecarga. ............................................................................................................................................ 91
vi
Figura 51 – Cálculo do grau de consolidação sob a sobrecarga necessária para compensar o
assentamento da consolidação primária sob a carga de serviço (segundo PILOT, 1977). ................. 92
Figura 52 – Distribuição das tensões intersticiais da água após a remoção da sobrecarga, para o
momento t=t
1
(segundo MITCHELL, 1981). .......................................................................................... 93









1


1. Introdução


2

PARTE 1 COMPORTAMENTO DOS SOLOS MOLES
A noção de "solo mole" não tem, até ao momento, uma definição quantitativa precisa. De um
ponto de vista qualitativo, podemos dizer que solos moles serão aqueles em que qualquer
construção - aterro, edifício ou outro -, mesmo transmitindo cargas reduzidas ao solo de
fundação, pode provocar roturas ou assentamentos importantes, sendo necessário tomar
em conta estes factos a nível de projecto.
Apesar de, até ao momento, não haver uma definição quantitativa precisa, há várias
características geralmente reconhecidas aos solos moles. Assim, os solos moles são solos
de formação muito recente, de origem sedimentar em meio aquoso, (por via mecânica ou
química) constituídos essencialmente por partículas finas, classificando-se, do ponto de
vista granulométrico, em argilas, argilas siltosas ou no extremo, siltes argilosos; a sua
formação recente leva as que sejam solos normalmente consolidados, ou ligeiramente sobre
consolidados, eventualmente ainda sub consolidados, à excepção da crosta superficial,
onde os ciclos de molhagem e secagem provocaram geralmente uma camada apresentando
forte sobre consolidação; são solos apresentando elevado grau do saturação, baixo indice
de consistência (I
c
< 0.5, podendo eventualmente apresentar valores negativos); apresentam
elevada deformabilidade, e baixa permeabilidade.
Esta última característica, elevada deformabilidade associada a baixa permeabilidade, faz
com que os grandes assentamentos que se verificam neste tipo de solos se processem em
geral ao longo de espaços de tempo bastante dilatados, corn os inevitáveis inconvenientes
para a construção e exploração de obras de engenharia civil.
Por último, outra das importantes características apresentadas por este tipo de solos é a sua
baixa resistência ao corte, com os inevitáveis problemas de estabilidade das obras a
construir. No entanto, quanto a esta característica, a escola "ocidental" a a escola russa
diferem nos limites considerados. Assim, para a escola russa, solo mole será todo aquele
que apresentar uma pelo menos das seguintes características ( (Evgeniev, et al., 1976) e
(Abelev, 1977)):
1) Resistência ao corte determinada por ensaio de molinete "in situ" menor que 75
KPa;
2) Deformação sob uma carga de 250 KPa superior a 50 mm/m.
3
A escola "ocidental" define, do ponto de vista de resistência ao corte sem drenagem o limite
de 25 KPa (CORREIA, R.P., 1982, FLODIN, N. e BROMS, B, 1981). De acordo com esta
definição podemos sub dividir estes solos, quanto a consistência, em moles a muito moles
(LNEC 1968 a, b).
A particularidade da génese dos solos moles reflecte-se na sua localização. Assim,
podemos estar confrontados com fundações em solos moles em praticamente qualquer
região, junto a rios, pântanos, lagos, planícies aluvionares, junto à linha da costa de mares
existentes, ou nas zonas até recentemente ocupadas por mares.
Como se disse atrás, os problemas postos pelos solos moles, quando servem de fundação a
obras de engenharia, são essencialmente de dois tipos:
- assentamentos excessivos
- capacidade de carga insuficiente.
Verifica-se um outro problema, nas que poderemos considerar relacionado com o primeiro
dos problemas referidos: as deformações no tempo darem-se em prazos demasiado longos.
A dificuldade de tratar estes problemas deve-se essencialmente ao modelo de
comportamento das argilas demasiado simplista, que serve de base ao projecto de aterros e
outras fundações, neste tipo de solo. Este modelo, apresentado inicialmente por
SKEMPTON (1948) considera duas fases de comportamento distintas, para as argilas
moles. Na primeira fase, correspondente a fase de construção da obra, devido à rapidez de
colocação das cargas, em conjunção com a permeabilidade reduzida das argilas, teremos
uma resposta não drenada do solo. Na segunda fase, após a construção, desenvolve-se a
consolidação da camada argilosa, associada à variação das tensões intersticiais da água,
tensões efectivas, deformações, e resistência disponível.
Poderemos dizer que a aceitação desta dualidade da análise - análise "não drenada" e
análise "drenada" - foi facilitada pelo facto de o comportamento não drenado e drenado
corresponderem a tipos de ensaios laboratoriais ou "in situ" específicos: ensaio triaxial não
drenado ou ensaio molinete (Vane test) no primeiro caso, e ensaio triaxial drenado e ensaio
edométrico no segundo caso. Ainda teremos que considerar a facilidade de usar a teoria da
elasticidade para análise das tensões e deformações, no caso do comportamento "não
drenado", com ν= 0.5, e a deformação lateral nula, como é representado no ensaio
edométrico, para a análise da consolidação.


4
2. Resistência e deformabilidade

3. Fundações em solos moles
3.1. Assentamento de solos moles
Nesta dissertação, a preocupação dominante é relativa às fundações em solos moles, de
aterros, tal como referido no Capítulo 1. Vai portanto ser dada especial ênfase aos
problemas relacionados com este tipo de obra.
Tal como referimos acima, a questão das deformações da fundação é uma questão de
particular relevância na análise de aterros em argilas moles. Distinguem-se, no
assentamento global de uma estrutura, três componentes: o assentamento imediato,
também chamado inicial ou não drenado, e que, de acordo com os princípios clássicos da
resposta "não drenada", é uma deformação a volume constante provocada pela tensão de
corte sob a área carregada; o assentamento provocado pela consolidação, também
designada por consolidação primária, provocada pela drenagem da água do solo, como
consequência do gradients hidraulico do excesso de pressão intersticial da água provocado
pelo carregamento; e o assentamento devido à consolidação secundária, também
designado por consolidação secular, que se dá, na sua quase totalidade, após a dissipação
das tensões neutras, a tensão efectiva constante.
5

Figura 1 – Comparação da previsão e observação das pressões intersticiais da água (segundo (Tavenas,
et al., 1980))

0 assentamento imediato dá-se, como foi referido, com um comportamento não drenado,
isto segundo a análise clássica. No entanto, LEROUEIL (1978) e (Tavenas, et al., 1980)
mostraram que logo no início da construção, e devido ao facto de as argilas moles
apresentarem usualmente sobreconsolidação, a resposta inicial desses solos é uma
consolidação primária, de modo a que a argila se tome normalmente consolidada durante a
construção. Só então é que estes solos apresentam um comportamento não drenado.
(Tavenas, et al., 1980) pensam que este facto poderá justificar a sobre estimação do valor
das tensões intersticiais da água, usualmente verificada (Veja-se Figura 1).
Quanto aos assentamentos por consolidação primária, e por consolidação secundária, não
há unanimidade quanto ao modo de as separar. A pratica corrente consiste em considerar
que a consolidação secundária se inicia unicamente após a conclusão da consolidação
primária.
Como é lógico, a análise bi ou tridimensional do fenómeno da consolidação será uma
aproximação mais correcta do que a consideração do fenómeno como unidimensional. No
entanto, a dificuldade de cálculo, bem como a falta de modelos de comportamento bi ou
6
tridimensionais levaram a que, durante largos anos, se estabelecesse o uso generalizado da
teoria da consolidação unidimensional de Terzaghi. No entanto, o aparecimento de meios de
cálculo mais potentes, facilitou a introdução da resposta bi e tridimensionais nos cálculos.
No entanto, e considerando as incertezas na caracterização correcta dos solos de fundação
muitas vezes ocorrente, a sofisticação do cálculo tem reduzido interesse prático.


Figura 2 – Análise convencional unidimensional para 0 calculo dos assentamentos: a) erros cometidos;
b) importância relativa dos assentamentos imediatos (segundo da consolidacão,1968)
Aliás, DAVIES e POULOS (1968), considerando uma sapata circular a superfície de um solo
de fundação com duas camadas, demonstraram que os erros da utilização de teorias
unidimensionais aumentam rapidamente com a espessura do estrato compressível, mas
unicamente para coeficientes de Poisson, com drenagem, ν’ >0.3 (Figura 2a); demonstraram
ainda que a percentagem do assentamento imediato, relativamente ao assentamento total,
aumenta com a espessura do estrato compressível, e com o aumento de ν’ (Figura 2b).
No entanto, podemos dizer que a maior influência da consideração de soluções bi ou
tridimensionais verifica-se na taxa de consolidação, devido à consideração da drenagem
lateral.
Até muito recentemente, isto é, até ao desenvolvimento e aplicação generalizada à
geotecnia do Método dos Elementos Finitos, procedia-se à análise dos assentamentos em
duas fases:
- em primeiro lugar procedia-se à determinação do aumento de tensão provocado no
estrato compressível pela aplicação da carga;
7
- seguidamente procedia-se ao cálculo dos assentamentos provocados por esse
incremento da tensão, aplicando uma relação tensões - deformações conveniente
(por exemplo, a lei deduzida do. ensaio edométrico).
Aliás, este continua a ser o processo mais vulgarmente usado para o cálculo de
assentamentos. O Método dos Elementos Finitos, permitindo analisar o desenvolvimento
das tensões e das deformações em qualquer ponto de um solo quando carregado,
permitindo ainda considerar qualquer geometria, condições de carregamento, e
propriedades do material complexas, é um utensílio valiosíssimo para o engenheiro. No
entanto, a sua aplicabilidade está grandemente limitada, presentemente, por dois
condicionalismos:
1. Para aplicação do FEM é necessário conhecer o estado de tensão no solo,
anteriormente a ser carregado;
2. A utilidade e aplicabilidade do FEM são bastante reduzidas pela falta de um
modelo do comportamento do solo suficientemente correcto.
Isto é, os métodos actualmente disponíveis, e essencialmente o "dogma" em que todos se
baseiam - a dualidade de comportamento não drenado durante o carregamento, e drenado a
longo prazo -apresenta deficiências graves, podendo-se dizer quo os bons resultados que
alguns desses métodos fornecem se devem a séries de erros que se compensam entre si (
(Tavenas, et al., 1980), LEROUEIL e TAVENAS, 1981). Assim, pode-se ser levado a
considerar o Método dos Elementos Finitos, no estado actual de conhecimentos, coma uma
ferramenta muito útil na investigação essencialmente na aplicação e verificação de novas
modelos reológicos pare comportamento dos solos moles, mas de reduzido interesse para o
engenheiro na análise dos casos correntes que tem que resolver.


3.1.1. Assentamentos imediatos

Num carregamento rápido do solo, os assentamentos imediatos são calculados com uma
teoria elástica linear. No entanto, no carregamento de um solo, em fase não drenada, pode-
se dar início a cedências locais (escoamento plástico contido), desde que as tensões de
corte nesses pontos sejam relativamente elevadas quando comparadas com as resistências
ao corte nos mesmos pontos. Ora o problema da aplicação da teoria elástica linear ao
cálculo dos assentamentos imediatos reside no facto de, após o início de cedências locais,
8
não ser possível calcular as redistribuições de tensões e deformações. D'Appolonia (1971)
desenvolveu, pare sapatas, a partir de uma análise por elementos finitos, um método
simplificado para ter em conta esse fenómeno (Veja-se, por exemplo, (Balasubramanian, et
al., 1981)).
Para o caso de aterros, em que a espessura do estrato compressível seja inferior a metade
da largura do aterro, os dados existentes levam a considerar que o início de cedências
locais se dá quando a carga aplicada ultrapasse 50% da carga de rotura do solo. Por
exemplo, TAVENAS et al (1974) observaram no aterro experimental de St.Alban, .Quebec,
que os assentamentos deixaram de obedecer ao comportamento elástico linear quando o
nível de tensões locais ultrapassam 60% de tensão de rotura no mesmo ponto, o quo
corresponde a uma altura do aterro experimental (logo de carga aplicada) de 50% da altura
em que se verificou a rotura do aterro. No entanto, posteriormente este autor considerou que
o comportamento dos solos, quando carregado, não segue imediatamente um
comportamento não drenado, desde que as argilas moles sejam sobre consolidadas, - como
aliás sucede com a grande maioria desses solos - mas antes haveria um comportamento
drenado, devido a passagem da argila de sobre consolidada a normalmente consolidada,
passando então a comportar-se como uma argila normalmente consolidada "desestruturada"
(Veja-se (Tavenas, et al., 1980), LEROUEIL et al 1979, LEROUEIL e TAVENAS 1981).


3.1.2. Teoria da consolidação unidimensional

Apesar de haver indícios de que já nos primórdios da História o homem se debatia com o
problema dos assentamentos ao longo do tempo dos solos argilosos moles, quando
carregados, só em 1923 foi apresentada por TERZAGHI (1923a, 1923b) uma formulação de
uma teoria coerente do fenómeno da consolidação. Para o êxito desta teoria, que hoje é
correntemente aplicada, apesar de reconhecidamente incorrecta, teve importância
fundamental a enunciação por TERZAGHI do princípio das tensões efectivas. Como é
conhecido, foi esta data geralmente reconhecida como a do início da Mecânica dos Solos,
como disciplina autónoma e teoricamente suportada.
As hipóteses simplificativas em que se baseia a teoria unidimensional de consolidação de
TERZAGHI são, resumidamente (TAVENAS, 1979; (Seco e Pinto, 1983)).
- saturação total do meio;
9
- incompressibilidade das partículas sólidas, e da água;
- fluxo unidimensional;
- validade da lei de DARCY;
- coeficiente de permeabilidade independente do índice de vazios;
- linearidade das relações tensões - deformações do material;
- inexistência da fluência do esqueleto sólido;
- hipóteses dos pequenos deslocamentos (linearidade geométrica).
Após TERZAGHI, vários autores têm apresentado teorias da consolidação
unidimensionais, actuando sobre alguma ou algumas das hipóteses simplificativas atrás
referidas. Na realidade, podem-se considerar como extensões, ou adaptações, da teoria
básica de TERZAGHI.
A formulação matemática baseada na teoria da consolidação de TERZAGHI, para o cálculo
dos assentamentos, é relativamente simples, e poderá ser expressa por:

Para considerar o significado desta fórmula, comecemos por referir que, para o estudo da
deformação unidimensional o assentamento imediato, ρ
i
é nulo. Assim, na expressão (1), ρ
T

representa o assentamento total, ∆h a espessura inicial do estrato, ∆σ’
v
o incremento da
tensão efectiva vertical no centro do estrato devida a carga aplicada, ρ
ed
é o assentamento
medido no ensaio edométrico, e m
v
o coeficiente de compressibilidade volumétrica, definido
por:

Nesta equação, ∆ε
v
é a deformação vertical, provocada pelo acréscimo de tensão ∆σ’
v
. e
o

é o índice de vazios inicial, e ∆e a variação do índice de vazios.
Generalizando esta expressão para o calculo de assentamentos, ao caso do carregamento
de uma argila sobre consolidada, onde teremos por tanto recompressão até ao estado de
normalmente consolidada, e enunciando-a em termos de índices de compressibilidade e de
recompressibilidade, C
c
e C
r
, respectivamente, poderemos escrever:

10
onde σ’
vo
é a tensão efectiva vertical inicial, σ’
vf
é a tensão vertical final, σ’
vp
é a tensão de
preconsolidação, e e
p
e o índice de vazios correspondente à intersecção da linha de
recompressão e de linha virgem. Esta terminologia, bem como o significado dos símbolos
usados, estão esquematizados na Figura 3, representando esquematicamente um ensaio
edométrico.

Figura 3 – Ensaio edométrico esquemático. Notação e terminologia.
Este método "convencional" de cálculo dos assentamentos foi desenvolvido por BUISMAN
(1936) e por KOPPEJAN (1948), para permitir analisar a consolidação secundária ou
secular. BUISMAN estabeleceu que assentamento de um estrato originado pelo fenómeno
da consolidação secundária varia linearmente com o logaritmo do tempo, e é independente
da espessura e do estrato; KOPPEJAN estabeleceu que o assentamento relativo uma
função linear do logaritmo de carga aplicada. Considerando o fim da consolidação primária
como início dos tempos para a consolidação secundária, e considerando um solo
normalmente consolidado, podemos escrever para exprimir os assentamentos provocados
pela consolidação secundária:

C
1
e C
2
são coeficientes a determinar a partir de ensaios edométricos de longa duração. t
s
é
o tempo para o qual se está a calcular o assentamento. Para aterros em solos moles,
11
MAGNAN et al (1979) propõem que se faça a comparação de expressão acima com a
expressão de TERZAGHI, de modo a que se tem e .
A escola americana propõe uma solução mais simples, para a análise do assentamento
devido a consolidação secundária:

Cα é o coeficiente da compressão secundária, definido pela variação do índice de vazios por
variação unitária do logaritmo dos tempos, após o fim da consolidação secundária. Como já
referimos, uma questão importante, não resolvida até ao presente, é a determinação de
quando se inicia realmente a consolidação secundária: se após a conclusão da
consolidação primária, se ainda durante o desenvolvimento desta.
Consideremos agora a teoria de consolidação de TERZAGHI, que serve de base ao método
"convencional" para c4lculo de assentamentos de estratos argilosos moles acima
apresentado. Já indicámos, de modo sumário, as hipóteses simplificativas nas quais se
baseia esta teoria de consolidação. A derivação da equação de consolidação de
TERZAGHI pode ser feita pela combinação da equação da continuidade para o
assentamento de um fluído, com a lei das tensões – deformações do esqueleto sólido,
considerando constante a tensão total (para esta derivação, veja-se (Lambe, et al., 1969)). A
equação de consolidação de TERZAGHI pode-se escrever na forma:

onde u
e
é o excesso de tensão neutra, h é a coordenada especial com origem no topo da
camada compressível, t é o tempo, e C
v
é o coeficiente de consolidação.
Matematicamente, a solução desta equação pode ser escrita como uma série de Fourier
(Veja-se (Balasubramanian, et al., 1981)):

H é o comprimento da drenagem; T
v
é um factor de tempo adimensional, definido por
. Pode eventualmente, nas tabulações e gráficos para solução da equação de
TERZAGHI, ter outras definições. Nesta teoria, o grau de consolidação U
s
é idêntico ao grau
de dissipação das tensões intersticiais da água, U
p
. É dado por:

12
Onde ρ
c
, é o assentamento final devido a consolidação, e ρ
c
(t) é o assentamento no
instante t.
As várias soluções disponíveis destas equações são em geral dadas em forma de gráfico de
U
s
ou U
p
em função de T
v
. A partir desses gráficos, o assentamento em qualquer instante t
pode ser obtido através de .
Como já referimos atrás, foram apresentadas, desde a apresentação por TEPZAGHT da sua
teoria de consolidação, várias teorias de consolidação unidimensional, que na realidade são
simples extensões de teoria primitiva de TERZAGHI. Essas teorias baseiam-se nas
hipóteses que suportam a teoria de TERZAGHT, com algumas alterações. Assim, temos
teorias em que se faz entrar o carregamento dependente do tempo, e não instantâneo. (
(Schiffman, 1958) e OLSON 1977, por exemplo).
Outros autores, considerando a lei da tensão - deformação linear como não realista
(TERZAGHI tinha usado a expressão , introduziram na
formulação da teoria de consolidação leis não lineares de tensão - deformação. (Gibson,
1967), (Mesri, et al., 1974), por exemplo exprimiram o índice de vazios como função do
logaritmo da tensão efectiva. No entanto, só é possível integrar esta formulação na solução,
por meio de métodos numéricos.
Outros autores ( (Poskitt, 1969) (Mesri, et al., 1974)) apresentaram soluções considerando a
variabilidade da permeabilidade e da compressibilidade. (Olson, et al., 1979) consideraram
um coeficiente de consolidação variável.
(Hansbo, 1960) considerou uma variação não linear do escoamento da água intersticial com
o gradiente da forma , aplicando-a ao problema dos drenos de areia. Alterando
assim a lei de DARCY, HANSBO verificou experimentalmente uma melhor concordância
com os dados de observação em algumas argilas suecas, com o expoente n>1. Este
comportamento poder-se-ia dever à obstrução de canais de escoamento por partículas. Este
facto foi observado por microfotografia electrónica (Hansbo, 1973).
Como referimos atrás, na teoria de TERZAGHI uma das hipóteses de base é a assunção de
que as deformações são suficientemente pequenas para poderem ser consideradas,
matematicamente, como infinitesimais, que equivale a dizer que o caminho de drenagens
permanece invariável durante o desenvolvimento do fenómeno. Recentemente, vários
autores abordaram o problema considerando uma deformação de consolidação finita e não
infinitesimal. Temos, por exemplo, o trabalho de MONTE e KRIDEK, 1976, (Mesri, et al.,
1974), etc..
13
\
'
) 2
Vários autores, entre os quais recentemente SCHIFFMAN e STEIN (1970), tentaram
generalizar a teoria clássica de TERZAGHI à modelização de sistemas estratificados do
solo. No entanto estas soluções são bastante complicadas, sendo geralmente preferidas
técnicas numéricas. Outros autores, entre os quais (Olson, et al., 1979) introduziram
correcções à teoria clássica para incluir o efeito de submergência dos terrenos.


Figura 4 - Curvas tempo assentamentos para aterros em argilas moles: A) altura do aterro 0.30m; B)
altura do aterro 6.0m, segundo Olson e Ladd, (1979).

Na Figura 4 apresenta-se um exemplo, para a influencia da submergência na relação
tempo-assentamento numa camada de 6 metros de espessura de argila, provocada por dois
aterros, de 0.3 m e 6 m de altura. A análise apresentada, elaborada por (Olson, et al., 1979),
utilizou um processo por diferenças finitas.
Ainda dentro do caso das teorias unidimensionais que temos estado a apresentar, de modo
muito reduzido, temos que considerar ainda os modelos de (Mesri, et al., 1974),
GARLANGER (1972) e MAGNAN et al (1979), que, relativamente A teoria de TERZAGHI,
têm a particularidade numa relação tensões - deformações dos solos mais desenvolvida, de
modo a incluir o efeito do tempo, ou seja, de modo a considerar a taxa de deformação,
ae/df. Estas teorias, bastante avançadas, têm a vantagem de se basearem em parâmetros
dos solos facilmente obtidos a partir do ensaio edométrico tradicional. Têm todos eles, no
entanto, o inconveniente de necessitarem de técnica de tratamento numérico para resolução
14
das equações que apresentam. Só como nota, uma das particularidades do método de
GARLANGER e considerar em simultâneo os efeitos combinados das consolidações
primária e secundária.

Figura 5 - Esquematização do método de Bjerrum para cálculo dos assentamentos primário e secundário
segundo BJERRUM (1973).

Os laboratórios de Ponts et Ghaussées, em Franca, em cooperação com a Université Laval,
no Quebec, apresentaram um modelo de consolidação unidimensional muito elaborado
(MAGNAN, 1979a, 1979b; TAVENAS et al, 1979), que mantém, das hipóteses iniciais de
TERZAGHI, Unicamente a deformação unidimensional. Este modelo pode considerar solos
estratificados, variações de e, C
v
e k com , consolidação secundária, situações de não
saturação do solo, e compressibilidade do fluido intersticial. O modelo obedece à lei de
tensões - deformações - tempos proposta por BJERRUM (1967, 1972, 1973) e
GARLANGER (1972), expressa na Figura 5, à excepção do facto de considerar
equidistantes as linhas de tempo constante, de acordo com .

15

Figura 6 – Cálculo comparativo, usando a teoria de Terzaghi e o método CONMULT, de: a) assentamento
total; b) tensões verticais na base do provete (segundo LEROUEIL e TAVENAS, 1981).

A permeabilidade, neste modelo, segue a lei de DARCY com coeficiente da permeabilidade
vertical, k
v
, variável, de acordo . A solução do modelo é obtida por cálculo
automático, usando o método das diferenças finitas. Este programa tem a designação de
CONMULT (consolidation des multicouches). Este modelo tem permitido um estudo
sistemático da influência de vários factores, como por exemplo da sobre consolidação, na
evolução de dissipação das tensões intersticiais, a do assentamento com o tempo. Por
exemplo, TAVENAS at al (1979) mostraram que a consolidação rápida junto às fronteiras de
drenagem leva à formação de uma zona, menos permeável, que atrasa a consolidação
média, e modifica as isócronas; mostraram igualmente que C
v
tem uma grande variação ao
longo do tempo, no processo de consolidação de uma argila normalmente consolidada,
provocando um assentamento muito mais lento do que a consideração de c
v
constante. A
Figura 6 apresenta um exemplo de utilização, num provete em laboratório, do método
CONMULT, comparado com a solução de TERZAGHI. A Figura 7 apresenta a aplicação do
CONMULT, em "back analyses", aos assentamentos do aterro D de St. Alban.
16


Figura 7 – Assentamentos observados e calculados pelo método CONMULT sob o aterro experimental de
St. Alban (segundo Leroueil e Tavenas, 1981).

Como se pode ver da Figura 7, há uma excelente concordância entre a previsão pelo
CONMULT, e a observação da obra. A Figura 6 mostra-nos as diferenças nítidas, a nível de
distribuição de tensões, entre os resultados do CONMULT, e os da teoria de TERZAGHI.
LEROUEIL e TAVENAS (1982) mostraram, com estas e outras comparac5es, que os
resultados, por vezes aproximados, da teoria de TERZAGHI se devem a erros sistemáticos
que se compensam entre si.
Outras teorias envolvendo a viscosidade do esqueleto sólido são as que fazem uso de
modelos reológicos, isto e, fazem uso de analogias mecânicas do comportamento
constitutivo teológico do material "solo". São baseados, na associação de elementos
simples, como por exemplo, dos corpos de HOOKE, NEWTON e SAINT-VENANT. De entre
os inúmeros modelos reológicos que tem sido propostos para representar o comportamento
viscoso do esqueleto sólido de um solo, sofrendo um processo unidimensional de
consolidação, poderemos referenciar o de TAYLOR-MERCHANT (MERCHANT, 1939,
TAYLOR e MERCHANT, 1940), e o modelo de GIBSON e LO (1969), como exemplos de
modelos de viscosidade linear; o de BARDEN (1965, 1968) e o de WU et al (1966), como
exemplos de modelos de viscosidade não linear.
Por último, no que diz respeito aos modelos unidimensionais de tratamento dos
assentamentos, vamos considerar, com particular atenção, um método relativamente
17
recente, apresentado por ASAOKA (1978). Este método não é, na realidade, um método
"previsional" pois ele vai-se servir assentamentos medidos em obra, em intervalos de tempo
iguais. Permite determinar a amplitude final e a velocidade dos assentamentos de uma
camada de solo, e baseia-se na equação diferencial parcial da consolidação, expressa em
termos de deformação vertical volúmica, tal como derivada por MIKASA (1963).

onde c
v
e o coeficiente de consolidação, ε(t, z) é a deformação vertical relativa, t é o tempo e
z é a profundidade a partir do topo da camada compressível. Esta equação pode ser
aproximada pela equação diferencial da forma:
b
dt
s d
a
dt
s d
a
dt
ds
a s
n
n
n
= · · · + + · · · + + +
2
2
2 1

Nesta equação, s representa o assentamento da camada compressível, e os a
n
e o b são
coeficientes constantes, dependentes do coeficiente da consolidação c
v
e das condições de
fronteira. Estes últimas são supostas constantes durante a consolidação. O processo de
ASAOKA baseia-se na observação para determinar estes parâmetros a
n
e b, pare a partir
deles prever os assentamentos futuros.
Para o caso clássico da consolidação unidimensional de uma camada de solo drenada de
um único lado, a Ultima equação toma a forma (MAGNAN a MIEUSSENS, 1980):
0
12
5
c H
dt
ds
C
H
s
v
= · · · + +
Onde ε
o
designa a deformação relativa final no topo da camada compressível de espessura
H.
ASAOKA, considerando desprezáveis os termos de ordem elevada desta equação
diferencial, tome como equação de consolidação unidimensional a equação aproximada de
ordem n seguinte:
b
dt
s d
a
dt
ds
a s
n
n
n
= + · · · + +
1
*
Discretizando a relação s(t) em ordem ao tempo t :
t j t
j
A = j=0,1,2,3,…, Δt=constante
) (
j j
t s s =
poderemos escrever a equação * sob a forma:
18
1
1
0 ÷
=
¿
+ =
j
n
i
i j
s s | | **
que é uma equação de recorrência da ordem n, com o tratamento matemático clássico de
um problema de valores aos limites.
Quando é suficiente uma aproximação da 1ª ordem, as equações * e ** reduzem-se a:
b
dt
ds
a s = +
1
***
e

1 1 0 ÷
+ =
j j
s s | | ****
Considerando estas duas equações, o coeficiente β
1
é dado por:
t
H
C
a
t
v
A ÷ =
A
÷ =
2
1
1
5
12
ln |
expressão que só é válida se 1
1
<
A
a
t
, A solução da equação *** é:
( ) ( )
|
|
.
|

\
|
÷ ÷ ÷ =
· ·
1
0
exp
a
t
s s s t s
e a da expressão de recorrência ****:
( )
j
j
s s
1 0
1
0
1
0
1 1
|
|
|
|
|
(
¸
(

¸

÷
÷ ÷
=
em que s
o
é o assentamento imediato da camada compressível, e S

o assentamento final
da mesma camada.
ASACKA sugere um tratamento gráfico para a resolução da equação ****, registando num
mesmo diagrama os pontos (S
j
, S
j-1
) correspondendo a duas leituras S
j-1
e S
j
, espaçadas do
intervalo de tempo Δt. A inclinação da recta passando por asses pontos permite calcular o
coeficiente de consolidação c
v
; o ponto de intersecção duma recta com a bissectriz do plano
(S
j
= S
j-1
) corresponde ao assentamento final S

. A ordenada na origem β
o
, e a inclinação β
1

permitem ainda prever o assentamento S
j
= s( j.Δt), para qualquer valor de j . Como é lógico,
num processo desta natureza, a precisão da estimativa aumenta com o intervalo de tempo
Δt considerado.
ASAOKA indica no seu trabalho citado (ASAOKA, 1978) que a aproximação de primeira
ordem permite tratar não somente os problemas da consolidação unidimensional, mas
19
também os de fluência, e da consolidação radial para drenos verticais. Voltaremos a este
método, com maior pormenor, no capítulo
Na Figura 8 está exemplificada a aplicação deste método. Na Figura 9 apresenta-se um
caso típico de um carregamento em duas fases, com consolidação secundária.



Figura 8 – Análise gráfica de assentamentos baseada no modelo auto-regressivo de Asaoka: a)
discretização da curva de assentamentos; b) dados usados na construção de Asaoka; c) Diagrama da
construção de Asaoka (segundo ASAOKA e MATSUO, 1980).
20

Figura 9 – Resultados típicos da análise de Asaoka no caso de carregamento em duas fases de um
estrato compressível do solo, com consolidação secundária (segundo ASAOKA e MATSUO, 1980).

3.1.3. Teorias da consolidação multidimensional

RENDULIC (1936) apresenta a primeira teoria de consolidação multidimensional da
consolidação que, é, na realidade uma extensão da teoria unidimensional de TERZAGHI.
Esta teoria é habitualmente designada teoria de TERZAGHI – RENDULIC; é ainda
designada muitas vezes por teoria da pseudo-consolidação de TERZAGHI - RENDULIC, ou
teoria da difusão (BALASUBRAMANIAN e BREUNER, 1981) ou ainda por teoria pseudo-
multidimensional (SCHIFFMAN et al, 1969).
A teoria de TERZAGHI - RENDULIC aventa uma hipótese que não é válida: considera que
as tens3es totais em cada ponto podem ser obtidas directamente, para cada instante, a
partir da lei da aplicação da solicitação que actua no meio poroso. A partir daqui é possível
deduzir uma equação de difusão, representativa do fenómeno da consolidação
multidimensional em que o excesso de tensão intersticial da água é a única incógnita,
dissociando portanto o problema da dissipação das tensões intersticiais da água da
deformação do esqueleto sólido. Apesar disto, esta teoria tem duos grandes vantagens:
primeiro, tem uma formulação matemática simples; segundo, por analogia com a
transmissão do calor, utiliza soluções já determinadas para outros problemas. Tem ainda
que se considerar que, apesar de não ser correcta, esta teoria dá uma aproximação boa dos
casos reais, sobretudo se considerarmos os erros prováveis, por exemplo, na determinação
das características de deformabilidade e de permeabilidade dos solos.
21
E de realçar que a teoria de TERZAGHI - RENDULIC serve de base à generalidade dos
métodos para dimensionamento dos drenos verticais, e para a consideração da
consolidação de solos tratados com drenos verticais; teremos, pois, oportunidade de nos
debruçarmos com mais cuidado sabre esta teoria no Capitulo 3.
A segunda teoria multidimensional foi derivada directamente por BIOT (1941) a partir da
teoria de elasticidade, sendo designada habitualmente por teoria de BIOT. Esta teoria,
considerada ainda hoje a mais correcta, tem o inconveniente de ter uma formulação
matemática bastante complexa. Tem, no entanto, a grande vantagem de associar a
amplitude com a velocidade de assentamento, e ainda, para qualquer ponto do estrato em
consolidação, relacionar a dissipação do excesso das tensões intersticiais da água com a
variação da tensão total. BIOT apresenta a sua teoria, originalmente, para meios isotrópicos,
homogéneos, e totalmente saturados.
No entanto, a teoria foi sucessivamente alterada, para ter em conta a compressibilidade dos
fluidos, a viscoelasticidade e a anisotropia (BIOT, 1955, 1956a, 1956b). Até agora, no
entanto, esta teoria tem visto a sua aplicação restringida quase exclusivamente à
investigação. Uma das vantagens peculiares da teoria de BIOT é a possibilidade de ter em
conta o efeito de MANDEL - GRYER, detectado pela primeira vez por MANDEL (1953,
1959) e por GRYER (1963). Este efeito consiste em, com solicitação exterior constante, a
pressão intersticial aumentar em certas zonas do domínio em estudo, e antes do início da
sua dissipação, sem variação de volume aparente.
No Quadro 1 resumem-se as equações da consolidação básicas para as teorias de
TERZAGHI - RENDULIC, e de BIOT. Com a teoria de TERZAGHI - RENDULIC, tanto
podem ser usados os coeficientes unidimensionais de consolidação, para cada direcção do
espaço, C
x
, C
y
e C
z
(ou C
v
e C
h
em problemas bidimensionais), como um único valor do
coeficiente, que diferirá com o número de dimensões do espaço. Os três coeficientes da
consolidação indicados no Quadro 1 estão relacionados pela equação:
( )
3 2 1
' 1
' 1
3 ' 1 2 c c c
|
.
|

\
|
+
÷
= ÷ =
v
v
v
As equações da teoria de BIOT contem um termo adicional apresentando a derivada em
ordem ao tempo da tensão total média. É este o termo que considera a variação da tensão
total no interior da massa de solo e, nas condições não drenadas, com ν' = 0.5, tem-se que
cl = c2 = c3, não havendo variação na tensão total média. Para este caso, as duas teorias
são idênticas.
É do notar também quo, na teoria de BIOT, e para o caso de duas ou três dimensões, o grau
de assentamento da consolidação não é igual ao grau de dissipação da tensão intersticial,
22
devido a esta teoria considerar a redistribuição de tensão. Isto já não é assim para a teoria
pseudo-multidimensional (DAVIS e POULOS, 1972).
Os estudos comparativos realizados entre as soluções obtidas, para os mesmos problemas,
com as teorias de TERZAGHI - RENDULIC, e de BIOT (por exemplo, veja-se SCHIFFMAN
et al, 1969, DAVIS e POULOS, 1972), permitem concluir que as diferenças entre os
resultados das duas teorias, são nítidas, mas não excessivas, tanto no que diz respeito aos
assentamentos, como a dissipação das tensões intersticiais. A Figura 10 apresenta um
exemplo comparativo dessas teorias.

Quadro 1 – Resumo das equações da consolidação básicas, para as teorias de Terzaghi-Rendulic e de
Biot.

23

Figura 10 – Comparação dos resultados das teorias de Terzaghi-Rendulic, e de Biot: a) evolução do
excesso de tensão intersticial; b) evolução da tensão octaédrica efectiva (segundo VIGIANI, 1970).
De referir, em termos de aplicação, que a teoria pseudo-multidimensional de TERZAGHI -
RENDULIC serve de base à generalidade das teorias que analisam a consolidação de
estratos lodosos drenados por drenos verticais; por este motivo, será mais tarde esta teoria
desenvolvida convenientemente.
Quanto à teoria de BLOT, existem poucas soluções analíticas, de vido a natureza complexa
do problema. São actualmente mais comuns as soluções através da formulação das
equações de BIOT pelo método dos elementos finitos. Neste ponto é de referir a extensão
da teoria de BLOT, pare incluir solos não totalmente saturados, realizada por SECO PINTO
(1983), e aplicada à análise dos núcleos argilosos de barragens de aterro.


3.1.4. Previsão do assentamento
Nas secções 2.2.2 e 2.2.3 analisou-se o assentamento da camada compressível
considerando as leis tensões-deformações-tempos que as várias teorias consideram reger
esses fenómenos. No ponto 2.2.1 já analisámos o caso dos assentamentos imediatos.
Vamos agora debruçarmo-nos sobre os vários métodos existentes para calculo dos
assentamentos, isto é, considerando o fenómeno tensões - deformações, não considerando
portanto o factor tempo. Neste aspecto, no ponto 2.2.2 já foi referido o problema da analise
dos assentamentos, considerando o fenómeno unidimensional.
Apercebendo-se da natureza essencialmente tridimensional da maioria dos fenómenos,
SKEMPTON e BJERRUM. (1957), apresentaram um método pare cálculo do assentamento
24
final devido à consolidação primária, em quo este era deduzido a partir das tensões
intersticiais tridimensionais obtida no ensaio triaxial não drenado (condições de tensão axi-
simétricas não drenadas). A expressão apresentada por estes autores foi:
( )
i
n
i
v c
h u m
¿
=
A A =
1
µ
Nesta expressão, e para solos saturados:
( )
3 1 1
o o o A ÷ A A + A = Au
Nesta última expressão, Δσ
1
e Δσ
3
são os incrementos das tensões principais máxima e
mínima, respectivamente, e A é o parâmetro das tensões intersticiais de SKEMPTON
(1954). A partir do ensaio edométrico, esta teoria tomará a forma:
ed c
µµ µ =
O factor da correcção μ é função do parâmetro A e da geometria do problema.
Considerando o assentamento total, incluindo o assentamento imediato, será':
ed i T
µµ µ µ + =
O parâmetro μ foi apresentado por SKEMPTON e BJERRUM e modificado por SCOTT
(1963) quo o apresentou graficamente. Este método tem considerações de base bastante
contestáveis:
1. relaciona tensões intersticiais obtidas a partir de uma situação de tensão triaxial com
a equação da consolidação unidimensional;
2. pressupõe que a distribuição de tensões totais imposta nas fundações permanece
invariável durante o processo de consolidação, independentemente da variação do
coeficiente de Poisson, da situação drenada para a não drenada.
O método do caminho das tensões impostas (Streth-path method), apresentado por LAMBE
(1964) permite, de um modo muito mais satisfatório, que o método de Skempton - Bjerrum
tomar em consideração a influência da deformação lateral no assentamento vertical. Assim,
neste método prevêem-se quais são os caminhos das tensões que vão seguir elementos
seleccionados do solo, e reproduzem-se esses caminhos de tensões, o mais fielmente
possível, laboratorialmente. Dum modo ilustrativo simples, a Figura 11 representa o caso do
carregamento instantâneo de um solo (instantâneo é, aqui, tornado com o sentido de muito
rápido, comparativamente à velocidade a que se processa a consolidação). Nessa figura
representam-se as condições verificadas num ponto, in situ, pelo ponto A. O carregamento
imediato é um caminho de tensões não drenado, e é representado na Figura 11 por AB.
25
Neste troço não há variação de volume (condição de não drenagem). Como é lógico, o
assentamento imediato corresponderá à deformação entre A e B. O caminho BC
corresponderá ao fenómeno da consolidação. 0 traço BC é paralelo ao eixo 1/2 ( σ’
1
+ σ’
3
),
pois sendo representativo do fenómeno da consolidação representa a dissipação do
excesso da tensão intersticial da água, sob tensão deviatórica constante. A deformação
volumétrica correspondente a este processo pode ser obtida laboratorialmente pelo ensaio
edométrico. De notar que, no método dos caminhos de tensões este ensaio corresponde ao
caminho de tensões AD.

Figura 11 – Exemplo elementar do método do caminho das tensões. K1 representa a envolvente de
rotura.

Há duas técnicas para, a partir do método dos caminhos de tensões, prever as deformações
verticais. Uma usa os contornos das tensões-deformações; a outra usa resultados de
ensaios laboratoriais que tentam reproduzir o melhor possível o caminho de tensões real. Na
primeira destas técnicas são executados vários ensaios triaxiais não drenados, de modo a
permitir o traçado de uma família de contornos tensões - deformações. Em seguida
sobrepõe-se a esse gráfico o caminho de tensões previsto. Com o apoio de um ensaio
edométrico, pode-se determinar então assentamento total, tendo em conta a espessura da
camada. Esta técnica, segundo LAMBE (1964), particularmente adequada A execução de
análises preliminares. Na outra técnica executam-se ensaios triaxiais reproduzindo o
caminho das tensões efectivas, nas suas componentes drenada a não drenada, o que
permite, pela deformação vertical do provete, e tendo em atenção a espessura da camada
compressível, determinar o assentamento correspondente. Igualmente segundo LAMBE
(1964), este processo a aconselhável para uma fase final do projecto.
Outro método, que poderemos considerar como uma extensão do método acima exposto, e
o método elástico, apresentado por DAVIS e POULOS (1963), EGOROV (1957) e KÉRISEL
26
e QUATRE (1968). Este método tem a vantagem de poder incorporar correcções para tomar
em consideração cedências locais. Esta teoria elástica permite calcular tanto os
assentamentos imediatos como os devidos a consolidação, sendo necessário determinar as
constantes elásticas necessárias à sua aplicação em ensaios laboratoriais. Neste método, o
assentamento total é dado por um assentamento imediato elástico, corrigido por um factor
dependente da possibilidade de cedência local, e um assentamento total elástico. Estes dois
valores parciais podem ser determinados quer pela soma das deformações verticais sob a
fundação, quer pela teoria do deslocamento elástico. GIROUD (1973) e POULOS e DAVIS
(1964) apresentam ábacos bastante completos para a aplicação pratica desta teoria.
O método de BJERRUM (1972, 1973), um dos mais aplicados na prática para a
determinação dos assentamentos, representa uma evolução qualitativa relativamente ao
método de SKEMPTON - BJERRUM, já anteriormente referido. Este método dá um ênfase
especial a importância da tensão de preconsolidação, na determinação dos assentamentos.
Considerando σ’
vo
a tensão vertical "in situ", Bjerrum propõe, para o caso da tensão vertical,
após aplicação da carga, não ultrapassar a tensão de preconsolidação, a seguinte
expressão, para o cálculo dos assentamentos:
( )
i
n
i
v v oc c
z m S
¿
=
A A =
1
1
' o µ

e para o caso de ser ultrapassada essa tensão de preconsolidação, Bjerrum considera duas
componentes, S
c1
e S
c2
, determinadas pelas expressões seguintes:
( ) | |
i
n
i
v vc v oc c
z m S
¿
=
A ÷ =
1
'
0
'
1
o o µ
( )
i
n
i
vc
v v
c
c
op c
z
e
C
S
¿
=
(
¸
(

¸

A
A +
+
=
1
'
' '
0
2
log
1 o
o o
µ
onde μ
oc
é o factor μ de SKEMPTON - BJERRUM, definido pela Figura 12, no domínio da
sobre consolidação, e μ
cp
corresponde a cargas no ramo "virgem”.
Para a previsão dos assentamentos devidos à consolidação secundária, BJERRUM,
baseando-se em TAYLOR (1942), propôs uma relação única tensões - deformações,
representada na Figura 5. 0 gráfico dessa Figura 5 representa os valores de equilíbrio dos
índices de vazio, para vários valores das pressões verticais efectivas, para um período sem
carregamento. Este diagrama é difícil de construir na prática. No entanto, a partir dele pode-
se determinar o limite superior do assentamento devido a consolidação secundária usando a
expressão:
27
i
n
i
v
vc
c
c
s
z
e
C
S
¿
=
(
¸
(

¸

A
+
=
1
'
0
'
log
1 o
o
para ( )
'
0
' '
v vc v
o o o ÷ > A
É de notar que este assentamento corresponde teoricamente à compressão secundária que
se desenvolveria no mesmo tempo que levou a desenvolver-se a tensão de preconsolidação
σ’
vc
. BJERRUM apresentou outra expressão, para o caso da tensão vertical aplicada não
ultrapassar a tensão de preconsolidação:
) log (
'
' '
1
1
h S
vo
v vo
o
c
n
i
e
C
s
A =
A +
=
+
¿
o
o o

para ( )
' ' '
vo vc v
o o o ÷ < A



Figura 12 – Coeficiente de assentamento de Skempton-Bjerrum, em função do coeficiente de pressão
neutra, para sapatas contínuas e circulares (segundo SCOTT, 1963).

De acordo com a teoria exposta por BJERRUM, e esquematizada na Figura 5, a tensão de
preconsolidação
'
vc
o , para um solo carregado durante um período suficientemente longo,
deveria diminuir com o tempo, e eventualmente desaparecer esse efeito de
preconsolidação. LEONARDS (1972, 1977), baseado em ensaios laboratoriais, discorda
totalmente desta teoria.
28
Relativamente a métodos para a determinação dos assentamentos, temos ainda três grande
correntes: métodos probabilísticos de determinação de assentamentos e métodos baseados
em ensaios "in situ"; destes métodos ocupar-nos-emos com mais pormenor noutros
capítulos deste trabalho, motivo pelo qual não os abordaremos aqui; e métodos de previsão
de assentamento baseados nos modelos do estado critico. Destes, o exemplo mais
conhecido a utilizado, apesar de essencialmente na investigação, é o vulgarmente
designado modelo Cam-Clay, da Universidade de Cambridge. Vamos agora tentar dar uma
ideia genérica dos fundamentos deste método.
A teoria do estado critico foi desenvolvida, para argilas normalmente consolidadas, ou
ligeiramente sobre consolidadas, tratadas como material isotrópico, elasto-plástico, com
endurecimento, como uma teoria geral de tensões - deformações. Supõe que o solo possui
uma "superfície" de cedência, bem como uma lei de escoamento satisfazendo a condição de
normalidade. Esta teoria, bem como o modelo Cam-Clay foram apresentados por ROSCOE
e SCHOFIELD (1963), tendo sido o modelo posteriormente modificado com uma nova
equação de dissipação de trabalho com o incremento de tensão, por ROSCOE e BURLAND
(1968), sendo esta versão designada habitualmente por modelo Cam-Clay modificado. Este
modelo modificado tem fornecido previsões de melhor qualidade para deformações em
ensaios laboratoriais do que o modelo original.
A superfície de cedência forma uma fronteira de estado de tensão tal que as deformações,
correspondentes a caminhos de tensão totalmente incluídos dentro dessa fronteira, são de
amplitude reduzida, e recuperáveis. Os estados de tensão que atravessam uma superfície
de cedência irão provocar grandes deformações plásticas irrecuperáveis. Este modelo foi
verificado para argilas remoldadas, a para algumas argilas naturais. Aplicando este modelo
a argilas, temos também uma redefinição dos conceitos de argila normalmente consolidada,
e argila sobre consolidada. Assim, uma argila normalmente consolidada será uma argila que
se encontra numa situação de cedência tal que um pequeno aumento de tensão provocará
grandes deformações irreversíveis; uma argila sobre consolidada será aquela que está num
estado tal que aumentos significativos da tensão provocarão, até certo limite, deformações
pequenas, e quase totalmente recuperáveis.
Quanto à formulação matemática do método, vamos seguir, dum modo resumido, a
apresentação de ROSCOE e BURLAND (1968), para o modelo Cam-Clay modificado.
A superfície de cedência, para simetria axial, σ
2
= σ
3
, é dada pela equação:
( )
|
|
.
|

\
|
+ =
2
'
' '
1
M
q q
p p
oy

29
Nesta expressão, p'
oy
é a intersecção da superfície de cedência com a linha de
consolidação isotrópica (
'
3
'
2
'
1
o o o = = ) no piano (p’,q); p’ e q são definidas por:
( )
'
3
'
1
'
2
3
1
o o + = p
'
3
'
1 3 1
o o o o ÷ = ÷ = q

M é o quociente de tensões q/p' na rotura, e para uma argila normalmente consolidada, com
coesão efectiva nula, está relacionada com o ângulo do atrito interno, em termos de tensões
efectivas, pela expressão:
'
'
'
sin 3
sin 6
u ÷
u
=
|
|
.
|

\
|
=
f
p
q
M
É de chamar ainda a atenção para o facto de p'
oy
poder ser determinado laboratorialmente
através de um ensaio de consolidação triaxial, isotrópico. A Figura 13 esquematiza as
noções que estão a ser expostas.
O incremento da deformação volumétrica total, Δv, resultante de um incremento de tensão
provocando cedência, é a soma de uma componente recuperável, e de uma componente de
deformação permanente. A componente recuperável, provocada por um incremento de
tensão normal Δp', é:
( )
'
'
1
p
p e
K
v
r
A
+
= A

Figura 13 – Exemplo de aplicação da teoria do estado crítico. Caminho de tensões efectivas possível pelo
carregamento com um aterro.

30
A componente irrecuperável é dada por:
'
' '
' 2
'
2
'
1
2
1 p
p p
q
q
q
p
q
M
p
q
e
K
v
p
(
(
(
(
¸
(

¸

A +
|
|
.
|

\
|
A ÷ A
|
.
|

\
|
+
+
÷
= A
ì

Consequentemente, o aumento da deformação volumétrica é dado por:
( )
(
(
(
(
¸
(

¸

A
+
|
|
.
|

\
|
A ÷ A
|
.
|

\
|
+
÷
+
= A
'
'
'
'
' 2
'
2
'
1
2
1
1
p
p
p
p
q
q
q
p
q
M
p
q
K
e
v ì ì
Neste teoria, os parâmetros λ e k são as inclinações da linha de compressão isotrópica, e da
linha de expansão, respectivamente. Normalmente, e para todos os problemas práticos, são
considerados os seguintes valores para estes coeficientes:
c
C 434 . 0 = ì
s
C K 434 . 0 =
Com C
s
representando o índice de expansibilidade obtido no ensaio edométrico. De notar
que esta teoria, para q/p’ constante (compressão unidimensional) conduz à equação de
TERZAGHI.
Para o incremento da deformação do corte, o modelo Cam-Clay pressupõe que toda a
deformação é irreversível,
p
c c A = A , composta de duas componentes, uma
representando a distorção plástica de corte devida a mudança da superfície de cedência a q
consta4ara um caminho de tensões abaixo da superfície de estado limite, e a segunda é
devida pelo caminho de tensões na superfície de estado limite, quando a superfície de
cedência é mudada. Estas duas componentes permitem escrever a expressão do
incremento da deformação de corte do seguinte modo:
( ) ( )
'
q
q
p
v
p p
p c c c A + A = A
ou
( )
p
p
q
p
p
v
p
p
v
dv
d
p
q
p q d
d
p
A
|
|
.
|

\
|
+ A
|
|
.
|

\
|
= A
'
' '
c c
c
A primeira componente, como se pode ver das expressões acima, é independente da
variação de volume plástico, dependendo unicamente do quociente de tensões q/p' . A
31
segunda componente, quo se pode descrever matematicamente com base as lei de
escoamento:
( )
( )
2
' 2
'
2
'
p q M
p q
dv
d
p
q
p
÷
=
|
.
|

\
| c


permite escrever a equação do seguinte modo:
( )
( )
( )
( )
( )
'
' '
' 2
' 2
'
2
' 2
'
1 2 2
1
'
p
p p
p
q
q
p q M
p q
p q M
p q
e
K
p
q
p
(
(
¸
(

¸

A +
|
|
.
|

\
|
A ÷ A
|
|
.
|

\
|
+
|
|
.
|

\
|
÷
|
.
|

\
|
+
÷
= A
ì
c
Para o caso especial da deformação plena, ROSCOE e BURLAND(1968) mostraram que os
incrementos da deformação plástica podem ser aproximadamente expressos por Δv = Δv
p
,
isto e, supondo K = 0 e logo Δv
r
=o
BURLAND (1971) deu exemplos práticos de aplicação deste modelo a previsão das
pressões intersticiais sob aterros, deformações horizontais e verticais, a partir de ensaios
laboratoriais. Esta teoria também permite prever o aumento de resistência durante a
consolidação.
Convêm referir que a experiencia até ao momento leva a considerar como, no mínimo,
problemática a obtenção de todos estes parâmetros a partir de ensaios laboratoriais.
Após a apresentação por ROSCOE e SCHOFIELD (1963) do modelo Cam-Clay, surgiram
vários desenvolvimentos do método. OHTA e HATA (1973), por exemplo, apresentaram um
método semelhante, mas com possibilidade de considerar a anisotropia. Posteriormente foi-
lhe incluída a dilatância por SEKIGUCHI e OHTA (1977).
Para concluir esta secção, não se pode deixar de referir o método dos elementos finitos. A
base deste método consiste na representação de uma estrutura ou corpo (no nosso caso,
um maciço terroso), por um conjunto de "elementos finitos", isto e, discretiza-se o domínio
em estudo num conjunto de elementos que o preenchem totalmente, sem sobreposições. As
intersecções das linhas que separam os elementos são designados por pontos nodais. As
soluções são obtidas em termos de deslocamentos, nesses pontos nodais, e em termos de
tensões médias nos elementos. É formulada uma matriz de rigidez para cada elemento
individual, usando uma relação tensões - deformações que caracterize o material - solo no
nosso caso. O agrupamento de todas as matrizes de rigidez de cada elemento dá a matriz
de rigidez global do corpo em estudo, com a fronteira especificada. Esta matriz de rigidez
correlaciona os deslocamentos nodais ao vector de carga. De notar, no entanto, que o
método dos elementos finitos não é, na realidade, um método de previsão ou análise de
32
assentamentos, antes uma ferramenta de calculo que permite resolver o problema de
resolução do modelo adoptado - linear elástico, não linear, etc. - e que é introduzido no
processo na definição da matriz de rigidez de cada elemento. É um método de cálculo
poderosíssimo, mas na realidade não é um modelo de comportamento, antes poderá utilizar
qualquer modelo de comportamento. Acerca da aplicação deste método à análise de
problemas em argila, veja-se CORREIA (1982) e SECO e PINTO (1983).


3.2. Considerações finais
Neste capitulo introduziu-se de modo geral o problema do comportamento de fundações em
solos moles, com especial ênfase na abordagem das teorias de consolidação, e de previsão
dos assentamentos, por ser este assunto o tema principal desta dissertação. Pensamos ter
deixado claro alguns pontos:
- As teorias usualmente aplicadas pelo engenheiro, na resolução dos problemas
concretos são em geral reconhecidamente errados;
- As teorias mais correctas actualmente disponíveis ou são de elevada complexidade
matemática, dispondo-se de muito poucas soluções concretas dessas teorias, e para
casos muito simples, ou caracterizem-se por dificuldade de obtenção dos parâmetros
cor -rectos, tanto laboratorialmente como "in situ".
- 0 método dos elementos finitos a uma ferramenta poderosíssima, e como tal cara de
aplicação, sendo a sua aplicação prática muito limitada, devido ao grau de incerteza
existente habitualmente na caracterização geotécnica dos solos em estudo. Muitas
vezes, essa incerteza tira todo o significado à utilização de métodos de cálculo
sofisticados.


33

PARTE 2 PROCESSOS DE TRATAMENTO DE SOLOS MOLES
Apesar de não ser exclusiva do tempo presente, a utilização de solos de fundação com
características deficientes, quer do ponto de vista de deformabilidade, quer do ponto de vista
de resistência, sofreu um grande incremento nos últimos decénios, devido essencialmente a
dois factores: por um lado, a grande utilização de solos que se tem verificado levou a que
fossem ocupados, inicialmente, aqueles que apresentam melhores características; por outro
lado, a especificidade cada vez maior de certas actividades do homem impõem a
localização das instalações necessárias, cabendo à engenharia criar as condições para que
se possam executar, em segurança e economia, as estruturas necessárias.
Com a ocupação crescente de solos de ma qualidade geotécnica, tornou-se imperiosa a
necessidade de proceder a investigação e experimentação de métodos de tratamento, que
permitissem "dar" ao solo de fundação as características necessárias, e que ele não tinha.
Surgiram assim os primeiros métodos de tratamento de solos.
Considerando a divisão tradicional dos solos em solos coesivos e solos
não coesivos, podemos dizer que qualquer um destes tipos de solos e susceptível de
necessitar de tratamento. Como e lógico, atendendo a denominação genérica desta
dissertação, vamo-nos ocupar unicamente com o problema do tratamento de solos coesivos.
Apesar de se tentar dar, no presente capitulo, uma panorâmica muito geral acerca das
diversas teorias de tratamento e suas técnicas, vamo-nos debruçar com particular atenção
nos métodos que constituem o grupo que designamos por "aceleração da consolidação". De
facto, no capítulo 4 teremos oportunidade de analisar a aplicação concreta de alguns destes
métodos, bem como algumas das suas vantagens e limitações.
De um modo muito genérico, e com o fim de facilitar a exposição, agruparam-se os métodos
de tratamento dos solos moles em: injecção de solos, estabilização de solos, reforço de
solos, compactação profunda, aceleração da consolidação e outros métodos. Pensamos
que, com esta esquematização, se consegue agrupar, de modo coerente, o conjunto de
métodos actualmente disponível.
Na figura 14 apresenta-se um esquema de aplicabilidade dos vários tipos de tratamentos
aos diferentes tipos de solos.
Convém salientar que vários dos métodos que serão abordados neste capítulo ou não são
os mais adequados aos solos coesivos, ou são também aplicáveis a solos não coesivos.
34
Optou-se, no entanto, por tentar abordar todos os métodos de aplicação possível a solos
coesivos. Como dissemos acima, entrar-se-á com mais pormenor nos métodos de
aceleração da consolidação.

Figura 14 — Limites de aplicacao 00s varios twos de tratamento em funcao da granulometria dos solos
(segundo Mitchell 1981).

4. Estabilização de solos

4.1. Estabilização de solos por mistura de aditivos químicos
Dos muitos métodos de estabilização de solos, o use de misturas de vários tipos com solo e
o mais antigo, e também o mais divulgado e utilizado. Os aditivos químicos, dos quais os
mais usuais são a cal e o cimento, têm sido usados para melhorar as propriedades dos
solos por troca iónica e reacções de cimentação, e têm sido usados nas estruturas de
pavimentos rodoviários há vários séculos. Sobre esta estabilização de solo clássica, sobre a
melhoria dos materiais grosseiros de base e sub-base de pavimentos, existe uma numerosa
bibliografia, de entre a qual citaremos WINTERKORN (1975), MITCHELL (1976) e INGLES
e METCALF (1973). Sendo esta aplicação clássica da estabilização de solos
35
essencialmente virada para o tratamento de materiais não coesivos, e havendo, como
referimos, numerosa bibliografia sobre a aplicação destes métodos, não nos vamos
debruçar sobre eles. No entanto, convém chamar a atenção para o facto de, nos últimos
anos, se ter verificado uma tendência para aplicação destes métodos a outros tipos de obra.
De notar, por exemplo, o use do solo-cimento, na de cada de 60, na execução da protecção
dos taludes de montante de barragens de aterro (HOLTZ e HANSEN; 1976), e os estudos
com vista à execução de barragens inteiramente em solo-cimento (ROBERTSON e BLIGHT,
1978).
Os avanços verificados durante a década de 70, no use de mistura de solo para a
melhoria das suas propriedades, incluiu essencialmente a investigação e a aplicação de
novos materiais, bem come a utilização dos materiais clássicos com novas finalidades. Um
dos casos mais notáveis, e que não podia ser esquecido, é o da utilização da cal e do
cimento com o método da mistura em profundidade (HOLM et al, 1981).
De facto, o tratamento tradicional à superfície, com cal, apesar de bem conhecido, e
regulamentado inclusivamente põe alguns organismos, limita-se a uma camada superficial
de cerca de 30cm de espessura. Convém referir o processo de actuação da cal no reforço
de solos. Assim, uma das acções da cal e provocar uma diminuição muito rápida do teor em
agua das argilas, devido a rápida reacção de hidratação da cal, com formação de Ca(OH)
2
.
Decresce também o índice de plasticidade, devido à entrada no solo de iões Ca, e a
floculação das partículas de argila. Posteriormente, dá-se ainda uma reacção lenta com a
argila, de modo a que a estrutura desta e alterada com a formação de aluminatos e silicatos
de cálcio hidratados. Trabalhos recentes provaram que estas reacções, e essencialmente a
última, estão grandemente dependentes da importância dos materiais amorfos presentes
(QUEIROZ DE CARVALH0,1981, BRANDL, 1981). Isto justificara a grande eficiência do
tratamento com cal nos materiais de elevada plasticidade, devido a serem estes que
possuem maiores quantidades de constituintes amorfos (BRANDL, 1981). O "nascimento"
das estacas de cal deu-se na década de 60, nos EUA e na Alemanha, com a execução de
"estacas” de 1m, à superfície do solo, através do enchimento com cal de furos de 100 mm
de diâmetro previamente abertos. Na Suécia foram introduzidas recentemente as estacas de
cal propriamente ditas (BROMS e BOMAN, 1977, 1978), consistindo a técnica na mistura "in
situ" de cal viva, numa percentagem de cerca de 6%, com argilas moles existente no local,
por meio de um trado, tal como representado na figura 15. As estacas de cal executadas por
este processo possuem cerca de 50 vezes a resistência do solo não tratado, ao fim de um
ano. 33% da melhoria e obtida num mes, e 50% ao fim de dois meses. Outra característica
destas estacas de cal é serem mais permeáveis que o terreno natural, comportando-se
também, em consequência desse facto, como dreno vertical (HOLM et al 1981).
36
No entanto TERASHI e TANAKA (1981) afirmam que a permeabilidade das estacas de cal e
muito baixa, não se podendo portanto considerar as estacas como dreno. Alias, esta é
também a posição de KAWASAKI et al (1981), mas no que respeita a estacas com solo-
cimento.
Atendendo a que o objective principal desta dissertação e a análise da deformação dos
solos moles, e dos solos moles tratados, vamos tecer ainda algumas considerações acerca
das características de deformabilidade de solos moles, tratados com estacas de cal.
A observação das obras executadas lava a concluir que as estacas
de cal, e o solo entre elas, se deformam como um todo. Isto observou-se, mesmo para
espaçamentos de estacas de 20 m. A observação também mostrou que, para o solo e as
estacas se deformarem como um todo, quando aumenta a profundidade das estacas, pode
também aumentar o espaçamento entre elas. BROMS (1985) chama a atenção para o facto
de a ductilidade das estacas de cal ser afectada pela tensão de confinamento, logo pelas
características geotécnicas das argilas moles não tratadas entre estacas. De facto, segundo
aquele autor, a argila misturada com a cal apresenta, para baixas tensões de confinamento,
um comportamento frágil. Com tensões de confinamento moderadas e elevadas, as estacas
de cal têm comportamento dúctil, sem redução de capacidade de carga, mesmo para
grandes deformações. Segundo BROMS (1985), a tensão de confinamento usualmente
existente a 1 – 2 m de profundidade garante um comportamento dúctil da estaca, estando
portanto, em geral, o comportamento frágil restringido ao topo da estaca.

Figura 15 – Execução de uma estaca de cal pelo método sueco: a) Execução da estaca; b) Estaca pronta;
c) Misturador.
37
Consideram-se, habitualmente, dois tipos de cálculo possíveis para a previsão dos
assentamentos em estacas de cal. Para níveis de carga reduzidas, a carga axial nas
colunas depende da rigidez das colunas, comparativamente a rigidez do solo entre colunas.
Normal manta a carga aplicada e suficiente para provocar a cedência das colunas. Alias, o
dimensionamento de um tratamento por estaca de cal ou seja, o seu número, espaçamento
e diâmetro, e determinado na major parte dos casos, pelos assentamentos totais e
diferenciais admissíveis. Excepcionalmente, podem ser dimensionadas à rotura. Assim, as
estacas de cal poderão ser consideradas como reduzindo o assentamento do solo a níveis
compatíveis com a operacionalidade da estrutura a construir. No case de a carga ser su-
ficiente para provocar a cedência das estacas, o inúmero de estacas pode ser calculada,
segundo BROMS (1981), e de acordo com a Figura 16, pela expressão:
cedência
est
g
Q
BL q W
N
.
2
÷
=
Onde W
g
é o peso da estrutura a fundar, q
2
é a carga que o solo sem tratamento pode
suportar sem assentamento excessivo, e
cedência
est
Q
.
é a tensão de cedência da estaca de cal.
Considera-se usualmente esta tensão de cedência sensivelmente igual a 70% de tensão de
rotura. Evidentemente, será necessário verificar se as deformações axiais das estacas são
suficientes para se verificar a fluência do material.

Figura 16 – Esquema do cálculo de assentamentos, para cargas elevadas, no caso de estacas de cal
(segundo BROMS, 1985).

No caso das cargas serem relativamente reduzidas, os assentamentos, bem como a
distribuição das cargas dependerão do módulo de compressão do solo não estabilizado M
solo

38

= dε /dσ , e do módulo do material da estaca, E
est
. M
solo
e E
est
deverão ser determinados
laboratorialmente em ensaios edométricos.
De acordo com o esquema de calculo da Figura 17, o assentamento total será a soma de
1
h A
e
2
h A
, respectivamente o assentamento devido à compressibilidade do conjunto solo e
estacas, até uma profundidade correspondente ao comprimento das estacas, e
2
h A

representa a contribuição da compressibilidade dos solos abaixo do extremo das estacas. O
modo tradicional de cálculo de distribuição das tensões, conservativo, pressupõe que a
totalidade da carga e transmitida ao solo, à cota da extremidade das estacas. Não se
considera, portanto, habitualmente, a distribuição de cargas, até essa profundidade, por
atrito lateral com o solo circundante. Considera-se ainda a degradação da carga, abaixo
daquela cota, segundo uma inclinação de 2/1 (veja-se Figura 17).


Figura 17 – Esquema do cálculo dos assentamentos em solos tratados com estacas de cal, para cargas
reduzidas (segundo BROMS, 1985).

O assentamento
1
h A
pode ser calculado pela expressão:
( )
solo est
M a aE
q
h
÷ +
= A
1
1

onde H é o comprimento das estacas, e a é a área relativa das estacas ou seja, NAest +/BL.
A
est
é a seccao recta de cada uma das estacas de cal (em geral 0.2m2). 0 assentamento
2
h A
pode ser calculado pelos metodos tradicionais do cálculo do assentamento, de
fundações directas.
39
BROMS (1982) refere que, no total, foram instalados, desde 1977, cerca de 500.000m de
estacas de cal, e essencialmente em estradas, parqueamentos, áreas de carga, valas
profundas, e para fundação de construções ligeiras. BROMS (1982) refere ainda que dois
aterros experimentais executados nos mesmos solos, um sobre estacas de cal, e o outro
sobre o solo não tratado, indicaram que este tipo de tratamento reduziu os assentamentos
em 70%, tendo ainda acelerado a consolidação: os assentamentos verificaram-se nos dois
primeiros meses.
Este caso reforça a indicação atrás enunciada de que as estacas de cal funcionariam como
drenos verticais.
Convém salientar que o tipo de tratamento que aqui se descreveu – estacas de cal – tem
sido aplicado com igual sucesso com cimento. Em qualquer dos casos, é imperioso que o
equipamento usado seja capaz de distribuir o aditivo uniformemente em toda a profundidade
de desejada, e que garanta uma mistura homogénea em toda a estaca. Além da Noruega e
Suécia (método sueco), este método tem sido utilizado intensivamente no Japão, Franca,
URSS. (SOKOLOVIC et al, 1976, PILOT, 1977; BROMS e BOWMAN, 1979a, 1979b).
Nos últimos anos tem surgido novos aditivos, e novas técnicas, que completam, ou
substituem com vantagem os métodos clássicos de estabilização de solos (cal e cimento).
Assim, e de notar que se começou a aplicar com sucesso o gesso combinado com a cal,
especialmente em solos orgânicos. De notar: que alguns compostos orgânicos retardam ou
mesmo impedem as reages da cal com o solo. Também pode ser prejudicial a presença de
alguns sulfatos nos solos. SHERWOOD (1962) e INGLES e METCALF (1973) chamaram a
atenção para o facto de os resultados iniciais poderem ser satisfatórios, mas com molhagem
dar-se uma expansão com quebra da estrutura cimentada.
Parece que o gesso evita este fen6meno (HOLM et al, 1983, KUJALA, 1983), tendo ainda a
vantagem de, excepto nos primeiros 10 dias, acelerar o ganho de resistência do solo
tratado, dando-lhe uma maior resistência final. Segundo HOLM et al, (1983), as
percentagens ideais, para um tratamento a longo prazo, são de 75% de cal para 25% de
gesso. Para tratamentos provisórios dever-se-á usar 50% de cal para 50% de gesso; esta
mistura da maior aumento das resistências nos primeiros meses, mas apresenta uma
resistência final cerca de 50% inferior à mistura anterior.
Como aditivos não tradicionais, há alguns novos produtos, essencialmente ainda em fase de
investigação e aplicações experimentais, que apresentam um grande potencial. Um destes
"métodos" é o designado "ferroclay" (INGLES e LIM, 1980, 1982). Este processo pretende
"imitar" os processos naturais de formação das rochas sedimentares, par exemplo, areias
cimentadas com sílica, laterites, etc., através do use de Oxido de ferro, e do aquecimento
40
moderado do solo. Em linhas gerais, o solo é aquecido até à temperatura 20-30°C,
misturado com Oxido de ferro, e uma solução de silicato de sódio, compactado por camadas
de modo à mistura ocupar o máximo de vazios, e, em cerca de 4 dias, o tratamento este
completo, com um material rijo e durável. Um outro método envolve uma mistura de gesso,
cal e hidróxido de alumínio. Este método tem a vantagem de poder aproveitar estes
materiais a partir de resíduos de várias naturezas. Obtêm-se com este método resistências
à compressão da ordem dos 100 KPa, após 8 dias. Este método, coma fixa uma grande
quantidade de água, permite tratar, na sua execução, águas tóxicas e poluídas. Testes de
lixiviação efectuados sobre solos tratados em que se usaram águas com metais pesados
mostraram que os metais pesados ficavam ligados a estrutura de cimentação, dando
indicações que este processo poderá ser usado para armazenar de modo seguro detritos
tóxicos como materiais de aterro. Idênticos estudos foram apresentados pelos Japoneses.
(MATSUO e KAMON, 1981).
4.2. Estabilização térmica de solos
Outros métodos de estabilização de solos, usados unicamente em certos casos específicos,
devido ao seu elevado custo, são os chamados métodos de estabilização térmica, tanto por
aquecimento como por congelação.
De um modo muito geral, pode-se dizer que um aquecimento moderado do solo até uma
temperatura da ordem dos 100°C provoca a secagem do solo, e aumento da sua
capacidade resistente, desde que não se permita nova molhagem. Se se usarem
temperaturas da ordem dos 600°C a 1 000°C podem-se obter melhorias permanentes das
características dos solos, como par exemplo diminuição de sensibilidade à água,
compressibilidade e expansibilidade, e melhoria das propriedades resistentes. Se se usarem
temperaturas mais elevadas provoca-se a fusão das partículas, podendo-se verificar o
fenómeno de vitrificação.
Par outro lado, e no que diz respeito à congelação do solo, sabe-se que um solo congelado
é muito mais resistente e impermeável, pelo que a congelação dos solos é por vezes
utilizada em obras de tratamento temporário de solos, por exemplo, como estabilização
temporária para execução de escavações a céu aberto, de túneis, etc. (FOUGEOT e
ROUAULT, 1969, POTEVIN, 1972). Em cases especiais, sobretudo nas regiões árcticas,
tem sido usado como método de tratamento permanente, por exemplo para garantir a
estabilidade de estacas, e manutenção do solo congelado sob edifícios aquecidos. Para
executar um tratamento térmico de um solo, é necessário executar uma análise térmica do
escoamento do calor, bem como dos sistemas a adoptar, e uma análise cuidada da
resistência e propriedades tensão-deformação-tempo do solo tratado. A análise ter mica tem
41
que ser feita, para se poder determinar aquecimento ou refrigeração necessária, as zonas
de influência, tempo de tratamento e distribuição da temperatura. Esta análise é efectuada
de modo similar à percolação e consolidação, mas com a condicionante que o
comportamento pode ser condicionado pela água, através da sua temperatura de fusão e de
vaporização. Outra influência determinante, muitas vezes, é a percolação de água
subterrânea na zona a tratar.
Existem bastantes processos para analisar do ponto de vista térmico a propagação do calor)
essencialmente para o caso da congelação (SANGER, 1968, SCHUSTER, 1972,
TSYTOVICH, 1975). Desde que se estabeleça a diferença entre “calor latente" e "calor de
vaporização", e que se tenha em atenção a complicação adicional que representa o
transporte na fase vapor de calor e água, é possível aplicar os mesmos métodos à análise
do aquecimento de solos. A Figura 18 representa, para dois tipos de solos, a condutividade
térmica, para os casos de solos congelados, e não congelados.


Figura 18 – Condutividade térmica do solo (segundo Mitchell, 1981, adaptado de Kersten, 1949).

42
Segundo se depreende da bibliografia consultada a maior parte das aplicações da
estabilização térmica de solos, por aquecimento, tem sido realizada na Europa de Leste e
na União Soviética; foi utilizado para estabilizar solos colapsíveis sob estruturas, estabilizar
taludes (BELES e STÂNCULESCU, 1958), construir um ensoleiramento geral para fundação
de edifícios, para executar estacas vitrificadas "in situ", etc. Para provocar o aquecimento,
têm sido usados tantos métodos de combustão, como métodos eléctricos. Recentemente,
têm sido inclusivamente utilizados os raios laser para provocar a fusão do solo (ROM e al
1977, citado por MITCHELL, 1981). A major parte das aplicações bem sucedidas do
aquecimento de solos tem sido em solos parcialmente saturados, de grão fino, sendo
vantajosa uma certa permeabilidade ao gás, afim de permitir a saída de vapor de água, e
introdução de certos componentes estabilizadores por vezes usados. A escola soviética
considera o aquecimento de solos tão eficaz, e mais económico, do que fundações em
estacas e caixões, em solos loéssicos, até profundidades da ordem dos 12m. A grande
limitação na aplicação deste método é o custo da energia necessária.

Figura 19 – Esquema para tratamento térmico em profundidade (segundo Litvinov, 1960, citado por
Mitchell, 1981).
Na Figura 19 representa-se um método de campo, desenvolvido por LITVINOV (1960) para
a estabilização de solo por aquecimento. Posteriormente, LITVINOV (1979) modificou o seu
processo, de modo aque a câmara de queima seja descida ao longo do furo, afim de evitar
perdas de calor, acidentes, e limitações de profundidade (veja-se MITCHELL, 1981). Um
sistema alternativo usa aquecedores eléctricos.
O método de congelação pode ser um método bastante útil e versátil, em casos em que se
necessita de estabilização temporária do solo, ou em controlo temporário da percolação. É
43
necessário, para ter êxito com um projecto de congelação do solo, ter em atenção os
seguintes aspectos: posicionamento correcto dos elementos de congelação; padrão de
escoamento e qualidade da água subterrânea; movimentos potenciais e pressões do solo,
em consequência da congelação; resistência a longo termo, e propriedades de tensão-
deformação do solo congelado. Na Figura 20 representa-se um tipo muito corrente de
problema que pode surgir num processo de congelação do solo, devido a heterogeneidade
do terreno. Outro problema, que pode ocorrer em solos finos, argilosos, de baixa
permeabilidade, e a variação de volume, considerável, devido ao aumento de volume da
água ao congelar, ou ainda um assentamento importante devido à consolidação provocada
pelo degelo. Deste modo, é necessário ter em atenção estes problemas, em solos siltosos e
argilosos, e analisar previamente a amplitude possível dosmovimentos dos terrenos. Vários
autores propuseram métodos pare efectuar essa estimativa (SCHUSTER, 1972 ; RADD e
WOLFE, 1978; JONES e BROWN, 1978).

Figura 20 – Efeito da heterogeneidade dos estratos geológicos na forma da zona congelada (segundo
Schuster, 1972).
No que se refere a capacidade resistente, é de salientar que o solo congelado apresenta
elevadas perdas de resistência por fluência. Assim, em ensaios rápidos, a baixas
temperaturas, pode apre sentar resistências até 20 MPa. No entanto, pode baixar de
resistência, sob carga aplicada longamente, cerca de 10 vezes. Além disso, a direcção de
propagação das ondas térmicas tem importância na variação direccional da resistência
(KNUTSSON, 1981).
44
A deformação de um solo congelado e uma deformação visco-plástica, sendo altamente
dependente da tensão e da temperatura. Na Figura 21 apresentam-se curvas típicas de um
solo congelado (argila siltosa) segundo SANGER e SAYLES, 1979. A terceira fase
representa, para a curva T = 0°C, o início da rotura.
Na pratica, a analise de estabilidade de massas de solo congelado, a previsão da
deformação por fluência e a analise da possibilidade de rotura, é um problema complexo,
não só devido a heterogeneidade das formações, e a sua geometria irregular, como também
devido as variações de temperatura e das tensões na massa de solo congelado (veja-se
SCHUSTER, 1972, TSYTOVITCH, 1975, SANGER e SAYLES, 1979, TAKEGAWA et al.,
1979).
Na prática, podem ser utilizados vários métodos para provocar congelamento do solo, tal
como foi apresentado esquematicamente por SCHUSTER, 1972 (veja-se Figura 22). No
entanto, e de um modo resumido, esses métodos agrupam-se em dois grandes grupos.
Num primeiro grupo, temos sistemas de refrigeração usando nitrogénio líquido, ou dióxido
de carbono sólido, num sistema aberto, onde o elemento de refrigeração e perdido para a
atmosfera, depois de ter absorvido energia, e ter passado ao estado de vapor. Estes
sistemas podem provocar a congelação do solo de modo muito rápido, algumas horas,
sendo no entanto difícil de controlar o seu resultado, e sendo extremamente caros. Assim,
são usados geralmente como método de recurso, para emergências. O segundo grupo inclui
os métodos envolvendo a circulação de um fluido de refrigeração, em circuito fechado, e
uma instalação de refrigeração mecânica convencional. Estes sistemas provocam a
congelação do solo mais lentamente, de alguns dias ate semanas, mas são os mais
económicos. O espaçamento mais habitual entre os tubos de refrigeração e de 1 a 2 m.
45

Figura 21 – Curvas de fluência para uma argila siltosa orgânica (segundo Sanger e Sayles, 1979).

Assim, e sintetizando o que acabamos de ver, os métodos térmicos da estabilização do solo
apresentam perspectivas francamente boas, e têm tido alguma aplicação. No entanto,
convém salientar que o método de congelação é utilizado habitualmente como um método
de estabilização temporária, ao passo que o método do aquecimento é utilizado como
tratamento definitivo. Este Ultimo tipo, de aquecimento1 tem sido bastante usado na URSS;
no entanto, o elevado consumo de combustível e de energia, aliado à subida do custo dos
combustíveis no último decénio, põe em sério risco a sua viabilidade na maior parte dos
países. Apesar de ainda estar numa fase experimental, há boas perspectives quanta à
utilização, para este método de aquecimento, dos raios laser.
46

Figura 22 – Métodos correntes de congelação de solos (segundo Schuster, 1972).


5. Reforço de solos
Alguns dos métodos já referidos, para tratamento dos solos mole, bem como parte dos que
serão desenvolvidos posteriormente, podem também ser considerados como reforço de
solos. Por exemplo, as estacas de cal, anterior mente referidas, são também um método de
reforço dos solos, bem como as estacas de areia, que serão desenvolvidas adiante, quando
tratarmos dos drenos verticais.
No entanto há alguns métodos que são especificamente métodos de reforço de solos.
Podem agrupar-se em dois grandes grupos, com filosofias e modo de funcionamento
bastante diferentes. Por um lado, temos a terra armada, que tem como características
únicas o facto do reforço apenas suportar esforços de tracção, bem coma o facto de ser um
material composto, executado pela construção alternada de uma camada de solo, e uma
camada de reforço. O outro grupo envolve três processos, a saber, estacas de brita, micro-
estacas e pregagens, tendo como características comuns o facto de reforçarem o solo "in
situ", e dos elementos de reforço resistirem as tensões pelo menos de dais modos.
Vamos abordar, de modo sintético, estes métodos de tratamento de solos, tentando avaliar,
em cada caso, a sua aplicabilidade ao tratamento de solos argilosos moles. De notar que
estes métodos têm sofrido um grande incremento nas três últimas décadas, tendo-lhes sido
consagrado um esforço de investigação considerável.

47
3
5.1. Injecção de solos
Citando MITCHELL (1981), podemos dizer que a injecção de solos começou em 1802, com
CHARLES BÉRIGNY. Este engenheiro francês reparou, nesse ano, uma comporta em
Dieppe, injectando uma massa de argila e cal hidráulica por baixo da referida comporta. A
partir dessa data, a injecção de solos desenvolveu-se enormemente, passando a ser um
método largamente usado na estabilização e tratamento de solos. E, no entanto, um método
bastante dispendioso, o que o limita ao tratamento de zonas muito localizadas, e
unicamente quando não foi viável a execução de outro tipo de tratamento.
A utilização inicial deste tratamento – injecção – foi no controle e limitação da percolação,
continuando, alias, a ser largamente empregue com essa finalidade. Mais recentemente
começou-se a aplicar este tipo de tratamento para o reforço (veja-se BRANDL, 1983, BALLY
e KLEIN, 1983, VAUGHAN, 1983) bem coma para controlar e limitar movimentos de solos.
No âmbito desta dissertação, são estas últimas aplicações dessa tecnologia que serão mais
atentamente analisadas. No entanto, convém desde já fazer realçar o facto de que este
método só raramente é utilizado em solos coesivos. De facto, quer se trate de injecção de
cimento, de silicatos, de resinas ou outros, a baixa permeabilidade das argilas quase
sempre impede a injecção nestes solos. Na figura 23 representam-se os limites de aplicação
dos vários tipos de substâncias que podem ser utilizadas na injecção de solos.

Figura 23 - Limites de aplicacao de varios tipos de calda em função da granolometria dos solos e
propriedades dos solos tratados (segundo mighell,i981)
No entanto há relatos de tratamento de solos coesivos através de injecção. Como exemplo,
podemos citar ANAGNOSTI (1983) relatando o caso de injecção em margas decompostas e
argilas sobre consolidadas fissuradas. Pretendia-se evitar o amolecimento destas
formações, e bem assim limitar a escavação à geometria pretendida, pois a desagregação
das formações, com formação de cavernas seria grandemente prejudicial para os edifícios
48
sobrejacentes. A obra foi bem sucedida, tendo sido utilizada uma solução química aquosa.
ANAGNOSTI chegou à conclusão de que este tipo de tratamento era viável tanto técnica
coma economicamente neste tipo de formação – margas alternadas e argilas sobre
consolidadas fissuradas – sendo no entanto de notar que, para análise do problema, não é
relevante a determinação laboratorial de permeabilidade, mas sim a determinação "in situ",
por ensaios "Lugeon". Ou seja, o maciço de argila fissurada 6 tratado, para analise e
projecto, como um maciço rochoso fissurado.
De um modo geral, podemos considerar que há, quanto a execução e modo de "ocupação"
no solo, três tipos de injecções: o que poderemos designar por injecção de "permeação", a
injecção por deslocamento, e a injecção por "encapsulação". Na figura 16 representam-se
estes três tipos de injecção. O 1º é caracterizado pelo preenchimento dos vazios pelo
produto injectado, mantendo-se no entanto a estrutura sólida do solo. Usam-se para este
tipo de injecção caldas relativamente fluidas. No 2º tipo, por deslocamento, método utilizado
nos solos coesivos, e injectada uma pasta bastante espessa e viscosa, que aperta o solo,
por compressão. O 1º tipo referido só pode ser aplicado, em solos coesivos, no caso de
argilas 'sabre consolidadas muito fissuradas. Pode-se obter, um resultado semelhante, a
altas pressões, provocando a rotura do solo, sendo as fissuras e superfícies de fractura
preenchidas com a calda.
A injecção de solos tem sido, devido à dificuldade de êxito, considerada como uma arte,
mais do que uma técnica. No entanto, pode-se dizer que nos últimos anos já foram
estabelecidos os conceitos de base, e enunciados os princípios orientadores da sua
aplicação e concepção (CARON et al (L975), CAMBEFORT (1973)). Vamo-nos debruçar
portanto, sobre essas bases da técnica de injecção.

Figura 24 – Tipos de injecções

49
Do ponto de vista em que analisamos este problema, a utilização tradicional das injecções –
controle de percolação – não tem interesse, pois em geral os materiais considerados nesta
dissertação são "impermeáveis". Assim, para solos coesivos, as aplicações por excelência
das injecções são o preenchimento de vazios, de modo a reduzir assentamentos
excessivos; reforço da capacidade resistente de solos; controle dos deslocamentos de solos
sujeitos a escavação; aumento da resistência por atrito lateral de estacas; reforço de
fundações; estabilização de taludes e ainda controle das variações de volume de solos
expansivos.
Esta última utilização das injecções e normalmente executada com uma calda de cal. No
entanto esta técnica é controversa considerando certos autores que só em condições
especiais a efectiva, (WRIGHT, 1973 THOMPSON e ROBNETT, 1976). Mas JOSHI et al
(1985) mostraram que a cal é boa para estabilizar solos, pois não só reage com o solo
adjacente à furação, mas também a certa distancia, por migração do cálcio. KURDENOV
(1983) dá exemplos de aplicação ao controle d assentamentos diferenciais.
Em geral, podem ser usadas dois tipos de caldas: caldas de particulas1as primeiras a serem
usadas, e as caldas químicas. As primeiras são constituídas por cimento, solo ou argila, ou
suas misturas. As caldas químicas são constituídas por soluções de varias matérias. Os
mais usados, na ordem dos 90%, são os silicatos. Mas também se utiliza a cal, resinas, etc..
No entanto a preferência pelos silicatos deve-se a dois factores: custo e grau de toxicidade
baixos.
As caldas químicas tem ainda a vantagem de conseguirem penetrar em poros de dimens6es
mais reduzidas, coma se pode ver na figura 15, devido a sua mais baixa viscosidade, e a
dimensão coloidal das suas partículas. No entanto, é necessário ter em atenção, nestas
injecções, que as condições químicas locais podem influenciar a actividade do produto.
Outros factores, coma a temperatura, diluição pela água subterrânea, etc., podem também
actuar sabre as características finais da injecção. Convirá, portanto, uma cuidada análise
prévia, completada sempre por ensaios preliminares.
Quanto a caldas "de partículas", as mais usuais são as caldas de cimento ou solo-cimento,
apesar de, por vezes, se usarem caldas de solo ou argila pura. Este tipo de calda e tratado,
muitas vezes, com aditivos químicos, visando a diminuição de viscosidade, permitindo assim
uma melhor penetração, bem como com aditivos visando evitar a floculação do cimento. Os
aditivos químicos permitem ainda controlar o tempo de presa da calda. Este tipo de injecção,
em solos moles, tem uma aplicação restrita, mais usualmente provocando a rotura do
material, ou compactando-o. Como se pode observar na figura 15, este tipo de calda não
50
penetra em areias finas. Como regra geral, podemos estabelecer o seguinte critério de pos-
sibilidade de injecção em solos com caldas de partículas (MITCHE11,1981):
( )
( )
calda
solo
D
D
N
85
15
=

: 24 > N injecção possível
: 11 < N injecção impossível

( )
( )
calda
solo
c
D
D
N
95
10
=
: 11 >
c
N injecção possível
: 6 <
c
N injecção impossível
Além do processo tradicional de cimentação de solos que é a injecção, me todo que temos
vindo a referir, apareceram recentemente outros processos, entre os quais podemos citar a
cimentação com jacto. Ao contrario da injecção de calda convencional, a cimentação com
jacto e uma técnica de substituição do solo, sendo esta removida por jacto de água ou ar, a
alta pressão, sendo o vazio imediatamente preenchido com argamassa de cimento.


5.2. Estacas de brita
Desde a década de 30 que tem sido usada, como técnica de melhoria de areias soltas, a
vibro compactação. Consiste este método na introdução de um cilindro vibrador no solo,
transmitindo-lhe uma energia, através da vibração que provoca o adensamento da areia,
melhorando deste modo as suas características geotécnicas. Este método não é em geral
aplicável a solos argilosos moles pois devido a baixa permeabilidade que eles apresentam
não se dá a dissipação das tensões intersticiais da água, e acaba por ser à água
intersticial que toda a energia e transmitida, ou seja, a vibro compactação traduz-se nos
solos moles, num aumento das tensões intersiciaisd4 água e consequentemente, uma
diminuição das tensões efectivas; em consequência, em vez de se melhorar as
características dos terrenos, diminuem-se as suas propriedades resistentes.
51
Desde o fim da década de 50 começou a desenvolver-se na Alemanha, um método
baseado, em parte, na vibrocompactação para tratamento de solos argilosos moles. A
introdução do vibrador abre uma cavidade em profundidade, cheia posteriormente com brita,
que em seguida é compactada por meio do vibrador. Estas estacas, que funcionam
razoavelmente como dreno, são também usadas para resistir ao corte na horizontal, ou
numa superfície inclinada. No Japão desenvolveu-se uma técnica semelhante, com o use de
areia em vez de brita – método Compozer (ABOSHI etal., 1979).
Podem-se usar, com o método da vibrocompactação, duas técnicas a técnica a seco, em
que a introdução do vibrador no solo se faz unicamente com base na sua energia de
vibração; e a técnica com jacto de agua, em que se utiliza água sob pressão para cortar o
solo, facilitando a introdução de vibrador (CRISTOVAO, 1985). Em qualquer dos modos,
após a abertura do furo, o vibrador era retirado para a introdução de brita. A baixa
rentabilidade que este processo provocava levou ao desenvolvimento, na Alemanha, de um
método em que a brita e introduzida por um tubo soldado ao vibrador, sem ser portanto
necessário retirá-lo. A introdução da brita é facilitada pela utilização de ar comprimido. O ar
comprimido tem ainda a função de evitar a instabilização do furo, que é provocada pela
sucção quando o vibrador é retirado ou subido.
Uma das desvantagens que tem a utilização da furação com o auxílio de jactos de água é a
quase inevitável contaminação da estaca de brita, por materiais finos do solo, reduzindo ou
anulando o seu efeito de dreno. A execução a seco tem ainda a vantagem de provocar uma
compressão do solo mole em torno da estaca de brita, não só por não haver extracção de
material na execução do furo, como ainda por a brita, ao ser compactada, ser apertada con-
tra o terreno envolvente. Assim, em nossa opinião, e em absoluto, pensamos ser preferível,
do ponto de vista técnico, a execução de estacas de brita a seco.
As estacas de brita, executadas tanto a seco como com jactos de água, podem ter
diâmetros variáveis, entre 60cm e lm, dependendo o diâmetro final da energia de vibração
aplicada, e das características geotécnicas do terreno "in situ". Com os equipamentos
disponíveis de momento, é possível executar estacas de maiores diâmetros, acoplando
vários vibradores.
É tradicional, na analise de estacas de brita, essencialmente na consideração da sua
interacção com o solo, basear o raciocínio numa "célula unitária”, composta pela estaca de
brita e por um cilindro de solo envolvente, que se sup3e ser o solo influenciado pela
presença da estaca de brita. O diâmetro deste cilindro exterior, definidor da "célula unitária",
depende do tipo de malha de estacas utilizado, e do espaçamento entre estacas.
52
CRISTOVÃO, 1985, dá alguns exemplos dessa determinação, para malhas hexagonais,
triangulares e quadradas, tal como está representado na figura 25.


Figura 25 – Tipos de malhas de distribuição de estacas: a) malha hexagonal; b) malha triangular; c) malha
quadrada (segundo Cristóvão, 1985).

Quando se carrega unicamente a cabeça de uma estaca de brita, só em profundidade é que
a estaca irá mobilizar a resistência do solo envolvente, estando sujeita, por exemplo, a uma
rotura por cor to generalizado, ou a uma rotura da estaca (Figura 26c e 26b). A rotura da
estaca pode ser facilmente obviada, dando à estaca um comprimento superior ao
comprimento crítico. A rotura generalizada por corte é evitada, desde que se execute, a
superfície, uma distribuição da carga pela estaca e pelo solo envolvente. É, alias, assim que
funcionam quase todas as estacas de brita até hoje realizadas. Deste modo, o tipo de rotura
mais geral é o representado na figura 26a, e que poderemos designar por rotura por
deformação radial da estaca (BERGADO et al, 1984). Considerando a estaca de brita como
incompressível, qualquer variação do volume da "célula unitária", por aplicação de uma
carga, obrigara a que a deformação vertical da estaca seja compensada por uma expansão
radial, sendo a diminuição global de volume suportado pelo solo argiloso envolvente da
estaca. Se não se ultrapassar determinado valor da carga, a deformação da estaca será
uma deformação elástica e o assentamento total é relativamente pequeno. Se esse limite for
ultrapassado, a estaca de brita entra em deformação plástica, com expansão radial. Isto não
implica instabilidade, desde que se estabeleça um estado de equilíbrio de tensões entre a
estaca e o solo, ou seja, uma deformação plástica aumenta a participação do solo na
resistência global, devido ao aumento das tensões horizontais de confinamento da estaca
53
que se origina. A figura 27 mostra o aumento da tensão efectiva radial, em função da
deformação radial.

Figura 26 – Tipos de rotura de estacas de brita (segundo Bergado et al,, 1984).

HUGHES e WITHERS (1974) mostram que a deformação radial diminui em profundidade, e
sugerem, baseados na sua experi2ncia (veja -se figura 28), que abaixo da profundidade
correspondente a dois diâmetros de estaca as deformações radiais são negligenciáveis.
Este facto poderá indicar da boa adaptabilidade deste tipo de reforço, em solos moles, com
uma camada superficial sobre consolidada, logo podendo desenvolver, na zona de maiores
deformações laterais, uma maior tensão de confinamento, aumentando a resistência global
do conjunto solo-estaca de brita. No entanto, NAYAK (1982) apresenta resultados em
contradição com os anteriores, sugerindo profundidades mais elevadas.

Figura 27 – Curvas tensões – deformações radiais, determinada com base em ensaios pressiométricos
(adaptado de Bergado et al., 1984).
54


Figura 28 – a) Deslocamento vertical, em profundidade; b) Deslocamento radial do perímetro da
estaca/raio inicial da estaca, com a profundidade (segundo Hughes e Withers, 1974).

De qualquer modo, podemos dizer que a capacidade de carga de estacas de brita, ou
estacas granulares, em geral, em solos moles, é devida essencialmente à expansão radial
no troço superior da estaca, mobilizando a resistência lateral do solo envolvente.
De um modo muito geral poderemos dizer que as condições de tensão a que esta sujeita
uma estaca de brita são muito semelhantes as que se verificam no ensaio triaxial
estandardizado. Assim, tem -se que, ao ser aplicada uma tensão vertical efectiva
'
v
o
, pela
carga à superfície do terreno, resulta uma tensão radial efectiva,
'
r
o
, devida à reacção
horizontal do terreno envolvente. Para se proceder ao dimensionamento de estacas de brita,
isto g, para analisar o seu comportamento, ter-se-á que ter em consideração a resistência
ao corte não drenado do solo, a tensão horizontal "in situ" do solo, as características
tensões-deformações radiais do solo, as dimensões iniciais da estaca e as características
tensão-deformação e ângulo de atrito interno,
'
|
, do material da estaca. Normalmente
despreza-se a consolidação do solo devido ao carregamento à superfície.
A tensão vertical efectiva máxima que uma estaca de brita pode suportar,
'
vf
o
atinge-se
quando o solo rompe radialmente, por se ter atingido a tensão radial máxima, que pode
suportar,
'
rf
o
. A condição de rotura que relaciona
'
vf
o
com
'
rf
o
é:
55
'
'
'
'
sin 1
sin 1
rf vf
o
|
|
o
÷
+
=
o valor de
'
rf
o
pode ser expresso em função da tensão radial inicial,
'
ro
o
:
u ro rf
KS = ÷
' '
o o
podendo portanto escrever
( )
u ro vf
KS u + ÷
÷
+
= o
|
|
o
'
'
'
sin 1
sin 1


Nesta expressão, Su é a resistência ao corte não drenado da argila,
ro
o
é a tensão radial
total inicial, u é a pressão intersticial da água,
'
|
o ângulo de atrito interno do material da
estaca. Segundo HUGHES e WITHERS (1974), K terá um valor de 4. No entanto, outros
autores apresentam outros valores.
No entanto, a partir desta fórmula, digamos que clássica, vários outros autores
apresentaram métodos para a determinação da capacidade de carga das estacas de brita.
Assim, GIBSON e ANDERSON (1961) apresentaram o seu método, em que se basearam
na expansão de uma cavidade cilíndrica, com um material ideal elasto-plástico. Estes
autores admitiram um estado de deformação radial piano. VESIC (1972) partindo dos
estudos anteriormente feitos por GIBSON e ANDERSON (1961), desenvolveu o estudo
sobre a expansão de cavidades esféricas e cilíndricas, considerando na zona plastificada
coesão, atrito e deformações volumétricas. A partir daqui, e dos parâmetros E,
µ
e Cv,
define um coeficiente de rigidez Ir representando a relação entre o modulo de
deformabilidade transversal e a resistência ao corte não drenado. Para argilas saturadas
VESIC (1972) apresenta valores de Ir entre 10 e 300.
A partir deste índice de rigidez, VESIC (1972) deduz a capacidade de carga das estacas.
HUGHES e WITHERS (1974), e HUGES, WITHERS e GREENWOOD (1976) substituem a
equação básica de GIBSON e ANDERSON (1961):
( )
|
|
.
|

\
|
|
|
.
|

\
|
+
+ + =
v
v ro r
C
E
C
µ
o o
1 2
ln 1

pela equação atrás apresentada:
u o ro r
C u 4
'
+ + = o o

56
2.g
em que se supõe que o coeficiente de impulso em repouso do solo é 4. BRAUNS (1978)
considera os métodos anteriores como incorrectos, por considerarem a estaca a funcionar
em estado de deformação radial piano. Ora, considerando que o estado de tensão é um
estado tridimensional, este autor considera a semelhança com o ensaio triaxial, e uma
superfície de rotura inclinada relativamente à horizontal. VAN IMPE e DE BEER (1983)
voltam a considerar o estado de deformação plana, mas considerando as estacas de brita,
sob a acção das cargas, em equilíbrio limite, e com deformação a volume constante.
Na figura 29 apresenta-se uma comparação da tensão máxima, em função do ângulo de
atrito interno, calculada por vários métodos.
Têm ainda sido apresentadas algumas tentativas de apresentar modelos constitutivos do
conjunto solo reforçado com estacas de brita, como por exemplo GERRARD et al (1984),
que apresentam um modelo constitutivo de um material equivalente a um estrato de argila
com uma malha de estacas de brita homogénea e uniformemente distribuídas. No seu
modelo, eles supuseram que a argila e a brita têm um comportamento elasto plástico,
assumindo como critérios de rotura, o de TRESCA para a argila, e o de MOHR-COULOMB
para a brita. Esse modelo foi incorporado num programa de elementos finitos, tendo as
primeiras comparações com a observação sido bastante animadoras.


Figura 29 – Comparação da tensão máxima, numa estaca de brita, em função do ângulo de atrito interno
(segundo Cristóvão, 1985).

57
Anteriormente a estes autores, SALAAM e POULOS (1982) tinham apresentado um modelo
em que consideravam tanto a argila como a brita coma materiais elasto plásticos, seguindo
ambos o critério de rotura de MOHR-COULOMB. Mas este modelo ainda considerava o
conceito de "célula unitária", facto que não acontece no modelo de GERRARD et al, (1984).
LE BUHAN (1984) e SALENÇON e LE BUHAN (1985) baseados na ideia
de que seria possível tratar um solo reforçado como um meio homogéneo anisótropo a
escala macroscópica da obra a analisar, apresenta um método de "homogeneização" para
analise do comportamento desses solos reforçados, numa tentativa de 9eneralizacao de
trabalhos anteriores de MATAR e SALENÇON (1979). No seu trabalho e comparando com
outro método, LE BUHAN (1984) concluiu que seu método de homogeneização constitui
uma abordagem racional eficaz dos problemas de dimensionamento de obras em solos
reforçados. Segundo aquele autor, a eficácia do seu método deve-se essencialmente à
noção de critério de resistência macroscópica que permite considerar correctamente a
anisotropia de rotura do material "solo reforçado".
Todos os métodos anteriormente referidos, para determinação da capacidade de carga de
estacas de brita, supõem que o solo foi submetido a uma tensão que o levou à rotura. No
entanto, na maior parte dos problemas relativos a estacas de brita, essa carga de rotura
corresponde a assentamentos excessivos para a estabilidade ou o bom funcionamento da
estrutura que suportam. Isto é, normalmente, o determinante, no dimensionamento de um
reforço com estacas de brita, é o dimensionamento aos assentamentos, e não o
dimensionamento à rotura. E não há dúvida que o reforço com estacas de brita reduz
bastante a amplitude dos assentamentos, coma se vê na figura 30. Os métodos actualmente
existentes, para previsão dos assentamentos de fundações em solos argilosos moles
reforçados com estacas de brita baseiam-se na generalidade no conceito "factor de
melhoramento do solo", ou seja, na relação entre o assentamento que se verifica sem
reforço com estacas de brita, e o que se verifica com o solo reforçado. Numerosos autores
apresentam, com base nas respectivas teorias de comportamento do solo reforçado com
estacas de brita, a evolução dos factores de melhoramento em função das propriedades de
solos, da geometria da carga, e da geometria das estacas de brita. A figura 31 apresenta
uma comparação gráfica entre vários desses autores, para o caso de cargas de grandes
dimensões (aterros, por exemplo) e considerando uma superfície "infinita" tratada com
estacas de brita.
58

Figura 30 – Curvas carga assentamento para várias estacas de brita, e para o solo sem tratamento
(segundo Bergado et al., 1984).

BARKSDALE e GOUGHNOUR (1984) fizeram um estudo comparativo entre três dos
métodos mais recentes para determinar os assentamentos de solos reforçados com estacas
de brita, aplicando-os a três casos reais.

Figura 31 – Comparação dos factores de melhoramento do solo de acordo com vários autores (segundo
Cristóvão, 1985).
59
Assim, analisaram o método do equilíbrio, usado habitualmente no Japão, o método
incremental proposto por GOUGHNOUR e BAYUK (1979), e o método dos elementos
finitos desenvolvidos par BARKSDALE e BACHUS (1983).
O método do equilíbrio é usualmente usado no Japão para prever os assentamentos que se
verificarão em solos moles reforçados com estacas de areia compactada, podendo ser
igualmente aplicado quando o reforço é feito com estacas de brita. Este método considera
igualmente o conceito de célula unitária. Define um factor de concentração de tensões, n,
coma a tensão existente na estaca de brita,
s
o
, a dividir pela tensão no solo envolvente,
c
o

(com
c s
n o o =
). Para que exista equilíbrio das forças verticais dentro da célula unitária, a
tensão no solo envolvente da estaca terá de ser:

( ) | |
o µ
o
o
c
s
c
a n
=
÷ +
=
1 1


onde σ é a tensão media aplicada em toda a superfície da célula unitária, e as o coeficiente
de substituição de área, definido como o quociente da secção da estaca de brita, pela área
total da célula unitária. Para calcular o assentamento selecciona-se um valor de n, e a
tensão no solo envolvente da estaca calcula-se pela equação acima. Usualmente aplica-se
a teoria unidimensional da consolidação, para estimar os assentamentos da argila) podendo,
no entanto, ser utilizada outra teoria. Este método, que usa parâmetros convencionais de
mecânica dos solos directamente na sua formulação, e é simples de aplicar, tem a
vantagem de dar uma sensibilidade física do problema.
No entanto, tem o inconveniente de o factor n ter que ser escolhido com base na
experiência. E é este factor, neste método, que incluiu a influência da deformação radial do
material, as características tensão-deformação da brita, e o aumento da tensão de
confinamento com a profundidade. Um erro de escolha no coeficiente n é da maior
importância. Na analise feita par BARKSDALE e GOUGHNOUR (1984), este método sobre
estimou, nos três casos em analise, o valor dos assentamentos.
O método incremental, proposto par GOUGHNOUR e BAYUK (1979), analisa
individualmente elementos com a forma de disco da célula unitária. O material da estaca é
suposto elastoplástico, e incompressível no estado plástico. O solo envolvente da estaca de
brita, e confinado dentro da célula unitária, segue a teoria da consolidação de TERZAGHI,
alterada de modo a incluir tanto as deformações horizontais como verticais. Para ter em
conta a variação da tensão de confinamento com a profundidade, a analise é executada
60
sobre sucessivos elementos circulares da célula unitária. Permite variar as propriedades do
solo e as condições de tensão de elemento para elemento. GOUGHNOUR (1983)
apresentou ábacos que facilitam a aplicação desta teoria. Na figura 32 apresenta-se, desse
trabalho, o gráfico que dá o valor do factor de redução da deformação em regime elástico,
em função do coeficiente de rigidez, definido em termos das características de consolidação
das argilas. O valor de Re é pouco sensível ao valor de ν, na figura 32 tomado como ν=0.3.
Na figura 33 apresenta-se, como exemplo, o gráfico de GOUGHNOUR (1983), para o factor
de redução das deformações, em regime plástico, e para os casos Ф
estaca
=45º, K
o
=0.4 e 0.5,
e Ф
estaca
= 40º, K
o
= 0.4 e 0.5.
Como conclusões da aplicação deste método aos mesmos casos reais, pode-se dizer, como
BARKSDALE e GOUGHNOUR, (1984), que o método usa os parâmetros convencionais da
mecânica dos solos na sua formulação. Tem, relativamente ao método anterior, o
inconveniente de a sua resolução exigir uma calculadora programável, ou um computador, a
não ser que se usem os gráficos elaborados por GOUGHNOUR, (1983). Tem a vantagem
de considerar, na sua formulação, tanto a compressão vertical como a radial do solo "in
situ”; considera tanto o material com comportamento elástico como plástico, e tem ainda em
conta o aumento da tensão de confinamento em profundidade. Com este método, pode-se
fazer variar tanto as propriedades dos solos, como os estados de tensão com a
profundidade. Os resultados que BARKSDALE e GOUGHNOUR obtiveram nas aplicações
já referidas, tiveram uma excelente compatibilidade com as observações.


61
Figura 32 – Factor de redução das deformações em regime elástico (segundo Goughnour, 1983).


Figura 33 – Factor de redução das deformações em regime plástico: a) Ф
estaca
=45º, K
o
=0.4 e 0.5; b)
Ф
estaca
= 40º, K
o
= 0.4 e 0.5 (segundo Goughnour, 1983).

Por ultimo, destes três métodos, o método desenvolvido por BARKSDALE e BACHUS
(1983) usa o conceito da célula unitária, e a teoria de elementos finitos, não lineares, para
calcular a compressão vertical e radial do solo; considera tanto o comportamento e1ástico
como o plástico dos vários materiais, e considera também o efeito do aumento de tensão de
confinamento em profundidade. Este método é muito versátil, e tecnicamente correcto, se se
aplicar uma solução por computador a cada problema individual. Pode ter facilmente em
conta variações dos parâmetros do solo e do estado de tensão em profundidade. Se se
usarem os gráficos de cálcu1o, tem-se uma solução fácil de aplicar, mas perde-se em
versatilidade. Com este método, o módulo de elasticidade da argila é muito sensível ao
coeficiente de Poisson.
Com os gráficos, só é possível ter em conta as variações das propriedades e do estado de
tensão em profundidade utilizando valores médios. Finalmente, os autores consideram os
resultados bons, desde que a análise seja executada muito cuidadosamente.


5.3. Micro-estacas
As micro-estacas tiveram o seu início em 1952, e foram durante largo tempo usadas
essencialmente como escoras. Esta sua aplicação sai fora do âmbito deste trabalho. No
entanto, aplicadas como "Reticulo de Micro-estacas" ou "Reticulo de Estacas Raiz" (Reticolo
62
di Pali Radice), isto é como grupo, com as micro-estacas inclinadas entre si, podem ser
utilizadas para formar uma espécie de massa do solo reforçado. Com esta finalidade, as
micro-estacas podem ser utilizadas em qualquer tipo de solo, e aplicadas na estabilização
de encostas, coma reforço de fundação de estruturas de suporte, e em construção de
túneis.
A execução das micro-estacas é feita pela furação entubada, com diâmetros, entre 75 e
250mm. O reforço, que pode ser um varão, uma barra ou um tubo metálico, é introduzido no
interior do entubamento. O furo é então cheio com um betão rico em cimento de agregados
finos, de elevada plasticidade. Quando se retira o entubamento introduz-se mais betão, ou
com bomba, ou à pressão de ar, de modo a que essa pressão garanta um contacto entre o
betão e o solo envolvente. No caso de solos compressíveis a micro-estaca fica com um
diâmetro superior ao do entubamento.
As micro-estacas podem ter capacidades de carga, individualmente, variáveis entre 8 e 50
toneladas.
É evidente, quanto ao modo de funcionamento destas micro-estacas, que cada estaca,
individualmente, pode estar sujeita a tracção, compressão ou flexão; mas a interacção das
estacas num "reticulado" com o solo é complexo. LIZZI (1983), que é o "pai" da micro-
estaca, bem como do "Reticolo di Pali Radice", apresenta um esquema geral de cálculo,
baseado nos parâmetros geotécnicos dos solos. No entanto, ele próprio reconhece que só a
experiencia, e ensaios "in situ", em verdadeira grandeza, permitem um dimensionamento
seguro deste tipo de reforço.
Têm aparecido, no entanto, tentativas para uma análise com bases mais sólidas,
simultaneamente que com novas aplicações, como seja para fundação de edifícios. Assim,
recentemente, PLUMELLE (1984) apresentou ensaios em verdadeira grandeza sobre micro-
estacas isoladas, grupos de micro-estacas verticais e "retículos" de micro-estacas. A figura
34 esquematiza alguns dos resultados por ele obtidos. Assim, foram executados ensaios
representando uma sapata sobre solo virgem, e sobre grupos e retículos de micro-estacas;
nestes dois últimos casos, foram utilizados, entre a base da sapata e o solo, quer uma
camada de areia compactada, quer uma camada de tout venant. As conclusões gerais a que
PLUMELLE (1984) chegou foram: o reticulo de micro-estacas é mais eficaz que o grupo de
estacas verticais; não se consegue mobilizar nem aproximar a tensão de rotura da micro-
estaca; as características da camada de aterro entre as micro-estacas e a sapata são
importantes. Não sendo possível compactar um solo mole, pode-se jogar com a
granulometria havendo uma nítida melhoria com a utilização de "tout-venant".

63

Figura 34 – Curvas de tensão deformação para sapatas em solo virgem, e sobre grupos de estacas
verticais ou inclinadas com base de areia ou tout-venant (segundo Plumelle, 1984).

PITT e RHODE (1984) apresentam uma nova aplicação da micro-estaca, com novos
produtos. Levados a analisar a necessidade de reforço dos caminhos de ferro dos EUA,
para os adaptar às novas cargas rolantes, chegaram à conclusão que mais importante do
que a mudança sistemática dos carris e do balastro, eram as características da sub base.
De notar que os problemas relacionados com a qualidade da sub base tem sido bastante
bem estudados para o caso das estradas, mas praticamente não têm sido considerados no
que diz respeito aos caminhos-de-ferro. Analisando portanto este problema, aqueles autores
chegaram à conclusão da inviabilidade da recompactação das sub bases, o que equivaleria
a refazer todo o sistema de caminhos-de-ferro americano, solução economicamente
inviável. Analisando o conjunto de problemas, sugeriram a utilização de micro-estacas, mas,
coma existe no médio oeste americano o grave problema económico que é a destruição ou
armazenamento das cinzas de carvão (lenhite de baixo teor em enxofre) das centrais
térmicas, cinzas essas que apresentam a característica de serem auto-cimentantes, PITT e
RHODE (1984) propuseram a execução das micro-estacas, com cinzas de carvão, a
reforçar a sub base, e simultaneamente a suportar o balastro e os carris.

64

Figura 35 – Esquema conceptual da instalação dos pares de micro estacas e nodo de funcionamento
dessas micro estacas (segundo Pitt e Rhodes, 1984).

A figura 35 representa esquematicamente a concepção da execução e o modo de
funcionamento destas micro-estacas.
Com bastante interesse também, ASTE e MESSIN (1984) apresentam o problema, com
condicionantes bastante grandes, da execução das fundações de estruturas da estação de
montanha de um teleférico. A solução adoptada, por permitir resolver todos os problemas,
foi a da execução de micro-estacas em rocha.

5.4. Pregagem de solos
A pregagem de solos designa um método de reforço do solo natural com barras de aço, ou
de outro material, com a finalidade de aumentar a resistência à tracção e ao corte do solo.
Esta técnica tem sido usada para consolidar taludes maturais e de escavação, bem como,
mais raramente, para melhorar a capacidade de carga dos solos de fundação. As pregagens
são, em geral, simples barras de aço de diâmetros de 20 a 30 mm, introduzidas no terreno
ou em furos abertos por sondas, ou à percussão.
O seu comprimento é da ordem dos 50% da altura da escavação a consolidar. Para garantir
uma boa ligação do varão ao terreno, o pequeno espaço em anel, entre o varão e o solo, é,
normalmente, injectado com uma argamassa de cimento. Usualmente também as
pregagens são solidarizadas com um revestimento de betão projectado, revestindo o talude.
Na figura 36 apresenta-se de forma esquemática a execução de uma pregagem, em talude
de escavação. Este sistema de pregagem de solos pode ser usado em muitas das situações
65
em que uma massa de solo tem que ser estabilizada, ou tem que ter a sua estabilidade
reforçada. Pode ser utilizado para reforçar ou reduzir assentamentos de solos argilosos
moles debaixo de aterros de estadas ou caminhos-de-ferroo, debaixo de tanques de
armazenamento, etc., alem das já referidas utilizações para estabilização de taludes
naturais e de escavação.

Figura 36 – Execução de pregagens estabilizando um talude de escavação (segundo Stocker et al., 1979).
O dimensionamento de sistemas de pregagem envolve a determinação do tamanho,
espaçamento, orientação e comprimento das barras a usar. A análise global da estabilidade
da massa de solo pregado pode ser executado segundo os métodos usuais. Tendo
começado como uma técnica semi-empírica, tem havido um certo esforço, na última década,
para a compreensão e modelização do comportamento das pregagens, e do solo pregado.
Assim, JURAN et al (1981), para tentar compreender o comportamento ao corte de um solo
reforçado com pregagens, realizaram uma serie de ensaios laboratoriais, com caixa de corte
de grandes dimensões, que permitiu pôr em evidencia algumas facetas daquele
comportamento. Assim, mostrou-se que havia, no corte de um solo pregado, transferência
de esforços entre o solo e as pregagens, transferência essa que se efectiva essencialmente
por um impulso lateral e pelo efeito abóbada, obrigando as pregagens a entrar em flexão. A
tensão de corte que assim se origina traduz-se pela mobilização de uma coesão aparente
do solo pregado. Esta coesão depende principalmente do deslocamento, e em
consequência da rigidez relativa das pregagens e do solo, segundo aqueles autores. O
limite desta "coesão" atinge-se quando se alcança o deslocamento necessário para
mobilizar o impulso activo do solo.
Os ensaios realizados por STOCKER et al (1979) têm como grande vantagem, para a
compreensão do mecanismo de funcionamento das pregagens, o facto de terem sido
realizados sabre modelo reduzido e em verdadeira grandeza, apesar de terem incidido, na
quase totalidade, sobre solos não coesivos. Com estes ensaios, STOCKER et al (1979)
pretendiam determinar um método correcto, ou pelo menos regras, de dimensionamento.
66
Com o trabalho que apresentam, chegam à conclusão que tal não era ainda possível,
continuando a desenvolver o respectivo programa de investigação. No entanto, apresentam
no seu trabalho algumas "notas" com interesse prático. Consideram, em primeiro lugar, que
na análise da estabilidade de um solo pregado, tanto a estabilidade global, como a
estabilidade interna têm que ser analisadas. De um modo resumido, STOCKER et al (1979)
consideram quatro tipos de rotura possíveis, esquematizados na figura 37. Face às suas
experiencias, apresenta como tipos de rotura mais prováveis os casos c. e d.. O esquema
de cálculo apresentado por aqueles autores está representado na figura 38.

Figura 37 – Mecanismos de rotura possíveis num muro de escavação pregado (segundo Stocker et al.,
1979).

Figura 38 – Esquema de cálculo de estabilidade de um muro de suporte pregado (segundo Stocker et al.,
1979).
67
GASSLER e GUDEHUS (1981), desenvolvendo os trabalhos que tinham realizado com
STOCKER et al (1979), avançam com a preparação de alguns ábacos de cálculo, para
alguns casos estandardizados. GASSLER e GUDEHUS (1981) chegaram à conclusão que
os cálculos de estabilidade se podem basear na translação de dois corpos (semelhantes,
mas não iguais, aos apresentados na figura 38). O método de cálculo apresentado por estes
autores considera as forças axiais nas pregagens; no entanto, ao contrário de JURAN et al
(1981), não consideram os esforços de carte. GUDEHUS (1982) apresenta o método de
cálculo anteriormente apresentado (GASSLER e GUDEHUS, 1981), com maior
pormenorização, essencialmente ao nível técnico. CARTIER e GIGAN (1983) analisam e
observam o caso de duas estruturas reais, um muro de suporte pregado, e uma encosta
natural com pregagens verticais, que foram devidamente instrumentadas. Estes autores
concluíram, no caso da estrutura de suporte da escavação, que o comportamento da massa
de solo pregada apresenta uma analogia clara com o comportamento de uma estrutura de
terra armada. Quanto à encosta, chegaram à conclusão que uma pequena melhoria no
factor de segurança, através da execução de pregagens verticais, de execução bastante
económica, era suficiente para estabilizar uma massa previamente em instabilidade.
Muito importante é o trabalho de GASSLER e GUDEHUS (1983), em que estes autores, na
continuação dos trabalhos anteriormente referidos – STOCKER et al (1979), GASSLER e
GUDEHUS (1981) e GUDEHUS (1982) – apresentam a analise da estabilidade de um corte
vertical em solo não coesivo, suportado par uma estrutura de betão projectado e pregagens,
com base num mecanismo de translação de dois corpos, tal coma anteriormente já tinha
sido apresentado, que baseou a formulação de uma equação simplificada de estado limite.
Considerando o peso unitário e o ângulo de atrito interno do solo, a resistência ao
arrancamento das pregagens e a sobre carga como variáveis estocásticas, aqueles autores
apresentam uma análise probabilística da estabilidade da obra. Esta análise, bastante
completa, permitiu-lhes concluir que a principal contribuição para a probabilidade de rotura
era a variação do ângulo de atrito do solo, e a resistência das pregagens. Aqueles autores
consideram o método por eles apresentado como um método de calculo mais simples que
os métodos convencionais, e objectivo.
Vários outros autores se têm debruçado sabre o dimensionamento de pregagens. No
entanto, a major parte dos trabalhos que se encontram na bibliografia lidam essencialmente
com a análise de casos reais e só alguns poucos tentam aprofundar os métodos de cálculo
ou os modelos de comportamento. Um destes casos será o de GUILLOUX (1984), que
analisa os principais fenómenos actuando no atrito solo-pregagem. MARCHAL (1984)
analisa em laboratório o comportamento de uma única pregagem, essencialmente a
influênciaa da inclinação. BANGRATZ e GIGAN (1984), por aplicação e adaptação de um
68
programa de cálculo automático, apresentam um método rápido de cálculo de maciços
pregados. O estudo paramétrico efectuado por estes autores refere como características
principais da pregagem o comprimento e a inclinação das pregagens, e a sua resistência ao
arrancamento. O método apresentado por estes autores permite ter em conta,
indirectamente, a flexão dos varões de pregagem. No entanto, eles consideram que abaixo
do limite de plastificação, o ganho de estabilidade que se obtém pela flexão das barras é
negligenciável. Na figura 39 apresenta-se um ábaco de pré dimensionamento apresentado
por estes autores.
Por último, BEECH e JURAN (1984) apresentam um modelo teórico, baseado na análise do
comportamento de modelos reduzidos tridimensionais de solos reforçados, quer por
pregagem, quer pelo método da terra armada. O desenvolvimento deste método deve-se ao
facto das teorias clássicas -Rankine, Coulomb – subestimarem muito a altura critica. O
método apresentado por estes autores, apesar de ter a vantagem de poder tomar a
consideração a variação de vários parâmetros, dá unicamente um limite inferior para a altura
critica da obra, com desvios, relativamente ao observado nos modelos, inferiores a 25%. De
qualquer modo este método tem o inconveniente de permitir considerar unicamente o
reforço de solos granulares, não coesivos, homogéneos, e com hipóteses de cálculo válido
unicamente para a ruptura.
JURAN et al. (1985) apresentaram, no seguimento de anteriores trabalhos, um estudo com
modelos numéricos, em que uma malha de elementos finitos é aplicada a um solo elasto-
perfeitamente plástico, com um critério de plasticidade de Coulomb. As conclusões tiradas
por estes autores confirmam a linha que tem vindo a ser apresentada. O modelo de JURAN
et al (1985) tem o inconveniente de só ser aplicável para pequenas deformações.
69

Figura 39 – Ábacos de pré dimensionamento de pregagens (segundo Bangratz e Gigan, 1984).


5.5. Terra armada
A terra armada, na sua concepção genérica, é um maciço de terra, com inclusões de
reforços resistentes à tracção. Deste modo, para certo tipo de solos, e para certas condições
de compactação, o solo resiste à compressão e ao corte, e os respectivos reforços resistem
à tracção. O reforço pode ser de dois tipos essencialmente distintos: ou materiais
idealmente inextensíveis, como o aço, por exemplo, ou por materiais idealmente extensíveis,
como fibras ou geotexteis. Numa obra deste tipo, o parâmetro fundamental é o atrito solo-
reforço. Por esse motivo, os reforços têm quase sempre a forma em banda de modo a, para
a mesma resistência à tracção, poderem apresentar o maior atrito possível com o solo.
O modo de funcionamento da terra armada, segundo levam a crer alguns dos trabalhos
referidos na secção anterior, é muito semelhante ao do funcionamento de maciços tratados
com pregagens. No entanto, há uma diferença, para nós fundamental: enquanto que a terra
armada representa um maciço totalmente executado, isto é, são executados alternadamente
camadas de solo compactado, e camadas de reforço, os maciços pregados são utilizados
para estabilizar, ou aumentar a resistência, de solos "in situ". Esta diferença é importante,
porque o método de terra armada, sendo um método aplicado com aterros compactados,
não se aplica a solos argilosos moles. A curta referência que aqui se faz deve-se
70
exclusivamente à semelhança de comportamento com as pregagens, pelo que o
acompanhamento dos avanços recentes numa das técnicas pode fornecer informações
importantes para aplicação da outra técnica. No entanto, convém chamar a atenção para o
facto de BATTELINO (1983) ter apresentado um caso de execução de terra armada em
siltes argilosos, tendo obtido resultados aceitáveis. MAJES e BATTELINO (1985) analisam
igualmente um caso de solo mole, reforçado superficialmente com geotexteis, utilizando o
método dos elementos finitos.

6. Compactação profunda
A compactação profunda de um solo, tomando à letra a sua designação, pode ser levada a
cabo tanto por cargas estáticas, coma por cargas dinâmicas. No entanto, no presente
subcapítulo, não nos vamos debruçar sobre a compactação provocada por cargas estáticas.
De facto, a sua importância, bem como a aplicação muitas vezes em conjunção com
métodos de drenagem para aceleração da consolidação, faz com que seja tratada à parte,
no subcapítulo 3.6. Vamos aqui debruçarmo-nos unicamente sobre a compactação
profunda, utilizando solicitações dinâmicas.
No âmbito da compactação profunda, assim limitada, é habitual incluir quatro técnicas de
tratamento: vibro flutuação, que é um tipo de vibro compactação, com a vibração
estacionária emitida por um vibrador de agulha, que liquefaz o solo não coesivo, localmente,
e o densifica depois de um rearranjo dos grãos; a vibro-substituição, utilizada na execução
de estacas de brita ou areia; a compactação dinâmica, que consiste no fornecimento de
energia ao solo através de da pancada de uma massa em queda livre, de uma certa altura;
e a compactação por deflagração de uma carga explosiva em profundidade, no interior da
massa do solo a compactar. Destes quatro métodos, só dois são aplicáveis a solos
argilosos: a vibro substituição, e a compactação dinâmica. A vibro substituição, por executar
uma estaca de brita, ou de areia no interior do estrado argiloso mole a tratar, pode também
ser considerado um método de reforço de solos, tal como nós o considerámos na secção
5.1..
Em consequência, vamos aqui debruçarmo-nos unicamente sobre o método da
compactação dinâmica, na sua aplicação aos solos argilosos moles.
A densificação de areias soltas pela queda de pesos sobre a sua superfície é uma técnica
que vem da antiguidade, mas só nos princípios do século XX aparece a primeira referência
71
escrita a esta técnica (LOOS, 1936, referido por MAYNE et al, 1984). Mas só em 1969 Louis
Ménard introduzia esta técnica como método de rotina de tratamento de solos.
Aplicada a solos não saturados e a solos granulares soltos a aplicação desta técnica não
apresenta grandes problemas conceituais, sendo o processo essencialmente o mesmo do
ensaio de compactação Proctor. SCOTT e PEARCE (1975) apresentaram um tratamento
teórico quantitativo aplicável a este tipo de solos. No entanto, não é fácil analisar a eficácia
desta técnica em solos argilosos com os conceitos tradicionais da Mecânica dos Solos,
sendo a sua aplicação com êxito incerta. De um modo geral, pode-se dizer que o método é
frequentemente uma solução economicamente atractiva para permitir a utilização de
fundações directas, e preparar sub-bases para a construção, comparativamente às soluções
convencionais (estacas, substituição de solos, etc.).
Esta técnica, na sua forma actual, constituiu um trabalho pioneiro de MÉNARD (MÉNARD,
1973, MÉNARD, 1974, MÉNARD e BROISE, 1975), tendo sido aplicado ao melhoramento
das características de camadas compressíveis com possanças até 30 metros. De um modo
muito genérico, poderemos dizer que este método, consistindo na queda livre sistemática de
um determinado peso de uma certa altura, visa melhorar a capacidade resistente e
diminuir os assentamentos totais e diferenciais até uma determinada profundidade.
Normalmente, são usados blocos de betão ou aço, de 5 a 29 t de peso, largadas de alturas
até cerca de 30 metros. Como ordem de grandeza, estas quantidades de energia permitirão
tratar o terreno até cerca de 15 metros de profundidade. No entanto já foram utilizados
pesos de 190t, caindo de uma altura de 23 metros, no aeroporto de Nice (GAMBIN, 1983). A
altura de queda de 23m, resultou de uma limitação imposta pela segurança do tráfego
aéreo.
A distribuição espacial e a sequência cronológica de aplicação da energia de compactação
são críticas para se alcançar a compactação pretendida, de modo muito especial nas zonas
onde o tratamento tem que atingir maiores profundidades. Na primeira fase de trabalhos, os
impactos são aplicados segundo uma malha, definida em função da espessura a tratar, da
profundidade do nível freático, e da granulometria do solo. Proceder-se-á a várias
passagens. A malha inicial é, em geral, pelo menos igual à espessura do estrato
compressível, podendo ser utilizados, nesta fase, até 50 impactos em cada ponto. Esta
primeira passagem tem como função tratar as camadas mais profundas. Uma definição
incorrecta do espaçamento dos pontos de impacto, ou a utilização de uma energia não
adequada, pode resultar na formação de um "ensoleiramento" de material denso, numa
profundidade intermédia, inviabilizando eventualmente o tratamento dos solos subjacentes
(MAYNE et al, 1984). Nos solos finos saturados o processo de consolidação dinâmica é
complicado pelo aumento das pressões intersticiais da água, durante a compactação,
72
diminuindo a eficiência das passagens seguintes. É, portanto, necessário estabelecer um
intervalo suficiente entre passagens sucessivas, de modo a permitir a dissipação desse
excesso de pressão.
Após cada passagem, as depressões criadas pela queda dos pesos são preenchidas com o
material circundante. Assim, de um modo geral, a plataforma sujeita a tratamento vai
baixando de um determinado valor, proporcional ao adensamento conseguido em cada
passagem. As passagens iniciais denominadas geralmente de "passagens de elevada
energia", são completadas no fim por uma passagem de baixa energia, designada
habitualmente no calão técnico por "passagem a ferro", destinada a adensar a camada
superficial, até metro e meio de profundidade.
Devido a condicionalismos económicos, o peso usado, e a altura de queda, não são
parâmetros independentes. A figura 40 apresenta graficamente a relação entre o peso e a
altura de queda, para um número bastante grande de dados, em escala bi-logarítmica.
O peso pode ter uma forma em planta circular, octogonal ou quadrada, segundo MAYNE
(1984) para as passagens de alta energia e aconselhável usar pesos circulares ou
octogonais, pela melhor transmissão em profundidade das cargas. O mesmo autor
considera a forma quadrada mais indicada para a "passagem a ferro".


Figura 40 – Relação entre o peso e a alyura da queda, na compactação dinâmica (segundo Mayne et al.,
1984).
73
40
Na aplica4ao deste método a solos argilosos, tem havido sucessos, e insucessos. Segundo
MENARD e BROISE (1975), o método é aplicável a solos argilosos, apesar do cepticismo
com que é encarado. Segundo estes autores, há quatro mecanismos que são responsáveis
pela possibilidade de aplicação da compactação dinâmica a solos argilosos: um solo
saturado é compressível, devido à presença de bolhas gasosas microscópicas; sob os
impactos repetidos, o solo entra em liquefacção; há variação da permeabilidade do solo,
devido ao aquecimento de fissuras, e o possível papal desempenhado pela água absorvida,
próximo da liquefacção; e a recuperação tixotrópica. De notar que, no seu artigo, MÉNARD
e BROISE (1975) dão uma interpretação qualitativa da aplicação da consolidação dinâmica
a solos coesivos, mas, apesar de apresentarem inclusivamente equipamento laboratorial
especialmente desenvolvido para o efeito, como seja o "edómetro dinâmico", não
apresentam uma interpretação qualitativa, que permita elaborar um estudo de consolidação
dinâmica de solos argilosos.
Segundo a interpretação de MÉNARD e BROISE (1975), a teoria da consolidação clássica,
de Terzaghi, que prevê a necessidade da drenagem da água do solo, para que se dê o
assentamento, o que se verificará passado um certo intervalo de tempo, devido à baixa
permeabilidade dos solos argilosos, não é aplicável, pais a observação mostrava, mesmo
neste tipo de solos, que a queda do peso resultava num assentamento imediato conside-
rável. A investigação levada a cabo por aqueles autores mostrou então que a quase
totalidade dos solos quaternários contêm gás na forma de "micro-bolhas" variando entre 1 e
4%, em volume. Consideram então que estas bolhas gasosas, com comportamento regido
pelas leis de BOYLE-MARIOTTE e de HENRY, bem como fenómenos menos conhecidos
como a variação mais ou menos irreversível do estado de equilíbrio dessas bolhas devido a
vibrações ou choques, desempenham um papel importante no assentamento imediato
verificado na compactação dinâmica. Assim, aplicando energia ao solo, através de impactos
repetidos, o gás vai sendo comprimido, aproximando-se o seu volume de zero. Então, o solo
passa a comportar-se como incompressível, iniciando-se, por aumento da energia fornecida,
através de novos impactos, a liquefacção. MÉNARD e BROISE (1975) designam a energia
necessária para se atingir esta fase como "energia de saturação", isto apesar de, na prática,
a liquefacção ocorrer de modo gradual. Segundo aqueles autores, este nível de energia não
deve ser ultrapassado, para não se dar a remoldagem do solo. A utilização do edómetro
dinâmico, em laboratório, permite precisamente determinar este patamar de energia a não
ultrapassar. Verifica-se, posteriormente a esta fase, que a dissipação dos excessos das
tensões intersticiais da água se dá muito mais rapidamente do que seria de esperar, com
base na permeabilidade dos solos "in situ". Os autores referem a formação de fissuras, tanto
provocadas pelos elevados gradientes hidráulicos, como pela concentração dos impactos,
74
na criação de uma rede de drenagem completa, que acelerará a drenagem. Além disso,
aumentando a permeabilidade da massa do solo, com a diminuição das tensões efectivas, a
permeabilidade do solo será máxima quando se atinge a liquefacção. Eles referem ainda,
como hipótese, que as ondas de choque poderão transformar a água adsorvida em água
livre, aumentando consequentemente a secção dos tubos capilares entre partículas. O
fenómeno contrário verificar-se-ia devido à tixotropia.
MÉNARD e BROISE referem ainda a diminuição apreciável de resistência que se sucede à
compactação dinâmica, e, como é 1ógico, o facto do valor mínimo ser atingido quando o
solo se aproxima da liquefacção. À medida que se dissipam as tensões intersticiais da água,
verifica-se um grande aumento da resistência ao corte, e do módulo de deformação, devido
ao maior contacto entre partículas, bem como a gradual fixação de novas camadas de água
adsorvida. Este fenómeno da tixotropia, mais nítido nas argilas sensíveis, verifica-se em
todos os solos finos, segundo aqueles autores, e prolonga-se por vários meses.
Comparativamente ao processo de aplicação de uma pré carga estática, o fenómeno da
variação das propriedades do solo no processo da consolidação dinâmica pode-se
representar, esquematicamente, tal como se apresenta na figura 41. Na figura 42, apre-
senta-se um exemplo, também segundo MÉNARD e BROISE (1975), da dissipação das
tensões intersticiais da água.
Para se proceder à análise de um projecto de compactação dinâmica, é necessário efectuar
uma campanha cuidada de prospecção e ensaios laboratoriais e "in situ". Como já foi
referido, um erro, por falta de dados, na definição da energia a aplicar pode provocar a
formação de uma camada compactada no interior do estrato a tratar, impedindo o
tratamento conveniente do solo subjacente (MAYNE et al, 1984). Essa campanha de
prospecção e ensaios iria permitir determinar o assentamento imediato a verificar, a energia
de saturação em cada fase, o número de fases, a energia total a aplicar, a profundidade a
tratar, etc..
A profundidade a tratar está relacionada com a energia que se aplica, e é um dos pontos
fulcrais de um estudo de consolidação dinâmica. MÉNARD e BROISE (1975), indicaram,
como primeira aproximação, que a profundidade a tratar poderia ser dada por:
WH D =

75

Figura 41 – Representação do comportamento do solo: a) quando sob a aplicação de uma carga estática;
b) quando sob a acção de carga repetida na consolidação dinâmica. (segundo Ménard e Boise, 1975).

Figura 42 – Dissipação das tensões intersticiais. Exemplo de Botlek (segundo Ménard e Boise, 1975).

onde D é a profundidade a tratar, W é o peso e H a altura de queda. De notar que a
consideração de uma profundidade de influência, onde se sentirá o efeito da melhoria, é
algo de subjectivo.
76
LEONARDS et al (1980), analisando vários casos, concluíram que a expressão de MÉNARD
e BROISE é demasiado optimista, propondo:
WH D
2
1
=

LUKAS (1980), por seu lado, considerou que seria mais correcto considerar:
( ) WH a D 80 . 0 65 . 0 =

Deve-se notar que a profundidade de influência deve depender de outros factores, e não só
da energia aplicada: o tipo de so1o, a presença de estratos mais moles, etc.. MAYNE et al
(1984), pela análise de cerca de 100 casos, análise essa sistematizada na figura 43,
concluíram que uma hipótese conservativa seria considerar
WH D 2 1 =
. No entanto, mos-
traram haver casos em que
WH D 3 . 0 =
, concluindo finalmente que cada caso tem que ter
um tratamento pontual) sendo necessário uma campanha de ensaios posterior ao
tratamento (e posterior à dissipação das tensões intersticiais) para aferir da melhoria real e
efectiva obtida. A figura 43 mostra, no entanto, uma ligação clara entre a profundidade
tratada, e a energia por pancada aplicada.

Figura 43 – Relação entre a profundidade aparente máxima de influência e a energia por pancada
(segundo Mayne et al., 1984).
77
Convém ainda referir que os casos existentes levam a crer que há um limite máximo para a
melhoria dos terrenos, que será dupla nos solos arenosos, relativamente ao que ocorrerá
nos solos argilosos. Além disso, convém ainda referir que a melhoria verificada é máxima à
superfície, diminuindo em profundidade, até ao valor original à profundidade D. Re-
lativamente ao desenvolvimento de relações que sirvam para seleccionar o valor do peso a
utilizar, dimensões respectivas, e altura de queda para se obter o adensamento desejado,
há que referir o trabalho muito interessante de JESSBERGER e BEINE (1981), baseado em
ensaios laboratoriais especialmente desenvolvidos para o efeito, e que permitem medir as
tensões dinâmicas no solo após o impacto. Pode-se assim determinar a altura de queda e a
massa para provocar o aparecimento de uma condição de rotura no solo. JESSBERGER e
BEINE (1981) mostraram, com base nos seus ensaios, que a tensão dinâmica à superfície
do solo a tratar,
din o,
o
se relaciona com a área A da secção do peso a utilizar, com a massa
m desse peso, e com a altura de queda h, pela equação:

gh
A
m
din o
2
,
o o =


Figura 44 – Esquema de ábaco de dimensionamento de compactação dinâmica para espessura constante
da camada a tratar (segundo Jesseberger e Beine, 1981).

sendo α uma constante de proporcionalidade, e g a aceleração da gravidade. Para se obter
o adensamento do solo a uma profundidade Z, será necessário desenvolver, a essa
profundidade uma tensão dinâmica
din z,
o para quebrar a estrutura do solo. Aqueles autores,
78
para determinação do valor de
din z,
o , apresentam duas equações, uma em função de um
factor de concentração, ν, e outra em função do ângulo de distribuição de cargas,
o
u :

|
|
.
|

\
|
|
|
.
|

\
|
+
÷ =
v
o o
2 2
,
1 2
r Z
Z
gh
A
m
din z


2
,
1 2
÷
|
.
|

\
|
+ =
o din z
tg
r
Z
gh
A
m
u o o


Nestas equações, Z é a profundidade à qual se esta a estudar o nível de tensão dinâmica, e
r é o raio da área carregada. Em princípio, a constante α pode ser determinada
laboratorialmente, e, desde que se conheça a envolvente de rotura do solo, e as tensões "in
situ" iniciais, bem como a percentagem de
din z,
o que é transmitida à água intersticial, pode-
se estimar o valor de
din z,
o necessário para criar uma situação de rotura. No entanto, é
difícil conseguir estabelecer na prática todas estas condições, motivo porque JESSBERGER
e BEINE (1981) apenas apresentam uma base qualitativa (veja-se figura 44) para relacionar
A, h e m. Teria um certo interesse conseguir comparar esta formulação com a expressão
empírica WH D 2 1 = .
Convém ainda referir que é necessário ter em conta a propagação das ondas de choque, e
seus efeitos em construções existentes na área. As frequências habituais das vibrações
provocadas pela compactação dinâmica variam entre 2 e 20 Hz, em geral. Na figura 45
apresenta-se uma relação entre velocidades de partículas, e a energia, sob a forma de um
factor de energia. As linhas representadas para a areia molhada, areia seca e argila foram
obtidas não de ensaios de compactação dinâmica, mas de cravação de estacas. A última
linha é de LUKAS (1980). Os pontos referentes à compactação dinâmica levam a crer que a
velocidade das partículas, para uma dada energia, é inferior, na compactação dinâmica, do
que se verifica na cravação de estacas. Este gráfico tem um certo interesse, pois pode
permitir fazer uma primeira estimativa da distância ao ponto de impacto a que se verificarão
estragos nas construções existentes.
79

Figura 45 – Velocidade das partículas em função de um factor de energia (segundo Mitchell, 1981).

Em conclusão, poderemos dizer que o método de compactação dinâmica, que
tem dado excelentes resultados em solos granulares, e apesar de poder dar bons resultados
em solos coesivos, necessita ainda de investigação profunda afim de determinar, de modo
mais correcto, o modelo de comportamento desse tipo de solos, sob a acção de cargas
repetidas, de modo a permitir estudar convenientemente os casos de aplicação concreta
deste método a solos coesivos. As interpretações qualitativas de MÉNARD e BROISE,
apesar do esforço desenvolvido, incluindo o desenvolvimento do edómetro dinâmico, e a
utilização sistemática do pressiómetro de MÉNARD, não permitem, em nossa opinião,
prever com suficiente exactidão o comportamento do solo.

7. Aceleração da consolidação
Neste subcapítulo, designado genericamente por "aceleração da consolidação" vão ser
englobados métodos que não correspondem exactamente àquela designação. De facto, os
métodos englobados na secção 3.6.3. – Pré-cargas, não são métodos de aceleração de
consolidação, mas métodos que simplesmente vão provocar a consolidação dos solos de
fundação. No entanto, coma as pré – cargas são muitas vezes aplicadas conjuntamente
com métodos de aceleração de consolidação, optámos por englobá-los num subcapítulo.
80
Além disso, ao contrário dos outros métodos já analisados, todos os métodos englobados
neste subcapítulo têm como fundamento da sua actuação a teoria da consolidação.
Pensamos, portanto, que a opção aqui tomada é aceitável.
Podemos dizer que a realização de pré -cargas, previamente à execução de uma obra, para
o aumento da resistência e pré – consolidação de solos moles compressíveis, é um dos
métodos mais antigos, e dos mais usados no tratamento e melhoria de solos. De um modo
geral, pode-se dizer que estes métodos são aconselháveis para solos que apresentem
grandes variações de volume, e aumentos de resistência, quando carregados
estaticamente. Para acelerar o processo, e desde que o solo tenha a resistência suficiente,
podem-se realizar sobre cargas, ou seja, cargas superiores às que irão ser aplicadas na
obra.
As pré cargas e sobrecargas utilizam-se muitas vezes em conjunção com drenos verticais,
para acelerar o processo de consolidação, diminuindo assim o período de tempo necessário,
desde que se trate de acelerar a consolidação primária. Os solos para os quais é indicada a
utilização de pré-cargas são as argilas moles saturadas, os siltes compressíveis, as argilas
orgânicas e as turfas. Considera-se, em geral, que os drenos verticais são aconselháveis
em argilas inorgânicas e siltes que apresentem uma consolidação secundária reduzida.
Podemos dizer, de um modo geral, que estas técnicas podem ser usadas para o tratamento
das fundações de qualquer tipo de obra, desde aterros de estrada, parques de minério, ou
fundações de edifícios.
Dos métodos que abordaremos neste subcapítulo, podemos dizer que a pré – carga por
vácuo, o rebaixamento do nível freático e a electro osmose têm a grande vantagem de não
criarem problemas de estabilidade. Por outro lado, são de execução mais complexa que os
outros métodos, podendo mesmo dizer-se que a execução de um rebaixamento do nível
freático, em solos argilosos moles é complexa, dispendiosa, de aplicação demorada, e de
resultados difíceis de prever.
Devido ao interesse especial que tem para esta dissertação os métodos da pré – carga e os
drenos verticais, serão estes métodos tratados por ultimo, em secções individuais. Assim,
não se englobarão na mesma secção os drenos verticais e a electro osmose, apesar de
ambos os processos provocarem a aceleração da consolidação, por aceleração da
drenagem da água intersticial. Será pelo método de electro osmose, por ser o menos
aplicado, e por ter aqui unicamente interesse documental, que vamos iniciar a abordagem
destes métodos.

81
7.1. Aceleração da consolidação por electro-osmose
A electro-osmose é um fen6meno conhecido há largo tempo, e que consiste na circulação
da água do ânodo para o cátodo, quando num solo húmido se faz passar uma corrente
eléctrica. Este fenómeno é acompanhado da circulação, para o ânodo, dos aniões dos sais
dissolvidos na água, e dos iões dos mesmos sais para o cátodo.
Estes fenómenos) cuja solução aproximada foi apresentada por CASAGRANDE (1937)
(citado por PILOT, 1981), e cujo mecanismo mais ou menos correcto foi apresentado por
GRAY e MITCHELL (1967), são as bases de dois métodos de tratamento de solos: a
electro-drenagem e a injecção eléctrica, também designada por tratamento electroquímico.
A electro-drenagem utiliza o escoamento da água do ânodo para o cátodo, normalmente
com o fim de, diminuindo o teor em água do solo, acelerar a consolidação deste, bem como
aumentar a sua coesão não drenada. Pode ser utilizada para acelerar os assentamentos e
aumentar a estabilidade, e pode ainda ser utilizado, quando se colocam os ânodos em
estacas, para aumentar a capacidade de carga destas. Mas a electro-drenagem, sem
extracção da água, pode ser utilizada com um fim exactamente contrário: aumentar o teor
em água do solo, junto ao cátodo, de modo, por exemplo, a diminuir o atrito negativo em
estacas.
Convêm referir, desde já, que, apesar de haver alguma bibliografia acerca do fundamento
teórico da electro-osmose, a bibliografia acerca de aplicac3es praticas e rara. Quanto a este
ponto, convém referir o trabalho de PILOT (1977). Após este trabalho apareceu nova
bibliografia, mas bastante reduzida. PILOT (1977) refere a nova aplicação de electro-
osmose a obras de engenharia, nas quais só numa o tratamento é considerado como
alcançado, sendo na grande maioria os resultados satisfatórios. Posteriormente,
CASAGRANDE et al. (1981) apresentaram dois casos de aplicação da electro-drenagem,
com sucesso, de modo a estabilizar taludes a escavar. Um dos casos referidos por estes
autores indica profundidades estabilizadas da ordem dos 60m, que possivelmente, seria
sem precedentes.
O movimento da água e dos ii3es nos tubos capilares do solo, verificado na electro-osmose,
tem tido como explicação fundamental a teoria da dupla camada. A partir daqui, vários
modelos teóricos, com utilização adicional de una ou outra teoria, tem surgido.
Nos últimos vinte anos tem aparecido novas teorias, generalizando e completando os
trabalhos anteriores. Podem-se considerar como fundamentais, deste ponto de vista, os
trabalhos de ESRIG e MAJTENYI (1965) e de GRAY e MITCHELL (1967). Mais
recentemente, BANERJEE e MITCHELL (1980) apresentam uma nova técnica, respectiva
teoria, para análise "in situ" (e laboratorialmente), da consolidação, usando a electro-
82
osmose. MITCHELL e BANERJEE (1980) apresentam o modo de cálculo para aplicação
dessa teoria. BANERJEE e VITAYASUPAKORN (1984), considerando as limitações das
teorias existentes, apresentam uma nova teoria para interpretação da electro-osmose, mas
restringida à aplicação aos ensaios Laboratoriais.
Num plano prático, continua a ser bastante usada a solução apresentada por
CASAGRANDE (1937):
, com
onde K
e
será um "coeficiente de permeabilidade electro-osmótica"; i
e
o gradiente de
potencial eléctrico, D é a constante dieléctrica do electrólito, r é o raio dos poros do solo, η é
a viscosidade do liquido e ζ é o potencial zeta. O valor médio de K
e
é de 5x10
-9
m/s por
volt/metro. É evidente a analogia entre esta lei, e a lei de escoamento de um fluido num
meio poroso de Darcy.
Assim, quando um solo é carregado a superfície, resulta um aumento das tensões
intersticiais da água, tensões essas que se dissipam quando a água se escoa de acordo
com a lei de Darcy, com uma velocidade v = K
H
i
H
( K
H
- permeabilidade hidráulica do solo, i
H

- gradiente hidráulico), e dá-se o fenómeno da consolidação do solo.
Normalmente, admite-se, quando se considera o efeito conjunto da consolidação e de
electro-osmose, o princípio da sobreposição dos efeitos. Assim, ter-se-á, considerando a
consolidação unidimensional:

e

Para se obter uma melhoria dos solos a tratar, quer a nível de
resistência, quer a nível de assentamento, é muito importante o quociente K
e
/K
H
. Para
analisar essa importância, basta considerar que o escoamento do cátodo para o ânodo, na
electro-osmose, vai provocar uma diminuição da tensão intersticial da água no cátodo, e um
aumento dessa mesma tensão intersticial no ânodo. Isto vai provocar um gradiente
hidráulico, que tende a provocar um escoamento segundo a lei de Darcy, do ânodo para o
cátodo. Temos assim que, desde que não se retire a água do solo, no ânodo, o caudal
escoado, num processo de electro-osmose, do cátodo para o ânodo vai diminuir no tempo,
até se anular, quando os dois gradientes, eléctrico e hidráulico, se compensarem. Nesta
83
situação, no cátodo, o aumento da tensão efectiva , desde o início do tratamento será
(veja-se ESRIG, 1968):

Com , peso específico da água, e V é a voltagem, função da posição do ponto
considerado. Pode-se a partir daqui estimar o aumento da resistência, e os assentamentos.
A velocidade com que se processa a consolidação é obtida do mesmo modo que para o
caso de uma sobrecarga directa. Assim, o tempo t necessário para se obter um determinado
grau de consolidação é dado por:

onde L é a distância entre eléctrodos) C
v
é o coeficiente de consolidação, e T é o factor
tempo para o grau de consolidação desejado. MITCHELL (1981) apresenta uma tabela para
o parâmetro T, para vários graus de consolidação, para o caso de dois eléctrodos, paralelos,
em forma de placa. De notar que a velocidade de consolidação é independente de K
e
,
dependendo sim de C
v
.
Há que ter em atenção, na análise de um fenómeno de electro-drenagem, que o quociente
K
e
/K
H
varia durante a consolidação, causando, como é lógico, desvios relativamente aos
valores calculados.
Segundo MITCHELL (1981), usam-se normalmente um maior número de ânodos do que de
cátodos, devido a serem mais baratos e, sobretudo, devido ao facto de se decomporem
durante a processo, permitindo um endurecimento electroquímico dos solos, isto e, dando
aos solos uma maior resistência do que a que seria garantida unicamente pela electro-
osmose.
Um dos casos bem documentados de tratamento por electro-osmose e o de argilas moles,
com 10m de espessura, em AS, na Noruega, e foi relatado par BJERRUM et al (1967). Na
figura 46 apresenta-se o resultado do tratamento por electro-osmose sobre o teor em água,
e sobre a coesão não drenada.
84

Figura 46 – Tratamento por electro-osmose sobre a argila mole de AS:
a)variações do teor em água
b) variação da coesão não drenada
(segundo Bjerrum et al, 1967).
Na injecção eléctrica, ou tratamento electroquímico, utiliza-se a electro-osmose para fazer
migrar através do solo, iões que, de outro modo, não poderiam ser introduzidas, devido a
baixa permeabilidade do solo. Neste método o ânodo é dissolvido, ou então é alimentado
com uma solução iónica, e modifica-se a composição química do solo, permitindo introduzir-
lhe iões que reforcem a sua capacidade resistente, e sem praticamente causar perturbações
nesse solo. A complexidade dos fenómenos de um processo de electro-injecção, bem como
a natureza essencialmente química, e não propriamente de engenharia geotécnica, levam a
que a sua análise seja feita, essencialmente, por via experimental. Assim, para se analisar a
melhoria introduzida num solo por electro-injecção de vários produtos, ensaiam-se esses
produtos, e a sua introdução no solo, em amostras intactas (ou remoldadas, de modo a
reproduzir a situação), em laboratório, ou ensaia-se mesmo em verdadeira 9ravIclea,a) no
campo. Um exemplo interessante do estudo deste tipo e dado por CARON (1971). Este
autor analisou, em laboratório, os tratamentos por electro-drenagem, e por electro-injecção
com vários produtos, sobre argila remoldada. Na figura 47 está uma comparação
interessante, sobre a mesma argila, da variação da coesão não drenada, por electro-
drenagem, por electro-injecção com silicato de sódio, e por electro-injecção com cloreto de
amónia. Estes resultados mostram bem a diferença do resultado obtido, consoante o
produto electro-injectado e o método utilizado.
85


Figura 47 – melhoria da coesão não drenada Cu de uma argila remoldada tratada por electro-osmose:
a) electro-drenagem; b) electro-injecção de silicato de sódio (35%); c) electro-injecção de cloreto de
amónia (10%); (segundo Caron, 1971).
No entanto, apesar de complexos, já alguns autores começaram a analisar os processos
químicos envolvidos na electro-osmose. Por exemplo, SEGALL et al (1980) analisam os
fenómenos químicos envolvidos na electro-osmose, bem como a qualidade da água. Uma
das conclusões interessante destes autores é que a água subterrânea, depois de participar
num processo de electro-osmose, pode ser um grave agente poluidor do meio ambiente,
devido ao facto de ser altamente alcalina, e de possuir elevada percentagem de matéria
orgânica, e de metais pesados, que são libertados pelo solo no processo. KATTI et al (1981)
realizaram experiências sobre a argila marinha de mas, para que o processo de
endurecimento electroquímico se processasse tanto no ânodo como no cátodo, usaram um
método de inversão da polaridade. Concluíram que esta técnica é efectiva no tratamento
tanto da zona do ânodo como do cátodo, e em profundidade. As experiencias foram levadas
a cabo num tanque de dimensões variáveis, entre 30 x 49 cm até 85 x 45 cm, em
laboratório.

7.2. Pré-cargas
O uso de pré-cargas, na melhoria das características de resistência e de deformabilidade de
solos, é um dos métodos de tratamento mais utilizados, e também um dos mais antigos.
Este método, consistindo na aplicação, à superfície do terreno, uma carga repartida
pretende acelerar os assentamentos devidos à consolidação primária, acelerar igualmente o
86
desenvolvimento da consolidação secundária, e assentamentos por ela provocada, e
aumentar a coesão não drenada dos solos. Com um tratamento por pré-carga, pode-se
pretender obter um, ou a totalidade destes resultados.
Normalmente, visa-se a aceleração da consolidação primária e secundaria em casos em
que se pretende reduzir os assentamentos sob a obra definitiva a valores aceitáveis,
segundo critérios que variam com o tipo de obra. Neste caso, habitualmente, usa-se um
valor da sobre carga superior à carga final a que o terreno de fundação irá estar sujeito,
sobrecarga essa que é retirada após ter provocado os assentamentos desejados. Como
consequência lógica do facto de se aplicar uma sobrecarga superior à carga final a que o
solo estará sujeito, não se pretende neste caso obter uma melhoria de coesão não drenada
do solo. Não quer isto dizer, evidentemente, que não se verifique uma melhoria, unicamente
que ela não é necessária.
Pretende-se obter uma melhoria dos valores da coesão não drenada do solo quando este
não apresente os valores mínimos para garantir a estabilidade da obra a construir. Neste
caso usa-se geralmente o método da construção por fases: quando se atinge um
determinado valor do grau de consolidação do solo, e consequentemente um valor da
coesão não drenada que permita continuar a construção, aplica-se nova carga, aguardando-
se a consolidação sob o novo carregamento. Na figura 48 apresenta-se um esquema de
relações carga - assentamento elucidativo dos dois processos de sobrecarga, e
carregamento por fases.


Figura 48 – Tipos de précarga: a) Construção com sobrecarga; b) Construção por fases.

87
De notar que quando se pretende obter uma melhoria das coesões não drenadas de um
solo, e se aplica a pré-carga pelo método de vácuo, não e necessário proceder por fases,
como referimos com um pouco mais de pormenor adiante.
De um modo geral, e apesar de haver referencias a outros métodos, como o uso de
ancoragens (PILOT, 1977), podemos considerar que há três processos "tradicionais" de
aplicar uma pré-carga: o método mais vulgarmente utilizado e aplicado geralmente em áreas
extensas, é o da construção de aterros; um outro método, com algumas aplicações práticas,
mas a áreas reduzidas, e em condições especiais, é a da utilização de reservatórios com
água; por fim, o terceiro método, apresentado por KJELLMAN (1952), depois de
experiencias realizadas em 1948, é o do uso da pressão atmosférica, como sobrecarga, e
pela aplicação de vácuo ao aterro. Um outro método de aplicação da pré-carga é o
rebaixamento do nível freático. No entanto, como a sua aplicação se restringe a solos mais
ou menos permeáveis, não sendo geralmente viável em solos argilosos moles, não nos
alongaremos sobre ele.
Como já foi referido, o método de KJELLMAN (1952) tem vantagens, quando se pretende
uma melhoria da coesão, por não necessitar de ser aplicado por fases, não pôr em risco a
estabilidade da fundação e, pelo contrário, aumentar, só pela sua aplicação, a estabilidade
global. Além disso, não necessita da aplicação de uma grande quantidades de materiais de
aterro, por vezes difíceis de obter. No entanto, há poucos relatos de aplicações práticas
deste método. Quanto à utilização de aterros e de reservatórios com água, a sua base de
aplicação é muito semelhante. Vamos, assim, abordar a utilização das pré-cargas em duas
secções, a primeira, por aplicação do vácuo, e a segunda por aterros.


7.2.1. Pré-cargas por vácuo
Como já referimos, este método foi apresentado por KJELLMAN (1952) depois de ensaios
de campo, por volta de 1948. 0 método tem uma concepção que poderemos dizer simples:
se conseguirmos isolar uma massa de solo a tratar, e lhe podermos aplicar o vácuo, o
tratamento, teoricamente segundo o processo da pré carga apresentado adiante, será
provocado pela acção da pressão atmosférica, sobre o solo, pressão atmosférica essa que
assim funcionará de sobre carga. Com base nesta ideia simples, KJELLMAN desenvolveu o
processo representado na figura 49 a), e aplicável a solos relativamente impermeáveis.
88

Figura 49 – Método de pré carga por vácuo: a) Processo de Kjellman (1952); b) Processo do poço.

A zona a tratar é coberta com um tapete de material muito permeável, pouco espesso (30-
50 cm), que por sua vez é recoberto com uma membrana impermeável, bem encastrada -
para garantir a estanquidade - no solo natural muito impermeável. Com uma bomba, é
aplicado o vazio ao tapete permeável. Para garantir o efeito do vácuo até profundidade
elevada, será necessário executar drenos verticais, sob o tapete de material permeável.
Quando apareceu, este método apresentava o inconveniente da pouca durabilidade das
membranas, que actualmente já não se põe. Uma variação deste método consiste na
execução de poços preenchidos com material muito permeável, selados à superfície,
aplicando-se o vácuo directamente no poço. Este método parece dar bons resultados
quando as camadas inferiores forem suficientemente permeáveis para permitir o
rebaixamento do seu nível freático.
Apesar de não pôr problemas de estabilidade na sua aplicação, e de não necessitarem de
um grande dispositivo para a sua aplicação, há muito poucos casos relatados de aplicação
destes métodos (PILOT, 1977, ARUTIUNIANi1983). No entanto, há indícios recentes que
levam a crer num futuro desenvolvimento do método. De facto, têm aparecido ultimamente
alguns artigos de índole teórica referentes ao comportamento do solo sujeito a tratamento
por pré carga por vácuo. Assim, HUAN e XIU-CHING (1983) analisam o comportamento de
um solo sujeito a um tratamento por vácuo, apresentando um modelo das tensões de
consolidação de um solo sujeito a pressões negativas. Este modelo permite determinar o
aumento das tensões efectivas sob várias condições de pressão negativa aplicadas. Os
resultados obtidos com este modelo foram comparados com os resultados de experiencias
laboratoriais, e de campo, mostrando uma concordância bastante razoável.
TER-MARTIROSYAN e CHERKASOVA (1983) analisam as relações da tensão -
deformação de um maciço de solo compactado por uma membrana de dimensões
89
limitadas, com base na solução da equação de Laplace. Consideram que a solução
apresentada permite prever os assentamentos num tratamento por vácuo de grandes áreas,
bem como a determinação dos parâmetros de deformabilidade do solo por ensaios com a
membrana e o método de vácuo.


7.2.2. Pré-cargas com aterros
A aplicação de pré cargas com aterros, ou com reservatórios de água é fundamentalmente a
mesma: aplicação à superfície do solo a tratar de uma determinada carga, de modo a
provocar a sua consolidação. A diferença é que os reservatórios de água se aplicam quase
que exclusivamente a áreas relativamente reduzidas, e na maior parte dos casos em fases,
para a melhoria das características geotécnicas dos solos de fundação de reservatórios. Por
uma questão económica, este método é aplicado nestes casos, pois evita perder tempo com
tratamentos antes da construção dos reservatórios, servindo estes de uma primeira fase de
pré carga, e sucessivos níveis de água funcionam como as restantes fases necessárias,
antes da entrada em funcionamento pleno dos reservatórios. Um destes casos, bastante
interessente, é o dos reservatórios da central termoeléctrica do “Vale do México”, relatado
por MARSAL e MORENO (1982).
Como, no entanto, do ponto de vista de funcionamento do solo de fundação, o
comportamento é idêntico, vamo-nos debruçar unicamente sobre pré cargas com aterros.
A aplicação de uma sobre carga ao solo vai, como já dissemos, provocar o assentamento do
solo, devido ao desenvolvimento da consolidação primária e da consolidação secundária, e
o aumento da sua coesão não drenada. Vamos tentar apresentar o modo tradicional de
analisar estes três efeitos, no dimensionamento de uma sobre carga a aplicar.
Após a aplicação da sabre carga, o assentamento total, S
t
, pode ser dado, em qualquer
momento, por:
s c i t
S S u S S + + =
_

onde S
t
é o assentamento total no momento t, S
i
é o assentamento imediato,
_
u é o grau de
consolidação médio, S
c
é o assentamento final devido a consolidação primária, e S
s
é o
assentamento até ao momento, t, devido à consolidação secundária.
Normalmente, no estudo da aplicação de uma sabre carga, pode-se pretender determinar
qual a sobre carga p
s
a aplicar, de modo a que os assentamentos a provocar pela futura
90
carga de serviço, p
f
, se tenham verificado, no todo ou em parte, um dado espaço de tempo,
ou então determinar o tempo necessário para que se processe o assentamento sob uma
determinada sobre carga.
O modo mais correcto é separar os fenómenos da consolidação primária e secundária,
considerando-os isoladamente.
O modo tradicional de analisar a questão dos assentamentos sob uma sobre carga por
aterro baseia-se na teoria da consolidação unidimensional de Terzaghi, que permite, de
modo simples, relacionar o valor da sobre carga aplicada com o tempo necessário para
compensar o assentamento que provocaria a carga de serviço,
f
S A . Este modo de calculo
foi muito bem apresentado por JOHNSON (1970). Para o exemplificar, consideremos a
figura 50. Sob a acção exclusiva da carga final, p
f
, o assentamento devido consolidação
primária relaciona-se esquematicamente com o tempo pela curva (f) da figura 50,
representando
f
S A o assentamento final. Sob a acção conjunta da carga final e da sobre
carga, a relação assentamento - tempo será representada pela curva a cheio (f + s), e, caso
se mantivesse essa carga, ter-se-ia um assentamento final de
s f
S
+
A . O assentamento
f
S A ,
assentamento final no caso de aplicação unicamente da carga final, será atingido, sob a
aplicação conjunta da carga final e de sobre carga, ao fim do tempo t
1
. Será este tempo t
1
,
no caso de um tratamento do solo de fundação com pré cargas, que indicará a altura em
que se poderá retirar a sobre carga p
s
, visto ter-se atingido o assentamento final sob a carga
de serviço. Considerando a teoria da consolidação unidimensional de Terzaghi, os
assentamentos finais, sob a acção da carga final, e sob a acção da carga final e da sobre
carga serão dados, para o caso de solos normalmente consolidados por:
'
0
'
0
0
log
1 o
o
f
c f
p
C
e
H
S
+
+
= A
'
0
'
0
0
) (
log
1 o
o
s f
c s f
p p
C
e
H
S
+ +
+
= A
+


onde H é a espessura do estrado compressível, e
0
o índice de vazios inicial desse estrato, e
C
c
é o coeficiente de compressibilidade do mesmo estrato. No caso de uma argila
apresentando alguma sobre consolidação,
'
c
o , como é lógico, as equações anteriores
seriam em função de ( ) ( )
' '
0
/ log
c
p o o + .
91

Figura 50 – Compensação do assentamento devido à consolidação primária numa aplicação de
sobrecarga.

Voltando à figura 50, quando actua a sobre carga, no momento t
1
em que o assentamento é
igual ao que se verificaria no fim da consolidação sob a carga final p
f
, a consolidação ainda
não se processou totalmente, isto é, ter-se-á um determinado grau de consolidação u
f+s
.
Assim, poderemos escrever:
s f s f f
S u S
+ +
A = A
Esta relação permite-nos determinar para que grau de consolidação se pode retirar a sobre
carga, tendo-se atingido os assentamentos finais que se verificariam sob a carga final p
f
.
Assim:

(
(
¸
(

¸

|
|
.
|

\
|
+ +
|
|
.
|

\
|
+
=
A
A
=
+
+
f
s
f
f
s f
f
s f
p
p
p
p
S
S
u
1 1 log
1 log
'
0
'
0
o
o

Esta fórmula está representada graficamente na figura 51. O grau de consolidação u
f+s
está
relacionado com o tempo t
1
pelo factor tempo T
V
da teoria da consolidação unidimensional
de Terzaghi.
92
No caso em que as propriedades do solo ou as condições das tensões variarem com a
profundidade, será necessário considerar a camada compressível dividida em várias sub
camadas.


Figura 51 – Cálculo do grau de consolidação sob a sobrecarga necessária para compensar o
assentamento da consolidação primária sob a carga de serviço (segundo PILOT, 1977).
Tal como foi convenientemente exposto por JOHNSON (1970), a tensão efectiva, bem como
o excesso de tensões intersticiais da água, têm uma distribuição, em profundidade, do tipo
esquematizado na figura 52, para o caso de drenagem pelas fronteiras superiores e
inferiores, e para a situação da remoção da sobre carga.
Como se depreende facilmente da figura 52, haverá uma parte importante de camada
compressível que continuará a assentar, por continuar a consolidar, mesmo após a remoção
da sobre carga Assim, apesar de se ter verificado que a descarga não provoca grandes
empolamentos, nas duas camadas extremas sobre consolidadas, pode-se estar ainda
sujeito a assentamentos importantes devido à zona intermédia, sub consolidada. Assim,
para se eliminar totalmente novos assentamentos após a retirada de sobre cargas, será
necessário deixar esta actuar o tempo suficiente para que, no ponto mais crítico, a tensão
intersticial da água tenha atingido um valor compatível com o grau de consolidação
previamente definido.

93

Figura 52 – Distribuição das tensões intersticiais da água após a remoção da sobrecarga, para o
momento t=t1 (segundo MITCHELL, 1981).
Este método de tratamento, de aplicação muito simples se se considerar a teoria da
consolidação unidimensional de Terzaghi, que como se sabe, não é correcta, torna-se de
aplicação mais complexa devido a certos factores, como a já referida necessidade de deixar
actuar a pré carga mais tempo do que o necessário, para atingir o assentamento S
f
. De
facto, atingindo-se então o grau de consolidação pré determinado sob a carga p
s
+p
f
, no
ponto mais desfavorável, isto é, tendo-se o ponto mais desfavorável consolidado a 100%
sob a carga p
f
, tem-se a parte restante da camada compressível sobre consolidada, o que
quer dizer que tiveram que ser produzidos assentamentos maiores do que o necessário S
f
.
Atendendo a que sabemos que o comportamento tensões - deformações dos solos não é
um comportamento linear, será difícil prever correctamente qual o valor de sobre carga a
utilizar, e qual o tempo de aplicação necessário. Pode-se considerar que o método que
exige que o grau de consolidação, no ponto mais desfavorável, atinja o valor u
f+s
é um
método bastante conservativo, que se traduz em geral pela aplicação de sobre cargas mais
elevadas, e durante mais tempo, do que seria necessário.
94
Relativamente a este assunto, apareceram recentemente dois artigos interessantes. Num
deles (ABOSHI et al, 1981), apresenta-se um ensaio edométrico especial, consistindo numa
bateria, ligada em série, de 5 edómetros, que, segundo aqueles autores, permite analisar o
comportamento do estrato compressível em toda a sua espessura e, consequentemente, um
dimensionamento mais correcto das sobre cargas a aplicar. No outro artigo, de WATSON et
al, (1984), os autores analisam o método da sobre carga e do carregamento por fases, não
com base no método clássico que, como referimos, não é correcto, nem com os métodos
numéricos incorporando um dos vários modelos tensões – deformações – tempo, que
também não dão resultados satisfatórios (TAVENAS e LEROUEIL, 1980). Assim, WATSON
et al (1984) aplicaram o método do caminho das tensões efectivas, conjugado com o da
envolvente de cedência, para analisar o problema da pré carga com sobre carga,
desenvolvido por FOLKES (1980), e com carregamento por fases. Aqueles autores
consideram que esse método é extremamente útil, no caso dos carregamentos por fases, no
controle do ritmo de aplicação das fases, de modo a minimizar deformações laterais.
Conseguiram ainda controlar o caminho das tensões efectivas em toda a fundação sob a
zona carregada, conseguindo, com base em bons ensaios laboratoriais, uma boa execução
da obra.
Podemos portanto considerar o caso corrente da previsão de um tratamento com sobre
cargas como uma estimativa aproximada, não só dos assentamentos, como do tempo t
1
de
aplicação da sobre carga, obtendo unicamente uma ordem de grandeza daqueles valores.
Como consequência, é importante que obras deste tipo sejam devidamente instrumentadas,
de modo a que se possa controlar o desenrolar da consolidação, e assim aferir e corrigir as
previsões de cálculo.
Nos solos compressíveis, nomeadamente em argilas orgânicas, a consolidação secundária
pode ser responsável por uma parte importante dos assentamentos. A pré carga permite,
alem da actuação acima referida sobre a consolidação primária, minimizar também os
efeitos da compressão secundária sob as cargas permanentes. A base da análise é
proceder à previsão do assentamento total a verificar-se, durante a vida útil da obra, sob a
carga permanente, incluindo portanto o assentamento devido à consolidação primária, S
f
, já
analisada, e o assentamento, S
sec
, devido à consolidação secundária, que se verificará
durante o período útil da obra. Habitualmente S
sec
determina-se por:

7.3. Drenos verticais

95
7.3.1. Introdução

7.3.2. Métodos de cálculo

7.3.2.1. Hipóteses de cálculo

7.3.2.2. Teorias de consolidação radial

7.3.2.3. Métodos numéricos

7.3.2.4. Métodos probabilísticos

7.3.2.5. Resultados práticos

7.3.3. Dimensionamento prático de drenos verticais

7.3.4. Experimentação em verdadeira grandeza

7.3.5. Tipos e modos de execução de drenos

7.4. Outros métodos




96

PARTE 3 CONCEPTUALIZAÇÃO DE UM MODELO A UTILIZAR
8. Métodos de tratamento de solos considerados

9. Modelos de análise a adopter

10. Calibração dos modelos a aplicar

97

PARTE 4 ANÁLISE DO CASO DO TERMINAL DE MATÉRIAS
PRIMAS DA SIDERURGIA NACIONAL
11. Objectivos da obra

12. Caracterização da situação de referência

13. Concepção da solução. Métodos aplicados.

14. Execução e observação do aterro experimental

15. Comportamento do terrapleno
98

PARTE 5 CONSIDERAÇÕES FINAIS
16. Conclusões





99

Bibliografia
Abelev, M.Yu. 1977. Construction d'ouvrages sur les sols argileux mous saturés. [trad.]
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Seco e Pinto, Pedro Simão. 1983. Fracturação Hidráulica de Barragens de Aterro
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Tavenas, F. e Leroueil, S. 1980. The behaviour of embankments in clay foundations.
Canadian Geotechnical Journal. Maio de 1980, Vol. 17 nº2, pp. 236-260.
100


7.3. 7.3.1. 7.3.2.

Drenos verticais ..................................................................................................... 94 Introdução .......................................................................................................... 95 Métodos de cálculo ............................................................................................ 95 Hipóteses de cálculo....................................................................................... 95 Teorias de consolidação radial ....................................................................... 95 Métodos numéricos ........................................................................................ 95 Métodos probabilísticos .................................................................................. 95 Resultados práticos ........................................................................................ 95 Dimensionamento prático de drenos verticais .................................................... 95 Experimentação em verdadeira grandeza .......................................................... 95 Tipos e modos de execução de drenos .............................................................. 95 Outros métodos ..................................................................................................... 95

7.3.2.1. 7.3.2.2. 7.3.2.3. 7.3.2.4. 7.3.2.5. 7.3.3. 7.3.4. 7.3.5. 7.4.

PARTE 3 CONCEPTUALIZAÇÃO DE UM MODELO A UTILIZAR ...................................... 96 8. 9. 10. Métodos de tratamento de solos considerados ............................................................. 96 Modelos de análise a adopter ....................................................................................... 96 Calibração dos modelos a aplicar.............................................................................. 96

PARTE 4 ANÁLISE DO CASO DO TERMINAL DE MATÉRIAS PRIMAS DA SIDERURGIA NACIONAL .......................................................................................................................... 97 11. 12. 13. 14. 15. Objectivos da obra .................................................................................................... 97 Caracterização da situação de referência ................................................................. 97 Concepção da solução. Métodos aplicados. ............................................................. 97 Execução e observação do aterro experimental ........................................................ 97 Comportamento do terrapleno ................................................................................... 97

PARTE 5 CONSIDERAÇÕES FINAIS ................................................................................. 98 16. Conclusões ............................................................................................................... 98

Bibliografia ........................................................................................................................... 99

ii

Índice de Figuras
Figura 1 – Comparação da previsão e observação das pressões intersticiais da água (segundo (Tavenas, et al., 1980)) ........................................................................................................................... 5 Figura 2 – Análise convencional unidimensional para 0 calculo dos assentamentos: a) erros

cometidos; b) importância relativa dos assentamentos imediatos (segundo da consolidacão,1968) .... 6 Figura 3 – Ensaio edométrico esquemático. Notação e terminologia................................................... 10 Figura 4 - Curvas tempo assentamentos para aterros em argilas moles: A) altura do aterro 0.30m; B) altura do aterro 6.0m, segundo Olson e Ladd, (1979). ......................................................................... 13 Figura 5 - Esquematização do método de Bjerrum para cálculo dos assentamentos primário e secundário segundo BJERRUM (1973). ............................................................................................... 14 Figura 6 – Cálculo comparativo, usando a teoria de Terzaghi e o método CONMULT, de: a) assentamento total; b) tensões verticais na base do provete (segundo LEROUEIL e TAVENAS, 1981). ............................................................................................................................................................... 15 Figura 7 – Assentamentos observados e calculados pelo método CONMULT sob o aterro experimental de St. Alban (segundo Leroueil e Tavenas, 1981). ......................................................... 16 Figura 8 – Análise gráfica de assentamentos baseada no modelo auto-regressivo de Asaoka: a) discretização da curva de assentamentos; b) dados usados na construção de Asaoka; c) Diagrama da construção de Asaoka (segundo ASAOKA e MATSUO, 1980). ........................................................... 19 Figura 9 – Resultados típicos da análise de Asaoka no caso de carregamento em duas fases de um estrato compressível do solo, com consolidação secundária (segundo ASAOKA e MATSUO, 1980). 20 Quadro 1 – Resumo das equações da consolidação básicas, para as teorias de Terzaghi-Rendulic e de Biot. .................................................................................................................................................. 22 Figura 10 – Comparação dos resultados das teorias de Terzaghi-Rendulic, e de Biot: a) evolução do excesso de tensão intersticial; b) evolução da tensão octaédrica efectiva (segundo VIGIANI, 1970). 23 Figura 11 – Exemplo elementar do método do caminho das tensões. K1 representa a envolvente de rotura. .................................................................................................................................................... 25 Figura 12 – Coeficiente de assentamento de Skempton-Bjerrum, em função do coeficiente de pressão neutra, para sapatas contínuas e circulares (segundo SCOTT, 1963)................................................. 27 Figura 13 – Exemplo de aplicação da teoria do estado crítico. Caminho de tensões efectivas possível pelo carregamento com um aterro. ....................................................................................................... 29 Figura 14 — Limites de aplicacao 00s varios twos de tratamento em funcao da granulometria dos solos (segundo Mitchell 1981)............................................................................................................... 34

iii

................... b) Deslocamento radial do perímetro da estaca/raio inicial da estaca.......................... 1983). ...................... 38 Figura 18 – Condutividade térmica do solo (segundo Mitchell...... ....... 1972)......... ........................... 1984).................. 1974)................................ e para o solo sem tratamento (segundo Bergado et al. 1960.. 53 Figura 27 – Curvas tensões – deformações radiais........ .............. b) Estaca pronta................ b) Фestaca = 40º....................... 46 Figura 23 ............................................. 58 Figura 32 – Factor de redução das deformações em regime elástico (segundo Goughnour...... ............ 61 Figura 33 – Factor de redução das deformações em regime plástico: a) Ф estaca=45º................. 47 Figura 24 – Tipos de injecções ............................... em profundidade.... 37 Figura 17 – Esquema do cálculo dos assentamentos em solos tratados com estacas de cal.......................... para cargas elevadas.......... adaptado de Kersten.................................... 36 Figura 16 – Esquema do cálculo de assentamentos.....Figura 15 – Execução de uma estaca de cal pelo método sueco: a) Execução da estaca.. 1979)................5 (segundo Goughnour...................4 e 0............. ........ 1981)............. 1985)................. com a profundidade (segundo Hughes e Withers.......... 1984)......................................... 56 Figura 30 – Curvas carga assentamento para várias estacas de brita......i981) ..... 41 Figura 19 – Esquema para tratamento térmico em profundidade (segundo Litvinov.................... ......... b) malha triangular........................ 1981..............................................Limites de aplicacao de varios tipos de calda em função da granolometria dos solos e propriedades dos solos tratados (segundo mighell.......... 43 Figura 21 – Curvas de fluência para uma argila siltosa orgânica (segundo Sanger e Sayles................5..... numa estaca de brita. Ko = 0.............. Ko=0........................ para cargas reduzidas (segundo BROMS................. no caso de estacas de cal (segundo BROMS................................. .................................................................4 e 0....... . 1972)... 1985)... 54 Figura 29 – Comparação da tensão máxima........ determinada com base em ensaios pressiométricos (adaptado de Bergado et al......................... 1984)....... 1949).................... citado por Mitchell..................... .. 1985)..... 1983)................. 42 Figura 20 – Efeito da heterogeneidade dos estratos geológicos na forma da zona congelada (segundo Schuster.................................................................. ................. .................... em função do ângulo de atrito interno (segundo Cristóvão..................................................... c) malha quadrada (segundo Cristóvão................................. 63 iv .... 1984)........................ ......................... ...... 1985)......................... 45 Figura 22 – Métodos correntes de congelação de solos (segundo Schuster........... ......... . 48 Figura 25 – Tipos de malhas de distribuição de estacas: a) malha hexagonal............... c) Misturador... ... 58 Figura 31 – Comparação dos factores de melhoramento do solo de acordo com vários autores (segundo Cristóvão.............................................................................................................. e sobre grupos de estacas verticais ou inclinadas com base de areia ou tout-venant (segundo Plumelle..................................... 53 Figura 28 – a) Deslocamento vertical... 61 Figura 34 – Curvas de tensão deformação para sapatas em solo virgem.......................... ..... 52 Figura 26 – Tipos de rotura de estacas de brita (segundo Bergado et al............. 1985)................

...... 1975)................. ...................... 1967).. b) quando sob a acção de carga repetida na consolidação dinâmica............................... 76 Figura 44 – Esquema de ábaco de dimensionamento de compactação dinâmica para espessura constante da camada a tratar (segundo Jesseberger e Beine.... ................. ...... 84 a)variações do teor em água......................................................................................................... 1984)................... ... 1984)................................. 1984)...................................................................................... 84 Figura 47 – melhoria da coesão não drenada Cu de uma argila remoldada tratada por electroosmose: ....................................................... na compactação dinâmica (segundo Mayne et al............ 72 Figura 41 – Representação do comportamento do solo: a) quando sob a aplicação de uma carga estática.. ...................................................................................... 1981)............ 85 a) electro-drenagem........................ c) electro-injecção de cloreto de amónia (10%)............................................................................................ 1981)................................ Exemplo de Botlek (segundo Ménard e Boise............................................................................................ 75 Figura 42 – Dissipação das tensões intersticiais...................... 66 Figura 39 – Ábacos de pré dimensionamento de pregagens (segundo Bangratz e Gigan............................................................................................................. 1979).................................................... 66 Figura 38 – Esquema de cálculo de estabilidade de um muro de suporte pregado (segundo Stocker et al.................................................................... 1984).......... 1979)...............................................................................................................................................Figura 35 – Esquema conceptual da instalação dos pares de micro estacas e nodo de funcionamento dessas micro estacas (segundo Pitt e Rhodes................................................. 86 Figura 49 – Método de pré carga por vácuo: a) Processo de Kjellman (1952).............................................. ........................................................... b) Construção por fases......................................................................................... 75 Figura 43 – Relação entre a profundidade aparente máxima de influência e a energia por pancada (segundo Mayne et al............ b) electro-injecção de silicato de sódio (35%)................. 69 Figura 40 – Relação entre o peso e a alyura da queda.............. ............................................................................................. 84 b) variação da coesão não drenada ........................ 84 (segundo Bjerrum et al. 1979).................................................................................................................................................... 1971)................................................................. 1975).................................................... 85 Figura 48 – Tipos de précarga: a) Construção com sobrecarga........ 88 Figura 50 – Compensação do assentamento devido à consolidação primária numa aplicação de sobrecarga............................................. 64 Figura 36 – Execução de pregagens estabilizando um talude de escavação (segundo Stocker et al............................. . (segundo Caron............................ ...................... b) Processo do poço. 65 Figura 37 – Mecanismos de rotura possíveis num muro de escavação pregado (segundo Stocker et al....... 91 v ........ (segundo Ménard e Boise................................ 77 Figura 45 – Velocidade das partículas em função de um factor de energia (segundo Mitchell.............. 79 Figura 46 – Tratamento por electro-osmose sobre a argila mole de AS: ..............................

.......................... ........... .....Figura 51 – Cálculo do grau de consolidação sob a sobrecarga necessária para compensar o assentamento da consolidação primária sob a carga de serviço (segundo PILOT...... 1977)... 1981)......................... para o momento t=t1 (segundo MITCHELL............ 92 Figura 52 – Distribuição das tensões intersticiais da água após a remoção da sobrecarga...... 93 vi ...................

Introdução 1 .1.

baixo indice de consistência (Ic< 0. sendo necessário tomar em conta estes factos a nível de projecto. solo mole será todo aquele que apresentar uma pelo menos das seguintes características ( (Evgeniev. em argilas. apresentam elevada deformabilidade. são solos apresentando elevado grau do saturação. argilas siltosas ou no extremo. et al. quanto a esta característica.PARTE 1 COMPORTAMENTO DOS SOLOS MOLES A noção de "solo mole" não tem. 2) Deformação sob uma carga de 250 KPa superior a 50 mm/m. do ponto de vista granulométrico. uma definição quantitativa precisa. podendo eventualmente apresentar valores negativos). mesmo transmitindo cargas reduzidas ao solo de fundação. a sua formação recente leva as que sejam solos normalmente consolidados. ou ligeiramente sobre consolidados. Assim. a escola "ocidental" a a escola russa diferem nos limites considerados. os solos moles são solos de formação muito recente. corn os inevitáveis inconvenientes para a construção e exploração de obras de engenharia civil. Apesar de. elevada deformabilidade associada a baixa permeabilidade. não haver uma definição quantitativa precisa. e baixa permeabilidade..aterro. De um ponto de vista qualitativo. onde os ciclos de molhagem e secagem provocaram geralmente uma camada apresentando forte sobre consolidação. Por último. com os inevitáveis problemas de estabilidade das obras a construir. de origem sedimentar em meio aquoso. até ao momento. pode provocar roturas ou assentamentos importantes. 2 . outra das importantes características apresentadas por este tipo de solos é a sua baixa resistência ao corte. classificando-se.5. à excepção da crosta superficial. há várias características geralmente reconhecidas aos solos moles. 1976) e (Abelev. Assim. podemos dizer que solos moles serão aqueles em que qualquer construção . para a escola russa. siltes argilosos. Esta última característica. até ao momento. eventualmente ainda sub consolidados. 1977)): 1) Resistência ao corte determinada por ensaio de molinete "in situ" menor que 75 KPa. (por via mecânica ou química) constituídos essencialmente por partículas finas. edifício ou outro -. No entanto. faz com que os grandes assentamentos que se verificam neste tipo de solos se processem em geral ao longo de espaços de tempo bastante dilatados.

Ainda teremos que considerar a facilidade de usar a teoria da elasticidade para análise das tensões e deformações.P. N.foi facilitada pelo facto de o comportamento não drenado e drenado corresponderem a tipos de ensaios laboratoriais ou "in situ" específicos: ensaio triaxial não drenado ou ensaio molinete (Vane test) no primeiro caso. junto à linha da costa de mares existentes. Na segunda fase. ou nas zonas até recentemente ocupadas por mares.A escola "ocidental" define.5. planícies aluvionares. os problemas postos pelos solos moles. 1982. como é representado no ensaio edométrico. Poderemos dizer que a aceitação desta dualidade da análise . FLODIN. e resistência disponível. junto a rios. e ensaio triaxial drenado e ensaio edométrico no segundo caso. R. 1981). em conjunção com a permeabilidade reduzida das argilas. pântanos. A dificuldade de tratar estes problemas deve-se essencialmente ao modelo de comportamento das argilas demasiado simplista. deformações. teremos uma resposta não drenada do solo. lagos. nas que poderemos considerar relacionado com o primeiro dos problemas referidos: as deformações no tempo darem-se em prazos demasiado longos. que serve de base ao projecto de aterros e outras fundações. do ponto de vista de resistência ao corte sem drenagem o limite de 25 KPa (CORREIA. desenvolve-se a consolidação da camada argilosa. com ν= 0. após a construção. Verifica-se um outro problema.análise "não drenada" e análise "drenada" . quando servem de fundação a obras de engenharia. B. A particularidade da génese dos solos moles reflecte-se na sua localização.. Como se disse atrás. e BROMS. em moles a muito moles (LNEC 1968 a. quanto a consistência. tensões efectivas. neste tipo de solo. Na primeira fase. para as argilas moles. para a análise da consolidação. 3 . Este modelo. e a deformação lateral nula. apresentado inicialmente por SKEMPTON (1948) considera duas fases de comportamento distintas. De acordo com esta definição podemos sub dividir estes solos. no caso do comportamento "não drenado". correspondente a fase de construção da obra. b). associada à variação das tensões intersticiais da água. Assim. podemos estar confrontados com fundações em solos moles em praticamente qualquer região. devido à rapidez de colocação das cargas. são essencialmente de dois tipos:   assentamentos excessivos capacidade de carga insuficiente.

4 . de aterros. como consequência do gradients hidraulico do excesso de pressão intersticial da água provocado pelo carregamento. e que. o assentamento provocado pela consolidação.2. na sua quase totalidade. também designada por consolidação primária. após a dissipação das tensões neutras. Tal como referimos acima. Vai portanto ser dada especial ênfase aos problemas relacionados com este tipo de obra. também designado por consolidação secular. de acordo com os princípios clássicos da resposta "não drenada". provocada pela drenagem da água do solo. três componentes: o assentamento imediato. também chamado inicial ou não drenado. Fundações em solos moles 3. Resistência e deformabilidade 3. que se dá. no assentamento global de uma estrutura. a questão das deformações da fundação é uma questão de particular relevância na análise de aterros em argilas moles. tal como referido no Capítulo 1. é uma deformação a volume constante provocada pela tensão de corte sob a área carregada. a tensão efectiva constante. e o assentamento devido à consolidação secundária. a preocupação dominante é relativa às fundações em solos moles. Assentamento de solos moles Nesta dissertação. Distinguem-se.1.

et al.. a dificuldade de cálculo. No entanto. Quanto aos assentamentos por consolidação primária. não há unanimidade quanto ao modo de as separar..Figura 1 – Comparação da previsão e observação das pressões intersticiais da água (segundo (Tavenas. 1980) mostraram que logo no início da construção. Só então é que estes solos apresentam um comportamento não drenado. et al. et al. A pratica corrente consiste em considerar que a consolidação secundária se inicia unicamente após a conclusão da consolidação primária. a análise bi ou tridimensional do fenómeno da consolidação será uma aproximação mais correcta do que a consideração do fenómeno como unidimensional. (Tavenas. bem como a falta de modelos de comportamento bi ou 5 . 1980) pensam que este facto poderá justificar a sobre estimação do valor das tensões intersticiais da água. como foi referido. No entanto. e devido ao facto de as argilas moles apresentarem usualmente sobreconsolidação. e por consolidação secundária.. isto segundo a análise clássica. de modo a que a argila se tome normalmente consolidada durante a construção. LEROUEIL (1978) e (Tavenas. usualmente verificada (Veja-se Figura 1). Como é lógico. a resposta inicial desses solos é uma consolidação primária. com um comportamento não drenado. 1980)) 0 assentamento imediato dá-se.

durante largos anos. demonstraram que os erros da utilização de teorias unidimensionais aumentam rapidamente com a espessura do estrato compressível. e com o aumento de ν’ (Figura 2b).3 (Figura 2a). No entanto. com drenagem. No entanto. isto é. aumenta com a espessura do estrato compressível.1968) Aliás. até ao desenvolvimento e aplicação generalizada à geotecnia do Método dos Elementos Finitos.tridimensionais levaram a que. mas unicamente para coeficientes de Poisson. demonstraram ainda que a percentagem do assentamento imediato. procedia-se à análise dos assentamentos em duas fases:  em primeiro lugar procedia-se à determinação do aumento de tensão provocado no estrato compressível pela aplicação da carga. relativamente ao assentamento total. No entanto. Figura 2 – Análise convencional unidimensional para 0 calculo dos assentamentos: a) erros cometidos. 6 . devido à consideração da drenagem lateral. podemos dizer que a maior influência da consideração de soluções bi ou tridimensionais verifica-se na taxa de consolidação. facilitou a introdução da resposta bi e tridimensionais nos cálculos. DAVIES e POULOS (1968). Até muito recentemente. considerando uma sapata circular a superfície de um solo de fundação com duas camadas. a sofisticação do cálculo tem reduzido interesse prático. ν’ >0. o aparecimento de meios de cálculo mais potentes. b) importância relativa dos assentamentos imediatos (segundo da consolidacão. e considerando as incertezas na caracterização correcta dos solos de fundação muitas vezes ocorrente. se estabelecesse o uso generalizado da teoria da consolidação unidimensional de Terzaghi.

e drenado a longo prazo -apresenta deficiências graves.a dualidade de comportamento não drenado durante o carregamento. aplicando uma relação tensões . condições de carregamento. 1981). em fase não drenada. os assentamentos imediatos são calculados com uma teoria elástica linear. presentemente. pode-se ser levado a considerar o Método dos Elementos Finitos. podendo-se dizer quo os bons resultados que alguns desses métodos fornecem se devem a séries de erros que se compensam entre si ( (Tavenas. Isto é. Assim. este continua a ser o processo mais vulgarmente usado para o cálculo de assentamentos.1. no carregamento de um solo. a sua aplicabilidade está grandemente limitada.. 1980). et al. 3. 2. no estado actual de conhecimentos. No entanto. após o início de cedências locais. Aliás. a lei deduzida do. por dois condicionalismos: 1. e propriedades do material complexas. Para aplicação do FEM é necessário conhecer o estado de tensão no solo. Ora o problema da aplicação da teoria elástica linear ao cálculo dos assentamentos imediatos reside no facto de. O Método dos Elementos Finitos. seguidamente procedia-se ao cálculo dos assentamentos provocados por esse incremento da tensão.1. coma uma ferramenta muito útil na investigação essencialmente na aplicação e verificação de novas modelos reológicos pare comportamento dos solos moles. e essencialmente o "dogma" em que todos se baseiam . permitindo analisar o desenvolvimento das tensões e das deformações em qualquer ponto de um solo quando carregado. No entanto. os métodos actualmente disponíveis. Assentamentos imediatos Num carregamento rápido do solo. desde que as tensões de corte nesses pontos sejam relativamente elevadas quando comparadas com as resistências ao corte nos mesmos pontos. anteriormente a ser carregado. permitindo ainda considerar qualquer geometria. é um utensílio valiosíssimo para o engenheiro. 7 . podese dar início a cedências locais (escoamento plástico contido). ensaio edométrico).deformações conveniente (por exemplo. mas de reduzido interesse para o engenheiro na análise dos casos correntes que tem que resolver. A utilidade e aplicabilidade do FEM são bastante reduzidas pela falta de um modelo do comportamento do solo suficientemente correcto. LEROUEIL e TAVENAS.

Para o caso de aterros. teve importância fundamental a enunciação por TERZAGHI do princípio das tensões efectivas.como aliás sucede com a grande maioria desses solos . apesar de reconhecidamente incorrecta. Como é conhecido. 1983)). quando carregados. et al. foi esta data geralmente reconhecida como a do início da Mecânica dos Solos. em que a espessura do estrato compressível seja inferior a metade da largura do aterro. . 8 . que os assentamentos deixaram de obedecer ao comportamento elástico linear quando o nível de tensões locais ultrapassam 60% de tensão de rotura no mesmo ponto.não ser possível calcular as redistribuições de tensões e deformações.2. (Balasubramanian. a partir de uma análise por elementos finitos.. resumidamente (TAVENAS. devido a passagem da argila de sobre consolidada a normalmente consolidada. No entanto. não segue imediatamente um comportamento não drenado. D'Appolonia (1971) desenvolveu.Alban. LEROUEIL e TAVENAS 1981). et al. .1. desde que as argilas moles sejam sobre consolidadas. 1979. As hipóteses simplificativas em que se baseia a teoria unidimensional de consolidação de TERZAGHI são. posteriormente este autor considerou que o comportamento dos solos.mas antes haveria um comportamento drenado.Quebec. pare sapatas. que hoje é correntemente aplicada. por exemplo. Teoria da consolidação unidimensional Apesar de haver indícios de que já nos primórdios da História o homem se debatia com o problema dos assentamentos ao longo do tempo dos solos argilosos moles.  saturação total do meio. 1980). TAVENAS et al (1974) observaram no aterro experimental de St. Para o êxito desta teoria. 3. 1923b) uma formulação de uma teoria coerente do fenómeno da consolidação. como disciplina autónoma e teoricamente suportada. um método simplificado para ter em conta esse fenómeno (Veja-se.. quando carregado. passando então a comportar-se como uma argila normalmente consolidada "desestruturada" (Veja-se (Tavenas. LEROUEIL et al 1979. o quo corresponde a uma altura do aterro experimental (logo de carga aplicada) de 50% da altura em que se verificou a rotura do aterro. (Seco e Pinto. 1981)). os dados existentes levam a considerar que o início de cedências locais se dá quando a carga aplicada ultrapasse 50% da carga de rotura do solo. Por exemplo. só em 1923 foi apresentada por TERZAGHI (1923a.

hipóteses dos pequenos deslocamentos (linearidade geométrica). vários autores têm apresentado teorias da consolidação unidimensionais. linearidade das relações tensões . Assim. poderemos escrever: 9 . provocada pelo acréscimo de tensão ∆σ’v. da teoria básica de TERZAGHI. e poderá ser expressa por: Para considerar o significado desta fórmula. ∆εv é a deformação vertical. Na realidade. definido por: Nesta equação. e mv o coeficiente de compressibilidade volumétrica. comecemos por referir que. TERZAGHI. ∆h a espessura inicial do estrato. para o cálculo dos assentamentos. Cc e Cr. coeficiente de permeabilidade independente do índice de vazios.       Após incompressibilidade das partículas sólidas. ou adaptações. ρi é nulo. onde teremos por tanto recompressão até ao estado de normalmente consolidada. ∆σ’v o incremento da tensão efectiva vertical no centro do estrato devida a carga aplicada. inexistência da fluência do esqueleto sólido.deformações do material. é relativamente simples. A formulação matemática baseada na teoria da consolidação de TERZAGHI. fluxo unidimensional. eo é o índice de vazios inicial. actuando sobre alguma ou algumas das hipóteses simplificativas atrás referidas. na expressão (1). e da água. podem-se considerar como extensões. ρed é o assentamento medido no ensaio edométrico. e enunciando-a em termos de índices de compressibilidade e de recompressibilidade. Generalizando esta expressão para o calculo de assentamentos. e ∆e a variação do índice de vazios. ao caso do carregamento de uma argila sobre consolidada. respectivamente. validade da lei de DARCY. ρT representa o assentamento total. para o estudo da deformação unidimensional o assentamento imediato.

estão esquematizados na Figura 3. 10 . Para aterros em solos moles. bem como o significado dos símbolos usados. KOPPEJAN estabeleceu que o assentamento relativo uma função linear do logaritmo de carga aplicada. Esta terminologia.onde σ’vo é a tensão efectiva vertical inicial. ts é o tempo para o qual se está a calcular o assentamento. Este método "convencional" de cálculo dos assentamentos foi desenvolvido por BUISMAN (1936) e por KOPPEJAN (1948). Notação e terminologia. e é independente da espessura e do estrato. σ’vp é a tensão de preconsolidação. representando esquematicamente um ensaio edométrico. Considerando o fim da consolidação primária como início dos tempos para a consolidação secundária. e considerando um solo normalmente consolidado. para permitir analisar a consolidação secundária ou secular. e ep e o índice de vazios correspondente à intersecção da linha de recompressão e de linha virgem. σ’vf é a tensão vertical final. podemos escrever para exprimir os assentamentos provocados pela consolidação secundária: C1 e C2 são coeficientes a determinar a partir de ensaios edométricos de longa duração. BUISMAN estabeleceu que assentamento de um estrato originado pelo fenómeno da consolidação secundária varia linearmente com o logaritmo do tempo. Figura 3 – Ensaio edométrico esquemático.

veja-se (Lambe. et al. A escola americana propõe uma solução mais simples.. 1969)). t é o tempo. É dado por: 11 . h é a coordenada especial com origem no topo da camada compressível. definido pela variação do índice de vazios por variação unitária do logaritmo dos tempos. Como já referimos. que serve de base ao método "convencional" para c4lculo de assentamentos de estratos argilosos moles acima apresentado. o grau de consolidação Us é idêntico ao grau de dissipação das tensões intersticiais da água. Tv é um factor de tempo adimensional. de modo sumário. Nesta teoria. Matematicamente. Consideremos agora a teoria de consolidação de TERZAGHI. 1981)): H é o comprimento da drenagem. definido por . A equação de consolidação de TERZAGHI pode-se escrever na forma: onde ue é o excesso de tensão neutra. é a determinação de quando se inicia realmente a consolidação secundária: se após a conclusão da consolidação primária. de modo a que se tem e . Já indicámos. após o fim da consolidação secundária. Up. considerando constante a tensão total (para esta derivação. uma questão importante.. A derivação da equação de consolidação de TERZAGHI pode ser feita pela combinação da equação da continuidade para o assentamento de um fluído. Pode eventualmente. se ainda durante o desenvolvimento desta. nas tabulações e gráficos para solução da equação de TERZAGHI. com a lei das tensões – deformações do esqueleto sólido. para a análise do assentamento devido a consolidação secundária: Cα é o coeficiente da compressão secundária. et al. e Cv é o coeficiente de consolidação. ter outras definições. as hipóteses simplificativas nas quais se baseia esta teoria de consolidação.MAGNAN et al (1979) propõem que se faça a comparação de expressão acima com a expressão de TERZAGHI. a solução desta equação pode ser escrita como uma série de Fourier (Veja-se (Balasubramanian. não resolvida até ao presente.

o trabalho de MONTE e KRIDEK.. et al. ( (Schiffman. 1969) (Mesri. A partir desses gráficos. Essas teorias baseiam-se nas hipóteses que suportam a teoria de TERZAGHT. que equivale a dizer que o caminho de drenagens permanece invariável durante o desenvolvimento do fenómeno. (Mesri. por meio de métodos numéricos. 1974). por exemplo). matematicamente.deformação linear como não realista (TERZAGHI tinha usado a expressão . Este facto foi observado por microfotografia electrónica (Hansbo. et al. 1974). Recentemente. Assim. foram apresentadas.Onde ρc. que na realidade são simples extensões de teoria primitiva de TERZAGHI. aplicando-a ao problema dos drenos de areia. 1958) e OLSON 1977. Como já referimos atrás. (Hansbo.. No entanto. 1973). As várias soluções disponíveis destas equações são em geral dadas em forma de gráfico de Us ou Up em função de Tv. Como referimos atrás. Alterando assim a lei de DARCY.deformação. com o expoente n>1. temos teorias em que se faz entrar o carregamento dependente do tempo. 1979) consideraram um coeficiente de consolidação variável. Este comportamento poder-se-ia dever à obstrução de canais de escoamento por partículas. (Gibson. só é possível integrar esta formulação na solução. por exemplo exprimiram o índice de vazios como função do logaritmo da tensão efectiva. etc. Temos.. introduziram na formulação da teoria de consolidação leis não lineares de tensão . várias teorias de consolidação unidimensional. na teoria de TERZAGHI uma das hipóteses de base é a assunção de que as deformações são suficientemente pequenas para poderem ser consideradas. HANSBO verificou experimentalmente uma melhor concordância com os dados de observação em algumas argilas suecas. 1976. 1960) considerou uma variação não linear do escoamento da água intersticial com o gradiente da forma . como infinitesimais. et al. et al. considerando a lei da tensão . e não instantâneo. Outros autores. é o assentamento final devido a consolidação. por exemplo. 1974)) apresentaram soluções considerando a variabilidade da permeabilidade e da compressibilidade. (Mesri.. 12 . vários autores abordaram o problema considerando uma deformação de consolidação finita e não infinitesimal. desde a apresentação por TEPZAGHT da sua teoria de consolidação. com algumas alterações. Outros autores ( (Poskitt.. e ρc(t) é o assentamento no instante t. 1967). (Olson. o assentamento em qualquer instante t pode ser obtido através de .

et al. relativamente A teoria de TERZAGHI. (1979). Na Figura 4 apresenta-se um exemplo. et al. de modo a considerar a taxa de deformação. têm a particularidade numa relação tensões . de 0. Têm todos eles.0m. segundo Olson e Ladd. provocada por dois aterros.30m. B) altura do aterro 6. 1974).3 m e 6 m de altura. A análise apresentada. No entanto estas soluções são bastante complicadas.. et al. Figura 4 . sendo geralmente preferidas técnicas numéricas. 1979) introduziram correcções à teoria clássica para incluir o efeito de submergência dos terrenos. elaborada por (Olson. que. Ainda dentro do caso das teorias unidimensionais que temos estado a apresentar. o inconveniente de necessitarem de técnica de tratamento numérico para resolução 13 .) 2 Vários autores. temos que considerar ainda os modelos de (Mesri. no entanto. utilizou um processo por diferenças finitas.Curvas tempo assentamentos para aterros em argilas moles: A) altura do aterro 0. Estas teorias. tentaram generalizar a teoria clássica de TERZAGHI à modelização de sistemas estratificados do solo. para a influencia da submergência na relação tempo-assentamento numa camada de 6 metros de espessura de argila. bastante avançadas.deformações dos solos mais desenvolvida. 1979). GARLANGER (1972) e MAGNAN et al (1979). entre os quais (Olson. ou seja. ' ae/df.. têm a vantagem de se basearem em parâmetros \ dos solos facilmente obtidos a partir do ensaio edométrico tradicional.. de modo muito reduzido. Outros autores. entre os quais recentemente SCHIFFMAN e STEIN (1970). de modo a incluir o efeito do tempo.

consolidação secundária. 1979a. 1973) e GARLANGER (1972). à excepção do facto de considerar equidistantes as linhas de tempo constante. apresentaram um modelo de consolidação unidimensional muito elaborado (MAGNAN. TAVENAS et al. 1979b. 1979). em Franca. Os laboratórios de Ponts et Ghaussées.tempos proposta por BJERRUM (1967. Este modelo pode considerar solos estratificados. situações de não saturação do solo. Unicamente a deformação unidimensional. 14 . Figura 5 . no Quebec. 1972.das equações que apresentam.deformações .Esquematização do método de Bjerrum para cálculo dos assentamentos primário e secundário segundo BJERRUM (1973). uma das particularidades do método de GARLANGER e considerar em simultâneo os efeitos combinados das consolidações primária e secundária. que mantém. Cv e k com . das hipóteses iniciais de TERZAGHI. variações de e. Só como nota. em cooperação com a Université Laval. expressa na Figura 5. de acordo com . e compressibilidade do fluido intersticial. O modelo obedece à lei de tensões .

e modifica as isócronas. variável. menos permeável. comparado com a solução de TERZAGHI. usando a teoria de Terzaghi e o método CONMULT. Por exemplo. 1981). mostraram igualmente que Cv tem uma grande variação ao longo do tempo. aos assentamentos do aterro D de St. Alban. em "back analyses". que atrasa a consolidação média. segue a lei de DARCY com coeficiente da permeabilidade vertical. como por exemplo da sobre consolidação. A permeabilidade. A Figura 6 apresenta um exemplo de utilização. no processo de consolidação de uma argila normalmente consolidada. neste modelo. provocando um assentamento muito mais lento do que a consideração de cv constante. de: a) assentamento total. de acordo . a do assentamento com o tempo. TAVENAS at al (1979) mostraram que a consolidação rápida junto às fronteiras de drenagem leva à formação de uma zona. 15 . usando o método das diferenças finitas. Este programa tem a designação de CONMULT (consolidation des multicouches). b) tensões verticais na base do provete (segundo LEROUEIL e TAVENAS. A Figura 7 apresenta a aplicação do CONMULT. Este modelo tem permitido um estudo sistemático da influência de vários factores. num provete em laboratório. na evolução de dissipação das tensões intersticiais. A solução do modelo é obtida por cálculo automático. kv.Figura 6 – Cálculo comparativo. do método CONMULT.

sofrendo um processo unidimensional de consolidação. 1940). que os resultados. Outras teorias envolvendo a viscosidade do esqueleto sólido são as que fazem uso de modelos reológicos. 1981). a nível de distribuição de tensões. TAYLOR e MERCHANT. Como se pode ver da Figura 7. com particular atenção. isto e. no que diz respeito aos modelos unidimensionais de tratamento dos assentamentos. A Figura 6 mostra-nos as diferenças nítidas. LEROUEIL e TAVENAS (1982) mostraram. 1939. De entre os inúmeros modelos reológicos que tem sido propostos para representar o comportamento viscoso do esqueleto sólido de um solo. e os da teoria de TERZAGHI. Alban (segundo Leroueil e Tavenas. e a observação da obra. poderemos referenciar o de TAYLOR-MERCHANT (MERCHANT. 1968) e o de WU et al (1966). Por último. como por exemplo. há uma excelente concordância entre a previsão pelo CONMULT. da teoria de TERZAGHI se devem a erros sistemáticos que se compensam entre si. como exemplos de modelos de viscosidade linear. fazem uso de analogias mecânicas do comportamento constitutivo teológico do material "solo". dos corpos de HOOKE. na associação de elementos simples. e o modelo de GIBSON e LO (1969). o de BARDEN (1965. entre os resultados do CONMULT. um método relativamente 16 . São baseados.Figura 7 – Assentamentos observados e calculados pelo método CONMULT sob o aterro experimental de St. vamos considerar. por vezes aproximados. NEWTON e SAINT-VENANT. com estas e outras comparac5es. como exemplos de modelos de viscosidade não linear.

tome como equação de consolidação unidimensional a equação aproximada de ordem n seguinte: s  a1 ds d ns      an n  b dt dt * Discretizando a relação s(t) em ordem ao tempo t : t j  jt j=0. pare a partir deles prever os assentamentos futuros. Para o caso clássico da consolidação unidimensional de uma camada de solo drenada de um único lado. ASAOKA. na realidade.2. em intervalos de tempo iguais. dependentes do coeficiente da consolidação cv e das condições de fronteira. um método "previsional" pois ele vai-se servir assentamentos medidos em obra. Δt=constante s j  s (t j ) poderemos escrever a equação * sob a forma: 17 . Esta equação pode ser aproximada pela equação diferencial da forma: s  a1 ds d 2s d ns  a2 2      an n      b dt dt dt Nesta equação. s representa o assentamento da camada compressível.…. expressa em termos de deformação vertical volúmica. e os an e o b são coeficientes constantes. z) é a deformação vertical relativa. apresentado por ASAOKA (1978). 1980): s 5 H ds      H 0 12 C v dt Onde εo designa a deformação relativa final no topo da camada compressível de espessura H. a Ultima equação toma a forma (MAGNAN a MIEUSSENS. considerando desprezáveis os termos de ordem elevada desta equação diferencial. e baseia-se na equação diferencial parcial da consolidação.3.recente. Estes últimas são supostas constantes durante a consolidação.1. ε(t. Permite determinar a amplitude final e a velocidade dos assentamentos de uma camada de solo. t é o tempo e z é a profundidade a partir do topo da camada compressível. tal como derivada por MIKASA (1963). O processo de ASAOKA baseia-se na observação para determinar estes parâmetros an e b. Este método não é. onde cv e o coeficiente de consolidação.

A solução da equação *** é:  t  st   s  s  s0  exp    a   1 e a da expressão de recorrência ****: sj   0  0 j  s0 1   1  1 1  1  em que so é o assentamento imediato da camada compressível. para qualquer valor de j . e S∞ o assentamento final da mesma camada. Como é lógico. ASACKA sugere um tratamento gráfico para a resolução da equação ****. espaçadas do intervalo de tempo Δt. as equações * e ** reduzem-se a: s  a1 e ds b dt *** s j   0  1 s j 1 Considerando estas duas equações. e a inclinação β1 permitem ainda prever o assentamento Sj = s( j. o coeficiente β1 é dado por: **** ln 1   t 12 C v  t a1 5 H2 expressão que só é válida se t a1  1 . a precisão da estimativa aumenta com o intervalo de tempo Δt considerado. mas 18 .Δt). Sj-1) correspondendo a duas leituras Sj-1 e Sj. registando num mesmo diagrama os pontos (Sj. ASAOKA indica no seu trabalho citado (ASAOKA. A inclinação da recta passando por asses pontos permite calcular o coeficiente de consolidação cv.s j   0    i s j 1 i 1 n ** que é uma equação de recorrência da ordem n. com o tratamento matemático clássico de um problema de valores aos limites. A ordenada na origem βo. o ponto de intersecção duma recta com a bissectriz do plano (Sj = Sj-1) corresponde ao assentamento final S∞. num processo desta natureza. Quando é suficiente uma aproximação da 1ª ordem. 1978) que a aproximação de primeira ordem permite tratar não somente os problemas da consolidação unidimensional.

com maior pormenor. no capítulo Na Figura 8 está exemplificada a aplicação deste método. 19 . 1980). Figura 8 – Análise gráfica de assentamentos baseada no modelo auto-regressivo de Asaoka: a) discretização da curva de assentamentos. e da consolidação radial para drenos verticais.também os de fluência. Na Figura 9 apresenta-se um caso típico de um carregamento em duas fases. com consolidação secundária. c) Diagrama da construção de Asaoka (segundo ASAOKA e MATSUO. Voltaremos a este método. b) dados usados na construção de Asaoka.

é ainda designada muitas vezes por teoria da pseudo-consolidação de TERZAGHI . Esta teoria é habitualmente designada teoria de TERZAGHI – RENDULIC. 1981) ou ainda por teoria pseudomultidimensional (SCHIFFMAN et al.RENDULIC. A teoria de TERZAGHI . sobretudo se considerarmos os erros prováveis. esta teoria tem duos grandes vantagens: primeiro.RENDULIC aventa uma hipótese que não é válida: considera que as tens3es totais em cada ponto podem ser obtidas directamente. dissociando portanto o problema da dissipação das tensões intersticiais da água da deformação do esqueleto sólido.1. 1969). esta teoria dá uma aproximação boa dos casos reais. a partir da lei da aplicação da solicitação que actua no meio poroso. Tem ainda que se considerar que. tem uma formulação matemática simples. apesar de não ser correcta. 20 . por analogia com a transmissão do calor.Figura 9 – Resultados típicos da análise de Asaoka no caso de carregamento em duas fases de um estrato compressível do solo. na realidade uma extensão da teoria unidimensional de TERZAGHI. na determinação das características de deformabilidade e de permeabilidade dos solos. segundo. com consolidação secundária (segundo ASAOKA e MATSUO. para cada instante. é. representativa do fenómeno da consolidação multidimensional em que o excesso de tensão intersticial da água é a única incógnita. ou teoria da difusão (BALASUBRAMANIAN e BREUNER. 3. Teorias da consolidação multidimensional RENDULIC (1936) apresenta a primeira teoria de consolidação multidimensional da consolidação que.3. por exemplo. Apesar disto. 1980). utiliza soluções já determinadas para outros problemas. A partir daqui é possível deduzir uma equação de difusão.

originalmente. 1955. a viscoelasticidade e a anisotropia (BIOT. 21 . Os três coeficientes da consolidação indicados no Quadro 1 estão relacionados pela equação:  1  '  c1  21   'c 2  3 c 3  1  '  As equações da teoria de BIOT contem um termo adicional apresentando a derivada em ordem ao tempo da tensão total média. com solicitação exterior constante. Para este caso. oportunidade de nos debruçarmos com mais cuidado sabre esta teoria no Capitulo 3. para qualquer ponto do estrato em consolidação. para meios isotrópicos. detectado pela primeira vez por MANDEL (1953. a pressão intersticial aumentar em certas zonas do domínio em estudo. com ν' = 0. Este efeito consiste em. BIOT apresenta a sua teoria. na teoria de BIOT. Cx. e para o caso de duas ou três dimensões. a teoria foi sucessivamente alterada. que diferirá com o número de dimensões do espaço.GRYER.RENDULIC. as duas teorias são idênticas. pois. considerada ainda hoje a mais correcta. não havendo variação na tensão total média. como um único valor do coeficiente. tanto podem ser usados os coeficientes unidimensionais de consolidação. e para a consideração da consolidação de solos tratados com drenos verticais. relacionar a dissipação do excesso das tensões intersticiais da água com a variação da tensão total. É do notar também quo. teremos. 1956b).RENDULIC. sendo designada habitualmente por teoria de BIOT. homogéneos. para ter em conta a compressibilidade dos fluidos. Esta teoria. Até agora. no entanto. Cy e Cz (ou Cv e Ch em problemas bidimensionais). e ainda. Tem. para cada direcção do espaço.5. A segunda teoria multidimensional foi derivada directamente por BIOT (1941) a partir da teoria de elasticidade.E de realçar que a teoria de TERZAGHI . No Quadro 1 resumem-se as equações da consolidação básicas para as teorias de TERZAGHI . o grau de assentamento da consolidação não é igual ao grau de dissipação da tensão intersticial. esta teoria tem visto a sua aplicação restringida quase exclusivamente à investigação. a grande vantagem de associar a amplitude com a velocidade de assentamento. Com a teoria de TERZAGHI . e de BIOT. tem-se que cl = c2 = c3. nas condições não drenadas. É este o termo que considera a variação da tensão total no interior da massa de solo e. sem variação de volume aparente. e antes do início da sua dissipação. 1956a. 1959) e por GRYER (1963).RENDULIC serve de base à generalidade dos métodos para dimensionamento dos drenos verticais. No entanto. tem o inconveniente de ter uma formulação matemática bastante complexa. no entanto. Uma das vantagens peculiares da teoria de BIOT é a possibilidade de ter em conta o efeito de MANDEL . e totalmente saturados.

A Figura 10 apresenta um exemplo comparativo dessas teorias. Quadro 1 – Resumo das equações da consolidação básicas.devido a esta teoria considerar a redistribuição de tensão. veja-se SCHIFFMAN et al. tanto no que diz respeito aos assentamentos. 1969. para as teorias de Terzaghi-Rendulic e de Biot. e de BIOT (por exemplo.RENDULIC. 1972). como a dissipação das tensões intersticiais. mas não excessivas. 22 . Os estudos comparativos realizados entre as soluções obtidas. 1972). permitem concluir que as diferenças entre os resultados das duas teorias. DAVIS e POULOS. com as teorias de TERZAGHI . Isto já não é assim para a teoria pseudo-multidimensional (DAVIS e POULOS. para os mesmos problemas. são nítidas.

isto é. São actualmente mais comuns as soluções através da formulação das equações de BIOT pelo método dos elementos finitos. (1957).1 já analisámos o caso dos assentamentos imediatos. e aplicada à análise dos núcleos argilosos de barragens de aterro. pare incluir solos não totalmente saturados. considerando o fenómeno tensões . será mais tarde esta teoria desenvolvida convenientemente.deformações. Neste ponto é de referir a extensão da teoria de BLOT.1. realizada por SECO PINTO (1983). De referir.2. considerando o fenómeno unidimensional.3 analisou-se o assentamento da camada compressível considerando as leis tensões-deformações-tempos que as várias teorias consideram reger esses fenómenos.2. Apercebendo-se da natureza essencialmente tridimensional da maioria dos fenómenos. no ponto 2. em termos de aplicação. existem poucas soluções analíticas.2. SKEMPTON e BJERRUM. Quanto à teoria de BLOT.2 já foi referido o problema da analise dos assentamentos.2. Neste aspecto. b) evolução da tensão octaédrica efectiva (segundo VIGIANI. 3. apresentaram um método pare cálculo do assentamento 23 . e de Biot: a) evolução do excesso de tensão intersticial. 1970). não considerando portanto o factor tempo.Figura 10 – Comparação dos resultados das teorias de Terzaghi-Rendulic.2 e 2. No ponto 2. de vido a natureza complexa do problema.4. que a teoria pseudo-multidimensional de TERZAGHI RENDULIC serve de base à generalidade das teorias que analisam a consolidação de estratos lodosos drenados por drenos verticais. por este motivo. Vamos agora debruçarmo-nos sobre os vários métodos existentes para calculo dos assentamentos. Previsão do assentamento Nas secções 2.

de um modo muito mais satisfatório. Nessa figura representam-se as condições verificadas num ponto. Este método tem considerações de base bastante contestáveis: 1. pelo ponto A. relaciona tensões intersticiais obtidas a partir de uma situação de tensão triaxial com a equação da consolidação unidimensional. Δσ1 e Δσ3 são os incrementos das tensões principais máxima e mínima. a Figura 11 representa o caso do carregamento instantâneo de um solo (instantâneo é. O carregamento imediato é um caminho de tensões não drenado. Considerando o assentamento total. pressupõe que a distribuição de tensões totais imposta nas fundações permanece invariável durante o processo de consolidação. incluindo o assentamento imediato. tornado com o sentido de muito rápido. 24 . em quo este era deduzido a partir das tensões intersticiais tridimensionais obtida no ensaio triaxial não drenado (condições de tensão axisimétricas não drenadas). O método do caminho das tensões impostas (Streth-path method). comparativamente à velocidade a que se processa a consolidação). in situ. da situação drenada para a não drenada. respectivamente. aqui. independentemente da variação do coeficiente de Poisson. 2. laboratorialmente. apresentado por LAMBE (1964) permite. Dum modo ilustrativo simples. A partir do ensaio edométrico.final devido à consolidação primária. A expressão apresentada por estes autores foi:  c   mv uh  i 1 i n Nesta expressão. e reproduzem-se esses caminhos de tensões. Assim. esta teoria tomará a forma:  c   ed O factor da correcção μ é função do parâmetro A e da geometria do problema. e A é o parâmetro das tensões intersticiais de SKEMPTON (1954). o mais fielmente possível. e é representado na Figura 11 por AB. será':  T   i   ed O parâmetro μ foi apresentado por SKEMPTON e BJERRUM e modificado por SCOTT (1963) quo o apresentou graficamente. e para solos saturados: u   1   1   3  Nesta última expressão.Bjerrum tomar em consideração a influência da deformação lateral no assentamento vertical. neste método prevêem-se quais são os caminhos das tensões que vão seguir elementos seleccionados do solo. que o método de Skempton .

Em seguida sobrepõe-se a esse gráfico o caminho de tensões previsto. O caminho BC corresponderá ao fenómeno da consolidação. Outro método.Neste troço não há variação de volume (condição de não drenagem). 0 traço BC é paralelo ao eixo 1/2 ( σ’1 + σ’3). Igualmente segundo LAMBE (1964). nas suas componentes drenada a não drenada. este processo a aconselhável para uma fase final do projecto. Como é lógico. K1 representa a envolvente de rotura. que poderemos considerar como uma extensão do método acima exposto. no método dos caminhos de tensões este ensaio corresponde ao caminho de tensões AD. De notar que. a outra usa resultados de ensaios laboratoriais que tentam reproduzir o melhor possível o caminho de tensões real. e o método elástico. o que permite. pois sendo representativo do fenómeno da consolidação representa a dissipação do excesso da tensão intersticial da água. pode-se determinar então assentamento total. Há duas técnicas para. determinar o assentamento correspondente. de modo a permitir o traçado de uma família de contornos tensões . tendo em conta a espessura da camada. EGOROV (1957) e KÉRISEL 25 . pela deformação vertical do provete. segundo LAMBE (1964). Esta técnica. sob tensão deviatórica constante. particularmente adequada A execução de análises preliminares. apresentado por DAVIS e POULOS (1963). prever as deformações verticais. Na outra técnica executam-se ensaios triaxiais reproduzindo o caminho das tensões efectivas. Figura 11 – Exemplo elementar do método do caminho das tensões. Com o apoio de um ensaio edométrico.deformações. Uma usa os contornos das tensões-deformações. A deformação volumétrica correspondente a este processo pode ser obtida laboratorialmente pelo ensaio edométrico. e tendo em atenção a espessura da camada compressível. a partir do método dos caminhos de tensões. Na primeira destas técnicas são executados vários ensaios triaxiais não drenados. o assentamento imediato corresponderá à deformação entre A e B.

determinadas pelas expressões seguintes: ' S c1   oc  mv  vc   v' 0 z i 1 n     i Sc2 onde μoc  Cc   v' 0   v'   op   log z  '  vc i 1 1  ec i n   é o factor μ de SKEMPTON .deformações. após aplicação da carga. para vários valores das pressões verticais efectivas. propôs uma relação única tensões . 0 gráfico dessa Figura 5 representa os valores de equilíbrio dos índices de vazio. definido pela Figura 12. o assentamento total é dado por um assentamento imediato elástico. para um período sem carregamento. já anteriormente referido. e μcp corresponde a cargas no ramo "virgem”. no domínio da sobre consolidação.BJERRUM. para o cálculo dos assentamentos: S c1   oc  mv  v ' z  i 1 i n e para o caso de ser ultrapassada essa tensão de preconsolidação. Este diagrama é difícil de construir na prática. Estes dois valores parciais podem ser determinados quer pela soma das deformações verticais sob a fundação. Este método tem a vantagem de poder incorporar correcções para tomar em consideração cedências locais. Considerando σ’vo a tensão vertical "in situ". e um assentamento total elástico.BJERRUM. baseando-se em TAYLOR (1942). não ultrapassar a tensão de preconsolidação. Este método dá um ênfase especial a importância da tensão de preconsolidação. a partir dele podese determinar o limite superior do assentamento devido a consolidação secundária usando a expressão: 26 . Para a previsão dos assentamentos devidos à consolidação secundária. sendo necessário determinar as constantes elásticas necessárias à sua aplicação em ensaios laboratoriais. corrigido por um factor dependente da possibilidade de cedência local. Bjerrum considera duas componentes. Bjerrum propõe. representa uma evolução qualitativa relativamente ao método de SKEMPTON . Sc1 e Sc2.e QUATRE (1968). Neste método. na determinação dos assentamentos. Esta teoria elástica permite calcular tanto os assentamentos imediatos como os devidos a consolidação. um dos mais aplicados na prática para a determinação dos assentamentos. a seguinte expressão. representada na Figura 5. GIROUD (1973) e POULOS e DAVIS (1964) apresentam ábacos bastante completos para a aplicação pratica desta teoria. O método de BJERRUM (1972. No entanto. quer pela teoria do deslocamento elástico. para o caso da tensão vertical. 1973). BJERRUM.

De acordo com a teoria exposta por BJERRUM. e esquematizada na Figura 5. baseado em ensaios laboratoriais. para sapatas contínuas e circulares (segundo SCOTT. 27 . deveria diminuir com o tempo. para o caso da tensão vertical aplicada não ultrapassar a tensão de preconsolidação: Ss   ( i 1 n Cc 1 e o log ' '  vo   v '  vo h) ' ' para  v'   vc   vo   Figura 12 – Coeficiente de assentamento de Skempton-Bjerrum. e eventualmente desaparecer esse efeito de preconsolidação. 1963). BJERRUM apresentou outra expressão. para um solo carregado durante um período suficientemente longo. 1977). LEONARDS (1972.'  Cc  vc  Ss    log ' z   v0  i i 1 1  ec n ' para  v'   vc   v' 0   É de notar que este assentamento corresponde teoricamente à compressão secundária que se desenvolveria no mesmo tempo que levou a desenvolver-se a tensão de preconsolidação σ’vc. discorda totalmente desta teoria. em função do coeficiente de pressão neutra. a tensão de ' preconsolidação  vc .

Relativamente a métodos para a determinação dos assentamentos. e métodos de previsão de assentamento baseados nos modelos do estado critico. destes métodos ocupar-nos-emos com mais pormenor noutros capítulos deste trabalho. para argilas normalmente consolidadas. são de amplitude reduzida. Destes. temos ainda três grande correntes: métodos probabilísticos de determinação de assentamentos e métodos baseados em ensaios "in situ". Supõe que o solo possui uma "superfície" de cedência. o exemplo mais conhecido a utilizado. é dada pela equação:  q q '   '  poy  p ' 1   M2    28 . vamos seguir. bem como uma lei de escoamento satisfazendo a condição de normalidade. motivo pelo qual não os abordaremos aqui. e quase totalmente recuperáveis. Os estados de tensão que atravessam uma superfície de cedência irão provocar grandes deformações plásticas irrecuperáveis. uma argila sobre consolidada será aquela que está num estado tal que aumentos significativos da tensão provocarão. como uma teoria geral de tensões . uma argila normalmente consolidada será uma argila que se encontra numa situação de cedência tal que um pequeno aumento de tensão provocará grandes deformações irreversíveis. Aplicando este modelo a argilas. Este modelo foi verificado para argilas remoldadas. tratadas como material isotrópico. a para algumas argilas naturais. para simetria axial. até certo limite. apesar de essencialmente na investigação. elasto-plástico. Assim. e argila sobre consolidada. dum modo resumido. é o vulgarmente designado modelo Cam-Clay. sendo esta versão designada habitualmente por modelo Cam-Clay modificado. da Universidade de Cambridge. temos também uma redefinição dos conceitos de argila normalmente consolidada. ou ligeiramente sobre consolidadas. por ROSCOE e BURLAND (1968). e recuperáveis. σ2 = σ3. correspondentes a caminhos de tensão totalmente incluídos dentro dessa fronteira. bem como o modelo Cam-Clay foram apresentados por ROSCOE e SCHOFIELD (1963). A superfície de cedência. A superfície de cedência forma uma fronteira de estado de tensão tal que as deformações. Quanto à formulação matemática do método. Vamos agora tentar dar uma ideia genérica dos fundamentos deste método. a apresentação de ROSCOE e BURLAND (1968). para o modelo Cam-Clay modificado. tendo sido o modelo posteriormente modificado com uma nova equação de dissipação de trabalho com o incremento de tensão. Esta teoria.deformações. Este modelo modificado tem fornecido previsões de melhor qualidade para deformações em ensaios laboratoriais do que o modelo original. A teoria do estado critico foi desenvolvida. com endurecimento. deformações pequenas.

p'oy é a intersecção da superfície de cedência com a linha de ' ' consolidação isotrópica (  1'   2   3 ) no piano (p’. resultante de um incremento de tensão provocando cedência. 29 . Δv. A componente recuperável. é a soma de uma componente recuperável. e de uma componente de deformação permanente.Nesta expressão. é: v r  K p ' 1  e  p ' Figura 13 – Exemplo de aplicação da teoria do estado crítico. pela expressão:  q  6 sin  ' M  '  ' p    f 3  sin  É de chamar ainda a atenção para o facto de p' oy poder ser determinado laboratorialmente através de um ensaio de consolidação triaxial. e para uma argila normalmente consolidada. isotrópico. provocada por um incremento de tensão normal Δp'. Caminho de tensões efectivas possível pelo carregamento com um aterro. A Figura 13 esquematiza as noções que estão a ser expostas. O incremento da deformação volumétrica total. com coesão efectiva nula. p’ e q são definidas por: p'  1 '  1  2 3' 3   ' q   1   3   1'   3 M é o quociente de tensões q/p' na rotura. em termos de tensões efectivas. está relacionada com o ângulo do atrito interno.q).

434 C s Com Cs representando o índice de expansibilidade obtido no ensaio edométrico. o aumento da deformação volumétrica é dado por:  2q '  1  p   K  v  2 1 e    M2  q '   p       1 q p  q  ' p '  '   '   p q p      ' Neste teoria. Para o incremento da deformação do corte. e da linha de expansão. os parâmetros λ e k são as inclinações da linha de compressão isotrópica. dependendo unicamente do quociente de tensões q/p' . como se pode ver das expressões acima. são considerados os seguintes valores para estes coeficientes:   0. A 30 . e a segunda é devida pelo caminho de tensões na superfície de estado limite. quando a superfície de cedência é mudada. composta de duas componentes. é independente da variação de volume plástico. para q/p’ constante (compressão unidimensional) conduz à equação de TERZAGHI.434 C c K  0. Normalmente. uma representando a distorção plástica de corte devida a mudança da superfície de cedência a q consta4ara um caminho de tensões abaixo da superfície de estado limite.    p . o modelo Cam-Clay pressupõe que toda a deformação é irreversível. e para todos os problemas práticos. respectivamente.A componente irrecuperável é dada por:  2q '  K  p v p  1  e  2  q 2 M   '  p       q 1  q  ' p '   p '  '   p q     Consequentemente. Estas duas componentes permitem escrever a expressão do incremento da deformação de corte do seguinte modo:  p   p ou   vp   p   q q'  d p  p    d q p'     q  d p    '   p  v p     v p p  dv  q ' p A primeira componente. De notar que esta teoria.

As intersecções das linhas que separam os elementos são designados por pontos nodais. problemática a obtenção de todos estes parâmetros a partir de ensaios laboratoriais. Posteriormente foilhe incluída a dilatância por SEKIGUCHI e OHTA (1977). supondo K = 0 e logo Δvr=o BURLAND (1971) deu exemplos práticos de aplicação deste modelo a previsão das pressões intersticiais sob aterros. não se pode deixar de referir o método dos elementos finitos. que o método dos elementos finitos não é. Após a apresentação por ROSCOE e SCHOFIELD (1963) do modelo Cam-Clay. com a fronteira especificada. no entanto.segunda componente. usando uma relação tensões . um maciço terroso).deformações que caracterize o material . De notar. surgiram vários desenvolvimentos do método. sem sobreposições.solo no nosso caso. na realidade. nesses pontos nodais. apresentaram um método semelhante. no mínimo. a partir de ensaios laboratoriais. quo se pode descrever matematicamente com base as lei de escoamento:  d   p  dv  q  p' 2 q p' 2  M  q p'    2 permite escrever a equação do seguinte modo:   p q p' '    K  2 q p     1  e  M 2  q p '       2 q p '  2   2 '  M  q p         q  q p '   p '  1  2  '  p' p    Para o caso especial da deformação plena. um método de previsão ou análise de 31 . isto e. Esta matriz de rigidez correlaciona os deslocamentos nodais ao vector de carga. deformações horizontais e verticais. As soluções são obtidas em termos de deslocamentos. Para concluir esta secção. ROSCOE e BURLAND(1968) mostraram que os incrementos da deformação plástica podem ser aproximadamente expressos por Δv = Δvp. Esta teoria também permite prever o aumento de resistência durante a consolidação. mas com possibilidade de considerar a anisotropia. e em termos de tensões médias nos elementos. discretiza-se o domínio em estudo num conjunto de elementos que o preenchem totalmente. Convêm referir que a experiencia até ao momento leva a considerar como. por um conjunto de "elementos finitos". OHTA e HATA (1973). É formulada uma matriz de rigidez para cada elemento individual. O agrupamento de todas as matrizes de rigidez de cada elemento dá a matriz de rigidez global do corpo em estudo. A base deste método consiste na representação de uma estrutura ou corpo (no nosso caso. isto e. por exemplo.

com especial ênfase na abordagem das teorias de consolidação.2. ou caracterizem-se por dificuldade de obtenção dos parâmetros cor -rectos. por ser este assunto o tema principal desta dissertação.assentamentos.e que é introduzido no processo na definição da matriz de rigidez de cada elemento.  0 método dos elementos finitos a uma ferramenta poderosíssima. devido ao grau de incerteza existente habitualmente na caracterização geotécnica dos solos em estudo. e de previsão dos assentamentos. antes uma ferramenta de calculo que permite resolver o problema de resolução do modelo adoptado . tanto laboratorialmente como "in situ". etc. na resolução dos problemas concretos são em geral reconhecidamente errados. e como tal cara de aplicação. antes poderá utilizar qualquer modelo de comportamento. 32 . sendo a sua aplicação prática muito limitada. É um método de cálculo poderosíssimo. Pensamos ter deixado claro alguns pontos:  As teorias usualmente aplicadas pelo engenheiro. Acerca da aplicação deste método à análise de problemas em argila. Muitas vezes.linear elástico. mas na realidade não é um modelo de comportamento. e para casos muito simples. . essa incerteza tira todo o significado à utilização de métodos de cálculo sofisticados. dispondo-se de muito poucas soluções concretas dessas teorias.  As teorias mais correctas actualmente disponíveis ou são de elevada complexidade matemática. veja-se CORREIA (1982) e SECO e PINTO (1983). não linear. Considerações finais Neste capitulo introduziu-se de modo geral o problema do comportamento de fundações em solos moles. 3.

aqueles que apresentam melhores características. quer do ponto de vista de deformabilidade. e com o fim de facilitar a exposição. de modo coerente. se consegue agrupar. compactação profunda. De facto. uma panorâmica muito geral acerca das diversas teorias de tratamento e suas técnicas. atendendo a denominação genérica desta dissertação. bem como algumas das suas vantagens e limitações. Na figura 14 apresenta-se um esquema de aplicabilidade dos vários tipos de tratamentos aos diferentes tipos de solos. aceleração da consolidação e outros métodos. vamo-nos ocupar unicamente com o problema do tratamento de solos coesivos. em segurança e economia. Com a ocupação crescente de solos de ma qualidade geotécnica. De um modo muito genérico.PARTE 2 PROCESSOS DE TRATAMENTO DE SOLOS MOLES Apesar de não ser exclusiva do tempo presente. agruparam-se os métodos de tratamento dos solos moles em: injecção de solos. por outro lado. sofreu um grande incremento nos últimos decénios. vamo-nos debruçar com particular atenção nos métodos que constituem o grupo que designamos por "aceleração da consolidação". com esta esquematização. no capítulo 4 teremos oportunidade de analisar a aplicação concreta de alguns destes métodos. Convém salientar que vários dos métodos que serão abordados neste capítulo ou não são os mais adequados aos solos coesivos. a especificidade cada vez maior de certas actividades do homem impõem a localização das instalações necessárias. inicialmente. podemos dizer que qualquer um destes tipos de solos e susceptível de necessitar de tratamento. 33 . Pensamos que. a grande utilização de solos que se tem verificado levou a que fossem ocupados. estabilização de solos. as estruturas necessárias. Apesar de se tentar dar. tornou-se imperiosa a necessidade de proceder a investigação e experimentação de métodos de tratamento. Como e lógico. Surgiram assim os primeiros métodos de tratamento de solos. reforço de solos. no presente capitulo. quer do ponto de vista de resistência. o conjunto de métodos actualmente disponível. cabendo à engenharia criar as condições para que se possam executar. a utilização de solos de fundação com características deficientes. que permitissem "dar" ao solo de fundação as características necessárias. ou são também aplicáveis a solos não coesivos. e que ele não tinha. devido essencialmente a dois factores: por um lado. Considerando a divisão tradicional dos solos em solos coesivos e solos não coesivos.

de entre a qual citaremos WINTERKORN (1975). Sobre esta estabilização de solo clássica. Os aditivos químicos. e também o mais divulgado e utilizado. Como dissemos acima. o use de misturas de vários tipos com solo e o mais antigo. Estabilização de solos por mistura de aditivos químicos Dos muitos métodos de estabilização de solos. sobre a melhoria dos materiais grosseiros de base e sub-base de pavimentos. e têm sido usados nas estruturas de pavimentos rodoviários há vários séculos. existe uma numerosa bibliografia. Estabilização de solos 4. têm sido usados para melhorar as propriedades dos solos por troca iónica e reacções de cimentação. Sendo esta aplicação clássica da estabilização de solos 34 . 4. no entanto. Figura 14 — Limites de aplicacao 00s varios twos de tratamento em funcao da granulometria dos solos (segundo Mitchell 1981). entrar-se-á com mais pormenor nos métodos de aceleração da consolidação.1. por tentar abordar todos os métodos de aplicação possível a solos coesivos. MITCHELL (1976) e INGLES e METCALF (1973).Optou-se. dos quais os mais usuais são a cal e o cimento.

com cal. 1981). e a floculação das partículas de argila. comportando-se também. 1978). nos EUA e na Alemanha. como referimos. De notar. 1978). estão grandemente dependentes da importância dos materiais amorfos presentes (QUEIROZ DE CARVALH0. através do enchimento com cal de furos de 100 mm de diâmetro previamente abertos. por meio de um trado. 1976). bem come a utilização dos materiais clássicos com novas finalidades. numa percentagem de cerca de 6%. Outra característica destas estacas de cal é serem mais permeáveis que o terreno natural. o tratamento tradicional à superfície. Os avanços verificados durante a década de 70. com formação de Ca(OH)2.essencialmente virada para o tratamento de materiais não coesivos. Convém referir o processo de actuação da cal no reforço de solos. se ter verificado uma tendência para aplicação destes métodos a outros tipos de obra. O "nascimento" das estacas de cal deu-se na década de 60. uma das acções da cal e provocar uma diminuição muito rápida do teor em agua das argilas. Na Suécia foram introduzidas recentemente as estacas de cal propriamente ditas (BROMS e BOMAN. como dreno vertical (HOLM et al 1981). ao fim de um ano. e regulamentado inclusivamente põe alguns organismos. limita-se a uma camada superficial de cerca de 30cm de espessura. não nos vamos debruçar sobre eles. Um dos casos mais notáveis. com a execução de "estacas” de 1m. 35 . BRANDL. apesar de bem conhecido. na de cada de 60. Trabalhos recentes provaram que estas reacções. e havendo. com argilas moles existente no local. Assim. 33% da melhoria e obtida num mes. e que não podia ser esquecido. de modo a que a estrutura desta e alterada com a formação de aluminatos e silicatos de cálcio hidratados. o use do solo-cimento. De facto. 1981). devido à entrada no solo de iões Ca. As estacas de cal executadas por este processo possuem cerca de 50 vezes a resistência do solo não tratado.1981. No entanto. Posteriormente. devido a serem estes que possuem maiores quantidades de constituintes amorfos (BRANDL. dá-se ainda uma reacção lenta com a argila. tal como representado na figura 15. por exemplo. é o da utilização da cal e do cimento com o método da mistura em profundidade (HOLM et al. e essencialmente a última. consistindo a técnica na mistura "in situ" de cal viva. em consequência desse facto. na execução da protecção dos taludes de montante de barragens de aterro (HOLTZ e HANSEN. à superfície do solo. e 50% ao fim de dois meses. convém chamar a atenção para o facto de. Isto justificara a grande eficiência do tratamento com cal nos materiais de elevada plasticidade. incluiu essencialmente a investigação e a aplicação de novos materiais. 1977. no use de mistura de solo para a melhoria das suas propriedades. devido a rápida reacção de hidratação da cal. nos últimos anos. Decresce também o índice de plasticidade. 1981). numerosa bibliografia sobre a aplicação destes métodos. e os estudos com vista à execução de barragens inteiramente em solo-cimento (ROBERTSON e BLIGHT.

em geral. se deformam como um todo. Figura 15 – Execução de uma estaca de cal pelo método sueco: a) Execução da estaca. não se podendo portanto considerar as estacas como dreno. mesmo para espaçamentos de estacas de 20 m. o comportamento frágil restringido ao topo da estaca. 36 . quando aumenta a profundidade das estacas. e dos solos moles tratados. a argila misturada com a cal apresenta. c) Misturador. esta é também a posição de KAWASAKI et al (1981). as estacas de cal têm comportamento dúctil. Atendendo a que o objective principal desta dissertação e a análise da deformação dos solos moles. pode também aumentar o espaçamento entre elas. mas no que respeita a estacas com solocimento. A observação das obras executadas lava a concluir que as estacas de cal. A observação também mostrou que. para baixas tensões de confinamento. De facto. estando portanto. Segundo BROMS (1985). sem redução de capacidade de carga. Isto observou-se. um comportamento frágil. Alias. tratados com estacas de cal. para o solo e as estacas se deformarem como um todo. logo pelas características geotécnicas das argilas moles não tratadas entre estacas.No entanto TERASHI e TANAKA (1981) afirmam que a permeabilidade das estacas de cal e muito baixa. Com tensões de confinamento moderadas e elevadas. e o solo entre elas. segundo aquele autor. mesmo para grandes deformações. BROMS (1985) chama a atenção para o facto de a ductilidade das estacas de cal ser afectada pela tensão de confinamento. b) Estaca pronta. vamos tecer ainda algumas considerações acerca das características de deformabilidade de solos moles. a tensão de confinamento usualmente existente a 1 – 2 m de profundidade garante um comportamento dúctil da estaca.

Consideram-se, habitualmente, dois tipos de cálculo possíveis para a previsão dos assentamentos em estacas de cal. Para níveis de carga reduzidas, a carga axial nas colunas depende da rigidez das colunas, comparativamente a rigidez do solo entre colunas. Normal manta a carga aplicada e suficiente para provocar a cedência das colunas. Alias, o dimensionamento de um tratamento por estaca de cal ou seja, o seu número, espaçamento e diâmetro, e determinado na major parte dos casos, pelos assentamentos totais e diferenciais admissíveis. Excepcionalmente, podem ser dimensionadas à rotura. Assim, as estacas de cal poderão ser consideradas como reduzindo o assentamento do solo a níveis compatíveis com a operacionalidade da estrutura a construir. No case de a carga ser suficiente para provocar a cedência das estacas, o inúmero de estacas pode ser calculada, segundo BROMS (1981), e de acordo com a Figura 16, pela expressão:

N

Wg  q2 BL
cedência Qest.

Onde Wg é o peso da estrutura a fundar, q2 é a carga que o solo sem tratamento pode suportar sem assentamento excessivo, e
cedência Qest.

é a tensão de cedência da estaca de cal.

Considera-se usualmente esta tensão de cedência sensivelmente igual a 70% de tensão de rotura. Evidentemente, será necessário verificar se as deformações axiais das estacas são suficientes para se verificar a fluência do material.

Figura 16 – Esquema do cálculo de assentamentos, para cargas elevadas, no caso de estacas de cal (segundo BROMS, 1985).

No caso das cargas serem relativamente reduzidas, os assentamentos, bem como a distribuição das cargas dependerão do módulo de compressão do solo não estabilizado Msolo

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= dε /dσ , e do módulo do material da estaca, Eest. Msolo e Eest deverão ser determinados laboratorialmente em ensaios edométricos. De acordo com o esquema de calculo da Figura 17, o assentamento total será a soma de

h1 e h2 , respectivamente o assentamento devido à compressibilidade do conjunto solo e
estacas, até uma profundidade correspondente ao comprimento das estacas, e h2 representa a contribuição da compressibilidade dos solos abaixo do extremo das estacas. O modo tradicional de cálculo de distribuição das tensões, conservativo, pressupõe que a totalidade da carga e transmitida ao solo, à cota da extremidade das estacas. Não se considera, portanto, habitualmente, a distribuição de cargas, até essa profundidade, por atrito lateral com o solo circundante. Considera-se ainda a degradação da carga, abaixo daquela cota, segundo uma inclinação de 2/1 (veja-se Figura 17).

Figura 17 – Esquema do cálculo dos assentamentos em solos tratados com estacas de cal, para cargas reduzidas (segundo BROMS, 1985).

O assentamento h1 pode ser calculado pela expressão:

h1 

aEest

q  1  a M solo

onde H é o comprimento das estacas, e a é a área relativa das estacas ou seja, NAest +/BL. Aest é a seccao recta de cada uma das estacas de cal (em geral 0.2m2). 0 assentamento

h2 pode ser calculado pelos metodos tradicionais do cálculo do assentamento, de
fundações directas. 38

BROMS (1982) refere que, no total, foram instalados, desde 1977, cerca de 500.000m de estacas de cal, e essencialmente em estradas, parqueamentos, áreas de carga, valas profundas, e para fundação de construções ligeiras. BROMS (1982) refere ainda que dois aterros experimentais executados nos mesmos solos, um sobre estacas de cal, e o outro sobre o solo não tratado, indicaram que este tipo de tratamento reduziu os assentamentos em 70%, tendo ainda acelerado a consolidação: os assentamentos verificaram-se nos dois primeiros meses. Este caso reforça a indicação atrás enunciada de que as estacas de cal funcionariam como drenos verticais. Convém salientar que o tipo de tratamento que aqui se descreveu – estacas de cal – tem sido aplicado com igual sucesso com cimento. Em qualquer dos casos, é imperioso que o equipamento usado seja capaz de distribuir o aditivo uniformemente em toda a profundidade de desejada, e que garanta uma mistura homogénea em toda a estaca. Além da Noruega e Suécia (método sueco), este método tem sido utilizado intensivamente no Japão, Franca, URSS. (SOKOLOVIC et al, 1976, PILOT, 1977; BROMS e BOWMAN, 1979a, 1979b). Nos últimos anos tem surgido novos aditivos, e novas técnicas, que completam, ou substituem com vantagem os métodos clássicos de estabilização de solos (cal e cimento). Assim, e de notar que se começou a aplicar com sucesso o gesso combinado com a cal, especialmente em solos orgânicos. De notar: que alguns compostos orgânicos retardam ou mesmo impedem as reages da cal com o solo. Também pode ser prejudicial a presença de alguns sulfatos nos solos. SHERWOOD (1962) e INGLES e METCALF (1973) chamaram a atenção para o facto de os resultados iniciais poderem ser satisfatórios, mas com molhagem dar-se uma expansão com quebra da estrutura cimentada. Parece que o gesso evita este fen6meno (HOLM et al, 1983, KUJALA, 1983), tendo ainda a vantagem de, excepto nos primeiros 10 dias, acelerar o ganho de resistência do solo tratado, dando-lhe uma maior resistência final. Segundo HOLM et al, (1983), as percentagens ideais, para um tratamento a longo prazo, são de 75% de cal para 25% de gesso. Para tratamentos provisórios dever-se-á usar 50% de cal para 50% de gesso; esta mistura da maior aumento das resistências nos primeiros meses, mas apresenta uma resistência final cerca de 50% inferior à mistura anterior. Como aditivos não tradicionais, há alguns novos produtos, essencialmente ainda em fase de investigação e aplicações experimentais, que apresentam um grande potencial. Um destes "métodos" é o designado "ferroclay" (INGLES e LIM, 1980, 1982). Este processo pretende "imitar" os processos naturais de formação das rochas sedimentares, par exemplo, areias cimentadas com sílica, laterites, etc., através do use de Oxido de ferro, e do aquecimento

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sabe-se que um solo congelado é muito mais resistente e impermeável. permite tratar. 1969. e uma análise cuidada da resistência e propriedades tensão-deformação-tempo do solo tratado. podendo-se verificar o fenómeno de vitrificação. dando indicações que este processo poderá ser usado para armazenar de modo seguro detritos tóxicos como materiais de aterro. e no que diz respeito à congelação do solo. pelo que a congelação dos solos é por vezes utilizada em obras de tratamento temporário de solos. na sua execução. o solo é aquecido até à temperatura 20-30°C. misturado com Oxido de ferro. 1972). 1981). bem como dos sistemas a adoptar. por exemplo. águas tóxicas e poluídas. devido ao seu elevado custo. coma fixa uma grande quantidade de água. Este método tem a vantagem de poder aproveitar estes materiais a partir de resíduos de várias naturezas. Idênticos estudos foram apresentados pelos Japoneses. Obtêm-se com este método resistências à compressão da ordem dos 100 KPa. Se se usarem temperaturas mais elevadas provoca-se a fusão das partículas. tanto por aquecimento como por congelação. Este método. com um material rijo e durável. POTEVIN. é necessário executar uma análise térmica do escoamento do calor. em cerca de 4 dias. e manutenção do solo congelado sob edifícios aquecidos. compactado por camadas de modo à mistura ocupar o máximo de vazios. cal e hidróxido de alumínio. Estabilização térmica de solos Outros métodos de estabilização de solos. são os chamados métodos de estabilização térmica. de túneis. e. Par outro lado. Para executar um tratamento térmico de um solo. etc. após 8 dias.2. por exemplo para garantir a estabilidade de estacas. como par exemplo diminuição de sensibilidade à água. sobretudo nas regiões árcticas. De um modo muito geral. 4.moderado do solo. pode-se dizer que um aquecimento moderado do solo até uma temperatura da ordem dos 100°C provoca a secagem do solo. e aumento da sua capacidade resistente. A análise ter mica tem 40 . (MATSUO e KAMON. o tratamento este completo. Em linhas gerais. Testes de lixiviação efectuados sobre solos tratados em que se usaram águas com metais pesados mostraram que os metais pesados ficavam ligados a estrutura de cimentação. Um outro método envolve uma mistura de gesso. Se se usarem temperaturas da ordem dos 600°C a 1 000°C podem-se obter melhorias permanentes das características dos solos. e melhoria das propriedades resistentes. tem sido usado como método de tratamento permanente. como estabilização temporária para execução de escavações a céu aberto. usados unicamente em certos casos específicos. Em cases especiais. (FOUGEOT e ROUAULT. e uma solução de silicato de sódio. compressibilidade e expansibilidade. desde que não se permita nova molhagem.

Outra influência determinante. Existem bastantes processos para analisar do ponto de vista térmico a propagação do calor) essencialmente para o caso da congelação (SANGER. e não congelados. 1975). Desde que se estabeleça a diferença entre “calor latente" e "calor de vaporização". e que se tenha em atenção a complicação adicional que representa o transporte na fase vapor de calor e água. 1981. Figura 18 – Condutividade térmica do solo (segundo Mitchell. tempo de tratamento e distribuição da temperatura. A Figura 18 representa. para os casos de solos congelados. muitas vezes.que ser feita. é a percolação de água subterrânea na zona a tratar. para se poder determinar aquecimento ou refrigeração necessária. 41 . TSYTOVICH. para dois tipos de solos. através da sua temperatura de fusão e de vaporização. 1949). mas com a condicionante que o comportamento pode ser condicionado pela água. 1968. Esta análise é efectuada de modo similar à percolação e consolidação. as zonas de influência. adaptado de Kersten. é possível aplicar os mesmos métodos à análise do aquecimento de solos. SCHUSTER. 1972. a condutividade térmica.

1960. de modo aque a câmara de queima seja descida ao longo do furo. 1958). como métodos eléctricos. LITVINOV (1979) modificou o seu processo. têm sido usados tantos métodos de combustão. ou em controlo temporário da percolação. e limitações de profundidade (veja-se MITCHELL. citado por Mitchell. em casos em que se necessita de estabilização temporária do solo. Um sistema alternativo usa aquecedores eléctricos. até profundidades da ordem dos 12m. A grande limitação na aplicação deste método é o custo da energia necessária. Recentemente. acidentes. e introdução de certos componentes estabilizadores por vezes usados. É 42 . do que fundações em estacas e caixões. de grão fino. 1981). A major parte das aplicações bem sucedidas do aquecimento de solos tem sido em solos parcialmente saturados. em solos loéssicos. desenvolvido por LITVINOV (1960) para a estabilização de solo por aquecimento. foi utilizado para estabilizar solos colapsíveis sob estruturas. 1981). têm sido inclusivamente utilizados os raios laser para provocar a fusão do solo (ROM e al 1977. A escola soviética considera o aquecimento de solos tão eficaz. Figura 19 – Esquema para tratamento térmico em profundidade (segundo Litvinov. etc.Segundo se depreende da bibliografia consultada a maior parte das aplicações da estabilização térmica de solos. sendo vantajosa uma certa permeabilidade ao gás. O método de congelação pode ser um método bastante útil e versátil. construir um ensoleiramento geral para fundação de edifícios. e mais económico. estabilizar taludes (BELES e STÂNCULESCU. afim de permitir a saída de vapor de água. Posteriormente. tem sido realizada na Europa de Leste e na União Soviética. Na Figura 19 representa-se um método de campo. por aquecimento. para executar estacas vitrificadas "in situ". Para provocar o aquecimento. citado por MITCHELL. 1981). afim de evitar perdas de calor.

é necessário ter em atenção estes problemas. pode apre sentar resistências até 20 MPa. 1972 . Outro problema. movimentos potenciais e pressões do solo.necessário. que pode ocorrer em solos finos. 1981). em consequência da congelação. No que se refere a capacidade resistente. Assim. ter em atenção os seguintes aspectos: posicionamento correcto dos elementos de congelação. No entanto. devido ao aumento de volume da água ao congelar. Além disso. e a variação de volume. em solos siltosos e argilosos. Na Figura 20 representa-se um tipo muito corrente de problema que pode surgir num processo de congelação do solo. para ter êxito com um projecto de congelação do solo. sob carga aplicada longamente. cerca de 10 vezes. 43 . RADD e WOLFE. Figura 20 – Efeito da heterogeneidade dos estratos geológicos na forma da zona congelada (segundo Schuster. e propriedades de tensãodeformação do solo congelado. Deste modo. argilosos. resistência a longo termo. 1978). é de salientar que o solo congelado apresenta elevadas perdas de resistência por fluência. ou ainda um assentamento importante devido à consolidação provocada pelo degelo. padrão de escoamento e qualidade da água subterrânea. a baixas temperaturas. 1972). JONES e BROWN. Vários autores propuseram métodos pare efectuar essa estimativa (SCHUSTER. em ensaios rápidos. devido a heterogeneidade do terreno. 1978. considerável. pode baixar de resistência. e analisar previamente a amplitude possível dosmovimentos dos terrenos. de baixa permeabilidade. a direcção de propagação das ondas térmicas tem importância na variação direccional da resistência (KNUTSSON.

Estes sistemas provocam a congelação do solo mais lentamente. o início da rotura. Assim. a analise de estabilidade de massas de solo congelado. sendo altamente dependente da tensão e da temperatura. TAKEGAWA et al. como também devido as variações de temperatura e das tensões na massa de solo congelado (veja-se SCHUSTER. Num primeiro grupo. temos sistemas de refrigeração usando nitrogénio líquido. e de um modo resumido. são usados geralmente como método de recurso. O segundo grupo inclui os métodos envolvendo a circulação de um fluido de refrigeração. O espaçamento mais habitual entre os tubos de refrigeração e de 1 a 2 m. ou dióxido de carbono sólido. a previsão da deformação por fluência e a analise da possibilidade de rotura. depois de ter absorvido energia. num sistema aberto. e sendo extremamente caros. onde o elemento de refrigeração e perdido para a atmosfera. e ter passado ao estado de vapor.. 1979).A deformação de um solo congelado e uma deformação visco-plástica. mas são os mais económicos. tal como foi apresentado esquematicamente por SCHUSTER. A terceira fase representa. Estes sistemas podem provocar a congelação do solo de modo muito rápido. é um problema complexo. de alguns dias ate semanas. Na prática. TSYTOVITCH. Na Figura 21 apresentam-se curvas típicas de um solo congelado (argila siltosa) segundo SANGER e SAYLES. 1979. podem ser utilizados vários métodos para provocar congelamento do solo. em circuito fechado. para a curva T = 0°C. para emergências. 44 . algumas horas. No entanto. sendo no entanto difícil de controlar o seu resultado. e uma instalação de refrigeração mecânica convencional. esses métodos agrupam-se em dois grandes grupos. 1979. não só devido a heterogeneidade das formações. 1972. SANGER e SAYLES. 1972 (veja-se Figura 22). e a sua geometria irregular. Na pratica. 1975.

aliado à subida do custo dos combustíveis no último decénio. e têm tido alguma aplicação. Assim. dos raios laser. 45 . põe em sério risco a sua viabilidade na maior parte dos países. 1979). Apesar de ainda estar numa fase experimental. o elevado consumo de combustível e de energia.Figura 21 – Curvas de fluência para uma argila siltosa orgânica (segundo Sanger e Sayles. e sintetizando o que acabamos de ver. Este Ultimo tipo. para este método de aquecimento. de aquecimento1 tem sido bastante usado na URSS. os métodos térmicos da estabilização do solo apresentam perspectivas francamente boas. no entanto. No entanto. há boas perspectives quanta à utilização. convém salientar que o método de congelação é utilizado habitualmente como um método de estabilização temporária. ao passo que o método do aquecimento é utilizado como tratamento definitivo.

com filosofias e modo de funcionamento bastante diferentes. tendo como características comuns o facto de reforçarem o solo "in situ". tendo-lhes sido consagrado um esforço de investigação considerável. que serão desenvolvidas adiante. 1972). De notar que estes métodos têm sofrido um grande incremento nas três últimas décadas. estes métodos de tratamento de solos. para tratamento dos solos mole. bem como parte dos que serão desenvolvidos posteriormente. Por exemplo. bem coma o facto de ser um material composto. anterior mente referidas. em cada caso. executado pela construção alternada de uma camada de solo. temos a terra armada. a sua aplicabilidade ao tratamento de solos argilosos moles. e uma camada de reforço. Vamos abordar. Podem agrupar-se em dois grandes grupos. 5.Figura 22 – Métodos correntes de congelação de solos (segundo Schuster. as estacas de cal. O outro grupo envolve três processos. tentando avaliar. podem também ser considerados como reforço de solos. bem como as estacas de areia. Por um lado. são também um método de reforço dos solos. de modo sintético. 46 . que tem como características únicas o facto do reforço apenas suportar esforços de tracção. Reforço de solos Alguns dos métodos já referidos. estacas de brita. quando tratarmos dos drenos verticais. e dos elementos de reforço resistirem as tensões pelo menos de dais modos. No entanto há alguns métodos que são especificamente métodos de reforço de solos. microestacas e pregagens. a saber.

Mais recentemente começou-se a aplicar este tipo de tratamento para o reforço (veja-se BRANDL. Este engenheiro francês reparou. uma comporta em Dieppe. VAUGHAN. podemos dizer que a injecção de solos começou em 1802. no entanto. BALLY e KLEIN. convém desde já fazer realçar o facto de que este método só raramente é utilizado em solos coesivos. e unicamente quando não foi viável a execução de outro tipo de tratamento. quer se trate de injecção de cimento.i981) No entanto há relatos de tratamento de solos coesivos através de injecção. Pretendia-se evitar o amolecimento destas formações. E. com formação de cavernas seria grandemente prejudicial para os edifícios 47 . A partir dessa data. podemos citar ANAGNOSTI (1983) relatando o caso de injecção em margas decompostas e argilas sobre consolidadas fissuradas. de resinas ou outros. pois a desagregação das formações. Na figura 23 representam-se os limites de aplicação dos vários tipos de substâncias que podem ser utilizadas na injecção de solos.Limites de aplicacao de varios tipos de calda em função da granolometria dos solos e propriedades dos solos tratados (segundo mighell. 1983) bem coma para controlar e limitar movimentos de solos. um método bastante dispendioso. passando a ser um método largamente usado na estabilização e tratamento de solos. a injecção de solos desenvolveu-se enormemente. o que o limita ao tratamento de zonas muito localizadas. No entanto. 3 Figura 23 . são estas últimas aplicações dessa tecnologia que serão mais atentamente analisadas. com CHARLES BÉRIGNY. 1983. 1983. A utilização inicial deste tratamento – injecção – foi no controle e limitação da percolação. a ser largamente empregue com essa finalidade. e bem assim limitar a escavação à geometria pretendida. continuando. a baixa permeabilidade das argilas quase sempre impede a injecção nestes solos. injectando uma massa de argila e cal hidráulica por baixo da referida comporta. de silicatos. No âmbito desta dissertação.1. nesse ano. Injecção de solos Citando MITCHELL (1981). Como exemplo. alias. De facto.5.

sendo as fissuras e superfícies de fractura preenchidas com a calda. Pode-se obter. Vamo-nos debruçar portanto. A injecção de solos tem sido. O 1º tipo referido só pode ser aplicado. ANAGNOSTI chegou à conclusão de que este tipo de tratamento era viável tanto técnica coma economicamente neste tipo de formação – margas alternadas e argilas sobre consolidadas fissuradas – sendo no entanto de notar que. Na figura 16 representam-se estes três tipos de injecção. devido à dificuldade de êxito. CAMBEFORT (1973)). O 1º é caracterizado pelo preenchimento dos vazios pelo produto injectado. considerada como uma arte. provocando a rotura do solo. não é relevante a determinação laboratorial de permeabilidade. para análise do problema. a altas pressões. quanto a execução e modo de "ocupação" no solo. o maciço de argila fissurada 6 tratado. que aperta o solo. podemos considerar que há. em solos coesivos. pode-se dizer que nos últimos anos já foram estabelecidos os conceitos de base. tendo sido utilizada uma solução química aquosa. No entanto. A obra foi bem sucedida. Figura 24 – Tipos de injecções 48 . método utilizado nos solos coesivos.sobrejacentes. e injectada uma pasta bastante espessa e viscosa. Ou seja. por deslocamento. para analise e projecto. um resultado semelhante. no caso de argilas 'sabre consolidadas muito fissuradas. três tipos de injecções: o que poderemos designar por injecção de "permeação". por compressão. como um maciço rochoso fissurado. sobre essas bases da técnica de injecção. a injecção por deslocamento. Usam-se para este tipo de injecção caldas relativamente fluidas. por ensaios "Lugeon". De um modo geral. mais do que uma técnica. e a injecção por "encapsulação". mantendo-se no entanto a estrutura sólida do solo. e enunciados os princípios orientadores da sua aplicação e concepção (CARON et al (L975). No 2º tipo. mas sim a determinação "in situ".

visando a diminuição de viscosidade. reforço de fundações. etc. diluição pela água subterrânea. e as caldas químicas. que as condições químicas locais podem influenciar a actividade do produto. KURDENOV (1983) dá exemplos de aplicação ao controle d assentamentos diferenciais. pois não só reage com o solo adjacente à furação. devido a sua mais baixa viscosidade. Mas também se utiliza a cal. No entanto a preferência pelos silicatos deve-se a dois factores: custo e grau de toxicidade baixos. com aditivos químicos. tem uma aplicação restrita. solo ou argila. estabilização de taludes e ainda controle das variações de volume de solos expansivos. No entanto. Assim. de modo a reduzir assentamentos excessivos. As caldas químicas tem ainda a vantagem de conseguirem penetrar em poros de dimens6es mais reduzidas. reforço da capacidade resistente de solos. As caldas químicas são constituídas por soluções de varias matérias. Este tipo de injecção. as aplicações por excelência das injecções são o preenchimento de vazios. Mas JOSHI et al (1985) mostraram que a cal é boa para estabilizar solos. etc. resinas. muitas vezes. este tipo de calda não 49 . podem ser usadas dois tipos de caldas: caldas de particulas1as primeiras a serem usadas. mas também a certa distancia. podem também actuar sabre as características finais da injecção. as mais usuais são as caldas de cimento ou solo-cimento. aumento da resistência por atrito lateral de estacas. a utilização tradicional das injecções – controle de percolação – não tem interesse. Este tipo de calda e tratado. Como se pode observar na figura 15. completada sempre por ensaios preliminares.. ou compactando-o. mais usualmente provocando a rotura do material. para solos coesivos. nestas injecções.Do ponto de vista em que analisamos este problema. controle dos deslocamentos de solos sujeitos a escavação. na ordem dos 90%. 1976).. apesar de. Convirá. se usarem caldas de solo ou argila pura. uma cuidada análise prévia. Quanto a caldas "de partículas". é necessário ter em atenção. Esta última utilização das injecções e normalmente executada com uma calda de cal. por vezes. No entanto esta técnica é controversa considerando certos autores que só em condições especiais a efectiva. Os mais usados. (WRIGHT. ou suas misturas. bem como com aditivos visando evitar a floculação do cimento. permitindo assim uma melhor penetração. Em geral. são os silicatos. em solos moles. coma a temperatura. pois em geral os materiais considerados nesta dissertação são "impermeáveis". portanto. As primeiras são constituídas por cimento. 1973 THOMPSON e ROBNETT. por migração do cálcio. e a dimensão coloidal das suas partículas. Os aditivos químicos permitem ainda controlar o tempo de presa da calda. Outros factores. coma se pode ver na figura 15.

e acaba por ser à água intersticial que toda a energia e transmitida. através da vibração que provoca o adensamento da areia. podemos estabelecer o seguinte critério de possibilidade de injecção em solos com caldas de partículas (MITCHE11. melhorando deste modo as suas características geotécnicas. entre os quais podemos citar a cimentação com jacto. sendo o vazio imediatamente preenchido com argamassa de cimento.penetra em areias finas. a alta pressão. a vibro compactação traduz-se nos solos moles. apareceram recentemente outros processos. a cimentação com jacto e uma técnica de substituição do solo. sendo esta removida por jacto de água ou ar. Ao contrario da injecção de calda convencional. uma diminuição das tensões efectivas. Consiste este método na introdução de um cilindro vibrador no solo. Este método não é em geral aplicável a solos argilosos moles pois devido a baixa permeabilidade que eles apresentam não se dá a dissipação das tensões intersticiais da água. Estacas de brita Desde a década de 30 que tem sido usada. 5.1981): N D15 solo D85 calda N  24 : injecção possível N  11 : injecção impossível Nc  D10 solo D95 calda N c  11 : injecção possível N c  6 : injecção impossível Além do processo tradicional de cimentação de solos que é a injecção. transmitindo-lhe uma energia. Como regra geral.2. a vibro compactação. em vez de se melhorar as características dos terrenos. me todo que temos vindo a referir. como técnica de melhoria de areias soltas. diminuem-se as suas propriedades resistentes. ou seja. 50 . num aumento das tensões intersiciaisd4 água e consequentemente. em consequência.

ser apertada contra o terreno envolvente. que em seguida é compactada por meio do vibrador. que se sup3e ser o solo influenciado pela presença da estaca de brita. na vibrocompactação para tratamento de solos argilosos moles. do ponto de vista técnico. A introdução da brita é facilitada pela utilização de ar comprimido. pensamos ser preferível. As estacas de brita. essencialmente na consideração da sua interacção com o solo. e do espaçamento entre estacas. e a técnica com jacto de agua. duas técnicas a técnica a seco. 51 . Em qualquer dos modos. após a abertura do furo. O diâmetro deste cilindro exterior. Com os equipamentos disponíveis de momento. Assim. cheia posteriormente com brita. a execução de estacas de brita a seco. não só por não haver extracção de material na execução do furo. ou numa superfície inclinada. Podem-se usar. e das características geotécnicas do terreno "in situ". o vibrador era retirado para a introdução de brita. em que se utiliza água sob pressão para cortar o solo. definidor da "célula unitária". sem ser portanto necessário retirá-lo. dependendo o diâmetro final da energia de vibração aplicada. como ainda por a brita. reduzindo ou anulando o seu efeito de dreno. em nossa opinião. é possível executar estacas de maiores diâmetros. e em absoluto. são também usadas para resistir ao corte na horizontal. com o use de areia em vez de brita – método Compozer (ABOSHI etal. Uma das desvantagens que tem a utilização da furação com o auxílio de jactos de água é a quase inevitável contaminação da estaca de brita. que é provocada pela sucção quando o vibrador é retirado ou subido. ao ser compactada. de um método em que a brita e introduzida por um tubo soldado ao vibrador. executadas tanto a seco como com jactos de água. que funcionam razoavelmente como dreno.. na Alemanha. em parte. 1985). um método baseado. composta pela estaca de brita e por um cilindro de solo envolvente. com o método da vibrocompactação. A baixa rentabilidade que este processo provocava levou ao desenvolvimento. na analise de estacas de brita. em que a introdução do vibrador no solo se faz unicamente com base na sua energia de vibração. depende do tipo de malha de estacas utilizado. É tradicional. 1979). podem ter diâmetros variáveis. basear o raciocínio numa "célula unitária”.Desde o fim da década de 50 começou a desenvolver-se na Alemanha. entre 60cm e lm. acoplando vários vibradores. No Japão desenvolveu-se uma técnica semelhante. por materiais finos do solo. A introdução do vibrador abre uma cavidade em profundidade. facilitando a introdução de vibrador (CRISTOVAO. Estas estacas. A execução a seco tem ainda a vantagem de provocar uma compressão do solo mole em torno da estaca de brita. O ar comprimido tem ainda a função de evitar a instabilização do furo.

alias. 1984). dando à estaca um comprimento superior ao comprimento crítico. desde que se execute. Isto não implica instabilidade. c) malha quadrada (segundo Cristóvão. ou a uma rotura da estaca (Figura 26c e 26b). 1985). e que poderemos designar por rotura por deformação radial da estaca (BERGADO et al. desde que se estabeleça um estado de equilíbrio de tensões entre a estaca e o solo. estando sujeita. uma distribuição da carga pela estaca e pelo solo envolvente. tal como está representado na figura 25. a estaca de brita entra em deformação plástica. A rotura da estaca pode ser facilmente obviada. b) malha triangular. só em profundidade é que a estaca irá mobilizar a resistência do solo envolvente. triangulares e quadradas. sendo a diminuição global de volume suportado pelo solo argiloso envolvente da estaca. Considerando a estaca de brita como incompressível. assim que funcionam quase todas as estacas de brita até hoje realizadas. por exemplo. Deste modo. a superfície. 1985. A rotura generalizada por corte é evitada. devido ao aumento das tensões horizontais de confinamento da estaca 52 . Se esse limite for ultrapassado. ou seja. Figura 25 – Tipos de malhas de distribuição de estacas: a) malha hexagonal.CRISTOVÃO. dá alguns exemplos dessa determinação. Quando se carrega unicamente a cabeça de uma estaca de brita. o tipo de rotura mais geral é o representado na figura 26a. Se não se ultrapassar determinado valor da carga. a deformação da estaca será uma deformação elástica e o assentamento total é relativamente pequeno. obrigara a que a deformação vertical da estaca seja compensada por uma expansão radial. para malhas hexagonais. com expansão radial. a uma rotura por cor to generalizado. uma deformação plástica aumenta a participação do solo na resistência global. qualquer variação do volume da "célula unitária". É. por aplicação de uma carga.

A figura 27 mostra o aumento da tensão efectiva radial. Este facto poderá indicar da boa adaptabilidade deste tipo de reforço. e sugerem.. que abaixo da profundidade correspondente a dois diâmetros de estaca as deformações radiais são negligenciáveis. baseados na sua experi2ncia (veja -se figura 28). Figura 27 – Curvas tensões – deformações radiais. na zona de maiores deformações laterais. 1984). em solos moles. HUGHES e WITHERS (1974) mostram que a deformação radial diminui em profundidade. uma maior tensão de confinamento. NAYAK (1982) apresenta resultados em contradição com os anteriores. determinada com base em ensaios pressiométricos (adaptado de Bergado et al.que se origina. 1984). logo podendo desenvolver. No entanto. em função da deformação radial. com uma camada superficial sobre consolidada. sugerindo profundidades mais elevadas. Figura 26 – Tipos de rotura de estacas de brita (segundo Bergado et al. aumentando a resistência global do conjunto solo-estaca de brita. 53 ..

com a profundidade (segundo Hughes e Withers. b) Deslocamento radial do perímetro da estaca/raio inicial da estaca.  . De um modo muito geral poderemos dizer que as condições de tensão a que esta sujeita uma estaca de brita são muito semelhantes as que se verificam no ensaio triaxial estandardizado. em geral. Normalmente despreza-se a consolidação do solo devido ao carregamento à superfície. ao ser aplicada uma tensão vertical efectiva  v' . mobilizando a resistência lateral do solo envolvente. podemos dizer que a capacidade de carga de estacas de brita. por se ter atingido a tensão radial máxima.  r . '  rf '  vf '  rf '  vf atinge-se quando o solo rompe radialmente. . em profundidade. resulta uma tensão radial efectiva. as dimensões iniciais da estaca e as características ' tensão-deformação e ângulo de atrito interno. em solos moles. ter-se-á que ter em consideração a resistência ao corte não drenado do solo. do material da estaca. isto g. tem -se que. as características tensões-deformações radiais do solo. 1974). De qualquer modo. ou estacas granulares. para analisar o seu comportamento. pela ' carga à superfície do terreno. A tensão vertical efectiva máxima que uma estaca de brita pode suportar. a tensão horizontal "in situ" do solo. devida à reacção horizontal do terreno envolvente. Para se proceder ao dimensionamento de estacas de brita. é devida essencialmente à expansão radial no troço superior da estaca. A condição de rotura que relaciona com é: 54 . Assim.Figura 28 – a) Deslocamento vertical. que pode suportar.

e dos parâmetros E. K terá um valor de 4. GIBSON e ANDERSON (1961) apresentaram o seu método. ' '  rf   ro  KSu : podendo portanto escrever  ' vf 1  sin  '  ro  u  KS u   1  sin  ' Nesta expressão. em que se basearam na expansão de uma cavidade cilíndrica. Segundo HUGHES e WITHERS (1974). e HUGES. Para argilas saturadas VESIC (1972) apresenta valores de Ir entre 10 e 300. total inicial. No entanto.  e Cv. a partir desta fórmula. A partir deste índice de rigidez. digamos que clássica. WITHERS e GREENWOOD (1976) substituem a equação básica de GIBSON e ANDERSON (1961):  r   ro  C v 1  ln     pela equação atrás apresentada:   E  21   C v     '  r   ro  u o  4C u 55 . Estes autores admitiram um estado de deformação radial piano. atrito e deformações volumétricas. VESIC (1972) deduz a capacidade de carga das estacas. Su é a resistência ao corte não drenado da argila. VESIC (1972) partindo dos estudos anteriormente feitos por GIBSON e ANDERSON (1961). '  rf ' vf 1  sin  ' '   rf 1  sin  ' '  ro o valor de pode ser expresso em função da tensão radial inicial. No entanto. A partir daqui. HUGHES e WITHERS (1974). com um material ideal elasto-plástico.  ro é a tensão radial ' o ângulo de atrito interno do material da estaca. outros autores apresentam outros valores. Assim. desenvolveu o estudo sobre a expansão de cavidades esféricas e cilíndricas. considerando na zona plastificada coesão. u é a pressão intersticial da água. define um coeficiente de rigidez Ir representando a relação entre o modulo de deformabilidade transversal e a resistência ao corte não drenado. vários outros autores apresentaram métodos para a determinação da capacidade de carga das estacas de brita.

1985). No seu modelo. como por exemplo GERRARD et al (1984). em equilíbrio limite. eles supuseram que a argila e a brita têm um comportamento elasto plástico. considerando que o estado de tensão é um estado tridimensional. este autor considera a semelhança com o ensaio triaxial. BRAUNS (1978) considera os métodos anteriores como incorrectos. em função do ângulo de atrito interno (segundo Cristóvão. tendo as primeiras comparações com a observação sido bastante animadoras. Na figura 29 apresenta-se uma comparação da tensão máxima. por considerarem a estaca a funcionar em estado de deformação radial piano. e com deformação a volume constante. mas considerando as estacas de brita. VAN IMPE e DE BEER (1983) voltam a considerar o estado de deformação plana. calculada por vários métodos. 56 . numa estaca de brita. assumindo como critérios de rotura.2. em função do ângulo de atrito interno. o de TRESCA para a argila. e o de MOHR-COULOMB para a brita. e uma superfície de rotura inclinada relativamente à horizontal. Ora. Esse modelo foi incorporado num programa de elementos finitos. sob a acção das cargas. Têm ainda sido apresentadas algumas tentativas de apresentar modelos constitutivos do conjunto solo reforçado com estacas de brita. que apresentam um modelo constitutivo de um material equivalente a um estrato de argila com uma malha de estacas de brita homogénea e uniformemente distribuídas. Figura 29 – Comparação da tensão máxima.g em que se supõe que o coeficiente de impulso em repouso do solo é 4.

a eficácia do seu método deve-se essencialmente à noção de critério de resistência macroscópica que permite considerar correctamente a anisotropia de rotura do material "solo reforçado". da geometria da carga. supõem que o solo foi submetido a uma tensão que o levou à rotura. coma se vê na figura 30. A figura 31 apresenta uma comparação gráfica entre vários desses autores. com base nas respectivas teorias de comportamento do solo reforçado com estacas de brita. no dimensionamento de um reforço com estacas de brita. numa tentativa de 9eneralizacao de trabalhos anteriores de MATAR e SALENÇON (1979). normalmente. a evolução dos factores de melhoramento em função das propriedades de solos. essa carga de rotura corresponde a assentamentos excessivos para a estabilidade ou o bom funcionamento da estrutura que suportam. No seu trabalho e comparando com outro método. Mas este modelo ainda considerava o conceito de "célula unitária". e da geometria das estacas de brita. para o caso de cargas de grandes dimensões (aterros. Os métodos actualmente existentes. 57 . Todos os métodos anteriormente referidos. No entanto. seguindo ambos o critério de rotura de MOHR-COULOMB. para previsão dos assentamentos de fundações em solos argilosos moles reforçados com estacas de brita baseiam-se na generalidade no conceito "factor de melhoramento do solo". e não o dimensionamento à rotura. para determinação da capacidade de carga de estacas de brita. na maior parte dos problemas relativos a estacas de brita. Segundo aquele autor. por exemplo) e considerando uma superfície "infinita" tratada com estacas de brita. (1984). facto que não acontece no modelo de GERRARD et al. é o dimensionamento aos assentamentos. e o que se verifica com o solo reforçado. LE BUHAN (1984) e SALENÇON e LE BUHAN (1985) baseados na ideia de que seria possível tratar um solo reforçado como um meio homogéneo anisótropo a escala macroscópica da obra a analisar. SALAAM e POULOS (1982) tinham apresentado um modelo em que consideravam tanto a argila como a brita coma materiais elasto plásticos. apresenta um método de "homogeneização" para analise do comportamento desses solos reforçados. o determinante. LE BUHAN (1984) concluiu que seu método de homogeneização constitui uma abordagem racional eficaz dos problemas de dimensionamento de obras em solos reforçados. Isto é. ou seja. E não há dúvida que o reforço com estacas de brita reduz bastante a amplitude dos assentamentos. na relação entre o assentamento que se verifica sem reforço com estacas de brita. Numerosos autores apresentam.Anteriormente a estes autores.

e para o solo sem tratamento (segundo Bergado et al. Figura 31 – Comparação dos factores de melhoramento do solo de acordo com vários autores (segundo Cristóvão. 1984). 58 .Figura 30 – Curvas carga assentamento para várias estacas de brita. aplicando-os a três casos reais.. 1985). BARKSDALE e GOUGHNOUR (1984) fizeram um estudo comparativo entre três dos métodos mais recentes para determinar os assentamentos de solos reforçados com estacas de brita.

E é este factor. O material da estaca é suposto elastoplástico. definido como o quociente da secção da estaca de brita. segue a teoria da consolidação de TERZAGHI. este método sobre estimou. pela área total da célula unitária. e incompressível no estado plástico. Para ter em conta a variação da tensão de confinamento com a profundidade. que incluiu a influência da deformação radial do material. e as o coeficiente de substituição de área. tem o inconveniente de o factor n ter que ser escolhido com base na experiência. as características tensão-deformação da brita. No entanto. podendo ser igualmente aplicado quando o reforço é feito com estacas de brita. para estimar os assentamentos da argila) podendo. e é simples de aplicar. analisa individualmente elementos com a forma de disco da célula unitária. (com  s . tem a vantagem de dar uma sensibilidade física do problema. O método incremental. Para que exista equilíbrio das forças verticais dentro da célula unitária. proposto par GOUGHNOUR e BAYUK (1979). coma a tensão existente na estaca de brita. Um erro de escolha no coeficiente n é da maior importância. o valor dos assentamentos.Assim. Usualmente aplica-se a teoria unidimensional da consolidação. a tensão no solo envolvente da estaca terá de ser: c  1  n  1a s     c onde σ é a tensão media aplicada em toda a superfície da célula unitária. que usa parâmetros convencionais de mecânica dos solos directamente na sua formulação. a analise é executada 59 . Para calcular o assentamento selecciona-se um valor de n. no entanto. e confinado dentro da célula unitária. a dividir pela tensão no solo envolvente. Define um factor de concentração de tensões. neste método. Na analise feita par BARKSDALE e GOUGHNOUR (1984). O método do equilíbrio é usualmente usado no Japão para prever os assentamentos que se verificarão em solos moles reforçados com estacas de areia compactada. o método incremental proposto por GOUGHNOUR e BAYUK (1979). analisaram o método do equilíbrio.  c n s c ). e a tensão no solo envolvente da estaca calcula-se pela equação acima. n. nos três casos em analise. Este método. O solo envolvente da estaca de brita. Este método considera igualmente o conceito de célula unitária. usado habitualmente no Japão. e o método dos elementos finitos desenvolvidos par BARKSDALE e BACHUS (1983). ser utilizada outra teoria. alterada de modo a incluir tanto as deformações horizontais como verticais. e o aumento da tensão de confinamento com a profundidade.

pode-se fazer variar tanto as propriedades dos solos. Tem a vantagem de considerar. Na figura 32 apresenta-se. ou um computador. na figura 32 tomado como ν=0. na sua formulação. pode-se dizer. que o método usa os parâmetros convencionais da mecânica dos solos na sua formulação. Ko = 0. O valor de Re é pouco sensível ao valor de ν. e para os casos Фestaca=45º. Permite variar as propriedades do solo e as condições de tensão de elemento para elemento. e tem ainda em conta o aumento da tensão de confinamento em profundidade. Na figura 33 apresenta-se. em regime plástico. GOUGHNOUR (1983) apresentou ábacos que facilitam a aplicação desta teoria. (1983). como BARKSDALE e GOUGHNOUR. relativamente ao método anterior. Os resultados que BARKSDALE e GOUGHNOUR obtiveram nas aplicações já referidas.5.4 e 0. tiveram uma excelente compatibilidade com as observações.sobre sucessivos elementos circulares da célula unitária. e Фestaca = 40º. tanto a compressão vertical como a radial do solo "in situ”. como exemplo. Tem. o inconveniente de a sua resolução exigir uma calculadora programável. o gráfico que dá o valor do factor de redução da deformação em regime elástico. em função do coeficiente de rigidez. o gráfico de GOUGHNOUR (1983). Como conclusões da aplicação deste método aos mesmos casos reais.3. a não ser que se usem os gráficos elaborados por GOUGHNOUR. Com este método. considera tanto o material com comportamento elástico como plástico. para o factor de redução das deformações. como os estados de tensão com a profundidade. 60 .4 e 0. definido em termos das características de consolidação das argilas. Ko=0. desse trabalho. (1984).5.

só é possível ter em conta as variações das propriedades e do estado de tensão em profundidade utilizando valores médios.5 (segundo Goughnour. não lineares. No entanto. considera tanto o comportamento e1ástico como o plástico dos vários materiais. destes três métodos. aplicadas como "Reticulo de Micro-estacas" ou "Reticulo de Estacas Raiz" (Reticolo 61 . Ko = 0. Pode ter facilmente em conta variações dos parâmetros do solo e do estado de tensão em profundidade.5.3. Figura 33 – Factor de redução das deformações em regime plástico: a) Фestaca=45º. Micro-estacas As micro-estacas tiveram o seu início em 1952.4 e 0. tem-se uma solução fácil de aplicar. o método desenvolvido por BARKSDALE e BACHUS (1983) usa o conceito da célula unitária. e tecnicamente correcto. o módulo de elasticidade da argila é muito sensível ao coeficiente de Poisson. e a teoria de elementos finitos. Ko=0. Se se usarem os gráficos de cálcu1o. mas perde-se em versatilidade. Com este método. desde que a análise seja executada muito cuidadosamente. 1983). os autores consideram os resultados bons. Com os gráficos.Figura 32 – Factor de redução das deformações em regime elástico (segundo Goughnour. 5.4 e 0. se se aplicar uma solução por computador a cada problema individual. Esta sua aplicação sai fora do âmbito deste trabalho. Finalmente. e foram durante largo tempo usadas essencialmente como escoras. e considera também o efeito do aumento de tensão de confinamento em profundidade. 1983). b) Фestaca = 40º. Por ultimo. para calcular a compressão vertical e radial do solo. Este método é muito versátil.

Assim. Com esta finalidade. as características da camada de aterro entre as micro-estacas e a sapata são importantes. ele próprio reconhece que só a experiencia. variáveis entre 8 e 50 toneladas. foram utilizados. coma reforço de fundação de estruturas de suporte. que é o "pai" da microestaca. nestes dois últimos casos. entre a base da sapata e o solo. tentativas para uma análise com bases mais sólidas. uma barra ou um tubo metálico. quer uma camada de tout venant. de elevada plasticidade. não se consegue mobilizar nem aproximar a tensão de rotura da microestaca. isto é como grupo. No caso de solos compressíveis a micro-estaca fica com um diâmetro superior ao do entubamento. Quando se retira o entubamento introduz-se mais betão. de modo a que essa pressão garanta um contacto entre o betão e o solo envolvente. Têm aparecido. grupos de micro-estacas verticais e "retículos" de micro-estacas. individualmente. em verdadeira grandeza. que pode ser um varão. LIZZI (1983). foram executados ensaios representando uma sapata sobre solo virgem. individualmente. que cada estaca. ou com bomba. as micro-estacas podem ser utilizadas em qualquer tipo de solo. A execução das micro-estacas é feita pela furação entubada. permitem um dimensionamento seguro deste tipo de reforço. 62 . é introduzido no interior do entubamento. ou à pressão de ar. e em construção de túneis. O reforço. É evidente. PLUMELLE (1984) apresentou ensaios em verdadeira grandeza sobre microestacas isoladas. quer uma camada de areia compactada. pode estar sujeita a tracção. No entanto.di Pali Radice). e sobre grupos e retículos de micro-estacas. podem ser utilizadas para formar uma espécie de massa do solo reforçado. no entanto. As conclusões gerais a que PLUMELLE (1984) chegou foram: o reticulo de micro-estacas é mais eficaz que o grupo de estacas verticais. entre 75 e 250mm. baseado nos parâmetros geotécnicos dos solos. Assim. e aplicadas na estabilização de encostas. com diâmetros. bem como do "Reticolo di Pali Radice". recentemente. O furo é então cheio com um betão rico em cimento de agregados finos. com as micro-estacas inclinadas entre si. como seja para fundação de edifícios. apresenta um esquema geral de cálculo. quanto ao modo de funcionamento destas micro-estacas. e ensaios "in situ". Não sendo possível compactar um solo mole. compressão ou flexão. mas a interacção das estacas num "reticulado" com o solo é complexo. As micro-estacas podem ter capacidades de carga. simultaneamente que com novas aplicações. A figura 34 esquematiza alguns dos resultados por ele obtidos. pode-se jogar com a granulometria havendo uma nítida melhoria com a utilização de "tout-venant".

sugeriram a utilização de micro-estacas. PITT e RHODE (1984) apresentam uma nova aplicação da micro-estaca. mas praticamente não têm sido considerados no que diz respeito aos caminhos-de-ferro. PITT e RHODE (1984) propuseram a execução das micro-estacas. cinzas essas que apresentam a característica de serem auto-cimentantes. o que equivaleria a refazer todo o sistema de caminhos-de-ferro americano. aqueles autores chegaram à conclusão da inviabilidade da recompactação das sub bases. e simultaneamente a suportar o balastro e os carris. De notar que os problemas relacionados com a qualidade da sub base tem sido bastante bem estudados para o caso das estradas. e sobre grupos de estacas verticais ou inclinadas com base de areia ou tout-venant (segundo Plumelle. com novos produtos. mas. 1984). Analisando portanto este problema. eram as características da sub base. para os adaptar às novas cargas rolantes. 63 . solução economicamente inviável. coma existe no médio oeste americano o grave problema económico que é a destruição ou armazenamento das cinzas de carvão (lenhite de baixo teor em enxofre) das centrais térmicas. Analisando o conjunto de problemas. com cinzas de carvão. Levados a analisar a necessidade de reforço dos caminhos de ferro dos EUA.Figura 34 – Curvas de tensão deformação para sapatas em solo virgem. chegaram à conclusão que mais importante do que a mudança sistemática dos carris e do balastro. a reforçar a sub base.

em geral. simples barras de aço de diâmetros de 20 a 30 mm. da execução das fundações de estruturas da estação de montanha de um teleférico. bem como. normalmente. A figura 35 representa esquematicamente a concepção da execução e o modo de funcionamento destas micro-estacas. mais raramente. ou à percussão. Para garantir uma boa ligação do varão ao terreno. A solução adoptada. Com bastante interesse também. foi a da execução de micro-estacas em rocha. ou de outro material. introduzidas no terreno ou em furos abertos por sondas. revestindo o talude.4. As pregagens são. Esta técnica tem sido usada para consolidar taludes maturais e de escavação. em talude de escavação. Pregagem de solos A pregagem de solos designa um método de reforço do solo natural com barras de aço. o pequeno espaço em anel. 1984). para melhorar a capacidade de carga dos solos de fundação. 5. injectado com uma argamassa de cimento. Na figura 36 apresenta-se de forma esquemática a execução de uma pregagem. Usualmente também as pregagens são solidarizadas com um revestimento de betão projectado. ASTE e MESSIN (1984) apresentam o problema. com a finalidade de aumentar a resistência à tracção e ao corte do solo. Este sistema de pregagem de solos pode ser usado em muitas das situações 64 . é. por permitir resolver todos os problemas. com condicionantes bastante grandes. entre o varão e o solo.Figura 35 – Esquema conceptual da instalação dos pares de micro estacas e nodo de funcionamento dessas micro estacas (segundo Pitt e Rhodes. O seu comprimento é da ordem dos 50% da altura da escavação a consolidar.

65 . de dimensionamento. e em consequência da rigidez relativa das pregagens e do solo. e do solo pregado. na última década. Assim. para a compreensão e modelização do comportamento das pregagens.em que uma massa de solo tem que ser estabilizada. transferência de esforços entre o solo e as pregagens.. alem das já referidas utilizações para estabilização de taludes naturais e de escavação. O dimensionamento de sistemas de pregagem envolve a determinação do tamanho. O limite desta "coesão" atinge-se quando se alcança o deslocamento necessário para mobilizar o impulso activo do solo. A análise global da estabilidade da massa de solo pregado pode ser executado segundo os métodos usuais. Esta coesão depende principalmente do deslocamento. para tentar compreender o comportamento ao corte de um solo reforçado com pregagens. Pode ser utilizado para reforçar ou reduzir assentamentos de solos argilosos moles debaixo de aterros de estadas ou caminhos-de-ferroo. JURAN et al (1981). Com estes ensaios. transferência essa que se efectiva essencialmente por um impulso lateral e pelo efeito abóbada. segundo aqueles autores. apesar de terem incidido. obrigando as pregagens a entrar em flexão. Figura 36 – Execução de pregagens estabilizando um talude de escavação (segundo Stocker et al. espaçamento. na quase totalidade. no corte de um solo pregado. ou tem que ter a sua estabilidade reforçada. etc. o facto de terem sido realizados sabre modelo reduzido e em verdadeira grandeza. ou pelo menos regras. A tensão de corte que assim se origina traduz-se pela mobilização de uma coesão aparente do solo pregado. STOCKER et al (1979) pretendiam determinar um método correcto. orientação e comprimento das barras a usar. que permitiu pôr em evidencia algumas facetas daquele comportamento.. sobre solos não coesivos. Os ensaios realizados por STOCKER et al (1979) têm como grande vantagem. 1979). para a compreensão do mecanismo de funcionamento das pregagens. debaixo de tanques de armazenamento. Assim. Tendo começado como uma técnica semi-empírica. realizaram uma serie de ensaios laboratoriais. tem havido um certo esforço. com caixa de corte de grandes dimensões. mostrou-se que havia.

continuando a desenvolver o respectivo programa de investigação... apresentam no seu trabalho algumas "notas" com interesse prático.Com o trabalho que apresentam. De um modo resumido. Consideram. e d.. como a estabilidade interna têm que ser analisadas. Figura 38 – Esquema de cálculo de estabilidade de um muro de suporte pregado (segundo Stocker et al. que na análise da estabilidade de um solo pregado. 1979). esquematizados na figura 37. Face às suas experiencias. apresenta como tipos de rotura mais prováveis os casos c. 66 . tanto a estabilidade global. STOCKER et al (1979) consideram quatro tipos de rotura possíveis. Figura 37 – Mecanismos de rotura possíveis num muro de escavação pregado (segundo Stocker et al. em primeiro lugar. chegam à conclusão que tal não era ainda possível. 1979). No entanto. O esquema de cálculo apresentado por aqueles autores está representado na figura 38.

Esta análise. era suficiente para estabilizar uma massa previamente em instabilidade. Aqueles autores consideram o método por eles apresentado como um método de calculo mais simples que os métodos convencionais. no caso da estrutura de suporte da escavação. que baseou a formulação de uma equação simplificada de estado limite. a major parte dos trabalhos que se encontram na bibliografia lidam essencialmente com a análise de casos reais e só alguns poucos tentam aprofundar os métodos de cálculo ou os modelos de comportamento. GASSLER e GUDEHUS (1981) e GUDEHUS (1982) – apresentam a analise da estabilidade de um corte vertical em solo não coesivo. desenvolvendo os trabalhos que tinham realizado com STOCKER et al (1979). Estes autores concluíram. avançam com a preparação de alguns ábacos de cálculo. que foram devidamente instrumentadas. no entanto. chegaram à conclusão que uma pequena melhoria no factor de segurança. a resistência ao arrancamento das pregagens e a sobre carga como variáveis estocásticas. GUDEHUS (1982) apresenta o método de cálculo anteriormente apresentado (GASSLER e GUDEHUS. aos apresentados na figura 38). Quanto à encosta. Considerando o peso unitário e o ângulo de atrito interno do solo. não consideram os esforços de carte. permitiu-lhes concluir que a principal contribuição para a probabilidade de rotura era a variação do ângulo de atrito do solo. tal coma anteriormente já tinha sido apresentado. através da execução de pregagens verticais. Vários outros autores se têm debruçado sabre o dimensionamento de pregagens. mas não iguais. um muro de suporte pregado. com maior pormenorização. Um destes casos será o de GUILLOUX (1984).GASSLER e GUDEHUS (1981). No entanto. e objectivo. suportado par uma estrutura de betão projectado e pregagens. O método de cálculo apresentado por estes autores considera as forças axiais nas pregagens. e a resistência das pregagens. ao contrário de JURAN et al (1981). CARTIER e GIGAN (1983) analisam e observam o caso de duas estruturas reais. para alguns casos estandardizados. com base num mecanismo de translação de dois corpos. na continuação dos trabalhos anteriormente referidos – STOCKER et al (1979). GASSLER e GUDEHUS (1981) chegaram à conclusão que os cálculos de estabilidade se podem basear na translação de dois corpos (semelhantes. e uma encosta natural com pregagens verticais. essencialmente ao nível técnico. em que estes autores. BANGRATZ e GIGAN (1984). Muito importante é o trabalho de GASSLER e GUDEHUS (1983). aqueles autores apresentam uma análise probabilística da estabilidade da obra. essencialmente a influênciaa da inclinação. MARCHAL (1984) analisa em laboratório o comportamento de uma única pregagem. que analisa os principais fenómenos actuando no atrito solo-pregagem. de execução bastante económica. bastante completa. que o comportamento da massa de solo pregada apresenta uma analogia clara com o comportamento de uma estrutura de terra armada. 1981). por aplicação e adaptação de um 67 .

eles consideram que abaixo do limite de plastificação. homogéneos. a flexão dos varões de pregagem. As conclusões tiradas por estes autores confirmam a linha que tem vindo a ser apresentada. inferiores a 25%. BEECH e JURAN (1984) apresentam um modelo teórico. quer pelo método da terra armada. Coulomb – subestimarem muito a altura critica. O estudo paramétrico efectuado por estes autores refere como características principais da pregagem o comprimento e a inclinação das pregagens. (1985) apresentaram. indirectamente. JURAN et al.programa de cálculo automático. apesar de ter a vantagem de poder tomar a consideração a variação de vários parâmetros. No entanto. De qualquer modo este método tem o inconveniente de permitir considerar unicamente o reforço de solos granulares. Por último. com desvios. não coesivos. e com hipóteses de cálculo válido unicamente para a ruptura. relativamente ao observado nos modelos. O método apresentado por estes autores. no seguimento de anteriores trabalhos. 68 . O método apresentado por estes autores permite ter em conta. com um critério de plasticidade de Coulomb. dá unicamente um limite inferior para a altura critica da obra. em que uma malha de elementos finitos é aplicada a um solo elastoperfeitamente plástico. baseado na análise do comportamento de modelos reduzidos tridimensionais de solos reforçados. o ganho de estabilidade que se obtém pela flexão das barras é negligenciável. O desenvolvimento deste método deve-se ao facto das teorias clássicas -Rankine. O modelo de JURAN et al (1985) tem o inconveniente de só ser aplicável para pequenas deformações. apresentam um método rápido de cálculo de maciços pregados. quer por pregagem. Na figura 39 apresenta-se um ábaco de pré dimensionamento apresentado por estes autores. e a sua resistência ao arrancamento. um estudo com modelos numéricos.

Esta diferença é importante. por exemplo. A curta referência que aqui se faz deve-se 69 . e camadas de reforço.Figura 39 – Ábacos de pré dimensionamento de pregagens (segundo Bangratz e Gigan. e para certas condições de compactação. para a mesma resistência à tracção. 1984). O modo de funcionamento da terra armada. é muito semelhante ao do funcionamento de maciços tratados com pregagens. o solo resiste à compressão e ao corte. Terra armada A terra armada. Por esse motivo. poderem apresentar o maior atrito possível com o solo. o parâmetro fundamental é o atrito soloreforço. para nós fundamental: enquanto que a terra armada representa um maciço totalmente executado. como fibras ou geotexteis.5. são executados alternadamente camadas de solo compactado. ou por materiais idealmente extensíveis. segundo levam a crer alguns dos trabalhos referidos na secção anterior. porque o método de terra armada. 5. ou aumentar a resistência. com inclusões de reforços resistentes à tracção. O reforço pode ser de dois tipos essencialmente distintos: ou materiais idealmente inextensíveis. é um maciço de terra. como o aço. na sua concepção genérica. sendo um método aplicado com aterros compactados. Numa obra deste tipo. os reforços têm quase sempre a forma em banda de modo a. Deste modo. isto é. e os respectivos reforços resistem à tracção. não se aplica a solos argilosos moles. de solos "in situ". No entanto. os maciços pregados são utilizados para estabilizar. há uma diferença. para certo tipo de solos.

utilizada na execução de estacas de brita ou areia.1. reforçado superficialmente com geotexteis.6. No entanto. MAJES e BATTELINO (1985) analisam igualmente um caso de solo mole. no presente subcapítulo. que liquefaz o solo não coesivo. é habitual incluir quatro técnicas de tratamento: vibro flutuação. De facto. bem como a aplicação muitas vezes em conjunção com métodos de drenagem para aceleração da consolidação. pode também ser considerado um método de reforço de solos. assim limitada. tendo obtido resultados aceitáveis. que consiste no fornecimento de energia ao solo através de da pancada de uma massa em queda livre. no subcapítulo 3. a vibro-substituição. a compactação dinâmica. na sua aplicação aos solos argilosos moles. Compactação profunda A compactação profunda de um solo. coma por cargas dinâmicas. mas só nos princípios do século XX aparece a primeira referência 70 . só dois são aplicáveis a solos argilosos: a vibro substituição. 6. A vibro substituição. de uma certa altura. Destes quatro métodos.. pode ser levada a cabo tanto por cargas estáticas. utilizando o método dos elementos finitos. No entanto. tomando à letra a sua designação. faz com que seja tratada à parte. convém chamar a atenção para o facto de BATTELINO (1983) ter apresentado um caso de execução de terra armada em siltes argilosos. utilizando solicitações dinâmicas. localmente. Vamos aqui debruçarmo-nos unicamente sobre a compactação profunda. pelo que o acompanhamento dos avanços recentes numa das técnicas pode fornecer informações importantes para aplicação da outra técnica. No âmbito da compactação profunda. que é um tipo de vibro compactação. ou de areia no interior do estrado argiloso mole a tratar. vamos aqui debruçarmo-nos unicamente sobre o método da compactação dinâmica. Em consequência. e a compactação dinâmica. não nos vamos debruçar sobre a compactação provocada por cargas estáticas. a sua importância.exclusivamente à semelhança de comportamento com as pregagens. tal como nós o considerámos na secção 5. com a vibração estacionária emitida por um vibrador de agulha. no interior da massa do solo a compactar. A densificação de areias soltas pela queda de pesos sobre a sua superfície é uma técnica que vem da antiguidade. e a compactação por deflagração de uma carga explosiva em profundidade. por executar uma estaca de brita. e o densifica depois de um rearranjo dos grãos.

podendo ser utilizados. Mas só em 1969 Louis Ménard introduzia esta técnica como método de rotina de tratamento de solos. Esta primeira passagem tem como função tratar as camadas mais profundas. resultou de uma limitação imposta pela segurança do tráfego aéreo. poderemos dizer que este método. pode-se dizer que o método é frequentemente uma solução economicamente atractiva para permitir a utilização de fundações directas. MÉNARD e BROISE. os impactos são aplicados segundo uma malha. A malha inicial é. estas quantidades de energia permitirão tratar o terreno até cerca de 15 metros de profundidade. 1983). inviabilizando eventualmente o tratamento dos solos subjacentes (MAYNE et al. de modo muito especial nas zonas onde o tratamento tem que atingir maiores profundidades. na sua forma actual. durante a compactação. em geral. não é fácil analisar a eficácia desta técnica em solos argilosos com os conceitos tradicionais da Mecânica dos Solos. consistindo na queda livre sistemática de um determinado peso de uma certa altura. No entanto já foram utilizados pesos de 190t. etc. sendo o processo essencialmente o mesmo do ensaio de compactação Proctor. 1973. e preparar sub-bases para a construção. ou a utilização de uma energia não adequada.escrita a esta técnica (LOOS. Esta técnica. até 50 impactos em cada ponto. No entanto. referido por MAYNE et al. da profundidade do nível freático. 1984). Aplicada a solos não saturados e a solos granulares soltos a aplicação desta técnica não apresenta grandes problemas conceituais. pode resultar na formação de um "ensoleiramento" de material denso. nesta fase. de 5 a 29 t de peso. A distribuição espacial e a sequência cronológica de aplicação da energia de compactação são críticas para se alcançar a compactação pretendida. A altura de queda de 23m. Nos solos finos saturados o processo de consolidação dinâmica é complicado pelo aumento das pressões intersticiais da água. 1975). Uma definição incorrecta do espaçamento dos pontos de impacto. Normalmente. De um modo muito genérico. pelo menos igual à espessura do estrato compressível. visa melhorar a capacidade resistente e diminuir os assentamentos totais e diferenciais até uma determinada profundidade. De um modo geral. definida em função da espessura a tratar. Proceder-se-á a várias passagens.). Como ordem de grandeza. caindo de uma altura de 23 metros. 71 . 1984). constituiu um trabalho pioneiro de MÉNARD (MÉNARD. 1936. substituição de solos. no aeroporto de Nice (GAMBIN. Na primeira fase de trabalhos. 1974. sendo a sua aplicação com êxito incerta. numa profundidade intermédia. e da granulometria do solo. MÉNARD. tendo sido aplicado ao melhoramento das características de camadas compressíveis com possanças até 30 metros. são usados blocos de betão ou aço. SCOTT e PEARCE (1975) apresentaram um tratamento teórico quantitativo aplicável a este tipo de solos. comparativamente às soluções convencionais (estacas. largadas de alturas até cerca de 30 metros.

É. não são parâmetros independentes. As passagens iniciais denominadas geralmente de "passagens de elevada energia". 1984). pela melhor transmissão em profundidade das cargas. Devido a condicionalismos económicos. até metro e meio de profundidade. o peso usado.. de modo a permitir a dissipação desse excesso de pressão. na compactação dinâmica (segundo Mayne et al. designada habitualmente no calão técnico por "passagem a ferro". a plataforma sujeita a tratamento vai baixando de um determinado valor. para um número bastante grande de dados. necessário estabelecer um intervalo suficiente entre passagens sucessivas. as depressões criadas pela queda dos pesos são preenchidas com o material circundante. octogonal ou quadrada. Figura 40 – Relação entre o peso e a alyura da queda. segundo MAYNE (1984) para as passagens de alta energia e aconselhável usar pesos circulares ou octogonais. são completadas no fim por uma passagem de baixa energia. destinada a adensar a camada superficial. O mesmo autor considera a forma quadrada mais indicada para a "passagem a ferro". proporcional ao adensamento conseguido em cada passagem. Após cada passagem. de um modo geral. Assim. portanto.diminuindo a eficiência das passagens seguintes. 72 . A figura 40 apresenta graficamente a relação entre o peso e a altura de queda. O peso pode ter uma forma em planta circular. e a altura de queda. em escala bi-logarítmica.

Consideram então que estas bolhas gasosas. para que se dê o assentamento. o solo entra em liquefacção. há quatro mecanismos que são responsáveis pela possibilidade de aplicação da compactação dinâmica a solos argilosos: um solo saturado é compressível. o método é aplicável a solos argilosos. na prática. bem como fenómenos menos conhecidos como a variação mais ou menos irreversível do estado de equilíbrio dessas bolhas devido a vibrações ou choques. 73 . Segundo MENARD e BROISE (1975). a teoria da consolidação clássica. com comportamento regido pelas leis de BOYLE-MARIOTTE e de HENRY. não é aplicável. em volume. como seja o "edómetro dinâmico". há variação da permeabilidade do solo. que a dissipação dos excessos das tensões intersticiais da água se dá muito mais rapidamente do que seria de esperar. e a recuperação tixotrópica. que permita elaborar um estudo de consolidação dinâmica de solos argilosos. aproximando-se o seu volume de zero. sob os impactos repetidos. aplicando energia ao solo. devido à presença de bolhas gasosas microscópicas. desempenham um papel importante no assentamento imediato verificado na compactação dinâmica. através de impactos repetidos. o gás vai sendo comprimido. que a queda do peso resultava num assentamento imediato considerável. pais a observação mostrava. apesar de apresentarem inclusivamente equipamento laboratorial especialmente desenvolvido para o efeito. como pela concentração dos impactos. Verifica-se. isto apesar de. a liquefacção ocorrer de modo gradual. posteriormente a esta fase. este nível de energia não deve ser ultrapassado. através de novos impactos. mesmo neste tipo de solos. por aumento da energia fornecida. que prevê a necessidade da drenagem da água do solo. MÉNARD e BROISE (1975) dão uma interpretação qualitativa da aplicação da consolidação dinâmica a solos coesivos. tanto provocadas pelos elevados gradientes hidráulicos. e o possível papal desempenhado pela água absorvida. A investigação levada a cabo por aqueles autores mostrou então que a quase totalidade dos solos quaternários contêm gás na forma de "micro-bolhas" variando entre 1 e 4%. devido ao aquecimento de fissuras. próximo da liquefacção. devido à baixa permeabilidade dos solos argilosos. o solo passa a comportar-se como incompressível.40 Na aplica4ao deste método a solos argilosos. permite precisamente determinar este patamar de energia a não ultrapassar. iniciando-se. Segundo estes autores. De notar que. apesar do cepticismo com que é encarado. com base na permeabilidade dos solos "in situ". Assim. em laboratório. o que se verificará passado um certo intervalo de tempo. de Terzaghi. no seu artigo. Segundo aqueles autores. mas. tem havido sucessos. e insucessos. MÉNARD e BROISE (1975) designam a energia necessária para se atingir esta fase como "energia de saturação". a liquefacção. Os autores referem a formação de fissuras. para não se dar a remoldagem do solo. A utilização do edómetro dinâmico. Então. Segundo a interpretação de MÉNARD e BROISE (1975). não apresentam uma interpretação qualitativa.

Essa campanha de prospecção e ensaios iria permitir determinar o assentamento imediato a verificar. Eles referem ainda. um erro. MÉNARD e BROISE (1975). A profundidade a tratar está relacionada com a energia que se aplica. que a profundidade a tratar poderia ser dada por: D  WH 74 . À medida que se dissipam as tensões intersticiais da água. 1984). que acelerará a drenagem. e. segundo aqueles autores. a permeabilidade do solo será máxima quando se atinge a liquefacção. devido ao maior contacto entre partículas. Na figura 42. apresenta-se um exemplo. a profundidade a tratar. é necessário efectuar uma campanha cuidada de prospecção e ensaios laboratoriais e "in situ". O fenómeno contrário verificar-se-ia devido à tixotropia. a energia total a aplicar. Este fenómeno da tixotropia. etc. verifica-se em todos os solos finos. o facto do valor mínimo ser atingido quando o solo se aproxima da liquefacção. como é 1ógico. também segundo MÉNARD e BROISE (1975). como primeira aproximação.na criação de uma rede de drenagem completa. Para se proceder à análise de um projecto de compactação dinâmica. Como já foi referido. e é um dos pontos fulcrais de um estudo de consolidação dinâmica. aumentando consequentemente a secção dos tubos capilares entre partículas. por falta de dados. a energia de saturação em cada fase. com a diminuição das tensões efectivas. esquematicamente. o número de fases. aumentando a permeabilidade da massa do solo. MÉNARD e BROISE referem ainda a diminuição apreciável de resistência que se sucede à compactação dinâmica. verifica-se um grande aumento da resistência ao corte. como hipótese. tal como se apresenta na figura 41. que as ondas de choque poderão transformar a água adsorvida em água livre. impedindo o tratamento conveniente do solo subjacente (MAYNE et al. Além disso. da dissipação das tensões intersticiais da água. e prolonga-se por vários meses. Comparativamente ao processo de aplicação de uma pré carga estática.. indicaram. mais nítido nas argilas sensíveis. bem como a gradual fixação de novas camadas de água adsorvida. o fenómeno da variação das propriedades do solo no processo da consolidação dinâmica pode-se representar. e do módulo de deformação. na definição da energia a aplicar pode provocar a formação de uma camada compactada no interior do estrato a tratar.

(segundo Ménard e Boise. Figura 42 – Dissipação das tensões intersticiais. é algo de subjectivo. Exemplo de Botlek (segundo Ménard e Boise. b) quando sob a acção de carga repetida na consolidação dinâmica. W é o peso e H a altura de queda.Figura 41 – Representação do comportamento do solo: a) quando sob a aplicação de uma carga estática. 75 . 1975). onde se sentirá o efeito da melhoria. onde D é a profundidade a tratar. De notar que a consideração de uma profundidade de influência. 1975).

análise essa sistematizada na figura 43.80  WH Deve-se notar que a profundidade de influência deve depender de outros factores. por seu lado. pela análise de cerca de 100 casos.. a presença de estratos mais moles. Figura 43 – Relação entre a profundidade aparente máxima de influência e a energia por pancada (segundo Mayne et al.LEONARDS et al (1980). concluíram que a expressão de MÉNARD e BROISE é demasiado optimista. uma ligação clara entre a profundidade tratada. A figura 43 mostra. mostraram haver casos em que D  0. no entanto. MAYNE et al (1984). 1984). concluíram que uma hipótese conservativa seria considerar D  1 2 WH . etc.65 a 0.3 WH . e não só da energia aplicada: o tipo de so1o.. e a energia por pancada aplicada. propondo: D 1 WH 2 LUKAS (1980). 76 . considerou que seria mais correcto considerar: D  0. analisando vários casos. concluindo finalmente que cada caso tem que ter um tratamento pontual) sendo necessário uma campanha de ensaios posterior ao tratamento (e posterior à dissipação das tensões intersticiais) para aferir da melhoria real e efectiva obtida. No entanto.

sendo α uma constante de proporcionalidade. será necessário desenvolver. a essa profundidade uma tensão dinâmica  z. que a tensão dinâmica à superfície do solo a tratar. que será dupla nos solos arenosos.din   m 2 gh A Figura 44 – Esquema de ábaco de dimensionamento de compactação dinâmica para espessura constante da camada a tratar (segundo Jesseberger e Beine. 77 . e com a altura de queda h. relativamente ao que ocorrerá nos solos argilosos.  o. baseado em ensaios laboratoriais especialmente desenvolvidos para o efeito. Além disso.Convém ainda referir que os casos existentes levam a crer que há um limite máximo para a melhoria dos terrenos.din se relaciona com a área A da secção do peso a utilizar. e g a aceleração da gravidade.din para quebrar a estrutura do solo. Aqueles autores. JESSBERGER e BEINE (1981) mostraram. Relativamente ao desenvolvimento de relações que sirvam para seleccionar o valor do peso a utilizar. e que permitem medir as tensões dinâmicas no solo após o impacto. com a massa m desse peso. com base nos seus ensaios. 1981). até ao valor original à profundidade D. pela equação:  o. Pode-se assim determinar a altura de queda e a massa para provocar o aparecimento de uma condição de rotura no solo. convém ainda referir que a melhoria verificada é máxima à superfície. Para se obter o adensamento do solo a uma profundidade Z. há que referir o trabalho muito interessante de JESSBERGER e BEINE (1981). diminuindo em profundidade. e altura de queda para se obter o adensamento desejado. dimensões respectivas.

No entanto. na compactação dinâmica. Z é a profundidade à qual se esta a estudar o nível de tensão dinâmica. ν. pois pode permitir fazer uma primeira estimativa da distância ao ponto de impacto a que se verificarão estragos nas construções existentes. a constante α pode ser determinada laboratorialmente. e a energia. As linhas representadas para a areia molhada. é inferior. desde que se conheça a envolvente de rotura do solo. para uma dada energia. e seus efeitos em construções existentes na área. e. Teria um certo interesse conseguir comparar esta formulação com a expressão empírica D  1 2 WH . apresentam duas equações. bem como a percentagem de  z. As frequências habituais das vibrações provocadas pela compactação dinâmica variam entre 2 e 20 Hz. A última linha é de LUKAS (1980). do que se verifica na cravação de estacas. h e m. Em princípio.din m  Z   2 gh 1  tg o  A r   2 Nestas equações.din . e outra em função do ângulo de distribuição de cargas.para determinação do valor de  z.din necessário para criar uma situação de rotura. sob a forma de um factor de energia. é difícil conseguir estabelecer na prática todas estas condições. areia seca e argila foram obtidas não de ensaios de compactação dinâmica. em geral. Os pontos referentes à compactação dinâmica levam a crer que a velocidade das partículas. Convém ainda referir que é necessário ter em conta a propagação das ondas de choque. e as tensões "in situ" iniciais. podese estimar o valor de  z.din   m Z  2 gh 1     Z 2  r2 A             z .din que é transmitida à água intersticial. 78 .  o :  z . Na figura 45 apresenta-se uma relação entre velocidades de partículas. motivo porque JESSBERGER e BEINE (1981) apenas apresentam uma base qualitativa (veja-se figura 44) para relacionar A. mas de cravação de estacas. e r é o raio da área carregada. Este gráfico tem um certo interesse. uma em função de um factor de concentração.

mas métodos que simplesmente vão provocar a consolidação dos solos de fundação. 7. necessita ainda de investigação profunda afim de determinar. poderemos dizer que o método de compactação dinâmica. designado genericamente por "aceleração da consolidação" vão ser englobados métodos que não correspondem exactamente àquela designação. e a utilização sistemática do pressiómetro de MÉNARD. No entanto. De facto. optámos por englobá-los num subcapítulo.6.Figura 45 – Velocidade das partículas em função de um factor de energia (segundo Mitchell. os métodos englobados na secção 3. sob a acção de cargas repetidas. o modelo de comportamento desse tipo de solos. de modo mais correcto. prever com suficiente exactidão o comportamento do solo. não permitem. de modo a permitir estudar convenientemente os casos de aplicação concreta deste método a solos coesivos. não são métodos de aceleração de consolidação. 1981). apesar do esforço desenvolvido.3. que tem dado excelentes resultados em solos granulares. As interpretações qualitativas de MÉNARD e BROISE. e apesar de poder dar bons resultados em solos coesivos. em nossa opinião. 79 . – Pré-cargas. coma as pré – cargas são muitas vezes aplicadas conjuntamente com métodos de aceleração de consolidação. Em conclusão. Aceleração da consolidação Neste subcapítulo. incluindo o desenvolvimento do edómetro dinâmico.

que os drenos verticais são aconselháveis em argilas inorgânicas e siltes que apresentem uma consolidação secundária reduzida. Será pelo método de electro osmose. que estas técnicas podem ser usadas para o tratamento das fundações de qualquer tipo de obra. e de resultados difíceis de prever. podem-se realizar sobre cargas. previamente à execução de uma obra. De um modo geral. de um modo geral. e aumentos de resistência. e desde que o solo tenha a resistência suficiente. pode-se dizer que estes métodos são aconselháveis para solos que apresentem grandes variações de volume. Os solos para os quais é indicada a utilização de pré-cargas são as argilas moles saturadas. por aceleração da drenagem da água intersticial. cargas superiores às que irão ser aplicadas na obra. portanto. As pré cargas e sobrecargas utilizam-se muitas vezes em conjunção com drenos verticais. dispendiosa. quando carregados estaticamente. Considera-se. podemos dizer que a pré – carga por vácuo. o rebaixamento do nível freático e a electro osmose têm a grande vantagem de não criarem problemas de estabilidade. de aplicação demorada. em geral. Pensamos. para o aumento da resistência e pré – consolidação de solos moles compressíveis. desde que se trate de acelerar a consolidação primária. diminuindo assim o período de tempo necessário. os siltes compressíveis. desde aterros de estrada. Dos métodos que abordaremos neste subcapítulo. Por outro lado. podendo mesmo dizer-se que a execução de um rebaixamento do nível freático. e dos mais usados no tratamento e melhoria de solos. não se englobarão na mesma secção os drenos verticais e a electro osmose. as argilas orgânicas e as turfas. e por ter aqui unicamente interesse documental.Além disso. é um dos métodos mais antigos. Assim. em secções individuais. ou seja. ao contrário dos outros métodos já analisados. apesar de ambos os processos provocarem a aceleração da consolidação. ou fundações de edifícios. que vamos iniciar a abordagem destes métodos. 80 . para acelerar o processo de consolidação. todos os métodos englobados neste subcapítulo têm como fundamento da sua actuação a teoria da consolidação. em solos argilosos moles é complexa. Podemos dizer. são de execução mais complexa que os outros métodos. parques de minério. por ser o menos aplicado. Devido ao interesse especial que tem para esta dissertação os métodos da pré – carga e os drenos verticais. Para acelerar o processo. que a opção aqui tomada é aceitável. Podemos dizer que a realização de pré -cargas. serão estes métodos tratados por ultimo.

de modo. pode ser utilizada com um fim exactamente contrário: aumentar o teor em água do solo. apesar de haver alguma bibliografia acerca do fundamento teórico da electro-osmose. junto ao cátodo. da consolidação. convém referir o trabalho de PILOT (1977). os trabalhos de ESRIG e MAJTENYI (1965) e de GRAY e MITCHELL (1967). Nos últimos vinte anos tem aparecido novas teorias. vários modelos teóricos. (1981) apresentaram dois casos de aplicação da electro-drenagem. Mas a electro-drenagem. A partir daqui. sem extracção da água. Podem-se considerar como fundamentais. diminuindo o teor em água do solo. e pode ainda ser utilizado. a diminuir o atrito negativo em estacas. Estes fenómenos) cuja solução aproximada foi apresentada por CASAGRANDE (1937) (citado por PILOT. Este fenómeno é acompanhado da circulação. Pode ser utilizada para acelerar os assentamentos e aumentar a estabilidade. e dos iões dos mesmos sais para o cátodo. dos aniões dos sais dissolvidos na água. Um dos casos referidos por estes autores indica profundidades estabilizadas da ordem dos 60m. Posteriormente. de modo a estabilizar taludes a escavar. são as bases de dois métodos de tratamento de solos: a electro-drenagem e a injecção eléctrica. A electro-drenagem utiliza o escoamento da água do ânodo para o cátodo. Após este trabalho apareceu nova bibliografia. CASAGRANDE et al. seria sem precedentes. que. por exemplo. Quanto a este ponto. acelerar a consolidação deste. respectiva teoria. verificado na electro-osmose. com sucesso. 1981). quando se colocam os ânodos em estacas.7. PILOT (1977) refere a nova aplicação de electroosmose a obras de engenharia. também designada por tratamento electroquímico. mas bastante reduzida. generalizando e completando os trabalhos anteriores. que possivelmente. nas quais só numa o tratamento é considerado como alcançado. para aumentar a capacidade de carga destas. Aceleração da consolidação por electro-osmose A electro-osmose é um fen6meno conhecido há largo tempo. tem tido como explicação fundamental a teoria da dupla camada. tem surgido. com utilização adicional de una ou outra teoria. quando num solo húmido se faz passar uma corrente eléctrica. bem como aumentar a sua coesão não drenada. e que consiste na circulação da água do ânodo para o cátodo. BANERJEE e MITCHELL (1980) apresentam uma nova técnica. O movimento da água e dos ii3es nos tubos capilares do solo. deste ponto de vista. a bibliografia acerca de aplicac3es praticas e rara. usando a electro81 . sendo na grande maioria os resultados satisfatórios.1. para o ânodo. normalmente com o fim de. Mais recentemente. Convêm referir. e cujo mecanismo mais ou menos correcto foi apresentado por GRAY e MITCHELL (1967). para análise "in situ" (e laboratorialmente). desde já.

e a lei de escoamento de um fluido num meio poroso de Darcy. quer a nível de assentamento. É evidente a analogia entre esta lei. e dá-se o fenómeno da consolidação do solo. quer a nível de resistência. mas restringida à aplicação aos ensaios Laboratoriais. na electro-osmose. com onde Ke será um "coeficiente de permeabilidade electro-osmótica". resulta um aumento das tensões intersticiais da água. se compensarem. D é a constante dieléctrica do electrólito. ie o gradiente de potencial eléctrico. quando um solo é carregado a superfície. Assim. basta considerar que o escoamento do cátodo para o ânodo. O valor médio de Ke é de 5x10-9m/s por volt/metro. considerando a consolidação unidimensional: e Para se obter uma melhoria dos solos a tratar. num processo de electro-osmose.gradiente hidráulico). Num plano prático. é muito importante o quociente Ke/KH. o princípio da sobreposição dos efeitos. BANERJEE e VITAYASUPAKORN (1984). iH .osmose.permeabilidade hidráulica do solo. considerando as limitações das teorias existentes. Normalmente. tensões essas que se dissipam quando a água se escoa de acordo com a lei de Darcy. quando se considera o efeito conjunto da consolidação e de electro-osmose. Temos assim que. vai provocar uma diminuição da tensão intersticial da água no cátodo. continua a ser bastante usada a solução apresentada por CASAGRANDE (1937): . η é a viscosidade do liquido e ζ é o potencial zeta. eléctrico e hidráulico. o caudal escoado. MITCHELL e BANERJEE (1980) apresentam o modo de cálculo para aplicação dessa teoria. apresentam uma nova teoria para interpretação da electro-osmose. Assim. até se anular. quando os dois gradientes. no ânodo. que tende a provocar um escoamento segundo a lei de Darcy. Nesta 82 . do ânodo para o cátodo. r é o raio dos poros do solo. Isto vai provocar um gradiente hidráulico. do cátodo para o ânodo vai diminuir no tempo. com uma velocidade v = KHiH ( KH . desde que não se retire a água do solo. Para analisar essa importância. admite-se. ter-se-á. e um aumento dessa mesma tensão intersticial no ânodo.

Na figura 46 apresenta-se o resultado do tratamento por electro-osmose sobre o teor em água. permitindo um endurecimento electroquímico dos solos. na Noruega. na análise de um fenómeno de electro-drenagem. devido ao facto de se decomporem durante a processo. Pode-se a partir daqui estimar o aumento da resistência. paralelos. devido a serem mais baratos e. sobretudo. que o quociente Ke/KH varia durante a consolidação. peso específico da água. e os assentamentos. e foi relatado par BJERRUM et al (1967). para vários graus de consolidação. o tempo t necessário para se obter um determinado grau de consolidação é dado por: onde L é a distância entre eléctrodos) Cv é o coeficiente de consolidação.situação. função da posição do ponto considerado. Um dos casos bem documentados de tratamento por electro-osmose e o de argilas moles. causando. em forma de placa. usam-se normalmente um maior número de ânodos do que de cátodos. desvios relativamente aos valores calculados. e T é o factor tempo para o grau de consolidação desejado. Segundo MITCHELL (1981). A velocidade com que se processa a consolidação é obtida do mesmo modo que para o caso de uma sobrecarga directa. com 10m de espessura. em AS. o aumento da tensão efectiva (veja-se ESRIG. isto e. 1968): . para o caso de dois eléctrodos. De notar que a velocidade de consolidação é independente de Ke. MITCHELL (1981) apresenta uma tabela para o parâmetro T. como é lógico. dando aos solos uma maior resistência do que a que seria garantida unicamente pela electroosmose. desde o início do tratamento será Com . 83 . dependendo sim de Cv. e sobre a coesão não drenada. Assim. e V é a voltagem. Há que ter em atenção. no cátodo.

por via experimental. para se analisar a melhoria introduzida num solo por electro-injecção de vários produtos. Na injecção eléctrica. sobre a mesma argila. utiliza-se a electro-osmose para fazer migrar através do solo. essencialmente. de modo a reproduzir a situação). devido a baixa permeabilidade do solo. Na figura 47 está uma comparação interessante. iões que. A complexidade dos fenómenos de um processo de electro-injecção. da variação da coesão não drenada. levam a que a sua análise seja feita. em laboratório. Assim. ou então é alimentado com uma solução iónica. consoante o produto electro-injectado e o método utilizado. em amostras intactas (ou remoldadas. não poderiam ser introduzidas. ou ensaia-se mesmo em verdadeira 9ravIclea. e por electro-injecção com vários produtos. por electrodrenagem. os tratamentos por electro-drenagem. e a sua introdução no solo. 1967). Estes resultados mostram bem a diferença do resultado obtido. 84 . e sem praticamente causar perturbações nesse solo. e por electro-injecção com cloreto de amónia. de outro modo. bem como a natureza essencialmente química. por electro-injecção com silicato de sódio. e não propriamente de engenharia geotécnica.a) no campo. Neste método o ânodo é dissolvido. Um exemplo interessante do estudo deste tipo e dado por CARON (1971). sobre argila remoldada. ensaiam-se esses produtos. e modifica-se a composição química do solo. permitindo introduzirlhe iões que reforcem a sua capacidade resistente. ou tratamento electroquímico.Figura 46 – Tratamento por electro-osmose sobre a argila mole de AS: a)variações do teor em água b) variação da coesão não drenada (segundo Bjerrum et al. Este autor analisou. em laboratório.

Figura 47 – melhoria da coesão não drenada Cu de uma argila remoldada tratada por electro-osmose: a) electro-drenagem. Por exemplo. Uma das conclusões interessante destes autores é que a água subterrânea. depois de participar num processo de electro-osmose. SEGALL et al (1980) analisam os fenómenos químicos envolvidos na electro-osmose. 7.2. KATTI et al (1981) realizaram experiências sobre a argila marinha de mas. No entanto. usaram um método de inversão da polaridade. para que o processo de endurecimento electroquímico se processasse tanto no ânodo como no cátodo. b) electro-injecção de silicato de sódio (35%). bem como a qualidade da água. e de possuir elevada percentagem de matéria orgânica. c) electro-injecção de cloreto de amónia (10%). Este método. que são libertados pelo solo no processo. é um dos métodos de tratamento mais utilizados. (segundo Caron. apesar de complexos. em laboratório. entre 30 x 49 cm até 85 x 45 cm. acelerar igualmente o 85 . Concluíram que esta técnica é efectiva no tratamento tanto da zona do ânodo como do cátodo. consistindo na aplicação. à superfície do terreno. e de metais pesados. já alguns autores começaram a analisar os processos químicos envolvidos na electro-osmose. pode ser um grave agente poluidor do meio ambiente. devido ao facto de ser altamente alcalina. e em profundidade. As experiencias foram levadas a cabo num tanque de dimensões variáveis. e também um dos mais antigos. 1971). Pré-cargas O uso de pré-cargas. uma carga repartida pretende acelerar os assentamentos devidos à consolidação primária. na melhoria das características de resistência e de deformabilidade de solos.

Figura 48 – Tipos de précarga: a) Construção com sobrecarga. Pretende-se obter uma melhoria dos valores da coesão não drenada do solo quando este não apresente os valores mínimos para garantir a estabilidade da obra a construir. unicamente que ela não é necessária. b) Construção por fases. sobrecarga essa que é retirada após ter provocado os assentamentos desejados. não se pretende neste caso obter uma melhoria de coesão não drenada do solo. e aumentar a coesão não drenada dos solos. Não quer isto dizer.assentamento elucidativo dos dois processos de sobrecarga. habitualmente. e consequentemente um valor da coesão não drenada que permita continuar a construção. pode-se pretender obter um. aguardandose a consolidação sob o novo carregamento.desenvolvimento da consolidação secundária. e carregamento por fases. Neste caso. segundo critérios que variam com o tipo de obra. evidentemente. Neste caso usa-se geralmente o método da construção por fases: quando se atinge um determinado valor do grau de consolidação do solo. usa-se um valor da sobre carga superior à carga final a que o terreno de fundação irá estar sujeito. visa-se a aceleração da consolidação primária e secundaria em casos em que se pretende reduzir os assentamentos sob a obra definitiva a valores aceitáveis. Como consequência lógica do facto de se aplicar uma sobrecarga superior à carga final a que o solo estará sujeito. que não se verifique uma melhoria. aplica-se nova carga. Normalmente. Na figura 48 apresenta-se um esquema de relações carga . 86 . e assentamentos por ela provocada. Com um tratamento por pré-carga. ou a totalidade destes resultados.

com algumas aplicações práticas. será provocado pela acção da pressão atmosférica. KJELLMAN desenvolveu o processo representado na figura 49 a). este método foi apresentado por KJELLMAN (1952) depois de ensaios de campo. Quanto à utilização de aterros e de reservatórios com água. como o uso de ancoragens (PILOT. não necessita da aplicação de uma grande quantidades de materiais de aterro. e apesar de haver referencias a outros métodos.2. não nos alongaremos sobre ele. 0 método tem uma concepção que poderemos dizer simples: se conseguirmos isolar uma massa de solo a tratar. pelo contrário. quando se pretende uma melhoria da coesão. o método de KJELLMAN (1952) tem vantagens. e pela aplicação de vácuo ao aterro. mas a áreas reduzidas. o tratamento. não e necessário proceder por fases. por volta de 1948. a sua base de aplicação é muito semelhante. Vamos. pressão atmosférica essa que assim funcionará de sobre carga. sobre o solo.1. podemos considerar que há três processos "tradicionais" de aplicar uma pré-carga: o método mais vulgarmente utilizado e aplicado geralmente em áreas extensas. Além disso. e se aplica a pré-carga pelo método de vácuo. é a da utilização de reservatórios com água. por fim. o terceiro método. como a sua aplicação se restringe a solos mais ou menos permeáveis. não pôr em risco a estabilidade da fundação e. não sendo geralmente viável em solos argilosos moles. é o da construção de aterros. é o do uso da pressão atmosférica. De um modo geral. aumentar.De notar que quando se pretende obter uma melhoria das coesões não drenadas de um solo. abordar a utilização das pré-cargas em duas secções. como sobrecarga. apresentado por KJELLMAN (1952). há poucos relatos de aplicações práticas deste método. Com base nesta ideia simples. 1977). um outro método. como referimos com um pouco mais de pormenor adiante. a primeira. depois de experiencias realizadas em 1948. Um outro método de aplicação da pré-carga é o rebaixamento do nível freático. por vezes difíceis de obter. e a segunda por aterros. teoricamente segundo o processo da pré carga apresentado adiante. No entanto. No entanto. assim. só pela sua aplicação. 87 . a estabilidade global. por não necessitar de ser aplicado por fases. e lhe podermos aplicar o vácuo. e aplicável a solos relativamente impermeáveis. e em condições especiais. Como já foi referido. Pré-cargas por vácuo Como já referimos. 7. por aplicação do vácuo.

Figura 49 – Método de pré carga por vácuo: a) Processo de Kjellman (1952); b) Processo do poço.

A zona a tratar é coberta com um tapete de material muito permeável, pouco espesso (3050 cm), que por sua vez é recoberto com uma membrana impermeável, bem encastrada para garantir a estanquidade - no solo natural muito impermeável. Com uma bomba, é aplicado o vazio ao tapete permeável. Para garantir o efeito do vácuo até profundidade elevada, será necessário executar drenos verticais, sob o tapete de material permeável. Quando apareceu, este método apresentava o inconveniente da pouca durabilidade das membranas, que actualmente já não se põe. Uma variação deste método consiste na execução de poços preenchidos com material muito permeável, selados à superfície, aplicando-se o vácuo directamente no poço. Este método parece dar bons resultados quando as camadas inferiores forem suficientemente permeáveis para permitir o rebaixamento do seu nível freático. Apesar de não pôr problemas de estabilidade na sua aplicação, e de não necessitarem de um grande dispositivo para a sua aplicação, há muito poucos casos relatados de aplicação destes métodos (PILOT, 1977, ARUTIUNIANi1983). No entanto, há indícios recentes que levam a crer num futuro desenvolvimento do método. De facto, têm aparecido ultimamente alguns artigos de índole teórica referentes ao comportamento do solo sujeito a tratamento por pré carga por vácuo. Assim, HUAN e XIU-CHING (1983) analisam o comportamento de um solo sujeito a um tratamento por vácuo, apresentando um modelo das tensões de consolidação de um solo sujeito a pressões negativas. Este modelo permite determinar o aumento das tensões efectivas sob várias condições de pressão negativa aplicadas. Os resultados obtidos com este modelo foram comparados com os resultados de experiencias laboratoriais, e de campo, mostrando uma concordância bastante razoável. TER-MARTIROSYAN e CHERKASOVA (1983) analisam as relações da tensão deformação de um maciço de solo compactado por uma membrana de dimensões

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limitadas, com base na solução da equação de Laplace. Consideram que a solução apresentada permite prever os assentamentos num tratamento por vácuo de grandes áreas, bem como a determinação dos parâmetros de deformabilidade do solo por ensaios com a membrana e o método de vácuo.

7.2.2. Pré-cargas com aterros
A aplicação de pré cargas com aterros, ou com reservatórios de água é fundamentalmente a mesma: aplicação à superfície do solo a tratar de uma determinada carga, de modo a provocar a sua consolidação. A diferença é que os reservatórios de água se aplicam quase que exclusivamente a áreas relativamente reduzidas, e na maior parte dos casos em fases, para a melhoria das características geotécnicas dos solos de fundação de reservatórios. Por uma questão económica, este método é aplicado nestes casos, pois evita perder tempo com tratamentos antes da construção dos reservatórios, servindo estes de uma primeira fase de pré carga, e sucessivos níveis de água funcionam como as restantes fases necessárias, antes da entrada em funcionamento pleno dos reservatórios. Um destes casos, bastante interessente, é o dos reservatórios da central termoeléctrica do “Vale do México”, relatado por MARSAL e MORENO (1982). Como, no entanto, do ponto de vista de funcionamento do solo de fundação, o comportamento é idêntico, vamo-nos debruçar unicamente sobre pré cargas com aterros. A aplicação de uma sobre carga ao solo vai, como já dissemos, provocar o assentamento do solo, devido ao desenvolvimento da consolidação primária e da consolidação secundária, e o aumento da sua coesão não drenada. Vamos tentar apresentar o modo tradicional de analisar estes três efeitos, no dimensionamento de uma sobre carga a aplicar. Após a aplicação da sabre carga, o assentamento total, St, pode ser dado, em qualquer momento, por:

St  Si  u Sc  S s
_

_

onde St é o assentamento total no momento t, Si é o assentamento imediato, u é o grau de consolidação médio, Sc é o assentamento final devido a consolidação primária, e Ss é o assentamento até ao momento, t, devido à consolidação secundária. Normalmente, no estudo da aplicação de uma sabre carga, pode-se pretender determinar qual a sobre carga ps a aplicar, de modo a que os assentamentos a provocar pela futura

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carga de serviço, pf, se tenham verificado, no todo ou em parte, um dado espaço de tempo, ou então determinar o tempo necessário para que se processe o assentamento sob uma determinada sobre carga. O modo mais correcto é separar os fenómenos da consolidação primária e secundária, considerando-os isoladamente. O modo tradicional de analisar a questão dos assentamentos sob uma sobre carga por aterro baseia-se na teoria da consolidação unidimensional de Terzaghi, que permite, de modo simples, relacionar o valor da sobre carga aplicada com o tempo necessário para compensar o assentamento que provocaria a carga de serviço, S f . Este modo de calculo foi muito bem apresentado por JOHNSON (1970). Para o exemplificar, consideremos a figura 50. Sob a acção exclusiva da carga final, pf, o assentamento devido consolidação primária relaciona-se esquematicamente com o tempo pela curva (f) da figura 50, representando S f o assentamento final. Sob a acção conjunta da carga final e da sobre carga, a relação assentamento - tempo será representada pela curva a cheio (f + s), e, caso se mantivesse essa carga, ter-se-ia um assentamento final de S f  s . O assentamento S f , assentamento final no caso de aplicação unicamente da carga final, será atingido, sob a aplicação conjunta da carga final e de sobre carga, ao fim do tempo t1. Será este tempo t1, no caso de um tratamento do solo de fundação com pré cargas, que indicará a altura em que se poderá retirar a sobre carga ps, visto ter-se atingido o assentamento final sob a carga de serviço. Considerando a teoria da consolidação unidimensional de Terzaghi, os assentamentos finais, sob a acção da carga final, e sob a acção da carga final e da sobre carga serão dados, para o caso de solos normalmente consolidados por:

S f 

' 0  pf H Cc log ' 1  e0 0

S f  s

'  0  ( p f  ps ) H  Cc log ' 1  e0 0

onde H é a espessura do estrado compressível, e0 o índice de vazios inicial desse estrato, e Cc é o coeficiente de compressibilidade do mesmo estrato. No caso de uma argila apresentando alguma sobre consolidação,  c' , como é lógico, as equações anteriores
' seriam em função de log  0  p /  c' .



90

Assim.Figura 50 – Compensação do assentamento devido à consolidação primária numa aplicação de sobrecarga. 91 . ter-se-á um determinado grau de consolidação uf+s. Voltando à figura 50. a consolidação ainda não se processou totalmente. tendo-se atingido os assentamentos finais que se verificariam sob a carga final p f. quando actua a sobre carga. O grau de consolidação u f+s está relacionado com o tempo t1 pelo factor tempo TV da teoria da consolidação unidimensional de Terzaghi. no momento t1 em que o assentamento é igual ao que se verificaria no fim da consolidação sob a carga final pf. isto é. poderemos escrever: S f  u f  s S f  s Esta relação permite-nos determinar para que grau de consolidação se pode retirar a sobre carga. Assim: u f s  S f S f  s pf  log 1  '   0    pf  log 1  ' 1   0        ps pf     Esta fórmula está representada graficamente na figura 51.

nas duas camadas extremas sobre consolidadas. Como se depreende facilmente da figura 52. a tensão intersticial da água tenha atingido um valor compatível com o grau de consolidação previamente definido. a tensão efectiva. 1977). será necessário deixar esta actuar o tempo suficiente para que. em profundidade. do tipo esquematizado na figura 52. e para a situação da remoção da sobre carga. bem como o excesso de tensões intersticiais da água. Assim. mesmo após a remoção da sobre carga Assim. têm uma distribuição. no ponto mais crítico. para se eliminar totalmente novos assentamentos após a retirada de sobre cargas. haverá uma parte importante de camada compressível que continuará a assentar. Tal como foi convenientemente exposto por JOHNSON (1970). Figura 51 – Cálculo do grau de consolidação sob a sobrecarga necessária para compensar o assentamento da consolidação primária sob a carga de serviço (segundo PILOT. será necessário considerar a camada compressível dividida em várias sub camadas. para o caso de drenagem pelas fronteiras superiores e inferiores.No caso em que as propriedades do solo ou as condições das tensões variarem com a profundidade. por continuar a consolidar. sub consolidada. apesar de se ter verificado que a descarga não provoca grandes empolamentos. 92 . pode-se estar ainda sujeito a assentamentos importantes devido à zona intermédia.

de aplicação muito simples se se considerar a teoria da consolidação unidimensional de Terzaghi. tem-se a parte restante da camada compressível sobre consolidada. tendo-se o ponto mais desfavorável consolidado a 100% sob a carga pf. Pode-se considerar que o método que exige que o grau de consolidação. o que quer dizer que tiveram que ser produzidos assentamentos maiores do que o necessário Sf. e durante mais tempo. que como se sabe. Atendendo a que sabemos que o comportamento tensões .deformações dos solos não é um comportamento linear. será difícil prever correctamente qual o valor de sobre carga a utilizar. para o momento t=t1 (segundo MITCHELL. atingindo-se então o grau de consolidação pré determinado sob a carga ps+pf. De facto. no ponto mais desfavorável. no ponto mais desfavorável. 93 . torna-se de aplicação mais complexa devido a certos factores. Este método de tratamento. do que seria necessário.Figura 52 – Distribuição das tensões intersticiais da água após a remoção da sobrecarga. como a já referida necessidade de deixar actuar a pré carga mais tempo do que o necessário. não é correcta. atinja o valor uf+s é um método bastante conservativo. que se traduz em geral pela aplicação de sobre cargas mais elevadas. e qual o tempo de aplicação necessário. isto é. 1981). para atingir o assentamento Sf.

Relativamente a este assunto. A base da análise é proceder à previsão do assentamento total a verificar-se. que se verificará durante o período útil da obra. com base em bons ensaios laboratoriais. (1984). conseguindo. Conseguiram ainda controlar o caminho das tensões efectivas em toda a fundação sob a zona carregada. no caso dos carregamentos por fases. desenvolvido por FOLKES (1980). sob a carga permanente. durante a vida útil da obra. que também não dão resultados satisfatórios (TAVENAS e LEROUEIL. uma boa execução da obra. e o assentamento. WATSON et al (1984) aplicaram o método do caminho das tensões efectivas. A pré carga permite. consequentemente. segundo aqueles autores. apresenta-se um ensaio edométrico especial. consistindo numa bateria. nem com os métodos numéricos incorporando um dos vários modelos tensões – deformações – tempo. como referimos. conjugado com o da envolvente de cedência. 1981). não só dos assentamentos. de modo a minimizar deformações laterais. Ssec. de WATSON et al. permite analisar o comportamento do estrato compressível em toda a sua espessura e. de 5 edómetros. Drenos verticais 94 . No outro artigo. Aqueles autores consideram que esse método é extremamente útil. Nos solos compressíveis. Num deles (ABOSHI et al. incluindo portanto o assentamento devido à consolidação primária. Sf. ligada em série. Habitualmente Ssec determina-se por: 7. nomeadamente em argilas orgânicas. e com carregamento por fases.3. apareceram recentemente dois artigos interessantes. devido à consolidação secundária. Podemos portanto considerar o caso corrente da previsão de um tratamento com sobre cargas como uma estimativa aproximada. que. 1980). obtendo unicamente uma ordem de grandeza daqueles valores. já analisada. de modo a que se possa controlar o desenrolar da consolidação. como do tempo t 1 de aplicação da sobre carga. não é correcto. a consolidação secundária pode ser responsável por uma parte importante dos assentamentos. não com base no método clássico que. e assim aferir e corrigir as previsões de cálculo. um dimensionamento mais correcto das sobre cargas a aplicar. minimizar também os efeitos da compressão secundária sob as cargas permanentes. Assim. os autores analisam o método da sobre carga e do carregamento por fases. alem da actuação acima referida sobre a consolidação primária. para analisar o problema da pré carga com sobre carga. é importante que obras deste tipo sejam devidamente instrumentadas. Como consequência. no controle do ritmo de aplicação das fases.

3.1.2.2.2. Métodos de cálculo 7.3. Hipóteses de cálculo 7.2. Experimentação em verdadeira grandeza 7.3.3.3.4.2. Tipos e modos de execução de drenos 7.4.7. Teorias de consolidação radial 7. Dimensionamento prático de drenos verticais 7. Métodos probabilísticos 7.2. Introdução 7.3.1.4.3. Métodos numéricos 7. Outros métodos 95 .3.3.3.5. Resultados práticos 7.5.3.3.2.

PARTE 3 CONCEPTUALIZAÇÃO DE UM MODELO A UTILIZAR 8. Métodos de tratamento de solos considerados 9. Modelos de análise a adopter 10. Calibração dos modelos a aplicar 96 .

14. Concepção da solução. Caracterização da situação de referência 13. Métodos aplicados. Comportamento do terrapleno 97 .PARTE 4 ANÁLISE DO CASO DO TERMINAL DE MATÉRIAS PRIMAS DA SIDERURGIA NACIONAL 11. Objectivos da obra 12. Execução e observação do aterro experimental 15.

Conclusões 98 .PARTE 5 CONSIDERAÇÕES FINAIS 16.

l. 1967.. Journal of the Geotechnical Engineering Division. p. 30. 272. Of the Swedish Geotechnical Institute. p. Moscovo : Ed. [autor do livro] Edward W Brand e Rolf Peter Brenner. Vols. 1983. Lambe. 1979. Vol. Magnan. 1973. Theory of consolidation for clays. 584-617. Schiffman. Vol. 17 nº2. pp. Les remblais routiers sur sols mous. 1969. The consolidation of clay with variable permeability and compressibility. Soil Structure. 234-252. Seco e Pinto. Charles C. p. L. 1967. D. nº2. 1958. 1983. 1976. [trad. Paris : Editions Technique et Documentation. Mesri. e Leroueil. Vol. s. 1981. Canadian Geotechnical Journal. S. M. Influence of mobile particles in soft clay on permeability. 7. Soil Mechanics. Pedro Simão. 1979. Vol. ASCE. Vols. 1960. Hansbo. Lisboa : LNEC. pp. Consolidation of soil under time dependent loading and varying permeability. pp. 1974.Yu. Int. pp. pp. 18. 1973.Bibliografia Abelev. nº1. 1976. 17. 1969. New York : John Wiley and Sons. e Brenner. V. Soft clay engineering. Balasubramanian. 99 . Hansbo. Roy E e Ladd. Poskitt. 553. Some Results Concerning Displacements and Stresses in a NonHomogeneous Elastic Half Space. Gholamreza e Rokhsar.n. 1ª. Robert V. pp. Gibson. 1974. 1977. Evgeniev. 779. T J. Tavenas. 1969. No.E e Kazarnovski. T. S.] J. The behaviour of embankments in clay foundations. pp. Transports. One-dimensional consolidation problems. Gothenburg : s. Consolidation and settlement of soft clay. Tese de Especialista. Geotechnique. with special reference to influence of vertical sand drains. F. 105. Rolf Peter. Vols. Olson. 889-904. R E. William e Whitman. 1969. Maio de 1980. Edição russa original 1973. ASCE. 58-67. 132-135. Construction d'ouvrages sur les sols argileux mous saturés. Fracturação Hidráulica de Barragens de Aterro Zonadas. 1958. Journal GED. Proc. Vol. . 1977. Proc. p. I. 1130. A.D. S. Co. 1981. 1980. I. Vol 19. R. Consolidation of clay. Symp. 236-260. : Elsevier Scientific Pub. Highway Research Board. 1960. Geotechnique. Proc.P. 288. 100(GT8).

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