ANATOMIA DENTÁRIA

Generalidades A palavra anatomia é originária do grego ("anatomé" significando 'incisão') e do latim ("anatomìa-" significando 'dissecação do corpo'). Trata-se da ciência que, tendo por base os métodos de dissecação e corte, estuda a organização estrutural dos seres vivos, por isso também denominada morfologia interna.

Alguns animais possuem uma única dentição (se perderem algum dente não nasce outro no lugar); outros possuem várias dentições e existem aqueles animais que, como nós, humanos, possuímos duas dentições. Os animais que possuem uma única dentição são denominados monofiodontes (do grego "mónos", 'único‟ + "phýo", 'nascer' + "odonto", 'dente') que, como exemplos, poder-se-ia citar baleia, tatu e bicho-preguiça. Os que possuem várias dentições são chamados de polifiodontes (do grego “poli”, „muitos‟ + "phýo", 'nascer' + "odonto", 'dente'). Entre estes estão, por exemplo, peixes, que na maioria das espécies apresentam centenas de dentições e os répteis como os crocodilos que apresentam cerca de 25 dentições. Os animais que, como nós e os mamíferos domésticos, possuímos duas dentições são conhecidos como difiodontes (do grego “di”, „dois‟ + "phýo", 'nascer' + "odonto", 'dente') . As duas dentições humanas A primeira dentição, que começa a se formar por volta dos seis meses de idade completando-se por volta dos três anos, é chamada dentição primária, decídua, temporária, infantil, de leite, e outros. Nota: o nome „de leite‟ se deve à cor fortemente esbranquiçada destes elementos; e o nome „decídua‟ é inspirado em certas plantas das florestas temperadas, as quais perdem suas folhas anualmente, no outono e inverno, renovando-as na primavera e verão (Do latim "decidùu-", 'que cai; caído'). Nesta dentição existem normalmente 20 dentes (sendo dez na arcada superior e dez na inferior).

A segunda dentiçao, que começa a formar-se por vota dos seis anos completando-se aproximadamente aos treze anos, é denominada dentição permanente ou secundária. Nesta dentição existem, normalmente, 32 dentes sendo dezesseis em cada arcada.
HOMODONTIA E HETERODONTIA

Alguns animais possuem todos os seus dentes morfologicamente semelhantes e são denominados homodontes (do grego “homos”, „semelhante‟ + “odonto‟, „dente‟); e outros, como nós, temos dentes com formatos variados e somos denominados heterodontes (do grego “hetero”, „diferente‟ + “odonto‟, „dente‟). Os animais homodontes (figura abaixo) apresentam, portanto, todos os dentes da mesma forma, variando apenas pelo volume. Os dentes, nestes animais, servem para apreender a presa e depois degluti-la. São exemplos de animais homodontes, a maioria dos peixes, os crocodilianos, os ofídios e alguns mamíferos da subordem Odontoceti (golfinho e o cachalote).

Os grupos dentários humanos (incisivos, caninos, pré-molares e molares). Nós humanos, que, como os mamíferos domésticos (gato, cachorro, etc), somos heterodontes, apresentamos os dentes morfologicamente diferentes divididos em grupos com funções diferentes para cada grupo. Trata-se, portanto, de uma adaptação evolutiva..

O ato de mastigar é como uma linha de produção. Cada um de nossos dentes, com suas formas tão variadas e diferentes, têm funções específicas e distintas neste ato. Uns são responsáveis por cortar em pedaços o alimento; outros são responsáveis por picar estes pedaços; e, por fim, outros são responsáveis por moer tais pedaços até transformar todo o alimento em uma pasta, saborosa e rica em energia. A falta de um destes dentes ao "trabalho" leva, fatalmente, à má formação do produto final (bolo alimentar), permitindo que parte do alimento seja deglutido na forma de "pedaços", cujas porções internas não sofrerão a ação das enzimas digestivas, sendo descartados pelo corpo com toda a sua riqueza energética desprezada, vitaminas e sais minerais tão importantes para a vida. Daí o prejuízo para a saúde total do indivíduo que representa a perda de um ou mais destes elementos. Por isso, costuma-se considerar dentro das funções dos dentes, quatro aspectos característicos: preensão, incisão, dilaceração e trituração. Os grupos dentais humanos especializados nas funções acima são denominados incisivos, caninos, pré-molares e molares. Vejamos agora, com desenhos esquemáticos, estes grupos funcionais dentários especializados.

. Observação: os dentes anteriores. Distinguem-se destes por terem borda cortante dividida em dois segmentos distintos por uma ponta nítida. que possuem uma borda cortante e situam-se imediatamente atrás dos lábios. além das suas funções até agora mencionadas. desempenham função importante na estética buco-facial. cujo conjunto é denominado dentes incisivos. A dilaceração dos alimentos. os quais funcionam como suporte. Os lábios e as bochechas se introfletem para a cavidade bucal devido ao fato de perderem seus elementos suportes. é realizado pelas peças dentárias situadas anteriormente na boca. evitando que os incisivos se desloquem para adiante. incisivos e caninos. que ultrapassa o plano incisal normal dos dentes espatulados. que seguem aos incisivos na seqüência normal dos dentes nas arcadas dentárias. A perda de parte ou de todos os dentes anteriores ocasiona profundas modificações não só no esqueleto facial como também nas partes moles que o recobrem. Os incisivos são dentes espatulados e cuneiformes. produzindo-se um característico pregueamento vertical. Os caninos possuem formas aguçadas e são de volume maior que o dos incisivos. ou o ato de rasgar e reduzir as substâncias alimentares a partículas menos compactas. é realizada pelo grupo de quatro dentes: os caninos. ou ato de cortá-los em partículas menores.A incisão dos alimentos.

De fato. aliás. as figuras deixam claro. Como todo indivíduo possui dois arcos dentais (superior e inferior) o número total de dentes normalmente presente no indivíduo adulto é 2 X 16 = 32 (sendo 8 incisivos. Diferentemente do que ocorre em outras espécies animais. o número de dentes em cada uma das duas arcadas é o mesmo (16 dentes). Observe que cada metado tem. cada face. As arcadas dentárias (superior e inferior) As faces de todos os dentes humanos voltadas para a bochecha. lábio ou língua tem. Quando os dentes estão em posição na boca eles se colocam lado a lado e o conjunto deste arcos individuais forma uma curva denominada de arcada dental (o termo “arcada” é usado para lembrar que tal curva é formada por um conjunto de “arcos”). Se a simplicidade de forma adaptada à função é uma característica dos dentes anteriores. portanto. Isto quer dizer que o hemi-arco direito . sulcos e depressões mais ou menos acentuadas. uma morfologia curva que lembra a forma de um arco. as imagens B e C foram obtidas seccionando-se a figura A (que tem 16 dentes) ao meio (o corte seguiu a linha mediana mostrada na figura) como. Note que as figuras B e C representam. a complexidade é que se sobressai nos posteriores. 4 caninos.A trituração dos alimentos é feita pelos pré-molares e pelos molares. no ser humano. Este fato deve-se à presença de saliências. as metades (hemiarcos) direita e esquerda do arco permanente. 8 pré-molares e 12 molares). que tornam os pré-molares e molares aptos a desempenharem suas funções de verdadeiras mós (daí o nome „molar‟) ou de um pistilo no gral no ato de reduzirem substâncias alimentares a partículas mais facilmente deglutíveis e digeríveis. A figura A abaixo mostra o arco dental inferior permanente completo. A morfologia dos dentes complica-se à medida que retrocedemos na arcada dentária. oito dentes cada (confira com a imagem). respectivamente.

Para representar facilmente este número e os tipos de dentes usa-se a fórmula dentária. 5 em cada hemi-arcada. primeiro molar. primeiro molar e segundo molar (confira com a figura). FÓRMULA DENTÁRIA Como vimos. o número total de dentes na dentição humana é. a partir da linha mediana em direção posterior. que aparece tracejada na figura. são. portanto. sendo minúscula para os decíduos e maiúscula para os permanentes. a maneira suscinta de especificar a quantidade de dentes em cada hemi-arcada. Estas iniciais são colocadas em forma de fração que traduzem a separação das arcadas dentárias duperior e inferior. incisivo lateral. 20 na dentição decídua e 32 na permanente. canino. para os dois hemi-arcos: incisivo central. A figura ao lado mostra. nesta dentição. esquematicamente. incisivo lateral. a dentição permanente é representada pela seguinte fórmula: Repare que a fórmula dentária acima nos informa que em cada hemi-arcada permanente humana completa temos: 2 incisivos. A dentição humana decídua completa possui ao todo 20 dentes sendo 10 em cada arcada e. primeiro pré-molar. não existem terceiros molares e pré-molares. segundo pré-molar. Na fórmula dentária. tendo como numerador o número de dentes da hemi-arcada maxilar (superior) e no denominador os dentes da hemi-arcada mandibular (inferior). O nome dos dentes permanentes. a partir da linha mediana. Assim sendo. 1 canino. isto é. normalmente. a denominação de cada dente está representada pela letra inicial. canino (popularmente chamado de „presa‟). . seguindo molar e terceiro molar (dente do siso ou do juizo). são: incisivo central. os dois arcos dentários decíduos (superior e inferior).(figura B) representa a imagem especular (no espelho) do hemi-arco esquerdo (figura C). Repare que. 2 pré-molares e 3 molares. Os cinco dentes temporários de cada hemi-arco.

Para isso consideremos que cada uma das arcadas dentárias é determinada por três planos a saber: horizontal. 1 canino e 2 molares. Este sistema de indicar. A compreensão por parte do leitor desta notação o auxiliará a entender as anotações de seu dentista.Analogamente. de maneira sumária e prática. para a arcada decídua. constitui a notação dentária. porém o mais usado é através da notação internacional. frontal e sagital (de acordo com a figura abaixo). . Cada profissional pode ter o seu modo pessoal de assinalar as peças dentárias. temos a seguinte fórmula: A figura acima relata que em cada hemi-arcada decídua humana completa temos: 2 incisivos. NOTAÇÃO DENTÁRIA (REGISTRO) O cirurgião-dentista tem necessidade de anotar todas as alterações que encontra durante o exame clínico do aparelho dentário. os detalhes anatômicos das arcadas dentárias. Para tanto utiliza-se de uma ficha onde assinala aquilo que corresponde ao estado atual dos dentes do seu paciente.

O leitor deve imaginar agora o indivíduo de frente conforme a figura abaixo. Nesta figura. .Destes três planos o que mais vai nos interessar é o plano sagital mediando que divide as arcadas dentárias em suas duas hemi-arcadas (direita e esquerda) a partir do encontro dos dois incisivos centrais (como mostra a figura acima). o plano sagital mediano aparece como um eixo vertical e o plano horizontal (que passa entre as duas arcadas – superior e inferior – em contato) é visto como um eixo horizontal. Note que o lado direito do paciente aparece à esquerda da figura (como a nossa imagem no espelho).

dente 4) 25 – Segundo pré-molar superior esquerdo (quadrante 2. temos: a) b) c) d) Quadrante 1: superior direito Quadrante 2: superior esquerdo Quadrante 3: inferior esquerdo Quadrante 4: inferior direito. dente 6) 27 – Segundo molar superior esquerdo (quadrante 2. dente 3) 24 – Primeiro pré-molar superior esquerdo (quadrante 2.Dividimos. Os dentes poderão ser agora identificados. dente 8) Dessa forma os dentes permanentes todos se identificam pelos seguintes números visto na figura abaixo: . de acordo com a notação internacional. a boca em quatro quadrantes numerados a partir do superior direito em sentido horário. Numeramos agora os dentes de cada hermi-arcada (de 1 a 8) a partir do plano sagital mediano (conforme figura ao lado). Portanto. assim. dente 5) 26 – Primeiro molar superior esquerdo (quadrante 2. dente 2) 23 – Canino superior esquerdo (quadrante 2. ao dente. dente 1) 22 – Incisivo lateral superior esquerdo (quadrante 2. por um número de dois dígitos onde o primeiro dígito se refere ao quadrante e o segundo. Dessa forma para os dentes da hemi-arcada superior esquerda temos os seguintes números indicando os respecivos dentes (confira com a figura): 21 – Incisivo central superior esquerdo (quadrante 2. dente 7) 28 – Terceiro molar suoperior esquerdo (quadrante 2.

a numeração de todos os dentes decíduos: Na figura acima repare que. Vamos recordar esses dois conceitos. A figura abaixo mostra como fica. os caninos 3. . Na descrição das faces e dos detalhes anatômicos dos dentes é muito usado os conceitos de ângulos diedros e triedros. por exemplo. Os números dos dentes de leite são: os incisivos centrais 1. Analogamente.Para a dentição decídua. os primeiros molares 4 e os segundos molares 5. os dentes decíduos são numerados de 1 a 5. AS CINCO FACES DOS DENTES Generalidades. os incisivos laterais 2. em que os quadrantes são numerados analogamente de 5 a 8. portanto. o dente 73 é o canino inferior esquerdo decíduo.

Quando as duas arcadas entram em oclusão o conjunto forma como que uma muralha (figura ao lado) que divide a cavidade bucal em dois compartimentos: um situado entre os lábios e bochechas e os dentes que é denominado vestíbulo bucal (a palavra „vestíbulo‟ quer dizer “entrada”). que ocluem com os da arcada antagônica. Quando elevamos a mandíbula de tal modo que os dentes da arcada inferior tocam os dentes da arcada superior dizemos que ocluimos as arcadas ou os dentes ou ainda que os dentes ou as arcadas entraram em oclusão. Os dentes permanentes possuem uma coroa que pode ser inscrita num sólido geométrico.A palavra diedro vem do grego ("di". As faces dos dentes posteriores (pré-molares e molares). em geometria. é "ângulo formado por dois semi-planos com reta comum" ou "ângulo de duas faces" (dicionário Porto Editora). Se considerarmos as formas geométricas que mais exatidão tem para caracterizar as diferentes formas de coroas podemos dizer que os anteriores (incisivos e caninos) se enquadram mais em sólidos cuneiformes (figura A da imagem abaixo). neste caso. e outro localizado entre os dentes onde se encontra a língua que é a cavidade bucal propriamente dita. é . 'duas vezes' + "hedra". enquanto que os pré-molares e molares se enquadram mais nos sólidos rombóides (respectivamente figuras B e C da imagem abaixo). 'plano') significando "que tem duas faces" e. Cavidade bucal O único osso móvel da cabeça é a mandíbula. 'dois'. Nos dentes anteriores (incisivos e caninos) essa face não é tão evidente e. Analogamente “triedro é um ângulo formado por três semiplanos com ponto comum”. é denominada de face oclusal.

Faces proximais: são as faces de contato entre dois dentes vizinhos na arcada dentária. Face vestibular (V): voltada para o vestíbulo da boca e que mantém relação com os lábios e bochechas. 4.preferível falar em borda ao invés de face para essa aresta cortante (que lembra um diedro) que lembra o ápice de uma cunha. Nota: para os dentes anteriores é comum chamar-se as faces oclusais de bordas incisais ou caninas (conforme referir-se à incisivo ou canino). Assim cada coroa de dentes posteriores tem 12 ângulos diedros e 8 ângulos triedros (confira com as figuras B e C acima). 2. 3. sendo:  Face mesial (M): a mais próxima (ou voltada para) o plano sagital mediano  Face distal (D): a face oposta à mesial (de „trás‟). Face lingual (L): voltada para a cavidade bucal propriamente dita e que mantém relação com a língua (nos dentes superiores essas faces são também denominadas face palatina (P) devido às suas relações com o pálato – o „céu da boca‟). A figura abaixo ilustra as cinco faces acima referidas: . Dessa forma os dentes possuem cinco faces reais a saber: 1. Face oclusal (O): são as faces que entram em contato quando os dentes entram em oclusão. mas continua-se a representá-las pela letra O.

Os terços são denominados de acordo com a sua denominação. A figura abaixo. tornando mais fácil a localização de certos detalhes anatômicos. em maior aumento. o mesmo campo do quadrado da esquerda): DIVISÃO DA COROA EM TERÇOS As várias faces das coroas dentais (e as raízes) são divididas em segmentos ou terços. a descrição de lesões bem como a comunicação falada e escrita.A figura abaixo mostra as cinco faces com o dente em posição na arcada dentária (o quadrado da direita focaliza. por exemplo. mostra essas divisões em um dente posterior inferior e um dente anterior superior: Nota: a região do colo dental é denominada região cervical. .

no sentido mésio-distal: terços mesial. As três imagens acima representam a face oclusal do dente 36 (Primeiro Molar Inferior). embora só duas fossetas estejam indicadas com setas. . para fossetas (repare que. b) Faces vestibular e lingual: no sentido gêngivo-oclusal: terços gengival ou cervical. médio e distal. médio e lingual. A imagem A foi obtida através de um aumento da imagem B. no sentido vestíbulo-lingual: terços vestibular. d) Raízes: para as raízes só interessa a divisão no sentido vertical. médio e lingual. existem mais fossetas nesta face dental). Ao longo dos trajetos tortuosos dos sulcos encontramos também escavações („buraquinhos‟) chamados fossetas. médio e apical. Ao olharmos as faces oclusais dos dentes jugais (pré-molares e molares) constatamos a presença de saliências („morrinhos‟) que são denominadas cúspides. c) Faces mesial e distal: no sentido gêngivo-oclusal: terços gengival ou cervical.a) Face oclusal: no sentido mésio-distal: terços mesial. no sentido vestíbulolingual: terços vestibular. médio e oclusal. Estas formações são separadas umas das outras por depressões que simulam „vales‟ denominados sulcos. A figura abaixo permite a visualização destes elementos. Na imagem A as setas verdes apontam para as cinco cúspides normalmente presentes neste dente: trata-se de um dente pentacuspidado. do longo eixo do dente: no sentido cérvicoapical: terços cervical. As setas azuis apontam para sulcos e as setas vermelhas. isto é. FOSSETA e CRISTA que serão agora examinadas. FACE OCLUSAL Para as faces oclusais devemos atentar para as seguintes formações: CÚSPIDE. médio e distal. médio e lingual. SULCO.

São elementos funcionalmente valiosos na trituração dos alimentos. o qual se localiza do lado oposto à base.A presença dos sulcos e fossetas tem implicações clínicas: os primeiros dentes a serem cariados são os jugais (molares e pré-molares) devido a essas informações que favorecem a implantação de lesões cariosas. que se unem entre si por intemédio de arestas ou bordas. a qual. assim sendo. os quais (segundo alguns) tem suas coroas constituídas por essa formação. Cada cúspide é uma pirâmide de base quadrangular e. Repare na presença de cáries na figura C. MORFOLOGIA DAS CÚSPIDES É tal a importância das cúspides que dá origem à classificação dos dentes em bi. tetra e pentacuspidados. ficando reservado o nome unicuspidados para os dentes caninos. Elas tomam parte na constituição de uma parte ativa da mastigação. graças ao engrenamento das cúspides antagônicas na oclusão normal. vaise desgastando. tem detalhes bem definidos que devem ser corretamente interpretados: quatro faces ou planos inclinados. As faces oclusais são verdadeiras faces de equilíbrio morfo-funcional e uma das responsáveis pela integridade das arcadas dentárias. . paulatinamente. e que convergem para um ponto comum ou ápice. tri.

Na imagem acima temos: A – a concepção morfológica piramidal de cada cúspide individualmente. E – Vista superior da figura C. é a aresta (e não a face) de cada cúspide que fica voltada para os lados lingual e vestibular. A figura seguinte ilustra bem esse fato. quando o dente está em posição na arcada dentária. . D – Vista superior mostrando como é unida as duas cúspides para se formar a face oclusal bicuspidada. Abaixo a concepção análoga da face de um dente tetracuspidado. B – Início hipotético da construção da face oclusal de um dente bicuspidado: primeiro secciona-se uma parte da cúspide da figura A segundo um plano perpendicular a uma das arestas. Deve-se notar que. C – Depois junta-se duas destas pirâmides seccionadas pelo plano de secção e temos a concepção morfológica de uma face oclusal bicuspidada.

CRISTAS MARGINAIS As cristas são elevações lineares que unem cúspides ou que reforça a periferia de certas faces dos dentes. Podem ser: 01. são quase verticais. Estas se encontram sempre presentes nas faces oclusais dos dentes jugais (são as cristas marginais mesial e distal). e nas faces linguais dos dentes anteriores. localizando-se entre a face lingual e as faces de contato (figura abaixo). . Cristas marginais.

02. Estas nem sempre presentes e quando aparecem se situam nas faces oclusais unindo as cúspides linguais entre si e/ou as cúspides vestibulares.01. . Estas atravessam em diagonal as faces oclusais dos molares superiores e unem as cúspides mésio-lingual e disto-vestibular. Cristas longitudinais. Cristas oblíquas (ou ponte de esmalte). A figura abaixo mostra o desenho normal e estilizado da face oclusal do primeiro molar superior onde as setas vermelhas apontam para a ponte de esmalte.

o dente é formado por três partes distintas: coroa. fez com que durante muito . Ela é brilhante e permanece acima dos ossos de suporte e gengiva (é o que a gente vê quando olhamos nossos dentes no espelho). Sua forma de ser implantada. A coroa dentária é a porção visível e funcionante na mastigação e seu aspecto distingue-se de imediato das demais partes. A fixação do dente no osso se dá através da raiz em cavidades próprias (alvéolos) no interior do osso. simulando um prego encravado na madeira. colo e raiz (figura seguinte).DIVISÃO ANATÔMICA DO DENTE Do ponto de vista anatômico e descritivo.

É a parte mais estrangulada do dente (o „pescoço‟ do dente) e é limitado por uma linha sinuosa que se interpõe entre as duas outras partes do dente (figura ao lado). O primeiro (colo anatômico) representa exatamente os limites divisórios entre a coroa e a raiz. Além de suas funções como elemento fixador. O colo é o segmento imediato entre a coroa e a raiz. A retirada cirúrgica da coroa dental é feita sempre nesta parte basal da raiz. A raiz nem sempre é única e a variação no número de raízes pode ser vista na figura abaixo. . nada mais é do que a porção inicial ou basal da raiz que fica sempre acima do alvéolo dentário e que. permanece revestida pela gengiva. O colo cirúrgico. É importante que se faça distinção entre o colo anatômico e verdadeiro do dente e o colo cirúrgico. justificando plenamente o seu nome. a raiz dentária suporta o impacto das forças mastigatórias. „amarela‟) e pela sinuosidade (como na figura ao lado) que apresenta em todas as faces do dente. facilmente perceptível pela diferença de cor (a coroa é „branca‟ e a raiz. no indivíduo revestido de suas partes moles.tempo fosse chamada de gonfose essa relação dente-alvéolo (do grego “gonphos” quer dizer „prego‟). graças às suas relações com as paredes do alvéolo dentário através de fibras do desmodonto (tecido conjuntivo fibroso que une o dente ao alvéolo).

A parte mais alta do alvéolo. dentina. DIVISÃO ARQUITETURAL E ESTRUTURAL DO DENTE Do ponto de vista arquitetural. e estrutural. o dente pode ser descrito com o sendo formado de quatro partes: esmalte. estas se inserem nos bilacunares (seta vermelha 1) e se tiver três raízes. Os alvéolos bi e tri lacunares possuem divisões ósseas internas que são os septos ósseos que separam a cavidade de cada raiz individualmente (seta verde). estas se inserem nos trilacunares (seta vermelha 2). que contorna a entrada do alvéolo. cemento e polpa (figura abaixo). . próxima ao colo dentário. As setas azuis apontam para duas destas cristas. quando o dente possuir duas raízes. calcificadas. As três primeiras formações são duras. Quando o dente possuir uma única raiz esta se insere nos alvéolos denominados unilaculares (seta vermelha 3). chama-se crista óssea alveolar ou simplesmente crista óssea.OS ALVÉOLOS A figura acima mostra os alvéolos (cavidades ósseas onde se inserem as raízes) das arcadas superior (maxilar) e inferior (mandibular). enquanto que a polpa é o único tecido mole do dente.

aio nível do colo do dente. Devido ao seu alto conteúdo de sais minerais e seu aspecto cristalino. Propriedades químicas . sobre a superfície dental da coroa (o esmalte envolve a coroa). tornando-os adequados para a mastigação. através do qual a cor amarela da dentina é visível e dentes acinzentados possuem um esmalte mais opaco. A estrutura e a dureza do esmalte tornam-no quebradiço. Nas cúspides de molares e pré-molares o esmalte tem uma espessura máxima de 2 a 2. adelgaçando-se para baixo até quase o bordo de uma navalha. A cor da coroa coberta pelo esmalte vai do branco amarelado até o branco acinzentado.ESMALTE Propriedades físicas O esmalte forma uma capa protetora. Com traçados radioativos tem sido constatado que o esmalte funciona como uma membrana semipermeável.8 g/cm3. O peso específico do esmalte é 2. permitido uma passagem completa ou parcial de certas substâncias: uréia. Tem sido sugerido que as diferenças de cor se devem à translucidez do esmalte. A função do esmalte é formar uma capa resistente para os dentes. o esmalte é o tecido mais duro do organismo humano. Outra importante propriedade física do esmalte é a sua permeabilidade. de espessura variável. O mesmo fenômeno é demonstrado por meio de substâncias corantes. de tal modo que dentes amarelos tem esmalte fino e translúcido. etc.5 mm. aproximadamente.

A natureza orgânica do esmalte é protéica e semelhante à queratina (proteína que recobre a pele dos vertebrados).O esmalte consiste principalmente de material inorgânico (96%) e somente uma pequena porcentagem de material orgânico e água (4%). A pedra representa o conteúdo mineral. Embora seus tamanhos sejam quase iguais. o peso da esponja é quase que 1% do peso da pedra. um modelo mais comum é um prisma em forma de „buraco de fechadura‟ quando cortados longitudinalmente (figura ao lado). A parte circular mais volumosa do prisma é denominada „cabeça do prisma‟ e a parte mais estreita. ou expressando em porcentagem. „cauda do prisma‟. Os prismas cobrem toda a espessura do esmalte desde o limite com a dentina até a superfície coronária e se dispões num trajeto oblíquo e ondulado de forma que o comprimento de um prisma é maior que a distância do limite da dentina até a superfície. A pedra é 100 vezes mais pesada que a esponja. em algumas regiões. seus pesos são muito diferentes. O prisma é o componente mineral do esmalte e as demais formações são orgânicas.2NaX] sendo que X pode ser cloreto (Cl-). uma substância interprismática cimentante. Na constituição do esmalte entram também bainhas dos prismas e. Embora muitas áreas do esmalte humano parecem conter prismas envolvidos por bainhas dos prismas e separados por uma substância interprismática. mas esta medida varia uma vez que a superfície do esmalte junto à dentina é menor que no lado externo. O espaço relativo ocupado pela armação orgânica e o esmalte completo é quase igual. É aceito que o diâmetro médio dos prismas é de 4 micra (4 milésimos de milímetros). fluoreto (F-) ou hidróxido (OH-). . Estrutura Da mesma forma que uma parede é formada por tijolos o esmalte dental é formado por prismas ou bastões. pela comparação entre uma pedra e uma esponja de tamanhos aproximadamente iguais. O material inorgânico do esmalte é semelhante a um mineral denominado apatita [3Ca3(PO4)2. e a esponja representa a armação orgânica do esmalte. A figura ao lado ilustra esse fato.

em corte longitudinal. Os . DENTINA Propriedades físicas Nos dentes de indivíduos jovens. cemento e esmalte. mas mais mole que o esmalte. B representa a „cabeça ou corpo‟ dos prismas e A. E é altamente elástica. a dentina está sujeita a deformações leves.Ca(OH)2. Acima: a figura 1 representa os prismas em corte transversal e a figura 2. a „cauda‟ (confronte a figura 1 com o desenho dos prismas mais acima). Cada unidade tem a fórmula química 3Ca3(PO4)2.ais dura que o osso. A porção mineralizada é composta de cristais de apatita como no osso. a dentina tem uma cor amarelo-claro. Ao contrário do esmalte. Cada cristal de hidroxiapatita é composta por milhares de unidades. que é muito quebradiço.As figuras abaixo mostram essas imagens características ao microscópio eletrônico. Propriedades químicas A dentina consiste de 30% de matéria orgânica e 70% de material inorgânico. A substância orgânica é constituída fundamentalmente de fibras colágenas (um tipo de proteína fibrosa) e mucopolissacarídeos. É algo m.

Essa cavidade denomina-se cavidade pulpar ou dentária. a dentina tem a particularidade de ser mais desenvolvida porque encontra-se na coroa e na raiz do dente. formando como que o fuste dentário sobre o qual repousam o esmalte e o cemento.cristais são descritos em forma de placas e muito menores do que os do esmalte. Estrutura Apesar de ser menos resistente do que o esmalte. Estas células emitem prolongamentos citoplasmáticos para dentro dos milhões de túbulos que percorrem a dentina em toda a sua extensão e espessura. Além do mais a dentina limita uma cavidade onde se aloja a polpa dentária. Da superfície da cavidade pulpar até o esmalte (se for dentina coronária – que forma a coroa) ou cemento (se for dentina radicular – que forma a raiz) o trajeto dos túbulos dentinários é algo curvo e lembra a forma de um S. . A figura abaixo mostra uma fotografia da imagem microscópica da dentina costada transversalmente onde se pode notar a abundância dos túbulos dentinários onde a parte da direita representa a parte da esquerda em maior aumento. As células que produzem a dentina são denominadas odontoblastos e estão localizadas em torno da polpa junto à parede de dentina em forma de paliçada como se fosse um epitélio. A figura ao lado mostra a cavidade pulpar e é possível perceber que esta descreve quase que perfeitamente a morfologia externa do dente.

Conseqüentemente os túbulos estão mais separados nas camadas periféricas e mais justapostos nas camadas mais internas. (aumento de 15 000 vezes). Dentro deste canalículos encontra-se também prolongamentos de células nervosas o que explica a alta sensibilidade da dentina. contém o tecido mole do dente. Para que o leitor possa fazer uma melhor idéia do teor de substância orgânica na matriz dentinária a figura ao lado é a imagem ao microscópio eletrônico de varredura de um corte transversal do canalículo e mostra a disposição irregular das fibras colágenas calcificadas ao redor dos canalículos. O número de canalículos perto da cavidade pulpar da dentina é variável e está entre 30 000 e 75 000 por mm2. Cada túbulo tem mais ou menos 1 mícron de diâmetro. determinar a diminuição progressiva desta parte cavitária do dente. Além disso eles são mais largos perto da superfície pulpar (3 a 4 micra – milésimos de milímetro) e se tornam mais estreitos em sua em suas extremidades externas (1 mícron).A relação entre as áreas de superfície no lado externo e interno da dentina é cerca de 5:1. Há mais túbulos por unidade de área na coroa que na raiz. a polpa dentária. Ambas as porções da cavidade pulpar são limitadas pela dentina. . POLPA A cavidade dentária (pulpar). durante a evolulção normal do dentes. com suas porções coronária e radicular. a qual vai.

Os cornos pulpares são tantos quanto as cúspides. canal radicular. comunica-se amplamente com a cavidade central. a parte escura interna ao dente tanto representa a cavidade pulpar como a polpa dentária. O canal radicular se abre na região do ápice da raiz através de um orifício chamado forâmem radicular. A parte desta cavidade que ocupa a coroa do dente é denominada câmara pulpar (ou coronária). Evolução das cavidades pulpares .Na figura acima. Cada prolongamento pulpar. É pelo forâmem que entram. os vasos e nervos que vão irrigar e enervar a polpa (figura ao lado). devido à formação de novas camadas de dentina destinadas a compensar o desgaste exterior. o mesmo acontece com as pontas dos cornos pulpares. ou corno pulpar. Esta parte caracteriza-se pela presença de depressões que nos moldes surgem como elevações correspondentes às cúspides ou às bordas incisais. para dentro da cavidade pulpar. e acompanha (o corno pulpar) o maior ou menor aguçamento da cúspide. Se há desgaste nas pontas das cúspides ou bordas incisais. O teto da câmara coronária corresponde à face oclusal dos pré-molares e molares ou à borda incisal dos dentes anteriores. e a parte que ocupa o interior das raízes.3 a 0.4 mm . cujo diâmetro varia entre 0.

as quais podem ser divididas em dentina secundária e dentina esclerosada. devido à atrição que as faces dentárias sofrem na mastigação. cárie. Esta recebe o nome de dentina primária. ao mesmo tempo. acompanhando a evolução do dente e. Assim pode-se dividir a dentina secundária em dois tipos: a) dentina secundária fisiológica b) dentina formativa ou reparadora a) A dentina secundária fisiológica vai se depositando sobre a dentina primária. b) A dentina reparadora forma-se secundariamente a processos patológicos que incidem sobre o dente. ou então. tais como erosão. A dentina secundária forma-se em condições normais. Entretanto. esta é desorganizada. quer na câmara coronária. A deposição de dentina é contínua até o dente atingir o seu tamanho normal. modificando o volume dessas cavidades. quer no canal radicular. A imagem abaixo realça estes dois tipos de dentina. novas camadas de dentina são depositadas sobre a dentina primária. devido aos fatores apontados. Enquanto que a dentina reparadora é semelhante à primária. decorrentes da própria evolução dos dentes e do indivíduo. da sua atividade funcional e da sua história clínica. Esta deposição dentinária serve para manter sempre uma certa distância entre a superfície do dente e a polpa do órgão. . briquismo ou irritação por certas substâncias irritantes. constantemente. em condições patológicas.O tamanho da câmara pulpar e o calibre dos canais radiculares sofrem influência da idade do dente.

As polpas dos molares são três ou quatro vezes maiores que as dos incisivos. a tendência geral da câmara coronária é reduzir-se a ponto de desaparecer completamente.38 cm3 e o volume médio de cada polpa humana adulta é 0. à semelhança do esmalte.02 cm 3. c) A dentina esclerosada ou transparente pode surgir em qualquer outro tipo de dentina e em qualquer parte do dente.Quer a neoformação dentinária se faça fisiológica ou reparativamente. Normalmente as pessoas tem um total de 52 órgãos pulpares. Sendo mais mineralizada que a dentina primária. Quando isso acontece o dente permanece vitalizado somente graças aos tecidos vizinhos ao redor do dente (periodonto). Caracteriza-se por ser translúcidas e apresentar alto grau de mineralização. evidentemente. mas parece estar relacionada com a idade. A figura abaixo representa a morfologia das polpas dos dentes permanentes. uma forma que coincide com a cavidade pulpar. Eles tem numerosos características morfológicas que são similares. O volume total de todos os órgãos pulpares nos dentes permanentes é 0. . a dentina esclerosada torna-se mais transparente. 32 nos dentes permanentes e 20 nos decíduos. pois aparece mais em dentes de velhos. As setas vermelhas da figura ao lado mostram como aparece a dentina esclerosada quando colocada em cima de uma grelha. Cada um destes órgãos tem. Ela é muito presente em lesões cariosas ou erosões dentárias acentuadas.

Embora o corpo celular esteja. . além de fornecer a nutrição indispensável à vida dos odontoblastos. nutridora. A função sensorial corre por conta de suas fibras sensitivas (fibras aferentes somáticas) que dão a sensibilidade característica da polpa e da dentina. Estruturalmente. A função protetora evidencia-se nos processos inflamatórios que atingem a polpa: formam-se exsudatos que aumentam a pressão intradentária e. sensorial e protetora. nervos e os odontoblastos. portanto. Entretanto lembremos que no dente adulto essa capacidade de neoformação difere quando se considera a função normal do dente (formando dentina primária) ou os processos patológicos que podem afetar a superfície dentária (dentina secundária). inclusive. conseqüentemente. células tronco e é – a polpa . portanto. A polpa desempenha quatro funções importantes: formadora de dentina. vasos. Portanto os odontoblastos estão presentes na polpa (corpo) e na dentina (prolongamentos citoplasmáticos). controlando o fluxo sangüíneo na cavidade dentária. aparecendo o sintoma dor. comprimem os filetes nervosos.A polpa é um tecido mesenquimal que contém.de grande potencialidade formadora de dentina. A função nutridora toma-se importante no dente adulto porque ela mantém os componentes orgânicos embebidos em substâncias vitalizadoras. dentro da cavidade pulpar e. existem fibras motoras (fibras eferentes viscerais) para a musculatura lisa dos vasos pulpares. na polpa. As células que produzem a matriz dentinária são os odontoblastos cujos corpos celulares estão na cavidade pulpar lado a lado forrando as paredes desta cavidade. Ao lado destas fibras sensitivas. estas células emitem prolongamentos citoplasmáticos que adentram os canalículos dentinários. graças aos prolongamentos dos odontoblastos. a polpa caracteriza-se pela presença de tecido conjuntivo frouxo (que é um tecido mole) rico em células onde se destacam os fibroblastos.

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